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Numero do processo: 10580.906602/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade da peça recursal, não se conhece das razões de mérito.
Numero da decisão: 3401-006.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça recursal intempestivamente apresentada.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Seixas Pantarolli Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE SEIXAS PANTAROLLI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade da peça recursal, não se conhece das razões de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça recursal intempestivamente apresentada. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade da peça recursal, não se conhece das razões de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça recursal intempestivamente apresentada. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 66 02 /2 00 9- 99 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10580.906602/200999 Acórdão n.º 3401006.004 S3C4T1 Fl. 140 2 Relatório O presente versa sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP nº 32342.76639.310304.1.1.014800) de fls. 02/73, transmitido em 31/03/2004, invocando crédito presumido de IPI apurado no primeiro trimestre de 1999 referente ao ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS de que trata a Lei n° 9.363/96, regulamentada pela IN/SRF n° 23/96 e pela Portaria MF n° 38/97, no valor de R$ 11.109,67. O Despacho Decisório Eletrônico de fls. 82, datado de 09/06/2009, indeferiu o pedido de ressarcimento, tendo em conta a fiscalização ter glosado integralmente o crédito pretendido pelo contribuinte sob a alegação, contida no Termo de Verificação Fiscal de fls. 78/81, de que “[...] todas as aquisições foram efetuadas junto as (sic) pessoas físicas, não gerando assim o direito ao crédito presumido por não sofrerem incidência de PIS e da COFINS”. Irresignada, a empresa apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 83/108, em que alegou: (a) a ilegalidade da IN/SRF n° 23/97, pois esta teria modificado a Lei n° 9.363/96 ao limitar a concessão de crédito presumido de IPI às aquisições de produtos oriundos da atividade rural efetuadas apenas de pessoas jurídicas contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS; (b) a jurisprudência que lhe é favorável oriunda do então Segundo Conselho de Contribuintes, da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Tribunal Regional Federal da 5ª Região; (c) o desrespeito ao princípio da verdade material, pois os produtos da atividade rural adquiridos de pessoas físicas pelo produtorexportador contem invariavelmente parcelas de PIS e COFINS embutidas em seu valor decorrentes da aquisição de insumos realizada ao longo de todo o processo produtivo, o que por si já justificaria o ressarcimento pleiteado; (d) a dicção do Decreto n° 2.367/98 (RIPI) no sentido de que a base de cálculo do ressarcimento seria o valor total das aquisições. A decisão de primeira instância (fls. 115/120), proferida em 29/05/2013, foi unânime pela improcedência da manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoa não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins não integram o cálculo do crédito presumido. Entendeu o julgador de 1ª instância que: (a) o ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e Cofins mediante o crédito presumido de IPI previsto pela Lei n° 9.363/96 requer a incidência de tais contribuições na aquisição realizada pelo produtor exportador, o que não se verifica quando esta é realizada junto a pessoas físicas, as quais não são contribuintes do PIS/PASEP e da Cofins (IN/SRF n° 23/97, Parecer PGFN/CAT/N° 3092/2002, Nota MF/SRF/COSIT/COTIP/DIPEX n° 312/98); (b) a jurisprudência administrativa apontada pela Recorrente não vincula a atuação dos julgadores de 1ª instância, produzindo efeito apenas quanto às partes envolvidas naqueles processos; (c) o julgador de 1ª Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10580.906602/200999 Acórdão n.º 3401006.004 S3C4T1 Fl. 141 3 instância, enquanto autoridade administrativa, está impossibilitado de examinar a legalidade e constitucionalidade de normas e atos administrativos. Ciente do acórdão de piso em 18/10/2013 (fl. 122), a empresa protocolou o Recurso Voluntário de fls. 124/134 no dia 22/11/2013, cuja juntada no eprocesso se deu em 27/11/2013, sustentando em suas razões que: (a) a Lei n° 9.363/96 firmou apenas dois requisitos para a concessão de crédito presumido de IPI, quais sejam, ser o contribuinte produtor e exportador de mercadorias nacionais e efetuar o cálculo com base nas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem para utilização no processo produtivo; (b) que a IN/SRF n° 313/2003 extrapolou sua competência normativa ao regulamentar a citada lei, pois incluiu um terceiro requisito, o de que as aquisições de produtos oriundos da atividade rural sejam efetuadas de pessoas jurídicas contribuintes do PIS/PASEP e da Cofins; (c) que a IN/SRF n° 315/2013 incorreu em igual situação ao regulamentar a concessão de crédito presumido de IPI prevista na Lei n° 10.276/2001; (d) que as Câmaras do Segundo Conselho de Contribuintes e a Câmara Superior de Recursos Fiscais têm acolhido as mesmas razões por ela suscitadas conforme os julgados colacionados. Em 27/11/2013, o presente é encaminhado a este CARF para apreciação da peça recursal, tendo sido sorteado a conselheiro que devolveu o processo à Câmara após renúncia, havendo posterior distribuição a este relator, por sorteio, em 24/10/2018. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Relator Em juízo de admissibilidade, verificase que o presente Recurso Voluntário não atende ao pressuposto da tempestividade, senão vejamos. Determina o Decreto n° 70.235/1972: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 23. Farseá a intimação: II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; § 2° Considerase feita a intimação: II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10580.906602/200999 Acórdão n.º 3401006.004 S3C4T1 Fl. 142 4 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O Recorrente foi cientificado do Acórdão de Manifestação de Inconformidade por via postal remetida ao endereço eleito pelo mesmo em seu cadastro junto ao Fisco. Conforme consta do Aviso de Recebimento de fls. 122, a ciência se deu em 18/10/2013. Neste ponto, convém destacar a regularidade da intimação realizada, a teor da Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assim sendo, o Decreto nº 70.235/1972 é expresso ao determinar que os prazos são contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento (art. 5º, caput) e que os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato (art. 5º, parágrafo único). Considerandose que o dia 18/10/2013 foi uma sextafeira, o prazo teve início no dia 21/10/2013, segundafeira, sendo este o primeiro dia do prazo. Por conseguinte, o trigésimo dia do prazo, quando se encerrou o lapso temporal para a interposição do Recurso Voluntário deuse no dia 19/11/2013. O Recurso Voluntário foi interposto no dia 22/11/2013, conforme aposto no carimbo de protocolo às fls. 124. Não consta dos autos manifestação da autoridade preparadora acerca da tempestividade do presente recurso. Ademais, não há prova da ocorrência de eventual fato impeditivo da prática do ato processual carreada aos autos pela Recorrente. Em verdade, na peça recursal não há qualquer menção à interposição tempestiva. Constatase ainda a inocorrência de feriados no Município de Salvador que modificassem a forma de contagem do prazo acima. Destarte, reconhecida a intempestividade, não é admissível o conhecimento do presente Recurso Voluntário nos termos dos arts. 5º e 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, tornandose definitiva a decisão de primeira instância como dispõe o art. 42 do mesmo diploma: Art. 42. São definitivas as decisões: I – de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10580.906602/200999 Acórdão n.º 3401006.004 S3C4T1 Fl. 143 5 Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.903088/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PERDCOMP. INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO.
Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo.
Numero da decisão: 1201-002.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PERDCOMP. INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo.
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INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 30 88 /2 00 8- 16 Fl. 95DF CARF MF 2 Tratase de Declaração de Compensação n° 25255.40263.271103.1.3.04 0136 transmitida em 27/11/2003, (efl. 06), através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito proveniente de pagamento indicado como indevido em 28/06/2002: DARF com período de apuração 31/05/2002, código de receita 2484, Estimativa mensal de CSLL, valor do principal R$ 3.560,77. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório n° 757788275, de 24/04/2008 (efl. 03), que analisou as informações e reconheceu que o pagamento (n° 1269993581) foi integralmente utilizado para quitação de débito de estimativa mensal do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efl. 12) na qual alegou que ao Final do Exercício foi efetuado o balanço anual onde se apurou o CSLL tributável em valor inferior aos valores antecipados, gerando saldo negativo de CSLL compensável. O litígio foi assim relatado pelo Acórdão Recorrido (efl. 35): 3. Inconformada, a Interessada apresentou, em 30/05/2008, a Manifestação de Inconformidade de fls. 11/12, com anexos de fls. 13/32, na qual alega o seguinte: “O BICHO COMEU BIJOUTERIAS LTDA, inscrita no CNPJ sob o número 31.523.566/000121 estabelecida na Av. Rio Branco, 45 Sala 1105 a 1109, Centro, Rio de Janeiro, RJ Cep 20.090 003, vem muito respeitosamente apresentar a sua manifestação de inconformidade com o despacho decisório com rastreamento número 757788275 de 24/04/2008, pelos fatos abaixo relacionados: 1 No ano calendário de 2002 o contribuinte optou pelo recolhimento mensal do Imposto de Renda e Contribuição Social Sobre Lucro Líquido, POR ESTIMATIVA. 2 Foram recolhidos mensalmente o IRPJ por estimativa com base na receita bruta, conforme legislação em vigor, no total nominal de R$ 29.491,38 (cópias das guias em anexo). 3 Foram recolhidos mensalmente o CSLL por estimativa com base na receita bruta, conforme legislação em vigor, no total nominal de R$ 22.868,56 (cópias das guias em anexo). 4 Ao Final do Exercício foi efetuado o balanço anual onde se apurou o Lucro Real Anual tributável de R$ 79.067,93 que gerou um IRPJ de R$ 11.875,51 (Ficha 06A) e CSLL de R$ 7.116,11 (Ficha 17) da DIPJ2003. 5 Como o contribuinte recolheu de CSLL durante o ano calendário a importância de R$ 22.868,56 (cópias das guias em anexo) e o valor da CSLL apurado com base no Lucro Real anual foi de R$ 7.116,11 (Ficha 17 da DIPJ 2003), foi gerado um CRÉDITO nominal para o contribuinte de R$ 15. 752,45. 6 Com o crédito, o contribuinte teria 02 caminhos a seguir: a) solicitaria a devolução do pagamento efetuado a maior b) faria compensação através da PER/DCOMP. Então o contribuinte optou pelo segundo caminho, ou seja, Fl. 96DF CARF MF Processo nº 15374.903088/200816 Acórdão n.º 1201002.872 S1C2T1 Fl. 96 3 compensou os recolhimentos efetuados a maior no ano calendário de 2003. 7 Assim o recolhimento de R$ 3.631,63 efetuado através do DARF código 2484 apuração 31/05/2002 é vencimento em 28/06/2002 e recolhido em 01/07/2002 foi parcialmente usado para compensar o débito do CSLL sobre lucro presumido do período de apuração Setembro/2003, com vencimento em 31/10/2003, conforme PER/DCOMP número 19042. 39390.121103.1.3. 046721 transmitido em 12/11/2003. 8 A empresa esclarece que o recolhimento de R$ 3.631,63 citado no item 7 acima, referese às quitações abaixo, conforme PER/DCOMP 25255.40263.2 71 103. 1.3. 040136, PER/DCOMP 19042.39390.121103. 1.3.04 6721 e PER/DCOMP 2814301672.121103.1.3.044117, não constando em nosso poder qualquer outro debito que vinculasse tal recolhimento. (...) 9 No despacho decisório não foi mencionado o débito em que teria sido utilizado o crédito gerado pelo recolhimento do DARF código 2484 apuração 31/05/2002 e vencimento em 28/06/2002 no valor de R$ 3.560, 77, arrecadado em 01/07/2002 com valor total de R$ 3. 631,63. " A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 12 27.831 9ª Turma da DRJ/RJ1, efl. 35), que dispôs em voto que o que a manifestante sustenta é que cometeu um equívoco ao preencher o PER/DCOMP, pois indicou como crédito um DARF que não correspondia ao crédito que pleiteava (visava o saldo negativo de CSLL purado no ajuste anual) e que a contribuinte requer direito de retificar a PERDCOMP via processo administrativo fiscal regulado pelo Decreto 70.235/72. Sustenta a decisão que a retificação da PERDCOMP só é permitida antes de instaurado o litígio administrativo (IN SRF n° 900, de 30 de dezembro de 2008.). Cientificada em 16/01/2010 (efl. 43), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 09/02/2010 (efl. 45), em que aduz: O BICHO COMEU BIJOUTERIAS LTDA, inscrita no CNPJ sob o numero 31.523.566/000121, estabelecida na Av. Rio Branco, 45 Sala 1105 a 1109, Centro, Rio de Janeiro, RJ Cep 20.090 003, representada pelo seu representante legal Alvaro Fiães Inácio, não se conformando com os termos do acórdão em referência, vem muito respeitosamente apresentar RECURSO AO CARF, pelos motivos a seguir: 1) No ano calendário de 2003 a empresa optou pelo sistema de apuração pelo Lucro Real Anual, utilizando balancete de suspensão ou redução, ficando demonstrado que em todos os meses do ano calendário de 2003 a empresa teve base de cálculo do IRPJ e da CSLL negativa. (folhas 7 a 15 do DIPJ 2004 ano calendário de 2003em anexo). Fl. 97DF CARF MF 4 2) Conforme a DCTF 4o 3° trimestre de 2003 (de outubro a dezembro/2003), em anexo, não existe débito algum declarado nesse período. 3) Desta forma, o débito de Estimativa mensal de CSLL (código 24841), período de apuração de outubro de 2003, vencimento em 30/11/2003, no valor de R$ 1.292,89 é INEXISTENTE, ficando sem efeito a Declaração de Compensação n°.25255.40263.271103.1.3.040136. 4) Assim NÃO PROCEDE a cobrança do débito de Estimativa mensal de CSLL (código 24841), período de apuração de outubro de 2003, vencimento em 30/11/2003, no valor de R$ 1.292,89. 5) Com os motivos acima expostos, o contribuinte vem requerer: > Que seja considerada sem efeito a Declaração de Compensação n°.25255.40263.271103.1.3.040136. > A REVISÃO do ACÓRDÃO, > O CANCELAMENTO DA RESPECTIVA COBRANÇA. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e passo a analisar seu conhecimento. O contribuinte pretendeu, através de PERDCOMP, compensar débitos de sua responsabilidade com crédito proveniente de pagamento indicado como indevido referente a Darf do período de apuração código 2362 (estimativa mensal). Com relação à possibilidade de que eventual pagamento indevido ou a maior que o devido a título de estimativa possa embasar pedido de restituição ou compensação, prudente considerar o disposto na Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Porém concordo com o entendimento da decisão de primeira instância que na essência entendeu ser incabível compensar os débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos (saldo negativo da CSLL) daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integraram originalmente seu conteúdo. No caso presente o que se pretendeu foi modificar, após a apreciação do direito à compensação (despacho decisório) a natureza do crédito. Tratase de outro pedido, e a retificação nesta condição é vedada pela legislação. Se há algum outro recolhimento indevido, cabe destacar que depois de proferida a decisão administrativa não se admite a retificação da Fl. 98DF CARF MF Processo nº 15374.903088/200816 Acórdão n.º 1201002.872 S1C2T1 Fl. 97 5 declaração de compensação, conforme disposto no art. 77 da IN RFB n° 900, de 30/12/2008, in verbis: Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Observo que o recorrente traz em seu recurso voluntário argumento novo, não apresentado à primeira instancia: o de que utilizou balancetes de suspensão ou redução em todos os meses do ano calendário de 2003; que teriam resultado em base de cálculo do IRPJ e da CSLL negativas em cada mês. Mas à primeira instância alegou que o saldo negativo somente foi apurado no ajuste anual. Nas palavras do contribuinte em sua manifestação de inconformidade: 4 Ao Final do Exercício foi efetuado o balanço anual onde se apurou o Lucro Real Anual tributável de R$ 79.067,93 que gerou um IRPJ de R$ 11.875,51 (Ficha 06A) e CSLL de R$ 7.116,11 (Ficha 17) da DIPJ2003. 5 Como o contribuinte recolheu de CSLL durante o ano calendário a importância de R$ 22.868,56 (cópias das guias em anexo) e o valor da CSLL apurado com base no Lucro Real anual foi de R$ 7.116,11 (Ficha 17 da DIPJ 2003), foi gerado um CRÉDITO nominal para o contribuinte de R$ 15. 752,45. Apela agora a recorrente à apuração refletida em DCTF que teria sido apresentada em 02/09/2008 (após à apresentação da manifestação de inconformidade, de 30/05/2008). Desta forma, segundo o prescrito pelo art. 16, III, do Decreto 70.235/72, e seu § 4º, tal argumento não pode aqui na segunda instância administrativa ser analisado. Por fim, requer o recorrente a desconsideração da própria PERDCOMP e de qualquer cobrança do débito declarado. Mas tal pleito deveria dirigirse às unidades administrativas de cobrança, e não ao CARF. Isto porque o pleito não compõe o litígio. Este se iniciou com a manifestação de inconformidade contra a negativa de reconhecimento do crédito e indeferimento da compensação conseqüente. Devese destacar que a petição de fls 68/74 não se constitui, em seu teor, razões complementares ao recurso voluntário, mas resumo dos argumentos já trazidos na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 99DF CARF MF 6 Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.955641/2008-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/1999
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-006.166
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 56 41 /2 00 8- 54 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.955641/200854 Acórdão n.º 3402006.166 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1629.937, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP, que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação pretendida. Cientificada desta decisão, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, através do qual pede a reforma da decisão de primeira instância, o que fez com os seguintes argumentos: i) Com fulcro na Lei 9.430/96 e alterações posteriores, apresentou diversos pedidos de compensação de créditos tributários oriundos de pagamento indevidos de tributos, os quais foram utilizados para compensação de débitos tributários decorrentes de suas atividades empresariais; ii) O agente administrativo limitouse a lançar um despacho padronizado indeferindo as compensações sob o argumento de que não existia o crédito perseguido pelo contribuinte; iii) Em nenhum momento foi propiciado à Recorrente a oportunidade de demonstrar o seu crédito, se limitando a Autoridade Administrativa a consultar os sistemas informatizados do próprio Fisco; iv) O julgado foi precipitado e invocou como fundamento o fato (verdadeiro) que para homologar as compensações é imprescindível a demonstração pelo contribuinte da "liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas."; v) O objeto do presente processo administrativo é justamente garantir ao contribuinte a oportunidade de demonstrar a liquidez e certeza de seus créditos. Todavia, da maneira em que conduzido o processo não está sendo permitido ao contribuinte demonstrar o seu crédito e usase a falta dessa prova para indeferir o pedido. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.955641/200854 Acórdão n.º 3402006.166 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.148, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.686726/200968, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.148): "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório o recurso é tempestivo, bem como o preenche os demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Mérito Da análise dos autos, constatase que o objeto principal deste litígio se resume ao ônus da prova sobre o direito creditório perseguido pela Contribuinte. Cabe observar que a origem da base de cálculo do crédito e inconstitucionalidade do artigo 3°, § 2°, inciso III da Lei 9.718/98 não é ponto controvertido a ser analisado, uma vez que não foi a razão do indeferimento e tampouco matéria enfrentada em razões recursais. Em síntese, o argumento principal da parte em Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário versa sobre a conclusão da Autoridade Administrativa pela inexistência do crédito "sem sequer solicitar ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito utilizado na compensação". A Contribuinte havia requerido em Manifestação de Inconformidade a anulação do despacho decisório e a determinação para que a Autoridade Fiscal efetuasse as diligências necessárias para comprovar a origem e a existência do crédito utilizado nas compensações ou, alternativamente, a homologação da compensação efetuada. Por sua vez, a Autoridade Julgadora de Primeira Instância salientou que a compensação que se pretende é a proveniente de lançamento por homologação, em que o Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.955641/200854 Acórdão n.º 3402006.166 S3C4T2 Fl. 0 4 contribuinte apura por sua conta e risco o valor a ser restituído e efetua a compensação, incumbindo ao Fisco verificar se o encontro de contas foi realizado corretamente ou não, consoante o artigo 66 da Lei n° 8.383/1991. Com efeito, em razão da busca pela verdade material, sempre deverá prevalecer a possibilidade de apresentação de todos os meios de provas necessários para comprovação do direito pleiteado. Constatase que a Recorrente instruiu tanto a manifestação de Inconformidade quanto o Recurso Voluntário apenas com o instrumento de procuração, identificação da procuradora, cópias das decisões recorridas, identificação dos sócios proprietários e atos constitutivos da empresa. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente em nenhum momento anexou aos autos quaisquer documentos e/ou planilhas de apuração, tampouco apresentou retificação da DCTF para demonstrar o crédito perseguido. Ou seja, não há nos autos sequer um indício da existência de tal crédito. Aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 9303007.218, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais1. Com isso, está correta a decisão de primeira instância. Dispositivo Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/04/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.955641/200854 Acórdão n.º 3402006.166 S3C4T2 Fl. 0 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 75DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.904865/2009-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ E CONTABILIDADE. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo.
Numero da decisão: 1401-003.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito relativo ao pagamento indevido de IRPJ no montante de R$ 128.559,84, realizado em 30/06/2008, homologando as compensações efetuadas até o limite do crédito reconhecido.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva Luiz, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ E CONTABILIDADE. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito relativo ao pagamento indevido de IRPJ no montante de R$ 128.559,84, realizado em 30/06/2008, homologando as compensações efetuadas até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva Luiz, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ E CONTABILIDADE. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito relativo ao pagamento indevido de IRPJ no montante de R$ 128.559,84, realizado em 30/06/2008, homologando as compensações efetuadas até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 48 65 /2 00 9- 89 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10880.904865/200989 Acórdão n.º 1401003.156 S1C4T1 Fl. 223 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva Luiz, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Inicio com a transcrição de trechos do relatório da Decisão de Piso sobre o caso. O presente processo versa acerca das DCOMP eletrônica nº 35495.34792.201008.1.3.044472 (fls. 7/10), transmitida em 20/10/2008, cuja formalização visou declarar a compensação dos débitos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) ambas calculadas em setembro do anocalendário de 2008, com crédito proveniente de pagamento a maior do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) apurado no 1º trimestre do mesmo anobase, conforme abaixo especificado: (apresenta planilha com os dados da compensação) Regularmente cientificado do aludido Despacho Decisório, por via postal, consoante AR recebido em 05/11/2009 (fl. 6), o contribuinte protocolou suas contrarazões em 26/11/2009 (fls. 11/13), acompanhada dos documentos de fls. 14/118, através da qual submete seus argumentos de forma a contrapor as inferências firmadas na decisão administrativa. O requerente sustenta, inicialmente, que a entidade incorreu em erro de preenchimento da DCTF original atinente ao mês de junho de 2008 (doc. 2), asseverando que a declaração teria incluído valores indevidos concernentes às tributações de IRPJ e CSLL apurados no trimestre anterior. Sob este aspecto, assenta que os dados foram consignados após o encerramento da apuração contábil da empresa ensejando a emissão dos DARF e a geração automática das DCTF correspondentes. Atesta também que a sociedade efetuou os pagamentos das importâncias calculadas naquele períodobase, contudo, as inconsistências somente foram notadas pelo contribuinte no curso do 2º trimestre do anocalendário em questão. Diante disso, noticia que a entidade promoveu a solicitação da compensação mediante apresentação da referida PER/DCOMP, todavia, olvidouse de efetuar a retificação da DCTF original, particularmente, no que concerne à exclusão das informações relativas aos valores pertinentes ao IRPJ e CSLL do 1º trimestre do anobase de 2008. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10880.904865/200989 Acórdão n.º 1401003.156 S1C4T1 Fl. 224 3 Neste contexto, protesta a veracidade de suas assertivas acentuando que as informações prestadas na DIPJ/2009, transmitida em 15/10/2009, demonstra a apuração de prejuízo no encerramento do 1º trimestre de 2008 (doc. 3). Encerra suas alegações de defesa, certificando que após o recebimento do despacho decisório e seguindo orientação do Plantão Fiscal da RFB, procedeu a transmissão de DCTF retificadora do mês de junho de 2008 (doc. 4), através da qual corrigiu os erros supracitados. Ante o exposto, requer o provimento da manifestação de inconformidade e a consequente homologação da compensação declarada na PER/DCOMP. Ato contínuo, a autoridade preparadora encaminha os autos à DRJ/SP1 para julgamento da manifestação de inconformidade. É o relatório. Analisando a manifestação do contribuinte a Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual solicita a revisão da decisão e alega ter apresentado a documentação comprobatória do seu crédito. Apresenta, novamente, a DIPJ do ano 2008, além dos documentos de comprovação da entrega de sua escrituração fiscal pelo SPED. É o breve relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. O assunto tratado neste processo é idêntico a diversos outros processos que tratam de PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido. Invariavelmente os contribuintes apresentam declaração de compensação baseada em pagamento realizado a maior e, não realizando a concomitante retificação da DCTF, veêm seu crédito não reconhecido e a compensação nãohomologada. Passamos a apresentar voto desta mesma relatoria no qual apresentamos nossa razão de pensar que entendemos ser a de procedimento correto no presente caso, já apresentada no acórdão nº 1401002.932, de 20/09/2018. Desde a época em que foi criado o programa gerador das declarações de compensação muitas dúvidas surgiram acerca da forma de análise a ser adotada pelos sistemas informatizados. Tratandose de pagamento a maior Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10880.904865/200989 Acórdão n.º 1401003.156 S1C4T1 Fl. 225 4 ou indevido haviam duas correntes de pensamento: a primeira se declinava no sentido de que a análise deveria ficar restrita à comparação com a DCTF, por esta ser a declaração de confissão de débitos, e a segunda pendia no sentido de que além da DCTF fosse realizado o batimento com os valores de apuração das diversas declarações que o contribuinte deveria apresentar ao fisco (DACON, DIPJ, DIRF, etc). Como resta claro na análise do relatório deste processo, a primeira corrente prevaleceu, até mesmo em função da maior agilidade de processamento. Resultado, foram geradas milhares de decisões automáticas com o mesmo teor da deste processo. Não havendo retificação da DCTF da empresa antes da apresentação do PER/DCOMP e o DARF estando a ela vinculado, indeferese o crédito, sem qualquer outra consideração. Esse procedimento, ressalvando o fato de não ser ilegal em essência, impede a formação de qualquer contraditório sobre o fato de confirmação do crédito do contribuinte contra a Fazenda Nacional apresentado nas outras declarações ao fisco e a existência efetiva de seu direito. Mais ainda quando, pela pouca clareza da decisão, os contribuintes, como o do presente processo, tentam se defender procurando demonstrar que o valor confessado na DCTF estaria incorreto e, assim, há de se verificar as demais declarações por ele apresentadas. Essa forma de procedimento é, inclusive, condenada por colegas desta Turma do CARF quando entendem que ocorre cerceamento do direito de defesa na medida em que o indeferimento do crédito é realizado sem nenhuma prévia intimação ao contribuinte. Em minha opinião não creio na existência de um cerceamento do direito de defesa pela simples inexistência de intimação prévia, no entanto, discordo que toda a análise seja feita pela simples conferência com a DCTF. Ora, se o contribuinte cumpre obrigações acessórias sujeitas à penalidades por meio da entrega de DIPJ, DACON, DIRF, etc, não entendo ser possível em grau de recurso, diante da alegação da existência de outras declarações infirmando os valores dos débitos confessados na DCTF, que não se realize nenhum ato de conferência do valor efetivamente devido e de apuração do efetivo valor do crédito,s e acaso for existente. Ora, é bom esclarecer para os que não compreendam o sistema de funcionamento das declarações, que a DCTF, mercê de ser a declaração onde o contribuinte confessa seus débitos perante o fisco, é a declaração mais sujeita a erros de informação. Explico: a DCTF é declaração obrigatória de confissão na qual o contribuinte não informa nenhum valor de apuração dos débitos. Simplesmente informa o valor devido dos tributos e a forma como extinguiu os mesmo. Essa declaração é exigida no mais curto espaço de tempo possível, por exigência do fisco, a fim de propiciar a mais rápida cobrança do crédito tributário. Só que essa agilidade (passando há muito tempo a ser mensal a entrega) milita contra o próprio contribuinte ao passo em que o obriga a Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10880.904865/200989 Acórdão n.º 1401003.156 S1C4T1 Fl. 226 5 informar débitos sem uma adequada revisão dos valores de apuração dos tributos. Vejase que a demais declarações (DIPJ, DACON, DIRF, etc) são apresentadas bem posteriormente, já após o fechamento de balanços, auditorias, etc. Assim, no meu entender, a análise dos PER/DCOMP deveria realizar o batimento de todas as declarações apresentadas pelo contribuinte relativas ao débitos em questão informados no PER/DCOMP. Tal prática é semelhante à que a própria receita federal realiza nos sistemas de revisão interna quando, a partir das divergências entre a DCTF, DIPJ, DIRF e DACON, realiza intimações ao contribuinte a fim de escoimar as divergências. Por isso é que sempre entendi que desta mesma forma adotada pela Receita Federal para a conferência dos débitos declarados, deveria atuar o fisco na apuração dos créditos solicitados pelos contribuintes. Infelizmente apenas a pouco tempo foi adotada a sistemática de intimação prévia ao contribuinte, no entanto, resta um enorme estoque de processos, como este, que foi analisado sem maior aprofundamento da análise das demais declarações da empresa. Diante deste entendimento e verificando que existem diversos indícios em favor do contribuinte, passo à análise do mérito do direito de crédito do recorrente, a fim de verificar a existência de fato dos créditos em obediência ao princípio da verdade material e o da informalidade." No presente caso, tratandose de apuração de IRPJ pela sistemática do lucro real o valor dos débitos era apurado por meio da DIPJ e por meio da escrituração fiscal do contribuinte. Assim, mesmo com a falta de retificação tempestiva da DCTF, era possível a análise da existência do crédito mediante verificação dos valores de apuração do IRPJ devido pela empresa. Constatamos que na própria manifestação de inconformidade o contribuinte informar que errou ao informar na DCTF relativa ao 1º trimestre/2008 os valores devidos da CSLL no mesmo montante dos do trimestre anterior. Que verificando o erro apresentou PER/DCOMP para utilizar os pagamentos realizados a maior e que, no entanto, não realizou a tempestiva retificação da DCTF. Somente por meio de informações obtidas junto ao CAC da Delegacia da Receita Federal, foi orientado a retificar a DCTF e apresentar a manifestação. A Delegacia de Julgamento, mesmo conhecendo esta argumentação e de posse da DIPJ com a apuração pelo lucro real onde restou demonstrada a existência de prejuízo fiscal no período de apuração, entendeu que com a confissão dos débitos apresentada em DCTF e a retificação realizada somente após a ciência do despacho decisório, não poderia o princípio da Verdade Material sobrepor as normas legais vigentes. Interessante o apego às normas em detrimento à realidade dos fatos. Na verdade não existe nenhuma regra de compensação determinando que o sujeito passivo Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10880.904865/200989 Acórdão n.º 1401003.156 S1C4T1 Fl. 227 6 retifique suas declarações antes da apresentação dos PER/DCOMP. Na verdade a apuração do valor a pagar dos tributos é feita nas DIPJ, DACON ou mesmo escrituração fiscal.] A DCTF, enquanto instrumento de confissão de dívida, não serve para verificação do valor devido dos tributos, enquanto que a DIPJ, mais ainda neste caso onde se apura o lucro real, demonstra toda a composição dos valores devidos dos tributos. Acho que no presente caso faltou à Delegacia de Julgamento aprofundar a análise em razão da apresentação da DIPJ original com a apuração de prejuízo no período em questão. Por isso entendo que merece reparos a decisão em questão. Analisando a documentação acostada ao processo verifico que a empresa, desde a apresentação de sua DIPJ original do anocalendário 2008, apresentou prejuízo fiscal para o 1º trimestre de 2008. Notese que, à primeira vista, não se apresenta o caso de empresas que costumam apresentar prejuízos consecutivos. Na própria DIPJ verificase lucro tributável em alguns trimestres e prejuízo em outros. Quando da apresentação do recurso voluntário, muito limitado por sinal, a empresa cuidou de apresentar os comprovantes de apresentação de toda a escrituração digital. Somandose isso aos valores apresentados na apuração do IRPJ e CSLL do anocalendário de 2008, entendemos que a empresa consegue comprovar que os valores apontados em sua DIPJ refletem a realidade dos fatos e podem infirmar os valores anteriormente confessados em DCTF e retificados posteriormente. Neste sentido, entendendo pela correção dos valores de apuração apresentados pelo contribuinte em sua DIPJ, necessário se faz reconhecer pela inexistência de IRPJ e CSLL a pagar no 1º trimestre de 2008, razão pela qual os pagamentos relativos a estes tributos tornamse indevidos e podem ser utilizados pelo contribuinte na compensação de outros débitos perante a receita federal. À vista de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito relativo ao pagamento indevido de IRPJ no montante de R$ 128.559,84, realizado em 30/06/2008, que pode ser utilizado para a compensação dos débitos apresentados em PER/DCOMP e vinculados ao referido crédito. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 227DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.003196/2009-93
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RECURSO ESPECIAL. ART. 5º C/C ART. 67, §12 DO RICARF APROVADO PELA PORTARIA 343/2015. DECISÃO VINCULANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. NÃO CONHECIMENTO.
Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar decisão vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral.
Numero da decisão: 9202-007.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 RECURSO ESPECIAL. ART. 5º C/C ART. 67, §12 DO RICARF APROVADO PELA PORTARIA 343/2015. DECISÃO VINCULANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. NÃO CONHECIMENTO. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar decisão vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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ART. 5º C/C ART. 67, §12 DO RICARF APROVADO PELA PORTARIA 343/2015. DECISÃO VINCULANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. NÃO CONHECIMENTO. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar decisão vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 31 96 /2 00 9- 93 Fl. 153DF CARF MF 2 Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2801003.498, proferido pela 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase Notificação de Lançamento 2007/609450563394077 de fls. 13 a 15, impugnada parcialmente pelo Contribuinte, na qual foi constituído R$ 9.435,80 de Imposto de Renda Suplementar e R$ 7.076,85 de multa de ofício, além dos acréscimos legais pertinentes, com base na omissão de rendimentos tributáveis de R$ 28.591,87, recebidos em virtude de processo trabalhista, e da glosa da dedução R$ 5.720,11 a título de Previdência Oficial. O Contribuinte apresentou a impugnação. A DRJ/SDR, às fls. 91, julgou pela procedência parcial da impugnação apresentada. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 95/105. A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 115/127, DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica, consubstanciada na Notificação de Lançamento de folha 15/17. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. JUSTIÇA DO TRABALHO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Interpretação da lei conforme jurisprudência do STJ. Recurso Voluntário Provido. Às fls. 129/138, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: 1. IRPF Ajuste/omissão de rendimentos Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA): geral: regime de caixa versus regime de competência. A divergência ocorre em relação à solução jurídica. Os acórdãos paradigmas aplicam integralmente o art. 12 da Lei n. 7.713/88, segundo o qual, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto de renda incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos. Por sua vez, o acórdão recorrido afirma Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10930.003196/200993 Acórdão n.º 9202007.616 CSRFT2 Fl. 10 3 que, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o IRPF deve ser recolhido no mês do recebimento, mas o cálculo desse imposto deverá considerar os meses a que se referirem os rendimentos. Ou seja, para fins de aplicação da alíquota, devem ser considerados os valores mensais, e não o montante global auferido. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 141/144, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: IRPF Ajuste/omissão de rendimentos Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA): geral: regime de caixa versus regime de competência. Cientificado à fl. 140, o Contribuinte mantevese interne, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora DO CONHECIMENTO O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo, contudo, os demais pressupostos de admissibilidade merecem algumas considerações. Em caso análogo este colegiado já se manifestou que não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar decisão vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, face a disposição do art. 5º c/c art. 67, §12 do RICARF, nos seguintes termos: Considerando que o acórdão recorrido aplicou, por força do art. 62A do então regimento interno decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática dos recursos repetitivos, o despacho de admissibilidade recebeu o recurso apenas com base no acórdão paradigma de nº 2102002.806, desprezando o segundo que havia sido proferido em contexto fático distinto. Assim temos a seguinte situação: 1) decisão que entendendo que os rendimentos recebidos acumuladamente devem ser tributados pelo regime de competência obedecidas as alíquotas e tabelas vigentes à época do correto recebimento deu provimento ao recurso voluntário e Fl. 155DF CARF MF 4 cancelou o lançamento; e 2) recurso especial baseado em paradigma cuja fundamentação afasta a tese do recorrido e defende a incidência do imposto de renda pelo regime de caixa, com alíquota e tabela do mês do recebimento ou crédito e sobre o total dos rendimentos. Quando da interposição do recurso ainda não tínhamos decisão definitiva sobre a matéria no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Assim, considerando que o acórdão paradigma afastou expressamente a aplicação ao caso do Resp 1.118.429, a Fazenda Nacional apresentou, em 03.09.2014, recurso defendendo a constitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88. Entretanto, quando da análise da admissibilidade o cenário era outro. Em 09.12.2014, transitou em julgado a decisão do STF no Recurso Extraordinário nº 614.406, decisão proferida sob a sistemática da repercussão geral e a qual declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88. O Tribunal Superior definiu, de forma definitiva, que o "Imposto de Renda incidente sobre verbas recebidas acumuladamente deve observar o regime de competência, aplicável a alíquota correspondente ao valor recebido mês a mês, e não a relativa ao total satisfeito de uma única vez". Embora o recurso tenha sido interposto na vigência do antigo regimento interno, o respectivo exame de admissibilidade ocorreu em 30.06.2015, data em que já se encontrava vigente o RICARF aprovado pela Portaria nº 343/2015 publicado em 10.06.2015, razão pela qual, por força do respectivo art. 5º, deveria ter observado a nova regra do §12 do art. 67. Vejamos os dispositivos com a redação válida na época: Art. 5º Os despachos de exame e reexame de admissibilidade dos recursos especiais exarados depois da data de publicação desta Portaria observarão, no que couber, o nela disposto. .. Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado. ... § 12. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: I Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; II decisão judicial transitada em julgado, nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC); e III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10930.003196/200993 Acórdão n.º 9202007.616 CSRFT2 Fl. 11 5 Assim, aplicando os art. 5º c/c art. 67, §12 do Regimento Interno aprovado pela Portaria 343/2015, entendo que o acórdão paradigma considerado pelo exame de admissibilidade também não é apto para fundamentar a divergência perseguida pela Recorrente, haja vista que seu entendimento foi superado por decisão vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal. Diante do exposto, deixo de conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 157DF CARF MF
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Numero do processo: 10073.720074/2016-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
COMPENSAÇÃO INDEVIDA INFORMADA EM GFIP. NÃO COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. GLOSA. LANÇAMENTO FISCAL.
Constatada compensação indevida de contribuição previdenciária informada em GFIP, não tendo havido a comprovação, pelo sujeito passivo, durante o procedimento fiscal, da certeza e liquidez dos créditos por ele aí declarados, não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional (CTN), cabível a glosa dos valores indevidamente compensados, com o conseqüente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas em virtude deste procedimento do contribuinte.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício (Súmula CARF nº 108).
RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA.
A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;ou refira-se a fato ou a direito superveniente;ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
Numero da decisão: 2201-005.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
Débora Fófano dos Santos - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: DEBORA FOFANO DOS SANTOS
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NÃO COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. GLOSA. LANÇAMENTO FISCAL. Constatada compensação indevida de contribuição previdenciária informada em GFIP, não tendo havido a comprovação, pelo sujeito passivo, durante o procedimento fiscal, da certeza e liquidez dos créditos por ele aí declarados, não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional (CTN), cabível a glosa dos valores indevidamente compensados, com o conseqüente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas em virtude deste procedimento do contribuinte. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício (Súmula CARF nº 108). RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;ou refirase a fato ou a direito superveniente;ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 00 74 /2 01 6- 31 Fl. 27884DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. Débora Fófano dos Santos Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela sociedade empresária (fls. 26.732/26.755) contra decisão no acórdão nº 1466.259 da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 26.716/26.724) que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário consolidado no presente processo administrativo, referente ao auto de infração contribuição previdenciária da empresa e do empregador, lavrado em 19/1/2016, relativo à infração de glosa de compensação e retenção de contribuições previdenciárias devidas pela empresa para a seguridade social no período de 01/01/2011 a 31/12/2011, no montante de R$ 8.486.963,69, compreendendo o valor da contribuição previdenciária de R$ 4.616.497,99, acrescido de juros de mora de R$ 1.983.586,55, da multa proporcional de R$ 572.906,98 e da multa de mora de R$ 1.313.972,17 (fls. 03/13). De forma sucinta, consta do relatório fiscal (fls. 14/19): "(...) A ação fiscal teve início em 04/12/2013 com ciência ao contribuinte do Termo de Início de Procedimento Fiscal. Por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 04, emitido e cientificado o contribuinte em 07/04/2015, o sujeito passivo foi intimado a apresentar, em conformidade com demonstrativo de valores compensados em GFIP (anexado ao referido termo de intimação fiscal), demonstrativo de apuração dos créditos compensados e das compensações realizadas e documentos comprobatórios das compensações referentes às competências 01/2011, 03/2011 e 06/2011 a 12/2011 com os correspondentes estabelecimentos. O contribuinte apresentou uma planilha com as retenções e compensações efetuadas nos diversos estabelecimentos e as notas fiscais referentes às retenções. Deixou de apresentar os documentos comprobatórios relativos às compensações. Considerando que o contribuinte declarou retenção de nota fiscal em valor superior ao valor das notas fiscais emitidas nas respectivas competências, procedeu à glosa das retenções efetuadas no estabelecimento 32.172.751/000181 (competência 07/2011), no estabelecimento 32.172.751/000424 (competências 03/2011, 09/2011 e 10/2011) e no estabelecimento 32.172.751/000505 (competência 09/2011). Da mesma forma, considerando que os valores das compensações efetuadas em GFIP correspondem à sobra de Fl. 27885DF CARF MF Processo nº 10073.720074/201631 Acórdão n.º 2201005.070 S2C2T1 Fl. 27.885 3 recolhimento ocorrido em competência(s) anterior(es) à competência da compensação efetuada e tendo em vista a falta de apresentação dos documentos comprobatórios relativos às compensações onde se originou valor de recolhimento superior ao devido, procedeu também à glosa das compensações inseridas na GFIP referente aos estabelecimentos 32.172.751/000181 (competências 01/2011, 06/2011, 07/2011, 09/2011, 10/2011, 11/2011 e 12/2011), 32.172.751/000262 (competências 01/2011, 11/2011 e 12/2011), 32.172.751/000424 (competências 01/2011, 06/2011, 10/2011, 11/2011 e 12/2011) e 32.172.751/000505 (competências 01/2011, 03/2011, 08/2011, 10/2011, 11/2011 e 12/2011). Foi emitido o Termo de Constatação Fiscal n° 01, com ciência pessoal do contribuinte no dia 21/12/2015, para que o contribuinte apresentasse documentos que justificassem, contestassem, modificassem ou complementassem os fatos especificados, como também justificasse a situação, por escrito, no prazo de 5 (cinco) dias úteis a contar do recebimento desse. Em razão de não ter havido nenhuma resposta ao referido termo, procedeuse à glosa das compensações indevidas. (...)" Cientificado da autuação em 22/1/2016 (fls. 464/465), o contribuinte apresentou impugnação em 21/2/2016 (fls. 467/485), alegando em suma, o que segue: "(...) III.1. A extinção do crédito tributário por meio da compensação: o inquestionável direito à compensação dos valores de contribuição previdenciária decorrentes da retenção de 11% sobre nota fiscal (Lei n° 9.711/1998) A glosa das compensações decorreu de dois motivos: i) por um equívoco no preenchimento da GFIP, a impugnante indicou no campo "compensação" valores relativos à retenção de 11% (onze por cento) das notas fiscais emitidas nas respectivas competências que deveriam ter sido lançados no campo próprio (no caso "Retenção Lei 9.711/98") e ii) a fiscalização desconsiderou valores pagos à título de contribuição previdenciária que não haviam sido destacados nas Notas Fiscais de Serviço correspondentes, mas que foram recolhidos por meio de guia apartada. Ao realizar a apuração das contribuições previdenciárias devidas durante o anocalendário de 2011, a Impugnante utilizouse das retenções e compensações efetuadas nos diversos estabelecimentos e de meses anteriores. Todo o montante compensado no anocalendário de 2011 corresponde a crédito decorrente de retenções sofridas pela Impugnante no ano de 2011 e de saldo a compensar existente ao final de 2010, que foi transportado para 2011, conforme comprova a documentação anexa à presente. III.2. O princípio da verdade material e a vedação ao enriquecimento sem causa da União Fl. 27886DF CARF MF 4 No processo administrativo fiscal deve sempre prevalecer a verdade material. Afinal, o objetivo maior a ser perseguido no curso do procedimento administrativo é confirmar ou refutar eventuais exigências formuladas pelas Autoridades Fiscais, de tal modo que a verdade material se mostra essencial para esse fim. Assim, em observância ao princípio da verdade material, a Fiscalização deveria ter analisado todos os documentos à sua disposição, a fim de verificar a legitimidade da compensação realizada pela Impugnante. Tivesse o Fisco realizado análise detalhada de todas as informações ao seu alcance, não teria chegado a outra conclusão senão a de considerar integralmente válidas as compensações. III.3. O erro no cumprimento de obrigações acessórias — Incorreta capitulação legal do Auto de Infração — Necessária reclassificação Na capitulação legal do Auto de Infração, a fiscalização glosou as compensações realizadas pela Impugnante, e em razão desta acusação, exige não apenas os tributos supostamente não recolhidos como multa de 20% pela compensação indevida, nos termos do art. 89, § 9° da Lei n° 8.212/1991, no que diz respeito à glosa de compensação, e multa de 75%, no que tange à glosa de retenção, por suposta falta de recolhimento nos termos do art. 44, inciso I da Lei 9.430/1996. No entanto, demonstrado que a Impugnante não deixou de efetuar o recolhimento devido, mas tão somente se equivocou quando do preenchimento das GFIP, sem que tais equívocos tenham resultado em pagamento a menor, resta patente a ilegalidade do procedimento adotado pela Fiscalização, que, diante das inúmeras evidencias de que estaria a Impugnante realizando o registro de suas GFIP de forma equivocada, optou por desconsiderar o disposto no art. 32A da Lei 8212/1991, para aplicar as disposições do art. 44, inciso I da Lei 9.430/1996, mesmo já tendo a Impugnante realizado o pagamento das contribuições em discussão. III.4. A impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício Não há previsão legal para a incidência de juros sobre a multa de ofício, pois o § 3°, do artigo 61, da Lei n° 9.430/96 determina que "sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento". Tratase de entendimento que já foi reiterado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, restando comprovada a impossibilidade da exigência de juros de mora sobre a multa de oficio aplicada. Em vista do exposto, requer: Sejam acolhidos os argumentos expostos para que seja julgada improcedente a cobrança dos valores a título de contribuição previdenciária, cancelandose o Autos de Infração. Fl. 27887DF CARF MF Processo nº 10073.720074/201631 Acórdão n.º 2201005.070 S2C2T1 Fl. 27.886 5 Subsidiariamente, na remota hipótese de se entender serem exigíveis os débitos objeto do presente processo administrativo, o que se admite apenas a título argumentativo, requer ao menos a reclassificação da multa aplicada e que se exclua a incidência de juros SEL1C sobre a multa. Protesta pela juntada posterior de quaisquer documentos que se façam necessários, bem corno pela produção de todas as provas em direito admitidas e, caso necessário, pela conversão do julgamento em diligência a fim de esclarecer eventuais dúvidas mediante a verificação dos documentos que sempre estiveram à disponibilidade do Fisco." O processo foi encaminhado para julgamento e a DRJ em Ribeirão Preto/SP, por meio do Despacho nº 10, de 13/10/2016, solicitou inicialmente a realização de diligência fiscal, nos termos do artigo 18 do Decreto n.º 70.235/72 (DOU de 07/3/1972), com a apresentação de quesitos, que no seu entendimento era necessária para a formação da convicção quanto aos valores a compor a base de cálculo (fls. 742/744). Em atendimento ao solicitado a fiscalização prestou esclarecimentos consubstanciados no termo de informação fiscal (fls. 749/751), com ciência ao contribuinte conforme AR de fl. 752. Por sua vez, o impugnante apresentou manifestação ao referido termo de informação fiscal, apresentando suas razões e diversos documentos comprobatórios (fls. 756/26.714). Quando da apreciação do caso, em sessão de 30 de maio de 2017, a 7ª Turma da DRJ/RPO considerou ser improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário exigido no auto de infração (fls. 26.716/26.725), restando assim ementada a decisão recorrida no acórdão nº 1466.259: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. A compensação é procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo pode se ressarcir de valores recolhidos indevidamente ou a maior deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social, reservandose ao sujeito ativo o direito de homologar ou glosar mediante lançamento, os valores indevidamente compensados. GLOSA DE RETENÇÃO. DECLARAÇÃO INDEVIDA. A compensação de valores retidos é opção a ser exercida pelo contribuinte, a qual se materializa mediante declaração em GFIP do estabelecimento relacionado à retenção na competência do mês de emissão da nota fiscal e, se após a compensação efetuada pelo estabelecimento que sofreu a retenção restar saldo, este valor poderá ser compensado por outro estabelecimento da empresa. Constatado durante o procedimento fiscal que a empresa declarou em GFIP do correspondente estabelecimento valores Fl. 27888DF CARF MF 6 retidos por tomadores de serviço em montante superior às Notas Fiscais, deve a fiscalização proceder a respectiva glosa dos valores excedentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Inconformado com a decisão, cuja ciência ocorreu em data de 13/6/2017, conforme despacho de fl. 26.729, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 5/7/2017 (fls. 26.730/26.755). Em suas razões, reiterou os argumentos da Impugnação, sem acrescentar fatos novos, requerendo o provimento do Recurso Voluntário, de modo que: "(i) sejam analisadas as provas acostadas aos autos e acolhidos os argumentos expostos para que seja julgada improcedente a cobrança dos valores a título de contribuição previdenciária, cancelandose o Auto de Infração lavrado pela D. Fiscalização; e, (ii) subsidiariamente, caso seja mantido o v. acórdão recorrido e, consequentemente, o lançamento em questão, o que se admite apenas a título argumentativo, seja reconhecida a impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. Protesta pela: (i) sustentação oral do presente recurso, requerendo intimação prévia dos seus representantes legais, e (ii) juntada posterior de quaisquer documentos que se façam necessários, bem como pela produção de todas as provas em direito admitidas, atestando, de logo, pela autenticidade de eventuais cópias não autenticadas anexadas à presente, nos termos dos arts. 425, IV, do CPC/2015." Em petição apresentada em 21/12/2017 (fls. 26.815/26.817) o Recorrente repete as razões apresentadas no Recurso Voluntário e requer a juntada de documentação (fls. 26.818/27.883). É o relatório. Voto Conselheira Débora Fófano dos Santos Relatora O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões pelas quais deve ser conhecido. Inicialmente, tendo em vista que o processo possui quantitativo considerável de páginas, com mais de 27.800 (vinte e sete mil e oitocentas), apresentamos um breve resumo das informações e dos documentos mais relevantes constantes do processo: i) Lançamento, notas fiscais (NF) e outros documentos (fls. 20/124); ii) Termo de Intimação Fiscal (TIF): nº 01 (fl. 197/200); 02 (fls. 201/203); 03 (fls. 208/214); 04 (fls. 218/219) e resposta contendo quadro demonstrativo das compensações (fls. 220/231); 05 (fls. 232/235); 06 (fls. 236/237); 07 (fls. 239/240); 08 (fls. 241/242); 09 (fls. 243/245); 10 (fl. 246); 11 (fls. 250/252); Fl. 27889DF CARF MF Processo nº 10073.720074/201631 Acórdão n.º 2201005.070 S2C2T1 Fl. 27.887 7 12 (fls. 254/264); Termo de Solicitação de Esclarecimentos nº 001 (fls. 266/267); TIF nº 13 (fls. 268/277); TIF nº 14 (fls. 278/279); Termo de Constatação Fiscal nº 01 (fls. 280/447); Termo de Constatação Fiscal nº 01 Complementar (fls. 48/460); Termo de Solicitação de Esclarecimentos nº 002 (fl. 461); Termo de Constatação Fiscal nº 02 (fls. 462/463); iii) Impugnação (fls. 468/485) apresentou cópia resposta ao TIF nº 293/2014 RFB/DRFVRA/SAORT de 17/9/2014 processo 10010.018263/091481 (fl. 565/571); relação das retenção de INSS ano 2011 (sem timbre/identificação e assinatura) (fl. 572); cópias notas fiscais (fls. 575/656); GPS competências 4 e 5/2011 do CNPJ 32.172.751/000424 (fls. 658/660); notas fiscais emitidas em maio/2011 sem destaque contribuição previdenciária (fls. 661/669); comprovante de declaração das contribuições a recolher à previdência social e às outras entidades (fls. 670/700); iv) Petição (fls. 705/706) pedido anexação laudo técnico elaborado por Ernest &Young Assessoria Empresarial Ltda (fls. 709/740); v) Pedido de diligência fiscal DRJ (fls. 742/744); vi) Atendimento diligência pela fiscalização (fls. 748/751) e ciência contribuinte (fl. 752); vii) Petição (fls. 756/764) alega ter apresentado todos os documentos comprobatórios saldo credor final 2010; viii) Manifestação sobre diligência (fls. 756/764) e anexação de documentos: novamente cópia TIF 293/2014RFB/DRFVRA/SAORT de 17/09/2014 processo 10010.018263/091481 (fls. 805/806) e resposta ao referido TIF (fls 807/811); laudo técnico Ernest & Young Assessoria Empresarial Ltda (fls. 813/844); GPS, NF serviços, SEFIP, GFIP, demonstrativo retenções ano 2011, relatório mensal auto infração (fls. 845/2602). Tais documentos anexados foram replicados várias vezes (fls. 2.603/26.714); ix) Acórdão DRJ mantendo crédito tributário ( fls. 26.716/26.724); x) Ciência acórdão (fls. 26.728/26.729); xi) Recurso voluntário (fls. 26.732/26.755) e documentos (fls. 26.756 a 26.814); xii) Petição 21/12/2017 (fls. 26.815/26.817) com juntada de GPS relativas aos alegados pagamentos a maior no ano de 2010 (fls. 26.859/26.870), SEFIP e GPS do ano de 2010 da inscrição (identificador) 32.172.751/000424 (fls. 26.871/27.883). Antes de adentrarmos no mérito propriamente dito, pertinente verificar no sistema normativo vigente as disposições que regem a matéria da retenção e da compensação tributária. O regime jurídico da compensação tem fundamento no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Dentre os dispositivos normativos do instituto da compensação tributária estão o artigo 66 da Lei nº 8.383 de 1991, com alterações pelas Leis nº 9.069 de 1995 e 9.250 de 1995, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no artigo 74 da Lei nº 9.430 de 1996, com suas alterações. No tocante às contribuições previdenciárias a previsão legal Fl. 27890DF CARF MF 8 encontrase nos artigos 31 e 89 da Lei nº 8.212 de 1991 e na Instrução Normativa RFB nº 900 de 2008, vigente à época dos fatos. Nos termos do disposto no artigo 31 da Lei nº 8.212 de 1991: "Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998)." Por sua vez, o artigo 48 da Instrução Normativa RFB nº 900 de 20081, com alterações posteriores assim dispõe em relação à compensação de valores referentes à retenção de contribuições previdenciárias na cessão de mãodeobra e na empreitada: "Art. 48. A empresa prestadora de serviços que sofreu retenção no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, poderá compensar o valor retido quando do recolhimento das contribuições previdenciárias, inclusive as devidas em decorrência do décimo terceiro salário, desde que a retenção esteja: I declarada em GFIP na competência da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; e I declarada em GFIP na competência da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, pelo estabelecimento responsável pela cessão de mãodeobra ou pela execução da empreitada total; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) II destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços ou que a contratante tenha efetuado o recolhimento desse valor. § 1º A compensação da retenção somente poderá ser efetuada com as contribuições previdenciárias, não podendo absorver 1 Disciplina a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a restituição e a compensação de outras receitas da União arrecadadas mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) ou Guia da Previdência Social (GPS), o ressarcimento e a compensação de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), o reembolso de saláriofamília e salário maternidade e dá outras providências. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1300, de 20 de novembro de 2012) Fl. 27891DF CARF MF Processo nº 10073.720074/201631 Acórdão n.º 2201005.070 S2C2T1 Fl. 27.888 9 contribuições destinadas a outras entidades ou fundos, as quais deverão ser recolhidas integralmente pelo sujeito passivo. § 2º Para fins de compensação da importância retida, será considerada como competência da retenção o mês da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços. § 3º O saldo remanescente em favor do sujeito passivo poderá ser compensado nas competências subseqüentes, devendo ser declarada em GFIP na competência de sua efetivação, ou objeto de restituição, na forma dos arts. 17 a 19. § 4º A compensação do valor retido somente poderá ser feita pelo estabelecimento que sofreu a retenção. § 4º Se após a compensação efetuada pelo estabelecimento que sofreu a retenção restar saldo, este valor poderá ser compensado por qualquer outro estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, inclusive nos casos de obra de construção civil mediante empreitada total, na mesma competência ou em competências subseqüentes. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) (...)" Tratandose de compensação efetuada pelo próprio contribuinte, fazse necessária a comprovação da existência de créditos líquidos e certos para sua aceitação pelo fisco. No caso em comento o contribuinte efetuou a compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a créditos de retenções sofridas no ano calendário de 2011 e de alegado saldo a compensar existente ao final de 2010 e que foram glosadas, sendo este o ponto atual da controvérsia. Como visto, nos termos da legislação e demais atos normativos vigentes: "i) A empresa prestadora de serviços poderá compensar integralmente os valores retidos na NF/FAT/REC, quando do recolhimento das contribuições previdenciárias, inclusive as devidas em decorrência do décimoterceiro salário pago/creditado a empregados, desde que a retenção esteja: a) declarada em GFIP na competência da emissão da NF/FAT/REC pelo estabelecimento da empresa responsável pela cessão de mão de obra ou pela execução da empreitada total; e b) que a retenção conste destacada na NF/FAT/REC ou, mesmo que não destacada, que tenha sido recolhida pela tomadora em nome do estabelecimento prestador. ii) Para fins de compensação da importância retida, considerase competência da retenção o mês da emissão da NF/FAT/REC de prestação de serviços. iii) A compensação da retenção somente poderá ser efetuada com as contribuições previdenciárias, não podendo se estender às contribuições destinadas a outras entidades ou fundos, as quais devem ser recolhidas integralmente pelo sujeito passivo. iv) A partir de 28/5/2009, ainda que a retenção se refira a competências anteriores a vigência da Lei nº 11.941/2009, o saldo remanescente da retenção que não for compensado pelo estabelecimento prestador pode ser compensado em qualquer estabelecimento da empresa, inclusive obras de Fl. 27892DF CARF MF 10 construção civil mediante empreitada total, na mesma competência da emissão da NF/FAT/REC, ou em competências subsequentes. v) Em atenção às exigências da legislação previdenciária, a empresa prestadora legalmente obrigada a manter escrituração contábil formalizada deve registrar, em títulos próprios e em contas individualizadas, os valores bruto e líquido dos serviços contratados, bem como o valor das retenções destacadas nas NF/FAT/REC, por estabelecimento/obra de construção civil contratante dos serviços (a obrigatoriedade de apresentar registros está prevista no parágrafo único do artigo 137 da IN SRF nº 971/2009) vi) A Solução de Consulta Interna Cosit nº 23, de 19/6/2008, orienta que, se o valor informado no campo "Retenção Lei 9711/98" da GFIP for superior ao montante retido nas NF/FAT/REC na competência, o valor informado na GFIP pode ser inteiramente compensado desde que comprovado que a empresa/obra contratante efetuou o recolhimento do valor não retido/destacado, ainda que tal recolhimento seja feito mediante quitação de crédito lançado de ofício. vii) Deverá manter controles de modo a demonstrar a origem e a composição do saldo remanescente de retenções que venha a ser objeto de pedido de restituição ou compensação." No caso concreto, em suas razões o Recorrente alega que (fl. 26.736): "(...) a glosa dos referidos créditos foi exclusivamente motivada pelo cometimento de erros formais na GFIP2, o que, ao contrário do que afirmou o v. acórdão recorrido, não comprometeu a apuração das contribuições previdenciárias devidas pela Recorrente e, portanto, não acarretou falta de recolhimento de tributo. (...)" Considerando que não houve adução de fatos novos com o recurso voluntário, adotamos para compor as razões desta parte do voto os fundamentos da decisão da DRJ (fls. 26.720/26.723), com base no § 3º do artigo 57 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela portaria MF nº 343, de 2015: "(...) O então impugnante alegou que todo o montante compensado no anocalendário de 2011 corresponde a crédito de retenções sofridas no referido ano e de saldo a compensar existente ao final de 2010, que foi transportado para 2011 e de que houve mero erro de informação no campo compensação, quando seria retenção. Que embora não destacados na nota fiscal, parte dos valores correspondentes aos 11% sobre o valor bruto foram efetivamente recolhidos pela impugnante, mas não consideradas pela fiscalização. Segundo entendimento do julgador não foi isso que ocorreu uma vez que ficou demonstrado nos autos que ocorreram inúmeras irregularidades na declaração de compensação dos valores, o 2 Conforme consta da Impugnação (fl. 470); "(...) por um equívoco no preenchimento da GFIP, a impugnante indicou no campo "compensação" valores relativos à retenção de 11% (onze por cento) das notas fiscais emitidas nas respectivas competências que deveriam ter sido lançados no campo próprio (no caso "Retenção Lei 9.711/98")". Fl. 27893DF CARF MF Processo nº 10073.720074/201631 Acórdão n.º 2201005.070 S2C2T1 Fl. 27.889 11 que foi constatado inclusive pelo próprio contribuinte, através do seu Parecer Técnico juntado aos autos às fls. 709. Não houve declaração em GFIP do estabelecimento relacionado à retenção, ocorreu declaração em competência diversa da emissão da nota fiscal, bem como não observância de que somente após a compensação efetuada pelo estabelecimento que sofreu a retenção se restasse saldo, o mesmo poderia ser utilizado por outro estabelecimento, procedendo em desacordo com as condições estabelecidas no art. 48 da IN RFB n° 900/2008, (...). Tais fatos ficaram claramente demonstrados, expostos inclusive no Parecer Técnico juntado pelo contribuinte. (grifos nossos) Quanto à alegação de que não foram considerados recolhimentos de notas sem destaque, não procede. O contribuinte quer justificar as retenções com recolhimentos e retenções ocorridas em estabelecimentos diversos daquele em que ocorreu a glosa. A alegada apresentação de GFIP única não ficou comprovada nos autos, e ainda que assim fosse, a falta de declaração das contribuições devidas nos respectivos estabelecimentos, acaba por disponibilizar um crédito passível de restituição. Assim, ao não promover a devida declaração de maneira a aflorar o respectivo direito creditório, pela falta do devido encontro de contas, os recolhimentos constantes do sistema da RFB, sem apropriação, ficam disponíveis e passíveis portanto de restituição, nos termos do art. 17 da IN RFB n° 900/2008, podendo ocorrer na prática um bis in idem às avessas, ou seja, utilização em estabelecimento diverso em compensação, e posteriormente passível de restituição. O contribuinte não observou a legislação pertinente para promover a compensação de valores de retenção, conforme determina o artigo 48 da IN RFB n° 900/2008. Correto o procedimento fiscal, cabendo o lançamento de ofício nos termos do artigo 149 do CTN. Quanto ao alegado saldo a compensar transferido do ano de 2010, a impugnante argumenta que são decorrentes de todo o montante compensado no anocalendário de 2011 corresponde a crédito de retenções sofridas pela impugnante no ano de 2011 e de saldo a compensar existente ao final de 2010, que foi transportado para 2011. Submetido à diligência, a fiscalização reafirma não ser possível a apuração do direito creditório transportado de 2010, pois a fiscalizada não apresentou a documentação comprobatória (não apresentou as folhas de pagamento, diários e notas fiscais, anteriores às competências de 2011), de onde se originaria a existência de possível crédito para compensar. De fato, não foi apresentada a documentação pertinente para apuração do saldo a compensar, visto que a impugnante limitou se a apresentar uma planilha, denominada como DOC 2 (fls. 804/812). Caberia ao contribuinte a comprovação de seu direito creditório, já que o mesmo reflete nas apurações seguintes. Fl. 27894DF CARF MF 12 Portanto tal saldo anterior não ficou comprovado, carecendo de certeza e liquidez. Por fim, cabe registrar que o contribuinte não apresentou declaração retificadora, conforme art. 57 da IN RFB n° 1.300/2012. (...)" Oportuno deixar registrados os seguintes fatos: i) Não ser procedente a alegação do Recorrente de ter apresentado todos os documentos comprobatórios do saldo credor final de 2010 (fls. 756/764). Com a impugnação foram apresentadas cópias do TIF nº 293/2014 RFB/DRFVRA/SAORT de 17/9/2014 processo 10010.018263/091481 (fls. 566/567, 805/806 e 2.655/2.656) e da resposta ao referido TIF (fls. 565, 568/570, 807/811 e 2.657/2.661). Somente com a petição de 21/12/2017 (fls. 26.815/26.817) foram apresentadas cópias das GPS e SEFIP, sem contudo apresentar as cópias das notas fiscais relativas às retenções sofridas. ii) Nos demonstrativos anexos da resposta à intimação nº 293/2.014 RFB/DRFVRA/SAORT de 17/9/2014 (fls. 565/570 e 2.658/2.661) consta como saldo credor de retenções do ano de 2010 o montante de R$ 186.836,63 e no relatório elaborado pela Ernest & Young Assessoria Empresarial Ltda (fls. 709/740), cujas tabelas foram replicadas no recurso voluntário e demais petições, a análise realizada já parte saldo inicial de R$ 166.636,63. Assim sendo, o apontamento de forma genérica de documento que induziria saldos credores em 2010 (fls. 565/570 e 2.658/2.661) sem a apresentação da documentação comprobatória (diários e as notas fiscais referentes às competências de 2010) de onde se originaria a existência de possível crédito para compensar não é o suficiente para demonstrar a origem dos créditos efetivamente utilizados. À partir dos documentos acostados ao processo apurouse de forma resumida o que segue: (A) Retenção Contribuição Previdenciária nas Notas Fiscais CNPJ n° 32.172.751/ Competência 000181 000262 000424 000505 Total 01/2011 174.047,86 0,00 702.626,04 0,00 876.673,90 02/2011 137.612,17 0,00 772.250,74 0,00 909.862,91 03/2011 139.284,90 0,00 788.640,44 0,00 927.925,34 04/2011 159.148,73 0,00 0,00 0,00 159.148,73 05/2011 135.481,23 0,00 1.579.791,71 0,00 1.715.272,94 06/2011 137.093,01 0,00 862.967,93 0,00 1.000.060,94 07/2011 125.076,38 0,00 829.931,19 0,00 955.007,57 08/2011 228.982,93 0,00 821.083,57 0,00 1.050.066,50 09/2011 101.139,66 0,00 774.695,76 0,00 875.835,42 10/2011 134.713,47 0,00 726.485,11 0,00 861.198,58 11/2011 88.639,27 0,00 641.980,58 0,00 730.619,85 12/2011 154.786,94 0,00 814.582,32 0,00 969.369,26 Total 1.716.006,55 0,00 9.315.035,39 0,00 11.031.041,94 Fl. 27895DF CARF MF Processo nº 10073.720074/201631 Acórdão n.º 2201005.070 S2C2T1 Fl. 27.890 13 (B) Retenção informada em GFIP CNPJ n° 32.172.751/ Competência 000181 000262 000424 000505 Total 01/2011 146.547,86 0,00 698.818,79 0,00 845.366,65 02/2011 135.337,70 0,00 772.250,74 0,00 907.588,44 03/2011 0,00 0,00 788.640,43 0,00 788.640,43 04/2011 156.817,53 0,00 795.730,86 0,00 952.548,39 05/2011 135.481,23 0,00 0,00 0,00 135.481,23 06/2011 81.105,67 0,00 0,00 0,00 81.105,67 07/2011 933.980,79 0,00 0,00 0,00 933.980,79 08/2011 166.503,74 0,00 767.825,24 0,00 934.328,98 09/2011 54.664,28 0,00 804.362,00 12.946,48 871.972,76 10/2011 0,00 0,00 831.401,08 0,00 831.401,08 11/2011 88.639,27 0,00 641.980,57 0,00 730.619,84 12/2011 75.107,02 0,00 0,00 0,00 75.107,02 Total 1.974.185,09 0,00 6.101.009,71 12.946,48 8.088.141,28 (C) Compensação informada em GFIP CNPJ n° 32.172.751/ Competência 000181 000262 000424 000505 Total = Auto Infração Compensações 01/2011 19.550,86 1.360,28 1.530,53 67.145,33 89.587,00 02/2011 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 03/2011 0,00 0,00 0,00 33.561,39 33.561,39 04/2011 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 05/2011 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 06/2011 15.410,91 0,00 770.312,50 0,00 785.723,41 07/2011 208.288,73 0,00 0,00 0,00 208.288,73 08/2011 0,00 0,00 0,00 88.479,57 88.479,57 09/2011 121.336,23 0,00 0,00 0,00 121.336,23 10/2011 179.279,15 0,00 27.575,71 5.084,40 211.939,26 11/2011 94.739,58 983,03 205.773,79 12.023,55 313.519,95 12/2011 105.966,15 1.033,67 895.315,11 9.784,60 1.012.099,53 Total 744.571,61 3.376,98 1.900.507,64 216.078,84 2.864.535,07 Como podese observar nas tabelas acima o Recorrente não declarou em GFIP por estabelecimento emissor e na competência definida pela data da emissão da nota fiscal todas as retenções sofridas, segundo o disposto na legislação e demais atos normativos vigentes citados anteriormente. Em outros termos, o contribuinte deveria retificar as GFIP de forma a adequar as retenções e em assim não procedendo, devidas as glosas a esse título. Fl. 27896DF CARF MF 14 Naturalmente, diante de tal informação, frisese, não prestada pelo autuado, a Fiscalização buscaria se certificar quanto à sua integridade e se referido crédito já não teria sido consumido em competência anterior a em análise e se sobre ele fora aplicada a correção legal. Ladeada às verificações acima, ainda é comum que a autoridade fiscal busque identificar a contabilização desses créditos, bem assim sua baixa quando da utilização em compensação nas GFIP, evitandose que seja dado azo, ao arrepio da lei, à indevida utilização desses créditos em sua contabilidade. Cumpre destacar que tal procedimento não se trata de mero cumprimento de obrigação acessória, mas de condição indispensável para que a administração tributária tenha um mínimo de controle acerca das retenções sofridas, utilizadas no mês e mantidas para crédito em compensação em períodos seguintes, razão pela qual improcedente a alegação do contribuinte de não ter havido recolhimento a menor, mas tão somente equívoco no preenchimento das GFIPs, devendose aplicar o artigo 32A da Lei nº 8.212 de 1991. Repisese, ao contrário do alegado pelo Recorrente, não se trata de mera questão formal, mas de exigência legal no tocante a forma de processamento de compensações, razão pela qual as mesmas não podem ser excluídas do valor glosado como créditos líquidos e certos. No caso concreto, uma vez que o contribuinte não efetuou a retificação das GFIPs entregues, caberia o pedido de restituição de eventuais valores referentes à retenção de contribuições previdenciárias na cessão de mãodeobra e na empreitada, ser efetuado segundo o disposto nos artigos 17 a 19 da IN SRF nº 900, de 2008, a seguir transcritos: "SEÇÃO VI DA RESTITUIÇÃO DE VALORES REFERENTES À RETENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NA CESSÃO DE MÃODEOBRA E NA EMPREITADA Art. 17. A empresa prestadora de serviços que sofreu retenção de contribuições previdenciárias no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços que não optar pela compensação dos valores retidos, na forma do art. 48, ou, se após a compensação, restar saldo em seu favor, poderá requerer a restituição do valor não compensado, desde que a retenção esteja destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços e declarada em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). Parágrafo único. Na falta de destaque do valor da retenção na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, a empresa contratada somente poderá receber a restituição pleiteada se comprovar o recolhimento do valor retido pela empresa contratante. Art. 18. Na hipótese de a empresa contratante efetuar recolhimento de valor retido em duplicidade ou a maior, o pedido de restituição poderá ser apresentado pela empresa contratada ou pela empresa contratante. Parágrafo único. Quando se tratar de pedido feito pela empresa contratante, esta deverá apresentar: I autorização expressa de responsável legal pela empresa contratada com poderes específicos para requerer e receber a restituição, em que conste a competência em que houve recolhimento em duplicidade ou de valor a maior; Fl. 27897DF CARF MF Processo nº 10073.720074/201631 Acórdão n.º 2201005.070 S2C2T1 Fl. 27.891 15 II declaração firmada pelo outorgante, sob as penas da lei, de que não compensou e nem foi restituído dos valores requeridos pela outorgada. Art. 19. A restituição de que trata esta Seção será requerida pelo sujeito passivo por meio do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação do formulário Pedido de Restituição de Retenção Relativa a Contribuição Previdenciária constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório." Do exposto, não há reparos a serem promovidos no lançamento e na decisão recorrida. Juros sobre multa de ofício O Recorrente alega não haver previsão legal para a incidência de juros sobre a multa de ofício, tratandose inclusive de entendimento reiterado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. O artigo 161 do Código Tributário Nacional dispõe sobre a incidência de juros sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento nos seguintes termos: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” Por sua vez, os artigos 43 e 61 da Lei nº 9.430 de 1996, trazem a previsão expressa da incidência de juros sobre a multa: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 27898DF CARF MF 16 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Ademais a matéria já se encontra pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais através de Súmula nº 108, a seguir: "Súmula CARF n° 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício." Desse modo, uma vez que restou sumulada a matéria, não há mais que se discutir a aplicação ou não de juros sobre multa de ofício, não assistindo razão ao Recorrente neste ponto. Juntada posterior de documentação Quanto ao requerimento de juntada posterior de documentação, assim dispõe o art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto n° 70.235 de 19723: "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5o A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Medida Provisória nº 1.602, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo 3 DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências. Fl. 27899DF CARF MF Processo nº 10073.720074/201631 Acórdão n.º 2201005.070 S2C2T1 Fl. 27.892 17 anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (grifos nossos) (...)" A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito do impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo se presente alguma das circunstâncias previstas em suas alíneas "a" a "c" do § 4º, o que, definitivamente, não é o caso. Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem ser deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos artigos 16, III e 17 do Decreto nº 70.235 de 1972, que regula o processo administrativofiscal. À vista do exposto não merece reparo o acórdão recorrido também neste ponto. Conclusão Em razão do exposto, votase por NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto em epígrafe. Débora Fófano dos Santos Relatora Fl. 27900DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10421.720098/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 05/12/2008
RECEBIMENTO DE CLIENTES. COMPROVAÇÃO DA CAPACIDADE FINANCEIRA PARA A REALIZAÇÃO DE IMPORTAÇÕES
Depósitos, cujos históricos indicados nos extratos apontam serem oriundos de recebimentos de clientes, não se prestam para comprovar capacidade financeira, se não conciliados com notas fiscais de venda.
AUMENTOS DE CAPITAL EFETUADOS COM EMPRÉSTIMOS. COMPROVAÇÃO DA CAPACIDADE FINANCEIRA PARA A REALIZAÇÃO DE IMPORTAÇÕES
Os aumentos de capital foram contabilizados e suportados por alterações contratuais, devidamente registradas nos órgãos públicos. Os recursos foram identificados no extratos bancários.
Tais elementos são suficientes para comprovar a efetividade das transações. Por conseguinte, os valores dos aumentos de capital realizados em 2008 podem ser utilizados como meios de prova da capacidade financeira para a realização das importações cursadas nos anos de 2008 e 2009, atendendo ao disposto no § 2° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455/76.
MÚTUOS. COMPROVAÇÃO DA CAPACIDADE FINANCEIRA PARA A REALIZAÇÃO DE IMPORTAÇÕES
Contratos e correspondentes depósitos bancários são suficientes para comprovar a efetividade das operações de mútuo, os quais, por conseguinte, podem ser utilizados como meios de prova da capacidade financeira para a realização das importações cursadas no ano de 2009, atendendo ao disposto no § 2° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455/76.
Numero da decisão: 3301-005.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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COMPROVAÇÃO DA CAPACIDADE FINANCEIRA PARA A REALIZAÇÃO DE IMPORTAÇÕES Depósitos, cujos históricos indicados nos extratos apontam serem oriundos de recebimentos de clientes, não se prestam para comprovar capacidade financeira, se não conciliados com notas fiscais de venda. AUMENTOS DE CAPITAL EFETUADOS COM EMPRÉSTIMOS. COMPROVAÇÃO DA CAPACIDADE FINANCEIRA PARA A REALIZAÇÃO DE IMPORTAÇÕES Os aumentos de capital foram contabilizados e suportados por alterações contratuais, devidamente registradas nos órgãos públicos. Os recursos foram identificados no extratos bancários. Tais elementos são suficientes para comprovar a efetividade das transações. Por conseguinte, os valores dos aumentos de capital realizados em 2008 podem ser utilizados como meios de prova da capacidade financeira para a realização das importações cursadas nos anos de 2008 e 2009, atendendo ao disposto no § 2° do art. 23 do Decretolei n° 1.455/76. MÚTUOS. COMPROVAÇÃO DA CAPACIDADE FINANCEIRA PARA A REALIZAÇÃO DE IMPORTAÇÕES Contratos e correspondentes depósitos bancários são suficientes para comprovar a efetividade das operações de mútuo, os quais, por conseguinte, podem ser utilizados como meios de prova da capacidade financeira para a realização das importações cursadas no ano de 2009, atendendo ao disposto no § 2° do art. 23 do Decretolei n° 1.455/76. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 1. 72 00 98 /2 01 3- 41 Fl. 2477DF CARF MF Processo nº 10421.720098/201341 Acórdão n.º 3301005.809 S3C3T1 Fl. 2.478 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 14/03/2013, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro no valor de R$ 821.047,34 em virtude dos fatos a seguir descritos. A fiscalização apurou que a empresa em epígrafe não é a real adquirente das mercadorias importadas e que a mesma operava como interposta pessoa em comércio exterior, praticando assim infração de cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior. Face ao que determina o art. 33 da Lei 11.488/07, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação de multa proporcional ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. O impugnante alegou que: DA PARTICIPAÇÃO E LEGITIMIDADE DA EMPRESA TRINEXCO A participação e legitimidade da TRINEXCO, nesta defesa, se dá em razão de ter sido alçada à condição de RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA pelo objeto da autuação, com sujeição passiva ao conteúdo do referido auto. DO JULGAMENTO CONJUNTO COM O PROCESSO Nº 10421.720099/201395 O julgamento da autuação objeto deste processo e desta defesa está ligado com o conteúdo do Processo nº 10421.720099/201395, vinculado aos mesmos fatos e de cuja autuação principal resultou na aplicação da multa imposta à MI2 Comercial. Portanto, referidos processos devem ter análise e julgamento conjunto, servindo as provas de um para instrução do outro. DO MÉRITO Fl. 2478DF CARF MF Processo nº 10421.720098/201341 Acórdão n.º 3301005.809 S3C3T1 Fl. 2.479 3 A conclusão levantada pela autoridade fazendária é resultado de elucubrações grosseiras, presunções ilegais e, sobretudo, desconsideração de fatos e provas documentais que afastam por completo a tresloucada tese de interposição fraudulenta de terceiros nas reportadas importações da MI2. E nesse aspecto, chega às raias do absurdo e da manifesta teratologia fiscal pretender acusar empresas controladas pelos mesmos sócios, marido e mulher, casados sob o regime da comunhão parcial de bens, de utilizarse de ardil mediante uso de uma delas para justificar importação em nome de outra, quando ambas têm um controle comum. DAS DIVERSAS IMPORTAÇÕES REALIZADAS PELA TRINEXCO NO MESMO PERÍODO LEVANTADO NA AÇÃO FISCAL DESNECESSIDADE DE AQUELA EMPRESA UTILIZAR TERCEIROS PARA OPERAR IMPORTAÇÕES Em primeiro lugar, é completamente infundada, por manifesta desnecessidade, a imputação de a TRINEXCO ser a importadora de fato das mercadorias internalizadas pela MI2 Comercial. Um fato simples comprova essa assertiva: no período da ação fiscal, vale dizer, entre 2008 e 2009. a TRINEXCO realizou, em seu nome. NÚMERO MAIOR de importações do que aquelas levadas a efeito pela MI2 Comercial. Nesse particular, foram apresentadas, nos autos do Processo nº 10421.720099/201395, cópias de todas as DIs devidamente registradas junto à autoridade aduaneira, comprovando as muitas importações regular e validamente operadas pela TRINEXCO nos anos de 2008 e 2009, mesmo período das importações realizadas pela MI2 Comercial. Todas essas importações foram realizadas pela própria TRINEXCO, em virtude de sua habilitação para operar no comércio exterior, plenamente válida e eficaz. Referidas importações, sem exceção, foram finalizadas a contento, sem qualquer aplicação de penalidades por parte da autoridade alfandegária. E ai, nesse ponto, há de ser pronta e imediatamente rechaçada a conduta capciosa arguida pela autoridade fazendária, que ultrapassou os limites da competência legal da investigação fiscal para enveredar por subterfúgio inescrupuloso, na tentativa de desqualificar a atuação da TRINEXCO nas muitas operações de importação realizadas. A TRINEXCO nunca sofreu qualquer sanção ou aplicação de multa ou de perdimento em mercadorias importadas. Se fosse verídica a conclusão espúria da autoridade fiscal, a TRINEXCO estaria sujeita a procedimento fiscal de 2005 a 2009 e, com certeza, não teria concluído o registro de qualquer Declaração de Importação e desembaraço de qualquer mercadoria nesse período. Traz considerações sobre a Portaria SECEX nº 23 de 14.07.2011 Da mesma forma, também não teriam sido registradas diversas DIs em nome da TRINEXCO se o seu cadastro de contribuinte não estivesse em situação regular ou fosse encontrada qualquer irregularidade impeditiva, consoante disposto no artigo 15 da IN/SRF 680/06 de 02/10/2006. Fl. 2479DF CARF MF Processo nº 10421.720098/201341 Acórdão n.º 3301005.809 S3C3T1 Fl. 2.480 4 Transcreve o artigo 15 da IN/SRF 680/06 de 02/10/2006. Releva destacar que não obstante efetivação do registro, a fase seguinte constituise da fiscalização, desembaraço e entrega da mercadoria. Seguindo o rito, a mercadoria somente estaria liberada se atendidos cumulativamente os quesitos abaixo: Transcreve o artigo 18 da IN/SRF 680/06 de 02/10/2006. Análise fiscal do processo pela Aduana e demais gestores do comércio exterior, segundo o art. 21 da IN/SRF 680/11. com especial atenção para os itens III e IV, in verbis: Transcreve o artigo 21 da IN/SRF 680/06 de 02/10/2006. Conclusão da análise fiscal e desembaraço promovido pelo Auditor da Aduana que para tanto deve considerar que todos os quesitos estejam satisfeitos v. art. 48 da IN/SRF 680/06: Transcreve o artigo 48 da IN/SRF 680/06 de 02/10/2006. Cumpridos os itens acima, o transporte da mercadoria ainda estaria condicionado a apresentação dos documentos abaixo, na forma do art. 54 da IN/SRF 680/06: Transcreve o artigo 54 da IN/SRF 680/06 de 02/10/2006. Ora, a TRINEXCO cumpriu com todas as exigências que culminaram na finalização de todas as importações promovidas em conseqüência de sua própria habilitação, sejam: promoveu a emissão de LI deferida pelo órgão competente, obteve registro da declaração de importação, recepção dos documentos de instrução do despacho, fiscalização das mercadorias e liberação da carga via administrativa. Todas as importações executadas pela TRINEXCO, no período da ação fiscal, foram concluídas sem qualquer ressalva pelas autoridades aduaneiras e/ou exigência de fiel depositário. Necessário salientar, outrossim, que ainda que fosse possível burlar o sistema SISCOMEX e promover o registro da Declaração de Importação, cumpria ao fisco, no ato da análise fiscal do processo, se detectasse alguma infração, aplicar as multas específicas pela infração cometida. Esses argumentos, por si só, já seriam suficientes para afastar qualquer conclusão falaciosa, de que a TRINEXCO teria estado sujeita à infrações administrativas cometidas nas suas importações pessoais, haja vista que todas, e não menos que todas as importações levadas a efeito pela Autuada foram concluídas com êxito . A alegada descrição incompleta ou imprecisa da mercadoria: A empresa TRINEXCO nunca sofreu esse tipo de multa. Da acusação de classificação incorreta: A empresa TRINEXCO nunca sofreu esse tipo de multa. Alegada quantificação incorreta na unidade de medida estatística: A empresa TRINEXCO nunca sofreu esse tipo de multa. Do suposto uso de falso documento: Em nenhum momento, a TRINEXCO foi notificada pelas autoridades fiscais, quanto Fl. 2480DF CARF MF Processo nº 10421.720098/201341 Acórdão n.º 3301005.809 S3C3T1 Fl. 2.481 5 à apresentação de documento falso ou prestação de informação de maneira fraudulenta. Da alegada não apresentação de fatura comercial válida: A empresa TRINEXCO importou por mais de uma unidade da federação, e nunca houve nenhuma notificação quanto à validade da fatura comercial apresentada. A afirmação de valor aduaneiro da mercadoria declarada em parte: Essa afirmação é ilusória e descomprometida com a realidade fática, na medida em que na sua grande maioria, as importações realizadas pela TRINEXCO têm Li's deferidas pelo DECEX, o qual tem como atribuição realizar a verificação do preço informado para a transação comercial. Informação sobre mercadoria manifestada porém não declarada: Não há como manifestar uma mercadoria e retirála da zona primária sem que seja detectada pelo sistema de controle do fiel depositário. Da alegativa de Extravio de mercadoria: Não há registros de extravios de mercadoria nos processos de importação da TRINEXCO, nem em cargas mantidas em zona primária sob tutela da Aduana ou da importadora, em quaisquer de suas operações. Da infundada acusação de ocorrência de Base de cálculo incorreta: Todas as importações realizadas até a presente data pela TRINEXCO foram liberadas pela Aduana sem restrições quanto à valoracão das mercadorias e a base de cálculo aplicada aos tributos. Outrossim, há outro manifesto equívoco da Fiscalização quando afirma ter sido aplicada a pena de perdimento nas DI's 07/07388630, 07/07441336 e 07/07441468, cujo objeto foi a aquisição de aparelhos de ar condicionados, sob o fundamento de que estes teriam sido declarados com preços fortemente subfaturados. A informação está completamente distorcida da realidade. Com ela, o Auditor Fiscal intenta fazer um juízo de valor e imputar uma infração à TRINEXCO completamente ilegítima e em desconformidade com o resultado final da apuração realizada pela Autoridade Alfandegária. Com efeito, não há registros da aplicação da pena definitiva de perdimento para esse caso. A Fiscalização se baseou no procedimento aplicado na Inspetoria do Porto do Pecém (CE), o qual foi descaracterizado posteriormente pela apresentação de documentos e argumentos, em cujo processo administrativo houve decisão final pelo reconhecimento da inexistência de qualquer ilegalidade, procedimento este que teve curso perante a Unidade da Receita Federal, responsável pela 3Região Fiscal, a qual a Inspetoria de Cabedelo (PB) está subordinada. Nesse sentido, foi apresentado, na defesa no Processo nº 10421.720099/201395, cópia do processo administrativo n 9 . 19558.000315/200763. Ressaltamos que o processo inicial, aplicado pela Aduana do Pecém, continha uma série de vícios e erros os quais foram descaracterizados em recurso de defesa administrativa, culminando com liberação da carga para comercialização, sem quaisquer sanções administrativas. Fl. 2481DF CARF MF Processo nº 10421.720098/201341 Acórdão n.º 3301005.809 S3C3T1 Fl. 2.482 6 Também é pertinente salientar que o Auditor responsável pelo presente Auto comete o equivoco de vincular o período de 2005 a 2009 como se a TRINEXCO estivesse sob procedimento especial, o que não é verdade. Destacase ainda a menção de que a MI2 realizou importações de ar condicionados numa manobra para ludibriar o fisco, escondendo o real adquirente da mercadoria. Neste caso, afirmamos e comprovamos que as LIs relacionadas nas DI's já informadas, foram deferidas com seção de direitos por parte da TRINEXCO a MI2, por ser a primeira detentora dos registros no INMETRO. Os custos da operação foram suportados pela MI2, sendo a operação de comercialização, toda realizada a partir do estoque formado na importação, sem recebimento de adiantamentos por parte dos compradores. Não foram realizadas transferências ou vendas desta mercadoria entre as empresas MI2 e TRINEXCO. Transcreve os artigos 1º e 2º da IN SRF nº 228/02. Os dois únicos sócios das empresas TRINEXCO e MI2 Comercial são casados entre si, sob o regime da comunhão parcial de bens doc. 07 regime este que lhes assegura um patrimônio comum (art. 1.658 do CCivil); Ambas as empresas gozam dos mesmos regimes fiscais: A conta e ordem caracterizase pela utilização de uma importadora, vinculada a um terceiro, com contrato firmado e declarado na aduana e na Dl, onde o terceiro financia a importação e recebe as mercadorias através de nota fiscal emitida pelo importador, do total importado por sua conta e ordem, hipótese que não se enquadra às operações de importação realizadas individualm ente pela TRINEXCO e pela MI2 Comercial: A interposição fraudulenta caracterizase pela ocultação do real adquirente da mercadoria, por simulação de importação com ocultação do sujeito passivo da ação. No caso, a MI2 Comercial sempre foi a real destinatária e adquirente das mercadorias importadas, o que é facilmente comprovado pelas vendas diretas feitas aos seus clientes. não há registro de venda de m ercadorias importadas pela MI2 em favor da TRINEXCO. A Fiscalização não foi capaz de apurar a ocorrência desse tipo de evento, porque inexistente; As empresas importam com recursos próprios e vendem aos seus diversos clientes a partir de mercadorias escrituradas em seus inventários, totalmente independentes; Se ambas as empresas têm como únicos sócios os cônjuges VICENTE DE CASTRO e INÊS BARBOSA, não se concebe a existência ou alegada tentativa de caracterizar a ocultação do sujeito passivo da ação; A empresa MI2 Comercial tem operação completamente distinta da TRINEXCO, realizando suas vendas diretas a seus clientes, sem interferência ou gestão da Trinexco. Exemplo disso são as inúmeras notas fiscais de vendas que instruíram a fiscalização;os vários comprovantes de pagamentos apresentados por seus clientes. E em reforço a isso, acostase, nesta defesa, cópia das informações fiscais que são enviadas mensalmente à Fazenda Estadual, através das GIMs, com os informes sobre a apuração e recolhimento mensal do ICMS das suas muitas Fl. 2482DF CARF MF Processo nº 10421.720098/201341 Acórdão n.º 3301005.809 S3C3T1 Fl. 2.483 7 operações (doc. 08). A título de esclarecimento, registrase que os saldos de ICMS apurados nessas GIMs referemse à diferença de imposto entre aquilo que foi recolhido quando das importações e o devido nas operações interestaduais. Vidente, diante dos fatos e provas acima, que a TRINEXCO jamais utilizou a MI2 Comercial como importadora de quaisquer produtos, uma vez que a própria Trinexco possui e tem habilitação ativa no SISCOMEX. estando operando regularmente na importação de bens, inclusive em número bem mais significativo do que a própria MI2 Comercial. DA PROVA DA REGULARIDADE E DA CAPACIDADE FINANCEIRA DA MI2 COMERCIAL A acusação fiscal caminhou para tentar justificar a alegada presunção de ocorrência de interposição fraudulenta nas importações executadas pela MI2 Comercial, levantando para isso, supostos indícios de incapacidade financeira desta ultima. A conclusão, porém, é fruto de equívocos dos mais variados por parte da Fiscalização. Senão, vejamos: Primeiro Comprovação dos aportes de capital feitos pela sócia INÊS. A Fiscalização tentou desqualificar os aportes de capital feitos pela sócia INÊS, para efeito de integralização de sua participação na empresa MI2 Comercial, justificando, nesse ponto, que tais valores teriam saído da conta da TRINEXCO diretamente para a conta da MI2 Comercial. Contudo, as provas recolhidas durante a ação fiscal demonstram a legalidade da origem desses recursos. Os erros cometidos pela Fiscalização, nesse ponto, são gritantes. Vejamos um a um: Quanto aos aportes feitos em 2008: Na DIPF de 2008, consta, expressamente, na declaração de bens e registro das quotas societárias subscritas pela Sócia Inês na MI2 Comercial, comparando terem sido subscritas em 03/2008 e integralizadas em 06/2008. Em seqüência, a DIPF de 2009 ratifica o citado registro dessas quotas. Da mesma forma, as DIPFs do cônjuge VICENTE DE CASTRO, referente aos anoscalendários de 2008 e 2009 ( depositadas no Processo nº10421.720099/201395), confirmam o referido empréstimo feito à Sra INÊS. Quanto aos aportes feitos em 2009: As provas trazidas durante a ação fiscal também são capazes de comprovar a legitimidade das operações que resultaram no empréstimo, feito pelo Sr. VICENTE DE CASTRO à sua esposa INES, no anocalendário de 2009. E esses empréstimos estão devidamente declarados e reconhecidos de parte a parte nas DIPFs de cada um dos cônjuges. Por outro lado, o fato de os valores desses empréstimos terem saído da conta da TRINEXCO diretamente para a conta da MI2 Comercial não desqualificam a Fl. 2483DF CARF MF Processo nº 10421.720098/201341 Acórdão n.º 3301005.809 S3C3T1 Fl. 2.484 8 prova de que adentraram ao capital e patrimônio da M I2 Comercial a título de integralizacão de participação societária da Sócia INÊS. Os registros lançados, tanto na contabilidade das empresas, quanto nas declarações de rendimentos das pessoas físicas, são suficientes para comprovar a origem financeira desses recursos, nada existindo que possa desabonar ou ocultar os beneficiários dessas quantia. Quanto à operação de redução de capital na TRINEXCO: Nessa vã tentativa, a Auditora estranha o fato de a empresa ter reduzido o seu capital quanto registrava, no seu balanço de 2008, dívidas bancárias na ordem de mais de R$ 6 milhões de reais. Aqui, sem dúvidas, a Fiscalização demonstrou um desconhecimento acerca da diferença entre capital social e patrimônio líquido de uma empresa. No balanço patrimonial, a diferença entre o valor dos ativos e dos passivos representa o PL (Patrimônio Líquido), que é o valor contábil devido pela pessoa jurídica aos sócios ou acionistas, baseado no Princípio da Entidade. O fato de a empresa registrar obrigações no seu passivo não implica necessariamente que esteja atuando de modo deficitário, tampouco que não possa (i) distribuir resultados ou (ii) reduzir seu capital social. A respeito do aumento e redução do capital social, assim prevê o Código Civil. Transcreve os artigos 1.081 à 1.084 do Código Civil. O artigo 1084, § 3º, do Código Civil não determina o prazo ou a eficácia da averbação da ata no Registro Público de Empresas Mercantis, mas apenas instituiu uma formalidade a ser observada na redução de capital no caso de ser este excessivo em relação ao objeto da sociedade, como disciplinado no artigo 1082, inciso II, do mesmo diploma legal. Dos alegados empréstimos contraídos pela MI2 Comercial: A Fiscalização tentou, também, desqualificar a licitude dos empréstimos contraídos pela MI2 Comercial junto à autuada TRINEXCO. Durante a ação fiscal, foram apresentados e estão nos autos cópias dos contratos de mútuos contratados entre a MI2 Comercial e a TRINEXCO, para subsidiar seu capital de giro. As provas deixaram claro, também, a ocorrência regular e válida das transferência dos valores objeto desses mútuos, da conta da TRINEXCO para a conta da MI2 Comercial, além de devidamente refletidos na contabilidade de cada uma dessas empresas. Nesse ponto, a Fiscalização tenta desmerecer a legitimidade dos mútuos, em razão de os respectivos contratos não conterem o registro em cartório, mencionado no art. 221 do CCivil. O art. 368. § único do Código do Processo Civil estabelece que o documento particular prova a declaração mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de comprovar o fato. Transcreve o art. 368. § único do Código do Processo Civil. Fl. 2484DF CARF MF Processo nº 10421.720098/201341 Acórdão n.º 3301005.809 S3C3T1 Fl. 2.485 9 Ora, além dos contratos assinados, a Fiscalização pôde constatar (i) os registros contábeis das operações de mútuos, devidamente refletidos nas demonstrações financeiras de cada empresa; (ii) a efetiva ocorrência das saídas dos valores mutuados, da conta da TRINEXCO, para a conta da MI2 Comercial. Nada, absolutamente nada mais seria exigível para comprovar a existência e regularidade dos mútuos, sendo, neste caso, pelo contexto das provas, despiciendo se falar na falta de registro em cartório dos contratos de mútuo. Por outro lado, estamos tratando de mútuos entre pessoas que têm únicos sócios o mesmo casal, sem qualquer intervenção de terceiros, que pudesse subsidiar qualquer possível tentativa de causar prejuízo ao fisco. Da prova da captação de recursos pela MI2 Comercial junto a Instituições Bancárias: Toda a atividade da Fiscalização caminhou no intuito de tentar provar a ausência de capacidade financeira da MI2 Comercial, para justificar as operações de importação que ela executou. Laborou, contudo, em claro e manifesto equívoco a r. Fiscalização, uma vez que as provas produzidas são por demais suficientes para provar justamente o contrário da conclusão levantada na ação fiscal. Na tentativa de provar a incapacidade financeira da MI2 Comercial, a Auditora Fiscal elaborou e alimentou, de acordo com seus critérios, uma planilha para, na sua concepção, demonstrar que a falta de recursos para a prática das importações pela referida empresa. Curiosamente, ou de má fé, a fiscalização excluiu dessa planilha (i) os depósitos que entendeu não comprovados; (ii) os contratos de mútuos desconsiderados e não comprovados como tais; e (iii) as transferências efetuadas pela Trinexco em favor da MI2 Comercial a título de empréstimos de sócios. Como visto, o critério e a metodologia empregada na elaboração dessa planilha se deram de forma totalmente distorcida e com exclusão de valores efetivamente comprovados. Primeiro, tanto os repasses advindos dos sócios em pagamento de capital, quanto os valores objeto dos mútuos contraídos perante a TRINEXCO se apresentavam legítimos em toda sua origem, com anotações e registros fiscais válidos e, portanto, não poderiam ter sido excluídos da planilha. Segundo, a Fiscalização desconsiderou, sem qualquer justificativa plausível, os valores que ingressaram na conta bancária da MI2 Comercial resultante dos mútuos bancários contraídos pela referida empresa v. cópias dos contratos de empréstimos junto aos Bancos ((depositadas no Processo ns. 10421.720099/201395). Por qual razão a Fiscalização não considerou esses empréstimos??? A resposta, sem dúvida, caminha para a única justificativa plausível: erro no exame das provas e na condução da ação fiscal. Das provas quanto às receitas auferidas pela MI2 Comercial, resultante das vendas aos seus clientes: A Fiscalização chegou, outrossim, a desqualificar todas as receitas decorrentes das vendas realizadas pela MI2 Comercial em favor de seus clientes, Fl. 2485DF CARF MF Processo nº 10421.720098/201341 Acórdão n.º 3301005.809 S3C3T1 Fl. 2.486 10 utilizandose, para isso, de argumento pífio, consubstanciado na não comprovação da conciliação entre os recebimentos e as respectivas faturas emitidas. Na verdade, a Fiscalização tomou, por amostragem, algumas poucas operações dentro do universo de centenas de faturas emitidas em razão das vendas feitas pela MI2 Comercial. Veja, Sr. Julgador, que estão nos autos provas das muitas manifestações apresentadas pela grande maioria dos clientes, ratificando a ocorrência das vendas e os pagamentos feitos em favor da MI2 Comercial. Curioso observar, contudo, é que na concepção da Auditora Fiscal, os recebimentos dessas receitas só se configurariam legítimos se cumpridos tempestivamente nos respectivos vencimentos lançados nas faturas comerciais (notas fiscais). Essa condição, sem dúvida, seria a "menina dos olhos de ouro" para qualquer empresário, algo surreal e mirabolante para quem opera no comércio. Ora, Srs. Julgadores, não é incomum, tampouco alheio ao conhecimento da fiscalização fazendária, que certas vendas realizadas por qualquer pessoa jurídica devem estar sujeitas à inadimplências das mais variadas formas, inclusive com sujeição de cobrança via protesto de títulos, créditos de recuperação duvidosa, cobranças via ações judiciais, enfim, a empresa venda e tem a expectativa de receber em prazo certo, mas essa expectativa pode e é comum ser frustrada por diversos fatores comerciais. Registrese, nesse aspecto, os acréscimos que no mais das vezes são inerentes a juros e multa incidentes sobre valores recebidos em atraso, como igualmente as deduções dos custos de cobrança para tentar o recebimento dos valores. São infindáveis o rol de circunstâncias e causas que permitem a alteração das condições de recebimento das receitas decorrentes de vendas realizadas,e a Fiscalização não poderia alegar desconhecêlas ou ignorálas. Todas essas questões concorrem, sem dúvida, para afastar qualquer presunção de vício nas importações realizadas pela MI2 Comercial, bem assim para afastar, por completo, a condição de a TRINEXCO figurar como importadora de fato nessas importações da MI2. PRINCIPIO DA LEGALIDADE E DA BUSCA PELA VERDADE REAL O julgador fiscal, em face do princípio da legalidade, conjugado com o princípio da verdade real, deve manterse imparcial no julgamento, sendo inaceitável o princípio in dubio pro fiscum. Não deve, portanto, haver interpretação nem pro fisco, tampouco pro contribuinte. A convicção do julgador deve ser extraída com base em análise pormenorizada de todo o conjunto probatório, notadamente quando a parte apresenta documentos que, se não justificam, apresentam indícios de certeza do alegado na impugnação. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de PAULO DE BARROS CARVALHO. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto manifestado pela 3a Câmara do lo. Conselho de Contribuintes, por lançado no acórdão 10320.360, relator o Conselheiro NEICYR ALMEIDA, publicado no DOU de 27.09.2000, Fl. 2486DF CARF MF Processo nº 10421.720098/201341 Acórdão n.º 3301005.809 S3C3T1 Fl. 2.487 11 Com base nessas premissas, é induvidoso registrar que o crédito tributário não pode ser caracterizado com base apenas na existência de indícios ou presunções legais. Principalmente se atentarmos que a presunção, ainda que legal, é apenas relativa (juris tantum). Com efeito, e porque baseadas em juízo de probabilidades, as presunções não constituem prova segura e como tal não fornecem ao julgador a certeza necessária para alicerçar o crédito tributário pretendido pelo Fisco. Outrossim, a autuação desconsiderou o conteúdo do art. 112 do Código Tributário Nacional, segundo o qual a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, deve ser interpretada da maneira mais favorável ao contribuinte, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. Transcreve o artigo 112 do Código Tributário Nacional. A diligência fiscal perdurou por longo período, e nesse ínterim a contribuinte deixou à disposição do Fiscal todas as informações necessárias para que o mesmo constatasse a inexistência de qualquer irregularidade fiscal, mas essa prova foi simplesmente ignorada pelo Agente, que lavrou um auto de infração totalmente infundado, contraditório, vazio, nulo, sem instruir a autuação com os elementos de prova deixados à sua disposição, numa verdadeira afronta ao direito de defesa e aos dispositivos que tratam do processo administrativo tributário (Decreto n9 70.235/72), e a Lei ns 9.784/99 que regula este último, protegendo o administrado contra atos arbitrários praticados pela administração. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de SACHA CALMON NAVARRO COELHO. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de PAULO DE BARROS CARVALHO. Assim, carece de validade a autuação, por ter desconsiderado os documentos que comprovam a causa de todas as operações e trânsito de valores. DOS PEDIDOS Por tudo o que foi exposto, REQUER a IMPUGNANTE a improcedência total da autuação, por manifesta falta de amparo jurídico, bem assim por restar provado, à luz do contexto probatório, que não havia razões para que a TRINEXCO utilizasse a MI2 Comercial à frente de qualquer importação de bens." A DRJ em São Paulo (SP) julgou a impugnação improcedente e o Acórdão n° 1657.242, de 23/04/14, foi assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 05/12/2008 Cessão de nome. Ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Fl. 2487DF CARF MF Processo nº 10421.720098/201341 Acórdão n.º 3301005.809 S3C3T1 Fl. 2.488 12 A Autuada não possui capacidade financeira própria para suportar suas operações comerciais, utilizandose de recursos aportados pela pessoa jurídica. A conduta tipificada do importador de direito (INTERPOSTO) é de “ceder o nome” agindo em descompasso em relação à higidez do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, basicamente, repete os argumentos contidos no recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário reúne os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Cumpre mencionar que a responsável solidária (TRINEXCO LTDA.) não compareceu aos autos. A fiscalização concluiu que as importações realizadas no período de setembro de 2008 e julho de 2009 pela MI2 COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA ME foram cursadas com ocultação do real comprador, qual seja, a TRINEXCO LTDA, e lavrou dois autos de infração: em sede do presente processo, para cobrança da multa por cessão de nome (art. 33 da Lei n° 11.488/07), equivalente a 10% dos valores aduaneiros de importações, equivalente a R$ 821.047,34; e do processo de n° 10421.720099/201395, em desfavor da Trinexo, para cobrança da multa pecuniária substitutiva da pena de perdimento (inciso V do caput e § 3° do art. 23 do Decretolei n° 1.455/76). O processo n° 10421.720099/201395 encontrase nesta pauta para julgamento em conjunto com o presente. Nele, a MI2 figura como responsável solidária e foi signatária da peça recursal. Fiscalização Da análise de planilhas com movimentação financeira, notas fiscais de venda, comprovantes de depósito, confirmações de compras enviadas por clientes, extratos bancários, alterações contratuais, contratos de mútuo e lançamentos contábeis, o agente fiscal depreendeu que a MI2 não tinha capacidade financeira para realizar as importações, que teriam sido liquidadas com fundos da Trinexo. Foram apurados os seguintes fatos: Fl. 2488DF CARF MF Processo nº 10421.720098/201341 Acórdão n.º 3301005.809 S3C3T1 Fl. 2.489 13 a) Divergências apuradas, quando comparados os valores de notas fiscais de venda com os efetivos ingressos de recursos e as confirmações recebidas de clientes (fl. 26 Relatório de Auditoria Fiscal): a1) Depósitos em datas distintas das que foram confirmadas por clientes. a2) Notas fiscais, cujas vendas não foram confirmadas pelos clientes (lista nas fls. 28 a 30). a3) Resposta de clientes, informando terem efetuado depósitos em nome da Trinexo. a4) Alguns comprovantes tidos como pagamento efetuados por clientes traziam, "grifados à parte e em manuscrito", o nome da Trinexco. b) Integralização e aumento do capital social realizados pela Sra. Inês Carolina (sócia da recorrente) com recursos obtidos por meio de empréstimos: b1) Em 13/06/08, para integralização do capital social, no montante de R$ 792.000,00, contraiu empréstimo com o Sr. Vicente de Castro, com quem era casada em comunhão de bens. A transferência bancária, contudo, foi de uma conta corrente da Trinexo, da qual o Sr. Vicente de Castro era acionista majoritário. Não há formalização do empréstimo. Na DIRPF da Sra. Inês não consta ter recebido empréstimo ou mesmo doação, bem como deter participação societária na recorrente. b2) Em janeiro de 2009, para aumento do capital social, contraiu empréstimo de R$ 2.200.000,00 com o Sr. Vicente de Castro. Este, por sua vez, levantou os fundos, por intermédio de uma redução do capital social da Trinexco. Também neste caso, o numerário foi transferido diretamente de uma conta da Trinexco para a recorrente. Causou estranheza à fiscalização o fato de esta empresa, ao fim do exercício social em que promoveu a redução do capital social, apresentar no passivo empréstimos bancários de R$ 6.939.154,14. Não há formalização do empréstimo. b3) Em 06/08/2009, o Sr. Vicente de Castro adquire participação societária da Sra. Inês Carolina, em cuja transação são quitados os empréstimos. b4) A Sra. Inês movimentou R$ 2.992.000,00, em um período de um ano, porém, em resposta à intimação, declarou não ter conta bancária, não ter realizado movimentação financeira e, em suas DIRPF de 2008 e 2009, declarou como rendimentos tão somente pro labore de R$ 3.225,00, recebido da recorrente, em 2009. b5) Os aumentos de capital foram efetuados de forma parcelada e em datas próximas a pagamentos de despesas e impostos aduaneiros. c) Transferências bancárias realizadas pela Trinexco, no montante total de R$ 6.118.493,48, cujas comprovações apresentadas foram contratos de mútuo, com prazos de vencimento em 36 meses. c1) Identificaram que eram coincidentes os totais das transferências bancárias efetuadas nos dias 23 e 24 de setembro de 2009 e o de algumas notas fiscais de Fl. 2489DF CARF MF Processo nº 10421.720098/201341 Acórdão n.º 3301005.809 S3C3T1 Fl. 2.490 14 venda, cujos clientes não responderam à fiscalização, o que descaracterizaria as respectivas operações de empréstimo. c2) Não foram pagas as parcelas dos empréstimos vencidas nos dias 02/06/2012 e 03/07/2012, no total de R$ 3.800.000,00. Não havia aditivo, contendo prorrogação de prazo ou incidência de juros. A recorrente informou ao agente fiscal que permaneciam em aberto. c3) Nas datas em que houve ingressos de recursos, sempre havia pagamentos de despesas e tributos aduaneiros. d) A fiscalização elaborou planilha (fls. 32 e 33), em que computou os gastos aduaneiros e os saldos das contas caixa e bancos e excluiu os depósitos e empréstimos/mútuos cujas origens não foram comprovadas. A conclusão foi a de que a recorrente não possuía capacidade não financeira para realizar as importações. e) Identificaram por meio do sistema DW Aduaneiro que a recorrente e a Trinexo importaram os mesmos tipos de produto (tecidos, ladrilhos e splits); que a Trinexo, entre os anos de 2005 a 2009, cometeu diversas infrações aduaneiras, com destaque para três DI, em que se verificou subfaturamento e tiveram como consequencia a aplicação de pena de perdimento de 792 aparelhos "split" de ar condicionado; e que a recorrente foi constituída em março de 2008, mas o capital somente foi integralizado em junho de 2008, data em que requereu habilitação para operar no comércio exterior. e) A recorrente tinha contrato de prestação de serviços de recebimento, armazenagem, separação e expedição de produtos com a Elo Central de Logística e Transporte Ltda., realizados no estabelecimento da contratada, o que denotaria falta de empregados. Argumentos de defesa Em linhas gerais, ofereceram os seguintes argumentos: Ambas as empresas estavam habilitadas para operar no comércio exterior e, inclusive, nos anos de 2008 e 2009, a Trinexco realizou um número maior de importações que a MI2. É inverídica a informação fiscal de que, nos anos de 2005 a 2009, a Trinexco teria cometido diversas infrações aduaneiras e sofrido sanções, tal qual pena de perdimento. E que, à luz, da Portaria SECEX n° 23/11 e IN SRF n° 680/06, se fosse verdade, não teria concluído os processos de importação que foram efetivados. Não houve vendas de produtos importados pela MI2 para a Trinexco. Possuíam sócios casados em regime de comunhão de bens, não sendo concebível entender que pretendiam ocultar transações. Na verdade, eram empresas independentes, que operaram com recursos e gestão próprios. Sobre a suposta incapacidade financeira, contradizem a fiscalização, informando que: i) da DIRPF do ano de 2008 da Sra. Inês, constam as quotas da MI2; ii) nas DIRPF de 2008 e 2009 do Sr. Vicente, constam os empréstimos à Sra. Inês e o recebimento de lucros da Trinexco de R$ 4.700.000,00, que demonstravam o lastro financeiro dos empréstimos Fl. 2490DF CARF MF Processo nº 10421.720098/201341 Acórdão n.º 3301005.809 S3C3T1 Fl. 2.491 15 concedidos; iii) o fato de os empréstimos terem saído diretamente de conta da Trinexco para a MI2 não desqualifica a operação, notadamente porque houve redução do capital social da Trinexo, para devolução ao sócio Sr. Vicente, justamente para que ele tivesse condições de conceder empréstimo à Sra. Inês; iv) todas as operações foram contabilizadas em ambas as empresas e figuraram nas DIPRF dos sócios; v) a fiscalização demonstrou desconhecer os conceitos de passivo e patrimônio líquido, ao estranhar a redução de capital, em ano em que havia empréstimos bancários no passivo; vi) a redução de capital cumpriu os requisitos legais; vii) não havia obrigação de registro em cartório dos contratos de mútuo, sendo que os lançamentos contábeis fazem prova de sua legitimidade (art. 923 do RIR/99), os quais, inclusive foram inspecionados pela fiscalização; viii) a fiscalização construiu planilha para comprovar a incapacidade financeira, excluindo todos os depósitos de clientes, mútuos e empréstimos que julgou não comprovados; ix) a DRJ não considerou os contratos de empréstimos contraídos pela Trinexco, juntados aos autos do processo n° 10421.720099/2013 95, da ordem de R$ 8.000.000,00, que dariam lastro aos mútuos e empréstimos; x) a fiscalização selecionou algumas notas fiscais de venda, dentre centenas, e concluiu que fatos que normalmente ocorrem no cotidiano empresarial (ex: pagamentos fora do prazo, novação de dívidas, inadimplemento e protesto de títulos e/ou cobrança judicial) seriam prova da não efetividade das operações. Os princípios da legalidade e da busca pela verdade real não admitem a constituição de crédito tributário baseado em presunções ou indícios. A norma assentada no art. 112 do CTN alude à valorização dos fatos e estabelece a chamada "interpretação benigna", em caso de dúvida. No caso em tela, não foram considerados aspectos legais e as provas documentais que davam suporte às operações foram colocadas em dúvida pela fiscalização. Exame das autuação e alegações das recorrentes A fiscalização solicitou os extratos bancários da MI2, pelo que foram fornecidos os emitidos pelos Bancos do Brasil, Bradesco e BIC. Para comprovação da origem lícita dos recursos financeiros, foram apresentados à fiscalização notas fiscais de vendas de produtos, empréstimos e mútuos. Passo à revisão dos documentos que se encontram nos autos vis à vis os argumentos de defesa, em três subtópicos distintos, tal qual o fez a auditoria fiscal. Dos recursos derivados de vendas de produtos Em relação às vendas de produtos, o Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 08 a 26 RAF) informa que os valores de quase todas as notas fiscais não correspondiam aos créditos nas contas bancárias realizados nas respectivas datas de vencimento. Selecionou as notas fiscais acima de R$ 10.000,00 e solicitou confirmação dos clientes. Identificou o seguinte: pagamentos parcelados de 30 a 45 dias; vendas que não teriam sido efetivamente realizadas na fl. 26, constam como exemplos, compra em desacordo com o solicitado e compra não reconhecida pelo cliente ; notas fiscais que, na verdade, não eram de vendas, porém consignação ou remessa para confecção de produtos por terceiros; e Fl. 2491DF CARF MF Processo nº 10421.720098/201341 Acórdão n.º 3301005.809 S3C3T1 Fl. 2.492 16 um caso em que o cliente informou que o beneficiário seria a Trinexco e outro em que haveria indícios de que a Trinexco teria prorrogado o prazo para pagamento Extraio trechos do RAF, inclusive, da conclusão: (. . .) (. . .) É evidente a falta de empenho do contribuinte no cumprimento de sua obrigação de prestar os esclarecimentos requeridos pelo agente fiscal. Em sua defesa, a recorrente sustenta que as vendas realmente ocorreram e que as receitas correspondentes foram contabilizadas. Contudo, apesar de demonstrar plena ciência da razão que motivou a conclusão do agente fiscal, não trouxe em suas peças de defesa a necessária conciliação entre os depósitos bancários e as notas fiscais de venda. Assim, em relação a este primeiro ponto, não merece reparos a conclusão do agente fiscal, no sentido de não considerar como comprovante as notas fiscais não conciliadas com os extratos bancários. Dos recursos derivados de aumentos de capital com empréstimos A fiscalização inspecionou os atos constitutivos e as 1° a 4° Alterações Contratuais e constatou que: o capital de R$ 800.000,00 foi subscrito em 17/03/08 e integralizado em 13/06/08; em janeiro de 2009, o capital social sofreu um aumento de R$ 2.200.000,00, passando a R$ 3.000.000,00; pela 3° alteração contratual, a sócia Sra. Esther de Castro retirase da sociedade, vendendo sua participação para o seu filho, Sr. Vicente Castro; e Fl. 2492DF CARF MF Processo nº 10421.720098/201341 Acórdão n.º 3301005.809 S3C3T1 Fl. 2.493 17 também pela 3° alteração contratual, a Sra. Inês de Castro vende participação societária correspondente a R$ 2.962.000,00 para o seu cônjuge, Sr. Vicente de Castro, restandolhe apenas 1% do capital social. E ainda que: em 2008, a Sra. Inês tomou por empréstimo do Sr. Vicente a quantia de R$ 792.000,00, valor próximo ao necessário para a integralização do capital social de R$ 800.000,00; o empréstimo de R$ 792.000,00 não foi incluído em sua DIRPF e não foi formalizado por meio de contrato e o numerário foi transferido diretamente de conta bancária da Trinexo, empresa da qual seu cônjuge era acionista majoritário; o capital somente foi integralizado em 13/06/08, na data em que requereu habilitação para operar no comércio exterior; em 2009, a Trinexco efetuou redução do seu capital social, com devolução ao sócio Sr. Vicente, o qual emprestou os recursos para a Sra. Inês efetuar o aumento do capital social da recorrente de R$ 2.962.000,00; também daquela feita, o empréstimo não foi formalizado, não constou na DIRPF da tomadora e o numerário transferido de conta da Trinexco; a redução do capital da Trinexco ocorreu em ano em que apresentava no passivo empréstimos bancários de R$ 6.939.154,14; do aumento de capital de R$ 2.962.000,00, ocorrido em janeiro de 2009, R$ 700.000,00 e R$ 300.000,00 ingressaram na sociedade nos dias 05/12/08 e 17/12/08, respectivamente, a título de adiantamento para futuro aumento de capital social; em datas próximas as que ocorreram os aportes de capital, a recorrente teve de arcar com despesas aduaneiras em montante total próximo ao do aumento do capital social; e em resposta à intimação, a Sra. Inês declarou que, no período fiscalizado, ela e seu cônjuge não possuíam conta bancária e que o único rendimento que percebeu fora de R$ 3.255,00, a título de pro labore. Em razão da ocorrência dos fatos acima relatados, a fiscalização chegou a seguinte conclusão (trechos extraídos das fls. 27 e 28): (. . .) Fl. 2493DF CARF MF Processo nº 10421.720098/201341 Acórdão n.º 3301005.809 S3C3T1 Fl. 2.494 18 Em suma, a fiscalização concluiu que o contribuinte não logrou comprovar a origem dos aportes de capital acima tratados, os quais, portanto, seriam inábeis para fazer prova de sua capacidade financeira para a realização de operações das importação realizadas em 2008 e 2009. A DRJ ratificou a conclusão do agente fiscal. Discordo! Nenhum dos fatos identificados pela fiscalização, individualmente ou reunidos sob a forma de um conjunto probatório, têm o condão de desabonar os aportes de capital realizados. A meu ver, para desconstruir a pretensão fiscal, basta que nos atenhamos aos dois pontos centrais da fiscalização, contidos em trecho do RAF acima reproduzido: a capacidade financeira não foi comprovada, porque os aportes de capital foram realizados por meio da obtenção de empréstimos; e ainda que os empréstimos pudessem ser utilizados para tal fim, não foram celebrados por instrumento público, nos termos do art. 221 da Lei n° 10.406/02 (Código Civil), não sendo suficientes para demonstrar a regularidade da operação o respectivo registro contábil. A legislação não indica a forma por meio da qual deve ser demonstrada a capacidade financeira ou mesmo invalida como prova qualquer modalidade de obtenção de recursos, tal como empréstimos de pessoas ligadas. Nem mesmo o § 2° do art. 23 do Decreto lei n° 1.455/76, que dispõe sobre a interposição fraudulenta presumida: "Art. 23 Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (. . .) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (. . .)" A IN SRF n° 228/02, que "dispõe sobre procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas.", por sua vez, apesar de não mencionar taxativa ou exemplificativamente quais operações poderiam ser apresentadas como prova da origem dos recursos, foi, em seu art. 7°, um pouco além do § 2° do art. 23 do Decretolei n° 1.455/76: Fl. 2494DF CARF MF Processo nº 10421.720098/201341 Acórdão n.º 3301005.809 S3C3T1 Fl. 2.495 19 "Art. 1º A empresa que apresentar indícios de interposição fraudulenta de pessoas, mediante incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira, ficará sujeita ao procedimento especial de fiscalização estabelecido nesta Instrução Normativa. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) (. . .) Art. 7º Enquanto não comprovada a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações, bem assim a condição de real adquirente ou vendedor, o desembaraço ou a entrega das mercadorias na importação fica condicionado à prestação de garantia, até a conclusão do procedimento especial." (g.n.) Da leitura do art. 7°, inferese, sem maiores esforços, que o Fisco mostrarse á satisfeito com prova da existência de fundos disponíveis para a liquidação das operações, cuja origem seja de transações lícitas. Ora, no caso em tela, é incontroversa a origem lícita dos recursos parte deles, inclusive, nasceu de uma redução do capital social da Trinexco . E a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos também foram confirmadas pela própria autoridade fiscal, por meio de inspeções dos extratos das contas bancárias do contribuinte, com base nos quais, inclusive, elaborou as planilhas que tiveram como objetivo demonstrar a falta de capacidade financeira. De forma alguma é possível extrair do § 2° do art. 23 do Decretolei n° 1.455/76 e do art. 7° da IN SRF n° 228/02 que o Fisco, mesmo diante de provas cabais da existência dos recursos e de sua origem lícita, adicionalmente exigiria que houvesse formalização das operações por instrumento público. Para que não paire dúvidas, reproduzamos os artigos 212, que trata da prova do fato jurídico, e o 221, dos efeitos do instrumento particular, do Código Civil, este último, citado pelo agente fiscal: "Art. 212. Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante: I confissão; II documento; III testemunha; IV presunção; V perícia. (. . .) Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de Fl. 2495DF CARF MF Processo nº 10421.720098/201341 Acórdão n.º 3301005.809 S3C3T1 Fl. 2.496 20 seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. Parágrafo único. A prova do instrumento particular pode suprir se pelas outras de caráter legal." O Código Civil não traz mandamento que exija "forma especial" para operações de mútuos ou empréstimos. Assim, para que se considere como provados os empréstimos, para fins de exigência do credor das parcelas vencidas e eventualmente não pagas, nos termos do art. 212 acima reproduzido, entendo como bastantes os lançamentos contábeis, a resposta da Sra. Inês de Castro a intimações, em que informou que os recursos eram oriundos de empréstimos contraídos do Sr. Vicente de Castro, e as movimentações financeiras identificadas pelo próprio agente fiscal, que, inclusive, verificou a quitação do empréstimo, por ocasião da venda da participação da Sra. Inês para o Sr. Vicente. No tocante ao caput do art. 221 do CC, que dispõe que somente com instrumento público são produzidos efeitos perante terceiros no caso em tela, o Fisco , entendo que sua ausência não pode fulminar a operação, para fins de comprovação da capacidade financeira para realizar operações de importação, uma vez que a preocupação central do Fisco, espelhada no art. 7° da IN SRF n° 228/02, é a constatação da disponibilidade de recursos para a liquidação dos compromissos de importação e sua origem lícita. Por fim, importante consignar que, a meu ver, em nada prejudica a sustentação da recorrente o fato de os aportes de capital terem sido transferidos diretamente de conta bancária da Trinexco para a MI2. A formalização da utilização dos recursos para aumento do capital social da recorrente, com aumento da participação societária da Sra. Inês, é prova mais do que suficiente de que foi tomadora dos recursos e não a MI2. Ademais, a quitação do empréstimo contraído pela Sra. Inês com o Sr. Vicente de Castro, por meio da entrega de sua participação societária, também comprova que o Sr. Vicente era o titular dos recursos emprestados e não a Trinexco. Isto posto, dou provimento aos argumentos da recorrente, cujo objetivo era o de obter o reconhecimento de que os aportes de capital na recorrente servem como comprovação de capacidade financeira para realizar operações de importação. Dos recursos derivados de mútuos Por meio dos Termos de Intimação Fiscal n° 7/11 e 11/11, foi requerido que o contribuinte comprovasse a origem dos recursos ingressados em suas contas correntes, no ano de 2009, sob os títulos "recebimento de clientes" e "mútuos". O total dos valores dos repasses a título de mútuos ocorridos nos dias 23 e 24 de setembro de 2009 era igual ao somatório de notas fiscais de venda, cujos clientes não responderam ao pedido de confirmação da operação fiscalização. Assim, concluiu que não se tratava de operações de mútuos, porém "repasses de valores já recebidos pela Trinexco" (fls. 28 a 31). A recorrente entregou cópias de contratos que totalizavam R$ 6.118.493,48 (fl. 28). A fiscalização, então, por meio do TIF n° 105/12, requereu que indicasse nos extratos Fl. 2496DF CARF MF Processo nº 10421.720098/201341 Acórdão n.º 3301005.809 S3C3T1 Fl. 2.497 21 os pagamentos de algumas parcelas, vencidas nos meses de junho e julho de 2012. A recorrente informou que tais pagamentos não foram efetuados e que continuavam em aberto. Por fim, no curso da inspeção, o agente fiscal identificou ainda que vários ingressos de recursos ocorreram em datas próximas a pagamentos de despesas e tributos aduaneiros (fl. 31). Em razão dos fatos acima relatados, a fiscalização também desconsiderou como prova de capacidade financeira todos os ingressos a título de mútuo. Indiscutivelmente que causa certa "estranheza" o fato de o somatório das notas fiscais de venda, cujos clientes não responderam ao pedido de confirmação da operação serem iguais a repasses a título de mútuos realizados nos dias 23 e 24 de setembro de 2009. Contudo, tal fato, associado às transferências de recursos em datas próximas ao pagamento de despesas aduaneiras, a meu ver, em hipótese alguma legitima a tão contundente conclusão de que NENHUM ingresso derivado de mútuo poderia ser tido como prova de capacidade financeira. Ora, seguindo a linha do agente fiscal, e ingressando no campo das suposições, poderseia, por exemplo, admitir que a MI2 contratou mútuos pelo montante total das vendas realizadas, pois correspondia à disponibilidade financeira que projetava dispor no futuro. Vale lembrar que é prática usual oferecer duplicatas a receber como garantia de operações de crédito. E também absolutamente compreensível a compatibilidade entre as datas dos ingressos dos numerários e as de pagamento de passivos com despesas e tributos aduaneiros. Afinal de contas, por qual outro motivo contrairia um empréstimo, que não o de que não dispunha dos recursos para saldar um compromisso inadiável (pagamento de tributos aduaneiros)? Assim, neste ponto, já sentirmeia absolutamente confortável em dar provimento ao presente tópico, por considerar absolutamente infundada a conclusão a que chegou o agente fiscal. Contudo, robusteço sobremaneira meu voto no sentido de que houve comprovação da origem dos recursos utilizados para pagamento das importações, quando leio o RAF e vejo que todos os contratos foram apresentados, os correspondentes recursos efetivamente ingressaram na conta da recorrente e foram devidamente contabilizados. Isto posto, voto pelo provimento dos argumentos que tinham como objetivo sustentar que os recursos derivados de mútuos constituíam prova legítima de capacidade financeira para realizar importações nos anos de 2008 e 2009. CONCLUSÃO O doc. 03 do RAF (fls. 36 a 42) traz os montantes desconsiderados pela fiscalização, compreendendo recebimentos de clientes , aumentos de capital e mútuos, que totalizam R$ 18.646.939,65. Fl. 2497DF CARF MF Processo nº 10421.720098/201341 Acórdão n.º 3301005.809 S3C3T1 Fl. 2.498 22 Nas fls. 8 a 26, os valores dos ingressos por recebimentos de clientes não conciliados com notas fiscais de venda (fls. 8 a 26 RAF), a cujos argumentos neguei provimento, montam a R$ 3.739.376,66. Assim realizada a exclusão dos valores dos recebimentos de clientes que não foram comprovados, o total de recursos que este relator concluiu terem sido comprovados é de R$ 14.907.562,99. Nas fls. 2.259 a 2.267, no auto de infração lavrado contra a Trinexco, são listadas as Declarações de Importação cujas operações foram consideradas sem lastro financeiro. Totalizam R$ 8.210.473,35. E este montante é cobrado da Trinexco, a título de multa substitutiva da pena de perdimento. E é a base de cálculo da multa aplicada na MI2, de 10% por cessão de nome, que monta a R$ 821.047,33. Como os ingressos de recursos derivados de aumentos de capital e mútuos (R$ 14.907.562,99) são suficientes para comprovar a capacidade financeira para realizar as importações dos anos de 2008 e 2009, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 2498DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.723792/2015-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. ENTRE VOTO CONDUTOR E DISPOSITIVO
De se acolher os referidos embargos de declaração, diante da contradição apresentada entre o voto condutor e a parte dispositiva. É certo que se tratavam de multa regulamentar decorrente do IPI, e não de aplicação de multa isolada concomitante com multa de ofício.
Numero da decisão: 1301-003.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sem efeitos infringentes, sanar a contradição apontada e ratificar o decidido no acórdão 1301-003.005.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sem efeitos infringentes, sanar a contradição apontada e ratificar o decidido no acórdão 1301-003.005. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (Assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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OCORRÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. ENTRE VOTO CONDUTOR E DISPOSITIVO De se acolher os referidos embargos de declaração, diante da contradição apresentada entre o voto condutor e a parte dispositiva. É certo que se tratavam de multa regulamentar decorrente do IPI, e não de aplicação de multa isolada concomitante com multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sem efeitos infringentes, sanar a contradição apontada e ratificar o decidido no acórdão 1301003.005. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (Assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 37 92 /2 01 5- 92 Fl. 6413DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.729 S1C3T1 Fl. 6.414 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente de embargos de declaração (fls. 6249 e ss) opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 130103.005, de 15/05/2018 (fls. 6211 e ss), que, por unanimidade de votos, decidiu por afastar a preliminar arguida, para no mérito DAR provimento ao Recurso de Ofício para se restabelecer as responsabilidades tributárias e a multa qualificada, e DAR PARCIAL provimento aos Recursos Voluntários apenas para afastar a multa isolada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. IPI. GLOSA DE COMPRAS NÃO COMPROVADAS. Cabível a glosa de compras não comprovadas, em especial se a fiscalização logrou certificar, mediante a apresentação de vasto conjunto probatório juntado aos autos, a inidoneidade das notas fiscais que deram suporte aos lançamentos contábeis que restaram infirmados, bem como a inexistência das operações comerciais nelas retratadas. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. Evidenciase o interesse comum, a ensejar imputação de responsabilidade solidária, quando identificado liame inequívoco entre as atividades desempenhadas pelos integrantes do grupo econômico, revelado por atuação complementar entre as empresas, vinculação gerencial, identidade de sócios e administradores e interesse econômico recíproco. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, devendo responder solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado. Fl. 6414DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.729 S1C3T1 Fl. 6.415 3 De outro lado, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto deelementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta. IPI. MULTA QUALIFICADA. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS FUNDADOS EM NOTAS INIDÔNEAS. CABIMENTO. Se as provas carreadas aos autos evidenciam a intenção dolosa de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do imposto devido, cabível a aplicação da multa qualificada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício e rejeitar a preliminar arguida no recurso voluntário. Por maioria de votos, dar provimento parcial aos recursos voluntários para afastar a exigências das multas isoladas, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negarlhes provimento integralmente. O Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza acompanhou o voto da relatora por suas conclusões em relação à responsabilidade tributária mantida com base no disposto no art. 124, I, do CTN. A PGFN foi cientificada dessa decisão e apresentou os presentes embargos dentro do prazo regimental previsto no art. 79, §2º, e art. 65, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. Segundo o relatório do Despacho de Admissibilidade dos Embargos opostos, de fl. 6408, o embargante alega contradição entre o voto condutor e a parte dispositiva do acórdão embargado, pois, enquanto aquele mantém a multa regulamentar e esclarece que no presente processo não há concomitância entre multa isolada e multa de ofício, este afasta a exigência da multa isolada e não se pronuncia sobre a manutenção da multa regulamentar. De fato, conforme se observa nos autos do presente processo, a autoridade fiscal exige do sujeito passivo o pagamento (i) do IPI, acrescido de multa qualificada e juros de mora (auto de infração à efl. 5006 e ss.), bem como (ii) da multa regulamentar prevista no art. 490, II, do RIPI/2002 (art. 572, II, do RIPI/2010), em razão do aproveitamento de notasfiscais inidôneas (auto de infração à efl. 5019 e ss.). Conforme esclarecido no voto condutor do acórdão embargado, embora o sujeito passivo tenha contestado a aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada prevista no art. 44, II, "b", da Lei nº 9.430/96 (vide recurso voluntário às Fl. 6415DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.729 S1C3T1 Fl. 6.416 4 efls. 6074/6075), essa situação não se verifica no presente processo. Vejamos o que diz o voto condutor (efl. 6246): Da aplicação da multa regulamentar A Fiscalização procedeu à aplicação da multa regulamentar nos termos do art. 490, II do RIPI/2002 (art. 572, II do RIPI/2010) em razão da utilização das notas fiscais inidôneas, em montante equivalente ao valor das mercadorias nelas discriminadas. Vejamos o que diz a citada norma: Art. 572. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e Decreto Lei nº 400, de 1968, art. 1o, alteração 2a): II os que emitirem, fora dos casos permitidos neste Regulamento, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso II, e DecretoLei no 400, de 1968, art. 1o, alteração 2a). Em sede recursal, o recorrente trata da não aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício, entendo que não é o caso vertente. Aqui tratamos de multa regulamentar, estabelecida especificamente no Regulamente de IPI, e da sua simples leitura de se concluir pela aplicação, independente de outras penalidades ou sanções administrativas cabíveis. (g.n.) (...) Ocorre que, enquanto no trecho acima transcrito o voto condutor (i) tenha afirmado que o presente processo não trata da concomitância entre multa de ofício e da multa isolada, bem como (ii) haja mantido a exigência da multa regulamentar, a conclusão do mesmo voto condutor afirma que a multa isolada deve ser afastada, e, ademais, não se pronuncia sobre a manutenção da multa regulamentar. Vejamos (efl. 6246): CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer dos Recursos Voluntários e de Ofício, afastar a preliminar arguida, para no mérito DAR provimento ao Recurso de Ofício para se restabelecer as responsabilidades tributárias e a multa qualificada, e DAR PARCIAL provimento aos Recursos Voluntários apenas para afastar a multa isolada. (g.n.) (...) Na mesma linha segue a parte decisória do acórdão embargado (efl. 6212): Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício e rejeitar a preliminar arguida no recurso voluntário. Por maioria de votos, dar provimento parcial aos recursos voluntários para afastar a exigências das multas isoladas, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negarlhes provimento integralmente. O Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza acompanhou o voto da relatora por suas conclusões em relação à responsabilidade tributária mantida com base no disposto no art. 124, I, do CTN. (g.n.) (...) O despacho de admissibilidade admitiu os embargos em razão da contradição apontada, nos termos do artigo 65 do RICARF. Fl. 6416DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.729 S1C3T1 Fl. 6.417 5 Recebi os autos por sorteio em 03/12/2018. É o relatório. Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. O presente embargos de declaração opostos pela PGFN foram admitidos, conforme despacho de fls. 6408 e ss, diante da contradição no acórdão de recurso voluntário, no que tange ao dispositivo e o voto condutor. Tem razão a PGFN. O meu voto, bem como todo o Colegiado me acompanhou no sentido de se conhecer dos Recursos Voluntários e de Ofício, afastar a preliminar arguida, e no mérito DAR provimento ao Recurso de Ofício para se restabelecer as responsabilidades tributárias e a multa qualificada, e NEGAR provimento aos Recursos Voluntários. Sendo que o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza acompanhoume pelas conclusões no que concerne à responsabilidade tributária. No entanto, o que ocasionou a confusão foi a existência do outro processo administrativo no mesmo julgamento 13888.723871/201501, em que se tratava das multas isoladas, e lá ela foi afastada. No caso aqui tratado julgamos a questão relacionada à multa regulamentar do IPI, conforme se vê do voto: Da aplicação da multa regulamentar A Fiscalização procedeu à aplicação da multa regulamentar nos termos do art. 490, II do RIPI/2002 (art. 572, II do RIPI/2010) em razão da utilização das notas fiscais inidôneas, em montante equivalente ao valor das mercadorias nelas discriminadas. Vejamos o que diz a citada norma: Art. 572. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e DecretoLei no 400, de 1968, art. 1o, alteração 2a): II os que emitirem, fora dos casos permitidos neste Regulamento, nota fiscal que não corresponda à saída Fl. 6417DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.729 S1C3T1 Fl. 6.418 6 efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso II, e DecretoLei no 400, de 1968, art. 1o, alteração 2a). Em sede recursal, o recorrente trata da não aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício, entendo que não é o caso vertente. Aqui tratamos de multa regulamentar, estabelecida especificamente no Regulamente de IPI, e da sua simples leitura de se concluir pela aplicação, independente de outras penalidades ou sanções administrativas cabíveis. E o próprio voto menciona que o recorrente sequer tratou dessa multa, fazendo alegação em seu recurso voluntário apenas das multas isoladas, que sequer eram aqui tratadas e sim no outro processo. Dessa forma, reconheço e acato a contradição apontada para que passe a constar o que segue: Conhecer de ambos os Recursos e DAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, para restabelecer as responsabilidades tributárias e a multa qualificada e NEGAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários apresentados. Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto em conhecer dos presentes embargos de declaração, e acolhêlos para sanar a contradição apontada entre o voto condutor e a parte dispositiva, e ratificar o decidido no teor do Acórdão 1301003.005, sem efeitos infringentes. (Assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 6418DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.724009/2013-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO.
1- O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou.
2- As despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, tem que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período que se deu a utilização do capital dos sócios, no período em que esse capital permaneceu investido na sociedade.
3- A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um determinado ano, e seu rateio proporcional ao número de dias que o capital dos sócios ficou em poder da empresa, configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros, e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência.
4- Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sê-lo e também o que era despesa deixa de sê-lo. Apenas as contas patrimoniais mantém seus saldos de um ano para outro. Os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos sócios foi utilizado pela empresa, com a constituição do passivo correspondente.
5- O caso aqui não é de mera inexatidão da escrituração de receita/despesa quanto ao período de apuração, não é de simples aproveitamento extemporâneo de uma despesa verdadeira, que já existia em momento anterior. O que a contribuinte pretende é "criar" em 2010 despesas de juros nos anos de 2005 e 2006, despesas que corresponderiam à remuneração do capital dos sócios que foi disponibilizado para a empresa naqueles períodos passados, despesas que estariam correlacionadas às receitas e aos resultados daqueles anos já devidamente encerrados, e isso realmente não é possível porque subverte toda a lógica não apenas do princípio da competência, mas da própria contabilidade.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006.
A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma refere-se ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL
Estende-se ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 9101-003.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento (i) em relação à dedutibilidade da despesa com juros sobre o capital próprio, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe deram provimento e (ii) em relação à concomitância da multa, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araujo.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Presidente em Exercício e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Redator Ad Hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO. 1- O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou. 2- As despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, tem que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período que se deu a utilização do capital dos sócios, no período em que esse capital permaneceu investido na sociedade. 3- A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um determinado ano, e seu rateio proporcional ao número de dias que o capital dos sócios ficou em poder da empresa, configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros, e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência. 4- Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sê-lo e também o que era despesa deixa de sê-lo. Apenas as contas patrimoniais mantém seus saldos de um ano para outro. Os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos sócios foi utilizado pela empresa, com a constituição do passivo correspondente. 5- O caso aqui não é de mera inexatidão da escrituração de receita/despesa quanto ao período de apuração, não é de simples aproveitamento extemporâneo de uma despesa verdadeira, que já existia em momento anterior. O que a contribuinte pretende é "criar" em 2010 despesas de juros nos anos de 2005 e 2006, despesas que corresponderiam à remuneração do capital dos sócios que foi disponibilizado para a empresa naqueles períodos passados, despesas que estariam correlacionadas às receitas e aos resultados daqueles anos já devidamente encerrados, e isso realmente não é possível porque subverte toda a lógica não apenas do princípio da competência, mas da própria contabilidade. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma refere-se ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL Estende-se ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2300; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10882.724009/201316 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.736 – 1ª Turma Sessão de 11 de setembro de 2018 Matéria JCP Recorrente A.C. NIELSEN DO BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO. 1 O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou. 2 As despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, tem que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período que se deu a utilização do capital dos sócios, no período em que esse capital permaneceu investido na sociedade. 3 A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um determinado ano, e seu rateio proporcional ao número de dias que o capital dos sócios ficou em poder da empresa, configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros, e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência. 4 Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sêlo e também o que era despesa deixa de sêlo. Apenas as contas patrimoniais mantém seus saldos de um ano para outro. Os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 40 09 /2 01 3- 16 Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 3 2 sócios foi utilizado pela empresa, com a constituição do passivo correspondente. 5 O caso aqui não é de mera inexatidão da escrituração de receita/despesa quanto ao período de apuração, não é de simples aproveitamento extemporâneo de uma despesa verdadeira, que já existia em momento anterior. O que a contribuinte pretende é "criar" em 2010 despesas de juros nos anos de 2005 e 2006, despesas que corresponderiam à remuneração do capital dos sócios que foi disponibilizado para a empresa naqueles períodos passados, despesas que estariam correlacionadas às receitas e aos resultados daqueles anos já devidamente encerrados, e isso realmente não é possível porque subverte toda a lógica não apenas do princípio da competência, mas da própria contabilidade. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL Estendese ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento (i) em relação à dedutibilidade da despesa com juros sobre o capital próprio, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe deram provimento e (ii) em relação à concomitância da multa, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araujo. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Presidente em Exercício e Redator Designado Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Redator Ad Hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Inicialmente, devo esclarecer que fui nomeado redator ad hoc para formalização de acórdão relatado pelo Conselheiro Gerson Macedo Guerra. O relatório a seguir reproduzido foi apresentado pelo Relator em sessão de julgamento. Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pelo Contribuinte em epígrafe diante do acórdão 1402002.114, onde restou decidido que: (I) sob pena de infringir o regime de competência, é vedado imputar em determinado exercício o montante de Juros sobre o Capital Próprio de períodos anteriores; e (ii) que partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Na origem, foi lavrado Auto de Infração lavrado para cobrança de IRPJ e CSLL, acrescidos de multa de 75% e juros, em razão da indedutibilidade de despesas com o pagamento de Juros Sobre o Capital Próprio (“JCP”), deduzidas no anocalendário de 2010, mas referentes aos períodos de 2005 e 2006, além do próprio ano de 2010. Analisando Impugnação proposta pelo Contribuinte, a DRJ manteve as exigências fiscais ao entendimento de que para efeito de apuração do Lucro Real, é vedada a dedução de JCP que tome como base de referência contas do patrimônio líquido relativas a exercícios anteriores ao do seu efetivo reconhecimento como despesa, por desatender ao regime de competência. Mantevese, também, a multa isolada e a multa de ofícios. Inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário. Interposto o tempestivo Recurso Voluntário 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF proferiu o acórdão ora recorrido, no qual decidiu, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. É a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 Fl. 747DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 5 4 Juros sobre o Capital Próprio. Dedutibilidade. Regime de Competência. Na determinação do lucro real serão adicionadas as despesas deduzidas na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária pertinente, não sejam dedutíveis. A dedutibilidade dos Juros sobre o Capital Próprio é condicionada ao pagamento ou creditamento em favor dos sócios, atendido o limite legal. Sob pena de infringir o regime de competência, é vedado imputar em determinado exercício o montante de Juros sobre o Capital Próprio de períodos anteriores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário:2010 Na determinação da base de cálculo da CSLL serão adicionadas as despesas deduzidas na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária pertinente, não sejam dedutíveis. A dedutibilidade dos Juros sobre o Capital Próprio é condicionada ao pagamento ou creditamento em favor dos sócios, atendido o limite legal. Sob pena de infringir o regime de competência, é vedado imputar em determinado exercício o montante de Juros sobre o Capital Próprio de períodos anteriores. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2010 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 6 5 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos Conselheiros Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Leonardo Luís Pagano Gonçalves que votavam por dar provimento parcial para cancelar a multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Cientificado dessa decisão o Contribuinte, tempestivamente, apresenta recurso especial alegando objetivando discutir as duas matérias trazidas em seu Voluntário, quais sejam (i) impossibilidade de dedução, na apuração do lucro real, dos valores de JCP calculados com base no patrimônio líquido dos anos anteriores ao ano em que exercida a faculdade do pagamento pelo contribuinte; e (ii) inaplicabilidade da multa isolada cumulada com a multa de ofício. O Recurso do Contribuinte foi conhecido, conforme despacho de admissibilidade. Intimada do recurso Fazenda apresenta contrarrazões, pedindo o não provimento do recurso do Contribuinte. Não há insurgência quanto ao conhecimento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, Redator ad hoc Conforme exposto no relatório supra, fui designado redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, utilizando relatório e voto apresentados pelo Relator em sessão de julgamento. Nestes termos, o conteúdo do voto a seguir transcrito corresponde ao voto proferido pelo Conselheiro Gerson Macedo Guerra. Sobre a admissibilidade do Recurso, entendo que bem se posicionou o Presidente da Câmara. Deste modo, conheço do recurso nos termos do despacho de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso do Contribuinte quanto às duas matérias, quais sejam: JCP retroativos e inaplicabilidade da multa isolada cumulada com a multa de ofício. Nesse contexto, passo à análise de mérito. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DE JCP RETROATIVOS A questão posta em discussão no presente processo diz respeito à dedutibilidade da despesa com juros sobre o capital próprio. A controvérsia está representada pela seguinte questão: apurados e não pagos ou creditados contabilmente como passivo devido aos sócios os juros sobre o capital próprio Fl. 749DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 7 6 em determinado anocalendário, a dedução dessa despesa poderia ser feita em outro ano calendário, isto é, em período de apuração diverso do correspondente ao de apuração? Pois bem. A dedutibilidade dos juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, encontrase disciplinada no artigo 9º da Lei nº. 9.249, de 1995. Ali está estabelecido, verbis: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 4º REVOGADO PELA LEI Nº. 9.430/96 § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 8 7 § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. § 9º REVOGADO PELA LEI Nº. 9.430/96 §10 REVOGADO PELA LEI Nº 9.430/96 Das regras acima transcritas, vale destacar o seguinte: ü que os juros dedutíveis devem ser calculados sobre as contas do patrimônio líquido e devem ser limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP; e ü que o efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. Releva notar que antes da edição da Lei nº. 9.249/95 não eram admitidas, como custo ou despesa dedutível, as importâncias creditadas ao titular ou aos sócios da empresa, a título de juros sobre o capital (artigo 49 da Lei nº. 4.506/64). Ao introduzir a possibilidade de dedução, a norma tributária impôs condições, como anteriormente explicitado. A Instrução Normativa SRF nº. 11, de 1996, complementando as disposições trazidas pelo art. 9º da Lei nº. 9.249, de 1995, estabeleceu: Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. Interpretando essa norma regulamentar, com as normas trazidas pela Lei 9.249/95 retro transcritas, outra não pode ser a conclusão senão a de que o período de competência para reconhecimento da despesa com o JCP coincide com a deliberação de pagamento aos sócios. Ou seja, contabilmente, apenas se reconhece a despesa quando se delibera o pagamento dos juros. Mesmo na eventualidade de considerar que a ausência de deliberação do JCP em exercícios anteriores conduziria à caducidade do direito à dedução do valor do lucro real (direito material), o argumento não prosperaria em virtude da ausência de fundamento legal que ampare esse raciocínio. Isso porque, a deliberação do pagamento de JCP é uma faculdade dos acionistas. Lado outro, a caducidade extingue o direito pelo fato de seu Titular quedarse inerte e não exercer seu direito dentro do prazo legal ou convencional. Ora, se a lei não define prazo para que seja exercida a faculdade atribuída ao contribuinte, não há que se falar em perda do Fl. 751DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 9 8 direito por decurso de prazo que não foi limitado ou fixado por ato legal. Deste modo, não merece prosperar o argumento de preclusão temporal, vez que esse Sobre estes tema, vale transcrever excertos da manifestação do ilustre Professor Edmar Oliveira Andrade Filho1, que aborda com propriedade a questão, nos seguintes termos: "De fato, a remuneração do capital dos sócios ou acionistas é uma faculdade que depende apenas da decisão formal deles próprios por intermédio de deliberação tomada em Assembléia de Acionistas ou Reunião de Quotistas, ou em virtude de cláusula estatutária ou contratual existente. Essa faculdade é garantida por um feixe de normas jurídicas que constituem a esfera particular de ação das pessoas. Nessa esfera as ações são governadas pelos princípios da livre iniciativa e da autonomia da vontade que são delimitados e orientados pelo ordenamento jurídico. Portanto, em princípio, uma sociedade pode – no presente – deliberar a respeito dos pagamento de juros sobre o capital para períodos passados, ou seja, pode adotar como marco inicial para a contagem dos juros o momento em que a empresa passou a utilizálo ou outro momento qualquer. Há que se ter presente, todavia, que uma coisa é a possibilidade jurídica do pagamento dos juros e outra, completamente diferente, é o tratamento fiscal que deverá ser dispensado a tais juros. De fato, como visto, a dedutibilidade dos juros sobre o capital está sujeita à observância de limites quantitativos objetivos. Assim, há um primeiro limite que diz respeito à taxa de juros aceita como dedutível e um outro que diz respeito ao montante máximo do encargo que pode ser deduzido, e além desses critérios existem dúvidas se tais encargos têm a sua dedutibilidade subordinada ou não ao regime de competência. O art. 29 da Instrução Normativa nº. 11/96 determina que a dedutibilidade dos juros sobre o capital será aferida de acordo com o regime de competência, o que está correto; o problema é saber quando surge a despesa e quando o atendimento ao regime de competência é exigível. Em outras palavras, há dúvida do momento em que a despesa se torna incorrida, ou seja, quando houve a formação da relação jurídica incondicional pela qual a pessoa jurídica tornase devedora dos juros. Pois bem, o “regime de competência” é um princípio geral que sofre recortes de várias espécies segundo a vontade da lei. Assim, por exemplo, algumas receitas são tributadas em cash basis e algumas despesas não são dedutíveis a despeito de estarem incorridas, e, em outras situações, o critério de imputação é o pro rata tempore. Não há um regime especial de imputação temporal dos juros sobre o capital, de modo que é intuitivo que eles devem ser registrados segundo o regime de competência. 1 ANDRADE FILHO, Edimar Oliveira. Imposto de Renda das Empresas. São Paulo: Atlas, 2006. p. 240242. Fl. 752DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 10 9 Tanto a Lei nº. 9.249/95, quanto a Lei nº. 9.430/96, não revogaram ou modificaram a regra geral do art. 6º do Decretolei nº. 1.598/77. Embora posteriores ao Decretolei nº. 1.598/77, as referidas leis não revogaram expressamente ou tacitamente aquele diploma normativo. Não há que se cogitar, no caso, da aplicação do disposto no parágrafo 1º do art. 2º da Lei de Introdução ao Código Civil, segundo o qual a lei posterior revoga a anterior “quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior”. As Leis nºs. 9.249/95 e 9.430/96, embora tenham trazido diversas modificações na legislação até então vigente, não regularam inteiramente a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A rigor, no caso, incide a regra do parágrafo 2º do art. 2º da referida Lei de Introdução ao Código Civil, segundo o qual “a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. As leis, nesse caso, se entrelaçam, não se excluem. Portanto, é falsa a conclusão de que o art. 29 da Instrução Normativa nº. 11/96 padece do vício da ilegalidade. Ela tem fundamento de validade no art. 6º do Decretolei nº. 1.598/77 e, além disso, não é incompatível com as Leis nºs. 9.249/95 e 9.430/96. Se a dedutibilidade dos juros estivesse subordinada unicamente ao regime de competência, isto é, se não existissem limites objetivos a serem observados, a eventual inobservância do regime de competência não traria maiores conseqüência porque a observância – e a eventual inobservância – desse regime não é fator preponderante para fins de aferição da dedutibilidade2. A observância do regime de competência surge, no caso dos juros sobre o capital, no momento em que eles são pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas. O que determina a exigibilidade do pagamento ou do crédito é a existência de uma deliberação nesse sentido e que não imponha condição suspensiva para o aperfeiçoamento do direito e da correspondente obrigação. Antes da formalização do ato jurídico que determine o pagamento dos juros, os titulares do capital não têm nem mesmo um direito expectativo, a exemplo do que ocorre com os lucros e dividendos. Ora, se os dividendos, que estão previstos em norma de ordem pública, não existem como crédito antes de deliberação societária, o que se dirá dos juros sobre o capital que não ostentam essa mesma natureza jurídica? O pagamento ou crédito de juros sobre o capital é uma faculdade e, como tal, pode ou não ser exercida pelos próprios sócios, razão pela qual os juros não decorrem de um direito subjetivo inerente à condição de sócio ou acionista. Portanto, o período da competência do encargo relativo aos juros sobre o capital é aquele em que ocorre a deliberação de seu pagamento ou crédito de forma incondicional. Sem essa deliberação a sociedade não se obriga (não assume a obrigação) Fl. 753DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 11 10 e o sócio ou acionista nada pode exigir por absoluta falta de título jurídico que legitime a sua pretensão. Do ponto de vista fiscal, é no momento (período) em que o valor dos juros é imputado ao resultado do exercício que o sujeito passivo deverá observar os critérios e limites existentes segundo o direito aplicável. Portanto, é fora de dúvida que enquanto não houver o ato jurídico que determine a obrigação de pagar os juros não existe a despesa ou encargo respectivo e não há que se cogitar de dedutibilidade de algo ainda inexistente." Diante disso, é forçoso concluir que concluir que os limites de que trata o §1º do art. 9 da Lei 9.249/95 (ou seja, que o pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados) são referentes ao ano em que há o pagamento ou o crédito (e deliberação societária), já a variação da TJLP de que trata o caput do artigo 9º pode ser de qualquer período, inclusive de anos anteriores. Nesse contexto, voto por dar provimento ao Recurso do Contribuinte quanto a essa matéria, devendo o lançamento ser integralmente cancelado. Caso vencido, passo à análise da segunda matéria discutida pelo Contribuinte. MULTA ISOLADA EM CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO Com relação à essa matéria, caso eu seja vencido em relação à matéria anterior, entendo que merece reforma o Acórdão a quo. Primeiro, porque temos duas punições para duas condutas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Segundo, porque a tese de que as multas isolada e de ofício, no presente caso, estariam incidindo sobre a mesma base, também, não deve prosperar, seja porque as bases não são idênticas, seja porque, ainda que idênticas, o bis in idem só ocorreria se as duas sanções fossem aplicadas pela ocorrência da mesma conduta, o que já ficou demonstrado que não ocorre. Terceiro, porque considerando que a multa isolada é devida ainda que o Contribuinte apure prejuízo fiscal, ela é devida mesmo após encerrado o período de apuração. Nesse contexto, adoto como razões de decidir, mutatis mutandis, o voto do Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, proferido no acórdão 1302001.080, que ouso transcrever: Das condutas infracionais diferentes Fl. 754DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 12 11 Ainda que aplicável fosse o princípio da consunção para solucionar conflitos aparentes de norma tributárias, não há no caso em tela qualquer conflito que justificasse a sua aplicação. Conforme já asseverado, o conflito aparente de normas ocorre quando duas ou mais normas podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato, o que não ocorre in casu, já que temos duas situações fáticas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Ressaltese que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real anual, deixar de recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art. 35 da Lei nº 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento do IRPJ mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime. Temos, então, duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas também diferentes. O art. 44 da Lei no 9.430/96 (na sua redação vigente à época do lançamento) já albergava várias normas, das quais vale pinçar as duas sub examine: a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o aplicável por falta de pagamento do tributo; e a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do § 1º – aplicável pela não observância das normas do regime de recolhimento por estimativa. Ora, a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o do art. 44 jamais poderia ser aplicada pela falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, então, como se falar em consunção, para que esta absorva a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do mesmo § 1º. Assim, demonstrado que temos duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas diferentes, resta irrefutável que não há unidade de conduta, logo não existe qualquer conflito aparente entre as normas dos incisos I e IV do § 1º do art. 44 e, consequentemente, indevida a aplicação do princípio da consunção no caso em tela. Noutro ponto, refuto os argumentos expendidos no acórdão recorrido, os quais concluem que a falta de recolhimento da estimativa mensal seria uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. Fl. 755DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 13 12 Em verdade, a sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, alem dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do IRPJ estimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. Das diferentes bases para cálculos das multas A tese de que as multas isolada e de ofício, no presente caso, estariam incidindo sobre a mesma base, também, não deve prosperar, seja porque as bases não são idênticas, seja porque, ainda que idênticas, o bis in idem só ocorreria se as duas sanções fossem aplicadas pela ocorrência da mesma conduta, o que já ficou demonstrado que não ocorre, se não vejamos. A multa isolada corresponde a um percentual do IRPJ calculado sobre a base estimada, na qual o valor das despesas e custos decorrem de uma estimativa legal, ou seja, o legislador quando determina a aplicação de um percentual sobre a receita bruta, para o cálculo da base estimada, está, em verdade, estimando custos e despesas. A multa de ofício, in casu, corresponde a um percentual sobre o IRPJ calculado sobre o lucro real, na qual se leva em conta as despesas e custos efetivamente incorridos. Em suma, se a base estimada difere do lucro real, se são valores distintos, inclusive com previsões legais distintas, os impostos delas resultantes são também valores distintos e, consequentemente, as multas ad valorem que incidem sobre elas, também, são valores que não se confundem. Todavia, ainda que as multas isolada e de ofício fossem calculadas sobre o IRPJ incidente sobre a mesma base de Fl. 756DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 14 13 cálculo, isso não significaria um bis in idem, pois, como já asseverado acima, a ocorrência de uma infração não importa necessariamente na ocorrência da outra, o que torna irrefutável que as infrações decorrem de condutas diversas. O contribuinte pode ter recolhido todo o IRPJ devido sobre a base estimada em cada mês do anocalendário e não recolher a diferença calculada ao final do período, ficando sujeito assim a multa de ofício, mas não a multa isolada. Ao contrário, pode deixar de recolher o IRPJ sobre a base estimada, mas pagar, ao final do ano, todo o IRPJ sobre o lucro real, hipótese na qual só ficará sujeito à multa isolada. A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a dosimetria aplicada em tal e qual caso é adequada ou excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que está expressamente vedado pela Súmula CARF nº 2. Da redação original do art. 44, § 1º, IV, da Lei 9430/96 Aditese ainda, que o legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1º do art. 44, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro, assim, que: a) primeiro, que estava se referindo ao imposto ou contribuição calculado sobre a base estimada, já que em caso de prejuízo fiscal e base negativa, não há falar em tributo devido no ajuste; e b) segundo, que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada; e c) terceiro, que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do anocalendário, já que pode ser lançada mesmo após apurado prejuízo fiscal ou base negativa. Da negativa de vigência de lei federal Peço vênia aos meus pares, para expressar minha profunda discordância com as referidas posições adotadas por este Colegiado: Entendo que tais posicionamentos têm, em verdade, por via oblíqua, negado vigência a uma lei federal, pois afrontam literalmente o disposto nos art. 2º e 44, § 1º , IV, da Lei no 9.430/96 (vigente à época do lançamento) e no art. 35 da Lei 8.981/95. É demais imaginar que se coaduna com os mais comezinhos princípios do direito a permissão dada ao contribuinte, por tais decisões, para, em janeiro de um determinado anocalendário, decidir se obedece ou não o art. 2º e segs. da Lei no 9.430/96. Em outras palavras, os referidos posicionamentos deste Colegiado desnaturam a norma tributária tornandoa uma norma facultativa, já que a sua não observância Fl. 757DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 15 14 não traz, à luz de tais posicionamentos, qualquer consequência jurídica. Nesse contexto, voto por negar provimento ao Recurso do Contribuinte, para manutenção da multa para períodos de apuração ocorridos após a alteração da Lei 9.430/96, pela MP 351/07, convertida na Lei 11.488/07, ou seja, períodos de apuração ocorridos de 2007, inclusive, em diante. Nesse contexto, votase por dar parcial provimento ao Recurso do Contribuinte. É o que se reproduz do voto do Relator original. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 758DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 16 15 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo Redator Designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir apenas quanto à possibilidade de dedução de juros sobre capital próprio (JCP) referentes a períodos pretéritos. O dispositivo legal que dá ensejo à divergência jurisprudencial sob exame é o art. 9º, caput e §1º, da Lei nº 9.249, de 26/12/1995. Transcrevoo abaixo: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; ... § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos Fl. 759DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 17 16 dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. Entendo que não assiste razão à contribuinte, pelos motivos que passo a expor. DA NATUREZA JURÍDICA DOS JCPS Primeiramente, é importante apontar algumas características dos JCPs. Cito duas características essenciais da natureza jurídica dos Juros sobre Capital Próprio: a) a primeira é que visam à REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS; e b) a segunda é que são JUROS (como o próprio nome os qualificam). Constatase, com isso, que as quantias que os sócios recebem a título de remuneração do capital próprio não podem se confundir com o patrimônio da entidade. Assim, para estar de acordo com a real natureza jurídica, os JCPs somente podem ser entendidos como elementos que não venham a se integrar ao patrimônio da sociedade (consistindo numa rubrica redutora do mesmo), ou seja, não podem estar em contas redutoras dos lucros acumulados, das reservas de lucros ou de outras contas do patrimônio líquido. Portanto, na apuração do lucro líquido do exercício, os valores destinados aos sócios como remuneração do capital devem compor o lucro contábil da entidade; o que implica, necessariamente, em reconhecêlos como integrantes do resultado do exercício da sociedade, ou, seja, assumindo a natureza de DESPESA, não se admitindo que sejam incorridos apenas no momento em que sejam decididas as destinações dos lucros. Entender diferentemente seria negar validade ao princípio da entidade, que veda confundir o patrimônio dos sócios com o patrimônio da sociedade, bem como prever o enriquecimento dos sócios em detrimento da empresa. Confirase o que diz a Resolução nº 750, de 29/12/1993, do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), sobre o princípio da entidade: CAPÍTULO I DOS PRINCÍPIOS E DE SUA OBSERVÂNCIA Art. 1º Constituem PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE (PFC) os enunciados por esta Resolução. §1º A observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade é obrigatória no exercício da profissão e constitui condição de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC). §2º Na aplicação dos Princípios Fundamentais de Contabilidade há situações concretas e a essência das transações deve prevalecer sobre seus aspectos formais. CAPÍTULO II DA CONCEITUAÇÃO, DA AMPLITUDE E DA ENUMERAÇÃO ... Fl. 760DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 18 17 SEÇÃO I O PRINCÍPIO DA ENTIDADE Art. 4º O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único – O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômicocontábil. Deste Princípio Fundamental da Contabilidade (PFC) societária saltam conceitos como de autonomia patrimonial, de diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, além da evidente e contundente conseqüência: "o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição". Assim, para que esse PFC seja observado, é de rigor que o incorrimento dos JCPs não se dê na integração do patrimônio da sociedade; devendo, os Juros sobre Capital Próprio, inevitavelmente, transitar pelo resultado da sociedade como despesa. O CFC, considerando a conveniência de um maior esclarecimento sobre o conteúdo e abrangência dos PFCs, emitiu a Resolução nº 774, de 16/12/94, dando interpretação à Resolução CFC nº 750/93, por meio de um apêndice. Sobre o princípio da entidade foi melhor detalhada a questão da autonomia patrimonial: 2.1.1 – A autonomia patrimonial O cerne do Princípio da ENTIDADE está na autonomia do patrimônio a ela pertencente. O Princípio em exame afirma que o patrimônio deve revestirse do atributo de autonomia em relação a todos os outros Patrimônios existentes, pertencendo a uma Entidade, no sentido de sujeito suscetível à aquisição de direitos e obrigações. A autonomia tem por corolário o fato de que o patrimônio de uma Entidade jamais pode confundir se com aqueles dos seus sócios ou proprietários. Por conseqüência, a Entidade poderá ser desde uma pessoa física, ou qualquer tipo de sociedade, instituição ou mesmo conjuntos de pessoas, tais como: famílias; empresas; governos, nas diferentes esferas do poder; sociedades beneficentes, religiosa, culturais, esportivas, de lazer, técnicas; sociedades cooperativas; fundos de investimento e outras modalidades afins. Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 19 18 No caso de sociedades, não importa que sejam sociedades de fato ou que estejam revestidas de forma jurídica, embora esta última circunstância seja a mais usual. O Patrimônio, na sua condição de objeto da Contabilidade, é, no mínimo, aquele juridicamente formalizado como pertencente à Entidade, com ajustes quantitativos e qualitativos realizados em consonância com os princípios da própria Contabilidade. A garantia jurídica da propriedade, embora por vezes suscite interrogações de parte daqueles que não situam a autonomia patrimonial no cerne do Princípio da Entidade, é indissociável desse princípio, pois é a única forma de caracterização do direito ao exercício de poder sobre o mesmo Patrimônio, válida perante terceiros. Cumpre ressaltar que, sem autonomia patrimonial fundada na propriedade, os demais Princípios Fundamentais perdem o seu sentido, pois passariam a referirse a um universo de limites imprecisos. A autonomia patrimonial apresenta sentido unívoco. Por conseqüência, o patrimônio pode ser decomposto em partes segundo os mais variados critérios, tanto em termos quantitativos quanto qualitativos. Mas nenhuma classificação, mesmo que dirigida sob ótica setorial, resultará em novas Entidades. Carece, pois, de sentido, a idéia de que as divisões ou departamentos de uma Entidade possam constituir novas Entidades, ou “microentidades”, precisamente por que sempre lhes faltará o atributo da autonomia. A única circunstância em que poderá surgir nova Entidade, será aquela em que a propriedade de parte do patrimônio de uma Entidade, for transferida para outra unidade, eventualmente até criada naquele momento. Mas, no caso, teremos um novo patrimônio autônomo, pertencente a outra Entidade. Na contabilidade aplicada, especialmente nas áreas de custos e de orçamento, trabalhase, muitas vezes, com controles divisionais, que podem ser extraordinariamente úteis, porém não significam a criação de novas Entidades, precisamente pela ausência de autonomia patrimonial. Da interpretação autêntica do princípio da entidade, percebese que o cerne deste está na autonomia patrimonial, que está indissociavelmente ligado à garantia jurídica da propriedade, como "única forma de caracterização do direito ao exercício de poder sobre o mesmo patrimônio, válida perante terceiros". Daí se conclui que terceiros (a exemplo dos sócios) não podem dispor livremente (fora das formas jurídicas concebidas para a correta disposição) do patrimônio da sociedade, que detém autonomia patrimonial e garantia jurídica de sua propriedade. Portanto, para que haja o respeito à autonomia patrimonial da sociedade e de forma a respeitar o seu direito de propriedade, os JCPs devem passar pelo resultado da sociedade no momento do reconhecimento da despesa do exercício, e não serem incorridos a partir do seu patrimônio já formado. Desse raciocínio, verifico mais uma característica essencial da natureza jurídica do JCPs: transitam pelo resultado por serem despesas, sendo deduzidas para formação2 do lucro líquido do exercício. Ademais, essa característica está de acordo com o fato dos Juros sobre Capital Próprio serem Juros, pois os outros tipo de juros sempre são despesas para quem os deve. 2 Todos os interessados na escrituração da sociedade, sejam os clientes, os fornecedores, os sócios/acionistas, a própria sociedade, tem direito a evidenciação desse fato. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 20 19 Esta característica já foi sabiamente identificada no Acórdão do Processo nº 13888.721267/201290, da lavra da Conselheira Edeli Pereira Bessa: Assim, embora os juros sobre o capital próprio apresentem alguma semelhança com o tratamento societário conferido aos dividendos, consoante alegado pela contribuinte em sua impugnação, há uma diferença essencial entre eles: os juros sobre o capital próprio representam o custo do capital investido pelos sócios e, portanto, despesa da pessoa jurídica, ao passo que os dividendos correspondem a distribuição do resultado. Como despesa, conceitualmente os juros sobre o capital próprio antecedem a apuração do lucro contábil. O crédito ou pagamento futuro de juros sobre o capital próprio, portanto, exige o seu prévio provisionamento, de modo a reduzir o lucro do período. Se desta forma não se procede, o resultado do período, majorado pela ausência daquela dedução, passa a ter o status de lucro a ser destinado nos termos do art. 192 da Lei nº 6.404/76. Ainda que os limites legais de dedutibilidade tenham em conta as reservas de lucros e lucros acumulados, a fixação de tais limites tem por objetivo apenas evitar a descapitalização da pessoa jurídica com a remuneração dos sócios, e não evidencia, por si só, que valores já destinados a reservas de lucros e lucros acumulados possam ter sua natureza revertida, por deliberação futura, de lucro para despesa. Vejase que a referida provisão, com vistas a reduzir o lucro do período ao qual competiriam os juros, não resulta em despesa dedutível na medida em que a legislação exige deliberação e individualização do pagamento ou crédito dos juros sobre o capital próprio. Mas é essencial para evitar que tais valores integrem o lucro e sejam destinados a outro fim. Em suma, cabe à sociedade decidir como remunerar o capital investido pelos sócios: por meio de juros ou de lucros. E esta decisão deve ser tomada antes da destinação do lucro líquido do exercício, na forma do art. 192 da Lei nº 6.404/76. Ultrapassado este momento, sem o prévio provisionamento dos juros, a deliberação de seu pagamento futuro, associada ao crédito ou pagamento individualizado, não é suficiente para constituir, neste segundo momento, despesa dedutível na apuração do IRPJ e da CSLL, como defende a recorrente. Ainda que não seja causa do fato dos JCPs serem despesas, mas conseqüência disso, o que concorda com a realidade dos outros tipos de juros, constatase que, para aqueles que recebem JCPs, estes são considerados receitas e assim tributados. Tudo isso apenas confirma o acerto na consideração dos JCP como despesas, despesas financeiras, despesas com pagamento de juros. Um corolário imediato da característica essencial dos Juros sobre Capital Próprio SEREM JUROS é que: para haverem juros, há de haver empréstimo ou financiamento de algo. E esse algo, no caso dos JCP, é o capital dos sócios, ou seja, há de haver "empréstimo" do capital dos sócios. Digo isso porque é comum as abordagens sobre esse tema fazerem analogia entre os Juros sobre Capital Próprio (pago aos sócios) e os juros pagos a terceiros por empréstimos contraídos pela empresa. Fl. 763DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 21 20 Essa analogia faz sentido na medida em que: a integralização do capital da pessoa jurídica se dá pela transferência de capital dos sócios para a empresa; a empresa realiza suas atividades com esse capital dos sócios que foi para ela transferido/disponibilizado; o patrimônio líquido da pessoa jurídica representa "dívida" desta para com os sócios (por isso, aliás, o PL figura na coluna do passivo). Mas a "dívida" que motiva o pagamento de JCP também guarda diferenças com as dívidas que fundamentam o pagamento de juros por empréstimos contraídos com terceiros, especialmente no que diz respeito aos índices de remuneração do capital "emprestado" e às condições para a sua dedutibilidade, que são fixadas em lei e não em um contrato de empréstimo tomado, por exemplo, junto a uma instituição financeira. De acordo com o art. 9º da Lei nº 9.249/1995, o índice de remuneração do capital admitido para fins de apuração do lucro real é a Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP definida especificamente para o período em que o capital dos sócios ficou à disposição da empresa. Vale registrar que a TJLP é definida por períodos trimestrais, e que o dispositivo legal acima referido estabelece que essa taxa deve ser aplicada "pro rata die", ou seja, proporcionalmente aos dias em que o capital dos sócios ficou em poder da empresa. A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um determinado ano, e seu rateio proporcional ao número de dias que o capital dos sócios ficou em poder da empresa, configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros, e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência, que é a matéria examinada adiante. DO TRATAMENTO SOCIETÁRIO DAS DESPESAS (DE JCP). Pois bem, uma vez sedimentado que os JCP transitam pelo resultado como despesas, há que perquirir qual o tratamento específico dado pela legislação a essas despesas. Consultandose a legislação societária, constatase que, de fato, não há nenhum tipo de tratamento específico às despesas de JCPs. Em assim sendo, frente a esse vazio normativo da legislação comercial, concluo que as despesas de JCP entram nas regras gerais de tratamento de despesas. Como bem sabido, despesa é um item do resultado do exercício. Apurado o resultado do exercício a partir das receitas e das despesas, encerramse as receitas e as despesas, as contas contábeis onde são registradas são zeradas ao final do exercício. Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sêlo e também o que era despesa deixa de sêlo. Apenas as contas patrimoniais tem influencia de um ano para outro, as contas de resultado de um exercício não podem influenciar anos subseqüentes, é um pilar essencial que as contas de resultado iniciamse e extinguemse dentro de um mesmo exercício. É o que se deduz do art. 187 da Lei nº 6.404, de 15/12/1976, que dispõe sobre as Sociedades por Ações (S.A.): Fl. 764DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 22 21 Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não operacionais; (Redação dada pela Lei nº 9.249, de 1995) V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, e as contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados; VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. Uma despesa, para ser deduzida do resultado societário de outro exercício, necessita de autorização legal nesse sentido que venha a ser uma exceção ao §1º do art. 187 da Lei das S.A. O conceito de exercício é precisamente definido pela legislação societária e, conforme o art. 175 da Lei das S.A., bem delimitado temporalmente (tendo duração de um ano), sem possibilidade de alteração desse período (exceto nos casos especiais relacionado no parágrafo único deste mesmo artigo); apenas a data de término pode ser alterada. SEÇÃO I Exercício Social Art. 175. O exercício social terá duração de 1 (um) ano e a data do término será fixada no estatuto. Parágrafo único. Na constituição da companhia e nos casos de alteração estatutária o exercício social poderá ter duração diversa. Ademais, o conceito de exercício é tão caro para a legislação societária que os próprios conceitos de resultado e de lucro líquido estão sobre eles assentados, é o que se infere da leitura dos arts. 176, 189 e 191 da Lei nº 6.404/1976. DO REGIME DE COMPETÊNCIA Fl. 765DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 23 22 A Lei das Sociedades por Ações estabeleceu como regra de observância obrigatória o regime de competência, através de seu art. 177, a seguir transcrito: Escrituração Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. § 1º As demonstrações financeiras do exercício em que houver modificação de métodos ou critérios contábeis, de efeitos relevantes, deverão indicála em nota e ressaltar esses efeitos. ... Dessa imposição legal, verificase que as mutações patrimoniais da sociedade estão vinculadas ao regime de competência. Essa é a regra geral da Lei das S.A., e não é somente a regra geral, é a regra para a totalidade dos casos; pois, na legislação societária, não foi normatizada nenhuma exceção. E, onde não há exceção, na ausência de disposição expressa em contrário, a regra se aplica. Como não foi criada para as despesas de Juros com Capital Próprio nenhuma exceção própria ao regime de competência, daí então se conclui que elas estão submetidas a esse regime. Não há necessidade de disposição expressa na Lei das S.A. que preveja especificamente para as despesas de JCPs que elas devam atender ao regime de competência. Quando se fala em regime de competência, um outro conceito é interno a este, qual seja, o conceito de exercício social (tratado no tópico anterior). Assim regime de competência depende de exercício social, ou seja, é função deste; em outras palavras, mudou se o exercício social, mudouse o regime de competência; não se pode, portanto, construir um conceito de regime de competência dissociado de exercício social. Ademais, regime de competência é um instituto jurídico tradicional, de definição bem precisa e sobre o qual a legislação fiscal pôde estruturar a tributação no tempo. Confirase as disposições do art. 9º da Resolução CFC nº 750/93: SEÇÃO VI O PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA Art. 9º As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1º O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE. § 2º O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. (...) Fl. 766DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 24 23 O regime de competência apresenta o seguinte elemento chave: o correlacionamento simultâneo entre as receitas e as despesas (também entendido como princípio do confronto das despesas com as receitas e com os períodos contábeis). A concretização do regime de competência para as despesas consiste no reconhecimento das despesas no momento em que incorridas, não estando relacionado (sendo o reconhecimento independente) com recebimentos ou pagamentos. Sobre essa realidade não preciso muito discorrer, sendo suficiente a lição da FIPECAFI3, em seu Manual4: 3.1.5.4 O PRINCÍPIO DO CONFRONTO DAS DESPESAS COM AS RECEITAS E COM OS PERÍODOS CONTÁBEIS ENUNCIADO: "Toda despesa diretamente delineável com as receitas reconhecidas em determinado período, com as mesmas deverá ser confrontada; os consumos ou sacrifícios de ativos (atuais ou futuros), realizados em determinado período e que não puderam ser associados à receita do período nem às dos períodos futuros, deverão ser descarregados como despesa do período em que ocorrerem..." É importante notar que a base do confronto não está relacionada ao montante dos recursos efetivamente recebido em dinheiro ou pago, no período, mas às receitas reconhecidas (ganhas), nas bases já mencionadas, e às despesas incorridas (consumidas) no período. Assim, podemos consumir ativos pagos no mesmo período ou adquiridos em períodos anteriores. Pode ocorrer o caso de sacrifícios de ativos, no esforço de propiciar receita, cujos desembolsos efetivos somente irão ocorrer em outro exercício, ou de se incorrer em despesas a serem desembolsadas posteriormente (sacrifício de ativo no futuro, ativo esse que pode nem existir hoje). Todas as despesas e perdas ocorridas em determinado período deverão ser confrontadas com as receitas reconhecidas nesse mesmo período ou a ele atribuídas, havendo alguns casos especiais: a) os gastos de períodos em que a entidade é total ou parcialmente préoperacional. São normalmente ativados para amortização como despesa a partir do exercício em que a entidade, ou a parte do ativo, começar a gerar receitas; b) a parcela dos gastos dos departamentos de pesquisa e desenvolvimento que superar o montante necessário para manter o setor em funcionamento, independentemente do número de projetos em execução. (Esses últimos gastos incluem os salários fixos dos pesquisadores e as depreciações dos equipamentos permanentes.) Todo o gasto incremental necessário para determinado projeto poderá ser ativado e, quando o projeto iniciar a geração de receitas, amortizado contra as receitas. Os gastos diferidos que não vierem a gerar receitas deverão ter seus valores específicos descarregados como perda no período em 3 FIPECAFI = Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, FEA/USP. 4 Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações (aplicável às demais sociedades). IUDÍCIBUS, Sérgio; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens. São Paulo: Editora Atlas S.A. 6a Edição, pgs. 64 e 65. Fl. 767DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 25 24 que se caracterizar a impossibilidade da geração de receita ou o fracasso ou desmobilização do projeto. Os gastos com propaganda e promoção de venda, mesmo institucional, deverão ser considerados como despesas dos períodos em que ocorrerem. Somente um motivo muito forte e preponderante pode fazer com que um gasto deixe de ser considerado como despesa do período, ou através do confronto direto com a receita ou com o período. Se somos conservadores no reconhecimento da receita, devemos sêlo, em sentido oposto, com a atribuição de despesas. Os juros e encargos financeiros decorrentes da obtenção de recursos para construção ou financiamento de ativos de longo prazo de maturação ou construção somente poderão ser ativados durante o período pré operacional. Entretanto, seu montante deverá ser contabilizado em conta específica de ativo a ser amortizada a partir do exercício em que o ativo entrar em operação. As demais despesas financeiras serão apropriadas aos períodos em que foram incorridas. Alguns pontos devem ficar bastante sedimentados, quais sejam: a) a base de confronto não está relacionada aos recursos pagos; b) as despesas financeiras devem ser apropriadas no período em que incorridas, excetuado os casos de despesas préoperacionais (aqui inaplicável); e c) somente situações extremamente especiais (como as mencionadas na lição, entre as quais não se enquadra o presente processo), autorizase a quebra da consideração da despesa do período através do confronto direto com a receita do período. Bem fixadas essas premissas, a aplicação ao caso concreto leva a constatar que as despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, tem que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período que se deu a utilização do capital dos sócios, no período em que esse capital permaneceu investido na sociedade. Assim, andou bem o voto vencedor do Acórdão nº 120100.348, de 11/11/2010, da lavra do Conselheiro Marcelo Cuba Netto, ao dizer: a pessoa jurídica deverá reconhecer a despesa ao longo do tempo em que empregado o capital objeto da remuneração. Também acertado o voto condutor do Acórdão n° 1201000.857, do mesmo Conselheiro citado, de 10/09/2013: a despesa com juros deve ser apropriada nos mesmos períodos em que a pessoa jurídica empregou o capital no desenvolvimento de suas atividades. Daí então se conclui que o incorrimento da despesa deve se dar no exercício das receitas (geradas pelo uso do capital) que vão formar o resultado do mesmo exercício; que, em sendo positivo, será chamado de lucro líquido daquele exercício. Sendo certo que as despesas devem estar correlacionadas com as receitas do mesmo exercício, questionase: o que as despesas de JCPs de um exercício têm a ver com as receitas do exercício anterior, ou com as receitas do exercício de dois, três, quatro ou cinco anos anteriores? Pareceme que nada. Fl. 768DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 26 25 De fato, as despesas de JCP só guardam alguma correlação com as receitas que formam o lucro líquido do mesmo exercício, pois é neste período que o capital próprio foi empregado para geração de receitas (e, conseqüentemente, do lucro) daquele exercício. Portanto, eventual data da assembleia que determine pagamento de JCP não consegue atender ao regime de competência, primeiro porque se utilizou do principal fator que este regime teve o cuidado de absolutamente afastar (qual seja, o pagamento); depois porque a data de assembleia não representa duração de utilização, pela sociedade, do capital que lhe foi disponibilizado pelos sócios; e, por fim, esta data não é tempo de geração de receitas, para fins de confrontação. Não é correto entender que o incorrimento da despesa é o momento do pagamento (seja o determinado no estatuto ou contrato social, seja na data da assembleia que delibere sobre pagamento, seja na data da decisão da administração no silêncio destes). Nada mais contrário ao regime de competência, no qual o tempo do pagamento é totalmente irrelevante para o reconhecimento das despesas. Sabendose que o incorrimento da despesa se dá no exercício da aplicação do capital investido pelos sócios/acionista na sociedade (no tempo em que a empresa faz usufruto desse capital), ou ainda, que o incorrimento da despesas num exercício se opera quando há correlação com as receitas de igual exercício; é elementar ver que a data de AG que delibere sobre pagamento de JCPs não tem o condão de modificar a data do incorrimento das despesas de JCPs. Não obstante tudo o que se disse, é muito importante deixar claro que é possível fazer incorrer as despesas de JCP de um exercício relativamente ao capital disponibilizado naquele exercício e não efetuar pagamento algum a título de JCPs (assim não haverá lançamento do caixa/banco contra despesas). Neste caso, o que deve ser feito é a constituição da OBRIGAÇÃO/DÍVIDA DE PAGAR JCPs, que formará uma dívida da sociedade para com os sócios (sendo registrada no passivo), de forma que esse DEVER da empresa fique evidenciado. Isso está perfeitamente de acordo com o regime de competência. O tempo da constituição da obrigação de pagar juros é simultâneo ao do incorrimento das despesas, pois essa obrigação é a contrapartida contábil (para atender o método das partidas dobradas) do registro das despesas incorridas. E essa obrigação pode ser conservada ao longo de vários exercícios (ou seja, num exercício poderá haver passivos de JCPs de exercícios anteriores), sem que se aponte qualquer inobservância ao regime de competência; de forma que, quando se der o pagamento, satisfeita será a dívida, sem qualquer vinculação com as despesas de JCPs incorridas no eventual exercício em que houver o pagamento. Esses fatos serão relevantes mais à frente, para a interpretação da norma fiscal: o art. 9º da Lei nº 9.249/95. DA EXISTÊNCIA, OU NÃO, DO DIREITO DE FAZER INCORRER EM EXERCÍCIOS SUBSEQÜENTES DESPESAS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES NÃO INCORRIDAS Analiso agora se as despesas de JCP que deixaram de ser incorridas em exercícios anteriores, que deixaram de ir ao resultado destes exercícios, podem ser incorridas Fl. 769DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 27 26 em exercícios posteriores. Ou ainda, se a sociedade adquiriu, frente à legislação societária, o direito de deduzir, do lucro líquido, a despesa incorrida com a manutenção do capital dos sócios na sociedade em anos anteriores (embora não tenha deliberado sobre isso no momento adequado). Como visto no tópico anterior, as despesas de JCP, por não serem exceção ao regime de competência, são despesas padrão: devem ser levadas ao resultado quando incorridas (ao tempo em que o sócio disponibilizou o capital para a empresa) e independem do pagamento para sua dedução na contabilidade societária. Assim, a despesa é incorrida pela manutenção do capital dos sócios na empresa durante o exercício em que o resultado é apurado. Se a despesa for incorrida em exercício diferente ao do qual o capital vinculado a essa despesa esteve disponibilizado, então essa despesa não estará mais vinculada ao capital do exercício anterior, mas sim ao capital do exercício em curso; havendo, portanto, flagrante desrespeito à regra do confronto, e, conseqüentemente, ao regime de competência. O direito de fazer incorrer despesa na lei societária é determinado no tempo do art. 175 da Lei das S.A., ou seja, no exercício, assim não existe direito de fazer incorrer despesa de exercícios anteriores (art. 187, III e IV e §1º b). Na observância do regime de competência, também não há direito de postergação de despesa para exercícios seguintes. Ademais, as despesas de exercícios anteriores que deveriam ter lá tido seu incorrimento não podem ser incorridas em exercícios futuros, conforme vedação do art. 186, §1º, da Lei nº 6.404/1976: Art. 186. ... ... § 1º Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes. ... Portanto, o que ocorreu nos autos não foi mudança de critério contábil e também não foi retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes. Pelo exposto, concluo que não há direito algum5 de fazer incorrer em exercícios subseqüentes despesas de exercícios anteriores não incorridas, ou seja, inexiste direito da sociedade a deduzir do lucro líquido do ano despesas de JCP que deixaram de ser incorridas em anos anteriores, tanto por contrariedade ao art. 177 (regime de competência) como por não se enquadrar no art. 186, §1º, e no art. 187, III e IV e §1ºb, todos da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S.A). O art. 192 da Lei das S.A. também auxilia na compreensão do problema: Proposta de Destinação do Lucro 5 O direito somente é adquirido se estiver de acordo com ordenamento jurídico, o que não se deu. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 28 27 Art. 192. Juntamente com as demonstrações financeiras do exercício, os órgãos da administração da companhia apresentarão à assembléiageral ordinária, observado o disposto nos artigos 193 a 203 e no estatuto, proposta sobre a destinação a ser dada ao lucro líquido do exercício. A destinação do lucro é uma decisão submetida à assembleia de sócios/acionistas do exercício. E estes devem estar atentos aos itens de custos e despesas que acabam por reduzirem os seus lucros. Daí porque talvez a Lei das S.A. tenha sido tão restritiva no seu art. 186, §1º, em razão da seriedade que envolve a apuração do lucro líquido do exercício, com a conseqüente destinação dos lucros, impactando todos os exercícios futuros. Uma despesa que deixe de ser incorrida em um exercício e que pretensamente venha a ser ratificada em outro exercício pode acabar por reduzir o lucro de um quadro de sócios/acionistas diferente do quadro de sócios/acionistas do exercício em que a despesa não foi considerada, prejudicando uns em detrimento dos outros; e, inevitavelmente, influenciando o valor das ações. A possibilidade de se estar remunerando com pagamento de JCP quem nem era sócio na época da alegada despesa evidencia um nítido problema. Tais questões só não seriam pertinentes se a estrutura societária se mantivesse sempre a mesma, o que é muito improvável. E isso evidencia mais um aspecto negativo para a tese de que "despesas" que poderiam/deveriam ter reduzido o lucro dos anoscalendário de 2005 e 2006 (se tivessem efetivamente existido naquela época) sejam computadas como tal no anocalendário de 2010. DA INTERPRETAÇÃO DO ART. 9º DA LEI Nº 9.429/95 O art. 9º da Lei nº 9.429/95 não modifica nada que esteja assentado na legislação comercial/societária, pelo contrário, ele deve ser interpretado de forma a se harmonizar com os princípios e regras gerais dessa legislação. A referida norma legal apenas concedeu autorização de dedutibilidade do lucro real das despesas incorridas6 e pagas, não concedeu esse tratamento para despesas pagas e não incorridas (como é o caso de despesas que deixaram de ser incorridas no exercício anterior, que poderiam ser despesas no exercício anterior; mas, nesse exercício, não são despesas, nem conservam a capacidade de serem incorridas). Na óptica da analogia que se fez com os empréstimos de modo geral como fundamento para pagamento de juros, a empresa não está limitada a deduzir, do lucro líquido do exercício, qualquer valor de despesas de JCP. Ou seja, para a legislação societária, não há qualquer restrição de quantidade, daí porque o capital pode ser disponibilizado para a empresa a taxas maiores do que a TJLP. Já no âmbito fiscal não se pode dizer o mesmo. As despesas de JCP do exercício devem observar conjuntamente os limites do caput e do §1º do art. 9º da Lei nº 9.429/95 e o excesso dessas despesas devem ser estornadas, em obediência ao art. 6º, §2º "a", do DecretoLei nº 1.598, de 26/12/1977. Conforme visto nos parágrafos anteriores, os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no 6 Porque se não forem incorridas sequer despesas serão. Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 29 28 exercício em que o capital dos sócios foi utilizado pela empresa, e devidamente escriturada (no passivo) e constituída a corresponde obrigação/dívida de pagálos. Foi visto que essa forma de agir não contraria o regime de competência. A dúvida surge em relação a saber se este procedimento prejudica a norma do ponto de vista fiscal, o que demanda análise. A expressão utilizada pelo art. 9º da Lei nº 9.429/95 não foi "despesa de juros pagos ou creditados", foi apenas "juros pagos ou creditados"; assim, não se pode limitar esse artigo de forma a permitir apenas a dedução de despesas incorridas no exercício e pagas no mesmo exercício. Portanto, os "juros" devem ser entendidos como "despesa de juros" e "obrigações/dívidas7 de juros". Assim, podese falar em direito em relação a descontar juros pagos, seja pagamento das despesas de JCPs do exercício, seja satisfação pelo pagamento da dívida de pagar JCPs que tiveram suas despesas incorridas em exercícios anteriores. Esse segunda hipótese não impossibilita a dedução da despesa. O contribuinte alega inexistir restrição temporal neste artigo. Não há, propriamente, restrição temporal, há restrição material, explico: para que os JCP sejam pagos, é necessário que os JCP a serem pagos existam; caso contrário estarseia pagando outra coisa indedutível que não JCP (como foi o caso que resultou na autuação em julgamento). Ou ainda, há de existirem as despesas de JCPs do exercício (que serão pagas no exercício, o que dispensa a necessidade da constituir obrigação de pagar) ou existir obrigação de pagar JCPs para serem satisfeitas pelo pagamento, obrigação esta constituída em razão das despesas de juros relativas a exercícios anteriores não terem sido pagas nos exercícios em que incorridas. Não obstante, ainda que a norma fiscal não vede a dedução do lucro real dos valores pagos para extinguir a dívida de pagar JCPs de exercícios anteriores, também o montante pago daí originado está submetido aos dois limites (o do caput e o do §1º) do art. 9º da Lei nº 9.429/95. Ademais, tendo em vista serem os limites direcionados para os "juros" (assim entendido o gênero, dos quais as despesas e as obrigações seriam espécies), então este limite deve ser compartilhado (ou seja, os valores devem ser somados) entre o total das despesas pagas de JCPs do exercício e o total dos pagamentos para quitar as dívidas de pagar JCPs de exercício anteriores, estando o excesso submetido ao art. 6º, §2º, "a", do DecretoLei nº 1.598/1977. No caso dos autos, não haviam obrigações/dívidas (ausência de passivo), da sociedade, de pagar JCPs vinculadas a despesas de JCPs incorridas em exercícios anteriores, estas dívidas inexistiam, em virtude de não terem sido constituídas pela falta do incorrimento, nos exercícios anteriores, das despesas de JCPs, resultando em desobediência do art. 177 (regime de competência) e do art. 186, §1º, da Lei das S.A. Assim, o que foi estornado sequer pode ser chamado de Juros sobre Capital Próprio (pois não era baixa de passivo de JCP, nem tampouco despesas de JCP já que essas somente as incorridas no exercício). 7 Ou juros a pagar. Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 30 29 Finalmente, registro que não entendo ser adequado tratar a questão sob a perspectiva de que houve renúncia ou decadência de direito pelo contribuinte. Tendo em vista que tanto a renúncia quanto a decadência tratam de formas que impedem o exercício de um direito: esta por implicar na caducidade do direito por perda do prazo de sua duração e aquela por perda do direito pela manifestação de não exercêlo, entendo por bem tratálas em conjunto. No âmbito tributário, a meu ver, o que ocorreu foi ausência de atendimento de requisito para gozo de benefício fiscal, mas não de ordem temporal e sim material: não existiam JCP para serem pagos! Deuse a situação de ausência de juros (seja por ausência de despesa já que a despesa só pode ser do exercício; seja por ausência de conversão da obrigação de pagar JCP). Ou seja, não houve o incorrimento da despesa com JCP e a conseqüente constituição da obrigação de pagar os JCP, o que permitiria, no caso de pagamento ou crédito, o enquadramento ao benefício fiscal de dedutibilidade do lucro real. O que foi pago não corresponde à satisfação (por meio de pagamento ou crédito) de obrigações com despesas incorridas de JCP. Portanto, não há que se cogitar de renúncia no âmbito tributário. Se não atendo aos requisitos para usufruto de um benefício fiscal, isso não implica em concluir que estou renunciando ao mesmo, implica em concluir que sequer tenho a capacidade de renunciá lo; ou que se o fizer, essa renúncia não produz efeito algum, pois de que adianta renunciar a algo que não obteria ainda que não houvesse renunciado. Ainda que fosse caso de aplicação dos institutos jurídicos da renúncia ou da decadência, esta seria no âmbito societário e não no âmbito fiscal; seria, assim, renúncia/perda de prazo de fazer incorrer a despesa de JCP na lei societária, ou ainda, do direito de deduzir do lucro líquido (e não do lucro real) essa despesa incorrida em exercícios anteriores. Ocorre que o pressuposto lógico para aplicação dos institutos da renúncia e também da decadência é haver a existência de algum direito. O problema é que não há direito dos sócios de exigir os juros sobre o capital próprio, tampouco há obrigação da sociedade, quando da ausência da deliberação de fazêlos incorrer. A simples manutenção do capital na empresa não pode ser presumida como intenção de receber JCPs e não constitui uma obrigação da sociedade de remunerar os sócios através de JCP; o mero fato da permanência do capital dos sócios na empresa não pode, na ausência de ficções legais (a exemplo de presunção) ou de manifestação de vontade, ser juridicamente associado a uma forma específica de remuneração do capital. Caso se aceite a existência do "direito" de fazer incorrer em exercícios subseqüentes despesas de exercícios anteriores não incorridas (pois não houve renuncia, já que não houve manifestação de vontade em não fazer, e nem decadência, já que não há prazo que fulmine esse direito), aí sim a discussão teria algum sentido. Mas já se verificou que esse direito não existe, pois somente poderia se sustentar se as prescrições da própria legislação societária tivessem sido observadas e não haver aplicação de nenhuma das suas vedações. Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 31 30 Como se viu anteriormente, o art. 177, o art. 186, §1º, e o art. 187, III e IV e §1º, "b", da Lei das S.A. não foram respeitados, a sociedade não observou o regime de competência (ausência de correlação despesareceita/capital), bem como se encaixou na vedação das possibilidades de ajustes extemporâneos. Aqui, a situação é de não cumprimento de obrigação: ao não fazer da forma correta, surge a vedação de fazer. Não é que o regime de competência disponha sobre prazo decadencial do direito de deduzir do lucro líquido despesas incorridas em anos anteriores ou permita essa dedução, desde que esse direito não seja renunciado. Na verdade, o regime de competência simplesmente não permite8 a dedução do lucro líquido de despesas incorridas em anos anteriores, ou seja, esse direito sequer existe, ainda mais quando não há autorização para fazer incorrer a despesa. Concluo, portanto, que, na ausência de direito a deduzir do lucro líquido despesas de JCP incorridas em anos anteriores, simplesmente não há que se falar nos institutos jurídicos da renúncia ou da decadência, por falta do pressuposto básico dos mesmos. Na esteira de tudo o que já foi dito, também é importante registrar que não se aplicam aqui as regras que tratam dos casos em que o "cômputo" de uma receita ou de uma despesa se dá em período distinto daquele em que esses eventos efetivamente ocorreram. Não cabem argumentos que tomam como referência o art. 273 do RIR/1999, no sentido de que estaria havendo uma mera postergação de despesa, com antecipação de imposto, sem qualquer prejuízo ao fisco, e que, desse modo, ao menos caberia recompor o resultado dos anoscalendário aos quais deveriam corresponder as despesas (no caso, anos calendário de 2005 e 2006). Só se poderia aceitar a ideia de simples postergação de despesa se os pressupostos para sua existência estivessem presentes nos anos anteriores, o que, como visto, não ocorreu. Se a despesa nem chegou a existir no passado, não há como defender que o que está ocorrendo é apenas o seu cômputo em período de apuração posterior. O caso aqui não é de mera inexatidão da escrituração de receita/despesa quanto ao período de apuração, não é de simples aproveitamento extemporâneo de uma despesa verdadeira, que já existia em momento anterior. O que a contribuinte pretende é "criar" em 2010 despesa de juros nos anos de 2005 e 2006, despesas que corresponderiam à remuneração do capital dos sócios que foi disponibilizado para a empresa naqueles períodos passados, despesas que estariam correlacionadas às receitas e aos resultados daqueles anos já devidamente encerrados, e isso realmente não é possível porque subverte toda a lógica não apenas do princípio da competência, mas da própria contabilidade. Apenas para encerrar a discussão, analiso qual o direito que nasce com a deliberação decorrente da assembleia geral relativa ao pagamento ou crédito de JCP, na parte que excede ao limite legal . 8 Exceto os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes. Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 9101003.736 CSRFT1 Fl. 32 31 Certamente dessa deliberação nasce um direito para os sócios de receber os valores a eles creditados, bem como nasce um dever para a sociedade de pagálos ou creditá los. Mas como esses valores não podem corresponder a conversão de obrigações anteriores de JCP, já que não houve incorrimento de despesas de JCP nos anos anteriores, resta apenas a alternativa de reclassificar o que está denominado de pagamento a título de JCP, para registro de algum tipo de direito da sociedade para com os sócios, distribuição de dividendos, etc. Assim, diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte, para manter o lançamento de IRPJ e CSLL fundado na glosa da despesa a título de JCP de períodos anteriores. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 775DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.921913/2012-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PIS/COFINS. PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO LEGAL.
Nos termos do art. 3º, I, "b" e do art. 2º, §1º, II das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, é vedado o creditamento das contribuições de PIS/Cofins dos bens adquiridos para revenda no caso de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal especificados no inciso I do art. 1º da Lei no 10.147/2000.
O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que possibilita a manutenção do crédito das operações vinculadas a vendas desoneradas das contribuições, não tem o condão de derrogar as vedações de creditamento já existentes em outras leis. Tal dispositivo possibilita apenas a manutenção do crédito já existente para aquela operação, ou seja, previsto na legislação para determinado bem naquela situação fática específica, mas que foi aplicado em produto cuja receita de venda não é tributada (suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência).
PIS/COFINS. STJ. CONCEITO ABSTRATO. INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO.
O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito abstrato de insumo para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002) deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa.
PIS/COFINS. TRANSFERÊNCIA ENTRE FILIAIS. COMERCIALIZAÇÃO. FRETE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O transporte de bens destinados a venda entre os estabelecimentos da recorrente, sem vinculação com o processo produtivo em si, que não se refere também ao deslocamento do produto vendido entre o estabelecimento do produtor e o do adquirente, não se enquadra nas hipóteses permissivas de creditamento de frete na operação de venda (arts. 3o, inciso IX e 15 da Lei 10.833/2003) ou de serviço utilizado como insumo no processo produtivo (incisos II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002).
Os critérios de essencialidade ou de relevância (REsp nº 1.221.170/PR) devem ser avaliados em relação ao processo produtivo em si, do qual origina o produto final ou atinente à execução do serviço prestado a terceiros. Os incisos II dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam o creditamento sobre bens ou de serviços utilizados na atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente sobre os insumos utilizados na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens.
PIS/COFINS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO IMOBILIZADO. ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE.
A possibilidade de creditamento com base nos incisos VI e §1º, III dos artigos 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 está restrita aos encargos de depreciação dos bens incorporados ao ativo imobilizado destinados para locação a terceiros, produção de bens destinados à venda ou prestação de serviços; não sendo cabível na hipótese de máquinas ou equipamentos utilizados na atividade comercial da empresa.
DECISÃO RECORRIDA. ELEMENTOS MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS.
Incumbe à interessada, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72).
Não é tarefa do julgador do recurso voluntário diligenciar para buscar a prova faltante do direito creditório da contribuinte mencionada na decisão recorrida quando a própria recorrente sequer contestou os fundamentos dessa decisão nesta parte.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRODUÇÃO DE PROVAS.
O processo administrativo tem um rito diferenciado do procedimento adotado no âmbito do Código de Processo Civil, o qual, no seu art. 1046, §2º expressamente preservou a vigência das disposições especiais dos procedimentos regulados em outras leis, aos quais se aplica as normas do CPC apenas em caráter supletivo.
Em que pese a possibilidade excepcional de apresentação de provas após a manifestação de inconformidade/impugnação, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, no processo administrativo fiscal não há qualquer previsão de autorização para posterior produção de prova pela interessada fora das hipóteses de diligências ou perícias autorizadas pelo julgador.
Recurso Voluntário negado
Direito Creditório não reconhecido
Numero da decisão: 3402-006.232
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo.
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PIS/COFINS. PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO LEGAL. Nos termos do art. 3º, I, "b" e do art. 2º, §1º, II das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, é vedado o creditamento das contribuições de PIS/Cofins dos bens adquiridos para revenda no caso de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal especificados no inciso I do art. 1º da Lei no 10.147/2000. O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que possibilita a manutenção do crédito das operações vinculadas a vendas desoneradas das contribuições, não tem o condão de derrogar as vedações de creditamento já existentes em outras leis. Tal dispositivo possibilita apenas a manutenção do crédito já existente para aquela operação, ou seja, previsto na legislação para determinado bem naquela situação fática específica, mas que foi aplicado em produto cuja receita de venda não é tributada (suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência). PIS/COFINS. STJ. CONCEITO ABSTRATO. INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito abstrato de insumo para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002) deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa. PIS/COFINS. TRANSFERÊNCIA ENTRE FILIAIS. COMERCIALIZAÇÃO. FRETE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O transporte de bens destinados a venda entre os estabelecimentos da recorrente, sem vinculação com o processo produtivo em si, que não se refere também ao deslocamento do produto vendido entre o estabelecimento do produtor e o do adquirente, não se enquadra nas hipóteses permissivas de creditamento de frete na operação de venda (arts. 3o, inciso IX e 15 da Lei 10.833/2003) ou de serviço utilizado como insumo no processo produtivo (incisos II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002). Os critérios de essencialidade ou de relevância (REsp nº 1.221.170/PR) devem ser avaliados em relação ao processo produtivo em si, do qual origina o produto final ou atinente à execução do serviço prestado a terceiros. Os incisos II dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam o creditamento sobre bens ou de serviços utilizados na atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente sobre os insumos utilizados na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens. PIS/COFINS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO IMOBILIZADO. ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. A possibilidade de creditamento com base nos incisos VI e §1º, III dos artigos 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 está restrita aos encargos de depreciação dos bens incorporados ao ativo imobilizado destinados para locação a terceiros, produção de bens destinados à venda ou prestação de serviços; não sendo cabível na hipótese de máquinas ou equipamentos utilizados na atividade comercial da empresa. DECISÃO RECORRIDA. ELEMENTOS MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. Incumbe à interessada, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). Não é tarefa do julgador do recurso voluntário diligenciar para buscar a prova faltante do direito creditório da contribuinte mencionada na decisão recorrida quando a própria recorrente sequer contestou os fundamentos dessa decisão nesta parte. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRODUÇÃO DE PROVAS. O processo administrativo tem um rito diferenciado do procedimento adotado no âmbito do Código de Processo Civil, o qual, no seu art. 1046, §2º expressamente preservou a vigência das disposições especiais dos procedimentos regulados em outras leis, aos quais se aplica as normas do CPC apenas em caráter supletivo. Em que pese a possibilidade excepcional de apresentação de provas após a manifestação de inconformidade/impugnação, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, no processo administrativo fiscal não há qualquer previsão de autorização para posterior produção de prova pela interessada fora das hipóteses de diligências ou perícias autorizadas pelo julgador. Recurso Voluntário negado Direito Creditório não reconhecido
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PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO LEGAL. Nos termos do art. 3º, I, "b" e do art. 2º, §1º, II das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, é vedado o creditamento das contribuições de PIS/Cofins dos bens adquiridos para revenda no caso de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal especificados no inciso I do art. 1º da Lei no 10.147/2000. O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que possibilita a manutenção do crédito das operações vinculadas a vendas desoneradas das contribuições, não tem o condão de derrogar as vedações de creditamento já existentes em outras leis. Tal dispositivo possibilita apenas a manutenção do crédito já existente para aquela operação, ou seja, previsto na legislação para determinado bem naquela situação fática específica, mas que foi aplicado em produto cuja receita de venda não é tributada (suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência). PIS/COFINS. STJ. CONCEITO ABSTRATO. INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito abstrato de insumo para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002) deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa. PIS/COFINS. TRANSFERÊNCIA ENTRE FILIAIS. COMERCIALIZAÇÃO. FRETE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 19 13 /2 01 2- 07 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10880.921913/201207 Acórdão n.º 3402006.232 S3C4T2 Fl. 0 2 O transporte de bens destinados a venda entre os estabelecimentos da recorrente, sem vinculação com o processo produtivo em si, que não se refere também ao deslocamento do produto vendido entre o estabelecimento do produtor e o do adquirente, não se enquadra nas hipóteses permissivas de creditamento de frete na operação de venda (arts. 3o, inciso IX e 15 da Lei 10.833/2003) ou de serviço utilizado como insumo no processo produtivo (incisos II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002). Os critérios de essencialidade ou de relevância (REsp nº 1.221.170/PR) devem ser avaliados em relação ao processo produtivo em si, do qual origina o produto final ou atinente à execução do serviço prestado a terceiros. Os incisos II dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam o creditamento sobre bens ou de serviços utilizados na atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente sobre os insumos utilizados na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens. PIS/COFINS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO IMOBILIZADO. ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. A possibilidade de creditamento com base nos incisos VI e §1º, III dos artigos 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 está restrita aos encargos de depreciação dos bens incorporados ao ativo imobilizado destinados para locação a terceiros, produção de bens destinados à venda ou prestação de serviços; não sendo cabível na hipótese de máquinas ou equipamentos utilizados na atividade comercial da empresa. DECISÃO RECORRIDA. ELEMENTOS MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. Incumbe à interessada, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). Não é tarefa do julgador do recurso voluntário diligenciar para buscar a prova faltante do direito creditório da contribuinte mencionada na decisão recorrida quando a própria recorrente sequer contestou os fundamentos dessa decisão nesta parte. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRODUÇÃO DE PROVAS. O processo administrativo tem um rito diferenciado do procedimento adotado no âmbito do Código de Processo Civil, o qual, no seu art. 1046, §2º expressamente preservou a vigência das disposições especiais dos procedimentos regulados em outras leis, aos quais se aplica as normas do CPC apenas em caráter supletivo. Em que pese a possibilidade excepcional de apresentação de provas após a manifestação de inconformidade/impugnação, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, no processo administrativo fiscal não há qualquer previsão de autorização para posterior produção de prova pela interessada fora das hipóteses de diligências ou perícias autorizadas pelo julgador. Recurso Voluntário negado Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10880.921913/201207 Acórdão n.º 3402006.232 S3C4T2 Fl. 0 3 Direito Creditório não reconhecido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre pedido de ressarcimento/compensação de valores credores de contribuição não cumulativa vinculados à receita do mercado interno. A fiscalização concluiu pela inexistência dos créditos pleiteados, razão pela qual foi emitido Despacho Decisório pela autoridade administrativa, indeferindo o pedido de ressarcimento apresentado. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, sustentando a legitimidade dos créditos pleiteados, objeto das seguintes rubricas: a) Mercadorias sujeitas à incidência monofásica adquiridas para revenda ou relacionadas à devolução de vendas; b) Despesas de aluguel de bem imóvel pago à pessoa jurídica; c) Despesas com fretes nas transferências de mercadorias entre estabelecimento da empresa; d) Depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado; e e) Outras operações com direito a crédito. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 10052.460. Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, sustentando o seu direito creditório sob os seguintes tópicos: a) Creditamento do PIS e da COFINS com relação às mercadorias sujeitas à incidência monofásica adquiridas para revenda ou relacionadas à devolução de vendas b) Despesas incorridas com frete nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da empresa c) Creditamento de PIS e COFINS referente à depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10880.921913/201207 Acórdão n.º 3402006.232 S3C4T2 Fl. 0 4 d) Comprovação das despesas de aluguel de bem imóvel pago à pessoa jurídica e) Créditos rubricados como "outras operações com direito a crédito" É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.223, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.921905/201252, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.223): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. a) Creditamento do PIS e da Cofins com relação às mercadorias sujeitas à incidência monofásica adquiridas para revenda ou relacionadas à devolução de vendas Como consta na Informação Fiscal que fundamentou o Despacho Decisório, em relação aos bens para revenda, foram glosados os créditos relativos às aquisições dos seguintes produtos: 1) produtos farmacêuticos classificados nos seguintes códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto ne 4.542, de 26 de dezembro de 2002: a) 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56; b) 30.04, exceto no código 3004.90.46; c) 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.30.1, 3006.30.2 e 3006.60.00; 2) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, da Tipi; Tais créditos foram glosados em face da vedação contida no art. 3º, I, "b" e no art. 2º, §1º, II da Lei nº 10.637/2002 (disposição idêntica na Lei nº 10.833/2003) c/c o inciso I do art. 1o da Lei no 10.147/2000, abaixo transcritos: Lei nº 10.637/2002: Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10880.921913/201207 Acórdão n.º 3402006.232 S3C4T2 Fl. 0 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). Produção de efeito (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) II no inciso I do art. 1o da Lei no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e alterações posteriores, no caso de venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal nele relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Lei no 10.147/2000: Art. 1º A contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições (...) serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.548, de 2002) I – incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: ((Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10880.921913/201207 Acórdão n.º 3402006.232 S3C4T2 Fl. 0 6 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento); (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 96.03.21.00: 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento) e 10,3% (dez inteiros e três décimos por cento); (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Como se vê, a matéria não oferece maiores dificuldades, tratandose de vedação expressa em lei ao creditamento das contribuições sob a rubrica bens para revenda para os produtos específicos adquiridos pela ora recorrente. De outra parte entende a recorrente que tem direito a esses créditos com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que assim dispõe: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. No entanto, o dispositivo acima não tem o alcance pretendido pela recorrente, possibilitando a manutenção apenas do crédito da contribuição já existente para aquela operação, ou seja, previsto na legislação para determinado bem na situação fática específica, mas que foi aplicado em produto cuja receita de venda não é tributada (suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência). Há que se salientar também que, no caso específico, a fundamentação para a glosa sobre as aquisições de bens para revenda não foi o fato de as receitas de vendas não serem tributadas, mas a existência de vedação legal ao creditamento nas aquisições dos determinados produtos. No mais, mesmo que se adotasse uma interpretação extensiva do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, o que esta Relatora entende não ser cabível, a norma genérica, que permitiria a manutenção dos créditos nas vendas com alíquota zero, não poderia derrogar a norma específica que veda expressamente o crédito nas aquisições dos produtos sob análise, em consonância com o disposto no art. 2º, §2º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro: Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. (Vide Lei nº 3.991, de 1961) (Vide Lei nº 5.144, de 1966) Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10880.921913/201207 Acórdão n.º 3402006.232 S3C4T2 Fl. 0 7 § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. (...) No que concerne às alegações da recorrente relativas a Medida Provisória nº 413/2008 e sua conversão na Lei nº 11.727/2008, é de se esclarecer que também não se discute aqui a possibilidade, em tese, de aplicação do art. 17 da Lei nº 11.033/2004 em relação aos custos, despesas e encargos dos distribuidores, comerciantes ou varejistas de produtos farmacêuticos, mas, obviamente, que somente haverá o efetivo direito ao creditamento quando este esteja previsto em relação a operação concretizada. Dessa forma, em face da vedação legal acima descrita, não há possibilidade de reverter a glosa relativa aos bens adquiridos para revenda. Relativamente às devoluções de venda, as glosas foram assim justificadas pela fiscalização: De acordo com o inciso VIII, art. 3° das leis 10.637/2002 e 10.833/20031, só são passiveis de desconto de créditos os "bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado o faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei" (g.n.). Na listagem apresentada pelo contribuinte, segregada por matriz e filiais, foram constatadas notas fiscais de devolução de produtos TRIBUTADOS A ALIQUOTA ZERO (mercadorias do inciso I, art. 1° da Lei n° 10.147, de 2000). Essas notas foram excluídas da apuração dos créditos, assim como as devoluções em que não foram apresentados os NCM dos produtos. Como se denota, tratase também de vedação expressa em lei de creditamento sobre a operação de devolução correspondente à venda cuja receita não foi anteriormente tributada. Da mesma forma, a norma genérica veiculada pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004 não poderia revogar a norma 1 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; (...) Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10880.921913/201207 Acórdão n.º 3402006.232 S3C4T2 Fl. 0 8 específica que veda expressamente o crédito nas devoluções de vendas cujas receitas não foram anteriormente tributadas. Assim, a decisão recorrida há de ser mantida nesta parte. b) Despesas incorridas com frete nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da empresa Sustenta a recorrente a legitimidade de seu crédito sobre as despesas de fretes incorridas na transferência de produtos entre seus estabelecimentos com base nos arts. 3o, inciso IX e 15 da Lei 10.833/2003. Alega que "promove a transferência de mercadorias entre suas filiais por razões logísticas, a fim de facilitar a destinação à futura operação de venda, otimizando o tempo e os custos com o transporte nessas operações". Entende também que as despesas com frete interno estariam abrangidas pelo conceito de insumo, o qual deveria ser considerado de forma ampla, de modo a contemplar a totalidade dos dispêndios essenciais para a operação da empresa, do qual resulta a geração de sua receita e faturamento. Por fim, acrescenta a recorrente que: 36. Nesse sentido, os custos de frete interno devem ser entendidos como parte integrante do frete de venda, cujo desconto de créditos é permitido, uma vez que os custos com a saída dos bens entre os estabelecimentos da Recorrente, para futura comercialização pelo vendedor, correspondem, na realidade, a uma parcela dos custos totais que a empresa incorre para que os produtos vendidos sejam entregues aos clientes, sendo que o envio para as empresas da Recorrente tem o intuito tão somente de facilitar, do ponto de vista logístico e comercial, tal deslocamento. 37. Ademais, foi ignorado pelo V. Acórdão recorrido que as despesas com o frete interno são indispensáveis para a comercialização dos bens, já que sem a transferência dos produtos entre os estabelecimentos da Recorrente, a venda aos clientes restaria comercialmente dificultada em razão, entre outros, do aumento de custos e do tempo da chegada dos produtos até o cliente. 38. Assim, verificase que existe uma inerência entre as despesas com frete interno incorridas pela Recorrente e a venda futura das mercadorias, o que gerará a receita tributável pelo PIS/COFINS. Portanto, não há como se negar o direito ao desconto de créditos de PIS/COFINS sobre tais despesas com fretes. No que concerne ao serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento i) sobre o frete pago quando o serviço de transporte quando utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inciso II do art. 3° das Leis nºs 10.637/02 e Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.921913/201207 Acórdão n.º 3402006.232 S3C4T2 Fl. 0 9 10.833/2003; e ii) sobre o frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme os arts. 3º, IX e 15, II da Lei n° 10.833/2003. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com iii) fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda; bem como de iv) fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. No caso específico do presente processo, interessa analisar a possibilidade de enquadramento nas hipóteses ii) frete na operação de venda ou iii) frete como insumo. Ao que se deduz do relato da recorrente, os fretes contestados não se caracterizam como frete na operação de venda entre o estabelecimento do vendedor e o do comprador, mas de frete transferência de produtos entre as suas filiais. Conforme disposto no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, a empresa pode descontar créditos calculados em relação a "armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor". De forma que não encontra amparo nesse dispositivo legal a pretensão de creditamento sobre as despesas que não são de "frete na operação de venda", mas de deslocamento de produtos destinados a venda, por razões logísticas, entre seus próprios estabelecimentos. Melhor sorte não assiste à recorrente quanto à possibilidade de enquadramento no conceito de insumo das despesas de frete de transferência de produtos entre suas filiais. Adotase aqui o entendimento delineado pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, pelo rito dos Recursos Repetitivos, no sentido de que o conceito abstrato de insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002), deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa. Não obstante o conceito mais amplo de insumo do STJ no REsp nº 1.221.170/PR, no que interessa aos autos, conforme declarações da recorrente, resta evidente que os fretes de transferência entre os estabelecimentos da recorrente dãose no interesse da comercialização dos produtos, e não do processo produtivo em si, assim considerado aquele que origina o produto final ou concernente à execução do serviço, o que afasta a possibilidade de creditamento de tais despesas como insumos. Este Colegiado decidiu recentemente, no Acórdão nº 3402006.026, de 12 de dezembro de 2018, sob relatoria desta Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.921913/201207 Acórdão n.º 3402006.232 S3C4T2 Fl. 0 10 Conselheira (Voto abaixo transcrito), no sentido de que os incisos II dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam a atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente a prestação de serviços e a produção ou fabricação de bens, de forma que o conceito de insumo deve ser aferido somente em relação a estas duas atividades, ou seja, os critérios de essencialidade ou de relevância (REsp nº 1.221.170/PR) devem ser avaliados em relação ao processo produtivo do qual origina o produto final ou atinente à execução do serviço: Atividade de comercialização de mercadorias versus conceito de insumos Ao que se observa da leitura dos incisos I e II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/20022, em relação à "revenda" de mercadorias, só há o direito ao desconto de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os próprios "bens adquiridos" para revenda (inciso I), enquanto que "na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados a venda", há direito ao aproveitamento de créditos sobre todos os "bens e serviços, utilizados como insumo" nessas atividades (inciso II), sendo que aqui o conceito de insumo deve ser buscado no REsp nº 1.221.170/PR. Como se denota da redação dos incisos II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002, a preposição "na" que sucede a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo" e que antecede os termos "prestação de serviços" 2 Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.921913/201207 Acórdão n.º 3402006.232 S3C4T2 Fl. 0 11 e "produção ou fabricação" delineia o entendimento de que os bens e serviços que serão objeto de creditamento são aqueles utilizados como "insumo" nessas duas atividades, seja lá qual for o conceito de insumo a ser adotado pelo intérprete. De outra parte, nesse dispositivo legal (incisos II), a referência a "bens ou produtos destinados a venda" na segunda atividade geradora de crédito ("produção ou fabricação") está a dizer que o creditamento diz respeito ao processo produtivo do bem ou produto "destinado a venda", ou seja, ao processo produtivo do qual resultarão os bens ou produtos a serem vendidos, e não à atividade posterior de vendas. Contudo, considerando os critérios definidos pela Ministra Regina Helena Costa em seu voto no REsp nº 1.221.170/PR, em especial, o da relevância mais abrangente do que o critério da pertinência , não se pode descartar por completo a hipótese excepcional de uma despesa posterior ao processo produtivo vir a ser também considerada insumo: Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. Ainda que caiba, dentro do conceito de insumos, a discussão casuística acerca de algumas despesas posteriores ao processo produtivo, na mera comercialização de mercadorias que não foram produzidas ou fabricadas pela contribuinte, atividade preponderante da ora recorrente, somente há o direito ao creditamento sobre os próprios bens adquiridos para revenda, com base nos incisos I dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002, mas não com base nos incisos II desses artigos, pois ausente o processo produtivo de prestação de Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.921913/201207 Acórdão n.º 3402006.232 S3C4T2 Fl. 0 12 serviços ou de produção ou fabricação de bens requerido neste inciso. Os incisos II dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam a atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente a prestação de serviços e a produção ou fabricação de bens. Tratase da prerrogativa do legislador ordinário de conferir tratamento privilegiado a determinados segmentos que seriam merecedores dentro do contexto econômico e social do País. Não se deve olvidar que cabe ao agente administrativo aplicar a lei tal como promulgada, sem estender seus efeitos para hipóteses nela não previstas. Nesse sentido já decidiu este CARF em face da própria contribuinte no Acórdão nº 3403003.306, de 14 de outubro de 2014, mediante voto vencedor do Conselheiro Rosaldo Trevisan, proferido nos seguintes termos: (...) Em face da Súmula CARF nº 2, não pode se distanciar o julgador dos comandos legais que disciplinam a matéria, os artigos 3º, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, que permitem créditos em relação a: "II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)" (grifo nosso) A mera leitura do dispositivo [artigos 3º, II das Leis nº 10.637/2002 e nº10.833/2003] torna inequívoco que só bens e serviços podem ser insumos, e que tais “bens e serviços” para serem considerados insumos, devem ser utilizados: (a) na prestação de serviços; ou (b) na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços. Trabalha, assim, o texto legal, indubitavelmente, com duas categorias: “produção/fabricação” e “prestação de serviços”. Assim, não se pode conceber o alargamento vislumbrado no excerto transcrito do voto do relator, que acrescenta a estas outras categorias, carentes de previsão legal. E sustentar que a lei restringiu indevidamente a não cumulatividade constitucionalmente assegurada no § 12 do artigo 195 é atentar contra o próprio teor de tal dispositivo constitucional, que remete a disciplina à “lei”. Ademais, esbarrase novamente no teor da já citada Súmula CARF nº 2, que impede seja um texto legal vigente considerado inconstitucional por este tribunal administrativo. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10880.921913/201207 Acórdão n.º 3402006.232 S3C4T2 Fl. 0 13 Acrescentese que o fato de as mesmas Leis nº 10.637/2002 e no 10.833/2003 contemplarem a revenda em inciso diverso (art. 3º, I) não permite concluir que também no inciso II se estaria a tratar da atividade de revenda, considerandoa ao lado ou até dentro da “produção/fabricação” ou “prestação de serviços”. Seria novamente um alargamento carente de fundamento legal. Não se pode generalizar a conclusão de que as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 permitem créditos apenas ao setor industrial ou de prestação de serviços (créditos estes que deveriam ser estendidos aos demais setores por isonomia ou analogia, independente da existência de lei que o autorizasse). Ambas as leis (no 10.637/2002 e no 10.833/2003) tratam de créditos também a outros setores. Mas não o fazem especificamente nos incisos II dos arts. 3º, que, como aqui já detalhado, versam restritivamente sobre “produção/fabricação” e “prestação de serviços”. (...) Passase agora a analisar cada glosa especificamente contestada dentro do conceito de insumo delimitado no REsp nº 1.221.170/PR. (...) (b) Despesas com frete, incluindo as despesas com combustível e manutenção da frota (código 10103 e 10113 do SPEDContribuições) (...) Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10880.921913/201207 Acórdão n.º 3402006.232 S3C4T2 Fl. 0 14 Embora haja construção jurisprudencial no CARF3 no sentido de admitir o desconto de créditos relativos ao frete em algumas hipóteses específicas, na situação retratada pela recorrente, de frete ou gastos de transporte de produtos para revenda, fora do contexto da prestação de serviços ou da produção de bens, não se cogita de creditamento a título de insumo. Também não socorrem a recorrente os arts. 3o, IX e 15, II da Lei n° 10.833/03, eis que não comprovado, que se trataria de legítima hipótese de frete na operação de venda ou revenda entre o estabelecimento da recorrente e da adquirente. O transporte de produtos entre os estabelecimentos da recorrente ou até determinado ponto para posterior revenda, que não se refere ao próprio transporte do produto revendido para o estabelecimento adquirente, não se enquadra em qualquer dessas hipóteses permissivas de creditamento. Nesse sentido, já foi decidido no Acórdão nº 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25 de abril de 2012. Eventuais despesas com transporte ou frete anteriores ao frete na operação de revenda, que o viabiliza, podem ser caracterizadas como despesas com vendas, para as quais não há previsão legal de creditamento. 3 Acórdão nº 3402002.662– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Relator: Alexandre Kern (...) Em se tratando de serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento tomado sobre o frete pago quando o serviço de transporte seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inc. II do art. 3°, e no caso de serviço de frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, cfe. inc. IX. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda, isso em razão de o valor do serviço integrar o valor de aquisição de tal bem, passando então a compor a base de cálculo do crédito decorrente da aquisição de bem para revenda ou para utilização como insumo. Há ainda uma quarta hipótese, defendida na jurisprudência deste Colegiado, decorrente do conceito de insumo que se adota, no caso de fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. O transporte de produto acabado isso é, depois de concluído o processo produtivo – não se enquadra em qualquer dessas hipóteses permissivas. Se do ponto de vista logístico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda, juridicamente, não. Esse entendimento está plasmado, por exemplo, no voto condutor do Acórdão nº 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25 de abril de 2012: “Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3°, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3°, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3°. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido.” Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10880.921913/201207 Acórdão n.º 3402006.232 S3C4T2 Fl. 0 15 Com relação às despesas com combustível e manutenção da frota, como já mencionado, também não há possibilidade de creditamento das contribuições como insumos na atividade comercial varejista. Assim, devem ser mantidas as glosas de despesas de transporte (frete, combustível e manutenção) deste tópico. Dessa forma, o transporte de bens destinados a venda entre os estabelecimentos da recorrente, sem vinculação com o processo produtivo em si, que não se refere também ao deslocamento do produto vendido entre o estabelecimento do produtor e o do adquirente, não se enquadra nas hipóteses permissivas de creditamento de frete na operação de venda ou de serviço utilizado como insumo no processo produtivo. A decisão recorrida deve ser mantida também neste tópico. c) Creditamento de PIS e Cofins referente à depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado Com relação aos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, argumenta a recorrente que: 46. Contudo, o V. Acórdão recorrido novamente baseou se em critérios restritivos do direito ao creditamento de PIS e COFINS pelos contribuintes,deixando de analisar a natureza da atividade da Recorrente, desenvolvida mediante a utilização dos equipamentos tratados no referido despacho decisório,o que a legitima, portanto, a apropriação de créditos de PIS e COFINS sobre os encargos de depreciação relativos a estes equipamentos. 47. Nesse sentido, em que pesem as atividades da Recorrente sejam classificadas como comerciais, há que se reconhecer, contudo, que a utilização dos equipamentos em análise implica diretamente na elaboração das operações da Recorrente, o que não foi reconhecido pelo V. Acórdão recorrido. Como se sabe, os encargos de depreciação não são passíveis de creditamento como insumo (incisos II dos arts. 3º das referidas Leis), eis que o correspondente crédito é previsto em outro inciso. Não assiste razão à recorrente quanto à possibilidade de creditamento com base nos incisos VI e §1º, III dos artigos 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002, os quais preveem o desconto de créditos para os encargos de depreciação somente para as "máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços" [grifei], mas não para a atividade comercial da recorrente. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10880.921913/201207 Acórdão n.º 3402006.232 S3C4T2 Fl. 0 16 Assim, descabe reverter a glosa dos encargos de depreciação. d) Comprovação das despesas de aluguel de bem imóvel pago à pessoa jurídica Relativamente às despesas de aluguel, assim decidiu o julgador a quo: Por sua vez a contribuinte registrou ter apresentado os comprovantes de pagamento do valor da locação do imóvel que ensejou a apuração dos créditos de PIS/COFINS nãocumulativos, mas que não havia localizado cópia do contrato de locação. Disse ter localizado em seus arquivos remotos o contrato de locação em referência, entendendo que tal comprova seu direito aos créditos. Entretanto, afirmou a Fiscalização que a empresa apresentou comprovantes de pagamento apenas para o período março a dezembro de 2007, atentandose que o presente processo se refere ao 2º trimestre de 2006, para o qual não houve comprovação do pagamento da despesa em questão. Observese, ainda, que na planilha de fl. 81 a Fiscalização nada apurou a título de despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas, o que não foi questionado, de forma direta e objetiva, pela contribuinte. Disso decorre que a contribuinte não tem razão quanto ao presente item, devendo ser mantido o entendimento constante da informação produzida pela Fiscalização, nada devendo ser alterado no Despacho Decisório. O documento acostado à Manifestação de Inconformidade (doc. 06) tratase de Contrato de Locação com a empresa NEWSERV ADM. COM. E SERVIÇOS LTDA. cujo prazo é "03 (três) anos, com início a 01 de Agosto de 2005 e a terminar em 31 de Julho de 2008". Assim, ocorreu que, no procedimento fiscal foram apresentados apenas comprovantes de pagamento para o período março a dezembro de 2007, tendo sido acusada, na Informação Fiscal, a falta de comprovação de utilização do imóvel nas atividades da empresa e do contrato de locação, o qual veio a ser apresentado na Manifestação de Inconformidade. Com efeito, para o período específico sob análise no presente processo (01/04/2006 a 30/06/2006), faltaria ainda apresentar a comprovação dos pagamentos dos alugueis e da utilização do imóvel nas atividades da empresa. No recurso voluntário (parágrafos 56. a 59.), a recorrente apenas repisa os exatos termos da Manifestação de Inconformidade (parágrafos 20. a 23), nada argumentando acerca da decisão recorrida. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10880.921913/201207 Acórdão n.º 3402006.232 S3C4T2 Fl. 0 17 Como se sabe, incumbiria à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destinasse a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). Do julgador do CARF é esperado que ele decida motivadamente em consonância com os argumentos e provas apresentados pela recorrente, cotejandoos com os demais elementos dos autos. Certamente que não seria tarefa do julgador do recurso voluntário diligenciar para buscar a prova faltante do direito creditório da contribuinte mencionada na decisão recorrida quando a própria recorrente não se deu ao trabalho de sequer contestar os fundamentos dessa decisão nesta parte. Dessa forma, diante da ausência no recurso voluntário de elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida quanto à glosa de despesas de aluguel no período de apuração do presente processo, ela há de ser mantida. e) Créditos rubricados como "outras operações com direito a crédito" Relativamente a esta rubrica, assim consta na Informação Fiscal: 7) OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CREDITO A partir de janeiro/2007 o contribuinte passa a apurar créditos em relação a rubrica "outras operações com direito a crédito". Foi então intimado, a partir do Termo de Intimação Fiscal n 1, item 5, a informar a origem dos valores apresentados na referida rubrica, sendo que não foram apresentados quaisquer esclarecimentos quanto aos valores pleiteados. Sendo assim, esses valores foram integralmente excluídos da apuração dos créditos de PIS e Cofins nãocumulativo: (...) No recurso voluntário, a recorrente apenas repisa os argumentos da Manifestação de Inconformidade no sentido de que ainda não teria localizado a documentação que comprovaria a ocorrência desses dispêndios, requerendo o direito à futura produção de prova sobre este item. No entanto, como se sabe, o processo administrativo tem um rito diferenciado do procedimento adotado no âmbito do Código de Processo Civil, o qual, no seu art. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10880.921913/201207 Acórdão n.º 3402006.232 S3C4T2 Fl. 0 18 1046, §2º4, expressamente preservou a vigência das disposições especiais dos procedimentos regulados em outras leis. Conforme se denota na leitura do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 abaixo, em que pese a possibilidade excepcional de apresentação de provas após a impugnação ou a manifestação de inconformidade, não há qualquer previsão de autorização para posterior produção de prova pela interessada fora das hipóteses de diligências ou perícias autorizadas pelo julgador nas situações cabíveis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em 4 Art. 1.046. Ao entrar em vigor este Código, suas disposições se aplicarão desde logo aos processos pendentes, ficando revogada a Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. (...) § 2º Permanecem em vigor as disposições especiais dos procedimentos regulados em outras leis, aos quais se aplicará supletivamente este Código. (...) Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10880.921913/201207 Acórdão n.º 3402006.232 S3C4T2 Fl. 0 19 que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Ademais, no período específico deste processo, a contribuinte não apurou créditos em relação à rubrica "outras operações com direito a crédito", o que passou a ser feito no Dacon somente a partir de janeiro/2007. Dessa forma, não cabe reforma também nesta parte da decisão recorrida e indeferese o pedido da recorrente de futura produção de prova, considerandose também o pedido de perícia não formulado, nos termos do art. 16, §1º do Decreto nº 70.235/72, por deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV desse artigo. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 195DF CARF MF
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