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Numero do processo: 10940.000576/2002-81
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
A inovação dos argumentos de defesa em sede de recurso, sem que tenha havido fato novo que os justificasse, impede a sua apreciação por afronta ao princípio do contraditório, dado que a matéria não foi apreciada na primeira instância administrativa.
ÔNUS DA PROVA.
A compensação declarada pelo contribuinte fundamentou-se em crédito não comprovado, não tendo havido a apresentação de qualquer elemento de prova que pudesse lastrear a efetiva existência do indébito.
Numero da decisão: 3803-006.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para cancelar a multa de ofício, com base na retroatividade benigna.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Demes Brito, Paulo Renato Mothes de Moraes e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. A inovação dos argumentos de defesa em sede de recurso, sem que tenha havido fato novo que os justificasse, impede a sua apreciação por afronta ao princípio do contraditório, dado que a matéria não foi apreciada na primeira instância administrativa. ÔNUS DA PROVA. A compensação declarada pelo contribuinte fundamentou-se em crédito não comprovado, não tendo havido a apresentação de qualquer elemento de prova que pudesse lastrear a efetiva existência do indébito.
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADA. Nos termos da legislação tributária vigente à época da lavratura do auto de infração, que vigorou até 30 de dezembro de 2003, as diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo decorrentes de pagamento ou compensação não comprovada sujeitamse a lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO. CANCELAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A norma tributária penal mais benéfica retroage para alcançar os fatos anteriores regidos pela norma tributária penal revogada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. A inovação dos argumentos de defesa em sede de recurso, sem que tenha havido fato novo que os justificasse, impede a sua apreciação por afronta ao princípio do contraditório, dado que a matéria não foi apreciada na primeira instância administrativa. ÔNUS DA PROVA. A compensação declarada pelo contribuinte fundamentouse em crédito não comprovado, não tendo havido a apresentação de qualquer elemento de prova que pudesse lastrear a efetiva existência do indébito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 05 76 /2 00 2- 81 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10940.000576/200281 Acórdão n.º 3803006.960 S3TE03 Fl. 163 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para cancelar a multa de ofício, com base na retroatividade benigna. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Demes Brito, Paulo Renato Mothes de Moraes e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 48 a 77) interposto em razão da decisão da DRJ Curitiba/PR (fls. 43 a 44) que julgou improcedente a impugnação do contribuinte (fls. 1 a 2) apresentada para contestar o teor do auto de infração (fls. 19 a 25) em que se exigiram parcelas da Contribuição para o PIS por falta de recolhimento ou pagamento do principal e por declaração prestada de forma inexata. Consta das peças do auto de infração que o contribuinte havia informado em DCTF a extinção do débito declarado em razão da existência de retenção de órgão público, amparada no processo administrativo nº 10980.001597/9728 (fl. 21). Em sua Impugnação, o contribuinte requereu o cancelamento do auto de infração, alegando que inexistia falta de pagamento da contribuição, tendo ocorrido, tão somente, preenchimento errôneo da DCTF, em que constou “compensação de retenção de órgão público”, quando, em verdade, deveria ter sido informado “compensação referente a órgão judicial”, dado que o tributo exigido teria sido objeto de compensação autorizada por decisão judicial. A DRJ Curitiba/PR manteve o lançamento de ofício, considerando que se confirmaram tanto a declaração inexata quanto a falta de recolhimento do tributo, tendo em vista que o contribuinte havia entregue a DCTF em 31 de outubro de 1997, quando inexistia qualquer decisão judicial a ele favorável, o que veio a ocorrer somente em 27 de março de 1998, momento em que o Juiz Federal da 4ª Vara da Seção Judiciária do Paraná julgou procedente a ação e autorizou a compensação dos valores recolhidos a maior a título de contribuição para o PIS com base nos DecretosLei nº 2.445 e 2.449/1988, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Cientificado da decisão em 08/10/2009, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 05/11/2009 e requereu o cancelamento integral do auto de infração, bem como a produção de todos os meios de prova admitidos em direito, a preservação absoluta do seu direito ao sigilo e que as intimações pessoais fossem direcionadas também para o endereço do advogado patrono da causa, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10940.000576/200281 Acórdão n.º 3803006.960 S3TE03 Fl. 164 3 a) houve a extinção do crédito tributário exigido no auto de infração por meio de pagamento integral, tendo ocorrido apenas incorreção no preenchimento da DCTF e da guia de recolhimento; b) pela movimentação do processo judicial nº 97.00259595, bem como pelo contido na petição inicial, na sentença de primeiro grau, no acórdão do Tribunal Regional Federal e na certidão de trânsito em julgado da ação, seria possível constatar o reconhecimento do seu direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de PIS com base nos decretoslei julgados inconstitucionais com parcelas vincendas da mesma contribuição, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/1991; c) não pode ser penalizado com multa de ofício de 75% e nem obrigado a recolher tributo já extinto na forma do art. 156, II, do CTN, por mera incorreção no preenchimento da DCTF; d) o erro de preenchimento da DCTF acarretaria, no máximo, a aplicação de “multa formal”, por existir lei específica mais benéfica, qual seja a Lei nº 10.426/2002; e) a Administração tributária deveria ter revisto o lançamento e efetuado a compensação de ofício dos créditos reconhecidos judicialmente com os débitos declarados em DCTF; f) a autoridade julgadora de primeira instância não apresentou qualquer argumento ou indício de prova da não ocorrência da confessada incorreção, não tendo, quando poderia, convertido o julgamento em diligência para a produção das provas necessárias; g) não lhe foi assegurado o prazo de 30 dias, previsto no art. 47 da Lei nº 9.430/1996, que garante o direito ao recolhimento do tributo após o recebimento do termo de início da fiscalização apenas com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo; h) pelo fato de a contribuição para o PIS se submeter ao lançamento por homologação, não há que se falar em lançamento de ofício, uma vez que existira a antecipação do pagamento e a respectiva declaração; i) a falta de comprovação do direito à compensação de débito declarado acarretaria somente a sua inscrição em dívida ativa, sem aplicação de multa de ofício, esta de caráter confiscatório. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, preenche as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10940.000576/200281 Acórdão n.º 3803006.960 S3TE03 Fl. 165 4 Conforme acima relatado, o auto de infração decorreu da constatação de inexatidão da informação prestada em DCTF acerca da existência de um crédito oriundo de retenção de órgão de público, controlado em um processo administrativo inexistente. No momento da autuação, vigia a Medida Provisória nº 2.158352001, que, em seu art. 90, determinava a realização de lançamento de ofício das diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo decorrentes – dentre outras formas de extinção e suspensão da exigibilidade do crédito tributário – de pagamento e de compensação não comprovados pelo sujeito passivo. Essa determinação vigorou até o advento da Lei nº 10.833, publicada no Diário Oficial da União em 30 de dezembro de 2003, que, em seu art. 18, restringiu a amplitude do lançamento de ofício previsto no art. 90 da referida medida provisória à imposição de multa isolada e, em seu art. 17, §§ 5º a 8º, dotou a declaração de compensação do caráter de confissão de dívida, passível de inscrição em dívida ativa independentemente de prévio lançamento do respectivo crédito tributário. Dessa forma, a autoridade autuante encontravase autorizada a proceder ao lançamento de ofício, dada a ausência de comprovação da extinção do débito declarado, não lhe sendo exigida, no caso, a intimação prévia do interessado, pois que os dados necessários à autuação já haviam sido fornecidos em DCTF pelo próprio sujeito passivo. A redação original do artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835, publicada no Diário Oficial da União em 27/08/2001, assim dispunha: Art.90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensacão ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. A Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, em sua redação original, restringiu o lançamento de ofício previsto na Medida Provisória n° 2.15835/2001 à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida, e apenas nas hipóteses ali especificadas, in verbis: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Posteriormente, tal dispositivo veio a sofrer sucessivas alterações, conforme se depreende das transcrições a seguir: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de Fl. 165DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10940.000576/200281 Acórdão n.º 3803006.960 S3TE03 Fl. 166 5 compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado ou quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 472, de 2009) Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Conforme acima demonstrado, com as alterações do dispositivo supra, o lançamento de ofício deixou de abranger o tributo, restringindose à multa isolada, não mais se prevendo o lançamento da multa proporcional. Portanto, em face da alteração legislativa superveniente que alterou a aplicação da multa de ofício, não abrangendo aquela objeto do auto de infração, e tendo em vista o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa de ofício lançada deve ser exonerada pela aplicação retroativa do art. 18, caput, da Lei n° 10.833/2003, com redação dada pela Lei nº 11.051/2004. Quanto à solicitação de envio das intimações ao endereço do patrono da causa e à garantia de mantença do sigilo das informações constantes dos autos, devese registrar, de pronto, que a atuação da autoridade administrativa é vinculada aos termos da lei, havendo previsão legal assecuratória do direito de sigilo que dispensa pedido da parte nesse sentido, bem como disciplinamento do processo administrativo fiscal que define as formas de intimação do sujeito passivo (art. 23 do Decreto nº 70.235/1972) – dentre as quais não se inclui o envio de intimações ao endereço do advogado –, todas essas regras de observância obrigatória pela Administração tributária, sob pena de responsabilidade. Alega o Recorrente a ocorrência de erro no preenchimento da DCTF, em que deveria ter constado informação acerca da ação judicial que lhe garantiria o direito à compensação e não da retenção do valor do tributo por órgão público. Contudo, conforme consignou a autoridade julgadora de primeira instância, no momento da apresentação da DCTF, o contribuinte não tinha a seu favor qualquer decisão Fl. 166DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10940.000576/200281 Acórdão n.º 3803006.960 S3TE03 Fl. 167 6 judicial que lhe assegurasse o direito de compensar os débitos declarados, dado que a sentença veio a ser prolatada apenas alguns meses depois da data da declaração prestada pelo sujeito passivo. Nesse momento, ainda que o quisesse, encontravase o ora Recorrente impossibilitado de fazêlo, pois inexistia qualquer direito líquido e certo, nos termos exigidos pela art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Além disso, mesmo considerando a tutela judicial autorizativa da compensação da forma arguida, ainda assim, haveria necessidade de o interessado fazer prova do seu pleito, pois o direito à compensação assegurado judicialmente de forma genérica não exime o sujeito passivo de demonstrar o quanto de indébito ocorrera em razão da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLei nº 2.445 e 2.449/1988. Mesmo que os pagamentos efetuados com base nos referidos decretoslei tivessem extrapolado o devido, calculado da forma prevista na Lei Complementar nº 7/1970, há necessidade de se demonstar o quantum seria passível de repetição. Sem essa informação, tornase inviável qualquer procedimento de ofício tendente à extinção do crédito tributário. Para tanto, tornase necessário o acesso à escrituração, aos documentos fiscais e às guias de recolhimento que pudessem comprovar a efetiva existência do indébito. A mera alegação, desprovida de provas, não é apta a favorecer a tese defendida pelo ora Recorrente. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações. Referido dispositivo assim prevê: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) No presente caso, nem na fase de Impugnação, nem no Recurso Voluntário, o interessado se predispôs a demonstrar de forma inequívoca os valores recolhidos a maior, amparandose apenas na decisão judicial que lhe assegurara o direito, sem contudo trazer aos autos qualquer elemento probatório que pudesse comprovar o erro de preenchimento da DCTF e a efetiva ocorrência do indébito alegado. A única prova trazida aos autos pelo Recorrente o desfavorece totalmente, pois, conforme consta das peças da ação judicial acostadas aos autos pelo interessado em sede de recurso, a primeira decisão judicial que garantira o direito à compensação dos valores pagos Fl. 167DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10940.000576/200281 Acórdão n.º 3803006.960 S3TE03 Fl. 168 7 a maior foi posterior à data da entrega da DCTF, quando existia óbice legal à compensação de valores íliquidos e incertos, nos termos do art. 170 do CTN. Ainda que se admitisse o erro no preenchimento da DCTF, ainda assim, não haveria o direito alegado pelo Recorrente, pois, no momento da declaração, inexistia a decisão judicial em que ora se apoia para reverter a situação a ele desfavorável. Além disso, devese registrar que o contribuinte inova em seus argumentos de defesa em sede de recurso voluntário, trazendo novos fundamentos que não foram apresentados no momento da Impugnação, sem que tivesse havido qualquer alteração na questão fática por ele apontada desde o início do trâmite do presente processo. Vejamos. Em sua defesa de 1ª instância, o contribuinte simplesmente alegara a ocorrência de erro no preenchimento da DCTF e a existência de decisão judicial garantindolhe o direito à compensação, sem, contudo, trazer aos autos qualquer informação acerca da efetiva origem do indébito meramente alegado. Após a decisão administrativa de 1ª instância, o contribuinte passa alegar, também, o caráter confiscatório da multa de ofício e a possibilidade de aplicação apenas de uma multa por ele denominada de “formal”. Dada a inovação dos argumentos de defesa, tais questões não serão ora apreciadas, tendo em vista que não foram submetidas ao crivo do contraditório na fase de Impugnação. Diante do exposto, voto por PROVER PARCIALMENTE o recurso voluntário, no sentido de cancelar a multa de ofício, tendo em vista a retroação de norma penal benigna, que deixou de prever a penalidade aplicada, conforme preceitua o art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (CTN). É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 168DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.901436/2008-57
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/1996
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não pode ser utilizado como argumento de defesa para reivindicar crédito no bojo de suposto pagamento efetuado anteriormente à vigência do dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/1996 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não pode ser utilizado como argumento de defesa para reivindicar crédito no bojo de suposto pagamento efetuado anteriormente à vigência do dispositivo legal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/1996 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÃO. PROVA. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A extinção de débitos mediante compensação declarada pelo sujeito passivo condicionase a ulterior comprovação da certeza do crédito utilizado. A ausência da prova da existência do pagamento impossibilita o conhecimento do recurso. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/1996 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não pode ser utilizado como argumento de defesa para reivindicar crédito no bojo de suposto pagamento efetuado anteriormente à vigência do dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 14 36 /2 00 8- 57 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o acórdão da DRJ/Porto Alegre que considerou improcedente a manifestação de inconformidade Despacho decisório da DRF/Porto Alegre não homologou a compensação declarada pela Contribuinte por inexistência do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep perante a Fazenda Nacional, não tendo o órgão de origem localizado o DARF indicado na DComp. Em manifestação de inconformidade a Interessada alegou que o crédito utilizado era decorrente de pagamento indevido sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável, com base no art. 3°, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/1998. Também foi alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração. Em julgamento da lide, a DRJ Porto Alegre considerou que o dispositivo legal invocado não atuou em sua eficácia, dada a falta de sua regulamentação pela RFB, tendo sido revogado em julho de 2000. Aduziu também que a Contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento comprobatório dos repasses, e, portanto, do direito alegado. A decisão foi ementada com segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/1996 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação — Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Compensação não Homologada Cientificada da decisão em 24 de outubro de 2008, sextafeira, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário em 24 de novembro de 2008, em que reitera os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, sustentando, adicionalmente, o seu direito com base na vacatio legis resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98). É o Relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.901436/200857 Acórdão n.º 3803006.884 S3TE03 Fl. 103 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo. Tenhase que somente no recurso voluntário foi apresentado o fundamento da ocorrência de vacatio legis, resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98), para sustentar a legitimidade do crédito utilizado na DComp. Esta matéria não foi prequestionada perante a primeira instância, não se tendo instaurado quanto a ela o litígio. Portanto, não pode ser conhecida. Na parte que se conhece, gizese que passou ao largo da observação do d. Julgador a quo que o motivo da não homologação da compensação declarada foi o DARF originador do crédito indicado na DComp não ter sido localizado. O DARF é de dezembro de 1996. Consta na DComp ter sido pago em 15 de junho de 2003. Improvável que seja fato esta declaração. Daí o sistema não têlo localizado. Assim, apresentavase para a Manifestante, primeiramente, a necessidade de provar o seu recolhimento, ainda que tivesse ocorrido em julho de 1996. Esta prova haveria de estar presente para que a Manifestante pudesse sustentar qualquer argumento de pagamento a maior relativo a ele, além da demonstração contábil/fiscal do alegado indébito Em vista desse lapso, a manifestação de inconformidade poderia ter sido declarada inepta, podendo a decisão de primeira instância ter sido produzida apenas em torno desta prejudicial de mérito, na medida em que a mera prova da existência do pagamento, para contraporse ao resultado da busca feita pelos sistemas da RFB, estava ausente na peça. Entretanto, adentrou no mérito quanto ao fundamento jurídico do pretendido crédito, o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. No recurso voluntário, novamente não há prova de que o DARF indicado existe. Sendo ele referente ao período de apuração dezembro de 1996, o teor da defesa pela exclusão, da base de cálculo, dos valores transferidos a terceiros computados como receitas, uma vez prevista por um uma lei promulgada e publicada anos após este período, 1998, não se coaduna com a pretensão da Recorrente. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10469.722882/2011-85
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. ISENÇÃO
Os rendimentos recebidos em decorrência de aposentadoria por invalidez causada por moléstia grave reconhecida pelo INSS são isentos do imposto de renda nos termos do inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988. Da mesma forma, os valores percebidos em decorrência de ação judicial visando a revisão desses rendimentos também se beneficiam dessa isenção.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que dava provimento parcial. O Conselheiro Ronnie Soares Anderson acompanhou a relatora pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc.
(Acórdão formalizado extemporaneamente, face à impossibilidade de a redatora original, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano, formalizar o acórdão)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JULIANNA BANDEIRA TOSCANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 IRPF. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. ISENÇÃO Os rendimentos recebidos em decorrência de aposentadoria por invalidez causada por moléstia grave reconhecida pelo INSS são isentos do imposto de renda nos termos do inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988. Da mesma forma, os valores percebidos em decorrência de ação judicial visando a revisão desses rendimentos também se beneficiam dessa isenção. Recurso Voluntário Provido.
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PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. ISENÇÃO Os rendimentos recebidos em decorrência de aposentadoria por invalidez causada por moléstia grave reconhecida pelo INSS são isentos do imposto de renda nos termos do inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988. Da mesma forma, os valores percebidos em decorrência de ação judicial visando a revisão desses rendimentos também se beneficiam dessa isenção. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que dava provimento parcial. O Conselheiro Ronnie Soares Anderson acompanhou a relatora pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc. (Acórdão formalizado extemporaneamente, face à impossibilidade de a redatora original, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano, formalizar o acórdão) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 28 82 /2 01 1- 85 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/04/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Na sessão de julgamento, a Conselheira Relatora, Julianna Bandeira Toscano, apresentou o seguinte relatório: "Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF do exercício de 2010, decorrente da omissão de rendimentos no valor de R$193.247,57, resultando na cobrança de imposto suplementar de R$37.940,94, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 41/45), que reproduzo a seguir: 2. O lançamento foi efetuado em razão da constatação da seguinte infração, como descrita às fls. 29 a 33 da notificação de lançamento: 2.1 – omissão de rendimentos recebidos acumuladamente (omissão no valor de R$ 193.247,57, fato gerador em 31/12/2009). Foi considerado no lançamento o imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 7.246,78. 3. Não concordando com a exigência o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2 a 3, juntamente com os documentos de fls. 4 a 29, alegando em síntese: 3.1 – que o valor de R$ 193.247,57 corresponde a rendimentos recebidos do INSS em razão da ação judicial nº 2004.84.00.0088385 relativa a revisão de cálculos de aposentadoria por invalidez; 3.2 – que este valor, adicionado aos honorários advocatícios no montante de R$ 48.311,89, totalizando R$ 241.559,46 foi informado na declaração de ajuste anual do ano calendário de 2009 a título de rendimentos isentos; 3.3 – que requer a restituição do imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 7.246,78; 3.4 – por fim, requer o acolhimento da impugnação e a priorização no julgamento como previsto no art. 71 da Lei nº 10.471/2003. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ em Reife manteve o lançamento, em acórdão cuja a ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2009 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/04/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10469.722882/201185 Acórdão n.º 2802003.002 S2TE02 Fl. 92 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Devem compor a base de cálculo do imposto de renda apurado na declaração de ajuste anual todos os rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte no curso do ano calendário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Destacamse do referido acórdão os seguintes fundamentos: 8. A tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente era regida, na época do fato gerador objeto da presente lide, o ano calendário de 2009, pelo art. 12 da Lei nº 7.713/1988, nos seguintes termos: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. 9. A isenção pleiteada pelo contribuinte referese a rendimentos de aposentadoria por invalidez permanente, como se verifica da certidão emitida pelo INSS (fls. 4) e também por meio dos documentos relativos à ação judicial nº 2004.84.00.0088385 (fls. 9 a 20). 10.Ocorre que tais rendimentos, as aposentadorias por invalidez permanente – quer sejam recebidas continuamente, quer sejam percebidas acumuladamente não são consideradas por lei como rendimentos isentos. 11. No caso houve a percepção da renda pela aquisição da disponibilidade econômica e jurídica dos rendimentos nos termos do art. 43, incisos I e II, da Lei nº 5.172/1966, Código Tributário Nacional (CTN), bem como nos arts. 1º, 2º e 3, todos da Lei nº 7.713/1988e e nos arts. 1º a 3º da Lei nº 8.134/1990, a seguir transcritos: (...) 12. Ressaltese ainda que a não incidência do imposto de renda deve ser prevista em lei e que o art. 39 do Decreto nº 3.000/1999, Regulamento do Imposto de Renda, que consolida os dispositivos legais concessivos de isenções para as pessoas físicas, não contempla as aposentadorias decorrentes de invalidez permanente. 13. Quanto ao pleito para que seja restituído o imposto de renda retido na fonte incidente sobre os rendimentos em questão, devese esclarecer que a autoridade lançadora já os considerou quando da apuração da omissão de rendimentos às fls. 32. 14. Não é possível, portanto, atender o pleito da defesa no sentido de considerar isentos os rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de revisão de aposentadoria por invalidez permanente, por falta de previsão legal. Regularmente intimado em 19 de março de 2012, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 17 de abril de 2012, alegando, em síntese, que teve sua aposentadoria por invalidez concedida pelo Instituto Nacional do Seguro Social em 1990, em razão de ser portador de cardiopatia grave, que tais proventos de aposentadoria jamais sofreram tributação Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/04/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 pelo imposto de renda, que ingressou com ação de revisão do benefício da aposentadoria, razão pela qual recebeu acumuladamente o montante pleiteado. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc Reproduzo abaixo o voto apresentado pela Conselheira Relatora na sessão de julgamento: "O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Em seu recurso o contribuinte insiste que não omitiu rendimentos provenientes da decisão proferida nos autos da Ação nº 2004.84.00.0088385, que os classificou corretamente como isentos recebeu tais valores a título de revisão do valor da aposentadoria, tendo anexado aos autos as copias de certidão emitida pelo INSS (fl. 68), diversos laudos médicos atestando a existência de cardiopatia grave (fls. 67 e 69 a 77) e cópia da petição inicial da mencionada Ação nº 2004.84.00.0088385 (fls. 9 a 13). Da análise dos diversos laudos juntados aos autos com o recurso voluntário, muitos deles emitidos nos idos de 1990, há mais de 20 anos, é possível identificar ser o recorrente portador de doença cardíaca e que o INSS, através do procedimento previsto àquela época, reconheceu, em 1991, a existência de causa para conceder ao mesmo aposentadoria por invalidez. A leitura dos documentos relacionados à Ação Judicial nº 2004.84.00.0088385 (fls. 9 a 13) também não deixa dúvidas de que o montante recebido pelo recorrente no ano calendário de 2010 é decorre do cálculo de revisão desse mesmo benefício de aposentadoria por invalidez. É importante notar que o recorrente anexou, ainda, às fls. 78 a 81, cópia da DIRPF/2010, em que consta declarada como sua natureza da ocupação o código 62, de aposentado e portador de moléstia grave e naquele mesmo exercício declarou o recebimento de um montante de R$187.070,92, a título de proventos de aposentadoria por moléstia grave, o que não foi contestado, em nenhum momento pela autoridade fiscal no momento do lançamento (fls. 29 a 32). A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria por ser o contribuinte portador de moléstia grave está disciplinada no artigo 6º, incisos XXI e XIV, da Lei nº 7.713/88, com a redação dada pelo artigo 47, da Lei nº 8.541/92. O artigo 6º da Lei nº 7.713/88, com as alterações do art. 47 da Lei n° 8.541/92 e art. 30, §2º da Lei nº 9.250/95, estabeleceu a concessão da isenção do IRPF nos seguintes casos: a) os valores recebidos serem de proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço; e b) moléstia prevista no texto legal e comprovada por meio Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/04/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10469.722882/201185 Acórdão n.º 2802003.002 S2TE02 Fl. 93 5 de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios. Desta forma, considerando todos os elementos de prova constantes nos autos, especialmente o fato de que os rendimentos recebidos em decorrência da Ação Judicial nº 2004.84.00.0088385 têm rigorosamente a mesma natureza da aposentadoria por invalidez paga ao contribuinte e considerada isenta pela autoridade fiscal, voto por conhecer do recurso e a ele dar provimento. Julianna Bandeira Toscano Relatora" (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, na qualidade de redator ad hoc Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/04/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 11030.002643/2004-99
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS.
Somente os insumos que se submeteram à incidência da contribuição na operação de aquisição pelo produtor-exportador compõem a base de cálculo do incentivo, situação essa em que não se incluem as aquisições junto a pessoas físicas.
Numero da decisão: 2101-000.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no que tange aos insumos adquiridos de pessoa física. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar (Relator), Antônio Lisboa Cardoso, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Designado o conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido (Presidente), Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martinez López, Domingos de Sá Filho e Antônio Carlos Atulim.
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Somente os insumos que se submeteram à incidência da contribuição na operação de aquisição pelo produtorexportador compõem a base de cálculo do incentivo, situação essa em que não se incluem as aquisições junto a pessoas físicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no que tange aos insumos adquiridos de pessoa física. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar (Relator), Antônio Lisboa Cardoso, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Designado o conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido (Presidente), Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martinez López, Domingos de Sá Filho e Antônio Carlos Atulim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 26 43 /2 00 4- 99 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.002643/200499 Acórdão n.º 2101000.093 S2C1T1 Fl. 103 2 Relatório Na condição de relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pela DRJ Porto Alegre/RS, que muito bem descreve os fatos controvertidos nos autos: Tratase de ressarcimento de crédito presumido do IPI, autorizado pela Lei n° 9.363, de 13/12/1996, em parte negado por despacho decisório da DRF de origem por tratarse de aquisições efetuadas a pessoas físicas. Na manifestação de inconformidade, a interessada esclarece que adquire pedras semipreciosas a garimpeiros e alega que só poderiam ser excluídas da base de cálculo do crédito presumido "as compras de matériaprima de pessoas físicas, se houvesse previsão legal, o que não há" e que o beneficio foi instituído para compensar os exportadores do PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre toda a cadeia e não apenas sobre a última operação. A DRJ Porto Alegre/RS julgou improcedente a manifestação de inconformidade, tendo sido o acórdão ementado da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Tãosomente as aquisições de insumos que sofrerem a incidência do PIS/Pasep e da Cofins geram direito ao crédito presumido do IPI instituído para ressarcimento dessas contribuições. Solicitação Indeferida Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do direito creditório, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomase conhecimento. Considerando o teor da decisão constante da ata de julgamento, encaminho o presente voto, na condição de relator ad hoc, no mesmo sentido do voto exarado no acórdão nº Fl. 103DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.002643/200499 Acórdão n.º 2101000.093 S2C1T1 Fl. 104 3 20219.239, de 6 de agosto de 2008, pelo mesmo redator designado neste processo, que versou sobre a mesma matéria controvertida nos presentes autos: Conselheiro ANTONIO ZOMER, Designado Cuido neste voto apenas da possibilidade de inclusão, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, para ressarcimento da Contribuição para o PIS e da Cofins, dos insumos adquiridos de nãocontribuintes (pessoas físicas ou cooperativas). O crédito presumido de IPI foi instituído pela Medida Provisória nº 948, de 23/03/95, convertida na Lei nº 9.363/96, com a finalidade de estimular o crescimento das exportações do país, desonerando os produtos exportados dos impostos internos incidentes sobre suas matériasprimas e visando permitir maior competitividade destes no mercado internacional. O art. 12 da Lei nº 9.363/96 dispõe que o crédito presumido tem natureza de ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para a utilização no processo produtivo, verbis: "Art. 12 A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nº 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo." (negritei) O Crédito Presumido é um beneficio fiscal, e sendo assim, a sua lei instituidora deve ser interpretada restritivamente, a teor do disposto no art. 111 do Código Tributário Nacional CTN, para que não se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes. Com efeito, tratandose de normas nas quais o Estado abre mão de determinada receita tributária, a interpretação não admite alargamentos do texto legal. Nesse sentido, Carlos Maximiliano, discorrendo sobre a hermenêutica das leis fiscais, ensina: "402 — III O rigor é maior em se tratando de disposição excepcional, de isenções ou abrandamentos de ônus em proveito de indivíduos ou corporações. Não se presume o intuito de abrir mão de direitos inerentes à autoridade suprema. A outorga deve ser feita em termos claros, irretorquíveis; ficar provada até a evidência, e se não estender além das hipóteses figuradas no texto; jamais será inferida de fatos que não indiquem irresistivelmente a existência da concessão ou de um contrato que a envolva. No caso, não tem cabimento o brocardo célebre; na dúvida, se decide contra as isenções totais ou parciais, e a favor do fisco; ou, melhor, presumese não haver o Estado aberto mão de sua autoridade para exigir tributos." Destarte, a empresa paga o tributo embutido no preço de aquisição do insumo e recebe, posteriormente, a quantia Fl. 104DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.002643/200499 Acórdão n.º 2101000.093 S2C1T1 Fl. 105 4 desembolsada sob a forma de crédito presumido compensável com o IPI e, na impossibilidade de compensação, na forma de ressarcimento em espécie. O art. 1º, retrotranscrito, restringe o beneficio ao "ressarcimento de contribuições [...] incidentes nas respectivas aquisições", referindose o legislador ao PIS e à Cofins incidentes sobre as operações de vendas faturadas pelo fornecedor para a empresa produtora e exportadora, ou seja, nesse caso, se as vendas de insumos efetuadas pelo fornecedor não sofreram a incidência das contribuições, não há como enquadrálas no dispositivo legal. Há quem sustente que o percentual de cálculo do incentivo (5,37%) é superior ao empregado no cálculo das contribuições que visa ressarcir e que, por isso, o incentivo alcançaria todas as aquisições, inclusive aquelas que não sofreram a incidência das referidas contribuições. Entretanto, o fato de o crédito presumido visar a desoneração de mais de uma etapa da cadeia produtiva não autoriza que se interprete extensivamente a norma, concedendo o incentivo a todas as aquisições efetuadas pelo contribuinte. Alfredo Augusto Becker, ao se referir à interpretação extensiva, assim se manifestou: "... na extensão não há interpretação, mas criação de regra jurídica nova. Com efeito, o intérprete constata que o fato por ele focalizado não realiza a hipótese de incidência da regra jurídica; entretanto, em virtude de certa analogia, o intérprete estende ou alarga a hipótese de incidência da regra jurídica de modo a abranger o fato por ele focalizado. Ora, isto é criar regra jurídica nova, cuja hipótese de incidência passa a ser alargada pelo intérprete e que não era a hipótese de incidência da regra jurídica velha." (negritei) Ora, se a interpretação extensiva cria regra jurídica nova, é claro que sua aplicação é vedada pelo art. 111 do CTN, quando se trata de incentivo fiscal. Assim, não há como ampliar o disposto no art. 1º da Lei nº 9.363/96, que limita expressamente o incentivo fiscal ao ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições do produtorexportador, não o estendendo a todas as aquisições da cadeia comercial do produto. Desta forma, se em alguma etapa anterior da cadeia produtiva do insumo houve o pagamento de PIS e de Cofins, o ressarcimento tal como foi concebido não alcança esse pagamento específico. Se fosse assim não haveria necessidade de a norma especificar que se trata de ressarcimento das contribuições incidentes sobre as respectivas aquisições, ou, o que dá no mesmo, incidentes sobre as aquisições do produtor exportador. Reforça tal entendimento o fato de o art. 52 da Lei nº 9.363/96 prever o imediato estorno da parcela do incentivo a que faz jus o produtorexportador quando houver restituição ou compensação da contribuição para o PIS e da Cofins pagas pelo fornecedor de matériasprimas na etapa anterior, ou seja, o estorno da parcela Fl. 105DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.002643/200499 Acórdão n.º 2101000.093 S2C1T1 Fl. 106 5 de incentivo que corresponda às aquisições de fornecedor que obteve a restituição ou compensação dos referidos tributos. Ora, se há imposição legal para estornar a correspondente parcela de incentivo na hipótese em que a contribuição paga pelo fornecedor foilhe, posteriormente, restituída, não se pode utilizar, no cálculo do incentivo, as aquisições em que este mesmo fornecedor não arca COM o tributo na venda do insumo. Pensar de outra forma levaria à conclusão absurda de que o legislador considera, no cálculo do incentivo, o valor dos insumos adquiridos de fornecedor nãocontribuinte, que não pagou a contribuição, e nega esse direito quando há o pagamento com posterior restituição. As duas situações são em tudo semelhantes, mas na primeira haveria direito ao incentivo sem que houvesse o ônus do pagamento da contribuição e na segunda não. Ressaltese, ainda, que a norma incentivadora também prevê, em seu art. 3º, que a apuração da Receita Bruta, da Receita de Exportação e do valor das aquisições de insumos será efetuada nos termos das normas que regem a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtorexportador. A vinculação legal da apuração do montante das aquisições às normas de regência das contribuições e ao valor da nota fiscal do fornecedor confirma o entendimento de que devem ser consideradas, no cálculo do incentivo, somente as aquisições de insumos que sofreram a incidência direta das contribuições. A negação dessa premissa tornaria supérflua a disposição do art. 3º da Lei nº 9.363/96, contrariando o principio elementar do direito que prega que a lei não contém palavras vãs. Portanto, o que se vê é que o legislador foi judicioso ao elaborar a norma que deu origem ao incentivo, definindo sua natureza jurídica, os beneficiários, a forma de cálculo, os percentuais e a base de cálculo, não havendo razão para o intérprete supor que a lei disse menos do que deveria e crie, em conseqüência, exceções à regra geral, alargando o incentivo fiscal para hipóteses não previstas. Ademais, o Poder Judiciário já se manifestou contrariamente à inclusão das aquisições de nãocontribuintes no cálculo do crédito presumido de 1P1, conforme se depreende do Acórdão AGTR 32877CE, julgado em 28/11/2000, pela Quarta Turma do TRF da 5ª Região, sendo relator o Desembargador Federal Napoleão Maia Filho, cuja ementa tem o seguinte teor: "TRIBUTÁRIO. LEI 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI A TÍTULO DE RESSARCIMENTO DO PIS/PASEP E DA COFINS EM PRODUTOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E/OU RURAIS QUE NÃO SUPORTARAM O PAGAMENTO DAQUELAS CONTRIBUIÇÕES. AUSÊNCIA DE FUMUS BONI JURES AO CREDITAMENTO. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.002643/200499 Acórdão n.º 2101000.093 S2C1T1 Fl. 107 6 I. Tratandose de ressarcimento de exações suportadas por empresa exportadora, tal como se dá com o beneficio instituído pelo art. 1º da Lei 9.363/96, somente poderá haver o crédito respectivo se o encargo houver sido efetivamente suportado pelo contribuinte. 1. Sendo as exações PIS/PASEP e COFINS incidentes apenas sobre as operações com pessoas jurídicas, a aquisição de produtos primários de pessoas físicas não resulta onerada pela sua cobrança, daí porque impraticável o crédito de seus valores, sob a forma de ressarcimento, por não ter havido a prévia incidência ..." O mesmo entendimento foi esposado pelo Desembargador Federal do TRF da 5ª Região, no AGTR 33341PE, Processo nº 2000.05.00.0560937, que, à certa altura do seu despacho, asseverou: 'A pretensão ao crédito presumido do IPI, previsto no art. 1º da Lei 9.363, de 13.12.96, pressupõe, nos termos da nota referida, o ressarcimento das contribuições de que tratam as leis complementares nº 07, de 07 de setembro de 1970; 08, de 03 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem' utilizados no processo produtivo do pretendente. ºOra, na conformidade do que dispõem as leis complementares a que a Lei n 9.363/96 faz remição, somente as pessoas jurídicas estão obrigadas ao recolhimento das contribuições conhecidas por PIS, PASEP, e COFINS, instituídas por aqueles diplomas, sendo intuitivo que apenas sobre o valor dos produtos a estas adquiridos pelo contribuinte do IPI possa ele se ressarcir do valor daquelas contribuições a fim de se compensar com o crédito presumido do imposto em referência. Não recolhendo os fornecedores, quando pessoas físicas, aquelas contribuições, segue não ser dado ao produtor industrial adquirente de seus produtos, compensarse de valores de contribuições inexistentes nas operações mercantis de aquisição, pois o crédito presumido do IPI autorizado pela Lei n°9.363/96 tem por fundamento o ressarcimento daquelas contribuições, que são recolhidas pelas pessoas jurídicas ...." Essas decisões judiciais evidenciam o acerto do entendimento aqui exposto, no sentido de que não há incidência da norma jurídica instituidora do crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS e da Cofins, quando estas contribuições não forem exigíveis nas operações de aquisição, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo da empresa produtora e exportadora. Ante o exposto, nego provimento ao recurso quanto aos insumos adquiridos de nãocontribuintes, por entender que estes custos Fl. 107DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.002643/200499 Acórdão n.º 2101000.093 S2C1T1 Fl. 108 7 não devem integrar a base de cálculo do crédito presumido do IPI. Diante do exposto, o voto é encaminhado no sentido de negar provimento ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 108DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10283.721300/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
RECURSO DE OFÍCIO. BASES NEGATIVAS DE CSLL.
Restando devidamente comprovado nos autos a consistência das apontadas bases negativas de CSLL, irretocáveis, verificam-se, são as considerações trazidas pela r. decisão de primeira instância, sendo mantida, portanto, a exoneração realizada.
PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. NATUREZA INQUISITÓRIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O procedimento de fiscalização representa o momento em que a autoridade fazendária pratica atos e lavra termos objetivando reunir elementos para uma eventual formalização de exigência fiscal. Nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, a fase litigiosa do procedimento é instaurada a partir da apresentação de impugnação à exigência formalizada, ocasião em que o contribuinte passa exercer o seu direito de defesa, descabendo falar em cerceamento desse referido direito antes da inauguração do litígio.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PIC. IDENTIDADE/SIMILARIDADE DOS PRODUTOS CONSIDERADOS
A simples divergência nominal dos produtos considerados não se mostra suficiente para a desconsideração da identidade/similaridade promovida pela contribuinte.
De acordo com as disposições da IN SRF 243/2002, necessária se mostra a análise das características qualitativas do produto considerado para fins de poder qualificá-lo como idêntico e/ou similar, sendo, a esse respeito, completamente imprestáveis as considerações em relação ao seu nome ou mesmo as quantidades em que é comercializada.
Numero da decisão: 1301-001.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e, em relação ao Recurso Voluntário: a) por unanimidade de votos, declarar definitivo o lançamento em relação à matéria em relação à qual não tratou o recurso, qual seja, a representada pelas diferenças na apuração promovida pelos agentes da fiscalização no que tange à aplicação do método PIC sobre os produtos em relação aos quais a contribuinte não apresentou a respectiva e necessária documentação relativa ao cálculo do preço parâmetro; b) por maioria de votos, REJEITAR A PRELIMINAR DE NULIDADE por cerceamento ao direito de defesa, vencido o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator), designando-se como redator do voto vencedor em relação a essa preliminar o conselheiro Wilson Fernandes Guimarães; e c) no mérito, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO para a matéria remanescente, vencido o Conselheiro Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado), que votava pela nulidade da decisão de primeira instância. Ausente justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, (Presidente). O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Bruno Batista Mannarino, OAB/SP nº 308.647.
(Assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
(Assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (Presidente), Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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BASES NEGATIVAS DE CSLL. Restando devidamente comprovado nos autos a consistência das apontadas bases negativas de CSLL, irretocáveis, verificamse, são as considerações trazidas pela r. decisão de primeira instância, sendo mantida, portanto, a exoneração realizada. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. NATUREZA INQUISITÓRIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O procedimento de fiscalização representa o momento em que a autoridade fazendária pratica atos e lavra termos objetivando reunir elementos para uma eventual formalização de exigência fiscal. Nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, a fase litigiosa do procedimento é instaurada a partir da apresentação de impugnação à exigência formalizada, ocasião em que o contribuinte passa exercer o seu direito de defesa, descabendo falar em cerceamento desse referido direito antes da inauguração do litígio. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PIC. IDENTIDADE/SIMILARIDADE DOS PRODUTOS CONSIDERADOS A simples divergência nominal dos produtos considerados não se mostra suficiente para a desconsideração da identidade/similaridade promovida pela contribuinte. De acordo com as disposições da IN SRF 243/2002, necessária se mostra a análise das características qualitativas do produto considerado para fins de poder qualificálo como idêntico e/ou similar, sendo, a esse respeito, completamente imprestáveis as considerações em relação ao seu nome ou mesmo as quantidades em que é comercializada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 13 00 /2 00 8- 16 Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e, em relação ao Recurso Voluntário: a) por unanimidade de votos, declarar definitivo o lançamento em relação à matéria em relação à qual não tratou o recurso, qual seja, a representada pelas diferenças na apuração promovida pelos agentes da fiscalização no que tange à aplicação do método PIC sobre os produtos em relação aos quais a contribuinte não apresentou a respectiva e necessária documentação relativa ao cálculo do preço parâmetro; b) por maioria de votos, REJEITAR A PRELIMINAR DE NULIDADE por cerceamento ao direito de defesa, vencido o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator), designandose como redator do voto vencedor em relação a essa preliminar o conselheiro Wilson Fernandes Guimarães; e c) no mérito, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO para a matéria remanescente, vencido o Conselheiro Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado), que votava pela nulidade da decisão de primeira instância. Ausente justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, (Presidente). O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Bruno Batista Mannarino, OAB/SP nº 308.647. (Assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. (Assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (Presidente), Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado). Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Em face da adequada correlação com os elementos contidos nos autos, reproduzo aqui o relatório oferecido pela r. decisão de primeira instância: Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 0522, relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, ano(s)calendário 2003, com crédito total apurado no valor de R$ 9.536.561,64, incluindo o principal, a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 28/11/2008. De acordo com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): Falta de adição ao lucro liquido da parcela de custos referente ao preço de transferência. Para fundamentar a exação a Autoridade Lançadora assevera (fls. 0711): Lançamento tributário referente ao ano calendário de 2003. Importação de matériasprimas de pessoa jurídica vinculada. Operações sujeitas ao regime do preço de transferência. Crédito tributário decorrente da apuração de excesso de custos dos bens importados. Para a determinação do preço parâmetro o contribuinte optou pelo método dos Preços Independentes Comparados (PIC), conforme consta da DIPJ do calendário de 2003. E utilizou como comprovantes dos preços independentes diversos documentos de operações de compra e venda ("invoices") nos quais aparece como fornecedor das mercadorias a empresa Konica Corporation, sede no exterior, e como adquirentes outras pessoas jurídicas também estabelecidas no exterior. Então, de início, para saber se é possível utilizar o método PIC (art. 8°, da IN SRF n° 243, de 11.11.2002), cabe analisar se as mercadorias objeto dessas operações mercantis podem ser enquadradas no conceito de idênticas similares às mercadorias importadas pelo contribuinte da empresa Nichimen Corporation. O conceito de idêntico é aplicável àquilo "que é exatamente igual" ou "perfeitamente igual" a outro, conforme consta dos dicionários. Maria Helena Diniz define idêntico como "o que é perfeitamente igual a outro, por apresentar as mesmas propriedades " (Dicionário Jurídico, vol. 2, Saraiva, 1998) E o conceito de similar, para efeito da apuração do preço parâmetro, é o constante do art. 28, da IN SRF n° 243/2002: "Art. 28. Para efeito desta Instrução Normativa, dois ou mais bens, em condições de uso na finalidade a que se destinam, serão considerados similares quando, simultaneamente: I tiverem a mesma natureza e a mesma função; Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 5 4 II puderem substituirse mutuamente, na função a que se destinem; III tiverem especificações equivalentes." Com base nessas premissas passamos a analisar os documentos. A Planilha 1 mostra que foram importados do mesmo fornecedor (Nichimen Corporation) oito tipos distintos de papéis. E afirmamos que são distintos porque só a necessidade de identificálos com nomes diversos já é suficiente para revelar que não são produtos idênticos (perfeitamente iguais). Ou, dito de outro modo, não teria lógica identificar produtos iguais com nomes diferentes. A partir dessa constatação isolamos cada tipo de papel fornecido pela Nichimen Corporation para comparálos com os tipos de papéis com nomes assemelhados fornecidos pela Konica Corporation para terceiros. Na Planilha 2 comparamos os tipos de papéis cuja característica comum é o termo "Glossy". Pelos dados informados na planilha (retirados das invoices), não é possível afirmar que os produtos fornecidos pela Nichimen Corporation sejam idênticos (perfeitamente iguais) aos fornecidos pela Konica Corporation a terceiros. Os próprios nomes indicam diferenças. O papel fornecido pela Nichimen Corporation é identificado como "Konica Photographic Paper Glossy", enquanto os papéis fornecidos pela Konica Corporation são identificados como "Hyondae Color Paper QAGlossy", "Konica PC Print Paper Type SR* Glossy" e "Konica Color QA Paper Type A7E* Glossy". Daí concluirmos que, embora o fornecedor do produto para terceiros seja o mesmo (Konica Corporation), os papéis tipo Glossy fornecidos guardam diversidade entre si na identificação, o que demonstra que também não são idênticos na sua composição ou especificação. Restaria a possibilidade de esses papéis serem considerados similares. Mas quanto a isso o ônus de comprovar a similaridade caberia ao contribuinte. Ele tem a faculdade de escolher o método de apuração do preço parâmetro (art. 4°, IN SRF 243/2002), mas cabelhe o encargo de colher as provas necessárias para demonstrar que os três requisitos do conceito de similaridade estão presentes. Apenas as invoices são insuficientes para atingir esse propósito. Outros elementos de prova que poderiam ser utilizados estão relacionados no art. 29, da IN SRF 243/2002. No decurso do procedimento de fiscalização o contribuinte recorreu a peritos para tentar resolver a questão, contudo estes ativeramse a elaborar o cálculo dos preços médios das mercadorias, provavelmente partindo do pressuposto de que as mercadorias são idênticas ou similares, mas isto não está demonstrado categoricamente nas provas apresentadas. Na Planilha 3 comparamos os tipos de papéis Matte. Aqui também encontramos diferenças na identificação dos papéis. O papel fornecido pela Nichimen Corporation é identificado como Konica Photographic Paper Matte, enquanto os papéis fornecidos pela Konica Corporation são identificados como Konica Colar QA Paper Type A7E* Matte. Cabem, neste tópico, os mesmos comentários que emitimos acima sobre os conceitos de idêntico e similar referentes às mercadorias mencionadas na Planilha 2. Quanto aos papéis identificados na Planilha 1 como "Konica Photographic Paper QAA7FAGK", "Konica Photographic Paper QAA7FANK", "Konica Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 6 5 Photographic Paper QAA7FAGE", "Konica Photographic Paper QAA7F EK MR EMULSION U7434", "Konica Photographic Paper QAA7F EK ME" e "Konica Photographic Papar QAAD GZ MR" não foram apresentadas invoices que trouxessem dados comparativos referentes ao fornecimento desses produtos a terceiros (v. relação na Planilha 4). Observese que esses papéis representam a maior parte dessa matériaprima importada. Em vista do exposto não consideramos possível adotar o método dos Preços Independentes Comparados (PIC) para a apuração do preço parâmetro das matériasprimas citadas. Utilizamos como sucedâneo o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), de acordo com o disposto no art. 40, parágrafo único, da IN SRF n ° 243/2002. O contribuinte forneceu as informações necessárias para o cálculo do preço de transferência pelo método PRL, especificando os produtos fabricados e seus dados referentes às vendas e às composições de custos dos produtos vendidos, conforme planilhas anexas. A partir destas, fizemos algumas modificações forma das planilhas, mas sem alterar os valores (v. planilhas de Cálculo do Preço de Transferência) O contribuinte, nas suas planilhas dos produtos fabricados, faz referência papéis identificandoos com os termos QAA7AGA, QAA7AMA e QAA7ALA, que não coincidem com a identificação dos papéis nas invoices. Isto impediu que se fizesse uma apropriação específica do consumo dessa matériaprima na elaboração dos produtos, em virtude de não se poder compatibilizar as entradas (importações) com as saídas de estoque para produção. Em vista desse fato, no cálculo do excesso de custo, optamos por considerar o consumo de papéis distinção, conforme mostramos nas planilhas de cálculo do excesso de custos. para estabelecer um preço parâmetro comum aos papéis, optamos por calcular média ponderada dos diversos preços parâmetros encontrados nas planilhas cálculo do preço de transferência, dos produtos específicos que utilizam o papel como insumo (v. planilha anexa) O cálculo das quantidades das matériasprimas que compõem os custos dos produtos vendidos foi efetuado com base em planilha fornecida pelo contribuinte, que especifica as matériasprimas utilizadas na produção. Quanto à matériaprima filme, na Planilha 1 verificase que foram importados do mesmo fornecedor (Nichimen Corporation) onze tipos diferentes de para os filmes também foram feitas as comparações entre os produtos importados pelo contribuinte do fornecedor Nichimen Corporation e os produtos fornecidas pela Konica Corporation para terceiros. Neste caso consideramos razoável a referência aos elementos identificadores dos produtos, dai seguirmos o método PIC, adotado pelo contribuinte, quando possível. Apesar de utilizarmos o mesmo método, ainda assim nem sempre corroboramos o resultado apresentado pelo contribuinte, conforme demonstramos a seguir. Na Planilha 5 isolamos, para efeito de comparação, os filmes "VXSuper 100 ex.". Apenas uma invoice de venda da Konica Corporation para terceiro (BX553A) se encaixou nessa característica, cujo preço da operação é de 285,74 reais, o qual foi adotado como preço parâmetro. Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 7 6 Na Planilha 6 comparamos os filmes "VXSuper 100 24 ex. ". Duas invoices vendas da Konica Corporation para terceiro se encaixaram nessa característica, a BJ663A e a BX553A. O preço médio ponderado da mercadoria, calculado para essas duas invoices, é de 327,73 reais, adotado como preço parâmetro. Na Planilha 7 comparamos os filmes "VXSuper 100 36 ex.". Duas invoices vendas da Konica Corporation para terceiro se encaixaram nessa característica, a BJ663A e a BX553A. O preço médio ponderado da mercadoria, calculado para essas duas invoices, é de 306,21 reais, adotado como preço parâmetro. Na Planilha 8 comparamos os filmes "VXSuper 400 36 ex.". Apenas uma invoice de venda da Konica Corporation para terceiro se encaixou característica (BX553A), cujo preço unitário da mercadoria é de 316,86 reais, adotado como preço parâmetro. Na Planilha 9 comparamos os filmes "ISO 100 Centúria Super 36 ex.". Duas invoices de vendas da Konica Corporation para terceiros se encaixaram nessas características, a AL645A e a BX553A. O preço médio ponderado da mercadoria, calculado para essas duas invoices, é de 438,02 reais, adotado como parâmetro. No cálculo do preço médio levamos em conta, para a invoice AL645A, que a unidade de 1 box com 2 rolos de 35mmX305m corresponde a 1 rolo de 35mmX610m das demais. Na Planilha 10 comparamos os filmes "ISO 400 Centúria Super 36 ex. ". Duas invoices de vendas da Konica Corporation para terceiros se encaixaram nessas características, a AL645A e a BX553A. O preço médio ponderado da mercadoria, calculado para essas duas invoices, é de 423,78 reais. No cálculo do preço médio levamos em conta, para a invoice AL645A, que a unidade de 1 box com 2 rolos de 35mmX305m corresponde a 1 rolo de 35mmX610m das demais. Para os filmes identificados (na Planilha 1) com as características "VXSuper 400 12 ex", "VX—Super 400 24 ex.", "ISO100 Centúria Super 24 ex." e "ISO400 Centúria Super 24 ex.", não foram apresentadas invoices que trouxessem dados comparativos referentes ao fornecimento desses produtos a terceiros (v. relação das invoices na Planilha 11) Para os dois primeiros o preço parâmetro foi calculado pelo método PRL, de modo semelhante ao utilizado com os papéis, e com as informações também fornecidas pelo contribuinte. Para os dois últimos não foram efetuados os cálculos devido à pequena quantidade dos produtos em relação à totalidade. Os filmes "Exposed film 35x610" foram utilizados como teste ou consumo, não sendo usados na produção. Esclarecemos que em todos os cálculos de excesso de custo foi considerada a margem de divergência prevista no art. 38, da IN SRF n° 243, de 11.11.2002. Sobre a exigência principal foi aplicada a multa de ofício 75 %. Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 8 7 O sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 23/12/2008 (fls. 06 e 15) e apresentou sua impugnação em 21/01/2009 (fls. 383442), na qual alegou em síntese que: Da desconsideração do método PIC 1. O raciocínio desenvolvido pelo AFRFB, com base no conceito semântico de "idêntico", para distinguir produtos é desprovida de prova e fundamentação; 2. Se o AFRFB entendeu que os produtos comparados não guardavam similaridade deveria (i) ter colhido amostras do material e encaminhado para análise por departamento/órgão competente ou (ii) intimado por escrito a impugnante para que apresentasse documentos que comprovassem a identidade ou similaridade dos produtos; 3. Produtos idênticos podem ter nomes distintos em função da lógica comercial ou de controles internos; As mercadorias importadas foram comparadas com outras comercializadas no exterior, sendo, portanto, razoável se distinguir as mercadorias em função do mercado e de seu destinatário; 5. Há julgados entendendo que, ao aplicar o preço PIC, a fiscalização deve instruir o auto de infração com depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação da similaridade entre os produtos comparados, sob pena nulidade. De efeito, aplicandose o raciocínio inverso, temse que a não similaridade também deve vir acompanhada das respectivas provas; 6. Mesmo que se entenda ser do contribuinte o ônus de comprovar a identidade ou similaridade das mercadorias, não foi regularmente notificada para tanto; 7. A conclusão da fiscalização pela não identidade ou similaridade das mercadorias deveria vir acompanhada de um laudo técnico ou de documentos hábeis que confirmassem a afirmação; 8. Não há previsão legal para os AFRFB analisem materiais e cheguem a conclusões sobre suas especificações técnicas, químicas ou físicas; 9. A falta de intimação do contribuinte para justificar a similaridade/identidade das mercadorias representa um cerceamento do direito de defesa; Da comprovação do preço PIC dos papéis 10. Os papéis Konica Photographic Paper "QAA7FAGK", "QAA7FANK", "QAA7FAGE", "QAA7FEK MR EMULSION U7434", "EK MR" e "QAAD GZ MR" não possuem especificações distintas dos papéis indicados nas invoices, a saber, "Konica Color QA Paper Type A7E GLOSSY 1524MM x 1M (1RL/PLT)", "Hyondae Color Paper Type AQGLOSSY 1524MM x 1M (1RL/PLT)" e "Konica Color QA Paper Type A7E MATTE 1524MM x 1M (1RL/PLT)". Tratase de produtos tipo A7, diferenciados apenas pela textura da superfície, a saber, a brilhante, ou "Glossy", e a fosca, ou "Marte"; Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 9 8 11. De acordo com as declarações da Konica Minolta Photo Imaging Inc (fls. 499529), as mercadorias com denominações "Konica Photographic Paper GLOSSY 1524MM x 1M", "Konica Photographic Paper QAA7F AGK 1524MM x 1M", "Konica Photographic Paper MATTE 1524MM x 1M" e "Konica Photographic Paper QAA7F ANK 1524MM x 1M", referemse todas ao mesmo papel fotográfico, designado "Konica Color QA Paper Type A7", por sua vez destinado a impressões coloridas de qualidade superior a partir de uma ampla variedades de filmes coloridos e compatível com impressões de qualidades superiores para mídias digitais; 12. As especificações técnicas do papel "Konica Color QA Paper Type A7", e seus similares, estão indicadas nos quadros às folhas 413 416; 13. A IN 243/02 autoriza a comparação, para fins PIC, com mercadorias comercializadas entre outras pessoas jurídicas não vinculadas; 14. Se a IN 243/02 autoriza considerar idênticos, para fins PIC, produtos negociados em condições, quantidade e conteúdos diversos, não se exige, portanto, que eles sejam "perfeitamente iguais"; 15. Trechos da Declaração de folhas 499529 permitem inferir que alguns produtos, com denominações diferentes, são idênticos. A exemplo, "Konica Photographic Paper GLOSSY 1524MM x 1M" e Konica Color QA Paper Type A7E GLOSSY 1524MM x 1M (ÍRL/PLT)"; 16. Junta à Declaração (fls. 499529) as especificações técnicas do Papel Konica Color QA Paper Type, em inglês, que depois será traduzido ao idioma oficial; 17. Se não podem ser considerados idênticos, os produtos devem ser no mínimo similares, nos termos do art. 28 da IN 243/02, pois: a. Possuem a mesma natureza e mesma função; b. Por possuírem a mesma finalidade e utilidade, podem se substituir mutuamente na função a que se destinam; c. Possuem a mesma especificação técnica, divergindo unicamente na textura da superfície (fosca ou brilhante); 18. No caso dos produtos serem similares, poderiam, nos termos do art. 10 da IN 243/02, serem ajustados em função da natureza física e do conteúdo; 19. Junta declarações de seus clientes, afirmando o recebimento único de papéis "Konica Color QA Paper A7", com superfícies brilhantes, "Glossy", ou foscas, "Matte" (Doe 4 fls. 530546); Da comprovação do preço PIC dos filmes 20. Em relação aos filmes "VXSuper 400 12 ex.", "VX—Super 400 24 ex.", apresentou "invoices" de produto similar, o "VXSuper 400 36 ex.", que se Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 10 9 diferencia apenas na quantidade de poses, devendo ser aceito e ajustado, nos termos do art. 10 da IN 243/92; 21. A fiscalização poderia ter efetuado o ajuste entre estes produtos similares em razão do comprimento do filme, na forma do art. 10 da IN 243/02. Da ilegalidade da IN 243/02 22. A IN 243/02 inovou ao estabelecer uma metodologia mais gravosa para o cálculo do PRL60, não prevista no art. 18 da Lei n° 9.430/96, com as modificações introduzidas pela Lei n° 9.959/00, devendo, portanto, sua aplicação ser afastada pela ilegalidade; Do cálculo PRL60 23. Na apuração do preço parâmetro do "papelfotográfico QAA7A", a autoridade fiscal deveria extrair das informações fiscais e contábeis da Impugnante o valor praticado na venda de cada m2 do produto ao longo do ano calendário 2003, considerando o estoque no início do exercício (Io jan), para depois encontrar a média ponderada do preço de venda de cada produto em função da quantidade de bens vendidos, mas que, no entanto, a despeito da desconsideração de similaridade dos produtos, utilizou a média ponderada do preço de revenda de todos os papéis fotográficos, assumindo que todos estes teriam sido vendidos pelo recorrente pelo mesmo preço de revenda; 24. Da mesma forma, a autoridade fiscal procedeu no que diz respeito ao cálculo do preço parâmetro dos filmes fotográficos; 25. A Autoridade Lançadora não considerou os valores de Imposto sobre Importação II, pagos pela impugnante e alocados na conta contábil 5.1.2.04.001 Imposto Federais (fls. 547554), conforme determina o §4° do art. 4o da IN 243/02; 26. A fiscalização deduziu indevidamente no cálculo do preço parâmetro a parcela não cumulativa do ICMS (créditos de ICMS a recuperar), escriturados na conta 1.1.5.01.001 (fls. 555570), considerando o valor cheio do tributo, quando, na verdade, o crédito a recuperar do tributo não integra o valor da venda; 27. A fiscalização não observou a regra de câmbio definida pelo art. 7o da IN 243/02, com a redação dada pela IN 321/2003, segundo a qual, todos os valores em moeda estrangeira, na importação de bens, passaram a ser convertida em reais pela taxa de câmbio de venda correspondente ao segundo dia útil imediatamente anterior ao do registro da declaração de importação de mercadoria submetida a despacho para consumo; 28. É ônus da fiscalização comprovar o escorreito cálculo dos valores exigidos do contribuinte; Da compensação dos prejuízos fiscais Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 11 10 29. A fiscalização não considerou, na formação da base de cálculo dos tributos lançados, a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores, cujo saldo acumulado para o ano 2003 era de R$ 1.902.263,82, conforme registros no Livro de Apuração do LUCROLALUR (fls. 571578); Do pedido de perícia 30. No caso de permanência de dúvidas quanto à similaridade dos produtos, requer a realização de perícia técnica e contábil, nos termos indicados às folhas 439441. Em 13/02/2009, a recorrente requereu ajuntada da via original e tradução juramentada da declaração da Konica Minolta Photo Imaging, fabricante dos produtos utilizados, e da via original das declarações dos clientes, afirmando que teriam recebido apenas papéis "Konica Color QA Paper A7", com superfícies brilhante, "Glossy", ou fosca, "Matte",em diferentes bitolas e quantidades (fls. 582615). O processo baixou em diligência para que unidade de origem se manifestasse sobre os novos fatos e documentos apresentados (fls. 618619), abrindo prazo de 30 dias para o contraditório da recorrente. Em resposta à diligência, a Autoridade Lançadora afirmou que (fls. 620 623): 31. Não foi a Konica Minolta Photo Imaging Inc, prestadora da Declaração (fls. 499529), quem exportou produtos à recorrente; 32. Segundo sua regra de experiência, os fabricantes normalmente não escolhem o nome do produto para identificar o destinatário da mercadoria, vez que na própria fatura há nome específico para isso; 33. Embora a declarante tenha afirmado que até março de 2003 a identificação do papel de acordo com sua superfície tenha sido pelos nomes "glossy" ou "matte", a partir de quando passou a ser denominado AGK ou ANK, respectivamente, é possível encontrar faturas do primeiro período com as denominações AGK ou ANK, e viceversa; 34. Sugere uma análise pericial para comparar as amostras dos papéis fornecidos pela Nichimen Corporation à recorrente quanto dos papéis fornecidos pela Konica Minolta a terceiros. Tendo tomado ciência do conteúdo da diligência, a recorrente alegou que (fls. 626627): 35. Muito embora tenha solicitado a produção de prova pericial para comprovar a similaridade entre os insumos comparados, o laudo técnico a ser elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas não foi finalizado. Razão porque solicitou prazo de 30 dias para apresentar o referido laudo; Em 04/08/2010, a recorrente requereu ajuntada do laudo técnico elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas e ainda apresentou as seguintes considerações: Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 12 11 36. Que o laudo comparou os produtos da Impugnante com outras marcas de renome no mercado, sendo que os papéis da Nichimen Corporation não foram utilizados pelo fato da empresa não existir mais; 37. Que pelo laudo, verificase que todos os produtos, apesar de terem nomenclaturas diferentes, tem a mesma natureza e a mesma função e pode substituirse mutuamente na finalidade a que se destinam, sendo, portanto, similares; 38. Que requer juntada da cópia autenticada das faturas (invoices) e respectivas traduções juramentadas, contendo informações sobre os preços de operações de compra e venda praticadas entre a Konica Minolta Photo Imaging Inc e seus clientes (fls. 646681); 39. Que por meio destas invoices, verificase que os dois tipos de papéis apresentados ao Agente Fiscal, o da Konica Konica Color QA Paper Type A7E GLOSSY 1524M x 1 M (1R1/PLT) e o similar Hyon Dae Color Paper Type QA GLOSSY 1524M x 1 M (1R1/PLT), apresentam preços praticados muito semelhantes. Que é possível notar também que, na notificação de autorização de exportação, o "número de controle representativo", 3703, que indica a classificação do produto, é a mesma para os dois produtos; Por fim, consta no processo outra manifestação da recorrente (fls. 683688), entregue em 01/06/2010, que também trata da solicitação de perícia técnica junto ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas e da impossibilidade da utilização do art. 335 do CPC por parte da Autoridade Lançadora e da analogia para exigir tributo não previsto em lei. O laudo pericial apresentado pela recorrente no curso do processo administrativo foi juntado aos autos por meio do Anexo II. A partir de todas essas premissas fáticas, analisou então a douta 1a Turma da DRJ/Belém (PA), concluindo pela PROCEDÊNCIA PARCIAL da impugnação apresentada, em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 Ementa: CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. As garantias do contraditório e da ampla defesa somente se manifestam com a instauração da fase litigiosa, ressalvados os procedimentos fiscais para os quais lei assim exija. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento, e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do direito ao contraditório e da a ampla defesa. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. As autoridades julgadoras de 1a instância não possuem competência para apreciar a ilegalidade da Instrução Normativa expedida por autoridade hierárquica superior. INSTRUÇÃO NORMATIVA. OBSERVÂNCIA. As Instruções Normativas gozam de presunção de legalidade e são de observância obrigatória pelos servidores subordinados à autoridade que expediu o ato normativo. Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 13 12 ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova cabe a quem ela aproveita. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 Ementa: PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. DESCONSIDERAÇÃO DO MÉTODO DE CÁLCULO. DEFINITIVIDADE. A regular desconsideração da metodologia de cálculo do preço parâmetro utilizado pelo sujeito passivo, efetuada pela autoridade fiscal, na forma do parágrafo único do art. 40 da IN SRF 243/02, é definitiva, salvo se restar comprovado vício no procedimento. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. Comprovado que a pessoa jurídica, optante pelo lucro real, possui saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores, legítima a compensação deste saldo na base de cálculo do lançamento, na forma definida pelo art 15 da lei n° 9.065/95, mediante manifestação do sujeito passivo neste sentido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 Ementa: BASE NEGATIVA. COMPENSAÇÃO. Comprovado que a pessoa jurídica, optante pelo lucro real, possui saldo de base negativa da CSLL de períodos anteriores, legítima a compensação deste saldo na base de cálculo do lançamento, na forma definida pelo art 16 da lei n° 9.065/95, mediante manifestação do sujeito passivo neste sentido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimada a contribuinte do inteiro teor do acórdão aqui apontado no dia 06/05/2011 (Sextafeira), por ela foi então interposto (no dia 03/06/2011) o seu competente Recurso Voluntário, onde, após aprofundada análise das circunstâncias fáticas que circundam a autuação apontada, pretendendo a reforma da decisão de primeira instância, então especificamente destaca: Da contradição insuperável do Acórdão de 1a Instância e da Não Apreciação dos Argumentos e Provas Apresentados pela Recorrente A contradição do julgado estaria no fato de que, tendo sido rejeitada a preliminar de nulidade do auto de infração por entenderse que a defesa e a apresentação de argumentos pelo contribuinte deveria ser feita após a instauração da fase litigiosa do presente PAF, não poderia, por outro lado, ser “definitiva” a desconsideração realizada pelos agentes da fiscalização em relação à aplicação ao método PIC. A recorrente destaca que, em momento algum, teria ela sido devidamente intimada para a apresentação de provas específicas a respeito da similaridade dos produtos/mercadorias apontados, não havendo meios para a verificação de como poderia ela se desincumbir do ônus imposto pela fiscalização e admitido pela decisão recorrida. Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 14 13 (Ainda) Da nulidade do auto de infração: desconsideração do PIC pela suposta ausência de identidade ou similaridade entre os papéis importados pela impugnante de empresa vinculada e aqueles utilizados para comparação a) O Auto de Infração foi lavrado com base em meras suposições, palpites, do i. AFRF não fundamentadas e tampouco comprovadas por ele. “Se o i. AFRF entendesse como de fato entendeu que os produtos comparados não são similares ou se suspeitou que não o fossem deveria ter (i) colhido amostras do material e encaminhado para análise pelo competente departamento da Receita Federal do Brasil ("RFB") ou de outra repartição do governo; ou (ii) intimado, por escrito e expressamente, a Impugnante para que apresentasse documentos que comprovassem a identidade ou similaridade dos produtos, concedendo lhe prazo razoável para o cumprimento da exigência!” b) O i. AFRF carece de competência para declarar a falta de similaridade entre os produtos importados pela Impugnante e os usados como parâmetro Assim, se, por exemplo, o AFRF tiver dúvida fundada quanto ao que se declara em documentos fiscais e à natureza efetiva do produto, cumpre lhe requerer ao contribuinte uma amostra do produto e encaminhar para análise técnica e laboratorial; outra alternativa seria exigir do contribuinte laudo técnico comprovando o que se afirma. Esse tipo de procedimento, aliás, é extremamente comum quando se trata de exigência decorrente de processos em que se discute a classificação fiscal de determinada mercadoria. c) Ao suspeitar da ausência de identidade e/ou similaridade entre os produtos, o i. AFRF deveria teria intimado a Impugnante a apresentar os pertinentes documentos de forma clara e específica. Após essas considerações preliminares, destaca a contribuinte a necessidade de insistir nos apontamentos contidos na impugnação, aqui então passando a discorrer a respeito dos seguintes tópicos: Da identidade/similaridade entre os produtos importados e usados como parâmetro Da ilegalidade da metodologia de cálculo do PRL prevista na Instrução Normativa 243/02 Do equívoco fiscal nos cálculos do PRL60. Erro no lançamento (A) Arbitramento do preço médio de revenda Contradição c Ilegalidade (B) Preço do Produto Importado Cômputo do Imposto de Importação. Tributo NãoRecuperável Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 15 14 (C) Preço de Revenda ICMS e PIS nãocumulativos Dedução dos créditos. (D) Taxa de Câmbio Valor do bem importado Inobservância do Regulamento Do indeferimento do pedido de perícia e da nãoapreciação do laudo pericial cerceamento do direito de defesa Da impossibilidade de exigência de juros sobre a multa de ofício A partir então dessas considerações, pretende a recorrente a reforma integral da decisão de primeira instância e, assim, conseqüentemente, a total desconstituição do lançamento efetivado. Esse é o relatório. Passo agora ao meu voto. Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 16 15 Voto Vencido Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo regular o recurso de ofício e tempestivo o recurso voluntário, deles conheço. DO RECURSO DE OFÍCIO. Antes mesmo de quaisquer considerações específicas a respeito do debate empreendido nos presentes autos, urge destacar a necessária análise dos termos da decisão recorrida, verificandose, em suas disposições, a específica exoneração tributária realizada e, daí, o desenvolvimento da análise de sua específica regularidade. Da análise dos termos daquela decisão, verificase que a exoneração tributária apontada referese ao trecho em que é analisada a regularidade da então pretendida “compensação de prejuízos fiscais”, a serem então considerados no momento da autuação. A respeito desse específico ponto, assim se pronunciou a r. decisão recorrida: A recorrente alega que a fiscalização ignorou no lançamento a existência de prejuízos fiscais de exercícios anteriores, passíveis de compensação. A exigência tem guarida no art. 15 da Lei n° 9.065/95. Tratase de uma faculdade concedida ao sujeito passivo que mantém os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação, limitada a trinta por cento do lucro líquido ajustado. O mesmo se diga da compensação da base negativa da CSLL de exercícios anteriores na base de cálculo dessa contribuição, por sua vez fundamentada no art. 16 do mesmo diploma legal. Como prova da existência do prejuízo fiscal de anos anteriores, a recorrente juntou o Livro de Registro de Apuração do Lucro Real (fls. 571578). Por meio do LALUR, extraise que o contribuinte apresentava, no início do anocalendário 2003, um saldo de Prejuízos Fiscais no valor de R$ 1.902.263,82. Esse saldo foi parcialmente utilizado na apuração do Lucro Real, anocalendário 2003, pelo que restou um saldo ao final do período (31/12/2003) de R$ 1.846.505,72. Extraise ainda do LALUR que o contribuinte apresentava, no início e no fim do ano calendário 2003, saldos de Base Negativa da CSLL nos mesmos valores encontrados para os Prejuízos Fiscais. Compulsando o lançamento, vêse que autoridade lançadora não considerou os saldos de prejuízos fiscais e de base negativa da CSLL, de períodos anteriores, no lançamento. De efeito, considerando a manifestação da recorrente no sentido de exigir, no caso concreto, o direito assegurado pelos art. 15 e 16 da Lei n° 9.065/95, acolhese o pleito de uso dos saldos de prejuízos fiscais e base negativas da CSLL, de períodos anteriores, para reduzir a base de cálculo do lançamento. (o destaque é do original) Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 17 16 Da análise das considerações apresentadas, verificase que, restando devidamente comprovada a existência de prejuízos fiscais no ano respectivo, e, ainda, a existência das apontadas Bases Negativas da CSLL, perfeitamente regular é o acolhimento do pleito apresentado pela contribuinte no que tange à sua utilização no caso de eventual verificação/manutenção de créditos tributários existentes nestes autos, sendo esse, inclusive, o entendimento decorrente da aplicação das disposições dos artigos 15 e 16 da Lei 9.065/95, que, sobre o assunto, assim especificamente determinam: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Produção de efeito Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Produção de efeito Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Considerando que a existência do prejuízo fiscal e das bases negativas restaram incontroversas nos autos, existindo, ao final, quaisquer créditos passíveis de cobrança contra a contribuinte, válida se mostra, portanto, a efetivação das compensações apontadas. Em face dessas considerações, entendo como irretocáveis as considerações apresentadas pela r. decisão neste ponto, razão porque voto por NEGAR PROVIMENTO ao ao recurso de ofício interposto. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Ultrapassada a análise do recurso de ofício, verifico agora que, por certo, são várias as questões apresentadas pela recorrente. Passemos então às análises pertinentes. Da matéria preclusa: Ausência de contestação por parte da recorrente (aplicação método PIC) Antes mesmo de qualquer investigação a respeito dos elementos contidos no Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, relevante observar que, especificamente quanto à aplicação do método PIC promovido pelas autoridades fiscalizadoras, em que pese a incial oposição da contribuinte a seu respeito quando da apresentação de sua impugnação, no presente Recurso Voluntário não se verifica qualquer discussão a respeito dessa matéria, o que, a bem de ver, importa no necessário reconhecimento, no caso, da efetiva preclusão da Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 18 17 discussão inicialmente pretendida, e, em relação a este ponto, a efetiva constatação da definitividade do lançamento a seu respeito. Assim, em relação à aplicação do método PIC e a inicial existência de divergências entre os cálculos promovidos pela contribuinte e aqueloutros indicados pelos agentes da fiscalização, tenho como definitivo o lançamento realizado, não se podendo mais aqui a seu respeito tecer qualquer consideração. Da preliminar de nulidade do lançamento A primeira questão apresentada pela contribuinte em sua peça recursal refere se às considerações a respeito do procedimento adotado pelos ilustres agentes da fiscalização na realização das análises efetivadas, sobretudo no que diz respeito à ausência de critérios objetivos e válidos para a consideração de ausência de identidade/similaridade entre os produtos que teriam servido como base para a desconsideração da aplicação do controle de Preço de Transferência pelo Método dos Preços Independentes Comparados (PIC) apontado. Inicialmente, é relevante destacar que, ao meu ver, assiste razão à recorrente, sobretudo no que diz respeito à total ausência de intimação específica, pela fiscalização, para a apresentação dos motivos e argumentos comprobatórios da identidade/similaridade entre os produtos utilizados na análise. A esse respeito, mostrase relevante o apontamento trazido pela r. decisão de origem, que, pretendendo apontar os fundamentos para o afastamento dos argumentos da contribuinte, passa a considerar como suficiente a simples diferença de “nome” dos produtos considerados, valendose, a esse respeito, o seguinte trecho daquele decisum: No que diz respeito aos insumos cujo preço parâmetro PIC foi desconsiderado pela fiscalização (e calculado pelo método PRL), a recorrente alega que não foi intimada a comprovar sua identidade/similaridade. Como visto acima, a questão dos vícios das intimações tem importante papel na configuração e algumas infrações, tais como na irregularidade da documentação de suporte do cálculo do preço de parâmetro de transferência. Ocorre que, no caso concreto, o contribuinte foi intimado, em 11/04/2007, ainda no início da ação fiscal, a apresentar "as memórias de cálculo e a documentação utilizada como suporte" (fl. 04). Ou seja, foi intimado a apresentar a documentação que serviu de lastro para o cálculo do preço parâmetro utilizado, o que, no caso específico do preço PIC, representa a documentação relativa a comercialização de produtos idênticos ou similares (art. 4o, IN SRF 243/02). O que de pronto afasta a tese de vício na solicitação da documentação comprobatória do preço de parâmetro. Outrossim, o próprio sujeito passivo afirmou, em carta entregue em 13/08/2008, que estaria providenciando (ainda) "... documentos ou laudos dos produtos importados do fabricante, para fins de comprovação da similaridade dos produtos...". Pelo que, por mais esse motivo, desnecessária, ao caso em tela, a necessidade de expedição de outra intimação, esta com fim específico, versando sobre a comprovação da similaridade/identidade dos produtos comparados. A recorrente também contesta o raciocínio utilizado pela fiscalização para desconsiderar o preço PIC. Para tanto, aduz que fiscalização utilizou apenas o conceito semântico de "idêntico" para distinguir produtos, quando, na realidade, Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 19 18 produtos idênticos podem ter nomes distintos em razão da lógica comercial ou dos controles internos. De fato, não parece razoável aceitar que a similaridade entre produtos tenha como elemento caracterizador apenas o nome comercial destes. Todavia, não se pode deixar de considerar que este é o principal, embora o não mais essencial, elemento desta comparação, tendo em vista ser a ampla identidade (entre nomes e entre produtos) o caso mais comum. De tal sorte que, podese presumir, a apenas isso, que produtos com nomes comerciais idênticos são idênticos em seu conteúdo e produtos com nomes diversos também são diversos em seu conteúdo. De efeito, os casos de anormalidade na identificação dos produtos (produtos idênticos com nomes distintos) deveriam ser esclarecidos pela parte a quem a situação interessa e aproveita. No caso concreto, o sujeito passivo. Outrossim, para fins de comprovação do preço PIC, onde as operações com produtos similares também permitem a formação do preço parâmetro, o contexto da identidade, entre os nomes dos produtos e entre os próprios produtos, pode ser irrelevante quando existe a possibilidade da análise da similaridade dos produtos. Isto porque, pela análise da similaridade podese concluir pela própria identidade dos produtos. Dessa forma, considerando (i) a possibilidade de existência de produtos idênticos com nomes diferentes e (ii) a possibilidade de utilização de produtos similares na formação do preço PIC, a fiscalização, tão logo encontre divergência entre os nomes dos produtos comparados, deve buscar efetuar a análise da similaridade dos produtos. Por outro lado, o sujeito passivo deve fornecer ao fisco todos os elementos que possibilitem identificar, sem margem de dúvida, os casos de divergência entre nomes de produtos idênticos ou, ao menos, apresentar elementos que permitam análise de similaridade nos mesmos casos. (grifos nossos) Destarte, induvidoso nos autos que os agentes da fiscalização promoveram, apenas e tão somente, a intimação inicial da contribuinte, esta com o mandamento de que ela apresentasse, tão somente, as memórias de cálculo e a documentação utilizada como suporte. A partir do cumprimento, pela contribuinte, desta intimação, foi então desenvolvido o trabalho de análise pelos responsáveis pela diligência fiscal apontada, atingindo, assim, a (suposta) “dúvida” quanto à identidade/similaridade dos produtos por ela utilizados na comparação própria do método PIC. Diante dessa dúvida, o que se percebe é que os agentes da fiscalização simplesmente passaram a considerar como suficiente a simples diferença de nome ou ainda de quantidade dos produtos apontados, não promovendo, ao revés, qualquer análise qualitativa, laboratorial ou mesmo sensorial em relação aos produtos, e, nesse ponto, sequer promovido a regular intimação da contribuinte para que ela, validamente, pronunciassese a respeito das dúvidas apontadas. Ao assim proceder, com todas as mais respeitosas vênias, incorreram os senhores agentes da fiscalização em efetiva desconformidade com os ditames próprios do devido processo legal e do amplo e irrestrito direito de defesa, sendo então, simplesmente, considerada como “não provada” a diferença entre os produtos apontados, e, com isso, lavrado então o Auto de Infração aqui objurgado. O art. 59 do Decreto 70.235/72, assim especificamente se apresenta: Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 20 19 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) No caso dos presentes autos, a preterição do direito de defesa restou clara, sobretudo porque, conforme se verifica, não tendo sido realizada qualquer análise qualitativa a respeito da natureza própria dos produtos/mercadorias apontados, a indicação pela fiscalização de que não se tratariam de produtos idênticos/similares teria partido, exclusivamente, das informações apresentadas pelas respectivas invoices, decorrendo, apenas e tão somente, da diferença nominalística ali apresentada. Insistase nesse ponto: a contribuinte não foi intimada especificamente para comprovar a identidade/similaridade dos produtos considerados nas análises dos agentes fiscais. Estes, por sua vez, partiram tão somente da diferença nominalística verificada nas respectivas invoices, não retirando qualquer modelo para analises, testes e verificações por profissionais competentes e habilitados, e, ainda por cima, em momento algum analisado o laudo por ela então apresentado, onde se destaca, expressamente, a similaridade requerida, atestada pelo indicado INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS (IPT), juntado no anexo aos presentes autos. Tal procedimento, pelo que se vê, simplesmente desconsidera as específicas regras prevista na própria IN 243/2001, que, por outra via, assim especificamente apresenta as regras a serem consideradas na análise da regularidade da utilização, pela contribuinte, do apontado método PIC: Art. 8º A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá ser efetuada pelo método dos Preços Independentes Comparados (PIC), definido como a média aritmética ponderada dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes. Parágrafo único. Por esse método, os preços dos bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, de uma empresa vinculada, serão comparados com os preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares: I vendidos pela mesma empresa exportadora, a pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes; II adquiridos pela mesma importadora, de pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes; Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 21 20 III em operações de compra e venda praticadas entre outras pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes. (...) Art. 28. Para efeito desta Instrução Normativa, dois ou mais bens, em condições de uso na finalidade a que se destinam, serão considerados similares quando, simultaneamente: I tiverem a mesma natureza e a mesma função; II puderem substituirse mutuamente, na função a que se destinem; III tiverem especificações equivalentes. Ora, inexistindo intimação específica da contribuinte para a apresentação de outras informações, que não aquelas apresentadas a partir da intimação originalmente encaminhada, não poderia a fiscalização simplesmente considerar como “não comprovada” a identidade/similaridade dos produtos apontados, sobretudo se isso é feito conforme aqui restou também inconteste , exclusivamente com base na comparação dos nomes de registros dos produtos constantes nas respectivas invoices. A desconsideração da identidade/similaridade dos produtos, de fato, poderia ser presumida pelos agentes da fiscalização, mas somente após a regular intimação da contribuinte e da ausência, inadequação ou insuficiência das respostas por ela apresentadas, ou ainda, sendo o caso, a partir de específica e própria análise dos agentes da fiscalização com a comprovação material da inexistência de identidade/similaridade dos produtos apontados. Ademais, flagrante restou a verificação de que, apesar da específica oposição apresentada pela contribuinte quanto à desconsideração da identidade/similaridade dos produtos apontados pela fiscalização constantes na impugnação apresentada, a douta turma julgadora apontou, em sua conclusão, a definitividade/imutabilidade do pronunciamento fiscal de desconsideração do preço parâmetro utilizado, tornando, pois, absolutamente indiscutíveis as considerações apresentadas pelos senhores agentes fiscais, o que, com a mais respeitosa vênia, afronta diretamente o direito de defesa da contribuinte. Em face dessas considerações, entendo, no presente caso, como efetivamente inafastável a verificação da completa e total invalidade da atuação dos agentes da fiscalização, sobretudo porque, conforme aqui demonstrado, a desconsideração que fundamenta a autuação, além de partir de bases completamente frágeis (mero nominalismo dos produtos/mercadorias), não decorreu de nenhuma análise material realizada e nem tampouco de ausência de regular resposta de intimação especificamente realizada, verificandose, ainda, conforme aqui restou demonstrado, a impossibilidade de oposição da contribuinte a respeito de seus termos, o que, definitivamente, afronta todo o arcabouço jurídico próprio relativo à defesa do cidadão contra o (irregular) exercício do poder estatal. Nessas circunstâncias, entendo, no presente caso, ser inafastável o reconhecimento da nulidade do lançamento efetivado, devendo assim ser então integralmente desconstituído, nos termos e fundamentos aqui então especificamente apresentados. Apesar dessas nossas considerações, entretanto, trazido o feito a julgamento, este relator restou vencido especificamente no ponto relativo à nulidade pelo apontado cerceamento do direito de defesa, razão porque, adiante, prossigo na análise dos demais elementos contidos no mérito do recurso. Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 22 21 Vejamos. Da comprovação da identidade/similaridade dos produtos considerados Em que pese o apontamento apresentado no tópico anterior, cumpre ainda ressaltar que, mesmo se assim não fosse, mesmo que se por vício claro de formalidade processual relativo ao lançamento apresentado não se pudesse ainda promover a integral desconstituição do auto de infração, verificase ainda que, na análise de seus específicos termos, melhor sorte não lhe assistiria. Ora, conforme já mencionado, a análise promovida pelos agentes da fiscalização voltada à suposta desconsideração da identidade/similaridade dos produtos considerados, submetidos ao método PIC, fundouse, exclusivamente, na divergência nominal dos produtos importados, apontando como suficiente, tão somente, a aplicação da máxima de inexistir, a princípio, fundamentos para a indicação sob nomes diversos mercadorias e produtos que, a princípio, fossem similares/iguais. A premissa da fiscalização pareceme singela, e, de certa forma, até mesmo inadequada, sobretudo porque, com toda a certeza, conforme se verifica das disposições da própria IN 243/2002, necessária se mostra a análise das características qualitativas do produto considerado para fins de poder qualificálo como idêntico e/ou similar, sendo, a esse respeito, completamente imprestáveis as considerações em relação ao seu nome ou mesmo as quantidades em que é comercializada. Essa questão, é bem de ver, mostrase relevante nos presentes autos, sobretudo porque, conforme se verifica, estabelecese diferenças entre produtos (filmes fotográficos), exclusivamente, tomandose como base o número de poses (12, 24 ou 36 exposições), especialmente nas hipóteses em que o nome considerado apresentase completamente idêntico (VXSuper 400 “X” ex – onde “X” é o número de poses indicado). Em passagem anterior (fls. 1030), analisase a suposta diferença existente em relação aos produtos indicados como sendo “Papéis fotográficos”, sendo que, neste caso, a distinção, ao que tudo indica, seria relativa à diferença apontada em relação à qualidade da impressão pretendida, podendo ser “GLOSSY” (brilhante) ou “MATTE” (fosca). A partir dessas análises, verificase que a fiscalização parte, exclusivamente, de critérios aleatoriamente eleitos, sem qualquer fundamento legal específico, definindo, então, a impossibilidade da comparação pretendida na aplicação do método de controle dos preços de transferência apontados. Ora, não se tratando de produtos “idênticos”, conforme apontam as próprias disposições do Art. 28 da IN 243/2002, bastaria que se mostrassem similares, o que, é bem verdade, não significa que os produtos deveriam ter os mesmos e idênticos parâmetros (obrigatoriamente), mas sim que se pudesse, a partir de sua análise, considerar como presentes os requisitos como i) mesma natureza e função; ii) puderem substituirse mutuamente, na função a que se destinem; e iii) tiverem especificações equivalentes. Ora, mesmo que se admitisse como suficiente os critérios adotados pelos agentes da fiscalização, ainda assim não se verificaria aqui a validade do procedimento adotado, sobretudo porque, com a análise exclusivamente nominalística, ou ainda, das diferenças estabelecidas, não se verificam como afastáveis os requisitos apontados, sendo pois completamente inválida a desconsideração da similaridade apontada. Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 23 22 Ademais, ainda que assim não fosse, ainda que, diante de tudo, restasse aqui possível a consideração de suficiência da análise empreendida pelos agentes da fiscalização, com toda a certeza, não se poderia simplesmente desconsiderar os termos do Laudo do IPT apresentado pela contribuinte, devendo, ao revés, em ao menos uma linha ter sido ele então especificamente analisado e, então, especificamente criticado, o que não foi. Em face dessas considerações, entendo que não se pode admitir como suficientes as análises desenvolvidas pela fiscalização, devendo assim ser, pois, completamente desconstituída a autuação pelas verificações aqui então apontadas. Conclusão Em face de todas as considerações aqui apresentadas, encaminho o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO, e, em relação ao Recurso Voluntário, i) Declarar definitivo o lançamento em relação às matérias em relação à quais não tratou o Recurso Voluntário, quais sejam, às diferenças na apuração promovida pelos agentes da fiscalização em relação à aplicação do método PIC sobre os produtos em relação aos quais a contribuinte não apresentou a respectiva e necessária documentação relativa ao cálculo do preço parâmetro; ii) acolher a preliminar de nulidade da autuação, tendo em vista o flagrante cerceamento do direito de defesa indicado; e iii) entender como insuficiente a análise realizada pelos agentes da fiscalização para fins de promover a desconsideração da identidade/similaridade dos produtos indicados pela contribuinte na aplicação do controle dos Preços de Transferência pelo método dos Preços Independentes Comparados (PIC); determinando, assim, a integral desconstituição do lançamento, nos termos aqui então especificamente apontados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 24 23 Voto Vencedor Conselheiro WILSON FERNANDES GUIMARÃES, redator designado. Em que pese a densa e respeitável argumentação expendida pelo Ilustre Conselheiro Relator, o Colegiado, por sua maioria, entendeu de forma diversa relativamente à preliminar de nulidade do lançamento sustentada pela Recorrente. Em seu pronunciamento, assinala o Ilustre Relator, verbis: [...] Da preliminar de nulidade do lançamento A primeira questão apresentada pela contribuinte em sua peça recursal refere se às considerações a respeito do procedimento adotado pelos ilustres agentes da fiscalização na realização das análises efetivadas, sobretudo no que diz respeito à ausência de critérios objetivos e válidos para a consideração de ausência de identidade/similaridade entre os produtos que teriam servido como base para a desconsideração da aplicação do controle de Preço de Transferência pelo Método dos Preços Independentes Comparados (PIC) apontado. Inicialmente, é relevante destacar que, ao meu ver, assiste razão à recorrente, sobretudo no que diz respeito à total ausência de intimação específica, pela fiscalização, para a apresentação dos motivos e argumentos comprobatórios da identidade/similaridade entre os produtos utilizados na análise. A esse respeito, mostrase relevante o apontamento trazido pela r. decisão de origem, que, pretendendo apontar os fundamentos para o afastamento dos argumentos da contribuinte, passa a considerar como suficiente a simples diferença de “nome” dos produtos considerados, valendose, a esse respeito, o seguinte trecho daquele decisum: No que diz respeito aos insumos cujo preço parâmetro PIC foi desconsiderado pela fiscalização (e calculado pelo método PRL), a recorrente alega que não foi intimada a comprovar sua identidade/similaridade. Como visto acima, a questão dos vícios das intimações tem importante papel na configuração e algumas infrações, tais como na irregularidade da documentação de suporte do cálculo do preço de parâmetro de transferência. Ocorre que, no caso concreto, o contribuinte foi intimado, em 11/04/2007, ainda no início da ação fiscal, a apresentar "as memórias de cálculo e a documentação utilizada como suporte" (fl. 04). Ou seja, foi intimado a apresentar a documentação que serviu de lastro para o cálculo do preço parâmetro utilizado, o que, no caso específico do preço PIC, representa a documentação relativa a comercialização de produtos idênticos ou similares (art. 4o, IN SRF 243/02). O que de pronto afasta a tese de vício na solicitação da documentação comprobatória do preço de parâmetro. Outrossim, o próprio sujeito passivo afirmou, em carta entregue em 13/08/2008, que estaria providenciando (ainda) "... documentos ou laudos dos Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 25 24 produtos importados do fabricante, para fins de comprovação da similaridade dos produtos...". Pelo que, por mais esse motivo, desnecessária, ao caso em tela, a necessidade de expedição de outra intimação, esta com fim específico, versando sobre a comprovação da similaridade/identidade dos produtos comparados. A recorrente também contesta o raciocínio utilizado pela fiscalização para desconsiderar o preço PIC. Para tanto, aduz que fiscalização utilizou apenas o conceito semântico de "idêntico" para distinguir produtos, quando, na realidade, produtos idênticos podem ter nomes distintos em razão da lógica comercial ou dos controles internos. De fato, não parece razoável aceitar que a similaridade entre produtos tenha como elemento caracterizador apenas o nome comercial destes. Todavia, não se pode deixar de considerar que este é o principal, embora o não mais essencial, elemento desta comparação, tendo em vista ser a ampla identidade (entre nomes e entre produtos) o caso mais comum. De tal sorte que, podese presumir, a apenas isso, que produtos com nomes comerciais idênticos são idênticos em seu conteúdo e produtos com nomes diversos também são diversos em seu conteúdo. De efeito, os casos de anormalidade na identificação dos produtos (produtos idênticos com nomes distintos) deveriam ser esclarecidos pela parte a quem a situação interessa e aproveita. No caso concreto, o sujeito passivo. Outrossim, para fins de comprovação do preço PIC, onde as operações com produtos similares também permitem a formação do preço parâmetro, o contexto da identidade, entre os nomes dos produtos e entre os próprios produtos, pode ser irrelevante quando existe a possibilidade da análise da similaridade dos produtos. Isto porque, pela análise da similaridade podese concluir pela própria identidade dos produtos. Dessa forma, considerando (i) a possibilidade de existência de produtos idênticos com nomes diferentes e (ii) a possibilidade de utilização de produtos similares na formação do preço PIC, a fiscalização, tão logo encontre divergência entre os nomes dos produtos comparados, deve buscar efetuar a análise da similaridade dos produtos. Por outro lado, o sujeito passivo deve fornecer ao fisco todos os elementos que possibilitem identificar, sem margem de dúvida, os casos de divergência entre nomes de produtos idênticos ou, ao menos, apresentar elementos que permitam análise de similaridade nos mesmos casos. (grifos nossos) Destarte, induvidoso nos autos que os agentes da fiscalização promoveram, apenas e tão somente, a intimação inicial da contribuinte, esta com o mandamento de que ela apresentasse, tão somente, as memórias de cálculo e a documentação utilizada como suporte. A partir do cumprimento, pela contribuinte, desta intimação, foi então desenvolvido o trabalho de análise pelos responsáveis pela diligência fiscal apontada, atingindo, assim, a (suposta) “dúvida” quanto à identidade/similaridade dos produtos por ela utilizados na comparação própria do método PIC. Diante dessa dúvida, o que se percebe é que os agentes da fiscalização simplesmente passaram a considerar como suficiente a simples diferença de nome ou ainda de quantidade dos produtos apontados, não promovendo, ao revés, qualquer análise qualitativa, laboratorial ou mesmo sensorial em relação aos produtos, e, nesse ponto, sequer promovido a regular intimação da contribuinte para que ela, validamente, pronunciassese a respeito das dúvidas apontadas. Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 26 25 Ao assim proceder, com todas as mais respeitosas vênias, incorreram os senhores agentes da fiscalização em efetiva desconformidade com os ditames próprios do devido processo legal e do amplo e irrestrito direito de defesa, sendo então, simplesmente, considerada como “não provada” a diferença entre os produtos apontados, e, com isso, lavrado então o Auto de Infração aqui objurgado. O art. 59 do Decreto 70.235/72, assim especificamente se apresenta: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) No caso dos presentes autos, a preterição do direito de defesa restou clara, sobretudo porque, conforme se verifica, não tendo sido realizada qualquer análise qualitativa a respeito da natureza própria dos produtos/mercadorias apontados, a indicação pela fiscalização de que não se tratariam de produtos idênticos/similares teria partido, exclusivamente, das informações apresentadas pelas respectivas invoices, decorrendo, apenas e tão somente, da diferença nominalística ali apresentada. Insistase nesse ponto: a contribuinte não foi intimada especificamente para comprovar a identidade/similaridade dos produtos considerados nas análises dos agentes fiscais. Estes, por sua vez, partiram tão somente da diferença nominalística verificada nas respectivas invoices, não retirando qualquer modelo para analises, testes e verificações por profissionais competentes e habilitados, e, ainda por cima, em momento algum analisado o laudo por ela então apresentado, onde se destaca, expressamente, a similaridade requerida, atestada pelo indicado INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS (IPT), juntado no anexo aos presentes autos. Tal procedimento, pelo que se vê, simplesmente desconsidera as específicas regras prevista na própria IN 243/2001, que, por outra via, assim especificamente apresenta as regras a serem consideradas na análise da regularidade da utilização, pela contribuinte, do apontado método PIC: Art. 8º A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá ser efetuada pelo método dos Preços Independentes Comparados (PIC), definido como a média aritmética ponderada dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes. Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 27 26 Parágrafo único. Por esse método, os preços dos bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, de uma empresa vinculada, serão comparados com os preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares: I vendidos pela mesma empresa exportadora, a pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes; II adquiridos pela mesma importadora, de pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes; III em operações de compra e venda praticadas entre outras pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes. (...) Art. 28. Para efeito desta Instrução Normativa, dois ou mais bens, em condições de uso na finalidade a que se destinam, serão considerados similares quando, simultaneamente: I tiverem a mesma natureza e a mesma função; II puderem substituirse mutuamente, na função a que se destinem; III tiverem especificações equivalentes. Ora, inexistindo intimação específica da contribuinte para a apresentação de outras informações, que não aquelas apresentadas a partir da intimação originalmente encaminhada, não poderia a fiscalização simplesmente considerar como “não comprovada” a identidade/similaridade dos produtos apontados, sobretudo se isso é feito conforme aqui restou também inconteste , exclusivamente com base na comparação dos nomes de registros dos produtos constantes nas respectivas invoices. A desconsideração da identidade/similaridade dos produtos, de fato, poderia ser presumida pelos agentes da fiscalização, mas somente após a regular intimação da contribuinte e da ausência, inadequação ou insuficiência das respostas por ela apresentadas, ou ainda, sendo o caso, a partir de específica e própria análise dos agentes da fiscalização com a comprovação material da inexistência de identidade/similaridade dos produtos apontados. Ademais, flagrante restou a verificação de que, apesar da específica oposição apresentada pela contribuinte quanto à desconsideração da identidade/similaridade dos produtos apontados pela fiscalização constantes na impugnação apresentada, a douta turma julgadora apontou, em sua conclusão, a definitividade/imutabilidade do pronunciamento fiscal de desconsideração do preço parâmetro utilizado, tornando, pois, absolutamente indiscutíveis as considerações apresentadas pelos senhores agentes fiscais, o que, com a mais respeitosa vênia, afronta diretamente o direito de defesa da contribuinte. Em face dessas considerações, entendo, no presente caso, como efetivamente inafastável a verificação da completa e total invalidade da atuação dos agentes da fiscalização, sobretudo porque, conforme aqui demonstrado, a desconsideração que fundamenta a autuação, além de partir de bases completamente frágeis (mero nominalismo dos produtos/mercadorias), não decorreu de nenhuma análise material realizada e nem tampouco de ausência de regular resposta de intimação especificamente realizada, verificandose, ainda, conforme aqui restou demonstrado, a impossibilidade de oposição da contribuinte a respeito de seus termos, o que, Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 28 27 definitivamente, afronta todo o arcabouço jurídico próprio relativo à defesa do cidadão contra o (irregular) exercício do poder estatal. Nessas circunstâncias, entendo, no presente caso, ser inafastável o reconhecimento da nulidade do lançamento efetivado, devendo assim ser então integralmente desconstituído, nos termos e fundamentos aqui então especificamente apresentados. Em primeiro lugar, rejeitase o entendimento de que, na fase inquisitorial do processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários, possase falar em cerceamento do direito de defesa. Quanto a tal aspecto, inclusive, a jurisprudência deste Conselho é mansa e pacífica, senão vejamos: Acórdão nº 1.402001.444, de 10/09/2013 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O direito ao contraditório e à ampla defesa é exercido após a instauração da fase litigiosa do processo administrativo fiscal, com a impugnação ao lançamento, não cabendo cogitarse de cerceamento do direito de defesa no curso da ação fiscal. Acórdão nº 1.402001.287, de 05/12/2012 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico a alegação de cerceamento do direito de defesa ou de inobservância ao devido processo legal, durante o procedimento administrativo de fiscalização, que tem caráter meramente inquisitório. A contestação pontual às infrações imputadas a contribuinte demonstra a inocorrência de vicio de cerceamento de defesa. Acórdão nº 1.102000.805, de 03/10/2012 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. A fase que antecede o lançamento tributário tem caráter meramente inquisitório, e não reclama seja instaurado o contraditório. Nos termos do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, é a partir da impugnação da exigência que se instaura a fase litigiosa do procedimento. Acórdão nº 3.402002.223, de 24/10/2013 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. Além disso, a Turma Julgadora acolheu como razões adicionais de decidir os argumentos constantes na decisão exarada em primeira instância no sentido de que a fiscalizada foi intimada, no início da ação fiscal, a apresentar as memórias de cálculo e a documentação que serviu de lastro para o cálculo do preço parâmetro. E mais, a própria contribuinte afirmou textualmente que estaria providenciando “...documentos ou laudos dos Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER Processo nº 10283.721300/200816 Acórdão n.º 1301001.463 S1C3T1 Fl. 29 28 produtos importados do fabricante, para fins de comprovação da similaridade dos produtos”, Resta evidente, pois, que tal resposta, apresentada no curso do procedimento fiscal e em atendimento à intimação anteriormente formalizada, relacionase indissociavelmente com o método PIC, o que esvazia por completo o fundamento pelo qual o Ilustre Conselheiro Relator conduziu o seu pronunciamento na direção do acolhimento do cerceamento do direito de defesa, qual seja, pelas suas próprias palavras, “à total ausência de intimação específica, pela fiscalização, para a apresentação dos motivos e argumentos comprobatórios da identidade/similaridade entre os produtos utilizados na análise”. Para a Turma Julgadora, restou claro que os fatos espelhados nos autos não autorizavam o acolhimento da alegação de nulidade do lançamento, divergindo, neste ponto, da respeitável argumentação expendida pelo Ilustre Conselheiro Relator. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães – Redator Designado Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER
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Numero do processo: 10814.009675/2005-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 20/05/2003
Ementa:
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-000.981
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 20/05/2003 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor. Recurso Voluntário Negado
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RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 30/04/2011 Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes e Helder Massaaki Kanamaru. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em conta corrente bancária na data do registro da DI n° 03/04206240, em 20/05/2003 (fls. 6/11), no valor de R$ 4.902,99 (quatro mil, novecentos e dois reais e noventa e nove centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao beneficio fiscal concedido pelo art. 50 das Medidas Provisórias n's. 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei n° 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal beneficio consiste na redução de 40% (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 50, § 1º I a X (veículos leves automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Tendo em vista que, em nome do mesmo interessado, na mesma Unidade da RFB e tratando de assunto idêntico (mas para Declarações de Importação diferentes) há diversos processos em tramitação, inicialmente todos foram apensados ao de n° 10814006.463/200587. Posteriormente constatouse que parte dos processos apensados ao de n° 10814006.463/200587 apresentam registro no Programa PerdComp, de Declaração de Compensação, e outros não (tratam apenas de restituição, como é o caso do presente PAF), o que exige rito processual diferente. Optouse pela separação do presente processo, o qual foi desapensado do PAF 10814006.463/200587 (fls. 45/46), para nele discutirse apenas a viabilidade de reconhecimento do direito creditório pleiteado (e não a compensação, a qual não foi objeto de Declaração respectiva). Voltemos à síntese dos fatos: PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 20/05/2003 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação n° 03/04206240, tendo deixado de pleitear o beneficio em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 28/11/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 4.902,99 (quatro mil, novecentos e dois reais e noventa e nove centavos), pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Anexou às fls. 26 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o beneficio da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009675/200516 Acórdão n.º 310200.981 S3‐C1T2 Fl. 167 3 O processo tramitou pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo — (IRF SP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da In 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Divida Ativa da União) abrangendo as datas de registro da DI. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação (fls. 48). Em 15/05/2008 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação (v. fls. 48). PEDIDO DE RECONSIDERA ÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO . Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho. Apresentou, tempestivamente, seu pedido de reconsiderado de despacho para ser encaminhada ao Sr. InspetorChefe, nos termos do § 4º, art; n° 45 da IN/SRF n° 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso em tela. 01 Argumentou que a Lei in° 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Noticia Siscomex n° 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que , conforme já mencionado, ,não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, benefício este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um beneficio condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito. O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 49/50 — Despacho Decisório IRF/SPO n° 034/2009, de 18 de fevereiro de 2009. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO — INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, os autos foram enviados para a ALF/Aeroporto Internacional em São Paulo — Guarulhos SP, para prosseguimento, nos termos do artigo 58 da IN/RFB 900/2008, ou seja, apreciação relativo ao reconhecimento ou não do direito creditório e a restituição de crédito relativo ao tributo administrado pela RFB, (no caso em estudo, o imposto de importação). Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI (posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório. (fls. 51/54). Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 58/72, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 — A Lei 10.182/01, que instituiu o beneficio da redução de 40% do II na importação de determinados produtos , para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime, feita junto ao SECEX). 02 — Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de beneficio fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND's quando da habilitação do beneficio. 03 — Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei 10182/2001 teria prelavência sobre a Lei 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei 9.069/1995 geral, e a lei 10182/2001 especial. . 04 — Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei n° 9.784/99; 05 — Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação as CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 58/72 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado beneficio de redução ou isenção de tributo. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009675/200516 Acórdão n.º 310200.981 S3‐C1T2 Fl. 168 5 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/05/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO.).. NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO TENDO EM . VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. Conforme art. 165 da Lei n° 5..172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A lide cingese à possibilidade de que o contribuinte usufrua da redução do imposto de importação própria do Regime Automotivo, independentemente da apresentação da Certidão Negativa de Débitos CND por ocasião do registro das importações correspondentes. Todas as demais questões estão pacificadas. Essa exigência está expressa no artigo 60 da Lei 9.069/95. Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Segundo entende a recorrente, a administração não pode fazer uma exigência não especificada na legislação própria do Regime, que determinava a apresentação da CND apenas no momento da habilitação da empresa no Siscomex. Uma vez habilitada, estaria apta à fruição do benefício, para o que não é exigida a apresentação da CND, sendo esta vinculada à concessão do mesmo, que, tudo segundo entende, ocorreu quando de sua habilitação no Siscomex. Por outro lado, sustenta que a lei mais específica, no caso a Lei 10.182/01, deve prevalecer ante uma Lei mais genérica, a 9.069/95. Não assiste razão à recorrente. Além de tudo o que até aqui já foi dito, cabe acrescentar o disposto no Código Tributário Nacional a respeito do processo de concessão de benefício fiscal. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos meus) § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Depreendese do texto que (i) a isenção é efetivada por despacho da autoridade administrativa, em cada caso, e não, como advoga a recorrente, por meio da habilitação ao Regime e (ii) que cabe ao interessado fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão da isenção. Uma das condições definidas em lei é justamente a apresentação da Certidão Negativa de Débitos, sendo, conforme estabelecido no Código Tributário Nacional, de responsabilidade do contribuinte a adoção de tal providência, para que, somente depois de atestado o preenchimento da condição, a autoridade administrativa efetive a isenção prevista em lei. Quanto a isso, é óbvio que o Código estáse referindo à aplicação da isenção concedida por lei. Do contrário, não faria menção a despacho da autoridade administrativa, em requerimento, fazer prova, e em cada caso. A lei concede a isenção, e a administração efetiva a, analisando caso a caso, o pedido do administrado. Não há que se falar aqui em fruição. Essa depende de que o beneficiário mantenhase preenchendo as condições e requisitos, sob pena de revogação da isenção já efetivada. Assim determina o art. 155 do Código, ao qual faz remissão o artigo 179 acima transcrito. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009675/200516 Acórdão n.º 310200.981 S3‐C1T2 Fl. 169 7 I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. Se a isenção não foi se quer efetivada, não há que se falar em fruição. Também não se trata de aplicação de lei mais específica. As duas leis não estão em contradição, complementamse. Esse princípio seria oponível se a Lei 10.182/01 expressamente dispensasse a apresentação da CND, o que não é o caso. Neste mesmo contexto, importante destacar que o disposto no artigo 37 da lei 9.784/99 não é aplicável ao caso concreto, pois tratase de um comando genérico, regulador das situações que não dispõe de regulamentação própria, conforme ressalvado na própria Lei 9.784/99, artigo 69. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Finalmente, cumpre acrescentar que a decisão do Recurso Especial nº 1.047.237 – SP, tomada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, referese textualmente ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback, não sendo, por conseguinte, aplicável ao caso concreto. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 07 de abril de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 13985.000214/2003-42
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. CONSERTOS E INSTALAÇÕES ELÉTRICAS E MANUTENÇÕES DE EQUIPAMENTOS DE ILUMINAÇÃO. DESNECESSIDADE DE CONHECIMENTO PROFISSIONAL HABILITADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 9º, INCISO XIII, DA LEI N° 9.317, de 1996.
Restado demonstrado nos autos que os serviços prestados pelo Contribuinte são tipicamente de eletricista, sem qualquer necessidade de conhecimentos técnicos específicos da profissão de engenheiro elétrico, há que ser afastada a exclusão do SIMPLES.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9101-001.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, não conhecer do recurso. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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EXCLUSÃO INDEVIDA. CONSERTOS E INSTALAÇÕES ELÉTRICAS E MANUTENÇÕES DE EQUIPAMENTOS DE ILUMINAÇÃO. DESNECESSIDADE DE CONHECIMENTO PROFISSIONAL HABILITADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 9º, INCISO XIII, DA LEI N° 9.317, de 1996. Restado demonstrado nos autos que os serviços prestados pelo Contribuinte são tipicamente de eletricista, sem qualquer necessidade de conhecimentos técnicos específicos da profissão de engenheiro elétrico, há que ser afastada a exclusão do SIMPLES. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, não conhecer do recurso. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Ad Hoc – Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 5. 00 02 14 /2 00 3- 42 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 13985.000214/200342 Acórdão n.º 9101001.726 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Cientificada da decisão de Segunda Instância, em 08/10/2010 (fl. 87), a Fazenda Nacional, por seu procurador, interpôs Recurso Especial (fls. 90/97) para a 1ª Turma de Julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pleiteando a reforma da decisão proferida pela 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, através do Acórdão nº 180200.591, de 03/08/2010 (fls. 84/86) cuja decisão, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso do contribuinte Delton Nei Shaeffer (fls.54/65). O pleito da Fazenda Nacional busca amparo no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos, à fl. 03, a expedição do Ato Declaratório Executivo DRF/JOA nº 464.048, de 07 de agosto de 2003, declarando o contribuinte excluído do sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (simples). Ato contínuo, o contribuinte, em 17/09/2003, protocoliza Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples amparado na seguinte razão: “a atividade desenvolvida pela empresa não é o que discrimina no CNPJ, foi um erro de digitação em 08/01/1999. Atividade correta desenvolvida pela empresa é montagem elétrica, mecânica industrial, instalação de sistemas elétricos e industriais para equipamentos e comércio varejista de material elétrico e mecânico”. Em 14 de outubro de 2003, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba – SC apreciou e concluiu pela improcedência da Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples, mediante a manutenção da exclusão da sistemática simplificada, sob o seguinte argumento: “a despeito da alegação da interessada de que houve um erro de digitação do CNPJ, as atividades de montagem e instalação elétrica e industrial são impeditivas para o Simples, pois as mesmas dependem de habilitação profissional para o seu exercício, uma vez que há regulamentação nesse sentido, mesmo que a empresa não conte com um profissional habilitado”. Irresignada com a decisão da autoridade administrativa singular, o requerente apresenta, de forma tempestiva, em 11/11/2003, Manifestação de Inconformidade (fls.26/32), requerendo a revisão da decisão, assegurando a manutenção do contribuinte na sistemática simplificada, pelos seguintes argumentos: Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 13985.000214/200342 Acórdão n.º 9101001.726 CSRFT1 Fl. 4 3 que o intimado, em data de 27 de agosto de 2003, recebeu o Ato Declaratório Executivo DRF/JOA n° 464.048 de 07 de agosto de 2003, para apresentar os documentos, no prazo de 30 (trinta) dias, para análise e posterior tomada de posição Fiscal; que a empresa em epígrafe, tomou a primeira providencia em adequar devidamente na Receita Federal o enquadramento da atividade principal no seu CNPJ, para que realmente expresse a atividade principal explorada por este estabelecimento comercial. O enquadramento anterior além de estar erroneamente qualificado, não espelha a realidade comercial e mercantil da empresa; Hoje com a listagem clara e bem definida das atividades vedadas para a tributação do Simples Federal, temos a certeza que não estamos neste rol e pedimos encarecidamente a manutenção do enquadramento Tributário Fiscal, como estava anteriormente; que a empresa explora em seu objetivo social o ramo de: Comércio de material elétrico, reposição de peças em painéis elétricos e em locais onde as peças se encontram danificados no ambiente comercial. Como demonstramos em Anexo com Notas Fiscais por Amostragem e deixando todas as Notas Fiscais emitidas pela empresa a disposição do fisco; a empresa presta pequenos serviços de reparos e consertos no ramo de eletricidade comercial e algumas instalações de quadros de comandos. Deste modo reiteramos com clareza e firmeza que a atividade explorada pelo contribuinte em epígrafe não necessita de um responsável técnico para executar todas as suas tarefas comerciais e nos serviços prestados. Se não depende de um Engenheiro Eletricista para comercializar então sua atividade comercial não é uma atividade vedada em optar pelo Sistema de Tributação SIMPLES Federal. Esta sociedade em questão, para desenvolver suas atividades comerciais, não necessita de obter Registro junto ao CREA (Órgão Regulador da Profissão dos Engenheiros Eletricistas), pois para comercializar suas mercadorias e seus pequenos serviços, não dependem de ART e sim de uma simples negociação comercial, baseada na compra e venda pura e simples e não execução de Projeto Elétrico devidamente qualificado. O executor das atividades, junta em Anexo comprovantes da sua qualificação Profissional "SENAI", para poder desempenhar sua atividade com segurança e sem riscos para os clientes; que, portanto, a empresa não desenvolve projetos, não cria ou concebe sistemas que dependam de engenharia. Ela se propõe a aplicar (realmente aplica e instala) produtos que foram devidamente especificados e indicados pelos próprios fabricantes para as mais variadas situações, que são encontrados comumente nas diversas lojas de material elétrico ao alcance do consumidor. Por exemplo: A WEG empresa de Jaraguá do Sul fabrica: fusíveis, disjuntores, reles, capacitores, etc., e em sua dependências (Centro De Treinamento Weg), nos treina para as diversas aplicações destes produtos, indicando seu dimensionamento através de ensaios e catálogos de aplicação; que sendo uma empresa individual, os serviços executado por este contribuinte é exercido e desempenhado atualmente pelo seu sócio fundador único. Se levarmos em conta as atividades declaradas excluídas do Simples, esta sociedade deveria ter no mínimo 05 (Cinco) funcionários trabalhando por mês para dar conta destas atividades. No tocante a atividade comercializada, levando em conta seu faturamento, prova que 90% de sua comercialização é proveniente de mercadorias e 10% de seu faturamento é prestação de pequenos serviços no segmento elétrico. Temos por obrigação afirmar que este contribuinte neste período seu Faturamento Global "Montante", não ultrapassará a cifra de R$ 120.000.00 (Cento e vinte mil reais): daí outro atenuante para a permanência irreversível do seu enquadramento no Sistema Tributário Simples Federal. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 13985.000214/200342 Acórdão n.º 9101001.726 CSRFT1 Fl. 5 4 Após resumir os fatos constantes do Despacho de exclusão do Simples e as principais razões da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, a Quarta Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília – DF indeferiu a manifestação com base nas seguintes considerações: que o argumento trazido à baila pela empresa não a socorre para o fim de mantêla na sistemática do Simples, visto que se encontrava em condição não permitida para permanecer no Sistema, nos termos do inciso XIII do art. 9º da Lei 9.317/1996 (que preste serviços profissionais de engenheiro ou assemelhado, ou de profissão cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida); que notese também que a interessada está vedada à opção por conta do inciso V, parágrafo 4º do art. 9º da Lei 9.317/1996 (realiza obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil: instalação elétrica em edificação, conforme Ato Declaratório Normativo Cosit nº 30/1999). Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 06/03/2008, foi interposto Recurso Voluntário (fls. 54/65), o qual, ao ser apreciado pela 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, foi devidamente provido através do Acórdão nº 180200.591, conforme se verifica em sua ementa e decisão: ASSUNTO: Anocalendário: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. SIMPLES. EXCLUSÃO. Na hipótese dos autos, a atividade alegada no ato de exclusão não pode ser equiparada à atividade vedada. Tratase de atividade de nível técnico, sobre a qual não se aplica a exceção do inciso XIII do art. 9º da Lei n° 9.317/96. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Cientificada, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 08/10/2010, conforme Termo constante à fl. 87, a Fazenda Nacional, através de seu representante legal, interpôs Recurso Especial, com amparo no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que discutese nos autos se as atividades de prestação de serviços de montagem e instalação de equipamentos de iluminação, instalação de quadros de comando, montagem e instalação de sistemas elétricos e industriais para equipamentos, atividades constates do objeto social da empresa (fls. 02) e do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, fls. 49 e 67, consoante observado pela decisão ora recorrida, se incluem em alguma das vedações previstas no art. 9º, inc. XIII, da Lei nº 9.317/1996, vigente à época do Ato Declaratório Executivo n s 464, de 07/08/2003, ato que excluiu a contribuinte do SIMPLES; Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 13985.000214/200342 Acórdão n.º 9101001.726 CSRFT1 Fl. 6 5 que a Turma ora Recorrida manifestou entendimento no sentido de que o exercício de tal atividade não configura atividades de engenharia civil ou assemelhada vedada ao SIMPLES; que o art. 9º, inciso XIII d a Lei nº 9.317/1996 dispõe que não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que exerça qualquer das atividades elencadas ou, ainda, atividade assemelhada; que como se pode perceber, as atividades de montagem e instalação de equipamentos de iluminação, instalação de quadros de comando e montagem e instalação de equipamentos industriais e elétricos exercidas pela Recorrida, a teor da Resolução CONFEA nº 218/73, são efetivamente equiparadas a atividade exclusiva de engenheiro. A referida Resolução, tendo em vista a sua atribuição legal para regulamentar o exercício profissional e as atividades a que se refere à Lei 5194/66; que os dispositivos acima transcritos não deixam dúvida de que a atividade exercida pela recorrida ("montagem e instalação de equipamentos de iluminação, instalação de quadros de comando, montagem e instalação de equipamentos industriais e elétricos") é de competência de engenheiro legalmente habilitado, e que, por isso, agiu com acerto a autoridade que indeferiu a exclusão; que corroborando esse entendimento, a COSIT, através do Ato Declaratório 4, de 22 de fevereiro de 2000, exarou disposição no sentido de que "não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que prestem serviços de montagem e manutenção de equipamentos industriais, por caracterizar prestações de serviço profissional de engenharia"; que não se argumente que os termos "assemelhados" e "qualquer outra profissão", contidos no inciso XIII, do art. 93, da Lei 9.317, são genéricos ao ponto de não poder caracterizar as atividades de serviços de montagem e instalação de quadros elétricos, equipamentos industriais, elétricos e de iluminação no rol de atividades de engenharia, eis que a Secretaria da Receita Federal elidiu essa dúvida no item 124 do Perguntas e Respostas sobre o ITR 2002, que consta no site da Receita (www.receita.fazenda.gov.br). Seguem abaixo os acórdãos paradigmas apresentados (fls. 98/99), do qual se transcreve as respectivas ementas, na parte que interessa: Acórdão nº 30237.259 SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES. EXCLUSÃO POR ATIVIDADE ECONÔMICA. Não pode optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que presta serviços de montagem ou manutenção de equipamentos, por serem equiparados a serviços profissionais de engenharia (art. 9º, inciso XIII, da Lei n.º 9.317/96). Acórdão nº 30238.388 Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas dc Pequeno Porte Simples Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 13985.000214/200342 Acórdão n.º 9101001.726 CSRFT1 Fl. 7 6 Exercício: 1999 Ementa: EXCLUSÃO POR ATIVIDADE ECONÔMICA. Não pode optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que presta serviços elétricos de instalação e manutenção elétrica em edificações, inclusive elevadores, escadas, esteiras rolantes e antenas, por serem equiparados a serviços profissionais de engenharia (art. 9°, inciso XIII, da Lei nº 9.317196) RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais exarou o Despacho nº 1200 – 00.039/2011, de 18/01/2011 (fls.101/103), dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer aos pressupostos regimentais. Ciente, nos termos regimentais, do Acórdão recorrido e do Despacho de Exame de Admissibilidade, em 11/04/2011 (fl.128) o contribuinte apresentou, tempestivamente, as suas contrarrazões (fls. 114/122), baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que o Recurso Especial apresentado pela PGFN resvalou em primário requisito, qual seja, o prazo legal para interposição, o que conduz ao seu indeferimento de plano; que ora, como se pode facilmente observar, a decisão que proveu o Recurso Voluntário interposto pelo interessado se deu em 03.08.2010 (fl. 86); que, a fl. 87, consta "Termo de Encaminhamento", onde consta que o acórdão da decisão acima referida fora juntado ao processo administrativo e, ainda, encaminhado ao órgão interessado: a Procuradoria da Fazenda Nacional, tudo na data de 13.09.2010; que, em 21.09.2010, pois, conforme se observa à fl. 88, o processo administrativo, juntamente com o acórdão recorrido, fora recebido pelo órgão interessado: a Procuradoria da Fazenda Nacional, que, assim, tomou ciência da decisão, nos termos do art. 37, § 2º, do Decreto n. 70.235/72; que, contudo, tãosomente em 11.10.2010, 20 (vinte) dias depois da ciência, é que a Procuradoria da Fazenda Nacional dignouse em protocolar seu Recurso Especial, de acordo com o constante à fl. 90; que para ilustrar pretenso dissídio jurisprudencial administrativo e, assim, pugnar pela reforma da decisão que proveu o Recurso Voluntário do contribuinte, a recorrente colacionou dois acórdãos da então Segunda Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes; que tratamse dos Acórdãos nº. 30237259 e 30238.388, julgados respectivamente em 26.01.2006 e em 25.01.2007; Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 13985.000214/200342 Acórdão n.º 9101001.726 CSRFT1 Fl. 8 7 que, entretanto, não há se falar em divergência posto que já no ano seguinte (2008), o entendimento da própria Segunda Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes se pacificou em sentido oposto. Isto é, os tais "paradigmas" que evidenciavam pretensa discordância entre os órgãos administrativos tributários, na verdade se revelam ultrapassados e sem respaldo para embasar Recurso Especial; que corolário ao tópico retro, não é demais rememorar que o recorrido NÃO presta serviços atribuídos à engenharia ou a qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Tal constatação, aliás, é essencial para que se vislumbre claramente a necessidade de manutenção do decisum recorrido; que, por outro lado, reiterase que a atividade básica principal do recorrido é o "comércio varejista de materiais elétricos para construção" (90% do faturamento), conforme se lê no comprovante de inscrição no CNPJ, já anexo ao feito. E sua atividade secundária é a prestação de pequenos serviços (especialmente reparos), que corresponde a 10% do faturamento (conforme do Requerimento de empresário, j á em anexo); que, isto é, o objeto do empresário recorrido não requer controles ou responsabilidades carentes de conhecimentos invulgares, mas, ao contrário disso, apenas técnicas e conhecimentos práticos vulgares; que, da mesma forma, verificase inaplicável ao caso o § 4º do mesmo artigo legal, como outrora pretendeu o órgão recorrente. Tais atividades (construção civil), além de enquadraremse na fundamentação retro, jamais foram praticadas pelo empresário recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, Redator Ad Hoc Designado Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro José Ricardo da Silva, relator do processo, não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, este Conselheiro foi designado Redator Ad Hoc pelo Presidente da 1ª Turma da CSRF, nos termos do item III, do art. 17, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Destarte, levandose em consideração a minuta de acórdão inicialmente apresentada pelo relator original quando do julgamento do recurso, bem como o seu resultado, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso na Ata da sessão ocorrida em setembro de 2013, passo a formalizar o voto do relator do acórdão: Tendo a Fazenda Nacional tomado ciência do decisório recorrido em 08/10/2010 (fls. 86) e tendo protocolizado o presente apelo em 11/10/2010 (fls. 90/97), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 13985.000214/200342 Acórdão n.º 9101001.726 CSRFT1 Fl. 9 8 Da análise dos autos verificase, que após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais exarou o Despacho nº 120000.039/2011, de 18/01/2011(fls. 101/103, dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer aos pressupostos regimentais. De fato, constatase que Fazenda Nacional atendeu os requisitos previstos no RICARF, ao interpor Recurso Especial de Divergência, já que demonstrou que a decisão deu a lei tributária interpretação diferente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do simples confronto da ementa do acórdão recorrido com as ementas dos acórdãos paradigmas é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática com distintas consequências jurídicas sobre a mesma matéria, que no caso em questão é a exclusão da opção pelo Simples de empresa que opera, de forma individual, com instalação e montagem de equipamentos elétricos (discussão da exceção do inciso XIII do art. 9 o da Lei n° 9.317/96). Assim, o mero cotejo da ementa e voto do acórdão recorrido com as ementas e votos dos acórdãos paradigmas já caracteriza a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados. Concretamente, questionase qual seria o tratamento tributário a ser dado às empresas optantes pelo Simples que prestam serviços de instalações e montagens de equipamentos elétricos (podem ou não ser optantes do Simples?). Enquanto os acórdãos paradigmas consideraram que estas empresas não podem realizar a opção pelo Simples em razão da exceção previsto no inciso XIII do art. 9º da lei nº 9.317, de 1996 (serviços por profissional habilitado – engenheiro), o acórdão recorrido ao contrário considerou que não há nenhuma vedação na legislação de regência, já que se trata de atividade de nível técnico, sobre a qual não se aplica a exceção do inciso XIII do art. 9º da Lei n° 9.317, de 1996. Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Fundase o mérito do presente recurso na análise do inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.317, de 1996, que veda o ingresso no Simples à pessoa jurídica que: "XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida;" Alega a recorrente que tem atuação preponderante na prestação de serviço de pequenos reparos e consertos de eletricidade e instalações de quadros de comando. Seu maior faturamento é o comércio, não esbarrando em qualquer vedação ao dito regime. Alega, ainda, que são serviços de pouca complexidade técnica (como, por exemplo, substituição de pequenas peças, limpeza, etc.) e para a realização destas atividades, não há necessidade de profissionais com habilitação legalmente exigida, como engenheiros. Representam serviços de reparo corriqueiros executados por um simples instalador ou consertador de máquinas e equipamentos elétricos. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 13985.000214/200342 Acórdão n.º 9101001.726 CSRFT1 Fl. 10 9 Não há dúvidas que existem serviços de montagem, de reparo ou conserto em equipamentos industriais que até podem requerer a supervisão de engenheiro, principalmente quando se tratem de peças ou partes de equipamento pesado, integrantes de uma estrutura complexa de produção industrial. Porém, pelos elementos que compõem estes autos, não parece ser o caso. Seria de se esperar, por prudência, que a repartição de origem, em seu trabalho corriqueiro, antes de pretender um fato grave como é a exclusão, ou o impedimento de uma microempresa ou empresa de pequeno porte do Programa SIMPLES que, ao menos, verificasse principalmente o Livro de Prestação de Serviços, as Notas Fiscais de Serviços, com diligência ao local de funcionamento da contribuinte, qual é de fato a natureza dos serviços realizados para, se for o caso, caracterizar, conforme parece apenas supor a administração tributária, prática de serviços de assessoria, consultoria e projetos de equipamentos. Não se questiona que o serviço de engenheiro habilitado seja exigível para atividades de projeto de máquinas, ou até para supervisionar certos serviços de instalação e manutenção de equipamentos específicos. No entanto, também é inquestionável a existência de pequenas empresas que consertam e reparam máquinas e equipamentos, ou auxiliam a instalação do equipamento que vendem. Tais serviços, em geral, dispensam a participação de engenheiro ou qualquer outra profissão com habilitação legalmente exigida, requerendo apenas mão de obra especializada que, na realidade do nosso país, em geral, muitas vezes não chegou nem a completar o segundo grau escolar. Esse tipo de atividade evidentemente não está vedado ao SIMPLES, e qualquer interpretação que pretenda equiparar o serviço prestado por um simples instalador, ou consertador de máquinas e equipamentos usados, com mera substituição de peças nos casos corriqueiros, ao serviço de engenheiro, deve ser revista por esta Corte Administrativa. Assim, a razoabilidade da lei, consiste em beneficiar as pessoas que não possuem habilitação profissional exigida, seguramente as de menor capacidade contributiva e sem estrutura bastante para atender a complexidade burocrática comum aos empresários de maior porte e aos profissionais liberais, tudo visando favorecer a empregabilidade e extirpar a informalidade das micro e pequenas empresas. Ademais, no tocante às atividades descritas no contrato social, destacase que não mais existe vedação para sua inclusão no SIMPLES, pois com o advento da Lei 11.051, de 2004, tais atividades deixaram expressamente de ser vedadas, nos seguintes termos: Art. 15. O art. 4º da Lei nº 10.964, de 28 de outubro de 2004, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 4° Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: I serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados; II serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores; III serviços de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas; Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 13985.000214/200342 Acórdão n.º 9101001.726 CSRFT1 Fl. 11 10 IV serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; V serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos. § 1° Fica assegurada a permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, com efeitos retroativos à data de opção da empresa, das pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham feito a opção pelo sistema em data anterior à publicação desta Lei, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. § 2° As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham sido excluídas do SIMPLES exclusivamente em decorrência do disposto no inciso XIII do art. 9º da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, poderão solicitar o retorno ao sistema, com efeitos retroativos à data de opção desta, nos termos, prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal — SRF, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. § 3° Na hipótese de a exclusão de que trata o § 2º deste artigo ter ocorrido durante o anocalendário de 2004 e antes da publicação desta Lei, a Secretaria da Receita Federal — SRF promoverá a reinclusão de oficio dessas pessoas jurídicas retroativamente à data de opção da empresa. § 4° Aplicase o disposto no art. 2º da Lei n° 10.034, de 24 de outubro de 2000, a partir de 1º de janeiro de 2004. Registrese, ainda, que com o advento do ato declaratório executivo ADE SRF nº 8, de 18/01/2005 do Secretário da Receita Federal, o motivo indicado como fundamento para a permanência do recorrente no Simples (inciso XIII do art. 9º da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996) foi fortalecido: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 40 da Lei n° 10.964, de 28 de outubro de 2004, com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, declara: Artigo único. Ficam cancelados os Atos Declaratórios Executivos, emitidos pelas unidades descentralizadas da Secretaria da Receita Federal em 2004, para a exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples) em decorrência, exclusivamente, do disposto no inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, das pessoas jurídicas que exerçam as seguintes atividades: I serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados; Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 13985.000214/200342 Acórdão n.º 9101001.726 CSRFT1 Fl. 12 11 II serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores; III serviços de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas; IV serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; V serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos. Neste sentido, cumpre transcrever decisão da então Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, proferida no Acórdão 30130.581: PRESTAÇÃO ESPORÁDICA DE SERVIÇOS EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE TERCEIROS — AUSÊNCIA DE SEMELHANÇA COM ATIVIDADE DE ENGENHEIRO — O reparo e manutenção de máquinas e equipamentos de terceiros somente impedem a opção pelo SIMPLES quando constitua atividade típica e inserida no campo das atribuições do profissional de engenharia, ainda que seja irrelevante para a exclusão do Sistema a prestação ocasional do serviço, não impede a opção pelo SIMPLES. Provido por unanimidade. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de não conhecer do Recurso Especial do Procurador. (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Ad Hoc Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001536/2010-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009, 2010
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. PROCEDÊNCIA.
A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, com base na taxa selic, encontra lastro na legislação de regência.
MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA.
No caso de aplicação de multa de ofício sobre os tributos e contribuições lançados de ofício e de multa isolada em virtude da falta ou insuficiência de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas), não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência, visto que resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas. Inexiste, também, fator temporal limitador da aplicação da multa isolada, eis que a lei prevê a sua exigência mesmo na situação em que as bases de cálculo das exações são negativas.
Numero da decisão: 1301-001.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos de declaração interpostos para, também por unanimidade, negar-lhe provimento em relação à incidência de juros sobre a multa, e, relativamente à multa isolada, também negar-lhe provimento, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior (Relator), Valmir Sandri e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Designado para redigir o voto vencedor, no que diz respeito à MULTA ISOLADA, o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Redator
Participaram do julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. PROCEDÊNCIA. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, com base na taxa selic, encontra lastro na legislação de regência. MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. No caso de aplicação de multa de ofício sobre os tributos e contribuições lançados de ofício e de multa isolada em virtude da falta ou insuficiência de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas), não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência, visto que resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas. Inexiste, também, fator temporal limitador da aplicação da multa isolada, eis que a lei prevê a sua exigência mesmo na situação em que as bases de cálculo das exações são negativas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos de declaração interpostos para, também por unanimidade, negarlhe provimento em relação à incidência de juros sobre a multa, e, relativamente à multa isolada, também negar lhe provimento, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior (Relator), Valmir Sandri e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Designado para redigir o voto vencedor, no que diz respeito à MULTA ISOLADA, o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 15 36 /2 01 0- 80 Fl. 2348DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 1301001.834 S1C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Redator Participaram do julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 2349DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 1301001.834 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Cuidase de Embargos de Declaração, cujo acolhimento parcial foi proposto pelo Relator do voto sufragado pela maioria e encarregado de redigir o acórdão, eis que verificou que meu pronunciamento primitivo foi omisso em relação à apreciação da multa isolada e à incidência de juros sobre a multa de ofício. Assinalo, portanto, que se trata de parcial pronunciamento, eis que as demais matérias envolvidas nos Embargos de Declaração foram consideradas pelo Relator do acórdão vencedor, mediante Despacho de folhas 2.341 em diante, como não reveladoras de qualquer omissão, contradição ou obscuridade e meu pronunciamento apenas não teria apreciado a as matérias antes citadas. É o relatório. Fl. 2350DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 1301001.834 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Relator. Os Embargos de Declaração são tempestivos e assiste razão ao Conselheiro, relator do acórdão e do voto vencedor, ao afirmar que meu pronunciamento foi omisso em relação à aplicação da multa isolada e à incidência de juros sobre a multa de ofício, razão pela qual, admito os Embargos de Declaração para integrar ao meu pronunciamento o referido enfrentamento. A comentada omissão, se não se justifica, ao menos se compreende pelo fato de ter encaminhado voto no sentido de afastar integralmente a glosa relativa às despesas com amortização do ágio tratado no presente processo. É fato, contudo, que subsistindo a glosa, como de fato subsistiu no acórdão e voto de Relatoria do eminente Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, os Embargos de Declaração merecem ser acolhidos e providos, para os fins de integrarse ao acórdão o pronunciamento relativo à multa isolada e aos juros sobre a multa de ofício, e devese fazêlo, no que tange à multa isolada, de modo a afastar referida penalidade. A questão da multa isolada, exigida após o encerramento do exercício e exigida em duplicidade com a multa de oficio, é tema que muito se tem debatido na esfera administrativa. Contudo, para além dos muitos precedentes que se revelam um dos fundamentos ou ambos, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pacificou o entendimento com a recente edição da Súmula CARF nº 105. Com efeito, conquanto se trate de auto de infração lavrado em 29 de novembro de 2010, portanto após as modificações no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, com a brevidade que o argumento merece ser tratado, entendo ser incabível a dupla penalização pelo mesmo fato, nos exatos termos da dita Súmula CARF nº 105, aprovada na Sessão de 08 de dezembro de 2014, da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho. Confirase o teor da indigitada Súmula: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Em vista do conteúdo sumulado, de rigor reconhecer ser incabível a multa isolada na espécie, prevalecendo a multa de ofício aplicada. Quanto ao juros sobre a multa deve ser aplicada a taxa Selic tendo como fundamento os pressupostos da Súmula nº 4 do CARF. Fl. 2351DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 1301001.834 S1C3T1 Fl. 6 5 Em vista de todo o exposto, conheço PARCIALMENTE dos Embargos de Declaração, votando no sentido do seu PARCIAL ACOLHIMENTO, fazendo integrar ao acórdão embargado o pronunciamento e afastamento da Multa de Isolada. Sala das Sessões, em 24 de março de 2015. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Fl. 2352DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 1301001.834 S1C3T1 Fl. 7 6 Voto Vencedor Wilson Fernandes Guimarães, Redator designado. O Ilustre Conselheiro Relator, fazendo referência a pronunciamentos desta instância julgadora, sustenta não ser possível a exigência de multa isolada aplicada em virtude da falta ou insuficiência de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas), seja pelo fato de o período de apuração em que as importâncias eram devidas já ter sido encerrado, seja em virtude de não se admitir a coexistência dela com a multa de ofício incidente sobre os tributos lançados. Entretanto, o Colegiado, pelo voto de qualidade, entendeu de forma diversa. Não se pode deixar de admitir que a questão da aplicação da multa isolada nas circunstâncias versadas nos presentes autos constitui matéria controversa no âmbito deste Conselho. Não obstante, o entendimento majoritário da Turma de Julgamento foi no sentido de que os óbices apontados pelo Ilustre Conselheiro Relator não encontram ressonância na legislação de regência. Com efeito, em primeiro lugar, inexiste na lei instituidora da sanção a condição explicitada pelo pronunciamento, isto é, a lei, ao descrever as situações motivadoras da aplicação da penalidade, não fez menção à circunstância de que, encerrado o período de apuração, a multa isolada não poderia ser aplicada. Destaco que a norma impositiva estabelece de forma expressa que, ainda que se tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa, a penalidade deve ser aplicada, bastando para tanto que o sujeito passivo tenha incorrido na sua hipótese de incidência, qual seja, deixar de ter efetuado (ou ter efetuado com insuficiência) o recolhimento mensal incidente sobre a base de cálculo estimada. A conclusão, pois, dirigese no sentido de que o requisito condicionador da aplicação da penalidade indicado pelo Ilustre Relator decorre de exercício de interpretação da norma sancionadora que, a meu ver, não pode ser recepcionado, sob pena de violação ao disposto no art. 97 do Código Tributário Nacional. Descabe falar, também, em duplicidade de incidência sobre um mesmo fato (concomitância), pois, na situação sob análise, estamos diante de duas infrações distintas, quais sejam: a) falta de recolhimento do imposto e da contribuição em decorrência de apropriação de despesas indedutíveis; e b) falta de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas), em razão da recomposição da base de cálculo. A norma legal aplicada (art. 44 da Lei nº. 9.430/96) revela obrigações distintas que, uma vez inobservadas, podem ensejar a aplicação da sanção. A primeira, consubstanciada no dever de recolher o imposto e a contribuição com base em estimativa a que se submetem as pessoas jurídicas que, por opção, apuram o resultado tributável anualmente. A segunda, decorrente da opção em questão, surge em consequência da eventual apuração de saldo positivo no resultado tributável anual. Fl. 2353DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 1301001.834 S1C3T1 Fl. 8 7 O fato de as infrações terem sido apuradas por meio de um mesmo procedimento revela, apenas, concomitância de verificação das irregularidades, não constituindo, contudo, causa capaz de fazer desaparecer a infração antes cometida. Destaco que a variação do aspecto temporal da apuração reflete a evidência de que, no caso, estamos diante de duas infrações absolutamente distintas. Tomese, por exemplo, a situação em que, no curso do períodobase de incidência, apurouse receita omitida e, em razão disso, aplicouse a multa isolada em virtude da insuficiência de recolhimento das estimativas devidas. Noutro momento, restou verificado que a mesma receita, antes omitida, também não foi considerada nas bases de cálculo do tributo e da contribuição devidos. Fica claro que, nessa circunstância, o tributo, assim como a contribuição, serão lançados com a multa de ofício correspondente, não havendo que se falar, nesse caso, em duplicidade de sanção sobre o mesmo fato. Cabe registrar que a multa isolada em questão teve por fundamento o art. 44, II, b, da Lei nº 9.430, de 1996, ou seja, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.488, de 2007, de modo que, aqui, não é aplicável a súmula CARF nº 105, recentemente publicada e que abaixo reproduzo. Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Notese que o enunciado trata especificamente da multa isolada lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, isto é, na redação original do dispositivo legal, antes, portanto, das alterações promovidas pela Lei nº 11.488, de 2007. Pelas razões expostas, decidiu o Colegiado manter a exigência da MULTA ISOLADA. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães – Redator Fl. 2354DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por ADRIANA GOMES REGO
score : 1.0
Numero do processo: 18050.009759/2008-93
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFICIO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS NÃO REGULARIZADOS NO PRAZO LEGAL. CABIMENTO
Correta a exclusão de oficio do Simples Nacional em face da existência de débito para com a Fazenda Pública Federal não regularizado no prazo legal.
Numero da decisão: 1103-000.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Sérgio Fernandes Barroso - Presidente em exercício.
Hugo Correia Sotero - Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator ad hoc, designado para formalização do Acórdão
Participaram do julgamento os conselheiros: Mario Sergio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Hugo Correa Sotero, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Maria Eliza Bruzzi Boechat. Ausente o Conselheiro Eric Moraes de Castro e Silva.
Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Hugo Correa Sotero não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 24/08/2015.
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFICIO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS NÃO REGULARIZADOS NO PRAZO LEGAL. CABIMENTO Correta a exclusão de oficio do Simples Nacional em face da existência de débito para com a Fazenda Pública Federal não regularizado no prazo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso - Presidente em exercício. Hugo Correia Sotero - Relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator ad hoc, designado para formalização do Acórdão Participaram do julgamento os conselheiros: Mario Sergio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Hugo Correa Sotero, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Maria Eliza Bruzzi Boechat. Ausente o Conselheiro Eric Moraes de Castro e Silva. Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Hugo Correa Sotero não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 24/08/2015.
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EXCLUSÃO DE OFICIO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS NÃO REGULARIZADOS NO PRAZO LEGAL. CABIMENTO Correta a exclusão de oficio do Simples Nacional em face da existência de débito para com a Fazenda Pública Federal não regularizado no prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Presidente em exercício. Hugo Correia Sotero Relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalização do Acórdão Participaram do julgamento os conselheiros: Mario Sergio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Hugo Correa Sotero, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Maria Eliza Bruzzi Boechat. Ausente o Conselheiro Eric Moraes de Castro e Silva. Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Hugo Correa Sotero não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 24/08/2015. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 97 59 /2 00 8- 93 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /09/2015 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 18050.009759/200893 Acórdão n.º 1103000.721 S1C1T3 Fl. 68 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1521.810, de 26/11/2009, proferido pela 4ªTurma da DRJSalvador/BA, que rejeitou a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada em face do Ato Declaratório Executivo DRF/SDR nº 221273, de 22/08/2008, que formalizou a exclusão do Simples Nacional, a partir de 01/01/2009, em virtude de a pessoa jurídica possuir débitos para com a Fazenda Nacional, com exigibilidade não suspensa. o débito que deu causa à exclusão de oficio é referente à multas por atraso na entrega de declarações (descumprimento de obrigação acessória), inscrito na Divida Ativa da União (DAU) sob nº 5060601394640, junto à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), conforme tela do sistema SIVEX. Cientificado do ADE, a interessada apresentou a sua manifestação de inconformidade requerendo o cancelamento da exclusão de oficio, alegando, em síntese, que é integrante do parcelamento PAES, que abarca os débitos constantes na PGFN, RFB e INSS, com o qual está regularmente adimplente. Alega que o ADE não aponta qual o tributo que está em aberto e que ocorre que há pagamentos em DARF que não foram alocados devidamente, os quais se forem apropriados adequadamente evidenciarão que inexiste o suposto saldo devedor. A 4ª Turma da DRJ/SDR proferiu o Acórdão nº 1521.810, indeferindo a solicitação, conforme sintetizado na seguinte ementa: EXCLUSÃO DE OFICIO. DÉBITO PARA COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL. PRAZO PARA REGULARIZAÇÃO Mantémse a exclusão de oficio do Simples Nacional quando se verifica que o débito para com a Fazenda Pública Federal não foi regularizado dentro do prazo legal. Cientificada do acórdão de primeiro grau em 11/01/2010, a interessada apresentou recurso voluntário em 11/02/2010, no qual reitera as razões apresentadas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /09/2015 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 18050.009759/200893 Acórdão n.º 1103000.721 S1C1T3 Fl. 69 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc Formalizo este acórdão por designação do presidente da 1ª Seção de Julgamento, tendo em vista que o relator do processo, Conselheiro Hugo Correa Sotero, por ocasião do julgamento realizado em 04/07/2012, pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, não efetuou a formalização e não pertence mais aos colegiados do CARF. Ressalto, por oportuno, que não integrava o colegiado que proferiu o acórdão e, portanto, não participei do julgamento. Portanto, o entendimento consubstanciado neste voto tem por base os elementos dos autos e os dados constantes da ata da Sessão de Julgamento, realizada pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em 04/07/2012, às nove horas, e não exprime qualquer juízo de valor deste redator. O recurso voluntário foi conhecido. Analisando as razões recursais, o colegiado rejeitou as alegações suscitadas e manteve a exclusão do Simples Nacional, tendo em vista a existência de débito com a Fazenda Nacional, não regularizado no prazo legal, confirmando a decisão de primeira instância, que assim analisou as razões de defesa: [...] O Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário (SECAT) da DRF/SDR em sua análise previa, informou no despacho à fl. 25 que a inscrição de nº 5060601394640, na PGFN, referese a multas por atraso na entrega de declarações, decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, não incluídas no parcelamento especial (PAES) para ingresso no Simples Nacional. No segundo despacho da SECATIDRF/SDR, à fi. 32, apresentamse telas do Sistema Gerencial da DCTF, mostrando que as DCTFs dos trimestres 03 e 04/2001 foram entregues em 23/12/2003, a destempo, concluindose, por conseguinte, que para inclusão no PAES as declarações deveriam ter sido entregues até 28/11/2003, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 3, de Iº de setembro de 2003, cuja cópia anexou às fis. 29/31. Sobre a queixa de que o ADE não aponta qual o tributo que está em aberto, verificase que o art. Iº do ADE orienta que o débito gerador da exclusão de oficio está relacionado no item "Pessoa Jurídica", assunto "Simples Nacional", do sítio da RFB na Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br. que a manifestante pode acessálo (sic) via código de acesso. Portanto, o argumento da manifestante não deve prosperar. Como se vê, a requerente não regularizou a pendência que motivou o seu desenquadramento do sistema, no prazo da manifestação de inconformidade. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /09/2015 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 18050.009759/200893 Acórdão n.º 1103000.721 S1C1T3 Fl. 70 4 Ante o exposto, e com base na documentação comprobatória anexa aos autos do processo, voto por considerar a manifestação de inconformidade improcedente, mantendo a exclusão de oficio nos termos do ADE contestado. Assim, o colegiado, por unanimidade, negou provimento ao recurso voluntário. Acórdão formalizado em 24 de Agosto de 2015. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /09/2015 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.008229/2003-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Exercício. 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
Ementa:PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. OMISSÃO. EMBARGOS. ADMISSIBILIDADE.
Configurada omissão em relação a ausência de fundamento no v. acórdão, devem os embargos serem acolhidos.
MULTA ISOLADA. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. SALDO APURADO. A base de cálculo da multa isolada é eventual saldo do imposto apurado pelo contribuinte ao final de cada exercício. Sem, contudo alterar a decisão do Acórdão 108-09.259.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 1202-000.017
Decisão: ACORDAM os Membros da 2ª câmara / 2ª turma ordinária do primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos para suprir a omissão apontada, sem, contudo, alterar a decisão consubstanciada no Acórdão n° 108-09.259 de 28/03/2007, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Orlando José Gonçalves Bueno
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Exercício. 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa:PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. OMISSÃO. EMBARGOS. ADMISSIBILIDADE. Configurada omissão em relação a ausência de fundamento no v. acórdão, devem os embargos serem acolhidos. MULTA ISOLADA. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. SALDO APURADO. A base de cálculo da multa isolada é eventual saldo do imposto apurado pelo contribuinte ao final de cada exercício. Sem, contudo alterar a decisão do Acórdão 108-09.259. Embargos Acolhidos.
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Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício. 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa:PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. OMISSÃO. EMBARGOS. ADMISSIBILIDADE. Configurada omissão em relação a ausência de fundamento no v. acórdão, devem os embargos serem acolhidos. MULTA ISOLADA. REDUÇÃO DA BASE DE 'CÁLCULO. SALDO APURADO. A base de cálculo da multa isolada é eventual saldo do imposto apurado pelo contribuinte ao final de cada exercício. Sem, contudo alterar a decisão do Acórdão 108-09.259. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes embargos de declaração interposto pela NOVA ERA REVENDEDORA DE CERVEJA E REFRIGERANTES LTDA. • ACORDAM os Membros da 2* câmara / 2' turma ordinária do primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos para suprir a omissão apontada, sem, contudo, alterar a decisão consubstanciada no Acórdão n° 108-09.259 de 28/03/2007, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado 12/2 :.., 1 . Processo n° 10120.008229/2003-31 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.017 H. 2 L(55EFI Presidente tt/ ORLAND 0 JOSÉ GO • LVES BUENO Relator FORMALIZADO EM: 2 8 JUL 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, IRINEU BIANCHI, VALERIA CABRAL GÉO VERÇOZA e MÁRIO SÉRGIO FERNANDES BARROSO, JOSÉ DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA (Suplente Convocado) e EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JÚNIOR (Suplente Convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA e KAREM JUREIDINI DIAS. Cif 2 • . . . . Processo n° 10120.008229/2003-31 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.017 Fl. 3 Relatório Trata-se de Embargos de Declaração de fls. 2726 a 2728, tempestivamente interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, contrariamente ao acórdão n." 108- - 09.259, às fls. 2712 a 2721. Insurge a Embargante pela existência de contradição no referido acórdão uma vez que no dispositivo deste transcrevem os Conselheiros o entendimento de "reduzir também a base de cálculo da multa isolada para eventual saldo do imposto apurado pelo contribuinte no final de cada exercício", deixando de explicitar seus fundamentos na dissertação do voto vencedor. e Explicitou também a Embargante que quanto a outras matérias de mérito, como a exigência de multa em períodos sem apuração de tributo e exigência da multa após o período de apuração, uma vez que não houve divergência expressa no voto vencedor, mantém- se o decidido no voto vencido. Por fim, solicitou que sejam conhecidos e providos os presentes Embargos Declaratórios, a fim de sanar a contradição apontada. É o Relatório. ,•,1.. 131 • 3 Processo n°10120.003229/2003-31 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.017 Fl. 4 Voto Conselheiro ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO, Relator Os presentes embargos preenchem os pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Inicialmente, cumpre ressaltarmos que, em que pese a Embargante apontar a existência de contradição no v. acórdão, em sua narrativa percebe-se que estamos diante da hipótese de omissão, uma vez apontada a ausência de fundamentação do decidido quanto à redução da "base de cálculo da multa isolada para eventual saldo do imposto apurado pelo contribuinte no final de cada exercício." Cumpre esclarecermos ainda que não é pressuposto de admissibilidade aos presentes Embargos de Declaração a "contrariedade" existente entre votos vencidos e vencedor, uma vez que se inexistente fosse constituiriam em voto unânime. Passadas estas considerações preliminares, identificamos no v. acórdão de folhas a existência de omissão, exigindo-se no julgamento dos presentes embargos supri-la-á, decidindo a questão que por mero lapso, escapou à decisão embargada. Todavia, se impõe ao julgamento dos presentes embargos de declaração é que • não se proceda a um novo julgamento de causa, pois a tanto não se destina o presente remédio recursal. No caso em tela, a referida omissão refere-se a tão somente ausência de fundamentação quanto ao decisório de "reduzir a base de cálculo da multa isolada para eventual saldo do imposto apurado pelo contribuinte no final de cada exercício. E outro entendimento não poderia ser prolatado, senão vejamos. A multa deve ser aplicada sempre no intuito de desestimular a reiteração da conduta infracional, sem, no entanto, atingir o direito de propriedade, cabendo à Autoridade Administrativa, em observância aos princípios constitucionais de proporcionalidade, razoabilidade e da não confiscatoriedade, a fixação destes limites à sua imposiç:ão. A falta de recolhimento ou recolhimento a menor de tributos sujeita-se à multa de 50% sobre o valor do pagamento mensal, conforme disposto no art. 44, da Lei 9.430/96, in verbis: - "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de 07° 4 Processo n°10120.008229/2003-31 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.017 Fl. 5 - pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II- de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal a) na forma do art. 8o da Lei no 1713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa fisica; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica". Assim, a base de cálculo da multa deverá ser o valor do imposto calculado sobre a diferença entre o efetivo tributo devido, ora identificado em procedimento de fiscalização, e o já recolhido, que segundo dizeres do v. acórdão assim entendeu "reduzir a base de cálculo da multa isolada para eventual saldo do imposto apurado pelo contribuinte no final de cada exercício". Sala das Sessões - DF, em 12 de março de 2009. 1 ORLAND JOSÉ Ge ÇALVES BUENO ' 5 Page 1 _0054500.PDF Page 1 _0054600.PDF Page 1 _0054700.PDF Page 1 _0054800.PDF Page 1
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