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Numero do processo: 10880.721903/2011-84
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. COMPENSAÇÃO DE IRRF. DEPÓSITO JUDICIAL E LEVANTAMENTO EM ANOS CALENDÁRIO DISTINTOS. APROVEITAMENTO NO MESMO ANO-CALENDÁRIO DO RECEBIMENTO DOS RENDIMENTOS A QUE CORRESPONDERAM A RETENÇÃO.
Admite-se a compensação do Imposto de Renda cuja retenção pela fonte pagadora foi comprovada pelo contribuinte. Em se tratando de depósito judicial e respectivo imposto retido na fonte, os rendimentos são tributados e a compensação é feita no ano-calendário em que há a autorização judicial para levantamento do valor depositado.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 20/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 IRPF. COMPENSAÇÃO DE IRRF. DEPÓSITO JUDICIAL E LEVANTAMENTO EM ANOS CALENDÁRIO DISTINTOS. APROVEITAMENTO NO MESMO ANO-CALENDÁRIO DO RECEBIMENTO DOS RENDIMENTOS A QUE CORRESPONDERAM A RETENÇÃO. Admite-se a compensação do Imposto de Renda cuja retenção pela fonte pagadora foi comprovada pelo contribuinte. Em se tratando de depósito judicial e respectivo imposto retido na fonte, os rendimentos são tributados e a compensação é feita no ano-calendário em que há a autorização judicial para levantamento do valor depositado. Recurso provido.
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COMPENSAÇÃO DE IRRF. DEPÓSITO JUDICIAL E LEVANTAMENTO EM ANOS CALENDÁRIO DISTINTOS. APROVEITAMENTO NO MESMO ANOCALENDÁRIO DO RECEBIMENTO DOS RENDIMENTOS A QUE CORRESPONDERAM A RETENÇÃO. Admitese a compensação do Imposto de Renda cuja retenção pela fonte pagadora foi comprovada pelo contribuinte. Em se tratando de depósito judicial e respectivo imposto retido na fonte, os rendimentos são tributados e a compensação é feita no anocalendário em que há a autorização judicial para levantamento do valor depositado. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 20/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 19 03 /2 01 1- 84 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2010, anocalendário 2009, que se originou de apuração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, na DIRPF/2010, anocalendário 2009, no valor de R$ 105.496,00, referente à fonte pagadora Secretaria Municipal de Finanças, CNPJ: 46.392.130/000703 (fl.07). O contribuinte impugnou, alegando, em síntese, que: 1) o valor considerado como compensado indevidamente consta do comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora e corresponde à retenção de IR na fonte incidente sobre rendimentos recebidos em decorrência de ação judicial; 2) sobre o depósito de honorários de R$ 575.298,09, devidos ao contribuinte e a Sergio Canestrelli pela Prefeitura Municipal de São Paulo, foram retidos R$ 157.201,81 a título de IR; tais valores foram informados em DIRF apenas em nome de Sergio Canestrelli (fl.13); 3) diante da reclamação do contribuinte, o órgão competente do Município (DESAP6) solicitou a retificação da DIRF, para que fossem emitidas DIRFs corretas, como foram, uma em nome do contribuinte em 22/02/2011 (fl.15), e outra em nome de Sergio Canestrelli em 24/02/2011 (fl.14); 4) em face das DIRFs emitidas, assevera que ficam confirmados os valores declarados em sua declaração retificadora. A impugnação foi indeferida sob fundamento assim resumido: a) não consta nos autos a alegada DIRF retificadora e o comprovante de Rendimentos (fl. 15), embora apresente valores que coincidem com os informados pelo contribuinte referese ao anocalendário 2006; b) deveria o impugnante, para comprovar as suas alegações, ter juntado aos autos outros documentos, tais como, planilha com a atualização dos cálculos de liquidação de sentença, Guia de Levantamento de Depósito, DARF de Recolhimento do IRRF, de forma que não ficou comprovada a retenção em relação ao ano calendário 2009. O contribuinte recorreu em 03/07/2012. A ciência da decisão foi formalizada posteriormente, em 03/10/2012. Em síntese, o recorrente alega que: 1. o IRRF de R$105.496,09 (parcela retida em seu nome) constou do comprovante de depósito (fls. 47), que o depósito foi realizado em 2006 porém somente foi autorizado o levantamento em 07/07/2009, por meio do Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10880.721903/201184 Acórdão n.º 2802002.376 S2TE02 Fl. 75 3 mandado de levantamento judicial nº 5362/09, tendo sido levantado em 16/07/2009 (fl. 48); 2. declarou o rendimento dos honorários no anocalendário 2009 e o correspondente valor de IRRF retido pela Municipalidade já em 2006; 3. a Municipalidade em resposta a solicitação do contribuinte informou que por equívoco informou a retenção na fonte (DIRF) somente em nome do outro advogado, Sérgio Canestrelli (fls. 49); 4. junta comprovante de rendimento do anocalendário 2006, emitido pela Municipalidade em 22/02/2011 (fls.50) no qual consta o IRRF de R$105.496,09 em seu nome; 5. o IRRF somente poderia ter sido compensado no ano calendário 2009, quando foram efetivamente recebidos e tributados (na DIRPF) os rendimentos correspondentes. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Tratase de litígio em torno da comprovação da retenção de imposto de renda na fonte no anocalendário 2009 correspondentes a rendimentos tributáveis recebidos pelo recorrente a título de honorários advocatícios. Com base nos documentos apresentados com a impugnação, a Delegacia de Julgamento considerou que foi comprovada a retenção do valor compensado pelo recorrente, porém o comprovante fazia menção ao anocalendário 2006, o que impediria sua compensação no anocalendário 2009. O acórdão recorrido indicou que o impugnante, para comprovar as suas alegações, deveria ter juntado aos autos outros documentos, tais como, planilha com a atualização dos cálculos de liquidação de sentença, Guia de Levantamento de Depósito, DARF de Recolhimento do IRRF, de forma que não ficou comprovada a retenção em relação ao ano calendário 2009. Na peça recursal o recorrente junta a Guia de Deposito emitida em 2006 que discrimina os valores retidos em seu nome e em nome do outro advogado, bem como junta o Mandado Judicial de Levantamento do Depósito emitido somente em 2009. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 O óbice apontado pela DRJ está superado. Os rendimentos devem ser tributados no ano de seu efetivo recebimento (2009) e é nesse mesmo exercício que deve ser compensado o IRRF. Portanto, devese DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001487/2010-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
O PIS e a Cofins são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, de modo que, havendo pagamento e inexistindo dolo, fraude ou simulação, a decadência rege-se pelo disposto no art. 150, §4° do CTN. Contudo, não havendo pagamento (nos termos do inciso I do artigo 156/CTN), o prazo decadencial rege-se pela norma contida no artigo 173, inciso I, do CTN.
JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINICIPAL
O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
Recursos Voluntário e de Ofício negados.
Numero da decisão: 3202-000.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: (1) Por unanimidade de votos: (a) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; e (b) negar provimento ao recurso de ofício. (2) No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo-se integralmente a decisão de primeira instância. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fizeram sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Marcos Vinícius Neder, OAB/SP 309.079, e, pela Fazenda Nacional, o Procurador da Fazenda Nacional Rodrigo de Macedo e Burgos.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Jacques Maurício Ferreira Veloso, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago de Moura Albuquerque.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O PIS e a Cofins são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, de modo que, havendo pagamento e inexistindo dolo, fraude ou simulação, a decadência rege-se pelo disposto no art. 150, §4° do CTN. Contudo, não havendo pagamento (nos termos do inciso I do artigo 156/CTN), o prazo decadencial rege-se pela norma contida no artigo 173, inciso I, do CTN. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINICIPAL O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Recursos Voluntário e de Ofício negados.
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. GERENCIAMENTO DO FLUXO DE CAIXA. DESPESAS CORRELATAS. As despesas relacionadas à prestação de serviço de gerenciamento o fluxo de caixa (“cash management”) não se caracterizam como despesas de captação, por não possuírem as características de uma operação de captação. Portanto, não são dedutíveis da base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. GERENCIAMENTO DO FLUXO DE CAIXA. DESPESAS CORRELATAS As despesas relacionadas à prestação de serviço de gerenciamento o fluxo de caixa (“cash management”) não se caracterizam como despesas de captação, por não possuírem as características de uma operação de captação. Portanto, não são dedutíveis da base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O PIS e a Cofins são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, de modo que, havendo pagamento e inexistindo dolo, fraude ou simulação, a decadência regese pelo disposto no art. 150, §4° do CTN. Contudo, não havendo pagamento (nos termos do inciso I do artigo 156/CTN), o prazo decadencial regese pela norma contida no artigo 173, inciso I, do CTN. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINICIPAL AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 87 /2 01 0- 85 Fl. 790DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Recursos Voluntário e de Ofício negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (1) Por unanimidade de votos: (a) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; e (b) negar provimento ao recurso de ofício. (2) No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, mantendose integralmente a decisão de primeira instância. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fizeram sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Marcos Vinícius Neder, OAB/SP 309.079, e, pela Fazenda Nacional, o Procurador da Fazenda Nacional Rodrigo de Macedo e Burgos. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Jacques Maurício Ferreira Veloso, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago de Moura Albuquerque. Relatório O presente litígio decorre de lançamentos de ofício veiculados através de autos de infração, lavrados e com ciência em 17/11/2010, para a cobrança da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, multa de ofício e juros de mora, no montante de R$ 55.290.697,41 (fls. 255/268), e da Contribuição para o PIS/Pasep, multa de ofício e juros de mora, no montante de R$ 9.573.390,11 (fls. 269/281), referente ao período de janeiro de 2005 a novembro de 2007. Segundo entendeu a fiscalização (fls. 250/251) as denominadas despesas incorridas com o gerenciamento do fluxo de caixa (cash management) não podem ser deduzidas como “Outras Despesas Operacionais” na apuração da base de cálculo das contribuições. Afirma que esses valores decorrem da prestação de serviços, “representam uma reciprocidade do banco aos clientes e na realidade se configuram como despesas relacionadas com a prestação de serviços de ‘cash management’, cobranças e pagamentos e não despesas de captação”. Concluiu, assim, que os valores deduzidos a título de “Outras Despesas de Captação” não têm respaldo na legislação vigente (Lei n° 9.718/98, Decreto n° 4.542/02 e IN SRF n° 247/02). Em outras palavras, entendeu a fiscalização que a Recorrente classificou Fl. 791DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001487/201085 Acórdão n.º 3202000.638 S3C2T2 Fl. 791 3 incorretamente tais despesas como sendo de “despesas de captação” e, por conseguinte, as deduziu indevidamente da base de cálculo do PIS e da Cofins. Para melhor elucidar os fatos, transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 243254, em fiscalização empreendida junto à contribuinte supramencionada, a fiscalização apurou os fatos descritos a seguir (...): I) PIS e Cofins dos anoscalendário 2005, 2006 e 2007: Foi realizada auditoria da apuração das bases de cálculo do PIS e Cofins, efetuandose a conciliação com os respectivos registros contábeis. A contribuinte, em resposta à intimação de fls. 224, informou às fls. 225228 que deduziu como "outras despesas operacionais captação PIS/Cofins" valores pagos a clientes a título de bônus pela preferência. A contribuinte oferece aos clientes o serviço "Cash Management", de administração e execução de contas a pagar e a receber em nome dos clientes. Segundo o banco, esse produto gera receitas tributáveis pela instituição, tais como tarifas pela prestação de serviços. O próprio Banco Citibank reconhece que o produto é uma prestação de serviços, conforme modelo de contrato "Contrato de Prestação de Serviços de Correspondente no País entre Banco Comercial e Banco Múltiplo com Carteira de Banco Comercial", anexado às fls.229231. Na cláusula 6 desse contrato consta que o Banco Citibank recebe tarifas na prestação desses serviços, o que evidencia tratarse de prestação de serviços a clientes e não contrato de captação de recursos. Esses contratos geram receitas de prestação de serviços, e os valores pagos aos clientes se configuram em despesas relacionadas com a prestação de serviços de cash management, cobranças e pagamentos, e não despesas de captação. As instituições financeiras realizam intermediação financeira entre aqueles que possuem recursos e os que necessitam de recursos. Assim, os recursos captados junto aos aplicadores e depositantes é emprestado ou investido a taxas mais altas. As operações passivas de captação de recursos implicam ônus para a instituição financeira, que remunera as aplicações dos clientes, à exceção dos depósitos à vista. Essas operações são formalizadas por meio de depósitos, títulos e outras formas contratuais de obrigação, tais como: a) depósitos à vista, a prazo, de poupança e outros; aceites cambiais, letras hipotecárias e debêntures; b) empréstimos, repasses, financiamentos e outros recursos; c) instrumentos híbridos de capital e dívida. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 As despesas incorridas pela contribuinte não se enquadram nas situações elencadas; tratase de uma remuneração aos clientes pelos benefícios que o banco obtém com o serviço de "Cash Management". São despesas incorridas na prestação de serviços e não despesas incorridas na captação de recursos em operações passivas. Assim, os valores deduzidos como "Outras Despesas de Captação" não têm respaldo na legislação vigente (Lei n° 9.718/98, Decreto n° 4.524/2002 e IN n° 247/2002), e não serão considerados como dedução na apuração das bases de cálculo do PIS e da Cofins, as quais serão reajustadas no período de 01/2005 a 04/2007 conforme tabela de fls.251 do Termo de Verificação Fiscal. Os valores referentes às "Outras Despesas de Captação" foram adicionados à base de cálculo do PIS e da Cofins. No curso da ação fiscal também foram encontradas divergências entre os valores apurados nas planilhas de cálculo do PIS e Cofíns conforme IN SRF n° 247/2002, Lei n° 9.718/98 e Decreto n° 4.524/2002, entregues pela contribuinte (fls. 1723, 6869 e 74219), e os valores declarados em DCTF nos anoscalendário 2005, 2006 e 2007. Intimada em 28/10/2010 a esclarecer essas diferenças (fls.233), a contribuinte apresentou resposta gravada em CD (fls.234) sem, todavia, esclarecer as divergências referentes ao anocalendário 2005. Com relação ao anocalendário 2006, a empresa alega que o demonstrativo da base de cálculo de 11/2006 foi incorretamente apresentado, ocasionando recolhimento a maior de PIS e Cofins. Ocorre que em 25/02/2010 a empresa, em resposta ao Termo de Intimação de fls.7071, já havia apresentado novas planilhas de apuração do PIS e Cofins, período de 01/2005 a 12/2007, solicitando desconsiderar as planilhas entregues anteriormente (fls.72). Dessa forma, considerando as informações prestadas no Termo n° 5, continuam a existir as divergências apontadas no período 11/2006. Para o anocalendário de 2007, a empresa apresentou comprovantes de retenção na fonte de PIS e Cofins que totalizam R$60.146,12 e R$277.597,47 para 07/2007, respectivamente, existindo ainda uma diferença entre valores apurados e declarados em DCTF para 07/2007 nos valores de R$45.391,81 (PIS) e R$209.221,21 (Cofins). As divergências entre os valores apurados nas planilhas de cálculo do PIS e Cofins conforme Lei n° 9.718/98, IN SRF 247/2002 e Decreto n° 4.524/2002, entregues pela contribuinte, e os valores declarados em DCTF, constam da planilha de fls.252 do Termo de Verificação Fiscal. Tais valores serão adicionados à base de cálculo do PIS e da Cofins. Os autos de infração (fls.255268 e 269281) foram fundamentados nos seguintes dispositivos legais: Demonstrativo da Cofins Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor (RS) Principal Art. 2°, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/02; art. 18 da Lei n° 10.684/03. 24.670.664,89 Juros de Mora (até 29/10/2010) Art.61, §3°, da Lei n ° 9.430/96. 12.117.033,94 Multa Proporcional Fatos geradores entre 01/01/97 e 21/01/2007: Art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70/91 e art. 18.502.998,58 Fl. 793DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001487/201085 Acórdão n.º 3202000.638 S3C2T2 Fl. 792 5 44,1, da Lei n° 9.430/96; entre 22/01/97 e 14/06/2007: Art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70/91 e art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da MP n° 351/2007; a partir de 15/06/2007: art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70/91 e art. 44,1, da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007. TOTAL 55.290.697,41 Demonstrativo do PIS Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor (RS) Principal Art. 2°, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 26 e 51 do Decreto n° 4.524/02. 4.255.951,45 Juros de Mora (até 29/10/2010) Art.61, §3°, da Lei n ° 9.430/96. 2.125.475,21 Multa Proporcional Fatos geradores entre 01/01/97 e 21/01/2007: Art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70/91 e art. 44,1, da Lei n° 9.430/96; entre 22/01/97 e 14/06/2007: Art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70/91 e art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da MP n° 351/2007; a partir de 15/06/2007: art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70/91 e art. 44,1, da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007. 3.191.963,45 TOTAL 9.573.390,1 1 DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fis. 284298, acompanhada dos documentos de fls. 299544, em síntese alegando que: 1. DA DECADÊNCIA As contribuições sujeitamse ao lançamento por homologação, sendo o prazo decadencial contado na forma do art. 150, e §4°, do CTN. Assim, os créditos apurados nos meses de 01/2005 a 10/2005 estão decaídos, razão pela qual devem ser cancelados. Inaplicável o prazo previsto no art. 173 do CTN pois, no caso, houve o pagamento antecipado das contribuições, iniciandose o prazo a partir do fato gerador dos tributos, conforme jurisprudência do STJ. 2. DO PAGAMENTO E COMPENSAÇÃO DOS DÉBITOS DO PIS E DA COFINS A autuação é nula para os débitos de PIS e Cofins relativos aos meses de 01, 03, 08, 09 e 10/2005, e 01/2006, pois, conforme Darf de fls.353369, compensações de fls.371418 e planilha de fls.420, a impugnante recolheu os tributos em quantia superior ao considerado pela fiscalização. Segundo o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória, devendo o agente fiscal proceder à análise exaustiva dos elementos que influenciam o lançamento, em respeito aos princípios da verdade material, segurança jurídica, moralidade, eficiência e celeridade. 3. DA DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS DE "CASH MANAGEMENT" DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS Fl. 794DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 O "Cash Management" é um produto que consiste na administração e execução de contas a pagar e a receber em nome dos clientes. Os recursos captados com esse produto são utilizados para geração de operações ativas da impugnante, e os clientes recebem um bônus de preferência pela disponibilização desses recursos. Ressaltese que a captação de recursos pode ser realizada pela emissão de debêntures, depósitos a prazo, poupança ou pelos instrumentos híbridos de capital e dívida, os quais foram regulamentados pelo Banco Central na Resolução n° 3.444/2007 e Circular n° 3.343/2007, e são representados por diversos títulos ou contratos emitidos para captação de recursos financeiros destinados à capitalização das instituições financeiras. A caracterização de uma operação de captação de recursos não se relaciona à sua forma, mas à utilização dos valores captados para a realização de novas operações relacionadas à atividade da instituição financeira. Nas operações de captação um terceiro concede à instituição financeira recursos que deverão lhe ser devolvidos, recebendo para tanto um benefício, no caso, o bônus. Assim, as despesas com o pagamento aos clientes do "Cash Management" consistem em despesas de captação, pois as receitas decorrentes desse produto são utilizadas em operações ativas da impugnante, tornandoas essenciais para o exercício de suas atividades. O "Cash Management", por possibilitar à impugnante pagar, a título de despesa de captação, um percentual abaixo do CDI, permite maior rentabilidade na aplicação dos recursos, conforme tabela de fls.294. Nas planilhas de fls.294295 e 422544 constam os recursos captados pela impugnante no período de 01/2005 a 05/2007. Dessa forma, resta patente que as despesas relativas ao "Cash Management" podem ser deduzidas da base de cálculo do PIS e da Cofins, conforme art. 1º, inciso III, alínea "a", da Lei n° 9.701/98, e art.3°, §5o , da Lei n° 9.718/98, pois constituem despesas de captação. Além disso, as despesas decorrentes do "Cash Management" podem ser deduzidas da base de cálculo do PIS e Cofins pois podem ser consideradas despesas de intermediação financeira. A própria autoridade fiscal reconheceu que "(...) essas instituições exercem papel de intermediação financeira entre os que possuem recursos e os que deles necessitam (...)", demonstrando que as despesas da impugnante decorrentes do exercício de suas atividades decorrem de intermediação financeira. A dedução da despesa decorrente de operações de intermediação financeira é permitida pelo art. 3°, § 6º, inciso I, alínea "a", da Lei n° 9.718/98. As despesas do "Cash Management" são registradas na conta Cosif n° 8.1.9.99006, que tem como função registrar o valor das despesas operacionais que constituam despesa efetiva da instituição, sejam elas de captação ou intermediação financeira, para as quais não exista conta específica no Cosif. Conquanto as despesas não estejam registradas na conta Cosif específica para despesas de captação, a classificação contábil definida pelo BC não tem implicações tributárias. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001487/201085 Acórdão n.º 3202000.638 S3C2T2 Fl. 793 7 Norma interna do Banco Central não é considerada legislação tributária, pois não versa sobre tributos ou relações jurídicas a eles pertinentes, consoante o art. 96 do CTN, além da eficácia dessa norma estar condicionada à existência de uma lei que assim dispusesse, sob pena de afronta ao princípio da legalidade. Assim, a classificação das despesas relativas ao "Cash Management" em desacordo com as normas do Banco Central que estabeleceram o Cosif não as descaracteriza como despesas de captação, nem altera sua natureza jurídica para fins de tributação. Portanto, diante da dedutibilidade das despesas relativas ao "Cash Management", devem ser cancelados os autos de infração combatidos. É o relatório. (negritamos) A 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo proferiu o Acórdão n.º 1629.650 de 17 de fevereiro de 2011 (folhas 561/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006, 2007 COFINS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ADMINISTRAÇÃO DE CONTAS A PAGAR E A RECEBER. DESPESAS CORRELATAS. As despesas relacionadas à prestação de serviço de administração de contas a pagar e a receber de clientes da instituição não se caracterizam como despesas de captação, eis que o produto não possui as características de uma operação de captação. Portanto, não são dedutíveis da base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ADMINISTRAÇÃO DE CONTAS A PAGAR E A RECEBER. DESPESAS CORRELATAS. As despesas relacionadas à prestação de serviço de administração de contas a pagar e a receber de clientes da instituição não se caracterizam como despesas de captação, eis que o produto não possui as características de uma operação de captação. Portanto, não são dedutíveis da base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válidos são os autos de infração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 796DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 8 Anocalendário: 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O PIS e a Cofins são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, de modo que, havendo pagamento e inexistindo dolo, fraude ou simulação, a decadência regese pelo disposto no art. 150, §4° do CTN. Contudo, não havendo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial regese pela norma contida no artigo 173, inciso I, do CTN. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Foi apresentado Recurso de Ofício ao citado Acórdão (fl. 562), nos termos do que dispõe o art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008. A interessada foi cientificada do Acórdão da DRJ – São Paulo em 30/03/2011(folhas 580/587) e interpôs Recurso Voluntário em 29/04/2011 (fls. 615/ss), onde além de repisar os argumentos trazidos em sua impugnação e argui, ainda a nulidade do acórdão proferido pela DRJ – São Paulo. Em apertada síntese aduz que: Preliminares as autoridades julgadoras de primeira instância modificaram o fundamento da acusação fiscal, o que não se pode admitir. As autoridades fiscais acusaram a Recorrente de ter deduzido indevidamente como “outras despesas operacionais” as despesas incorridas com “cash management”, sob o argumento de que estas não se enquadrariam no conceito de captação; as autoridades julgadoras, por sua vez, sustentaram que as despesas incorridas com “cash management” não poderiam ser deduzidas pelo fato de não terem sido realizadas no mercado interfinanceiro, argumento esse que em nenhum momento foi questionado pela fiscalização (a realização da despesa ou não no mercado interfinanceiro); Mérito i. Quanto ao conceito de captação e do enquadramento das despesas incorridas em tal conceito o argumento da fiscalização de que as despesas relativas ao produto “cash management” não seriam dedutíveis da base de calculo do PIS e da Cofins não merece prevalecer, pelos motivos que passa a expor; o produto “cash management” é ofertado pelo Citibank N/A que contrata a Recorrente para seu fornecimento a sua rede de clientes (do Banco Citibank S/A), conforme contrato de serviços de correspondente no país, celebrado entre eles; o conceito de “captação” não encontra definição expressa na legislação e nem no regramento bancário. A consolidação das normas do Sistema Financeiro Nacional lista como modalidades de captação, sem oferecer definição expressa para o termo, as seguintes atividades: depósitos à vista, a prazo, de poupança e outros; aceites cambiais, letras hipotecárias e debêntures; empréstimos, repasses, financiamento e outros recursos; instrumentos híbridos de capital e dívida. O termo é utilizado no jargão do mercado financeiro para descrever uma vasta gama de situações; a lei tributária, mais especificamente a Lei n° 9.701/98 (art. 1º, inciso III), utilizase do conceito de “captação” sem que exista definição clara para este no regramento bancário; Fl. 797DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001487/201085 Acórdão n.º 3202000.638 S3C2T2 Fl. 794 9 o instrumento do “cash management” reduz efetivamente o custo de captação de recursos ao propiciar à instituição financeira dispêndio menor do que incorreria se recorresse ao mercado interbancário (cuja taxa de referência é o Certificado de Depósito Interbancário – CDI); a interpretação restritiva adotada pelas autoridades julgadoras, quanto ao significado de “captação”, não parece adequada por faltar no ordenamento suporte legal para esta restrição. Não se trata de hipótese de isenção, mas sim da determinação do conteúdo dos elementos que definem a base de cálculo das contribuições; a renda financeira dessa atividade que flui para o patrimônio da prestadora de serviço e não os valores brutos envolvidos na operação. Logo, a receita da instituição financeira a ser tributada pelas contribuições deve considerar a exclusão do valor da moeda despendido para atingir o objeto da mencionada atividade – a captação de recursos. Captar recursos é levantar, junto a investidores, numerário para a consecução de atividades diversas; o produto de “cash management” é eminentemente uma relação de depósito, no sentido de que o cliente, ao procurar a instituição financeira destina seus fluxos financeiros (contas a receber) ao banco para que este realize a sua gestão de caixa; o contrato que formaliza a operação de “cash management” contém um contrato de depósito, embora possa haver alguma prestação de serviços; as despesas incorridas pela Recorrente não são necessárias à prestação de serviços, mas sim de um incentivo financeiro para que os clientes escolham realizar seus depósitos junto a uma instituição e não a outra. E assim, constituem parte do custo da captação, já que compõem o custo arcado pela instituição para trazer os depositantes; o Contrato de Prestação de Serviços de Correspondentes no País (firmado entre a Recorrente e o Citibank N/A) prevê que exercerá “as funções de Correspondente no País, com vistas à prestação de serviços de execução de cobrança e execução ativa ou passiva de ordens de pagamento”; o fato de o Contrato estabelecer também uma prestação de serviços não descaracteriza o seu objeto maior que é o atendimento ao cliente e a coleta de recursos junto ao público; as despesas referentes a depósitos interfinanceiros, tratadas pela Lei n° 9.701/98, foram regulamentadas pela IN SRF 247/02, que em seu Anexo Único lista as despesas de captação como dedutíveis para fins de PIS e Cofins. Assim, a própria Receita Federal admite que são dedutíveis da base de cálculo das contribuições as despesas relacionadas a captações que ocorram no âmbito do mercado financeiro, que envolvem ao menos uma instituição financeira, podendo ou não ter como contraparte na captação uma outra instituição, que pode ou não ser financeira; ao desempenhar as atividades previstas no Contrato de Prestação de Serviços de Correspondentes no País está, nos termos da Lei n° 4.595/64, realizando a captação de recursos, mediante a coleta de numerário. Neste sentido, disponibiliza suas dependências bancárias aos clientes e deles recebe seus recursos, captando recursos para si e também para outra instituição bancária; conclui, que as despesas incorridas com “cash management” enquadramse no conceito de captação para fins de dedução da base de cálculo do PIS/Cofins, nos termos previstos pela Lei n° 9.701/98 e IN 247/02; Fl. 798DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 10 ii. Do enquadramento das despesas como intermediação financeira em outro giro, ainda que não se entenda que as despesas com “cash management” possam ser classificadas como despesas de captação, a dedutibilidade é possível por se tratarem de despesas de intermediação financeira, nos termos do artigo 3º, parágrafo 6º, inciso I, alínea “a”, da Lei n° 9.718/98. Isto porque, o produto “cash management” trata precipuamente do gerenciamento de contas a pagar e receber por parte dos clientes, sendo a Recorrente peçachave para a liquidação de contratos de seus clientes, ou seja, o banco é um intermediário financeiro; com essa intermediação a Recorrente beneficiase dos recursos captados durante o período entre a coleta e o pagamento dos débitos (“float” bancário) com a concessão de empréstimos e a transferência de recursos de terceiros e, nesse sentido, as despesas do “cash management” são necessárias para se obter o “float” bancário; iii. Da impossibilidade de cobrança dos créditos tributários relativos ao período de apuração de julho e setembro de 2005 – decadência e compensação a decisão de primeira instância reconheceu a decadência para os períodos de janeiro, março, abril, maio, agosto e outubro de 2005. Quanto aos períodos de julho e setembro de 2005, entendeu a fiscalização que os créditos não estariam decaídos, por não ter havido pagamento, mas sim compensação que não foi homologada, o que ensejaria a contagem do prazo decadencial com base no artigo 173, I, do CTN; no seu entender, aplicável ao caso o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, uma vez que o PIS e a Cofins são tributos sujeitos ao lançamento por homologação. O objeto da homologação não é o pagamento em si, mas a atividade de apuração do tributo realizada pelo sujeito passivo; ainda que no presente caso não tenha havido o pagamento antecipado (para os meses de julho e setembro de 2005), mas sim a compensação, não se pode dizer que não houve lançamento por homologação. e mais, os créditos relativos ao período de setembro de 2005 não podem ser exigidos porque foram compensados por meio da DCOMP 36593.60226.141005.1.3.045560, a qual não foi homologada, tendo sido objeto de manifestação de inconformidade pela Recorrente (processo n° 16327.903676/200951), que se encontra pendente de julgamento em primeira instância. Portanto, os referidos créditos já estão sendo discutidos nos autos do referido processo de compensação, não se podendo exigir o pagamento dos referidos débitos nos presentes autos, sob pena de cobrança de débitos em duplicidade e com exigibilidade suspensa, nos termos do que dispõe o parágrafo 11 do artigo 74 da Lei n° 9.430/96; em conclusão, não pode haver a constituição do crédito tributário pelo lançamento neste período de apuração antes do deslinde do processo n° 16327.903676/200951 uma vez que os débitos de PIS e Cofins estão com exigibilidade suspensa até a decisão definitiva na esfera administrativa; iv. Da necessidade de redução do valor da autuação com relação ao período de apuração de janeiro de 2006 os valores relativos ao mês de janeiro de 2006 foram pagos por meio de guias DARF (doc. 5) e compensação (doc. 6), entretanto, referidos pagamentos não foram integralmente considerados pela autoridade fiscal; Fl. 799DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001487/201085 Acórdão n.º 3202000.638 S3C2T2 Fl. 795 11 as autoridades fiscais deveriam ter lançado os valores de R$ 624.623,37 e R$ 101.502,76, respectivamente de Cofins e de PIS, ao invés de R$ 635.087,10 e R$ 103.201,65, tendo em vista os pagamentos e guias DARFs anexados aos autos; assim, os valores lançados para o mês de janeiro de 2006 devem ser reduzidos de R$ 10.454,73 a título de Cofins e de R$ 1.698,89 a título de PIS; v. Da impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre as multas lançadas por falta de previsão legal não há previsão legal para a inclusão dos juros de mora sobre as multas de 75% impostas ao contribuinte; da aplicação conjunta dos artigos 43 e 61 da Lei 9.430/96 concluise que não é validada a cobrança de juros de mora sobre as multas de ofício decorrentes do não pagamento de tributos; Por fim, requer seja reconhecida a nulidade da decisão de primeira instancia em preliminares e, no mérito, seja cancelado o lançamento de ofício efetuado. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou “Contrarrazões” (fls. 700/ss), onde em apertada síntese aduz: (i) Quando à suposta modificação dos fundamentos do lançamento, pela DRJ – São Paulo não houve alteração no fundamento do lançamento pela DRJ, mas apenas o reforço argumentativo da sua procedência, conforme trechos da decisão que transcreve; a autoridade julgadora antes de afirmar que a despesa sequer ocorre no mercado interfinanceiro, como exige a lei, preocupouse em confirmar o entendimento manifestado pela autoridade lançadora no sentido de que não se trata de despesa de captação; assim, a autoridade julgadora apenas identificou mais motivos pelo qual a dedução não poderia ser autorizada (“captação no mercado interfinanceiro”), o que não implica em qualquer nulidade, uma vez que o fundamento original do lançamento foi confirmado e corroborado. (ii) Quando ao enquadramento das despesas referentes aos bônus de preferência o produto “cash management” consiste num serviço contratado entre banco e cliente, com a finalidade de que o primeiro gerencie pagamentos e a cobrança de recebíveis do segundo. E para a execução do Contrato, o CITIBANK N/A subcontrata o BANCO CITIBANK S.A para que desempenhe as funções de correspondente no país, com vistas à prestação do serviço, conforme cláusula 1 do contrato às anexado às fls. 229/231. Em contrapartida pelos serviços prestados, os clientes do CITIBANK N/A pagarão ao CITIBANK (Recorrente) a tarifa correspondente (cláusula 6 do Contrato); a hipótese analisada não se trata da captação de recursos no mercado interfinanceiro. Os depósitos interbancários são instrumentos financeiros destinados a Fl. 800DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 12 possibilitar a troca de reservas entre instituições financeiras, o que não é o caso do “cash management”. Deste modo, a despesa não encontra abrigo no artigo 1º, III, a, da Lei 9.701/98; do mencionado Contrato é possível inferir que, para a contratação do serviço, é pressuposto que o cliente tenha conta junto ao CITIBANK N.A., que por sua vez subcontrata o BANCO CITIBANK S/A, deste modo, podese concluir que se trata de serviço cujos principais usuários são empresas que já mantém conta de depósito no Grupo CITIBANK. Assim, estaria esvaziado o argumento de que as despesas na prestação de serviços se prestariam, precipuamente, a gerar novos depósitos à vista na instituição bancária; o fato do produto “cash management” ocorrer no âmbito de uma conta corrente de depósito à vista não implica dizer que as despesas na prestação desse serviço sejam diretamente relacionadas com a captação de recursos; o bônus de preferência é despesa relacionada à prestação de serviço e, apenas de forma eventual e colateral, contribui para aumentar a base de depósitos do banco; de igual modo, não há como caracterizar tais despesas como incorridas em operações de intermediação financeira (art. 3º, §6º, I, “a”, da Lei 9.718/98, como pretende a Recorrente. A intermediação financeira referese a disponibilização de recursos excedentes provenientes de créditos dos agentes deficitários, portanto, o mero gerenciamento de contas a pagar e receber, bem como a cobrança de recebíveis, não se enquadra nesse conceito; a Constituição Federal estabelece que a base de cálculo das contribuições é a receita total, sendo que qualquer dedução dessa base deve estar autorizada por lei ordinária, deduções estas que têm a natureza de um benefício (isenção parcial), devendo, portanto, ser interpretada nos termos do artigo 111 do CTN; (iii) Da decadência, para os períodos de julho e setembro de 2005 quanto ao termo inicial da decadência, já foi sedimentado pelo STJ o entendimento de que, na hipótese de inexistir antecipação do pagamento, aplicase o art. 173, I, do CTN. Na falta do pagamento não há o que homologar, não sendo possível a aplicação § 4º do art 150 do CTN; tal posicionamento foi firmado no REsp 973.733/SC, em sede de recurso recursos repetitivos (art. 543C do CPC), devendo ser aplicado aos julgamentos administrativos nos termos do artigo 62A do RICARF. (iv) Quando ao lançamento referente à competência 01/2006 quanto aos débitos relativos a janeiro de 2006, embora a Recorrente alegue têlos recolhido mediante DARF e compensações, não foi capaz de infirmar os fundamentos da decisão recorrida, que atribui ao atraso no pagamento das contribuições de janeiro as diferenças postuladas pela impugnante, conforme trecho do acórdão que transcreve. (v) Quando aos juros sobre a multa de ofício o artigo 11 do CTN menciona a incidência dos juros sobre o “crédito não integralmente pago no vencimento”. o art. 113, § 1º do CTN preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária. A multa tem natureza de obrigação principal, pelo seu próprio conteúdo pecuniário; Fl. 801DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001487/201085 Acórdão n.º 3202000.638 S3C2T2 Fl. 796 13 o conceito de crédito tributário, insculpido no artigo 139 do CTN, engloba o tributo e a multa, de modo que os juros devem incidir tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa, como determina o § 1º do artigo 161 do CTN Por fim, a FAZENDA NACIONAL requer que seja negado provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte e a manutenção do acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento. A Recorrente, por meio de petição protolizada diretamente no CARF (fl. 718), juntou aos autos documento intitulado “Despesas de Intermediação Financeira e o Contrato de Cash Management Parecer”, onde reforça argumentos já apresentados em seu Recurso Voluntário. Citado documento será tratado como “Memorial”, uma vez que foi apresentado após o prazo previsto no artigo 33 do Decreto 70.235/72. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. Da admissibilidade Os Recursos de Ofício e Voluntário são tempestivos e atendem os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, serem conhecidos. Da preliminar de nulidade da decisão de primeira instância A alegação de nulidade da decisão de primeira instância suscitada pela Recorrente não deve ser acolhida. Entendo que não houve inovação no lançamento de ofício, como alega a Recorrente, haja vista que estamos discutindoo neste momento com base na descrição dos fatos e nos fundamentos jurídicos constantes da peça inicial, ou seja, com base nos elementos constantes dos lançamentos de ofício veiculados nos respectivos autos de infração (fls. 255/281). Não houve modificação dos pressupostos de fato e de direito constantes do lançamento, portanto, da “motivação” do ato administrativo de lançamento tributário. Muito menos houve alteração do “conteúdo” do ato: todos os elementos constantes do consequente da regra individual e concreta veiculada pelo lançamento foram mantidos (sujeitos ativos e passivos, base de cálculo e alíquotas). De igual modo, nenhum dos requisitos “formais” previstos no artigo 10º do PAF Decreto 70.235/72 (que foram corretamente informados no lançamento) foi alterado ou modificado. A Recorrente, ao que me parece, questiona (e discorda!) dos argumentos utilizados no voto condutor da decisão de primeira instância para fundamentar sua decisão. Portanto, não é o caso suscitar a nulidade da decisão (que está corretamente motivada), mas de Fl. 802DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 14 questionar os argumentos utilizados em sua fundamentação, o que se faz em sede do mérito. É perfeitamente possível que se discorde da decisão, como efetivamente ocorre com a ora Recorrente, entretanto, dessa discordância não pode levar a nulidade da decisão. Como bem sustentou a Procuradoria da Fazenda Nacional, a autoridade julgadora apenas utilizouse de outros argumentos complementares para motivar sua decisão, o que não implica em qualquer nulidade, uma vez que o fundamento original do lançamento foi confirmado e corroborado. Não acolho a preliminar de nulidade suscitada. Mérito i. Da decadência O acórdão recorrido reconheceu a decadência para os períodos de janeiro, março, abril, maio, agosto e outubro de 2005. O relator do acórdão da DRJ, em consultas efetuadas aos sistemas informatizados da SRFB, constatou que houve recolhimentos de PIS e Cofins para esses períodos. Portanto, como os autos de infração foram lavrados em 17/11/2010 (com ciência no mesmo dia) a decisão de primeira instância corretamente reconheceu a decadência para esses períodos de apuração (janeiro, março, abril, maio, agosto e outubro de 2005), nos termos do que prescreve o artigo 150, §4°, do CTN. Em relação aos períodos de julho e setembro de 2005, entretanto, não foi reconhecida a decadência pelo motivo de não ter havido o pagamento, mas sim a compensação (não homologada) de tributos. Nesses casos, o prazo decadencial deve ser contado nos termos do que prescreve o artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez que não há pagamento a homologar. Não há como concordar com a Recorrente quando alega que o objeto da homologação não é o pagamento em si, mas a atividade de apuração do tributo realizada pelo sujeito passivo. O §1º do artigo 150 do CTN prescreve que “o pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento”, deixando claro, a meu sentir, que o objeto da homologação é efetivamente o pagamento, entendido como uma das modalidades de extinção do crédito tributário, previsto no inciso I do artigo 156 do CTN. Este entendimento, inclusive, foi adotado pelo STJ no REsp 973.733/SC, na sistemática de recursos repetitivos previsto no art. 543C do CPC, devendo ser aplicado aos julgamentos administrativos nos termos do artigo 62A do RICARF, conforme ementa do julgado abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, Fl. 803DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001487/201085 Acórdão n.º 3202000.638 S3C2T2 Fl. 797 15 fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Quanto à alegação de que para o período de setembro de 2005 os créditos não podem ser exigidos, porque foram compensados por meio da DCOMP 36593.60226.141005.1.3.045560, como bem destacou a decisão da DRJSão Paulo, a compensação não foi homologada, em razão de inexistência de crédito, sendo a contribuinte cientificada dessa decisão em 28/04/2009 (fls. 555). Por outro lado, em relação à aventada manifestação de inconformidade supostamente efetuada pela Recorrente a não homologação dos supostos créditos (processo n° Fl. 804DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 16 16327.903676/200951), tratase de matéria não expressamente alegada quando da apresentação da Impugnação, não devendo ser conhecida em sede recursal, nos termos do artigo 17 do Decreto 70.235/72 (observar que o contribuinte tomou ciência da decisão em 28/04/2009 e a impugnação foi apresentada em 17/10/2010, portanto, poderia ter trazido essa matéria para discussão em primeira instância). Não há, portanto, reparos a fazer no voto condutor do acórdão de primeira instância. ii. Da autuação com relação ao período de janeiro de 2006 Em relação ao período de apuração de janeiro de 2006, a Recorrente afirma que os valores foram pagos por meio de DARFs (doc. 5) e compensação (doc. 6), entretanto, referidos pagamentos não foram integralmente considerados pela autoridade fiscal. E, deste modo, as autoridades fiscais deveriam ter lançado os valores de R$ 624.623,37 e R$ 101.502,76, respectivamente de Cofins e de PIS, ao invés de R$ 635.087,10 e R$ 103.201,65, tendo em vista os pagamentos e guias DARFs anexados aos autos. Conclui que os valores lançados para o mês de janeiro de 2006 devem ser reduzidos de R$ 10.454,73 a título de Cofins e de R$ 1.698,89 a título de PIS. Neste ponto, pareceme que há uma confusão por parte da Recorrente quanto à apuração dos valores devidos, notadamente em relação ao atraso no recolhimento dos tributos, conforme explicitou o voto condutor da DRJ – São Paulo em trechos que abaixo reproduzimos: Cabe dizer, no entanto, que para o período de apuração 01/2006, a fiscalização não encontrou divergências entre os valores declarados em DCTF e aqueles apurados pela contribuinte nas planilhas de cálculo do PIS e da Cofins, razão pela qual não efetuou lançamento relativo à base de cálculo informada pela contribuinte na planilha de fls. 122125. Os valores lançados nesse período são apenas aqueles referentes à base de cálculo adicionada relativa à "Outras Despesas de Captação" (fls.251). Portanto, os valores de PIS e Cofins declarados pela empresa em DCTF (fls.557558), cuja forma de quitação informada foram as compensações alegadas pela impugnante (fls.417 e 420) e os pagamentos de R$58.735,05 (PIS) e R$361.446,50 (Cofins, fls.363, repetido às fls.364), já haviam sido considerados pela fiscalização, não sendo objeto de lançamento. Notese, porém, que os pagamentos declarados de R$361.446,50 e R$58.735,05 foram efetuados em 24/02/2006, após a data de vencimento dos tributos (15/02/2006), razão pela qual amortizaram apenas os valores respectivos de R$351.021,15 e R$57.040,93 dos débitos (fls.559560). Por conta disso, a empresa recolheu em 28/11/2007 os valores de R$10.425,35 e R$1.694,12, que, somados aos valores amortizados pelos pagamentos efetuados em 24/02/2006, resultam nos montantes declarados pela empresa em DCTF. Assim, afiguramse incorretos os valores de PIS e Cofins de 01/2006 informados como Darf no demonstrativo da impugnante de fls.420, eis que não considerou o pagamento intempestivo desses Darf, ensejando os devidos acréscimos legais. Os valores corretos, efetivamente pagos pela empresa, e considerados pela fiscalização, são R$361.446,5(de Cofins e R$58.735,05 de PIS. Desse modo, nenhum reparo há a fazer nos lançamentos, pois seguiram estritamente o disposto no art.142 do CTN. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001487/201085 Acórdão n.º 3202000.638 S3C2T2 Fl. 798 17 Portanto, como detalhado no trecho acima transcrito, as diferenças de valores apontadas pela Recorrente (R$ 10.454,73 a título de Cofins e R$ 1.698,89 a título de PIS) referemse a atrasos nos recolhimento dos tributos. Destarte, não assiste razão à Recorrente quanto às alegações de erro na apuração dos valores devidos para período de apuração de janeiro de 2006. iii. Do enquadramento das despesas incorridas com as denominadas atividades de gerenciamento do fluxo de caixa/“cash management” Inicialmente mostrase necessário perquirir o que se entende pelas tais despesas com o denominado gerenciamento do fluxo de caixa (“cash management”). Na versão dos fatos trazida pela fiscalização, o Banco Citibank S/A oferece aos clientes o serviço de gerenciamento do fluxo de caixa ("Cash Management"), que representam serviços de administração e execução de contas a pagar e a receber em nome dos clientes. Assevera que o próprio Banco Citibank S/A reconhece que o produto é uma prestação de serviços, conforme o "Contrato de Prestação de Serviços de Correspondente no País entre Banco Comercial e Banco Múltiplo com Carteira de Banco Comercial" (firmado entre o Cibibank N/A e o Banco Citibank S/A), anexado às fls. 229 a 231. Na “cláusula 6ª” desse contrato consta que o Banco Citibank S/A recebe tarifas na prestação desses serviços, o que evidencia tratarse de prestação de serviços a clientes e não contrato de captação de recursos. Deste modo, esses contratos geram receitas de prestação de serviços, e os valores pagos aos clientes se configuram em despesas relacionadas com a prestação de serviços de gerenciamento de caixa (“cash management”) cobranças e pagamentos e não despesas de captação. O entendimento da autoridade fiscal é corroborado pela PGFN em suas contrarrazões anexadas aos autos. Por outro lado, na versão dos fatos trazida pela Recorrente, as tais despesas com o gerenciamento do fluxo de caixa (“cash management”) devem ser entendidas como despesas de captação, conforme resposta à intimação efetuada pela autoridade fiscal (vide fls. 225/226), que transcrevemos abaixo, verbis: A Despesa de Captação referida no Termo de Intimação n° 10/2010 está atrelada a produto oferecido pelo Citibank NA a diversos clientes. O citado produto está atrelado à otimização de contas a pagar e a receber de seus clientes, cobrança, etc. Tratase de um produto de "Cash Management", assim entendido com administração e execução de contas a pagar e a receber em nome do cliente. Para executar esse serviço e visando otimizar os objetivos dessa operação, o Citibank NA contrata o Banco Citibank S/A (Vide contrato Doe. 1), que executa os serviços de cobrança e pagamentos. Tais serviços estão descritos detalhadamente no contrato (Doc. 1). O presente produto gera diversos tipos de receitas tributáveis para a instituição, sendo a primeira uma tarifa pela prestação de serviço paga pelos clientes do Citibank NA (vide cláusula 6 do contrato Doc. 1), bem como comissão mensal paga pelo Citibank NA ao Banco Citibank S/A. Por conta disso a Requerente paga, a título de despesa de captação, um bônus pela preferência para seus clientes. Esses pagamentos são os contabilizados nas subsidiárias já demonstradas neste procedimento Fl. 806DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 18 fiscalizatório, vide planilha demonstrativa das despesas (Doc. 2), especificamente na coluna "natureza" com descritivo "captação". Por sua vez, a citada despesa de captação gerou rendimento tributável, inclusive nas apurações de PIS e COFINS. A alínea "a" do inciso I do §6° do artigo 3º da Lei n° 9718/98 dispõe que as despesas de captação são dedutíveis nas apurações de PIS e COFINS das instituições financeiras. A meu sentir, devemos buscar a natureza dos serviços prestados pela Recorrente ao Citibank N.A. no próprio "Contrato de Prestação de Serviços de Correspondente no País entre Banco Comercial e Banco Múltiplo com Carteira de Banco Comercial" (anexado às fls. 229 a 231), que estabelece as seguintes condições: 1ª. O Citibank N.A. – Filial brasileira contratou o Citibank S/A, então Recorrente, para desempenhar as funções de correspondente seu no Brasil com o objetivo de “prestação de serviços de execução de serviços de cobrança e de execução ativa ou passiva de ordens de pagamento de clientes do Citi N.A.” (cláusula 1). Portanto, claro está que se trata de uma prestação de serviços de cobrança e execução de ordens de pagamento a ser efetuada pelo Citibank S/A (prestador de serviços) em nome do Citibank N.A. aos clientes deste último; 2ª. O Citibank S/A, como contratado para a prestação de serviços que é, “na emissão de pagamento, fica isento de qualquer responsabilidade pelo pagamento de títulos vencidos ou com valores divergentes dos indicados no original do bloqueto de cobranças, limitandose a cumprir as instruções recebidas do CITI N.A.” (cláusula 3 – e). Tal disposição contratual confirma que o Citibank é um mero prestador de serviço, que age por conta e ordem do Citibank N.A.; 3ª. Na cláusula 4 do Contrato são relacionadas quais as responsabilidades das partes, dentre as quais destacamos algumas que cabem ao Citibank S/A: “(i) seguir à risca as instruções do CITI N.A.;(...) (iv) prestar contas ao CITI N.A. dos serviços prestados, com a periodicidade avençada entre as partes”. Tais dispositivos corroboram o entendimento que a Recorrente é um prestador de serviços que atua sob as ordens do CITI N.A.; 4ª. Na Cláusula 5, constam as seguintes restrições impostas ao Recorrente: (d) o CITIBANK está vedado de efetuar adiantamento por conta de recursos a eventualmente serem liberados pelo CITI N.A.”; (e) o CITIBANK está vedado de emitir, a seu favor, carnês ou títulos relativos às operações intermediárias; (f) o CITIBANK está vedado de cobrar, por iniciativa própria, qualquer tarifa relacionada com a prestação dos serviços a que se refere este Contrato; (...); (j) a obrigatoriedade de divulgação, pelo CITIBANK, em painel afixado em local visível ao público, de informação que explicite, de forma inequívoca, a sua condição de simples prestadora de serviços ao CITI N.A.”. Todos estes dispositivos contratuais demonstram que a Recorrente nada faz em seu nome, ou seja, apenas executa os serviços de cobrança e de execução de ordens de pagamento de clientes do CITI N.A., a mando deste; 5ª. A cláusula 6 estabelece a forma de remuneração da Recorrente: “As tarifas devidas em decorrência dos serviços objeto deste Contrato serão pagas pelos clientes do CITI N.A. ao CITIBANK, de acordo com a respectiva tabela de tarifas do CITIBANK, nada mais sendo devido pelo CITI N.A. ao CITIBANK em decorrência dos serviços aqui contratados”. 6ª. Por fim, importante registrar, o Contrato não traz nenhuma cláusula que autorize a contratada Citibank S/A a efetuar pagamentos aos clientes a título de bônus ou prêmio pela prestação dos serviços. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001487/201085 Acórdão n.º 3202000.638 S3C2T2 Fl. 799 19 Deste modo, pela simples leitura do Contrato, podese concluir que a Recorrente é uma mera prestadora de serviços de gerenciamento do fluxo de caixa aos clientes do Citibank N.A, mas especificamente pela execução de serviços de cobrança e de execução ativa ou passiva de ordens de pagamento. Por essa prestação dos serviços recebe tarifas dos clientes do Citibank N.A. Nada faz em seu nome (da Recorrente), mas sempre por conta e ordem do Citibank N.A. Não efetua serviços de cobrança em seu nome e de seus clientes, assim como não executa ordens de pagamento em seu nome e pelos seus clientes, mas sempre em atendimento às ordens emanadas do Citibank N.A. (cláusula 4 – i). Por óbvio, a Recorrente não pode, de igual modo, eventualmente captar recursos em seu nome (ao menos enquanto prestadora de serviços para o Citibank N.A.). Como expressamente define o Contrato (cláusula 1) a Recorrente é uma “correspondente no País” da filial brasileira do Citibank N.A. Destarte, entendo que os “bônus” ou “prêmios”, ou como a própria Recorrente afirma – um “bônus de preferência” (vide Impugnação, item 33 folha 292), tratamse de meras liberalidades concedidas pela Recorrente aos clientes do Citibank N.A. (não previstas no Contrato firmado entre as partes!), não podendo ser enquadradas como despesas usuais, recorrentes e necessárias à atividade da instituição e à manutenção dos serviços de gerenciamento de contas, não podendo, por este motivo serem enquadradas como “despesas de captação”. A despesa necessária não é aquela condicionada apenas ao fato de ter sido paga, mas é imprescindível que reste comprovado que se refira obrigatoriamente a uma contraprestação. A meu ver, o recebimento das tarifas pela prestação dos serviços de gerenciamento do fluxo de caixa aos clientes do Citibank N.A, não depende do pagamento dos “bônus de preferência”. A Recorrente não paga os “bônus” em decorrência de uma contraprestação (“obrigação jurídica”), haja vista que estes pagamentos não estão nem mesmo previstos no Contrato firmado com o Citibank N.A. Tratase de um bônus pago por sua livre opção de oferecer um incentivo, um prêmio, um “plus”, concedido pela Recorrente aos clientes do Citibank N.A. O faz quando lhe convier e na proporção que entender suficiente para influenciar seus clientes, portanto, não há como não considerar o atributo da liberalidade nesses “bônus”. Ao fim e ao cabo, é um ato de premiação da Recorrente aos clientes do Citibank N.A, unilateral, sem a necessidade de contraprestação. Em suas relações privadas as empresas podem conceder os bônus ou prêmios que entenderem adequados e que melhor lhes convier para o desenvolvimento de seus negócios, entretanto, para que tais rubricas sejam deduzidas das contribuições devidas há necessidade de expressa autorização legal. Vale lembrar, ainda, que no caso do PIS/Cofins o que se tributa é a “receita”, e não o lucro (aspecto material: “auferir receita”). É certo que a legislação, por vezes, permite que sejam excluídas ou deduzidas determinadas despesas expressamente prescritas na lei, mas não todos os gastos ou despesas efetuados. Assim, inaplicável ao caso concreto a exclusão/dedução prevista na alínea “a”, inciso III, artigo 1º da Lei nº 9.701/98 (“despesas de captação em operações realizadas no mercado interfinanceiro, inclusive com títulos públicos”), como pretende a Recorrente, para efeito de determinação da base de cálculo do PIS (e também para a Cofins, conforme o § 5º do artigo 3º da Lei 9.718/98). Fl. 808DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 20 Não há despesas de captação para a Recorrente, mas sim, repitase, a concessão de “bônus de preferência”, concedida por liberalidade, em decorrência da prestação de serviços de gerenciamento do fluxo de caixa “cash management” (execução de serviços de cobrança e de execução ativa ou passiva de ordens de pagamento). O próprio Contrato apresentado evidencia que se trata de prestação de serviços a clientes, e não contrato de captação de recursos. Não há como enquadrálos, como pretende a Recorrente, como “despesas de captação”. E mais, o dispositivo legal citado fala em “(...) operações realizadas no mercado interfinanceiro”, o que não ocorre no caso em tela. Como bem esclareceu a PGFN (“contrarrazões”) “o Dicionário de Finanças da BM&FBOVESPA define mercado interfinanceiro como o segmento de mercado onde se registram operações com Depósitos Interfinanceiros. Por sua vez, os depósitos interfinanceiros, também chamados de depósitos interbancários, são instrumentos financeiros destinados a possibilitar a troca de reservas entre instituições financeiras, o que não é o caso do ‘Cash Management’”. Do mesmo modo, a Lei nº 9.718/98 prescreve que a incidência das contribuições para o PIS e a Cofins será sobre a receita bruta da pessoa jurídica (artigos 2º e 3º). No caso de bancos, o art. 3º, parágrafo 6º, inciso I, desta Lei permite as seguintes exclusões ou deduções: § 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no §5º, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; A Recorrente argumenta, ainda, que seria possível enquadrar as despesas com gerenciamento do fluxo de caixa como “despesas incorridas nas operações de intermediação financeiras” (art. 3º, parágrafo 6º, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 9.718/98). Como muito bem destacou a decisão recorrida, a intermediação financeira ocorre quando a instituição exerce um papel intermediário entre as partes interessadas na captação e alocação de recursos, o que não é o caso dos autos. Em uma operação de intermediação financeira há a captação de recursos junto a terceiros (pessoas físicas ou jurídicas que possuam recursos poupados disponíveis para serem alocados/investidos) por instituições financeiras e o seu subsequente repasse outras pessoas (que necessitem destes recursos) ou aplicação dos recursos captados. No caso em discussão, repitase, o Citibank S/A é um mero prestador de serviço ao Citibank N.A. (conforme fartamente estipulado no Fl. 809DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001487/201085 Acórdão n.º 3202000.638 S3C2T2 Fl. 800 21 Contrato firmado entre eles), que faz o gerenciamento de caixa em nome deste último, e não em seu próprio nome, não há, portanto, intermediação financeira efetuada pelo próprio Recorrente. A Recorrente não capta recursos em seu próprio nome e nem faz a alocação destes recursos. Relembremos: a filial brasileira do Citibank NA contratou o Citibank S/A com o objetivo de “prestação de serviços de execução de serviços de cobrança e de execução ativa ou passiva de ordens de pagamento de clientes do Citi NA” (cláusula 1 do Contrato). Veja, a Recorrente presta serviços aos clientes do Citibank N.A, executando serviços de cobrança e de ordens de pagamento (pagamentos e recebimentos). Portanto, parece me cristalino tratarse de uma prestação de serviços a clientes do Citibank N.A., em nome deste. O Contrato não prevê a possibilidade de a Recorrente fazer intermediação financeira entre esses clientes, em seu próprio nome. Não capta recursos em seu próprio nome e, por conseguinte, não há como aceitar a dedução de “despesas de captação” (se não houve nem mesmo captação em seu nome, como pode haver despesas com essa captação?). Inaplicável, então, a regra contida no art. 3°, § 6º, inciso I, alínea "a", da Lei n° 9.718/98. Em conclusão, as despesas com a prestação dos serviços de gerenciamento do fluxo de caixa (“cash management”) não podem ser excluídas ou deduzidas da base de cálculo do PIS e da Cofins por falta de previsão legal, uma vez que não se enquadram na hipótese prevista na alínea “a”, inciso III, artigo 1º da Lei 9.701/98 e nem naquela prevista na alínea “a”, inciso I, § 6º, artigo 3º da Lei n° 9.718/98. iv. Quando aos juros sobre a multa de ofício A Recorrente questiona, ainda, a cobrança dos juros Selic exigidos sobre a multa de ofício, por entender que não há previsão legal para a sua incidência. Discordo deste entendimento. A meu ver, há previsão legal para a cobrança. Vejamos, inicialmente, o que dispõe o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (grifamos) Os defensores da tese da não aplicação de juros sobre a multa salientam a menção do legislador a débitos de “tributos e contribuições”, diferentemente de legislação anterior, que reportava a débitos de qualquer natureza (DecretoLei nº 2.323, de 1987, e Lei nº 8.218, de 1991). Assim, alegam que deve ser feita uma interpretação literal do texto normativo. Discordamos deste entendimento, até porque a interpretação literal, na maioria das vezes, é apenas o ponto de partida para a construção dos sentidos da norma a ser aplicada. Não devemos desprezar a expressão “decorrente de”, aposta antes dos vocábulos “tributos e contribuições”, constante do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Deste modo, a melhor leitura que se deve dar à expressão “decorrentes de tributos e contribuições”, a meu sentir, referese aos débitos “cuja origem remonta de tributos e contribuições”. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 22 A multa de ofício decorre do não pagamento do tributo! Diferente seria se o citado artigo 61 prescrevesse que “apenas os débitos de tributos e contribuições submeterse iam aos juros de mora”. Não foi essa, a meu ver, a intenção do legislador. Não devemos, portanto, interpretar o dispositivo legal desprezando o sentido da expressão “decorrente de”, constante do texto em vigor. E mais, uma interpretação exclusivamente literal não é a mais adequada, como leciona Paulo de Barros Carvalho (in Direito Tributário, Linguagem e Método, 1ª edição, p. 201): “O critério sistemático da interpretação envolve os três planos (sintático, semântico e pragmático) e é, por isso mesmo, exaustivo da linguagem do direito. Isoladamente, só o último (sistemático) tem condições de prevalecer, exatamente porque ante supõe os anteriores. É assim, considerado o método por excelência”. Se fizermos uma interpretação teleológica, pautada na finalidade do dispositivo legal, ressalta sobremaneira a necessidade de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. As multas encerram em si duas finalidades precípuas: uma finalidade punitiva, em razão da prática de uma conduta reprovada pelo ordenamento jurídico e uma finalidade educativa, na medida em que o contribuinte que cometeu o ilícito tributário, bem como os demais contribuintes, será compelido a não repetir tal conduta juridicamente indesejada. Tem se, assim, que afastar a incidência de juros moratórios sobre as multas de ofício seria frustrar totalmente a finalidade dos dispositivos legais que cominam multa de ofício. Em outro giro, se fizermos uma interpretação sistemática dos dispositivos do CTN, também chegaremos à conclusão que os juros moratórios incidem sobre a multa de ofício. Vejamos. Não adimplida a obrigação tributária no prazo legal, “nasce” para o contribuinte o dever de pagar o valor do tributo e mais a multa. Por ocasião da constituição do crédito tributário, pelo lançamento de ofício, a multa de ofício correspondente passa a integrar aquele valor, composto do tributo e devidos acréscimos legais (juros de mora + multa de ofício), nos termos do que prescreve o artigo 113/CTN. Como se observa, a partir do lançamento, o tributo e a multa de ofício passam a ser devidos pelo contribuinte, e esse valor será uniformemente corrigido de acordo com a legislação. Não há possibilidade para a segregação das formas de correção deste montante total. Em outras palavras, não é lógico que apenas o valor do tributo sofra a incidência de juros moratórios, a multa de ofício não, sendo que ambas as verbas fazem parte de um mesmo todo crédito tributário. Como dispõe o artigo 139 do CTN, o crédito tributário possui a mesma natureza da obrigação principal e esta, por sua vez, é composta tanto pelo tributo quanto pela penalidade pecuniária. Após o lançamento, tributo e multa convolamse em crédito tributário, e é sobre essa quantia que os juros deverão incidir. Concluise, assim, que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros sobre o crédito tributário, incluindose nesta rubrica, como argumentado, a multa de oficio. O § 1º do artigo 161 prescreve que os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso. E a lei dispôs de forma diversa. O artigo 61, parágrafo 3º, da Lei nº 9.430/96, determina que sobre os débitos incida juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º (juros equivalentes à Taxa Selic), a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que o crédito tributário compreende o tributo e a penalidade pecuniária, interpretação esta que harmoniza os diversos dispositivos do CTN. Acrescentese, ainda, que a legislação ordinária (ex vi artigo 43, parágrafo único e 61, Lei nº 9.430/96) de há muito vem prevendo a incidência dos juros sobre a multa de Fl. 811DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001487/201085 Acórdão n.º 3202000.638 S3C2T2 Fl. 801 23 oficio, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário, por falta de fundamento de validade. A dicção da Súmula nº 4 do CARF corrobora nossos argumentos, na medida em que fala genericamente em débitos tributários, verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Neste sentido, convém transcrever julgados do Superior Tribunal de Justiça que já decidiram por manter os juros sobre a multa de ofício, verbis: TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. MULTA PUNITIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA INCIDÊNCIA. 1. Incide juros de mora e correção monetária sobre o crédito tributário consistente em multa punitiva. 2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção monetária. Precedentes. 3. Recurso especial não provido. (STJ, 2ª T, REsp 1146859/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, publ. 11/05/2010) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (STJ, 2ª T, REsp 1129990/PR, Rel. Ministro Castro Meira, em 14/09/2009) No âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF há diversos julgados do CARF reconhecendo a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, dentre eles citamos os seguintes: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007; Relator: Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Fl. 812DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 24 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora em percentual equivalente ã taxa SELIC. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. (Acórdão 10322197, de 07/12/2005; Relator: Aloysio José Percínio da Silva) Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e no mérito, negar provimento aos Recursos Voluntário e de Ofício. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 813DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10860.905025/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007
PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO.
No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO. No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. A não comprovação da existência do crédito utilizado na compensação constitui motivo suficiente para a não homologação do respectivo procedimento compensatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO. No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 50 25 /2 00 9- 71 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DComp) eletrônica, transmitida em 15/2/2008, em que informada a compensação da parcela indevida do pagamento da Cofins do mês de junho de 2007, no valor de R$ 20.080,86, com débito da Cofins do mês de janeiro de 2008. Por intermédio do Despacho Decisório eletrônico de fl. 7, em razão da inexistência de crédito disponível, a compensação não foi homologada, sob o argumento de que, embora localizado na base dados, o pagamento informado havia sido integralmente utilizado na quitação do débito da Cofins do mês de junho de 2007, no valor de R$ 49.331,38. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que: a) o direito creditório compensado referiase ao pagamento maior que o devido da Cofins, calculada sobre o valor do ICMS, que não integrava a base de cálculo da referida Contribuição, pois não se representava faturamento, mas mero ingresso financeiro, repassado ao Fisco Estadual; e b) a matéria encontravase em regime de repercussão geral no STF, aguardando o julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 18. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a 8ª Turma de Julgamento da DRJ em Capinas/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por falta de comprovação do crédito compensado, com base nos seguintes argumentos: a) estava correto o despacho decisório que não homologara a compensação declarada pelo contribuinte, por insuficiência de crédito; b) o reconhecimento do direito creditório aproveitado em DComp não homologada necessitava da prova de sua existência e do montante, o que não feito pela manifestante, que não carreara aos autos o conjunto probatório que possibilitasse a verificação da existência do alegado pagamento indevido ou a maior que o devido; c) as autoridades administrativas eram incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação tributária vigente no País; e d) o valor do ICMS integrava a base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, portanto, era inexistente o direito creditório compensado. Em 23/7/2012, a recorrente foi cientificada da referida decisão. Em 20/8/2012, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 62/70, no qual reafirmou os argumentos de defesa suscitados na fase de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 91DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10860.905025/200971 Acórdão n.º 3102001.914 S3C1T2 Fl. 21 3 Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia cingese à comprovação do direito creditório utilizado na DComp de fls. 2/6. A recorrente alegou que crédito compensado era proveniente do pagamento maior que do devido da Cofins do mês de junho de 2007, calculada sobre o valor do ICMS incluído na base de cálculo da referida Contribuição, porém, não apresentou nenhum documento fiscal ou contábil que comprovasse o alegado. No âmbito do procedimento de compensação, realizado pelo contribuinte, este tem o ônus de provar que o crédito utilizado atende os requisitos da certeza e liquidez, conforme exige o art. 170 do CTN, e que, na data da entrega da referida Declaração, o crédito era passível de restituição ou ressarcimento, nos termos do caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse sentido, quando originário de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, além do cumprimento dos requisitos formais determinados na legislação específica, o contribuinte deve comprovar, com documentação adequada, que o alegado indébito é decorrente de alguma das causas especificadas nos incisos I a III do art. 165 do CTN. Em conformidade os referidos preceitos legais, determina o inciso III do art. 161 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), combinado com o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que, desde a fase de manifestação de inconformidade, a recorrente tinha o ônus/dever de provar o alegado indébito, mediante apresentação de documentação contábil e fiscal adequada, e assim refutar o fato da inexistência do crédito suscitado na decisão não homologatória da compensação e comprovado nos autos. Segundo a recorrente, a origem do crédito utilizado teve origem no suposto pagamento a maior que o devido da Cofins, que prescinde de comprovação com documentos contábeis e fiscais adequados, previstos na legislação tributária, o que não ocorreu no caso em tela. Não se pode olvidar, ademais, que, em conformidade com o disposto no art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, a prova compete a quem alega o direito reivindicado, por conseguinte, quando o fato é alegado pelo contribuinte, caso do crédito tributário utilizado na compensação de em apreço, a ele compete provar o alegado, com prova adequada. Na ausência de comprovação do fato alegado, consequentemente, a análise da questão jurídica suscitada pela recorrente, atinente à exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins fica prejudicada. 1 "Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...]" Fl. 92DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 Dessa forma, demonstrada a falta de comprovação da existência do crédito utilizado na compensação em apreço, condição suficiente para o deslinde da contenda, em decorrência, deve ser mantida a não homologação da compensação em apreço. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 93DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10665.001862/2010-70
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2803-000.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
]
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. ]
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 65 .0 01 86 2/ 20 10 -7 0 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10665.001862/201070 Resolução nº 2803000.168 S2TE03 Fl. 177 2 ] Relatório Tratase de Recurso Voluntário que busca a revisão do acórdão proferido na instância a quo, este que manteve o lançamento dos créditos tributários contidos no auto de infração lavrado com base de diferenças apuradas por declaração e pagamento de contribuições previdenciárias indevidos, nos períodos de 11/2005 a 06/2007, como se fosse optante pelo SIMPLES Federal e, de 07/2007 a 12/2008, como se fosse optante pelo SIMPLES Nacional. Sendo que a contribuinte fora excluída do SIMPLES Federal e Nacional foi publicada nos Atos Declaratórios Executivos –ADE nº 65/2010 e nº 66/2010. Em recurso voluntário, argüiu a ilegalidade da exclusão e do lançamento, bem como requereu a suspensão da exigibilidade dos créditos enquanto aguardase a decisão quanto à manifestação de inconformidade aos Atos Declaratórios Executivos –ADE nº 65/2010 e nº 66/2010, protocolizada sob o n. (processos nº 10665.001732/201037 e 10665.001729/2010 13). Os autos vieram ao presente Relator, o qual colocou os autos em pauta para julgamento desta Turma Especial. Contudo no dia 14.06.2013, recebeu da Secretaria da 3a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento do CARF o comunicado de que a Recorrente protocolara em 17.04.2013 petição informando que em recente decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG (acórdão nº 0242.124, prolatado no processo nº 10665.001732/201037), restou acolhida a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa contra o Ato Declaratório Executivo nº 66, de 08 de novembro de 2010, expedido pelo Chefe da Seção de Orientação e Análise Tributária (SAORT) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis/MG, que a excluía do SIMPLES. Tal petição ainda não fora juntada nos autos do presente processo. É o relatório. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10665.001862/201070 Resolução nº 2803000.168 S2TE03 Fl. 178 3 Voto Gustavo Vettorato Conselheiro Preliminarmente, o Recurso Voluntário é tempestivo, logo atendendo o requisito de admissibilidade, merecendo ser conhecido. Contudo, em razão da notícia do peticionamento da parte, bem como a cabal importância da notícia por ele trazida para manutenção dos créditos constituídos pelo lançamento questionado. Apesar de não ter sido juntada, ainda a petição, bem como a mesma não viera acompanhada da cópia do acórdão nº 0242.124, prolatado no processo nº 10665.001732/201037, este relator consultou o sistema COMPROT da Secretaria da Receita Federal do Brasil e verificou a plausibilidade dos argumentos da contribuinte, pelo andamento disponibilizado no site. Contudo, as informações são incompletas para um julgamento seguro. Em nome da verdade material do processo administrativo, em razão da ocorrência de fato superveniente (art. 16, do Dec. 70.325), a questão deve ser averiguada. Isso posto, voto por converter o presente julgamento em diligência, para que seja solicitada: a) à Secretaria da 3a. Câmara da 2ª Sessão de Julgamento do CARF/MF que junte a petição protocolizada no dia 17.04.2013 pela contribuinte; b) para depois, à autoridade preparadora cópia integral do acórdão nº 0242.124, prolatado no processo nº 10665.001732/201037, pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG, bem como para que informe o andamento processual do mesmo processo e quanto ao trânsito em julgado da decisão. Após o cumprimento da solicitação, que a contribuinte seja intimada a manifestarse no prazo de 30(trinta) dias, assim, retornando os autos para apreciação desta Turma Especial. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 178DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13830.900298/2006-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. INFRAÇÃO.
Pedido de retificação de PER/DComp, formulado em tempo hábil, não caracteriza novo pedido e deve ser apreciado na edição do despacho decisório respectivo, sob pena de afronta ao devido processo legal.
Processo Anulado
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 3403-002.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti Ausente ocasionalmente a Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. INFRAÇÃO. Pedido de retificação de PER/DComp, formulado em tempo hábil, não caracteriza novo pedido e deve ser apreciado na edição do despacho decisório respectivo, sob pena de afronta ao devido processo legal. Processo Anulado Aguardando Nova Decisão
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti Ausente ocasionalmente a Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel.
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. INFRAÇÃO. Pedido de retificação de PER/DComp, formulado em tempo hábil, não caracteriza novo pedido e deve ser apreciado na edição do despacho decisório respectivo, sob pena de afronta ao devido processo legal. Processo Anulado Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti Ausente ocasionalmente a Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 02 98 /2 00 6- 22 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 ODAIR PNEUS LTDA transmitiu a Pedido de Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 35925.59255.101003.1.3.049803, visando à extinção de débito de Cofins com crédito oriundo de indébito por pagamento a maior de Cofins, no valor de R$ 550,86. O Despacho Decisório Eletrônico – DDE nº 783785541, emitido pela autoridade competente para examinar o pleito repetitório, indeferiuo e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado pelo declarante foi localizado, mas estava integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio reclamação, por meio da qual o interessado, alega, em síntese, erro no preenchimento do PER/DComp: onde consta PERÍODO DE APURAÇÃO: 05/2003, com o valor original do débito compensado de R$ 550,86 (quinhentos e cinquenta reais e oitenta e seis centavos), o correto é o PERÍODO DE APURAÇÃO DE 09/2003, com vencimento em 15/10/2003 do tributo COFINS. A 4ª Turma da DRJ/RPO julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 14036.510, de 9 de fevereiro de 2012, fls. 43 a 46, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DATA DO FATO GERADOR: 13/06/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. A Declaração de Compensação somente poderá ser retificada pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO PERANTE A AUTORIDADE JULGADORA. Caracteriza novo pedido, a exigir os trâmites próprios, a pretensão de reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, formulado na manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da DRJ/RPO4ª Turma. O arrazoado de fls. 50, após resumo dos fatos relacionados com a lide, explica que requereu a retificação do PER/DComp de que se trata em 10/07/2008, antes da emissão do DDE respectivo, em 26/08/2008. Pede que o referido pedido seja considerado.. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Fl. 56DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13830.900298/200622 Acórdão n.º 3403002.219 S3C4T3 Fl. 56 3 Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 50 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/RPO4ª Turma nº 14036.510, de 9 de fevereiro de 2012. A decisão recorrida erigiu como fundamento para a improcedência da Manifestação de Inconformidade o fato de o contribuinte ter pleiteado a retificação do PER/DComp somente na Manifestação de Inconformidade, quando já não mais teria espontaneidade de fazêlo. A 4ª Turma da DRJ/RPO não poderia decidir diferentemente, pois não tinha notícia do documento de fls. 52, que só veio aos autos com o RV. A propósito, afasto a incidência da norma de preclusão constante do § 4º do art. 16 porquanto o marco temporal para o pedido de retificação de PER/DComp só veio à baila com a decisão recorrida. A propósito, julgo que o referido pedido, formulado em 10/07/2008 (cf. carimbo da DRF/MaríliaSP) foi hábil para o fim a que se propunha e não configurou pedido novo. Com efeito, o mesmo deveria ter sido considerado pela autoridade fiscal na edição do Despacho Decisório, em 29/08/2008, conforme cópia do Aviso de Recebimento acostado às fls. 11. O despacho da Equipe de Arrecadação e Cobrança — EAC/1 da DRF/MRA, fls. 41 e 42, não permite concluir que ele tenha sido devidamente avaliado. Em não o sendo, quedou malferido o princípio do devido processo legal. Com essas considerações, voto por que se anule o presente processo ab ovo, devolvendoo à autoridade competente para examinar o pleito para que emita novo despacho decisório à luz do pedido de retificação em tela e de tudo o mais que julgar necessário. Sala das Sessões, em 25 de março de 2013 Alexandre Kern Fl. 57DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 13433.001309/2007-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jul 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE - Não se conhece de
recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2202-000.166
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara
da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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R., or# Ç'.'t '• * l ''' ' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS,s, • .•.4.; ri, 4: tilt rig4 '. SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13433.001309/2007-53 Recurso n° 168.365 Voluntário Acórdão n° 2202-00.166 — 2 Câmara / 2a Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2009 Matéria IRPF - Ex(s): 2003 Recorrente SÉRGIO LUIZ LOBATO Recorrida laTURMA/DRJ-RECIFE/PE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE - Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. , • ir N r SON ff, Pi AN/ residente — Relator FORMALIZA O ELF '411) ,', I loPi‘l'11 ONI208 sEOTP200M9 A INEZ , Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Heloísa Guarita Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Pedro Anan Júnior, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). 1 Processo n° 13433.001309/2007-53 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.166 Fl. 2 Relatório Em desfavor do contribuinte, SÉRGIO LUIZ LOBATO, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 158 a 165, no qual é cobrado o imposto de renda pessoa fisica (IRPF), relativamente ao ano-calendário de 2002, no valor total de R$ 8.538,16 (oito mil, quinhentos e trinta e oito reais e dezesseis centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, além de multa regulamentar, calculados até 30/11/007, perfazendo um crédito tributário total de R$ 458.529,68 (quatrocentos e cinqüenta e oito mil, quinhentos e vinte e nove reais e sessenta e oito centavos). A autoridade lançadora apurou as seguintes infrações à legislação tributária: - omissão de rendimentos (omissão no valor de R$ 31.047,85, fato gerador em 31/12/2002); - multa por prestação de informação falsa sobre rendimentos pagos e imposto retido na fonte (multa no valor de R$ 298.004,28, fato gerador em 17/06/2002, no valor de R$ 31.505,58, fato gerador em 15/07/2002, no valor de R$ 31.163,46, fato gerador em 15/08/2002, no valor de R$ 10.803,54, fato gerador em 16/09/2002, no valor de R$ 32.410,62, fato gerador em 15/10/2002, no valor de R$ 11.110,26, fato gerador em 18/11/20021 e no valor de R$ 22,532,34, fato gerador em 16/12/2002). Após cientificado do Auto de Infração em referência em 28/12/2007 (fls. 167), o interessado apresentou a impugnação de fls. 168/169, alegando, em síntese: - que apresenta defesa nos mesmos termos da impugnação anteriormente enviada; - que reafirma não acreditar na falsidade das DIRF da Câmara Municipal de Baraúna e da Prefeitura Municipal de Baraúna, pois foram preenchidas pelos setores competentes daqueles órgãos; - que sua responsabilidade como contador limitou-se a encaminhar, à Receita Federal, o documento, por meio de seu escritório, uma vez que, à época, o município de Baraúna não dispunha de conexão com a internet; - que a responsabilidade que lhe é imputada baseia-se em correspondência da Câmara Municipal; - que a auditoria fiscal entende ter havido beneficio do impugnante, baseando-se no fato de que alguns de seus clientes, amigos e familiares, terem efetuado transferências financeiras para sua conta bancária na mesma época em que tiveram suas restituições creditadas. Que vários clientes e amigos só quitam seus compromissos quando recebem o crédito de suas 2 Processo n° 13433.001309/2007-53 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.166 Fl. 3 restituições, pois é quando possuem saldos para tanto, sem que isso represente qualquer tipo defraude; - por fim, apesar de reconhecer não ser este o foro adequado, declara se encontrar em estado de esgotamento físico e mental, relativamente a este assunto, necessitando cuidar de sua família e de si mesmo. Em 30 de julho de 2008, os membros da 1' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife proferiram o Acórdão 23.264, que julgou procedente em parte o lançamento, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Devem compor a base de cálculo do imposto de renda apurado na declaração de ajuste anual todos os rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte no curso do ano-calendário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência da multa no percentual de 300%, sobre o valor indevidamente utilizável em decorrência de apresentação de falsa Declaração de Imposto Retido na Fonte. Lançamento Procedente em Parte Devidamente cientificado acerca do teor do supracitado Acórdão, em 09/09/2008, conforme AR de fls. 198, o contribuinte, se mostrando irresignado, encaminhou pelo correio, em 13/10/2008, o Recurso Voluntário, de fls. 199/200, reiterando as razões da sua impugnação, às quais já foram devidamente explicitadas anteriormente no presente relatório. É o relatório. )\)( 3 Processo n° 13433.001309/2007-53 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.166 Fl. 4 Voto Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ, Relator Do exame dos autos verifica-se que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a preclusão do prazo para interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A decisão de Primeira Instância foi encaminhada ao contribuinte, via correio, tendo sido recebido em 09/09/2008, conforme atesta o Aviso de Recebimento de fls.198. A peça recursal, somente, foi encaminhada pelo correio no dia 13/10/2008, conforme atesta documento de fls.201, portanto, fora do prazo fatal. Caberia a suplicante adotar medidas necessárias ao fiel cumprimento das normas legais, observando o prazo fatal para interpor a peça recursal. Nestes termos, posiciono-me no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. É o meu voto. Sala as Sessões, e?.. 29 de ju. o de 2009/I) ,iLi t, PI TONIO OP M ' Ililb INEZ - Relator 4
score : 1.0
Numero do processo: 10980.923859/2009-01
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98.
A base de cálculo da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998.
Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3802-001.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Recurso ao qual se dá provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Recurso ao qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 38 59 /2 00 9- 01 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Curitiba (fls. 27/30 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP, onde o direito creditório aduzido diz respeito a parte de pagamento de COFINS efetuado em 14/12/2001, que a interessada buscava compensar com débito da própria COFINS vencido em 15/09/2006. Aduziu a reclamante que o crédito decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF, e que o mesmo foi aproveitado nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Ressalta estar amparada pelos artigos 165 e 170 do CTN. A primeira instância não reconheceu o direito creditório sob o argumento de que a autoridade administrativa não poderia afastar a norma declarada inconstitucional uma vez que a contribuinte não figurara como postulante nas ações julgadas pelo STF, e ainda, que a realidade não se enquadrava dentre as possibilidades de afastamento de norma inconstitucional elencadas pelo Decreto no 2.346, de 10 de outubro de 1997. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 14/05/2012 (fls. 33). Inconformada, a mesma apresentou, em 28/05/2012, o recurso voluntário de fls. 34/38, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito sob o argumento de que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho. Requer, ao final, seja homologada a compensação intentada. É o relatório. Voto O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A discussão envolve crédito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Como se sabe, o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Fl. 42DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10980.923859/200901 Acórdão n.º 3802001.773 S3TE02 Fl. 42 3 Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC no 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 1998, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto o qual deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4o, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei no 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC no 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A decisão teve a seguinte votação: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie Plenário, 09.11.2005. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.235 1/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF no 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4o do Decreto no 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Sobre tal dispositivo, vale ressaltar, a título de informação, que o mesmo foi posteriormente revogado pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Consequentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 19981. 1 Com efeito, referida Emenda Constitucional, como já citado, unificou os conceitos de receita bruta e de faturamento, o que se deu somente após a edição da Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do artigo 3º, ampliador do conceito Fl. 44DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10980.923859/200901 Acórdão n.º 3802001.773 S3TE02 Fl. 43 5 Quanto ao levantamento do crédito em favor da interessada, o mesmo deverá ser apurado quando da execução da presente decisão, uma vez que não foi acostado aos autos nenhum demonstrativo de cálculo do direito creditório aduzido. Assim, voto para dar provimento à questão de direito aduzida no presente recurso, reconhecendo a legitimidade da apuração do crédito em favor da recorrente em vista da inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, devendo a unidade preparadora se certificar do tipo de crédito e efetuar a apuração do devido direito creditório, o qual deverá ser utilizado para a compensação com o débito declarado até o exaurimento do montante reconhecido. Sala de Sessões, em 21 de maio de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, ainda não estava respaldado pelo alicerce constitucional decorrente da reportada EC no 20/98. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720304/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - Verificada a existência de omissão no julgado é de se acolher os Embargos de Declaração apresentados.
Embargos acolhidos.
Acórdão rerratificado.
Numero da decisão: 2202-002.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher, parcialmente, os Embargos apresentados para rerratificar o Acórdão n.º 2202-01.325, de 24/08/2011, sanando a omissão apontada, manter a decisão anterior.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher, parcialmente, os Embargos apresentados para rerratificar o Acórdão n.º 2202-01.325, de 24/08/2011, sanando a omissão apontada, manter a decisão anterior. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann.
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Embargos acolhidos. Acórdão rerratificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher, parcialmente, os Embargos apresentados para rerratificar o Acórdão n.º 220201.325, de 24/08/2011, sanando a omissão apontada, manter a decisão anterior. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 03 04 /2 00 8- 51 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 15/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte às Fls.238 a 241, relativo ao Acórdão nº 2202001.325, de 24 de agosto de 2011 sob alegação de existência de omissão no acórdão, na medida em que o ADA apresentado referese a imóvel, no qual o imóvel lançado esta totalmente incluído. Segundo o recorrente, o imóvel fiscalizado decorre de desmembramento do imóvel para o qual foi apresentado o ADA. Acrescenta o recorrente, que o acórdão não se pronunciou sobre o fato de que ocorreu a criação de uma área de preservação ambiental e sobre a existência de parecer do IBAMA.. Registrese por pertinente que a decisão no acórdão embargado foi, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes e Pedro Anan Júnior, que proviam parcialmente o recurso para excluir da base de cálculo do imposto a área de preservação permanente, em razão da apresentação de laudo técnico e parecer do IBAMA, bem como adotar como Valor da Terra Nua – VTN, o valor constante do segundo laudo técnico de avaliação. O relator ao apreciar o embargo, propôs o acolhimento parcial pelo fato da omissão ser evidente. A presidência da Câmara, às fls. 246, solicitou que o processo fosse encaminhado ao Conselheiro para inclusão em pauta. É o relatório. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 15/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13161.720304/200851 Acórdão n.º 2202002.228 S2C2T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os presentes Embargos foram opostos objetivando a manifestação desta C. Câmara quanto à omissão existente no acórdão embargado. A omissão é clara e os embargos devem ser acolhidos. De fato, foi omitido do relato uma exposição mais detalhada de que o imóvel objeto do lançamento, decorre de imóvel desmembrado, para o qual foi apresentado ADA. Os demais pontos de omissão suscitados pelo recorrente, foram implicitamente desconsiderados, pois apreciavase o processo na perspectiva de que não teria sido apresentado o ADA, salvo melhor juízo, requisito indispensável para o gozo da isenção. Assim como não se identificou a necessidade de qualquer reparo no tocante a VTN. Para suprir a omissão, cabe registrar que o fundamento de votar, conforme consignado no acórdão embargado, está em que o ADA é requisito indispensável para pleitear qualquer exclusão de área de preservação permanente ou área de utilização limitada. No caso concreto ainda que exista um ADA anterior, o mesmo não se refere ao imóvel que está sendo objeto do lançamento. Segundo descrito nos autos, o ADA foi apresentado para um imóvel que posteriormente veria a ser desmembrado, resultando em imóveis de inscrições distintas. O fato é que não existe nos autos um ADA específico para o imóvel desmembrado. Isto posto, está claro que não existe ADA anterior para a inscrição objeto do lançamento, não atendendo os requisitos prescritos na legislação. Em razão de todo o exposto, voto no sentido de acolher parcialmente os Embargos apresentados para, rerratificando o Acórdão n.º 220201.325, de 24/08/2011, sanando a omissão manter a decisão anterior. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 256DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 15/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 17460.000112/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1996 a 30/11/2006
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A
QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei
nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional
(CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do
referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN
(primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter
sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º
do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação
nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores
considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a
regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência
de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta
última regra.
RESTRIÇÕES AOS CONJUNTO PROBATÓRIO INSTITUÍDAS POR
NORMA INFRALEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
No curso do processo administrativo fiscal não são aplicáveis normas
infralegais limitadoras dos elementos de prova a serem considerados, por
serem conflitantes com o direito constitucional ao contraditório e à ampla
defesa e por não terem respaldo nas leis que regem a discussão administrativa
de créditos tributários. Havendo um conjunto probatório que aponte para a
conclusão da obra em período decadente, é de ser afastado o lançamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-002.614
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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Recorrente ROGÉRIO EDUARDO GARCIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1996 a 30/11/2006 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. RESTRIÇÕES AOS CONJUNTO PROBATÓRIO INSTITUÍDAS POR NORMA INFRALEGAL. IMPOSSIBILIDADE. No curso do processo administrativo fiscal não são aplicáveis normas infralegais limitadoras dos elementos de prova a serem considerados, por serem conflitantes com o direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa e por não terem respaldo nas leis que regem a discussão administrativa de créditos tributários. Havendo um conjunto probatório que aponte para a conclusão da obra em período decadente, é de ser afastado o lançamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000112/200721 Acórdão n.º 2301002.614 S2C3T1 Fl. 126 3 Relatório Tratase de Lançamento, lavrado em 20/12/2006, que constituiu crédito tributário, segundo Relatório Fiscal, fls. 14/15, referente a contribuição previdenciária, parte do empregador e parte do empregado, contribuições de terceiros e SAT /RAT incidentes sobre remunerações de trabalhadores empregados em obra de construção civil apuradas por aferição indireta, no período 01/11/2006 a 30/11/2006, tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 6.786,07, fls. 01. O relatório da decisão a quo resume bem os fatos do caso: Diante da não regularização da obra de matricula CEI em referência, foi comandada ação fiscal n.° 09362559F00, decorrente de Aviso para Regularização de Obra (ARO) emitido de oficio pela Unidade de Atendimento da Receita Previdenciária (UARP) de Presidente Prudente SP, após emissão de Carta de convocação com prazo para regularizar a situação do obra. Os valores lançados na presente NFLD correspondem à parte devida pelo sujeito passivo responsável pela obra; e 6. parte devida pelos segurados empregados, cujo recolhimento compete ao empregador, equiparado à empresa. A apuração da remuneração da mãodeobra empregada na execução de obra de responsabilidade de pessoa física será feita com base na área construída e no padrão da obra, por aferição indireta, nos termos do art. 33, § 4.° da Lei n° 8.212/91. A partir da área construída de 201,38 m2, chegouse a um saláriodecontribuição a regularizar de R$ 15.896,88, sobre o qual foram aplicadas as alíquotas previstas, quais sejam, a da parte patronal (20%); para o financiamento do Seguro Acidente do Trabalho SAT (3%); as destinadas a terceiros: Salário Educação (2,5%), INCRA (0,20%), SESI (1,5%)/SENAI (1,0%)/SEBRAE (0,6%); e do segurado (8,00%). Após tomar ciência postal da autuação em 21/12/2006, fls. 22, a recorrente apresentou impugnação, fls. 25/26, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 7ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto converteu o julgamento em diligência, em 11/07/2007, para que a autoridade fiscal apresentasse manifestação sobre algumas questões: a classificação da obra como H012Q, sendo que o contribuinte afirma ter a construção 3 quartos e 2 pavimentos; a existência de áreas passíveis de redução, tal como garagem, uma vez que a cópia do projeto, como integrante da defesa apresentada, "será apresentada ao lNSS"; Fl. 141DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 a solicitação de inclusão, se for o caso, como coresponsável pelo débito, de Cássia Cristina Queiroz Monteiro, CPF 531.610.33191, conforme declaração de Imposto de renda anexa e decisão de separação judicial mencionada na impugnação. A autoridade fiscal apresentou sua informação fiscal em fls. 44/45 esclarecendo os seguinte: 3 Deixamos de incluir como coresponsável Cássia Cristina Queiroz Monteiro, CPF 531.610.33191, conforme a Declaração de Imposto de Renda, em razão de constar a mesma apenas como usufrutuária e não ter sido apresentado outros documentos. (...) 5 Portanto no calculo foi considerado a Area de 201,38 m2., com o enquadramento padrão de 3 quartos, com redução de 50% de Áreas abertas de garagem com 25,82 m2., totalizando a Área para calculo de 188,47 m2., conforme ARO de Fls. 43. Cientificado para manifestarse sobre o resultado da diligência, o recorrente repisou seus argumentos presentes na impugnação. A 7ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, no Acórdão de fls. 93/98, julgou o lançamento procedente em parte, tendo o recorrente sido cientificado do decisório em 17/03/2008, fls. 100. O recurso voluntário, protocolizado em 16/04/2008, fls. 101/109, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Aponta que teria havido prejuízo à defesa devido a problemas nas intimações que precederam à lavratura da NFLD. Argumenta que os fatos geradores estão sim atingidos pela decadência, pois há provas de que a obra foi concluída em data já atingida pela caducidade. Já estava habitando no imóvel em 1996, conforme comprovam os documentos que anexa. Entre os documentos apresentados pode ser encontrado um pedido de Alvará de Conservação apresentado à Prefeitura Municipal de Presidente Prudente, juntamente com laudo técnico que aponta a metragem construída em 20/03/1996. Junta outros documentos na tentativa de preencher os requisitos do art. 482 da IN 03/2005. Insiste que deveria ser providenciada a inclusão de sua exmulher como co responsável pela obra. Como a obra foi realizada num período no qual estava casado entende que a existe responsabilidade mútua sobre os débitos tributários. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000112/200721 Acórdão n.º 2301002.614 S2C3T1 Fl. 127 5 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos do AI constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as Fl. 143DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do lançamento. Da violação ao devido processo legal por ofensa ao contraditório e/ou ao direito à ampla defesa na fase fiscalizatória A recorrente aduz que houve violação do devido processo legal durante a fase fiscalizatória. Não há como acolher a pretensão da recorrente de violação ao devido processo legal, seja por ofensa ao contraditório ou à ampla defesa , pois os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Nesse sentido, já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃOA fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. Assim também a mesma argüição, quando fundada na alegação de falta de motivação do ato administrativo, que, de fato, não ocorreu.(Acórdão 10193425) Sem que fique demonstrado que após o início do litígio houve ofensa ao contraditório ou à ampla defesa, não há como acatar a pretensão da recorrente de nulidade. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Fl. 144DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000112/200721 Acórdão n.º 2301002.614 S2C3T1 Fl. 128 7 Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a Fl. 145DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : Fl. 146DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000112/200721 Acórdão n.º 2301002.614 S2C3T1 Fl. 129 9 "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, Fl. 148DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000112/200721 Acórdão n.º 2301002.614 S2C3T1 Fl. 130 11 consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: Fl. 149DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000112/200721 Acórdão n.º 2301002.614 S2C3T1 Fl. 131 13 Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA 14 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Observamos a inexistência de pagamentos relativos aos fatos geradores que interessam para a discussão sobre a decadência, logo, conforme acima explanado, é de ser aplicada a regra do art. 173, inciso I do CTN. Tendo sido o lançamento cientificado em 21/12/2006, o fisco poderia efetuar o lançamento para fatos geradores posteriores a 11/2000. Todos os fatos geradores anteriores a tal competência, inclusive esta, estão atingidos pelo prazo de caducidade. Restrição aos elementos probatórios instituída por norma infralegal. Impossibilidade. Questão de relevo que enfrentamos é a possibilidade ou não de normas infralegais criarem restrições aos elementos probatórios. As leis que tratam diretamente ou subsidiariamente do processo administrativo fiscal não trazem limitação em relação às provas. Vejamos: Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta; IV as diligências que o impugnante pretenda sejam efetuada, expostos os motivos que as justifiquem. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000112/200721 Acórdão n.º 2301002.614 S2C3T1 Fl. 132 15 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Lei 9.784/99 Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Tomando o Decreto 70.235/72 e a Lei 9.784/99 podemos notar que o primeiro nada trata sobre eventual limitação das provas ao passo que a segunda é explícita ao permitir sejam recusadas somente as provas quando ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Corrobora a conclusão de que os elementos de prova não podem ser limitados por norma infralegal o dispositivo constitucional do art. 5º, inciso LV que garante a todos o contraditório e a ampla defesa, com os recursos e meios a ela inerentes. Eventual previsão em norma infralegal de limitação a elementos probantes só pode ser tomada como orientação para as autoridades administrativas e para os contribuintes quanto aos elementos que afastam de imediato qualquer dúvida quanto ao fato que se quer provar. Por outro lado, se determinado conjunto probatório não obedece ao que a norma infralegal traçou, isso não pode ser tomado, no curso do processo administrativo fiscal, como obstáculo para sua consideração na formação do convencimento do julgador. Todos os elementos indiciários relacionados ao que se quer provar e que tem relação os aspectos do fato gerador devem ser considerados, desde que lícitos. Oportunas, nessa altura, algumas considerações sobre as provas indiciárias. Fabiana Del Padre Tomé, autora com obra relativamente recente e que é freqüentemente citada no estudo das provas, é enfática ao afirmar que “toda prova é indireta, pois nunca se tem acesso aos fatos, que são sempre passados. Daí por que toda prova é uma conjectura, levando à presunção acerca da ocorrência ou não de certo fato”(A prova no direito tributário. São Paulo: Noeses, 2005, p. 94) e acrescente aque “ toda prova é indiciária, visto que jamais toca o objeto a que se refere”(op.cit., p. 94). Em outro trecho de sua obra, a autora destaca que “o indício em nada difere da prova”(op. cit., p. 138). A respeitável autora reconhece a existência de uma distinção tradicional entre indício e prova em função do grau de convicção que o fato provado acarrete no julgador, de modo que seria prova quando levar à certeza, e indício se dele decorrer mera possibilidade. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA 16 Porém, sua lição é de que a verdade jurídica decorre da decisão do julgador após a análise do conjunto probatório. Este, o conjunto probatório, pode ser composto por indícios que podem ser de duas espécies: indícios necessários e indícios contingentes. Os indícios necessários revelam, com alto grau de probabilidade, determinada situação. Os indícios contingentes indicam de forma mais ou menos provável a ocorrência de certo acontecimento. Além de necessários ou contingentes. Os indícios podem ser homogêneos ou heterogêneos. São homogêneos os indícios que tem conteúdo convergente, todos conduzindo ao mesmo resultado, ao passo que são heterogêneos os indícios que indicam fatos diversos. A autora conclui que “a força probatória de qualquer indício(...) deve ser avaliada no caso concreto, de modo que, havendo um único indício necessário(prova no sentido comumente empregado) ou vários indícios contingentes e convergentes, terseá por provado o fato”. (op. cit., p. 1389). É de ser observado que as lições de Fabiana Del Padre Tomé que adotamos divergem da doutrina de Marcus Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez López(Processo administrativo fiscal federal comentado. 2. ed. São Paulo, Dialética, 2004, p. 173). O autor, em certo trecho de sua doutrina, exige que os indícios no direito tributário sejam graves, ou seja, sejam aceitos somente se tiverem como conseqüência apenas um único fato. Essa exigência, no entanto, é qualidade dos indícios chamados necessários e que se equiparam ao que comumente se denomina de prova. Deixam de ser indícios, portanto. Exigir tal qualidade dos indícios é o mesmo que negar a utilidade deles para o direito tributário, mesmo quando convergentes. Em outro trecho de sua obra, entretanto, Marcus Vinicius admite a prova indiciária. Vejamos: “O trabalho investigatório realizado pelo agente fiscal é muito parecido com o desenvolvido pelo paleontólogo que aproveita diversas peças análogas de um animal. Completandoas uma com outras para formar o esqueleto do animal. Nesse trabalho de reconstrução, Le não precisa obter todos os ossos do esqueleto para ter uma idéia clara e precisa do animal e a a certeza da espécie que foi descoberta. Basta que o conjunto de vestígios lhe dê segurança de suas conclusões. O julgador, de maneira análoga, vai reunindo indícios que permitem inferências sobre determinados fatos. Utilizase da combinação desse indícios que permitem inferências sobre determinados fatos. Utilizase da combinação desses indícios, sua comparação e a exclusão das hipóteses contraditórias, de modo a reconstruir o passado de forma segura.”(p. 173) Fácil notar, portanto, que mesmo Marcus Vinicius e Maria Teresa admitem a prova indiciária no direito tributário. Sobre o assunto, não poderíamos deixar de fazer referência ao mestre Alberto Xavier (Do Lançamento: Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 1997, p. 133), que assim expressa seu entendimento: “Nos casos em que não existe ou é deficiente a prova direta pré constituída, a Administração fiscal deve também investigar livremente a verdade material. É certo que ela não dispõe agora de uma base probatória fornecida diretamente pelo contribuinte Fl. 154DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000112/200721 Acórdão n.º 2301002.614 S2C3T1 Fl. 133 17 ou por terceiros; e por isso deverá ativamente recorrer a todos os elementos necessários à sua convicção. Tais elementos serão, via de regra, constituídos por provas indiretas, isto é, por fatos indiciantes, dos quais se procura extrair, com o auxílio de regras da experiência comum, da ciência ou da técnica, uma ilação quanto aos fatos indiciados. A conclusão ou prova não se obtém diretamente, mas indiretamente, através de um juízo de relacionação normal entre o indício e o tema da prova. Objeto de prova em qualquer caso são os fatos abrangidos na base de cálculo (principal ou substitutiva) prevista na lei: só que num caso a verdade material se obtém de um modo direto e nos outros de um modo indireto, fazendo intervir ilações, presunções, juízos de probabilidade ou de normalidade. Tais juízos devem ser, contudo, suficientemente sólidos para criar no órgão de aplicação do direito a convicção da verdade.” O que queremos destacar de tais abalizadas lições é que não somente as provas ou indícios necessários é que conduzem à certeza jurídica construída pelo julgador, mas também um conjunto de indícios contingentes e convergentes. Cada um dos indícios contingentes nunca se equipara, isoladamente, a um indício necessário (prova no sentido tradicional) e não pode ser excluído do conjunto probatório por tal razão. A análise de um conjunto de indícios contingentes deve ser feita em duas etapas. Na primeira, analisamos a existência em si de cada indício. Na segunda etapa, analisamos o conjunto de indícios para qualificarmos se tratamos de um conjunto de indícios contingentes e convergentes. Se forem contingentes e convergentes, os indícios que compõem o conjunto terão alto valor probatório, habilitandose a fundamentar o convencimento do julgador que emitirá sua decisão conformadora da verdade jurídica aplicável ao caso. Por óbvio, não podemos olvidar da possibilidade da utilização da análise do conjunto probatório baseado em indícios para o direito tributário. Que qualidade superior ao direito penal teria o direito tributário para negarmos a utilização de conjuntos indiciários, tendo em vista que no direito penal tal metodologia probatória é amplamente aceita? Se aqui lidamos com o patrimônio do contribuinte, no direito penal tratamos da liberdade do cidadão. Teria o patrimônio um valor mais nobre que a liberdade individual em nosso Estado Democrático Direito de tal sorte que na análise das provas no direito que pode afetar o patrimônio devemos ser mais restritivos do que no direito que afeta a liberdade? Teria a legalidade tributária uma força jurídicoaxiológica maior que a legalidade no direito penal? Com todo respeito aos que pensam diferente, nossa resposta é não! Se para o direito penal é assente a utilização da análise do conjunto indiciário, o direito tributário há de admitila. Talvez a busca por uma verdade material como corolário do princípio da legalidade seja o argumento dos que querem afastar do direito tributário a análise do conjunto indiciário. Mas voltandonos para as lições de Fabiana Del padre Tomé, é certo que “a verdade que se busca no curso do processo de positivação do direito, seja ele administrativo ou judicial, é a verdade lógica, quer dizer, a verdade em nome da qual se fala, alcançada mediante a constituição de fatos jurídicos, nos exatos termos prescritos pelo ordenamento: a verdade jurídica”. O que comumente é denominado princípio da verdade material se conforma Fl. 155DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA 18 na possibilidade de a administração pública carrear aos autos outras provas de modo a possibilitar que sua decisão se aproxime da realidade. Não se relaciona, portanto, com a vedação à análise do conjunto indiciário. Registramos que no CARF, inclusive na Câmara Superior de Recursos Fiscais, há várias decisões que acatam a utilização da prova indiciária: Acórdão 10708326 PAF PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, quando a sua formação está apoiada num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levam ao convencimento do julgador. Acórdão 10707083 PAF – PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é aceita em matéria tributária, quando formada a partir de um juízo instrumental que leve em conta a existência de vários indício convergentes. Acórdão CSRF/0105.132 PAF – PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. O que não se aceita no Processo Administrativo Fiscal é a autuação sustentada em indício isolado, o que não é o caso desses autos que está apoiado num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levaram ao convencimento do julgador. Tomando tais considerações jurídicas gerais sobre os elementos probantes a serem considerados, passamos a outras questões de relevo para o caso. Conforme já anotamos, no curso do processo administrativo fiscal não são aplicáveis normas infralegais limitadoras dos elementos de prova, como são aquelas do art. 482 da IN 03/2005. Temos que considerar o conjunto probatório e dele extrair ou não a conclusão sobre determinado fato. Se o conjunto indiciário convergente for avaliado como suficiente para fundamentar nossa conclusão da ocorrência de determinados fatos, então decidiremos levando os em conta. In casu, há vários elementos de prova que nos levam a concluir que o recorrente tem razão ao insistir que a obra foi construída integralmente em período decadente. Vejamos o conjunto probatório que consideramos na formação de nossa convicção: 1. laudo técnico no qual consta, não só a metragem construída até aquela data 20/03/1996 —, mas também a descrição das Fl. 156DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000112/200721 Acórdão n.º 2301002.614 S2C3T1 Fl. 134 19 fundações, alvenaria, cobertura, revestimento, pisos, esquadrias e a conclusão do responsável técnico, fls. 113/114; 2. Outros documentos de fls. 116/121; Considerando tais informações, concluímos que a obra foi concluída em período anterior a 11/2000, o que impede o lançamento das contribuições sobre as remunerações nela envolvidas. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 157DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 16366.000334/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA GRAU. MOTIVAÇÃO ADEQUADA E SUFICIENTE. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, a decisão de primeiro grau que, de forma adequada e suficientemente fundamentada, indefere pedido de realização de prova pericial.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento- Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro- Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento- Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AQUISIÇÃO DE PRODUTO IN NATURA EXPORTADO NO MESMO ESTADO E COM NOTAÇÃO “NT” NA TIPI. DESCABIMENTO. Não faz jus ao crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, o comprador e exportador de produtos in natura (soja e milho em grãos) exportados no mesmo estado em que foi adquirido e relacionado na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) com a anotação “NT” (não tributado). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA GRAU. MOTIVAÇÃO ADEQUADA E SUFICIENTE. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, a decisão de primeiro grau que, de forma adequada e suficientemente fundamentada, indefere pedido de realização de prova pericial. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 03 34 /2 00 9- 11 Fl. 477DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) de crédito presumido do IPI (fls. 04/26), transmitido em 27/9/2007, no valor de R$ 2.210.794,83, referente ao 2º trimestre de 2003, extemporaneamente lançado no livro Registro de Apuração do IPI (RAIPI) e erroneamente informado como pertencente ao 4º trimestre de 2006. Por intermédio do Despacho Decisório de fl. 120, o pedido foi integralmente indeferido, com base nas conclusões e nos fundamentos exarados na Informação Fiscal de fls. 107/118, assim resumidos no relatório da decisão de primeiro grau, in verbis: a) Como não houve a apresentação dos demonstrativos dos estoques e há grande divergência entre os valores, não foi possível aprofundar as análises da correta apuração do crédito presumido. As análises, portanto, foram efetuadas com elementos disponíveis e com base nos valores pleiteados pelo contribuinte; b) O total da receita de exportação é composto de produtos não tributáveis (NT) soja e milho em grãos que deverão ser excluídos do montante da receita de exportação, pois os produtos NT não fazem parte do campo de incidência do IPI e, conseqüentemente, as vendas para o mercado externo de produtos que estão fora do campo de incidência do IPI não se incorporam ao total da receita de exportação, devendo ter seu efeito anulado no cálculo do credito presumido; c) A contribuinte tem a seu favor decisão judicial que declara ser possível a inclusão de insumos adquiridos de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido. Tal decisão foi acatada, porém os insumos que teriam sido empregados na produção de bens destinados à exportação são na realidade o próprio produto de exportação, adquiridos de terceiros e revendidos a comercial exportadora ou exportados diretamente, tendo passado apenas por processo de beneficiamento que consiste em limpeza, padronização e secagem, sem que tenha sido realizado nenhum processo de industrialização; e d) Em relação à Lei 9.363/1996, não é possível concluir que a empresa requerente pudesse se beneficiar do aproveitamento de crédito presumido do IPI para ressarcimento das contribuições para o Pis e Cofins, tendo em vista não se enquadrar no conceito Fl. 478DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 16366.000334/200911 Acórdão n.º 3102001.888 S3C1T2 Fl. 10 3 de estabelecimento produtor, condição indispensável para o benefício. Em sede de manifestação de inconformidade (fls. 196/247), a contribuinte apresentou as seguintes alegações, que foram assim sintetizadas no citado relatório, in verbis: 1. Nos autos do processo do mandado de segurança nº 2008.70.01.0065338/PR, houve a suspensão do prazo para apresentação de recurso administrativo. Com retorno da fluência do prazo em 30/08/2010, a manifestação de inconformidade é apresentada para a apreciação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento; 2. A Autoridade Administrativa deixou de instruir adequadamente o processo administrativo, pois sem qualquer intimação à Manifestante, supôs que havia divergência nos estoques mensais da empresa. A apuração do quantum do crédito ressarcível é matéria a ser esgotada na instrução processual para que haja a duração razoável do processo (inciso LXXVIII do artigo 5º da Constituição Federal), uma vez que superados os obstáculos de interpretação dada à legislação pela Administração Tributária, não seja necessário voltar a discutir o montante a ser ressarcido, o que atende aos ditames previstos no artigo 2º da Lei n° 9.784/99, entre eles, os princípios da finalidade, da razoabilidade, do interesse público e da eficiência (artigo 37 da Constituição Federal). Vêse, pois, que a instrução processual não foi adequadamente realizada, o que insta pela nulidade da decisão recorrida; 3. A Manifestante é empresa produtora e exportadora de produto que industrializa, o que lhe garante o direito ao crédito presumido do IPI com ressarcimento de PIS e COFINS, na conformidade das Leis n°s 9.363/96 e 10.276/2001, pois o beneficiamento realizado, indubitavelmente, caracteriza processo de industrialização (cf. inciso II artigo 4o do Regulamento de IPI), uma vez que modifica, aperfeiçoa, altera o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento), conforme amplamente demonstrado nesta petição e no parecer anexo; 4. A Lei n° 9.363/96 e a Lei n° 10.276/2001, bem como os artigos 179 até 183 do RIR, não restringiram, em momento algum, o conceito da receita bruta da exportação. Assim, não há coerência jurídica em negar ressarcimento de PIS/COFINS sob o argumento de que os produtos exportados pela Manifestante estariam fora do campo de incidência do IPI, o que, isoladamente, insta pela reforma do despacho decisório recorrido; 5. Quanto aos pedidos de ressarcimento correspondentes aos 2° e 3º trimestres 2002, considerados prescritos porque formalizados em 27/09/2007, a própria decisão recorrida assenta que a manifestante em 03/2006 apurou e escriturou no livro de registro de apuração do IPI o crédito presumido para ressarcimento de PIS/COFINS, correspondente ao ano Fl. 479DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 calendário de 2002, ou seja, muito antes do prazo qüinqüenal que alega ter transcorrido. Isso porque a utilização do crédito presumido darseá a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestrecalendário em que o crédito presumido tenha escriturado ou apurado no livro registro do IPI, conforme alíneas "a" e "b" do inciso III do artigo 22 da IN/SRF n° 315/2003, que regulamenta a matéria. Por fim, destacase que a apuração do crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS e COFINS têm apuração anual, portanto, os créditos correspondentes ao anocalendário de 2002 podem ser pleiteados até 31/12/2007, por meio da apresentada de per/dcomp, como ocorreu no presente caso, o que afasta, por completo, a alegação de caducidade do pleito; 6. A Manifestante apresenta no item “II.2.4. Da apresentação das declarações e esclarecimentos prestados à administração tributária preparadora” esclarecimentos adicionais a respeito das conclusões e fundamentos expostos na Informação Fiscal de fls. 107/118, requerendo ao final o reconhecimento integral do crédito presumido do IPI; 7. Por fim, na hipótese de ainda restar qualquer dúvida quanto ao reconhecimento do direito ao crédito, requereu realização de diligência ou perícia específica e, ainda, a juntada de novos documentos. [...] Em 15/02/2011, a contribuinte apresenta a manifestação de fls. 299/304, instruída com os documentos de fls. 305/341, em complemento a inicial, para acrescentar que o Superior Tribunal de Justiça já pacificou seu entendimento no mesmo sentido de reconhecer que existe sim crédito presumido de IPI referente aos insumos adquiridos de pessoa física ou cooperativas. E mais, no Recurso Representativo da Controvérsia julgado em dez/2010 a empresa que era Recorrente era exportadora de grãos, ou seja, beneficiava o produto, tal qual a Requerente. Assim, considerando a decisão proferida pelo STJ no Recurso Especial Representativo da Controvérsia n° 993.164, requer o julgamento imediato do presente pedido de ressarcimento, sem quaisquer restrições. Em 01/02/2012, a contribuinte apresenta a manifestação de fls. 345/349, instruída com os documentos de fls. 350/382, em complemento às outras, novamente requerendo o julgamento imediato da manifestação de inconformidade, para que seja conferido o direito de ser ressarcida em seus créditos, sem que haja limitações impostas por instruções normativas que não constam da Lei nº 9.363/96, em especial, para considerar o conteúdo do Ato Declaratório nº 14/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional [...]. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a 8ª Turma de Julgamento da DRJ – Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em síntese, com base nos seguintes argumentos: Fl. 480DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 16366.000334/200911 Acórdão n.º 3102001.888 S3C1T2 Fl. 11 5 a) a simples revenda para o exterior de mercadorias adquiridas de terceiros, sem sofrer qualquer processo de industrialização, não estava contemplada com o incentivo fiscal do crédito presumido do IPI; b) a exportação de soja e milho em grãos, produtos classificados na TIPI como “NT”, não geravam direito ao crédito presumido do IPI; c) não procediam as arguições de nulidade do despacho decisório denegatório do crédito pleiteado, pois não vislumbrava nos autos qualquer das hipóteses nulidade previstas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; d) o momento processual para o oferecimento da impugnação, ou da manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão temporal, era o marco temporal para apresentação de provas e alegações com o condão de modificar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no estatuto processual tributário; e e) o pedido de diligência ou perícia foi indeferido, porque era prescindível, uma vez que estavam nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide. Em 20/4/2012, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância. Em 21/5/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 399/450, em que reafirmou os argumentos de defesa suscitados na fase de manifestação de inconformidade em relação ao mérito. Em aditamento, alegou nulidade do acórdão recorrido, com base no argumento de que houve cerceamento do direito de defesa, pois o indeferimento da produção de prova pericial havia impossibilitado o esclarecimento de dúvida quanto aos valores dos estoques mensais e que fossem apresentados os elementos e esclarecimentos necessários a regular instrução do processo. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Em preliminar, alegou a recorrente nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, com base no argumento de que o indeferimento do pedido de produção de prova pericial havia impossibilitado o esclarecimento das dúvidas atinentes aos valores dos estoques mensais e que fossem apresentados os elementos e esclarecimentos necessários a regular instrução do processo. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 No âmbito do processo administrativo fiscal, a prova pericial deve ser produzida ou refeita com a finalidade de proporcionar a autoridade julgadora a formação da sua livre convicção acerca da matéria fática, essencialmente, de natureza técnica. Nesse sentido, à autoridade julgadora de primeira instância é atribuído o poder discricionário de deferir o pedido de realização diligência ou de produção de prova pericial, apresentado pelo sujeito passivo, quando entendêla necessária ao deslinde da controvérsia, conforme dispõe o caput do art. 181 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF). No voto condutor do acórdão recorrido, o relator asseverou que considerava “desnecessária a diligência proposta pela impugnante, por entendêla dispensável para o deslinde do presente julgamento.” Assim, se o Órgão de julgamento de primeiro grau indeferiu a realização de nova prova pericial sob fundamento de que tal prova era prescindível, consequentemente, não cabe a este Colegiado fazer qualquer juízo de mérito sobre essa decisão, sob pena de descabida ingerência na prerrogativa do julgador de primeiro grau de, na apreciação da prova e nos termos do art. 29 do PAF, formar livremente a sua convicção. É oportuno ainda ressaltar que, nos termos do art. 28 do PAF, o indeferimento de pedido de diligência ou produção de prova pericial pelo órgão de julgamento a quo, desde que devidamente fundamentado, não constitui motivo para a nulidade da decisão de primeiro grau, por cerceamento do direito defesa. Além disso, este Conselho detém amplos poderes instrutores, logo, se constatada deficiência probatória nesta fase recursal, o julgamento do recurso pode ser convertido em diligência, o que não se vislumbra no caso em apreço. Com base nessas considerações, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. Pedido de juntada de novos documentos. No recurso em apreço, com respaldo no § 6º do art. 16 do PAF, a recorrente pleiteou a juntada de novos documentos. A juntada de novos documentos, após a apresentação da impugnação, poderá ser requerida autoridade julgadora de primeira instância, com amparo no § 5º do art. 16 do PAF, mediante petição em que seja demonstrada, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do § 4º do citado art. 16. No âmbito do PAF não há previsão legal para apresentação desse tipo pedido perante este Conselho. Ademais, a recorrente não apresentou os fundamentos exigidos pelo referido preceito legal e sequer mencionou quais documentos pretendia trazer à colação dos autos. Além disso, tratandose de prova documental, não havia nenhum impedimento para que os supostos documentos fossem coligidos autos, nas duas oportunidades de defesa que lhe foi proporcionada. Por essas razões, o pedido de juntada de documentos deve ser indeferido. 1 "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine". (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 482DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 16366.000334/200911 Acórdão n.º 3102001.888 S3C1T2 Fl. 12 7 Do mérito. No mérito, o cerne da presente controvérsia cingese à questão atinente ao direito de ressarcimento do crédito presumido do IPI, calculado sobre as compras de produtos in natura (soja e milho em grãos), que após processo de classificação (padronização), limpeza, secagem e armazenagem foram exportados pela recorrente, diretamente ou por intermédio de empresa comercial exportadora. Previamente a análise da controvérsia, é oportuno analisar o significado e alcance jurídico dos preceitos legais que veiculam as normas que estabelecem as condições para utilização do incentivo fiscal em destaque, especialmente, o disposto nos artigos 1º e 2º da Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a seguir transcritos: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970,8, de 3 de dezembro de 1970, e70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo.(Vide Lei nº 10.637, de 2002) [...] (grifos não originais) Nos referidos preceitos legais, encontramse definidos o titular do direito, a base de cálculo e a alíquota do crédito presumido do IPI. O titular do crédito é a pessoa jurídica “produtora e exportadora”. Logo, a contrário senso, não se beneficia do referido incentivo fiscal o exportador não produtor, ou seja, aquela pessoa jurídica que revende o produto para exterior no mesmo estado em que foi adquirido do produtor nacional. Por sua vez, a base de cálculo é determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME), do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Portanto, a determinação da base de cálculo depende de dois elementos essenciais: a) o valor total das aquisições de MP, PI e ME; e b) o valor da receita de exportação do produto resultante do processo de produção dos referidos insumos. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 Por fim, a alíquota é o percentual estabelecido no referido diploma legal. Porém, como não há controvérsia sobre este ponto, para o deslinde da presente lide, tornase despiciendo qualquer comentário a respeito. Do exposto e com base numa interpreção combinada dos referidos preceitos legais, é possível concluir que o direito ao crédito presumido do IPI depende do atendimento, simultâneo, das seguintes condições: (i) que haja aquisição de MP, PI e ME, (ii) que estes insumos sejam aplicados ou utilizados na produção de determinado produto e, por fim, (iii) que este produto resultante do processo de produtivo seja exportado diretamente ou por intermédio de empresa comercial exportadora. No que tange aos primeiro e o terceiro elementos, de natureza objetiva, por não existir controvérsia a respeito no caso em tela, prescindem de qualquer abordagem. Enquanto que segundo elemento, de natureza formal, por constituir o cerne da controvérsia, induvidosamente, necessita de uma precisa definição. Para esse fim, o parágrafo único do art. 3º da Lei nº 9.363, de 1996, expressamente, determina a utilização subsidiária da legislação do IPI, com os seguintes dizeres, in verbis: Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. (grifos não originais) No âmbito da legislação do IPI, os arts. 3º e 4º do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002), vigente no final de trimestre de apuração do crédito, de forma complementar, veiculam os conceitos, respectivamente, de produto industrializado e de operação de industrialização, com os seguintes termos, in verbis: Art. 3º Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária. Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, eLei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); Fl. 484DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 16366.000334/200911 Acórdão n.º 3102001.888 S3C1T2 Fl. 13 9 III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Com base nos mencionados comandos legais, para fim de apuração do crédito presumido do IPI, o conceito de produção equivale ao conceito industrialização, que consiste na operação que modifica “a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto”, ou o aperfeiçoa para consumo. Sob mesmo fundamento, induvidosamente, o produto exportado que atende os requisitos do incentivo fiscal em apreço equivale ao produto industrializado conceituado na legislação do IPI. Em suma, podese asseverar que o direito ao crédito presumido do IPI fica condicionado à utilização ou aplicação da MP, do PI e do ME na produção ou industrialização de produto exportado. Em outras palavras, somente podem ser utilizados como base de cálculo do incentivo fiscal em apreço o valor dos insumos aplicados no produto industrializado e exportado. A contrário senso, por falta de previsão legal, estão fora do incentivo fiscal em comento, as aquisições de produtos exportados no mesmo estado em que adquiridos de terceiros, ou seja, sem que sejam submetido a qualquer operação de industrialização, definida no art. 4º do RIPI/2002. De modo prático e segundo o entendimento do Poder Executivo, na TIPI, aprovada por Decreto, estão relacionados tanto os produtos industrializados quanto os não industrializados. Os primeiros, integrantes do campo incidência do IPI, estão relacionados com uma alíquota, ainda que zero, enquanto que os segundos apresentam notação “NT” (não tributado). Dessa forma, mediante consulta a referida Tabela, é fácil e prático saber quais são os produtos industrializados ou não, apenas com uma simples leitura das anotações sobre a situação tributária vinculada à descrição do produto. Esse procedimento encontra respaldo no art. 6º da Lei nº 10.451, de 10 de maio de 2002, a seguir reproduzido: Art. 6º O campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no4.070, de 28 de dezembro de 2001, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, Fl. 485DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 10 excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (não tributado). Diante da clareza do comando legal em destaque, é de fácil inferência que, para fim de incidência do IPI, apenas os produtos relacionados na TIPI com alíquota, ainda que zero, são considerados industrializados e integrantes do campo de incidência do IPI. Por outro lado, os demais produtos, relacionados na TIPI com notação “NT”, são considerados produtos não industrializados, aqui incluídos tantos os produtos in natura, ou seja, aqueles que são transacionados sem ser submetido qualquer operação de industrialização, quanto aqueles que, ainda que submetido a alguma operação industrial, definida no art. 4º do RIPI/2002, foi excluído do campo de incidência do imposto por determinação ou constitucional (imunidade). Para fim de apuração do crédito presumido do IPI, com respaldo no parágrafo único do art. 3º da Lei nº 9.363, de 1996, combinado com o disposto no art. 4º do RIPI/2002, os produtos in natura, relacionados na TIPI com notação “NT”, pelas razões anteriormente expostas, estão fora do campo de abrangência do incentivo fiscal do crédito presumido do IPI. Em face da peculiaridade do caso em tela, o entendimento aqui explicitado, embora mais restrito, a meu ver, harmonizase perfeitamente com o mais abrangente (que não faz distinção entre produto fora do campo de incidência do IPI) que vem sendo explicitado pelas demais Turmas desta 3ª Seção e pela 3ª Turma da CSRF, conforme exemplificam os enunciados das ementas dos julgados a seguir reproduzidos: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS NÃO SUBMETIDAS A PROCESSO INDUSTRIAL. DESCABIMENTO. O chamado “crédito presumido de IPI”, concedido e disciplinado pelas Leis nºs 9.363/96 e 10.276/01, beneficia tão somente o produtor exportador, assim compreendida a pessoa jurídica que realiza operação de industrialização segundo os conceitos definidos pela legislação do IPI. (CARF, 3ª Seção, 4ª Câmara, 3ª Turma Ordinária, Ac. 3403001.295, de 9/11/2011, rel. Marcos Tranchesi Ortiz) CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, instituído para ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. (CARF, 3ª Seção, 2ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Ac. 3201001.245, de 20/3/2013, rel. Mércia Helena Trajano Damorim) CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não tributados (NT). (CARF, CSRF, 3ª Turma, Ac. 9303001.450, de 30/5/2011, rel. Marcos Tranchesi Ortiz) Definido que apenas os insumos utilizados nos produtos industrializados ( segundo o conceito de produção ou industrialização da legislação do IPI) e exportados, diretamente ou por intermédio de empresa comercial exportadora, estão contemplados com o Fl. 486DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 16366.000334/200911 Acórdão n.º 3102001.888 S3C1T2 Fl. 14 11 incentivo fiscal em destaque, passase a analisar se os produtos exportados pela recorrente atendem tais condições. No documento de fls. 64/72, informou a recorrente que, previamente à operação de exportação, os produtos eram submetidos a processo de beneficiamento, consistente na classificação (padronização), limpeza, secagem e armazenagem. Com base nessa informação, concluiu a autoridade fiscal que tais operações não atendiam o conceito de industrialização, logo, os produtos revendidos para o exterior não sofreram qualquer processo de industrialização. Ademais, a exportação de soja e milho em grãos, produtos classificados na TIPI com notação “NT”, não geravam direito ao crédito presumido do IPI. No recurso em apreço, alegou a recorrente que os produtos exportados eram industrializados, pois as atividades “de limpeza, padronização e secagem” enquadravamse no conceito de industrialização por beneficiamento, previsto no inciso II do artigo 4º do RIPI/2002, com base nos argumentos explicitados nos subitens 22.1 e 22.2, in verbis: 22.1. Referido processo de beneficiamento promove alteração no funcionamento, na utilização, no acabamento e na aparência do produto, com o incremento ou a manutenção de sua qualidade e os torna aptos a serem consumidos "in natura", ou reprocessados em outros sub produtos de interesse na alimentação humana ou animal, conforme laudo anexo. 22.2. Isto é, o produto bruto, oriundo da lavoura, possui impurezas e outros materiais infestantes que precisam ser removidos e, normalmente, apresentam teor de umidade superior para uma correta armazenagem e processamento. O beneficiamento transforma uma matéria prima bruta em um produto elaborado em que as suas qualidades físicas, organolépticas e nutricionais são preservadas, aproveitandose todo seu potencial nas diversas utilizações a que se destina, sejam em outras indústrias de transformação ou até consumidos naturalmente. (grifos dos originais) Tais atividades, a meu ver, não atendem o conceito de operação industrialização, definido no inciso II do artigo 4º do RIPI/2002. Além disso, a mera manutenção da qualidade dos produtos, de sorte a tornálos “aptos a serem consumidos ‘in natura’, ou reprocessados em outros sub produtos de interesse na alimentação humana ou animal”, ao contrário do alegado, confirma que as ditas atividades de “beneficiamento” realizadas pela recorrente, inequivocamente, não atendem o conceito de industrialização por beneficiamento, definida no artigo 4º do RIPI/2002. Em síntese, chegase a conclusão de que os produtos exportados pela recorrente, soja (NCM 1201.0090) e milho (NCM 1005.90.10) em grãos, estão fora do campo de abrangência do incentivo fiscal do crédito presumido do IPI, por dois motivos: a) eles foram exportados no mesmo estado em que adquiridos; e b) por serem produtos in natura relacionados na TIPI com notação “NT”, não são considerados produtos industrializados, para fim do incentivo fiscal do crédito presumido do IPI. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 12 Com base nessas considerações, fica demonstrado que a recorrente não faz jus a crédito presumido do IPI pleiteado. Em decorrência, deve ser mantido o indeferimento do pedido de ressarcimento em questão. Da conclusão. Por todo o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar nulidade suscitada e indeferir o pedido de apresentação de novos documentos. No mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 488DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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