Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10380.003966/2002-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 1997
DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO.
Não comprovado nos autos, através de documentação hábil e idônea, a correlação dos depósitos efetuados em processo judicial, com o crédito ora combatido, não há que se falar em suspensão da exigibilidade dos créditos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator ad hoc.
EDITADO EM: 19/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 1997 DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. Não comprovado nos autos, através de documentação hábil e idônea, a correlação dos depósitos efetuados em processo judicial, com o crédito ora combatido, não há que se falar em suspensão da exigibilidade dos créditos. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10380.003966/2002-03
anomes_publicacao_s : 201505
conteudo_id_s : 5473746
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3302-002.483
nome_arquivo_s : Decisao_10380003966200203.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : GILENO GURJAO BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10380003966200203_5473746.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator ad hoc. EDITADO EM: 19/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5959780
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047889496768512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1614; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.003966/200203 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.483 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2014 Matéria PIS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente CLÍNICA DE ENDOSCOPIA E CIRURGIA DIGESTIVA DR. EDGARD NADRA ARY LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 1997 DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. Não comprovado nos autos, através de documentação hábil e idônea, a correlação dos depósitos efetuados em processo judicial, com o crédito ora combatido, não há que se falar em suspensão da exigibilidade dos créditos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator ad hoc. EDITADO EM: 19/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 39 66 /2 00 2- 03 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.003966/200203 Acórdão n.º 3302002.483 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Adotase o relatório do Acórdão recorrido, por bem refletir a contenda. Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foi lavrado o Auto de Infração nº 0002297, relativo à Contribuição para o Pis/Pasep, fls. 10/18, no valor total de R$ 100.458,42 (cem mil, quatrocentos e cinqüenta e oito reais e quarenta e dois centavos), incluindo os encargos legais. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 11, o lançamento decorreu de auditoria interna em Declarações de Contribuições e Tributos Federais – DCTF, correspondente ao anocalendário 1997. Na ocasião, foi apurada a infração a seguir informada: FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, conforme Anexo III – DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR, fl. 15. Irresignado com a exigência, da qual foi notificado em 20/03/2002, fl. 48, o contribuinte apresentou impugnação em 27/03/2002, fls. 04/07, contrapondose ao lançamento sob os argumentos a seguir sintetizados. Preliminarmente aduziu a necessidade da existência de notificação prévia, antes de ser autuado, de modo que pudesse exercer a defesa em sua plenitude, o que não teria ocorrido no caso em apreciação, o que caracterizaria a ocorrência de cerceamento do direito de defesa, a implicar na nulidade do lançamento. No que se refere ao mérito, fez constar que os valores lançados encontravam se com a exigibilidade suspensa, face o que foi decidido pela Justiça Federal, informando ainda haver efetuado os depósitos judiciais dos valores exigidos, em conta existente na Caixa Econômica Federal, conforme cópias acostadas às fls. 19/26. Anotese haver sido observada a existência no processo de diversas cópias de DARF, fls. 40/45, referentes ao IRRF, código 1708. Tais recolhimentos estão relacionados ao auto de infração nº 0002296, fls. 29/39. A matéria foi impugnada pelo contribuinte, consoante anotado à fl. 06. Todavia, conforme informado pela autoridade local, o presente processo controla tãosomente o auto de infração nº 0002297, pertinente ao Pis, motivo pelo qual não se apreciará no presente julgado o lançamento do IRRF, objeto do processo nº 0002296, fls. 29/39. Acordaram os membros da 3a Turma de Julgamento da DRJ/FOR no sentido dar provimento parcial à pretensão da recorrente nos seguintes termos: AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O lançamento de ofício oriundo de revisão de declarações, incluindose auditoria interna de DCTF, independe de intimação Fl. 273DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.003966/200203 Acórdão n.º 3302002.483 S3C3T2 Fl. 4 3 prévia ao contribuinte quando a Administração Pública se encontrar de posse de todos os elementos necessários ao lançamento, rechaçandose a tese de prejuízo à defesa suscitada pela impugnante. DEPÓSITOS JUDICIAIS. INSUFICIÊNCIA. NÃO SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO CONSTITUÍDO. Somente o depósito do montante integral do débito em litígio suspende a exigibilidade do crédito tributário. Na hipótese de os depósitos apresentados representarem valores inferiores àqueles exigidos no lançamento discutido, não sendo caso de suspensão da exigibilidade, a cobrança deve prosseguir, sem qualquer óbice. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tendo em vista o princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, II, “c”, da Lei nº 5.172/1966 (CTN), há que se proceder à exoneração da multa de ofício aplicada e restabelecer os encargos moratórios. Intimada em 03.05.2012, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 30.05.2012. É o relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator ad hoc. Cumpridas todas as formalidades processuais, de acordo com a legislação que rege a matéria e tendo o contribuinte ingressado com recurso voluntário no prazo legal, dele tomo conhecimento. A matéria posta à apreciação por esta E. Turma referese ao marco temporal para a contagem do prazo decadencial do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário pelo lançamento. Conforme consta dos autos a Recorrente foi autuada e notificada do AIIM nº 002097 em 20/03/2002, o qual exige da Recorrente PIS, referente ao anocalendário de 1997. Nos termos do artigo 142, do Código Tributário Nacional, o crédito tributário se torna constituído através do lançamento tributário, o qual constitui atividade privativa da autoridade administrativa: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido Fl. 274DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.003966/200203 Acórdão n.º 3302002.483 S3C3T2 Fl. 5 4 o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. No processo em epígrafe, com a notificação da Recorrente, em 20.03.2002, para impugnar o Auto de Infração, o crédito tributário, ora discutido foi definitivamente constituído, não havendo que se falar em decadência nos termos do artigo 173, parágrafo único do CTN. Veja que, notificado o contribuinte para pagar os valores faltantes ou se defender, dáse a constituição definitiva do crédito tributário, o que inaugura o prazo prescricional para a sua cobrança (art. 174, do CTN), salvo em ocorrendo quaisquer das hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151, do CTN) ou interrupção do lustro prescricional (art. 174, parágrafo único, do CTN). Desta feita, não há de se admitir o argumento apresentado pela Recorrente, a este respeito. Dos depósitos judiciais Por fim, alega a Recorrente que os valores lançados encontramse suspensos em razão dos depósitos judiciais vinculados ao processo judicial nº 0020484 49.1996.4.05.8100. Contudo, a Recorrente não logrou demonstrar, nos autos em questão, a correlação dos depósitos efetuados no referido processo judicial, com o crédito ora combatido. Compulsando os autos, não encontramos quaisquer documentos relacionados ao processo judicial supracitado. Também, não temos como identificar que as guias de depósitos acostadas às fls. 19/26, referemse ao débito ora debatido. Muito embora às referidas guias façam menção ao processo judicial nº 96.204845, não foram juntados aos autos nenhum documento relacionado a esse processo judicial, o que nos impossibilita de correlacionar tais depósitos aos débitos ora combatidos. Por fim, verificando o sitio do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, onde tramitou o referido processo, a única informação que podemos ter é que naquele processo discutiuse a questão de compensação de créditos decorrentes de recolhimento indevido do PIS no período de out/95 a fev/96, com base na Medida Provisória nº 1.212/95, o que difere da questão discutida nesse processo administrativo, qual seja a compensação referente ao período base de 1997. Conclusão Fl. 275DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.003966/200203 Acórdão n.º 3302002.483 S3C3T2 Fl. 6 5 Por todo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator ad hoc. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10280.001733/2005-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. RECURSO ESPECIAL 993.164. DECISÃO PROFERIDA PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. APLICAÇÃO.
As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em Regime de Recursos Repetitivos, sistemática prevista no artigo 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte (artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).
A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização de Crédito Presumido do IPI, descaracteriza referido crédito como escritural, exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3102-002.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. Por unanimidade de votos, para que (i) os cálculos do Crédito Presumido observem as conclusões registradas no Termo de Encerramento de Diligência de folhas 694 a 696 (e-Proc) e (ii) não seja reconhecido eventual direito a crédito adicional apurado pela Fiscalização Federal no curso do procedimento e não requerido à inicial pelo contribuinte. Pelo voto de qualidade, para que a fração do crédito reconhecido depois do Despacho Decisório seja corrigida pela aplicação da Taxa Selic desde o protocolo do Pedido. Vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e o Conselheiro Ricardo Vieira de Carvalho Fernandes, que admitiam a correção pela Taxa Selic para a totalidade do crédito reconhecido. O Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira e a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar votaram pelas conclusões em relação ao direito do contribuinte ao crédito adicional apurado pelo Fisco.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 04/04/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Luiz Feistauer de Oliveira, Andréa Medrado Darzé, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Ricardo Vieira de Carvalho Fernandes.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. RECURSO ESPECIAL 993.164. DECISÃO PROFERIDA PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. APLICAÇÃO. As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em Regime de Recursos Repetitivos, sistemática prevista no artigo 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte (artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização de Crédito Presumido do IPI, descaracteriza referido crédito como escritural, exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10280.001733/2005-39
anomes_publicacao_s : 201506
conteudo_id_s : 5474400
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3102-002.411
nome_arquivo_s : Decisao_10280001733200539.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 10280001733200539_5474400.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. Por unanimidade de votos, para que (i) os cálculos do Crédito Presumido observem as conclusões registradas no Termo de Encerramento de Diligência de folhas 694 a 696 (e-Proc) e (ii) não seja reconhecido eventual direito a crédito adicional apurado pela Fiscalização Federal no curso do procedimento e não requerido à inicial pelo contribuinte. Pelo voto de qualidade, para que a fração do crédito reconhecido depois do Despacho Decisório seja corrigida pela aplicação da Taxa Selic desde o protocolo do Pedido. Vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e o Conselheiro Ricardo Vieira de Carvalho Fernandes, que admitiam a correção pela Taxa Selic para a totalidade do crédito reconhecido. O Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira e a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar votaram pelas conclusões em relação ao direito do contribuinte ao crédito adicional apurado pelo Fisco. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator EDITADO EM: 04/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Luiz Feistauer de Oliveira, Andréa Medrado Darzé, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Ricardo Vieira de Carvalho Fernandes.
dt_sessao_tdt : Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
id : 5960434
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047889517740032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2285; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 2 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.001733/200539 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102002.411 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2015 Matéria PER/DCOMP Crédito Presumido do IPI Recorrente PAMPA EXPORTAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO ORIGINAL. EXCEDENTE APURADO PELA FISCALIZAÇÃO. CONCESSÃO. POSSIBILIDADE. PRAZO. PRESCRIÇÃO. Deve ser reconhecido o direito ao crédito não requerido originalmente no pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte, mas apurado pela Fiscalização Federal na análise do pleito. Prescreve em cinco anos o direito de constituir o pedido de reconhecimento do crédito escriturado, na forma especificada pela Administração Tributária ou. Não sendo possível fazêlo na forma prescrita, atribuise o mesmo efeito à manifestação expressa apresentada pelo contribuinte no curso do procedimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. RECURSO ESPECIAL 993.164. DECISÃO PROFERIDA PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. APLICAÇÃO. As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em Regime de Recursos Repetitivos, sistemática prevista no artigo 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte (artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização de Crédito Presumido do IPI, descaracteriza referido crédito como escritural, exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 17 33 /2 00 5- 39 Fl. 730DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. Por unanimidade de votos, para que (i) os cálculos do Crédito Presumido observem as conclusões registradas no Termo de Encerramento de Diligência de folhas 694 a 696 (e Proc) e (ii) não seja reconhecido eventual direito a crédito adicional apurado pela Fiscalização Federal no curso do procedimento e não requerido à inicial pelo contribuinte. Pelo voto de qualidade, para que a fração do crédito reconhecido depois do Despacho Decisório seja corrigida pela aplicação da Taxa Selic desde o protocolo do Pedido. Vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e o Conselheiro Ricardo Vieira de Carvalho Fernandes, que admitiam a correção pela Taxa Selic para a totalidade do crédito reconhecido. O Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira e a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar votaram pelas conclusões em relação ao direito do contribuinte ao crédito adicional apurado pelo Fisco. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 04/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Luiz Feistauer de Oliveira, Andréa Medrado Darzé, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Ricardo Vieira de Carvalho Fernandes. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI referente ao segundo trimestre de 2004, no valor de R$ 1.089.300,76, juntamente com declarações de compensação (fls. 64/204 e 256/259). 2. Inicialmente foi solicitado ao Sefis da DRF Belém diligência no sentido de apurar a procedência do pedido com base na Portaria MF n° 38, de 1997, sendo que o pleito original requeria o ressarcimento do crédito calculado na forma alternativa, instituída pela Lei n° 10.276 de 29 de novembro de 2001, motivo pelo qual houve a necessidade de retorno do processo ao Sefis, para nova análise. 3. Na análise inicial, o Sefis reconheceu parcialmente o direito ao crédito, glosando os seguintes insumos: a) energia elétrica e combustíveis, pois o cálculo do crédito presumido na forma original não admite tais itens; b) frete, por não se integrar ao produto final por intermédio de qualquer processo de industrialização, em se tratando de serviço; c) “classificação”, por não especificar o tipo de insumo. 4. Já na segunda apreciação foram glosados “serviços de industrialização”, além das despesas de frete referente às aquisições de matériaprima, restando um crédito reconhecido de R$ 283.826,53, sendo homologada parcialmente a Dcomp de fl. 64/67 e indeferidas as demais. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10280.001733/200539 Acórdão n.º 3102002.411 S3C1T2 Fl. 3 3 5. Cientificada em 19.09.2007 (AR fl. 294 v.) a interessada apresentou, tempestivamente, em 16.10.2007, manifestação de inconformidade na qual alega haver a Fiscalização equivocadose no cálculo do fator “F” de apuração do crédito, deixando de observar as disposições da Lei n° 10.276, de 2001, quando aplicou os custos referentes ao trimestre, em vez de utilizar os custos acumulados até o mês anterior ao da apuração, assim como fez com as receitas, implicando em redução do fator, já que comparou receitas acumuladas com custo não acumulado. A empresa expôs a forma que entende ser correta para o cálculo. 6. Posteriormente, contesta a glosa efetuada sobre os fretes correspondentes às aquisições de matériasprimas, por entender que isso distorce o conceito de custo da matériaprima e, portanto, o custo de produção dos bens exportados, não havendo como sustentar que tal frete, pago pelo exportador a empresas transportadoras e cuja receita está sujeita ao PIS/Pasep e à Cofins, não faça parte do custo do produto exportado. 7. Afirma, anexando cópias de conhecimentos de transporte com indicação das notas fiscais de matériasprimas a que se referem, haver contratado os serviços de transporte das referidas matériasprimas, ressaltando que, segundo entendimento do Conselho de Contribuintes, o aproveitamento somente deixa de ser possível quando a empresa não conseguir demonstrar e vincular cada conhecimento a uma ou mais notas fiscais de entrada de MP, não sendo esse o seu caso. 8. Alerta que não está questionando o frete entre o fornecedor e o porto, o qual ficou por conta do primeiro, mas sim o frete entre o porto até seu parque industrial, que ficou por sua conta, reforçando ainda a idéia de que o frete integra o custo da matériaprima, sendo componente integrante e indissociável da cadeia de produção. 9. Cita orientações contidas no sítio da receita na internet (Perguntas e Respostas DIPJ/2005 – n° 785 e DCP 2003) as quais admitem a hipótese de inclusão do valor do frete no custo das matériasprimas. 10. Com referência à glosa dos “serviços de industrialização”, argumenta que não há como negar que os serviços de industrialização são partes integrantes do processo produtivo de industrialização, não podendo ser mantida a glosa, lembrando que a Lei n° 10.276, de 2001, determina que tais valores gerem direito só crédito presumido. 11. Por fim, defende o direito à atualização do valor ressarcido pela taxa Selic, citando decisões judiciais e acórdãos do Conselho de Contribuintes e requer que seja revista a decisão nos termos acima defendidos e o direito à produção e anexação de novas provas. 12. Em primeira análise, entendeuse ser necessária a realização de diligência para as seguintes providências (fls. 455/460): “a.1) rever a glosa sobre frete nas compras de matériasprimas, quando pago a terceiros, nos casos em que o transporte seja efetuado por pessoa jurídica contribuinte de PIS/Pasep e da Cofins, com o conhecimento de transporte vinculado única e exclusivamente à nota fiscal de aquisição; a.2) refazer o cálculo do crédito presumido, na forma alternativa estabelecida na Lei n° 10.276, de 2001, e na Instrução Normativa SRF n° 315, de 2003 (utilização dos custos e receitas acumulados desde o início do ano inciso II do art. 10), com os ajustes indicados nas alíneas acima; Fl. 732DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 4 a.3) consolidar, em relatório circunstanciado, as informações prestadas em atendimento à presente diligência; a.4) apresentar quaisquer outras informações e anexar outros documentos que se considere úteis ou necessários ao prosseguimento do julgamento do presente processo;” 13. Em resposta, a DRF/Belém elaborou o Termo de fls. 478/480, no qual reviu as glosas sobre frete e refez os cálculos do crédito presumido, resultando no valor de R$ 1.017.770,35. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 INSUMOS. O aproveitamento de insumos no cálculo do crédito presumido do IPI necessita da perfeita identificação dos mesmos e comprovação de sua aplicação no produto industrializado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 JUROS SELIC. Descabe a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisou argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. Asseverou que a decisão tomada no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Julgamento efetuou o cálculo do Crédito Presumido de maneira diversa daquela determinada pela legislação e “subtraiu o valor que não guarda qualquer relação com o processo, tampouco é encontrado em qualquer outro local nos autos do processo”. Requereu uma vez mais a inclusão dos serviços de industrialização na base de cálculo do Crédito Presumido, assim como a atualização monetária dos valores a que tem direito. A análise inicial do Processo exigiu novo retorno à Unidade de Origem para que fossem esclarecidas certas questões suscitadas pela defesa, em relação às quais, no entender da Turma de Julgamento, as dúvidas persistiam. Assim constou na parte final da Resolução 3102000.175, de 02 de setembro de 2011. Por essas razões, VOTO POR CONVERTER o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem possa manifestarse a respeito da utilização do redutor por ocasião do cálculo do Fator “F” e justificar a adoção desse critério, assim como da origem e efetiva inclusão nos cálculos do valor de R$ 1.641.568,48 informado pela recorrente. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10280.001733/200539 Acórdão n.º 3102002.411 S3C1T2 Fl. 4 5 Em resposta, a Unidade fez os seguintes esclarecimentos. (...) 2. A Unidade de Origem manifestase nos seguintes termos: 2.1 Houve equívoco na utilização do redutor por ocasião do cálculo do Fator "F"; 2.2 Também houve equívoco na inclusão nos cálculos do valor de R$ 1.641.568,48. O valor correto é de R$ 1.573.667,19. Vide fl. 655. 3. Após o saneamento das incorreções, os cálculos forma refeitos apurando se Crédito Presumido de IPI referente ao 2º trimestre de 2004, no valor de R$ 1.119.187,66 conforme demonstrado a seguir: (...) Instada a se manifestar, a Recorrente repisa argumentos presentes no Recurso Voluntário e acrescenta pedido de que seja reconhecido o saldo credor em valor superior ao que ela própria havia requerido à inicial. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Que se diga de início que, perante o reconhecimento dos enganos cometidos pela Unidade Local, não resta mais controvérsia a respeito dos cálculos realizados pelo Fisco. É isso, inclusive, que se depreende da própria manifestação feita pela Recorrente a respeito das conclusões da Autoridade responsável pelos esclarecimentos prestados em resposta às questões suscitadas na diligência. Observese como se manifestou a defesa. (...) Razão pela qual, merece ser considerado, neste ponto, o cálculo apresentado pela Autoridade diligenciadora na forma do Termo de Encerramento de Diligência que reconheceu o direito vindicado pelo contribuinte. Remanesce, portanto, discussão a respeito (i) da inclusão dos serviços de industrialização na base de cálculo do Crédito Presumido, (ii) da atualização monetária dos valores a que tem direito e (iii) do reconhecimento do saldo credor em valor superior ao que havia sido pedido à inicial. Tratamse de matérias que, no todo ou em parte, já foram analisadas e decididas por este Colegiado, em processos do mesmo contribuinte, pelo menos nos Acórdãos 3102001.227, de 07 de outubro de 2011 e 3102001.946, de 24 de julho de 2013. Desta forma, não vejo razão para que a decisão neste tomada destoe da que foi proposta naqueles, a não ser por um acréscimo que deve ser feito nos elementos anteriormente levados em consideração na formação daquelas decisões, como a seguir se esclarecerá. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 6 Assim, reitero entendimento de que deve ser concedido ao contribuinte o valor do crédito adicional apurado no curso dos procedimentos de fiscalização. Como já expus em outras oportunidades, o fato constitutivo do direito ao crédito do contribuinte é a apresentação do pedido regularmente protocolada perante a Administração Federal, sem a qual não há que se falar em direito de compensação, restituição ou ressarcimento e tampouco se cogita a instauração de litígio em torno da pretensão do administrado. É uma situação análoga à especificada em lei como sendo o fato constitutivo do direito da Fazenda Nacional à exigência de crédito tributário: o lançamento. De fato, ao regulamentar a tramitação do processo de exigência do crédito tributário, a legislação determinou que, se em diligências posteriores houvesse agravamento da exigência inicial, deveria ser lavrado auto de infração complementar e dado ciência ao sujeito passivo. Até o momento presente, contudo, o legislador não se preocupou com a regulamentação dos casos nos quais, como o de que aqui se trata, a verificação de incorreções, omissões ou inexatidões resulte em ampliação do direito de crédito do contribuinte em relação aos valores inicialmente requeridos. Assim, a priori, me parece razoável pensar que, de forma semelhante ao que foi definido em lei nos casos de agravamento da exigência fiscal, uma vez que seja constatado acréscimo na expressão do direito de crédito do administrado, o valor adicional deve ser objeto de novo pedido, ato que, praticado, materializa a pretensão, sob condição do ulterior reconhecimento do crédito. No caso vertente, o contribuinte ficou sabendo que o valor do crédito a que teria direito era maior do que o pleiteado originalmente quando tomou conhecimento do resultado da diligência determinada por este Colegiado. Foi exatamente nesse momento que reclamou o crédito adicional. Observese como consta no corpo da manifestação feita depois de realizada a diligência: Por força da determinação de diligência deste Egrégio CARF houve alteração naquela realidade, passando o valor apurado pela autoridade fazendária a ser superior ao vindicado originalmente pelo contribuinte. Nesse sentido temos: a) Pedido de Ressarcimento Originário: R$ 1.089.300,76; b) Crédito Apurado e Reconhecido pelo agente fazendário em sede de diligência fiscal: R$ 1.119.187,66. c) Crédito Apurado a Maior pela Autoridade Fazendária R$ 29.886,90. (...) Tendo o próprio agente fiscalizador reconhecido crédito superior àquele requerido, merece a diferença ser ressarcida ao Contribuinte de ofício nos termos da legislação de regência. Nestas circunstâncias, segundo entendo, é de se admitir que o pedido que constitui a pretensão do contribuinte foi feito quando da apresentação da manifestação ao resultado da diligência demandada por este CARF, na medida em que a empresa claramente consigna no corpo do documento o requerimento de que o crédito adicional seja reconhecido. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10280.001733/200539 Acórdão n.º 3102002.411 S3C1T2 Fl. 5 7 E, também, creio que tampouco a formalidade pode ser oposta ao reconhecimento desse direito. É o que se depreende das disposições normativas presentes na Lei 9.784/99. Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir. Seja por todas as razões até aqui expostas, ou seja, então, em prestígio à verdade material, ao princípio da economia processual ou da instrumentalidade das formas, entendo que deveria ser reconhecido o direito ao crédito do administrado até o valor total apurado pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, até mesmo porque não haveria mais como fazêlo nos moldes determinadas pela Administração Tributária. É aqui, contudo, que fazse necessário observar a ocorrência de um evento que passou despercebido nas outras decisões. Há um prazo para que o contribuinte exerça o direito de requerer o ressarcimento/compensação/restituição de tributos. Em regra geral1, esse prazo é de cinco anos contados da data em que nasceu o direito. No caso concreto, o período de apuração ocorreu entre 01/04/2004 a 30/06/2004, restando incontroverso que o direito ao crédito está prescrito, pois a manifestação a que se faz menção nas considerações precedentes somente ocorreu em 28/02/20142. Noutro giro, no que diz respeito à correção monetária, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, aplicase a decisão tomada no Recurso Especial nº 993.164, do Superior Tribunal de Justiça, decidido em Regime de Recursos Repetitivos. Para maior clareza, transcrevoo a seguir. RECURSO ESPECIAL Nº 993.164 MG (2007/02311873) RELATOR: MINISTRO LUIZ FUX PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO 1 Excepcionados os pedidos apresentados até o dia 09 de junho de 2005 no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, conforme decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário 566.621, de 04 de agosto de 2011. 2 Observese que até a decisão de primeira instância, o valor reconhecido pelo Fisco ainda era inferior ao valor requerido pelo Contribuinte, como se depreende da leitura do item "4" do Relatório produzido em resposta à diligência demandada pela DRJ: "Após revisão das glosas com fretes refizemos os cálculos e elaboramos"Demonstrativos de lnsumos Adquiridos", fls. 465 a 474, "Demonstrativo de Insumos Glosados", fls. 475 e "Demonstrativos de Insumos tilizados na Produção", fls. 476 a 477 e apuramos Crédito Presumido de IPI a ser ressarcido/compensado pelo requerente no valor de R$ 1.017.770,35 conforme demonstrado a seguir:" Disso resta incontroverso que, somente depois de realizada a diligência demandada por este Colegiado é que se pode falar em crédito adicional. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 8 FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica se, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). Fl. 737DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10280.001733/200539 Acórdão n.º 3102002.411 S3C1T2 Fl. 6 9 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 10 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Autorizada, portanto, a incidência de correção monetária pela Taxa Selic no caso de pedidos baseados no benefício instituído pela Lei 9.363/96. Quanto a isso, imperioso sublinhar que a correção é devida desde a oposição do Órgão estatal, impedindo a utilização do direito ao crédito. No caso concreto, não houve oposição à concessão do valor reconhecido desde o Despacho Decisório. Por fim, no que se refere aos serviços de industrialização, adotase o mesmo critério que norteou a decisão tomada no Acórdão 3102001.946, qual seja, uma vez que, desde o início, o contribuinte resiste a fazer prova de que tais serviços são serviços de industrialização por encomenda, não há como considerálos aptos à geração de créditos. A seguir, o fundamento da decisão de piso, que adoto como se meu fosse. Serviços de industrialização" 14. A DRF Belém glosou tais rubricas em virtude de não haver especificação do que seriam tais serviços. Na sua manifestação a empresa deixou de juntar qualquer tipo de comprovação de que esses itens seriam decorrentes de industrialização por encomenda, conforme inciso II do § 1 0, do art. 1° da Lei n° 10.276, de 2001, pelo que votase no sentido de ser mantida a glosa. VOTO pelo parcial provimento ao Recurso Voluntário para que: (i) os cálculos do Crédito Presumido observem as conclusões registradas no Termo de Encerramento de Diligência de folhas 694 a 696 (eProc); (ii) não seja reconhecido eventual direito a crédito adicional apurado pela Fiscalização Federal no curso do procedimento e não requerido à inicial pelo contribuinte e (iii) a fração do crédito reconhecido depois do Despacho Decisório seja corrigida pela aplicação da Taxa Selic desde o protocolo do Pedido. Sala de Sessões, 20 de março de 2015. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 739DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003474/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006
PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO
Tratando-se a determinação de diligência pelo órgão administrativo de julgamento de mera faculdade estabelecida nos termos do Art. 29 do Decreto 70.235/72, descabe falar em nulidade da decisão no caso em que esta restara expressamente indeferida.
Ademais, considerando que se trata de pretensão de diligência para a obtenção de documentos que competiriam à contribuinte apresentar nos autos, descabe falar em qualquer cerceamento ao seu direito de defesa.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE NATUREZA E ORIGEM NÃO COMPROVADOS.
Nos termos do Art. 42 da lei 9.430/96, caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OPERAÇÕES PARALELAS. DESCONTO DE CHEQUES.
A (simples) afirmação da contribuinte de que os cheques creditados em sua conta bancária representavam recursos decorrentes de operações paralelas desenvolvidas por um de seus sócios, não desnatura, por si só, a natureza da receita, confirmando, inclusive, a regularidade da presunção aplicada.
PRÁTICA REITERADA. ARGÜIÇÃO. INSUBSISTÊNCIA.
O conceito de PRÁTICA REITERADA revela certo grau de indeterminação, de modo que descabe falar em invalidade do lançamento na circunstância em que a autoridade fiscal, identificando omissão de receitas em períodos sucessivos, promove a tributação na sistemática diferenciada e mais benéfica para o fiscalizado. O fundamento para a decretação do cancelamento do lançamento mostra-se ainda mais insubsistente quando se constata que a questão sequer foi suscitada em sede defesa, restando evidente que, no caso, não se está diante de matéria de ordem pública.
Numero da decisão: 1301-001.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator), Joselaine Boeira Zatorre (Suplente Convocada) e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Ausente justificadamente o Conselheiro Valmir Sandri. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas.
(Assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES REGO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
(Assinado digitalmente)
PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Joselaine Boeira Zatorre (Suplente Convocada), Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO Tratando-se a determinação de diligência pelo órgão administrativo de julgamento de mera faculdade estabelecida nos termos do Art. 29 do Decreto 70.235/72, descabe falar em nulidade da decisão no caso em que esta restara expressamente indeferida. Ademais, considerando que se trata de pretensão de diligência para a obtenção de documentos que competiriam à contribuinte apresentar nos autos, descabe falar em qualquer cerceamento ao seu direito de defesa. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE NATUREZA E ORIGEM NÃO COMPROVADOS. Nos termos do Art. 42 da lei 9.430/96, caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OPERAÇÕES PARALELAS. DESCONTO DE CHEQUES. A (simples) afirmação da contribuinte de que os cheques creditados em sua conta bancária representavam recursos decorrentes de operações paralelas desenvolvidas por um de seus sócios, não desnatura, por si só, a natureza da receita, confirmando, inclusive, a regularidade da presunção aplicada. PRÁTICA REITERADA. ARGÜIÇÃO. INSUBSISTÊNCIA. O conceito de PRÁTICA REITERADA revela certo grau de indeterminação, de modo que descabe falar em invalidade do lançamento na circunstância em que a autoridade fiscal, identificando omissão de receitas em períodos sucessivos, promove a tributação na sistemática diferenciada e mais benéfica para o fiscalizado. O fundamento para a decretação do cancelamento do lançamento mostra-se ainda mais insubsistente quando se constata que a questão sequer foi suscitada em sede defesa, restando evidente que, no caso, não se está diante de matéria de ordem pública.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 29 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19515.003474/2010-11
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5473021
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-001.811
nome_arquivo_s : Decisao_19515003474201011.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
nome_arquivo_pdf_s : 19515003474201011_5473021.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator), Joselaine Boeira Zatorre (Suplente Convocada) e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Ausente justificadamente o Conselheiro Valmir Sandri. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. (Assinado digitalmente) ADRIANA GOMES REGO - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. (Assinado digitalmente) PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Joselaine Boeira Zatorre (Suplente Convocada), Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
id : 5959055
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047889528225792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2535; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003474/201011 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.811 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de março de 2015 Matéria Omissão de receitas. Depósitos Bancários Recorrente EVENCRIS AUTOMÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO Tratandose a determinação de diligência pelo órgão administrativo de julgamento de mera faculdade estabelecida nos termos do Art. 29 do Decreto 70.235/72, descabe falar em nulidade da decisão no caso em que esta restara expressamente indeferida. Ademais, considerando que se trata de pretensão de diligência para a obtenção de documentos que competiriam à contribuinte apresentar nos autos, descabe falar em qualquer cerceamento ao seu direito de defesa. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE NATUREZA E ORIGEM NÃO COMPROVADOS. Nos termos do Art. 42 da lei 9.430/96, caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OPERAÇÕES PARALELAS. DESCONTO DE CHEQUES. A (simples) afirmação da contribuinte de que os cheques creditados em sua conta bancária representavam recursos decorrentes de “operações paralelas” desenvolvidas por um de seus sócios, não desnatura, por si só, a natureza da receita, confirmando, inclusive, a regularidade da presunção aplicada. PRÁTICA REITERADA. ARGÜIÇÃO. INSUBSISTÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 74 /2 01 0- 11 Fl. 2168DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 2 O conceito de PRÁTICA REITERADA revela certo grau de indeterminação, de modo que descabe falar em invalidade do lançamento na circunstância em que a autoridade fiscal, identificando omissão de receitas em períodos sucessivos, promove a tributação na sistemática diferenciada e mais benéfica para o fiscalizado. O fundamento para a decretação do cancelamento do lançamento mostrase ainda mais insubsistente quando se constata que a questão sequer foi suscitada em sede defesa, restando evidente que, no caso, não se está diante de matéria de ordem pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator), Joselaine Boeira Zatorre (Suplente Convocada) e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Ausente justificadamente o Conselheiro Valmir Sandri. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. (Assinado digitalmente) ADRIANA GOMES REGO Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. (Assinado digitalmente) PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Joselaine Boeira Zatorre (Suplente Convocada), Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 2169DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 19515.003474/201011 Acórdão n.º 1301001.811 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Por muito bem descrever as circunstâncias contidas nos autos, adoto o relatório da decisão de primeira instância, donde destaco: 1. Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima identificada foi autuada em 29/10/2010 (fl. 295) e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo aos tributos abrangidos pelo Simples (IRPJ, contribuição para o PIS, CSLL, COFINS e Contribuição para a Seguridade SocialINSS), multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2006. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 243 a 247), a contribuinte cometeu as seguintes infrações: 2.1. Omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados cuja origem não foi comprovada pela contribuinte regularmente intimada, tributados no montante superior à receita declarada. 2.2. Insuficiência de recolhimento decorrente da mudança de faixa de alíquota do Simples incidente sobre a receita declarada em função do aumento da receita bruta acumulada devido ao cômputo da receita omitida, conforme demonstrativos às fls. 174 a 180. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 3.1. IRPJSimples (fls. 187 a 196) com base nos artigos 186, 188, e 199 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, 2º, § 2º, 3º, “caput”, § 1º, alínea “a”, 5º, 7º, § 1º, 17, e 18, da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998, formalizando crédito tributário calculado até 30/09/2010 no montante de R$ 115.239,61. 3.2. PISSimples (fls. 197 a 209) com base no artigo 3º, alínea “b” da Lei Complementar (LC) nº 07, de 07 de setembro de 1970, combinado com o artigo 1º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, artigos 2º, inciso I, 3º e 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995 e suas reedições, artigos 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea “b”, 5º, 7º, § 1º, 17, e 18 da Lei nº 9.317/1996, e 3º da Lei nº 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 30/09/2010, no montante de R$ 84.348,36. 3.3 CSLL Simples (fls. 210 a 219) com base nos artigos 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea “c”, 5º, 7º, § 1º, 17 e 18 da Lei nº 9.317/1996, e 3º da Lei nº 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 30/09/2010, no montante de R$ 115.239,61 Fl. 2170DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 4 3.4. COFINSSimples (fls. 220 a 229) com base nos artigos 1º e 2º da Lei Complementar (LC) nº 70, de 30 de dezembro de 1991, 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea “d”, 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei nº 9.317/1996, e 3º da Lei nº 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 30/09/2010, no montante de R$ 338.842,86. 3.5. Contribuição para a Seguridade Social – INSSSimples (fls. 230 a 239) com base nos artigos 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea “f”, 5º, 7º, § 1º, 17, e 18 da Lei nº 9.317/1996, e 3º da Lei nº 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 30/09/2010, no montante de R$ 980.505,81. 4. O enquadramento legal da multa de ofício aplicada no montante de 75% dos tributos lançados, encontrase indicado às fls. 188, 198, 211, 221 e 231. O enquadramento legal dos juros de mora é o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996 (fls. 188, 198, 211, 221 e 231). 5. Irresignada com os lançamentos, em 29 de novembro de 2010 (fls. 300 a 302, e 2049), a empresa, representada por Procurador (fls. 323 e 334), apresentou a impugnação às fls. 303 a 322, instruída com documentos às fls. 323 a 2042, na qual alega, em síntese, o seguinte: 5.1. Não se põe em dúvida que depósitos bancários não justificados levam à presunção legal de omissão de receita, em razão do preconizado no artigo 42 da Lei 9.430/1996. 5.2. “Entretanto, como as presunções oferecem o problema, por vezes insolúvel, de atender antes probabilidades do que a verdade, não oferecem a precisão desejada, correndose, quase sempre, o risco de transformála antes em meio técnico de arrecadação, sem resolver o problema de justiça tributária, fortalecendo o poder fiscal em detrimento do contribuinte que suporta o encargo da ação fiscal.” 5.3. Destarte, se usadas ou interpretadas com desrespeito aos princípios da legalidade e da tipicidade, configuram uso abusivo, inadmissível, porque tais princípios não comportam violação. 5.4. O ordenamento jurídico consagra o princípio da reserva absoluta de lei no que se refere à criação e alteração dos tributos. E, se não fora assim, se não determinados esses elementos, previamente, na lei que os cria e/ou altera, o contribuinte não teria a certeza jurídica da extensão do que lhe poderá ser exigido, como exação. A ausência dessa certeza, induvidosamente, implicaria na falta de segurança jurídica que lhe é devida, ficando seu direito desnudado de proteção e sem garantia do seu cumprimento. 5.5. O princípio da tipicidade cerrada impõe, consoante determina a Carta Magna ao legislador, a exigência de definir de maneira rigorosa e exaustiva os elementos essenciais do tipo tributário. 5.6. Os valores depositados não representam renda auferida. Não representam sonegação na sua extensão. Não se subsumem às hipóteses legais. 5.7. A empresa foi sincera quando informou, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal: “a empresa em 13/09/2010 protocolou expediente através do qual informava que os cheques depositados na conta se referiam a operações de desconto de valores para terceiros e solicitava prazo para apresentação.” 5.8. Isto porque os valores depositados nunca foram resultado de seu negócio de desmanche de carros adquiridos em leilões. As fotos que são anexadas a esta Fl. 2171DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 19515.003474/201011 Acórdão n.º 1301001.811 S1C3T1 Fl. 4 5 impugnação dão a exata dimensão de sua capacidade contributiva. (acostou documentos às fls. 2034/2035). 5.9. “O que aconteceu foi que dado o crédito fácil que possuía a Impugnante junto ao Bradesco, seu sócio resolveu se dedicar a descontos de cheques de terceiros, pagando juros ao Banco e procedendo desconto pela troca de cheques. Assim: por um cheque de R$ 2.000,00 era pago R$ 1.900,00. Os cheques recebidos das pessoas jurídicas e pessoas físicas eram depositados no Banco. Daí o expressivo número de depósitos e ocorrências citadas pelo Fisco nas explicações a débito de sua apuração.” 5.10. A prova do que afirma a defendente se dá quando se constata que em todos os meses o saldo bancário, durante praticamente todo o anocalendário 2006, era negativo.(registra tabela à fl. 313). 5.11. “No caso em apreço deixou claro a Impugnante a origem dos recursos depositados. Pagamentos por descontos na troca de cheques. Cheques dos tomadores de mútuos. Tomese o número de depósitos e valores para demonstrar estar a Impugnante falando a verdade.” 5.12. “Cuidou a Impugnante de proceder os seguintes levantamentos, já que não tem como conseguir obter cópias dos cheques que lhe foram entregues em pagamentos dos valores antes entregues aos tomadores. Cheques que foram depositados para diminuir os saldos devedores mensais.” 5.13. A recorrente acosta aos autos (fls. 314/316) Declarações de Clientes tomadores de Mútuo (fls. 336/358), cópias de cheques devolvidos (sem fundos) de tomadores de empréstimos (fls. 360/404), Planilha com relação dos cheques devolvidos (sem fundos) de tomadores de empréstimos (fls. 409/413), Planilha com relação dos cheques emitidos pela empresa para os beneficiários tomadores de empréstimos, por ordem cronológica (fls. 460/471), Planilha com relação dos cheques emitidos pela empresa para os beneficiários tomadores de empréstimos, por ordem alfabética (fls. 472/482), cópias de todos os cheques emitidos, somente juntados pelo Fisco por amostragem (fls. 484/1606), cópias de Notas Fiscais de compras e de vendas “para demonstrar que com as compras seria impossível faturar pela Impugnante os valores reclamados” (fls. 1608/1958), Livro Registro de Saídas (fls. 1960/2005), Livro Registro de Entradas (fls. 2006/2028), e Livro Registro de Movimento de Entradas e Saídas de Veículos (fls. 2029/2032). 5.14. Os valores depositados não decorreram de operações de vendas de sucata ou peças usadas de veículos. Decorreram de operações paralelas (financeiras) exercitada pelo sócio da Impugnante, ou seja: descontos de cheques, com recebimentos e pagamentos de juros. 5.15. Os documentos juntados não deixam dúvidas, bem como o fato de que a empresa informou à fiscalização desde o início de seus trabalhos. O fato de não poder entregar ao senhor Auditor os cópias dos cheques depositados se deve ao fato de não serem fornecidos pelo Banco. Só o emitente tem tal possibilidade. 5.16. Enquanto tem dificuldade a Impugnante para obter as cópias dos cheques depositados, tem o Fisco facilidade, pelo que requer a devida diligência, em busca da verdade material. Fl. 2172DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 6 5.17. Dá notícia os autos de que há ainda representação do Fisco para exclusão da Impugnante do Simples, o que, por tudo o que foi visto, não encontra amparo legal. Quanto a isto há que se registrar não ter tido acesso a defendente às causas do desenquadramento, visto que até o prazo de apresentação da Impugnação, as cópias do processo ainda não estavam disponíveis na DRFB. Fica o protesto. 5.18. Sendo o caso, “deve ser feita uma vistoria no "desmanche", sede da Impugnante, para constatação de suas compras, vendas e estoques, as quais jamais poderiam chegar aos valores reclamados no lançamento.” 6. Devido à ultrapassagem em 2006 do limite de receita para permanência no Simples, a autoridade autuante elaborou Representação Fiscal para Exclusão de Ofício do Simples, constante às fls. 296 a 298 do presente processo. 7. Em 6 de julho de 2011 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo emitiu o Ato Declaratório Executivo DERAT/DIORT/EQRES nº 55/2011, excluindo a autuada do Simples a partir de 01 de janeiro de 2007 (fl. 2050). 8. A exclusão foi fundamentada nos artigos 9º, incisos I e II, 12, 13, inciso II, alínea “a”, 14, inciso I, 15, inciso IV e § 3º, e 16, da Lei nº 9.317, de 05/12/1996; 21, 23, inciso I, e 24, inciso VI, da Instrução Normativa SRF nº 608, de 09/01/2006. 9. A contribuinte tomou ciência deste Ato em 13/07/2011, conforme documento de Rastreamento dos Correios à fl. 2052 dos autos, tendo apresentado, por meio de Procurador (fls. 2073/2074), manifestação de inconformidade em 10/08/2011 (razões às fls. 2054 a 2072 e anexos às fls. 2073 a 2097), no qual repisa os argumentos expostos na defesa ao AI e acrescenta os seguintes tópicos: 9.1. Como restou demonstrado na defesa apresentada ao AI, a empresa jamais ultrapassou os limites do Simples Federal, segundo o disposto no artigo da lei específica, a saber, nº 9.317/1996, bem como à mesma não se aplicam as normas dadas como sustentação à acusação (transcreve artigos da mencionada lei e da IN SRF nº 608/2006 às fls. 2068 a 2072). 9.2. Pelo exposto, fica evidente que a eficácia do ato de exclusão somente poderá se dar após a decisão a ser prolatada acerca do AI. 9.3. Fica requerida a suspensão do ADE, que deverá ser cancelado. A partir da análise dos argumentos expendidos pela contribuinte, entendeu a douta 13ª Turma da DRJ/SP1 pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO, mantendo, assim, em sua integralidade, o lançamento efetivado, a partir dos fundamentos então especificamente destacados em seu acórdão que assim, inclusive, restou ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. Incabível o pedido de realização de diligência pois o litígio se resolve com o direito e os fatos comprovados por documentos já constantes dos autos. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. Fl. 2173DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 19515.003474/201011 Acórdão n.º 1301001.811 S1C3T1 Fl. 5 7 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. LANÇAMENTO. JULGAMENTO. NORMAS APLICÁVEIS. IMPOSTO DE RENDA. As normas relativas ao imposto de renda devem ser aplicadas na determinação e exigência dos créditos tributários devidos em conformidade com o Simples. RECEITA BRUTA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. Os optantes pelo Simples podem excluir da base de cálculo apenas o valor referente às vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos. LIMITE DE RECEITA BRUTA. ULTRAPASSAGEM. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ANO CALENDÁRIO SUBSEQUENTE. O contribuinte, cuja receita bruta ultrapassa o limite estabelecido pela legislação do Simples, deve ser excluído deste sistema de tributação no anocalendário subsequente ao que ocorrer o excesso de receita. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimada do resultado do julgamento, pela contribuinte foi então interposto o seu respectivo Recurso Voluntário, cujas razões assim podem ser sumariadas: PRELIMINARMENTE A recorrente inicia suas razões destacando, em sede preliminar, a existência de "cerceamento ao direito de defesa", tendo em vista que, apesar de objetivamente requerida pela contribuinte a determinação de realização de diligências pelas entidades fiscais às corespectivas instituições financeiras para a obtenção de cópias dos cheques compensados nas contas de terceiros, estas a ela teriam sido negadas. Nada obstante, destaca que, desde o início, por ela própria havia sido expressamente "confessado" que as atividades desenvolvidas tratavamse, na verdade, de operações de "concessão de mútuos", e que os seus ganhos não seriam o do valor constante da cártula compensada, mas sim dos valor de "juros" e "spread" obtidos nas operações mercantis referenciadas. Fl. 2174DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 8 A diligência pretendida, então, tratavase da busca dos cheques compensados nas contas de terceiros, o que, por certo, seria inexigível à contribuinte, mas perfeitamente possível aos agentes da Fazenda, a partir da prática de seu respectivo Poder de Polícia. NO MÉRITO Que a imputação promovida contra a contribuinte pelos agentes da fiscalização se teriam fundado na falta de explicação a respeito das origens e valores depositados, mas que, mesmo tendo sido especificamente explicitadas pela contribuinte, não foram aceitos pela fiscalização, simplesmente determinandose, assim, a aplicação das disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96. Que, segundo a recorrente, é a primeira vez que se tem conhecimento de que o saldo devedor em Banco significa base para a cobrança de IRPJ e Contribuições. Que a contribuinte nunca teria se furtado à específica demonstração da origem e natureza dos cheques por ela depositado, não se podendo admitir, assim, a aplicação do dispositivo aventado. O ganho auferido pela contribuinte era, exatamente, os "pagamentos por desconto na troca de cheques". Que se alguma coisa poderia ser cobrado da recorrente, o montante deveria se circunscrever aos valores dos juros eventualmente cobrados, ou ainda "sobre um capital médio", nada mais. Que os valores depositados na conta bancária da contribuinte não decorreria de operações de venda de sucata ou peças usadas de veículos (que seria o objeto social da empresa), mas das "operações paralelas (financeiras) exercitadas pelo sócio da impugnante, ou seja: descontos de cheques, com recebimento e pagamento de juros". A recorrente sustenta que a origem dos recursos restou pois devidamente demonstrada, que se trataria ali de utilização indevida da conta bancária da empresa para operações desenvolvidas por um de seus sócios. Que o capital de giro obtido está provado nos autos pelos saldos negativos mantidos na conta corrente junto ao Banco Bradesco. Que os extratos não deixam dúvida. Que pelas dificuldades da contribuinte de obter cópias dos cheques depositados poderia ser superada com a determinação de diligência, o que, então, reitera na oportunidade. Continuando sua argumentação, a recorrente volta a afirmar que "tinha crédito no Bradesco e amizade com o gerente. Seu saldo durante todo o período, não obstante intensa movimentação permaneceu constantemente devedor. Fatos alegados e provados nos autos. Não considerados pelo julgador". Reitera todas as razões antes apresentadas em sua impugnação, renovando, mais uma vez, o pedido de diligências, e a impossibilidade de manutenção do lançamento efetivado com base na presunção do Art. 42 da Lei 9.430/96, tendo em vista que teria sim a contribuinte trazido aos autos todas as informações de que dispunha a respeito dos referidos créditos. Esse é o relatório. Passo ao meu voto. Fl. 2175DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 19515.003474/201011 Acórdão n.º 1301001.811 S1C3T1 Fl. 6 9 Voto Vencido Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço. Conforme aqui devidamente destacado no relatório apresentado, a discussão mantida nos presentes autos referese, especificamente, à validade da aplicação das disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96, em decorrência da identificação, pela fiscalização, do ("suposto") recebimento de depósitos pela contribuinte em sua contacorrente no Banco Bradesco, sem a respectiva e necessária escrituração. A contribuinte, em suas razões, a todo momento aponta e reconhece que os referidos montantes teriam sido decorrentes de atividades paralelas desenvolvidas por um de seus sócios, que, utilizandose do caixa da empresa, promovia operação de "descontos de cheques de terceiros", e, ainda, que em decorrência das relações pessoais mantidas com o gerente da respectiva agência bancária, os cheques depositados tinham como objetivo "suprir" as deficiências do saldo da conta, não representando, assim, a seu ver, materialização de hipóteses de incidência dos tributos apontados. Pois bem. Da preliminar de cerceamento do direito de defesa arguida A primeira consideração trazida no Recurso Voluntário referese, especificamente, ao apontamento a respeito de ocorrência, nos presentes autos, de cerceamento ao sagrado direito de defesa da contribuinte, tendo em vista que, apesar de por ela expressamente requerida a designação de diligência para a obtenção, nos respectivos bancos, de cópias dos cheques emitidos/recebidos por terceiros, esta lhe teria sido negada, mas, mantendose a imputação, entretanto, exatamente com base na inexistência de prova a respeito da origem e natureza dos depósitos por ela recebidos, com fulcro nas disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96. Em que pese todo o esforço da recorrente em pretender configurar ali a específica e própria ocorrência do alegado cerceamento, importante destacar que, a nosso ver, não se verifica qualquer possibilidade de sua configuração, sobretudo porque, tendo sido dela objetivamente requerida a apresentação de sua regular escrita fiscal, desde o início da ação fiscalizadora, esta teria sido negada aos agentes da fiscalização, sendo trazidos aos autos apenas "extratos bancários", com informação de recebimento de créditos em conta bancária que, confessadamente, não teriam sido computados pela contribuinte na apuração do montante dos tributos devidos. A realização de diligências pelas autoridades julgadoras administrativas somente será por elas determinado caso entendam necessárias, nos termos, inclusive, expressamente apontado nas disposições do art. 29 do Decreto 70.235/72. Fl. 2176DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 10 No presente caso, as informações a respeito da natureza dos créditos (e, por consequência, a demonstração de seus respectivos efeitos tributáveis) era ônus apenas imputável à própria contribuinte, que, apesar de apresentar uma "explicação" a seu respeito (atividade paralela desenvolvida por um de seus sócios na prática de descontos de cheques), não fez refletir essas operações em sua contabilidade. Aliás, pelo contrário. A contribuinte, desde a sua primeira manifestação perante os agentes da fiscalização, expressamente declara e reconhece que não possui livro caixa e/ou diário, sendo, então, por ela própria apresentados os extratos bancários apontados. Ora, à época dos fatos, a contribuinte tinha promovido a opção pela sistemática de tributação pelo SIMPLES, nos termos da Lei 9.317/96, sendo obrigada, entretanto, nos termos do Art. 7o daquela Lei, à manter (pelo menos) a escrituração do Livro Caixa e o Livro Registros de Inventário, além da boa ordem de toda a documentação pertinente. Nesses termos, o ônus da prova a respeito das operações aventadas, com toda a certeza, eram da própria contribuinte, que dela não se desincumbira, não se havendo falar aqui, absolutamente, em qualquer "cerceamento ao direito de defesa". A realização de diligências pelas autoridades administrativas julgadoras é uma "faculdade" estabelecida em Lei, não acarretando, ipso facto, a nulidade do procedimento o seu simples indeferimento, da forma como pretende ver afirmado a recorrente. Em face dessas considerações, afasto a preliminar de nulidade suscitada. DO MÉRITO No mérito do Recurso Voluntário interposto, relevante observar que, no caso, estáse diante de específica imputação de "omissão de receita", tendo em vista a verificação de depósitos ("ingressos") efetivados na conta bancária da contribuinte que, segundo aponta a fiscalização, não teriam sido submetidos à tributação, o que, então, fora verificado a partir dos extratos bancários disponibilizados pela própria contribuinte em relação a todo o período do ano de 2006, da forma como ali então especificamente apontado. Em primeiro lugar, urge destacar que a aplicação, no caso, da presunção de omissão de receitas decorre, especificamente, da aplicação das disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96, que, sobre a matéria, assim então especificamente destaca: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 2177DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 19515.003474/201011 Acórdão n.º 1301001.811 S1C3T1 Fl. 7 11 II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (destaques nossos) Por essas disposições, verificase que, obtendo os agentes da fiscalização as informações a respeito das movimentações financeiras realizadas nas contascorrentes da fiscalizada e não tendo ela apresentado, ao tempo e modo devido, os específicos e devidos registros dos respectivos montantes em sua contabilidade com a comprovação de sua origem e natureza, perfeitamente válida se mostra a aplicação da presunção de omissão de receitas, da forma como efetivada, não se podendo aqui, portanto, deixarse de observar a especifica determinação legal apontada. Nesse ponto, relevante destacar que a simples afirmação da contribuinte recorrente de que os referidos valores referirseiam a "operações paralelas" de descontos de cheques praticadas e desenvolvidas por um de seus sócios, utilizandose da conta bancária da empresa como se a ele próprio pertencesse, em absolutamente nada ajuda na sustentação de sua tese de defesa, sobretudo porque ali expressamente reconhece que os depósitos efetivados teriam como objetivo, especificamente, a recomposição do saldo negativo mantido naquela conta, supostamente decorrente de inadimplências verificadas. A recorrente, importante destacar, apesar de apontadas como prática imputável apenas a um de seus sócios, não nega que teria obtido "vantagens" das operações, pretendendo, inclusive, que, caso mantida a autuação, deveria ela então recair apenas sobre a parte relativa ao "ganho" auferido, que, não sendo o montante total do depósito, deveria ser constituído como o percentual de "desconto" da referida troca de títulos. Um ponto incontroverso nos autos: os valores creditados na conta bancária da contribuinte, desde o início do ano de 2006, são valores recebidos de terceiros, representando receitas que, por sua vez, deveriam ser submetidas à tributação, em decorrência própria do regime por ela optado (tributação sobre a "receita bruta"), não se verificando, no caso, qualquer possibilidade de dedução de parcelas ou montantes, com a incidência somente sobre parte dos créditos recebidos. Ademais, relevante observar que, no caso específico nos autos, a recorrente, apesar de ter em seu objeto social a comercialização de automóveis e peças usadas, expressamente reconhece que as receitas consideradas tratavamse, na verdade, de prática de Fl. 2178DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 12 "desconto de cheques", em decorrência de "mútuos" firmados com terceiros, com base, inclusive, nas declarações juntadas aos autos. A respeito dessa prática, relevante observar que, no caso, não havendo nos autos qualquer "contrato de mútuo", o que se verifica, na verdade, é o desenvolvimento de prática comercial completamente fora do escopo de atuação da própria empresa, sem que ela, entretanto, em momento algum, apontasse qualquer meio ou forma de impedir ou vedar a prática. Na verdade, pelo contrário. A recorrente, mais uma vez, afirma que os depósitos efetivados tinham como objetivo, exatamente, fazer frente aos saldos negativos mantidos em sua conta bancária, tendo em vista a boa relação mantida com a gerência da instituição financeira apontada. Importante aqui destacar, inclusive, que no caso, não restou apresentado nos autos qualquer contrato de mútuo firmado entre a empresa e o seu sócio, ou mesmo qualquer registro de aumento de capital por este realizado. O que a recorrente chama de mútuo, na verdade, são operações de índole mercantil, mais propriamente aproximada das chamadas factoring, que, inclusive, apresentase como efetiva e verdadeira "conduta vedada" naquela sistemática de tributação, nos termos, inclusive, expressamente constantes no Art. 9o. da Lei 9.317/96. Vejamos: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) IV cuja atividade seja banco comercial, banco de investimentos, banco de desenvolvimento, caixa econômica, sociedade de crédito, financiamento e investimento, sociedade de crédito imobiliário, sociedade corretora de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidora de títulos e valores mobiliários, empresa de arrendamento mercantil, cooperativa de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidade de previdência privada aberta; (...) XII que realize operações relativas a: a) importação de produtos estrangeiros; .(Revogado pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) b) locação ou administração de imóveis; c) armazenamento e depósito de produtos de terceiros; d) propaganda e publicidade, excluídos os veículos de comunicação; e) factoring; f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; (...) (Grifos nossos) Assim, ao contrário do que sustenta a recorrente, a afirmação de que os montantes recebidos em sua conta bancária representariam, na verdade, hipóteses de operações de "descontos de cheques", na verdade, acaba por representar efetiva e própria confissão da reiterada prática de conduta vedada na sistemática do Simples. Fl. 2179DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 19515.003474/201011 Acórdão n.º 1301001.811 S1C3T1 Fl. 8 13 Ademais, a recorrente afirma que o que se estaria tributando na presente oportunidade seria o "saldo negativo" de sua conta bancária, o que, segundo ela, não seria admitido em nosso sistema tributário nacional. Apenas para deixar assente a questão apontada, é importante destacar que, na sistemática do Simples, tributação a "receita bruta", não se admitindo, a princípio, qualquer dedução além das vendas canceladas e os descontos incondicionais. A submissão a sistemática de tributação que admitisse a dedutibilidade de custos (lucro real) dependeriam de prévia e específica opção da própria contribuinte, o que, nos presentes autos, em lugar algum se verifica. Da exclusão do Simples Federal Configuração de 'Prática Reiterada' A par de todas as considerações aqui antes apresentadas, em que pese concluirmos, até agora, pela inadmissibilidade das razões sustentadas no Recurso Voluntário interposto, um ponto ainda aqui merece destaque: a identificação própria dos efeitos da exclusão da sistemática do Simples Federal verificada. Em relação a este ponto, relevante observar que, partindo da análise de extrapolação, pela contribuinte, dos limites anuais de receita determinados pela legislação de regência, os agentes da fiscalização promoveram então a exclusão da contribuinte da sistemática própria do Simples, por meio de ADE que aponta a prática de efeitos a partir do ano seguinte ao da referida extrapolação. Entretanto, conforme aqui antes apontado, tratase nos presentes autos de lançamento decorrente de verificação da efetiva e própria hipótese de "omissão de receitas", identificada desde o primeiro mês do anocalendário de 2006, e ainda, no caso, a confessada prática de "operações de factoring" (troca de cheques), o que, por força das disposições contidas na própria Lei 9.317/96, imporiam o reconhecimento da prática reiterada de conduta vedada, importando, assim, a exclusão de ofício daquela sistemática, nos termos do art. 13 e seguintes. Vejamos: Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; b) ultrapassado, no anocalendário de início de atividades, o limite de receita bruta correspondente a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) multiplicados pelo número de meses de funcionamento nesse período. (Vide Medida Provisória nº 275, de 2005) (Redação dada pela Lei nº 11.307, de 2006) § 1° A exclusão na forma deste artigo será formalizada mediante alteração cadastral. § 2o A microempresa que ultrapassar, no anocalendário imediatamente anterior, o limite de receita bruta correspondente a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais) estará excluída do Simples nessa condição, podendo, mediante alteração cadastral, inscreverse na condição de empresa de pequeno porte.(Vide Medida Provisória nº 275, de 2005) (Redação dada pela Lei nº 11.307, de 2006) § 3° No caso do inciso II e do parágrafo anterior, a comunicação deverá ser efetuada: Fl. 2180DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 14 a) até o último dia útil do mês de janeiro do anocalendário subseqüente àquele em que se deu o excesso de receita bruta, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; b) até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que houver ocorrido o fato que deu ensejo à exclusão, nas hipóteses dos demais incisos do art. 9° e da alínea "b" do inciso II deste artigo. Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; II embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional); III resistência à fiscalização, caracterizada pela negativa de acesso ao estabelecimento, ao domícilio fiscal ou a qualquer outro local onde se desenvolvam as atividades da pessoa jurídica ou se encontrem bens de sua posse ou propriedade; IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual; V prática reiterada de infração à legislação tributária; VI comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; VII incidência em crimes contra a ordem tributária, com decisão definitiva. Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) III a partir do início de atividade da pessoa jurídica, sujeitandoa ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, apenas, de juros de mora quando efetuado antes do início de procedimento de ofício, na hipótese do inciso II, "b", do art. 13; IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. VI a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão, nos casos dos incisos XV e XVI do caput do art. 9o desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 2181DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 19515.003474/201011 Acórdão n.º 1301001.811 S1C3T1 Fl. 9 15 (...) Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. (Grifos e destaques nossos) A partir da leitura dessas disposições, verificase nos autos a identificação de três hipóteses excludentes específicas: i) A extrapolação do limite legal estabelecido para a receita bruta das microempresas; ii) Operações vedadas à sistemática do Simples Federal ("factoring"); e iii) A prática reiterada de infrações à legislação tributária. Observese que, pelas disposições do Art. 15 da Lei 9.317/98, cada uma das hipóteses apresentadas impunha efeitos completamente distintos entre elas, sendo na primeira ("A extrapolação do limite legal estabelecido para a receita bruta das microempresas") com efeitos a partir do anocalendário subsequente; na segunda ("Operações vedadas à sistemática do Simples Federal "factoring"), a partir do mês subsequente ao que for incorrida a situação excludente; e na terceira ("A prática reiterada de infrações à legislação tributária") com efeitos a partir, inclusive, do mês da respectiva ocorrência. A partir dessas considerações, o que se verifica nos autos é que os agentes da fiscalização, identificando a extrapolação da receita bruta auferida pela contribuinte no ano calendário de 2006, determinaram a exclusão de ofício, a partir daí, simplesmente ignorando todas as demais considerações contidas nos autos, o que, entretanto, não se mostra suficiente para a apuração, da forma como efetivada. Ora, a par dessa consideração, é bem verdade que as sustentações a respeito da prática de “factoring” (“desconto de cheques de terceiros”) verificase nos autos desde o primeiro questionamento formulado pela fiscalização a respeito da natureza dos créditos apontados, destacandose aqui, ainda, inclusive, que essa operação, aliada à completa ausência de qualquer registro a respeito dessa movimentação financeira nos controles da contribuinte, encontrase em absolutamente todo o período fiscalizado. Nessas circunstâncias, o que aqui se verifica, sem qualquer sombra de dúvidas, é que a manutenção das condutas apontadas, em flagrante e clara inobservância das específicas disposições da legislação tributária de regência, fora sim devidamente identificada pelos agentes da fiscalização, não havendo qualquer possibilidade de sua simples desconsideração, da forma como efetivado nos presentes autos. A questão da configuração da “prática reiterada” quando da identificação da efetiva operacionalização de “omissão de receitas” pela contribuinte é tema hoje pacífico na jurisprudência desse Conselho, verificandose, a esse respeito, inclusive, diversos precedentes que assim o tem considerado. Vejamos: Número do Processo 16832.000007/201059 Contribuinte IRMAOS AZEVEDO COSTA OFICINA MULTIMARCAS LTDA. Tipo do Recurso RECURSO DE OFÍCIO Data da Sessão 25/09/2014 Fl. 2182DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 16 Relator(a) JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Nº Acórdão 1102001.213 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Ementa Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2006 PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. A falta de apresentação dos extratos bancários e de todos os demais documentos da escrituração, do Livro de Registro de Inventário, e a falta de declaração e recolhimento dos tributos, constatadas ao longo de todos os meses do ano calendário, caracterizam a prática reiterada de infração à legislação tributária, bastante para a exclusão, do Simples, da pessoa jurídica optante deste regime. EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EFEITOS. DECISÃO DEFINITIVA. A exclusão do Simples, no caso de prática reiterada de infração à legislação tributária, surte efeitos a partir do primeiro mês em que constatada a situação excludente, não havendo exigência de prévia decisão condenatória definitiva relativa ao mesmo tipo de infrações, ou relativa a lançamento tributário decorrente dessas mesmas infrações. (Grifos e destaques nossos) Nessa linha temos já, em diversas outras oportunidades, manifestado o nosso entendimento em julgados nesta própria Turma de Julgamento, existindo, inclusive, em nosso acervo próprio, precedentes em que tal entendimento restara pois devidamente assentado, conforme, inclusive, o aresto abaixo, aqui trazido apenas a título de exemplificação: Número do Processo 10410.006626/200906 Contribuinte LEITE & FEITOSA LTDA ME Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 12/04/2012 Relator(a) PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Nº Acórdão 1301000.890 Tributo / Matéria Decisão Os membros da turma acordam, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Redator designado. Vencidos o Conselheiro Relator, Paulo Jakson e o Conselheiro Wilson Guimarães. Designado redator o Conselheiro Valmir Sandri. Ementa: SIMPLES — EXCLUSÃO PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA A omissão de receita comprovada por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, praticada em meses sucessivos, caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária, bastante para a exclusão da optante do Fl. 2183DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 19515.003474/201011 Acórdão n.º 1301001.811 S1C3T1 Fl. 10 17 SIMPLES, devendo a tributação se sujeitar às normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas, a partir do próprio anocalendário da reiterada infração. TRIBUTAÇÃO REFLEXA SIMPLES – PIS/COFINS/CSLL/INSS. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que s vincula. (destaques nossos) A existência, nos autos, de elementos suficientes para a identificação incontestada da prática reiterada de infrações, pela contribuinte, à específica legislação tributária de regência, impunha a obrigatoriedade de verificação de sua configuração pelos agentes da fiscalização, e, nessas circunstâncias, em estrita observância do comando normativo respectivo, a imputação da imediata exclusão da contribuinte na sistemática própria do Simples, e, nos termos do Art. 16 da lei 9.317/96, a apuração dos montantes devidos de acordo com as normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, a partir, inclusive, do mês de ocorrência do fato infracional apontado, o que, entretanto, conforme se verifica, aqui não foi efetivamente observado. A opção promovida pelos agentes da fiscalização, ao que tudo indica, representa, na verdade, a opção de impor à contribuinte a alternativa mais onerosa, que seria, no caso, a aplicação das disposições da Legislação do Simples Federal (Lei 9.317/96), em circunstâncias em que elas próprias impõem/determinam a tributação pelas regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas (não optantes pelo Simples), o que, ao nosso sentir, representaria, no caso, a pretensão de utilização do tributo como “sanção por ato ilícito”, em expressa afronta às disposições do próprio Art. 3º do Código Tributário Nacional. A atividade de julgamento no Processo Administrativo de Recursos Fiscais, aqui já temos sustentado, é sustentáculo do controle de validade do lançamento fiscal, sendo esse, circunstancialmente, o mote de nossas atuações. Em face dessas considerações, tendo em vista a inobservância, pelos agentes da fiscalização, das específicas normas de regência (no caso, as disposições da Lei 9.317/96) quando da apuração dos montantes devidos pela contribuinte, e, no caso, a efetiva e válida identificação de materialização da hipótese de “Prática Reiterada de Infração à Legislação Tributária”, que, por sua vez, por força das disposições expressas do Art. 16 daquele diploma impunha a apuração dos montantes devidos a partir da aplicação das normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas (nãooptantes pelo Simples), entendo como impossível a manutenção do lançamento da forma como efetivado. Com base nesses fundamentos, na linha da jurisprudência deste CARF, encaminho o meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendo, no caso, a invalidade do lançamento da forma como efetivado, tendo em vista que, configurada a prática reiterada de infração à legislação tributária, deveria ser então a contribuinte excluída daquela sistemática desde a data da identificação da primeira ocorrência, apurandose os montantes devidos a partir das normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas, o que, não tendo sido observado pelos agentes da fiscalização, impõe, na presente vertente, a obrigatoriedade de desconstituição do lançamento, nos termos e fundamentos aqui então devidamente apontados. Fl. 2184DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 18 É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 2185DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 19515.003474/201011 Acórdão n.º 1301001.811 S1C3T1 Fl. 11 19 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Redator Designado. Inobstantes as valiosas considerações do Ilustre Conselheiro Relator, o Colegiado, pelo voto de qualidade, divergiu do entendimento com relação ao que ele denominou "Da exclusão do Simples Federal Configuração de 'Prática Reiterada “invalidade do lançamento”. O Ilustre Conselheiro Relator declina o seguinte entendimento, in verbis: A par de todas as considerações aqui antes apresentadas, em que pese concluirmos, até agora, pela inadmissibilidade das razões sustentadas no Recurso Voluntário interposto, um ponto ainda aqui merece destaque: a identificação própria dos efeitos da exclusão da sistemática do Simples Federal verificada. Em relação a este ponto, relevante observar que, partindo da análise de extrapolação, pela contribuinte, dos limites anuais de receita determinados pela legislação de regência, os agentes da fiscalização promoveram então a exclusão da contribuinte da sistemática própria do Simples, por meio de ADE que aponta a prática de efeitos a partir do ano seguinte ao da referida extrapolação. Entretanto, conforme aqui antes apontado, tratase nos presentes autos de lançamento decorrente de verificação da efetiva e própria hipótese de "omissão de receitas", identificada desde o primeiro mês do anocalendário de 2006, e ainda, no caso, a confessada prática de "operações de factoring" (troca de cheques), o que, por força das disposições contidas na própria Lei 9.317/96, imporiam o reconhecimento da prática reiterada de conduta vedada, importando, assim, a exclusão de ofício daquela sistemática, nos termos do art. 13 e seguintes. (...) A partir da leitura dessas disposições, verificase nos autos a identificação de três hipóteses excludentes específicas: i) A extrapolação do limite legal estabelecido para a receita bruta das microempresas; ii) Operações vedadas à sistemática do Simples Federal ("factoring"); e iii) A prática reiterada de infrações à legislação tributária. Observese que, pelas disposições do Art. 15 da Lei 9.317/98, cada uma das hipóteses apresentadas impunha efeitos completamente distintos entre elas, sendo na primeira ("A extrapolação do limite legal estabelecido para a receita bruta das microempresas") com efeitos a partir do anocalendário subsequente; na segunda ("Operações vedadas à sistemática do Simples Federal "factoring"), a partir do mês subsequente ao que for incorrida a situação excludente; e na terceira ("A prática reiterada de infrações à legislação tributária") com efeitos a partir, inclusive, do mês da respectiva ocorrência. Fl. 2186DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 20 A existência, nos autos, de elementos suficientes para a identificação incontestada da prática reiterada de infrações, pela contribuinte, à específica legislação tributária de regência, impunha a obrigatoriedade de verificação de sua configuração pelos agentes da fiscalização, e, nessas circunstâncias, em estrita observância do comando normativo respectivo, a imputação da imediata exclusão da contribuinte na sistemática própria do Simples e, nos termos do Art. 16 da lei 9.317/96, a apuração dos montantes devidos de acordo com as normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, a partir, inclusive, do mês de ocorrência do fato infracional apontado, o que, entretanto, conforme se verifica, aqui não foi efetivamente observado. Notase, pois, que, para o Relator, estaria configurada no presente caso a prática reiterada a que alude o inciso V do art. 14 da Lei nº 9.317, de 1996, de modo que caberia à autoridade fiscal promover, de ofício, a exclusão da contribuinte da sistemática do SIMPLES e, a partir daí, submetêla à tributação segundo as regras previstas para as pessoas jurídicas em geral. A tese acolhida pelo Ilustre Relator diz respeito ao fato de que, considerados os elementos reunidos ao processo, estaria caracterizada a PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÕES, o que implicaria em tributação nos moldes aplicados às demais pessoas jurídicas, e não na sistemática do SIMPLES. A argumentação foi rejeitada, primeiramente porque a questão sequer foi suscitada em sede de recurso, não cabendo, no caso, a argüição de que tal matéria seria de ordem pública, obrigando, assim, o Colegiado a conhecêla de ofício. Com efeito, o conceito de prática reiterada é contaminado de indeterminação, não sendo pacífico o entendimento de que ela resta caracterizada na circunstância versada nos autos. No mais, restou consignado que o agente fiscal não detém competência para, a partir da caracterização de uma suposta prática reiterada de infrações, decretar a exclusão do contribuinte da sistemática do SIMPLES. Nos termos do parágrafo 3º do art. 15 da Lei nº 9.317/96, a exclusão de ofício, para que possa surtir os efeitos jurídicos que lhe são próprios, deve ser promovida por meio da expedição de ato declaratório da autoridade fiscal da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurandolhe o exercício do contraditório e da ampla defesa, nos termos das normas processuais em vigor. Pelas razões expostas, decidiu o Colegiado, pelo voto de qualidade, afastar a invalidade do lançamento suscitada de ofício pelo Ilustre Conselheiro Relator e, em conseqüência manter o lançamento negando provimento ao recurso voluntário. “documento assinado digitalmente” Paulo Jakson da Silva Lucas Redator Fl. 2187DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.006476/2004-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE PIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Na ausência de previsão legal, não há como proceder à correção, seja a título de atualização monetária ou de juros de mora, do valor de ressarcimento apurado. As regras de compensação ou restituição não são aplicáveis ao caso.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-00.847
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201012
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE PIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Na ausência de previsão legal, não há como proceder à correção, seja a título de atualização monetária ou de juros de mora, do valor de ressarcimento apurado. As regras de compensação ou restituição não são aplicáveis ao caso. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10380.006476/2004-12
conteudo_id_s : 5508522
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 21 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3102-00.847
nome_arquivo_s : Decisao_10380006476200412.pdf
nome_relator_s : Ricardo Paulo Rosa
nome_arquivo_pdf_s : 10380006476200412_5508522.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
id : 6095388
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047889551294464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1675; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 108 1 107 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.006476/200412 Recurso nº 516.980 Voluntário Acórdão nº 310200.847 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2010 Matéria Pedido de Ressarcimento COFINS Recorrente BERMAS INSÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE PIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Na ausência de previsão legal, não há como proceder à correção, seja a título de atualização monetária ou de juros de mora, do valor de ressarcimento apurado. As regras de compensação ou restituição não são aplicáveis ao caso. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 14/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Fl. 117DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Versa o presente processo sobre pedido de ressarcimento de créditos de Cofins, ingressado no dia 14/07/2004, no valor de R$ 3.779.789,62, correspondente ao 1° trimestre de 2004, conforme documento de fl. 01, com fundamento no artigo 6°, § 1°, da Lei n° 10.833/2003. O processo foi analisado na Delegacia de origem, com base no termo de informação fiscal (fls. 28/30), concluiu, conforme informação fiscal e despacho de fls. 32/34, pelo deferimento integral do pedido de ressarcimento. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade (fls. 35/49), na qual argumentou, em suma, que: • Quando a Lei n° 10.833/2003 instituiu a compensação dos créditos do Cofins, garantiu aos contribuintes o direito de utilizarem o beneficio fiscal no montante em que foi concedido. E o montante a ser ressarcido é equivalente ao poder econômico do crédito na data de sua geração; • Nos termos do art. 5° da Lei n° 10.833/2003, não existe nenhuma disposição vedando a incidência da atualização monetária ou de juros sobre os créditos da COFINS objeto de pedidos de ressarcimento formulados pelos seus beneficiários; • Caso não seja admitida a correção monetária estarseá sendo prestigiado o enriquecimento ilícito da União Federal às custas alheias, porque os efeitos da inflação medida no período terão corroído o real valor ao qual o beneficiário do ressarcimento tem direito, sendo, dessa forma, criada uma hipótese de diminuição do crédito sem fundamentação legal, pois evidentemente o valor a ser aproveitado será inferior ao que o contribuinte teria direito; • É pacifico o entendimento do Segundo Conselho de Contribuintes, que confirma o direito de ser aplicável a correção monetária ao crédito presumido da recorrente ( decisões administrativas); • A própria Advocacia Geral da União (AGU) ratifica que a correção monetária não se constitui em acréscimo de valor, nos termos do Parecer n° 01, de 11/06/1996, com a conclusão de que a correção monetária não se constitui plus a exigir expressa previsão legal,. • A Lei n°9.250/1995 garante a utilização da Taxa Selic e citou o § 4' do artigo 39, que trata do direito de compensar os créditos a serem ressarcidos à Recorrente e devem sofrer sua incidência; • Se "resgate" faz parte do gênero "restituição" para suportar os mesmos efeitos do artigo 39, § 4° da Lei n°9.250/95, com a mesma razão deve ser admitido ser o "ressarcimento" espécie do gênero "restituição", pois tanto ela quanto o resgate objetivam o recebimento de numerário pago ao poder público (emprego da analogia); e • Que o direito à incidência da SELIC, como índice de atualização monetária, não é prejudicado em razão da previsão contida no artigo 52, §5° da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, vez que o referido artigo trata tão somente de juros. Fl. 118DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.006476/200412 Acórdão n.º 310200.847 S3C1T2 Fl. 109 3 Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 JUROS COMPENSATÓRIOS. RESSARCIMENTO. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cotins, bem como na compensação de referidos créditos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, como é exemplo a edição de súmula administrativa vinculante, na forma do artigo 26A do Decreto 70.235/1972 (incluído pela Lei n° 11.196/2005). Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. Defende não existir nenhuma disposição vedando a incidência da atualização monetária ou de juros sobre os créditos da Contribuição para o PIS objeto de pedidos de ressarcimento formulados pelos seus beneficiários. Assevera que os efeitos da inflação medida no período terão corroído o real valor ao qual o beneficiário do ressarcimento tem direito, sem que tivesse dado causa a esta perda, por ser o tempo da emissão do Despacho Decisório e o efetivo ressarcimento algo definido exclusivamente pelos servidores e autoridades que atuaram no curso do processo administrativo de ressarcimento. Argumenta que a própria Advocacia Geral da União — AGU ratifica este entendimento através do Parecer n° 01, de 11 de junho de 1996. Da mesma forma, orientam a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e o Poder Judiciário. Sustenta que o ressarcimento é uma espécie do gênero restituição, e que a incidência da taxa SELIC, como índice de atualização monetária, não é prejudicado em razão da previsão contida no artigo 52, §5° da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Percebese tratarse de litígio adstrito à não incidência dos juros à taxa Selic sobre o direito creditório oriundo de pedido de ressarcimento acolhido pela autoridade administrativa. Dada a riqueza das consideração presentes e a pertinência da decisão correspondente, transcrevo a seguir excertos do voto de lavra do ilustre colega, Conselherio José Fernandes do Nascimento, no processo 13854.000181/200245, recurso 516.909, versando sobre pedido de mesma natureza e que, embora tratando de crédito presumido do IPI, traz esclarecimentos decisivos para a tomada de decisão da presente contenda. III. DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC Na peça recursal em apreço, defendeu a Recorrente o direito de atualização do valor do crédito a ser ressarcido, com base na taxa Selic, calculada a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento em apreço, com o argumento de que o contribuinte seria penalizado pelo atraso no pagamento do referido valor e haveria grave ofensa aos princípios da isonomia e da vedação ao enriquecimento ilícito. Discordo desse entendimento, pelas razões que aduzirei a seguir. No que tange ao alegado prejuízo com a mora no pagamento do valor do citado crédito, entendo que ele inexiste no presente caso, pelas seguintes razões: (i) o ressarcimento em tela tratase de um benefício fiscal, logo, a não atualização monetária não implicará qualquer prejuízo ao beneficiário, mas apenas, a falta de um ganho adicional; e (ii) por força do princípio da indisponibilidade do interesse público, toda e qualquer concessão de recurso ou bem público exige tem que está amparado em lei. Assim, tratandose de crédito natureza escritural, o ressarcimento dos créditos presumidos do IPI, por falta de previsão legal, não está contemplado com quaisquer acréscimo, seja a título de correção monetária ou de juros moratórios. Neste sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), consignada nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 16.776∕RS1, cujo excerto da ementa, concernente a matéria em debate, segue transcrita: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. CRÉDITOS ESCRITURAIS. NÃO INCIDÊNCIA DA CORREÇÃO MONETÁRIA. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. INTELIGÊNCIA DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS E LEGAIS QUE REGULAM A NÃO CUMULATIVIDADE E AS ISENÇÕES DO IPI (ART. 153, § 3º, II, DA CF∕88 E ART. 49 DO CTN) (...) 1 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 416.776∕RS, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJU de 16∕02∕2004, p. 205. Jurisprudência do STJ. Disponível em: <https:ww2.stj.gov.Br/revistaeletrônica> Acesso em: 10 nov. 2007. Fl. 120DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.006476/200412 Acórdão n.º 310200.847 S3C1T2 Fl. 110 5 2. A correção monetária incide sobre o crédito tributário devidamente constituído, ou quando recolhido em atraso. Diferenciase do crédito escritural, técnica de contabilização para a equação entre débitos e créditos, a fim de fazer valer o princípio da nãocumulatividade. 3. Não havendo previsão, falece ao aplicador da lei autorizar, ou mesmo aceitar, sejam os saldos de créditos relativos ao IPI corrigidos monetariamente. Se assim o fizesse, estaria a oficiar acima e além dos ditames legais que norteiam sua função pública. 4. O Supremo Tribunal Federal vem reiteradamente decidindo que a correção monetária não incide sobre os créditos escriturais. 5. Embargos de declaração acolhidos. (grifos não originais) Resta claro na transcrita ementa que se não existe previsão legal, para a incidência da atualização monetária, não pode o aplicador da lei, seja ele da esfera judiciária e, muito menos ainda, da seara administrativa, suprindo e invadindo a competência do legislador, numa autêntica função de legislador positivo, autorizar ou permitir que sejam os saldos de créditos presumidos do IPI corrigidos monetariamente. Se assim o fizesse, estaria a atuar acima e além dos ditames legais que norteiam a competência no exercício da função pública. Idêntico tratamento, obviamente, aplicase a taxa Selic. Além disso, por força do princípio da separação dos poderes (art. 2º da CF/88), compete ao legislativo editar as leis que integrarão o ordenamento jurídico do País. Na suposta ausência de lei, não pode o aplicador ou julgador da norma geral e abstrata, suprir eventual ausência legislativa, com o escopo de fazer justiça, segundo a ótica de quem executa ou julga o ato administrativo. Também não me impressiona a alegação de que a não atualização dos referidos créditos implicaria grave ofensa ao princípio da isonomia. A primeira indagação a ser feita é a seguinte: isonomia com o que? Segundo a Recorrente, a isonomia seria em relação ao pagamento dos tributos. Não vejo como ser aferido qualquer critério isonômico entre as duas situações jurídicas em confronto, envolvendo o pagamento do tributo e o pagamento do ressarcimento de tributo, posto que os sujeitos que as integram se encontram em posições distintas e contrapostas. De fato, na relação jurídica tributária, a Fazenda Nacional ocupa a posição de sujeito ativo enquanto que o contribuinte a de sujeito passivo. Por outro lado, na relação jurídica de ressarcimento, a posição de cada um dos referidos sujeitos se inverte. Não se deve olvidar ainda que a previsão de cobrança de juros moratórios sobre o valor dos tributos devidos, com base na taxa na Selic, decorre de determinação expressa de lei (art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996). O que não existe no caso da mora no pagamento do ressarcimento dos créditos presumidos do IPI. Logo, a questão relevante é a falta de previsão legal para o pretendido acréscimo da taxa Selic. Para a Recorrente, como a jurisprudência administrativa se firmou no sentido de admitir a atualização monetária, prevista no art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, às hipóteses de ressarcimento de créditos de IPI, seria evidente que, a partir de janeiro de 1996, também deveriam tais créditos serem calculados de acordo com o que determinado no referido art. 66, complementado pelo art. 39, § 4°, da Lei nº 9.250, de 1995. Fl. 121DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 Não assiste razão a Recorrente. Com efeito, tanto o § 3º do art. 662 da Lei nº 8.383, de 1991, quanto o § 4° do art. 393 da Lei nº 9.250, de 1995, tratam exclusivamente da restituição do indébito tributário decorrente do pagamento indevido ou a maior de tributos. É oportuno esclarecer que o direito a restituição do indébito tributário não se confunde com o direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI. As diferenças entre ambos institutos jurídicos são marcantes. No quadro abaixo, estão relacionadas as principais: DIREITO DE RESTITUIÇÃO DIREITO DE RESSARCIMENTO Tem origem no fato jurídico do pagamento de tributo indevido. Tem origem no fato jurídico da exportação do insumo industrializado. Tratase de devolução de tributo irregularmente pago. Tratase de devolução de tributo regularmente pago. Tem por objetivo recompor a situação patrimonial do contribuinte, indevidamente desfalcado por recolhimento indevido de tributo. Tem por objetivo a concessão de subvenção financeira ao exportador de produtos industrializados no País, como forma de incentivo fiscal ao produtorexportador. Tem como fundamento axiológico o princípio da vedação ao enriquecimento sem causa. Tem como fundamento axiológico o princípio da extrafiscalidade. Logo, fica demonstrado que o ressarcimento do crédito presumido do IPI não representa uma forma de restituição de contribuições anteriormente recolhidas indevidamente pelo exportador ou até mesmo por outros contribuintes, nas operações anteriores do ciclo econômico dos insumos utilizados no processo produtivo. Na verdade, o ressarcimento em tela tratase de uma subvenção financeira governamental concedida ao exportador dos produtos nacionais resultante da industrialização dos insumos tributados pelas mencionadas Contribuições. 2 "Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (...) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (...)" 3 Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada". Fl. 122DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.006476/200412 Acórdão n.º 310200.847 S3C1T2 Fl. 111 7 Por tudo isso, é forçoso concluir que o fenômeno jurídico da restituição ou repetição do indébito tributário tem fundamento e natureza jurídica distintos do fenômeno do ressarcimento do crédito presumido do IPI, portanto, inaplicável ao caso qualquer forma integração analógica entre os dois institutos jurídicos. É cediço que para o emprego da integração normativa é necessário que haja um vazio normativo, ou seja, uma lacuna na lei. No âmbito tributário, confirmando tal regra, o caput do art. 108 do CTN determina que a integração normativa somente pode ser utilizada diante da ausência expressa de disposição de lei. No caso em tela não vislumbro tal circunstância, haja vista que a ausência de previsão legal acerca da atualização ou incidência de juros moratórios sobre os créditos presumidos do IPI, com base na taxa Selic, não se configura numa ausência legislativa, mas, conforme anteriormente demonstrado, decorre uma prerrogativa do legislador, que encontra respaldo no princípio do indisponibilidade do interesse público e da extrafiscalidade. Ad argumentadum e em consonância com princípio da eventualidade, ainda que houvesse a suposta lacuna normativa, seria inaplicável ao caso qualquer forma de integração analógica, haja vista a total dessemelhança e dissimilaridade entre o instituto da restituição do indébito tributário e do ressarcimento do crédito presumido do IPI. Com essas considerações, entendo inaplicável ao pagamento do valor do crédito presumido do IPI qualquer modalidade de acréscimo, seja a título de correção monetária ou juros moratórios, calculado com base na taxa Selic. Não havendo acréscimos a fazer, VOTO, com base nas considerações retro, POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 09 de dezembro d 2010. Ricardo Paulo Rosa Fl. 123DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10783.903253/2008-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 11/10/2000
PEDIDO DE PERÍCIA.A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos.
DESCONTO-PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto-padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.309
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Luciano Pontes de Maya Gomes.
Nome do relator: Mara Cristina Sifuentes
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 11/10/2000 PEDIDO DE PERÍCIA.A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos. DESCONTO-PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto-padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10783.903253/2008-96
conteudo_id_s : 5516389
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3102-001.309
nome_arquivo_s : Decisao_10783903253200896.pdf
nome_relator_s : Mara Cristina Sifuentes
nome_arquivo_pdf_s : 10783903253200896_5516389.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Luciano Pontes de Maya Gomes.
dt_sessao_tdt : Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
id : 6113910
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047889559683072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1984; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 115 1 114 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.903253/200896 Recurso nº 870.007 Voluntário Acórdão nº 310201.309 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2011 Matéria COFINS Recorrente TELEVISAO VITORIA SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 11/10/2000 PEDIDO DE PERÍCIA.A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos. DESCONTOPADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O descontopadrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Luciano Pontes de Maya Gomes. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Mara Cristina Sifuentes Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Mara Cristina Sifuentes, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Luciano Pontes de Maya Gomes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Rio de Janeiro 2 RJ, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1328.982, proferido em 26 de abril de 2010. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito: A DRFB Vitória, por meio do despacho decisório, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Em 21/08/2008 a interessada foi cientificada do despacho e da cobrança dos débitos indevidamente compensados. Irresignada, apresentou, em 22/09/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 01 a 16, na qual alega em síntese: Que é contribuinte de uma grande variedade de tributos, dentre os quais se destacam, o PIS e a Cofins, tendo em conta a incidência das mesmas por ocasião do faturamento mensal, assim entendido “o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", conforme dispõe o artigo 1° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Que essa redação destacada é similar a da norma que a precedeu, que, embora não revogada, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, qual seja, o art. 30, §1°, da Lei n° 9.718/98. Tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu faturamento, pois são repassados às mencionadas agências. Sabendo que tais valores não deveriam ter sido incluídos na base de cálculo da COFINS e também do PIS, e, tendo em vista a existência de débitos a titulo dos mesmos tributos, a Requerente aproveitou a existência desses créditos, já que foram pagos a maior, para compensálos com tais débitos. Para que haja a incidência em comento não basta que a pessoa jurídica tenha receitas, entendida esta de acordo com a normatização contábil, mas também, é imprescindível que tais receitas sejam efetivamente auferidas, isto é, verdadeiramente percebidas. É imperioso que os valores decorrentes do faturamento tenham efetivamente ingressado nos cofres da Requerente, para composição do seu patrimônio, ou seja, tratase de um conceito jurídico de faturamento, eis que se entende como tal somente aquelas receitas auferidas pela pessoa jurídica. Assim, a interpretação literal dos dispositivos citados é suficiente para perceber que os valores recebidos pela cessão de espaço, pela Requerente, não deveriam integrar a sua base de cálculo da COFINS e também do PIS, já que estes mesmos valores não integraram efetivamente o seu faturamento, pois foram repassados às agências de publicidade, tratandose tão somente de "mero ingresso" no seu caixa. Prosseguindo, cita acórdãos do Conselho de Contribuintes e destaca a Solução de Consulta n. 17, de 30 de abril de 2007, da 4º Região Fiscal da Receita Federal do Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.903253/200896 Acórdão n.º 310201.309 S3C1T2 Fl. 116 3 Brasil no sentido de que o desconto devido à agência de propaganda não integra a base de cálculo do PIS e da COFINS do veículo de divulgação, porque este valor é receita que pertence à agência. Apesar disso, por uma falha, incluiu tais valores na base de cálculo da COFINS, de forma que, não existem dúvidas de que o montante contribuído a título de COFINS foi muito maior do que o real valor devido, uma vez que os valores recebidos e repassados às agências de publicidade (que não fazem parte do seu faturamento!) foram indevidamente incluídos nesta base de cálculo. Ao perceber a existência dos créditos existentes em função do pagamento a maior da COFINS, foi apresentado, por meio de PER/DCOMP, a Declaração de Compensação, a fim de aproveitar tais créditos para quitar débitos ainda existentes de COFINS. Informa que está levantando a documentação necessária a fim de que reste comprovado, de vez por todas, que os valores pagos a maior e repassados às agências de publicidade correspondem exatamente aos débitos que foram compensados, o que será apresentado a esta d. SRF o quanto antes. Por fim, protesta pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial, e nomeia assistente técnico no intuito de ver respondidos os seguintes quesitos: 1)queira o Sr. Perito informar se a Requerente se apropriou integralmente dos valores recebidos no período autuado; e 2) queira o Sr. Perito informar, mediante a análise dos documentos contábeis acostados, se houve repasse às agências de publicidade. Em caso afirmativo, favor informar o valor desse repasse. Em 18/11/2008 a interessada juntou ao processo a petição de folhas 75 a 77 na qual informa que a documentação que comprova o faturamento da empresa e o efetivo repasse da receita de PIS/Cofins à terceiros foi apresentada nos autos do Processo Administrativo n° 10783.902198/200817. Tendo em vista que aquele processo discute créditos da mesma natureza deste e ainda a grande quantidade de documentos (12.306 cópias em 52 volumes), afirma ser inconcebível a apresentação de toda a documentação em cada um dos processos. A DRJ traz a seguinte motivação e esclarecimento no seu voto: A interessada ampara sua pretensão na Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17, de 30 de abril de 2007, que entendeu que o desconto devido as agências de propaganda não integra a base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação. No presente caso, da análise dos documentos anexados pela interessada ao Processo Administrativo n° 10783.902198/200817 (anexo I, volumes 1 a 52) constatase que os pagamentos foram efetuados pelos anunciantes diretamente à interessada (veículo de divulgação) pelo valor bruto da fatura. Em momento posterior o veículo de divulgação paga à agência o "desconto padrão de agência" mediante fatura emitida pela agência contra a interessada, em conformidade com o disposto no subitem 2.4.2 das NormasPadrão da Atividade Publicitária. Os valores repassados somente podem ser excluídos na apuração das bases de cálculo das epigrafadas contribuições quando houver dispositivo legal explícito nesse Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 4 sentido, conforme reza o art. 150, § 6°, da Constituição Federal, incluído pela Emenda Constitucional n° 3, de 17 de março de 1993. A recorrente apresenta recurso voluntário, onde em síntese alega: que o disposto no art. 3o. § 1o. da Lei nº 9718/98 trata de receitas auferidas, e por isso os valores recebidos pela cessão de espaço não deveriam integrar a sua base de cálculo, já que estes valores não integraram efetivamente o seu faturamento, pois foram repassados às agências de publicidade, tratandose tão somente de mero ingresso no caixa; cita acórdãos do CARF, Parecer Cosit nº 8 e solução de consulta nº 17 para embasar sua argumentação; alega que a Lei 9430/96 vincula a administração tributária quanto ao entendimento exarado em processo de consulta, não podendo a mudança de orientação ter efeitos retroativos; que possui créditos de Confins por ter incluído erroneamente os valores pagos às agencias de publicidade na base de cálculo, fazendo jus portanto à compensação; por fim, pleiteia que seja efetuada diligência destinada a produção de prova pericial para responder a quesitos formulados quanto a análise de sua escrita contábil. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O recurso é tempestivo, conforme disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Este processo foi julgado juntamente com o processo nº 1078.3902206/2008 25, adotado como paradigma. Do pedido de diligência e juntada de novos documentos. A recorrente pleiteia que seja efetuada diligência destinada a produção de prova pericial para responder a quesitos formulados quanto a análise de sua escrita contábil. Entendo ser desnecessária a perícia solicitada, para a análise do presente recurso voluntário. A perícia só se justifica para esclarecimento de fatos obscuros nos autos ou caso seja necessário conhecimento técnico especializado para esclarecimento de algum ponto discorrido nos autos. Não é o caso dos presentes autos. Os quesitos formulados pela recorrente podem ser respondidos pela análise dos documentos acostados, que no meu entendimento são mais do que suficientes para esclarecer a demanda. E conforme o Decreto nº 70.235/72 a autoridade julgadora determinará a realização de diligências ou perícias quando entender necessárias para elucidação do litígio, o que não é o caso: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.903253/200896 Acórdão n.º 310201.309 S3C1T2 Fl. 117 5 necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 10 da Lei n°8.748/93). O indeferimento do pedido de perícia também não afetará o contraditório e a ampla defesa, direitos da recorrente, já que ela demonstra conhecer a matéria discutida nos autos. Do mérito. A interessada ampara sua pretensão na Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17, de 30 de abril de 2007, cuja ementa reproduzo abaixo: Ementa: PROPAGANDA E PUBLICIDADE. BASE DE CÁLCULO. VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. DESCONTO DEVIDO A AGÊNCIA DE PROPAGANDA. COMISSÃO DE AGENCIADOR. BONIFICAÇÃO. O desconto devido à agência de propaganda, previsto no art. 11 da Lei n°4.680, de 1965, não integra a base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação, visto que tal receita pertence à mencionada agência, sendo este um mero repassador do numerário devido pelo cliente anunciante. De outra sorte, por falta de previsão legal, o valor pago ao agenciador de propaganda, a título de comissão, pela intermediação de negócios, na forma do art. 2° da aludida Lei n° 4.680, de 1965, não é passível de exclusão da base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação, sendo despesa deste, decorrente da relação jurídica surgida entre eles. Por sua vez, a bonificação paga à agência, quando esta repassa o valor recebido do anunciante ao veículo de divulgação, antes do vencimento previsto, por se tratar de desconto condicional, não pode ser excluída da base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação, em virtude de ausência de amparo legal. Dispositivos Legais: Lei n°4.680, de 1965; Decreto n°57.690, de 1966; arts. ° e 3° da Lei n° 9.718, de 1998; art. 1° da Lei n° 10.833, de 2003. A citada Solução de Consulta fundamentouse, por sua vez, no Parecer Cosit n° 8, de 18 de junho de 2001, que em suas conclusões assim dispôs: O "desconto de agência", concedido por imposição legal, conforme valor fixado em tabela (previamente divulgada pelo veículo de publicidade) e obedecendo aos parâmetros predeterminados pelas NormasPadrão da Atividade Publicitária (expedidas pelo CENP, em 1998), não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, como também não integra a base de cálculo da Cofins. O valor pago ao agenciador de propaganda a título de "comissão", pela intermediação de negócios, não pode ser excluído da base de cálculo das referidas contribuições. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 6 Não há, ainda, previsão legal para a exclusão de "bonificações" concedidas por antecipação de pagamentos, as quais equivalem a descontos condicionados. Este Parecer teve sua parte conclusiva alterada pela Solução de Consulta Interna Cosit n°21, de 15 de maio de 2008, que determinou a retificação do Parecer por concluir que "os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins o valor devido às agências de publicidade, a título de desconto padrão de agência, por falta de previsão legal". A Divisão de Tributação da 4a Região Fiscal publicou a Solução de Consulta n° 24, em 2 de junho de 2008, após a publicação do novo entendimento exarado pela Cosit, na qual conclui "que quaisquer valores repassados ou devidos às agências de publicidade, a título de remuneração, cuja obrigação recaia originariamente sobre o veículo de divulgação, inclusive os denominados "desconto padrão de agência", não podem ser excluídos, por falta de previsão legal, na apuração das bases de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas pelo veículo de divulgação" e determinou a reforma integral da Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17, de 2007. A Lei n° 4.680, de 1965, que trata do exercício da profissão de Publicitário e de Agenciador de Propaganda assim dispõe, in verbis: Art. 3.° A Agência de Propaganda é pessoa jurídica e especializada na arte e técnica publicitárias, que, através de especialistas, estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos Veículos de Divulgação, por ordem e conta de Clientes Anunciantes, com o objetivo de promover a venda de produtos e serviços, difundir idéias ou instituições colocadas a serviço desse mesmo público. Art. 4 São Veículos de Divulgação, para os efeitos desta lei,quaisquer meios de comunicação visual ou auditiva capazes de transmitir mensagens de propaganda ao público, desde que reconhecidos pelas entidades e órgãos da classe, assim considerados as associações civis locais e regionais de propaganda, bem como os sindicatos de publicitários. (...) Art. 11. A comissão, que constitui a remuneração dos Agenciadores de Propaganda, bem como o desconto devido às Agências de Propaganda, serão fixados pelos Veículos de Divulgação sobre os preços estabelecidos em tabela. O Decreto n° 57.690, de 1° de fevereiro de 1966, que aprovou o regulamento para a execução da Lei nº 4680/65 assim dispôs: Art. 10. Veículo de Divulgação, para os efeitos deste Regulamento, é qualquer meio de divulgação visual, auditiva ou audiovisual capaz de transmitir mensagens de propaganda ao público, desde que reconhecido pelas entidades sindicais ou associações civis representativas de classe, legalmente registradas Art. 11 O Veículo de Divulgação fixará, em Tabela, a comissão devida aos Agenciadores, bem como o desconto atribuído às Agências de Propaganda. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.903253/200896 Acórdão n.º 310201.309 S3C1T2 Fl. 118 7 Art. 12 Ao veículo de Divulgação não será permitido descontar da remuneração dos Agenciadores de Propaganda, mesmo parcialmente, os débitos não liquidados por Anunciantes, desde que a propaganda tenha sido formal e previamente aceita por sua direção comercial. [...] Art. 14. O preço dos serviços prestados pelo Veículo de Divulgação será por este fixado em Tabela pública aplicável a todos os compradores, em igualdade de condições, incumbindo ao Veículo respeitála e fazer com que seja respeitada por seus Representantes. Art. 15 O faturamento da divulgação será feito em nome do Anunciante, devendo o Veículo de Divulgação remetêlo a Agência responsável pela propaganda. As atividades publicitárias seguem uma norma padrão, editada pelo CENP – Conselho Executivo das NormasPadrão, que assim definem alguns conceitos que interessam a este processo: 1.3 Agência de Publicidade ou Agência de Propaganda: é nos termos do art. 6º do Dec. nº 57.690/66, empresa criadora/produtora de conteúdos impressos e audiovisuais especializada nos métodos, na arte e na técnica publicitárias, através de profissionais a seu serviço que estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos Veículos de Comunicação, por ordem e conta de Clientes Anunciantes com o objetivo de promover a venda de mercadorias, produtos, serviços e imagem, difundir idéias ou informar o público a respeito de organizações ou instituições a que servem. 1.4 Veículo de Comunicação ou, simplesmente, Veículo: é, nos termos do art. 10º do Dec. nº 57.690/66, qualquer meio de divulgação visual, auditiva ou audiovisual. 1.6 Agenciador de Propaganda: é a pessoa física registrada e remunerada pelo Veículo, sujeita à sua disciplina e hierarquia, com a função de intermediar a venda de espaço/tempo publicitário. 1.11 DescontoPadrão de Agência1 ou simplesmente Desconto Padrão: é a remuneração da Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, na forma de percentual estipulado pelas NormasPadrão, calculado sobre o “Valor Negociado”. 1.12 Valor Faturado: é a remuneração do Veículo de Comunicação, resultado da diferença entre o “Valor Negociado” e o “DescontoPadrão”. 1.13 “Fee”: é o valor contratualmente pago pelo Anunciante à Agência de Publicidade, nos termos estabelecidos pelas Normas Padrão, independente do volume de veiculações, por serviços prestados de forma contínua ou eventual. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 8 A NormaPadrão da Atividade Publicitária também traz em seu escopo a definição das relações entre agências de publicidade, anunciantes e veículos de comunicação, que abaixo transcrevo no que interessa a lide1: 2.3 A relação entre Anunciante e sua Agência tem relevância para a relação entre o Anunciante e o Veículo. Na presença dessa relação, o Veículo deve comercializar seu espaço/tempo ou serviços através da Agência, nos termos do parágrafo único do artigo 11 da Lei nº 4.680/65, de tal modo que fique vedado: (a) ao Veículo oferecer ao Anunciante, diretamente, vantagem ou preço diverso do oferecido através de Agência; (b) à Agência, omitir ou deixar de apresentar ao Cliente proposta a este dirigida pelo Veículo. 2.3.1 É livre a contratação de permuta de espaço, tempo ou serviço publicitário entre Veículos e Anunciantes, diretamente ou por intermédio da Agência de Publicidade responsável pela conta publicitária. 2.3.2 Quando a contratação de que trata o item 2.3.1 envolver serviços de Agência de Publicidade, esta fará jus à remuneração, observadas as disposições estabelecidas em contrato. 2.4 O Anunciante é titular do crédito concedido pelo Veículo com a finalidade de amparar a aquisição de espaço, tempo ou serviço, diretamente ou por intermédio de Agência de Publicidade. 2.4.1 A Agência de Publicidade que intermediar a veiculação atuará sempre por ordem e conta do Anunciante, observado o disposto nos itens 2.4.1.1 a 2.4.1.3. 2.4.1.1 É dever da Agência de Publicidade cobrar, em nome do Veículo, nos prazos estipulados, os valores devidos pelo Anunciante, respondendo perante um e outro pelo repasse do “Valor Faturado” recebido ao Veículo. 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.1.3 Tendo em vista que o fator confiança é fundamental no relacionamento comercial entre Veículo, Anunciante e Agência e sendo esta última depositária dos valores que lhes são encaminhados pelos Clientes/Anunciantes para pagamento dos Veículos e Fornecedores de serviços de propaganda, fica estabelecido que, na eventualidade da Agência reter indevidamente aqueles valores sem o devido repasse aos Veículos e/ou Fornecedores, terá suspenso ou cancelado seu Certificado de Qualificação Técnica concedido pelo CENP. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta 1 Disponível no sítio http://www.cenp.com.br/PDF/Normas_padrao_port.pdf acessado em 27092011. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.903253/200896 Acórdão n.º 310201.309 S3C1T2 Fl. 119 9 hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. 2.5 O “DescontoPadrão de Agência” de que trata o art. 11 da Lei nº 4.680/65 e art. 11 do Decreto 57.690/66, bem como o art. 19 da Lei 12.232/10, é a remuneração destinada à Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes. A NormaPadrão atualmente em vigor difere da NormaPadrão utilizada quando do julgamento pela DRJ, mas em síntese podemos chegar as mesmas conclusões que chegou a DRJ: 1) O veículo de comunicação detém o espaço publicitário; 2) A agência de publicidade é responsável pela venda do trabalho de publicidade ao anunciante e também pela intermediação da divulgação do trabalho no veículo de comunicação; 3) O veículo de comunicação vende seu espaço publicitário diretamente, por meio de agência de publicidade ou por meio de agenciador, pessoa física; 4) A agência de publicidade faz jus a remuneração pelos serviços prestados ao cliente, que recebe o nome de descontopadrão; 5) O veículo emite a fatura em nome do anunciante pelo valor negociado que é composto de valor faturado e descontopadrão. O valor faturado é a remuneração do veículo; 6) A fatura é entregue pelo veículo à agência, a quem cabe cobrar do anunciante o pagamento e repassar o valor faturado ao veículo; 7) Poderá haver acordo entre os três para que: a. O anunciante pague diretamente ao veículo e este repasse o descontopadrão à agência; ou b. O anunciante pague ao veículo o valor faturado e a agência o descontopadrão. Neste processo, ao analisar os documentos acostados ao Processo Administrativo n° 10783.902198/200817 (anexo I, volumes 1 a 52, que a recorrente indica como fonte da documentação para todos os processos de compensação) constatase que os pagamentos foram efetuados pelos anunciantes diretamente à interessada (veículo de divulgação) pelo valor bruto da fatura, ou, valor negociado. Não existe destaque de valores nas notas fiscais. E o veículo de divulgação posteriormente pagou à agência o "desconto padrão" mediante fatura emitida pela agência contra a recorrente. Inferese que o veículo é responsável pelo faturamento e paga a agência pelo serviço prestado, também podemos chegar a esta conclusão a partir da análise das normas legais e da NormaPadrão quando elas dispõem que o descontopadrão será tabelado, logo temos a presença de um percentual que incide sobre o valor total da venda do espaço publicitário. Foi o que ocorreu no presente caso, o veículo emitiu fatura pelo valor negociado que foi paga pelo anunciante, a agência emitiu fatura pelo descontopadrão que foi paga pelo veículo. Tudo ocorreu conforme disposto nas normas legais e na NormaPadrão da Atividade Publicitária. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 10 Para apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, pelo regime cumulativo, seguese o disposto nos arts. 2° e 3° da Lei n°9.718, de 1998: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. E para a apuração do PIS e da Cofins apurados pela nãocumulatividade seguese o disposto no art. 1° da Lei n° 10.637, de 2002, e da Lei n° 10.833, de 2003: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Conforme art. 150 § 6o. da Constituição Federal qualquer subsídio ou isenção, redução da base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão só poderá se concedido mediante lei específica. Art. 150. § 6º Qualquer subsidio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.", XII, g. Existe previsão para exclusão da base de cálculo quando a agência recebe o valor negociado do anunciante e repassa o valor faturado para o veículo de divulgação, a teor Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.903253/200896 Acórdão n.º 310201.309 S3C1T2 Fl. 120 11 do disposto no art. 13 da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004, c/c o art. 53, parágrafo único, da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985: Art. 13. O disposto no parágrafo único do art. 53 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, aplicase na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da Confins das agências de publicidade e propaganda, sendo vedado o aproveitamento do crédito em relação às parcelas excluídas. Art 53 Sujeitamse ao desconto do imposto de renda, à alíquota de 5% (cinco por cento), como antecipação do devido na declaração de rendimentos, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas: [...] II por serviços de propaganda e publicidade. Parágrafo único No caso do inciso II deste artigo, excluemse da base de cálculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas, atribuída à pessoa jurídica pagadora e à beneficiária responsabilidade solidária pela comprovação da efetiva realização dos serviços. Em 2010 foi publicada a Lei nº 12.232, de 29 de abril de 2010, que dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências. Dentre estas outra providências estipula a Lei nº 12.232/2010 no seu art. 19 : Art. 19. Para fins de interpretação da legislação de regência, valores correspondentes ao descontopadrão de agência pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, constituem receita da agência de publicidade e, em consequência, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar tais valores como receita própria, inclusive quando o repasse do desconto padrão à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. (grifos meus) Apesar da afronta ao disposto no art. 150 § 6o. da Constituição Federal a este CARF não cabe se manifestar sobre a inconstitucionalidade de lei, conforme já enunciado por Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Então devemos analisar a aplicação do art. 19 da Lei nº 12.232/2010 ao caso em exame. A Lei citada dispõe que o veículo de divulgação não pode faturar e contabilizar os valores relativos ao descontopadrão de agência como receita própria, e que tais valores constituem receita da agência de publicidade. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 12 Conforme já explicado o veículo de comunicação faturou o valor negociado diretamente ao anunciante e depois repassou o valor do descontopadrão à agência de publicidade, seguindo as orientações contidas na NormaPadrão: 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. No caso em exame, conforme já esclarecido, o veículo de divulgação recebeu o total do valor negociado, emitindo uma fatura comercial em nome do anunciante e após a agência de publicidade emitiu uma fatura comercial em nome do veículo de divulgação. São duas relações negociais que se formam. A Lei nº 12.232/2010 alterou a base de cálculo prevista para o PIS e COFINS definindo que o descontopadrão não é receita do veículo de divulgação, entretanto conforme pode ser visto nas razões de veto do parágrafo único, a exclusão somente se aplica às relações com a Administração Pública, não se aplicando às relações entre particulares. MENSAGEM Nº 203, DE 29 DE ABRIL DE 2010. Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no 197, de 2009 (no 3.305/08 na Câmara dos Deputados), que “Dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências”. Ouvido, o Ministério da Justiça manifestouse pelo veto ao dispositivo abaixo: Parágrafo único do art. 19 “Art. 19. ....................................................................... Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica inclusive à contratação de serviços entre particulares, observadas normas de orientação expedidas pelo Conselho Executivo das NormasPadrão CENP.” Razão do veto “O projeto de lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública, não adentrando nas relações entre os particulares que exercem atividades Fl. 12DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.903253/200896 Acórdão n.º 310201.309 S3C1T2 Fl. 121 13 publicitárias com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965.” Essa, Senhor Presidente, a razão que me levou a vetar o dispositivo acima mencionado do projeto em causa, a qual ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional. De todo o exposto, concluo que a Lei nº 12.232/2010, art. 19, não se aplica ao presente processo por ser específica para as contratações com a Administração Pública, conforme explicado nas razões de veto do parágrafo único que previa a extensão para as relações entre os particulares. Logo, como não existe previsão legal para a exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins do descontopadrão pago as agências de publicidade pelo veículo de comunicação, estes valores compõe a base de cálculo das contribuições citadas. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Mara Cristina Sifuentes Fl. 13DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES
score : 1.0
Numero do processo: 11684.001119/2010-54
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 17/11/2010
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA
A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração.
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 17/11/2010 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11684.001119/2010-54
anomes_publicacao_s : 201505
conteudo_id_s : 5474131
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-004.821
nome_arquivo_s : Decisao_11684001119201054.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11684001119201054_5474131.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
id : 5960165
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047889613160448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2607; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11684.001119/201054 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.821 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de janeiro de 2015 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO ADUANEIRO Recorrente ALIANCA NAVEGACAO E LOGISTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/11/2010 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo devese considerar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 00 11 19 /2 01 0- 54 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 3801004.821 S3TE01 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 185DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 3801004.821 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de o presente processo de Auto de Infração lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõe o art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto lei37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a impugnação na qual alega, em breve síntese, que não é parte legitima para figurar no pólo passivo, tendo em vista que atuou na qualidade de mera agência de navegação marítima da empresa transportadora e que não responde por eventuais tributos e/ou obrigações acessórias devidos por esta. Afirma que o agente marítimo age em nome do Armador e com este não se confunde, razão pela qual não pode ser pessoalmente responsabilizada pela autuação em tela, até porque a própria Lei (art. 107, IV "e" do Decreto Lei 37/66) assim não prevê. Alega ausência de tipicidade, porque não deixou de prestar informação no prazo previsto em Regulamento. Apenas retificou posteriormente a sua informação, o que é uma hipótese diferenciada da penalidade estipulada e não se encontra tipificada na alínea 'e' do inciso IV, do art. 107 do Decreto Lei 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/03. Aduz que a autuação carece de elemento essencial de validade, pois, conforme o art. 113, § 2º do CTN, não há um fim específico e próprio que justificasse a penalidade, ou seja, o eventual descumprimento de prestar informações no prazo estipulado não gera qualquer prejuízo ao Fisco. Afirma que o lançamento fere o princípio da Reserva Legal, porque fundamentado em dispositivo constante em Instrução Normativa. Argui que não existe amparo legal para aplicação de penalidade para a ação de alteração/correção de dados no Sistema Sicarga. Alega que o procedimento fiscalizatório somente foi iniciado após ter formalizado a denúncia espontânea, o que a exime de qualquer penalidade, conforme o disposto no parágrafo 2 do art. 102, do Decreto Lei n 37, de 18 de novembro de 1966, cuja redação foi alterada pela Medida Provisória n 497, de 27 de julho de 2010, bem como o art. 138, caput, do Código Tributário Nacional. Requer seja anulado ou cancelado o auto de infração. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito, sendo o Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF n° 1.364, de 10/11/2004. Inconformada com improcedência de sua impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: Por ser uma agência de navegação da transportadora não poderia ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária não lhe correndo os efeitos do Decreto Lei 37/66; Alega que a sua declaração extemporânea teria os mesmos efeitos que a denúncia espontânea e esta seria aplicável às obrigações acessórias; Entende que a Instrução Normativa nº 800/07, infringe o princípio da reserva legal, conforme art. 97, V do CTN; Fl. 186DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 3801004.821 S3TE01 Fl. 5 4 Entende que sua conduta, retificação, seria atípica com relação à sanção prevista no art. 107 do Decreto Lei nº 37/66; Alega que a multa regulamentar, enquanto obrigação acessória, carece de validade essencial, por não estar demonstrado o interesse da arrecadação ou fiscalização de tributos, não sendo assim justificada aplicação da mesma; Entende que não deixou de apresentar informações dentro do prazo referido pela IN nº800/07, mas promoveu a retificação destas. É o sucinto relatório. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 3801004.821 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Ilegitimidade Passiva Muito embora compartilhe do entendimento que as agências marítimas não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que no presente caso tal argumentação não se aplica. A recorrente é empresa transportadora, conforme demonstra o seu CNPJ e objeto social, que assim determina a Cláusula Segunda que: A sociedade tem por objeto a navegação marítima de longo curso marítima (...) o exercício das atividades de agente de transporte multimodal, assessoria ao transporte marítimo e terrestre de cargas em todo o território nacional (...) Face a isto, afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tais argumentos, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso por motivos diversos. Denúncia Espontânea Inicio a análise do argumento da denúncia espontânea, pois uma vez julgado o seu provimento, todas as demais matérias se tornarão prejudicadas. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 3801004.821 S3TE01 Fl. 7 6 O Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora,ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 3801004.821 S3TE01 Fl. 8 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) Cabe analisar a restrição imposta pelo art. 683, §3º do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Este determina que: Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). (…) Fl. 190DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 3801004.821 S3TE01 Fl. 9 8 §3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. O texto original do Decreto nº 6.759/2009 previa em seu §3oque a espontaneidade era afastada depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior e por conseqüência igualmente afastada seria a denúncia espontânea. Notese que esta redação deve ser lida em consonância com o disposto na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 que passou a ter a seguinte redação: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) Notese que o Decreto nº 6.759/2009 deve ser lido em conformidade com a Lei nº 12.350/2010. Tratase de norma superior e posterior. Assim, tanto pelo critério da hierarquia, quanto pelo critério cronológico deve prevalecer a norma posterior. Da leitura da lei posterior se nota que não há a restrição prevista no §3o, do art. 683 do Decreto nº 6.759/2009, de tal modo que onde não houve restrição legal não poderá a norma regulamentadora restringir, sob pena de ofensa ao princípio da estrita legalidade. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o veículo e carga transportada fora do prazo estabelecido, por força do art. 107 do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 3801004.821 S3TE01 Fl. 10 9 Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreenderem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕESACESSÓRIAS Datadofatogerador:31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. RecursoNegado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Obrigação Acessória Carece de razão a alegação da recorrente quanto à carência de elemento essencial na autuação por descumprimento de obrigação acessória. Isto porque as obrigações acessórias não possuem uma relação de dependência de uma obrigação principal. Como o próprio artigo citado pela recorrente são prestações positivas ou negativas, fazer ou não fazer algo em benefício do interesse arrecadatório ou fiscalizatório. No caso dos autos, a declaração que gerou a autuação da recorrente era uma obrigação acessória, positiva e com finalidade fiscalizatória, pois se caracteriza em um dever de declarar o bem carregado e cujas informações contidas auxiliam o fisco a verificar a adequada descrição de bem importado pelo importador, se houve emissão de notas fiscais, se a importadora estaria correta em sua escrituração fiscal. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107 do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, não sendo prestada a obrigação de declaração de mercadorias dentro do prazo legal, houve prejuízo na fiscalização aduaneira, devida, portanto, a multa pelo descumprimento. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 3801004.821 S3TE01 Fl. 11 10 Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Tipificação A recorrente alega que não incorreu no tipo específico de descumprimento de declaração de mercadoria, conforme art.37 e 107, IV, “e” do DecretoLei 37/66, posto que não deixou de prestar informações sobre o veículo ou sobre a carga transportada entendendo que retificação, conduta que afirma ter praticado seria diferente de deixar de informar. Entendo que não assiste razão a recorrente, tendo em vista que no auto de infração é possível verificar que o recorrente apresentou Conhecimento de Embarque, promovendo a alteração de NCM fora dos prazos de atracação do navio e conforme art.37 do Decretolei 37/66 “o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecido, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado”. O entendimento deste Conselho, inclusive para esta empresa em autuação pretérita foi o seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/04/2006 a 15/01/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 3801004.821 S3TE01 Fl. 12 11 Recurso Voluntário Negado. Nesta senda, uma vez não cumprindo o prazo de apresentação das declarações o transportador já incorre no fato gerador da multa regulamentar, resta devidamente enquadrada a conduta da recorrente à infração referida, não havendo qualquer traço de atipicidade. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Art. 50 da Instrução Normativa 800/2007 Entendo que não assiste razão ao recorrente. Conforme a redação do artigo 50 da IN 800/07, informa que os prazos de antecipação de informação previstos no art. 22º da mesma instrução somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Vejamos: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009. Parágrafoúnico. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.(grifonosso) Este dispositivo, ao mesmo tempo em que prevê que os prazos mínimos para a prestação de informações à RFB previstos no artigo 22 da IN RFB nº 800/2007 somente são obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009, dispõe que o transportador tem a obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Resta claro, portanto, que já a partir do momento em que se inicia a produção de efeitos da IN RFB nº 800/2007, qual seja 31 de março de 2008, as informações sobre as cargas transportadas devem ser prestadas pelas transportadoras antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País, conforme art. 52 da Instrução Normativa, prazo também descumprido pelo contribuinte. Em adição, havendo prazo que estabeleça o início da vigência das antecipações, nos caso dos fatos geradores que antecedem a vigência da Instrução Normativa 800/07, o contribuinte deveria ter cumprido o prazo de sete dias descritos art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005, para a apresentação da declaração, no que ultrapassou demasiado. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Penalidade Aplicada Por Viagem Fl. 194DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 3801004.821 S3TE01 Fl. 13 12 A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra cada uma das declarações de forma extemporânea, tendo em vista que o entendimento da Receita Federal sobre o assunto em Consulta Interna teria determinado que o transportador fosse multado uma única vez pela prestação de informações fora do prazo, referindo a COSIT SCI nº 8 de 14 de fevereiro de 2008. Não obstante os auditores fiscais tenham interpretado, em sua maioria, a legislação como que a multa deveria ser aplicada por cada declaração fora do prazo, o dispositivo legal deixa brecha para tanto interpretar que a penalidade deve ser aplicada por viagem quanto por declaração, visto que o dispositivo aborda apenas o aspecto quantitativo da multa, a tipificação da conduta, no caso, deixar de apresentar informações nos prazo estabelecidos à Receita Federal e identificação do infrator, qual seja a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de transporte internacional expresso ou agente de carga. Neste sentido, entendo que se deve interpretar a norma de forma mais favorável ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; e à natureza da penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comento, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN).A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado Fl. 195DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 3801004.821 S3TE01 Fl. 14 13 em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, devendo as penalidades aplicadas por declaração excluídas para que fiquem apenas a multa aplicada por viagem apurada no auto de infração. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 196DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 3801004.821 S3TE01 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar em relação à aplicação do instituto da denúncia espontânea. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 3801004.821 S3TE01 Fl. 16 15 Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser Fl. 198DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 3801004.821 S3TE01 Fl. 17 16 citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11684.001119/201054 Acórdão n.º 3801004.821 S3TE01 Fl. 18 17 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 200DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10735.000896/2003-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
PROCESSO CONEXO - DECISÃO ÚNICA PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO PRINCIPAL - APLICAÇÃO
Um vez que a complexidade da matéria fez com que a turma de julgamento analisasse os casos de forma concomitante e proferisse uma única decisão, adota-se integralmente nos processos conexos a decisão proferida nos autos do processo principal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, , por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Fez sustentação oral: Ricardo Alexandre Hidalgo Pace - OAB/SP 182632.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
EDITADO EM: 14/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deraulede, Gileno Gurjão Barreto, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PROCESSO CONEXO - DECISÃO ÚNICA PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO PRINCIPAL - APLICAÇÃO Um vez que a complexidade da matéria fez com que a turma de julgamento analisasse os casos de forma concomitante e proferisse uma única decisão, adota-se integralmente nos processos conexos a decisão proferida nos autos do processo principal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 25 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10735.000896/2003-47
anomes_publicacao_s : 201505
conteudo_id_s : 5473983
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3302-002.822
nome_arquivo_s : Decisao_10735000896200347.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
nome_arquivo_pdf_s : 10735000896200347_5473983.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, , por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral: Ricardo Alexandre Hidalgo Pace - OAB/SP 182632. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora. EDITADO EM: 14/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deraulede, Gileno Gurjão Barreto, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
id : 5960017
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047889620500480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1671; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 10 1 9 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.000896/200347 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.822 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2015 Matéria IPI Recorrente ELIANE ARGAMASSAS E REJUNTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PROCESSO CONEXO DECISÃO ÚNICA PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO PRINCIPAL APLICAÇÃO Um vez que a complexidade da matéria fez com que a turma de julgamento analisasse os casos de forma concomitante e proferisse uma única decisão, adotase integralmente nos processos conexos a decisão proferida nos autos do processo principal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, , por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral: Ricardo Alexandre Hidalgo Pace OAB/SP 182632. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 08 96 /2 00 3- 47 Fl. 746DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 EDITADO EM: 14/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deraulede, Gileno Gurjão Barreto, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas. Relatório Tratase de processo administrativo de compensação para a qual o contribuinte utilizouse de crédito de IPI decorrente da entrada de insumos isentos. O direito ao crédito foi reconhecido por meio de ação judicial já transitada em julgado. O caso é complexo e envolve muitos processos administrativos e judiciais. Por razão de economia processual e lógica de julgamento, todos os processos administrativos referentes a este assunto, portanto conexos, que estavam em pauta na sessão de 27 de janeiro de 2015, foram julgado concomitantemente, tendo sido proferido uma única e completa decisão nos autos do processo administrativo principal, qual seja: 10735.000001/99 18. Em virtude deste fato, adoto, para os devidos fins de direito, o relatório proferido naqueles autos e lido em sessão. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso é tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, este processo foi julgado concomitantemente ao processo administrativo principal no 10735.000001/9918. Nesta oportunidade resumiuse o assunto em discussão da seguinte forma: “O debate em relação ao CRÉDITO abrange os efeitos da alteração da norma que obrigou (i) o trânsito em julgado da ação para fins de compensação (art. 170A do CTN) e os efeitos da Instrução Normativa nº 41/2000, que inseriu uma nova situação ao direito da contribuinte em contraposição à coisa julgada favorável à empresa Nitriflex, proferida nos autos do MS nº 98.00166580 (o qual concedia o direito de crédito no período de Jul/88 a Jul/98 e autorizava a compensação nos moldes da IN 21/97) (ii) a situação específica da Recorrente em face da decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança no 2001.51.10.0010250 e, (iii) os efeitos da IN/SRF 517, que a partir de 2005 passou a exigir a habilitação de créditos reconhecidos por decisões judiciais transitadas em julgado (iv) quantificação dos créditos. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10735.000896/200347 Acórdão n.º 3302002.822 S3C3T2 Fl. 11 3 Em relação aos DÉBITOS é preciso analisar (i) a homologação tácita das compensações de terceiros e (ii) especificamente em relação aos processos administrativos no 11516.002703/200411, 11610.001259/200367 e 10930.003102/200391 a preliminar de nulidade da decisão proferida pela DRFFlorianópolis/SC, por suposta incompetência para tanto, nos termos da IN/SRF 21/97.” A decisão proferida foi única e completa, tendose analisado, nesta oportunidade, todas as matérias em julgamento. Ante o exposto, é o presente para ADOTAR e REITERAR a decisão proferida nos autos do processo 10735.000001/9918, concluindose pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso ora analisado. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 748DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 19482.720025/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jul 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 25/05/2012
CESSÃO DE NOME. OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. MULTA PECUNIÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. PESSOA JURÍDICA
Apenas a pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa prescrita pelo artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.
Numero da decisão: 3201-001.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO que afastava a preliminar.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
DANIEL MARIZ GUDINO - Relator.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Redator designado para formalizar o acórdão (Despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), DANIEL MARIZ GUDINO, CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA e ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 25/05/2012 CESSÃO DE NOME. OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. MULTA PECUNIÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. PESSOA JURÍDICA Apenas a pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa prescrita pelo artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 14 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19482.720025/2013-17
anomes_publicacao_s : 201507
conteudo_id_s : 5485010
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 14 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3201-001.877
nome_arquivo_s : Decisao_19482720025201317.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : DANIEL MARIZ GUDINO
nome_arquivo_pdf_s : 19482720025201317_5485010.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO que afastava a preliminar. JOEL MIYAZAKI - Presidente. DANIEL MARIZ GUDINO - Relator. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Redator designado para formalizar o acórdão (Despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), DANIEL MARIZ GUDINO, CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA e ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
id : 6037729
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047889653006336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2117; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1.830 1 1.829 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19482.720025/201317 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.879 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO II Recorrente JOAQUIM SALLES LEITE NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 25/05/2012 CESSÃO DE NOME. OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. MULTA PECUNIÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. PESSOA JURÍDICA Apenas a pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa prescrita pelo artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO que afastava a preliminar. JOEL MIYAZAKI Presidente. DANIEL MARIZ GUDINO Relator. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Redator designado para formalizar o acórdão (Despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), DANIEL MARIZ GUDINO, CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA e ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 48 2. 72 00 25 /2 01 3- 17 Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI 2 Relatório Em cumprimento ao despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, eu, Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, transcrevo voto depositado e não formalizado, realizado pela 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF dado que a Relator, Conselheiro Daniel Mariz Gudino, não mais compõe o Colegiado. Tratamse de recursos voluntários interpostos por Quest Trading LLC e Joaquim Salles Leite Neto contra decisão que julgou parcialmente procedente as suas impugnações. Para bem contextualizar a controvérsia existente nos autos do presente processo, convém transcrever o relatório da decisão recorrida, in verbis: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$2.248.128,00 referente à aplicação da multa de 10% (dez por cento) sobre o valor da operação, por cessão de nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. Esta multa está prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, § 3º do artigo 23, do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. Contra a empresa QUEST TRADING LLC e o Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO, ora impugnantes, já devidamente qualificados nos autos, no Termo de Verificação Fiscal – TVF e na Descrição dos fatos, foi lavrado Auto de Infração por AFRFB em exercício na Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos (SP), em sede do procedimento especial de fiscalização aduaneira do cumprimento das condições exigidas para a admissão no país de aeronave ao amparo dos benefícios fiscais previstos no Decreto nº 97.464/89. As infrações foram apuradas na utilização de aeronave executiva estrangeira de prefixo N 955 SL, marca Dassault, modelo Falcon 2000, número de série 52, ano de fabricação 1998, aeronave esta apreendida em 20/06/2012 no curso da operação denominada de “Pouso Forçado”, deflagrada pela ação conjunta da Receita Federal, Polícia Federal e o Ministério Público. Diante das irregularidades investigadas na Operação Pouso Forçado e dos fortes indícios de que a QUEST TRADING LLC e o Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO praticavam tais irregularidades, utilizandose indevidamente a aeronave estrangeira N 955 SL em território nacional, sem o pagamento dos devidos tributos, foi aberto Procedimento Especial, nos termos da Instrução Normativa nº 1.169/11 e dado ciência ao interessado. Registrese que além de retida administrativamente pela RFB durante o procedimento especial, foi decretado o sequestro Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19482.720025/201317 Acórdão n.º 3201001.879 S3C2T1 Fl. 1.831 3 judicial da aeronave em cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão 01/2012SC, processo nº 000492306.2012.403.6119. A Fiscalização apontou que a aeronave em causa vinha sendo utilizada em nome da empresa estrangeira QUEST TRADING LLC e entrava em território nacional irregularmente através de Termo de entrada de Admissão Temporária TEAT com suspensão total de tributos. Apurou a Fiscalização que a aeronave servia aos interesses do brasileiro residente, o Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO, também dono da empresa estrangeira QUEST TRADING LLC e de sua única sócia a empresa holandesa SL INVEST HOLLAND CV. A ação fiscal partiu de informações enviadas pela ANAC e extraídas do sistema SIAVANAC, com base em relatórios de vôo com todas as origens e destinos da aeronave N 955 SL no período de julho de 2010 a dezembro de 2011, que identificaram indícios de irregularidades na utilização do regime de admissão de aeronaves no país mediante TEAT, ao amparo dos benefícios fiscais previstos no Decreto nº 97.464/89. Conforme informado em resposta ao item 09 do Termo de Intimação 01 (fls. 16 e 22), a aeronave N 955 SL é de copropriedade da QUEST TRADING LLC e do banco WELLS FARGO BANK NORTHWEST, NATIONAL ASSOCIATION, por meio de acordo fiduciário (trust agreement – ferramenta reconhecida na legislação norteamericana) celebrado entre a partes em junho de 2009, pelo qual o outorgante (trustor) transfere a propriedade legal do bem a um terceiro (owner trustee). De acordo com o contrato de operação da aeronave, o WELLS FARGO BANK NORTHWEST concedeu a operadora QUEST TRADING LLC, por tempo indeterminado, o direito exclusivo de posse, uso e operação da aeronave. A Fiscalização verificou que a aeronave em questão operava a maior parte do tempo dentro do território nacional, realizando esporádicas saídas ao exterior para retornar em poucos dias (às vezes no mesmo dia). Da análise do total de vôos do período de Julho de 2010 a Junho de 2012, temos que aeronave permaneceu, em média, 70% do tempo em território nacional. Percebese que a aeronave opera a maior parte do tempo dentro do território nacional servindo os interesses de brasileiros residentes, contrariando o regime de benefícios fiscais previsto no Decreto nº 97.464/89 e na Instrução Normativa SRF nº 285/2003, que prevêem a sua fruição apenas para breve permanência e a serviço de estrangeiro não residente no País. Para ser utilizada na maior parte do tempo no Brasil, a aeronave deveria ter entrado no País sujeitandose ao regime de importação comum com o recolhimento de todos os tributos devidos em uma importação normal, o que não ocorreu. Aduz a Fiscalização que as entradas da aeronave N 955 SL em território nacional não se deram para as finalidades declaradas à aduana nos respectivos TEATs, aduzindo que a aeronave Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI 4 transportou brasileiros residentes, para fins particulares e no interesse de empresa brasileira, concluindo que são inidôneas as informações prestadas. Houve, deste modo, desvio de finalidade da Admissão Temporária Realizadas as investigações, mediante a coleta de diversos documentos e informações de interesse fiscal, bem como tendo sido tomado a termo o depoimento de pessoas envolvidas, direta ou indiretamente relacionadas com as fiscalizadas, ora impugnantes, a Fiscalização relatou vários fatos que ensejaram a lavratura do Auto de Infração em causa, dentre os quais, destacamse os seguintes: A aeronave estava, na realidade, sendo utilizada para viagens particulares de férias/turismo do contribuinte e seus entes familiares e amigos, tendo como destino pontos turísticos em épocas de feriados. A aeronave adentrou o País como mercadoria e não como veículo de transporte em trânsito no território brasileiro. Antes mesmo de realizar a primeira entrada no País da aeronave N 955 SL, já havia sido firmado um contrato de hangaragem com empresa situada no aeroporto de Jundiaí. Ou seja, desde o início, a intenção era de permanecer no Brasil indefinidamente, utilizandose do artifício doloso da renovação dos TEATs, mediante declaração falsa às autoridades aduaneiras. Ao amparo do Decreto 97.464/1989 foram solicitadas e concedidas diversas autorizações de sobrevoo, evidenciando que a aeronave permaneceu, desde a primeira entrada no território nacional, em julho/2010, em trânsito no País de forma irregular, tendo sido apresentados vários documentos falsos para fins de despacho na modalidade de Admissão Temporária. Verificouse a prática reiterada de utilização indevida do Regime Especial de Admissão Temporária automática prevista no inciso VIII do art. 5º da IN SRF nº 285/2003 e no Decreto no. 97.464/1989, mediante artifício doloso, qual seja a solicitação de emissão de AVANACs (Autorização de Pouso e Permanência no país, concedida pela ANAC), STADs (Solicitação de Lavratura de Termo de Entrada e Admissão Temporária) e TEATs em nome de empresa estrangeira, a QUEST TRADING LLC, que não utiliza a aeronave no interesse de suas operações. A Fiscalização apurou que a empresa QUEST TRADING LLC, criada nos Estados Unidos, não existe de fato. Não tem propriedade registrada em seu nome, não tem telefone, não possui sede, não remunera seu dono, não apresenta qualquer documento contábil, não tem e nunca teve funcionários nem endereço fixo de funcionamento e o endereço de sua sede é o mesmo endereço onde estão registradas outras empresas da aeronaves investigadas na Operação Pouso Forçado, apenas uma caixa postal. A empresa fiscalizada é administrada por DARTMOUTH SECURITIES LTD., que teria recebido, pelos serviços prestados em três anos, um montante total de US$ 11.558,00, equivalentes Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19482.720025/201317 Acórdão n.º 3201001.879 S3C2T1 Fl. 1.832 5 a US$ 321,00/mês. Desses dados, chega o AuditorFiscal à conclusão de que a suposta administradora somente emprestou seu telefone para possíveis contatos, pois não seria remunerada com valores inexpressivos por uma empresa de “grande porte” como a QUEST TRADING LCC , proprietária de uma aeronave de luxo. Da forma que foram apresentados os TEATs, GDECs e AVANACs e diante de todos os fatos expostos e comprovados no presente procedimento, concluiuse que houve omissão da informação de que o verdadeiro responsável, pois o proprietário da aeronave é o Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO, brasileiro residente no país, consubstanciando simulação de negócio jurídico. Ocorreu ocultação junto às autoridades brasileiras, quando do ingresso da aeronave, relativa ao real interessado, o Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO. Não ocorre, como informado nos documentos apresentados, o transporte de diretores ou representantes da empresa estrangeira QUEST TRADING LLC que é declarada como operadora da aeronave, mas de pessoa física de nacionalidade brasileira que efetivamente faz uso da aeronave, para fins particulares ou comerciais. Deste modo, estes documentos são eivados de falsidade ideológica ao apresentar informação inverídica ao Fisco. Da análise do contrato social da QUEST TRADING LLC, verificouse que a empresa foi constituída em 03/12/2007 e, posteriormente, em 09/11/2009, foi vendida para a SL INVEST. Pelo contrato social, é possível verificar que a empresa SL INVEST é dona de 100% da ações da QUEST TRADING LCC . Em consulta à Declaração de Imposto de Renda do Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO, constatouse que não recebe rendimentos da empresa QUEST TRADING LLC e reside em Jundiaí/SP, no Brasil. Verificouse ainda que o mesmo é dono de 99,9999 % da empresa SL INVEST HOLLAND, e fez aportes anuais para essa empresa. A esse ponto restou comprovada que o Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO, como dono da SL INVEST, única dona da QUEST TRADING LLC, é também dono da operadora da aeronave N 955 SL. Além de dono da empresa Holandesa SL INVEST, única sócia da QUEST TRADING LCC o Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO também tem procuração com plenos poderes para representar a QUEST TRADING LLC. Ainda em análise das Declarações de Imposto de Renda DIRPF do Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO, podese observar que ele enviou remessas a partir de 2009 para a sua empresa SL INVEST. Ressaltase que 2009 é o ano de compra da empresa QUEST TRADING LLC e também compra da aeronave N 955 SL. Os valores declarados enviados pelo Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO totalizam o U$ 10 milhões, justamente o valor da aeronave N 955 SL. Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI 6 Outro fato que demonstra o real interesse do Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO no custeio da compra da aeronave N 955 SL é o contrato de empréstimo de U$ 7 milhões do Banco Bradesco para a QUEST TRADING LLC para a compra da aeronave (fls. 417/451). O Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO figura como garantidor desse empréstimo. Além de ser o garantidor, o próprio Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO é quem assina o contrato também como tomador do empréstimo. Ainda que a QUEST TRADING LLC, em resposta às Intimações, informou que não houve remessa de divisa do Brasil, ficou comprovado através da Declaração de Imposto de Renda do Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO, que as remessas se deram para a empresa SL INVEST, única sócia da QUEST TRADING LCC , e essa repassou os valores para a QUEST TRADING LCC , inclusive integralizando o capital inicial. Esta situação retrata uma triangulação o dinheiro saiu do Brasil, da conta do real proprietário da aeronave o Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO e foi para SL INVEST, e posteriormente remetido a QUEST TRADING LCC para compra da aeronave. Verificouse mediante consulta à Declaração de Imposto de Renda dos Srs. ADALBERTO DE MORAES e LUIZ CARLOS URBANO, pilotos da aeronave N 955 SL que eles são brasileiros residentes e contratados pela empresa QUEST TRADING LCC para pilotar exclusivamente a aeronave N 955 SL. O fato dos pilotos também serem brasileiros residentes e pilotar exclusivamente a aeronave N 955 SL, novamente comprova a real intenção de utilização da aeronave no Brasil. O Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO foi nomeado como representante do Banco Wells Fargo para utilização da aeronave, e confirma novamente a intenção de uso da aeronave pelo Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO, e seu real interesse na operação da aeronave. A Fiscalização informou que aplicou a pena de perdimento da aeronave em autos apartados (Processo nº 19482.720.024/2013 64), em face da comprovação de interposição fraudulenta prevista no artigo 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/1976, regulamentado pelo art. 689, inciso XXII, do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro). Finalizou o procedimento em causa (objeto do presente processo) concluindo pela aplicação da pena de multa prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/07, regulamentada pelo art. 727 do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), equivalente a 10% do valor da operação por ter apurado que a empresa QUEST TRADING LLC cedeu seu nome, disponibilizando documentos e simulando as operações de uso da aeronave, acobertando seu real beneficiário, Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO, identificado como sendo seu real proprietário. Os sujeitos passivos foram cientificados pessoalmente do lançamento por meio dos Termo de Ciência às folhas nº 1600/1601/1604/1605. Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19482.720025/201317 Acórdão n.º 3201001.879 S3C2T1 Fl. 1.833 7 A interessada QUEST TRADING LLC apresentou a impugnação de folhas nº 1376 a 1430, com os documentos de folhas nº 1431 a 1485 anexados, alegando que: É sociedade sediada nos Estados Unidos da América, dedicada ao investimento em outras empresas, e controlada pela empresa SL INVEST HOLLAND C.V., estabelecida nos Países Baixos, atuando em vários segmentos de negócios, com ênfase nos setores de energia e metalurgia. Tendo em vista que seus negócios se encontram distribuídos ao redor do mundo, com a necessidade de deslocamento constante de seu representante legal, em 2010 a impugnante adquiriu a mencionada aeronave, por meio de contrato de trust, firmado junto ao WELLS FARGO BANK NORTHWEST N.A., expediente usual no direito aeronáutico. Ato subsequente ao contrato fiduciário, firmou “Contrato para Operação de Aeronave”, pelo qual deteve a posse, o uso e a operação da aeronave por tempo indeterminado. O jato foi registrado perante o Federal Aviation Administration – FAA dos Estados Unidos da América. A QUEST TRADING LCC integra um conjunto de empresas nacionais e estrangeiras, o conglomerado “Iguaçu”, e que, para melhor administrálas, foi constituída a holding SL INVEST, com sede na Holanda. Menciona parte das empresas controladas e descreve as áreas de atuação, notadamente a de energia e metalurgia. A aeronave serve aos interesses da impugnante e das demais empresas ligadas a “IGUAÇU”, cujos negócios exigem frequente deslocamento dos administradores, em especial do Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO (representante da Impugnante). A aeronave sempre ingressou no País de forma lícita, na medida em que todas as condições dispostas na legislação foram atendidas. Agiu de boa fé durante todo o processo investigatório e que todas as intimações fiscais foram atendidas, inclusive forneceu um parecer de advogado norteamericano. Inúmeros deslocamentos da aeronave retida viabilizaram reuniões e negócios e, portanto, afirma ser “inverídica, impertinente e maliciosa” a afirmação fiscal da utilização da aeronave “somente” no proveito pessoal do Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO. A aquisição, a propriedade e a operação da aeronave N 955 SL são regulares, noticiando que a opção por ter uma aeronave com bandeira norteamericana levou em conta razões comerciais e operacionais relevantes e totalmente descasadas da suposta intenção de não recolhimento de tributo no Brasil. Há incongruência por impor a uma pessoa física (SR. JOAQUIM SALLES LEITE NETO) a penalidade "cessão do nome da pessoa jurídica com vistas no acobertamento dos reais Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI 8 intervenientes ou beneficiários", decorrente de infração supostamente cometida por uma pessoa jurídica. Em seu entendimento, a Autoridade Fiscal não observou os comandos legais que dispõem sobre lançamento com pluralidade de sujeitos passivos, citando normas legais e infralegais. Há vício no Auto de Infração que importaria em sua nulidade a ausência de Termo de Responsabilidade Solidária, com a devida fundamentação, que alega não ter sido lavrado. Muito embora o Termo de Verificação Fiscal faça menção à impugnante como suposto sujeito infrator, o auto de infração foi lavrado contra o Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO, o que já seria suficiente para demonstrar o vício insanável da autuação fiscal ora combatida. Há cerceamento de defesa pois não a devida clareza na descrição da suposta infração e demonstração do cálculo da multa. A Fiscalização afirma que o valor utilizado como base do cálculo da multa seria aqueles constantes dos TEATs e da apólice de seguro da aeronave. Mas os TEATs não indicam o valor apontado pela Fiscalização. Há também erro na taxa de câmbio utilizada para quantificação da multa imposta. A Autoridade Fiscal se baseou em suposições e agiu com parcialidade. Parece que houve certa seleção parcial dos dados e informações acerca da utilização da aeronave N 955 SL, mencionando que o Termo de Verificação Fiscal cita apenas e tão somente voos indicativos de viagens turísticas e com outros passageiros que não o representante da QUEST TRADING LCC . Procedeu assim a Autoridade Fiscal com o intuito de fundamentar que o uso do jato executivo se deu no interesse particular do Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO. O Termo de Verificação Fiscal silencia quanto a outros inúmeros voos internacionais feitos pela aeronave da empresa para atender a compromissos empresariais próprios e de sua controladora, como se comprova por planilha entregue à Fiscalização. Não pode pressupor a Autoridade Fiscal que o Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO só realize viagens turísticas para os Estados Unidos, esquecendo que a impugnante é empresa sediada naquele pais e o conglomerado empresarial possui negócios nesse País. Ademais, ainda no seu entender, não haveria qualquer proibição de seu representante legal viajar acompanhado de familiares. A legislação brasileira não exclui a aplicação do regime de admissão temporária, com suspensão total de tributos, se o avião também for utilizado em uma viagem a lazer. O Decreto nº 97.464/89 não limita o referido regime de exceção segundo o motivo da viagem do representante/proprietário da empresa estrangeira, a norma requer que a aeronave esteja transportando diretor ou representante da empresa proprietária da aeronave. Cita erro de data em uma viagem analisada no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, bem como a citação em duplicidade de uma mesma viagem para imputar desvio de finalidade e utilização da aeronave. Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19482.720025/201317 Acórdão n.º 3201001.879 S3C2T1 Fl. 1.834 9 Não se pode supor inexistente, irregular ou ilícita uma empresa que não possui propriedade imobiliária ou quadro de empregados, ou ainda porque seu endereço é compartilhado com outras empresas. A impugante está sujeita às leis norteamericanas e apresentou parecer de advogado norteamericano, por ela contratado, afirmando que a legislação do Estado norteamericano de Delaware não obriga as empresas do tipo LLC a manter balanços financeiros. Houve “usurpação” da atribuição e competência reservada às autoridades estadunidenses, não cabendo às autoridades brasileiras fiscalizar empresa estrangeira, regularmente constituída e estabelecida nos Estados Unidos da América, e muito menos dela exigir obrigações exigidas de empresas brasileiras. Há total desrespeito da autoridade fiscal ao princípio da autonomia patrimonial da pessoa jurídica, sugerindo que a impugnante é interposta pessoa, artifício utilizado para ocultar o beneficiário da aeronave N 955 SL. A QUEST TRADING LCC agiu e age em nome próprio e de forma válida, segundo as leis norteamericanas regentes da sua autonomia jurídica. É manifestamente ilegal e abusiva a desconsideração da personalidade jurídica da Impugnante e da SL INVEST, tal como feita pela d. autoridade fiscal para conseguir atribuir responsabilidade ao Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO. Na tentativa de sustentar o desvirtuamento da admissão temporária e a importação irregular da aeronave, a autoridade afirma que o regime de admissão temporária seria hipótese de nãoincidência tributária, sujeito aos ditames do CTN, mais especificamente seu artigo 111 , que determina seja interpretada literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário. Porém não há no Decreto n° 97.464/89 tratamento de matéria tributária que legitime invocar sua interpretação literal com base no artigo 111 do CTN. Não há na legislação distinção do tratamento aduaneiro de aeronave estrangeira segundo a nacionalidade e residência do passageiro. Considera, portanto, que a Autoridade Fiscal, a pretexto de interpretar literalmente uma regra, limitou sua extensão ao arrepio da lei. Não há previsão legal de limite de número e/ou frequência de voos no Brasil. A própria norma permite prorrogações sucessivas, desde que autorizadas pelas autoridades competentes. Houve violação de tratados internacionais, pois que o registro da aeronave se deu em consonância com as disposições da Convenção de Chicago, aqui ratificada pelo Decreto nº 21.713/46, que estabelece que a nacionalidade da aeronave é Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI 10 determinada pelo Estado em que esteja registrada, assegurando lhe o direito de transitar e sobrevoar o território dos Estados contratantes, pois se enquadra na categoria de aeronave civil estrangeira não dedicada a serviços internacionais regulares. O Brasil, por recomendação da própria Receita Federal do Brasil, não adotou o “Anexo C” da Convenção de Istambul, que prevê o prazo máximo de 180 dias em cada período de doze meses para admissão temporária. Incabível, portanto, impor limitação que não foi incorporada ao ordenamento jurídico pátrio. Ademais, pelos preceitos da referida Convenção, o regime de admissão temporária pode ser usufruído por terceiros. Não há desvirtuamento do regime, tampouco cessão de uso de nome, porque a Impugnante é a proprietária e operadora da aeronave estrangeira e agiu conforme a lei e em nome próprio. A partir das mencionadas e tendenciosas premissas, a d. autoridade faz uma absurda confusão da Impugnante pessoa jurídica devidamente constituída segundo as leis do Estado de Delaware/EUA com o seu representante legal, o Sr. JOAQUIM SALLES LEITE NETO. Não há, até o momento, a necessária regulamentação do art. 116, parágrafo único, do CTN que legitime a desconsideração de negócio jurídico com base em suposta simulação. A aplicação da penalidade deverá ser revista em respeito ao disposto no art. 100, inciso III, do CTN, que relaciona as “práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas” como norma complementar da legislação tributária, bem como à luz dos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e moralidade, pelos quais deve se pautar a Administração Tributária. É inequívoca a prática reiterada da administração no reconhecimento do direito ao regime de admissão temporária da aeronave N 955 SL no Brasil por ser de propriedade de empresa estrangeira. Se houve prática reiterada da Administração, não é permitida a imposição da penalidade ora debatida. Ademais, “após um cenário de estabilidade”, a súbita retenção da aeronave constituiria uma ofensa aos Princípios da Moralidade e da Segurança Jurídica. A desproporcionalidade da pena ocasiona verdadeiro enriquecimento sem causa do Estado brasileiro e afronta, nessa medida, o princípio do nãoconfisco, preconizado no inciso IV do art. 150 da CF. Diante de todo o exposto, requerse o acolhimento da presente impugnação para: a) Preliminarmente, decretar a nulidade do Auto de Infração por conta dos vícios de (1) erro na identificação do sujeito passivo e não lavratura do Termo de Sujeição Passiva por Responsabilidade Solidária, com adequada e suficiente qualificação da suposta responsabilidade da Impugnante e respectivo fundamento legal; (2) conclusão falaciosa decorrente de meras suposições e generalizações que fulminam o entendimento fiscal, em razão do distanciamento da verdade Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19482.720025/201317 Acórdão n.º 3201001.879 S3C2T1 Fl. 1.835 11 material; e (3) cerceamento do direito de defesa dada a imprecisa descrição da suposta infração e critérios de cálculo e quantificação da multa; Ou, subsidiariamente, b) No mérito, decretar a improcedência da penalidade prevista no art. 33 da Lei n° 11.488/07, refletida no art. 727 do Regulamento Aduaneiro, tendo em vista (1) a inocorrência de cessão de uso do nome da Impugnante à terceiros; (2) a regularidade da admissão temporária no caso concreto, nos estritos termos da legislação brasileira em vigor; (3) a violação das Convenções Internacionais, validamente incorporadas no ordenamento jurídico brasileiro; (4) a ilegal desconsideração de negócios jurídicos comprovadamente válidos e da personalidade jurídica da Impugnante; ou, subsidiariamente, (5) a desproporcionalidade e irrazoabilidade da penalidade e o desrespeito ao art. 100, III e p. único do CTN, e (6) o evidente erro de cálculo da fixação do valor da multa, o que viola a regra do art. 142 do CTN; Ou, ainda subsidiariamente, caso se entenda cabível a penalidade, c) reduzir o valor da multa ao valor de RS 1.406.160,00 (um milhão, quatrocentos e seis mil e cento e sessenta reais), apurado segundo os estritos critérios adotados pela d. autoridade fiscal. O interessado JOAQUIM SALLES LEITE NETO apresentou a impugnação de folhas nº 1488 a 1540, com os documentos de folhas nº xxx a xxx anexados, alegando, em síntese que: O Termo de Verificação Fiscal, que acompanha o Auto de Infração, citou, de forma aleatória e imprecisa, elementos completamente irrelevantes para a análise jurídica do caso e que em nada afetam o fato de que a QUEST TRADING LCC cumpriu absolutamente todos os requisitos legais para possuir e operar a aeronave, cuja utilização se deu em absoluta conformidade com as normas aplicáveis. Há nulidade por erro na sujeição passiva da pretensa obrigação tributária. A multa por "cessão de nome" é personalíssima e, quando aplicável que não ocorre in casu somente pode ser exigida da pessoa jurídica que cometeu o referido ilícito, e jamais de outrem. O que o Termo de Verificação Fiscal de fato fez, por meio de um silogismo sem sentido, foi pretender desconsiderar a personalidade jurídica da QUEST TRADING LCC e da WELLS FARGO e ignorar a independência patrimonial entre QUEST TRADING LCC, WELLS FARGO e o impugnante, punindo o impugnante com a perda de um bem que não lhe pertence. Alegou, ainda, que a desconsideração da personalidade jurídica das empresa se deu ao arrepio da legislação de regência (art. 50 da Lei nº 10.406/2002 – Código Civil). Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI 12 Somente as autoridades administrativas de suas respectivas jurisdições poderiam desconsiderar a personalidade jurídica de QUEST TRADING LCC e WELLS FARGO. A desconsideração da personalidade jurídica é remédio para situações abusivas, sendo uma medida excepcional, a ser tomada por um juiz, e nunca pela autoridade administrativa. Houve nulidade por erro na determinação da matéria tributável. O montante de US$10.800.000,00, considerado pelo Termo de Verificação Fiscal equivocadamente como base de cálculo para a aplicação da multa impugnada, não é o valor aduaneiro da aeronave, mas, sim, o valor que consta da respectiva apólice de seguro. Com efeito, como se pode comprovar através do TEAT emitido em 25/05/2012, o valor aduaneiro da aeronave é US$7.000.000,00. As autoridades fiscais buscam fundamentar sua pretensão na suposição de que a impugnante era o "proprietário de fato" da aeronave e também o seu verdadeiro operador, desconsiderando, por consequência, a independência patrimonial das referidas empresas estrangeiras. A desconsideração da personalidade jurídica das empresa se deu ao arrepio da legislação de regência (Lei nº 10.406/2002 – Código Civil). Controla, direta e indiretamente, objetivando a realização de investimentos e o aproveitamento de negócios em todo o mundo, empresas que operam em escala internacional e atuam em diversos ramos, com ênfase nos seguimentos relacionados à energia e metalurgia. A QUEST TRADING LCC , sediada nos Estados Unidos da América, é uma dessas empresas. A gestão eficiente dos negócios e dos empreendimentos ao redor do mundo demanda deslocamentos rápidos e constantes e, desse modo, a aquisição de uma aeronave particular é um instrumento vantajoso e fundamental para a gestão do tempo dos dirigentes das empresas. Não faria sentido, portanto, como quis o AuditorFiscal, internalizar definitivamente a aeronave adquirida pela empresa, pois que a aeronave seria “utilizada em voos no mundo todo” (fl. 1379). Além disso, alega que não há norma que vede a conduta da empresa, no tocante à utilização da aeronave tal como vinha procedendo. A permanência da matrícula estadunidense aufere inúmeras vantagens, como a possibilidade de financiamento no exterior, a facilidade de revenda e de deslocamentos sem controles aduaneiros e de segurança adicionais e os menores custos de seguros e combustíveis. Para fundamentar o auto, a Fiscalização escolheu voos aos quais atribui a natureza de “turísticos”, com a finalidade de demonstrar que a utilização da aeronave teria por fim principal atender aos interesses do impugnante e de sua família. Uma série de voos que teriam justificativas empresariais não foram considerados pela Fiscalização. Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19482.720025/201317 Acórdão n.º 3201001.879 S3C2T1 Fl. 1.836 13 Um mesmo voo foi utilizado em duplicidade, para tentar fundamentar a exigência do auto. Ainda que demonstrado o objetivo precípuo da aeronave atender a interesses empresariais, não há qualquer restrição legal à sua eventual utilização para fins turísticos. Sob o amparo da “Convenção de Chicago”, do Decreto nº 97.464/89 e da Instrução Normativa RFB nº 285/2003, a aeronave ingressou no território brasileiro reiteradas vezes sob o regime de admissão temporária, por prazo determinado e com a suspensão dos tributos que seriam devidos na importação, em razão de terem sido atendidos todos os requisitos para tanto, pois a mesma é estrangeira, operada pela QUEST TRADING LCC e devidamente registrada pela Federal Aviation Administration – FAA e nunca esteve em serviço aéreo regular. A própria ANAC e a RFB atestaram a regularidade dos ingressos da aeronave em território nacional, mediante a expedição dos competentes TEATs e AVANACs. O Procedimento Especial de Fiscalização só foi iniciado após a emissão do último TEAT registrado e dentro do seu prazo de validade, configurando uma verdadeira emboscada ao autorizar a entrada e permanência da aeronave no território nacional para, em seguida, determinar a sua retenção, em violação ao princípio da moralidade. Não há nada na legislação brasileira que impeça a aeronave de uma empresa estrangeira de ingressar em caráter temporário no Brasil pelo fato de um de seus acionistas ser residente no país. Cada TEAT emitido é ato jurídico perfeito e acabado e, como tal, o Fiscal autuante poderia basear sua argumentação apenas no último documento registrado, quando a RFB já estava convencida da existência de supostos indícios de irregularidades na utilização da aeronave. O Fisco confunde a possibilidade de a ANAC e a RFB poder rever de ofício seus atos, porque, segundo seu entendimento, não houve revisão de ofício de ato administrativo, pois, neste caso, a consequência seria determinar a saída da aeronave do País e não retêla e aplicarlhe a pena de perdimento. O Termo de Verificação Fiscal baseouse em argumentos que não encontram amparo legal, ofendendo o Princípio da Legalidade. Assim, sua interpretação da lei restringe a aplicação do art. 2º, inciso IV, alínea “c”, do Decreto nº 97.464/89 ao transporte de empresários estrangeiros, o que é uma tentativa de reescrita da legislação vigente. No mesmo passo, o texto utiliza o conceito de “interesse” para fundamentar a aplicação restritiva do regime de admissão temporária, termo esse não encontrado na legislação que rege a matéria. Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI 14 Ao determinar a retenção/perdimento da aeronave, em contradição aos TEATs reiteradamente emitidos, a RFB violou os princípios da segurança jurídica, moralidade, e de boafé objetiva, bem como a vedação ao comportamento contraditório e incorreu em abuso de direito ao frustrar expectativa a que ela própria deu origem. Inexistem as seguintes três infrações apontadas pela Fiscalização: “ocultação do real responsável pela operação mediante interposição fraudulenta”, “falsidade da documentação” e “cessão de nome”. Tendo em vista que as infrações mencionadas encontram suporte na primeira delas, isto é, na “ocultação do real responsável pela operação mediante interposição fraudulenta”, sua descaracterização afastaria a possibilidade da ocorrência das demais. A interposição fraudulenta caracterizase por uma conduta fraudulenta específica, a simulação. Não caberia, portanto, falarse em simulação quando os atos e negócios praticados foram feitos às claras, submetidos à análise das autoridades competentes. As informações relativas à propriedade e operação da aeronave eram de domínio público e/ou foram apresentadas à Fiscalização, não pretendendo o impugnante ocultar que era controlador indireto da QUEST TRADING LCC , tanto que informou em sua DIRPF a participação mantida em SL INVEST, controladora direta da QUEST TRADING LCC . A celebração de contrato de trust entre a QUEST TRADING LCC e o banco WELLS FARGO é lícita e utilizada com anuência das autoridades estadunidenses e seu objetivo – qual seja, a obtenção de registro junto ao FAA – está explicitamente descrita no contrato fiduciário. A aeronave foi adquirida pela QUEST TRADING LCC com recursos decorrentes de contrato de empréstimo celebrado entre a QUEST TRADING LCC e o Banco Bradesco S.A., Agência Grand Cayman, tendo o impugnante assinado o contrato como representante legal da empresa e não como tomador do empréstimo, como alega o Agente Fiscal. Não se pode exigir de uma determinada empresa uma estrutura maior ou mais completa do que aquela que lhe basta para exercer suas funções. Desse modo, não se pode sustentar que a suposta falta de estrutura da QUEST TRADING LCC seria suficiente para lhe imputar a pecha de “inexistente de fato”, porquanto era dotada dos elementos necessários ao exercício de suas atividades específicas. Há jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda para referendar sua posição. É a empresa QUEST TRADING LCC a real responsável pela entrada e permanência da aeronave N 955 SL no País e não o impugnante. Houve nulidade por erro na determinação da matéria tributável. o montante de US$10.800.000,00, considerado pelo Termo de Verificação Fiscal equivocadamente como base de Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19482.720025/201317 Acórdão n.º 3201001.879 S3C2T1 Fl. 1.837 15 cálculo para a aplicação da multa impugnada, não é o valor aduaneiro da aeronave, mas, sim, o valor que consta da respectiva apólice de seguro. Com efeito, como se pode comprovar através do TEAT emitido em 25/05/2012, o valor aduaneiro da aeronave é US$7.000.000,00. Por todo exposto, requer seja declarado nulo o AUTO por erro na sujeição passiva da pretensa obrigação tributária; e erro na determinação da matéria tributável. Caso superadas as nulidades em questão, o que se admite para argumentar, que o AUTO seja julgado totalmente improcedente. A decisão recorrida, consubstanciada no Acórdão nº 0733.812, de 15/01/2014, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC (efls. 1.612/1.637), restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do Fato Gerador: 25/05/2012 CESSÃO DE NOME. OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. MULTA PECUNIÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa prescrita pelo artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. LEGITIMIDADE PASSIVA NA INFRAÇÃO. Respondem pela infração à legislação aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, PROPORCIONALIDADE E NÃO CONFISCO. Tendo em vista a presunção de constitucionalidade das normas legais que foram legitimamente inseridas no ordenamento jurídico, cabe à autoridade administrativa tão somente verificar se os fatos subsumemse na norma de regência e aplicar a penalidade em face da existência de expressa determinação legal, dado que o lançamento não é atividade discricionária, mas, bem ao contrário, vinculada e obrigatória. Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI 16 MULTA DO ARTIGO 33 DA LEI Nº 11.488/2007. PENA DE PERDIMENTO. CONCOMITÂNCIA. A multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 pode ser aplicada concomitantemente com a pena de perdimento das mercadorias importadas irregularmente, como regulamentado pelo parágrafo 3º do Decreto nº 6.759/2009, Regulamento Aduaneiro. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com a manutenção parcial do lançamento, Joaquim Salles Leite Neto apresentou o recurso voluntário cabível, de forma tempestiva, reiterando, em síntese, os argumentos suscitados em sua defesa inaugural. Além disso, pugnou pela reforma da decisão recorrida para que o crédito tributário seja integralmente exonerado. Por um equívoco procedimental da autoridade preparadora, a Quest Trading LLC não foi intimada da decisão da instância a quo, razão pela qual não interpôs recurso inicialmente. Em virtude da inclusão do presente processo na pauta de julgamento de Novembro de 2014, os patronos da empresa pleitearam o saneamento do feito ao Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, dandose por intimada naquela ocasião. Assim, tendo lhe sido deferido o pedido de saneamento do feito sem a necessidade da realização de diligência para sanear o processo, a Quest Trading LLC apresentou o recurso voluntário cabível tempestivamente, reiterando também os argumentos de defesa já suscitados em sua impugnação. O processo foi digitalizado e posteriormente distribuído para o Conselheiro Daniel Mariz Gudino na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudino 1 Admissibilidade Os recursos atendem aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual devem ser conhecidos. 2 Questão preliminar: o destinatário da multa por cessão de nome De início, impõemse entender qual é a alegação central da fiscalização para legitimar a aplicação da multa ora debatida. O dispositivo legal que trata da multa assim dispõe: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19482.720025/201317 Acórdão n.º 3201001.879 S3C2T1 Fl. 1.838 17 realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A alegação central da fiscalização pode ser depreendida do Termo de Verificação Fiscal (efls. 1.364): A empresa QUEST TRADING, cedeu seu nome para a operação de comércio exterior de Admissão Temporária, disponibilizando documentos e simulando as operações de uso da aeronave, acobertando o real beneficiário o Sr Joaquim Salles Leite Neto. A despeito de o destinatário da norma sancionadora ser a pessoa jurídica que cede o seu nome para acobertar o real beneficiário da operação de comércio exterior, o auto de infração foi lavrado exclusivamente contra o Sr. Joaquim Salles Leite Neto, com base no art. 95, inc. I, do DecretoLei nº 37, de 1966. Interessante ressaltar, desde já, que a aeronave N955SL teve o seu perdimento decretado no Processo Administrativo nº 19482.720024/201364, penalidade esta que é destinada ao beneficiário da operação de comércio exterior, pois é ele que perde a mercadoria, e não o importador imediato, que não possui animus domini e apenas cede o seu nome para operacionalizar a importação. Assim, merece melhor reflexão o disposto no art. 727 do Decreto nº 6.759, de 2009 (Regulamento Aduaneiro), em especial a parte que prevê que a aplicação da multa por cessão de nome não inibe a aplicação da pena de perdimento de mercadorias. Confirase: Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 1o A multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 2o Entendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. § 3o A multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). O fato de a multa por cessão de nome não prejudicar a aplicação da pena de perdimento, conforme prevê o § 3º do dispositivo transcrito, não se confunde com uma Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI 18 autorização para aplicar tais penas indistintamente a qualquer pessoa que participou do processo de importação irregular. Se assim não fosse, não haveria o menor sentido em estabelecer uma multa específica para o importador imediato que participa do processo de importação irregular mediante a simples cessão de nome. A multa por cessão de nome foi criada justamente com o fim específico de não submeter ao importador imediato à cobrança da multa decorrente da conversão da pena de perdimento nos casos em que as mercadorias importadas irregularmente não poderiam ser apreendidas. Daí a razão de não ser aplicável o art. 95, inc. I, do DecretoLei nº 37, de 1966, a essa multa específica do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007. Assim, sem entrar no mérito da existência, ou não, de um planejamento tributário abusivo, percebese claramente que a escolha da fiscalização de lavrar o auto de infração somente contra o Sr. Joaquim Salles Leite Neto deuse exclusivamente pelo fato de que a Quest Trading LLC não tem domicílio no Brasil e isso geraria dificuldades na liquidação da multa por cessão de nome. Entretanto, a despeito das dificuldades que pudesse encontrar para promover a liquidação da multa por cessão de nome de quem efetivamente deveria sofrer essa penalidade – a Quest Trading LLC –, a fiscalização jamais poderia ter lavrado o auto de infração contra o Sr. Joaquim Salles Leite Neto sob pena de negar o próprio fundamento dessa multa específica. Isto posto, considerando que o auto de infração foi lavrado contra quem não poderia sofrer a multa por cessão de nome, e que os fundamentos do lançamento estão equivocados, DOU PROVIMENTO aos recursos voluntários, exonerando o crédito tributário integralmente. Conselheiro Daniel Mariz Gudino Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Redator designado para a formalização do acórdão Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 17460.000250/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2402-000.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio César Vieira Gomes- Presidente
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 17460.000250/2007-18
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5472942
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2402-000.499
nome_arquivo_s : Decisao_17460000250200718.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 17460000250200718_5472942.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes- Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
id : 5958976
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047889666637824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1295; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.668 1 1.667 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17460.000250/200718 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 2402000.499 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 10 de março de 2015 Assunto Solicitação de diligência Recorrentes FRIGOESTRELA FRIGORÍFICO ESTRELA D`OESTE LTDA FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 74 60 .0 00 25 0/ 20 07 -1 8 Fl. 1669DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000250/200718 Resolução nº 2402000.499 S2C4T2 Fl. 1.669 2 Tratase de recurso voluntário e de recurso de ofício interpostos em face do Acórdão n.º 1433.506 da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Ribeirão Preto (SP), fl. 16121624, com ciência da autuada em 16/03/2012, fl. 1637, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) lavrado sob o Debcad no 35.534.0267, do qual o sujeito passivo foi cientificado em 27/07/2006, fl. 132. De acordo com o relatório fiscal de fl. 3440, tratase de exigência de penalidade por infração ao artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, na redação da Lei n.° 9.528, de 10/12/1997, e no artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, com base no fato de a empresa ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com omissão dos seguintes fatos geradores, no período de 06/1999 a 05/2006: a) não informou os valores da Comercialização Rural, referente aos produtos rurais, gado bovino e suíno para abate e lenha adquiridos de produtores rurais pessoas físicas pelos Estabelecimentos CNPJ: 52.645.009/000153, 52.645.009/000404, 52.645.009/0008 20.52.645.009/000900 e 52.645.009/001206 e o respectivo valor devido à previdência, no período 08/2002 a 05/2006, conforme anexos I a VI; b) não informou os valores pagos "em dinheiro" a título de Cesta Básica, em desacordo portanto com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, aos empregados dos Estabelecimento CNPJ: 52.645.009/000820, 52.645.009/001125 e 52.645.009/001206 e o respectivo valor devido à previdência, no período de 06/2003 a 12/2003, conforme anexo VII; c} não informou os valores pagos "mensalmente' a título de Participação nos Lucros e Resultado, em desacordo com a Lei 10.101/2000, aos empregados dos Estabelecimento CNPJ: 52.645.009/000153 52.645.009/000820, 52.645.009/000900, 52.645.009/0011 25 e 52.645.009/001206 e o respectivo valor devido à previdência, no período de 07/2004 a 0272006, conforme anexo VllI; d) não informou os valores pagos e os respectivos valores devidos à previdência, referentes a serviços prestados por Cooperativa de Serviços Médicos, disponibilizado aos empregados dos Estabelecimentos CNPJ. 52.645.009/000900 e 52.645.009/001206 no período de 06/1999 a 04/2006, conforme anexos IX: e) não informou os valores da receita bruta proveniente da comercialização da produção e os respectivos valores devidos à previdência, referentes ao período 11/2001 a 01/2005 onde a empresa se enquadrou como Agroindústria nos termos da Lei 10.256/2001, pois industrializava produção própria ao transferir gado da filial fazenda para o abate no estabelecimento frigorífico, conforme anexo X. Fl. 1670DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000250/200718 Resolução nº 2402000.499 S2C4T2 Fl. 1.670 3 f) não informou os valores pagos a Contribuintes Individuais, referentes a serviços prestados nos estabelecimentos CNPJ. 52.645.009/000820, 52.645.009/000908 52.645.009/001206 e o respectivo valor devido á previdência, no período de 02/2001 a 03/2003, conforme anexos XI e X. A autuada pediu relevação da multa, fls. 134135. Após diligência fiscal, foi emitido o acórdão nº 1417.275, da 7a Turma DRJ Ribeirão Preto (SP), fl. 15311547, o qual, entretanto, foi anulado pelo Acórdão CARF nº 240100.542, fl. 15491, que entendeu ter ocorrido cerceamento de defesa em razão da falta da ciência, ao sujeito passivo, do resultado da diligência. O processo foi saneado e a autuada apresentou petição às fls. 15871598, solicitando o reconhecimento da decadência qüinqüenal, o julgamento conjunto com os processos de obrigação principal em razão de conexão e a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91. Foi então proferido o acórdão ora recorrido, que julgou a impugnação parcialmente procedente, reconhecendo a decadência do período de 06/1999 a 11/2000, com base no art. 173, I, do CTN, e atenuando em 50% o valor da multa, considerando a existência de circunstancias agravantes impeditivas à relevação. Em razão do valor exonerado a decisão foi submetida a reexame necessário. Em 10/04/2012, a autuada interpôs recurso voluntário, fl. 16391653, no qual reitera suas razões, solicitando o reconhecimento da decadência com base no art. 150, § 4o, do CTN, o julgamento conjunto com os processos de obrigação principal em razão de conexão e a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91. É o relatório. 1 Acórdão nº 240100.542, da 4a Câmara/1a Turma Ordinária/ 2a Seção de Julgamento, sessão de 19 de agosto de 2009, Relatora Cons. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1671DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000250/200718 Resolução nº 2402000.499 S2C4T2 Fl. 1.671 4 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Recurso Voluntário Conheço do recurso por estar presentes os requisitos de admissibilidade. Diligência As contribuições incidentes sobre os fatos geradores não declarados em GFIP foram objeto de lançamento em Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD), de modo que existe conexão entre os processos de NFLD e o presente processo, pois, se no julgamento do lançamento relativo às contribuições correspondentes aos fatos geradores omitidos, no mérito, for decidido pela improcedência deste, a principio não há como prevalecer o auto de infração pelo descumprimento de obrigação acessória relativa a tais fatos geradores. Entretanto, em consulta ao sistema eprocesso não constam todos os processos de obrigação principal relacionados aos fatos geradores omitidos em GFIP. Foi possível identificar os processos de lançamentos relativos às contribuições rurais (processos nº 16000.000342/200744, 16000.000344/200733, 16000.000345/200880). Entretanto, não foi possível identificar os processos de obrigação principal relativos aos demais fatos geradores objeto da autuação. Diante do exposto, entendo que o processo não está em condições de ser apreciado, carecendo, antes, de manifestação do órgão lançador quanto ao aqui exposto, informando os números dos processos de obrigação principal relativos aos fatos geradores omitidos em GFIP, se for o caso, o resultado e os fundamentos das decisões administrativas neles proferidas, juntando cópias delas, bem como a atual fase em que os processos se encontram. Em suma, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório de diligência detalhado e conclusivo, podendo prestar informações adicionais e juntar documentos que entender necessários, devendo intimar a interessada do relatório da diligência e conceder prazo de trinta dias para apresentação de contrarrazões. Conclusão Com base no exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 1672DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10983.905052/2008-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.485
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10983.905052/2008-77
conteudo_id_s : 6481493
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3401-000.485
nome_arquivo_s : 340100485_10983905052200877_201205.pdf
nome_relator_s : EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
nome_arquivo_pdf_s : 10983905052200877_6481493.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
id : 6097919
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047889688657920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2201; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 96 1 95 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.905052/200877 Recurso nº 507723 Resolução nº 3401000.485 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 22 de maio de 2012 Assunto Solicitação de diligência Recorrente CENTRAIS ELÉTRICAS DE SANTA CATARINA SA Recorrida FLORIANÓPOLISSC RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão que manteve Despacho Decisório eletrônico não homologando compensação constante de PER/DCOMP, cuja crédito é referente ao PIS Faturamento e tem origem, segundo a contribuinte, em retenções feitas pela Universidade Federal de Santa Catarina. Segundo o Despacho denegatório o DARF não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. O processo retorna a este Colegiado após a Resolução que determinou ao órgão de origem se pronunciar sobre a DCTF retificadora, informando, de modo conclusivo, sobre o seu acatamento e substituição da original ou não, e sobre a existência de pagamento a maior ou não. O pronunciamento do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em FlorianópolisSC foi no no sentido de que não cabe qualquer revisão no Despacho Decisório que não reconheceu o crédito e não homologou a compensação. Além disso, afirmou que o Recurso Voluntário sequer poderia ter sido conhecido, porquanto firmado por pessoa sem poderes de representação para tanto. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.905052/200877 Resolução n.º 3401000.485 S3C4T1 Fl. 97 2 É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator Diante do resultado da primeira diligência há necessidade de uma nova, desta feita para conceder à Recorrente o prazo de trinta dias para sanar a irregularidade na representação processual e, segundo, no mesmo prazo manifestarse, se quiser, sobre o pronunciamento do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em FlorianópolisSC, por ocasião dessa primeira diligência realizada. A Recorrente possui inúmeros processos semelhantes ao presente processo, alguns já reanalisados por este Colegiado. Refirome, dentre outros, ao de nº 10983901622/200850, no qual já foi determinada uma segunda diligência, nos termos da Resolução nº 3401000.342, de 10/11/2011, da relatoria da Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, cujos fundamentos, transcritos abaixo, cabe adotar também aqui. Observese: Prejudicial de conhecimento do Recurso Voluntário A Autoridade Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em FlorianópolisSC tem razão ao apontar, ainda que a destempo, falha na representação processual relacionada ao encaminhamento do Recurso Voluntário ao Carf, o que, em princípio, daria azo ao não conhecimento do mesmo, na linha, inclusive, acrescento eu, de decisões do então denominado Conselho de Contribuintes1. Ocorreu que, de fato, não obstante na procuração outorgada pela empresa aos advogados Vicente Greco Filho e Fabrício Fávero, estivesse expressamente vedado o substabelecimento total ou parcial a qualquer outro advogado/procurador, a pessoa que assinou o Recurso Voluntário foi o advogado Maurício Alvarez Mateos, fato este que passou despercebido, tanto pela Autoridade preparadora que remeteu pela primeira vez o presente processo ao Carf para julgamento, quanto por este relator, que, equivocadamente, atestou o cumprimento de todos os seus requisitos de admissibilidade. Todavia, na Sessão de 31/08/2011, quando da apreciação de idêntica argumentação posta pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis relacionada ao processo nº 10983.901454/200631, em nome da ora interessada Centrais Elétricas de Santa Catarina S/A, deliberáramos, à unanimidade, por meio da Resolução nº 340100.303, que seria dada oportunidade à empresa para que a representação processual fosse regularizada. Não obstante naquela ocasião não o tivesse feito, invoco agora, para o presente caso, a regra constante do Código de Processo Civil, artigo 13, inciso II, segundo a qual 1 Acórdão nº 10194.528, de 18/03/2004 e Acórdão nº 20215.779, de 18/12/2004, por exemplo. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.905052/200877 Resolução n.º 3401000.485 S3C4T1 Fl. 98 3 “Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para sanar o defeito. Não cumprindo o despacho dentro do prazo, se a providência couber: (...) II – ao réu, reputarseá revel.” Ora, em nenhum momento deste processo cuidou a Autoridade preparadora de cobrar da interessada regularização da representação processual relacionada ao Recurso Voluntário, de sorte que não me parece razoável a caracterização da revelia, pura e simplesmente. Em face do exposto, deverá a interessada ser cientificada da falha, para que, no prazo de trinta dias, sane o defeito. Contribuição retida na fonte – não aproveitamento – direito a crédito Numa apertadíssima síntese da matéria de mérito que versa o presente processo, esclareço aos meus pares que a interessada, uma concessionária de serviço público de energia elétrica, verificou, em maio de 2004, que no ano de 2002, não obstante tivesse sofrido a retenção na fonte do PIS/Pasep e da Cofins, em face do recebimento pela venda de energia elétrica à Universidade Federal de Santa Catarina [art. 64 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 19962] deixara de se valer da regra que autorizava a utilização do valor retido como “compensação com a contribuição da mesma espécie” [na forma do art. 5º da IN 306, de 12/03/2003], ou a utilização do valor retido como “dedução do valor da contribuição da mesma espécie” [na forma do art. 7º da IN 480, de 15/12/2004, que revogou a referida IN 306/2003], em ambos os casos, compensação/dedução essas relacionadas a fatos geradores ocorridos a partir do mês de retenção. E, em não tendo se valido de tal permissão legal, nem à época própria, nem posteriormente, ao menos até a data da entrega da Dcomp, concluiu que o valor então retido configuraria, na verdade, um “pagamento a maior” da contribuição, o que, por sua vez, ensejaria o direito ao reconhecimento de um crédito junto à Fazenda Nacional, passível de ser utilizado em procedimento de compensação, tal qual estabelece o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não teve, porém, reconhecido o alegado crédito, primeiro, pela DRF, que, por meio de despacho eletrônico, apontou como causa para tanto a não localização junto aos sistemas da Receita Federal do Darf indicado na Dcomp como originário de qualquer pagamento indevido ou a maior, e, segundo, pela DRJ, que alegou a inobservância de forma para tanto, visto que, a seu ver, a Dcomp deveria ter sido precedida de uma recomposição formal nos registros e declarações do período de apuração. Na formulação dos termos da Resolução acima mencionada que aprováramos quando tivemos contato com a matéria, eu já admitira,de 2 Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoa jurídica, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição para a seguridade social Cofins e da contribuição para o Pis/Pasep. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.905052/200877 Resolução n.º 3401000.485 S3C4T1 Fl. 99 4 um lado, a tal inobservância da forma propalada pela instância de julgamento, e, de outro, a invasão de competência perpetrada pela DRJ ao ir além de sua competência para negar o direito da interessada. Além disso, eu já ressalvara as limitações impostas aos contribuintes para esmiuçar as razões de suas postulações nas Dcomp, mormente em casos especialíssimos como o do presente processo. Assim, forma por forma, ambas as partes – contribuinte e Fisco não as teriam obedecido completamente. Pois bem. Este Colegiado, com outra composição, entendeu que “em princípio”, incorrera mesmo a interessada num pagamento indevido ou a maior, o qual, contudo, por não haver sido corretamente demonstrado na Dcomp e nem nas demais manifestações que se seguiram – Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário , mereceria uma nova análise por parte da DRF, desta feita, levando em conta as nossas observações. Daí os termos em que elaborada a Resolução acima referida. Todavia, a DRF, diante dos termos da Resolução, entendeu que, da forma com que estão postas as informações prestadas pela interessada, quer na Dcomp, quer na sua DIPJ e DCTF, os sistemas da Receita Federal do Brasil não são capazes de identificar a existência de qualquer pagamento efetuado a maior ou indevidamente. Ressalta que o Darf de retenção sob o código “6147”, na verdade, não existe, sendo que o documento juntado aos autos a esse título reporta apenas uma tela do sistema, de modo que o recolhimento efetuado pela fonte retentora da contribuição se deu juntamente com prováveis tantos outros valores retidos de outrem, o que impossibilita a checagem por parte da Receita Federal da existência ou não de determinado valor específico. (...) Não obstante estejam claramente apontadas as razões pelas quais a DRF ou os sistemas da Receita Federal do Brasil não conseguem identificar a existência de pagamento a maior ou indevido na situação especialíssima com a qual nos deparamos, data máxima venia, divirjo da parte da argumentação da DRF quando afirma que, verbis, “Se não há na Dcomp campo para informação desse tipo de crédito é justamente porque não é possível realizar compensação com esse tipo de crédito.” Ora, o fato do Sistema de Compensação de Créditos elaborado pela Receita Federal do Brasil não prever tratamento para tal situação, não significa que há vedação expressa nas normas que regulam os procedimentos de reconhecimento de crédito e homologação de compensações de débitos; ao contrário. Estamos, sim, diante de uma situação especialíssima, para a qual, aparentemente, não foi criada uma solução pelos sistemas de controle engendrados pela Administração Tributária. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.905052/200877 Resolução n.º 3401000.485 S3C4T1 Fl. 100 5 Não consigo deixar de vislumbrar no presente caso a existência do direito reclamado pela interessada; ressalvando, é claro, as premissas de que tenha havido mesmo a alegada retenção na fonte e que a base de cálculo da contribuição e o respectivo recolhimento tenham sido corretamente apurados e efetuados. Suponhamos, então, que no período de apuração de fevereiro de 2002 a interessada tenha sofrido a retenção na fonte da contribuição, digamos, de R$ 100; que a contribuição devida, antes de se considerar essa retenção, fosse de R$ 1.000; e que tivesse efetuado o recolhimento a título dessa contribuição desses R$ 1.000. Ora, por óbvio que, não usufruindo a faculdade prevista na legislação de deduzir, do valor a pagar, o valor que lhe fora retido na forma de antecipação, terá efetuado um pagamento a maior ou indevido de R$ 100, correspondente, justamente, ao valor da retenção [antecipação] não aproveitada. Então, se a DRF afirma que o Sistema de Compensação de Créditos não consegue visualizar isso eletronicamente, é o caso de que tal situação seja visualizada por meio de análise criteriosa de servidor [pessoa humana, e não a máquina] de todos os elementos necessários para tal, ainda que, para isso, seja necessário o envolvimento indispensável da interessada, voltado para a recomposição das bases de cálculos já se considerando as retenções na fonte, seguidas de retificações nas declarações correspondentes [DCTF, DIPJ etc], seguida de disponibilização da documentação fiscal e contábil. O Fisco, por sua vez, de posse dessas informações [e de outras que julgar necessárias] fornecidas pela interessada, já terá elementos para efetuar a confrontação com a DIRF entregue pelo responsável pela retenção e identificar, ou não, a existência do alegado pagamento a maior. A constatação, feita pela Autoridade fiscal, inclusive, de que o sistema PER/Dcomp não permite o reconhecimento de crédito “dessa natureza”, implica em dizer que referido sistema não consegue desincumbirse da tarefa que lhe é posta e que não está vedada pelas normas legais que regulam os procedimentos de compensação, situação essa, contudo, que não pode infligir prejuízos financeiros aos contribuintes em detrimento de um aparente enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Nacional. Não se nega que a forma com que o contribuinte postulou seu crédito está errada, mas, será que esse erro não comporta retificação? Estaria, então, o contribuinte fadado a se conformar com o seu erro e irremediavelmente arcar com tal prejuízo? Ou, dito de outra forma, será que se o contribuinte demonstrar que fez a antecipação do pagamento da contribuição [retenção na fonte] e que não a deduziu do valor a pagar, não exsurgirá um pagamento a maior? Não se trata aqui de adoção da solução “mais fácil” em detrimento da “mais correta”, mas, sim, de, diante de uma situação especialíssima, buscar a observância aos princípios da eficiência administrativa e o da economia processual, o que pode ser conseguido, não se referendando Fl. 110DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.905052/200877 Resolução n.º 3401000.485 S3C4T1 Fl. 101 6 o voto da DRJ [que implicará na exigência dos débitos cuja compensação não foi homologada] e exigindo do contribuinte uma nova formulação de seu pedido; mas, sim, aproveitando a fase em que se encontra o presente processo e a partir de todas as informações nele contidas e de outras a serem obtidas do contribuinte, fazerse uma análise sobre a existência ou não do alegado “pagamento a maior ou indevido”. Em face de todo o exposto, voto pela conversão do presente julgamento em nova diligência, desta vez, determinando à Unidade de origem que, mediante intimação à interessada e consulta aos sistemas de informação da Receita Federal do Brasil, reúna todos os elementos necessários para a elaboração de nova manifestação dando conta a este Colegiado acerca das pretensões formuladas pela interessada no PER/Dcomp objeto deste processo, ou seja, se, primeiro, existe o crédito indicado, e, segundo, se o mesmo é capaz de suportar a compensação a ele atrelada. Pelo exposto, voto por converter o presente julgamento em nova diligência para que a Unidade de origem intime o contribuinte a, no prazo de trinta dias, sanar a falha na representação de seu Recurso Voluntário e, no mesmo prazo, se quiser, manifestarse sobre o pronunciamento do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em FlorianópolisSC, por ocasião da diligência já realizada. Efetuada a intimação e transcorrido o prazo de trinta dias nela estipulado a unidade de origem deve devolver os autos a este Colegiado para julgamento, juntando, se houver, o pronunciamento da Recorrente. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 111DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
