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Numero do processo: 10820.720007/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ITR. TERRAS ALAGADAS. LAGOS DE USINAS HIDROELÉTRICA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 45.
A alteração das condições no mundo fenomênico de um determinado fato jurisdicizado, passando a fornecer novos elementos da realidade factual, como é o caso das terras alagadas, altera irremediavelmente a natureza jurídica da coisa. De modo que terras alagadas perdem a natureza jurídica de terra para assumir a de água, não se subsumindo à norma de incidência do ITR.
ERRO DA ATRIBUIÇÃO DO VTN. ÁREA ALAGADA.
O VTN atribuído pela fiscalização não respeita os termos da legislação de regência porque tomou como base o valor da terra com destinação agrícola quando notoriamente as terras submersas não tem tal destinação. Falta previsão legal para atribuição do VTN de terras submersas, o que também causa impossibilidade da incidência do ITR ainda que a sujeição passiva pudesse ser atribuída a pessoa diversa da União Federal.
Numero da decisão: 2401-004.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 ITR. TERRAS ALAGADAS. LAGOS DE USINAS HIDROELÉTRICA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 45. A alteração das condições no mundo fenomênico de um determinado fato jurisdicizado, passando a fornecer novos elementos da realidade factual, como é o caso das terras alagadas, altera irremediavelmente a natureza jurídica da coisa. De modo que terras alagadas perdem a natureza jurídica de terra para assumir a de água, não se subsumindo à norma de incidência do ITR. ERRO DA ATRIBUIÇÃO DO VTN. ÁREA ALAGADA. O VTN atribuído pela fiscalização não respeita os termos da legislação de regência porque tomou como base o valor da terra com destinação agrícola quando notoriamente as terras submersas não tem tal destinação. Falta previsão legal para atribuição do VTN de terras submersas, o que também causa impossibilidade da incidência do ITR ainda que a sujeição passiva pudesse ser atribuída a pessoa diversa da União Federal.
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TERRAS ALAGADAS. LAGOS DE USINAS HIDROELÉTRICA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 45. A alteração das condições no mundo fenomênico de um determinado fato jurisdicizado, passando a fornecer novos elementos da realidade factual, como é o caso das terras alagadas, altera irremediavelmente a natureza jurídica da coisa. De modo que terras alagadas perdem a natureza jurídica de terra para assumir a de água, não se subsumindo à norma de incidência do ITR. ERRO DA ATRIBUIÇÃO DO VTN. ÁREA ALAGADA. O VTN atribuído pela fiscalização não respeita os termos da legislação de regência porque tomou como base o valor da terra com destinação agrícola quando notoriamente as terras submersas não tem tal destinação. Falta previsão legal para atribuição do VTN de terras submersas, o que também causa impossibilidade da incidência do ITR ainda que a sujeição passiva pudesse ser atribuída a pessoa diversa da União Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 72 00 07 /2 00 9- 98 Fl. 265DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10820.720007/200998 Acórdão n.º 2401004.981 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório CESP COMPANHIA ENERGÉTICA DE SÃO PAULO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 04 23.949/2011, às efls. 167/176, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2006, conforme Notificação de Lançamento, às efl. 02/07, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 20/02/2009 (AR. fl. 51), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Apos regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 181/201, procurando demonstrar a total improcedência da Notificação, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, esclarecendo que a área envolvida de 272,47 ha foi desapropriada em 13 de setembro de 1994, conforme consta na certidão de matricula n° 22.446, do serviço do registro de imóveis e anexos da comarca de Andradina (doc. 03), demonstram claramente que a área foi desapropriada para construção da UHE de Três Irmãos construída no rio Tietê. Assim, toda área perdeu sua qualidade essencial, não prescindido de nenhuma prova técnica de avaliação, uma vez que toda a área tornouse pública diante de sua finalidade. Assevera não restar dúvida que área inundada para formação do reservatório da Usina Hidrelétrica Três Irmãos, estando vinculada à prestação do serviço público de energia elétrica, obedece ao regime de direito público, estando fora do comércio jurídico de direito privado. Assim sendo, não há valor de mercado do referido bem. Esclarece ainda que ao desapropriar as terras para transformála em lagos, mudaramse inteiramente as suas características básicas, deixando a condição de imóveis rurais Fl. 267DF CARF MF 4 e assumindo a condição de águas públicas federais, citando legislação específica e diversas jurisprudências judiciais e administrativas. Argumenta, mais uma vez, que a área alegada adquirida pela Recorrente perdeu sua característica de imóvel rural, transformandose em um bem público federal vinculado ao serviço publico concedido de geração, não resta dúvida de que tal bem não possuiu valor de mercado, bem como "falta previsão legal para atribuição do VTN de terras submersas, o que também causa impossibilidade da incidência do ITR ainda que a sujeição passiva pudesse ser atribuída a pessoa diversa da União Federal. " Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10820.720007/200998 Acórdão n.º 2401004.981 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. Alega a recorrente, que a área do imóvel rural esclarecendo que a área envolvida de 272,47 ha foi desapropriada em 13 de setembro de 1994, conforme consta na certidão de matricula n° 22.446, do serviço do registro de imóveis e anexos da comarca de Andradina (doc. 03), demonstram claramente que a área foi desapropriada para construção da UHE de Três Irmãos construída no rio Tietê. Assim, toda área perdeu sua qualidade essencial, não prescindido de nenhuma prova técnica de avaliação, uma vez que toda a área tornouse pública diante de sua finalidade. A decisão de piso não reconheceu o pleito, dada o fato gerador da presente demanda se deu em 2006, ou seja, antes do advento da Lei 11.727/2008 e também utilizouse o seguinte fundamento: "Apesar de seus questionamentos, a contribuinte não apresentou comprovação que justifique reconhecer que o VTN efetivo do imóvel é menor do que o considerado pela fiscalização e, portanto, não há justificativa para sua alteração. O fato de o imóvel servir para reservatório de água de usina hidrelétrica não é argumento suficiente para se reconhecer que o mesmo está “fora do mercado” e não possui um valor de mercado apurável. Ainda que vinculado à concessão do serviço público de energia elétrica, não é impossível que o imóvel seja de alguma forma alienado para outra concessionária, se houver interesse da União e observadas as exigências legais."(grifei) Deve ser considerado, inicialmente, que o artigo 153 da CF estabelece a competência da União Federal para a instituição de impostos sobre a propriedade territorial rural. O veículo introdutor desse imposto no sistema positivo é a Lei 9393/96. De acordo com a referida lei, a hipótese legal está na propriedade, no domínio útil ou na posse de imóvel (territorial rural), por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1° de janeiro de cada ano. Daí se infere que o referido imposto incide sobre a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel territorial rural. Da leitura dos artigos 10 e 11 da referida lei verificase que o imposto incide sobre o valor da terra nua. Assim, o binômio base de cálculo e critério material da hipótese de incidência, determina que a incidência desse imposto recaia sobre o valor patrimonial da propriedade rural, exclusivamente das terras, pois tratase de imposto territorial (e não territorial e predial como é o caso do IPTU), excluindose portanto, toda e qualquer benfeitoria existente sobre as terras. Fl. 269DF CARF MF 6 Desse modo, o signo de riqueza que determina a incidência tributária do ITR é o patrimônio advindo da propriedade territorial rural, o denominado legalmente como valor da terra nua VTN. No campo da incidência dessa espécie tributária estão as propriedades territoriais rurais com valor patrimonial. Os contribuintes desse imposto são os proprietários, os que detêm a posse ou o domínio útil da propriedade rural. A Constituição Federal apresenta casos de imunidade aplicáveis a esse imposto. Para o presente caso, importa, em tese, a imunidade recíproca prevista no artigo 150, VI "a" que veda a instituição de impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços das pessoas jurídicas de direito público interno (União, Estados, Distrito Federal e Municípios). Apenas para já traçar os pressupostos da conclusão do voto, já trago à colação a previsão do artigo 20 da Constituição Federal, incisos III a VI e § 1°, bem como art. 176, nos seguintes termos: Art. 20: São bens da União: III — os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias pluviais. IV — as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as áreas referidas no art. 26 V — os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva; VI — o mar territorial; VII — os terrenos de marinha e seus acrescidos VIII — os potenciais de energia hidráulica. [...] § 1° É assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, bem como a órgãos da administração direta da União, participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração. Art. 176. As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os potenciais de energia hidráulica constituem propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração ou aproveitamento, e pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra. § 1° A pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos potenciais a que se refere o caput desse artigo somente poderão ser efetuados mediante autorização ou Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10820.720007/200998 Acórdão n.º 2401004.981 S2C4T1 Fl. 5 7 concessão da União, no interesse nacional, por brasileiros ou empresa constituída sob as leis brasileiras e que tenha sua sede e administração no País, na forma da lei, que estabelecerá as condições específicas quando essas atividades se desenvolverem em faixa de fronteira ou terras indígenas. Aduzido o primeiro pressuposto o da lei aplicável passo a analisar o caso concreto, a fim de demonstrar que se está frente a caso de não incidência do ITR, seja pela aplicação da imunidade, seja pelo o entendimento segundo o qual não é o caso de arbitramento do VTN, ou seja ainda pela isenção das áreas alagadas, pois a posse do bem pertence à União, além do bem não possuir valor tributável, de tal modo que, por esse motivo não pode recair a incidência do ITR sobre o referido imóvel. Pois bem, consta dos autos que o imóvel em questão é de propriedade da recorrente, o que, por si só, não pode conduzir o intérprete à conclusão de que por ser proprietária de um imóvel rural, seria ela a contribuinte do ITR. Há que ser sopesado o contexto dessa propriedade para se verificar que o sujeito passivo que detém a posse do imóvel é a União. Os imóveis que formam a Usina Hidrelétrica de Três Irmãos, inclusive o imóvel em questão, foram objeto de desapropriação, pela União, a favor da Recorrente, em vista a Certidão de Matrícula n° 22.446. A Recorrente é concessionária de serviço público de produção, transmissão e distribuição de energia elétrica (conforme Decreto), e recebeu as áreas que são destinadas aos reservatórios de água essenciais para a produção, transmissão e distribuição de energia elétrica. Então, a origem da propriedade, pela Recorrente, da terra objeto do lançamento tributário ora em discussão, ocorreu em vista da concessão, pela União, dos serviços públicos de serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos cursos de água, sendo assim um patrimônio público, não cabendo a incidência de ITR. Se não fosse o bastante, também é de se afastar a aplicação dos valores contidos no Sistema de Preços de Terras, pois o objeto da tributação não é pastagem/pecuária, cultura ou campo. Lamentavelmente não há no SIPT um critério de classificação de terras alagadas. Aliás, se fosse feita uma pesquisa de mercado acerca do valor de terras cuja "aptidão agrícola" fosse "terras alagadas" certamente o valor não alcançaria nem um décimo dos valores contidos no SIPT. Salientese, ainda, que "terras alagadas" não detém aptidão agrícola, nem mesmo está passível de negociação no mercado de terras a ponto de fornecer valores válidos à alimentação do SIPT. Desta forma, apenas por esse elemento que retificou o VTN da propriedade em apreço, já seria possível afastar a tributação levada a efeito pelo auto de infração. Além do mais, segundo o enunciado da Súmula nº 45, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), o ITR não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatórios de usinas hidroelétricas. Reproduzo o verbete: Súmula CARF nº 45: O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. Fl. 271DF CARF MF 8 Os precedentes do enunciado apontam que, relativamente às terras submersas, a posse e o domínio útil pertencem à União, descabendo a incidência do imposto sobre tais áreas. Ao integrar as águas o patrimônio da União, o ente político detém o domínio útil da área submersa da propriedade, o que afasta, por conseguinte, a sujeição passiva da pessoa jurídica de direito privado. Portanto o argumento da fiscalização e bem como da autoridade julgadora de primeira instância de que o fato de o imóvel servir para reservatório de água de usina hidrelétrica não é argumento suficiente para se reconhecer que o mesmo está “fora do mercado” e não possui um valor de mercado apurável. Ainda que vinculado à concessão do serviço público de energia elétrica, não é impossível que o imóvel seja de alguma forma alienado para outra concessionária, se houver interesse da União e observadas as exigências legais, não se sustentam pelo razões acima exaradas. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.002875/2005-61
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário: 2000
ISENÇÃO. DEDUÇÃO INDEVIDA
A inobservância de requisitos legais para o gozo do beneficio fiscal enseja a glosa dos valores indevidamente deduzidos.
Numero da decisão: 1802-000.736
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1447; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.002875/200561 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180200.736 – 2ª Turma Especial Sessão de 14 de dezembro de 2010 Matéria IRPJ. Recorrente GODIBEL DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA. Recorrida 3ª Turma/DRJ Rineirão Preto/SP. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 ISENÇÃO. DEDUÇÃO INDEVIDA A inobservância de requisitos legais para o gozo do beneficio fiscal enseja a glosa dos valores indevidamente deduzidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA – Presidente. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, João Francisco Bianco, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel e Gilberto Baptista. Fl. 371DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP. Contra a recorrente foi lavrado o auto de infração de folhas 93 a 99, relativo ao ano calendário 2000, para formalização e exigência de crédito tributário afeto ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, apurado pelo lucro real. De acordo com a descrição dos fatos (fl. 99), em procedimento de revisão da DIPJ foi efetuada a glosa de dedução a título de isenção de imposto, considerada no cálculo do imposto de renda apurado na Declaração, pela constatação de inobservância de requisitos legais para o gozo do beneficio fiscal, salientandose que a recorrente deduziu a título de isenção e redução do imposto (linha 10 da ficha 12A da DIPJ) valor de 286.000,86 correspondente ao IRPJ devido deste anocalendário, sem a observância de requisitos legais para o gozo do beneficio fiscal. Destacouse ainda, que em pesquisa no sistema DCTF não foi encontrado valor correspondente ao IRPJ devido do ano calendário 2000. Devidamente notificada (fl. 119), a recorrente apresentou Impugnação (fls. 121 – 141), alegando em síntese a nulidade do auto de infração na medida em teria consignado enquadramento legal incorreto, porquanto a descrição dos fatos e enquadramento legal o Auditor Fiscal se referiu a empresas instaladas na área da Sudene, entretanto, a recorrrente estaria instalada no Estado de São Paulo, sendo óbvio que o enquadramento legal realizado está incorreto. Ainda em sede preliminar, a recorrente pugnou pela nulidade do auto de infração na medida em que a fiscalização teria deixado de buscar a verdade material, apurando apenas o que favorável ao fisco, não considerando fatos importantes sobre a composição de resultado tributável, principalmente no que concerne a real receita e ao ICMS/ST, bem como, a glosa não aceitou a compensação dos tributos federais com créditos decorrentes de Títulos da Dívida Pública Externa, deixando de expurgar das receitas a respectiva variação monetária ativa. De igual forma, o lançamento seria nulo já que realizado no curso de atendimento a intimação, demonstrandose viciado e violando os princípios da motivação objetiva, finalidade, moralidade e impessoalidade, sendo nulo, como medida de coibir o terrorismo fiscal e o desvio de finalidade. No mérito, afirmou que a partir do ano calendário 1999, adquiriu Títulos da Dívida Pública Externa de responsabilidade da União, sob os quais atribuiu variação monetária ativa com a finalidade específica de apropriação do respectivo crédito para fins de compensação com tributos federais, devidamente escriturada na conta rotulada de "variação Fl. 372DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10855.002875/200561 Acórdão n.º 180200.736 S1TE02 Fl. 2 3 monetária ativa", lançada no razão analítico. E que referidos títulos não foram aceitos pela fiscalização, motivo pelo qual também deveriam ser excluídos da tributação. Como o Auditor assim não fez, ofendeu o princípio da verdade material, apurando crédito indevido. Por fim, contestou a utilização da SELIC como forma de cálculo dos juros, por entender que não foi instituída por lei, sendo a previsão de 1% de juros, interpretada como limite máximo dos juros moratórios. A 3ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 143 a 153, julgou o lançamento procedente, afastando as nulidades invocadas e assentando que a autuação se relaciona à revisão da DIPJ da recorrente, por meio da qual foi constatada a dedução a título de isenção e redução do imposto (linha 10 da ficha 12A da DIPJ) valor de 286.000,86. Nesse contexto, bem salientou a decisão recorrida que a ficha 12A referese ao cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real e traz dentre suas deduções a linha 10, intitulada "Isenção e Redução do Imposto" e nas orientações para o preenchimento da Linha 12A/10 seria claramente explicada que esta deverá ser utilizada pelas empresas legalmente amparadas por isenção ou redução do imposto, a titulo de incentivo fiscal em empreendimentos na área de atuação das extintas Sudam e Sudene. Destacouse que para fins de comprovação da observância de requisitos legais para o gozo do beneficio fiscal utilizado na linha 12/10 de sua DIPJ, a recorrente foi devidamente intimada para prestar esclarecimentos, com ciência em 19/08/2005 (fls. 37 39) e em resposta, apenas apresentou as alterações contratuais, balanço patrimonial e Lalur, nada esclarecendo quanto à dedução do benefício fiscal. No mais, salientou que a recorrente não logrou comprovar que suas alegações são pertinentes à glosa objeto do lançamento, sendo a compensação tributária, instituto totalmente distinto da dedução a título de isenção de imposto informada em sua declaração. Além do mais, teria apresentado apenas alegações genéricas, informando a aquisição de Títulos da Dívida Pública Externa de responsabilidade da União, mas nada juntando à sua impugnação para fins de comprovar a aquisição do título, sua escrituração, inclusive da alegada variação monetária ativa, bem como sua compensação com o Imposto de Renda. Afirmou a decisão recorrida, que mesmo que tivesse ocorrido glosa de compensação indevida, não caberia a autoridade fiscal a retificação de ofício de receitas, cabendo ao contribuinte a retificação nos respectivos períodos em que foram escrituradas como auferidas. Nesse passo, frisouse que meras alegações genéricas não têm o condão de alterar o lançamento, carecendo os argumentos da recorrente de provas que pudessem influir na solução do litígio, concluindose que a recorrente não logrou provar a observância de requisitos legais para o gozo do benefício fiscal de dedução de imposto, sendo correta a glosa dos valores informados em sua DIPJ, mantendose a multa de mora e a aplicação da taxa SELIC. Devidamente notificada (fl. 159) a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 160 – 165) reiterando as preliminares e os argumentos de mérito e pugnando por provimento. É o relatório. Fl. 373DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 4 Voto Conselheiro EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Na ordem das ideias invocadas pela recorrente, apresentase conveniente enfrentar as matérias preliminares, destacando nesse ponto em particular que o auto de infração não padece de qualquer vício capaz de ensejar a decretação da sua nulidade. A aventada nulidade decorrente de suposto erro no enquadramento legal da autuação, assim reputada pela contribuinte na medida em que a autuação teria se referido a empresas estabelecidas na área da Sudene. Verdadeiramente, a interpretação que pretende a recorrente é sobremodo distorcida, com efeito, a autuação é absolutamente clara ao reputar que a contribuinte não satisfez os requisitos para fruir a isenção que utilizou, porquanto essas seriam aplicáveis àquelas empresas que investiam na área da Sudene. Ao observarse a Descrição dos Fatos contida na folha 99, colhese afirmação do agente fiscal digna de reprodução, dela extraindo a resolução de qualquer dúvida quanto à materialidade da autuação imputada à recorrente, in verbis: (...) 001 EMPRESAS INSTALADAS NA ÁREA DA SUDENE ISENÇÃO INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. Glosa de dedução a título de isenção de imposto, considerada no cálculo do imposto de renda apurado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, pela constatação de inobservância de requisitos legais para gozo do benefício fiscal. Conforme ficha 12A da DIPJ n° ND 0693960 do anocalendário de 2000, o contribuinte DEDUZIU a título de ISENÇÃO E REDUÇÂO DO IMPOSTO (linha 10), valor de R$ 286.000,86 correspondente ao IRPJ devido deste ano calendário, sem a observância de requisitos legais para gozo do benefício fiscal. Pesquisa junto ao sistema da SRF referente Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, não foi encontrado valor correspondente ao IRPJ devido do ano calendário de 2000. O esforço investigativo que se faz necessário para compreensão do auto de infração é singelo, a recorrente deduziu, conforme Ficha 12A, Linha 10, de sua DIPJ do ano calendário 2000, o valor de R$ 286.000,86 correspondente ao IRPJ devido naquele período, contudo, em revisão parametrizada, o Fisco constatou que os requisitos para tal dedução não foram satisfeitos, nem os valores alocados em DCTF, sendo glosados os coincidentes valores a Fl. 374DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10855.002875/200561 Acórdão n.º 180200.736 S1TE02 Fl. 3 5 título de IRPJ, nada havendo que se assemelhe à deficiência na imputação dos fatos no auto de infração, motivo pelo qual, rejeito a preliminar a formulada. No mais, o fato de o auto de infração ter sido lavrado no curso da fiscalização, nada há, por si só, que implique na nulidade do auto de infração, ora, se a autoridade administrativa quando da lavratura da autuação já estava convencida da materialidade da infração, era sua obrigação lavrar o auto. Demais disso, se a recorrente tinha alguma prova a produzir no decorrer da fiscalização poderia têla feito ulteriormente à instauração do contencioso administrativo, cuja pertinência seria aferida pelas autoridades julgadoras. A bem da verdade, mesmo nessa instância se a recorrente tivesse indicado qual prova deixou de produzir e o quanto isso era impactante na determinação da infração, seria possível seu cotejo em vista do princípio da verdade material. No entanto, a recorrente limitouse a firmar que o auto de infração foi lavrado no decorrer da fiscalização, situação que desacompanhada da demonstração do prejuízo, não implica em qualquer vício ao procedimento formal de lançamento, mormente porque se trata de mera revisão de sua DIPJ, motivos pelos quais, afasto a preliminar suscitada. Quanto ao mérito, por igual turno o Recurso Voluntário deve ser rejeitado. É que a autuação, como detalhado acima, se deu em vista da revisão da Declaração recorrente, constatandose a dedução a título de isenção e redução do imposto (linha 10 da ficha 12A da DIPJ) valor de 286.000,86 (fl. 13). Andou bem a decisão recorrida ao afirmar que a ficha 12A referese ao cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real e traz dentre suas deduções a linha 10, intitulada "Isenção e Redução do Imposto", prestandose unicamente para as empresas legalmente amparadas por isenção ou redução do imposto, a título de incentivo fiscal em empreendimentos na área de atuação das extintas Sudam e Sudene. Diante disso, temos que a recorrente procedeu às tais deduções sem, contudo, comprovar que preenchia os formais requisitos, de outra banda, a Fiscalização não encontrou pagamentos vinculados às DCTF da recorrente, tampouco essa demonstrou que o crédito tributário foi extinto por qualquer das outras modalidades, impondose a glosa dos valores deduzidos indevidamente. De fato não socorre à recorrente o argumento de que os valores deduzidos e glosados são decorrentes da compensação de Títulos da Dívida Pública Externa de responsabilidade da União por ela adquiridos e compensados com o Imposto de Renda. Reafirmese que o montante foi apurado da própria escrituração da recorrente, que se valeu de uma dedução sabidamente indevida. Quanto ao argumento de deveria haver dedução em vista da compensação com títulos da dívida pública, sabidamente a compensação tributária é instituto que obedece às suas regras próprias e distintas, sujeitandose a procedimento específico e não observado nos autos, mesmo que algum direito creditório da recorrente fosse aferido, isso não lhe asseguraria um “cheque em branco” em desfavor do Fisco, sendo inafastável o rito compensatório aplicável à espécie. No que toca à aplicação da Taxa Selic registro que incide na espécie o verbete da Súmula nº 04 desse Conselho, cujo teor reproduzo por oportuno: Súmula 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Fl. 375DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 6 Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Dito isso, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 14 de dezembro de 2010. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Fl. 376DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13660.000026/2003-87
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
Numero da decisão: 9303-005.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 66 0. 00 00 26 /2 00 3- 87 Fl. 683DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional contra decisão que deferiu o acréscimo de juros calculados com base na taxa selic a título de "atualização monetária a valor postulado como ressarcimento de crédito presumido de IPI objeto de glosas integralmente mantidas pela DRJ e pelo CARF. A ementa da decisão combatida afirma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/10/2000 a 31/12/2000 Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. As aquisições de energia elétrica e combustíveis apenas geram direito ao crédito presumido de IPI no regime alternativo previsto na Lei nº 10.276/01. Aplicação ao caso da Súmula CARF no. 19, segundo a qual “não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei no. 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário”. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. TRANSFERÊNCIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA PRÓPRIA PESSOA JURÍDICA. INSUMOS. EXTRAÇÃO MINERAL. As transferências de insumos entre estabelecimentos da pessoa jurídica não geram direito ao crédito presumido de IPI, uma vez que ausentes operações de “aquisição” de mercadorias, nos termos do artigo 1º, da Lei nº 9.363/96. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES PARA SIMPLES REVENDA. A aquisição de mercadorias para simples revenda, em relação às quais não houver processo de industrialização pela pessoa jurídica destinatária, não confere direito ao crédito presumido de IPI. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ACRÉSCIMO DE TAXA SELIC. Fl. 684DF CARF MF Processo nº 13660.000026/200387 Acórdão n.º 9303005.106 CSRFT3 Fl. 3 3 De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62A, do RICARF (REsp no. 1.035.847), o ressarcimento de créditos de IPI está sujeito a acréscimo da Taxa SELIC entre as datas do protocolo do pedido e aquela em que o postulante fruir efetivamente o direito. A decisão, no que respeita à Selic está assim redigida, na íntegra (destaques constam do original): O pleito final do voluntário, enfim, respeita à atualização monetária (ou à remuneração) do crédito presumido reivindicado nos autos por meio da Taxa SELIC. Recordo, nesse particular, que originalmente a pretensão fora formulada sob a forma de pedido de ressarcimento de saldos credores (em 28.01.2003), seguida, depois, de declarações de compensação por meio das quais a recorrente aplicou a totalidade do direito de que se diz titular na extinção de obrigações tributárias a seu cargo (em 19.03.2003, 22.05.2003 e 28.10.2003). Em outras palavras, depois de requerer o ressarcimento em pecúnia, a recorrente consumiu por inteiro seu suposto crédito em compensação realizada com valores devidos à Fazenda Nacional. Sobre o tema, este Colegiado da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF decidiu recentemente, sob inspiração do acórdão prolatado pelo E. STJ no recurso especial no. 1.035.847, julgado sob o rito do artigo 543C do CPC, que o postulante ao ressarcimento de créditos tributários têm direito à remuneração do principal a partir da data em que formaliza sua pretensão perante a administração tributária. Reportome ao voto vencedor do Conselheiro Robson José Bayerl no acórdão no. 340301.569: “(...), em minha opinião, o fundamento para o reconhecimento do direito à atualização monetária não reside especificamente no óbice ao aproveitamento do crédito, caracterizado pela oposição de ato estatal ou vedação à sua utilização, mas sim no indesejado enriquecimento sem causa por parte do Estado, quando ocorrente tais hipóteses, como restou demarcado no voto condutor do REsp 1.035.847/RS, citado no REsp 993.164/MG, cujo excerto transcrevo: ‘Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco.’ Em meu sentir, a oposição de ato estatal ou vedação à percepção do direito creditório pode se concretizar tanto de forma comissiva, pela expedição de ato Fl. 685DF CARF MF 4 administrativo que restrinja o direito, como de forma omissiva, pela inércia em examinar o pleito formulado em prazo razoável. (...) Não se está aqui a defender o direito à correção monetária de créditos escriturais registrados extemporaneamente, mas, na esteira do raciocínio engendrado pelo STJ, a necessária atualização monetária do crédito requerido e garantido por lei a partir do protocolo do pedido junto à RFB, quando então passaria a Administração Tributária a incorrer em mora perante o contribuinte. Mais uma vez, o obstáculo à fruição de um direito assegurado pela lei pode se verificar tanto por um “fazer o que não é devido” (comissão), como um “não fazer o que é devido” (omissão), de modo que qualquer destes comportamentos, adotados a partir do protocolo do pedido, enseja o direito à atualização monetária. Importante acentuar que o caso concreto examinado no REsp 1.035.847/RS, paradigma do recurso repetitivo (art. 543C do Código de Processo Civil), envolvia ressarcimento de saldo credor de IPI, requerido com lastro no art. 11 da Lei nº 9.779/99. Demais disso, aquela corte judicial deferiu a correção monetária desde a data de apuração do saldo até a sua utilização, do que se depreende que, com maior razão, deverá ser admitido para aquelas hipóteses em que o reajuste do valor tenha como dies a quo a formulação do pedido. Em conclusão, deve ser admitida a atualização do valor a ser ressarcido pela taxa selic, não porém a partir da apuração, pois até então a Fazenda Nacional não estaria em mora, por assim dizer, mas sim, como marco inicial, o protocolo do pedido administrativo, podendo, daí, configurar o obstáculo no reconhecimento do direito, seja pela oposição de ato estatal, seja pela inação em prontamente examinar o pleito, até a data da utilização por compensação ou, no caso de ressarcimento em espécie, até a sua efetivação.” Partilhando das conclusões acima, aplicoas à hipótese em análise para assegurar à recorrente o direito ao acréscimo da Taxa SELIC sobre o crédito que lhe foi (28.01.2003) até a data em que extinto o direito em virtude de compensações (em 19.03.2003, 22.05.2003 e 28.10.2003). O recurso especial da Fazenda Nacional se escora em paradigmas prolatados em 2008 e fevereiro de 2010 (acórdãos números 0203.718 e 30300720, respectivamente). Por serem ambos anteriores à Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, neles se aplicou jurisprudência anterior, que negava a selic em qualquer ressarcimento, mesmo que houvesse "resistência injustificada" por parte da Administração. Vale o registro de que, em um deles, se Fl. 686DF CARF MF Processo nº 13660.000026/200387 Acórdão n.º 9303005.106 CSRFT3 Fl. 4 5 tratava mesmo de aquisições a pessoas físicas e cooperativas, que é o objeto da decisão em repetitivo no Resp 993.164, que temos aplicado por força do art. 62A (atual 62) do RICARF. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso foi apresentado tempestivamente, porém, não pode ser admitido porquanto não adequadamente comprovada a divergência interpretativa. Com efeito, também aqui, busca o recorrente, agora a Fazenda Nacional, a aplicação de tese que prevalecia anteriormente à edição do art. 62A em nosso Regimento Interno. Deveras, embora a decisão recorrida tenha feito expressa menção àquele entendimento, e nele supostamente se embasado, traz a Fazenda acórdãos que distinguem ressarcimento de restituição, simplesmente negando a incidência da Selic no primeiro caso. É certo que a conclusão do julgado de que a situação aqui discutida se enquadra naquela jurisprudência do STJ é bastante discutível na medida em que não se demonstrou em que teria consistido a necessária "oposição estatal de ato" impedindo o ressarcimento postulado. Não houve, entretanto, oposição de embargos quanto a essa suposta omissão, do que só se pode depreender que a Fazenda Nacional não a enxergou. Nesses termos, entendo, apenas cabível o especial para rediscutir tal conclusão, isto é, se em casos em que haja mera demora no deferimento do crédito postulado em ressarcimento, caracterizase a circunstância tida por necessária pelo STJ. Não é isso que pretende o especial fazendário, mas a mera inaplicação daquela jutrisprudência que, em seu entender, apenas deveria alcançar os casos exatamente iguais ao julgado no STJ. Voto por não conhecer do recurso apresentado. É o voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 687DF CARF MF 6 Fl. 688DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.911989/2009-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008
ASSUNTO: PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido
Numero da decisão: 9303-004.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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COMPENSAÇÃO. Recorrente INTERSMART COM. IM. EXP. EQUIP. ELETRÔNICOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 ASSUNTO: PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 19 89 /2 00 9- 12 Fl. 190DF CARF MF 2 Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802002.344, de 29/01/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto à possibilidade de retificação de DCTF após despacho homologatório. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.365 e 3302002.384. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 177/180. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 182/188). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, diferentemente do que exarado no seu exame de admissibilidade, que o recurso especial não deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. No acórdão recorrido, afastouse a pretensão do contribuinte de compensar valores de IPI, ao fundamento de que não restou demonstrada a liquidez e a certeza do crédito. É como constou do seu voto condutor: Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10120.911989/200912 Acórdão n.º 9303004.938 CSRFT3 Fl. 191 3 No presente feito, consoante destacado, a compensação não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: (...) Todavia, no presente caso, não há prova do existência do crédito compensado. O Recorrente, notadamente por se tratar de IPI, deveria ter apresentado, ao menos, as cópias dos livros fiscais comprovando a totalidade das saídas tributadas, cópias estas acompanhadas da respectiva documentação de suporte. Isso porque, de acordo com o art. 9º, § 1º, do DecretoLei nº 1.598/1977, a escrituração fiscal apenas “faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. Portanto, entendese que o sujeito passivo – a quem compete o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição – não demonstrou a liquidez e a certeza do direito de crédito. (g.n.) Portanto, a retificação da DCTF não foi acompanhada da comprovação da origem do crédito vindicado. O contribuinte não se desincumbiu de demonstrar o erro que suscitou ter cometido. A nosso juízo, este entendimento está repisado nos acórdãos paradigmas, consoante indicam as suas próprias ementas. Vejam: Acórdão nº 3302002.365: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 192DF CARF MF 4 Acórdão nº 3302002.384: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. No primeiro paradigma, dizse que o direito à compensação não está limitada à retificação da DCTF, de modo que, embora retificada, caberá ao contribuinte demonstrar o erro que no seu preenchimento cometera, mediante a apresentação oportuna de provas, o mesmo que, aliás, está decidido no segundo paradigma. Em resumo: todos os acórdãos, recorrido e paradigmas, consolidam o mesmo entendimento: a retificação da DCTF deve ser acompanhada da comprovação do erro perpetrado na retificada, de modo que cabe ao contribuinte o ônus da prova do crédito reclamado, cuja compensação eventualmente requeira. Não há, pois, divergência, a viabilizar a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720539/2014-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2010
CRÉDITOS NO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DISTRIBUIDOR DE COMBUSTÍVEIS.
A partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, possibilitou ao distribuidor sujeito à não cumulatividade das contribuições ao PIS e à Cofins, o desconto de créditos relativos à aquisição de álcool para revenda, inclusive para fins carburantes, de um importador ou produtor, ou mesmo de outro distribuidor, correspondendo o valor dos créditos aos mesmos valores da contribuição devida pelo fornecedor que lhe fez a venda.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2010
CRÉDITOS NO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DISTRIBUIDOR DE COMBUSTÍVEIS.
A partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, possibilitou ao distribuidor sujeito à não cumulatividade das contribuições ao PIS e à Cofins, o desconto de créditos relativos à aquisição de álcool para revenda, inclusive para fins carburantes, de um importador ou produtor, ou mesmo de outro distribuidor, correspondendo o valor dos créditos aos mesmos valores da contribuição devida pelo fornecedor que lhe fez a venda.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento) aplicada nos lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luis Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2010 CRÉDITOS NO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DISTRIBUIDOR DE COMBUSTÍVEIS. A partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, possibilitou ao distribuidor sujeito à não cumulatividade das contribuições ao PIS e à Cofins, o desconto de créditos relativos à aquisição de álcool para revenda, inclusive para fins carburantes, de um importador ou produtor, ou mesmo de outro distribuidor, correspondendo o valor dos créditos aos mesmos valores da contribuição devida pelo fornecedor que lhe fez a venda. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2010 CRÉDITOS NO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DISTRIBUIDOR DE COMBUSTÍVEIS. A partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, possibilitou ao distribuidor sujeito à não cumulatividade das contribuições ao PIS e à Cofins, o desconto de créditos relativos à aquisição de álcool para revenda, inclusive para fins carburantes, de um importador ou produtor, ou mesmo de outro distribuidor, correspondendo o valor dos créditos aos mesmos valores da contribuição devida pelo fornecedor que lhe fez a venda. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento) aplicada nos lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado
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DISTRIBUIDOR DE COMBUSTÍVEIS. A partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, possibilitou ao distribuidor sujeito à não cumulatividade das contribuições ao PIS e à Cofins, o desconto de créditos relativos à aquisição de álcool para revenda, inclusive para fins carburantes, de um importador ou produtor, ou mesmo de outro distribuidor, correspondendo o valor dos créditos aos mesmos valores da contribuição devida pelo fornecedor que lhe fez a venda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2010 CRÉDITOS NO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DISTRIBUIDOR DE COMBUSTÍVEIS. A partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, possibilitou ao distribuidor sujeito à não cumulatividade das contribuições ao PIS e à Cofins, o desconto de créditos relativos à aquisição de álcool para revenda, inclusive para fins carburantes, de um importador ou produtor, ou mesmo de outro distribuidor, correspondendo o valor dos créditos aos mesmos valores da contribuição devida pelo fornecedor que lhe fez a venda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento) aplicada nos lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 39 /2 01 4- 11 Fl. 2068DF CARF MF 2 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luis Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Winderley Morais Pereira. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Trata o processo de Autos de Infração que exigem R$ 7.931.315,03 de Cofins e R$ 1.724.805,90 de PIS/Pasep, além dos correspondentes valores de multa de ofício de 75% e juros de mora, em virtude de glosa de: (i) créditos de aquisição no mercado interno constituído indevidamente e (ii) créditos descontados indevidamente na apuração das contribuições, no período de 01/05/2010 a 31/12/2010, uma vez que a interessada, optante do Regime Especial de Apuração e Pagamento da Contribuição para o PIS e da Cofins Recob, exercendo a atividade de distribuidora de álcool etílico e etanol, poderia utilizarse, no cálculo dos créditos a serem compensados na apuração do PIS e da Cofins na sistemática na não cumulatividade, da aplicação das alíquotas específicas por metro cúbico de álcool comprado de produtores (destilarias e usinas) e de outras distribuidoras, apenas de distribuidoras e optantes pelo Recob, tendo como enquadramento legal o art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com as alterações introduzidas pelo art. 21 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, pelo art. 5º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, pelo art. 21 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, pelo art. 43 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, pelo art. 4º da Lei nº 11.307, de 19 de maio de 2006, pelo art. 18 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, pelo art. 5º da Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008, pelos arts. 15 e 36 da Lei nº 11.727, de 23 de Fl. 2069DF CARF MF Processo nº 19515.720539/201411 Acórdão n.º 3201002.827 S3C2T1 Fl. 2.069 3 junho de 2008, pelo art. 25 da Lei nº 11.898, de 8 de janeiro de 2009 e pelo art. 17 da Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009. Cientificada dos lançamentos em 30/05/2014, a interessada, por intermédio de seus representantes legais, ingressou com impugnação, em 26/06/2014, esclarecendo que exerce a atividade de comércio atacadista de álcool carburante, biodiesel, gasolina e demais derivados de petróleo, exceto lubrificantes, não realizado por transportador retalhista – RTT e argumentando, em síntese, que a MP nº 413/08, que previa tributação do álcool de forma monofásica foi convertida na Lei nº 11.727/08 que não dava a possibilidade de crédito pelo produtor. Posteriormente, a Lei nº 11.787/08 teve previsão para a tomada de créditos com regulamentação do Decreto nº 6.573/08. Assim, a partir de 1º de outubro, o álcool passou a ser tributado pelo regime nãocumulativo, aplicandose os percentuais de 1,5% e 6,9% nos casos de produtores e importadores e de 3,75% e 17,25% nos casos dos distribuidores, permitindo a apuração dos créditos. Também foi possível optar alternativamente pelo Regime Especial de Apuração e Pagamento das Contribuições sobre as receitas auferidas com a venda de álcool, com base em alíquotas específicas por unidade de medida por metro cúbico de álcool. Por isso, a empresa, sendo optante desse regime especial, recolhia as contribuições por unidade de medida e se creditava do crédito presumido concedido nos termos do art. 5º, §§ 13 e 14, da Lei nº 9.718/98. Diz que, na ótica da autoridade fiscal, quando a empresa adquire álcool do produtor terá direito a crédito relativo à alíquota desse produtor e quando adquire de distribuidor terá direito a crédito relativo à alíquota desse distribuidor. Afirma que o § 14 determinava que “os créditos de que trata o § 13 deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação”, assim, a distribuidora no ato da venda (figurando como ‘vendedor’) creditouse dos valores decorrentes de sua operação. Ressalta que o produtor tem uma alíquota, o distribuidor outra e o varejista possui alíquota zero e os créditos são relativos aos valores das contribuições para cada um deles na sua operação de venda, não existindo na norma o sentido afirmado pela autoridade fiscal. Questiona a aplicação da multa de ofício de 75%, alegando que, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, somente pode ser aplicada sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de (i) falta de pagamento ou recolhimento; (ii) falta de declaração; e (iii) declaração inexata. Mas nenhuma dessas hipóteses é a retratada nos autos. Se multa houvesse, deveria ser a prevista no art. 61 da mesma Lei, limitada a 20%, em decorrência do crédito glosado pela autoridade fiscal. Salienta o caráter confiscatória da multa de 75% e que se a regra não é clara e gera interpretações múltiplas não há razão para apenar de forma tão gravosa a conduta do contribuinte que apresentou corretamente todos os valores à tributação, equivocandose apenas quanto à sistemática do crédito. Não houve dolo ou má fé." Fl. 2070DF CARF MF 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não acatou as alegações da recorrente, mantendo integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2010 CRÉDITOS NO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DISTRIBUIDOR DE COMBUSTÍVEIS. A partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, possibilitou ao distribuidor sujeito à não cumulatividade das contribuições ao PIS e à Cofins, o desconto de créditos relativos à aquisição de álcool para revenda, inclusive para fins carburantes, de um importador ou produtor, ou mesmo de outro distribuidor, correspondendo o valor dos créditos aos mesmos valores da contribuição devida pelo fornecedor que lhe fez a venda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2010 CRÉDITOS NO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DISTRIBUIDOR DE COMBUSTÍVEIS. A partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, possibilitou ao distribuidor sujeito à não cumulatividade das contribuições ao PIS e à Cofins, o desconto de créditos relativos à aquisição de álcool para revenda, inclusive para fins carburantes, de um importador ou produtor, ou mesmo de outro distribuidor, correspondendo o valor dos créditos aos mesmos valores da contribuição devida pelo fornecedor que lhe fez a venda. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2010 MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Em se tratando de lançamento de ofício, será aplicada a multa de ofício de 75% sobre a diferença da contribuição que deixou de ser recolhida/declarada, sendo irrelevante a existência de boafé na conduta da pessoa jurídica e independentemente da intenção, da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação. Alegando que os créditos previstos no art. xx , § 13, diz respeito às operações de venda da própria Recorrente e não dos valores devidos pelos seus fornecedores. Pede a exoneração da multa de ofício, alegando que tratase de exigência confiscatória e equivocada e que sua aplicação não se amolda aos casos previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 2071DF CARF MF Processo nº 19515.720539/201411 Acórdão n.º 3201002.827 S3C2T1 Fl. 2.070 5 O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Alega a Recorrente que os créditos previstos no art. 5º, §§ 13 e 14, da Lei nº 9.718/98, são auferidos a partir das alíquotas pagas pela própria Recorrente beneficiária dos créditos, não sendo correta a utilização das alíquotas pagas por seus fornecedores. Entendo não assistir razão ao recurso. A legislação ao prever a fruição de créditos de ICMS nas operações de venda de álcool, define os valores a serem creditados a partir das alíquotas utilizadas pelos fornecedores dos combustíveis, como por ser verificado na legislação em comento. " Art. 5º A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida na venda de álcool, inclusive para fins carburantes, serão calculadas com base nas alíquotas, respectivamente, de: ... § 13. O produtor e o importador de álcool, inclusive para fins carburantes, sujeitos ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins podem descontar créditos relativos à aquisição do produto para revenda de outro produtor ou de outro importador. § 14. Os créditos de que trata o § 13 deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação" (grifo nosso) A leitura do § 14 do art. 5º deixa cristalino que os créditos correspondem aos valores das contribuições devidas pelo vendedor em decorrência da operação. Ou seja, o legislador deixou claro que os creditos a serem adquiridos são aqueles devidos pelo vendedor na operação de compra de álcool. Assim, o adquirente ao comproar o produto, creditase dos valores devidos pelo vendedor. Outra não pode ser a leitura do artigo, pois, a análise sistêmica do principio da não cumulatividade é a possibilidade de descontar crédito das operações anteriores, assim, o adquirente do produto creditase dos valores pagos na operação anterior de forma que o valor que deverá ser pago seja efetivamente o valor agregado na operação. Portanto, não assiste razão a Recorrente. Os valores possíveis de serem creditados são aqueles efetivamente pagos pelo vendedor do produto e não os devidos pela Recorrente. Não existindo nenhum reparo a ser feito na decisão da primeira instância. Quanto a multa de ofício no valor de 75% (setenta e cinco por cento), a sua exigência está prevista no inciso I, do art. 44, da Lei 9.430/96, sendo aplicada nos lançamentos de ofício para cobrança de débitos tributários. Fl. 2072DF CARF MF 6 “Art.44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” No caso em tela foi realizado o lançamento de ofício, formalizado por meio do Auto de Infração e, portanto, tornase obrigatória a exigência da multa de ofício no valor de 75% (setenta e cinco por cento) aplicada sobre o valor do tributo exigido. Por fim, consta do recurso, diversas alegações de ofensa a princípios constitucionais. Quanto a esta matéria, este colegiado esta impedido de se manifestar, diante da emissão da súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 2073DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905212/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
Constatados em diligência fiscal os requisitos da certeza e da liquidez, reconhece-se o direito ao crédito vinculado em PERDECOMP.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3402-004.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente ocasionalmente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Renato Vieira de Avila e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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PROVA DA EXISTÊNCIA DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Constatados em diligência fiscal os requisitos da certeza e da liquidez, reconhecese o direito ao crédito vinculado em PERDECOMP. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente ocasionalmente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Renato Vieira de Avila e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de despacho de nãohomologação de compensação pela autoridade administrativa, em razão da não confirmação da existência do crédito informado, pois o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 52 12 /2 00 8- 16 Fl. 338DF CARF MF 2 pagamento consubstanciado no DARF discriminado pelo contribuinte no PER/DCOMP, foi utilizado integralmente para quitar débito anterior. Em sede de manifestação de inconformidade, alegou que o indébito decorre de pagamento a maior do PIS relativo ao mês de dezembro de 2003. Foi recolhida originalmente a quantia de R$ 11.894,43, mas posteriormente, após recalcular o tributos devido a redução a zero da alíquota do PIS incidente sobre as comissões sobre vendas diretas do fabricante/montadora (art. 2º, § 2º, da Lei nº 10.485/02), a recorrente constatou que o valor efetivamente devido era de R$ 9.699,53, conforme DCTF retificadora anexa. A DRJ em Curitiba PR indeferiu a manifestação de inconformidade por falta de comprovação do erro cometido e da certeza e liquidez do indébito. Regularmente notificado da decisão de primeira instância em 13/05/2011, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/06/2011, alegando, em síntese, que não se pode colocar a forma do ato em plano superior à realidade da situação. Entende que do fato de não ter retificado previamente a declaração, não decorre a conclusão de que a compensação não deva ser homologada, pois o pagamento a maior existe efetivamente. A autoridade administrativa deveria ter baixado em diligência o processo para aferir a existência ou inexistência do crédito antes de proferir a decisão. Invocou jurisprudência do CARF favorável à sua tese. Demonstrou a existência do indébito e solicitou diligência para que fossem conferidos os documentos anexados com o recurso (planilha, balancete e razão contábil). Considerando os documentos apresentados com o recurso, o colegiado, em sua composição anterior, baixou o processo em diligência por meio da Resolução nº 3402 000.360, para que a repartição de origem se manifestasse conclusivamente sobre a existência ou inexistência do crédito alegado. O processo retornou com a informação de fls. 325/326, dando conta que o contribuinte possui o crédito alegado e que o valor encontrase disponível para amortizar a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Conforme relatado, tratase de despacho decisório eletrônico de não homologação de DECOMP, em face do contribuinte não ter retificado a DCTF antes da transmissão do PERDECOMP. Nesse tipo de processo, a solicitação de diligência pelo CARF não viola as regras de distribuição do ônus da prova estabelecidas no art. 333 do CPC ou mesmo o art. 373 do CPC/2015, uma vez que os contribuintes juntam com a impugnação a prova que entendem cabível, frente ao teor do despacho de não homologação, qual seja: a DCTF retificadora. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10980.905212/200816 Acórdão n.º 3402004.116 S3C4T2 Fl. 3 3 Tendo em vista que o que importa para o CARF é a existência ou a inexistência do crédito vinculado à compensação, a diligência decorre de uma necessidade do próprio colegiado e não tem o objetivo de suprir o ônus da prova das partes. Conforme relatado, a própria Administração Tributária aferiu a existência dos requisitos da certeza e liquidez (art. 170 do CTN) do crédito vinculado à compensação declarada, razão pela qual deve ser reconhecido o direito de o contribuinte reaver o valor pleiteado. Com esse fundamento, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer do direito de crédito no valor apurado na diligência, ficando a homologação da compensação a cargo da autoridade administrativa. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 340DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.902742/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1683; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.902742/201017 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.307 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 27 42 /2 01 0- 17 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 16327.902742/201017 Acórdão n.º 1301002.307 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 16327.902742/201017 Acórdão n.º 1301002.307 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 233DF CARF MF Processo nº 16327.902742/201017 Acórdão n.º 1301002.307 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 16327.902742/201017 Acórdão n.º 1301002.307 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16327.902742/201017 Acórdão n.º 1301002.307 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.902742/201017 Acórdão n.º 1301002.307 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16327.902742/201017 Acórdão n.º 1301002.307 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 238DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720393/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.
Cabe à Primeira Seção do CARF processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação dos demais tributos, quando derivados de procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3403-003.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Adriana Oliveira e Ribeiro, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Alexandre Kern
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Cabe à Primeira Seção do CARF processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação dos demais tributos, quando derivados de procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido
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CSLL. PIS. COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente S INDUSTRIAL AUTOMOTIVO E COMERCIAL DE PEÇAS E MATERIAL DE FRICÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Cabe à Primeira Seção do CARF processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação dos demais tributos, quando derivados de procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Adriana Oliveira e Ribeiro, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 93 /2 01 2- 41 Fl. 3436DF CARF MF 2 S INDUSTRIAL AUTOMOTIVO E COMERCIAL DE PEÇAS E MATERIAL DE FRICÇÃO LTDA. teve lavrado contra si os autos de infração das fls. 119 a 123, 129 a 134, 140 a 142 e 147 a 148, para formalizar a determinação e exigência de crédito tributário referente, respectivamente, À Contribuição para o Plano de Integração Social – PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor total de R$6.886.830,99, aí incluídos os valores dos tributos, das multas de ofício e dos juros de mora (estes calculados até 03/2012). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 2.004 a 2.021, as infrações constatadas são as seguintes: (i) glosas de créditos de Pis e Cofins na aquisição de mercadorias e insumos; (ii) insuficiência de recolhimento de Pis e Cofins (sistemática monofásica) e (iii) outras receitas não oferecidas à tributação; Quanto às glosas de créditos realizados indevidamente do Pis e da Cofins, o TVF acusa que foram consideradas alíquotas de 2,30% e 10,80%, respectivamente, sem devido amparo legal, conforme determina o artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 10.637/2002 e o mesmo artigo da lei nº 10.833/2003. As alíquotas a serem utilizadas são 1,65% e 7,60%, Os cálculos estão demonstrados no ANEXO I. Já no que diz respeito à insuficiência no pagamento de Pis e Cofins: foram consideradas alíquotas de 1,65% e 7,60% nas notas fiscais de vendas. O correto seria ter considerado as alíquotas de 2,30 e 10,80%, conforme previsto e o artigo 3º, II, da Lei nº 10.485/2002. A fiscalização apresenta um quadro com os valores negativos dos meses em que ocorreram as faltas de recolhimento. Os cálculos estão demonstrados no ANEXO II. No que tange à última infração, o TVF dá conta de que o contribuinte foi intimado, em 27/02/2012, a apresentar: (i) os documentos que deram origem aos lançamentos efetuados na conta nº 31060102 (outras receitas diversas) e (ii) a justificar e apresentar fundamentação legal para a não inclusão dos valores de outras receitas diversas como base de cálculo da apuração do PIS, COFINS, IRPJ e CSLL do anocalendário de 2007. Devido ao não atendimento desta intimação os saldos mensais desta conta foram objeto de lançamentos para tributação do imposto e contribuições sociais mencionados. As quantias tributadas são: Outras Receitas jan07 786.998,38 fev07 636.902,49 mar07 732.635,21 abr07 277.072,86 mai07 841,75 jun07 612.894,31 jul07 304.011,98 ago07 834.014,59 set07 994.845,87 out07 369.172,20 nov07 8.834,74 dez07 115.442,04 Ainda, em decorrência do não atendimento de todas intimações a multa de ofício foi agravada em 50%, com base no previsto no artigo 44, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e com as alterações promovidas pela Lei nº 11.488/2007. Fl. 3437DF CARF MF Processo nº 19515.720393/201241 Acórdão n.º 3403003.349 S3C4T3 Fl. 3.433 3 A impugnação que se seguiu argüiu preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, decadência do direito de constituição de crédito tributário referente ao PIS e à Cofins, dos meses de janeiro/fevereiro/2007. Quanto às outras receitas, informa que a grande maioria da sua produção de pastilhas de freios é vendida para a empresa ligada “Pirion”, que opera como sua distribuidora/atacadista, vendendo estes produtos para seus clientes. Reconhece o erro da Pirion ao orientar seus clientes a fazer os pagamentos de suas faturas diretamente na conta corrente bancária da Impugnante ao invés de ter recebido os valores de seus clientes e depois repassálos à Impugnante na forma de pagamento por suas aquisições. Além disso, cada empresa deveria no final de cada anocalendário ter feito um encontro de contas, o que não foi feito. Nada obstante, esse erro de registro contábil não pode ser tomado como elemento determinante para cobrança de tributo da Impugnante. Houve erro na identificação do sujeito passivo. Se alguém deveria responder em termos tributários deveria ser a Pirion. Além disso, mesmo que houvesse a omissão de receitas, não poderiam ser tributadas pelas contribuições Pis e Cofins, pois não se refere à receita operacional. Quanto às glosas e insuficiências de pagamento de PIS e Cofins, alega, praticamente, que não pode entender os quadros apresentados no Termo de Verificação. Diz que não logrou encontrar na lei, na doutrina e na jurisprudência o significado desta infração (Incidência Não Cumulativa Concentrada), que figura no item II do auto de infração. A 4ª Turma da DRJ/SP1 deu provimento parcial à impugnação, apenas para exonerar os créditos constituídos relativos aos meses de janeiro/fevereiro/2007 das contribuições pagas a menor. O Acórdão n° 1645.281, de 28 de março de 2013, fls. 3.356 a 3.374, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se caracteriza cerceamento do direito de defesa a análise dos documentos fornecidos pelo contribuinte e a lavratura do auto de infração fora do estabelecimento do sujeito passivo se a fiscalização dispunha destes elementos que possibilitava a apuração das infrações cometidas. Estando anexados ao processo todos os documentos que serviram de base para a autuação e estando devidamente relatadas, no termo de Verificação Fiscal, as infrações apuradas não pode ser aceita a alegação de cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PIS. COFINS. As contribuições (Pis e Cofins) são tributos, em regra, sujeitos a lançamento por homologação. Contudo, não havendo pagamento antecipado ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo Fl. 3438DF CARF MF 4 decadencial regese pela norma contida no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN. No caso em discussão de omissão de receitas diversas, como não houve pagamento antecipado destas contribuições, não ocorreu a decadência alegada. No caso do Pis e da Cofins recolhidos a menor, ocorreu a decadência dos créditos constituídos nos meses de janeiro/fevereiro/2007. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2007 RECEITAS DIVERSAS. NÃO OFERECIDAS À TRIBUTAÇÃO. Mantido o lançamento realizado em decorrência da apuração da infração. Não foram apresentados durante a auditoria fiscal e nem na impugnação documentos que provassem o alegado pela Impugnante de que os créditos registrados na conta contábil “nº 31060102 Outras Receitas” não se referiam a receitas de sua responsabilidade. RECEITAS DIVERSAS. REFLEXO. PIS. COFINS. Com relação aos lançamentos reflexos do Pis a da Cofins, a base de cálculo destas contribuições é o valor do faturamento, que abrange o total das receitas auferidas independentemente de sua denominação ou classificação contábil. PIS E COFINS RECOLHIDOS A MENOR. CRÉDITOS GLOSADOS. Mantidos os lançamentos realizados pela fiscalização, relativos aos recolhimentos a menor e aos créditos glosados, por não terem sido apresentados argumentos e documentos que desqualificassem as infrações apuradas. MULTA AGRAVADA. Correto o agravamento da multa em 50%, em razão do não atendimento às intimações, conforme previsto no artigo 14, da Lei nº 11.488/2007, que deu nova redação ao artigo 44, da Lei nº 9.430/96. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/SP1. O arrazoado de fls. 3.375 a 3.391, após síntese dos fatos relacionados com a lide, pede o desagravamento da penalidade aplicada em razão da inexistência de qualquer indício de fraude; argui a decadência do lançamento das contribuições PIS e Cofins dos PAs de janeiro e fevereiro de 2007 também para a infração relativa à outras receitas; rechaça o lançamento a título de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, vez que as bases utilizadas pelas Fiscalização dizem respeito a receitas de terceiros, e; por fim, combate o lançamento relacionado ao creditamento Fl. 3439DF CARF MF Processo nº 19515.720393/201241 Acórdão n.º 3403003.349 S3C4T3 Fl. 3.434 5 indevido e aa insuficiência de recolhimento de PIS e Cofins, na medida em que houve desvirtuamento dos comandos relacionados à sistemática monofásica dessas contribuições. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o relato do suficiente. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Conforme relatado, parcela do lançamento de ofício das contribuições sociais foi decorrente da constatação de omissão de receitas tributáveis pelo IRPJ, redundando no AI das fls. 140 a 142. Nos termos do Inc. IV do art. 2º do Anexo II ao Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010, compete à Primeira Seção o julgamento de recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação dos demais tributos e do IRRF, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Tal é exatamente o caso do presente processo. Assim sendo, voto por que não se conheça dos recursos de que se trata e que se decline a competência para o seu julgamento à 1ª Seção do CARF. Sala de sessões, em 16 de outubro de 2014 Fl. 3440DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.724354/2014-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário".
Numero da decisão: 2202-003.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 43 54 /2 01 4- 49 Fl. 57DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 06/12), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2010, ano calendário de 2009, em que foi constatada omissão de rendimentos recebidos pelo dependente do declarante, no valor de R$ 1.453,24 e glosados valores indevidamente deduzidos a título de despesas médicas, com planos de saúde pagos para Lucas Abner dos Santos Pinto (R$ 858,10) e Leandro Cesar dos Santos Pinto (R$ 857,00) e pagamento ao dentista Oilson Abdala Farah, no valor de R$ 6.020,00, por falta de comprovação do efetivo pagamento. Foi apresentada impugnação tempestiva e parcial onde o interessado alegou a regularidade das deduções de despesas médicas pois referentes a seu próprio tratamento, no valor de 2.240,00, a tratamento de sua companheira, no valor de 1.960,00 e do filho Leandro (até 21 anos), no valor de R$ 1.820,00. Concordou com a infração relativa a omissão de rendimentos e com a glosa de despesas médicas no valor de R$ 1.715,10 e anexou recibos. A 21ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 37/40, pois os recibos apresentados não atendem aos requisitos legais porquanto não contém o endereço do profissional e não foi apresentado outro elemento de convicção da regularidade da dedução. Cientificado dessa decisão por via postal em 08/04/2015 (A.R. de fls. 44), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 11/05/2015 (fls. 48/49), informando que teve ciência da decisão de primeira instância em 10/04/2015 e que no prazo legal estaria apresentando seu recurso, alegando desconhecer a necessidade de aposição de endereço no recibo mas que supriu a falta com declaração do profissional que anexou às fls. 52. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. Inicialmente há que se analisar a questão da tempestividade do recurso. O Decreto 70.235/1972, que disciplina o processo administrativo fiscal, assim dispõe com relação aos prazos: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 58DF CARF MF Processo nº 19985.724354/201449 Acórdão n.º 2202003.895 S2C2T2 Fl. 58 3 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 2° Considerase feita a intimação: I – na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II – no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Diferentemente do afirmado pelo interessado, a ciência da decisão de primeira instância deuse em 08/04/2015 (quartafeira), por via postal. Conforme se verifica pela leitura do Aviso de Recebimento (fls. 44) a correspondência foi recebida em seu endereço. Sendo assim válida, de acordo com a Súmula CARF nº 9 que diz: "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Considerando que os prazos somente se iniciam ou vencem em dias de expediente normal na repartição, o prazo para interposição do recurso voluntário iniciou em 09/04/2015 (quintafeira) e esgotouse em 08/05/2015 (sextafeira). Conforme se depreende do carimbo de recepção às fls. 48, a petição do contribuinte foi apresentada somente no dia 11/05/2015, portanto fora do prazo determinado no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972. Assim, a petição apresentada após o prazo legal carece do pressuposto processual da tempestividade, razão pela qual não merece ser conhecida. Conclusão Fl. 59DF CARF MF 4 Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000627/2005-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
RESSARCIMENTO DE IPI. BENS DESTINADOS A ATIVO FIXO. MATERIAL DE USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão normativa para crédito de IPI em relação a aquisição de bens que irão integrar o ativo fixo ou de produtos destinados ao uso e consumo, na empresa.
RESSARCIMENTO DE IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS AO DESAMPARO DE TRIBUTAÇÂO (NT E SOB O REGIME DE DRAWBACK SUSPENSÃO). IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão normativa para crédito de IPI em relação a aquisição de insumos não tributados (NT) ou sob o regime de drawback na modalidade suspensão.
Numero da decisão: 3401-003.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RESSARCIMENTO DE IPI. BENS DESTINADOS A ATIVO FIXO. MATERIAL DE USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão normativa para crédito de IPI em relação a aquisição de bens que irão integrar o ativo fixo ou de produtos destinados ao uso e consumo, na empresa. RESSARCIMENTO DE IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS AO DESAMPARO DE TRIBUTAÇÂO (NT E SOB O REGIME DE DRAWBACK SUSPENSÃO). IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão normativa para crédito de IPI em relação a aquisição de insumos não tributados (NT) ou sob o regime de drawback na modalidade suspensão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Renato Vieira de Ávila.
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BENS DESTINADOS A ATIVO FIXO. MATERIAL DE USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão normativa para crédito de IPI em relação a aquisição de bens que irão integrar o ativo fixo ou de produtos destinados ao uso e consumo, na empresa. RESSARCIMENTO DE IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS AO DESAMPARO DE TRIBUTAÇÂO (“NT” E SOB O REGIME DE DRAWBACK SUSPENSÃO). IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão normativa para crédito de IPI em relação a aquisição de insumos não tributados (“NT”) ou sob o regime de “drawback” na modalidade suspensão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Renato Vieira de Ávila. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 06 27 /2 00 5- 67 Fl. 2567DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre Pedido de Ressarcimento de crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI (fls. 3 a 1136)1, efetuado em 13/10/2004, no valor de R$ 10.148.011,44 (R$ 7.903.482,13 tratados nestes autos – e apensos), relativo ao terceiro trimestre de 2004, cumulado com compensações. No Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 1188 a 1191, narra a fiscalização que foram apurados, pela empresa, os seguintes créditos irregulares: (a) IPI sobre compras para o ativo imobilizado (R$ 27.096,24), para o qual não há previsão normativa; (b) IPI sobre compras de material para uso e consumo (R$ 484,53), para o qual também não há previsão normativa; (c) IPI ficto sobre serviços de energia elétrica, produto não tributado pelo IPI – NT na TIPI (R$ 75.132,99), não tendo sido efetuado pagamento na etapa anterior, havendo ainda dúvida sobre consumo ou efetiva aplicação no processo de industrialização; e (d) créditos extemporâneos sobre entradas de produtos importados com suspensão, sob o regime de drawback, incluído no cálculo a correção monetária (R$ 8.560.853,31), por tratar de aquisições também desoneradas na entrada, tendo sido o crédito apurado como se as entradas fossem tributadas, e ainda acrescido de correção monetária pela Taxa SELIC, em afronta ao entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF). Apurouse, em síntese, que o contribuinte escriturou créditos indevidos, no período sob exame, gerados no estabelecimento matriz, no montante de R$ 8.663.567,07, dos quais utilizou R$ 7.903.409,95 para ressarcimento/compensação neste processo, e nos processos administrativos no 10865.000097/200638 e no 10865.000098/200682 (apensos). Parte dos créditos demandados foi apartada destes autos, por ter sido gerada no estabelecimento filial de Diadema/SP, jurisdicionado por outra unidade da RFB. Com fundamento em tal TVF foi proferido o Despacho Decisório de fls. 1195 a 1200, indeferindo o ressarcimento e não homologando as compensações dele derivadas. Ciente do despacho decisório em 22/06/2007 (AR à fl. 1237), a empresa apresentou manifestação de inconformidade em 17/07/2007 (fls. 1246 a 1294), alegando, em síntese, que: (a) entende ser legítimo o direito ao crédito de IPI sobre aquisições para o ativo imobilizado (assim como itens de manutenção), tendo em vista o princípio da não cumulatividade, constitucionalmente consagrado, e que por processo industrial ou industrialização deve ser entendido todo o conjunto de etapas necessárias à fabricação do produto, mesmo que tais etapas não se encontrem fisicamente próximas à linha de produção; (b) foi equivocada a classificação da segunda glosa como sendo de IPI sobre compras de materiais para uso e consumo, como o ferramental utilizado no processo industrial, pois tais materiais são “melhor classificados” como “materiais intermediários”, em virtude de serem consumidos no processo de manufatura da empresa, também alicerçada a tese da defesa nos mandamentos constitucionais sobre nãocumulatividade, e no conceito de material intermediário presente na legislação do tributo, além de pareceres normativos (no 65/1979, 68/1979 e 68/1980); (c) o STF firmou jurisprudência no sentido de que cabe o crédito de IPI no caso de aquisição com alíquota zero, isenta ou de produto com não incidência (RE no 357.277/RS, 353.668/PR e 358.493/SC), e o não creditamento transformaria a isenção em mero diferimento; (d) para insumos constantes na TIPI (Tabela de Incidência do IPI) como NT (Não Tributados), o crédito também é admitido pelo STF (RE no 344.6665/SC), sendo a classificação confusa, pois mais indicada seria a utilização do termo isenção para os produtos 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 2568DF CARF MF Processo nº 10865.000627/200567 Acórdão n.º 3401003.798 S3C4T1 Fl. 2.568 3 industrializados enquadrados como NT, a exemplo da energia elétrica (que é também imune); (e) na modalidade de drawback suspensão, a importação de bens a serem empregados em outros futuramente exportados goza de isenção no momento da ocorrência do fato gerador dos tributos aduaneiros, aperfeiçoada com a exportação, sendo a situação idêntica às referentes a aquisições com isenção, geradoras de crédito; e (f) o direito à correção monetária do crédito extemporâneo de IPI é assegurado em lei e confirmado pela jurisprudência. Em 18/06/2008, ocorreu o julgamento de primeira instância (fls. 1473 a 1491), no qual a DRJ decidiu, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: (a) as decisões administrativas e judiciais não vinculam, salvo disposição legal, o julgamento administrativo; (b) o princípio da não cumulatividade não é amplo e irrestrito, encontrando limitações nas leis que regem o IPI; (c) se fosse admitido crédito de insumo que não correspondesse a imposto efetivamente pago na sua aquisição, o sujeito passivo (contribuinte de direito) seria beneficiado, pelo simples fato de que o imposto seria cobrado integralmente do consumidor final (contribuinte de fato) e recolhido à Fazenda apenas pela diferença entre o valor lançado na saída do produto final e o crédito (indevido); (d) seria normal o recolhimento pelo sujeito passivo, após a venda do produto e a apuração periódica do imposto, apenas da diferença (débito crédito) se pagamento do imposto houvesse na aquisição do insumo; do contrário, tratase de locupletamento ilícito, repudiado pelo ordenamento jurídico, com referência a precedente do STF (RE no 551.2444/SC), à legislação do IPI (RIPI/1982), ao Parecer CST no 410/1981, e a precedentes administrativos; (e) equipamentos para o ativo imobilizado e peças de reposição/manutenção, ainda que onerados pelo imposto, não geram créditos, nem produtos intermediários que sofrem desgaste, mas em caráter meramente coadjuvante, sem contato físico direto com produtos da linha de fabricação, e a empresa não trouxe aos autos provas de que as compras de materiais de uso e consumo seriam, na verdade, de produtos intermediários, tendo efetuado leitura descontextualizada do Parecer Normativo CST no 35/1979, ao qual se aliam o Parecer Normativo no 181/1974, o Parecer COSIT no 214/1995 e o Parecer COSIT no 170/1996; (f) ainda que a glosa de energia elétrica derive de esta ser produto NT, tal item não tem o condão de gerar crédito, por não ser consumido, conforme precedente que colaciona; e (g) a lei que a empresa alega lhe socorrer no que se refere à pretensão por correção monetária se refere a compensação e restituição de tributos, e não a créditos escriturais, como já entendeu o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Às fls. 1492/1493, há novo despacho decisório, datado de 18/09/2008, exclusivamente para admitir DCOMP retificadora. E, às fls. 1494 a 1501, há registro, em 19/03/2009, de pedido de revisão e cancelamento de débitos, por parte da empresa, tendo em vista esta haver detectado a existência de débitos registrados a maior ou em duplicidade, conforme aclara às fls. 1495 a 1501. Em 25/03/2009, o pedido de revisão é estendido ao processo apenso de no 10865.000098/200682 (fls. 1514 a 1518), e depois, em 30/03/2009, a outro processo (fls. 1542 a 1545). Em despacho datado de 03/04/2009, a fiscalização suspende débitos, promovendo adequações em função dos pedidos de revisão e cancelamento (fl. 1589). Tais adequações motivam novo despacho decisório (fls. 1601 a 1603), de 30/04/2009, corrigindo valores. Em 14/05/2009 (fl. 1639), a empresa toma ciência do acórdão da DRJ, e dos saldos devedores a serem cobrados após as correções, apresentando, em 25/05/2009 (fls. 1640 a 1647), novo “pedido de revisão e cancelamento de débitos”, por incorreções/duplicidade, que Fl. 2569DF CARF MF 4 culmina em novo despacho decisório, datado de 09/06/2009 (fls. 1662 a 1664), admitindo incorreções, e sanandoas. Em 10/06/2009, a empresa apresenta recurso voluntário (fls. 1668 a 1718), basicamente reiterando a argumentação expressa na manifestação de inconformidade. À fl. 1758, informase possível cobrança em duplicidade, anexandose extrato do processo administrativo no 10865.000629/200475, a fim de subsidiar futuros procedimentos de compensação/cobrança. Em 25/02/2010 (fl. 1764), a empresa solicitou desistência parcial do recurso interposto, em relação a dois débitos, referentes aos períodos de apuração 10/2003 e 11/2003, para os quais a unidade local afirmou, em 22/10/2012, que alocou os respectivos pagamentos (fl. 1766). Tendo sido o processo apreciado no CARF, sob relatoria do Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, que não formalizou o respectivo acórdão, foi incumbido da tarefa, ad hoc, o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, que formalizou o Acórdão no 3202000.345, de 18/03/2015, no qual o colegiado resolveu, por unanimidade, converter o julgamento em diligência (fls. 1771 a 1778), para que a unidade local da RFB intimasse a recorrente a: (a) “efetuar descritivo minucioso do processo produtivo da Recorrente elaborar laudo se necessário, a fim de que possa ser constatado se as aquisições de bens tributados pelo IPI, vinculadas a saídas tributadas pelo IPI, isentas ou alíquota zero; são enquadráveis ou não no conceito de produtos intermediários para fins de apuração de créditos de IPI, indicando, especialmente se: compõem o ativo imobilizado ou não e se os referidos bens sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização”; e (b) “trazer aos autos outros elementos e informações que entenda relevantes para o deslinde do presente processo”. Intimada a apresentar os documentos, os elementos e as informações demandados na diligência, em 16/12/2015 (cf. termo de fl. 1785), a empresa, em 05/01/2016, reitera a desistência parcial do recurso voluntário, pedindo a baixa dos respectivos débitos (fls. 1787/1788), e nova intimação para sua manifestação, após a baixa. No Termo de Diligência Fiscal (TDF) de fls. 1807/1808, informa a fiscalização, em 14/01/2016, que a empresa não acostou aos autos documentos que atendam ao demandado pelo CARF, limitandose a tratar de pagamentos efetuados que já estavam alocados aos débitos, conforme fl. 1766. Ciente do TDF ainda em 14/01/2016 (cf. termo de fl. 1811), a empresa apresenta, em 03/02/2016, a manifestação de fls. 1813/1814, afirmando que na resposta anterior comprovou pagamento de parte de débito inscrito em REFIS, pedindo imputação de valor e prorrogação de prazo para juntada de documentos, sendo imperioso à empresa saber qual valor remanesce no presente feito após a alocação dos pagamentos. Ao fim da manifestação, a empresa reitera o pedido de que haja nova intimação para apresentar documentos, e junta as Notas Fiscais que alega serem referentes aos créditos ora reclamados (fls. 1838 a 2342, e 2346 a 2553). Após a manifestação, é lavrado novo Termo de Diligência Fiscal (fls. 2555 a 2560), no qual a fiscalização informa que as 693 Notas Fiscais apresentadas são todas entradas do exterior do código CFOP 3127 (compras para industrialização sob o regime de Fl. 2570DF CARF MF Processo nº 10865.000627/200567 Acórdão n.º 3401003.798 S3C4T1 Fl. 2.569 5 drawback), com IPI suspenso, e são inócuas, prestandose apenas a “avolumar o processo”, pois a questão é de direito e não documental, não havendo crédito, no caso, por ausência de previsão legal. No que se refere aos pagamentos, informa a fiscalização, às fls. 2558/2559, exatamente como se deu a imputação, com demonstração do valor a ser deduzido dos débitos arrolados nas declarações de compensação. Destaca a autoridade diligenciante, por fim, que os créditos pleiteados pela empresa não são normais, mas extemporâneos, levantados por consultoria especializada (cf. documento de fl. 1164), buscando recuperação de créditos, para contas cujo título já remete à não tributação pelo IPI (COMPRAS DE ENERGIA ELÉTRICA, COMPRAS PARA O ATIVO IMOBILIZADO, COMPRA DE MATERIAL PARA USO E CONSUMO e CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DRAWBACK SUSPENSÃO DO IPI NA IMPORTAÇÃO). Ciente do novo TDF em 07/04/2016 (cf. termo de fl. 2563), a empresa não se manifestou (o que é atestado pelo despacho de fl. 2564, em 16/05/2016). Em 23/06/2016 o processo foi a mim sorteado, não tendo sido indicado para pauta nos meses novembro e dezembro de 2016, por estarem as sessões suspensas por determinação do CARF. O processo, derradeiramente, não foi indicado para o mês de janeiro de 2017, por ser a pauta mera reprodução da referente ao mês de outubro de 2016, que também teve a sessão suspensa por determinação do CARF. E foi indicado para as pautas de fevereiro e março de 2017, mas não incluído, pelo presidente, em função do volume de processos a julgar. Em abril de 2017, o processo foi retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário já foram analisados no Acórdão no 3202000.345, de 18/03/2015, que determinou a conversão em diligência, passandose, aqui, de imediato, à análise de mérito. Aliás, cabe ressaltar que o referido Acórdão no 3202000.345 já ingressou, inclusive, na análise de mérito, como se percebe da transcrição de seu teor (fls. 1774 a 1777): “A maioria das questões postas no recurso voluntário já foram decididas definitivamente pelo pleno do STF , de forma contrária a contribuinte, razão pela qual o CARF está vinculado a mesma conclusão da Suprema Corte, nos termos do art. 26A do Decreto no 70.235/1972 e do art. 62A do RICARF. Tratase de processo no qual o interessado pleiteia o reconhecimento de crédito de IPI apurados no período compreendido entre 01/07/2004 a 30/09/2004, que incluem aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens não sujeitas ao pagamento do IPI. Fl. 2571DF CARF MF 6 Todavia, o STF decidiu que não cabe o desconto de créditos do IPI, com base na regra constitucional da não cumulatividade, na aquisição de insumos com alíquota zero, isentos, não tributados ou não sujeitos ao pagamento do IPI. Confirase: (... transcrição da ementa do REAgR 592.917...) A referida decisão plenária da Suprema Corte vincula o CARF, nos termos do art. 62A do RICARF, razão pela qual a sigo integralmente. Considerando que a empresa defende a apuração do crédito, em relação à aquisição de bens sujeitos ao drawback, por se tratarem de isenção sujeitas à condição, é aplicável o mesmo raciocínio do STF contrário ao crédito nas aquisições isentas. Igualmente, o STF decidiu que o benefício fiscal do art. 11 da Lei no 9.779/1999 é válido a partir de sua vigência e trata do não estorno de créditos de IPI, decorrentes, por óbvio, da entrada de insumos creditáveis (isto é, tributados pelo IPI), quando estes são vinculados às saídas de produtos industrializados isentos ou alíquota zero do IPI. Confirase: (... transcrição da ementa do AIAgR 685.826...) Sobre esses créditos, nossa turma já proferiu julgamento, unânime, no Acórdão no 3202001.312, de 17 de setembro de 2014, da minha relatoria. Outrossim, o pleno do STF negou o crédito de IPI, alusivo a aquisição de bens de uso/consumo ou integrantes do ativo imobilizado da empresa. Confirase: (... transcrição da ementa do RE 451.965AgR, do RE 496.715AgR, do RE 593.772ED e do RE 626.959ED...) A despeito disso, há uma questão residual, na análise do presente caso, que precisa ser examinada, alusiva ao enquadramento ou não de certas aquisições de bens tributados pelo IPI, na categoria de produtos intermediários. (...)” Por mais que o entendimento externado por ocasião da conversão em diligência não vincule o presente julgamento, é de se destacar que são pertinentes as observações do relator original / redator ad hoc, aqui externadas, no sentido de que a recorrente utiliza, em sua alegação, posicionamento já superado pela Suprema Corte brasileira, sendo o atual posicionamento do STF, em sentido oposto, vinculante para o julgador administrativo, em relação à matéria. De fato, sobre insumos adquiridos com alíquota zero, isentos ou não tributados, o posicionamento atual do STF é no sentido de que não há direito a crédito de IPI: “IPI INSUMO ALÍQUOTA ZERO AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal, observase o princípio da nãocumulatividade compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero.” (RE 353657, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, maioria, Fl. 2572DF CARF MF Processo nº 10865.000627/200567 Acórdão n.º 3401003.798 S3C4T1 Fl. 2.570 7 julgado em 25/06/2007, DJe041 DIVULG 06032008 PUBLIC 07032008 EMENT VOL0231003 PP00502 RTJ VOL00205 02 PP00807) “EMENTA AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. IPI. CREDITAMENTO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INEXISTÊNCIA DE AFRONTA. AUSÊNCIA DO DIREITO. PRECEDENTES DA CORTE. 1. A regra constitucional da não cumulatividade é direcionada ao crédito do valor cobrado na operação anterior. 2. Impossibilidade de creditamento em relação a insumo adquirido sob qualquer regime de desoneração, inexistindo dado específico a conduzir ao tratamento diferenciado. 3. Agravo regimental não provido.” (AI 686798 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, unânime, julgado em 18/10/2011, DJe215 DIVULG 10112011 PUBLIC 11112011 EMENT VOL0262403 PP00343) (grifo nosso) “Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO AO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. I – Não há direito a crédito de IPI em relação à aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. II – Agravo regimental a que se nega provimento.” (RE 783958 AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Segunda Turma, unânime, julgado em 13/05/2014, PROCESSO ELETRÔNICO DJe102 DIVULG 28052014 PUBLIC 29052014) E tal posicionamento é coerente com o que estabelece a legislação que rege o tributo, que não prevê a possibilidade de crédito de IPI em aquisições isentas, não tributadas ou tributadas à alíquota zero, pois o princípio da cumulatividade constitucionalmente consagrado não assegura cegamente o direito irrestrito e incondicional ao crédito, cabendo à lei disciplinar as condições para o crédito. O STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, que vincula o julgador administrativo, decidiu, unanimemente, no REsp no 1.134.903/SP que: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não cumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Fl. 2573DF CARF MF 8 Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008) 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da nãocumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), dar seá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. (...) 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. (...)” Assim, descabe falar em créditos para operações de aquisição não tributadas, relacionadas pela fiscalização. E o raciocínio, no que se refere a aquisições com suspensão ao amparo do regime de “drawback”, não é diferente. Nas aquisições, não houve qualquer recolhimento a título de IPI, e continuará não havendo qualquer recolhimento caso as mercadorias adquiridas sejam exportadas. Ou seja, estaria a empresa pleiteando créditos sobre o que sequer foi objeto de cobrança/recolhimento, em desacordo com todos os precedentes apontados, e sem amparo direto em qualquer comando legal (reparese que o artigo 11 da Lei no 9.779/1999 não trata de “aquisição de insumos isentos”, mas de “insumos tributados destinados à industrialização de produtos isentos”). E, não havendo que se falar em créditos extemporâneos, em relação ao drawback, também não há que se discutir se tais créditos, que aqui não são reconhecidos, demandam correção monetária, como postulado pela recorrente e rechaçado pela DRJ. Sobre as aquisições destinadas a ativo imobilizado e a materiais para uso e consumo, igualmente não assiste razão à recorrente. A Lei no 4.502/1964, matriz legal do IPI, estabelece em seu art. 25 (com a redação dada pelo DecretoLei no 1.136/1970): “Art. 25. A importância a recolher será o montante do impôsto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do montante do impôsto relativo aos produtos nêle entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. § 1º O direito de dedução só é aplicável aos casos em que os produtos entrados se destinem à comercialização, industrialização ou acondicionamento e desde que os mesmos produtos ou os que resultarem do processo industrial sejam tributados na saída do estabelecimento.” (grifo nosso) Fl. 2574DF CARF MF Processo nº 10865.000627/200567 Acórdão n.º 3401003.798 S3C4T1 Fl. 2.571 9 Novamente entende a recorrente que o princípio da não cumulatividade lhe garantiria créditos irrestritos e ilimitados, quando a lei condiciona o crédito ao emprego na industrialização. Sobre o tema já nos manifestamos anteriormente, com acolhida unânime do colegiado, revelando o posicionamento aqui mantido: “RESSARCIMENTO DE IPI. BENS DESTINADOS A ATIVO FIXO. MATERIAL DE USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível o creditamento de IPI em relação a aquisição de bens que irão integrar o ativo fixo ou de produtos destinados ao uso e consumo, na empresa”. (Acórdãos no 3403001.719 a721, unânimes, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, sessão de 21 ago. 2012) Resta, assim, analisar a questão residual que motivou a conversão em diligência. Recordese que a diligência buscava investigar a alegação de defesa no sentido de que foi equivocada a classificação da glosa referente a IPI sobre compras de materiais para uso e consumo, e que tal glosa trataria, em verdade, de ferramental utilizado no processo industrial, “melhor classificado” como “material intermediário”, em virtude de ser consumido no processo de manufatura da empresa. Deveria a empresa efetuar descritivo minucioso de seu processo produtivo, de forma a comprovar que efetivamente tratava a glosa de “material intermediário”, e não de bens de uso e consumo, em geral. Aliás, já deveria a empresa ter comprovado suas alegações em sede de manifestação de inconformidade, conforme prescreve o Decreto no 70.235/1972, art. 16, sendo a conversão em diligência tãosomente um reflexo da dúvida do julgador, e que acabou por oportunizar que a empresa trouxesse aos autos, ainda que após o recurso voluntário, até “outros elementos e informações que entenda relevantes para o deslinde do presente processo”. No entanto, de nada adiantou a oportunidade dada pelo julgador para o esclarecimento do processo produtivo, ou mesmo a apresentação de outros elementos e informações relevantes. Intimada a apresentar os documentos, os elementos e as informações demandados na diligência, em 16/12/2015 (cf. termo de fl. 1785), a empresa, em 05/01/2016 efetuou pedidos paralelos, demandando “nova intimação” para sua manifestação após o atendimento de tais pedidos. Como se atesta em termo de diligência fiscal (TDF fls. 1807/1808), a empresa não acostou aos autos documentos que atendiam ao demandado pelo CARF, limitandose a tratar de pagamentos efetuados que já estavam alocados aos débitos, conforme fl. 1766. E, ciente do TDF ainda em 14/01/2016 (cf. termo de fl. 1811), a empresa apresentou, em 03/02/2016, manifestação na qual novamente faz pedidos paralelos, pedindo imputação de valor e prorrogação de prazo para juntada de documentos, além de “nova intimação” para apresentar documentos, juntando apenas Notas Fiscais. Tais notas, como atesta a fiscalização, em novo TDF (fls. 2555 a 2560), são todas referentes a entradas do exterior no código CFOP 3127 (compras para industrialização sob o regime de drawback), com IPI suspenso. E, depois de cientificada do segundo TDF, a empresa sequer se manifestou. Não se desincumbe a empresa, então, nem na manifestação de inconformidade, nem no recurso voluntário, e nem no prazo adicional concedido em função da Fl. 2575DF CARF MF 10 demanda por diligência, do dever de comprovar suas alegações referentes ao direito de crédito, que restou, portanto, ao desamparo de liquidez e certeza, necessários ao reconhecimento, por este colegiado. A diligência não foi realizada a contento, assim, em função da omissão da própria recorrente. Não merece prosperar, destarte, a alegação de defesa desamparada de prova que ensejou a conversão em diligência, e restou, ao fim e ao cabo, ainda carente de comprovação. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 2576DF CARF MF
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