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Numero do processo: 10580.721040/2009-13
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA, POR FALTA DE ANÁLISE DA TESE DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE EM RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. RECURSO DE QUE SE CONHECE QUANTO A ESTE FUNDAMENTO. Não tendo sido enfrentada a alegação de não incidência do IRPF sobre os juros moratórios decorrente do pagamento a destempo das verbas pagas pelo Estado da Bahia, é de se acrescer à decisão recorrida fundamentação no sentido do cabimento de tal tese. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS TRABALHISTAS PAGAS EM FUNÇÃO DE DECISÃO JUDICIAL. RECURSO ESPECIAL EDCL NO RESP 1227133 / RS, JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça noS Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, proferido em 23 de novembro de 2011, não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62-A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo, pois os valores correspondem a pagamento de acréscimo de remuneração paga em função devida pelo trabalho de decisão judicial Embargos acolhidos parcialmente com efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2802-001.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade ACOLHER EM PARTE os Embargos de Declaração para re-ratificar o acórdão 2802-001.067, de 29 de setembro de 2011, e excluir da tributação os valores de R$29.718,38, em cada um dos anos-calendários, discriminados como juros de mora, bem como a multa de ofício, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (relatora), German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Relatora. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Redator designado. EDITADO EM: 19/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dayse Fernandes Leite Relatora), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello (Redator designado), Jaci de Assis Junior, Sidney Ferro Barros e German Alejandro San Martin Fernandez.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade ACOLHER EM  PARTE  os  Embargos  de  Declaração  para  re­ratificar  o  acórdão  2802­001.067,  de  29  de  setembro de 2011, e excluir da tributação os valores de R$29.718,38, em cada um dos anos­ calendários, discriminados como  juros de mora,  bem como a multa de ofício, nos  termos do  voto  do  redator  designado.  Vencidos  os  Conselheiros  Dayse  Fernandes  Leite  (relatora),  German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros. Designado(a) para redigir o  voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello   (assinado digitalmente)  Jorge Claudio Duarte Cardoso ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Dayse Fernandes Leite ­ Relatora.  (assinado digitalmente)  Carlos André Ribas de Mello ­ Redator designado.  EDITADO EM: 19/07/2013  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dayse Fernandes Leite  Relatora), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello (Redator  designado),  Jaci  de  Assis  Junior,  Sidney  Ferro  Barros  e  German  Alejandro  San  Martin  Fernandez.    Relatório  Tratam  os  autos  de  embargos  de  declaração  interpostos  por  Maria  Auxiliadora Campos Lobo Kraychete (fls. 281/293), em face do Acórdão 2802001.067, de 29  de setembro de 2011, fls. 81/86, de lavra desta relatora.  No  arrazoado,  a  embargante  denuncia  omissão/contradição  no  acórdão.  Os  fundamentos  da  denunciada  omissão/contradição  estão  consubstanciados  nos  parágrafos,  a  saber:  “No  que  tange  à  preliminar  suscitada  relativa  `a  falta  de  legitimidade  da  União  para  cobrar  imposto  de  renda  que  pertence,  por  determinação  constitucional,  ao  Estado,  esse  tópico merece sim, data vênia, uma posição esclarecedora de V.  Exa.  No  acórdão  recorrido,  a  matéria  em  debate  não  é  sequer  ventilada,  seno  utilizado  como  argumento  justificador  que  “a  decisão  colegiada  de  1º  grau  enfrentou  a  infundada  alegação  sobre  a  ilegitimidade  ativa  da  União  Federal,  ainda  que  de  forma sucinta; portanto, é de se constatar que houve a sucinta,  porém,  suficiente  abordagem,  sendo  desnecessário  exigir  do  Fl. 317DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.721040/2009­13  Acórdão n.º 2802­001.858  S2­TE02  Fl. 11          3 órgão julgador fundamentação exaustiva, conforme pretendido”.  (grifos nossos)  Ora, E. julgadores, não se pode negar a importância da matéria  trazida  a  baila  pelo  Recorrente,  a  qual  não  fora  elucidada  de  maneira fundamentada pela decisão guerreada. Deve, portanto,  tal  preliminar  ser  analisada  de  forma  exaustiva,  esclarecendo  todos  os  pontos  atacados  e  não  de  forma  suscinta,  como  fora  realizado  em  primeira  instância  e  mantido  no  acórdão  em  discussão.  A questão da ilegitimidade da União e, sem dúvidas, questão de  suma importância para deslinde do embate, devendo ser deferido  tratamento com a sua situação. Impende destacar a necessidade  de analisar os princípios e limites constitucionalmente impostos,  delineando,  de  fato,  a  competência  para  enfrentar  a  presente  demanda.  Nessa  senda,  é  imperioso  realizar  a  análise  de  previsão  constitucional  referente à matéria,  vez que  esta  irá  fornecer os  limites  balizadores  da  aplicação  da  norma  ao  caso  concreto.  Portanto, não é cabível a análise meramente sucinta acerca do  quanto alegado e reiterado pelo Recorrente.   No mais repisa as alegações já abordadas na peça recursal.    Voto Vencido  Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora.  A  despeito  da  tempestividade,  os  embargos  de  declaração  carecem  de  seus  pressupostos de admissibilidade.  Com efeito, deve­se observar que “cabem embargos de declaração quando o  acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos,  ou  for  omitido  ponto  sobre  o  qual  devia  pronunciar­se  a  turma”  (art.  65,  do  Anexo  II,  do  RICARF). Nessa linha, obscuro é o acórdão que não explicita adequadamente os fundamentos  da decisão e contraditório é aquele que  tem fundamentos em oposição,  total ou parcial,  com  sua decisão.   O  processo  diz  respeito  à  auto  de  infração  lavrado  devido  à  classificação  indevida  de  rendimentos  tributáveis  na  declaração  de  ajuste  anual  como  sendo  rendimentos  isentos e não tributáveis..  O acórdão embargado, por unanimidade de votos rejeitou as preliminares e,  no mérito, deu provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício.  Na fase recursal,  em preliminar  recorrente  solicita a  reabertura em primeira  instância,  onde  deve  ser  analisada  e  decidida  a  questão  suscitada,  relativa  à  falta  de  legitimidade  ativa  da  União  para  cobrar  suposto  imposto  de  renda  que  por  determinação  Fl. 318DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     4 constitucional pertence ao Estado da Bahia, sob pena de supressão de instância administrativa,  e  violação  dos  dispositivos  constitucionais  alegados,  o  que  acarretaria  nulidade  do  presente  processo  administrativo  tributário,  devendo  na  primeira  instância,  ser  reconhecida  a  ilegitimidade  ativa  da União  para  cobrar  o  suposto  imposto  de  renda,  que  não  foi  objeto  de  retenção  pelo  Estado  da  Bahia  e  que  seja  anulado  o  lançamento  que  originou  o  crédito  tributário que ora se discute e deslocado o julgamento desse litígio instaurado, para o âmbito da  Fazenda Estadual.  Ao apreciar a preliminar de ilegitimidade ativa da União Federal, trazida pelo  recorrente,  o  acórdão  embargado  asseverou  que  tal  preliminar  foi  suficiente  abordada,  na  decisão de primeira instâncias e entendeu como sendo desnecessário exigir do órgão julgador  fundamentação exaustiva, conforme pretendido.  E, nessa conformidade, quando superou a preliminar de ilegitimidade ativa da  União  Federal,  a  decisão  de  primeira  instância  demonstrou  suficientemente  que  a  exigência  contida nos autos se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física e  não ao IRRF que deixou de ser  retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto,  tanto a  exigência  do  tributo,  quanto  o  julgamento  do  presente  lançamento  fiscal,  é da  competência  exclusiva da União. Ainda, esclareceu que as nulidades argüidas sobre a decisão de primeira  instância se repetiam nas razões do voluntário, de sorte a rejeitá­las sob os mesmos argumento.  Ora,  o  fato  de  o  Acórdão  embargado  ter  entendido  que  a  preliminar  de  ilegitimidade  ativa  da  União  Federal,foi  suficientemente  combatida  na  decisão  de  primeira  instância e adotar como razão de decidir os mesmos fundamentos nela contido, não pode ser  visto  como uma  contradição  ou  obscuridade,  a  uma porque  não  há  qualquer obscuridade  no  acórdão guerreado, que adotou como razão de decidir o mesmo entendimento explicitado, na  decisão de primeira para a rejeição das preliminares argüidas pela recorrente; e a duas porque  ao  julgador  cabe  apreciar  a  questão  de  acordo  com  o  que  entender  atinente  à  lide. Não  está  obrigado  a  julgar  a  questão  conforme  o  pleiteado  pelas  partes,  mas  sim  com  o  seu  livre  convencimento  (art.  131  do  CPC)  utilizando­se  dos  fatos,  provas,  jurisprudência,  aspectos  pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso.   No  caso  em  debate,  a  Turma  entendeu  que  as  matérias  argüidas  como  preliminares  pela  contribuinte,  foram  suficientemente  abordadas,  na  decisão  de  primeira  instância. Daí não se pode, na via dos embargos, querer obrigar a Turma a decidir de acordo  com o pleiteado pela parte.  Esclarecida  essa  situação  e  mantido  o  mesmo  entendimento  do  acórdão  embargado, vê­se claramente que não há qualquer obscuridade ou contradição no Acórdão nº.  2802001.067,de  29  de  setembro  de  2011,  razão  que  me  leva  a  declarar  os  embargos  improcedentes, rejeitando­os de forma definitiva,   (assinado digitalmente)  Dayse Fernandes Leite    Voto Vencedor  Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Redator designado.  Fl. 319DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.721040/2009­13  Acórdão n.º 2802­001.858  S2­TE02  Fl. 12          5 Em que pese o judicioso voto da Conselheira Relatora, a quem presto minhas  homenagens, dele ouso divergir em uma pequena parte, por entender que a questão veiculada  pelo  Embargante  em  seu  Recurso  Voluntário  acerca  da  incidência  do  IRPF  sobre  os  juros  moratórios decorrente do pagamento a destempo das verbas pagas pelo Estado da Bahia não foi  devidamente apreciada quando do julgamento do recurso voluntário do Embargante.  Com efeito, o Embargante pede a expressa manifestação desta Turma sobre  esta  tese,  citando  inclusive  entendimento  jurisprudencial  que  possui  efeitos  normativos  de  efeitos vinculantes aos conselheiros do CARF, segundo o art. 62­A do seu Regimento Interno.  E neste sentido, nos  termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça noS  Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, proferido em 23 de novembro  de  2011, Não  incide  imposto  de  renda  sobre  os  juros moratórios  legais  vinculados  a  verbas  trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543­ C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado  (art.  62­A do Regimento  Interno  do CARF),  deve  ser  excluído  da  base  de  cálculo  a  parcela  correspondente  aos  juros de mora das parcelas de natureza  remuneratória pagas  a destempo,  pois  os  valores  correspondem  a  pagamento  de  acréscimo  de  remuneração  paga  em  função  devida pelo trabalho de decisão judicial.  Conforme a Lei Estadual que autorizou o pagamento das verbas decorrentes  de diferenças na remuneração da Embargante, está expressamente consignado que o mesmo se  dá em função de uma decisão em processo judicial, consoante consigna a Ementa do Acórdão  embargado.  Isto  posto,  voto  no  sentido  de  acolher  em  parte  os  Embargos,  e  excluir  da  tributação os valores de R$29.718,38, em cada um dos anos­calendários, discriminados como  juros de mora, bem como a respectiva multa de ofício.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Carlos André Ribas de Mello.                  Fl. 320DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

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Numero do processo: 10580.000439/2003-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2002 IPI. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. Demonstrado e provado nos autos que no trimestre, objeto do ressarcimento pleiteado, apurou-se saldo devedor do imposto e não credor, não há que se falar em ressarcimento/compensação. IPI. SALDOS TRIMESTRAIS ACUMULADOS. O ressarcimento dos saldos trimestrais acumulados é passível de restituição desde que demonstrada a certeza e liquidez dos saldos apurados para cada trimestre e que estes não foram objetos de outros pedidos. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. SALDOS TRIMESTRAIS ACUMULADOS. PRECLUSÃO. A alteração do pedido de ressarcimento/compensação do saldo credor apurado para o 4º trimestre de 2004, inicialmente submetido e apreciado pela autoridade competente, para o total de saldos trimestrais acumulados em outros trimestres configura preclusão. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a apresentação de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3301-001.300
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS

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BAHIA PET LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 14/11/2002  IPI. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO.  Demonstrado e provado nos autos que no trimestre, objeto do ressarcimento  pleiteado,  apurou­se  saldo devedor do  imposto  e não  credor,  não há que  se  falar em ressarcimento/compensação.  IPI. SALDOS TRIMESTRAIS ACUMULADOS.  O  ressarcimento dos  saldos  trimestrais acumulados é passível de  restituição  desde  que  demonstrada  a  certeza  e  liquidez  dos  saldos  apurados  para  cada  trimestre e que estes não foram objetos de outros pedidos.  RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO.  SALDOS  TRIMESTRAIS  ACUMULADOS. PRECLUSÃO.  A  alteração  do  pedido  de  ressarcimento/compensação  do  saldo  credor  apurado para o 4º trimestre de 2004, inicialmente submetido e apreciado pela  autoridade  competente,  para  o  total  de  saldos  trimestrais  acumulados  em  outros trimestres configura preclusão.  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.  A  homologação  de  compensação  de  débito  fiscal,  efetuada  pelo  próprio  sujeito  passivo,  mediante  a  apresentação  de  Declaração  de  Compensação  (Dcomp),  está  condicionada  à  certeza  e  liquidez  do  crédito  financeiro  declarado.  RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS   2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade,  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.  (Assinado Digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente.  (Assinado Digitalmente)  José Adão Vitorino de Morais ­ Relator.  Participaram do presente julgamento: os Conselheiros José Adão Vitorino de  Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira  e Silva, Maria Teresa Martínez López  e  Rodrigo da Costa Pôssas.  Relatório  Trata­se de  recurso voluntário  interposto contra decisão da DRJ Belém que  julgou  improcedente manifestação  de  inconformidade  apresentada  contra  despacho  decisório  que não homologou a compensação dos débitos  fiscais de PIS e Cofins, vencidos na data de  14/11/2002, declarados  na Declaração de Compensação  (Dcomp),  às  fls.  04,  protocolada em  20/01/2003, com créditos financeiros decorrentes do saldo credor do IPI apurado para o quarto  trimestre de 2002.  Por  meio  do  despacho  decisório  às  fls.  88/90,  a  DRF  em  Salvador  não  reconheceu o direito de a recorrente se ressarcir do crédito financeiro utilizado na Dcomp e não  homologou a compensação dos débitos declarados sob o fundamento de que a apuração do IPI  no referido trimestre apresentou saldo negativo de R$3.967,30 e não saldo credor.  Cientificada  do  despacho  decisório,  inconformada  a  recorrente  interpôs  manifestação  de  inconformidade  (fls.  96/102),  requerendo  a  sua  reforma  a  fim  de  que  fosse  reconhecido  o  seu  direito  ao  ressarcimento  pleiteado  e  homologadas  a  compensação  dos  débitos fiscais declarados, alegando razões que foram assim resumidas por aquela DRJ:  “a) O crédito objeto do pedido de ressarcimento ora examinado  foi  regularmente  escriturado  nos  livros  fiscais  do  contribuinte,  especialmente no livro de apuração do IPI.  b)  A  circunstância  de  ter  sido  o  crédito  de  IPI  acumulado  em  períodos anteriores não impede que se proceda à manutenção do  aludido  saldo  credor  na  escrita  fiscal,  para  em  momento  oportuno, ser objeto de compensação.  c)  Aduziu  em  seu  favor  os  artigos  207  a  209  do  Decreto  n°  4.544/2002 e os artigos 14, § 2° e 21 da IN SRF 210/2002.  d)  As  decisões  nos  processos  judiciais  mencionados  pela  autoridade  fiscal  não  podem  alterar  o  valor  a  ser  ressarcido,  levando­se  em  conta  que  o  mandado  de  segurança  n°  2004.33.00.017046­5  foi  impetrado contra ato de cobrança das  contribuições  instituídas  pela  Lei  n°  10.865/2004  (Pis­ importação e Cofms­importação) em face dos fatos de importar  produtos  estrangeiros  em  12.01.2004  e  que  o  mandado  de  segurança n° 2004.33.00.019341­4  foi  impetrado  contra ato  de  aplicação desigual  das alíquotas de  IPI  em relação aos bens –  Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.000439/2003­63  Acórdão n.º 3301­01.300  S3­C3T1  Fl. 468          3 importados  pelo  contribuinte  –  que  se  destinavam  à  mesma  finalidade. Além das circunstâncias de os objetos das  lides não  interferirem  no  valor  do  saldo  credor  do  IPI,  em  virtude  da  natureza  da matéria  discutida  judicialmente,  verifica­se  que  os  créditos  tributários  impugnados  judicialmente teriam como fato  gerador  a  importação  realizada  apenas  em  janeiro  de  2004,  posterior,  portanto,  ao  período  de  apuração  de  crédito  fiscal  cujo pedido ocorrera em 31.12.2002.”  Analisada  a  manifestação  de  inconformidade,  aquela  DRJ  julgou­a  improcedente,  conforme  acórdão  nº  01­9.824,  datado  de  27/11/2007,  às  fls.  439/445,  sob  as  seguintes ementas:  “PEDIDO DE PERÍCIA.  Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando for prescindível  para  o  deslinde  da  questão  a  ser  apreciada  ou  se  o  processo  contiver  os  elementos  necessários  para  a  formação  da  livre  convicção do julgador.  IPI.  SALDO  CREDOR.  RESSARCIMENTO.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA. TRIMESTRE­CALENDÁRIO.  O ressarcimento autorizado pelo artigo 11 da Lei n° 9.779/1999  vincula­se  ao  preenchimento  das  condições  e  requisitos  determinados  pela  legislação  tributária  que  rege  a  matéria.  Remanescendo,  ao  final  de  cada  trimestre­calendário,  créditos  do  IPI  passíveis  de  ressarcimento  após  efetuadas  as  deduções  autorizadas  na  legislação,  o  contribuinte  poderá  requerer  ao  Fisco, de forma definitiva, o ressarcimento dos referidos créditos  ou compensá­los. Na ausência de provas nos autos que indiquem  a  certeza  e  a  liquidez  do  crédito  pleiteado,  impõe­se  o  indeferimento do pleito.  COMPENSAÇÃO.  RESSARCIMENTO.  DEPENDÊNCIA.  A  declaração de compensação só pode ser homologada em razão  do  deferimento  dos  correspondentes  créditos  em  pedido  de  ressarcimento.”  Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls.  451/464),  requerendo  a  sua  reforma  a  fim  de  que  se  reconheça  seu  direito  ao  ressarcimento  pleiteado  e  homologue  a  compensação  dos  débitos  fiscais  declarados,  alegando,  em  síntese,  que o fato de  ter envolvido dois  trimestres em um mesmo pedido não  retira seu direito, haja  vista que a Lei nº 9.779, de 1999, que autoriza o ressarcimento, assim como a IN­SRF nº 33, de  1999, não vedam tal prática.  É o relatório.  Voto             Conselheiro José Adão Vitorino de Morais  Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS   4 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no  Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço.  A  recorrente  apresentou,  20/01/2003,  o  pedido  às  01,  pleiteando  o  ressarcimento  do  saldo  credor  do  IPI  apurado  no  4º  trimestre  de  2002,  no  valor  de  R$213.955,63,  cumulado  com  a Declaração  de Compensação  (Dcomp)  às  fls.  02,  visando  à  homologação da compensação de débitos fiscais de PIS, no valor de R$33.115,40, e de Cofins,  no valor de R$152.840,31, totalizando R$185.955,71, ambos vencidos em 14/11/2002.  A DRF em Salvador não reconheceu seu direito ao ressarcimento pleiteado e,  consequentemente,  não  homologou  a  compensação  dos  débitos  fiscais  declarados  sob  o  fundamento de que, para aquele trimestre, ao invés do saldo credor reclamado, apurou­se um  saldo  devedor,  no  valor  de  R$3.967,30,  conforme  comprovam  os  lançamentos  no  Livro  de  Registro e Apuração do IPI às fls. 48/85 e o demonstrativo constante do despacho decisório.  A partir de  então,  a  recorrente  alterou, na manifestação de  inconformidade,  seu pedido de inicial, de ressarcimento/compensação do saldo credor do IPI apurado para o 4º  trimestre de 2002, para saldos credores de trimestres anteriores, e, no recurso voluntário, para  saldos de dois ou mais trimestres.  Em  ambas  as  inovações,  a  recorrente  não  demonstrou  a  quais  períodos  trimestrais correspondia o ressarcimento pleiteado, apenas informou que não fora apurado no  4º  trimestre  de  2002,  objeto  do  pedido  em  discussão,  mas  em  trimestres  anteriores,  sem,  contudo identificá­los e, ainda, demonstrar a apuração dos saldos de cada um dos trimestres.  Realmente a Lei nº 9.779, de 19/01/1999,  art.  11,  nem a  IN­SRF nº 33, de  04/03/1999,  não  veda  o  ressarcimento  de  saldos  trimestrais  acumulados,  mas  ambas  determinam que o valor passível de ressarcimento/compensação é o saldo credor apurado em  cada trimestre.  O ressarcimento dos saldos  trimestrais acumulados em um mesmo pedido é  possível  desde  que  sejam  demonstradas  a  certeza  e  liquidez  dos  saldos  de  cada  trimestre,  mediante  demonstrativos  de  débitos  e  créditos,  acompanhados  da  documentação  fiscal  e  contábil e, principalmente, seja submetido à autoridade administrativa competente a quem cabe  analisar inicialmente o pedido.  No  presente  caso,  o  pedido  inicial  submetido  e  analisado  pela  autoridade  administrativa competente, ou seja, o Delegado da DRF em Salvador, foi o de ressarcimento do  saldo credor apurado para o 4º trimestre de 2002. Qualquer inovação no pedido inicial deveria  ser submetida àquela autoridade a quem cabe manifestar sobre os saldos credores apurados e  reclamados para cada trimestre.  A  alteração  do  pedido  inicial  implicou  preclusão  lógica  e  consumativa  que  impedem a apreciação das inovações opostas nesta fase recursal. A lógica se configurou pela  incompatibilidade  de  julgar  nesta  fase  matéria  não  oposta  nas  fases  anteriores,  no  caso  o  ressarcimento de outros períodos, não apreciado pelas autoridades, administrativa competente e  julgadora  de  primeira  instância.  Já  a  consumativa  pelo  fato  de  a  autoridade  administrativa  competente já ter indeferido o pedido de ressarcimento e a recorrente ter concordado com o seu  fundamento, ou seja, a apuração de saldo devedor ao invés de credor.  Dessa forma, demonstrado que no 4º trimestre de 2002, objeto do pedido de  ressarcimento,  foi  apurado  saldo  devedor  e  não  credor  e,  ainda,  que,  nesta  fase  recursal,  Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.000439/2003­63  Acórdão n.º 3301­01.300  S3­C3T1  Fl. 469          5 ocorreu  a  preclusão  lógica  e  consumativa  do  direito  de  a  recorrente  exercer  seu  direito,  em  relação a outros trimestres, não se toma conhecimento das razões de mérito inovadas.  Quanto  à  homologação  das  compensações,  nos  termos  da  Lei  nº  9.430,  de  27/12/1996, art. 74, esta depende da certeza e  liquidez dos créditos financeiros declarados na  Dcomp.  No  presente  caso,  conforme  demonstrado,  a  recorrente  não  dispunha  do  ressarcimento declarado como crédito financeiro na Dcomp em análise. Assim não há que se  falar em homologação da compensação dos débitos fiscais declarados.  Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, nego provimento  ao presente recurso voluntário.  (Assinado Digitalmente)  José Adão Vitorino de Morais – Relator                                 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

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Numero do processo: 10380.723785/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. CONVÊNIO ENTRE ÓRGÃOS FAZENDÁRIOS. LEGALIDADE. É legal a troca de informações fiscais entre órgãos fazendários por intermédio de convênios firmados. Configura-se omissão de receitas a constatação de receitas tributáveis não declaradas junto ao fisco federal, por intermédio de informações prestadas pelo próprio sujeito passivo ao fisco estadual. PROVA EMPRESTADA. A utilização de informações prestadas pelo próprio sujeito passivo ao fisco estadual por convênio de cooperação não se configura como prova emprestada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SÚMULA N. 2 DO CARF. A alegação de que a multa de ofício qualificada em 150% sobre o valor do tributo é confiscatória, desproporcional e irrazoável exige a análise de inconstitucionalidade da lei tributária. A Súmula n. 2 do CARF veda a análise de inconstitucionalidade da lei tributária, não podendo o CARF se pronunciar sobre a matéria. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. LEGALIDADE. A conduta de declarar apenas 5,8% das suas receitas caracteriza sonegação dolosa, sendo cabível a aplicação de multa de ofício qualificada em 150%, nos termos do art. 44 da Lei n. 9.430/96.
Numero da decisão: 1302-001.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE - Presidente. (assinado digitalmente) MÁRCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Alberto Pinto Souza Junior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Cristiane Silva Costa, Marcio Rodrigo Frizzo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2149; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 259          1 258  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10380.723785/2012­61  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­001.139  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  09 de julho de 2013  Matéria  IRPJ E REFLEXOS  Recorrente  MANOEL MULATO MACEDO   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2008  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  CONVÊNIO  ENTRE  ÓRGÃOS  FAZENDÁRIOS.  LEGALIDADE.  É  legal  a  troca  de  informações  fiscais  entre órgãos fazendários por intermédio de convênios firmados. Configura­se  omissão de receitas a constatação de receitas tributáveis não declaradas junto  ao fisco federal, por intermédio de informações prestadas pelo próprio sujeito  passivo ao fisco estadual.  PROVA EMPRESTADA. A utilização de informações prestadas pelo próprio  sujeito  passivo  ao  fisco  estadual  por  convênio  de  cooperação  não  se  configura como prova emprestada.  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  SÚMULA  N.  2  DO  CARF.  A  alegação  de  que  a  multa  de  ofício  qualificada  em  150%  sobre  o  valor  do  tributo  é  confiscatória,  desproporcional  e  irrazoável  exige  a  análise  de  inconstitucionalidade da lei tributária. A Súmula n. 2 do CARF veda a análise  de inconstitucionalidade da lei tributária, não podendo o CARF se pronunciar  sobre a matéria.  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  LEGALIDADE.  A  conduta  de  declarar  apenas 5,8% das  suas  receitas  caracteriza  sonegação dolosa,  sendo  cabível a aplicação de multa de ofício qualificada em 150%, nos  termos do  art. 44 da Lei n. 9.430/96.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado,  por unanimidade, em negar provimento  ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 37 85 /2 01 2- 61 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE     2 EDUARDO DE ANDRADE ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  MÁRCIO RODRIGO FRIZZO ­ Relator.    EDITADO EM: 15/07/2013  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade  (Presidente),  Alberto  Pinto  Souza  Junior,  Luiz  Tadeu  Matosinho  Machado,  Cristiane  Silva  Costa, Marcio Rodrigo Frizzo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.  Fl. 261DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10380.723785/2012­61  Acórdão n.º 1302­001.139  S1­C3T2  Fl. 260          3   Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  por  MANOEL  MULATO  MACEDO,  em  face  do  acórdão  nº  08­23.798  da  DRJ/FOR  (fls.  205/217),  proferido  em  processo  administrativo  que  trata  de  lançamentos  de  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  COFINS,  ano­ calendário 2008.  As atuações  foram efetuadas por meio dos Autos de  Infração constantes no  processo administrativo (fls. 2/48), nos valores abaixo demonstrados:  Tributo  Principal  Juros de  Mora  Multa  Total  IRPJ  R$ 154.801,22  R$ 55.726,15  R$  232.201,85  R$ 442.729,22  CSLL  R$ 95.464,66  R$ 34.363,63  R$  143.197,00  R$ 273.025,29  COFINS  R$ 265.179,57  R$ 98.234,44  R$  397.769,38  R$ 761.183,39  PIS  R$ 57.455,57  R$ 21.284,12  R$ 86.183,38  R$ 164.923,07  Os Autos de Infração foram lavrados em face da constatação de:  i) omissão  de receitas da atividade – receita bruta mensal na revenda de mercadorias (IRPJ); ii) omissão  de  receita  –  falta  de  recolhimento  da  CSLL  devida  sobre  receitas  da  atividade  omitidas  (CSLL);  iii)  incidência  cumulativa  padrão  –  omissão  de  receita  sujeita  à  COFINS;  e  iv)  incidência cumulativa padrão – omissão de receita sujeita à contribuição para o PIS/PASEP.  i) Da omissão de receita  Do  relatório  fiscal  (fls.  49/50),  a  recorrente  apresentou  Declaração  de  Informações Econômico­Fiscais  da Pessoa  Jurídica  (ano­calendário:  2008)  (fls.  88/103)  com  receita bruta no valor de R$ 525.750,98. Todavia, de acordo com as informações da Secretaria  da Fazenda do Estado do Ceará – SEFAZ/CE, existem notas fiscais de revenda de mercadorias,  emitidas pela recorrente (ano­calendário: 2008), no montante de R$ 9.091.174,80.  Sendo  assim,  a  recorrente  declarou  apenas  5,8%  das  suas  receitas  à  administração tributária federal, ou seja, omitiu receitas tributáveis, razão pela qual o AFRFB  lavrou  os  autos  de  infração  do  IRPJ, CSLL, COFINS  e PIS,  aplicando multa qualificada  de  150% (art. 44, § 1º, Lei n. 9.430/96):  [...]  A  presente  fiscalização  foi  programada  na  “Operação  Fiscal  91222  –  Cruzamento  de  informações  com  outros  fiscos  congêneres – VENDAS”, com o objetivo de verificar indícios de  omissão  de  receitas,  uma  vez  que  a  fiscalizada,  optante  pelo  lucro  presumido,  apresentou  sua  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  –  DIPJ  do  ano­ calendário  de  2008,  com  receita  bruta  no  valor  de  R$  525.750,98,  ao  passo  que,  informações  provenientes  da  Secretaria  da  Fazenda  do  Estado  do  Ceará  –  SEFAZ/CE  dão  conta da existência de notas fiscais de revenda de mercadorias,  Fl. 262DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE     4 emitidas  pela  fiscalizada  no  referido  ano,  no  montante  de  R$  9.091.174,80.  Em relação ao rol de notas fiscais de saídas oriundas do banco  de dados da SEFAZ/CE, é de se observar a grandeza de detalhes  das mesmas: numeração individualizada, data de emissão, valor  total  e  Códigos  Fiscais  de  Operações  e  Prestações  –  CFOP:  5102 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros  e  5104  –  Venda  de  mercadoria  adquirida  ou  recebida  de  terceiros efetuada fora do estabelecimento. É o que se infere ao  analisar  o  “Demonstrativo  de  Notas  Fiscais  de  Saídas  Ano  2008”, em anexo, realizado pela fiscalização com base no citado  banco de dados, onde se revela que as saídas de mercadorias se  deram  a  título  de  revenda,  constituindo­se  em  receitas  tributáveis, mormente  em  se  tratando de  apuração pelo  regime  de lucro presumido, regime este que utiliza a receita bruta como  parâmetro de apuração das bases de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS  e COFINS, na forma da legislação pertinente.  Em  razão  dessas  constatações,  impõe­se  a  formalização  dos  lançamentos  tributários  devidos,  observando­se  o  regime  de  lucro presumido adotado pela fiscalizada na sua DIPJ, tendo por  base  a  receita  bruta  conhecida  a  partir  das  notas  fiscais  de  revenda de mercadorias emitidas pela fiscalizada e informadas à  SEFAZ/CE,  conforme  “Demonstrativo  de  Notas  Fiscais  de  Saídas Ano 2008”, em anexo, cabendo a dedução dos tributos já  recolhidos  ou  declarados  em  DCTF  espontaneamente  pela  empresa.  Por fim, fazemos registrar que sobre os tributos lançados contra  a  empresa,  cabe  a  aplicação  da multa  qualificada  prevista  no  art.  44,  §  1º,  da  Lei  9430/96,  uma  vez  que  a  conduta  de  seu  titular,  de  declarar  ao  Fisco  Federal  apenas  5,8%  das  suas  receitas,  revela  o  intuito  sonegatório  por  ele  perpetrado,  conforme  preconizado  no  art.  71  da  Lei  4502/64,  que  define  sonegação  como  sendo  a  conduta  dolosa  tendente  a  retardar  local ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade  fazendária,  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais.    A  recorrente  apresentou  impugnação  (fls.  174/184)  ventilando,  em  resumo,  os seguintes argumentos a seu favor:  (i)  O  lançamento  é  nulo  por  erro  na  identificação  do  sujeito  passivo,  pois  como se comprova, a firma  individual  foi baixada em 2009 e o  lançamento  deveria ter sido dirigido ao seu titular;  (ii)  A  ação  fiscal  foi  instruída  exclusivamente  com  base  na  documentação  utilizada  para  fins  de  controle  do  ICMS.  Houve  aproveitamento  de  provas  contidas junto ao Fisco Estadual. O teor contido naqueles documentos não foi  revelado em sua plenitude pela autoridade fiscal;  (iii)  A  denominada  “prova  emprestada”,  relativamente  à  sua  serventia,  encontra  intransponíveis  limites.  Um  deles  é  a  proibição  de  se  transportar  apenas as conclusões delas provenientes;  Fl. 263DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10380.723785/2012­61  Acórdão n.º 1302­001.139  S1­C3T2  Fl. 261          5 (iv) O Fiscal adquiriu conclusões manifestadas no Relatório SEFAZ­CE, para  fins de configurar a realização de operações mercantis de compra e venda de  mercadorias,  sem carrear outros  elementos que comprovassem a pretendida  omissão nos domínios da COFINS e do PIS.  (v) A firma autuada comercializava, dentre outros produtos, queijos que, por  definição legal, tiveram alíquota de PIS e COFINS reduzidas a zero;  (vi)  O  agente  administrativo,  ao  proceder  à  lavratura  do  auto  de  infração,  precisa  demonstrar,  de  forma  cabal,  que  as  condutas  tomadas  como  violadoras  da  legislação  tributária  contêm  todos  os  aspectos  expressamente  descritos na lei fiscal;  (vii) Não restou devidamente demonstrada a presença da omissão de receitas  inerentes ao tipo infracional proposto pela autoridade fiscal [cita ementas de  julgados].;  (viii) Houve falta de compensação de tributos já pagos: foi compensado pelo  autuante  a  quantia  de R$  3.022,28,  porém,  pelo  simples  cálculo  aritmético  pode­se deduzir que o valor  recolhido pelo contribuinte  foi de R$ 6.309,01  (525.750,98  X  8%  X  15%),  representando  o  valor  oferecido  à  tributação,  multiplicado  pelo  percentual  de  presunção  do  lucro  multiplicado  pela  alíquota do imposto;  (ix)  A  falta  das  deduções  descritas  acima  se  repete  para  todos  os  tributos  exigidos no lançamento;  (x) A penalidade pecuniária à razão de 150% representa multa confiscatória,  o que enseja o efeito de confisco tributário defeso na Carta Magna (art. 150,  inciso IV);  (xi) A taxa SELIC malfere o disposto no parágrafo 1º do artigo 161 do CTN  e parágrafo 3º do artigo 192 da Constituição da Republica.    A  4a Turma  da  DRJ/FOR,  por  unanimidade,  julgou  procedente  em  parte  a  impugnação,  para  descontar  as  verbas  recolhidas  pela  recorrente  disponíveis  para  utilização  (fls.  193/204),  e  manter  os  autos  de  infração  sobre  os  valores  remanescentes,  proferindo  o  Acórdão nº 08­23.798 (fls. 205/217), com a ementa seguinte:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA – IRPJ  Ano­calendário: 2008  PROVA  OBTIDA  POR  MEIO  DE  CONVÊNIO  ENTRE  AS  FAZENDAS PÚBLICAS.  As  informações  confessadas  ao  fisco  estadual  pelo  sujeito  passivo  podem  embasar  o  lançamento  de  tributos  federais  quando  houver  convênio  que  estabeleça  a  permuta  de  informações econômico­fiscais entre o fisco estadual e o federal.  Fl. 264DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE     6 PAGAMENTOS.  DEDUÇÃO.  APURAÇÃO  DO  VALOR  DEVIDO.  No cálculo das exigências apuradas no auto de infração devem  ser  deduzidos  os  pagamentos  realizados  para  a  quitação  do  tributo correspondente.  ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES  Ano­calendário: 2008  COFINS. PIS. RECEITA. BASE DE CÁLCULO.  Cabe ao sujeito passivo a comprovação da existência de valores  que devam ser excluídos da base de cálculo do tributo lançado,  nas situações onde ocorra tributação concentrada, isenta ou com  alíquota zero.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. COFINS. PIS. CSLL.  Em razão da vinculação entre o  lançamento principal e os que  lhe  são  decorrentes,  devem  as  conclusões  relativas  àquele  prevalecer na apreciação destes.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2008  DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS.  As  decisões  judiciais  somente  produzem  efeito  vinculante  no  âmbito do processo administrativo fiscal quando houver súmula  vinculante  aprovada  pelo  Supremo Tribunal  Federal  STF,  se  a  norma vigente tiver sido declarada inconstitucional por decisão  definitiva  plenária  do  STF,  ou  se  assim  estiverem  classificadas  no Parecer PGFN nº 2.025, de 2011.  DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.  As  decisões  administrativas  proferidas  pelo CARF,  exceto  suas  Súmulas Vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão  pela  qual  seus  julgados  não  se  aproveitam  em  relação  a  qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão.  MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.  A multa exigida nos estritos limites do que é previsto em lei não  tem caráter confiscatório nem fere a capacidade contribuitiva do  Sujeito Passivo.  JUROS. SELIC.  O  índice usado para cálculo dos  juros de mora decorre de  lei,  não tendo a autoridade administrativa competência para afastá­ lo.   Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Fl. 265DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10380.723785/2012­61  Acórdão n.º 1302­001.139  S1­C3T2  Fl. 262          7 Em 02/10/2012, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância  (fl. 235), tendo interposto recurso voluntário (fls. 237/253), basicamente, a recorrente repisou  os argumentos expostos em sede de impugnação.  É o relatório.  Fl. 266DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE     8   Voto             Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo.  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  apresenta  todos  os  requisitos  de  admissibilidade, então dele conheço.    1. DAS ALEGAÇÕES DE MÉRITO  1. 1. Da omissão de receitas  A  recorrente  alega  que  comercializava  produtos  não  tributados  pelo  PIS  e  pela  COFINS;  que  o  arbitramento  da  receita  bruta  da  recorrente,  realizado  pela  autoridade  fiscal, deixou de  considerar  a natureza destes produtos; que não houve de modo adequado o  cotejo das informações disponibilizadas pela SEFAZ/CE; que é proibido transportar apenas as  conclusões das provas emprestadas e que não restou devidamente demonstrada a presença da  omissão de receitas inerentes ao tipo infracional proposto pela autoridade fiscal.  Não lhe assiste razão.   Primeiramente,  entendo  que  restou  configurado  a  omissão  de  receitas,  uma  vez que, conforme consta no termo de verificação fiscal, no ano­calendário: 2008, a recorrente  declarou  ao  fisco  federal  o  valor  de R$ 525.750,98  como  receita  bruta  e,  de  acordo  com  as  informações  do  fisco  estadual,  constatou­se  a  existência  de  notas  fiscais  de  saída  de  mercadorias, emitidas pela própria recorrente no referido ano, no montante de R$ 9.091.174­ 80.  Como muito bem fundamentado pela 4ª Turma da DRJ/FOR, é legal a troca  de informações fiscais entre órgãos fazendários por intermédio de lei ou convênio, nos termos  do art. 199 do Código Tributário Nacional:  Art.  199.  A  Fazenda  Pública  da  União  e  as  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios  prestar­se­ão  mutuamente  assistência  para  a  fiscalização  dos  tributos  respectivos  e  permuta  de  informações,  na  forma  estabelecida,  em  caráter  geral ou específico, por lei ou convênio. (grifo não original).  E,  no  caso,  com  fulcro  no  art.  199  do  Código  Tributário  Nacional  e  na  Instrução  Normativa  SRF  nº  20,  de  17  de  fevereiro  de  1998,  firmou­se  Convênio  de  Cooperação  Técnica,  em  04/11/1998,  entre  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  e  a  Fazenda do Estado do Ceará, a fim de realizar o intercâmbio de informações economico­fiscais  e a prestação de mútua assistência na fiscalização tributária.  Destarte,  como  fundamentado  pela  4ª  Turma  da  DRJ/FOR,  não  há  que  se  falar  em  prova  emprestada,  pois,  o  referido  convênio  “coloca  sob  um  mesmo  manto  as  informações coletadas por ambos os entes tributantes”. Nesse sentido, é o entendimento deste  CARF:  Fl. 267DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10380.723785/2012­61  Acórdão n.º 1302­001.139  S1­C3T2  Fl. 263          9 [...]  PROVA  EMPRESTADA.  Não  ocorre  a  denominada  prova  emprestada  quando  não  há  utilização  de  prova  produzida  em  outro processo. No caso presente, para o ano­calendário 2001,  ocorreu  a  utilização  de  informações  prestadas  pelo  próprio  sujeito  passivo  ao  Fisco  Estadual,  conforme  previsão  em  convênio  de  cooperação.  [...]  (Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  Terceira  Câmara/Primeira  Seção  de  Julgamento,  Processo  n.  10830.007752/2007­67,  Acórdão  n.  1302­00.302,  Recurso  Voluntário,  Relator:  MARCOS  RODRIGUES DE MELLO, Sessão em 20.05.2010).  Ademais,  insta  salientar  que  as  informações  fornecidas  pelo  fisco  estadual  foram declaradas pela própria recorrente. Logo, a apuração da receita bruta da recorrente, no  ano­calendário de 2008, realizado pelo AFRFB foi correta, uma vez que se utilizou dos valores  das  vendas  informadas  pela  própria  recorrente,  conforme  demonstrativo  de  notas  fiscais  de  saídas (fls. 51/73). Nesse sentido, é o entendimento deste CARF:  [...]  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  É  correta  a  tributação  de  receitas não declaradas ao Fisco Federal, apuradas a partir do  Livro de Registro de Saídas e da Declaração e Apuração Mensal  do  ICMS DMA. PROVA. RECEITA  INFORMADA EM LIVROS  FISCAIS  E  DECLARADA  AO  FISCO  ESTADUAL.  A  receita  informada em  livros  fiscais,  ainda que para  fins de declaração  do  ICMS  ao  fisco  estadual,  pode  ser  utilizada  como  base  de  cálculo  para  o  lançamento  do  Simples,  tendo  em  vista  a  presunção de  veracidade da escrituração  fiscal.  [...]  (Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais, Terceira Câmara / Primeira  Seção  de  Julgamento,  Processo  n.  10530.003531/2008­85,  Acórdão  n.  1302­000.491,  Recurso  Voluntário,  Relator:  EDUARDO DE ANDRADE, Sessão em 22.02.2011). . (grifo não  original).    [...] RECEITA.  APURAÇÃO.  INFORMAÇÃO  PRESTADA  AO  FISCO  ESTADUAL.  PROCEDÊNCIA.  A  SIMPLES  ALEGAÇÃO  DE  QUE  AS  RECEITAS  APURADAS  PELA  AUTORIDADE  FISCAL  NÃO  FORAM  AUFERIDAS,  DESPROVIDA  DE  ELEMENTOS  COMPLEMENTARES  CAPAZES  DE  INDICAR  A  INCONSISTÊNCIA  DOS  MONTANTES  LEVANTADOS,  NÃO  TEM  O  CONDÃO  DE  AFASTAR A PRETENSÃO DO FISCO. NO CASO VERTENTE,  EM QUE AS RECEITAS FORAM IDENTIFICADAS A PARTIR  DE  INFORMAÇÕES  PRESTADAS  PELA  PRÓPRIA  CONTRIBUINTE AO FISCO ESTADUAL,  A ALEGAÇÃO EM  REFERÊNCIA TORNA­SE AINDA MAIS INSUBSISTENTE, EIS  QUE  A  AUTORIDADE  RESPONSÁVEL  PELO  PROCEDIMENTO  DE  FISCALIZAÇÃO  CUIDOU  DE  CORROBORAR AS  INFORMAÇÕES POR MEIO DE COLETA  DE  DADOS  JUNTO  A  TERCEIROS,  CLIENTES  DA  FISCALIZADA. [...] VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS  PRESENTES  AUTOS.ACORDAM  OS  MEMBROS  DA  3ª  CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE  JULGAMENTO,  POR  UNANIMIDADE  DE  VOTOS,  NEGAR  Fl. 268DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE     10 PROVIMENTO  AO  RECURSO  (Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  Terceira  Câmara  /  Primeira  Seção  de  Julgamento,  Processo  n.  11971.001683/2007­36,  Acórdão  n.  1302­005­95, Sessão em 29/06/2011).  Noutro  sentir,  é  importante  destacar  que,  em  25/02/2012,  a  recorrente  foi  intimada  para  apresentar  documentos  fiscais  e  contábeis.  Todavia,  em  resposta  à  intimação  fiscal (fl. 86), a recorrente informou que não possuía os documentos solicitados, alegando que  desconhecia o paradeiro desses, pois o seu contador faleceu no ano de 2010.  Sendo  assim,  a  recorrente  não  apresentou  qualquer  documento  apto  (i)  a  comprovar  que  comercializava  produtos  não  tributados  pelo  PIS  e  pela  COFINS  ou  (ii)  a  desqualificar  as  informações  fornecidas  pelo  fisco  estadual.  Ressalto  que  a  alegação  de  falecimento do contador da recorrente não afasta o dever de atendimento às intimações do fisco  federal, ou seja, não se afasta o cumprimento de suas obrigações acessórias.  Ante  o  exposto,  voto  pelo  conhecimento  e  desprovimento  do  recurso  voluntário.    1.2. Da multa qualificada  A recorrente alega que a multa qualificada de 150% sobre o valor do tributo  deve ser afastada por ofensa à vedação do confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade e  que não foi comprovado o intuito de fraude da recorrente.  Não lhe assiste razão.  De  início,  destaco  o  entendimento  consolidado  neste  Tribunal  acerca  da  incompetência  dos  Conselheiros  para  reconhecer  a  inconstitucionalidade  da  lei  tributária,  consoante dispõe a súmula CARF n. 2, observe­se:  Súmula  CARF  n.  2.  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária.  Assim,  este  órgão  julgador  é  incompetente  para  analisar  se  a  multa  de  qualificada  (150%)  incidente  sobre  o  valor  do  tributo  é  confiscatória,  desproporcional  ou  irrazoável, pois para tanto é necessária a análise dos princípios constitucionais do não confisco,  da razoabilidade e da proporcionalidade.  Noutro sentir, a aplicação da multa de qualificada teve como base legal o at.  44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, in verbis:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes  multas:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488,  de  2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488,  de  2007)  § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73  Fl. 269DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10380.723785/2012­61  Acórdão n.º 1302­001.139  S1­C3T2  Fl. 264          11 da  Lei  no  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488,  de  2007)  Insta  destacar  que  o  disposto  no  art.  71  da  Lei  n.  4.502/1964  é  a  causa  ensejadora para da qualificação da muta de ofício, in verbis:  Art.  71.  Sonegação  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:   I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;   II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.   Assim, a aplicação da multa de ofício qualificada em 150% é legal.   No caso,  restou devidamente caracterizado o  intuito de a  recorrente subtrair  valores  à  tributação,  pois,  como  demonstrado  no  termo  de  verificação  fiscal,  a  recorrente  declarou  apenas  5,8% das  suas  receitas  ao  fisco  federal,  ou  seja,  dolosamente  omitiu  renda,  tendo evidente intuito de impedir o conhecimento da autoridade fiscal federal da ocorrência da  incidência do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS.  Portanto,  trata­se de evidente caso de fraude, pois a recorrente prestou falsa  declaração ao fisco federal, razão pela qual é cabível a aplicação de multa de ofício qualificada  em  150%. Nesse  sentido,  esta  Turma  entende  que  é  cabível  a  aplicação  de multa  de  ofício  qualificada de 150% sobre os valores apurados a título de omissão de receitas:   [...] MULTA QUALIFICADA. SE OS FATOS APURADOS PELA  AUTORIDADE  FISCAL  PERMITEM  CARACTERIZAR  O  INTUITO DELIBERADO DA CONTRIBUINTE DE  SUBTRAIR  VALORES  À  TRIBUTAÇÃO,  É  CABÍVEL  A  APLICAÇÃO,  SOBRE OS VALORES APURADOS A TÍTULO DE OMISSÃO  DE  RECEITAS,  DA  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA  DE  150%,  PREVISTA,  À  ÉPOCA  DA  OCORRÊNCIA  DOS  FATOS, NO  INCISO  II DO ARTIGO 44 DA LEI Nº 9.430, DE  1996.VISTOS,  RELATADOS  E  DISCUTIDOS  OS  PRESENTES  AUTOS.ACORDAM  OS  MEMBROS  DA  3ª  CÂMARA  /  2ª  TURMA  ORDINÁRIA  DA  PRIMEIRA  SEÇÃO  DE  JULGAMENTO,  POR  UNANIMIDADE  DE  VOTOS,  NEGAR  PROVIMENTO  AO  RECURSO.  (Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  Terceira  Câmara  /  Primeira  Seção  de  Julgamento,  Processo  n.  11971.001683/2007­36,  Acórdão  n.  1302­005­95, Sessão em 29/06/2011).  Ante o exposto, nego provimento ao presente recurso voluntário.      Fl. 270DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE     12 2. CONCLUSÕES  Face ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário  interposto  pela  recorrente,  não merecendo  reforma  o Acórdão  nº  08­23.798  da  4ª  Turma  da  DRJ/FOR.    (assinado digitalmente)  Marcio Rodrigo Frizzo ­ Relator                                Fl. 271DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE

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Numero do processo: 19515.004277/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Incabível cogitar sobre nulidade do Auto de Infração, se o lançamento foi efetuado com observância dos pressupostos legais. ASSINATURA DO CHEFE DO ORGÃO EXPEDIDOR DO AUTO DE INFRAÇÃO. DESCABIMENTO. No caso de Auto de Infração, não há a exigência da assinatura do chefe do órgão expedidor. PROCESSOS FORMALIZADOS NA MESMA DATA. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Não tem fundamento a alegação sobre duplicidade de lançamento, uma vez que este processo trata de infração relativa a valores que sequer foram contabilizados e que, por presunção legal, foram considerados como receita omitida, enquanto os demais processos formalizados na mesma data versam sobre valores escriturados e não declarados/pagos. CERCEAMENTO DE DEFESA. VISTA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. DEMORA NA SUA DISPONIBILIZAÇÃO. Não há que se falar em cerceamento de defesa, quando a autuação foi baseada em extratos bancários e livros contábeis apresentados pelo próprio contribuinte e a este foi fornecida cópia dos autos de infração, termos e demonstrativos elaborados pelo fisco, com todos os detalhes referentes à apuração do crédito tributário. A legislação relativa ao processo administrativo fiscal não prescreve prazo para vista do processo e eventual demora no atendimento, que, no caso, sequer ficou cabalmente demonstrado, não traz consequências processuais. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta corrente mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular da conta não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem desses recursos. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário; não cabe à Administração proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento. MULTA DE OFÍCIO Nos casos de lançamento de ofício, em que se verificou declaração inexata e falta de pagamento, é exigível multa de ofício ao percentual de 75%, por expressa determinação legal. JUROS DE MORA. SELIC. Sobre o crédito tributário que deixou de ser recolhido na data do vencimento, são exigidos juros de mora com base na taxa SELIC, calculados até a data do efetivo pagamento. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Incabível cogitar sobre nulidade do Auto de Infração, se o lançamento foi efetuado com observância dos pressupostos legais. ASSINATURA DO CHEFE DO ORGÃO EXPEDIDOR DO AUTO DE INFRAÇÃO. DESCABIMENTO. No caso de Auto de Infração, não há a exigência da assinatura do chefe do órgão expedidor. PROCESSOS FORMALIZADOS NA MESMA DATA. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Não tem fundamento a alegação sobre duplicidade de lançamento, uma vez que este processo trata de infração relativa a valores que sequer foram contabilizados e que, por presunção legal, foram considerados como receita omitida, enquanto os demais processos formalizados na mesma data versam sobre valores escriturados e não declarados/pagos. CERCEAMENTO DE DEFESA. VISTA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. DEMORA NA SUA DISPONIBILIZAÇÃO. Não há que se falar em cerceamento de defesa, quando a autuação foi baseada em extratos bancários e livros contábeis apresentados pelo próprio contribuinte e a este foi fornecida cópia dos autos de infração, termos e demonstrativos elaborados pelo fisco, com todos os detalhes referentes à apuração do crédito tributário. A legislação relativa ao processo administrativo fiscal não prescreve prazo para vista do processo e eventual demora no atendimento, que, no caso, sequer ficou cabalmente demonstrado, não traz consequências processuais. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta corrente mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular da conta não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem desses recursos. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário; não cabe à Administração proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento. MULTA DE OFÍCIO Nos casos de lançamento de ofício, em que se verificou declaração inexata e falta de pagamento, é exigível multa de ofício ao percentual de 75%, por expressa determinação legal. JUROS DE MORA. SELIC. Sobre o crédito tributário que deixou de ser recolhido na data do vencimento, são exigidos juros de mora com base na taxa SELIC, calculados até a data do efetivo pagamento. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2338; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 2          1 1  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.004277/2007­14  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1402­001.374  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de abril de 2013  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO. IRPJ/REFLEXOS. OMISSÃO DE RECEITAS  DEPOSITOS BANCARIOS.  Recorrente  CEAZZA DISTRIBUIDORA DE FRUTAS VERDURAS E LEGUMES  LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2003  PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Incabível cogitar sobre  nulidade do Auto de Infração, se o lançamento foi efetuado com observância  dos pressupostos legais.  ASSINATURA  DO  CHEFE  DO  ORGÃO  EXPEDIDOR  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  DESCABIMENTO.  No  caso  de  Auto  de  Infração,  não  há  a  exigência da assinatura do chefe do órgão expedidor.  PROCESSOS FORMALIZADOS NA MESMA DATA. DUPLICIDADE DE  LANÇAMENTO.  IMPROCEDÊNCIA.  Não  tem  fundamento  a  alegação  sobre duplicidade de lançamento, uma vez que este processo trata de infração  relativa a valores que sequer foram contabilizados e que, por presunção legal,  foram  considerados  como  receita  omitida,  enquanto  os  demais  processos  formalizados  na  mesma  data  versam  sobre  valores  escriturados  e  não  declarados/pagos.  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  VISTA  DO  PROCESSO  ADMINISTRATIVO. DEMORA NA SUA DISPONIBILIZAÇÃO. Não há  que  se  falar  em  cerceamento  de  defesa,  quando  a  autuação  foi  baseada  em  extratos bancários e livros contábeis apresentados pelo próprio contribuinte e  a  este  foi  fornecida  cópia  dos  autos  de  infração,  termos  e  demonstrativos  elaborados pelo fisco, com todos os detalhes referentes à apuração do crédito  tributário.   A  legislação  relativa  ao  processo  administrativo  fiscal  não  prescreve  prazo  para  vista  do  processo  e  eventual  demora  no  atendimento,  que,  no  caso,  sequer ficou cabalmente demonstrado, não traz consequências processuais.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 42 77 /2 00 7- 14 Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/2007­14  Acórdão n.º 1402­001.374  S1­C4T2  Fl. 3          2 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizam­se como  omissão de  receita os valores  creditados  em conta  corrente mantida  junto  à  instituição financeira, em relação aos quais o titular da conta não comprove,  mediante documentação hábil e idônea, a origem desses recursos.   ARGUIÇÕES  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  A  apreciação  de  constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário;  não cabe à Administração proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação  de lei corretamente inserida no ordenamento.  MULTA DE OFÍCIO Nos casos de lançamento de ofício, em que se verificou  declaração  inexata  e  falta  de  pagamento,  é  exigível  multa  de  ofício  ao  percentual de 75%, por expressa determinação legal.   JUROS  DE  MORA.  SELIC.  Sobre  o  crédito  tributário  que  deixou  de  ser  recolhido  na  data  do  vencimento,  são  exigidos  juros  de mora  com  base  na  taxa SELIC, calculados até a data do efetivo pagamento.  Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os membros  do  colegiado,  Por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as  preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e  voto que passam a integrar o presente julgado.     (assinado digitalmente)  Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira ­ Relator    (assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Fernando  Brasil  de  Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes  da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.        Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/2007­14  Acórdão n.º 1402­001.374  S1­C4T2  Fl. 4          3   Relatório  CEAZZA  DISTRIBUIDORA  DE  FRUTAS  VERDURAS  E  LEGUMES  LTDA. recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que  julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº  70.235 de 1972 (PAF).    Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis):  A  empresa  acima  identificada  foi  submetida  a  procedimento  fiscal  que  redundou  na  lavratura  de  autos  de  infração  para  exigir  os  recolhimentos  de  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  COFINS,  além  dos  acréscimos  legais  devidos  (autos  de  infração  e  demonstrativos de cálculo às fls. 257/275).   De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 196/200) e descrição dos  fatos  constantes  dos  autos  de  infração,  verificou­se  ausência  de  contabilização  de  créditos  em  contas  bancárias  da  fiscalizada,  bem  como  falta  de  comprovação  da  origem desses créditos.  As disposições legais encontram­se citadas nos referidos autos de infração.  A interessada, cientificada dos autos de infração, apresentou em 30/01/2008 a  impugnação de fls. 295/321, alegando, em síntese, que:  ­ Conforme artigo 11, IV, do Decreto nº 70.235/1972, o Delegado da Receita  Federal  devia  ter  assinado  o  auto  de  infração,  porém não  o  fez  e  tampouco  autorizou  seus  subordinados  a  cumprirem  tal  tarefa.  Impõe­se,  portanto,  a  nulidade  do  auto  de  infração,  nos  termos  do  art.  59  do  Decreto  nº  70.235/1972.  ­ A  empresa  foi  cientificada  em  31/12/2007  sobre  a  lavratura  dos  autos  de  infração  formalizados  mediante  os  Processos  19515.004276/2007­70,  19515.004278/2007­69,  19515.004279/2007­11,  todos  referentes  ao  mesmo  período da presente autuação.   ­ Não pode o contribuinte ser autuado duas vezes pela mesma infração.  ­ Caso o presente auto de infração não seja cancelado, fica caracterizado “bis  in idem” na cobrança da multa, o que não é amparado por lei.  ­ Por diversas ocasiões, a interessada solicitou vista do processo, que contudo  lhe  foi  negado  sob  o  argumento  de  que  enquanto  o  processo  estava  “em  trânsito”.  Após  árdua  insistência,  a  defendente  exerceu  o  seu  direito  em  28/01/2008,  quatro  dias  antes  do  término  do  prazo  para  apresentar  a  sua  impugnação.  ­  Foram  subtraídos  diversos  dias  para  o  preparo  de  sua  defesa,  o  que  caracteriza cerceamento de defesa.  Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/2007­14  Acórdão n.º 1402­001.374  S1­C4T2  Fl. 5          4 ­  Em  diversas  oportunidades,  a  defendente  esclareceu  à  fiscalização  que  possuía  diversos  contratos  com  órgãos  públicos  e  que  muitas  vezes  não  recebia no prazo avençado em contrato.  ­  Para  cumprir  com  suas  obrigações  tributárias,  trabalhistas  e  com  os  seus  fornecedores,  a  impugnante  recorria  a  empréstimos  bancários.  Em  outras  oportunidades  efetuou desconto  de promissórias  e  teve  diversos  cheques  re­ apresentados.  E  mais,  a  empresa  fazia  transferências  bancárias  e  também  possuía  algumas  aplicações  financeiras  que  foram  desconsideradas  pela  fiscalização. Portanto, inexistem as supostas diferenças apuradas pelo fisco.  ­  É  notório  que  a  cobrança  de  um  tributo  depende  da  ocorrência  do  fato  gerador, conforme determina o artigo 114 do CTN.  ­  A  fiscalização  não  comprovou  qualquer  acréscimo  patrimonial  ou  gastos  incompatíveis  com os  rendimentos  declarados  que  levassem à  convicção  da  ocorrência do fato gerador.  ­ A multa nos patamares exorbitantes exigidos nos autos de infração está em  dissonância com a legislação vigente.  ­ A multa, ainda que se fosse devida, o que não é o caso, devia ser aplicada  em conformidade com a Lei 9.298/1997 e a Constituição Federal.  ­ Não cabe a aplicação da SELIC como taxa de juros, por se tratar de meio de  remuneração e não de indenização.  ­ A imposição de juros à taxa superior a 12% ao ano configura crime de usura,  nos termos do Decreto­lei 22.623/1933.  ­  Os  valores  cobrados  a  título  de  juros  moratórios  superiores  ao  limite  constitucional  de  1%  ao  mês  devem  ser  excluídos  da  autuação  fiscal  por  serem inexigíveis.  ­ Deve ser decretada a total improcedência da autuação.  Protesta­se por  todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a  juntada de novos documentos.    A decisão recorrida está assim ementada:  PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Incabível cogitar sobre nulidade  do  Auto  de  Infração,  se  o  lançamento  foi  efetuado  com  observância  dos  pressupostos legais.  ASSINATURA DO CHEFE DO ORGÃO EXPEDIDOR DO AUTO DE INFRAÇÃO.  DESCABIMENTO. No caso de Auto de Infração, não há a exigência da assinatura  do chefe do órgão expedidor.  PROCESSOS  FORMALIZADOS  NA  MESMA  DATA.  DUPLICIDADE  DE  LANÇAMENTO.  IMPROCEDÊNCIA.  Não  tem  fundamento  a  alegação  sobre  duplicidade de lançamento, uma vez que este processo trata de infração relativa a  valores  que  sequer  foram  contabilizados  e  que,  por  presunção  legal,  foram  considerados como receita omitida, enquanto os demais processos formalizados na  mesma data versam sobre valores escriturados e não declarados/pagos.  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  VISTA  DO  PROCESSO  ADMINISTRATIVO.  DEMORA NA SUA DISPONIBILIZAÇÃO. Não há que se falar em cerceamento de  Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/2007­14  Acórdão n.º 1402­001.374  S1­C4T2  Fl. 6          5 defesa,  quando  a  autuação  foi  baseada  em  extratos  bancários  e  livros  contábeis  apresentados  pelo  próprio  contribuinte  e  a  este  foi  fornecida  cópia  dos  autos  de  infração,  termos  e  demonstrativos  elaborados  pelo  fisco,  com  todos  os  detalhes  referentes à apuração do crédito tributário.   A  legislação  relativa  ao  processo  administrativo  fiscal  não  prescreve  prazo  para  vista  do  processo  e  eventual  demora  no  atendimento,  que,  no  caso,  sequer  ficou  cabalmente demonstrado, não traz consequências processuais.  PRODUÇÃO DE PROVAS. No processo administrativo fiscal, as provas devem ser  apresentadas  juntamente  com  a  impugnação  do  lançamento,  salvo  nos  casos  previstos no § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Não é admitida a realização  de diligências ou perícias quando se tratar de matéria de prova a ser feita mediante  a  juntada  de  documentação,  cuja  guarda  e  conservação  compete  à  própria  interessada.  OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizam­se como omissão  de  receita  os  valores  creditados  em  conta  corrente  mantida  junto  à  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular  da  conta  não  comprove,  mediante  documentação hábil e idônea, a origem desses recursos.   ARGUIÇÕES  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  A  apreciação  de  constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário; não  cabe  à  Administração  proceder  a  tal  exame  a  fim  de  afastar  a  aplicação  de  lei  corretamente inserida no ordenamento.  MULTA  DE  OFÍCIO  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  em  que  se  verificou  declaração inexata e falta de pagamento, é exigível multa de ofício ao percentual de  75%, por expressa determinação legal.   JUROS DE MORA. SELIC. Sobre o crédito tributário que deixou de ser recolhido  na  data  do  vencimento,  são  exigidos  juros  de  mora  com  base  na  taxa  SELIC,  calculados até a data do efetivo pagamento.  TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplica­se aos lançamentos de PIS, COFINS e CSLL  o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por serem fundamentados nos  mesmos elementos de comprovação.  Impugnação improcedente.    Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário,  no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento.  É o relatório.  Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/2007­14  Acórdão n.º 1402­001.374  S1­C4T2  Fl. 7          6   Voto             Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator.  O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade.  Conforme  relatado,  trata­se  de  exigência  com  base  em  depósitos  bancários  não  contabilizados,  cujos  extratos  foram  apresentados  pelo  próprio  contribuinte,  mas  que  a  origem dos recursos não totalmente foi  justificada, apesar de o contribuinte ter sido intimado  durante  a  ação  fiscal,  bem  como  após  uma  diligência  especifica  solicitada  pela  conselheiro  relator do julgamento em 1a. instância.  No recurso voluntário o contribuinte reitera suas alegações impugnativas.  Omissão  de  Receitas.  Depósitos  Bancários.  Aplicação  do  artigo  42  da  Lei  9.430 de 1996  Quanto  à  possibilidade  de  se  exigir  o  imposto  de  renda,  com  base  exclusivamente em depósitos bancários, deve­se esclarecer que antes de 01/01/1997; o artigo 6º  da Lei nº 8.021, de 1990, exigia da fiscalização a comparação entre depósitos bancários e sinais  exteriores de riqueza.   A  tributação  com  base  em  depósitos  bancários,  a  partir  de  01/01/1997,  é  regida  pelo  art.  42  da  Lei  nº  9.430,  de  27/12/1996,  publicada  no DOU  de  30/12/1996,  que  instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o  contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea  a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confira­se:  “Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos utilizados nessas operações.   1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira.   2º  Os  valores  cuja  origem  houver  sido  comprovada,  que  não  houverem  sido  computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos,  submeter­se­ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à  época em que auferidos ou recebidos.   3º  Para  efeito  de  determinação  da  receita  omitida,  os  créditos  serão  analisados  individualizadamente, observado que não serão considerados:  I  ­  os  decorrentes  de  transferências  de  outras  contas  da  própria  pessoa  física  ou  jurídica;   II ­ no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor  individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório,  dentro do ano­calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).”  Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/2007­14  Acórdão n.º 1402­001.374  S1­C4T2  Fl. 8          7 Verifica­se,  então,  que  o  diploma  legal  acima  citado  passa  a  caracterizar  omissão  de  rendimentos,  sujeitos  a  lançamento  de  ofício,  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando não comprovada a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  Não  se  inquire  o  titular  da  conta  bancária  sobre  o  destino  dos  saques,  cheques  emitidos  e  outros  débitos,  ou  se  foram  utilizados  para  consumo,  aquisição  de  patrimônio,  viagens  etc.  A  presunção  de  omissão  de  rendimentos  decorre da existência de depósito bancário sem origem comprovada.   Portanto, a partir da publicação desta Lei, os depósitos bancários deixaram de  ser modalidade de arbitramento simples ­ que exigia da fiscalização a demonstração de gastos  incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio e sinais exteriores de riqueza),  entendimento  também  consagrado  à  época  pelo  poder  judiciário  (súmula  TFR  182)  e  pelo  Primeiro Conselho de Contribuintes ­ para se constituir na própria omissão de rendimento (art.  43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda  Pública Federal.   Os  julgamentos  do  Conselho  de  Contribuintes  passaram  a  refletir  a  determinação da nova lei, admitindo, nas condições nela estabelecidas, o lançamento com base  exclusivamente em depósitos bancários, como se constata nas ementas dos acórdãos  a seguir  reproduzidas:  “OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  ­  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ­  SITUAÇÃO  POSTERIOR À LEI Nº  9.430/96  ­ Com o  advento  da Lei  nº  9.430/96,  caracteriza­se  também  omissão  de  rendimentos  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não  comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3º,  do art. 42, do citado diploma legal.” (Ac 106­13329).  “TRIBUTAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.  PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos  a partir de 01/01/97, a Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão  de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o  titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.”  “ÔNUS DA PROVA ­ Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe  a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais  e aquisições de bens e direitos.”(Ac 106­13188).”  Não há que se falar em ilegalidade dessa norma por incompatibilidade com o  artigo 43 do CTN, artigo 5º da Constituição Federal/1988, muito menos com artigo 5º da Lei  de Introdução ao Código Civil, isso porque “não cabe em sede administrativa discutir­se sobre  a  constitucionalidade  ou  legalidade  de  uma  lei  em  vigor”,  consoante  Sumula  nº.  2  deste  Conselho. Uma  vez  que  o  diploma  legal  tenha  sido  formalmente  sancionado,  promulgado  e  publicado, encontrando­se em vigor, cabe seu fiel cumprimento, em homenagem ao princípio  da  legalidade  objetiva  que  informa  o  lançamento  e  o  processo  administrativo  fiscal.  O  lançamento  tributário,  conforme  estabelece  o  art.  142  do  CTN,  é  atividade  vinculada  e  obrigatória,  na  qual  a  discricionariedade  da  autoridade  administrativa  é  afastada  em  prol  do  princípio  da  legalidade  e  da  subordinação  hierárquica  a  que  estão  submetidos  os  órgãos  e  agentes da Administração Pública.   Outrossim,  na  busca  da  verdade  material  e  imprescindível  a  análise  de  documentos e alegações/justificativas quanto aos  ingressos de numerários em conta bancária,  Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/2007­14  Acórdão n.º 1402­001.374  S1­C4T2  Fl. 9          8 para que o julgador possa firma sua convicção no sentido de está correto o arbitramento com  base  na  aludida  presunção.  Todavia,  no  presente  caso  a  contribuinte  nada  apresentou  para  justificar a origem dos depósitos bancários considerados receitas omitidas.    Em  relação  as  demais  alegações  repisadas  pela  recorrente,  peço  vênia  para  adotar os fundamentos da decisão de primeira instancia a seguir transcritos:  (...)  Das Preliminares de Nulidade    1.  No  tocante às preliminares de nulidade do  lançamento  fiscal  suscitadas  pela impugnante, cabe observar que os artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235,  de 6 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), preconizam  que:  “Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II ­ os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com  preterição do direito de defesa.  (...)  Art.  60. As  irregularidades,  incorreções  e omissões diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em  nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado  causa, ou quando não influírem na solução do litígio.”  2.  Do  exame  dos  dispositivos  supra  extrai­se  que,  no  tocante  ao  lançamento,  só  pode  haver  nulidade  se  o  ato  for  praticado  por  agente  incompetente, uma vez que a hipótese do inciso II, relativa a cerceamento do  direito de defesa, alcança apenas os despachos e decisões, quando proferidos  sem a observância do contraditório e da ampla defesa.  3.  Saliente­se  ainda  que  eventuais  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diversas  daquelas  expressas  no  artigo  59  acima  reproduzido  não  importam  em  nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo  se  este  lhes  houver  dado  causa,  ou  quando não  influírem  na  solução do litígio.  4.  Feitas essas considerações, cumpre analisar as alegações da impugnante.   5.  A  primeira  questão  arguida  se  refere  ao  seu  entendimento  de  que,  de  acordo com o art. 11, IV, do Decreto nº 70.235/1972, o Delegado da Receita  Federal  é  quem  devia  ter  assinado  o  auto  de  infração,  já  que  não  consta  autorização sua delegando competência a um de seus subordinados.  6.  Uma simples  leitura dos artigos 9º, 10 e 11 do Decreto nº 70.235/1972  (PAF), com as devidas alterações efetuadas até a data da lavratura dos autos  de  infração,  dará  uma  exata  noção  da  impropriedade  da  alegação  da  impugnante:  Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/2007­14  Acórdão n.º 1402­001.374  S1­C4T2  Fl. 10          9  Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a  aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou  notificação  de  lançamento,  distintos  para  cada  imposto,  contribuição  ou  penalidade,  os  quais  deverão  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos  de  prova  indispensáveis  à  comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)   §  1o  Os  autos  de  infração  e  as  notificações  de  lançamento  de  que  trata  o  caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem  ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender  dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)   § 2º Os procedimentos de que  tratam este artigo e o art. 7º,  serão válidos,  mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do  domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de  1993)   § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne  a  jurisdição  e  prorroga  a  competência  da  autoridade  que  dela  primeiro  conhecer. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)    Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local  da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente:   I ­ a qualificação do autuado;   II ­ o local, a data e a hora da lavratura;   III ­ a descrição do fato;   IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;   V ­ a determinação da exigência e a intimação para cumpri­la ou impugná­la  no prazo de trinta dias;   VI  ­  a  assinatura  do  autuante  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função  e  o  número de matrícula.   Art.  11.  A  notificação  de  lançamento  será  expedida  pelo  órgão  que  administra o tributo e conterá obrigatoriamente:   I ­ a qualificação do notificado;   II  ­  o  valor  do  crédito  tributário  e  o  prazo  para  recolhimento  ou  impugnação;   III ­ a disposição legal infringida, se for o caso;   IV  ­  a  assinatura  do  chefe  do  órgão  expedidor  ou  de  outro  servidor  autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.   Parágrafo  único.  Prescinde  de  assinatura  a  notificação  de  lançamento  emitida por processo eletrônico.     7.  O  artigo  9º  prescreve  que  a  “exigência  do  crédito  tributário  será  formalizada em autos de infração ou notificação de lançamento”.   8.  Dos  demais  artigos  transcritos,  depreende­se  que  o  auto  de  infração  decorre  de  procedimentos  fiscais  levados  a  efeito,  normalmente,  junto  ao  Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/2007­14  Acórdão n.º 1402­001.374  S1­C4T2  Fl. 11          10 estabelecimento  do  contribuinte  (lavrado  no  local  da  verificação  da  falta),  enquanto a notificação de  lançamento é emitida pelo próprio órgão, através  de  seu  responsável/dirigente,  que  se  encarrega  de  fazê­lo,  sem  a  interveniência direta de outra autoridade fiscal.  9.  No  presente  caso,  a  exigência  do  crédito  tributário  foi  formalizada  por  meio de auto de  infração e não de notificação de  lançamento. Assim, não é  aplicável o requisito do artigo 11, IV, do Decreto nº 70.235/1972 (Assinatura  do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado).  10.  Conforme artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972 o auto de infração deve  ser  lavrado  por  servidor  competente,  que  no  caso  é  o  Auditor  Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  nos  termos  do  artigo  6º  Lei  no  10.593/2002  (redação da Lei 11.457/2007):  “Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor­Fiscal da Receita  Federal do Brasil:  I ­ no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e  em caráter privativo:  a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições;”  11.  Como  os  lançamentos  foram  efetuados  por  Auditor  Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil  (fls.  257,  263,  268  e  272),  não  resta  dúvida  de  que  são  legítimos, porquanto efetuados em estrito cumprimento às normas legais em  vigor.  12.  Reclama  a  impugnante  que,  além  desta  autuação,  foram  lavrados  os  autos  de  infração  relativos  aos  Processos  19515.004276/2007­70,  19515.004278/2007­69, e 19515.004279/2007­11, todos referentes ao mesmo  período de  apuração  e  com o mesmo objeto,  o  que  teria  resultado  em duas  autuações sobre a mesma infração.  13.  Transcreva­se  o  artigo  9º  do Decreto  70.235/1972  (redação  em vigor  à  época da lavratura dos autos de infração):  Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a  aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou  notificação  de  lançamento,  distintos  para  cada  imposto,  contribuição  ou  penalidade,  os  quais  deverão  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos  de  prova  indispensáveis  à  comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  §  1o  Os  autos  de  infração  e  as  notificações  de  lançamento  de  que  trata  o  caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem  ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender  dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  ­destaques da transcrição  14.  A Portaria SRF 6.129/2005, por seu turno, traz as seguintes orientações:  Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo:  I ­ as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas  com base nos mesmos elementos de prova, referentes:  Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/2007­14  Acórdão n.º 1402­001.374  S1­C4T2  Fl. 12          11 a) ao  Imposto de Renda da Pessoa Jurídica  (IRPJ) e aos  lançamentos dele  decorrentes  relativos  à Contribuição  Social  sobre  o Lucro Líquido  (CSLL),  ao  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  (IRRF),  à  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  ou  à  Contribuição  para  o  Financiamento  a  Seguridade  Social  (Cofins);  b) à Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, que não sejam decorrentes do  IRPJ;  c) ao IRPJ e à CSLL; ou  d)  ao  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples);  II ­ à exclusão do Simples, à suspensão de imunidade ou de isenção ou à não­ homologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário  delas decorrentes;  III  ­  aos  Pedidos  de  Restituição  ou  de  Ressarcimento  e  às Declarações  de  Compensação  (Dcomp)  que  tenham  por  base  o  mesmo  crédito,  ainda  que  apresentados em datas distintas;  IV  ­  às  multas  isoladas  aplicadas  em  decorrência  de  compensação  considerada não declarada.  § 1º O disposto no inciso I aplica­se inclusive na hipótese de inexistência de  crédito tributário relativo a um ou mais tributos.   § 2º Também deverão constar do processo administrativo a que se referem os  incisos  I  e  II  as  exigências  relativas  à  aplicação  de  penalidade  isolada  em  decorrência de mesma ação fiscal.   (...)    15.  Esse dispositivo  foi  revogado pela Portaria RFB 666/2008. No entanto,  essa nova portaria traz normas com o mesmo teor das acima transcritas.   16.  Neste processo  foram  reunidos os  lançamentos  relativos  ao  Imposto de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  (IRPJ),  à  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL),  à  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  à  Contribuição  para  o  Financiamento da Seguridade Social (COFINS), pois as exigências do crédito  tributário foram formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, ou  seja, a constatação de créditos efetuados nas contas bancárias da interessada  no decorrer do ano­calendário de 2003, que não foram contabilizados e cuja  origem não restou comprovada. Ressalte­se que a ausência de demonstração  da  origem  da  movimentação  financeira  sujeita­se  à  tributação  com  fundamento  na  presunção  de  que  corresponde  à  receita  omitida,  a  teor  do  artigo 42 da Lei no 9.430/1996.  17.  Quanto  aos  demais  processos,  a  descrição  de  fatos  constante  dos  respectivos autos de infração indica que a irregularidade verificada se refere à  apuração  de  diferenças  entre  os  valores  escriturados  e  os  declarados/pagos  em DCTF. O Processo 19515.004276/2007­70 aponta diferenças relativas ao  PIS  e  o  Processo  19515.004279/2007­11,  concernentes  à  COFINS,  ambos  referentes  a  fatos  geradores  ocorridos  em  2003.  Quanto  ao  Processo  Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/2007­14  Acórdão n.º 1402­001.374  S1­C4T2  Fl. 13          12 19515.004278/2007­69, as divergências constatadas são atinentes ao IRPJ e à  CSLL dos anos­calendário de 2002 a 2006 (fls. 334/344).  18.  Destarte,  não  tem  fundamento  a  afirmação  sobre  duplicidade  de  lançamento, já que os citados processos versam sobre valores escriturados e  não declarados/pagos, ao passo que este se refere a valores que sequer foram  contabilizados  e que, por presunção  legal,  foram considerados como receita  omitida.  19.  No que  tange à alegação de cerceamento de defesa em face da demora  por parte da autoridade preparadora para permitir vista do processo, também  não tem razão a interessada.  20.  De início, cumpre assinalar que cópia do Termo de Verificação Fiscal e  tabelas  anexas,  dos demonstrativos de  cálculo  e dos Autos  de  Infração  (fls.  196/275),  com  todo  o  detalhamento  do  lançamento,  foi  fornecida  à  contribuinte, para lhe possibilitar a ampla defesa.  21.  Outro ponto a se destacar é que a autuação foi fundamentada em extratos  bancários  fornecidos  pela  própria  empresa,  bem  como  em  valores  escriturados  em  sua  contabilidade,  conforme  relatado  no  Termo  de  Verificação  Fiscal,  ou  seja,  os  valores  tomados  como  base  eram  de  total  conhecimento da empresa.  22.  Impõe­se frisar ainda que os requisitos de validade do auto de infração,  determinados pelo artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972, foram devidamente  observados  e  portanto,  o  lançamento  fiscal  está  apto  para  produzir  os  seus  efeitos.  23.  Uma vez que a autuada teve ciência dos autos de infração e de todos os  motivos de fato e de direito em que se embasou a imputação, bem como lhe  foi  concendido  o  prazo  legal  para  a  impugnação,  considera­se  que  foi  respeitado o seu direito de defesa.  24.  Ademais, não há na legislação relativa ao processo administrativo fiscal  prazo estabelecido para vista do processo e eventual demora no atendimento,  que, no caso, sequer ficou cabalmente demonstrado, não  traz consequências  processuais.   25.  Rejeitam­se,  portanto,  as  preliminares  de  nulidade  suscitadas  pela  impugnante.   (...)  26.  No  caso  vertente,  tanto  a  diligência  como  a  perícia  são  prescindíveis,  porquanto  trata­se  de  matéria  de  prova  a  ser  feita  mediante  a  juntada  de  documentação,  cuja  guarda  e  conservação  compete  à  própria  interessada.  Tratando­se  de  comprovar  a  origem  dos  depósitos  bancários  ocorridos  no  período fiscalizado, os elementos probatórios deviam ter sido produzidos pela  parte.   27.  Além disso, a empresa sequer apontou os  requisitos previstos no artigo  16,  IV,  do  Decreto  70.235/1972.  Assim,  deve­se  considerar  que  pedidos  dessa natureza não foram formulados.  Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/2007­14  Acórdão n.º 1402­001.374  S1­C4T2  Fl. 14          13   Dos depósitos bancários  28.  De início, cumpre enfatizar que o lançamento foi motivado pela falta de  comprovação  da  origem  de  depósitos  efetuados  nas  contas  bancárias  da  interessada, ensejando a tributação por omissão de receitas embasada no art.  42 da Lei no 9.430/1996:  Art. 42. Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira, em relação aos quais o  titular, pessoa  física ou jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos utilizados nessas operações. ­ destaques da transcrição  29.  Como se vê, a norma acima  transcrita estabeleceu uma presunção  legal  de  que  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituições  financeiras,  quando  não  comprovados  com  documentação hábil e idônea, constituem receita omitida.  (...)  30.  Consoante Termo de Verificação Fiscal (fl. 198), os valores referentes a  transferências entre contas de mesma titularidade, DOC, TED, empréstimos e  outras  transferências  foram  excluídos  do  total  de  créditos,  restando  aqueles  relacionados no Anexo I (fls. 201/253) a serem esclarecidos.   31.  Nesse  mesmo  termo,  consta  ainda  que  a  fiscalização  intimou  a  impugnante  a  esclarecer  e  comprovar  a  origem  dos  créditos  elencados  no  Anexo  I,  tendo  a  empresa  apresentado  diversos  documentos  que  possibilitaram  justificar  parcialmente  os  depósitos. Dessa  forma,  os  valores  justificados  foram  deduzidos  do  total  dos  créditos  efetuados  nas  contas  bancárias.   32.  Descabe,  assim,  o  argumento  de  que  a  fiscalização  não  considerou  as  transferências ou outros itens que haviam sido justificados pela empresa.   33.  Todavia,  a  origem  de  grande  volume  dos  recursos  creditados  em  suas  contas correntes deixou de ser comprovada, fato que subsume à hipótese de  incidência tributária contida no artigo 42 da Lei no 9.430/1996.  34.  Quanto à alegação de que essa diferença corresponderia  a empréstimos  ou outras fontes não tributáveis, enfatize­se que não foram produzidas provas  para atestar tal assertiva.  35.  Consigne­se  que,  quando  da  apresentação  da  presente  impugnação,  a  contribuinte  teve  nova  oportunidade  para  comprovar  a  origem  de  tais  depósitos/créditos,  porém  não  o  fez.  Nessa  ocasião,  requereu  apenas  a  utilização  de  todos  os meios  de  prova  admitidos,  em  especial  a  juntada  de  documentos.  36.  Reitere­se que a empresa não justificou o motivo para não apresentá­los  juntamente  com  a  impugnação,  como  dispõe  o  artigo  16,  caput  e  §  4º,  do  Decreto 70.235/1972.  Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/2007­14  Acórdão n.º 1402­001.374  S1­C4T2  Fl. 15          14 37.  Uma vez que o ônus da prova é da contribuinte, de acordo com o art. 333  do Código  de  Processo Civil  e  o  artigo  16  do Decreto  70.235/1972,  e  não  tendo esta apresentado os elementos comprobatórios da origem dos créditos,  deve prevalecer a presunção de omissão de receita.  38.  Assim, não cabe reformar o lançamento fiscal.    Das alegações de inconstitucionalidade  39.  No tocante às alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade feitas pela  defesa,  impõe­se  observar  que  a  autoridade  administrativa  não  possui  competência  para  se  manifestar  sobre  questões  de  constitucionalidade  e  legalidade  de  normas,  atribuição  reservada  constitucionalmente  ao  Poder  Judiciário.   40.  Ressalte­se  que  a  administração  tributária,  em  face  do  princípio  da  legalidade,  não  pode  se  esquivar  à  aplicação  de  lei  editada  conforme  o  processo  legislativo  constitucional.  Ao  contrário,  a  administração  deve  observar a lei até que outra a revogue, ou então, que o Judiciário a afaste, no  controle concentrado ­ tendo efeito erga omnes ­ ou no difuso ­ cuja validade  restringe­se às partes interessadas.  41.  Acrescente­se  que  o  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF,  por  meio  da  Portaria  nº  106/2009,  emitiu  a  Súmula  nº  2,  cujo  enunciado traz a seguinte redação:  Súmula CARF Nº 2  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.  42.  Por  outro  lado,  frise­se  que  o  parágrafo  único  do  artigo  142  do  CTN  determina  que:  “A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”.  43.  Conclui­se  de  antemão  que  a  autoridade  fiscal,  que  lavrou  o  auto  de  infração,  exerce  atividade  plenamente  vinculada,  assim  não  compete  a  ela  analisar a constitucionalidade de ato normativo em vigor.  (....)  44.  Dessa  forma,  as  arguições  de  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade  de  dispositivos  que  embasaram  a  autuação  deverão  ser  feitas  perante  o  Poder  Judiciário, porquanto em sede de julgamento administrativo não se pode, sob  pena de responsabilidade funcional, proceder a  tal exame a  fim de afastar a  aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento.    Da multa aplicada  45.  De  acordo  com  o  Termo  de Verificação  Fiscal  (fl.  198),  o  tratamento  dado ao caso foi de declaração inexata, tendo o artigo 44, inciso I, da Lei n.  9.430/1996 como fundamento legal para o lançamento da multa de ofício:  Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/2007­14  Acórdão n.º 1402­001.374  S1­C4T2  Fl. 16          15 Art.  44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo  ou contribuição:  I  ­ de  setenta  e  cinco por  cento,  nos  casos de  falta de pagamento ou  recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo,  sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de  declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;  46.  O  argumento  trazido  pela  defesa  para  invocar  a  não  aplicação  dessa  multa diz respeito à alteração trazida pela Lei 9.298/1996. Todavia, referida  norma dispõe sobre a multa de mora.   47.  Ocorre que, em se tratando de lançamento de ofício, a multa aplicada não  é  a  moratória,  mas  a  de  ofício,  ao  percentual  de  75%  sobre  o  tributo,  conforme expressamente previsto no artigo acima reproduzido.   48.  Vê­se, portanto, que a multa aplicada sobre o valor do  imposto exigido  no lançamento de ofício, está em consonância com a legislação de regência.    Da taxa SELIC   49.  Quanto  ao  entendimento  acerca  da  inaplicabilidade  da  taxa SELIC  aos  créditos tributários, assinale­se que os juros moratórios estão regulados pelo  artigo 161 do CTN. O parágrafo primeiro do citado artigo determina que os  juros moratórios serão de 1 (um) por cento ao mês, se a lei não dispuser de  modo  diverso.  Valendo­se  da  faculdade  legal,  o  legislador  ordinário,  por  intermédio  da  Lei  9.430/1996  determinou  que  os  juros  de  mora  seriam  equivalentes à taxa SELIC:  (...)  O artigo 161 do CTN não determina  como  requisito para  a  fixação de  juro  moratório  que  o  percentual  seja  de  no  máximo  um  por  cento  ao  mês.  Estabelece  apenas  que,  se  diverso  a  esse percentual,  este  deve  determinado  expressamente por lei, pressuposto este plenamente atendido, já que a norma  relativa  à  cobrança  dos  juros  com  base  na  SELIC  foi  editada  pela  Lei  9.430/1996.   50.  Ressalte­se que não se aplica ao caso do presente processo, a norma que  trata de crime de usura, citada pela interessada.  51.  Impõe­se  anotar,  ainda,  que  o  CARF  sumulou  a  matéria,  conforme  se  transcreve abaixo:  Súmula CARF Nº 4  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da Receita Federal  do Brasil  são  devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  52.  Destarte,  correta  a  aplicação  da  taxa  SELIC,  nos  exatos  termos  da  autuação.  Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/2007­14  Acórdão n.º 1402­001.374  S1­C4T2  Fl. 17          16 (...)  Aos fundamentos acima transcritos nada merece ser acrescentado, posto que  esgotam  as  questões  em  litígio,  deixando  patente  a  correta  tributação  das  receitas  omitidas,  apurada a partir dos depósitos bancários de origem não comprovada,.  Frise­se que tais fundamentos não foram contraditados na peça recursal, pelo  que  as  razões  de  decidir  da  decisão  recorrida  podem  ser  perfeitamente  adotados  neste  voto,  conforme  disposto  no  art.  50  Lei  9.784  de  1999,  que  se  aplica  subsidiariamente  ao  PAF(verbis):  Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e  dos fundamentos jurídicos, quando:  (...)  V ­ decidam recursos administrativos;  (...)  §  1o  A  motivação  deve  ser  explícita,  clara  e  congruente,  podendo  consistir  em  declaração  de  concordância  com  fundamentos  de  anteriores  pareceres,  informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato.  (...)  §  3o  A motivação  das  decisões  de  órgãos  colegiados  e  comissões  ou  de  decisões  orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. (Grifei)      CONCLUSÃO:  Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito,  negar provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira                                Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA

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Numero do processo: 11080.007377/2007-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO As transferências de matéria prima, mediante a emissão de notas fiscais de transferência e de notas fiscais de entradas, ambas emitidas pelo próprio contribuinte, não geram créditos presumidos de IPI. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3301-001.414
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS

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BOISE CASCADE DO BRASIL LTDA ­ ARACRUZ RIOGRANDENSE  LTDA. (SUCESSORA)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002  CRÉDITO PRESUMIDO  As  transferências de matéria prima, mediante a  emissão de notas  fiscais  de  transferência  e  de  notas  fiscais  de  entradas,  ambas  emitidas  pelo  próprio  contribuinte, não geram créditos presumidos de IPI.  RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.  (Assinado Digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente  (Assinado Digitalmente)  Jose Adão Vitorino de Morais – Relator  Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de  Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Sérgio Celani, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa  Martinez López e Rodrigo da Costa Possas.  Relatório     Fl. 631DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     2 Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Porto Alegre  que  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  contra  despacho  decisório que deferiu em parte o pedido de ressarcimento (PER) às fls. 03/91, transmitido em  27/06/2005,  e  homologou  as  compensações  dos  débitos  fiscais  vencidos  nas  datas  de  28/02/2005, 06/07/2005 e 03/08/2005, declarados nas Declarações de Compensação (Dcomps),  às fls. 205/229, transmitidas nas datas de 30/06/2006, 06/07/2007 e 03/08/2005, com créditos  financeiros decorrentes de créditos básicos e créditos­presumido do IPI, apurados para o quarto  trimestre de 2002.  A DRF em Porto Alegre reconheceu, na íntegra, o direito de a recorrente se  ressarcir/compensar do saldo credor do IPI correspondente aos créditos básicos e, em parte, o  ressarcimento decorrente dos créditos presumidos, homologando as compensações dos débitos  fiscais declarados, nos  termos da  Informação Fiscal  às  fls. 196/199 e Despacho Decisório às  fls. 201 do qual foi intimada em 28/12/2007 (fls. 238).  Inconformada com aquele despacho, a recorrente apresentou manifestação de  inconformidade  (fls.  239/254),  insistindo  no  ressarcimento  integral  do  valor  declarado,  alegando razões assim resumidas por aquela DRJ:  “... que é pessoa jurídica dedicada às atividades de (i) fabricação, aquisição,  venda,  importação  e  exportação  de  tábuas  de  madeira,  compensado  e  outros  produtos  derivados  de  árvores;  (ii)  exploração  de  atividades  agrícolas,  inclusive  extrativas  vegetais  e;  (iii)  florestamento,  reflorestamento  e  demais  atividades  relacionadas à silvicultura; que para o exercício de suas atividades compra de UBS  Timber  Investors  Brasil  Ltda.,  atualmente  denominada  Florestal  Guaíba  Ltda.  (UBS),  troncos de madeira  com determinada especificação, denominados Troncos  Classe  A  e  que  esses  troncos  são  a  principal  matéria­prima  para  produção  das  laminas e compensados industrializados e comercializados pela manifestante.  Na seqüência, discorre sobre os negócios jurídicos celebrados com a empresa  UBS  e  a  empresa Klabin Riocell  (Klabin). Diz  que a  aquisição  da matéria­prima  junto a UBS tem origem no negócio  jurídico  firmado em 21 de  fevereiro de 2001.  Após  relato  dos  fatos,  tece  considerações  sobre  os  créditos  objeto  de  pedido  de  ressarcimento e da decisão denegatória alegando, resumidamente que:  a)  administra  áreas  de  destocagem  –  hortos,  condição  assumida  pelo  interesse  e  obrigação  que  tem  de  adquirir  da  UBS  Toras  Classe  A,  que  são  extraídas das florestas – hortos – pertencentes a UBS;  b)  adquiriu  direitos  referentes  ao  cultivo  das  florestas, mas  não  o  domínio  destas, não sendo proprietária dos hortos; segue discorrendo sobre a  forma como  adquire  da UBS  Toras Classe  A  e  como  paga  os  valores  correspondentes  a  esta  aquisição;  c)  o  fato  de  ter  inscrição  como  produtora  rural  não  significa  que  tenha  propriedade  sobre  esses  hortos;  que  emite  nota  fiscal  de  transferência,  pela  necessidade  de  transportar  as Toras Classe A  de  um  estabelecimento  para  outro,  conforme preconiza o art. 43 da Lei n° 8.820/89  (Lei do  ICMS no Estado do Rio  Grande do Sul);  d)  o  fato  de  emitir  notas  fiscais  de  transferência  de  mercadorias  de  um  estabelecimento  seu  a outro  em nada afeta  o  seu  direito  ao  crédito  presumido de  IPI, decorrente da aquisição de Toras Classe A da UBS, e que o fato da UBS não  emitir nota fiscal relativamente à venda das Toras Classe A para a manifestante em  nada compromete a apropriação de créditos presumidos de IPI;  Fl. 632DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.007377/2007­48  Acórdão n.º 3301­01.414  S3­C3T1  Fl. 632          3 e)  correta  a  contabilização  dos  valores  pagos  à UBS  a  débito  da  conta  de  custo de produtos vendidos (CPV), com contrapartida na conta de fornecedores;  f)  os  valores  pagos  à  UBS  vêm  sendo  oferecidos  à  incidência  do  Pis  e  da  Cofins, conforme expressa afirmação da UBS.”  Analisada  a  manifestação  de  inconformidade,  aquela  DRJ  julgou­a  improcedente,  conforme  acórdão  nº  10­29.540,  datado  de 13/01/2011,  às  fls.  573/577,  sob  a  seguinte ementa:  “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO  Não  se  incluem  na  base  de  calculo  do  beneficio  os  valores  de  operações de transferência de matéria­prima do estabelecimento  rural para a sede da empresa da mesma pessoa jurídica, por não  se  caracterizar  aquisição  de  matéria­prima,  requisito  exigido  pela lei.”  Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls.  582/591),  requerendo  a  sua  reforma  a  fim  de  que  se  reconheça  seu  direito  ao  ressarcimento  integral  do  valor  pleiteado  e  defira  seu  pedido,  alegando,  em  síntese,  as  mesmas  razões  expendidas na manifestação de  inconformidade, ou seja, o  fato de ela própria emitir as notas  fiscais de transferência e de entrada das toras, em seu estabelecimento industrial, não impede o  aproveitamento do crédito presumido do IPI. Por outro lado o fato de a UBS não emitir nota  fiscal relativamente à venda das toras de madeira em nada compromete a operação, tendo em  vista que nenhum dispositivo  legal condiciona a apropriação dos créditos à emissão de notas  fiscais,  mas  sim  a  utilização  de  bens  como  insumos  na  produção  de  bens  destinados  à  exportação.  É o relatório.  Voto             Conselheiro José Adão Vitorino de Morais  O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no  Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço.  A  questão  de mérito  oposta  nesta  fase  recursal  se  restringe  ao  direito  de  a  recorrente  apurar  créditos  presumidos  de  IPI  sobre  entradas  de  matéria  prima  (toras  de  madeira),  em  seu  estabelecimento  industrial,  mediante  a  emissão  de  notas  fiscais  de  transferência e de entradas, ambas emitidas por ela própria.  A Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, que instituiu o crédito presumido  do IPI, para o ressarcimento do PIS e da Cofins sobre insumos utilizados em industrialização  de produtos exportados, assim dispõe:  “Art.  1º.  A  empresa  produtora  e  exportadora  de  mercadorias  nacionais  fará  jus  a  crédito  presumido  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  como  ressarcimento  das  contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7  de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30  Fl. 633DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     4 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições,  no  mercado  interno,  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem,  para  utilização  no  processo produtivo.  Parágrafo único.O disposto neste artigo aplica­se, inclusive, nos  casos  de  venda  a  empresa  comercial  exportadora  com  o  fim  específico de exportação para o exterior.  Art. 2º. A base de cálculo do crédito presumido será determinada  mediante  a  aplicação,  sobre  o  valor  total  das  aquisições  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  referidos  no  artigo  anterior,  do  percentual  correspondente  à  relação  entre  a  receita  de  exportação  e  a  receita operacional bruta do produtor exportador.  (...).”  Ora, segundo estes dispositivos  legais, o crédito presumido é apurado sobre  aquisições de terceiros.  No presente caso,  inexistiram aquisições, mas tão somente transferências de  matéria  prima,  conforme  provam  as  notas  fiscais  de  transferências  e  de  entradas  da matéria  prima,  tora  de  madeira,  em  seu  estabelecimento  industrial,  ambas  emitidas  pelo  próprio  contribuinte, ou seja, pela recorrente.  Como o ressarcimento suplementar pleiteado nesta fase recursal corresponde  exclusivamente  ao  valor  dos  créditos  presumidos  de  IPI  apurados  indevidamente  sobre  as  entradas de matéria prima produzida pela própria recorrente, correto o indeferimento mantido  pela autoridade julgadora de primeira instância.  Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento  ao recurso voluntário.  (Assinado Digitalmente)  José Adão Vitorino de Morais ­ Relator                              Fl. 634DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

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4955555 #
Numero do processo: 10280.002761/2005-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS REGIMENTAIS. COMPETÊNCIA. A competência para julgamento de recursos versando compensação de direito creditório relativo ao IRRF é da Segunda Seção do CARF.
Numero da decisão: 3401-001.459
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso em razão de a competência ser da Segunda Seção do CARF
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos

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Numero do processo: 10882.000298/2002-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1997 AUDITORIA DE DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantém-se as exigências cujos recolhimentos apresentados encontram-se vinculados pela contribuinte, nas DCTF, a outros períodos de apuração, ou nos quais o CNPJ não corresponde ao da autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.946
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, e manter a exigência dos valores de R$734,.82 e R$734,76, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1854; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 1          1 0  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10882.000298/2002­01  Recurso nº  168.016   Voluntário  Acórdão nº  1402­00.946  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de março de 2012  Matéria  AÇÃO FISCAL. PENALIDADES ISOLADAS  Recorrente  TREELOG S.A ­ Logística e Distribuição, sucessora, por incorporação, de   DINAP S/A Distribuidora Nacional de Publicações  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Ano­calendário: 1997  AUDITORIA  DE  DCTF.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO.  Mantém­se  as  exigências  cujos  recolhimentos  apresentados  encontram­se  vinculados  pela  contribuinte, nas DCTF, a outros períodos de apuração, ou nos quais o CNPJ  não corresponde ao da autuada.   Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  e manter  a  exigência  dos  valores  de  R$734,.82  e  R$734,76, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.    (assinado digitalmente)  Albertina Silva Santos de Lima ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Antônio José Praga de Souza – Relator    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de  Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva,  Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima.     Fl. 553DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000298/2002­01  Acórdão n.º 1402­00.946  S1­C4T2  Fl. 0          2   Relatório  TREELOG S.A  ­  Logística  e Distribuição,  sucessora,  por  incorporação,  de   DINAP S/A Distribuidora Nacional de Publicações recorreu a este Conselho contra a decisão  proferida pela DRJ em primeira  instância, que  julgou procedente a exigência, pleiteando sua  reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF).  Na sessão de 24/2/2011 este colegiado converteu o julgamento em diligência,  mediante Resolução 1402­00.040, nos termos do voto condutor a seguir transcrito:  (...) Conforme  relatado,  trata­se de  exigência  relativa  a  auditoria  de DCTF,  sendo que após a revisão da DRF e da decisão de 1a. instância remanescem  os seguintes débitos, ora contestados pelo contribuinte:  Código  PA  Vcto.  Falta de Recolhimento  Receita       Litígio  Excluído  Mantido (*)  0588  03­04/97  24/04/97  734,82  0,00  734,82  0588  05­05/97  04/06/97  734,76  0,00  734,76  1708  01­02/97  05/02/97  926,12  0,00  926,12  3280  03­02/97  19/02/97  89,87  0,00  89,87    Vejamos as alegações do recorrente:  (...)  Ocorre  que  tal  argumentação  não  merece  prosperar,  na  medida  em  que  os  valores  remanescentes,  ora  exigidos  pela  Receita  Federal,  foram  devidamente  recolhidos, conforme restará comprovado a seguir.  II ­ Dos supostos débitos relativos ao IRRF apurado na 3" semana de abril de 1997  e na 5a semana de maio de 1997  Não  merece  prosperar  o  argumento  da  Receita  no  sentido  de  que  os  valores  de  R$918,14,  apurados  em  03­04/97  e  05­05/97  foram  alocados  no  períodos  de  apuração 05­09/2000, uma vez que os valores apurados na 5o. semana de setembro  de  2000  foram  compensados  com  créditos  distintos  dos  recolhimentos  ora  discutidos.  De  fato,  conforme  comprovam  os  anexos  documentos  de  arrecadação,  em  24/04/1997, a ora Recorrente efetuou o recolhimento do valor de R$918,14, relativo  ao IRRF apurado na 3" semana de abril de 1997, bem como efetuou o recolhimento  do  valor  de  R$918,14,  em  06/06/1997,  também  relativo  ao  IRRF,  apurado  na  5"  semana de maio de 1997, conforme declarado em sua DCTF relativa ao 2° trimestre  do referido ano. (doc. 03 e 04)  Valor declarado (IRRF  ­ 0588) ­ DCTF 2o  trimestre de 1997  Período de  Apuração  Página da  DCTF  Valor  recolhido ­  DARF  Data do  recolhimento  R$918,14  3" semana de  abril  017  918,14  24/04/1997  R$918,14  5 semana de  020  918,14  04/06/1997    maio        Fl. 554DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000298/2002­01  Acórdão n.º 1402­00.946  S1­C4T2  Fl. 0          3 Tais recolhimentos, por sua vez, nada tem a ver com os valores recolhidos ou  compensados  na  5a'  semana  de  setembro  de  2000.  Tais  compensações  foram  efetuadas com créditos relativos a recolhimentos efetuados em 29/01/1997, no valor  de  R$759,83  e  26/02/1997,  no  valor  de  R$927,14,  conforme  quadro  abaixo  (doc.  05):  Valor  declarado  (IRRF ­ 0588) ­  DCTF 3o  trimestre  de 2000  Período de  Apuração  Página  da  DCTF  Valor  recolhido  ­ DARF  Valor  compensa do  Origem do crédito para  compensação  R$537,65  5a semana  de setembro  03  R$17,65  R$520,00  Do valor total (R$520,00),  R$397,09 foram compensados  do DARF recolhido em  29/01/1997, no valor de  R$759,83; e R$122,91 foram  compensados do DARF  recolhido em 26/02/1997, no  valor de R$927,14.    Diante do exposto, tendo em vista que os valores alocados no período de apuração  05­09/2000 se tratam de recolhimentos distintos daqueles efetuados em 24/04/1997,  no valor de R$918,14, e em 06/06/1997, no valor de R$918,14, não há que se falar  em ausência de recolhimento do IRRF apurado na 3a semana de abril de 1997 e na  5a semana de maio de 1997.  III ­ Dos supostos débitos relativos ao IRRF apurado na 1a. semana de fevereiro de  1997 e na 3a. semana de fevereiro de 1997  Em  relação  aos  supostos  débitos  relativos  ao  IRRF,  apurado  na  1a  semana  de  fevereiro de 1997, no valor de R$926,12 e na 3a  semana de fevereiro de 1997, no  valor de R$89,87, cumpre esclarecer que os valores foram efetivamente recolhidos.  Ocorre  que,  quando  do  preenchimento  dos  documentos  de  arrecadação,  a  ora  Recorrente  cometeu  um  erro  no  campo  CNPJ,  fazendo  constar  o  CNPJ  43.743.880/0001­00, quando o correto seria CNPJ 61.438.248/0001­23  Tanto  isso  é  verdade  que  os  valores  foram  devidamente  declarados  na DCTF  da  DINAP S/A, no CNPJ n°61.438.248/0001­23.  (...)  Diante  disso,  não  há  que  se  falar  em  existência  de  débitos  relativos  ao  IRRF,  apurado na 1° semana de fevereiro de 1997, no valor de R$926,12 e na 3' semana  de  fevereiro  de  1997,  no  valor  de  R$89,87,  tendo  em  vista  que  os  mesmos  encontram­se  extintos  pelo  pagamento,  conforme  documentos  de  arrecadação  anexados à presente, (doc. 06 e 07)  De  fato,  o  que  efetivamente  ocorreu  foi  um  erro  no  preenchimento  do  campo  'CNPJ', erro este que, ressalte­se, não causou prejuízo ao Erário.  Em face do todo o exposto, requer seja dado provimento ao presente recurso para o  fim  de  exonerar  definitivamente  a  ora Recorrente  da  exigência  fiscal mantida  em  primeira instância.”  Fl. 555DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000298/2002­01  Acórdão n.º 1402­00.946  S1­C4T2  Fl. 0          4   Pois bem, do confronto das alegações da recorrente com os fundamentos da  decisão  de  1a.  instância,  formei  convencimento  de  que  se  faz  necessário  sanear e instruir o processo para o julgamento das exigências remanescentes,  isso porque:  i)  Não  é  possível  promover,  em  sede  de  recurso  voluntário,  a  alocação  de  pagamentos efetuados com CNPJ de outro contribuinte, ainda que se trata de  empresa coligada.   Apesar  de  o  erro  estar  evidenciado,  os  contribuintes  são  distintos  e,  nesse  caso,  caberia  à  empresa    DINAP  S/A,  CNPJ  43.743.889/0001­00  requerer/autorizar  a  retificação  do  DARF  para  que  seja  apropriado  à  recorrente.  Portanto,  a  contribuinte  deve  ser  intimada  a  providenciar  essa  autorização,  com  estrita  observância  das  normas  da  Receita  Federal  do  Brasil  para  retificação de DARF (REDARF).  É preciso também verificar se os pagamentos estão disponíveis para esse fim  e,  se  for  o  caso,  já  fazer  a  alocação  (procedimento  a  cargo  da Unidade  de  origem).  ii) No que tange os saldos de débitos de R$ 734,82 e 734,76, respectivamente  de períodos de apuração de abril e maio/1997, também é preciso verificar nos  sistemas  a  veracidade  das  alegações  do  contribuinte  em  relação  aos  pagamentos que teriam sido utilizados na quitação desses valores, haja vista a  coerência de seus argumentos.  Ao  final  deverá  ser  lavrado  termo  consubstanciado,  intimando­se  o  contribuinte a manifestar­se no prazo de 30 dias, se desejar.    Os  trabalhos  de  diligência  resultaram  nos  documentos  de  fls.  532  a  550,  a  seguir, os autos foram enviados ao CARF para prosseguimento.    É o breve relatório.  Fl. 556DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000298/2002­01  Acórdão n.º 1402­00.946  S1­C4T2  Fl. 0          5   Voto             Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator.  Retorna o presente processo de diligência.  Vejamos o teor do resultado dos trabalhos fiscais (fls. 532):  Trata  o  presente  processo  do  Auto  de  Infração  de  n°  2648,  IRRF/1997  lavrado  contra o contribuinte acima  identificado, em decorrência de inexatidão de valores  declarados por meio de DCTF, conforme descrição dos fatos e fundamentação legal  a fl. 21, tendo retornado do CARF em diligencia, conforme Resolução as fls. 331 a  334. Resumidamente, esta resolução solicita a análise de débitos lançados para os  quais o Contribuinte alega pagamento. Assim, passemos ã análise.  Em relação aos débitos relativos ao IRRF, código de receita 0588, apurados na 30  semana  de  abril  de  1997  e  na  5  0  semana  de  maio  de  1997,  vemos  que  o  Contribuinte comete um equivoco em sua defesa. Estes débitos, que deram origem  ao Auto  de  Infração  n°  2648,  referem­se  a  débitos  confessados  pelo Contribuinte  corn o código de receita 0588 cujos DARFs apresentados, na impugnação, para a  quitação  dos  mesmos  encontram­se  parcialmente  alocados  para  a  quitação  do  débito com código de receita 3208­1, referente ao período de apuração 50 semana  de setembro de 2000, conforme declarado em DCTF pelo próprio Contribuinte (11.  216).  O Contribuinte discorda desta alocação,  indicada por ele mesmo, e para tentar se  justificar  refere­se a outro débito,  também declarado por  ele  em DCTF,  referente  também ã 5° semana de setembro de 2000, porém de código de receita 0588­1 (11s.  340 e 341). Ou seja, para discordar dos DARFs alocados para guitar um débito de  código de receita 3208­1, ele explica como deve ser a alocação de DARF para outro  debito, de código de receita 0588­1. Não cabe razão ao Contribuinte.   • Comrelação aos débitos de código de receita 1708, PA 01­02/1997, no valor de  R$ 926,12 e código de receita 3280, PA 03­02/1997, no valor de RS 89,87, conforme  pesquisas  ãs  fls.  336  a  339,  verifica­se  que  o  débito  foi  declarado  pela  empresa  ineorporadora de CNPJ n° 61.438.248/0001­23, sendo a arrecadação realizada no  CNPJ  de  n°  43.743.889/0001­00,  da  empresa  incorporada.  Assim,  foi  realizado  REDARF  de  oficio  para  alteração  de  CNPJ  nestas  arrecadações.  Estes  DARFs  foram alocados nos seus débitos correspondences, quitando­os por pagamento (11s.  349, 350 verso e 351).  (...)  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  mantendo­se, apenas a exigência dos seguintes valores:  Código  PA  Vcto.  0588  03­04/97  24/04/97  R$ 734,82  0588  05­05/97  04/06/97  R$ 734,76    (assinado digitalmente)  Antônio José Praga de Souza  Fl. 557DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000298/2002­01  Acórdão n.º 1402­00.946  S1­C4T2  Fl. 0          6                               Fl. 558DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA

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Numero do processo: 10314.720504/2011-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 05/08/2008 OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO NA IMPORTAÇÃO. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. Conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Há prova conclusiva de que um dos Recorrentes é o real adquirente das obras de arte importadas, impondo manter a decisão recorrida nos contorno jurídico delineados pela primeira instância. A ocultação do sujeito passivo mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros consiste em uma infração tipificada como dano ao Erário, punível com a aplicação da pena de perdimento. O dano ao Erário é ocasionado não apenas pelo não recolhimento dos tributos incidentes: na importação (II, IPI, ICMS, PIS e COFINS), mas também pelo não recolhimento dos tributos incidentes nas etapas posteriores de comercialização informal no mercado interno. Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de JAMES ACÁCIO LOBO LISBOA e dar provimento ao recurso de ANA LÚCIA PUGA DE LACERDA para excluí-la da sujeição passiva. Antonio Carlos Atulim - Presidente. . Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de JAMES ACÁCIO LOBO LISBOA e dar provimento ao recurso de ANA LÚCIA PUGA DE LACERDA para excluí-la da sujeição passiva. Antonio Carlos Atulim - Presidente. . Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2124; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 14          1 13  S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10314.720504/2011­21  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3403­002.198  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de maio de 2013  Matéria  ADUANEIRA  Recorrente  JAIME ACÁCIO LOBO LISBOA  e ANA LÚCIA PUGA DE LACERDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ­ II  Data do fato gerador: 05/08/2008  OCULTAÇÃO  DO  SUJEITO  PASSIVO  NA  IMPORTAÇÃO.  CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA.  Conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro  da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.  Há prova conclusiva de que um dos Recorrentes é o real adquirente das obras  de arte importadas, impondo manter a decisão recorrida nos contorno jurídico  delineados pela primeira instância.  A  ocultação  do  sujeito  passivo  mediante  fraude  ou  simulação,  inclusive  interposição  fraudulenta  de  terceiros  consiste  em  uma  infração  tipificada  como  dano  ao  Erário,  punível  com  a  aplicação  da  pena  de  perdimento.  O  dano ao Erário é ocasionado não apenas pelo não recolhimento dos  tributos  incidentes: na importação (II, IPI, ICMS, PIS e COFINS), mas também pelo  não  recolhimento  dos  tributos  incidentes  nas  etapas  posteriores  de  comercialização informal no mercado interno.   Recurso Voluntário Provido em parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso de JAMES ACÁCIO LOBO LISBOA e dar provimento ao recurso de  ANA LÚCIA PUGA DE LACERDA para excluí­la da sujeição passiva.  Antonio Carlos Atulim ­ Presidente.   .  Domingos de Sá Filho ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 05 04 /2 01 1- 21 Fl. 594DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Antonio  Carlos  Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan,  Ivan Allegretti  e Raquel  Motta Brandão Minatel.  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  visando  modificar  a  decisão  de  piso  que  manteve o lançamento exigindo Imposto de Importação, Cofins e PIS/Pasep em decorrência de  declaração  inexata do  valor  da mercadoria  importadas  relativa  à DI/DSI de  nº08/1187857­5,  registrada em 05/08/2008.  Diz  à  fiscalização que o objetivo  específico da autuação é de  aplicar multa  equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que seja localizada ou que tenha sido consumida  relativamente à  importação efetuada de forma  irregular,  in casu, ocultação do sujeito passivo  registrado declarações de importação registradas nos ano de 2008 e 2009.  A motivação da ação fiscal é decorrente de verificação de cessão de nome em  operações de comércio exterior por parte da empresa NS Logística Ltda. Teria sido identificada  pelas notas fiscais de entrada e saída (doc.fls.56 a 58) diversos valores coincidentes, entre os  quais  dois  ligados  ao  nome  do  Sr.  Jaime  Acácio,  o  que  confirma  a  ocultação  dos  reais  adquirentes de obras de arte importadas em nome da empresa.  Aplicou­se multa de ofício de 150% decorrente a hipótese de fraude.  Com vista uma apresentação sistemática e abrangente deste feito aproveita­se  do relatório da decisão recorrida a adiante transcrito:  “Trata  o  presente  processo  de  auto  de  infração,  lavrado  em  05/07/2011, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a  exigência  de  Imposto  de  Importação  acrescido  de  multa  proporcional  e  juros de mora multa,  acrescido de  contribuição  PIS/COFINS, no valor de R$ 240.315,26 em virtude dos fatos a  seguir descritos.  ‘O importador por meio da DI de nº08/11878575, registrada em  05/08/2008,  submeteu  a  despacho  um  quadro  "Diamond Divas  Catherine  Deneuve",  de  Vik  Muniz,  classificado  na  Tarifa  Externa  Comum  no  código  9701.90.00,  tendo  sido  pago  o  imposto de importação à alíquota de 4%.  O  valor  declarado  para  a  mercadoria  foi  de  R$  1.424,32  (mil  quatrocentos  e  vinte  e  quatro  reais  e  trinta  e  dois  centavos),  sendo  que  a  fiscalização  apurou  elementos  que  possibilitam  a  desconsideração do valor declarado, sendo arbitrado o seguinte  valor:  R$  161.236,63  (cento  e  sessenta  e  um  mil,  duzentos  e  trinta e seis reais e sessenta e três centavos com fundamento no  artigo 86 (parágrafo único, II, b) do Decreto 6.759/09.  A presente ação fiscal é decorrente de verificação de cessão de  nome em operações de comércio exterior por parte da empresa  NS LOGÍSTICA LTDA, CNPJ 06.204.364/000170.  Em  procedimento  de  fiscalização  na  empresa  NS  LOGÍSTICA  LTDA,  CNPJ  06.204.364/000170,  antes  denominada  ARGOS  TRADING  COMERCIAL  IMPORTADORA  E  EXPORTADORA  Fl. 595DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10314.720504/2011­21  Acórdão n.º 3403­002.198  S3­C4T3  Fl. 15            3 LTDA.,  foi  identificada  a  ocultação  dos  reais  adquirentes  de  obras de arte importadas em nome da empresa.  Da  lista  de  Notas  Fiscais  de  Entrada  e  Saída  da  empresa,  fornecidas  e  rubricadas  pelo  Sr.  FABIO CZERKES  SANTANA,  CPF  294.032.45816,  foram  identificados  diversos  valores  coincidentes,  entre  eles  dois  ligados  ao  nome  do  Sr.  JAMES  ACÁCIO.  O  objeto  da  presente  ação  fiscal  foi  localizar  as  mercadorias  importadas  para  fins  de  aplicação  da  pena  de  perdimento,  ou  ministrar a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria,  Conclui­se  que  JAMES ACÁCIO LOBO LISBOA  está  sujeito  a  multa  equivalente  ao  valor  aduaneiro  das  mercadorias  importadas  por  meio  das  DI  nºs  08/11878575,  08/11976933  e  09/01204603, correspondente a R$ 166.092,02 (cento e sessenta  e  seis  mil  e  noventa  e  dois  centavos),  conforme  o  disposto  no  parágrafo  3º  do  artigo  23  do  Decreto  Lei  nº  1.455/76,  com  redação  dada  pela  Lei  nº  12.350/2010,  cabendo  cobrança  de  diferença  tributária  e  multa  no  caso  da  DI  08/11878575,  que  teve  o  valor  arbitrado  pela  fiscalização.  São  solidários  pelo  crédito  tributário  a  empresa  NS  LOGÍSTICA  LTDA  (anteriormente  denominada  ARGOS  TRADING  COMERCIAL  IMPORTADORA  E  EXPORTADORA  LTDA),  CNPJ  06.204.364/000170, que efetuou a importação das mercadorias,  e a Sra. ANA LÚCIA PUGA DE LACERDA, CPF 10.840.77809,  que intermediou a operação.  Como  houve  diferença  entre  o  valor  aduaneiro  declarado  na  Declaração  de  Importação  08/11878575,  houve  diferença  também no valor dos tributos recolhidos pelo contribuinte.  Sendo assim, cobra­se a diferença de imposto, apurada em face  de tal incorreção, somado aos acréscimos legais devidos.  Baseando­se na fraude que levou à ocultação do real adquirente  das  mercadorias  e  a  não  declaração  do  valor  de  mercado  da  obra “Diamond Divas – Catherine Deneuve”, aplica­se a multa  de 150% sobre a diferença de impostos e contribuições devidos  na importação da obra.  Cientificado do auto de  infração, pessoalmente,  em 22/07/2011  (fls. 182),  o  contribuinte,  protocolizou  impugnação,  tempestivamente  na  forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 23/08/2011, de fls.  318 à 355, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento.  Na  forma  do  artigo  16  do  Decreto  70.235/72  a  impugnante  alegou resumidamente que:  PRELIMINAR:CERCEAMENTO DO DIREITA DE DEFESA.  O  auto  de  infração  ora  impugnado,  veicula  cerceamento  do  amplo direito de defesa do Impugnante, devendo ter a nulidade  decretada.  Fl. 596DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO     4 É possível identificar uma extrapolação das definições  legais, e  até  mesmo  a  prática  de  atos  arbitrários,  baseados  em  simples  fatos  como a  falta de demonstração  fiscal da  integralização do  capital social, adiantamento de recursos pelos clientes finais da  empresa,  volume do capital  social  inferior ao das  importações,  dentre outros, como indícios que seriam suficientes a embasar a  aplicação das graves penalidades de perda de perdimento, baixa  do CNPJ, ou, ainda, multas e outras.  Para embasar a aplicação de uma sanção somente seria crível se  estes  fatos  fossem inquestionáveis. Ou seja, um  indício  somente  poderia  ser  utilizado  como  meio  de  prova  nas  hipóteses  que  gerasse  uma  presunção  indiscutível  da  prática  da  interposição  fraudulenta.  É  importante  mencionar  que  o  conteúdo  do  princípio  do  contraditório  consiste  na  determinação  de  que  no  processo  administrativo  e  judicial  o  litigante  tenha  acesso  a  todos  os  argumentos  daquele  que  em  face  dele  promove  uma  ação,  de  modo que o litigante possa exercer de forma plena o seu direito  de  defesa  (com  acesso  a  todos  os  recursos  disponíveis  e  produção  de  todas  as  provas  cabíveis).  Disso  decorre  que,  no  processo administrativo tributário, o contribuinte deve ter acesso  a todos os argumentos, informações ou elementos de fato ou de  direito produzidos pelo fisco, sob pena de o seu direito de defesa  ser cerceado. Tal acesso às ditas alegações, ressalte­se, só se dá  na  medida  em  que  os  atos  administrativos  sejam  devidamente  motivados pelas autoridades fiscalizadoras.  Os  Autos  de  Infrações  com  base  em  meros  indícios  de  irregularidades,  como  ocorreu  no  ato  ora  impugnado,  é  inadmitido no ordenamento jurídico vigente, fato, inclusive, não  admitido  no  processo  administrativo  fiscal,  conforme  é  importante  transcrever  o  arresto  proferido  no  CSRF  AC  0105.132 Iº T. maioria Rel. José Carlos Passuello, nov.2004.  Dessa maneira, lavrar os autos de infrações com base em meros  indícios  de  irregularidades,  pressupondo  a  má­fé  do  Contribuinte  no  processo  aduaneiro,  sem  acostar  as  infrações  qualquer  prova  desta  irregularidade,  conforme  procedeu  a  Ilustre Auditora Fiscal  para  viabilizar  a  aplicação  da  pena  de  perdimento,  impede  que  o  Impugnante  produza  sua  defesa  de  forma adequada, explicando as razões pelas quais seu nome não  constava nas DIs 08/11976933, 09/01204603 e 08/11878575.  DO  DIREITO  DA  IMPORTAÇÃO  POR  ENCOMENDA  E  DO  ERRO FORMAL NO PREENCHIMENTO DAS/DIs.  Inicialmente,  importante  destacar  que  o  Impugnante,  em  momento  algum,  negou  ser  ele  o  adquirente  das  obras  importadas  por  meio  das  DIs  08/11976933,  09/01204603  e  08/11878575.  Além  disso,  a  D.  Fiscalização  não  encontrou  qualquer  óbice,  após  análise  dos  documentos  da  empresa  importadora  NS  LOGÍSTICA LTDA.  O Impugnante, como pessoa física que é, não realiza comumente  operações  de  importação.  Em  razão  de  tal  fato,  não  está  Fl. 597DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10314.720504/2011­21  Acórdão n.º 3403­002.198  S3­C4T3  Fl. 16            5 habilitada  perante  o  Sistema  Integrado  de  Comércio  Exterior  (Siscomex).  Por  este  motivo,  nas  importações  que  pretendeu  realizar,  notadamente  as  relativas  às  obras  de  artes  (quadros  pintura  a  óleo), objetos das Declarações de Importação nºs 08/11976933,  09/01204603  e  08/11878575,  contratou  a  empresa  AL  CONSULTANCY SERVIÇOS DE ARTE E ARTESANATO LTDA  ME, por meio da Sra. Ana Lúcia Puga de Lacerda.  A empresa AL CONSULTANCY  tinha por obrigação contratual  promover e gerenciar a importação das obras de arte indicadas  pelo  Impugnante.  Ocorre  que  todo  o  procedimento  de  importação era realizado por uma terceira empresa, no caso, a  NS LOGÍSTICA / ARGOS TRADING. Entre as obrigações da  NS  LOGISTICA/ARGOS  TRADING  estava  (i)  o  pagamento  das obras ao exportador, (ii) a realização formal da importação  de  tais  obras,  (iii)  o  cumprimento  de  todas  as  obrigações  acessórias  perante  os  órgãos  públicos,  em  especial  a  Receita  Federal  do  Brasil,  (iv)  proceder  o  recolhimento  de  todos  os  impostos  incidentes  na  importação  e  (v)  realizar  a  venda  das  mercadorias importadas ao Impugnante.  Assim,  a  empresa  NS  LOGÍSTICA  /  ARGOS  TRADING  foi  quem realizou o pagamento perante o  exportador das obras de  arte  objetos  das  Declarações  de  Importação  nº  08/11976933,  09/01204603 e 08/11878575, revendendo­as, posteriormente, ao  Impugnante.  Tal fato foi, inclusive, reconhecido pelo Sr. Fábio Santana, sócio  da empresa NS LOGÍSTICA /ARGOS TRADING e pelas notas  fiscais  de  venda  emitidas  pela  NS  LOGÍSTICA  /ARGOS  TRADING.  Portanto, resta demonstrado que, nas importações objeto da das  DIs  08/11976933,  09/01204603  e  08/11878575,  estas  foram  realizadas na modalidade importação por encomenda.  Na  importação  por  encomenda  tal  operação  tem,  para  o  importador contratado (NS LOGÍSTICA /ARGOS TRADING),  os mesmos  efeitos  fiscais  de  uma  importação  própria,  pois  é  o  importador  que  adquire  a  mercadoria  junto  ao  exportador  no  exterior,  providencia  sua  nacionalização  e  a  revende  ao  encomendante, ora Impugnante.  Sobre  este  processo,  é  importante  ressaltar  que  não  houve  por  parte da impugnante qualquer financiamento da operação, tendo  sido o pagamento ao exportador realizado, em sua integralidade,  pela a NS LOGÍSTICA/ARGOS TRADING.  Ocorre  que,  com  relação  ao  despacho  aduaneiro  das  mercadorias nas hipóteses de  importações por encomenda,  faz­ se  necessário,  conforme  relatos  da  D.Fiscalização,  que  a  empresa  importadora  (NS  LOGÍSTICA  /  ARGOS  TRADING)  informe,  em  campo  próprio  das  DIs,  o  CNPJ  ou  CPF  da  encomendante, no momento do registro deste documento.  Fl. 598DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO     6 No entanto, por um ERRO FORMAL no preenchimento da DI, a  empresa comercial importadora responsável pela operação (NS  LOGÍSTICA  /ARGOS  TRADING)  deixou  de  cumprir  tal  dever instrumental.  Em momento algum teve o Impugnante o objetivo de ocultar sua  participação  na  operação.  Tanto  é  assim,  que  a  transação  comercial  entre  o  Impugnante  e  a  empresa NS  LOGÍSTICA  /  ARGOS  TRADING  fora  acobertada  por  nota  fiscal  de  venda  dos  quadros  e  nota  fiscal  de  serviços  emitida  pela  AL  CONSULTANCY.  Em que pese tal fato, tão logo fora instada pela Ilustre Auditora  Fiscal  sobre  sua  real  participação  na  importação  das  mercadorias  objeto  das  DIs  08/11976933,  09/01204603  e  08/11878575,  o  Impugnante  de  pronto  informou  ser  ele  o  encomendante em referida importação.  Resta  evidente,  que a empresa  importadora  (NS LOGÍSTICA  /  ARGOS  TRADING),  bem  como  o  Impugnante,  em  momento  algum  objetivaram,  dolosamente,  ocultar  o  real  adquirente  da  mercadoria. O  Impugnante  sequer possui  conhecimento  técnico  necessário  para  tanto,  razão  pela  qual  contratou  pessoas  especializadas para realizar o gerenciamento e  importação das  mercadorias objeto das DIs.  No  processo  administrativo,  o  princípio  da  verdade  material  predomina  no  sentido  de  que,  com  este,  busca­se  descobrir  se  realmente  ocorreu  ou  não  o  fato,  pois  o  que  está  em  jogo  é  justamente a legalidade da operação.  De  fato,  os  indícios  de  prática  de  irregularidade  devem  ser  pesquisados e, por fim, comprovados, para que possam servir de  sustentáculo à acusação fiscal.  Considerando­se  que  "in  casu"  caracterizada  a  presunção  "hominis",  evidente  a  impossibilidade  de  mantença  do  auto,  porque  a  exigência  baseada  em  tal  espécie  de  presunção  é  incompatível com os princípios da legalidade estrita e com o da  tipicidade tributária.  DO ERRO DE DIREITO IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO  DO  CRITÉRIO  JURÍDICO  DA  LANÇAMENTO  A  importação  objeto  das  DIs  nºs  08/11976933,  09/01204603  e  08/11878575  fora  devidamente  desembaraçada,  já  ocorrendo  a  devida  homologação da importação realizada.  Nos  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação,  como  o  IPI, II, PIS, COFINS, entre outros, de que trata o artigo 150, do  C.T.N.,  a homologação não ocorre  somente  com a antecipação  do  pagamento,  mas  com  a  realização  de  atividade  prevista  na  legislação,  pelo  contribuinte,  por  meio  da  qual  a  autoridade  administrativa, tomando conhecimento de tal atividade exercida  pelo obrigado, expressamente a homologa.  Tendo  a  empresa  importadora  (NS  LOGÍSTICA  /  ARGOS  TRADING) declarado a natureza e qualidade das mercadorias  importadas,  e  se  a  autoridade  aduaneira  aceitou  o  critério  jurídico  adotado,  o  lançamento  é  definitivo,  somente  podendo  Fl. 599DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10314.720504/2011­21  Acórdão n.º 3403­002.198  S3­C4T3  Fl. 17            7 alterado  por  iniciativa  de  ofício  da  autoridade  administrativa,  nos casos previstos no artigo 149, do CTN.  Até  mesmo  nos  casos  de  reforma  da  orientação  favorável  ou  desfavorável,  a  vinculação  é  tão  estrita  que  a  administração  deve  honrar  o  entendimento  modificado  ou  alterado,  caso  o  tributo  pudesse  ser  cobrado,  conforme dispõe  o  artigo  146,  do  CTN.  Ou  seja,  segundo  o  artigo  146,  do  CTN,  não  é  possível  a  alteração do critério jurídico do lançamento por erro de direito  do contribuinte, não detectado pelo Fisco.  Se  a  autoridade  fiscal  não  se  insurgiu  contra  as  informações  prestadas  pela  empresa  importadora  (NS  LOGÍSTICA  /  ARGOS  TRADING)  no  momento  do  desembaraço  das  mercadorias  importadas  por  meio  das  DIs  08/11976933,  09/01204603  e  08/11878575,  não  pode,  posteriormente,  em  razão da mudança do critério jurídico do lançamento, ensejar a  revisão de  lançamento pretérito,  uma vez que,  com o despacho  aduaneiro  e  liberação  das  mercadorias  restaram  homologadas  as informações prestadas.  Para  que  a  autoridade  fiscal  pudesse  rever  de  ofício  o  lançamento  em  relação  a  fatos  pretéritos,  necessária  seria,  à  época da ocorrência dos desembaraços aduaneiros.  DA  INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA AUSÊNCIA DE DOLO,  FRAUDE OU MÁ FÉ.  No  caso  em  comento,  não  há  qualquer  possibilidade  de  configurar  a  "ocultação  do  sujeito  passivo,  do  real  vendedor,  comprador ou responsável pela operação".  Está  claro  que  o  importador  é  a  própria  NS  LOGÍSTICA  /  ARGOS TRADING  e,  assim,  também,  é  esta  o  sujeito  passivo  das decorrentes obrigações.  O  Impugnante,  portanto,  somente  figurou  como  adquirente  das  mercadorias  importadas  por  NS  LOGÍSTICA  /  ARGOS  TRADING, na modalidade importação por encomenda.  O  Impugnante,  durante  todo  o  procedimento  de  fiscalização,  informou,  inclusive  por  escrito,  ser  ele  o  real  adquirente  das  mercadorias no mercado interno.  Ademais,  para  corroborar  com  a  verdade  aqui  exposta,  restou  demonstrado  que  a  origem  dos  recursos  com  que  a  NS  LOGÍSTICA / ARGOS TRADING opera é da própria empresa,  afastando  qualquer  hipótese  de  simulação  que  enseja  a  aplicação  da  interposição  fraudulenta  e,  consequentemente,  da  aplicação da perda de perdimento.  Desse  modo,  quando  os  recursos  foram  comprovadamente  oriundos  da  NS  LOGÍSTICA  /  ARGOS  TRADING,  caberá,  tão  somente,  ao  importador  provar  o  regular  fechamento  da  operação,  inclusive com a justificativa dos motivos da ausência  Fl. 600DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO     8 da  identificação  do  encomendante  (no  caso  o  Impugnante).  Imputar  ao  impugnante  tal  obrigação  é  exigir  conhecimentos  técnicos de quem se presume não possuir, haja vista que se assim  não o fosse, faria por si mesmo, sem os custos da prestação dos  serviços de importação.  Dessa  forma,  conclui­se  que  com  as  provas  já  acostadas  ao  procedimento  administrativo,  o  Impugnante  comprovou  satisfatoriamente que a origem dos  recursos que garantiram as  importações  não  partiram  dele,  mas  sim  da  empresa  importadora,  conforme  mencionou  o  próprio  responsável  pela  NS LOGÍSTICA /ARGOS TRADING, de modo que a retenção  das  obras  importadas  e  a  decretação  de  seu  perdimento  importam  em  ofensa  a  seu  direito  as  obras,  garantido  pela  Constituição,  o  direito  de  propriedade  e,  ainda,  sua  perda  só  poderá se dar nos estritos casos previstos na própria Carta.  O  confisco,  caracterizado  no  presente  procedimento  fiscal,  é  a  mais  severa  das  penalidades  patrimoniais  e  exige,  obrigatoriamente,  a  certeza  quanto  à  ocorrência  da  infração,  não se podendo fundar em meras suspeitas ou presunções.  AUSÊNCIA  DE  DANO  AO  ERÁRIO  Quais  foram  os  supostos  benefícios para o Impugnante em razão do erro formal cometido  pela empresa importadora quando do preenchimento das DIs?  A  resposta  é  simples,  nenhum. Por  isso mesmo,  trata­se  de  um  mero  erro  formal,  que  nenhum  prejuízo  trouxe  ao  erário,  pois  todos  os  tributos  incidentes  na  importação  foram  devidamente  recolhidos.  Assim,  inexistindo qualquer dano ao erário, descaracterizada a  existência  de  má  fé  por  parte  do  Impugnante,  diante  das  circunstâncias  específicas  do  caso  em  comento,  descabida  a  aplicação da pena de perdimento do bem.  DA  RELEVAÇÃO  DA  PENA  DE  PERDIMENTO.  A  pena  de  perdimento aplicada deverá ser relevada, nos termos dos artigos  736  e  737  do  Decreto  n°  6.759  de  05.02.2009  Regulamento  Aduaneiro, uma vez que restou demonstrado à ausência de falta  de recolhimento de tributo ou, ainda, sua insuficiência, uma vez  que as mercadorias adentraram e foram devidamente tributadas.  Ademais, restou devidamente demonstrada a ausência de intuito  doloso e o erro formal no preenchimento da DI.  É  importante  ressaltar  que  o  Impugnante  preenche  todos  os  requisitos  exigidos  para  ser  relevada  a  pena  de  perdimento  aplicada, pois:  Será  a  primeira  vez  que  o  Impugnante  será  beneficiado;  As  obras  estão  a  disposição  da  D.  Fiscalização  (DIs  n°s  08/11976933, 09/01204603),  com  exceção  da  réplica  da  obra  Diamond  Divas  Catherine  Deneuve, a qual foi permutada com o Sr. SUM CHIA CHIM, por  06 (seis) obras colocadas a disposição da D.  Fiscalização (DI n° 08/11878575).  Fl. 601DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10314.720504/2011­21  Acórdão n.º 3403­002.198  S3­C4T3  Fl. 18            9 DA  IMPOSSIBILIDADE DA  FISCALIZAÇÃO ARBITRAR  SEM  EMBASAMENTO PROBATÓRIO O  VALOR DA  RÉPLICA DA  OBRA  IMPORTADA  ATRAVÉS  DA  DI  N°  08/11878575  A  Fiscalização  embasa  a  lavratura  dos  Autos  de  Infrações  na  existência de,  fortes  indícios de  que  o  valor  indicado na DI  n°  08/11878575,  no  valor  de  US$  500,01,  obra  adquirida  pelo  Impugnante fotografia "Diamond Divas Catherine Deneuve", do  artista plástico Vik Muniz, não condiz com o valor praticado no  mercado.  Isso  porque,  em  "pesquisa"  de mercado  arbitrou  que  a  obra  é  oferecida  /  comercializada  mundialmente,  com  valores  superiores aquele declarado pelo Importador.  E, ainda, concluiu que há fortes indícios de que a obra adquirida  no mercado interno pelo Impugnante  foi aquela comercializada  durante  o  leilão  da  Sothebys,  em  Milão,  na  Itália,  por  US$  104.036,00 de tamanho 102,2 cm x 81,9 cm.  A  obra  adquirida  pelo  impugnante  foi  uma  réplica  da  obra  original  da  fotografia  "plamond  plvas  catherine  deneuve",  do  artista plástico Vik Muniz, de tamanho 100 cm x 80 cm, por este  motivo, o valor é abaixo daquele praticado no mercado.  Pecou  pelo  equívoco  a  Fiscalização  ao  supor,  absurdamente,  que se trata da mesma obra comercializada durante o leilão da  Sotheby's,  em  Milão,  na  Itália,  por  US$  104.036,  DE  TAMANHO  102,2  CM X  81,9  CM  (FLS.  94),  tendo  em  vista  que  a  réplica  adquirida  pelo  Impugnante  tinha,  COM  EXATIDÃO,  100 CM X  80 CM  e,  de  fato,  foi  comercializada  por  volta  de  US$  500,01,  conforme  avaliação  das  réplicas  comercializadas no mercado. Inclusive, a medida de 102,2 CM X  81,9 CM da obra original, que difere as medidas da réplica, foi  confirmada  em  ofício  do  representante  da  Sotheby's  em  São  Paulo.  O trabalho fiscal, a bem da verdade, deixou de utilizar elementos  concretos  para suportar a acusação, omitindo­se,  inclusive,  em  verificar e anexar, ao processo administrativo, outros elementos  probantes,  restando  patente  que  a  utilização  da  presunção  no  presente  caso  arbitramento  de  valor  para  obra,  por  supor  a  compra  desta  no  leilão  realizado  pela  Sotheby's,  em Milão,  na  Itália, por US$ 104.036 quanto muito seria um mero indício de  irregularidade  que  deveria  ser  cuidadosamente  analisado  pela  Fiscalização  com  base  em  outros  elementos,  como  a  dimensão  da obra, técnica e possibilidade real de ser uma réplica.  A presunção juris tantum pode ser utilizada como um norte, um  rumo  a  ser  seguido  ou  como  um  instrumento  de  trabalho,  de  forma  que  sirva  como  uma  ferramenta  para  simples  exame  investigatório.  As  presunções  inicialmente  levantadas  não  foram  testadas  e,  contrario  sensu,  foram  assumidas  como  fundamento  para  uma  autuação fiscal.  Fl. 602DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO     10 Restou  cabalmente  prejudicado  os  Autos  de  Infrações  aqui  guerreados,  os  quais  tentaram  arbitrariamente  cobrar  do  Impugnante  o  recolhimento  da  diferença  entre  o  Imposto  de  Impostação;  PIS/PASEP  e  COFINS  na  importação  da  obra;  a  cobrança  da  multa  de  150%;  assim,  como,  a  pena  de  perdimento, convertida em multa do valor aduaneiro arbitrado.  Requer a integral procedência da presente Impugnação.  Às  fls.  488/  493  foi  juntado  Recurso  Voluntário  apresentado  por  ANA  LÚCIA PUGA DE LACERDA, sustentando à injustiça cometida à sua pessoa por meio de auto  de infração e da decisão de primeira instância que atribuí a JAIME LISBOA conduta contrária  à legislação quando da importação de uma replica do retrato de “Catherine Deneuve” através  da empresa NS Logística Ltda.  A  irresignação  centra  no  fato  dela,  Ana  Lúcia  Puga  de  Lacerda,  estar  sofrendo  com  essa  autuação  imprópria  da  imposição  fiscal,  por  imprópria  e  inexistente  solidariedade no caso deste procedimento administrativo que atribui a ela suposta tentativa de  elisão  fiscal.  Decisão  que  a  transformou  de  prestadora  de  serviços  de  consultoria  para  transportadora de obras de arte e intermediadora de compra de quadros no exterior.  Sustenta  que  não  prestou  qualquer  serviço  em  relação  aquisição  do  quadro  “Catherine Deneuve”, muito menos transporte e intermediação de compra da referida obra de  arte.  As  notas  fiscais  localizadas  pela  fiscalização  nenhum  vínculo  tem  com  a  aquisição  da  mencionada obra de arte, daí sustentar inexistência de solidariedade.  Em  grau  de  recurso  aduz  o  Recorrente  em  síntese:  que  não  se  trata  de  importação irregular com a finalidade de subfaturamento, cuja operacionalização foi realizada  em conformidade com a legislação, e, assim sendo, é regular, inexiste prova apta a sustentar a  motivação  do  lançamento  relativo  ocultação  da  obrigação mediante  dolo  e  simulação,  assim  como, não há que se  falar em  interposição  fraudulenta de  terceiros  e, por derradeiro diz que  toda  operação  foi  realizada  pela  empresa  NS  Logística  e  que  adquiriu  os  produtos  em  solo  brasileiro.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator.  Trata­se  de  recurso  tempestivo  e  atende  os  demais  pressupostos  de  admissibilidade, motivo pelo qual se toma conhecimento.  A discussão gira em  torno da  exigência  com arrimo em presunção  legal  de  que houve interposição fraudulenta. O recorrente, Jaime Acácio Lobo Lisboa sustenta que não  existiu  interposição  fraudulenta  e  que  as  operações  são  regulares  e  foram  efetivadas  por  empresa  autorizadas,  NS  Logística  Ltda.  Outra  Recorrente,  ANA  LÚCIA  PUGA  DE  LACERDA, debate para se livrar da figura da solidariedade lhe atribuída, sustentando que não  prestou qualquer trabalho de consultoria ao Sr. Jaime Lisboa em relação à aquisição do quadro  de  “Catherine  Deneuve”,  e,  as  notas  fiscais  mencionadas  pela  fiscalização  são  de  outros  trabalhos prestados e em nada vincula com aquisição acima mencionada.  Fl. 603DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10314.720504/2011­21  Acórdão n.º 3403­002.198  S3­C4T3  Fl. 19            11 A motivação da ação fiscal é decorrente de verificação de cessão de nome em  operações de comércio exterior por parte da empresa NS Logística Ltda. A situação delineada  pela  fiscalização  foi  de  que  as  obras  de  arte  importadas  por  meio  das  Declarações  de  Importação  nos  08/1197693­3  e  09/0120460­3  tiveram  a  pena  de  perdimento  substituída  por  multa  equivalente  ao  valor  aduaneiro  das  mercadorias  e  a  importada  pela DI  08/1187857­5  (obra  Diamond  Divas  –  Catherine  Deneuve)  o  preço  foi  arbitrado  em  razão  de  o  valor  declarado ser inferior ao preço de cotação nas casas de leilões.  A  fiscalização  ordena  o  raciocínio  para  concluir  que  tratou  de  operação  fraudulenta com intuito de acoberta o verdadeiro importador de modo metódico, primeiramente  comparou o número das Declarações de Importação constatou que os valores das notas fiscais  de entrada e de saída apresentadas pela  Importadora eram idênticos, não existindo acréscimo  sequer dos tributos incidentes na importação e muito menos margem de lucro.  De  modo  que,  os  bens  importados  foram  transferidos  ao  domínio  do  Recorrente, JAIME ACÁCIO LOBO LISB0A, pelo mesmo valor pago ao Exportador. Mesmo  assim  a  fiscalização  continuou  a  investigação  e  ouviu  o  depoimento  do  responsável  pela  empresa  Importadora,  NS  Logística  Ltda.,  o  Fabio  Czerkes  Santana,  que  confirmou  que  os  bens importados eram para o Recorrente, sendo esse o responsável pela aquisição e o câmbio, a  empresa apenas cuidava dos trâmites administrativos.  A  certeza  de  que  tratava  de  operação  maculada,  surge  por  meio  do  cruzamento  de  informações,  ao  catalogar  o  número  da  DI  e  a  descrição  da  mercadoria  importada ao nome indicado na lista fornecida à  fiscalização, constata por meio das datas de  entrada,  despacho  e  saída  da mercadoria,  praticamente,  entre  uma operação  e  outra  a  pouca  distância.  Com essas informações foi possível vincular o Senhor “JAMES ACÁCIO” a  duas  operações.  Conforme  se  verifica  do  relatório  fiscal  a  primeira  traz  uma  descrição  genérica. Na segunda, é possível identificar a obra: “Diamond Divas – Catherine Deneuve”, do  artista plástico Vik Muniz.  O Recorrente  se  limita  a  dizer  que  o  importador  é NS Logística Ltda.,  em  momento  algum  rebate  as  imputações  com  vigor,  até  porque  os  fatos  demonstrados  pela  fiscalização  vão  solidificando  o  indício  inicial  em  fato  concreto  entre  os  arrolados  destaca  leilão de peças idênticas, pelo Escritório de Arte James Lisboa conforme narrados às folhas 80  a 83, de propriedade do leiloeiro JAMES ARTHUR LOBO LISBOA, em 16/11/2009 em São  Paulo.  Consubstanciando  os  fatos  do  que  se  extraí  do  depoimento  do  Sr.  FABIO  CZERKES SANTANA,  a  fiscalização  à  época  das  importações  como  se  vê  às  folhas  120  a  126, revela mais detalhes da importação de obras de arte e confirma que a empresa importava  mercadorias para terceiros, conforme exposto a seguir (grifos nossos):    “PERGUNTA: Quem  fazia  o  pagamento  para  o  fornecedor  no  exterior? Como o pagamento era feito? Havia prazo para efetuá­ lo?  RESPOSTA: “No  tempo da ARGOS os pagamentos eram  feitos  por  fechamento  de  câmbio,  ou,  pelos  próprios  adquirentes  da  mercadoria”.  Fl. 604DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO     12 PERGUNTA:  Quem  negociava  com  os  fornecedores  estrangeiros?  RESPOSTA:  “Quando  as  mercadorias  eram  adquiridas  pela  empresa  o  negociador  era  o  Sr.  Fábio. Nos  casos  de  obras  de  arte pela Sra. Ana Lacerda, e ainda nas outras importações por  conta e ordem pelos próprios adquirentes”.  PERGUNTA: Como era  feito o contato com os adquirentes das  obras de arte no Brasil?  RESPOSTA: “No  tempo da ARGOS pela Sra. ANA LACERDA,  da AL CONSULTANCY”.  PERGUNTA:  A  ARGOS  TRADING  negociava  com  os  vendedores das obras de arte no exterior?  RESPOSTA: “Não”.  PERGUNTA:  A  NS  LOGÍSTICA  tinha  alguma  outra  fonte  de  receita,  além  da  obtida  com  a  venda  das  mercadorias  importadas? A empresa também prestava serviços? De que tipo?  RESPOSTA:  “Se  a  importação  por  encomenda  ou  conta  e  ordem for considerada serviço, há que se considerar que muitas  das  importações  foram  feitas  nesta  modalidade,  para  atender  PESSOAS FÍSICAS que não tinham cadastro no RADAR”.  PERGUNTA:  Por  que  os  valores  dos  extratos  bancários  não  coincidem com os valores das notas fiscais de saída?  RESPOSTA: “Como explicado, em operações de importação por  conta  e  ordem  o  preço  do  produto  era  pago  diretamente  pelo  adquirente,  recebendo a empresa apenas pelo “serviço”, o que  somava o valor total da nota de saída”.  A  senhora  Ana  Lúcia  Puga  de  Larcerda  em  depoimento  a  fiscalização  confirma  que  na  qualidade  de  consultora  de  obra  de  arte  orientou  o  sr.  Jaime Acácio  Lobo  Lisboa a importar as obras de arte aqui tratadas.  O  Recorrente  não  se  desincumbiu  de  contrariar  as  provas  de  que  a  obra  importada tratava­se de cópia autentica diante de declaração de uma das casas mais respeitadas  no mercado de arte, Sotheby's. Inclusive há forte demonstração nos autos de que obra parecida  foi leiloada em Milão, na Itália, por valor de US$ 104.036.  A  resistência  demonstrada  restou  em  torno  de  que  era  o  real  importador  e  efetuou  o  pagamento  justo  dos  tributos  por  se  tratar  de  uma  simples  réplica  de  valor  insignificante,  contra  demonstração  por  parte  do  fisco  com  arrimo  em  documento  de  que  tratava de peça de arte verdadeira com valor expressivo,  isto é, substancialmente superior ao  declarado.     Diante desses fatos o Recorrente não logrou êxito em provar de que o valor  declarado  as  autoridades  aduaneiras  estava  correto  com  o  preço  pago  ao  exportador,  daí  a  decisão recorrida não merecer qualquer reparo, mantendo­a intacta.  Fl. 605DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10314.720504/2011­21  Acórdão n.º 3403­002.198  S3­C4T3  Fl. 20            13 O mesmo não  se enxerga  em  face da Recorrente, ANA LÚCIA PUGA DE  LACERDA,  o  seu  nome  surge  com  o  depoimento  do  representante  da  NS  Logística/Argos  Trading, Sr. FABIO CZERKES SANTANA.  Em declaração diz que a orientação de importação e o acompanhamento eram  da senhora Ana Lúcia Puga de Lacerda. Para mim esse depoimento não é suficiente para lhe  imputar conduta maculadora capaz de atribuir a responsabilidade tributária.  Em  seu  depoimento  perante  a  fiscalização  disse  que  o  seu  trabalho  é  de  consultoria em obra de artes, e prestou seus serviços ao Sr. Jaime Accácio Lobo Lisboa, e, que  as notas fiscais emitidas para o Sr. Jaime Acácio se referiam importações do Estados Unidos da  América.  O Fisco não evidencia em momento algum qual  teria sido a participação da  consultora  que  pudesse  atribuir­lhe  uma  conduta  contraria  as  normas  tributárias  capazes  de  imputar a sujeição passiva.  Inexistindo evidência de que  a  senhora Ana Lúcia Puga de Lacerda  tivesse  participado  ativamente  no  sentido  de  ludibriar  o  fisco  aduaneiro  induzindo  o  seu  cliente  a  declarar  valor  inferior  ao  praticado,  não  vejo  nenhuma  conduta  capaz  de  vincular  ao  fato  gerador  praticado  pelo  verdadeiro  importador  das  obras  de  arte  aos  serviços  prestados  pela  consultora.  Cabia  a meu  ver  a  fiscalização  demonstrar  de modo  cabal  o  ilícito,  essa  é  atribuição da Autoridade Fiscal. O fato de se mencionar em depoimento de que a senhora Ana  Lúcia Puga de Lacerda era orientadora não é o bastante para afirmar a possibilidade de ela ser  enquadrada  como  contribuinte  pela  ocorrência  da  situação  de  fato  praticada  pelo  Sr.  Jaime  Accácio Lobo Lisboa, como se fosse comum a ambos.  Mesmo sabedor de que não necessita de previsão especifica para apontar os  devedores solidários, pois a doutrina entendem tratar­se de disposição do CTN de caráter geral  e aplica­se aos tributos existentes no sistema tributário, tenho certeza que essa solidariedade só  prospera quando reste demonstrado que a pessoa envolvida tinha interesse comum na situação  que constituiu o fato gerador.   Portanto, sem demonstração eficaz por parte do fisco de que existia interesse  comum, não consigo ver outra decisão do que o afastamento dessa solidariedade.  Em sendo assim, voto no sentido de negar provimento ao apelo do Sr. Jaime  Accácio Lobo Lisboa, e, acolher o recurso apresentado por Ana Lúcia Puga de Larcerda, por  ausência de prova de que ela tinha interesse comum na situação que constituiu o fato gerador.  É como voto.  Domingos de Sá Filho                Fl. 606DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO     14                 Fl. 607DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO

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Numero do processo: 10840.000918/2005-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.558
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva. RELATÓRIO Para elucidar os fatos ocorridos nos autos transcrevo o relatório do Acórdão refutado, in verbis: No presente processo foi proferido Acórdão nº 14-32.224, de 24 de janeiro de 2011, tornado nulo pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF - através de decisão proferida no Acórdão 3402-001535, de 06 de outubro de 2011, acolhendo preliminar de cerceamento de defesa solicitada pelo interessado em seu recurso voluntário, dispondo em sua parte final: “Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância produza uma nova decisão, analisando todos os fundamentos jurídicos relevantes apresentados na manifestação de inconformidade, em especial, a possibilidade de aproveitamento dos créditos referentes ao valor do serviço de transporte dos materiais utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e da cana colhida.” Tal voto foi decorrência do entendimento de que a alegação do interessado quanto ao creditamento das despesas de serviços de transporte de pessoas/mercadorias não foi devidamente tratada pela DRJ, no acórdão anulado, pois só tratou das despesas de combustível utilizado no referido transporte de pessoas/mercadorias. Passemos à análise do processo. Trata o presente processo de Declaração de Compensação com o aproveitamento de crédito da contribuição para a Cofins não-cumulativa, referente ao período de apuração janeiro/2005, no valor de R$ 66.486,17, fls.2/4. Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado, foi lavrado o termo de Informação Fiscal, fls. 33/35, onde se relata as divergências encontradas na apuração efetuada, quais sejam: a) Cálculo do crédito correspondente ao estoque de abertura. Cômputo indevido, no valor do estoque de abertura previsto no art. 12 da Lei nº 10.833, de 2003, de valores relativos a itens não previstos na legislação, conforme relação discriminada no Termo de Informação Fiscal, a saber: Cana-de-açúcar recebida de pessoa física, despesas de depreciação, energia elétrica, combustível(utilizado no plantio e transporte de cana-de-açúcar) despesas com mão-de-obra e encargos, assistência técnica, material de expediente, licenciamento de veículos, materiais de consumo, materiais de limpeza e higiene, materiais e equipamentos de segurança, material de expediente, prêmio de seguro, despesas de conservação e reparação de veículos, transporte de pessoal, manutenção elétrica, manutenção mecânica, construção civil, carpintaria, laboratórios, automação industrial, manutenção de entressafra. Foram considerados no cálculo do estoque de abertura somente os itens passíveis de crédito, tais como a aquisição de cana-de-açúcar de pessoas jurídicas, materiais secundários (produtos químicos), materiais de embalagem e combustíveis, conforme planilha anexada ás fls. 31. Tais glosas resultaram na redução do crédito para desconto da COFINS em 12 parcelas de R$ 44.212,24 para R$ 17.258,03. Após o cômputo dos valores, de acordo com as disposições legais, conforme planilha de fls. 32, concluiu que a empresa dispunha de saldo credor para a compensação, decorrente de exportações, no valor de R$ 18.554,23. Através do Despacho Decisório de fls. 36/37, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto, reconheceu o direito creditório da empresa ao valor apurado na Informação Fiscal, que aprovou, e homologou a compensação até o limite do referido crédito. Cientificado, o interessado, através da manifestação de inconformidade, fls.48/91, inicialmente descreve os fatos e os motivos da glosa e sobre as divergências encontradas que geraram a glosa do valor pretendido, alega em breve síntese, o seguinte: DECADÊNCIA Alega “... a ocorrência da decadência do prazo para o Fisco efetuar a glosa do saldo utilizado como crédito”, uma vez que foi cientificado do Despacho Decisório em prazo maior que cinco anos contados da data em que o crédito do contribuinte foi constituído. Concluiu que o indeferimento das compensações se deu com base única e exclusivamente na existência ou não do direito creditório do interessado e entende que a formação dos créditos no período de apuração equivale ao lançamento por homologação previsto no § 4º do artigo 150 do CTN e, assim, decorrido o prazo de cinco anos previsto nesse dispositivo legal, decai o direito do Fisco de efetuar glosas no valor apurado pelo contribuinte. PRIMADO CONSTITUCIONAL DA NÃO CUMULATIVIDADE Faz longa exposição a respeito do conceito constitucional da não cumulatividade pretendendo que os créditos sejam apurados sobre todas as despesas necessárias e/ou insumos incorridos para a formação das receitas tributáveis, “... sob o pressuposto lógico de que tais despesas/insumos, em relação às quais está se concedendo o crédito, foram outrora receita para a pessoa jurídica “da etapa anterior” e, por conseqüência, já foram tributadas pelo PIS e pela COFINS”. RATEIO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. Quanto ao rateio de custos, despesas e encargos, alega que interpretou corretamente o disposto nos §§ 7º e 8º, do art. 3º, da Lei nº 10/833, de 2003, utilizando-se do método de rateio proporcional; Destaca que a legislação determina a apuração da relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita total, “... sem especificar que qualquer um dos indicadores a ser utilizado no cálculo esteja, necessariamente, atrelado aos custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito da COFINS não cumulativa”. Entende que o conceito de receita bruta compreende receitas além daquelas advindas da venda de bens e serviços e que a lei não pretendeu que o cálculo do rateio de custos, despesas e encargos compreendesse apenas as receitas relacionadas à determinada atividade da empresa ou a receitas relacionadas aos custos, despesas e encargos que geram créditos da COFINS, e que interpretar o dispositivo legal de maneira diversa significa desnaturar a própria sistemática da não cumulatividade da COFINS. COMBUSTÍVEL UTILIZADO NO TRANSPORTE Quanto ao combustível utilizado no transporte, alega que na sua atividade de fabricação de álcool, açúcar e outros derivados de cana-de-açúcar é imprescindível a observância de todas as etapas, que abrangem o plantio, corte, carregamento, transporte, pesagem e amostragem, produção e distribuição e vendas dos produtos, e que o transporte de materiais utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e da cana colhida, caracteriza-se como uma despesa incorrida numa etapa da produção da empresa, cujo resultado será tributado pela COFINS e pelo PIS não cumulativa. Continua, alegando que a IN SRF nº 404, de 2004, restringiu o direito de aproveitamento de crédito sobre as despesas que formam a receita e limitou o conceito de insumo passível a gerar direito ao crédito previsto no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.833, de 2003, que transcreve. Assim, alega tal ato normativo extrapolou a previsão contida na lei. CRÉDITO PRESUMIDO - ESTOQUE DE ABERTURA Alega que os custos utilizados para a composição do crédito decorrente do estoque de abertura se relacionam a insumos ou materiais intermediários para a produção, e que a própria Receita Federal entende que o valor que deve ser levado em consideração e aquele constante dos registros contábeis, sem adições ou exclusões, à vista do disposto no art. 48, §§ 7º e 8º, da IN SRF nº 594, de 2005. Questiona as glosas efetuadas, uma vez que a legislação não diferenciou, para fins do cálculo do estoque de abertura, o tipo de custo incorrido pela pessoa jurídica, determinando a utilização da fórmula que considera “o valor do estoque constante nos registros contábeis, sem adições ou exclusões”. A seguir, destaca alguns itens em que considera que o direito ao crédito é mais evidente, a saber: (i) Transporte de pessoal, - Alega que as despesas em relação a esse item são essenciais para a atividade do interessado – a fabricação de açúcar álcool e outros produtos derivados – sendo imprescindível a observância de todas as etapas da atividade, abrangendo o plantio, carregamento, transporte, pesagem e amostragem, produção de açúcar e álcool, distribuição e venda desses produtos. Assim, não concorda com o entendimento do fisco no sentido de que não há amparo legal para considerar o combustível utilizado no transporte de apoio do plantio de cana-de-açúcar como insumo na produção dos produtos destinados à venda. Que o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 dá direito a considerar crédito todos os dispêndios (custos e despesas) da pessoa jurídica com vistas á geração de sua receita tributável e que o transporte dos materiais, trabalhadores, mudas e da cana colhida são atividades necessárias para a chegada da cana-de-açúcar à indústria, onde será processada. (ii) Despesas de depreciação - Alega que a Lei nº 10.865, de 2004, ofendeu o primado da não cumulatividade, o princípio da irretroatividade da norma tributária, da isonomia e livre concorrência, estes ao distinguir os contribuintes que adquiriram bens incorporados ao Ativo imobilizado antes de 01/05/2004, que não tem direito ao crédito referente à depreciação de amortização dos bens e os que adquiriram depois desta data, que tem direito a tal crédito. Critica a escolha da data – 01/05/2004 – para a entrada em vigor do direito ao crédito, pois não há qualquer correlação com as datas das leis que criaram a sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins, nem outro qualquer critério lógico. (iii) Despesas referentes à assistência técnica, material de expediente, materiais de consumo, materiais e equipamentos de segurança, manutenção elétrica, manutenção mecânica, automação industrial e manutenção de entressafra, - Alega que a Receita Federal, através da IN SRF nº 404, de 2004, restringiu o direito ao aproveitamento de crédito e limitou o conceito de insumo passível de gerar direito a crédito, fato repetido através de inúmeras Soluções de Consulta. Que tais restrições não estão de acordo com o primado constitucional da não cumulatividade do PIS e da Cofins e nem mesmo com o disposto na Lei nº 10.833, de 2003 e, assim, representam clara transgressão à sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins de forma plena, pois impedem o aproveitamento de créditos referentes à atividades essenciais do interessado para obter/manter o produto acabado em condições de pronta vendagem. Requer o reconhecimento integral do direito creditório pleiteado, a homologação das compensações declaradas e o cancelamento dos valores exigidos por meio de intimação. A 5ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14-39.314, de 23 de novembro de 2012, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2005 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. No caso de compensação, o prazo para a homologação é de cinco anos contados da entrega da declaração. Não é aplicável o prazo previsto no art. 150, § 4º, do CTN, pela inexistência de pagamento extinguindo o crédito tributário. Cientificado o interessado da não homologação da compensação dentro do prazo de cinco anos previsto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, legítima e legal a cobrança de eventuais saldos de créditos tributários. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 31/01/2005 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. PROPORCIONALIDADE. Na apuração da proporcionalidade entre a receita sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, considera-se esta como o total das receitas, cumulativa e não-cumulativa, que tenham custos, despesas e encargos comuns. CRÉDITO PRESUMIDO.COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8° e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação. DEDUÇÃO. INSUMOS. COMBUSTÍVEL E DEMAIS DESPESAS DE TRANSPORTE DE PESSOAS OU MERCADORIAS, NÃO UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Entende-se como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, a matéria-prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O combustível e as demais despesas com o transporte de pessoas ou mercadorias utilizadas em fases que não a fabricação do produto não podem ser consideradas como insumo, para efeito de dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal. DEDUÇÃO. INSUMOS - CRÉDITO DO ESTOQUE DE ABERTURA. Entende-se como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, relativamente ao estoque de abertura, a matéria-prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O sujeito passivo teve ciência desta nova decisão e apresentou novo recurso voluntário, onde alega, em breve síntese que: Ocorreu a decadência, na medida em que transcorreu mais de 05 (cinco) anos entre o levantamento do estoque de abertura e da recomposição da escrita fiscal e a intimação da glosa dos créditos; Deve ser afastada a equivocada noção restrita do conceito de insumos admitida no acórdão recorrido, o que deverá ser observado, inclusive, em relação aos montantes que compuseram o seu estoque de abertura; relata, ainda neste tocante, alguns insumos em que o direito creditório seria ainda mais evidente, tais como o transporte de pessoal, as despesas de depreciação, a assistência técnica, manutenção elétrica, etc; O procedimento adotado pelo contribuinte com relação ao rateio de custos, despesas e encargos foi o correto, inexistindo elementos que justifiquem a exclusão de parcela das receitas sujeitas a incidência não-cumulativa da Cofins desse cálculo; e As receitas decorrentes de complemento de exportação, estas devem ser consideradas como receitas de exportação e não como receitas financeiras, tal qual pretendem classificá-las as autoridades fiscais. Termina sua petição recursal requerendo a homologação das compensações pleiteadas. É o relatório. VOTO
Nome do relator: Não se aplica

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decisao_txt : RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva. RELATÓRIO Para elucidar os fatos ocorridos nos autos transcrevo o relatório do Acórdão refutado, in verbis: No presente processo foi proferido Acórdão nº 14-32.224, de 24 de janeiro de 2011, tornado nulo pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF - através de decisão proferida no Acórdão 3402-001535, de 06 de outubro de 2011, acolhendo preliminar de cerceamento de defesa solicitada pelo interessado em seu recurso voluntário, dispondo em sua parte final: “Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância produza uma nova decisão, analisando todos os fundamentos jurídicos relevantes apresentados na manifestação de inconformidade, em especial, a possibilidade de aproveitamento dos créditos referentes ao valor do serviço de transporte dos materiais utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e da cana colhida.” Tal voto foi decorrência do entendimento de que a alegação do interessado quanto ao creditamento das despesas de serviços de transporte de pessoas/mercadorias não foi devidamente tratada pela DRJ, no acórdão anulado, pois só tratou das despesas de combustível utilizado no referido transporte de pessoas/mercadorias. Passemos à análise do processo. Trata o presente processo de Declaração de Compensação com o aproveitamento de crédito da contribuição para a Cofins não-cumulativa, referente ao período de apuração janeiro/2005, no valor de R$ 66.486,17, fls.2/4. Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado, foi lavrado o termo de Informação Fiscal, fls. 33/35, onde se relata as divergências encontradas na apuração efetuada, quais sejam: a) Cálculo do crédito correspondente ao estoque de abertura. Cômputo indevido, no valor do estoque de abertura previsto no art. 12 da Lei nº 10.833, de 2003, de valores relativos a itens não previstos na legislação, conforme relação discriminada no Termo de Informação Fiscal, a saber: Cana-de-açúcar recebida de pessoa física, despesas de depreciação, energia elétrica, combustível(utilizado no plantio e transporte de cana-de-açúcar) despesas com mão-de-obra e encargos, assistência técnica, material de expediente, licenciamento de veículos, materiais de consumo, materiais de limpeza e higiene, materiais e equipamentos de segurança, material de expediente, prêmio de seguro, despesas de conservação e reparação de veículos, transporte de pessoal, manutenção elétrica, manutenção mecânica, construção civil, carpintaria, laboratórios, automação industrial, manutenção de entressafra. Foram considerados no cálculo do estoque de abertura somente os itens passíveis de crédito, tais como a aquisição de cana-de-açúcar de pessoas jurídicas, materiais secundários (produtos químicos), materiais de embalagem e combustíveis, conforme planilha anexada ás fls. 31. Tais glosas resultaram na redução do crédito para desconto da COFINS em 12 parcelas de R$ 44.212,24 para R$ 17.258,03. Após o cômputo dos valores, de acordo com as disposições legais, conforme planilha de fls. 32, concluiu que a empresa dispunha de saldo credor para a compensação, decorrente de exportações, no valor de R$ 18.554,23. Através do Despacho Decisório de fls. 36/37, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto, reconheceu o direito creditório da empresa ao valor apurado na Informação Fiscal, que aprovou, e homologou a compensação até o limite do referido crédito. Cientificado, o interessado, através da manifestação de inconformidade, fls.48/91, inicialmente descreve os fatos e os motivos da glosa e sobre as divergências encontradas que geraram a glosa do valor pretendido, alega em breve síntese, o seguinte: DECADÊNCIA Alega “... a ocorrência da decadência do prazo para o Fisco efetuar a glosa do saldo utilizado como crédito”, uma vez que foi cientificado do Despacho Decisório em prazo maior que cinco anos contados da data em que o crédito do contribuinte foi constituído. Concluiu que o indeferimento das compensações se deu com base única e exclusivamente na existência ou não do direito creditório do interessado e entende que a formação dos créditos no período de apuração equivale ao lançamento por homologação previsto no § 4º do artigo 150 do CTN e, assim, decorrido o prazo de cinco anos previsto nesse dispositivo legal, decai o direito do Fisco de efetuar glosas no valor apurado pelo contribuinte. PRIMADO CONSTITUCIONAL DA NÃO CUMULATIVIDADE Faz longa exposição a respeito do conceito constitucional da não cumulatividade pretendendo que os créditos sejam apurados sobre todas as despesas necessárias e/ou insumos incorridos para a formação das receitas tributáveis, “... sob o pressuposto lógico de que tais despesas/insumos, em relação às quais está se concedendo o crédito, foram outrora receita para a pessoa jurídica “da etapa anterior” e, por conseqüência, já foram tributadas pelo PIS e pela COFINS”. RATEIO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. Quanto ao rateio de custos, despesas e encargos, alega que interpretou corretamente o disposto nos §§ 7º e 8º, do art. 3º, da Lei nº 10/833, de 2003, utilizando-se do método de rateio proporcional; Destaca que a legislação determina a apuração da relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita total, “... sem especificar que qualquer um dos indicadores a ser utilizado no cálculo esteja, necessariamente, atrelado aos custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito da COFINS não cumulativa”. Entende que o conceito de receita bruta compreende receitas além daquelas advindas da venda de bens e serviços e que a lei não pretendeu que o cálculo do rateio de custos, despesas e encargos compreendesse apenas as receitas relacionadas à determinada atividade da empresa ou a receitas relacionadas aos custos, despesas e encargos que geram créditos da COFINS, e que interpretar o dispositivo legal de maneira diversa significa desnaturar a própria sistemática da não cumulatividade da COFINS. COMBUSTÍVEL UTILIZADO NO TRANSPORTE Quanto ao combustível utilizado no transporte, alega que na sua atividade de fabricação de álcool, açúcar e outros derivados de cana-de-açúcar é imprescindível a observância de todas as etapas, que abrangem o plantio, corte, carregamento, transporte, pesagem e amostragem, produção e distribuição e vendas dos produtos, e que o transporte de materiais utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e da cana colhida, caracteriza-se como uma despesa incorrida numa etapa da produção da empresa, cujo resultado será tributado pela COFINS e pelo PIS não cumulativa. Continua, alegando que a IN SRF nº 404, de 2004, restringiu o direito de aproveitamento de crédito sobre as despesas que formam a receita e limitou o conceito de insumo passível a gerar direito ao crédito previsto no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.833, de 2003, que transcreve. Assim, alega tal ato normativo extrapolou a previsão contida na lei. CRÉDITO PRESUMIDO - ESTOQUE DE ABERTURA Alega que os custos utilizados para a composição do crédito decorrente do estoque de abertura se relacionam a insumos ou materiais intermediários para a produção, e que a própria Receita Federal entende que o valor que deve ser levado em consideração e aquele constante dos registros contábeis, sem adições ou exclusões, à vista do disposto no art. 48, §§ 7º e 8º, da IN SRF nº 594, de 2005. Questiona as glosas efetuadas, uma vez que a legislação não diferenciou, para fins do cálculo do estoque de abertura, o tipo de custo incorrido pela pessoa jurídica, determinando a utilização da fórmula que considera “o valor do estoque constante nos registros contábeis, sem adições ou exclusões”. A seguir, destaca alguns itens em que considera que o direito ao crédito é mais evidente, a saber: (i) Transporte de pessoal, - Alega que as despesas em relação a esse item são essenciais para a atividade do interessado – a fabricação de açúcar álcool e outros produtos derivados – sendo imprescindível a observância de todas as etapas da atividade, abrangendo o plantio, carregamento, transporte, pesagem e amostragem, produção de açúcar e álcool, distribuição e venda desses produtos. Assim, não concorda com o entendimento do fisco no sentido de que não há amparo legal para considerar o combustível utilizado no transporte de apoio do plantio de cana-de-açúcar como insumo na produção dos produtos destinados à venda. Que o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 dá direito a considerar crédito todos os dispêndios (custos e despesas) da pessoa jurídica com vistas á geração de sua receita tributável e que o transporte dos materiais, trabalhadores, mudas e da cana colhida são atividades necessárias para a chegada da cana-de-açúcar à indústria, onde será processada. (ii) Despesas de depreciação - Alega que a Lei nº 10.865, de 2004, ofendeu o primado da não cumulatividade, o princípio da irretroatividade da norma tributária, da isonomia e livre concorrência, estes ao distinguir os contribuintes que adquiriram bens incorporados ao Ativo imobilizado antes de 01/05/2004, que não tem direito ao crédito referente à depreciação de amortização dos bens e os que adquiriram depois desta data, que tem direito a tal crédito. Critica a escolha da data – 01/05/2004 – para a entrada em vigor do direito ao crédito, pois não há qualquer correlação com as datas das leis que criaram a sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins, nem outro qualquer critério lógico. (iii) Despesas referentes à assistência técnica, material de expediente, materiais de consumo, materiais e equipamentos de segurança, manutenção elétrica, manutenção mecânica, automação industrial e manutenção de entressafra, - Alega que a Receita Federal, através da IN SRF nº 404, de 2004, restringiu o direito ao aproveitamento de crédito e limitou o conceito de insumo passível de gerar direito a crédito, fato repetido através de inúmeras Soluções de Consulta. Que tais restrições não estão de acordo com o primado constitucional da não cumulatividade do PIS e da Cofins e nem mesmo com o disposto na Lei nº 10.833, de 2003 e, assim, representam clara transgressão à sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins de forma plena, pois impedem o aproveitamento de créditos referentes à atividades essenciais do interessado para obter/manter o produto acabado em condições de pronta vendagem. Requer o reconhecimento integral do direito creditório pleiteado, a homologação das compensações declaradas e o cancelamento dos valores exigidos por meio de intimação. A 5ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14-39.314, de 23 de novembro de 2012, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2005 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. No caso de compensação, o prazo para a homologação é de cinco anos contados da entrega da declaração. Não é aplicável o prazo previsto no art. 150, § 4º, do CTN, pela inexistência de pagamento extinguindo o crédito tributário. Cientificado o interessado da não homologação da compensação dentro do prazo de cinco anos previsto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, legítima e legal a cobrança de eventuais saldos de créditos tributários. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 31/01/2005 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. PROPORCIONALIDADE. Na apuração da proporcionalidade entre a receita sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, considera-se esta como o total das receitas, cumulativa e não-cumulativa, que tenham custos, despesas e encargos comuns. CRÉDITO PRESUMIDO.COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8° e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação. DEDUÇÃO. INSUMOS. COMBUSTÍVEL E DEMAIS DESPESAS DE TRANSPORTE DE PESSOAS OU MERCADORIAS, NÃO UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Entende-se como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, a matéria-prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O combustível e as demais despesas com o transporte de pessoas ou mercadorias utilizadas em fases que não a fabricação do produto não podem ser consideradas como insumo, para efeito de dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal. DEDUÇÃO. INSUMOS - CRÉDITO DO ESTOQUE DE ABERTURA. Entende-se como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, relativamente ao estoque de abertura, a matéria-prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O sujeito passivo teve ciência desta nova decisão e apresentou novo recurso voluntário, onde alega, em breve síntese que: Ocorreu a decadência, na medida em que transcorreu mais de 05 (cinco) anos entre o levantamento do estoque de abertura e da recomposição da escrita fiscal e a intimação da glosa dos créditos; Deve ser afastada a equivocada noção restrita do conceito de insumos admitida no acórdão recorrido, o que deverá ser observado, inclusive, em relação aos montantes que compuseram o seu estoque de abertura; relata, ainda neste tocante, alguns insumos em que o direito creditório seria ainda mais evidente, tais como o transporte de pessoal, as despesas de depreciação, a assistência técnica, manutenção elétrica, etc; O procedimento adotado pelo contribuinte com relação ao rateio de custos, despesas e encargos foi o correto, inexistindo elementos que justifiquem a exclusão de parcela das receitas sujeitas a incidência não-cumulativa da Cofins desse cálculo; e As receitas decorrentes de complemento de exportação, estas devem ser consideradas como receitas de exportação e não como receitas financeiras, tal qual pretendem classificá-las as autoridades fiscais. 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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1219; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 100          1 99  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10840.000918/2005­33  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3402­000.558  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  24 de julho de 2013  Assunto  Solicitação de Diligência  Recorrente  USINA BELA VISTA S/A  Recorrida  DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP)     RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª  turma ordinária da Terceira Seção  de julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos  do voto do relator.    (assinado digitalmente)  GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto.        Participaram,  ainda,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  João  Carlos  Cassuli  Junior,  Silvia  de Brito Oliveira, Winderley Morais  Pereira,  Fernando  Luiz  da Gama  Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva.                   RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .0 00 91 8/ 20 05 -3 3 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000918/2005­33  Resolução nº  3402­000.558  S3­C4T2  Fl. 101          2 RELATÓRIO  Para  elucidar  os  fatos  ocorridos  nos  autos  transcrevo  o  relatório  do  Acórdão  refutado, in verbis:  No  presente  processo  foi  proferido  Acórdão  nº  14­32.224,  de  24  de  janeiro  de  2011,  tornado  nulo  pelo  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais  – CARF  ­  através  de  decisão  proferida  no Acórdão  3402­001535,  de  06  de  outubro  de  2011,  acolhendo  preliminar  de  cerceamento  de  defesa  solicitada  pelo  interessado  em  seu  recurso  voluntário, dispondo em sua parte final:  “Pelo  exposto,  voto  por  anular  o  acórdão  recorrido  para  que  a  primeira  instância  produza  uma  nova  decisão,  analisando  todos  os  fundamentos  jurídicos  relevantes  apresentados  na  manifestação  de  inconformidade,  em  especial,  a  possibilidade  de  aproveitamento  dos  créditos  referentes  ao  valor  do  serviço  de  transporte  dos  materiais  utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e  da cana colhida.”  Tal  voto  foi  decorrência  do  entendimento  de  que  a  alegação  do  interessado  quanto  ao  creditamento  das  despesas  de  serviços  de  transporte  de  pessoas/mercadorias  não  foi  devidamente  tratada  pela  DRJ, no acórdão anulado, pois só tratou das despesas de combustível  utilizado no referido transporte de pessoas/mercadorias.  Passemos à análise do processo.  Trata  o  presente  processo  de  Declaração  de  Compensação  com  o  aproveitamento  de  crédito  da  contribuição  para  a  Cofins  não­ cumulativa,  referente  ao  período  de  apuração  janeiro/2005,  no  valor  de R$ 66.486,17, fls.2/4.   Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado, foi lavrado o termo  de  Informação  Fiscal,  fls.  33/35,  onde  se  relata  as  divergências  encontradas na apuração efetuada, quais sejam:  a) Cálculo do crédito correspondente ao estoque de abertura.  Cômputo indevido, no valor do estoque de abertura previsto no art. 12  da Lei nº 10.833, de 2003, de valores relativos a itens não previstos na  legislação,  conforme  relação  discriminada  no  Termo  de  Informação  Fiscal, a saber:  Cana­de­açúcar  recebida  de  pessoa  física,  despesas  de  depreciação,  energia elétrica, combustível(utilizado no plantio e transporte de cana­ de­açúcar) despesas com mão­de­obra e encargos, assistência técnica,  material  de  expediente,  licenciamento  de  veículos,  materiais  de  consumo, materiais de limpeza e higiene, materiais e equipamentos de  segurança,  material  de  expediente,  prêmio  de  seguro,  despesas  de  conservação  e  reparação  de  veículos,  transporte  de  pessoal,  manutenção  elétrica,  manutenção  mecânica,  construção  civil,  carpintaria,  laboratórios,  automação  industrial,  manutenção  de  entressafra.  Fl. 285DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000918/2005­33  Resolução nº  3402­000.558  S3­C4T2  Fl. 102          3 Foram  considerados  no  cálculo  do  estoque  de  abertura  somente  os  itens passíveis de crédito, tais como a aquisição de cana­de­açúcar de  pessoas  jurídicas,  materiais  secundários  (produtos  químicos),  materiais de embalagem e combustíveis, conforme planilha anexada ás  fls. 31.  Tais  glosas  resultaram  na  redução  do  crédito  para  desconto  da  COFINS em 12 parcelas de R$ 44.212,24 para R$ 17.258,03.  Após  o  cômputo  dos  valores,  de  acordo  com  as  disposições  legais,  conforme planilha de fls. 32, concluiu que a empresa dispunha de saldo  credor para a compensação, decorrente de exportações, no valor de R$  18.554,23.  Através do Despacho Decisório de  fls. 36/37, a Delegacia da Receita  Federal do Brasil  em Ribeirão Preto,  reconheceu o direito  creditório  da  empresa  ao  valor  apurado  na  Informação  Fiscal,  que  aprovou,  e  homologou a compensação até o limite do referido crédito.  Cientificado,  o  interessado,  através  da  manifestação  de  inconformidade,  fls.48/91,  inicialmente descreve os  fatos e os motivos  da glosa e sobre as divergências encontradas que geraram a glosa do  valor pretendido, alega em breve síntese, o seguinte:  DECADÊNCIA  Alega “... a ocorrência da decadência do prazo para o Fisco efetuar a  glosa do saldo utilizado como crédito”, uma vez que foi cientificado do  Despacho Decisório em prazo maior que cinco anos contados da data  em que o crédito do contribuinte foi constituído.  Concluiu que o indeferimento das compensações se deu com base única  e  exclusivamente  na  existência  ou  não  do  direito  creditório  do  interessado  e  entende  que  a  formação  dos  créditos  no  período  de  apuração equivale ao lançamento por homologação previsto no § 4º do  artigo 150 do CTN e, assim, decorrido o prazo de cinco anos previsto  nesse  dispositivo  legal,  decai  o  direito  do Fisco  de  efetuar  glosas  no  valor apurado pelo contribuinte.  PRIMADO CONSTITUCIONAL DA NÃO CUMULATIVIDADE  Faz  longa  exposição  a  respeito  do  conceito  constitucional  da  não  cumulatividade  pretendendo  que  os  créditos  sejam  apurados  sobre  todas  as  despesas  necessárias  e/ou  insumos  incorridos  para  a  formação das receitas tributáveis, “... sob o pressuposto lógico de que  tais  despesas/insumos,  em  relação  às  quais  está  se  concedendo  o  crédito,  foram  outrora  receita  para  a  pessoa  jurídica  “da  etapa  anterior”  e,  por  conseqüência,  já  foram  tributadas  pelo  PIS  e  pela  COFINS”.  RATEIO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS.  Quanto ao rateio de custos, despesas e encargos, alega que interpretou  corretamente o disposto nos §§ 7º e 8º, do art. 3º, da Lei nº 10/833, de  2003, utilizando­se do método de rateio proporcional;  Fl. 286DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000918/2005­33  Resolução nº  3402­000.558  S3­C4T2  Fl. 103          4 Destaca que a legislação determina a apuração da relação percentual  existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a  receita  total,  “...  sem especificar  que  qualquer  um dos  indicadores  a  ser  utilizado  no  cálculo  esteja,  necessariamente,  atrelado  aos  custos,  despesas  e  encargos  que  dão  direito  ao  crédito  da  COFINS  não  cumulativa”.  Entende  que  o  conceito  de  receita  bruta  compreende  receitas  além  daquelas  advindas  da  venda  de  bens  e  serviços  e  que  a  lei  não  pretendeu  que  o  cálculo  do  rateio  de  custos,  despesas  e  encargos  compreendesse  apenas  as  receitas  relacionadas  à  determinada  atividade da empresa ou a receitas relacionadas aos custos, despesas e  encargos  que  geram  créditos  da  COFINS,  e  que  interpretar  o  dispositivo  legal  de  maneira  diversa  significa  desnaturar  a  própria  sistemática da não cumulatividade da COFINS.  COMBUSTÍVEL UTILIZADO NO TRANSPORTE  Quanto  ao  combustível  utilizado  no  transporte,  alega  que  na  sua  atividade de fabricação de álcool, açúcar e outros derivados de cana­ de­açúcar  é  imprescindível  a  observância  de  todas  as  etapas,  que  abrangem  o  plantio,  corte,  carregamento,  transporte,  pesagem  e  amostragem, produção e distribuição e  vendas dos produtos,  e que o  transporte  de  materiais  utilizados  no  plantio  e  cultivo  da  cana,  dos  trabalhadores, das mudas e da cana colhida, caracteriza­se como uma  despesa incorrida numa etapa da produção da empresa, cujo resultado  será tributado pela COFINS e pelo PIS não cumulativa.  Continua, alegando que a IN SRF nº 404, de 2004, restringiu o direito  de aproveitamento de crédito sobre as despesas que formam a receita e  limitou  o  conceito  de  insumo  passível  a  gerar  direito  ao  crédito  previsto no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.833, de 2003, que transcreve.  Assim, alega tal ato normativo extrapolou a previsão contida na lei.  CRÉDITO PRESUMIDO ­ ESTOQUE DE ABERTURA  Alega  que  os  custos  utilizados  para  a  composição  do  crédito  decorrente  do  estoque  de  abertura  se  relacionam  a  insumos  ou  materiais  intermediários  para  a  produção,  e  que  a  própria  Receita  Federal  entende  que  o  valor  que  deve  ser  levado  em  consideração  e  aquele constante dos registros contábeis, sem adições ou exclusões, à  vista do disposto no art. 48, §§ 7º e 8º, da IN SRF nº 594, de 2005.  Questiona  as  glosas  efetuadas,  uma  vez  que  a  legislação  não  diferenciou,  para  fins  do  cálculo  do  estoque  de  abertura,  o  tipo  de  custo  incorrido  pela  pessoa  jurídica,  determinando  a  utilização  da  fórmula  que  considera  “o  valor  do  estoque  constante  nos  registros  contábeis, sem adições ou exclusões”.  A  seguir,  destaca  alguns  itens  em  que  considera  que  o  direito  ao  crédito é mais evidente, a saber:  (i) Transporte de pessoal,  ­ Alega que as despesas em relação a esse  item são essenciais para a atividade do interessado – a fabricação de  açúcar  álcool  e  outros  produtos  derivados  –  sendo  imprescindível  a  observância  de  todas  as  etapas  da  atividade,  abrangendo  o  plantio,  Fl. 287DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000918/2005­33  Resolução nº  3402­000.558  S3­C4T2  Fl. 104          5 carregamento, transporte, pesagem e amostragem, produção de açúcar  e álcool, distribuição e venda desses produtos.  Assim,  não  concorda  com o  entendimento  do  fisco  no  sentido  de  que  não  há  amparo  legal  para  considerar  o  combustível  utilizado  no  transporte  de  apoio  do  plantio  de  cana­de­açúcar  como  insumo  na  produção dos produtos destinados à venda.  Que o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 dá direito a considerar crédito  todos os dispêndios (custos e despesas) da pessoa jurídica com vistas á  geração  de  sua  receita  tributável  e  que  o  transporte  dos  materiais,  trabalhadores,  mudas  e  da  cana  colhida  são  atividades  necessárias  para a chegada da cana­de­açúcar à indústria, onde será processada.  (ii)  Despesas  de  depreciação  ­  Alega  que  a  Lei  nº  10.865,  de  2004,  ofendeu  o  primado  da  não  cumulatividade,  o  princípio  da  irretroatividade da norma tributária, da isonomia e livre concorrência,  estes ao distinguir os contribuintes que adquiriram bens incorporados  ao  Ativo  imobilizado  antes  de  01/05/2004,  que  não  tem  direito  ao  crédito  referente  à  depreciação  de  amortização  dos  bens  e  os  que  adquiriram depois desta data, que tem direito a tal crédito.  Critica a escolha da data – 01/05/2004 – para a entrada em vigor do  direito ao crédito, pois não há qualquer correlação com as datas das  leis  que  criaram  a  sistemática  da  não  cumulatividade  do  PIS  e  da  Cofins, nem outro qualquer critério lógico.  (iii) Despesas referentes à assistência técnica, material de expediente,  materiais  de  consumo,  materiais  e  equipamentos  de  segurança,  manutenção  elétrica,  manutenção  mecânica,  automação  industrial  e  manutenção de entressafra, ­ Alega que a Receita Federal, através da  IN  SRF  nº  404,  de  2004,  restringiu  o  direito  ao  aproveitamento  de  crédito  e  limitou  o  conceito  de  insumo  passível  de  gerar  direito  a  crédito, fato repetido através de inúmeras Soluções de Consulta.  Que tais restrições não estão de acordo com o primado constitucional  da não cumulatividade do PIS e da Cofins e nem mesmo com o disposto  na Lei nº 10.833, de 2003 e, assim, representam clara  transgressão à  sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins de forma plena,  pois  impedem  o  aproveitamento  de  créditos  referentes  à  atividades  essenciais  do  interessado  para  obter/manter  o  produto  acabado  em  condições de pronta vendagem.  Requer  o  reconhecimento  integral  do  direito  creditório  pleiteado,  a  homologação  das  compensações  declaradas  e  o  cancelamento  dos  valores exigidos por meio de intimação.  A 5ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente  a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14­39.314, de 23 de novembro  de 2012, cuja ementa abaixo reproduzo:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 31/01/2005  COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.  Fl. 288DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000918/2005­33  Resolução nº  3402­000.558  S3­C4T2  Fl. 105          6 No caso de compensação, o prazo para a homologação é de cinco anos  contados da  entrega da declaração. Não é aplicável o prazo previsto  no art. 150, § 4º, do CTN, pela inexistência de pagamento extinguindo  o crédito tributário. Cientificado o interessado da não homologação da  compensação dentro do prazo de cinco anos previsto no art. 74 da Lei  nº 9.430, de 1996, legítima e legal a cobrança de eventuais saldos de  créditos tributários.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 31/01/2005  INCIDÊNCIA NÃO­CUMULATIVA. PROPORCIONALIDADE.  Na apuração da proporcionalidade entre a receita sujeita à incidência  não­cumulativa e a receita bruta total, considera­se esta como o total  das  receitas,  cumulativa  e  não­cumulativa,  que  tenham  custos,  despesas e encargos comuns.  CRÉDITO PRESUMIDO.COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.  O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts.  8° e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para  o  PIS/Pasep  e  Cofins  apuradas  no  regime  de  incidência  não  cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação.  DEDUÇÃO.  INSUMOS. COMBUSTÍVEL E DEMAIS DESPESAS DE  TRANSPORTE  DE  PESSOAS  OU  MERCADORIAS,  NÃO  UTILIZADOS  NA  FABRICAÇÃO  DO  PRODUTO.  FALTA  DE  PREVISÃO LEGAL.  Entende­se como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da  contribuição, a matéria­prima, o produto intermediário, o material de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o  desgaste, o dano ou a perda de propriedades  físicas ou químicas, em  função da ação diretamente  exercida  sobre o produto  em  fabricação,  desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado.  O  combustível  e  as  demais  despesas  com o  transporte  de  pessoas  ou  mercadorias utilizadas em fases que não a fabricação do produto não  podem ser consideradas como insumo, para efeito de dedução do valor  da contribuição apurada, por falta de previsão legal.  DEDUÇÃO. INSUMOS ­ CRÉDITO DO ESTOQUE DE ABERTURA.  Entende­se como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da  contribuição, relativamente ao estoque de abertura, a matéria­prima, o  produto  intermediário,  o  material  de  embalagem  e  quaisquer  outros  bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam  incluídas no ativo imobilizado.  O  sujeito  passivo  teve  ciência  desta  nova  decisão  e  apresentou  novo  recurso  voluntário, onde alega, em breve síntese que:  Fl. 289DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000918/2005­33  Resolução nº  3402­000.558  S3­C4T2  Fl. 106          7 a)  Ocorreu a decadência, na medida em que  transcorreu mais de  05 (cinco) anos entre o levantamento do estoque de abertura e  da  recomposição  da  escrita  fiscal  e  a  intimação  da  glosa  dos  créditos;  b)  Deve  ser  afastada  a  equivocada  noção  restrita  do  conceito  de  insumos  admitida  no  acórdão  recorrido,  o  que  deverá  ser  observado,  inclusive,  em  relação  aos  montantes  que  compuseram  o  seu  estoque  de  abertura;  relata,  ainda  neste  tocante, alguns insumos em que o direito creditório seria ainda  mais  evidente,  tais  como o  transporte de pessoal,  as despesas  de depreciação, a assistência técnica, manutenção elétrica, etc;  c)  O  procedimento  adotado  pelo  contribuinte  com  relação  ao  rateio de custos, despesas e encargos foi o correto, inexistindo  elementos  que  justifiquem  a  exclusão  de  parcela  das  receitas  sujeitas a incidência não­cumulativa da Cofins desse cálculo; e  d)  As  receitas  decorrentes  de  complemento  de  exportação,  estas  devem  ser  consideradas  como  receitas  de  exportação  e  não  como  receitas  financeiras,  tal  qual pretendem classificá­las  as  autoridades fiscais.  Termina  sua  petição  recursal  requerendo  a  homologação  das  compensações  pleiteadas.  É o relatório.      VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator.  A  impugnação  foi  apresentada  com observância  do  prazo  previsto,  bem como  dos  demais  requisitos  de  admissibilidade.  Sendo  assim,  dela  tomo  conhecimento  e  passo  a  apreciar.  A Autoridade  Fiscal  e  a Delegacia  de  Julgamento  partem  da  premissa  de  que  para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na  produção  ou  fabricação  do  bem. Conceito  parecido  com o  utilizado  pelo Parecer Normativo  CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. Com base nesta premissa glosou insumos que entendia  não se subsumirem a regra acima descrita.  Neste contexto foram glosados diversos itens a seguir elencados:  • Despesas de depreciação;  Fl. 290DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000918/2005­33  Resolução nº  3402­000.558  S3­C4T2  Fl. 107          8 • Energia elétrica;  • Despesas com mão­de­obra e encargos;  • Assistência técnica;  • Material de expediente;  • Licenciamento de veículos;  • Materiais de consumo;  • Materiais de limpeza e higiene;  • Materiais e equipamentos de segurança;  • Prêmio de Seguro;  • Despesas de conservação e reparação de veículos;  • Transporte de pessoal;  • Manutenção elétrica;  • Manutenção mecânica;  • Construção Civil;  • Carpintaria;  • Laboratórios;  • Automação Industrial;  • Manutenção de entressafra;.  Como é de conhecimentos de todos deste Colegiado, o conceito de insumo que  admito e que entendo utilizado pelo Legislador na apuração de créditos a serem descontados da  contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME  relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a  ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa.  Por  isso,  entendo  que  em  todo  processo  administrativo  que  envolver  créditos  referentes a não­cumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado  como  “insumos”  e  o  seu  envolvimento  no  processo  produtivo,  para  então  definir  a  possibilidade de aproveitamento do crédito.  Assim,  retornando  aos  autos,  tenho  que  este  processo  não  se  encontra  em  condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade  preparadora  para  que  seja  esclarecida  a  participação  de  cada  item  (“bem  ou  direito”)  acima  relacionado  no  processo  produtivo  da  empresa,  ainda  como,  que  seja  efetuado  descritivo  Fl. 291DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000918/2005­33  Resolução nº  3402­000.558  S3­C4T2  Fl. 108          9 minucioso do referido processo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e  direitos no processo produtivo, aquilatando sua participação em relação ao produto final.  Ao  efetuar  estas  constatações,  peço  que  a  autoridade  preparadora  elabore  um  parecer conclusivo que possibilite a identificar cada custo/despesa elencados, para fins de uma  análise  jurídica  deste  Colegiado,  quanto  à  participação  de  cada  bem  ou  direito  no  processo  produtivo do contribuinte em questão.  Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte,  abrindo­lhe o  prazo de trinta dias para, querendo, pronunciar­se sobre o feito.  Após  todos  os  procedimentos,  que  sejam  devolvidos  os  autos  ao  CARF  para  prosseguimento do rito processual.  É como voto.  Sala das Sessões, em 24/07/2013  GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO    Fl. 292DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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4941492 #
Numero do processo: 14751.720075/2011-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Constitui base de cálculo da contribuição social da empresa o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1508; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 755          1 754  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  14751.720075/2011­93  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­003.582  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de maio de 2013  Matéria  CONTRIBUINTE INDIVIDUAL  Recorrente  MUNICÍPIO DE CONDE ­ PREFEITURA MUNICIPAL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008  CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.  Constitui  base  de  cálculo  da  contribuição  social  da  empresa  o  total  das  remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos  segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.    Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator.   Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Cesar  Vieira  Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu  Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 72 00 75 /2 01 1- 93 Fl. 755DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES   2 Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  decisão  de  primeira  instância  que julgou procedente o lançamento para constituição de crédito tributário sobre valores pagos  a contribuintes individuais. O lançamento foi realizado em 30/06/2011. Seguem transcrições da  decisão recorrida:  Decisão recorrida  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008   Prova. Prazo. Preclusão.  As  provas  de  eventual  erro  no  lançamento  devem  ser  colacionadas pelo sujeito passivo no prazo da impugnação, sob  pena de preclusão, somente sendo admitidas extemporaneamente  em  caso  de  força maior,  fato  novo  ou  superveniente,  hipóteses  legais  cujas  ocorrências  não  restaram  demonstrada  pelo  impugnante.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido  ...  O contencioso se formou, em essência, em torno da possibilidade  de a  impugnante produzir provas, pertinentes a eventuais erros  do  lançamento,  com  conseqüente  retificações  de  GFIP,  após  esgotado o prazo legal da impugnação, bem como de incluir os  valores assim apurados em parcelamento especial.  Não há como deferir o pleito do sujeito passivo na matéria, pelas  razões que passamos a expor.  É  que  à  Administração  Pública  só  é  lícito  fazer  o  que  a  lei  autoriza  (concepção  ampliativa  do  princípio  da  legalidade  em  matéria de direito público).  Neste  sentido,  somente  há  respaldo  legal  para  concessão  de  dilação de prazo defensório, destinado à juntada de documentos,  quando comprovado pela impugnante motivo de força maior, ou  de  se  tratar  de  elementos  novos  ou  fatos  supervenientes,  que  impossibilitassem sua apresentação no prazo de impugnação que  lhe foi concedido.  Contra a decisão, a recorrente reitera suas alegações iniciais, ora transcritas:  I – que está recuperando as bases de dados para as necessárias  retificações  em  GFIP,  de  forma  individualizada  para  cada  empregado  e/ou  contribuinte  individual,  a  fim  de  promover  a  apuração  dos  valores  efetivamente  devidos  e  contestação  daqueles apurados pelo Fisco;  Fl. 756DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14751.720075/2011­93  Acórdão n.º 2402­003.582  S2­C4T2  Fl. 756          3 II  –  após  consolidação  e  retificação,  requer  sejam  os  valores  devidos incluídos no parcelamento especial da Lei n.º 11.960.  É o Relatório.    Fl. 757DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES   4 Voto             Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator  Atendidos  os  pressupostos  de  admissibilidade  do  recurso,  dele  conheço  e  passo ao seu exame.  De  fato,  a  recorrente  se  insurge  quanto  à  possibilidade  de  retificação  das  declarações apresentadas e requer o deferimento neste presente processo do direito de adesão  intempestiva ao parcelamento especial.  Quanto  à  primeira  questão,  desde  à  impugnação,  passando  pelo  recurso  voluntário, até o presente momento, quando decorridos quase dois anos, não juntou aos autos  nenhum documento que demonstrasse a correção da falta.  E,  ainda  que  o  fizesse,  não  é  objeto  deste  processo  a  autuação  pelo  descumprimento da obrigação de declarar as remunerações, mas pela falta de recolhimento das  contribuições previdenciárias.  Assim, não há o que se possa deferir em seu favor.  No mais,  conforme  apontado  pela  decisão  recorrida,  também  não  é  objeto  deste  processo  o  direito  ou  não  de  parcelamento  do  débito. Aqui  se  examina  a  correção  do  lançamento das contribuições, a fim de se apurar a certeza do crédito constituído.  A qualquer momento, é direito dos contribuintes buscarem a melhor forma de  regularizarem junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil seus débitos fiscais.  Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário.  É como voto.    Julio Cesar Vieira Gomes                              Fl. 758DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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