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Numero do processo: 11516.001950/2005-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2002
IRPF. PARCELA DOS RENDIMENTOS PROVENIENTE DE APOSENTADORIA E PENSÃO DE CONTRIBUINTE COM SESSENTA E CINCO ANOS DE IDADE. LIMITE ESTABELECIDO POR LEI. ISENÇÃO.
A quantia correspondente à parcela isenta dos rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, representada pela soma dos valores mensais computados a partir do mês em que o contribuinte com sessenta e cinco anos de idade, não integrará a soma dos rendimentos
Numero da decisão: 2301-006.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
João Mauricio Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: CLEBER FERREIRA NUNES LEITE
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002 IRPF. PARCELA DOS RENDIMENTOS PROVENIENTE DE APOSENTADORIA E PENSÃO DE CONTRIBUINTE COM SESSENTA E CINCO ANOS DE IDADE. LIMITE ESTABELECIDO POR LEI. ISENÇÃO. A quantia correspondente à parcela isenta dos rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, representada pela soma dos valores mensais computados a partir do mês em que o contribuinte com sessenta e cinco anos de idade, não integrará a soma dos rendimentos
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Mauricio Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
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PARCELA DOS RENDIMENTOS PROVENIENTE DE APOSENTADORIA E PENSÃO DE CONTRIBUINTE COM SESSENTA E CINCO ANOS DE IDADE. LIMITE ESTABELECIDO POR LEI. ISENÇÃO. A quantia correspondente à parcela isenta dos rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, representada pela soma dos valores mensais computados a partir do mês em que o contribuinte com sessenta e cinco anos de idade, não integrará a soma dos rendimentos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Mauricio Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 19 50 /2 00 5- 81 Fl. 26DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.484 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.001950/2005-81 Transcreve-se o relatório do acórdão recorrido Trata-se de Auto de Infração (fis. 04 a 07), relativo ao ano-calendário 2002, lavrado devido à apuração, por meio de DIRF apresentada por fonte pagadora, de omissão de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual entregue pelo contribuinte. De acordo com a autoridade lançadora, o contribuinte, ao invés de declarar que recebeu da FAPIEB (Fundo de Aposentadoria e Pensões da I.E.A.B.), rendimentos tributáveis decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício no montante de R$ 16.639,27, declarou apenas a quantia de R$ 14.716,27. Tendo em vista a omissão verificada, a autoridade fiscal alterou o valor do saldo de Imposto a Restituir de R$ 5.298,62 para R$ 4.819,86. Devidamente cientificado da autuação (fls. 09), o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 a 02, alegando em síntese que: a) no ano-calendário 2002 fazia jus à isenção prevista no artigo 4°, inciso VI, da Lei n° 9.250/1995, pois já possuía mais de 65 anos (data de nascimento 18/09/1935); b) recebeu do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, no ano-calendário 2002, rendimentos mensais que totalizaram a quantia de R$ 10.773,00, um 13° salário de R$ 933,00, e um montante de R$ 31.373,60 decorrente de precatório judicial; c) considerou totalmente isentos os rendimentos mensais recebidos do INSS (R$ 10.773 ,00); d) o valor apurado como omissão de rendimentos tributáveis (R$ 1923,00) corresponde à parcela dos rendimentos recebidos da FAPIEB que considerou isentos, já que o limite da isenção concedida a maiores de 65 anos, no ano-calendário 2002, era de R$ 12.696,00; e) poderia ter deduzido R$ 1.923,00 do valor recebido do INSS através de precatório judicial, ao invés de ter efetuado a dedução sobre os rendimentos recebidos da FAPIEB. Por fim, o contribuinte pleiteia a “anulação” do presente lançamento. No recurso, o contribuinte informa reitera que: 5 - Feitas essas considerações reafirmo a minha condição de aposentado com mais de 65 anos naquela oportunidade, portanto com direito inquestionável da parcela isenta prevista no Art. 4°., inciso VI, da Lei no. 9.250/l995, uma vez que todos os rendimentos percebidos por mim são provenientes de aposentadorias, pagas pela previdência social da União (INSS) e pela entidade de previdência privada FAPIEB; 6 - Assim, todos os rendimentos percebidos no exercício questionado são provenientes de aposentadoria, sendo o precatório originado de valores atrasados de uma ação de revisão de aposentadoria contra o INSS (precatório no. 4769l – 16/12/2002 - 9°. vara de Pernambuco) e o Fapieb de valores de aposentadoria de fundo de pensão, conforme comprovam o comprovante de rendimentos e declaração do próprio Fapieb onde esta firmado que eu sou aposentado do fundo desde 01/11/1992 e que os proventos recebidos são provenientes do benefício de aposentadoria. É o relatório Fl. 27DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.484 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.001950/2005-81 Voto Conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite, Relator. No acórdão recorrido foi verificada a seguinte situação com relação aos rendimentos informados na DIRPF: No presente caso, o contribuinte alega que a omissão de rendimentos tributáveis apurada pela autoridade lançadora é improcedente, já que a diferença entre o valor declarado a título de rendimentos tributáveis recebidos da FAPIEB (R$ 14.716,27) e o informado em DIRF pela fonte pagadora (R$ 16.639,27), foi considerado isento, por força do artigo 4°, inciso VI, da Lei n° 9.250/1995. Ocorre que o próprio contribuinte admite em sua impugnação (item 7), que os rendimentos recebidos da FAPIEB, no ano-calendário 2002, decorrem de trabalho sem vínculo empregatício. Fica evidente, portanto, que todos os rendimentos recebidos pelo contribuinte da FAPIEB no ano-calendário 2002, deveriam ter sido declarados como tributáveis, já que a isenção prevista no artigo 4°, inciso VI, da Lei n° 9.250/1995, não se aplica a rendimentos decorrentes do trabalho. Já em relação à alegação de que o contribuinte poderia ter deduzido R$ 1.923,00 do valor recebido do INSS através de precatório judicial, ao invés de ter efetuado a dedução sobre os rendimentos recebidos da FAPIEB, cabe ressaltar que não foi juntada nenhuma prova de que os rendimentos provenientes de precatório judicial (pago pelo INSS) se referem à aposentadoria ou pensão. Destarte, não pode ser deferido o pleito para que a isenção de R$ 1.923,00, que não pode ser aplicada sobre os rendimentos recebidos da FAPIEB, seja aplicada sobre os rendimentos provenientes de precatório judicial pago pelo INSS. Ocorre que o recorrente apresenta na fl 23, declaração do Fundo de Aposentadorias e Pensões da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil – FABIEP, em que consta ser aposentado do fundo desde 01/11/1992. Isto posto, considerando que os rendimentos da FABIEP, são de natureza previdenciária, o contribuinte poderia ter deduzido o valor correspondente à parcela isenta dos rendimentos provenientes de aposentadoria por entidade de previdência privada. Do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite Fl. 28DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.484 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.001950/2005-81 Fl. 29DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.902119/2017-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 01/01/1980
IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE. LIVROS. PROVA
Nos termos do artigo 14 inciso III do Código Tributário Nacional para o reconhecimento da imunidade de entidade beneficente necessária a apresentação de escrituração fiscal.
IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos do artigo 14 inciso II do Código Tributário Nacional para o reconhecimento de imunidade beneficente é necessário que todos os recursos sejam aplicados nos objetivos institucionais.
Numero da decisão: 3401-006.986
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, João Paulo Mendes Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 01/01/1980 IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE. LIVROS. PROVA Nos termos do artigo 14 inciso III do Código Tributário Nacional para o reconhecimento da imunidade de entidade beneficente necessária a apresentação de escrituração fiscal. IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do artigo 14 inciso II do Código Tributário Nacional para o reconhecimento de imunidade beneficente é necessário que todos os recursos sejam aplicados nos objetivos institucionais.
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ENTIDADE BENEFICENTE. LIVROS. PROVA Nos termos do artigo 14 inciso III do Código Tributário Nacional para o reconhecimento da imunidade de entidade beneficente necessária a apresentação de escrituração fiscal. IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do artigo 14 inciso II do Código Tributário Nacional para o reconhecimento de imunidade beneficente é necessário que todos os recursos sejam aplicados nos objetivos institucionais. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, João Paulo Mendes Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 21 19 /2 01 7- 37 Fl. 216DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-006.986 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.902119/2017-37 Relatório Trata-se de indeferimento de pedido de restituição de PIS/PASEP com fundamento no RE 636.941/RS que reconheceu a imunidade da exação em questão para as entidades beneficentes de assistência social. A DRJ de Curitiba manteve o indeferimento do pedido eis que inexistem provas do cumprimento dos requisitos legais descritos “nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212,de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009)”. Intimada, a Recorrente busca guarida neste Conselho trazendo aos autos documentos que, em seu entender, comprovam o cumprimento dos requisitos legais. Fl. 217DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-006.986 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.902119/2017-37 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 3401-006.952, de 26 de setembro de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10840.902084/2017-36. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401-006.952): “2.1. A controvérsia a decidir pertine aos REQUISITOS PARA RECONHECIMENTO DE IMUNIDADE PARA ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Fisco e Recorrente concordam que os requisitos a serem cumpridos para exercício do favor Constitucional são os descritos no Código Tributário Nacional e na Lei Ordinária 12.101/09 (que sucedeu em vigência a Lei 8.212/91). 2.1.1. Todavia a Corte Constitucional em sede de Repercussão Geral (RE 566.622/RS) vinculou o exercício da imunidade em voga ao cumprimento dos requisitos descritos apenas em Lei Complementar (leia-se CTN e outra LC que vier a sucedê-lo): “Os requisitos para o gozo de imunidade hão de estar previstos em lei complementar” 2.1.2. Nos termos do voto condutor do Ministro Marco Aurélio, em sede de imunidade para entidades beneficentes de assistência social, a Lei Ordinária tem lugar apenas e tão somente para regulamentar o descrito nos artigos 9° e 14 do CTN bem como para estabelecer condições para que uma pessoa jurídica possa ser considerada como entidade beneficente de assistência social: Cabe à lei ordinária apenas prever requisitos que não extrapolem os estabelecidos no Código Tributário Nacional ou em lei complementar superveniente, sendo-lhe vedado criar obstáculos novos, adicionais aos já previstos em ato complementar. Caso isso ocorra, incumbe proclamar a inconstitucionalidade formal. 2.1.3. O artigo 14 do Código Tributário Nacional elenca três condições para o exercício da imunidade em questão: I) não distribuição do patrimônio, II) aplicar integralmente os recursos na manutenção dos objetivos patrimoniais e, III) manterem a escrituração fiscal e contábil regular. 2.1.4. Os incisos II, IV e V do artigo 29 da Lei 12.101/09 regulamentam, especificamente, os incisos I, III e II do artigo 14 do CTN: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos; (...) II - aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; (...) Fl. 218DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-006.986 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.902119/2017-37 IV - mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V - não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; 2.1.5. Pois bem. Embora afirme ter toda a escrituração contábil e fiscal em boa ordem, a Recorrente não traz aos autos qualquer dos livros obrigatórios. Em verdade, a Recorrente colige apenas balanços analíticos dos anos de 2013 e 2014 e Parecer de Auditoria Contábil – documentos insuficientes para aferir a não distribuição do patrimônio e a aplicação dos recursos nos objetivos patrimoniais. Aliás, o Relatório da Auditoria trazido aos autos pela Recorrente dá conta de que parte de seu patrimônio está em aplicações financeiras, fora objetivos patrimoniais, portanto: 2.1.6. Descumpridos os requisitos legais, de rigor o indeferimento do pedido. 3. Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e a ele nego provimento.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário e a ele negar provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10708.000023/2007-95
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2002
RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA MOTIVADOS POR DOENÇA GRAVE
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de doença grave devidamente atestada por serviço médico oficial e que se encontrem dentre as elencadas no inciso XXXIII do art. 39 do Decreto nº 3.000/99.
Numero da decisão: 2003-000.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 4.751,36.
(documento assinado digitalmente)
Raimundo Cássio Gonçalves Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cássio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto.
Nome do relator: RAIMUNDO CASSIO GONCALVES LIMA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA MOTIVADOS POR DOENÇA GRAVE São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de doença grave devidamente atestada por serviço médico oficial e que se encontrem dentre as elencadas no inciso XXXIII do art. 39 do Decreto nº 3.000/99.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 4.751,36. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cássio Gonçalves Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cássio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto. Relatório Trata de recurso voluntário interposto com supedâneo no artigo 3º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, contra decisão prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), Acórdão nº 03-32.164 (e-fls. 47/49), que fica fazendo parte integrante do presente voto mesmo sem ter havido sido transcrito. Referido decisum manteve o lançamento da omissão de rendimentos declarados no montante de R$ 53.324,66 e que teriam sido recebidos da fonte pagadora Câmara dos Deputados (e-fls. 20 e 46). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 8. 00 00 23 /2 00 7- 95 Fl. 69DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.238 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10708.000023/2007-95 Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pejo contribuinte não foram integralmente oferecidos à tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantém-se o lançamento. Lançamento Procedente Recurso Voluntário Devidamente intimado dessa decisão em 08.09.2009 (e-fls. 55), não resignado com a mesma a recorrente em sede de recurso voluntário (e-fls. 56 usque 58, protocolado em 07.10.2009, rechaça os argumentos da autoridade judicante a quo informando: (i) que percebia proventos de aposentadoria por invalidez não sujeitos ao Imposto de Renda até o dia 20.02.2002, data em que foi submetido à uma nova perícia médica que convolou o status da sua aposentadoria, em face da sua idade, para tempo de serviço; (ii) que se equivocou no preenchimento da sua Declaração de Ajuste ao não computar os rendimentos tributáveis a partir da referida data; pede para, se for o caso, seja retirado os rendimentos do mês de janeiro de 2001. Na oportunidade colacionou aos autos o documento de e-fls. 60, expedido pela Câmara dos Deputados, comprovando de que esteve em gozo de aposentadoria por invalidez desde a data de 27/06/1972 até 20/02/2002, percebendo proventos isentos e não tributáveis. É um breve relatório. Passo a decidir. Voto Conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima, Relator. Conhecimento O presente recurso, atendendo aos seus requisitos de admissibilidade, foi devidamente protocolizado dentro do trintídio que se encontra previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, por isso tomo conhecimento do mesmo. Preliminares Nenhuma preliminar foi suscitada nas razões do presente recurso voluntário. Mérito Delimitação da Lide Cinge-se a questão devolvida ao conhecimento desse órgão julgador de 2ª instância aquela atinente a possibilidade da mantença do lançamento fiscal que apurou omissão de rendimentos no curso do ano-calendário de 2002, ano em que o recorrente se encontrava considerado como percebendo proventos de aposentadoria isentos do Imposto de Renda, no montante de R$ 53.324,66. Fl. 70DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.238 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10708.000023/2007-95 Proventos de aposentadoria motivados por doença grave A lei nº 7.713/88, em seu art. 6º, inciso XIV, traz um rol exaustivo de patologias que que levam os rendimentos de aposentadoria percebidos em face de alguma delas para o campo da isenção tributária do Imposto de Renda. A despeito do documento de fls. 55 não especificar qual tipo de moléstia acometia o recorrente desde a data de 27/06/1972, contudo nos leva a presunção que seria uma daquelas elencadas no citado dispositivo. Cessadas as condições motivadoras da aposentadoria por invalidez, natural que a partir de tal data os rendimentos percebidos com a natureza jurídica por tempo de serviço voltem a ser tributados. No caso vertente nos autos, o restabelecimento da obrigatoriedade da tributação ocorreu já a partir do dia 20/02/2002. Como a fonte pagadora somente passou a efetivar a retenção do imposto a partir do mês de agosto do ano de 2002, a recorrente deveria ter oferecido à tributação quando da elaboração da sua Declaração de Ajuste Anual os períodos mensais desde o qual os seus rendimentos passaram a ter a natureza de tributáveis pelo Imposto de Renda, a despeito de não ter havido a competente retenção pela fonte pagadora, fato que reconhece não ter providenciado. Contudo, é inconteste que os proventos do mês de janeiro do ano de 2002 no montante de R$ 4.751,36 (e-fls. 46) se encontravam albergados pelo manto da isenção que se prevista no art. 6º, inciso XIV, da lei nº 7.713/88, portanto deve ser decotado do montante considerado como omissão de rendimentos Conclusão Ante ao todo exposto, voto por CONHECER do recurso e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 4.751,36. É como voto. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cássio Gonçalves Lima Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.720825/2011-20
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2008
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-001.143
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal que lhe negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Redator Designado ad hoc.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente à época do julgamento), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal que lhe negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Redator Designado ad hoc. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente à época do julgamento), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal que lhe negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Redator Designado ad hoc. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente à época do julgamento), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2008, ano-calendário de 2007, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 15.634,14. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 08 25 /2 01 1- 20 Fl. 152DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-001.143 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10950.720825/2011-20 O contribuinte apresentou impugnação parcial (não questionou despesas médicas no valor de R$ 1.324,14), que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Brasília. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 140/148. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira - Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A questão aqui posta para análise cinge-se à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurge-se contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de documentação probante do efetivo pagamento para comprovação das despesas médicas. Desta forma, verifica-se que o recibo, ao contrário do que defende a recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratar-se de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontra-se devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas Fl. 153DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-001.143 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10950.720825/2011-20 provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Trata-se de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtém-se extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. A Câmara Superior de Recursos Fiscais vem se manifestando no sentido da necessidade da comprovação do efetivo pagamento, sendo desnecessária a caracterização, pela fiscalização, de inidoneidade dos recibos. A título de exemplo, trazemos a seguinte decisão: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. EFETIVO PAGAMENTO. PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. REQUISITOS FORMAIS DA DOCUMENTAÇÃO. A critério da autoridade fiscal, a comprovação do efetivo pagamento de despesas é necessária. Hipótese em que, tendo sido devidamente intimada para comprovação do efetivo pagamento das despesas, não foi apresentada a requerida documentação comprobatória. Recurso Especial do Procurador Provido." Convém citar o trecho em que o Relator, Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, defende ser desnecessário a autoridade lançadora evidenciar a inidoneidade dos recibos: "Contudo, pela aplicação do critério jurídico que entendo correto, não há qualquer necessidade de apontamento de falsidade nos recibos e outros documentos formais para exigência de prova do pagamento. Assim, quando o contribuinte não comprova o efetivo pagamento de valores que deduz, desde que isso tenha sido a acusação inicial, resta mandatória a glosa dos valores." Fl. 154DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-001.143 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10950.720825/2011-20 Desta forma, reitero a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negar-lhe provimento (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Voto Vencedor Conselheiro Honório Albuquerque de Brito - Redator Designado ad hoc. Quando da formalização do acórdão, o Conselheiro Jorge Henrique Backes, Redator Designado, já se encontrava aposentado, razão pela qual houve a necessidade de designação de “Redator Designado ad hoc”. Assim, como Redator Designado ad hoc ressalvo que o posicionamento abaixo esposado não necessariamente tem a aquiescência deste Conselheiro. Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não têm valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Entretanto, mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa à aceitação de simples recibos, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados os recibos devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, o fundamento para lançar limita-se a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. Foram inclusive apresentados exames que comprovam a efetividade da prestação dos serviços, conforme admite a turma julgadora da DRJ em seu acórdão (fl. 129 e segs). O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Fl. 155DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-001.143 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10950.720825/2011-20 § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontra-se tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido Decreto-Lei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Far-se-á o lançamento ex- officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Fl. 156DF CARF MF
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Numero do processo: 13652.001443/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2006
IRPF. RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO.
No caso de rendimentos recebidos em razão de ação judicial, poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda as despesas necessárias ao recebimento desses rendimentos, inclusive os honorários advocatícios, desde que tenham sido suportadas pelo reclamante e estejam devidamente comprovadas.
Numero da decisão: 2402-007.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reduzindo-se a omissão de rendimentos apurada pela fiscalização de R$ 18.930,13 para R$ 4.813,36, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. No caso de rendimentos recebidos em razão de ação judicial, poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda as despesas necessárias ao recebimento desses rendimentos, inclusive os honorários advocatícios, desde que tenham sido suportadas pelo reclamante e estejam devidamente comprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reduzindo-se a omissão de rendimentos apurada pela fiscalização de R$ 18.930,13 para R$ 4.813,36, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 09-35.252 da 4ª Turma da DRJ/JFA (fl. 26) que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nos termos do relatório da decisão recorrida, tem-se que: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 2. 00 14 43 /2 00 8- 51 Fl. 58DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-007.722 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13652.001443/2008-51 A DRJ, por meio do susodito Acórdão º 09-35.252 (fl. 26), julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, nos termos da ementa abaixo reproduzida: Cientificado, com vistas a afastar os fundamentos da decisão da DRJ, o Contribuinte apresentou o recurso voluntário de fl. 33, reiterando os argumentos e esclarecimentos da impugnação outrora apresentada, bem como juntando aos autos os documentos de fls. 37 e seguintes. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-007.722 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13652.001443/2008-51 Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme exposto no relatório supra, a lide em questão se restringe à apuração de omissão de rendimentos no valor de R$ 18.930,13, conforme descrição dos fatos à fl. 13. O contribuinte alega que não se trata de omissão de rendimentos, mas sim de despesa com advogado, dedutível da base de cálculo do imposto. De fato, de acordo com a fiscalização, da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou-se omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 18.930,13, recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF)sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. O Contribuinte, na impugnação apresentada (fl. 2), destacou que o valor informado como omissão de rendimentos trata-se de honorários advocatícios pagos a Dr. José Geraldo Vieira (CPF 950.462.918-00) e Dr. Mauro Ferrim Filho (CPF 919.910.648-53), conforme contrato de honorários advocatícios de 01 de setembro de 1998 e processo 713/1999, conforme demonstração abaixo: Valor líquido: R$ 69.938,25 (recebido na ação judicial) Honorários (25%): R$ 17.484,56. Informou o Contribuinte, ainda, que, como o valor recebido na ação judicial era composto por rendimentos tributáveis e não tributáveis, partindo do montante de R$ 78.426,51 (que corresponde à base de cálculo do IR, no valor de R$ 83.239,37, deduzida da contribuição previdenciária, na ordem de R$ 4.813,36), deduziu deste o valor dos honorários advocatícios proporcional aos rendimentos tributáveis. Com vistas a comprovar o quanto alegado, o Contribuinte trouxe aos autos, naquela oportunidade (i) contrato do honorários advocatícios (fls. 4 a 6), (ii) cópia da petiação referente ao acordo celebrado na justiça do trabalho (fls. 7 a 9), (iii) cópia do extrato seu bancário referente ao mês de novembro/2006, o qual evidencia um depósito no montante de R$ 52.254,37. A DRJ, por seu turno, em face dos esclarecimentos e documentos apresentados pelo sujeito passivo, concluiu que: Os documentos apresentados, efetivamente, constituem-se em indício de que pode ter havido pagamento de honorários advocatícios; todavia, por si sós, não são capazes de comprovar cabalmente o fato alegado; Deveria o Impugnante ter apresentado um recibo ou similar, no qual ficassem evidenciados: o valor despendido por ele a título de honorários advocatícios, o(s) beneficiário(s), a data do pagamento e a relação com o processo nº 713/1999; Fl. 60DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-007.722 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13652.001443/2008-51 Quanto à alegação de que o rendimento bruto tributável seria de R$ 78.426,51 (e não de R$ 83.239,87, conforme tabela da notificação), cumpre esclarecer que o único documento acostado pelo defendente aos autos, com informação a respeito de tal valor, é a petição de fls. 07 a 09, que, sem a devida prova de homologação judicial, em nada socorre ao impugnante. Com vistas a afastar os fundamentos adotados pelo órgão julgador de primeira instância, o Contribuinte, em seu recurso voluntário, reiterou os argumentos apresentados na impugnação e apresentou os seguintes documentos: Cópia da homologação judicial do acordo celebrado entre as partes naquela demanda trabalhista (fl .45); Memória de Cálculo do valor acordado (fls. 46 e 47); Comprovante de Depósito do valor líquido acordado na conta do advogado José Geraldo Vieira (fl. 48); Recibo assinado pelos advogados José Geraldo Vieira e Mauro Ferrim Filho, informando que receberam, cada um, do Sr. Geraldo dos Santos, a quantia de R$ 8.742,28, pelos serviços prestados nos autos do Processo nº 713/1999. Neste contexto, considerando a motivação da Notificação de Lançamento e, por conseguinte, da DRJ, no sentido de que não foi possível acatar a dedução dos honorários advocatícios em razão de os documentos então apresentados, por si sós, não serem capazes de comprovar cabalmente o fato alegado, em face dos esclarecimentos e dos documentos apresentados pelo Recorrente junto com a sua peça recursal, impõe-se a reforma da r. decisão. De fato, dos documentos apresentados pelo sujeito passivo, resta claro e evidente que: * o Contribuinte, firmou com a Telecomunicações de São Paulo S/A – TELESP, acordo nos autos da Reclamação Trabalhista nº 713/1999 (fl. 53), por meio qual lhe restou devida a importância líquida de R$ 69.938,25, conforme abaixo demonstrado: Registre-se, pela sua importância que, de acordo com o parágrafo 06 da petição que requereu a homologação do acordo, ficou ajustado que o então Reclamante receberia o valor líquido de R$ 69.938,25, através de depósito na conta corrente do patrono, Dr. José Geraldo Vieira. * referido acordo restou devidamente homologado MM Juízo do feito, conforme atesta o documento de fl. 45; * o comprovante de depósito em conta corrente de fl. 48 atesta, por sua vez, que o montante de R$ 69.938,25 foi depositado, no dia 13/11/2006, na conta corrente do advogado José Geraldo Vieira, conforme estabelecido no acordo homologado; Fl. 61DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-007.722 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13652.001443/2008-51 * o contrato de honorários advocatícios de fls. 51 e 52 estabelece que “fica estipulado como honorário profissional o percentual de 25% sobre o total geral e final recebido pelo contratante (...)”. Aplicando-se o susodito percentual de 25% sobre o valor total de R$ 69.938,25 recebido pelo sujeito passivo, apura-se um montante de R$ 17.484,56 de honorários advocatícios. * ato contínuo, o extrato bancário de fl. 56 evidencia o depósito de R$ 52.254,37, o qual corresponde ao montante depositado na conta corrente do patrono, deduzido do valor dos honorários e da CPMF incidente sobre a operação à alíquota de 0,38% (R$ 69.938,25 – R$ 17484,56 – R$ 199,32 = R$ 52.254,37); * o recibo de fl. 50, assinado pelos advogados José Geraldo Vieira e Mauro Ferrim Filho, atesta que os referidos patronos receberam, cada um, do Sr. Geraldo dos Santos, a quantia de R$ 8.742,28, totalizando R$ 17.484,56, pelos serviços prestados nos autos do Processo nº 713/1999; * considerando que o valor recebido na ação judicial era composto por rendimentos tributáveis e não tributáveis, o Contribuinte verificou que o montante de R$ 78.426,51 (que corresponde à base de cálculo do IR, no valor de R$ 83.239,37, deduzida da contribuição previdenciária, na ordem de R$ 4.813,36), equivale a 81,85% do total bruto recebido na reclamatória trabalhista, no valor de R$ 95.816,32; * aplicou o referido percentual de 81,85% (que corresponde à parte tributável dos rendimentos recebidos na ação judicial) sobre o valor total dos honorários advocatícios – R$ 17.484,56, apurando, assim, um montante, de acordo com os cálculos do contribuinte, na ordem de R$ 14.116,77 (o correto seria R$ 14.311,27), de honorários advocatícios correspondente à parte tributável dos rendimentos recebidos em decorrência do acordo judicial; * abateu o referido valor – de R$ 14.116,77 – da base de cálculo do IR, no montante de R$ 78.426,51, apurando, assim, um total de rendimentos tributáveis no valor de R$ 64.309,74, informado na sua DAA: Pois bem!! Analisando-se o caminho percorrido pelo Contribuinte, verifica-se que o seu racional está em conformidade com a legislação de regência da matéria. Entretanto, apesar do racional está correto, há um erro no cálculo realizado pelo Contribuinte. Fl. 62DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-007.722 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13652.001443/2008-51 Isto porque, tendo optado pelo modelo simplificado ao apresentar a sua Declaração de Ajuste Anual 2007, Ano-Calendário 2006, o Contribuinte não poderia ter deduzido, da base tributável, no valor de R$ 83.239,87, o montante referente à contribuição previdenciária, na ordem de R$ 4.813,36, apurando, assim, um total de rendimentos no valor de R$ 78.426,51, ponto de partida utilizado pelo sujeito passivo para deduzir a parcela tributável dos honorários advocatícios, conforme exposto linhas acima. Ora, nos termos do § 1º do art. 2º da IN 716/2007, diploma legal então vigente que tratava, justamente, sobre a apresentação da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda referente ao exercício de 2007, ano-calendário de 2006, pela pessoa física residente no Brasil, a opção pela apresentação da Declaração de Ajuste Anual Simplificada implica a substituição das deduções previstas (dependentes, contribuição previdenciária, educação, saúde) pelo desconto simplificado de 20% do valor dos rendimentos tributáveis na declaração, limitado a R$ 11.167,20. Dessa forma, o Contribuinte deveria ter deduzido o montante de R$ 14.116,77, referente aos honorários advocatícios proporcional aos rendimentos tributáveis, da base de R$ 83.239,87 e não da base de R$ 78.426,51, a qual, como já visto, corresponde à base tributável de R$ 83.239,87, deduzida a contribuição previdenciária, na ordem de R$ 4.813,36. Neste contexto, a omissão de rendimentos apurada pela fiscalização passa de R$ 18.930,13 para R$ 4.813,36, conforme abaixo demonstrado: Conforme Lançamento Fiscal Declarado Omissão Apurada Acórdão CARF¹ Declarado Omissão Apurada Rendimento 83.239,87 64.309,74 18.930,13 69.123,10 64.309,74 4.813,36 ¹ Valor apurado deduzindo-se o montante de R$ 14.116,77, referente aos honorários advocatícios proporcional aos rendimentos tributáveis, da base de R$ 83.239,87 Fiscalização CARF Conclusão Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, alterando a omissão de rendimentos apurada pela fiscalização de R$ 18.930,13 para R$ 4.813,36, conforme acima demonstrado. (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.908045/2009-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIMENTO.
Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente, o que deverá ser feito analiticamente, com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido (art. 67, caput, e §§ 1º e 8º, do RICARF).
Numero da decisão: 9303-009.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIMENTO. Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente, o que deverá ser feito analiticamente, com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido (art. 67, caput, e §§ 1º e 8º, do RICARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas –Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Trata-se de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 066 a 078), contra o Acórdão 3302-002.205, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 059 a 064), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2004 ERRO FORMAL – PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL - PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 45 /2 00 9- 31 Fl. 90DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.300 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10166.908045/2009-31 afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. (*) (*) Foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, pois se diz ao final do Voto “para reconhecer o direito ao procedimento de compensação, ficando ressalvado à fiscalização a apuração do crédito tributário pleiteado”. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 080 a 082), a PGFN apresenta dois paradigmas, quais sejam (transcrevo somente a parte da Ementa que interessa à discussão): Acórdão nº 1401-000.396 DCOMP. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO À COMPENSAÇÃO – DESCABIMENTO. É inadmissível a retificação de DCOMP para alterar o exercício de apuração do saldo negativo de IRPJ informado, quando a declaração retificadora é apresentada posteriormente à ciência da decisão administrativa que negou homologação à compensação originalmente declarada. Acórdão nº 1202-000.526 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU O PEDIDO. DESCABIMENTO. É inadmissível a retificação de PER/DCOMP para alterar o exercício de apuração do saldo negativo do IRPJ, quando solicitada pela interessada posteriormente à ciência da decisão administrativa que não reconheceu o crédito pleiteado e não homologou as compensações originalmente declaradas. Com base neles, defende – sempre lastreada na retificação da Declaração de Compensação – que “Não se pode admitir que um suposto crédito, não informado à Administração tributária no momento oportuno, ou seja, até a ciência do despacho decisório que negou a homologação das compensações, sob a pecha de tratar-se de erro material, seja admitido em momento tão tardio do processo, sem que tal tema tenha sido objeto de análise pela DRF responsável pela análise do pleito”. Em caráter subsidiário, ao final, requer que “seja determinado o retorno dos autos à instância de origem para apreciação da certeza e liquidez do crédito pleiteado”, alternativa esta justificada com a apresentação das Ementas de 03 (três) Acórdãos do CARF, admitindo a retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório. O contribuinte não apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. Fl. 91DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.300 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10166.908045/2009-31 O Exame de Admissibilidade do Recurso Especial foi por mim subscrito (fls. 082), mas há que se reconhecer o equívoco, pois ambos os paradigmas falam em retificação da DCOMP, quando a discussão aqui é em relação à possibilidade de retificação da DCTF depois da ciência do Despacho Decisório. E isto não se mostra como um lapso da PGFN, pois a fundamentação da sua peça recursal efetivamente é na necessidade de retificação da Declaração de Compensação. Na ausência de similitude fática, inviável se faz demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária, pelo que não conheço do Recurso Especial, com base no art. 67, caput, e §§ 1º e 8º, do RICARF. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.723778/2013-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ARTIGO 33 DO DECRETO N. 70.235/72. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO.
O recurso voluntário deve ser apresentado no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão. Eventual recurso formalizado em inobservância ao prazo estabelecido na legislação tributária de regência deve ser tido por intempestivo, do que resulta o seu não conhecimento e o caráter de definitividade da decisão proferida pelo Julgador de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2201-005.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão de sua intempestividade.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sávio Salomão de Almeida Nóbrega - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: SAVIO SALOMAO DE ALMEIDA NOBREGA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ARTIGO 33 DO DECRETO N. 70.235/72. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. O recurso voluntário deve ser apresentado no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão. Eventual recurso formalizado em inobservância ao prazo estabelecido na legislação tributária de regência deve ser tido por intempestivo, do que resulta o seu não conhecimento e o caráter de definitividade da decisão proferida pelo Julgador de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão de sua intempestividade. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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ARTIGO 33 DO DECRETO N. 70.235/72. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. O recurso voluntário deve ser apresentado no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão. Eventual recurso formalizado em inobservância ao prazo estabelecido na legislação tributária de regência deve ser tido por intempestivo, do que resulta o seu não conhecimento e o caráter de definitividade da decisão proferida pelo Julgador de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão de sua intempestividade. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de Auto de Infração que tem por objeto crédito tributário de IRPF constituído em virtude da apuração de omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídica, correspondentes a comissões de intermediação imobiliária percebidas no ano-calendário de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 37 78 /2 01 3- 84 Fl. 630DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.475 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.723778/2013-84 Verifica-se do Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 10/28) que durante procedimento fiscal realizado na empresa LPS – Brasília Consultoria de Imóveis (nome comercial LOPES ROYAL, CNPJ n. 09.264.879/0001-53) foi apurado que a contribuinte DANIELA DE PAULA prestava-lhe serviços remunerados de intermediação imobiliária, sendo que os valores pagos em contraprestação pelos serviços encontram-se evidenciados nas DIMOB transmitidas pela empresa à Receita Federal do Brasil. A propósito, referido Relatório apresenta as seguintes informações acerca do procedimento que culminou na lavratura da presente autuação: Que na operação fiscal realizada na LPS foi constatado que a empresa adotou rotinas de vendas e papéis de trabalhos para simular e não reconhecer a relação com os corretores que prestam serviços de intermediação imobiliária, bem assim utilizou-se do artifício de remunerar seus corretores de imóveis por meio dos adquirentes, ou seja, utilizava os cheques emitidos pelos adquirentes para remunerá-los sem que os referidos valores fossem apropriados à sua contabilidade. Tal procedimento resultou no descumprimento das obrigações tributárias e previdenciárias decorrentes do pagamento das comissões imobiliárias ao corretor de imóvel; Que apesar da LPS ter informado que os corretores de imóveis eram contratados pelos adquirentes, tratando-se, pois, de parceria nos moldes previstos no artigo 728 do Código Civil Brasileiro, restou apurado através dos questionários e formulários respondidos durante as 51 diligências realizadas junto aos adquirentes dos imóveis comercializados que tal informação era inverídica, tendo sido constatado que tais profissionais eram efetivamente prestadores de serviços da empresa, conforme exaustivamente demonstrado nos documentos de fls. 11/12 (modelo de questionário respondido) e fls. 12/17 (consolidação de informações respondidas pelos corretores); Que, além disso, os anúncios, notícias corporativas e publicidades coletadas na mídia digital também compuseram as provas do presente lançamento fiscal, demonstrando-se que os corretores prestavam serviços à empresa LPS (amostras de anúncios juntada às fls. 18/19); Que nas DIMOB de n 24.95.66.59.86, 39.67.33.32.42 e 03.05.66.79.66 transmitidas pela LPS constavam informações acerca dos imóveis vendidos, tais como endereços, nomes e CPFs dos adquirentes, nome dos corretores imobiliários e respectivos valores relativos às transações imobiliárias, os quais eram deduzidos dos valores das comissões sem que os corretores de imóveis fossem discriminados; Que tais informações foram confirmadas nas 51 diligências efetuadas, todavia por razões de sigilo fiscal dos adquirentes e demais corretores apenas um adquirente relacionado à corretora Daniela de Paula prestou esclarecimentos sobre o valor da respectiva comissão imobiliária, valor esse que foi apurado no montante de R$ 43.571,50, sendo que a empresa havia emitido a respectiva nota fiscal de n. 011627 no importe de R$ 26.083,92, pelo que caberia à corretora emitir o recebimento do valor da comissão de R$ 17.677,58 (fls. 21/22); Fl. 631DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.475 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.723778/2013-84 Que, em resumo, foi constatado que a corretora de imóveis representa a empresa Lopes Royal; Que a corretora de imóveis participa da simulação que tem por objetivo o não reconhecimento dos atos e fatos contábeis e a redução dos encargos tributários e previdenciários, sendo que o pagamento é organizado, administrado e patrocinado pela empresa LPS, de modo que parte da comissão imobiliária constante do recibo emitido pelo corretor de imóveis é cobrado do próprio corretor a título de taxa de contrato; Que segundo as alegações da contribuinte em sua resposta à intimação fiscal (consolidadas às fls. 23/24) os valores por ela recebidos a título de comissões imobiliárias são bastante diversos daqueles apurados pela autoridade fiscal (planilhas de fls. 24 e 25), bem assim que com relação às deduções requeridas pela contribuinte, o auditor autuante ressaltou que as comissões auferidas foram fracionadas com outros profissionais também relacionados com a empresa LPS, tais como o coordenador de equipe, o coordenador de produto e os diretores comerciais, tendo sido consideradas para fins de redução da base de cálculo, ainda, as vendas efetuadas em parceria como os corretores de imóveis Danilo Cardoso de Souza, Manoel Parente Lustosa Neto e Cinira Galvão Novaes Santana, todos relacionados à Lopes Royal; Que quanto à alegada parceria com o Sr. Romeu Eduardo Kreutz trata-se de despesa que a corretora assumiu para a realização da operação imobiliária – o Sr. Romeu não é corretor imobiliário e não trabalha em conjunto com a Lopes Royal. Esclarece-se que caso as despesas estejam relacionadas com a composição das receitas auferidas pelo corretor e regularmente documentada (através de contratos e/ou recibos e/ou notas fiscais, e/ou comprovantes de transferências) podem ser objeto de dedução da base de cálculo através das deduções de “Livro Caixa” na DIRPF no “modelo completo”, porém a contribuinte optou pelas deduções do “modelo simplificado” em sua Declaração do exercício de 2010; Que quanto à alegação de que não incidiram comissões sobre as vendas de imóveis efetuadas para seus parentes, é relevante destacar que era a empresa Lopes Royal a responsável pelo pagamento dos referidos valores. O aceite da “Proposta de Compra com Recibo do Sinal” requer a apresentação, para a empresa, de todos os cheques estabelecidos para a transação imobiliária, inclusive as parcelas do corretor e dos coordenadores. Portanto, o AFRFB informa que, mesmo que o corretor devolva ou não saque os cheques transferidos pela Lopes Royal após a efetivação do aceite da proposta de compra do imóvel, tal conduta não caracteriza a ausência do pagamento da remuneração, tratando-se de uma doação particular, como é o caso, ou custo/despesa de operação imobiliária (quando relacionado a marketing para ganhos em outras vendas – que pode ser demonstrado para fins das deduções de Livro Caixa); Que com relação ao imposto declarado em DIRPF como “divisão de lucros da empresa Geométrica” informa que, tendo em vista que a fonte pagadora Geométrica declarou o pagamento de rendimentos e o IRRF correspondente, a descaracterização da natureza dos rendimentos requerida pela interessada Fl. 632DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.475 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.723778/2013-84 estaria relacionada à comprovação da falsidade da informação prestada à RFB pela empresa. Considerando que a contribuinte não apresentou as provas necessárias à caracterização do suposto crime, os rendimentos pagos pela empresa em questão, objeto da DIRPF/2010, não foram considerados como sendo da mesma natureza dos rendimentos apurados no presente lançamento fiscal; e Que a base de cálculo do IRPF apurada, após as retificações efetuadas de acordo com os argumentos e provas apresentadas, é o total da remuneração recebida pela notificada da empresa LPS correspondentes à prestação dos serviços de intermediação imobiliária (valor total de R$ 296.510,66 a título de “comissão efetiva”, calculado na planilha de fls. 26/27). Devidamente intimada da autuação fiscal a ora recorrente apresentou impugnação de fls. 394/400 sustentando, pois, as seguintes alegações: (i) Preliminarmente: Das comissões em parceria – divididas (fls.394/395): Que os valores identificados a maior como dívidas suas, correspondentes às comissões lhe foram atribuídos equivocadamente, pelo que, a partir da documentação juntada, estava por apresentar os verdadeiros responsáveis e beneficiários; Que a integralidade dos valores indicados não são de única e exclusiva competência e benefício seu; Que as exposições dos auditores bem demonstram a clara e evidente armadilha estrategicamente elaborada para que os corretores e coordenadores de vendas incorressem em erro e desvantagem quanto às declarações de seus rendimentos; e Que as comissões de vendas indicadas em parceria com o Sr. Romeu Eduardo Kreutz foram com ele divididas em 50% do valor recebido. (ii) Da exclusão das comissões – familiares (fls. 395/396): Que torna-se inconcebível e incontestável sofrer cobranças relativas à tributação das comissões de parentes, familiares e afins, uma vez que em relação às respectivas vendas não há que se falar em comissão, devolução e muito menos doação; (iii) Boa fé x prazo x documentos complementares (fls. 396/397): Que não laborava de forma autônoma, pois sempre esteve ao crivo dos horários, escalas, de modo que a LPS é que é obrigada por informar e efetuar a retenção do IRRF, conforme se atesta das provas juntadas, as quais não foram reunidas integralmente; Que pela dificuldade em se reunir os documentos em sua integralidade, coloca-se à disposição da autoridade fiscal, de boa-fé, para prestar todos e quaisquer esclarecimentos; (iv) Das comissões (fls. 397/398): Que tanto as comissões quanto os prêmios praticadas pela LPS são de praxe rateadas de forma pré-estabelecida, bem assim que as premiações Fl. 633DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.475 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.723778/2013-84 nunca foram fixas, sendo rateadas entre toda a equipe envolvida nos processos de venda, fato que muitas vezes não se concretiza. Com base em tais alegações DANIELA DE PAULA pleiteou a revisão e respectiva redução dos valores exigidos, incluindo-se, aí, os juros e multa, já que no seu entendimento tais valores deveriam ter sido calculados a partir do momento em que se identifica o verdadeiro valor recebido, bem assim que fossem acatadas as informações apresentadas e planilhas juntadas, as quais auxiliaram a Receita Federal a identificar a realidade dos fatos. Em acórdão de fls. 560/570 a 1ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro entendeu por julgar a impugnação improcedente, mantendo-se o crédito tributário, conforme se pode constatar da ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RELATIVOS A COMISSÕES DE CORRETAGEM DE IMÓVEIS. NATUREZA JURÍDICA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DE IRPF. Sujeitam-se à incidência do IRPF os rendimentos efetivamente recebidos pelo contribuinte a título de comissões de corretagens sobre as vendas de bens imóveis. A incidência do imposto independe da denominação do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Inteligência do art. 43 do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Devidamente intimada da decisão de 1ª instância em 24.10.2013 (fls. 574) a recorrente apresentou Recurso Voluntário de fls. 575/579 em 27.11.2013, sustentando, pois, as razões do seu descontentamento. É o relatório. Voto Conselheiro Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Relator. Examinando os pressupostos de admissibilidade do presente Recurso Voluntário, verifico que sua apresentação se deu intempestivamente, razão pela qual não devo conhecê-lo. De acordo com o artigo 33 do Decreto n. 70.235/72, do julgamento em primeira instância caberá recurso voluntário dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Confira- se: “SEÇÃO VI – Do Julgamento em Primeira Instância Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” A propósito, o prazo de trinta dias a que alude o artigo 33 é contado à luz do que que estabelece o artigo 5º do mesmo Decreto n. 70.235/72, cuja redação é idêntica à do artigo 210 do CTN: “Decreto n. 70.235/72 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia de início e incluindo-se o dia do vencimento. Fl. 634DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.475 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.723778/2013-84 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Na hipótese dos autos, verifique-se que a recorrente foi devidamente notificada da decisão de 1ª instância em 24.10.2013 (quinta-feira), sendo que o prazo para interposição do recurso começou a fluir no dia 25.10.2013 (sexta-feira) e findar-se-ia em 23.11.2013 (sábado), tendo sido prorrogado para o primeiro dia útil subsequente, qual seja, 25.11.2013 (segunda- feira). Considerando que o presente Recurso Voluntário foi protocolado apenas em 27.11.2013 (quarta-feira), é de se concluir pela sua intempestividade. Conclusão Por todo o exposto e por tudo mais que consta dos autos, voto por não conhecer do presente Recurso Voluntário em razão de sua intempestividade, atribuindo-se, portanto, caráter de definitividade no âmbito administrativo às conclusões do julgador de 1ª Instância. (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega Fl. 635DF CARF MF
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Numero do processo: 10630.720187/2006-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PROVA DOCUMENTAL.
A prova documental deve ser apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão.
CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA.
As alíquotas aplicáveis ao estoque de abertura das cooperativas agropecuárias são, 0,65% para o crédito de PIS/Pasep e 3% para o da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3102-001.086
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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A prova documental deve ser apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão. CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA. As alíquotas aplicáveis ao estoque de abertura das cooperativas agropecuárias são, 0,65% para o crédito de PIS/Pasep e 3% para o da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Celani, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Lopes de Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 01 87 /2 00 6- 01 Fl. 596DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.1019.16270.4598. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10630.720187/200601 Acórdão n.º 3102001.086 S3C1T2 Fl. 442 2 Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte epigrafado contra o Acórdão n.º 09 23.682, da 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora/MG, que entendeu pela manutenção das glosas dos créditos da contribuição ao PIS não cumulativo proposta pelo despacho decisório. Antes que nos debrucemos sobre as razões recursais, é conveniente que previamente revisitemos os atos e fases processuais já vencidas, pelo que passamos a reproduzir o relato empreendido pela DRJ por este assim retratálas com fidelidade: O interessado transmitiu, em 27/01/2006, Pedido de Ressarcimento de crédito do PIS/Pasep não cumulativo — mercado interno, relativo ao 4° trimestre de 2005, no montante de R$ 302.845,27 (fls. 09/11). Posteriormente transmitiu as DCOMP relacionadas às fls. 323/324, visando compensar os débitos nelas declarados, com crédito acima citado. Essas declarações foram selecionadas para tratamento manual por meio do presente processo. A DRFGovernador Valadares/MG emitiu Despacho Decisório, no qual reconheceu em parte o direito creditório no valor de R$ 263.077,05 e homologou a compensação pleiteada até o limite do crédito reconhecido (fls. 304/326). A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls. 369/397), na qual, inicialmente apresenta a si própria, fala do cooperativismo, dos créditos e da nãocumulatividade da contribuição, para depois alegar que: a) não há que se falar em não _homologação das compensações que utilizam créditos apurados no período anterior a 31/07/2004; b) as leis que instituíram a nãocumulatividade das contribuições, não definiram o que são insumos, todavia a RFB disciplinou ilegalmente sobre eles, ao fixar uma interpretação restritiva ao termo; c) o crédito presumido sabre estoque de abertura calculado com base em uma alíquota menor que a prevista na saída, contraria as normas legais, a jurisprudência do Poder Judiciário e provoca enriquecimento sem causa da União; d) nem todas as notas fiscais requisitadas foram apresentadas, pois precisam ser reordenadas e o tempo deferido não foi suficiente para tanto. Por isso solicita prazo de 90 dias para apresentar tais documentos. É o breve relatório. Ao apreciar o feito, a DRJ de Juiz de Fora (MG), como já enunciamos outrora, entendeu pela manutenção das glosas iniciais, assim se posicionando em relação aos argumentos do contribuinte: Fl. 597DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.1019.16270.4598. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10630.720187/200601 Acórdão n.º 3102001.086 S3C1T2 Fl. 443 3 no que tange aos suscitados preceitos constitucionais, que não estaria entre as competências do julgador administrativo empreender a análise quanto à constitucionalidade das normas infraconstitucionais por questões regimentais; que não integra a lide administrativa qualquer discussão quanto a não homologação das compensações com base em créditos apurados em períodos anteriores a 31/07/2004; quanto à solicitação de concessão de prazo para a apresentação de documentos, nega tal pleito sob o justificativa de que o art. 16, §4o, do PAF (Decreto n º 70.235/72) traz regra no sentido de que seria por ocasião da manifestação de inconformidade o momento hábil a produção de provas; no que toca ao conceito de insumos, defende aquele registrado nos normativos da RFB (IN SRF n º 247/2002), que remete à legislação do IPI; em referência ao crédito presumido sobre o estoque de abertura, mantém o entendimento no sentido de que o mesmo haveria de ser apurado pela aplicação das alíquotas de 0,65 e 3%, para o PIS e Cofins, respectivamente, ex vi do art. 11, §1o, da Lei n º 10.637/2002. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou oportuno recurso voluntário, pelo qual nada inova além dos argumentos já trazidos perante a instância a quo. Em face do encerramento do mandato do conselheiro relator e de que, até a presente data, não foi formalizado o acórdão, me autodesignei para tal tarefa. É o que interessa ao julgamento. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Designado Transcrevo o voto lido em sessão, que foi referendado pela unanimidade dos presentes: Presentes os requisitos formais de admissibilidade recursal, e sendo a matéria afeta à competência desta 3a. Seção do CARF, passo ao respectivo exame. Primeiramente, convém esclarecer que, embora tenha a Recorrente em diversas passagens mencionado preceitos constitucionais, em momento algum imputa qualquer inconstitucionalidade à normas de hierarquia inferior, de modo a que não vejo motivos a empreender qualquer análise ou cotejo deste jaez. Também não entendemos empreender qualquer análise quanto às eventuais glosas relativas à créditos de períodos anteriores a 31/07/2004, vez que se observa efetivamente não ter sido objeto de questionamento nos autos. Fl. 598DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.1019.16270.4598. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10630.720187/200601 Acórdão n.º 3102001.086 S3C1T2 Fl. 444 4 Diante deste contexto, a lide fica circunscrita a três pontos específicos: (i) ao pleito de juntada de documentos novos; (ii) a amplitude do conceito de insumos; e, (iii) ao percentual do crédito presumido a ser aplicado sobre o valor do estoque do contribuinte por ocasião do seu ingresso na sistemática não cumulativa. Pois bem. No que se remete ao primeiro ponto, nos alinhamos a posição do acórdão recorrido no sentido de que o §4o, do art. 16, do Decreto n º 70.235/72, elege como momento hábil a produção de provas o da apresentação da manifestação de inconformidade, não tendo o contribuinte comprovado qualquer fato impeditivo à produção de provas em dada ocasião. Por esta razão, rejeito o pleito em questão. O segundo ponto a ser apreciado reportase ao alcance do vocábulo insumos constante do inciso II, do art. 3o, da Lei n º 10.637, de 2002, in verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I – omissis; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Sobre a matéria, reconhecemos a larga discussão existente na doutrina e na jurisprudência administrativa e judicial acerca a aproximação ao conceito de insumo previsto na legislação do IPI proposta pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em sua IN n º 247, de 2002, que se propôs a regulamentar as Leis n ºs. 10.637/02 e 10.833/03. No caso, no sentido de apenas admitir o crédito sobre os insumos diretamente utilizados no processo produtivo, que fossem incorporados ao produtos final ou desgastados com contato físico com o mesmo. Exatamente na linha de rechaçar a proposta da regulamentação está o recurso em exame, pelo qual defende a Recorrente fazer jus ao crédito sobre todos os gastos e investimentos que concorressem para um resultado, numa clara aproximação ao conceito de custo eleito pela legislação do imposto de renda. A norma veiculada no art. 3o e seu inciso II, aos nossos olhos, não corresponde a interpretação eleita seja pelo acórdão recorrido, seja pela contribuinte. Embora não entendamos haver elementos em lei (em sentido estrito) hábil a uma interpretação Fl. 599DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.1019.16270.4598. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10630.720187/200601 Acórdão n.º 3102001.086 S3C1T2 Fl. 445 5 restritiva sobre o conceito de insumo tal qual a proposta pela IN SRF n º 247/2002, aproximandoo da legislação do IPI, também não vemos no referido dispositivo da Lei n º 10.637/2002 a amplitude pretendida pela contribuinte. E isto na medida em que os “insumos”, de que cuidaram os incisos II’s das Leis nºs 10.637 e 10.833, estão relacionados à produção. Enfim, sem a restrição de que sejam consumidos ou integrados, respectivamente, no processo fabril ou no produto final; mas, também, sem a abertura proposta pela contribuinte de que alcançariam, inclusive, todas as despesas operacionais da pessoa jurídica. A melhor exegese do dispositivo comentado, ao nosso sentir, é representada pela admissão de todos os créditos, salvo os legalmente proibidos (como fardamento, por exemplo), desde que representem custos do processo produtivo, sem a restrição imposta pela IN SRF n º 247/2002, de que o insumo necessite do desgaste físico mediante o contato direto com o produto. A despeito do acatamento parcial da tese do contribuinte quanto a amplitude do conceito de insumos, verificamos que, em diversas ocasiões, a autoridade encarregada das fiscalizações de praxe em momento preliminar a apreciação do pedido creditório solicitou cópia das notas fiscais dos insumos, por amostragem, como forma de avaliar o pedido creditório, sem, entretanto, ter o contribuinte contribuído aos esclarecimentos respectivos. Assim, resta esta instância de julgamento prejudicada de promover qualquer avaliação. Por fim, no que se refere ao crédito presumido de que trata o §1o do art. 11 da Lei n º 10.637/2002, a ser apurado sobre o estoque em 1o de dezembro de 2002 (data do início da vigência do regime não cumulativo para o PIS), ou por ocasião da migração da sistemática de apuração do IRPJ para o lucro real (art. 11, §3o.), o valor respectivo deverá ser fruto da aplicação dos percentual de 0,65% sobre o valor do estoque, inexistindo na legislação de regência norma que autorize a aplicação de outro percentual. A apuração de créditos tomando por referência a alíquota de 1,65% aplicase, exclusivamente, aos fabricantes de produtos especificados no §5o do citado art. 11, sendo, portanto, exceção à regra geral versada no §1o. Ante ao exposto, na mesma linha empreendida pelo Relator, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento. Sala das Sessões, em 07 de julho de 2011 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 600DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.1019.16270.4598. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10630.720187/200601 Acórdão n.º 3102001.086 S3C1T2 Fl. 446 6 Fl. 601DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.1019.16270.4598. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO em 20/12/2013 13:23:00. Documento autenticado digitalmente por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO em 20/12/2013. Documento assinado digitalmente por: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO em 20/12/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por HIULY RIBEIRO TIMBO em 29/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP29.1019.16270.4598 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 17CABD2929F26F119B80C49A0264C6D91B288763 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10630.720187/2006-01. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10983.721351/2011-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2401-000.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Raimundo Cassio Goncalves Lima, (Suplente Convocado), Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentes as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Raimundo Cassio Goncalves Lima, (Suplente Convocado), Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentes as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Raimundo Cassio Goncalves Lima, (Suplente Convocado), Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentes as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 66/71) interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (e-fls. 55/59) que, por unanimidade de votos, rejeitando a matéria preliminar, julgou improcedente impugnação contra Notificação de Lançamento (e-fls. 03/07), referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício 2006, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda Patural”, cadastrado na RFB sob o NIRF nº 2.628.996-2. Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento (e-fls. 03/07), após regularmente intimado por edital, o contribuinte não comprovou o Valor da Terra Nua – VTN, adotando-se o VTN de R$ 4.000/ha (terras de campo ou reflorestamento). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .7 21 35 1/ 20 11 -5 6 Fl. 80DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 2401-000.749 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10983.721351/2011-56 Na impugnação (e-fls. 35/39), o contribuinte requer a nulidade da Notificação de Lançamento ou abertura de prazo para apresentação dos documentos solicitados pela fiscalização, em síntese, alegando: (a) Nulidade. Na DITR, o campo “Dados de Identificação do Contribuinte” foi preenchido com o endereço de seu escritório (Rua Arthur Rocha, 23, Porto Alegre/RS), sendo que nesse local nunca recebeu qualquer notificação. A notificação deve ocorrer na pessoa do representante legal (no caso, Sr. Leo Fredi Riffel) ou por carta registrada com aviso de recebimento ou outro meio que assegure a certeza de ciência do interessado (Regulamento das Normas Gerais de Direito Tributário de Santa Catarina, art. 213; jurisprudência; CTN, art. 142; Constituição Federal, art. 5°, LV; princípios do contraditório, ampla defesa, igualdade, isonomia e razoabilidade; e Constituição do Estado de Santa Catarina, art. 15, §5°). Logo, os fatos e enquadramentos legais não persistem, devendo ser reconhecida a total nulidade do lançamento ou a abertura de prazo para a apresentação dos documentos solicitados quando da intimação fiscal. (b) Multa e juros. Sem principal (imposição tributária), não subsistem os acessórios (juros e multa de mora). Do voto do Relator do Acórdão proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (e-fls. 55/59), extrai-se: (a) Nulidade. Foi enviada intimação (f. 11) para endereço informado pela contribuinte à SRF (o mesmo endereço, inclusive, informado na DITR). Ademais, não há a necessidade de haver intimação pessoal, conforme § 3º, do art. 23, acima citado. Resultando improfícua a tentativa de intimação por via postal, a intimação deve ser feita por edital, conforme inciso III, do mesmo artigo. Portanto, não se verifica nenhum vício na intimação. (b) Provas. A apresentação de provas pelo impugnante deve ser feita no momento da impugnação, conforme disposto no parágrafo 4º do art. 16 do citado Decreto, acrescido pelo art. 67 da Lei nº 9.532/199. (c) Valor da Terra Nua. Juros e Multa. Nestes Autos, não foi apresentado Laudo Técnico de Avaliação que atendesse as condições elencadas pela norma da ABNT, acima destacadas. Não há, portanto, como alterar o valor da terra nua apurado no lançamento. Assim, conclui-se que o lançamento, com os devidos acréscimos, está correto e encontra-se de acordo com a legislação que rege a matéria. Intimado do Acórdão de Impugnação em 31/10/2012 (e-fls. 62/64), o contribuinte interpôs em 23/11/2012 (e-fls. 66) recurso voluntário (e-fls. 66/71) requerendo a declaração da decadência e, no mérito, o provimento ao recurso para se anular o processo desde a citação por edital, em síntese, alegando: (a) Decadência. Sendo o ITR referente ao exercício de 2006, não se observou o prazo do art. 173, I, do CTN, a atrair o disposto no art. 156, V, do CTN. Fl. 81DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 2401-000.749 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10983.721351/2011-56 (b) Nulidade. O Acórdão de Impugnação não condiz com a verdade dos fatos, pois o endereço correto para a intimação é Rua Arthur Rocha, 23, Porto Alegre/RS e a intimação não foi enviada para o endereço informado na DITR, conforme revelam os documentos constantes dos autos. Logo, há nulidade absoluta, não podendo prevalecer o art. 23, § 3°, do Decreto n° 70.235, de 1972 (Regulamento das Normas Gerais de Direito Tributário de Santa Catarina, art. 213; jurisprudência; CTN, art. 142; Constituição Federal, art. 5°, LV; princípios do contraditório, ampla defesa, igualdade, isonomia e razoabilidade; e Constituição do Estado de Santa Catarina, art. 15, §5°). (c) Valor da Terra Nua. Provas. Não prospera a alegação de preclusão probatória, eis que diante do prazo irrisório decorrente de a intimação ter ocorrido erroneamente por edital. Demonstrada a boa-fé, deve ser aberto prazo para juntada de documentos a confirmar o real tamanho da terra nua (358,7ha) e a área efetivamente dela utilizada. É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Relator. Admissibilidade. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Decadência. Aviso de Recebimento. Conversão do julgamento em diligência. Ainda que intempestiva, por ser matéria de ordem pública, a alegação de decadência deve ser conhecida. Para o exercício de 2006, o fato gerador operou-se em 01/01/2006. A impugnação foi protocolada em 03/11/2011 (e-fls. 35). Logo, não prospera a alegação de decadência por inobservância do art. 173, I, CTN. Não detectei nos autos DARF relativo ao imposto devido declarado. Não detectei também os Avisos de Recebimento referentes aos Termos de Intimação de e-fls. 08/10 e 12/13, constando apenas as Consultas Postagem dos respectivos ARs 904478475 (e-fls. 11) e 913019699 (e-fls. 14). Ressalte-se que constar dos autos a imagem dos Avisos de Recebimento é relevante, pois se alegou o envio da correspondência para local incorreto. Apesar de o contribuinte não ter invocado o art. 150, §4°, do CTN (iura novit curia), entendo cabível a conversão do julgamento (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 29) para que: (1) a Receita Federal consulte seus sistemas informatizados e, ato contínuo, carreie aos autos tal consulta a comprovar se houve ou não recolhimento para o período de apuração 01/01/2006, CNPJ n° 88.632.575/0001-78, Código de Receita 1070 e Número de Referência (NIRF) 2.628.996-2. Fl. 82DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 2401-000.749 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10983.721351/2011-56 (2) a Receita Federal consulte seus arquivos e sistemas informatizados (em especial SUCOP) e, ato contínuo, carreie aos autos tal consulta e a imagem dos Avisos de Recebimento n° 904478475 e n° 913019699, pertinentes aos Termos de Intimação de e-fls. 08/10 e 12/13. A recorrente deve ser intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência, com abertura do prazo de trinta dias. Após a juntada aos autos da manifestação e/ou da certificação de não apresentação no prazo fixado, venham os autos conclusos para julgamento. Isso posto, voto por CONHECER do recurso voluntário e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10670.720879/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2201-000.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, para determinar a vinculação do presente processo ao de número 10670.720878/2012-78, que aguarda distribuição neste Conselho Administrativo, e que ambos sejam novamente distribuídos ao Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim para julgamento conjunto.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, para determinar a vinculação do presente processo ao de número 10670.720878/2012-78, que aguarda distribuição neste Conselho Administrativo, e que ambos sejam novamente distribuídos ao Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim para julgamento conjunto. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário de fls. 61/85, interposto contra decisão da DRJ, em Curitiba/PR de fls. 40/52, a qual julgou procedente o lançamento, de fls. 2/6, da multa por falta ou atraso ne entrega da declaração do Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF referente ao ano-calendário de 2008 e 2009, lavrado em 28/05/2012, com ciência do RECORRENTE em 01/06/2012, conforme AR de fl. 12. O crédito não tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor total de R$ 93.526,92, sem inclusão de juros de mora. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 7/8), o RECORRENTE foi intimado em 01/02/2012 a apresentar as declarações de ajuste anual do imposto de renda referentes aos anos-calendário 2008 e 2009 (fls. 13/15). No mesmo ato, foi intimado a apresentar extratos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 70 .7 20 87 9/ 20 12 -1 2 Fl. 107DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 2201-000.378 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720879/2012-12 bancários de todas suas contas correntes e de investimento. Todavia, o RECORRENTE não apresentou as declarações solicitadas. Assim, a fiscalização entendeu por lançar a multa prevista no art. 8º do Decreto- Lei nº 1.968/1982 e art. 964, inciso I, alínea “a” do Decreto nº 3000/1999, que estabelecem que nos casos de falta (ou atraso) na entrega da declaração, incidirá multa no valor de 1% (um por cento) do imposto devido, observando-se o valor mínimo de R$ 165,74 e limitado ao teto de 20% (vinte por cento) do imposto devido. Desta forma, considerando que a fiscalização apurou e lançou, em processo administrativo diverso (lavrado na mesma data do presente), um imposto devido de R$163.420,73 e de R$ 304.213,83 para os anos-calendário 2008 e de 2009, respectivamente, calculou a multa por falta de apresentação de declaração com base nos referidos valores (fl. 09). Como já havia transcorrido mais de 20 (vinte) meses da data em que a declaração deveria ter sido apresentada até a data da lavratura do auto de infração, a multa foi lançada no percentual máximo autorizado pela legislação, ou seja, 20% (vinte por cento) do valor do imposto devido, sendo R$ 32.684,15 para o ano-calendário 2008 e R$ 60.842,77 para o ano- calendário 2009. Destaca-se que o IRPF apurado pela fiscalização (sobre o qual foi calculada a presente multa) é objeto do processo administrativo nº 10670.720878/2012-78. Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 18/26 em 24/06/2012. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em Curitiba/PR, adota-se, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: 3. Cientificado do lançamento em 06/06/2012, conforme documento Aviso de Recebimento de fls. 12, o interessado ingressou com a impugnação de fls. 18 a 26, em 29/06/2012, alegando, em síntese, que: I - Dos fatos - A Auditoria Fiscal da Receita Federal do Brasil, notificou o contribuinte do presente lançamento por entender ter havido Omissão de Rendimentos Referentes aos anos- calendário 2008 e 2009, "Apurou a multa por falta de apresentação de Ajuste anual". Citada multa foi lançada com base no imposto de renda arbitrado em outro auto, qual seja o de número 0610800.2012.00025 e como acessório, padece dos mesmos vícios do principal. - O valor da multa imposta, chega a absurda cifra de R$ 93.526,92 (noventa e três mil, quinhentos e vinte e seis reais e noventa e dois centavos). - Os valores exigidos, além de absurdos e desprovidos de qualquer fundamentação, são calcados em números incorretos, arbitrados contrariando princípios de apuração e passam a ter legalidade e constitucionalidade questionável. Além disso, restaram aplicados equivocadamente, devendo o lançamento ser considerado nulo. Caso assim não se entenda, deve o lançamento ser considerado improcedente, pelas razões que adiante passa a expor. Fl. 108DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 2201-000.378 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720879/2012-12 I - PRELIMINARMENTE NULIDADE DO LANÇAMENTO I.1) Da impossibilidade de arbitramento com base em movimentação bancária - Movimentação financeira não se configura base imponível para apuração e recolhimento de impostos, de onde é pertinente dizer que depósitos efetuados em conta- corrente não podem de forma genérica ser caracterizados como rendimentos. [...] - Rendimento, para o fim de apuração de imposto de renda, não pode ser considerado como toda e qualquer movimentação financeira, essas podem ser reembolsos, movimentação para pagamento de despesas, enfim, inúmeras situações onde simplesmente o contribuinte possa ter valores passando por sua conta, sem contudo, configurar uma receita ou rendimento que integrou o patrimônio do ora impugnante. - Não se presta, portanto, para o fim que foi utilizado no Auto de Infração, simples depósitos em conta-corrente não traduzem prova de rendimento auferido. - Não há dúvida assim, que o auto de infração lavrado contra o devedor principal descumpriu o comando do artigo 142 do Código Tributário Nacional. - Citada impossibilidade maculam o Auto de Infração de iliquidez, e um lançamento sem esse requisito traz o vício da nulidade. I.2) Da movimentação financeira - Do direito ao sigilo das operações bancárias - Como não bastasse ser nulo o Auto de Infração, por não se prestar a movimentação financeira a ser elemento de fixação de base de cálculo do imposto, também não pode ser aplicado por ferir o direito ao sigilo das operações bancárias. - A requisição de informações aos bancos sobre operações financeiras viola o sigilo bancário, o que é manifestamente inconstitucional. [...] - Ressalte-se que a Constituição Federal, em nenhum de seus artigos dá a Delegacia da Receita Federal o "status" de órgão equiparado ao Poder Judiciário, razão pela qual se traduz abusiva a quebra para fins de tributação. [...] - Portanto, insiste, a quebra de sigilo bancário, para o fim que se prestou é manifestamente inconstitucional e não pode ser utilizada, maculando, mais uma vez, o lançamento do vício de nulidade. O trecho a seguir foi destacado da própria impugnação (fl. 23 e ss): II - DO MÉRITO DA ILEGALIDADE DA MULTA IMPOSTA - Argumentando-se sem admitir que o lançamento prevaleça de forma tão equivocada, não pode o Auditor Fiscal responsável pela lavratura do lançamento, impor a penalidade da multa de ofício. NÃO PODE, O ORA IMPUGNANTE, SER SUBMETIDO A MULTA PUNITIVA SEM QUALQUER FUNDAMENTAÇÃO. CASO SE POSSIBILITE AO IMPUGNANTE CORRIJIR O LANÇAMENTO, ESTÁ O CONTRIBUINTE, POR ESTE ATO PROCEDENDO UMA DENÚNCIA ESPONTÂNEA, NOS TERMOS DO ARTIGO 138 DO CTN.. [...] Fl. 109DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 2201-000.378 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720879/2012-12 - Além disso, a multa aplicada pela ilustre autoridade fiscal, configura-se num verdadeiro abuso do poder fiscal, na exata medida em que seu montante é excessivo e despropositado. - Nesse passo, a norma insculpida no artigo 150, IV, da Constituição Federal, que veda a utilização do tributo com efeito de confisco está sendo desrespeitada, cabendo, portanto, tanto aos Tribunais Administrativos como aos Judiciais coibir as multas exigidas de feitio confiscatório. Aliás, a jurisprudência do Colendo Supremo Tribunal Federal é mansa e pacífica nesse sentido e determina reduzir as multas excessivas aplicadas pelo fisco, conforme decisões abaixo transcritas: [...]. Assim, o contribuinte requereu fosse “acatada a presente impugnação, com a consequente ANULAÇÃO do Lançamento, ou caso V. Sa. assim, não entenda, o que se aventa sem se admitir, seja declarado o mesmo improcedente, podendo ser outorgada ao contribuinte a possibilidade de corrigir a declaração de imposto de renda, eximindo nesse caso, o contribuinte da multa de ofício que lhe foi imputada, nos moldes do Art. 138 do Código Tributário Nacional, por ser medida de pleno direito e de inteira Justiça!!!” Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, a DRJ em Curitiba/PR julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme ementa abaixo (fls. 40/52): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2008, 2009 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE. ATRASO NA ENTREGA. MULTA REGULAMENTAR. Estando o contribuinte enquadrado dentre as condições de obrigatoriedade de apresentar a Declaração de Ajuste Anual, é devida a multa por atraso na sua entrega. LANÇAMENTO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. É válido o lançamento que observa os pressupostos legais e que tenha os seus atos e termos lavrados por pessoa competente, no qual os despachos e decisões tenham sido proferidos pela autoridade competente e sem preterição do direito de defesa. DADOS BANCÁRIOS. ACESSO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. DISPENSABILIDADE. É lícito à fiscalização solicitar e examinar informações e documentos relativos a operações bancárias realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras quando houver procedimento fiscal em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação e Fl. 110DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 2201-000.378 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720879/2012-12 daquelas objeto de Súmula vinculante não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Por presunção legal de omissão de rendimentos, cabível o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada. TRIBUTAÇÃO POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARBITRAMENTO. É legítimo o arbitramento de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte não comprova a origem dos recursos utilizados nessas operações, uma vez que evidenciam a percepção de renda omitida, cabendo ao contribuinte refutar tal presunção, por meio de comprovação hábil e idônea. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Estabelecida a presunção legal de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos de origem não comprovada, o ônus da prova é do contribuinte, cabendo a ele produzir provas hábeis e irrefutáveis da não ocorrência da infração. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. Tratando-se de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa de ofício de 75%, pois prevista em lei não declarada inconstitucional. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO APÓS NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A falta de comprovação do erro de fato que justifique a necessidade de correção dos dados apresentados na Declaração de Ajuste Anual, impede a retificação da declaração após a ciência da Notificação de Lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 08/02/2017, conforme AR de fls. 58, apresentou o recurso voluntário de fls. 61/85 em 14/03/2017. Em suas razões, apresentou os seguintes tópicos de defesa: Necessidade de equiparação do contribuinte, para fins tributários, à pessoa jurídica; Erros na apuração da base de cálculo (não houve conciliação dos valores devolvidos nem das transferências de recursos entre contas do próprio contribuinte); Da errônea cumulação das multas de ofício e isolada (efeito confiscatório); Fl. 111DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 2201-000.378 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720879/2012-12 Do lançamento baseado em extratos bancários; Do ônus da prova (cabe ao Fisco comprovar a ocorrência do fato gerador); Protestou pela juntada posterior de todos e quaisquer esclarecimentos/documentos; e Requereu intimação na pessoa do procurador; Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINAR Necessidade de apensamento Conforme elencado no Termo de Verificação Fiscal, o presente auto de infração trata-se de lançamento de multa por falta/atraso na entrega da declaração de ajuste anual do IRPF relativo aos anos-calendário 2008 e 2009, no valor de R$ 93.526,92, equivalente a 20% (vinte por cento) do imposto apurado para aqueles anos-calendários, nos termos do art. 8º do Decreto- Lei nº 1.968/1982, regulado pelo art. 964, inciso I, alínea “a” do Decreto nº 3000/1999 (na época da lavratura do auto de infração). Mesmo após intimado, o contribuinte não apresentou as declarações de imposto de renda solicitadas. O valor do imposto apurado pela fiscalização para ano-calendário de 2008 foi de R $163.420,73 e para o ano-calendário de 2009 foi de R$ 304.213,83, e o mérito do crédito tributário é discutido no processo administrativo nº 10670.720878/2012-78. Pois bem, assim dispõem o art. 8º do Decreto-Lei nº 1.968/82 e o art. 964, inciso I, alínea “a”, do Decreto nº 3000/1999 (antigo Regulamento do Imposto de Renda, vigente à época dos fatos): DECRETO-LEI Nº 1.968/1982 Art. 8º Sem prejuízo do disposto no artigo anterior, no caso de falta de apresentação da declaração de rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo fixado, aplicar-se-á a multa de um por cento ao mês sobre o imposto devido, ainda que tenha sido integralmente pago. DECRETO Nº 3.000/1999. Art. 964. Serão aplicadas as seguintes penalidades: Fl. 112DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 2201-000.378 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720879/2012-12 I - multa de mora: a) de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, nos casos de falta de apresentação da declaração de rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo, ainda que o imposto tenha sido pago integralmente, observado o disposto nos §§2º e 5º deste artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, inciso I, eLei nº 9.532, de 1997, art. 27); [...] § 5º A multa a que se refere a alínea “a” do inciso I deste artigo, é limitada a vinte por cento do imposto devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 2º (Lei nº 9.532, de 1997, art. 27). Desta forma, infere-se que o valor do crédito não-tributário deste processo é diretamente relacionado ao montante do crédito tributário discutido no processo administrativo nº 10670.720878/2012-78, posto que, caso julgada procedente a defesa do contribuinte no processo que envolve a obrigação principal, a presente multa deverá, consequentemente, ser cancelada. De igual modo, em caso de procedência parcial dos argumentos do RECORRENTE naquele processo, haverá necessidade de reduzir o montante da multa ora aplicada, até o limite de 20% (vinte por cento) do crédito tributário mantido. Em pesquisa ao sistema de consulta processual do CARF (https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/consultarInfor macoesProcessuais.jsf) verifica-se que o processo nº 10670.720878/2012-78 teve entrada no CARF em 27/03/2017 e está na Unidade: SERET-CEGAP-CARF-MF-DF desde então; contudo, ainda está aguardando distribuição para algum Conselheiro. O art. 6º do Anexo II do RICARF apresenta as seguintes regras para a vinculação de processos: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando-se a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I - conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II - decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III - reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. Fl. 113DF CARF MF Fl. 8 da Resolução n.º 2201-000.378 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720879/2012-12 § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. Nota-se que a regra é clara para os processos decorrentes ou reflexos caso o processo principal não esteja localizado no CARF (o §4º acima determina que o colegiado deve converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, com a finalidade de determinar a vinculação dos autos do processo reflexo/decorrente ao processo principal), ou ainda quando estiverem em seções diversas do CARF (o §5º determina que o colegiado se manifeste sobre a conversão do julgamento em diligência). No entanto, não há expressa menção no caso de o processo principal já estar localizado no CARF porém sem distribuição (como dito, o §5º trata de caso em que os processos estejam em Seções diversas; ademais, sabe-se que a distribuição do processo principal será para a 2ª Seção, em razão da competência desta para julgamento de IRPF). Já os §§ 2º e 3º tratam de processos conexos, o que não seria o caso dos autos. As regras de vinculação de processos decorrentes e reflexos (caso dos autos) é tratada nos §§ 4º e 5º, e as situações previstas nestes dispositivos apontam que o colegiado deve converter o julgamento em diligência. Sendo assim, no presente caso, entendo que se aplica, por analogia, o procedimento dos §§4º e 5º, o qual prevê que “o colegiado deverá converter o julgamento em diligência (...), para determinar a vinculação dos autos (...)”. Neste sentido, voto por determinar a conversão em diligência deste julgamento, para que o presente processo seja apensado ao processo administrativo nº 10670.720878/2012-78 (obrigação principal e ainda não distribuído perante o CARF), e em seguida ambos os processos retornem para minha relatoria, pois entendo estar prevento nos termos do art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos das razões acima expostas, para determinar a vinculação do presente processo ao de número 10670.720878/2012-78, que aguarda distribuição neste CARF, e que ambos sejam novamente a mim distribuídos para julgamento conjunto. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 114DF CARF MF
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