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Numero do processo: 13739.000130/2007-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. QUINQUÊNIOS. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. SÚMULA CARF Nº 68.
O pagamento de adicional por tempo de serviço, na forma de quinquênios, constitui rendimento tributável para fins de incidência do imposto de renda. Em que pese a exclusão de tal parcela do conceito de remuneração devida na administração pública, a Lei n° 8.852, de 1994, não outorgou isenção nem enumerou hipóteses de não incidência do imposto de renda.
(Súmula CARF nº 68)
Numero da decisão: 2401-006.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. QUINQUÊNIOS. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. SÚMULA CARF Nº 68. O pagamento de adicional por tempo de serviço, na forma de quinquênios, constitui rendimento tributável para fins de incidência do imposto de renda. Em que pese a exclusão de tal parcela do conceito de remuneração devida na administração pública, a Lei n° 8.852, de 1994, não outorgou isenção nem enumerou hipóteses de não incidência do imposto de renda. (Súmula CARF nº 68)
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ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. QUINQUÊNIOS. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. SÚMULA CARF Nº 68. O pagamento de adicional por tempo de serviço, na forma de quinquênios, constitui rendimento tributável para fins de incidência do imposto de renda. Em que pese a exclusão de tal parcela do conceito de remuneração devida na administração pública, a Lei n° 8.852, de 1994, não outorgou isenção nem enumerou hipóteses de não incidência do imposto de renda. (Súmula CARF nº 68) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 9. 00 01 30 /2 00 7- 44 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13739.000130/200744 Acórdão n.º 2401006.697 S2C4T1 Fl. 42 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro II (DRJ/RJOII), por meio do Acórdão nº 1317.816, de 28/11/2007, cujo dispositivo considerou procedente o lançamento, mantendo integralmente o crédito tributário (fls. 26/30): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de 1RPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Lançamento Procedente Em face do contribuinte foi emitido Auto de Infração, relativo ao ano calendário de 2001, exercício de 2002, decorrente de procedimento de revisão da Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apurou omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício (fls. 09/14). O auto de infração alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), reduzindo o imposto a restituir e exigindo imposto suplementar em patamar inferior a R$ 10,00. O contribuinte foi cientificado da autuação em 04/01/2007 e impugnou a exigência fiscal no prazo legal (fls. 02/05 e 23/24). Intimado por via postal em 27/03/2008 da decisão do colegiado de primeira instância, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 02/04/2008, em que repisa os argumentos de fato e direito contidos na sua impugnação, a seguir resumidos (fls. 33/34 e 35/38): (i) o valor recebido como funcionário público a título de gratificação por tempo de serviço é dotado de natureza indenizatória, na medida em que submetido a um regime diferenciado de trabalho, de modo que não incide o imposto de renda sobre a parcela devida; e Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13739.000130/200744 Acórdão n.º 2401006.697 S2C4T1 Fl. 43 3 (ii) a alínea "n" do inciso III do art. 1º da Lei nº 8.852, de 4 de fevereiro de 1994, inclui o adicional por tempo de serviço no rol de verbas classificadas como de natureza indenizatória. É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito O adicional por tempo de serviço representa acréscimo patrimonial para o agente público, porquanto não configura recomposição de riqueza que foi subtraída do patrimônio do beneficiário. À vista disso, a parcela percebida integra o rendimento bruto como produto do trabalho e encontrase submetida à incidência do imposto de renda (art. 3º, §§, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988). Para fins de incidência do imposto de renda da pessoa física, a legislação tributária não contém hipótese de exclusão de tal verba dos rendimentos tributáveis. Qualquer dispensa do pagamento de tributo, mediante isenção ou não incidência tributária, deve estar regulada em lei específica, nos termos do § 6º do art. 150 da Constituição da República de 1988. As alíneas "a" até "r do inciso III do art. 1º da Lei nº 8.852, de 1994, tão somente enumeram parcelas de retribuição pecuniária devidas na administração pública de qualquer dos Poderes da União, que são apenas suprimidas do conceito de remuneração para efeitos do teto remuneratório dos agentes públicos, a partir do limite definido pela Carta Política de 1988. Ao contrário do que defende o contribuinte, a Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção ou estipula hipóteses de não incidência do imposto de renda sobre o adicional por tempo de serviço. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13739.000130/200744 Acórdão n.º 2401006.697 S2C4T1 Fl. 44 4 Nesse sentido, a reiterada jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), consolidada por intermédio do enunciado sumulado nº 68, assim redigido: Súmula CARF nº 68: A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Sendo assim, não merece reforma o acórdão de primeira instância, que decidiu adequadamente a matéria controvertida. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 44DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.004310/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2005
BITRIBUTAÇÃO. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
Não restando caracterizada a exigência de duas ou mais infrações sobre uma mesma base de cálculo, não há que se falar em nulidade da autuação por bitributação.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997.
A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento.
Numero da decisão: 2402-007.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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NULIDADE DA AUTUAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Não restando caracterizada a exigência de duas ou mais infrações sobre uma mesma base de cálculo, não há que se falar em nulidade da autuação por bitributação. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 43 10 /2 00 8- 87 Fl. 265DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-007.366 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.004310/2008-87 Relatório Trata-se de recurso voluntário em face da decisão da 4ª Tuma da DRJ/JFA, consubstanciada no Acórdão nº 09-22.978 (fl. 232) que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nos termos do relatório do referido Acórdão, tem-se que: Trata o presente processo do Auto de Infração de fls.02/09 lavrado pela Fiscalização em 14/10/2008, contra o contribuinte retro identificado, que resultou na cobrança do crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, referente ao exercício financeiro de 2006, no montante de R$ 1.091.013,31, sendo R$ 447.989,84 de imposto de renda, R$ 514.002,40 de multa proporcional (passível de redução), e R$ 129.021,07 de juros de mora calculados até 30/09/2008. O lançamento efetuado decorreu da apuração pela autoridade fiscal de omissão de rendimentos da atividade rural, no montante de R$ 52.674,16, e de omissão de rendimentos, no montante de R$ 1.596.685,79, caracterizada por depósitos bancários cuja origem dos recursos utilizados nessas operações não foi comprovada, ambas ocorridas durante o ano-calendário de 2005, segundo consta no item "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 04/06 – parte integrante do Auto de Infração ora contestado — e no Relatório Fiscal fls. 10/21. Foram aplicadas multa proporcional qualificada e agravada de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento) sobre a fração do imposto de renda relativa à omissão de rendimentos da atividade rural, por ter concluído a fiscal autuante que se encontra configurado, em tese, nessa infração, a ocorrência de crime contra a Ordem Tributária e por falta de atendimento por parte do contribuinte às intimações fiscais para prestar esclarecimentos, e multa proporcional agravada de 112,5 % (cento e doze virgula cinco por cento) sobre a fração do imposto de renda relativa à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, por falta de atendimento por parte do contribuinte às intimações fiscais para prestar esclarecimentos, tudo conforme expresso no Relatório Fiscal acima mencionado. (...) Em sua peça impugnatória de fls.208/214, o contribuinte insurge-se contra o lançamento efetuado, quando, após tecer comentários sobre a conduta profissional da fiscal autuante, apresenta seus argumentos que em apertada síntese, são os seguintes: 1) O crédito tributário ora exigido é impagável por parte do contribuinte uma vez que estamos falando de um pequeno produtor rural, que apesar de ter movimentado uma quantia considerável em sua conta/corrente, não apresentou exteriorização de riqueza alguma; 2) A doutrina e a jurisprudência são vastas em admitir que não existe renda presumida, havendo que ser real, não tem que se confundir os depósitos que circularam na conta do contribuinte com a renda por este; 3) O contribuinte em momento algum se eximiu de entregar os documentos solicitados pelo Fisco, procurando demonstrar que seus únicos rendimentos teriam como origem a atividade rural, apresentando as notas fiscais de venda e compra de gado, não conseguindo apresentar todas as notas que acobertassem as movimentações efetuadas por ser a região muito pobre, algumas transações foram feitas sem notas, outras notas se perderam e não foram lançadas; 4) A fiscal autuante incorreu em erro de bi- tributação visto que considera como receita sem origem comprovada a totalidade da movimentação bancária do contribuinte, descontando os cheques devolvidos e os empréstimos bancários, tributando sobre o valor acima descrito (R$ 1.96.685,99), tendo este como base para cálculo do imposto devido e, também, em um segundo momento, calcula imposto devido sobre um valor (20%)) que tem como base as notas fiscais de venda do gado (R$ 26.370,82), considerado como rendimento arrecadado com a atividade rural, ocorrendo portanto a tributação de dois valores sobre a mesma base de cálculo, sendo correto o valor total movimentado menos o valor comprovado pela venda de gado, o que não ocorreu; 5) Na primeira autuação a auditora fiscal considerou o contribuinte como agricultor, tornando Fl. 266DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-007.366 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.004310/2008-87 como base as notas de compra e venda de gado, ou seja, acolheu a alegação de que a sua renda provinha de atividade rural e, na segunda autuação, considerou que o contribuinte não teria comprovado sua movimentação bancária e que todo valor seria renda omitida, não abatendo sequer os valores computados na atividade rural; 6) Cabe ao Fisco comprovação de que o contribuinte, no caso em tela, possuía outra fonte de renda diferente da alegada pelo mesmo - atividade rural - o que não ocorreu, pois o presente Auto de Infração foi lavrado através de presunções não comprovadas pelo Fisco, que inverteu o ônus da prova. Para corroborar seus argumentos, o impugnante cita ementas de acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. A DRJ julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo, nos termos da ementa abaixo reproduzida: OMISSSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. ARBITRAMENTO. A falta de entrega da DIRPF e de escrituração do Livro Caixa para apuração do resultado da exploração da atividade rural implica o arbitramento da base de cálculo, à razão de vinte por cento da Receita Bruta obtida no ano-calendário correspondente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Com a edição da Lei n° 9.430/96, a partir de 01/01/1997 passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito do impugnante fazê-lo em outro momento processual. Lançamento Procedente Cientificado dessa decisão, o Contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 243 a 251, reiterando os termos da impugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme se infere do relatório supra, trata-se, o presente caso, de lançamento fiscal em decorrência da apuração, pela fiscalização, das seguintes infrações: 1. omissão de rendimentos da atividade rural, no montante de R$ 52.674,16, e 2. omissão de rendimentos, no montante de R$ 1.596.685,79, caracterizada por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Fl. 267DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-007.366 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.004310/2008-87 O Recorrente, reiterando os termos da impugnação apresentada, limitou-se, em sua peça recursal, a pugnar pela nulidade da autuação em decorrência de bitributação (cobrança de valores distintos apurados a partir de uma mesma base de cálculo) e pela improcedência da autuação embasada em presunção. É dizer: sobre o mérito das acusações fiscais propriamente dito, o Recorrente nada disse. Não contestou, de forma clara e específica, os valores apurados pela fiscalização seja em relação à omissão de rendimentos da atividade rural, seja em relação à omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários cuja origem dos recursos utilizados nessas operações não foi comprovada. Feito este breve esclarecimento, passemos, então, à análise das teses defensivas do Recorrente. Da Nulidade da Autuação. Bitributação. Neste ponto, assim se manifestou o Contribuinte em sua peça recursal: (...) a fiscal incorreu em um erro que acarretou nulidade do presente auto de infração, pois ao considerar a base de cálculo para a lavratura do mesmo, autuou o contribuinte em parte por omissão de renda rural e a outra parte por omissão de renda por falta de comprovação da origem da movimentação. E ao fazer os cálculos que entende devidos, declara como receita sem origem comprovada a totalidade da movimentação bancária de R$ 1.596.685,99 (um milhão, quinhentos e noventa e seis mil, seiscentos e oitenta e cinco reais e noventa e nove centavos), descontando os cheques devolvidos e os empréstimos bancários, tributando sobre todo o valor acima descrito, tendo este como base para cálculo do imposto devido, da multa e dos juros pelo atraso. No entanto, em um segundo momento, também calcula como devido mais um valor que tem como base as notas fiscais de venda do gado, que totaliza R$ 263.370,82 (duzentos e sessenta e três mil, trezentos e setenta reais e oitenta e dois centavos), sendo devido tributo pela omissão de renda de valores arrecadados com a atividade rural, ocorrendo portanto a tributação de dois valores sobre a mesma base de cálculo, sendo correto o abatimento do valor total movimentado menos o valor comprovado pela venda de gado, o que não ocorreu, havendo portanto BITRIBUTAÇÃO, o que gera NULIDADE do presente auto infração. (grifos originais) A DRJ, por seu turno, destacou que: Mesmo admitindo-se que os valores constantes das referidas Notas Fiscais Avulsas de Produtor, elencadas no Demonstrativo de fls.22, se referem a operações de venda de gado bovino efetuadas mediante pagamento à vista, para se acatar a pretensão do impugnante era necessário que houvesse coincidência de datas e valores nos referidos documentos em relação aos depósitos bancários de origem não comprovada, listados nos Demonstrativo de fls.15/21. A mera possibilidade de que o contribuinte teria, devido às operações comerciais efetuadas, disponibilidade financeira para efetuar os depósitos bancários em foco não é suficiente para elucidar a questão. Para efeito de determinação da receita omitida os créditos são analisados individualizadamente, a teor do disposto no artigo 42, parágrafo 3º, da Lei nº 9.430/1996. Seria preciso que o interessado apresentasse elementos que vinculassem as mencionadas operações comerciais diretamente aos depósitos bancários apontados pela fiscal autuante, de modo a estabelecer um nexo lógico razoável visando afastar a sua responsabilidade quanto à repercussão tributária daqueles valores. Não há reparos a serem feitos na decisão de primeira instância neste particular. Fl. 268DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-007.366 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.004310/2008-87 De fato, o que pretende o Recorrente é se valer do montante identificado pela fiscalização como rendimentos da atividade rural – assim tributado pela fiscal autuate como omissão de rendimentos da atividade rural, considerando que o Contribuinte apresentou Declaração de Isento no ano-calendário em análise – para deduzir do montante apurado como omissão de receitas a partir de depósitos bancários sem origem comprovada. Ora, para tanto, caberia ao Contribuinte demonstrar, de forma clara e evidente, que os valores recebidos como rendimentos da atividade rural correspondem a parte dos depósitos bancários identificados pela fiscalização como de origem não comprovada e vice- versa. Não é pelo simples fato de a fiscalização ter constatado que o contribuinte obteve no ano-calendário em análise rendimentos oriundos da atividade rural que todos os créditos identificados em suas contas bancárias se referem a receitas de tal atividade. Como bem pontuado pela DRJ, o Contribuinte não apresenta, contudo, nenhuma documentação capaz de comprovar esta sua afirmativa. E o fato de não ter entregue à Receita Federal sua DIRPF/2006, embora estivesse obrigado a fazê-lo, impossibilitou à autoridade revisora analisar a natureza de seus rendimentos tributáveis, que podem, em tese, incluir rendimentos de outras fontes pagadoras como trabalho assalariado e não-assalariado, aplicações financeiras, aluguel de bens móveis e imóveis, etc. Nega-se, portanto, provimento ao recurso voluntário neste particular. Da Improcedência do Lançamento embasado Unicamente em Presunção. Inversão do Ônus da Prova. Superada a preliminar de nulidade, tem-se que a irresignação do Recorrente em sua peça recursal se restringe à argumentação de que caberia ao Fisco a comprovação de que o Contribuinte, no caso em tela, possuía outra fonte de renda diferente da alegada pelo mesmo - atividade rural - o que não ocorreu, pois o presente Auto de Infração foi lavrado através de presunções não comprovadas pelo Fisco, que inverteu o ônus da prova. Sobre o tema, deve ser esclarecido que o que se tributa não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles representada. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omisso de rendimentos objeto de tributação. Depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício, por expressa disposição legal, se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazê-lo, ou não o faz satisfatoriamente. A Lei n° 9.430, de 1996, que embasou o lançamento, com as alterações introduzidas pelo art. 4° da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, e pelo art. 58 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, assim dispõe acerca dos depósitos bancários: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa, física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferida ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 269DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-007.366 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.004310/2008-87 §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação especificas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12. 000, 00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000, 00 (oitenta mil reais). O dispositivo estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A presunção transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Trata-se, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Assim, ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar o fato alegado, qual seja omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção, provar que o fato presumido não existiu. Cabe ao Fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção. Ocorrida a situação fática, no caso depósitos bancários de origem não comprovada, evidenciada está a infração. Ao contribuinte incumbe demonstrar a exata correlação entre cada valor depositado em sua conta bancária e a correspondente origem do recurso. A DRJ, sobre a matéria, destacou que: O assunto em tela, a partir de 1997, passou a ter um disciplinamento diferente daquele previsto na Lei nº 8.021/1990, estabelecido agora pela Lei n° 9.430 de 27.12.1996, que aplica-se ao fatos geradores futuros ou pendentes ocorridos a partir de 0l/01/1997. (...) Desta forma, o legislador, a partir da referida data, não estabeleceu uma nova hipótese de incidência do imposto de renda, nem equiparou depósitos bancários incomprovados à renda. Simplesmente, agora, instituiu um outro tipo de norma legal: aquela que prevê um novo tipo de presunção legal de omissão de rendimentos, definindo, ao mesmo tempo, as normas balizadoras do "como" se determinará o valor omitido. Pode-se dizer ter a aludida Lei n° 9.430/1996 estabelecido que, não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, tem-se a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. Há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais: o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. Afasta-se, assim, toda e qualquer argumentação da Recorrente referente à improcedência do lançamento com base em presunções, razão pela qual, voto por negar provimento ao recurso ao voluntário neste particular. Fl. 270DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-007.366 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.004310/2008-87 Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 271DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.720104/2005-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003
DÉBITO APURADO EM AUDITORIA INTERNA PAGO DENTRO DE VINTE DIAS DA CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO PELA DE MORA.
Apresentada Declaração de Compensação para quitação de créditos tributários apurados em auditoria interna, dentro do prazo de 20 (vinte) dias da data da ciência do lançamento, a legislação tributária determina que a multa de ofício será substituída pela multa de mora, ainda que o crédito apurado não seja suficiente para a total liquidação.
Numero da decisão: 1302-003.672
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lúcia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003 DÉBITO APURADO EM AUDITORIA INTERNA PAGO DENTRO DE VINTE DIAS DA CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO PELA DE MORA. Apresentada Declaração de Compensação para quitação de créditos tributários apurados em auditoria interna, dentro do prazo de 20 (vinte) dias da data da ciência do lançamento, a legislação tributária determina que a multa de ofício será substituída pela multa de mora, ainda que o crédito apurado não seja suficiente para a total liquidação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório A recorrente apresentou Declaração de Compensação nº 12250.67249.011205.1.7.02-0867 e 11329.40961.161105.1.3.02-5221 nas quais pretende utilizar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 01 04 /2 00 5- 14 Fl. 305DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.672 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720104/2005-14 crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2003, no valor de R$ 243.274,51, todo ele oriundo de Imposto de Renda Retido na Fonte. Após análise, a DRF/Curitiba/PR, por meio de Despacho Decisório de fls. 196/199, reconheceu o direito creditório na totalidade, que foi utilizado na compensação dos débitos, com o seguinte resultado: 1) homologação parcial da DCOMP nº 12250.67249.011205.1.7.02-0867; 2) não homologação da DCOMP nº 11329.40961.161105.1.3.02-5221. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 15/12/2005, conforme AR de fls. 205. Em 03/01/2006, foi apresentada manifestação de inconformidade de fls. 210/213, com as seguintes alegações: - esclarece que apresentou as declarações de compensação utilizando crédito de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2003 para liquidar débito de IRRF lançado de ofício no processo administrativo nº 10980.011154/2003-15, e outros débitos de IRRF. - ao verificar apuração equivocada do crédito, retificou a DIPJ/2004 reduzindo o saldo negativo de IRPJ, fato que não permitiu a compensação integral do lançamento do IRRF. - apresentou DCOMP retificadora nº 12250.67249.011205.1.7.02-0867 onde alterou o valor do crédito e do débito constante no Auto de Infração. - da mesma forma, em 08/12/2005 apresentou pedido de cancelamento da DCOMP nº 11329.40961.161105.1.3.02-5221, antes da ciência do Despacho Decisório. - os débitos remanescentes da DCOMP cancelada foram compensados por meio de outras DCOMP utilizando crédito de pagamento indevido. - relativamente ao saldo não compensado de IRRF lançado de ofício, o Sr. Auditor Fiscal entendeu, conforme se infere do item 3.5 do relatório, que a parte não compensada não é objeto de uma não homologação, com o que concorda a impugnante, vez que o crédito tributário foi pago parcialmente com a PER/DCOMP retificadora. - relativamente a DCOMP nº 11329.40961.161105.1.3.02-5221, em razão do pedido de cancelamento, os débitos de IRRF não estão sujeitos ao imperativo do artigo 74, §3º, inciso V da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003. - requer o provimento à manifestação de inconformidade, determinando a suspensão da exigibilidade dos débitos cuja DCOMP foi cancelada, determinando, ainda, o sobrestamento da determinação de cobrança contida no despacho decisório, para ao final reconhecer o direito da Manifestação à compensação destes débitos com os créditos imputados nas DCOMP, provenientes de pagamento efetuados a maior, em cumprimento ao artigo 138 do CTN. Diante das alegações da interessada, a DRF/Curitiba/PR emitiu Despacho Decisório retificador, de fls. 258/259, no qual defere o pedido de cancelamento da DCOMP nº 11329.40961.161105.1.3.02-5221, nos seguintes termos: De acordo. À vista do exposto, revendo o Despacho Decisório de fls. 167 a 170, resolvo deferir o Pedido de Cancelamento nº 32671.45406.081205.1.8.02-0739 e, por decorrência, cancelar a cobrança relativa aos débitos por cuja Fl. 306DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.672 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720104/2005-14 compensação não homologada se havia concluído, mantido aquele (Despacho Decisório) quanto ao resto. A interessada teve ciência do Despacho Decisório retificador em 31/01/2006, conforme AR de fls. 26. Em 15/02/2006, a interessada apresentou pedido de reconsideração, fls. 262/265, na qual aduz: - com base no artigo 149 do CTN, o lançamento poderá ser revisto de ofício nas hipóteses nele elencadas. - no presente caso, não foi observado pelas autoridades fazendárias fato essencial que acarretaria na modificação dos valores compensados. - verificou-se que a multa considerada pelos sistemas da Receita Federal para liquidação do Auto de Infração foi calculada em 37,5%, enquanto que o correto seria a aplicação a multa de 20%, nos termos do artigo 47 da Lei nº 9.430/96, que faculta ao contribuinte o pagamento até o vigésimo dia subseqüente ao lançamento, com acréscimos aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. - esta faculdade consta no termo de intimação do auto de infração. - assim, se valendo de tal permissivo, pretendendo a liquidação de parte do crédito tributário lançado no auto de infração 10980.011154/2003-15, transmitiu DCOMP em 01.11.2005, sendo inconteste seu direito à liquidação do crédito tributário com multa moratória de 20%. - em face da irregularidade na aplicação da multa de 37,5%, os créditos utilizados restaram insuficientes, gerando saldo remanescente de R$ 17.837,15, conforme cálculos apresentados no Despacho Decisório nº 72/2006. - em vista do exposto, requer a revisão de ofício nos termos do artigo 149 do CTN da homologação da compensação, para o fim de declarar compensado a integralidade do crédito tributário lançado no processo administrativo nº 10980.011154/2003-15, eis que foram liquidados aplicando a multa no percentual de 20%, conforme autorizava o artigo 47 da Lei nº 9.430/96. - requer, ainda, em virtude da apresentação deste requerimento, nos termos do artigo 151, inciso III do CTN, que o suposto crédito tributário exigido no processo administrativo nº 10980.011154/2003-15 tenha a exigibilidade suspensa, razão pela qual deve ser expedida a certidão positiva com efeitos negativos. O requerimento apresentado pela interessada foi recepcionado como manifestação de inconformidade, conforme se depreende da Informação Fiscal de fls. 270/271, do qual destaco os seguintes trechos: Pelo Despacho Decisório, de fls. 167 a 170, retificado pelo de fls. 225 a 226, decidiu-se pela homologação parcial da compensação analisada. (...) 03.2. Tempestivamente, comparece o contribuinte ao processo, de fis. 229. a .232, e anexos, de fls. 233. a. 235, alegando que a compensação homologada incorreu em erro de cálculo ao cor siderar a multa de 37,5% ao invés de 20%,. Fl. 307DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.672 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720104/2005-14 tal.como devido,- dado que a apresentação da DCOMP em causa ocorreu dentro dos 20 dias da ciência do lançamento. 03.3 — Em função disso, supondo erro do SIEF, consultou-se a SRRF no sentido de averiguar sobre a possibilidade de erro no cálculo, já que, em prévia consulta ao cadastro do processo no profisc, verificou-se que estava corretamente cadastrado ; ou seja,. informando que se aplicava a IN SRF n° 77/98, hipótese em que, então, seria de se esperar que o cálculo da multa considerasse 20% e não 37,5%, conforme se depreende da leitura do art. 2°, § 2°, inciso I, da referida IN. 03.4 Contudo, a resposta dada pela SRRF, que já é resposta a outros casos semelhantes, .ocorridos em outras. unidades, é de que para haver a substituição da multa de ofício pela de mora é preciso haver a quitação da totalidade dos débitos lançados. no AI. E, como no presente caso não houve quitação da totalidade dos débitos lançados,- a multa a ser considerada seria a de ofício, reduzida a 37,5%. Como, da leitura do dispositivo legal acima citado, não se vislumbra a condição de quitação da totalidade dos débitos implantada no sistema de cálculo do profisc, exigindo a multa de ofício em detrimento da de mora quando não haja a quitação da totalidade dos débitos, entendo que, neste caso, há uma questão de direito a ser analisada pela DRJ, tendo em vista a divergência existente entre a leitura que o contribuinte faz da legislação e aquela que a SRF faz, dada a formatação por ela dada na estrutura de cálculos imposta pelo profisc. O processo, portanto, foi encaminhado para Delegacia de Julgamento Em sessão de 26 de março de 2009, por meio do Acórdão nº 06-21.463 de fls. 288/290, a 1ª Turma da DRJ/Curitiba/PR decidiu conhecer da manifestação de inconformidade e indeferir a solicitação, com a seguinte ementa: ASSUNTO: Normas de Administração Tributária Ano-calendário:2005 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INSUBSISTENTE. IMPOSSIBILIDADE. Comprovado nos autos que o interessado não dispõe de saldo de direito creditório suficiente para a compensação pleiteada, impõe-se o indeferimento do pedido. A decisão de primeira instância acatou o "pedido de reconsideração" como manifestação de inconformidade diante da existência de matéria controvertida acerca dos débitos integrantes da DCOMP analisada pelo Despacho Decisório retificador de fls. 259. Quanto ao mérito, entende que o artigo 47 da Lei nº 9.430/96 se aplica apenas aos pagamentos efetuados dentro de vinte dias da data da ciência do termo de início de fiscalização. No caso em análise, o termo do início da ação fiscal ocorreu em 30/06/2005, enquanto que a DCOMP foi transmitida em 01/11/2005, ou seja, após esgotado o prazo. Conclui que houve equívoco da autoridade lançadora ao fazer constar esse benefício no termo de ciência do lançamento, e que a unidade de origem agiu corretamente ao conceder ao interessado o benefício de redução da multa de ofício Fl. 308DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-003.672 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720104/2005-14 de 50% já que, à data da entrega da DCOMP, somente este benefício encontrava-se respaldado em lei. A ciência da decisão ocorreu em 07/04/2009, conforme atesta o AR de fls. 295. O recurso voluntário foi apresentado em 06/05/2009, fls. 296/302, com as seguintes alegações: - a recorrente não pode ser penalizada por erro cometido pela Administração Pública, já que procedeu ao recolhimento na forma como lhe foi exigido, sem qualquer questionamento. - um ato administrativo deve observar a legislação, o que não se verificou quando lavratura do auto de infração ao imputar multa com erro, o que enseja sua nulidade. - se a própria fiscalização admite que errou na cobrança do valor da multa, não pode aceitar que agora queira cobrar da recorrente valor original acrescido de multa e juros. - se algum valor fosse devido, seria somente o valor da multa supostamente paga a menor (diferença entre 37,5 % e 20%), sem qualquer acréscimo, mesmo porque foi induzida a erro. - requer o provimento ao recurso voluntário com o cancelamento da exigência, ou, caso não seja este entendimento, que a exigência seja reduzida para a diferença entre os percentuais, sem qualquer acréscimo. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lúcia Miceli, Relatora. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. É de se esclarecer que, em que pese o direito creditório ter sido reconhecido na totalidade, o mesmo não foi suficiente para homologação de todas as compensações, motivo pelo qual a recorrente deu início ao litígio administrativo com a apresentação da manifestação de inconformidade, em face da não homologação da compensação de alguns débitos, conforme previsão do artigo 74, §9º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Assim, eu conheço do recurso voluntário. O cerne da questão reside no percentual a ser aplicado para cálculo da multa relativa aos débitos lançados no auto de infração do processo administrativo nº 10980.011154/2003-15. Primeiro, importa registrar que a DCOMP foi apresentada em 01/11/2005, dentro do prazo de 20 (vinte) dias da ciência do lançamento. Pelos cálculos constantes nos autos, às fls 169/190, foi aplicado o percentual de 37,5% - ou seja, a redução em 50% da multa de ofício de 75%, conforme artigo 44, § da Lei nº 9.430. Já a recorrente afirma que o percentual correto de 20%, conforme artigo 47 do mesmo diploma legal. Para deslinde da questão, importa observar que no auto de infração, no campo Intimação, consta expressamente que, no caso de recolhimento dos débitos, dentro do prazo de Fl. 309DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-003.672 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720104/2005-14 20 (vinte) dias contados da ciência do lançamento, seria cobrada multa de mora, dispensada multa de ofício, conforme prevê o artigo 47 da Lei nº 9.430/96. Ratificando esta orientação, consta na Informação Fiscal de fls. 270 e 271, que o cadastro do lançamento, nos sistemas da Receita Federal do Brasil (PROFISC), tem a informação que deveria ser aplicado o tratamento previsto na IN SRF nº 77/98, que em seu artigo 2º, § 2º, inciso I, dispõe que será aplica a multa de mora no caso de pagamento dentro do prazo de 20 (vinte) dias da ciência do lançamento. A citada Instrução Normativa trata de "multas e juros exigidos nos lançamentos derivados de revisão da Declaração de Contribuições e Tributos Federais - DCTF, das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR.' Concluo, portanto, que os débitos lançados no processo administrativo nº 10980.011154/2003-15 decorrem de procedimento de auditoria interna, e, por força da citada Instrução Normativa, o percentual a serem aplicados são os definidos no seu artigo 2º: Art. 2o Os débitos apurados nos procedimentos de auditoria interna, decorrentes de verificação dos dados informados na DCTF, a que se refere o art. 2o da Instrução Normativa SRF No 45, de 1998, na declaração de rendimentos da pessoa física ou jurídica e na declaração do ITR, serão exigidos por meio de auto de infração, com o acréscimo da multa de lançamento de ofício e dos juros moratórios, previstos, respectivamente, nos arts. 44 e 61, § 3o, da Lei No 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observado o disposto nas Instruções Normativas SRF Nos 94, de 24 de dezembro de 1997, e 45, de 1998. Fl. 310DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-003.672 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720104/2005-14 (...) § 2o Os débitos a que se refere o caput, constantes de auto de infração, poderão ser pagos: I - até o vigésimo dia, contado da ciência do lançamento, com o acréscimo de multa moratória, dispensada, nesse caso, a exigência da multa de lançamento de ofício (art. 47 da Lei No 9.430, de 1996); II - do vigésimo-primeiro até o trigésimo dia, contado da ciência do lançamento, com o acréscimo de multa de lançamento de ofício, reduzida em cinqüenta por cento (art. 44 e § 3o da Lei No 9.430, de 1996); III - a partir do trigésimo-primeiro dia contado da ciência do lançamento, com o acréscimo da multa de ofício, sem redução (art. 44 da Lei No 9.430, de 1996). (...) Do exposto, não há como concordar com a decisão recorrida de que teria ocorrido um equívoco por parte da autoridade lançadora ao permitir pagar os débitos com multa de mora dentro do prazo de 20 (vinte) da ciência do lançamento. Como visto, trata-se de auditoria interna das declarações prestadas pela recorrente, com previsão expressa em Instrução Normativa nº 77/98 da aplicação do artigo 47 da Lei nº 9.430/96. E qual razão não foi aplicado o percentual de 20% no cálculo da multa, quando dos procedimentos de compensação ? De acordo com a Informação Fiscal, seria entendimento da Receita Federal que, para haver substituição da multa de ofício pela de mora, seria necessário haver quitação da totalidade dos débitos lançados no auto de infração. Creio que não seja a melhor leitura do artigo 47 da Lei nº 9.430/96, principalmente quando se trata de extinção de crédito tributário por meio de Declaração de Compensação. É possível que em um mesmo auto de infração sejam constituídos créditos tributários independentes, relativos a tributos e fatos geradores diversos, podendo o contribuinte impugnar na totalidade ou não. Da mesma forma ocorre com o pagamento destes débitos, podendo ser total, parcial ou simplesmente não pagar. A par disso, é preciso considerar que, em razão do artigo 74, § 2º da Lei nº 9.430/96, a Declaração de Compensação extingue o crédito tributário desde a data de sua apresentação, sob condição resolutória de homologação posterior. Esta quitação, que ocorre na data da DCOMP, entendo que deva observar a legislação tributária para determinação dos acréscimos legais. No mais, é da sistemática da compensação que o valor do crédito seja utilizado na quitação de cada débito, cuja ordem deve observar as datas das transmissões, sem qualquer condicionante. No presente caso, em se tratando de um processo administrativo, a ordem das compensações deverá observar a data dos vencimentos dos débitos e cadastrados no processo administrativo, extinguindo-os na medida em que houver ainda crédito. Como se trata de homologar a compensação efetuada pelo contribuinte, por certo que se deve observar o encontro de contas (crédito e débito) que ocorreu na data de sua transmissão, que por sua vez observou a legislação tributária no que concerne os acréscimos legais. Em outras palavras, conforme definido no campo Intimação do auto de infração, enquanto houver crédito de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2003, os créditos tributários constituídos deverão ser extintos com aplicação da multa de mora, nos termos do artigo 47 da Lei nº 9.430/96. Fl. 311DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-003.672 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720104/2005-14 Por todo acima exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno do processo à unidade de origem, para homologar as compensações considerando o percentual de 20% aplicáveis aos débitos, nos termos do artigo 47 da Lei nº 9.430/96, até o limite do direito creditório já reconhecido. Maria Lúcia Miceli – Relatora Fl. 312DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.723677/2015-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.996
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10920.723601/2015-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10920.723601/201551, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos de contribuição não cumulativa, que não restou integralmente reconhecido. A análise do crédito se deu a partir da análise da documentação e das informações apresentadas pelo Contribuinte para comprovação do direito aos créditos pleiteados em confronto com os dados nas bases da RFB, SPED Fiscal e SPED Contribuições. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .7 23 67 7/ 20 15 -8 6 Fl. 1841DF CARF MF Processo nº 10920.723677/201586 Resolução nº 3201001.996 S3C2T1 Fl. 3 2 A fiscalização realizou diversas glosas, por entender que derivavam de valores que não se geravam direito ao crédito pleiteado, consoante despacho decisório acostado aos autos. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade que restou julgada improcedente pelo colegiado a quo. O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: II – Dos Fatos A Recorrente informa que a fiscalização glosou os créditos de (i) bens utilizados como insumos; (ii) serviços utilizados como insumos; (iii) energia elétrica/Térmica; (iv) despesas com alugueis, máquinas e equipamentos; (v) armazenagem e frete na operação de venda; (vi) importação – serviços utilizados como insumos e (vii) crédito presumido da agroindústria, todos oriundos do seu Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação. III – Preliminar a) Da indispensável conversão do julgamento em diligência A Recorrente alega ausência de motivação do ato fiscal para as glosas dos créditos cujo ressarcimento foi requerido por meio de PER/DCOMP. Sustenta que os itens de créditos glosados são considerados insumos, e assim são classificados em vista do entendimento adotado ao termo e já pacificado no âmbito desse Tribunal Administrativo. Ademais alega que a glosa foi realizada sem a devida motivação. Como reforço ao argumento, cita doutrina, jurisprudência e faz menção ao princípio da verdade material. Ao final desse ponto, a Recorrente conclui quanto a necessidade de conversão do julgamento em diligência, a fim de confirmar a relação dos itens glosados com o processo produtivo da Recorrente. IV – Do Direito a) Do crédito de PIS/COFINS – Princípio da nãocumulatividade – Conceito de Insumos A Recorrente afirma que o conceito de insumos utilizado pela fiscalização está superado. Assim, o entendimento das Instruções Normativas nº 247/2002 (PIS) e nº 404/2004 (COFINS) não mais subsiste. Nessa linha, afirma que as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 admitem a não cumulatividade das parcelas de PIS/COFINS, como forma primordial de promover a redução da carga tributária buscando a desoneração pelo pagamento destas contribuições. Reforça o argumento com jurisprudência da CSRF deste CARF. Sustenta que na lógica atual devese analisar o conceito de insumo sob a ótica da essencialidade/necessidade. Cita trecho do REsp nº 1.221.170, proferido em 23/09/2015. Colaciona doutrina. b) Das glosas efetuadas pela fiscalização Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 10920.723677/201586 Resolução nº 3201001.996 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente relaciona as glosas efetuadas pela fiscalização, a saber: (i) Bens utilizados como insumos: entradas de bens não enquadrados como insumos, dentre eles: aquisição de pneus; produtos para tratamento de efluentes; materiais de embalagem; despesas com serviços de frete entre filiais, despesas com serviços tomados de pessoa física, aquisições de combustíveis; (ii) Serviços utilizados como insumos – entradas se serviços não enquadrados como insumos; (iii) Crédito extemporâneo; (iv) Crédito Presumido Agroindústria. Em seguida aborda cada uma das glosas. b.1) Dos bens utilizados como insumos A Recorrente elenca bens que teriam sido glosados, dentre os quais: b.1.1) pneus; b.1.2) produtos para tratamento de efluentes; b.1.3) lonas, pallets; b.1.4) frete entre filiais; b.1.5) fretes na aquisição de produtos de pessoa física; e b.1.6) óleo diesel (combustível). Em sua defesa, para reverter as glosas cita extensa jurisprudência do CARF. c) Do Crédito Extemporâneo A Recorrente contesta a glosa dos créditos extemporâneos. Nesse ponto alega que a apuração dos créditos da contribuição em voga toma por base as despesas ocorridas no mês de apuração, conforme indicam os incisos I a IV do § 1º do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Faz referência a orientação prevista no § 4º do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Cita o Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010. Alega que fez a utilização dos créditos tidos por extemporâneos dentro do prazo estabelecido no art. 1º do Decreto nº 20.910/32. Faz referência ao Acórdão nº 3403002.420. Defende que não haveria necessidade de prévia retificação do DACON por parte do contribuinte. d) Serviços Utilizados como Insumos A Recorrente deseja afastar a alegação fazendária quanto a preclusão atinente a supostas glosas não contestadas. Discorre sobre os créditos relativos a: d.1) manutenção predial/veicular Quanto ao item manutenção, temse que correspondem a reparos necessários em veículos utilizados nos transportes de produção e transportes comerciais, conforme já devidamente esclarecido e descrito no item “pneus” anteriormente exposto. No mesmo sentido, a Manifestante também se utiliza de manutenções preventivas na estrutura da empresa, para conservação desta estrutura predial específica da produção. Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 10920.723677/201586 Resolução nº 3201001.996 S3C2T1 Fl. 5 4 d.2) Cursos Mesmo entendimento se aplicam aos cursos, posto que relacionado a qualificação dos funcionários do setor da produção, que aplicam o conhecimento adquirido na execução dos trabalhos produtivos, tal como: habilitação para exercer a atividade de Operador de Empilhadeira, Operador de Caldeira, etc d.3) Despesas de importação frete/despachante Dito isso, cabe ainda à Recorrente demonstrar seu inconformismo quanto às glosas efetuadas pela Autoridade Pública no que tange às despesas oriundas de fretes de importação de matériaprima, bem como de despesas com desembaraço aduaneiro destas mercadorias do Porto até o efetivo internamento no estabelecimento da empresa. d.4) Energia elétrica e térmica Relata o Termo de Informação Fiscal a glosa parcial de créditos apurados pela Recorrente sobre despesas relacionadas à aquisição de energia elétrica, na medida em que tais valores não refletiriam a energia elétrica efetivamente consumida, mas sim valores relativos à Cosit, juros e multas. Tal entendimento não merece prosperar, na medida em que tais valores integram, de maneira indissociável, o custo de aquisição da energia elétrica, não sendo possível se cogitar da impossibilidade de apuração do crédito correspondente sobre a totalidade do valor pago na operação. A cobrança da taxa de iluminação pública, assim como a aquisição de energia elétrica por meio de demanda contratada em tensão previamente estabelecida, serve de valioso exemplo para a análise da medida em questão, uma vez que tais despesas não podem ser dissociadas da fatura corresponde à remuneração paga pela energia elétrica efetivamente consumida. d.5) demais glosas No mesmo item referente aos “Serviços utilizados como insumos”, a Autoridade Pública informa outras glosas, quais sejam, de comissões de compras/vendas, mãodeobra temporária, dentre outros. Por consequência, a sua manutenção no acórdão recorrido também se operou devido ao conceito aplicado a termo insumo. e) Crédito Presumido Agroindústria A Recorrente alega que a fiscalização glosou de forma equivocada as aquisições referentes à emissão fora dos períodos em análise/apuração. V – Da Ausência de preclusão no Processo Administrativo Fiscal | Princípio da Verdade Material Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 10920.723677/201586 Resolução nº 3201001.996 S3C2T1 Fl. 6 5 A Recorrente argumenta quanto a ausência de preclusão no Processo Administrativo Fiscal e sobre o princípio da verdade material. VI – Da Atualização Monetária/Incidência da SELIC A Recorrente alega que quando do ressarcimento dos créditos faz jus aos acréscimos de correção monetária e juros correspondentes, sob pena de constituir evidente enriquecimento sem causa da Administração em prejuízo ao contribuinte. É o relatório. Voto Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.981, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10920.723601/201551, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.981): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Em apertada síntese, a Recorrente sustenta que a fiscalização: a) glosou os créditos de PIS/COFINS sem analisar efetivamente o processo produtivo da empresa; b) aplicou o conceito restritivo de insumo para glosar créditos; c) negou a utilização de créditos extemporâneos; d) glosou indevidamente serviços utilizados como insumos; e) negou equivocadamente crédito presumido da agroindústria. De forma geral, no tocante a reversão das glosas, cabe razão a recorrente. O STJ, por meio do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, em decisão de 22/02/2018, proferida na sistemática dos recursos repetitivos, firmou as seguintes teses em relação aos insumos para creditamento do PIS/COFINS: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 10920.723677/201586 Resolução nº 3201001.996 S3C2T1 Fl. 7 6 Assim, em vista do disposto pelo STJ no RE nº 1.221.170/PR quanto a ilegalidade das Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, bem como da jurisprudência deste CARF, a discussão seria centrada na análise dos para verificar se atendem ou não aos requisitos da essencialidade, relevância ou imprescindibilidade conforme ensinamento do superior tribunal. Entretanto, quando do início do julgamento do processo na sessão de abril de 2019, foi suscitada dúvida na parte relativa a linha 26 crédito presumido agroindústria. Nesse ponto a Recorrente alega que a fiscalização glosou de forma equivocada as aquisições referentes à emissão fora dos períodos em análise/apuração. Seriam as notas fiscais com emissão de 2007 a 2009. De um lado, a decisão de primeira instância leva a crer que o problema estaria na retificação do demonstrativo da Dacon para ter direito ao crédito. Notese que a menção de que “os créditos presumidos de agroindústria, calculados à época, foram utilizados para desconto das próprias contribuições em seus respectivos períodos” importa na medida em que demonstra que houve a apuração e o desconto deste tipo de crédito no Dacon referente à época da emissão das notas ora glosadas. Assim, se àquela época, a interessada, como alega, não as incluiu na base de cálculo do crédito presumido demonstrado no Dacon daquele período, cabia então retificar tal demonstrativo e somente então trazer o eventual crédito remanescente para desconto no Dacon ora em análise. (efl. 3379) (...) E o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon é o instrumento que a legislação estabelece como meio através do qual o contribuinte deve informar ao Fisco, entre outros dados, os montantes das receitas auferidas (tributada no mercado interno, não tributada no mercado interno e de exportação) e demonstrar a apuração do valor devido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas e dos créditos que entende possuir. No que se refere à base de cálculo dos créditos, o referido demonstrativo possui fichas e linhas específicas para cada hipótese legalmente prevista de geração de crédito, que devem necessariamente refletir a real composição da base de cálculo do crédito apurado, identificando corretamente os custos e despesas que a compõem, ocorridos ao longo do respectivo período de apuração; ou seja, os custos que compõem a base de cálculo de cada tipo de crédito apurado no Dacon devem estar corretamente neste informados, conforme a sua natureza, a fim de que reste perfeitamente demonstrada a origem do crédito a que o contribuinte declara ter direito, para fins de viabilizar a oportuna e necessária análise e conferência deste pela autoridade administrativa fazendária competente para deferir ou não o pleito do contribuinte, no caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 10920.723677/201586 Resolução nº 3201001.996 S3C2T1 Fl. 8 7 – DRF com jurisdição no domicílio fiscal do contribuinte/pleiteante. Assim é que não se pode prescindir das informações que estão declaradas no Dacon e das formalidades de que se reveste este demonstrativo/declaração. A declaração válida à época do pedido tem que ser considerada para todos os efeitos legais, visto que os fatos ali descritos devem representar de forma inequívoca o direito da contribuinte e a sua natureza, a fim possibilitar a confirmação, pela DRF, de seu valor e forma de apuração, bem como o meio possível de utilização pelo contribuinte. Em situações como esta, em que os dados utilizados pela Receita Federal para analisar a procedência do crédito e sua utilização são extraídos de registros informatizados baseados em valores declarados pelo sujeito passivo, cabe ao próprio sujeito passivo o ônus de retificar as declarações incorretas anteriormente encaminhadas. Portanto, como o crédito e a apuração deste deve estar perfeitamente demonstrada no Dacon, havendo qualquer eventual erro de declaração é ônus do contribuinte corrigilo em tempo hábil, a fim de se assegurar que a análise de seu pleito seja realizada de fato sobre o direito creditório que acredita possuir. Por conta disso, não resta dúvidas que a análise do pedido formulado (PER/DCOMP) limitase ao escopo do que consta no Dacon. E esta é a razão pela qual, ao contrário do que entende a Recorrente, a Autoridade Administrativa pode perfeitamente negar o direito ao crédito incluído no pedido, mas informado de forma diversa ou não constante deste demonstrativo, em respeito à sua função precípua, visto que se assim não fosse, ao Fisco restaria inviabilizada a correta aferição da certeza e liquidez do crédito e o controle do real aproveitamento deste pelo contribuinte. Portanto, ao não informar nos Dacon anteriores créditos remanescentes passíveis de desconto no Dacon ora em análise, a contribuinte retirou a possibilidade de análise e reconhecimento pela DRF da procedência e legitimidade de eventual crédito existente à época. (efl. 3380) Diante disso, é que não cabe à Autoridade Administrativa julgadora assentir com o desconto de créditos de períodos anteriores, não informados no respectivo Dacon, em detrimento da natureza deste demonstrativo e, sobretudo, da competência originária da DRF para analisar e decidir sobre a existência e procedência do crédito declarado pelo contribuinte ao Fisco. Salientese que não se está aqui a negar eventual direito de crédito a que a contribuinte tenha direito em relação as notas fiscais em tela, mas apenas negando que seus valores possam integrar a base de cálculo do crédito do período ora em análise. Diante disso, não há como restabelecer a presente glosa. (efl. 3381) Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 10920.723677/201586 Resolução nº 3201001.996 S3C2T1 Fl. 9 8 De outro lado, a Recorrente alega a possibilidade de comprovação da existência dos créditos presumidos. Ou seja, comprovandose a existência dos créditos presumidos suficientes, além daqueles já utilizados inicialmente, comprovase o correto procedimento de ressarcimento efetuado pela Recorrente, devendo os mesmos serem reconhecidos e deferidos em sua integralidade. (efl. 3462) É que não se fale em retificação da DACON, pois, quando do aproveitamento destes créditos presumidos, os mesmos são tratados como extemporâneos pela Recorrente e são devidamente lançados em DACON’s dos períodos ora analisados. Ou seja, utilizou a Recorrente os créditos presumidos de 2007 a 2009 para desconto das contribuições dos períodos de 2010 a 2013, além daqueles já anteriormente utilizados como afirmado pelo fiscal, mas, não sendo os mesmos já utilizados anteriormente. (efl. 3464) Portanto, estamos falando de créditos distintos, conforme relação de notas fiscais apresentadas na manifestação anterior. Por consequência, e a fim de justificar o equívoco fiscal, apresentou a Recorrente planilha demonstrando os saldos de cada período, inclusive com as notas fiscais que originaram o crédito de 2007 a 2009 utilizados naquele período, bem como a relação das notas fiscais de aquisição de 2007 a 2009 utilizadas nos períodos de 2010 a 2013 ora questionados. Tratase de prova produzida em sede de Manifestação de Inconformidade, mas não apreciada no acórdão recorrido. (efl. 3465) Diante das colocações de ambos os lados, a turma julgadora considerou por bem converter o julgamento em diligência para verificar se realmente sobrou crédito para ser utilizado. A conversão em diligência é para apurar nas NFs e livros de entrada o valor do crédito presumido e confrontar tais valores com os créditos utilizados no próprio período e nos períodos subsequentes. A Recorrente informa que fez o controle dos créditos presumidos no livro de entrada e que produziu prova em sede de manifestação de inconformidade que não fora apreciada. O CARF possui o reiterado entendimento de ser possível a conversão do feito em diligência, com base no artigo 29, combinado com artigo 16, §§4º e 6º, do PAF– Decreto 70.235/72, com a produção de relatório conclusivo sobre o assunto. Assim, entendo que no presente processo há dúvida razoável acerca de tais créditos, justificando a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da Recorrente, sem que a questão levantada seja dirimida. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação de Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 10920.723677/201586 Resolução nº 3201001.996 S3C2T1 Fl. 10 9 comprovação da existência dos alegados créditos, bem como, caso necessário, proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Ao final deve a autoridade da repartição de origem informar se há ou não o direito creditório alegado pela Recorrente. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação de comprovação da existência dos alegados créditos, bem como, caso necessário, proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Ao final deve a autoridade da repartição de origem informar se há ou não o direito creditório alegado pela Recorrente. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira. . Fl. 1849DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720655/2012-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2009
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DIRETORES.
Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
Numero da decisão: 1401-003.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente
Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada). Ausente a conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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DIRETORES. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada). Ausente a conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin. Relatório Inicio com a transcrição do relatório da decisão de piso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 55 /2 01 2- 05 Fl. 117DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.558 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720655/2012-05 1. O presente processo foi criado em decorrência de representação efetuada para acomodar separadamente a impugnação de Jorge Pires de Camargo Elias contra o Termo de Sujeição Passiva vinculado ao auto de infração consubstanciado no processo administrativo nº 16327.721817/201133. 1.1 Conforme representação de fls. 02, no processo desmembrado, foram lançados de ofício IRRF referentes aos períodos de apuração 11 e 12 de 2007, foram lavrados os Termos de Sujeição passiva contra os Srs. Jorge Pires de Camargo Elias, Aldo Pereira de Souza e Raimundo de Souza Oriques. Houve impugnação por parte do Sr. Jorge Pires de Camargo Elias, insurgindo-se apenas contra o Termo de Sujeição, deixando de impugnar o mérito do lançamento, sendo que os demais sujeitos passivos não teriam apresentado impugnação. 1.2 No Termo de Sujeição passiva de fls. 37 e 38 a autoridade fiscal informa que em trabalho de fiscalização realizado na empresa APS Seguradora S/A (CNPJ 00.273.078/000180, foi constatada a prática de atos, cuja responsabilidade, nos termos do artigo 135 do CTN, deve ser imputada aos dirigentes da mesma. 1.2.1 As infrações verificadas, em suma foram: a) transferência ao sócio Aldo Pereira de Souza de recursos financeiros sem identificação de causas motivadoras, sem informação em DIRF, sem retenção e sem recolhimento(anos-calendário 2006, 2007 e 2009) – processo administrativo nº 16327.721803/201110 b) Imposto retido pela APS (novembro e dezembro) e não recolhidos – processo administrativo nº 16327.721817/201133. c) Exigência de multa isolada de IRRF não recolhido (1º semestre de 2009) posteriormente declarado em DCTF sem o benefício da espontaneidade – processo administrativo 16327.721802/201175. 1.2.2 O autuante conclui que, tendo havido infração à lei a conduta foi tipificada no artigo 135, III do CTN, ensejando a lavratura do Termo ora contestado. 2. O impugnante foi intimado da lavratura do Termo de Sujeição Passiva, em 27/12/2011, conforme Avisos de recebimento de fls. 40. 3. Irresignado com a lavratura, o Sr. Jorge Pires de Camargo Elias apresentou, em 26/01/2012, a impugnação de fls. 71 a 73, informando e alegando, em síntese que o defendente jamais foi responsável pela gestão da APS Seguradora, nunca exerceu qualquer cargo executivo, se restringindo às funções inerentes à sua área de atuação, qual seja a jurídica. O suplicante informa ainda que não era o responsável tributário da APS Seguradora e não tinha sequer poderes para assinar cheques em nome da mesma e também que nunca redigiu, manifestou concordância ou assinou declaração tributária em nome da empresa. Jamais teve acesso às contas e, portanto, não pode ser responsabilizado por ato que não cometeu e foge de suas atribuições. 3.1 Alega também que se a fiscalização comprovou, ou ao menos alega que os pagamentos feitos pela APS Seguradora (cujos impostos não foram retidos) se destinaram ao seu diretor presidente sem que deles tivesse conhecimento ou se beneficiasse o interessado, este não Fl. 118DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.558 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720655/2012-05 poderia ser responsabilizado pelos mesmos ou pelo não recolhimento dos impostos incidentes sobre tais valores. O mesmo se diga dos demais impostos não recolhidos pela APS Seguradora, tenha ou não havido a retenção dos mesmos. Ainda com relação a esta questão se defende dizendo que o “Termo de Sujeição Passiva de Responsabilidade Tributária” pretende torná-lo pessoalmente responsável pelo não recolhimento de tributos de período em que sequer figurava como diretor da companhia. 3.2 Por fim, o suplicante informa que deixou de impugnar a matéria de mérito que levou à lavratura do auto de infração, não por com eles concordar, mas sim por não dispor de quaisquer elementos, ou mesmo informações a respeito dos fatos narrados e solicita que seja julgada procedente a impugnação no sentido de excluí-lo da sujeição passiva, uma vez que não se enquadra no rol do disposto no inciso III do artigo 135 do CTN. Fim da transcrição do relatório da Decisão de Piso. Cientificado da decisão o responsável solidário apresentou recurso voluntário de fls. 97/101, no qual repisa os mesmos argumentos apresentados na impugnação de que não tinha poderes de direção, que não foi comprovada sua participação, que não recebeu proveito dos ilícitos e que o simples inadimplemento de tributos não pode ser causa de responsabilização solidária. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Iniciando a análise do recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário verifiquei que, em sede de recurso o responsável apresenta as mesmas alegações apresentadas na impugnação quanto à impossibilidade de ser incluído no rol de responsáveis solidários sobre os créditos tributários lançados no processo. Ora, não havendo a apresentação de questionamentos quanto aos fundamentos de decidir apresentados pela Delegacia de Julgamento não se estabelece o contraditório a ser objeto de análise recursal. Assim, os recursos devem apresentar não os mesmos argumentos veiculados na impugnação. O Recurso Voluntário, como segunda instância do processo administrativo, tem o condão de se contrapor aos fundamentos e argumentos da decisão que não compartilharam com os elementos da impugnação. Ao não apresentar nenhum contraponto à decisão atacada, nem fundamentar os motivos pelos quais requer que a decisão seja modificada o recorrente não estabelece contraditório passível de análise recursal, ressalve-se apenas o pedido de perícia que será analisado em separado. Fl. 119DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.558 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720655/2012-05 Para tanto, foi editada recentemente modificação do Regimento Interno deste CARF que trata desta hipótese. Vejamos o dispositivo. Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I - verificação do quórum regimental; II - deliberação sobre matéria de expediente; e III - relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Referida regra foi editada com vistas ao atendimento ao princípio da economia processual aos casos em que se vislumbre que não existem novos argumentos ou elementos. Por esta razão, concordando este relator com os termos do acórdão formulado pela Decisão de Piso, no que tange à manutenção da responsabilidade solidária do recorrente passo a, na forma do art. 57, § 3º, do Regimento Interno do CARF, transcrever e adotar os mesmos fundamentos da decisão de Piso em relação ao presente ponto. Início da transcrição do voto da decisão de Piso. 5. A impugnação é tempestiva, dada ter sido apresentada dentro do trintídio legal, portanto dela tomamos conhecimento. 6. O recurso ora analisado se refere ao Termo de Sujeição Passiva lavrado nos autos do processo administrativo nº 16327.721817/201133, correspondente à infração relatada no item 1.2.1, “b” do relatório. Trata portanto da responsabilidade atribuída ao Sr. Jorge Pires de Camargo Elias referente à exigência de IRRF não recolhido pela APS Seguradora S/A referentes aos períodos de apuração novembro e dezembro de 2007. 6.1 A responsabilidade do impugnante foi atribuída com base no artigo 135, III do CTN, pois no entendimento da fiscalização houve infração à lei cometida pela APS Seguradora, devendo ser pessoalmente responsável também os sócios e dirigentes da mesma. No Termo de Verificação Fiscal, fls. 27 e 28, a autoridade fiscal informa que foram lavrados Termos de Sujeição Passiva em face dos diretores estatutários responsáveis pela gestão da fiscalizada à época dos fatos relatados com base nos artigos 210, VI e 723 do RIR/99 c/c 135, III do CTN. Fl. 120DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.558 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720655/2012-05 6.1.1 Na impugnação o defendente alega que jamais foi responsável pela gestão da APS Seguradora, nunca exercendo cargo executivo mas apenas funções na área jurídica. Além disso a autuação pretende torná-lo pessoalmente responsável pelo não recolhimento de tributos de período em que ele sequer figurava como diretor da companhia. 7. Antes de adentrar na análise da questão cumpre primeiro destacar que o tema da responsabilidade tributária, mormente referente ao disposto no artigo 135 do CTN, tem causado uma série de discussões doutrinárias. Não existe ainda uma posição consolidada entre os doutrinadores a respeito da natureza jurídica da responsabilidade pessoal prevista em tal dispositivo e nem do preciso conteúdo da expressão “infração à lei” nele contido. 7.1 Quanto à natureza jurídica há quem diga que a responsabilidade pessoal tem o mesmo significado de responsabilidade exclusiva, visto que a solidária e a subsidiária já estariam tratadas respectivamente nos artigos 124 e 134 do CTN; há outros que defendem ser responsabilidade solidária com inversão da ordem estabelecida no artigo 134 e também aqueles que entendem que o artigo 135 apenas reforçam o fato de que, em situações específicas (infração à lei, estatuto ou contrato social), as pessoas ali elencadas respondem solidariamente com o contribuinte com a integralidade do seu patrimônio pessoal, ou seja, a responsabilidade já é solidária por decorrência do artigo 124. 7.2 No que diz respeito ao teor da expressão “infração à lei” contida no caput do artigo 135, a maioria dos doutrinadores entendem que o mero inadimplemento de tributo não pode ser considerado como “infração à lei”, seria necessário que as pessoas agissem de forma contrária ao estabelecido em lei com o intuito de não pagar tributos. Para outros, como entendeu a fiscalização no presente caso, a infração à legislação tributária por si só já seria suficiente para a subsunção do fato ao comando do artigo 135. A jurisprudência parece estar consagrada em favor da posição doutrinária majoritária, pois na decisão do REsp 1.101.728/SP de 11/03/2009, submetido à sistemática de julgamento de recursos repetitivos estabelecida no artigo 543C do CPC, cuja ementa abaixo colacionamos, ficou estabelecido que a falta de pagamento de tributos não acarreta, por si só, a responsabilidade de que trata o artigo 135 do CTN, seria necessário a prova de que as pessoas arroladas no dispositivo tivessem agido com excesso de poderes em infração à lei, contrato social ou estatuto da sociedade. “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE. 1. A jurisprudência desta Corte, reafirmada pela Seção inclusive em julgamento pelo regime do art. 543C do CPC, é no sentido de que "a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco" (REsp 962.379, 1ª Seção, DJ de 28.10.08). Fl. 121DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-003.558 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720655/2012-05 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139∕RS, 1ª Seção, DJ de 28.02.2005). 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08∕08.” (grifo acrescentado) 7.2.1 Cumpre acrescentar que alguns doutrinadores ainda entendem que o ato praticado, além de contrário à lei, deveria o ser em benefício próprio e em detrimento dos interesses da sociedade para a caracterização da responsabilidade pessoal do artigo 135, III do CTN. 7.3 Tais colocações se fazem relevante para demonstrar a polêmica que envolve a discussão do tema, de sorte que, qualquer que seja a posição adotada sempre haverá elementos para a interpretação que lhe seja favorável. Em outras palavras, embora tais questões não tenham sido diretamente abordadas pelas partes não existem óbices para a posição adotada pelo autuante de tratar a responsabilidade do artigo 135 como sendo solidária e nem de considerar a conduta de infração à legislação tributária como sendo “infração à lei” prevista no mesmo dispositivo. 8. Na análise da controvérsia percebe-se que tanto o autuante como o impugnante entendem que, para a caracterização da responsabilidade pessoal prevista no artigo 135, III do CTN seriam indispensável, além da confirmação da conduta praticada com excesso de poderes (em infração à lei, estatuto ou contrato social), que o agente tivesse capacidade para assim agir à época dos fatos geradores. Isto fica mais evidente com a leitura do próprio dispositivo legal em comento, pois só pode agir com excesso de poderes, acarretando uma falta tributária, aquele que tem condições para tanto, ou seja aquele que de alguma maneira tenha influenciado direta ou indiretamente na formação do fato gerador. No caso em tela, esta posição fica ainda mais patente com a leitura do Termo de Constatação Fiscal, no qual a autoridade fiscal fundamenta a lavratura do Termo de Sujeição Passiva também no artigo 723 do RIR/99, que abaixo transcrevo: “Art. 723. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte (Decreto-Lei nº 1.736, 20 de dezembro de 1979, art. 8º). Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringe-se ao período da respectiva administração, gestão ou representação (Decreto-Lei nº 1.736, de 1979, art. 8º, parágrafo único)” 8.1 Tal dispositivo legal, além de demonstrar a necessidade do nexo temporal e causal da gestão, administração ou representação com o não recolhimento do imposto descontado na fonte, ainda valida, em tese, a lavratura do Termo de Sujeição Passiva a despeito de qualquer outra interpretação que se dê ao artigo 135, III do CTN. Portanto, vencidas as questões de cunho interpretativos, resta a verificação fática do nexo temporal e causal retro mencionado. Fl. 122DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-003.558 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720655/2012-05 8.2 No presente caso, percebe-se que o autuante lavrou o Termo de Sujeição passiva contra o impugnante pelo fato do mesmo ser diretor estatutário da APS Seguradora à época da ocorrência dos fatos geradores. O impugnante, por seu turno afirma que jamais exerceu qualquer cargo de direção na referida empresa e que tão pouco era diretor da companhia no período abrangido pelo auto de infração. 8.2.1 Da análise dos elementos constantes dos autos percebe-se que não é verdade que o impugnante jamais exerceu qualquer cargo de administração na APS Seguradora, restando portanto a averiguação quanto ao seu exercício quando da ocorrência dos fatos geradores. Nota- se, pela leitura do Estatuto Social (fls. 07 a 13), cujo trecho abaixo transcrevo, que a administração da companhia ficaria a encargo da Diretoria Executiva composta pelo Diretor Presidente, pelo Diretor VicePresidente e pelo Diretor Superintendente, eleitos em Assembléia Geral, com mandato de 3 (três anos). Também se extrai do Estatuto, excerto também transcrito abaixo, que ao Diretor Superintendente compete agir em todos os atos e documentos que importem em responsabilidade ou obrigação para a sociedade, inclusive a abertura, movimentação e encerramento de contas, bem como saque, aceite, aval e endosso de cheques. “Artigo 7º A Companhia será administrada por uma Diretoria Executiva, composta por 03 (três) membros, acionistas ou não, residentes no País, sendo 01 (um) Diretor Presidente, 01 (um) Diretor Vice-Presidente e 01 (um) Diretor Superintendente eleitos pela Assembléia Geral, com mandato de 3 (três) anos. (...) Artigo 16 – Compete ao Diretor Superintendente: a) Superintender os negócios sociais, planejando e executando os programas de expansão; b) Exercer as funções necessárias ao bom funcionamento da administração da Companhia. Artigo 17 Ressalvada a competência da Diretoria como órgão colegiado (art. 12), em todos os atos e documentos que importem em responsabilidade ou obrigação para a Sociedade, tais como: contratos em geral, inclusive de caução, empréstimos ou financiamentos celebrados com bancos ou outras instituições financeiras; abertura, movimentação e encerramento de contas em quaisquer estabelecimento de crédito, inclusive Banco do Brasil S/A., bem como a emissão, saque, aceite, aval e endosso de cheques, letras de câmbio, notas promissórias, duplicatas, conhecimentos ou outros títulos de crédito, será necessária a assinatura conjunta de dois Diretores Executivos, ou do Diretor Presidente com um Procurador regularmente nomeado e de acordo com a extensão dos poderes que se contiverem no respectivo instrumento de mandato”. 8.2.2 Nos documentos de fls. 18 e 19, de publicações datadas nos anos de 2008 e 2009, referentes à demonstrações que remetem aos anos de 2007 e 2008 respectivamente, percebe-se que o Sr. Jorge Pires de Camargo Elias assina como Diretor Superintendente, sendo o Fl. 123DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-003.558 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720655/2012-05 mesmo administrador da Companhia em tais ocasiões, sendo inverdade, portanto, que nunca tenha exercido cargo de direção, nem tido poderes para assinar cheques em nome da empresa e nem que jamais teve acesso às contas da autuada. 8.2.2.1 Conforme excerto da ficha extraída do site da JUCESP na internet (fls. 84 e 85) a última assembléia realizada foi aquela cuja ata se encontra anexada nos autos(fls. 14 a 17), iniciada em 31/03/2008 e encerrada em 02/05/2008, na qual não houve eleição para os membros da Diretoria Executiva. Já na Assembléia Extraordinária anterior, datada de 05/01/2006, houve a eleição de Raimundo de Souza Oriques para o cargo de Diretor Vice- Presidente, podendo se concluir que a Diretoria Executiva constante nas demonstrações financeiras era a mesma em parte de 2006, em 2007, 2008 e 2009. 8.2.3 Tendo os fatos geradores da infração ocorridos no final de 2007 (novembro e dezembro), conforme auto de fls. 29 a 32, não há como afastar o Sr. Jorge Pires de Camargo Elias da responsabilidade que lhe foi atribuída pelo Termo de Sujeição passiva lavrado com base no artigo 135, III do CTN, bem como pelo estabelecido no artigo 723 do RIR/99, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal. 9. Ante o exposto, julgo improcedente a impugnação apresentada. Assim, concordando na integralidade com os fundamentos de decidir apresentados pela Decisão de Piso, conforme acima transcritos, que uso neste voto como fundamentos de decidir do presente recurso, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12269.001838/2010-39
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2007 a 30/11/2008
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119)
Numero da decisão: 9202-007.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para aplicação da Súmula CARF nº 119.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento para aplicação da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 18 38 /2 01 0- 39 Fl. 393DF CARF MF 2 Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 12269.001837/201094 37.294.3349 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 12269.001838/201039 37.294.3357 (Seg. C.I.) Obrig. Principal Recurso Especial 12269.001839/201083 37.294.3365 (Terceiros) Obrig. Principal Execução Fiscal 12269.001840/201016 37.251.3107 (AI 77) Obrig. Acessória Execução Fiscal 12269.001841/201052 37.251.3115 (AI 91) Obrig. Acessória Execução Fiscal 12269.001843/201041 37.251.3123 (AI 78) Obrig. Acessória Execução Fiscal 12269.001844/201096 37.251.3131 (AI 22) Obrig. Acessória Execução Fiscal 12269.001845/201031 37.251.3140 (AI 68) Obrig. Acessória Execução Fiscal O presente processo trata do Auto de Infração de Obrigação Principal, Debcad 37.294.3357, referente às Contribuições Previdenciárias descontadas pela empresa e não recolhidas, devidas pelos segurados contribuintes individuais, incidentes sobre os valores a eles pagos não declarados em GFIP, no período de 05/2007 a 11/2008, conforme Relatório Fiscal de fls. 11/12. Em sessão plenária de 15/05/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2803002.356 (efls. 358 a 362), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2007 a 30/11/2008 PEDIDO DE PARCELAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO DE ADESÃO. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO DE DESISTÊNCIA RECURSAL.CONTINUIDADE DO PROCESSAMENTO ADMINISTRATIVO. Não demonstrado a regular adesão ao parcelamento legal REFIS, tampouco acostado pedido de desistência do respectivo recurso, deve o mesmo seguir com o processamento perante este Colegiado. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE. APLICABILIDADE SOMENTE SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. Os valores da multas referentes a descumprimento de obrigação principal foram alterados pela MP 449/08, de 03.12.2008, convertida na lei n º 11.941/09. Assim sendo, o valor da multa Fl. 394DF CARF MF Processo nº 12269.001838/201039 Acórdão n.º 9202007.954 CSRFT2 Fl. 394 3 nas competências anteriores a 11/2008, inclusive, deve ser calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para que o valor da multa aplicada até a competência 11/2008 seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009." O processo foi encaminhado à PGFN em 03/06/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 657 do processo principal) e, em 04/06/2013, foi interposto o Recurso Especial de efls. 363 a 374 (Despacho de Encaminhamento de efls. 678 do processo principal). O apelo está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Nesse passo, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, no sentido de se verificar, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; ou b) multa aplicada de ofício, nos termos do art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 28/08/2017 (efls. 383 a 386). Cientificado, o Contribuinte quedouse silente (efls. 390 a 392). Voto Fl. 395DF CARF MF 4 Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase do Debcad 37.294.3357, referente às Contribuições Previdenciárias descontadas pela empresa e não recolhidas, devidas pelos segurados contribuintes individuais, incidentes sobre os valores a eles pagos não declarados em GFIP, no período de 05/2007 a 11/2008, conforme Relatório Fiscal de fls. 11/12. No que tange à penalidade, no caso do acórdão recorrido determinouse o recálculo da multa de acordo com o disposto no art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991, na redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que se verifique, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e art. 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Conforme o quadro demonstrativo constante do relatório, no mesmo procedimento fiscal foi exigida a presente multa por descumprimento de obrigação principal, bem como multa por descumprimento de obrigação acessória por falta de declaração em GFIP, portanto a retroatividade benigna deve ser aplicada em conformidade com a Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14, de 2009, e a Súmula CARF nº 119: "Súmula CARF nº 119: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996." Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, determinando que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 396DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001320/2009-22
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICADA.
No lançamento de ofício aplica-se a multa de 75% nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e de declaração inexata.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2002-001.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICADA. No lançamento de ofício aplica-se a multa de 75% nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e de declaração inexata. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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MULTA APLICADA. No lançamento de ofício aplicase a multa de 75% nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e de declaração inexata. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 13 20 /2 00 9- 22 Fl. 67DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 33/38) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2009 (efls. 15/19), onde se apurou Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica e Dedução Indevida de Contribuição para Previdência Oficial. O contribuinte formulou Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL, a qual foi indeferida pela autoridade fiscal (efls. 39). Inconformado, apresentou Impugnação (efls. 03/07) cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (efls. 46): Preliminarmente a falta de observância dos princípios constitucionais da administração pública por cerceamento do direito de defesa pelo fato de a autoridade fiscal que indeferiu a solicitação do impugnante terse limitado a argumentar que o contribuinte não comprovou os valores que deram origem à autuação sem debater os demais posicionamentos na referida solicitação, citando jurisprudência de cerceamento do direito de defesa, afirmando que o Auditor fiscal não observou o princípio da motivação, devendo tal princípio ser observado quando há imposição ou agravação de deveres, encargos e sanções, podendose afirmar que a impugnação do contribuinte restou mais dificultosa. No mérito que o contribuinte não agiu de máfé, tendo ocorrido um erro ao elaborar a declaração. Esse erro não foi do contribuinte, mas, de quem elaborou a DIRF que não informou os valores da previdência social, como informado no comprovante de rendimentos que empresa forneceu ao contribuinte, tendo declarado em sua DIRPF conforme esse comprovante. Outro erro foi cometido pelo contribuinte ao não informar os rendimentos do seu dependente que culminou com a penalização de multa exagerada, quiçá, com efeito, de confisco, que é vedado pela Constituição Federal, comentando a respeito de decisões judiciais que afastam a multa punitiva quando demonstrada a boa fé, citando ainda doutrinadores e outros princípios constitucionais. Insiste na questão de que a notificação é medida que fere o princípio do enriquecimento sem causa, vez que o contribuinte além de não ter tido má fé tem ao seu dispor meios outros de sanar a irregularidade sem onerar tanto a sua situação. A Impugnação foi julgada procedente em parte pela 2ª Turma da DRJ/CGE em decisão assim ementada (efls. 45/47): Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13161.001320/200922 Acórdão n.º 2002001.102 S2C0T2 Fl. 73 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria não contestada expressamente na impugnação é matéria não impugnada na forma das normas vigentes. PREVIDÊNCIA SOCIAL DEDUÇÃO. A dedução com a previdência social utilizada pelo contribuinte em sua DIRPF poderá ser aceita se devidamente comprovada através dos sistemas da SRFB. Cientificado do acórdão de primeira instância em 10/02/2012 (efls. 53), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 12/03/2012 (efls. 54/60) reiterando os argumentos apresentado em sua Impugnação. Acrescenta que pela segunda vez houve ofensa ao principio da motivação, uma vez que a decisão de piso rejeitou as preliminares sem motivar as razões. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Cumpre esclarecer, inicialmente, que o procedimento de fiscalização é uma atividade administrativa inquisitorial na qual os auditores, imbuídos dos poderes que lhes são conferidos, verificam e investigam o cumprimento das obrigações tributárias. Nessa fase o contribuinte tem uma participação de natureza passiva, devendo cooperar e atender à autoridade fiscal quando solicitado, no próprio interesse de demonstrar o cumprimento daquelas obrigações. Somente a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/72, inexistindo cerceamento do direito de defesa quando lhe for concedida a oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos para tentar elidir a tributação contestada, como ocorreu no presente caso. O fato de a autoridade lançadora não ter se pronunciado sobre todos os argumentos levantados na SRL de forma alguma invalida o lançamento, ao contrário do que entende o interessado. Importa ressaltar, ainda, que o lançamento foi regularmente constituído por autoridade competente e preenche todas as exigências formais previstas na legislação de regência. O sujeito passivo, a descrição dos fatos, os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicada foram corretamente identificados na Notificação de Lançamento, não havendo vício que enseje a sua nulidade. Feitas as considerações preliminares, passase à análise do mérito. Fl. 69DF CARF MF 4 O recorrente não contesta a omissão de rendimentos apurada no lançamento, insurgindose apenas quanto a multa de ofício aplicada. Sobre o assunto, impõese observar que, uma vez constatada a infração à legislação tributária em procedimento fiscal, o crédito deve ser apurado com os encargos do lançamento de ofício, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96. No presente caso a multa de ofício aplicada foi a de 75% prevista no inciso I do referido artigo, utilizada nos casos de declaração inexata, ou seja, de equívoco do contribuinte, independentemente da sua intenção de fraudar o fisco. Vale lembrar que, de acordo com o art. 136 do Código Tributário Nacional, a responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva, não dependendo da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Além disso, segundo o art. 142 do mesmo Código, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicabilidade ou não das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. Quanto à alegação de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, devese esclarecer que a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, deve limitarse a aplicála sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. É nesse sentido a Súmula nº 02 do CARF, de observância obrigatória por seus Conselheiros no julgamento dos Recursos: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.724212/2012-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
FRAUDE. NÃO CONFIGURADA.
Não há que se entender que ocorre fraude à lei, quando inexiste vedação em lei quanto aos procedimentos adotados pelo Contribuinte. Eventual erro de interpretação de lei não deve ser confundido com fraude à lei.
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APURAÇÃO DO LUCRO REAL ANUAL. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS. APLICABILIDADE DO ART. 150, §4º, DO CTN.
A sistemática de lançamento por homologação exige o pagamento antecipado do tributo, de modo a incidir a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, conforme preceitua o §4ª do artigo 150 do Código Tributário Nacional, bem assim a inocorrência das hipóteses de dolo, fraude ou simulação.
No caso concreto, havendo provas de pagamento de estimativas mensais de CSLL e IRPJ, a contagem do prazo decadencial deve ser feita a partir da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Assim, os valores dos lançamentos de ofício relativos ao ano-calendário de 2006, alcançados pela decadência, devem ser excluídos do valor total lançado.
DECADÊNCIA. ÁGIO. INÍCIO DA CONTAGEM. EFETIVA DEDUÇÃO DAS DESPESAS PELO CONTRIBUINTE. SÚMULA CARF 116.
O registro contábil do ágio não é fato gerador de tributo nem há, aí, lançamento. O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. Súmula CARF n. 116: "Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança."
IRPJ. INCORPORAC¸A~O DE SOCIEDADE. AMORTIZAC¸A~O DE A´GIO. ARTIGOS 7o E 8o DA LEI N. 9.532/97.
A reorganizac¸a~o empresarial, sob amparo dos artigos 7o e 8o da Lei no 9.532/97, mediante a utilizac¸a~o de empresa veiculo, desde que dessa utilizac¸a~o na~o tenha resultado aparecimento de novo a´gio, na~o pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco.
IRPJ. INCORPORAC¸A~O DE SOCIEDADE. AMORTIZAC¸A~O DE A´GIO. EMPRESA VEÍCULO. PROPÓSITO NEGOCIAL. EXISTÊNCIA
Há propósito negocial, quando demonstrado que criação de uma "Conta Garantia", destinada a garantir obrigações de indenização posteriormente devidas pelos vendedores, em virtude de "prejuízos, passivos, reclamações, danos ou gastos" que não estejam refletidas nas demonstrações financeiras da sociedade-investida.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
AUTUAÇÃO REFLEXA: CSLL.
A decisão prolatada no lançamento matriz estende-se ao lançamento decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM.
A solidariedade tributária referida no artigo 124, inciso I do CTN é atribuída às pessoas, seja física ou jurídica, que tenham interesse comum na realização do fato gerador da obrigação tributária, pois possui uma dimensão jurídica própria, e não um significado meramente econômico.
No caso, não configurado tal interesse, deve ser afastada a responsabilidade da coobrigada Siemens Ltda, por interesse comum.
Numero da decisão: 1301-003.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente a argüição de decadência para extinguir o crédito tributário referente ao ano-calendário de 2006, e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar integralmente a exigência e para excluir do polo passivo da obrigação tributário o coobrigado Siemens Ltda, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Giovana Pereira de Paiva Leite que votaram por lhe negar provimento. O Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto acompanhou o voto do relator, em relação ao mérito da exigência, com base no fundamento da existência de propósito negocial em relação à utilização de "empresa veículo".
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 FRAUDE. NÃO CONFIGURADA. Não há que se entender que ocorre fraude à lei, quando inexiste vedação em lei quanto aos procedimentos adotados pelo Contribuinte. Eventual erro de interpretação de lei não deve ser confundido com fraude à lei. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APURAÇÃO DO LUCRO REAL ANUAL. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS. APLICABILIDADE DO ART. 150, §4º, DO CTN. A sistemática de lançamento por homologação exige o pagamento antecipado do tributo, de modo a incidir a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, conforme preceitua o §4ª do artigo 150 do Código Tributário Nacional, bem assim a inocorrência das hipóteses de dolo, fraude ou simulação. No caso concreto, havendo provas de pagamento de estimativas mensais de CSLL e IRPJ, a contagem do prazo decadencial deve ser feita a partir da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Assim, os valores dos lançamentos de ofício relativos ao ano-calendário de 2006, alcançados pela decadência, devem ser excluídos do valor total lançado. DECADÊNCIA. ÁGIO. INÍCIO DA CONTAGEM. EFETIVA DEDUÇÃO DAS DESPESAS PELO CONTRIBUINTE. SÚMULA CARF 116. O registro contábil do ágio não é fato gerador de tributo nem há, aí, lançamento. O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. Súmula CARF n. 116: "Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança." IRPJ. INCORPORAC¸A~O DE SOCIEDADE. AMORTIZAC¸A~O DE A´GIO. ARTIGOS 7o E 8o DA LEI N. 9.532/97. A reorganizac¸a~o empresarial, sob amparo dos artigos 7o e 8o da Lei no 9.532/97, mediante a utilizac¸a~o de empresa veiculo, desde que dessa utilizac¸a~o na~o tenha resultado aparecimento de novo a´gio, na~o pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. IRPJ. INCORPORAC¸A~O DE SOCIEDADE. AMORTIZAC¸A~O DE A´GIO. EMPRESA VEÍCULO. PROPÓSITO NEGOCIAL. EXISTÊNCIA Há propósito negocial, quando demonstrado que criação de uma "Conta Garantia", destinada a garantir obrigações de indenização posteriormente devidas pelos vendedores, em virtude de "prejuízos, passivos, reclamações, danos ou gastos" que não estejam refletidas nas demonstrações financeiras da sociedade-investida. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 AUTUAÇÃO REFLEXA: CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estende-se ao lançamento decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. A solidariedade tributária referida no artigo 124, inciso I do CTN é atribuída às pessoas, seja física ou jurídica, que tenham interesse comum na realização do fato gerador da obrigação tributária, pois possui uma dimensão jurídica própria, e não um significado meramente econômico. No caso, não configurado tal interesse, deve ser afastada a responsabilidade da coobrigada Siemens Ltda, por interesse comum.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente a argüição de decadência para extinguir o crédito tributário referente ao ano-calendário de 2006, e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar integralmente a exigência e para excluir do polo passivo da obrigação tributário o coobrigado Siemens Ltda, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Giovana Pereira de Paiva Leite que votaram por lhe negar provimento. O Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto acompanhou o voto do relator, em relação ao mérito da exigência, com base no fundamento da existência de propósito negocial em relação à utilização de "empresa veículo". (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
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EMPRESA VEÍCULO Recorrente IRIEL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE SISTEMAS ELÉTRICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 FRAUDE. NÃO CONFIGURADA. Não há que se entender que ocorre fraude à lei, quando inexiste vedação em lei quanto aos procedimentos adotados pelo Contribuinte. Eventual erro de interpretação de lei não deve ser confundido com fraude à lei. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APURAÇÃO DO LUCRO REAL ANUAL. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS. APLICABILIDADE DO ART. 150, §4º, DO CTN. A sistemática de lançamento por homologação exige o pagamento antecipado do tributo, de modo a incidir a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, conforme preceitua o §4ª do artigo 150 do Código Tributário Nacional, bem assim a inocorrência das hipóteses de dolo, fraude ou simulação. No caso concreto, havendo provas de pagamento de estimativas mensais de CSLL e IRPJ, a contagem do prazo decadencial deve ser feita a partir da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Assim, os valores dos lançamentos de ofício relativos ao anocalendário de 2006, alcançados pela decadência, devem ser excluídos do valor total lançado. DECADÊNCIA. ÁGIO. INÍCIO DA CONTAGEM. EFETIVA DEDUÇÃO DAS DESPESAS PELO CONTRIBUINTE. SÚMULA CARF 116. O registro contábil do ágio não é fato gerador de tributo nem há, aí, lançamento. O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. Súmula CARF n. 116: "Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 42 12 /2 01 2- 90 Fl. 3346DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.347 2 ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança." IRPJ. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ARTIGOS 7o E 8o DA LEI N. 9.532/97. A reorganizaçaõ empresarial, sob amparo dos artigos 7o e 8o da Lei no 9.532/97, mediante a utilização de empresa veiculo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. IRPJ. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. PROPÓSITO NEGOCIAL. EXISTÊNCIA Há propósito negocial, quando demonstrado que criação de uma "Conta Garantia", destinada a garantir obrigações de indenização posteriormente devidas pelos vendedores, em virtude de "prejuízos, passivos, reclamações, danos ou gastos" que não estejam refletidas nas demonstrações financeiras da sociedadeinvestida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 AUTUAÇÃO REFLEXA: CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese ao lançamento decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. A solidariedade tributária referida no artigo 124, inciso I do CTN é atribuída às pessoas, seja física ou jurídica, que tenham interesse comum na realização do fato gerador da obrigação tributária, pois possui uma dimensão jurídica própria, e não um significado meramente econômico. No caso, não configurado tal interesse, deve ser afastada a responsabilidade da coobrigada Siemens Ltda, por interesse comum. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente a argüição de decadência para extinguir o crédito tributário referente ao ano calendário de 2006, e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar integralmente a exigência e para excluir do polo passivo da obrigação tributário o coobrigado Siemens Ltda, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Giovana Pereira de Paiva Leite que votaram por lhe negar provimento. O Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto acompanhou o voto do relator, em relação ao mérito da exigência, com base no fundamento da existência de propósito negocial em relação à utilização de "empresa veículo". Fl. 3347DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.348 3 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase a lide de Recursos Voluntários interpostos pela autuada e coobrigada em face do acórdão nº 1043.073, proferido pela 1ª Turma da DRJ/POA, que ao analisar a impugnação apresentada, decidiu, por unanimidade de votos, julgála improcedente, para manter o crédito tributário exigido. Por bem descrever o ocorrido, valhome parcialmente do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito, complementandoo ao final: O presente processo tem por foco a exigência do recolhimento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSL em função de operações societárias que tiveram por finalidade a dedução desse ágio da base de cálculo do IRPJ e da CSL. A Fiscalização buscou demonstrar que as referidas operações societárias tendentes à dedução do ágio ocorreram apenas no plano formal, mas não no material. O resumo efetuado pela Auditora Fiscal responsável pela execução do presente trabalho restou assim redigido ( fl. 2.505): “Com relação ao ágio amortizado pela fiscalizada nos anos calendário de 2006 a 2008, verificouse, ao longo da presente ação fiscal, que a condição para sua amortização para fins fiscais, conforme prevê o art. 386, III do RIR/99, de fato não se perfectibilizou, visto que, ao final da operação de incorporação, permaneceram no cenário societário as empresas adquirente e adquirida, investidora e investida. Em decorrência do exposto ao longo do presente relatório, foi glosada a amortização fiscal do ágio, realizada pela fiscalizada nos anoscalendário de 2006 a 2008.” Fl. 3348DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.349 4 As operações societárias que buscaram o enquadramento beneficiado (que permite a dedução do ágio) inseremse em um contexto maior, que foi a aquisição dos negócios de fabricação de interruptores da Iriel Indústria Elétrica Ltda., sociedade brasileira sediada na Avenida Nazário nº 2.100 em Canoas, RS, pela Siemens, multinacional alemã envolvida com a fabricação de equipamentos de telecomunicação, material elétrico, componentes eletrônicos e diversos outros produtos. A Siemens atuou por via das subsidiárias brasileiras Siemens Ltda. e Siemens Serviços Elétricos Ltda., sociedades sediadas, respectivamente, em São Paulo, SP, e Jundiaí, SP. As operações societárias, como um todo, tiveram, seguinte desenrolar: Em 20 de março de 2000, Iriel Indústria Elétrica Ltda. e seus sócios constituíram a sociedade Janda Indústria e Comércio de Interruptores Elétricos Ltda., mediante aporte de capital inicial no montante de R$ 10.000,00. Referida sociedade permaneceu inativa nos anoscalendário 2000, 2001, 2002 e 2003 até os meses de novembro e dezembro, quando auferiu receitas. Em 25 de agosto de 2003, houve a assinatura do contrato de compra e venda do negócio de interruptores elétricos explorados por Iriel Indústria Elétrica Ltda., firmado entre a compradora Siemens Ltda. e os vendedores, pessoas físicas sócias de Iriel Indústria Elétrica Ltda. (fls. 1.275 a 1.331). Tocou aos vendedores transferir para a sociedade Janda Indústria e Comércio de Interruptores Elétricos Ltda. os ativos referentes ao negócio de interruptores elétricos explorados por Iriel Indústria Elétrica Ltda.. Tal transferência se deu pelos valores líquidos contábeis certificados em laudo de avaliação. Houve a transferência, também, de empregados ligados à Iriel Indústria Elétrica Ltda. e direitos relativos aos contratos, marcas e desenhos industriais pertencentes à Iriel Indústria Elétrica Ltda. todos referidos em listas anexadas ao contrato de compra e venda. Adicionalmente, os vendedores deveriam providenciar licenças, autorizações e alvarás necessários à condução do negócio pela sociedade Janda Indústria e Comércio de Interruptores Elétricos Ltda.. Destaco, ainda, que os vendedores se obrigaram a alterar o nome da sociedade Janda Indústria e Comércio de Interruptores Elétricos Ltda. para Iriel Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda.. Foi pactuada, também, a redução do capital social da Iriel Indústria Elétrica Ltda., de tal sorte que os sócios da última, passassem a ser os sócios da nova Iriel Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda.. Restou ressalvado que os compradores não teriam qualquer responsabilidade pelos passivos da sociedade Iriel Indústria Elétrica Ltda. não elencados em “Balanço Base” anexado ao contrato de compra e venda, bem como “que a compradora poderá livremente ceder o presente Contrato, no todo ou em parte, a qualquer de suas afiliadas, mediante simples notificação aos vendedores” (fl. 2.510). Quanto ao valor da operação, repriso “Relatório da Ação Fiscal” (fl. 2.510): Fl. 3349DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.350 5 “O pagamento total efetuado em razão da compra das quotas e dos compromissos de nãoconcorrência e nãocontratação, conforme previa a cláusula 4 do referido contrato, seria a quantia de R$ 49.000.000,00 ("preço de compra"). Os vendedores concordaram que a compradora teria o direito de reter deste valor a quantia de R$ 10.780.000,00 ("quantia retida") a fim de garantir as obrigações de indenização dos vendedores previstas na cláusula 9. A quantia retida seria utilizada de acordo com o previsto na cláusula 10.” Em 26 de agosto de 2003, Janda Indústria e Comércio de Interruptores Elétricos alterou sua denominação social para Iriel Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda.. Em 3 de novembro de 2003, a Iriel Indústria Elétrica Ltda. trocou de denominação social, tendo adotado, então, a denominação Janda Empreendimentos e Participações Ltda.. O objeto social também restou modificado, tendo passado a ser “empreendimentos na construção civil e participações” (fls. 1.813 a 1.815). Na mesma data acima (3 de novembro de 2003), a Iriel Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda. teve seu capital social aumentado de R$ 10.000,00 para R$ 19.277.909,00 em função da conferência de bens exclusivamente pela sócia Janda Empreendimentos e Participações Ltda. (fl. 1.356). A avaliação dos bens, direitos e obrigações conferidos tomou por critério a valoração contábil (fl. 1.361). Em 5 de novembro de 2003, foi constituída a sociedade S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda., o contribuinte do lançamento ora apreciado. A sede da sociedade era a mesma das sociedades Janda Empreendimentos e Participações Ltda. e Iriel Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda. (Avenida Nazário nº 2.100 em Canoas, RS). O capital social foi fixado em R$ 1.000,00, dividido entre os sócios Siemens Ltda. (99,99%) e Siemens Serviços Técnicos Ltda. (0,01%). Em 26 de novembro 2003, Janda Empreendimentos e Participações Ltda. (exIriel Indústria Elétrica Ltda.) teve seu capital reduzido de R$ 21.115.000,00 para R$ 17.145,00, uma vez que o capital seria excessivo em relação ao objeto da sociedade. Com isso, os sócios de Janda Empreendimentos e Participações Ltda. receberam, na proporção de suas participações, R$ 19.276.909,00 em quotas sociais da Iriel Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda. e R$ 1.838.091,00 a título de lucros. Em 3 de dezembro de 2003, os sócios da Iriel Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda. cederam suas quotas sociais para S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda.. Dessa forma, 100% do capital social de Iriel Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda. passou a ser propriedade de S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda., sociedade controlada por Siemens Ltda. (99,99%). Fl. 3350DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.351 6 Os livros comerciais de S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda. contemplam registros de aquisição do controle societário de Iriel Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda. nos dias 4 de dezembro de 2003 e 28 de fevereiro de 2004. No primeiro momento, houve o registro a título de capital social no montante de R$ 16.386.222,65, bem como R$ 22.553.168,00 a título de ágio. No segundo momento, R$ 2.843.668,43 referido a capital social e R$ 4.156.417,48 referido a ágio. Em 20 de dezembro de 2003, o capital social de S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda. havia sido aumento de R$ 1.000,00 para R$ 38.251.000,00. Esse registro, entretanto, foi retificado mais adiante, de tal forma que o capital social passou a ser de R$ 43.735.000,00. A integralização do capital social se deu somente através da sócia Siemens Ltda. nos dias 4 de dezembro de 2003 (R$ 38.249.000,00) e 28 de fevereiro de 2004 (R$ 5.485.000,00). A sócia Siemens Serviços Técnicos Ltda. permaneceu com participação equivalente a R$ 1,00. Tais valores foram repassados por Siemens Ltda. para S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda. via transferência eletrônica de fundos. No dia 4 de dezembro de 2003, os vendedores da Iriel Indústria Elétrica Ltda., pessoas físicas que cederam suas quotas sociais detidas na Iriel Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda., receberam R$ 25.211.736,32 em função da referida cessão (fl. 2.522). Na mesma data, foram aplicados em um Certificado de Depósito Bancário – CDB outros R$ 10.780.000,00 retidos dos vendedores com a finalidade de garantir eventuais indenizações (possíveis contingências fiscais, trabalhistas e cíveis) consoante pactuado 25 de agosto de 2003. Em 21 de janeiro de 2004, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica apreciou os efeitos concorrenciais da aquisição acima noticiada, tendo concluído pela viabilidade do negócio, uma vez que “a atividade operacional da Iriel não possui aptidão para gerar efeitos anticoncorrenciais no mercado brasileiro, já que o aumento da participação da Siemens não afetou substancialmente a estrutura do mercado, em que existem outras empresas com maior ou semelhante participação” (fl. 842). Em 31 de março de 2004, S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda. incorporou Iriel Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda.. “Em função da incorporação, a incorporadora teve sua denominação social alterada para Iriel Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda, e assumiu o estabelecimento sede da incorporada, passando a adotar o endereço integral, na Av. do Nazário, 2.100, Bairro Estância Velha, na cidade de Canoas/RS” (fl. 2.528). A partir de então, a incorporadora passou a amortizar o ágio lançado quando da aquisição do investimento por S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda.. Confirase trecho do relatório fiscal (fl. 2.531): Fl. 3351DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.352 7 “Conforme indica o Lalur do anocalendário de 2004, foram adicionados ao lucro líquido do exercício, para fins de apuração do lucro real, R$ 1.266.087,76 (relativo ao período jan. a mar./2004, até a incorporação da investida), e excluídos R$ 246.313,76. Para fins de apuração da base de cálculo da CSLL nada foi adicionado ou excluído a título de ágio no ano. O total de ágio amortizado contabilmente e não fiscalmente até 31/03/2004 (R$ 1.641.973,89 conforme Parte B do Lalur), passou também a ser amortizado para fins fiscais, na apuração do lucro real, via exclusão do lucro líquido na parte A do Lalur. A partir de abril de 2004 a fiscalizada excluiu o valor de R$ 27.368,20 ao mês, o que totalizou R$ 246.313,76 no ano. Este valor foi levado também a débito do saldo da conta "ágio" (saldo de R$ 1.641.973,89) na parte B do Lalur. Ou seja, S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda não amortizou fiscalmente, para fins de apuração do Lucro Real, o ágio relativo à aquisição do investimento em Iriel Ind. e Com. de Sistemas Elétricos Ltda, CNPJ n° 04.085.311/0001¬51, antes de sua incorporação, a qual se deu, como já relatado, em 31/03/2004. Durante o anocalendário de 2005, a empresa Iriel Ind. e Com. de Sistemas Elétricos Ltda (nova razão social de S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda), CNPJ n° 06.005.455/000186, contabilizou a débito de conta de resultado o valor de R$ 5.013.498,72 a título de amortização do ágio, conforme indicam total de lançamentos a crédito das contas do grupo 1.3.1 Investimentos, e total de lançamentos a débito da conta de resultado 3.1.1.88 Depreciação Ágio.” Quanto ao objeto do presente processo, cabível reprisar o item 2.2.1 do “Relatório da Ação Fiscal” (fls. 2.532 a 2.536): “2.2.1 Nos anoscalendário de 2006 a 2009. objeto da presente ação fiscal: “Durante o anocalendário de 2006, Iriel Ind. e Com. de Sistemas Elétricos Ltda, CNPJ n° 06.005.455/000186, contabilizou a débito de conta de resultado o valor de R$ 5.013.498,72 a título de amortização do ágio, conforme indicam total de lançamentos a crédito das contas do grupo 1.3.1 Investimentos, e total de lançamentos a débito da conta de resultado 3.1.1.88 Depreciação Ágio. ... Conforme indica Lalur do anocalendário de 2006, não houve adição ao lucro líquido do exercício para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, tendo sido excluídos no mesmo período R$ 328.418,35 para fins de apuração do lucro real (a título de amortização fiscal do ágio contabilmente amortizado no período dez/2003 a mar/2004). Para fins de apuração da base de cálculo da CSLL não se deu esta exclusão. Fl. 3352DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.353 8 Como já relatado, o total de ágio amortizado contabilmente e não fiscalmente até 31/03/2004 (R$ 1.641.973,89), passou também a ser amortizado para fins fiscais, via exclusão do lucro líquido na parte A do Lalur, a partir de abril de 2004, no valor de R$ 27.368,20 ao mês. Logo, o valor de R$ 328.418,35 referese ao valor de R$ 27.368,20 multiplicado por doze meses. O valor de R$ 328.418,35 foi levado também a débito do saldo da conta "ágio" (saldo de R$ 1.641.973,89) na parte B do Lalur. Durante o anocalendário de 2007, a fiscalizada contabilizou a débito de conta de resultado o valor de R$ 5.013.498,72 a título de amortização do ágio, conforme indicam total de lançamentos a crédito das contas do grupo 1.3.1 Investimentos, e total de lançamentos a débito da conta de resultado 3.1.1.88 Depreciação Ágio. ... Conforme indica Lalur do anocalendário de 2007, não houve adição ao lucro líquido do exercício para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, tendo sido excluído no mesmo período R$ 328.418,35 para fins de apuração do lucro real (a título de amortização fiscal do ágio já amortizado contabilmente no período dez/2003 a mar/2004 R$ 27.368,20 multiplicado por doze meses). Para fins de apuração da base de cálculo da CSLL não se deu esta exclusão. O valor de R$ 328.418,35 foi levado também a débito do saldo da conta "agio" (saldo de R$ 1.641.973,89) na parte B do Lalur. Durante o anocalendário de 2008, a fiscalizada contabilizou a débito de conta de resultado o valor de R$ 5.013.498,72 a título de amortização do ágio, conforme indicam total de lançamentos a crédito das contas do grupo 1.3.1 Investimentos, e total de lançamentos a débito da conta de resultado 3.1.1.88 Depreciação Ágio. ... Conforme indica Lalur do anocalendário de 2008, não houve adição ao lucro líquido do exercício para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, tendo sido excluído no mesmo período R$ 328.418,35 (a título de amortização fiscal do ágio já amortizado contabilmente no período dez/2003 a mar/2004 R$ 27.368,20 multiplicado por doze meses). Para fins de apuração da base de cálculo da CSLL não se deu esta exclusão. O valor de R$ 328.418,35 foi levado também a débito do saldo da conta "ágio" (saldo de R$ 1.641.973,89) na parte B do Lalur. Os Livros de Apuração do Lucro Real da fiscalizada, anos calendário 2006 a 2008, encontramse às fls.1605 a 1687.” Fl. 3353DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.354 9 Consoante o relatório do agente do Fisco, a amortização contábil do ágio apurada nos anoscalendário 2006 a 2009 impactou negativamente o resultado fiscal daqueles períodos, uma vez que não foi adicionada ao lucro real e à base de cálculo da CSL. Além disso, o contribuinte excluiu das bases tributáveis dos anoscalendário 2006 a 2009 parcelas do ágio amortizado entre dezembro de 2003 e março de 2004, ou seja, referidas ao período anterior à incorporação. O “Relatório da Ação Fiscal” trata da evolução da legislação fiscal em torno da matéria atinente à amortização do ágio identificado na aquisição de um investimento. Confirase trecho do trabalho (fls. 2.544 e 2.545): “O art. 391 do RIR/99 (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei n° 1.730, de 1979, art. 1º , inciso III), já transcrito, determina a regra geral para o aproveitamento fiscal do ágio de que trata o art. 385 do mesmo Regulamento, qual seja, a indedutibilidade na apuração do lucro real, salvo por ocasião da alienação ou liquidação da participação societária adquirida com ágio ou deságio, quando este será acrescido ao valor contábil do investimento para fins de apuração de ganho ou perda de capital. Como vimos, nos casos de fusão, incorporação ou cisão de sociedades, o ágio fundamentado na rentablidade futura (que fazia parte do valor contábil do investimento) seria deduzido como perda de capital, podendo o contribuinte optar pelo tratamento do mesmo como ativo diferido amortizável no prazo máximo de dez anos, segundo o art. 34, inciso I do DL n° 1.598/77. Com o advento da Lei n° 9.532 de 1.997, o seu art. 7º passou a dispor de forma diferente sobre a amortização, com efeitos fiscais, do ágio fundamentado em rentabilidade futura, nos casos de incorporação, fusão ou cisão, entre as pessoas jurídicas investidora e investida, quando aquela detivesse nesta participação adquirida com ágio. Se antes da vigência deste dispositivo legal, era possível deduzir a integralidade do ágio fundamentado em rentabilidade futura como perda, em uma única vez, após, o inciso III de seu art. 7º limitou a amortização fiscal do ágio a 1/60 mês nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão. O inciso III do art. 7º da Lei 9.532/97 especificamente, ao contrário do que se poderia pensar, foi introduzido pelo legislador com o intuito de restringir situações postas em prática anteriormente a sua vigência, coibindo abusos até então incorridos sob o manto de um pretenso planejamento tributário. Corrobora tal entendimento, a exposição de motivos do art. 8º da MP 1.602/97, que foi convertida na Lei n° 9.532/97, art. 7º : "O art. 8° [art. 7° da Lei] estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente, da aquisição, por uma pessoa Fl. 3354DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.355 10 jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários", vem utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação de empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo". Seguindo nessa senda, a Fiscalização defendeu a indedutibilidade do ágio em função da participação apenas formal da S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda. nas operações societárias em apreciação (fl. 2.548). Por tal motivo, a regra do art. 386 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, o Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, que permite a amortização do ágio lastreado em rentabilidade futura no caso de “pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação ... na qual detenha participação societária adquirida com ágio”, não seria aplicável. Confirase parte das razões expendidas pela agente do Fisco (fl. 2.550 a 2.552): “Numa primeira análise do caso em tela, pode parecer que houve o cumprimento do disposto no art. 386 do RIR/99 se considerássemos que fora S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda, CNPJ n° 06.005.455/000186, a adquirente da participação societária em Iriel Indústria e Comércio e Sistemas Elétricos Ltda, CNPJ n° 04.085.311/000151. No entanto, analisandose a operação como um todo, verifica se que não foi o que materialmente ocorreu. Embora se tratem formalmente de atos válidos, o que aconteceu de fato foi diferente do que se deu sob o ponto de vista formal, e são os fatos que devem ser analisados para que se possa ter o entendimento correto do caso, e de seu enquadramento sob o ponto de vista tributário. Ficou evidente, pelo relatado no item 2.1, que a operação de venda do negócio de interruptores elétricos explorado por Iriel Indústria e Comércio e Sistemas Elétricos Ltda, CNPJ a 0 04.085.311/000151, foi acordada entre os exsócios de Iriel Indústria Elétrica Ltda, CNPJ n° 88.324.678/000170 e Siemens Ltda, e que foi esta quem suportou financeiramente a aquisição, com ágio, das quotas de Iriel Indústria e Comércio e Sistemas Elétricos Ltda, CNPJ n° 04.085.311/000151. Fl. 3355DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.356 11 O Contrato de Compra e Venda de Quotas celebrado em 25/08/2003 (fls. 1275 a 1331); o Ato de Concentração N.° 08012.007075/200345, junto ao CADE (fls.459 a 1218); as notícias divulgadas na imprensa (fl.458); os aportes financeiros de Siemens Ltda à S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda a título de integralização de capital, nas exatas datas e valores para viabilizar o pagamento aos exsócios da empresa investida Iriel Indústria e Comércio e Sistemas Elétricos Ltda. CNPJ n° 04.085.311/000151, não deixam dúvidas sobre este fato. Conforme descrito nos itens " i.1" e "j" deste relatório, e, conforme 1ª Alteração Contratual de S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda., CNPJ n° 06.005.455/0001¬86, em 20/12/2003 o capital social desta foi aumentado em R$ 38.250.000,00 (38.250.000 quotas), integralizados pela sócia Siemens Ltda. O novo capital social de R$ 38.251.000,00, totalmente integralizado em dinheiro, passou a ser assim dividido: sócia Siemens Ltda. detentora de 38.250.999 quotas no valor nominal de R$ 38.250.999,00; sócia Siemens Serviços Técnicos Ltda detendo uma quota no valor nominal de R$ 1,00. No entanto, verificouse (conforme descrito nos itens "i.1" e "j" deste relatório), que a 1ª Alteração Contratual de S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda foi parcialmente retificada pela 3ª Alteração de Contrato Social de Iriel Ind. e Com. de Sistemas Elétricos Ltda (razão social de S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda em 10/12/2004), datada de 10/12/2004, pela qual os sócios acordaram que o aumento do capital social deveria ter ocorrido em 04/12/2003 no valor de R$ 43.734.000.00. totalmente subscritos e parcialmente integralizados em 04/12/2003. Conforme resposta da fiscalizada ao Termo de Intimação Fiscal n° 06, item 8, letra b (fl. 2361), S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda. registrou contabilmente o aumento de capital de R$ 38.250.000,00 em 04/12/2003, tendo posteriormente retificado, em 10/12/2004, a 1ª Alteração do Contrato Social da empresa de 20/12/2003, para adequar o registro contábil à cessão de quotas para S.I. Indústria e Comercio de Sistemas Elétricos Ltda. que ocorreu em 04/12/2003, ocasião em que esta assumiu a obrigação de cumprir o contrato de compra e venda de quotas. Tratase, portanto, de um documento produzido um ano após os fatos, que veio apenas formalizar uma situação de fato já havia ocorrido em dissonância ao documento anterior (1ª Alteração Contratual de S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda de 20/12/2003). Do início das tratativas entre vendedores e a compradora, até o fechamento da operação e pagamento dos valores acertados àqueles, uma série de outros detalhes evidenciam esta Fl. 3356DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.357 12 realidade, comprovando que todas as operações se desencadearam de forma lógica e seqüencial, com grande proximidade temporal e grau de dependência entre elas, visando a um fim determinante: a amortização fiscal do ágio com a manutenção das duas estruturas negociais (de investidora e investida) intactas, sem que Siemens Ltda. incorporasse Iriel Indústria e Comércio e Sistemas Elétricos Ltda., ou viceversa.” Ao analisar os motivos da incorporação, a Fiscalização assim se pronunciou (fl. 2.554/5): “O Protocolo de Protocolo de Incorporação e Justificação de Iriel Ind. e Com. de Sistemas Elétricos Ltda por S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda trouxe como justificativa para a incorporação daquela, ser do interesse desta centralizar seus investimentos em uma única sociedade no Brasil, evitandose, assim, duplicidade de custos e a superposição de operações pelas duas empresas. Mas na realidade S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda já detinha investimento em uma única sociedade no Brasil (em Iriel Ind. e Com. de Sistemas Elétricos Ltda), e não havia superposição de operações entre as empresas visto que, como a própria fiscalizada afirmou em sua resposta a Termo de Início de Ação Fiscal, a empresa S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda não auferia receita operacional, tratandose de uma Holding. Resta evidente que os sócios de S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda (Siemens Ltda com 99,99% e Siemens Serviços Técnicos Ltda com 0,01%) nunca desejaram realmente assumir os riscos inerentes à constituição desta e ao exercício do seu objeto social (participação em outras empresas), tanto que, constituída em 05/11/2003 (com registro na Junta Comercial do RGS em 20/11/2003) a mesma perdeu seu propósito de existência, como Holding, tão logo adquirido o negócio de interruptores elétricos pelo grupo Siemens. S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda deixou de existir como Holding com a incorporação de Iriel Ind. e Com. de Sistemas Elétricos Ltda, passando a existir a partir de então como negócio de interruptores elétricos. A constituição de S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda feriu assim o disposto nos arts. 966 e 981 do CC de 2002 (Lei n° 10.406/2002): Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. Fl. 3357DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.358 13 Questionase, neste caso, o propósito societário para a criação de S.I. Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda e, em última análise, de motivação para a própria celebração do contrato de sociedade. Considerandose que uma sociedade não têm por finalidade única ou precípua ser "veículo" de coisa alguma, constituindo se, ao contrário, em meio legalmente estabelecido para o exercício de atividade econômica, a operação em tela ofende o disposto pelo art. 187 do CC2002 (Lei n° 10.406/2002), equiparandose a ato ilícito. Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Conforme Contrato de Compra e Venda de Quotas firmado entre Siemens Ltda, compradora, os vendedores: Jandir Francisco Capoani, Darwin Luiz Longoni, espolio de Marina Leão Longoni (representando por seu inventariante Darwin Luiz Longoni), Zaida Ignês Capoani, Joice Capoani, Joe Capoani, e a parte Iriel Indústria Elétrica Ltda (CNPJ n° 88.324.678/000170), em 25/08/2003, a compradora adquiriria a totalidade das quotas de Janda Indústria e Comércio de Interruptores Elétricos Ltda, CNPJ n° 04.085.311/000151, de forma direta ou indiretamente (através de uma de suas afiliadas). A última hipótese foi a que formalmente ocorreu. Formalmente, mas não materialmente, visto que os valores para aquisição foram supridos por Siemens Ltda, como já relatado.” Esse o fundamento do lançamento dos tributos impugnados. A penalidade lançada foi a multa qualificada (150%). No entender da agente do Fisco, o sujeito passivo atuou de forma dolosa com o intuito de fraudar a arrecadação tributária. Confirase trecho do “Relatório da Ação Fiscal” (fls. 2.561/2): “Na hipótese de incidência do art. 72 da Lei n° 4.502/64, a ação dolosa, entendida como a consciência e a vontade do agente, deve estar ligada à pelo menos uma das condutas previstas no tipo, quais sejam: "impedir"/ "retardar" a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, e/ou "excluir"/ "modificar" suas características essenciais. E, em realizando qualquer uma destas condutas, o agente deve ainda ter a consciência de que está reduzindo/evitando/diferindo imposto que sabe devido, e deve ter a vontade de fazêlo. A seqüência das operações que se verifica no caso em tela, a seguir novamente resumidas, envolvendo a constituição e a utilização de uma empresa "veículo" que de fato não suportou financeiramente a aquisição, com ágio, das quotas de Iriel Ind. e Com. de Sistemas Elétricos Ltda, CNPJ n° 04.085.311/0001 51, para a construção de uma falsa condição de enquadramento no art. 386, inciso III do RIR/99, evidencia a consciência e a Fl. 3358DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.359 14 vontade dos diretores da fiscalizada e da empresa Siemens Ltda, sua controladora, em realizar a modificação dos fatos geradores do IRPJ e da CSLL, nos anos de 2006 a 2008, pela amortização de ágio que só poderia surtir efeitos fiscais quando perfectibilizado o evento condicionante previsto pelo próprio artigo (qual seja a absorção do patrimônio da investida pela investidora ou vice versa em razão de incorporação, fusão e cisão):” Na presente autuação houve, também, a responsabilização de Siemens Ltda., por solidariedade, em função dos termos do art. 124, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, o Código Tributário Nacional – CTN. Em síntese, haveria interesse comum na situação fática ensejadora da exigência tributária (fls. 2.557 a 2.560). O sujeito passivo e o devedor solidário tomaram ciência do lançamento no dia 26 de novembro de 2012 (fl. 2.566). O lançamento foi impugnado por Iriel Indústria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda. (fls. 2.573 a 2.620) e pelo devedor solidário Siemens Ltda. no dia 21 de dezembro de 2012 (fls. 2.860 a 2.913). (...) Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da impugnação, nos termos do acórdão a seguir ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 FRAUDE. Resta configura a fraude quando comprovada a ação do sujeito passivo com o objetivo de modificar as características do fato gerador dos tributos,que restaram inadimplidos. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Não havendo, no lançamento objurgado, a incidência de juros sobre a multa de ofício, não se conhece do recurso quanto à matéria por falta de competência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após tomarem ciência do acórdão recorrido, autuada e coobrigada, ambos apresentaram recurso em conjunto, de forma tempestiva, cujos argumentos apresentados serão a seguir analisados. É o relatório. Fl. 3359DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.360 15 Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Os recursos apresentado são tempestivos e reúnem os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, deles conheço. SÍNTESE DOS FATOS A presente discussão gira em torno da dedutibilidade, ou não, das amortizações de ágio formadas em operações e reorganizações societárias. Discutese a operação societária de compra de participação societária da empresa IRIEL Industria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda pelo grupo SIEMENS com a posterior realização de operação de incorporação societária. O valor pela aquisição da aludida participação ensejou a apuração de ágio, que foi glosado pela fiscalização, e resultou em exigências de IRPJ e CSLL e de multa qualificada (150%), nos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008. Salientese que compradores e vendedores eram partes não relacionadas e que houve pagamento em dinheiro pela aquisição da participação societária. Em síntese, a operação em discussão pode ser explicada em quatro momentos distintos: Em um primeiro momento, anterior à aquisição de participação societária, devese olhar a situação da vendedora, observando que os principais ativos relacionados à atividade operacional da empresa são alocados na sociedade IRIEL Industria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda (investida). Numa segunda etapa, olhase a situação da compradora, e nesse passo, observase que as sociedades empresárias SIEMENS Ltda e SIEMENS Serviços Técnicos Ltda, constituem a sociedade S.I. Ind. e Com. de Sistemas Elétricos ("S.I.") e, ato contínuo, nela integralizam o valor de R$ 43.734.000,00 a título de capital social. Em um terceiro momento, a S.I. (investidora) adquire a participação societária da IRIEL Industria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda (investida), mediante o pagamento do valor contratualmente firmado de $R 49.000.000,00 aos seus sócios originários, sócios pessoas físicas, tendo ela retido o valor de R$ 10.780.000,00 registrado contabilmente em "Conta de Garantia", cuja finalidade era assegurar a cobertura de possíveis contingências fiscais, trabalhistas e cíveis, conforme acordado em contrato de compra e venda celebrado entre as partes e existente nos autos. Tal operação de aquisição societária deu ensejo à contabilização de ágio pela S.I.. Por fim, na última etapa, a S.I. incorpora a sociedade IRIEL Industria e Comércio de Sistemas Elétricos Ltda, alterando, na seqüência, a sua denominação societária para assumir o nome da incorporada, e passa a amortizar tributariamente o ágio registrado em sua contabilidade, na razão de 1/60. Fl. 3360DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.361 16 A fiscalização, por sua vez, entendeu que os requisitos jurídicos necessários para a sua amortização não se mostravam plenamente atendidos. Neste sentido, as acusações que embasaram o presente lançamento de ofício, foram as seguintes: (i) ausência de preenchimento dos requisitos previstos no artigo 386, inciso III do RIR/99 para o reconhecimento da amortização fiscal do ágio; (ii) a SIEMENS Ltda teria sido aquela que efetivamente negociou a aquisição da IRIEL e suportou ônus financeiro. A S.I., por outro lado, teria, tãosomente, "formalizado" a operação; (iii) toda a operação teria sido estruturada visando, unicamente, ao propósito de amortizar tributariamente o ágio registrado. Assim, a constituição da S.I. e a cessão a ela da posição de compradora seria desprovida de qualquer propósito negocial; (iv) inexistência de atividade operacional da S.I. que, segundo a fiscalização, se figurava, tãosomente "com finalidade única e precípua de ser "veículo"; (v) destaquese que a fiscalização não questionou o fundamento econômico do ágio registrado, tampouco o laudo que lhe deu suporte. Ciente do auto de infração, a autuada apresentou impugnação, por meio da qual questionou a glosa das amortizações fiscais do ágio apurado no período que deu ensejo ao lançamento de ofício, sob o entendimento de que todos os atos societários relativos à aquisição da participação societária foram validamente praticados e a operação, vista em seu todo, possuía claro propósito negocial. Questionouse, também, a qualificação da multa, bem como se apontou para o decurso do prazo decadencial em relação aos fatos geradores autuados. A SIEMENS, na qualidade de responsável tributário também apresentou impugnação, questionando sua legitimidade para se afigurar no pólo passivo da obrigação tributária, bem como reiterou as razões de defesa já apresentadas pela IRIEL. Não obstante as razões apresentadas, a DRJ/POA, mediante Acórdão 10 51.607, manteve o lançamento do crédito tributário e a responsabilização do devedor solidário. Digno de nota é o fato de ter sido mantido o entendimento de que teria ocorrido fraude no presente caso, não se aplicando a alegação de decadência, sendo ainda desconsiderado o propósito negocial sustentado pela autuada. Após intimados, tanto a autuada como a recorrente, através do mesmo patrono, manejaram recursos voluntários, sem juntada de novos documentos, ratificando os argumentos de defesa inicialmente mencionados, e pugnam pelo provimento dos recursos. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO: IRIEL IND. E COM. Da Inexistência de Fraude O conhecimento ou não da existência de fraude no presente caso tem o condão de não apenas afastar a majoração da multa de ofício aplicada na forma qualificada (150%), mas também possui reflexos sobre a contagem do prazo decadencial aplicável. Fl. 3361DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.362 17 Aduz a autuada que teria ocorrido imprecisão do lançamento quando da indicação do fundamento para a aplicação da multa de ofício qualificada; que não fez prova do dolo; que o elemento doloso é fundamental para a caracterização de conduta prevista nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, o que não restou demonstrado nos autos. De fato, há de se reconhecer que cabe ao fisco o ônus de provar os elementos presentes no tipo penal, em especial o dolo específico, para evidenciar, de forma inequívoca que houve, de fato, o dolo, a vontade, a intenção de se praticar a sonegação, a fraude ou o conluio. No caso presente, não há noticias nos autos que a recorrente praticou qualquer das figuras acima listadas, muito menos há relatos de que as operações relacionadas foram praticas com a utilização de documentos inidôneos, empresas fictas, ou fraudes, encontrandose os atos societários devidamente registrados nos órgãos competentes, assim como na escrituração contábil e fiscal do Contribuinte. A bem da verdade, quanto ao tópico, a fiscalização apenas discorda das operações e procedimentos efetuados pelo Contribuinte, e, por apenas discordar, sustenta existir fraude. Ora, não há fraude à lei, quando inexiste vedação em lei quanto aos procedimentos adotados pelo Contribuinte, não devendo ser confundido eventual erro de interpretação de lei com fraude à lei. Assim, ainda que se discorde da interpretação dada à lei pelo contribuinte, não há que se entender que o procedimento adotado visou a postergar ou a evitar a ocorrência do fato gerador, de forma a qualificar o procedimento como fraudulento. Logo, a acusação de fraude deve ser rechaçada. Decadência dos lançamentos referentes ao AnoCalendário de 2006 Como se disse, o reconhecimento de que inexiste fraude reflete na contagem do prazo decadencial aplicável. A aplicabilidade do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, ambos do CTN, já foi objeto de decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940). O julgamento se deu em 12/08/2009 e o acórdão foi publicado no DJe de 18/09/2009. De acordo com o Superior Tribunal de Justiça, a contagem do prazo decadencial será segundo as disposições do art. 173, I, do CTN, como regra geral. Esse seria também o dispositivo aplicável quando a lei determine o pagamento antecipado do tributo e o contribuinte não cumpra com essa obrigação e, ainda, inexistindo declaração prévia do débito. No caso concreto, tratase de IRPJ e CSLL, de apuração anual, pelo lucro real, para o qual a lei claramente estipula o dever de antecipar a exação. Compulsando os autos, verificase que, no anocalendário 2006, o contribuinte apurou o IRPJ e CSLL segundo as regras do lucro real anual (vide DIPJ/2007 às Fl. 3362DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.363 18 fls. 228/306). Ainda, o exame da DIPJ revela a existência de pagamentos mensais de estimativas fl. 238, Ficha 12A, linha 16 (IRPJ) e fl. 243, Ficha 17, linha 52 (CSLL). Nos termos da referida decisão do STJ, tenho que a circunstância verificada quanto à existência de pagamento antecipado do imposto, atrelado ao fato de inexistência de dolo, fraude ou simulação, é suficiente para fazer com que o regramento aplicável à contagem do prazo decadencial seja aquele do art. 150, § 4º, do CTN, ou seja, o dies a quo será a data da ocorrência do fato gerador. Assim, para fatos geradores ocorridos no anocalendário 2006, o termo inicial para contagem do prazo qüinqüenal é, então, o último dia do período de apuração, a saber, 31/12/2006, expirando tal prazo em 31/12/2011. Visto que a ciência do lançamento se deu em 26/11/2012 (efls. 2566), os valores dos lançamentos de ofício relativos ao anocalendário de 2006 foi alcançado pela decadência, devendo ser excluídos do valor total lançado. Da Decadência do direito de questionar o ágio Ainda quanto ao tópico relativo à decadência, aduz a recorrente que a contagem do prazo do direito do fisco de efetuar lançamento tributário do crédito tributário em discussão iniciase a partir do registro contábil do ágio, e pugna pelo acolhimento de tal alegação para fulminar o crédito tributário exigido. Pois bem. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário da percussão tributária decorrente do ágio registrado, apenas pode iniciar quando da amortização do ágio, e não a partir do registro, pois só a partir do momento em que o fato gerador do tributo passa a ser afetado pelas amortizações fiscais, é que se abre a possibilidade do Fisco exercer seu direito de constituir o crédito tributário que entende devido. A decisão recorrida acertadamente observou: O impugnante deseja efetuar a contagem do prazo decadencial do direito do Fisco de constituir o crédito tributário a partir do registro contábil do ágio. Um registro efetuado na escrituração comercial, entretanto, não configura fato gerador de tributo nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, norma aplicável ao caso consoante interpretação do impugnante. O fato gerador do tributo só é afetado na medida das amortizações fiscais, redundando em pagamentos menores do que os devidos. Frente a esses pagamentos menores é que resta aberta ao Fisco a possibilidade de agir. (...) Recentemente o CARF aprovou o enunciado de Súmula nº 116, de seguinte teor: " Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança". Isto posto, rejeito a preliminar suscitada. Fl. 3363DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.364 19 Do Mérito Registrese que não houve questionamento por parte do Fisco quanto à formação inicial do ágio, sendo incontroverso que se trata de operação realizada entre partes independentes, em condições de livre mercado, e com o efetivo pagamento. Não há também questionamento sobre o laudo de avaliação ou o valor do ágio gerado a partir da expectativa de geração de resultado futuro, pois, acaso fosse questionado o ágio ou o seu fundamento, deveria a fiscalização demonstrar a inconsistência da metodologia utilizada, o que não ocorreu neste caso. O óbice apresentado pela fiscalização reside no fato da empresa S.I. ter se apresentado como uma "empresa veículo", sem substância ou propósito negocial, vez que, não arcou, efetivamente, com os custos para a aquisição da participação societária em tela, pois foi suportado verdadeiramente pela SIEMENS Ltda. Assim, controvertese nos autos a questão relacionada à utilização de "empresa veículo", capitalizada por controladora dessa empresa, que adquiriu o investimento com pagamento de ágio para, após incorporação, amortizálo, fundado na expectativa de rentabilidade futura. Pois bem. A partir da edição da Lei n. 9.532/97, o legislador ordinário alterou sensivelmente as conseqüências fiscais do ágio por expectativa de rentabilidade futura, passando, a partir de então, ser possível o aproveitamento do ágio à fração 1/60 ao mês, desde o momento em que o ágio escriturado pela investidora viesse a ser confrontado, em um mesmo acervo patrimonial, com os lucros advindos da empresa investida que justificaram o pagamento desse sobrepreço por expectativa de rentabilidade futura. Para aproveitamento das despesas com ágio, a Lei estabeleceu a necessidade de confusão patrimonial entre investida e investidora, pressupondo assim uma reunião do patrimônio da pessoa jurídica investidora com a pessoa jurídica investida, a fim de que o aludido ágio registrado naquela seja emparelhado com os lucros gerados por esta. Assim, concretizada a confusão patrimonial exigida pelo legislador, o ágio apurado em aquisição precedente passa a ser amortizado, ainda que a incorporada (ou cindida) seja a investidora (incorporação reversa). É o que se observa dos arts. 7o e 8o da Lei n. 9.532/97: Art. 7º. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; Fl. 3364DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.365 20 II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração1; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. 1 Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998. Fl. 3365DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.366 21 § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º. O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Assim, na hipótese de aquisição de investimento relevante com ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura, com a correta adoção do MEP para apuração pela investidora do patrimônio líquido da investida e do correspondente ágio, acompanhada da confusão patrimonial entre investidora e investida (ou vice versa), a conseqüência será a amortização da fração de 1/60 por mês do ágio por expectativa de rentabilidade futura contra as receitas da empresa investida. Porém, em nenhum momento o legislador exigiu que o contribuinte aguardasse algum lapso temporal mínimo para levar a cabo as operações necessárias para o aproveitamento do ágio em questão. A imposição da confusão patrimonial exigida pelo legislador para viabilizar o aproveitamento fiscal do ágio simplesmente não estabelece exigências temporais, vez que não consta qualquer prazo nos enunciados prescritivos da Lei nº 9.532/97, tal como não há prazos nas normas societárias que regulam aquisições, fusões e cisões societárias. Nessa mesma linha, RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA2 apresenta ponderações relevantes e de grande valia para a adequada compreensão de casos concretos: “É ainda por isso que, nestes casos, se torna irrelevante como se processa a reunião das duas pessoas jurídicas, para o que a lei abre inúmeras alternativas, e nem mesmo é prejudicial aos efeitos da lei que essa reunião se tenha realizado em curto ou em largo prazo, podendo mesmo efetivarse no próprio dia da aquisição investimento”. 2 Nesse sentido, vide: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Os motivos e os fundamentos econômicos dos ágios e deságios na aquisição de investimentos, na perspectiva da legislação tributária, in Revista Direito tributário atual Vol. 23. São Paulo: IBDT/Dialética, 2009, p. 460. Fl. 3366DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.367 22 Portanto, penso inexistir relevância para a análise do caso em questão, argumentos que demonstrem o decurso de longo prazo temporal entre operações realizadas, ou ainda, que tenham sido utilizadas estruturas por curto espaço de tempo. Também inexiste vedação na Lei nº 9.532/97 (ou em qualquer outro instrumento legal), no sentido de desautorizar a constituição das chamadas empresasveículo para executar a formula prescrita pelo legislador, que consiste na confusão patrimonial, mediante incorporação, cisão ou fusão, das despesas de ágio contra os lucros da empresa adquirida. Ora, salvo hipótese de fraude, que não é o caso dos autos, a utilização de "empresaveículo" não gera qualquer efeito tributário, isto é, não altera o potencial de amortização deste em caso de posterior operação de fusão, incorporação ou cisão que ocasione o encontro patrimonial requerido pelo legislador. Por isso, correto afirmar que tais operações são neutras, não alterando a esfera de direitos dos contribuintes ou do fisco no que concerne a efetiva amortização do ágio. Dessa forma, se ausente manifestação clara e expressa do legislador no sentido de limitar a liberdade constitucional da empresa, de investimento, de organização e de contratação, me parece não ser razoável a interpretação que limita o uso de tais empresas, fazendo perecer o direito à amortização de ágio por expectativa de rentabilidade futura legitimamente apurado. Ora, se há limites ao exercício da liberdade, deve também deve haver limites à sua restrição, pois "a liberdade pode ser disciplinada, mas não pode ser eliminada” 3. A exigência de congelamento completo da estrutura societária do grupo empresarial, sob pena de perda do direito à potencial amortização do ágio legitimamente apurado, sem dúvida consiste em uma liberdade de empresa de investimento, de organização e de contratação, e por isso, tal interpretação não deve prevalecer. Desta forma, o fato do contribuinte se utilizar de uma empresaveículo para a perfectibilização da operação, não invalida o negócio jurídico e os efeitos tributários decorrentes, especialmente, no caso de restar demonstrada a existência de estruturas ou caminhos alternativos disponíveis ao contribuinte e que levariam ao mesmo resultado. Veja que a participação da sociedade S.I. não resultou no surgimento de ágio distinto daquele que seria gerado se a operação tivesse ocorrido em outros moldes. Acaso a SIEMENS Ltda tivesse adquirido a participação da IRIEL e posteriormente procedido a incorporação, ou viceversa, terseia obtido o mesmo resultado conseguido com o uso da empresaveículo. Logo, se o propósito fosse apenas tributário, como afirma a fiscalização, bastaria a incorporação direta para garantir o benefício. Se houve o uso da empresaveículo, era porque se desejava manter intacta as duas empresas existentes por razões que não cabe ao Fisco averiguar, pois eminentemente empresarial, da estratégia do negócio. Observese que o PND foi instituído pela Lei 8.031/90, que fixou as regras de desestatização de empresas,. Essa lei foi posteriormente revogada pela Lei 9.491/97, cujo artigo 4º estabeleceu diversas modalidades para a desestatização, dentre as quais, a alienação de participação societária. Merece destaque o parágrafo 1º do referido artigo 4º, que estabelece 3 FERRAZ JÚNIOR, Tercio Sampaio. Direito Constitucional: liberdade de fumar, privacidade, estado, direitos fundamentais e outros temas. – Barueri, SP : Manole, 2007, p. 195. Fl. 3367DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.368 23 que, para fins de execução das desestatizações, podem ser realizadas reestruturações societárias envolvendo, inclusive, a criação de subsidiárias integrais. Portanto, o vencedor do leilão poderia adquirir o investimento nas empresas privatizadas por meio de uma empresa subsidiária integral com o propósito específico de atuação como holding. Vejase que estas estruturas se assemelham ao caso em epígrafe, quando o investidor inicial (Grupo SIEMENS), em vez de adquirir diretamente o investimento, o faz através da denominada "empresa veículo" (S.I). Esta, por sua vez, adquire o investimento (IRIEL) com ágio. Semelhante pensamento foi adotado o ilustre Conselheiro Waldir Veiga Rocha, no acórdão nº 1301001.950, de 02/03/2016, valendo transcrever partes do seu voto para acrescentar às minhas razões de decidir: O Fisco (e também a decisão de primeira instância) considerou que, em ambas as operações, quem efetivamente arcou com o pagamento do ágio teria sido a Holderfin BV, não obstante esse ágio estar registrado contabilmente na Paraíso Participações. Aquela empresa (Holderfin BV) seria a real investidora. Daí, com a incorporação da Paraíso Participações pela Holcim Brasil, não teria ocorrido a confusão patrimonial entre investida e investidora, condição para o aproveitamento fiscal do ágio. Com a devida vênia, devo divergir. Em outras oportunidades, tenho me manifestado no sentido da ausência de vedação ao procedimento descrito acima (segunda operação), em que uma empresa no exterior, em vez de adquirir diretamente a participação societária em empresa nacional, constitui inicialmente uma outra empresa no Brasil, aporta recursos a esta última e, com esses recursos, adquire a desejada participação societária. Com idênticos fundamentos entendo admissível também a primeira operação, em que a integralização do aumento de capital se faz com a participação societária previamente adquirida com ágio. Em qualquer caso, não se questiona que, a princípio, o “real investidor” é a empresa situada no estrangeiro, desde que foi ela quem arcou com os recursos financeiros para a aquisição da participação societária no país. No entanto, considero legítima sua opção de valerse de outra empresa para tanto, ainda que essa outra empresa venha a ter duração efêmera. Nessa situação, aquele antes denominado “real investidor” deve passar a ser identificado como ”investidor inicial”, posto que o investimento terá sido legitimamente transferido para um novo investidor. E é aí que ocorre a confusão patrimonial entre investidor e investida, exigida pela lei para a amortização fiscal do ágio. Observo, finalmente, que a situação de uma “empresa veículo”, criada especialmente para permitir a aquisição de um investimento, é facilmente verificada nas operações de privatização. Há mesmo consenso de que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 foram editados com o objetivo de facilitar o processo de privatização de empresas estatais, permitindo às empresas investidoras recuperar parte do investimento mediante a redução da carga tributária, o que, como contrapartida, permitiria que os valores oferecidos ao Estado Fl. 3368DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.369 24 na aquisição das empresas estatais fossem maiores. Isso, sem prejuízo dos ativos intangíveis das estatais privatizadas. Vários foram os casos de amortização de ágio no processo de privatização analisados por este CARF, sendo as conclusões no sentido de sua legitimidade, não obstante o uso de “empresas veículo”. Pois bem. Não me parece que se possa limitar o uso de tais empresas exclusivamente ao contexto das privatizações. O texto legal não traz qualquer limitação nesse sentido, estabelecendo tão somente as condições objetivas para a amortização fiscal do ágio. Pareceme exagerado qualificar como ilícito ou fraude a opção por um caminho facultado pela legislação, ainda que a adoção de tal caminho tenha por objetivo a economia tributária. Portanto, operações como as ora submetidas a julgamento nada têm de planejamento ilícito ou inoponível ao fisco, são, ao contrário, atuações induzidas, inclusive, pelo Poder Público. Além desse fundamento, ainda ha um outro, na direção de permitir o aproveitamento do ágio gerado: há claro propósito negocial na constituição da empresa denominada S.I. Muito razoável a justificativa que apresentou a recorrente, quando sustenta a criação de uma "Conta Garantia", destinada a garantir obrigações de indenização posteriormente devidas pelos vendedores, em virtude de "prejuízos, passivos, reclamações, danos ou gastos" que não estivessem refletidas nas demonstrações financeiras da sociedade investida, no caso da Iriel. Criouse, assim, mecanismos que teve o escopo de possibilitar à compradora quitar eventuais obrigações decorrentes de contingências não previstas, mediante a retirada de valores depositados na referida conta. Vejase cláusulas 4 e 10 do contrato de compra e venda celebrado pelas partes: Com tal intento, a recorrente procurou evitar uma situação de onerosidade excessiva para a pessoa investida, que a cada despesa que fosse efetuada por ela, uma receita Fl. 3369DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.370 25 seria registrada na sua investidora, de modo que, no limite, a investidora permaneceria em um estado de constante "expectativa" para que a sua investida incorresse em prejuízos já que, com isso, ela mesma auferiria receitas. Mais ainda: a sociedade investida não estaria "zerada" com relação as contingências passadas, vendo seu resultado ser afetado a cada novo evento relacionado ao período pretérito. Quem seria compensada seria a investidora, esta sim ganhando por conta das perdas ocorridas e contabilizadas na investida. Ora, tal situação, embora possível do ponto de vista conceitual, sob a ótica econômica, revela uma enorme prejudicialidade, devido ao descasamento entre a despesa e a receita contabilizada, ensejando efeitos econômicos nocivos dentro de um grupo na medida em que a sociedade controladora aufere receitas e a sua controlada se torna deficitária caso tenha que arcar com antigas contingências sob a responsabilidade dos vendedores. Ainda que a controladora procedesse à cobertura da despesa incorrida pela sua controlada, a estrutura seria no mínimo ineficiente já que, a cada vez que houvesse o desembolso de valores com uma contingência, a sociedade controladora deveria remeter dinheiro para a controlada. Segundo a recorrente toda essa situação foi evitada, quando resolveu efetuar a aquisição da participação societária da Iriel através da criação de pessoa jurídica intermediária (S.I.) De fato, com a criação da sociedade S.I., e figurando ela como a pessoa investidora que incorpora a pessoa investida (Iriel), a citada "Conta Garantia" permaneceria na contabilidade da mesma pessoa que poderia sofrer contingências futuras de responsabilidade dos vendedores. Desse modo, ao ocorrer qualquer contingência que implicasse o desembolso de valores, tais valores poderão ser obtidos, diretamente, através de saques dos valores retidos na conta ora analisada pela mesma pessoa que arcaria com o seu ônus financeiro. Toda essa operação seria, portanto, neutra para uma mesma pessoa já que não haveria qualquer lançamento contábil em conta de resultado que implicasse resultado positivo ou negativo. Haveria, como de fato existiu, lançamentos contábeis apenas em contas patrimoniais. A recorrente ainda afirma, com razão, que também teve como objetivo manter atividades distintas em pessoas jurídicas distintas, sendo este propósito, autônomo e legítimo, uma das motivações extratributárias que levaram ao desenho da estrutura que adotou, com a criação da sociedade denominada veículo: S.I. Vejase o que dispõe a cláusula 10.6. do Contrato de Compra e Venda, em especial quando prevê uma espécie de um cronograma de pagamentos dos valores retidos na "Conta Garantia", no prazo máximo de 5 anos. Vejase que no decorrer deste período, quaisquer resgates efetuados pela Recorrente Iriel nos termos da cláusula 10.4. poderiam ser excluídos dos valores pagos aos vendedores como complemento do preço pago pela aquisição do investimento. Porém, a criação e a possibilidade de utilização de valores depositados em "Conta Garantia" não ficou apenas em instrumentos formais assinados pelas partes. Compulsando os autos, observase que os valores retidos na “Conta Garantia” foram efetivamente utilizados no período, uma vez que ocorreram contingências que deram ensejo ao desembolso de i) R$ 7.600.000,00, relacionados à condenação em uma ação judicial, e ii) R$ 1.000.000,00, relativos aos respectivos serviços advocatícios. Os comprovantes de tais despesas se encontram nos autos (docs. 07 e 08 da Impugnação Iriel e docs 08 e 09 Impugnação Siemens Ltda), o que comprova que houve, portanto, efetiva utilização dos valores retidos para a quitação de obrigações decorrentes de contingências. Fl. 3370DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.371 26 Com essas considerações, acolho as alegações da recorrente, dando provimento ao recurso. DA MULTA QUALIFICADA É objeto também do recurso voluntário a desqualificação da multa de ofício de origem no lançamento do IRPJ e da CSLL referente à dedução de despesas com amortização do ágio. Em conformidade com as razões acima descritas, ao entender pela improcedência do lançamento desses tributos, cai por terra também a exigência da multa qualificada. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA – CSLL A decisão prolatada no lançamento matriz estendese ao lançamento decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO: SIEMENS LTDA Além das razões já analisadas, aduzse a ilegitimidade passiva da SIEMENS. Como se viu, a inclusão da recorrente no pólo passivo da acusação fiscal deveuse a lavratura do "Termo de Sujeição Passiva Solidária", sumariamente descrito nos seguintes termos: Ocorre que, independente do que restou acima decidido, não há como imputar a responsabilidade da recorrente, por interesse comum, com base no artigo 124, I, do CTN. Vejase o que diz a norma invocada: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;" Fl. 3371DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.372 27 A solidariedade tributária referida no artigo 124, inciso I do CTN é atribuída às pessoas, seja física ou jurídica, que tenham interesse comum na realização do fato gerador da obrigação tributária, possuindo aqui uma dimensão jurídica própria, e não um significado meramente econômico. Nesse passo, é legítimo afirmar, como o faz o próprio STJ, que o simples fato de pessoas integrarem o mesmo grupo econômico, por si só, não é suficiente para a responsabilização solidária: "1. O entendimento prevalente no âmbito das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte é no sentido de que o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN. (...)" (Superior Tribunal de Justiça, EREsp 834.044∕RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 8.9.2010, DJe 29.9.2010 ) Sobre assunto, colacionase ainda fragmentos do voto proferido nos autos do AgRg no Ag 1163381/RS, julgado pela Primeira Turma: "Não existe responsabilidade solidária em matéria tributária quando duas empresas do mesmo conglomerado econômico não realizam conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, ainda que uma das empresas tenha participação nos resultdos dos eventuais lucros da outra, coligada ou participante do mesmo grupo econômico, porque o interesse que caracteriza a responsabilidade solidária é o interesse jurídico, não o econômico." Nesse particular, confirase a lição de Aliomar Baleeiro4 "SOLIDARIEDADE NÃO É FORMA DE ELEIÇÃO DE RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO A solidariedade não é espécie de sujeição passiva por responsabilidade indireta, como querem alguns. O Código Tributário Nacional, corretamente, disciplina a matéria em seção própria, estranha ao Capítulo V, referente à responsabilidade. E que a solidariedade é simples forma de garantia, a mais ampla de fidejussórias. Quando houver mais de um obrigado no polo passivo da obrigação tributária (mais de um contribuinte, ou contribuinte e responsável, ou apenas uma pluralidade de responsáveis), o legislador terá de definir as relações entre os coobrigados. Se são eles solidariamente obrigados, subsidiariamente, com benefício de ordem ou não, etc. A solidariedade não é, assim, forma de inclusão de um terceiro no polo passivo da obrigação tributária, apenas forma de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já compõe o polo passivo." (Original sem destaques) 4 BALEEIRO, Aliomar. Direito Tributário Brasileiro, 11ª Edição atualizada por Misabel Abreu Machado Derzi. Editora Forense. Fl. 3372DF CARF MF Processo nº 11065.724212/201290 Acórdão n.º 1301003.937 S1C3T1 Fl. 3.373 28 De fato, não se configura tal aspecto o interesse comum exigido como condição para atrair a regra do artigo 124, I, do CTN, porque não se confunde como o interesse comum quanto ao fato gerador das obrigações em discussão. Logo, deve ser afastada a responsabilidade solidária da SIEMENS Ltda CONCLUSÃO Diante do exposto, acolho parcialmente a alegação de decadência, para extinguir o crédito tributário referente ao anocalendário de 2006, e, no mérito, voto por dar provimento ao recurso voluntário para cancelar integralmente a exigência e para excluir do polo passivo da obrigação tributário o coobrigado Siemens Ltda. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 3373DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13629.721760/2013-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2012
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho que dava provimento integral ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito e José Alfredo Duarte Filho
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2012 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho que dava provimento integral ao recurso. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito e José Alfredo Duarte Filho Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 72 17 60 /2 01 3- 41 Fl. 93DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-001.285 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13629.721760/2013-41 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2012, ano-calendário de 2011, onde foram constatadas a seguinte irregularidade, conforme a Descrição dos Fatos: dedução indevida de despesas médicas, especialmente pela falta de comprovação de pagamento solicitada pelas autoridades fiscais, no valor total de R$14.900,00. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que não existe obrigação no ordenamento jurídico brasileiro de que todas as operações do contribuinte sejam realizadas via banco ou instituição financeira. Assevera que o entendimento diverso implicaria indagar a possibilidade do contribuinte de receber em dinheiro e pagar em dinheiro, fato esse que se trata de uma teratologia jurídica, que não deve prosperar. Colaciona jurisprudência, cita doutrina e pugna pela improcedência do lançamento fiscal. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que: => considerando o valor elevado dos recibos apresentados à fiscalização, o contribuinte foi intimado a comprovar tanto a prestação de serviços como o efetivo pagamento. Não logrando êxito, a autoridade fiscal glosou os valores deduzidos a título de despesas médicas. Poderia o interessado ter apresentado os extratos bancários nos quais ficassem demonstrados os saques coincidentes em datas e valores, ou pelo menos próximos, com os dados constantes dos recibos. => o direito à dedução das despesas médicas na declaração está sempre vinculado à comprovação prevista em lei e restringe-se aos pagamentos efetuados, especificados e comprovados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, cabendo ao contribuinte a prova de que faz jus à dedução pleiteada na declaração. A simples apresentação dos recibos de despesas médicas não comprova a efetividade do pagamento ou dos serviços prestados pelos profissionais. => a prova definitiva e incontestável das despesas é feita com a apresentação de documentos que comprovem a transferência de numerário (o pagamento) e dos documentos que comprovem a realização do serviço (radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras). Assim, quanto às declarações apresentadas pelo impugnante, temos que nenhum outro elemento foi trazido pelo contribuinte aos autos como prova de que os serviços e as despesas com o profissional foram efetivamente prestadas e pagas. Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte nas alegações ventiladas em sede de impugnação e segue sustentando que não é possível manter a glosa por presunção da autoridade fiscal, eis que os recibos teriam sido devidamente apresentados e estariam claros. É o relatório. Voto Fl. 94DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-001.285 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13629.721760/2013-41 Conselheiro Fernanda Melo Leal, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito - Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º - O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II - restringe-se aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou recibos com valores que somam uma quantia relevante, o que fez com que a autoridade fiscal, dentro do seu dever legal, solicitasse comprovação de pagamento. O contribuinte foi intimado a comprovar tanto a prestação de serviços como o efetivo pagamento. Não logrando êxito, a autoridade fiscal glosou os valores deduzidos a título de despesas médicas. Poderia o interessado ter apresentado os extratos bancários nos quais Fl. 95DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-001.285 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13629.721760/2013-41 ficassem demonstrados os saques coincidentes em datas e valores, ou pelo menos próximos, com os dados constantes dos recibos. Vale repetir o quanto colocado pela DRJ no sentido de que o direito à dedução das despesas médicas na declaração está sempre vinculado à comprovação prevista em lei e restringe-se aos pagamentos efetuados, especificados e comprovados pelo contribuinte. A simples apresentação dos recibos de despesas médicas não comprova a efetividade do pagamento ou dos serviços prestados pelos profissionais, principalmente se for levantada alguma dúvida pela autoridade fiscal. A prova definitiva e incontestável das despesas é feita com a apresentação de documentos que comprovem a transferência de numerário (o pagamento) e dos documentos que comprovem a realização do serviço (radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras). Verificou-se que nenhum outro elemento foi trazido pelo contribuinte aos autos como prova de que os serviços e as despesas com o profissional foram efetivamente prestadas e pagas. Ao reverso, apenas refuta a notificação com argumentos extensos e protelatórios. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, busca-se a realidade dos fatos, desprezando-se as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisá-lo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. Fl. 96DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-001.285 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13629.721760/2013-41 No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Soma-se ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolver-se em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontra-se tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando-se na fundamentação clara, objetiva e inequívoca tanto da autoridade fiscal como da DRJ, entendo que deve ser mantida a glosa de despesas médicas. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.001681/2003-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXATIDÃO MATERIAL LAPSO MANIFESTO. CORREÇÃO.
Verificada inexatidão material devida a lapso manifesto no acórdão embargado, estes deverão ser recebidos como inominados. Corrige-se o lapso manifesto para que os enunciados da ementa e a parte dispositiva reflitam adequadamente decisão do litígio.
Numero da decisão: 3001-000.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para suprir o erro manifesto e retificar a Ementa da decisão exarada no Acórdão no 3001-000.206
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luis Felipe de Barros Reche - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche
Nome do relator: LUIS FELIPE DE BARROS RECHE
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INEXATIDÃO MATERIAL LAPSO MANIFESTO. CORREÇÃO. Verificada inexatidão material devida a lapso manifesto no acórdão embargado, estes deverão ser recebidos como inominados. Corrige-se o lapso manifesto para que os enunciados da ementa e a parte dispositiva reflitam adequadamente decisão do litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para suprir o erro manifesto e retificar a Ementa da decisão exarada no Acórdão no 3001-000.206 (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche Relatório Refere-se o presente processo a apresentação de Embargos pelo sujeito passivo em razão de alegação de ocorrência de vícios em desfavor do Acórdão n o 3001-000.206 (doc. fls. 255 a 259), proferido em sessão de 26/01/2018, que negou provimento ao Recurso Voluntário. A Ementa abaixo se transcreve em sua integralidade. "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 16 81 /2 00 3- 41 Fl. 316DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-000.824 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13807.001681/2003-41 Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL. A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009). Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC." O embargante apontou em seu arrazoado de fls. 264 a 267 a ocorrência de erro material e vício de omissão. Sustentou inicialmente que a discussão travada na presente lide estaria relacionada a pedido de ressarcimento de IPI, mas no Acórdão embargado teria constado tratar-se de pedido de ressarcimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins. Apontou ainda a ocorrência de vício de omissão, argumentando que o julgado teria sido "omisso em relação à data do pedido de ressarcimento e a data da efetiva compensação, que seria suficiente, data maxima venia, para comprovar a necessidade da atualização monetária". Após a análise das alegações feitas pela embargante e seu confronto com os elementos constantes dos autos realizada em juízo de admissibilidade, o Presidente da 1ª Turma Extraordinária acolheu parcialmente os embargos interpostos por meio do despacho de fls. 310 a 314, rejeitando a alegação de ocorrência do vício de omissão. A Conclusão do Despacho de Admissibilidade foi a seguinte: “Com essas considerações, firme no § 7 o do art. 65 do RICARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF n o 39, de 2016, DOU SEGUIMENTO PARCIAL aos embargos interpostos pela contribuinte, para que seja apreciada a alegação de inexatidão material apontada. Este despacho é irrecorrível em relação à matéria rejeitada, nos termos do § 3 o do art. 65 do RICARF, uma vez que os vícios apontados são improcedentes. (...)” É o relatório. Voto Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, Relator. Fl. 317DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-000.824 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13807.001681/2003-41 Conhecimento do recurso Como bem delineado pelo despacho de admissibilidade, o sujeito passivo foi formalmente cientificado da decisão proferida no julgamento de seu Recurso Voluntário em 26/03/2018, pelo recebimento da Intimação n o 484/2018, da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (doc. fls. 261) e do Acórdão de Recurso Voluntário, conforme se observa no Aviso de Recebimento - AR (doc. fls. 300 a 301). Os presentes Embargos de Declaração foram apresentados em 02/04/2018, como se observa no Termo de Solicitação de Juntada (doc. fls. 262), razão pela qual conclui-se que foram apresentados dentro do prazo legal. De acordo com o despacho de admissibilidade, com o qual concordo em sua integralidade, os Embargos de Declaração são tempestivos e preenchem os requisitos do artigo 65, §3 o , do Regimento Interno do CARF - RICARF, com relação à inexatidão material apontada pela Embargante, de sorte que dele deve-se tomar conhecimento. Assim, passo ao exame do mérito. Análise do mérito A embargante defende a ocorrência de inexatidão material no julgado. Segundo a embargante, a discussão travada na presente lide está relacionada a pedido de ressarcimento de IPI do 4 o trimestre de 2002, mas o Acórdão recorrido "incorreu em erro material ao dispor que tratar-se-ia, no presente caso, de pedido de ressarcimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins". A ementa do Acórdão confirmaria tal fato. Entendo que assiste razão à embargante. Vejo a ocorrência do erro apontado pela empresa no assunto constante da Ementa do julgado (fls. 255), transcrita linhas acima (grifei): "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 (...)" O Relatório da decisão de piso retrata bem o objeto da lide, em consonância com o que consta do pedido de ressarcimento inicial (doc. fls. 002 a 004) e do despacho de reconhecimento parcial do direito ao crédito (doc. fls. 156 a 158): “Trata se de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil, que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento do saldo credor de IPI, acumulado no 4º trimestre de 2002, no montante de R$ 49.301,05, e homologou parcialmente as compensações declaradas no processo. (...)” O art. 66 do Anexo II do RICARF estabelece que as alegações de inexatidão material devida a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, Fl. 318DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-000.824 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13807.001681/2003-41 provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como Embargos Inominados para correção, mediante a prolação de um novo Acórdão. O STJ definiu erro material ao julgar o REsp 15.649/SP (de relatoria do Min. Antônio de Pádua Ribeiro, J. 17.11.93, DJU 06.12.93, pg. 26.653) da seguinte forma: “Erro material é aquele perceptível ‘primo ictu oculi’[2] e sem maior exame, a traduzir desacordo entre a vontade do juiz e a expressa na sentença”. É o que se observa do que nos ensina Eduardo Talamini 1 “O erro material reside na expressão do julgamento, e não no julgamento em si ou em suas premissas. Trata-se de uma inconsistência que pode ser clara e diretamente apurada e que não tem como ser atribuída ao conteúdo do julgamento - podendo apenas ser imputada à forma (incorreta) como ele foi exteriorizado”. Na mesma linha tem-se a lição de Antônio Carlos de Araújo Cintra 2 : “A rigor, há de se entender que o erro material é aquele que consiste em simples lapsus linguae aut calami, ou de mera distração do juiz, reconhecível à primeira vista. Sempre que o suposto erro constitui o resultado consciente da aplicação de um critério ou de uma apreciação do juiz, ainda que inócua, não haverá erro material no sentido que a expressão é usada pela disposição em exame, de modo que sua eventual correção deve ser feita por outra forma, notadamente pela via recursal.” No presente caso o que se busca é justamente um dos fins a que se destinam os embargos inominados: sanar a inexatidão constatada nos autos. Assim, é necessária a correção do lapso manifesto, retificando-se a ementa e a decisão prolatada no Acórdão n o 3001-000.206, substituindo o campo “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS”, por “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI”, mantendo-se a decisão registrada. A Ementa do julgado deve passar a ter, então, o seguinte teor: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL. A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009). 1 TALAMINI, Eduardo. Coisa julgada e sua revisão, p. 527. 2 CINTRA, Antonio Carlos de Araujo. Comentário ao código de processo civil. Rio de Janeiro: Forense, 2003. v. IV. p. 301. Fl. 319DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-000.824 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13807.001681/2003-41 Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC." Conclusões Por tudo quanto exposto, voto no sentido de acolher parcialmente os Embargos de Declaração, para que seja corrigido o Acórdão n o 3001-000.206, da forma como manifestada no voto. (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche Fl. 320DF CARF MF
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