Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,203)
- Segunda Câmara (27,795)
- Primeira Câmara (25,082)
- Segunda Turma Ordinária d (17,279)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,968)
- Primeira Turma Ordinária (15,809)
- Primeira Turma Ordinária (15,804)
- Primeira Turma Ordinária (15,698)
- Segunda Turma Ordinária d (15,668)
- Segunda Turma Ordinária d (14,211)
- Primeira Turma Ordinária (12,927)
- Primeira Turma Ordinária (12,240)
- Segunda Turma Ordinária d (12,220)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,267)
- Quarta Câmara (83,745)
- Terceira Câmara (65,768)
- Segunda Câmara (54,342)
- Primeira Câmara (18,838)
- 3ª SEÇÃO (15,968)
- 2ª SEÇÃO (11,240)
- 1ª SEÇÃO (6,768)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (121,598)
- Segunda Seção de Julgamen (112,498)
- Primeira Seção de Julgame (74,880)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,897)
- Câmara Superior de Recurs (37,572)
- Terceiro Conselho de Cont (25,950)
- IPI- processos NT - ressa (5,000)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,859)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,239)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,665)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,196)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,600)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,200)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,888)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,553)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,956)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,464)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,003)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10830.009167/2002-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. PREVIDÊNCIA PRIVADA.
Sujeitam-se à tributação na fonte e na Declaração de Ajuste Anual os benefícios recebidos e os valores resgatados do plano de previdência privada, ainda que este tenha sido constituído parcial ou totalmente com depósito realizado a título de pagamento de verbas indenizatórias referentes a incentivo à adesão a Programa de Desligamento Voluntário (PDV).
Numero da decisão: 2101-000.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente na data da formalização do Acórdão.
(Assinado digitalmente)
Odmir Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olimpio Holanda, Caio Marcos Cândido, Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos e Odmir Fernandes.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201102
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Sujeitam-se à tributação na fonte e na Declaração de Ajuste Anual os benefícios recebidos e os valores resgatados do plano de previdência privada, ainda que este tenha sido constituído parcial ou totalmente com depósito realizado a título de pagamento de verbas indenizatórias referentes a incentivo à adesão a Programa de Desligamento Voluntário (PDV).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10830.009167/2002-97
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5379126
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2101-000.942
nome_arquivo_s : Decisao_10830009167200297.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ODMIR FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10830009167200297_5379126.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente na data da formalização do Acórdão. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olimpio Holanda, Caio Marcos Cândido, Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos e Odmir Fernandes.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
id : 5613813
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:28:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047032433737728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1760; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 2 1 1 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.009167/200297 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101000.942 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de fevereiro de 2011 Matéria IRPF Recorrente FRANCISCO STORILLO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Sujeitamse à tributação na fonte e na Declaração de Ajuste Anual os benefícios recebidos e os valores resgatados do plano de previdência privada, ainda que este tenha sido constituído parcial ou totalmente com depósito realizado a título de pagamento de verbas indenizatórias referentes a incentivo à adesão a Programa de Desligamento Voluntário (PDV). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente na data da formalização do Acórdão. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olimpio Holanda, Caio Marcos Cândido, Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos e Odmir Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 91 67 /2 00 2- 97 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ODMIR FERNANDES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 7a Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo II/SP, que manteve a autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF decorrente da reclassificação dos rendimentos considerados como isentos e não tributável do resgate da previdência privada. A decisão recorrida manteve a exigência: primeiro, os valores alterados foram somada a base de cálculo de R$ 172.588,67, do Previdência Privada, mais o valor declarado pelo contribuinte de R$ 26.421,86, no total de R$ 199.010,54, não havendo se falar em nulidade da autuação por irregularidades; segundo, estão sujeitos à tributação na fonte e na Declaração de Ajuste Anual, conforme art. 33 da Lei n° 9.250, de 1995, e os arts. 39, XXXVIII, e 43, XIV, do RIR/1999, os valores resgatados do plano de previdência privada, ainda que este tenha sido constituído parcial ou totalmente com depósitos diretos realizados a título de pagamento de verbas indenizatórias referente ao incentivo à adesão a PDV. A decisão recorria esta assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999 NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Sujeitamse à tributação na fonte e na Declaração de Ajuste Anual os benefícios recebidos e os valores resgatados relativos a plano de previdência privada, ainda que este tenha sido constituído parcial ou totalmente com depósitos diretos realizados a título de pagamento de verbas indenizatórias referentes a incentivo à adesão a Programa de Desligamento Voluntário (PDV). Lançamento Procedente No Recurso Voluntário insiste que o valor correspondente ao resgate do plano de previdência privada não se sujeita ao imposto. É o relatório. Voto Fl. 68DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10830.009167/200297 Acórdão n.º 2101000.942 S2C1T1 Fl. 3 3 Conselheiro Odmir Fernandes – Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser deve ser conhecido. Tratase de Recurso sobe a autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF sobre o resgate da previdência privada, conforme conta da autuação. Sustenta o Recorrente autuado que o rendimento sujeita se sujeita ao imposto por se tratar de indenização do Programa de Demissão Voluntária – PDV, mantida pela empregadora, a empresa IBM, conforme correspondência que junta. Alega que a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31.12.98 e o Ato Declaratório n° 3, de 07.01.99 dispensam a tributação ao declarar: "O Secretário da Receita Federal, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 6° V da Lei n°7.773 de 22/12/1988 declara que: I Os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a titulo de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário. PDV, considerados, em reiteradas decisões do Poder Judiciário como verbas de natureza indenizatória, e assim reconhecidos por meio do Parecer PGFN/CRJ/ 1278/98 aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda em 17 de setembro de 1998, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte nem na Declaração de ajuste Anual “ Em abono de sua tese destaca a decisão da 8a Região Fiscal no Processo de Consulta n° 323/99, cuja ementa, publicada no DOU de 09.12.1999, traz a seguinte redação: PROCESSO DE CONSULTA N° 323/99 DOU 09.12.1999 "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF e Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF Ementa: RESGATE DE ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. O valor do resgate de reserva de entidade de previdência privada, cujo título de previdência tenha sido recebido como incentivo à adesão a Programa de Desligamento Voluntário PDV, no que corresponder ao montante objeto do PDV, não estará sujeito à incidência de imposto de renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual. Por outro lado, os rendimentos produzidos pelo título de previdência privada sujeitamse à tributação do imposto sobre a renda. Dispositivos Legais: Decreto n° 3.000/1999, arts. 43, XIV, e 633, IN SRF n° 165/1998, AD SRF n° 03/1999 e ADN COSIT n° 07/1999' Cita ainda decisões deste Conselho admitindo a não incidência do IR sobre tais verbas, no Acórdão 10244.364, de 16.08.2000. IRPF — INDENIZAÇÃO PAGA POR ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA Indenização de incentivo à demissão voluntária paga por ocasião de desligamento do empregado por entidade de previdência privada fechada cuja patrocinadora seja a empresa empregadora, com numerário Fl. 69DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ODMIR FERNANDES 4 fornecido por este se equipara aquela paga diretamente para fins de tributação. PROGRAMA DE INCENTIVO À APOSENTADORIA É uma espécie do mesmo gênero a que pertencem os PDV (programas de desligamento voluntário) PDI (programas de desligamento incentivado) e outros com idênticas características e, portanto, os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados em decorrência do mesmo não se sujeitam à incidência de imposto de renda, seja por ocasião da Declaração de Ajuste Anual, visto terem natureza indenizatória por ocasião da despedida ou rescisão do contrato de trabalho. Recurso provido. No acórdão n°. 10616.908, de 28.05.2008: RESTITUIÇÃO PDV UTILIZAÇÃO DA SELIC PARA REAJUSTAR RETENÇÃO INDEVIDA RV PROVIDO. A conversão da verba indenizatória obtida em Plano de Demissão Voluntária em título de previdência privada não descaracteriza a natureza jurídica do PDV. Restituição devida. Aplicação da SELIC para reajustar o valor desde a retenção indevida. Recurso Voluntário provido. A decisão recorrida manteve exigência por entender que o pagamento do resgate da previdência privada se fez por pessoa distinta do empregador. Cita a decisão recorrida que o Ato Declaratório (Normativo) Consit n° 07, de 1999, evidencia que não basta que as verbas sejam pagas em virtude de desligamento voluntário para estarem abrangidas pela não incidência do imposto. "..... II entendese como verbas indenizatórias contempladas pela dispensa de constituição de créditos tributários, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 165/1998, aqueles valores especiais recebidos a título de incentivo à adesão ao PD V, não alcançando, portanto, as quantias que seriam percebidas normalmente nos casos de demissão; III não são considerados valores recebidos a título de incentivo à adesão a PDV, estando sujeitas às normas de tributação em vigor: a) as verbas rescisórias previstas na legislação trabalhista ou em dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho, a exemplo de: décimo terceiro salário, saldo de salário, salário vencido, férias proporcionais, férias vencidas; b) os valores recebidos em função de direitos adquiridos anteriormente à adesão a PDV, em decorrência do vínculo empregatício, tais como o resgate de contribuições efetuadas à previdência privada em virtude de desligamento do plano de previdência" (grifamos) Cita ainda o art. 33, da Lei n° 9.250, de 1995 ao determinar: "Art. 33. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições." Fl. 70DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10830.009167/200297 Acórdão n.º 2101000.942 S2C1T1 Fl. 4 5 Finaliza a decisão guerreada que o Manual de Perguntas e Respostas de IRPF/2001 nas respostas nºos. 209 e 210 deixa clara a tributação das verbas da previdência privada resgatadas no plano de demissão voluntária. "209. Qual é o tratamento tributário das indenizações pagas a título de incentivo à adesão a Programa de Desligamento Voluntário (PD V)? As. verbas especiais pagas a título de PDV por pessoa jurídica de direito público a servidor público civil são isentas do imposto de rendam na fonte e na declaração de ajuste. ..... Não se incluem no conceito de verbas especiais indenizatórias recebidas a título de adesão ao PDV: ...... b) os valores recebidos em função de direitos adquiridos, anteriormente à adesão ao PDV, em decorrência do vínculo empregatício, a exemplo do resgate de contribuições efetuadas à previdência privada em virtude de desligamento do plano de previdência. 210. Contribuinte que adere a Programa de Demissão Voluntária (PDT') e, na mesma ocasião, resgata valores pagos a entidade de previdência privada da empresa da qual fazia parte, pode considerar os valores do resgate da previdência também isentos? Ainda que recebidos por ocasião de adesão a Programa de Demissão Voluntária (131), os resgates de previdência privada, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na Declaração de Ajuste Anual. No entanto, excluise da incidência o valor do resgate das contribuições, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefícios da entidade de previdência privada, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01/01/1989 a 31/12/1995. (Lei n° 9.250, de 1995, arts. 4°, V, e 8°, II, "e"; RIR/1999, arts. 39, XXXVIII e 74, II; ADN Cosit n° 9, de 1999). O resgate da previdência sofreu tributação na fonte e o autuado declarou os rendimentos sob a rubrica: isentos e não tributáveis, mas se utilizou o imposto retido e pago na fonte. O plano de previdência foi pago por sociedade distinta do empregador. Não há provas no sentido de que o resgate da previdência privada corresponde a indenização decorrente do plano de demissão voluntária pelo acusado. Comprovase nos autos a condição oferecida ao autuado para o resgate ou a transferência do plano de previdência (fls. 12), mas não se comprovou como se fez os depósitos na previdência privada, e se houve ou não dedução do imposto nas respectivas datas. Também não se comprovou se o plano de demissão voluntária permitia o resgate da previdência privada e não é possível utilizar o imposto retido na fonte e declarar os rendimentos deles decorrentes não sujeitos ao imposto. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ODMIR FERNANDES 6 Questiona ainda nas razões de recurso uma reclassificação indevida de rendimento no valor de R$ 3.068,12. Consta da decisão recorrida que essa diferença decorre da soma de R$ 172.588,68 com o resgate da Previdência Privada. O total do rendimento tributável declarado de R$ 26.421,86 foi somado a R$ 172.588,68, totalizando R$ 199.010,54, conforme consta do Auto de Infração. Ao que consta os valores estão corretos. A soma do informe de rendimento totaliza R$ 172.588,68 (fls. 25 e 26). Este valor com a soma dos rendimentos declarados (fls. 21) corresponde à importância da reclassificação dos rendimentos. Não se demonstra de onde se extraiu essa suposta diferença, não explica e com isso não há como admitir essa discussão. Ante o exposto, pelo meu voto, conheço e nego provimento ao recurso para manter a decisão recorrida e a autuação. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator Fl. 72DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10820.900277/2008-08
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício:2003
CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. LUCRO PRESUMIDO.
A partir de 01.01.1999, para fins de apuração do lucro presumido, na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: (a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade e (b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão-de-obra, ou seja, sem o emprego de materiais.
Numero da decisão: 1803-002.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar o provimento do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício:2003 CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. LUCRO PRESUMIDO. A partir de 01.01.1999, para fins de apuração do lucro presumido, na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: (a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade e (b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão-de-obra, ou seja, sem o emprego de materiais.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10820.900277/2008-08
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5374930
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1803-002.346
nome_arquivo_s : Decisao_10820900277200808.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 10820900277200808_5374930.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar o provimento do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
id : 5598016
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047032447369216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1914; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 369 1 368 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10820.900277/200808 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.346 – 3ª Turma Especial Sessão de 28 de agosto de 2014 Matéria LUCRO PRESUMIDO Recorrente CALT CONSTRUÇÕES E PROJETOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício:2003 CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. LUCRO PRESUMIDO. A partir de 01.01.1999, para fins de apuração do lucro presumido, na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: (a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade e (b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar o provimento do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 01660.51038.121203.1.047882 em 12.12.2003, fls. 1722, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 02 77 /2 00 8- 08 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10820.900277/200808 Acórdão n.º 1803002.346 S1TE03 Fl. 370 2 utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor de R$2.087,06 contido no Darf no valor de R$4.174,12, relativo ao recolhimento a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre o lucro presumido, código nº 2089, efetuado em 31.10.2002, do 3º trimestre do anocalendário de 2002, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 03, e a Planilha de fl. 24, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 1.209,51. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando credito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, fl. 25, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 0405, argumentando que: A empresa em questão tem como atividade principal a de "CONSTRUÇÃO CIVIL, PROJETOS, ADMINISTRAÇÃO DE OBRAS, FABRICAÇÃO DE ARTEFATOS DE CIMENTO PARA CONSTRUÇÃO E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NA ÁREA DE CONSTRUÇÃO CIVIL", conforme cópia do contrato social em anexo. Ocorre que a referida empresa ao efetuar os recolhimentos dos impostos por ela devidos, estava utilizando como percentual sobre a receita bruta a alíquota de 32%, que segundo o regulamento do imposto de renda s6 deve ser aplicado no caso de Serviços de mãodeobra de construção civil, quando a prestadora não empregar materiais de sua propriedade nem se responsabilizar pela execução da obra, fato que não ocorria com as obras executadas pelo contribuinte o que realmente ocorria é conforme estabelece o regulamento do Imposto de Renda a Construção por empreitada, quando houver emprego de materiais próprios, em qualquer quantidade, e nesse caso a alíquota correta a ser empregada deverá ser d 8% e não de 32%. Tal mudança devese através de ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT n.° 6 de 13/01/1997, publicado no DOU em 15/01/1997, na pág. 00794, o contribuinte tomou conhecimento de tal ato declaratório somente no decorrer do ano de 2.003, ano em que o mesmo começou a procurar meios de compensar os valores pagos a maior para a Secretaria da Receita Federal. Após consultas a Delegacia da Receita Federal na cidade de São José do Rio Preto, Estado de São Paulo, fora informado a preencher a PER/DCOMP, onde o mesmo iria demonstrar a fazenda qual tributo estava sendo compensado. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10820.900277/200808 Acórdão n.º 1803002.346 S1TE03 Fl. 371 3 Após o obter informações de como proceder ao pedido de compensação dos tributos, o contribuinte deveria efetuar a retificação das DECLARAÇÕES DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF), onde o mesmo iria demonstrar os valores corretos que deveriam ter sidos pagos no ano calendário, tal procedimento não fora adotado, assim o contribuinte não ficou com credito pois os valores do pagamento por ele efetuado era o mesmo por ele declarado que devia para a Receita Federal, fato que culminou em a NÃO HOMOLOGAÇÃO dos créditos tributários. Na PER/DCOMP de n.° 01680.51038.121203.1.3.047882, o contribuinte solicitou a compensação dos tributos [ali indicados]. O valor do crédito apresentado neste pedido devese através da correta aplicação da alíquota de 8% e não a de 32% como vinha sendo praticado, sendo assim o valor do imposto que o contribuinte pagou e que originou o crédito foi um pagamento no valor de R$ 4.174,12, correspondente a Imposto de Renda código da receita 2089, com data de vencimento 31/10/2.002, onde o valor declarado via DCTF era de R$ 8.348,23, sendo o valor correto para o pagamento do imposto após a DCTF retificada é de R$ 2.087.06, gerando assim um crédito no valor de R$ 6.261,17. Após o exposto e o contribuinte ter realizado a retificação da DCTF para que fique demonstrado que o mesmo possuía o crédito com a Receita Federal do Brasil, solicito a HOMOLOGAÇÃO da referida PER/DCOMP e ANULAÇÃO DA COBRANÇA. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 14 22.681, de 20.03.2009, fls. 2833: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Solicitação Indeferida Notificada em 25.05.2009, fl. 36, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 24.06.2009, fls. 3740, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que: II — DOS FUNDAMENTOS DE FATO E DE DIREITO PARA A REFORMA DA DECISÃO RECORRIDA: Fl. 371DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10820.900277/200808 Acórdão n.º 1803002.346 S1TE03 Fl. 372 4 Como visto a r. decisão recorrida aceita que na hipótese da contribuinte exercer atividade de construção por empreitada, como o é no presente caso, nos termos do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, há que ser aplicada como alíquota sobre a base de cálculo do IRPF o importe de 8,0 % (oito por cento) estipulada no art. 518 do RIR/99 e não de 32% (trinta e dois por cento) descrito no art. 519, § 1º, III, "a", do mesmo diploma. A questão no caso vertente seria a ausência de prova das alegações defensivas, quais sejam (fls. 25): "a) a empresa em questão tem como atividade principal a de "Construção Civil, Projetos, Administração de Obras, Fabricação de Artefatos de Cimento para Construção e Prestação de Serviços na Área de Construção civil; b) a contribuinte ao efetuar recolhimentos de impostos por ela devidos, utilizou como percentual sobre a receita bruta a alíquota de 32%, quando o correto seria o percentual de 8%, vez que a interessada realiza construção por empreitada, com emprego de materiais próprios, sem qualquer quantidade; c) tal mudança ocorreu com o Ato Declaratório Normativo Cosit no 06, de 13/01/1997, o qual a contribuinte teve conhecimento no ano de 2003; d) foi informado a preencher a PER/Dcomp requerendo a compensação do tributo pago a maior, bem como proceder retificação de sua DCTF; e) não efetuou a retificação DCTF, fato que culminou com a nãohomologação dos créditos tributários; f) com a correta aplicação da alíquota, a contribuinte possui um crédito no valor de R$6.261,17 (31/10/2002). Ao final, requer a homologação da referida PER/Dcomp e anulação da cobrança". A ausência de prova decorreria de ter sido o pedido administrativo instruído tão somente com a cópia do contrato social da contribuinte, concluindo os julgadores a quo que a contribuinte poderia ter exercido atividades diversas na área da construção civil, em outras palavras, poderia não ter efetivado somente empreitada com emprego de materiais próprios. É justamente a alegada inexistência de prova material da veracidade dos argumentos da contribuinte que é sanada nesta oportunidade. Senão vejamos: Trazemos junto a este recurso o Anexo I em que se encontrar cópia do contrato de constituição de sociedade empresária limitada e‘todas as suas alterações, provando a atividade social da contribuinte. O Anexo II é composto pelas DCTF’s originais e DCTF retificadoras do período, dando conta da correção pela contribuinte do equivoco perpetrado em seu prejuízo e de seu crédito existente. O Anexo III, por sua vez, é composto pela DIPJ referente ao período (ano calendário 2002), em sua via original e retificadora, dando conta da correção do lançamento de oficio anteriormente feito erroneamente em desfavor desta contribuinte. Acompanha o Anexo IV contratos firmados no 20 trimestre de 2002 entre a contribuinte e a Ordem dos Advogados do Brasil e com a Prefeitura Municipal de Estrela D' Oeste, nos quais observamos que a execução de seus objetos se deram no regime de empreitada por prego global. [...] Ainda em relação ao período em análise nos presentes autos, destacamos os documentos que compõem o Anexo V, quais sejam as "Nota Fatura de Prestação de Serviço" (nº 576 a 593 — com exceção da de nº 582 que foi cancelada), dando conta de que o faturamento informado pelo contribuinte em sua DCTF e DIPJ retificadoras Fl. 372DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10820.900277/200808 Acórdão n.º 1803002.346 S1TE03 Fl. 373 5 foram pela efetivação de serviços no regime de empreitada por prego global, com fornecimento de materiais. Válido destacar que sobre o faturamento documento por faturas que não incluíram fornecimento de materiais incidiu a alíquota de 32% e não a de 8%, como, a propósito, se observa pelas declarações anexas decorrentes do cumprimento de obrigações acessórias. O Anexo VI é composto pelas notas fiscais de entradas das mercadorias empregadas pela contribuinte na execução das obras rio regime de empreitada por prego global. Finalmente, observase pelas faturas apresentadas que os serviços foram prestados a diversos órgãos públicos e, dessa forma, maior credibilidade deve ser dada aos documentos fiscais, até porque tais órgãos são objeto de constantes fiscalizações pelo próprio Tribunal de Contas e auditorias internas. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Diante do exposto é o presente para REQUERER: a) seja o presente recurso, juntamente com os seus anexos, recebido e encaminhado à(s) autoridade(s) fazendária(s) competente(s) para o seu julgamento; b) a reforma da decisão atacada, com o reconhecimento do crédito da contribuinte para com a Fazenda Nacional e a conseqüente HOMOLOGAÇÃO da PER/DComp em testilha, bem como o CANCELAMENTO/ANULAÇÃO da cobrança nela referida. Nestes termos, Pede e espera deferimento. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 1801000.221, de 08.05.2013, fls. 220228, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente: [...] Referente ao suposto pagamento a maior intime a Recorrente a apresentar: a) planilha analítica de cada uma das atividades diversificadas adotando os percentuais específicos para cada uma delas informando a receita bruta auferida apurada separadamente; b) os registros contábeis e os documentos que os comprovem, em especial, as cópias das folhas do Livro Diário e do Livro Razão da conta nas quais são escrituradas as receitas referentes às notas fiscais de prestação de serviços de empreitada, bem como os correspondentes contratos de prestação de serviços de modo a comprovar o cômputo da receita bruta correspondente na base de cálculo do IRPJ do 3º trimestre do anocalendário de 2002, referente aos dados informados na Fl. 373DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10820.900277/200808 Acórdão n.º 1803002.346 S1TE03 Fl. 374 6 DIPJ retificadora apresentada em 14.05.2008, de acordo com aqueles que estão discriminados na Tabela 1, fls. 89167. Tabela 1 – IRPJ a pagar do 3º trimestre do anocalendário de 2002 Discriminação DIPJ Retificadora R$ (C) Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 32% Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 8% 173.921,44 Base de Cálculo do Imposto sobre o Lucro Presumido 13.913,72 Imposto de Renda a Pagar 2.087,06 A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá: (a) observar que nos processos administrativos devem ser aplicadas, dentre outras, a adequação entre meios e fins, a adoção de formalidades essenciais suficientes para garantir e propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados, e, por esta razão, os litígios instaurados em relação ao Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, em relação ao mesmo sujeito passivo, devem ser juntados por anexação, uma vez que a comprovação dos pleitos depende dos mesmos elementos de prova1; (b) cotejar os dados constantes nos registros internos da RFB para aferir a verossimilhança, bem como elaborar o Relatório Fiscal sobre os fatos apurados, em especial relativamente à existência de direitos creditórios relativos ao suposto pagamento a maior a maior no valor de R$2.087,06 contido no Darf no valor de R$4.174,12, relativo ao recolhimento a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre o lucro presumido, código nº 2089, efetuado em 31.10.2002. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes2 . Foi proferida a Informação Fiscal, fls. 358359, da qual a Recorrente foi cientificada à fl. 360 e permaneceu silente. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. 1 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. 2 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10820.900277/200808 Acórdão n.º 1803002.346 S1TE03 Fl. 375 7 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. A pessoa jurídica pode optar pelo pagamento do IRPJ devido em até três quotas mensais, iguais e sucessivas, vencíveis no último dia dos três meses subseqüentes ao de encerramento do período de apuração a que corresponder. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10820.900277/200808 Acórdão n.º 1803002.346 S1TE03 Fl. 376 8 operações de conta alheia. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Para fins de análise da matéria tratada nos presentes autos, tornase imprescindível analisar a legislação tributária pertinente. Sobre a matéria, a Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, determina: Art. 2º O imposto de renda das pessoas jurídicas e a contribuição social sobre o lucro líquido serão determinados segundo as normas da legislação vigente, com as alterações desta Lei. [...] Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, [...]; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). [...] Fl. 376DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10820.900277/200808 Acórdão n.º 1803002.346 S1TE03 Fl. 377 9 A legislação específica que subsumese ao caso concreto tratado nos autos, que é o exercício da atividade de construção por empreitada, inclui o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, que disciplina da matéria com base na legislação em vigor à época, da seguinte forma: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. Posteriormente, foi editada a Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que veio disciplinar de forma diferenciada o regime de tributação das pessoas jurídicas no seguinte sentido: Art.14. Estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas: I cuja receita total, no anocalendário anterior seja superior ao limite de R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a 12 (doze) meses; (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) I cuja receita total no anocalendário anterior seja superior ao limite de R$ 78.000.000,00 (setenta e oito milhões de reais) ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a 12 (doze) meses; (Redação dada pela Lei nº 12.814, de 2013) (Vigência) II cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas Fl. 377DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10820.900277/200808 Acórdão n.º 1803002.346 S1TE03 Fl. 378 10 de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta; III que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior; IV que, autorizadas pela legislação tributária, usufruam de benefícios fiscais relativos à isenção ou redução do imposto; V que, no decorrer do anocalendário, tenham efetuado pagamento mensal pelo regime de estimativa, na forma do art. 2° da Lei n° 9.430, de 1996; VI que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). VII que explorem as atividades de securitização de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio.(Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) [...] Art.17. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: [...] II em relação aos arts. 9° e 12 a 15, a partir de 1° de janeiro de 1999. A RFB interpretando toda a legislação tributária pertinente emitiu o seguinte entendimento no Manual de Perguntas e Respostas, Capítulo XIII – IRPJ – Lucro Presumido 20134, cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 019 Qual a base de cálculo para as empresas que executam obras de construção civil e optam pelo lucro presumido? O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Nesse sentido, é cristalino que a partir de 01.01.1999 a pessoa jurídica que se dedica à execução de obras da construção civil pode optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido, tendo em vista a supressão legislativa da vedação. Por via de regra, o lucro presumido é apurado mediante a aplicação do coeficiente de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta. Para as atividades expressamente 4 Disponível em : <http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj2013/Capitulo_XIII_IRPJLucroPresumido_2013.pdf>. Acesso em: 29 abr. 2014. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10820.900277/200808 Acórdão n.º 1803002.346 S1TE03 Fl. 379 11 relacionadas, entretanto, o coeficiente é distinto, já que o parâmetro de fixação relacionase diretamente aos custos e às despesas incorridas para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. Especificamente em relação à atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal deve ser de (a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra ou de (b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais, conhecida como empreitada de lavor 5. É imprescindível discorrer ainda sobre o contrato de empreitada para o deslinde da questão controvertida. O empreiteiro de uma obra pode contribuir para ela só com seu trabalho ou com ele e os materiais. É um contrato em que não há subordinação entre as partes e a remuneração é proporcional ao serviço executado. Esse não se confunde com o contrato de prestação de serviços, em que há uma parcela de subordinação entre o prestador e tomador e a remuneração corresponde ao tempo trabalhado. Do contrato de empreitada decorre a obrigação de resultado, cujos elementos são: (a) a prestação de serviços, relativa ao resultado remunerado, (b) o objeto, que é e obra concluída ou sua parcela, e (c) o consenso, em que as partes expressam sua vontade livremente, sem qualquer obstáculo. A obrigação de fornecer os materiais não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes. O contrato para elaboração de um projeto não implica a obrigação de executálo, ou de fiscalizarlhe a execução. No caso em que o empreiteiro fornece os materiais, correm por sua conta os riscos até o momento da entrega da obra, a contento de quem a encomendou, se este não estiver em mora de receber. Mas se estiver, por sua conta correrão os riscos. Se a obra constar de partes distintas, ou for de natureza das que se determinam por medida, o empreiteiro terá direito a que também se verifique por medida, ou segundo as partes em que se dividir, podendo exigir o pagamento na proporção da obra executada. Tudo o que se pagou presumese verificado. O que se mediu presumese verificado se, em trinta dias, a contar da medição, não forem denunciados os vícios ou defeitos pelo dono da obra ou por quem estiver incumbido da sua fiscalização. Concluída a obra de acordo com o ajuste, ou o costume do lugar, o dono é obrigado a recebêla. Poderá, porém, rejeitála, se o empreiteiro se afastou das instruções recebidas e dos planos dados, ou das regras técnicas em trabalhos de tal natureza 6. Na busca da verdade material foi realizada a diligência junto à unidade de jurisdição da Recorrente, a partir da qual foi elaborada a Informação Fiscal, fls. 358359, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Em atendimento às solicitações do Colegiado da 1ª Turma Especial, da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, 5 Fundamentação legal: Fundamentação legal: art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 5º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.art. 29 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 e Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997. 6 Fundamento legal: arts. 610 a 626 do Código Civil. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10820.900277/200808 Acórdão n.º 1803002.346 S1TE03 Fl. 380 12 contidas nas Resoluções nº 1801000.221/1801000.222 e de acordo com a documentação comprobatória apresentada pela interessada e juntada aos presentes autos (planilha analítica; notas fiscais de prestação de serviços, com fornecimento de materiais; declaração firmada pela cliente da construtora; contratos e minutas; ordens de serviço; orçamentos; cartasconvite, registros contábeis/livro caixa e demais documentos), na data de 10 de outubro de 2013, em atendimento à Intimação SAORT nº 10820/202/2013; consigno as seguintes conclusões: a) com base nos registros contábeis assentados no livro caixa e nos documentos fiscais, que lhes dão suporte fático (notas fiscais de prestação de serviços), é possível concluir que o valor da receita bruta apurada pela contribuinte, no período do 3º trimestre de 2002, é de R$173.921,44, coincidente com o montante informado na ficha correspondente da DIPJ 2003 –retificadora, apresentada em 14/05/2008; b) em todos os serviços de construção por empreitada, desenvolvidos pela interessada no 3º trimestre de 2002, houve o emprego de materiais, além da prestação de serviços, aplicandose, dessa forma, o percentual de 8% (oito por cento) sobre o valor total da receita bruta apurada no 3º trimestre de 2002 (R$173.921,44), para se apurar a correspondente base de cálculo do imposto sobre o lucro presumido (0,08 x 173.921,44 = 13.913,72); c) aplicandose a alíquota de 15% (quinze por cento) sobre a base de cálculo do imposto (0,15 x 13.913,72), o resultado de R$ 2.087,06 é o valor do imposto de renda devido sobre o lucro presumido do 3º trimestre de 2002; d) tendo em vista o recolhimento da empresa, no valor de R$4.174,12, em 31/10/2002, relativo ao pagamento do imposto de renda sobre o lucro presumido (código 2089), apurado no 3º trimestre de 2002, há de se reconhecer a existência de indébito, no valor original de R$2.087,06, favorável à insurgente e contra a Fazenda Nacional, contido no mencionado DARF, destacandose a verossimilhança do que foi apurado nesta diligência fiscal com os dados constantes nos registros internos da RFB; e) conforme encontro de contas preliminar efetuado no sistema eletrônico da RFB (SAPO) e juntado aos processos administrativos epigrafados, o valor original do crédito tributário decorrente do pagamento a maior (R$2.087,06), que a contribuinte demonstrou possuir junto à Fazenda Nacional, mediante conjunto probatório inserido nos autos, mostrouse suficiente para liquidar integralmente os débitos vinculados às aludidas compensações; f) por fim, cabe observar que o processo administrativo nº 10820.900283/200857 foi juntado ao P.A nº 10820.900277/200808, em razão de ambos os processos se referirem a demandas do mesmo sujeito passivo, ao fato de que as declarações de compensação a eles vinculadas têm como base o mesmo crédito e, ainda, em decorrência da comprovação dos respectivos pleitos depender dos mesmos elementos de prova. Das conclusões supracitadas, deverá ser dada a devida ciência à contribuinte, com fornecimento de cópia integral deste Relatório Fiscal, abrindolhe o prazo de trinta dias para eventual manifestação. Após a conclusão de todos os procedimentos aventados, os autos deverão ser devolvidos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10820.900277/200808 Acórdão n.º 1803002.346 S1TE03 Fl. 381 13 Em assim sucedendo, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o valor de R$2.087,06 relativo ao recolhimento a maior de IRPJ determinado sobre o lucro presumido, código nº 2089, efetuado em 31.10.2002, para fins compensação dos débitos até o limite do referido direito creditório, nos termos da Informação Fiscal, fls. 358 359. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 381DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10875.002828/2003-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998
NULIDADE.FALTA DE MOTIVAÇÃO
Auto de infração deve ser motivado e fundamentado sob pena de nulidade.
Numero da decisão: 3401-002.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, Dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Ausente a Conselheira Monica de Los Rios.
ROBSON JOSE BAYERL- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ÂNGELA SARTORI, ROBSON JOSE BAYERL, RAQUEL MOTA BRANDÃO MINATEL, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, CLÁUDIO MONROE MASSETTI.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1998 NULIDADE.FALTA DE MOTIVAÇÃO Auto de infração deve ser motivado e fundamentado sob pena de nulidade.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10875.002828/2003-18
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5378846
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3401-002.704
nome_arquivo_s : Decisao_10875002828200318.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANGELA SARTORI
nome_arquivo_pdf_s : 10875002828200318_5378846.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, Dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Ausente a Conselheira Monica de Los Rios. ROBSON JOSE BAYERL- Presidente. ANGELA SARTORI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ÂNGELA SARTORI, ROBSON JOSE BAYERL, RAQUEL MOTA BRANDÃO MINATEL, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, CLÁUDIO MONROE MASSETTI.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
id : 5613575
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:28:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047032453660672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1375; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 5 1 4 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.002828/200318 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.704 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2014 Matéria IPI Recorrente BORLEM S.A EMPREENDIMENTOS INDUSTRIAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998 NULIDADE.FALTA DE MOTIVAÇÃO Auto de infração deve ser motivado e fundamentado sob pena de nulidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, Dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Ausente a Conselheira Monica de Los Rios. ROBSON JOSE BAYERL Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ÂNGELA SARTORI, ROBSON JOSE BAYERL, RAQUEL MOTA BRANDÃO MINATEL, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, CLÁUDIO MONROE MASSETTI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 28 28 /2 00 3- 18 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração relativo a Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, lavrado em 16/06/2003 (fls. 05) e cientificado ao contribuinte, por via postal, em 11/07/2003 (fls. 77), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 2.119.091,99 (= principal de R$ 786.967,94 + multa de ofício de R$ 590.225,96 + juros de mora de R$ 741.898,09), com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude de: não localização dos pagamentos vinculados aos débitos declarados para os períodos de janeiro a março de 1998; processo judicial de outro CNPJ ter sido indicado para compensação dos débitos declarados para os períodos de abril a dezembro de 1998. Impugnando a exigência, foi protocolizada, em 08/08/2003, a peça de defesa de fls. 01/02, acompanhada dos documentos de fls. 03/34, alegando, em preliminar, que teriam sido desconsideradas compensações. No mérito reportase a planilhas e cópias de pedidos de compensação que demonstram tal fato, de acordo com a medida cautelar referente ao processo 970012964/0. Em análise prévia das alegações do Recorrente a autoridade preparadora alocou pagamentos apresentados, revisando de ofício a exigência para afastar parte dos valores principais lançados para janeiro a março/98, conforme fls. 78/82, e remeteu o processo para julgamento (fls. 85). A DRJ decidiu em síntese: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO COM PROCESSO JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após a lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, não impede a formalização do lançamento. Apenas que, se confirmada a suspensão da exigibilidade, antes do início do procedimento fiscal e vigente à época do lançamento, incabível seria a aplicação de multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de compensação não comprovada, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº Fl. 325DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10875.002828/200318 Acórdão n.º 3401002.704 S3C4T1 Fl. 6 3 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005. Voto Conselheiro Angela Sartori O procedimento, aspecto formal do processo é o meio pelo qual a lei estampa os atos e fórmulas da ordem legal do processo, e seu desvirtuamento configura o vício de procedimento, merecendo o ato ser nulo/anulado. Lapidar, são as lições abaixo colacionadas: "... A observância do procedimento modelado pela lei, é o penhor da legitimidade política e social do provimento judicial a ser proferido afinal, justamente porque é através dela que se assegura a efetividade do contraditório (Const, art. 5o, Ines. LIVeLV)," (Antonio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pellegrini Grinover, e Cândido R.Dinamarco, " i n " Teoria Geral do Processo, pg. 345, Editora Malheiros, 13a. Edição) "O direito ao devido processo legal é mais uma garantia do que propriamente um direito. Por ele visase a proteger a pessoa contra a ação arbitrária do Estado. Colimase, portanto, a aplicação da lei." (Celso Ribeiro Bastos " i n " Curso de Direito Constitucional, Ed. Saraiva, 1995, pág. 209). As normas não têm existência isolada, o Ordenamento Jurídico Positivo, é formado por um conjunto de regras estruturadas de forma hierarquizada, que devem ter um vínculo essencial de coerência (STF, RE 146.6154/PE, Tribunal Pleno, Rei. Min. Celso de Mello). A garantia constitucional alusiva ao acesso ao judiciário engloba a entrega da prestação jurisdicional de forma completa, emitindo a administração pública entendimento EXPLÍCITO E FUNDAMENTADO sobre as matérias de defesa veiculadas pelas partes, sob pena nulidade. Segundo dispõe o relatório do Auto de Infração: “ processo judicial de outro CNPJ ter sido indicado para compensação dos débitos declarados para os períodos de abril a dezembro de 1998.” Fl. 326DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 4 No caso concreto restou demonstrado que a ação judicial era deste mesmo CNPJ, faltando na lavratura do auto de infração motivação e fundamentação legal no lançamento. Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Angela Sartori Relator Fl. 327DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912945/2012-04
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2008
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO.LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO.LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11020.912945/2012-04
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5381703
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-004.198
nome_arquivo_s : Decisao_11020912945201204.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11020912945201204_5381703.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
id : 5628121
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:28:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047032485117952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1758; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 10 1 9 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.912945/201204 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801004.198 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de agosto de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente INDUSTRIA DE MÓVEIS RIZZON LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO.LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 29 45 /2 01 2- 04 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.912945/201204 Acórdão n.º 3801004.198 S3TE01 Fl. 11 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.912945/201204 Acórdão n.º 3801004.198 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto mos autos do processo nº 11020.911453/201293, contra o acórdão nº 0250.260, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), na sessão de julgamento de 29 de outubro de 2013, em que indeferiu as preliminares e julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 41976784 emitido eletronicamente em 03/01/13, referente ao PER/DCOMP nº 30649.18212.170408.1.3.040461. O PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor de R$3.677,23, decorrente de recolhimento com DARF efetuado em 20/03/08. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN),art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: Preliminarmente, defende a nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação e motivação e porque não foi intimado a esclarecer os motivos que o levaram a postular a compensação de débitos com os créditos dos pagamentos que considerou indevidos. Afirma que o procedimento foi eletrônico e que houve preterição do direito de defesa. Acrescenta que o despacho decisório não se presta a instaurar de forma legítima o contraditório administrativo, que não houve Fl. 98DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.912945/201204 Acórdão n.º 3801004.198 S3TE01 Fl. 13 4 diligência por parte da fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado e que isso prejudica a ampla defesa. Solicita a posterior juntada de documentos que comprovem suas alegações em respeito ao princípio da verdade material. Defende a ilegalidade e a inconstitucionalidade da multa aplicada sobre o montante do tributo supostamente devido que fere os princípios do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Requer a nulidade do despacho decisório e a procedência da manifestação de inconformidade.. A DRJ de Belo Horizonte (DRJ/BHE) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário:2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância diante da falta de fundamentação, dizendo ainda que foi prejudicado o contraditório e ampla defesa, alegando também a aplicabilidade da verdade material e, por fim, a inaplicabilidade da multa. É o sucinto relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.912945/201204 Acórdão n.º 3801004.198 S3TE01 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares de Nulidade O recorrente afirma que a decisão não respeitou os princípios basilares do processo administrativo, assim como carece de fundamentação aviltando o direito a ampla defesa e contraditório, sendo, portanto, nulo. Preliminarmente cabe serem afastadas as alegações de nulidade. A recorrente invoca genericamente que o auto de infração é nulo por desatender os princípios basilares do processo administrativo fiscal, dentre eles: o da verdade material, da legalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência. Apesar de discorrer longamente sobre a ausência de fundamentação do ato administrativo e o seu desvio de finalidade, por ausência do dever administrativo de instruir, tenho consagrado que compete ao requerente de crédito líquido e certo que traga os elementos essenciais para a prova de sua certeza e liquidez. Não considero assim, que no presente caso, que o princípio da verdade material entre em contradição com o princípio da iniciativa da prova. Por fim, cabe afastar a alegação de inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional de vedação de confisco. Cabe esclarecer que a multa aplicada possui natureza moratória e não punitiva. De outro lado determina, a Súmula n. 02 a vedação à apreciação por este órgão julgador das matérias constitucionais em conflito. Sendo assim, deixo de apreciar esta matéria por expressa proibição no CARF. Razões de Mérito Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. A RFB constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. Isto está claro no tópico “DÉBITO CONFESSADO”. Deste modo, carece de direito creditório o contribuinte, não havendo, pois, apresentando com a manifestação de inconformidade documentos idôneos e suficientes para comprovação de crédito líquido e certo como escrituração contábil e fiscal do período, para fins de confrontar possível erro no sistema da RFB em compensar o crédito com débito confessado em DCTF. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.912945/201204 Acórdão n.º 3801004.198 S3TE01 Fl. 15 6 Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirmase apenas que são infundadas as alegações da RFB de que não resta crédito disponível para compensação e que o DARF informado no PER/DCOMP seria suficiente para comprovar a existência do crédito. A recorrente nada diz sobre ter retificado a DCTF, tampouco sobre eventual erro na DCTF considerada pela DRF na verificação da existência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Logo, não foi contestada a utilização do crédito para compensação de crédito confessado em DCTF. Diante dos fatos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, haja vista não ter apresentado em suas razões recursais impugnação específica, quanto a necessidade de comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Portanto, restarseá, tão somente, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. Contudo, o despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a Auditora Relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado, então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: Fl. 101DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.912945/201204 Acórdão n.º 3801004.198 S3TE01 Fl. 16 7 “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.” Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do crédito, carreando aos autos tão somente cópia do DARF e cópia do PER/DCOMP, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficiente para provar o direito alegado. Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° o 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Observo que a turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis, o que não ocorreu no caso dos autos por silente o contribuinte. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.912945/201204 Acórdão n.º 3801004.198 S3TE01 Fl. 17 8 “Assim, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. “ Deste modo, deixando o contribuinte de trazer aos autos elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Assim, entendo inaplicável ao presente caso o princípio da verdade material, pois ciente a contribuinte de seu dever de trazer aos autos documentação hábil para comprovar seu direito, optou por assim não o fazer. Desta forma, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002315/2003-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004, 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Acolhem-se os embargos para determinar a juntada aos autos do processo de documentos considerados essenciais à decisão proferida, e que dele, por um lapso, não constavam.
Numero da decisão: 1102-001.133
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para determinar a juntada aos autos dos documentos apresentados pela recorrente ao CARF em 02.07.2009 e, com isto, sanar o vício apontado pela embargante, sem efeitos modificativos quanto à decisão proferida no Acórdão nº 1102-000.098, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004, 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Acolhem-se os embargos para determinar a juntada aos autos do processo de documentos considerados essenciais à decisão proferida, e que dele, por um lapso, não constavam.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 18471.002315/2003-61
conteudo_id_s : 5369612
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1102-001.133
nome_arquivo_s : Decisao_18471002315200361.pdf
nome_relator_s : JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
nome_arquivo_pdf_s : 18471002315200361_5369612.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para determinar a juntada aos autos dos documentos apresentados pela recorrente ao CARF em 02.07.2009 e, com isto, sanar o vício apontado pela embargante, sem efeitos modificativos quanto à decisão proferida no Acórdão nº 1102-000.098, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5567458
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047032494555136
conteudo_txt : Metadados => date: 2014-08-05T07:53:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: ACM 1102-001133_18471002315200361_TELEMAR_embargos PFN_jun…; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 0.9.3; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: hp; dcterms:created: 2014-08-05T10:53:32Z; Last-Modified: 2014-08-05T07:53:32Z; dcterms:modified: 2014-08-05T07:53:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: ACM 1102-001133_18471002315200361_TELEMAR_embargos PFN_jun…; xmpMM:DocumentID: 3eb0dfa8-1eea-11e4-0000-b3570dd90de5; Last-Save-Date: 2014-08-05T07:53:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 0.9.3; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2014-08-05T07:53:32Z; meta:save-date: 2014-08-05T07:53:32Z; pdf:encrypted: true; dc:title: ACM 1102-001133_18471002315200361_TELEMAR_embargos PFN_jun…; modified: 2014-08-05T07:53:32Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: hp; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: hp; meta:author: hp; dc:subject: ; meta:creation-date: 2014-08-05T10:53:32Z; created: 2014-08-05T10:53:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2014-08-05T10:53:32Z; pdf:charsPerPage: 1739; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: hp; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-08-05T10:53:32Z | Conteúdo => S1-C1T2 Fl. 2 1 1 S1-C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.002315/2003-61 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1102-001.133 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2014 Matéria CSLL Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado TELEMAR S/A (sucessora por incorporação de TELECOMUNICAÇÕES DO CEARA S/A - TELECEARÁ ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004, 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Acolhem-se os embargos para determinar a juntada aos autos do processo de documentos considerados essenciais à decisão proferida, e que dele, por um lapso, não constavam. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para determinar a juntada aos autos dos documentos apresentados pela recorrente ao CARF em 02.07.2009 e, com isto, sanar o vício apontado pela embargante, sem efeitos modificativos quanto à decisão proferida no Acórdão nº 1102-000.098, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Douglas Bernardo Braga, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Relatório Fl. 496DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 18471.002315/2003-61 Acórdão n.º 1102-001.133 S1-C1T2 Fl. 3 2 De início, esclareça-se que todas as indicações de folhas a seguir dizem respeito à numeração digital do e-processo. Trata-se de embargos interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra a decisão proferida no Acórdão nº 1102-000.098, de 6 de novembro de 2009, que restou assim ementado e decidido, sic: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal NULIDADE- SEGUNDO EXAME- Existindo MPF, não há que se falar em nulidade por falta de autorização para o segundo exame para o mesmo exercício. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Ano-calendário 1999 FALTA DE RECOLHIMENTO – INFRAÇÃO NÃO CONFIRMADA – Evidenciado que na apuração da diferença de valor considerada como não recolhida não foi levada em conta a compensação de 1/3 da Cofins efetivamente paga no período, e que o contribuinte pleiteara na declaração, não remanescendo diferença a ser cobrada, cancela-se a exigência. (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.” Aponta a embargante a ocorrência de omissão por não haver manifestação no acórdão quanto à inexistência nos autos de documentos que foram expressamente referidos no voto condutor. A embargante refere-se à manifestação que teria sido “entregue neste Conselho em 02/07/2009” pela recorrente, bem como aos anexos documentos ‘doc.02’ e ‘doc. 03’. Consta à página 8 do voto condutor: “Diz a Recorrente ter recolhido aos cofres públicos a quantia de R$15.452.457,57 referente à Cofins apurada (doc. 02), havendo o permissivo legal para deduzir 1/3 desse valor (R$ 5.150.819,19), bem como ter informado a dedução na DIPJ (doc. 03).” Tendo em vista que a relatora originária não mais integra este colegiado, recebi os autos, nos termos do art. 49, § 7º, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), para análise dos embargos. Em despacho de fls. 306, foram os mesmos admitidos para que a turma sobre eles se pronunciasse. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Fl. 497DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 18471.002315/2003-61 Acórdão n.º 1102-001.133 S1-C1T2 Fl. 4 3 Os embargos foram apresentados tempestivamente e por parte legítima, devendo ser conhecidos. De fato, há um vício inerente ao julgado que precisa ser sanado. Os referidos documentos (‘doc.02’ e ‘doc. 03’), expressamente mencionados pela ilustre relatora do acórdão embargado, foram decisivos para a decisão que foi prolatada, basta conferir os dois últimos parágrafos que concluem o voto, logo após ter sido feito o recálculo da CSLL devida, justamente levando em consideração a possibilidade de compensação desta com 1/3 da Cofins efetivamente paga: “De qualquer forma, a importância correspondente a 1/3 da Cofins efetivamente paga e que poderia ser compensada (R$ 3.331.037,83) é suficiente para absorver o valor lançado nestes autos. Pelas razões expostas, rejeito a preliminar e dou provimento ao recurso.” Uma vez que os documentos em questão seriam a única prova de que: (i) houve pagamento de Cofins, no valor de R$15.452.457,57; e (ii) a dedução foi informada na DIPJ; não é admissível que a decisão possa ser confirmada sem que tais elementos essenciais à fundamentação do voto proferido se encontrem nos autos. Ainda mais no caso presente, em que, de uma forma um tanto quanto enigmática, a autoridade administrativa, atendendo a uma diligência anteriormente solicitada pela relatora, dá a entender que não teria havido nenhum recolhimento de Cofins (fls. 289). Na semana anterior à sessão de julgamento deste processo, encontrando-se ele já pautado, apresentou a recorrente cópia da referida manifestação e anexos ‘doc.02’ e ‘doc. 03’, com carimbo de protocolo junto ao CARF em 02.07.2009, confirmando-se, portanto, serem esses os documentos a que se referiu a ilustre conselheira relatora do voto condutor. Nada mais há a fazer, portanto, senão apenas determinar a juntada aos autos dos referidos documentos. Pelo exposto, acolho os embargos para determinar a juntada aos autos dos documentos apresentados pela recorrente ao CARF em 02.07.2009 e, com isto, sanar o vício apontado pela embargante, sem efeitos modificativos quanto à decisão proferida no Acórdão nº 1102-000.098. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator Fl. 498DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 18471.002315/2003-61 Acórdão n.º 1102-001.133 S1-C1T2 Fl. 5 4 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 10935.902476/2012-31
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/04/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/04/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10935.902476/2012-31
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5380235
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-002.631
nome_arquivo_s : Decisao_10935902476201231.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
nome_arquivo_pdf_s : 10935902476201231_5380235.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5619854
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:28:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047032497700864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1806; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 121 1 120 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.902476/201231 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802002.631 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de março de 2014 Matéria COFINS Recorrente JUMBO ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/04/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/04/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 24 76 /2 01 2- 31 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.781, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 27449.27783.201107.1.2.040070, rastreamento nº 029225115, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 19.229,81, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período de 31/03/2005, efetuado em 15/04/2005, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 57DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902476/201231 Acórdão n.º 3802002.631 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 15/04/2005 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 58DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902476/201231 Acórdão n.º 3802002.631 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 60DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 61DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902476/201231 Acórdão n.º 3802002.631 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902476/201231 Acórdão n.º 3802002.631 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 64DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004203/2007-88
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício:2003
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
JUROS DE MORA.
Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa.
DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, (1) Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para exonerar a exigência de IRPJ; (2) Por voto de qualidade negar provimento ao recurso em relação à multa de ofício isolada, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Victor Humberto da Silva Maizman, ARTHUR José André Neto e Roberto Armond Ferreira da Silva que davam provimento ao recurso voluntário para exonerar a aplicação da multa de ofício isolada.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício:2003 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.004203/2007-88
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5371627
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1803-002.261
nome_arquivo_s : Decisao_19515004203200788.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 19515004203200788_5371627.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, (1) Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para exonerar a exigência de IRPJ; (2) Por voto de qualidade negar provimento ao recurso em relação à multa de ofício isolada, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Victor Humberto da Silva Maizman, ARTHUR José André Neto e Roberto Armond Ferreira da Silva que davam provimento ao recurso voluntário para exonerar a aplicação da multa de ofício isolada. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5581796
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047032514478080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2197; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 570 1 569 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004203/200788 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.261 – 3ª Turma Especial Sessão de 30 de julho de 2014 Matéria LUCRO REAL Recorrente ERM BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício:2003 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS. Correto é o lançamento que se fundamenta na insuficiência de recolhimento de tributos apurados pelo cotejo entre os dados informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), nos recolhimentos e aqueles contidos na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF). MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Tem cabimento a aplicação da multa de ofício isolada no percentual de 50% por falta de recolhimento de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada que deixar de ser efetuado no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real optante pelo pagamento do tributo em cada mês. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício:2003 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS. Correto é o lançamento que se fundamenta na insuficiência de recolhimento de tributos apurados pelo cotejo entre os dados informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), nos recolhimentos e aqueles contidos na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF). MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Tem cabimento a aplicação da multa de ofício isolada no percentual de 50% por falta de recolhimento de CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada que deixar de ser efetuado no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real optante pelo pagamento do tributo em cada mês. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 42 03 /2 00 7- 88 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004203/200788 Acórdão n.º 1803002.261 S1TE03 Fl. 571 2 Exercício:2003 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, (1) Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para exonerar a exigência de IRPJ; (2) Por voto de qualidade negar provimento ao recurso em relação à multa de ofício isolada, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Victor Humberto da Silva Maizman, ARTHUR José André Neto e Roberto Armond Ferreira da Silva que davam provimento ao recurso voluntário para exonerar a aplicação da multa de ofício isolada. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Fl. 571DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004203/200788 Acórdão n.º 1803002.261 S1TE03 Fl. 572 3 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foram lavrados: I O Auto de Infração às fls. 233239, com a exigência do crédito tributário no valor de R$191.764,75, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2002. Consta na Descrição dos Fatos: FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO Insuficiência de recolhimento ou de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo confronto dos dados escriturados com os declarados DCTF x DIPJ Ex.2003 AC 2002. O lançamentos fundamentase na insuficiência de recolhimento de IRPJ apurado pelo cotejo entre os dados informados na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 3889, nas Planilhas de Cálculo de IRPJ e de CSLL elaboradas pela Recorrente, fls. 9394 e aqueles contidos na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF), fls. 95221 e 418, bem como no Livro Razão, fls. 222227 e nos recolhimentos e parcelamento, fls. 402417, em conformidade com a Tabela 1. Tabela 1 – Falta de recolhimento de IRPJ no anocalendário de 2002 Meses do AnoCalendário de 2002 (A) DIPJ/ Planilhas IRPJ R$ (B) DCTF IRPJ R$ (C) Diferenças Apuradas de Ofício R$ Janeiro 28.159,18 22.929,42 5.229,76 Fevereiro 3.430,24 2.475,49 954,74 Março 4.779,75 1.353,10 3.426,65 Abril 58.448,21 51.178,17 7.270,04 Maio 72.564,05 0,00 72.564,05 Junho 54.628,05 48.401,90 6.226,14 Julho 32.244,54 28.248,14 3.996,40 Agosto 78.857,20 73.326,48 5.530,72 Setembro 850,10 0,00 850,10 Outubro 64.944,50 61.529,21 3.415,29 Novembro 1.511,77 0,00 1.511,77 Dezembro 8.029,08 26.676,94 34.706,03 Total 76.269,64 Fl. 572DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004203/200788 Acórdão n.º 1803002.261 S1TE03 Fl. 573 4 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). II O Auto de Infração às fls. 240247, com a exigência do crédito tributário no valor de R$5.021,31, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2002. Consta na Descrição dos Fatos: CSLL FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL Valor relativo a insuficiência de CSLL apurado conforme confrontação das importâncias informadas em DCTF e aquelas apuradas em definitivo, conforme DIPJ Ex.2003 AC 2002, pelo contribuinte. O lançamentos fundamentase na insuficiência de recolhimento de CSLL apurado pelo cotejo entre os dados informados na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 3889, nas Planilhas de Cálculo de IRPJ e de CSLL elaboradas pela Recorrente, fls. 9394 e aqueles contidos na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF), fls. 95221 e 418, bem como no Livro Razão, fls. 222227 e nos recolhimentos e parcelamento, fls. 402417. em conformidade com a Tabela 2. Tabela 2 – Falta de recolhimento de CSLL no anocalendário de 2002 Meses do AnoCalendário de 2002 (A) DIPJ/ Planilhas CSLL R$ (B) DCTF CSLL R$ (C) Diferenças Apuradas de Ofício R$ Janeiro 10.857,30 10.857,30 0,00 Fevereiro 1.954,88 1.954,88 0,00 Março 2.440,71 2.440,71 0,00 Abril 21.761,35 21.761,35 0,00 Maio 26.843,06 0,00 26.843,06 Junho 20.386,10 19.200,24 1.185,86 Julho 12.328,03 12.328,03 0,00 Agosto 29.108,59 29.108,59 0,00 Setembro 1.026,04 0,00 1.026,04 Outubro 24.100,02 25.107,79 1.007,77 Novembro 1.264,24 1.264,24 0,00 Dezembro 2.170,47 3.686,52 5.856,99 Total 22.190,19 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 19 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º Fl. 573DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004203/200788 Acórdão n.º 1803002.261 S1TE03 Fl. 574 5 da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 6º da Medida Provisória nº 1.858, de 29 de junho de 1999. III O Auto de Infração às fls. 233239, com a exigência do crédito tributário no valor total de R$30.467,65, a título multa de ofício isolada por falta de recolhimento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$28.808,73 e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$1.658,83 determinados sobre a base de cálculo estimada referente aos fatos geradores de janeiro a abril e de junho a novembro de 2002. Consta na Descrição dos Fatos: MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ [E DA CSLL] SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Falta de pagamento do [IRPJ] e CSLL, apurados declarados em DIPJ, [no anocalendário de 2002], informados em valores a menor nas respectivas DCTF do mesmo período. Os lançamentos fundamentamse nas insuficiências de recolhimentos de IRPJ e de CSLL apurados sobre a base de cálculo estimada pelo cotejo entre os dados informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 3889, nas Planilhas de Cálculo de IRPJ e de CSLL elaboradas pela Recorrente, fls. 9394 e aqueles contidos na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF), fls. 95221 e 418, bem como no Livro Razão, fls. 222227 e nos recolhimentos e parcelamento, fls. 402417, em conformidade com a Tabela 3. Tabela 3 – Multa de oficio isolada calculada sobre a base de cálculo estimada de IRPJ e de CSLL no anocalendário de 2002 Meses do AnoCalendário de 2002 (A) Diferenças Apuradas de Ofício de IRPJ R$ (B) Multa de Ofício Isolada – Base de Estimada – IRPJ (75%) R$ (C) Diferenças Apuradas de Ofício de CSLL R$ (D) Multa de Ofício Isolada – Base de Estimada – CSLL (75%) R$ (E) Janeiro 5.229,76 3.922,32 0,00 0,00 Fevereiro 954,74 716,06 0,00 0,00 Março 3.426,65 2.569,99 0,00 0,00 Abril 7.270,04 5.452,53 0,00 0,00 Maio 72.564,05 0,00 26.843,06 0,00 Junho 6.226,14 4.669,61 1.185,86 889,30 Julho 3.996,40 2.997,30 0,00 0,00 Agosto 5.530,72 4.148,04 0,00 0,00 Setembro 850,10 637,58 1.026,04 769,53 Outubro 3.415,29 2.561,47 1.007,77 0,00 Novembro 1.511,77 1.133,83 0,00 0,00 Dezembro 34.706,03 0,00 5.856,99 0,00 Total 76.269,64 28.808,73 22.190,19 1.658,83 Fl. 574DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004203/200788 Acórdão n.º 1803002.261 S1TE03 Fl. 575 6 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 222 e art.843 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999), art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e alínea “c” inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional. Em conformidade com o Termo de Constatação Fiscal, fls. 2228232, a Recorrente é sucessora da pessoa jurídica ERM Alpha Ltda, que durante suas atividades normais manteve sua inscrição no CNPJ 02.999.394/000169 até 11.05.2006 e que posteriormente, por ato de incorporação, teve as suas atividades consolidadas na ERM Brasil Ltda/Incorporadora, conforme informações constantes na DIPJ do anocalendário de 2002, apurou o IRPJ e a CSLL pelo regime de tributação com base no lucro real anual. Em relação aos pagamentos dos tributos determinados com pela base de cálculo estimada de IRPJ e de CSLL, restou comprovado que a ERM Alpha Ltda/Incorporada informou nas DCTF valores inferiores àqueles efetivamente apurados, resultando insuficiências na constituição dos respectivos créditos tributários. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 246254, com as alegações a seguir sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre os fatos suscitando: II. DOS FATOS A Impugnante é empresa idônea que tem por objeto social a prestação de serviços relacionados com gerenciamento ambiental. Até 11.05.2006 era denominada ERM Alpha Ltda. e possuía inscrição no CNPJ/MF sob o no 02.999.394/000169. Após esta data, através de uma operação de incorporação, suas atividades foram consolidadas sob o nome da sucessora ERM BRASIL LTDA. com a inscrição no CNPJ/MF atual de no 65.456.832/000162. Em 20.12.2007 foi intimada sobre o auto de infração em discussão. Tal auto de infração trata de diferenças entre os débitos e recolhimentos informados na Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF e a apuração, na forma da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ do ano calendário 2002, Exercício 2003. No anocalendário 2002, a empresa incorporada optou pela apuração pelo Lucro Real estimado, adotando o pagamento por estimativa mensal. Segundo o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil relativamente aos valores devidos a titulo de estimativas de IRPJ e CSLL, a Impugnante teria informado valores inferiores aos efetivamente apurados. Em quadro demonstrativo apresenta diferenças entre a apuração e os valores informados na Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. 1. IRPJ No tocante ao IRPJ, ocorre que nos meses de janeiro a agosto, outubro e novembro de 2002 não foram levados em consideração os valores de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF declarados como retidos na DIPJ, na sua Ficha 43 e utilizados para compensação no mesmo período, constantes na Ficha 11 da DIPJ 2003, ano calendário 2002 [...]. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004203/200788 Acórdão n.º 1803002.261 S1TE03 Fl. 576 7 Ora, admite a legislação tributária que do imposto calculado mediante aplicação da alíquota correspondente sobre o Lucro Real seja deduzido o imposto retido na fonte incidente sobre receitas que integraram a base de cálculo do imposto devido. Desta forma, segue quadro comparativo entre estas diferenças apresentadas pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e os valores dispostos na Ficha 11 da DIPJ: Diferença apurada AFRFB IRRF Compensado Ficha 11 DIPJ Total Janeiro 5.229,76 (5.229,76) Fevereiro 954,74 (954,74) Março 3.426,65 (3.426,65) Abril 7.270,04 (7.270,04) Junho 6.226,14 (6.226,14) Julho 3.996,40 (3.996,40) Agosto 5.530,72 (5.530,72) Outubro 3.415,29 (9.160,83) (5.745,54) Novembro 1.511,77 (1.511,77) Podemos notar que no mês de Outubro de 2002 foi efetuado recolhimento a maior. As falsas diferenças apresentadas são fruto de inconsistência involuntária nas informações prestadas na DCTF, tendo em vista que podese notar claramente que os valores ali informados foram os valores dos recolhimentos efetuados mensalmente, sem ser computado para tal informação os valores compensados de IRRF. Já no mês de maio de 2002, onde a diferença apurada foi de R$72.564,05 (setenta e dois mil, quinhentos e sessenta e quatro reais e cinco centavos) não foram computados pelo Auditor Fiscal o recolhimento de R$71.681,05 (setenta e um mil, seiscentos e oitenta e um reais e cinco centavos) efetuado em DARF no dia 31.07.2002 (Doc. VI) e o IRRF utilizado para compensação no mesmo período constante da Ficha 11 da citada DIPJ no valor de R$2.919,86 (dois mil novecentos e dezenove reais e oitenta e seis centavos) conforme demonstrado abaixo: Apurado AFRFB DARF Recolhido IRRF Total Maio 72.564,05 (71.681,05) (2.919,86) (2.036,86) Assim, podemos concluir que também foi efetuado recolhimento a maior no mês de maio de 2002 no valor de R$2.036,86 (dois mil e trinta e seis reais e oitenta e seis centavos) e que por erro de digitação ou falta de atenção a DCTF foi informada com esta competência zerada, quando na verdade o valor correto seria o apurado pelo Auditor Fiscal. Um mês de competência que deve ser analisado em separado é o mês de Setembro de 2002 onde o valor identificado de R$850,10 (oitocentos e cinqüenta Fl. 576DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004203/200788 Acórdão n.º 1803002.261 S1TE03 Fl. 577 8 reais e dez centavos) poderia ser reconhecido como um débito em aberto da Impugnante, pois por falta de experiência do operacional da empresa, não foi recolhido ou declarado tal valor por se entender que seria automaticamente compensado pelos valores recolhidos a maior anteriormente citados. 2. CSLL No tocante à CSLL, na apuração da diferença de R$26.843,06 (vinte e seis mil, oitocentos e quarenta e três reais e seis centavos) apontada no mês de maio de 2002 não foi utilizado no cálculo do Auditor Fiscal o valor de R$28.028,92 (vinte e oito mil e vinte e oito reais e noventa e dois centavos) recolhido em DARF no dia 31.07.2002 (Doc. VII). Apurado AFRFB DARF Recolhido Total Maio 26.843,06 (28.028,92) (1.185,86) Assim, podemos concluir que foi efetuado recolhimento a maior no mês de maio de 2002 no valor de R$1.185,86 (mil, cento e oitenta e cinco reais e oitenta e seis centavos) e que por erro de digitação ou falta de atenção a DCTF foi informada com esta competência zerada, quando na verdade o valor correto seria o apurado pelo Auditor Fiscal. Já no mês de Junho de 2002, apesar da apuração ter sido de R$20.386,10 (vinte mil trezentos e oitenta e seis reais e dez centavos) o valor do DARF recolhido através do PAES (Doc. VII) foi de R$19.200,24 (dezenove mil e duzentos reais e vinte e quatro centavos) gerando, assim, a diferença de R$1.185,86 (mil cento e oitenta e cinco reais e oitenta e seis centavos) que poderia ser reconhecida como um débito em aberto da Impugnante por falta de recolhimento; porém, não foi recolhido ou declarado tal valor por se entender que seria automaticamente compensado pelos valores recolhidos a maior anteriormente citados. A última diferença apresentada de CSLL no valor de R$1.026,04 (mil e vinte e seis reais e quatro centavos) foi devidamente recolhida em 31.10.2002 conforme comprovante anexo (Doc. VIII). Portanto, com base nos fatos acima narrados, a Impugnante demonstra que até o presente momento, está claro que os valores apurados, recolhidos e compensados estão corretos e que, na verdade, seu erro involuntário foi gerar uma inconsistência no ato de preenchimento da DIPJ e da DCTF, (o que por certo não deve tipificar fato gerador de tributos) e não, insuficiências nas demonstrações dos créditos conforme citado pelo Auditor Fiscal. Por fim, evidenciando tudo quanto exposto, não resta dúvida que os valores objeto da impugnação foram devidamente compensados e recolhidos, motivando a improcedência do presente auto de infração, lavrado equivocadamente pela Impugnada. III. DO DIREITO Com relação ao mérito, cabe ressaltar que o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil ao adotar procedimento para lavratura do auto de infração não se atentou para todas as informações relativas à Impugnante, tampouco para os recolhimentos por ela efetuados, interpretando de forma equivocada os preceitos trazidos na legislação regulamentar. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004203/200788 Acórdão n.º 1803002.261 S1TE03 Fl. 578 9 Observase que o Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (Decreto no 3.000 de 26.03.99) autoriza as empresas a deduzir do imposto devido o valor do imposto pago ou retido na fonte incidente sobre receitas utilizadas na determinação do lucro real, conforme dispõe o artigo 231 [...]. Desta forma e com base no artigo retro podemos afirmar que a Impugnante procedeu de forma correta e legal ao compensar, no mesmo período, os saldos de IRRF constantes na Ficha 43 da DIPJ 2003, ano calendário 2002. [...] Desta forma, e com as justificativas apresentadas acima, podemos concluir que o Impugnante deveria ter retificado suas declarações acessórias do ano calendário 2002 e, em não ocorrendo o Auditor Fiscal poderia ter intimado o contribuinte a retificálas, prestando esclarecimentos conforme o artigo 9º da IN no 786/07 [...]. Desta maneira o auto de infração deve ser considerado inválido e substituído por lançamento de oficio das multas cabíveis por incorreções na apresentação. Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic e em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional e ainda solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ante o exposto, tendo demonstrado a insubsistência e improcedência total do lançamento, tendo em vista que os valores objeto do auto de infração foram compensados e recolhidos, requer a Impugnante: 1. Conhecer preliminarmente a improcedência do auto de infração, visto que os procedimentos adotados no ressarcimento, compensação e recolhimento estão em consonância com a legislação regulamentar da matéria; 2. Requer autorização para retificação das declarações acessórias citadas, quais sejam DIPJ e DCTF; 3. Requer, ainda, que todas as multas, inclusive as isoladas, sejam canceladas; 4. Provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, principalmente por prova documental e demais que se fizerem necessárias, de maneira a conhecer a adimplência pelas certidões negativas de regularidade fiscal dos verdadeiros contribuintes de direito e de fato, protestando desde já pela posterior juntada de quaisquer documentos que se façam necessários. A vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do auto de infração, espera e requer a Impugnante seja acolhida a presente IMPUGNAÇÃO com o intuito de ser decidido a improcedência do auto de infração e o cancelamento do débito fiscal reclamado. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 1623.992, de 14.01.2010, fls. 419429, que a impugnação é procedente em parte para: Fl. 578DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004203/200788 Acórdão n.º 1803002.261 S1TE03 Fl. 579 10 manter os valores lançados a título de IRPJ e CSLL, devendo serem alocados os pagamentos efetuados nos DARF's cujas cópias foram juntadas [...], exonerandose a correspondente multa de oficio [em relação aos pagamentos relativos aos fatos geradores de maio de 2002 a título de IRPJ, fl. 402 e de maio e de setembro de 2002 a título de CSLL, fls. 408409, que foram alocados às fls. 497 504, de acordo com o Extrato do Processo às fls. 505506]; exonerar os valores da multa isolada que excederem ao percentual de 50%, bem assim a multa de oficio lançada sobre a estimativa da CSLL recolhida tempestiva e espontaneamente, no mês de setembro de 2002 [...]. Tabela 4 – Valores remanescentes a serem exigidos após a decisão de primeira instância no anocalendário de 2002, de acordo com o Extrato do Processo, fls. 505 506 Meses do AnoCalendário de 2002 (A) Diferença Apuradas de Ofício Falta de Recolhimento de IRPJ R$ (B) Multa de Ofício Isolada – Base de Estimada – IRPJ (50%) R$ (C) Diferença Apuradas de Ofício Falta de Recolhimento de CSLL R$ (D) Multa de Ofício Isolada – Base de Estimada – CSLL (50%) R$ (E) Janeiro 2.614,88 0,00 Fevereiro 477,37 0,00 Março 1.713,33 0,00 Abril 3.635,02 0,00 Maio 0,00 0,00 Junho 3.113,07 592,93 Julho 1.998,20 0,00 Agosto 2.765,36 0,00 Setembro 0,00 425,05 Outubro 1.707,65 0,00 Novembro 755,89 0,00 Dezembro 2.335,27 0,00 0,00 0,00 Restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA. Deve ser mantido o lançamento correspondente a parcelas efetivamente devidas pelo sujeito passivo, não declaradas em DCTF, apuradas do confronto da declaração de rendimentos e da correspondente contabilidade apresentadas pelo sujeito passivo. Para os valores lançados, não declarados em DCTF, e recolhidos tempestiva e espontaneamente devem ser imputados os DARFs apresentados e cujos recolhimentos foram confirmados, exonerandose a correspondente multa de oficio. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004203/200788 Acórdão n.º 1803002.261 S1TE03 Fl. 580 11 ESTIMATIVAS MENSAIS. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para efeito de pagamento, a pessoa jurídica poderá deduzir, do imposto apurado no mês, o imposto retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente. Mantémse a exigência do tributo quando o sujeito passivo não logra comprovar a contabilização da compensação do IRRF do período. DESCONHECIMENTO DA LEGISLAÇÃO. ALEGAÇÃO INCABÍVEL. E defeso alegarse desconhecimento de atos normativos publicados na imprensa oficial para justificar seu descumprimento. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA DO IRPJ E DA CSLL. REDUÇÃO PARA 50%. RETROATIVIDADE BENIGNA. E devida a multa isolada pela falta de recolhimento da estimativa do IRPJ, e da CSLL impondose, porém, a redução do percentual para 50%, em face de legislação superveniente ao lançamento, por força do principio da retroatividade benigna. Exonerase a multa de oficio isolada lançada sobre diferenças de estimativas não declaradas em DCTF, no entanto recolhidas tempestiva e espontaneamente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Notificada em 31.05.2012, fl. 504, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 26.06.2012, fls. 507520, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Acrescenta que: II. Do Direito II. 1 Princípio da Verdade Material Do cumprimento da obrigação principal Como é sabido, nos termos da legislação vigente, o contribuinte que opta pela tributação com base no lucro real com apuração anual obrigase ao recolhimento mensal do IRPJ/CSLL determinado sobre base de cálculo estimada. Assim, no anocalendário de 2002 a Recorrente adotou o regime de apuração com base no lucro real, devendo desta forma recolher os impostos em questão por estimativas mensais. Importante destacar que a Recorrente sempre recolheu suas estimativas tempestivamente, conforme determinado pela lei vigente e regulamentação do Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). Ocorre que, apesar de a Recorrente sempre ter cumprido suas obrigações principais, no momento do preenchimento da sua Declaração de Contribuições e Tributos Federais ("DCTF"), a Recorrente, por um lapso, cometeu mero equívoco Fl. 580DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004203/200788 Acórdão n.º 1803002.261 S1TE03 Fl. 581 12 formal de preenchimento, não declarando corretamente os pagamentos recolhidos e as operações realizadas. Porém, apesar do erro cometido no preenchimento da DCTF, a constituição dos créditos tributários foi corretamente apurada na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica ("DIPJ"), conforme se verificou das declarações juntadas à defesa e analisadas pelos D. Julgadores da DRJ/SP. Acertadamente, a 2ª Turma da DRJ/SP, após comprovação dos recolhimentos dos DARF’s, reconheceu os valores de R$71.681,05, a título de IRPJ, referente ao período de maio/2002, R$28.028,92 e R$1.026,04, a título de CSLL, referentes aos períodos de maio e setembro/2002, respectivamente, exonerando também as multas de oficio sobre estes valores recolhidos espontâneos e tempestivamente. Contudo, Ilustríssimos Conselheiros, tal decisão merece reparo ao entender que os erros cometidos no preenchimento da DCTF, em relação a equivocada declaração dos impostos retidos na fonte para fins de abatimento do saldo devedor dos tributos, são mais relevantes do que o real cumprimento da obrigação principal. Sobrevêm que a Recorrente apurou e recolheu os impostos em discussão conforme determina o artigo 2º da Lei n° 9.430/96 [...] Notem, que a Recorrente fez exatamente o que determina a lei, deduzindo do saldo do imposto a pagar os valores recolhidos através da guia DARF e os valores retidos na fonte. Repitase que a Recorrente em momento algum causou prejuízo ao Erário, uma vez que apurou corretamente seus impostos e os recolheu a tempo e ordem, não podendo por um mero lapso no preenchimento de uma declaração ser penalizada em tamanha monta, sendo obrigada a recolher aos cofres públicos uma quantia já quitada em "seu tempo certo, obrigandose, caso não seja dado provimento a esse recurso, a ter que buscar aparo no judiciário para receber aquilo que recolheu a maior. Entendese a atividade da fiscalização ao autuar o contribuinte por divergências de informações prestadas em suas declarações. Todavia, diante da prova de que não houve descumprimento de obrigação principal e tão somente o mero equívoco na comprovação dos impostos retidos e não declarados em DCTF, não pode o Fisco simplesmente continuar com a interpretação errônea de "débito em aberto". Apesar de todo o zelo e cautela que sempre pautam os lançamentos contábeis e fiscais da Recorrente, por um lapso, ao elaborar a declaração deixou de informar as retenções realizadas no período. Ora, nenhum contribuinte tem a pretensão de cometer equívocos ao preencher suas declarações, de quaisquer tipos que sejam, declarações fiscais, contábeis ou compensatórias, para posteriormente ter desgastes e inconvenientes na retificação dos dados anteriormente informados. Com efeito, o não reconhecimento do direito de a Recorrente deduzir o saldo do imposto por mero erro formal, afronta o Princípio da Verdade Material, que respalda todo processo administrativo fiscal. Dentre os vários princípios que balizam o processo administrativo fiscal, podemos apontar o da verdade material como um dos mais importantes para indicar, com absoluta clareza, não apenas as regras a serem utilizadas para a revisão do lançamento tributário, mas também o modo com que tais determinações serão Fl. 581DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004203/200788 Acórdão n.º 1803002.261 S1TE03 Fl. 582 13 empregadas de forma a não lesar o contribuinte nem tampouco desvirtuar a função da Administração. [...] Na realidade, o "processo" administrativo nada mais é que um procedimento por intermédio do qual o ente tributante deverá aferir, segundo quaisquer modalidades de prova, se o lançamento objeto de contestação foi, de fato, efetuado devidamente. Em outras palavras, a Autoridade Administrativa é obrigada a rever seu ato de forma a ter como norte unicamente o interesse público em causa, qual seja, a exata determinação do montante tributário devido, quando, de fato, devido. É justamente por isso que o "processo" administrativo apresenta características próprias que o distanciam consideravelmente do processo judicial. [...] Observase, portanto, que o princípio da verdade material deve sobreporse, a todo custo, a quaisquer impedimento formalísticos ou rigores procedimentais que eventualmente impeçam a Administração de verificar a regularidade e procedência de um determinado lançamento tributário. Pois bem, se para o direito "processual" administrativo o que importa é a persecução da verdade real, não pode a Administração desconsiderar a inegável existência de crédito tributário da Recorrente pelo fato de ter equivocadamente negligenciado informar na DCTF’s as retenções realizadas no período. Cabe reiterar que as inconsistências apontadas pela RFB ao não computar os abatimentos dos valores retidos na fonte pela Recorrente foram decorrentes de meros erros formais no preenchimento da DCTF. Porém, a Recorrente já acostou ao presente processo cópia da DIPJ, ficha 43 e ficha 11, onde constam todas as retenções sofridas e compensadas pela Recorrente no anocalendário de 2002. Estes documentos são a prova cabal de que a Recorrente era detentora de créditos suficientes na época em que realizou as compensações constituindo perfeitamente os saldos a pagar dos tributos em questão. Assim, o simples fato de a Recorrente ter fornecido informações equivocadas em sua declaração, que não importou qualquer prejuízo aos cofres públicos, não é suficiente para desconsiderar a existência do crédito tributário, sob pena de se violar o princípio da verdade material. Desta forma, destaca a Recorrente que o Acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/SP não merece acolhimento na parte que mantém os valores de IRPJ e CSLL, em razão da falta de contabilização dos valores retidos à época, sendo que o Princípio da Verdade Material deve se sobrepor a meros erros formais possivelmente cometidos por quaisquer contribuintes. Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic e em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional e ainda solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Fl. 582DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004203/200788 Acórdão n.º 1803002.261 S1TE03 Fl. 583 14 Por todo o exposto, demonstrada a plausibilidade das alegações articuladas bem como da inquestionável existência do crédito tributário em favor da Recorrente, espera e requer a Recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, reformar em parte a decisão proferida pela Primeira Instância Administrativa de modo que sejam contabilizadas as retenções realizadas no período para posterior abatimento do saldo devedor dos impostos em discussão. Por fim, requer a Recorrente que todas as comunicações e notificações relativas ao presente processo administrativo sejam encaminhadas não só para seu estabelecimento como também para o escritório de seus advogados aqui subscritos, situado na Rua Samuel Morse, 74, 7° andar CEP 04576 060, São Paulo SP, sob pena de nulidade. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) A Recorrente discorda do lançamento de ofício e apresenta argumentos de que houve equívoco. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil Fl. 583DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004203/200788 Acórdão n.º 1803002.261 S1TE03 Fl. 584 15 (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). A Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, instituída a partir de 01.01.1999, tem natureza jurídica tãosomente informativa, de modo que não é instrumento hábil e suficiente para inscrição na Dívida Ativa da União do saldo a pagar relativo ao tributo ali informado1. Sobre o aspecto temporal da possibilidade jurídica da sua entrega, temse que não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício quando apresentada após o início do procedimento fiscal, ou seja, o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária. Neste momento, a sua espontaneidade é excluída em relação aos atos anteriores, independentemente de intimação dos demais envolvidos nas infrações verificadas2. A DIPJ entregue pela Recorrente não é modo de constituição do crédito tributário, o que não dispensa o lançamento de ofício. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) a partir de 01.01.1999, disciplinada por atos normativos supervenientes, em que o saldo a pagar relativo ao tributo ali informado, bem como o valor da diferença apurada em procedimento de auditoria interna atinente às informações indevidas ou não comprovadas sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, deve ser objeto de cobrança administrativa com os acréscimos moratórios devidos e, caso não liquidado, enviado para inscrição em Dívida Ativa da União. Logo, a partir dessa data a DCTF é modo de constituição do crédito tributário e de confissão de dívida, bem como instrumento hábil e suficiente para inscrição em Dívida Ativa da União dispensando, para isso, o lançamento de ofício3. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP 4, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5. Caracterizase como falta de recolhimento as divergências existentes entre as informações constantes na DIPJ e aquelas constantes na DCTF , ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente6. 1 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998. 2 Fundamentação legal: art. 147 do Código Tributário Nacional, art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF n° 33. 3 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255 de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, A Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 4 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP. Ministro Relator:Teori Albino Lawascki, Primeira Seção, Brasília, DF, 11 de março de 2009. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/processo/jsp/revista/abreDocumento.jsp?componente=ITA&sequencial=864597&num_reg istro=200802440246&data=20090323&formato=PDF>. Acesso em: 06 mar.2012. 5 Fundamentação legal: art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 6 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004203/200788 Acórdão n.º 1803002.261 S1TE03 Fl. 585 16 Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento fundamentase na insuficiência de recolhimento de IRPJ apurados pelo cotejo entre os dados informados na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 3889, nas Planilhas de Cálculo de IRPJ e de CSLL elaboradas pela Recorrente, fls. 9394 e aqueles contidos na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF), fls. 95221 e 418, bem como no Livro Razão, fls. 222227 e nos recolhimentos e parcelamento, fls. 402417. Está registrado no Termo de Constatação Fiscal, fls. 228232, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 4. Dessa forma no tocante as diferenças pertinentes ao IRPJ demonstradas na quadro retro mencionado, constatamos que no período de janeiro a abril e junho a novembro do anocalendário de 2002, o contribuinte, para fins de preenchimento de suas DCTF's, informou a realização de compensações sem contudo promover as respectivas baixas contábeis, especificamente àquelas registradas na conta n° 1.1.07.01.3 — IRRF a Compensar, (cópia das folhas do Livro Razão encontramse anexo). Na tentativa de regularização dos procedimentos acima, os quais deixaram de ser informados em tempo hábil, por ocasião da apuração definitiva do IRPJ o contribuinte no mês de dezembro/2002 informou em sua DCTF montante R$26.676,64, com a intenção de efetuar as devidas compensações de impostos. Como resultado da inadimplência, esta Fiscalização apurou diferenças mensais demonstradas no quadro demonstrativo contido na página 2, cujos valores, depois de apurados foram utilizados como base de calculo para a cobrança da "multa isolada" nos termos dos arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c com art. 44, parágrafo 1º , inciso IV da Lei 9430/96. Por fim, com relação à apuração da competência maio/2002, apesar do contribuinte apurar o valor devido no montante de R$72.564,05, nada informou em sua respectiva DCTF. Dessa forma esta Fiscalização considerando o valor acima indicado apurou as diferenças de valores devidos a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica verificada entre a DIPJ e as DCTF entregues mensalmente, no montante de R$76.269,64, que nos termos do artigo 841, incisos I, III e IV, do RIR/99, foi considerado para lançamento e constituição do crédito tributário. Na decisão de primeira instância de julgamento já foi considerado o pagamento espontâneo relativamente ao fato gerador de maio de 2002 a título de IRPJ, fl. 402, que foi alocado às fls. 497504, para fins de elaboração do Extrato do Processo às fls. 505506. Em relação IRPJ devido a título do valor determinado sobre a base de cálculo estimada, a motivação da autoridade fiscal para manutenção do crédito tributário se fundamenta tãosomente no fato de que o valor de R$2.335,27 de IRRF utilizado para fins de compensação está registrado no Livro Razão sem registro da contrapartida, fls. 222227. Não foi suscitada de ofício qualquer controvérsia em relação à: Fl. 585DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004203/200788 Acórdão n.º 1803002.261 S1TE03 Fl. 586 17 (a) existência de Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte do anocalendário de 2002 fornecidos pela fontes pagadoras, nos termos do art. 942 do RIR, de 1999. (b) a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto, como condição de dedução do IRRF na apuração do IRPJ, devido de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 80. Assim, o mero lapso material de que o valor de IRRF está registrado no Livro Razão sem registro da contrapartida, fls. 222227, não é motivação robusta o bastante para afastar o direito de a Recorrente utilizarse do valor em referência ao argumento de que “não exerceu o direito à dedução do IRRF na apuração do IRPJ mensal a pagar a título de estimativa”, com consta no amparo fático adotado pela autoridade de primeira instância, fl. 425. A dedução esclarecida pela defendente, então, está evidenciada. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) A Recorrente discorda do lançamento de ofício e apresenta argumentos de que houve equívoco. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). A Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, instituída a partir de 01.01.1999, tem natureza jurídica tãosomente informativa, de modo que não é instrumento hábil e suficiente para inscrição na Dívida Ativa da União do saldo a pagar relativo ao tributo ali informado7. Sobre o aspecto temporal da possibilidade jurídica da sua entrega, temse que não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício quando apresentada após o início do procedimento fiscal, ou seja, o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo 7 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004203/200788 Acórdão n.º 1803002.261 S1TE03 Fl. 587 18 da obrigação tributária. Neste momento, a sua espontaneidade é excluída em relação aos atos anteriores, independentemente de intimação dos demais envolvidos nas infrações verificadas8. A DIPJ entregue pela Recorrente não é modo de constituição do crédito tributário, o que não dispensa o lançamento de ofício. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) a partir de 01.01.1999, disciplinada por atos normativos supervenientes, em que o saldo a pagar relativo ao tributo ali informado, bem como o valor da diferença apurada em procedimento de auditoria interna atinente às informações indevidas ou não comprovadas sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, deve ser objeto de cobrança administrativa com os acréscimos moratórios devidos e, caso não liquidado, enviado para inscrição em Dívida Ativa da União. Logo, a partir dessa data a DCTF é modo de constituição do crédito tributário e de confissão de dívida, bem como instrumento hábil e suficiente para inscrição em Dívida Ativa da União dispensando, para isso, o lançamento de ofício9. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP 10, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF11. Caracterizase como falta de recolhimento as divergências existentes entre as informações constantes na DIPJ e aquelas constantes na DCTF , ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente12. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Os lançamentos fundamentamse nas insuficiências de recolhimentos de IRPJ e de CSLL apurados sobre a base de cálculo estimada pelo cotejo entre os dados informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 3889, nas Planilhas de Cálculo de IRPJ e de CSLL elaboradas pela Recorrente, fls. 9394 e aqueles contidos na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF), fls. 95221 e 418, bem como no Livro Razão, fls. 222227 e nos recolhimentos e parcelamento, fls. 402417. 8 Fundamentação legal: art. 147 do Código Tributário Nacional, art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF n° 33. 9 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255 de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, A Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 10 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP. Ministro Relator:Teori Albino Lawascki, Primeira Seção, Brasília, DF, 11 de março de 2009. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/processo/jsp/revista/abreDocumento.jsp?componente=ITA&sequencial=864597&num_reg istro=200802440246&data=20090323&formato=PDF>. Acesso em: 06 mar.2012. 11 Fundamentação legal: art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 12 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004203/200788 Acórdão n.º 1803002.261 S1TE03 Fl. 588 19 Está registrado no Termo de Constatação Fiscal, fls. 228232, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Relativamente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido [CSLL], de acordo como definido no quadro demonstrativo retro mencionado foi constatado que o contribuinte apesar de ter apurado Estimativa de CSLL no valor de R$26.843,06 referente ao mês 5/2002, nada informou em sua respectiva DCTF. Dessa forma, considerando o valor indicado no item acima, esta Fiscalização apurou as diferenças de valores devidos a titulo de falta de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido verificada entre a DIPJ e as DCTF's entregues mensalmente no montante de R$22.190,21 (DIPJ R$149.899,86 DCTF R$127.709 165), cujo montante foi considerado para lançamento e constituição do crédito tributário, de acordo com o art. 20 . e parágrafos da Lei 7.689/88; art. 19 da Lei 9.249/95, art. 1º . da Lei 9316/96 e art. 28 da Lei 9.430/96. 6 De acordo com o demonstrado no quadro retromencionado sobre as contribuições da CSLL apuradas nos meses junho/2002 e setembro/2002, o contribuinte informou em suas respectivas DCTF's valores menores que aqueles efetivamente devidos. Dessa forma, as respectivas diferenças mencionadas acima foram consignadas para fins de lançamento e constituição do crédito tributário, através da lavratura do competente Auto de Infração, tendo como base, a cobrança a titulo de "multa isolada" nos termos do art. 843 do RIR/99 c/c art. 44, parágrafo 1º inciso IV da Lei 9.430/96. Na decisão de primeira instância de julgamento já foram considerados os pagamentos espontâneos relativamente aos fatos geradores de maio e de setembro do ano calendário de 2002 a título de CSLL, fls. 408409, que foram alocados às fls. 497504, para fins de elaboração do Extrato do Processo às fls. 505506. Não restou qualquer valor a ser exigido nesse particular. Multas de Ofício Isoladas Calculadas sobre a Base de Cálculo Estimada de IRPJ e de CSLL A Recorrente discorda da aplicação da aplicação da multa de ofício isolada. A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de IRPJ e de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes de suspensão ou redução devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). Fl. 588DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004203/200788 Acórdão n.º 1803002.261 S1TE03 Fl. 589 20 O pressuposto é de que a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. Por esta razão, caso as obrigações tributárias mencionadas não sejam cumpridas a pessoa jurídica fica sujeita à multa de 50% (cinquenta por cento), aplicada isoladamente, calculada sobre o montante das parcelas dos tributos não recolhidos ou das insuficiências apuradas. Este percentual foi fixado a partir 15.06.2007, abrandando aquele originalmente previsto. Assim, para os atos não definitivamente julgados em for imposta a penalidade em percentual mais severo previsto na lei vigente ao tempo da sua prática, a lei superveniente mais branda aplicase ao ato pretérito, tendo em vista a excepcionalidade prevista no princípio da retroatividade benigna13. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação dos ilícitos tributários previsto na legislação de regência. Distintas, são as aplicações das multas de ofício isoladas por falta de recolhimentos de IRPJ e de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada, ainda que o sujeito passivo tenha sido apurado prejuízo fiscal para o IRPJ e base de cálculo negativa para a CSLL, no anocalendário correspondente14. Essas infrações são passíveis de penalidades distintas, previstas em diferentes dispositivos da legislação, por essa razão não há que se falar em concomitância de aplicação de multas de ofício. Vale esclarecer que a previsão legal que possibilita a imposição de mais de uma penalidade no mesmo Auto de Infração é admissível, desde que se trate de ilícitos distintos15, como é o caso tratado no presente processo. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento fundamentase na insuficiência de recolhimento de tributos determinados sobre a base de cálculo estimada pelo cotejo entre os dados informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 0520, nos recolhimentos identificados às fls. 2128 e aqueles contidos na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF), fls. 2938. No caso em que obrigações tributárias mencionadas não sejam cumpridas a pessoa jurídica fica sujeita à multa de 50% (cinquenta por cento), aplicada isoladamente, calculada sobre o montante das parcelas dos tributos não recolhidos ou das insuficiências apuradas. Este percentual foi fixado a partir 15.06.2007, abrandando aquele originalmente previsto. Assim, para os atos não definitivamente julgados em for imposta a penalidade em percentual mais severo previsto na lei vigente ao tempo da sua prática, a lei superveniente mais branda aplicase ao ato pretérito, tendo em vista a excepcionalidade prevista no princípio da retroatividade benigna16. 13 Fundamentação legal: art. 106 do Código Tributário Nacional, art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 2º e art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997 e art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. 14 Fundamentação Legal: art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 15 Fundamentação legaç: art. 74 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. 16 Fundamentação legal: art. 106 do Código Tributário Nacional, art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 2º e art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997 e art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004203/200788 Acórdão n.º 1803002.261 S1TE03 Fl. 590 21 Na decisão de primeira instância de julgamento já foram considerados os pagamentos espontâneos relativamente aos fatos geradores de maio de 2002 a título de IRPJ, fl. 402, bem como de maio e de setembro do anocalendário de 2002 a título de CSLL, fls. 408 409, que foram alocados às fls. 497504, e ainda o percentual da multa de ofício isolada foi adequado para 50% para fins de elaboração do Extrato do Processo às fls. 505506. As multas de ofício isolada por falta de recolhimentos de IRPJ e de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada são aplicadas no caso em que não houver o pagamento do tributo devido, ainda que a Recorrente tenha apurado prejuízo fiscal para o IRPJ e a base de cálculo negativa para a CSLL, referente ao anocalendário de 2002. Os presentes autos não estão instruídos com a comprovação dos pagamentos integrais, tampouco com as transcrições no Livro Diário dos balanços ou balancetes mensais de suspensão ou de redução e no Livro de Apuração do Lucro Real Lalur da demonstração do lucro real do respectivo período. Por seu turno, o enunciado da Súmula CARF nº 93 determina que “a falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa”. Ainda assim, não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório que já consta nos autos evidencia que o procedimento de ofício está correto. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. Argumentos Congruentes A Requerente solicita que seja intimada por meio do seu representante legal. Tendo como fundamento os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes há previsão de julgamento em segunda instância no CARF dos recursos que versem sobre aplicação da legislação referente a tributos administrados pela RFB17. O pressuposto é de que a intimação por via postal válida é efetivada, com prova de recebimento pessoal ou no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, ainda que eletrônico. Por esta razão é que a Recorrente deve ser notificada dos atos no seu domicílio fiscal. A pretensão aduzida pela defendente não tem possibilidade jurídica por não estar contemplada nas formalidades legais. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos e que os lançamentos não poderiam ter sido formalizados. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta 17 Fundamento legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de maço de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004203/200788 Acórdão n.º 1803002.261 S1TE03 Fl. 591 22 atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes18. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos19. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios 18 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 19 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004203/200788 Acórdão n.º 1803002.261 S1TE03 Fl. 592 23 lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, e se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês20. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais, nos termos da Súmula CARF nº 4. Por conseguinte, os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.200921 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF22. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado. No lançamento de ofício está afastada a aplicação da multa de mora que pressupõe o pagamento espontâneo do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscal em relação à matéria e ao período tratados nos autos23. 20 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional. 21 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 22 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 23 Fundamentação Legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 21 do Decretolei nº 401, de 30 de dezembro de 1968, bem como art. 7º do Decreto 70. 235, de 06 de março de 1972. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004203/200788 Acórdão n.º 1803002.261 S1TE03 Fl. 593 24 No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso24. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade25. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 24 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 25 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004203/200788 Acórdão n.º 1803002.261 S1TE03 Fl. 594 25 Fl. 594DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10882.000711/2003-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - PROVA MATERIAL DO DIREITO AO CRÉDITO TRAZIDA EM SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE - NORMA DO § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972.
O momento oportuno e derradeiro para o contribuinte trazer aos autos do processo administrativo provas de seu direito creditório se dá na apresentação da manifestação de inconformidade. Deixar de apreciar provas trazidas à baila nessa ocasião viola a norma regente do procedimento administrativo tributário.
Recurso Voluntário provido
Numero da decisão: 3301-002.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
RODRIGO PÔSSAS - Presidente.
FÁBIA REGINA FREITAS - Relator.
FABIA REGINA FREITAS - Redator designado.
EDITADO EM: 13/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Marcio Canuto Natal, Jose Paulo Puiatti, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Teresa Martinez Lopez e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - PROVA MATERIAL DO DIREITO AO CRÉDITO TRAZIDA EM SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE - NORMA DO § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. O momento oportuno e derradeiro para o contribuinte trazer aos autos do processo administrativo provas de seu direito creditório se dá na apresentação da manifestação de inconformidade. Deixar de apreciar provas trazidas à baila nessa ocasião viola a norma regente do procedimento administrativo tributário. Recurso Voluntário provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10882.000711/2003-19
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5380994
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3301-002.385
nome_arquivo_s : Decisao_10882000711200319.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FABIA REGINA FREITAS
nome_arquivo_pdf_s : 10882000711200319_5380994.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. RODRIGO PÔSSAS - Presidente. FÁBIA REGINA FREITAS - Relator. FABIA REGINA FREITAS - Redator designado. EDITADO EM: 13/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Marcio Canuto Natal, Jose Paulo Puiatti, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Teresa Martinez Lopez e Fábia Regina Freitas (Relatora).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5625135
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:28:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047032524963840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1673; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.000711/200319 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.385 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de julho de 2014 Matéria IPI Recorrente PINCEIS TIGRE S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL DO DIREITO AO CRÉDITO TRAZIDA EM SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NORMA DO § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. O momento oportuno e derradeiro para o contribuinte trazer aos autos do processo administrativo provas de seu direito creditório se dá na apresentação da manifestação de inconformidade. Deixar de apreciar provas trazidas à baila nessa ocasião viola a norma regente do procedimento administrativo tributário. Recurso Voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. RODRIGO PÔSSAS Presidente. FÁBIA REGINA FREITAS Relator. FABIA REGINA FREITAS Redator designado. EDITADO EM: 13/08/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 07 11 /2 00 3- 19 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Marcio Canuto Natal, Jose Paulo Puiatti, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Teresa Martinez Lopez e Fábia Regina Freitas (Relatora). Relatório Tratase, na origem, de pedido de ressarcimento, cumulado com declaração de compensação de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, apurados no primeiro trimestre de 2001 com débitos do mesmo imposto com vencimento em fevereiro de 2003. A declaração foi entregue para conhecimento e análise da Secretaria da Receita Federal em 17 de março de 2003. (fls. 02/03) O pedido foi encaminhado à Secretaria de Orientação e Análise Tributária – SAORT – de Osasco, que determinou a intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos (fl. 15/16). Tal notificação, recebida pelo contribuinte (AR de fl. 14) não foi atendida, donde proferido o Despacho Decisório de fls. 17/18, mediante o qual a Delegacia da Receita Federal em Osasco deixou de homologar a compensação pleiteada ao fundamento de que não foram apresentados os documentos solicitados ao contribuinte que buscavam comprovar seu direito creditório. Em face do mencionado despacho, o contribuinte, ora recorrente apresenta Manifestação de Inconformidade às fls. 22/25, mediante a qual alega que: (i) a intimação recebida para a apresentação de documentos foi extraviada na empresa, razão pela qual o contribuinte não teve conhecimento da requisição dos documentos; e (ii) o direito creditório está amparado pela documentação anexada à mencionada defesa. Nessa mesma oportunidade o contribuinte traz para exame toda a documentação requerida pela intimação de fls. 15/16. A DRJ, analisando as questões trazidas nos autos, entendeu por bem desprovêlos por meio de aresto de fls. 114/117, entendendo que não cabe à Delegacia de Julgamento a apreciação dos documentos que deixaram de ser apresentados por ocasião da intimação do contribuinte para a comprovação de seu crédito. Sem tecer qualquer menção à idoneidade dessa documentação, invoca normas processuais para deixar de analisar o pleito e manter o indeferimento do pedido. É a ementa do julgado, in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2001 a 31/03/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. Quando documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo. Solicitação Indeferida Em face do mencionado acórdão foi interposto recurso voluntário de fls. 121/129, mediante o qual o contribuinte, essencialmente, reiterou as razões expostas na manifestação de inconformidade, pugnando pela aplicação da verdade material ao caso em tela. Trouxe à baila inúmeros julgados desse Eg. Conselho para corroborar seu posicionamento. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10882.000711/200319 Acórdão n.º 3301002.385 S3C3T1 Fl. 3 3 É o relatório. Voto Conselheiro Fábia Regina Freitas O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. A questão trazida nesses autos é simples e consiste em saber se a documentação comprobatória do crédito pleiteado, quando levada a conhecimento no procedimento administrativo, por ocasião da Manifestação de Inconformidade é válida e pode ser reconhecida para fins de comprovação do direito creditório pleiteado. A despeito de todo o informalismo que rege o processo administrativo tributário, há determinadas normas que devem ser observadas. Nesse contexto, quanto à comprovação do direito creditório, o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados, verbis: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) No caso dos autos foi precisamente isso que ocorreu: O contribuinte a despeito de não haver carreado aos autos a documentação que comprovava seu crédito no momento da resposta à intimação da SAORT de Osasco, trouxe essa mesma documentação quando da interposição da Manifestação de Inconformidade. Veja: O contribuinte trouxe os documentos necessários à comprovação do seu direito no momento da impugnação ao Despacho Decisório, o que revela evidente acerto de sua parte. Por outro lado, andou mal o v. aresto recorrido ao decidir, com base na Lei nº 9784, que a documentação trazida pelo contribuinte deveria ter sido apresentada anteriormente. Isso porque a Lei nº 9784 apenas seria aplicável ao procedimento administrativo tributário se o Decreto nº 70.235, de 1972 fosse omisso quanto ao aspecto atinente à apresentação da documentação, o que, como visto, não é. Diante desse fato, tendo o contribuinte trazido à baila toda a documentação pertinente no momento que a legislação específica aponta como momento Fl. 134DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 oportuno para tanto, qual seja, na interposição da Manifestação de Inconformidade, que nada mais é que a Impugnação ao Despacho Decisório, encontrase equivocado o entendimento explicitado pela r. decisão recorrida. Essa, inclusive, a posição consolidada por esse Eg. CARF que, analisando casos em que a documentação comprobatória do crédito foi apresentada apenas por ocasião da interposição do Recurso Voluntário, assim se manifestou: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazêlo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal (PA 10510.903654/201151, Cons. Belchior Melo de Sousa, Julgado em 28/05/2014) Veja que nesse precedente, bem como em inúmeros outros, esse Eg. CARF é pacífico em afirmar que o direito de comprovar a liquidez do crédito pleiteado se dá no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade. No caso dos autos a documentação foi apresentada exatamente nesse momento, donde deveria a Eg. Delegacia de Julgamento a quo ter se debruçado sobre os documentos e alegações e analisado o direito. Não o fazendo, aplicou mal a norma, tendo violado seus termos, bem como contrariado a jurisprudência desse Conselho. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário para anular a decisão a quo e, evitandose suprimir instância, determinar o retorno desses autos à DRJ para julgamento do mérito do direito creditório. Fábia Regina Freitas Relator Fl. 135DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10920.900688/2008-67
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10920.900688/2008-67
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5383801
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-000.799
nome_arquivo_s : Decisao_10920900688200867.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FLAVIO DE CASTRO PONTES
nome_arquivo_pdf_s : 10920900688200867_5383801.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
id : 5640035
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047032528109568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1209; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.900688/200867 Recurso nº 1Voluntário Resolução nº 3801000.799 – 1ª Turma Especial Data 19 de agosto de 2014 Assunto Solicitação de diligência Recorrente MARISOL INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .9 00 68 8/ 20 08 -6 7 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.900688/200867 Resolução nº 3801000.799 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Em 24/04/2008, foi emitido o Despacho Decisório eletrônico de fl. 63 que, do montante do crédito solicitado/utilizado de R$ 24.005,37 referente ao 4º trimestrecalendário de 2002, nada reconheceu, e, conseqüentemente, não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 34873.40684.121203.1.3.019052. Motivo da redução do valor pleiteado: constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Os detalhamentos da análise do crédito e da compensação e saldo devedor estão disponíveis para consulta no sítio da internet da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A requerente, inconformada com a decisão administrativa cientificada por AR em 06/05/2008, conforme comprovante de fl. 102, apresentou, em 05/06/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 64/84, subscrita pelo patrono devidamente constituído, em que, em síntese, sustenta que há nulidade do Despacho Decisório, nos termos do PAF, art. 59, II, em virtude de erro de capitulação legal, ou até falta de fundamentação legal, que implica cerceamento do direito de defesa; houve um erro no PER/DCOMP nº 01132.53940.150794.1.3.013276 quanto ao primeiro decêndio de dezembro de 2003, tendo sido considerado como débito (estorno de crédito) o valor de R$ 133.840,64 alusivo, na verdade, a estorno de ressarcimento de créditos; a requerente tem direito à compensação conforme previsão legal. Por fim, requer que a manifestação de inconformidade seja recebida e acatada e que a compensação declarada no PER/DCOMP seja deferida, sendo legítima a existência do crédito. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL. O saldo credor ressarcível de cada trimestrecalendário é apurado mediante o confronto de créditos e débitos de cada período de apuração, sendo passíveis de glosa os créditos ressarcíveis não admitidos e os créditos não ressarcíveis; o estorno do montante do pleito é feito na data da transmissão de PER/DCOMP, estando sujeito à apuração do menor saldo credor. PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE Fl. 178DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.900688/200867 Resolução nº 3801000.799 S3TE01 Fl. 4 3 ABSORVIDO POR DÉBITOS DOS PERÍODOS SUBSEQUENTES. MENOR SALDO CREDOR NULO. Sendo o saldo credor ressarcível do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos dos trimestres subsequentes (saldo credor não ressarcível em relação aos trimestres subsequentes), o menor saldo credor é nulo. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexiste nulidade por cerceamento do direito de defesa se o despacho decisório ostentar os requisitos legais e a respectiva fundamentação for suficiente em todos os aspectos. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: essas informações a que o julgador cita que a contribuinte consegue no site da Receita Federal do Brasil não é verdadeira, pois nem todas elas estão disponíveis para consulta. Como exemplo, citase a questão do saldo credor do período anterior considerado pelo fisco; a questão debatida nos autos não se refere tão somente as informações complementares da análise do crédito, mas também ao enquadramento legal apontado no despacho decisório e que não foram sequer analisadas pelo julgador de primeira instância; insiste que o erro incorrido foi que, neste PER/DCOMP original, o valor de R$ 133.840,64 (cento e trinta três mil, oitocentos e quarenta reais e sessenta e quatro centavos) foi informado na linha “ Estorno de Créditos”, quando na realidade deveria ser na linha abaixo, “ressarcimento de créditos”; ao elaborar o demonstrativo de apuração do saldo credor ressarcível após a apresentação de PER/DCOMP, o Fisco considera o valor de R$ 133.840,64 como débito, conseqüência do lançamento tido como “estorno de crédito”, fato este que resultou na apuração do menor saldo credor se zero fosse; a partir da correção no lançamento do valor de R$ 133.840,64, exsurge o crédito passível de ressarcimento requerido pela Contribuinte, de maneira que se mostra inerente o acatamento do PER/DCOMP em tela. Por fim, requereu que seu recurso você recebido para: acatar as preliminares arguidas, determinado a nulidade do despacho decisório e consequente deferimento do Pedido de Ressarcimento/Compensação, por inexistência de dispositivo legal infringido; que fosse reconsiderada a decisão do julgador simples a fim de que seja determinada a homologação das compensações realizadas. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.900688/200867 Resolução nº 3801000.799 S3TE01 Fl. 5 4 Posteriormente, apresentou outra petição denominada “Esclarecimentos ao Recurso Voluntário” em que requer a juntada do Livro de Apuração de IPI para comprovar a legítima existência de crédito originado de ressarcimento de IPI a fazer frente às compensações realizadas. Após esclarecer a apuração de seu saldo credor de IPI, pontua que as cópias do Livro RAIPI comprovam que em setembro de 2003, o saldo credor da contribuinte era de R$ 130.803,40, e não R$ 46.072,40 como apurou a fiscalização. Aduz que do montante de R$ 133.840,64 lançados a débito pelo Fisco, comprovase pelo livro fiscal de IPI de 12/2003 que o valor de R$ 131.191,85 referese a estornos de ressarcimentos de créditos de IPI, não devendo, portanto, fazer parte da apuração realizada pelo fiscal, haja vista que o saldo credor do período anterior já está ajustado pelos ressarcimentos realizados. Reitera que as cópias do Livro RAIPI comprovam que o saldo credor do período anterior, ao invés de R$ 46.072,40, totalizava R$ 130.803,40. Por último requer o recebimento de sua petição com a juntada do Livro de Apuração de IPI. É o relatório. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.900688/200867 Resolução nº 3801000.799 S3TE01 Fl. 6 5 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. De início, a recorrente sustentou em preliminar a nulidade do despacho decisório. Em um exame preliminar não se vislumbra essa nulidade, que será analisada em toda a sua extensão por ocasião do julgamento do processo. Como visto acima, o motivo que fundamentou o indeferimento do pedido formulado pelo contribuinte e a conseqüente não homologação da compensação por ele pretendida foi tãosomente que o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP. Tal fundamentação, por certo, decorre de análise superficial da escrita fiscal, realizada nos limites do sistema informatizado (batimento entre os dados da apuração do IPI fornecidos pela recorrente). Assim, por ocasião do despacho decisório eletrônico não se analisou efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente se tornou viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pela requerente, na qual, ela descreve de maneira convincente a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. De imediato, ressaltase que o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI está previsto no art. 11 da Lei 9.779/99: Art.11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.(grifouse) Cabe, mais, acrescentar que o exame do pedido de ressarcimento e da compensação de débitos depende da aferição da liquidez e certeza do pretenso crédito, de acordo com o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional). Posto, em tese, o direito da contribuinte, passase ao exame da situação fática probatória. A interessada sustenta que incorreu em erro ao informar no PER/DCOMP original, o valor de R$ 133.840,64 (cento e trinta três mil, oitocentos e quarenta reais e sessenta e quatro centavos) na linha “estorno de créditos”, quando na realidade deveria ser na linha abaixo, “ressarcimento de créditos”. Apresentase bom o direito da recorrente. Neste sentido, os dados do Livro Registro de Apuração do IPI e os demais documentos colacionados são indícios de prova de seu direito e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Convém ressaltar que o simples Fl. 181DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.900688/200867 Resolução nº 3801000.799 S3TE01 Fl. 7 6 erro de preenchimento do PER/DCOMP não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Por outro lado, o reconhecimento dos créditos de IPI requer um exame criterioso do processo produtivo e dos documentos fiscais e contábeis. Assim, em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar eventual direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) apure a legitimidade do ressarcimento pleiteado com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração em discussão; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 182DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13411.000487/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/09/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. O regramento estabelecido pela Lei Complementar 118/2005, aplica-se aos pedidos de restituição formalizados após o decurso do vacatio legis, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para solicitações formalizadas em data anterior, a contagem do prazo prescricional segue a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador. Precedentes STJ.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para restituição das contribuições referentes ao período a partir de 06/2002, pagas pela Segurada Lucianete Coelho Cavalcanti Gomes.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 30/09/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. O regramento estabelecido pela Lei Complementar 118/2005, aplica-se aos pedidos de restituição formalizados após o decurso do vacatio legis, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para solicitações formalizadas em data anterior, a contagem do prazo prescricional segue a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador. Precedentes STJ. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13411.000487/2007-15
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5374971
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2402-003.521
nome_arquivo_s : Decisao_13411000487200715.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : THIAGO TABORDA SIMOES
nome_arquivo_pdf_s : 13411000487200715_5374971.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para restituição das contribuições referentes ao período a partir de 06/2002, pagas pela Segurada Lucianete Coelho Cavalcanti Gomes. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
id : 5598057
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047032530206720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1696; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.328 1 1.327 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13411.000487/200715 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.521 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2013 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CARGOS ELETIVOS. Recorrente ERNANDIO DE MACEDO COELHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 30/09/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. O regramento estabelecido pela Lei Complementar 118/2005, aplicase aos pedidos de restituição formalizados após o decurso do vacatio legis, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para solicitações formalizadas em data anterior, a contagem do prazo prescricional segue a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador. Precedentes STJ. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para restituição das contribuições referentes ao período a partir de 06/2002, pagas pela Segurada Lucianete Coelho Cavalcanti Gomes. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 41 1. 00 04 87 /2 00 7- 15 Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13411.000487/200715 Acórdão n.º 2402003.521 S2C4T2 Fl. 1.329 3 Relatório Tratase de pedido de restituição pautado em declaração de inconstitucionalidade do art. 12, I, alínea h, da Lei n° 8.212/91, com posterior Resolução do Senado Federal de n° 26/2005, que suspendeu os efeitos do referido dispositivo. Ante o pedido protocolado, foi proferido despacho decisório de fls. 1039/1045 que deferiu em parte o requerimento, considerando a ocorrência de prescrição do pedido referente às competências de 01/1998 a 05/2002 e, ainda, que uma das seguradas utilizou o período requerido no caçulo de concessão de benefício de SalárioMaternidade. Às fls. 1128/1139, os Requerentes apresentaram manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que o prazo prescricional de cinco anos fora aplicado de forma equivocada, uma vez que considerada a delimitação do art. 3° da IN SRP n° 15. Além disso, alegaram os Requerentes que para os recolhimentos efetuados até a vigência da Lei Complementar n° 118/05 o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, contados a partir das datas em que foram feitos os pagamentos indevidos. Em relação ao caso específico da servidora Lucianete Coelho, os Requerentes alegaram que o fato de a Requerente ter gozado e percebido saláriomaternidade não fere seu direito de restituição, uma vez que para receber o benefício bastava a comprovação da gravidez juntamente com a comprovação do estado de segurada, que pode ser feito diante do pagamento de uma única e simples contribuição. Apreciando a Manifestação de Inconformidade, a DRJ/REC, às fls. 1248/1253, proferiu acórdão julgando improcedente a manifestação sob o fundamento de que o prazo prescricional aplicado no despacho decisório está correto e, ainda, que as decisões judiciais referidas na defesa não produzem efeitos sobre as partes do presente PAF. Ademais, quanto à segurada Lucianete, a DRJ entendeu que tendo ela se beneficiado das contribuições efetuadas no período em que exercia o mandato eletivo municipal, que lhe garantiam sua qualidade de segurada, quando da concessão do salário maternidade, é impossível acolher o pedido de restituição formulado. Intimados, os Requerentes interpuseram recurso voluntário (Fls. 1258/1269) reiterando os termos da manifestação de inconformidade. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do recurso interposto. É o relatório. Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator Preliminarmente O recurso voluntário atende a todos os requisitos, inclusive o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. No mérito Do Prazo Prescricional Tratase de pedido de restituição com base em Resolução do Senado Federal de n° 26/2005, que “suspendeu a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 – Paraná”. Atendendo aos requisitos da lei, o pedido de restituição dos Recorrentes, em primeira instância, foi parcialmente deferido para considerar o direito de restituição apenas em relação às competências de 06/2002 a 09/2004, uma vez que as competências anteriores a este período estariam atingidas pela prescrição, nos termos do art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê prazo prescricional de cinco anos a partir da data do pagamento. Neste ponto não merece acolhida a decisão de primeira instância. A declaração de inconstitucionalidade de determinada norma produz efeitos erga omnes e ex tunc. Tal conclusão se dá pelo entendimento de que se a norma é declarada inconstitucional sob a ótica do guardião da Constituição – o Supremo Tribunal Federal – e, ainda, sua inconstitucionalidade é ratificada pelo Senado Federal em exercício de prerrogativa discricionária a ele concedida, não há outra conclusão senão a de nulidade do dispositivo dado por inconstitucional. Sendo assim, se em dado momento se considera que a norma até então vigente em verdade era contrária à Constituição, necessário o entendimento de que esta jamais produzira qualquer efeito no mundo jurídico. Neste sentido, Ives Gandra da Silva Martins e Gilmar Ferreira Mendes em “Controle Concentrado de Constitucionalidade” (p. 316, 2001), citando voto do Relator Ministro Moreira Alves, explicam: “A lei inconstitucional não pode criar direitos, nem impor obrigações, de modo que tanto os órgãos estatais como o indivíduo estariam legitimamente autorizados a negar obediência às prescrições incompatíveis com a Constituição.” Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13411.000487/200715 Acórdão n.º 2402003.521 S2C4T2 Fl. 1.330 5 Ainda, tratando das discussões quanto aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade da norma, os mesmos autores ressaltam a prevalência do entendimento de que a lei dada por inconstitucional deva ser considerada nula ipso jure e ex tunc (p. 317, 2001), esclarecendo que “O poder de que dispõe qualquer juiz ou Tribunal para deixar de aplicar a lei inconstitucional a determinado processo (CF, arts. 97 e 102, III, a, b e c) pressupõe a invalidade da lei e, com isso, a sua nulidade.” Neste sentido, uma vez considerada inconstitucional uma norma, sua aplicabilidade precisa ser fulminada para que não ocorram mais violações ao texto da Magna Carta, bem como para que as violações já ocasionadas pela norma até então vigente possam ser, na medida do possível, corrigidas. No caso em tela, tratase de reconhecimento de inconstitucionalidade realizado pelo controle difuso, através de decisão em recurso extraordinário transitada em julgado. Dando efeitos gerais à decisão de inconstitucionalidade, o Senado Federal, no exercício de prerrogativa discricionária concedida pela CF/88, decidiu por editar a Resolução n° 26/2005, cujo teor é o seguinte: “O Senado Federal resolve: Art. 1º É suspensa a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 Paraná. Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.” Como se pode observar, apesar de haver a suspensão da execução do dispositivo legal dado por inconstitucional, o que realmente ocorre com a edição dessa resolução é a efetividade da inconstitucionalidade decretada, fazendo com que os contribuintes alheios à relação processual (Recurso Extraordinário) sejam também abrangidos pelos efeitos da declaração de inconstitucionalidade. Não se vislumbra razão, portanto, para acolher a alegação de que na decisão em recurso extraordinário os efeitos sejam inter partes e ex tunc e, na resolução do Senado, os efeitos tornamse erga omnes e ex nunc. Ora, como se pode aceitar que os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em sede de processo judicial produza efeitos retroativos e, quando da resolução do Senado, em que se pretende a extensão dessa inconstitucionalidade a todos os demais cidadão, o efeito não retroage? Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Na intenção de exemplificar a questão, Renato Lopes Becho, assim se manifesta: “Procurando ser mais didático: em 2010, uma Corte decide que o fato f está de acordo com a lei; em 2012, o Tribunal continua decidindo que o fato f está de acordo com a lei, que não mudou; em 2013, o contribuinte x, que não era parte em nenhuma ação judicial julgado sobre o fato f, realizao, acreditando agir licitamente. Em 2014 o Fisco multa o contribuinte x, pelo fato f. Sabendo que as leis não mudaram, o contribuinte x defende o fato f perante o Poder Judiciário. Em 2017, seu processo é julgado. Como a Corte mudou de opinião em 2016, o fato f, que para o Tribunal e para o contribuinte era lícito em 2014, deixou de sêlo em 2016. Em 2017, o contribuinte vê o fato f julgado como ilícito. É mantida a decisão que ele recebeu. Tradicionalmente, a Corte poderá informar ao incrédulo contribuinte: desde o século passado, julgamentos milhares de processos como o seu. Mas como você não era parte em nenhum deles. Logo, você não tem direito de que seu processo seja julgado a seu favor.”1 Ainda, complementando nosso entendimento, o Código Tributário Nacional, em seu art. 165, prevê: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória.” Em complemento, o art. 168 do mesmo diploma legal determina que: “Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; 1 Lições de Direito Tributário: Teoria Geral e Constitucional, p. 1999. Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13411.000487/200715 Acórdão n.º 2402003.521 S2C4T2 Fl. 1.331 7 II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória.” No presente caso, não restam alternativas senão o enquadramento do direito de restituição à hipótese prevista no inciso III do art. 165 do CTN. Isto porque, as situações dos incisos I e II não condizem com o ocorrido – pagamento de contribuição posteriormente considerada inconstitucional e suspensa via Resolução do Senado Federal – já que, no primeiro inciso o direito de restituição decorre de pagamento realizado por tributo indevido à época do pagamento e, no segundo, o direito decorre de erro específico. Considerando, portanto, a ocorrência da hipótese do inciso III do art. 165, aplicável ao caso o prazo prescricional previsto no inciso II do art. 168, ou seja, de cinco anos a contar da data da publicação da Resolução n° 26/2005 do Senado Federal (22/06/2005). Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem decidido desta forma: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2009 a 31/07/2010 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXERCICIO DO CONTRÁDITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. O Processo Administrativo Fiscal constituise no instrumento processual próprio e adequado para que o sujeito passivo exerça, administrativamente, em sua plenitude, o seu constitucional direito ao contraditório e à ampla defesa em face da exigência fiscal infligida pela fiscalização, sendo de observância obrigatória o rito processual fixado no Decreto nº 70.235/72. (...) COMPENSAÇÃO. MANDATO ELETIVO. PRAZO CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 168, II DO CTN. O termo a quo para contagem do prazo prescricional do direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos por exercentes de mandato eletivo assentase na data da publicação da Resolução n° 26/2005 do Senado Federal, a qual suspendeu, com eficácia erga omnes, a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR. (...)” (CARF, PAF n° 10540.720397/201086, Acórdão n° 2302 002.319, 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL, Relator Arlindo da Costa e Silva) “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2009 a 30/03/2010 Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXERCICIO DO CONTRÁDITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. O Processo Administrativo Fiscal constituise no instrumento processual próprio e adequado para que o sujeito passivo exerça, administrativamente, em sua plenitude, o seu constitucional direito ao contraditório e à ampla defesa em face da exigência fiscal infligida pela fiscalização, sendo de observância obrigatória o rito processual fixado no Decreto nº 70.235/72. COMPENSAÇÃO. MANDATO ELETIVO. PRAZO CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 168, II DO CTN. O termo a quo para contagem do prazo prescricional do direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos por exercentes de mandato eletivo assentase na data da publicação da Resolução n° 26/2005 do Senado Federal, a qual suspendeu, com eficácia erga omnes, a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR. (...)” (CARF, PAF 10540.720265/201054, Acórdão n° 2302 002.052, 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL, Relator Arlindo da Costa e Silva) Ante isto, necessária a reforma da decisão de primeira instância para considerar passível de restituição a integralidade das competências na forma requerida pelos Recorrentes, ou seja, em relação às competências de 01/1998 a 09/2004. Do caso de Lucianete Coelho Cavalcanti Gomes O acórdão proferido em primeira instância sustenta a impossibilidade de restituição das contribuições recolhidas pela contribuinte sob o fundamento de que esta teria utilizado o período objeto de requerimento para efeitos do cálculo de benefício de salário maternidade. A Lei n° 8.213/91, ao tratar dos períodos de carência para concessão de determinados benefícios prevê: “Art. 24. Período de carência é o número mínimo de contribuições mensais indispensáveis para que o beneficiário faça jus ao benefício, consideradas a partir do transcurso do primeiro dia dos meses de suas competências. (...)” “Art. 25. A concessão das prestações pecuniárias do Regime Geral de Previdência Social depende dos seguintes períodos de carência, ressalvado o disposto no art. 26: (...) III saláriomaternidade para as seguradas de que tratam os incisos V e VII do art. 11 e o art. 13: dez contribuições mensais, respeitado o disposto no parágrafo único do art. 39 desta Lei.” Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13411.000487/200715 Acórdão n.º 2402003.521 S2C4T2 Fl. 1.332 9 “Art. 26. Independe de carência a concessão das seguintes prestações: (...) VI – saláriomaternidade para as seguradas empregada, trabalhadora avulsa e empregada doméstica. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 26.11.99)” Completando a norma prevista pelos dispositivos acima, o art. 11 da mesma Lei arrola as pessoas consideradas empregados para fins de concessão de benefício: “Art. 11. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (Redação dada pela Lei nº 8.647, de 1993) I como empregado: (Redação dada pela Lei nº 8.647, de 1993) (...) j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887, de 2004) Da interpretação conjunta dos dispositivos supra transcritos, extraemse as seguintes conclusões: i) Exercente de cargo eletivo, seja ele federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a Regime Próprio de Previdência, é considerado empregado segurado para fins de concessão de benefícios; ii) A carência de no mínimo 10 contribuições para concessão de benefício de saláriomaternidade está adstrita aos segurados na qualidade de contribuinte individual ou segurado especial; iii) Às seguradas empregadas (inciso I do art. 11, Lei n° 8.213/91) não é exigido o cumprimento de carência para que seja concedido o benefício do saláriomaternidade; iv) São consideradas seguradas empregadas as exercentes de cargos eletivos. Ou seja, estando a segurada na condição de empregada quando da concessão do benefício e, portanto, não sujeita à carência, não há que se excluir seu direito a restituição de recolhimento indevido de contribuição posteriormente declarada inconstitucional pelo STF e ratificado pelo Senado Federal, no período a partir de 06/2002. No período anterior a 06/2002, que a situação da Sra. Lucianete é distinta dos demais segurados, vez que ela gozou do benefício do salário maternidade, não fazendo jus è restituição de tais valores. Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Conclusão Por todo o exposto, conheço o Recurso Voluntário e a ele dou parcial provimento para restituição das contribuições referentes ao período a partir de 06/2002, pagas pela Segurada Lucianete Coelho Cavalcanti Gomes. É o voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
