Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19311.000323/2008-83
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. COTA PATRONAL / SAT/RAT. NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PROPRIA. CONSEQUENCIAS. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO PACTUADO. RPS. PREVISÃO.
O lançamento discutido nestes autos diz respeito às contribuições previdenciárias, não recolhidas na época própria, correspondentes à parte da empresa, bem como as destinadas ao SAT/RAT.
Constatou-se que o contribuinte não incluiu em folha de pagamento e também em GFIP as remunerações de todos os segurados que lhe prestaram serviços no exercício de 2004. Não tendo realizado as devidas inclusões, o contribuinte também não pagou o devido.
As afirmações do contribuinte são tão contundentes e não dão margem para a ocorrência de supostas presunções por parte da fiscalização. As evidências foram tantas no que diz respeito à caracterização do vínculo empregatício, situação que levou a fiscalização a adotar os pressupostos legais de que trata o § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.115
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. COTA PATRONAL / SAT/RAT. NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PROPRIA. CONSEQUENCIAS. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO PACTUADO. RPS. PREVISÃO. O lançamento discutido nestes autos diz respeito às contribuições previdenciárias, não recolhidas na época própria, correspondentes à parte da empresa, bem como as destinadas ao SAT/RAT. Constatou-se que o contribuinte não incluiu em folha de pagamento e também em GFIP as remunerações de todos os segurados que lhe prestaram serviços no exercício de 2004. Não tendo realizado as devidas inclusões, o contribuinte também não pagou o devido. As afirmações do contribuinte são tão contundentes e não dão margem para a ocorrência de supostas presunções por parte da fiscalização. As evidências foram tantas no que diz respeito à caracterização do vínculo empregatício, situação que levou a fiscalização a adotar os pressupostos legais de que trata o § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19311.000323/2008-83
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5437725
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2803-004.115
nome_arquivo_s : Decisao_19311000323200883.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 19311000323200883_5437725.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
id : 5844958
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705002967040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2194; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.000323/200883 Recurso nº 19.311.000323200883 Voluntário Acórdão nº 2803004.115 – 3ª Turma Especial Sessão de 12 de fevereiro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PRIMEIRA IGREJA BATISTA DE ATIBAIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. COTA PATRONAL / SAT/RAT. NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PROPRIA. CONSEQUENCIAS. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO PACTUADO. RPS. PREVISÃO. 1. O lançamento discutido nestes autos diz respeito às contribuições previdenciárias, não recolhidas na época própria, correspondentes à parte da empresa, bem como as destinadas ao SAT/RAT. 2. Constatouse que o contribuinte não incluiu em folha de pagamento e também em GFIP as remunerações de todos os segurados que lhe prestaram serviços no exercício de 2004. Não tendo realizado as devidas inclusões, o contribuinte também não pagou o devido. 3. As afirmações do contribuinte são tão contundentes e não dão margem para a ocorrência de supostas presunções por parte da fiscalização. As evidências foram tantas no que diz respeito à caracterização do vínculo empregatício, situação que levou a fiscalização a adotar os pressupostos legais de que trata o § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 03 23 /2 00 8- 83 Fl. 697DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.000323/200883 Acórdão n.º 2803004.115 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.000323/200883 Acórdão n.º 2803004.115 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuições previdenciárias não recolhidas na época própria, correspondentes à parte da empresa e ao financiamento do SAT/RAT. Ficou constado que o contribuinte não incluiu em folhas de pagamento e em GFIP as remunerações de todos os segurados que lhe prestaram serviços no exercício de 2004, não declarando, portanto, as contribuições incidentes sobre esses valores. Desses segurados não informados, três foram caracterizados como empregados e os demais como contribuintes individuais. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 28 de maio de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MINISTRO DE CONFISSÃO RELIGIOSA. COMPROVAÇÃO. Ministro de confissão religiosa é a pessoa vocacionada, de forma voluntária, para a realização de serviços característicos da referida confissão, como o anúncio de suas respectivas doutrinas e crenças, a celebração de cultos, a organização das comunidades e a promoção de observância das normas estabelecidas pela instituição religiosa. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. OCORRÊNCIA. Presentes os pressupostos caracterizadores de vínculo empregatício, correto o enquadramento do segurado como empregado e apuração da contribuição previdenciária correspondente. CONTRATO DE ESTÁGIO. TÉRMINO DA VIGÊNCIA. CONTINUIDADE DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. VÍNCULO DE EMPREGO. A comprovação do estágio dáse pelo contrato firmado entre a instituição de ensino e a pessoa jurídica contratante e mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, com a interveniência obrigatória da instituição de ensino. Vencido o prazo firmado no termo, a continuidade da prestação de serviços sem a prorrogação expressa caracteriza o vínculo empregatício para fins previdenciários. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 699DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.000323/200883 Acórdão n.º 2803004.115 S2TE03 Fl. 5 4 Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Dos Fatos – A recorrente foi objeto da Ação Fiscal para a verificação do cumprimento das obrigações relativas às Contribuições sociais administradas pela SRFB e aquelas relativas a terceiros, nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2004, especifica e unicamente no que se refere à remuneração de contribuintes individuais, inclusive sua caracterização como empregados. A referida Ação Fiscal resultou no entendimento de que a recorrente não incluiu em folha de pagamento e em GFIPS as remunerações de todos os segurados que lhe prestaram serviços no exercício de 2004, não declarando, portanto, as contribuições incidentes sobre estes valores. Por consequência, diversos autos de infração foram lavrados, a saber AI nº 37.173.7460, AI nº 37.173.7478, AI nº 37.173.7486 e AI nº37.173.7494, que por sua vez geraram os seguintes processos administrativos, todos eles conexos: 19311.000323/200883, 19311.000324/324/200828, 19311.000325/200872, 19311.000326/200817. Referidos autos de infração foram impugnados no que tange ao enquadramento da ministra de Música Cléia Wandsberg da Rocha como empregada no exercício da profissão de músico e na descaracterização do estágio do segurado Ricardo Gonçalves Libaneo. As impugnações foram julgadas em conjunto, sendo que os membros da 70ª Sessão da 7ª Turma de Julgamento acordaram pela improcedência da impugnação, mantendo se o crédito tributário exigido. Do Direito – A função exercida pela Ministra, no âmbito religioso, pressupõe um chamado espiritual para exercêlo, um vocação. Não se pode atribuir um vínculo de subordinação de uma Ministra religiosa pela existência de uma hierarquia meramente organizacional e funcional dentro das igrejas. Portanto, se existe alguma subordinação por parte da ministra de Culto, Louvor e Adoração, ela é somente em relação a Deus. Uma vez ausente o elemento subordinação entre a Sra. Cléia e a igreja, inexistente é o vínculo empregatício entre as partes. Afirma ainda a Turma Julgadora que a Ministra recebeu 13º Salário, uma gratificação natalina, direito constitucionalmente garantido aos trabalhadores, fato este incompatível para pessoas que prestam serviços voluntários como os ministros de confissão religiosa. O fato da Ministra Cléia ter recebido o 13º salário no final do ano, não enseja a presunção de vínculo empregatício, uma vez que é sabido que já se estabeleceu um costume pátrio de pagar a gratificação natalina aos trabalhadores autônomos como contadores, faxineiros, advogados dentre outros profissionais desta natureza. No tocante ao estagiário Ricardo Gonçalves Libaneo, reiterase que recorrente mantinha junto à Fundação Municipal de Ensino Superior de Bragança Paulista um convênio para a realização de estágio por prazo indeterminado, firmado em 01/09/03. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.000323/200883 Acórdão n.º 2803004.115 S2TE03 Fl. 6 5 Referido estagiário, quando iniciou seu período de estágio, em 01/09/03, encontravase cursando o 2º ano do Curso Superior de Educação Física. Após o período incial de seis meses, o estagiário continuou exercendo o estágio nos mesmos termos pactuados inicialmente, a saber, desenvolvendo atividades na área de esportes, que lhe proporcionavam experiências práticas de sua formação em Educação Física, em particular com aplicação no campo missionário, conforme atesta o responsável legal da recorrente em declaração à fls. 58. O art. 428, § 3º, da CLT estabelece que o Contrato de Aprendizagem não poderá ser instituído por prazo superior a dois anos. Isto não significa dizer que tal contrato terá sempre esse limite. Este é o interstício máximo. É notório que o contrato celebrado entre o estudante e a parte concedente da oportunidade do estágio curricular, deve ter a interveniência da instituição de ensino, como mecanismo para inibir a roupagem simulatória para mascarar relação de emprego. No caso em tela, verificase que após o período de março de 2004 o Convênio entre a Fundação e a recorrente ainda estava vigente e o estagiário estava cursando o 3º ano da Faculdade, assim sendo, nenhuma irregularidade pode ser apontada para a prorrogação tácita de tal Contrato de Estágio. O princípio da verdade real deve prevalecer, pois, ainda que, por um lapso da administração da recorrente, não houve a formalização da continuidade do estágio com a renovação do Termo de Compromisso, o Contrato de Estágio não ultrapassou o prazo máximo legal de 02 (dois) anos, o estagiário ainda estava cursando o ensino Superior no qual vigorava o Convênio, e, de fato, o estudante Ricardo desempenhava suas atividades de aprendiz na área de esportes. Não houve fraude e nem simulação. Ante ao todo exposto, requer seja recebido o presente recurso, julgandoo procedente, a fim de reconhecer a função desempenhada pela segurada Cléia Wandsberg da Rocha como ministra de confissão religiosa, estando, portanto suas remunerações ao abrigo da isenção de contribuição previdenciária, conforme disposto no artigo 22, parágrafo 13 da Lei 8.212/91, bem como afastar o enquadramento do estagiário Ricardo G. Libaneo, como empregado, por estar no período apontado, ainda exercendo o estágio, de fato, excluindose por consequência, todos os créditos tributários e obrigações acessórias referentes aos lançamentos impugnados – Processos nº 9311.000323/200883, AI 37.173.7460 e demais conexos Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.000323/200883 Acórdão n.º 2803004.115 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento discutido nestes autos diz respeito às contribuições previdenciárias, não recolhidas na época própria, correspondentes à parte da empresa, bem como as destinadas ao SAT/RAT. Constatouse que o contribuinte não incluiu em folha de pagamento e também em GFIP as remunerações de todos os segurados que lhe prestaram serviços no exercício de 2004. Não tendo realizado as devidas inclusões, o contribuinte também não pagou o devido. Dois foram os pontos centrais da discussão. O primeiro, a empresa afirma que a Ministra de Música Cleia Wandsberg, exerceu durante o período contestado pela fiscalização, função de Ministra, no âmbito religioso, o que pressupõe um chamado espiritual para exercêlo, uma vocação. De acordo com o contribuinte, não se pode atribuir um vínculo de subordinação de uma Ministra religiosa pela existência de uma hierarquia meramente organizacional e funcional dentro das igrejas. Se existe alguma subordinação por parte da Ministra de Culto, Louvor e Adoração, ela é somente em relação a Deus. No exercício das funções acima especificadas, constam dos autos que o contribuinte efetuou pagamentos mediante RPA`s apresentadas pela Sra. Cleia, inclusive parcela relativa ao 13º salário. No ponto, o contribuinte afirma que: O fato da Ministra Cléia ter recebido o 13º salário no final do ano, não enseja a presunção de vínculo empregatício, uma vez que é sabido que já se estabeleceu um costume pátrio de pagar a gratificação natalina aos trabalhadores autônomos como contadores, faxineiros, advogados dentre outros profissionais desta natureza. As afirmações do contribuinte são tão contundentes e não dão margem para a ocorrência de supostas presunções por parte da fiscalização. As evidências foram tantas no que diz respeito à caracterização do vínculo empregatício, situação que levou a fiscalização a adotar os pressupostos legais de que trata o § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, in verbis: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: Fl. 702DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.000323/200883 Acórdão n.º 2803004.115 S2TE03 Fl. 8 7 (...) § 2º. Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. A parte do texto acima descrito que fala sobre o Auditor Fiscal da Previdência Social foi alterada pela Lei nº 11.457, de 2007. A atribuição de fiscalização agora cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vêse, então, que a caracterização do vínculo empregatício da Ministra Cléia com a instituição religiosa está correta. A fiscalização valeuse das regras postas á sua disposição para constituir o crédito tributário. O segundo ponto diz respeito à caracterização de vínculo empregatício com o exestagiário Ricardo Gonçalves Libâneo, estando mais uma vez correto o procedimento da fiscalização. Durante o período contemplado pelo Termo de Compromisso firmado entre o aluno e a instituição de ensino, que correspondeu ao período de 01/09/2003 até 28/02/2004, não ocorreu nenhuma irregularidade, pois o prazo de vigência do referido documento foi devidamente respeitado. Contudo, a partir de 01/03/2004, as partes não renovaram o Termo de Compromisso para igual ou superior período, situação que ficou desamparada legalmente. Portanto, a partir do primeiro dia de março de 2004, Ricardo Gonçalves Libâneo passou a ser segurado empregado, conforme estabelece o inciso I do art. 9º do Decreto nº 3.048, de 1999, como corretamente foi enquadrado pela fiscalização. O cálculo da dívida previdenciária abrangeu as competências 01/2004 a 12/2004, inclusive o 13º. Tendo em vista que a fiscalização constituiu o crédito tributário na forma estabelecida no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, conheço do recurso aviado pelo contribuinte, mas negolhe provimento. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.000323/200883 Acórdão n.º 2803004.115 S2TE03 Fl. 9 8 Fl. 704DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13888.000458/2003-23
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. SÚMULA CARF Nº 2.
É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar no. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial.
Carece competência ao Colegiado para apreciar alegações de inconstitucionalidade de lei tributária, consoante disposto na Súmula CARF nº 2.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Comprovada a origem dos recursos, pertencentes a terceiros e movimentados na conta corrente do procurador, é de se excluir tais valores da base de cálculo do imposto lançado por presunção.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2802-003.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do imposto os seguintes valores R$ 685,62 (30/1/1998); R$ 814,43; R$ 2.000,00, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández (relator), Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello que davam provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Redator Designado.
EDITADO EM: 18/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: German Alejandro San Martín Fernández
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. SÚMULA CARF Nº 2. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar no. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. Carece competência ao Colegiado para apreciar alegações de inconstitucionalidade de lei tributária, consoante disposto na Súmula CARF nº 2. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Comprovada a origem dos recursos, pertencentes a terceiros e movimentados na conta corrente do procurador, é de se excluir tais valores da base de cálculo do imposto lançado por presunção. Recurso parcialmente provido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13888.000458/2003-23
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5436491
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2802-003.122
nome_arquivo_s : Decisao_13888000458200323.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : German Alejandro San Martín Fernández
nome_arquivo_pdf_s : 13888000458200323_5436491.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do imposto os seguintes valores R$ 685,62 (30/1/1998); R$ 814,43; R$ 2.000,00, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández (relator), Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello que davam provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Redator Designado. EDITADO EM: 18/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
id : 5843307
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705005064192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2322; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 483 1 482 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.000458/200323 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.122 – 2ª Turma Especial Sessão de 10 de setembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente PEDRO NATIVIDADE FERREIRA DE CAMARGO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. SÚMULA CARF Nº 2. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar no. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. Carece competência ao Colegiado para apreciar alegações de inconstitucionalidade de lei tributária, consoante disposto na Súmula CARF nº 2. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Comprovada a origem dos recursos, pertencentes a terceiros e movimentados na conta corrente do procurador, é de se excluir tais valores da base de cálculo do imposto lançado por presunção. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do imposto os seguintes valores R$ 685,62 (30/1/1998); R$ 814,43; R$ 2.000,00, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 04 58 /2 00 3- 23 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN F ERNANDEZ, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Fernández (relator), Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello que davam provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Redator Designado. EDITADO EM: 18/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Versam os presentes autos sobre recurso voluntário interposto de decisão a quo que julgou procedente em parte a ação fiscal, derivada de Auto de Infração lavrado em virtude de omissão de rendimentos constatada mediante cruzamento de dados de CPMF e cuja movimentação financeira foi entregue “espontaneamente” ao Fisco pelo contribuinte. Alega o recorrente em apertada síntese: a) prescrição intercorrente; b) irretroatividade da LC n. 105/2001; c) impossibilidade de tributação por presunção; d) valor probante dos documentos de fls. 321 a 325; e) justificação de parte dos depósitos, por força da juntada dos documentos de fls. 253, 254, 255 e 256 (custas judiciais depositadas por clientes); f) valores não tributáveis referentes a transferências entre contas do próprio recorrente (fls. 248 e 249); g) e tributação de créditos de terceiros (fls. 239, 241, 340, 383, 384 e 392 f/v) Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Vencido Por tempestivo e pela constatação das presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN F ERNANDEZ, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13888.000458/200323 Acórdão n.º 2802003.122 S2TE02 Fl. 484 3 A presente ação fiscal decorre da análise de informações fiscais fornecidas à RFB mediante utilização de dados da CPMF. Após intimação indicando o total da movimentação financeira do período fiscalizado, parte dos extratos bancários foram apresentados pela recorrente e as demais informações foram obtidas mediante RMF, conforme discriminado às fls. 130 e seguintes dos autos. Alega o recorrente em apertada síntese: a) prescrição intercorrente; b) irretroatividade da LC n. 105/2001; c) impossibilidade de tributação por presunção; d) valor probante dos documentos de fls. 321 a 325; e) justificação de parte dos depósitos, por força da juntada dos documentos de fls. 253, 254, 255 e 256 (custas judiciais depositadas por clientes); f) valores não tributáveis referentes a transferências entre contas do próprio recorrente (fls. 248 e 249); g) e tributação de créditos de terceiros (fls. 239, 241, 340, 383, 384 e 392 f/v) Prescrição intercorrente Rejeito a alegação com fulcro na Súmula CARF n. 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Irretroatividade da LC n. 105/2001 Rejeito a alegação com fundamento na reiterada jurisprudência deste E. CARF, bem como na redação da Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente Com efeito, o § 1º do artigo 144 do CTN permite a aplicação de legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas. Nesse sentido: APLICAÇÃO RETROATIVA DAS LEIS COMPLEMENTAR N° 105/2001 E ORDINÁRIA N° 10.174/2001 LEGISLAÇÃO QUE AUMENTA OS PODERES DE INVESTIGAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA FISCAL PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA VERSUS PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO QUE AMPLIA O PODER PERSECUTÓRIO DO ESTADO Hígida a ação fiscal que tomou como elemento indiciário de infração tributária a informação da CPMF, mesmo para período anterior a 2001, já que à luz do art. 144, § 1°, do CTN, podese utilizar a legislação superveniente à ocorrência do fato gerador, quando esta amplia os poderes de investigação da autoridade administrativa fiscal. Não se pode invocar o princípio da segurança jurídica como um meio para se proteger da descoberta do cometimento de infrações tributárias. Mesma inteligência para aplicação retroativa dos poderes trazidos ao Fl. 485DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN F ERNANDEZ, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 fisco pela Lei Complementar n" 105/2001.( Acórdão n° 2102 00241). ...... QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. REGULARIDADE. É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante quebra do sigilo bancário, quando efetuada com base e estrita obediência ao disposto na Lei Complementar nº 105 e Decreto nº 3.724, ambos de 2001. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. IRRETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174, DE 2001. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula CARF nº 35 Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) DEPÓSITO BANCÁRIO (ACÓRDÃO 2102002.944). Impossibilidade de tributação por presunção Rejeito a alegação dada a legalidade da presunção relativa prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, de sorte a permitir, identificada a origem do depósito bancário, a sujeição às normas específicas de tributação, previstas na legislação vigente à época em que o rendimento foi auferido ou recebido. Valor probante dos documentos de fls. 321 a 325 De fato, a relação de depósitos de fls. 321 a 325, feita pelo próprio contribuinte, nada prova se desprovido de outros documentos e elementos para jus. Justificação de parte dos depósitos, por força da juntada dos documentos de fls. 253, 254, 255 e 256 (custas judiciais depositadas por clientes) Fl. 253, 254 (258, 259 pdf): Valor justificado R$ 685,62: Depósito de R$ 777,28 – Tratase de pagamento de tributos devidos e pagos pela PJ Organização Natividade. Comprovação de que se tratam de valores devidos e reembolsados pela PJ à PF. Fl. 255 (260): Valor justificado: R$ 814,43. Reembolso de despesas, depósito no valor de R$ 1.000,00. Fl. 261 (267 pdf): R$ 2.000,00 – Valor justificado – depósito de custas de preparo. Valores não tributáveis referentes a transferências entre contas do próprio recorrente (fls. 248 e 249) Valor justificado: R$1.000,00 em 12/6/1998. Valor justificado: R$1.000,00 em 14/07/1998. Tributação de créditos de terceiros (fls. 239, 241, 340, 383, 384 e 392 f/v) Com relação aos créditos bancários que teriam se originado da percepção, pelo contribuinte, de rendimentos de aluguéis de imóveis de terceiros, os documentos apresentados são insuficientes para tal comprovação, porquanto desacompanhados dos respectivos contratos de locação ou de declarações dos terceiros beneficiários. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN F ERNANDEZ, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13888.000458/200323 Acórdão n.º 2802003.122 S2TE02 Fl. 485 5 O recorrente não se insurge expressamente contra o agravamento da multa em sede recursal; apenas em sede de Impugnação. Entretanto, por existir insurgência quanto à inconstitucionalidade do acesso de dados bancários sem ordem judicial e impugnação integral contra o lançamento, excluo a multa agravada de ofício, em razão do seu descabimento nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação, com fundamento nos princípios da verdade material e formalismo moderado. Nesse sentido: MULTA AGRAVADA. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte (ACÓRDÃO 2102003.007) Pelo exposto, conheço e dou provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir da base de cálculo do imposto os seguintes valores os seguintes valores R$ 685,62 (30/1/1998); R$ 814,43; R$ 2.000,00 e afastar a multa agravada. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Voto Vencedor Ronnie Soares Anderson, Redator designado Não obstante as palavras do ilustre Relator, ouso divergir de seus fundamentos e respectivas conclusões no que tange especificamente ao afastamento da multa agravada. A extensão do efeito devolutivo do recurso voluntário interposto pelo autuado foi por este definido em suas razões recursais, não cabendo a este Colegiado conceder mais do que o demandado. Com efeito, os princípios da verdade material e da informalidade moderada produzem seus efeitos apenas sobre as questões que permanecem controversas no processo administrativo, e que foram submetidas ao órgão julgador pela via recursal. Registrese, ainda, que a matéria em questão não é passível de conhecimento de ofício, não estando abrangida dentre as hipóteses do § 3º do art. 267 do Código de Processo Civil, tampouco havendo disposição normativa ou regimental que assim o preveja. Portanto, em que pese o entendimento do relator acerca do cabimento ou não da multa agravada em circunstâncias similares à que ora se apresenta para julgamento, deve ser mantido o agravamento da multa de ofício. Nos demais pontos, acompanho o Relator. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN F ERNANDEZ, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do imposto os seguintes valores para excluir da base de cálculo do imposto os seguintes valores R$ 685,62 (30/1/1998); R$ 814,43; R$ 2.000,00. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 488DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN F ERNANDEZ, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 14033.000284/2005-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Ausente momentaneamente o conselheiro Helio Eduardo de Paiva Araujo.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 14033.000284/2005-84
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5438480
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1302-000.360
nome_arquivo_s : Decisao_14033000284200584.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARCIO RODRIGO FRIZZO
nome_arquivo_pdf_s : 14033000284200584_5438480.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Ausente momentaneamente o conselheiro Helio Eduardo de Paiva Araujo.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
id : 5848153
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705022889984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1411; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 229 1 228 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14033.000284/200584 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.360 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 04 de fevereiro de 2015 Assunto PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO Recorrente BRASIL TELECOM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Ausente momentaneamente o conselheiro Helio Eduardo de Paiva Araujo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 33 .0 00 28 4/ 20 05 -8 4 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14033.000284/200584 Resolução nº 1302000.360 S1C3T2 Fl. 230 2 Relatório Tratase o presente processo de Pedido de Ressarcimento ou Restituição Declaração de Compensação PER/DCOMP de crédito resultante de pagamento a maior de IRRF (Juros sobre o Capital Próprio), mês de fevereiro/2003, no valor de RS 2.846.096,45, com débito próprio de IRPJ (Estimativa), mês de fevereiro/2005. A recorrente, irresignada, com a decisão (fls. 18/21) denegatória de seu pedido de compensação, oferece manifestação de inconformidade (fls. 24/26), alegando, em resumo, que: Providenciou a retificação da DCTF, pois fez constar erroneamente da originalmente entregue o valor do débito de R$ 18.000.000,00, referente ao IRFonte dos juros sobre o capital próprio, quando na verdade era de R$ 15.153.904,12; O artigo 10, parágrafo primeiro da IN SRF 482/2004 autoriza a elaboração de nova DCTF para aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados; Nesse passo, sobreveio em data de 24/02/2006 decisão da DRJ de Brasília/DF (fls. 43/45), a qual julgou a impugnação improcedente, não homologando o pedido de compensação formulado pela ora recorrente, nos seguintes termos de sua ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2005 Ementa: Restituição/Compensação Impossibilidade Constatada a inexistência de recolhimento a maior ou indevido de IR Fonte, no período de apuração correspondente, impossível efetuar a compensação dada a inexistência de crédito para o encontro de conta débito versus crédito. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada Do r. acórdão acima foi a recorrente intimada em data de 07/04/2006 (fls. 47), assim, originouse Recurso Voluntário (fls. 48/62), trazendo, em síntese, as seguintes alegações: i) o julgador de primeira instância não aceitou a DCTF retificadora do primeiro trimestre de 2003, apresentada pela recorrente em 29.07.2005, bem como os dados consignados na DIPJ do anocalendário de 2003, baseandose no argumento de que não seria possível admitir a DCTF retificadora, que alterou o valor do IRRF dos juros sobre capital próprio do mês de fevereiro de 2003, após o recebimento de despacho decisório da DRF que lhe foi adverso, em 13 de julho de 2005, uma vez que, nos termos da IN SRF n° 482/2004, é vedada a retificação da aludida DCTF após o inicio do procedimento fiscal; Fl. 231DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14033.000284/200584 Resolução nº 1302000.360 S1C3T2 Fl. 231 3 ii) segundo as razões acima mencionadas, não haveria crédito compensável, porquanto o montante originalmente confessado em DCTF coincide com a importância recolhida; iii) ocorre que, em face do grande número de acionistas da recorrente e do curto lapso de tempo de que dispõe para efetuar o recolhimento do tributo retido que vence no terceiro dia da semana subsequente ao fato gerador resta a requerente a alternativa de promover projeções do tributo que deverá recolher, tendo em vista a movimentação natural do cenário resultante da dinâmica de negociação de ações no mercado aberto; iv) depois de efetuado o recolhimento, a recorrente recebe da instituição financeira encarregada do controle de acionistas o relatório definitivo do quadro societário; v) com a entrega desse relatório, identificouse que o IRRF coreto seria de R$ 15.153.903,55, em vez de R$ 18.000.000,00; vi) quando da elaboração da DIPJ referente ao anocalendário de 2003, a recorrente já dispunha da informação exata referente à posição de acionistas, expressa na ficha 49 da citada declaração, assim, dúvida não há em tomo do recolhimento de R$ 18.000.000,00; vii) cingese a questão em saber se a recorrente poderá ou não retificar a DCTF após o despacho decisório da delegacia de origem, sendo certo que a instância a quo recusou a pretensão da requerente ao fundamento de que esta já estava sob procedimento fiscal; viii) tanto é inexistente o procedimento fiscal precitado que a delegacia de seu domicílio, ao recusar a compensação, expediu comunicado e DARF com multa moratória de 20%, ao passo que a sanção seria de 75%, se procedente o argumento da DRJ; ix) acrescentese ao que já se expôs que, ao negar a compensação, em momento algum a autoridade local expediu mandado de procedimento de fiscalização, o que seria obrigatório à Administração Tributária, consoante os artigos 4° e 5° da Portaria SRF n° 3.007, de 2001; x) ainda que a recorrente estivesse obstada de retificar sua DCTF original, nada impediria às autoridades fazendárias de determinar diligencias necessárias a restaurar a verdade material dos fatos, apurando a exatidão do relatório emitido pelo Bradesco, que formulou a planilha com o valor correto dos juros sobre o capital próprio e do respectivo imposto retido; xi) a permanência do entendimento do órgão a quo constitui autêntico enriquecimento ilícito da Fazenda Pública, que recebeu importância além do que lhe era devido; xii) com base nos argumentos expostos, a recorrente solicita a realização de diligências necessárias à plena compreensão do caso e à solução da lide; Fl. 232DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14033.000284/200584 Resolução nº 1302000.360 S1C3T2 Fl. 232 4 xiii) ao final, postula pela reforma da decisão recorrida, no sentido de ser reconhecido o direito creditório relativo ao recolhimento a maior do IRRF, homologandose a compensação desejada. É o relatório. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14033.000284/200584 Resolução nº 1302000.360 S1C3T2 Fl. 233 5 Voto: Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A controvérsia no presente recurso gira em torno da existência ou não do recolhimento a maior do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF com relação ao pagamento de juros sobre capital próprio (código da receita 5706), em fevereiro de 2003, no valor de R$ 2.846.096,45 (dois milhões, oitocentos e quarenta e seis mil, noventa e seis reais e quarenta e cinco centavos). No acórdão recorrente entendeuse, em síntese, que não seria possível aceitar a retificação da DCTF em discussão, pois a recorrente transmitiu a declaração retificadora (alterando o valor do IRRF de Juros sobre Capital Próprio do mês de fevereiro de 2003) em 29/07/2005, ou seja, após o recebimento do Despacho Decisório que não homologou o seu pedido de compensação, o qual se deu em 13/07/2005, nos termos do voto destacados abaixo: [...] a DCTF retificadora foi entregue em 29/07/2005, posterior à ciência do Despacho Decisório (13/07/2005). E mais, na DIPJ/2004, base 2003, consta da ficha 06A Demonstração do Resultado que a contribuinte deduziu do seu resultado no exercício, o montante de RS 246.200.000,00, pago a título de juros sobre 0 capital próprio e que, nos autos não há referência à DIPJ retificadora, como também, não resta homologada aquela declaração, estando sujeita a posterior procedimento de fiscalização tendente a verificar a correta aplicação da legislação tributária, em relação aos fatos geradores ocorridos naquele anocalendário de 2003 (ver itens 6 e 11 do Despacho Decisório, fl. 16). Assim, o crédito do sujeito passivo referente a valor pago a maior de IRFonte a título de juros sobre 0 capital próprio não é liquido e certo, ou melhor, é inexistente, pois o débito apurado na DCTF corresponde ao pagamento efetuado (R$ 18.000.000,00). A recorrente, por sua vez, alega que por não dispor dos valores exatos pagos, a título de juros sobre capital próprio, aos seus acionistas no momento da entrega da DCTF, haja vista a grande quantidade de acionistas e a ausência de relatório definitivo da instituição financeira da composição do quadro societário, realizou o recolhimento de R$ 18.000.000,00 (dezoito milhões de reais) de IRRF naquele exercício (fevereiro de 2003). No entanto, após a entrega do relatório pela instituição financeira, identificouse que o montante correto do IRRF, referente a fevereiro de 2003, seria de R$ 15.153.903,55 (quinze milhões, cento e cinquenta e três mil, novecentos e três reais e cinquenta e cinco centavos), valor a menor daquele recolhido anteriormente (R$ 18.000.000,00). Logo, estaria justificada a pretensão do pedido de compensação no montante de R$ 2.846.096,45 (dois milhões, oitocentos e quarenta e seis mil, noventa e seis reais e quarenta e cinco centavos), nos dizeres da ora recorrente. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14033.000284/200584 Resolução nº 1302000.360 S1C3T2 Fl. 234 6 Outrossim, dispõe a recorrente que incorreu e erro material ao realizar a entrega da DCTF referente ao primeiro trimestre de 2003, erro este que é passível de retratação, assim como a fez, retificando a DCTF em data de 29/07/2005. Sendo assim, por se tratar de um suposto erro no preenchimento da DCTF, deve subsistir a verdade material, em consonância com o entendimento deste e. Conselho: PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material se sujeita naturalmente ao devido processo legal, e traduzse no conjunto fáticoprobatório a ser buscado no processo administrativo, de maneira a evidenciar com maior precisão possível a realidade de uma dada situação constante no processo, de modo que a decisão final seja a mais justa. (CARF. Acórdão n.º 3403003.320. Rel. Luiz Rogerio Sawaya Batista. Sessão de 14/10/2014) (grifo não original) Portanto, em face dessas considerações, a fim de prestigiar o princípio da verdade material, bem como para não ofender o interesse público na correta aplicação da legislação tributária, entendo cabível converter o julgamento em diligência, a fim de que o AFRFB verifique: 1) O real montante do IRRF devido em relação ao juros sobre capital próprio (anocalendário 2003), se o recolhimento efetuado pela recorrente de R$ 18.000.000,00 (dezoito milhões de reais) é suficiente para quitar o valor devido e se existe saldo a restituir; 2) Se a DCTF retificadora, mesmo que entregue após a intimação do indeferimento do pedido da recorrente, reflete a situação fiscal que daria direito a restituição de IRRF calculado a maior sobre o juros sobre capital próprio e em qual montante, juntando a documentação ao processo;3) Se a DIPJ/2004 (ano calendário 2003) apresentase corretamente preenchida, refletindo também o valor a ser supostamente restituído à recorrente, considerando eventuais retificadoras; 3) Após, que o agente fiscal emita parecer conclusivo apurando o correto valor devido pela recorrente de IRRF em relação ao JCP do anocalendário de 2003, se existe saldo a restituir e, caso afirmativo, em qual montante. Na sequência, deve a recorrente ser cientificada do resultado da diligência para que, sendo de seu interesse, manifestese da forma que entender adequada, no prazo de 30 (trinta) dias. Após, com ou sem manifestação, seja o feito devolvido a este Conselho, que deverá julgálo incontinenti. Ante ao exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 235DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13656.900016/2010-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13656.900016/2010-31
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5448324
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-000.241
nome_arquivo_s : Decisao_13656900016201031.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : WILSON FERNANDES GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 13656900016201031_5448324.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. documento assinado digitalmente Valmar Fonseca de Menezes Presidente. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5880380
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705039667200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1381; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 169 1 168 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13656.900016/201031 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.241 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de novembro de 2014 Assunto CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA Recorrente EXPORTADORA DE CAFÉ GUAXUPÉ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 56 .9 00 01 6/ 20 10 -3 1 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13656.900016/201031 Resolução nº 1301000.241 S1C3T1 Fl. 170 2 Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensação, por meio das quais a contribuinte pretende extinguir débitos de sua titularidade com crédito correspondente a saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2005. A Delegacia da Receita Federal em Poços de Caldas, Minas Gerais, unidade administrativa que primeiro analisou o pedido formulado pela contribuinte, por meio de Despacho Decisório (eletrônico), reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado sob o argumento de que não foram confirmadas todas as extinções de estimativas declaradas, homologando até o limite desse reconhecimento as compensações pleiteadas. Em sede de Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou: que a suposta diferença do saldo negativo verificada na decisão impugnada decorreria de compensação de estimativa de IR efetuada nos autos do Processo n° 13652.000154/200591, com crédito oriundo da nãocumulatividade da COFINS; que, considerando a conexão entre os processos, fosse por economia processual, fosse para evitar decisões conflitantes, o presente processo deveria ficar sobrestado até o julgamento definitivo do Processo n° 13652.000154/200591; que, ainda que não se decida pela suspensão ou sobrestamento do presente processo, a cobrança não pode prosseguir, haja vista a conexão com o processo n° 13652.000154/200591. Adiante, a contribuinte teceu considerações acerca da procedência do crédito que encontrase sendo discutido no já citado processo n° 13652.000154/200591. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, Minas Gerais, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 0943.677, de 24 de abril de 2013, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). COMPENSAÇÃO Não existindo o crédito declarado a compensação não pode ser homologada. Irresignada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 152/276, por meio do qual renova a argumentação expendida na defesa inaugural. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13656.900016/201031 Resolução nº 1301000.241 S1C3T1 Fl. 171 3 É o Relatório. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13656.900016/201031 Resolução nº 1301000.241 S1C3T1 Fl. 172 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Embora não identifique comprovante ciência da decisão exarada em primeira instância, tenho por tempestivo o recurso voluntário, haja vista as informações consignadas no despacho de fls. 168. A contribuinte, tanto na Manifestação de Inconformidade apresentada, como no recurso voluntário, sustenta que a parcela do direito creditório não reconhecido nas instâncias precedentes (R$ 347.765,50) deriva de questão que está sendo discutida no processo administrativo nº 13652.000154/200591, o que justificaria o sobrestamento do julgamento do presente processo até que decisão final seja prolatada naquele. Com base no sistema de controles de processo (eprocesso), constato que, de fato, o referido processo administrativo nº 13652.000154/200591 trata, entre outras, de compensação de estimativa de IRPJ do ano calendário de 2005, sendo certo que a decisão final nele proferida, caso seja favorável à Recorrente, ainda que em parte, provocará efeitos na análise do pedido que constitui o objeto do presente processo. Verifico, também, que o citado processo administrativo nº 13652.000154/2005 91 encontrase na Quarta Câmara da Terceira Seção deste Colegiado, para fins de análise de recurso especial impetrado pela contribuinte. Diante de tais circunstâncias, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a unidade administrativa de origem, a partir da decisão administrativa final prolatada no processo nº 13652.000154/200591, informe se estimativa de IRPJ, correspondente ao período de maio de 2005, foi extinta, ainda que parcialmente, por meio da compensação pleiteada no referido processo (em caso de extinção, ainda que parcial, solicitase a elaboração de quadro demonstrativo do saldo negativo do ano calendário de 2005). “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 172DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
score : 1.0
Numero do processo: 13605.000269/99-04
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1989 a 31/05/1999
PIS - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 9900-000.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional, para restabelecer a glosa de créditos relativos a fatos geradores ocorridos até junho de 1989, inclusive.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
Henrique Pinheiro Torres - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Pleno
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1989 a 31/05/1999 PIS - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso parcialmente provido.
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13605.000269/99-04
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5437755
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9900-000.928
nome_arquivo_s : Decisao_136050002699904.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : HENRIQUE PINHEIRO TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 136050002699904_5437755.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional, para restabelecer a glosa de créditos relativos a fatos geradores ocorridos até junho de 1989, inclusive. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. Henrique Pinheiro Torres - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
id : 5844988
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705045958656
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-01-09T20:25:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-01-09T20:25:51Z; Last-Modified: 2015-01-09T20:25:51Z; dcterms:modified: 2015-01-09T20:25:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:b7e3157e-d4af-419a-9e51-a183d42ac838; Last-Save-Date: 2015-01-09T20:25:51Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-01-09T20:25:51Z; meta:save-date: 2015-01-09T20:25:51Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-01-09T20:25:51Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-01-09T20:25:51Z; created: 2015-01-09T20:25:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2015-01-09T20:25:51Z; pdf:charsPerPage: 2214; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-01-09T20:25:51Z | Conteúdo => CSRFPL Fl. 418 1 417 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13605.000269/9904 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900000.929 – Pleno Sessão de 9 de dezembro de 2014 Matéria Termo inicial do prazo para repetição de indébito Recorrente ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional Recorrida Organização Comercial São Pedro Ltda. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1989 a 31/05/1999 PIS PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional, para restabelecer a glosa de créditos relativos a fatos geradores ocorridos até junho de 1989, inclusive. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Henrique Pinheiro Torres Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 5. 00 02 69 /9 9- 04 Fl. 418DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Os fatos foram assim relatados no acórdão recorrido: A Fazenda Nacional, com fundamento no II, do art. 56 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, c/c o inc. I, do art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, contra decisão consubstanciada em acórdão da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes interpõe recurso especial a esta Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Inconformada, pois, com a decisão que considerou o prazo qüinqüenal de decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição e/ou compensação do PIS, indicando como termo inicial a Resolução do Senado, ao invés da data do pagamento. A ementa dessa decisão, na parte objeto de recurso, possui a seguinte redação: PIS/PASEP. PRESCRIÇÃO. Prazo prescricional para pleitear restituição de 05 (cinco) anos contados a partir da Resolução do Senado Federal que suspendeu a vigência de lei que estabelecia tributação declarada inconstitucional. Recurso provido em parte. Segundo as razões apresentadas pela D. Procuradoria, o direito de pleitear a restituição extinguese dentro de 5 anos, tendo como dies a quo "a data da extinção do crédito tributário", que segundo o art. 156, I do CTN, é o pagamento. Caso suplantado esse pedido, requer seja interpretado que os efeitos declaratórios da Resolução do Senado não constituem direitos, abarcando, portanto, apenas os cinco anos anteriores ao pedido de restituição. Pede a reforma da decisão recorrida. O apelo especial, uma vez preenchidos os requisitos de admissibilidade, foi recebido pelo despacho n° 201393/07 (fl.335) da Presidência daquela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. A interessada foi devidamente cientificada do Recurso Especial, apresentando contrarazões conforme fls. 339/345, pedindo pela manutenção do Acórdão recorrido. Julgando o feito, a então Segunda Turma da Câmara superior de Recursos Fiscais, negou provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, em acórdão assim ementado: Fl. 419DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13605.000269/9904 Acórdão n.º 9900000.929 CSRFPL Fl. 419 3 PIS. RESTITUIÇÃO. NORMA INCONSTITUCIONAL. PRAZO DECADENCIAL. RESOLUÇÃO DO SENADO. • EFEITOS EXTUNC. Na hipótese de suspensão da execução de lei por resolução do Senado Federal, o prazo de cinco anos para apresentação do pedido, relativamente aos recolhimentos efetuados sob a vigência da lei inconstitucional, iniciase na data da publicação da resolução. Inaplicabilidade da Lei Complementar n° 118/2005. A declaração de inconstitucionalidade de um certo ato normativo tem efeito "ex tunc" exceto nos casos de modulação. Recurso especial negado. Ainda não conformada com a decisão que lhe foi desfavorável, a PGFN apresentou recurso extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais onde pugna para que seja reconhecida a violação aos arts. 168 e 156 do CTN, bem como aos arts. 3º e 4º da Lei Complementar de nº 118/05, dandose provimento ao presente recurso para declarar a prescrição da pretensão da contribuinte de pleitear a restituição do indébito tributário decorrente de valores recolhidos indevidamente a título de contribuição ao PIS, porquanto foram ultrapassados mais de 5 (cinco) anos da data da extinção do crédito tributário (pagamento) sem que fosse exercitada a referida pretensão. O extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional foi admitido, nos termos do Despacho nº 910000.401, fls. 405/406. Contrarrazões vieram às fls. 408 a 415, onde é requerida a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A teor do relatado, a matéria posta em debate cingese à questão do termo inicial da prescrição para repetição de indébito. o Colegiado recorrido afastou a prescrição, sob entendimento de que o prazo para postular a repetição de indébito relativo ao PIS pago a maior com base nos DecretosLeis 2.445 e 2449, ambos de 1988, é de 5 anos contados a partir da Resolução 49, de 10/10/1995. Em seu recurso extraordinário, a Fazenda Nacional pede a aplicação do prazo quinquenal, previsto no art. 168 do CTN, cujo termo inicial seria a data do pagamento indevido, conforme interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005. A seu turno, o sujeito passivo, em contrarrazões, defende a manutenção da decisão recorrida. Analisando os autos, verificase que a autuação decorreu da glosa de compensação relativas a créditos de PIS referentes a pagamentos efetuados com base nos Fl. 420DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Como dito linhas acima, a controvérsia que subiu para exame deste Colegiado cingese, tãosomente, à questão do prazo extintivo do direito à repetição dos alegados indébitos que teriam decorridos de pagamentos efetuados a maior em relação a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre janeiro de 1989 e maio de 1999. O pedido de compensação foi protocolado em 7 de julho de 1999. Feito esse esclarecimento, passemos, de imediato, ao enfrentamento da questão. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 RIO GRANDE DO SUL. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13605.000269/9904 Acórdão n.º 9900000.929 CSRFPL Fl. 420 5 Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. AC0RDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob o RE 66.621 / RS Presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da relatora. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 2005, com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Fl. 422DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Tribunal Federal diz que ela é, com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF, por conseguinte, deve todos os demais tribunais e órgãos administrativos observarem suas decisões. De outro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, concluise que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob exame, temse que os créditos relativos a fato geradores ocorridos, anteriormente, a junho de 1989, inclusive, na data em que apresentado o pedido de repetição, 7 de julho de 1999, encontravamse prescritos. Os créditos relativos a julho de 1989, cujo fato gerador ocorreu no último dia desse mês, não foram alcançados pela prescrição, pois, nessa data, ainda não havia ocorrido o exaurimento do prazo decenal da prescrição. Os referentes a fatos geradores ocorridos posteriormente, por óbvio, também não prescreveram. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional, para restabelecer a glosa pertinente à compensação de créditos referentes a fatos geradores ocorridos até junho de 1989, inclusive. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 423DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13864.720146/2013-80
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 01/01/2010
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35 - A, da Lei 8.212/91, introduzido pelo Lei 11.941/2009, pois no presente temos lançamento de ofício.
TAXA SELIC. LEGALIDADE.
Os juros morato´rios incidentes sobre de´bitos tributa´rios administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no peri´odo de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para ti´tulos federais, nos termos da Súmula 04 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-004.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Eduardo de Oliveira. Vencidos os Conselheiros Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato.
(Assinado Digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente).
Ricardo Magaldi Messetti- Relator.
(Assinado Digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Redator designado.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 01/01/2010 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35 - A, da Lei 8.212/91, introduzido pelo Lei 11.941/2009, pois no presente temos lançamento de ofício. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Os juros morato´rios incidentes sobre de´bitos tributa´rios administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no peri´odo de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para ti´tulos federais, nos termos da Súmula 04 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13864.720146/2013-80
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5454328
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2803-004.181
nome_arquivo_s : Decisao_13864720146201380.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RICARDO MAGALDI MESSETTI
nome_arquivo_pdf_s : 13864720146201380_5454328.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Eduardo de Oliveira. Vencidos os Conselheiros Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente). Ricardo Magaldi Messetti- Relator. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira - Redator designado. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
id : 5892219
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705096290304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2287; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 479 1 478 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13864.720146/201380 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803004.181 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de março de 2015 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente SADEFEM EQUIPAMENTOS E MONTAGENS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 01/01/2010 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35 A, da Lei 8.212/91, introduzido pelo Lei 11.941/2009, pois no presente temos lançamento de ofício. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, nos termos da Súmula 04 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Eduardo de Oliveira. Vencidos os Conselheiros Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato. (Assinado Digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 01 46 /2 01 3- 80 Fl. 480DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.720146/201380 Acórdão n.º 2803004.181 S2TE03 Fl. 480 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente). Ricardo Magaldi Messetti Relator. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira Redator designado. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.720146/201380 Acórdão n.º 2803004.181 S2TE03 Fl. 481 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Sadefem Equipamentos e Montagens S/A. em face acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora (MG), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. JUROS. A autuação que descreve circunstancialmente a existência de fatos geradores não declarados não cerceia o direito à ampla defesa do sujeito passivo. É vedado o afastamento de legislação tributária em vigor ao argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. São devidos juros Selic sobre o crédito tributário não pago em tempo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Trata o processo em epígrafe de lançamento de créditos tributários envolvendo o Auto de Infração Debcad nº 51.048.1574 referente a lançamento de contribuições previdenciárias correspondentes a descontos efetivamente retidos dos segurados empregados e dos contribuintes individuais remunerados pela contribuinte, nas competências 01/2009, 06/2009 a 08/2009, 11/2009 e 13/2009. A Fiscalização apontou como fato gerador da obrigação tributário a apuração de diferenças entre valores lançados em folhas de pagamento relativos aos segurados empregados e aos segurados contribuintes individuais, e os respectivos valores declarados na última GFIP enviada pela empresa antes da ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal, ou seja, valores não declarados antes de 06/05/2013. A contribuinte apresentou impugnação na qual argumenta que: a) cerceamento de direito de defesa por entender não haver clareza e precisão na autuação, aduzindo que somente a menção a determinada legislação e o fornecimento de valores matematicamente calculados não são suficientes para que a autuação seja transparente e compreensível; b) as multas aplicadas possuem caráter confiscatório e desproporcional, já que não podem violar sua capacidade econômica e se prestar a recomposição do Erário, sendo razoável o percentual entre 10% e 20%; Fl. 482DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.720146/201380 Acórdão n.º 2803004.181 S2TE03 Fl. 482 4 c) é indevido o cômputo dos juros de mora pela taxa Selic, uma vez que esta é reflexo da variação do custo primário da capitalização dos depósitos a prazo fixo, não possuindo o condão de refletir a variação do poder aquisitivo da moeda e o ressarcimento pelo inadimplemento no tempo certo pelo contribuinte, havendo, portanto, afronta ao art. 161, §1º do CTN, art. 591 do CC, e artigos 5º, XXII e LV, 48, I, e 150, I e IV da Constituição Federal; e d) incidência de juros sobre multa viola os artigos 3º e 161 do CTN e o art. 84 da Lei 8.981/1995. Ao analisar as alegações da contribuinte, a DRJ de origem rejeitou as ponderações apresentadas, mantendo incólume o crédito tributário lançado. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, reiterando, em apertado escorço, as alegações trazidas em sua peça de impugnação. Sem apresentação de contrarrazões por parte da Fazenda, os autos foram encaminhados a este Conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.720146/201380 Acórdão n.º 2803004.181 S2TE03 Fl. 483 5 Voto Vencido EM PARTE. Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e presentes estão os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da Inexistência de Cerceamento de Defesa Aduz a recorrente que os autos de infração não foram confeccionados e atendimento aos requisitos mínimos exigidos, por não se observar a fiel descrição do fato infringente. Contudo, diferentemente do que entende a recorrente, não há nulidade no presente processo. Devo concordar com a decisão a quo, visto ser totalmente improcedente a alegação da contribuinte, pois não houve ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. Da análise dos autos depreendese que a autoridade fiscal descreveu os fatos e apresentou o enquadramento legal. Ademais, os dados baseiamse em arquivos e dados prestados pela própria autuada, constantes de sua escrita fiscal, não pode a recorrente alegar que desconhece os valores constantes das informações inconsistentes. Deste modo, rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, em face da inexistência de ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Da Multa de Mora Por fim, sobre a multa aplicada, tornase importante apreciar, a matéria, tendo em vista se tratar de questão de ordem. Dessa forma, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.720146/201380 Acórdão n.º 2803004.181 S2TE03 Fl. 484 6 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 20. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. Da Taxa Selic A Recorrente alega a inconstitucionalidade da aplicação da SELIC. Pretende o reconhecimento neste sentido. O Código Tributário Nacional, em seu art. 161, prevê expressamente a possibilidade de lei fixar juros diversos do quanto por ele previsto: Art. 161. O cred́ito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao meus. Em complemento, a Lei n° 8.212/91, em seu art. 89, § 4°, prevê: “Art. 89. As contribuic ões sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser Fl. 485DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.720146/201380 Acórdão n.º 2803004.181 S2TE03 Fl. 485 7 restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) § 4° O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do meses subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o meses anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao meses em que estiver sendo efetuada.” Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já pacificou entendimento, inclusive mediante Súmula, a respeito da aplicação da SELIC para aplicação de juros nos casos referentes às contribuições previdenciárias: “Súmula CARF no 4: A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Ademais, não cabe a este Conselho discutir quanto ao caráter remuneratório da Taxa SELIC, pois a Administração Pública é regida pelo Princípio da Legalidade e, sendo assim, deve respeito as̀ normas vigentes. Destarte, patente o indeferimento do recurso da contribuinte neste tópico. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer o recurso, para darlhe parcial provimento, com o escopo que seja aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91 combinado com o art. 61, § 2º da Lei n.º 9.430/96, se mais benéfica ao contribuinte. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti – Relator Fl. 486DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.720146/201380 Acórdão n.º 2803004.181 S2TE03 Fl. 486 8 Voto Vencedor EM PARTE. Conselheiro Eduardo de Oliveira. Da Multa de Mora (Multa de Ofício) No presente Processo Administrativo Fiscal – PAF o período lançado refere se ao período de 01/2009, 06/2009 a 08/2009, 11/2009 e 13/2009., conforme consta no relatório do voto vencido em parte e por se tratar de lançamento de ofício reclama na aplicação da multa de mora a aplicação do artigo 35 – A, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009, ou seja, a aplicação da multa de ofício de setenta e cinco por cento, pois os lançamento foi efetivado pelo fisco no curso do procedimentos fiscal de lançamento. CONCLUSÃO: No que tange a multa a ser aplicada no presente PAF essa deve ser a constante do artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 como demonstrado na fundamentação, diferentemente do que fixado pelo ilustre relator, devendo, assim, ser negado provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira – Redator. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001936/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. LAVANDERIA. ATIVIDADE LIGADA À INDUSTRIALIZAÇÃO.
Caracterizada a atividade de lavanderia como parte do processo produtivo de indústria, aplica-se o percentual de 8% sobre a receita auferida para a determinação do lucro presumido.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano calendário: 2007
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. LAVANDERIA. ATIVIDADE LIGADA À INDUSTRIALIZAÇÃO.
Caracterizada a atividade de lavanderia como parte do processo produtivo de indústria, aplica-se o percentual de 12% sobre a receita auferida para a determinação do lucro presumido, para fins de CSLL.
Numero da decisão: 1401-001.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade, e no mérito, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira- Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes De Mattos.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. LAVANDERIA. ATIVIDADE LIGADA À INDUSTRIALIZAÇÃO. Caracterizada a atividade de lavanderia como parte do processo produtivo de indústria, aplica-se o percentual de 8% sobre a receita auferida para a determinação do lucro presumido. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano calendário: 2007 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. LAVANDERIA. ATIVIDADE LIGADA À INDUSTRIALIZAÇÃO. Caracterizada a atividade de lavanderia como parte do processo produtivo de indústria, aplica-se o percentual de 12% sobre a receita auferida para a determinação do lucro presumido, para fins de CSLL.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15586.001936/2010-71
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5436458
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1401-001.207
nome_arquivo_s : Decisao_15586001936201071.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15586001936201071_5436458.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade, e no mérito, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira- Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes De Mattos.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5843007
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705104678912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1951; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 423 1 422 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.001936/201071 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1401001.207 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de junho de 2014 Matéria IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Recorrente LAVANDERIA ONCE VILLE LTDA (CNPJ: 06.952.367/000191) Recorrida Fazenda Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. LAVANDERIA. ATIVIDADE LIGADA À INDUSTRIALIZAÇÃO. Caracterizada a atividade de lavanderia como parte do processo produtivo de indústria, aplicase o percentual de 8% sobre a receita auferida para a determinação do lucro presumido. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 2007 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. LAVANDERIA. ATIVIDADE LIGADA À INDUSTRIALIZAÇÃO. Caracterizada a atividade de lavanderia como parte do processo produtivo de indústria, aplicase o percentual de 12% sobre a receita auferida para a determinação do lucro presumido, para fins de CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade, e no mérito, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 19 36 /2 01 0- 71 Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15586.001936/201071 Acórdão n.º 1401001.207 S1C4T1 Fl. 424 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes De Mattos. Relatório Tratase de auto de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fl. 831/838); Contribuição para o PIS/Pasep – PIS (fl 839/844); Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fl. 845/849) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fl. 850/856) lavrados em razão da utilização, pela ora recorrente, do coeficiente de 8% sobre toda a sua receita bruta e não do coeficiente de 32% aplicável sobre a atividade de prestação de serviços; assim como a omissão de receitas tributáveis. Durante anocalendário de 2007, a ora recorrente exerceu atividades que, como apreendeu a fiscalização, eram atividades de caráter prestação de serviços, passíveis à tributação de 32%. Todavia, irresignada, a ora recorrente argumentou que sua atividade seria de caráter industrial, classificandoa como “industrialização por encomenda”, e portanto estaria correta a tributação em 8% sobre toda a sua receita bruta. Por razões de celeridade, adoto e transcrevo o relatório da DRJ: "Em decorrência de ação fiscal levada a efeito pela DRF Vitória/ES, foram lavrados os Autos de Infração, decorrentes do MPF 0820100/00294/100, relativos ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fl. 831/838), no valor de R$ 279.924,95, à Contribuição para o PIS/PASEP – PIS (fl. 839/844), no valor de R$ 4.565,50, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fl. 845849), no valor de R$ 21.079,59, e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fl. 850/856), no valor de R$ 87.348,94, montantes estes acrescidos de multa de ofício de 150% e juros de mora. De acordo com a Descrição dos Fatos constante dos Autos de Infração (fl. 833/834), foram apuradas as seguintes infrações tributárias: utilização de coeficiente de 8% sobre toda a sua receita bruta e não do coeficiente de 32% aplicável sobre a atividade de prestação de serviços; e omissão de receitas tributáveis. No Relatório de Encerramento da Ação Fiscal (fl. 797/830), consta que: 1. Das Infrações Apuradas – coeficiente de apuração do lucro presumido menor * De acordo com a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, relativa ao anocalendário de 2007, a Lavanderia Once Ville optou pela forma de Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15586.001936/201071 Acórdão n.º 1401001.207 S1C4T1 Fl. 425 3 tributação do Lucro Presumido mediante do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta contabilizada (n° declaração: 0545212 – fl. 207/220), coeficiente aplicável à indústria e ao comércio; * Entretanto, de acordo com as notas fiscais emitidas em 2007, a contribuinte não exerceu atividades comerciais ou industriais, tendo executado apenas atividades inerentes à prestação de serviços; * Para comprovar, foi juntada, por amostragem, cópia das referidas notas fiscais relativas aos números 009001 a 009210 (fl. 588/796), as quais fazem parte do conjunto de notas encaminhadas ao fiscal federal mediante a cartaresposta, datada de 20/09/2010 (fl. 32); * De acordo com as notas fiscais analisadas, verificase que a Lavanderia emitiu, rotineiramente, notas fiscais de devolução de mercadorias (peças de jeans, calças, shorts, etc.); e, em seguida, notas fiscais de saída para cobrança do valor da mão de obra empregada nas referidas peças; * Todas as notas apresentadas, e relativas à cobrança de mão de obra, estão contabilizadas na conta de receita (1.2.001.001 – CLIENTES) da Lavanderia Once Ville Ltda, conforme consta das páginas do Razão anexadas às fls. 406/580 deste processo; * Registrese que a atividade econômica da fiscalizada, informada na referida DIPJ, é relativa a LAVANDERIAS (código CNAEFiscal = 96.017/01 – fl. 208) e que esse tambem é o código informado pela empresa no cadastro do CNPJ (doc. às fl. 203). * Na alteração contratual assinada em 01/08/2005, registrada na Junta Comercial sob o n° 20050577395, consta que o ramo de atividade da contribuinte é (fl. 14): * Lavanderias e tinturarias (CNAE 93017/01); * Estamparia e texturização em fios, tecidos e artigos têxteis, inclusive em peças de vestuário ( 17507/01); * Confecção de Roupas (18120/01) * Portanto, os elementos presentes nos autos confirmam que a atividade da autuada exercida durante o ano calendário de 2007 não é comércio ou indústria, e sim prestação de serviços, de modo que a ela se aplica a disposição do artigo 519 o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999, que trata do cálculo do IRPJ, quando apurado pela sistemática do Lucro Presumido; * Resta claro que, para apuração da base de cálculo do IRPJ, deveria ter sido aplicado o percentual de 32% (trinta e dois por cento), e não o percentual de 8% (oito por cento); Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15586.001936/201071 Acórdão n.º 1401001.207 S1C4T1 Fl. 426 4 * A mesma infração foi verificada no cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), quando a fiscalizada utilizou o percentual de 12% (doze por cento), e não 32% (trinta e dois por cento), conforme indica a Ficha 18ª da DIPJ (fl. 213/2140; 2. Das Infrações Apuradas – omissão de receitas: * Após análise da movimentação financeira da Lavanderia Once Ville LTDA, constatouse que os ingressos de recursos na contacorrente n° 33693, Ag. 2563, do BRADESCO não transitaram pela conta contábil de receita, “3.1.00.001 RECEITA BRUTA”, da empresa; * São valores depositados, por exemplo, a título de “liquidação de cobrança” e “desconto comercial”, no montante anual de R$ 702.386,7, e que revelam a realização de operações comerciais nessa conta; * Diante desses fatos, foi enviada à fiscalizada, por via postal, o Termo de Intimação Fiscal n° 06, através do qual a mesma foi intimada, dentre outros itens, a evidenciar e comprovar, mediante documentação hábil e idônea, individualizadamente, a origem dos créditos efetivados na referida conta bancária do BRADESCO; * Foi solicitada prorrogação de prazo para atendimento à intimação (carta de 08102010 – fl. 195); * Posteriormente, a contribuinte respondeu que não possui os elementos que possam justificar os créditos efetivados na conta corrente do BRADESCO, ocorridos no ano de 2007 (carta de 18/10/2010 – fl. 198/199); * Constatouse, então, que a Lavanderia Once Ville não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos créditos efetivados na referida conta bancária, não contabilizou os valores em conta de receita e nem ofereceu tais quantias à tributação federal; * Em consequência, esses valores configuram omissão de receitas, sujeitando a pessoa jurídica a lançamentos de ofício para constituição e cobrança dos tributos federais devidos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), como determina o art. 849 do RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 e o art. 42, da Lei n° 9.430/1996); * Na apuração da base de cálculo do IRPJ, também foi aplicado o percentual de 32% (trinta e dois por cento), conforme orienta o art. 528 do Regulamento do Imposto de Renda; 3. Da qualificação da multa de ofício: * Em virtude dos fatos descritos e considerando ter ficado evidente a intenção fraudulenta da contribuinte em se eximir dos tributos federais devidos, mediante aplicação de Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15586.001936/201071 Acórdão n.º 1401001.207 S1C4T1 Fl. 427 5 percentual de determinação do lucro presumido menor do que o devido e omissão de receitas, aplicouse a multa de ofício de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre o valor dos tributos apurados; * Cita o art. 44 da Lei n° .430/1996, com nova redação dada pelo art. 14, da Lei n° 11.488/2007, que versa sobre a qualificação da multa de ofício; * A duplicação da multa, prevista no §1° do referido artigo, é aplicada nos casos de conduta intencional de sonegação, fraude ou conluio, definidos nos art.(sic) 71.72 e 73 da lei n° 4.502/1964; * A contribuinte, no intuito de subtrair da incidência tributária parte das receitas auferidas no desempenho de sua atividade empresarial e, ainda, permanecer em aparente situação regular perante o Fisco Federal, optou por um percentual MENOR para o cálculo do Lucro Presumido, base de cálculo do IRPJ e da CSLL e por NÃO contabilizar os ingressos ocorridos no BRADESCO na conta contábil de receita e também não informar tais valores na correspondente DIPJ apresentada à Receita Federal; * Fatos que, inegavelmente, configuram uma ação dolosa tendente a omitir/retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores nos períodos de apuração de 2007; * Registrese que os recursos depositados no BRADESCO, no total de R$ 702.386,77, mantidos à margem da contabilidade, representam aproximadamente 18,83% das receitas contabilizadas no anocalendário de 2007 (R$ 3.730.564,33 – fl. 385); * Em razão, s.m.j., da convicção firmada quanto à intenção da contribuinte de se eximir dos tributos devidos por meios defesos em lei, exasperouse a multa de ofício para 150% (cento e cinquenta por cento); * Por todo o exposto, lavrouse a Representação Fiscal para Fins Penais, objeto do processo administrativo n° 15586.001937/201016; 2 – DA IMPUGNAÇÃO Regularmente cientificada em 11/01/2011 (fl. 830, 832, 840, 846 e 851), apresentou a interessada em 09022011 a impugnação de fl. 860876, juntamente com os documentos de fl. 877954, através da qual argui, em síntese, que: 1. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS: * É intempestiva a elaboração da representação fiscal, ofendendo o art. 83, da Lei n° 9.430/1996, que condiciona a Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15586.001936/201071 Acórdão n.º 1401001.207 S1C4T1 Fl. 428 6 tomada dessa medida à ultimação do processo administrativo fiscal, que se instaura com a impugnação; * Cita Súmula vinculante n° 24 do STF; 2. DA DIFERENÇA DA BASE DE CÁLCULO DE 8% DA RECEITA BRUTA PARA 32% DA RECEITA BRUTA POR SE TRATAR DE ATIVIDADE DE SERVIÇO: * A autuada não se caracteriza como empresa prestadora de serviços. Ela opera no ramo da lavanderia e tinturaria industrial (CNAE 93017/01) e, também, na atividade de confecção de roupas (CNAE 181210/01), consistente no acabamento de calças, bermudas, shorts, etc., que recebe de terceiro (encomendante) de forma semiacabada; * Assim, por encomenda do cliente que lhe envia essas roupas semiacabadas, a ora impugnante procede à colocação de botões, rebites, lavagem e embalagem para retorno das peças acabadas ao seu encomendante; * Está inscrita no cadastro de contribuintes do Estado do Espírito Santo sob o n° 082.284.3.0, adotando a Nota Fiscal – mod. 1, de conformidade com a legislação estadual para consignar o valor da mãodeobra envolvida no processo de industrialização, para efeito desse valor integrar a base de cálculo do ICMS, tudo conforme cópias das notas fiscais anexadas no próprio Relatório de procedimento fiscal; * Dessa forma, a base de cálculo do IRPJ é de 8% de acordo com o caput do art. 15 da Lei n° 9.249/95 e não 32% com previsto na letra a, do inciso III, do art. 15, não tendo aplicação, portanto, o disposto no art. 519 , §1°, III, do RIR invocado. Da mesma forma, a base de cálculo da CSLL é de 12% sobre a receita bruta, de conformidade com o art. 20, da Lei n° 9.249/95; * Discorre sobre a legislação do ICMS e do ISS; * A legislação federal, que tributa as empresas prestadores de serviços com base de cálculo mais onerosa do que as empresas comerciais e industriais, há de ser interpretava em harmonia com o sistema constitucional tributário e com as normas gerais de direito tributário, respeitandose a conceituação do que sejam serviços tributáveis previstos na LC n° 116/2003. Falece à legislação ordinária federal definir o que é empresa prestadora de serviço, tarefa cabente ao legislador complementar, para aplicação uniforme no âmbito nacional; * Não é correta a equiparação da industrialização por encomenda à prestação de serviço, como aventado no ADI n° 20/2007 da RFB, sempre que o serviço que acompanha o processo de produção personalizada não estiver contemplado na lista de serviços anexa à lei de regência nacional do ISS; Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15586.001936/201071 Acórdão n.º 1401001.207 S1C4T1 Fl. 429 7 * Tanto é assim que o referido ADI foi revogado pelo ADI n° 26, de 25042008 da RFB, que cita o art. 4° do Decreto 4.544/2002; * O atual regulamento do IPI, Decreto n° 7.212, de 1506 2010, repete ipsis literris o disposto no art. 4° do Decreto 4.544/2002; * Evidente, pois, que a atividade da impugnante enquadra se no conceito de industrialização prevista no inciso II, do art. 4º do Decreto n° 4.544/2002, que correspondente ao atual art. 4°, II, do Decreto 7.212/2010; * Ao proceder ao acabamento das roupas semiconfeccinadas promovendo lavagem e embalagem, restou configurado o ato de “modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto”; * Esse conceito harmonizase com a conceituação dada pelo parágrafo único do art. 46 do CTN; * Cita jurisprudência que corrobora seu entendimento; * A orientação da RFB em seu site é nesse sentido, prevendo a aplicação de 8% sobre a receita bruta mensal; * Logo, o Sr. Auditor Fiscal agiu contra as próprias normas internas da RFB, violando o princípio maior da moralidade inserto no art. 37 da CF; * Embora a diferença cobrada refirase ao anocalendário de 2007, aplicase o ADI n° 26, por força do disposto no art. 106, I, do CTN; *Não há, pois, que se falar em prestação de serviços à luz da legislação federal aplicável; * Ademais, a atividade de tinturaria e lavagem industrial não é contemplada na lista de serviços anexa à LC n° 116/2003, por isso a impugnante não está inscrita no Cadastro Mobiliário Municipal; * A lista de serviços contempla o serviço de tinturaria e lavanderia (item 14.10), que nada tem a ver com a tinturaria e lavagem industrial por encomenda de fabricantes de roupas; * Outrossim, a atividade da impugnante também não se enquadra no item 14.09, concernente à alfaiataria e costura, porque o material não é fornecido pelo usuário final, porem, pelo fabricante de roupas, um atacadista; * Não há, portanto, envolvimento de prestação de serviço tributável pelo ISS; Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15586.001936/201071 Acórdão n.º 1401001.207 S1C4T1 Fl. 430 8 * Importante não perder de vista que apenas e tão somente a prestação de serviço especificado na lista (e não qualquer serviço) tem o condão de afastar a incidência do ICMS quando acompanhado do fornecimento de mercadorias. O valor do serviço não contemplado na lei de regência nacional do ISS integra a base de cálculo do ICMS, porque o serviço não especificado é insuscetível de tributação pelo ISS, por não se caracterizar como prestação de serviço; * Logo, não há que se falar em diferença de IRPJ resultante de utilização errônea da base de cálculo; 3. DA MULTA DE 150% * Afirma que no caso não há omissão dolosa, nem ajuste doloso entre duas ou mais pessoas; * Ao adotar a base de cálculo do IRPJ no percentual de 8% do faturamento bruto, nada mais fez do que dar exato cumprimento à legislação tributária federal, agindo de acordo com a própria orientação da RFB; * Logo, se nem o principal é devido a título de diferença muito menos a multa, principalmente de forma dobrada; * Outrossim, ainda que o fisco entendesse devida a diferença, não se poderia aplicar ao caso vertente a multa estipulada, conforme Súmula 14 do CARF que cita; * De fato, ainda que se entendesse que o percentual seria 32% sobre a receita bruta salta, à evidência, que a matéria longe está de ser pacífica em torno da interpretação dada pelo fisco, o que afasta qualquer cogitação de dolo, fraude ou conluio de que tratam os arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64; 4. DA DIFERENÇA DA CSLL DECORRENTE DA REDUÇÃO DA BAS EDE CÁLCULO DE 32% PARA 12% DA RECEITA BRUTA: * Tudo o que foi dito em relação ao IRPJ aplicase à CSLL; * A base de cálculo é de 12% da receita bruta e não de 32%; 5. DA OMISSÃO DE RECEITA APURADA PELO EXAME DE EXTRATOS BANCÁRIOS E DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO; * Discorre sobre a quebra do sigilo bancário aparentemente escudado em MPF, o que torna nulo de pleno direito o auto de infração lavrado por envolver utilização de prova ilícita vedada pela Constituição Federal e normas processuais; *Cita jurisprudência judicial." Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15586.001936/201071 Acórdão n.º 1401001.207 S1C4T1 Fl. 431 9 Em julgamento, a DRJ entendeu que a arguição de nulidade por suposta quebra de sigilo bancário é infundada, posto que os extratos bancários não são prova ilícita resultante do processo de fiscalização, e que não houve publicização dos dados coletados pelo fisco, mantendose o sigilo fiscal; Do coeficiente aplicado à receita bruta, decidiuse pela permanência daquilo que foi sustido pela fiscalização; Da omissão de receitas, tendo em vista a não comprovação da origem dos depósitos bancários realizados pela ora recorrente, decidiuse pelo prosseguimento da exigência tributária; Da multa de 150%, decidiuse pela sua manutenção à 75%, posto que inexiste prova inconteste da intenção dolosa pela ora recorrente, quando à época da lavratura do auto de infração; Dos lançamentos decorrentes relativos à CSLL / PIS / COFINS, entendeu a DRJ que houve apuração indevida de suas respectivas bases de cálculo e dos valores impetrados nos lançamentos. Não prosperando aqui, a tese sustentada no auto de infração. Em Recurso Voluntário, a contribuinte alegou, preliminarmente, que não há se falar em representação para fins penais antes de exaurida a via administrativa que discute o lançamento tributário, e, no mérito: A) Com relação aos percentuais do lucro presumido, i) a aplicabilidade de coeficiente de 8% de IRPJ sobre a receita auferida sob o regime do lucro presumido, em razão de a atividade desenvolvida pela Recorrente ser tipicamente industrial; ii) pela mesma razão, aplicase 12% de coeficiente de CSLL sobre a receita percebida; B) Com relação à omissão de receitas, i) é ilícito o exame de extratos bancários fornecidos por instituições financeiras, posto que haveria quebra de sigilo; e iv) necessário cancelamento da multa de ofício de 75% em razão da omissão de receitas. É o relatório. Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15586.001936/201071 Acórdão n.º 1401001.207 S1C4T1 Fl. 432 10 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator O recurso preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminar – Representação para Fins Penais A contribuinte alegou, preliminarmente, que não há se falar em representação para fins penais antes de exaurida a via administrativa que discute o lançamento tributário, o qual é objeto de discussão por meio do recurso voluntário por si interposto. No entanto, não deve prosperar a liminar arguida, posto que é sem objeto, uma vez que não houve até o momento a representação para fins penais, sobretudo em razão da desqualificação, pela DRJ, da multa de ofício aplicável sobre a omissão de receitas, o que configura a inexistência de intuito fraudulento que eventualmente justificaria a representação. Base de Cálculo – IRPJ Lucro Presumido Durante anocalendário de 2007, a ora recorrente exerceu atividades que, como apreendeu a fiscalização, eram atividades de caráter prestação de serviços, passíveis à tributação de 32%. Todavia, irresignada, a ora recorrente argumentou que sua atividade seria de caráter industrial, classificandoa como “industrialização por encomenda”, e portanto estaria correta a tributação em 8% sobre toda a sua receita bruta. No que tange à alegação de que a Recorrente está enquadrada na coeficiente de 8% de IRPJ aplicável sobre a receita bruta no regime do lucro presumido, tenho que assiste razão à Recorrente. Com efeito, conforme demonstra a documentação acostada no processo administrativo, assim como pela análise dos CNAEs em que está registrada a contribuinte, verificase que esta opera no ramo de lavanderia e tinturaria industrial (CNAE 96017/01), e também no ramo de confecção de roupas (CNAE 18120/01), os quais, se não constituem industrialização propriamente dita, compõem o processo produtivo da indústria têxtil. Deveras, à luz do Parágrafo Único do Art. 46 do CTN, que trata da regra matriz de incidência do IPI – imposto sobre produtos industrializados, “considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou finalidade, ou a aperfeiçoe para o consumo”. Verificase, dos autos do processo administrativo, a existência de notas fiscais que demonstram a realização de industrialização por encomenda, representada pela devolução de peças de vestuário semi acabadas a estabelecimentos atacadistas, o que confirma que a operação da contribuinte está inserida no contexto de industrialização exercida por outras pessoas jurídicas, como atividademeio. Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15586.001936/201071 Acórdão n.º 1401001.207 S1C4T1 Fl. 433 11 Observandose o disposto no Art. 15 da Lei 9.249/95, e §1°, conjugado com o Art. 25, inciso I da Lei 9.430/96, caracterizada a atividade de lavanderia como industrialização, aplicase o percentual de 8% de IRPJ sobre a receita auferida para a determinação do lucro presumido. Base de Cálculo – CSLL Lucro Presumido Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. Nesse sentido, em se tratando de contribuinte cuja atividade é de industrialização art. 22 da Lei 10.684/2003), o coeficiente aplicável para apuração da base de cálculo do CSLL da Recorrente será o de 12%. É como voto. (Assinado digitalmente). Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 16682.902647/2012-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. INDICAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NO LUGAR DE PAGAMENTO A MAIOR. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO.
Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido a DCOMP de forma incorreta, indicando como crédito saldo negativo quando o correto seria pagamento a maior do imposto referente ao mesmo período, é possível a retificação de ofício pela autoridade julgadora, que determinará a análise do pedido com base no crédito efetivamente existente.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 1102-001.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer, ao crédito utilizado no PER/DCOMP, a natureza de pagamento a maior do imposto de renda do 2º trimestre de 2010, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregorio, Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Marcos Vinicius Barros Ottoni.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. INDICAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NO LUGAR DE PAGAMENTO A MAIOR. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido a DCOMP de forma incorreta, indicando como crédito saldo negativo quando o correto seria pagamento a maior do imposto referente ao mesmo período, é possível a retificação de ofício pela autoridade julgadora, que determinará a análise do pedido com base no crédito efetivamente existente. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16682.902647/2012-28
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5439423
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1102-001.312
nome_arquivo_s : Decisao_16682902647201228.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RICARDO MAROZZI GREGORIO
nome_arquivo_pdf_s : 16682902647201228_5439423.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer, ao crédito utilizado no PER/DCOMP, a natureza de pagamento a maior do imposto de renda do 2º trimestre de 2010, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregorio, Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Marcos Vinicius Barros Ottoni.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
id : 5850098
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705114116096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2353; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 5.423 1 5.422 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.902647/201228 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102001.312 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de março de 2015 Matéria Compensação. Recorrente EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICAÇÕES S. A. EMBRATEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. INDICAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NO LUGAR DE PAGAMENTO A MAIOR. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido a DCOMP de forma incorreta, indicando como crédito saldo negativo quando o correto seria pagamento a maior do imposto referente ao mesmo período, é possível a retificação de ofício pela autoridade julgadora, que determinará a análise do pedido com base no crédito efetivamente existente. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer, ao crédito utilizado no PER/DCOMP, a natureza de pagamento a maior do imposto de renda do 2º trimestre de 2010, mas sem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 26 47 /2 01 2- 28 Fl. 5423DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16682.902647/201228 Acórdão n.º 1102001.312 S1C1T2 Fl. 5.424 2 homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregorio, Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Marcos Vinicius Barros Ottoni. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso. Tratase de recurso voluntário interposto por EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICAÇÕES S. A. EMBRATEL contra acórdão proferido pela DRJ/Rio de Janeiro I que concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade acerca de pedido de compensação de créditos decorrentes de supostos pagamentos indevidos equivocadamente informados como saldo negativo de IRPJ apurado no 2º trimestre do ano calendário de 2010. Os créditos alegados estão consubstanciados conforme segue: Processo Apenso PER/DCOMP Valor do crédito original compensado na DCOMP (sem considerar a atualização) Valor do crédito compensado na DCOMP (considerando a atualização) 16682902736/201274 06117.71972.090412.1.7.025352 R$ 1.000.376,32 R$ 1.125.723,47 16682902779/201250 35004.01912.231211.1.3.028840 R$ 7.760.505,30 R$ 9.023.915,56 TOTAL: R$ 8.760.881,62 R$ 10.149.639,03 A instância a quo assim relatou o caso: Fl. 5424DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16682.902647/201228 Acórdão n.º 1102001.312 S1C1T2 Fl. 5.425 3 A DEMAC / RIO DE JANEIRO – RJ não homologou as compensações declaradas, conforme Despacho Decisório nº de Rastreamento 0022055995 (fl. 137) de 01/08/2012, por ter constatado que não foi apurado saldo negativo, uma vez que, na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), correspondente ao período de apuração do crédito informado no PER/DCOMP, consta imposto a pagar. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 15.882.085,55. Valor do imposto a pagar na DIPJ: R$ 11.665.891,72. Cientificado da decisão em 13/08/2012, conforme documento de fls. 2.837, o interessado apresentou a Manifestação de Inconformidade às fls. 04/25, alegando, em síntese, que: • ao final do 2º trimestre do ano calendário de 2010, efetuou pagamento a maior de IRPJ, adquirindo crédito a ser compensado; • em virtude do referido pagamento a maior, o interessado apresentou os PER/DCOMPs nº 006117.71972.090412.1.7.025352 e 35004.01912.231211.1.3.028840, requerendo a restituição do valor recolhido indevidamente, no montante de R$ 10.149.639,03, e a conseqüente compensação com outros débitos; • para sua surpresa, foi intimada do despacho decisório ora questionado, por meio do qual o fisco não homologou a compensação declarada; • a conclusão do referido despacho é equivocada, pois existe incontestável crédito a compensar em favor do interessado, recolhido a maior no 2º trimestre de 2010; • ”saldo negativo” é gênero da espécie “pagamento a maior”, tendo ambos a mesma natureza de “pagamento indevido”; • a forma como foi apresentado o PER/DCOMP não acarretou qualquer prejuízo ao Fisco, uma vez que estavam presentes todos os requisitos da compensação, no caso o valor do crédito a compensar, a espécie do tributo, e o seu período de apuração; • ao final do 2º trimestre de 2010, apurou IRPJ devido no valor de R$ 28.225.534,09, conforme se extrai das linhas 01 e 02, da Ficha 12A, de sua DIPJ 2011 (fl. 172); • no mesmo documento (fl. 172), o interessado apurou diversas deduções, dentre elas retenções na fonte, no valor de R$ 16.559.642,37; • subtraindose as deduções apontadas acima do valor do IRPJ inicialmente devido, R$ 28.225.534,09, chegase ao saldo a pagar no 2º trimestre do ano calendário de 2010, qual seja R$ 11.655.891,72, indicado na Linha 21 da Ficha 12A da DIPJ 2011 (fl.172); • não obstante o valor de R$ 11.665.891,72 a pagar a título de IRPJ no 2º trimestre de 2010, efetuou compensação no valor de R$ 23.193.218,34 (Dcomp nº 22443.84056.300710.1.3.028597), bem como efetuou pagamento por meio do DARF, às fls. 72, no valor de R$ 14.965.085,36, com a correta indicação do código de receita, no caso 0220, e do período de apuração em 30/06/2010; • como se pode ver, o somatório da compensação com o DARF acima citado gerou o recolhimento no valor de R$ 38.158.303,70 ao invés dos R$ 11.665.891,72 Fl. 5425DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16682.902647/201228 Acórdão n.º 1102001.312 S1C1T2 Fl. 5.426 4 apontados na sua DIPJ como IRPJ a pagar, redundando num crédito a compensar em favor do interessado no montante de R$ 26.492.411,98 (R$ 38.158.303,70 – R$ 11.665.891,72 = R$ 26.492.411,98), conforme prevê o artigo 2º da IN RFB nº 900/2008; • no presente PER/DCOMP discutese apenas parte do valor a que tem direito, mais especificamente a importância de R$ 10.149.639,03; • embora seja evidente o direito creditório, o despacho decisório não o reconheceu sob alegação de que teria ocorrido no 2º trimestre do ano calendário de 2010, IRPJ a pagar no valo de R$ 11.665.891,72; • tal constatação decorre, primeiramente, pelo fato de que a DIPJ não traz em si campo específico para que seja indicado o valor pago do tributo por meio de DARF ou DCOMP; • caso tal campo existisse, os presentes PER/DCOMPs teriam sido homologados, uma vez que o sistema eletrônico de cruzamento de dados teria identificado, o pagamento superior ao imposto a pagar; • fora isso, a não homologação também decorre do fato que o Auditor que proferiu o despacho decisório não apreciou de forma completa as informações relativas ao direito creditório em questão, notadamente o DARF (fl. 72) e DCTF (fl. 73/136); • o fisco verificou a existência ou não de direito creditório apenas com base na primeira parte da apuração dos créditos, que é a extração dos dados da DIPJ; • tal visão não merece prosperar; • neste caso, a maneira de se apurar corretamente a existência ou não de direito creditório, envolve a consideração de pagamentos efetuados referentes ao respectivo período de apuração; • a correta averiguação do direito creditório envolve uma primeira apuração dos dados da DIPJ, e posteriormente análise dos pagamentos efetuados referente ao período em questão; • bastaria que o fisco tivesse considerado o pagamento no valor de R$ 38.158.303,70 DARF anexo (doc.5), para que o despacho decisório tivesse sido proferido em sentido oposto; • como demonstrado nos tópicos anteriores, o direito creditório no presente caso é manifesto, já que restou comprovado o pagamento de R$ 38.158.303,70 por meio do DARF (DOC. 05) e da DCTF do período (doc. 06), enquanto o IRPJ a pagar do mesmo período constante da DIPJ 2011 era de apenas R$ 11.665.891,72; • apesar da comprovação acima, objetivando evitar qualquer alegação, ainda que a destempo, no sentido de que poderia ter havido erro no preenchimento do PER/DCOMP, será demonstrado a seguir a sua total correção; • isso pelo fato de que poderia ser levantada dúvida quanto à natureza do direito creditório, no caso, poderia ser questionado se o crédito em questão é proveniente do saldo negativo o de pagamento indevido ou a maior; Fl. 5426DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16682.902647/201228 Acórdão n.º 1102001.312 S1C1T2 Fl. 5.427 5 • porém, tal questionamento não tem razão de existir, uma vez que todo o direito creditório do contribuinte em relação ao Fisco decorre de pagamento indevido ou a maior, inclusive o do saldo negativo; • o artigo 2º da Intrução Normativa RFB nº 900/2008 estabelece quais são as situações em que o contribuinte pode requerer restituição perante a RFB; (...) • notase da leitura do dispositivo em questão que o mesmo não faz qualquer diferenciação entre “saldo negativo” e “pagamento indevido”; o termo “saldo negativo” sequer é mencionado como causa de pedido de restituição; • o saldo negativo ocorre com a verificação de que a soma dos pagamentos a título de estimativa, no caso da apuração anual, ou das retenções, ou ambas, superou o valor do tributo efetivamente devido em determinado período de apuração; fica claro que o saldo negativo nada mais é do que um gênero da espécie “pagamento a maior”; • tanto é verdade não haver diferenciação de espécie entre eles que, no único momento em que a Instrução Normativa RFB nº 900/2008 menciona especificamente o termo “saldo negativo”, faz isso apenas para explicitar uma peculiaridade deste gênero de pagamento a maior, qual seja o respeito ao prazo de apuração para formalização do pedido de compensação/restituição. É o que traz o artigo 4º da citada IN; (...) • o artigo 4º da Intrução Normativa RFB 900/2008 não faz diferenciação entre “pagamento a maior” e “saldo negativo”, mas apenas impõe que o requerimento do último obedeça a determinado prazo, em nada alterando sua natureza, a qual, como anteriormente dito, é de “pagamento a maior”; • a Lei nº 9.430/96, em seu artigo 6º, § 1º, inciso II, afirma expressamente que o saldo negativo é um gênero da espécie “pagamento a maior”; (...) • o legislador se utiliza das expressões “saldo negativo” e “montante pago a maior”, como sinônimos, reforçando o fato de que entre eles não há qualquer diferença, exceção feita ao prazo para requerimento previsto no artigo 4º da Instrução Normativa RFB 900/2008; • a doutrina também se posiciona neste sentido; • não há qualquer norma que confira ao saldo negativo natureza diversa do pagamento a maior; • apesar da inexistência de qualquer suporte normativo nesse sentido, tal diferenciação entre pagamento a maior e saldo negativo somente existe no programa fornecido aos contribuintes para preenchimento eletrônico do PER/DCOMPs; • tal divisão presente tão somente no programa de preenchimento eletrônico dos PER/DCOMPs fornecido pela RFB não tem o condão de, por si só, alterar a natureza jurídica dos institutos ora em discussão; Fl. 5427DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16682.902647/201228 Acórdão n.º 1102001.312 S1C1T2 Fl. 5.428 6 • pouco importa que tenha sido utilizado a ficha “pagamento indevido” ou “saldo negativo”, desde que tenham sido cumpridos os requisitos normativos para a efetivação da compensação requerida; • mesmo que se entendesse que houve equívoco no preenchimento dos PER/DCOMPs ora analisados, o que se admite apenas para fins argumentativos, mesmo assim deveriam ser homologadas as compensações em questão; • eventual equívoco, se tivesse ocorrido, por ser de ordem meramente formal, poderia quando muito ter impedido o cruzamento automático, via sistema eletrônico, das informações constantes da base de dados da Receita Federal e dos presentes PER/DCOMPs, não prejudicando, por outro lado, a idoneidade dos créditos que foram compensados; • os créditos compensados por meio dos mencionados PER/DCOMPs de fato existem; • o que pode ter ocorrido foi um erro formal; • devem os agentes administrativos buscar a real essência dos acontecimentos; • à autoridade administrativa é vedada qualquer apreciação subjetiva no exercício dessa atividade, pois o processo administrativo fiscal se subordina ao princípio da verdade material; • a sistemática constitucional impõe à Administração Tributária proceder à coleta de todos os dados e informações que lhe possam auxiliar na verificação dos eventos efetivamente acontecidos no mundo dos fatos, ainda que em desacordo com as formalidades exigidas pela legislação tributária; • até mesmo as Delegacias da RFB de Julgamento já se manifestaram diversas vezes no sentido de que os equívocos no preenchimento de PER/DCOMP são passiveis de correção de ofício; • também o CARF já decidiu favoravelmente em caso análogo • independentemente de ter sido preenchido as fichas “saldo negativo” ou “pagamento indevido” dos PER/DCOMPs, o que importa é estar claramente identificado o crédito que se pretende compensar em todos os seus aspectos relevantes; • os referidos PER/DCOMPs trazem o correto valor do crédito a compensar (R$ 10.149.639,03), a espécie de tributo (IRPJ), bem como o aspecto temporal (2º trimestre do ano calendário de 2010); • em face do exposto, o despacho decisório deve ser prontamente reformado, de modo a serem reconhecidas na integra as compensações declaradas nos PER/DCOMPs em epigrafe, em razão da existência de crédito tributário suficiente, devendose, conseqüentemente, cancelar a cobrança dos presentes débitos, além da multa e juros; • protesta, ainda, provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente pela juntada de novos documentos e realização de diligência. Fl. 5428DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16682.902647/201228 Acórdão n.º 1102001.312 S1C1T2 Fl. 5.429 7 A 15ª Turma da já mencionada DRJ/Rio de Janeiro I proferiu, então, o Acórdão nº 12057.006, de 18 de junho de 20013, por meio do qual considerou improcedente a manifestação de inconformidade. Assim figurou a ementa daquele julgado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 PER/DCOMP. INCONSISTÊNCIA NA INFORMAÇÃO DO CRÉDITO. Verificada inconsistência na informação da natureza e do valor do crédito pleiteado no PER/DCOMP, e não logrando o interessado sanar as irregularidades apontadas dentro do prazo que lhe foi concedido na intimação fiscal, deixase de reconhecer o direito creditório pleiteado. Cumpre esclarecer que a DRJ constatou que os R$ 15.882.085,55 informados como saldo negativo nas duas PER/DCOMP do presente processo equivale ao total dos valores de IRFonte lançados na Ficha 12A, Linhas 15 e 16, da DIPJ/2011. Além disso, argumentou que a empresa teve a oportunidade de sanar a irregularidade ao deixar de atender a intimação da unidade de origem para “retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o período de apuração do saldo negativo e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição”. Inconformada, a empresa interessada apresentou recurso voluntário onde, essencialmente, repete o que foi alegado na manifestação de inconformidade. Acrescentese, apenas, que o referido recurso reforça, com a citação de outros julgados, a alegação de que o CARF mitiga a existência de um mero erro formal na indicação da natureza do direito creditório com o reconhecimento da possibilidade de sua correção de ofício ou a pedido do sujeito passivo. Ademais, junta toda a documentação de fls. 2921 a 5419 para demonstrar a higidez do crédito compensado e a sua não utilização em duplicidade até os dias atuais. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Fl. 5429DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16682.902647/201228 Acórdão n.º 1102001.312 S1C1T2 Fl. 5.430 8 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a instância a quo percebeu o erro no preenchimento das PER/DCOMP ao constatar que o valor do saldo negativo informado corresponde exatamente ao total do IRFonte retido. Mesmo assim, não concordou com os argumentos da recorrente no sentido de converter a natureza do crédito informado para a modalidade de pagamento indevido (stricto sensu). Nada obstante, tem razão a recorrente ao suplicar que o CARF mitiga a existência de um mero erro formal na indicação da natureza do direito creditório com o reconhecimento da possibilidade de sua correção de ofício ou a pedido do sujeito passivo. Esse, inclusive, é o entendimento desta Turma expresso em recentes julgados (Acórdãos nº 1102001.124 e 1102001.125, de 04/06/2014) envolvendo semelhantes erros cometidos pelo mesmo contribuinte relativamente a créditos oriundos do IRPJ nos períodos de apuração referentes, respectivamente, ao 1º e 3º trimestre de 2010. Confirase: COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. INDICAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NO LUGAR DE PAGAMENTO A MAIOR. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido a DCOMP de forma incorreta, indicando como crédito saldo negativo quando o correto seria pagamento a maior do imposto referente ao mesmo período, é possível a retificação de ofício pela autoridade julgadora, que determinará a análise do pedido com base no crédito efetivamente existente. A seguir, os fundamentos utilizados pelo relator, o ilustre Conselheiro José Evande Carvalho de Araújo: Transcrição do voto proferido no Acórdão nº 1102001.125 O recurso merece provimento parcial. O erro de declaração é evidente. Na DCTF relativa ao 3º trimestre de 2010, o contribuinte informou débito de imposto de renda com base no lucro real trimestral de R$ 36.004.022,87 e o vinculou a pagamentos desse valor (fl. 89). Nas fls. 72 a 86, constam cópias de DARFs que o recorrente afirma totalizarem R$ 60.503.675,23. Já na DIPJ 2011, no cálculo do imposto de renda do 3o trimestre de 2010, o sujeito passivo partiu de um imposto sobre o lucro real de R$ 37.117.734,92, e, após Fl. 5430DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16682.902647/201228 Acórdão n.º 1102001.312 S1C1T2 Fl. 5.431 9 as exclusões que informou ter direito, apurou saldo a pagar de imposto de renda no valor de R$ 23.106.981,45 (fl. 325). Dessa forma, é cristalino o equívoco ao se apontar, como crédito em PER/DCOMP, de saldo negativo de IRPJ do 3º trimestre de 2010, já que sempre se apurou imposto a pagar, tendose efetuado o recolhimento a esse título. Observese que o recorrente não busca alterar substancialmente seu direito creditório. Ao contrário, indica crédito do mesmo tributo e período de apuração, mas apenas demonstra que se equivocou ao apontar se tratar de saldo negativo, quando na verdade procedera a recolhimento a maior. É verdade que o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, somente permite a retificação de declaração de compensação na hipótese de inexatidões materiais verificadas no seu preenchimento, caso ela seja enviada antes da decisão administrativa que analise o direito creditório (regra atualmente em vigor no art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012). Mas me parece razoável que critério semelhante deva ser utilizado pelo julgador administrativo quando a verificação da inexatidão material se der apenas após a não homologação do crédito. No caso, devese aplicar, por analogia, as disposições do art. 147 do Código Tributário Nacional, que versa sobre lançamento por declaração, abaixo transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Assim, a regra do §1º em tudo se coaduna com as normas das instruções normativas acima citadas, só permitindo a retificação de declaração pelo próprio contribuinte antes da notificação do lançamento. Mas o §2º determina que a autoridade administrativa retifique de ofício a declaração diante de erros apuráveis pelo seu exame. Por analogia, o mesmo procedimento poderia ser feito pela autoridade que apreciasse a declaração de compensação: constatandose o evidente erro de informação do crédito, devese analisálo de acordo com sua verdadeira natureza. Aliás, tal procedimento é bastante comum quando o contribuinte pede a restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte, ou então de estimativas mensais, e a análise se dá como se fosse saldo negativo do fim do exercício. Fl. 5431DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16682.902647/201228 Acórdão n.º 1102001.312 S1C1T2 Fl. 5.432 10 Contudo, esse procedimento não foi possível, pois a análise se deu por meios informatizados, que somente comparou campos do PER/DCOMP e da DIPJ. Entretanto, se é admissível tal rotina para o processamento em massa dos PER/DCOMPs aguardando análise, esperase mais cuidado e bom senso na análise individual dos recursos contra essas decisões automatizadas. Não se está aqui a defender ser possível se promover alterações substanciais nas declarações de compensação em sede de recurso. Recordese: o contribuinte nunca apurou saldo negativo, demonstrou que efetuou recolhimento a maior do imposto a pagar apurado e está pleiteando a análise de crédito do mesmo tributo e período. Diante de erro facilmente constatável, e com a apresentação de argumentos e provas convincentes da verdadeira natureza do crédito, devese analisar o pedido com base no direito creditório realmente existente, em homenagem ao princípio da verdade material. É evidente que se dará ao crédito efetivamente existente o tratamento jurídico a ele apropriado. Tratandose de pagamento indevido, a fluência dos juros se dará a partir do o mês subsequente ao indébito. Analisandose a jurisprudência do CARF, verificase que, por diversas vezes, admitiuse a análise do pedido com base na verdadeira natureza do crédito, quando comprovado o erro de declaração, como demonstram as ementas dos acórdãos abaixo transcritas: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO A MAIOR DE CSLL. TRATAMENTO DE INEXATIDÕES MATERIAIS. INOVAÇÃO NO PEDIDO INICIAL. INOCORRÊNCIA. Inexatidões materiais sanáveis pelas simples análise das informações constantes da própria DCOMP não justificam uma negativa em definitivo da compensação. Se a origem do crédito é exatamente a mesma, não cabe falar em inovação no pedido inicial. Estava evidente que o crédito era decorrente de pagamento trimestral a maior, e não de saldo negativo anual. Restando afastado o fundamento que levou à negativa do crédito, devem os autos retornar à Delegacia de origem, para que seja reexaminada a Declaração de Compensação. (Acórdão nº 1802001.537, 2ª Turma Especial, sessão de 5 de fevereiro de 2013, relator Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa) ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP QUANTO À NATUREZA DO CRÉDITO. VINCULAÇÃO DE PAGAMENTO A DÉBITO COM NATUREZA DE ANTECIPAÇÃO DO IRPJ. EVIDÊNCIAS DE UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. Provado o erro cometido no preenchimento da DCOMP, motivador de sua não homologação, a compensação deve ser analisada a partir da real natureza do crédito utilizado, mormente tendo em conta as peculiaridades das antecipações Fl. 5432DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16682.902647/201228 Acórdão n.º 1102001.312 S1C1T2 Fl. 5.433 11 previstas nos casos de importâncias pagas, entregues ou creditadas, pelo anunciante, às agências de propaganda. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DIRECIONADA POR OUTRA NATUREZA DE CRÉDITO. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação tem por pressuposto crédito de outra natureza, em razão de informação equivocada do sujeito passivo. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. (Acórdão nº 110100.590, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 4 de outubro de 2011, relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa) COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. DETERMINAÇÃO PARA QUE OS AUTOS RETORNEM À ORIGEM PROSSEGUIMENTO DA ANÁLISE DO PEDIDO. Constatado o efetivo pagamento de valores a maior e de erro no preenchimento da DCOMP, provémse parcialmente o recurso para determinar o retorno dos autos à origem para prosseguimento da análise do pedido, alocando os valores comprovadamente pagos a maior, para compensação dos débitos de IRPJ e CSLL informados pelo sujeito passivo. (Acórdão nº 140200350, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 16 de dezembro de 2010, relator Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva) PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO À COMPENSAÇÃO. Em princípio, é inadmissível a retificação de PER/DCOMP posteriormente à ciência da decisão administrativa que negou homologação à compensação originalmente declarada. No entanto, em se tratando de erro prontamente apurável pelo exame da Autoridade Administrativa, esse erro pode ser corrigido. É o que sucede quando o tipo de crédito trazido à compensação é “pagamento indevido/a maior”, mas o valor e o período coincidem com o saldo negativo do mesmo tributo, conforme apurado em DIPJ. Nessa situação deve a Autoridade Administrativa dar ao crédito alegado o tratamento adequado de saldo negativo e prosseguir na apreciação da compensação declarada. (Acórdão nº 130100.449, 3ª Câmara / 1ª Turma Fl. 5433DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16682.902647/201228 Acórdão n.º 1102001.312 S1C1T2 Fl. 5.434 12 Ordinária, sessão de 15 de dezembro de 2010, relator Conselheiro Waldir Veiga Rocha) Dessa forma, afastase o fundamento do despacho decisório e da decisão recorrida de negar o direito à compensação pela inexistência de saldo negativo de IRPJ, devendose analisar o pedido com base em crédito decorrente de pagamento a maior do imposto de renda do 3o trimestre de 2010. Contudo, há que se observar que não houve a apuração efetiva do direito creditório, pois as provas e argumentos trazidos na impugnação e no voluntário não foram apreciados. Não se verificou, por exemplo, se a apuração do imposto de renda está correta e se o pagamento a maior não foi utilizado. Em situações como essa, em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, penso que, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, garantindose ao contribuinte direito ao contencioso administrativo completo em caso de insucesso ou sucesso parcial. A simples conversão em diligência para decisão por esta Turma suprimiria indevidamente o direito à discussão do mérito em primeira instância. Nessa análise, caso a autoridade fiscal entenda que as provas trazidas aos autos são insuficientes, deve intimar o contribuinte a completála, explicitando detalhadamente quais os documentos que devem ser trazidos, e só então elaborar decisão definitiva sobre a matéria. Dessa forma, deve o processo retornar a unidade de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer, ao crédito utilizado no PER/DCOMP, a natureza de pagamento a maior do imposto de renda do 3o trimestre de 2010, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Portanto, até para manter a homogeneidade das decisões proferidas na Turma, peço vênia para aplicar a este caso as mesmas razões de decidir. Assim, oriento meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer, ao crédito utilizado no PER/DCOMP, a natureza de pagamento a maior do imposto de renda do 2º trimestre de 2010, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 5434DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16682.902647/201228 Acórdão n.º 1102001.312 S1C1T2 Fl. 5.435 13 Fl. 5435DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
score : 1.0
Numero do processo: 10950.005212/2009-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Marcelo Oliveira - Presidente
Adriano Gonzales Silvério - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10950.005212/2009-44
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5432193
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2301-000.492
nome_arquivo_s : Decisao_10950005212200944.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ADRIANO GONZALES SILVERIO
nome_arquivo_pdf_s : 10950005212200944_5432193.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira - Presidente Adriano Gonzales Silvério - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
id : 5828719
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705126699008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1716; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 42 1 41 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.005212/200944 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 2301000.492 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 05 de novembro de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente PAULO AFONSO DE SOUZA RAMOS TORNEIRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente Adriano Gonzales Silvério Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. Tratase de Auto de Infração nº 37.242.9793, no qual a autoridade fiscal exige multa em virtude do sujeito passivo não preparou folha de pagamento.. Fundamenta a autuação que o sujeito passivo e terceiras empresas configuram grupo econômico, o que ensejou a representação para exclusão do Simples, bem como o lançamento das contribuições previdências correspondentes e a exigência da escrituração contábil, como aqui exigida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .0 05 21 2/ 20 09 -4 4 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10950.005212/200944 Resolução nº 2301000.492 S2C3T1 Fl. 43 2 Devidamente intimado o sujeito passivo apresentou impugnação, a qual, em apertada síntese, sustentou a decadência parcial, a irretroatividade dos efeitos da exclusão do SIMPLES, a inexistência de grupo econômico, além de defender a sua permanência no regime simplificado de pagamento de tributos, sustentando, ainda, o fato de que apresentou defesa administrativa contra os atos de exclusão do citado regime. Os responsáveis solidários também apresentaram impugnações, alegando a nulidade dos termos de sujeição passiva, bem como a inexistência de grupo econômico. A DRJ de Curitiba manteve a autuação em parte, reconhecendo a decadência. Diante da decisão supra a empresa apresentou recurso voluntário repisando os argumentos suscitados na impugnação. É o Relatório. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10950.005212/200944 Resolução nº 2301000.492 S2C3T1 Fl. 44 3 Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Relator Como se depura dos autos a premissa fiscal foi a de que haveria a existência de grupo econômico entre o sujeito passivo e as empresas arroladas como responsáveis solidárias. Conseqüência desse entendimento resultou na representação para a exclusão da autuada do Simples, bem como no lançamento das contribuições previdenciárias. Por outro lado, o sujeito passivo sustenta que se defendeu dos atos de exclusão do Simples, o que fica evidente no acompanhamento processual do processo administrativo 10950.004255/200911. Entendo que a decisão a ser tomada naqueles autos, pode, sobremaneira, influenciar na decisão aqui a ser proferida por essa Egrégia 1º Turma, haja vista que se for decidido que o sujeito passivo deve permanecer no Simples, o presente lançamento sofrerá conseqüências, quiçá seu cancelamento se for esse o caso. Por essa razão, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA a fim de que o processo fique sobrestado na Delegacia da Receita Federal de origem até que o processo administrativo 10950.004255/200911 transite em julgado, devendo ser anexadas as decisões nele proferidas, seja de primeira, como de segunda instâncias administrativas e após o trânsito em julgado, encaminhe esse processo ao CARF para processamento e julgamento. Adriano Gonzáles Silvério Fl. 54DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 11971.000155/2003-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/03/2003
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. NÃO ABORDAGEM DE TODOS OS ARGUMENTOS. INEXISTÊNCIA.
A argumentação de nulidade da decisão recorrida, lastreada no fato de que nem todos os argumentos esgrimidos na impugnação foram enfrentados pelo julgador a quo, encontra-se superada tanto no plano do processo judicial como no administrativo, uma vez que já pacificou-se o entendimento de não ser necessário rebater, uma a uma, as alegações do sujeito passivo, e sim que o julgador deve apresentar razões suficientes para fundamentar o seu voto.
CREDITO PRESUMIDO DE QUE TRATA O ART. I°, IX DA LEI N" 9.440/97. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO IMPOSSIBIILIDADE.
Nos termos da legislação de regência, o credito presumido de IN como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins estatuído no art. 1º, IX da Lei n° 9.440/97, até o advento do Decreto ri° 6.556/08, ocorrido em 09/09/2008, somente permitia a sua utilização através da dedução do imposto devido pela saída de produtos tributados, não havendo previsão para seu ressarcimento ou mesmo compensação com outros tributos administrados pela RFB.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3101-001.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente em exercício e relator.
EDITADO EM: 17/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Valdete Aparecida Marinheiro, José Paulo Puiati, Adolpho Bergamini, José Mauricio Carvalho Abreu e Rodrigo Mineiro Fernandes
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/03/2003 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. NÃO ABORDAGEM DE TODOS OS ARGUMENTOS. INEXISTÊNCIA. A argumentação de nulidade da decisão recorrida, lastreada no fato de que nem todos os argumentos esgrimidos na impugnação foram enfrentados pelo julgador a quo, encontra-se superada tanto no plano do processo judicial como no administrativo, uma vez que já pacificou-se o entendimento de não ser necessário rebater, uma a uma, as alegações do sujeito passivo, e sim que o julgador deve apresentar razões suficientes para fundamentar o seu voto. CREDITO PRESUMIDO DE QUE TRATA O ART. I°, IX DA LEI N" 9.440/97. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO IMPOSSIBIILIDADE. Nos termos da legislação de regência, o credito presumido de IN como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins estatuído no art. 1º, IX da Lei n° 9.440/97, até o advento do Decreto ri° 6.556/08, ocorrido em 09/09/2008, somente permitia a sua utilização através da dedução do imposto devido pela saída de produtos tributados, não havendo previsão para seu ressarcimento ou mesmo compensação com outros tributos administrados pela RFB. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11971.000155/2003-36
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5442473
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3101-001.819
nome_arquivo_s : Decisao_11971000155200336.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RODRIGO MINEIRO FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 11971000155200336_5442473.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente em exercício e relator. EDITADO EM: 17/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Valdete Aparecida Marinheiro, José Paulo Puiati, Adolpho Bergamini, José Mauricio Carvalho Abreu e Rodrigo Mineiro Fernandes
dt_sessao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
id : 5863870
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705174933504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2175; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 3 1 2 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11971.000155/200336 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3101001.819 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO IPI Recorrente TCA TECNOLOGIA EM COMPONENTES AUTOMOTIVOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/03/2003 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. NÃO ABORDAGEM DE TODOS OS ARGUMENTOS. INEXISTÊNCIA. A argumentação de nulidade da decisão recorrida, lastreada no fato de que nem todos os argumentos esgrimidos na impugnação foram enfrentados pelo julgador a quo, encontrase superada tanto no plano do processo judicial como no administrativo, uma vez que já pacificouse o entendimento de não ser necessário rebater, uma a uma, as alegações do sujeito passivo, e sim que o julgador deve apresentar razões suficientes para fundamentar o seu voto. CREDITO PRESUMIDO DE QUE TRATA O ART. I°, IX DA LEI N" 9.440/97. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO IMPOSSIBIILIDADE. Nos termos da legislação de regência, o credito presumido de IN como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins estatuído no art. 1º, IX da Lei n° 9.440/97, até o advento do Decreto ri° 6.556/08, ocorrido em 09/09/2008, somente permitia a sua utilização através da dedução do imposto devido pela saída de produtos tributados, não havendo previsão para seu ressarcimento ou mesmo compensação com outros tributos administrados pela RFB. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente em exercício e relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 97 1. 00 01 55 /2 00 3- 36 Fl. 682DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 2 EDITADO EM: 17/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Valdete Aparecida Marinheiro, José Paulo Puiati, Adolpho Bergamini, José Mauricio Carvalho Abreu e Rodrigo Mineiro Fernandes Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase (fls. 609 a 613): O contribuinte acima qualificado formalizou pedidos de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, nos valores de R$ 1.535.010,08 e R$ 1.146.904,74, referentes aos 4º trimestre de 2002 e 1º trimestre de 2003, respectivamente, com fundamento no art. 11 da Lei n.º 9.779, de 1999, cumulado com pedidos de compensação, apresentados através de PER/DCOMPs. 2.No Termo de Informação Fiscal de fls. 247/274, a autoridade diligenciadora opinou pelo deferimento parcial do pleito, proposto nos valores de R$ 282.025,33 (4º trimestre de 2002) e R$ 103.590,76 (1º trimestre de 2003), depois de historiar a legislação aplicável e consignar as seguintes informações, aqui repisadas no que interessa ao deslinde do litígio: 2.1.A partir do 1º decêndio de 2002, constatouse o registro de valores significativos no Livro de Registro de Apuração do IPI – RAIPI, a título de crédito presumido, com base em CERTIFICADO DE HABILITAÇÃO MDIC/SDP/Nº 002/02 (fls. 205/206), que encontra fundamento no Decreto n.º 3.893, de 22 de agosto de 2001, e na Portaria MDIC/MF n.º 258, de 14 de outubro de 2001, e atinge fatos geradores a partir de 1º de fevereiro de 2002 até 31 de dezembro de 2010. A sua utilização condicionase ao cumprimento das cláusulas e condições constantes do Termo de Compromisso MDIC/SDP/N.º 002/02 (fls. 207/209). A sua base legal é a Lei n.º 9.440/97 (art. 1º, Inciso IX, e §1º, alínea “h”, e §14); 2.2.Com fulcro no §14 do referido diploma legal, editouse o Decreto n.º 3.893/2001, que, em seu art. 1º, previu que incentivo fiscal do crédito presumido, a título de ressarcimento das contribuições para o PIS e para a COFINS, poderia ser concedido até 31/12/2010 e no montante correspondente à aplicação do percentual de 7,30% sobre o faturamento decorrente da venda de produtos de fabricação própria. Mais adiante, em seu art. 6º, o mesmo diploma regulamentar previu que a forma pela qual se poderia efetivar o benefício seria a utilização do crédito presumido de IPI (inciso IX), determinando a sua escrituração no RAIPI; Fl. 683DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11971.000155/200336 Acórdão n.º 3101001.819 S3C1T1 Fl. 4 3 2.3.O contribuinte formulou o pedido com base na Lei n.º 9.779/99, cujas formas de utilização estão previstas nos arts. 73 e 74 da Lei n.º 9.430/96, de modo que apenas o saldo credor acumulado, estimado em função da sobreposição dos valores de créditos relativos a aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos pelo contribuinte em relação aos valores de débitos pelas saídas, é que será passível de ressarcimento. Assim, o art. 11 da Lei n.º 9.779/99 somente pode servir de fundamento legal ao pedido de ressarcimento que inclua valores do saldo credor acumulado decorrente da acumulação desses créditos. Quanto ao crédito presumido de que trata a Lei n.º 9.440/97, verificase que os valores a este título compuseram indevidamente o montante apresentado nos pedidos de ressarcimento, porquanto inexiste previsão para tal forma de utilização, uma vez que o referido diploma legal, que criou o benefício, nada mencionou acerca da possibilidade de serem ressarcidos valores do citado incentivo, limitandose o diploma regulamentar a estabelecer a forma pela qual se efetivaria o benefício. O Decreto n.º 3.893/2001 também não abriu tal possibilidade, resumindose a determinar que o crédito presumido seria escriturado no RAIPI, o mesmo sucedendo com o Regulamento do IPI de 1998 (RIPI/98); 2.4.O RIPI/2002, em capítulo especialmente dedicado ao setor automotivo, determinou, em seu art. 112, §4º, que o referido incentivo fiscal deve ser escriturado no RAIPI, sem nada prever acerca de outra possível utilização, como ressarcimento ou compensação com outros tributos e contribuições federais. Em idêntico sentido, a Instrução Normativa – IN SRF n.º 210, de 30 de setembro de 2002, à época vigente, relacionava quais créditos poderiam ser objeto de pedido de ressarcimento em espécie ou mesmo compensação com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrativos pela SRF, não mencionando o crédito presumido instituído pela Lei n.º 9.440/97; 2.5.O fato de, após a edição da Lei n.º 9.440/97, ter sobrevindo o regime de substituição tributária, mediante suspensão obrigatória do IPI para as vendas, no mercado interno, de chassis, carrocerias, peças, partes, componentes e acessórios aos fabricantes de veículos, determinada pelo art. 5º da Medida Provisória (MP) n.º 1.916/99, convertida na Lei n.º 9.826/99, não autoriza a conclusão de que o benefício de crédito presumido só cumpriria a sua função se fosse reconhecido o direito ao ressarcimento dos respectivos valores, já que, com as saídas com suspensão obrigatória do IPI, pouco se teria a usufruir do benefício, uma vez que não haveria débitos do IPI a serem compensados com o crédito incentivado acumulado na escrita. Em primeiro lugar, a própria lei que regula o regime de substituição (suspensão) obrigatória prevê que a suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial. Em segundo, o fato de o contribuinte ter poucas saídas tributadas pelo IPI, uma vez que parcela significativa de sua produção sai com suspensão, é uma circunstância econômica, de mercado ou mesmo organizacional; Fl. 684DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 4 2.6.Se o legislador desejasse que o valor concedido a título de incentivo pudesse ser aproveitado para extinguir débitos de outros tributos, teria sido explícito, como o fez para o crédito de IPI a título de ressarcimento do PIS e da COFINS, da mesma forma assim poderia ter agido o Poder Executivo, ao regulamentar a forma pela qual o beneficiário poderia se utilizar do crédito em tela (cita ementas de decisões do Segundo Conselho de Contribuintes, sustentando o seu entendimento); 2.7.O contribuinte creditouse indevidamente de valores referentes ao IPI destacado nas entradas de mercadorias ou bens recebidos para demonstração, o que a legislação proíbe. Tais valores não são passíveis de ressarcimento nem de manutenção na escrita fiscal; 2.8.Em função da reversão à escrita fiscal de valores de crédito presumido que foram desconsiderados na apuração do saldo credor passível de ressarcimento, foi necessário verificar a sua exatidão, conforme registrado pelo contribuinte, que, para tanto, foi intimado a demonstrar a base de cálculo de tais valores. Em resposta, o contribuinte apresentou demonstrativo, no qual constatados dois equívocos: primeiro, a inclusão indevida na base de cálculo, quando as contribuições e o crédito presumido eram calculados sobre o faturamento, de valores a título de devoluções de vendas e de vendas para o mercado externo, que são imunes à incidência das contribuições sociais; segundo, o Decreto n.º 5.710/2006 promoveu significativa mudança na metodologia de cálculo do crédito presumido, pois editado com vistas a corrigir distorções geradas pelo diploma anterior (Decreto n.º 3.893/2001), que previa metodologia de cálculo do incentivo incompatível com o regime vigente de apuração das contribuições. Seus efeitos devem retroagir ao início da efetiva aplicação pelo contribuinte do regime de incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Assim sendo, o cálculo do crédito presumido, com base no valor correspondente ao dobro das contribuições devidas terá vez, para o PIS, a partir de dezembro de 2002 e, para a COFINS, a partir de fevereiro de 2004. O contribuinte, mesmo após a entrada em vigor do Decreto n.º 5.710/2006, não promoveu o lançamento dos valores de incentivo consoante nova forma de cálculo, tampouco ajustes no saldo credor decorrentes dos efeitos retroativos do referido decreto. Foi necessário, então, chegar ao valor a ajustar na escrita fiscal, de forma a compensar eventuais diferenças a menor ou a maior no saldo credor acumulado até o último período de apuração da escrita reconstituída, que foi março de 2006, tendo em vista que este é o período de apuração imediatamente anterior à data de transmissão do PER (Pedido de Ressarcimento) relativo ao primeiro período não incluído neste procedimento fiscal. 3.Às fls. 275/276, a autoridade a quo deferiu em parte os pedidos de ressarcimento, nos valores propostos pela autoridade diligenciadora, bem como determinou a homologação das compensações, no limite do crédito reconhecido. 4.Irresignado, o contribuinte apresentou, no prazo legal, manifestação de inconformidade (fls. 280/308), com as razões de defesa a seguir sintetizadas: Fl. 685DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11971.000155/200336 Acórdão n.º 3101001.819 S3C1T1 Fl. 5 5 4.1.Face à sistemática da suspensão do IPI nas vendas efetuadas às montadoras de veículos, apresenta inevitável acúmulo de crédito de IPI na escrita fiscal. Atende à lógica de desenvolvimento do país, quanto ao benefício proposto pela Lei n.º 9.440/97, que a Lei n.º 9.430/97 (art. 74) assegure a compensação de créditos passíveis de ressarcimento ou de restituição; 4.2.Não há na lei elementos que façam conceituar o que são créditos passíveis de ressarcimento. As Instruções Normativas – IN da Secretaria da Receita Federal tentam definir a expressão “passível de ressarcimento”, sem exaurir o seu alcance. Nos dicionários jurídicos, o termo “ressarcimento” está ligado à idéia de indenização. No caso, está ligado à compensação dos prejuízos da empresa por manter as suas instalações na Região Nordeste; 4.3.O art. 3º, inciso III, da IN SRF n.º 21, de 10 de março de 1997, expressamente previu como passível de ressarcimento o saldo credor de IPI decorrente do crédito presumido, como ressarcimento do PIS e da COFINS, instituídos pela Medida Provisória – MP n.º 1.532/1996, convertida na Lei n.º 9.440, de 14 de março de 1997. O art. 12 da mesma IN permitiu a compensação entre quaisquer tributos e contribuições sob a administração da RFB. O art. 103, §1º, do Decreto 87.891/82 (RIPI/82) estabeleceu que, quando do confronto de débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte; 4.4.Não se pode sustentar a tese de que a IN SRF n.º 21/97 é inaplicável ao caso, em vista de sua revogação pela IN SRF n.º 210/97, pelo simples motivo de que uma Instrução Normativa não pode criar nem restringir direitos, mas apenas explicitálos (reproduz escólios doutrinários para fundamentar o seu entendimento); 4.5.Saber qual crédito é passível de ressarcimento é o ponto chave para decidir a presente demanda, diante do que dispõe o art. 74 da Lei n.º 9.430/97, o que é definido pelo art. 3º da IN SRF n.º 21/97. Não é porque a IN SRF n.º 210/2002 “deixou de homologar os créditos da Manifestante como aqueles passíveis de ressarcimento, de maneira explícita, da mesma forma como fazia a IN SRF n.º 21/97, que tais créditos deixaram de ser passíveis de ressarcimento”. A IN SRF n.º 210/2002 não é exaustiva quanto aos créditos passíveis de ressarcimento; 4.6.Numa interpretação teleológica da Lei n. 9.440/97, percebese que a sua finalidade é dar efetividade ao que dispõem os arts. 43 e 151 da Constituição Federal. A idéia central do Regime Automotivo é a desconcentração do setor automobilístico, concentrados nas Regiões Sul e Sudeste, realçando a perspectiva de crescimento econômico das Regiões Norte, Nordeste e CentroOeste. Ainda que não houvesse legislação permitindo a compensação do saldo credor de IPI, decorrente do acúmulo de crédito presumido de que trata Fl. 686DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 6 a Lei n.º 9.440/97, não se pode negar o benefício. O que o Fisco pretende é reconhecer o benefício como se servisse apenas para adornar a escrita fiscal da empresa; 4.7.As saídas de produtos da empresa se dão com suspensão do IPI, com o conseqüente acúmulo de saldo credor. O seu prejuízo pode ser vislumbrado sob diversos ângulos: em primeiro, o decorrente de propaganda enganosa do legislador; em segundo, o custo com a logística; em terceiro, o enriquecimento ilícito por parte do Fisco; 4.8.Não há na legislação o que seja ressarcimento, daí que se deve buscar o conceito adotado pela doutrina, “que, aliás, advém do direito privado” (art. 110 do CTN). No dicionário De Plácido e Silva, está ligado à idéia de reparação, indenização, “obrigação do Estado de fazer” (reproduz excerto doutrinário). No caso, aplicase à indenização como satisfação de reparar prejuízo, porque se trata de benefício para as empresas que se instalarem nas Regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste. Sem ele, não é viável manterse nas referidas regiões; 4.9.Ainda por força do art, 108, inciso I, do CTN, é legítimo o pleito da empresa, pois, acaso não se concorde com as considerações anteriores, o máximo que se pode dizer é que existe uma lacuna na legislação, já que a lei apenas assegura a utilização dos créditos, mas se esquiva de dizer como. O objetivo do legislador, ao positivar as Leis n.º 9.363/96 e 9.440/97, foi o de que, em ambos os casos, fossem utilizados pelos beneficiados, de modo que as regras conferidas na primeira devem ser aplicadas ao benefício concedido pela segunda. A isonomia é outro elemento de integração no caso de lacuna, que pode se enquadrar tanto no inciso II, quanto no inciso III do art. 108 do CTN; 4.10.É de ser expurgada da exigência os juros à base da taxa Selic, vez que não pode ser utilizada como taxa de juros moratórios legais (reproduz excertos doutrinários para fundamentar o seu convencimento). O limite máximo de juros só pode ser de 1% (um por cento). A Lei n.º 9.065/95 conferiu à taxa Selic natureza remuneratória. Ademais, constitui verdadeiro anatocismo, ferindo o art. 253 do Código Comercial e o art. 4º da Lei 22.626/33. A Suprema Corte vedou a capitalização de juros, ainda que expressamente convencionada (Súmula 121). 5.Ao final, requer seja reconhecido o direito ao ressarcimento, via compensação, do saldo credor do IPI decorrente do acúmulo de créditos presumidos, instituído pela Lei n.º 9.440/97. Ainda, que, na dúvida, seja conferida a interpretação que lhe for mais favorável (art. 112 do CTN), bem como a juntada posterior de provas e a realização de perícia e diligência. A DRJ em RECIFE/PE considerou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim o acórdão: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Fl. 687DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11971.000155/200336 Acórdão n.º 3101001.819 S3C1T1 Fl. 6 7 Período de apuração: 01/10/2002 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N.º 9.440/97. UTILIZAÇÃO. REGISTRO NO RAIPI. A legislação previu que o benefício previsto na Lei n.º 9.440/97 somente poderia ser utilizado por meio de lançamento no Registro de Apuração do IPI (RAIPI), não havendo, assim, previsão legal para permitir outra forma de utilização (inteligência do art. 6º do Decreto n.º 3.893, de 22 de agosto de 2001). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2002 a 31/03/2003 PEDIDOS DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Desnecessários os pedidos de perícia quando os autos já trouxerem todos os elementos necessários à convicção do julgador. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no país, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de ilegalidade/ inconstitucionalidade de atos insertos no ordenamento jurídico. Solicitação Indeferida. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 484 e seguintes, onde basicamente reafirma os argumentos apresentados em primeira instância, aduzindo a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Ao final pede a procedência do recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito presumido e, via de consequência, a homologação da compensação encetada. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Esta turma de julgadora, em sessão realizada em 11 de novembro de 2011, converteu o julgamento em diligência, a fim de ser verificado o atendimento do prazo recursal. Em atendimento à Resolução 3101000.191, a Agência da Receita Federal do Brasil em Jaboatão dos Guararapes (PE) informou que o Recurso Voluntário de folhas 613 a 644 foi protocolado na referida Agência através do processo 19647.022085/200875, em 29/12/2008. O processo foi novamente encaminhado a este Conselho e redistribuído a este Conselheiro Relator. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 8 É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade, e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a recorrente alega a nulidade da decisão recorrida, por entender que nem todos os argumentos esgrimidos na impugnação foram enfrentados pelo julgador a quo. Entretanto, essa argumentação encontrase superada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que já pacificou o entendimento de que não é necessário rebater, uma a uma, as alegações do sujeito passivo, e sim que o julgador deve apresentar razões suficientes para fundamentar o seu voto. Desta forma, rejeito a preliminar de nulidade da decisão recorrida. No mérito, alega a recorrente que a compensação do saldo credor do IPI com outros débitos administrados pela RFB seria permitida, que a Instrução Normativa SRF nº210/2002 não explicitou todas as hipóteses em que o ressarcimento seria possível, e que a autoridade fiscal distorceu o sentido da Lei nº 9.440/1997, esvaziando todo o conteúdo legal. Segundo seu entendimento, o conceito de ressarcimento aponta para a necessidade de compensar os investimentos elaborados pelas empresas com a manutenção na região Norte, Nordeste e CentroOeste para gozar do beneficio da Lei nº 9.440/1997, e que a analogia deveria ser utilizada como meio de integração capaz de solucionar o caso presente. Relativamente aos argumentos lançados pela recorrente, adoto, em sua totalidade, as razões de decidir do Acórdão nº 340300.746, da lavra do Conselheiro Robson José Bayerl, uma vez que se trata de caso idêntico, inclusive havendo identidade de partes e proximidade no período de apuração, a seguir reproduzido: A questão central de debate nestes autos se restringe em definir se ao crédito presumido de IPI previsto art. 1º, IX da Lei nº 9.440/97 foi garantida a manutenção e utilização e sob que forma. Para tanto, necessário se faz uma incursão pela legislação de regência da matéria. Neste passo, reproduzo o inteiro do teor do art. 1º da Lei nº 9.440/97: “Art. 1º Poderá ser concedida, nas condições fixadas em regulamento, com vigência até 31 de dezembro de 1999: I – redução de cem por cento do imposto de importação incidente na importação de máquinas, equipamentos, inclusive de testes, ferramental, moldes e modelos para moldes, instrumentos e aparelhos industriais e de controle de qualidade, novos, bem como os respectivos acessórios, sobressalentes e peças de reposição; Fl. 689DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11971.000155/200336 Acórdão n.º 3101001.819 S3C1T1 Fl. 7 9 II – redução de noventa por cento do imposto de importação incidente na importação de matériasprimas, partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos acabados e semi acabados e pneumáticos; III – redução de até cinqüenta por cento do imposto de importação incidente na importação dos produtos relacionados nas alíneas "a" a "c" do § 1o deste artigo; IV – isenção do imposto sobre produtos industrializados incidente na aquisição de máquinas, equipamentos, inclusive de testes, ferramental, moldes e modelos para moldes, instrumentos e aparelhos industriais e de controle de qualidade, novos, importados ou de fabricação nacional, bem como os respectivos acessórios, sobressalentes e peças de reposição; V – redução de 45% do imposto sobre produtos industrializados incidente na aquisição de matériasprimas, partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos acabados e semi acabados e pneumáticos; VI – isenção do adicional ao frete para renovação da Marinha Mercante AFRMM; VII – isenção do IOF nas operações de câmbio realizadas para pagamento dos bens importados; VIII – isenção do imposto sobre a renda e adicionais, calculados com base no lucro da exploração do empreendimento; (Vide Lei nº 9.532, de 1997) IX – crédito presumido do imposto sobre produtos industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, 8 e 70, de 7 de setembro de 1970, 3 de dezembro de 1970 e 30 de dezembro de 1991, respectivamente, no valor correspondente ao dobro das referidas contribuições que incidiram sobre o faturamento das empresas referidas no § 1o deste artigo. §1º O disposto no caput aplicase exclusivamente às empresas instaladas ou que venham a se instalar nas regiões Norte, Nordeste e CentroOeste, e que sejam montadoras e fabricantes de: a)veículos automotores terrestres de passageiros e de uso misto de duas rodas ou mais e jipes; b)caminhonetas, furgões, pickups e veículos automotores, de quatro rodas ou mais, para transporte de mercadorias de capacidade máxima de carga não superior a quatro toneladas; c)veículos automotores terrestres de transporte de mercadorias de capacidade de carga igual ou superior a quatro toneladas, Fl. 690DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 10 veículos terrestres para transporte de dez pessoas ou mais e caminhõestratores; d)tratores agrícolas e colheitadeiras; e)tratores, máquinas rodoviárias e de escavação e empilhadeiras; f)carroçarias para veículos automotores em geral; g)reboques e semireboques utilizados para o transporte de mercadorias; h)partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos acabados e semiacabados e pneumáticos, destinados aos produtos relacionados nesta e nas alíneas anteriores. §2º Não se aplica aos produtos importados nos termos deste artigo o disposto nos arts. 17 e 18 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966. §3º O disposto no inciso III aplicase exclusivamente às importações realizadas diretamente pelas empresas montadoras e fabricantes nacionais dos produtos nele referidos, ou indiretamente, por intermédio de empresa comercial exportadora, em nome de quem será reconhecida a redução do imposto, nas condições fixadas em regulamento. §4º A aplicação da redução a que se refere o inciso II não poderá resultar em pagamento de imposto de importação inferior a dois por cento. §5º A aplicação da redução a que se refere o inciso III não poderá resultar em pagamento de imposto de importação inferior à Tarifa Externa Comum. §6º Os produtos de que tratam os incisos I e II deverão ser usados no processo produtivo da empresa e, adicionalmente, quanto ao inciso I, compor o seu ativo permanente, vedada, em ambos os casos, a revenda, exceto nas condições fixadas em regulamento, ou a remessa, a qualquer título, a estabelecimentos da empresa não situados nas regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste. §7º Não se aplica aos produtos importados nos termos do inciso III o disposto no art. 11 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, ressalvadas as importações realizadas por empresas comerciais exportadoras nas condições do § 3o deste artigo, quando a transferência de propriedade não for feita à respectiva empresa montadora ou a fabricante nacional. §8º Não se aplica aos produtos importados nos termos deste artigo o disposto no DecretoLei nº 666, de 2 de julho de 1969. §9º São asseguradas, na isenção a que se refere o inciso IV, a manutenção e a utilização dos créditos relativos a matérias Fl. 691DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11971.000155/200336 Acórdão n.º 3101001.819 S3C1T1 Fl. 8 11 primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, efetivamente empregados na industrialização dos bens referidos. §10. O valor do imposto que deixar de ser pago em virtude da isenção de que trata o inciso VIII não poderá ser distribuído aos sócios e constituirá reserva de capital da pessoa jurídica, que somente poderá ser utilizada para absorção de prejuízos ou aumento do capital social. §11. Para os fins do parágrafo anterior, serão consideradas também como distribuição do valor do imposto: a)a restituição de capital aos sócios, em casos de redução do capital social, até o montante do aumento com incorporação da reserva; b)a partilha do acervo líquido da sociedade dissolvida, até o valor do saldo da reserva de capital. §12. A inobservância do disposto nos §§ 10 e 11 importa perda da isenção e obrigação de recolher, com relação à importância distribuída, o imposto que a pessoa jurídica tiver deixado de pagar, acrescido de multa e juros moratórios. §13. O valor da isenção de que trata o inciso VIII, lançado em contrapartida à conta de reserva de capital nos termos deste artigo, não será dedutível na determinação do lucro real. §14. A utilização dos créditos de que trata o inciso IX será efetivada na forma que dispuser o regulamento.” (destaquei) Observase que a regulamentação da forma de utilização do crédito presumido em tela foi remetida à edição de decreto específico, no caso, corporificado pelo Decreto nº 2.179/99, que dispôs sobre a concessão de incentivos fiscais para o desenvolvimento regional para os produtos que especifica, cuidando deste benefício fiscal em seu art. 6º, cuja redação original era a seguinte: “Art. 6º Os "Beneficiários" poderão obter, até 31 de dezembro de 1999: I – isenção do imposto sobre produtos industrializados incidente na aquisição de "Bens de Capital" e seus acessórios, sobressalentes e peças de reposição; II – redução de 45% do imposto sobre produtos industrializados incidente na aquisição de "Insumos" e seus acessórios, sobressalentes e peças de reposição; III – isenção do adicional ao frete para renovação da Marinha Mercante; Fl. 692DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 12 IV – isenção do IOF nas operações de câmbio realizadas para pagamento dos bens importados; V – isenção do imposto sobre a renda e adicionais, calculados com base no lucro da exploração do empreendimento; VI – crédito presumido do imposto sobre produtos industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, 8 e 70, de 7 de setembro de 1970, 3 de dezembro de 1970 e 30 de dezembro de 1991, respectivamente, no valor correspondente ao dobro das referidas contribuições que incidiram sobre o faturamento das empresas referidas no inciso IV do art. 2º. Parágrafo único. Os créditos a que se refere o inciso VI serão escriturados no livro Registro de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, e sua utilização darseá nos termos do previsto no art. 103 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23 de dezembro de 1982.” (destaquei) O art. 103 do RIPI/82 (Decreto nº 87.981/82), equivalente ao art. 178 do RIPI/98, aprovado pelo Decreto nº 2.637/98, então vigente, por seu turno, estabelecia o que segue: “Art. 178. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte (Lei nº 5.172, de 196, art. 49, parágrafo único). § 2º O direito à utilização do crédito está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração, neste Regulamento.” Da leitura sistemática dos dispositivos envolvidos não é outra a conclusão alcançada senão que, de fato, a legislação apenas garantiu o aproveitamento do referido crédito presumido como dedução do IPI devido pela saída de produtos tributados, sem previsão de sua utilização como ressarcimento ou compensação, nos moldes indicados. Nos termos do art. 179 do mesmo regulamento do IPI (Decreto nº 2.637/98) apenas os créditos incentivados nominalmente identificados garantem a utilização por outras formas que não o mero abatimento na conta gráfica, dentre eles, não figurando o crédito presumido do art. 1º, IX da Lei nº 9.440/97, verbis: “Art. 179. Os créditos incentivados, para os quais a lei expressamente assegurar a manutenção e utilização, e que não Fl. 693DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11971.000155/200336 Acórdão n.º 3101001.819 S3C1T1 Fl. 9 13 forem absorvidos no período de apuração do imposto em que foram escriturados, poderão ser utilizados em outras formas estabelecias pelo Secretário da Receita Federal, inclusive o ressarcimento em dinheiro. Parágrafo único. Estão amparados pelo disposto neste artigo os créditos a que se referem os arts. 71, 85, § 2º, 88, § 2º, 91, § 2º, 94, § 2º, 97, § 2º, 99, 103 e 159 a 162.” Reforça o raciocínio exposto, coincidente com o externado pela decisão recorrida, consoante o qual o benefício fiscal não permitia o seu ressarcimento ou a sua utilização para compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a superveniente alteração do Decreto nº 2.179/97 pelo Decreto nº 6.556/08, que, a meu sentir, suprindo a falha, textualmente passou a prever outras formas de utilização do crédito decorrente, senão vejase: “Art.1º O art. 6o do Decreto no 2.179, de 18 de março de 1997, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art.6º ......................................................................................................... .. §1º O crédito presumido de que trata o inciso VI será escriturado no Livro Registro de Apuração do IPI e utilizado mediante dedução do imposto devido em razão das saídas de produtos do estabelecimento que apurar o referido crédito. §2º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte. §3º O crédito presumido de que trata o inciso VI, não aproveitado na forma dos §§ 1o e 2o, poderá, ao final de cada trimestrecalendário, ser aproveitado de conformidade com o disposto no art. 208 do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002, observadas as regras específicas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.”(NR) Art.2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, alcançando o saldo credor de IPI existente nesta data.” No entanto, o próprio decreto tratou de esclarecer que sua eficácia não seria retroativa, não albergando, portanto, os pedidos de ressarcimento e/ou compensação formalizados em data anterior à sua vigência, como no caso corrente. Todavia, o direito creditório foi preservado, porquanto o dispositivo que encerra a vigência das alterações é claro ao dispor que alcançará o saldo credor acumulado até a data de sua publicação, ou seja, o direito foi garantido, contudo, o seu exercício foi diferido para 09/09/2008, data Fl. 694DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 14 da publicação do diploma, o que exigirá a formalização de novo pedido de ressarcimento, não sendo possível o aproveitamento deste feito. De outra banda, não procede a alegação que o direito à compensação estaria resguardado pelo art. 74, caput da Lei nº 9.430/96, ao passo que havia previsão que o direito à compensação se vincularia a créditos passíveis de restituição ou ressarcimento, o que não é a hipótese do crédito presumido em debate, como copiosamente exposto. Também é improcedente a pretendida integração da legislação, por meio da analogia, com o tratamento dispensado ao crédito presumido da Lei nº 9.363/96, com espeque no art. 108 do Código Tributário Nacional. A uma, porque é pressuposto para utilização da analogia a ausência de legislação, o que não ocorre, pois a legislação existe, sendo inexistente a previsão para acolhimento da pretensão do recorrente. A duas, porque o art. 4º da Lei nº 9.363/96 prevê a hipótese de ressarcimento em espécie, no caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em dedução do IPI devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, o que não acontece com a Lei nº 9.440/97. Respeitante às disposições dos arts. 3º e 12 da IN SRF 21/97, tenho que melhor sorte não agasalha a aspiração do recorrente, isto porque o art. 4º do mesmo ato normativo impede textualmente o ressarcimento em espécie do crédito presumido previsto no art. 1º, IX da Lei nº 9.440/97, sendo que o art. 5º veda a sua compensação com outros tributos administrados pela RFB, nestes termos: Art. 3º Poderão ser objeto de ressarcimento, sob a forma compensação com débitos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da mesma pessoa jurídica, relativos às operações no mercado interno, os créditos: I – decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI, inclusive os relativos a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos imunes, isentos e tributados à alíquota zero, para os quais tenham sido asseguradas a manutenção e a utilização; II – presumidos de IPI, como ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade Social COFINS, instituídos pela Lei nº 9.363, de 1996; III – presumidos de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, instituídos pela Medida Provisória nº 1.532, de 18 de dezembro de 1996.(*) Art. 4º Poderão ser objeto de pedido de ressarcimento em espécie, os créditos mencionados nos inciso I e II do artigo anterior, que não tenham sido utilizados para compensação com débitos do mesmo imposto, relativos a operações no mercado interno. Art. 5º Poderão ser utilizados para compensação com débitos de qualquer espécie, relativos a tributos e contribuições Fl. 695DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11971.000155/200336 Acórdão n.º 3101001.819 S3C1T1 Fl. 10 15 administrados pela SRF, os créditos decorrentes das hipóteses mencionadas no art. 2º , nos incisos I e II do art. 3º e no art. 4º. (...) Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado.” (destaquei) (*) convertida na Lei nº 9.440/97. Ainda que o caput do art. 12 possa induzir à ilação que a compensação seria admitida indistintamente entre os créditos do art. 3º, por não haver qualquer ressalva, entendo não ser possível acolher tal inteligência justamente pela literalidade e especificidade dos citados arts. 4º e 5º que, a meu ver, se sobrepõem à generalidade do art. 12, caput, todos da IN SRF 21/97. No que tange aos argumentos de natureza sócioeconômicos, tenho que não seja esta a seara adequada para o seu exame, porquanto não compete a este Conselho Administrativo aquilatar a justeza das normas vigentes e muito menos avaliar ou emitir juízos de valor acerca dos motivos de ordem política que ensejaram a edição, pelo Poder Legislativo, dos diplomas componentes do sistema legal pátrio. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das sessões, em 25 de fevereiro de 2015. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator [assinado digitalmente] Fl. 696DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
score : 1.0
