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Numero do processo: 10580.721040/2009-13
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA, POR FALTA DE ANÁLISE DA TESE DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE EM RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. RECURSO DE QUE SE CONHECE QUANTO A ESTE FUNDAMENTO.
Não tendo sido enfrentada a alegação de não incidência do IRPF sobre os juros moratórios decorrente do pagamento a destempo das verbas pagas pelo Estado da Bahia, é de se acrescer à decisão recorrida fundamentação no sentido do cabimento de tal tese.
JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS TRABALHISTAS PAGAS EM FUNÇÃO DE DECISÃO JUDICIAL. RECURSO ESPECIAL EDCL NO RESP 1227133 / RS, JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO.
Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça noS Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, proferido em 23 de novembro de 2011, não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62-A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo, pois os valores correspondem a pagamento de acréscimo de remuneração paga em função devida pelo trabalho de decisão judicial
Embargos acolhidos parcialmente com efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2802-001.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade ACOLHER EM PARTE os Embargos de Declaração para re-ratificar o acórdão 2802-001.067, de 29 de setembro de 2011, e excluir da tributação os valores de R$29.718,38, em cada um dos anos-calendários, discriminados como juros de mora, bem como a multa de ofício, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (relatora), German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Redator designado.
EDITADO EM: 19/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dayse Fernandes Leite Relatora), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello (Redator designado), Jaci de Assis Junior, Sidney Ferro Barros e German Alejandro San Martin Fernandez.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA, POR FALTA DE ANÁLISE DA TESE DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE EM RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. RECURSO DE QUE SE CONHECE QUANTO A ESTE FUNDAMENTO. Não tendo sido enfrentada a alegação de não incidência do IRPF sobre os juros moratórios decorrente do pagamento a destempo das verbas pagas pelo Estado da Bahia, é de se acrescer à decisão recorrida fundamentação no sentido do cabimento de tal tese. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS TRABALHISTAS PAGAS EM FUNÇÃO DE DECISÃO JUDICIAL. RECURSO ESPECIAL EDCL NO RESP 1227133 / RS, JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça noS Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, proferido em 23 de novembro de 2011, não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo, pois os valores correspondem a pagamento de acréscimo de remuneração paga em função devida pelo trabalho de decisão judicial Embargos acolhidos parcialmente com efeitos infringentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 10 40 /2 00 9- 13 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade ACOLHER EM PARTE os Embargos de Declaração para reratificar o acórdão 2802001.067, de 29 de setembro de 2011, e excluir da tributação os valores de R$29.718,38, em cada um dos anos calendários, discriminados como juros de mora, bem como a multa de ofício, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (relatora), German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Redator designado. EDITADO EM: 19/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dayse Fernandes Leite Relatora), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello (Redator designado), Jaci de Assis Junior, Sidney Ferro Barros e German Alejandro San Martin Fernandez. Relatório Tratam os autos de embargos de declaração interpostos por Maria Auxiliadora Campos Lobo Kraychete (fls. 281/293), em face do Acórdão 2802001.067, de 29 de setembro de 2011, fls. 81/86, de lavra desta relatora. No arrazoado, a embargante denuncia omissão/contradição no acórdão. Os fundamentos da denunciada omissão/contradição estão consubstanciados nos parágrafos, a saber: “No que tange à preliminar suscitada relativa `a falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado, esse tópico merece sim, data vênia, uma posição esclarecedora de V. Exa. No acórdão recorrido, a matéria em debate não é sequer ventilada, seno utilizado como argumento justificador que “a decisão colegiada de 1º grau enfrentou a infundada alegação sobre a ilegitimidade ativa da União Federal, ainda que de forma sucinta; portanto, é de se constatar que houve a sucinta, porém, suficiente abordagem, sendo desnecessário exigir do Fl. 317DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.721040/200913 Acórdão n.º 2802001.858 S2TE02 Fl. 11 3 órgão julgador fundamentação exaustiva, conforme pretendido”. (grifos nossos) Ora, E. julgadores, não se pode negar a importância da matéria trazida a baila pelo Recorrente, a qual não fora elucidada de maneira fundamentada pela decisão guerreada. Deve, portanto, tal preliminar ser analisada de forma exaustiva, esclarecendo todos os pontos atacados e não de forma suscinta, como fora realizado em primeira instância e mantido no acórdão em discussão. A questão da ilegitimidade da União e, sem dúvidas, questão de suma importância para deslinde do embate, devendo ser deferido tratamento com a sua situação. Impende destacar a necessidade de analisar os princípios e limites constitucionalmente impostos, delineando, de fato, a competência para enfrentar a presente demanda. Nessa senda, é imperioso realizar a análise de previsão constitucional referente à matéria, vez que esta irá fornecer os limites balizadores da aplicação da norma ao caso concreto. Portanto, não é cabível a análise meramente sucinta acerca do quanto alegado e reiterado pelo Recorrente. No mais repisa as alegações já abordadas na peça recursal. Voto Vencido Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora. A despeito da tempestividade, os embargos de declaração carecem de seus pressupostos de admissibilidade. Com efeito, devese observar que “cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65, do Anexo II, do RICARF). Nessa linha, obscuro é o acórdão que não explicita adequadamente os fundamentos da decisão e contraditório é aquele que tem fundamentos em oposição, total ou parcial, com sua decisão. O processo diz respeito à auto de infração lavrado devido à classificação indevida de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis.. O acórdão embargado, por unanimidade de votos rejeitou as preliminares e, no mérito, deu provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício. Na fase recursal, em preliminar recorrente solicita a reabertura em primeira instância, onde deve ser analisada e decidida a questão suscitada, relativa à falta de legitimidade ativa da União para cobrar suposto imposto de renda que por determinação Fl. 318DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 constitucional pertence ao Estado da Bahia, sob pena de supressão de instância administrativa, e violação dos dispositivos constitucionais alegados, o que acarretaria nulidade do presente processo administrativo tributário, devendo na primeira instância, ser reconhecida a ilegitimidade ativa da União para cobrar o suposto imposto de renda, que não foi objeto de retenção pelo Estado da Bahia e que seja anulado o lançamento que originou o crédito tributário que ora se discute e deslocado o julgamento desse litígio instaurado, para o âmbito da Fazenda Estadual. Ao apreciar a preliminar de ilegitimidade ativa da União Federal, trazida pelo recorrente, o acórdão embargado asseverou que tal preliminar foi suficiente abordada, na decisão de primeira instâncias e entendeu como sendo desnecessário exigir do órgão julgador fundamentação exaustiva, conforme pretendido. E, nessa conformidade, quando superou a preliminar de ilegitimidade ativa da União Federal, a decisão de primeira instância demonstrou suficientemente que a exigência contida nos autos se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Ainda, esclareceu que as nulidades argüidas sobre a decisão de primeira instância se repetiam nas razões do voluntário, de sorte a rejeitálas sob os mesmos argumento. Ora, o fato de o Acórdão embargado ter entendido que a preliminar de ilegitimidade ativa da União Federal,foi suficientemente combatida na decisão de primeira instância e adotar como razão de decidir os mesmos fundamentos nela contido, não pode ser visto como uma contradição ou obscuridade, a uma porque não há qualquer obscuridade no acórdão guerreado, que adotou como razão de decidir o mesmo entendimento explicitado, na decisão de primeira para a rejeição das preliminares argüidas pela recorrente; e a duas porque ao julgador cabe apreciar a questão de acordo com o que entender atinente à lide. Não está obrigado a julgar a questão conforme o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento (art. 131 do CPC) utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso. No caso em debate, a Turma entendeu que as matérias argüidas como preliminares pela contribuinte, foram suficientemente abordadas, na decisão de primeira instância. Daí não se pode, na via dos embargos, querer obrigar a Turma a decidir de acordo com o pleiteado pela parte. Esclarecida essa situação e mantido o mesmo entendimento do acórdão embargado, vêse claramente que não há qualquer obscuridade ou contradição no Acórdão nº. 2802001.067,de 29 de setembro de 2011, razão que me leva a declarar os embargos improcedentes, rejeitandoos de forma definitiva, (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Voto Vencedor Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Redator designado. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.721040/200913 Acórdão n.º 2802001.858 S2TE02 Fl. 12 5 Em que pese o judicioso voto da Conselheira Relatora, a quem presto minhas homenagens, dele ouso divergir em uma pequena parte, por entender que a questão veiculada pelo Embargante em seu Recurso Voluntário acerca da incidência do IRPF sobre os juros moratórios decorrente do pagamento a destempo das verbas pagas pelo Estado da Bahia não foi devidamente apreciada quando do julgamento do recurso voluntário do Embargante. Com efeito, o Embargante pede a expressa manifestação desta Turma sobre esta tese, citando inclusive entendimento jurisprudencial que possui efeitos normativos de efeitos vinculantes aos conselheiros do CARF, segundo o art. 62A do seu Regimento Interno. E neste sentido, nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça noS Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, proferido em 23 de novembro de 2011, Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543 C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo, pois os valores correspondem a pagamento de acréscimo de remuneração paga em função devida pelo trabalho de decisão judicial. Conforme a Lei Estadual que autorizou o pagamento das verbas decorrentes de diferenças na remuneração da Embargante, está expressamente consignado que o mesmo se dá em função de uma decisão em processo judicial, consoante consigna a Ementa do Acórdão embargado. Isto posto, voto no sentido de acolher em parte os Embargos, e excluir da tributação os valores de R$29.718,38, em cada um dos anoscalendários, discriminados como juros de mora, bem como a respectiva multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.000439/2003-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 14/11/2002
IPI. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO.
Demonstrado e provado nos autos que no trimestre, objeto do ressarcimento pleiteado, apurou-se saldo devedor do imposto e não credor, não há que se falar em ressarcimento/compensação.
IPI. SALDOS TRIMESTRAIS ACUMULADOS.
O ressarcimento dos saldos trimestrais acumulados é passível de restituição desde que demonstrada a certeza e liquidez dos saldos apurados para cada trimestre e que estes não foram objetos de outros pedidos.
RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. SALDOS TRIMESTRAIS ACUMULADOS. PRECLUSÃO.
A alteração do pedido de ressarcimento/compensação do saldo credor apurado para o 4º trimestre de 2004, inicialmente submetido e apreciado pela autoridade competente, para o total de saldos trimestrais acumulados em outros trimestres configura preclusão.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a apresentação de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3301-001.300
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2002 IPI. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. Demonstrado e provado nos autos que no trimestre, objeto do ressarcimento pleiteado, apurouse saldo devedor do imposto e não credor, não há que se falar em ressarcimento/compensação. IPI. SALDOS TRIMESTRAIS ACUMULADOS. O ressarcimento dos saldos trimestrais acumulados é passível de restituição desde que demonstrada a certeza e liquidez dos saldos apurados para cada trimestre e que estes não foram objetos de outros pedidos. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. SALDOS TRIMESTRAIS ACUMULADOS. PRECLUSÃO. A alteração do pedido de ressarcimento/compensação do saldo credor apurado para o 4º trimestre de 2004, inicialmente submetido e apreciado pela autoridade competente, para o total de saldos trimestrais acumulados em outros trimestres configura preclusão. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a apresentação de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram do presente julgamento: os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Belém que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou a compensação dos débitos fiscais de PIS e Cofins, vencidos na data de 14/11/2002, declarados na Declaração de Compensação (Dcomp), às fls. 04, protocolada em 20/01/2003, com créditos financeiros decorrentes do saldo credor do IPI apurado para o quarto trimestre de 2002. Por meio do despacho decisório às fls. 88/90, a DRF em Salvador não reconheceu o direito de a recorrente se ressarcir do crédito financeiro utilizado na Dcomp e não homologou a compensação dos débitos declarados sob o fundamento de que a apuração do IPI no referido trimestre apresentou saldo negativo de R$3.967,30 e não saldo credor. Cientificada do despacho decisório, inconformada a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 96/102), requerendo a sua reforma a fim de que fosse reconhecido o seu direito ao ressarcimento pleiteado e homologadas a compensação dos débitos fiscais declarados, alegando razões que foram assim resumidas por aquela DRJ: “a) O crédito objeto do pedido de ressarcimento ora examinado foi regularmente escriturado nos livros fiscais do contribuinte, especialmente no livro de apuração do IPI. b) A circunstância de ter sido o crédito de IPI acumulado em períodos anteriores não impede que se proceda à manutenção do aludido saldo credor na escrita fiscal, para em momento oportuno, ser objeto de compensação. c) Aduziu em seu favor os artigos 207 a 209 do Decreto n° 4.544/2002 e os artigos 14, § 2° e 21 da IN SRF 210/2002. d) As decisões nos processos judiciais mencionados pela autoridade fiscal não podem alterar o valor a ser ressarcido, levandose em conta que o mandado de segurança n° 2004.33.00.0170465 foi impetrado contra ato de cobrança das contribuições instituídas pela Lei n° 10.865/2004 (Pis importação e Cofmsimportação) em face dos fatos de importar produtos estrangeiros em 12.01.2004 e que o mandado de segurança n° 2004.33.00.0193414 foi impetrado contra ato de aplicação desigual das alíquotas de IPI em relação aos bens – Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.000439/200363 Acórdão n.º 330101.300 S3C3T1 Fl. 468 3 importados pelo contribuinte – que se destinavam à mesma finalidade. Além das circunstâncias de os objetos das lides não interferirem no valor do saldo credor do IPI, em virtude da natureza da matéria discutida judicialmente, verificase que os créditos tributários impugnados judicialmente teriam como fato gerador a importação realizada apenas em janeiro de 2004, posterior, portanto, ao período de apuração de crédito fiscal cujo pedido ocorrera em 31.12.2002.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 019.824, datado de 27/11/2007, às fls. 439/445, sob as seguintes ementas: “PEDIDO DE PERÍCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. TRIMESTRECALENDÁRIO. O ressarcimento autorizado pelo artigo 11 da Lei n° 9.779/1999 vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções autorizadas na legislação, o contribuinte poderá requerer ao Fisco, de forma definitiva, o ressarcimento dos referidos créditos ou compensálos. Na ausência de provas nos autos que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõese o indeferimento do pleito. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. DEPENDÊNCIA. A declaração de compensação só pode ser homologada em razão do deferimento dos correspondentes créditos em pedido de ressarcimento.” Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 451/464), requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça seu direito ao ressarcimento pleiteado e homologue a compensação dos débitos fiscais declarados, alegando, em síntese, que o fato de ter envolvido dois trimestres em um mesmo pedido não retira seu direito, haja vista que a Lei nº 9.779, de 1999, que autoriza o ressarcimento, assim como a INSRF nº 33, de 1999, não vedam tal prática. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A recorrente apresentou, 20/01/2003, o pedido às 01, pleiteando o ressarcimento do saldo credor do IPI apurado no 4º trimestre de 2002, no valor de R$213.955,63, cumulado com a Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 02, visando à homologação da compensação de débitos fiscais de PIS, no valor de R$33.115,40, e de Cofins, no valor de R$152.840,31, totalizando R$185.955,71, ambos vencidos em 14/11/2002. A DRF em Salvador não reconheceu seu direito ao ressarcimento pleiteado e, consequentemente, não homologou a compensação dos débitos fiscais declarados sob o fundamento de que, para aquele trimestre, ao invés do saldo credor reclamado, apurouse um saldo devedor, no valor de R$3.967,30, conforme comprovam os lançamentos no Livro de Registro e Apuração do IPI às fls. 48/85 e o demonstrativo constante do despacho decisório. A partir de então, a recorrente alterou, na manifestação de inconformidade, seu pedido de inicial, de ressarcimento/compensação do saldo credor do IPI apurado para o 4º trimestre de 2002, para saldos credores de trimestres anteriores, e, no recurso voluntário, para saldos de dois ou mais trimestres. Em ambas as inovações, a recorrente não demonstrou a quais períodos trimestrais correspondia o ressarcimento pleiteado, apenas informou que não fora apurado no 4º trimestre de 2002, objeto do pedido em discussão, mas em trimestres anteriores, sem, contudo identificálos e, ainda, demonstrar a apuração dos saldos de cada um dos trimestres. Realmente a Lei nº 9.779, de 19/01/1999, art. 11, nem a INSRF nº 33, de 04/03/1999, não veda o ressarcimento de saldos trimestrais acumulados, mas ambas determinam que o valor passível de ressarcimento/compensação é o saldo credor apurado em cada trimestre. O ressarcimento dos saldos trimestrais acumulados em um mesmo pedido é possível desde que sejam demonstradas a certeza e liquidez dos saldos de cada trimestre, mediante demonstrativos de débitos e créditos, acompanhados da documentação fiscal e contábil e, principalmente, seja submetido à autoridade administrativa competente a quem cabe analisar inicialmente o pedido. No presente caso, o pedido inicial submetido e analisado pela autoridade administrativa competente, ou seja, o Delegado da DRF em Salvador, foi o de ressarcimento do saldo credor apurado para o 4º trimestre de 2002. Qualquer inovação no pedido inicial deveria ser submetida àquela autoridade a quem cabe manifestar sobre os saldos credores apurados e reclamados para cada trimestre. A alteração do pedido inicial implicou preclusão lógica e consumativa que impedem a apreciação das inovações opostas nesta fase recursal. A lógica se configurou pela incompatibilidade de julgar nesta fase matéria não oposta nas fases anteriores, no caso o ressarcimento de outros períodos, não apreciado pelas autoridades, administrativa competente e julgadora de primeira instância. Já a consumativa pelo fato de a autoridade administrativa competente já ter indeferido o pedido de ressarcimento e a recorrente ter concordado com o seu fundamento, ou seja, a apuração de saldo devedor ao invés de credor. Dessa forma, demonstrado que no 4º trimestre de 2002, objeto do pedido de ressarcimento, foi apurado saldo devedor e não credor e, ainda, que, nesta fase recursal, Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.000439/200363 Acórdão n.º 330101.300 S3C3T1 Fl. 469 5 ocorreu a preclusão lógica e consumativa do direito de a recorrente exercer seu direito, em relação a outros trimestres, não se toma conhecimento das razões de mérito inovadas. Quanto à homologação das compensações, nos termos da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, esta depende da certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados na Dcomp. No presente caso, conforme demonstrado, a recorrente não dispunha do ressarcimento declarado como crédito financeiro na Dcomp em análise. Assim não há que se falar em homologação da compensação dos débitos fiscais declarados. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, nego provimento ao presente recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10380.723785/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
OMISSÃO DE RECEITAS. CONVÊNIO ENTRE ÓRGÃOS FAZENDÁRIOS. LEGALIDADE. É legal a troca de informações fiscais entre órgãos fazendários por intermédio de convênios firmados. Configura-se omissão de receitas a constatação de receitas tributáveis não declaradas junto ao fisco federal, por intermédio de informações prestadas pelo próprio sujeito passivo ao fisco estadual.
PROVA EMPRESTADA. A utilização de informações prestadas pelo próprio sujeito passivo ao fisco estadual por convênio de cooperação não se configura como prova emprestada.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SÚMULA N. 2 DO CARF. A alegação de que a multa de ofício qualificada em 150% sobre o valor do tributo é confiscatória, desproporcional e irrazoável exige a análise de inconstitucionalidade da lei tributária. A Súmula n. 2 do CARF veda a análise de inconstitucionalidade da lei tributária, não podendo o CARF se pronunciar sobre a matéria.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. LEGALIDADE. A conduta de declarar apenas 5,8% das suas receitas caracteriza sonegação dolosa, sendo cabível a aplicação de multa de ofício qualificada em 150%, nos termos do art. 44 da Lei n. 9.430/96.
Numero da decisão: 1302-001.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
(assinado digitalmente)
MÁRCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
EDITADO EM: 15/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Alberto Pinto Souza Junior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Cristiane Silva Costa, Marcio Rodrigo Frizzo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. CONVÊNIO ENTRE ÓRGÃOS FAZENDÁRIOS. LEGALIDADE. É legal a troca de informações fiscais entre órgãos fazendários por intermédio de convênios firmados. Configura-se omissão de receitas a constatação de receitas tributáveis não declaradas junto ao fisco federal, por intermédio de informações prestadas pelo próprio sujeito passivo ao fisco estadual. PROVA EMPRESTADA. A utilização de informações prestadas pelo próprio sujeito passivo ao fisco estadual por convênio de cooperação não se configura como prova emprestada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SÚMULA N. 2 DO CARF. A alegação de que a multa de ofício qualificada em 150% sobre o valor do tributo é confiscatória, desproporcional e irrazoável exige a análise de inconstitucionalidade da lei tributária. A Súmula n. 2 do CARF veda a análise de inconstitucionalidade da lei tributária, não podendo o CARF se pronunciar sobre a matéria. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. LEGALIDADE. A conduta de declarar apenas 5,8% das suas receitas caracteriza sonegação dolosa, sendo cabível a aplicação de multa de ofício qualificada em 150%, nos termos do art. 44 da Lei n. 9.430/96.
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CONVÊNIO ENTRE ÓRGÃOS FAZENDÁRIOS. LEGALIDADE. É legal a troca de informações fiscais entre órgãos fazendários por intermédio de convênios firmados. Configurase omissão de receitas a constatação de receitas tributáveis não declaradas junto ao fisco federal, por intermédio de informações prestadas pelo próprio sujeito passivo ao fisco estadual. PROVA EMPRESTADA. A utilização de informações prestadas pelo próprio sujeito passivo ao fisco estadual por convênio de cooperação não se configura como prova emprestada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SÚMULA N. 2 DO CARF. A alegação de que a multa de ofício qualificada em 150% sobre o valor do tributo é confiscatória, desproporcional e irrazoável exige a análise de inconstitucionalidade da lei tributária. A Súmula n. 2 do CARF veda a análise de inconstitucionalidade da lei tributária, não podendo o CARF se pronunciar sobre a matéria. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. LEGALIDADE. A conduta de declarar apenas 5,8% das suas receitas caracteriza sonegação dolosa, sendo cabível a aplicação de multa de ofício qualificada em 150%, nos termos do art. 44 da Lei n. 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 37 85 /2 01 2- 61 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 2 EDUARDO DE ANDRADE Presidente. (assinado digitalmente) MÁRCIO RODRIGO FRIZZO Relator. EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Alberto Pinto Souza Junior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Cristiane Silva Costa, Marcio Rodrigo Frizzo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10380.723785/201261 Acórdão n.º 1302001.139 S1C3T2 Fl. 260 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por MANOEL MULATO MACEDO, em face do acórdão nº 0823.798 da DRJ/FOR (fls. 205/217), proferido em processo administrativo que trata de lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, ano calendário 2008. As atuações foram efetuadas por meio dos Autos de Infração constantes no processo administrativo (fls. 2/48), nos valores abaixo demonstrados: Tributo Principal Juros de Mora Multa Total IRPJ R$ 154.801,22 R$ 55.726,15 R$ 232.201,85 R$ 442.729,22 CSLL R$ 95.464,66 R$ 34.363,63 R$ 143.197,00 R$ 273.025,29 COFINS R$ 265.179,57 R$ 98.234,44 R$ 397.769,38 R$ 761.183,39 PIS R$ 57.455,57 R$ 21.284,12 R$ 86.183,38 R$ 164.923,07 Os Autos de Infração foram lavrados em face da constatação de: i) omissão de receitas da atividade – receita bruta mensal na revenda de mercadorias (IRPJ); ii) omissão de receita – falta de recolhimento da CSLL devida sobre receitas da atividade omitidas (CSLL); iii) incidência cumulativa padrão – omissão de receita sujeita à COFINS; e iv) incidência cumulativa padrão – omissão de receita sujeita à contribuição para o PIS/PASEP. i) Da omissão de receita Do relatório fiscal (fls. 49/50), a recorrente apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (anocalendário: 2008) (fls. 88/103) com receita bruta no valor de R$ 525.750,98. Todavia, de acordo com as informações da Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará – SEFAZ/CE, existem notas fiscais de revenda de mercadorias, emitidas pela recorrente (anocalendário: 2008), no montante de R$ 9.091.174,80. Sendo assim, a recorrente declarou apenas 5,8% das suas receitas à administração tributária federal, ou seja, omitiu receitas tributáveis, razão pela qual o AFRFB lavrou os autos de infração do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, aplicando multa qualificada de 150% (art. 44, § 1º, Lei n. 9.430/96): [...] A presente fiscalização foi programada na “Operação Fiscal 91222 – Cruzamento de informações com outros fiscos congêneres – VENDAS”, com o objetivo de verificar indícios de omissão de receitas, uma vez que a fiscalizada, optante pelo lucro presumido, apresentou sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ do ano calendário de 2008, com receita bruta no valor de R$ 525.750,98, ao passo que, informações provenientes da Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará – SEFAZ/CE dão conta da existência de notas fiscais de revenda de mercadorias, Fl. 262DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 4 emitidas pela fiscalizada no referido ano, no montante de R$ 9.091.174,80. Em relação ao rol de notas fiscais de saídas oriundas do banco de dados da SEFAZ/CE, é de se observar a grandeza de detalhes das mesmas: numeração individualizada, data de emissão, valor total e Códigos Fiscais de Operações e Prestações – CFOP: 5102 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros e 5104 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros efetuada fora do estabelecimento. É o que se infere ao analisar o “Demonstrativo de Notas Fiscais de Saídas Ano 2008”, em anexo, realizado pela fiscalização com base no citado banco de dados, onde se revela que as saídas de mercadorias se deram a título de revenda, constituindose em receitas tributáveis, mormente em se tratando de apuração pelo regime de lucro presumido, regime este que utiliza a receita bruta como parâmetro de apuração das bases de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, na forma da legislação pertinente. Em razão dessas constatações, impõese a formalização dos lançamentos tributários devidos, observandose o regime de lucro presumido adotado pela fiscalizada na sua DIPJ, tendo por base a receita bruta conhecida a partir das notas fiscais de revenda de mercadorias emitidas pela fiscalizada e informadas à SEFAZ/CE, conforme “Demonstrativo de Notas Fiscais de Saídas Ano 2008”, em anexo, cabendo a dedução dos tributos já recolhidos ou declarados em DCTF espontaneamente pela empresa. Por fim, fazemos registrar que sobre os tributos lançados contra a empresa, cabe a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, § 1º, da Lei 9430/96, uma vez que a conduta de seu titular, de declarar ao Fisco Federal apenas 5,8% das suas receitas, revela o intuito sonegatório por ele perpetrado, conforme preconizado no art. 71 da Lei 4502/64, que define sonegação como sendo a conduta dolosa tendente a retardar local ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. A recorrente apresentou impugnação (fls. 174/184) ventilando, em resumo, os seguintes argumentos a seu favor: (i) O lançamento é nulo por erro na identificação do sujeito passivo, pois como se comprova, a firma individual foi baixada em 2009 e o lançamento deveria ter sido dirigido ao seu titular; (ii) A ação fiscal foi instruída exclusivamente com base na documentação utilizada para fins de controle do ICMS. Houve aproveitamento de provas contidas junto ao Fisco Estadual. O teor contido naqueles documentos não foi revelado em sua plenitude pela autoridade fiscal; (iii) A denominada “prova emprestada”, relativamente à sua serventia, encontra intransponíveis limites. Um deles é a proibição de se transportar apenas as conclusões delas provenientes; Fl. 263DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10380.723785/201261 Acórdão n.º 1302001.139 S1C3T2 Fl. 261 5 (iv) O Fiscal adquiriu conclusões manifestadas no Relatório SEFAZCE, para fins de configurar a realização de operações mercantis de compra e venda de mercadorias, sem carrear outros elementos que comprovassem a pretendida omissão nos domínios da COFINS e do PIS. (v) A firma autuada comercializava, dentre outros produtos, queijos que, por definição legal, tiveram alíquota de PIS e COFINS reduzidas a zero; (vi) O agente administrativo, ao proceder à lavratura do auto de infração, precisa demonstrar, de forma cabal, que as condutas tomadas como violadoras da legislação tributária contêm todos os aspectos expressamente descritos na lei fiscal; (vii) Não restou devidamente demonstrada a presença da omissão de receitas inerentes ao tipo infracional proposto pela autoridade fiscal [cita ementas de julgados].; (viii) Houve falta de compensação de tributos já pagos: foi compensado pelo autuante a quantia de R$ 3.022,28, porém, pelo simples cálculo aritmético podese deduzir que o valor recolhido pelo contribuinte foi de R$ 6.309,01 (525.750,98 X 8% X 15%), representando o valor oferecido à tributação, multiplicado pelo percentual de presunção do lucro multiplicado pela alíquota do imposto; (ix) A falta das deduções descritas acima se repete para todos os tributos exigidos no lançamento; (x) A penalidade pecuniária à razão de 150% representa multa confiscatória, o que enseja o efeito de confisco tributário defeso na Carta Magna (art. 150, inciso IV); (xi) A taxa SELIC malfere o disposto no parágrafo 1º do artigo 161 do CTN e parágrafo 3º do artigo 192 da Constituição da Republica. A 4a Turma da DRJ/FOR, por unanimidade, julgou procedente em parte a impugnação, para descontar as verbas recolhidas pela recorrente disponíveis para utilização (fls. 193/204), e manter os autos de infração sobre os valores remanescentes, proferindo o Acórdão nº 0823.798 (fls. 205/217), com a ementa seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2008 PROVA OBTIDA POR MEIO DE CONVÊNIO ENTRE AS FAZENDAS PÚBLICAS. As informações confessadas ao fisco estadual pelo sujeito passivo podem embasar o lançamento de tributos federais quando houver convênio que estabeleça a permuta de informações econômicofiscais entre o fisco estadual e o federal. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 6 PAGAMENTOS. DEDUÇÃO. APURAÇÃO DO VALOR DEVIDO. No cálculo das exigências apuradas no auto de infração devem ser deduzidos os pagamentos realizados para a quitação do tributo correspondente. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2008 COFINS. PIS. RECEITA. BASE DE CÁLCULO. Cabe ao sujeito passivo a comprovação da existência de valores que devam ser excluídos da base de cálculo do tributo lançado, nas situações onde ocorra tributação concentrada, isenta ou com alíquota zero. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. COFINS. PIS. CSLL. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais somente produzem efeito vinculante no âmbito do processo administrativo fiscal quando houver súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal STF, se a norma vigente tiver sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, ou se assim estiverem classificadas no Parecer PGFN nº 2.025, de 2011. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelo CARF, exceto suas Súmulas Vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A multa exigida nos estritos limites do que é previsto em lei não tem caráter confiscatório nem fere a capacidade contribuitiva do Sujeito Passivo. JUROS. SELIC. O índice usado para cálculo dos juros de mora decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastá lo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 265DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10380.723785/201261 Acórdão n.º 1302001.139 S1C3T2 Fl. 262 7 Em 02/10/2012, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância (fl. 235), tendo interposto recurso voluntário (fls. 237/253), basicamente, a recorrente repisou os argumentos expostos em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 8 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. DAS ALEGAÇÕES DE MÉRITO 1. 1. Da omissão de receitas A recorrente alega que comercializava produtos não tributados pelo PIS e pela COFINS; que o arbitramento da receita bruta da recorrente, realizado pela autoridade fiscal, deixou de considerar a natureza destes produtos; que não houve de modo adequado o cotejo das informações disponibilizadas pela SEFAZ/CE; que é proibido transportar apenas as conclusões das provas emprestadas e que não restou devidamente demonstrada a presença da omissão de receitas inerentes ao tipo infracional proposto pela autoridade fiscal. Não lhe assiste razão. Primeiramente, entendo que restou configurado a omissão de receitas, uma vez que, conforme consta no termo de verificação fiscal, no anocalendário: 2008, a recorrente declarou ao fisco federal o valor de R$ 525.750,98 como receita bruta e, de acordo com as informações do fisco estadual, constatouse a existência de notas fiscais de saída de mercadorias, emitidas pela própria recorrente no referido ano, no montante de R$ 9.091.174 80. Como muito bem fundamentado pela 4ª Turma da DRJ/FOR, é legal a troca de informações fiscais entre órgãos fazendários por intermédio de lei ou convênio, nos termos do art. 199 do Código Tributário Nacional: Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio. (grifo não original). E, no caso, com fulcro no art. 199 do Código Tributário Nacional e na Instrução Normativa SRF nº 20, de 17 de fevereiro de 1998, firmouse Convênio de Cooperação Técnica, em 04/11/1998, entre a Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Fazenda do Estado do Ceará, a fim de realizar o intercâmbio de informações economicofiscais e a prestação de mútua assistência na fiscalização tributária. Destarte, como fundamentado pela 4ª Turma da DRJ/FOR, não há que se falar em prova emprestada, pois, o referido convênio “coloca sob um mesmo manto as informações coletadas por ambos os entes tributantes”. Nesse sentido, é o entendimento deste CARF: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10380.723785/201261 Acórdão n.º 1302001.139 S1C3T2 Fl. 263 9 [...] PROVA EMPRESTADA. Não ocorre a denominada prova emprestada quando não há utilização de prova produzida em outro processo. No caso presente, para o anocalendário 2001, ocorreu a utilização de informações prestadas pelo próprio sujeito passivo ao Fisco Estadual, conforme previsão em convênio de cooperação. [...] (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Terceira Câmara/Primeira Seção de Julgamento, Processo n. 10830.007752/200767, Acórdão n. 130200.302, Recurso Voluntário, Relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Sessão em 20.05.2010). Ademais, insta salientar que as informações fornecidas pelo fisco estadual foram declaradas pela própria recorrente. Logo, a apuração da receita bruta da recorrente, no anocalendário de 2008, realizado pelo AFRFB foi correta, uma vez que se utilizou dos valores das vendas informadas pela própria recorrente, conforme demonstrativo de notas fiscais de saídas (fls. 51/73). Nesse sentido, é o entendimento deste CARF: [...] OMISSÃO DE RECEITAS. É correta a tributação de receitas não declaradas ao Fisco Federal, apuradas a partir do Livro de Registro de Saídas e da Declaração e Apuração Mensal do ICMS DMA. PROVA. RECEITA INFORMADA EM LIVROS FISCAIS E DECLARADA AO FISCO ESTADUAL. A receita informada em livros fiscais, ainda que para fins de declaração do ICMS ao fisco estadual, pode ser utilizada como base de cálculo para o lançamento do Simples, tendo em vista a presunção de veracidade da escrituração fiscal. [...] (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Terceira Câmara / Primeira Seção de Julgamento, Processo n. 10530.003531/200885, Acórdão n. 1302000.491, Recurso Voluntário, Relator: EDUARDO DE ANDRADE, Sessão em 22.02.2011). . (grifo não original). [...] RECEITA. APURAÇÃO. INFORMAÇÃO PRESTADA AO FISCO ESTADUAL. PROCEDÊNCIA. A SIMPLES ALEGAÇÃO DE QUE AS RECEITAS APURADAS PELA AUTORIDADE FISCAL NÃO FORAM AUFERIDAS, DESPROVIDA DE ELEMENTOS COMPLEMENTARES CAPAZES DE INDICAR A INCONSISTÊNCIA DOS MONTANTES LEVANTADOS, NÃO TEM O CONDÃO DE AFASTAR A PRETENSÃO DO FISCO. NO CASO VERTENTE, EM QUE AS RECEITAS FORAM IDENTIFICADAS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA PRÓPRIA CONTRIBUINTE AO FISCO ESTADUAL, A ALEGAÇÃO EM REFERÊNCIA TORNASE AINDA MAIS INSUBSISTENTE, EIS QUE A AUTORIDADE RESPONSÁVEL PELO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO CUIDOU DE CORROBORAR AS INFORMAÇÕES POR MEIO DE COLETA DE DADOS JUNTO A TERCEIROS, CLIENTES DA FISCALIZADA. [...] VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DA 3ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NEGAR Fl. 268DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 10 PROVIMENTO AO RECURSO (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Terceira Câmara / Primeira Seção de Julgamento, Processo n. 11971.001683/200736, Acórdão n. 130200595, Sessão em 29/06/2011). Noutro sentir, é importante destacar que, em 25/02/2012, a recorrente foi intimada para apresentar documentos fiscais e contábeis. Todavia, em resposta à intimação fiscal (fl. 86), a recorrente informou que não possuía os documentos solicitados, alegando que desconhecia o paradeiro desses, pois o seu contador faleceu no ano de 2010. Sendo assim, a recorrente não apresentou qualquer documento apto (i) a comprovar que comercializava produtos não tributados pelo PIS e pela COFINS ou (ii) a desqualificar as informações fornecidas pelo fisco estadual. Ressalto que a alegação de falecimento do contador da recorrente não afasta o dever de atendimento às intimações do fisco federal, ou seja, não se afasta o cumprimento de suas obrigações acessórias. Ante o exposto, voto pelo conhecimento e desprovimento do recurso voluntário. 1.2. Da multa qualificada A recorrente alega que a multa qualificada de 150% sobre o valor do tributo deve ser afastada por ofensa à vedação do confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade e que não foi comprovado o intuito de fraude da recorrente. Não lhe assiste razão. De início, destaco o entendimento consolidado neste Tribunal acerca da incompetência dos Conselheiros para reconhecer a inconstitucionalidade da lei tributária, consoante dispõe a súmula CARF n. 2, observese: Súmula CARF n. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Assim, este órgão julgador é incompetente para analisar se a multa de qualificada (150%) incidente sobre o valor do tributo é confiscatória, desproporcional ou irrazoável, pois para tanto é necessária a análise dos princípios constitucionais do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Noutro sentir, a aplicação da multa de qualificada teve como base legal o at. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10380.723785/201261 Acórdão n.º 1302001.139 S1C3T2 Fl. 264 11 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Insta destacar que o disposto no art. 71 da Lei n. 4.502/1964 é a causa ensejadora para da qualificação da muta de ofício, in verbis: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Assim, a aplicação da multa de ofício qualificada em 150% é legal. No caso, restou devidamente caracterizado o intuito de a recorrente subtrair valores à tributação, pois, como demonstrado no termo de verificação fiscal, a recorrente declarou apenas 5,8% das suas receitas ao fisco federal, ou seja, dolosamente omitiu renda, tendo evidente intuito de impedir o conhecimento da autoridade fiscal federal da ocorrência da incidência do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS. Portanto, tratase de evidente caso de fraude, pois a recorrente prestou falsa declaração ao fisco federal, razão pela qual é cabível a aplicação de multa de ofício qualificada em 150%. Nesse sentido, esta Turma entende que é cabível a aplicação de multa de ofício qualificada de 150% sobre os valores apurados a título de omissão de receitas: [...] MULTA QUALIFICADA. SE OS FATOS APURADOS PELA AUTORIDADE FISCAL PERMITEM CARACTERIZAR O INTUITO DELIBERADO DA CONTRIBUINTE DE SUBTRAIR VALORES À TRIBUTAÇÃO, É CABÍVEL A APLICAÇÃO, SOBRE OS VALORES APURADOS A TÍTULO DE OMISSÃO DE RECEITAS, DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%, PREVISTA, À ÉPOCA DA OCORRÊNCIA DOS FATOS, NO INCISO II DO ARTIGO 44 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DA 3ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Terceira Câmara / Primeira Seção de Julgamento, Processo n. 11971.001683/200736, Acórdão n. 130200595, Sessão em 29/06/2011). Ante o exposto, nego provimento ao presente recurso voluntário. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 12 2. CONCLUSÕES Face ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto pela recorrente, não merecendo reforma o Acórdão nº 0823.798 da 4ª Turma da DRJ/FOR. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 271DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/07/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
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Numero do processo: 19515.004277/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Incabível cogitar sobre nulidade do Auto de Infração, se o lançamento foi efetuado com observância dos pressupostos legais.
ASSINATURA DO CHEFE DO ORGÃO EXPEDIDOR DO AUTO DE INFRAÇÃO. DESCABIMENTO. No caso de Auto de Infração, não há a exigência da assinatura do chefe do órgão expedidor.
PROCESSOS FORMALIZADOS NA MESMA DATA. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Não tem fundamento a alegação sobre duplicidade de lançamento, uma vez que este processo trata de infração relativa a valores que sequer foram contabilizados e que, por presunção legal, foram considerados como receita omitida, enquanto os demais processos formalizados na mesma data versam sobre valores escriturados e não declarados/pagos.
CERCEAMENTO DE DEFESA. VISTA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. DEMORA NA SUA DISPONIBILIZAÇÃO. Não há que se falar em cerceamento de defesa, quando a autuação foi baseada em extratos bancários e livros contábeis apresentados pelo próprio contribuinte e a este foi fornecida cópia dos autos de infração, termos e demonstrativos elaborados pelo fisco, com todos os detalhes referentes à apuração do crédito tributário.
A legislação relativa ao processo administrativo fiscal não prescreve prazo para vista do processo e eventual demora no atendimento, que, no caso, sequer ficou cabalmente demonstrado, não traz consequências processuais.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta corrente mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular da conta não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem desses recursos.
ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário; não cabe à Administração proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento.
MULTA DE OFÍCIO Nos casos de lançamento de ofício, em que se verificou declaração inexata e falta de pagamento, é exigível multa de ofício ao percentual de 75%, por expressa determinação legal.
JUROS DE MORA. SELIC. Sobre o crédito tributário que deixou de ser recolhido na data do vencimento, são exigidos juros de mora com base na taxa SELIC, calculados até a data do efetivo pagamento.
Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Recorrente CEAZZA DISTRIBUIDORA DE FRUTAS VERDURAS E LEGUMES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Incabível cogitar sobre nulidade do Auto de Infração, se o lançamento foi efetuado com observância dos pressupostos legais. ASSINATURA DO CHEFE DO ORGÃO EXPEDIDOR DO AUTO DE INFRAÇÃO. DESCABIMENTO. No caso de Auto de Infração, não há a exigência da assinatura do chefe do órgão expedidor. PROCESSOS FORMALIZADOS NA MESMA DATA. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Não tem fundamento a alegação sobre duplicidade de lançamento, uma vez que este processo trata de infração relativa a valores que sequer foram contabilizados e que, por presunção legal, foram considerados como receita omitida, enquanto os demais processos formalizados na mesma data versam sobre valores escriturados e não declarados/pagos. CERCEAMENTO DE DEFESA. VISTA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. DEMORA NA SUA DISPONIBILIZAÇÃO. Não há que se falar em cerceamento de defesa, quando a autuação foi baseada em extratos bancários e livros contábeis apresentados pelo próprio contribuinte e a este foi fornecida cópia dos autos de infração, termos e demonstrativos elaborados pelo fisco, com todos os detalhes referentes à apuração do crédito tributário. A legislação relativa ao processo administrativo fiscal não prescreve prazo para vista do processo e eventual demora no atendimento, que, no caso, sequer ficou cabalmente demonstrado, não traz consequências processuais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 42 77 /2 00 7- 14 Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/200714 Acórdão n.º 1402001.374 S1C4T2 Fl. 3 2 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta corrente mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular da conta não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem desses recursos. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário; não cabe à Administração proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento. MULTA DE OFÍCIO Nos casos de lançamento de ofício, em que se verificou declaração inexata e falta de pagamento, é exigível multa de ofício ao percentual de 75%, por expressa determinação legal. JUROS DE MORA. SELIC. Sobre o crédito tributário que deixou de ser recolhido na data do vencimento, são exigidos juros de mora com base na taxa SELIC, calculados até a data do efetivo pagamento. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/200714 Acórdão n.º 1402001.374 S1C4T2 Fl. 4 3 Relatório CEAZZA DISTRIBUIDORA DE FRUTAS VERDURAS E LEGUMES LTDA. recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): A empresa acima identificada foi submetida a procedimento fiscal que redundou na lavratura de autos de infração para exigir os recolhimentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, além dos acréscimos legais devidos (autos de infração e demonstrativos de cálculo às fls. 257/275). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 196/200) e descrição dos fatos constantes dos autos de infração, verificouse ausência de contabilização de créditos em contas bancárias da fiscalizada, bem como falta de comprovação da origem desses créditos. As disposições legais encontramse citadas nos referidos autos de infração. A interessada, cientificada dos autos de infração, apresentou em 30/01/2008 a impugnação de fls. 295/321, alegando, em síntese, que: Conforme artigo 11, IV, do Decreto nº 70.235/1972, o Delegado da Receita Federal devia ter assinado o auto de infração, porém não o fez e tampouco autorizou seus subordinados a cumprirem tal tarefa. Impõese, portanto, a nulidade do auto de infração, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. A empresa foi cientificada em 31/12/2007 sobre a lavratura dos autos de infração formalizados mediante os Processos 19515.004276/200770, 19515.004278/200769, 19515.004279/200711, todos referentes ao mesmo período da presente autuação. Não pode o contribuinte ser autuado duas vezes pela mesma infração. Caso o presente auto de infração não seja cancelado, fica caracterizado “bis in idem” na cobrança da multa, o que não é amparado por lei. Por diversas ocasiões, a interessada solicitou vista do processo, que contudo lhe foi negado sob o argumento de que enquanto o processo estava “em trânsito”. Após árdua insistência, a defendente exerceu o seu direito em 28/01/2008, quatro dias antes do término do prazo para apresentar a sua impugnação. Foram subtraídos diversos dias para o preparo de sua defesa, o que caracteriza cerceamento de defesa. Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/200714 Acórdão n.º 1402001.374 S1C4T2 Fl. 5 4 Em diversas oportunidades, a defendente esclareceu à fiscalização que possuía diversos contratos com órgãos públicos e que muitas vezes não recebia no prazo avençado em contrato. Para cumprir com suas obrigações tributárias, trabalhistas e com os seus fornecedores, a impugnante recorria a empréstimos bancários. Em outras oportunidades efetuou desconto de promissórias e teve diversos cheques re apresentados. E mais, a empresa fazia transferências bancárias e também possuía algumas aplicações financeiras que foram desconsideradas pela fiscalização. Portanto, inexistem as supostas diferenças apuradas pelo fisco. É notório que a cobrança de um tributo depende da ocorrência do fato gerador, conforme determina o artigo 114 do CTN. A fiscalização não comprovou qualquer acréscimo patrimonial ou gastos incompatíveis com os rendimentos declarados que levassem à convicção da ocorrência do fato gerador. A multa nos patamares exorbitantes exigidos nos autos de infração está em dissonância com a legislação vigente. A multa, ainda que se fosse devida, o que não é o caso, devia ser aplicada em conformidade com a Lei 9.298/1997 e a Constituição Federal. Não cabe a aplicação da SELIC como taxa de juros, por se tratar de meio de remuneração e não de indenização. A imposição de juros à taxa superior a 12% ao ano configura crime de usura, nos termos do Decretolei 22.623/1933. Os valores cobrados a título de juros moratórios superiores ao limite constitucional de 1% ao mês devem ser excluídos da autuação fiscal por serem inexigíveis. Deve ser decretada a total improcedência da autuação. Protestase por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a juntada de novos documentos. A decisão recorrida está assim ementada: PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Incabível cogitar sobre nulidade do Auto de Infração, se o lançamento foi efetuado com observância dos pressupostos legais. ASSINATURA DO CHEFE DO ORGÃO EXPEDIDOR DO AUTO DE INFRAÇÃO. DESCABIMENTO. No caso de Auto de Infração, não há a exigência da assinatura do chefe do órgão expedidor. PROCESSOS FORMALIZADOS NA MESMA DATA. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Não tem fundamento a alegação sobre duplicidade de lançamento, uma vez que este processo trata de infração relativa a valores que sequer foram contabilizados e que, por presunção legal, foram considerados como receita omitida, enquanto os demais processos formalizados na mesma data versam sobre valores escriturados e não declarados/pagos. CERCEAMENTO DE DEFESA. VISTA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. DEMORA NA SUA DISPONIBILIZAÇÃO. Não há que se falar em cerceamento de Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/200714 Acórdão n.º 1402001.374 S1C4T2 Fl. 6 5 defesa, quando a autuação foi baseada em extratos bancários e livros contábeis apresentados pelo próprio contribuinte e a este foi fornecida cópia dos autos de infração, termos e demonstrativos elaborados pelo fisco, com todos os detalhes referentes à apuração do crédito tributário. A legislação relativa ao processo administrativo fiscal não prescreve prazo para vista do processo e eventual demora no atendimento, que, no caso, sequer ficou cabalmente demonstrado, não traz consequências processuais. PRODUÇÃO DE PROVAS. No processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação do lançamento, salvo nos casos previstos no § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Não é admitida a realização de diligências ou perícias quando se tratar de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à própria interessada. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta corrente mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular da conta não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem desses recursos. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário; não cabe à Administração proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento. MULTA DE OFÍCIO Nos casos de lançamento de ofício, em que se verificou declaração inexata e falta de pagamento, é exigível multa de ofício ao percentual de 75%, por expressa determinação legal. JUROS DE MORA. SELIC. Sobre o crédito tributário que deixou de ser recolhido na data do vencimento, são exigidos juros de mora com base na taxa SELIC, calculados até a data do efetivo pagamento. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplicase aos lançamentos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação. Impugnação improcedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/200714 Acórdão n.º 1402001.374 S1C4T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, tratase de exigência com base em depósitos bancários não contabilizados, cujos extratos foram apresentados pelo próprio contribuinte, mas que a origem dos recursos não totalmente foi justificada, apesar de o contribuinte ter sido intimado durante a ação fiscal, bem como após uma diligência especifica solicitada pela conselheiro relator do julgamento em 1a. instância. No recurso voluntário o contribuinte reitera suas alegações impugnativas. Omissão de Receitas. Depósitos Bancários. Aplicação do artigo 42 da Lei 9.430 de 1996 Quanto à possibilidade de se exigir o imposto de renda, com base exclusivamente em depósitos bancários, devese esclarecer que antes de 01/01/1997; o artigo 6º da Lei nº 8.021, de 1990, exigia da fiscalização a comparação entre depósitos bancários e sinais exteriores de riqueza. A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/1997, é regida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confirase: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).” Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/200714 Acórdão n.º 1402001.374 S1C4T2 Fl. 8 7 Verificase, então, que o diploma legal acima citado passa a caracterizar omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando não comprovada a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não se inquire o titular da conta bancária sobre o destino dos saques, cheques emitidos e outros débitos, ou se foram utilizados para consumo, aquisição de patrimônio, viagens etc. A presunção de omissão de rendimentos decorre da existência de depósito bancário sem origem comprovada. Portanto, a partir da publicação desta Lei, os depósitos bancários deixaram de ser modalidade de arbitramento simples que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio e sinais exteriores de riqueza), entendimento também consagrado à época pelo poder judiciário (súmula TFR 182) e pelo Primeiro Conselho de Contribuintes para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Pública Federal. Os julgamentos do Conselho de Contribuintes passaram a refletir a determinação da nova lei, admitindo, nas condições nela estabelecidas, o lançamento com base exclusivamente em depósitos bancários, como se constata nas ementas dos acórdãos a seguir reproduzidas: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SITUAÇÃO POSTERIOR À LEI Nº 9.430/96 Com o advento da Lei nº 9.430/96, caracterizase também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3º, do art. 42, do citado diploma legal.” (Ac 10613329). “TRIBUTAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” “ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos.”(Ac 10613188).” Não há que se falar em ilegalidade dessa norma por incompatibilidade com o artigo 43 do CTN, artigo 5º da Constituição Federal/1988, muito menos com artigo 5º da Lei de Introdução ao Código Civil, isso porque “não cabe em sede administrativa discutirse sobre a constitucionalidade ou legalidade de uma lei em vigor”, consoante Sumula nº. 2 deste Conselho. Uma vez que o diploma legal tenha sido formalmente sancionado, promulgado e publicado, encontrandose em vigor, cabe seu fiel cumprimento, em homenagem ao princípio da legalidade objetiva que informa o lançamento e o processo administrativo fiscal. O lançamento tributário, conforme estabelece o art. 142 do CTN, é atividade vinculada e obrigatória, na qual a discricionariedade da autoridade administrativa é afastada em prol do princípio da legalidade e da subordinação hierárquica a que estão submetidos os órgãos e agentes da Administração Pública. Outrossim, na busca da verdade material e imprescindível a análise de documentos e alegações/justificativas quanto aos ingressos de numerários em conta bancária, Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/200714 Acórdão n.º 1402001.374 S1C4T2 Fl. 9 8 para que o julgador possa firma sua convicção no sentido de está correto o arbitramento com base na aludida presunção. Todavia, no presente caso a contribuinte nada apresentou para justificar a origem dos depósitos bancários considerados receitas omitidas. Em relação as demais alegações repisadas pela recorrente, peço vênia para adotar os fundamentos da decisão de primeira instancia a seguir transcritos: (...) Das Preliminares de Nulidade 1. No tocante às preliminares de nulidade do lançamento fiscal suscitadas pela impugnante, cabe observar que os artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), preconizam que: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” 2. Do exame dos dispositivos supra extraise que, no tocante ao lançamento, só pode haver nulidade se o ato for praticado por agente incompetente, uma vez que a hipótese do inciso II, relativa a cerceamento do direito de defesa, alcança apenas os despachos e decisões, quando proferidos sem a observância do contraditório e da ampla defesa. 3. Salientese ainda que eventuais irregularidades, incorreções e omissões diversas daquelas expressas no artigo 59 acima reproduzido não importam em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 4. Feitas essas considerações, cumpre analisar as alegações da impugnante. 5. A primeira questão arguida se refere ao seu entendimento de que, de acordo com o art. 11, IV, do Decreto nº 70.235/1972, o Delegado da Receita Federal é quem devia ter assinado o auto de infração, já que não consta autorização sua delegando competência a um de seus subordinados. 6. Uma simples leitura dos artigos 9º, 10 e 11 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF), com as devidas alterações efetuadas até a data da lavratura dos autos de infração, dará uma exata noção da impropriedade da alegação da impugnante: Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/200714 Acórdão n.º 1402001.374 S1C4T2 Fl. 10 9 Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. 7. O artigo 9º prescreve que a “exigência do crédito tributário será formalizada em autos de infração ou notificação de lançamento”. 8. Dos demais artigos transcritos, depreendese que o auto de infração decorre de procedimentos fiscais levados a efeito, normalmente, junto ao Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/200714 Acórdão n.º 1402001.374 S1C4T2 Fl. 11 10 estabelecimento do contribuinte (lavrado no local da verificação da falta), enquanto a notificação de lançamento é emitida pelo próprio órgão, através de seu responsável/dirigente, que se encarrega de fazêlo, sem a interveniência direta de outra autoridade fiscal. 9. No presente caso, a exigência do crédito tributário foi formalizada por meio de auto de infração e não de notificação de lançamento. Assim, não é aplicável o requisito do artigo 11, IV, do Decreto nº 70.235/1972 (Assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado). 10. Conforme artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972 o auto de infração deve ser lavrado por servidor competente, que no caso é o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, nos termos do artigo 6º Lei no 10.593/2002 (redação da Lei 11.457/2007): “Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições;” 11. Como os lançamentos foram efetuados por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (fls. 257, 263, 268 e 272), não resta dúvida de que são legítimos, porquanto efetuados em estrito cumprimento às normas legais em vigor. 12. Reclama a impugnante que, além desta autuação, foram lavrados os autos de infração relativos aos Processos 19515.004276/200770, 19515.004278/200769, e 19515.004279/200711, todos referentes ao mesmo período de apuração e com o mesmo objeto, o que teria resultado em duas autuações sobre a mesma infração. 13. Transcrevase o artigo 9º do Decreto 70.235/1972 (redação em vigor à época da lavratura dos autos de infração): Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) destaques da transcrição 14. A Portaria SRF 6.129/2005, por seu turno, traz as seguintes orientações: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/200714 Acórdão n.º 1402001.374 S1C4T2 Fl. 12 11 a) ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e aos lançamentos dele decorrentes relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), à Contribuição para o PIS/Pasep ou à Contribuição para o Financiamento a Seguridade Social (Cofins); b) à Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, que não sejam decorrentes do IRPJ; c) ao IRPJ e à CSLL; ou d) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); II à exclusão do Simples, à suspensão de imunidade ou de isenção ou à não homologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes; III aos Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e às Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; IV às multas isoladas aplicadas em decorrência de compensação considerada não declarada. § 1º O disposto no inciso I aplicase inclusive na hipótese de inexistência de crédito tributário relativo a um ou mais tributos. § 2º Também deverão constar do processo administrativo a que se referem os incisos I e II as exigências relativas à aplicação de penalidade isolada em decorrência de mesma ação fiscal. (...) 15. Esse dispositivo foi revogado pela Portaria RFB 666/2008. No entanto, essa nova portaria traz normas com o mesmo teor das acima transcritas. 16. Neste processo foram reunidos os lançamentos relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), à Contribuição para o PIS/Pasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), pois as exigências do crédito tributário foram formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, ou seja, a constatação de créditos efetuados nas contas bancárias da interessada no decorrer do anocalendário de 2003, que não foram contabilizados e cuja origem não restou comprovada. Ressaltese que a ausência de demonstração da origem da movimentação financeira sujeitase à tributação com fundamento na presunção de que corresponde à receita omitida, a teor do artigo 42 da Lei no 9.430/1996. 17. Quanto aos demais processos, a descrição de fatos constante dos respectivos autos de infração indica que a irregularidade verificada se refere à apuração de diferenças entre os valores escriturados e os declarados/pagos em DCTF. O Processo 19515.004276/200770 aponta diferenças relativas ao PIS e o Processo 19515.004279/200711, concernentes à COFINS, ambos referentes a fatos geradores ocorridos em 2003. Quanto ao Processo Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/200714 Acórdão n.º 1402001.374 S1C4T2 Fl. 13 12 19515.004278/200769, as divergências constatadas são atinentes ao IRPJ e à CSLL dos anoscalendário de 2002 a 2006 (fls. 334/344). 18. Destarte, não tem fundamento a afirmação sobre duplicidade de lançamento, já que os citados processos versam sobre valores escriturados e não declarados/pagos, ao passo que este se refere a valores que sequer foram contabilizados e que, por presunção legal, foram considerados como receita omitida. 19. No que tange à alegação de cerceamento de defesa em face da demora por parte da autoridade preparadora para permitir vista do processo, também não tem razão a interessada. 20. De início, cumpre assinalar que cópia do Termo de Verificação Fiscal e tabelas anexas, dos demonstrativos de cálculo e dos Autos de Infração (fls. 196/275), com todo o detalhamento do lançamento, foi fornecida à contribuinte, para lhe possibilitar a ampla defesa. 21. Outro ponto a se destacar é que a autuação foi fundamentada em extratos bancários fornecidos pela própria empresa, bem como em valores escriturados em sua contabilidade, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal, ou seja, os valores tomados como base eram de total conhecimento da empresa. 22. Impõese frisar ainda que os requisitos de validade do auto de infração, determinados pelo artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972, foram devidamente observados e portanto, o lançamento fiscal está apto para produzir os seus efeitos. 23. Uma vez que a autuada teve ciência dos autos de infração e de todos os motivos de fato e de direito em que se embasou a imputação, bem como lhe foi concendido o prazo legal para a impugnação, considerase que foi respeitado o seu direito de defesa. 24. Ademais, não há na legislação relativa ao processo administrativo fiscal prazo estabelecido para vista do processo e eventual demora no atendimento, que, no caso, sequer ficou cabalmente demonstrado, não traz consequências processuais. 25. Rejeitamse, portanto, as preliminares de nulidade suscitadas pela impugnante. (...) 26. No caso vertente, tanto a diligência como a perícia são prescindíveis, porquanto tratase de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à própria interessada. Tratandose de comprovar a origem dos depósitos bancários ocorridos no período fiscalizado, os elementos probatórios deviam ter sido produzidos pela parte. 27. Além disso, a empresa sequer apontou os requisitos previstos no artigo 16, IV, do Decreto 70.235/1972. Assim, devese considerar que pedidos dessa natureza não foram formulados. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/200714 Acórdão n.º 1402001.374 S1C4T2 Fl. 14 13 Dos depósitos bancários 28. De início, cumpre enfatizar que o lançamento foi motivado pela falta de comprovação da origem de depósitos efetuados nas contas bancárias da interessada, ensejando a tributação por omissão de receitas embasada no art. 42 da Lei no 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. destaques da transcrição 29. Como se vê, a norma acima transcrita estabeleceu uma presunção legal de que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, quando não comprovados com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. (...) 30. Consoante Termo de Verificação Fiscal (fl. 198), os valores referentes a transferências entre contas de mesma titularidade, DOC, TED, empréstimos e outras transferências foram excluídos do total de créditos, restando aqueles relacionados no Anexo I (fls. 201/253) a serem esclarecidos. 31. Nesse mesmo termo, consta ainda que a fiscalização intimou a impugnante a esclarecer e comprovar a origem dos créditos elencados no Anexo I, tendo a empresa apresentado diversos documentos que possibilitaram justificar parcialmente os depósitos. Dessa forma, os valores justificados foram deduzidos do total dos créditos efetuados nas contas bancárias. 32. Descabe, assim, o argumento de que a fiscalização não considerou as transferências ou outros itens que haviam sido justificados pela empresa. 33. Todavia, a origem de grande volume dos recursos creditados em suas contas correntes deixou de ser comprovada, fato que subsume à hipótese de incidência tributária contida no artigo 42 da Lei no 9.430/1996. 34. Quanto à alegação de que essa diferença corresponderia a empréstimos ou outras fontes não tributáveis, enfatizese que não foram produzidas provas para atestar tal assertiva. 35. Consignese que, quando da apresentação da presente impugnação, a contribuinte teve nova oportunidade para comprovar a origem de tais depósitos/créditos, porém não o fez. Nessa ocasião, requereu apenas a utilização de todos os meios de prova admitidos, em especial a juntada de documentos. 36. Reiterese que a empresa não justificou o motivo para não apresentálos juntamente com a impugnação, como dispõe o artigo 16, caput e § 4º, do Decreto 70.235/1972. Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/200714 Acórdão n.º 1402001.374 S1C4T2 Fl. 15 14 37. Uma vez que o ônus da prova é da contribuinte, de acordo com o art. 333 do Código de Processo Civil e o artigo 16 do Decreto 70.235/1972, e não tendo esta apresentado os elementos comprobatórios da origem dos créditos, deve prevalecer a presunção de omissão de receita. 38. Assim, não cabe reformar o lançamento fiscal. Das alegações de inconstitucionalidade 39. No tocante às alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade feitas pela defesa, impõese observar que a autoridade administrativa não possui competência para se manifestar sobre questões de constitucionalidade e legalidade de normas, atribuição reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário. 40. Ressaltese que a administração tributária, em face do princípio da legalidade, não pode se esquivar à aplicação de lei editada conforme o processo legislativo constitucional. Ao contrário, a administração deve observar a lei até que outra a revogue, ou então, que o Judiciário a afaste, no controle concentrado tendo efeito erga omnes ou no difuso cuja validade restringese às partes interessadas. 41. Acrescentese que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, por meio da Portaria nº 106/2009, emitiu a Súmula nº 2, cujo enunciado traz a seguinte redação: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 42. Por outro lado, frisese que o parágrafo único do artigo 142 do CTN determina que: “A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. 43. Concluise de antemão que a autoridade fiscal, que lavrou o auto de infração, exerce atividade plenamente vinculada, assim não compete a ela analisar a constitucionalidade de ato normativo em vigor. (....) 44. Dessa forma, as arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivos que embasaram a autuação deverão ser feitas perante o Poder Judiciário, porquanto em sede de julgamento administrativo não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento. Da multa aplicada 45. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fl. 198), o tratamento dado ao caso foi de declaração inexata, tendo o artigo 44, inciso I, da Lei n. 9.430/1996 como fundamento legal para o lançamento da multa de ofício: Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/200714 Acórdão n.º 1402001.374 S1C4T2 Fl. 16 15 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; 46. O argumento trazido pela defesa para invocar a não aplicação dessa multa diz respeito à alteração trazida pela Lei 9.298/1996. Todavia, referida norma dispõe sobre a multa de mora. 47. Ocorre que, em se tratando de lançamento de ofício, a multa aplicada não é a moratória, mas a de ofício, ao percentual de 75% sobre o tributo, conforme expressamente previsto no artigo acima reproduzido. 48. Vêse, portanto, que a multa aplicada sobre o valor do imposto exigido no lançamento de ofício, está em consonância com a legislação de regência. Da taxa SELIC 49. Quanto ao entendimento acerca da inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, assinalese que os juros moratórios estão regulados pelo artigo 161 do CTN. O parágrafo primeiro do citado artigo determina que os juros moratórios serão de 1 (um) por cento ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. Valendose da faculdade legal, o legislador ordinário, por intermédio da Lei 9.430/1996 determinou que os juros de mora seriam equivalentes à taxa SELIC: (...) O artigo 161 do CTN não determina como requisito para a fixação de juro moratório que o percentual seja de no máximo um por cento ao mês. Estabelece apenas que, se diverso a esse percentual, este deve determinado expressamente por lei, pressuposto este plenamente atendido, já que a norma relativa à cobrança dos juros com base na SELIC foi editada pela Lei 9.430/1996. 50. Ressaltese que não se aplica ao caso do presente processo, a norma que trata de crime de usura, citada pela interessada. 51. Impõese anotar, ainda, que o CARF sumulou a matéria, conforme se transcreve abaixo: Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 52. Destarte, correta a aplicação da taxa SELIC, nos exatos termos da autuação. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.004277/200714 Acórdão n.º 1402001.374 S1C4T2 Fl. 17 16 (...) Aos fundamentos acima transcritos nada merece ser acrescentado, posto que esgotam as questões em litígio, deixando patente a correta tributação das receitas omitidas, apurada a partir dos depósitos bancários de origem não comprovada,. Frisese que tais fundamentos não foram contraditados na peça recursal, pelo que as razões de decidir da decisão recorrida podem ser perfeitamente adotados neste voto, conforme disposto no art. 50 Lei 9.784 de 1999, que se aplica subsidiariamente ao PAF(verbis): Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) § 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. (Grifei) CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 11080.007377/2007-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO PRESUMIDO
As transferências de matéria prima, mediante a emissão de notas fiscais de transferência e de notas fiscais de entradas, ambas emitidas pelo próprio contribuinte, não geram créditos presumidos de IPI.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3301-001.414
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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(SUCESSORA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO As transferências de matéria prima, mediante a emissão de notas fiscais de transferência e de notas fiscais de entradas, ambas emitidas pelo próprio contribuinte, não geram créditos presumidos de IPI. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado Digitalmente) Jose Adão Vitorino de Morais – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Sérgio Celani, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martinez López e Rodrigo da Costa Possas. Relatório Fl. 631DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Porto Alegre que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que deferiu em parte o pedido de ressarcimento (PER) às fls. 03/91, transmitido em 27/06/2005, e homologou as compensações dos débitos fiscais vencidos nas datas de 28/02/2005, 06/07/2005 e 03/08/2005, declarados nas Declarações de Compensação (Dcomps), às fls. 205/229, transmitidas nas datas de 30/06/2006, 06/07/2007 e 03/08/2005, com créditos financeiros decorrentes de créditos básicos e créditospresumido do IPI, apurados para o quarto trimestre de 2002. A DRF em Porto Alegre reconheceu, na íntegra, o direito de a recorrente se ressarcir/compensar do saldo credor do IPI correspondente aos créditos básicos e, em parte, o ressarcimento decorrente dos créditos presumidos, homologando as compensações dos débitos fiscais declarados, nos termos da Informação Fiscal às fls. 196/199 e Despacho Decisório às fls. 201 do qual foi intimada em 28/12/2007 (fls. 238). Inconformada com aquele despacho, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 239/254), insistindo no ressarcimento integral do valor declarado, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “... que é pessoa jurídica dedicada às atividades de (i) fabricação, aquisição, venda, importação e exportação de tábuas de madeira, compensado e outros produtos derivados de árvores; (ii) exploração de atividades agrícolas, inclusive extrativas vegetais e; (iii) florestamento, reflorestamento e demais atividades relacionadas à silvicultura; que para o exercício de suas atividades compra de UBS Timber Investors Brasil Ltda., atualmente denominada Florestal Guaíba Ltda. (UBS), troncos de madeira com determinada especificação, denominados Troncos Classe A e que esses troncos são a principal matériaprima para produção das laminas e compensados industrializados e comercializados pela manifestante. Na seqüência, discorre sobre os negócios jurídicos celebrados com a empresa UBS e a empresa Klabin Riocell (Klabin). Diz que a aquisição da matériaprima junto a UBS tem origem no negócio jurídico firmado em 21 de fevereiro de 2001. Após relato dos fatos, tece considerações sobre os créditos objeto de pedido de ressarcimento e da decisão denegatória alegando, resumidamente que: a) administra áreas de destocagem – hortos, condição assumida pelo interesse e obrigação que tem de adquirir da UBS Toras Classe A, que são extraídas das florestas – hortos – pertencentes a UBS; b) adquiriu direitos referentes ao cultivo das florestas, mas não o domínio destas, não sendo proprietária dos hortos; segue discorrendo sobre a forma como adquire da UBS Toras Classe A e como paga os valores correspondentes a esta aquisição; c) o fato de ter inscrição como produtora rural não significa que tenha propriedade sobre esses hortos; que emite nota fiscal de transferência, pela necessidade de transportar as Toras Classe A de um estabelecimento para outro, conforme preconiza o art. 43 da Lei n° 8.820/89 (Lei do ICMS no Estado do Rio Grande do Sul); d) o fato de emitir notas fiscais de transferência de mercadorias de um estabelecimento seu a outro em nada afeta o seu direito ao crédito presumido de IPI, decorrente da aquisição de Toras Classe A da UBS, e que o fato da UBS não emitir nota fiscal relativamente à venda das Toras Classe A para a manifestante em nada compromete a apropriação de créditos presumidos de IPI; Fl. 632DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.007377/200748 Acórdão n.º 330101.414 S3C3T1 Fl. 632 3 e) correta a contabilização dos valores pagos à UBS a débito da conta de custo de produtos vendidos (CPV), com contrapartida na conta de fornecedores; f) os valores pagos à UBS vêm sendo oferecidos à incidência do Pis e da Cofins, conforme expressa afirmação da UBS.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 1029.540, datado de 13/01/2011, às fls. 573/577, sob a seguinte ementa: “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO Não se incluem na base de calculo do beneficio os valores de operações de transferência de matériaprima do estabelecimento rural para a sede da empresa da mesma pessoa jurídica, por não se caracterizar aquisição de matériaprima, requisito exigido pela lei.” Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 582/591), requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça seu direito ao ressarcimento integral do valor pleiteado e defira seu pedido, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na manifestação de inconformidade, ou seja, o fato de ela própria emitir as notas fiscais de transferência e de entrada das toras, em seu estabelecimento industrial, não impede o aproveitamento do crédito presumido do IPI. Por outro lado o fato de a UBS não emitir nota fiscal relativamente à venda das toras de madeira em nada compromete a operação, tendo em vista que nenhum dispositivo legal condiciona a apropriação dos créditos à emissão de notas fiscais, mas sim a utilização de bens como insumos na produção de bens destinados à exportação. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A questão de mérito oposta nesta fase recursal se restringe ao direito de a recorrente apurar créditos presumidos de IPI sobre entradas de matéria prima (toras de madeira), em seu estabelecimento industrial, mediante a emissão de notas fiscais de transferência e de entradas, ambas emitidas por ela própria. A Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, que instituiu o crédito presumido do IPI, para o ressarcimento do PIS e da Cofins sobre insumos utilizados em industrialização de produtos exportados, assim dispõe: “Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 Fl. 633DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único.O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (...).” Ora, segundo estes dispositivos legais, o crédito presumido é apurado sobre aquisições de terceiros. No presente caso, inexistiram aquisições, mas tão somente transferências de matéria prima, conforme provam as notas fiscais de transferências e de entradas da matéria prima, tora de madeira, em seu estabelecimento industrial, ambas emitidas pelo próprio contribuinte, ou seja, pela recorrente. Como o ressarcimento suplementar pleiteado nesta fase recursal corresponde exclusivamente ao valor dos créditos presumidos de IPI apurados indevidamente sobre as entradas de matéria prima produzida pela própria recorrente, correto o indeferimento mantido pela autoridade julgadora de primeira instância. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 634DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10280.002761/2005-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS REGIMENTAIS. COMPETÊNCIA. A competência para
julgamento de recursos versando compensação de direito creditório relativo
ao IRRF é da Segunda Seção do CARF.
Numero da decisão: 3401-001.459
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do
recurso em razão de a competência ser da Segunda Seção do CARF
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 10882.000298/2002-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário:
1997
AUDITORIA DE DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantém-se
as
exigências cujos recolhimentos apresentados encontram-se
vinculados pela
contribuinte, nas DCTF, a outros períodos de apuração, ou nos quais o CNPJ
não corresponde ao da autuada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.946
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, e manter a exigência dos valores de R$734,.82 e
R$734,76, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1997 AUDITORIA DE DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantém-se as exigências cujos recolhimentos apresentados encontram-se vinculados pela contribuinte, nas DCTF, a outros períodos de apuração, ou nos quais o CNPJ não corresponde ao da autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PENALIDADES ISOLADAS Recorrente TREELOG S.A Logística e Distribuição, sucessora, por incorporação, de DINAP S/A Distribuidora Nacional de Publicações Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 AUDITORIA DE DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantémse as exigências cujos recolhimentos apresentados encontramse vinculados pela contribuinte, nas DCTF, a outros períodos de apuração, ou nos quais o CNPJ não corresponde ao da autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, e manter a exigência dos valores de R$734,.82 e R$734,76, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000298/200201 Acórdão n.º 140200.946 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório TREELOG S.A Logística e Distribuição, sucessora, por incorporação, de DINAP S/A Distribuidora Nacional de Publicações recorreu a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Na sessão de 24/2/2011 este colegiado converteu o julgamento em diligência, mediante Resolução 140200.040, nos termos do voto condutor a seguir transcrito: (...) Conforme relatado, tratase de exigência relativa a auditoria de DCTF, sendo que após a revisão da DRF e da decisão de 1a. instância remanescem os seguintes débitos, ora contestados pelo contribuinte: Código PA Vcto. Falta de Recolhimento Receita Litígio Excluído Mantido (*) 0588 0304/97 24/04/97 734,82 0,00 734,82 0588 0505/97 04/06/97 734,76 0,00 734,76 1708 0102/97 05/02/97 926,12 0,00 926,12 3280 0302/97 19/02/97 89,87 0,00 89,87 Vejamos as alegações do recorrente: (...) Ocorre que tal argumentação não merece prosperar, na medida em que os valores remanescentes, ora exigidos pela Receita Federal, foram devidamente recolhidos, conforme restará comprovado a seguir. II Dos supostos débitos relativos ao IRRF apurado na 3" semana de abril de 1997 e na 5a semana de maio de 1997 Não merece prosperar o argumento da Receita no sentido de que os valores de R$918,14, apurados em 0304/97 e 0505/97 foram alocados no períodos de apuração 0509/2000, uma vez que os valores apurados na 5o. semana de setembro de 2000 foram compensados com créditos distintos dos recolhimentos ora discutidos. De fato, conforme comprovam os anexos documentos de arrecadação, em 24/04/1997, a ora Recorrente efetuou o recolhimento do valor de R$918,14, relativo ao IRRF apurado na 3" semana de abril de 1997, bem como efetuou o recolhimento do valor de R$918,14, em 06/06/1997, também relativo ao IRRF, apurado na 5" semana de maio de 1997, conforme declarado em sua DCTF relativa ao 2° trimestre do referido ano. (doc. 03 e 04) Valor declarado (IRRF 0588) DCTF 2o trimestre de 1997 Período de Apuração Página da DCTF Valor recolhido DARF Data do recolhimento R$918,14 3" semana de abril 017 918,14 24/04/1997 R$918,14 5 semana de 020 918,14 04/06/1997 maio Fl. 554DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000298/200201 Acórdão n.º 140200.946 S1C4T2 Fl. 0 3 Tais recolhimentos, por sua vez, nada tem a ver com os valores recolhidos ou compensados na 5a' semana de setembro de 2000. Tais compensações foram efetuadas com créditos relativos a recolhimentos efetuados em 29/01/1997, no valor de R$759,83 e 26/02/1997, no valor de R$927,14, conforme quadro abaixo (doc. 05): Valor declarado (IRRF 0588) DCTF 3o trimestre de 2000 Período de Apuração Página da DCTF Valor recolhido DARF Valor compensa do Origem do crédito para compensação R$537,65 5a semana de setembro 03 R$17,65 R$520,00 Do valor total (R$520,00), R$397,09 foram compensados do DARF recolhido em 29/01/1997, no valor de R$759,83; e R$122,91 foram compensados do DARF recolhido em 26/02/1997, no valor de R$927,14. Diante do exposto, tendo em vista que os valores alocados no período de apuração 0509/2000 se tratam de recolhimentos distintos daqueles efetuados em 24/04/1997, no valor de R$918,14, e em 06/06/1997, no valor de R$918,14, não há que se falar em ausência de recolhimento do IRRF apurado na 3a semana de abril de 1997 e na 5a semana de maio de 1997. III Dos supostos débitos relativos ao IRRF apurado na 1a. semana de fevereiro de 1997 e na 3a. semana de fevereiro de 1997 Em relação aos supostos débitos relativos ao IRRF, apurado na 1a semana de fevereiro de 1997, no valor de R$926,12 e na 3a semana de fevereiro de 1997, no valor de R$89,87, cumpre esclarecer que os valores foram efetivamente recolhidos. Ocorre que, quando do preenchimento dos documentos de arrecadação, a ora Recorrente cometeu um erro no campo CNPJ, fazendo constar o CNPJ 43.743.880/000100, quando o correto seria CNPJ 61.438.248/000123 Tanto isso é verdade que os valores foram devidamente declarados na DCTF da DINAP S/A, no CNPJ n°61.438.248/000123. (...) Diante disso, não há que se falar em existência de débitos relativos ao IRRF, apurado na 1° semana de fevereiro de 1997, no valor de R$926,12 e na 3' semana de fevereiro de 1997, no valor de R$89,87, tendo em vista que os mesmos encontramse extintos pelo pagamento, conforme documentos de arrecadação anexados à presente, (doc. 06 e 07) De fato, o que efetivamente ocorreu foi um erro no preenchimento do campo 'CNPJ', erro este que, ressaltese, não causou prejuízo ao Erário. Em face do todo o exposto, requer seja dado provimento ao presente recurso para o fim de exonerar definitivamente a ora Recorrente da exigência fiscal mantida em primeira instância.” Fl. 555DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000298/200201 Acórdão n.º 140200.946 S1C4T2 Fl. 0 4 Pois bem, do confronto das alegações da recorrente com os fundamentos da decisão de 1a. instância, formei convencimento de que se faz necessário sanear e instruir o processo para o julgamento das exigências remanescentes, isso porque: i) Não é possível promover, em sede de recurso voluntário, a alocação de pagamentos efetuados com CNPJ de outro contribuinte, ainda que se trata de empresa coligada. Apesar de o erro estar evidenciado, os contribuintes são distintos e, nesse caso, caberia à empresa DINAP S/A, CNPJ 43.743.889/000100 requerer/autorizar a retificação do DARF para que seja apropriado à recorrente. Portanto, a contribuinte deve ser intimada a providenciar essa autorização, com estrita observância das normas da Receita Federal do Brasil para retificação de DARF (REDARF). É preciso também verificar se os pagamentos estão disponíveis para esse fim e, se for o caso, já fazer a alocação (procedimento a cargo da Unidade de origem). ii) No que tange os saldos de débitos de R$ 734,82 e 734,76, respectivamente de períodos de apuração de abril e maio/1997, também é preciso verificar nos sistemas a veracidade das alegações do contribuinte em relação aos pagamentos que teriam sido utilizados na quitação desses valores, haja vista a coerência de seus argumentos. Ao final deverá ser lavrado termo consubstanciado, intimandose o contribuinte a manifestarse no prazo de 30 dias, se desejar. Os trabalhos de diligência resultaram nos documentos de fls. 532 a 550, a seguir, os autos foram enviados ao CARF para prosseguimento. É o breve relatório. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000298/200201 Acórdão n.º 140200.946 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Retorna o presente processo de diligência. Vejamos o teor do resultado dos trabalhos fiscais (fls. 532): Trata o presente processo do Auto de Infração de n° 2648, IRRF/1997 lavrado contra o contribuinte acima identificado, em decorrência de inexatidão de valores declarados por meio de DCTF, conforme descrição dos fatos e fundamentação legal a fl. 21, tendo retornado do CARF em diligencia, conforme Resolução as fls. 331 a 334. Resumidamente, esta resolução solicita a análise de débitos lançados para os quais o Contribuinte alega pagamento. Assim, passemos ã análise. Em relação aos débitos relativos ao IRRF, código de receita 0588, apurados na 30 semana de abril de 1997 e na 5 0 semana de maio de 1997, vemos que o Contribuinte comete um equivoco em sua defesa. Estes débitos, que deram origem ao Auto de Infração n° 2648, referemse a débitos confessados pelo Contribuinte corn o código de receita 0588 cujos DARFs apresentados, na impugnação, para a quitação dos mesmos encontramse parcialmente alocados para a quitação do débito com código de receita 32081, referente ao período de apuração 50 semana de setembro de 2000, conforme declarado em DCTF pelo próprio Contribuinte (11. 216). O Contribuinte discorda desta alocação, indicada por ele mesmo, e para tentar se justificar referese a outro débito, também declarado por ele em DCTF, referente também ã 5° semana de setembro de 2000, porém de código de receita 05881 (11s. 340 e 341). Ou seja, para discordar dos DARFs alocados para guitar um débito de código de receita 32081, ele explica como deve ser a alocação de DARF para outro debito, de código de receita 05881. Não cabe razão ao Contribuinte. • Comrelação aos débitos de código de receita 1708, PA 0102/1997, no valor de R$ 926,12 e código de receita 3280, PA 0302/1997, no valor de RS 89,87, conforme pesquisas ãs fls. 336 a 339, verificase que o débito foi declarado pela empresa ineorporadora de CNPJ n° 61.438.248/000123, sendo a arrecadação realizada no CNPJ de n° 43.743.889/000100, da empresa incorporada. Assim, foi realizado REDARF de oficio para alteração de CNPJ nestas arrecadações. Estes DARFs foram alocados nos seus débitos correspondences, quitandoos por pagamento (11s. 349, 350 verso e 351). (...) Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, mantendose, apenas a exigência dos seguintes valores: Código PA Vcto. 0588 0304/97 24/04/97 R$ 734,82 0588 0505/97 04/06/97 R$ 734,76 (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 557DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000298/200201 Acórdão n.º 140200.946 S1C4T2 Fl. 0 6 Fl. 558DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
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Numero do processo: 10314.720504/2011-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 05/08/2008
OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO NA IMPORTAÇÃO. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA.
Conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.
Há prova conclusiva de que um dos Recorrentes é o real adquirente das obras de arte importadas, impondo manter a decisão recorrida nos contorno jurídico delineados pela primeira instância.
A ocultação do sujeito passivo mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros consiste em uma infração tipificada como dano ao Erário, punível com a aplicação da pena de perdimento. O dano ao Erário é ocasionado não apenas pelo não recolhimento dos tributos incidentes: na importação (II, IPI, ICMS, PIS e COFINS), mas também pelo não recolhimento dos tributos incidentes nas etapas posteriores de comercialização informal no mercado interno.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de JAMES ACÁCIO LOBO LISBOA e dar provimento ao recurso de ANA LÚCIA PUGA DE LACERDA para excluí-la da sujeição passiva.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. Conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Há prova conclusiva de que um dos Recorrentes é o real adquirente das obras de arte importadas, impondo manter a decisão recorrida nos contorno jurídico delineados pela primeira instância. A ocultação do sujeito passivo mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros consiste em uma infração tipificada como dano ao Erário, punível com a aplicação da pena de perdimento. O dano ao Erário é ocasionado não apenas pelo não recolhimento dos tributos incidentes: na importação (II, IPI, ICMS, PIS e COFINS), mas também pelo não recolhimento dos tributos incidentes nas etapas posteriores de comercialização informal no mercado interno. Recurso Voluntário Provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de JAMES ACÁCIO LOBO LISBOA e dar provimento ao recurso de ANA LÚCIA PUGA DE LACERDA para excluíla da sujeição passiva. Antonio Carlos Atulim Presidente. . Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 05 04 /2 01 1- 21 Fl. 594DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Tratase de Recurso Voluntário visando modificar a decisão de piso que manteve o lançamento exigindo Imposto de Importação, Cofins e PIS/Pasep em decorrência de declaração inexata do valor da mercadoria importadas relativa à DI/DSI de nº08/11878575, registrada em 05/08/2008. Diz à fiscalização que o objetivo específico da autuação é de aplicar multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que seja localizada ou que tenha sido consumida relativamente à importação efetuada de forma irregular, in casu, ocultação do sujeito passivo registrado declarações de importação registradas nos ano de 2008 e 2009. A motivação da ação fiscal é decorrente de verificação de cessão de nome em operações de comércio exterior por parte da empresa NS Logística Ltda. Teria sido identificada pelas notas fiscais de entrada e saída (doc.fls.56 a 58) diversos valores coincidentes, entre os quais dois ligados ao nome do Sr. Jaime Acácio, o que confirma a ocultação dos reais adquirentes de obras de arte importadas em nome da empresa. Aplicouse multa de ofício de 150% decorrente a hipótese de fraude. Com vista uma apresentação sistemática e abrangente deste feito aproveitase do relatório da decisão recorrida a adiante transcrito: “Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 05/07/2011, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação acrescido de multa proporcional e juros de mora multa, acrescido de contribuição PIS/COFINS, no valor de R$ 240.315,26 em virtude dos fatos a seguir descritos. ‘O importador por meio da DI de nº08/11878575, registrada em 05/08/2008, submeteu a despacho um quadro "Diamond Divas Catherine Deneuve", de Vik Muniz, classificado na Tarifa Externa Comum no código 9701.90.00, tendo sido pago o imposto de importação à alíquota de 4%. O valor declarado para a mercadoria foi de R$ 1.424,32 (mil quatrocentos e vinte e quatro reais e trinta e dois centavos), sendo que a fiscalização apurou elementos que possibilitam a desconsideração do valor declarado, sendo arbitrado o seguinte valor: R$ 161.236,63 (cento e sessenta e um mil, duzentos e trinta e seis reais e sessenta e três centavos com fundamento no artigo 86 (parágrafo único, II, b) do Decreto 6.759/09. A presente ação fiscal é decorrente de verificação de cessão de nome em operações de comércio exterior por parte da empresa NS LOGÍSTICA LTDA, CNPJ 06.204.364/000170. Em procedimento de fiscalização na empresa NS LOGÍSTICA LTDA, CNPJ 06.204.364/000170, antes denominada ARGOS TRADING COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA Fl. 595DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10314.720504/201121 Acórdão n.º 3403002.198 S3C4T3 Fl. 15 3 LTDA., foi identificada a ocultação dos reais adquirentes de obras de arte importadas em nome da empresa. Da lista de Notas Fiscais de Entrada e Saída da empresa, fornecidas e rubricadas pelo Sr. FABIO CZERKES SANTANA, CPF 294.032.45816, foram identificados diversos valores coincidentes, entre eles dois ligados ao nome do Sr. JAMES ACÁCIO. O objeto da presente ação fiscal foi localizar as mercadorias importadas para fins de aplicação da pena de perdimento, ou ministrar a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, Concluise que JAMES ACÁCIO LOBO LISBOA está sujeito a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas por meio das DI nºs 08/11878575, 08/11976933 e 09/01204603, correspondente a R$ 166.092,02 (cento e sessenta e seis mil e noventa e dois centavos), conforme o disposto no parágrafo 3º do artigo 23 do Decreto Lei nº 1.455/76, com redação dada pela Lei nº 12.350/2010, cabendo cobrança de diferença tributária e multa no caso da DI 08/11878575, que teve o valor arbitrado pela fiscalização. São solidários pelo crédito tributário a empresa NS LOGÍSTICA LTDA (anteriormente denominada ARGOS TRADING COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA), CNPJ 06.204.364/000170, que efetuou a importação das mercadorias, e a Sra. ANA LÚCIA PUGA DE LACERDA, CPF 10.840.77809, que intermediou a operação. Como houve diferença entre o valor aduaneiro declarado na Declaração de Importação 08/11878575, houve diferença também no valor dos tributos recolhidos pelo contribuinte. Sendo assim, cobrase a diferença de imposto, apurada em face de tal incorreção, somado aos acréscimos legais devidos. Baseandose na fraude que levou à ocultação do real adquirente das mercadorias e a não declaração do valor de mercado da obra “Diamond Divas – Catherine Deneuve”, aplicase a multa de 150% sobre a diferença de impostos e contribuições devidos na importação da obra. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 22/07/2011 (fls. 182), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 23/08/2011, de fls. 318 à 355, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: PRELIMINAR:CERCEAMENTO DO DIREITA DE DEFESA. O auto de infração ora impugnado, veicula cerceamento do amplo direito de defesa do Impugnante, devendo ter a nulidade decretada. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 É possível identificar uma extrapolação das definições legais, e até mesmo a prática de atos arbitrários, baseados em simples fatos como a falta de demonstração fiscal da integralização do capital social, adiantamento de recursos pelos clientes finais da empresa, volume do capital social inferior ao das importações, dentre outros, como indícios que seriam suficientes a embasar a aplicação das graves penalidades de perda de perdimento, baixa do CNPJ, ou, ainda, multas e outras. Para embasar a aplicação de uma sanção somente seria crível se estes fatos fossem inquestionáveis. Ou seja, um indício somente poderia ser utilizado como meio de prova nas hipóteses que gerasse uma presunção indiscutível da prática da interposição fraudulenta. É importante mencionar que o conteúdo do princípio do contraditório consiste na determinação de que no processo administrativo e judicial o litigante tenha acesso a todos os argumentos daquele que em face dele promove uma ação, de modo que o litigante possa exercer de forma plena o seu direito de defesa (com acesso a todos os recursos disponíveis e produção de todas as provas cabíveis). Disso decorre que, no processo administrativo tributário, o contribuinte deve ter acesso a todos os argumentos, informações ou elementos de fato ou de direito produzidos pelo fisco, sob pena de o seu direito de defesa ser cerceado. Tal acesso às ditas alegações, ressaltese, só se dá na medida em que os atos administrativos sejam devidamente motivados pelas autoridades fiscalizadoras. Os Autos de Infrações com base em meros indícios de irregularidades, como ocorreu no ato ora impugnado, é inadmitido no ordenamento jurídico vigente, fato, inclusive, não admitido no processo administrativo fiscal, conforme é importante transcrever o arresto proferido no CSRF AC 0105.132 Iº T. maioria Rel. José Carlos Passuello, nov.2004. Dessa maneira, lavrar os autos de infrações com base em meros indícios de irregularidades, pressupondo a máfé do Contribuinte no processo aduaneiro, sem acostar as infrações qualquer prova desta irregularidade, conforme procedeu a Ilustre Auditora Fiscal para viabilizar a aplicação da pena de perdimento, impede que o Impugnante produza sua defesa de forma adequada, explicando as razões pelas quais seu nome não constava nas DIs 08/11976933, 09/01204603 e 08/11878575. DO DIREITO DA IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA E DO ERRO FORMAL NO PREENCHIMENTO DAS/DIs. Inicialmente, importante destacar que o Impugnante, em momento algum, negou ser ele o adquirente das obras importadas por meio das DIs 08/11976933, 09/01204603 e 08/11878575. Além disso, a D. Fiscalização não encontrou qualquer óbice, após análise dos documentos da empresa importadora NS LOGÍSTICA LTDA. O Impugnante, como pessoa física que é, não realiza comumente operações de importação. Em razão de tal fato, não está Fl. 597DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10314.720504/201121 Acórdão n.º 3403002.198 S3C4T3 Fl. 16 5 habilitada perante o Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). Por este motivo, nas importações que pretendeu realizar, notadamente as relativas às obras de artes (quadros pintura a óleo), objetos das Declarações de Importação nºs 08/11976933, 09/01204603 e 08/11878575, contratou a empresa AL CONSULTANCY SERVIÇOS DE ARTE E ARTESANATO LTDA ME, por meio da Sra. Ana Lúcia Puga de Lacerda. A empresa AL CONSULTANCY tinha por obrigação contratual promover e gerenciar a importação das obras de arte indicadas pelo Impugnante. Ocorre que todo o procedimento de importação era realizado por uma terceira empresa, no caso, a NS LOGÍSTICA / ARGOS TRADING. Entre as obrigações da NS LOGISTICA/ARGOS TRADING estava (i) o pagamento das obras ao exportador, (ii) a realização formal da importação de tais obras, (iii) o cumprimento de todas as obrigações acessórias perante os órgãos públicos, em especial a Receita Federal do Brasil, (iv) proceder o recolhimento de todos os impostos incidentes na importação e (v) realizar a venda das mercadorias importadas ao Impugnante. Assim, a empresa NS LOGÍSTICA / ARGOS TRADING foi quem realizou o pagamento perante o exportador das obras de arte objetos das Declarações de Importação nº 08/11976933, 09/01204603 e 08/11878575, revendendoas, posteriormente, ao Impugnante. Tal fato foi, inclusive, reconhecido pelo Sr. Fábio Santana, sócio da empresa NS LOGÍSTICA /ARGOS TRADING e pelas notas fiscais de venda emitidas pela NS LOGÍSTICA /ARGOS TRADING. Portanto, resta demonstrado que, nas importações objeto da das DIs 08/11976933, 09/01204603 e 08/11878575, estas foram realizadas na modalidade importação por encomenda. Na importação por encomenda tal operação tem, para o importador contratado (NS LOGÍSTICA /ARGOS TRADING), os mesmos efeitos fiscais de uma importação própria, pois é o importador que adquire a mercadoria junto ao exportador no exterior, providencia sua nacionalização e a revende ao encomendante, ora Impugnante. Sobre este processo, é importante ressaltar que não houve por parte da impugnante qualquer financiamento da operação, tendo sido o pagamento ao exportador realizado, em sua integralidade, pela a NS LOGÍSTICA/ARGOS TRADING. Ocorre que, com relação ao despacho aduaneiro das mercadorias nas hipóteses de importações por encomenda, faz se necessário, conforme relatos da D.Fiscalização, que a empresa importadora (NS LOGÍSTICA / ARGOS TRADING) informe, em campo próprio das DIs, o CNPJ ou CPF da encomendante, no momento do registro deste documento. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 No entanto, por um ERRO FORMAL no preenchimento da DI, a empresa comercial importadora responsável pela operação (NS LOGÍSTICA /ARGOS TRADING) deixou de cumprir tal dever instrumental. Em momento algum teve o Impugnante o objetivo de ocultar sua participação na operação. Tanto é assim, que a transação comercial entre o Impugnante e a empresa NS LOGÍSTICA / ARGOS TRADING fora acobertada por nota fiscal de venda dos quadros e nota fiscal de serviços emitida pela AL CONSULTANCY. Em que pese tal fato, tão logo fora instada pela Ilustre Auditora Fiscal sobre sua real participação na importação das mercadorias objeto das DIs 08/11976933, 09/01204603 e 08/11878575, o Impugnante de pronto informou ser ele o encomendante em referida importação. Resta evidente, que a empresa importadora (NS LOGÍSTICA / ARGOS TRADING), bem como o Impugnante, em momento algum objetivaram, dolosamente, ocultar o real adquirente da mercadoria. O Impugnante sequer possui conhecimento técnico necessário para tanto, razão pela qual contratou pessoas especializadas para realizar o gerenciamento e importação das mercadorias objeto das DIs. No processo administrativo, o princípio da verdade material predomina no sentido de que, com este, buscase descobrir se realmente ocorreu ou não o fato, pois o que está em jogo é justamente a legalidade da operação. De fato, os indícios de prática de irregularidade devem ser pesquisados e, por fim, comprovados, para que possam servir de sustentáculo à acusação fiscal. Considerandose que "in casu" caracterizada a presunção "hominis", evidente a impossibilidade de mantença do auto, porque a exigência baseada em tal espécie de presunção é incompatível com os princípios da legalidade estrita e com o da tipicidade tributária. DO ERRO DE DIREITO IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DA LANÇAMENTO A importação objeto das DIs nºs 08/11976933, 09/01204603 e 08/11878575 fora devidamente desembaraçada, já ocorrendo a devida homologação da importação realizada. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como o IPI, II, PIS, COFINS, entre outros, de que trata o artigo 150, do C.T.N., a homologação não ocorre somente com a antecipação do pagamento, mas com a realização de atividade prevista na legislação, pelo contribuinte, por meio da qual a autoridade administrativa, tomando conhecimento de tal atividade exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Tendo a empresa importadora (NS LOGÍSTICA / ARGOS TRADING) declarado a natureza e qualidade das mercadorias importadas, e se a autoridade aduaneira aceitou o critério jurídico adotado, o lançamento é definitivo, somente podendo Fl. 599DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10314.720504/201121 Acórdão n.º 3403002.198 S3C4T3 Fl. 17 7 alterado por iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149, do CTN. Até mesmo nos casos de reforma da orientação favorável ou desfavorável, a vinculação é tão estrita que a administração deve honrar o entendimento modificado ou alterado, caso o tributo pudesse ser cobrado, conforme dispõe o artigo 146, do CTN. Ou seja, segundo o artigo 146, do CTN, não é possível a alteração do critério jurídico do lançamento por erro de direito do contribuinte, não detectado pelo Fisco. Se a autoridade fiscal não se insurgiu contra as informações prestadas pela empresa importadora (NS LOGÍSTICA / ARGOS TRADING) no momento do desembaraço das mercadorias importadas por meio das DIs 08/11976933, 09/01204603 e 08/11878575, não pode, posteriormente, em razão da mudança do critério jurídico do lançamento, ensejar a revisão de lançamento pretérito, uma vez que, com o despacho aduaneiro e liberação das mercadorias restaram homologadas as informações prestadas. Para que a autoridade fiscal pudesse rever de ofício o lançamento em relação a fatos pretéritos, necessária seria, à época da ocorrência dos desembaraços aduaneiros. DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU MÁ FÉ. No caso em comento, não há qualquer possibilidade de configurar a "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou responsável pela operação". Está claro que o importador é a própria NS LOGÍSTICA / ARGOS TRADING e, assim, também, é esta o sujeito passivo das decorrentes obrigações. O Impugnante, portanto, somente figurou como adquirente das mercadorias importadas por NS LOGÍSTICA / ARGOS TRADING, na modalidade importação por encomenda. O Impugnante, durante todo o procedimento de fiscalização, informou, inclusive por escrito, ser ele o real adquirente das mercadorias no mercado interno. Ademais, para corroborar com a verdade aqui exposta, restou demonstrado que a origem dos recursos com que a NS LOGÍSTICA / ARGOS TRADING opera é da própria empresa, afastando qualquer hipótese de simulação que enseja a aplicação da interposição fraudulenta e, consequentemente, da aplicação da perda de perdimento. Desse modo, quando os recursos foram comprovadamente oriundos da NS LOGÍSTICA / ARGOS TRADING, caberá, tão somente, ao importador provar o regular fechamento da operação, inclusive com a justificativa dos motivos da ausência Fl. 600DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 da identificação do encomendante (no caso o Impugnante). Imputar ao impugnante tal obrigação é exigir conhecimentos técnicos de quem se presume não possuir, haja vista que se assim não o fosse, faria por si mesmo, sem os custos da prestação dos serviços de importação. Dessa forma, concluise que com as provas já acostadas ao procedimento administrativo, o Impugnante comprovou satisfatoriamente que a origem dos recursos que garantiram as importações não partiram dele, mas sim da empresa importadora, conforme mencionou o próprio responsável pela NS LOGÍSTICA /ARGOS TRADING, de modo que a retenção das obras importadas e a decretação de seu perdimento importam em ofensa a seu direito as obras, garantido pela Constituição, o direito de propriedade e, ainda, sua perda só poderá se dar nos estritos casos previstos na própria Carta. O confisco, caracterizado no presente procedimento fiscal, é a mais severa das penalidades patrimoniais e exige, obrigatoriamente, a certeza quanto à ocorrência da infração, não se podendo fundar em meras suspeitas ou presunções. AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO Quais foram os supostos benefícios para o Impugnante em razão do erro formal cometido pela empresa importadora quando do preenchimento das DIs? A resposta é simples, nenhum. Por isso mesmo, tratase de um mero erro formal, que nenhum prejuízo trouxe ao erário, pois todos os tributos incidentes na importação foram devidamente recolhidos. Assim, inexistindo qualquer dano ao erário, descaracterizada a existência de má fé por parte do Impugnante, diante das circunstâncias específicas do caso em comento, descabida a aplicação da pena de perdimento do bem. DA RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. A pena de perdimento aplicada deverá ser relevada, nos termos dos artigos 736 e 737 do Decreto n° 6.759 de 05.02.2009 Regulamento Aduaneiro, uma vez que restou demonstrado à ausência de falta de recolhimento de tributo ou, ainda, sua insuficiência, uma vez que as mercadorias adentraram e foram devidamente tributadas. Ademais, restou devidamente demonstrada a ausência de intuito doloso e o erro formal no preenchimento da DI. É importante ressaltar que o Impugnante preenche todos os requisitos exigidos para ser relevada a pena de perdimento aplicada, pois: Será a primeira vez que o Impugnante será beneficiado; As obras estão a disposição da D. Fiscalização (DIs n°s 08/11976933, 09/01204603), com exceção da réplica da obra Diamond Divas Catherine Deneuve, a qual foi permutada com o Sr. SUM CHIA CHIM, por 06 (seis) obras colocadas a disposição da D. Fiscalização (DI n° 08/11878575). Fl. 601DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10314.720504/201121 Acórdão n.º 3403002.198 S3C4T3 Fl. 18 9 DA IMPOSSIBILIDADE DA FISCALIZAÇÃO ARBITRAR SEM EMBASAMENTO PROBATÓRIO O VALOR DA RÉPLICA DA OBRA IMPORTADA ATRAVÉS DA DI N° 08/11878575 A Fiscalização embasa a lavratura dos Autos de Infrações na existência de, fortes indícios de que o valor indicado na DI n° 08/11878575, no valor de US$ 500,01, obra adquirida pelo Impugnante fotografia "Diamond Divas Catherine Deneuve", do artista plástico Vik Muniz, não condiz com o valor praticado no mercado. Isso porque, em "pesquisa" de mercado arbitrou que a obra é oferecida / comercializada mundialmente, com valores superiores aquele declarado pelo Importador. E, ainda, concluiu que há fortes indícios de que a obra adquirida no mercado interno pelo Impugnante foi aquela comercializada durante o leilão da Sothebys, em Milão, na Itália, por US$ 104.036,00 de tamanho 102,2 cm x 81,9 cm. A obra adquirida pelo impugnante foi uma réplica da obra original da fotografia "plamond plvas catherine deneuve", do artista plástico Vik Muniz, de tamanho 100 cm x 80 cm, por este motivo, o valor é abaixo daquele praticado no mercado. Pecou pelo equívoco a Fiscalização ao supor, absurdamente, que se trata da mesma obra comercializada durante o leilão da Sotheby's, em Milão, na Itália, por US$ 104.036, DE TAMANHO 102,2 CM X 81,9 CM (FLS. 94), tendo em vista que a réplica adquirida pelo Impugnante tinha, COM EXATIDÃO, 100 CM X 80 CM e, de fato, foi comercializada por volta de US$ 500,01, conforme avaliação das réplicas comercializadas no mercado. Inclusive, a medida de 102,2 CM X 81,9 CM da obra original, que difere as medidas da réplica, foi confirmada em ofício do representante da Sotheby's em São Paulo. O trabalho fiscal, a bem da verdade, deixou de utilizar elementos concretos para suportar a acusação, omitindose, inclusive, em verificar e anexar, ao processo administrativo, outros elementos probantes, restando patente que a utilização da presunção no presente caso arbitramento de valor para obra, por supor a compra desta no leilão realizado pela Sotheby's, em Milão, na Itália, por US$ 104.036 quanto muito seria um mero indício de irregularidade que deveria ser cuidadosamente analisado pela Fiscalização com base em outros elementos, como a dimensão da obra, técnica e possibilidade real de ser uma réplica. A presunção juris tantum pode ser utilizada como um norte, um rumo a ser seguido ou como um instrumento de trabalho, de forma que sirva como uma ferramenta para simples exame investigatório. As presunções inicialmente levantadas não foram testadas e, contrario sensu, foram assumidas como fundamento para uma autuação fiscal. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 10 Restou cabalmente prejudicado os Autos de Infrações aqui guerreados, os quais tentaram arbitrariamente cobrar do Impugnante o recolhimento da diferença entre o Imposto de Impostação; PIS/PASEP e COFINS na importação da obra; a cobrança da multa de 150%; assim, como, a pena de perdimento, convertida em multa do valor aduaneiro arbitrado. Requer a integral procedência da presente Impugnação. Às fls. 488/ 493 foi juntado Recurso Voluntário apresentado por ANA LÚCIA PUGA DE LACERDA, sustentando à injustiça cometida à sua pessoa por meio de auto de infração e da decisão de primeira instância que atribuí a JAIME LISBOA conduta contrária à legislação quando da importação de uma replica do retrato de “Catherine Deneuve” através da empresa NS Logística Ltda. A irresignação centra no fato dela, Ana Lúcia Puga de Lacerda, estar sofrendo com essa autuação imprópria da imposição fiscal, por imprópria e inexistente solidariedade no caso deste procedimento administrativo que atribui a ela suposta tentativa de elisão fiscal. Decisão que a transformou de prestadora de serviços de consultoria para transportadora de obras de arte e intermediadora de compra de quadros no exterior. Sustenta que não prestou qualquer serviço em relação aquisição do quadro “Catherine Deneuve”, muito menos transporte e intermediação de compra da referida obra de arte. As notas fiscais localizadas pela fiscalização nenhum vínculo tem com a aquisição da mencionada obra de arte, daí sustentar inexistência de solidariedade. Em grau de recurso aduz o Recorrente em síntese: que não se trata de importação irregular com a finalidade de subfaturamento, cuja operacionalização foi realizada em conformidade com a legislação, e, assim sendo, é regular, inexiste prova apta a sustentar a motivação do lançamento relativo ocultação da obrigação mediante dolo e simulação, assim como, não há que se falar em interposição fraudulenta de terceiros e, por derradeiro diz que toda operação foi realizada pela empresa NS Logística e que adquiriu os produtos em solo brasileiro. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual se toma conhecimento. A discussão gira em torno da exigência com arrimo em presunção legal de que houve interposição fraudulenta. O recorrente, Jaime Acácio Lobo Lisboa sustenta que não existiu interposição fraudulenta e que as operações são regulares e foram efetivadas por empresa autorizadas, NS Logística Ltda. Outra Recorrente, ANA LÚCIA PUGA DE LACERDA, debate para se livrar da figura da solidariedade lhe atribuída, sustentando que não prestou qualquer trabalho de consultoria ao Sr. Jaime Lisboa em relação à aquisição do quadro de “Catherine Deneuve”, e, as notas fiscais mencionadas pela fiscalização são de outros trabalhos prestados e em nada vincula com aquisição acima mencionada. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10314.720504/201121 Acórdão n.º 3403002.198 S3C4T3 Fl. 19 11 A motivação da ação fiscal é decorrente de verificação de cessão de nome em operações de comércio exterior por parte da empresa NS Logística Ltda. A situação delineada pela fiscalização foi de que as obras de arte importadas por meio das Declarações de Importação nos 08/11976933 e 09/01204603 tiveram a pena de perdimento substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias e a importada pela DI 08/11878575 (obra Diamond Divas – Catherine Deneuve) o preço foi arbitrado em razão de o valor declarado ser inferior ao preço de cotação nas casas de leilões. A fiscalização ordena o raciocínio para concluir que tratou de operação fraudulenta com intuito de acoberta o verdadeiro importador de modo metódico, primeiramente comparou o número das Declarações de Importação constatou que os valores das notas fiscais de entrada e de saída apresentadas pela Importadora eram idênticos, não existindo acréscimo sequer dos tributos incidentes na importação e muito menos margem de lucro. De modo que, os bens importados foram transferidos ao domínio do Recorrente, JAIME ACÁCIO LOBO LISB0A, pelo mesmo valor pago ao Exportador. Mesmo assim a fiscalização continuou a investigação e ouviu o depoimento do responsável pela empresa Importadora, NS Logística Ltda., o Fabio Czerkes Santana, que confirmou que os bens importados eram para o Recorrente, sendo esse o responsável pela aquisição e o câmbio, a empresa apenas cuidava dos trâmites administrativos. A certeza de que tratava de operação maculada, surge por meio do cruzamento de informações, ao catalogar o número da DI e a descrição da mercadoria importada ao nome indicado na lista fornecida à fiscalização, constata por meio das datas de entrada, despacho e saída da mercadoria, praticamente, entre uma operação e outra a pouca distância. Com essas informações foi possível vincular o Senhor “JAMES ACÁCIO” a duas operações. Conforme se verifica do relatório fiscal a primeira traz uma descrição genérica. Na segunda, é possível identificar a obra: “Diamond Divas – Catherine Deneuve”, do artista plástico Vik Muniz. O Recorrente se limita a dizer que o importador é NS Logística Ltda., em momento algum rebate as imputações com vigor, até porque os fatos demonstrados pela fiscalização vão solidificando o indício inicial em fato concreto entre os arrolados destaca leilão de peças idênticas, pelo Escritório de Arte James Lisboa conforme narrados às folhas 80 a 83, de propriedade do leiloeiro JAMES ARTHUR LOBO LISBOA, em 16/11/2009 em São Paulo. Consubstanciando os fatos do que se extraí do depoimento do Sr. FABIO CZERKES SANTANA, a fiscalização à época das importações como se vê às folhas 120 a 126, revela mais detalhes da importação de obras de arte e confirma que a empresa importava mercadorias para terceiros, conforme exposto a seguir (grifos nossos): “PERGUNTA: Quem fazia o pagamento para o fornecedor no exterior? Como o pagamento era feito? Havia prazo para efetuá lo? RESPOSTA: “No tempo da ARGOS os pagamentos eram feitos por fechamento de câmbio, ou, pelos próprios adquirentes da mercadoria”. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 12 PERGUNTA: Quem negociava com os fornecedores estrangeiros? RESPOSTA: “Quando as mercadorias eram adquiridas pela empresa o negociador era o Sr. Fábio. Nos casos de obras de arte pela Sra. Ana Lacerda, e ainda nas outras importações por conta e ordem pelos próprios adquirentes”. PERGUNTA: Como era feito o contato com os adquirentes das obras de arte no Brasil? RESPOSTA: “No tempo da ARGOS pela Sra. ANA LACERDA, da AL CONSULTANCY”. PERGUNTA: A ARGOS TRADING negociava com os vendedores das obras de arte no exterior? RESPOSTA: “Não”. PERGUNTA: A NS LOGÍSTICA tinha alguma outra fonte de receita, além da obtida com a venda das mercadorias importadas? A empresa também prestava serviços? De que tipo? RESPOSTA: “Se a importação por encomenda ou conta e ordem for considerada serviço, há que se considerar que muitas das importações foram feitas nesta modalidade, para atender PESSOAS FÍSICAS que não tinham cadastro no RADAR”. PERGUNTA: Por que os valores dos extratos bancários não coincidem com os valores das notas fiscais de saída? RESPOSTA: “Como explicado, em operações de importação por conta e ordem o preço do produto era pago diretamente pelo adquirente, recebendo a empresa apenas pelo “serviço”, o que somava o valor total da nota de saída”. A senhora Ana Lúcia Puga de Larcerda em depoimento a fiscalização confirma que na qualidade de consultora de obra de arte orientou o sr. Jaime Acácio Lobo Lisboa a importar as obras de arte aqui tratadas. O Recorrente não se desincumbiu de contrariar as provas de que a obra importada tratavase de cópia autentica diante de declaração de uma das casas mais respeitadas no mercado de arte, Sotheby's. Inclusive há forte demonstração nos autos de que obra parecida foi leiloada em Milão, na Itália, por valor de US$ 104.036. A resistência demonstrada restou em torno de que era o real importador e efetuou o pagamento justo dos tributos por se tratar de uma simples réplica de valor insignificante, contra demonstração por parte do fisco com arrimo em documento de que tratava de peça de arte verdadeira com valor expressivo, isto é, substancialmente superior ao declarado. Diante desses fatos o Recorrente não logrou êxito em provar de que o valor declarado as autoridades aduaneiras estava correto com o preço pago ao exportador, daí a decisão recorrida não merecer qualquer reparo, mantendoa intacta. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10314.720504/201121 Acórdão n.º 3403002.198 S3C4T3 Fl. 20 13 O mesmo não se enxerga em face da Recorrente, ANA LÚCIA PUGA DE LACERDA, o seu nome surge com o depoimento do representante da NS Logística/Argos Trading, Sr. FABIO CZERKES SANTANA. Em declaração diz que a orientação de importação e o acompanhamento eram da senhora Ana Lúcia Puga de Lacerda. Para mim esse depoimento não é suficiente para lhe imputar conduta maculadora capaz de atribuir a responsabilidade tributária. Em seu depoimento perante a fiscalização disse que o seu trabalho é de consultoria em obra de artes, e prestou seus serviços ao Sr. Jaime Accácio Lobo Lisboa, e, que as notas fiscais emitidas para o Sr. Jaime Acácio se referiam importações do Estados Unidos da América. O Fisco não evidencia em momento algum qual teria sido a participação da consultora que pudesse atribuirlhe uma conduta contraria as normas tributárias capazes de imputar a sujeição passiva. Inexistindo evidência de que a senhora Ana Lúcia Puga de Lacerda tivesse participado ativamente no sentido de ludibriar o fisco aduaneiro induzindo o seu cliente a declarar valor inferior ao praticado, não vejo nenhuma conduta capaz de vincular ao fato gerador praticado pelo verdadeiro importador das obras de arte aos serviços prestados pela consultora. Cabia a meu ver a fiscalização demonstrar de modo cabal o ilícito, essa é atribuição da Autoridade Fiscal. O fato de se mencionar em depoimento de que a senhora Ana Lúcia Puga de Lacerda era orientadora não é o bastante para afirmar a possibilidade de ela ser enquadrada como contribuinte pela ocorrência da situação de fato praticada pelo Sr. Jaime Accácio Lobo Lisboa, como se fosse comum a ambos. Mesmo sabedor de que não necessita de previsão especifica para apontar os devedores solidários, pois a doutrina entendem tratarse de disposição do CTN de caráter geral e aplicase aos tributos existentes no sistema tributário, tenho certeza que essa solidariedade só prospera quando reste demonstrado que a pessoa envolvida tinha interesse comum na situação que constituiu o fato gerador. Portanto, sem demonstração eficaz por parte do fisco de que existia interesse comum, não consigo ver outra decisão do que o afastamento dessa solidariedade. Em sendo assim, voto no sentido de negar provimento ao apelo do Sr. Jaime Accácio Lobo Lisboa, e, acolher o recurso apresentado por Ana Lúcia Puga de Larcerda, por ausência de prova de que ela tinha interesse comum na situação que constituiu o fato gerador. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 606DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 14 Fl. 607DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10840.000918/2005-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.558
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva.
RELATÓRIO
Para elucidar os fatos ocorridos nos autos transcrevo o relatório do Acórdão refutado, in verbis:
No presente processo foi proferido Acórdão nº 14-32.224, de 24 de janeiro de 2011, tornado nulo pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF - através de decisão proferida no Acórdão 3402-001535, de 06 de outubro de 2011, acolhendo preliminar de cerceamento de defesa solicitada pelo interessado em seu recurso voluntário, dispondo em sua parte final:
Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância produza uma nova decisão, analisando todos os fundamentos jurídicos relevantes apresentados na manifestação de inconformidade, em especial, a possibilidade de aproveitamento dos créditos referentes ao valor do serviço de transporte dos materiais utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e da cana colhida.
Tal voto foi decorrência do entendimento de que a alegação do interessado quanto ao creditamento das despesas de serviços de transporte de pessoas/mercadorias não foi devidamente tratada pela DRJ, no acórdão anulado, pois só tratou das despesas de combustível utilizado no referido transporte de pessoas/mercadorias.
Passemos à análise do processo.
Trata o presente processo de Declaração de Compensação com o aproveitamento de crédito da contribuição para a Cofins não-cumulativa, referente ao período de apuração janeiro/2005, no valor de R$ 66.486,17, fls.2/4.
Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado, foi lavrado o termo de Informação Fiscal, fls. 33/35, onde se relata as divergências encontradas na apuração efetuada, quais sejam:
a) Cálculo do crédito correspondente ao estoque de abertura.
Cômputo indevido, no valor do estoque de abertura previsto no art. 12 da Lei nº 10.833, de 2003, de valores relativos a itens não previstos na legislação, conforme relação discriminada no Termo de Informação Fiscal, a saber:
Cana-de-açúcar recebida de pessoa física, despesas de depreciação, energia elétrica, combustível(utilizado no plantio e transporte de cana-de-açúcar) despesas com mão-de-obra e encargos, assistência técnica, material de expediente, licenciamento de veículos, materiais de consumo, materiais de limpeza e higiene, materiais e equipamentos de segurança, material de expediente, prêmio de seguro, despesas de conservação e reparação de veículos, transporte de pessoal, manutenção elétrica, manutenção mecânica, construção civil, carpintaria, laboratórios, automação industrial, manutenção de entressafra.
Foram considerados no cálculo do estoque de abertura somente os itens passíveis de crédito, tais como a aquisição de cana-de-açúcar de pessoas jurídicas, materiais secundários (produtos químicos), materiais de embalagem e combustíveis, conforme planilha anexada ás fls. 31.
Tais glosas resultaram na redução do crédito para desconto da COFINS em 12 parcelas de R$ 44.212,24 para R$ 17.258,03.
Após o cômputo dos valores, de acordo com as disposições legais, conforme planilha de fls. 32, concluiu que a empresa dispunha de saldo credor para a compensação, decorrente de exportações, no valor de R$ 18.554,23.
Através do Despacho Decisório de fls. 36/37, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto, reconheceu o direito creditório da empresa ao valor apurado na Informação Fiscal, que aprovou, e homologou a compensação até o limite do referido crédito.
Cientificado, o interessado, através da manifestação de inconformidade, fls.48/91, inicialmente descreve os fatos e os motivos da glosa e sobre as divergências encontradas que geraram a glosa do valor pretendido, alega em breve síntese, o seguinte:
DECADÊNCIA
Alega ... a ocorrência da decadência do prazo para o Fisco efetuar a glosa do saldo utilizado como crédito, uma vez que foi cientificado do Despacho Decisório em prazo maior que cinco anos contados da data em que o crédito do contribuinte foi constituído.
Concluiu que o indeferimento das compensações se deu com base única e exclusivamente na existência ou não do direito creditório do interessado e entende que a formação dos créditos no período de apuração equivale ao lançamento por homologação previsto no § 4º do artigo 150 do CTN e, assim, decorrido o prazo de cinco anos previsto nesse dispositivo legal, decai o direito do Fisco de efetuar glosas no valor apurado pelo contribuinte.
PRIMADO CONSTITUCIONAL DA NÃO CUMULATIVIDADE
Faz longa exposição a respeito do conceito constitucional da não cumulatividade pretendendo que os créditos sejam apurados sobre todas as despesas necessárias e/ou insumos incorridos para a formação das receitas tributáveis, ... sob o pressuposto lógico de que tais despesas/insumos, em relação às quais está se concedendo o crédito, foram outrora receita para a pessoa jurídica da etapa anterior e, por conseqüência, já foram tributadas pelo PIS e pela COFINS.
RATEIO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS.
Quanto ao rateio de custos, despesas e encargos, alega que interpretou corretamente o disposto nos §§ 7º e 8º, do art. 3º, da Lei nº 10/833, de 2003, utilizando-se do método de rateio proporcional;
Destaca que a legislação determina a apuração da relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita total, ... sem especificar que qualquer um dos indicadores a ser utilizado no cálculo esteja, necessariamente, atrelado aos custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito da COFINS não cumulativa.
Entende que o conceito de receita bruta compreende receitas além daquelas advindas da venda de bens e serviços e que a lei não pretendeu que o cálculo do rateio de custos, despesas e encargos compreendesse apenas as receitas relacionadas à determinada atividade da empresa ou a receitas relacionadas aos custos, despesas e encargos que geram créditos da COFINS, e que interpretar o dispositivo legal de maneira diversa significa desnaturar a própria sistemática da não cumulatividade da COFINS.
COMBUSTÍVEL UTILIZADO NO TRANSPORTE
Quanto ao combustível utilizado no transporte, alega que na sua atividade de fabricação de álcool, açúcar e outros derivados de cana-de-açúcar é imprescindível a observância de todas as etapas, que abrangem o plantio, corte, carregamento, transporte, pesagem e amostragem, produção e distribuição e vendas dos produtos, e que o transporte de materiais utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e da cana colhida, caracteriza-se como uma despesa incorrida numa etapa da produção da empresa, cujo resultado será tributado pela COFINS e pelo PIS não cumulativa.
Continua, alegando que a IN SRF nº 404, de 2004, restringiu o direito de aproveitamento de crédito sobre as despesas que formam a receita e limitou o conceito de insumo passível a gerar direito ao crédito previsto no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.833, de 2003, que transcreve. Assim, alega tal ato normativo extrapolou a previsão contida na lei.
CRÉDITO PRESUMIDO - ESTOQUE DE ABERTURA
Alega que os custos utilizados para a composição do crédito decorrente do estoque de abertura se relacionam a insumos ou materiais intermediários para a produção, e que a própria Receita Federal entende que o valor que deve ser levado em consideração e aquele constante dos registros contábeis, sem adições ou exclusões, à vista do disposto no art. 48, §§ 7º e 8º, da IN SRF nº 594, de 2005.
Questiona as glosas efetuadas, uma vez que a legislação não diferenciou, para fins do cálculo do estoque de abertura, o tipo de custo incorrido pela pessoa jurídica, determinando a utilização da fórmula que considera o valor do estoque constante nos registros contábeis, sem adições ou exclusões.
A seguir, destaca alguns itens em que considera que o direito ao crédito é mais evidente, a saber:
(i) Transporte de pessoal, - Alega que as despesas em relação a esse item são essenciais para a atividade do interessado a fabricação de açúcar álcool e outros produtos derivados sendo imprescindível a observância de todas as etapas da atividade, abrangendo o plantio, carregamento, transporte, pesagem e amostragem, produção de açúcar e álcool, distribuição e venda desses produtos.
Assim, não concorda com o entendimento do fisco no sentido de que não há amparo legal para considerar o combustível utilizado no transporte de apoio do plantio de cana-de-açúcar como insumo na produção dos produtos destinados à venda.
Que o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 dá direito a considerar crédito todos os dispêndios (custos e despesas) da pessoa jurídica com vistas á geração de sua receita tributável e que o transporte dos materiais, trabalhadores, mudas e da cana colhida são atividades necessárias para a chegada da cana-de-açúcar à indústria, onde será processada.
(ii) Despesas de depreciação - Alega que a Lei nº 10.865, de 2004, ofendeu o primado da não cumulatividade, o princípio da irretroatividade da norma tributária, da isonomia e livre concorrência, estes ao distinguir os contribuintes que adquiriram bens incorporados ao Ativo imobilizado antes de 01/05/2004, que não tem direito ao crédito referente à depreciação de amortização dos bens e os que adquiriram depois desta data, que tem direito a tal crédito.
Critica a escolha da data 01/05/2004 para a entrada em vigor do direito ao crédito, pois não há qualquer correlação com as datas das leis que criaram a sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins, nem outro qualquer critério lógico.
(iii) Despesas referentes à assistência técnica, material de expediente, materiais de consumo, materiais e equipamentos de segurança, manutenção elétrica, manutenção mecânica, automação industrial e manutenção de entressafra, - Alega que a Receita Federal, através da IN SRF nº 404, de 2004, restringiu o direito ao aproveitamento de crédito e limitou o conceito de insumo passível de gerar direito a crédito, fato repetido através de inúmeras Soluções de Consulta.
Que tais restrições não estão de acordo com o primado constitucional da não cumulatividade do PIS e da Cofins e nem mesmo com o disposto na Lei nº 10.833, de 2003 e, assim, representam clara transgressão à sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins de forma plena, pois impedem o aproveitamento de créditos referentes à atividades essenciais do interessado para obter/manter o produto acabado em condições de pronta vendagem.
Requer o reconhecimento integral do direito creditório pleiteado, a homologação das compensações declaradas e o cancelamento dos valores exigidos por meio de intimação.
A 5ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14-39.314, de 23 de novembro de 2012, cuja ementa abaixo reproduzo:
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 31/01/2005
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
No caso de compensação, o prazo para a homologação é de cinco anos contados da entrega da declaração. Não é aplicável o prazo previsto no art. 150, § 4º, do CTN, pela inexistência de pagamento extinguindo o crédito tributário. Cientificado o interessado da não homologação da compensação dentro do prazo de cinco anos previsto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, legítima e legal a cobrança de eventuais saldos de créditos tributários.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 31/01/2005
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. PROPORCIONALIDADE.
Na apuração da proporcionalidade entre a receita sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, considera-se esta como o total das receitas, cumulativa e não-cumulativa, que tenham custos, despesas e encargos comuns.
CRÉDITO PRESUMIDO.COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8° e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação.
DEDUÇÃO. INSUMOS. COMBUSTÍVEL E DEMAIS DESPESAS DE TRANSPORTE DE PESSOAS OU MERCADORIAS, NÃO UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Entende-se como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, a matéria-prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado.
O combustível e as demais despesas com o transporte de pessoas ou mercadorias utilizadas em fases que não a fabricação do produto não podem ser consideradas como insumo, para efeito de dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal.
DEDUÇÃO. INSUMOS - CRÉDITO DO ESTOQUE DE ABERTURA.
Entende-se como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, relativamente ao estoque de abertura, a matéria-prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado.
O sujeito passivo teve ciência desta nova decisão e apresentou novo recurso voluntário, onde alega, em breve síntese que:
Ocorreu a decadência, na medida em que transcorreu mais de 05 (cinco) anos entre o levantamento do estoque de abertura e da recomposição da escrita fiscal e a intimação da glosa dos créditos;
Deve ser afastada a equivocada noção restrita do conceito de insumos admitida no acórdão recorrido, o que deverá ser observado, inclusive, em relação aos montantes que compuseram o seu estoque de abertura; relata, ainda neste tocante, alguns insumos em que o direito creditório seria ainda mais evidente, tais como o transporte de pessoal, as despesas de depreciação, a assistência técnica, manutenção elétrica, etc;
O procedimento adotado pelo contribuinte com relação ao rateio de custos, despesas e encargos foi o correto, inexistindo elementos que justifiquem a exclusão de parcela das receitas sujeitas a incidência não-cumulativa da Cofins desse cálculo; e
As receitas decorrentes de complemento de exportação, estas devem ser consideradas como receitas de exportação e não como receitas financeiras, tal qual pretendem classificá-las as autoridades fiscais.
Termina sua petição recursal requerendo a homologação das compensações pleiteadas.
É o relatório.
VOTO
Nome do relator: Não se aplica
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RELATÓRIO Para elucidar os fatos ocorridos nos autos transcrevo o relatório do Acórdão refutado, in verbis: No presente processo foi proferido Acórdão nº 14-32.224, de 24 de janeiro de 2011, tornado nulo pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF - através de decisão proferida no Acórdão 3402-001535, de 06 de outubro de 2011, acolhendo preliminar de cerceamento de defesa solicitada pelo interessado em seu recurso voluntário, dispondo em sua parte final: Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância produza uma nova decisão, analisando todos os fundamentos jurídicos relevantes apresentados na manifestação de inconformidade, em especial, a possibilidade de aproveitamento dos créditos referentes ao valor do serviço de transporte dos materiais utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e da cana colhida. Tal voto foi decorrência do entendimento de que a alegação do interessado quanto ao creditamento das despesas de serviços de transporte de pessoas/mercadorias não foi devidamente tratada pela DRJ, no acórdão anulado, pois só tratou das despesas de combustível utilizado no referido transporte de pessoas/mercadorias. Passemos à análise do processo. Trata o presente processo de Declaração de Compensação com o aproveitamento de crédito da contribuição para a Cofins não-cumulativa, referente ao período de apuração janeiro/2005, no valor de R$ 66.486,17, fls.2/4. Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado, foi lavrado o termo de Informação Fiscal, fls. 33/35, onde se relata as divergências encontradas na apuração efetuada, quais sejam: a) Cálculo do crédito correspondente ao estoque de abertura. Cômputo indevido, no valor do estoque de abertura previsto no art. 12 da Lei nº 10.833, de 2003, de valores relativos a itens não previstos na legislação, conforme relação discriminada no Termo de Informação Fiscal, a saber: Cana-de-açúcar recebida de pessoa física, despesas de depreciação, energia elétrica, combustível(utilizado no plantio e transporte de cana-de-açúcar) despesas com mão-de-obra e encargos, assistência técnica, material de expediente, licenciamento de veículos, materiais de consumo, materiais de limpeza e higiene, materiais e equipamentos de segurança, material de expediente, prêmio de seguro, despesas de conservação e reparação de veículos, transporte de pessoal, manutenção elétrica, manutenção mecânica, construção civil, carpintaria, laboratórios, automação industrial, manutenção de entressafra. Foram considerados no cálculo do estoque de abertura somente os itens passíveis de crédito, tais como a aquisição de cana-de-açúcar de pessoas jurídicas, materiais secundários (produtos químicos), materiais de embalagem e combustíveis, conforme planilha anexada ás fls. 31. Tais glosas resultaram na redução do crédito para desconto da COFINS em 12 parcelas de R$ 44.212,24 para R$ 17.258,03. Após o cômputo dos valores, de acordo com as disposições legais, conforme planilha de fls. 32, concluiu que a empresa dispunha de saldo credor para a compensação, decorrente de exportações, no valor de R$ 18.554,23. Através do Despacho Decisório de fls. 36/37, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto, reconheceu o direito creditório da empresa ao valor apurado na Informação Fiscal, que aprovou, e homologou a compensação até o limite do referido crédito. Cientificado, o interessado, através da manifestação de inconformidade, fls.48/91, inicialmente descreve os fatos e os motivos da glosa e sobre as divergências encontradas que geraram a glosa do valor pretendido, alega em breve síntese, o seguinte: DECADÊNCIA Alega ... a ocorrência da decadência do prazo para o Fisco efetuar a glosa do saldo utilizado como crédito, uma vez que foi cientificado do Despacho Decisório em prazo maior que cinco anos contados da data em que o crédito do contribuinte foi constituído. Concluiu que o indeferimento das compensações se deu com base única e exclusivamente na existência ou não do direito creditório do interessado e entende que a formação dos créditos no período de apuração equivale ao lançamento por homologação previsto no § 4º do artigo 150 do CTN e, assim, decorrido o prazo de cinco anos previsto nesse dispositivo legal, decai o direito do Fisco de efetuar glosas no valor apurado pelo contribuinte. PRIMADO CONSTITUCIONAL DA NÃO CUMULATIVIDADE Faz longa exposição a respeito do conceito constitucional da não cumulatividade pretendendo que os créditos sejam apurados sobre todas as despesas necessárias e/ou insumos incorridos para a formação das receitas tributáveis, ... sob o pressuposto lógico de que tais despesas/insumos, em relação às quais está se concedendo o crédito, foram outrora receita para a pessoa jurídica da etapa anterior e, por conseqüência, já foram tributadas pelo PIS e pela COFINS. RATEIO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. Quanto ao rateio de custos, despesas e encargos, alega que interpretou corretamente o disposto nos §§ 7º e 8º, do art. 3º, da Lei nº 10/833, de 2003, utilizando-se do método de rateio proporcional; Destaca que a legislação determina a apuração da relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita total, ... sem especificar que qualquer um dos indicadores a ser utilizado no cálculo esteja, necessariamente, atrelado aos custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito da COFINS não cumulativa. Entende que o conceito de receita bruta compreende receitas além daquelas advindas da venda de bens e serviços e que a lei não pretendeu que o cálculo do rateio de custos, despesas e encargos compreendesse apenas as receitas relacionadas à determinada atividade da empresa ou a receitas relacionadas aos custos, despesas e encargos que geram créditos da COFINS, e que interpretar o dispositivo legal de maneira diversa significa desnaturar a própria sistemática da não cumulatividade da COFINS. COMBUSTÍVEL UTILIZADO NO TRANSPORTE Quanto ao combustível utilizado no transporte, alega que na sua atividade de fabricação de álcool, açúcar e outros derivados de cana-de-açúcar é imprescindível a observância de todas as etapas, que abrangem o plantio, corte, carregamento, transporte, pesagem e amostragem, produção e distribuição e vendas dos produtos, e que o transporte de materiais utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e da cana colhida, caracteriza-se como uma despesa incorrida numa etapa da produção da empresa, cujo resultado será tributado pela COFINS e pelo PIS não cumulativa. Continua, alegando que a IN SRF nº 404, de 2004, restringiu o direito de aproveitamento de crédito sobre as despesas que formam a receita e limitou o conceito de insumo passível a gerar direito ao crédito previsto no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.833, de 2003, que transcreve. Assim, alega tal ato normativo extrapolou a previsão contida na lei. CRÉDITO PRESUMIDO - ESTOQUE DE ABERTURA Alega que os custos utilizados para a composição do crédito decorrente do estoque de abertura se relacionam a insumos ou materiais intermediários para a produção, e que a própria Receita Federal entende que o valor que deve ser levado em consideração e aquele constante dos registros contábeis, sem adições ou exclusões, à vista do disposto no art. 48, §§ 7º e 8º, da IN SRF nº 594, de 2005. Questiona as glosas efetuadas, uma vez que a legislação não diferenciou, para fins do cálculo do estoque de abertura, o tipo de custo incorrido pela pessoa jurídica, determinando a utilização da fórmula que considera o valor do estoque constante nos registros contábeis, sem adições ou exclusões. A seguir, destaca alguns itens em que considera que o direito ao crédito é mais evidente, a saber: (i) Transporte de pessoal, - Alega que as despesas em relação a esse item são essenciais para a atividade do interessado a fabricação de açúcar álcool e outros produtos derivados sendo imprescindível a observância de todas as etapas da atividade, abrangendo o plantio, carregamento, transporte, pesagem e amostragem, produção de açúcar e álcool, distribuição e venda desses produtos. Assim, não concorda com o entendimento do fisco no sentido de que não há amparo legal para considerar o combustível utilizado no transporte de apoio do plantio de cana-de-açúcar como insumo na produção dos produtos destinados à venda. Que o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 dá direito a considerar crédito todos os dispêndios (custos e despesas) da pessoa jurídica com vistas á geração de sua receita tributável e que o transporte dos materiais, trabalhadores, mudas e da cana colhida são atividades necessárias para a chegada da cana-de-açúcar à indústria, onde será processada. (ii) Despesas de depreciação - Alega que a Lei nº 10.865, de 2004, ofendeu o primado da não cumulatividade, o princípio da irretroatividade da norma tributária, da isonomia e livre concorrência, estes ao distinguir os contribuintes que adquiriram bens incorporados ao Ativo imobilizado antes de 01/05/2004, que não tem direito ao crédito referente à depreciação de amortização dos bens e os que adquiriram depois desta data, que tem direito a tal crédito. Critica a escolha da data 01/05/2004 para a entrada em vigor do direito ao crédito, pois não há qualquer correlação com as datas das leis que criaram a sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins, nem outro qualquer critério lógico. (iii) Despesas referentes à assistência técnica, material de expediente, materiais de consumo, materiais e equipamentos de segurança, manutenção elétrica, manutenção mecânica, automação industrial e manutenção de entressafra, - Alega que a Receita Federal, através da IN SRF nº 404, de 2004, restringiu o direito ao aproveitamento de crédito e limitou o conceito de insumo passível de gerar direito a crédito, fato repetido através de inúmeras Soluções de Consulta. Que tais restrições não estão de acordo com o primado constitucional da não cumulatividade do PIS e da Cofins e nem mesmo com o disposto na Lei nº 10.833, de 2003 e, assim, representam clara transgressão à sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins de forma plena, pois impedem o aproveitamento de créditos referentes à atividades essenciais do interessado para obter/manter o produto acabado em condições de pronta vendagem. Requer o reconhecimento integral do direito creditório pleiteado, a homologação das compensações declaradas e o cancelamento dos valores exigidos por meio de intimação. A 5ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14-39.314, de 23 de novembro de 2012, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2005 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. No caso de compensação, o prazo para a homologação é de cinco anos contados da entrega da declaração. Não é aplicável o prazo previsto no art. 150, § 4º, do CTN, pela inexistência de pagamento extinguindo o crédito tributário. Cientificado o interessado da não homologação da compensação dentro do prazo de cinco anos previsto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, legítima e legal a cobrança de eventuais saldos de créditos tributários. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 31/01/2005 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. PROPORCIONALIDADE. Na apuração da proporcionalidade entre a receita sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, considera-se esta como o total das receitas, cumulativa e não-cumulativa, que tenham custos, despesas e encargos comuns. CRÉDITO PRESUMIDO.COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8° e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação. DEDUÇÃO. INSUMOS. COMBUSTÍVEL E DEMAIS DESPESAS DE TRANSPORTE DE PESSOAS OU MERCADORIAS, NÃO UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Entende-se como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, a matéria-prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O combustível e as demais despesas com o transporte de pessoas ou mercadorias utilizadas em fases que não a fabricação do produto não podem ser consideradas como insumo, para efeito de dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal. DEDUÇÃO. INSUMOS - CRÉDITO DO ESTOQUE DE ABERTURA. Entende-se como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, relativamente ao estoque de abertura, a matéria-prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O sujeito passivo teve ciência desta nova decisão e apresentou novo recurso voluntário, onde alega, em breve síntese que: Ocorreu a decadência, na medida em que transcorreu mais de 05 (cinco) anos entre o levantamento do estoque de abertura e da recomposição da escrita fiscal e a intimação da glosa dos créditos; Deve ser afastada a equivocada noção restrita do conceito de insumos admitida no acórdão recorrido, o que deverá ser observado, inclusive, em relação aos montantes que compuseram o seu estoque de abertura; relata, ainda neste tocante, alguns insumos em que o direito creditório seria ainda mais evidente, tais como o transporte de pessoal, as despesas de depreciação, a assistência técnica, manutenção elétrica, etc; O procedimento adotado pelo contribuinte com relação ao rateio de custos, despesas e encargos foi o correto, inexistindo elementos que justifiquem a exclusão de parcela das receitas sujeitas a incidência não-cumulativa da Cofins desse cálculo; e As receitas decorrentes de complemento de exportação, estas devem ser consideradas como receitas de exportação e não como receitas financeiras, tal qual pretendem classificá-las as autoridades fiscais. Termina sua petição recursal requerendo a homologação das compensações pleiteadas. É o relatório. VOTO
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(assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .0 00 91 8/ 20 05 -3 3 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000918/200533 Resolução nº 3402000.558 S3C4T2 Fl. 101 2 RELATÓRIO Para elucidar os fatos ocorridos nos autos transcrevo o relatório do Acórdão refutado, in verbis: No presente processo foi proferido Acórdão nº 1432.224, de 24 de janeiro de 2011, tornado nulo pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF através de decisão proferida no Acórdão 3402001535, de 06 de outubro de 2011, acolhendo preliminar de cerceamento de defesa solicitada pelo interessado em seu recurso voluntário, dispondo em sua parte final: “Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância produza uma nova decisão, analisando todos os fundamentos jurídicos relevantes apresentados na manifestação de inconformidade, em especial, a possibilidade de aproveitamento dos créditos referentes ao valor do serviço de transporte dos materiais utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e da cana colhida.” Tal voto foi decorrência do entendimento de que a alegação do interessado quanto ao creditamento das despesas de serviços de transporte de pessoas/mercadorias não foi devidamente tratada pela DRJ, no acórdão anulado, pois só tratou das despesas de combustível utilizado no referido transporte de pessoas/mercadorias. Passemos à análise do processo. Trata o presente processo de Declaração de Compensação com o aproveitamento de crédito da contribuição para a Cofins não cumulativa, referente ao período de apuração janeiro/2005, no valor de R$ 66.486,17, fls.2/4. Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado, foi lavrado o termo de Informação Fiscal, fls. 33/35, onde se relata as divergências encontradas na apuração efetuada, quais sejam: a) Cálculo do crédito correspondente ao estoque de abertura. Cômputo indevido, no valor do estoque de abertura previsto no art. 12 da Lei nº 10.833, de 2003, de valores relativos a itens não previstos na legislação, conforme relação discriminada no Termo de Informação Fiscal, a saber: Canadeaçúcar recebida de pessoa física, despesas de depreciação, energia elétrica, combustível(utilizado no plantio e transporte de cana deaçúcar) despesas com mãodeobra e encargos, assistência técnica, material de expediente, licenciamento de veículos, materiais de consumo, materiais de limpeza e higiene, materiais e equipamentos de segurança, material de expediente, prêmio de seguro, despesas de conservação e reparação de veículos, transporte de pessoal, manutenção elétrica, manutenção mecânica, construção civil, carpintaria, laboratórios, automação industrial, manutenção de entressafra. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000918/200533 Resolução nº 3402000.558 S3C4T2 Fl. 102 3 Foram considerados no cálculo do estoque de abertura somente os itens passíveis de crédito, tais como a aquisição de canadeaçúcar de pessoas jurídicas, materiais secundários (produtos químicos), materiais de embalagem e combustíveis, conforme planilha anexada ás fls. 31. Tais glosas resultaram na redução do crédito para desconto da COFINS em 12 parcelas de R$ 44.212,24 para R$ 17.258,03. Após o cômputo dos valores, de acordo com as disposições legais, conforme planilha de fls. 32, concluiu que a empresa dispunha de saldo credor para a compensação, decorrente de exportações, no valor de R$ 18.554,23. Através do Despacho Decisório de fls. 36/37, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto, reconheceu o direito creditório da empresa ao valor apurado na Informação Fiscal, que aprovou, e homologou a compensação até o limite do referido crédito. Cientificado, o interessado, através da manifestação de inconformidade, fls.48/91, inicialmente descreve os fatos e os motivos da glosa e sobre as divergências encontradas que geraram a glosa do valor pretendido, alega em breve síntese, o seguinte: DECADÊNCIA Alega “... a ocorrência da decadência do prazo para o Fisco efetuar a glosa do saldo utilizado como crédito”, uma vez que foi cientificado do Despacho Decisório em prazo maior que cinco anos contados da data em que o crédito do contribuinte foi constituído. Concluiu que o indeferimento das compensações se deu com base única e exclusivamente na existência ou não do direito creditório do interessado e entende que a formação dos créditos no período de apuração equivale ao lançamento por homologação previsto no § 4º do artigo 150 do CTN e, assim, decorrido o prazo de cinco anos previsto nesse dispositivo legal, decai o direito do Fisco de efetuar glosas no valor apurado pelo contribuinte. PRIMADO CONSTITUCIONAL DA NÃO CUMULATIVIDADE Faz longa exposição a respeito do conceito constitucional da não cumulatividade pretendendo que os créditos sejam apurados sobre todas as despesas necessárias e/ou insumos incorridos para a formação das receitas tributáveis, “... sob o pressuposto lógico de que tais despesas/insumos, em relação às quais está se concedendo o crédito, foram outrora receita para a pessoa jurídica “da etapa anterior” e, por conseqüência, já foram tributadas pelo PIS e pela COFINS”. RATEIO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. Quanto ao rateio de custos, despesas e encargos, alega que interpretou corretamente o disposto nos §§ 7º e 8º, do art. 3º, da Lei nº 10/833, de 2003, utilizandose do método de rateio proporcional; Fl. 286DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000918/200533 Resolução nº 3402000.558 S3C4T2 Fl. 103 4 Destaca que a legislação determina a apuração da relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita total, “... sem especificar que qualquer um dos indicadores a ser utilizado no cálculo esteja, necessariamente, atrelado aos custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito da COFINS não cumulativa”. Entende que o conceito de receita bruta compreende receitas além daquelas advindas da venda de bens e serviços e que a lei não pretendeu que o cálculo do rateio de custos, despesas e encargos compreendesse apenas as receitas relacionadas à determinada atividade da empresa ou a receitas relacionadas aos custos, despesas e encargos que geram créditos da COFINS, e que interpretar o dispositivo legal de maneira diversa significa desnaturar a própria sistemática da não cumulatividade da COFINS. COMBUSTÍVEL UTILIZADO NO TRANSPORTE Quanto ao combustível utilizado no transporte, alega que na sua atividade de fabricação de álcool, açúcar e outros derivados de cana deaçúcar é imprescindível a observância de todas as etapas, que abrangem o plantio, corte, carregamento, transporte, pesagem e amostragem, produção e distribuição e vendas dos produtos, e que o transporte de materiais utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e da cana colhida, caracterizase como uma despesa incorrida numa etapa da produção da empresa, cujo resultado será tributado pela COFINS e pelo PIS não cumulativa. Continua, alegando que a IN SRF nº 404, de 2004, restringiu o direito de aproveitamento de crédito sobre as despesas que formam a receita e limitou o conceito de insumo passível a gerar direito ao crédito previsto no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.833, de 2003, que transcreve. Assim, alega tal ato normativo extrapolou a previsão contida na lei. CRÉDITO PRESUMIDO ESTOQUE DE ABERTURA Alega que os custos utilizados para a composição do crédito decorrente do estoque de abertura se relacionam a insumos ou materiais intermediários para a produção, e que a própria Receita Federal entende que o valor que deve ser levado em consideração e aquele constante dos registros contábeis, sem adições ou exclusões, à vista do disposto no art. 48, §§ 7º e 8º, da IN SRF nº 594, de 2005. Questiona as glosas efetuadas, uma vez que a legislação não diferenciou, para fins do cálculo do estoque de abertura, o tipo de custo incorrido pela pessoa jurídica, determinando a utilização da fórmula que considera “o valor do estoque constante nos registros contábeis, sem adições ou exclusões”. A seguir, destaca alguns itens em que considera que o direito ao crédito é mais evidente, a saber: (i) Transporte de pessoal, Alega que as despesas em relação a esse item são essenciais para a atividade do interessado – a fabricação de açúcar álcool e outros produtos derivados – sendo imprescindível a observância de todas as etapas da atividade, abrangendo o plantio, Fl. 287DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000918/200533 Resolução nº 3402000.558 S3C4T2 Fl. 104 5 carregamento, transporte, pesagem e amostragem, produção de açúcar e álcool, distribuição e venda desses produtos. Assim, não concorda com o entendimento do fisco no sentido de que não há amparo legal para considerar o combustível utilizado no transporte de apoio do plantio de canadeaçúcar como insumo na produção dos produtos destinados à venda. Que o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 dá direito a considerar crédito todos os dispêndios (custos e despesas) da pessoa jurídica com vistas á geração de sua receita tributável e que o transporte dos materiais, trabalhadores, mudas e da cana colhida são atividades necessárias para a chegada da canadeaçúcar à indústria, onde será processada. (ii) Despesas de depreciação Alega que a Lei nº 10.865, de 2004, ofendeu o primado da não cumulatividade, o princípio da irretroatividade da norma tributária, da isonomia e livre concorrência, estes ao distinguir os contribuintes que adquiriram bens incorporados ao Ativo imobilizado antes de 01/05/2004, que não tem direito ao crédito referente à depreciação de amortização dos bens e os que adquiriram depois desta data, que tem direito a tal crédito. Critica a escolha da data – 01/05/2004 – para a entrada em vigor do direito ao crédito, pois não há qualquer correlação com as datas das leis que criaram a sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins, nem outro qualquer critério lógico. (iii) Despesas referentes à assistência técnica, material de expediente, materiais de consumo, materiais e equipamentos de segurança, manutenção elétrica, manutenção mecânica, automação industrial e manutenção de entressafra, Alega que a Receita Federal, através da IN SRF nº 404, de 2004, restringiu o direito ao aproveitamento de crédito e limitou o conceito de insumo passível de gerar direito a crédito, fato repetido através de inúmeras Soluções de Consulta. Que tais restrições não estão de acordo com o primado constitucional da não cumulatividade do PIS e da Cofins e nem mesmo com o disposto na Lei nº 10.833, de 2003 e, assim, representam clara transgressão à sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins de forma plena, pois impedem o aproveitamento de créditos referentes à atividades essenciais do interessado para obter/manter o produto acabado em condições de pronta vendagem. Requer o reconhecimento integral do direito creditório pleiteado, a homologação das compensações declaradas e o cancelamento dos valores exigidos por meio de intimação. A 5ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1439.314, de 23 de novembro de 2012, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2005 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000918/200533 Resolução nº 3402000.558 S3C4T2 Fl. 105 6 No caso de compensação, o prazo para a homologação é de cinco anos contados da entrega da declaração. Não é aplicável o prazo previsto no art. 150, § 4º, do CTN, pela inexistência de pagamento extinguindo o crédito tributário. Cientificado o interessado da não homologação da compensação dentro do prazo de cinco anos previsto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, legítima e legal a cobrança de eventuais saldos de créditos tributários. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PROPORCIONALIDADE. Na apuração da proporcionalidade entre a receita sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, considerase esta como o total das receitas, cumulativa e nãocumulativa, que tenham custos, despesas e encargos comuns. CRÉDITO PRESUMIDO.COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8° e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação. DEDUÇÃO. INSUMOS. COMBUSTÍVEL E DEMAIS DESPESAS DE TRANSPORTE DE PESSOAS OU MERCADORIAS, NÃO UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Entendese como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O combustível e as demais despesas com o transporte de pessoas ou mercadorias utilizadas em fases que não a fabricação do produto não podem ser consideradas como insumo, para efeito de dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal. DEDUÇÃO. INSUMOS CRÉDITO DO ESTOQUE DE ABERTURA. Entendese como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, relativamente ao estoque de abertura, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O sujeito passivo teve ciência desta nova decisão e apresentou novo recurso voluntário, onde alega, em breve síntese que: Fl. 289DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000918/200533 Resolução nº 3402000.558 S3C4T2 Fl. 106 7 a) Ocorreu a decadência, na medida em que transcorreu mais de 05 (cinco) anos entre o levantamento do estoque de abertura e da recomposição da escrita fiscal e a intimação da glosa dos créditos; b) Deve ser afastada a equivocada noção restrita do conceito de insumos admitida no acórdão recorrido, o que deverá ser observado, inclusive, em relação aos montantes que compuseram o seu estoque de abertura; relata, ainda neste tocante, alguns insumos em que o direito creditório seria ainda mais evidente, tais como o transporte de pessoal, as despesas de depreciação, a assistência técnica, manutenção elétrica, etc; c) O procedimento adotado pelo contribuinte com relação ao rateio de custos, despesas e encargos foi o correto, inexistindo elementos que justifiquem a exclusão de parcela das receitas sujeitas a incidência nãocumulativa da Cofins desse cálculo; e d) As receitas decorrentes de complemento de exportação, estas devem ser consideradas como receitas de exportação e não como receitas financeiras, tal qual pretendem classificálas as autoridades fiscais. Termina sua petição recursal requerendo a homologação das compensações pleiteadas. É o relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. A Autoridade Fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem. Conceito parecido com o utilizado pelo Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. Com base nesta premissa glosou insumos que entendia não se subsumirem a regra acima descrita. Neste contexto foram glosados diversos itens a seguir elencados: • Despesas de depreciação; Fl. 290DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000918/200533 Resolução nº 3402000.558 S3C4T2 Fl. 107 8 • Energia elétrica; • Despesas com mãodeobra e encargos; • Assistência técnica; • Material de expediente; • Licenciamento de veículos; • Materiais de consumo; • Materiais de limpeza e higiene; • Materiais e equipamentos de segurança; • Prêmio de Seguro; • Despesas de conservação e reparação de veículos; • Transporte de pessoal; • Manutenção elétrica; • Manutenção mecânica; • Construção Civil; • Carpintaria; • Laboratórios; • Automação Industrial; • Manutenção de entressafra;. Como é de conhecimentos de todos deste Colegiado, o conceito de insumo que admito e que entendo utilizado pelo Legislador na apuração de créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Por isso, entendo que em todo processo administrativo que envolver créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora para que seja esclarecida a participação de cada item (“bem ou direito”) acima relacionado no processo produtivo da empresa, ainda como, que seja efetuado descritivo Fl. 291DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000918/200533 Resolução nº 3402000.558 S3C4T2 Fl. 108 9 minucioso do referido processo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos no processo produtivo, aquilatando sua participação em relação ao produto final. Ao efetuar estas constatações, peço que a autoridade preparadora elabore um parecer conclusivo que possibilite a identificar cada custo/despesa elencados, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado, quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. É como voto. Sala das Sessões, em 24/07/2013 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Fl. 292DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 14751.720075/2011-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Constitui base de cálculo da contribuição social da empresa o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Constitui base de cálculo da contribuição social da empresa o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 72 00 75 /2 01 1- 93 Fl. 755DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento para constituição de crédito tributário sobre valores pagos a contribuintes individuais. O lançamento foi realizado em 30/06/2011. Seguem transcrições da decisão recorrida: Decisão recorrida ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Prova. Prazo. Preclusão. As provas de eventual erro no lançamento devem ser colacionadas pelo sujeito passivo no prazo da impugnação, sob pena de preclusão, somente sendo admitidas extemporaneamente em caso de força maior, fato novo ou superveniente, hipóteses legais cujas ocorrências não restaram demonstrada pelo impugnante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... O contencioso se formou, em essência, em torno da possibilidade de a impugnante produzir provas, pertinentes a eventuais erros do lançamento, com conseqüente retificações de GFIP, após esgotado o prazo legal da impugnação, bem como de incluir os valores assim apurados em parcelamento especial. Não há como deferir o pleito do sujeito passivo na matéria, pelas razões que passamos a expor. É que à Administração Pública só é lícito fazer o que a lei autoriza (concepção ampliativa do princípio da legalidade em matéria de direito público). Neste sentido, somente há respaldo legal para concessão de dilação de prazo defensório, destinado à juntada de documentos, quando comprovado pela impugnante motivo de força maior, ou de se tratar de elementos novos ou fatos supervenientes, que impossibilitassem sua apresentação no prazo de impugnação que lhe foi concedido. Contra a decisão, a recorrente reitera suas alegações iniciais, ora transcritas: I – que está recuperando as bases de dados para as necessárias retificações em GFIP, de forma individualizada para cada empregado e/ou contribuinte individual, a fim de promover a apuração dos valores efetivamente devidos e contestação daqueles apurados pelo Fisco; Fl. 756DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14751.720075/201193 Acórdão n.º 2402003.582 S2C4T2 Fl. 756 3 II – após consolidação e retificação, requer sejam os valores devidos incluídos no parcelamento especial da Lei n.º 11.960. É o Relatório. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso, dele conheço e passo ao seu exame. De fato, a recorrente se insurge quanto à possibilidade de retificação das declarações apresentadas e requer o deferimento neste presente processo do direito de adesão intempestiva ao parcelamento especial. Quanto à primeira questão, desde à impugnação, passando pelo recurso voluntário, até o presente momento, quando decorridos quase dois anos, não juntou aos autos nenhum documento que demonstrasse a correção da falta. E, ainda que o fizesse, não é objeto deste processo a autuação pelo descumprimento da obrigação de declarar as remunerações, mas pela falta de recolhimento das contribuições previdenciárias. Assim, não há o que se possa deferir em seu favor. No mais, conforme apontado pela decisão recorrida, também não é objeto deste processo o direito ou não de parcelamento do débito. Aqui se examina a correção do lançamento das contribuições, a fim de se apurar a certeza do crédito constituído. A qualquer momento, é direito dos contribuintes buscarem a melhor forma de regularizarem junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil seus débitos fiscais. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 758DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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