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Numero do processo: 18088.720677/2012-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.
EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. GÁS EMPREGADO EM EMPILHADEIRAS.
É legítima a apropriação do crédito das contribuições em relação às aquisições de tambores empregados como embalagem de transporte e sobre o gás empregado em empilhadeiras, por integrarem o custo de produção dos produtos.
CRÉDITOS. DESPESAS COM COMISSÕES, DESCONTOS EM DUPLICATAS E BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS.
Devem ser glosados os créditos tomados sobre gastos com comissões sobre vendas, abatimentos concedidos em desconto de duplicatas e em decorrência de bonificações em mercadorias, por se tratarem de despesas redutoras de vendas e não de custos de produção.
COMBUSTÍVEL. LENHA. AQUISIÇÃO DE PESSOA FÍSICA.
É vedada a apropriação de créditos sobre aquisições de combustível (lenha) efetuadas de pessoas físicas.
CRÉDITOS. BENS CLASSIFICADOS NO ATIVO IMOBILIZADO.
É vedada a apropriação de créditos sobre o custo de aquisição em relação a bens classificados no ativo imobilizado.
CRÉDITOS FICTÍCIOS. INSERÇÃO NO DACON. SONEGAÇÃO. MULTA DE 150%.
A inserção de créditos fictícios no DACON caracteriza a sonegação e rende ensejo ao lançamento de ofício das diferenças com multa de ofício de 150%.
ESPONTANEIDADE. RETIFICAÇÃO DO DACON ANTES DO VIGÉSIMO DIA DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL.
O art. 47 da Lei nº 9.430/96 não garante ao contribuinte o direito de retificar débitos anteriores, mas apenas e tão-somente o direito de recolher, com multa de mora, os débitos que já se encontrem declarados ao tempo do início da ação fiscal. Assim, a retificação do DACON, ainda que efetuada nos vinte dias subsequentes ao início da fiscalização, não elide a exigência da multa de ofício.
CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA.
O CARF não possui competência legal para dirimir controvérsias sobre processos administrativos de representação fiscal para fins penais.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas relativas aos créditos tomados pelo contribuinte sobre as aquisições de tambores e sobre as aquisições de gás empregado nas empilhadeiras. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, quanto ao gás empregado nas empilhadeiras.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção. EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. GÁS EMPREGADO EM EMPILHADEIRAS. É legítima a apropriação do crédito das contribuições em relação às aquisições de tambores empregados como embalagem de transporte e sobre o gás empregado em empilhadeiras, por integrarem o custo de produção dos produtos. CRÉDITOS. DESPESAS COM COMISSÕES, DESCONTOS EM DUPLICATAS E BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. Devem ser glosados os créditos tomados sobre gastos com comissões sobre vendas, abatimentos concedidos em desconto de duplicatas e em decorrência de bonificações em mercadorias, por se tratarem de despesas redutoras de vendas e não de custos de produção. COMBUSTÍVEL. LENHA. AQUISIÇÃO DE PESSOA FÍSICA. É vedada a apropriação de créditos sobre aquisições de combustível (lenha) efetuadas de pessoas físicas. CRÉDITOS. BENS CLASSIFICADOS NO ATIVO IMOBILIZADO. É vedada a apropriação de créditos sobre o custo de aquisição em relação a bens classificados no ativo imobilizado. CRÉDITOS FICTÍCIOS. INSERÇÃO NO DACON. SONEGAÇÃO. MULTA DE 150%. A inserção de créditos fictícios no DACON caracteriza a sonegação e rende ensejo ao lançamento de ofício das diferenças com multa de ofício de 150%. ESPONTANEIDADE. RETIFICAÇÃO DO DACON ANTES DO VIGÉSIMO DIA DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. O art. 47 da Lei nº 9.430/96 não garante ao contribuinte o direito de retificar débitos anteriores, mas apenas e tão-somente o direito de recolher, com multa de mora, os débitos que já se encontrem declarados ao tempo do início da ação fiscal. Assim, a retificação do DACON, ainda que efetuada nos vinte dias subsequentes ao início da fiscalização, não elide a exigência da multa de ofício. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. O CARF não possui competência legal para dirimir controvérsias sobre processos administrativos de representação fiscal para fins penais. Recurso voluntário provido em parte.
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INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. GÁS EMPREGADO EM EMPILHADEIRAS. É legítima a apropriação do crédito das contribuições em relação às aquisições de tambores empregados como embalagem de transporte e sobre o gás empregado em empilhadeiras, por integrarem o custo de produção dos produtos. CRÉDITOS. DESPESAS COM COMISSÕES, DESCONTOS EM DUPLICATAS E BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. Devem ser glosados os créditos tomados sobre gastos com comissões sobre vendas, abatimentos concedidos em desconto de duplicatas e em decorrência de bonificações em mercadorias, por se tratarem de despesas redutoras de vendas e não de custos de produção. COMBUSTÍVEL. LENHA. AQUISIÇÃO DE PESSOA FÍSICA. É vedada a apropriação de créditos sobre aquisições de combustível (lenha) efetuadas de pessoas físicas. CRÉDITOS. BENS CLASSIFICADOS NO ATIVO IMOBILIZADO. É vedada a apropriação de créditos sobre o custo de aquisição em relação a bens classificados no ativo imobilizado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 06 77 /2 01 2- 52 Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 CRÉDITOS FICTÍCIOS. INSERÇÃO NO DACON. SONEGAÇÃO. MULTA DE 150%. A inserção de créditos fictícios no DACON caracteriza a sonegação e rende ensejo ao lançamento de ofício das diferenças com multa de ofício de 150%. ESPONTANEIDADE. RETIFICAÇÃO DO DACON ANTES DO VIGÉSIMO DIA DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. O art. 47 da Lei nº 9.430/96 não garante ao contribuinte o direito de retificar débitos anteriores, mas apenas e tãosomente o direito de recolher, com multa de mora, os débitos que já se encontrem declarados ao tempo do início da ação fiscal. Assim, a retificação do DACON, ainda que efetuada nos vinte dias subsequentes ao início da fiscalização, não elide a exigência da multa de ofício. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. O CARF não possui competência legal para dirimir controvérsias sobre processos administrativos de representação fiscal para fins penais. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas relativas aos créditos tomados pelo contribuinte sobre as aquisições de tambores e sobre as aquisições de gás empregado nas empilhadeiras. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, quanto ao gás empregado nas empilhadeiras. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de autos de infração relativos à COFINS e ao PIS nãocumulativos, com ciência do contribuinte por via postal em 13/12/2012, lavrados para exigir as diferenças das contribuições que deixaram de ser recolhidas nos períodos de apuração compreendidos entre janeiro e dezembro de 2008, em razão do desconto indevido de créditos do regime não cumulativo. Segundo o relatório de fiscalização, foi constatado que: a) o contribuinte majorou de forma fictícia os créditos das contribuições informados nos DACON durante todo o ano calendário de 2008. A mesma prática foi adotada pelo contribuinte em anos anteriores, conforme processos administrativos 18088.000828/201091 e 18088.720015/201282. A fiscalização glosou a diferença entre os valores declarados nos DACONS e os apurados na contabilidade e lançou as diferenças das contribuições com a multa de ofício qualificada de 150%; b) o contribuinte calculou créditos indevidos sobre bens que não correspondem ao Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 18088.720677/201252 Acórdão n.º 3403002.648 S3C4T3 Fl. 7 3 conceito de insumo. Foram glosados créditos sobre aquisições de tambores utilizados como embalagens de transporte, gás utilizado em empilhadeiras e créditos apurados sobre despesas de comissões e bonificações em mercadorias, que foram concedidas em virtude de acordos comerciais com supermercados; c) foi apurado que o contribuinte apurou crédito sobre a aquisição de produtos in natura de acordo com as alíquotas normais, quando na verdade deveria ter apurado o crédito presumido da agroindústria. A fiscalização glosou a apuração do contribuinte e concedeu o direito ao crédito presumido da agroindústria com as alíquotas específicas nos percentuais de 0,5775% (PIS) e 2,66% (COFINS); d) foram glosados os créditos tomados sobre aquisições de lenha de pessoas físicas; e e) foi constatado que o contribuinte tomou o crédito correspondente ao valor integral do custo de aquisição de bem do ativo imobilizado e também sobre a despesa de depreciação relativa ao mesmo bem. Foi glosado o crédito com base no custo de aquisição e mantido o crédito sobre a despesa de depreciação. Foi elaborada a representação fiscal para fins penais, em razão da infração mencionada no item "a" acima. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: 1) da narração das supostas condutas criminosas ("sistematicamente vem burlando o FISCO" e "retificação da DACON logo após o início da ação fiscal") não decorrem as consequências legais, quais sejam, a prática de crime tributário e, na seara tributária, a aplicação de multa qualificada de 150%; 2) a jurisprudência do CARF exige a demonstração do elemento volitivo e no caso concreto não há nenhum elemento que induza à conclusão de que o contribuinte agiu com o intuito deliberado de fraudar o fisco; 3) não foi demonstrado o nexo causal entre a conduta praticada pelo contribuinte e o consequente legal, inexistindo base para a inflição da multa qualificada; 4) invocou a aplicação do art. 47 da Lei nº 9.430/96, pois estando declarado ou lançado o débito, os efeitos da denúncia espontânea se estendem até o vigésimo dia após o início da fiscalização. Em caso de dúvida entre a aplicação do art. 47 da Lei nº 9.430/96 e o art. 138 do CTN, deve prevalecer o princípio do In Dubio Pro Contribuinte (sic), utilizando a norma que for mais benéfica; 5) no que tange à glosa de créditos, sustentou que não pode ser aplicado o mesmo conceito de insumo da legislação do IPI, invocando a decisão do CARF proferida no processo 11020.001952/200622, no qual restou decidido que todos os custos decorrentes de gastos feitos com pessoas jurídicas e que sejam necessários para a atividade produtiva dos contribuintes devem gerar créditos das contribuições; 6) à luz desse conceito de insumo, não merecem prosperar as glosas do gás utilizado na empilhadeira, dos bens adquiridos de pessoa física e dos gastos com comissões de venda e cobrança de fornecedores; 7) no que tange à despesa de depreciação e amortização, alegou que o art. 31 da Lei nº 10.865/2003 violou seu direito adquirido, pois incidiu sobre fato pretérito alcançando bens adquiridos antes de sua vigência; 8) com relação aos tambores, alegou que se trata de um gasto com armazenagem, pois eles servem não só para o transporte de mercadorias, mas também para armazenálas. Por meio do Acórdão 41.149, de 28 de março de 2013, a 4ª Turma da DRJ Ribeirão Preto julgou a impugnação improcedente. No que tange ao conceito de insumo, ficou decidido que deve prevalecer aquele que foi estabelecido nas Instruções Normativas 247/02 e 404/04, pois o julgador administrativo não pode afastar a aplicação de tais atos, sob o argumento de ilegalidade ou de inconstitucionalidade. No que tange ao crédito tomado sobre o bem do ativo imobilizado, ficou decidido que o argumento de defesa é improcedente, pois não se trata de glosa com base no fato do bem ter sido adquirido antes de maio de 2004, mas sim de glosa do crédito apurado com base no custo de aquisição. A fiscalização aceitou o crédito tomado com base na despesa de depreciação, mas glosou o crédito tomado com base no custo de aquisição. Relativamente aos tambores, ficou decidido que se tratam de embalagens para Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 acomodação e transporte de mercadorias e que não se enquadram no conceito oficial de insumo. Segundo o entendimento da DRJ, somente as embalagens de apresentação estão aptas a gerarem créditos das contribuições porque elas se inutilizam em contato direto com o produto em fabricação. A DRJ entendeu que as despesas com tambores não podem ser enquadradas como gastos com armazenagem de mercadorias, pois essas despesas seriam aquelas incorridas com o aluguel de galpões ou de instalações para armazenar os produtos. Quanto ao fato do contribuinte ter retificado o DACON antes do vigésimo dia do início do procedimento fiscal, entendeu a DRJ que esse fato não é apto a elidir a inflição da multa de 150%, pois o art. 47 da Lei nº 9.430/96 se refere ao pagamento de débitos já declarados ao fisco e não a créditos da nãocumulatividade informados no DACON. Além disso, ainda que se pudesse cogitar da aplicação desse artigo por analogia, o dispositivo legal estabelece que o contribuinte pode pagar os débitos declarados com os acréscimos legais próprios do procedimento espontâneo, mas no caso sob análise o contribuinte apenas retificou o DACON e não efetuou o recolhimento das diferenças das contribuição decorrentes da exclusão dos créditos fictícios. A multa de ofício foi mantida da forma posta no lançamento. Regularmente notificado do acórdão da DRJ em 06/05/2013, conforme termo de abertura de documento de fls. 1414, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 05/06/2013, conforme fls. 1416, no qual, reprisou as alegações oferecidas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Relativamente às glosas de crédito, fiscalização e a DRJ levaram em conta o conceito de insumo estabelecido nas normas complementares baixadas pela Receita Federal, que, basicamente, adotaram o mesmo conceito de produto intermediário vigente para a legislação do IPI. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, pleiteou a aplicação do conceito de insumo fixado quando do julgamento do processo nº 11020.001952/200622, por meio do Acórdão 3202 000.423, onde basicamente se entendeu que todos os custos e despesas admitidos pela legislação do imposto de renda devem ser considerados aptos a gerarem créditos das contribuições no regime nãocumulativo. A questão é polêmica, mas uma análise mais detida da Lei nº 10.833/02 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.833/02. Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 18088.720677/201252 Acórdão n.º 3403002.648 S3C4T3 Fl. 8 5 Nesse passo, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/04). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matéria prima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade do produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pela Lei nº 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/04, o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º da Lei nº 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, da Lei nº 10.833/04, onde enumerouse de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. À luz desse conceito de insumo, devem ser revertidas as glosas efetuadas em relação aos créditos tomados com base nos gastos com o gás empregado nas empilhadeiras e com a aquisição de tambores. Relativamente ao gás empregado nas empilhadeiras, embora nem a fiscalização e nem a defesa tenham esclarecido onde a empilhadeira é utilizada, presumese que seja empregada dentro das instalações fabris da recorrente no manejo de insumos em estoque ou no manejo de produtos industrializados. Não é concebível que uma empilhadeira tenha alguma utilização fora da linha de produção da recorrente. Assim, o gás utilizado neste equipamento inserese no conceito de custo de produção (art. 290 do RIR/99), estando apto a integrar a base de cálculo do crédito das contribuições no regime nãocumulativo a teor dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04. 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). § 1º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 1º). Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 18088.720677/201252 Acórdão n.º 3403002.648 S3C4T3 Fl. 9 7 No que concerne aos tambores, é incontroverso nos autos que se tratam de embalagens de transporte, pois o fato foi narrado pela fiscalização e o próprio contribuinte admitiu essa utilização em seus recursos. Tratandose de embalagem de transporte dos produtos industrializados pela recorrente, o gasto com a aquisição desses insumos também se enquadra no art. 290 do RIR/99, devendo gerar o crédito das contribuições no regime não cumulativo, a teor dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04. Com base nesse mesmo conceito de insumo, devem ser mantidas as glosas da fiscalização em relação ao crédito que o contribuinte tomou com base nos gastos com comissões sobre vendas, abatimentos concedidos em desconto de duplicatas e em decorrência de bonificações em mercadorias, pois esses gastos configuram fatos contábeis que alteram o preço de venda das mercadorias, não se caracterizando como custos de produção. Outro ponto de insurgência do contribuinte foi quanto ao crédito tomado em relação à máquina evaporadora, bem que integra o ativo imobilizado. Segundo a narrativa da fiscalização, o contribuinte adquiriu uma máquina evaporadora, objeto da nota fiscal 28397, no valor de R$ 1.091.268,52, datada de 03/06/2008, e tomou o crédito com base nesse custo de aquisição e também com base na despesa de depreciação. A fiscalização glosou o crédito com base no custo de aquisição e manteve o crédito com base na despesa de depreciação. O contribuinte alegou que o art. 31 da Lei nº 10.865/04 violou seu direito adquirido, pois só autorizou o crédito sobre a despesa de depreciação para bens adquiridos a partir de maio de 2004. A alegação do contribuinte não prospera porque a aquisição do bem ocorreu em 03/06/2008 e a fiscalização aceitou o crédito tomado com base na despesa de depreciação, pois o art. 31, § 1º, da Lei nº 10.865/04 autoriza a tomada do crédito com base neste critério. Desse modo, deve ser mantida a glosa do crédito que o contribuinte tomou com base no custo de aquisição, pois esse procedimento é vedado pelo art. 31, § 1º, da Lei nº 10.865/04, combinado com os arts. 3º, § 1º, III das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Também deve ser mantida a glosa sobre gastos com insumos adquiridos de pessoas físicas. No caso concreto, a fiscalização glosou o crédito tomado sobre aquisições de lenha efetuadas de pessoas físicas. Embora a lenha seja utilizada como combustível e os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 contemplem o direito ao crédito sobre aquisições de combustíveis, o § 3º desses artigos somente autorizam a tomada do crédito em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas. No que concerne à infração punida com a multa de ofício qualificada no patamar de 150%, a defesa não contestou nem as diferenças e nem o fato de ter majorado de forma fictícia os créditos informados nos DACON. O contribuinte contesta apenas a qualificação jurídica deste fato, entendendo que ele não poderia ser punido com a multa qualificada porque não houve a demonstração do crime contra a ordem tributária, uma vez que a fiscalização não teria demonstrado o nexo de causalidade entre a conduta e o resultado. Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 A apreciação da questão relativa à existência ou inexistência de crime contra a ordem tributária está fora do âmbito de competência deste colegiado, a teor da Súmula CARF nº 28, in verbis: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais." A questão da existência ou inexistência da conduta típica na esfera penal é matéria de competência do órgão do Ministério Público e não tem relevância para o processo administrativo tributário, uma vez que a inflição da multa qualificada de 150% não está diretamente relacionada à existência do crime, mas sim à existência de uma das circunstâncias qualificadoras da infração descritas na Lei nº 4.502/64. No caso concreto, é incontroverso que o contribuinte registrou nos DACON créditos inexistentes, que não podia comprovar, com o objetivo de reduzir o montante das contribuições a serem recolhidas. Essa conduta enquadrase perfeitamente na circunstância qualificadora prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64, pois a introdução de créditos inexistentes nos DACON constitui ação dolosa que visou impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento da autoridade fazendária de uma das circunstâncias materiais do fato gerador da obrigação tributária, que é a sua dimensão econômica. Portanto, deve ser mantida a multa de ofício qualificada no percentual de 150%. Verificase que logo após início da ação fiscal o contribuinte apressouse em retificar os DACON para eliminar as diferenças dos valores tomados como crédito que não tinham como serem comprovados. Tendo em vista que tal retificação foi feita antes do vigésimo dia, contado do início do procedimento fiscal, o contribuinte invocou a aplicação do art. 47, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532/97, para justificar que gozava de espontaneidade no momento em que retificou os DACON, fato que afastaria a aplicação da multa de ofício sobre essa infração. Acontece, que o referido dispositivo legal não garante o direito de retificar débitos já declarados. Ele apenas garante ao contribuinte o direito de recolher, com multa de mora, os débitos que já estejam declarados ao tempo do início da ação fiscal. A diferenças das contribuições apuradas em decorrência da inserção de créditos fictícios nos DACON e lançadas de ofício no auto de infração não estavam declaradas em lugar algum na data em que teve início do procedimento fiscal, razão pela qual é cabível a sua exigência com os consectários do procedimento de ofício. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas relativas aos créditos tomados pelo contribuinte sobre as aquisições de tambores e sobre as aquisições de gás empregado nas empilhadeiras. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 18088.720677/201252 Acórdão n.º 3403002.648 S3C4T3 Fl. 10 9 Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 11065.720138/2012-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010
PARCELAMENTO DA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB nº 2/2011. REGRAS PARA CONSOLIDAÇÃO DOS DÉBITOS E DEMONSTRAÇÃO DO MONTANTE DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DE CSLL. AUSÊNCIA DE INOVAÇÃO NO TOCANTE À DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS.
Dispositivos da Lei nº 11.941, de 2009 e da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 2, de 2011, que dispõem sobre a consolidação dos débitos e demonstração do montante de prejuízos fiscais e bases negativas para fins de parcelamento não trazem inovação legislativa no tocante à dedutibilidade de despesas, nem autorizam a dedução de tributos e consectários de períodos já atingidos pela decadência.
INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. PRAZO DECADENCIAL. GLOSA DE DESPESAS CONTABILIZADAS REFERENTES A PERÍODOS DE APURAÇÃO ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA.
A apropriação de despesa relativa a anos calendários anteriores, efetivada em momento posterior a cinco anos de sua ocorrência, não pode afetar o resultado do exercício, pois transcorrido o prazo legal da decadência.
EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO. RECEITAS DECORRENTES DA UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL PARA LIQUIDAÇÃO DE MULTAS E JUROS.
São tributáveis as receitas correspondentes a liquidação de multas e juros com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, benefício fiscal concedido no âmbito do parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941, de 2009.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio as irregularidades apuradas.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum.
Numero da decisão: 1402-001.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por maioria de votos negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que davam provimento parcial para cancelar a exigência incidente sobre as receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB nº 2/2011. REGRAS PARA CONSOLIDAÇÃO DOS DÉBITOS E DEMONSTRAÇÃO DO MONTANTE DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DE CSLL. AUSÊNCIA DE INOVAÇÃO NO TOCANTE À DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. Dispositivos da Lei nº 11.941, de 2009 e da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 2, de 2011, que dispõem sobre a consolidação dos débitos e demonstração do montante de prejuízos fiscais e bases negativas para fins de parcelamento não trazem inovação legislativa no tocante à dedutibilidade de despesas, nem autorizam a dedução de tributos e consectários de períodos já atingidos pela decadência. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. PRAZO DECADENCIAL. GLOSA DE DESPESAS CONTABILIZADAS REFERENTES A PERÍODOS DE APURAÇÃO ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA. A apropriação de despesa relativa a anos calendários anteriores, efetivada em momento posterior a cinco anos de sua ocorrência, não pode afetar o resultado do exercício, pois transcorrido o prazo legal da decadência. EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO. RECEITAS DECORRENTES DA UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL PARA LIQUIDAÇÃO DE MULTAS E JUROS. São tributáveis as receitas correspondentes a liquidação de multas e juros com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, benefício fiscal concedido no âmbito do parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 01 38 /2 01 2- 32 Fl. 686DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio as irregularidades apuradas. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por maioria de votos negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que davam provimento parcial para cancelar a exigência incidente sobre as receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720138/201232 Acórdão n.º 1402001.478 S1C4T2 Fl. 12 3 Relatório VIACÃO CANOENSE S/A contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 88.302.328/000103, com domicílio fiscal na cidade de Canoas, Estado do Rio Grande do Sul, na Rua Armando Fajardo, nº 301 Bairro Igara, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo RS, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 604/631, prolatada pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 640/683. Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo RS, em 18/01/2012, Auto de Infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 250/275), com ciência pessoal, em 09/02/2012 (fl. 250), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 25.812.719,45 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, acrescidos da multa de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do tributo e contribuição referente ao exercício de 2010, correspondente ao anocalendário de 2009, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS GLOSA DE JUROS, MULTA E ENCARGOS INCIDENTES SOBRE DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS: Juros competentes a períodos de apuração posterior a março/2009. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/03/2009. Infração capitulada no art. 3° da Lei n° 9. 249, de 1995; art. 247, 248, 249, inciso I, 251, 274, § 1°, 299 e 300, do RIR/99. 2 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS GLOSA DE JUROS, MULTA E ENCARGOS INCIDENTES SOBRE DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS: Valores relativos a atualização monetária, competentes a períodos de apuração atingidos pela decadência. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/03/2009. Infração capitulada no art. 3° da Lei n° 9.249, de 1995; arts. 247, 248, 251, 274, § 1°, 299, 300, 344, 898, 899 e 900 do RIR/99 e art. 165 e 168 da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN). 3 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS GLOSA DE JUROS, MULTA E ENCARGOS INCIDENTES SOBRE DÉBITO DE TRIBUTOS FAZENDÁRIOS: Multas de oficio indedutíveis na apuração da base de calculo do IRPJ, competentes a períodos posteriores a janeiro/2004. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 Fl. 688DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 e 31/03/2009. Infração capitulada no art. 3° da Lei n° 9.249, de 1995; arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 299, 300 e 344, § 5°, do RIR/99. 4 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS GLOSA DE JUROS, MULTA E ENCARGOS INCIDENTES SOBRE DÉBITO DE TRIBUTOS FAZENDÁRIOS: Multas de oficio indedutíveis na apuração da base de calculo do IRPJ, competentes a período de apuração atingidos pela decadência. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/03/2009. Infração capitulada no art. 3° da Lei n° 9.249, 1995; arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 274, § 1° , 299, 300, 344, § 5°, 898, 899 e 900, do RIR/99 e art. 165 e 168, da Lei n° 5.172, 1966 (CTN). 5 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS GLOSA DE JUROS, MULTA E ENCARGOS INCIDENTES SOBRE DÉBITO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS: Encargos calculados pela fiscalizada sobre juros incorridos em meses posteriores a março/2009. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/03/2009. Infração capitulada no art. 3° da Lei n° 9.249, 1995 e arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 274, § 1°, 299 e 300, do RIR/99. 6 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS GLOSA DE JUROS, MULTA E ENCARGOS INCIDENTES SOBRE DÉBITO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS: Encargos calculados pela fiscalizada sobre multas que não eram devidas em 31/03/2009. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/03/2009. Infração capitulada no art. 3° da Lei n° 9.249, de 199; art. 247, 248, 249, inciso I, 251, 274, § 1°, 299 e 300, do RIR/99 e art. 24 da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, combinado com a alínea “c” do inciso II do artigo 106 do CTN. 7 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS GLOSA DE JUROS, MULTA E ENCARGOS INCIDENTES SOBRE DÉBITO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS: Multas que não eram devidas em 31/03/2009. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/03/2009. Infração capitulada no art. 3° da Lei n° 9.249, de 1995; arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300, do RIR/99e art. 24 da Medida Provisória n° 449, 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, combinado com alínea “c” do inciso II do artigo 106 do CTN. 8 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS GLOSA DE JUROS, MULTA E ENCARGOS INCIDENTES SOBRE DÉBITO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS: Multas que não eram devidas em 31/03/2009 e que, ainda que fossem devidas, seriam competentes a períodos de apuração atingidos pela decadência. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/03/2009. Infração capitulada no art. 3° da Lei n° 9.249, de 1995; arts. 247, 248, 251, 274, § 1°, 299, 300, 344, 898, 899 e 900, do RIR/99; arts. 165 e 168, da Lei n° 5.172, 1966 (CTN) e art. 24 da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, combinado com a alínea “c” do inciso II do artigo 106 do CTN. 9 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS GLOSA DE JUROS, MULTA E ENCARGOS INCIDENTES SOBRE DÉBITO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS: Multas competentes a períodos de apuração atingidos pela decadência. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/03/2009. Infração capitulada no art. 3° da Lei n° 9.249, de 1995; arts. 247, 248, 251, 274, § 1°, 344, 898, 899 e 900, do RIR/99 e arts. 165 e 168, da Lei n° 5.172, 1966 (CTN). Fl. 689DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720138/201232 Acórdão n.º 1402001.478 S1C4T2 Fl. 13 5 10 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS GLOSA DE JUROS, MULTA E ENCARGOS INCIDENTES SOBRE DÉBITO DE TRIBUTOS FAZENDÁRIOS: Encargos legais calculados sobre multas de oficio e sobre os juros incidentes sobre as multas de oficio, competentes a período de apuração posterior a janeiro/2004. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/03/2009. Infração capitulada no art. 3° da Lei n° 9.249, 1995; arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 299, 300 e 344, § 5°, do RIR/99 e arts. 139 da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN). 11 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS GLOSA DE JUROS, MULTA E ENCARGOS INCIDENTES SOBRE DÉBITO DE TRIBUTOS FAZENDÁRIOS: Encargos legais incidentes sobre os valores principal, multa de mora e juros sobre o principal, competentes a períodos de apuração atingidos pela decadência. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/03/2009. Infração capitulada no art. 3° da Lei n° 9.249, 1995; arts. 247, 248, 251, 274, § 1°, 344, 898, 899 e 900, do RIR/99 e arts. 165 e 168, da Lei n° 5.172, 1966 (CTN). 12 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS GLOSA DE JUROS, MULTA E ENCARGOS INCIDENTES SOBRE DÉBITO DE TRIBUTOS FAZENDÁRIOS: Juros incidentes sobre multas de oficio, competentes a períodos de apuração atingidos pela decadência. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/03/2009. Infração capitulada no art. 3° da Lei n° 9.249, de 1995; art. 247, 248, 249, inciso I, 251, 274, § 1°, 299, 300, 344, § 5°, 898, 899 e 900, do RIR/99 e arts. 139 e 165 e 168, da Lei n° 5.172/66 (CTN). 13 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS GLOSA DE JUROS, MULTA E ENCARGOS INCIDENTES SOBRE DÉBITO DE TRIBUTOS FAZENDÁRIOS: Juros incidentes sobre multas de oficio, competentes a períodos de apuração posteriores a janeiro/2004. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/03/2009. Infração capitulada no art. 3° da Lei n° 9.249, de 1995; arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 299, 300 e 344, § 5°, do RIR/99 e art. 139 da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN). 14 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS GLOSA DE JUROS, MULTA E ENCARGOS INCIDENTES SOBRE DÉBITO DE TRIBUTOS FAZENDÁRIOS: Juros incidentes sobre o principal competentes a períodos de apuração atingidos pela decadência. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/03/2009. Infração capitulada no art.3° da Lei n° 9.249, 1995; arts. 247, 248, 251, 274, § 1°, 344, 898, 899 e 900, do RIR/99 e arts. 165 e 168, da Lei n° 5.172, 1966 (CTN). 15 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS GLOSA DE JUROS, MULTA E ENCARGOS INCIDENTES SOBRE DÉBITO DE TRIBUTOS FAZENDÁRIOS: Multas compensatórias ou por descumprimento de obrigações acessórias competentes a períodos de apuração atingidos pela decadência. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/03/2009. Infração capitulada no art.3° da Lei n° 9.249, 1995; arts. 247, 248, 251, 274, § 1°, 344, 898, 899 e 900, do RIR/99 e arts. 165 e 168 da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN). 16 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS GLOSA DE JUROS, MULTA E ENCARGOS INCIDENTES SOBRE DÉBITO DE TRIBUTOS FAZENDÁRIOS: Encargos legais calculados sobre multas de oficio e sobre os juros incidentes sobre as multas de ofícios, competentes a períodos de apuração atingidos pela decadência. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/03/2009. Infração capitulada no Fl. 690DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 art. 3° da Lei n° 9.249, de 1995; arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 274, § 1°, 299, 300, 344, § 5°, 898, 899 e 900, do RIR/99 e arts. 139 e 165 e 168, da Lei n° 5.172, 1966 (CTN). 17 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS GLOSA DE JUROS, MULTA E ENCARGOS INCIDENTES SOBRE DÉBITO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS: Juros e atualização pela TR competentes a períodos de apuração atingidos pela decadência. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/03/2009. Infração capitulada no art.3° da Lei n° 9.249, 1995; art. 247, 248, 251, 274, § 1°, 344, 898, 899 e 900, do RIR/99 e arts. 165 e 168, da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN). 18 – EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO – RECEITAS DECORRENTES DA UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL PARA LIQUIDAÇÃO DE JUROS E MULTAS: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/03/2009. Infração capitulada no art.3° da Lei n° 9.249, 1995; arts. 218, 247, 248 e 250, do RIR/99 e arts. 187 e 189, da Lei n° 6.404, 1976, com as alterações introduzidas pela Lei n° 11.941, de 2009. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece o lançamento através do Relatório Fiscal (fls. 209/237) amparado, em síntese, nas seguintes considerações: 1 GLOSA DE JUROS, MULTAS E ENCARGOS INCIDENTES SOBRE DÉBITOS DE TRIBUTOS FAZENDÁRIOS: que a fiscalizada apresentou planilha na qual estão relacionados quarenta e um débitos de IRPJ, FINSOCIAL, PIS, COFINS e multas isoladas, cujos períodos de apuração estão compreendidos entre os meses de maio/1989 a outubro/2008, bem como seus respectivos valores de multas, juros e encargos legais (fl.95); que dentre os montantes relacionados na planilha apresentada pela fiscalizada há valores referentes às multas de ofício, que não poderiam ser deduzidos como despesa na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de acordo com o disposto no art. 344, § 5º, do RIR/99; que os valores dos juros incidentes sobre tais multas de ofício, e os valores dos encargos legais calculados sobre as multas de ofício e sobre os juros incidentes sobre as multas de ofício, tampouco poderiam ser deduzidos como despesas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Isso porque qualquer acessório referente a uma obrigação tributária deve seguir a mesma natureza da obrigação; que os valores de juros e encargos legais relacionados nas colunas “O” e “P”, “U” e “V” da Planilha I anexa são decorrentes das multas de ofício devidas pela fiscalizada. Como as multas de ofício não são dedutíveis para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, os respectivos valores de juros e encargos legais também não o são; que ressaltese, ainda, que os valores de juros constantes na planilha apresentada pela fiscalizada, contabilizados em 31/03/2009, se referem a todo período compreendido entre a data de vencimento dos débitos e o mês de março/2009, e não apenas ao 1º trimestre de 2009. Da mesma forma, praticamente todas as multas relacionadas na planilha apresentada pela fiscalizada possuem vencimento anterior ao 1º trimestre/2009. Além disso, os encargos legais, calculados à taxa de 20% sobre os valores de principal, multa e juros Fl. 691DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720138/201232 Acórdão n.º 1402001.478 S1C4T2 Fl. 14 7 relacionados na planilha, são devidos desde a data de ajuizamento dos respectivos processos de execução fiscal; que, verificase então, houve inobservância do regime de competência na apropriação das despesas com juros, multa e encargos dos débitos em questão. A principio, tal inobservância somente seria objeto de lançamento de oficio se desse procedimento resultasse postergação do pagamento de imposto para período de apuração posterior ao que seria devido ou a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração, nos termos do artigo 273 do RIR/99; que registrese, no entanto, que as despesas que não foram escrituradas pela fiscalizada no período de apuração a que correspondiam não podem ser escrituradas em qualquer período de apuração futuro. Há que se observar, primeiramente, o prazo decadencial a que se referem os artigos 898, 899 e 900 do RIR/99; que, ainda que as despesas se refiram a períodos de apuração em que foram apurados prejuízos fiscais e base de cálculos negativas da CSLL, deve ser respeitado o prazo decadencial. Isso porque essas despesas, se observado o regime de competência, aumentariam os prejuízos fiscais e as bases de cálculos negativas da CSLL de período já atingidos pela decadência. Tal procedimento não é permitido, independentemente de se tratar de iniciativas do fisco ou do próprio contribuinte; que, dessa forma, no 1° trimestre/2009, em função do prazo decadencial, a fiscalizada somente poderia considerar, para fins de apuração das bases de cálculos do IRPJ e da CSLL, despesas incorridas a partir de janeiro/2004. Portanto, a dedução das despesas com juros de períodos anteriores a janeiro de 2004, das multas com vencimento anterior a 01/01/2004 e dos encargos legais que já eram devidos pela fiscalização em 31/12/2003, não é admitida para fins fiscais; que, os juros em questão (da mesma forma que os encargos legais incidentes sobre as multas de oficio) somente subsistem devido à existência das multas de oficio, ou seja, a exigência desse juros decorre diretamente de uma despesa indedutível. Assim, como as multas de oficio não podem ser deduzidas na apuração do lucro real e da base de cálculos da CSLL, os respectivos valores de juros e encargos legais também não o podem; que, portanto, na apuração do lucro líquido e, consequentemente, do lucro real e da base de cálculo da CSLL da fiscalizada relativos ao 1° trimestre/2009 não poderiam ser considerados quaisquer valores relativos a despesas de períodos anteriores a 01/01/2009. Em consequência, a fiscalização deveria glosar a totalidade dos valores competentes a período de apuração anteriores que foram escriturados pela fiscalizada a debito de contas de resultado no 1° trimestre/2009. Por outro lado, para fins de apuração do lucro real e da base de calculo da CSLL dos períodos de apuração compreendidos entre 01/01/2004 e 31/12/2008, a fiscalizada poderia, por sua iniciativa, excluir dos respectivos lucros líquidos os valores dedutíveis reconhecidos como devido em 31/03/2009 (juros sobre o principal, multas compensatórias ou por descumprimento de obrigações acessórias e encargos calculados sobre os valores de principal, multa de mora e juros sobre o principal); que, isso posto, conforme resumido a seguir, concluise que parte das despesas relacionadas no Quadro A do presente relatório deve ser glosada, reduzindo, em conseqüência, o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL da fiscalizada relativos ao 1º trimestre/2009 nos valores relacionados a seguir: Fl. 692DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 a) R$ 1.168.881,35 (valor demonstrado na coluna "I" da Planilha 1 anexa parte do lançamento contábil no valor de R$ 13.608.474,13): valor correspondente a multas compensatórias ou por descumprimento de obrigação acessória cujo vencimento ocorreu anteriormente a 01/01/2004. Para fins tributários, o direito de a fiscalizada escriturar tais despesas já havia decaído no 1º trimestre/2009. b) R$ 5.000.184,26 (valor demonstrado na coluna "J" da Planilha 1 anexa parte do lançamento contábil no valor de R$ 13.608.474,13): valor correspondente às multas de ofício previstas no artigo 4o da Lei n° 8.218/91, no artigo 44, incisos I e II, e § 1º, incisos I, II e IV, da Lei n° 9.430/96 (redação original) e no artigo 18 da Lei n° 10.833/2003. Tais multas não podem ser deduzidas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de acordo com o disposto no artigo 344, § 5o, do RIR/99 e no artigo 56 da Instrução Normativa SRF n° 390/2004. c) R$ 5.798.016,35 (valor demonstrado na coluna "K" da Planilha 1 anexa parte do lançamento contábil no valor de R$ 13.608.474,13): valor correspondente às multas de ofício previstas no artigo 4o da Lei n° 8.218/91, no artigo 44, incisos I e II, e § 1º, incisos I, II e IV, da Lei n° 9.430/96 (redação original) e no artigo 18 da Lei n° 10.833/2003. Tais multas não poderiam ser deduzidas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de acordo com o disposto no artigo 344, § 5o, do RIR/99 e no artigo 56 da Instrução Normativa SRF n° 390/2004. Além disso, o vencimento das multas em questão ocorreu anteriormente a 01/01/2004. Assim, para fins tributários, o direito de a fiscalizada escriturar tais despesas já havia decaído no 1º trimestre/2009. d) R$ 8.629.966,29 (valor demonstrado na coluna "N" da Planilha 1 anexa parte do lançamento contábil no valor de R$ 30.938.438,18): valor correspondente a juros incorridos sobre o valor do principal dos débitos de IRPJ, FINSOCIAL, PIS e COFINS em meses anteriores a janeiro/2004. Para fins tributários, o direito de a fiscalizada escriturar tais despesas já havia decaído no 1º trimestre/2009. e) R$ 7.084.328,41 (valor demonstrado na coluna "O" da Planilha 1 anexa parte do lançamento contábil no valor de R$ 30.938.438,18): valor correspondente a juros incorridos sobre multas de ofício no período de janeiro/2004 a março/2009. Os juros de mora devem seguir a regra de dedutibilidade dos tributos/multas sobre os quais incidem. Como as multas de ofício não podem ser deduzidas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, os respectivos valores de juros também não o podem. f) R$ 3.261.029,76 (valor demonstrado na coluna "P" da Planilha 1 anexa parte do lançamento contábil no valor de R$ 30.938.438,18): valor correspondente a juros incorridos sobre multas de ofício em meses anteriores a janeiro/2004. Os juros de mora devem seguir a regra de dedutibilidade dos tributos/multas sobre os quais incidem. Como as multas de ofício não podem ser deduzidas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, os respectivos valores de juros também não o podem. Além disso, para fins tributários, o direito da fiscalizada escriturar tais despesas com juros já havia decaído no 1º trimestre/2009. g) R$ 1.569.816,60 (valor demonstrado na coluna "T" da Planilha 1 anexa parte do lançamento contábil no valor de R$ 12.749.717,95): valor correspondente a encargos legais devidos em 31/12/2003, calculados sobre os valores de principal, multa de mora e juros sobre o principal dos débitos de IRPJ, FINSOCIAL, PIS e COFINS. Para fins tributários, o direito de a fiscalizada escriturar tais despesas já havia decaído no 1º trimestre/2009. h) R$ 3.583.641,97 (valor demonstrado na coluna "U" da Planilha 1 anexa parte do lançamento contábil no valor de R$ 12.749.717,95): valor correspondente a encargos Fl. 693DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720138/201232 Acórdão n.º 1402001.478 S1C4T2 Fl. 15 9 legais devidos após 01/01/2004, calculados sobre multas de ofício e sobre os juros incidentes sobre as multas de ofício. Os encargos devem seguir a regra de dedutibilidade dos tributos/multas/juros sobre os quais incidem. Como as multas de ofício não podem ser deduzidas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, os respectivos valores de encargos também não o podem. i) R$ 645.069,77 (valor demonstrado na coluna "V" da Planilha 1 anexa parte do lançamento contábil no valor de R$ 12.749.717,95): valor correspondente a encargos legais devidos em 31/12/2003, calculados sobre multas de ofício e sobre os juros incidentes sobre as multas de ofício. Os encargos devem seguir a regra de dedutibilidade dos tributos/multas/juros sobre os quais incidem. Como as multas de ofício não podem ser deduzidas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, os respectivos valores de encargos também não o podem.Além disso, para fins tributários, o direito de a fiscalizada escriturar tais despesas com encargos já havia decaído no 1º trimestre/2009. 2 – GLOSA DE JUROS, MULTAS E ENCARGOS INCIDENTES SOBRE DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS: que a fiscalizada apresentou planilha na qual estão relacionados cinqüenta e dois débitos de contribuições previdenciárias, cujas competências estão compreendidas no período de mar/1981 e setembro/2008, bem como seus respectivos valores de atualização pela TR, multa, juros e encargos legais; que a UFIR e a BTNF eram índices de atualização monetária aplicáveis aos débitos tributários vencidos anteriormente a 31/12/1995. Conforme exposto no item 3.1 do presente relatório, para fins de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do 1º trimestre/2009, somente pode ser admitida a dedução de despesas incorridas a partir de janeiro de 2004; que cumpre observar ainda que os valores de atualização pela TR e juros relacionados na planilha apresentada pela fiscalizada são superiores aos valores efetivamente devidos em 31/03/2009, conforme demonstrado nas colunas “K”, “L” e “M” da Planilha 2 anexa ao presente relatório. Embora as diferenças apuradas sejam inferiores aos juros incorridos sobre os débitos nos meses de abril a dezembro/2009, os valores dessa diferenças não podem ser admitidos como despesas dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL do 1º trimestre/2009; que o prejuízo fiscal e a base de calculo negativa da CSLL apurados pela fiscalização no 1° trimestre/2009 foram utilizados para liquidação de multas e juros incidentes sobre débitos administrativos pela RFB, nos termos do artigo 1°, § 7°, da Lei n° 11.941/2009. Salientese que os prejuízos fiscais/base de cálculo negativas da CSLL de períodos de apuração posteriores ao 1° trimestre/2009 não poderiam ser utilizados para tal fim. Assim, os juros incidentes sobre os débitos de contribuição previdenciárias em meses posteriores a março/2009 não poderiam ter sido escriturados pela fiscalização em 31/03/2009; que, isto posto, conforme resumido a seguir, concluise que parte das despesas relacionadas no Quadro B do presente relatório deve ser glosada, reduzindo, em consequência, o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL da fiscalizada relativos ao 1º trimestre/2009 nos valores relacionados a seguir: Fl. 694DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 j) R$ 2.063.476,52 (parte do lançamento contábil no valor de R$ 5.428.127,27): montante correspondente à diferença entre a soma dos valores referentes à atualização pela TR relacionados pela fiscalizada na planilha apresentada em atendimento ao item 2 do Termo de Início de Fiscalização (R$ 3.364.650,75 fl. 94) e o valor do lançamento contábil efetuado sob o histórico "Vlr.ref.TR s/período" (R$ 5.428.127,27 Quadro B). Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 10/10/2011 (fl. 142 item 2), a fiscalizada afirmou que tal diferença corresponderia a "variação da UFIR, BTNF" (fl. 144). Ainda que fosse essa, de fato, a razão da diferença, há que se observar que esses índices de atualização monetária eram aplicáveis anteriormente a 31/12/1995. Assim, para fins tributários, o direito de a fiscalizada escriturar despesas referentes à atualização monetária pela UFIR e a BTNF já havia decaído no 1º trimestre/2009. k) R$ 12.640.154,54 (valor demonstrado na coluna "F1" da Planilha 2 anexa parte do lançamento contábil no valor de R$ 28.453.496,91): valor correspondente a multas cujo vencimento ocorreu anteriormente a 01/01/2004. Para fins tributários, o direito de a fiscalizada escriturar tais despesas já havia decaído no 1º trimestre/2009. I) RS 2.808.452,50 (valor demonstrado na coluna "I" da Planilha 2 anexa parte do lançamento contábil no valor de R$ 28.453.496,91): tais multas não eram devidas em 31/03/2009, tendo em vista o disposto no artigo 24 da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, combinado com a alínea "c" do inciso II do artigo 106 do CTN. m) RS 6.489.199,61 (valor demonstrado na coluna "J" da Planilha 2 anexa parte do lançamento contábil no valor de R$ 28.453.496,91): tais multas não eram devidas em 31/03/2009, tendo em vista o disposto no artigo 24 da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, combinado com a alínea "c" do inciso II do artigo 106 do CTN. Além disso, observandose as datas de constituição dos créditos tributários correspondentes, verificase que o vencimento das multas em questão teria ocorrido em períodos anteriores a 01/01/2004. Assim, para fins tributários, o direito de a fiscalizada escriturar tais despesas já teria decaído no 1º trimestre/2009. n) R$ 43.324.581,76 (valor demonstrado na coluna "O" da Planilha 2 anexa parte dos lançamentos contábeis nos valores de R$ 5.428.127,27 e R$ 84.857.375,12): valor correspondente a juros e atualização pela TR incorridos sobre os débitos de contribuições previdenciárias em meses anteriores a janeiro/2004. Para fins tributários, o direito de a fiscalizada escriturar tais despesas já havia decaído no 1º trimestre/2009. o) R$ 2.239.987,93 (valor demonstrado na coluna "P" da Planilha 2 anexa parte do lançamento contábil no valor de R$ 84.857.375,12): valor correspondente a juros incorridos sobre os débitos de contribuições previdenciárias em meses posteriores a março/2009. Tais despesas não poderiam ser escrituradas pela fiscalizada no 1º trimestre/2009. p) R$ 465.395,34 (valor demonstrado na coluna "S" da Planilha 2 anexa parte do lançamento contábil no valor de R$ 10.203.142,00): encargos calculados pela fiscalizada sobre multas que não eram devidas em 31/03/2009. Assim, tais encargos também não eram devidos nessa data. q) R$ 175.428,30 (valor demonstrado na coluna "T" da Planilha 2 anexa parte do lançamento contábil no valor de R$ 10.203.142,00): encargos calculados pela fiscalizada sobre juros incorridos em meses posteriores a março/2009. Tais despesas não poderiam ser escrituradas pela fiscalizada no 1º trimestre/2009. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720138/201232 Acórdão n.º 1402001.478 S1C4T2 Fl. 16 11 3 – EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO – RECEITAS DECORRENTES DA UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL PARA LIQUIDAÇÃO DE JUROS E MULTAS: que de acordo com a resposta prestada pela fiscalizada ao Termo de Início de Fiscalização (fls. 83 e 84), os valores em questão “são créditos realizados com base na parte B do LALUR, pois os valores controlados na parte B podem ser compensados com futuros lucros, assim a empresa provisionou o IRPJ e CSLL ao inverso, isto é, creditouse a conta de resultado e debitouse no ativo os valores passíveis de compensação, 25% sobre o prejuízo fiscal e 9% sobre a Base Negativa da CSLL”; que analisandose as declarações de Informações EconômicoFiscais da pessoa Jurídica (DIPJ) dos anoscalendário 2001, 2003 e 2005, verificase que os lançamentos a crédito de contas de resultado relacionados no Quadro C acima não foram computados no lucro líquido da fiscalizada dos respectivos períodos de apuração, cujo valor é o ponto de partida para apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Assim, os lançamentos contábeis listados no Quadro C não ocasionaram qualquer reflexo tributário. De fato, em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização, a própria fiscalizada afirmou que o reconhecimento contábil dos valores de “prejuízos fiscais a recuperar” e “base de cálculo negativa da CSLL a recuperar” na teve como conseqüência reflexos tributários, apenas societários; que, em novembro/2009, a fiscalizada aderiu ao parcelamento de débitos tributários previsto pela Lei nº 11.941/2009, manifestando o interesse de utilizar os saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL, acumulados até o 1º trimestre/2009, para liquidação de juros de mora e multas de mora e de ofício, nos termos dos §§ 7º e 8º do artigo 1º da Lei nº 11.941/2009; que a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de multas e juros acarreta redução de um passivo da fiscalizada, resultando, então, em aumento do seu patrimônio. Tratarseia, portanto, de receita, como reconhece o Conselho Federal de Contabilidade, o qual, por meio da Resolução CFC n° 1.121/08 e da Resolução CFC n° 1.374/11, dispõe que a diminuição de um passivo que resultar em aumento do patrimônio é uma receita; que como receitas, tais valores integram o lucro líquido do período de apuração em que foram reconhecidas e, conseqüentemente, as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, tendo em vista a inexistência de autorização legal para sua exclusão do lucro líquido; que com o advento da Lei 11.941/2009, as pessoas jurídicas que possuíssem saldos de prejuízos fiscais de bases de cálculo negativas da CSLL tinham duas opções: (1) manter tais saldos para utilizálos para o benefício fiscal previsto nos artigos 15 e 16 da Lei n° 9.065/95, ou (2) utilizálos para o benefício fiscal previsto nos §§ 7º e 8º do artigo 1º da Lei n° 11.941/2009. No momento da opção pela utilização dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas, nasceria um novo direito que deve ser reconhecido contabilmente; que o benefício fiscal criado pelos §§ 7º e 8º não tem a mesma natureza da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para compensação com lucros tributários de períodos subsequentes (art. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995); Fl. 696DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 que isto porque não representa um mero confronto de bases de cálculo (negativas, de períodos anteriores, contra positivas, do período corrente), mas sim outra forma de utilização dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL: para liquidação de dívidas que envolveram lançamentos contábeis que afetaram o lucro líquido de períodos de apuração pretéritos (despesas de juros e multas); que a Lei nº 11.941/2009 teria criado outro benefício de redução de multas, juros e encargos para pagamento à vista ou parcelamento – e, para ele, expressamente autorizou sua exclusão na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; que os prejuízos e as bases de cálculos negativas da CSLL representam uma mera expectativa de direito para a pessoa jurídica, na medida em que o contribuinte poderá utilizálos se (e somente se) houver lucro tributáveis em período de apuração subsequente. Nesse sentido, a Deliberação CVM n° 237/1998 (itens 19 e 31), a Instrução CVM n° 371/2002 (artigo 2°), a Resolução CFC n° 998/2004 (itens 19.2.3.8 e 19.2.3.23), a Deliberação CVM n° 599/2009 (itens 34 e 58) e a Resolução CFC n° 1.189/2009 (itens 34 e 58) dispuseram que as pessoas jurídicas que possuem a perspectiva de apurar lucros tributáveis em períodos de apuração futuros (e apenas tais pessoas jurídicas) devem reconhecer os ativos fiscais diferidos correspondentes aos saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, com contrapartida em contas de receita; que os ativos fiscais diferidos não sejam oferecidos à tributação quando do seu reconhecimento contábil: (1) o beneficio fiscal a que eles se referem caracterizase como uma compensação (encontro de direitos e deveres semelhantes); (2) o benefício atuará para reduzir a própria base de cálculo do IRPJ e da CSLL; (3) eles dependem de uma condição futura incerta para que se tornem direitos efetivos; que contrapartida do aumento patrimonial (reconhecimento do direito) deve ser registrada em conta de receita, impactando positivamente o resultado do período de apuração (o qual, ajustado pelas adições, exclusões e compensações, caso positivo, será tributado pelo IRPJ e pela CSLL); que, portanto, a Resolução do CFC estabelece que as despesas com IR e CSLL devem ser computadas após o Lucro Líquido antes do IR e da CSLL, não fazendo qualquer referência a eventuais receitas decorrentes de benefícios fiscais relacionados à utilização de prejuízos fiscais e base de cálculos negativas da CSLL; que, o lucro tributável é aquilo que o legislador define como tal, não tendo relação absoluta com a existência de acréscimo no patrimônio da empresa. Tanto é assim que a legislação estabelece adições ao lucro liquido para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, as quais podem fazer até mesmo com que uma empresa que apure prejuízo contábil tenha que pagar IRPJ. Além disso, a legislação também prevê que os resultados devem ser tributados “a medida em que os rendimentos, ganhos e lucros forem sendo auferidos” (artigo 25 da Lei n° 8.981/95) e que o imposto deve ser determinado em cada período de apuração, trimestral ou anual (artigo 1° e 2° da Lei n° 9.430/96); que a compensação de prejuízos fiscais com lucros tributáveis é classificação como beneficio fiscal, é, ais evidente ainda que a utilização de prejuízos fiscais e base de cálculo negativos da CSLL para liquidação de multas e juros também se classifica com tal. Isto porque, nessa utilização, sequer são arguíveis as razões que a fiscalização expôs para afirmar que a compensação de prejuízos fiscais com lucros tributáveis não é um beneficio fiscal (tais razões expostas pela fiscalizada são, em suma, a continuidade da “vida Fl. 697DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720138/201232 Acórdão n.º 1402001.478 S1C4T2 Fl. 17 13 empresarial”, a visualização da” vida empresarial” como um todo e a tributação apenas do acréscimo patrimonial do capital aplicado); que a tributação das receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e base de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas. Conforme anteriormente exposto, a fiscalizada alega, em suma, que tal liquidação estaria sujeita a uma condição suspensiva, qual seja, o pagamento integral do saldo dos débitos cujos juros e multas estavam sendo liquidados com prejuízos fiscais e base de cálculo negativas da CSLL. O saldo em questão foi parcelado pela fiscalizada nos termos da Lei n° 11.941/2009. A fim de reforçar suas alegações, a fiscalizada transcreve o artigo 21 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 6/2009, o qual prevê hipóteses de rescisão do parcelamento concedidos, inclusive sobre o valor já pago ou liquidado mediante a utilização de prejuízos fiscais e base de calculo negativa da CSLL (artigo 21, § 2°, inciso II); que em face da inexistência de previsão legal para excluir do lucro líquido as receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas, foi acrescido o valor de R$ 40.497.012,15 às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL relativas ao 4º trimestre de 2009. Em sua peça impugnatória de fls. 290/329, instruída pelos documentos de fls. 330/600, apresentada, tempestivamente, em 09/03/2012, a autuada se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: 1 – IMPROCEDÊNCIA DA GLOSA DE DESPESAS COM JUROS, MULTAS E ENCARGOS INCIDENTES SOBRE DÉBITOS DE TRIBUTOS FAZENDÁRIOS (ITEM 3.1 DO RELATÓRIO FISCAL): que para justificar a glosa das despesas de juros, multas e encargos legais, o AuditorFiscal fez referência à planilha de débitos fiscais apresentada pela empresa (com valores de IRPJ, FINSOCIAL, PIS e COFINS), de períodos de apuração que vão de maio de 1989 a outubro de 2008. Diz que não apenas os valores das multas de ofício não são dedutíveis fiscalmente (IRPJ e CSLL), mas que também não o são os juros de mora incidentes sobre tais multas. Alega que esses juros devem seguir a regra de dedutibilidade dos tributos e multas sobre os quais incidem, não devendo ser, tal e qual, estas, passíveis de dedução para fins de IRPJ e CSLL; que a impugnante aderiu, em 13/11/2009, ao Programa de Parcelamento previsto na Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, nele incluindo todas as dívidas vencidas até 30/11/2008 no âmbito da Receita Federal do Brasil, Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e saldos remanescentes do REFIS e PAES. Considerando a possibilidade de quitação de multas e juros com utilização de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, apurou os montantes disponíveis, relativo ao período encerrado até 27 de maio de 2009 – data de sanção da Lei nº 11.941/2009; que, teria sido por isso que a contribuinte contabilizou todas as suas dívidas (principal e acréscimos) devidas até o mês de maio de 2009, a fim de que tais despesas fossem consideradas no parcelamento. Não teria havido, então, o desrespeito ao regime de competência, como afirmado pelo autuante. Diz a impugnante (fls. 298); Fl. 698DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 que, como se vê, é equivocado o raciocínio do Auditor Fiscal, na parte em que ele admite a dedução das despesas financeiras incorridas apenas a partir de janeiro de 2004, desprezando os juros, as multas e os encargos exigíveis da Impugnante, nos períodos que antecedem tal data. Admitir tal linha de argumentação é o mesmo que dizer que a Impugnante não deve nenhum acréscimo legal incidente sobre todo o período que antecede janeiro de 2004, nem sobre os valores de IRPJ, FINSOCIAL, PIS e COFINS apurados como devidos entre os meses de maio de 1989 e janeiro de 2004, o que é impensável; que o débito incluído no parcelamento mantém a sua natureza originária que, por força da Lei n. 11.941/09, foi recomposta, segundo as normas aplicáveis aos débitos originários, antes da consolidação. Não se trata de reconhecer uma dívida inexistente ou cuja exigibilidade estava fulminada pela decadência, mas sim de um passivo tributário pré existente, cuja obrigação sempre foi reconhecida pela Impugnante, ao longo dos sucessivos programas de parcelamento (REFIS, PAES, PAEX); que a natureza dos juros de mora é totalmente distinta da natureza jurídica das multas de ofício, o primeiro destinado a indenizar financeiramente o credor pelo inadimplemento do devedor. As multas são penalidades pecuniárias impostas para punir o devedor pelo descumprimento da obrigação tributária principal. Assim, seria desarrazoada a conclusão quanto a não dedutibilidade de juros de mora e outros encargos moratórios incidentes sobre multas fiscais de ofício. A dedutibilidade dos juros de mora sempre foi admitida pelo fisco e, exemplo disso, é o Parecer Normativo CST nº 61/1979; que os juros moratórios não seriam frutos do capital e, com isso, não podem ser confundidos com mera atualização monetária, esta sim, parcela acessória do valor principal. Refere o entendimento constante do Parecer Normativo CST nº 174, de que os juros são dedutíveis em qualquer hipótese, sejam eles incidentes sobre despesas dedutíveis ou indedutíveis, por se tratar de despesas financeiras; que, além disso, a Lei nº 8.981/1995, art. 41, não faz qualquer distinção sobre a origem dos juros, fazendo com que as condições de sua dedutibilidade sejam aplicáveis a qualquer encargo de natureza financeira; que o mesmo entendimento sobre os juros seria aplicável aos encargos da Procuradoria, incidente sobre as multas de ofício, na medida em que, não se tratando de frutos, produtos ou rendimentos do dinheiro, tais encargos não podem ser considerados ‘acessórios’ do valor principal (multa de ofício); que o fato de a empresa ter aderido ao Programa de Parcelamento instituído pela Lei n. 11.941/09 é de suma importância para determinar a data do regime de competência para o lançamento dos acréscimos legais calculados sobre os tributos, multas e demais encargos incidentes sobre estes. No caso, como dito, essas despesas foram contabilizadas de acordo com o disposto no art. 4°, inc. I, da Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 2, de 3 de fevereiro de 2011 (D.O.U.: 04.02.2011), que orientava a apurar os montantes disponíveis de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL relativo ao período de apuração encerrado até 27 de maio de 2009 (data em que a Lei n. 11.941/09 foi sancionada), sendo esta, portanto, a data a ser considerada, para fins de reconhecimento do regime de competência; que a empresa apurou prejuízos fiscais entre 1989 e 2003 e a eventual inobservância do regime de competência não gerou falta ou insuficiência de recolhimento de impostos. Como não existe critério temporal limitador do direito à compensação de prejuízos fiscais não há razão para ser fixado um prazo decadencial, como ocorreu no lançamento combatido. Nas palavras da impugnante (fls. 306); Fl. 699DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720138/201232 Acórdão n.º 1402001.478 S1C4T2 Fl. 18 15 que, assim sendo, inexistindo, hoje, qualquer limitação temporal para frente, que implique decadência do direito do contribuinte à compensação de seus prejuízos fiscais (IRPJ) ou bases de cálculo negativas (CSLL), não subsiste a menor razão plausível para se projetar, para trás, um prazo decadencial que não mais vigora; que o não reconhecimento contábil, nos correspectivos períodos gerados das obrigações tributárias, em nada alterou a situação da empresa perante o fisco, especialmente porque, no caso concreto, não ocorreu a redução ou postergação indevida de impostos, mas tão somente o aumento do valor dos prejuízos fiscais (IRPJ) e da base de cálculo negativa (CSLL); que, refere que o Parecer Normativo CST nº 57, de 16/10/1979, esclarece que a inobservância do regime de competência somente tem relevância se resultar em prejuízo para o fisco, traduzido em redução ou postergação de pagamento do imposto; que, reclama que a vigorar o entendimento do autuante, haveria violação ao princípio da equidade, na medida em que, outro contribuinte, nas mesmas condições, tendo reconhecido tais encargos nos correspectivos anosbase, tem assegurado tal direito; 2 – IMPROCEDÊNCIA DA GLOSA DE DESPESAS COM JUROS, MULTAS E ENCARGOS SOBRE DÉBITOS PREVIDENCIÁRIO (ITEM 3.2 DO RELATÓRIO FISCAL: que a impugnante reafirma os argumentos já esposados no item anterior no tocante à não ocorrência de decadência no direito de deduzir as despesas glosadas e inexistência de prejuízo ao fisco; que os artigos 165 e 168 do CTN não servem de fundamento para verificação da ocorrência de prazo decadencial, pois tratam de restituição de tributos e contribuinte não fez tal pedido, apenas escriturou despesas para futuro exercício de direito à compensação de prejuízos fiscais; que as divergências de valores referentes à atualização pela TR apontadas pelo autuante ocorreram porque no montante da atualização pela TR (R$ 3.364.650,75) foi acrescida a variação da UFIR/BTNF (R$ 2.063.476,52), que era o índice de atualização monetária aplicável aos débitos tributários vencidos anteriormente a 31/12/1995. Essa atualização era indispensável em períodos de instabilidade econômica, como forma de preservação do poder de compra da moeda; que em março de 2009, as multas ainda eram exigíveis pois não estariam perfectibilizadas as reduções previstas em Lei. Vejamos (fls. 313, grifos do original): 2.2.20 Por fim, também não socorre o argumento de que as multas lançadas como despesas não eram aplicáveis, no mês de março de 2009, quando foram computadas essas despesas, essas multas ainda eram exigíveis da Impugnante, havendo a redução apenas a partir da consolidação da dívida, o que se deu apenas em junho de 2011, segundo o cronograma implementado através do art. 1°, da Portaria Conjunta PGFN/SRFB n. 2/2011 (Doc. 4); que, no mês de março de 2009, a Impugnante não poderia, simplesmente, lançar o valor líquido da multa (isto é, com as reduções previstas na Lei n. 11.941/09), uma vez que as reduções previstas na Lei n. 11.941/09 não são automáticas. Não fosse isso, o próprio art. 4º, § único não teria razão de ser, na medida em que prevê, que "Não será computada na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Fl. 700DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal em decorrência do disposto nos arts. 1°, 2° e 3º desta Lei"; que só se pode reduzir ou excluir, as multas que existem. E se elas existem, é porque eram devidas. Tanto isso é verdade que, ao consolidar a sua dívida no Parcelamento, a Impugnante teve que incluir, no referido cálculo, não apenas o valor principal da dívida, mas também, todos os acréscimos moratórios, que nos termos do art. 3o, inc. I, da Lei n° 11.941/2009, deveriam ser ‘restabelecidos à data da solicitação do novo parcelamento os valores correspondentes ao crédito originalmente confessado e seus respectivos acréscimos legais’; 3 – EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO – RECEITAS DECORRENTES DA UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL PARA LIQUIDAÇÃO DE JUROS E MULTAS (ITEM 3.3 DO RELATÓRIO FISCAL): que, exclusão indevida do lucro líquido – receita decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas A defesa alega que a compensação de prejuízos fiscais, jamais, em todos os tempos, foi considerada um benefício fiscal. Quem pensa assim desconhece o mais comezinho princípio do conceito de receita tributável. Esta só pode resultar de acréscimo patrimonial do capital aplicado, sob pena de ser tributado o patrimônio da empresa; que a utilização dos prejuízos fiscais admitida pelas legislações dos parcelamentos especiais, em última análise, nada mais é do que uma antecipação do direito do contribuinte com reflexo no fluxo de caixa do mesmo, na medida em que não necessita pagar parte do valor devido ao fisco neste momento de compensar, no futuro, os seus prejuízos, o que determinaria, evidentemente, um pagamento a menor de IRPJ e CSLL, quando da ocorrência da dita compensação; que, por isso tudo, é descabida a interpretação do Agente fiscal, que culmina na pretensão de considerar como receita os valores correspondentes aos créditos derivados dos prejuízos fiscais (IRPJ) e bases de cálculo negativas de CSLL, utilizados para amortizar parte do valor correspondente a multa, juros e encargos legais, tudo conforme previsto na Lei 11.941/2009; que o imposto de renda não pode ser cobrado com base em artifícios que desvirtuam o exato sentido de renda que, como visto, tem vinculação com o aumento de patrimônio. Aqui, no entanto, não se verifica qualquer acréscimo patrimonial, como pretende fazer crer o Audito Fiscal. O prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL já existiam na contabilidade da Impugnante, não havendo, portanto nenhum crédito novo incorporado ao seu patrimônio; que, no caso objeto desta impugnação, não restam dúvidas que com o seu modo de proceder, o Fisco acabou tributando o que não é renda. A conclusão a que se chega, portanto, é no sentido de que os autos de infração devem ser integralmente cancelados, porque não se coadunam com o art. 43 do Código Tributário Nacional; que o parcelamento da Lei nº 11.941/2009 é concedido sob condição: a não realização dos recolhimentos nos prazos e condições estabelecidos, acarreta a rescisão do benefício. Como a empresa aderiu a um parcelamento em 180 meses a ocorrência do respectivo evento, dito ‘benefício’ ainda não se materializou, razão pela qual, não pode ser reconhecido o Fl. 701DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720138/201232 Acórdão n.º 1402001.478 S1C4T2 Fl. 19 17 correspectivo valor como receita. Essa interpretação estaria em consonância com o art. 125 do Código Civil Brasileiro; que no presente caso, está por demais claro que todos os benefícios concedidos pela Lei n. 11.941/2009, somente serão assegurados, na sua plenitude, na hipótese de cumprimento integral da obrigação assumida pelo contribuinte. Logo, induvidosamente, eles dependem de um evento futuro e incerto; que, somente a partir da ocorrência desse evento futuro e incerto – a quitação total do parcelamento – é que se poderia exigir considere como receita valor resultante da utilização de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa CSLL para quitação de multa e juros; que a admitindo, para fins de argumentação, o entendimento do fisco de considerar como receita os valores quitados com aproveitamento de prejuízos e bases negativas de CSLL, dita receita somente poderia ser computada no momento em que se tornasse definitiva; 4 – A REDUÇÃO DA MULTA NA HIPÓTESE DE MANUTENÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO: que na remota hipótese de não serem acolhidas as razões de direito supra – que a impugnante espera que não ocorra – requer ela, então, que sejam considerados os argumentos que segue, que justificam a redução da multa de 75% para o patamar de, no máximo, 20%; que a impugnante considera a penalidade que lhe foi aplicada, um flagrante abuso, diante da situação concreta, pois como ficou exaustivamente demonstrado nos itens precedentes, ela, simplesmente, adotou os procedimentos determinados na legislação de regência para quitar, com a utilização de prejuízos fiscais, as multas e os juros apurados como devidos, relativamente aos tributos que foram objeto do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009; que, ademais, entende que deve ser desclassificada a multa aplicada, de 75%, substituindoa por outra de, no máximo, 20%, tendo em vista que os autos de infração ora impugnados somente foram lavrados em decorrência de uma interpretação equivocada da fiscalização, que classifica como “receita”, valores que, como visto, não configuram acréscimo patrimonial da impugnante. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, em 12 de julho de 2012, os membros da Quinta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS concluíram pela procedência do lançamento, com base, em síntese, nas seguintes considerações: 1 ADESÃO AO PARCELAMENTO DA LEI Nº 11.941/2009. EFEITOS: que a impugnante refere que contabilizou em março de 2009 todas as suas dívidas (principal e acréscimos) devidas até maio de 2009 a fim de que tais despesas fossem consideradas no parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Não teria havido desrespeito ao regime de competência, pois a própria Lei nº 11.941/2009 e a Portaria Conjunta PGFN/SRFB nº Fl. 702DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 18 2/2011 autorizam a apropriação das despesas incorridas pela Impugnante, até o mês de maio de 2009. Estaria equivocado o entendimento do autuante, que considera indedutíveis juros, multas e encargos nos períodos que antecedem janeiro de 2004; que os dispositivos invocados não tratam de dedutibilidade de despesas, nem trazem qualquer inovação acerca do período de competência para dedutibilidade de tributos, juros, multas e encargos atingidos pela decadência. Tal legislação apenas trata da consolidação do montante de dívidas para fins do novo parcelamento e indicação dos montantes disponíveis de prejuízo fiscal e de bases de cálculo negativas da CSLL. Não há que confundir regras de parcelamento com regras de dedução de despesas para fins apuração do lucro; que a impugnante tenta se valer dos referidos dispositivos para, inclusive, legitimar a dedução de despesas que competiriam a períodos posteriores a março de 2009, época em que efetuou os lançamentos. Como se viu, tal legislação não abriu essa possibilidade; 2 – GLOSA DE DESPESAS DE PERÍODOS ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA: que houve inobservância do regime de competência na apropriação de despesas com juros, multas e encargos de débitos. A autuação considerou admissível a escrituração dessas despesas em período de apuração posterior – eis que não resultou em prejuízo para o fisco – mas somente para aqueles períodos não atingidos pela decadência. Em função desse prazo decadencial foram glosadas as despesas anteriores a janeiro de 2004. A autuada diz que eventual inobservância do período de competência não teria gerado falta ou insuficiência de recolhimento de impostos, eis que teria apurado prejuízo entre 1989 e 2003. A inexistência de critério temporal limitador do direito à compensação de prejuízos fiscais tornaria sem razão a fixação de um prazo decadencial; que temos que, excepcionalmente, a dedução de despesas em período posterior ao qual competem pode ser aceita, desde que não traga prejuízo ao fisco. Mas essa não é a discussão do processo, dado que o autuante aceitou a dedução, em 2009, de despesas que competiam ao período 2004 e posteriores. O litígio é sobre a possibilidade de serem deduzidas despesas que ocorreram há mais de cinco anos. Em outras palavras, o litígio é sobre a possibilidade de despesas que competem a períodos em que já se operou a decadência, influírem na apuração do resultado em períodos posteriores; que, como regra, os fatos contábeis devem ser contabilizados nos exercícios em que ocorrerem. A razão é simples: a possibilidade de se computar receitas ou despesas em períodos diversos do da sua competência inviabilizaria, para fins societários e fiscais, a apuração do efetivo resultado do período. Eventuais ajustes de exercícios anteriores se consistirem em exclusões de despesas dedutíveis deveriam ser efetuadas no período de apuração a que se referem tais despesas. Assim, impossível a alteração da base de cálculo dos tributos em períodos já decaídos, mesmo que seja para apurar maior prejuízo fiscal. O transcurso do prazo decadencial se, por um lado, impede o fisco de efetuar lançamento para alterar a base de cálculo apurada, por outro, também impede o contribuinte de promover modificações que implicariam reduzir essa mesma base de cálculo, mesmo para apurar prejuízos fiscais. Nas relações jurídicas, principalmente, nas de caráter obrigacional, os prazos para extinção de direito decorrem do princípio da segurança jurídica e, assim, o prazo estabelecido pela legislação, no caso, para o direito de constituir o crédito tributário, deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação dos dados que fez inserir em suas declarações apresentadas ao fisco. Em que pese à contribuinte tenha efetuado todos os ajustes em 2009, tais ajustes são de anos anteriores e assim tem que ser considerados. E, como bem Fl. 703DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720138/201232 Acórdão n.º 1402001.478 S1C4T2 Fl. 20 19 assentado pelo autuante, a decadência faz extinguir um direito por ele não ter sido exercido no prazo de lei; que não haveria segurança jurídica – justamente o fito do instituto da decadência – se ao contribuinte fosse possibilitado, sem registro na escrita fiscal, “estocar”, guardar para si exclusões da base de cálculo dos tributos pelo tempo que lhe aprouvesse, utilizando quando lhe fosse mais conveniente; que, por outro lado, notese que haveria burla à limitação da compensação de prejuízos em 30% do lucro líquido se as deduções fossem efetuadas em período em que houvesse apuração de lucro. Estaria o contribuinte se esquivando de observar a trava dos 30% (tanto para IRPJ quanto CSLL), pois tais despesas diminuiriam a base de cálculo sem a restrição da trava; que a impugnante alega que a impossibilidade de efetuar os ajustes no saldo de prejuízos fiscais feriria o princípio da equidade, pois outro contribuinte, nas mesmas condições, tendo reconhecido tais encargos nos correspectivos anosbase, tem assegurado tal direito (fls. 308). Um contribuinte que tenha efetuado as deduções no prazo de lei e outro que não efetuou tais deduções tempestivamente não estão nas mesmas condições; que em face do exposto entendo correto a posição do autuante no tocante à impossibilidade de dedução das despesas que competem a períodos em que se operou a decadência; 3 – GLOSA DE DESPESAS INCIDENTES SOBRE DÉBITOS PREVIDENCIÁRIOS: que sob o título acima o autuante efetuou a glosa de despesas relacionadas na planilha 2 (fls. 244/249), da qual transcrevo as razões que justificaram a indedutibilidade: H) Multas de mora vencidas em períodos de apuração anteriores a 01/01/2004 que continuavam sendo devidas em 31/03/2009; I) Multas de mora vencidas em períodos de apuração posteriores a 01/01/2004 que não eram mais devidas em 31/03/2009; J) Multas de mora vencidas em períodos de apuração anteriores a 01/01/2004 que não eram mais devidas em 31/03/2009; O) Juros/TR incidentes sobre o principal em meses anteriores a janeiro/2004; P) Juros incidentes sobre o principal em meses posteriores a março/2009; S) Encargos calculados pelo contribuinte sobre multas que não eram devidas em 31/03/2009; Fl. 704DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 20 T) Encargos calculados pelo contribuinte sobre juros de meses posteriores a março/2009. que, a impugnante, por seu turno, diz que as multas ainda eram exigíveis em março de 2009, quando foram computadas como despesa e somente haveria a redução das multas a contar da consolidação da dívida, em junho de 2011, segundo o cronograma implementado pela Portaria Conjunta PGFN/SRFB nº 2/2011. As reduções de multa não seriam automáticas, pois se o fossem, ficaria sem sentido o § único, do art. 4º da Lei nº 11.941/2009; que ressaltese que, tal qual aconteceu nas demais infrações, não há impugnação quanto aos montantes apurados, mas tãosomente contestação quanto ao mérito da exigência; que a Portaria Conjunta mencionada pela impugnante apenas dispõe sobre os procedimentos para fins de consolidação dos débitos para parcelamento e não estabelece – nem poderia fazêlo – qualquer redução de penalidade, nem impõem – e não poderia fazêlo limitação temporal à retroação benigna de norma mais benéfica; que o § único do art. 4º da Lei nº 11.941/2009 previu a possibilidade de exclusão do lucro líquido das receitas correspondentes à redução de multas, juros e encargos para pagamento à vista ou parcelamento. Ele trata, então, da desnecessidade de reconhecimento de uma receita, mas não trata de retroação benigna ou estabelece redução de penalidades; que, ao teor do relatório fiscal, as multas não seriam mais devidas tendo em vista o art. 24 da Medida Provisória nº 449/2008, depois convertida na Lei nº 11.941/2009. Tal dispositivo trouxe nova sistemática de aplicação de multas, modificando substancialmente a Lei nº 8.212/91 por meio da alteração de parte dos artigos 32 e 35 e do acréscimo dos artigos 32A e 35A. Resultam dessas alterações situações em que a penalidade imposta pela nova legislação é mais benéfica do que aquela aplicada ao tempo dos fatos. Por obediência à alínea “c” do inciso II do artigo 106 do CTN, a legislação a ser aplicada é aquela mais benéfica ao Contribuinte; que, todos os eventuais efeitos dessa legislação sobre as multas tiveram eficácia a contar de 04/12/2008, data de publicação da MP 449/2008. Assim, em tendo o autuante, como referido no relatório fiscal, considerado dedutíveis somente aquelas multas de períodos não decaídos e pelo quantum que subsistiu após a aplicação da retroação benigna d; referida MP, não há reparos a serem feitos ao lançamento; que objetivamente o que fez o autuante foi considerar que a multa de mora não pode exceder a 20%, por força da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Esse dispositivo manda aplicar a multa de mora constante do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, ou seja, multa de mora máxima de 20%. Afora as glosas que se mantêm porque as multas de mora estavam vencidas em períodos anteriores a 01/01/2004; que em razão da retroação benigna está correto o entendimento de que as multas de mora exigíveis – e, portanto, dedutíveis – são de 20% e não de 40%, como contabilizou a autuada; 4 – GLOSA DE JUROS, MULTAS E ENCARGOS INCIDENTES SOBRE DÉBITOS DE TRIBUTOS FAZENDÁRIOS: que, foram glosados os juros e encargos incidentes sobre multas de ofício. O autuante entende que os juros e encargos devem seguir a regra de dedutibilidade dos Fl. 705DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720138/201232 Acórdão n.º 1402001.478 S1C4T2 Fl. 21 21 tributos/multas sobre os quais incidem, citando o art. 139 do CTN. Para a defesa, os juros e encargos da Procuradoria seriam despesas financeiras e dedutíveis em qualquer situação; que, assim, entendo que os encargos incidentes sobre multas de ofício são dedutíveis, exceto se pertencentes àqueles períodos abrangidos pela decadência. Por outro lado, os encargos sobre multas que não eram mais devidas, matéria analisada em tópico anterior, não podem ser deduzidos, dado ser inexistente a despesa sobre os quais foram calculados; que a Receita Federal editou ato normativo sobre o assunto. Tratase do Parecer Normativo do Coordenador do Sistema de Tributação – CST – nº 174, de 05/09/1974. Ao tratar da dedutibilidade de tributos cujo fato gerador ocorreu em período, mas o vencimento se dá no anocalendário seguinte, o Parecer aborda a dedutibilidade de juros e da correção monetária; que adoto, então, o entendimento expresso no Parecer acima, de que os juros por se caracterizarem como despesa financeira são sempre dedutíveis; que no tocante aos encargos, explica o autuante (fls. 210): os encargos legais, calculados à taxa de 20% sobre os valores de principal, multa e juros relacionados na planilha, são devidos desde a data de ajuizamento dos respectivos processos de execução fiscal; que tais despesas decorrem do atraso na liquidação de débitos e da consequente necessidade de recurso ao Judiciário para solução do litígio e, assim, não se confundem com o débito em si. Além do mais, resistir a uma exigência que a empresa considera indevida faz parte do direito à defesa, matéria constitucional. As despesas daí decorrentes são dedutíveis, mesmo que a resistência seja contra uma penalidade indedutível, como é o caso dos autos; que, assim, entendo que os encargos incidentes sobre multas de ofício são dedutíveis, exceto se pertencentes àqueles períodos abrangidos pela decadência. Por outro lado, os encargos sobre multas que não eram mais devidas, matéria analisada em tópico anterior, não podem ser deduzidos, dado ser inexistente a despesa sobre os quais foram calculados; que, essas alterações não diminuem o valor total da exigência tributária, visto que a integralidade das infrações ocorridas no 1º trimestre de 2009 foram absorvidas pelos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, como se vê nos quadros demonstrativos constantes do relatório fiscal e nos autos de infração. Adiante recalculo o Quadro I, constante do item 4 do Relatório Fiscal (compensação de prejuízos fiscais/bases de cálculo negativas da CSLL com as infrações apuradas). É possível observar que a improcedência parcial das infrações faz com que resulte um maior saldo de prejuízo fiscal/base negativa para liquidação de multas e juros; 5 – EXCLUSÃO DAS RECEITAS DECORRENTES DA UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DA CSLL: que a contribuinte liquidou juros e multas com utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, como faculta a Lei nº 11.941/2009. O autuante diz que houve uma diminuição do passivo da fiscalizada, resultando em aumento de seu patrimônio e, com isso, haveria de a sociedade reconhecer uma receita. Tal receita integraria as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, tendo em vista a inexistência de autorização legal para sua exclusão. A impugnante afirma que a compensação de prejuízos fiscais nunca foi considerada Fl. 706DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 22 um benefício fiscal. A utilização de prejuízos e bases negativas nada mais seria do que a antecipação de um direito da contribuinte e não pode ser caracterizado como receita. Somente poderia haver a tributação caso houvesse um aumento de patrimônio da sociedade, o que não teria ocorrido. O direito à utilização dos prejuízos e bases negativas para quitação de multas e juros foi concedido sob condição, podendo ser extinto por eventual descumprimento das normas do parcelamento e, assim, se receita fosse, somente poderia ser computada no momento em que se tornar definitiva; que anteriormente às Leis nº 8.981/1995 e 9.065/1995 não havia limite percentual para compensação de prejuízos fiscais com lucros, mas havia prazo (4 anos) para sua utilização. A partir da legislação referida, passou a haver limite de 30% para redução do lucro líquido ajustado pela absorção de prejuízo fiscal/base negativa e deixou de haver limite temporal. Tais aspectos da legislação sempre foram confirmados na jurisprudência emanada dos nossos tribunais. Isso já fulmina um dos argumentos da impugnante: a de que a utilização de prejuízos fiscais são um direito das pessoas jurídicas e, a faculdade de aproveitar prejuízos e bases negativas de CSLL para quitar multas e juros só fez antecipar tal direito. A compensação de prejuízos fiscais é um benefício e, como tal, segue as regras que forem estipuladas para sua fruição; que, assim, de acordo com a Lei nº 11.941, de 2009, passou a haver duas possibilidades para aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL: (1) utilizar o benefício fiscal previsto nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995; (2) utilizar o benefício previsto nos §§ 7º e 8º da Lei nº 11.941/2009; que o primeiro desses benefícios trata de uma forma de compensação em que são confrontadas bases de cálculo negativas de períodos anteriores, com bases positivas do período em que o benefício é utilizado; que já no segundo benefício (da Lei nº 11.941/2009) permite a quitação de dívidas que afetaram o lucro líquido de períodos de apuração anteriores com a utilização de um direito incerto. Sim, porque os prejuízos fiscais poderiam ser utilizados se e caso a contribuinte viesse a apurar lucros e se a legislação assim permitisse nesse momento. A opção pela utilização dos prejuízos e bases negativas para quitar juros e multas pressupõe que se abra mão de uma expectativa de direito (dependente da ocorrência de lucros) por um direito líquido e certo (quitação daquelas dívidas); que a liquidação dessas multas e juros pela sistemática da Lei nº 11.941/2009 reduz o passivo da sociedade, promovendo um ganho que deve ser reconhecido e que é sujeito a tributação, exceto existindo norma específica em sentido contrário; que ciente de que tal benefício constitui receita, a contribuinte reconheceu contabilmente parte do ganho em 30/11/2009, com contrapartida a crédito de conta de resultado. Depois excluiu tais receitas do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL; que a exclusão do lucro líquido efetuado pela contribuinte não é autorizada pela legislação. E não há previsão legal para exclusão das receita decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL para quitação de multas e juros; que como bem salientado no trabalho fiscal, a Lei nº 11.941/2009 criou dois benefícios para o devedor: a redução de multas e juros para quem optasse pelo parcelamento e a possibilidade de quitar multas e juros com prejuízo e bases negativas. Em relação ao primeiro Fl. 707DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720138/201232 Acórdão n.º 1402001.478 S1C4T2 Fl. 22 23 desses benefícios, a lei, expressamente, autoriza a exclusão das receitas correspondentes da base de cálculo do IRPJ e CSLL; que com relação ao segundo benefício, não houve previsão de excluir da tributação as receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases negativas para quitação de multas e juros; que a impugnante alega que o valor da receita correspondente ao aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL na liquidação de multas e juros não poderia ser reconhecido como receita tributável porque ainda não teria se materializado, ou seja, estaria em condição suspensiva devido à possibilidade de rescisão do parcelamento em caso de inadimplemento. Entendo que a rescisão do parcelamento por eventual inadimplemento, não é caso de condição suspensiva, mas sim resolutiva. Se a contribuinte optou por aderir ao parcelamento especial criado pela Lei nº 11.941/09, ela passa a usufruir todos os direitos e benefícios pela lei concedidos desde a data em que fez essa opção. Comprovada, a partir da opção pelo parcelamento, que alguma das condições obrigatórias para nele permanecer não foi cumprida (inadimplência, por exemplo), ocorre a sua rescisão; que não há dúvida que a contribuinte, em tendo aderido ao parcelamento especial, está usufruindo todos os direitos decorrentes, ele eles a obtenção de certidões negativas e pagamentos sobre uma base minorada (pela redução de multas, juros e encargos). O eventual descumprimento das condições pactuadas é que poderá resultar na rescisão do contrato. Tratase, claramente, de condição resolutiva; que, em face do exposto, tenho como acertado o entendimento fiscal de tributar as receitas decorrentes da diminuição do passivo quitado com utilização de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL; que, ausência de impugnação é ausência de litígio, inclusive quanto a eventuais decorrências dessa não impugnação. A não impugnação de parte das exigências faz com que elas se tornem definitivas na esfera administrativa e confirma o acerto da imposição fiscal; que, apesar disso, há que registrar, que, no caso concreto, a contribuinte foi autuada porque deduziu multas de ofício para fins de apuração do IRPJ e CSLL. Como tais multas são indedutíveis, teve os valores adicionados à base de cálculo dos tributos. Não vejo como isso possa influenciar nos juros e multas a serem liquidados no parcelamento. As infrações contra as quais a impugnante não ofereceu resistência foram absorvidas por prejuízos fiscais/bases negativas no 1º trimestre de 2009. Com isso, essa parcela de prejuízos/bases negativas não pode compor o saldo a ser utilizado para fins de liquidações de multas e juros por ocasião do parcelamento; que, a impugnante pede a redução da multa de ofício aplicada, invocando os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; 6 – MULTA DE OFÍCIO APLICADA: que a impugnante pede a redução da multa de ofício aplicada, invocando os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; Fl. 708DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 24 que, tais princípios têm como destinatários os legisladores. Ao julgador administrativo cabe a obediência à norma expressa. No caso, a multa foi aplicada em consonância com o previsto no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). Assim, foi correta, então, a aplicação de multa no percentual de 75%. A presente decisão esta consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2009 Ementa: INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. PRAZO DECADENCIAL. GLOSA DE DESPESAS CONTABILIZADAS REFERENTES A PERÍODOS DE APURAÇÃO ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA. A apropriação de despesa relativa a anos calendários anteriores, efetivada em momento posterior a cinco anos de sua ocorrência, não pode afetar o resultado do exercício, pois transcorrido o prazo legal da decadência. PARCELAMENTO DA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB nº 2/2011. REGRAS PARA CONSOLIDAÇÃO DOS DÉBITOS E DEMONSTRAÇÃO DO MONTANTE DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DE CSLL. AUSÊNCIA DE INOVAÇÃO NO TOCANTE À DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. Dispositivos da lei nº 11.941/2009 e da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 2/2011 que dispõem sobre a consolidação dos débitos e demonstração do montante de prejuízos fiscais e bases negativas para fins de parcelamento não trazem inovação legislativa no tocante à dedutibilidade de despesas, nem autorizam a dedução de tributos e consectários de períodos já atingidos pela decadência. DEDUÇÃO DE JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTAS DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO FIXADO EM PARECER NORMATIVO. São dedutíveis os juros de mora incidentes sobre multas de ofício, por se tratarem de compensação pelo atraso na liquidação de débitos e, assim, caracterizaremse como despesa financeira. Entendimento fixado em Parecer Normativo da RFB, de observância obrigatória pelos julgadores administrativos. EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO. RECEITAS DECORRENTES DA UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL PARA LIQUIDAÇÃO DE MULTAS E JUROS. São tributáveis as receitas correspondentes a liquidação de multas e juros com a utilização de prejuízos fiscais e bases de Fl. 709DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720138/201232 Acórdão n.º 1402001.478 S1C4T2 Fl. 23 25 cálculo negativas da CSLL, benefício fiscal concedido no âmbito do parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941/09 MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. OFENSA A PRINCÍPIOS DE DIREITO. Ao julgador administrativo cabe aplicar a norma sem perquirir sobre a constitucionalidade ou legalidade do ordenamento, tarefa reservada ao Judiciário. Está correta a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, previsto na legislação em vigor. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 21/06/2004, conforme Termo constante à fl. 3595, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (14/09/2012), o recurso voluntário de fls. 640/683, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, como se vê, para justificar a glosa das despesas de juros, multas e encargos legais, o AuditorFiscal fez referencia à planilha de débitos fiscais apresentada pela empresa (com valores de IRPJ, FINSOCIAL, PIS e COFINS), de períodos de apuração que vão de maio de 1989 a outubro de 2008. Diz que não apenas os valores das multas de oficio não são dedutíveis fiscalmente (IRPJ e CSLL), mas que também não o são os juros de mora incidentes sobre tais multas. Alega que esse juros devem seguir a regra de dedutibilidade dos tributos e multas sobre os quais incidem, não devendo ser, tal e qual, estas, passiveis de dedução para fins de IRPJ e de CSLL; que, no referido parcelamento, a Recorrente incluiu todas as dividas vencidas até 30/11/2008 no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB), ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), e, inclusive, o saído remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal (REFIS), no Parcelamento Especial (PAES) e no Parcelamento Excepcional (PAEX); que, ao fazer a sua adesão ao parcelamento, a Recorrente, assim como todos os contribuintes que optaram por parcelar as suas dividas, teve que consolidar os valores por ela devidos, incluindo, no referido cálculo, não apenas o valor principal da dívida, mas também, todos os acréscimos moratórios, que nos termos do art. 3°, inc. I, da Lei n° 11.941/2009, deveriam ser “restabelecidos à data da solicitação do novo parcelamento os valores correspondentes ao credito originalmente confessado e seus respectivos acréscimos legais”; que o Auditor –Fiscal, referendado pelo v. acórdão recorrido, na parte em que “foi a inércia da própria fiscalizada que impediu que as despesas correspondentes a período de apuração atingidos pelo prazo decadencial afetassem as bases de cálculos do IRPJ e da CSLL.” (fl. 7 do Relatório da Ação Fiscal). Os procedimentos contábeis e fiscais adotados pela Recorrente, como visto, representam a realidade de seu passivo tributário, não havendo como se admitir a glosa de despesas que, como visto, decorrem da aplicação das normas que regem o Parcelamento da Lei n° 11.941/09; Fl. 710DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 26 que o AuditorFiscal também acabou sendo referendado pelo v. acórdão recorrido – foi considerar que os juros de mora e os encargos da Procuradoria são meros “acessórios” dos tributos e das multas sobre os quais incidem e que, diante disso, devem seguir a regra de dedutibilidade da obrigação principal. Contudo, tratandose de juros de mora, estes conservam sua natureza jurídica, independentemente da dívidas cujo atraso no pagamento eles visam a compensar. Tais juros, não se inserindo entre os remuneratórios de capital aplicado, são juros moratórios (ou compensatórios), inclusive no âmbito de obrigações tributarias; que, no entanto, nas multas compensatórias, como seu próprio qualificativo está a revelar, não pretendem punir o infrator da legislação tributaria, mas a compensar o sujeito ativo pelas perdas financeiras com o atraso no pagamento do tributo que lhe era devido. Todos os acréscimos legais compensatórios, quer sejam cobrados a título de multa, quer sejam exigidos a título de juros, são integralmente dedutíveis, para fins de apuração do IRPJ ou da CSLL; que, tendo em vista sua natureza jurídica de acréscimo moratório de natureza eminentemente compensatória, os juros de mora são sempre dedutíveis do IRPJ e da CSLL, ainda que calculados sobre valores de penas pecuniárias punitivas, como as multas de oficio. A não dedutibilidade destas não se estende a qualquer acréscimo moratório exigido pelo seu não pagamento nos prazos regulamentares; que, diante de tudo o quanto foi exposto, concluise que os juros de mora, em virtude de possuírem natureza jurídica compensatória, são dedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, independentemente da origem do débito sobre os quais eles incidem (multas e/ou encargos). O fato de os juros terem sido calculados sobre as multas de ofícios e sobre os encargos legais sobre multas de oficio, não muda a natureza dos juros, que, como visto, sempre, e em qualquer circunstância, são considerados despesas financeiras da Pessoa Jurídica; que o não reconhecimento contábil, nos correspectivos período gerados das obrigações tributarias, em nada alterou a situação da empresa perante o fisco, especialmente porque, no caso concreto, não ocorreu a redução ou postergação indevida de imposto, mas tão somente o aumento do valor dos prejuízos fiscais (IRPJ) e da base de cálculo negativa (CSLL); que, o Recorrente não fez qualquer pedido de restituição de IRPJ ou de CSLL, apenas escriturou despesas para futuro exercício de direito à compensação de prejuízos fiscais, as quais, mesmo que não tivessem sido escrituradas, não teriam influencia imediata na postulação desse direito, que é imprescritível, a teor da legislação vigente; que, no ultimo item dos autos de infração, o Fisco pretende que sejam tratados, como “receita”, os valores dos juros e das multas liquidados com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculos negativos da CSLL, tributável no período de apuração de adesão ao parcelamento disciplinado pela Lei n° 11.941/09; que, pelo contido na referida lei, o pagamento de multa e juros, na forma pó ela prevista, somente será assegurado se forem implementadas todas as condições do parcelamento, principalmente a sua total quitação. Por evidente, ao não serem cumpridas as obrigações do parcelamento, todos os encargos devem voltar ao estado anterior, assim como o próprio valor dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL; que se pudesse admitir como correto o entendimento do Fisco, no sentido de considerar como receita, sujeita a tributação, o valor correspondente a IRPJ e CSLL, decorrente dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativa – hipótese que se levanta apenas para fins de Fl. 711DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720138/201232 Acórdão n.º 1402001.478 S1C4T2 Fl. 24 27 argumentação – dita receita, somente poderia vir a ser computada no momento em que se tornar definitiva. Como o parcelamento, ao que tudo indica, será rescindido, extinta também deve ser a cobrança dos tributos decorrentes do entendimento do Fisco; que a recorrente considera a penalidade que lhe foi aplicada, um flagrante abuso, diante da situação concreta, pois como ficou exaustivamente demonstrado nos itens precedentes, ela, simplesmente, adotou os procedimentos determinados na legislação de regência para quitar, com a utilização de prejuízos fiscais, as multas e os juros apurados como devidos, relativamente aos tributos que foram objetos do parcelamento instituídos pela Lei n°. 11.941/2009; que se leva em consideração, ademais, que a Recorrente, no exercício regular das suas atividades, sempre agiu de forma absolutamente transparente para o Fisco, nunca deixando de prestar as informações acerca dos seus procedimentos e nem se furtando de proceder à entrega de livros e documentos fiscais. A Recorrente jamais criou qualquer empecilho aos Agentes públicos no transcurso da fiscalização. É o relatório. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 28 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. O trabalho fiscal apurou a existência das seguintes infrações: (1) indevida dedução de juros, multas e encargos incidentes sobre débitos de tributos; (2) indevida dedução de juros, multas e encargos incidentes sobre débitos de contribuições previdenciárias; e (3) exclusão indevida do lucro líquido – receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de calculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas. Passo a resumir cada infração. Não há argüição de qualquer preliminar, razão pela qual a discussão se resume a matéria de mérito. Para facilitar a análise a ordem que será seguida será a mesma das infrações apuradas no Auto de Infração do IRPJ. 1 – DA ADESÃO AO PARCELAMENTO DA LEI Nº 11.941/2009. EFEITOS: Resta claro nos autos, que a recorrente contabilizou em março de 2009 todos os seus débitos tributários (principal e acréscimos) devidos até maio de 2009 a fim de que tais despesas fossem consideradas no parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009. A recorrente entende, que não teria havido desrespeito ao regime de competência, pois a própria Lei nº 11.941, de 2009 e a Portaria Conjunta PGFN/SRFB nº 2/2011 autorizam a apropriação das despesas incorridas, até o mês de maio de 2009, ou seja, que estaria equivocado o entendimento da autoridade fiscal lançadora, que considera indedutíveis juros, multas e encargos nos períodos que antecedem janeiro de 2004. Sem razão a recorrente, já que os dispositivos invocados não tratam de dedutibilidade de despesas, nem trazem qualquer inovação acerca do período de competência para dedutibilidade de tributos, juros, multas e encargos atingidos pela decadência. Tal legislação apenas trata da consolidação do montante de dívidas para fins do novo parcelamento e indicação dos montantes disponíveis de prejuízo fiscal e de bases de cálculo negativas da CSLL. Não há que confundir regras de parcelamento com regras de dedução de despesas para fins apuração do lucro. 2 – DA GLOSA DE DESPESAS DE PERÍODOS ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA: Da análise da questão, constatase que houve inobservância do regime de competência na apropriação de despesas com juros, multas e encargos de débitos. Por outro lado, verificase que a autuação considerou admissível a escrituração dessas despesas em período de apuração posterior, já que esta atitude não resultou Fl. 713DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720138/201232 Acórdão n.º 1402001.478 S1C4T2 Fl. 25 29 em prejuízo para o fisco. Evidentemente, que a autoridade fiscal considerou somente para aqueles períodos não atingidos pela decadência. Em função do prazo decadencial foram glosadas as despesas anteriores a janeiro de 2004. Alega a recorrente, que a eventual inobservância do período de competência não teria gerado falta ou insuficiência de recolhimento de impostos, eis que teria apurado prejuízo entre 1989 e 2003. A inexistência de critério temporal limitador do direito à compensação de prejuízos fiscais tornaria sem razão a fixação de um prazo decadencial. É de se dizer, que, excepcionalmente, a dedução de despesas em período posterior ao qual competem pode ser aceita, desde que não traga prejuízo ao fisco. Mas essa não é a discussão do processo, dado que o autuante aceitou a dedução, em 2009, de despesas que competiam ao período 2004 e posteriores. O litígio é sobre a possibilidade de serem deduzidas despesas que ocorreram há mais de cinco anos. Em outras palavras, o litígio é sobre a possibilidade de despesas que competem a períodos em que já se operou a decadência, influírem na apuração do resultado em períodos posteriores. Não restam dúvidas de que, como regra, os fatos contábeis devem ser contabilizados nos exercícios em que ocorrerem. A razão é simples: a possibilidade de se computar receitas ou despesas em períodos diversos do da sua competência inviabilizaria, para fins societários e fiscais, a apuração do efetivo resultado do período. Eventuais ajustes de exercícios anteriores se consistirem em exclusões de despesas dedutíveis deveriam ser efetuadas no período de apuração a que se referem tais despesas. Assim, impossível a alteração da base de cálculo dos tributos em períodos já decaídos, mesmo que seja para apurar maior prejuízo fiscal. O transcurso do prazo decadencial se, por um lado, impede o fisco de efetuar lançamento para alterar a base de cálculo apurada, por outro, também impede o contribuinte de promover modificações que implicariam reduzir essa mesma base de cálculo, mesmo para apurar prejuízos fiscais. Nas relações jurídicas, principalmente, nas de caráter obrigacional, os prazos para extinção de direito decorrem do princípio da segurança jurídica e, assim, o prazo estabelecido pela legislação, no caso, para o direito de constituir o crédito tributário, deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação dos dados que fez inserir em suas declarações apresentadas ao fisco. Em que pese a contribuinte tenha efetuado todos os ajustes em 2009, tais ajustes são de anos anteriores e assim tem que ser considerados. E, como bem assentado pelo autuante, a decadência faz extinguir um direito por ele não ter sido exercido no prazo de lei. 3 – DA GLOSA DE DESPESAS INCIDENTES SOBRE DÉBITOS PREVIDENCIÁRIOS: Observase, que sob o título acima a autoridade fiscal lançadora efetuou a glosa de despesas, da qual transcrevo as razões que justificaram a indedutibilidade: H) Multas de mora vencidas em períodos de apuração anteriores a 01/01/2004 que continuavam sendo devidas em 31/03/2009; Fl. 714DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 30 I) Multas de mora vencidas em períodos de apuração posteriores a 01/01/2004 que não eram mais devidas em 31/03/2009; J) Multas de mora vencidas em períodos de apuração anteriores a 01/01/2004 que não eram mais devidas em 31/03/2009; O) Juros/TR incidentes sobre o principal em meses anteriores a janeiro/2004; P) Juros incidentes sobre o principal em meses posteriores a março/2009; S) Encargos calculados pelo contribuinte sobre multas que não eram devidas em 31/03/2009; T) Encargos calculados pelo contribuinte sobre juros de meses posteriores a março/2009. A recorrente alega, que as multas ainda eram exigíveis em março de 2009, quando foram computadas como despesa e somente haveria a redução das multas a contar da consolidação da dívida, em junho de 2011, segundo o cronograma implementado pela Portaria Conjunta PGFN/SRFB nº 2/2011. As reduções de multa não seriam automáticas, pois se o fossem, ficaria sem sentido o § único, do art. 4º da Lei nº 11.941, de 2009. Ora, a Portaria Conjunta mencionada pela recorrente apenas dispõe sobre os procedimentos para fins de consolidação dos débitos para parcelamento e não estabelece – nem poderia fazêlo – qualquer redução de penalidade, nem impõem – e não poderia fazêlo limitação temporal à retroação benigna de norma mais benéfica. O § único do art. 4º da Lei nº 11.941, de 2009 previu a possibilidade de exclusão do lucro líquido das receitas correspondentes à redução de multas, juros e encargos para pagamento à vista ou parcelamento. Ele trata, então, da desnecessidade de reconhecimento de uma receita, mas não trata de retroação benigna ou estabelece redução de penalidades. Todos os eventuais efeitos dessa legislação sobre as multas tiveram eficácia a contar de 04/12/2008, data de publicação da MP 449/2008. Assim, em tendo a autoridade fiscal lançadora considerado dedutíveis somente aquelas multas de períodos não decaídos e pelo quantum que subsistiu após a aplicação da retroação benigna da referida MP, não há reparos a serem feitos ao lançamento. Resta claro, nos autos, que a autoridade fiscal lançadora considerou que a multa de mora não pode exceder a 20%, por força da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991. Esse dispositivo manda aplicar a multa de mora constante do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, ou seja, multa de mora máxima de 20%. Afora as glosas que se mantêm porque as multas de mora estavam vencidas em períodos anteriores a 01/01/2004.; 4 – DA EXCLUSÃO DAS RECEITAS DECORRENTES DA UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DA CSLL: Observase, que a contribuinte liquidou juros e multas com utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, como faculta a Lei nº 11.941, de 2009. A autoridade fiscal lançadora alega, que houve uma diminuição do passivo da fiscalizada, resultando em aumento de seu patrimônio e, com isso, haveria de a sociedade reconhecer uma Fl. 715DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720138/201232 Acórdão n.º 1402001.478 S1C4T2 Fl. 26 31 receita. Tal receita integraria as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, tendo em vista a inexistência de autorização legal para sua exclusão. Por seu turno a recorrente alega, que a compensação de prejuízos fiscais nunca foi considerada um benefício fiscal. A utilização de prejuízos e bases negativas nada mais seria do que a antecipação de um direito da contribuinte e não pode ser caracterizado como receita. Somente poderia haver a tributação caso houvesse um aumento de patrimônio da sociedade, o que não teria ocorrido. O direito à utilização dos prejuízos e bases negativas para quitação de multas e juros foi concedido sob condição, podendo ser extinto por eventual descumprimento das normas do parcelamento e, assim, se receita fosse, somente poderia ser computada no momento em que se tornar definitiva. Não há dúvidas de que de acordo com a Lei nº 11.941, de 2009, passou a haver duas possibilidades para aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL: (1) utilizar o benefício fiscal previsto nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995; (2) utilizar o benefício previsto nos §§ 7º e 8º da Lei nº 11.941/2009; O primeiro desses benefícios trata de uma forma de compensação em que são confrontadas bases de cálculo negativas de períodos anteriores, com bases positivas do período em que o benefício é utilizado; O segundo benefício (da Lei nº 11.941/2009) permite a quitação de dívidas que afetaram o lucro líquido de períodos de apuração anteriores com a utilização de um direito incerto. Isto porque os prejuízos fiscais poderiam ser utilizados se e caso a contribuinte viesse a apurar lucros e se a legislação assim permitisse nesse momento. A opção pela utilização dos prejuízos e bases negativas para quitar juros e multas pressupõe que se abra mão de uma expectativa de direito (dependente da ocorrência de lucros) por um direito líquido e certo (quitação daquelas dívidas). Ora, a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de multas e juros acarreta redução de um passivo da fiscalizada, resultando, então, em aumento do seu patrimônio. Tratarseia, portanto, de receita, como reconhece o Conselho Federal de Contabilidade, o qual, por meio da Resolução CFC n° 1.121/08 e da Resolução CFC n° 1.374/11, dispõe que a diminuição de um passivo que resultar em aumento do patrimônio é uma receita. Além disso, esse valor adicionado ao patrimônio líquido ficará à disposição da assembléia e/ou sócios e poderá ser distribuído a título de distribuição de lucros a qualquer momento. Sendo receitas, tais valores integram o lucro líquido do período de apuração em que foram reconhecidas e, conseqüentemente, as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na legislação não existe qualquer autorização legal para sua exclusão do lucro líquido, através do LALUR. Ciente de que tal benefício constitui receita, a contribuinte reconheceu contabilmente parte do ganho em 30/11/2009, com contrapartida a crédito de conta de resultado. Depois excluiu tais receitas do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 32 Enfim, a exclusão do lucro líquido efetuado pela recorrente não é autorizada pela legislação. E não há previsão legal para exclusão das receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL para quitação de multas e juros. 5 – DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA: Resta claro nos autos, que a recorrente solicita a redução da multa de ofício aplicada, invocando os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Ora, inicialmente, há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; Fl. 717DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720138/201232 Acórdão n.º 1402001.478 S1C4T2 Fl. 27 33 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se Fl. 718DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 34 ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Enfim, ao julgador administrativo cabe a obediência à norma expressa. No caso, a multa foi aplicada em consonância com o previsto no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996: “Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007): I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Assim sendo, foi correta a aplicação de multa no percentual de 75%. 6 – DA TRIBUTAÇÃO DECORRENTE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO: Como se infere do relato, a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorre do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, especificamente, em razão das irregularidades apuradas pela autoridade fiscal lançadora mantida de forma parcial. Em observância ao princípio da decorrência, e sendo certo a relação de causa e efeito existente entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir nos presentes julgados, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, a autuada não conseguiu elidir a totalidade das irregularidades apuradas, devese manter, em parte, o exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências que a formalizada no processo principal quer as dele originadas (lançamentos decorrentes) repousam sobre o mesmo suporte fático. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 719DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720138/201232 Acórdão n.º 1402001.478 S1C4T2 Fl. 28 35 Fl. 720DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 10783.901809/2010-24
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO DE PARTE DO DIREITO ADUZIDO. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA ESCRITURAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE OS CRÉDITOS OUTRORA INDEFERIDOS. POSSIBILIDADE NÃO MATERIALIZADA NOS AUTOS.
Segundo jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça o indeferimento de pedido de reconhecimento de direito creditório do IPI, por ato da autoridade administrativa, descaracteriza a natureza escritural do saldo credor do imposto pleiteado, dando ensejo à incidência da taxa Selic sobre os créditos objeto da oposição oficial, calculada a partir da data do indeferimento dos créditos. Aplicação da jurisprudência do STJ por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
Não obstante, no caso dos autos o precedente jurisprudencial do STJ não se aplica, uma vez que não há nenhuma parcela do crédito reconhecida depois da prolação do despacho decisório, momento em que houve a oposição estatal de parte do direito pleiteado.
Recurso do qual se conhece em parte, para negar-lhe provimento.
Numero da decisão: 3802-002.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO DE PARTE DO DIREITO ADUZIDO. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA ESCRITURAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE OS CRÉDITOS OUTRORA INDEFERIDOS. POSSIBILIDADE NÃO MATERIALIZADA NOS AUTOS. Segundo jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça o indeferimento de pedido de reconhecimento de direito creditório do IPI, por ato da autoridade administrativa, descaracteriza a natureza escritural do saldo credor do imposto pleiteado, dando ensejo à incidência da taxa Selic sobre os créditos objeto da oposição oficial, calculada a partir da data do indeferimento dos créditos. Aplicação da jurisprudência do STJ por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Não obstante, no caso dos autos o precedente jurisprudencial do STJ não se aplica, uma vez que não há nenhuma parcela do crédito reconhecida depois da prolação do despacho decisório, momento em que houve a oposição estatal de parte do direito pleiteado. Recurso do qual se conhece em parte, para negar-lhe provimento.
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PRECLUSÃO PROCESSUAL. NEGAÇÃO GERAL. NÃO ENFRENTAMENTO DO OBJETO DO LITÍGIO NA PETIÇÃO FORMALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. O não enfrentamento da matéria na primeira instância recursal implica em preclusão processual, a teor do disposto no artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, meras negativas gerais apresentadas na peça vestibular não caracterizam recurso. O não enfrentamento expresso da matéria na petição inicial retrata a concordância tácita do sujeito passivo com os fatos ali relatados. Tal matéria deverá ser considerada como não impugnada, posto não haver sido contestada expressamente pelo impugnante. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 DÉBITOS DECLARADOS EM DCOMP. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. A prescrição se interrompe, dentre outras hipóteses, pela caracterização de “qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor” (CTN, artigo 174, inciso IV). Por seu turno, a declaração de compensação “constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados” (§ 6º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996). Considerando a realidade fática, em que a interessada, em 21/07/2010, foi cientificada do despacho decisório que homologou apenas em parte os débitos declarados na declaração de compensação formalizada em 31/01/2006, resta evidente que, quando da ciência da decisão em questão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 18 09 /2 01 0- 24 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 ainda não havia transcorrido o prazo de prescrição de cinco anos capitulado no caput do artigo 174 do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO DE PARTE DO DIREITO ADUZIDO. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA ESCRITURAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE OS CRÉDITOS OUTRORA INDEFERIDOS. POSSIBILIDADE NÃO MATERIALIZADA NOS AUTOS. Segundo jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça o indeferimento de pedido de reconhecimento de direito creditório do IPI, por ato da autoridade administrativa, descaracteriza a natureza escritural do saldo credor do imposto pleiteado, dando ensejo à incidência da taxa Selic sobre os créditos objeto da oposição oficial, calculada a partir da data do indeferimento dos créditos. Aplicação da jurisprudência do STJ por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Não obstante, no caso dos autos o precedente jurisprudencial do STJ não se aplica, uma vez que não há nenhuma parcela do crédito reconhecida depois da prolação do despacho decisório, momento em que houve a oposição estatal de parte do direito pleiteado. Recurso do qual se conhece em parte, para negarlhe provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para negarlhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 83/92 do processo eletrônico – numeração a qual adotaremos como padrão nas referências feitas aos autos doravante), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo contra o não reconhecimento de créditos do IPI do 3º trimestre de 2005. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10783.901809/201024 Acórdão n.º 3802002.339 S3TE02 Fl. 122 3 Transcrevo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida: Em análise no presente processo o litígio decorrente do Despacho Decisório de fl. 13, emitido eletronicamente pelo SCC quando da análise da DCOMP n° 30025.29345.300106.1.3.012127, transmitida pelo contribuinte retro identificado em 30/01/2006, por meio da qual se pretendeu a extinção de débitos no montante de R$ 30.013,34, tendo por lastro crédito originário de Saldo Credor do IPI apurado no 3° trimestre/2005, no valor de R$ 30.013,34 (fl. 20). Referido saldo credor é composto por crédito básico e crédito presumido escriturado no período, conforme informações extraídas da referida DCOMP (fls. 38/44). A citada DCOMP foi baixada para tratamento manual/análise fiscal com a finalidade de verificação da legitimidade e materialidade do crédito utilizado, do qual resultou o Relatório Fiscal de fls. 47/51 e Demonstrativos de Apuração de fls. 52/72, que concluiu pela procedência parcial do saldo credor apurado ao final do trimestre, pelos seguintes motivos: Quanto ao crédito básico: • Não houve apuração de qualquer irregularidade, tendo sido legitimado na sua totalidade; Quanto ao crédito presumido: • Exclusão, da Receita de Exportação, do valor atinente as vendas para empresas comerciais exportadoras (exportações indiretas) com o fim especifico de exportação, por restar configurado o não cumprimento das disposições legais e normativas para caracterização da saída para comercial exportadora com fim especifico de exportação, nos termos do § 1°, do art. 42 do RIPI/2002; • Exclusão, da Relação de Notas Fiscais de Aquisição de MP, PI e ME, dos valores correspondentes ao valor do IPI; Quanto aos demais componentes da apuração do crédito presumido (Receita Operacional Bruta e Receita de Exportação Direta) informa a autoridade fiscal que não apresentaram qualquer irregularidade, tendo sido considerados os valores informados pelo contribuinte na memória de cálculo do beneficio. Procedida a apuração dos créditos pleiteados considerandose as glosas retro indicadas, conforme Demonstrativos de fls. 52/72 reconheceu se a procedência dos seguintes valores, relativamente ao crédito presumido: Destacouse, ainda, no Relatório Fiscal, que a configuração do não cumprimento das disposições legais e normativas para caracterização da saída para comercial exportadora com fim especifico de exportação, nos Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 termos do §1°, do art. 42 do RIPI/2002, além de ensejar a exclusão de tais valores (saídas para empresas comerciais exportadoras) da receita de exportação componente da apuração do crédito presumido resultou também na lavratura de auto de infração [processo n° 15586.000526/201011] para exigência do IPI devido nas saídas originariamente dadas com suspensão, para as empresas comerciais exportadoras [falta de lançamento do imposto, pelo estabelecimento industrial, em razão de ter dado saída com suspensão, a produto tributado, para empresa comercial exportadora, com fim especifico de exportação, sem o cumprimento da condição de suspensão, ensejando a exigência do imposto não destacado nas notas fiscais de saída (utilização indevida da imunidade/saída com suspensão)]. Alimentado o sistema SCC – Sistema de Controle de Créditos e Compensações, foram gerados o DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS E DÉBITOS, o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL [que evidencia a apuração de saldo credor ressarcível de R$ 1.749,35] e o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DO RESSARCIMENTO [anexados as fls. 45/46], disponibilizados ao contribuinte no site da RFB juntamente com o Despacho Decisório de fl. 13 que concluiu pelo NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO E PELA NÃOHOMOLOGAÇÃO DA DCOMP, em razão dos seguintes motivos: i) Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. ii) Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apreciação do PER/DCOMP. iii) Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. iv) Redução do saldo credor do trimestre, passível de ressarcimento, resultante de débitos apurados em procedimento fiscal. Cientificado do Despacho Decisório e intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, em 21/07/2010 (fl. 36), manifestou a pleiteante a sua inconformidade em 20/08/2010 (fl. 01), por meio do arrazoado de fls. 01/05, no qual, em síntese: => alega que o saldo credor de período anterior considerado no mês de julho/2005 recuperado por ajustes dos créditos reconhecidos em DCOMPs de trimestres anteriores não coincide com a realidade, uma vez que o correto é R$ 0,00, conforme RAIPI cópia anexa; => acrescenta que verificando o Demonstrativo de Apuração Após o Período de Ressarcimento notase que o saldo credor em 31/12/2005 não está de acordo com o que consta do RAIPI, haja vista que no despacho decisório da DCOMP relativa ao trimestre posterior [o 4°/2005, DCOMP ...6406] houve alteração dos valores dos saldos, sendo que o referido despacho encontrase em processo de defesa administrativa; => lembra que o ressarcimento referese ao 3° trimestre/2005 e alega que "diante da demora do fisco em reconhecer o Crédito do contribuinte, o que foi feito somente após 4 anos de sua solicitação em 31/01/2006 é mais do que justo que esse crédito seja calculado com correção monetária, sendo aplicada a taxa Selic"; Fl. 124DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10783.901809/201024 Acórdão n.º 3802002.339 S3TE02 Fl. 123 5 => pondera que ao se proceder a atualização monetária do crédito pela taxa Selic [da mesma forma que a RFB corrige os seus débitos] o mesmo será suficiente para amortizar todo o saldo devedor, restando, ainda, saldo credor; => acrescenta que a jurisprudência reconhece o direito à correção monetária diante da demora do Fisco em reconhecer o crédito e reproduz excerto de julgado que entende amparar a sua tese; Ao final requer: 1 sejam ajustados os saldos credores do período anterior e os saldos após o período do ressarcimento, a fim de se proceder a correta apuração do crédito; 2seja reconhecido o direito de correção do crédito e homologada a compensação; 3 seja suspensa a cobrança até que os recursos sejam definitivamente julgados; Nestes termos vieram os autos a esta DRJ para julgamento. O acórdão que indeferiu o pleito do sujeito passivo foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 I RESSARCIMENTO. CRÉDITOS GLOSADOS. NÃO CONTESTAÇÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, tornandose a glosa definitiva na esfera administrativa. II SALDO CREDOR RESSARCÍVEL. REDUÇÃO EM VIRTUDE DE DÉBITO LANÇADO PELA FISCALIZAÇÃO. PROCEDÊNCIA. A apuração de débitos do IPI e a alteração do saldo originalmente apurado pelo contribuinte, em reconstituição da escrita fiscal e lavratura de auto de infração, associada à glosa de créditos indevidamente escriturados, impossibilita o reconhecimento do direito creditório apurado pela contribuinte. III SALDO CREDOR PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. REDUÇÃO EM VIRTUDE DE UTILIZAÇÃO PARCIAL NA ESCRITA FISCAL PARA ABATER DÉBITOS. PROCEDÊNCIA. Ratificase o procedimento adotado pelo processamento eletrônico quando restar comprovado que parte dos créditos passíveis de ressarcimento apurados ao fim do trimestrecalendário a que se refere o pedido (Saldo Credor Passível de Ressarcimento) foi utilizada para abater débitos informados no RAIP/PGD, não se mantendo, pois, na escrita, até o período imediatamente anterior ao da transmissão da DCOMP. IV RESSARCIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO VINCULADO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva possa alterar o valor a ser ressarcido. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INDEFERIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A permissão para a compensação de débitos tributários somente se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez indeferido o direito creditório indicado pela interessada para compensar os débitos objeto da DCOMP sob exame, cabe a sua nãohomologação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 11/04/2012 (fls. 95), a interessada, em 11/05/2012 (v. fls. 96), apresentou o recurso voluntário de fls. 96/100, onde se manifesta expressamente: a) em favor da correção monetária dos créditos da autora, no valor de R$ 30.013,34, pela taxa SELIC, quando da transmissão da declaração, em 30/06/2006, até a data do despacho decisório, em 06/07/2010; b) contra a exclusão, das receitas de exportação, dos valores correspondentes às vendas para empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, bem como do IPI incidente na aquisição de MP, PI e ME; c) pela remissão dos débitos, uma vez que o valor a ser pago é inferior a R$ 10.000,00, portanto estaria o contribuinte amparado pelo artigo 14 da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009; d) em prol da prescrição, já que a simples declaração de compensação não tem o condão de suspender o prazo prescricional, devendo ser decretada a prescrição dos débitos em obediência ao preconizado pela Súmula Vinculante nº 8, do STF, bem como pela Súmula 409 do STJ. É o relatório. Voto Admissibilidade do recurso Conforme relatado, a ciência da decisão de primeira instância se deu em 11/04/2012 (fls. 95). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 11/05/2012, tempestivamente, portanto. Quanto aos demais requisitos de admissibilidade do recurso, os mesmos foram atendidos. Todavia, há alguns argumentos que só foram apresentados na presente instância recursal: o primeiro diz respeito ao pedido de remissão dos débitos, uma vez que o contribuinte estaria supostamente amparado pelo artigo 14 da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009; o segundo é relativo à aduzida prescrição, posto que a simples declaração de compensação não teria o condão de suspender o prazo prescricional; há, ainda, a discordância contra a exclusão, das receitas de exportação, dos valores Fl. 126DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10783.901809/201024 Acórdão n.º 3802002.339 S3TE02 Fl. 124 7 correspondentes às vendas para empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, bem como do IPI incidente na aquisição de MP, PI e ME. No que concerne ao pedido de remissão de débitos, dele não tomo conhecimento, já que a matéria está preclusa (artigo 17 do Decreto no 70.235/72)1. O mesmo se diga quanto à exclusão, das receitas de exportação, dos valores correspondentes às vendas para empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, bem como do IPI incidente na aquisição de MP, PI e ME. Aliás, sobre esse último assunto, o sujeito passivo se limita a afirmar que as glosas “não podem prosperar, uma vez que estão perfeitamente enquadrado (sic) no conceito de MP, PI e ME, estando de acordo com a legislação vigente e a jurisprudência atual”. Vêse, pois, não obstante a preclusão processual, que parte da argumentação aborda apenas alegações genéricas e imprecisas, o que não se pode admitir. Com efeito, a impugnação, a teor do disposto no inciso III do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, deverá contemplar “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”. Assim, não poderá ser considerada, como recurso, argumentação genérica que esteja privada da necessária fundamentada discordância com os argumentos apresentados pelo fisco, isso, repitase, ainda que a matéria em tela não tivesse sido atingida pela preclusão processual. Todavia, inerente à reclamada prescrição, muito embora o assunto também não tenha sido ventilado na primeira instância, impende sejam examinados os argumentos nesse sentido apresentados pela recorrente, isso em vista do disposto no artigo 195 do Código Civil, segundo o qual “a prescrição pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição, pela parte a quem aproveita”. Assim, conheço do recurso para exame, unicamente, da reclamada necessidade de correção monetária dos créditos da autora e da aduzida prescrição do crédito tributário. Da reclamada prescrição Por coerência lógica, examino primeiramente a alegação de que os débitos tributários objeto dos autos estariam prescritos. Alega a interessada que, diante das datas dos vencimentos dos débitos, relativos a fatos geradores de 2004 e 2005, os mesmos já se encontravam prescritos quando da prolação do despacho decisório, em 06/07/2010. Ocorre que, relativamente aos débitos em tela, a recorrente formulou pedido de compensação por meio de PER/DCOMP, meio mediante o qual intentava extinguir aludidos créditos tributários. A declaração de compensação, como se sabe, “[...] constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados” (§ 6º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996). 1 Esclareçase, contudo, a título pedagógico, que a remissão limitada a R$ 10.000,00, objeto do artigo 14 da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, é restrita a “[...] débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há 5 (cinco) anos ou mais[...]”. Os débitos indicados pelo sujeito passivo na DCOMP não poderiam se subsumir à hipótese normativa em tela, seja porque são da competência do mês de abril de 2005, seja porque extrapolam o limite prescrito pela lei (ver fls. 58). Fl. 127DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 8 Por seu turno, o parágrafo único do artigo 174 do CTN, ao tratar das hipóteses de interrupção da prescrição, contempla, em seu inciso IV, a caracterização de “qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor”. Considerando a realidade fática, em que a interessada, em 21/07/2010, foi cientificada do despacho decisório que não homologou a compensação declarada na DCOMP formalizada em 31/01/2006, resta evidente que, quando da ciência da decisão em questão ainda não havia transcorrido o prazo de prescrição de cinco anos capitulado no caput do artigo 174 do CTN. É relevante destacar também que não há que se falar em homologação tácita do pedido de compensação formulado pela interessada. Estabelece o § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. O despacho decisório (nº de rastreamento 868485763), como já dito, foi proferido em 06/07/2010 (v. fls. 14). Dele o sujeito passivo tomou ciência em 21/07/2010 (fls. 38). Quanto à declaração de compensação, a mesma foi transmitida em 31/01/2006 (conf. fls. 19). Vêse, portanto, que a ciência do resultado do pleito de compensação ocorreu dentro do prazo quinquenal previsto no art. 74, § 5º, da Lei no 9.430/96. Enfim, não há que se falar nem em prescrição do direito de ação da Fazenda Pública, nem em homologação tácita da declaração de compensação formulada pela reclamante. Da correção monetária dos créditos da autora A Recorrente defende o direito à atualização do valor do crédito a ser ressarcido com base na taxa Selic, calculada a partir da data da transmissão da declaração de compensação. Sobre a questão, o STJ tratou da possibilidade legal de correção monetária de créditos escriturais do IPI, como sedimentado no Recurso Especial nº 1.035.847/RS (transitado em julgado em 03/03/2010), onde referida Corte, sob o regime previsto no artigo 543C do CPC, consolidou entendimento segundo o qual, apesar de reconhecer a inexistência de previsão legal para a correção monetária de créditos escriturais do imposto, entendeu que o impedimento, pela autoridade administrativa, à utilização do direito de créditos escriturais do IPI, descaracteriza referida natureza escritural, exsurgindo legítima a necessidade de atualizá los monetariamente pela taxa Selic, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Referido acórdão ficou assim ementado: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10783.901809/201024 Acórdão n.º 3802002.339 S3TE02 Fl. 125 9 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Em sintonia como julgado supra, a Primeira Seção do STJ aprovou a Súmula nº 411, cujo enunciado dispõe que “é devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco”. Concernente ao julgado proferido pelo STJ sob o regime do recurso repetitivo previsto no artigo 543C do CPC, tal entendimento há que ser obrigatoriamente observado por este Conselho por força do disposto no caput do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF2. Todavia, ressaltese que o precedente jurisprudencial de que trata o Recurso Especial nº 1.035.847/RS determina a incidência da correção monetária a partir do momento em que houve “a oposição constante de ato estatal”. Não se poderia, pois, reconhecer tal direito a partir da data da formalização da DCOMP, como quer a recorrente. Assim, não obstante existir, em tese, direito a correção monetária pela taxa Selic, nos termos acima ressaltados, no caso dos autos o precedente jurisprudencial do STJ não se aplica, uma vez que não há nenhuma parcela do crédito reconhecida depois da prolação do despacho decisório, momento em que houve a oposição estatal de parte de direito pleiteado. Por tal razão, perde sentido qualquer alusão à incidência de correção monetária. Da conclusão 2 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 10 Por todo o exposto, voto para conhecer parcialmente do recurso, negandolhe, contudo, provimento. Sala de sessões, em 28 de janeiro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 13706.003601/2002-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
ESTIMATIVAS. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Na apuração do imposto de renda e da CSLL pela sistemática do lucro real anual, o contribuinte é obrigado a promover o recolhimento de estimativas mensais apuradas conforme seu faturamento, que nada mais são do que antecipações do tributo que será devido no montante verificado a partir do ajuste anual. Neste sentido, encerrado o ano calendário, as obrigações relativas às estimativas se extinguem, passando o tributo a ser devido conforme o lucro real do respectivo ano calendário.
Neste sentido, não pode haver a constituição, na forma de lançamento, das estimativas eventualmente recolhidas a menor no curso de ano calendário já encerrado, posto que a obrigação, enquanto tal, passou a ser absorvida pelo tributo devido em referido exercício.
Numero da decisão: 1401-001.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 ESTIMATIVAS. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do imposto de renda e da CSLL pela sistemática do lucro real anual, o contribuinte é obrigado a promover o recolhimento de estimativas mensais apuradas conforme seu faturamento, que nada mais são do que antecipações do tributo que será devido no montante verificado a partir do ajuste anual. Neste sentido, encerrado o ano calendário, as obrigações relativas às estimativas se extinguem, passando o tributo a ser devido conforme o lucro real do respectivo ano calendário. Neste sentido, não pode haver a constituição, na forma de lançamento, das estimativas eventualmente recolhidas a menor no curso de ano calendário já encerrado, posto que a obrigação, enquanto tal, passou a ser absorvida pelo tributo devido em referido exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 36 01 /2 00 2- 49 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13706.003601/200249 Acórdão n.º 1401001.008 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente feito de auto de infração por meio do qual a Autoridade Fiscal pretendeu a formalização de estimativas que deixaram de ser recolhidas no curso do ano calendário, tendo o lucro do período sido apurado por meio do lucro real anual. Em julgamento perante a DRJ do Rio de Janeiro, o auto de infração foi cancelado, tendo a decisão sido assim ementada: AUDITORIA INTERNA DE PAGAMENTOS INFORMADOS EM DCTF. ESTIMATIVA. LANÇAMENTO APÓS O TERMINO DO ANO CALENDÁRIO. DESCABIMENTO. Descabe o lançamento de IRPJ efetuado após o término do ano calendário, por eventual falta pagamento de imposto incidente sobre base de cálculo estimada. Tendo o montante exonerado superado o limite de alçada, foi interposto recurso de ofício. E o relatório, no necessário. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O recurso de ofício atende aos requisitos de lei, pelo que dele conheço. A questão não impõe dificuldade. Na apuração do imposto de renda e da CSLL pela sistemática do lucro real anual, o contribuinte é obrigado a promover o recolhimento de estimativas mensais apuradas conforme seu faturamento, que nada mais são do que antecipações do tributo que será devido no montante verificado a partir do ajuste anual. Neste sentido, encerrado o ano calendário, as obrigações relativas às estimativas se extinguem, passando o tributo a ser devido conforme o lucro real do respectivo ano calendário. Neste sentido, não pode haver a constituição, na forma de lançamento, das estimativas eventualmente recolhidas a menor no curso de ano calendário já encerrado, posto que a obrigação, enquanto tal, passou a ser absorvida pelo tributo devido em referido exercício. Assim, não subsiste auto de infração que pretende constituir referida obrigação. Neste sentido é farta a jurisprudência: CSLL RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA O Fisco, após o encerramento do anocalendário, não pode exigir estimativas não recolhidas, uma vez que as quantias não pagas estão contidas no saldo apurado no ajuste. Acórdão nº 10706475 do Processo 109200000879621 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000 Ementa: CSLL RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA O Fisco, após o encerramento do ano calendário, não pode exigir estimativas não recolhidas. Acórdão nº 10709395 do Processo 16327001617200512 IRPJ ESTIMATIVAS O Fisco após o encerramento do ano calendário, não pode exigir estimativas não recolhidas uma vez Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13706.003601/200249 Acórdão n.º 1401001.008 S1C4T1 Fl. 4 5 que as quantias não pagas estão contidas no saldo apurado no ajuste. Acórdão nº 10705984 do Processo 108550020149414 RECURSO EX OFFICIO CSLL RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA O Fisco, após o encerramento do ano calendário, não pode exigir estimativas não recolhidas, uma vez que as quantias não pagas estão contidas no saldo apurado no ajuste. Acórdão nº 10707483 do Processo 11522000052200283 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10768.003812/2003-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
SALDO NEGATIVO. EXCLUSÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL.
RECEITA DE RECOMPOSIÇÃO TARIFÁRIA EXTRAORDINÁRIA. Se o sujeito passivo demonstra que o saldo negativo decorreu da exclusão de valores que corresponderiam a receita de recomposição tarifária, acerca da qual a Receita Federal já se manifestou em favor da tributação apenas no momento futuro de sua cobrança nas contas de consumo de energia, a motivação do ato de não-homologação deve, necessariamente, desconstituir esta orientação ou apontar outras irregularidades que obstem a exclusão promovida.
Numero da decisão: 1101-001.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Manoel Mota Fonseca.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 SALDO NEGATIVO. EXCLUSÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. RECEITA DE RECOMPOSIÇÃO TARIFÁRIA EXTRAORDINÁRIA. Se o sujeito passivo demonstra que o saldo negativo decorreu da exclusão de valores que corresponderiam a receita de recomposição tarifária, acerca da qual a Receita Federal já se manifestou em favor da tributação apenas no momento futuro de sua cobrança nas contas de consumo de energia, a motivação do ato de não-homologação deve, necessariamente, desconstituir esta orientação ou apontar outras irregularidades que obstem a exclusão promovida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Manoel Mota Fonseca.
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EXCLUSÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. RECEITA DE RECOMPOSIÇÃO TARIFÁRIA EXTRAORDINÁRIA. Se o sujeito passivo demonstra que o saldo negativo decorreu da exclusão de valores que corresponderiam a receita de recomposição tarifária, acerca da qual a Receita Federal já se manifestou em favor da tributação apenas no momento futuro de sua cobrança nas contas de consumo de energia, a motivação do ato de nãohomologação deve, necessariamente, desconstituir esta orientação ou apontar outras irregularidades que obstem a exclusão promovida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 38 12 /2 00 3- 40 Fl. 563DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.003812/200340 Acórdão n.º 1101001.014 S1C1T1 Fl. 3 2 Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Manoel Mota Fonseca. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.003812/200340 Acórdão n.º 1101001.014 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório ENERGISA NOVA FRIBURGO – DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação declarada com saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados no anocalendário 2001. Em 07/05/2003 a contribuinte apresentou Declaração de Compensação – DCOMP para utilização de parte dos saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados no ano calendário 2001, no valores originais de R$ 1.157.446,74 e R$ 501.938,59 (fls. 01/02). Constatando que a contribuinte, mediante retificação da correspondente DIPJ, registrou o valor de R$ 8.752.860,99 a título de outras exclusões, a autoridade administrativa local requereu diligência para confirmação da certeza e liquidez do crédito alegado (fl. 146). Intimada, a contribuinte esclareceu que a exclusão se dividia nas parcelas de R$ 7.867.000,06 e R$ 840.041,94. A primeira corresponderia ao registro da recomposição tarifária extraordinária apurado durante o período de 01/06/2001 a 31/12/2001, cuja tributação se verificaria no momento do efetivo consumo de energia sobre o qual incidiria a cobrança da sobretarifa, a teor do Parecer COSIT nº 26. Já a segunda parcela equivaleria à soma dos recolhimentos do REFIS, durante aquele anocalendário (fls. 152/186). A autoridade fiscal encarregada da diligência concluiu que a contribuinte excluiu indevidamente a parcela de R$ 8.752.860,99 (fls. 187/189). Reportouse ao Parecer COSIT nº 26 afirmando que a redução de receitas e o aumento de custos decorrentes do Programa Emergencial de Redução de Consumo de Energia Elétrica pertenceriam ao exercício findo em 31/12/2001, mormente tendo em conta que a recuperação destes valores está assegurada e as orientações do IBRACON e da ANEEL foram no sentido de que as distribuidoras e geradoras de energia deveriam registrar o ativo correspondente a estes recebimentos futuros no exercício findo de 31/12/2001. O despacho decisório de fls. 203/204 evidencia que, desconsiderandose a referida exclusão, a contribuinte teria IRPJ e CSLL a pagar no anocalendário 2001, motivo pelo qual o direito creditório não foi reconhecido e a compensação não homologada. A contribuinte foi cientificada da decisão em 06/05/2008 (fl. 205). Manifestando sua inconformidade, a contribuinte argumentou que seu procedimento está em conformidade com o Parecer COSIT nº 26/2002, o qual lhe foi cientificado em 28/02/2003, e vincula sua conduta. Assevera que contabilizou a recomposição tarifária de acordo com o período de apuração dos pagamentos efetuados pelo usuário de energia elétrica, e acrescenta que a exclusão de R$ 840.041,76 referese a débitos de COFINS que estavam incluídos no parcelamento REFIS, posteriormente indeferido pela Receita Federal. A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos, observando que a orientação do Parecer COSIT nº 26/2002 especificou o reconhecimento da receita no período em que ocorreu o efetivo consumo de energia, e não no momento em que o consumidor pagou por esta Fl. 565DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.003812/200340 Acórdão n.º 1101001.014 S1C1T1 Fl. 5 4 sobretarifa. Por sua vez, a Resolução ANEEL nº 91/2001 trouxe a previsão da sobretarifa a partir de 01/06/2001, subsistindo incerto se a receita foi auferida em 2001 ou em outro ano calendário. Tendo em conta que mesmo admitindo a exclusão de R$ 840.041,76 inexistiria saldo negativo de IRPJ ou CSLL a ser reconhecido à interessada, foi mantida a decisão de não homologação da DCOMP. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/02/2012 (fl. 474), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 08/03/2012 (fls. 476/489). Preliminarmente a recorrente argúi a nulidade do acórdão recorrido, vez que fundado em meras presunções e incertezas, ou seja, sem uma real conclusão acerca dos fatos que efetivamente ocasionaram o crédito tributário, em desrespeito ao art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Cita acórdão deste Conselho neste sentido, invoca o direito à ampla defesa e reportase ao art. 9o do Decreto nº 70.235/72 para concluir que a incerteza da Autoridade Fiscal quanto à legitimidade do crédito utilizado para compensação não é suficiente à constituição de um débito tributário em face da Recorrente, cumprindolhe assentar suas alegações em elementos sólidos, claros e eficazes. Aduz que a Resolução nº 91/2001 apenas estabelece o período de cálculo da perda RTE, e em momento algum determinou que a recuperação da RTE (Recomposição Tarifária Extraordinária) se daria a partir do próprio ano de 2001. Reportase ao fato de a referida Resolução ter sido editada em 21/12/2001 e a outros aspectos nela tratados, para deixar claro que a recuperação somente foi definitivamente regulada em 2002. Entende açodada a afirmação de falta de certeza do crédito, mormente frente à orientação da Receita Federal em razão de consulta formal apresentada pela recorrente. Entende que sem embasamento, desconhecendo, ou talvez, não entendendo o seu conteúdo, a JRF simplesmente assumiu – sem quaisquer bases de sustentação – que o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa de CSL no ano de 2001 eram incertos. Mas qual a incerteza? Os números foram avaliados? Houve razão fundada para desconhecer o teor da consulta formalizada e respondida pela SRF? A resposta é negativa. Logo, foi por mera suposição que a exigência tributária restou mantida, sem fundamento e sem provas. Mera presunção, que deve ser repudiada, sendo assim nula a decisão de pleno direito, requerendo a Defendente o seu cancelamento. No mérito, reafirma que a orientação da Receita Federal é no sentido de que a tributação da receita da RTE deveria compor as bases de cálculo do IRPJ e da CSL somente no período em que ocorresse o efetivo faturamento aos clientes, e passa a explicar a RTE e seus efeitos, esclarecendo sua inconformidade com o reconhecimento da receita em 2001 determinado pelo IBRACON e pela ANEEL, motivo da consulta formal à Receita Federal, que em resposta cientificada à recorrente em 2004, autorizou que a RTE fosse excluída de tributação em 2001 e levada a efeito tributário à medida da cobrança dos clientes, em consumos de energia elétrica nova. Observa que a exclusão foi controlada na Parte B do LALUR para posterior adição, e que seu registro em DIPJ se fez mediante retificação quando cientificada da resposta à consulta. Afirma, assim, líquido e certo do direito creditório utilizado em compensação, devendo ser provido seu recurso voluntário e cancelado o crédito tributário exigido. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.003812/200340 Acórdão n.º 1101001.014 S1C1T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A recorrente argúi a nulidade do acórdão recorrido, porque fundado em presunções e incertezas. Ocorre que, embora o procedimento fiscal de análise do direito creditório apresente contornos distintos do lançamento, transferindo para o sujeito passivo o ônus de demonstrar a liquidez e certeza do indébito, vêse que, em verdade, as alegadas presunções e incertezas decorrem da análise superficial das operações da contribuinte no período do qual se originou o direito creditório utilizado em compensação. Como relatado, a DCOMP em debate foi apresentada em 07/05/2003, depois de a interessada ter retificado a DIPJ correspondente ao anocalendário 2001 em 01/04/2003, ali computando exclusão antes não registrada, e revertendo para prejuízo o resultado fiscal do período. Em conseqüência, as antecipações promovidas ao longo do anocalendário foram convertidas nos saldos negativos utilizados em compensação. Apenas em 03/12/2007 a autoridade administrativa local constata que a retificação promovida em 01/04/2003 ensejou a formação do saldo negativo, e requer diligência para apuração da exclusão computada naquele momento. A contribuinte a intimada a esclarecer tal fato em 31/01/2008 e presta os esclarecimentos juntados às fls. 153/154 em 22/02/2008, juntando comprovantes das antecipações pertinentes ao anocalendário 2001, registros do LALUR, planilha demonstrativa da exclusão de R$ 7.867.000,06, extrato de lançamentos que resultaram na exclusão de R$ 840.041,94 e cópia do Parecer COSIT nº 26/2002 (fls. 155/186). A partir destes elementos, a autoridade fiscal encarregada da diligência conclui que o Parecer COSIT nº 26/2002 não autoriza a exclusão da parcela de R$ 8.752.860,99, embora neste montante esteja incluído o valor de R$ 840.041,94 vinculada a outra justificativa. A informação fiscal é prestada em 25/03/2008 (fls. 187/189), e as apurações do lucro real e da base de cálculo da CSLL são refeitas exclusivamente com base no que informado às fls. 187/189. Decorre daí a edição do ato de nãohomologação da compensação, cientificado à interessada em 06/05/2008. De plano observase que não houve objeção específica para a parcela de exclusão no valor de R$ 840.041,94. A matéria discutida no Parecer COSIT Nº 26/2002 amparou, apenas, a exclusão de R$ 7.867.000,06, mas mesmo sobre esta parcela a acusação fiscal não reúne motivação suficiente para desconsiderála. Quanto aos efeitos da Recomposição Tarifária Extraordinária, tratase de matéria já debatida neste Conselho, consoante se verifica nas ementas a seguir transcritas: COFINS. CONCESSIONÁRIAS DE ENERGIA ELÉTRICA. RECEITA DA TARIFAÇÃO EXTRAORDINÁRIA. A receita gerada pela aplicação da sobretarifa, de que trata o § 1° do artigo 4° da Lei n° 10.438/2002, deverá compor a apuração da base de cálculo da contribuição, referente aos períodos em que ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual Fl. 567DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.003812/200340 Acórdão n.º 1101001.014 S1C1T1 Fl. 7 6 incidiu a cobrança da sobretarifa, à medida e na proporção de sua efetivação, sendo o tributo apurado de acordo com a lei vigente em cada um desses períodos, por força do artigo 144 do CTN. Recurso de ofício ao qual se nega provimento. (Acórdão nº 20215.996, sessão de 01/12/2004) IRPJ — DISTRIBUIDORA DE ENERGIA — RECOMPOSIÇÃO TARIFÁRIA EXTRAORDINÁRIA (RTE) — MP 14/2001 —RECONHECIMENTO DA RECEITA — COMPETÊNCIA — A empresa distribuidora de energia elétrica deve reconhecer a receita correspondente à recomposição tarifária (sobretarifa) prevista na MP 14/2001 à medida em que houver o consumo de energia sobre o qual é calculado tal montante; isto é, conforme a prestação do serviço. (Acórdão nº 10808.785, sessão de 26/04/2006) DA RECEITA DE RECOMPOSIÇÃO TARIFÁRIA (RTE). RECURSO DE OFÍCIO. A diligência respondida pela DRF confirmou a falta de compensação dos créditos de IRPJ e CSLL declarados pela empresa em sua DIPJ quando da apuração do lançamento relativo ao período de janeiro a julho de 2001. A imputação fiscal foi reformada em decisão da DRJ, reconhecendo que a empresa registrou em sua contabilidade a receita para recomposição tarifária, permitindo, com isso, a exclusão do lucro líquido na apuração do lucro real. Recurso conhecido e não provido. (Acórdão nº 1201000.689, sessão de 08/05/2012) A Recomposição Tarifária Extraordinária (RTE) foi instituída com o intuito de recompor as perdas financeiras sofridas pelas concessionárias de energia elétrica e decorrentes do racionamento ocorrido no ano de 2001, conforme determina a Lei nº 10.438/2002, resultante da conversão da Medida Provisória nº 14/2001 Art. 4o A Aneel procederá à recomposição tarifária extraordinária prevista no art. 28 da Medida Provisória no 2.1985, de 24 de agosto de 2001, sem prejuízo do reajuste tarifário anual previsto nos contratos de concessão de serviços públicos de distribuição de energia elétrica. § 1o A recomposição tarifária extraordinária de que trata o caput será implementada por meio de aplicação às tarifas de fornecimento de energia elétrica, pelo prazo e valor máximos a serem divulgados por concessionária, em ato da Aneel a ser publicado até 30 de agosto de 2002, dos seguintes índices: I até 2,9% (dois vírgula nove por cento), para os consumidores integrantes das Classes Residencial, Rural e iluminação pública; II até 7,9% (sete vírgula nove por cento), para os demais consumidores; III (VETADO) § 2o Não se aplicam os índices previstos no § 1o à tarifa de energia elétrica devida pelos consumidores integrantes da Subclasse Residencial Baixa Renda. § 3o A recomposição tarifária extraordinária será aplicada tãosomente às áreas do Sistema Elétrico Interligado Nacional sujeitas, por disposição expressa de resolução da GCE, ao Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica – Percee, e aos seguintes períodos: Fl. 568DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.003812/200340 Acórdão n.º 1101001.014 S1C1T1 Fl. 8 7 I desde 1o de junho de 2001 até 28 de fevereiro de 2002, para os consumidores atendidos por meio dos Sistemas Interligados das Regiões Sudeste, CentroOeste e Nordeste; e II desde 1o de julho de 2001 até 31 de dezembro de 2001, para os consumidores dos Estados do Pará e do Tocantins e da parte do Estado do Maranhão atendida pelo Sistema Interligado Norte. § 4o A recomposição tarifária extraordinária vigorará pelo período necessário à compensação do montante referido no § 9o, apurado pela Aneel na forma de resolução da GCE, observados o prazo e valor máximos fixados na forma do § 1o deste artigo. § 5o A recomposição tarifária extraordinária estará sujeita a homologação pela Aneel e observará as seguintes regras: [...] § 10. A recomposição tarifária extraordinária não constitui garantia de receita bruta nem de remuneração mínima às concessionárias e permissionárias, devendo para tanto abaterse do montante a recompor eventuais reduções de custos que, a critério da Aneel, comprovadamente não se refiram a ganhos de produtividade alheios ao Percee ou a eventuais postergações de custos em função de restrições financeiras advindas da redução de receita, bem como deduzir ainda os efeitos estimados da expectativa de redução da atividade econômica sobre o consumo de energia elétrica. § 11. O processo especial da recomposição tarifária extraordinária prevista neste artigo será realizado uma única vez, não constituindo, em hipótese alguma, instrumento permanente de alteração de tarifa normal nem parcela componente das tarifas normais para fins de futuros reajustes ou revisões tarifárias. § 12. Não se aplicam os §§ 1o e 3o do art. 2o da Lei no 10.192, de 14 de fevereiro de 2001, ao disposto neste artigo. § 13. A eficácia da recomposição tarifária extraordinária fica condicionada ao fiel cumprimento pelos interessados, individualmente considerados, de todas as obrigações por eles assumidas nos termos desta Lei e à ausência de sua impugnação judicial ou extrajudicial pelos mesmos interessados. § 14. A prática pelos interessados dos atos previstos neste artigo, em especial daqueles referidos nos incisos IV a VII do § 5o, não acarretará ônus, encargos, responsabilidades, desembolsos, pagamentos ou custos, de qualquer natureza, para o poder concedente. § 15. Fica autorizado o registro dos recebíveis da recomposição tarifária extraordinária de que trata este artigo em sistema centralizado de liquidação e custódia autorizado pelo órgão federal competente. § 16. Os prazos e os valores máximos por concessionária a serem divulgados nos termos do § 1o não poderão ser ampliados e a sua não divulgação implicará a imediata suspensão da cobrança da recomposição tarifária, até que se cumpra o estabelecido no § 1o, devendo a média ponderada dos prazos referidos não exceder a 72 (setenta e dois) meses. § 17. Sem prejuízo do disposto neste artigo, o Poder Executivo poderá ajustar a forma de incidência e cobrança da recomposição tarifária extraordinária dos consumidores industriais que celebrarem os contratos de que trata o § 8o do art. 1o, visando a manutenção dos princípios e práticas concorrenciais. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.003812/200340 Acórdão n.º 1101001.014 S1C1T1 Fl. 9 8 As concessionárias de energia elétrica ficaram, assim, autorizadas a cobrar dos consumidores uma tarifa extra (RTE), no prazo que cada uma delas acordou com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A cobrança seria feita em conformidade com ato da ANEEL que deveria ser editado até 30/08/2002, na forma do §1o do art. 4o da Medida Provisória nº 14/2001, acima transcrito. E isto porque, por meio da Medida Provisória nº 2.1985/2001, os consumidores foram compelidos a reduzir seu consumo de energia elétrica a partir de junho/2001, sob pena de suspensão do fornecimento: Art.14.Os consumidores residenciais deverão observar meta de consumo de energia elétrica correspondente a: I cem por cento da média do consumo mensal verificado nos meses de maio, junho e julho de 2000, para aqueles cuja média de consumo mensal seja inferior ou igual a 100 kWh; e II oitenta por cento da média do consumo mensal verificado nos meses de maio, junho e julho de 2000, para aqueles cuja média de consumo mensal seja superior a 100 kWh, garantida, em qualquer caso, a meta mensal mínima de 100 kWh. §1oNa impossibilidade de caracterizarse a efetiva média do consumo mensal referida neste artigo, fica a concessionária autorizada a utilizar qualquer período dentro dos últimos doze meses, observando, sempre que possível, uma média de até três meses. §2oOs consumidores que descumprirem a respectiva meta mensal fixada na forma do caput ficarão sujeitos a suspensão do fornecimento de energia elétrica. §3o O disposto no § 2o não se aplica aos consumidores que, no mesmo período, apresentarem consumo mensal inferior ou igual a 100 kWh. §4oA suspensão de fornecimento de energia elétrica a que se refere o § 2o observará as seguintes regras: I a meta fixada na forma de Resolução da GCE será observada a partir da leitura do consumo realizada em junho de 2001; II será o consumidor advertido, por escrito, quando da primeira inobservância da meta fixada na forma do caput; III reiterada a inobservância da meta, farseá, após quarenta e oito horas da entrega da conta que caracterizar o descumprimento da meta e contiver o aviso respectivo, a suspensão do fornecimento de energia elétrica, que terá a duração: a)máxima de três dias, quando da primeira suspensão do fornecimento; e b)mínima de quatro dias a máxima de seis dias, nas suspensões subseqüentes. §5o A GCE poderá estabelecer prazo e procedimentos diversos dos previstos nos §§ 1o, 2o e 4o deste artigo. Esta a razão de o §3o do art. 4o da Medida Provisória nº 14/2001 estipular o cálculo da recomposição tarifária a partir de 1o de junho de 2001, mas com recuperação dos valores mediante sua aplicação nas tarifas de fornecimento de energia elétrica a partir do momento em que a ANEEL definisse os critérios em 2002 (§1o, art. 4o). Diante deste contexto, a ANEEL e o Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (IBRACON) estabeleceram que as receitas provenientes da cobrança da RTE deveriam ser lançadas como um direito a receber, tendo como contrapartida uma conta de resultado, cuja apuração corresponderia ao ano de 2001. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.003812/200340 Acórdão n.º 1101001.014 S1C1T1 Fl. 10 9 A ANEEL editou a Resolução nº 72, de 7 de fevereiro de 2002, com a seguinte orientação: Art.2º. O valor oriundo da recomposição tarifária extraordinária a que se referem as Resoluções GCE nº 91, de 21 de dezembro de 2001, e ANEEL nº 31, de 24 de janeiro de 2002, deverá ser registrado no resultado do exercício de 2001, na conta 611.01.3.1.01 Receita de Operações com Energia Elétrica Fornecimento, em contrapartida do Ativo Circulante, na conta 112.01.1 Consumidores Fornecimento e do Realizável a Longo Prazo, na conta 121.01.1 Consumidores Fornecimento. § 1º A alocação no Ativo Circulante e no Realizável a Longo Prazo de que trata o "caput" deste artigo deverá considerar o período de realização estimado pela concessionária, levandose em consideração que o respectivo valor será realizado em decorrência da recomposição tarifária extraordinária, proveniente da aplicação nas tarifas de fornecimento de energia elétrica dos índices dispostos nos incisos I e II do § 1º do art. 1º da Resolução GCE nº 91, de 2001. Como exposto no Parecer COSIT nº 26/2002, o IBRACON concluiu que o montante da recomposição tarifária extraordinária autorizada pelo Governo, dos custos não gerenciáveis pelas distribuidoras da denominada Parcela A da composição das tarifas e dos custos adicionais com a compra de energia livre, caracterizase como um ativo e, assim, deve ser registrado pelas distribuidoras e geradoras de energia elétrica no resultado do exercício findo em 31 de dezembro de 2001, em observância aos princípios da oportunidade, competência e prudência. No âmbito tributário, referido Parecer expressa o entendimento de que uma lei que institui uma sobretarifa a ser cobrada sobre um consumo futuro de energia, ainda que esse possa ser estimado com precisão, não se configura fato gerador do imposto de renda. Ora, essa própria lei, enquanto não ocorrer os fatos concretos que se subsumam na sua própria hipótese de incidência, restará com sua eficácia latente, ou seja, sequer os seus próprios efeitos surtiram, quanto mais os efeitos tributários daí advindos. O que se está a dizer é que, enquanto não ocorrer o consumo de energia sobre o qual incidirá a sobretarifa, nenhum efeito concreto terá surtido o art. 4o, §1o, da Medida Provisória nº 14, de 2001. Os fundamentos do Parecer são estruturados no sentido de considerar desarrazoado entender que a publicação da Medida Provisória nº 14, em 21 de dezembro de 2001, possa consubstanciar um fato gerador do imposto de renda, por se tratar de mera expectativa de ganho futuro, e desta forma a conclusão da COSIT é assim exteriorizada na ementa do referido Parecer: A receita gerada pela aplicação da sobretarifa, de que trata o §1o do art. 4o da Medida Provisória nº 14, 2001, deverá compor a apuração das bases de cálculo do imposto sobre a renda, da CSL, da Cofins e da contribuição para o PIS, referentes aos períodos em que ocorrem o efetivo consumo de energia sobre o qual incidirá a cobrança da sobretarifa, à medida e na proporção de sua efetivação, sendo os tributos apurados de acordo com a lei vigente em cada um desses períodos. E, embora o Parecer tenha sido emitido em face de questionamentos da Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal na 6a Região Fiscal, e não em razão de questionamentos específicos da interessada, o fato é que a contribuinte esclareceu à Fiscalização ter se conduzido em conformidade com aquele entendimento, asseverando que efetuou levantamento do montante da recomposição tarifária extraordinária, Fl. 571DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.003812/200340 Acórdão n.º 1101001.014 S1C1T1 Fl. 11 10 aplicável a todas as concessionárias de distribuição de energia elétrica, visando o equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos de concessão [...] durante o período compreendido entre 01 de junho e 31 de dezembro de 2001, promovendo a posterior exclusão em razão do entendimento da Receita Federal de que os valores somente seriam tributáveis nos períodos em que ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual incida a cobrança da sobretarifa, à medida e na proporção de sua efetivação. Demonstrou, ainda, o registro contábil de receita sobre const. ativo regulatório e outros lançamentos correlatos (fls. 173/178). Contudo, afirmando pautarse no Parecer COSIT nº 26/2002, a Fiscalização concluiu que a exclusão seria indevida (fls. 187/189). Mas isto porque limitouse a reproduzir o entendimento do IBRACON e da ANEEL, claramente afastados, no âmbito tributário, pelo referido Parecer. Nada foi dito para desconstituir o entendimento que conduz a conclusão do Parecer COSIT nº 26/2002 no sentido de que as receitas decorrentes da recomposição tarifária em tela somente seriam tributadas quando cobradas nas correspondentes contas de consumo de energia. Na medida em que nada foi acrescentado para produção do despacho decisório que nãohomologou a compensação, impõese concluir que o procedimento fiscal não logrou evidenciar dúvida sobre a existência do direito creditório apontado pelo sujeito passivo. Como dito, necessário seria que os agentes fiscais argumentassem contrariamente ao disposto no Parecer COSIT nº 26/2002, ou mesmo que, analisando a escrituração da contribuinte, verificassem que a exclusão não poderia ser feita porque a receita correspondente não foram computada no resultado do exercício, ou então registrada em valor inferior ao excluído. Desta forma, o despacho decisório de não homologação não está amparado por procedimento fiscal suficiente, de modo a impor à recorrente o dever de desconstituir sua acusação. Concluise, daí, que subsiste incólume o direito creditório informado pela contribuinte em DCOMP, devendo ser ele reconhecido para imputação aos débitos compensados. E isto porque na data do presente julgamento já transcorreu o prazo previsto para formulação do ato de nãohomologação das compensações, consoante dispõe a Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 572DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.003812/200340 Acórdão n.º 1101001.014 S1C1T1 Fl. 12 11 [...] § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] (negrejouse) Nestes termos, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário. Esta extinção somente deixa de existir se a autoridade competente edita o ato de não homologação da compensação em até 5 (cinco) anos da entrega da DCOMP. Transcorrido este prazo sem a manifestação da autoridade competente, o crédito tributário está definitivamente extinto pela compensação. Contudo, para desfazer o efeito extintivo da DCOMP, o ato de não homologação deve ser válido, ou ao menos passível de convalidação. E requisito essencial de validade dos despachos ou decisões administrativas – modalidade na qual se inclui o ato de nãohomologação – é a sua elaboração sem cerceamento ao direito de defesa do interessado, ou seja, com exposição de motivos suficientes para sustentar o ato, como bem exposto por Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez Lopez in Processo Administrativo Fiscal Comentado (p. 414, Editora Dialética, São Paulo, 2002), no excerto doutrinário transcrito no acórdão embargado: A motivação do ato deve observar os princípios da congruência e da presunção racional do julgador. Ou seja, a decisão deve harmonizarse com a fundamentação, de sorte a estabelecerse, entre elas, um liame de lógica formal do tipo premissa/conseqüência e, ainda, não deve refletir apenas a convicção do julgador, mas ser premissa necessária à conclusão a que se chega, apta ao convencimento de terceiros. Assim, além de a autoridade administrativa apresentar as razões de fato e de direito que a levaram para determinada conclusão, também deve demonstrar o nexo causal existente entre elas. Destarte, a omissão das razões de convencimento, o descompasso lógico entre as conclusões e as premissas (carência de motivação intrínseca) e a omissão de fato decisivo para o juízo (carência de motivação extrínseca), caracterizam falta ou vício de motivação, ambos passíveis de invalidação. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.003812/200340 Acórdão n.º 1101001.014 S1C1T1 Fl. 13 12 E, caso não se admita a classificação do ato de nãohomologação como despacho ou decisão na forma do art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72, importa ter em conta que sua subsistência como ato administrativo de qualquer espécie dependeria, necessariamente, de motivação nos termos da Lei nº 9.784/99: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; [...] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. [...] Nestes termos, a motivação deve ser explícita, clara e congruente para sustentar a afirmação de inexistência do direito creditório apontado pelo sujeito passivo na DCOMP. Isto porque, se assim não fosse, bastaria à autoridade administrativa iniciar os trabalhos de análise da compensação, e apontar algum vício aparente, para se desincumbir do ônus que o legislador lhe impôs de declarar a inadmissibilidade da compensação no prazo legal. Por certo há despachos decisórios que, mesmo não abordando por completo o mérito da compensação, prestamse como causa interruptiva do prazo legal de não homologação. É o caso, por exemplo, das análises que se restringem a aspectos preliminares da compensação, como legitimidade, prescrição ou possibilidade do pedido. O mesmo se diga em relação aos atos de nãohomologação decorrentes da impossibilidade de análise do direito creditório por falta de colaboração do sujeito passivo que tem o dever de guarda da documentação de suporte do crédito tributário. E também os atos de nãohomologação que se fundam em expressos indícios consistentes e convergentes acerca da inexistência do direito creditório. Contudo, em tais circunstâncias há ato válido, devidamente motivado, que permite a defesa pelo interessado, e assim impede a homologação tácita da compensação pelo transcurso do prazo legal. Em tais condições, novas análises pela autoridade administrativa são possíveis durante o contencioso administrativo, de modo a solucionar dúvidas decorrentes da defesa que o sujeito passivo pode validamente produzir. Mas, se aqueles óbices preliminares não são opostos, e a análise da compensação centrase na própria existência do direito creditório, a nãohomologação somente existe, como ato administrativo, quando expressa motivos que a sustentem. A existência formal do ato, praticado por autoridade competente e cientificado ao sujeito passivo, de nada vale quando o seu conteúdo não reúne razões compreensíveis para a nãohomologação da compensação. Haveria burla ao prazo legal de nãohomologação das compensações caso se admitisse irrestritamente que novas análises fossem exteriorizadas pela autoridade administrativa durante o contencioso administrativo, ou a partir da declaração de nulidade do despacho decisório. No presente caso, a análise material do direito creditório foi insuficiente para suscitar dúvidas acerca do direito creditório afirmado pela contribuinte. Tratase de um vício à primeira vista formal – na formatação do ato –, mas que repercute no próprio conteúdo do ato administrativo cientificado ao sujeito passivo, e assim revela seus reais contornos de vício Fl. 574DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.003812/200340 Acórdão n.º 1101001.014 S1C1T1 Fl. 14 13 material, que somente poderia ser convalidado se o Fisco ainda dispusesse de tempo para não homologação das compensações. Por sua vez, a DCOMP foi transmitida em 07/05/2003 e o prazo para sua nãohomologação expirou precisamente no momento da ciência do ato de nãohomologação (06/05/2008). Logo, neste momento nada mais pode ser feito para suprir despacho decisório que motivou o presente litígio. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecimento integral do direito creditório alegado pela interessada e consequente imputação aos débitos compensados. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 575DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.003812/200340 Acórdão n.º 1101001.014 S1C1T1 Fl. 15 14 Fl. 576DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 12571.000246/2009-32
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
CRITÉRIO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS.
Na hipótese de ocorrência concomitante de receitas sujeitas às sistemáticas cumulativa e não cumulativa de apuração da contribuição, não obstante a faculdade dada pela lei de opção entre qualquer dos métodos de apropriação de créditos (apropriação direta ou rateio proporcional), devem ser segregados os custos, as despesas e os encargos de acordo com a destinação das vendas realizadas pelo contribuinte, se no mercado interno ou no mercado externo.
GASTOS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES, PEÇAS, SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO, PNEUS, CÂMARAS E PEDÁGIOS. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS E NAS VENDAS DA PRODUÇÃO. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A lei assegura o direito ao creditamento relativamente a bens e serviços adquiridos para utilização como insumos na prestação de serviços e no processo produtivo da pessoa jurídica, englobando os dispêndios com combustíveis e lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras e pedágios, realizados para a consecução dos serviços de transporte de carga, assim como para o transporte de insumos adquiridos e de produtos vendidos, desde que os referidos insumos não tenham sido imobilizados e não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicados e desde que atendidos os demais requisitos da lei.
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. CREDITAMENTO. NECESSIDADE DE ENQUADRAMENTO NOS REQUISITOS LEGAIS.
O direito de se creditar assegurado em lei às pessoas jurídicas adquirentes, diretamente de pessoas físicas, de produtos in natura de origem vegetal, e que exercem as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, somente pode ser usufruído nas hipóteses de venda das mercadorias ou produtos a pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal ou vegetal, domiciliadas no País, não alcançando os insumos aplicados na produção exportada.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DA COFINS NÃO CUMULATIVA. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE.
O ressarcimento de créditos decorrentes da não-cumulatividade da Cofins não se confunde com a restituição de indébito, inexistindo autorização legal à atualização monetária ou a incidência de juros sobre o montante apurado.
Numero da decisão: 3803-005.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para cancelar a parte do auto de infração correspondente ao creditamento relativo aos gastos com combustíveis e lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras e pedágios, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Nos lançamentos por homologação, não tendo havido pagamento antecipado ou homologação da compensação declarada, aplicase a regra geral da decadência, cujo prazo de cinco anos é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser realizado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. CRITÉRIO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. Na hipótese de ocorrência concomitante de receitas sujeitas às sistemáticas cumulativa e não cumulativa de apuração da contribuição, não obstante a faculdade dada pela lei de opção entre qualquer dos métodos de apropriação de créditos (apropriação direta ou rateio proporcional), devem ser segregados os custos, as despesas e os encargos de acordo com a destinação das vendas realizadas pelo contribuinte, se no mercado interno ou no mercado externo. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES, PEÇAS, SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO, PNEUS, CÂMARAS E PEDÁGIOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 02 46 /2 00 9- 32 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 12571.000246/200932 Acórdão n.º 3803005.102 S3TE03 Fl. 152 2 FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS E NAS VENDAS DA PRODUÇÃO. DIREITO AO CREDITAMENTO. A lei assegura o direito ao creditamento relativamente a bens e serviços adquiridos para utilização como insumos na prestação de serviços e no processo produtivo da pessoa jurídica, englobando os dispêndios com combustíveis e lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras e pedágios, realizados para a consecução dos serviços de transporte de carga, assim como para o transporte de insumos adquiridos e de produtos vendidos, desde que os referidos insumos não tenham sido imobilizados e não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicados e desde que atendidos os demais requisitos da lei. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. CREDITAMENTO. NECESSIDADE DE ENQUADRAMENTO NOS REQUISITOS LEGAIS. O direito de se creditar assegurado em lei às pessoas jurídicas adquirentes, diretamente de pessoas físicas, de produtos in natura de origem vegetal, e que exercem as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, somente pode ser usufruído nas hipóteses de venda das mercadorias ou produtos a pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal ou vegetal, domiciliadas no País, não alcançando os insumos aplicados na produção exportada. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DA COFINS NÃO CUMULATIVA. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. O ressarcimento de créditos decorrentes da nãocumulatividade da Cofins não se confunde com a restituição de indébito, inexistindo autorização legal à atualização monetária ou a incidência de juros sobre o montante apurado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para cancelar a parte do auto de infração correspondente ao creditamento relativo aos gastos com combustíveis e lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras e pedágios, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 12571.000246/200932 Acórdão n.º 3803005.102 S3TE03 Fl. 153 3 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou procedente apenas em parte a Impugnação manejada pelo contribuinte para se defender contra o auto de infração lavrado para se exigirem parcelas da Cofins devidas no período, cujo crédito tributário, incluídos multa e juros, totalizara R$ 147.142,82. O contribuinte havia solicitado ressarcimento de créditos da contribuição, relativamente a operações vinculadas ao mercado externo, pedido esse que foi indeferido pela repartição de origem, pelo fato de que se detectara falta de recolhimento da contribuição no período, o que ensejou a lavratura do auto de infração (fls. 24 a 29). Em sua Impugnação, o contribuinte requereu o cancelamento do auto de infração, bem como o reconhecimento do direito creditório pleiteado, com a respectiva homologação da compensação declarada e a restituição em espécie do saldo remanescente, devidamente atualizados pela taxa Selic, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) “prescrição” do direito do Fisco de constituir o crédito tributário, por força do contido no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (CTN), em que se prevê a hipótese de homologação tácita do tributo após o transcurso do prazo de 5 anos contados da data de ocorrência do fato gerador; b) optara pela forma de determinação do crédito da contribuição não cumulativa pelo rateio proporcional, tudo em conformidade com a autorização dada pela lei; c) seriam indevidas as glosas efetuadas relativamente aos bens devidamente tributados adquiridos de pessoas jurídicas e destinados a revenda, assim como as glosas de serviços utilizados como insumos (combustíveis, lubrificantes, peças, oficina, pneus, recapagem, selos e pedágios), conforme o teor de soluções de consulta e de divergência da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB); d) quanto às glosas de energia elétrica, a Intimação Fiscal exigira apenas a apresentação da fatura do mês de junho de 2004, que fora devidamente apresentada, não tendo sido trazidas aos autos as faturas dos meses de abril e maio por falta de solicitação, sendo que as faturas em nome de pessoas físicas decorreriam do aluguel de imóveis pago pela Agrícola Cantelli; e) glosa parcialmente indevida de devoluções de mercadorias tributadas nas operações de venda; Fl. 153DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 12571.000246/200932 Acórdão n.º 3803005.102 S3TE03 Fl. 154 4 f) atende os requisitos previstos na lei para a fruição do crédito presumido, tanto no que se refere à previsão do § 5° do art. 3° da Lei nº 10.637, de 2002, por produzir/industrializar mercadorias de origem vegetal (milho, soja e trigo) adquiridas de pessoas físicas, quanto à previsão dos §§ 10 e 11 do mesmo artigo. O então Manifestante reconheceu a procedência das glosas relativas a despesas com fretes nas operações de venda, pelo fato de que, efetivamente, decorreriam de despesas com malote, assim como as glosas relativas a encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado utilizados por setores administrativos da pessoa jurídica. A DRJ Curitiba/PR julgou procedente em parte a Impugnação, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. REGRA. Nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, existindo pagamento suscetível de ser homologado, o prazo decadencial deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador, contudo, em não havendo pagamento, a contagem deve ocorrer segundo a regra do art. 173, I, do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. Inexistindo apropriação direta, a determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplicase apenas aos custos, despesas e encargos, que sejam comuns a ambas as receitas. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. O sujeito passivo poderá descontar da contribuição apurada no regime não cumulativo, créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. ENERGIA ELÉTRICA. DESPESAS. PROCESSO DE RESSARCIMENTO. EFEITOS NO LANÇAMENTO. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 12571.000246/200932 Acórdão n.º 3803005.102 S3TE03 Fl. 155 5 O lançamento deve ser alterado quando restar comprovado que uma parcela das glosas de despesas com energia elétrica foi cancelada no julgamento proferido em face de manifestação de inconformidade apresentada no âmbito de um processo administrativo de ressarcimento. CRÉDITOS. INSUMOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. AQUISIÇÃO E DEVOLUÇÃO DE VENDAS. GLOSA INDEVIDA. EFEITOS NO LANÇAMENTO. Alterase o lançamento quando comprovado, no processo de ressarcimento, terem sido indevidas as glosas relativas a produtos que, supostamente, teriam incidência monofásica no fabricante, mas cujos NCM indicavam que eram passíveis da incidência do PIS e da Cofins na aquisição. CEREALISTA. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. No período de vigência do § 11 do art. 3º da Lei n.º 10.833, de 2003, as empresas cerealistas somente podiam apurar crédito presumido da Cofins e do PIS em relação aos produtos in natura de origem vegetal indicados nesse dispositivo, adquiridos diretamente de pessoas físicas, quando eles fossem revendidos a agroindústrias que os utilizassem como insumos na produção dos produtos especificados na lei, e, como decorrência, os produtos adquiridos de pessoas físicas exportados por cerealista não dão direito a crédito presumido das citadas contribuições. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. EFEITOS NO LANÇAMENTO. Sendo incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos A Cofins, por falta de previsão legal, alteração alguma deve ser efetuada no lançamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão em 23 de agosto de 2012, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 19 de setembro do mesmo ano e reiterou seus pedidos, sendo acrescentados ou destacados os seguintes fundamentos de defesa: a) realizara compensação da contribuição no ano de 2006 e, sendo a compensação uma das causas extintivas do crédito tributário (art. 156, inciso II, do CTN), a regra da decadência a ser aplicada, conforme jurisprudência consolidada, seria a prevista no art. 150, § 4°, do CTN e não a do art. 173, inciso I, do mesmo código; b) na apuração dos créditos, diferentemente do entendimento da autoridade fiscal ratificado pelos julgadores no acórdão recorrido, a lei não dera opção à pessoa jurídica para que ela mesclasse as duas formas (apropriação direta ou rateio proporcional), mas apenas definira a possibilidade de opção de apenas uma delas; Fl. 155DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 12571.000246/200932 Acórdão n.º 3803005.102 S3TE03 Fl. 156 6 c) “na época em que efetuou os créditos sobre os gastos com combustíveis e lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus e câmaras, além da análise da Lei, o contribuinte tinha o amparo de soluções de consultas efetuadas junto à própria Receita Federal do Brasil que afirmavam ser possível o creditamento da contribuição (...), considerando tais gastos como Insumos”, encontrandose no mesmo sentido o direito de creditamento em relação aos pedágios; d) “se há crédito sobre os fretes contratados para entrega de mercadorias e se há crédito sobre os insumos utilizados na prestação de serviços de frete a terceiros há também o crédito sobre os insumos do transporte aplicados em veículos próprios tanto no transporte de matérias primas para a produção como na entrega da produção aos seus clientes”; e) deveriam ser desconsideradas as glosas de energia elétrica relativas à alegação de que não teriam sido apresentadas as faturas dos meses de abril e maio, assim como as glosas decorrentes de faturas em nome de pessoa física; f) o crédito presumido fora criado para se ressarcirem os tributos incidentes sobre insumos utilizados na produção agrícola, tendo sido a intenção do legislador a concessão de crédito presumido sobre o caso em análise, encontrandose permitida a sua compensação ou ressarcimento; g) “os créditos que tem direito a Recorrente apenas pelo seu valor nominal tipifica um enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública, pois, a correção monetária nada acrescenta ao valor a ser utilizado, apenas mantém a equivalência monetária”. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, tratase de auto de infração decorrente da apuração de débitos da contribuição não cumulativa devida no período, após a glosa de créditos que haviam sido objeto de pedido de ressarcimento. Em consulta aos sistemas Comprot e eprocesso, em 7/11/2013, constatouse que o processo administrativo nº 13982.000754/200518, em que se discutem o pedido de ressarcimento e a declaração de compensação, encontrase no CARF desde 21 de setembro de 2012, aguardando sua inclusão em lote para sorteio. Neste processo, após a decisão da DRJ Curitiba/PR, que acolheu em parte a impugnação do ora Recorrente, remanescem controvertidas as seguintes matérias: a) decadência/homologação tácita (art. 150, § 4°, do CTN); b) critério de apuração dos créditos (apropriação direta ou rateio proporcional); Fl. 156DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 12571.000246/200932 Acórdão n.º 3803005.102 S3TE03 Fl. 157 7 c) créditos sobre os gastos com combustíveis e lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras e pedágios; d) crédito sobre transporte em veículos próprios (insumos e vendas); e) glosas de energia elétrica; f) crédito presumido – produtos adquiridos de pessoas físicas; g) correção monetária do crédito – Taxa Selic. De início, devese registrar que a presente análise, no que tange aos elementos fáticos controvertidos, terá como base os resultados apurados pela repartição de origem no Despacho Decisório nº 137/2009 (fls. 3 a 11), nas planilhas que o acompanham (fls. 12 a 23), assim como no acórdão da DRJ Curitiba/PR (fls. 76 a 105). Outro dado relevante para a presente análise é o objeto social da pessoa jurídica, que se encontra identificado no contrato social nos seguintes termos: Comércio de Produtos Veterinários medicamentos, rações, vacinas, soros, sais e suplementos minerais; insumos agrícolas fertilizantes, sementes, agrotóxicos, expurgos; máquinas e implementos agrícolas; representações comerciais; prestadora de serviços fitossanitários; Compra e Venda de Cereais; prestação de serviços de Secagem e Classificação de cereais; Transporte Rodoviário de Cargas em geral; Importadora e Exportadora de grãos; Produção e Classificação de sementes selecionadas. A par do objeto social, confrontado com os dados levantados pela Fiscalização, temse que interessa ao presente caso as atividades do Recorrente consistentes em “compra e venda de cereais”, “prestação de serviços de secagem” e “transporte rodoviário de cargas em geral”. Feitas essas considerações, passase à análise por itens do recurso. I. Decadência/Homologação tácita. A contribuição para o PIS e a Cofins são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em relação aos quais há regra específica quanto ao prazo extintivo do direito da Administração tributária realizar o lançamento (§ 4° do art. 150 do CTN), in verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) Fl. 157DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 12571.000246/200932 Acórdão n.º 3803005.102 S3TE03 Fl. 158 8 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Para fins de aplicação dessa regra decadencial, há a necessidade de ter havido pagamento antecipado do tributo declarado pelo sujeito passivo, sem o qual, nada haverá a ser homologado, pois, conforme consta do dispositivo supra reproduzido, a autoridade administrativa homologa, expressa ou tacitamente, o pagamento efetuado pelo contribuinte, e não apenas os dados informados em declaração dotada de poder constitutivo do crédito tributário. A compensação, por se tratar de hipótese de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN), cumpre a mesma função do pagamento antecipado, no sentido de extinguir o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento, mas desde que devidamente comprovada a disponibilidade do direito creditório. No presente caso, constatase dos autos que a compensação declarada pelo sujeito passivo não foi homologada, não se podendo considerála, nesse contexto, como extinção do crédito tributário sob condição resolutória. Assim como acontece com o pagamento declarado em DCTF mas não recolhido aos cofres públicos, não se pode considerar situações da espécie como quitação antecipada, por inexistência do ato caracterizador do cumprimento da condição. Afastada a regra específica, aplicase a regra geral da decadência prevista no art. 173, inciso I, do CTN, verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como o contribuinte foi cientificado dos lançamentos em 10 de novembro de 2009 (fl. 31) e os fatos geradores ocorreram no segundo trimestre de 2004, concluise que, naquela data, ainda não havia transcorrido o prazo decadencial de cinco anos previsto no art. 173, I, do CTN. II. Critério de apuração dos créditos. Conforme apontara a repartição de origem no Despacho Decisório nº 137, de 2009, os créditos passíveis de ressarcimento são aqueles relativos aos custos, despesas e encargos que estejam vinculados à receita de exportação e que não possam ser compensados com débitos da própria contribuição decorrente das operações do mercado interno. O Recorrente contesta o procedimento adotado pela Fiscalização, reportando se ao critério legal de determinação do crédito em relação aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à incidência não cumulativa. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 12571.000246/200932 Acórdão n.º 3803005.102 S3TE03 Fl. 159 9 De acordo com a Administração tributária, a vinculação dos créditos aos tipos de receitas auferidas deve ser realizada diretamente quando for possível identificar a sua vinculação exclusiva a cada tipo de receita, sendo que, em relação aos custos comuns das atividades cumulativas e não cumulativas, facultase à pessoa jurídica a utilização de qualquer dos critérios previstos no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, ou seja, a apropriação direta (no caso de a pessoa jurídica possuir sistema de custos integrado e coordenado com a escrituração) ou o rateio proporcional. A defesa do Recorrente é no sentido de que, na apuração dos referidos créditos, diferentemente do entendimento da autoridade fiscal ratificado pelos julgadores de piso, a lei não dera opção à pessoa jurídica para que ela mesclasse as duas formas (apropriação direta ou rateio proporcional), mas apenas definira a possibilidade de opção de apenas uma delas. Segundo o Recorrente, tendo havido a opção pelo método do rateio proporcional, ela deveria ser observada durante todo o anocalendário para todos os custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à incidência não cumulativa da contribuição. Eis os dispositivos da Lei nº 10.833, de 2003, que cuidam da matéria: Art. 3º (...) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. De acordo com o § 7º do art. 3º supra reproduzido, a regra geral é a apuração dos créditos somente em relação aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à não cumulatividade, ou seja, sendo possível segregar os dispêndios de acordo com a tributação da receita – sistemática cumulativa ou não cumulativa –, o direito ao crédito se dá Fl. 159DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 12571.000246/200932 Acórdão n.º 3803005.102 S3TE03 Fl. 160 10 somente em relação aos dispêndios vinculados à parte da receita sujeita à incidência não cumulativa da contribuição. O § 8º, por seu turno, disciplina a forma de determinação do crédito, pelo método de apropriação direta ou pelo rateio proporcional. O método de apropriação direta permite o atendimento pleno da regra geral prevista no § 7º do mesmo artigo e o método do rateio proporcional possibilita a apropriação a partir da relação percentual entre a receita bruta sujeita à não cumulatividade e a receita bruta total, mas, nesse caso, somente em relação “aos custos, despesas e encargos comuns” (grifei). Segundo a Fiscalização, em algumas rubricas declaradas no Dacon, foi possível identificar que os créditos glosados se encontravam vinculados à Receita do Mercado Interno, e não à Receita do Mercado Externo, o que, em razão do fato de se tratar, na origem, de pedido de ressarcimento da contribuição relativamente às operações do mercado externo, os referidos créditos não poderiam ser vinculados à Receita de Exportação. A Fiscalização, em sua constatação, aponta os chamados "Bens para Revenda", que se referem a produtos e mercadorias que foram revendidos no mercado doméstico, e as "Devoluções de Venda Sujeita à Incidência Nãocumulativa", estas também relativas a produtos e mercadorias que foram revendidas no mercado nacional, sem qualquer vínculo com o mercado externo. O Recorrente, em nenhum momento da relação processual, foi capaz de infirmar, com documentação hábil e idônea, essa constatação da repartição de origem. Nesse sentido, não obstante o acerto da argumentação do Recorrente em relação à faculdade dada pela lei de opção entre qualquer dos métodos de apropriação de créditos, opção essa que deve ser adotada durante todo o anocalendário, estáse diante de créditos relativos a operações no mercado interno, operações essas não abarcadas pelo dispositivo legal1 em que se baseara o pedido de ressarcimento. Diante do exposto, concluise pelo acerto da decisão da repartição de origem no que se refere à glosa dos créditos decorrentes de operações no mercado interno. III. Créditos sobre gastos com combustíveis e lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras e pedágios. Transporte de insumos e nas vendas. Nos termos acima relatados, a Fiscalização glosou créditos calculados sobre determinados bens e serviços, considerandoos não abrangidos pelo conceito de insumos, nos termos do art. 3°, inciso II, da Lei n° 10.833, de 2003. 1 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 12571.000246/200932 Acórdão n.º 3803005.102 S3TE03 Fl. 161 11 Conforme já apontado, a parte do objeto social da pessoa jurídica que interessa nesta análise se refere a “compra e venda de cereais”, “prestação de serviços de secagem” e “transporte rodoviário de cargas em geral”. Segundo a Fiscalização, as despesas com selos e pedágios não geram crédito pelo fato de não se configurarem serviços aplicados ou consumidos na prestação de serviço de transporte rodoviário de carga, e, em relação aos demais dispêndios identificados em epígrafe, eles podem ser considerados insumos desde que sejam intrínsecos à atividade da pessoa jurídica e sejam aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. De início, devese registrar que a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais (PIS e Cofins) não se confunde com a não cumulatividade dos impostos IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos referese ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria. Na não cumulatividade do IPI, por exemplo, o direito ao creditamento refere se às aquisições de insumos que serão aplicados nos produtos industrializados que serão comercializados pelo contribuinteindustrial, encontrandose circunscrita a não cumulatividade à produção do bem. O imposto pago na aquisição de insumos encontrase destacado na nota fiscal e será ele, e tão somente ele, que dará direito ao creditamento. No processo produtivo de um bem, há eventos de natureza física; enquanto que no auferimento de receitas, temse um complexo de atividades envolvidas que extrapolam os elementos físicos para alcançar, também, os elementos funcionais relevantes. Na não cumulatividade das contribuições, o elemento de valoração não é mais o produto ou mercadoria em si considerado, mas o total das receitas auferidas pelos contribuintes, o que engloba todo o resultado da atividade operacional da pessoa jurídica. O fato gerador sob interesse não é apenas a saída ou entrada de uma mercadoria ou produto – o que pode se constituir em parte ínfima da atividade global do sujeito passivo –, mas todo o resultado comercial e financeiro da principal e, muitas vezes, exclusiva, atividade do contribuinte. Nesse sentido, o regime não cumulativo das contribuições sociais não se refere à recuperação, stricto sensu, dos tributos pagos na etapa anterior da cadeia de produção, mas a um conjunto de bens e serviços definido pelo legislador, “tratandose, em realidade, mais como um crédito presumido do que de uma não cumulatividade” 2. Como nos ensina Marco Aurélio Greco3, ao analisar a previsão legal da não cumulatividade das contribuições, a apuração dos créditos de PIS e Cofins envolve um conjunto de dispêndios “ligados a bens e serviços que se apresentem como necessários para o funcionamento do fator de produção, cuja aquisição ou consumo configura conditio sine qua non da própria existência e/ou funcionamento” da pessoa jurídica. Greco considera, ainda, que o termo “insumo” utilizado pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 abrange “os bens e serviços ligados à ideia de continuidade ou 2 ANAN JR., Pedro. A questão do crédito de PIS e Cofins no regime da não cumulatividade. Revista de Estudos Tributário. Porto Alegre: v. 13, n. 76, nov/dez 2010, p. 38. 3 GRECO, Marco Aurélio. Nãocumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Não cumulatividade das contribuições PIS/PASEP e COFINS. IET e IOB/THOMSON, 2004. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 12571.000246/200932 Acórdão n.º 3803005.102 S3TE03 Fl. 162 12 manutenção do fator de produção, bem como os ligados à sua melhoria. Ficam de fora da previsão legal os dispêndios que se apresentem num grau de inerência que configure mera conveniência da pessoa jurídica contribuinte (sem alcançar perante o fator de produção o nível de uma utilidade ou necessidade) ou, ainda, que ligados a um fator de produção, não interfiram com o seu funcionamento, continuidade, manutenção e melhoria”. Somente os bens e serviços utilizados de forma direta na produção da pessoa jurídica dão direito ao crédito das contribuições, devendo ser, efetivamente, absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. Para a análise da questão posta, necessário se torna reproduzir os dispositivos legais que cuidam da matéria. A Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins na sistemática não cumulativa, disciplina a matéria nos seguintes termos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: Fl. 162DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 12571.000246/200932 Acórdão n.º 3803005.102 S3TE03 Fl. 163 13 I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I e II do § 3o do art. 1o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) De acordo com os dispositivos legais supra reproduzidos, é possível constatar que a lei prevê, de forma expressa, o direito de creditamento relativo a combustíveis e lubrificantes utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção de bens ou produtos destinados à venda. Considerando o objeto social da pessoa jurídica – “compra e venda de cereais” e “transporte rodoviário de cargas em geral” –, é possível constatar que os combustíveis e os lubrificantes encontramse ligados à ideia de continuidade ou manutenção do fator de produção, sendo inerentes ao processo produtivo e à prestação de serviços de transporte de carga, alcançando perante o fator de produção o nível de uma utilidade ou necessidade que os torna imprescindíveis ao funcionamento, continuidade, manutenção e melhoria da atividade produtiva. Além disso, os combustíveis e lubrificantes são utilizados de forma direta na produção da pessoa jurídica e são, efetivamente, absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária, o mesmo podendo ser dito em relação aos demais bens ou serviços, quais sejam, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras e pedágios, pois que absorvidos pelo fator de produção da pessoa jurídica. Segundo a Fiscalização, em razão do fato de que os referidos bens e serviços não poderiam ser considerados insumos relativamente à atividade de cerealista da pessoa jurídica e dada a impossibilidade de se apurarem os créditos vinculados à atividade de prestação de serviço de transporte, teria restado somente a alternativa de se desconsiderarem todos os créditos constantes da citada rubrica. O Recorrente se defende alegando que referidos bens e serviços são utilizados tanto na atividade de prestação de serviços de transportes de cargas, quanto nas atividades de transporte, em veículos próprios, de matérias primas para a produção e na entrega da produção aos seus clientes. Constam da peça recursal algumas soluções de consulta da Receita Federal, em que se consigna que “subsumemse no conceito de insumos utilizados na prestação de Fl. 163DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 12571.000246/200932 Acórdão n.º 3803005.102 S3TE03 Fl. 164 14 serviços das empresas de transporte de cargas em geral, para fins dos créditos acima mencionados, desde que atendidos todos os requisitos legais e normativos atinentes à espécie, os gastos efetuados com: pneus e peças para reposição nos mencionados veículos, desde que não imobilizados e quando não representarem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas; mãodeobra de manutenção da frota, inclusive recauchutagem, desde que paga a pessoa jurídica; pedágios para conservação de rodovias quando a pessoa jurídica não utilizar o benefício do art. 2º da Lei n° 10.209, de 2001; e contratação de veículos de outras pessoas jurídicas para efetuar o transporte”. Constatase, portanto, que a própria Administração tributária concebe que, na prestação de serviços de transporte de carga, os gastos efetuados com: pneus e peças para reposição nos veículos, desde que não imobilizados e quando não representarem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas, os gastos com mãodeobra de manutenção da frota, inclusive recauchutagem, desde que paga a pessoa jurídica e os pedágios para conservação de rodovias dão direito à apuração de créditos das contribuições na sistemática da não cumulatividade. Resta perquirir quanto à possibilidade de adoção desse entendimento em relação aos gastos com transporte de insumos aplicados na produção e na venda dos produtos finais. Na operação de venda, há previsão específica na lei autorizando o desconto de crédito relativamente a “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor” (art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833, de 2003). Quanto aos gastos com o serviço de transporte de matériasprimas, produtos intermediários e de material de embalagem (insumos), a meu ver, eles se subsumem na previsão normativa do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/2003, tratandose de serviços utilizados como insumos na produção de bens destinados à venda. Temse, no caso, um conjunto de dispêndios necessários ao funcionamento do fator de produção, uma vez que o transporte do insumo, de sua origem ao destinatário produtor, é um elemento imprescindível à industrialização, sem o qual esta não se efetivará. Além disso, a prestação dos serviços de fretes, por conta própria, inclusive nas operações de venda, é condição sine qua non do funcionamento da empresa, sem os quais, terseá a descontinuidade de sua produção. A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.147.902, ocorrido em 18 de março de 2010, decidiu que “[as] despesas de frete somente geram crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que sejam suportados pelo contribuinte vendedor”, o que exclui a transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa, assim como os gastos com transporte na aquisição de insumos. Contudo, não comungo do mesmo entendimento da Segunda Turma do STJ. A Turma do STJ restringe sua análise ao teor do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que prevê a possibilidade de creditamento somente em relação ao frete na operação de venda, ignorando por completo o teor do inciso II do mesmo artigo, em que se Fl. 164DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 12571.000246/200932 Acórdão n.º 3803005.102 S3TE03 Fl. 165 15 assegura o direito de se descontar crédito decorrente da aquisição de mercadorias e serviços utilizados como insumos na produção dos bens destinados à venda. Conforme já apontado, o transporte dos bens utilizados como insumos é imprescindível ao funcionamento do fator de produção, pois sem esse serviço não se terá a entrada dos insumos no complexo industrial, situação em que se terá por frustrada a produção. Conforme já destacado, no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, há a previsão de creditamento nas aquisições de combustíveis e lubrificantes, denotando que a lei abrange os gastos do contribuinte no transporte de bens utilizados como insumos e dos produtos finais em veículos próprios. A aquisição de insumos ocorre em etapa anterior ao processo produtivo e não na operação de venda, devendose ressaltar que a previsão do citado inciso IX do art. 3º (frete na operação de venda) não exclui a regra contida no inciso II do mesmo artigo. Relativamente à prova dos gastos efetuados com tais bens e serviços, há que se ressaltar que a Fiscalização, no corpo do despacho decisório, deixou consignado que teve acesso a toda a documentação apresentada pelo contribuinte, tendo glosado os créditos respectivos em razão da falta de sua vinculação entre os serviços de transporte de carga e a produção de cereais. Diante do exposto, reconhecese o direito ao creditamento em relação aos gastos com combustíveis e lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras e pedágios, tanto na prestação de serviços de transporte de cargas, quanto nas operações de aquisição de insumos e de venda dos produtos finais, desde que atendidos os demais requisitos da lei e desde que os referidos bens não tenham sido imobilizados e não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicados. IV – Energia elétrica. Contrapõese o Recorrente quanto à glosa dos gastos com energia elétrica em razão da falta de apresentação das faturas dos meses de abril e maio de 2004, assim como em relação às glosas de faturas emitidas em nome de pessoa física. Tratase, no caso, de glosas decorrentes da falta de apresentação de prova, bem como da desconsideração de prova considerada inábil. Não se questiona, portanto, a previsão legal do creditamento pleiteado, posto que há previsão expressa na lei nesse sentido (art. 3º, inciso III, da Lei nº 10.833, de 2003). O Recorrente se defende alegando que a não apresentação das faturas de energia elétrica decorreu do fato de que, na intimação da Fiscalização, fora solicitada apenas a fatura do mês de junho de 2004 e não as demais dos meses de abril e maio, tendo havido, por conseguinte, atendimento ao que se encontrava expresso na intimação. No que se refere às faturas emitidas em nome de pessoas físicas, segundo o Recorrente, elas referirseiam a uma unidade alugada, cujas faturas eram emitidas em nome do proprietário do imóvel, mas por ele pagas. Contudo, o Recorrente não traz nenhuma prova dos fatos alegados. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 12571.000246/200932 Acórdão n.º 3803005.102 S3TE03 Fl. 166 16 Ainda que a Fiscalização tivesse solicitado apenas as faturas do mês de julho de 2004, conforme alega o Recorrente, ele poderia, nos termos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, ter trazido aos autos as demais faturas no momento da apresentação da impugnação, o que afastaria por completo a constatação da Fiscalização. Mas nenhum elemento de prova foi então acrescentado aos autos. Quanto aos alegados gastos de energia elétrica em unidade alugada, também nenhum elemento de prova foi produzido (como, por exemplo, o contrato de aluguel), o que inviabiliza o atendimento do pleito do Recorrente. Não se pode perder de vista que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa amparada em documentação apresentada pelo sujeito passivo, decisão essa não infirmada com documentação hábil e idônea. Mantémse, portanto, a referida glosa dos gastos com energia elétrica. V Crédito presumido. Produtos adquiridos de pessoas físicas. A Fiscalização embasou a glosa do crédito presumido na constatação de que, para se beneficiar de tal crédito, previsto no § 11 do art. 3° da Lei nº 10.833, de 2003, seria necessário o atendimento dos seguintes requisitos de forma cumulativa: a) a empresa deveria exercer cumulativamente as atividades de cerealista e adquirir os produtos in natura de origem vegetal classificados nas posições 10.1 a 10.08 e 12.01 da NCM diretamente de pessoas físicas residentes no Pais; b) o crédito somente poderia ser descontado (ou deduzido), em cada período de apuração, da contribuição devida pelas vendas dos produtos a empresas agroindustriais que produzissem mercadorias de origem animal e vegetal (classificados em diversos códigos NCM) destinadas à alimentação humana ou animal. Ainda segundo a Fiscalização, o último requisito afastaria o possível crédito presumido que poderia ser apurado pela empresa cerealista em relação aos produtos exportados. De início, registrese que os fatos sob análise neste processo, relativos ao segundo trimestre de 2004, não foram alcançados pela revogação dos referidos dispositivos legais promovida pela Lei nº 10.925, de 2004. O crédito presumido sob comento encontrase disciplinado na lei de duas formas distintas, a saber: 1) a primeira, prevista no § 5º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, destinada às pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos da NCM nele discriminados, dentre os quais, os capítulos 10 e 12; 2) a segunda, prevista § 11 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, destinada às pessoas jurídicas que adquirem diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01 da NCM, e que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e Fl. 166DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 12571.000246/200932 Acórdão n.º 3803005.102 S3TE03 Fl. 167 17 comercializar tais produtos, mas apenas em relação às vendas realizadas às pessoas jurídicas produtoras a que se refere o § 5º do mesmo artigo. Considerando o objeto social da pessoa jurídica4, é possível constatar que ela não é produtora de mercadorias de origem animal ou vegetal, mas apenas comerciante de cereais, assim como prestadora de serviços de secagem e classificação de cereais, importadora e exportadora de grãos e produtora de sementes selecionadas, não se lhe aplicando, por conseguinte, as disposições do § 5º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Dessa forma, seria possível, para o Recorrente, o creditamento com base no § 11 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, dispositivo esse destinado às pessoas jurídicas adquirentes de produtos in natura de origem vegetal que exercem as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos. Contudo, conforme já havia constatado a Fiscalização, o crédito presumido previsto no § 11 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, somente se torna devido se as pessoas jurídicas ali identificadas venderem as mercadorias ou produtos às pessoas jurídicas produtoras, indicadas no § 5º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Como, no presente caso, estáse diante de mercadorias ou produtos exportados, o Recorrente não reúne todas as condições para fruir do benefício, em razão do que devese manter a glosa efetuada pela Fiscalização. VI Correção monetária do crédito – Taxa Selic. Quanto ao pedido de atualização monetária dos valores dos créditos pleiteados, ressaltese que inexiste autorização legal para a aplicação da taxa Selic na atualização monetária de ressarcimento de créditos da Cofins não cumulativa. A legislação tributária distingue as hipóteses de restituição, compensação e ressarcimento, conforme se depreende dos artigos 73 e 74 da Lei n° 9.430/1996, bem como do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995, autorizando a aplicação de juros Selic somente nos casos de restituição, calandose em relação às hipóteses de ressarcimento, como o ora pleiteado. Além disso, há vedação expressa de não incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de IPI e das contribuições Cofins e PIS, ex vi do § 5° do art. 51 da Instrução Normativa SRF n° 460/2004 e § 5° do art. 52 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. VI Conclusão Diante do exposto, voto por PROVER PARCIALMENTE o recurso, para cancelar a parte do auto de infração correspondente ao creditamento assegurado, relativamente aos gastos com combustíveis e lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras e pedágios, tanto na prestação de serviços de transporte de cargas, quanto nas operações de aquisição de insumos e de venda dos produtos finais, desde que atendidos os demais requisitos 4 Comércio de Produtos Veterinários medicamentos, rações, vacinas, soros, sais e suplementos minerais; insumos agrícolas fertilizantes, sementes, agrotóxicos, expurgos; máquinas e implementos agrícolas; representações comerciais; prestadora de serviços fitossanitários; Compra e Venda de Cereais; prestação de serviços de Secagem e Classificação de cereais; Transporte Rodoviário de Cargas em geral; Importadora e Exportadora de grãos; Produção e Classificação de sementes selecionadas. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 12571.000246/200932 Acórdão n.º 3803005.102 S3TE03 Fl. 168 18 da lei e desde que os referidos bens não tenham sido imobilizados e não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicados, observados os elementos probatórios averiguados e atestados pela repartição de origem. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10875.722874/2011-47
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS, APURAÇÃO PRECISA DOS ASPECTOS MATERIAL E QUANTITATIVO DO FATO GERADOR E CAPITULAÇÃO LEGAL PERTINENTE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA.
A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito.
O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal.
Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF.
As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo.
A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição.
MULTA PECUNIÁRIA (LEI Nº 10.426/2002, ART. 7º). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA DISPOSIÇÃO LEGAL COMINATÓRIA DA PENALIDADE APLICADA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NO MÉRITO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1802-001.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS, APURAÇÃO PRECISA DOS ASPECTOS MATERIAL E QUANTITATIVO DO FATO GERADOR E CAPITULAÇÃO LEGAL PERTINENTE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 28 74 /2 01 1- 47 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722874/201147 Acórdão n.º 1802001.944 S1TE02 Fl. 98 2 autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição. MULTA PECUNIÁRIA (LEI Nº 10.426/2002, ART. 7º). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA DISPOSIÇÃO LEGAL COMINATÓRIA DA PENALIDADE APLICADA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NO MÉRITO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722874/201147 Acórdão n.º 1802001.944 S1TE02 Fl. 99 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 50/66 contra a decisão da 1ª Turma da DRJ/Campinas (fls.38/43) que julgou improcedente a impugnação da Notificação de Lançamento – multa por atraso na entrega da DCTF do PA julho/2010 , mantendo a exigência do crédito tributário lançado de ofício. Quanto aos fatos: consta da Notificação de Lançamento (fls. 31/32) que a contribuinte, em 16/09/2011, entregou ao fisco a DCTF do PA julho/2010, com atraso de 13 (treze) meses. Ou seja: a) prazo limite para entrega tempestiva da DCTF: 22/09/2010; b) data de entrega: 16/09/2011. montante dos tributos/contribuições informados na DCTF: R$ 129.170,18; multa aplicada por entrega da DCTF em atraso: 2% ao mês calendário/fração, incidente sobre o montante de tributos/contribuições informados na DCTF; cálculo da multa: 20% x R$ 129.170,18 = R$ 25.834,04; redução da multa em 50% (entrega voluntária e a destempo da DCTF) = R$ 25.834,04x 50% = R$ 12.917,01 (multa a pagar). Descrição dos fatos: A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais fora do prazo fixado enseja a aplicação de multa correspondente a 2% (dois por cento) sobre o montante de tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mês calendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) (...) A multa aplicada foi reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração(...) Fundamentação Legal: Art. 7º da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004. (...) A contribuinte tomou ciência, eletronicamente, da Noticação de Lançamente em 13/09/2011 – AR eletrônico (fl. 34), e apresentou impugnação ao lançamento fiscal em 07/10/2011 (fls.02/13), cujas razões, em síntese, são as seguintes: Fl. 99DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722874/201147 Acórdão n.º 1802001.944 S1TE02 Fl. 100 4 que o lançamento fiscal deve obedecer requisitos obrigatórios do ato administrativo sob pena de nulidade; que o lançamento objeto dos autos está eivado de vícios (ilegalidades substanciais) que o tornam nulo.Vale dizer: que o art. 7º da Lei 10.426/2002, o qual comina penalidade pecuniária pela entrega intempestiva de DCTF, fere princípio constitucional, por estabelecer e autorizar a aplicação de multa desproporcional, confiscatória; que é vedado o uso de tributo com efeito de confisco; que a limitação de tributar também estendese às multas por descumprimento de obrigação tributária, ainda que a multa não tenha natureza de tributo; que a multa fixada pela citada lei é excessiva, suficiente para inviabilizar a vida financeira da empresa punida; que, nesse sentido, invoca fato analógico (sic) do RIPI 2002 (Regulamento revogado pelo Decreto nº 7.212/2010): a) que o art. 16 da Lei nº 9.779/99 autorizou a RFB a criar, instituir obrigações acessórias por ato infralegal, o qual é matriz legal do art. 212 do RIPI 2002; que, por outro lado, a instituição de penalidade é matéria privativa de lei; b) que no RIPI 2002 o art. 212 seria genérico e o art. 368 seria específico para a DCTF; que, por conseguinte, a penalidade aplicável para entrega intempestiva de DCTF seria do art. 507 do RIPI, ou seja, R$ 31,65 e não o art. 506 do RIPI 2002 (art. 7º da Lei nº 10.426/202, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004); c) que o dispositivo específico prevalece em relação ao genérico. que, no caso, houve aplicação equivocada do art. 7º da Lei 10.426/2002; que o lançamento seja declarado nulo por ferir princípios básicos do ato administrativo, devendo, no mínimo, ser retificado; que é pacífica a jurisprudência do STF pela anulação ou redução de multa com feição confiscatória (citou alguns precedentes envolvendo multas no âmbito da legislação tributária dos Estadosmembros, multa moratória e ICMS). que a Administração Pública deverá observar a jurisprudência pacífica do STF sobre interpretação de texto constitucional, quanto à aplicação de multas pecuniárias. Por fim, a contribuinte, com base nessas razões, pediu a declaração de nulidade do lançamento fiscal, pois lastreado em norma flagrantemente confiscatória e inconstitucional. A DRJ/Campinas, à luz dos fatos e da legislação tributária de regência, julgou a impugnação improcedente, mantendo a exigência do crédito tributário, conforme Acórdão de 27/03/2012 (fls.40/45), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2010 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722874/201147 Acórdão n.º 1802001.944 S1TE02 Fl. 101 5 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco previsto na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei nos moldes que o poder competente a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum em 16/04/2012 – segundafeira (fls. 47/48), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16/05/2012 – quartafeira (fls. 50/66), cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) Preliminar de nulidade do lançamento fiscal: que o fisco imputou 13 (treze) meses de atraso na entrega da DCTF e 20% de multa; que, na realidade, o referido atraso foi de 11 meses e 26 dias, posto que a entrega da DCTF deveria ter ocorrido em 22/09/2010, mas somente se efetivou em 16/09/2011; que, nesse sentido, a Lei n° 10.426/2002 (art. 7o, II) estabelece 2% (dois por cento) de multa AO MÊS OU FRAÇÃO sobre o montante de tributos informados na DCTF, ou seja, que se deve aplicar a fração quando for o caso; que o fisco deveria, na situação dos autos, ter apurado e imputado atraso de 11 meses completos e 26 (vinte e seis) dias, e não 13 (treze) meses calendário/fração; que, em face dessse vício do lançamento, a defesa da autuada restou prejudicada. Por conseguinte, a contribuinte pediu que seja reconhecida a nulidade do lançamento. 2) – Mérito: que a penalidade pecuniária aplicada, cominada pelo art. 7º da Lei nº 10.426/2002, não merece prosperar; que citado dispositivo legal viola, afronta a Constituição Federal, pois comina e autoriza a aplicação de multa desproporcional, confiscatória, não observando o princípio da capacidade contributiva; que, no caso, seria hipótese de aplicação da multa de R$ 31,65 (RIPI/2002, art. 368 c/c art. 507) e não da multa do art. 7º da Lei nº 10.426/2002 (art. 506), com redação Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722874/201147 Acórdão n.º 1802001.944 S1TE02 Fl. 102 6 dada pelo art. 19 da Lei 11.051/2004; que deve prevalecer a norma especial em relação à norma geral; que é pacífica a jurisprudência do STJ pela anulação ou redução da multa de feição confiscatória (citou alguns precentes envolvendo multas no âmbito da legislação tributária dos Estadosmembros). que a Administração Tributária deverá observar a jurisprudência pacífica do STF sobre interpretação de texto constitucional, quanto a aplicação de multas. que, na hipótese improvável de suas teses não seram acatadas (nulidade do lançamento por multa confiscatória, erro na apuração do seu valor ou retificação do lançamento para exigência da multa de R$ 31,65), ainda assim a recorrente alega que o lançamento não merece prosperar em face de sua conduta de boafé, devendo ser aplicados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade para redução da penalidade para o patamar mínimo de 2% sobre o montante de tributos declarados na DCTF, e não 2% por mês calendário ou fração. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722874/201147 Acórdão n.º 1802001.944 S1TE02 Fl. 103 7 Voto O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. O litígio versa acerca da exigência de multa pecunária por atraso na entrega de DCTF, ou seja, pela inobservância do prazo no cumprimento de obrigação acessória autônoma de que trata a IN RFB nº 974, de 27/11/2009 (art. 5º), que dispõe: Art. 5ºAs pessoas jurídicas devem apresentar a DCTF até o 15º (décimo quinto) dia útil do 2º(segundo) mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. (...) Está narrado na Notificação de Lançamento (fls. 31/32), conforme já exposto no relatório, que o prazo limite para entrega tempestiva da DCTF do PA julho/2010 era 22/09/2010. Entretanto, a recorrente cumpriu essa obrigação acessória tãosomente em 16/09/2011. O cumprimento da obrigação acessória, por conseguinte, deuse 13 (treze) meses calendário ou fração, após expirado o prazo tempestivo. Foi aplicada multa de 20% sobre o montante dos tributos/contribuições informados na respectiva DCTF (multa de atraso de 2% por mês calendário ou fração, limitada ao montante de 20%), com redução de 50% do seu valor por cumprimento espontâneo da obrigação acessória, conforme demonstrativo de cálculo já transcrito no relatório. ENTREGA INTEMPESTIVA DE DCTF. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO DE MULTA PECUNIÁRIA. ERRO NA APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO E ERRO NA APURAÇÃO DO VALOR DA MULTA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. A recorrente, preliminarmente, suscitou nulidade da notificação de lançamento – multa por apresentação intempestiva da DCTF do PA julho/2010, por vício na aplicação da legislação, e na apuração do valor da penalidade, gerando prejuízo para sua defesa. De plano, rejeito a preliminar de nulidade suscitada, pois a notificação do lançamento da multa por descumprimento de prazo da obrigação acessória autônoma (apresentação intempestiva da DCTF) contém adequada descrição dos fatos, apuração precisa e perfeita dos fatos, do valor da multa e pertinente enquadramento legal, possibilitando amplo e pleno entendimento da infração imputada, não se justificando a alegação de prejuízo à defesa, pois não restou caracterizado o alegado vício de cerceamento ao direito de defesa e ao contraditório. Primeiro, o auto de infração foi lavrado por AuditorFiscal competente, apresenta descrição completa dos fatos, matéria tributável, demonstrativo preciso e exato de Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722874/201147 Acórdão n.º 1802001.944 S1TE02 Fl. 104 8 apuração da multa aplicada e pertinente enquadramento legal, tudo em consoância com o art. 10, III e IV do Decreto nº 70.235/72 e com o art. 142 do CTN. Com relação ao fundamento legal da multa, percentual da multa e apuração do respectivo valor, tudo está em consonância com a legislação de regência vigente na data da infração, ou seja, o art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei 11.051/2004. No entanto, a recorrente, ainda, apresentou tese contra o lançamento da multa de 2% ao mês calendário ou fração de mês calendário, invocando o RIPI/2002, o qual trata da obrigatoriedade de apresentação da DCTF pelos contribuintes do IPI, argumentando que o citado Regulamento estaria possibilitando, no caso, a aplicação da multa fixa de R$ 31,65, e não a multa do art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002; que, então, houve: a) equívoco na aplicação da lei que impõe penalidade, pois, em vez do fisco aplicar legislação específica para entrega em atraso da DCTF, norma mais favorável em termos de penalidade, houve, diversamente, aplicação de legislação cominando multa mais pesada, confiscatória e, além disso, teria ocorrido erro na apuração do valor da multa aplicada. b) que o atraso, na entrega, seria de apenas 11 meses e 26 dias. Não tem respaldo jurídico a argumentação da contribuinte. O RIPI 2002 foi revogado pelo RIPI 2010 (Decreto nº 7.212, de 15/06/2010). Não obstante, o art. 507 do RIPI 2002 tratava de multa de R$ 31,65 a cada falta de apresentação da declaração perídica do IPI (fundamento legal: DecretoLei nº 1.680, de 28/03/1979, art. 4º e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Já, o art. 506 do RIPI 2002 (art. 7º da Lei nº 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004) tratava da entrega intempestiva da DCTF. Essas multas permanecem em vigor no RIPI 2010, respectivamente nos arts. 594 e 593. Vale dizer, a multa de R$ 31,65 (art. 507/RIPI 2002 ou art.594/RIPI 2010) não se aplica ao caso objeto dos autos, pois tratase de multa aplicável a cada falta de apresentação da declaração periódica do IPI. No caso, a multa aplicada referese à entrega da DCTF em atraso, ou seja, 2% (dois por cento) sobre os tributos e contribuições informados na DCTF por mês calendário ou fração de mês calendário. Como demonstrado, diversamente da tese suscitada pela recorrente, não restou caracterizada a alegada violação de principíos, pois as obrigações acessórias são diversas para cada dispositivo legal suscitado do RIPI, um trata de falta de declaração do IPI e, outro, trata de entrega intempestiva de DCTF. Destarte, houve correta aplicação do art. 7º, II, da Lei 10.426/2002, com redação pelo art. 19 da Lei 11.051/2004, que, de forma expressa, literal, impõe multa de 2% ao mês calendário ou fração de mês calendário, para entrega intempestiva de DCTF. O texto do dispositivo legal é de aplicação direta, sentido literal, devido sua clareza, não comportando elucubração ou tese interpretativa. Cabendo lembrar, no caso, o brocardo latino in claris cessat interpretatio. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722874/201147 Acórdão n.º 1802001.944 S1TE02 Fl. 105 9 A propósito, transcrevo o disposto no art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2003, com redação do art. 19 da Lei 11.051/2004, in verbis: Art. 7oO sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I (...) II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III – (...) (Grifei) No caso, o fisco apurou atraso na entrega da DCTF de 13 meses calendário ou fração de anocalendário, conforme consta demonstrado na Notificação de Lançamento Fiscal. O cálculo da multa efetuado pelo fisco está correto, conforme demonstrado no relatório, pois, diversamente do alegado pela recorrente de que o mês seria o período sucessivo de 30 (trinta) dias completos a partir do termo final para entrega tempestiva da DCTF), a lei estabeleceu outro critério de contagem de prazo para aplicação da multa, qual seja: a contagem do prazo por mês calendário ou fração de mês calendário, a partir do termo final para entrega tempestiva dessa declaração. Assim, pela aplicação do texto legal, para efeito de apuração e aplicação da multa são, sim, 13 (treze) meses calendário ou fração de atraso na entrega da DCTF do PA agosto/2010. Portanto, não há ajuste ou reparo a fazer no valor da multa aplicada. Ademais, diversamente do alegado pela recorrente, apenas a falta de descrição dos fatos e a falta de enquadramentio legal da infração imputada têm o condão de nulificar o lançamento fiscal, que não é caso, pois a notificação de lançamento contém correta descrição dos fatos, preciso ou exato valor apurado da multa, e respectivo enquadramento legal. Se houvesse erro na apuração do valor da multa, que não é ocaso, poderia o julgador de ofício ou por provocação da contribuinte corrigir o lançamento sem prejuízo de sua validade, pois a questão seria de mérito, e não para apreciação em sede de preliminar. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722874/201147 Acórdão n.º 1802001.944 S1TE02 Fl. 106 10 A jurisprudência do CARF é pacífica quanto à validade do lançamento fiscal que tem adequada descrição dos fatos e enquadramento legal. Nesse sentido, transcrevo ementas de precedentes jurisprundencais deste Egrégio Conselho Administrativo, in verbis: NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA – IRF – Anos 1991 a 1993 – O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa (Acórdão nº 10417.364, de 22/02/2001, 1º CC). AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA – O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa (Acórdão nº 10313.567, DOU de 28/05/1995); PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas (Acórdão 10806.208, sessão de 17/08/2000). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – INOCORRÊNCIA. A inclusão desnecessária de um dispositivo legal, além do corretamente apontado para as infrações praticadas, não acarreta a improcedência da ação fiscal. Outrossim, a simples ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o bastante, por si só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável.(Acórdão nº 10417.253, sessão de 10/11/99). AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA Para que haja nulidade do lançamento é necessário que exista vício formal imprescindível à validade do lançamento. Desta forma, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722874/201147 Acórdão n.º 1802001.944 S1TE02 Fl. 107 11 direito de defesa ou por vício formal.(Acórdão nº 10248.141, sessão de 25/01/2007). Nesse sentido, também é o entendimento jurisprudencial da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/0103.264, de 19/03/2001 e publicado no DOU em 24/09/2001), verbis: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Portanto, ante a inexistência de vício no lançamento fiscal, rejeito a preliminar suscitada. INSTITUIÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPLEMENTAÇÃO DA DCTF. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO DE ENTREGA. APLICAÇÃO DE MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA A recorrente alegou que o art. 7º, II, da Lei 10.426/2002, com redação do art. 19 da Lei 10.051/2004, comina multa desproprocional, confiscatória, por entrega em atraso de DCTF e, portanto, essa legislação seria inconstitucional, por violação do princípio do não confisco. Primeiro, a instuição de obrigações acessórias (prestações positivas ou negativas), no interesse da Administração Tributária, estão autorizadas por lei (sentido amplo) e implementadas em documento específico por normas infralegais, ou seja, por normas complementares (normas infralegais), em obediência aos arts. 96, 97 e 100 do CTN. No caso da DCTF (declaração de débitos e créditos federais), essa obrigação acessória autônoma foi implementada pela Instrução Normativa SRF nº 129/86, com fulcro no art. 5º do DL 2.124/84 e no art. 16 da Lei 9.779/99, sendo atualizada, a partir daí, periodicamente. A propósito, transcrevo o disposto no art. 5º do Decreto nº 2.124/84: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º (...) § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa (...) No mesmo sentido, dispõe o art. 16 da Lei nº 9.779/99: Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722874/201147 Acórdão n.º 1802001.944 S1TE02 Fl. 108 12 Art.16.Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. A dispensa de lei em sentido estrito para implementação de obrigação acessória (v. g., DCTF) é matéria pacífica no âmbito do Poder Judiciário. A propósito, transcrevo precedentes jurisprudenciais: 1) TRF/3ª Região, 6ª Turma, sessão de 04/07/2007, processo (AMS 16487 SP 2002.03.99.0164877), in verbis: (...) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CRIAÇÃO DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. A DCTF veio regulamentar a arrecadação e a fiscalização de tributos federais, tratandose, a bem da verdade, de mero procedimento administrativo, suscetível de criação por norma complementar, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da reserva legal em vistas a indelegabilidade da competência tributária. 2. (...) 3.(..). 4. O atraso na entrega da declaração de renda de pessoa física ou jurídica é infração de natureza nãotributária, em razão do descumprimento de uma obrigação acessória autônoma necessária ao exercício da atividade administrativa de fiscalização do tributo, não lhe sendo aplicável, portanto, a regra prevista no art. 138, do CTN. 5. Apelação e remessa oficial providas. Recurso adesivo improvido. (...) 2) – TRF/4ª Região, 1ª Turma, sessão de 23/06/2010, processo (AC 11264 PR 2004.70.01.0112645), in verbis EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. SELIC. ENCARGO LEGAL. DL N. 1.025/69. 1.A obrigação acessória de entrega da DCTF está prevista legalmente, sendo apenas regulamentada em instruções normativas da Secretaria da Receita Federal, (...) Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722874/201147 Acórdão n.º 1802001.944 S1TE02 Fl. 109 13 2. A incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por força de instrumento legislativo próprio (lei ordinária), sem importar qualquer afronta à Constituição Federal. 3. O encargo legal de 20%, referente à inscrição em dívida ativa, é constitucional, compõe o débito exeqüendo e é sempre devido nas execuções fiscais, substituindo, nos embargos, a condenação em honorários por expressa previsão legal (artigo 1º, do Decretolei nº 1.025/69). (...) 2) – TRF/5ª Região, 1ª Turma, sessão de 03/02/2005, processo (Apelação em MS 80402PE 2001.83.00.0192525), in verbis: TRIBUTÁRIO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. LEGALIDADE. O atraso na entrega da declaração é considerado como sendo o descumprimento de uma atividade fiscal exigida por lei, não se confundindo com o nãopagamento do tributo. A imposição da multa por falta de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF tem amparo legal, configurando seu atraso, ou não entrega, em infração autônoma. Precedentes do STJ e desta Corte. Apelação não provida. (...) Em matéria de descumprimento de prazo para entrega tempestiva de declaração (v. g., DCTF) é inaplicável o art. 138 do CTN, quando cumprida a obrigação acessória a destempo e voluntariamente, pois tratase de obrigação autônoma, não relacionada com fato gerador de tributo ou contribuição, cuja infração configurase, simplesmente, pela perda do prazo fixado para cumprimento tempestivo dessa obrigação acessória. Nesse sentido, é a posição consolidada do STJ, in verbis: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido.” (STJ, Segunda Turma, RESP RECURSO ESPECIAL – 1129202, Data da Publicação: 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722874/201147 Acórdão n.º 1802001.944 S1TE02 Fl. 110 14 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. Precedentes do STJ. 2. Agravo Regimental não provido. (STJ, 2ª Turma, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 916.168 SP 2007/00052315, sessão de 24/03/2009, Relator Min. Herman Benjamin). Feitos esses esclarecimentos quanto à instituição de obrigação acessória por lei em sentido amplo, passemos à questão da multa pecuniária. A multa pecuniária pela falta de entrega da DCTF ou pela entrega a destempo, está prevista em lei stricto sensu, ou seja, no art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002, in verbis: (...) Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) O dispostivo legal transcrito acima é norma específica para o descumprimento de obrigação acessória relativo à não entrega de DCTF no prazo regulamentar ou para entrega efetuada após vencido o prazo regulamentar. Por conseguinte, não tem sentido, não tem o menor cabimento a tese da recorrente de que a multa a ser aplicada, no caso dos autos, para evitar suposto efeito confiscatório, deveria ser a do art. 368 c/c art. 507 (RIPI/2002), pois essas normas do RIPI tratam de multa para hipótese de não entrega de declaração do IPI, obrigação acessória diversa, como já demonstrado quando do enfrentamento da preliminar suscitada. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722874/201147 Acórdão n.º 1802001.944 S1TE02 Fl. 111 15 DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA PECUNIÁRIA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A contribuinte alegou da ilegalidade da multa; que teria caráter eminentemente confiscatório, violando, por conseguinte, os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Como já dito alhures, a multa pela falta de apresentação ou entrega intempestiva da DCTF exige lei em sentido estrito; por isso, a multa, em abstrato, pela não apresentação da DCTF ou entrega extemporânea, está cominada na Lei nº 10.426/2002, art. 7º. No caso, foi aplicada a multa do art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002. Quanto à alegação de inconstitucionalidade desse dispositivo legal, incabível a apreciação, no mérito, de tal arguição, por falta de competência dos órgãos de julgamento administrativo, por ser matéria de competência do Poder Judiciário. Nesse sentido, a questão está sumulada neste Eg. Conselho Administrativo, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda, apenas para argumentar, o princípio do não confisco aplicase apenas para tributos (CF, art. 150, IV). A multa não é tributo. O princípio do não confisco dirigese ao legislador infraconstitucional e não ao julgador administrativo. Além disso, a multa pecuniária cominada, abstratamente, pela lei administrativotributária não segue o princípio da capacidade contributiva, mas sim o interesse jurídico tutelado, o interesse público. Na verdade, a pena pecuniária, em abstrato, fixada pela lei deve ser suficientemente significativa, para inibir ou afastar os contribuintes da prática de infração administrativofiscal, pelo receio, medo ou temor de serem apenados em concreto. Para aqueles contribuintes que a norma, em abstrato, não foi suficiente para demovêlos da conduta infracional independentemente do motivo, não resta ao fisco outro caminho, em face de sua atividade vinculada, a não ser a aplicação da lei ao caso concreto, para recompor, restaurar, a ordem jurídica violada. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722874/201147 Acórdão n.º 1802001.944 S1TE02 Fl. 112 16 Por tudo que foi exposto, voto para REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 112DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10580.725937/2009-16
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO NO RESULTADO DO JULGAMNETO. RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO.
Constatada a existência de omissão no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos de declaração de forma a sanar o vício apontado.
Não havendo alteração do resultado do julgamento proferido no acórdão embargado, este deve ser rerratificado.
Embargos de Declaração Acolhidos sem efeitos infringentes.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração e rerratificar o Acórdão n° 2801-01.826, sem alteração do resultado do julgamento, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO NO RESULTADO DO JULGAMNETO. RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO. Constatada a existência de omissão no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos de declaração de forma a sanar o vício apontado. Não havendo alteração do resultado do julgamento proferido no acórdão embargado, este deve ser rerratificado. Embargos de Declaração Acolhidos sem efeitos infringentes. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração e rerratificar o Acórdão n° 280101.826, sem alteração do resultado do julgamento, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 59 37 /2 00 9- 16 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.725937/200916 Acórdão n.º 2801003.260 S2TE01 Fl. 351 2 Tratase de embargos de declaração, opostos pela contribuinte contra o Acórdão nº 280101.826, proferido em 25 de agosto de 2011 pela Primeira Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF, que foi assim ementado: NULIDADE. OMISSÃO PELO ÓRGÃO JULGADOR. INOCORRÊNCIA. O órgão julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pelo contribuinte, devendo demonstrar, ao motivar a sua decisão, que o lançamento questionado encontrase em conformidade com as disposições legais aplicáveis. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As verbas recebidas por membros do Ministério Público do Estado da Bahia não têm natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, descabendo excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MOLÉSTIA GRAVE. TERMO INICIAL DA ISENÇÃO. Estão isentos de tributação os proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave elencada em lei, devidamente reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, sendo o termo inicial da isenção o mês da emissão do referido laudo, quando a data em que a doença foi contraída não esteja nele identificada. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N° 4. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. O contribuinte tomou ciência da decisão em 15 de abril de 2013 (fl. 342) e, representado por procurador legalmente habilitado, opôs, tempestivamente, os embargos no dia 19 de abril de 2013 (fls. 304 a 319), alegando omissões nos seguintes itens: Fl. 351DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.725937/200916 Acórdão n.º 2801003.260 S2TE01 Fl. 352 3 · falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda pertencente, por determinação constitucional, ao Estado; e · quebra do Princípio Constitucional da Isonomia; Também acusa a falta de manifestação expressa acerca da não incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios à luz do RESP 1.227.133/RS – julgado no rito dos recursos repetitivos. Os embargos foram admitidos somente para suprir a omissão concernente à questão da tributação dos juros moratórios recebidos em decorrência da ação judicial, conforme despacho de fls. 345/349. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Os embargos são tempestivos e atendem às demais condições de admissibilidade, portanto merecem ser conhecidos. O lançamento se deu em face de o contribuinte ter enquadrado os valores recebidos no campo de rendimentos isentos e não tributáveis de suas declarações de ajuste anual, exercícios 2005 a 2007, por entendêlos isentos de imposto à luz do disposto na Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, e por analogia à Resolução nº 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria deixado claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV possui natureza indenizatória. A turma de julgamento considerou que as verbas recebidas por membros do Ministério Público do Estado da Bahia não têm natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda. No tocante à multa de ofício, entendeu que é incabível a exigência de tal penalidade quando o contribuinte demonstra ter sido induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora quanto à não tributação dos rendimentos recebidos, incorrendo, deste modo, em erro escusável. Neste sentido, decidiuse, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício. O contribuinte opôs os embargos alegando omissões nos seguintes itens: · falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda pertencente, por determinação constitucional, ao Estado; e Fl. 352DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.725937/200916 Acórdão n.º 2801003.260 S2TE01 Fl. 353 4 · quebra do Princípio Constitucional da Isonomia; Também acusa a falta de manifestação expressa acerca da não incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios à luz do RESP 1.227.133/RS – julgado no rito dos recursos repetitivos. No que se refere à falta de legitimidade da União e quebra do Princípio Constitucional da Isonomia, inexiste vício na decisão guerreada, mas tãosomente, na melhor das hipóteses, entendimento divergente do recorrente, que pretende rediscutir matéria, conquanto os Embargos de Declaração não se prestam a atingir tal finalidade. Ao contrário do que afirma o embargante, a Turma enfrentou a questão relativa à falta de legitimidade da União: Quanto à questionada legitimidade da União para exigir o Imposto de Renda, verifico que aquela decisão faz menção clara ao fato de que a cobrança do referido tributo tem como base legislação federal, no meu entender, suficiente a refutar a argumentação da recorrente, porquanto somente a União tem a competência constitucional para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza (art. 153, inciso III, da CF). Neste sentido, os excertos do aludido acórdão a seguir reproduzidos: (...) Quanto ao art. 3° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, deve se observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei especifica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6°, da Constituição Federal. O art. 55, inciso XIV, do RIR/99 dispõe claramente que tanto os juros moratórios, quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, estão sujeitos à tributação, a menos que correspondam a rendimentos isentos ou não tributáveis, conforme abaixo transcrito: Art.55. São também tributáveis (Lei n° 4.506, de 1964, art. 26, Lei n° 7.713, de 1988, art. 3°, §4°, e Lei n° 9.430, de 1996, arts. 24, §2°, inciso IV, e 70, §3°, inciso I): .... XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; (...) (destaquei) Fl. 353DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.725937/200916 Acórdão n.º 2801003.260 S2TE01 Fl. 354 5 Ademais, quanto a essa questão, mostrase desnecessário maior debate, pois como dito, a Constituição Federal, norma maior a qual todas as outras se vinculam obrigatoriamente, em regras e princípios, define a competência sobre o tributo em apreço: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; (grifei) Assim, a distribuição da renda arrecadada com outros entes da federação não altera a competência da União quanto ao Imposto sobre a Renda, conforme o preceito contido no art. 6º, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN: Art. 6º. A atribuição constitucional de competência tributária compreende a competência legislativa plena, ressalvadas as limitações contidas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados e nas Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos Municípios, e observado o disposto nesta Lei. Parágrafo único. Os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito público pertencerá à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos. (destaquei) Cabe frisar que as atribuições de arrecadar e fiscalizar o Imposto de Renda, compreendidas na competência tributária, jamais foram transferidas pela União aos Estados ou Municípios, ocupando aquela, indubitavelmente, a posição de sujeito ativo nas relações que versam sobre o tributo em comento. Ademais, concluiu que descabe a aplicação Princípio Constitucional da Isonomia, uma vez que, não havendo lei federal, não pode o aplicador do direito valerse da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária: Todavia, neste caso, o contribuinte não faz parte dos quadros da Magistratura Federal nem do Ministério Público da União, pertencendo ao Ministério Público do Estado da Bahia, não podendo tal Resolução do STF ser estendida às verbas pagas ao recorrente, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei federal especifica. Salientese que, em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com fulcro na Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 08/09/2003. Atribuir aos rendimentos em exame a mesma natureza do abono variável destacado nas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, seria Fl. 354DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.725937/200916 Acórdão n.º 2801003.260 S2TE01 Fl. 355 6 estender os limites da não incidência tributária sem previsão de lei federal para tal exegese. Não se pode olvidar que é defeso ao aplicador do direito valer se da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. As exceções fiscais devem verter expressamente do texto legal, em respeito ao princípio contido no art. 111, do citado CTN. Assim, descabe na hipótese dos autos atribuir aos rendimentos recebidos pelo recorrente idêntica natureza do abono variável pago aos Magistrados Federais e aos membros do Ministério Público da União, não havendo nisso nenhuma ofensa ao Princípio Constitucional da Isonomia (art. 150, II, da Constituição Federal), posto que inexiste lei federal conferindo identidade de tratamento tributário entre essas verbas. Assim, a eventual omissão descrita nos embargos como carecedor de direito, inserese na aplicação errada ou equivocada do direito à espécie, somente podendo ser revisto por uma instância julgadora revisora, a qual possa qualificar os fatos dos autos na forma pretendida pelo embargante. Apesar de o julgador não ser obrigado a rebater, um a um, os argumentos do Interessado, quando a decisão adota fundamentação suficiente para solucionar a controvérsia, é forçoso reconhecer que, em relação à incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios à luz do RESP 1.227.133/RS – julgado no rito dos recursos repetitivos não há qualquer menção no acórdão recorrido. Os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ no rito dos recursos repetitivos a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010. Portanto, sobre os juros incidentes sobre as verbas recebidas, é de se aplicar ao caso, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, o entendimento do STJ no julgamento do Resp nº 1.227.133/RS (submetido à sistemática do art. 543C do CPC e Res. nº 8, de 2008STJ, que tratam dos recursos repetitivos). De acordo com recentes decisões do STJ, cujas ementas seguem citadas abaixo, restou esclarecido que o precedente em questão somente se aplica à hipótese em que a verba principal (trabalhista), sobre a qual incidiram os juros moratórios, tiver natureza indenizatória. Ou seja, só não incidirá imposto de renda sobre os juros moratórios quando a verba principal (trabalhista) tiver natureza indenizatória. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidou se o entendimento no sentido de que "não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla." Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que "os juros de mora pagos em virtude de decisão Fl. 355DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.725937/200916 Acórdão n.º 2801003.260 S2TE01 Fl. 356 7 judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei". 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos EREsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Dessa forma, por terem referidas verbas natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Diante do exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração e rerratificar o Acórdão n° 280101.826, sem alteração do resultado do julgamento. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 356DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.725937/200916 Acórdão n.º 2801003.260 S2TE01 Fl. 357 8 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10380.000471/2007-29
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. APOSENTADORIA. REFORMA. PENSÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL.
Somente são isentos de tributação os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de moléstia grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ISENÇÃO. APOSENTADORIA. REFORMA. PENSÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL. Somente são isentos de tributação os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de moléstia grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 04 71 /2 00 7- 29 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10380.000471/200729 Acórdão n.º 2801003.297 S2TE01 Fl. 41 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6a Turma da DRJ/FOR (Fls. 24), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra a contribuinte identificada nos autos foi lavrada Notificação de Lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física, fls. 04/06, relativo ao anocalendário de 2004, Exercício 2005, decorrente de omissão de rendimentos, no valor de R$ 12.914,17, o que resultou em um ajuste do saldo do imposto a restituir declarado de R$ 74,30, para saldo de imposto suplementar no valor de R$ 1.074,15, que somado aos juros e multa de mora importou em R$2.160,75. Fonte Pagadora CNPJ Rendimento Omitido IRRF Retido IRRF Declarado INSTITUTO MUNICIPAL DE PESQUISAS ADMINISTRAÇÃO E RECURSOS HUM 07.906.866/0001/44 2.400,00 236,92 0,00 SECRETARIA DE EDUCAÇÃO BÁSICA 07.954.514/000397 10.514,17 0,00 0,00 Inconformada com a notificação, da qual tomou ciência em 27/12/2006, a contribuinte apresentou impugnação em 19/01/2007, na qual alega que é aposentada por ser portadora de cardiopatia grave. A fim de fazer prova, juntou aos autos laudo médico que comprovaria a doença e cópia do Diário Oficial do Estado em que é concedida a aposentadoria. Pelas razões descritas, requer a suspensão da cobrança da notificação de lançamento. Passo adiante, a 6ª Turma da DRJ/FOR entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO PERICIAL OFICIAL. Constitui requisito obrigatório para concessão da isenção prevista na Lei n° 7.713, de 22/12/1988, artigo 6o , inciso XIV, o reconhecimento da doença por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, Estados ou Municípios. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10380.000471/200729 Acórdão n.º 2801003.297 S2TE01 Fl. 42 3 Cientificada em 21/06/2011 (Fls. 32), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 22/07/2011 (fls. 34 e 35), argumentando em síntese: (...) 2. O problema é que a legislação brasileira não se funda em instruções, nem em portarias; mas na Lei. A lei que dispõe sobre a aposentadoria por invalidez e respectiva isenção não faz esse tipo de exigência, descabendo assim façaa o senhor Secretario da Receita Federal, seja através de portarias ou de instruções. 3. O mais grave de tudo isto é a demora de cinco anos entre o requerimento à DRJ e a decisão, quando se sabe que o prazo para um processo demorar sem qualquer despacho é de, no máximo, 30 (trinta) dias, sendo obrigatória a decisão, no prazo de 360 dias, pelas leis 9.784/99 e 11.457/07, respectivamente. Por estas razões, a decisão ora recorrida esta preclusa por decurso de prazo, art. 24 da Lei nº 11.457/07. 4. Em qualquer caso, a recorrente está providenciando o laudo "oficial", de modo a sujeitarse a exigência, protestando pela juntada antes do julgamento. 5. Em face das razões expostas, pedese que este recurso seja recebido em seu efeito suspensivo para, no final julgálo procedente: (1) preclusão da decisão, por decurso de prazo; (2) ilegalidade da exigência fundada em norma interna, à margem da lei. Junta em anexo: Laudo Médico Pericial para Isenção de Imposto de Renda do Instituto de Previdência do Município – Ipm; Cópia do RG. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Em sua impugnação, e em seu recurso, a contribuinte combate a omissão de rendimentos unicamente com a alegação que tais rendimentos seriam isentos em razão da existência de moléstia grave à época dos fatos. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10380.000471/200729 Acórdão n.º 2801003.297 S2TE01 Fl. 43 4 A isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei n° 11.052, de 29 de dezembro de 2004, nos termos abaixo: "Art. 6° XIV — os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma” Acerca do tema, o Decreto nº 3.000/99 (RIR), em seu artigo 39, inciso XXXIII, bem como o §4º do mesmo artigo, assim dispõe: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); A partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei n° 9.250, de 26/12/1995, in verbis: Art. 30 — A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6" da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios." De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, ou reforma, ou pensão, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal, atestada por laudo de serviço médico oficial. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10380.000471/200729 Acórdão n.º 2801003.297 S2TE01 Fl. 44 5 Por seu turno, a DRJ, após a análise dos documentos apresentados pela contribuinte, entendeu que não estava comprovado através de laudo médico oficial que a contribuinte era portadora de moléstia grave à época dos fatos. O Acórdão recorrido assim estabeleceu; in verbis: No caso ora discutido, a contribuinte anexou à fl 02 laudo médico particular que atesta a existência de cardiopatia. No entanto, tal documento não é suficiente para concessão de isenção do imposto de renda, uma vez que a legislação exige a comprovação da doença por laudo pericial emitido por serviço médico oficial.(página 27 dos autos) Buscando suprir a falta de comprovação apontada pela DRJ, a contribuinte apresentou laudo médico do INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DO MUNICÍPIO – IPM, que, por sua vez, afirma ser a contribuinte portadora de cardiopatia grave. (página 36 dos autos) Ocorre que referido laudo médico não atesta que a contribuinte era portadora de cardiopatia grave no ano base de 2004; chegando, inclusive, a mencionar exames realizados apenas no ano de 2008. Assim, entendo que a recorrente não logrou êxito em provar que era, à época do fato gerador, portadora de moléstia grave. Não tendo, portanto, direito à isenção pleiteada, no ano base de 2004. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 44DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
score : 1.0
Numero do processo: 10830.903278/2008-87
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 25/08/2004
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-002.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Francisco José Barroso Rios e Bruno Maurício Macedo Curi que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 25/08/2004 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Francisco José Barroso Rios e Bruno Maurício Macedo Curi que davam provimento. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi.
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DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Francisco José Barroso Rios e Bruno Maurício Macedo Curi que davam provimento. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 32 78 /2 00 8- 87 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.903278/200887 Acórdão n.º 3802002.144 S3TE02 Fl. 67 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa. “Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório eletrônico da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas (fl. 30), que deferiu parcialmente o pedido de restituição e homologou até o limite do crédito reconhecido a compensação declarada no PERDCOMP de fls. 05/10, transmitida em 25/08/2004, porque o valor pleiteado foi parcialmente utilizado na quitação de débitos confessados pela contribuinte. Irresignada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade de fl. 02, na qual requer a revisão do despacho decisório alegando que: 1. O DARF com recolhimento de IPI (fl. 04), relativo ao 2º decêndio de setembro de 2002, e vencimento em 28/09/2001, foi preenchido equivocadamente, com valor de juros e multa incorretos e colocados em campos inversos; 2. Apresentou o PER/DCOMP informando o DARF com o preenchimento incorreto e, logo em seguida, informando o DARF com preenchimento correto; 3. Não apresenta débitos no valor informado no despacho decisório e que consta do PER/DCOMP; 4. Requer que se analise se o procedimento adotado de enviar o PER/DCOMP não era necessário, pois o mesmo foi enviado apenas para informar o preenchimento correto do DARF em questão.” A DRJ/RPO decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade em acórdão cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 25/08/2004 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito” Ciente do acórdão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual afirma que o PER/DCOMP foi enviado apenas para informar o correto preenchimento do DARF e que não se referia a compensação de créditos tributários. É o relatório. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.903278/200887 Acórdão n.º 3802002.144 S3TE02 Fl. 68 3 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Retificações de DARF, em que não tenha havido pagamento indevido ou a maior, devem ser processados, seguindose específicas instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Os resultados destas retificações não são passíveis de julgamento administrativo nos termos do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972. Assim, se a contribuinte tivesse pleiteado apenas retificação de dados do DARF e não tivesse promovido compensação dos valores pagos por meio do DARF, sob alegação de que houve pagamento indevido ou a maior, esta turma não estaria diante do caso em questão. O processo não se iniciou com pedido de retificação de DARF, mas sim com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de IPI. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. Logo, o despacho decisório, com amparo em lei, não homologou a compensação promovida pela contribuinte. E é justamente a nãohomologação da compensação, matéria que pode ser julgada administrativamente, sob o rito do Decreto nº 70.235, de 1972, por força do art. 74, §§ 9º a 11, da Lei nº 9.430, de 1996, que merece as considerações desta turma. Antes, observese que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, à luz do art. 74, §§ 6º a 8º, da Lei nº 9.430, de 1996, de modo que a exigência do pagamento destes débitos não deve ser submetida a julgamento administrativo. Ainda que a declaração de compensação contenha erro, não cabe nesta instância sua correção, o que deverseia realizar pela entrega de declaração retificadora, tal Fl. 68DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.903278/200887 Acórdão n.º 3802002.144 S3TE02 Fl. 69 4 como estabelecido nos arts. 6º a 8º das Instruções Normativas SRF nº 360. de 24/02/2003, e nº 376, de 23/12/2003. No mesmo sentido, os arts. 55 a 58 da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, e IN SRF nº 600, de 28/12/2005, e, atualmente, os arts. 76 a 79 da IN SRF nº 900, de 30/12/2008. As alegações constantes da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário não servem para afastar as razões que fundamentaram o despacho decisório e a decisão de primeira instância administrativa A contribuinte não retificou a DCTF e a DCOMP e não apresentou documentos e livros fiscais e contábeis suficientes para comprovar erro nestas declarações, apesar de a decisão da DRJ/RPO ter deixado claro sua necessidade, conforme a ementa do acórdão recorrido. Esta turma tem admitido a redução de débito declarado em DCTF somente se forem apresentadas provas inequívocas da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios A 1ª Turma Especial desta Seção de Julgamento também entendeu ser admissível a DCTF retificadora após a ciência do despacho decisório, desde que mediante demonstração e comprovação do erro, conforme acórdão 380100.190, de 22/05/2012, em que foi relator o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. Várias decisões da 2ª Turma da 4ª Câmara desta Seção de Julgamento foram tomadas com base no mesmo entendimento. Serve de exemplo o acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012: Estas decisões estão amparadas: i) na legislação tributária, que dispõe que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN); ii) na lei que trata do processo administrativo tributário federal, que estabelece que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, a menos que fique demonstrada sua impossibilidade por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriores (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972); iii) no artigo 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso,.que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Pelo exposto, em especial, tendo em vista que o processo se iniciou com PER/DCOMP e que a contribuinte não comprovou erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior, o que implica a inexistência de direito de crédito líquido e certo, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.903278/200887 Acórdão n.º 3802002.144 S3TE02 Fl. 70 5 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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