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Numero do processo: 13739.001552/2007-37
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. PAGAMENTO. IMPOSTO DEVIDO. DEDUÇÃO.
Constatado através de diligência fiscal que o Recorrente realizou o pagamento do tributo devido no ano calendário de 2004, tal montante deve ser abatido do montante integral da autuação fiscal.
Recurvo Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar os pagamentos efetuados espontaneamente a título de quotas IRPF, referente ao exercício 2005, ano-calendário 2004, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (03/04/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. PAGAMENTO. IMPOSTO DEVIDO. DEDUÇÃO. Constatado através de diligência fiscal que o Recorrente realizou o pagamento do tributo devido no ano calendário de 2004, tal montante deve ser abatido do montante integral da autuação fiscal. Recurvo Voluntário Provido em Parte.
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COMPROVAÇÃO. PAGAMENTO. IMPOSTO DEVIDO. DEDUÇÃO. Constatado através de diligência fiscal que o Recorrente realizou o pagamento do tributo devido no ano calendário de 2004, tal montante deve ser abatido do montante integral da autuação fiscal. Recurvo Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar os pagamentos efetuados espontaneamente a título de quotas IRPF, referente ao exercício 2005, anocalendário 2004, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (03/04/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 9. 00 15 52 /2 00 7- 37 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13739.001552/200737 Acórdão n.º 2801002.902 S2TE01 Fl. 79 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi expedida a Notificação de Lançamento de fls. 06 a 08, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$2.194,72, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de omissão de rendimentos tributáveis percebidos da fonte pagadora Fundação Ampla de Seguridade Social Brasiletros, CNPJ 28.518.991/000118, no valor de R$ 28.519,66. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 01), acatada como tempestiva, alegando ser portador de moléstia grave e requerendo o restabelecimento da declaração originariamente apresentada. A 2ª Turma DRJ/Rio de Janeiro II/RJ, conforme Acórdão de fls. 46 a 48, julgou improcedente a impugnação. Cientificado da decisão de primeira instância em 30/09/2010 (fls. 59), o contribuinte apresentou, em 08/10/2010, o Recurso de fls. 52 e 53, argumentando, em síntese, que, se não faz jus à isenção por moléstia grave, também não deve o imposto pago oportunamente. Conforme Resolução nº 2801000.058, às fls. 61/63, o julgamento foi convertido em diligência à unidade de origem para que: 1) fosse informado se os pagamentos efetuados pelo contribuinte são corroborados pelas informações constantes dos bancos de dados administrados pela RFB e se tais pagamentos estão disponíveis para serem utilizados neste processo. Em caso afirmativo, bloqueálos para uso neste processo. Em caso negativo, dar ciência ao interessado das informações disponíveis e reabrir prazo para sua manifestação; 2) o interessado fosse intimado a apresentar documento hábil e idôneo apto a comprovar os pagamentos declarados como efetuados a HSBC Vida e Previdência Social a título de contribuição à previdência privada, no ano calendário 2004. Cumprida a referida diligência, os autos retornaram ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Fl. 79DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13739.001552/200737 Acórdão n.º 2801002.902 S2TE01 Fl. 80 3 Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Tratase, na origem, de revisão de ofício procedida com relação à DIPF apresentada pelo Recorrente no Exercício 2005, tendo em vista a omissão na declaração de rendimentos tributáveis. Isso porque, como se apura da análise do processo, o Recorrente considerouse isento do IRPF em razão de ter sido acometido por moléstia grave. Nada obstante, como já se disse na decisão recorrida, o laudo apresentado pelo Recorrente não prevê a data inicial da doença, de modo que não pode ser levado em consideração para sustentar a isenção pleiteada. Diante disso, em Recurso Voluntário, o Recorrente sustentou que, ainda que não seja isento ao IRPF, deveriam ter sido consideradas no cômputo do imposto devido os pagamento por ele realizados, de modo que tal crédito fosse amortizado do débito apurado. Iniciado o julgamento daquele recurso por esse E. Conselho de Contribuintes, decidiuse por converter o julgamento em diligência com o fim de apurarse se o Recorrente efetivamente realizou os pagamentos mencionados, bem assim para que ele fosse intimado a juntar os comprovantes dos dispêndios com sua previdência privada. Em conclusão à diligência determinada, apurouse que o Recorrente efetivamente realizou pagamentos a título de IRPF no montante de R$ 1.810,73, mas deixou de apresentar os comprovantes das despesas com a previdência privada. Levandose em consideração a conclusão fiscal, portanto, (i) deve ser deduzido do valor devido pelo Recorrente o montante de R$ 1.810,73, pago antecipadamente pelo contribuinte, de modo que a multa e juros incidam somente sobre o valor remanescente do principal; (ii) inadmitindose a dedução com os dispêndios com a previdência privada. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para considerar os pagamentos efetuados espontaneamente a título de quotas IRPF, referente ao exercício 2005, anocalendário 2004. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Sandro Machado dos Reis. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13739.001552/200737 Acórdão n.º 2801002.902 S2TE01 Fl. 81 4 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10245.720230/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE.
É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. In casu, o contribuinte não logrou êxito na comprovação necessária à isenção pleiteada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-002.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
EDITADO EM: 24/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. In casu, o contribuinte não logrou êxito na comprovação necessária à isenção pleiteada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. EDITADO EM: 24/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 72 02 30 /2 00 9- 16 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls.41/42) interposto em 15 de agosto de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (BSB) (fls.30/35), do qual o Recorrente teve ciência em 19 de julho de 2011, fls.39, que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 12/15, oriundo de Notificação de Lançamento lavrado em 18 de maio de 2009, alusivo à cobrança de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, exercício de 2004, do imóvel denominado “Fazenda São José”, cadastrado sob o NIRF nº 3.072.3264, com área declarada de 835,0 ha, localizado no Município de Boa Vista (RR), sendo constituído um crédito tributário suplementar de R$ 3.213,92, mais cominações legais. A decisão teve exarada a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2004 EMENTA: ERRO DE FATO – POSSIBILIDADE DE REVISÃO DE OFÍCIO. A revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, que, no caso do aumento da pretendida área de preservação permanente, tratase da protocolização tempestiva do ADA no IBAMA. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na petição recursal o sujeito passivo repisa os mesmos argumentos de defesa apresentados na instância à quo, requerendo a inclusão na base de cálculo de Apuração do ITR 2004, o percentual de 35% da Área de Reserva Legal, conforme estabelece o inciso II do art. 16 da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Fl. 53DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10245.720230/200916 Acórdão n.º 2101002.372 S2C1T1 Fl. 53 3 O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Relativamente à apuração do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, importa alguns esclarecimentos quanto à sistemática de sua apuração e pagamento. Para tanto, ressalto do art. 10 da Lei nº 9.393/96, os trechos de interesse: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose A homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluída pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, Fl. 54DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Da transcrição acima, destacase que, quando da apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Vejase, ainda, o disposto no artigo 16, Inciso II e §§ 2º e 8º, da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) (...) II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Não sem razão que a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a isenção do Imposto Territorial Rural (ITR) referente à área de reserva legal está condicionada à sua prévia averbação na matrícula do imóvel, conforme exigido pela Lei 4.771/65. Vejase o acórdão, assim ementado: Fl. 55DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10245.720230/200916 Acórdão n.º 2101002.372 S2C1T1 Fl. 54 5 TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL. ITR. ISENÇÃO. ART. 10, § 1º, II, a, DA LEI 9.393/96. AVERBAÇÃO DA ÁREA DA RESERVA LEGAL NO REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. ART. 16, § 8º, DA LEI 4.771/65. 1. Discutese nestes embargos de divergência se a isenção do Imposto Territorial Rural (ITR) concernente à Reserva Legal, prevista no art. 10, § 1º, II, a, da Lei 9.393/96, está, ou não, condicionada à prévia averbação de tal espaço no registro do imóvel. O acórdão embargado, da Segunda Turma e relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, entendeu pela imprescindibilidade da averbação. 2. Nos termos da Lei de Registros Públicos, é obrigatória a averbação “da reserva legal” (Lei 6.015/73, art. 167, inciso II, n° 22). 3. A isenção do ITR, na hipótese, apresenta inequívoca e louvável finalidade de estímulo à proteção do meio ambiente, tanto no sentido de premiar os proprietários que contam com Reserva Legal devidamente identificada e conservada, como de incentivar a regularização por parte daqueles que estão em situação irregular. 4. Diversamente do que ocorre com as Áreas de Preservação Permanente, cuja localização se dá mediante referências topográficas e a olho nu (margens de rios, terrenos com inclinação acima de quarenta e cinco graus ou com altitude superior a 1.800 metros), a fixação do perímetro da Reserva Legal carece de prévia delimitação pelo proprietário, pois, em tese, pode ser situada em qualquer ponto do imóvel. O ato de especificação fazse tanto à margem da inscrição da matrícula do imóvel, como administrativamente, nos termos da sistemática instituída pelo novo Código Florestal (Lei 12.651/2012, art. 18). 5. Inexistindo o registro, que tem por escopo a identificação do perímetro da Reserva Legal, não se pode cogitar de regularidade da área protegida e, por conseguinte, de direito à isenção tributária correspondente. Precedentes: REsp 1027051/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.5.2011; REsp 1125632/PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2009; AgRg no REsp 1.310.871/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 14/09/2012. 6. Embargos de divergência não providos. (EDcl nos EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RESP Nº 1.027.051 – SC 2011/02312800) Portanto, é exigência legal que esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 De se concluir que em não se cumprindo as exigências da legislação aplicável, o fato é passível de procedimentos de fiscalização, consoante o disposto no artigo 14 da Lei nº 9.393/96, in verbis: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Relativamente ao § 7º do artigo 10 da Lei nº 9.393/96, há que se observar que a isenção não está sujeita à previa comprovação por parte do declarante o que não quer dizer que aquela não venha a ser objeto de validação por parte do Órgão Fiscalizador. Vejase que o legislador não isenta o pagamento do imposto bem como de juros e multa em razão de declaração não verdadeira. Cuidou o legislador em antever situações onde a validação da área objeto de isenção deveria ser comprovada, sendo o ônus da prova do declarante, conforme sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária. Destarte, compulsandose os autos verificase que a Contribuinte não carreou Certidão do Cartório de Registro de Imóveis que comprovasse a averbação à margem da matrícula do imóvel da área de reserva legal. Assim, não há quaisquer reparos a fazer na decisão à quo. Diante dos fatos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10768.100483/2008-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
REDUÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL.
A aplicação do princípio juria novit curia no processo administrativo fiscal autoriza a redução do valor da exigência quando uma simples operação aritmética pode assegurar com segurança a liquidez dos créditos tributários.
Numero da decisão: 1102-001.001
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso, para reduzir a multa aplicada para o valor de R$ 200,00, vencidos os conselheiros José Evande Carvalho Araujo e João Otávio Oppermann Thomé, que negavam provimento.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Moises Giacomelli Nunes da Silva, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Recorrente CAFÉ E BAR COLONIA ULTRAMAR LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 MULTA PELA FALTA DE ENTREGA DE DECLARAÇÕES. DIPJ. DSPJ. Reduzse a multa pela falta de entrega da declaração (DIPJ/DSPJ) quando a fiscalização não reuniu as provas suficientes para confirmar que a empresa estava submetida ao regime de tributação que redundaria na aplicação da multa mais gravosa ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 REDUÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL. A aplicação do princípio juria novit curia no processo administrativo fiscal autoriza a redução do valor da exigência quando uma simples operação aritmética pode assegurar com segurança a liquidez dos créditos tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso, para reduzir a multa aplicada para o valor de R$ 200,00, vencidos os conselheiros José Evande Carvalho Araujo e João Otávio Oppermann Thomé, que negavam provimento. Documento assinado digitalmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 10 04 83 /2 00 8- 99 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.100483/200899 Acórdão n.º 1102001.001 S1C1T2 Fl. 54 2 João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Moises Giacomelli Nunes da Silva, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CAFÉ E BAR COLONIA ULTRMAR LTDA ME contra acórdão proferido pela 8ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I que concluiu pela procedência do lançamento efetuado. O crédito tributário lançado, referente à multa por atraso de entrega da DIPJ/DSPJ correspondente ao exercício de 2005, anocalendário de 2004, totalizou o valor de R$ 500,00. O voto condutor da decisão recorrida assim relatou a impugnação: Cientificado da autuação em 19/11/2008 (fls.32), o interessado impugnou o lançamento em 10/12/2008 (fl. 01) alegando, em síntese: a) que até a presente data não recebeu qualquer ato declaratório da Exclusão no Simples. b) que a multa a ser aplicada seria a relativa a falta de apresentação da Declaração Simplificada (DSPJ) no valor de R$ 200,00. A já mencionada 8ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, ao apreciar a impugnação interposta, proferiu o Acórdão nº 1232.351, de 23 de julho de 2010, por meio do qual decidiu pela procedência do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.100483/200899 Acórdão n.º 1102001.001 S1C1T2 Fl. 55 3 DIPJ. MULTA POR FALTA DE ENTREGA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. A exclusão da empresa do SIMPLES, torna obrigatória a entrega da DIPJ. Não cumprindo a obrigação, impõese a multa por falta de entrega. A empresa autuada repetiu em seu recurso voluntário os argumentos que haviam sido apresentados na impugnação. Apenas alterou uma alegação segundo a qual o processo nº 10768.230060/200215 teria dado origem ao enquadramento fiscal no Simples. É que a decisão recorrida esclareceu que a empresa foi excluída daquele regime através do ADE nº 296664, a partir de 01/11/2000, constando no presente processo o documento que comprova sua ciência dessa exclusão, conforme “consulta ao SUCOP (fl. 36)”. Com isso, a empresa alegou que “não se pode deixar de considerar o ato administrativo, leiase, ato jurídico perfeito que deu origem ao enquadramento fiscal, gerando fonte de arrecadação, criando mecanismo administrativo para a sua cobrança sob o prisma de informações obtidas através do SUCOP, sem que tenha demonstrado publicidade do Ato Declaratório nº 296664, tampouco ciência ao recorrente, descaracterizando sua validade”. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de multa por falta de entrega com suporte fático e consequente prescrição previstos no artigo 7º, I, e seus §§ 1º a 3º, da Lei nº 10.426/2002, verbis: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não Fl. 55DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.100483/200899 Acórdão n.º 1102001.001 S1C1T2 Fl. 56 4 apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ) I de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; (...) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a 75%(setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. A empresa deixou de apresentar a declaração correspondente ao exercício de 2005, anocalendário de 2004. No auto de infração (fl. 31 do processo em papel), a autoridade fiscal consubstanciou a seguinte descrição dos fatos: A falta de entrega da Declaração enseja a aplicação de multa no valor de R$200,00 tratandose de Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica optante pelo Simples Federal e de R$500,00 no caso de Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica. Foi considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da lavratura deste Auto de Infração. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.100483/200899 Acórdão n.º 1102001.001 S1C1T2 Fl. 57 5 Nada obstante, sem esclarecimentos adicionais, imputou a multa de R$ 500,00. A DRJ esforçouse para situar o enquadramento legal da autuação no inciso II, do § 3º, do dispositivo legal acima transcrito, qual seja, a multa mínima de R$ 500,00 aplicável nos “demais casos”. Neste sentido, colheu as provas de que a empresa já havia sido excluída do regime do Simples Federal desde a edição do “Ato Declaratório nº 296664”, com efeitos a partir de 01/11/2000, por motivos de débitos pendentes junto à PGFN (fls. 34 e 36 do processo em papel). Ademais, afirmou que a empresa havia sido devidamente cientificada “conforme informações do SUCOP”. De fato, o extrato de consulta ao sistema “SUCOP”, juntado às fls. 36 do processo em papel, contém a informação de que a postagem “NI 334856665000191”, de “Nº ECT 066835990”, enviada à empresa autuada, contém a situação “Entregue ao destinatário”, e a data de coleta “01/12/2000”. Não há, entretanto, maiores informações sobre o processo administrativo em que teria sido consubstanciada a exclusão daquele regime. Muito menos foi juntada a prova efetiva do recebimento daquela correspondência, qual seja, o “AR” com os dados do destinatário e a identificação e assinatura da pessoa que atestou esse recebimento. É provável que o fato de não saber ao certo qual seria o regime de tributação a que estaria submetida a empresa autuada à época do lançamento foi a razão que motivou a autoridade fiscal a proceder aquela descrição dos fatos alternativa entre a falta de apresentação da DSPJ ou da DIPJ. Contudo, para aplicar a situação mais grave para o contribuinte, a alternativa residual caracterizada como “demais casos”, deveria ter carreado aos autos as provas contundentes de que a empresa, de fato, não se enquadrava na outra alternativa, caracterizada pelas pessoas jurídicas inativas ou optantes pelo regime de tributação do Simples Federal. Em minha opinião, o esforço da DRJ não supriu esta ausência. Portanto, não há como aplicar à hipótese da multa de R$ 500,00. É possível, entretanto, atestar que houve falta de entrega da declaração, qualquer que seja o regime de tributação a que estava submetida a empresa. Neste caso a multa mínima é de R$ 200,00. Há que se observar que não se trata de reformatio in pejus, pois a adoção da multa de R$ 200,00 reduz o valor da exigência fiscal. Tampouco configurase ofensa ao princípio do contraditório, pois as demais razões de defesa não seriam diferentes caso a fiscalização tivesse aplicada a hipótese menos gravosa à empresa. O que ocorreu foi que a fiscalização não reuniu as provas suficientes para confirmar que a empresa estava submetida ao regime de tributação que redundaria na aplicação da multa mais gravosa. Não é razoável anular os correspondentes lançamentos quando uma simples operação aritmética pode assegurar com segurança a liquidez dos créditos tributários. Tratase de aplicação do princípio do juria novit curia (“dême os fatos que eu te darei o direito”), também aplicável ao processo administrativo fiscal (Cf. Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez López, Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª ed., São Paulo: Dialética, 2010, p. 285.), no sentido de que não se altera o critério jurídico do lançamento, já que a acusação e a infração são as mesmas, mas apenas sua fundamentação Fl. 57DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.100483/200899 Acórdão n.º 1102001.001 S1C1T2 Fl. 58 6 legal. Afinal, a autuada não se defende da capitulação legal da infração, mas, sim, dos fatos e da descrição fática narrados. De modo semelhante, apesar de tratar de matéria distinta, também já decidiu a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 0105971, julgado em 12 de agosto de 2008, cujo trecho elucidativo transcrevese: Cumpre observar, inicialmente, que não se trata de reformatio in pejus, pois a adoção do percentual de 42,74% como base para correção monetária, reduz o valor da exigência fiscal. Também não vislumbro a possibilidade de ofensa ao princípio constitucional do contraditório, haja vista toda a discussão no processo versa exatamente sobre a correção monetária do balanço do ano de 1989. O índice IPC é aceito pela interessada e pela decisão recorrida com apto a ser utilizado na correção monetária do mês de janeiro de 1989, apenas divergem quanto ao período abrangido pelo índice. Afinal, o percentual de 70,28%, adotado pelo autuada, reflete a inflação ocorrida no período compreendido entre 30 de novembro (média estatística entre os dias 15 de novembro e 15 de dezembro) e 20 de janeiro (média estatística entre os dias 17 e 23 de janeiro). Sobre essa matéria, a jurisprudência dessa Turma reiteradamente se posicionado no sentido de impedir que o julgador atue positivamente em relação à exigência fiscal, de modo que se deve apreciar o lançamento tal como foi formulado, sem possibilidade de inovação na acusação no momento do julgamento. A competência das instâncias de julgamento para revisar o lançamento surge com a impugnação como previsto no inciso I do art. 145 do CTN, ou seja, revisão por iniciativa do contribuinte em contestar a exigência. O dever de julgar imparcialmente a exigência fiscal não se coaduna com a vinculação do auditor fiscal ao procedimento de constituição do crédito tributário. A revisão de oficio fica adstrita àqueles agentes fiscais que têm competência para realizar o lançamento fiscal, como o auditor fiscal competente para fiscalizar ou o Delegado da Receita Federal. No Direito Tributário, o art. 142 do Código Tributário Nacional descreve, nesse sentido, procedimento que compreende uma série de ações desenvolvidas pela autoridade fiscal em face do contribuinte, de modo à verificação de ocorrência do fato jurídico tributário, cálculo do tributo devido e identificação do sujeito passivo. Esse procedimento resulta no ato jurídico administrativo de lançamento que introduz norma individual e concreta no sistema do direito positivo. Desse modo, o ato produzido com a finalidade de constituição do crédito tributário indica o fato jurídico tributário, cujas notas se subsumem aos critérios da regramatriz de incidência, e institui a obrigação tributária. Um desses critérios é o quantitativo, em que a autoridade lançadora calcula o montante do tributo a partir da indicação da base de cálculo e alíquota. No caso em análise, a fiscalização quantificou a exigência com fundamento na legislação de regência que não prevê os expurgos inflacionários para fins de correção monetária de balanço, enquanto o contribuinte ajustou seus ativos considerando os efeitos desses expurgos. O julgador entende que o contribuinte poderia considerar tal acréscimo com fulcro em precedentes judiciais, mas não concorda com os cálculos efetuados. O percentual de 70,28% abrange período Fl. 58DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.100483/200899 Acórdão n.º 1102001.001 S1C1T2 Fl. 59 7 superior ao mensal conforme descrito em sua metodologia e não pode ser utilizado para corrigir o saldo de janeiro. Neste processo, os fatos estão postos de forma clara e para decidir qual o índice aplicável o julgador deve verificar qual a metodologia prevista na legislação fiscal. Como vimos, a pessoa jurídica se equivocou ao utilizar o índice de 70,28% para o mês de janeiro, quando sua abrangência temporal é maior.Tratase, a meu ver, de matéria estritamente de direito, em que o julgador não está restrito a decidir apenas escolhendo entre os argumentos trazidos pelos interessados, podendo aplicar fundamento jurídico distinto no julgamento da questão posta a seu exame (juria novit cúria). No caso em comento, o julgador deve ajustar o que foi pedido no recurso voluntário pela contribuinte para adequar a legislação de regência. Penso que não é razoável anular o lançamento na hipótese em que basta simples operação aritmética para separar o valor devido do que não é devido. Não vejo como enquadrar a redução do valor exigido como novo lançamento da autoridade administrativa. Devese apenas ajustar o crédito tributário ao valor tido por correto. Essa também tem sido a opinião dos tribunais superiores em casos análogos. No REsp 535.943, publicado pelo STJ no DJ 13.09.2004, ao acolher o recurso da Fazenda Paulista, o relator do processo, ministro Teori Albino Zavascki, argumentou que a certidão de dívida fiscal não perde a característica de ser líquida e certa quando há necessidade de serem afastadas parcelas tidas como indevidas. No caso dos valores de contribuição do IAA, incluídos na base de cálculo do ICMS, os valores verdadeiramente devidos podem ser apurados por cálculos aritméticos de simplicidade horizontal, não devendo, em razão disso, ser exigido que se anule a certidão da divida, cancelandose a execução fiscal. No mesmo sentido, o AGA 525587/SP, Min. Luiz Fux, publicado no DJ de 05.04.2004, a saber: "AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL.ICMS. Documento: 1311146 RELATÓRIO E VOTO ELEVAÇÃO DA AL1QUOTA DE 17% PARA 18% INCONS77TUCIONALIDADE. CDA. NECESSIDADE DE RECALCULO DA DIVIDA. PRESERVADA A LIQUIDEZ DO TITULO. I. A alegação de nulidade da CDA envolve matéria de prova, apreciação obstada pela Súmula 7/5 Ti 2. A jurisprudência orientase no sentido de que o excesso na cobrança expressa na CDA não macula a sua liquidez, desde que os valores possam ser revistos por simples cálculos aritméticos.(..) 4. Agravo regimental desprovido ." (AGA 525587/SP) Importante destacar, ainda, que a Lei n° 9.784/99, artigo 2°, inciso VI, estabelece, como critério de atuação da Administração, a "adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público" Anular o lançamento fiscal integralmente quando o ajuste do valor devido depende de mero cálculo aritmético pareceme excesso de formalismo que ofende critérios de razoabilidade e de proporcionalidade. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.100483/200899 Acórdão n.º 1102001.001 S1C1T2 Fl. 60 8 Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir a multa aplicada para o valor de R$ 200,00. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912949/2009-42
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo à demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-002.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti que votou no sentido da conversão do julgamento em diligência.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosando Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Traanchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo à demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti que votou no sentido da conversão do julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 29 49 /2 00 9- 42 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosando Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Traanchesi Ortiz. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário em decorrência da decisão que manteve in totum o Despacho Decisório de fl.2 que indeferiu o pedido de compensação de crédito de PIS e pagamento a maior de COFINS relativamente ao período de 01/05/2003 a 31/05/2003. O deferimento deuse por meio de despacho parametrizado, fl.2, afirmando que o limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP no valor de R$ 5.162,09. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foram localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em Manifestação de Inconformidade sustenta a recorrente que a empresa possui créditos referentes ao PIS e COFINS recolhidos a maior no período de novembro de 2002 a setembro de 2005. Diz também que por uma lapso deixou de retificar a DCTF número 0000.100.2003.41532969 de 14 de agosto de 2003, a qual deveria constar o valor correto dos débitos para o PIS e a COFINS. Retificando a DCTF em 20 de maio de 2009. A contribuinte colecionou aos autos cópia do DARF de pagamento, fl. 25. Em síntese é o fundamento da defesa e pede que seja julgado procedente. A decisão hostilizada decidiu ao fundamento de que a DCTF retificadora apresentada fora do prazo legal não possui condão de alterar o decidido. Afirma que o contribuinte só retificou a DCTF em 20.05.2009, sendo que a originalmente apresentada foi transmitida em 14.11.2003. Disse, ainda, por se tratar de lançamento por homologação, aplica se a regra do § 4º do art. 150 do CTN. Inconformada com a decisão apresenta Recurso Voluntário, alegando em síntese que no período de 01 a 30 de abril de 2003 declarou faturamento de R$ 172.069,23, tendo recolhido a quantia de R$ 5.162,09 referente ao COFINS. Segundo a recorrente em 13/01/2006 constatou o equivoco em razão da inclusão à base de cálculo de receitas de incidência alíquota zero de tributação. Em seguida elabora demonstração da base de cálculo. Não juntada de documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Relator, Domingos de Sá Filho. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10680.912949/200942 Acórdão n.º 3403002.829 S3C4T3 Fl. 5 3 Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, impondo o conhecimento. No caso subexamine tratase de matéria de fato, razão pela qual a Administração necessita, além de identificar a origem do crédito que se pretende ver restituído ou compensado, prova concreta de que tenha acontecido o evento. O relato da peça de Inconformidade, bem como, as razões recursais informa que o direito é oriundo de pagamento a maior, se assim é o motivo encontra diretamente vinculado à base de cálculo da contribuição, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica independentemente da sua denominação ou classificação contábil, excluindose deste contexto as receitas permitidas pela legislação vigente. A simples demonstração do faturamento conforme elaborada pela recorrente não é o bastante a possibilitar a Autoridade Administrativa aferir se os valores informados em DCTF são condizentes com a realidade fática a concluir que o pagamento sucedido por meio de DARF se revela superior ao efetivamente devido. Precisase, ter certeza que o pagamento a maior ou indevido ocorreu, para tanto, impõe a comprovação, no caso a base de cálculo descrito nas razões recursais, em assim sendo, faziase necessário vir acompanhada das cópias dos livros fiscais (saída, apuração de ICMS, ISS) cópia dos razões e do livro diário referente ao período que se alega que o recolhimento da contribuição foi à maior do que o devido, esses documentos se revelam indispensáveis a lide. Compulsando os autos não se vislumbra qualquer documento capaz de corroborar com o alegado. De modo que, havendo uma afirmativa do contribuinte de que possui o direito a restituição/compensação de um determinado crédito, e, do outro lado a negativa da Administração Fiscal de que não teve êxito em saber a origem do crédito que se pretende compensar, visto que, o pagamento realizado foi absolvido pelo débito confessado, impõe, no caso concreto, aquele que deseja proceder à compensação ou ser restituído o ônus da prova. Portanto, andou bem o julgador de piso quando deixa de reconhecer por ausência de comprovação do pedido, portanto, para o sucesso do pedido fazse necessário que esse venha devidamente instruído com os documentos capazes, por si só, de comprovar o direito que se pretende. No caso deste caderno, a demonstração da base de cálculo tãosó, desacompanhada de documentos fiscais e da contabilidade não possui o condão de modificar o indeferimento, pois a prova da existência do direito se revela requisito indispensável. É de toda sabença que o fato deve ser provado, e, a regra do ônus de provar é do interessado. Cabe ao julgador valorizar e apreciar as provas dos autos no sentido de formar seu convencimento. Assim, a meu sentir, além da demonstração da base de cálculo, fizesse juntar documentos fiscais a permitir averiguar a ocorrência de fato, confirmar o argumento aduzido pela recorrente, sem o qual, tenho como mera presunção da existência do direito do crédito tributário. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 O direito consagrado pelo dispositivo do art. 170 do Código Tributário Nacional exigese que apure previamente, por via administrativa ou judicial, a liquidez e certeza do crédito tributário, a Fazenda Nacional não pode dispensar esse exame. Segundo a doutrina, o crédito das pessoas físicas e jurídicas se revela um direito oponível contra a Fazenda Pública, é como ensina Plínio Gustavo Prado Garcia: “A imputação de crédito de pessoa física ou de pessoa jurídica diante do fisco, para fins de compensação tributária, é um direito de seu titular oponível contra a Fazenda Pública, no contexto do exercício de um direito potestativo. Não tem o Poder Público o direito de reter parcelas do patrimônio alheio, sem justa causa. Inexiste justa causa nas hipóteses de recebimento de crédito indevido ou maior do que o devido, ou de tributo ilegal ou inconstitucional”. (Compensação e Imputação de Crédito, em Revista Dialética de Direito Tributário nº 41, 1999, p.64). Entretanto, inexistindo prova cabal da existência do crédito, não pode o fisco realizar o encontro do crédito do contribuinte e o débito que se pretende extinguir. Em sendo assim, não vislumbro a possibilidade de acudir o pleito. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto Domingos de Sá Filho Fl. 41DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 19311.000514/2009-26
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 28/02/2009
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA FÍSICA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO. FUNDAMENTO LEGAL. ART. 33 DA LEI Nº 8.212/91. CRITÉRIOS LEGAIS. OBSERVÂNCIA.
A fiscalização afirma que o contribuinte não apresentou documentos mesmo depois de intimado. Ao descumprir a determinação da autoridade administrativa, foi emitido o Aviso de Regularização de Área - ARO nº 269.910, com fundamento na DISO.
Não tendo o contribuinte regularizado da obra inscrita na matrícula CEI 37.900.00078/66 foi emitido o Auto de Infração, por arbitramento, fundamentando-se tal decisão no art. 33, § 3º e 4º da lei 8.212/91, lançamento que se refere à competência 2009.
Percebe-se que a autoridade administrativa incumbida do lançamento observou criteriosamente as determinações contidas na legislação de regência, bem como analisou exaustivamente todos os argumentos de defesa.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.194
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Natanael Vieira dos Santos e Léo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 28/02/2009 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA FÍSICA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO. FUNDAMENTO LEGAL. ART. 33 DA LEI Nº 8.212/91. CRITÉRIOS LEGAIS. OBSERVÂNCIA. A fiscalização afirma que o contribuinte não apresentou documentos mesmo depois de intimado. Ao descumprir a determinação da autoridade administrativa, foi emitido o Aviso de Regularização de Área - ARO nº 269.910, com fundamento na DISO. Não tendo o contribuinte regularizado da obra inscrita na matrícula CEI 37.900.00078/66 foi emitido o Auto de Infração, por arbitramento, fundamentando-se tal decisão no art. 33, § 3º e 4º da lei 8.212/91, lançamento que se refere à competência 2009. Percebe-se que a autoridade administrativa incumbida do lançamento observou criteriosamente as determinações contidas na legislação de regência, bem como analisou exaustivamente todos os argumentos de defesa. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Natanael Vieira dos Santos e Léo Meirelles do Amaral.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA FÍSICA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO. FUNDAMENTO LEGAL. ART. 33 DA LEI Nº 8.212/91. CRITÉRIOS LEGAIS. OBSERVÂNCIA. 1. A fiscalização afirma que o contribuinte não apresentou documentos mesmo depois de intimado. Ao descumprir a determinação da autoridade administrativa, foi emitido o Aviso de Regularização de Área ARO nº 269.910, com fundamento na DISO. 2. Não tendo o contribuinte regularizado da obra inscrita na matrícula CEI 37.900.00078/66 foi emitido o Auto de Infração, por arbitramento, fundamentandose tal decisão no art. 33, § 3º e 4º da lei 8.212/91, lançamento que se refere à competência 2009. 3. Percebese que a autoridade administrativa incumbida do lançamento observou criteriosamente as determinações contidas na legislação de regência, bem como analisou exaustivamente todos os argumentos de defesa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 05 14 /2 00 9- 26 Fl. 27DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.000514/200926 Acórdão n.º 2803003.194 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Natanael Vieira dos Santos e Léo Meirelles do Amaral. Fl. 28DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.000514/200926 Acórdão n.º 2803003.194 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições para outras entidades e fundos (INCRA, SEBRAE, SESI, SENAI e SALÁRIO EDUCAÇÃO), não recolhidas em época própria, tendo sido o débito lançado por arbitramento e apurado por aferição indireta para regularização de obra de construção civil, conforme preceitua o § 4º do art. 33 da lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 25 de abril de 2012 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do Fato Gerador: 28/02/2009 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA FÍSICA. DECADÊNCIA. NÃO CABIMENTO. A apuração da remuneração da mãodeobra empregada na execução de obra de Construção Civil, sob responsabilidade de pessoa física, obedecerá aos procedimentos estabelecidos para regularização de obra por aferição indireta com base na área construída e no padrão da obra. O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A área total construída atual é de 285,30 m2. O valor apresentado na intimação (689.210,51) é incoerente. A área total construída de 260,30 já estava concluída em julho de 2000. Em 2003 a PMM fez vistoria e lançou a área total construída de 260,30 m2 para o exercício de 2004. Fl. 29DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.000514/200926 Acórdão n.º 2803003.194 S2TE03 Fl. 5 4 Em 2004 foi construída uma edícula separada da residência, de 25 m2. Em 2007 até o presente (2012) permanecem inalterados os lançamentos de área no IPTU. Os cálculos de área total construída foram estimados com base no projeto, por falta de provas de conclusão de área construída. Obtivemos agora e anexamos cópia da certidão de vistoria e lançamento de IPTU da PMM desde 2004 até o presente, 2012, onde constam as seguintes áreas construídas: em 2004 – 260,30 m2 – em 2012 – 285,30 m2. Conforme o § 3º do art. 390 da IN RFB nº 971 de 13/11/2009, juntamos cópias dos comprovantes: certidão emitida pela PM Mairiporã em agosto / 2012 ref. Às áreas construídas em 2004 e 2012s lançados pela PM Mairiporã de 2007, 2008 e 2012. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado e seja recalculado o imposto devido com base nas novas provas apresentadas. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 30DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.000514/200926 Acórdão n.º 2803003.194 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em seu recurso o contribuinte contesta a decisão de primeira instância apontando a área total construída atual (285,30m2) e afirma também que o valor apresentado na intimação é incoerente. Aduz ainda que a área total construída de 260,30 já estava concluída em julho de 2000. Além dos argumentos acima referidos o contribuinte afirma que em 2003 a PMM fez vistoria e lançou a área total construída de 260,30m2 e que em 2004 foi construída uma edícula separada da residência, de 25m2. Assevera também que de 2007 a 2012 permanecem inalterados os lançamentos de área no IPTU e que os cálculos de área total construída foram estimados com base no projeto por falta de provas de conclusão de área construída. Por seu turno, a fiscalização afirma que o contribuinte não apresentou documentos mesmo depois de intimado. Ao descumprir a determinação da autoridade administrativa, foi emitido o Aviso de Regularização de Área – ARO nº 269.910, com fundamento na DISO. Não tendo o contribuinte regularizado da obra inscrita na matrícula CEI 37.900.00078/66 foi emitido o Auto de Infração, por arbitramento, fundamentandose tal decisão no art. 33, § 3º e 4º da Lei 8.212/91, lançamento que se refere à competência 2009. Percebese que a autoridade administrativa incumbida do lançamento observou criteriosamente as determinações contidas na legislação de regência, bem como analisou exaustivamente todos os argumentos de defesa. Contudo, em acurada análise dos fatos, restou amplamente evidenciado que o contribuinte não conseguiu comprovar suas alegações, situação que condicionou o julgador a quo a entender como improcedentes as alegações de defesa. No ponto, é relevante observar a parte final do acórdão recorrido, in verbis: Não comprovado pelo Impugnante – proprietário nem durante o lançamento nem durante a fase de impugnação a efetiva área construída nem a data do término da obra foi emitido o Aro – Aviso para regularização da obra e considerada a área de 384,30m2 como a da residência construída, a área de 201,60m2 (subsolo + quiosque) reduzida em 50% e a área da piscina de 60m2 reduzida em Fl. 31DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.000514/200926 Acórdão n.º 2803003.194 S2TE03 Fl. 7 6 75%, conforme previsto na legislação, totalizando 464,10m2 de área a regularizar (384,40 + 100,80 + 45). Assim agiu com acerto a autoridade fiscal vez que reconheceu a decadência do direito de constituição do crédito referente a obra executada de 07/1999 a 01/2004 – 220,05m2. Somente foi exigido neste Auto de Infração a parte da obra executada em período não comprovado como decadente, ou seja, 02/2004 a 01/2009 – 244,05m2. Com efeito, os procedimentos da fiscalização que ensejou o lançamento, seus incidentes, bem como a decisão recorrida, estão corretos, motivo pelo qual os acompanho. Não tendo o contribuinte comprovado suas alegações, o auto de infração deve ser mantido pelos seus próprios fundamentos. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10650.901310/2012-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO.
Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição.
CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS.
Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento.
CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO.
Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2080; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 196 1 195 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10650.901310/201294 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.242 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de março de 2014 Matéria PIS PER Recorrente COOPERATIVA AGRO PECUÁRIA DE ARAXÁ LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 13 10 /2 01 2- 94 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ em Juiz de Fora (MG) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que indeferiu o Pedido de Ressarcimento (PER) do saldo credor do PIS não cumulativo, apurado para o 2º trimestre de 2007, às fls. 02/05. A DRF em Uberaba (MG) glosou os créditos apurados e escriturados pela recorrente sob o argumento de que os custos dos bens e serviços sobre os quais foram calculados não geram créditos daquela contribuição, nos termos da legislação tributária vigente, conforme Despacho Decisório às fls. 14/48. Inconformada com o indeferimento do seu pedido, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade, requerendo a sua reforma a fim de que fosse reconhecido o seu direito ao ressarcimento pleiteado, alegando razões, assim resumidas por aquela DRJ: O crédito do PIS não cumulativo reconhecido através de despacho decisório da Autoridade Administrativa, relativo ao período de 01/2006 a 31/12/2008 totalizou R$464.975,59, portanto, tratase de matéria incontroversa. ........................ Quanto ao lançamento de ofício que apurou PIS devido a pagar relativo ao fato gerador ocorrido em 02/2008, que resultou na exigência tributária de R$58.834,26, sendo R$25.255,23 de PIS não cumulativo devido e R$18.941,42 de multa de ofício e R$11.637,61 de juros de mora, a impugnante concorda com a exigência tributária e já efetuou a compensação com o crédito do PIS não cumulativo reconhecido pelo Delegado da Receita Federal em Uberaba – Minas Gerais (matéria incontroversa), tendo como fulcro o artigo 6º da Lei nº 8218/91 e alterações posteriores e o artigo 170 do CTN... ............................... A petição apresentada pela requerente, onde impugna o ato decisório que negou o direito ao ressarcimento de parte do pedido formulado na inicial que se constituiu no processo nº 13646.000074/200949, está em conformidade com o que dispõe o artigo 15 do Decreto nº 70.235/72, portanto, deve ser admitida como tempestiva. ...a impugnante se insurge contra o ato da autoridade administrativa que não consignou no seu despacho Decisório o crédito de PIS não cumulativo homologado tacitamente, relativamente a este período (4º trimestre de 2004 e período de janeiro a dezembro de 2005), visto que é parte integrante do objeto do pedido de que trata o processo administrativo nº 13646.000074/200949. A impugnante se insurge, também, no que tange ao direito creditório contra a Fazenda Pública Federal, relativo ao período de 01/2006 a 08/2007, que foi atingido pela decadência e a Autoridade Fiscal, através do despacho decisório, de forma Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901310/201294 Acórdão n.º 3301002.242 S3C3T1 Fl. 197 3 extemporânea, não reconheceu o direito creditório, violando o §4º do artigo 150 e § único do artigo 149, ambos do CTN e o princípio da segurança jurídica. A impugnante se insurge, ainda, contra o despacho decisório da autoridade fiscal que não admitiu a restituição dos créditos do PIS não cumulativo, não atingidos pela decadência, já que decisão recente do CARF reconheceu alargamento da base de cálculo da contribuição para efeitos dos créditos incidentes sobre custos, despesas e encargos na manutenção da empresa, portanto, o despacho decisório emanado pela Autoridade Fiscal, relativamente a esta matéria deve ser revisto para restabelecer tais créditos. ......................... Como a impugnante não tem como utilizar os créditos do PIS na compensação de débitos administrados pela SRFB, a vedação ao ressarcimento em espécie dos créditos pela Autoridade Fiscal, sob o argumento de que inexiste norma procedimental regulamentadora a ser adotada para conceder o ressarcimento em espécie, além de tornar a lei inócua, a conduta omissiva da Administração falta de emissão dos atos administrativos regulamentadores do exercício do direito da contribuinte caracteriza enriquecimento sem causa da própria Administração EM RAZÃO DE SUA TORPEZA. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0944.915, datado de 04/07/2013, às fls. 138/153, sob as seguintes ementas: “ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. PRAZO. A legislação vigente não prevê prazo para a necessária verificação da liquidez e certeza do direito creditório postulado. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPETÊNCIA. Compete às Turmas das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ apreciar a manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento de direito creditório ou a não homologação da compensação, e não apreciar originariamente pedido de ressarcimento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. GLOSAS EFETUADAS. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pela interessada. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. INCIDÊNCIA. NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Para efeito da não cumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto em fabricação.” Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 159/179), requerendo, literalmente: “I – Determinem à Autoridade administrativa competente que efetue a homologação da compensação e declare a extinção do crédito tributário na forma do artigo 156, II do CTN – Lei n 5.172/66; II – Que seja reconhecido o direito ao ressarcimento em espécie da quantia de R$409.141,33, tendo como fulcro o artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005; III – Seja reconhecida a decadência do direito de revisar o lançamento homologado tacitamente, relativo ao PIS não cumulativo cujos fatos geradores ocorreram no período de 01/2006 a 08/2007, com fulcro no § 4º do artigo 150 e do artigo 149, § único ambos do CTN, em razão da inexistência de crédito tributário constituído via auto de infração, fato que exclui a aplicabilidade do artigo 173, I do CTN – Lei nº 5.172/66 à matéria objeto do contraditório; IV – Reconhecida a homologação tácita do lançamento, sejam restabelecidos os créditos glosados pela Fiscalização a título de PIS não cumulativo de R$ 1.303.972,04, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2006 a 08/2007, e sejam ressarcidos em espécie face o que dispõe o artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005. V – Subsidiariamente, caso seja reconhecido o direito da Fazenda Pública de efetuar a revisão do lançamento relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2007 a 08/2007, tendo como fulcro o artigo 173, I do CTN, que seja reconhecido expressamente o direito ao ressarcimento em espécie previsto no artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005, dos créditos no valor de R$ 717.077,03, cujos fatos geradores ocorreram no período de 2006 (Janeiro a Dezembro); VI – Seja revisado o despacho decisório para incluir e/ou restabelecer o direito creditório, relativo ao PIS/PASEP não cumulativo, cujos fatos geradores ocorreram no período de 01/2006 a 08/2007, tendo como fulcro o § 4º do artigo 150 e o parágrafo único do artigo 149 do CTN, face à inaplicabilidade do artigo 173, I do CTN à matéria objeto do contraditório; VII – Quanto à matéria não atingida pela decadência, seja restabelecido o direito creditório das contribuições do PIS/PASEP não cumulativo, visto que esta Egrégia Corte decidiu por unanimidade, com base no voto do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior ao Julgar o Recurso Voluntário nº 369.519, pela ampliação do conceito de insumos, para efeitos de apuração da base de cálculo e do crédito do PIS/PASEP não cumulativo, adotando as regras para apuração de custos, despesas e encargos utilizados pela legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, para efeitos de apuração do lucro real, entendimento que restabelece, em parte, o princípio previsto na alínea ‘c’ do inciso III do artigo 146 da Constituição Federal e o princípio da reserva absoluta de lei formal previsto no artigo 150, I da CF aplicável à lide. VIII – Os créditos do PIS/PASEP objeto da lide sejam ressarcidos à Autuada em espécie, conforme dispõe o artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005, e Fl. 199DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901310/201294 Acórdão n.º 3301002.242 S3C3T1 Fl. 198 5 com fulcro no princípio geral de direito que veda o enriquecimento sem causa, aplicável, indistintamente, ao direito público e ao direito privado.” Para fundamentar seu recurso expendeu extenso arrazoado sobre: “1 – DOS FATOS; II – DA APLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL DA CELERIDADE PROCESSUAL, DA FUNGIBILIDADE DOS RECURSOS E DA UTILIDADE (EFETIVIDADE) DO PROCEDIMENTO À LIDE (MATÉRIA DECORRENTE DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE QUE TRATA O PROCESSO DE nº 13646.000074/200949); III – DO CONTRADITÓRIO: III.1 – DA COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO DEVIDO APURADO EM AUTO DE INFRAÇÃO, COM CRÉDITO DE PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO, RECONHECIDOS PELA FAZENDA NACIONAL (MATÉRIA INCONTROVERSA); III.2 – DOS CRÉDITOS DE PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO, RECONHECIDOS PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA E OBJETO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO EM ESPÉCIE; III.3 – DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR; III.4 – CRÉDITOS DA COFINS NÃO CUMULATIVA OBJETO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO, NÃO ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA”; concluindo, ao final, que tem direito ao ressarcimento pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Em que pese o extenso recurso voluntário apresentado pela recorrente, inclusive, tratando de matérias estranhas à discutida neste processo, tais como: (i) homologação de compensação e extinção do crédito tributário; (ii) decadência do direito de revisar o lançamento homologado tacitamente; (iii) reconhecimento da homologação tácita do lançamento e restabelecimento dos créditos do PIS glosados para o período de 01/2006 a 08/2007 e seus ressarcimentos; (iv) o reconhecimento do direito ao ressarcimento, em espécie, previsto no artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005, de créditos, no valor de R$ 717.077,03, referente ao período janeiro a dezembro de 2006, a questão a ser decidida, neste processo, é o ressarcimento do saldo credor do PIS não cumulativo, apurado para o 2º trimestre de 2007, no valor original de R$271.935,27, ficando prejudicada a análise e julgamento de outras matérias. Conforme consta do Despacho Decisório, às fls. 14/48, e também da decisão recorrida, o indeferimento do pedido de restituição, objeto deste processo, teve como fundamento a inexistência do saldo credor reclamado, tendo em vista as glosas efetuadas pela Fiscalização sob os argumentos de que os custos dos bens e serviços sobre os quais foram apurados os créditos não estão amparados na Lei nº 10.637, de 30/12/2002. Segundo aquele despacho, foram glosados créditos sobre os custos/despesas de: 1) produtos adquiridos de pessoas físicas; 2) produtos recebidos de associados (leite, café, caroço de algodão, milho, etc); 3) bens revendidos com suspensão da contribuição (leite, milho e café); 4) bens para revenda (leite, café, caroço de algodão e milho); 5) bens para venda adquirido com alíquota zero; 6) receita somada irregularmente aos bens (bônus recebidos na Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 comercialização do leite dos associados); 7) bens utilizados como insumo, de fato contabilizado sob esta rubrica, mas revendidos (calcário bicálcio, fosfato e uréia); 8) bens fornecidos por pessoas físicas e jurídicas associadas (lenha de eucalipto); 9) serviços utilizados como insumos (fretes sobre aquisições de bens para revenda); 10) despesas com contraprestações de arrendamento mercantil; 11) bens do ativo imobilizado encargos de depreciação; 12) bens do ativo imobilizado depreciações com base no valor de aquisição; e, 13) devoluções de vendas de bens sujeitos à alíquota zero. A recorrente, em seu recurso voluntário, não fundamentou sua discordância contra cada uma das glosas, se limitando a afirmações genéricas, literalmente: “Quanto à matéria não atingida pela decadência, seja restabelecido o direito creditório das contribuições do PIS/PASEP não cumulativo, visto que esta Egrégia Corte decidiu por unanimidade, com base no voto do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior ao Julgar o Recurso Voluntário nº 369.519, pela ampliação do conceito de insumos, para efeitos de apuração da base de cálculo e do crédito do PIS/PASEP não cumulativo, adotando as regras para apuração de custos, despesas e encargos utilizados pela legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, para efeitos de apuração do lucro real, entendimento que restabelece, em parte, o princípio previsto na alínea ‘c’ do inciso III do artigo 146 da Constituição Federal e o princípio da reserva absoluta de lei formal previsto no artigo 150, I da CF aplicável à lide.” A Lei nº 10.637. de 30/12/2002, que instituiu o regime não cumulativo para a contribuição para o PIS, assim dispõe, quanto aos créditos e ressarcimento: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: [...]. II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. [...]; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. [...]. § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: Fl. 201DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901310/201294 Acórdão n.º 3301002.242 S3C3T1 Fl. 199 7 I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...]; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: [...]; II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; [...]. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [...].” Por sua vez, a Lei nº 10.833, de 29/12/2003, estabelece: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]. § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. § 18. O crédito, na hipótese de devolução dos produtos de que tratam os §§ 1o e 2o do art. 2o desta Lei, será determinado mediante a aplicação das alíquotas incidentes na venda sobre o valor ou unidade de medida, conforme o caso, dos produtos recebidos em devolução no mês. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 [...}. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: [...]; II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; VI no art. 13 desta Lei.” Já a Lei nº 10.925, de 23/07/2004, assim determina: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901310/201294 Acórdão n.º 3301002.242 S3C3T1 Fl. 200 9 classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: [...]; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...]. Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1o O direito ao crédito presumido de que trata o caput deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 2o O montante do crédito a que se refere o caput deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das aquisições, de alíquota correspondente a 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa na hipótese de venda de produtos in natura de Fl. 204DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 origem vegetal, efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade rural e cooperativa de produção agropecuária, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. § 4o É vedado o aproveitamento de crédito pela pessoa jurídica que exerça atividade rural e pela cooperativa de produção agropecuária, em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. [...].” De acordo com o Despacho Decisório às fls. 14/48, todos os créditos do PIS glosados pelo autuante correspondem a créditos básicos, calculados à alíquota de 1,65 % sobre os custos/despesas de bens e serviços destinados à revenda e/ ou utilizado na produção de bens. Nem o autuante nem a recorrente referiramse ao crédito presumido da agroindústria. Segundo o inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, citado e transcrito anteriormente, aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição, não dão direito a créditos passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Assim, passemos a análise de cada uma das rubricas cujos valores foram glosados: 1) produtos adquiridos de pessoas físicas; segundo o § 3º, incisos I e II, do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, somente dão direito a créditos os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas e os custos e despesas incorridas e pagas pessoas jurídicas, todas domiciliadas no País, desde que tributados; 2) produtos recebidos de associados (leite, café, caroço de algodão e milho); de acordo com art. 9º, II e III, da Lei nº 10.925, de 2004, além de grande parte ter sido adquirida/recebida de pessoas físicas, tratase de produtos comercializados com suspensão da contribuição, assim não dão direito a crédito, inclusive, os adquiridos/recebidos de pessoas jurídicas; 3) bens revendidos com suspensão da contribuição (leite, milho e café) também não geram créditos por serem comercializados com suspensão da contribuição e/ ou adquiridos de pessoas físicas, mesmo fundamento do item 2; 4) bens para revenda (leite, café, caroço de algodão e milho) também sob o mesmo fundamento dos itens 2 e 3 não geram créditos; 5) bens para venda adquiridos com alíquota zero, de acordo com § 2º, II, do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, não geram créditos; 6) bônus recebidos na comercialização do leite dos associados e a estes repassados, por representarem custo do leite entregue, também não geram créditos porque o leite comercializado saiu com suspensão da contribuição e/ ou foi adquirido de pessoas físicas; 7) bens utilizados como insumo, de fato, contabilizados assim, mas revendidos (milho, calcário bicálcio, fosfato e uréia); o milho, por ter sido comercializado com Fl. 205DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901310/201294 Acórdão n.º 3301002.242 S3C3T1 Fl. 201 11 suspensão da alíquota, não gera crédito; também o cálcário bicálcio e o fosfato por ter sido adquiridos com alíquota zero não geram créditos; já os custos com aquisições da uréia geram créditos da contribuição, nos termos do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, passíveis de dedução/ressarcimento; 8) lenha de eucalipto adquirida de pessoas, física e jurídica; as aquisições de pessoas físicas não geram créditos, conforme já fundamentado anteriormente; já as aquisições de pessoas jurídicas geram créditos, conforme dispositivo citado no item anterior (7), desde que o insumo tenha sido utilizado na fabricação de produto destinado à venda e sujeito à contribuição, o que não ocorreu; 9) fretes sobre aquisições de bens para revenda, desonerados da contribuição; estes custos compõem o custo das mercadorias vendidas e, portanto, gerariam créditos, contudo como se trata de insumos desonerados da contribuição, não geram créditos; 10) de contraprestações de arrendamento mercantil; conforme demonstrado no Despacho Decisório, na realidade, tratase de encargos de depreciações, contudo não foram provadas as aquisições dos bens; também, a recorrente não contestou esta fundamentação; 11) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado; segundo o Despacho Decisório, as glosas correspondem aos valores apurados sobre bens cujas aquisições não foram comprovadas (planilha às fls. 38) e de bens não utilizados na fábrica de ração (produção – planilha às fls. 39); segundo o VI do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, somente máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços geram créditos; 12) depreciações de bens do ativo imobilizado com base no valor de aquisição, tratase de depreciação acelerada, correspondente a 1/48 do valor de aquisição; contudo todas as despesas foram apropriadas sobre aquisições efetuadas até 30/04/2004; segundo o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, somente geram créditos as aquisições efetuadas depois daquela data; 13) devoluções de vendas de bens sujeitos à alíquota zero, somente dão direito a créditos as devoluções de bens que foram tributados pela contribuição quando de suas vendas. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário apenas e tão somente par reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos da contribuição sobre os custos com aquisição de uréia, cabendo à autoridade administrativa competente, apurar o valor total, efetuar sua compensação e/ ou ressarcilo nos termos da legislação tributária vigente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 206DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 12 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002334/2003-44
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 1998
COFINS. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL.
Reconhecido que o valor devido a título de COFINS foi parcialmente pago, e que não se configurou dolo, fraude ou simulação, aplicável se torna o art. 150, § 4o do Código Tributário Nacional, para configuração da decadência.
Numero da decisão: 3403-002.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Esteve presente ao julgamento o Dr. Leandro Bettini, OAB/DF no 34.515.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. Reconhecido que o valor devido a título de COFINS foi parcialmente pago, e que não se configurou dolo, fraude ou simulação, aplicável se torna o art. 150, § 4o do Código Tributário Nacional, para configuração da decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Esteve presente ao julgamento o Dr. Leandro Bettini, OAB/DF no 34.515. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 23 34 /2 00 3- 44 Fl. 534DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração (fls. 36 a 451), lavrado em 13/06/2003 (com ciência em 01/07/2003 fl. 112), para exigência de COFINS referente a 1998 (primeiro, terceiro e quarto trimestres), no valor original a título de principal de R$ 3.806.251,19, em decorrência de auditoria interna de DCTF, na qual se detectou “Proc. inexist. no Profisc” e “Proc. de outro CNPJ”, mencionandose 16 números de processos administrativos de ressarcimento de IPI. Em sua impugnação (fls. 02 a 07), registrada em 28/07/2003, a empresa alega, em suma, que os processos de ressarcimento são de estabelecimento filial (no 61.074.829/000808 e no 61.074.829/001871) e que as compensações ainda estão em andamento, não havendo que se exigir em autuação créditos que derivariam da negativa em processos de compensação ainda não analisados em definitivo administrativamente. A unidade local, considerando o teor da impugnação, efetua revisão antes do encaminhamento à DRJ, cadastrando os processos das filiais no Profisc, e cancelando parte da autuação na revisão de ofício (fl. 138). A DRJ, ao analisar preliminarmente o processo, em 28/01/2005 (fls. 162/163), detectou inconsistências na revisão de ofício inicialmente efetuada pela unidade, e demandou informações sobre a situação dos pedidos de compensação, sugerindo eventual segunda revisão de ofício dos valores extintos por compensação. Em 15/06/2005, atendendo à recomendação da DRJ, a unidade local declara extintos por compensação os débitos referentes aos períodos de apuração agosto/98 e setembro/98, extinguindo ainda saldos devedores (fl. 170). O julgamento de primeira instância ocorre, então, em 22/07/2005 (fls. 217 a 223), decidindo a DRJ (somente na parte ainda restante da autuação: débito de R$ 458.636,82, relativo ao período de janeiro/98) pela parcial procedência, mantendo a exigência em virtude da não comprovação da compensação à qual o débito foi vinculado, e exonerando a multa de ofício decorrente da compensação não comprovada, por retroatividade benigna (art. 18 da MP no 135/2003, convertida na Lei no 10.833/2003, com a redação dada pela Lei no 11.051/2004). Cientificada da decisão de primeira instância em 14/09/2005 (cf. AR à fl. 226), a empresa apresenta recurso voluntário (fls. 232 a 250), sustentando: (a) preliminarmente a ocorrência de decadência (na forma do art. 150, § 4o do Código Tributário Nacional); (b) ter havido erro de fato no preenchimento da DCTF, notadamente quanto ao valor do tributo apurado (o valor devido no período de jan/1989 era de R$ 771.338,38, do qual foi recolhida a parcela de R$ 312.701,56 cf. DARF anexado tanto na impugnação quanto no recurso voluntário fl. 319, e compensado o montante de R$ 458.636,82, ao invés de R$ 771.338,38) e quanto ao crédito vinculado à compensação (erro na vinculação de parte do crédito ao processo administrativo no 11080.007663/9816, quando a vinculação deveria ter sido à ação judicial no 94.00093217, conforme atesta o próprio DARF de recolhimento); (c) tais erros de fato eram identificáveis pelo julgador de piso (ainda que entendida necessária a complementação via diligência); (d) a compensação foi regularmente efetuada, esclarecendo a origem do crédito de FINSOCIAL (decorrente da incorporação de empresas), e que, na impossibilidade administrativa de compensação do FINSOCIAL com COFINS, demandoua 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 535DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10882.002334/200344 Acórdão n.º 3403002.767 S3C4T3 Fl. 535 3 em juízo na referida ação (obtendoa, com trânsito em julgado em 12/11/1997), podendo efetuar a compensação independente de autorização da Administração (cf. IN SRF no 21/1997 e no 32/1997); (e) o crédito não decorre da ação judicial, que versa tão somente sobre o direito de compensar; e (f) a utilização da Taxa SELIC a título de juros de mora é ilegal e inconstitucional. O processo é apreciado em 25/01/2006 pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que decide converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução no 20200.912 (sob relatoria da Cons. Maria Cristina Roza da Costa fls. 380 a 386), para verificar se a escrituração fiscal da recorrente atestava sua argumentação de erro de fato e o vínculo e a pertinência da compensação com a ação judicial. A unidade local intima a empresa a apresentar documentos para verificação dos itens demandados na diligência (fl. 394). Em resposta, agregamse os documentos de fls. 432 a 502. Verificando os cálculos de recolhimentos indevidos de FINSOCIAL, com as comprovações possíveis nos sistemas da RFB, a unidade local apurou que a compensação dos valores determinada pela ação judicial não foi suficiente para saldar o débito do período de apuração de janeiro/98, restando débito de R$ 16.465,91 (fl. 529). Ciente do relatório da diligência em 04/07/2012 (cf. AR de fl. 531), a recorrente não apresenta qualquer manifestação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator São matérias que restariam controversas no presente processo: (a) a alegação preliminar de decadência; (b) a existência/comprovação do erro de fato; (c) a regularidade da compensação efetuada em relação a janeiro/98; e (d) a utilização da Taxa SELIC a título de juros de mora. Há que se destacar, contudo, que a unidade local, pelo que se interpreta da acolhida da compensação obtida em juízo (fl. 529), apenas com ressalvas em relação a liquidez / cálculos (matéria não analisada em juízo), reconhece o erro de fato e a regularidade da compensação. Assim, não se está mais a discutir estes dois tópicos (“b” e “c”), tendo em vista que a própria autoridade local reconhece a compensação da forma em que foi efetuada e a existência do erro de fato. Por iniciativa própria, a autoridade responsável pela diligência já imputa os valores calculados referentes à compensação e chega a um saldo devedor de R$ 16.465,91, que não é objeto de contestação específica pela recorrente no retorno da diligência. Sendo a matéria referente à Taxa SELIC já sumulada no âmbito deste CARF (Súmula no 4), reconhecendose a legalidade de sua aplicação, e sendo vedado ao julgador a apreciação de constitucionalidade (Súmula no 2 do CARF), resta um único tópico a discutir no presente processo: a decadência. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 Reconhecido que o valor devido em janeiro de 1998 a título de COFINS (código 2172) foi parcialmente pago em 10/02/1998, conforme DARF de fl. 319, que não se configurou dolo, fraude ou simulação, e que a ciência da autuação se deu em 01/07/2003, aplicável se torna o art. 150, § 4o do Código Tributário Nacional, configurando a decadência. Do montante declarado de R$ 771.338,38, foram pagos R$ 312.701,56 e indicados à compensação em virtude da ação judicial R$ 458.636,82. Acatandose o resultado da diligência demandada à unidade local, o valor da autuação deveria ser reduzido a R$ 16.465,91. Mas tal montante revelouse fulminado pela decadência. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 537DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000797/2004-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
CSLL. ALEGAÇÃO DE OFENSA A COISA JULGADA. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF. É de observância obrigatória pelo CARF as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ, de matéria infracostitucional, na sistemática prevista pelo art. 543-C do C.P.C. (RICARF, art. 62-A) Declarada a inexistência de relação jurídico-tributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afasta-se a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. (STJ, REsp. nº 1.118.893-MG)
Numero da decisão: 1302-000.658
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 CSLL. ALEGAÇÃO DE OFENSA A COISA JULGADA. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF. É de observância obrigatória pelo CARF as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ, de matéria infracostitucional, na sistemática prevista pelo art. 543-C do C.P.C. (RICARF, art. 62-A) Declarada a inexistência de relação jurídico-tributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afasta-se a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. (STJ, REsp. nº 1.118.893-MG)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1804; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 385 1 384 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000797/200413 Recurso nº 156.954 Voluntário Acórdão nº 130200.658 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 3 de agosto de 2011 Matéria CSLL Recorrente CONSÓRCIO NACIONAL VOLKSWAGEN LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 CSLL. ALEGAÇÃO DE OFENSA A COISA JULGADA. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. É de observância obrigatória pelo CARF as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ, de matéria infracostitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C do C.P.C. (RICARF, art. 62A) Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. (STJ, REsp. nº 1.118.893MG) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” IRINEU BIANCHI Relator. “documento assinado digitalmente” Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Daniel Salgueiro da Silva, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Wilson Fernandes Guimarães. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000797/200413 Acórdão n.º 130200.658 S1C3T2 Fl. 386 2 Relatório CONSÓRCIO NACIONAL VOLKSWAGEN LTDA, já qualificada nos autos, inconformada com a decisão de primeira instância, que lhe foi desfavorável, recorre ao CARF, visando à reforma da mesma. Tratam os autos de exigência de CSLL, relativa aos anoscalendário de 1999 à 2003, consoante o Auto de Infração de fls. 142/150. Segundo o Termo de Verificação de fls. 136/137, o lançamento decorreu da falta de recolhimento da referida contribuição, a qual não foi declarada pela Fiscalizada, nem, tampouco, deduzida na apuração do lucro real nos períodos acima, sob a alegação de que se achava dispensada de seu recolhimento, em função de ser ela beneficiária de decisão judicial transitada em julgado, que lhe assegurava a desoneração da CSLL. Inconformado com a exigência, o sujeito passivo apresentou a impugnação de fls. 153/165, invocando em seu favor os efeitos da coisa julgada, decorrente do Mandado de Segurança por ela impetrado, cuja decisão favorável transitou em julgado em agosto de 1993. Disse ainda que além de a decisão judicial haver estendido a segurança aos demais exercícios (em relação à sentença proferida pelo Juízo singular), a lei reguladora da matéria – de nº 7.689, de 1988, declarada inconstitucional – continua a mesma, apenas sendo modificada por atos legais posteriores, em alguns elementos acessórios da CSLL, restando intacta, portanto, a causa de pedir que deu ensejo à decisão passada em julgado. A Quarta Turma Julgadora da DRJ em Fortaleza(CE), julgou procedente a ação fiscal, nos termos do Acórdão nº 6.404 (fls. 184/195), cujos fundamentos achamse consubstanciados na respectiva ementa, in verbis: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: Processo Administrativo Fiscal. Normas Gerais de Direito Tributário. Coisa Julgada – A relação jurídica de tributação da Contribuição Social sobre o Lucro é continuativa, incidindo, na espécie, o art. 471, I, do CPC. A declaração de intributabilidade, no pertinente a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no tempo não pode ter o caráter de imutabilidade e de normatividade a abranger eventos futuros. A coisa julgada em matéria tributária não produz efeitos além dos princípios pétreos postos na Carta Magna, a destacar o da isonomia. Cientificada da decisão (fls. 202), a interessada, tempestivamente, interpôs o recurso voluntário de fls. 207/230, tornando a suscitar os argumentos da impugnação, assim resumidos no requerimento final: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000797/200413 Acórdão n.º 130200.658 S1C3T2 Fl. 387 3 a) o instituto da coisa julgada é plenamente aplicável, sem quaisquer restrições, ao direito tributário; b) os efeitos do trânsito em julgado da decisão no processo ajuizado pela Recorrente com o fito de deixar de recolher a CSLL com base na alegação de sua inconstitucionalidade, alcançam exercícios futuros pois tal alcance se circunscreve aos limites do pedido e do acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal; c) a declaração do Supremo Tribunal Federal, inter partes, em sede de Recurso Extraordinário, quando à constitucionalidade dos artigos 1° a 4° da Lei n° 7.689/88 não alcança terceiros, como a Recorrente, que não foram parte no processo, e que ademais havia obtido acórdão transitado em julgado permitindolhe absterse do recolhimento da contribuição — CSLL — em exercícios futuros; d) na hipótese da declaração de inconstitucionalidade da CSLL, no processo judicial ajuizado pela Impetrante, não sobreveio ao trânsito em julgado nenhuma modificação do estado de fato ou de direito que autorizassem a revisão da coisa julgada, nos termos do art. 471, I do Código de Processo Civil, uma vez que a legislação superveniente na qual se embasou o Auto de Infração impõe alterações apenas acessórias ao conteúdo dos artigos 1° a 4° da Lei n°7.689/88 que, ademais, continuam em pleno vigor; e) a revisão da coisa julgada que beneficia a Recorrente, nos termos do art. 471, I do Código de Processo Civil, somente poderia ser obtida se a Fazenda Pública ajuizasse ação declaratória revisional, e obtivesse provimento judicial no sentido de que teria ocorrido — e na hipótese não ocorreu — modificação do estado de direito, o que não ocorreu na hipótese, sendo o Auto de Infração instrumento absolutamente inadequado a tal pretensão; e f) por fim, caso por absurdo se entenda ser cabível o lançamento de CSLL constante do Auto de Infração aqui discutido, devem ser cancelados os iuros de mora e a multa de oficio nele impostos à Impetrante, por aplicação do art. 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Da tribuna, o representante do sujeito passivo pediu que o julgamento do presente recurso levasse em conta o disposto no art. 62A do RICARF, com a obrigatória aplicação da decisão proferida pelo STJ em sede de recurso repetitivo, como ocorreu com o Resp nº 1.118.893MG na data de 23 de março de 2011 e publicada em 9 de maio de 2011. É o Relatório. Voto Conselheiro IRINEU BIANCHI O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O cerne da lide diz respeito à decisão judicial – trânsita em julgado – em favor da recorrente, que reconheceu a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88. Assim, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000797/200413 Acórdão n.º 130200.658 S1C3T2 Fl. 388 4 argüindo estar protegida pela força da coisa julgada, a recorrente entende que a exigência da CSLL, nos moldes instituídos pela Lei nº 8.212/91, não a alcança. A respeito dos efeitos da coisa julgada em matéria tributária, o antigo Primeiro Conselho de Contribuintes apreciou diversos recursos que tratavam do assunto, especialmente a respeito da constitucionalidade da contribuição social sobre o lucro das empresas, sendo pertinente mencionar os acórdãos nºs. 10195276 e 10183.879, relatados pelos ilustres conselheiros Paulo Roberto Cortez e Kazuki Shiobara. Este último apresentase encimado com a seguinte ementa: COISA JULGADA MATERIAL EM MATÉRIA FISCAL. O alcance dos efeitos da coisa julgada material, quando se trata de fatos geradores de natureza continuada, não se projeta para fatos futuros, a menos que assim expressamentedetermine em cada caso o Poder Judiciário. Cabe destacar ainda, outros julgados da extinta Primeira Câmara, conforme as ementas abaixo, nos quais igualmente foi negado provimento aos recursos dos contribuintes: Acórdão nº 10192.167 COISA JULGADA MATERIAL EM MATÉRIA FISCAL – A decisão transitada em julgado em ação declaratória relativa a matéria fiscal não faz coisa julgada para exercícios posteriores, eis que não pode haver coisa julgada que alcance relações que possam vir a surgir no futuro. Acórdão nº 10192.593 COISA JULGADA MATERIAL EM MATÉRIA FISCAL – O alcance dos efeitos da coisa julgada material, quando se trata de ações tributárias, de natureza continuativa, não pode se projetar para fatos futuros, a menos que assim expressamente determine, em cada caso, o Poder Judiciário. Como visto, o então Primeiro Conselho de Contribuintes havia firmado entendimento pela impossibilidade, em matéria tributária, da perenidade da coisa julgada, sobretudo já tendo o Supremo Tribunal Federal, firmado o juízo definitivo de constitucionalidade, como o fez relativamente à contribuição social sobre o lucro, apenas declarando a sua inexigibilidade no período base de 1988. A Egrégia Oitava Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, em duas oportunidades, apreciou a mesma matéria, tendo decidido também de forma contrária às pretensões dos contribuintes, como se pode ver das ementas abaixo: Acórdão nº 10805.225 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO INEXIGIBILIDADE MANIFESTADA EM DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO EFEITOS DA COISA JULGADA. (...) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000797/200413 Acórdão n.º 130200.658 S1C3T2 Fl. 389 5 RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUATIVA PERENIDADE LIMITE TEMPORAL: Não são eternos os efeitos da decisão judicial transitada em julgado, proferida por Tribunal Regional Federal, que afasta a incidência da Lei 7.689/88 sob o fundamento de sua inconstitucionalidade. Ainda que se admitisse a tese da extensão dos efeitos dos julgados nas relações jurídicas continuadas, esses efeitos sucumbem ante o pronunciamento definitivo e posterior do STF em sentido contrário, como também sobrevindo alteração legislativa da norma impugnada. Acórdão nº 10805.696 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO AFASTAMENTO POR MANDADO DE SEGURANÇA – COISA JULGADA PERÍODOS POSTERIORES ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO Não é possível consideraremse eternos os efeitos da decisão que não é sobre lei em tese, mas sobre fatos definidos e sobre fatos definidos e sobre os quais existe direito líquido e certo, ainda mais quando a lei que fundamentou o pedido (Lei 7.689/88) ter sido corroborada por lei complementar (Lei Complementar 70/01, art. 11), uma das falhas da suposta inconstitucionalidade. Também sobre a matéria ora em discussão é pertinente mencionar o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Natanael Martins no Acórdão nº 10705.919, de 15/03/00 e dentre os ensinamentos ali exarados, podemos citar: A Constituição, a par de garantir o respeito aos efeitos da coisa julgada, dentre seus princípios vetores, pugna por uma sociedade justa e solidária (art. 3º), pelo respeito à isonomia (art. 5º), pela livre concorrência (art. 170, IV) etc., de sorte que não vejo como se admitir, sem negar os citados princípios e outros mais, que alguém, em detrimento do universo dos demais contribuintes, possa deixar de pagar tributo declarado constitucional pela Suprema Corte. Daí porque tenho como correta e absolutamente aplicável ao caso sub judice, máxime porque se trata de discussão travada em sede de mandado de segurança, a súmula 239 do STF, verbis: Em suma, era entendimento assente no âmbito administrativo que decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores. O Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 586/10, em seu art. 62A, estabelece que as decisões proferidas em de de recursos repetitivos pelo STJ deverão ser observadas e reproduzidas pelo CARF por ocasião dos julgamentos por ele realizados, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000797/200413 Acórdão n.º 130200.658 S1C3T2 Fl. 390 6 Primeiramente destaco que o REsp menncionado pela recorrente tramitou sob o regime do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ, de modo que não persistem dúvidas quanto ao alcance do mesmo, e em especial, da sua obrigatória observância pelo CARF. O voto proferido naquele acórdão, da lavra do Ministro Arnaldo Esteves Lima, na parte que interessa ao presente litígio, tem o seguinte teor: “Examino a questão de direito envolvida, cuja multiplicidade de recursos especiais com Fundamento idêntico conduziram à submissão do presente feito ao rito estabelecido pelo art. 543C do CPC, com a redação determinada pela Lei 11.672/08. “Narram os autos que transitou em julgado, em 8/9/92 (fl. 48e), sentença proferida, em ação de rito ordinário, pelo Juízo Federal da 7ª Vara da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, que declarou a inexistência de relação jurídica que obrigasse a parte recorrente a recolher a Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, destinada ao financiamento da seguridade social, instituída pela Lei 7.689/88, reputada inconstitucional. “Diante do ajuizamento de execução fiscal buscando a cobrança de valores correspondentes à CSLL referentes ao ano base de 1991, com vencimento em 30/4/92, ofereceu a parte recorrente os presentes embargos à execução, sob o argumento de ofensa à coisa julgada. No entanto, seu pedido foi julgado improcedente nas instâncias ordinárias. Daí a interposição do presente recurso especial. “Discutese, em essência, a possibilidade de cobrança da CSLL do contribuinte que tem a ser favor decisão judicial transitada em julgado declarando, incidentalmente, a inconstitucionalidade da exação da forma como concebida pela Lei 7.689/88. “Aduz a parte recorrente, além de divergência jurisprudencial, contrariedade aos seguintes preceitos do Código de Processo Civil: Art. 467. Denominase coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário. Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: “Assevera que a sentença transitada em julgado declarou a inexistência de relação jurídica material a obrigála ao recolhimento da CSLL, instituída com base na Lei 7.689/88, declarada, de forma incidental, inconstitucional. Por conseguinte, alega que não poderia ser compelida ao pagamento dessa contribuição no tocante ao exercício de 1991, objeto da execução fiscal embargada. “A Fazenda Nacional, por sua vez, exige tal pagamento. Fundamenta seu pedido nas Leis 7.856/89, 8.034/90, 8.212/91 e 8.383/93 e Lei Complementar 70/91, supervenientes à Lei 7.689/88, que teriam alterado de forma substancial a disciplina da CSLL e, assim, limitado o alcance da coisa julgada material. “É oportuno registrar que o Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000797/200413 Acórdão n.º 130200.658 S1C3T2 Fl. 391 7 inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art. 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT. A ementa foi assim concebida: I.ADin: legitimidade ativa: "entidade de classe de âmbito nacional" (art. 103, IX, CF): compreensão da "associação de associações" de classe. Ao julgar, a ADin 3153AgR, 12.08.04, Pertence, Inf STF 356, o plenário do Supremo Tribunal abandonou o entendimento que excluía as entidade de classe de segundo grau – as chamadas "associações de associações" – do rol dos legitimados à ação direta. II.ADIn: pertinência temática. Presença da relação de pertinência temática, pois o pagamento da contribuição criada pela norma impugnada incide sobre as empresas cujos interesses, a teor do seu ato constitutivo, a requerente se destina a defender. III.ADIn: não conhecimento quanto ao parâmetro do art. 150, § 1º, da Constituição, ante a alteração superveniente do dispositivo ditada pela EC 42/03. IV.ADIn: L. 7.689/88, que instituiu contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, resultante da transformação em lei da Medida Provisória 22, de 1988. 1.Não conhecimento, quanto ao art. 8º, dada a invalidade do dispositivo, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal, em processo de controle difuso (RE 146.733), e cujos efeitos foram suspensos pelo Senado Federal, por meio da Resolução 11/1995. 2.Procedência da arguição de inconstitucionalidade do artigo 9º, por incompatibilidade com os artigos 195 da Constituição e 56, do ADCT/88, que, não obstante já declarada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 150.764, 16.12.92, M. Aurélio (DJ 2.4.93), teve o processo de suspensão do dispositivo arquivado, no Senado Federal, que, assim, se negou a emprestar efeitos erga omnes à decisão proferida na via difusa do controle de normas. 3.Improcedência das alegações de inconstitucionalidade formal e material do restante da mesma lei, que foram rebatidas, à exaustão, pelo Supremo Tribunal, nos julgamentos dos RREE 146.733 e 150.764, ambos recebidos pela alínea b do permissivo constitucional, que devolve ao STF o conhecimento de toda a questão da constitucionalidade da lei. (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07) “Ocorre que, em favor da parte recorrente, conforme vimos, há sentença transitada em julgado que, ao reconhecer a inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, declarou haver inexistência de relação jurídicotributária que lhe obrigasse ao pagamento da CSLL. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000797/200413 Acórdão n.º 130200.658 S1C3T2 Fl. 392 8 “A decisão transitada em julgado, oriunda de ação declaratória, foi proferida, em última análise, conforme narram os autos (fl. 39e), com base no julgamento proferido pelo Plenário do Tribunal Regional Federal da 1ª Região nos autos da AMS 89.01.136147/MG, Rel. Juiz TOURINHO NETO, que declarou a inconstitucionalidade tanto formal quanto material desse diploma legal. A ementa foi assim publicada: CONSTITUCIONAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAIS. LEI Nº 7.689, DE 15.12.88. INCONSTITUCIONALIDADE. 1.Ante o disposto no art. 149, da Constituição de 1988, que manda observar o art. 146, inc. III, só lei complementar pode instituir contribuição social. 2.As contribuições sociais, que, em face dos arts. 149 e 146, inc. III, da CF/88, são tributos, não se aplica o disposto no art. 150, inc. III, tendo em vista o estabelecido no § 6º, do art. 195, da CF/88. 3.As contribuições sociais novas não podem ter fato gerador ou base de cálculo próprios dos impostos e contribuições já existentes (CF/88, art. 195, § 4º, c/c o art. 154, inc. I). A lei 7.689/88, no entanto, elege como base de cálculo da contribuição o lucro das pessoas jurídicas (arts. 1º e 2º), que já é próprio do imposto de renda (arts. 44 do CTN, e 153, do RIR/80), além de assemelhar o seu fato gerador ao deste imposto – aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica (art. 43 CTN). 4.A lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988, por outro lado, não poderia instituir contribuição social, pois o novo sistema tributária ainda não estava em vigor, ex vi do art. 34 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, que estabeleceu que o sistema tributário entraria em vigor a partir do primeiro dia do quinto mês seguinte ao da promulgação da Constituição – 1º de março de 1989. Infringência, por conseguinte, ao princípio da irretroatividade. 5.Violou, outrossim, a lei 7.689/88 o art. 165, § 5º, inc. II, da CF/88, ao determinar, em seu art. 6º, que a contribuição social será administrada e fiscalizada pela Secretaria da Receita Federal, quando diante do preceito constitucional (art. 165, § 5º, inc. III), a sua arrecadação deveria integrar o orçamento da seguridade social. 6.A lei 7.689/88 é inconstitucional, em razão de ter infringido os arts. 146, inc. III; 154, inc. I; 165, § 5º, inc. III; e 195, §§ 4º e 5º, da Constituição Federal de 1988. 7.Incidente de inconstitucionalidade procedente. (DJ 2/12/91) “Diversos acórdãos, que foram proferidos com fundamento nesse precedente, transitaram em julgado. Logo, muitos contribuintes encontramse albergados pela coisa julgada, em vários tipos de ações. Não obstante, a Fazenda Nacional insiste na cobrança da exação. Daí a multiplicidade de recursos especiais a respeito dessa questão de direito. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000797/200413 Acórdão n.º 130200.658 S1C3T2 Fl. 393 9 “Consoante pacífica orientação jurisprudencial, "a coisa julgada material referese ao julgamento proferido relativamente à lide, como posta na inicial, delimitada pelo pedido e causa de pedir" (REsp 7.128/SP, Rel. Min. EDUARDO RIBEIRO, Terceira Turma, DJ 16/9/91). “Ensina Eduardo Talamini, na sua obra Coisa Julgada e sua Revisão (São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2005, p. 30): A coisa julgada material pode ser configurada como uma qualidade de que se reveste a sentença de cognição exauriente de mérito transitada em julgado, qualidade essa consistente na imutabilidade do conteúdo do comando sentencial. “Em se tratando de matéria tributária, a extensão da coisa julgada deve ser interpretada com observância da existência de uma relação continuada e do enunciado da Súmula 239/STF, verbis: "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores". “Tal verbete foi editado em 1963. Dos precedentes que lhe deram origem, cabe transcrever o voto vencedor proferido pelo saudoso Ministro CASTRO NUNES nos autos dos Embargos no Agravo de Petição 11.227, o qual esclareceu como deveria ser solucionada a controvérsia a respeito da coisa julgada em matéria tributária, a saber: O que é possível dizer, sem sair, aliás, dos princípios que governam a coisa julgada, é que esta se terá de limitar aos têrmos da controvérsia. Se o objeto da questão é um dado lançamento que se houve por nulo em certo exercício, claro que a renovação do lançamento no exercício seguinte não estará obstada pelo julgado. É a lição dos expositores acima citados. Do mesmo modo, para exemplificar com outra hipótese que não precludirá nova controvérsia: a prescrição do impôsto referente a um dado exercício, que estará prescrito, e assim terá sido julgado, sem que, todavia, a administração fiscal fique impedida de lançar o mesmo em períodos subseqüentes, que não estarão prescritos nem terão sido objeto do litígio anterior. Mas se os tribunais estatuíram sôbre o impôsto em si mesmo, se o declararam indevido, se isentaram o contribuinte por interpretação da lei, ou de cláusula contratual, se houveram o tributo por ilegítimo, porque não assente em lei a sua criação ou por inconstitucional a lei que o criou em qualquer dêsses casos o pronunciamento judicial poderá ser rescindido pelos meios próprios, mas enquanto subsistir será um obstáculo à cobrança, que, admitida sob a razão especiona de que a soma exigida é diversa, importaria práticamente em suprimir a garantia jurisdicional do contribuinte que teria tido, ganhando à demanda a que o arrastara o Fisco, uma verdadeira vitória de Pirro. “A lição do insigne magistrado persiste absolutamente atual. A ementa ficou assim redigida: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000797/200413 Acórdão n.º 130200.658 S1C3T2 Fl. 394 10 Executivo fiscal – Impôsto de renda sobre juros de apólices – Coisa julgada em matéria fiscal. É admissível em executivo fiscal a defesa fundada em "coisa julgada" para ser apreciada pela sentença final. Não alcança os efeitos da coisa julgada em matéria fiscal, o pronunciamento judicial sôbre nulidade do lançamento do impôsto ou da sua prescrição referente a um determinado exercício, que não obsta o procedimento fiscal nos exercícios subseqüentes. (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45) “Consoante se verifica, segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela. “Com efeito, uma interpretação literal da Súmula 239/STF pode conduzir ao entendimento precipitado de que aquilo que for assegurado por decisão judicial ao contribuinte, em matéria tributária, deve ser sempre limitado a determinando exercício, razão pela qual o sujeito ativo estaria livre para cobrar tributos no tocante aos subsequentes. “Essa equivocada compreensão limita sobremaneira a jurisdição. É como se o contribuinte, ao ingressar em juízo, independentemente da relação de direito material em discussão, do meio processual escolhido e da natureza do pedido formulado, já soubesse que, com o início do novo exercício, aquilo que lhe for assegurado perderá sua eficácia. Hipótese em que o ente tributante estaria permanentemente seguro de que a sucumbência estaria restrita ao exercício no qual proposta a ação judicial, o que não se mostra razoável, tampouco consentâneo com a garantia da segurança jurídica. “No caso, em se tratando, ainda, de ação declaratória, impõese a transcrição do ensinamento do Prof. Celso Agrícola Barbi (Ação Declaratória Principal e Incidente . Rio de Janeiro: Forense, 1976, pp. 17/18), que, após discorrer a respeito das ações existentes, consignou, com a agudez de sempre, sobre a certeza que se busca nesse tipo de ação: Chegase, assim, à conclusão de que a sentença declaratória é aquela que apenas dá a certeza oficial sobre a relação deduzida em juízo; nenhum outro efeito específico tem ela, salvo o de acabar com a incerteza, declarando a existência ou a inexistência de uma relação jurídica e, excepcionalmente, de um fato. E a ação declaratória é a que visa à obtenção dessa espécie de sentença. “Outrossim, o fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade à própria existência do controle difuso de constitucionalidade, fragilizando, sobremodo, a res judicata, com imensurável repercussão negativa no seio social. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000797/200413 Acórdão n.º 130200.658 S1C3T2 Fl. 395 11 “A propósito, transcrevo a lição de Luiz Guilherme Marinoni, (Coisa Julgada Inconstitucional . São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2008, pp. 104/105): A circunstância de uma questão constitucional chegar ao Supremo Tribunal Federal após o trânsito em julgado de decisões sobre a mesma questão certamente não é motivo para a admissão da retroatividade do pronunciamento do Supremo Tribunal Federal sobre a coisa julgada. As decisões que transitaram em julgado, tratando da questão constitucional posteriormente interpretada de outra maneira pelo Supremo Tribunal Federal, expressam um juízo legítimo sobre a constitucionalidade. Este juízo nada mais é do que resultado do deverpoder judicial de realizar o controle da constitucionalidade. Ademais, o fato de a decisão transitar em julgado, antes de a questão chegar à análise do Supremo Tribunal Federal, é mera conseqüência do sistema de controle da constitucionalidade brasileiro. A admissão da força de pronunciamento do Supremo Tribunal Federal sobre a coisa julgada, ao fundamento da sua natural e insuprimível demora para se manifestar sobre a questão constitucional, significa a negação do sistema de controle difuso da constitucionalidade. Ao invés da retroatividade das decisões do Supremo Tribunal Federal, seria efetiva e praticamente mais conveniente – obviamente se isto fosse juridicamente possível e conveniente no sistema brasileiro (o que evidentemente não é) – suprimir a possibilidade de o juiz ordinário realizar o controle da constitucionalidade. “No caso específico da CSLL, alegase, ainda, que, não obstante a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, há diplomas supervenientes legitimando sua exigibilidade, a saber: Leis 7.856/89, 8.034/90, 8.212/91 e Lei 8.383/91, além da Lei Complementar 70/91. “Ocorre que referida tese já foi conduzida à apreciação deste Tribunal nos autos do REsp 731.250/PE (Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07), apontado como paradigma no presente recurso especial, oportunidade em que se decidiu que as alterações veiculadas por tais diplomas não revogaram a disciplina da referida contribuição, que continuou a ser cobrada em sua forma primitiva. Transcrevo a ementa do acórdão: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – ALCANCE DA SÚMULA 239/STF – COISA JULGADA: VIOLAÇÃO – ART. 471, I DO CPC NÃO CONTRARIADO. 1. A Súmula 239/STF, segundo a qual "decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício, não faz coisa julgada em relação aos posteriores", aplicase tão somente no plano do direito tributário formal porque são independentes os lançamentos em cada exercício financeiro. Não se aplica, entretanto, se a decisão tratou da relação de direito material, declarando a inexistência de relação jurídico tributária. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000797/200413 Acórdão n.º 130200.658 S1C3T2 Fl. 396 12 2. A coisa julgada afastando a cobrança do tributo produz efeitos até que sobrevenha legislação a estabelecer nova relação jurídicotributária. 3. Hipótese dos autos em que a decisão transitada em julgado afastou a cobrança da contribuição social das Leis 7.689/88 e 7.787/89 por inconstitucionalidade (ofensa aos arts. 146, III, 154, I, 165, § 5º, III, 195, §§ 4º e 6º, todos da CF/88). 4. As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material. 5. Violação ao art. 471, I do CPC que se afasta. 6. Recurso especial improvido. “Do voto condutor do julgado extraio o seguinte trecho, que bem esclarece os fundamentos que prevaleceram: Na específica hipótese dos autos, a decisão transitada em julgado atingiu a relação de direito material, ao concluir que a cobrança da contribuição social das Lei 7.689/88 e 7.787/89 seria inconstitucional, e a exação somente poderia ser cobrada a partir de uma nova relação jurídicotributária estabelecida em lei nova. Por isso, pertinente verificar quais foram as alterações introduzidas pelas Leis 7.856/89, 8.034/90, LC 70/91, 8.383/91 e 8.541/92. Vejamos: Lei 7.856/89: Art. 2º A partir do exercício financeiro de 1990, correspondente ao períodobase de 1989, a alíquota da contribuição social de que se trata o artigo 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, passará a ser de dez por cento. Parágrafo único. No exercício financeiro de 1990, as instituição referidas no art. 1º do DecretoLei nº 2.426, de 7 de abril de 1988, pagarão a contribuição à alíquota de quatorze por cento. Lei 8.034/90: Art. 2º A alínea c do § 1º do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 2º... § 1º ... c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: Fl. 12DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000797/200413 Acórdão n.º 130200.658 S1C3T2 Fl. 397 13 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixado durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase." LC 70/91: Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Lei 8.383/91: 10. O imposto e a contribuição social (Lei n° 7.689, de 1988), apurados em cada mês, serão pagos até o último dia útil do mês subseqüente. (...) Art. 44. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro (Lei n.° 7.689, de 1988) e ao imposto incidente na fonte sobre o lucro líquido (Lei n° 7.713, de 1988, art. 35) as mesmas normas de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. Parágrafo único. Tratandose da base de cálculo da contribuição social (Lei n° 7.689, de 1988) e quando ela resultar negativa em um mês, esse valor, corrigido monetariamente, poderá ser deduzido da base de cálculo de mês subseqüente, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real. Art. 79. O valor do imposto de renda incidente sobre o lucro real, presumido ou arbitrado, da contribuição social sobre o lucro (Lei n° 7.689, de 1988) e do imposto sobre o lucro líquido (Lei n° 7.713, de 1988, art. 35), relativos ao exercício financeiro de 1992, períodobase de 1991, será convertido em quantidade Fl. 13DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000797/200413 Acórdão n.º 130200.658 S1C3T2 Fl. 398 14 de UFIR diária, segundo o valor desta no dia 1° de janeiro de 1992. Parágrafo único. Os impostos e a contribuição social, bem como cada duodécimo ou quota destes, serão reconvertidos em cruzeiros mediante a multiplicação da quantidade de UFIR diária pelo valor dela na data do pagamento. Art. 89. As empresas que optarem pela tributação com base no lucro presumido deverão pagar o imposto de renda da pessoa jurídica e a contribuição social sobre o lucro (Lei n° 7.689, de 1988): I relativos ao períodobase de 1991, nos prazos fixados na legislação em vigor, sem as modificações introduzidas por esta lei; II a partir do anocalendário de 1992, segundo o disposto no art. 40. Lei 8.541/92: Art. 38. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro (Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988) as mesmas normas de pagamento estabelecidas por esta Lei para o Imposto de Renda das pessoas jurídicas, mantida a base de cálculo e alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. § 1° A base de cálculo da contribuição social para as empresas que exercerem a opção a que se refere o art. 23 desta Lei será o valor correspondente a dez por cento da receita bruta mensal, acrescido dos demais resultados e ganhos de capital. § 2° A base de cálculo da contribuição social será convertida em quantidade de UFIR diária pelo valor desta no último dia do períodobase. § 3° A contribuição será paga até o último dia útil do mês subseqüente ao de apuração, reconvertida para cruzeiro com base na expressão monetária da UFIR diária vigente no dia anterior ao do pagamento. Art. 39. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, apurada no encerramento do anocalendário, pelas empresas referidas no art. 38, § 1°, desta Lei, será convertida em UFIR diária, tomandose por base o valor desta no último dia do período. § 1° A contribuição social, determinada e recolhida na forma do art. 38 desta Lei, será reduzida da contribuição apurada no encerramento do anocalendário. § 2° A diferença entre a contribuição devida, apurada na forma deste artigo, e a importância paga nos termos do art. 38, §1°, desta Lei, será: a) paga em quota única, até a data fixada para entrega da declaração anual, quando positiva; Fl. 14DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000797/200413 Acórdão n.º 130200.658 S1C3T2 Fl. 399 15 b) compensada, corrigida monetariamente, com a contribuição mensal a ser paga nos meses subseqüentes ao fixado para entrega da declaração anual, se negativa, assegurada a alternativa de restituição do montante pago a maior. “As referidas leis tãosomente modificaram a alíquota e a base de cálculo da exação e dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não tiveram o condão de estabelecer uma nova relação jurídicotributária entre o Fisco e a executada, fora dos limites da coisa julgada. Por isso, está impedido o Fisco cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material. “Ressalto que, em face desse acórdão, diante da existência de precedente em sentido contrário, qual seja, AgRg no Ag 661.289/MG, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, Primeira Turma, DJ 10/10/05, foram opostos embargos de divergência (EREsp 731.250/PE), aos quais a Primeira Seção negou provimento. A ementa foi assim redigida: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. CSLL. ALCANCE DOS EFEITOS DA COISA JULGADA. DIVERGÊNCIA PRETORIANA NÃOCARACTERIZADA. INAPLICABILIDADE DA LC 70/91. TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA QUE RECONHECEU A INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA DA CONTRIBUINTE COM A FAZENDA NACIONAL E A INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88. NATUREZA, PRESSUPOSTOS E CONDIÇÕES DA CSLL PERPETUADOS NAS LEIS 7.856/89 E 8.034/90, A LC 70/91 E AS LEIS 8.383/91 E 8.541/92. RAZÕES DE RECURSO QUE NÃO ELIDEM OS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NÃOPROVIDOS. 1. Tratase de embargos de divergência propostos pela Fazenda Nacional sob o argumento de que, em se tratando de matéria tributária, a extensão da coisa julgada está limitada ao exercício específico objeto da ação. Nesse sentido, afirma a Fazenda Pública que o reconhecimento da inconstitucionalidade do prescrito na Lei 7.689/88, concernente à CSLL, não repercute nos débitos originados da aplicação de legislação posterior, na hipótese, a LC 70/91, uma vez que essa norma não foi objeto de trânsito em julgado. 2. Todavia, não se constata o apontado dissenso pretoriano, pelos motivos adiante alinhados: a) o acórdão embargado está fundado em precisa análise da natureza das leis que sucessivamente foram editadas, concluindo pela identidade das condições legitimadoras da exigência do tributo em referência, como se demonstra: “As referidas leis tãosomente modificaram a alíquota e a base de cálculo da exação e dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não tiveram o condão de estabelecer uma nova relação jurídicotributária entre o Fisco e a executada, fora dos limites da coisa julgada. Por isso, está impedido o Fisco cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000797/200413 Acórdão n.º 130200.658 S1C3T2 Fl. 400 16 b) também o acórdão proferido em apelação, confirmado pelo julgado ora embargado, consignou com expressa clareza a essência da fundamentação adotada (fl. 62): A meu ver, tratase da mesma contribuição que foi julgada inconstitucional pela decisão deste Tribunal. Então, dessa maneira, entendo que somente com ação rescisória, se tivesse sido proposta a ação rescisória para desconstituir, em parte, o acórdão, para limitar aquele exercício de 1989 é que se poderia entender inaplicável o acórdão às situações posteriores. c) nesse contexto, o não pagamento da CSLL não se consubstancia em ilegalidade, porquanto autorizado pela coisa julgada; d) o acórdão paradigma (AgRg no Ag 661.289/MG, DJ 1010/2005, de minha relatoria), embora tenha examinado tema semelhante, está fundado na jurisprudência então existente (2005), havendo inclusive aplicado a Súmula 83 deste Superior Tribunal de Justiça, ao litígio. 3. Destarte, no caso em apreciação, como antes demonstrado, o acórdão embargado está amparado em fundamento diverso, no sentido de que, para além da mera alteração de expressões nas diferentes legislações que regularam a CSLL, ou mesmo das alíquotas praticadas, não houve real mutação dos critérios, pressupostos e condições que já havia sido objeto de expressa declaração de inconstitucionalidade. 4. Embargos de divergência conhecidos e nãoprovidos. (Rel. Min. JOSÉ DELGADO, Primeira Seção, DJe 16/6/08) “Consignou o eminente Ministro JOSÉ DELGADO, embora tenha conhecido dos embargos de divergência, que o dissenso pretoriano não remanescera caracterizado. Assentou, ainda, que os sólidos fundamentos do acórdão então embargado não se mostraram elididos, consoante atesta o seguinte excerto do seu voto: No entanto, no caso em apreciação, como antes demonstrado, o acórdão embargado está amparado em fundamento diverso, no sentido de que, para além da mera alteração de expressões nas diferentes legislações que regularam a CSLL, ou mesmo das alíquotas praticadas, não houve real mutação dos critérios, pressupostos e condições que já havia sido objeto de expressa declaração de inconstitucionalidade. Os argumentos de recurso, por seu turno, limitamse a afirmar a incidência da Súmula 239 do STF (Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício, não faz coisa julgada em relação aos posteriores), razões que não se evidenciam suficientes para caracterizar o apontado dissenso pretoriano, tampouco a elidir os sólidos fundamentos do aresto embargado. “Independentemente do alcance do voto condutor do acórdão proferido nos embargos de divergência acima referido, o entendimento consagrado no acórdão ali Fl. 16DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000797/200413 Acórdão n.º 130200.658 S1C3T2 Fl. 401 17 embargado, que é o mesmo apontado como paradigma no presente recurso especial, deve, igualmente, prevalecer no caso em exame. “Ademais, a Primeira Seção, em pronunciamento mais recente, Relator o eminente Ministro HAMILTON CARVALHIDO, reafirmou o posicionamento de ofensa à coisa julgada na hipótese, consoante atesta a seguinte ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. TRIBUTÁRIO. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. CSLL. INCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE QUE NÃO CRIA NOVA RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. ALCANCE DA COISA JULGADA. 1. Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores." 2. A lei posterior que se limita a modificar as alíquotas e a base de cálculo de tributo declarado inconstitucional viola a coisa julgada. 3. Precedente (EREsp nº 731.250/PE, Relator Ministro José Delgado, in DJe 16/6/2008). 4. Agravo regimental improvido. (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10) “O acórdão do Tribunal de origem, ora recorrido, proferido em apelação nos embargos à execução fiscal, concluiu pela exigência da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL com base, ainda, na Lei 8.212/91, que dispõe: Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do aturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: I 2% (dois por cento) sobre sua receita bruta, estabelecida segundo o disposto no § 1º do art. 1º do Decretolei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, com a redação dada pelo art. 22, do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores; II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. § 1º No caso das instituições citadas no § 1º do art. 22 desta Lei, a alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por cento; § 2º O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o art. 25. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000797/200413 Acórdão n.º 130200.658 S1C3T2 Fl. 402 18 “Segundo o acórdão recorrido, o inciso II do art. 23 da Lei 8.212/91 teria estabelecido nova disciplina para a CSLL. Ocorre que referido preceito, ao prever a alíquota aplicável, referese ao art. 2º da Lei 8.034/90, que cuida dos ajustes da sua base de cálculo, o qual, por sua vez, foi concebido com fundamento na Lei 7.689/88, consoante se verifica no trecho do voto da eminente Ministra ELIANA CALMON, acima transcrito. “Logo, o preceito em referência não destoa do sentido e do alcance dos demais diplomas legais supervenientes que tratam da CSLL. Quer dizer, ao cuidar da alíquota aplicável, não alterou, em substância, a regra padrão de incidência da contribuição. Daí a sua inaptidão para comprometer a coisa julgada. “Com efeito, a relação de direito material albergada pela decisão judicial transitada em julgado teve origem com a contestada Lei 7.689/88, declarada inconstitucional incidentalmente (RE 146.733), que instituiu a CSLL. “Diante do fato de que o diploma legal em tela não foi revogado, mas tão somente alteradas, ao longo dos anos, alíquota e base de cálculo da CSLL, principalmente no tocante ao indexador monetário, permanecendo incólume a regra padrão de incidência, não há como deixar de reconhecer a ofensa à coisa julgada e, em consequência, aos arts. 467 e 471, caput, do CPC, pelo acórdão que permite a cobrança da referida contribuição. “Se o preceito de lei d eclarado inconstitucional por decisão judicial transitada em julgado, que instituiu o tributo, trazendo a regramatriz de incidência, continua em vigor e a ele fazem referência os diplomas legais supervenientes que o disciplinam, não há como permitir, por esse motivo, a cobrança da exação no tocante a períodos posteriores. “De fato, a Súmula 239/STF fixou, porém nos idos de 1963, quando editada: "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores". Sua aplicação, todavia, não deve ser linear, sob pena de maltrato às garantias que emergem diretamente da Constituição Federal, sobressaindose a coisa julgada, a segurança jurídica, sobretudo quando o substrato normativo sucedido no curso dos exercícios fiscais não se alterou, acrescendose que a ação utilizada foi a declaratória, cujo desiderato é, precisamente, alcançar a certeza ou não, da existência ou inexistência de determinada relação jurídica, tal como ocorreu. “Aliás, em seu "Direito Sumular" (São Paulo: 11ª ed., p. 103), o Prof. Roberto Rosas, com espeque em precedentes do STF, anota que a tendência na aplicação de tal verbete é restritiva, o que se revela, data venia, consentâneo com as franquias constitucionais hodiernas no plano da tributação, visando, inclusive, infundir, entre os sujeitos ativo e passivo, um ambiente de segurança, certeza, evitando surpresas impositivas, que em nada contribuem para aperfeiçoar o nosso arcabouço jurídicotributário, se prestando, ao contrário e na essência, para instabilizar a relação contribuinte/fisco, gerando um clima desfavorável ao desenvolvimento tranquilo da própria economia nacional. “Ocioso lembrar que o inciso I do art. 471 do CPC constitui exceção à regra básica, inscrita no caput e, assim, só deve ser aplicado, com legitimidade, em circunstância de fato que justifique afastar a eficácia da coisa julgada, esta sim, merecedora, em princípio, do maior prestígio possível, tendo em vista o seu desideratum , que é, em última análise, a pacificação social com base na segurança jurídica que dela resulta. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.000797/200413 Acórdão n.º 130200.658 S1C3T2 Fl. 403 19 “Ante o exposto, conheço do recurso especial e doulhe provimento. Julgo procedente o pedido formulado nos embargos à execução fiscal para anular a CDA 6069600474909. Condeno a Fazenda Nacional ao pagamento das custas e despesas processuais antecipadas pela recorrente, assim como ao pagamento da verba honorária, a qual fixo no percentual de 10% (dez por cento) sobre o valor atribuído à causa atualizado. “É o voto. A hipótese tratada nos presentes autos é exatamente igual àquela apreciada no Recurso Especial, de modo que o único caminho a percorrer, por força da previsão regimental, é no sentido de acolher o pleito da recorrente. DIANTE DO EXPOSTO e por tudo o mais que dos presentes autos consta, conheço do recurso voluntário e oriente meu voto no sentido de DARLHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 3 de agosto de 2011. IRINEU BIANCHI Relator “documento assinado digitalmente” Fl. 19DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10945.900065/2013-73
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/04/2011
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 00 65 /2 01 3- 73 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900065/201373 Acórdão n.º 3801003.016 S3TE01 Fl. 10 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900065/201373 Acórdão n.º 3801003.016 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900065/201373 Acórdão n.º 3801003.016 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900065/201373 Acórdão n.º 3801003.016 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900065/201373 Acórdão n.º 3801003.016 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900065/201373 Acórdão n.º 3801003.016 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900065/201373 Acórdão n.º 3801003.016 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15165.001657/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 22/12/2004
BASE DE CÁLCULO. PREÇO ARBITRADO. MANIFESTAÇÃO DO
PODER JUDICIÁRIO. SÚMULA 01 DO CARF
Mantido o preço arbitrado pela fiscalização em decorrência de pratica considerada fraudulenta. Apreciada a matéria pelo Poder Judiciário. Exigíveis os tributos aduaneiros devidos decorrentes deste fato.
Renúncia á esfera administrativa, de acordo coma Súmula 01 deste Conselho.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3401-002.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso, por aplicação da Súmula CARF nº 01.
(assinado digitalmente)
Julio Cesar Alves Ramos - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Marques Cleto Duarte - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso, por aplicação da Súmula CARF nº 01. (assinado digitalmente) Julio Cesar Alves Ramos - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.
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PREÇO ARBITRADO. MANIFESTAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. SÚMULA 01 DO CARF Mantido o preço arbitrado pela fiscalização em decorrência de pratica considerada fraudulenta. Apreciada a matéria pelo Poder Judiciário. Exigíveis os tributos aduaneiros devidos decorrentes deste fato. Renúncia á esfera administrativa, de acordo coma Súmula 01 deste Conselho. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso, por aplicação da Súmula CARF nº 01. (assinado digitalmente) Julio Cesar Alves Ramos Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 16 57 /2 00 7- 63 Fl. 689DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto por VISUM SISTEMAS ELETRÔNICOS LTDA contra decisão que julgou procedente o auto de infração e manteve o crédito tributário exigido, referente a imposto sobre produtos industrializados, COFINS – importação, contribuição PIS/PASEP – importação, juros de mora, multa proporcional qualificada e multa administrativa, por ter sido verificada diferença entre o preço declarado e aquele arbitrado. 2. Consta do relatório fiscal que o valor declarado pelo importador para alguns itens é inferior em 30 vezes ao seu preço de mercado, chegando alguns produtos a ter seus valores reduzidos em até 200 vezes, quando comparados aos valores indicados em cotações de preços nacionais obtidos em catálogos e sites da internet e em pesquisas de preços de importação de produtos idênticos e similares realizadas à mesma época da importação em questão. Por isso, entende a fiscalização que a fatura comercial apresentada pela empresa não pode ser utilizada como método de valoração aduaneira, devendo ser cobrada a contribuição/diferença da contribuição, bem como os acréscimos legais devidos. 3. Após ser devidamente intimado, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva. Ao analisar os argumentos colacionados pelo contribuinte, o Colegiado de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário constituído. O acórdão recorrido restou ementado nos termos abaixo transcritos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/12/2004 BASE DE CÁLCULO. PREÇO ARBITRADO. MANIFESTAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. Mantido o preço arbitrado pela fiscalização em decorrência de prática considerada fraudulenta. Apreciada a matéria pelo Poder Judiciário. Exigíveis os tributos aduaneiros devidos decorrentes deste fato. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Cabível a multa de ofício agravada, de 150% sobre o tributos apurados. Constatada a fraude na importação é aplicável a multa agravada de lançamento de oficio dos tributos. MULTA ADMINISTRATIVA. Constatada diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado nas importações é correta a exigência da multa administrativa. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 15165.001657/200763 Acórdão n.º 3401002.414 S3C4T1 Fl. 690 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 4. Inconformado com a decisão proferida, o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo (fls. 666/685), no qual aduz, em apertada síntese: a) que a decisão da DRJ é nula, pois contraria os princípios da ampla defesa e do contraditório, ao denegar o pedido de realização de perícia formulado pelo contribuinte, sob a alegação de que é competência do órgão de fiscalização fazer o arbitramento; b) que o processo administrativo fiscal deve ser anulado, pois está dotado de vícios, vez que não houve ciência pessoal do contribuinte, o que torna a cobrança dos créditos tributários nula na sua origem; c) que o documento fiscal não traz efetiva indicação de qual norma tributária foi violada, o que causa não apenas prejuízo meramente formal, conforme sustentou a DRJ, mas também torna impossível a identificação sobre a causa motivadora do procedimento fiscal; d) que os autos de infração foram baseados apenas em simples catálogos obtidos na internet, sem se observar a legislação pertinente e variáveis, como o fato de a compra ter sido feita em larga escala, o que tende a diminuir o preço unitário de cada mercadoria; e) que a multa qualificada imposta deve ser afastada, diante da ausência de dolo, pelo caráter confiscatório e por promover injustificada inversão do ônus da prova; e f) que a taxa SELIC não deve ser aplicada como índice de apuração dos juros legais. 5. Após, o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. Eis o relato do necessário. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE Fl. 691DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 A recorrente alega, em sede de preliminar, que o auto de infração é nulo por não ter sido em momento algum cientificada do inicio do trabalho fiscal ou do Mandado de Procedimento Fiscal n° 0915200/00235/07. O primeiro aspecto que se deve abordar é que as autuações do presente processo decorrem de procedimento de fiscalização iniciado no curso do despacho aduaneiro da declaração de importação (DI) n° 04/13080921, selecionada para o canal amarelo de conferência aduaneira, onde se constatou que os preços declarados estavam em descompasso com os preços normalmente praticados no mercado (fl. 38). Às folhas 77, foi anexado aos autos cópia do "Termo de Abertura de Procedimento Especial" (Instrução Normativa SRF n° 206/02), o qual foi dado ciência ao Sr. Alvacir Neves, despachante aduaneiro, representante legal da interessada e que registrou a DI anteriormente citada (fl. 40). A folhas 78 foi anexado aos autos cópia de termo de "Intimação", também cientificada ao citado despachante aduaneiro. Como se observa o procedimento adotado pela fiscalização está em consonância com o disposto no artigo 68 da Instrução Normativa SRF n° 206/02: Art. 68. 0 importador será cientificado da seleção para os procedimentos especiais de controle: I durante o despacho aduaneiro mediante interrupção para apresentação de documentos justificativos ou informações adicionais àquelas prestadas na declaração, registrada no Siscomex; A análise dos documentos (fls 40 a 149) acabou por revelar que as informações relacionadas aos preços das mercadorias, constante da fatura, não expressam a realidade da operação comercial, caracterizando a "falsidade ideológica" da fatura. As mercadorias objeto da DI em questão foram retidas e posteriormente foram objeto de auto de infração e termo de apreensão e guarda fiscal n° 0915200/0002/04 (informações complementares à folhas 38 e 39) com vistas a aplicar a pena de perdimento. Ocorre que a pena de perdimento aplicada foi afastada pelo Poder Judiciário (fl.180), que concomitantemente manteve os preços arbitrados pela fiscalização. Evidentemente que a entrega das mercadorias à interessada acarretaria na constituição do crédito tributário decorrente dos valores que deixaram de ser recolhidos por ocasião do registro da declaração de importação (menores em virtude dos preços declarados serem inferiores àqueles arbitrados). Como se percebe, a presente autuação decorre de procedimento de fiscalização realizado no curso do despacho aduaneiro, cujo inicio se dá com o registro da declaração de importação (artigo 485 do Decreto n° 4.543/02). 0 inicio da fiscalização que culminou com o presente lançamento se deu com o próprio inicio do despacho. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído pela Portaria SRF n.° 1.265, de 22/11/1999, sucedida pelas Portarias, SRF n.° 3.007, de 26/11/2001, RFB n° 4.328, de 05/06/2005, SRF n° 6.087, de 21/11/2005, RFB n° 4.066, de 02/05/2007, e pela Portaria RFB n° 11.371, de 12/12/2007, atualmente em vigor, consiste em documento emitido em decorrência de normas administrativas que regulam a execução da atividade fiscal, determinando que os procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil sejam levados a efeito de conformidade com uma ordem especifica, a qual pressupõe formalização mediante Mandado de Procedimento Fiscal. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 15165.001657/200763 Acórdão n.º 3401002.414 S3C4T1 Fl. 691 5 O MPF se constitui, assim, em instrumento de controle indispensável administração tributária e em garantia para o contribuinte, na medida em que este poderá conferir se de fato o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil — AFRFB que o esteja fiscalizando, se encontra no exercício legal de suas funções. O MPF, como instrumento de controle, se presta a possibilitar à Secretaria da Receita Federal do Brasil acompanhar o desenvolvimento das atividades realizadas pelos Auditores Fiscais, de modo a verificar, por exemplo, se a fiscalização empreendida está sendo realizada adequadamente, de acordo com os critérios definidos por Lei e pela Administração. Ocorre que tratandose de fiscalização realizada no curso do despacho aduaneiro, a própria Portaria SRF n.° 3.007/01 (artigo 11 das Portarias RFB no 4.328/05, SRF n° 6.087/05, RFB nº 4.066/07 e artigo 10 da Portaria RFB no 11.371/07) não exige que seja emitido MPF em situações como a que se apresenta, isto porque evidentemente, a autorização para fiscalização nestes casos, está intrinsecamente ligada ao trâmite do despacho da declaração de importação que ocorre nos recintos aduaneiros, isto é, em locais onde há presença efetiva dos Auditores Fiscais da Secretaria da Receita Federal do Brasil: Art 11. 0 MPF Não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: I realizado no curso do despacho aduaneiro; II interno de revisão aduaneira; Por outro lado não se constata que tenha havido qualquer prejuízo ao devido processo legal, contraditório ou ampla defesa, os autos indicam que a recorrente foi devidamente cientificada dos procedimentos de fiscalização realizados no curso do despacho, e, no lançamento discutido foi expressamente consignada a conexão deste lançamento com a determinação judicial de afastar a aplicação da pena de perdimento. Por sua vez, a recorrente em sua peça de defesa e no recurso ora apreciado demonstra ter pleno conhecimento dos motivos e fundamentos legais que dão ensejo ao arbitramento dos preços nos moldes em que realizado pela fiscalização. O presente processo administrativo fiscal respeita o devido processo legal, permite o exercício do contraditório e a ampla defesa. Diante do exposto, concluise que os atos praticados no procedimento fiscal e que deram ensejo ao lançamento em comento são válidos, não ocorrendo a hipótese de nulidade, suscitada pela impugnante: não há cerceamento ao direito de defesa, não há exigência para emissão de MPF nas hipóteses de procedimento de fiscalização realizado no curso do despacho aduaneiro. Portanto, nego provimento ao recurso neste ponto. DA INEXSITÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Também não prospera a alegação de que os inúmeros dispositivos aduzidos pela autoridade fiscal impossibilitam a adequada defesa por parte da impugnante. Não é o que se depreende da peça de defesa apresentada pela interessada, onde a mesma demonstra ter pleno conhecimento dos fatos que Lhe são imputados, bem como dos dispositivos legais que deram ensejo à lavratura do lançamento. A citação, no enquadramento legal, de dispositivos legais relacionados ao fato gerador do imposto de importação, não dificultou a defesa da impugnante, dado que a despeito de não haver vinculação direta com a multa aplicada, tais comandos legais Fl. 693DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 6 contextualizam a operação de importação como um todo. De se observar que, a ocorrência de alíquota zero não se confunde com a não incidência de imposto, assim, apesar de não haver lançamento de imposto de importação, o enquadramento legal citado pela fiscalização não prejudica a defesa, ao contrário, traz A luz os conceitos pertinentes As operações de importação, e que tem reflexo no lançamento do imposto sobre produtos industrializados e das contribuições PIS/PASEP — importação e COFINS — importação. A leitura da descrições dos fatos (fls. 02) somada ao contido no enquadramento legal não deixam dúvidas quanto ao comando legal principal. A fiscalização assim descreveu: 001 — DIFERENÇA APURADA ENTRE O PREÇO DECLARADO E O PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO OU O PREÇO DECLARADO E O PREÇO ARBITRADO Aplicação da multa administrativa por ter sido constatada diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado (ou o preço declarado e o preço arbitrado) conforme se verifica. Por sua vez o "ENQUADRAMENTO LEGAL" faz remissão expressa ao artigo 633, inciso I, do Decreto n° 4.543/02, dispositivo que regulamentou o contido no artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835/01, este também citado integralmente no "ENQUADRAMENTO LEGAL", portanto, não se vislumbra que a autoridade fiscal tenha causado qualquer prejuízo à defesa da interessada. Ao contrário, as referências citadas indicam dispositivos regulamentares com relação, mesmo que indireta, ao caso, como por exemplo: taxa de câmbio, valoração aduaneira, controle aduaneiro no despacho de importação. Destarte, os enquadramentos legais citados favorecem a defesa, e não "prejudicam" como argumentado na peça de defesa. Não obstante os esclarecimentos efetuados, à folhas 06, no "Demonstrativo Apuração", também existe campo especifico para o "Enquadramento Legal" nele estando citado somente e expressamente os dispositivos legais anteriormente citados: 100,00% Art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória n° 2.15835/01, regulamentado pelo art. 633, inciso I, do Decreto n° 4.543/02. Os dispositivos legais aplicáveis ao caso foram citados por duas vezes no auto de infração, portanto não se vislumbra o alegado cerceamento de defesa. DA DECISÃO JUDICIAL Como bem explicitado pela própria recorrente, o Poder Judiciário se manifestou sobre os valores arbitrados pela fiscalização (mesmas mercadorias autuadas no presente caso) conforme Ementa do Acórdão (Apelação em Mandado de Segurança) à folhas 176: (...) 2 — As regras de valoração aduaneira devem ser observadas também quando se trata de examinar a hipótese de subfaturamento, que tem por característica o registro, na fatura comercial, de valores muito menores que os realmente praticados no mercado internacional, com o fim de reduzir o valor dos tributos devidos na importação. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 15165.001657/200763 Acórdão n.º 3401002.414 S3C4T1 Fl. 692 7 3 — Hipótese em que, ainda que não tenham sido observadas estritamente as regras de valoração aduaneira, a enorme discrepância de preços evidenciada pela documentação coligida nos autos impõe a manutenção do valor aduaneiro apurado pela autoridade administrativa. Além dos demonstrativos anteriormente citados, A folhas 79 dos autos, a fiscalização anexou planilha indicando a quantidade, o item, o prep declarado pela interessada, o preço (catalogo) — utilizado para arbitrar — e, o % declarada. Ademais a própria interessada trouxe anexo A sua peça de defesa cópia de "Relação de Mercadorias" (fls. 320 a 328) onde estão consignados também os valores arbitrados (e discutidos no Judiciário) dado que é parte do auto de infração relacionado A apreensão das mercadorias em comento. Assim, não tendo sido demonstrado que a fiscalização utilizou na lavratura do presente lançamento valores arbitrados outros que não aqueles discutidos perante o Poder Judiciário no caso em concreto, não há como acatar a alegação de que o lançamento seria obscuro neste aspecto. Os demonstrativos e documentos acostados aos autos não permitem tal conclusão. Também não restou caracterizado o empréstimo de conclusões como aventado, sequer é possível caracterizar as provas em questão como provas "emprestadas", posto que as provas indicadas nos autos se referem especificamente à declaração de importação objeto de autuação e foram colhidas no curso do despacho aduaneiro (procedimento IN SRF n° 206/02). O lançamento da multa administrativa do presente processo esta fundamentado em conclusão especifica do auto de infração: "por ter sido constatada diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado" (que foi arbitrado), já o lançamento dos tributos está fundamentado na constatação de que os mesmos são devidos em virtude da incorreção no preço declarado, cobrandose a diferença apurada em face desta incorreção. Já o lançamento relacionado A aplicação da pena de perdimento estava lastreado na conclusão de que a fatura comercial apresentada para fins de despacho estava eivada de falsidade ideológica. Ainda que se tratem das mesmas mercadorias, e dos mesmos documentos, as conclusões apontadas nas autuações são notadamente distintas. Os lançamentos se encontram suficientemente fundamentados e motivados, tanto do ponto de vista dos fatos narrados pela fiscalização, quanto dos aspectos relacionados A legislação de regência aplicável ao caso. Não se encontra os motivos suscitados na peça de defesa e que dariam azo A declaração de nulidade. Quanto à decisão prolatada no âmbito do Poder Judiciário, não cabe no presente no processo (administrativo) discutir os motivos e fundamentos que deram ensejo à decisão, dado que a decisão judicial sempre prevalecerá, independentemente do entendimento que a administração fazendária possa ter sobre o tema. Também não é possível, no âmbito do presente processo discutir a legalidade daquelas decisões. Às folhas 180, temse a conclusão do voto lavrado no âmbito do Acórdão da Apelação em Mandado de Segurança n° 2005.70.00.0038404/PR: (...) Fl. 695DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 8 Sendo assim, não é verdade que o ato impugnado se apoiou apenas em preços coletados no mercado interno. Ainda que a União não tenha observado estritamente as regras de valoração aduaneira, não há como admitir que essa seja a causa da grande diferença de pregos evidenciada pela documentação coligida nos autos. Ademais, como já dito, o art. 88 da MP n° 2.15835/01 permite desconsiderar o valor da transação, devendo, por essa razão, ser mantido o valor aduaneiro apurado pela autoridade administrativa. Em face do exposto, dou parcial provimento à apelação, para afastar a pena de perdimento aplicada sobre as mercadorias, ressalvando, porém, o direito de a autoridade fiscal aplicar a multa prevista no art. 633, I, do Regulamento Aduaneiro, e efetuar o lançamento complementar dos tributos devidos em razão da diferença de preços apurada. É o voto. Às folhas 510 e 511 dos autos foi anexado cópia do Acórdão dos Embargos de Declaração em Apelação em Mandado de Segurança n° 2005.70.00.0038404/PR, cujo voto traz as seguintes informações: 1 Esta Turma deu parcial provimento Et apelação da impetrante, para afastar a pena de perdimento aplicada sobre as mercadorias, ressalvando, porém, o direito de a autoridade fiscal aplicar a multa prevista no art. 633, I, do Regulamento Aduaneiro, e efetuar o lançamento complementar dos tributos devidos em razão da diferença de preços apurada. Em nenhum momento foi dito que a pena de perdimento deveria ser substituída pela pena de multa. Apenas se possibilitou o direito de a autoridade administrativa apurar o valor da diferença dos tributos incidentes na operação, aplicar a multa correspondente e efetuar o lançamento complementar, se for o caso. Por essa razão, e porque foi mantido o valor aduaneiro apurado pela autoridade administrativa, foi dado provimento parcial a apelação da autora. 2 O fato de o auto de infração fazer referencia a dispositivos inaplicáveis ao caso não dificultou a defesa da impetrante, razão pela qual seria excesso de formalismo anulálo por esse motivo. Por outro lado, o acórdão afastou a pena de perdimento aplicada sobre as mercadorias e deixou claro que, quanto a valoração aduaneira, o art. 88 da MP n° 2.15835/2004 permite desconsiderar o valor da transação guando houver suspeita de fraude no preço apontado na fatura comercial. Assim, o entendimento adotado pelo acórdão não viola os arts. 88, II, "b", da MP n° 2.15835/2004; 5°, II, XXII, XXIX e LV, 37, caput, da Constituição; 119, I, "a", do DecretoLei n°37/66; e 10, IV, do Decreto n° 70.235/72. Em face do exposto, acolho os embargos de declaração, para explicitar os fundamentos do acórdão, sem, no entanto, alterar a sua conclusão. É o voto. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 15165.001657/200763 Acórdão n.º 3401002.414 S3C4T1 Fl. 693 9 Como se percebe dos Acórdãos relacionados ao caso em concreto, o que o Poder Judiciário afastou foi a aplicação da pena de perdimento, não a ocorrência da fraude relacionada ao preço das mercadorias importadas, estando plenamente esclarecido que, no entendimento daquele Poder, o valor aduaneiro apurado pela fiscalização deve ser mantido, isto é, os preços arbitrados pela fiscalização, para as mercadorias em questão, foram mantidos. Assim, não cabe mais neste Conselho discutir se o arbitramento feito pela autoridade fiscalizadora está correto ou não, ao socorrerse do Judiciário a recorrente renunciou à apreciação da matéria na esfera administrativa, conforme a Súmula 01 do CARF. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso, por aplicação da Súmula 01 do CARF. Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 697DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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