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Numero do processo: 10855.000080/2011-67
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de pensão, aposentadoria e complementação de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. Por outro lado, não se reconhece isenção sobre rendimentos recebidos sem que seja comprovada com documentação hábil e idônea a natureza de pensão, aposentadoria ou sua complementação.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer a isenção dos rendimentos declarados como tributáveis, exceto o valor de R$12.595,76 (doze mil, quinhentos e noventa e cinco reais e setenta e seis centavos) pagos pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 16/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de pensão, aposentadoria e complementação de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. Por outro lado, não se reconhece isenção sobre rendimentos recebidos sem que seja comprovada com documentação hábil e idônea a natureza de pensão, aposentadoria ou sua complementação. Recurso provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer a isenção dos rendimentos declarados como tributáveis, exceto o valor de R$12.595,76 (doze mil, quinhentos e noventa e cinco reais e setenta e seis centavos) pagos pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1896; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 108 1 107 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.000080/201167 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.315 – 2ª Turma Especial Sessão de 14 de maio de 2013 Matéria IRPF Recorrente RICARDO EDMUNDO CECONELLO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de pensão, aposentadoria e complementação de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. Por outro lado, não se reconhece isenção sobre rendimentos recebidos sem que seja comprovada com documentação hábil e idônea a natureza de pensão, aposentadoria ou sua complementação. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer a isenção dos rendimentos declarados como tributáveis, exceto o valor de R$12.595,76 (doze mil, quinhentos e noventa e cinco reais e setenta e seis centavos) pagos pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/05/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 00 80 /2 01 1- 67 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2009, anocalendário 2008, no qual houve inclusão de rendimentos tributáveis no valor total de R$ 20,00, recebidos da CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCS DO BANCO DO BRASIL (ATIVA) e glosa de dependente. Na impugnação o contribuinte argumentou que é portador da doença denominada PARKINSON, CID G20, conforme laudo expedido por órgão do serviço médico oficial, gozando de isenção do IR sobre a totalidade dos rendimentos que aufere. O processo foi baixado em diligência a fim de que o contribuinte fosse intimado a “... comprovar a natureza dos rendimentos recebidos no anocalendário de 2008, relativamente às seguintes fontes pagadoras: FUNDAÇÃO DOS ECONOMIÁRIOS FEDERAIS FUNCEF e CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL”. A DRF/Sorocaba informou que todas as tentativas de localizar o contribuinte foram infrutíferas, dando azo à publicação de edital. O contribuinte não se manifestou em relação à diligência. A Delegacia de julgamento declarou não impugnada a glosa de dedução de dependente e julgou exclusivamente o pleito em relação à isenção, indeferindoo porque o laudo médico (fls. 04) apenas comprova a presença da Doença de Parkinson em junho de 2006 e porque não foi comprovado que os rendimentos eram de aposentadoria ou pensão. Ciência em 08/06/2012. Recurso voluntário interposto em 03/07/2012. Na peça recursal o contribuinte reitera o apelo para que seja reconhecida a isenção decorrente da Doença de Parkinson, desde junho de 2006, comprovada por laudo médico pericial, emitido pelo serviço médico oficial estadual. Relata que os rendimentos foram oriundos da sua aposentadoria por tempo de serviço na Caixa Econômica Federal e da pensão por morte de sua esposa. Anexa os seguintes documentos: 1. Comunicação de Aposentadoria pela CEF, referente a aposentadoria por tempo de contribuição, desde maio de 1998; 2. Comprovante de rendimentos , anobase 2008 , onde consta natureza do rendimentos: benefícios recebidos de entidade de previdência privada; Fl. 109DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10855.000080/201167 Acórdão n.º 2802002.315 S2TE02 Fl. 109 3 3. comprovante de rendimentos do mesmo ano, referente a pensão por morte; 4. CTPS com anotação de aposentadoria desde maio de 1988. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O cerne do litígio é a isenção dos proventos recebidos pelos portadores de moléstia grave tipificada na Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. O artigo 6º da Lei n° Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações do art.47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 30, § 2º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu dois requisitos cumulativos para sua concessão dessa modalidade de isenção: a) os valores recebidos devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão; e b) a moléstia deve estar prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (caput art. 30 da Lei nº 9.250/1995). Os documentos apresentado com a peça recursal para fazer frente aos óbices apontados pela Delegacia de Julgamento devem ser conhecido em apreço ao princípio do formalismo moderado. Tais documentos comprovam que o rendimentos oferecidos à tributação são proventos de aposentadoria (CEF/Funcef, fls. 102 e 90 em diante), pensão por morte (INSS, fls. 88/89) e complementação da aposentadoria (previdência privada, Funcef, fls. 85) e que o recorrente está acometido da Doença de Parkinson desde junho de 2006 (laudo do médico do serviço oficial de saúde do Estado de São Paulo, fls. 101). O recorrente alega que o comprovante emitido pela Previ BB (fls. 84) refere se a pensão por morte relativa ao Benefício 105.439.7632, entretanto o extrato desse benefício (fls.89) não é suficiente para justificar o recebimento anual de R$49.381,64. O Extrato de fls. 89 referese tão só ao período de janeiro a junho e 2008, sendo R$2.031,58 até fevereiro e R$2.133,15 daí em diante, totalizando R$12.595,76. A falta de documentação comprobatória impede considerar como pensão por morte ou aposentadoria o valor de R$36.785,88, pago pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil ( diferença entre R$49.381,64 e R$12.595,76). Ressaltese que a diligência realizada em primeira instância já foi uma oportunidade a mais dada ao contribuinte para comprovar a natureza dos rendimentos recebidos. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Portanto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer a isenção dos rendimentos declarados como tributáveis, exceto o valor de R$12.595,76 pagos pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 111DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10840.907379/2009-99
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1999
RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS.
O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE.
As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido.
LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES.
É dever da empresa que possui atividades diversificadas - prestação de serviços e comércio - segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido.
Numero da decisão: 1801-001.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira que votaram pela conversão do julgamento na realização de diligências.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1999 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE. As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES. É dever da empresa que possui atividades diversificadas - prestação de serviços e comércio - segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2265; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.907379/200999 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.394 – 1ª Turma Especial Sessão de 10 de abril de 2013 Matéria Compensação Darf pagamento indevido Recorrente MEDEIROS E GUIMARÃES INSTALAÇÕES ELÉTRICAS LTDA (M G ENGª ELÉTRICA LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1999 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE. As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES. É dever da empresa que possui atividades diversificadas prestação de serviços e comércio segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 73 79 /2 00 9- 99 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira que votaram pela conversão do julgamento na realização de diligências. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1430.736/10 exarado pela Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, fls. 37 a 43, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 03. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade (...) com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJlucro presumido, código de arrecadação 2089), concernente ao período de apuração 12/1999. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que tendo optado pela apuração do imposto pela sistemática do lucro presumido, teria cometido erro ao efetuar o recolhimento relativo ao período de 12/1999, ao percentual de 32%, "como se só houvesse emprego de mãodeobra", quando o correto seria aplicar o percentual de 8%, "por ter utilizado materiais em suas notas fiscais'", nos termos do ADN Cosit nº 6, de 1997; que o alegado crédito teria sido compensado corretamente, sem margem para dúvidas quanto à veracidade da compensação. Ao final, requer seja provido o recurso, desconsiderado o indeferimento do pedido de compensação e extinto o débito apurado. [...] Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907379/200999 Acórdão n.º 1801001.394 S1TE01 Fl. 3 3 VOTO [...] A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com documentos respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/1972, a seguir transcritos: [...] Vale ressaltar que as informações prestadas à RFB por meio de declarações previstas na legislação (DCTF, DIPJ ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso III, do Decreto n.° 70.235/72 (PAF). Assim, uma vez constatada incongruência entre informações prestadas em declarações originais, e aquelas prestadas nas respectivas declarações retifícadoras, cabe ao contribuinte trazer aos autos os elementos probatórios hábeis a evidenciar a realidade dos fatos. No presente caso, caberia à interessada fazer prova do suposto recolhimento a maior do imposto que, no seu entender, decorreria de errônea mensuração da base de cálculo por aplicação indevida do percentual de 32% sobre a receita bruta, na determinação do IRPJ devido pela sistemática do lucro presumido, nos termos do art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a seguir transcritos: [...] Para tanto, imprescindível a juntada, ao processo, dos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar o quantum e a composição da base de cálculo do imposto no período em questão, os critérios adotados para aplicação, sobre a receita bruta mensal, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a apuração do imposto devido e eventuais deduções. Embora ausentes os registros contábeis, a interessada apresentou os seguintes elementos: a) "planilha de cálculo do IRPJ devido", à fl. 12; b) cópias de notas fiscais de prestação de serviços com fornecimento de materiais, numeração 246, 250, valor total de R$ 1.658,20, às fls. 21, 22; c) cópias de notas fiscais de aquisição de mercadorias junto a fornecedores, às fls. 23. Verificase, de plano, que as cópias de notas fiscais de aquisição de mercadorias junto a fornecedores não repercutem sobre a análise em curso, por não demonstrada sua correlação com a receita bruta auferida no período e respectiva apuração do imposto devido. Consta do documento intitulado “planilha de cálculo do IRPJ devido” informação de que parte da receita bruta estaria sujeita ao cálculo do IRPJ presumido por aplicação do percentual de 32%. Todavia não foram apresentadas as respectivas notas fiscais, o que impossibilita conhecimento da natureza das supostas operações, e respectivos valores. De outra parte, com base nos demais elementos probatórios, elaborase o seguinte demonstrativo: [...] Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Resta assim evidenciado (Coluna E) que o somatório dos valores das notas fiscais apresentadas na impugnação (Coluna D) não corresponde ao valor da receita bruta (Coluna C) considerado para determinação da base de cálculo e recolhimento do imposto, período de apuração em foco. Tal constatação remete à necessidade já apontada de verificação dos registros contábeis e respectivos documentos fiscais, concernentes ao período de apuração, os quais não foram juntados aos autos pela interessada. A ausência de tais elementos impossibilita exame da apuração da receita bruta e do IRPJ, na contabilidade da interessada, e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. As cópias de declarações prestadas à RFB e cálculos demonstrativos juntados à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. [...] Nesse sentido, quanto à declaração de compensação em foco, o alegado indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). E uma vez não comprovada, nos autos, a existência de direito creditório líquido e certo, do contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, cabe indeferimento do pedido, pelo que não se há de cogitar reparos no despacho decisório recorrido.” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 21/02/11, fls 46; Recurso – 18/03/11, fls. 47) o Recurso de fls. 47 a 58, reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A recorrente, optante pela apuração do Lucro na forma Presumida, pretende por meio de diversos Per/Dcomp alterar o coeficiente de presunção de lucro de 32% para 8º, sob a argumentação de que é prestadora de serviços com emprego de materiais e, por esta circunstância, faz jus ao menor coeficiente, devendoselhe repetir as diferenças de tributos indevidamente recolhidas. Para comprovar o alegado junta ao processo cópia(s) de Nota(s) Fiscal(is) de Prestação de Serviços (receita) emitida para o período (trimestral) e Nota(s) Fiscal(is) de compras de mercadorias de terceiros (para revenda). A tese da recorrente não merece guarida. Como bem explicitado no acórdão vergastado, a recorrente não apresenta documentação hábil para comprovar que faz jus ao coeficiente de 8%, nos termos da legislação tributária vigente, por excepcionada do coeficiente de 32% para apuração de seu Lucro Presumido, coeficiente este determinado pela norma às prestadoras de serviço que optam por este regime de tributação. A norma é clara e expressa: Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907379/200999 Acórdão n.º 1801001.394 S1TE01 Fl. 4 5 Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;( Vide art.29 e art. 41 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. (grifos não pertencem ao original) Pelo teor da norma, as prestadoras de serviços em geral, com ou sem utilização de materiais nos serviços realizados, não foram excepcionadas pela norma de regência do coeficiente de 32%. A legislação tributária excepcionou às prestadoras de serviços a utilização do coeficiente de 8%, de forma expressa, somente para as construtoras civis, ainda assim, que, na modalidade de empreitada, e que utilizam materiais nas edificações, sem o repasse dos custos destes materiais (grifei), o que não é o caso. As excepcionalidades admitidas pela Receita Federal do Brasil foram normatizadas na Instrução Normativa RFB nº 480, de 2004, em razão da natureza dos serviços prestados. Dispõe o artigo 1º, §7º, II, sobre o conceito de construção civil, na modalidade total, o empreeiteiro fornece todos os materiais indispensáveis à sua execução sendo incorporados à obra, o que não inclui os instrumentos de trabalho e materiais utilizados nesta execução (§9º): Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 [...] § 7º Para os fins desta Instrução Normativa considerase: [...] II construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. [...] § 9º Para efeito do inciso II do § 7º não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. O Ato Declaratório Normativo nº 06, de 19971, que versa sobre o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal na atividade de construção por empreitada, declara: INa atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a)8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b)32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. (grifos não pertencem ao original) A recorrente tem como objeto social, consoante a Consolidação das Cláusulas Contratuais de fls. 18 a 20: “IIDO OBJETO SOCIAL A sociedade tem como objetivo o ramo de "Projetos, consultoria, instalações e administração na área de engenharia elétrica e comércio de materiais elétricos em geral". Em nenhum momento dos autos verificase que a recorrente tenha comprovado que opera no ramo de construção civil. A atividade da empresa descrita no Contrato Social, pois, de realizar projetos, consultoria, instalações elétricas e/ou a venda de materiais elétricos não pode ser equiparada a obras de construção civil e, implicitamente, 1 019 Qual a base de cálculo para as empresas que executam obras de construção civil e optam pelo lucro presumido? O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/perguntao/dipj2011/CapituloXIIIIRPJLucroPresumido2011.pdf Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907379/200999 Acórdão n.º 1801001.394 S1TE01 Fl. 5 7 contratadas na modalidade de empreitada, de pronto. Mister é a realização de provas neste aspecto. À receita proveniente da venda de mercadorias, por ser atividade de comércio, deve ser aplicado o coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido, mas a legislação tributária impõe às empresas que exercem atividades mistas (prestadoras de serviços e comércio) o dever de segregarem as receitas de cada atividade para efeito de aplicação do coeficiente pertinente, o que a empresa não comprova ter feito § 2º do artigo 15 da lei nº 9.249/95. A mera apresentação de Nota Fiscal de receitas auferidas e Notas de mercadorias adquiridas de terceiros, que inclusive podem corresponder ao estoque da empresa destinado à venda de mercadorias, na forma isolada apresentadas, sem o devido respaldo na contabilidade, ainda que escriturada de forma resumida, e mais documentos que a embasam, primordialmente eventuais os contratos de empreitadas de edificações, não possui qualquer valor probatório para o fim que a recorrente almeja, ou seja, ser considerada empresa do ramo de construção civil e, por conseguinte, fazer jus ao coeficiente de 8% para a apuração de seu lucro. Cito para robustecer este voto, Soluções de Consultas2, como fonte subsidiária na interpretação da norma tributária, em casos práticos análogos: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAIS É de 32% o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do imposto de Renda no lucro presumido, na atividade de prestação de serviços de reforma ou manutenção de motores elétricos com emprego de materiais (SRRF/6ª RF, Solução de Consulta nº 70/05) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAL, EXCETO CONSTRUÇÃO CIVIL Aplicase o percentual de 32% sobre a receita bruta das empresas prestadoras de serviços, com emprego ou não de materiais, para apuração do lucro presumido, [...] (SRRF/6ª RF, Solução de Consulta nº 170/03) INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE SISTEMAS DE AR CONDICIONADO E REFRIGERAÇÃO. As atividades de instalação e manutenção de sistemas de ar condicionado e refrigeração, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeitas as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinar a base de cálculo do IRPJ sob regime de tributação com base no lucro presumido. (SRRF/9ª RF, Solução de Consulta nº 305/06). 2 PEIXOTO, Marcelo Magalhães (coord) et al, Regulamento do Imposto de Renda Anotado e Comentado 2011, 6ª ed, MP Editora Fl. 74DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 INSTALAÇÃO, MANUTENÇÃO E EXTRAÇÃO DE DADOS DE EQUIPAMENTOS DE COMUNICAÇÃO E DE CONTROLE DE TRÁFEGO. As atividades de instalação, manutenção e extração de dados de equipamentos de comunicação [...] , ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeitas as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% para determinar a base de cálculo do IRPJ sob o regime de tributação com base no lucro presumido (SRRF/9ª RF, Solução de Consulta nº 94/06) A jurisprudência deste colegiado tem se manifestado no mesmo sentido, ora espelhado no Acórdão, cuja ementa transcrevese3: 140201.027, de 08 de maio de 2012 (2ª TO da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF) LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS SOBRE A RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Regular é a aplicação do coeficiente de 32% para determinação do lucro presumido em r elação a receitas decorrentes de prestação de serviços em geral, tais como: serviços de consultoria, serviços de limpeza, serviço d e locação de containers, serviço de queima de madeira, contrata ção de funcionários, e a autuada não logra comprovar que se tra tou de construção civil com emprego de materiais. Recurso Voluntário Negado. Com relação ao outro tópico aventado pela recorrente, deve ser esclarecido que as empresas que optam pelo regime do Lucro Presumido estão obrigadas, sim, a manter registros contábeis – ao menos o Livro de Inventário e Livro Caixa com toda a movimentação financeira –, dos quais são apurados os tributos devidos artigo 527 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (RIR/99 – Decreto nº 3.000/99): Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único) 3 http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf Fl. 75DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907379/200999 Acórdão n.º 1801001.394 S1TE01 Fl. 6 9 Outro ponto relevante, é que para a recorrente proceder à retificação das declarações prestadas ao fisco em tempo hábil, é necessário, igualmente, comprovar de forma cabal a existência de erro de fato dos valores originalmente declarados à Administração Tributária (cujos créditos tributários já foram inclusive extintos pelo pagamento). Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. Para comprovar o erro de fato mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, repito, ainda que na forma simplificada do Livro Caixa com a movimentação financeira registrada por completo e Inventário (possibilita a verificação do faturamento da empresa e a consequente tributação devida). Fl. 76DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 E o ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de repetição do indébito é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Desta forma, há, nos autos, absoluta ausência de provas hábeis para comprovar que os tributos recolhidos à época própria não foram devidos. A recorrente não logra comprovar possuir o crédito que alega no Per/Dcomp objeto deste litígio e que o tributo já recolhido não é devido aos cofres públicos, por fazer jus à utilização do coeficiente de 8% para apuração do Lucro Presumido. Corretos os cálculos dos tributos originalmente recolhidos que incidiram sobre 32% do faturamento da empresa. E no presente caso não há que se falar em qualquer inovação de fundamento nas razões de decidir do acórdão combatido, pois o despacho denegatório fundamentouse justamente na carência de prova da existência do crédito, asseverando que o tributo fora recolhido de forma devida e legalmente exigida, impassível de repetição. Argumento reforçado pela turma julgadora de primeira instância e ora adotado neste decisório para manter tanto o decidido no referido despacho a quo, quanto no acórdão vergastado. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 77DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003188/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 07/10/2010
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Meras alegações são incapazes de refutar o lançamento, quando não traz o recorrente qualquer prova de sua argumentação.
Numero da decisão: 2401-002.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Ao deixar de apresentar os documentos requeridos de forma reiterada pela autoridade fiscal, sejam eles: Livros Diário e Razão, Notas fiscais, faturas e recibos de mãodeobra ou serviços prestados Folhas de pagamento, dentre outros, incorreu na inobservância do artigo 33, § 2.º e 3 º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Meras alegações são incapazes de refutar o lançamento, quando não traz o recorrente qualquer prova de sua argumentação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/10/2010 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 88 /2 01 0- 56 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003188/201056 Acórdão n.º 2401002.932 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente autodeinfração, lavrado sob o n. 37.171.5458, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 33, §2º da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 21 a 24, solicitamos a apresentação dos seguintes documentos no Termo de Início de Procedimento Fiscal, nos Termos de Intimação Fiscal de 13/04/2010, 26/06/2010, 24/08/2010 e 06/09/2010 e no Termo de Reintimação de 24/09/2010 : Livros Diário e Razão meio digital Notas fiscais, faturas e recibos de mãodeobra ou serviços prestados Resumo das folhas de pagamento Folhas de pagamento de todos os segurados (empregados, contribuintes individuais e trabalhadores avulsos) Registro de empregados Guias de recolhimento que originaram os créditos compensados em GFIP; Documentos referentes ao Funcionário Vanderlei Cardoso Motta, CPF 006.694.43840, Pis 1.043.460.4035 e número de registro 17893: Páginas da Folha de pagamento, do Livro de Registro de Empregado, da Dirf e GFIP onde constem as informações funcionais e dos valores pagos e retidos do funcionário; Cópia dos recibos de quitação dos pagamentos feitos ao empregado; Cópia dos Holleriths; Porém o contribuinte deixou de apresentar os documentos solicitados, infringindo o disposto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33, §§ 2 o e 3 o , com redação da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 31 a 34. Foi exarada a Decisão de Primeira Instância que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 44 a 53. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 07/10/2010 a 07/10/2010 O B R I G A Ç Ã O ACESSÓRIA APRESENTAÇÃO DE D O C U M E N T O S . Deixar a empresa de exibir qualquer livro ou documento relacionado com as contribuições para a Seguridade Social constitui infração à legislação previdenciária. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 C I R C U N S T Â N C I A A G R A V A N T E . N Ã O C A R A C T E R I Z A Ç Ã O . Não se caracterizando a ocorrência de circunstância agravante prevista na legislação para gradação da multa, esta deve ser retificada. J U L G A M E N T O SIMULTÂNEO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO L E G A L . Inexiste mandamento legal determinando julgamento simultâneo das impugnações, devendo a decisão de primeira instância ser fundada com observância do princípio da celeridade do julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 74 a 77. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. Preliminarmente a documentação fiscal folhas de pagamento e livros Diário e Razão sempre esteve à disposição do Auditor Fiscal a partir da emissão do termo de intimação. Entretanto, o recorrente foi surpreendida com o arbitramento de contribuições por não apresentação de documentos A ação fiscal foi concluída com o envio do Auto de Infração por via postalbaseando que sequer houve a comunicação de encerramento da mesma. 2. Após descrição dos fatos, afirma que o Auto de Infração foi elaborado com vícios e equívocos que pretende demonstrar. 3. O Relatório Fiscal informa que o lançamento referese a obrigação acessória decorrente de remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, não declarada integralmente em GFIP, assim este lançamento é acessório ao Auto de Infração n° 37.171.5466 e deve ser julgado em conjunto com o mesmo. 4. No lançamento impugnado temos um Termo de Início de Procedimento Fiscal intimando o contribuinte a apresentar os Livros Diário e Razão (Lucro Real) meio digital. 5. No entanto, a intimação está prejudicada, pois o Auditor Fiscal não esclareceu o formato do meio digital, se MANAD, se IN 86, se formato SPED, se em arquivo texto. 6. A intimação determinava a entrega dos documentos à Av. Pacaembu, 715 Io andar. 7. No prazo estabelecido nas intimações, o contribuinte tentou entregar os documentos, sendo que em todas as oportunidades não encontrou o Auditor Fiscal nas dependências da Delegacia de Fiscalização. 8. Foi deixado telefone do setor responsável pelo atendimento à fiscalização, sendo que o Auditor Fiscal não promoveu o retorno do contato. 9. Tendo decorrido quase um ano após o início da ação fiscal, ficou o contribuinte inclusive considerando que a mesma tivesse sido cancelada. 10. Todos os documentos descritos como não apresentados estão à disposição da fiscalização. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003188/201056 Acórdão n.º 2401002.932 S2C4T1 Fl. 4 5 11. Requer o julgamento em conjunto, por conexão, dos lançamentos formalizados na mesma ação fiscal, com os seguintes Autos de Infração: 37.171.5415, 37.171.5423, 37.171.5431, 37.171.5458, 37.171.5466, 37.171.5474 e 37.171.5482. A DRFB encaminhou o processo para julgamento. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 255. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO VALIDADE DO PROCEDIMENTO Destacase, preliminarmente, que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, desobediência aos principais basilares do direito, ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, tampouco pela falta de fundamentação legal do arbitramento, conforme descrito pelo recorrente. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento. Intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária. Notese que o contribuinte foi reiteradamente intimado a apresentar os documentos para comprovação não só das compensações realizadas, bem como do recolhimento das contribuições pertinentes a sua folha de pagamento seja referente aos segurados empregados ou mesmo das pessoas físicas (contribuintes individuais) que lhe prestaram serviços. Contudo, nem durante o procedimento fiscal, nem tampouco na fase impugnatória, ou mesmo no recurso, apresentou o recorrente os documentos pertinentes a comprovação de suas alegações. Compete ao fisco realmente, o dever de fundamentar seus atos e oportunizar ao recorrente durante o procedimento fiscal, ser intimado a apresentar todos os documentos que serviram para comprovar sua regularidade fiscal. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade cumprido os requisitos legais, não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal foi suficientemente fundamentado, como também o relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito, trazem toda a fundamentação legal que embasou a constituição do lançamento, bem como o relatório DAD – descreve mensalmente e por competência os fatos geradores, e ainda o relatório de Documentos Apresentados – descreve todos os recolhimentos apropriados. Quanto a alegação de que o procedimento não foi devidamente encerrado pela fiscalização, entendo que a autoridade julgadora já afastou referido argumento, esclarecendo ao recorrente que o encaminhamento do Termo de Encerramento do procedimento fiscal junto com o AI via postal não fere a legislação. Não existe qualquer irregularidade no encaminhamento dos documentos pelos correios, nem tampouco no fato de a autoridade fiscal, ter se baseado na RAIS para Fl. 96DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003188/201056 Acórdão n.º 2401002.932 S2C4T1 Fl. 5 7 apuração da massa salarial para os meses em que não houve por parte da empresa a apresentação de folhas de pagamento. Dessa forma, o procedimento adotado pela autoridade fiscal seguiu o tramite correto, não existindo nulidade a ser declarada. Ao contrário do que argumentou o recorrente, o mesmo teria plena condição de indicar erros nas bases de cálculo por competência, guias não apropriadas, tendo em vista restar claro o procedimento adotado.. Dessa forma, bastaria a apresentação das folhas e contabilidade para descrever erros na base de cálculo apurada. Contudo, não identifiquei nos presentes autos, documentos hábeis a desconstituir o lançamento. NULIDADE PELO ENCAMINHAMENTO do TEAF POR AR Ainda no que pertine a nulidade, por ter o Termo de Encerramento da Ação Fiscal sido encaminhado pelo correio juntamente com o AI, sem que o recorrente tivesse ciência pessoal, razão também não confiro ao recorrente. Tendo a o AI sido encaminhada por via postal, junto com o TEAF não há qualquer nulidade. No mesmo sentido, posicionase o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. SÚMULA NO 6 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento ou a infração a dispositivo da lei, cumprilhe lavrar de imediato o auto de infração de forma vinculada. DO MÉRITO O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Conforme prevê o art. 33, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado a exibir os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art.33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9/07/2001) (...) Fl. 97DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Assim, a exigência da fiscalização não foi desmedida, pois a solicitação foi realizada no prazo estabelecido na legislação. A AuditoraFiscal agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, uma vez que sua atividade é vinculada. As alegações do recorrente de que tentou entregar os documentos solicitados, ou mesmo que a autoridade fiscal, não especificou o formato digital para entrega dos mesmos não merece ser acolhida. Da análise do procedimento fiscal e dos relatórios fiscais dos autos de infração de obrigações principais e acessórias identificamos que o recorrente não foi apenas intimada uma vez, mas reiteradamente. Ademais, observamos que seja durante a impugnação ou mesmo recurso, o recorrente não apresentou qualquer documento. Assim, caso tivesse sofrido qualquer restrição na entrega dos documentos (como alega ter tentado encontrar o auditor), poderia ter representado quanto a autoridade fiscal na própria DRFB, ou mesmo apresentado qualquer documento para comprovar suas alegações durante a fase de contencioso. Desse modo, a recorrente praticou a infração, pois a não apresentação da documentação durante o procedimento fiscal acarreta a responsabilidade do infrator pela penalidade prevista na legislação previdenciária. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é de conhecimento, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Conforme descrito no art. 96 do CTN, a legislação engloba não apenas as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos, mas também as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003188/201056 Acórdão n.º 2401002.932 S2C4T1 Fl. 6 9 Assim, foi correta a aplicação do auto de infração pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista no art. 33, § 2º, da Lei n ° 8.212/1991. O Auto de Infração ao ser aplicado no presente caso, não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Nesta última hipótese, o infrator não pagará nenhum valor, desde que cumpridas as disposições legais Nesse sentido, dispõe o art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificamse pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas em prol da Previdência Social. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo, ou das circunstâncias que geraram o descumprimento da legislação. Aliás citese a própria decisão da autoridade julgadora que abordou devidamente a questão, não trazendo o recorrente qualquer fato novo capaz de alterar aquele julgado. Da não apresentação da documentação exigida A Impugnante alega que toda a documentação fiscal, tais como folhas de pagamento e livros Diário e Razão sempre esteve à disposição do Auditor Fiscal no estabelecimento fiscalizado, a partir do termo de intimação. Conforme visto, o Auditor Fiscal emitiu o Termo de Início de Procedimento Fiscal em 15/12/2009, fls. 06, que deu início à fiscalização das contribuições previdenciárias e daquelas destinadas a Outras Entidades e Fundos referentes ao período de 06/2005 a 05/2009, com a solicitação dos documentos necessários, nos termos do inciso III do art. 32 e nos §§ I o e 2 o do art. 33, ambos da Lei n° 8.212/91. Foram ainda emitidos os Termos de Intimação Fiscal n° 1, 2, 3, e 4, fls. 08, 10, 12 e 14, assim como o Termo de Reintimação Fiscal, fls. 16, todos intimando a empresa a apresentar documentos e esclarecimentos relacionados às contribuições previdenciárias, referentes ao período de 06/2005 a 05/2009. Todos os termos foram recebidos pela Autuada, conforme cópias de Aviso de Recebimento AR às fls. 07, 09, 11, 13, 15 e 17. No entanto, conforme consta do Relatório Fiscal da Infração, a empresa não apresentou a documentação solicitada, fato que motivou a lavratura do presente Auto de Infração. <*f Assim, não pode ser aceita a alegação da Impugnante de qu^todjl^ documentação solicitada sempre esteve à disposição da fiscalização, e que teria surpreendida pelo arbitramento das contribuições. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão de Primeira Instância, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente autuação. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 100DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11080.013830/2007-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS.
DEDUÇÃO INDEVIDA DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.
Comprovado, cabalmente, os rendimentos decorrentes de aluguéis ou
royalties pagos por pessoas jurídicas a pessoas físicas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 7º, inciso II), comprovado está a origem dos rendimentos apontados na descrição dos fatos e enquadramento legal realizado pela autoridade fiscal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-001.716
Decisão: Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: ACACIA SAYURI WAKASUGI
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DEDUÇÃO INDEVIDA DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Comprovado, cabalmente, os rendimentos decorrentes de aluguéis ou royalties pagos por pessoas jurídicas a pessoas físicas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 7º, inciso II), comprovado está a origem dos rendimentos apontados na descrição dos fatos e enquadramento legal realizado pela autoridade fiscal. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Acácia Sayuri Wakasugi Relatora EDITADO EM: 18 de janeiro de 2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Acácia Sayuri Wakasugi, Francisco Marconi de Oliveira, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ACACIA SAYURI WAKASUGI, Assinado digitalmente em 17/05/20 12 por ACACIA SAYURI WAKASUGI, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMP OS Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento, referente à Imposto de Renda Pessoa Física, após o contribuinte ter apresentado retificadora referente ao exercício 2005, cujos valores envolvidos, conforme notificação de fls. 61, são: Demonstrativo Valor Imposto Suplementar (sujeito à multa de ofício) R$ 14.004,22 Multa de Ofício (passível de redução) R$ 10.503,16 Juros de Mora (31/07/2007) R$ 4.625,59 Imposto Suplementar (sujeito à multa de ofício) R$ 3.071,99 Multa de Mora (Não passível de redução) R$ 614,39 Juros de Mora (até 31/07/2007) R$ 1.014,67 Total do Crédito Tributário Apurado R$ 33.834,02 O contribuinte, como já mencionado, apresentou declaração retificadora, após a qual procedeuse a revisão fiscal, resultando na notificação de lançamento (fls. 61 dos autos) referente a: 1 Rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica (Governo do Estado do Rio Grande do Sul), no qual se verificou a omissão de rendimentos no valor de R$ 52.918,76 (Cinquenta e dois mil, novecentos e dezoito reais e setenta e seis centavos), Sendo que na apuração do imposto devido foi compensado o IRRF, sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 7.850,83 (Sete mil, oitocentos e cinquenta reais e oitenta e três centavos), conforme descrição dos fatos e enquadramento legal (fls. 06); 2 Rendimentos tributáveis, no valor de R$ 11.043,12 (Onze mil e quarenta e três reais e doze centavos), indevidamente compensados a titulo de IRRF, correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de imposto informado pela fonte pagadora, no caso, a empresa AZ Comercio de Artigos de Decoração. O contribuinte impugna o lançamento, apresentando nas fls. 01 e seguintes documentos e razões de sua inconformidade. Requereu ao final de sua impugnação à notificação de lançamento (fls.02), o que segue: “a) A anulação e desconsideração da declaração reretificadora que entregou equivocadamente em 30.11.2006, sob número 02.58.83.33.69.90, que apurou Imposto de Renda a Restituir no valor de R$ 668,74; b) A anulação e desconsideração das declarações retificadoras dos exercícios anteriores, mencionadas no item 6°, retro, relativas ao período dos exercícios e anoscalendário de 2004/03, 2003/02 e 2002/01; c) E, por fim, que a Notificação de Lançamento n° 2005/610440159893073, objeto, seja declarada inepta e carente de fundamento legal, visto, que o contribuinte nada deve, conforme ficou demonstrado”. Referente aos rendimentos recebidos do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, o ora recorrente juntou documentação, donde se verificou legitima a aposentadoria do Fl. 122DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ACACIA SAYURI WAKASUGI, Assinado digitalmente em 17/05/20 12 por ACACIA SAYURI WAKASUGI, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMP OS contribuinte, que apresentou laudo oficial que comprova doença grave (fls. 31), conforme constatado no julgamento da DRJ. No entanto, no que se refere aos rendimentos de alugueis, verificou a DRJ que a empresa locatária, pessoa jurídica, deixou de declarar no Imposto Retido na Fonte os pagamentos efetuados ao recorrente. Desta maneira, entendeu o a DRJ que o documento apresentado pela Imobiliária (fls. 27), administradora do imóvel, não comprova a retenção na fonte do valor de R$ 11.043,12, não sendo possível ao contribuinte, compensar o referido valor na sua declaração de ajuste anual. Como ilustração, segue ementa proferida pela DRJ que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, desconsiderando a multa de ofício, uma vez que já realizado pagamento pelo contribuinte. “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2004 IMPOSTO RETIDO NA FONTE Só pode ser Compensado na declaração de ajuste anual o imposto retido na fonte comprovado por documentação adequada. DOENÇA GRAVE São considerados isentos os rendimentos de aposentadoria recebidos por portador de doença grave comprovada por laudo oficial. Lançamento Procedente em Parte” O contribuinte foi intimado da decisão em 01/11/2008 (fls. 78). Inconformado, apresentou Recurso Voluntário em 24/11/2008, de fls. 7985, onde argumentou que foi juntado aos autos, em 25/11/2008 (fls. 89), a DIRF onde consta declarado os valores referente à locação feita a empresa AZ Comercio de Artigos de Decoração Ltda, requerendo, ao final, a restituição do imposto. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi. Admissibilidade O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENES DE ALUGUÉIS Fl. 123DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ACACIA SAYURI WAKASUGI, Assinado digitalmente em 17/05/20 12 por ACACIA SAYURI WAKASUGI, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMP OS Resta demonstrado nos autos, através do contrato de locação (fls. 4953) que o imóvel foi alugado à pessoa jurídica AZ Comércio de Artigos de Decoração Ltda, e que as receitas provenientes do referido aluguel foram auferidas pelo recorrente, conforme declaração constante as fls.11 dos autos. Inicialmente, cabe salientar que a incidência do IRRF sobre Rendimentos de alugueis pagos por Pessoa Jurídica à Pessoa Física está prevista no Artigo 631 do RIR/1999 e o código da receita é 3208. Sendo que estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, calculado na forma do art. 620, os rendimentos decorrentes de aluguéis ou royalties pagos por pessoas jurídicas a pessoas físicas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 7º, inciso II). Deste modo a Receita Federal admite sim a dedução de valores sobre aluguéis recebidos, sobretudo as taxas incidentes sobre o aluguel recebido. Assim, podem ser excluídos do valor do aluguel recebido às quantias relativas a impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; aluguel pago pela locação de imóvel sublocado; despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento; e despesas de condomínio, desde que o locador tenha suportado estes encargos, os mesmos podem ser deduzidos para encontrar a base de cálculo. Ressaltase que o documento juntado às fls. 89, qual seja, a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte, referente à empresa locatária AZ Comércio de Artigos de Decoração Ltda, comprova a origem dos rendimentos apontados na descrição dos fatos e enquadramento legal realizado pela autoridade fiscal (fls. 07). Quanto ao fato do documento de fls. 89 ter sido juntado após o Recurso Voluntário, em nada impede a análise do mesmo, uma vez que, o documento complementar foi protocolado ainda dentro do prazo recursal. Do exposto, restou comprovada a retenção na fonte do valor de R$ 11.043,12, sendo possível ao contribuinte, compensar o referido valor na sua declaração de ajuste anual, pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO. Sala das Sessões, em 18 de janeiro de 2012. Assinado digitalmente. Acácia Sayuri Wakasugi Relator. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ACACIA SAYURI WAKASUGI, Assinado digitalmente em 17/05/20 12 por ACACIA SAYURI WAKASUGI, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMP OS
score : 1.0
Numero do processo: 13983.000187/2005-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Somente os insumos que são utilizados na prestação de serviços ou na produção e fabricação de produtos geram direito de crédito da contribuição não cumulativa.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido, quanto ao direito ao crédito nas despesas com limpeza, esgoto, saneamento, ferragens e ferramentas, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barretos, que reconheciam o direito ao crédito nestas despesas.
Fez sustentação oral pela Recorrente Oscar Santana OAB/RJ 32641.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Somente os insumos que são utilizados na prestação de serviços ou na produção e fabricação de produtos geram direito de crédito da contribuição não cumulativa. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido, quanto ao direito ao crédito nas despesas com limpeza, esgoto, saneamento, ferragens e ferramentas, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barretos, que reconheciam o direito ao crédito nestas despesas. Fez sustentação oral pela Recorrente Oscar Santana OAB/RJ 32641. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva - Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Somente os insumos que são utilizados na prestação de serviços ou na produção e fabricação de produtos geram direito de crédito da contribuição não cumulativa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido, quanto ao direito ao crédito nas despesas com limpeza, esgoto, saneamento, ferragens e ferramentas, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barretos, que reconheciam o direito ao crédito nestas despesas. Fez sustentação oral pela Recorrente Oscar Santana – OAB/RJ 32641. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 3. 00 01 87 /2 00 5- 90 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 322 a 339) apresentado em 07 de janeiro de 2011 contra o Acórdão no 0721.797, de 29 de outubro de 2010, da 4ª Turma da DRJ/FNS (fls. 310 a 320), cientificado em 10 de dezembro de 2010, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins Não Cumulativa do 3º trimestre de 2005, considerou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os . serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PEDIDOS DE . RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O pedido inicial foi apresentado em 29 de novembro de 2005. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13983.000187/200590 Acórdão n.º 3302002.028 S3C3T2 Fl. 410 3 O despacho decisório de fls. 237 a 258 reconheceu em parte o direito de crédito. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: A Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC manifestouse pelo reconhecimento parcial do direito creditório postulado pela requerente. A DRF/Joaçaba glosou os valores pagos pela requerente a título de IPI incidente sobre aquisições de insumos, matériaprima e/ou material de embalagem, devido a se constituírem de custos recuperáveis. Não foram homologados os créditos decorrentes de operações de simples faturamento, decorrentes de compra para entrega futura; aquisição de insumos ou mercadorias sujeitas à alíquota zero; aquisições de pessoas jurídicas não domiciliadas no país; e falta de estorno de crédito relativo a devolução de compras. Foram também objeto de glosa, conforme exposto pela autoridade fiscal: [...] desembolsos que não se caracterizam como insumos utilizados nos produtos, tratandose de pagamentos relativos a simples doações, por liberalidade da empresa correspondente a pagamentos a Apae, Associações, pagamentos relativos a despesas gerais ou de consumo (Livraria, gastos com informática); Gastos efetuados com assistência médica de funcionários e ou/diretores, decorrentes de convênio com a UNIMED, a empresas de engenharia, de construções, etc, os quais evidentemente não se constituem valores passíveis de crédito por não se constituírem em “insumos” aplicados aos produtos produzidos, mas simples despesa administrativa: Não foram deferidos créditos referentes a gastos e desembolsos com serviços que se enquadram no conceito de insumos, como: [...] pagamentos efetuados a: agências de viagens, Associações, material de construção, limpeza, comunicação visual, associação de viagens e turismo, carimbos, companhia de águas e esgotos, saneamento, ferragens e ferramentas, fundação universitária, móveis, assessoria e planejamento, segurança, informática, metalurgia, locação de veículos, lava jato, limpeza, presentes (Lojas Colombo S/A), marcenaria, engenharia, mudanças, supermercado (Octaviano Zandonai & Filhos), Telecomunicações, confecções, Sesi, Senai, etc. etc. Foram glosados créditos decorrentes de valores despendidos com: tinta automotiva, com suprimentos de informativa, com a confecção de chaves e fotografias e imagens, brindes e lojas de vestuário, além de gastos com Sindicatos. Por fim, não foram reconhecidos os créditos decorrentes de gastos com construções/reformas. A interessada apresenta Fl. 412DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 manifestação de inconformidade frente a esta decisão, com os argumentos abaixo expostos. No tocante a glosa dos créditos referentes ao IPI incidente sobre as aquisições, entende que o IPI destacado nas notas fiscais relacionadas a aquisição dos insumos se tornou um custo/despesa para a mesma, razão pela qual se enquadraria ao disposto no artigo Io da Instrução Normativa n° 379/2003. Afirma que: Dessa forma devese admitir que todos os custos de produção e despesas operacionais incorridos pela ora Manifestante com a fabricação de produtos destinados à exportação são insumos e. portanto, passíveis de creditamento, uma vez que tal . ato é a lógica única que se extrai da nãocumulatividade e também da isenção integral das contribuições sociais em tela, mormente quando se está diante de produto destinado à exportação, • evitandose por consequência a também nefasta “exportação de tributos”; que nada mais faz senão retirar a competitividade do produto nacional no mercado estrangeiro. Em relação a falta de estorno do crédito relativo a devolução de compras, entende que a exigência fiscal não teve sua materialidade provada, mas simplesmente presumida, resultante de circunstâncias indiciárias, que não confirmariam qualquer irregularidade, e, desta forma, o ato seria nulo. Afirma ainda que, em relação aos insumos adquiridos de pessoas físicas, a requerente teria direito a dedução de crédito presumido no valor de 80%. No tocante ao conceito de insumos utilizado na decisão, expõe os seguintes argumentos: Observese que as referidas instruções normativas interpretaram o termo “insumos” em sentido estrito, amoldandoo à forma prevista no Regulamento do IPI (art. 164, l), o que ás torna viciadas de ilegalidade, pois o conteúdo e o alcance dos decretos e de quaisquer outros atos normativos infralegais — restringem se aos das leis em função dos quais sejam expedidos (art. 99 do Código Tributário Nacional). Outrossim, percebase que as próprias leis do PIS e da COFINS nãocumulativos sinalizam para a existência de uma diferença entre o que são “insumos” e o que são matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Aqueles englobam estes, mas a recíproca não é verdadeira. Logo, não se pode afirmar simplista e categoricamente que o conceito de “insumos”; para fins da legislação do PIS e da COFINS, tenha a mesma dimensão dada pela legislação do IPI. É que “insumos'; para esse imposto, tem um significado técnico (sentido estrito), enquanto para aquelas contribuições têm um significado comum (sentido lato). Não bastassem os argumentos já expostos, devese ter em conta ainda que o conceito de insumo para o IPI está relacionado Fl. 413DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13983.000187/200590 Acórdão n.º 3302002.028 S3C3T2 Fl. 411 5 estritamente a cada produto industrializado, resultante da aplicação de matériasprimas, • produtos intermediários e materiais de embalagem. Já em relação ao PIS e à COFINS, o conceito de “insumos” se relaciona com a totalidade das receitas auferidas (faturamento) pelo contribuinte, as quais, para serem obtidas, exigem que o contribuinte incorra em custos e despesas. Ademais, se a tributação deve recair sobre o valor agregado ao preço dos seus produtos, é porque está assegurado o direito de se tomar créditos em relação aos bens, serviços e encargos que se transformam em custos de produção ou em despesas operacionais, mormente quando tais custos e despesas estão intrinsecamente vinculados à obtenção das receitas tributáveis por tais contribuições sociais. Portanto, reconhecendose a acepção ampla _do termo “insumos” dentro da legislação do PIS e da COFINS, pela sua direta relação com o faturamento, devese então admitir que todos os custos de produção e despesas operacionais incorridos. No recurso, contesta que o ônus da prova deva ser seu, alegando que o Fisco não poderia utilizarse de presunções. Quanto ao IPI, alegou que se trataria de custos vinculados às receitas de vendas. Em relação ao crédito presumido de agroindústria, alegou que o procedimento teria adotado presunção. A seguir, tratou do conceito de insumo, alegando que o entendimento do Fisco seria equivocado. Quanto às receitas financeiras, alegou haver previsão expressa no art. 3º, V, da Lei n. 10.637, de 2002. Em relação às compras para entrega futura, alegou que “O artigo 30 da Lei 10.637/2002 defende que o direito a crédito é adquirido no momento da aquisição dos insumos para fins de industrialização dos produtos e não quando da efetiva entrega destes produtos” (aplicação do regime contábil). No tocante aos créditos de pessoa física, alegou que o art. 3º, §§ 5º e 6º, da Lei n. 10.637, de 2002, permitiria seu cálculo ao percentual de 80%. Em relação aos insumos de alíquota zero, citou entendimento do Supremo Tribunal Federal no RE 350.4461/PR, que tratou do IPI, e ressaltou que “o art. 17 da Lei 11.033/04 e o art. 16 da Lei 11.116/05 garantem ao fornecedor o direito à manutenção e utilização do crédito decorrente da aquisição de insumos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência de PIS e COFINS”. É o relatório. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. A Recorrente iniciou seu recurso pela alegação de nulidade do acórdão de primeira instância, que denegou a realização de perícia, no seu entendimento, sem justificar o porquê. O acórdão considerou o seguinte: Constatase que os quesitos formulados poderiam ser respondidos pelo próprio impugnante mediante o exame de provas documentais, cuja guarda e conservação lhe compete, e, ainda, poderiam ser respondidos pela simples análise das peças que estão juntadas neste processo, tais como o relatório da fiscalização e o auto de infração com demonstrativos e planilhas que identificam os montantes mensais das vendas efetuadas e omitidas pelo contribuinte. Cabe ao autuado apontar os erros que porventura existem no levantamento fiscal, já que tem condições para isso, por possuir conhecimentos dos fatos e documentos e relatórios que serviram de base para apuração das infrações. Verificase, portanto, descaber razão à Interessada, uma vez que tem razão o acórdão de primeira instância, tanto em relação à existência da justificativa da denegação do pedido quanto ao seu mérito. A Interessada ainda alegou que “a própria nãocumulatividade de PIS/COFINS e o conceito adotado de noção de insumo exige uma análise técnica, que os auditores não dispõem.” Entretanto, tal alegação não faz sentido algum, uma vez que cabe ao auditorfiscal aplicar a lei e não cabe ao perito manifestarse sobre questões puramente legais, mas, apenas, de provas. Em relação ao despacho decisório, houve motivação adequada, uma vez que todo o procedimento foi baseado no levantamento específico dos bens e serviços que geraram os créditos que a Interessada aproveitou. O despacho, em cada um dos tipos de insumo, expôs claramente as razões das glosas. Pelo fato de se tratar de uma lista numerosa de itens, a defesa, é claro, não é fácil, uma vez que, para contestar cada glosa é preciso justificar a razão por que o item respectivo deveria ser considerado insumo. Daí o longo recurso apresentado pela Interessada, que abrangeu todos os itens e apresentou as razões, em relação a cada tipo de glosa, por que as glosas seriam indevidas. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13983.000187/200590 Acórdão n.º 3302002.028 S3C3T2 Fl. 412 7 Ademais, o processo produtivo da Recorrente não é tão peculiar e complexo que justifique a realização de perícia. De fato, as questões principais discutidas nos autos não são relativas às matérias de fato, mas, sim, relativas ao alcance das disposições legais. Antes de iniciar o exame do mérito, destaquese, quanto às questões constitucionais, a aplicação ao presente caso dos seguintes dispositivos do Regimento Interno do Carf (Ricarf, anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ademais, aplicase também a Súmula Carf n. 2 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): Súmula Carf no 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, deve ser aplicada ao caso dos autos a lei em sua integralidade. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 As leis que tratam de PIS e Cofins não cumulativos trazem diversas exclusões específicas e, genericamente, no art. 3º, II, tratam dos insumos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Referido dispositivo referese a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produtos destinados a vendas. Dentro desse conceito é que se tentam enquadrar os mais variados custos e despesas incorridos pela empresa produtora para o fim de creditamento das contribuições não cumulativas. Entretanto, é preciso ter em conta que, de um lado, tal conceito não se confunde com o de insumo de IPI, restrito a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. De outro, não é qualquer bem ou serviço adquirido que gera direito de crédito. No caso do IPI, o aproveitamento de créditos ficou restrito aos insumos classificados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. Matériaprima é o insumo que dá origem ao produto; produto intermediário, um produto obtido no meio do processo de fabricação; material de embalagem, aquele utilizado no acondicionamento do produto. Enquanto que, relativamente ao material de embalagem, a única controvérsia resumese à diferenciação do Ripi entre embalagens para transporte e de apresentação, em relação aos produtos intermediários é que se formou uma grande discussão. Como o Regulamento dispõe que, para ser considerado produto intermediário, não precisa haver incorporação do bem ao produto acabado, desde que o bem também não se destine ao ativo permanente, abriuse margem à interpretação de que seriam essas as únicas condições para caracterização do conceito. Entretanto, a Receita Federal emitiu o entendimento, pelo Parecer CST n. 65, de 1979, de que seria necessário o consumo imediato e direto Nesse contexto, importa ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (Resp nº 1.075.508) decidiu que os materiais que são consumidos no processo industrial, ainda que não integrem o produto final, geram direito ao crédito presumido de IPI, nos seguintes termos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS Fl. 417DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13983.000187/200590 Acórdão n.º 3302002.028 S3C3T2 Fl. 413 9 AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’.. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (destaquei) Como se deduz do trecho destacado acima, somente os insumos incorporados ao produto final ou que se desgastam no processo de industrialização é que geram direito de crédito. Em seu voto, o Ministro relator destacou o seguinte: [...] Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram ao produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste Fl. 418DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. [...] In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. [...] Conforme esclarecido acima, somente geram direito a crédito de IPI os insumos que além de não se destinarem ao ativo permanente ou se incorporem ao produto fabricado ou cujo desgaste ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização. Portanto, para o IPI o critério para definição de insumo (mais restrito) é do consumo do bem no processo de produção. Tratandose de PIS e Cofins, no entanto, a condição expressamente prevista na lei é de que o bem ou serviço seja “utilizado” na prestação de serviços ou na produção e fabricação de produtos. Portanto, embora insumo seja genericamente qualquer elemento necessário para produzir mercadorias ou serviços, a lei exige que, para gerar crédito, ele seja utilizado na produção ou fabricação. Não é necessário seu consumo direto e imediato, como no caso do IPI. Entretanto, tal disposição, singela e bastante clara, restringe drasticamente as pretensões de interpretar a disposição legal citada como referente a todo e qualquer insumo de produção. A primeira conclusão é elementar: custos e despesas posteriores à produção ou à prestação de serviços não geram direito de crédito com base no dispositivo. Assim, somente os casos previstos em outros incisos específicos do citado artigo geram crédito, quando não enquadrados no conceito de insumo utilizado na produção. Além disso, o critério adotado pela lei para que uma despesa gere crédito não é a circunstância de se tratar de despesa necessária, imprescindível ou obrigatória para a obtenção do produto, que, para o caso, é irrelevante. Ademais, a legislação permite, ao contrário do IPI, o creditamento relativo aos encargos de depreciação e amortização, que representam, indiretamente, o creditamento diferido do ativo imobilizado. Entretanto, tal creditamento também sofre restrições, a começar pela de que somente os bens adquiridos a partir de 1º de maio de 2004 podem gerar os créditos. Consequentemente, os bens adquiridos anteriormente à data mencionada e as partes e peças de máquinas que devam ser registradas no ativo fixo, como aquelas que aumentem a vida útil do bem em mais de um ano (art. 346 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999), não podem gerar crédito diretamente. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13983.000187/200590 Acórdão n.º 3302002.028 S3C3T2 Fl. 414 11 Em linhas gerais, essas são as regras que devem orientar a análise do direito de crédito de PIS e Cofins não cumulativos. Quanto ao caso concreto, verificase que nenhuma das modalidades dos créditos glosados corresponde ao conceito de insumo utilizado na produção de bens ou serviços. No presente processo, ao contrário dos processos 10925.905142/201077, 10925.905143/201011 e 10925.905144/201066, não houve apresentou de provas que demonstrassem ao menos em parte as alegações da Interessada. Em relação a essa matéria, ao IPI recuperável e à falta de estorno relativo à devolução de compras, adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1998, para negar provimento ao recurso. É que não há possibilidade de ser incluído na base de cálculo, por se tratar de despesa recuperável e por não integrar o custo do produto. Em relação ao crédito presumido de agroindústria e aos créditos por retornos de compra, a Interessada alegou que o procedimento teria adotado presunção. Entretanto, as glosas resultaram da análise da documentação da Interessada e, tendo sido verificada a ausência de condição do crédito (comprovação), caberia à Interessada demonstrar o seu direito, conforme destacado pela Primeira Instância. Conforme constou do despacho decisório, tratarseia dos seguintes itens; Neste passo, portanto não há como se reconhecer direito ao crédito em relação a pagamentos efetuados a: agências de viagens, Associações, material de construção, limpeza, comunicação visual, associação de viagens e turismo, carimbos, companhia de águas e esgotos, saneamento, ferragens e ferramentas, fundação universitária, móveis, assessoria e planejamento, segurança, informática, metalurgia, locação de veículos, lavajato, limpeza, presentes (Lojas Colombo S/A), marcenaria, engenharia, mudanças, supermercado (Octaviano Zandonai & Filhos), Telecomunicações, confecções, Sesi, Senai, etc. etc. Também, não se pode admitir no cômputo dos créditos valores despendidos com: tinta automotiva, com suprimentos de informativa, com a confecção de chaves e fotografas e imagens, brindes e lojas de vestuário, além de gastos com Sindicatos, uma vez que tais desembolsos não se agregam aos produtos produzidos ou a nenhum serviço que pudesse ser vendido pela empresa. Representam, na verdade, gastos normais inerentes ou não à atividade, necessários ou não, não sendo, todavia, computados como insumo. De fato, nenhum desses itens enquadramse na definição de insumo anteriormente exposta. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 12 Em relação às aquisições que seriam de pessoa física, considerou o seguinte o acórdão de primeira instância: Observase, todavia, que este órgão julgador não pode incluir os valores glosados como crédito presumido de atividades agroindustriais, pois é condição para o creditamento que o contribuinte informe no Dacon todas operações que influenciem a apuração do valor devido das contribuições. Ademais, devese acrescentar que a alegação acima, apresentada na manifestação de inconformidade, não foi devidamente demonstrada. Quanto às receitas financeiras, alegou haver previsão expressa no art. 3º, V, da Lei n. 10.637, de 2002, mas não houve glosas em relação a tais itens. Na manifestação de inconformidade, a Interessada requereu, na realidade, a exclusão das despesas financeiras. Entretanto, não consta do despacho decisório menção à glosa de exclusões de despesas financeiras. Em relação às compras para entrega futura, o direito de crédito refere aos insumos utilizados na produção, conforme disposto no art. 3º, § , das Leis n. 10.637 e 10.833, o que implica que o cálculo do crédito deve ser efetuado em relação aos insumos ao menos em estoque. Em relação aos insumos de alíquota zero, citou entendimento do Supremo Tribunal Federal no RE 350.4461/PR, que tratou do IPI, e ressaltou que “o art. 17 da Lei 11.033/04 e o art. 16 da Lei 11.116/05 garantem ao fornecedor o direito à manutenção e utilização do crédito decorrente da aquisição de insumos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência de PIS e COFINS”. Entretanto, não pode ser aplicado às contribuições nãocumulativas o mesmo raciocínio aplicado ao IPI, por não se tratar da mesma legislação e forma de não cumulatividade. Ademais, o referido entendimento foi posteriormente alterado pelo Supremo Tribunal Federal e a legislação de PIS e Cofins veda o creditamento relativo a insumos desonerados, como ressaltado pelas instâncias anteriores. Dessa forma, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 421DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13983.000187/200590 Acórdão n.º 3302002.028 S3C3T2 Fl. 415 13 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10680.900467/2009-40
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2001
PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO DIFERENCIADO CONFORME A DATA DO PEDIDO.
Em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação e pagos antecipadamente, o termo de início da contagem do prazo prescricional de 5 (cinco) anos começa a fluir (a) a partir da data da homologação tácita ou expressa do pagamento no caso de a petição de indébito ter sido formalizada até 08.06.2005 e (b) a partir da data do pagamento antecipado e indevido de tributo no caso de a petição de indébito ter sido formalizada a partir 08.06.2005.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.
Numero da decisão: 1801-001.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1ª instância para apreciar o mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2001 PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO DIFERENCIADO CONFORME A DATA DO PEDIDO. Em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação e pagos antecipadamente, o termo de início da contagem do prazo prescricional de 5 (cinco) anos começa a fluir (a) a partir da data da homologação tácita ou expressa do pagamento no caso de a petição de indébito ter sido formalizada até 08.06.2005 e (b) a partir da data do pagamento antecipado e indevido de tributo no caso de a petição de indébito ter sido formalizada a partir 08.06.2005. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1ª instância para apreciar o mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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REPETIÇÃO DE INDÉBITO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO DIFERENCIADO CONFORME A DATA DO PEDIDO. Em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação e pagos antecipadamente, o termo de início da contagem do prazo prescricional de 5 (cinco) anos começa a fluir (a) a partir da data da homologação tácita ou expressa do pagamento no caso de a petição de indébito ter sido formalizada até 08.06.2005 e (b) a partir da data do pagamento antecipado e indevido de tributo no caso de a petição de indébito ter sido formalizada a partir 08.06.2005. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1ª instância para apreciar o mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 04 67 /2 00 9- 40 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900467/200940 Acórdão n.º 1801001.402 S1TE01 Fl. 194 2 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 3238.22598.250205.1.3.048884 em 25.02.2005, fls. 0812, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$17.762,93 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), contido no Darf de valor integral de R$54.969,17, código nº 2372, apurado pelo lucro presumido, efetuado em 28.02.2000, relativamente ao 4º trimestre de 1999, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 04, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 17.762,93 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi j localizado nos sistemas da Receita Federal. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 04.03.2009, fl. 124, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 31.03.2009, fls. 0102, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita 2 A empresa após análise de sua contabilidade verificou que para a competência referente ao 4º trimestre de 1999 ocorreu um erro material na determinação da base de cálculo da CSLL. Após constatado o erro, a empresa procedeu à retificação do lançamento e simultaneamente efetuou a retificação de sua Declaração de Imposto de Renda e de sua DCTF do 4º trimestre de 1999. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900467/200940 Acórdão n.º 1801001.402 S1TE01 Fl. 195 3 3 Dessa forma, o valor corretamente devido da CSLL para a competência do 4º trimestre de 1999 ficou determinado em R$22.195,30 (vinte e dois mil, cento e noventa e cinco reais e trinta centavos), como a empresa havia recolhido em 31/01/2000 DARF no valor de R$54.969,17 (cinquenta e quatro mil, novecentos e sessenta e nove reais e dezessete centavos), restou um saldo em seu favor no montante de R$32.773,87 (trinta e dois mil setecentos e setenta e três reais e oitenta e sete centavos). Parte deste saldo foi utilizado para compensação da CSLL devida, referente ao 4° trimestre de 2002 perfazendo um montante de R$17.762,93 (dezessete mil, setecentos e sessenta e dois reais e noventa e três centavos). 4 Entretanto, a Receita Federal, por meio do despacho decisório ora impugnado, alega que não foi confirmada a existência do crédito acima descrito, por não ter localizado em seus sistemas o DARF pelo qual o recolhimento foi realizado, dessa forma, fazse necessária a comprovação através da juntada da anexa cópia do referido DARF devidamente quitado. Conclui Diante de todo o exposto, requer que estes honrados Julgadores desta douta Turma dêem procedência á presente manifestação de inconformidade para homologar totalmente o pedido de compensação realizado perante a Secretaria da Receita Federal. Nestes termos, Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0236.959, de 12.01.2012, fls. 126129: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Consta no Voto Condutor Em face das alegações e documentos apresentados, constatase que a contribuinte cometeu um erro ao preencher a DCOMP objeto do presente processo. Enquanto na DCOMP informou 28/02/2000 como data do pagamento, sua manifestação de inconformidade demonstra (q.v. doc. de fl. 66) que o recolhimento ocorreu, em verdade, no dia 31/01/2000. [...] Assim, concluise que o direito à restituição/compensação de indébito de tributo ou contribuição extinguese após o transcurso do lapso temporal de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento indevido ou maior que o devido. E uma vez que, no vertente caso, entre a transmissão da declaração de compensação, ocorrida em 25/02/2005, e o pagamento, efetuado em 31/01/2000, decorreram mais de cinco anos, concluise estar extinto o direito à restituição/compensação da manifestante. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 Ementa: O direito à restituição ou à compensação de crédito tributário pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data do pagamento. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900467/200940 Acórdão n.º 1801001.402 S1TE01 Fl. 196 4 Notificada em 23.01.2012, fl. 132, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 03.02.2012, fls. 133135, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente afirma que o pedido não foi alcançado pela prescrição. Para que haja direito à compensação, a Recorrente deve comprovar, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição. Compete antes de examinar as razões da defesa, analisar a objeção de prescrição por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda da pretensão do direito de a Fazenda Pública cobrar o crédito tributário já constituído pelo lançamento, tendo em vista o decurso do prazo de 5 (cinco) anos previsto em lei 1. No caso de prescrição da repetição de indébito a contagem do prazo tem sua contagem diferenciada conforme a data do pedido. Em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação e pagos antecipadamente, o termo de início da contagem do prazo prescricional de 5 (cinco) anos começa a fluir (a) a partir da data da homologação tácita ou expressa do pagamento no caso de a petição de indébito ter sido formalizada até 08.06.2005 e (b) a partir da data do pagamento antecipado e indevido de tributo no caso de a petição de indébito ter sido formalizada a partir de 08.06.20052. Este é o entendimento constante nas decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Repercussão Geral no Recurso Extraordinário nº 566.621/RS3, e na Repercussão Geral no Recurso 1 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional. 2 Fundamentação legal: art. 165 e art. 168 do Código Tributário Nacional e Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005. 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recuso Extraordinário de nº 566621/RS. Ministra Relatora: Ellen Gracie. Plenário, Brasília, DF, 4 de agosto de 2011. Disponível em:< http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28RE%24%2ESCLA%2E+E+566621% 2ENUME%2E%29+OU+%28RE%2EACMS%2E+ADJ2+566621%2EACMS%2E%29&base=baseAcordaos>. Acesso em: 25 mar. 2012. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900467/200940 Acórdão n.º 1801001.402 S1TE01 Fl. 197 5 Extraordinário nº 561.908/RS4, que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5. Diferentemente, o pedido de compensação do direito creditório anteriormente reconhecido no prazo legal é imprescritível no caso de preenchidas determinas condições. Nesse sentido, O sujeito passivo pode compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB, desde que, à data da apresentação da Declaração de Compensação, (a) o seu pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, pela autoridade competente da RFB e (b) se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. Nesse caso, o sujeito passivo pode apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo de 5(cinco anos)6. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 7. O fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos alcançados pela prescrição, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do direito creditório pleiteado. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados 4 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Repercussão Geral em Recurso Extraorniário nº561908/RS. Ministro Relator: Marco Aurélio. Plenário, Brasília, DF, 16 de agosto de 2011. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2554040&numero Processo=561908&classeProcesso=RE&numeroTema=4> . Acesso em: 25 ago. 2011. 5 Fundamentação legal: art. 106, art. 165, art. 168 e art. 174 do Código Tributário Nacional, art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, art. 28 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 6 Fundamentação legal: §§ 5º e 10 do art. 41 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, e § 14 da Lei nº 9.430, de 17 de dezembro de 1996. 7 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900467/200940 Acórdão n.º 1801001.402 S1TE01 Fl. 198 6 permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19728. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório foi afastado pela suposta ocorrência da prescrição, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso9. No presente caso, o Per/DComp foi formalizado em 25.02.2005, fls. 0812, relativamente ao pagamento supostamente a maior de CSLL efetuado em 28.02.2000. Verifica se que a petição de indébito de CSLL não foi alcançada pela prescrição, uma vez que foi apresentada até 08.06.2005. Por este motivo cabe o exame das demais razões de defesa indicadas na manifestação de inconformidade. Em assim sucedendo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de CSLL, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela Turma Julgadora de 1ª instância para apreciar o mérito do litígio, com o conseqüente retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso10. A autoridade preparadora deve verificar se houve pedido de reconhecimento do direito creditório em outros autos referente ao mesmo suposto pagamento a maior e se ali foi admitido como correto esse valor, para evitar a utilização em duplicidade do crédito tributário pleiteado nesses autos. 8 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 1.300, 20 de novembro de 2012. 9 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. 10 Fundamentação legal: Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900467/200940 Acórdão n.º 1801001.402 S1TE01 Fl. 199 7 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 199DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10715.000690/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2004
MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. ART. 102, §2º, DO DECRETO-LEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350/2010.
Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro., em face da incidência do art. 102, §2º, do Decreto-Lei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas.
RETROATIVIDADE BENIGNA.
Considerando que o dispositivo que autoriza a exclusão de multa administrativa em razão de denúncia espontânea entrou em vigor antes do julgamento da peça recursal, faz-se necessário observar o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional e afastar a multa prevista no art. 107, IV, e, do Decreto-Lei nº 37/66.
Numero da decisão: 3201-001.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim, que apresentou declaração de voto.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 04/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano DAmorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sergio Celani e Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2004 MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. ART. 102, §2º, DO DECRETO-LEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350/2010. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro., em face da incidência do art. 102, §2º, do Decreto-Lei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas. RETROATIVIDADE BENIGNA. Considerando que o dispositivo que autoriza a exclusão de multa administrativa em razão de denúncia espontânea entrou em vigor antes do julgamento da peça recursal, faz-se necessário observar o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional e afastar a multa prevista no art. 107, IV, e, do Decreto-Lei nº 37/66.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim, que apresentou declaração de voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator. EDITADO EM: 04/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano DAmorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sergio Celani e Marcelo Ribeiro Nogueira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2004 MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. ART. 102, §2º, DO DECRETOLEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350/2010. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro., em face da incidência do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas. RETROATIVIDADE BENIGNA. Considerando que o dispositivo que autoriza a exclusão de multa administrativa em razão de denúncia espontânea entrou em vigor antes do julgamento da peça recursal, fazse necessário observar o art. 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional e afastar a multa prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim, que apresentou declaração de voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 06 90 /2 00 9- 41 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assi nado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 04/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sergio Celani e Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 02 a 04, por meio do qual encontrase formalizada a exigência do crédito tributário no valor de R$ 60.000,00 em decorrência do fato de a interessada, segunda a autuação, ter registrado intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos despachos de exportação indicados na planilha juntada A fl. 05, descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 510, de 14 de fevereiro de 2005, sujeitandose por essa infração à multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. Cientificada da exigência que lhe é imposta, a interessada apresenta a impugnação de fls. 15 a 24, argumentando, em síntese, que: a) a autuação utilizou a norma do art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994 com a redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 510, de 2005 para embarques ocorridos anteriormente à vigência da nova redação o que é impossível; b) ocorreu violação ao principio da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia; c) não é aplicada ao caso a norma prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 1966; d) para fins de realizar os registros em questão, no Siscomex, fica na dependência de informações por parte de terceiros intervenientes no processo de exportação; e) ao tempo em que deveria ter efetuado os registros em questão, no Siscomex, ocorreu falha no sistema impedindo a realização dos mesmos; e f) a aplicação de penalidade deve ser afastada em razão da Solução de Consulta n° 215, de 16 de agosto de 2004 (esta solução de consulta foi proferida pela SRRF na 9ª Região Fiscal). A impugnação foi julgada improcedente pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC), conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 0721503, de 08/10/2010: Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assi nado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.000690/200941 Acórdão n.º 3201001.225 S3C2T1 Fl. 154 3 Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2004 Ementa: Registro dos dados de embarque de mercadorias destinadas exportação. Realização Intempestiva. Infração. Penalidade. O registro dos dados de embarque, no Siscomex, relativo à mercadoria destinada à exportação realizada fora do prazo fixado constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994 sujeitando o transportador multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, o Recorrente interpôs seu recurso voluntário, de forma tempestiva, reiterando em parte os argumentos de defesa apresentados por ocasião da impugnação. Além disso, esclarece que a edição da Instrução Normativa SRF n° 1.096, de 13 de dezembro de 2010, que deixou de definir como infração a conduta correspondente à inserção de dados de embarque de mercadorias no Siscomex dentro do prazo de sete dias, invocando, pois, a retroatividade benigna de que trata o art. 106, inciso II, alínea “a”, do Código Tributário Nacional. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño – Relator O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O cerne da disputa consiste em saber se a Recorrente poderia sofrer a penalidade aplicada pela fiscalização em função do descumprimento do prazo previsto na Instrução Normativa SRF nº 28 de 1994 para prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada. Com efeito, a penalidade aplicada à Recorrente está fundamentada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação dada pela Lei nº 10.833 de 2003, que assim dispõe: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assi nado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (...) A Recorrente não contesta o atraso na informação, logo, dado o caráter objetivo da infração, entendo que não há dúvidas quanto ao cabimento da penalidade. Quanto ao argumento da denúncia espontânea, é interessante notar que o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação dada pela Lei nº 12.350 de 2010, passou a prever a possibilidade de exclusão de multa administrativa decorrente de descumprimento de obrigação aduaneira. Há inclusive jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aplicando o referido dispositivo, a saber: MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A NAVIO OU A MERCADORIAS NELE EMBARCADAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.. POSSIBILIDADE. ART. 102, §2º DO DECRETOLEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12/2010. APLICAÇÃO RETROATIVA. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro., em face da incidência do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas. (Acórdão nº 3101000.997, Rel. Cons. Luiz Roberto Domingo, Sessão de 25/01/2012) No caso concreto, o auto de infração foi lavrado em 27/01/2009 (fl. 1) e a Recorrente informou os dados de embarque no Siscomex pouco depois das datas de embarque (fl. 5). Logo, assiste razão à Recorrente no tocante ao não cabimento da multa apesar do caráter objetivo da conduta prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28 de 1994 e da hipótese de aplicação da penalidade prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37 de 1966. Desse modo, fazse necessário observar o disposto no art. 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional e aplicar a retroatividade benigna para contemplar a situação vivenciada pela Recorrente. Sobre o assunto, a Câmara Superior deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se pronunciou. Confirase: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplicase a legislação superveniente que venha a Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assi nado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.000690/200941 Acórdão n.º 3201001.225 S3C2T1 Fl. 155 5 beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna. (Acórdão nº 910100344, Cons. Rel. Valmir Sandri, Sessão de 24/08/2009) Diante de todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, exonerando o crédito tributário integralmente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator Declaração de Voto Conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim Com o devido respeito à decisão acordada nesta Turma, seguem abaixo os motivos, mediante os quais exponho a minha discordância em relação à dispensa da multa prevista no art. 77 da Lei no 10.833, de 29/12/2003, tendo em vista a nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 18/11/1966, por conta da MP 497/2010, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010. A multa referida foi aplicada por conta da ocorrência de atraso no registro no Siscomex das informações sobre dados de embarque na exportação. Cabendo à empresa transportadora a multa específica prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei no 37/1966, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 61 da Medida Provisória no 135, de 30/10/2003 (DOU de 31/10/2003), que veio a ser convertido no art. 77 da Lei no 10.833, de 29/12/2003, que estabeleceu, verbis: “Art. 77. Os arts. 1o, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do Decreto Lei no 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (...) "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assi nado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (...)” Ou seja, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”. O descumprimento da obrigação de prestar à SRF, na forma e no prazo por ela estabelecidos, a informação sobre as cargas transportadas passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00 prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei no 37/1966. Ressaltese que a IN RFB no 1.096, de 13/12/2010 (DOU 14/12/2010), aumentou o prazo para a apresentação de dados pertinentes ao embarque para 7 (sete) dias, antes era de 2 (dois) dias (IN n° 510/2005), verbis: “Art. 1º Os arts. 37, 41 e 52 da Instrução Normativa SRF no 28, de 27 de abril de 1994, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque.” (destaquei) Concluindo, pois, o prazo é de 7 (sete) dias para efeitos de cumprimento dessa obrigação acessória. O Art. 40 Lei 12.350, de 20/12/2010 (das demais alterações na legislação tributária), passa a vigorar dessa forma: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assi nado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.000690/200941 Acórdão n.º 3201001.225 S3C2T1 Fl. 156 7 tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento." (NR) De acordo com o item 40 da Exposição de Motivos da MP 497/2010 (que foi convertida na Lei 12.350/2010) a nova redação dada ao § 2º do art. 102 do Decretolei 37/66 "visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza". Ainda, consta na Nota Descritiva sobre a Exposição de Motivos da MP 497/2010, em seu item 7, das alterações do DecretoLei de n° 37/66, declaração sobre previsão de que a denúncia espontânea exclua, também, penalidades de natureza meramente administrativa. Quanto à figura de denúncia espontânea, contemplada no art. 138 do CTN somente é possível sua ocorrência de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso de atraso na entrega da declaração, ou pela prestação de informações sobre o embarque de cargas transportadas no Siscomex, a destempo, que se torna ostensivo com decurso do prazo fixado para a entrega tempestiva da mesma ou do prazo a ser observado. Pois bem, sempre entendi que denúncia espontânea tratavase de um procedimento formal, pertinente a uma comunicação à RFB, que tinha como consequência a exclusão de penalidades, a partir de alguma informação desconhecida pela própria Receita. No entanto, agora surge essa corrente que propugna pela aplicação da regra para o caso de não cumprimento de procedimentos em prazo fixado, como é o caso do não cumprimento de prazo para a prestação de informações. Tratase, no meu entender, de infração que já ocorreu. A valer desse entendimento, a RFB, por exemplo, iria ter que manter um agente de plantão (fiscalização) para que, no dia seguinte que ultrapassar o prazo de prestação de informações pelo transportador, seja formalizado o auto de infração. E deverá ser feito um auto de infração por dia, porque se o fiscal esperar para juntar diversas omissões do transportador, poderá incorrer na possibilidade de que, em dia que se seguir, já tenha sido apresentada a informação, embora a destempo, mas que viria a abrigar o transportador com a pretendida denúncia espontânea. Com esse argumento, não vejo aplicabilidade às multas fixas (como é o caso), nem às sanções de advertência suspensão e cassação. E, mais, seria o caso, de aplicação da súmula CARF n° 49, pois a prestação de informações é uma obrigação acessória. A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Falando no art.138 do Código Tributário Nacional, analisando o Capítulo V – “Responsabilidade Tributária” e Seção IV – “Responsabilidade por Infrações”, que trata acerca do instituto da denúncia espontânea: Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assi nado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Pela leitura, o pagamento do tributo se torna necessário para a ocorrência da denúncia espontânea, com a devida atualização monetária e juros de mora, atentandose para outra condição, qual seja: apresentar a denúncia espontânea antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco. Adotando este procedimento, o contribuinte tem a seu favor a exclusão da penalidade, em outro dizer, multa moratória incidente sobre o valor objeto da denúncia. O legislador teve a intenção de criar a denúncia espontânea como um estímulo aos contribuintes a se manterem regulares perante o Fisco. Antecipandose em relação à administração fazendária e realizando o pagamento da obrigação tributária que está em atraso, a multa moratória deve ser excluída, ante o seu caráter de penalidade. Como leciona Hugo de Brito Machado, em sua obra “Curso de Direito Tributário”, 27ª Edição, Malheiros, página 184: O Art. 138 do Código Tributário Nacional é um instrumento de política legislativa tributária. O legislador estimulou o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias, premiando o sujeito passivo com a exclusão de penalidades quando este espontaneamente denuncia a infração cometida e paga, sendo o caso, o tributo devido. No entendimento do STJ, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. É pacífica a jurisprudência da Corte Superior no sentido da impossibilidade de se estender os benefícios da denúncia espontânea quando se tratar de entrega com atraso da declaração de rendimentos. Os diversos julgados existentes salientam que as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. A Egrégia 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 195161/GO (98/00849050), em que foi relator o Ministro José Delgado (DJ de 26 de abril de 1999), por unanimidade de votos, que embora tenha tratado de declaração do Imposto de renda é, também, aplicável à entrega de DCTF: "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. INCIDÊNCIA. ART. 88 DA LEI 8.981/95. 1 A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assi nado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.000690/200941 Acórdão n.º 3201001.225 S3C2T1 Fl. 157 9 2 As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. 3 Há de se acolher a incidência do art. 88 da Lei n.º 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138 do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes. 4 Recurso provido." Destaco alguns trechos do RESP 738.397RS, do relator ministro Teori Albino Zavascki, da 1ª Turma, STJ, linhas que resumem de uma forma geral as razões do posicionamento adotado pela STJ, após diversos julgados na mesma linha de julgamento, com destaques: (...) Não se pode confundir nem identificar denúncia espontânea com recolhimento em atraso do valor correspondente a crédito tributário devidamente constituído. O art. 138 do CTN, que trata da denúncia espontânea, não eliminou a figura da multa de mora, a que o Código também faz referência (art. 134, par. único). A denúncia espontânea é instituto que tem como pressuposto básico e essencial o total desconhecimento do Fisco quanto à existência do tributo denunciado. A simples iniciativa do Fisco de dar início à investigação sobre a existência do tributo já elimina a espontaneidade (CTN, art. 138, par. único). Conseqüentemente, não há possibilidade lógica de haver denúncia espontânea de créditos tributários já constituídos e, portanto, líquidos, certos e exigíveis. Em tais casos, o recolhimento fora de prazo não é denúncia espontânea e, portanto, não afasta a incidência de multa moratória. (...) 4.À luz dessas circunstâncias, fica evidenciada mais uma importante conseqüência, além das já referidas, decorrentes da constituição o crédito tributário: a de inviabilizar a configuração de denúncia espontânea, tal como prevista no art. 138 do CTN. A essa altura, a iniciativa do contribuinte de promover o recolhimento do tributo declarado nada mais representa que um pagamento em atraso. E não se pode confundir pagamento atrasado com denúncia espontânea. Com base nessa linha de orientação, a 1ª Seção firmou entendimento de que não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos declarados, porém pagos a destempo pelo contribuinte, ainda que o pagamento seja integral. Assim, v.g, ficou decidido no ERESP 531249DJ de 09.08.2004, Min. Castro Meira: "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO DECLARADO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A posição majoritária da Primeira Seção desta Corte é no sentido da não admitir a denúncia espontânea nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando houver declaração desacompanhada do recolhimento do tributo. 2. Embargos de divergência rejeitados. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assi nado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 Assim, considerase que, nessas hipóteses, a declaração formaliza a existência do crédito tributário, trazendoo para o mundo jurídico, e, constituído o crédito, ocorrendo o seu recolhimento a destempo, não enseja o benefício do art. 138 do CTN, que é incompatível com a expressão “do pagamento do tributo devido e dos juros de mora” nele contida, haja vista que uma das características para o benefício da denúncia espontânea é o pagamento na data do tributo, estabelecida em lei. Ao efetuar o pagamento do tributo fora de prazo (ainda que pelo valor integral, corrigido monetariamente e com juros), o STJ considera tal ato como sendo fator inibidor para a incidência da aplicação do benefício de denúncia espontânea. Então, por todo o raciocínio desenvolvido, pelas correntes acima apontadas; aplicamse, ao caso, perfeitamente, o de prestar informações de embarque na exportação sobre cargas transportadas a destempo no Siscomex. Assim sendo, o disposto no art. 138 do CTN não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias autônomas. Diante do exposto, voto por que se negue provimento ao recurso e procedência do lançamento para considerar devida a multa legalmente prevista pelo registro dos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação, no Siscomex, fora do prazo fixado que constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória. Mércia Helena Trajano D’Amorim – Conselheira Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/05/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assi nado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.907228/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A compensação de crédito tributário só pode ser realizada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, nos termos do art. 170 do CTN.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-001.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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A compensação de crédito tributário só pode ser realizada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, nos termos do art. 170 do CTN. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 72 28 /2 00 9- 30 Fl. 418DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 11754.93149.130106.1.3.047081, transmitida eletronicamente em 13/1/2006, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 31/8/2005 5856 67.586,67 15/9/2005 A partir das características do DARF foi identificado pelos sistemas da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado integralmente para pagamento de outro débito, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO SALDO DO CRÉDITO ORIGINAL DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO 1958424631 67.586,67 DB: cód 5856 – PA 31/8/2005 67.586,67 0,00 Assim, em 9/6/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 5), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 18.683,71. Cientificado, via postal, dessa decisão em 18/6/2009 (fl. 83), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 17/7/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 4, acrescida de documentação anexa. A contribuinte esclarece que, inadvertidamente, teria cometido erro de caráter formal quando deixou de declarar em DCTF a existência do crédito informado no PER/Dcomp. Acrescenta e que teria retificado a DCTF em 2/7/2009 para demonstrar a existência do direito creditório alegado. Apresenta relação dos documentos anexados aos autos. É o relatório.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/BSB no 0345.649, de 27/10/2011, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, cuja ementa dispõe, verbis: Fl. 419DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.907228/200930 Acórdão n.º 3201001.200 S3C2T1 Fl. 419 3 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” O julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de indeferir a compensação pleiteada. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de Declaração de Compensação – Dcomp, emitida em 13/1/2006, por meio da qual a recorrente intenta ter compensado um débito, com crédito contra a Fazenda Nacional, decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS efetuado em 31/08/2005. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Como relatado, pelas características do DARF foi identificado pelos sistemas da RF, que o DARF, já havia sido utilizado integralmente para pagamento de outro débito, logo, não existindo crédito para efetuar a compensação solicitada pela recorrente no PER/DCOMP. Através do Despacho Decisório, à fl. 5, cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 18.683,71. Reza o art. 170 do CTN, para que a compensação seja válida, exige créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Foi indeferido o pleito, tendo em vista a não homologação da compensação pretendida, em razão de inexistência de crédito, pois o valor apontadoDARF de 31/08/2005de R$ 67.586,67, cuja importância já fora totalmente utilizada, daí a não homologação. Assim, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo da recorrente contra a Fazenda Pública passível de compensação, nego provimento. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 421DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10183.000840/2006-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998
PIS. ART. 18 DA LEI N° 9.715/1998 E ART. 15 DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 1.212/1995. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DAS REGRAS DA LEI COMPLEMENTAR N° 7/1970.
Em face da decisão do STF sobre o art. 18 da Lei n° 9.715, originária da Medida Provisória n° 1.212, o PIS, no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, deve ser apurado conforme a Lei Complementar n° 07/1970.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.977
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1996, 1997, 1998 PIS. ART. 18 DA LEI N° 9.715/1998 E ART. 15 DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 1.212/1995. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DAS REGRAS DA LEI COMPLEMENTAR N° 7/1970. Em face da decisão do STF sobre o art. 18 da Lei n° 9.715, originária da Medida Provisória n° 1.212, o PIS, no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, deve ser apurado conforme a Lei Complementar n° 07/1970. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 12/06/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mara Regina Sefuentes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Judith do Amaral Marcondes Armando e Daniel mariz Gudiño. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 23/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Cuiabá que, entendendo não existir direito creditório, indeferiu a restituição pleiteada, no montante de R$ 90.877,29, oriundo de pagamentos de PIS relativo aos meses de outubro de 1996 a novembro de 1998 (planilha de fl. 30); e não homologou as compensações que se seguiram ao pedido de restituição. Alegou a requerente, como causa do indébito, a inconstitucionalidade do art. 18 da Lei nº 9.715/1998, reconhecida pelo E. Supremo Tribunal Federal, na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 14170. A DRF Cuiabá, analisando o pedido, não reconheceu o crédito, apoiandose em dois fundamentos. Primeiro, no fato de que a decisão do E. STF só impedia a cobrança do PIS na forma da Medida Provisória nº 1.212/1995 (que deu origem à Lei nº 9.715/1998) em período anterior a março de 1996. Segundo, no entendimento de ter havido decadência do direito à restituição, nos termos do art. 168 do Código Tributário Nacional CTN. A requerente, na manifestação de inconformidade, alegou que a Lei Complementar nº 7/1970 não poderia ter sido alterada por lei ordinária e tampouco por medida provisória. Quanto à decadência, invocou em seu favor os prazos dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991. Além disso, sustentou, com fulcro em decisões do C. Superior Tribunal de Justiça, a tese de que o prazo para pleitear a restituição do indébito só começa a fluir após a homologação, tácita ou expressa, do lançamento. Ao final reiterou o pedido de reconhecimento do crédito, com acréscimo de juros e correção monetária. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande/MS indeferiu o pedido da contribuinte, conforme Decisão DRJ/CGE nº 20.703, de 04/06/2010, assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1996, 1997, 1998 DIREITO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. Extinguese, nos termos do art. 168 do CTN, o direito de restituição de valores pagos indevidamente, pelo decurso do prazo de cinco contados da data do pagamento indevido. PIS. ART. 18 DA LEI Nº 9.715/1998 E ART. 15 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.212/1995. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DAS REGRAS DA LEI COMPLEMENTAR Nº 7/1970. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 23/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10183.000840/200629 Acórdão n.º 3201000.977 S3C2T1 Fl. 2 3 O art. 18 da Lei nº 9.715, originária da Medida Provisória nº 1.212, foi declarado inconstitucional quanto ao efeito retroativo a outubro de 1995, conferido à nova forma de apuração do PIS. Consequentemente, no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996 devem ser aplicadas as normas da Lei Complementar nº 7/1970. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Intimado o contribuinte da decisão, este apresenta recurso voluntário. Após, é dado seguimento ao processo. È o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Como vemos do processo, o contribuinte busca repetir pagamentos de PIS relativo aos meses de outubro de 1996 a novembro de 1998, sob alegação de inexistência de lei para suportar a exigência. Com a devida vênia, não há como dar guarida à pretensão da contribuinte, já que o PIS, quando não exigido pela Lei n.º 9.715/98, o era pelas legislações anteriores, como bem já decidido pelo Poder Judiciário: Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. PIS. MP 1.212/95 E REEDIÇÕES. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE MITIGADA (ART. 195, § 6º, CF). INOCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração opostos objetivando reforma da decisão do relator, com caráter infringente, devem ser convertidos em agravo regimental, que é o recurso cabível, por força do princípio da fungibilidade. Precedentes: Pet 4.837ED, rel. Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, DJ 14.3.2011; Rcl 11.022 ED, rel. Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, DJ 7.4.2011; AI 547.827ED, rel. Min. DIAS TOFFOLI, 1ª Turma, DJ 9.3.2011; RE 546.525ED, rel. Min. ELLEN GRACIE, 2ª Turma, DJ 5.4.2011). 2. É constitucional a cobrança do PIS por meio MP 1.212/95 e suas reedições (posteriormente convertida na Lei nº 9.718/98), conforme entendimento assinalado pelo Plenário desta Corte quando do julgamento da ADI 1.417, Plenário, da Relatoria do Min. Octavio Gallotti, DJ de 23.03.01. Nesse sentido, os seguintes precedentes: AI 749.301AgR, Segunda Turma, Rel. Min. Gilmar Mendes, Dje de 21.06.2011, e RE Fl. 281DF CARF MF Impresso em 23/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 4 564.787AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, Primeira Turma, DJe de 15.03.2011. AI 749.301AgR, Segunda Turma, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJe de 21.06.2011. 3. In casu, o acórdão recorrido assentou: “TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS. MP 1.212/95 E REEDIÇÕES. PRAZO NONAGESIMAL. VIGÊNCIA DA LC 07/70 ATÉ FEVEREIRO/96. 1. Tratandose o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da ação de restituição somente ocorre decorridos cinco anos, a partir do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, contados da homologação tácita.2. A contribuição social para o PIS foi expressamente recepcionada pelo artigo 239 da Constituição Federal de 1988, permanecendo, ipso facto, em vigor a Lei Complementar n. 07/70, com modificação apenas do destino da correspondente receita. 3. Os decretosleis ns. 2.445 e 2449, de 1988, que alteraram a sistemática da contribuição para o PIS, base de cálculo e a alíquota, foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 148.754 2/RJ, de 24/06/1993, por impossibilidade de utilização desses instrumentos normativos, face à reserva qualificada das matérias (art. 55 da CF). A Resolução n. 49 do Senado Federal, publicada em 10 de outubro de 1995, suspendeu a execução dos referidos decretosleis. 4. Afastados os referidos decretosleis, a contribuição para o PIS passou a ser disciplinada pela LC n. 07/70, com as alterações introduzidas pela LC n. 17/73, até a edição da Medida Provisória n. 1.212/95. 5. A Medida Provisória 1.212, publicada em 29/11/95, passou a ter eficácia somente em 27/02/96, consoante o princípio da anterioridade nonagesimal. Por conseguinte, apenas no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996 encontravase em vigência a LC 07/70. Precedente desta Corte. 6. Considerando que o pedido das impetrantes referese ao reconhecimento do direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos no período de março/96 a janeiro/99, correta a sentença que denegou a segurança. 7. Apelação improvida.” 4. Agravo regimental desprovido. (STF – 1ª Turma AI 840906 ED /DF – Dje 24/04/2012) Desta feita, complemento o voto com as razões de decidir da decisão recorrida, que bem esclarecem o tema: A inconstitucionalidade do art. 15 da Medida Provisória nº 1.212/1995 e do art. 18 da Lei nº 9.715/1998 consistia essencialmente no efeito retroativo que os dispositivos emprestavam às novas regras de apuração do PIS. Afastada, pois, a aplicação retroativa e considerado o princípio da anterioridade nonagesimal (previsto no § 6º do art. 195 da Constituição Federal para as contribuições de seguridade social), a nova sistemática de apuração do PIS só veio a entrar em vigor e ser aplicada a partir de março de 1996, como, aliás, a própria Secretaria da Receita Federal reconheceu na Instrução Normativa SRF nº 6, de 19 de janeiro de 1996. Portanto, os pagamentos relacionados no quadro de fl. 13 não podem, com base na aludida inconstitucionalidade, ser considerados indevidos. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 23/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10183.000840/200629 Acórdão n.º 3201000.977 S3C2T1 Fl. 3 5 Não procede, por outro lado, a alegação de que a Lei Complementar nº 7 não poderia ter sido alterada por lei ordinária, nem por medida provisória. É matéria pacífica, no âmbito do E. STF, que lei ordinária ou medida provisória (que àquela se equipara) pode alterar lei complementar que o seja apenas no plano formal. Vale dizer, lei que, embora votada como complementar, não cuida de matéria reservada à lei dessa estatura. Terseia, nessa hipótese, um instrumento normativo de caráter ordinário, no plano material, embora formalmente complementar. Essa lei, conquanto complementar na forma, poderia ser alterada por lei ordinária, bem como por medida provisória. A Lei Complementar nº 7/1970, não obstante o processo legislativo observado quando de sua aprovação, foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988 como lei ordinária; razão pela qual, por lei ordinária poderia ser modificada ou revogada. Assim sendo, não se vê nenhuma inconstitucionalidade nas alterações introduzidas na forma de apuração do PIS que renda ensejo ao direito creditório pleiteado. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 22 de maio de 2012. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 283DF CARF MF Impresso em 23/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003210/2003-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÕES.
Merecem ser providos parcialmente os embargos declaratórios interpostos, uma vez que existem omissões a serem supridas mediante rerratificação do dispositivo da decisão embargada, inclusive com efeitos infringentes relativamente à decadência.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO.
Nos termos da jurisprudência pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça, havendo antecipação de pagamento, o prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação terá termo inicial na data do fato gerador conforme art. 150, § 4º, do CTN.
IPI. BASE DE CÁLCULO. DEVOLUÇÕES E VENDAS CANCELADAS.
A simples alegação de que devoluções e vendas canceladas foram incluídas na base de cálculo, sem indicação da materialidade fática da ocorrência, não é suficiente para evidenciar o equívoco do lançamento. Ademais, considerando que as bases de cálculo levantadas pela Fiscalização foram extraídas dos livros de IPI, sendo que nestes, mormente, são consignados os registros das devoluções devidamente quantificadas na apuração, as devoluções e vendas canceladas foram considerados.
MULTA DE OFÍCIO.
É cabível a aplicação da multa de ofício nos percentuais fixados no art. 44 da Lei nº 9.430/96.
JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para apreciar juros de mora sobre multa de ofício, uma vez que se trata de matéria afeta à execução do acórdão, a cargo da autoridade preparadora da jurisdição do domicílio fiscal do contribuinte, e não propriamente de matéria constante do auto de infração discutido.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARTONAGEM VERSUS CARTUCHO. CONTRADIÇÃO INEXISTENTE.
O voto vencedor começa anunciando justamente o desprestígio das definições de cartucho obtidas de dicionários e glossários de termos técnicos em favor do caráter estritamente tributário que a palavra cartucho deve assumir quando numa operação de classificação fiscal. Assim é que as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado se fizeram presentes para dirimir o aparente conflito entre os termos cartonagem e cartucho, não havendo portanto contradição alguma no voto vencedor acerca da classificação fiscal.
Numero da decisão: 3101-001.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial aos embargos de declaração, para suprir as omissões relativas à decadência, base de cálculo, multa e juros, com efeitos infringentes relativamente à decadência; e negar provimento quanto à contradição acerca da classificação fiscal; e por maioria, não conhecer dos embargos de declaração quanto a juros sobre multa de ofício. Vencido o Conselheiro Luiz Roberto Domingo (Relator originário). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Corintho Oliveira Machado.
Henrique Pinheiro Torres Presidente
Luiz Roberto Domingo Relator
Corintho Oliveira Machado Redator Designado
EDITADO EM: 19/03/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Marinheiro Fernandes, Leonardo Mussi da Silva, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÕES. Merecem ser providos parcialmente os embargos declaratórios interpostos, uma vez que existem omissões a serem supridas mediante rerratificação do dispositivo da decisão embargada, inclusive com efeitos infringentes relativamente à decadência. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. Nos termos da jurisprudência pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça, havendo antecipação de pagamento, o prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação terá termo inicial na data do fato gerador conforme art. 150, § 4º, do CTN. IPI. BASE DE CÁLCULO. DEVOLUÇÕES E VENDAS CANCELADAS. A simples alegação de que devoluções e vendas canceladas foram incluídas na base de cálculo, sem indicação da materialidade fática da ocorrência, não é suficiente para evidenciar o equívoco do lançamento. Ademais, considerando que as bases de cálculo levantadas pela Fiscalização foram extraídas dos livros de IPI, sendo que nestes, mormente, são consignados os registros das devoluções devidamente quantificadas na apuração, as devoluções e vendas canceladas foram considerados. MULTA DE OFÍCIO. É cabível a aplicação da multa de ofício nos percentuais fixados no art. 44 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 32 10 /2 00 3- 39 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/04 /2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 03/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para apreciar juros de mora sobre multa de ofício, uma vez que se trata de matéria afeta à execução do acórdão, a cargo da autoridade preparadora da jurisdição do domicílio fiscal do contribuinte, e não propriamente de matéria constante do auto de infração discutido. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARTONAGEM VERSUS CARTUCHO. CONTRADIÇÃO INEXISTENTE. O voto vencedor começa anunciando justamente o desprestígio das definições de cartucho obtidas de dicionários e glossários de termos técnicos em favor do caráter estritamente tributário que a palavra cartucho deve assumir quando numa operação de classificação fiscal. Assim é que as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado se fizeram presentes para dirimir o aparente conflito entre os termos cartonagem e cartucho, não havendo portanto contradição alguma no voto vencedor acerca da classificação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial aos embargos de declaração, para suprir as omissões relativas à decadência, base de cálculo, multa e juros, com efeitos infringentes relativamente à decadência; e negar provimento quanto à contradição acerca da classificação fiscal; e por maioria, não conhecer dos embargos de declaração quanto a juros sobre multa de ofício. Vencido o Conselheiro Luiz Roberto Domingo (Relator originário). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. Henrique Pinheiro Torres – Presidente Luiz Roberto Domingo – Relator Corintho Oliveira Machado – Redator Designado EDITADO EM: 19/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Marinheiro Fernandes, Leonardo Mussi da Silva, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/04 /2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 03/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 3101001.343 S3C1T1 Fl. 2.103 3 Relatório Reportome ao relato de fls. 2.043v e seguintes, adotado quando do julgamento por este Colegiado, que culminou na seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARTONAGENS. As cartonagens de papel ou cartão não ondulados, dobráveis, classificamse no código 4819.20.00, Ex 02, da NCM, com aliquota de 15% (a partir de 01/10/2002, no código 4819.20.00, com aliquota de 15%), tratandose de invólucros que simplesmente reúnem para apresentação e venda a retalho unidades de produtos (4, 6 ou 12), alimentícios ou não, encerrados em embalagens próprias (os invólucros não têm contato direto com os produtos alimentícios); por força da RGI no 1 c/c n° 6 e da NESH referente à posição 4819. Recurso Voluntário Negado. Em 27/04/2010, foram opostos embargos declaratórios, fls. 2.062 e seguintes, tempestivos, pela supramencionada embargante, alegando haver contradições e omissões no acórdão. As contradições ocorreram em dois momentos: 1) quando, ao se pronunciar sobre a questão de mérito, apresenta conclusão não condizente com os motivos que lhe dão suporte; e 2) quando reconhece a ocorrência da decadência de parte dos fatos geradores, mas afirma ter sido totalmente negado provimento ao Recurso Voluntário. As omissões deramse porque a Turma deixou de apreciar duas alegações de direito suscitadas na defesa: (i) a indevida inclusão na base de cálculo do IPI de valores referentes a vendas canceladas e devoluções; e (ii) a inadequação da multa e dos juros aplicados ao caso. Ato seguido, são encaminhados os embargos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para julgamento. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Como visto, tratase de Embargos de Declaração para suprir as omissões das matérias que a Turma de julgamento deveria ter apreciado, devendo ser conhecido. Coube a este Conselheiro apreciar as questões acessórias que passaram a ter relevância para apreciação da lide, após o julgamento da classificação fiscal dos produtos, no qual foi mantida a exigência tributação constituída pelo Fisco. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/04 /2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 03/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Dentre as questões omissas elencadas nos Embargos de Declaração cabe a apreciação das omissões acerca da decadência, da exclusão das devoluções e das vendas canceladas e da exclusão da multa e juros de mora calculados com base na Taxa Selic sobre o principal e a multa de ofício. Decadência Quanto à questão da Decadência, cumpre esclarecer que a matéria foi julgada em sessão de 09/07/2009, mas acabou não sendo anotada em ata o que implica não considerar se como votada. Deste modo ratifico, aqui, meu entendimento expendido no voto vencido do acórdão recorrido, para apreciação da Turma de Julgamento: “Preliminarmente, é de justiça reformar da decisão recorrida para reconhecer a decadência nos termos que já haviam sido explicitados na primeira decisão da DRJ (anulada por este Conselho por cerceamento do direito de defesa) e que na segunda decisão não repetiu. Desta forma, reconheço a decadência nos mesmos seguintes termos: ‘Decadência O auto de infração foi lavrado em 05/09/2003, com ciência do sujeito passivo na mesma data, e inclui fatos geradores ocorridos desde 1º de janeiro de 1998. Não havendo a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, sendo o regime jurídico do IPI típico de lançamento por homologação, o prazo decadencial esgota se em 5 (cinco) anos a partir da ocorrência do fato gerador, conforme o Código Tributário Nacional, 150, § 4º. Não houve alegação de decadência no apelo impugnatório, entretanto, o referido fenômeno jurídico é matéria de ordem pública e deve ser declarado de ofício pelo julgador administrativo, independentemente de argüição pelo sujeito passivo. O caput e o § 1º do aludido artigo do estatuto tributário material fazem menção à antecipação de pagamento como a atividade do sujeito passivo que extingue o crédito tributário sob condição resolutória de ulterior homologação pela Administração Tributária. No caso do imposto em debate, a respectiva apuração é empreendida dentro de cada período de competência (decêndio ou mês), sendo consideradas todas as saídas tributadas e as entradas com créditos para a regular compensação e a conseqüente extração de saldos devedores ou credores. Malgrado haja o lançamento do imposto na nota fiscal em cada operação (saída de produto do estabelecimento industrial), o lançamento por homologação somente se aperfeiçoa após o confronto entre débitos e créditos no final do período de apuração. No âmbito da apuração da espécie tributária em causa, em sua conta gráfica, há a equiparação de certos procedimentos do sujeito passivo ao pagamento, nos termos do que estabelece o RIPI/98, art. 111 (RIPI/82, art. 56): “Art. 56 O procedimento de lançar o imposto, de iniciativa do sujeito passivo, aperfeiçoase com o seu pagamento, feito antes do exame pela autoridade administrativa. Parágrafo único – Considerase pagamento: Fl. 279DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/04 /2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 03/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 3101001.343 S3C1T1 Fl. 2.104 5 I – o recolhimento do saldo devedor resultante da compensação dos débitos, no período de apuração do imposto, com os créditos admitidos; II – o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a compensar; III – a compensação dos débitos, no período de apuração do imposto, com os créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher”.(grifo meu) No caso vertente, as ocorrências respeitantes aos decêndios anteriores a setembro de 1998 encontramse sob o manto da decadência, seja pela antecipação do pagamento (recolhimento dos saldos devedores decadenciais) ou pela extração de saldos credores (nos decêndios 101 a 301/98, 302/98, 103/98, 304/98, 205/98, 107/98 e 108 a 308/98), sem saldo a recolher resultante. Em todos esses períodos de apuração houve o lançamento por homologação (posteriormente aperfeiçoado com a apuração empreendida ao final de cada período de competência), vale falar, o destaque do imposto nas notas fiscais de saída, pelo sujeito passivo, ainda que calculado mediante o emprego de alíquota menor que a correta. Portanto, devem ser expungidos do feito os valores alcançados pela decadência, R$ 1.811.674,45 de imposto e R$ 1.358.755,84 de multa de ofício, conforme o esquema a seguir delineado: Período de Imposto Multa de Período de Imposto Multa de Apuração (R$) Ofício Apuração (R$) Ofício (R$) (R$) 101/98 0,00 0,00 105/98 40.131,50 30.098,63 201/98 9.569,54 7.177,16 205/98 43.814,68 32.861,01 301/98 262.840,91 197.130,68 305/98 85.571,47 64.178,60 102/98 73.743,70 55.307,78 106/98 63.579,80 47.684,85 202/98 108.401,01 81.300,76 206/98 82.116,92 61.587,69 302/98 8.844,39 6.633,29 306/98 78.162,98 58.622,24 103/98 116.900,31 87.675,23 107/98 56.837,18 42.627,89 203/98 73.685,89 55.264,42 207/98 94.971,45 71.228,59 303/98 65.658,41 49.243,81 307/98 119.933,01 89.949,76 104/98 54.266,39 40.699,79 108/98 76.368,72 57.276,54 204/98 23.391,05 17.543,29 208/98 88.027,26 66.020,45 304/98 79.914,61 59.935,96 308/98 104.943,27 78.707,45 TOTAL 1.811.674,45 1.358.755,84 Os juros de mora e as multas correspondentes devem também ser eliminados da exação, sendo o cálculo cabível ao órgão preparador, nos termos da Portaria SRF nº 107, de 31 de janeiro de 2003.” Conforme jurisprudência pacificada pelo STJ, havendo antecipação de pagamento o prazo decadencial é o previsto no art. 150, § 4º, do CTN: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/04 /2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 03/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/04 /2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 03/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 3101001.343 S3C1T1 Fl. 2.105 7 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) e EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. INADIMPLEMENTO DO REGIME DE DRAWBACK, MODALIDADE SUSPENSÃO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. NÃOOCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA. OMISSÃO QUANTO À PRESCRIÇÃO. INEXISTÊNCIA. REJEIÇÃO DOS EMBARGOS. 1. Não há omissão deste Tribunal Superior quanto à verificação da ocorrência de prescrição para a cobrança do crédito tributário se, ao interpor o recurso especial, o contribuinte limitase a indicar violação e interpretação divergente do art. 173, I, do CTN (que estabelece o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito), requerendo, ao final, o conhecimento e provimento do recurso "a fim de que seja reconhecida a decadência". 2. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 658.404/RJ, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/02/2006, DJ 13/03/2006, p. 198) Assim, decaídos os períodos de apuração ocorridos até 05/09/1998. Devoluções e Vendas Canceladas A alegação sobre a inclusão na base de cálculo das vendas canceladas carece de demonstração. Não se trata de questão de direito na qual basta a alegação para que surja a aplicação imediata, ou seja, a aplicação dos artigos 117 e 118 do RIPI é reconhecidamente cabível ao caso. Ocorre que a outra parte da subsunção, a delimitação o campo material da incidência, o fato imponível, precisa ser especificamente esclarecido e demonstrado para que seja possível ao julgador a identificação necessária do que se argüiu. Pelo que verifico nos levantamentos levados a efeito pela Fiscalização as bases de cálculo foram extraídas dos livros de IPI sendo que nestes, mormente, consignam os registros das devoluções devidamente quantificadas na apuração. Nesse sentido a decisão de primeira instância reflete o entendimento que adoto para solução da lide: “Os créditos referentes às poucas devoluções de venda ocorridas, escriturados no livro de apuração, foram computados Fl. 282DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/04 /2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 03/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 no levantamento do débito. As vendas canceladas não integram o livro Registro de Apuração do IPI das empresas, este que tem seus valores transportados diretamente dos livros Registro de Saídas e de Entradas, com os cancelamentos devidamente efetuados. Ainda mais, ao compulsar as cópias do livro Registro de Apuração do IPI, no que concerne aos fatos geradores ocorridos depois de 1º de outubro de 2002, depreendese que a nova alíquota de 15% não passou a ser praticada pela empresa a partir dessa data, mas somente em dezembro do mesmo ano, ou, no máximo, em novembro. A contribuinte, com alegações inverídicas como essas, dá uma prova contundente de desconhecimento dos próprios assentamentos fiscais. E não apresentou provas, tais como cópias de Documentos de Arrecadação Federal (DARF), que invalidem as diferenças a recolher verificadas no que respeita aos meses de outubro e novembro. Diante da ausência da prova e da indicação específica da materialidade do erro da apuração do imposto devido, nego provimento ao pleito. Juros de Mora com base na Taxa Selic Quanto aos Juros de mora, em razão da ausência de recolhimento dos tributos é devida a incidência dos juros de mora nos exatos termos do artigo 61, §3º da Lei nº 9.430/96, ou seja, desde o primeiro dia do mês subsequente ao vencimento, não sendo motivo relevante para sua inobservância a simples pendência de processo administrativo, por exemplo. Perfeitamente aplicável a Taxa Selic para a correção dos débitos, prevista pelo §3º do artigo 5º da Lei nº 9.430/96, c/c o § 3º do artigo 61 desta mesma Lei, não cabendo, inclusive, à esfera administrativa analisar questões envolvendo discussão acerca de sua inconstitucionalidade. Aliás, sua manutenção está estabelecida na Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Multa de Ofício Quanto à multa de ofício, entendo que, apesar do disposto no art. 142 do CTN, a legislação processual não conferiu a possibilidade de o CARF exercer dosagem na aplicação da penalidade de ofício em relação ao principal. De modo que a aplicação de penalidade acompanha os percentuais fixos previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96, sob pena de declaração de inconstitucionalidade da norma. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/04 /2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 03/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 3101001.343 S3C1T1 Fl. 2.106 9 Juros de Mora sobre Multa de Ofício Já em relação à aplicação da penalidade de ofício sobre penalidade tenho entendimento que não há previsão legal para tanto. Primeiramente, é de se ressaltar que, a finalidade da multa é impor uma sanção ao contribuinte pelo descumprimento de uma obrigação tributária, devendo, porém, circunscreverse a níveis razoáveis, não podendo extrapolar essa função e atingir a capacidade contributiva do contribuinte, nem mesmo ser um instrumento de cerceamento do direito de o contribuinte ver apreciada uma pretensão. A multa é uma pena. Resultado jurídico (conseqüente) da aplicação de uma norma de conduta. Dado o fato “F” em que o agente praticou ato ilícito antojurídico (não pagamento de imposto) élhe aplicável a pena: Multa. A sanção tributária consiste na conseqüência da prática de um ilícito tributário, ou seja, do descumprimento de um dever imposto pela legislação tributária. Tratandose de imposição feita pelo Estado, toda sanção tributária deve encontrarse definida previamente em lei de forma a garantir a segurança do contribuinte, em relação à exata conseqüência a que estará sujeito caso venha a praticar determinada conduta. Nesse contexto, inserese a multa como sanção tributária de natureza pecuniária, tendo como espécies a denominada multa moratória e a multa punitiva, sendo a primeira aplicada não a uma conduta ilícita, mas, mas sim por uma mera demora no cumprimento da obrigação de pagar. Por sua vez, a multa punitiva é utilizada para penalizar o contribuinte por adotar uma conduta caracterizadora de uma infração tributária (fato típico antijurídico). Embora a multa moratória seja assim denominada, moratória, possui verdadeiro caráter punitivo. Isso porque não se destina a ressarcir ou indenizar o Fisco pelo prejuízo causado pelo atraso, mas objetiva reprimir e desestimular a conduta do atraso no pagamento do tributo. A natureza punitiva da multa moratória transparece do fato de que a sua fixação independe do tempo pelo qual se prolongue o atraso, levandose em consideração o período após 90 dias. Expressase, em uma porcentagem de até 20% calculado sobre o valor do tributo devido. O fim punitivo da multa moratória evidenciase, também, pela existência dos juros de mora, isto é, aqueles que visam compensar o prejuízo que advém da indisponibilidade do dinheiro que deveria ter sido recolhido como pagamento do tributo. Os juros moratórios encontramse previstos no artigo 161 do Código Tributário Nacional que expressamente dispõe que a aplicação destes não impede a imposição de penalidades previstas na legislação tributária, como é o caso da multa moratória e da punitiva. Assim, tendo em vista que os juros moratórios cumprem a função de recompor o patrimônio do Fisco, pelo prejuízo decorrente do atraso no pagamento, a multa moratória não teria a mesma natureza. De modo que a sanção intitulada multa moratória visa, verdadeiramente, punir a conduta ilícita. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/04 /2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 03/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 Dessa forma, tanto a multa de mora como a punitiva têm por objetivo penalizar o contribuinte, diferenciandose pela causa de sua aplicação, isto é, o atraso no pagamento, ilícito tributário ou qualquer outra razão prevista em lei. Ocorre que as penas não podem sofrer a incidência de juros, seja porque não são elementos integrantes do patrimônio do credor, seja porque os juros não se coadunam com o instituto da penas. O atraso no cumprimento de uma penalidade não pode ser motivação para acréscimo de mais pena. Um réu condenado a cumprir a pena de cerceamento da liberdade não pode ter sua pena aumentada pelo atraso de seu cumprimento. Da mesma forma, o autuado não pode ver a multa aumentada pela demora no pagamento da pena pecuniária. A pena pecuniária, assim como a de cerceamento de liberdade, deve ter um valor fixo e nem mesmo poderia ser passível de revisão ou cômputo de juros, após o transito em julgado da decisão judicial que assim entender ser devida, ou seja, após a consolidação do valor principal e a proporcional penalidade sem o cômputo dos juros de mora. Aliás, como é sabido, a razão de ser dos tributos é o de financiamento do Estado, enquanto a razão de ser da multa é a de coibir, por meio da sanção, a prática de ato ilícito ou manter a coerção para que se realize a obrigação de fazer. Ora, se os juros têm a função de remunerar o titular do capital pelo tempo em que não o teve à disposição, é certo que somente pode ser aplicado sobre os valores que são pertencentes ao Estado, ou seja, que formaram o orçamento do Estado para custeio de suas despesas e investimentos. As multa (penalidade pecuniárias) não têm vocação para o custeio das despesas e investimentos do Estado, pois somente é concebível a existência da multa se e quando houver o descumprimento de uma obrigação ou o ato ilícito, de forma que o Estado não pode fiarse na possível prática de atos ilícitos ou de descumprimento de obrigação para projetar seu custeio. O que quero dizer com isso é que as penalidades não formam capital de titularidade do Estado, sendo devidas apenas após o transito em julgado da decisão que confirmála, motivo pelo qual não podem incidir os juros sobre o valor da multa. 'JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE ()rico Em se tratando de fatos geradores ocorridos em 1995 e 1996, só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre a " multa por lançamento de oficio no caso de lançamento de multa isolada, não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional." (Acórdão n° 10195.469, Primeiro Conselho de Contribuintes, 1a Câmara, Cons. Rel. Sandra Maria Faroni, sessão de 24.4.2006 não destacado no original) "MULTA DE OFICIO — JUROS DE MORA — Sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de i% (um por cento) ao mês, nos termos do artigo int do Código Tributário Nacional? (Acórdão n° 107.08588, Primeiro Conselho de Contribuintes, 7 a Câmara, Cons. Rel. Luiz Martins Valero, sessão de 25.5.2006 não destacado no original) Fl. 285DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/04 /2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 03/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 3101001.343 S3C1T1 Fl. 2.107 11 Diante disso, DOU PROVIMENTO AOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO para suprir as omissões contidas no Acórdão Recorrido para acolher a preliminar de decadência para excluir do lançamento os créditos tributários relativos aos períodos de apuração encerrados antes de 05/09/1998, manter a penalidade de ofício e o cômputo dos juros sobre os impostos constituídos e excluir o cômputo dos juros sobre as penalidades. Luiz Roberto Domingo Relator Voto Vencedor Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Redator Designado Os embargos declaratórios são tempestivos, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A primeira contradição é descrita assim: o r. acórdão embargado reconhece que os produtos fabricados pela Embargante são embalagens feitas de uma só peça de cartão, com vincos, que tem por finalidade embalar um conjunto de mercadorias, isto é, que não está diretamente em contato com o seu conteúdo. A descrição feita acima a respeito do produto Embargante coincide perfeitamente com as definições de cartucho obtidas de dicionários e glossários de termos técnicos apresentadas ao longo de todo processo.(...) Dessa maneira, a única conclusão coerente e logicamente possível é a de que os produtos analisados no processo são cartuchos. No entanto, para surpresa da Embargante, a conclusão do r. acórdão embargado foi outra. À fl. 2051 dos autos, o r. acórdão embargado afirma que "o invólucro (...) produzido pela impugnante, corresponde perfeitamente à acepção de Cartonagem' contida na NESH". Ora, a contradição aqui é patente. Ao meu sentir não há contradição alguma aqui, pois o voto vencedor começa anunciando justamente o desprestígio das definições de cartucho obtidas de dicionários e glossários de termos técnicos em favor do caráter estritamente tributário que a palavra cartucho deve assumir quando numa operação de classificação fiscal, assim é que as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado se fizeram presentes para dirimir o aparente conflito entre os termos cartonagem e cartucho. Extraio do voto vencedor, excertos que esclarecem porque cartonagem se afeiçoa melhor ao produto fabricado pela recorrente, e não cartucho: (...) a operação de enquadramento de produto em código de classificação fiscal não tem caráter técnico e sim estritamente tributário, nos termos do PAF, art. 30, § 1º, cabendo ao Auditor Fl. 286DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/04 /2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 03/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 Fiscal da Receita Federal executar o referido enquadramento à luz da legislação tributária aplicável: consoante o RIPI/98, arts. 15 a 17, a classificação fiscal de mercadorias deve ser feita de acordo com as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM); as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), e suas alterações, além das Notas de Seção, Capítulo, posições e de subposições da NCM, prestamse como elementos subsidiários fundamentais para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições da NCM. (...) Em primeiro lugar, deve ser analisada a posição 4819 da TIPI/96, alterada somente com o Decreto nº 4.396, de 2002, levando em conta o que a impugnante corretamente mencionou: a lei não apresenta palavras inúteis. Há as caixas de papel ou cartão, ondulados (4819.10.00); caixas e cartonagens, dobráveis, de papel ou cartão, não ondulados (4819.20.00); sacos com largura da base superior a 40 cm (4819.30.00); outros sacos, diferentes daqueles, e bolsas e cartuchos (4819.40.00); outras embalagens como as capas para discos (4819.50.00); cartonagens para escritórios, lojas e estabelecimentos semelhantes (4819.60.00). Ora, cada subposição é formada segundo um padrão lógico. O código 4819.20.00 alberga caixas (artefatos com todos as faces fechadas) e cartonagens (artefatos abertos, ou seja, sem 1 ou mais faces), dobráveis, de papel ou cartão não ondulados. Os dois códigos subseqüentes se referem a sacos e bolsas, sendo os cartuchos artefatos similares àqueles; se não fosse assim, os cartuchos não dividiriam a mesma subposição (4819.40.00) que os sacos e bolsas, em relação aos quais não há dúvida quanto à visualização. Em outras palavras, para que um artefato seja enquadrado como cartucho, este deve ser similar a sacos e bolsas, caso contrário deve ser buscada outra subposição para enquadramento. Justamente porque a norma não traz vocábulos inúteis podese asseverar que, se os referidos cartuchos não fossem artigos semelhantes a sacos e bolsas, teriam subposição específica, constituiriam desdobramento “Ex” da subposição 4819.20.00, ou, em último caso, ficariam em subposição residual (4819.50.00, outras embalagens). Quanto às Regras Gerais para Interpretação (RGI), podese afirmar com segurança que a regra nº 1, combinada com a regra nº 6, uma vez que a comparação deve ser feita entre subposições de uma mesma posição, soluciona a questão, em virtude do que foi acima expendido. (...) Não há dúvida de que as cartonagens são folhas planas de cartão, dobradas de variadas formas, podendo ser rematadas por fita adesiva, grampos, por exemplo, ou por cola. Os cartuchos, como já dito, apresentam maior afinidade com sacos e bolsas. As sobreditas Notas Explicativas dão respaldo ao entendimento esposado pelas autoridades fazendárias. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/04 /2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 03/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.003210/200339 Acórdão n.º 3101001.343 S3C1T1 Fl. 2.108 13 Caixas de papelão amareladas, para armazenagem e transporte de grandes quantidades de produtos, referidas pela impugnante, são caixas e não cartonagens. É indiscutível que o termo “cartonagem”, contido na posição 4819 do capítulo 48 da TIPI, não significa um tipo de produção industrial de embalagens de cartão, mas sim o artefato decorrente de tal atividade. O produto em pugna, como dá conta a própria contribuinte que o industrializa e conforme as amostras acostadas ao feito, é um invólucro de cartão, em peça única, dobrada, vincada e colada, que tem a função de agrupar para apresentação e venda a retalho algumas unidades (4, 6 e 12) de produtos como bebidas e iogurtes, que têm suas embalagens próprias e individuais. O invólucro descrito, produzido pela impugnante, corresponde perfeitamente à acepção de “cartonagem” contida na NESH. Quanto à segunda contradição reconhecimento da ocorrência da decadência de parte dos fatos geradores, porém totalmente negado provimento ao Recurso Voluntário cumpre dizer que a matéria não foi discutida em sessão, apesar de constar no voto do eminente relator. E como o relator vencido dava provimento in totum ao recurso voluntário, também não vieram à baila os dois assuntos mencionados pela embargante como omitidos indevida inclusão na base de cálculo do IPI de valores referentes a vendas canceladas e devoluções e a inadequação da multa e dos juros, por excessivos e inadequados. Nada obstante, tais matérias estão afetas ao eminente relator originário, razão por que não devo manifestarme em relação à segunda contradição e omissões neste voto. Todavia, devo manifestarme em relação aos juros sobre multa de ofício, matéria invocada de ofício pelo relator originário, a qual não foi conhecida pela ampla maioria dos membros do Colegiado, porquanto falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para apreciála, uma vez que se trata de matéria afeta à execução do acórdão, a cargo da autoridade preparadora da jurisdição do domicílio fiscal do contribuinte, e não propriamente de matéria constante do auto de infração discutido, essas sim abarcadas na discussão acerca do lançamento sub analisis. Nessa moldura, voto por NÃO CONHECER da matéria relativa aos juros sobre multa de ofício; NEGAR PROVIMENTO aos embargos declaratórios, no que tange à classificação fiscal dos produtos fabricados pela Embargante; e DAR PROVIMENTO PARCIAL aos embargos de declaração, para suprir as omissões relativas à decadência, base de cálculo, multa e juros, com efeitos infringentes relativamente à decadência. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 288DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/04 /2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 03/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 14 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/04 /2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 03/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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