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Numero do processo: 11080.722525/2010-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/05/1999
ÓRGÃO PÚBLICO. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
O artigo 71, §2º da Lei 8.666/93 estabelece que a responsabilidade solidária da Administração Pública é restrita à cessão de mão de obra prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 2401-003.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O artigo 71, §2º da Lei 8.666/93 estabelece que a responsabilidade solidária da Administração Pública é restrita à cessão de mão de obra prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 25 25 /2 01 0- 53 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado às fls. 162179 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), às fls.146158, que julgou procedente o lançamento fiscal constante do Auto de Infração cadastrado sob o DEBCAD nº 37.295.0035, que tem por finalidade exigir do BANCO DO BRASIL S/A contribuições previdenciárias correspondentes à parte dos segurados, relativas às competências de janeiro a maio de 1999, no montante de R$ 3.390,30,consolidado em 10/08/2010, o qual foi calculado com base em aferição indireta, nos moldes estabelecidos pela legislação previdenciária. Este lançamento fiscal foi imputado ao BANCO DO BRASIL S/A, na condição de contratante dos serviços de construção civil da empresa LOPES PEIXOTO ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA. CNPJ: 87.579.983/000140, sendolhe, portanto, atribuída a responsabilidade solidária pelas contribuições previdenciárias devidas por essa empresa, com base na previsão contida no art. 30, inciso VI, da Lei nº 8.212/91, conforme levantamento “SC2 – SOLIDA. CONST. CIVIL APÓS 1999”, inserto no Relatório Fiscal de fls. 11/23 dos presentes autos. Consta também no referido Relatório Fiscal que este Auto de Infração foi lavrado com o objetivo de reestabelecer parte dos Lançamentos Fiscais constituídos por meio das NFLD nºs 35.067.6682 e 35.067.6690, que foram anuladas pela 4a CAJ CÂMARA DE JULGAMENTO/CRPS, por vício formal, através dos respectivos Acórdãos nºs 2338/2005 e 2339/2005, proferidos em29/09/2005. Em 23/08/2010, o Recorrente tomou ciência do Auto de Infração e, em seguida, apresentou impugnação (fls. 80/94) alegando, em síntese: · preliminarmente, o chamamento ao processo da empresa contratada e real responsável pelo cumprimento da obrigação previdenciária, visto que ela dispõe dos documentos probantes dos recolhimentos previdenciários. · por fazer parte da Administração Pública Federal, e somente poder contratar mediante licitação pública, estava respaldado pelo art. 71, §1º da Lei nº 8.666/93 e pelo art. 61 do Decreto Lei nº 2.300/86 e tais dispositivos transferem a responsabilidade pelos encargos previdenciários para as empresas contratadas. · que as “Certidões Negativas de Débito CND” expedidas à época das autuações originais (NFLD 35.067.6682 processo nº 11686.000242/200879 e NFLD 35.067.6690 processo nº 11686.00241/200879), confirmam a inexistência de débito pendente em nome da empresa contratada junto ao INSS, descabendo, por conseguinte, eventual responsabilidade solidária por débito que, no período autuado, era inexistente. · que a redação original do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/91, vigente de junho/91 a dezembro/97, não vedava a aplicação do benefício de Fl. 212DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 11080.722525/201053 Acórdão n.º 2401003.204 S2C4T1 Fl. 212 3 ordem, razão pela qual deve ser afastada a coresponsabilidade solidária. Apenas com o advento da Lei 9.528/97, ou seja, a partir de 10.12.97, foi alterada a redação do inciso VI, do art. 30, e consequentemente, afastada a aplicação do benefício de ordem. · que o agente fiscal estipulou, ao seu alvedrio, o percentual de 40% do valor expresso nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços como base para o cálculo da contribuição previdenciária. · que não assiste razão para o lançamento e constituição do débito fiscal em tela, da forma como procedida, pois contrariou e negou vigência ao contido no art. 5, II, da CF/88; art. 97, IV do CTN; e arts. 20, 22, I e 33 §4º da Lei 8.212/91, além de violar frontalmente os princípios da legalidade e tipicidade cerrada em matéria tributária, devendo, via de consequência, ser afastada a coresponsabilidade solidária no período posterior a 10.12.97, respeitando o “benefício de ordem”. · a necessidade de apensamento ao presente feito dos autos dos processos administrativos nº 11686.000242/200813 (NFLD nº 35.067.6682) e 11686.00241/200879 (NFLD nº 35.067.6690) para aproveitamento das provas documentais. Em 06/09/2010, a empresa LOPES PEIXOTO ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA. tomou ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 01, constante às fls. 76/77 dos presentes autos, mas não apresentou impugnação contra o Auto de Infração. Instada a manifestarse acerca da matéria, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília julgou procedente a autuação, nos termos do acórdão abaixo ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/05/1999 AIOP DEBCAD nº 37.295.0035 CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa se estão devidamente discriminados, no Auto de Infração e em seus anexos, os fatos geradores e as contribuições apuradas, bem como a indicação de onde os valores foram extraídos e os dispositivos legais que amparam o lançamento, uma vez que essas informações possibilitam ao impugnante identificar, com precisão, os valores apurados e permitem o exercício do pleno direito de defesa e do contraditório. O cerceamento ao direito de defesa somente se caracteriza pela ação ou omissão, por parte da autoridade lançadora, que impeça o sujeito passivo de conhecer dados ou fatos que, notoriamente, impossibilitem o exercício de sua defesa. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. BENEFÍCIO DE ORDEM. FISCALIZAÇÃO PRÉVIA. O contratante de quaisquer serviços de construção civil responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias em relação aos serviços prestados. A elisão da responsabilidade solidária somente é possível com a comprovação do recolhimento da contribuição devida, pela apresentação dos documentos exigidos pela legislação de regência. A não apresentação desses documentos pelo tomados de serviços implica no lançamento a esse título. A solidariedade não comporta benefício de ordem, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços, ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. ATO NORMATIVO. Não obstante seja procedimento excepcional, a aferição indireta encontrase perfeitamente autorizada, na hipótese de não apresentação pelo contribuinte, ou a apresentação deficiente, dos documentos solicitados pela Fiscalização e necessários à verificação do fato gerador. A utilização de percentual definido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS CND. PROVA REGULAR A CND certifica a inexistência, no momento da sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não suprime o lançamento de contribuições devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. A apresentação de CND emitida em nome de empresa prestadora de serviços não é suficiente para elidir a responsabilidade solidária na construção civil. A elisão somente é possível com a comprovação do recolhimento da contribuição devida, pela apresentação dos documentos exigidos pela legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão acima, a Recorrente interpôs recurso voluntário às fls.162179, rebatendo a decisão proferida pela DRJ com base nos argumentos já trazidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 11080.722525/201053 Acórdão n.º 2401003.204 S2C4T1 Fl. 213 5 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Conforme já identificado no relatório deste acórdão, a responsabilidade solidária atribuída ao Recorrente foi fundamentada no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/91, que assim dispõe: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; Ocorre que, pelo fato de o Banco do Brasil tratarse de sociedade de economia mista, fazendo parte da Administração Pública Federal, está submetido ao regramento especial disposto Lei nº 8666/93. Essa Lei disciplina, no seu art. 71, que as responsabilidades pelos encargos que decorrem da execução dos contratos firmados com a Administração Pública deverão ser atribuídas apenas ao contratado, exceto nos casos em que a execução do contrato seja realizada mediante a cessão de mão de obra, assim vejamos: Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. § 1º A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 2°A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da Fl. 215DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 19911. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995). Tal previsão legal trazida pela Lei 8.666/93 tratase, obviamente, de norma especial que rege a responsabilidade dos entes da Administração Pública sobre encargos decorrentes de contratos administrativos, devendo prevalecer sobre o artigo 30, VI da Lei 8.212/91, que prescreve norma geral sobre responsabilidade solidária pelos débitos previdenciários decorrentes das obras de construção civil, independente de quem seja o contratante. Essa é a aplicação do Princípio da Especialidade, lex specialis derrogat generali. Há exceção a essa regra apenas quando a execução do contrato firmado com a Administração Pública for realizada mediante a cessão de mão de obra, nos moldes do art. 31 da Lei nº 8.212/91, conforme previsto no §2º do dispositivo acima transcrito, hipótese em que é atribuída a responsabilidade solidária ao ente público pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato. Vale notar ainda que o Parecer AC nº 055/2006 da Advocacia Geral da União (AGU),aprovado pelo Presidente da República, também consolidou o entendimento que a Administração Pública não poderá responder por créditos previdenciários devidos pela empresa contratada para prestação de serviços de construção civil, reforma ou acréscimo prevista no art. 30, IV da Lei 8.212/91, conforme ementa abaixo transcrita: PREVIDENCIÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONTRATOS. OBRAS PÚBLICAS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E RETENÇÃO. DEFINIÇÃO. I Desde a Lei nº 5.890/73, até a edição do DecretoLei nº 2.300/86, a Administração Pública respondia pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o construtor contratado para a execução de obras de construção, reforma ou acréscimo de imóvel, qualquer que fosse a forma da contratação. II Da edição do DecretoLei nº 2.300/86, até a vigência da Lei nº 9.032/95, a Administração Pública não respondia, nem solidariamente, pelos encargos previdenciários devidos pelo contratado, em qualquer hipótese. Precedentes do STJ. III A partir da Lei nº 9.032/95, até 31.01.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública passou a responder pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o cedente de mãodeobra contratado para a execução de serviços de construção civil executados mediante cessão de mãodeobra, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 (Lei nº 8.666/93, art. 71, § 2º), não sendo responsável, porém, nos casos dos contratos referidos no artigo 30, VI da Lei nº 8.212/91 (contratação de construção, reforma ou acréscimo). IV Atualmente, a Administração Pública não responde, nem solidariamente, pelas obrigações para com a Seguridade Social devidas pelo construtor ou subempreiteira contratados para a realização de obras de construção, reforma ou acréscimo, 1 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). Fl. 216DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 11080.722525/201053 Acórdão n.º 2401003.204 S2C4T1 Fl. 214 7 qualquer que seja a forma de contratação, desde que não envolvam a cessão de mãodeobra, ou seja, desde que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente (Lei nº 8.212/91, art. 30, VI e Decreto nº 3.048/99, art. 220, § 1º c/c Lei nº 8.666/93, art. 71). V Desde 1º.02.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública contratante de serviços de construção civil executados mediante cessão de mãodeobra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa contratada, cedente da mãodeobra (Lei nº 8.212/91, art. 31). Sendo assim, em virtude de a Advocacia Geral da União ter reconhecido em parecer aprovado pelo Presidente da República que a responsabilidade da Administração sobre as contribuições previdenciárias decorrentes dos contratos administrativos é restrita apenas aos casos de cessão de mão de obra, tal entendimento deve ser seguido pelos órgãos da Administração, conforme determina o art. 40, §1º da Lei Complementar nº 73/93 abaixo transcrito: Art. 40. Os pareceres do AdvogadoGeral da União são por este submetidos à aprovação do Presidente da República. § 1º O parecer aprovado e publicado juntamente com o despacho presidencial vincula a Administração Federal, cujos órgãos e entidades ficam obrigados a lhe dar fiel cumprimento. Essa interpretação, inclusive, já está se encontra pacificada por esse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme se observas das ementas dos acórdãos abaixo transcritas: ÓRGÃO PÚBLICO. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EMPREITADA TOTAL. INEXISTÊNCIA. A norma do artigo 71, §1º da Lei nº 8.666, de 21/06/93 Estatuto das Licitações e Contratos Administrativos que dispõe sobre as responsabilidades, inclusive fiscais, decorrentes dos contratos administrativos prevalece sobre o artigo 30, VI da Lei 8.212, de 24/07/91. É a aplicação do Princípio da Especialidade, lexspecialisderrogatgenerali. Em face do artigo 71, §2º da Lei 8.666, de 21/06/93, a responsabilidade solidária da Administração Pública é restrita à cessão de mãodeobra prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212, de 24/07/91. Entendimento consubstanciado no Parecer AGU/MS nº 008/2006, aprovado pelo Exmº Senhor Presidente da República. Recurso Voluntário Provido. (Processo nº 12269.000105/200943, Acórdão nº 2302002.420 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 17 de abril de 2013) Fl. 217DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 8 *** ÓRGÃO PÚBLICO. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EMPREITADA TOTAL. INEXISTÊNCIA. A norma do artigo 71, §1º da Lei nº 8.666, de 21/06/93 Estatuto das Licitações e Contratos Administrativos que dispõe sobre as responsabilidades, inclusive fiscais, decorrentes dos contratos administrativos prevalece sobre o artigo 30, VI da Lei 8.212, de 24/07/91. É a aplicação do Princípio da Especialidade, lexspecialisderrogatgenerali. Em face do artigo 71, §2º da Lei 8.666, de 21/06/93, a responsabilidade solidária da Administração Pública é restrita à cessão de mãodeobra prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212, de 24/07/91. Entendimento consubstanciado no Parecer AGU/MS nº 008/2006, aprovado pelo Exmº Senhor Presidente da República. Recurso Voluntário Provido. (Processo n 35078.000254/200611 ,Recurso nº 258.856 Voluntário , Acórdão nº 230201.0753ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 12 de maio de 2011) Por fim, o entendimento acima restou pacificado através da Súmula aprovada pela segunda turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em sessão de 29/11/2010: Súmula CARF nº 66: Os Órgãos da Administração Pública não respondem solidariamente por créditos previdenciários das empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, reforma e acréscimo, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. No levantamento “SC2 – SOLIDA. CONST. CIVIL APÓS 1999”, inserto no Relatório Fiscal de fls. 11/23, que respaldou a presentes autuação, não há nenhum indício que os serviços de construção civil objeto deste lançamento foram executados mediante cessão de mão de obra. Muito pelo contrário, no citado levantamento há referência expressa a dispositivos legais que tratam de obras de construção por empreitada, cujo conceito se distancia de contratos executados mediante cessão de mão de obra. Além disso, no citado Relatório Fiscal de fls. 11/23, há levantamento específico para apuração de débitos relacionados a contratos de cessão de mãodeobra celebrados pelo Banco do Brasil, o qual foi intitulado como “SM1 – SOLIDARIEDADE CMO ANTES 1999”. Ademais, às fls. 24 consta quadro demonstrativo através da qual é indicado que o contrato firmado com a empresa LOPES PEIXOTO ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA é do tipo “Empreitada Global”. Quando não há referência expressa a “Empreitada Global”, é indicado no campo relativo ao tipo de contrato apenas o número da contratação. Não há, portanto, nenhum indício de que se trata de cessão de mão de obra. Considerando, portanto, que o objeto da presente autuação não se refere à execução de contratos mediante cessão de mão de obra, concluise que no presente caso não há que se falar em responsabilidade solidária do Recorrente. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 11080.722525/201053 Acórdão n.º 2401003.204 S2C4T1 Fl. 215 9 Dessa forma, diante dos argumentos acima elucidados, bem como da força vinculante do Parecer da AGU, não há como manter a responsabilidade solidária da Recorrente pelos débitos previdenciários decorrentes de obras de construção civil, fundamentada no art. 30, inciso VI da Lei 8.212/12, visto que o presente caso não se trata de cessão de mão de obra. Vale ressaltar que, tendo a autoridade lançadora apurado o crédito tributário com base em aferição indireta, por entender equivocadamente ser possível a cobrança do tributo da tomadora do serviço – no caso, a Recorrente – não pode a cobrança ser redirecionada contra o efetivo prestador. Não havendo previsão legal de exigência das contribuições previdenciárias da Recorrente, na qualidade de tomadora dos serviços, todo o lançamento em discussão mostrase imprestável. A cobrança da contribuição eventualmente devida é permitida contra o prestador de serviço, porém através de procedimento fiscal instaurado perante este. Não existindo solidariedade no caso em apreço, não pode subsistir lançamento efetuado por aferição indireta, contra parte nitidamente ilegítima. Face o acima exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário para julgar improcedente o lançamento fiscal objeto do processo administrativo de n. 11080.722525/2010 53. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Numero do processo: 15532.720006/2011-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizado o evidente intuito de fraude na falta de recolhimento do crédito tributário lançado, o prazo para sua constituição, por meio do lançamento, é regido pelo art. 173 do CTN. EXERCÍCIO. DEFINIÇÃO. Segundo as normas de direito financeiro, o exercício corresponde ao ano civil (de 1o de janeiro a 31 de dezembro). FORMA DE CONTAGEM DO PRAZO ESTIPULADO NO ART. 173, I DO CTN. O prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN tem início no primeiro dia do ano civil posterior ao ano civil no qual o lançamento do tributo devido pode ser efetuado, e o lançamento somente pode ser efetuado depois de encerrado o período de apuração do tributo correspondente.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE. MULTA. O art. 18 da Lei nº 10.833/2003, desde sua redação original, sempre autorizou a aplicação de multa por compensação indevida quando caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Correta a aplicação da multa qualificada sobre o crédito tributário que o sujeito passivo intencionalmente não quis recolher, promovendo falso estorno de receitas no período de apuração. Considerados os efeitos da postergação, a multa qualificada deve incidir, apenas, sobre as parcelas não recolhidas até a formalização do lançamento.
Numero da decisão: 1101-000.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) por voto de qualidade, em REJEITAR a argüição de decadência, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo de Assis Guerra e José Ricardo da Silva, este votando pelas conclusões da divergência; 2) por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à exigência principal, divergindo o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior que dava provimento ao recurso voluntário; 3) por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa proporcional aplicada às exigências do ano-calendário 2005, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo de Assis Guerra e José Ricardo da Silva; e 4) por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa isolada por compensação indevida, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo de Assis Guerra e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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RESULTADOS DECORRENTES DE CONTRATAÇÕES COM ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS. RECEITAS PAGAS. Não prospera a pretensão de diferir resultados se provado que os valores devidos pela entidade equiparada foram pagos no período de apuração. INEXISTÊNCIA DE CONTRATO DE FORNECIMENTO DE MATERIAIS OU SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE. A lei tributária não prevê o diferimento da tributação de outros resultados que não os decorrentes das operações de empreitada ou fornecimento de bens vinculados a contratos firmados com entidades governamentais. A tributação das contribuições de contingências devidas por entidade equiparada para manutenção do equilíbrio de contrato de consórcio, observa o regime de competência. RESCISÃO CONTRATUAL. EFEITOS RETROATIVOS. ALTERAÇÃO DE BASE TRIBUTÁVEL JÁ DEFINITIVA. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível a alteração da base tributável em razão de fatos verificados após o encerramento do período de apuração. POSTERGAÇÃO. Afastada parcialmente a acusação fiscal, e admitindose os efeitos retroativos do acordo firmado entre as partes no anocalendário 2006, a exigência fiscal deve ficar limitada às parcelas não recolhidas até a formalização do lançamento. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Correta a aplicação da multa qualificada sobre o crédito tributário que o sujeito passivo intencionalmente não quis recolher, promovendo falso estorno de receitas no período de apuração. Considerados os efeitos da postergação, a multa qualificada deve incidir, apenas, sobre as parcelas não recolhidas até a formalização do lançamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 53 2. 72 00 06 /2 01 1- 27 Fl. 2968DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 3 2 Anocalendário: 2005 DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizado o evidente intuito de fraude na falta de recolhimento do crédito tributário lançado, o prazo para sua constituição, por meio do lançamento, é regido pelo art. 173 do CTN. EXERCÍCIO. DEFINIÇÃO. Segundo as normas de direito financeiro, o exercício corresponde ao ano civil (de 1o de janeiro a 31 de dezembro). FORMA DE CONTAGEM DO PRAZO ESTIPULADO NO ART. 173, I DO CTN. O prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN tem início no primeiro dia do ano civil posterior ao ano civil no qual o lançamento do tributo devido pode ser efetuado, e o lançamento somente pode ser efetuado depois de encerrado o período de apuração do tributo correspondente. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE. MULTA. O art. 18 da Lei nº 10.833/2003, desde sua redação original, sempre autorizou a aplicação de multa por compensação indevida quando caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por voto de qualidade, em REJEITAR a argüição de decadência, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo de Assis Guerra e José Ricardo da Silva, este votando pelas conclusões da divergência; 2) por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à exigência principal, divergindo o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior que dava provimento ao recurso voluntário; 3) por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa proporcional aplicada às exigências do anocalendário 2005, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo de Assis Guerra e José Ricardo da Silva; e 4) por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa isolada por compensação indevida, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo de Assis Guerra e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra. Fl. 2969DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório TERMOMACAÉ LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de JaneiroI que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamentos que exigiram crédito tributário no valor total R$ 400.626.143,89. A exigência reúne multa isolada aplicada no percentual de 150% em razão de compensações indevidas declaradas de 26/03/2007 a 02/12/2010, bem como os efeitos da recomposição da base tributável do anocalendário 2005 com a adição de receitas originalmente estornadas pela contribuinte, resultando em IRPJ e CSLL devidos, acrescidos de juros de mora e multa de ofício no percentual de 150%. Os lançamentos encartados às fls. 2287/2311 foram cientificados à contribuinte em 29/11/2011, juntamente com despachos decisórios de não homologação das compensações vinculadas a saldos negativos de IRPJ e CSLL também apurados no anocalendário 2005, objeto dos processos administrativos nº 10725.900463/201031 e 15374.964184/200911. As infrações estão assim descritas na folha de continuação do Auto de Infração de IRPJ: 001 OMISSÃO DE RECEITAS ESTORNO INDEVIDO DE RECEITAS DE VENDAS [...] O supracitado direito creditório e as respectivas compensações foram apreciados e indeferidos por meio do Despacho Decisório de fls. 2202/2248, o qual é parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração, proferido nos autos do processo administrativo de n° 10725.900463/201031. De acordo com o referido Despacho Decisório, foram identificadas infrações tributárias referentes a omissões de receitas decorrentes de estornos indevidos de receitas de vendas, efetuados em 31/12/2005, os quais totalizaram R$ 598.910.449,68 (quinhentos e noventa e oito milhões, novecentos e dez mil, quatrocentos e quarenta e nove reais e sessenta e oito centavos). Ao efetuar esses estornos de receitas de vendas, o sujeito passivo indevidamente excluiu receitas auferidas, as quais foram parcialmente realizadas em moeda, da apuração do resultado do exercício e do lucro real (base de cálculo do IRPJ anual). As omissões de receitas foram comprovadas haja vista que, embora tenha recebido quantias que superaram o montante de R$ 620.000.000,00 (seiscentos e vinte milhões de reais), valores vinculados às receitas auferidas no anocalendário de 2005, o sujeito passivo asseverou, em sua Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário 2005 (Ficha 06 A/Linha 06 – fl. 93), e registrou, no Demonstrativo de Resultado do anocalendário 2005 (fls. 1885/1888), transcrito nas páginas 364 a 367 do Livro Diário n° 10, que as receitas de vendas auferidas no referido período de apuração corresponderam ao montante de R$ 115.145.130,88 (cento e quinze milhões, cento e quarenta e cinco mil, cento e trinta reais e oitenta e oito centavos), informações que não correspondem à realidade dos fatos. Fl. 2970DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 5 4 De acordo com o Despacho Decisório supracitado, ao computar as receitas estornadas indevidamente, o lucro real apurado para o anocalendário 2005, antes da compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores, correspondeu ao montante de R$ 452.831.307,16 (quatrocentos e cinqüenta e dois milhões, oitocentos e trinta e um mil, trezentos e sete reais e dezesseis centavos). [...] Conforme Demonstrativo de Apuração anexo, após a compensação do saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores, apurouse lucro real no valor de R$ 399.579.232,41 (trezentos e noventa e nove milhões, quinhentos e setenta e nove mil, duzentos e trinta e dois reais e quarenta e um centavos) e o IRPJ devido sobre o lucro real apurado totalizou R$ 99.870.808,10 (noventa e nove milhões, oitocentos e setenta mil, oitocentos e oito reais e dez centavos). A diferença entre o IRPJ anual acima discriminado e as deduções resultou em IRPJ a pagar no valor de R$ 84.093.217,10 (oitenta e quatro milhões, noventa e três mil, duzentos e dezessete reais e dez centavos). Esse valor deveria ter sido pago, em quota única, até o último dia útil do mês de março de 2006. Ainda de acordo com o Despacho Decisório acima mencionado, constatouse que o contribuinte: a) adotou procedimentos para emissão de documento com conteúdo falso e utilizou esse documento para justificar os estornos de receitas, os quais (estornos) resultaram na indevida supressão do IRPJ devido para o anocalendário 2005; b) inseriu no Balancete realizado para o período de 01/07/2005 a 31/12/2005 (fls. 1870/1876), transcrito nas páginas 349 a 355 do Livro Diário n° 10, e no Demonstrativo de Resultado do anocalendário 2005 (fls. 1885/1888), transcrito nas páginas 364 a 367 do Livro Diário n° 10, informações de receitas de vendas, no montante de R$ 115.145.130,88, que não correspondem à realidade dos fatos; c) omitiu receitas de vendas na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário 2005 (Ficha 06A/Linha 06 f1. 93) com o propósito de suprimir os valores devidos a titulo de IRPJ para o referido período; e d) prestou informações falsas para justificar os estornos de receitas mencionados. O sujeito passivo adotou procedimentos ilícitos, dolosos e fraudulentos com o propósito de justificar a exclusão de receitas da apuração do resultado do exercício e do lucro real e a conseqüente supressão do IRPJ devido para o anocalendário 2005, condutas que se enquadram na definição de fraude prevista no art. 72 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964. Diante da comprovação de fraude e do enquadramento art. 72 da Lei n° 4.502/64, aplicase multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) prevista no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430 (redação original), de 27/12/1996, calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo apurado. Por fim, em razão do dolo e da fraude cometidos pelo contribuinte nos procedimentos de apuração do IRPJ e do disposto na parte final do §4° do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN) Lei n° 5.172, de 25/10/1966, o prazo decadencial a ser aplicado no presente caso é de 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do ¡CTN). Dessa forma, para o IRPJ anual em exigência, cujo período de apuração se encerrou em 31/12/2005, o termo inicial do prazo decadencial ocorreu em 01/01/2007 e o seu termo final ocorrerá em 31/12/2011. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa Fl. 2971DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 6 5 31/12/2005 598.910.449,68 150,00 [...] 002 MULTA ISOLADA COMPENSAÇÃO INDEVIDA (ART. 18 DA LEI N° 10.833/03) COMPENSAÇÃO INDEVIDA EFETUADA EM DECLARAÇÃO PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO O presente lançamento de oficio decorre da aplicação do disposto no caput e §§1° a 3° do art. 18 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a redação dada pelo art. 18 da Medida Provisória n° 351, de 22 de janeiro de 2007, a qual foi convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, e no art. 38, §1°, II, da Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008. O contribuinte apurou supostos créditos de saldos negativos de CSLL e de IRPJ para o anocalendário 2005 e utilizou esses créditos em diversas compensações formalizadas por meio das declarações de compensação acostadas às fls. 03/44 e 2002/2159. As referidas compensações não foram homologadas por meio dos Despachos Decisórios proferidos nos autos dos processos administrativos n° 15374.964184/200911 e n° 10725.900463/201031. De acordo com os supracitados Despachos Decisórios (fls. 1956/2001 e 2202/2248), os quais são partes integrantes e inseparáveis do presente Auto de Infração, constatouse que os créditos utilizados nas declarações de compensação não existiam pois foram criados de forma artificial, ilícita e fraudulenta. Verificase, portanto, conforme Despachos Decisórios acima mencionados e os elementos de prova acostados aos autos dos processos administrativos supracitados e do presente procedimento fiscal, que restou comprovada a falsidade das declarações apresentadas pelo sujeito passivo, o qual, mediante fraude, apresentou obrigações tributárias acessórias com informações falsas, utilizando créditos inexistentes com o propósito de evitar o pagamento dos débitos declarados compensados. Em decorrência da do disposto no caput e §§1° a 3° do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, com a redação dada pelo art. 18 da Medida Provisória n° 351/2007, a qual foi convertida na Lei n° 11.488/2007, e no art. 38, §1°, II, da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, e da comprovação de falsidade das informações prestadas pelo sujeito passivo em suas declarações de compensação, efetuase o lançamento de oficio das multas isoladas abaixo especificadas, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicado em dobro, cujas bases de cálculo correspondem aos valores totais dos débitos indevidamente compensados e encontramse discriminadas no "Demonstrativo de Apuração de Multas Isoladas Devidas por Compensações Não Homologadas" em anexo. [...] O relato contido no Auto de Infração de CSLL apenas difere nos valores pertinentes à base de cálculo negativa originalmente apurada e à base imponível apurada pela autoridade fiscal. As exigências de multa por compensação indevida foram integralmente encartadas no lançamento de IRPJ, reunindo também aquelas promovidas com saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2005. Impugnando a exigência, a contribuinte preliminarmente argüiu a decadência do direito de lançar, invocando o disposto no art. 150, §4o do CTN – na medida em que houve recolhimento de estimativas no período – mas subsidiariamente observando que, mesmo na Fl. 2972DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 7 6 hipótese de fraude, este Conselho e a CSRF têm jurisprudência pacífica em favor da antecipação do termo inicial da contagem do prazo decadencial previsto no art. 173 do CTN para o momento de entrega da DIPJ, por força no disposto no parágrafo único daquele dispositivo. Ainda, reportouse a acórdãos deste Conselho que, interpretando manifestações do Superior Tribunal de Justiça, adotaram como termo de início da contagem daquele prazo o primeiro dia do período em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No mérito, afirmou a inexistência de fraude no procedimento por ela adotado, porque amparado nas disposições legais que regulam a matéria, de modo que qualquer divergência somente poderia ser classificada como erro de direito. Destacou a coerência entre seu procedimento e característica por ela conferida ao depósito realizado pela Petrobrás em razão da decisão interlocutória no processo arbitral, opondose à interpretação dada o termo “pagamento”, contido naquela decisão, dada a natureza precária desta. Observou que a transferência do depósito foi feita para conta de sua titularidade, inexistindo disposição daquele valor, repasse a terceiros ou distribuição aos sócios, permanecendo o valor em sua conta bancária até ser devolvido à Petrobrás. Seus registros contábeis e suas declarações refletem a origem de cada um dos recebimentos, o destino conferido aos montantes, o diferimento da renda e o estorno de receitas. Ademais, estas informações foram prontamente prestadas ao Fisco quando exigidas. Logo, inexiste fraude. A inserção de disposições sugeridas pelas partes na sentença consensual, também apontada como indício de ato fraudulento ou conluio da interessada e da Petrobrás para descaracterizar a ocorrência do fato gerador, está de acordo com o rito estabelecido pela Lei n° 9.307/96, especificamente em seu artigo 26. A Petrobrás suspendeu os pagamentos das contribuições de contingência a partir de janeiro/2005, ingressando com medida cautelar e caução em dinheiro, tendo indeferida a liminar pleiteada para suspensão integral do pagamento. Decisão interlocutória no processo arbitral, em 05/07/2005, visando garantir resultado útil da arbitragem, obrigou a Petrobrás a realizar depósito em conta bancária da El Paso, e impôs a esta o oferecimento de carta de fiança bancária, emitida pelo Banco ItaúBBA S/A, o mesmo no qual foi realizado o depósito em garantia. Em 21/11/2005, sentença parcial final teria sido favorável à Petrobrás, e em 25/04/2006 foi celebrado acordo encerrando a pendência relativa à contribuição de contingência. As partes reconheceram a rescisão do contrato de consórcio em 01/12/2004, e a Petrobrás adquiriu a totalidade das quotas da autuada, bem como da El Paso Rio Grande Ltda, integrantes do consórcio. Em razão deste acordo, foram encerradas todas as disputas judiciais e arbitrais entre elas, extinguindose as obrigações pendentes, dentre as quais aquela referente ao pagamento da contribuição de contingência no período de dezembro/2004 a novembro/2005. Como conseqüência, a El Paso devolveu à Petrobrás o montante de R$ 519.024.341.20 (quinhentos e dezenove milhões, vinte e quatro mil, trezentos e quarenta e um reais e vinte centavos), acrescido de juros. Durante o anocalendário de 2005, enquanto havia legítima expectativa de direito do recebimento das referidas contribuições, as receitas foram reconhecidas contabilmente e informadas nos DACON. Extinta a obrigação mencionada, procedeuse ao estorno dos valores reconhecidos como receitas. Fl. 2973DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 8 7 Alegou, assim, que como o pagamento da contribuição de contingência seria devido se estivesse em vigor o contrato de consórcio firmado com a Petrobrás para construção e exploração da Macaé Merchant, as receitas foram reconhecidas inicialmente, mas ao final de 2005, diante da suspensão do pagamento e inexistência de renda auferida, a interessada efetuou o diferimento da renda para o período seguinte, conforme autoriza o artigo 409 do RIR/99. Verificandose a rescisão do contrato a partir de dezembro/2004, deixou de existir a obrigação da Petrobrás ao pagamento, e por conseqüência a receita. Inexistia razão ou base jurídica ao reconhecimento das receitas, e tampouco para sua inclusão na base de cálculo do IRPJ. O reconhecimento da receita foi feito de acordo com a previsão contratual que obrigava a Petrobrás ao pagamento, independentemente de recebimento efetivo e no momento em que se tornaram exigíveis. Mas, ante a rescisão contratual com efeitos desde dezembro/2004, deixou de existir direito ao recebimento, e os valores da contribuição de contingência já não mais poderiam ser qualificados como receitas. Alegou que não houve prejuízo ao Fisco, pois de um lado não se reconheceu essa receita de contingência na escrita fiscal da interessada, mas também não se deduziu a correspondente despesa na apuração do lucro real da outra contratante, que é uma empresa lucrativa. Ademais, como não havia outra forma para readequação de seus registros contábeis, o estorno era o único meio possível para sua correção. Defendeu que o depósito realizado prestouse como garantia, e foi efetivado em cumprimento a decisão interlocutória que usou, indevidamente, a expressão “pagamento”. Ressalta que deve ser observada a intenção do árbitro e o tratamento conferido pela interessada ao numerário em questão, para concluir que nestes termos, os valores recebidos não se tratam de receitas em sua acepção jurídica, mormente tendo em conta que o valor foi efetivamente devolvido à Petrobrás. Enfatizou que os depósitos foram contabilizados a crédito da conta n. 3.1.05.99.26 '"Contas a Pagar Outras – Arbitragem Petrobrás”, e que não dispôs de forma livre da quantia, não praticou atos inerentes ao direito da propriedade, essencialmente, uso e gozo. Em 05/07/2006 estes valores foram baixados e transferidos à Petrobrás como parte do acordo entre elas firmado. Defendeu o direito das partes, em livre iniciativa, obrigaremse e desobrigaremse a qualquer tempo, sendo permitido a elas retroagirem os efeitos da extinção à data em que foi constatado o desequilíbrio econômico do contrato: dezembro de 2004. Concluiu, assim, que o fato gerador do IRPJ não ocorreu, e que as partes não poderiam estar impossibilitadas de firmar acordos que impedissem a prática futura de fatos geradores, somente porque essas transações poderiam lesar o Fisco. Opôsse à aplicação dos arts. 843 e 844 do Código Civil, e discordou das contradições apontadas entre o acordo final e o memorando de entendimento firmado previamente. Argumentou que o fato de a transação somente produzir efeitos após a compra e venda não afasta a possibilidade de retroatividade dos efeitos da extinção do contrato de consórcio. Reportouse aos acordos firmados entre as partes, que ensejaram a renúncia aos valores relativos à contribuição de contingência em 2005, em discussão do procedimento arbitral. Referido acordo fora homologado em âmbito judicial e arbitral, pondo fim aos litígios. Transcreveu excerto da decisão proferida na medida cautelar, e invocou a aplicação do art. 269, inciso III do Código de Processo Civil, observando que a inserção da expressão "sem Fl. 2974DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 9 8 julgamento de mérito" foi um equívoco na tradução, na medida em que as partes ficaram impedidas de instaurar outro procedimento para solução de controvérsia relativa às contribuições de contingência. Destacou que o agente fiscal não apontou irregularidades quanto ao aspecto formal do diferimento das rendas decorrentes do contrato de consórcio firmado para exploração da Macaé Merchant, disse que remuneração eventualmente devida em 2005 corresponderia à contribuição de contingência, e que como estas deveriam ser pagas pela Petrobrás, seria aplicáveis as mesmas regras relativas aos valores devidos pelas entidades públicas ou equiparadas. Assim, ainda que caracterizados como receitas, referidos valores não poderiam integrar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL em 2005, porque diferidos. Discordou, assim, da imputação de omissão de receitas, mas ainda assim afirmou inaplicável a multa qualificada, vez que não há prova do intuito de fraudar, bem como não houve ocultação ou omissão de receitas, e tampouco uso ou emissão de documentos falsos. Os acordos finais com a Petrobrás foram necessários do ponto de vista estratégico e seus atos estavam amparados pela legislação civil e tributária. E observou que os débitos compensados mediante os saldos negativos de IRPJ e de CSLL apurados foram homologados sem que houvesse a alegação de intuito fraudulento. Por fim, opôsse à retroação da alteração introduzida pela Lei nº 11.488/2007 ao art. 18 da Lei nº 10.833/2003, pois somente a partir da edição daquela lei foi criada a multa por compensação indevida em decorrência de falsidade na apuração do crédito. Ainda, disse ser inconstitucional a aplicação de duas multas agravadas sobre uma mesma situação fática, bem como que carece de fundamentação a incidência de juros sobre a multa de ofício. Apreciando esta exigência em conjunto com as nãohomologações tratadas nos processos administrativos nº 10725.900463/20103 e 15374.964184/200911, a Turma julgadora rejeitou os argumentos aqui expendidos, aduzindo que: · As razões de decidir, nestes autos, o mérito da omissão de receitas, são idênticas àqueles apresentadas no processo administrativo nº 15374.964184/200911, até porque a contribuinte não trouxe argumentos diferentes dos que lá levantados e enfrentados; · A apreciação individualizada das condutas da contribuinte poderia induzir a conclusão de que não houve intuito fraudulento. Mas o rol de evidências levantadas pela fiscalização observado em conjunto justifica se atribuir tal intuito ao interessado; · A relação do interessado com a Petrobrás, até pouco antes do final de 2005 não ensejava dúvidas quanto à real vontade das partes. Mas a partir do momento em que se anuncia que a Petrobrás compraria o interessado, vão surgindo mecanismos contábeis e contratuais que buscam de forma clara disfarçar a ocorrência do fato gerador ou mesmo desconstituir efeitos tributários perfeitos, de modo a buscar artificialmente a recuperação de tributos adequadamente pagos; · O estorno de quase toda a receita anual de 2005, sem respaldo contábil, documental ou jurídico, associado ao fato de que a Petrobrás já tinha pago o que devia, não se escora em nenhuma justificativa plausível. E mesmo que por acaso o Tribunal Arbitral tivesse decidido pela invalidade ou nulidade do contrato, tal fato só poderia ser registrado no ano da decisão, vale dizer, Fl. 2975DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 10 9 em 2006. Inexiste respaldo jurídico que sustentasse a alteração de fatos pretéritos perfeitamente aperfeiçoados e registrados contabilmente, e isto só ocorre no mesmo momento em que se iniciam as tratativas de aquisição do interessado pela Petrobrás, a evidenciar a busca de um alívio fiscal a viabilizar a operação de compra do interessado por sua devedora. · A contribuinte vinha pagando seus tributos, ao longo de 2005, sobre as receitas oriundas do consórcio com a Petrobrás, e somente com a influência do novo controlador, seus registros contábeis passam a buscar desconstituir, sem base legal, matérias tributáveis. · Pelo relato fiscal e pelos fatos vistos e comprovados, não há como admitir que esses estornos de receita seriam decorrentes de meros erros ou impropriedades contábeis, notadamente pelo fato de que se trata de grande empresa, que atua em ramo de alta sofisticação comercial e financeira. No mesmo sentido, embora o fiscal autuante tenha devidamente apurado a matéria se valendo de documentos e registros disponibilizados pelo próprio interessado, isso não elide o fato de que à época do ocorrido os procedimentos adotados se subsumiram à hipótese descrita no art. 72, da Lei nº 4.502, de 1964. · A ação fiscal foi diligente e minuciosa, muito embora de grande dificuldade, e restou comprovada a fraude prevista no art. 72 da Lei nº 9.430/96, hábil a ensejar a aplicação da multa de ofício no percentual de 150%. Por esta razão, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I do CTN, que tem como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. · As multas por compensação indevida foram aplicadas em razão de condutas praticadas a partir de março/2007. A contribuinte agiu com fraude na apuração do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2005, mas já sob a égide da nova lei, transmitiu declarações de compensação valendose dos supostos créditos de 2005, incorrendo na conduta típica prevista em lei. · A multa de ofício qualificada de 150% foi aplicada sobre os débitos de IRPJ e CSLL devidos no anocalendário 2005, e a multa qualificada por compensação indevida alcançou débitos de diversos tributos compensados indevidamente. Logo, não se trata de idêntica situação fática e, de toda sorte, os órgãos de julgamento estão impedidos de afastar aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade. · Em que pese inexista lançamento de juros sobre a multa de ofício, tal incidência está prevista no §3o, art. 61 da Lei nº 9.430/96. Concluído o julgamento, os autos foram encaminhados em 02/04/2012 à DRF Macaé (fl. 2734/2735), e a contribuinte afirma ter tomado conhecimento do conteúdo do acórdão nesta mesma data, ao acessar o seu conteúdo disponível em meio eletrônico. Em razão disso, afirmou ser tempestivo seu recurso voluntário apresentado em 30/04/2012 (fl. 2741/2914). A interessada historia os lançamentos, os fatos e a defesa produzida nestes autos, para inicialmente afirmar que a decisão ora recorrida se baseou exclusivamente nos argumentos de acusação e, embora os argumentos de defesa tenham sido listados no relatório do v. acórdão, eles não foram debatidos e sequer considerados nas razões de decidir dos I. Fl. 2976DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 11 10 Julgadores. Por esta razão, novamente busca demonstrar que os atos praticados pela Recorrente no ano de 2005 se deram em mais absoluta observância dos preceitos legais e sem qualquer intuito de fraude. Antes, porém, reafirma a decadência, ainda que, por absurdo, se admita a ocorrência in casu de fraude a justificar o cômputo do prazo na forma do artigo 173 do CTN, dado que, na forma de seu parágrafo único, a apresentação da declaração de rendimentos pelo contribuinte impõe a antecipação do termo de início do prazo decadencial para o dia da apresentação da declaração. Ainda, na medida em que não houve fraude, o transcurso de mais de cinco anos entre a ocorrência do suposto fato gerador em 31.12.2005 e o lançamento realizado por meio dos autos de infração lavrados em 29.11.2001 impõe o reconhecimento da decadência nos termos do §4o, artigo 150 do Código Tributário Nacional. Reitera que a decisão de fiscalizar o período acima mencionado decorreu da análise de pedidos de compensação relativos ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano de 2005, e que vislumbrando supostos indícios de irregularidade no tratamento conferido a receitas supostamente auferidas no ano de 2005, como já não havia tempo hábil ao lançamento de ofício, as autoridades fiscais foram obrigadas a afirmar a existência de suposta fraude praticada pela Recorrente para estender o prazo decadencial. Diz que a decisão recorrida foi omissa quanto à análise de sua argumentação dirigida à aplicação do parágrafo único do art. 173 do CTN, e defende que a análise das decisões administrativas referenciadas em sua defesa levaria ao reconhecimento da decadência que, por si só, prejudica a análise de mérito. Transcreve ementas das referidas decisões do Primeiro Conselho de Contribuinte e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, afirmando que a decadência se verificou em 24/05/2011, contados 5 (cinco) anos da entrega da DIPJ correspondente ao anocalendário 2005, ao passo que o lançamento foi formalizado em 29/11/2011. Reportase, ainda, a decisão recente deste Conselho, que aponta de forma ainda mais expressiva para o reconhecimento da decadência in casu, pois afirma que a interpretação do artigo 173 do Código Tributário Nacional pelo STJ (Recurso Especial nº 973.733/SC) impõe o reconhecimento de que o primeiro dia do período em que o lançamento poderia ter sido efetuado é o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador. Assim, iniciada a contagem em 01/01/2006, o prazo decadência teria se encerrado em 01/01/2011. No mérito, aborda inicialmente a inexistência de fraude no procedimento por ela adotado, consignando que para realizar juízo efetivo e razoável acerca do conjunto de fatos narrados na acusação, seria necessária a análise dos atos praticados pela Recorrente em vista de sua motivação negocial e comercial que jamais poderia ter sido confundida com intuito de reduzir a carga tributária. Historia os fatos verificados, destacando que o contrato de consórcio e participação foi firmado em 2001, e ensejou pagamento da contribuição de contingência por 38 (trinta e oito) meses, até se verificar a alteração do equilíbrio econômico do contrato em dezembro de 2004. Seguiramse, então, os demais fatos que serão adiante abordados, até o reconhecimento da inexigibilidade daquelas contribuições em 2005, com o conseqüente estorno das receitas em 10/02/2006, depois de firmado o Memorando de Entendimentos em 01.02.2006. Opõese, desta forma, à afirmação contida na decisão recorrida de que o estorno teria sido registrado em 2005, e diz que a comprovação de que o estorno foi realizado somente Fl. 2977DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 12 11 depois de firmado o primeiro ato formal que tornou inexigíveis os valores em questão evidencia ainda mais a legalidade da conduta; Aduz que a regularidade dos registros da Recorrente e a efetiva ocorrência dos acontecimentos acima não foram refutadas pelo agente fiscal, tampouco foi afastada a autenticidade dos documentos contábeis, fiscais, contratos firmados entre a Petrobrás e o Grupo El Paso e cópias dos processos administrativos e judiciais relacionados à contribuição de contingência. Expondo a acusação fiscal contida nos despachos decisórios de não homologação das compensações, conclui que o cerne da questão relativa ao enquadramento da suposta fraude seria o tratamento conferido pela Recorrente ao depósito realizado pela Petrobrás em contabancária de sua titularidade, bastando a análise da característica conferida pela Recorrente ao depósito realizado pela Petrobrás em razão da decisão interlocutória no processo arbitral para evidenciar que a conduta por ela adotada se revela coerente com a sua interpretação do direito, inexistindo qualquer intuito de fraude. Reprisa o histórico que conduziu à determinação de que a Petrobrás efetuasse o “pagamento” das referidas contribuições, novamente opondose à interpretação literal daquele termo, enfatizando o fato de esta determinação integrar uma decisão interlocutória, e de o desembolso prestarse a assegurar o resultado útil da decisão final, independentemente, de quem fosse eleita a parte vencedora. Traça comparativo com as tutelas de urgência previstas na legislação processual, transcrevendo doutrina, e justificando o entendimento por ela adotado de que o depósito constituía garantia ao resultado final do procedimento arbitral. Discorda da interpretação de que uma decisão interlocutória poderia ensejar a extinção de direitos nos termos do art. 304 e seguintes do Código Civil, pois tal apenas decorreria de satisfação de decisão final no processo arbitral, ou acordo entre as partes, e este somente foi iniciado em 01/02/2006, com a apresentação do memorando de entendimentos. Ressalta que a transferência do valor depositado para a conta do Banco Itaú em Nassau se fez em conta de titularidade da própria recorrente, sem repasse a terceiros ou distribuição a sócios. Observa, também, que o procedimento para realização do depósito em garantia segue curso distinto, em que, ao contrário da via judicial, não há obrigação de manter o depósito à disposição do Juízo. De toda sorte, ainda que outra interpretação venha a ser adotada quanto à natureza dos depósitos, o certo é que não há que se falar em fraude, mas erro de direito ou erro na interpretação da lei tributária, como exposto em doutrina que cita. Diz que o fato de ser grande empresa, que atua em ramo de alta sofisticação comercial e financeira, como dito pela autoridade julgadora, tratouse aqui de questão ímpar, única e de difícil compreensão, como inclusive reconhecido em outra passagem da decisão recorrida. Em suas palavras: A conclusão sobre a existência de suposta fraude a qual chegou o d. agente fiscal e que foi corroborada na íntegra pelo v. acórdão recorrido decorre tão somente da interpretação de atos em conjunto tomada exclusivamente sob a ótima arrecadatória e buscando a comprovação de intuito fraudulento tão necessária ao afastamento da decadência. Novamente reportase às indicações contidas em suas declarações e registros contábeis, acerca da origem e destino de cada recebimento, do diferimento da renda e do estorno das receitas, para afirmar que não houve ocultação ou omissão de receitas, tampouco uso ou emissão de documentos falsos. No máximo, houve divergência jurídica quanto ao Fl. 2978DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 13 12 tratamento dado ao depósito realizado pela Petrobrás. Ademais, atendeu prontamente às intimações para apresentação de documentos relacionados ao depósito garantia, não ”fabricou” documentos para apresentar aos agentes fiscais, e levou ao devido registro os contratos e documentos pertinentes. Enfatiza não ter sido falsa a informação de que a quantia de R$ 424.738.947,24 não estava relacionada às receitas objeto de estorno, pois em sua interpretação a origem daquele valor era o depósito em garantia efetuado nos autos do procedimento arbitral envolvendo a Petrobrás e o Grupo El Paso, inclusive sendo apresentados os documentos relacionados na resposta à intimação. Portanto, a alegação de falsidade feita pelo agente fiscal não se relaciona à ocultação ou fabricação de evidências de uma situação de fato que não teria ocorrido, mas sim à divergência relativa ao tratamento jurídico conferido a um fato que foi ampla e irrestritamente registrado, divulgado e esmiuçado pela Recorrente. Observa que as acusações de que o termo “depósito em garantia” teria sido incluído na sentença arbitral a pedido das partes, e de que Petrobrás passaria a decidir sobre os ativos da Recorrente depois de firmado o acordo, tornando inútil a obrigação de devolver a quantia depositada, prestaramse a questionar a necessidade do acordo, sem ter em conta que a El Paso dele necessitava porque não poderia arriscar a continuação do negócio sem a parceria com a Petrobrás (dado o decréscimo de suas receitas e a incapacidade de arcar com os custos do negócio), e que a Petrobrás já estava assumindo o “risco do negócio” cuja administração cabia à El Paso, de modo que o acordo lhe assegurou esta gestão. Ainda, como já dito, a inexigibilidade das contribuições em 2005 era paradigma relevante para outros litígios contra a Petrobrás. Reproduz doutrina para defender a possibilidade de as partes sugerirem a inserção de disposições na sentença consensual, e enfatiza que a previsão de devolução era necessária como demonstração de que a El Paso havia concordado com a inexigibilidade desses montantes anteriormente entregues como garantia. Não houve escolha dos termos do acordo nem intenção de fraudar o Fisco. Ressalta o fato de as partes terem firmado que a transação celebrada não pode ser interpretada, direta ou indiretamente, como confissão de responsabilidade, bem como que a Petrobrás exigiu, além da devolução do depósito, os valores referentes a custas e honorários incorridos no procedimento arbitral a fim de que fossem arcados pelas partes de maneira eqüitativa, evidência de que o objetivo do acordo era deixar patente o desequilíbrio econômico do contrato e a impossibilidade de continuidade do negócio naqueles termos. Portanto, houve apenas divergência sobre o tratamento conferido ao depósito em garantia e sua natureza jurídica. Não houve ocultação ou subtração de informações sobre os fatos ocorridos. Destaca, inclusive, que compensações anteriores com o crédito de CSLL no anocalendário 2005 foram homologadas após análise de sua declaração pelo Fisco. E novamente afirma que a fraude somente lhe foi imputada para estender o prazo decadencial. Inexistindo intuito doloso, reafirma que o prazo decadencial deve observar o art. 150, §4o do CTN, cuja aplicação impõe o reconhecimento inequívoco da extinção dos supostos créditos tributários. Fl. 2979DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 14 13 Prosseguindo, passa a tratar da inexistência de receita relativa à contribuição de contingência, diz que caso tivesse sido feito o necessário confronto das comprovações feitas na manifestação de inconformidade, não haveria outra alternativa senão reconhecer a legalidade do estorno de receitas realizado pela Recorrente, pois ao contrário do aventado na decisão recorrida: (i) a rescisão do contrato com efeitos retroativos tornou inexistente qualquer obrigação no ano de 2005; (ii) as normas cíveis permitem que um acordo de vontades seja rescindido a qualquer tempo de acordo com a vontade de ambas as partes e o Fisco não pode impedir a incidência dessas normas apenas para justificar a cobrança tributária; (iii) o acordo firmado entre Recorrente e Petrobrás foi homologado em sede judicial e arbitral e a renúncia realizada pelas partes conferiu caráter de mérito às decisões homologatórias; e (iv) o estorno de receitas foi realizado somente em 10.02.2006 (com efeitos retroativos a 31.12.2005), quando o Memorando de Entendimentos firmando o acordo rescisório já havia sido assinado. Defende que o reconhecimento de receitas deve observar o regime de competência enquanto eram exigíveis, e que assim procedeu ao longo de 2005, inclusive informandoas nos DACON independentemente do efetivo recebimento em dinheiro. Em 31/12/2005, diante da suspensão do pagamento e inexistência de renda auferida, diferiu a renda para o período seguinte como autoriza o art. 409 do RIR/99, iniciando as tratativas para resolução do conflito, que culminou com a rescisão do contrato de consórcio com efeitos a partir de dezembro/2004. E, ao se tornar inexigível ou inexistente a obrigação da qual decorreria o auferimento de receita, não há que se falar em receita. Tampouco haveria que se falar em receita sujeita à tributação do imposto de renda. Reportandose ao art. 187, §1o da Lei nº 6.404/76, e ao art. 9o, §3o da Resolução CFC nº 750/93, diz que o reconhecimento de receita deve ser feito a medida em que esta se torna exigível, consoante procedeu a recorrente, que antes da suspensão do contrato inclusive computou os valores em debate na base de cálculo da Contribuição ao PIS e COFINS. Em conseqüência, com a rescisão do contrato retroativa a dezembro/2004, as receitas deixaram de ser exigíveis e os valores não poderiam integrar o patrimônio da Recorrente, pois já não havia mais direito ao recebimento. Transcreve doutrina para afirmar que as receitas podem – e são – escrituradas desde que o contribuinte tenha certeza jurídica quanto ao crédito e questiona como reputar digna, justa e justificável a tributação, no âmbito de tributos que incidam diretamente sobre geração de riqueza, como o IRPJ e CSL, nos casos em que a riqueza ainda não passou de forma definitiva da empresa para outra empresa contratante. Complementa que admitir tal incidência significaria tributar uma renda a que não faz mais jus por decisão final do processo arbitral. Reitera que não houve prejuízo ao Fisco, vez que não houve a dedução da correspondente despesa pela outra contratante, e anexa os documentos que comprovam que a Petrobrás manteve tais valores em suas demonstrações como “Valores em litígio” (Doc. 02). Invoca o disposto no art. 269, §2o do RIR/99 como fundamento para o estorno que se prestou à adequação dos seus registros contábeis à realidade fática, e discorda da acusação fiscal que afirmou violados os arts. 177 e 187, §1o da Lei nº 6.404/76, 247, 248, 251 e 274 do RIR/99 e 37 da Instrução Normativa SRF nº 390/2004. Fl. 2980DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 15 14 Destaca que os registros contábeis jamais podem se sobrepor à realidade dos fatos e tampouco às normas de direito cogente, e conclui que era devido o estorno de receitas e a exclusão desses valores da base de cálculo do IRPJ e CSLL do anocalendário 2005. Segue, então, abordando as demais alegações do agente fiscal, corroboradas no acórdão recorrido, iniciando pelos valores depositados em contabancária da Recorrente pela Petrobrás. Reitera que referido depósito foi realizado pela Petrobrás em garantia para dar cumprimento à decisão interlocutória proferida nos autos do procedimento arbitral instaurado, inclusive permanecendo classificado como “Valores em Litígio” pela Petrobrás. A expressão “pagamento” adotada na decisão interlocutória não deve ser interpretada em seu sentido literal, mas sim tendo em conta a finalidade de garantia e a precariedade da decisão. Tratase de mera entrada que não representa um direito integrante da universalidade de direitos ao qual detém titularidade. E mero registro contábil não tem o condão de constituir uma “receita”, caso ela não represente efetivamente um direito de acréscimo patrimonial ainda que não realizado em moeda. Ademais, o valor foi efetivamente devolvido à Petrobrás. Embora o v. acórdão recorrido tenha afastado a importância desse fato e lhe atribuído um caráter de estratagema a suportar suposta fraude, não se pode negar que a imposição da devolução é uma conseqüência lógica do acordo firmado entre as partes e decorre exclusivamente do caráter negocial a ele relacionado (não criar histórico de reincidência para os demais casos nos quais a Petrobrás também questionava a exigibilidade da contribuição de contingência). Reportase a lições de Ricardo Mariz de Oliveira acerca do requisito de definitividade da receita, para opor como impedimentos, no presente caso, a inexistência de obrigação contratual vigente e de direito de acréscimo patrimonial constituído em favor da Recorrente e a precariedade do recebimento desse montante, reiterando que somente os direitos definitivamente adquiridos podem e devem ser contabilizados como receitas e oferecidos à tributação. Afirma a importância econômica de não se admitir a contabilização, como receita, de mera expectativa de direito, mas sob o ponto de vista tributário, observa que não há fato gerador de obrigação tributária na pendência de condição (e o depósito ocorrido prestouse apenas como garantia e foi devolvido à Petrobrás, sem que antes disso se verificasse a livre disposição característica do direito de propriedade), e que a inexistência de acréscimo definitivo de renda ao patrimônio da Recorrente revela a ausência de capacidade contributiva, a qual, segundo doutrina citada, deve revelarse como efetiva e irreversível. Tanto era reversível o montante depositado em garantia que ele foi de fato revertido em favor do depositante (Petrobrás). Destaca o reconhecimento fiscal de que o depósito ficou contabilizado na conta n. 3.1.05.99.26 “Contas a Pagar – Outros – Arbitragem Petrobrás”, afirma a suspensão do fato representativo de acréscimo patrimonial, e transcreve ementas de julgados deste Conselho nos quais o mero registro contábil do ingresso dos montantes depositados em contas bancárias da Recorrente os quais foram retornados ao depositante, não é suficiente para qualificálos como receita. Contraria diretamente as alegações fiscais acerca dos valores recebidos da Petrobrás (R$ 424.738.947,24 e R$ 94.285.394,08) dizendo que eles não são decorrentes do Fl. 2981DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 16 15 recebimento de créditos, não extinguiram direitos e obrigações nos termos do artigo 304 e seguintes do Código Civil e não caracterizaram a realização em moeda de receitas auferidas no anocalendário 2005, representando apenas depósito garantia. Acrescenta que a liberação conjunta referida pelo agente fiscal (fls. 1368/1398), esclarece que ela se refere aos fundos da Recorrente que haviam ficado bloqueados em razão das cartas de fiança emitidas pelo Grupo El Paso em favor da Petrobrás. Conclui que as alegações fiscais não passam de apontamentos esparsos destacando atos reputados por eles como duvidosos, e que o acordo firmado entre a Recorrente e a Petrobrás tinha clara e evidente motivação (econômica, negocial e estratégica), assim como os termos desse acordo e manutenção de duas sociedades jurídicas, mesmo depois da aquisição do controle societário. Aborda, então, o direito à rescisão contratual, opondose à ilicitude apontada pelo agente fiscal, e à equiparação ao perdão de dívida promovida pela autoridade julgadora. Diz que a retroação dos efeitos da rescisão apenas buscou evitar a perpetuação de qualquer ato da Petrobrás tendente ao reconhecimento de que as contribuições de contingência seriam devidas no ano de 2005, depois de identificado, alegado e discutido arbitrar e judicialmente o desequilíbrio econômico da relação contratual. Especialmente porque a Petrobrás permanecia em disputa com outros consorciados para revisão contratual nos mesmos termos daquela pretendida em face do grupo El Paso tal como reconhecido pela própria juíza responsável na análise da medida cautelar. Reitera os argumentos contidos no item 3.2 de sua defesa, acerca da inexistência de fraude, e passa a demonstrar o legítimo direito das partes de transacionar sobre a rescisão do contrato. Cita lições de Orlando Gomes e afirma que as partes, por livre iniciativa, podem se obrigar e se desobrigar a qualquer tempo, inexistindo nenhuma limitação à determinação do conteúdo do distrato. Logo, as partes estavam livres para convencionar os termos do fim do contrato, inclusive para estabelecer que os efeitos de sua convenção deveriam retroagir à data em que foi constatado o desequilíbrio econômico do contrato: dezembro de 2004. Diz que a motivação do fim da relação contratual foi a lesão causada pela imprevista necessidade de arcar com a contribuição de contingência de modo contínuo (como se vê do relatório das decisões proferidas no processo arbitral, a Petrobrás tinha realizado estudos que não previam a necessidade de pagamento da referida contribuição ininterruptamente). Daí o acordo com efeitos retroativos, mormente tendo em conta o efeito cascata que outra decisão poderia ter em relação as demais lides instaladas para revisão de contratos de consórcio semelhantes. Opõese ao impedimento alegado de desfazer os efeitos dos atos praticados e fatos ocorridos, porque estes não se verificaram, ante a suspensão em razão da pendência de solução definitiva da lide relativa à exigibilidade da contribuição de contingência. Assevera que houve subversão dos fatos e do direito aplicável a eles quando o agente fiscal afirmou que a recorrente e a Petrobrás não teriam acordado sobre direito patrimonial, mas sim sobre o reconhecimento de receitas. Afirma que as partes transacionaram sobre as obrigações do contrato de consórcio, com propósito econômico, negocial e estratégico claros e evidentes para ambas as partes. O reconhecimento de receitas é, sim, dever legal, mas que decorre de conduta praticada pelo suposto contribuinte. Permitir a Fl. 2982DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 17 16 descaracterização de tais atos para justificar a incidência de tributo é uma restrição aos direitos civis claramente garantidos. A incidência depende da ocorrência do fato descrito no antecedente da norma, sendo necessário que alguém pratique determinado ato descrito na norma como apto a instaurar a relação obrigacional. Contudo, o contrato de consórcio foi rescindindo e os depósitos garantia não representam receita. Neste sentido, inclusive, cita acórdão do Superior Tribunal de Justiça. Acrescenta que as restrições dos arts. 843 e 844 do Código Civil não se referem a “terceiros” externos ao vínculo obrigacional transacionado, mas sim àqueles que participam de alguma forma da relação jurídica que deu azo à obrigação transacionada, como fiador, credores e devedores solidários. Reputa absurdo utilizar tais dispositivos para inviabilizar acordos que impedissem a prática futura de fatos geradores, somente porque essas transações poderiam lesar o Fisco. Discorda, também, da interpretação de que a rescisão, nos termos do memorando de entendimento, somente produziria efeitos a partir da aquisição das empresas El Paso Rio Claro e El Paso Rio Grande pela Petrobrás. Diz que referido documento apenas firmou os termos gerais do acordo que iria ser definitivamente concluído posteriormente, que a operação de compra e venda era parte essencial e crucial do acordo, e que era natural postergar os efeitos do acordo para o momento da realização da operação. Em outras palavras, o fato de a transação somente produzir efeitos após a compra e venda não afasta a possibilidade de que os efeitos da extinção do contrato de consórcio retroajam em razão da transação. Na seqüência, trata da suposta ausência de decisão judicial autorizando o estorno de receitas, considerada indispensável pelas autoridades fiscal e julgadora, na medida em que reputaram ilícito o acordo antes abordado. Afirma ser indubitável que uma decisão final homologatória de acordo no qual as partes (i) reconhecem a inexigibilidade de determinados valores e (ii) renunciam ao direito de litigar para perseguir seus direitos em relação a esses valores, põe fim à questão com análise de mérito. Não restam dúvidas de que elas corroboraram os efeitos retroativos da rescisão contratual de forma definitiva. Transcreve excertos do acordo no qual foi prevista a rescisão do contratos de participação e consórcio a partir de 2004, e a renúncia a qualquer reivindicação ou indenização deles decorrentes, inclusive à contribuição de contingência do ano de 2005, cuja exigibilidade estava sendo discutida em medida cautelar e procedimento arbitral. Com fundamento no art. 840 do Código Civil, o acordo foi levado a juízo e ao conhecimento do árbitro, sendo homologado em âmbito judicial e arbitral. Reafirma que na medida cautelar a extinção se deu com julgamento do mérito, na forma do art. 269, inciso III do Código de Processo Civil, e que idênticos efeitos se verificaram na sentença consensual proferida no procedimento arbitral instaurado pela Petrobrás, a qual dispôs claramente que nenhuma quantia é devida em relação às obrigações relativas ao contrato de consórcio. Reportase ao texto original desta sentença em inglês, para novamente esclarecer que houve equívoco na tradução, que inseriu a expressão “sem julgamento de mérito”, quando na verdade, em tradução livre, a extinção se deu “com prejuízo”, que significa retirado da corte de tal forma que o autor está impedido de ajuizálo novamente nos mesmos termos e pedidos. Fl. 2983DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 18 17 Acrescenta que, ainda que não se admita o equívoco na tradução, os efeitos da sentença consensual são os mesmos de uma extinção com julgamento de mérito, já que ambas as partes já reconheceram em todos os atos praticados perante si e terceiros a renúncia expressa sobre qualquer direito relativo a essas supostas contribuições. E cita doutrina para demonstrar a força executória da sentença arbitral, e concluir que a contribuição de contingência do ano de 2005 não poderá mais ser exigida, sob pena de imposição das disposições da sentença arbitral consensual. Sendo inexigíveis, tais valores não podem ser qualificados como receitas, mostrandose regular o estorno promovido. E tal situação é totalmente distinta do perdão de dívida mencionado na decisão recorrida, pois o objetivo do acordo foi, justamente, reconhecer a inexistência da obrigação. Ainda que por absurdo, se queira equiparar este complexo contrato de consórcio firmado para geração e comercialização de energia com uma relação comercial, a base não seria um perdão de dívida, mas sim cancelamento de acordo, ou seja, uma venda cancelada, claramente tratada na legislação como não integrante da receita auferida pela pessoa jurídica, a afastar qualquer ilegalidade no estorno de receitas realizado pela Recorrente. Prosseguindo, defende a equiparação da situação presente àquela prevista no art. 409 do RIR/99, e preliminarmente observa que não houve questionamento quanto à forma do diferimento, apenas formulandose restrições no âmbito material, por não se vislumbrar ali as atividades previstas em lei. Transcreve suas contribuições descritas no contrato de consórcio e participação, asseverando que a remuneração pela realização das atividades decorreria da participação nas receitas do consórcio, ou alternativamente, das contribuições de contingência a serem arcadas pela Petrobrás. E, embora esta não fosse a única beneficiada pelos serviços prestados pela Recorrente ao consórcio, a Petrobrás seria a empresa responsável pelo pagamento das referidas contribuições de contingência, daí porque seria correto aplicar as mesmas regras relativas aos valores devidos pelas entidades públicas ou equiparadas. Observa que o diferimento decorre de eventual demora no recebimento dos valores devidos por entes públicos, dada sua submissão a longos processos para contratação e pagamento de valores contratados. E no presente caso, a demora no recebimento de valores até aquele momento exigíveis vinculavase, justamente, ao órgão de participação majoritária estatal – a Petrobrás. Assim, ainda que os valores em debate sejam classificados como receitas, eles não poderiam integrar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL no ano de 2005. Diante destes argumentos, conclui que a imputação de omissão de receitas não pode prosperar, visto que os valores em questão não são receitas. De toda sorte, omissão não houve, porque os valores acima foram registrados na contabilidade da Recorrente e informados em sua DACON, assim como foi devidamente registrado seu estorno. Prossegue abordando o significado do termo omissão e enfatiza que jamais ocultou seus atos, registros ou origem dos recursos por ela recebidos e tampouco se negou a prestar esclarecimentos quando inquirida. Novamente historia os atos praticados, e defende ser uníssono o entendimento, neste Conselho, de que a acusação relativa à omissão de receitas prescinde da verificação e comprovação de atos do contribuinte tendentes a ocultar os fatos, sua origem ou características essenciais (montante, titularidade, etc.), transcrevendo ementas de julgados Fl. 2984DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 19 18 administrativos neste sentido. Conclui, assim, que por todos os argumentos apresentados, a acusação contida no item 1 dos autos de infração impugnados é improcedente. Quanto à multa agravada, reitera os argumentos apresentados no item 3.2 de sua defesa, reprisa que pedidos anteriormente apresentados pela Recorrente para compensação de débitos com saldo negativo de IRPJ e CSLL apurado no ano de 2005 foram devidamente homologados pelo Fisco sem que houvesse sequer qualquer alegação de intuito fraudulento na apuração fiscal daquele anocalendário, e afirma desconstituídos os indícios de falsidade sugeridos e apontados pelo agente fiscal e repisados no v. acórdão recorrido. Assevera que a conduta fiscal pretende retirar da Recorrente a possibilidade de realizar seus negócios de forma livre, ou melhor, do modo mais apropriado ao seu anseio econômico e estratégico, sob a justificativa de que os atos teriam sido praticados com o único intuito de fraudar o fisco. Diz que o acordo e as declarações feitas nos documentos e sentença arbitral correspondem a sua vontade real, e eram necessários do ponto de vista estratégico. Tivessem os julgadores se centrado na motivação do negócio, concluiriam que os atos praticados pela Recorrente foram lícitos, ou ao menos que eles não foram praticados com evidente intuito de fraude, consoante doutrina que transcreve. Afirma ser necessário que não restem dúvidas quanto o intuito fraudulento, que este seja evidente, e aduz ser inconcebível afirmar a prática do art. 72 da Lei nº 4.502/64 quando todos os fatos estão declarados e contabilizados, e são apresentados à Fiscalização quando chamada a homologar os créditos de sua escrita fiscal. Cita julgados administrativos e doutrina neste sentido. Invoca, ainda, a aplicação do art. 112 do CTN, na medida em que não se está diante de caso de aplicação inequívoca da multa agravada. Quanto à multa por compensação indevida, inicialmente diz que já foi apenada com multa mais gravosa na formação do crédito tributário; que as DCOMP não foram apresentadas com conteúdo falso; que indicou crédito escriturado; que não incorreu na hipótese legal que visa punir quem apenas pretende adiar o pagamento de tributos; que se alguma fraude houve, teria ocorrido em 2005, quando ainda não estava vigente a Lei nº 11.488/2007 e não havia previsão de falsidade de declaração como hipótese de multa; a lei somente cogitava de multa qualificada nos casos de fraude, dolo ou simulação na apuração do débito compensado; não houve falsidade material ou ideológica no momento da apresentação da DCOMP; e a retroatividade da norma ofende o art. 5o, inciso XXXVI da Constituição Federal e os arts. 106 e 112 do CTN. Argumenta, também, ser inadmissível sua aplicação concomitante com a multa de ofício proporcional, em razão das mesmas supostas infrações, qual seja, o recálculo do lucro do mesmo período, decorrente do estorno de receitas realizado pela Recorrente supostamente de forma indevida. Em seu entendimento, não há dúvida de que a incidência se dá sobre o mesmo fato, revelando cumulação absurda, excessiva e desproporcional a qualquer tipo de conduta, que dirá aquela praticada pela Recorrente que agiu corretamente, informou, declarou, apresentou comprovações. Acrescenta que o acórdão recorrido foi omisso em relação aos argumentos exaustivamente trazidos pela defesa. Invoca o art. 4o da Lei nº 9.784/98, dada a ofensa aos princípios da razoabilidade, do não confisco e da proporcionalidade, representada pela aplicação de multas que, somadas, representam 300%. Cita doutrina, transcreve jurisprudência e, frente a concomitância, reportase a julgados administrativos que dizem prevalecer a penalidade em Fl. 2985DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 20 19 relação à conduta relevante, ou seja, aquela que supostamente impediu a arrecadação tributaria, qual seja, a apuração supostamente incorreta, do IRPJ e da CSLL no ano calendário de 2005 em razão do estorno de receitas. Daí o necessário cancelamento da multa isolada calculada sobre os débitos compensados. Pede, assim, a declaração da decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário 2005 e também a multa isolada referente à compensação indevida (uma vez demonstrada a regularidade da apuração do IRPJ e da CSLL relativos ao anocalendário 2005 e, conseqüentemente, do saldo negativo utilizado nas compensações). Ainda, requer o reconhecimento da inexistência de fraude nos atos praticados pela Recorrente, e protesta pela juntada de outros documentos e elementos necessários à comprovação de suas alegações ou elucidação dos fatos. No despacho de fl. 2915, a autoridade administrativa disse que, como não foi confirmada em meio eletrônico a cientificação alegada, providenciou nova ciência para regular instrução processual. Em razão disto, à fl. 2736 consta documento informando que em 27/06/2012 a interessada tomou conhecimento do teor do acórdão de impugnação, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações, e à fl. 2737 consta documento atestando que em 11/07/2012 verificouse a ciência por decurso de prazo da referida decisão, que foi disponibilizada na caixa postal da contribuinte em 26/06/2012. Em 25/07/2012 a contribuinte veio aos autos, por meio da petição de fls. 2917/2919, reiterando os termos do recurso voluntário interposto em 30/04/2012, e novamente esclarecendo que tomara ciência do acórdão recorrido em 02/04/2012. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, inicialmente abordando os termos dos Contratos de Consórcio e de Participação do Projeto Macaé Merchant, e destacando que a Petrobrás estava obrigada às contribuições de contingência até agosto/2007, e enfrentando a alegação da recorrente de que existiria autorização do estorno das receitas por sentença judicial proferida na Ação Cautelar 2005.001.008424, decorrente da decisão homologatória de acordo com renúncia pela autuada dos valores devidos pela Petrobrás retroativamente a 1º de dezembro de 2004; bem como de sentença arbitral. Primeiramente tratou do alcance da decisão homologatória de acordo proferida na Ação Cautelar 2005.001.0084524, consignando que o processo cautelar não se presta a satisfazer o direito substancial, sendo instrumento processual para que o resultado de outro processo seja útil e eficaz, dito principal, sendo este o instrumento para a composição da lide ou para satisfazer o direito. Assim, as decisões proferidas nos autos do processo cautelar supracitado, inclusive a decisão de homologação da transação celebrada, não solucionaram o mérito da controvérsia relativa à validade da exigência das contribuições de contingência, tendo em vista que este é da competência do juízo arbitral. Transcreveu doutrina acerca dos efeitos da decisão judicial de homologação de transação, asseverando que a decisão de homologatória de conciliação proferida no processo cautelar gerará coisa julgada material em relação tão somente ao mérito acautelado (suspender a exigibilidade das contribuições de contingência até instauração do procedimento arbitral), que não poderá mais ser objeto de demanda judicial. Assim, não tem o condão de Fl. 2986DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 21 20 declarar a invalidade das contribuições de contingência devidas pela Petrobrás (mérito discutido no procedimento arbitral). Passando à análise do procedimento arbitral, preliminarmente observou que, a teor do acordo antes firmado, quando as receitas oriundas da venda de gás no mercado pela autuada não fossem suficientes para cobrir os custos que esta tinha na produção e distribuição desse combustível, surgia o fato gerador da obrigação contratual da autuada de receber da Petrobrás uma quantia para que seus custos fossem cobertos, surgindo o fato gerador da receita denominada contribuição de contingência. Deste modo, só a declaração de invalidade jurídica do contrato, com efeitos ex tunc (retroativos) poderia ensejar o não auferimento de receita. Observou que em 05/07/2005, o Tribunal Arbitral proferiu decisão denominada “Sentença sobre Medidas Provisórias”, em que estabeleceu que a Petrobrás efetuasse o pagamento dos valores devidos a título de contribuição de contingência diretamente à contribuinte, condicionado referidos pagamentos à apresentação de garantia bancária pela TERMOMACAÉ, para a hipótese de uma eventual condenação do contribuinte em questão no procedimento de arbitragem. Concluiu o Tribunal Arbitral que a falta de pagamento das Contribuições de Contingência “é um evento de inadimplência”, e esclareceu que a garantia bancária “não préjulgava o mérito da controvérsia”, pois o mérito da controvérsia se relaciona à questão principal de o pagamento destas contribuições ser devido ou isento. Nestes termos, continuavam juridicamente válidas e vigentes as obrigações contratuais em que, ocorrido o excesso de custos sobre receitas próprias, haveria o auferimento de receitas de contribuições de contingência e a obrigação de pagar da Petrobrás. A decisão interlocutória antes referida apenas confirmou a validade do contrato, e os depósitos bancários promovidos pela Petrobrás integraram o ativo circulante da autuada, inclusive sendo transferidos para conta de sua titularidade em Nassau/Bahamas. Ainda, os despachos decisórios de não homologação fazem referência ao recebimento de outras parcelas, no montante de R$ 100.759.033,97, lançadas em contas de duplicadas a receber. Em 21/11/2005, o Tribunal Arbitral proferiu “Sentença Final Parcial”, de caráter não definitivo, em que declarou a inexistência de questões de invalidade, de infração de lei criminal e administrativa brasileira e não submissão à arbitragem, bem como que os contratos não continham cláusulas abusivas e que seria designada perícia para verificar a onerosidade excessiva alegada pela Petrobrás, nos termos do art. 478 do Código Civil Brasileiro (BCC). Logo, até este momento, não há declaração de invalidade dos Contratos celebrados entre a autuada e a Petrobrás, e ainda houve a quitação dessas obrigações pelo PAGAMENTO pela Petrobrás. Apesar disto, a autoridade fiscal que em 31/12/2005 foram lançados estornos em contas representativas de vendas, excluindo as receitas aqui em debate da apuração do resultado do exercício. Em 01/02/2006, antes da análise pericial e do encerramento do procedimento arbitral, foi formalizado o “Memorando de Entendimento” para aquisição total do controle societário da autuada pela Petrobrás, efetivada em 11/03/2006. Nesta ocasião, houve o expresso reconhecimento de que não seriam devidas quaisquer quantias para períodos anteriores ou posteriores àquela data, estando as partes liberadas das obrigações contratuais decorrentes do Consórcio a partir de 01/12/2004. Na seqüência, a sentença consensual arbitral proferida em 12/06/2006 extingue o procedimento arbitral instaurado sem Fl. 2987DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 22 21 julgamento do mérito dos pleitos feitos pela Petrobrás. Logo, não houve declaração de invalidade das obrigações contratuais que originaram o auferimento das receitas de contribuições de contingência no anocalendário de 2005, mas apenas mera homologação de transação efetuada pelo juízo arbitral. A caracterização do depósito promovido em 11/11/2005 como garantia decorre de referência incluída na sentença consensual arbitral a pedido das partes. A natureza daqueles valores como pagamento, porém, decorre dos fundamentos da sentença provisória do Tribunal Arbitral que os determinou, ressaltando que a sua ausência caracterizaria inadimplência. A Petrobrás, portanto, fez pagamentos de obrigações contratuais e quem apresentou garantia bancária na modalidade fiança foi a contribuinte. Tanto o é, que a contribuinte dispôs dos valores recebidos, transferindoos para conta bancária em Nassau/Bahamas. Observou que, no “Memorando de Entendimentos”, a rescisão do contrato de consórcio teria vigência a partir da conclusão da operação de compra e venda da autuada pela Petrobrás, mas posteriormente as partes acordaram que os efeitos da rescisão seria retroativos, retirando a natureza de receita daqueles valores, de modo a legitimar os estornos ocorridos em 2005. Em tais condições, a cláusula de liberação recíproca que assim fixou, gera efeitos apenas nas relações privadas, não tendo o efeito de retirar a natureza de receita dos montantes já reconhecidos e pagos para fins de tributação, a teor do art. 123 do CTN. Concluiu, assim, que em face aperfeiçoamento das obrigações ao longo de 2005 e o auferimento de receita advindo dos pagamentos reconhecidos e efetuados pela Petrobrás, e decorrente acréscimo patrimonial, ocorreram os fatos geradores do IRPJ e da CSLL. As receitas em debate devem ser mantidas no lucro tributável, a teor do art. 249 e 251 do RIR/99 e do art. 187, §1o da Lei nº 6.404/76. Acrescentou, ainda, que não houve remissão ou perdão de dívida, mas sim extinção, mediante transação, de dívida reconhecida pela Petrobrás. O acordo homologado pelo tribunal arbitral ensejou concessões recíprocas, em razão das quais as empresas proprietárias sócias da TERMOMACAÉ, em troca da extinção da dívida, receberam R$ 793.971.750,00, pagos pela Petrobrás. Houve extinção da dívida por pagamento, de modo que _a transação efetuada não retira a natureza jurídica de RECEITA dos valores que já foram reconhecidos e contabilizados pela TERMOMACAÉ. Relativamente à argüição de decadência, disse que a incidência do art. 150, §4o do CTN é excluída nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Por sua vez, a autoridade fiscal acusou a contribuinte de criar artificialmente créditos tributários, bem como disfarçar a ocorrência dos fatos geradores de IRPJ e CSLL, além de prestar informações falsas para justificar o estorno de receitas. Na medida em que as manobras da contribuinte foram realizadas para descaracterizar a natureza de pagamento dos montantes recebidos, o auferimento de receitas e com a finalidade de suprimir indevidamente tributos federais com os estornos de receitas efetuados, a contagem do prazo decadencial deve ser feita na forma do art. 173, I do CTN, e jurisprudência firme do Superior Tribunal de Justiça estabelece como termo inicial da contagem, nestes casos, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Quanto às penalidades aplicadas, observou que diante das situações fáticas distintas ensejadoras da multa de ofício (lançamento de ofício) e da multa incidente sobre Fl. 2988DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 23 22 débitos compensados indevidamente, deve ser mantida a aplicação concomitante das multas. Reportouse a manifestação deste Conselho neste sentido. Por estas razões, requereu que seja negado provimento ao recurso voluntário, mantendose a exigência fiscal, nos termos do que decidido pela DRJ de origem. Em novembro/2012, o processo administrativo nº 10725.900463/201031 foi sorteado para relatoria por esta Conselheira. Com fundamento no art. 49, §7o do Anexo II do Regimento Interno do CARF, esta Relatora requereu, e lhe foi deferida, a redistribuição, por conexão, do presente processo administrativo, que havia sido sorteado, também em novembro/2012, para relatoria do Conselheiro José Ricardo da Silva. Ainda, em razão de conexão, esta Relatora requereu, e lhe foi deferida, a distribuição do processo administrativo nº 15374.964184/200911, o qual aguardava sorteio nesta 1a Seção de Julgamento. Fl. 2989DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 24 23 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Na medida em que caracterizado o evidente intuito de fraude na falta de recolhimento dos tributos aqui lançados, a autoridade fiscal afastou a aplicação do art. 150, §4o do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (negrejouse) Entendeu que em tais circunstâncias, a apuração da contribuinte não é homologada com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, de modo que resta ao Fisco, para formalizar o lançamento, o prazo estabelecido no art. 173 do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Argúi a recorrente que mesmo aplicando este dispositivo, a contagem deveria ter por termo inicial a entrega da DIPJ, o que resultaria na decadência dos valores exigidos em 29/11/2011. Reportase a jurisprudência deste Conselho e da Câmara Superior de Recursos Fiscais em favor deste entendimento. Fl. 2990DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 25 24 Todavia, embora decisões neste sentido existam, elas não são vinculantes. De outro lado, o parágrafo único do art. 173 do CTN reportase ao momento em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento, e a DIPJ não tem este condão, por ser, desde 1998, declaração meramente informativa das apurações já realizadas pelo sujeito passivo, não constituindo crédito tributário, nem sequer demarcando opção por uma forma de apuração. Ademais, a notificação referida no dispositivo legal deve ser dirigida ao sujeito passivo, e não no sentido inverso, no qual o sujeito passivo “notifica” a Administração Pública de sua apuração. A recorrente também aduz que entendimentos adotados em julgados deste Conselho conduziriam à declaração de decadência da exigência aqui veiculada, tendo em conta o que expresso pelo Superior Tribunal de Justiça ao decidir, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, a matéria assim ementada no acórdão proferido nos autos do REsp nº 973.733/SC, publicado em 18/09/2009: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, Fl. 2991DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 26 25 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (negrejouse) O referido julgado é comumente utilizado para evidenciar que o fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomarse o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Resta claro, a partir da ementa transcrita, que é necessário haver uma conduta objetiva a ser homologada, sob pena de a contagem do prazo decadencial ser orientada pelo disposto no art. 173 do CTN. Relevante notar, porém, que, no caso apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, a discussão central prendiase ao argumento da recorrente (Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS) de que o prazo para constituição do crédito tributário seria de 10 (dez) anos, contandose 5 (cinco) anos a partir do encerramento do prazo de homologação previsto no art. 150, §4o do CTN, como antes já havia decidido aquele Tribunal Superior. De fato, o relatório daquele julgado expressa que em debate estava o lançamento formalizado em 26/03/2001, de valores devidos em 01/01/92 e 01/01/95. Por sua vez, a autarquia previdenciária, além de invocar o art. 45 da Lei nº 8.212/91, pretendeu que o prazo para constituição do crédito tributário tivesse início após a homologação do lançamento, momento que reputava ser o primeiro dia seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Em resposta a esta arguição, o Ministro Relator Luiz Fux assim se posicionou: Outrossim, impende assinalar que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Como se vê, não houve qualquer argumentação no sentido de se retirar os efeitos da expressão em que o lançamento poderia ser efetuado. De outro lado, a expressão Fl. 2992DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 27 26 exercício deve ser interpretada como um conceito extraído do Direito Financeiro, correspondente ao ano civil, consoante dispõe a Lei nº 4.320/64: Do Exercício Financeiro Art. 34. O exercício financeiro coincidirá com o ano civil. Art. 35. Pertencem ao exercício financeiro: I as receitas nêle arrecadadas; II as despesas nêle legalmente empenhadas. (grifos não dispostos no original) Aliás, esta mesma interpretação é encontrada nos arts. 9o e 104 do CTN, bem como no art. 150, III, “a” e “b”, da Constituição Federal: Código Tributário Nacional (CTN) Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] II cobrar imposto sobre o patrimônio e a renda com base em lei posterior à data inicial do exercício financeiro a que corresponda; [...] Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: I que instituem ou majoram tais impostos; II que definem novas hipóteses de incidência; III que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. Constituição Federal Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] III cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; (negrejouse) Aplicando esta interpretação ao caso concreto, relativamente ao IRPJ e a CSLL devidos em 31/12/2005, na medida em que somente passíveis de lançamento em 2006, o primeiro dia do ano civil seguinte é 01/01/2007, o que permite a constituição de crédito tributário pelo Fisco até 31/12/2011, e revela que o lançamento formalizado em 29/11/2011 poderia alcançálos validamente, se caracterizada a fraude imputada pelo Fisco. Por sua vez, a autoridade fiscal acusou a contribuinte de inserir elementos falsos em sua escrituração, ensejando omissão de receitas e falta de recolhimento de tributos, além de prestar informações falsas para justificar os estornos realizados. A conduta da contribuinte foi extensamente abordada no voto condutor do Acórdão nº 1101000.938 Fl. 2993DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 28 27 (processo administrativo nº 10725.900463/201031), no qual foi apreciada a não homologação das compensações realizadas com saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2005 em razão destas mesmas infrações aqui imputadas. Para maior clareza, as razões de decidir daquele julgado são, a seguir, transcritas: Os saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados pela contribuinte no anocalendário 2005 foram influenciados, de forma determinante, por estorno de receitas denominadas “contribuições de contingência”, decorrentes de contrato firmado pela interessada e sua ora controladora Petrobrás S/A. No Anexo I dos autos, digitalizado às fls. 1521/1982, consta cópia autenticada da tradução juramentada do Contrato de Consórcio e de Participação celebrados para a exploração da usina termelétrica Macaé Merchant em 25/11/2002 entre Petróleo Brasileiro S/A (Petrobrás), El Paso Rio Claro Ltda (antiga denominação social da interessada, ali indicada como GENCO) e El Paso Rio Grande Ltda (MARKETCO), além da interveniente El Paso Energy CAYGER II Company. À época, a autuada era controlada por esta interveniente. O objeto do consórcio era uma usina elétrica de ciclo simples movida a gás natural, com capacidade bruta nominal de 900 MW, localizada na cidade de Macaé. Segundo a Cláusula 2.01, à autuada incumbiria a construção e operação da Usina e a geração e entrega de Energia a partir dela. A Petrobrás deveria fornecer Gás Natural para permitir a GENCO a dar Partida, operar a Usina e gerar Energia e a MARKETCO comercializar Energia e cobrar e distribuir as receitas dela provenientes para as Partes, atuando como líder do consórcio (Cláusula 2.03). O acordo foi firmado, em princípio, pelo prazo de 10 (dez) anos (Cláusula 2.05) A contribuição de contingência foi prevista na Cláusula 3.02 (a), nos seguintes termos (reproduzidos de forma semelhante na Cláusula 5.04): Contribuição de Contingência da PETROBRÁS e Suporte Correlato. Durante o Período de Suporte [desde a data inicial de operação comercial, ou presumida, das quatro unidades programadas, até o quinto aniversário da data final de operação comercial, in casu, de 07/08/2002 a 07/08/2007, como reconhecido pelas partes perante o Tribunal Arbitral, fl. 115 do Anexo III, digitalizado às fls. 2497/2738], a PETROBRÁS terá certas obrigações contingentes de aportar capital adicional ao Consórcio conforme previsto na Cláusula 5.04 (a). O Agente de Pagamento [parte nomeada para executar os serviços administrativos, no caso a MARKETCO] terá o direito de requisitar da PETROBRÁS uma contribuição de contingência na medida em que, ao final de qualquer Período de Cálculo [mês calendário ou parcela deste], o valor dos recursos correspondentes às Receitas Brutas [receitas calculadas com base na geração elétrica líquida do projeto durante o período de cálculo, somada a outras receitas auferidas], depositados na Conta Bancária em fundos imediatamente disponíveis referentes ao Período de Cálculo em questão, somados a qualquer Contribuição de Contingência da PETROBRÁS em Função de Falta de Gás Natural requisitada para o Período de Cálculo, seja insuficiente para permitir o pagamento integral dos valores especificados na Cláusula 6.02 (a), devidos e pagáveis no Período de Cálculo em questão ou que tenham vencido e se tornem devidos e pagáveis em um Período de Cálculo subseqüente, mais o valor integral da Alocação de Capacidade da GENCO do Período de Cálculo em questão (a “Contribuição de Contingência da PETROBRÁS). Mediante a referida requisição do Agente de Pagamento, a PETROBRÁS depositará, ou fará com que seja depositado na Conta Bancária valor igual à Contribuição de Contingência da PETROBRÁS. As ocorrências verificadas ao longo do anocalendário 2005, acerca destas “contribuições de contingência”, estão refletidas em comunicados de fatos relevantes divulgados aos investidores da Petrobrás, disponíveis no sítio da empresa Fl. 2994DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 29 28 na Internet (http://www.investidorpetrobras.com.br/pt/comunicadosefatos relevantes), a partir do ano de 2005, mas já juntados pela autoridade fiscal a estes autos (fls. 228/226): · Em 06/01/2005: Contribuição de Contingência: Macaé Merchant Rio de Janeiro, 04 de janeiro de 2005 – PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS, [...] comunica que na defesa de seus interesses, conforme orientação recebida do Conselho de Administração, notificou formalmente à El Paso Rio Claro Ltda. e à El Paso Rio Grande Ltda. (conjuntamente El Paso), operadora(s) da termelétrica Macaé Merchant, que deseja iniciar imediatamente entendimentos visando terminar ou reduzir a “contribuição de contingência” que vem pagando à citada termelétrica, e propondo a suspensão desse pagamento aguardando o desdobramento das negociações e a solução do assunto. A notificação e o processo negocial propostos seguem estritamente os termos contratuais em vigor. A Petrobras informou também sua proposta aos financiadores do referido projeto, International Finance Corporation (IFC), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Overseas Private Investment Corporation (OPIC). A Petrobras celebrou, no quadro do Programa de Prioridade Termelétrica (PPT), contrato de participação com a El Paso para a operação da usina termelétrica Macaé Merchant. Esse contrato prevê o pagamento de uma “contribuição de contingência” para cobrir eventual insuficiência financeira caso a usina não tenha a capacidade de atender certas metas de receita, pela não confirmação da expectativa de venda da energia disponível, e, conseqüentemente, cobrir a remuneração do capital, custos operacionais e impostos. Modificações imprevistas e extraordinárias nas circunstâncias econômicas e de mercado desde então vigentes, causaram um sério desequilíbrio na equação econômica e financeira do referido contrato. O equilíbrio contratual negociado se pauta no princípio de eventuais déficits de caixa na operação do projeto serem compensados por superávits, em função de variações no preço à vista apurado no mercado de energia elétrica. Na medida em que as premissas e parâmetros desse mercado utilizados pelas partes à época da celebração dos contratos invalidaramse, os pagamentos contingenciais perderam sua característica essencial de imprevisibilidade, tornandose permanentes em prejuízo exclusivo da Petrobras. A Petrobras entende, conforme seu próprio corpo jurídico e consultorias externas contratadas especificamente para o assunto, haver, diante dessa condição de desequilíbrio, amparo na legislação vigente para sua proposta de negociação e/ou solução feita de acordo com procedimento contratual expresso, e deseja uma rápida solução amigável para o caso. Caso isso não seja possível, após o prazo contratual de 30 dias, a Petrobras dará inicio às medidas processuais cabíveis, para resolver definitivamente a controvérsia. (negrejouse) · 01/02/2005: Contribuição de contingência da Termoelétrica Macaé Merchant Rio de Janeiro, 1 de fevereiro de 2005 – PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS, [...] A fim de garantir direitos e prevenir obrigações, tanto da Petrobras quanto da El Paso, foi também ajuizada medida cautelar, para determinar a suspensão da referida “Contribuição de Contingência”, mediante o depósito judicial do valor alegadamente devido. Uma vez que, num primeiro momento, a liminar solicitada foi indeferida, a Petrobras está estudando as medidas cabíveis, valendose dos direitos que lhe são assegurados contratual e legalmente, pois entende não estar descumprindo suas obrigações ao buscar negocialmente (com base no disposto na lei e nas regras e prazos contratuais) e contenciosamente (valendose dos meios assegurados legalmente) resguardar seus legítimos interesses. (negrejouse) · 10/02/2005: Fl. 2995DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 30 29 Posicionamento da Petrobras em relação às Termoelétricas “Merchant” Rio de Janeiro, 11 de fevereiro de 2005 – PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS, [...] comunica que em 2001, quando o Sistema de Suprimento de Energia no Brasil – quase todo ele então baseado na geração hidrelétrica – apresentava visíveis sinais de crise, diversas empresas – entre elas a Petrobras analisaram a possibilidade de participação em projetos de geração de energia a partir de gás natural e/ou combustíveis derivados do petróleo (Usinas Termelétricas), através da formação de consórcios. Neste contexto, foram constituídas as parcerias com ElPaso e MPX nos projetos “Merchant” (Macaé Merchant e Termoceará). Uma usina “Merchant” tem como principal característica a venda de energia no mercado spot, não pautando sua atuação em contratos de longa duração, mas sim aproveitando as demandas pontuais de energia elétrica. Uma das principais características dos contratos assinados é que eles possuem uma provisão, no sentido de que, caso, excepcionalmente, em determinados meses, as receitas auferidas com os contratos de compra e venda de energia não sejam suficientes para fazer frente a determinados custos, como abaixo listados, a PETROBRAS deverá realizar uma “Contribuição de Contingência” em montante suficiente para arcar com estes custos. Assim, o instrumento contratual da “Contribuição de Contingência” cumpre a finalidade de, em caso de eventual e esporádica insuficiência de receita, garantir, durante cinco anos, o fluxo de caixa necessário para fazer frente aos custos fixos e variáveis da planta, sendo certo que, com o cenário adotado na época, entendiam os parceiros que a necessidade de aporte de tal contribuição seria eventual. O cenário vislumbrado pelas partes que celebraram os contratos não se concretizou. As projeções efetuadas à época não se tornaram realidade por diversos fatores, sendo que o principal deles está relacionado com a transformação estrutural ocorrida no setor elétrico como decorrência das medidas adotadas pela Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), criada em 2001. A intervenção efetuada no mercado gerou uma abrupta queda de demanda e, mesmo após a finalização das restrições ao consumo, esta demanda não retornou aos patamares prevalecentes antes do racionamento, indicando uma efetiva mudança estrutural no padrão de consumo de energia no País. Tal quadro acarretou, para a PETROBRAS, como conseqüência principal, o fato de que os pagamentos das Contribuições de Contingência passaram a ser feitos de forma sistemática, todos os meses, visto que as receitas previstas relativas às vendas no mercado spot não se materializaram. Registrese que as parceiras da PETROBRAS nestes projetos não foram afetadas pela alteração no cenário, já que, como acima mencionado, as Contribuições de Contingência cobrem todos os custos, incluindo a amortização dos investimentos e a remuneração do capital investido pelas mesmas. Além das análises internas já efetuadas e de modo a obter uma análise independente crítica da situação acima exposta, foram contratadas empresas de consultoria financeira e escritórios de advocacia que realizaram detalhadas auditorias nos contratos firmados e nos documentos pertinentes, consolidando as informações sob a forma de pareceres que concluíram, em resumo, que os riscos dos empreendimentos estavam sendo totalmente assumidos pela PETROBRAS, preservando a remuneração dos investimentos e do capital dos demais parceiros. Em outras palavras, as transformações estruturais ocorridas no mercado de energia elétrica após o racionamento eliminaram as oportunidades de lucro para a PETROBRAS nestes empreendimentos e acarretaram prejuízos substanciais. Até Dezembro/2004, já foram pagos, em valores nominais, R$ 1,9 bilhão (Macaé Merchant) e R$ 370 milhões (Termoceará), sendo que os valores já pagos superam os preços de plantas novas de mesma capacidade. Com base nos estudos e demonstrações econômicofinanceiras elaborados pelas empresas de consultoria e escritórios de advocacia, ficou caracterizado o desequilíbrio Fl. 2996DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 31 30 da equação econômicofinanceira dos contratos analisados, porquanto houve quebra no programa contratual estabelecido entre as partes. Com isso, a PETROBRAS, tem sido, regularmente, chamada a pagar a Contribuição de Contingência, o que acarretou uma transmissão integral do risco do negócio de suas parceiras para ela. Por conseqüência, a PETROBRAS está sendo excessivamente onerada com a execução desses contratos e está perfeitamente identificado um processo de enriquecimento sem causa de suas parceiras nestes projetos. Estão presentes todos os requisitos para caracterizar essa onerosidade e permitir a renegociação ou rescisão desses contratos. Os Contratos celebrados estabelecem, de forma clara, o procedimento a ser seguido para a solução de controvérsias dessa natureza: a) Notificação formal à outra parte, para que esta tome conhecimento da controvérsia e, no prazo de 30 dias, participe de um processo negocial, objetivando a solução do conflito em potencial; b) Caso as partes não cheguem a um acordo, a PETROBRAS está, contratualmente, autorizada a entrar com um pedido de instauração de procedimento arbitral. Portanto, de acordo com os pareceres de renomados juristas e economistas, a PETROBRAS não está obrigada a arcar com os prejuízos decorrentes das modificações causadas pelos fatos imprevistos e imprevisíveis no momento da celebração dos contratos. O ordenamento jurídico brasileiro não a obriga a permanecer vinculada a negócios jurídicos cuja equação econômica foi totalmente desvirtuada por conta de fatos imprevistos e imprevisíveis. A mudança da natureza da Contribuição de Contingência, de contingente para permanente, não mais corresponde à vontade das partes, nem atinge o fim para o qual surgiu, que era o de responder a uma eventualidade. Durante cerca de 12 meses, desde janeiro/2004, a PETROBRAS tentou – e continua tentando – negociar com seus parceiros (ElPaso e MPX) nos contratos “Merchant”, objetivando reequilibrar os mesmos, porém tais negociações não têm logrado êxito. Dessa forma, de modo a preservar os interesses de seus acionistas e investidores, a PETROBRAS decidiu utilizar os mecanismos contratualmente previstos de solução de controvérsias, iniciandose com as notificações extrajudiciais e prosseguindo com a instauração dos procedimentos arbitrais e, se necessário, judiciais cabíveis inclusive de natureza cautelar , objetivando a cessação dos pagamentos das contribuições de contingência. Tratase, portanto, de se ressaltar que a PETROBRAS está atuando no estrito limite das previsões contratuais, sendo que todas as medidas tomadas encontram respaldo no âmbito dos contratos celebrados, em dispositivos legais e nos Princípios que regem o Direito Brasileiro. Finalmente, no que se refere às medidas judiciais cautelares que vêm sendo adotadas, a PETROBRAS reitera que permanecerá acatando todas as decisões interlocutórias que venham a ser tomadas pelo Poder Judiciário, respeitando o direito que outras empresas envolvidas possuem de utilizar os mecanismos processuais cabíveis para defender seus interesses e reservandose o direito de utilizar os mesmos mecanismos para preservar os interesses de seus acionistas e investidores. (negrejouse) · 08/07/2005: Processo Arbitral Petrobras x ElPaso, referente à Usina Macaé Merchant Rio de Janeiro, 8 de julho de 2005 – PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS, [...] comunica que conforme já divulgado anteriormente em Fevereiro de 2005, iniciou um procedimento arbitral em face da El Paso, objetivando dirimir as divergências decorrentes do desequilíbrio econômico financeiro que foi constatado no âmbito do acordo firmado entre as partes, referentes à construção e operação da Usina Termelétrica Macaé Merchant. Ao longo do período de negociações que antecedeu a instauração do painel arbitral e durante a realização do mesmo, a Petrobras vem buscando, de várias maneiras, a título de demonstração de boa fé e até que uma decisão definitiva sobre a matéria seja proferida pelos árbitros, efetuar, em Juízo ou através de outro(s) mecanismo(s), os pagamentos que se constituem no objeto da arbitragem, mediante uma garantia de Fl. 2997DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 32 31 que, em obtendo uma decisão favorável, as quantias pagas ou depositadas possam ser, imediatamente, resgatadas, acrescidas dos devidos encargos financeiros. Tais tentativas não foram, até o momento, aceitas pela El Paso, que pleiteia receber os pagamentos, independentemente da decisão final sobre o mérito e sem quaisquer précondições. Em 05.07.2005, o Tribunal Arbitral proferiu uma decisão interlocutória, que foi comunicada à Petrobras na data de hoje, no sentido de que a Petrobras efetue os pagamentos à El Paso, desde que esta apresente, previamente, uma garantia bancária emitida por banco de primeira linha e que seja aceita pela Petrobras. A mencionada garantia deverá ser de tal forma que possa ser imediatamente executada, com os devidos encargos financeiros, caso a decisão sobre o mérito da questão seja favorável à Petrobras. Os valores dos pagamentos e das respectivas garantias até o momento montam à quantia de R$ 227.337.467,07 (duzentos e vinte e sete milhões trezentos e trinta e sete mil quatrocentos e sessenta e sete reais e sete centavos) e devem ainda abranger, mês a mês, as quantias equivalentes às Contribuições de Contingência referentes aos vencimentos futuros, até que a decisão sobre o mérito seja proferida, o que deve ocorrer em Novembro/2005. A Petrobras permanece no aguardo da apresentação das garantias por parte da El Paso, para que as mesmas possam ser analisadas e as providências cabíveis possam ser adotadas. (negrejouse) Questionada acerca destes fatos (fls. 228/232), e intimada a apresentar diversos elementos de suporte aos lançamentos contábeis, a interessada, já sob o controle da Petrobrás S/A, defendeu a reversão das provisões de receita com fundamento no art. 409 do RIR/99 e no art. 7o da Lei nº 9.718/98. Todavia, este diferimento não foi admitido pela autoridade fiscal em razão da contabilização, em 11/11/2005, do recebimento de R$ 424.738.947,24, depositado em conta bancária da interessada no país e transferido para conta bancária localizada em Nassau/Bahamas. A própria Petrobrás S/A teria noticiado este pagamento no comunicado de 08/07/2005, antes descrito. Posteriormente, em razão de novos questionamentos, a interessada teria informado que houve, em verdade, estorno das receitas questionadas perante Tribunal Arbitral, com fundamento no art. 269, §2o do Decreto nº 3.000/99, na medida em que não houve o auferimento das referidas receitas consoante decisão judicial. Com referência ao recebimento de 11/11/2005, defendeu que ele corresponderia a depósito em garantia. A defesa da recorrente combina as duas argumentações, classificando a transferência bancária de 11/11/2005 como depósito em garantia; afirmando que, como não houve recebimento das receitas, seu diferimento seria possível na forma do art. 409 do RIR/99; e que ante a rescisão do contrato em 10/02/2006, mas com efeitos retroativos a 31/12/2005, pertinente se mostrou o estorno das receitas em 10/02/2006. Os comunicados aos investidores denotam que a autuada, ao longo do ano calendário 2005, enquanto controlada pelo grupo El Paso, manteve sua expectativa de recebimento das contribuições de contingência, rejeitando as propostas de acordo extrajudicial apresentadas pela Petrobrás, de modo a ensejar não só o recurso desta à via arbitral, como também a propositura de medida cautelar para suspensão dos pagamentos devidos em razão do consórcio. Este é o contexto, portanto, que enseja, inicialmente, o reconhecimento de receitas segundo o regime de competência ao longo de 2005, inclusive com a sua informação nos DACON independentemente do efetivo recebimento em dinheiro. A recorrente se empenha em defender a validade do estorno das receitas com efeitos no próprio anocalendário 2005, mas o fato é que até 31/12/2005 nada permitia este Fl. 2998DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 33 32 procedimento. O contrato de consórcio obrigava a Petrobrás aos pagamentos das contribuições de contingência e este é o cenário que determina o resultado tributável em 31/12/2005. Isto porque, a teor dos próprios dispositivos citados pela recorrente (art. 187, §1o da Lei nº 6.404/76, e art. 9o, §3o da Resolução CFC nº 750/93), o reconhecimento das receitas correspondentes à contribuição de contingência deveria ser feito à medida em que esta se tornasse exigível. Inexistiu qualquer ordem judicial, decisão arbitral ou acordo entre as partes, ao longo do anocalendário 2005, que autorizasse outro procedimento contábil que não o reconhecimento daquelas receitas. Como bem relata a autoridade fiscal, a Petrobrás ajuizou a Medida Cautelar nº 2005.001.0084524, na qual requereu liminar para suspender a exigibilidade do pagamento das contribuições de contingência. A decisão interlocutória de 28/01/2005 indeferiu a liminar, mas em 02/03/2005 foi parcialmente reformada em sede de agravo de instrumento, determinando a continuidade do pagamento de metade do valor estabelecido, sendo o restante depositado judicialmente. Mas, em 28/04/2005, em razão do inadimplemento da Petrobrás, foi proferida sentença cassando a liminar e julgando extinto o processo sem julgamento do mérito, e condenando a autora nas verbas de sucumbência. Somente em sede de apelação, e já em 02/05/2006, o processo judicial foi extinto mediante homologação da transação celebrada entre as partes. De forma semelhante, a reclamação levada ao Tribunal Arbitral foi parcialmente analisada em 05/07/2005, mas apenas para apreciação de solicitação de medida provisória urgente por parte da autuada (à época El Paso Rio Claro), como se detalhará adiante. Ainda, em 21/11/2005 foi proferida sentença final parcial, abordando a validade dos contratos submetidos ao Tribunal, que afastou a ocorrência de questões de invalidade, infração da lei criminal e administração brasileira, e à exceção da análise das questões de onerosidade excessiva, indeferiu os pleitos da Petrobrás. O Tribunal Arbitral designou perito para apreciação técnica deste último aspecto, e postergou para o ano seguinte a conclusão da apreciação do litígio. Daí, ao menos até 31/12/2005, é indiscutível que inexistem decisões judiciais que tenham reconhecido a invalidade da exigência das contribuições de contingência devidas pela Petrobrás ou que tenham declarado que não houve o auferimento destas receitas por parte da El Paso Rio Claro Ltda (atual Termomacaé Ltda). Em consequência, somente se poderia cogitar da não incidência do IRPJ e da CSLL sobre o resultado do período influenciado pelas contribuições de contingência até então devidas pela Petrobrás caso o art. 409 do RIR/99 autorizasse o diferimento alegado pela recorrente. A autoridade fiscal afirmou inaplicável este dispositivo uma vez que as receitas auferidas não eram decorrentes de atividades de construção por empreitada ou de fornecimento a preço predeterminado de bens ou serviços, contratados por pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias. As receita auferidas eram decorrentes da exploração de usina termelétrica em razão da participação no Consórcio do Projeto Macaé Merchant. A recorrente, por sua vez, defende a equiparação da situação presente àquela prevista no referido dispositivo legal, dizendo que as objeções fiscais limitamse a aspectos materiais, por não se vislumbrar ali as atividades previstas em lei. Cumpre anotar, inicialmente, que a incidência do imposto de renda pressupõe a disponibilidade econômica ou jurídica desta renda, que no caso das pessoas jurídicas sujeitas à sistemática do lucro real é revelada pela apuração do lucro contábil, com observância do regime de competência, como expresso no art. 177 da Fl. 2999DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 34 33 Lei nº 6.404/76 (A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios), e no §1o do art. 187 da mesma Lei: § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. O lucro contábil pode se sujeitar a adições, exclusões e compensações previstas em lei, com vistas à determinação da base imponível, e por meio daqueles ajustes o legislador pode estabelecer diferimento da tributação, de modo que a incidência ocorra posteriormente à aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda. No ponto em debate, a matéria está assim tratada no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 – RIR/99: SEçãO IX Contratos a Longo Prazo Produção em Longo Prazo Art. 407. Na apuração do resultado de contratos, com prazo de execução superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens ou serviços a serem produzidos, serão computados em cada período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 10): I o custo de construção ou de produção dos bens ou serviços incorridos durante o período de apuração; II parte de preço total da empreitada, ou dos bens ou serviços a serem fornecidos, determinada mediante aplicação, sobre esse preço total, da percentagem do contrato ou da produção executada no período de apuração. § 1º A percentagem do contrato ou da produção executada durante o período de apuração poderá ser determinada (DecretoLei nº 1.598, de1977, art. 10, § 1º): I com base na relação entre os custos incorridos no período de apuração e o custo total estimado da execução da empreitada ou da produção; ou II com base em laudo técnico de profissional habilitado, segundo a natureza da empreitada ou dos bens ou serviços, que certifique a percentagem executada em função do progresso físico da empreitada ou produção. § 2º Na apuração dos resultados de contratos de longo prazo, devem ser observados na escrituração comercial os procedimentos estabelecidos nesta Seção, exceto quanto ao diferimento previsto no art. 409, que será procedido apenas no LALUR. Produção em Curto Prazo Art. 408. O disposto no artigo anterior não se aplica às construções ou fornecimentos contratados com base em preço unitário de quantidades de bens ou serviços produzidos em prazo inferior a um ano, cujo resultado deverá ser reconhecido à medida da execução (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 10, § 2º). Contratos com Entidades Governamentais Art 409. No caso de empreitada ou fornecimento contratado, nas condições dos arts. 407 ou 408, com pessoa jurídica de direito público, ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, o contribuinte poderá diferir a tributação do lucro até sua realização, observadas as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 10, § 3º, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso I): I poderá ser excluída do lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real, parcela do lucro da empreitada ou fornecimento computado no Fl. 3000DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 35 34 resultado do período de apuração, proporcional à receita dessas operações consideradas nesse resultado e não recebida até a data do balanço de encerramento do mesmo período de apuração; II a parcela excluída nos termos do inciso I deverá ser computada na determinação do lucro real do período de apuração em que a receita for recebida. § 1º Se o contribuinte subcontratar parte da empreitada ou fornecimento, o direito ao diferimento de que trata este artigo caberá a ambos, na proporção da sua participação na receita a receber (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 10, 4º). § 2º Considerase como subsidiária da sociedade de economia mista a empresa cujo capital com direito a voto pertença, em sua maioria, direta ou indiretamente, a uma única sociedade de economia mista e com esta tenha atividade integrada ou complementar. § 3º A pessoa jurídica, cujos créditos com pessoa jurídica de direito público ou com empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, decorrentes de construção por empreitada, de fornecimento de bens ou de prestação de serviços, forem quitados pelo Poder Público com títulos de sua emissão, inclusive com Certificados de Securitização, emitidos especialmente para essa finalidade, poderá computar a parcela do lucro, correspondente a esses créditos, que houver sido diferida na forma deste artigo, na determinação do lucro real do período de apuração do resgate dos títulos ou de sua alienação sob qualquer forma (Medida Provisória nº 1.74937, de 1999, art. 1º). A própria recorrente diz que sua situação equiparase à prevista em lei. De outro lado, a autoridade fiscal pondera que o contrato ao qual se pretende aplicar o diferimento não se enquadra na hipótese legal. E, de fato, esta afirmação é suficiente para afastar a aplicação do art. 409 do RIR/99. Nos termos do art. 111, inciso I, do CTN, interpretase literalmente a legislação tributária que disponha, dentre outros, sobre a exclusão do crédito tributário, circunstância que se verifica na hipótese de diferimento da tributação, na medida em que esta permite o posterior recolhimento de tributo desacompanhado dos encargos moratórios que seriam devidos caso a incidência se verificasse no momento da ocorrência do fato gerador. A legislação antes transcrita, por sua vez, trata da tributação do resultado de contratos, com prazo de execução superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens ou serviços a serem produzidos (art. 407, caput, do RIR/99), quando contratado com pessoa jurídica de direito público, ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária (art. 409, caput, do RIR/99). De outro lado, a El Paso Rio Claro Ltda nada tinha a fornecer à Petrobrás S/A. Esta figurou, apenas, como sua parceira, e não só na construção, como também na exploração da usina termelétrica Macaé Merchant, fornecendolhe gás natural para geração de energia elétrica, na expectativa de ganhos com esta atividade, a serem distribuídos pela El Paso Rio Grande Ltda após comercialização da energia. Neste contexto, as contribuições de contingência somente eram devidas porque se estabeleceu um período de suporte, durante o qual eventuais desequilíbrios operacionais seriam equacionados por um dos membros do consórcio, a Petrobrás. A recorrente transcreve suas contribuições descritas no contrato de consórcio e participação, asseverando que a remuneração pela realização das atividades decorreria da participação nas receitas do consórcio, ou alternativamente, das contribuições de contingência a serem arcadas pela Petrobrás. E, embora esta não fosse a única beneficiada pelos serviços prestados pela Recorrente ao consórcio, a Petrobrás seria a empresa responsável pelo pagamento das referidas contribuições de contingência, daí porque, em seu entendimento, seria correto aplicar as mesmas regras relativas aos valores devidos pelas entidades públicas ou equiparadas. Fl. 3001DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 36 35 Não é possível, sequer, afirmar que a Petrobrás era uma das beneficiárias dos serviços prestados pela recorrente; não no sentido de tomador contratante de serviços, como requer a lei para diferimento do lucro. Em verdade, a única semelhança entre a situação presente nestes autos e a hipótese legal é o fato de a Petrobrás ser a empresa responsável pelo pagamento das referidas contribuições de contingência. Somente uma interpretação extensiva, como a elaborada pela recorrente, com fulcro no objetivo da norma (diferir o pagamento de tributos em razão de eventual demora no recebimento dos valores devidos por entes públicos, dada sua submissão a longos processos para contratação e pagamento de valores contratados), permitiria concluir pela possibilidade de diferimento por ela defendida. A lei não cogitou do diferimento da tributação de outros resultados que não os decorrentes das operações de empreitada ou fornecimento de bens. Logo, não basta que o devedor seja um órgão público ou equiparado. É necessário que a dívida decorra de contratos como os especificados na lei. De toda sorte, ainda que a interpretação defendida fosse possível, o diferimento seria inadmissível porque, como bem demonstrado pela autoridade fiscal, as contribuições de contingência foram pagas pela Petrobrás ao longo do ano calendário 2005. Como antes mencionado, a Petrobrás não logrou êxito na Medida Cautelar nº 2005.001.0084524, quer para suspender a exigibilidade do pagamento das contribuições de contingência, quer para depositar judicialmente os valores devidos. A decisão acerca da qual a autoridade fiscal e a recorrente divergem quanto ao seu conteúdo foi proferida pelo Tribunal Arbitral em 05/07/2005, e está juntada por tradução juramentada às fls. 03/72 do Anexo III, digitalizado às fls. 2497/2738. Tratase de sentença parcial em face de Solicitação de Medidas Provisórias Urgentes apresentada pelas rés (dentre elas a El Paso Rio Claro Ltda), contra a qual a Petrobrás afirmou inexistir qualquer obrigação de efetuar os pagamentos requeridos na Solicitação e oferecendo, como gesto de boafé, o depósito dos valores controversos em consignação mediante o resultado da arbitragem. As rés, por sua vez, argumentaram que a inadimplência da Petrobrás impediria o pagamento do empréstimo do BNDES em 15 de novembro de 2005 e dos empréstimos do IFC e OPIC em 15 de fevereiro de 2006, além de futuramente prejudicar a manutenção necessária, salários e imposto de renda, este incidente sobre as Contribuições de Contingência devidas. Afirmaram, ainda, que a retenção dos pagamentos visava obter uma posição de negociação objetivando comprar a Instalação das Rés, e se opuseram ao oferecimento de garantia. Mas a Petrobrás declarou que qualquer ordem de pagamento deveria ser combinada com o oferecimento pelas Rés de título irrevogável e efetivo como condição prévia para qualquer pagamento, por conta do risco de cobrança se a Reclamante for vencedora no mérito. E é neste contexto que o Tribunal Arbitral decide conceder os pedidos de pagamento apresentados, observado o oferecimento de garantia pelas Rés na hipótese de serem derrotadas no mérito, inclusive ressaltando que esta decisão não caracterizava préjulgamento, mas apenas preservava o status quo entre as partes sem afetar o mérito, inclusive protegendo a posição da Reclamante, se vencer no mérito, já que seu risco de cobrança relacionado aos valores pagos em virtude desta sentença ficará coberto pela garantia determinada. Interessante, notar, ainda, que o Tribunal Arbitral procurou dar uma interpretação equilibrada a uma das disposições contratuais que impedia as partes de discutirem obrigações antes de pagálas. Afirmou considerar que uma obrigação de “primeiro se paga, depois se discute” é uma indicação – e nada mais do que isso – de que um Fl. 3002DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 37 36 equilíbrio apropriado de interesses deve ser encontrado na execução da disposição contratual, observada a obrigação de oferecer garantia suficiente. E ressaltou que a urgência da medida estava demonstrada, porque havia inadimplemento e prova de empréstimos que poderiam restar inadimplidos. Ainda, observou que a sentença permaneceria em vigor enquanto pendente o processo pendente no Brasil, ou até a sentença final do processo arbitral, o que acontecesse primeiro. Ao determinar a apresentação de garantia à Petrobrás, mais uma vez o Tribunal a previu como um recurso para protegêla do risco de não cobrança dos valores pagos nos termos desta sentença se esta for vencedora no mérito. Estabeleceu que a garantia bancária será devida contra a cópia da sentença arbitral proferida por este Tribunal ordenando pagamentos das Rés à Reclamante até o valor da garantia bancária. Estas as considerações para ser proferida a seguinte sentença sobre medidas provisórias: [...] 2. O Tribunal Arbitral determina que a Reclamante pague R$ 227.337.467,07 às Rés; 3. O Tribunal Arbitral determina que a Reclamante pague tempestivamente todas as demais Contribuições de Contingência no vencimento durante a presente arbitragem; 4. O Tribunal Arbitral determina que qualquer pagamento efetuado pela Reclamante em virtude dos itens 2 e 3 deste dictum deverá ser feito contra a apresentação pelas Rés de garantia bancária para os valores devidos, acrescidos das taxas de juros interbancários do Brasil (CDI) per rata diem, emitida por banco de primeira linha; [...] Não há dúvida que o Tribunal entendeu que a solução mais equilibrada para o litígio, naquele momento, era determinar a efetivação dos pagamentos pela Petrobrás. E assim o fez com vistas a permitir que a El Paso Rio Claro Ltda deles dispusesse para liquidação de suas dívidas. Por sua vez, a garantia foi estabelecida para minimizar o risco de não cobrança dos valores pagos nos termos desta sentença se esta for vencedora no mérito. Significa dizer que a obrigação de devolver aqueles valores à Petrobrás somente surgiria em caso de decisão desfavorável à El Paso Rio Claro Ltda. Até aquele momento, a única obrigação reconhecida como existente foi a obrigação da Petrobrás em face da El Paso Rio Claro Ltda. Patente, assim, a impropriedade da alegação de que, mais à frente, o valor entregue à El Paso Rio Claro Ltda foi revertido em favor do depositante (Petrobrás). No máximo, a El Paso Rio Claro Ltda poderia ter pago à Petrobrás os valores que eventualmente tivesse adquirido o direito de lhe cobrar. Impossível dizer que uma ordem de pagamento fundamentada nos termos antes descritos resulta em mera entrada que não representa um direito integrante da universalidade de direitos ao qual detém titularidade. Não se trata de mero registro contábil, mas sim efetivo ingresso de recursos em adimplemento a uma obrigação contratual que tem, para a interessada, a natureza de receita, ou seja, elemento integrante do acréscimo patrimonial revelado pelo lucro do período. Como bem destaca a autoridade fiscal a partir de excertos extraídos das Cartas de Fiança emitidas pelo Banco Itaú BBA S/A (fls. 286/291), o pagamento determinado na sentença parcial arbitral de 05/07/2005 seria efetuado por meio de depósito em valores imediatamente disponíveis, na conta nº 517552, de titularidade de EL PASO RIO CLARO LTDA., mantida junto à agência nº 2001 do Banco Itaú S.A. Dos referidos documentos ainda consta que: 6. Esta FIANÇA será considerada extinta se a Decisão Final der ganho de causa aos AFIANÇADOS isentandoos da obrigação de devolver a totalidade das quantias pagas pelo FAVORECIDO em cumprimento da Decisão Provisória. [...] (negrejouse) Fl. 3003DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 38 37 Irrelevante, portanto, se a interessada classificou os valores recebidos em seu passivo, ou se a Petrobrás os contabilizou como “Valores em Litígio”. Só há um significado para a expressão “pagamento” adotada na decisão interlocutória, e a precariedade desta não se sobrepõe à existência do contrato anterior e ao inadimplemento que, naquela sentença, reputouse digno de reparo para manter o equilíbrio das partes até a decisão final no processo arbitral. Frisese, ainda, que só se cogitou de fiança, naquela oportunidade, porque houve efetivo pagamento pela Petrobrás S/A, e conseqüente disponibilidade pela autuada, de modo a permitirlhe dar a destinação que bem lhe aprouvesse aos valores recebidos. Caso se tratasse, efetivamente, de um depósito em caução, ou de um depósito em garantia, a fiança seria absolutamente desnecessária.Registrese, ainda, que em 21/11/2005 o Tribunal Arbitral proferiu sentença final parcial (fls. 73/232 do Anexo III, digitalizado às fls. 2497/2738) na qual está relatado que a garantia bancária ainda gerou problemas entre as partes depois da decisão anterior, mas que: ... Após teleconferência com o Presidente, segundo a interpretação do Tribunal, as partes implementaram a garantia bancária ao final da semana de 07 de novembro e, na semana do dia 14 do mesmo mês, a Reclamante quitou as dívidas pendentes sob os termos da Contribuição de Contingência. [...] Neste ponto, aliás, merece transcrição a abordagem feita pela autoridade julgadora de 1a instância: A primeira conclusão que se chega é que até esse ponto, nada há que possa infirmar como juridicamente válidas as cláusulas obrigacionais vistas no consórcio entre o interessado e a Petrobrás, denominado Acordo de Participação Alterado e Consolidado. Quer dizer, continuava válida e vigendo a cláusula em que, ocorrido o excesso de custos sobre receitas próprias, ocorria o auferimento de receitas de contribuições de contingências e surgia a obrigação de a Petrobrás pagar os recursos a elas correspondentes ao interessado. Esse despacho, de cunho interlocutório, apenas enfatizou a validade do contrato, na medida em que determinou que Petrobrás efetuasse o adimplemento de suas obrigações, o que foi feito, dado que o contribuinte recebeu da Petrobrás, em 11/11/2005, a quantia de R$ 424.738.947,24 e, em 26/01/2006, a quantia de R$ 94.285.394,08, valores que totalizaram R$ 519.024.341,32, tudo em cumprimento do ali decidido. Notese que caso se admitisse o diferimento da tributação com base no art. 409 do RIR/99, em interpretação extensiva do que ali autorizado, somente se poderia cogitar de algum efeito sobre a parcela recebida em 26/01/2006, e desde que ela fosse pertinente à receita reconhecida, pelo regime de competência, no ano calendário 2005, aspecto objetivamente não demonstrado pela recorrente. Por oportuno acrescentese que a sentença final parcial proferida pelo Tribunal Arbitral em 21/11/2005, embora deixando de apreciar alegações da Petrobrás acerca de onerosidade excessiva e vantagem extrema, centrou sua análise principalmente na validade do contrato de consórcio e expressou: 3. ... que os contratos não são gratificações nos termos da lei brasileira e que não ocorreram questões de invalidade, infração da lei criminal e administrativa brasileira e não submissão à arbitragem; 4. ... que os contratos não contêm cláusulas leoninas; 5. ... que os contratos ainda cumprem sua função econômica/social e que a questão da invalidade ou rescisão a ela relacionada não cabem no caso presente; 6. ... que a questão da dificuldade, como regra geral, deve ser tratada à luz do que dispõe o novo Código Civil Brasileiro; 7. ... que os contratos não são aleatórios e que, por este motivo, não se enquadram fora do escopo do Artigo 478 do BCC; Fl. 3004DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 39 38 8. ... que os contratos devem ser interpretados como não dando à Reclamante o direito de invocar o Artigo 478 do BCC; 9. ... que os contratos são de trato contínuo e enquadramse no âmbito do Artigo 478 do BCC; 10. ... (por maioria) ... que os eventos que formam a base do pleito da Reclamante nos termos do Artigo 478 do BCC foram extraordinários e imprevistos; 11. ... que não há benefícios colaterais a serem levados em conta na determinação de onerosidade excessiva; [noticiando a nomeação de perito legal para poder decidir a respeito desta matéria] Diz o art. 478 do Código Civil Brasileiro: Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação. Assim, embora em sentença parcial, o Tribunal Arbitral decidiu que os contratos não eram inválidos, cumpriam sua função econômica e social, e não poderiam ser rescindidos por esta razão. Admitiu sua submissão ao art. 478 do Código Civil Brasileiro, mas condicionou a decisão acerca da onerosidade excessiva ali cogitada à análise pericial da matéria. Ainda, ao final da sentença final parcial, indeferiu todos os pleitos que têm com base os Artigos 884 e 885 do BCC, quais sejam: Art. 884. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários. Parágrafo único. Se o enriquecimento tiver por objeto coisa determinada, quem a recebeu é obrigado a restituíla, e, se a coisa não mais subsistir, a restituição se fará pelo valor do bem na época em que foi exigido. Art. 885. A restituição é devida, não só quando não tenha havido causa que justifique o enriquecimento, mas também se esta deixou de existir. Diante de todas estas considerações, por qualquer ângulo de análise, somente estas conclusões são possíveis: em 31/12/2005 o acordo entre as partes era válido; a Petrobrás estava obrigada a pagar as contribuições de contingência; a El Paso Rio Claro Ltda tinha o direito de recebêlas; e o pagamento se efetivou por ordem do Tribunal Arbitral. Quanto à devolução posterior do valor recebido, tratase de aspecto irrelevante para a decisão do litígio presente nestes autos, no qual se discute, apenas, o direito à compensação do saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2005. Vejase que para negar a definitividade da receita, a recorrente afirma a inexistência de obrigação contratual vigente e de direito de acréscimo patrimonial constituído em favor da Recorrente e a precariedade do recebimento desse montante, aspectos que não se verificaram enquanto vigentes as decisões arbitrais antes abordadas, as quais não desconstituíram o direito à percepção da contribuição de contingência contratualmente estabelecido em favor da El Paso Rio Claro Ltda. Impróprio, assim, falar em mera expectativa de direito ou pendência de condição. Houve acréscimo patrimonial e, o fato de este ser reversível por decisão ou acordo futuro apenas demanda providências do Direito e da Contabilidade com vistas ao reconhecimento deste efeito no período de apuração em que ele se verificar. Em 31/12/2005 não havia como prever qual solução seria dada ao litígio iniciado pela Petrobrás e a incidência do IRPJ e da CSLL se efetiva sobre a realidade presente naquele momento, alcançando as receitas decorrentes da contribuição de contingência devidas pela Petrobrás até aquele momento. O direito da El Paso Rio Claro Ltda à sua percepção revela a capacidade contributiva necessária para incidência dos tributos sobre o lucro. Fl. 3005DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 40 39 A recorrente reportase a julgados deste Conselho nos quais o mero registro contábil do ingresso dos montantes depositados em contas bancárias da Recorrente os quais foram retornados ao depositante, não é suficiente para qualificálos como receita. Contudo, tais depósitos somente não se caracterizariam como receita se ingressassem em conta bancária dissociados de um vínculo obrigacional entre o depositante e o beneficiário. Evidentemente créditos bancários correspondentes a adiantamentos ou mesmo a erros, corroborados pela posterior devolução ao depositante, não podem ser classificados como receitas. Mas esta, como visto, não é a situação presente nestes autos. Havia obrigação a ser adimplida pela Petrobrás, correspondente a um direito da recorrente que foi liquidado com os pagamentos realizados em razão da ordem arbitral. Inadmissíveis, assim, os lançamentos a débito, a título de estornos, nas contas contábeis “6.9.91.50.03 – VENDAS – ENERGIA ELÉTRICA – CAPACIDADE – Consórcio Macaé Merchant – Outras Receitas”, no valor de R$ 55.879.951,59 (fl. 1012), e “6.9.91.50.04 – VENDAS – ENERGIA ELÉTRICA – CAPACIDADE – Distribuição de Capacidade”, no valor de R$ 543.030.498,09 (fl. 1013), promovidos em 31/12/2005. A recorrente ainda aduz que não houve prejuízo ao Fisco, vez que se verificou a dedução da correspondente despesa pela outra contratante, e anexa os documentos que comprovam que a Petrobrás manteve tais valores em suas demonstrações como “Valores em litígio” (Doc. 02). Este aspecto, porém, em nada altera a incidência sobre o lucro auferido pela autuada. Apenas indica que a Petrobrás também errou ao deixar de reconhecer estas despesas, e eventualmente, além de favorecer seus investidores, promoveu recolhimento de tributos indevidamente. Invoca, também, o disposto no art. 269, §2o do RIR/99 como fundamento para o estorno que se prestou à adequação dos seus registros contábeis à realidade fática. Diz o referido artigo: Art. 269. A escrituração será completa, em idioma e moeda corrente nacionais, em forma mercantil, com individuação e clareza, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borraduras, rasuras, emendas e transportes para as margens (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 2º). § 1º É permitido o uso de código de números ou de abreviaturas, desde que estes constem de livro próprio, revestido das formalidades estabelecidas em lei (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 2º,§ 1º). § 2º Os erros cometidos serão corrigidos por meio de lançamento de estorno, transferência ou complementação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 2º, § 2º). (negrejouse) Como visto, não houve qualquer erro no reconhecimento das receitas segundo o regime de competência. A obrigação contratual da Petrobrás foi afirmada pelo Tribunal Arbitral e nenhum outro ato, judicial, arbitral ou extrajudicial, promoveu sua desconstituição até o encerramento do anocalendário 2005. Em verdade, os registros contábeis que se sobrepõem à realidade dos fatos são os estornos escriturados em 31/12/2005. Aliás, não é demais observar que se o entendimento da recorrente acerca da aplicação do art. 409 do RIR/99 tivesse sido, efetivamente, cogitado no momento na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, ele jamais ensejaria os estornos acima mencionados, e conseqüente redução do lucro contábil, mas apenas a exclusão dos supostos resultados diferidos para determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a teor do art. 407, §2o do RIR/99, antes transcrito. E, caso este seja um dos aspectos formais que a recorrente implicitamente diz não ter sido aventado pela autoridade fiscal ao questionar a aplicação daquele dispositivo, a abordagem até aqui apresentada revela a total desnecessidade desta acusação, na Fl. 3006DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 41 40 medida em que validamente afastada qualquer possibilidade de aplicação daquele dispositivo. De toda sorte, como a recorrente pretende justificar estes estornos em razão da retroação dos efeitos da rescisão contratual posteriormente verificada, embora em tese já se possa afirmar inadmissível esta interferência direta de fatos futuros na realidade presente no momento de ocorrência do fato gerador, cabe esclarecer em qual contexto estes fatos futuros se verificaram. A autoridade fiscal diz que em 01/02/2006, diante da possibilidade de uma sentença final com conseqüências imprevisíveis para as partes litigantes, elas firmaram um Memorando de Entendimento formalizando a proposta de venda para Petrobrás da totalidade das quotas representativas do capital social da El Paso Rio Claro Ltda (autuada) e da El Paso Rio Grande Ltda, no valor de US$ 357,5 milhões. Da tradução juramentada do referido documento, juntada às fls. 249/268, extraise: Este Memorando de Entendimento (este “ME”) estabelece nosso entendimento mútuo sobre a proposta de venda para a Petrobrás (a “Transação”), sujeita acordo final [...] de toda a participação societária da [...] (em conjunto, “El Paso”) na El Paso Rio Claro Ltda (“Rio Claro”) e na El Paso Rio Grande Ltda (“Rio Grande”); [...] [...] O preço de compra para a aquisição somente em dinheiro será de US$ 357.500.000,00 [...] [...] Na conclusão da Transação, as partes entregarão (e tomarão providências para que a Rio Claro entregue) uma instrução conjunta irrevogável para o Banco Itaú SA liberar a Petrobras de todos os fundos depositados pela Petrobrás junto ao Banco Itaú SA, como se segue e os juros que foram nele acumulados (os “Depósitos”): (i) em 11 de novembro de 2005, uma quantia equivalente a R$ 424.738.947,24 [...], e (ii) em 27 de janeiro de 2006, uma quantia equivalente a R$ 94.285.394,08 [...]. Em relação a isto, a Petrobrás, como beneficiária dos mesmos, irá liberar para o Banco Itaú SA ou El Paso as cartas de garantia fornecidas pelo Banco Itaú SA, na condição de avalista. A El Paso deve obter junto ao Banco Itaú SA a aprovação da forma da instrução irrevogável conjunta acima mencionada antes da conclusão da Transação. A conclusão da transação estará sujeita a uma série de condições, incluindo o seguinte: [...] (iii) as obrigações das Partes e de suas afiliadas nos termos do (a) Contrato de Formação de Consórcio datado de 20 de abril de 2001 entre a Rio Claro, a Rio Grande, a Cayger II e a Petrobrás, conforme alterações, (b) o Contrato Original de Participação entre as Partes ou suas afiliadas, [...], e (c) quaisquer documentos celebrados no âmbito de ou em conexão com o Contrato de Formação de Consórcio, [...] (em conjunto, os “Documentos de Transação”), são extintas e as Partes são liberadas de quaisquer obrigações em vigência a partir da data de conclusão da Transação; [...] (vi) na conclusão da Transação, todos os procedimentos pendentes de medida cautelar perante a justiça brasileira iniciados pela Petrobrás em 26 de janeiro de 2005 (“Procedimentos da Justiça Brasileira”) e todos os procedimentos de arbitragem pendentes da UNCITRAL/AAA entre a Petrobrás como demandante e a Rio Claro, Rio Grande e algumas de suas afiliadas como reclamados (“Procedimento de Arbitragem”) serão dispensados com prejuízo. Após a conclusão da Transação, cada uma das Partes, em seu próprio nome e de suas afiliadas, irá liberar a outra Parte e suas afiliadas de quaisquer reivindicações ou obrigações decorrentes do Projeto e nenhum dos Documentos da Transação (que terão a vigência rescindida a partir da conclusão da Transação) ou, de outro modo, Fl. 3007DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 42 41 originado por qualquer motivo, exceto em relação a violações de suas representações, garantias e acordos destes Contratos Definitivos que expressamente perdurarão após a conclusão. As partes reconhecem e concordam que os termos e condições acima não cobrem todos os assuntos que serão abordados nos Contratos Definitivos. [...] As Partes acordam, pelo presente e durante a vigência do presente Memorando de Entendimento, em suspender todos os Processos da Justiça Brasileira e todos os Processos de Arbitragem. As Partes concordam em submeter ao Tribunal Arbitral e ao Tribunal Brasileiro um pedido conjunto que nenhuma outra ação será tomada durante este período temporal em relação ao Procedimento de Arbitragem e aos Processos Judiciais Brasileiros respectivamente [...]. As Partes concordam que, com relação aos Procedimentos de Arbitragem e aos Procedimentos Judiciais Brasileiros, os prazos de prescrição aplicáveis e todas as defesas de qualquer natureza com base na oportunidade da ação devem ser suspensos, [...]. Não obstante qualquer disposição em contrário, as partes acordam que a concessão de medidas temporárias emitidas pelo Tribunal de Arbitragem em 05 de julho de 2005 e o desempenho das partes em conformidade com elas não serão suspensas. (negrejouse) Embora referido documento estabelecesse que as obrigações das partes seriam extintas a partir da data de conclusão da “Transação”, e expressamente negasse a suspensão da decisão arbitral de 05/07/2005 e do desempenho das partes em conformidade com ela, foi acordado que a autuada entregaria uma instrução conjunta irrevogável para o Banco Itaú S/A liberar a Petrobras de todos os fundos depositados pela Petrobrás junto ao Banco Itaú SA, citando expressamente os depósitos decorrentes da decisão arbitral de 05/07/2005. Ainda, firmouse que a Petrobrás, como beneficiária dos mesmos, iria liberar para o Banco Itaú SA ou El Paso as cartas de garantia fornecidas pelo Banco Itaú SA, na condição de avalista. Ocorre que a redação deste trecho do acordo não permite compreender o que foi estabelecido. Por que a Petrobrás seria liberada “de” todos os fundos depositados “pela” Petrobrás? Os “mesmos” do qual a Petrobrás seria beneficiária seriam os depósitos? Em caso positivo, por que a Petrobrás seria beneficiária deles? A tradução juramentada da instrução conjunta dirigida ao Banco Itaú BBA S/A (fls. 670/681) auxilia na compreensão do texto antes reproduzido. Consta ali que, como não poderia deixar de ser, foi firmado um Contrato de Prestação de Fiança entre a instituição financeira e El Paso Rio Claro Ltda, bem como há registro de Cessão de Certificado de Depósito pela El Paso Rio Claro Ltda ao Banco Itaú BBA S/A. Atendendo à instrução das empresas El Paso e Petrobrás, o banco não só cancelou e rescindiu as cartas de fiança, como também: 1) rescindiu os acordos de garantia firmados com a El Paso Rio Claro Ltda; 2) rescindiu procurações concedidas pela El Paso ao Itaú BBA; e 3) rescindiu e cancelou as notas promissórias relacionadas ao acordo de garantia. De outro lado, as empresas El Paso rescindiram e cancelaram as Cessões de Certificado de Depósito, estabelecendo a instrução, ao final, que: EPRC, Rio Grande, Cayger II, Petrobrás e Itaú BBA (com relação ao Itaú BBA, somente a respeito dos direitos do Itaú BBA e sujeito ao recebimento pelo Banco Itaú BBA – Agência Nassau de uma cópia assinada no Aviso, Liberação e Reconhecimento no modelo em anexo como Anexo A) concordam pelo presente que a EPRC está livre para dispor dos fundos em Depósitos a Prazos Fixos de nº. AGE 101893 e AGE 1 12533 (os “Depósitos a Prazo Fixo da EPRC”), sujeito aos custos de violação devidos à Itaú BBA, como desejar, inclusive o fato de que a EPRC poderá deixar tais recursos nos Depósitos a Prazo Fixo; sempre desde que nada nesta Liberação, Reconhecimento e Instrução conjunta liberará a EPRC de qualquer obrigação que possa ter Fl. 3008DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 43 42 perante a Petrobrás segundo o Acordo de Liquidação datado de [em branco] de 2006 celebrado entre a among EPRC, Rio Grande, Cayger III, El Paso Corporation e Petrobrás. O Itaú BBA reconhece pelo presente que os Depósitos a Prazo Fixo da EPRC não estão sujeitos a ônus ou limitação a favor do Itaú BBA que não as limitações aplicáveis em geral aos depósitos a prazo fixo no Itaú BBA ou instituições financeiras semelhantes. (negrejouse) Como se vê, a instrução foi no sentido de rescindir as garantias prestadas pelo Banco Itaú BBA S/A à Petrobrás, o que ensejou a rescisão ou cancelamento de outros contratos firmados entre o Itaú BBA e a El Paso Rio Claro Ltda para concessão daquela garantia. Observese que não houve instrução para liberação dos mencionados “depósitos a prazos fixos” junto à agência de Nassau, mas apenas o reconhecimento de que, em razão das demais rescisões e cancelamentos, eles estavam livres para disposição pela El Paso Rio Claro Ltda. Inferese, daí, que a El Paso Rio Claro Ltda, ao transferir os valores depositados pela Petrobrás para conta do Itaú BBA em Nassau – conforme consta do relatório – promoveu os mencionados “Depósitos a Prazo Fixo”, objeto das “Cessões de Certificado de Depósito” vinculadas ao Contrato de Prestação de Fiança firmado com o Banco Itaú BBA S/A, para que este emitisse as Cartas de Fiança antes mencionadas. Logo, a El Paso Rio Claro Ltda constituiu uma garantia em favor do Banco Itaú BBA S/A para que este emitisse as Cartas de Fiança, de modo que os efeitos da instrução enviada àquele banco não poderiam se limitar à rescisão das cartas de fiança, estabelecendo também a rescisão de todos os atos a ela vinculados e a liberação das correspondentes garantias. Aliás, esta sim pode ser a origem do registro contábil, pela El Paso Rio Claro Ltda, dos valores recebidos na conta n. 3.1.05.99.26 “Contas a Pagar – Outros – Arbitragem Petrobrás”, como mencionado pela recorrente. Diante deste contexto, e especialmente tendo em conta as demais disposições do Memorando de Entendimento antes citadas, seria possível afirmar que houve erro na sua redação ou tradução, pois ao invés de expressar que “as partes entregarão (e tomarão providências para que a Rio Claro entregue) uma instrução conjunta irrevogável para o Banco Itaú SA liberar a Petrobras de todos os fundos depositados pela Petrobrás junto ao Banco Itaú SA", o correto seria “liberar a Rio Claro de todos os fundos depositados pela Petrobrás junto ao Banco Itaú SA”. Na seqüência, na parte em que constou que “Em relação a isto, a Petrobrás, como beneficiária dos mesmos, irá liberar para o Banco Itaú SA ou El Paso as cartas de garantia fornecidas pelo Banco Itaú SA, na condição de avalista”, deveria estar expresso “a Petrobrás, como beneficiária das mesmas”, quais sejam, as fianças, e não os depósitos. Notase, porém, que a referida instrução conjunta está datada de 25/04/2006, e assim integrou o conjunto de documentos assinados na data de conclusão da operação de compra e venda de quotas (Acordo de Liquidação, Instrução Conjunta, Alteração do Contrato Social, Acordo Fiscal, etc), como observou a autoridade fiscal. E antes disso, em 11/03/2006, as partes celebraram contrato definitivo relativo à operação de compra e venda da totalidade das quotas representativas do capital social da El Paso Rio Claro Ltda e da El Paso Rio Grande Ltda. Da tradução juramentada que integra o Anexo II destes autos (digitalizado às fls. 1983/2496) destacamse os seguintes excertos: CONTRATO DE COMPRA DE QUOTAS com respeito às quotas na EL PASO RIO CLARO LTDA e na EL PASO RIO GRANDE LTDA. [...] 5. AÇÃO ATÉ A CONCLUSÃO 5.1 Obrigações positivas Fl. 3009DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 44 43 (a) Sujeito às restrições e limitações da Lei Aplicável, as Vendedoras certificarseão de que, a partir da data deste Contrato até a Conclusão ou a Data Limite de Finalização, o que ocorrer antes,: [...] (v) as Vendedoras solicitem ao Banco Itaú S.A. aprovação prévia do modelo de uma instrução conjunta irrevogável ao Banco Itaú S.A. para liberar o Depósito [de R$ 519.024.341,32 que foram depositados pela Compradora no Banco Itaú S.A. de acordo com a sentença provisória emitida com respeito aos Procedimentos de Arbitragem, juntamente com quaisquer juros acumulados sobre tal valor] para a Compradora (que será no formato acordado). [...] 6. CONCLUSÃO 6.1 Horário e local A Conclusão ocorrerá na(s) data(s) e da maneira disposta na cláusula 6.7 (Procedimentos da Conclusão) 6.2 Ações quando da Conclusão [...] (b) Quando da Conclusão, a Compradora entregará às Vendedoras: [...] (iii) após a liberação do Depósito, as Cartas de Garantia [Carta de Fiança nº 00406010500200 e a Carta de Fiança nº 00406010500300, ambas emitidas pelo Banco Itaú S.A.] , e pagará a Remuneração Fixa de acordo com a cláusula 6.7 (Procedimentos da Conclusão) [...] (c) As Partes, atuando em cooperação, certificarseão de que as seguintes coisas ocorram quando da Conclusão: (i) as obrigações das Partes ou de suas Afliadas sob (A) o Acordo de Formação de Consórcio datado de 20 de abril de 2001 entre a Empresa Alvo 1, a Empresa Alvo 2, a Cayger II e a Compradora, conforme alterado, (B) o APO [Acordo de Participação Original entre as Partes e algumas de suas Afiliadas datado de 20 de abril de 2002, conforme alterado, complementado e reformulado] e (C) quaisquer documentos firmados sob ou com respeito ao Acordo de Formação de Consórcio, conforme alterado e/ou o APO, conforme alterado, complementado e/ou reformulado (coletivamente, os “Documentos da Transação”) sejam extintos com vigência a partir de 1 de dezembro de 2004 e as Partes sejam liberadas de tais obrigações com vigência a partir de tal data, de acordo com o modelo apenso a este como Anexo 4 (Modelo de Contrato de Composição); (ii) a Compradora, as Empresas Alvo [El Paso Rio Claro Ltda (Alvo 1) e El Paso Rio Grande Ltda (Alvo 2)], a Cayger II e a El Paso Corporation (na medida em que forem parte dos processos pertinentes) fornecerão instruções conjuntas à justiça brasileira e ao tribunal arbitral de acordo com o contrato de composição, e cartas cujo formato está apenso a este como Anexo 4 (Modelo de Contrato de Composição) ou conforme de outra maneira acordada entre as Partes; (iii) entregarão e farão com que a Empresa Alvo 1 entregue uma instrução conjunta irrevogável ao Banco Itaú S.A., no formato aprovado pelo Banco Itaú S.A. de acordo com a cláusula 5.1 (a) (v) (Obrigações Positivas) para liberar o Depósito para a Compradora, e (iv) firmarão um acordo estipulando os respectivos direitos e obrigações relativos a certas questões Tributárias no formato do Anexo 8 (Modelo de Acordo Tributário). [...] ANEXO 4 Fl. 3010DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 45 44 FORMULÁRIO DO CONTRATO DE COMPOSIÇÃO [...] 4.1. Rescisão dos Contratos, Liberação de Fundos e Liberação das Reivindicações e Ações de Reparação (a) Rescisão do APAR. As Partes concordam e reconhecem que a plena assinatura deste Contrato de Composição servirá para rescindir o APAR. Tal rescisão será considerada válida em 1 de dezembro de 2004, com o reconhecimento expresso de que nenhuma quantia é devida para qualquer período anterior ou posterior àquela data. As Partes acordam ainda que tal rescisão não provocará quaisquer direitos adicionais, obrigações ou recursos de acordo com os termos de qualquer dos Contratos. (b) Rescisão do CFA. [idem anterior] (c) Liberação dos Fundos. Os fundos pagos pela Petrobrás totalizando R$ 519.024.341,20, mais os juros acumulados, para as Empresas Alvo e Cayger em 11 de novembro de 2005 e 27 de janeiro de 2006, atualmente mantidos pelo Banco Itaú, serão devolvidos para a Petrobrás. Isto ocorrerá conforme os procedimentos estabelecidos no QPA, especificamente as Seções 5.1 (a) (v) e 6.2 (c) (iii) [...] (APÊNDICE A) Instruções para o Tribunal [...] Temos a satisfação de informar ao Tribunal que, de conformidade com os artigos 840 – 850 do Código Civil Brasileiro, as Partes chegaram agora a um acordo sobre a completa e definitiva composição da supra referenciada arbitragem, e assinaram contratos para dar efeito ao mesmo. Este contrato servirá para rescindir o APAR e o CFA com validade na data de 1o de dezembro de 2004. [...] (APÊNDICE B) [...] SENTENÇA DE ANUÊNCIA ACORDADA [...] O Tribunal foi informado de que as partes da arbitragem em epígrafe chegaram a uma composição mutuamente aceitável a qual, de conformidade com os artigos 840 – 850 do Código Civil Brasileiro, soluciona todas as reivindicações sob controvérsia na arbitragem e rescinde o Contrato de Participação Aditado e Reafirmado e o Contrato de Formação de Consórcio (conforme aditado) com validade na data de 1o de dezembro de 2004 com expresso reconhecimento de que não são devidas quaisquer verbas por quaisquer períodos anteriores ou posteriores àquela data. Portanto, o Tribunal profere a seguinte sentença: [...] 4. Os recursos financeiros que foram depositados em caução pela Petrobrás em 11 de novembro de 2005 e em 27 de janeiro de 2006, em cumprimento da Sentença Arbitral Provisória e totalizando R$ 519.024.341,20 (...) mais os juros acrescidos se ordena que sejam restituídos para a Petrobrás. [...] (APÊNDICE C) Instruções para o Tribunal Brasileiro [...] EL PASO RIO CLARO LTDA., EL PASO RIO GRANDE LTDA., e PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. – PETROBRÁS nos autos da apelação cível nº 39103/2005, na qual figuram, reciprocamente, como apelantes e apeladas, vêm, por seus advogados abaixo Fl. 3011DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 46 45 assinados, informar a V. Exa. que as partes celebraram transação para por fim ao processo, nos termos dos arts. 840 e segs. do Código Civil, conforme acordo anexo. [...] 3. As partes postulam, assim, a homologação da transação, com a conseqüente extinção do processo, com julgamento do mérito, nos termos do art. 269, III do Código de Processo Civil. [...] Nos termos deste acordo, a Petrobrás e a antiga controladora da autuada estipularam não só a aquisição das quotas da autuada pela Petrobrás, mas também a rescisão do Consórcio Macaé Merchant com efeitos retroativos a 01/12/2004. As partes, portanto, alteraram a deliberação inicial, constante do Memorando de Entendimentos, que embora com redação obscura quanto ao destino dos depósitos promovidos junto ao Banco Itaú S/A, expressamente firmou a extinção das obrigações das partes a partir da data de conclusão da “Transação”, e negou a suspensão da decisão arbitral de 05/07/2005 e o desempenho das partes em conformidade com ela. Conseqüência deste novo acordo seria a devolução, ou restituição, à adquirente dos fundos pagos pela Petrobrás totalizando R$ 519.024.341,20, mais os juros acumulados, para as Empresas Alvo e Cayger em 11 de novembro de 2005 e 27 de janeiro de 2006, atualmente mantidos pelo Banco Itaú, nos termos do item 4.1 (c) do Anexo 4 (Formulário do Contrato de Composição) ao referido contrato. Releva destacar a falta de uniformidade conceitual na abordagem dos depósitos bancários promovidos pela Petrobrás. Nos itens 5.1 (v) e 6.2 (b) (iii) do Contrato, ao fixar as obrigações positivas e ações das Vendedoras, o contrato fala em “liberação” dos depósitos em favor da Compradora, inclusive como condição para devolução das Cartas de Fiança pela Compradora às Vendedoras. Mais à frente, ao fixar o modelo de Sentença de Anuência Acordada a ser apresentada ao Tribunal Arbitral, os valores são tratados como “depósitos em caução”, ordenandose a sua “restituição” à Petrobrás. Por fim, no Formulário do Contrato de Composição, os valores são tratados como “pagamentos”, sujeitos à “devolução” à Petrobrás. De toda sorte, o fato é que frente à instrução conjunta dirigida ao Banco Itaú BBA S/A, aquela entidade rescindiu as Cartas de Fiança antes mencionadas, bem como liberou a El Paso Rio Claro Ltda das garantias oferecidas para sua emissão, passando ela a estar livre para dispor dos fundos depositados junto à agência do Banco, em Nassau. Nenhum ato de liberação dos depósitos foi promovidos em favor da Petrobrás simplesmente porque os valores não se caracterizavam como caução, e sim pagamentos à El Paso Rio Claro Ltda. Assim, a devolução acordada entre as partes somente poderia decorrer de ato de disponibilidade da El Paso Rio Claro Ltda em favor da Petrobrás. Estas evidências reforçam a conclusão, já exteriorizada neste voto, de que os valores depositados pela Petrobrás junto ao Banco Itaú BBA S/A representaram efetivos pagamentos, dos quais a El Paso Rio Claro Ltda dispôs para promover depósitos a prazo fixo junto à agência do referido Banco em Nassau, cedendoos como garantia dos Contratos de Prestação de Fiança firmados entre a autuada e o Itaú BBA. De outro lado, confirmam a alegação da recorrente de que o Consórcio Macaé Merchant foi rescindido a partir de dezembro de 2004. E, quanto a este aspecto, a autoridade fiscal inicialmente anotou que a decisão de homologação pelo Tribunal Arbitral extinguiu as reclamações da Petrobrás sem julgamento do mérito, de modo que não há decisão arbitral que tenha reconhecido a invalidade da exigência das contribuições de contingência devidas pela Petrobrás ou que tenha declarado que não Fl. 3012DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 47 46 houve o auferimento dessas receitas por parte do contribuinte. Destacou, ainda, que as partes acordaram que a transação celebrada não pode ser interpretada, direta ou indiretamente, como confissão de responsabilidade. Mais à frente, tratando especificamente do Acordo de Liquidação, a autoridade fiscal apresentou vários questionamentos aos procedimentos adotados pela contribuinte, dentre eles quais as motivações das contratantes em promover um distrato retroativo frente à sentença final parcial que reconheceu a validade dos contratos em debate. Abordando os temas questionados, discordou da eficácia retroativa do distrato, com base em doutrina, e disse que a interpretação extensiva adotada pela contribuinte resultou em prejuízo à União, em que pese os arts. 843 e 844 do Código Civil determinem a interpretação restritiva da transação. Acrescentou que o reconhecimento de receitas é um dever legal e que os contribuintes não podem sobre ele dispor, voltando no tempo para deixar de apurar e pagar tributos devidos, desconstituindo relações jurídicas relativas a obrigações tributárias principais surgidas por meio da materialização de fatos geradores previstos em lei. Classificou a conduta da contribuinte de ilícita danosa. Observou também que seriam falsas as informações prestadas pela contribuinte, no sentido de que os depósitos promovidos pela Petrobrás seriam em garantia e não estariam relacionados com as receitas em debate. E afirmou que a interessada assim se manifestou com o propósito final de justificar os estornos de receitas, inclusive influenciando o texto da Sentença Consensual Arbitral, que tratou os valores, também, como depósitos em garantia. Aduziu que era desnecessária determinação de reembolso, na medida em que a Petrobrás, como controladora da contribuinte, possuía poderes para decidir sobre a destinação desses valores. Recordese, porém, que a sentença final parcial proferida pelo Tribunal Arbitral em 21/11/2005 não apreciou as alegações da Petrobrás acerca de onerosidade excessiva e vantagem extrema, reconheceu que o contrato enquadravase no âmbito do art. 478 do Código Civil Brasileiro e que os eventos que formavam a base do pleito da Petrobrás foram extraordinários e excessivos. Por sua vez, cabe novamente transcrever o que diz referido dispositivo: Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação. Diante deste contexto, o Tribunal Arbitral apenas não decidiu acerca da resolução do contrato porque necessitava de perícia para definir se a prestação de uma das partes se tornara excessivamente onerosa. Chegou até a reconhecer a ocorrência de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, mas postergou sua decisão, e possivelmente por esta razão também indeferiu os pleitos de restituição da Petrobrás, com base em enriquecimento sem causa, fundado nos arts. 884 e 885 do RIR/99. Logo, existia a possibilidade de a sentença final arbitral dar razão à Petrobrás, e declarar a resolução do contrato desde a data da citação, a qual poderia ser definida como um momento próximo ao início de 2005, quando a Petrobrás começou a questionar judicialmente os valores pagos. Sob esta ótica, é possível vislumbrar uma motivação para que as contratantes entrassem em acordo para por fim ao litígio, ainda que com prejuízo ao Grupo El Paso, até então beneficiado com as decisões proferidas pelo Tribunal Arbitral. A recorrente também aponta como motivação o fato de que a Petrobrás permanecia em disputa com outros consorciados para revisão contratual nos mesmos termos daquela pretendida em face do grupo El Paso. Reportase aos efeitos que outra Fl. 3013DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 48 47 decisão poderia ter em relação as demais lides instaladas para revisão de contratos de consórcio semelhantes. Estes fatos, porém, não estão provados nos autos. Ao contrário, as notícias veiculadas no sítio da Petrobrás na Internet (http://www.investidorpetrobras.com.br/pt/comunicadosefatosrelevantes) informam que em 24/03/2005 e 12/05/2005 a Petrobrás já havia fechado acordos para aquisição das outras duas termelétricas nas quais teria parceria semelhante àquela aqui em debate, quais sejam, MPX (Termoceará) e SEF (Eletrobolt), respectivamente. De toda sorte, não é possível negar os efeitos retroativos do distrato frente ao texto do art. 478 do Código Civil, que autoriza efeitos retroativos à sentença que defere o pedido de resolução do contrato. Certamente a regra aplicável aos efeitos do distrato é aquela expressa nas lições de Caio Mario da Silva Pereira, citadas pela autoridade lançadora: “O distrato produz efeitos normalmente ex nunc, isto é, a partir do momento em que se ajusta, não retroagindo para alcançar as conseqüências pretéritas, que são respeitadas” (in Instituições de direito civil, v. 3, 12.ed., Rio de Janeiro: Forense, 2007, p. 152). Todavia, há uma anormalidade no caso presente, qual seja, o litígio estabelecido entre as partes desde o início de 2005, acerca da onerosidade excessiva das prestações. Não tem razão a recorrente quando defende o legítimo direito das partes de transacionar sobre a rescisão do contrato, obrigandose e desobrigandose a qualquer tempo, porque há relações decorrentes e interesses de terceiros que podem ser afetados, além da possibilidade de estas definições se prestarem como veículo de fraude. Mas, no presente caso, há evidências suficientes de que a retroatividade estabelecida pelas partes está relacionada com o momento no qual a Petrobrás iniciou os questionamentos acerca da validade do acordo antes firmado. E, em tais condições, embora as partes não possam voltar no tempo para desfazer os efeitos dos atos praticados, elas podem revertêlos por meio de restituição dos valores pagos e cancelamento das receitas reconhecidas em período de apuração anterior. Como dito, havia uma realidade ao final do período de apuração do IRPJ e da CSLL em 31/12/2005, determinante da incidência destes tributos. Mas posteriormente, com a prática de um ato jurídico ao qual a lei permite efeitos retroativos, a escrituração da contribuinte deve refletir esta ocorrência, mediante registro do cancelamento das receitas antes escrituradas, em contrapartida à insubsistência ativa resultante da devolução dos depósitos bancários à Petrobrás. A obrigação tributária decorrente do fato gerador ocorrido em 31/12/2005 não é afetada pela rescisão. Mas os efeitos retroativos desta serão reconhecidos na data do acordo, repercutindo no lucro tributável daquele período, qual seja, o ano calendário 2006. Descabe o estorno das receitas em 31/12/2005 porque não havia erro naquele momento. Mas há alterações posteriores das relações jurídicas estabelecidas entre a Petrobrás e a autuada que devem ser reconhecidas contabilmente, na forma antes exposta. Registrese que é imprópria a alegação da recorrente de que não se verificaram os atos e fatos alegados para 2005, ante a suspensão em razão da pendência de solução definitiva da lide relativa à exigibilidade da contribuição de contingência. A abordagem antes exposta evidenciou que nenhum ato judicial ou arbitral suspendeu a eficácia do Consórcio Macaé Merchant. Ao contrário, as sentenças arbitrais reconheceram a validade do contrato e determinaram o pagamento dos valores em razão dele devidos. A recorrente opõese às objeções fiscais de que ela e a Petrobrás não teriam acordado sobre direito patrimonial, mas sim sobre o reconhecimento de receitas. E, neste ponto, tem razão a autuada, porque é inegável o propósito econômico, negocial e estratégico claros e evidentes para ambas as partes, àquela época Fl. 3014DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 49 48 independentes. O Fisco pode questionar o procedimento da contribuinte para reverter o reconhecimento das receitas vinculadas ao contrato rescindido, mas não oporse àquela deliberação com efeitos retroativos. Também não prospera a interpretação fiscal acerca dos arts. 843 e 844 do Código Civil, porque somente se poderia falar em prejuízo do Fisco se as partes não tivessem propósito negocial para promover a transação, como restou evidenciado. Não se trata, porém, de o Fisco ser um dos “terceiros” externos ao vínculo obrigacional como dito pela recorrente, mas sim de as partes terem promovido um negócio legítimo, com efeitos retroativos em razão do litígio que já vinha se desenrolando entre elas. Quanto à suposta ausência de decisão judicial autorizando o estorno de receitas, invocada pelas autoridades fiscal e julgadora para se oporem à pratica da recorrente, restou patente, pela abordagem inicial deste voto, que nada autorizava o estorno procedido pela recorrente em 31/12/2005. É certa, sim, a existência de uma decisão final homologatória de acordo no qual as partes (i) reconhecem a inexigibilidade de determinados valores e (ii) renunciam ao direito de litigar para perseguir seus direitos em relação a esses valores, a qual põe fim à questão com análise de mérito. Mas isto depois de encerrado o período de apuração do IRPJ e da CSLL referente ao anocalendário 2005. Apesar de elas corroborarem os efeitos retroativos da rescisão contratual de forma definitiva, seu reconhecimento somente seria possível em 2006. Desnecessário, portanto, debater se as sentenças homologatórias ensejaram a extinção dos processos cautelar e arbitral com julgamento do mérito. O vício que subsiste é a invocação dos efeitos retroativos de um acordo entre as partes para justificar uma exclusão contábil e fiscal em momento no qual este acordo ainda não existia. Logo, tem razão a contribuinte quando diz que, sendo inexigíveis, os valores recebidos não podem ser qualificados como receitas. Mas como a inexigibilidade, ou melhor, o acordo que determinou sua devolução, somente se verificou em 2006, é neste momento que os efeitos contábeis devem ser revertidos. De fato, tal situação é totalmente distinta do perdão de dívida mencionado na decisão recorrida, mas não há dúvida que houve um cancelamento de acordo, ou seja, uma venda cancelada, por meio de acordo entre as partes em 2006, jamais podendo justificar o estorno em 31/12/2005. A recorrente, ao final, nega a existência de fraude, em razão de todos os argumentos até aqui expostos, reputando necessária a análise dos atos praticados pela Recorrente em vista de sua motivação negocial e comercial que jamais poderia ter sido confundida com intuito de reduzir a carga tributária. E, de fato, não há duvida quanto à motivação negocial e comercial dos atos praticados fora do âmbito tributário. Houve um contrato de consórcio que se tornou oneroso para a Petrobrás, e as discussões acerca do pagamento das contribuições de contingência acabou ensejando um acordo com efeitos retroativos. Contudo, a recorrente alega que o estorno de receitas foi promovido em 10/02/2006, depois de firmado o Memorando de Entendimentos em 01.02.2006, ao passo que a autoridade fiscal provou os lançamentos promovidos com data de 31/12/2005. Como já extensamente exposto, a contribuinte reduziu o lucro líquido do ano calendário 2005, e ainda que assim tenha procedido depois do referido acordo, o fato é que afirmou contabilmente que as receitas deveriam ser estornadas em 31/12/2005, quando o acordo ainda não existia. Para justificar esta conduta, aduz que o reconhecimento destes valores havia sido diferido, e por esta razão afirma que cerne da questão relativa ao enquadramento da suposta fraude seria o tratamento conferido pela Recorrente ao depósito realizado pela Petrobrás em contabancária de sua titularidade, bastando a análise da Fl. 3015DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 50 49 característica conferida pela Recorrente ao depósito realizado pela Petrobrás em razão da decisão interlocutória no processo arbitral para evidenciar que a conduta por ela adotada se revela coerente com a sua interpretação do direito, inexistindo qualquer intuito de fraude. Como restou consolidado neste voto, não houve depósito em caução, e a única garantia efetivamente formalizada ao longo do litígio formado em torno das contribuições de contingência foi aquela prestada pela autuada para passar a dispor dos recursos financeiros decorrentes dos pagamentos efetivados pela Petrobrás. Além disso, não havia justificativa legal para o alegado diferimento dos resultados desta contratação, e sua conseqüente exclusão do lucro tributável, e quanto menos para o estorno contábil das receitas em 31/12/2005. Aduz a recorrente que caso outra interpretação venha a ser adotada quanto à natureza dos depósitos, o certo é que não há que se falar em fraude, mas erro de direito ou erro na interpretação da lei tributária. Diz que o fato de ser grande empresa, que atua em ramo de alta sofisticação comercial e financeira, como dito pela autoridade julgadora, somente reforça a conclusão naquele sentido. E assevera estar se tratando aqui de questão ímpar, única e de difícil compreensão, como inclusive reconhecido em outra passagem da decisão recorrida. Todavia, frente a todo o exposto, é possível concluir que não houve mero erro de direito, mas sim a intenção deliberada de não recolher os tributos que se tornaram devidos com os pagamentos promovidos pela Petrobrás em 2005. A recorrente pleiteou como medida de urgência, junto ao Tribunal Arbitral, o pagamento dos valores que lhe eram devidos pela Petrobrás, para poder fazer frente às demais dívidas que tinha a pagar. Obteve esta disponibilidade, mas teve que arcar não só com o ônus de prestar uma garantia para o caso de eventual restituição daqueles valores, como também com os efeitos de uma significativa base tributável pelo IRPJ e pela CSLL. Além disso, ao acordar a rescisão do contrato com efeitos retroativos, restou evidente que aquela base tributável em 31/12/2005 era transitória, e ensejaria uma redução do lucro contábil de magnitude equivalente em 2006, com conseqüente prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de demorada recuperação. Daí a solução mais prática e interessante para as partes: estornar as receitas em 31/12/2005 e deixar de pagar os tributos devidos naquele momento. E, além disso, apurar prejuízos fiscais e bases negativas em 31/12/2005, transformando as antecipações até ali verificadas em indébito passível de utilização imediata, e inclusive já partilhado entre os litigantes do acordo de venda das quotas da autuada para a Petrobrás, como bem observado pela autoridade fiscal. Ressaltese que não houve diferimento da renda, e que a redução da base tributável foi promovida mediante estorno contábil das receitas datado de 31/12/2005, muito embora o acordo com efeitos retroativos tenha sido assinado apenas em 2006. Impróprio, assim, limitar a questão à divergência jurídica quanto ao tratamento dado ao depósito realizado pela Petrobrás. E irrelevante o fato de a contribuinte ter atendido prontamente às intimações para apresentação de documentos relacionados ao depósito garantia, porque a fraude não depende da fabricação de documentos para apresentar aos agentes fiscais, bastando a intenção de deixar de recolher tributo para caracterizála. Ainda que nem todas as acusações fiscais prosperem, e seja inquestionável a eficácia retroativa do acordo firmado entre as partes então litigantes, a conduta de alterar a escrituração contábil em razão de evento futuro, de modo a evitar o pagamento de tributos sobre o resultado influenciado por receitas que se soube passíveis de reversão, é suficiente para sustentar a imputação de fraude. Fl. 3016DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 51 50 Por fim, anotese que a recorrente alega terem sido homologadas compensações com o saldo negativo de CSLL também apurado no anocalendário 2005, possivelmente em razão de o extrato de PER/DCOMP apresentadas pelo sujeito passivo, juntado à impugnação (fls. 3150/3151) assim indicar relativamente a algumas declarações apresentadas ao longo de 2008. A informação contida no rodapé do extrato indica que ele teria sido emitido em 01/09/2010, ao passo que o despacho decisório de não homologação das compensações com o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2005, proferido nos autos do processo administrativo nº 15374.964184/200911, foi exarado em 19/10/2011 e cientificado à contribuinte em 29/11/2011. Assim, ainda que inicialmente os sistemas informatizados da Receita Federal não tenham identificado indícios de erros na apuração do saldo negativo de CSLL informado nas DCOMP, e apontado as compensações como regulares, o procedimento fiscal realizado posteriormente validamente desfez os efeitos extintivos da compensação antes do prazo de 5 (cinco) anos previsto no art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Ressaltese, ainda, que a contribuinte não provou a existência de qualquer ato expresso de homologação daquelas compensações. Injustificável, portanto, a conduta da contribuinte de estornar as receitas efetivamente auferidas ao longo de 2005. A prática assim implementada resultou, sim, na omissão de receitas na apuração final do resultado tributável em 31/12/2005. Irrelevante se as receitas foram, inicialmente, escrituradas e até informadas no DACON, se ao final da apuração seus efeitos foram anulados. Ainda que a escrituração revele todos os atos praticados, o último deles, qual seja, o estorno, teve a clara intenção de não submeter a empresa fiscalizada ao desembolso devido em razão dos lucros apurados, tendo em conta os fatos posteriores que determinaram a restituição daquelas receitas à Petrobrás. De outro lado, porém, merece reparo a argumentação fiscal que negou efeitos à rescisão, com efeitos retroativos, do Consórcio Macaé Merchant. A recorrente tem, de fato, o direito de realizar seus negócios de forma livre, ou melhor, do modo mais apropriado ao seu anseio econômico e estratégico, apenas não tem o direito de manipular as bases tributáveis para adequálas a um melhor fluxo de caixa. E isto porque o art. 72 da Lei nº 4.502/64 caracteriza como fraude não só a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, como também aquela destinada a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Ao promover o estorno na apuração do anocalendário 2005, a contribuinte deixou de recolher naquele momento os tributos que seriam devidos, e ainda apurou crédito que utilizou em compensações de 2007 a 2008, usufruindo dos demais efeitos de sua conduta irregular. Irrelevante, assim, se durante o posterior procedimento fiscal todos os fatos estavam declarados e contabilizados e foram apresentados à Fiscalização. Impróprio, até, falar que o Fisco foi chamado a homologar os créditos de sua escrita fiscal, dado que a informação da apuração irregular em suas declarações ensejou, em uma apuração preliminar, a indicação de que a compensação estaria homologada, como antes exposto. Assim, somente em uma análise investigativa e manual foi possível identificar o indevido estorno inserido pela interessada em sua escrituração. Fl. 3017DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 52 51 Contudo, não se pode negar que ao assim proceder, a contribuinte pode ter recolhido parte dos tributos devidos em 2005 nos anoscalendário subseqüentes, antes de formalizada a presente exigência. Embora ela não alegue, nem prove a eventual ocorrência de postergação, o acolhimento parcial da acusação fiscal deixa patente que o objetivo da empresa foi evitar o imediato desembolso financeiro em razão da incidência tributária sobre as receitas que deveriam ser reconhecidas no anocalendário 2005, mas cujos efeitos seriam cancelados no anocalendário 2006, com sua restituição à Petrobrás. Ressaltese que não se trata, aqui, de acusação fiscal que deveria ter imputado ao autuado, apenas, os efeitos da postergação. Em tais condições, constatados os fatos e apurado equivocadamente o crédito tributário, a exigência deveria ser cancelada. Nestes autos, a autoridade fiscal fez a exigência segundo os contornos por ela delineados, em razão dos quais a rescisão do contrato com efeitos retroativos seria inadmissível. Afastada esta parte da acusação, cumpre reduzir a exigência aos valores que subsistem devidos, e que serão assim apurados pela autoridade preparadora, em liquidação deste julgado, a partir da verificação de eventual recolhimento a maior no anocalendário 2006, quando seria admissível o cancelamento das receitas computadas na base tributável do anocalendário 2005. Caso a apuração do anocalendário 2006 resulte em prejuízo fiscal e/ou base negativa de CSLL, os efeitos destes também devem ser aplicados mediante compensações até o limite legal na apuração dos anoscalendário 2007 a 2010, de modo a identificar a existência de outros recolhimentos a maior anteriores ao presente lançamento, os quais, somados aos eventualmente verificados no anocalendário 2006, prestarseão a reduzir os valores principais aqui lançados, atualizados pelos acréscimos moratórios devidos até a data dos recolhimentos a maior. E, na medida em que a falta de recolhimento resultante desta postergação revelase intencional, promovida mediante a conduta fraudulenta de inserir estornos de receita em 31/12/2005, embora deliberação neste sentido somente tivesse ocorrido ao longo do ano calendário 2006, correta se mostra a aplicação da multa qualificada, sujeita apenas à redução na mesma proporção do principal que se revelar indevido em razão dos efeitos da postergação. Inaplicável o art. 112 do CTN, porque a acusação fiscal erigiu validamente os fatos, e ao menos em relação a parte deles a conduta repreensível é inquestionável. Também porque esta conduta fraudulenta, além de postergar o recolhimento do IRPJ e da CSLL devidos ao final do anocalendário 2005, ensejou a apuração de inverídicos saldos negativos de IRPJ e de CSLL veiculados em DCOMP a partir de 18/01/2007, verificase a falsidade no conteúdo desta, que enseja a aplicação de multa de ofício no percentual de 150% sobre o valor total dos débitos compensados, na forma do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Esclareçase que a imposição desta penalidade não é afastada pela aplicação da multa proporcional aplicada sobre os tributos devidos no ajuste anual, na medida em que esta pune o sujeito passivo pela falta de recolhimento dos tributos devidos sobre a parcela positiva da apuração do resultado, ao passo que a compensação indevida resulta da parcela negativa da apuração do resultado que dá origem ao saldo negativo de IRPJ e CSLL posteriormente utilizados pelo sujeito passivo. Ambas são resultantes do indevido estorno de receitas, mas não incidem sobre a mesma situação fática, e sim sobre distintas parcelas desta. Somadas as bases imponíveis da multa por compensação indevida (saldos negativos de IRPJ e CSLL) aos tributos devidos no ajuste anual, estes submetidos à aplicação da multa Fl. 3018DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 53 52 proporcional, o resultado será a vantagem auferida pelo sujeito passivo, equivalente à aplicação das alíquotas do IRPJ e da CSLL sobre o estorno das receitas indevidamente promovido. Em outras palavras, a multa proporcional de 150% não incidiu sobre a parcela da infração consumida pelo prejuízo fiscal ou pela base de cálculo negativa de CSLL apurado pelo sujeito passivo em razão da infração aqui apontada. Por sua vez, estes ensejaram a apuração de recolhimentos indevidos ou maior, que integram o saldo negativo de IRPJ e CSLL, e é a compensação destes, como parcela complementar da infração, que se sujeita à multa isolada por compensação indevida. Os quadros abaixo demonstram como os efeitos da infração apurada são partilhados no momento inicial em que apurado direito creditório pelo sujeito passivo, e no momento posterior em que formalizado o lançamento: a) IRPJ: Valor da Infração: R$ 598.910.449,68 Lucro Apurado: R$ 452.831.307,16 Compensação (30%): (R$ 53.252.074,75) Prejuízo declarado: (R$ 146.079.142,52) Lucro Tributável: R$ 399.579.232,41 Antecipações: R$ 15.777.591,00 IRPJ Devido: R$ 99.270.808,10 Saldo Negativo: (R$ 15.777.591,00) Deduções: (R$ 15.777.591,00) Crédito Atualizado: R$ 20.034.001,12 IRPJ a Pagar: R$ 84.093.217,10 => Multa de 150%: R$ 30.051.001,68 => Multa de 150%: R$ 126.139.825,65 b) CSLL: Valor da Infração: R$ 598.910.449,68 Lucro Apurado: R$ 452.033.732,54 Compensação (30%): (R$ 53.252.074,75) BCN declarada: (R$ 146.876.717,14) Lucro Tributável: R$ 398.781.657,81 Antecipações: R$ 5.303.072,54 CSLL Devida: R$ 35.890.349,20 Saldo Negativo: (R$ 15.777.591,00) Deduções: (R$ 5.303.072,54) Crédito Atualizado: R$ 7.054.402,76 CSLL a Pagar: R$ 30.587.276,66 => Multa de 150%: R$ 10.581.604,14 => Multa de 150%: R$ 45.880.914,99 Notese que a apuração do IRPJ e da CSLL a pagar não tem por referência o valor total da infração, mas sim seu montante já reduzido pelo prejuízo ou base negativa originalmente apurados pelo sujeito passivo. Além disso, o IRPJ e a CSLL devidos são previamente reduzidos pelas deduções que formaram os saldos negativos indevidamente compensados. A impropriedade do argumento da recorrente resta clara quando se verifica que os tributos não recolhidos por conta da infração praticada não se limitaram às parcelas de R$ 84.093.217,10 e de R$ 30.587.276,66, acima demonstradas a título de IRPJ e CSLL. Também não foram recolhidos todos os outros tributos extintos por compensação mediante a apresentação de DCOMP que veicularam os créditos de saldo negativo nos valores atualizados de R$ 20.034.001,12 e R$ 7.054.402,76, acima indicados. Fl. 3019DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 54 53 Basta, também, perquirir qual seria a conduta da autoridade administrativa a partir do momento que se tornasse definitiva a acusação fiscal: limitarseia à exigência do IRPJ e CSLL acima indicados como a pagar? Certamente, não. Também seriam cobrados todos os débitos que deixaram de ser recolhidos em razão das compensações, até então com exigibilidade suspensa em razão do litígio formado nos autos dos processos administrativos nº 10725.900463/201031 e 15374.964184/200911. E, embora permitindo que esta cobrança se faça apenas com encargos moratórios, vez que declarados os débitos, o legislador não deixou impune a conduta de quem se vale de créditos falsamente declarados para retardar este recolhimento, mas sim imputoulhes a multa isolada aqui lançada, que em nada se confunde com a multa proporcional aplicada sobre o saldo devedor verificado no mesmo período de apuração. Logo, inexiste aqui cumulação de penalidades: não há aplicação de multa de 300% sobre a mesma base imponível, mas sim multas de 150% aplicadas sobre distintas parcelas da base imponível. Promovidos os ajustes em razão de eventual postergação de recolhimento dos débitos de IRPJ e CSLL a pagar acima indicados, a penalidade total devida representará, precisamente, 150% de todo o benefício financeiro experimentado pela contribuinte com a prática aqui reprimida. E, embora as DCOMP revelem o saldo negativo apurado na contabilidade do sujeito passivo, este foi determinado com a inserção de elementos falsos, e assim transposto para declarações de compensação – DCOMP apresentadas de 18/01/2007 a 28/08/2008. Por sua vez, em 22/01/2007 foi editada a Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, questionada pela recorrente: Art.18. O art. 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art.18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. [...] Logo, no momento em que formalizadas a maior parte das compensações, já se encontrava em vigor o dispositivo questionado pela recorrente. De toda sorte, desde a redação original da Lei nº 10.833/2003, a multa isolada sempre esteve prevista para os casos em que ficasse caracterizada a prática de infrações aos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64: · Redação original: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. · Redação alterada pela Lei nº 11.051/2004: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em Fl. 3020DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 1101000.940 S1C1T1 Fl. 55 54 razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] Por certo a penalidade tem por base de cálculo o valor dos débitos indevidamente compensados. Mas isto não significa que sua incidência decorra de falsidade na apuração destes débitos. A fraude, em regra, é evidenciada na informação de créditos falsos, com vistas, justamente, a postergar a cobrança de débitos verdadeiros, afinal nenhuma utilidade teria este proceder se débitos falsos fossem informados para extinção. Em outras palavras, ao cogitar da prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 como motivo para imposição da multa isolada qualificada em casos de não homologação de compensação, o legislador necessariamente cogitou da informação de créditos falsos que evitassem ou diferissem o pagamento dos tributos compensados. Inexiste, pois, aplicação retroativa de norma penal. As condutas praticadas a partir de 18/01/2007, insistindo na existência de um crédito apurado com a inserção de informações falsas na contabilidade no anocalendário 2005, sempre estiveram sujeitas à penalidade, quer se tenha em conta o momento da entrega das DCOMP ou da apuração dos saldos negativos. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de REJEITAR a argüição de decadência e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reduzir as exigências de IRPJ e CSLL em razão de eventuais recolhimentos postergados nos períodos de apuração anteriores à formalização do lançamento. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 3021DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10675.002100/2006-95
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL/UTILIZAÇÃO LIMITADA. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO.
Tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material.
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17-O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 13/09/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
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ÁREA DE RESERVA LEGAL/UTILIZAÇÃO LIMITADA. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 21 00 /2 00 6- 95 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 13/09/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório ANTÔNIO DE VASCONCELOS, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 17/08/2006 (AR fl. 103), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2002, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Douradinho”, localizado no município de Uberlândia/MG, inscrita na RFB sob nº 24579807, conforme peça inaugural do feito, às fls. 96/101, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2a Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 03 22.776/2007, às fls. 273/284, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Turma Ordinária da 1a Câmara, em 13/05/2010, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 2102 00.606, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 AREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DA AREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA AREA DE RESERVA LEGAL DA AREA TRIBUTÁVEL PELO ITR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES Processo nº 10675.002100/200695 Acórdão n.º 9202002.913 CSRFT2 Fl. 374 3 lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que lad laudo técnico corroborando a existência da reserva legal. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa de oficio e juros de mora sobre diferenças do imposto lançados de oficio. Recurso Voluntário Provido em Parte” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 337/349, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos/CARF a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 30239.244, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Sustenta que o entendimento inscrito no Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, uma vez impor que a comprovação da existência da área de reserva legal/utilização limitada, para fins de não incidência do ITR, depende da requisição atempada do ADA, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida. Alega, igualmente, que o Acórdão guerreado malferiu os dispositivos legais que regulam a matéria, especialmente os preceitos contidos nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, quanto à requisição tempestiva do ADA. Em defesa de sua pretensão, assevera que a exigência encimada foi expressamente inserida no art. 10, § 4º, inciso I, da IN/SRF nº 43/1997, (que disciplinou a Lei 9.363/96), com redação do art. 1º, inciso II, da IN/SRF nº 67/1997. Contrapõese ao entendimento da Turma recorrida, aduzindo para tanto que as áreas de reserva legal são aquelas definidas pelo Código Florestal em seu artigo 16 e que, Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES 4 para serem consideradas como tal não bastam apenas “existir” no mundo fático, mas devem “existir” também no mundo jurídico quando reconhecidas pelo IBAMA a partir da requisição do ADA, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Lei nº 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Defende que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de reserva legal/utilização limitada está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. No presente caso, tratandose do exercício de 2002, com mais razão a exigência do Ato Declaratório Ambiental, ou mesmo a protocolização tempestiva de seu requerimento, se faz presente, sobretudo após a alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente à protocolização do requerimento do ADA, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da mesma matéria, conforme Despacho n° 210000.319/2011, às fl. 362/363. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte não apresentou suas contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a jurisprudência administrativa traduzida no decisum paradigma (Acórdão nº 302 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES Processo nº 10675.002100/200695 Acórdão n.º 9202002.913 CSRFT2 Fl. 375 5 39.244) trazido à colação, bem como a legislação de regência, uma vez ter afastado a glosa procedida pela fiscalização deixando de considerar a ausência de comprovação do protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisório guerreado. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência do requerimento tempestivo do ADA para fins da benesse isentiva, a Turma recorrida malferiu as normas insertas nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, mormente tratandose do exercício de 2001, posteriormente ao advento da alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade do requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental – ADA quanto à área de reserva legal/utilização limitada, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES 6 [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, não é, em si, exclusiva condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente e reserva legal. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação estabeleça, para os exercícios posteriores a 2000, em face da ausência do ADA, o reconhecimento da inexistência das áreas de reserva legal decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, o mero requerimento do ADA, não se perfaz no único meio de se comprovar a existência ou não daquelas áreas. Assim, realizado o lançamento de ITR com base em glosa de área de reserva legal, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não requisição tempestiva do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à aludida área, como se constata nestes autos. Registrese, que a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, oferece proteção ao entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de reserva legal, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admitilas para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim ementados: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES Processo nº 10675.002100/200695 Acórdão n.º 9202002.913 CSRFT2 Fl. 376 7 ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tãosomente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.000112067/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.16667/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17O da Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região AMS 2005.36.00.0087250/MT eDJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e consequente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas.” (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES 8 Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Entrementes, afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, acima explicitado, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal. Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou a Súmula n° 41, contemplando o tema e rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda nos presentes autos, senão vejamos: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” No entanto, a jurisprudência deste Colegiado vem firmando o entendimento de que, após a alteração introduzida pela Lei n° 10.165/2000, em que pese à legislação de regência impor a existência do ADA, para fins de fruição do benefício fiscal em comento, em momento algum se reportou ao prazo para tanto. Neste sentido, vários são os julgados que vem acolhendo a pretensão do contribuinte, reconhecendo a isenção de tais áreas, ainda que apresentado ADA intempestivo, como se vislumbra na hipótese dos autos. A corroborar este entendimento, ressaltase que a Instrução Normativa SRF n° 659, de 11/07/2006, não faz qualquer referência a prazo para requisição do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, somente exigindo a apresentação de referido documento, ao contrário do estipulado nas Instruções Normativas SRF nºs 43/1997 e 67/1997, as quais prescreviam o prazo de 06 (Seis) meses, contados da data da entrega da DITR, para protocolização do requerimento do ADA. Assim, inobstante Instruções Normativas não vincularem este Órgão, tratandose de legislação mais recente impõese a sua observância, inclusive para fatos geradores pretéritos, com arrimo no artigo 106 do Códex Tributário, reforçando a tese em favor do contribuinte, que apresentou ADA, às fls. 50, contemplando a área objeto da demanda, ainda que intempestivamente protocolizado, datado de 01/09/2003 (anterior ao início da ação fiscal). Por sua vez, in casu, o que torna ainda mais digno de realce, é que a contribuinte trouxe à baila documentos comprobatórios de sua existência, dando conta inclusive que a área de reserva legal fora devidamente averbada à margem da matrícula do imóvel, em 24/04/1989, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, como a própria autoridade julgadora de primeira instância reconheceu em sua decisão, às fls. 276, nos seguintes termos: “[...] Fl. 8DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES Processo nº 10675.002100/200695 Acórdão n.º 9202002.913 CSRFT2 Fl. 377 9 De fato, apesar de o requerente ter comprovado nos autos a averbação tempestiva da uma área de utilização limitada/reserva legal de 910,05 ha em 24/04/1989, conforme atesta o Acórdão n" 0321.462, de 06 de julho de 2007, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasilia — DF, confirmouse o não cumprimento da segunda exigência: de que as áreas ambientais do imóvel fossem reconhecidas como de interesse ambiental, por meio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo 1BAMA/órgão conveniado, ou que, ao menos, tivessem o protocolo de seu requerimento tempestivo. [...]” (grifamos) Nesse sentido, o certo é que a Averbação tempestiva da Área de Reserva Legal/Utilização Limitada apresentada pela contribuinte se presta a comprovar a existência de aludida área, rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda Nacional, mormente em homenagem ao princípio da verdade material, na linha do que restou assentado no Acórdão recorrido. Partindo dessas premissas, tratandose de área de reserva legal/utilização limitada, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea trazida à colação pelo contribuinte, ainda que apresentado o ADA intempestivamente, impõese o restabelecimento de referida área, glosada pela fiscalização, para efeito da fruição da isenção em comento, sob pena se fazer prevalecer o formalismo em detrimento do princípio da verdade material. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 2ª Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 9DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES 10 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES
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Numero do processo: 10855.903871/2010-60
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
O crédito pleiteado deve ser analisado à luz de elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. A documentação juntada ao Recurso Voluntário deve ser analisada pela origem a fim de determinar a disponibilidade ou não do direito creditório, permitindo a homologação até o limite de crédito que estiver disponível.
Numero da decisão: 1802-001.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para devolver os autos à DRF de origem.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O crédito pleiteado deve ser analisado à luz de elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. A documentação juntada ao Recurso Voluntário deve ser analisada pela origem a fim de determinar a disponibilidade ou não do direito creditório, permitindo a homologação até o limite de crédito que estiver disponível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para devolver os autos à DRF de origem. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 38 71 /2 01 0- 60 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.903871/201060 Acórdão n.º 1802001.835 S1TE02 Fl. 226 3 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, cujo crédito está em suposto recolhimento a maior de IRPJ Estimativa do período de apuração relativo a 06/2005 de empresa incorporada e cujo débito é de CSLL Estimativa relativo ao período de apuração de 03/2007. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente recurso voluntário, adoto o relatório proferido pela 5a Turma da DRJ/RPO, através do Acórdão n° 14 35.845, constante às efls. 100/101: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito do tipo “pagamento indevido ou a maior” de IRPJestimativa mensal (código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 06/2005. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado “por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contendo alegações nos termos seguintes: que “no ano base de 2005, a empresa incorporada (CNPJ N° 03.334.055/000126) recolheu a importância deR$ 1.386.499,77 (Hum milhão, trezentos e oitenta e seis mil, quatrocentos e noventa e nove reais e setenta e sete centavos) como estimativa mensal da IRPJ, conforme cópias dos DARF's PER/DCOMP's e IR retido na fonte, que ora se junta e demonstra abaixo. Ocorre que ao apurar o valor final devido nesse período constatou que seu saldo credor era de R$ 1.346.330,35 (Hum milhão, trezentos e quarenta e seis mil, trezentos e trinta reais e trinta e cinco centavos ) resultando o recolhimento a maior de R$ 40.169,39 (Quarenta mil, cento e sessenta e nove reais e trinta e nove centavos).”; que “no preenchimento da DIPJ (coluna B do demonstrativo acima), julgando estar correta, a RECORRENTE imputou somente os valores que deveriam ser os recolhimentos devidos, não computando os valores indevidamente recolhidos a maior”; que “caso a RECORRENTE é detentora de saldo credor no valor de R$40.169,39, que é a diferença entre o valor recolhido Fl. 227DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 R$ 1.386.499,74 e o valor correto de R$ 1.346.330,35 estando correta a conclusão de que o crédito é inexistente”; que “ocorreu um equívoco na forma de apresentação dos créditos, o que resultou na não homologação da compensação efetuada no PER/DCOMP 02685.74313.300407.1.3.040438”. Ao final requer reforma do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da peça impugnatória, conforme sintetiza a seguinte ementa (efls. 99): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. ANTECIPAÇÃO. Os recolhimentos de IRPJ por estimativa são meras antecipações, não sendo passíveis de restituição, a não ser após a apuração de saldo negativo ao final do anocalendário. DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada do Acórdão em 10/01/2012 (efls 112) mostrouse irresignada, pelo que apresentou recurso voluntário em 09/02/2012, suscitando em apertada síntese que: a) a colação de provas no momento recursal é valida à luz do princípio da verdade material, sobretudo quando atrelada a uma decisão que vincula essa necessidade e; Fl. 228DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.903871/201060 Acórdão n.º 1802001.835 S1TE02 Fl. 227 5 b) o crédito pleiteado, seja considerado como pagamento a maior ou saldo negativo está devidamente comprovado pela documentação acostada. É o relato do essencial. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele, tomo conhecimento. Como se extrai do relatório, discutese nos presentes autos sobre a existência de um crédito tributário passível de compensação, na condição de pagamento a maior/saldo negativo, de empresa incorporada à recorrente (ZF LEMFORDER DO BRASIL LTDA.). Preliminarmente, a recorrente pede que sejam analisadas as provas acostadas à peça recursal, em apreço à verdade material. Ora, em que pese o art. 16 do Decreto n° 70.235/72 determinar a apresentação da prova no momento da impugnação (correspondente momento da Manifestação de Inconformidade), está claro na exposição do Acórdão atacado que tais documentos são necessários neste momento para a comprovação do crédito, motivo pelo qual devem ser aceitos e analisados. Já no que tange à compensação (mérito), o Código Tributário Nacional – Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – condiciona a hipótese de compensação, à existência de créditos líquidos e certos, senão vejamos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. [...] À luz desse dispositivo, fica evidente que o contribuinte que apresenta um pedido de compensação deve demonstrar de plano a existência desse crédito. Neste sentido, as obrigações acessórias devem refletir seu pedido, de forma a consolidar sua existência e permitir a homologação da compensação. O presente caso remete ao suposto recolhimento a maior da estimativa de IRPJ do período de 06/2005 da Incorporada, pela apresentação da Declaração de Compensação de n° 02685.74313.300407.1.3.040438. A turma julgadora a quo selou entendimento no sentido de que as estimativas recolhidas têm cunho antecipatório, o que caracterizaria uma “flagrante impropriedade”, e portanto, “não se concebe extinção de obrigação tributária que ainda não existe, vez que o átimo do fato imponível do imposto de renda dáse em 31 de dezembro do anobase” e por isso, julgou incabível seu pleito na modalidade de pagamento a maior. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.903871/201060 Acórdão n.º 1802001.835 S1TE02 Fl. 228 7 Ora, em que pese a natureza antecipatória do recolhimento da estimativa, não há óbice ao pleito na modalidade de pagamento indevido ou a maior quando resta demonstrada por meio de documentação idônea sua existência, não podendo seu direito ao crédito ser negado por este motivo. Neste sentido, este Conselho já pacificou o entendimento através de Súmula: Súmula CARF n° 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Sob a ótica da recorrente, denotase imprecisão no seu recurso voluntário, quando em relação à origem do crédito, colocase o seguinte: 20. Para aqueles que entendem que se trata de pagamento indevido ou a maior, seguem os fundamentos que garantem o direito à restituição: [...] 21. Para aqueles que entendem que se trata de saldo negativo, o artigo 2° da Lei n° 9.430/96, complementado pelo artigo 230 do Regulamento do IR/99, garante a compensação do saldo negativo, seja em virtude da natureza da sistemática de recolhimento, seja em relação ao disposto no artigo 11 da IN n° 900/2008. Vejamos os textos legais abaixo transcritos: [...] (Grifouse) Como se observa, não há determinação se o crédito supostamente existente é decorrente de pagamento a maior da estimativa, ou se ele é decorrente de um saldo negativo do período. Dos documentos juntados que guardam relação ao pleito, consta às efls 23/27 páginas da DIPJ que demonstram a existência de um saldo negativo no anocalendário de 2005 no montante de R$ 1.326.188,92 para a Incorporada. Tal constatação é um indício da existência de saldo negativo, hipótese que daria direito à recorrente ao indébito nesse montante. A DCTF relativa ao período constam somente os recibos às efls 55/64, contudo, sem o seu inteiro teor, além do que, são retificadoras e entregues depois da entrega da referida declaração de compensação. Assim, ainda que hajam indícios de que o saldo negativo é existente, carecem questões de direito a serem analisadas, como o ato de incorporação com a determinação da transferência dos saldos existentes à empresa incorporadora e a legitimidade do crédito à luz os elementos colacionados aos autos pelo Recurso Voluntário. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Cabe registrar que o fato de a recorrente ter indicado na Declaração de Compensação o recolhimento de estimativa como origem do crédito, e não o saldo negativo do período, não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo e em um determinado período de apuração. Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam meras antecipações do devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Deste modo, evidenciase que a recorrente efetuou antecipações, na forma de recolhimento de estimativas, em montante superior ao valor do tributo devido ao final do período e esse excedente deve configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Este colegiado normalmente desconsidera o erro formal no caso do contribuinte indicar nos PER/DCOMP recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. No que tange à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pela recorrente, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação Fl. 232DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.903871/201060 Acórdão n.º 1802001.835 S1TE02 Fl. 229 9 aos quais a recorrente, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. É este o caso. Contudo, devido a não determinação pela origem da validade das provas juntadas neste recurso, bem como, da possível necessidade de outros elementos para sua configuração, é de se encaminhar os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Sorocaba/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela recorrente e de outros que se entenda necessários apure, seu direito ao crédito e homologue a compensação até o limite da disponibilidade do crédito. Portanto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso interposto, determinando a remessa dos autos à origem (DRF de Sorocaba/SP). É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 233DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13984.900115/2008-87
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2003
CANCELAMENTO PER/COMP.
A desistência do Per/DComp pode ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa Per/DComp ou, na hipótese de utilização de formulário, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento
SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. PAGAMENTO A MAIOR.
A pessoa jurídica excluída do Simples sujeita-se a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, ocasião em que o pagamento a título de Simples pode ser considerado indevido para fins de compensação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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A desistência do Per/DComp pode ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa Per/DComp ou, na hipótese de utilização de formulário, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. PAGAMENTO A MAIOR. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitase a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, ocasião em que o pagamento a título de Simples pode ser considerado indevido para fins de compensação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 01 15 /2 00 8- 87 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13984.900115/200887 Acórdão n.º 1801001.743 S1TE01 Fl. 60 2 Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 08368.28397.210104.1.3.045505 em 21.01.2004, fls. 1117, utilizandose do pagamento a maior de Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) no valor original de R$3.364,99 efetuado em 11.11.2002 para compensação com débitos de PIS e de Cofins. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 05, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido. Restou esclarecido que Limite do credito analisado, correspondente ao valor do credito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 3.364,99. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitado de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 05.05.2008, fl. 18, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 04.06.2008, fls. 0214, com os argumentos a seguir transcritos. 2. Ocorre que o CONTRIBUINTE apresentou a citada PER/DCOMP de n° 08368.28397.210104.1.3.045505, indevidamente, uma vez que este optou pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, SIMPLES, bem como quitou o respectivo DARF do PA 01/10/2002 hora em questão, através do Banco Caixa Econômica Federal no valor de R$3.364,99 [...], inexistindo desta forma valores a serem compensados bem como motivo para apresentação do referido PER/DCOMP, solicitando Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13984.900115/200887 Acórdão n.º 1801001.743 S1TE01 Fl. 61 3 compensação, uma vez que os tributos que ali se pedia compensação, não eram devidos, haja vista, reiteramos a opção pelo SIMPLES pelo CONTRIBUINTE. 3. Sendo assim, vimos informar e pedir o cancelamento da citada PER/DCOMP, bem como seja desconsiderada a DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO apresentada, por tratarse apenas um engano fortuito, sem qualquer objetivo de ludibriar o fisco, sendo este perfeitamente justificado frente ao grande número de obrigações acessórias que os contribuintes de maneira geral, tem para cumprimento com o Fisco. 4. Nesta linha temos o comentário do doutrinador Helio Apoliano, que nos apresenta um ótimo exemplo, que se encaixa perfeitamente no caso presente, nos seguintes termos: "...A luz dos princípios citados, é licito afirmarse que, no exemplo de ocorrência de declaração efetuada de forma incorreta, esta não equivale • ausência de informação, mesmo restando incontroverso, quando o contribuinte esquece de discriminar os pagamentos efetuados, sem, contudo, deixar de declarar as despesas efetuadas com os aludidos pagamentos...." 5. A citação do Nobre Doutrinador, aplicase integralmente no caso presente com o CONTRIBUINTE. O erro não impede que seja reconhecido o direito. É nestes casos que devem ser aplicados os princípios de razoabilidade e de proporcionalidade. Deverá a Administração Pública se ater aos princípios que norteiam o direito tributário e administrativo, neste caso, deverá se ater aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e legalidade. A atuação da Administração Pública deve seguir os parâmetros insculpidos nestes princípios, que censuram o ato administrativo que não guarde uma proporção adequada entre os meios que emprega e o fim que a lei almeja alcançar, ainda mais, quando no caso presente que fica evidente o não prejuízo ao Fisco, ou o descumprimento de qualquer norma por parte do CONTRIBUINTE, que pudesse impor redução tributária indevida ou qualquer encargo ao Estado. 6. Verificandose pontualmente o caso, veremos que o único prejudicado pelo erro formal cometido foi o próprio CONTRIBUINTE, que esta sofrendo as conseqüências, inclusive que o leva a firmar estas razões. Nenhum terceiro está sendo prejudicado e muito menos a União, pois o débito ora cobrado foi devidamente quitado, com exceção de um equivoco da apresentação da PER/DCOMP. Conclui Ex positis, invocando os suplementos jurídicos sábios e justos do Eminente Julgador, requer seja conhecido e provido a presente Manifestação de Inconformidade [...], com o conseqüente cancelamento da PER/DCOMP apresentada, bem como o reconhecimento do regular recolhimento do SIMPLES, relativo à competência 10/2002, nos termos das razões e documentos apresentados. Nesses Termos. Pede Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/FNS/SC nº 0725.947, de 16.09.2011, fls. 2931: “Manifestação de Inconformidade Improcedente. Consta no Voto condutor Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13984.900115/200887 Acórdão n.º 1801001.743 S1TE01 Fl. 62 4 Ante o exposto, considerando que o pedido de desistência da compensação foi formulado após a data de ciência da decisão administrativa que não a homologou, de se indeferir o requerimento da contribuinte. Uma vez indeferido o pedido de cancelamento da DComp, cumpre analisar o motivo apresentado para não homologar a compensação pleiteada, principalmente em face da alegação da contribuinte de que, no período a que se referem os débitos incluídos na DComp, era optante pelo Simples. Em análise is informações cadastrais da contribuinte, verificase que ela foi excluída do Simples Federal a partir de 1º de janeiro de 2002 [processo nº 13984.001555/200345]. Diante dessa situação, a princípio, seriam insubsistentes os débitos com código do Simples Federal relativos a períodos posteriores à data de início dos efeitos da exclusão do regime simplificado, conforme essa Turma de Julgamento tem reiteradamente se manifestado. Com isso, inexistiria a utilização do pagamento apresentada no Despacho Decisório como motivo para não reconhecer o direito creditório da contribuinte. No entanto, conforme evidenciam os Acórdãos juntados ao presente processo, contra a exclusão do Simples Federal a contribuinte se insurgiu, levando a matéria, inclusive, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda Carf, o qual manteve a exclusão em Acórdão proferido em março de 2009. No presente caso, notase que a Dcomp foi apresentada em data na qual a manifestação contra a exclusão do Simples se encontrava pendente, até mesmo, de decisão de primeira instância, que só veio a correr em agosto de 2007. Ou seja, até março de 2009 (quando o Carf proferiu sua decisão), encontrava se pendente de decisão a exclusão do Simples Federal, razão pela qual, à data de apresentação da DComp em exame [...], a contribuinte não poderia utilizar os pagamentos como se indevidos fossem e, por consequência, mostrase correto o Despacho Decisório quando não reconhece o direito credit6rio e não homologa a compensação pleiteada. Além disso, considerando que o ato de exclusão do Simples, como visto, foi mantido após ter sido apreciado pelas duas instâncias do contencioso administrativo, os débitos declarados na DComp estão de acordo com o regime tributário aplicável à pessoa jurídica no período em questão, fato que revela a coerência da decisão de admitilos com os efeitos próprios de confissão de divida, nos termos do § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, incluído pela Lei nº 10.833, de 2003. Portanto, considerando que a DComp não pode ser cancelada, e que a conclusão do Despacho Decisório mostrase correta, deve ser declarada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Notificada em 08.11.2011, fl. 35, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 05.11.2011, fls. 3739, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Suscita O fato que simplifica esta situação é que a Recorrente, ao contrário do informado no julgamento de primeiro grau, jamais foi excluída do SIMPLES, ou seja, jamais esteve sob o regime tributário do lucro presumido e, portanto, inexistiriam os débitos lançados na DComp que se pede o cancelamento e, por conseguinte, dos débitos ali informados, pois, reiterase frente a Recorrente jamais Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13984.900115/200887 Acórdão n.º 1801001.743 S1TE01 Fl. 63 5 ter sido excluída do SIMPLES os débitos ali informados (calculados sob a forma do lucro presumido), jamais foram devidos. Para contestar a alegação do Fisco sobre a exclusão do SIMPLES da Recorrente juntamos a presente cópia da "COMUNICAÇÃO NURAC/DRF/LAG N° 131/2009" expedida dentro do processo n° 13984.001706/200870, que em sua ementa assim informa: "Assunto: SIMPLES NACIONAL EMENTA: CONTESTAÇÃO À EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES NACIONAL, ERRO DE FATO. REVISÃO DE OFÍCIO. Tendo sido efetuada com erro de fato, revisase de ofício a exclusão do contribuinte do Simples Nacional. Solicitação Deferida" Por esta decisão, definitiva conforme verificada na ementa e relatório do citado processo, a RECORRENTE JAMAIS ESTEVE EXCLUÍDA DO SIMPLES e, portanto, não há que se falar em débitos a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS dos períodos de apuração compreendidos nos anos de 2002 e 2003 e, por conseguinte, as DComp's que buscavam compensação destes débitos perdem seu valor e necessidade frente a que: Os débitos pagos a título de SIMPLES nos anos de 2002 e 2003, frente manutenção da RECORRENTE neste sistema tributário são válidos, foram considerados pela Receita Federal e quitaram as obrigações este período; A RECORRENTE não era optante pelo lucro presumido nos anos de 2002 e 2003 (ou em outro período qualquer) e, portanto, não são devidos quaisquer débitos a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS deste período. Conclusão À vista de todo o exposto, vimos requerer a reforma da decisão proferida no presente processo, para determinar a improcedência dos termos e inexigibilidade dos valores firmados no presente processo, nos termos e condições definidos nestas razões recursais, bem como em todos os documentos juntados na instrução processual. Requerse ainda que sejam apensados todos os documentos e demais itens [desse processo], especialmente aqueles juntados pelo Recorrente, quando da apresentação de sua defesa em 1º Grau. Por fim, requerse o CANCELAMENTO da PER/DCOMP apresentada, bem como o reconhecimento do regular recolhimento do [...], nos termos da razões e documentos apresentados. Nestes Termos Pede Deferimento. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13984.900115/200887 Acórdão n.º 1801001.743 S1TE01 Fl. 64 6 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser cancelada, já que fez a opção nos termos legais. Em relação aos procedimentos do Per/DComp, temse que o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. A desistência do Per/DComp pode ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa Per/DComp ou, na hipótese de utilização de formulário, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento1. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. No que se refere à exclusão de ofício do Simples, vale esclarecer que o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. A pessoa jurídica que auferir, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior ao limite legal não pode optar pelo Simples. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, bem como Instrução Normativa RFB nº 1300, de 20 de novembro de 2012. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13984.900115/200887 Acórdão n.º 1801001.743 S1TE01 Fl. 65 7 No caso de incorrida em situação excludente, a optante deve obrigatoriamente formalizar alteração cadastral, sob pena de ser excluída de ofício mediante ato declaratório da autoridade fiscal. Este ato surte efeito no anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite da receita bruta, termo a partir do qual fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1124507/MG, cujo trânsito em julgado ocorreu em 16.06.20102 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF3. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. A Recorrente: apresentou o Per/DComp nº 08368.28397.210104.1.3.045505 em 21.01.2004, fls. 1117, utilizandose do pagamento a maior de Simples no valor original de R$3.364,99 efetuado em 11.11.2002; no julgamento de primeira instância, o pedido de cancelamento do Per/Dcomp foi indeferido ao argumento de que foi formalizado após a ciência válida do Despacho Decisório; foi excluída de ofício do Simples Federal a partir de 01.01.2002, cujo procedimento, formalizado no processo nº 13984.001555/200345, foi considerado correto na esfera administrativa, fls. 2025, e se encontra arquivado desde 05.08.2009, porque o sócio participa com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, e a receita bruta global ultrapassou o limite legal4; foi excluída de ofício do Simples Nacional, cujo procedimento, formalizado no processo nº 13984.001706/200870, foi cancelado na esfera administrativa, porque verificouse a inexistência de débitos inscrito em Dívida Ativa, cuja a exigibilidade não estivesse suspensa, fls. 4254, e se encontra arquivado desde 22.09.20085, em cujo Despacho Decisório DRF/LAG nº 30, de 10.02.2009, fls. 4345, consta: 3.O sistema Sivex discrimina, mediante o relatório de fls. 30/32, os débitos que ensejaram a emissão do Ato Declaratório de Exclusão do contribuinte do Simples Nacional. Nos termos da legislação que rege a matéria, se os débitos fossem regularizados no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do ato, a exclusão seria cancelada. 2 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1124507/MG. Ministro Relator:Benedito Gonçalves, Primeira Seção, Brasília, DF, 28 de abril de 2010. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=966764&sReg=200900296277&sData=20100 506&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 3 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e art. 62A do Regimento Interno do CARF. 4 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/e gov/PvC_Mov_Consulta_Movimentos.asp?processoQ=13984001555200345&DDMovimentoQ=05082009&SQO rdemQ=0>. Acesso em: 29 out.2013. 5 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/e gov/PvC_Mov_Consulta_Movimentos.asp?processoQ=13984001706200870&DDMovimentoQ=20022009&SQO rdemQ=0> . Acesso em 29 out. 2013. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13984.900115/200887 Acórdão n.º 1801001.743 S1TE01 Fl. 66 8 4.No caso em tela, após o prazo para regularização, remanesceram diversos débitos, relativos a IRPJ, CSLL, PIS e Cofins de períodos de apuração compreendidos nos anos de 2002 e 2003 (fls. 33/37). 5. No entanto, em consulta aos sistemas CNPJ, IRPJ e Sinal09, constatase que, naqueles anos, a empresa estava na sistemática do Simples instituído pela Lei n° 9.317/96 (fl. 38), apresentou Declarações Simplificadas (fls. 39/49) e recolheu seus tributos e contribuições federais mediante Darf/Simples 6106 (fl. 50). Portanto, nos anos de 2002 e 2003, o requerente não estava obrigado ao recolhimentos de tributos específicos a título de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, mas tão somente ao recolhimento de Darf/Simples. 6. Consultando o sistema Per/DComp, verificase que os débitos motivadores da exclusão originaramse das diversas Per/Dcomp que o contribuinte transmitiu indevidamente, as quais devem ser canceladas por ele próprio mediante a utilização do programa PER/DCOMP, conforme instruções da IN RFB n° 900/2008 [...]. Verificase que houve um conflito de decisões em função das datas em que foram proferidas e ainda por estarem formalizadas em processos que não foram analisados concomitantemente. Porém esse conflito está sanado com a superveniente decisão definitiva a respeito da exclusão de ofício do Simples Federal a partir de 01.01.2002, cujo procedimento, formalizado no processo nº 13984.001555/200345, foi considerado correto na esfera administrativa, fls. 2025, e se encontra arquivado desde 05.08.2009, em conformidade com o Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 180300.035, de 16.03.2009, fls. 22246. Assim, a Recorrente excluída do Simples sujeitase a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, ou seja, 01.01.2002, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, ocasião em que o pagamento a título de Simples efetuado no período pode ser considerado indevido para fins de compensação tributária. Nesse sentido tem cabimento reconhecer o direito creditório referente ao pagamento a maior de Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) ) no valor original de R$3.364,99 efetuado em 11.11.2002. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso7. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de 6 Disponível em: <http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf> . Acesso em: 29 out.2013. 7 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13984.900115/200887 Acórdão n.º 1801001.743 S1TE01 Fl. 67 9 inconstitucionalidade8. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente ao pagamento a maior de Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) ) no valor original de R$3.364,99 efetuado em 11.11.2002, para fins de homologação da compensação pleiteada até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 8 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15374.917123/2008-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVO INEXISTENTE. PROVA. INSUBSISTÊNCIA.
Mostrando-se improcedente a motivação da não homologação da compensação realizada pelo contribuinte, mediante prova inequívoca neste sentido, deve ser acolhida a pretensão de tornar insubsistente o despacho decisório assim lavrado.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-002.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVO INEXISTENTE. PROVA. INSUBSISTÊNCIA. Mostrandose improcedente a motivação da não homologação da compensação realizada pelo contribuinte, mediante prova inequívoca neste sentido, deve ser acolhida a pretensão de tornar insubsistente o despacho decisório assim lavrado. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 71 23 /2 00 8- 76Fl. 114DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Versa o presente processo sobre despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 07858.76598.300904.1.3.049657, em virtude de direito de crédito integralmente alocado a outro débito. Em manifestação de inconformidade o contribuinte asseverou que recolheu indevidamente PIS/Pasep e Cofins sobre receitas isentas e que a legislação vigente permitia a retratação de confissão de dívida, citando doutrina e jurisprudência. A DRJ Rio de Janeiro II/RJ indeferiu o pleito por entender não comprovado o crédito alegado. O recurso voluntário reprisou a manifestação de inconformidade. Na oportunidade foram juntadas cópias de documentos contábeis e fiscais que, em tese, demonstrariam a procedência do crédito vindicado. Na sessão de 28/10/2010 o julgamento foi convertido em diligência, por intermédio da Resolução nº 340100.205, para certificação e aferição do direito postulado. Realizada a diligência determinada, conforme relatório fiscal de fls. 93/99, retornaram os autos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O exame e julgamento dos requisitos intrínsecos e extrínsecos do recurso, bem assim, as questões meritórias, já foi realizado por ocasião da decisão que converteu o julgamento em diligência, motivo pelo qual peço vênia para reproduzir o voto condutor proferido naquela assentada: “A tempestividade se faz presente pois, cientificada da decisão da DRJ em 14/01/2010, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 02/02/2010. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Como visto acima a própria decisão recorrida admitiu que as receitas de serviços prestadas pela interessada a empresas situadas no exterior foram contempladas com regras expressas no sentido de serem isentas das contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins, daí, em tese e, em princípio, parecer ter havido mesmo um recolhimento a maior. Porém, invocando as regras do artigo 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, a DRJ manteve os termos do despacho decisório eletrônico. Assim, a questão aqui posta é se os documentos trazidos pela Recorrente apenas em sede de apresentação do Recurso Voluntário, os quais, digase de passagem, aparentam ser suficientes para a definição do valor devido e do valor Fl. 115DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15374.917123/200876 Acórdão n.º 3401002.369 S3C4T1 Fl. 11 3 eventualmente recolhido a maior, podem ser aproveitados neste julgamento, ou se devemos obedecer rigorosamente ao que estabelecem os referidos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, nos quais se apegou a DRJ para decidir. Pois bem! Primeiramente, de se lembrar que, não obstante as inúmeras vantagens e benefícios proporcionados à Administração Tributária e aos contribuintes pela utilização dos sistemas informatizados para a operacionalização dos procedimentos de compensação, o fato é que, em situações tais quais a com que nos deparamos, em que o crédito no qual se funda a compensação não pôde ser explicitado ou detalhado no aplicativo PER/Dcomp em face da limitação dos campos disponibilizados, e em que a sua análise é feita eletronicamente, isto é, sem a intervenção manual e sem o crivo visual de um servidor, dáse que os sistemas de batimento de informações da Receita Federal não conseguem visualizar o crédito e, portanto, reconhecêlo. Assim, de pronto, perdem os contribuintes a oportunidade de, já na primeira ocasião em que se dirigem ao Fisco, esmiuçarlhes a origem do crédito alegado, o que somente ocorre quando da interposição de manifestação de inconformidade em face do indeferimento do pleito. É certo que, neste caso, bem que poderia a ora interessada ter feito isso, ou seja, quando da apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, ter carreado para o processo naquela ocasião os documentos que somente agora, em sede de Recurso Voluntário, traz. Todavia, não me parece, até em observância aos princípios da moralidade, da eficiência, da finalidade, da verdade material e do informalismo moderado, que o aparente direito da interessada possa ser sumariamente negado por conta de um apego excessivo às formalidades dos referidos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Não estou, ao dizer isso, desprezando tais regras. Apenas considero que o julgador deve, sempre que possível, empreender esforços no sentido de buscar a verdade material, até em decorrência do princípio da legalidade. Neste ponto, estou de acordo com os Marcus Vinicius Neder de Lima e Maria Tereza López Martinez, que, em sua obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, dizem: "O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente do alegado e provado.Odete Medauar preceitua que 'o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos.' Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir Fl. 116DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. A verdade material é o princípio específico do processo administrativo e se contrapõe ao princípio do dispositivo, próprio do processo civil. O processo desenvolvido no Judiciário busca a verdade forma, que é obtida apenas do exame dos fatos e provas trazidas aos autos pelas partes (art. 128 do CPC). Como regra geral, o juiz se mantém neutro na pesquisa da verdade, devendo cingirse ao alegado pelas partes no devido tempo já que elas têm o ônus da prova. Contudo, mesmo no processo administrativo fiscal, não se pretende obter a verdade absoluta, quase sempre inatingível. Obtémse apenas um juízo de verossimilhança ou probabilidade da ocorrência dos fatos, valendose da discussão de forma dialética no processo. As partes trazem suas provas e o julgados as examina, podendo requerer outras se julgar necessário. As regras processuais vem no sentido de auxiliar o julgador na condução do processo e na obtenção do grau de certeza que lhe permita solucionar o litígio. São regras de fixação formal da prova. No processo administrativo, há uma maior liberdade na busca das provas necessárias à formação da convicção do julgador sobre os fatos alegados no processo. Essa busca, no entanto, não pode transformálo num inquisidor sob pena de prejudicar a imparcialidade. O poder instrutório do julgador é definido pelos limites da lide formada nos autos. Essa maior liberdade no processo administrativo decorre do próprio fim visado com o controle administrativo da legalidade, eis que não havendo interesse subjetivo da Administração na solução do litígio, é possível o cancelamento do lançamento baseado em evidências trazidas aos atos após a inicial. Nesse sentido, é, por exemplo, a decisão no Acórdão nº 10319.789 do Primeiro Conselho de Contribuintes, DOU de 29/1/99, a saber: 'Processo Administrativo Fiscal – Princípio da Verdade Material – Nulidade. A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que esta em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Preliminar acolhida. Recurso Provido.' (...) “. Além disso, está lá no artigo 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: ‘Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias’.” Ultrapassadas as matérias eminentemente de direito, resta tão somente se manifestar acerca do resultado da diligência realizada. Neste diapasão, a conclusão estampada pela autoridade administrativa é no sentido de reconhecer a procedência do direito creditório invocado e pelo cabimento da homologação da compensação aviada através do PERDCOMP 07858.76598.300904.1.3.04 9657. Portanto, mostramse improcedentes as razões apresentadas no despacho decisório eletrônico para justificar a não homologação da compensação. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15374.917123/200876 Acórdão n.º 3401002.369 S3C4T1 Fl. 12 5 Robson José Bayerl Fl. 118DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10580.728653/2009-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL. INAPLICABILIDADE PARA VALORES QUE BENEFICIAM OS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES.
A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo, porém o benefício não se estende aos dependentes dos beneficiários.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se for mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão do auxílio educação aos dependentes, nos termos do voto do Redator. Vencidos os conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Mauro José Silva.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
(assinado digitalmente)
MAURO JOSÉ SILVA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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INAPLICABILIDADE PARA VALORES QUE BENEFICIAM OS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo, porém o benefício não se estende aos dependentes dos beneficiários. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se for mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão do auxílio educação aos dependentes, nos termos do voto do Redator. Vencidos os conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 86 53 /2 00 9- 73 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. (assinado digitalmente) MAURO JOSÉ SILVA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728653/200973 Acórdão n.º 2301003.322 S2C3T1 Fl. 260 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte Módulo Administração Baiana de Cursos Ltda, contra acórdão que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário lançado, cuja ementa abaixo transcrevo: CONTRIBUIÇÃO DE TERCEIROS. Compete à Secretária da Receita do Brasil a arrecadação e fiscalização das contribuições devidas a Terceiros (Entidades e Fundos), conforme preconiza o art. 3º., da Lei n. 11.457, de 2007. BOLSA DE ESTUDO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Bolsas de estudos concedidas aos filhos e dependentes dos empregados e dirigentes da empresa, ainda que trabalhem em instituição de ensino, integram o salário de contribuição. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MENOS SEVERA. MOMENTO DA COMPARAÇÃO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação das multas para verificação e aplicação da mais benéfica somente poderá operacionalizarse quando o pagamento do crédito for postulado pelo contribuinte ou quando do ajuizamento de execução fiscal, conforme Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 2. O recurso apresentado tenta demonstrar a ilegalidade do Auto de Infração referente, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 55/63, às contribuições sociais destinadas a Entidades e Fundos (Salário Educação, SEBRAE, INCRA e SESC), incidentes sobre as remunerações de segurados empregadoss não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). 3. Informa o Relatório Fiscal, ainda, que as contribuições patronais incidentes sobre a remuneração indireta concedida na forma de bolsas de estudo a dependentes de empregados. As referidas bolsas têm como característica o desconto na mensalidade escolar de dependentes de empregados da empresa. 4. O sujeito passivo foi regularmente cientificado e apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: a) os valores lançados não representam ganho financeiro para os empregados; b) a bolsa de estudos é adotada para o auxílio da concretização dos Fl. 261DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 direitos sociais do cidadão; c) os ganhos indiretos não dispõem do requisito da habitualidade; d) a CLT dispõe expressamente que a bolsa de estudos não deve ser considerada como salário; e) a isenção prevista no art. 28, § 9º, “t” da Lei 8.212/91 abarca as bolsas de estudos concedidas a dependentes. 5. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador houve por bem em não acolher a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado em sua totalidade. 6. Irresignada, a recorrente apresentou o presente recurso voluntário, reiterando as alegações lançadas em sua impugnação, pleiteando a exoneração do crédito tributário, entendendo que sua conduta foi pautada na legislação de regência. 7. Sem contrarrazões fiscais, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728653/200973 Acórdão n.º 2301003.322 S2C3T1 Fl. 261 5 Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DA ADMISSIBILIDADE 1. O Recurso Voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual conheço do recurso voluntário. BOLSA DE ESTUDOS PARA DEPENDENTES 2. No tocante ás contribuições sociais incidentes sobre os valores pagos aos funcionários sob o título de bolsa de estudo aos dependentes o auditor fiscal justificou que esse benefício não estaria elencado no parágrafo 9º, artigo 28, da Lei 8212/9, que exclui do Salário de Contribuição as parcelas nele especificadas. Assim, não se afasta a tributação em comento, ainda que prevista a natureza não salarial na cláusula 13 das Convenções Coletivas 2004/2005 e 2005/2006, assinadas entre o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia e o Sindicato dos Professores no Estado da Bahia. 3. Todavia, no meu entender, os planos educacionais disponibilizados pelas empresas a seus empregados ou dependentes não geram a incidência da contribuição em comento. No caso, a ajuda escolar ofertada aos dependentes é, notoriamente, desvinculada do seu salário. 4. Inclusive, a Consolidação das Leis do Trabalho, em seu art. 458, §2º, inciso II, afastou a natureza salarial do benefício de educação, facultando à empresa a oferta de cursos em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático. Não há exceção que pudesse permitir a composição do salário. Eis o teor do dispositivo citado: “Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) (...) § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (...) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, Fl. 263DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (...)” [grifo nosso] 5. Vale lembrar que a Mensagem 1.115/00, do Poder Executivo, quando encaminhou o Projeto de Lei convertido na Lei 10.243/2001, justificou o acréscimo do § 2º ao art. 458, da CLT, como proposta para desvincular os benefícios do salário, como se constata: 4. A proposta modifica, ainda, o § 2º do art. 458, da CLT, que dispõe sobre o salário in natura, para determinar que os benefícios, concedidos pelo empregador, relativos a educação, transporte, assistência médica, hospitalar, e odontológica, seguros de vida e de acidentes pessoais e previdência privada, não integram o salário. A carência de serviços e benefícios sociais indica a conveniência de estimular as empresas a concederem benefícios que proporcionem aos trabalhadores maior segurança e satisfação, sem ônus subseqüente de outra natureza. A proposta atende a essas expectativas desvinculando tais benefícios do salário. (o negrito é nosso) 6. Logo, não convém que a legislação trabalhista exclua da composição do salário determinado benefício e a legislação previdenciária considereo para efeitos de incidência de sua respectiva contribuição. Nessa situação, não se trata de dar razão ao princípio da especificidade da norma previdenciária, pois o que está em jogo para o sistema é a segurança jurídica, a saber, na sua concretude enquanto confiança na estabilidade da norma. 7. Afinal, a segurança jurídica nada mais é que a efetivação do princípio do Estado de Direito, sendo integrante de um sistema constituído de ordem normativa, hierarquicamente superior ao da especificidade por sua natureza de sobreprincípio, uma vez que em si estão ligados outros princípios exaltadores de sua concretização, como asseverou o ilustre doutrinador Paulo de Barros. 8. E, segundo Nuno Sá Gomes, em Estudos sobre a Segurança Jurídica na Tributação e as Garantias dos Contribuintes, a segurança jurídica, sendo referida como certeza do direito, visando à respectiva cognoscibilidade e previsibilidade, supõe não só o conhecimento dos princípios e normas aplicáveis em termos gerais e abstratos, mas ainda o conhecimento dos previsíveis efeitos da respectiva aplicação da norma. 9. Assim, quando a empresa recorrente concedeu aos seus funcionários a ajuda escolar para cada dependente, agiu em boafé por confiar na estrutura normativa que lhe conferiu a possibilidade dessa concessão sem que sobreviesse a exigência de contribuição previdenciária sobre tais valores. Esta é a segurança jurídica a ser preservada. 10. Em sendo, seria inapropriado admitir um conceito de remuneração para o direito previdenciário e outro para o direito trabalhista. O próprio Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do RE 166.772/RS, firmou entendimento no sentido de que as definições postas no art. 195, I, da Constituição Federal devem ser interpretadas em conformidade com a dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho, mesmo para fins previdenciários. 11. Transcrevo trechos dos votos proferidos pelos Ministros Celso de Mello e Moreira Alves: a) Celso de Mello: "a locução constitucional "folha de salários", inscrita no art. 195, I, da Carta Política, há de ser definida em função de critérios estritamente técnicos, a serem considerados na exata e usual dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho." Fl. 264DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728653/200973 Acórdão n.º 2301003.322 S2C3T1 Fl. 262 7 b) Moreira Alves: "(...) realmente já foi demonstrado, desde o voto do eminente Ministro Relator e em alguns dos votos que o seguiram, que a expressão "salário" é usada univocamente na Constituição no sentido de salário trabalhista. Mesmo para fins previdenciários – como se vê do art. 201 , "salário" está empregado no sentido de remuneração em decorrência de vínculo empregatício." c) Marco Aurélio: “Descabe dar a uma mesma expressão – salário – utilizada pela Carta relativamente a matérias diversas, sentidos diferentes, conforme os interesses em questão. Salário, tal como mencionado no inciso I do art. 195, não pode se configurar como algo que discrepe do conceito que se lhe atribuiu quando se cogita, por exemplo, da irredutibilidade salarial, inciso VI do artigo 7º da Carta.” 12. Seguindo esta linha de raciocínio, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ – é pacífica quanto à natureza não salarial da verba em apreciação, não sendo possível o recolhimento previdenciário. Eis as ementas de alguns acórdãos: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. AUXÍLIO ESCOLAR. NATUREZA INDENIZATÓRIA. RECURSO DESPROVIDO. 1. Não podem ser considerados como salário in natura os valores pagos pela empresa diretamente à instituição de ensino, com a finalidade de prestar auxílio escolar a seus empregados, porquanto não retribuem o trabalho efetivo. Desse modo, em relação a tal verba não deve incidir contribuição previdenciária, pois não integra a remuneração. 2. Recurso especial desprovido. (REsp 642.591/SC, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/2006, DJ 16/11/2006, p. 219) “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO CONFIGURADA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BOLSAS DE ESTUDO. NÃO INCIDÊNCIA. 1. Quanto à análise de pedido formulado em Agravo Regimental, configurandose omissão, devese acolher os aclaratórios para sanála e apreciar a matéria. 2. O entendimento do STJ é pacífico no sentido de que os valores gastos pelo empregador com a educação de seus empregados não integram o saláriodecontribuição; portanto, não compõem a base de cálculo da Contribuição Previdenciária. 3. Embargos de Declaração acolhidos, sem efeito infringente. (EDcl no AgRg no REsp 479.056/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/02/2010, DJe 02/03/2010) RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AUXÍLIOEDUCAÇÃO (BOLSA DE ESTUDO) NÃOINCIDÊNCIA NATUREZA NÃO SALARIAL Fl. 265DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 ALÍNEA "T" DO § 9º DO ART. 28 DA LEI N. 8.212/91, ACRESCENTADA PELA LEI N. 9.258/97 PRECEDENTES. O entendimento da Primeira Seção já se consolidou no sentido de que os valores despendidos pelo empregador com a educação do empregado não integram o saláriode contribuição e, portanto, não compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária mesmo antes do advento da Lei n. 9.528/97. Recurso especial improvido. (REsp 371088/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/08/2006, DJ 25/08/2006 p. 318) TRIBUTÁRIO – RECURSO ESPECIAL – SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO – VALORES GASTOS COM EDUCAÇÃO DO EMPREGADO – INEXISTÊNCIA DE CARÁTER SALARIAL – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – NÃOINCIDÊNCIA. 1. Não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária os valores gastos pela empresa a título de bolsas de estudo destinadas a seus empregados. 2. Recurso especial provido. (REsp 853969/RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/09/2007, DJ 02/10/2007 p. 234) [grifo nosso] 13. Do exposto, resta clara a não incidência de tributação previdenciária sobre os valores pagos a título de bolsa de estudos aos dependentes. 14. Em sendo, dou provimento ao recurso voluntário para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de bolsa de estudos dependentes, pois não têm natureza salarial e não podem compor o saláriodecontribuição, seja em face da legislação previdenciária ou trabalhista. DA MULTA APLICADA 15. Sobre a multa aplicada, cumpre ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 16. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, Fl. 266DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728653/200973 Acórdão n.º 2301003.322 S2C3T1 Fl. 263 9 nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 17. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 18. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 19. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 20. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para aplicar a multa prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91 combinado com o art. 61, §2 º da Lei nº 9.430/96, se mais benéfica ao contribuinte. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 267DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Incidência da contribuição previdenciária sobre pagamentos de bolsa de estudo. Requisitos para a isenção. Iniciamos a análise sobre a incidência da contribuição previdenciária instituída pela Lei 8.212/91 sobre fornecimento de bolsas de estudo tomando o dispositivo constitucional que outorgou competência para a União instituir tal contribuição. Os dispositivos que tratam do assunto estão, primordialmente, no art. 195, no entanto, não podemos desconhecer o conteúdo do §art. 201 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Fl. 268DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728653/200973 Acórdão n.º 2301003.322 S2C3T1 Fl. 264 11 § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Como se vê, a Constituição conferiu competência à União para instituir contribuição para financiar a seguridade social – incluída nesta a previdência social, conforme o caput do art. 194 – que pode incidir, no caso do empregador, sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho; e, no caso, do trabalhador, sobre base de cálculo com relação à qual não houve expressa previsão de limites. Importante atentar para o fato de o §11º do art. 2001 ter autorizado a instituição de incidência da contribuição previdenciária sobre os ganhos habituais a qualquer título. Portanto, para as contribuições previdenciárias, temos que, desde de pelo menos a edição da emenda 20/98, a incidência destas estava autorizada, entre outros, para os seguintes fatos geradores: · No caso dos empregadores, sobre a folha de salários e demais itens remuneratórios(rendimentos) pagos à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, bem como sobre os ganhos habituais do empregado pagos a qualquer título; · No caso dos trabalhadores, não há expressa delimitação dos fatos geradores. Como é cediço, a constituição apenas autoriza a criação de tributos, deixando para a Lei Ordinária do ente federativo a tarefa de criar a exação autorizada pelo Texto Magno. No caso das contribuições para a seguridade social é a Lei 8.212/91 que cumpre esse papel de forma mais específica, apesar de existirem outras contribuições destinadas a financiar a seguridade social criadas por outras leis(PIS, COFINS e CSLL, por exemplo). A referida lei determinou, em seu art. 11, que os empregadores, a quem denominou de empresas, seriam contribuintes de contribuições sociais “incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço”(parágrafo único, alínea “a”)., sendo segurados aquelas pessoas enumeradas no art. 12. Para os trabalhadores, a lei definiu que a contribuição incidiria o saláriodecontribuição, sendo este definido no art. 28. A definição das hipóteses de incidência da contribuição das empresas é encontrada no art. 22, o qual em seus quatro incisos estabelece a incidência de uma contribuição previdenciária geral sobre a remuneração dos empregados, uma contribuição previdenciária relacionada aos riscos do trabalho, uma contribuição previdenciária sobre contribuintes individuais e uma contribuição previdenciária devida sobre pagamentos a cooperativas de trabalho. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 Interessanos para o momento a contribuição previdenciária das empresas cuja hipótese está presente no inciso I do art. 22, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Analisando o referido dispositivo, podemos constatar, portanto, que três são as hipóteses de incidência do inciso I: remunerações, ganhos habituais sobre a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial. Para tanto, em obediência ao art. 110 do CTN, iremos buscar o alcance das expressões constantes em tais hipóteses de incidência na legislação trabalhista. Assim, remuneração será aquilo que a CLT assim o considera. Sistematizando o conteúdo dos arts. 457 e 458 do código trabalhista, temos que remuneração é gênero do qual o salário lato sensu e as gorjetas são espécies. Ao seu turno, o salário lato sensu compreende o salário stricto sensu, as comissões, as porcentagens, as diárias e ajudas de custo que ultrapassam 50% do salário stricto sensu, as gratificações ajustadas, os abonos e as utilidades não excepcionadas pela lei trabalhista. A essa altura podemos concluir que as utilidades excepcionadas pela CLT não estão abrangidas pelo conceito de remuneração. No entanto, conforme esclarecido anteriormente, a Constituição autorizou a incidência da contribuição previdenciária não só sobre a remuneração como também sobre os ganhos habituais dos empregados a qualquer título, ao passo que a Lei 8.212/91 instituiu a incidência da contribuição das empresas sobre os ganhos habituais dos empregados sob a forma de utilidades. No que tange aos fornecimentos de bolsas de estudo (educação), quis a CLT estabelecer que se trata de utilidade que deve ser excepcionada da noção de salário lato sensu, e, portanto, da noção de remuneração, mas isso não retira sua natureza de utilidade paga aos empregados que, sendo habitual, sofre a incidência da contribuição, conforme autorização constitucional e incidência positivada pela segunda parte do inciso I do art. 22 da Lei 8.212/91. A habitualidade, frisamos, é característica comum nesse tipo de utilidade. Estando no campo de incidência da contribuição, devemos observar quais os requisitos para a isenção e como devemos interpretálos. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728653/200973 Acórdão n.º 2301003.322 S2C3T1 Fl. 265 13 Os requisitos da isenção estão insertos no art. 28, §9º, alínea “t”, mas, antes de tomar o conteúdo da norma isencional, cabenos estabelecer nossa metodologia de interpretação. Como sabemos, para a isenção o CTN exige uma interpretação literal, ou seja, veda uma interpretação analógica ou extensiva, preferindo a interpretação restritiva dentro do sentido possível das palavras. Ainda que isso não represente uma exclusividade do método literal ou gramatical na interpretação da isenção – tarefa hermenêutica impossível diante da pluralidade de sentidos do conteúdo de algumas normas isencionais , a interpretação da isenção deve buscar o sentido mais restritivo da norma. Mas restritivo em que? Se adotarmos a corrente doutrinária de Paulo de Barros Carvalho para compreendermos a isenção, teremos que a isenção é a mutilação de um dos aspectos(o autor fala em critérios) do fato gerador – material, espacial, temporal, subjetivo e quantitativo. No caso da isenção da contribuição previdenciária incidente sobre as bolsas de estudo, temos uma situação de mutilação de um aspecto material (ganhos habituais sob a forma da utilidade bolsa de estudo), se obedecidas determinadas condições. O que devemos esclarecer é em que medida devemos ser restritivos. Restritivos quanto ao aspecto do fato gerador mutilado ou quanto ao requisito eventualmente existente para o gozo da isenção? Considerando que a isenção é categoria técnica de tributação que não pode ser interpretada dissociada dos desígnios constitucionais que permeiam todo o ordenamento jurídico, não seria apropriado que o resultado hermenêutico, a título de obedecer ao comando restritivo, negasse a finalidade da norma isencional que aponta para algum valor constitucionalmente protegido. Isso já nos aponta algum caminho. A finalidade da norma isencional é definida pelo aspecto do fato gerador mutilado e este há de ser restritivo. Mas as eventuais condições da isenção não devem se submeter à uma restrição excessivamente rigorosa advinda da literalidade sob pena de negarmos a finalidade do norma isencional. Logo, se a isenção é para bolsas de estudo do ensino básico e outras relacionadas com capacitação do profissional, não seria adequado ao comando do art. 111 do CTN, por exemplo, estendermos seu alcance para bolsas de estudo para cursos não regulares e não relacionados diretamente com capacitação do empregado. Ou mesmo não seria adequado ao referido comando a extensão do benefício aos dependentes dos empregados. Eis a maneira de aplicarmos a interpretação restritiva para a isenção. Fitas tais considerações jurídicas gerais sobre o tema, passamos a analisar o caso concreto. Como apontamos, os valores dispendidos a título de bolsa de estudo oferecida aos dependentes dos empregados não desfrutam da isenção, portanto não há como acatar os argumentos da recorrente nesse aspecto. Votamos pelo não provimento do Recurso quanto a esse aspecto. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 271DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 35301.014133/2006-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do Fato gerador: 24/08/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO À DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicílio tributário do contribuinte.
As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 2302-002.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos os Embargos de Declaração foram rejeitados.
LIEGE LACROIX THOMASI Presidenta Substituta.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 20/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO À DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicílio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos os Embargos de Declaração foram rejeitados. LIEGE LACROIX THOMASI – Presidenta Substituta. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 20/08/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 01 41 33 /2 00 6- 57 Fl. 24DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Tratamse de embargos de declaração opostos pela PGFN [fls. 416/419] em face da decisão colegiada prolatada pela então 5ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto, assim ementada [fls. 400411]: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 24/08/2006 Ementa: DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Prevalece o direito à eleição do domicilio tributário que somente pode ser recusado nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal no domicilio eleito. Processo Anulado Alega, em síntese, a PGFN que: [...] O acórdão embargado determinou a anulação do lançamento ao fundamento de que a fiscalização não demonstrou "qual hipótese legal, impossibilidade ou dificuldade para a realização da ação fiscal, se configurou para a recusa do domicilio eleito pelo sujeito passivo" e que "o órgão fiscalizador assumiu que prevaleceria o desfecho do processo judicial". Assim, aduziu que, sobrevindo decisão judicial transitada em julgado favorável ao contribuinte declarando o domicilio tributário como situado na Rua Capitão Soares, n. 04, Rio das Flores, Volta Redonda/RJ, apenas cumpriria ao órgão administrativo acatar o desfecho judicial. Cuidou ainda de transcrever parte do acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2 4 Região. Todavia, cumpre assinalar que padece de obscuridade a decisão embargada, eis que nas razões de recorrer o contribuinte em momento algum questiona a competência da Delegacia da Receita Previdenciária do Rio de Janeiro para proceder a autuação, nem sequer menciona a sua mudança de domicilio e também dela não faz prova. Tampouco o faz em sua impugnação, como se pode perceber das fls. 255 e seguintes. Com efeito, o recorrente manifestou sua inconformidade em tópicos, que são os seguintes (fls. 373/387): falta de fundamentação quanto â autuação; inocorrência da reincidência; impossibilidade de majoração de multa via Fl. 25DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 35301.014133/200657 Acórdão n.º 2302002.165 S2C3T2 Fl. 8 3 decreto; e inaplicabilidade de múltiplas multas por uma mesma infração. Não obstante, este colegiado entendeu por anular o processo administrativo com base em declaração do Tribunal Regional Federal da 2ª Região de que o domicilio tributário do contribuinte seria outro não abrangido pela autoridade responsável pela autuação. Tratase, evidentemente de julgamento extra petita, que traz fatos e fundamentos alheios aos autos e não suscitados ou demonstrados pela recorrente, inquinando a decisão de obscuridade a ser sanada pela via dos embargos declaratórios. Em primeira análise – Despacho de 19/04/2012 , este Conselheiro entendeu que restara constatada omissão no decisum recorrido, pois não constava do referido “a motivação para adoção do fundamento combatido pela r. PGFN”. Submetido ao crivo do i. Presidente, este entendeu pelo acolhimento dos embargos de declaração opostos. O referido processo foi incluído na pauta de julgamento do dia 14 de agosto de 2012. No dia e hora marcados, e após a leitura do relatório por este Conselheiro, a i. patrona do Sujeito Passivo suscitou, em sustentação oral, questão que mereceu reestudo dos autos – questão idêntica já teria sido objeto de apreciação por Turma da CSRF , fato que, de per se, repercutiu a retirada de pauta. É o relatório. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Sendo tempestivo o recurso, passo análise do acolhimento ou não dos embargos de declaração. Tratamse de embargos de declaração opostos pela PGFN [fls. 416/419] em face da decisão colegiada prolatada pela então 5ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto, assim ementada [fls. 400411]: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 24/08/2006 Ementa: DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Prevalece o direito à eleição do domicilio tributário que somente pode ser recusado nas hipóteses comprovadas de Fl. 26DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal no domicilio eleito. Processo Anulado Alega, em síntese, a PGFN que: [...] O acórdão embargado determinou a anulação do lançamento ao fundamento de que a fiscalização não demonstrou "qual hipótese legal, impossibilidade ou dificuldade para a realização da ação fiscal, se configurou para a recusa do domicilio eleito pelo sujeito passivo" e que "o órgão fiscalizador assumiu que prevaleceria o desfecho do processo judicial". Assim, aduziu que, sobrevindo decisão judicial transitada em julgado favorável ao contribuinte declarando o domicilio tributário como situado na Rua Capitão Soares, n. 04, Rio das Flores, Volta Redonda/RJ, apenas cumpriria ao órgão administrativo acatar o desfecho judicial. Cuidou ainda de transcrever parte do acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2 4 Região. Todavia, cumpre assinalar que padece de obscuridade a decisão embargada, eis que nas razões de recorrer o contribuinte em momento algum questiona a competência da Delegacia da Receita Previdenciária do Rio de Janeiro para proceder a autuação, nem sequer menciona a sua mudança de domicilio e também dela não faz prova. Tampouco o faz em sua impugnação, como se pode perceber das fls. 255 e seguintes. Com efeito, o recorrente manifestou sua inconformidade em tópicos, que são os seguintes (fls. 373/387): falta de fundamentação quanto â autuação; inocorrência da reincidência; impossibilidade de majoração de multa via decreto; e inaplicabilidade de múltiplas multas por uma mesma infração. Não obstante, este colegiado entendeu por anular o processo administrativo com base em declaração do Tribunal Regional Federal da 2ª Região de que o domicilio tributário do contribuinte seria outro não abrangido pela autoridade responsável pela autuação. Tratase, evidentemente de julgamento extra petita, que traz fatos e fundamentos alheios aos autos e não suscitados ou demonstrados pela recorrente, inquinando a decisão de obscuridade a ser sanada pela via dos embargos declaratórios. Em primeira análise – Despacho de 19/04/2012 , este Conselheiro entendeu que restara constatada omissão no decisum recorrido, pois não constava do referido “a motivação para adoção do fundamento combatido pela r. PGFN”. Submetido ao crivo do i. Presidente, este entendeu pelo acolhimento dos embargos de declaração opostos. O referido processo foi incluído na pauta de julgamento do dia 14 de agosto de 2012. Fl. 27DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 35301.014133/200657 Acórdão n.º 2302002.165 S2C3T2 Fl. 9 5 No dia e hora marcados, e após a leitura do relatório por este Conselheiro, a i. patrona do Sujeito Passivo suscitou, em sustentação oral, questão que mereceu reestudo dos autos – questão idêntica já teria sido objeto de apreciação por Turma da CSRF , fato que, de per se, repercutiu a retirada de pauta. Em pesquisa ao sítio do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF verifiquei que, por meio do Acórdão n. 9202001.438, a 2ª Turma da CSRF negou provimento ao Recurso Especial interposto pela PGFN, verbis: DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO À DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicílio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Recurso especial negado. Para melhor elucidação da controvérsia, transcrevo trecho do relato contido no Acórdão da Apelação Cível n.º 2003.51.01.0224300 da Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, de relatoria do desembargador Sérgio Schwaitzer: Tratase de recurso de apelação interposto por MI MONTREAL INORMÁTICA LTDA em ataque à sentença proferida pelo MM. Juízo da 19a Vara Federal desta Cidade, nos autos de ação sob procedimento ordinário movida pela ora Apelante em face do INSS. A espécie foi sumariada pelo ilustre sentenciante nos seguintes termos: “M.I. MONTREAL INFORMÁTICA LTDA, qualificada na inicial, ajuíza a presente ação em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, objetivando a declaração de que o domicílio fiscal da autora é o local de sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares, nº 4 – Rio da Flores – RJ. Postula, ainda, seja determinado que seus requerimentos sejam recebidos e processados pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda, ao qual o Município de Rio das Flores está vinculado, e, ainda, que todos os atos administrativos praticados pelo réu sejam provenientes da referida Gerência Regional de Volta Redonda. Como causa de pedir, alega que tem sua sede fixada na Rua Capitão Soares, nº 4, no Município de Rio das Flores, conforme consta de seu Contrato Social, que foi devidamente registrado. Portanto, este é o seu domicílio fiscal, nos exatos termos do disposto no art. 127, do Código Tributário Nacional, e está ele submetido à fiscalização pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda. Entretanto, o Réu insiste em fiscalizála na sua filial, situada na Rua São José, nº Fl. 28DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 90, no Centro do Rio de Janeiro. Sustenta a ilegalidade da atuação do réu, que discricionariamente, elegeu filial para efetuar fiscalização impedindolhe de realizar seus atos administrativos na Gerência Regional de Volta Redonda, obstando, inclusive, o protocolo dos requerimentos de certidões. Daí o pedido. (...) Ademais, há de se salientar que transitou em julgado a seguinte decisão judicial: “dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares nº 04, Centro, Município de Rio das Flores – RJ.”, assim ementada: “ADMINISTRATIVO – ALTERAÇÃO DE SEDE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO – RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO ART. 127, § 2O, DO CTN. I – Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. II – A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com o exercício da faculdade de eleição do seu domicílio tributário. O § 2o do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicílio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. III – Recurso provido.” Como se vê, no presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicílio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Portanto, o tratamento a ser conferido na esfera administrativa há de se vincular ao conteúdo da decisão judicial transitada em julgado cuja conseqüência é sua imperatividade e imutabilidade da resposta jurisdicional. Acerca do tema, assim nos ensina o eminente jurista Luiz Fux em sua obra “Curso de Direito Processual Civil”, Ed. Forense, 2001, p. 694/695, da qual se extrai o seguinte excerto: “A imutabilidade da decisão é fator de equilíbrio social na medida em que os contendores obtêm a última e decisiva palavra do Judiciário acerca do conflito intersubjetivo e a sua imperatividade da decisão completa o ciclo necessário de atributos que permitem ao juiz conjurar a controvérsia pela necessária obediência ao que foi decidido.” Fl. 29DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 35301.014133/200657 Acórdão n.º 2302002.165 S2C3T2 Fl. 10 7 A decisão judicial faz lei entre as partes, a ser aplicada ao caso concreto, não cabendo a este Colegiado darlhe outro entendimento diferente daquele expresso, sob pena de desobediência à determinação judicial. Neste sentido: “PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – NFLD – DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Havendo decisão judicial que determina o domicílio tributário do contribuinte, deve ser esse o domicílio a ser considerado pela autoridade fiscal, salvo se comprovado obstrução ou justificativa para desconsiderálo, desde que devidamente justificado. A simples alegação de confronto das informações de GFIP com a verificação física não é suficiente para desconsiderar domicílio determinado pela justiça, se não comprovada obstrução. Processo Anulado” (Acórdão CARF nº 240101.604, Relatora: conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Dito isso, entendo que o decisum recorrido não possui qualquer eiva [omissão] que mereça ser sanada. Destarte, revejo o entendimento exposto no Despacho de 19/04/2012, para não ACOLHER os embargos opostos em face do acórdão de fls. 400/411. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NÃO ACOLHER os embargos de declaração opostos pela PGFN. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 30DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10880.965793/2009-46
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Raquel Motta Brandão Minatel, Neudson Cavalcante Albuquerque, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1346; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 182 1 181 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.965793/200946 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.546 – 1ª Turma Especial Data 25 de setembro de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente SAS INSTITUTE BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Raquel Motta Brandão Minatel, Neudson Cavalcante Albuquerque, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 65 79 3/ 20 09 -4 6 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.965793/200946 Resolução nº 3801000.546 S3TE01 Fl. 183 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: 1. Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada em meio eletrônico (PER/DCOMP n° 01712.07874.270705.1.3.040100) em 27/07/2005, cujos relatórios foram anexados ao presente processo administrativo (lis. 1 c seguintes). Nesta declaração, pretende o Contribuinte quitar os débitos declarados às fls. 2, no valor total de R$ 1.554,63, com supostos créditos (R$ 2.250,74) decorrentes de recolhimento indevido realizado por meio do DARF no valor de R$ 50.982,08 (código de receita: 5856), recolhido em 13/04/2005. 2. Apreciando o pedido formulado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária cm São Paulo (DERAT/SPO) emitiu o Despacho Decisório n° 843631482 (fls. 6), no qual pronunciouse pela não homologação da compensação diante da inexistência do crédito declarado pelo Contribuinte às fls. 1. 3. Cientificado em 24/07/2009 (fls. 7) da solução dada à declaração dc compensação apresentada, o Contribuinte, por seu representante legal, interpôs, tempestivamente conforme fls. 78, a Manifestação de Inconformidade de 1 1/08/2009 (fls. 8), com a juntada dc documentos de fls. 9/77 (cópia do Despacho Decisório; comprovante dc inscrição e situação cadastral — CNPJ; cópias autenticadas de documentos da representante e da Alteração e Consolidação de Contraio Social da requerente; comprovante de documento de arrecadação; cópia do PERDCOMP; cópia do DACON e da DCTF do período de apuracâo), apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: ' 3.1. Afirma possuir crédito no valor de R$ 2.250,74, referente ao recolhimento realizado em 13/04/2005 no valor total de R$ 50.982,08. 3.2. Tal crédito não foi considerado em virtude da declaração errônea de débitos efetuada em DCTF. Dessa forma, solicita a alteração do valor incorreto lançado na DCTF da competência 03/2005, retificando o débito originariamente informado de R$ 50.982,08 para R$48.731,34, conforme cópia do DACON anexado à Manifestação dc Inconformidade. 3.3. Por fim, requer seja acolhida a Manifestação de Inconformidade e homologada a compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), às fls. 79/84, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 183DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.965793/200946 Resolução nº 3801000.546 S3TE01 Fl. 184 3 Data do fato gerador: 13/04/2005 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SOLICITAÇÃO DE ALTERAÇÃO IMOTIVADA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada dc declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. Não constitui elemento de prova suficiente para justificar a retificação de DCTF as informações declaradas pelo Contribuinte por meio de DACON (Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais), quando desacompanhado dos documentos c demonstrativos contábeis aptos a lhe darem sustentação. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido dc Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração dc Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 86 a 95, alegando, em síntese, que · Ao identificar pagamento a maior a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ("COFINS") no período de março de 2005, a Recorrente apresentou Declaração de Compensação ("DCOMP") visando a utilizar o crédito resultante de tal pagamento na liquidação de débitos de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Por um lapso, no entanto, deixou de retificar sua Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais ("DCTF") para informar a redução do débito dessa contribuição na proporção da compensação efetuada.; · A Recorrente é pessoa jurídica de direito privado que se dedica ao licenciamento e sublicenciamento de programas de computador, bem como à prestação de serviços correlatos; Fl. 184DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.965793/200946 Resolução nº 3801000.546 S3TE01 Fl. 185 4 · Como mencionado acima, o crédito de COFINS relativo ao período de março de 2005 e discutido no presente processo administrativo decorre de pagamento a maior dessa contribuição, em virtude da não observância dos regimes de tributação diferenciados para as receitas de licenciamento de programas de computador importados (regime nãocumulativo) e para as demais receitas de serviços de informática (regime cumulativo); · Então, considerando que havia realizado recolhimento do COFINS somente no regime nãocumulativo, a Recorrente apurou o crédito relativo à diferença entre o valor recolhido e o valor devido a esse título e utilizou parcela desse crédito para compensar o débito de COFINS cumulativo (com a devida inclusão de juros e multa de mora); · Diante da clara e expressa previsão legal acima, a Recorrente recalculou o valor de COFINS devida no período mediante (a) a identificação de suas receitas de licenciamento de programas de computador importados, apurando o COFINS devido no regime nãocumulativo à alíquota de 7,6%; (b) a identificação de suas receitas de serviços de consultoria, suporte técnico, manutenção etc. de programas de computador, apurando o COFINS devido no regime cumulativo à alíquota de 3,0%. · Assim, diante da clara comprovação da origem e do valor do crédito de COFINS ora pleiteado mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos para esse fim, a Recorrente espera que seja ultrapassada o confessado equívoco no preenchimento de sua DCTF e, assim, seja reconhecido seu direito creditório, o qual se encontra comprovado nestes autos através de sólida documentação. É o relatório. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.965793/200946 Resolução nº 3801000.546 S3TE01 Fl. 186 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS, referente ao mês de março/2005, que teria sido paga a maior. Alega ainda que efetuou erroneamente o lançamento referente à esse débito na DCTF do mês de março/2005, conforme cópia às fls. 56/77 e que a apuração correta estaria refletida na DACON do mês de março/2005, conforme cópia às fls. 33/50. Conforme Despacho Decisório de fls. 06 a compensação declarada foi não homologada sob a seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP O direito creditório não existiria, segundo despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam todos vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Ressalvese que a alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, mas que por se tratar de prova indiciária não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, caso acompanhado de documentos comprobatórios, nos termos do art. 165 do CTN. Posteriormente, em sede de recurso voluntário, alegou que esse pagamento a maior seria em virtude da não observância dos regimes de tributação diferenciados para as receitas de licenciamento de programas de computador importados (regime nãocumulativo) e para as demais receitas de serviços de informática (regime cumulativo) e anexou nova documentação que, à princípio, embasaria seu direito, às fls. 119/175. Vejamos a legislação que trata do assunto. O artigo 10 da Lei n.° 10.833/2003, com a redação dada pela Lei nº 11.051/04, assim dispõe: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) Fl. 186DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.965793/200946 Resolução nº 3801000.546 S3TE01 Fl. 187 6 XXV as receitas auferidas por empresas de serviços de informática, decorrentes das atividades de desenvolvimento de software e o seu licenciamento ou cessão de direito de uso, bem como de análise, programação, instalação, configuração, assessoria, consultoria, suporte técnico e manutenção ou atualização de software, compreendidas ainda como softwares as páginas eletrônicas. (...) § 2º O disposto no inciso XXV do caput deste artigo não alcança a comercialização, licenciamento ou cessão de direito de uso de software importado. A recorrente afirma que tem por objeto o licenciamento e sublicenciamento de programas de computador, bem como à prestação de serviços correlatos, o que é corroborado pelo seu Contrato Social. Segundo consta na DCTF, às fls. 56/77, foi apurado um débito de COFINS, período de apuração de março/2005, no montante de R$ 50.982,08, recolhido em 15/04/2005, conforme cópia de Comprovante de Arrecadação à fl. 32. No entanto, o valor apurado na DACON referente ao COFINS nesse mesmo período foi no montante de R$ 48.731,34, conforme cópia às fls. 33/50. Em confronto com o valor recolhido daria ensejo a um pagamento a maior de COFINS no montante de R$ 2.250,74. Este foi o valor do crédito informado no PERDCOMP e utilizado para compensação com débito de COFINS, às fls 01/03. Segundo a Recorrente, as suas receitas de serviços de consultoria, suporte técnico, manutenção etc. de programas de computador, sobre as quais deveria se aplicar a Alíquota de 3,0% no caso do COFINS cumulativo, estariam amparadas pelas Notas Fiscais colacionadas às fls. 139 a 175, as quais dariam origem ao direito creditório pleiteado, uma vez que foram indevidamente enquadradas no regime nãocumulativo. Do exame do despacho decisório que indeferiu a compensação, verificase que essa matéria não foi apreciada. A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados apresentados na DCTF original. Tal fundamentação, por certo, decorre de análise superficial, realizada nos limites de sistema informatizado de informações (batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não), no qual não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.965793/200946 Resolução nº 3801000.546 S3TE01 Fl. 188 7 Desse modo, deve ser considerada como elemento de prova os documentos comprobatórios apresentados, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da contribuição para o COFINS referente ao período de apuração em discussão e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) apure o valor devido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), período de apuração de março/2005, com base nos documentos acostados aos autos e na escrituração fiscal e contábil; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 188DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 10980.726380/2011-34
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
MULTA ATRASO NA ENTREGA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA.
Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-001.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 63 80 /2 01 1- 34 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório COTRANS LOCAÇÃO DE VEICULOS LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Curitiba (PR), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata o presente processo de notificação eletrônica de lançamento (fl. 35) emitida em virtude de entrega intempestiva da DCTF. Alega a impugnante a nulidade da ação fiscal e do auto de infração, capitulação legal equivocada, decadência e cobrança abusiva dos juros de mora. A DRJ CuritibaPR , através do acórdão nº 0640.015, de 27 de março de 2013 (fls. 47/51), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. DECADÊNCIA. O prazo para o lançamento da multa por atraso na apresentação da DCTF é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da respectiva declaração. Ciente da decisão em 26/04/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 55), apresentou o recurso voluntário em 21/05/2013, onde pugna pela improcedência do lançamento alegando estar albergada pelo instituto da denúncia espontânea e o caráter confiscatório da multa aplicada. É o relatório Fl. 83DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10980.726380/201134 Acórdão n.º 1803001.862 S1TE03 Fl. 83 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa por atraso na entrega de DCTF. Alega a recorrente que estaria albergada pelo instituto da denúncia espontânea preconizada no art. 138 do CTN, pois entregou a DCTF antes de qualquer procedimento fiscal. Alude também quanto ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, o que ensejaria a sua inconstitucionalidade e conseqüente desconstituição do lançamento. Não assiste razão à interessada. As matérias alegadas no recurso voluntário não foram objeto de prequestionamento na impugnação, mas em homenagem ao amplo direito de defesa serão apreciadas no presente voto. Com relação ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, temse que é defeso ao colegiado julgador administrativo enveredar na análise da constitucionalidade da lei tributária, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Melhor sorte não colhe a recorrente no que tange ao instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN). Com efeito, o acolhimento da tese da denúncia espontânea quando presentes seus pressupostos, somente se aplica em relação à multa de mora incidente sobre tributos pagos em atraso e não sobre obrigações acessórias (multa pelo atraso na entrega de declarações por exemplo). Neste sentido, a Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
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