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Numero do processo: 13856.000241/2004-71
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. NATUREZA. COBRANÇA EM REGIME DE VALOR AGREGADO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA QUE ADQUIRIU PRODUTOS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. DESCONTO DE CRÉDITOS DO PIS. IMPOSSIBILIDADE.
O regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep foi criado para evitar a incidência em cascata do tributo na cadeia produtiva, com a cobrança do mesmo de forma agregada. Assim é que foi viabilizada a compensação da contribuição devida pela própria empresa com a contribuição anteriormente exigida na etapa anterior do ciclo produtivo do bem ou serviço.
A possibilidade de desconto de créditos calculados na forma do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, para as hipóteses de que trata o artigo 5o, é limitada à pessoa jurídica vendedora (§ 1o), em outras palavras, à pessoa jurídica que vende para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação (artigo 5o, inciso III).
Assim, seja pela própria natureza do regime da não-cumulatividade do PIS, seja em virtude da vedação legal indireta (posto que a norma, nos casos expressamente enunciados no artigo 5o da Lei no 10.637/2002, só permite a utilização de crédito pela pessoa jurídica que vendeu à comercial exportadora - e não por esta), é inadmissível aceitar possibilidade em que haja nova utilização de crédito pela comercial exportadora adquirente de produtos com o fim específico de exportação.
A inovação legislativa objeto da Lei no 10.865/2004 - posterior aos fatos geradores -, que, no § 2o do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, inseriu hipótese de vedação ao crédito quando da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição [...], objetivou alcançar unicamente as transações realizadas no mercado interno, já que, em relação às empresas comerciais exportadoras adquirentes de produtos destinados especificamente à exportação, a vedação a quaisquer créditos já estava prevista na redação original da Lei no 10.637/2002.
Exegese que se extrai dos dispositivos legais acima citados, complementada pelo artigo 7o da Lei no 10.637/2002, e que está em sintonia com a exposição de motivos da Medida Provisória no 66, de 29 de agosto de 2002, posteriormente convertida na lei retrocitada.
Recurso ao qual se nega provimento.
Direito creditório não reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado.
Vencidos os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi (relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, que davam parcial provimento ao recurso para reconhecer a legitimidade dos créditos relativos às aquisições de açúcar realizadas pela recorrente. Vencido, ainda, o conselheiro Solon Sehn, que além de manifestar anuência quanto ao direito relativamente às aquisições de açúcar, admitia também a legitimidade dos créditos concernentes às aquisições de álcool, exceto para fins carburantes.
Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios.
Fez sustentação oral o Dr. Ralph Melles Sticca, OAB/SP nº 236.471.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. NATUREZA. COBRANÇA EM REGIME DE VALOR AGREGADO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA QUE ADQUIRIU PRODUTOS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. DESCONTO DE CRÉDITOS DO PIS. IMPOSSIBILIDADE. O regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep foi criado para evitar a incidência em cascata do tributo na cadeia produtiva, com a cobrança do mesmo de forma agregada. Assim é que foi viabilizada a compensação da contribuição devida pela própria empresa com a contribuição anteriormente exigida na etapa anterior do ciclo produtivo do bem ou serviço. A possibilidade de desconto de créditos calculados na forma do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, para as hipóteses de que trata o artigo 5o, é limitada à “pessoa jurídica vendedora” (§ 1o), em outras palavras, à pessoa jurídica que vende para “empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação” (artigo 5o, inciso III). Assim, seja pela própria natureza do regime da nãocumulatividade do PIS, seja em virtude da vedação legal indireta (posto que a norma, nos casos expressamente enunciados no artigo 5o da Lei no 10.637/2002, só permite a utilização de crédito pela pessoa jurídica que vendeu à comercial exportadora e não por esta), é inadmissível aceitar possibilidade em que haja nova utilização de crédito pela comercial exportadora adquirente de produtos com o fim específico de exportação. A inovação legislativa objeto da Lei no 10.865/2004 posterior aos fatos geradores , que, no § 2o do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, inseriu hipótese de vedação ao crédito quando “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição [...]”, objetivou alcançar unicamente as transações realizadas no mercado interno, já que, em relação às empresas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 6. 00 02 41 /2 00 4- 71 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 comerciais exportadoras adquirentes de produtos destinados especificamente à exportação, a vedação a quaisquer créditos já estava prevista na redação original da Lei no 10.637/2002. Exegese que se extrai dos dispositivos legais acima citados, complementada pelo artigo 7o da Lei no 10.637/2002, e que está em sintonia com a exposição de motivos da Medida Provisória no 66, de 29 de agosto de 2002, posteriormente convertida na lei retrocitada. Recurso ao qual se nega provimento. Direito creditório não reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi (relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, que davam parcial provimento ao recurso para reconhecer a legitimidade dos créditos relativos às aquisições de açúcar realizadas pela recorrente. Vencido, ainda, o conselheiro Solon Sehn, que além de manifestar anuência quanto ao direito relativamente às aquisições de açúcar, admitia também a legitimidade dos créditos concernentes às aquisições de álcool, exceto para fins carburantes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios. Fez sustentação oral o Dr. Ralph Melles Sticca, OAB/SP nº 236.471. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Fl. 294DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000241/200471 Acórdão n.º 3802001.198 S3TE02 Fl. 112 3 A contribuinte CRYSTALSEV COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA., interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1433.010, proferido em primeira instância pela 4ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM RIBEIRÃO PRETO SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o respectivo momento, adotase o relatório proferido pela autoridade julgadora de primeira instância: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp), fl. 1, cujo crédito provém do saldo credor da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência não cumulativa, referente ao mês de outubro de 2003, no valor de R$ 781.062,01. A DRF/Ribeirão Preto, por meio do despacho decisório de fl. 110, não homologou a compensação, deixando de reconhecer integralmente o direito creditório postulado. Segundo os autos, a nãohomologação da compensação ocorreu porquanto, na análise da Ficha 04 do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), a fiscalização constatou que a interessada empresa comercial exportadora se creditou indevidamente de valores referentes à aquisição de produtos com isenção destinados a exportação, bem assim das despesas de armazenagem e fretes. Assim, haveria aproveitamento em duplicidade do benefício, tanto na manutenção dos créditos para o fornecedor da interessada, quanto para ela, ao revender as mercadorias para o mercado externo, o que caracterizaria novo benefício fiscal sem previsão legal; foi elaborada planilha de glosa dos citados créditos na ficha correspondente do Dacon (Anexo I fl. 25). Ainda segundo a fiscalização, a postulante considerou, como receitas de exportação, outros valores que não aqueles referentes às notas fiscais de exportação devidamente registradas no Sistema SISCOMEX, tais como complementos de preço e variações cambiais, que são tributáveis pelo PIS, assim, com base nos valores de receitas informadas pela interessada, foi refeita a base de cálculo da contribuição apurada na Ficha 05 do Dacon (fls.88/89). Do valor da contribuição, calculado após as compensações dos novos valores de créditos apurados pela fiscalização, resultou o valor da contribuição devida, no período de dezembro de 2002 a dezembro 2004, da qual foi excluída a parcela j á declarada em DCTF, sendo apurado crédito tributário que foi objeto do auto de infração formalizado no processo n 2 15956.000309/200843. Cientificada do despacho e inconformada com a não homologação da compensação, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, às fls. 115/136, alegando, preliminarmente, que o direito do Fisco de exigir o pagamento Fl. 295DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 dos débitos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), anteriores a fevereiro de 2004, objeto da compensação informada na DCOMP, encontrase decaído, a teor do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). Solicita, ainda em preliminar, o julgamento do presente juntamente com o processo n° 15956.000309/200843, onde foi constituído o auto de infração do PIS proveniente das mesmas glosas, por possuírem matérias coincidentes, informando ainda que a matéria de direito está integralmente consignada na impugnação ali contida, principalmente quanto às alegações da fiscalização de que a contribuinte teria considerado como faturamento no mercado externo receitas derivadas de vendas no mercado interno. Quanto ao mérito, alega que se trata de empresa preponderantemente exportadora e que foram desconsiderados, de forma infundada, pela fiscalização, os lançamentos contábeis na conta de Receita de Revenda de Exportação a título de "Complemento de Preço", "Variação Monetária" e "Estornos", levando os respectivos valores à tributação da contribuição como se receita de mercado interno fossem, algo que não se pode convalidar; todas as operações comerciais de venda, no período de dezembro de 2002 a dezembro de 2004, foram destinadas exclusivamente ao mercado externo, não tendo havido, neste período, qualquer operação de venda de produto no mercado interno. Após tecer considerações sobre os princípios contábeis atinentes a realização da receita conclui com a assertiva de que a receita de exportação somente se considera realizada no momento da transferência de propriedade dos produtos de uma entidade à outra, que se concretiza, no caso em apreço, pelo embarque das mercadorias exportadas no porto, razão pela qual, desde a emissão da Nota Fiscal de Exportação até que o momento em que se apure a receita de venda efetiva, são necessariamente efetuados ajustes, a débito e crédito, nas contas correspondentes de acordo com o regime de competência, sendo portando consideradas "variações cambiais", tanto para efeitos contábeis quanto fiscais, apenas após a tradição da mercadoria "emissão do Bill of Lading". Prossegue, afirmando que seria de praxe no mercado nacional e internacional de compra e venda de commodities, quando estas são negociadas em bolsas internacionais como é o caso do açúcar ou sujeitas a cotações diárias como é o caso do álcool , a apuração do preço de venda a posteriori, mesmo que após o embarque das mercadorias com destino ao exterior, por conta da possibilidade de fixação do preço final a critério e oportunidade do vendedor, o que gera em sua contabilidade, novamente em reverência ao princípio da competência, estornos e complementos de preço, de modo que a receita de exportação total reflita o valor final da operação. Os procedimentos legais de Despacho de Exportação, conforme consignado no termo de encerramento pela fiscalização, foram regularmente cumpridos pelo Contribuinte, não havendo determinação legal expressa de nova averbação no SISCOMEX Fl. 296DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000241/200471 Acórdão n.º 3802001.198 S3TE02 Fl. 113 5 no caso de emissão de nota fiscal de complemento de preço, nem tampouco qualquer necessidade de vinculação desta à comprovação da exportação para fins de gozo da imunidade das receitas de exportação à contribuição em apreço; ademais, o art. 160 da Portaria SECEX n° 36/07, que dispõe dos procedimentos de exportação, prevê que poderão ser efetuadas alterações no RE, e em casos bastante específicos, não havendo qualquer determinação expressa de nova averbação no caso de emissão de nota fiscal de complemento de preço, como requer a fiscal. Em relação aos créditos na aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação, alega que a Lei n° 10.637, de 2002, em sua redação original, não trazia qualquer óbice relacionado à possibilidade de desconto de créditos nas aquisições de bens e serviços pelas comerciais exportadoras, enquadrandose como pessoas jurídicas sujeitas ao regramento geral do regime da nãocumulatividade, conforme previsão contida na redação original do art. 3o , de que o contribuinte poderá descontar créditos em relação a bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art.Io. Somente com o advento da Lei n° 10.833/03, que passou a vigorar a partir de I o de fevereiro de 2004, nos termos do § 4 o do art. 6 o e disposição do art. 15, é que o direito de utilizar o crédito em virtude da imunidade das receitas de exportação e isenção nas vendas com fim específico de exportação não mais beneficiou a empresa comercial exportadora que adquirisse mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação; portanto, no período de dezembro de 2002 a janeiro de 2004, não havia qualquer vedação a apropriação de tais créditos, inclusive, entendimento j á expresso pelo antigo Conselho de Contribuintes, que cita. Por fim, esclarece que, por todo o exposto e, de acordo com a legislação de regência, tem direito à compensação informada na DCOMP, não havendo que se falar em débito remanescente de IRPJ. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, contudo, não foram acatados pela 4ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM RIBEIRÃO PRETO SP, que negou provimento à manifestação de inconformidade, julgando procedente a glosa de créditos e negando o direito creditório, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. COMPLEMENTO DE PREÇO. SISCOMEX. As receitas vinculadas a exportação, para que sejam reconhecidas para fins de gozo de benefício fiscal, Fl. 297DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 6 obrigatoriamente deverão ser referenciadas à nota fiscal de exportação original e registradas no Siscomex. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS. RECEITAS FINANCEIRAS. As variações monetárias ativas em função da taxa de câmbio constituemse em receitas financeiras, incluindose na base de cálculo da contribuição. CRÉDITO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA A aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação por empresas comerciais exportadoras tratase de caso de não incidência, que, por conseqüência natural do regime da não cumulatividade da contribuição, não resulta em direito à apuração de crédito pela empresa comercial exportadora adquirente das mercadorias. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DÉBITOS. COMPETÊNCIA DAS DRJ. As Delegacias de Julgamento não têm competência legal para a análise da cobrança dos débitos objetos de DComp não homologada, mas sim do despacho que indeferiu a compensação pretendida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão a quo em 05/05/11, e inconformada com seu teor, a empresa interpôs tempestivamente o presente Recurso Voluntário em 06/06/11, aduzindo como razões para reforma da r. decisão recorrida e o consequente cancelamento da exigência fiscal, em síntese, inexistirem as irregularidades apontadas pela fiscalização, tendo em vista que: i) apenas os fundamentos referentes à “INEXISTÊNCIA DO DIREITO AO CRÉDITO NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS SEM INCIDÊNCIA DO PIS” fazem referência ao crédito objeto da Declaração de Compensação em questão, razão pela qual deve ser reformado o acórdão recorrido, para que se proceda à correta subsunção do fato à norma, tendo em vista que a autoridade julgadora de primeira instância não deveria tratar da incidência da contribuição para o PIS sobre receitas de exportação registradas a título de complemento de preço, nem mesmo sobre as variações monetárias decorrentes de variações cambiais, uma vez que o processo administrativo em tela se restringe tão somente à legalidade do direito ao desconto de créditos de bens adquiridos para revenda (fim específico de exportação) em abril de 2003; ii) até 31 de janeiro de 2004 não havia na legislação de regência da contribuição para o PIS qualquer vedação de desconto de créditos nas aquisições tanto de comerciais exportadoras, na regra específica, quanto de produtos não sujeitos à incidência da contribuição, pela regra geral, posto que a Lei nº 10.637/02 não trazia em sua redação original qualquer óbice ao desconto de créditos nas aquisições de bens e serviços pelas comerciais exportadoras (sujeitas ao regramento geral do regime), sendo certo que a restrição imposta pela Lei nº 10.833/03 somente entrou em vigor em 1º de fevereiro de 2004 (art. 93, inciso I); Fl. 298DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000241/200471 Acórdão n.º 3802001.198 S3TE02 Fl. 114 7 iii) a decisão recorrida é contraditória, vez que admite o conceito de não cumulatividade de tributos conforme o interesse de negar direitos creditórios à Recorrente, pois, ao mesmo tempo que afirma, com base neste conceito, que o contribuinte só possui direito ao crédito se a operação anterior foi tributada pela exação, também nega sua aplicação ao aceitar que o art. 6º, §4º, da Lei nº 10.833/03 veda o aproveitamento de crédito na aquisição de despesas de frete e armazenagem; iv) uma vez reconhecido o direito creditório da Recorrente no tocante às aquisições de mercadorias com finalidade específica de exportação em abril de 2003, por expressa previsão legal e por ausência de qualquer vedação ao contrário sua Dcomp deve ser reconhecida, não havendo que se falar em débitos remanescentes de IRPJ, vez que os mesmos foram extintos por compensação, nos termos do art. 156, inciso II do CTN. Por fim, requer seja dado integral provimento ao Recurso Voluntário interposto, de modo que seja homologada a Declaração de Compensação correlata, e ainda, pugna pela intimação dos procuradores subscritos acerca da inclusão do processo administrativo em pauta de julgamentos, bem como pelo apensamento deste ao processo nº 15956.000309/200843, referente à cobrança da contribuição para o PIS entre janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Vencido Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator O recurso merece ser conhecido, por preencher os requisitos de admissibilidade e pela sua manifesta tempestividade, nos termos do Decreto nº 70.235/72. I) Da matéria posta em análise De início, insta delimitar a abrangência da análise que será aqui realizada, uma vez que o procedimento de fiscalização que permitiu concluir pela não homologação do direito creditório pleiteado pela ora Recorrente englobou não somente outros períodos de apuração como também outros fatos jurídicos irrelevantes ao presente caso. Mediante a entrega de Declaração de Compensação datada de 28/10/04 (fls. 2/4) a contribuinte pretendia compensar débito de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ devido, com créditos de PIS. Compulsando os autos, verificase que os créditos de PIS que a Recorrente tinha como líquidos e certos para a efetivação da compensação pleiteada decorrem de créditos oriundos das suas atividades de exportação, incluindo certos insumos (frete e armazenagem), devidamente glosados pela autoridade fiscal responsável pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.09.002008008580, o que refletiu na lavratura do Auto de Infração que deu azo ao processo administrativo nº 15956.000309/200843. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 8 Bem se percebe nos autos que a controvérsia perpassa por dois elementos: a) legitimidade dos créditos de PIS referentes a aquisição de mercadorias e demais insumos com o fim específico de exportação pela empresa comercial exportadora ora Recorrente na Declaração de Compensação sob exame; b) incidência, ou não, do PIS sobre as receitas resultantes de complementos de preço e variações cambiais, alegadamente auferidas em operações de exportação. A letra b, apesar de aparentemente não guardar respeito ao caso sob exame, em verdade é item crucial para a apuração do efetivo crédito que o contribuinte alega possuir. Pois se, por um lado, entenderse que essas receitas decorrem de exportação, será irregular a incidência do PIS sobre elas, impactando no saldo credor apresentado pelo sujeito passivo. A letra b, apesar de aparentemente não guardar respeito ao caso sob exame, em verdade é item crucial para a apuração do efetivo crédito que o contribuinte alega possuir. Pois se, por um lado, entenderse que essas receitas decorrem de exportação, será irregular a incidência do PIS sobre elas, impactando no saldo credor apresentado pelo sujeito passivo. Todavia, como o próprio contribuinte explica, o saldo credor objeto de discussão nos autos não envolve tais receitas, estando os autos circunscritos à celeuma acerca dos créditos de mercadorias adquiridas para exportação. Passase então à matéria de fundo, propriamente dita. II.1) Do direito ao crédito de PIS em relação a mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação Em manifestação de voto apresentada na última sessão de julgamento, manifesteime no sentido de que, mesmo na inexistência de norma expressa que vedasse o direito de aproveitamento de créditos com relação à aquisição de mercadorias destinadas a exportação, por empresa comercial exportadora, o fato de que elas não haviam sido tributadas anteriormente não permitiria que o sujeito passivo utilizasse suas aquisições na apuração do tributo. Finqueime, para tanto, na lógica do tributo e nos efeitos econômicos dessa operação. Assim fundamentei minha posição: Ocorre que, apesar de aparentemente corretas, tais assertivas não merecem guarida por este E. Conselho, como se passará a demonstrar. Primeiramente, convém ressaltar que a sistemática não cumulativa de apuração da contribuição ao PIS, instituída pela Lei nº 10.637/02, pressupõe para fins de geração de crédito do tributo, a incidência desta, senão econômica, ao menos juridicamente, em etapa anterior, compensandose assim o valor da contribuição devida com o montante cobrado na operação anterior, no intuito de incentivar determinados setores da economia, bem como desonerar os contribuintes do efeito cascata impingido pela sistemática cumulativa, de modo a contribuir com a neutralidade tributária. Nesse contexto, a não cumulatividade do PIS operase por meio da concessão de créditos calculados em relação a determinados valores que representam insumos, bens instrumentais, custos ou Fl. 300DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000241/200471 Acórdão n.º 3802001.198 S3TE02 Fl. 115 9 despesas da atividade econômica selecionada para ser não cumulativa, que serão deduzidos da base de cálculo encontrada pelo contribuinte (faturamento). Assim, a tributação que ocorre sobre o faturamento do contribuinte, será reduzida mediante a utilização de créditos restringidos a determinados bens e serviços, assegurandose sempre a neutralidade da tributação: esse o propósito da não cumulatividade. Até porque a não cumulatividade, tomada como princípio ou postulado da tributação por alguns doutrinadores, não possui carga valorativa, sendo sim um instrumento tributário para atingir fins de política econômica. Desde seu nascedouro no Brasil, a não cumulatividade é um critério de tributação que tem a finalidade sistêmica de neutralizar a cadeia produtiva, a fim de não haja prejuízo em conta tributária para os intermediários da cadeia, e que o ônus econômico seja integralmente direcionado sempre para o consumidor final. No caso concreto, dadas as peculiaridades das mercadorias objeto do caso, temse que não houve tributação dessas mercadorias, que foram produzidas e vendidas para a Recorrente, comercial exportadora. O art. 5º da Lei nº 10.637/02 era, desde sua redação original, assente em determinar a não incidência do PIS sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias, e das vendas de mercadorias a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, impondo a não incidência do tributo sobre tais operações, que não se subsumem ao aspecto material da hipótese de incidência da contribuição. Com efeito, incontestável a finalidade específica da aquisição das mercadorias por parte da Recorrente, não havendo que se falar em necessidade de lei que trouxesse expressa vedação ou autorização ao creditamento ora pretendido, pelo simples fato de que decorre da lógica jurídica do sistema não cumulativo que a aquisição de insumos sobre os quais não incida a contribuição é ilegítima para geração de créditos deste mesmo tributo. É de notório conhecimento que as leis e demais normas jurídicas presentes no ordenamento jurídico nacional devem ser interpretadas de forma sistemática, permitindo que sua aplicação se dê de forma harmônica, a fim de garantir a efetividade dos princípios e garantias constitucionais. Deste modo, de uma breve análise do próprio propósito da não cumulatividade instituído pela Lei nº 10.637/02 é possível concluir, sem maiores dúvidas, que jamais foi da intenção do legislador (pautado pelo art. 195, § 12, da Constituição) que a empresa comercial exportadora pudesse se aproveitar de créditos de PIS oriundos da aquisição de mercadorias que já não Fl. 301DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 10 sofrem incidência da contribuição, por serem destinadas especificamente à exportação. Até porque, a rigor, permitir o desconto de créditos relativos a operações que não são tributadas, implicaria quebra da neutralidade, com mais crédito do que débito ao longo da cadeia produtiva. Isso significa assumir que o Brasil estaria concedendo subsídio econômico cruzado, rompendo diversos tratados internacionais que impedem o subsídio econômico a exportadores. Resta claramente evidenciado, portanto, que descabe o aproveitamento de créditos pleiteado pela Recorrente, relativamente a mercadorias adquiridas sem tributação, para fim específico de exportação. Isso transcende a existência de regra expressa: decorre da própria natureza econômica da não cumulatividade. Fincarse na existência de regra expressa, a rigor, seria tomar a forma em detrimento do conteúdo, com reflexos inclusive no direito concorrencial internacional. De tudo isso se conclui que não assiste direito à Recorrente pretender compensar débitos com alegados créditos de PIS oriundos de aquisições de mercadorias com o fim específico de exportação, por tratarse de caso de nãoincidência que, por consequência natural do regime da nãocumulatividade, não dá direito à apuração de crédito pela empresa comercial exportadora adquirente de mercadorias. No entanto, após os debates que se seguiram, iniciei longa reflexão sobre o caso, que me levou a questionar inclusive os parâmetros das decisões proferidas no CARF. Certamente a verdade material é sempre uma meta a ser atingida, sendo todavia sua busca parametrizada por regras que impedem certas considerações pelos julgadores – dentre elas, questionamentos sobre eventuais considerações de inconstitucionalidade ou mesmo de justiça provocada pelos efeitos econômicos de certos casos. O art. 62 do RICARF, por exemplo, é bem claro ao vedar a apreciação de questões de constitucionalidade pelos julgadores. Assim é que em diversas situações, mesmo percebendo que o contribuinte age buscando o que entende ser justo, ou correto, diante do fato de que normas hajam sido infringidas, nada resta ao julgador além de decidir o caso conforme o direito posto. Questionamentos de direito justo não comportam ao CARF. A rigor, mesmo diante de eventual inexistência de regras, e da necessidade de se resolver algum caso, há normas orientadoras de como se resolver a situação, no capítulo próprio do Código Tributário Nacional acerca da interpretação e integração das leis tributárias. A posição de julgador, muitas vezes, assemelhase à narrada por Amartya Sen em sua obra A ideia de justiça, ao narrar o dilema das concepções de justiça formal e consequencialista. O julgamento administrativo se comporta de modo semelhante, ainda que sem as imagens terríveis que o Mahabharata traz: o julgamento se atém ao direito posto, tendo como limites externos os efeitos econômicos diretos produzidos pelas normas vigentes. Os Fl. 302DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000241/200471 Acórdão n.º 3802001.198 S3TE02 Fl. 116 11 efeitos econômicos indiretos, ou mediatos, estão situados fora do âmbito de julgamento administrativo, por aproximaremse mais de considerações de justiça próprias do Poder Judiciário, ou do meio acadêmico. Diante disso, e da inexistência de regra que me permita abstrair do direito posto (e das conseqüências fáticas do direito posto que é possível ao CARF apreciar), justifico a retificação do meu julgado na ponderação de que meu pressuposto básico – os efeitos econômicos decorrentes do procedimento adotado pelo sujeito passivo – foi equivocado. O voto, a bem da verdade, estava tão equivocado quanto um que afastasse certa regra de imposição tributária por considerar que seus efeitos econômicos são excessivamente danosos ou injustos. Assim, cercandome do direito posto e dos efeitos econômicos diretos desse direito (limite externo de apreciação de um caso pelo CARF), é de se observar que, à época da ocorrência dos fatos geradores, efetivamente não havia norma expressa que impedisse o aproveitamento de créditos, na apuração do PIS devido, relativo a aquisições de mercadorias por comercial exportadora. E mais: posteriormente, essa vedação veio a ocorrer de modo expresso, por intermédio da lei 10.865/2004. Ora, a sistemática de apuração do PIS e da COFINS, para operacionalizar a não cumulatividade, dáse pela metodologia “base menos base”, diferentemente de outros tributos (como ICMS e IPI) que funcionam pelo método imposto menos imposto. É, nos dizeres da boa doutrina, metodologia de subtração indireta. Assim, diferentemente de tributos cujo fato gerador é a saída das mercadorias, o PIS e a COFINS incidem sobre a receita decorrente dessas operações. Parece tratarse do mesmo fato gerador, mas a sutil diferença produz enormes diferenças. Uma dessas diferenças – e a é a que importa para este momento – é a de que a relevância, para os fins de não cumulatividade tributária, não é o ter ou não ocorrido tributação na etapa anterior, mas sim o haver ou não autorização para aproveitamento dos créditos. E não entro no mérito de a autorização ser ou não justa, ou de a vedação ser ou não justa. Não é dado ao CARF apreciar esse tipo de argumento. Ao contrário, cabe sim avaliar se há ou não a autorização. E no caso em tela, o que se tem concretamente é a inexistência, à época da ocorrência dos fatos geradores, de vedação para o aproveitamento dos créditos de PIS relativamente às aquisições efetuadas. Dois pontos merecem ser considerados no caso em tela. O primeiro deles é o de que não havia regra, à época da ocorrência dos fatos geradores, que impedisse o aproveitamento dos créditos de PIS nas aquisições de mercadorias por empresa comercial exportadora. Diante da inexistência de vedação ao aproveitamento dos créditos, a decisão que venha a restringilo é, a bem da verdade, contra legem, merecendo reparos à luz da legalidade. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 12 Indo mais além, é bastante plausível a interpretação que considere que a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores expressamente autorizava a utilização das despesas destinadas a aquisição de mercadorias destinadas a exportação, na apuração do PIS devido por comercial exportadora (diante da expressão poderá descontar créditos calculados com relação a bens adquiridos para revenda), como se vê: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o A rigor, a própria edição de norma posterior que vedasse a utilização desses créditos espelha que o ordenamento jurídico anterior era o de permissibilidade. Somese a isso (e então chegamos ao segundo ponto de ponderação) o fato de que o art. 105 do CTN impõe a aplicação sempre prospectiva da norma tributária, sendo reforçado pelo art. 144 do mesmo diploma, que impõe a aplicação da legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores na atividade de lançamento. Decerto que estamos diante de procedimento destinado a revisar compensação realizada pelo sujeito passivo, mas o certo é que tanto o art. 105 quanto o art. 144 do CTN auxiliam a compor a árdua tarefa da lei complementar em regular as limitações ao poder de tributar – e aí temos uma clara manifestação da irretroatividade das leis tributárias. Seguramente a restrição ao aproveitamento dos créditos implicará a aplicação retroativa de uma norma que efetivamente só pode produzir efeitos futuros. E isso não pode ser considerado razoável, especialmente porque a lei 10.865/2004 não previu (como, aliás, nem poderia) aplicação retroativa, nem mesmo se destinava a interpretar normas anteriores de modo a viabilizar o raciocínio do art. 106, I, do CTN. Assim sendo, a pura aquisição de mercadorias destinadas a exportação por empresa comercial exportadora, antes da vedação imposta pela lei 10865/2004, não pode ser considerada irregular. Por outro lado, as mercadorias adquiridas com finalidade de exportação, objeto da presente celeuma, além de açúcar, eram sempre álcool etílico, o qual pode ser anidro carburante ou hidratado carburante (AEAC ou AEHC). Quanto ao álcool, a Recorrente não argüiu nos autos acerca da legitimidade do aproveitamento de créditos de PIS relativamente ao AEAC ou AEHC. Apenas em sede de memorial traz argumentos quanto à legitimidade de seu procedimento, dos quais destaco o seguinte excerto: Desta forma, concluise que o Álcool Etílico ( anidro ou hidratado) exportado pela Recorrente não está sujeito às normas da ANP, por não se destinar a distribuidores de combustíveis estabelecidos no país, razão pela qual não pode ser enquadrado na Lei n. 9847/99 e muito menos considerado como “fins carburantes”, de que resulta a impossibilidade de submetêlo ao regime monofásico das contribuições sociais. Ao meu ver, não merece guarida a consideração da Recorrente. A monofasia do PIS e da COFINS sobre o álcool etílico, instituída pela lei 10.147/2000, independe da Fl. 304DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000241/200471 Acórdão n.º 3802001.198 S3TE02 Fl. 117 13 destinação da sua produção – mercado interno ou externo. Tratase de regime tributário próprio da mercadoria, seja ela destinada a exportação ou não. O argumento de estar ou não sujeito às normas da ANP, trazido pela Recorrente, não pode produzir efeitos na órbita tributária, dado que não há qualquer norma tributária que permita tal interpretação. Assim, mesmo reconhecendo que a decisão recorrida pecou por vedar o aproveitamento dos créditos por uma questão formal – a aquisição de mercadorias com finalidade de exportação por empresa comercial exportadora –, a conclusão de impossibilidade do aproveitamento dos créditos relativos à aquisição de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de tributação é inescapável. Destarte, oriento meu voto no sentido de que seja parcialmente provido o recurso voluntário, reformandose a decisão de primeira instância para reconhecer a legitimidade dos créditos relativos às aquisições de açúcar realizadas pela Recorrente. Conclusão Isto posto, conheço do recurso voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO no sentido de reconhecer a legitimidade dos créditos relativos às aquisições de açúcar realizadas pela Recorrente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Voto Vencedor Conselheiro Francisco José Barroso Rios A presente lide integra um dos seis processos em nome de Crystalsev Comércio e Representações Ltda., julgados neste colegiado, os quais, por terem o mesmo objeto, serão tratados de forma conjunta neste voto. Assim, refirome aos processos nos 13856.000239/200401, 13856.000240/200427, 13856.000241/200471, 13856.000242/200416, 13856.000243/2004 61, 13856.000244/200413, os quais, de acordo com as correspondentes decisões de primeira instância, foram formalizados para discutir a nãohomologação de compensações pleiteadas pela recorrente, cujo direito creditório alegado diz respeito a suposto saldo credor do PIS relativo a receitas de exportação, apuradas segundo o regime de incidência nãocumulativa, e correspondentes, respectivamente, aos meses de abril, novembro, outubro, dezembro, maio e março, todos do ano de 2003. Conforme relatórios objeto das decisões recorridas, os créditos do PIS foram calculados em relação a produtos adquiridos com isenção destinados à exportação, bem como em relação a despesas de armazenagem e fretes. Os correspondentes valores foram, contudo, glosados, com a consequente nãohomologação das compensações pleiteadas, sob o fundamento de que “haveria aproveitamento em duplicidade do benefício, tanto na manutenção dos créditos para o fornecedor da interessada, quanto para ela, ao revender as Fl. 305DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 14 mercadorias para o mercado externo, o que caracterizaria novo benefício fiscal sem previsão legal”. Ademais, a empresa considerou como receitas de exportação valores não correspondentes aos consignados nas notas fiscais, tais como complementos de preço e variações cambiais, tributáveis pelo PIS. Inconformada, a recorrente alega, em síntese: a) que as correspondentes lides não dizem respeito a diferenças nos preços consignados nas notas fiscais (complementos de preço, variações cambiais), mas unicamente à inexistência de direito de crédito na aquisição de mercadorias sem incidência do PIS; b) que a receita de exportação só deve ser considerada no momento da transferência da propriedade, devendo ser admitidos, até então, os ajustes: variação cambial e apuração do preço da mercadoria a posteriori; c) que o artigo 3o da Lei 10.637/02, na sua redação original, não trazia óbice à possibilidade de desconto de créditos nas aquisições das comerciais exportadoras; d) que o disposto no artigo 6o, § 4o, da Lei no 10.833/03, segundo o qual o direito de utilizar o crédito não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com fins específicos de exportação, passou a produzir efeitos apenas a partir de 1o/02/2004. Sobre a alegação de que a lide não englobaria as diferenças de preços consignadas nas notas fiscais, penso diferentemente do i. relator. Quanto às despesas com armazenagem e fretes, de acordo com as planilhas de fls. 29 e 93 do processo 13856.000239/200401, tais despesas não foram contabilizadas no anocalendário de 2003, razão pela qual não há porque se pronunciar a respeito delas, posto que não estão envolvidas no litígio (não há glosa a ser examinada). O mesmo se diga em relação a variações cambiais ou quaisquer outras despesas, também não incluídas na base de cálculo da contribuição no ano de 2003. Aliás, é isso que se extrai do “Termo de Encerramento Parcial de Ação Fiscal”, onde se vê, notadamente às fls. 5 a 7, que tais glosas não são discutidas em relação ao ano de 2003 (v. fls. 99 a 101 do processo 13856.000239/200401). Passemos, pois, para o exame da lide, o qual, como se vê, é restrito ao aduzido direito creditório do PIS pela aquisição de produtos adquiridos com isenção destinados à exportação. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep (e para a COFINS) foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000241/200471 Acórdão n.º 3802001.198 S3TE02 Fl. 118 15 A legislação pertinente ao regime autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem ressalvas ao direito de creditamento em tela. Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição (§ 2º, inciso II, do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Tal alteração normativa, no caso do PIS, passou a viger a partir de 1º de agosto de 2004, conforme artigo 46, inciso IV, da Lei nº 10.865/20041, segundo o qual referida alteração passaria a produzir efeitos a partir do primeiro dia do quarto mês subseqüente ao de sua publicação, que, no caso, ocorreu em 30/04/2004 (para a COFINS, os efeitos foram a partir de 1º de fevereiro de 2004, nos termos do artigo 93, inciso I, da Lei nº 10.833/20032). A tese sustentada pela defesa se alicerça, exatamente, no argumento de que referida alteração normativa não poderia atingir os fatos geradores em litígio, que, como ressaltado, dizem respeito ao PIS dos meses de abril, novembro, outubro, dezembro, maio e março, todos do ano de 2003. Na primeira versão do voto do i. conselheiro relator, este, relativamente à finalidade da sistemática nãocumulativa do PIS, ressaltou que tal desiderato “pressupõe para fins de geração de crédito do tributo, a incidência desta [da contribuição], senão econômica, ao menos juridicamente, em etapa anterior, compensandose assim o valor da contribuição 1 Lei 10.865, de 30/04/2004 Art. 37. Os arts. 1o, 2 o, 3 o, 5 o, 5 oA e 11 da Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: [...] "Art. 3o..................................................................... [...] § 2o Não dará direito a crédito o valor: [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. ....................................................................." (NR) [...] Art. 46. Produz efeitos a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subseqüente ao de publicação desta Lei o disposto: [...] IV – nos arts. 1o, 2 o, 3 o e 11 da Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, com a redação dada pelo art. 37 desta Lei. 2 Lei 10.833, de 29/12/2003 Art. 93. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeito, em relação: I aos arts. 1o a 15 e 25, a partir de 1o de fevereiro de 2004; Fl. 307DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 16 devida com o montante cobrado na operação anterior, no intuito de incentivar determinados setores da economia, bem como desonerar os contribuintes do efeito cascata impingido pela sistemática cumulativa, de modo a contribuir com a neutralidade tributária”. Nesta sessão de julgamento, todavia, o i. colega reconsiderou e passou a dar parcial provimento ao recurso sob o fundamento de que, à época da ocorrência dos fatos geradores, inexistia norma expressa que impedisse o aproveitamento dos créditos na apuração do PIS devido relativamente a aquisições de mercadorias por comercial exportadora. Acolheu, portanto, a tese defendida pela reclamante, segundo a qual vedação nesse sentido só teria passado a viger a partir da edição da Lei no 10.865/2004. Pelas razões que passo a expor, peço vênia para discordar. Primeiramente, entendo que o regime da nãocumulatividade das contribuições sociais (PIS e COFINS) pressupõe, efetivamente, a incidência do tributo em etapa anterior. Exatamente para evitar a incidência em cascata do tributo na cadeia produtiva foi que o legislador criou o regime em tela, por meio do qual viabilizou a compensação da contribuição devida pela própria empresa com a contribuição anteriormente exigida na etapa anterior do ciclo produtivo do bem ou serviço. Tal entendimento se extrai, primeiramente, da exposição de motivos da Medida Provisória no 66, de 29 de agosto de 20023 – posteriormente convertida na Lei no 10.637/2002 –, conforme excertos a seguir reproduzidos: [...] 2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep. 4. Cumpre esclarecer que qualquer alteração que tenha por premissa manter o montante arrecadado implica, necessariamente, a redistribuição da carga tributária entre setores. 5. No caso específico do setor agroindustrial, constatase uma significativa relevância na aquisição de insumos que, no modelo proposto, não resultaria em transferência de créditos, porquanto não estão sujeitos à tributação – como é o caso de insumos adquiridos de pessoas físicas. 3 Fonte: http://www.fazenda.gov.br/portugues/releases/2002/r020903_em.asp (acesso em 30/08/2012, às 12:00). Fl. 308DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000241/200471 Acórdão n.º 3802001.198 S3TE02 Fl. 119 17 Isto posto, optouse por conceder um crédito presumido no montante correspondente a setenta por cento das aquisições de insumos feitas a pessoas físicas, com vistas a minorar o desequilíbrio entre débitos e créditos. Esse crédito presumido será adicionado aos créditos naturalmente já admitidos no modelo. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. [...] (grifos e destaques nossos) Da exposição de motivos da MP no 66/2002 destacamos o disposto em seu item 2, que é explícito quando se refere à introdução da sistemática de cobrança “em regime de valor agregado” – com a compensação do que foi pago na etapa anterior, portanto –, bem como as razões apostas no item 5, e seu correspondente subitem 1, onde o Exmo. Sr. Ministro da Fazenda justifica a criação de um crédito presumido para o setor agroindustrial em vista da normalmente significativa aquisição de insumos, por parte dessas empresas, de pessoas físicas, as quais, por não estarem sujeitas à contribuição, inviabilizam a transferência de créditos (e isso ocorre, precisamente, porque não há o que se transferir). Assim, para estimular tal setor e “minorar o desequilíbrio entre débitos e créditos” (já que a empresa, repitase, não se credita de contribuição pelas aquisições de pessoas físicas), é que foi criado um mecanismo de concessão de crédito presumido para a empresa agroindustrial, que, a rigor, nada tem a ver com o regime compensatório da nãocumulatividade (vide § 5º do artigo 3o da MP 66/20024). Continuando com fundamentos adicionais que me fazem decidir pela impossibilidade de reconhecimento do direito creditório guerreado, chamo atenção para o disposto no artigo 5o da Lei no 10.637/2002 (redação original): Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; 4 § 5º Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 11, e nos códigos 0504.00,07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.13, 15.17 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 18 III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (grifo nosso) O artigo 5o da Lei no 10.637/2002 relaciona as hipóteses em que não há incidência do PIS. Dentre elas, chamamos atenção para o disposto nos incisos I e III, que contemplam a exportação de mercadorias bem como as vendas para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Na seqüência, temos o preceito de que trata o § 1o, segundo o qual, na hipótese do referenciado dispositivo (artigo 5o), “a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de”: a) dedução da contribuição a recolher (inciso I do § 1o), ou; b) para compensação com outros débitos tributários próprios (inciso II do § 1o). Como se vê, a possibilidade de desconto de créditos calculados na forma do artigo 3o da lei em evidência, para as hipóteses de que trata o artigo 5o (que, como ressaltado, contempla a não incidência do PIS em relação à exportação de mercadorias e às vendas para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação), é limitada à “pessoa jurídica vendedora” (§ 1o), em outras palavras, à pessoa jurídica que vende para “empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação” (artigo 5o, inciso III). Assim, seja pela própria natureza do regime da nãocumulatividade do PIS, seja em virtude da vedação legal indireta (posto que a norma, nos casos expressamente enunciados no artigo 5o da Lei no 10.637/2002, só permite a utilização de crédito pela pessoa jurídica que vendeu à comercial exportadora – e não por esta), é inadmissível aceitar possibilidade em que haja nova utilização de crédito pela comercial exportadora, crédito este já contemplado em relação à empresa que vendeu os produtos à primeira com o fim específico de exportação. Vale lembrar ainda o disposto no caput do artigo 7o da mesma Lei no 10.637/2002 (abaixo transcrito), que reforçando o entendimento de que o encerramento da cadeia da nãocumulatividade se dá no vendedor à comercial exportadora, exige, da comercial exportadora adquirente de produtos para exportação que não os exportou no prazo de 180 dias, o recolhimento dos tributos não pagos pela empresa vendedora. Art. 7o A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de Fl. 310DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000241/200471 Acórdão n.º 3802001.198 S3TE02 Fl. 120 19 exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago. Por fim, quanto à inovação legislativa objeto da Lei no 10.865/2004, que, no § 2o do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, inseriu hipótese de vedação ao crédito quando “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”, tal dispositivo legal objetivou alcançar as transações realizadas no mercado interno, já que, em relação às empresas comerciais exportadoras adquirentes de produtos destinados especificamente à exportação, a vedação a quaisquer créditos já estava prevista na redação original da Lei no 10.637/2002, conforme demonstrado. Uma vez comprovada a impossibilidade de creditamento do PIS por empresa comercial exportadora adquirente de produtos destinados especificamente para exportação, irrelevante qualquer análise adicional concernente à natureza do produto comercializado. Com essas razões, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 311DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 10909.004753/2009-61
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2005
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO ACERCA DA CARGA TRANSPORTADA.
Aplica-se a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66, em caso de descumprimento da obrigação de registrar o embarque no Siscomex, prazo e condições estabelecidos pela Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. ATRASO NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 49.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula nº 49, CARF).
Numero da decisão: 3802-001.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Celani que dava provimento ao apelo recursal.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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INFORMAÇÃO ACERCA DA CARGA TRANSPORTADA. Aplicase a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66, em caso de descumprimento da obrigação de registrar o embarque no Siscomex, prazo e condições estabelecidos pela Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. ATRASO NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula nº 49, CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Celani que dava provimento ao apelo recursal. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 47 53 /2 00 9- 61 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento. Relatório A contribuinte COMPANHIA LIBRA DE NAVEGAÇÃO interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0727.131, proferido em primeira instância pela 2ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM FLORIANOPÓLIS – DRJ/FNS, que julgou parcialmente improcedente a Impugnação apresentada, mantendo, em parte, o crédito tributário exigido. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da Impugnação, adotase o relatório confeccionado pela autoridade julgadora de primeira instância: “O presente Auto de Infração, no valor R$690.000,00, foi lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar as informações dos dados de embarque de mercadorias para exportação, no Siscomex, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõem os artigos 37 e 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto lei 37, de 1996, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Conforme consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 02/05), as informações foram registradas pelo autuado após o prazo de sete dias estabelecido no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF nº 510, de 2005. A auditoria informa que a multa pela infração deve ser aplicada uma vez por transportador e por veículo, nos termos da legislação, em cada embarque, sendo irrelevante o número de despachos de exportação que tiverem seus dados informados fora do prazo, conforme as telas extraídas do Siscomex, e que na planilha (fls. 06/09) consta apenas um dos despachos de exportação por navio para caracterizar a infração. Intimada do lançamento (fl. 01), a interessada apresentou a impugnação de fls. 318/345, na qual, em breve síntese: Alega, preliminarmente, a sua ilegitimidade passiva, pois, em grande parte dos casos, atuou como agente de navegação e não como transportador marítimo, sendo mero mandatário deste. Afirma que é o transportador o responsável pela informação, Desta forma, não pode o agente (mandatário) ser penalizado por obrigações imputáveis ao transportador (mandante), sob pena de afronta a diversos artigos legais e à Constituição Federal. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10909.004753/200961 Acórdão n.º 3802001.760 S3TE02 Fl. 112 3 Aduz que o auto de infração é nulo, por vício formal, pois a descrição dos fatos foi realizado de forma incompleta e incorreta, por terlhe atribuído a qualidade de transportador e por pretender atuála por faltas do transportador. Além disto, não foram apresentadas as datas dos fatos geradores ou a conexão entre estes e os documentos apresentados. Tais fatos ocasionam a restrição ao exercício do seu direito ao contraditório e à ampla defesa. No mérito, alega ausência de tipicidade, pois o registro houve, mesmo que a destempo. A conduta da requerente não caracteriza o tipo legal sob o qual se justifica a imposição de multa, uma vez que as informações foram repassadas à autoridade aduaneira sem que houvesse qualquer cobrança ou exigência por parte dela, o que não pode configurar embaraço à fiscalização. Além disto, informa que depende de repasse de informações do exportador para regularizar a situação, motivo pelo qual não pode ser penalizado. Relaciona os casos em que foram solicitadas alterações pelos clientes (fls. 338/339) e os casos em que estes se comprometeram de, eles próprios, apresentarem as informações à Receita Federal (fls. 339/340). Afirma que não se pode olvidar dos casos em que a própria Receita Federal concede prazo diferenciado para a prestação de informações, tais como cargas refrigeradas, entre outras, enumeradas na planilha à fl. 341. Argui que as informações foram prestadas antes que o procedimento fiscal fosse instaurado, o que equivale a uma denúncia espontânea da infração, nos moldes do art. 138 do Código Tributário Nacional. Informa que sempre agiu com diligência para com a autoridade fiscal, mantendo uma postura íntegra, no sentido de esclarecer os fatos e instruir corretamente os procedimentos da fiscalização exigidos para o caso. Requer que a presente infração seja anulada ou seja julgada insubsistente, com o cancelamento das multas.” O órgão julgador entendeu, com fulcro nos arts. 121, parágrafo único, II, 124, II e 128 do CTN em conjunto com os arts. 32, II, 37, §1º e 95, II do Decreto nº 37/66, que o sujeito passivo é legítimo para figurar no pólo passivo do presente processo, uma vez que, na condição de agente marítimo, a empresa representa o transportador estrangeiro, fazendolhe as vezes e informando no Siscomex os dados relativos às mercadorias exportadas. Além disso, foi afastada a preliminar de nulidade do Auto de Infração, posto que o mesmo “não contém nenhum defeito formal que decrete sua nulidade” e “apresenta a correta descrição dos fatos e o enquadramento legal da infração e das exigências impostas”, o que se evidencia pelo fato de que “a própria impugnação apresentada revela que a interessada é sabedora dos motivos pelos quais o lançamento foi realizado”. Quanto ao mérito, a decisão recorrida foi clara ao afirmar que o cumprimento da obrigação acessória prescrita no art. 37, §2º da Instrução Normativa SRF nº 28/94 não Fl. 431DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 consiste apenas em prestar informações no Siscomex, mas também de prestálas no prazo fixado pela legislação vigente, razão pela qual não há dúvidas quanto à caracterização da infração imposta. Por fim, a alegação de que a transmissão das informações referentes aos embarques, ainda intempestividade, configuraria denúncia espontânea a ensejar o cancelamento da multa, na forma do art. 138 do CTN, não foi acolhida, na medida em que “o registro dos dados de embarque após o prazo regularmente estabelecido não caracteriza a denúncia espontânea aludida pela defesa, mas sim, precisamente, a conduta infracional cominada pela multa regulamentar em relevo”. Os motivos fornecidos pela 2ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM FLORIANOPÓLIS – DRJ/FNS para negar provimento à Impugnação da contribuinte foram sintetizados na forma da ementa que segue: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de Apuração: 18/01/2005 a 29/12/2005 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DO EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para via de transporte marítima, caracteriza a infração contida na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei nº 37/966. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE O instituto da denúncia espontânea, não alcança as penalidades aplicadas em razão do descumprimento de obrigação acessória autônoma, como é o caso da informação dos dados de embarque de mercadoria destinada à exportação, prestado fora do prazo estabelecido normativamente pela Secretaria da Receita Federal, cuja sanção visa a disciplinar o cumprimento tempestivo da obrigação acessória por parte dos transportadores e de seus representantes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificada acerca do posicionamento acima, a contribuinte interpôs tempestivamente o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos aduzidos na peça impugnatória. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10909.004753/200961 Acórdão n.º 3802001.760 S3TE02 Fl. 113 5 Da ilegitimidade passiva Admitida pela Recorrente a ocorrência do registro a destempo das informações referentes aos embarques objeto da autuação, a mesma pretende se eximir do pagamento das multas cominadas alegando não ser a responsável pelo cometimento das infrações apontadas pela autoridade. Isto porque, de acordo com suas afirmações teria atuado em grande parte dos casos como agente de navegação dos transportadores MONTEMAR MARÍTIMA S/A e COMPAÑIA SUD AMERICANA DE VAPORES e não como transportador marítimo, razão pela qual não poderia ser penalizada pelo descumprimento de obrigações imputáveis ao transportador, tendo em vista a inexistência de previsão legal de aplicação de multa em face do agente. Aduz em seu favor que “não se pode extrapolar os limites de responsabilidade e, muito menos, atribuir penalidades a quem, de acordo com a própria legislação não era o sujeito passivo do dever de prestar informações.”. Compulsando os autos, verificase das telas de consulta do Siscomex que, diferentemente do que alega a Recorrente, a mesma consta como “transportador”, não tendo sido acostada aos autos qualquer documentação que confrontasse tal informação. Outrossim, o DecretoLei nº 37/66 em seu art. 37, §1º, determina que “o agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas.”, sendo certo que a definição dada ao agente de carga ao tempo do diploma legal em tela se coaduna com o conceito contemporâneo de agente de navegação. Nesse sentido, cumpre esclarecer que a partir da publicação da Instrução Normativa nº 800/07, o agente de navegação passou expressamente a responder como representante da empresa de navegação, cabendolhe prestar as informações pertinentes e arcar com as penalidades decorrentes de seu descumprimento, como se infere da leitura conjunta dos arts. 5º e 6º do referido ato normativo, in verbis: Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. Art. 6º O transportador deverá prestar à RFB informações sobre veículo e as cargas nacional, estrangeira e de passagem nele transportadas, para cada escala da embarcação em porto alfandegado. Assim sendo, por ausência de provas hábeis e idôneas para comprovarem a alegação da Recorrente de que atuou nos embarques englobados pelo Auto de Infração como agente de navegação e considerando que o agente marítimo responde como representante do transportador internacional no Brasil quando no exercício exclusivo e próprio, não acolho o argumento da Recorrente. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Da nulidade do auto de infração e da não caracterização da infração imposta Segundo defendido pela Recorrente o Auto de Infração seria nulo posto que não foram atendidos os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, sobretudo a descrição dos fatos, e que, por isso, teria sido cerceado seu direito de defesa, sendo ofendidos as garantias da ampla defesa e do contraditório. O vício de nulidade suscitado pela Recorrente não merece ser acolhido, na medida em que não se verificam na espécie quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. O Auto de Infração guerreado preencheu todas as formalidades exigidas, apontando as razões de fato e os fundamentos de direito ensejadores da cobrança, fornecendo à contribuinte todos os elementos necessários à elaboração de sua defesa. Logo, ante a inexistência de vício capaz de macular o lançamento e as demais fases do presente processo de nulidade, rejeito os argumentos aventados pelo sujeito passivo nesse sentido. Além desta preliminar de nulidade, arguiu a Recorrente que não restou caracterizada a infração imposta, na medida em que a multa prevista no art. 107, IV, e do Decreto nº 37/66 se aplica aos casos em que não for prestada informação sobre veículo ou carga, o que não ocorreu na espécie, posto que a contribuinte prestou todas as informações devidas de forma espontânea, ainda que a destempo. Deste modo, não houve embaraço à atividade de fiscalização aduaneira como descrito no art. 44 da Instrução Normativa nº 28/94, uma vez que o transportador, através de seu agente, buscou sanar eventuais equívocos prestando a informação antes mesmo que a fiscalização tomasse conhecimento do fato. A argumentação é refutada pela perfunctória leitura do indigitado art. 107, IV, e do Decreto nº 37/66, oportunamente transcrito a seguir: Art. 107 Aplicamse ainda aas seguintes multas: (...) IV – de R$5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (grifouse) É claro, portanto, que a intempestividade da prestação de informações à Receita Federal do Brasil é tal como a sua ausência, infração tipificada, não assistindo razão à Recorrente quando alega a não caracterização da infração imposta. Da denúncia espontânea Fl. 434DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10909.004753/200961 Acórdão n.º 3802001.760 S3TE02 Fl. 114 7 Por fim, a Recorrente busca o cancelamento do Auto de Infração em debate por entender que “eventual infração ficaria descaracterizada por ter ocorrido a comunicação ao órgão responsável ANTES do início de procedimento fiscal, razão pela qual não se pode falar na aplicação da multa prevista no DecretoLei 37/66”. Neste espeque, defende a aplicação do art. 138, do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37/66, assim redigidos: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) A motivação da Recorrente é infundada a todas as luzes, uma vez que o caso presente versa sobre a exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória formal e autônoma de prestar informações na forma e prazos instituídos pela RFB, que não possui vínculo direto com a existência de qualquer fato gerador de tributo, hipótese em que é afastada a aplicação do art. 138, do CTN e, via de consequência a do art. 102 do DecretoLei nº 37/66. Tal entendimento, além de pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça, já foi sumulado por este E. Colegiado na forma da Súmula nº 49, segundo a qual “a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” Deste modo, não merece guarida a alegação da Recorrente. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 436DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.724675/2011-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
GERENCIAMENTO INADEQUADO DO AMBIENTE DE TRABALHO. ADICIONAL RAT. FINANCIAMENTO APOSENTADORIA ESPECIAL.
É devida a contribuição do adicional para o financiamento da aposentadoria especial, se a própria empresa deixou de comprovar o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho e de controlar os riscos ocupacionais existentes, expondo seus trabalhadores a agentes nocivos à saúde e à integridade física.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75% e, em relação a autuação por omissão de fatos geradores em GFIP, para adequação da multa ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ADICIONAL GILRAT Recorrente CIELOS DEL PERU S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 GERENCIAMENTO INADEQUADO DO AMBIENTE DE TRABALHO. ADICIONAL RAT. FINANCIAMENTO APOSENTADORIA ESPECIAL. É devida a contribuição do adicional para o financiamento da aposentadoria especial, se a própria empresa deixou de comprovar o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho e de controlar os riscos ocupacionais existentes, expondo seus trabalhadores a agentes nocivos à saúde e à integridade física. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 46 75 /2 01 1- 90 Fl. 801DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75% e, em relação a autuação por omissão de fatos geradores em GFIP, para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.724675/201190 Acórdão n.º 2402003.736 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativas à parcela desses segurados não descontada, não recolhida em época própria, e à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), bem como o respectivo adicional à aposentadoria especial e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros, para as competências 01/2007 a 13/2008, decorrentes da remuneração do segurado Sr. Ricardo Pascoal Rubio, em face de sentença trabalhista exarada nos autos do processo judicial nº 001080082.2008.5.15.0093. O Relatório Fiscal informa que os créditos tributários foram constituídos por meio dos seguintes lançamentos fiscais: 1) Auto de Infração DEBCAD nº 37.340.1795: abrange contribuições previdenciárias devidas pela empresa à Seguridade Social, bem assim ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT. Abrange os seguintes levantamentos e suas características: a) Levantamento "PT1" multa de ofício período de 01/2007 a 08/2007: tem por base de cálculo as remunerações devidas ao segurado empregado Ricardo Pascoal Rubio, e aferidas, conforme determinadas pela Justiça do Trabalho, nos autos do processo de reclamação trabalhista nº 001080082.2008.5.15.0093 (6a. Vara do Trabalho de Campinas). b) Levantamento "PR1" multa de ofício período de 01/2007 a 08/2007: referese ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, mediante a cobrança de alíquota adicional de 4%. Tem por base de cálculo as remunerações devidas ao segurado empregado Ricardo Pascoal Rubio, e aferidas, conforme determinadas pela Justiça do Trabalho, nos autos do processo de reclamação trabalhista nº 001080082.2008.5.15.0093 (6a. Vara do Trabalho de Campinas). c) Levantamento "DAL" Diferença de Acréscimos Legais: referese às competências 12/2007, 01 e 03/2008, onde os recolhimentos espontâneos constantes das Guias da Previdência Social GPS apresentadas pelo contribuinte ou extraídas dos sistemas Informatizados da Receita Federal apresentaram divergências nos valores recolhidos. d) Levantamento “ROI” multa de ofício período de 01/2007 a 10/2008: referese ao percentual adicional (4%) relativo ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT). Constitui bases de cálculos os valores declarados pelo contribuinte em suas folhas de pagamentos, relativamente ao Departamento de Trafego. Sustenta que os valores declarados em GFIP, não integram o lançamento. Fl. 803DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A fiscalização descreve vários aspectos aos documentos relativos ao gerenciamento de riscos ocupacionais realizado pelo contribuinte, aduzindo informações específicas relativas ao Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP), Programa de Prevenção de Riscos Ocupacionais (PPRA), Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e Laudo Técnico das Condições de Ambiente do Trabalho (LTCAT). Em face da análise levada a efeito, conclui a fiscalização: “Em Nenhum Relatório, PPRA, PCMSO, PPP ou LTCAT apresentado, foi identificado a função de Mecânico de Aeronaves, manutenção de Aeronaves, etc... Porém é certo que existia essa função, tanto que na fls n. 17 do L.R.E. n.001,(cópia anexa) existe um registro, desde 02/01/2004 até 14/08/2007 numa função que reabastece a aeronave com querosene de aviação QAV1, e tem contato direto com graxas e óleos. Os itens acima deixam evidenciados, que existem trabalhadores expostos permanentemente a agentes nocivos prejudiciais a saúde, de maneira não eventual ou intermitente. Ainda, quando intimada pelo Termo de Intimação Fiscal n. 003 de 03/08/2011, a fazer a "indicação dos funcionários que tenham atividades nas áreas de depósitos, armazenamento e manipulação de produtos químicos, bem como os que operam com manutenções e abastecimentos das aeronaves" em 29/08/2011, não o fez !. Somente em 10/10/2011 identifica que para este item solicitado, havia um funcionário que era mecânico de aeronaves. Os relatórios anuais do PCMSO quando apresentados, denunciam que nem mesmo os trabalhadores que estão expostos a um nível de ruído acima dos limites de tolerância, fizeram os exames mínimos que a legislação obriga, ou seja, que nem todos os trabalhadores estão sendo monitorados; 4. Os monitoramentos realizados e apresentados nesta Ação, indicam falhas no gerenciamento dos Riscos Ocupacionais, pois nenhum laudo para agentes químicos foi apresentado; 5. A inconsistência entre LAUDOS/PPRA E PCMSO, apresentadas, impedem que medidas eficazes de controle dos agentes nocivos sejam implementadas, monitoradas e avaliadas. 6. A informação declarada em Guias De Recolhimento Do Fundo De Garantia Do Tempo De Serviço e informações a previdência GFIP, relativa a exposição a agentes nocivos é totalmente conflitante com a realidade aqui apresentada, ao informar que nenhum empregado está exposto a agente nocivo, informação esta que nos parece ter intuito único de elidir da tributação do adicional do RAT; As Avaliações e Laudos informam que a empresa fornece protetores auriculares aos trabalhadores expostos a ruído, recomenda o uso de filtro respiratório no manuseio e na presença de riscos químicos, porém isto não é garantia, nem certeza da atenuação desejada. Não discute, nem leva à ClPA os resultados dos monitoramentos, as avaliações, os reconhecimentos de riscos, nem deixa que funcionários discutam tais ações no PPRA, pois, entre os Planos Fl. 804DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.724675/201190 Acórdão n.º 2402003.736 S2C4T2 Fl. 4 5 De Ações Corretivas apresentadas, não foi encontrada nenhuma que abordasse estes assuntos; F. DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO A Legislação Previdenciária considera condição especial, ensejadora do direito à aposentadoria especial, a exposição do trabalhador de forma habitual e permanente a um nível médio de ruído acima de 90 dB(A) durante uma jornada de trabalho de 8h, ou a dose equivalente, ou mesmo a exposição a agentes Químicos acima de limites toleráveis. Esta auditoria, com base em tudo o que já foi aqui exposto, conclui que não há suporte nos documentos e informações apresentados para endossar as declarações via GFIP, de que a empresa não expõe seus trabalhadores a nível de ruído e agentes químicos acima do limite de tolerância. Muito pelo contrário. Assim, face ao disposto aqui, não há que se falar em possibilidade de validação dos dados ali confessados, em razão da completa falta de suportabilidade documental dos elementos apresentados, e por conseqüência a mínima demonstração de coerência entre os documentos primários de informação e a GFIP. 4.Destarte, cabe a esta auditoria fazer o lançamento arbitrado da contribuição adicional referente ao financiamento da aposentadoria especial, ex vi do art. 57, § 6.° da Lei n.° 8.213/91, introduzido pelo art. 1° da Lei n.° 9.732/98; c/c o parágrafo terceiro do art. 33 da Lei n.° 8.212/91, e do art. 233 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99.” 2) Auto de Infração Al DEBCAD nº 37.340.1817: abrange contribuições à Seguridade Social devidas por segurados empregados, não objeto de desconto por parte do contribuinte. Constante do levantamento "PT1". 3) Auto de Infração DEBCAD nº 37.340.1809: abrange contribuições devidas aos Terceiros FNDE Salárioeducação, INCRA, e Fundo Aeroviário, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a seus empregados, declaradas pelo contribuinte em suas folhas de pagamentos e nos autos do processo de reclamação trabalhista nº 001080082.2008.5.15.0093 (6a. Vara do Trabalho de Campinas). Constante do levantamento "PT1". Considerando as alterações da Lei 8.212/1991 pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e em atenção ao disposto na alínea "c" do inciso II do artigo 106 da Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional, foram comparadas as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e as impostas pela legislação superveniente, tendo sido aplicadas as penalidades mais benéficas para o contribuinte. Conforme Comparativo das multas, anexo, a multa de Ofício, neste caso é mais benéfica que a Multa Antiga, para todo o período. A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 587/610) – acompanhados de anexos –, alegando, em síntese, que: Fl. 805DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 DA IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO Nº 37.340.1795 1. A fiscalização entendeu como correto determinar a majoração da tributação supostamente devida pela impugnante, em razão do suposto risco a que o trabalhador Sr. Ricardo Pascoal Rubio estava exposto no seu ambiente laboral; que as considerações da fiscalização são totalmente insubsistentes; 2. No que se refere ao Perfil Profissiográfico Previdenciário – PPP aduz que todas as informações necessárias foram apresentadas pela impugnante; que a função exercida pelo Sr. Ricardo Rubio foi descrita pelo Sr. Perito o Judicial nos autos da reclamação trabalhista como a de supervisão da equipe de abastecimento; cita pronunciamento do Expert judicial; que não há que se falar em ausência de informações quanto às funções exercidas pelo referido segurado e tampouco sobre eventual exposição à atividade perigosa; que o segurado não executava efetivamente a função de abastecimento das aeronaves, não estando, portanto, submetido ao suposto risco de manuseio de produto inflamável, como afirma a fiscalização; que o segurado exercia a função de supervisor desde 15/08/2007; que a função de mecânico de aeronaves não era mais exercida pelo mesmo desde 14/08/2007; que tal fato consta da sentença proferida na reclamação trabalhista; cita parte do ato judicial. Não se pode confundir as funções exercidas por um mecânico, com a função exercida pelo supervisor de operações; que, na primeira, o risco é inerente a função exercida, uma vez que o colaborador está diretamente em contato com condições adversas a salubridade no ambiente de trabalho; que, na segunda, a função de supervisor implica em exercer atividades tais delegar e supervisionar as atribuições realizadas pelos mecânicos; 3. O Auditor Fiscal da Receita Federal não possui competência para enquadrar qualquer colaborador, em qualquer nível função para auferir periculosidade; que nem mesmo houve pelo Auditor qualquer inspeção no local de trabalho em relação às funções exercidas pelo segurado; que, para se configurar atividade em condição perigosa é necessária a comprovação, por intermédio de perícia técnica especializada, do contato permanente com inflamáveis ou explosivos em condições de risco acentuado, conforme determina o artigo 193 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, que transcreve; que, não obstante a ausência de comprovação nos presente autos de realização de vistoria técnica especializada, em momento algum nos autos da mencionada reclamação trabalhista restou comprovado que o segurado experimentou a condição de risco acentuado; que, ao contrário, perícia técnica realizada nos autos da reclamação trabalhista assevera que a partir de 15/08/2007 o segurado exercia o cargo de supervisor, não tendo, portanto, contato direto com as supostas substâncias inflamáveis; cita julgados; invoca a Súmula nº 364 do Tribunal Superior do Trabalho – TST; 4. Pelo fato do segurado exercer a função de supervisor a partir de 15/08/2007, antes desse período não há que se falar em exposição à situações de risco porque nenhuma carga considerada perigosa entra ou sai do aeroporto de Viracopos sem que esteja embalada de acordo Fl. 806DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.724675/201190 Acórdão n.º 2402003.736 S2C4T2 Fl. 5 7 com as normas técnicas; que o mesmo se diz quanto ao seu manuseio, que é realizado por funcionários especializados da Infraero, motivo pelo qual recebem adicional de periculosidade; transcreve o item 6.1 da IAC n° 1531001 que trata das orientações para o transporte de artigos perigosos em aeronaves civis (capítulo que trata do manuseio, movimentação, armazenagem e entrega dos artigos perigosos); que, nos termos do item 4 da NR n° 16, o manuseio, armazenagem e transporte de líquidos inflamáveis em embalagens certificadas não caracterizam a periculosidade; transcreve o item 4, do anexo 2, da NR 16; 5. No que se refere ao Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, sobre a afirmação da fiscalização segundo a qual o nível de ruído chega a 89 decibéis, em situações de pico e que esta seria uma exposição causadora de danos ao empregado, a própria fiscalização assevera que tal exposição não é contínua e, ainda, "que a exposição diária, estão abaixo do limite de tolerância"; que na NR nº 15, editada pela Portaria GM n:° 3.214; de 08 de junho de 1978, são estabelecidas as atividades e operações insalubres constando os limites de ruídos permitidos para os ambientes de trabalho; transcreve; que o fato de existir no ambiente de trabalho "PICOS" de ruídos em 89 decibéis não é capaz de gerar qualquer dano ao trabalhador; que a impugnante fornece todos os equipamentos de segurança e proteção, suficientes para a redução da exposição de cada trabalhador; 6. Em relação à apresentação de Laudo Parcial pela impugnante, tal alegação não prospera; que foi apresentado Laudos completos referentes ao ano de 2007; que pelo item 9.2.1.1 da Norma Regulamentar n° 09, o PPRA deve ser realizado uma vez ao ano e, então, apresentado ao órgão competente; que, dessa forma, os laudos apresentados estão completos e realizados na forma determinada, uma vez ao ano; em relação ao ano de 2008, assim que solicitado à impugnante o PPRA referente a tal período, este será apresentado oportunamente; que a permissão para apresentação de laudo em momento oportuno é expresso no Regulamento da Previdência Social RPS, em seu artigo 291; que há processo administrativo específico para apurar o cumprimento, pela impugnante, de obrigações acessórias, como a apresentação de Laudos e Programas; requer a concessão de prazo suplementar nos autos do processo administrativo nº 10830.724677/201189, para regularizar a apresentação do PPRA, conforme dispõe o artigo 291, do RPS; que as condições do ambiente de trabalho não se alteram radicalmente, bastando por si só os documentos apresentados no momento oportuno. DA ILEGALIDADE DA APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA ADICIONAL DE 4% DO RAT 1. O ato normativo que estabelece a alíquota adicional aplicável de RAT é a Instrução Normativa n° 971/2009; que o artigo 72, § 2°, I, "a" da IN 971/2009, estabelece que sobre a remuneração dos segurados que Fl. 807DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 exerçam atividades em condições especiais, tendo direito à aposentadoria especial por serem expostos a produtos perigosos para fins de determinação da contribuição social, especificamente, deve incidir a alíquota conforme o risco enfrentado; que a fiscalização violou o princípio da legalidade previsto no texto constitucional, bem como no Código Tributário Nacional; traz considerações sobre o princípio da legalidade, notadamente, em relação ao artigo 150 da Constituição Federal de 1988, artigo 97 do CTN, concluindo que é descabida a aplicação do percentual adicional da alíquota de 4% relativa ao RAT, uma vez que Instrução Normativa não é o instrumento cabível para a majoração de alíquota, para fins tributários; cita julgado administrativo ocorrido nos autos do processo administrativo nº 10108.000476/200195, sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, bem assim, julgado judicial; 2. O lançamento abrange os anoscalendários de 2007 e 2008; que a majoração da alíquota do RAT decorre da Instrução Normativa n°. 971/2009; que, portanto, ainda que a majoração fosse amparada pelo ordenamento jurídico (sendo instituída por meio de lei), necessário se faz esclarecer que o lançamento tributário deve ser realizado com base na lei vigente à época do fato, conforme determina o artigo 144 do CTN; que a alíquota majorada através da Instrução Normativa, se não fosse ilegal, somente poderia gerar efeitos para fatos geradores futuros, conforme expressamente previsto pelo artigo. 105 do CTN. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas/SP – por meio do Acórdão 0538.764 da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 721/741) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que, com relação ao Levantamento “ROI”, foram excluídos os valores lançados nas competências 12/2007 a 07/2008 e, para os levantamentos “PT1” e “PR1”, o lançamento foi declarado nulo nos seguintes termos: “Ora, por força do princípio da improrrogabilidade da jurisdição, os Autos de Infração merecem ser declarados nulos em relação aos levantamentos “PT1” e “PR1”, uma vez que a manutenção das lavraturas fiscais no âmbito do contencioso administrativo, tal qual posto nos autos, caso não haja pagamento pelo contribuinte, implicará inscrição em Dívida Ativa da União, promovendose a sua execução pela forma do executivo fiscal junto à Justiça Federal, em violação à competência material executiva da Justiça do Trabalho. Também merece ser reconhecida a nulidade em virtude de que a tarefa executiva relativa às contribuições devidas à Seguridade Social, no que tange às verbas reconhecidas em processo trabalhista, não pode ser delegada à Receita Federal do Brasil, havendo vício de competência quando da constituição de crédito tributário pelo órgão administrativo. Pelo exposto, harmonizandose os mandamentos sentenciais citados, há que se concluir que a Justiça do Trabalho determinou que a fiscalização se ativesse à verificação de aspectos não abrangidos pela sentença, como, por exemplo, a existência de tratamento irregular em relação a outros segurados, ou mesmo irregularidades previdenciárias outras que não a contida nos autos da reclamação trabalhista.” Fl. 808DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.724675/201190 Acórdão n.º 2402003.736 S2C4T2 Fl. 6 9 A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Campinas/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Com relação às diferenças de acréscimos legais (levantamento DAL), cumpre esclarecer os valores lançados decorrem de recolhimentos a menor concernente às competências 12/2007, 01/2008 e 03/2008, conforme se verifica no Relatório de Diferenças de Acréscimos Legais, não havendo qualquer vinculação com o levantamento ROI. Logo, não acato a alegação da Recorrente de que – como os valores apurados nas competências 12/2007 a 07/2008, levantamento ROI, foram declarados nulos – os valores apurados no levantamento DAL também deveriam ser declarados nulos. Esse entendimento decorre do fato de os valores do levantamento DAL estão desvinculados do levantamento ROI. Além disso, os valores constantes do levantamento DAL são oriundos exclusivamente da multa aplicada pelo atraso do pagamento das contribuições sociais previdenciárias, nos termos do art. 34 da Lei 8.212/1991. Esclarecemos que foi correta a aplicação da multa pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não Fl. 810DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.724675/201190 Acórdão n.º 2402003.736 S2C4T2 Fl. 7 11 recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996 (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. A Recorrente alega que a cobrança do adicional de RAT é indevida, eis que, em virtude dos laudos técnicos apresentados, houve uma presunção do lançamento fiscal no enquadramento do trabalhador ao agente nocivo do ambiente de trabalho. A Recorrente cingese a argumentar não ter havido qualquer descontrole no gerenciamento dos riscos e agentes nocivos em seu ambiente de trabalho, contudo, sem trazer aos autos comprovação da inocorrência dos fatos devidamente fundamentados pelo Fisco no relatório fiscal, que é a exposição dos segurados no setor Tráfego e Operações (função de mecânico de aeronaves, manutenção de aeronaves) ao agente nocivo de ruído em valores superiores ao limite de tolerância, químicos e umidade, conforme Laudos Técnicos de Condições Ambientais de Trabalho (LTCAT) apresentados durante o procedimento de auditoria fiscal. Verificase que a demonstração da efetiva exposição dos segurados ao agente nocivo de ambiente de trabalho foi feito mediante formulário emitido pela própria empresa, tomando como base os Laudos Técnicos de Condições Ambientais de Trabalho (LTCAT), expedido por médico ou engenheiro de segurança do trabalho, nos termos da legislação trabalhista. Essa situação não significa que a empresa deixou de diligenciar neste sentido, mas sim que, conforme colocado no decisório de primeira instância, as ações tomadas ou omissões perpetuadas não foram suficientes a minorar ou neutralizar os efeitos dos riscos e agentes nocivos presentes no local de trabalho. Ademais, a Recorrente não apresentou, para as competências 01/2007 a 11/2007 e 08/2008 a 12/2008, os documentos referentes ao ambiente de trabalho – tais como os Laudos Técnicos de Condições Ambientais de Trabalho (LTCAT), PROGRAMA DE Fl. 811DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS (PPRA) e PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE SAÚDE OCUPACIONAL (PCMSO), deixando assim de comprovar a veracidade de suas alegações expostas na peça recursal. Com o mesmo entendimento, a decisão de primeira instância manifestouse nos seguintes termos: “[...] Em relação ao período no qual o contribuinte não apresenta os relatórios relativos ao gerenciamento de risco, com acerto o lançamento, na exata medida em que o contribuinte não demonstra de forma completa a não exposição dos seus segurados a agentes nocivos (departamento de tráfego). (...) Pelo exposto, tenho que o lançamento somente merece prosperar em relação ao levantamento “ROI”, e mesmo este, somente em relação às competências 01/2007 a 11/2007 e 08/2008 a 12/2008, uma vez que não houve a apresentação de todos os relatórios atinentes ao gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho, de forma que não há como se proceder à análise da incidência ou não dos adicionais à aposentadoria especial. Com relação à alíquota adicional destinada ao financiamento da aposentadoria especial, o contribuinte se equivoca ao entender como seu fundamento uma Instrução Normativa, como visto, o artigo 57, § 6º, da Lei nº 8.213/91 expressamente remete a cobrança do percentual adicional ao artigo 22, inciso II da Lei nº 8.212/91, de forma que a previsão em Instrução Normativa encontra devido amparo de legalidade na lei de custeio e na lei de benefícios. Ainda, os valores relativos ao levantamento “ROI”, que está sendo mantido parcialmente neste voto, foram extraídos da folha de pagamento do sujeito passivo, e não relativamente a processo trabalhista, especificamente com relação aos segurados que atuam no setor de tráfego, haja vista não haver comprovação de controle pleno quanto à exposição a agentes nocivos em relação a tais segurados. (g.n.) [...]” A regra prevista no art. 58 da Lei 8.213/1991 estabelece que a Recorrente deverá elaborar os formulários com base em laudos técnicos de condições ambientais do trabalho, expedidos por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho, nos termos da legislação trabalhista, fato este não demonstrado pela Recorrente. Lei 8.213/1991: Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo. § 1º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.724675/201190 Acórdão n.º 2402003.736 S2C4T2 Fl. 8 13 § 2º Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo. § 3º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo estará sujeita à penalidade prevista no art. 133 desta Lei. § 4º A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento. Ainda dentro desse contexto fático de saber se o fornecimento de equipamento de proteção individual pela empresa ao segurado excluiria ou não o enquadramento da atividade especial, alinhome ao entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que se pronunciou no sentido de que “o fato de a empresa fornecer ao empregado o Equipamento de Proteção individual – EPI, ainda que tal equipamento seja devidamente utilizado, não afasta, de per se, o direito ao benefício da aposentadoria com a contagem de tempo especial, devendo cada caso ser apreciado em suas particularidades (REsp. 720.082, de 15/12/2005)”. No mesmo caminho pontifica o enunciado da Súmula no 09 da Turma Nacional de Uniformização (TNU), do Juizado Especial Federal (JEF), prevendo que “o uso de Equipamento de Proteção individual(EPI), ainda que elimine a insalubridade, no caso de exposição a ruído, não descaracteriza o tempo de serviço especial prestado”. Esclareço ainda que, exceto para o agente nocivo ruído que já o exigia (antes, foram utilizados os antigos formulários SB40, DISBESBE 5235, DSS8030 e DIRBEN 8030), o Laudo Técnico de Condições Ambientais de Trabalho (LTCAT) passou a ser pressuposto obrigatório para o preenchimento do formulário com o advento do Decreto no 2.172/1997, para o tempo especial a partir de 06/03/1997, que regulamentou nova redação do artigo 58 da Lei no 8.213/1991, dada pela Lei no 9.528/1997. Isso está em consonância com entendimento do STJ (Resp. 354.737, de 18/11/2008). Dessa forma, o que se verifica dos presentes autos, é que a documentação carreada pela empresa não teve o condão de demonstrar a improcedência dos fundamentos fáticos e jurídicos do lançamento fiscal, pois a ausência da documentação completa exigida pela legislação para a correta demonstração do eficaz gerenciamento dos riscos no ambiente de trabalho, quais sejam, os relatórios LTCAT, PPRA, PPP, PCMSO devidamente atualizados e em consonância um com o outro, não foram produzidos pela Recorrente. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendese que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Fl. 814DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.724675/201190 Acórdão n.º 2402003.736 S2C4T2 Fl. 9 15 Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP no 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Embora os fatos geradores tenham ocorridos antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. Por sua vez, o Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; Fl. 815DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Fl. 816DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.724675/201190 Acórdão n.º 2402003.736 S2C4T2 Fl. 10 17 Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13896.907989/2009-35
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/10/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. NECESSIDADE DE SANEAMENTO.
Uma vez constatada a ocorrência de contradição entre o resultado da decisão e os fundamentos desta, deve-se sanear o acórdão com o expurgo dos termos indevidos, de modo a preservar a coerência entre a premissa argumentada e a conclusão adotada.
Numero da decisão: 3803-004.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, sem efeitos infringentes, para eliminar a contradição do acórdão.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/10/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. NECESSIDADE DE SANEAMENTO. Uma vez constatada a ocorrência de contradição entre o resultado da decisão e os fundamentos desta, devese sanear o acórdão com o expurgo dos termos indevidos, de modo a preservar a coerência entre a premissa argumentada e a conclusão adotada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, sem efeitos infringentes, para eliminar a contradição do acórdão. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 79 89 /2 00 9- 35 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.907989/200935 Acórdão n.º 3803004.366 S3TE03 Fl. 317 2 Tratase de Embargos de Declaração interpostos por SND Distribuição de Produtos de Informática Ltda. contra o Acórdão nº 380303.460, de 23 de agosto de 2012, da 3ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), com fulcro no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RI/CARF). O presente processo originarase de Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) transmitido pelo contribuinte supra identificado, relativo a pretenso pagamento da Cofins efetuado a maior, no montante de R$ 3.004,00, cujo direito creditório reclamado neste processo totaliza o valor atualizado de R$ 3.288,36. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e alegou que pretendia comprovar a efetividade da compensação oportunamente, alegando que até aquele momento, não havia localizado os elementos comprobatórios, por se tratar de documentos antigos, em razão do que requereu o deferimento de prazo adicional para a apresentação dos documentos necessários ao exame dos fatos. Informou o então Manifestante que a apresentação do DARF estaria sendo providenciada e que teria havido recolhimento a maior da contribuição, do que decorreria a existência do crédito, cuja compensação pretendiase efetivar. Acrescentou o Manifestante que, no caso de indeferimento da dilação do prazo para apresentação dos documentos, se determinasse a realização de perícia contábil, nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972. A DRJ Campinas/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, tendo decidido não reconhecer o direito creditório por falta de prova, não tendo sido autorizada a dilação de prazo para apresentação de documentos e indeferido o pedido de perícia. Inconformado, o contribuinte recorreu a este Conselho e requereu o deferimento da juntada, em até 30 dias contados da data da protocolização da peça recursal, de laudo contábil comprobatório do direito reclamado, assim como o provimento do Recurso Voluntário para a reforma integral da decisão atacada, com o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação em sua totalidade, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, (i) a necessidade de realização de perícia ou diligência, (ii) a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa; (iii) o direito à compensação da contribuição derivaria do fato de que as receitas financeiras haviam sido incluídas indevidamente na base de cálculo e (iv) a Lei nº 11.941/2009 agasalhou o entendimento do STF sobre a matéria (alargamento da base de cálculo), retirando do ordenamento jurídico o art. 3º e § 1º da Lei nº 9.718/1998. Posteriormente à apresentação do recurso, o Recorrente trouxe aos autos laudo contábil, elaborado, segundo ele, por uma auditoria independente, que, ainda segundo ele, conteria a apuração do crédito pleiteado com base na escrita contábil da empresa, cujo conhecimento seria “imprescindível para a adequada mensuração da exigência”, assim como cópias de comprovantes de arrecadação obtidos no sítio da Receita Federal na internet. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.907989/200935 Acórdão n.º 3803004.366 S3TE03 Fl. 318 3 Em 23 de agosto de 2012, esta 3ª Turma Especial, por meio do acórdão nº 380303.460, decidiu, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, tendo ficado vencido o conselheiro Juliano Eduardo Lirani, que, abstendose de votar o mérito, votou por converter o julgamento em diligência. Na ocasião, fez sustentação oral o Dr. Rogério Pires da Silva, OAB/SP nº 111.399. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/10/2002 PRELIMINAR DE NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade na decisão de primeira instância proferida em total conformidade com as normas do Processo Administrativo Fiscal (PAF) e os elementos fáticos presentes nos autos. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. No voto condutor do acórdão, constaram as razões de indeferimento do pedido de perícia, assim como o fato de que, em razão da apresentação, somente em grau de recurso, dos fundamentos de defesa quanto à natureza do direito creditório, tal matéria não seria apreciada, por se encontrar preclusa, pelo fato de não ter sido exposta na primeira instância administrativa, nos termos exigidos pelo art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF). Como até a impugnação, o contribuinte não havia se pronunciado sobre as razões de fato ou de direito ensejadoras do recolhimento indevido, essa matéria foi considerada não controvertida nos autos, tornandose não passíveis de apreciação na segunda instância administrativa. Ainda de acordo com o relator, restara controvertido nos autos apenas a existência ou não de um recolhimento do tributo a maior, o pedido de diligência/perícia, assim como o requerimento de prazo para a apresentação de documentos antigos que, segundo ele, até então não haviam sido localizados. Cientificado da decisão desta 3ª Turma Especial em 31 de outubro de 2012, o contribuinte interpôs embargos de declaração em 5 de novembro do mesmo ano, com fulcro no art. 65 do Anexo II do Regimento do CARF, alegando a ocorrência de omissão, contradição e de obscuridade no acórdão embargado, nos seguintes termos: Fl. 318DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.907989/200935 Acórdão n.º 3803004.366 S3TE03 Fl. 319 4 a) tendo a Turma Especial se manifestado pela preclusão do seu direito de prova, prevalecera na ocasião, aparentemente, a interpretação literal e mais severa do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, posição essa já superada na jurisprudência do CARF e no Poder Judiciário; b) constou do acórdão embargado apenas o voto vencedor, da lavra do conselheiro relator, tendo sido omitida as razões que conduziram o voto vencido do conselheiro Juliano Eduardo Lirani, situação esta que inquinaria de nulidade o acórdão, por preterição do direito de defesa e por ausência de motivação. O voto vencido deve ser juntado aos autos, oportunizandose a reabertura de prazo para defesa (novos embargos de declaração); c) o acórdão não foi suficientemente claro a respeito das razões que levaram o relator a negar provimento ao recurso, em preliminar e no mérito, o que reclamaria o saneamento da decisão; d) a parte dispositiva do acórdão mereceria ajustes quanto às conclusões do voto vencido, pelo fato de ali ter constado que o conselheiro Juliano Eduardo Lirani teria se abstido de votar o mérito, mas teria votado pela conversão do julgamento em diligência, situação essa que demandaria esclarecimentos quanto ao conhecimento ou não do recurso, total ou parcial, à ausência de pronúncia quanto aos demais tópicos suscitados no recurso; e) necessidade da Turma esclarecer o que entende como mérito do recurso, se abrange também o pedido de exame da prova documental; f) existência de contradição entre as razões do voto condutor, a parte dispositiva do voto e a ementa, que pareceriam indicar a inclinação do relator pelo não conhecimento do recurso, por entender tratarse matéria preclusa, enquanto que, ao final, restara decidido o não provimento do recurso nessa parte; g) a diligência requerida, considerada pelo relator como hipótese de inversão do ônus da prova – a despeito de qualquer previsão nesse sentido –, é instituto regularmente disciplinado do Regimento Interno do CARF (arts. 18, I, 50, § 2º, e 58, § 9º) e no Decreto nº 70.235/1972, tratandose de instrumento eficaz e imprescindível à formação do livre convencimento do julgador administrativo que, mesmo na instância revisional, não se encontra submetido às limitações próprias do processo judicial no que diz à apreciação da prova; h) a conversão do julgamento em diligência é também decorrência direta da garantia constitucional do direito de defesa, até por força do que prevê o art. 38, § 2º, da Lei nº 9.784, de 1999, e atende o fim precípuo do lançamento, que é o de constituir somente o crédito efetivamente devido; i) a conversão do julgamento em diligência jamais importará em inversão do ônus da prova em desfavor do Fisco, pois o processo administrativo é inquisitório e o ato administrativo deve ser motivado; j) o laudo contábil apresentado é idôneo e preciso, tendo sido produzido por auditoria independente, sendo, portanto, imparcial; k) não é dever do contribuinte produzir prova negativa ou prova impossível, mas sim demonstrar que a exigência padece de vícios; Fl. 319DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.907989/200935 Acórdão n.º 3803004.366 S3TE03 Fl. 320 5 l) necessidade de recebimento dos embargos de declaração com efeitos modificativos ou infringentes, porquanto assim se encontra autorizado pela interpretação extensiva da lei, bem como pela jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal (STF), para correção de premissa equivocada. Por fim, requereu o Embargante que os embargos fossem recebidos e providos, inclusive em seus efeitos infringentes, de modo a sanar a omissão e esclarecer as obscuridades, bem como corrigir a equivocada premissa em que se fundou a decisão embargada, com modificação da parte dispositiva do acórdão, para dele constar o provimento do recurso no que tange ao pedido de conversão do julgamento em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Os embargos são tempestivos e deles tomo conhecimento. Nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RI/CARF), cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. Nesse mesmo sentido, afirma Humberto Theodoro Junior1 que os Embargos de Declaração não visam à reforma do acórdão ou da sentença, admitindose a hipótese de alguma alteração no conteúdo do julgado, sem, entretanto, ocasionar um novo julgamento da causa, haja vista não ser esta a função desse remédio recursal. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) entende que as funções dos embargos de declaração “são, somente, afastar do acórdão qualquer omissão necessária para a solução da lide, não permitir a obscuridade por acaso identificada e extinguir qualquer contradição entre premissa argumentada e conclusão”, não servindo “para forçar o ingresso na instância especial” 2. Conforme já decidiram o Supremo Tribunal Federal (STF) 3 e o STJ4, somente em casos excepcionais, quando a decisão embargada encontrase em total dessintonia com a matéria fática presente nos autos, contendo vícios insanáveis decorrentes da inexistência 1 THEODORO JUNIOR. Humberto. Curso de Direito Processual Civil. 41ª ed. Rio de Janeiro: Ed.Forense. 2004, p. 560 e ss. 2 Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Agravo De Instrumento nº 659677, processo: 200500270696SP, Primeira Turma: 28/06/2005. 3 ARE 738259 AgRED / DF DISTRITO FEDERAL, EMB.DECL. NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, j. 18/06/2013, Segunda Turma; RE 372975 AgRED / SP SÃO PAULO, EMB.DECL. NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, j. 21/05/2013, Segunda Turma; ARE 664537 AgR ED / BA BAHIA, EMB.DECL. NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, j. 16/04/2013, Segunda Turma etc. 4 EDcl no AgRg no HC 183515 / DF, EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS 2010/01590664, Relator(a) Ministro OG FERNANDES, SEXTA TURMA, j. 20/06/2013 etc. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.907989/200935 Acórdão n.º 3803004.366 S3TE03 Fl. 321 6 das premissas da decisão ou desprovida de fundamentação e, por conseguinte, passível de anulação, vislumbrase a possibilidade de se acolherem os embargos de declaração com efeitos infringentes. A par dessas considerações, verificase, de pronto, que o Embargante postou se assaz reativo aos fundamentos engendrados no voto condutor do acórdão embargado, pretendendo, por via oblíqua, alcançar a reapreciação da matéria litigada na mesma esfera em que decidida. Conforme se demonstrará na seqüência, não se trata o presente caso de hipótese excepcional a exigir a aplicação de efeitos infringentes aos embargos com vistas à prolação de novo acórdão. Registrese, de início, que o Embargante cometera um equívoco ao requerer a juntada aos autos do voto vencido do conselheiro Juliano Eduardo Lirani, pois, no acórdão embargado, o voto do relator restou vencedor, não se aplicando ao caso, por total incompatibilidade, a designação de outro conselheiro para a redação de um outro voto, não importando de que natureza. De acordo com o § 1º do art. 63 do Regimento do CARF5, a figura do voto vencido ocorre nos casos em que o voto do relator não obtém a adesão da maioria da turma julgadora, restando, por conseguinte, vencido, decorrendo dessa hipótese a necessidade de se designar um outro conselheiro para redigir o voto vencedor. Contudo, essa hipótese não ocorreu neste processo, pois, conforme acima já dito, o voto do relator, ou seja, do conselheiro para quem o processo fora sorteado, foi acompanhado pela maioria, excetuandose o já citado conselheiro Juliano Eduardo Lirani, que, diferentemente dos demais membros da turma que decidiram por não prover o recurso voluntário, votou pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos solicitados pelo então Recorrente. Esclareçase que inexiste no Regimento Interno do CARF, ou mesmo no Decreto nº 70.235, de 1972, previsão de juntada de um voto específico contendo as posições dos conselheiros que restaram vencidos no acórdão, havendo, no máximo, a previsão de declaração de voto, mas de caráter facultativo, a depender do interesse do conselheiro vencido em demonstrar a posição por ele defendida, conforme se depreende do contido no art. 63 e §§ do Regimento do CARF. Nesse sentido, não tendo o conselheiro vencido se predisposto a apresentar declaração de voto, a ausência desta no acórdão embargado não pode ser considerada causa de anulação ou de declaração de nulidade da decisão, uma vez que esta, conforme acima apontado, fora formalizada em conformidade com as regras do processo administrativo fiscal. 5 Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. § 1° Vencido o relator, na preliminar ou no mérito, o presidente designará para redigir o voto da matéria vencedora e a ementa correspondente um dos conselheiros que o adotar, o qual deverá ser formalizado no prazo de 30 (trinta) dias, contado da movimentação dos autos ao redator designado. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.907989/200935 Acórdão n.º 3803004.366 S3TE03 Fl. 322 7 Se o conselheiro vencido votara pela conversão do julgamento em diligência, não se pronunciando sobre o teor e a extensão dessa medida, logicamente que essa diligência só pode ser aquela requerida pelo então Recorrente. Não se pode perder de vista que a referida diligência fora matéria vencida por ampla maioria, não gerando qualquer efeito jurídico no presente processo a descrição pormenorizada dos procedimentos que, caso tivesse sido vencida a tese, deveriam ser observados em sua realização. Ainda mais por se tratar de pedido do próprio Recorrente, encontrandose o objeto da lide, nessa matéria, restringido pelo que fora arguido pela parte interessada. No que tange à decisão contida no acórdão embargado quanto à preclusão processual, nada há a reparar, pois tal matéria foi extensivamente abordada no voto do relator, tendo siso apontadas as razões de fato e de direito em que se pautara, bem como os dispositivos legais aplicáveis. O fato de o interessado não concordar com a tese vencedora, mesmo que amparado em posições doutrinárias e/ou jurisprudenciais, não é razão suficiente para que se reaprecie a matéria, dada a inocorrência de qualquer vício a reclamar por reforma. No que se refere ao pedido do Embargante de esclarecimentos quanto ao que a turma considera preliminar ou mérito, e se este abrange também o pedido de exame da prova documental, registrese que, conforme o próprio Embargante apontara em sua peça recursal, o voto condutor do acórdão embargado fora didaticamente elaborado, enfrentandose de início a preliminar de nulidade arguida e, na seqüência, o mérito do recurso, encontrandose abrangido por este toda a matéria enfrentada a partir de então, tudo em conformidade com o art. 59, caput, e § 1º, do Regimento Interno do CARF6. Por outro lado, em um ponto, assiste razão ao Embargante, pois, de acordo com o entendimento externado no parágrafo anterior, por se tratar o pedido de diligência de questão de mérito, não poderia ter constado do resultado do julgamento a afirmativa de que o conselheiro vencido havia se abstido de votar o mérito e ao mesmo tempo votado pela conversão do julgamento em diligência, dada a total incompatibilidade das duas asserções. Essa contradição deve ser reformada. Quanto à alegada contradição entre a decisão de não se conhecer dos argumentos de defesa trazidos aos autos somente em sede de recurso, por preclusão processual, e a conclusão do acórdão embargado de negar provimento ao recurso, conforme se demonstrará a seguir, ela também não merece acolhida. Conforme se verifica do relatório supra, assim como do acórdão embargado e do conteúdo dos embargos ora analisados, para além dos elementos fáticos e das razões de direito considerados preclusos, se encontravam controvertidas nos autos apenas as questões relativas à existência de um pagamento a maior – e aqui merece o destaque que tal possibilidade pode não depender do fundamento de direito da ocorrência desse pagamento a maior, pois este poderia decorrer de mero erro no preenchimento do DARF ou de erro na declaração do valor da contribuição na DCTF – , do pedido de diligência/perícia e da apresentação extemporânea de prova, tendo sido os pedidos correlatos a essas questões não 6 Art. 59. As questões preliminares serão votadas antes do mérito, deste não se conhecendo quando incompatível com a decisão daquelas. § 1° Rejeitada a preliminar, o conselheiro vencido votará o mérito. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.907989/200935 Acórdão n.º 3803004.366 S3TE03 Fl. 323 8 acolhidos pela turma, nos termos extensivamente expostos no voto condutor do acórdão embargado. Uma vez que os novos argumentos trazidos aos autos somente em sede de recurso não compunham a lide, pois, nos termos dos arts. 14 e 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, a fase litigiosa do procedimento é instaurada pela impugnação/manifestação de inconformidade, temse que as outras questões apreciadas, que restaram controvertidas – prova e diligência –, uma vez denegadas, reclamavam uma conclusão contendo a negativa do recurso então interposto, conforme efetivamente se deu. A extensa exposição acerca da preclusão processual justificavase, também, para se fundamentar a negativa à apresentação de documentos a posteriori, matéria essa que compunha o mérito então apreciado, em razão do já dito neste voto quanto à formação da lide no momento da impugnação e ao trânsito em julgado de matéria não impugnada. Por outro lado, há que se ponderar que o acórdão embargado poderia ter especificado, além da negativa do recurso na parte controvertida, o não conhecimento das outras questões consideradas preclusas. Contudo, a falta de agir nesse sentido não importa em omissão ou contradição no acórdão embargado, pois, como se constata de muitas decisões do Poder Judiciário, a negativa de provimento do recurso pode abranger a preclusão processual, conforme se verifica, exemplificativamente, das decisões reproduzidas a seguir: STF. AI 769955 AgR / MG, Relator Min. Gilmar Mendes, j. 04/02/2010, Tribunal Pleno. Agravo regimental em agravo de instrumento. 2. Ausência de peça obrigatória à formação do instrumento (art. 544, § 1º, CPC). Cópia da procuração outorgada aos patronos da parte agravante. 3. Ônus de fiscalização da parte agravante. Precedentes. 4. Juntada extemporânea. Desconsideração. Preclusão consumativa. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifei) STF. AI 824256 AgR / PR, Relator Min. TEORI ZAVASCKI, j. 19/02/2013, Segunda Turma Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. ANÁLISE DO CONJUNTO FÁTICOPROBATÓRIO, BEM COMO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 279 E 454/STF. VIOLAÇÃO DO ART. 93, IX, DA CF. INOCORRÊNCIA. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. OFENSA AOS ARTS. 5º, LIV, E 105, III, “A”, DA CF. INOVAÇÃO RECURSAL. VEDAÇÃO. PRECLUSÃO. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. (grifei) Com base nos excertos supra, constatase que a preclusão processual pode ser abrangida pela decisão de se negar provimento ao recurso, ainda mais quando esta abarca, também, pedidos conhecidos mas não acolhidos pela turma. Por fim, quanto ao pedido de diligência formulado no recurso voluntário, nos termos do art. 18, I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF e no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, ele se submete ao juízo da autoridade julgadora administrativa quanto à sua Fl. 323DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.907989/200935 Acórdão n.º 3803004.366 S3TE03 Fl. 324 9 necessidade, imprescindibilidade e praticabilidade, devendo ser indeferido o pedido que não se enquadre nessas hipóteses. No presente processo, conforme constou do voto condutor do acórdão embargado, por se tratar de pedido de restituição e declaração de compensação formulados pelo próprio contribuinte, o ônus da prova a ele compete, pois se refere a informações e documentos presentes em sua contabilidade e em seus controles e arquivos internos, não se podendo transferir ao julgador administrativo a tarefa de buscar tais dados, pois, assim agindo, estarseá, efetivamente, invertendo o ônus da prova, daí a negativa do pedido de diligência. Diante do exposto, voto por ACOLHER EM PARTE os embargos de declaração, para excluir do resultado do julgamento do acórdão nº 380303.460 a expressão “abstendose de votar o mérito”, resultado esse que passará a ter o seguinte teor: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Juliano Eduardo Lirani, que votou por converter o julgamento em diligência.” É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 324DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10980.726367/2011-85
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
MULTA ATRASO NA ENTREGA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA.
Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-001.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 MULTA ATRASO NA ENTREGA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 63 67 /2 01 1- 85 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório COTRANS LOCAÇÃO DE VEICULOS LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Curitiba (PR), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata o presente processo de notificação eletrônica de lançamento (fl. 35) emitida em virtude de entrega intempestiva da DCTF. Alega a impugnante a nulidade da ação fiscal e do auto de infração, capitulação legal equivocada, decadência e cobrança abusiva dos juros de mora. A DRJ CuritibaPR , através do acórdão nº 0640.002, de 27 de março de 2013 (fls. 47/51), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2009 a 31/05/2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. DECADÊNCIA. O prazo para o lançamento da multa por atraso na apresentação da DCTF é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da respectiva declaração. Ciente da decisão em 25/04/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 55), apresentou o recurso voluntário em 21/05/2013, onde pugna pela improcedência do lançamento alegando estar albergada pelo instituto da denúncia espontânea e o caráter confiscatório da multa aplicada. É o relatório Fl. 83DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10980.726367/201185 Acórdão n.º 1803001.853 S1TE03 Fl. 83 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa por atraso na entrega de DCTF. Alega a recorrente que estaria albergada pelo instituto da denúncia espontânea preconizada no art. 138 do CTN, pois entregou a DCTF antes de qualquer procedimento fiscal. Alude também quanto ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, o que ensejaria a sua inconstitucionalidade e conseqüente desconstituição do lançamento. Não assiste razão à interessada. As matérias alegadas no recurso voluntário não foram objeto de prequestionamento na impugnação, mas em homenagem ao amplo direito de defesa serão apreciadas no presente voto. Com relação ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, temse que é defeso ao colegiado julgador administrativo enveredar na análise da constitucionalidade da lei tributária, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Melhor sorte não colhe a recorrente no que tange ao instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN). Com efeito, o acolhimento da tese da denúncia espontânea quando presentes seus pressupostos, somente se aplica em relação à multa de mora incidente sobre tributos pagos em atraso e não sobre obrigações acessórias (multa pelo atraso na entrega de declarações por exemplo). Neste sentido, a Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 13984.900116/2008-21
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2003
CANCELAMENTO PER/COMP.
A desistência do Per/DComp pode ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa Per/DComp ou, na hipótese de utilização de formulário, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento
SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. PAGAMENTO A MAIOR.
A pessoa jurídica excluída do Simples sujeita-se a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, ocasião em que o pagamento a título de Simples pode ser considerado indevido para fins de compensação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2003 CANCELAMENTO PER/COMP. A desistência do Per/DComp pode ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa Per/DComp ou, na hipótese de utilização de formulário, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. PAGAMENTO A MAIOR. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeita-se a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, ocasião em que o pagamento a título de Simples pode ser considerado indevido para fins de compensação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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A desistência do Per/DComp pode ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa Per/DComp ou, na hipótese de utilização de formulário, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. PAGAMENTO A MAIOR. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitase a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, ocasião em que o pagamento a título de Simples pode ser considerado indevido para fins de compensação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 01 16 /2 00 8- 21 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13984.900116/200821 Acórdão n.º 1801001.744 S1TE01 Fl. 58 2 Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 10328.30137.160104.1.3.040313 em 16.01.2004, fls. 1115, utilizandose do pagamento a maior de Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) no valor original de R$2.134,90 efetuado em 12.08.2002 para compensação com débitos de PIS e de Cofins. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 05, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido. Restou esclarecido que Limite do credito analisado, correspondente ao valor do credito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 2.134,90. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitado de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 05.05.2008, fl. 16, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 04.06.2008, fls. 0214, com os argumentos a seguir transcritos. 2. Ocorre que o CONTRIBUINTE apresentou a citada PER/DCOMP de n° 08368.28397.210104.1.3.045505, indevidamente, uma vez que este optou pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, SIMPLES, bem como quitou o respectivo DARF do PA 01/07/2002 hora em questão, através do Banco Caixa Econômica Federal no valor de R$2.134,90 [...], inexistindo desta forma valores a serem compensados bem como motivo para apresentação do referido PER/DCOMP, solicitando Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13984.900116/200821 Acórdão n.º 1801001.744 S1TE01 Fl. 59 3 compensação, uma vez que os tributos que ali se pedia compensação, não eram devidos, haja vista, reiteramos a opção pelo SIMPLES pelo CONTRIBUINTE. 3. Sendo assim, vimos informar e pedir o cancelamento da citada PER/DCOMP, bem como seja desconsiderada a DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO apresentada, por tratarse apenas um engano fortuito, sem qualquer objetivo de ludibriar o fisco, sendo este perfeitamente justificado frente ao grande número de obrigações acessórias que os contribuintes de maneira geral, tem para cumprimento com o Fisco. 4. Nesta linha temos o comentário do doutrinador Helio Apoliano, que nos apresenta um ótimo exemplo, que se encaixa perfeitamente no caso presente, nos seguintes termos: "...A luz dos princípios citados, é licito afirmarse que, no exemplo de ocorrência de declaração efetuada de forma incorreta, esta não equivale • ausência de informação, mesmo restando incontroverso, quando o contribuinte esquece de discriminar os pagamentos efetuados, sem, contudo, deixar de declarar as despesas efetuadas com os aludidos pagamentos...." 5. A citação do Nobre Doutrinador, aplicase integralmente no caso presente com o CONTRIBUINTE. O erro não impede que seja reconhecido o direito. É nestes casos que devem ser aplicados os princípios de razoabilidade e de proporcionalidade. Deverá a Administração Pública se ater aos princípios que norteiam o direito tributário e administrativo, neste caso, deverá se ater aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e legalidade. A atuação da Administração Pública deve seguir os parâmetros insculpidos nestes princípios, que censuram o ato administrativo que não guarde uma proporção adequada entre os meios que emprega e o fim que a lei almeja alcançar, ainda mais, quando no caso presente que fica evidente o não prejuízo ao Fisco, ou o descumprimento de qualquer norma por parte do CONTRIBUINTE, que pudesse impor redução tributária indevida ou qualquer encargo ao Estado. 6. Verificandose pontualmente o caso, veremos que o único prejudicado pelo erro formal cometido foi o próprio CONTRIBUINTE, que esta sofrendo as conseqüências, inclusive que o leva a firmar estas razões. Nenhum terceiro está sendo prejudicado e muito menos a União, pois o débito ora cobrado foi devidamente quitado, com exceção de um equivoco da apresentação da PER/DCOMP. Conclui Ex positis, invocando os suplementos jurídicos sábios e justos do Eminente Julgador, requer seja conhecido e provido a presente Manifestação de Inconformidade [...], com o conseqüente cancelamento da PER/DCOMP apresentada, bem como o reconhecimento do regular recolhimento do SIMPLES, relativo à competência 02/2003, nos termos das razões e documentos apresentados. Nesses Termos. Pede Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/FNS/SC nº 0725.948, de 16.09.2011, fls. 2730: “Manifestação de Inconformidade Improcedente. Consta no Voto condutor Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13984.900116/200821 Acórdão n.º 1801001.744 S1TE01 Fl. 60 4 Ante o exposto, considerando que o pedido de desistência da compensação foi formulado após a data de ciência da decisão administrativa que não a homologou, de se indeferir o requerimento da contribuinte. Uma vez indeferido o pedido de cancelamento da DComp, cumpre analisar o motivo apresentado para não homologar a compensação pleiteada, principalmente em face da alegação da contribuinte de que, no período a que se referem os débitos incluídos na DComp, era optante pelo Simples. Em análise is informações cadastrais da contribuinte, verificase que ela foi excluída do Simples Federal a partir de 1º de janeiro de 2002 [processo nº 13984.001555/200345]. Diante dessa situação, a princípio, seriam insubsistentes os débitos com código do Simples Federal relativos a períodos posteriores à data de início dos efeitos da exclusão do regime simplificado, conforme essa Turma de Julgamento tem reiteradamente se manifestado. Com isso, inexistiria a utilização do pagamento apresentada no Despacho Decisório como motivo para não reconhecer o direito creditório da contribuinte. No entanto, conforme evidenciam os Acórdãos juntados ao presente processo, contra a exclusão do Simples Federal a contribuinte se insurgiu, levando a matéria, inclusive, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda Carf, o qual manteve a exclusão em Acórdão proferido em março de 2009. No presente caso, notase que a Dcomp foi apresentada em data na qual a manifestação contra a exclusão do Simples se encontrava pendente, até mesmo, de decisão de primeira instância, que só veio a correr em agosto de 2007. Ou seja, até março de 2009 (quando o Carf proferiu sua decisão), encontrava se pendente de decisão a exclusão do Simples Federal, razão pela qual, à data de apresentação da DComp em exame [...], a contribuinte não poderia utilizar os pagamentos como se indevidos fossem e, por consequência, mostrase correto o Despacho Decisório quando não reconhece o direito credit6rio e não homologa a compensação pleiteada. Além disso, considerando que o ato de exclusão do Simples, como visto, foi mantido após ter sido apreciado pelas duas instâncias do contencioso administrativo, os débitos declarados na DComp estão de acordo com o regime tributário aplicável à pessoa jurídica no período em questão, fato que revela a coerência da decisão de admitilos com os efeitos próprios de confissão de divida, nos termos do § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, incluído pela Lei nº 10.833, de 2003. Portanto, considerando que a DComp não pode ser cancelada, e que a conclusão do Despacho Decisório mostrase correta, deve ser declarada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Notificada em 08.11.2011, fl. 33, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 05.11.2011, fls. 3537, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Suscita O fato que simplifica esta situação é que a Recorrente, ao contrário do informado no julgamento de primeiro grau, jamais foi excluída do SIMPLES, ou seja, jamais esteve sob o regime tributário do lucro presumido e, portanto, inexistiriam os débitos lançados na DComp que se pede o cancelamento e, por conseguinte, dos débitos ali informados, pois, reiterase frente a Recorrente jamais Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13984.900116/200821 Acórdão n.º 1801001.744 S1TE01 Fl. 61 5 ter sido excluída do SIMPLES os débitos ali informados (calculados sob a forma do lucro presumido), jamais foram devidos. Para contestar a alegação do Fisco sobre a exclusão do SIMPLES da Recorrente juntamos a presente cópia da "COMUNICAÇÃO NURAC/DRF/LAG N° 131/2009" expedida dentro do processo n° 13984.001706/200870, que em sua ementa assim informa: "Assunto: SIMPLES NACIONAL EMENTA: CONTESTAÇÃO À EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES NACIONAL, ERRO DE FATO. REVISÃO DE OFÍCIO. Tendo sido efetuada com erro de fato, revisase de ofício a exclusão do contribuinte do Simples Nacional. Solicitação Deferida" Por esta decisão, definitiva conforme verificada na ementa e relatório do citado processo, a RECORRENTE JAMAIS ESTEVE EXCLUÍDA DO SIMPLES e, portanto, não há que se falar em débitos a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS dos períodos de apuração compreendidos nos anos de 2002 e 2003 e, por conseguinte, as DComp's que buscavam compensação destes débitos perdem seu valor e necessidade frente a que: Os débitos pagos a título de SIMPLES nos anos de 2002 e 2003, frente manutenção da RECORRENTE neste sistema tributário são válidos, foram considerados pela Receita Federal e quitaram as obrigações este período; A RECORRENTE não era optante pelo lucro presumido nos anos de 2002 e 2003 (ou em outro período qualquer) e, portanto, não são devidos quaisquer débitos a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS deste período. Conclusão À vista de todo o exposto, vimos requerer a reforma da decisão proferida no presente processo, para determinar a improcedência dos termos e inexigibilidade dos valores firmados no presente processo, nos termos e condições definidos nestas razões recursais, bem como em todos os documentos juntados na instrução processual. Requerse ainda que sejam apensados todos os documentos e demais itens [desse processo], especialmente aqueles juntados pelo Recorrente, quando da apresentação de sua defesa em 1º Grau. Por fim, requerse o CANCELAMENTO da PER/DCOMP apresentada, bem como o reconhecimento do regular recolhimento do SIMPLES [...], nos termos da razões e documentos apresentados. Nestes Termos Pede Deferimento. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13984.900116/200821 Acórdão n.º 1801001.744 S1TE01 Fl. 62 6 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser cancelada, já que fez a opção nos termos legais. Em relação aos procedimentos do Per/DComp, temse que o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. A desistência do Per/DComp pode ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa Per/DComp ou, na hipótese de utilização de formulário, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento1. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. No que se refere à exclusão de ofício do Simples, vale esclarecer que o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. A pessoa jurídica que auferir, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior ao limite legal não pode optar pelo Simples. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, bem como Instrução Normativa RFB nº 1300, de 20 de novembro de 2012. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13984.900116/200821 Acórdão n.º 1801001.744 S1TE01 Fl. 63 7 No caso de incorrida em situação excludente, a optante deve obrigatoriamente formalizar alteração cadastral, sob pena de ser excluída de ofício mediante ato declaratório da autoridade fiscal. Este ato surte efeito no anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite da receita bruta, termo a partir do qual fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1124507/MG, cujo trânsito em julgado ocorreu em 16.06.20102 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF3. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. A Recorrente: apresentou o Per/DComp nº 10328.30137.160104.1.3.040313 em 16.01.2004, fls. 1117, utilizandose do pagamento a maior de Simples no valor original de R$2.134.90 efetuado em 12.08.2002; no julgamento de primeira instância, o pedido de cancelamento do Per/Dcomp foi indeferido ao argumento de que foi formalizado após a ciência válida do Despacho Decisório; foi excluída de ofício do Simples Federal a partir de 01.01.2002, cujo procedimento, formalizado no processo nº 13984.001555/200345, foi considerado correto na esfera administrativa, fls. 1822, e se encontra arquivado desde 05.08.2009, porque o sócio participa com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, e a receita bruta global ultrapassou o limite legal4; foi excluída de ofício do Simples Nacional, cujo procedimento, formalizado no processo nº 13984.001706/200870, foi cancelado na esfera administrativa, porque verificouse a inexistência de débitos inscrito em Dívida Ativa, cuja a exigibilidade não estivesse suspensa, fls. 4052, e se encontra arquivado desde 22.09.20085, em cujo Despacho Decisório DRF/LAG nº 30, de 10.02.2009, fls. 4143, consta: 3.O sistema Sivex discrimina, mediante o relatório de fls. 30/32, os débitos que ensejaram a emissão do Ato Declaratório de Exclusão do contribuinte do Simples Nacional. Nos termos da legislação que rege a matéria, se os débitos fossem regularizados no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do ato, a exclusão seria cancelada. 2 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1124507/MG. Ministro Relator:Benedito Gonçalves, Primeira Seção, Brasília, DF, 28 de abril de 2010. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=966764&sReg=200900296277&sData=20100 506&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 3 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e art. 62A do Regimento Interno do CARF. 4 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/e gov/PvC_Mov_Consulta_Movimentos.asp?processoQ=13984001555200345&DDMovimentoQ=05082009&SQO rdemQ=0>. Acesso em: 29 out.2013. 5 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/e gov/PvC_Mov_Consulta_Movimentos.asp?processoQ=13984001706200870&DDMovimentoQ=20022009&SQO rdemQ=0> . Acesso em 29 out. 2013. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13984.900116/200821 Acórdão n.º 1801001.744 S1TE01 Fl. 64 8 4.No caso em tela, após o prazo para regularização, remanesceram diversos débitos, relativos a IRPJ, CSLL, PIS e Cofins de períodos de apuração compreendidos nos anos de 2002 e 2003 (fls. 33/37). 5. No entanto, em consulta aos sistemas CNPJ, IRPJ e Sinal09, constatase que, naqueles anos, a empresa estava na sistemática do Simples instituído pela Lei n° 9.317/96 (fl. 38), apresentou Declarações Simplificadas (fls. 39/49) e recolheu seus tributos e contribuições federais mediante Darf/Simples 6106 (fl. 50). Portanto, nos anos de 2002 e 2003, o requerente não estava obrigado ao recolhimentos de tributos específicos a título de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, mas tão somente ao recolhimento de Darf/Simples. 6. Consultando o sistema Per/DComp, verificase que os débitos motivadores da exclusão originaramse das diversas Per/Dcomp que o contribuinte transmitiu indevidamente, as quais devem ser canceladas por ele próprio mediante a utilização do programa PER/DCOMP, conforme instruções da IN RFB n° 900/2008 [...]. Verificase que houve um conflito de decisões em função das datas em que foram proferidas e ainda por estarem formalizadas em processos que não foram analisados concomitantemente. Porém esse conflito está sanado com a superveniente decisão definitiva a respeito da exclusão de ofício do Simples Federal a partir de 01.01.2002, cujo procedimento, formalizado no processo nº 13984.001555/200345, foi considerado correto na esfera administrativa, fls. 2025, e se encontra arquivado desde 05.08.2009, em conformidade com o Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 180300.035, de 16.03.2009, fls. 20236.. Assim, a Recorrente excluída do Simples sujeitase a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, ou seja, 01.01.2002, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, ocasião em que o pagamento a título de Simples efetuado no período pode ser considerado indevido para fins de compensação tributária. Nesse sentido tem cabimento reconhecer o direito creditório referente ao pagamento a maior de Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) no valor original de R$2.134,90 efetuado em 12.08.2002. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso7. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de 6 Disponível em: <http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf> . Acesso em: 29 out.2013. 7 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13984.900116/200821 Acórdão n.º 1801001.744 S1TE01 Fl. 65 9 inconstitucionalidade8. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente ao pagamento a maior de Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) no valor original de R$2.134,90 efetuado em 12.08.2002, para fins de homologação da compensação pleiteada até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 8 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13161.720109/2008-21
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR.
É possível a dedução de áreas de preservação permanente e reserva legal da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal acompanhado de documentação complementar que comprove a existência das áreas deduzidas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR. É possível a dedução de áreas de preservação permanente e reserva legal da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal acompanhado de documentação complementar que comprove a existência das áreas deduzidas. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR. É possível a dedução de áreas de preservação permanente e reserva legal da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal acompanhado de documentação complementar que comprove a existência das áreas deduzidas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 01 09 /2 00 8- 21 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13161.720109/200821 Acórdão n.º 2801003.033 S2TE01 Fl. 224 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/CGE/MS. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Exigese da interessada o pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao 1TR, aos juros de mora e à multa por informação inexata nas Declarações do ITR DITR/2004, no valor total de R$ 142.981,12, referente ao imóvel rural denominado: Fazenda Flanboyant. com Número na Receita Federal NIRF 4.890.0680, com área total de 1.032,1 ha, localizado no município de Batayporã MS, conforme Notificação de Lançamento NL, fls. 63 a 67. cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fls. 64, 65 e 67. 2. Inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados nos exercícios 2004 a 2006, especialmente a Área de Preservação Permanente APP, Área de Reserva Legal ARL e o Valor da Terra Nua VTN, este último somente para 2006. a declarante foi intimada a apresentar diversos documentos comprobatórios, os quais, com base na legislação pertinente, foram listados, detalhadamente, no Termo de Intimação, fls. 01 e 02. Entre os mesmos constam: cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA: Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, relativamente à demonstração de existência da APP conforme enquadramento legal (art. 2°, da lei n° 4.771/1965 Código Florestal), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART; Certidão do Órgão Público competente, caso o imóvel, ou parte dele, esteja inserido em área declarada como de Preservação Permanente nos termos do art. 3°, do Código Florestal, acompanhado do Alo do Poder Público que assim a declarou; cópia da matrícula do registro imobiliário, com da averbação da ARL: cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de averbação da ARL ou Termo de Ajustamento de Conduta e; Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART, com atenção aos requisitos das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, demonstrando os métodos de avaliação e fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, com Grau 2 de fundamentação mínima. Foi informado, inclusive, que, na falta de atendimento à intimação, poderia ser efetuado o lançamento de ofício com o arbitramento do VTN com base nas informações do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, conforme a legislação. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13161.720109/200821 Acórdão n.º 2801003.033 S2TE01 Fl. 225 3 3. Após pedir e ser deferido prorrogação de prazo, fls. 05 a 23, com a carta de fls. 24 e 25 foi apresentada a documentação de fls. 26 a 60, composta por: ADA/2007 transmitido para o IBAMA em 11/02/2008, Laudo de APP, mapa do imóvel, imagem de satélite, matrícula do imóvel, Laudo de Avaliação e ART. 4. Da Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais a Autoridade Fiscal explicou da intimação, dos documentos encaminhados e da análise dos mesmos. Mencionou da legislação relativa aos requisitos legais para a isenção das áreas preservadas, tais como comprovação de existência de florestas e ADA protocolado no IBAMA no prazo legal informando essas áreas. Foi observado que o ADA apresentado havia sido protocolado no IBAMA intempestivamente para os exercícios fiscalizados. Além disso, com relação à APP foi verificado que o laudo não comprovou a existência de floresta, mas, apenas que o imóvel é banhado pelo Rio Baia, Lagoa do Rodrigo e que possui uma boa parte ocupada pelas faixas marginais encharcadas. Relativamente à ARL, embora conste de averbação, o ADA está intempestivo. Em razão dessas constatações foi procedida a glosa da APP e ARL. 5. Procedidas as mencionadas modificações, bem como dos demais dados conseqüentes, foi lavrada a NL, cuja ciência foi dada à interessada em 03/10/2008, sextafeira, fl. 148. Na impugnação, protocolada em 04/11/2008, fls. 69 a 82, a interessada apresentou seus argumentos de discordância alegando, em resumo, o seguinte: 6.1. Em Os fatos, tratou da declaração apresentada, da exclusão da APP e ARL, das razões do lançamento constante da NL, bem como afirmou que o imóvel contém, efetivamente, as áreas preservadas nas dimensões declaradas. 6.2. O direito e as bases que fundamentam a improcedência da Autuação Fiscal. Neste item tratou de parte da legislação do ITR, do lançamento por homologação, das áreas não sujeitas à tributação, da não necessidade de prévia comprovação das áreas isentas, entre outros. 6.2.1. Questionou a exigência do ADA afirmando ser ilegal e, para sustentar seus argumentos, reproduziu jurisprudência que dispensa tal ato para a concessão de isenção. 6.2.2. Tratou do levantamento técnico, disse que a ARL foi apurada exatamente como declarada e a APP em dimensão maior, o que fez que a impugnante recolhesse valor de imposto superior ao devido e que, muito embora tivesse direito, dispensa o pedido de repetição do valor recolhido a mais. 6.2.3. Retornou à questão do ADA para indagar como é possível uma simples declaração unilateral do proprietário ser capaz de gerar benefício fiscal e, por outro lado, essa mesma declaração, somada ao laudo apresentado, cujo conteúdo informativo é muito superior ao que se pede no ADA e, ainda, envolvendo Fl. 225DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13161.720109/200821 Acórdão n.º 2801003.033 S2TE01 Fl. 226 4 responsabilidade da impugnante e de terceiro profissional habilitado, na seria capaz de gerar o mesmo benefício ou de constatar a existência das áreas necessárias à isenção. 6.2.4. Entre outros argumentos disse que o fato de o Fiscal considerar 100,0% da área tributável pelo ITR, via de conseqüência pode ensejar duas situações: a) que os 100,0% do imóvel pode ser explorado pelo proprietário, pois, não haveria restrições legais e; b) a afirmação caracteriza falsa imputação de fato criminoso, calúnia, pois não estaria a impugnante respeitando os limites e as proteções ambientais estabelecidos na legislação. 6.3. O Pedido. Por todo o exposto requereu: a) Seja conhecida e julgada integralmente procedente a impugnação, para os fins de determinar a anulação da Notificação de Lançamento. b) Protestou, outrossim, pela juntada posterior de documentos indispensáveis à comprovação de sua defesa, bem como apresentação de outras alegações que, eventualmente, se demonstrem necessárias. c) Requereu, por fim, que durante a fase instrutória seja oficiado o IBAMA para obtenção das informações que se julgar necessária e, principalmente, solicitar a realização de inspeção in loco por técnicos para comprovação das informações prestadas pela impugnante, referente à caracterização das áreas que compõem seu imóvel. 7. À fl. 83 consta a relação dos documentos anexados à impugnação, os quais foram juntados das fls. 84 a 140, sendo os principais, na sua maioria, cópia dos já apresentados à fiscalização. A fl. 152 é uma nova manifestação da interessada, com a qual requereu agilidade no julgamento do processo e, aproveitando a oportunidade, juntou dois Acórdãos do Conselho de Contribuinte referentes a lançamento do ITR/1997, fls. 153 a 171. conforme os quais a declaração feita pelo contribuinte da existência das APP e ARL seria suficiente para isenção do ITR.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 173/183, que restou assim ementado: Áreas de Florestas Preservadas Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente APP ou de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico específico e averbação na matrícula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização através do Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA Fl. 226DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13161.720109/200821 Acórdão n.º 2801003.033 S2TE01 Fl. 227 5 em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. Isenção – Hermenêutica A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Regularmente cientificada daquele acórdão em 18/03/2011 (fl. 189), a interessada, representada por seu advogado (fl. 84/85), interpôs recurso voluntário de fls. 196/213, em 13/04/2010. Em sua defesa, reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de glosa da área de preservação permanente (254,1 ha) e da área de reserva legal (206,4 ha), tendo em vista a apresentação intempestiva do Ato Declaratório Ambiental – ADA. Em relação à área de preservação permanente, ainda foi constatado que o laudo técnico apresentado não comprovou a existência da área declarada de preservação permanente. Quanto ao ADA, há que se esclarecer que sua apresentação passou a ser obrigatória com o advento da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do art. 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, fazendo estampar, em seu §1o, que “A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. O prazo para a apresentação do documento foi definido na legislação infralegal. A legislação vigente à época do fato gerador, a Instrução Normativa SRF nº 256, de 11 de dezembro de 2002, em seu art. 9o, §3o, inciso I , determinava a entrega no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da Declaração do ITR DITR. Entretanto, como a lei não fixou prazo para a apresentação do documento, muitos passaram a defender não ser possível se admitir que isso fosse feito por atos infralegais. Após longos debates, a jurisprudência da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais passou a admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal, desde que as áreas deduzidas fossem devidamente comprovadas com documentação complementar. Veja se, como exemplo, a seguinte decisão: Fl. 227DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13161.720109/200821 Acórdão n.º 2801003.033 S2TE01 Fl. 228 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR, LAUDO PERICIAL E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador (reserva legal) e Laudo Pericial do próprio IBAMA, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal. Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão nº 9202 01.843, sessão de 26/10/2011, Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) Assim, em homenagem ao entendimento dominante da CSRF, aceito a apresentação intempestiva do ADA, desde que antes do início da ação fiscal. Isso porque, até essa data, seria possível ao órgão ambiental começar espontaneamente procedimento de verificação das informações. Neste processo, o ADA foi apresentado em 11/02/2008 (fl. 26), e o procedimento fiscal se iniciou apenas em 26/05/2008 (fls. 01/02), devendose afastar a intempestividade da entrega do documento como impeditivo à dedução. Superado o óbice à dedução relativo ao ADA intempestivo, ainda restaria ao contribuinte a obrigação de demonstrar a existência da área mediante documentação comprobatória, o que se logrou provar no que tange à área de reserva legal, consoante averbação ocorrida antes da ocorrência do fato gerador, consignada na matrícula do imóvel, às fls. 38/39, e devidamente reconhecida pela fiscalização. Também é de ser considerar comprovada a área de preservação permanente, como declarada na DITR em tela pois efetivamente o laudo técnico apontou a existência de tal área de preservação ambiental, aliado ao ADA. Apesar de o laudo técnico ter apontado uma área de 385,7 ha (fls. 22/36), entendo que se deve considerar como APP a área efetivamente Fl. 228DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13161.720109/200821 Acórdão n.º 2801003.033 S2TE01 Fl. 229 7 declarada de 254,1 ha na DITR, a uma porque foi declaradas à época do fato gerador, em procedimento espontâneo; a duas porque o laudo foi confeccionados alguns anos após o fato gerador (01/01/2004), em 2008, devendose privilegiar a fonte de informação que está mais próxima dos fatos geradores (DITR), mormente tendo em conta que a APP constante do ADA apresentado em 2008 também corresponde a 254,1 ha . Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 229DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10875.901142/2006-54
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 01 14 2/ 20 06 -5 4 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.901142/200654 Resolução nº 1802000.358 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Por economia processual, passamos a adotar o relatório da DRJ, senão vejamos: “Tratase do Despacho Decisório n° 791205765 de 25/09/2008, emitido pela DRF Guarulhos/SP para homologar em parte a compensação formalizada na DCOMP n° 37980.88780, transmitida em 23/12/2003, tendo em conta que parte do crédito informado (pagamento indevido de CSLLLucro Real Trimestral, efetuado por meio de DARF, no valor de R$ 68.419,00, com cód. de receita 6012, relativo ao 4 o trimestre de 1999, arrecadado em 31/01/2000) estava utilizado para quitação de débito da empresa, remanescendo apenas o crédito disponível para compensação formalizada na DCOMP sob apreciação de R$ 14.834,73. Cientificada da decisão, em 02/10/2008 (AR de fls. 103), a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01/06, em 28/10/2008, de seguinte teor: 1. apresenta balanço, demonstrativo de resultado e DIPJ para provar que não apurou CSLL a pagar no 4 o trimestre de 1999, na medida em que a CSLL apurada teria sido completamente absorvida pela dedução de 1/3 da Cofins efetivamente paga, e que consequ entemente o pagamento efetuado indevido; 2. que a compensação do crédito de 1/3 da Cofins de R$ 53.854,27 com a CSLL apurada teria sido formalizada mediante a DCOMP ora sob apreciação, apresentada antes do decurso do prazo prescricional; 3. que teria sido também efetuado o pagamento do mesmo débito no valor de R$ 68.419,00, e que o saldo remanescente de R$ 14.834,73 já teria sido utilizado em compensações. Requer a homologação das compensações.” A DRJ de Campinas (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999 DEDUÇÃO DE 1/3 DA COFINS. PRAZO Na forma da legislação em vigor, a dedução de 1/3 da Cofins efetivamente paga da CSLL devida, não pode ensejar, em nenhuma hipótese, saldo de CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subsequ entes. Decorre daí que a dedução somente pode ser admitida até a data da extinção e no valor necessário à extinção da CSLL devida, não podendo ser reconhecida a posteriori. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.901142/200654 Resolução nº 1802000.358 S1TE02 Fl. 4 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 17/03/2011, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 15/04/2011 onde busca demonstrar as compensações realizadas e ao fim pugna pela sua homologação. É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.901142/200654 Resolução nº 1802000.358 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Inicialmente a Recorrente alega a preliminar de prescrição dos débitos referentes aos 5 (cinco) anos anteriores ao lançamento do presente processo. Essa preliminar deve ser inteiramente rejeitada. Ao julgar os Embargos no Recurso Extraordinário n° 94.4621/SP, o Plenário do Supremo Tribunal Federal enfrentou essa questão, resolvendoa da seguinte forma: "Prazos de prescrição e decadência em direito tributário com a lavratura do auto de infração, consumase o lançamento do crédito tributário (art. 142, CTN). Por outro lado, a decadência só é admissível no período anterior a essa lavratura; depois, entre a ocorrência dela e até que flua o prazo para a interposição do recurso administrativo, ou enquanto não for decidido o recurso dessa natureza de que se tenha valido o contribuinte, não mais corre prazo de decadência, e ainda não se iniciou a fluência de prazo para prescrição; decorrido o prazo para interposição do recurso administrativo, sem que ela tenha ocorrido, ou decidido o recurso administrativo interposto pelo contribuinte, há a constituição definitiva do crédito tributário, a que alude o art. 174, começando a fluir, daí, o prazo de prescrição da pretensão do Fisco". O STF entendeu, que, com o auto de infração, consumase o lançamento do crédito tributário, ou seja, constituise o crédito tributário, fluindo, até aquele momento, o prazo decadencial. A partir do auto de infração não se pode mais cogitar de decadência, e, se houve recurso administrativo, também não cabe falar em prescrição, cujo prazo somente começa a fluir na data da decisão administrativa final, quando, mantido o lançamento, no todo ou em parte, temse como definitivamente constituído o crédito tributário lançado. No entanto, essa decisão do Supremo está em consonância com o disposto no art. 151, inciso 111, do CTN, por força do qual as reclamações e os recursos administrativos figuram como causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Estando o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa, não pode ele ser cobrado, nem, consequ entemente, prescrever. Conforme já esclarecido pela DRJ, tratase a processamento eletrônico de compensação, sem que incidisse em critérios de baixa para tratamento manual ou mais pormenorizado, mas apenas com as informações disponíveis nos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. A DRJ confirmou que efetivamente houve erro no preenchimento da DIPJ por parte da contribuinte, razão pela qual passouse a considerar a retificação da declaração que retratou o 4º trimestre do anocalendário de 1999 transmitida em 11/09/2003. Foi constatado Fl. 153DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.901142/200654 Resolução nº 1802000.358 S1TE02 Fl. 6 5 então que a diferença entre as bases de cálculo informadas na DIPJ original e retificadora de R$ 420.521,39 decorre da retificação, na Ficha 07A da DIPJ Demonstração do Resultado da Linha 30 Despesa Operacional, de R$ 1.025.413,56 para R$ 1.445.934,95. A partir daí a DRJ passou para a análise do direito creditório da Recorrente, externando suas concluões da seguinte forma: “Da leitura dos preceitos, concluise que a dedução de 1/3 Cofins efetivamente paga da CSLL devida, tinha uma série de restrições, dentre as quais cumpre destacar a expressamente consignada no § 3° do art. 8º , qual seja: da dedução não poderia decorrer, em nenhuma hipótese, saldo de COFINS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subsequ entes. E o que pretende a Manifestante, tendo em conta que a CSLL devida no 4º trimestre de 1999 foi extinta mediante pagamento, em 31/01/2000, e com a apresentação da DCOMP n° 37980.88780, transmitida em 23/12/2003, pretende a contribuinte o reconhecimento do indébito tributário em relação à CSLL paga, já que teria direito à dedução de 1/3 da Cofins efetivamente paga.” A Recorrente por sua vez alega que seu direito creditório não está suportado pelo terço de COFINS compensada com a CSLL, mas que após reconhecer o valor da COFINS efetivamente paga como dedução na apuração de sua base de cálculo da CSLL no 4º trimestre de 1999, os pagamentos feitos através de compensação. Considerando que a nova base de cálculo da CSLL, ajustada pela dedução de 1/3 do valor da COFINS calculada pela Recorrente em sua escrita fiscal não teve qualquer óbice pela autoridade fazendária, a lide passa a se concentrar nos valores que foram recolhidos / compensados para a extinção da obrigação tributária da Recorrente no 4º trimesre de 1999. Pelo que foi depreendido, os documentos apresentados portanto fazem prova a favor da Recorrente, sendo certo que a DRJ se equivocou ao entender que a Recorrente intencionava a compensar o 1/3 de COFINS de exercícios anteriores ao invés de saldo recolhido a maior em decorrência da correção da base de cálculo da CSLL que não havia considerado o aproveitamento da dedução do 1/3 de COFINS. Com essa correção os valores do exercício anterior que haviam sido utilizados pera compensação passaram a configurar saldo negativo e, portanto passíveis de nova compensação. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à DRF de origem Guarulhos/SP para que se junte extrato comprovando o efetivo pagamento da COFINS referente ao 4º Trimestre de 1999, nos valores informados na DIPJ. Concluída a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.901142/200654 Resolução nº 1802000.358 S1TE02 Fl. 7 6 (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 155DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720768/2011-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO.
Sendo válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor, ainda que este não seja o representante legal do destinatário, está plecuso o direito de discutir o crédito tributário.
Numero da decisão: 1302-001.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator..
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVARELATOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade .
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE - Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVARELATOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade .
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PRECLUSÃO. Sendo válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor, ainda que este não seja o representante legal do destinatário, está plecuso o direito de discutir o crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVARELATOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 07 68 /2 01 1- 72 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 2 Relatório Trata o presente processo de Dcomp nº 25952.65075.160407.1.7.024647, na qual a Contribuinte alega possuir crédito contra a Fazenda Pública decorrente de saldo negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica do anocalendário de 2005, no valor original de R$7.775.280,06. A Contribuinte busca compensar débitos de janeiro de 2006, da Cofins sob os códigos 2172 (Cofins – Demais empresas) e 5856 (Cofins – não cumulativa), nos respectivos valores de R$7.174.954,22 e R$ 255.317,91 e do Pis/Pasep sob o código 8109, no valor de R$533.947,24. Intimada pelo AR de fl. 237/238, em 07/02/2012, do Despacho Decisório, à efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, ou a apresentação de Manifestação de Inconformidade, no mesmo prazo de 30 dias a Contribuinte não se manifestou. Reintimada, pelo AR de fl. 242/243, em 14/05/2012, à efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, sob pena de inscrição em Dívida Ativa da União dos débitos, interpôs manifestação de inconformidade. A 6ª Turma da DRJ/RJ, porém, pelo acórdão 1248.075, por unanimidade de votos não conheceu da manifestação, por ser intempestiva, conforma ementa a seguir: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2005 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, tendose como definitiva, na instância administrativa, a decisão proferida através do Despacho Decisório. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida. Sem Crédito em Litígio. Cientificado da decisão da DRJ em 13/08/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, no dia 15/08/2012, alegando em síntese o seguinte: que apesar da decisão afirmar que a Recorrente tomou ciência do Despacho Decisório em 07.02.2012, a efetiva intimação só ocorreu em 14.05.2012, pois para que seja válida a prova do recebimento via AR, fazse necessário que o portador da correspondência, preencha corretamente os campos relativos à identificação do recebedor. que o malsinado AR não preenche os requisitos necessários, já que não é possível visualizar os campos "NOME LEGÍVEL DO RECEBEDOR", "ASSINATURA DO RECEBEDOR" e "NÚMERO DE DOCUMENTO DE IDENTIFICAÇÃO DO RECEBEDOR", e a cópia digitalizada foi inserida com à etiqueta com indicação de seu Fl. 551DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 16682.720768/201172 Acórdão n.º 1302001.152 S1C3T2 Fl. 551 3 domicilio fiscal sobreposta, o que, inviabiliza a visualização de 3 dos 4 campos do AR. que consta apenas uma assinatura, de pessoa desconhecida, a partir da qual sequer é possivel identificar o nome completo. que a jurisprudência administrativa já se manifestou diversas vezes no sentido de serem inválidas intimações cujo recebedor não esteja devidamente identificado. È o relatório. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 4 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da SilvaRelator Como visto do relatório, tratam os presentes autos do conhecimento ou não, por parte deste Colegiado, das razões do recurso voluntário interposto, tendo em vista o não acolhimento da peça impugnatória pela Turma Julgadora de primeiro grau em razão da sua apresentação fora do prazo regulamentar. Como comprovado, a interessada foi cientificada do despacho decisório, segundo Aviso de Recebimento AR de fl. 237/238, em 07/02/2012, e apresentou manifestação de inconformidade em 12/06/2012, quando fluido o prazo. O art. 15 do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, estabelece o prazo limite de trinta dias da data da ciência do despacho decisório para apresentação da impugnação e este prazo, no caso, se encerrou em 08/03/2012. Na presente instância, a recorrente não apresenta qualquer elemento novo no sentido de modificar os fatos constantes da decisão de primeira instância, sustenta sua defesa na tese de que a pessoa que recebeu o AR era estranha a seu quadro de funcionários e que o AR seria inválido por conter erros. Impõese, assim, verificar se, em verdade, houve ou não o recebimento do AR de forma regular e se o mesmo era legítimo. A legislação que rege a forma de promover as intimações é cristalina, conforme podemos constatar no art. 23 do Decreto n°. 70.235/1972, com nova redação dada pela Lei n°. 9.532, de 1997, “in verbis”: "Art. 23 Farseá a intimação: II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; § 2°. Considerase feita à intimação: II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; § 4°. Considerase domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo o do endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal.” Entendo, também, que os erros constantes do AR, ressaltados em sede de recurso, também não tem o condão de anular a intimação ou macular o processo. Ressalto que a jurisprudência colada pela contribuinte em sede de recurso é antiga, e portanto não lhe socorre, uma vez que as mais recentes são unânime em sentido contrario, senão vejamos: CARF 1a. Seção / 1a. Turma da 3a. Câmara / ACÓRDÃO 130100.613 em 30/06/2011 Fl. 553DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 16682.720768/201172 Acórdão n.º 1302001.152 S1C3T2 Fl. 552 5 ASSUNTO: IRPJ EMENTA Anocalendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO RECORRIDA QUE ASSENTA A INTEMPESTIVIDADE DE IMPUGNAÇÃO. PREVALÊNCIA. Não merece reparos decisão que reconhece a intempestividade de impugnação ante o mero argumento de que a pessoa que recebeu a notificação é estranha à empresa recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, os membros da Turma decidem negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte. CARF 1a. Seção / 1a. Turma da 4a. Câmara / ACÓRDÃO 140100.462 em 23/02/2011 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL EMENTA Anocalendário: 2003, 2004, 2005 PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. Comprovado que a impugnação foi apresentada depois de expirado o prazo de 30 dias contados da data da ciência do auto de infração, rejeita se a preliminar de tempestividade suscitada. DESPACHO DECISÓRIO. CIÊNCIA. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Publicado no DOU em: 21.06.2011 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF 1a. Seção 1a. Turma da 2a. Câmara. CARF 1a. Seção / 1a. Turma da 2a. Câmara / ACÓRDÃO 120100.278 em 08/07/2010 SIMPLES Exclusão ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL EMENTA Anocalendário: 2000 Fl. 554DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 6 INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. É válida a intimação por via postal desde que a correspondência seja remetida ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo e conste, no aviso de recebimento (AR), a assinatura da pessoa que a recebeu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, negar provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Publicado no DOU em: 28.03.2011 Acolher a pretensão do suplicante implicaria grave ofensa aos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal, já que a validade da intimação via postal é matéria pacífica no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que inclusive sumulou a matéria pela Súmula Carf nº 9, que não deixa qualquer dúvida sobre o assunto quando determina: “Súmula Carf nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Nestes termos, tendo transcorrido o prazo para apresentação da impugnação, prejudicada a análise das questões de mérito no lançamento, posicionome no sentido de conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 555DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000427/2007-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL.
A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2301-003.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração nos termos do voto do Relator; b) em declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício no lançamento como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Eduardo de Abreu Coutinho. OAB: 95.319/RJ.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração nos termos do voto do Relator; b) em declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício no lançamento como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Eduardo de Abreu Coutinho. OAB: 95.319/RJ. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1969; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 876 1 875 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12045.000427/200755 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2301003.581 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2013 Matéria Embargos de Declaração Embargante M. I. MONTREAL INFORMÁTICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração nos termos do voto do Relator; b) em declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício no lançamento como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Eduardo de Abreu Coutinho. OAB: 95.319/RJ. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 04 27 /2 00 7- 55 Fl. 876DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório 1. Tratase de embargos opostos tempestivamente pela MI MONTREAL INFORMÁTICA, contra acórdão assim ementado: LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização de ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava na localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado Crédito Tributário Exonerado. 2. Entende a embargante, em síntese, que houve omissão no referido acórdão, dada a falta de análise acerca da natureza jurídica da nulidade por cerceamento do direito de defesa, uma vez que julga necessário um pronunciamento explícito da Turma sobre o tipo de vício que motivou a anulação do lançamento. 3. Além disso, a embargante tece algumas considerações sobre o acórdão embargado e argumenta que houve contradição entres os termos do voto e o dispositivo da decisão, uma vez que entende que no caso do contribuinte, a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, conforme jurisprudência do CARF, deuse por vício material e não vício formal: “o vício não é de mero procedimento, formal, mas sim intrínseco ao lançamento do crédito tributário e a determinação da matéria tributável, ou seja, evidentemente material” (f. 758). 4. Para subsidiar sua tese a embargante transcreve alguns parágrafos do voto condutor do julgamento, que sob sua ótica contradizem o dispositivo do decisório e ao final de sua exposição argumentativa, solicita que os embargos sejam conhecidos e providos, para incluir no acórdão embargado, como justificativa da nulidade do lançamento, o vício material. Fl. 877DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000427/200755 Acórdão n.º 2301003.581 S2C3T1 Fl. 877 3 Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes 5. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão quanto a algum ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma possibilita a oposição de embargos de declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. 6. Na análise do acórdão proferido verificamos que, de fato, apesar de haver expressamente no item 15 o reconhecimento da nulidade do lançamento por vício formal, não houve o cotejamento da natureza jurídica do mencionado vício com o caso concreto, sendo assim no que tange a esse ponto, merece razão a embargante. 7. Para adentrar ao mérito da alegação de contradição, suscitando o reconhecimento do vício material como causa da nulidade do lançamento, mister se faz a distinção de vício formal e vício material. 8. Entendese por vício formal aquele relacionado aos requisitos objetivos para a validade do lançamento. Diz respeito a exigências legais préestabelecidas para o ato administrativo. Por outro lado, vício material está diretamente relacionado à própria matéria tributada pela autoridade administrativa. Envolve questões relacionadas à interpretação das normas jurídicas, situação fática apurada pela fiscalização, dados contábeis, etc. 9. O vício material diz respeito à própria obrigação tributária e não aos requisitos burocráticos exigidos ao lançamento. 10. Destarte, ao analisar o voto condutor, observase que as alegações ali trazidas referemse á impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, ensejando, por consectário, a nulidade do auto por vício material, consubstanciado nos artigos 142 e 173, II, do Código Tributário Nacional. 11. Como é cediço, é formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração); e B) Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 878DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 12. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. 13. Forma é requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. 14. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. A sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. 15. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Fl. 879DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000427/200755 Acórdão n.º 2301003.581 S2C3T1 Fl. 878 5 Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) 16. Para ratificar esse entendimento destacase a doutrina de Leandro Paulsen (Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 9ª ed., pág. 01112): “Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento a ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei.” 17. O que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorrência do fato gerador, equívocos e omissões no dispositivo legal, da data e horário da lavratura, identificação do sujeito passivo. 18. Apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa não prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu. Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). 19. Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é a diferença esclarecida acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão apenas quando o vício é formal, pois não há dúvida no lançamento de que o fato gerador existiu. 20. O rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vício na formalização. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 21. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da existência do fato gerador. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação ocorreu e que esse fato existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. 22. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. 23. Ademais, este Conselho já se posicionou sobre esta matéria, ao analisar o Recurso Voluntário n. 12045.000302/200725, cuja relatoria coube ao eminente Conselheiro Igor Araújo Soares, deixando patente que o cerceamento de direito de defesa acarreta a nulidade do auto de infração por vício material. AUTO DE INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE NO MOMENTO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. De acordo com o disposto no art. 142 do CTN, deverá o fiscal, ao efetuar o lançamento, verificar e comprovar a ocorrência do fato gerador, da matéria tributável e da penalidade a ser aplicada. Em se tratando de Auto de Infração, um dos elementos que deverá ser comprovado pela fiscalização no momento do lançamento da multa pelo descumprimento da legislação previdenciária é a ocorrência ou não de circunstâncias agravantes, as quais determinam o cálculo do montante do crédito tributário a ser lançado. A posterior verificação pelo acórdão recorrido da ocorrência de circunstância agravante, não apurada quando do lançamento da multa objeto do Auto de Infração, enseja a nulidade do lançamento efetuado, pela inobservância do art. 142 do CTN. LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Quando o lançamento não obedece aquilo o que determinado pelo art. 142 do CTN, deverá ser considerado como carecedor de algum de seus fundamentos principais de validade, o que enseja a ocorrência de vício material insanável. Lançamento Anulado 24. Ora, os embargos de declaração possuem o fito de aprimoramento do julgado, como bem observou o Eminente Ministro Marco Aurélio em seu voto no AI 163.047 5/PR: “os embargos declaratórios não consubstanciam crítica ao ofício judicante, mas servemlhe ao aprimoramento. Ao apreciálos, o órgão deve fazêlo com espírito de compreensão, atentando para o fato de consubstanciarem verdadeira contribuição da parte em prol do devido processo legal”. 25. Destarte, não paira dúvida de que há a necessidade de sanar a omissão e contradição apontadas no presente recurso horizontal, devendo constar na ementa do julgado anulação do lançamento por vício material, ensejando, assim, a procedência das alegações da embargante. CONCLUSÃO 26. Pelo exposto, voto em acolher os embargos propostos, para analisar o vício existente e conceituálo como material, conforme o voto. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000427/200755 Acórdão n.º 2301003.581 S2C3T1 Fl. 879 7 (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 882DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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