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Numero do processo: 13603.721920/2010-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 30/09/2005 a 31/12/2007
COMPETÊNCIA RECURSAL.
O julgamento de recurso voluntário e de ofício que verse sobre matéria relativa a IOF compete à Terceira Seção do Carf, nos termos do art.4º, VII do Ricarf.
Numero da decisão: 1302-000.808
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência em favor da Terceira Seção de Julgamento.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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O julgamento de recurso voluntário e de ofício que verse sobre matéria relativa a IOF compete à Terceira Seção do Carf, nos termos do art.4º, VII do Ricarf. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência em favor da Terceira Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13603.721920/201006 Acórdão n.º 130200.808 S1C3T2 Fl. 254 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/BHE, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, afastar as preliminares de nulidade, e considerar improcedente o lançamento, conforme ementa que abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 30/09/2005 a 31/12/2007 OPERAÇÃO DE CRÉDITO FORA DO SISTEMA FINANCEIRO. MÚTUO ANTERIOR AO ANO DE 1999. IOF. NÃO INCIDÊNCIA. Nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas em que o mutuante não seja instituição financeira não incide o IOF que seria devido nos termos do art. 13 da Lei nº 9.779, de 1999, sobre recursos que foram entregues ou colocados à disposição do mutuário até o ano de 1998. A contribuinte foi autuada por não ter recolhido o IOF relativo a operações de mútuo celebradas com a empresa Hobart Overseas. A autoridade ressaltou que o contrato de mútuo original não foi entregue (mas tão somente cópia reprográfica), bem como a baixa do contrato se deu com perdão de dívida. Na impugnação, a contribuinte aduz que o contrato de mútuo foi firmado em 29/12/95 e que os dispositivos legais que consubstanciaram a autuação passaram a viger em data posterior (Lei nº 9.779/99), o que viola o art.144 do CTN, que prescreve que o lançamento deve se reportar à data de ocorrência do fato gerador. A turma acolheu as razões de recurso da impugnante, fazendo subir os autos, todavia, em função do reexame necessário. É o relatório. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13603.721920/201006 Acórdão n.º 130200.808 S1C3T2 Fl. 255 3 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. Cuidase de apreciar recurso de ofício relativo a auto de infração lavrado para constituir IOF sobre operações de crédito entre a recorrida e Hobart Overseas. O julgamento de recurso voluntário e de ofício que verse sobre matéria relativa a IOF compete à Terceira Seção do Carf, nos termos do art.4º, VII do Ricarf. Assim, voto para declinar competência, em favor da Terceira Seção de Julgamento do Carf. Sala das Sessões, 17 de janeiro de 2012. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 255DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 13956.000137/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM APARELHOS E PRÓTESES ORTOPÉDICOS. POSSIBILIDADE.
As despesas com aparelhos e próteses ortopédicos são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que devidamente comprovadas e justificadas.
Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é suficiente para autorizar a dedução.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-002.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM APARELHOS E PRÓTESES ORTOPÉDICOS. POSSIBILIDADE. As despesas com aparelhos e próteses ortopédicos são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que devidamente comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é suficiente para autorizar a dedução. Recurso provido.
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DEDUÇÃO DE DESPESAS COM APARELHOS E PRÓTESES ORTOPÉDICOS. POSSIBILIDADE. As despesas com aparelhos e próteses ortopédicos são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que devidamente comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é suficiente para autorizar a dedução. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 6. 00 01 37 /2 00 9- 63 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13956.000137/200963 Acórdão n.º 2101002.339 S2C1T1 Fl. 76 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 67/68) interposto em 01 de fevereiro de 2012 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) (fls. 60/63), do qual o Recorrente teve ciência em 03 de janeiro de 2012 (fl. 66), que, por maioria de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 53/56, lavrado em 25 de fevereiro de 2009, em virtude de dedução indevida de despesas médicas, verificada no ano calendário de 2006. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DEDUÇÃO DE DESPESAS COM APARELHOS ORTOPÉDICOS. CONDIÇÃO. A dedução de despesas com aparelhos ortopédicos na declaração de ajuste anual do IRPF está sujeita à comprovação por meio de receituário médico. CIRURGIA ORTOPÉDICA. PARAFUSOS E PLACAS. DEDUÇÃO. CONDIÇÃO. A dedução de despesas com aquisição de parafusos e placas em cirurgias ortopédicas está condicionada que tais despesas integrem a conta hospitalar. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” (fl. 60). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 67/68, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator. O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13956.000137/200963 Acórdão n.º 2101002.339 S2C1T1 Fl. 77 3 Discutese, no presente caso, questão relativa a dedução de despesas médicas, especificamente no que se refere a próteses para cirurgia em coluna vertebral. Em relação a essas glosas, a norma aplicável ao caso (Lei n.º 9.250/95) preceitua o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto n.º 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” ... “Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): Fl. 77DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13956.000137/200963 Acórdão n.º 2101002.339 S2C1T1 Fl. 78 4 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º).” Cabe mencionar, ainda, que a autoridade fiscalizadora deve fazer a prova necessária para infirmar o recibo de despesas dedutíveis acostado aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas médicas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que o contribuinte, em relação a este ponto, não está obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade dos recibos, não se pode recusar recibos que preenchem os requisitos legais e que vêm acompanhados de declarações dos profissionais confirmando a Fl. 78DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13956.000137/200963 Acórdão n.º 2101002.339 S2C1T1 Fl. 79 5 prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12)." Por fim, cabe ressaltar que os documentos que comprovam a contraprestação dos serviços médicos prestados e deduzidos pelo contribuinte devem ser devidamente armazenados pelo mesmo lapso de tempo que as autoridades fiscais têm para constituir possível crédito. Nesse sentido, colacionamos alguns acórdãos que elucidam tal entendimento: “NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – PROVA – No processo administrativo tributário os fatos devem evidenciarse com provas documentais. A documentação dos fatos havidos no transcorrer do anocalendário tem prazo para guarda igual àquele em que possível a constituição do correspondente crédito tributário.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 146.926, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007) *** “DOCUMENTOS – GUARDA – O prazo para guarda de documentos é o mesmo que o permitido ao sujeito ativo para exigir o tributo ou rever de ofício o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – A presunção legal de renda com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada tem fundamento legal na norma do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo caráter relativo e transfere o ônus da prova em contrário ao contribuinte.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 140.839, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006) Feitos os esclarecimentos prévios, cumpre mover à análise específica dos documentos apresentados pelo Recorrente, de maneira a aferir se, de fato, a glosa das despesas que foi mantida pelo acórdão recorrido, tal como realizada, afigurase válida, ou, em sentido contrário, se os documentos apresentados seriam suficientes para o fim de demonstrar a legitimidade dos gastos apontados in casu. No presente caso, a DRJ julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, por meio de decisão que teve, basicamente, a seguinte fundamentação: “No caso de aparelhos ortopédicos destinados à correção de desvio de coluna, a comprovação deve ser feita mediante receituário médico, naturalmente, no qual esteja justificada a necessidade do aparelho e especifique as características técnicas do mesmo. Para satisfazer essa exigência, o impugnante anexou aos autos a nota fiscal de aquisição de produtos (fl. 07) acompanhada de declaração do médico Dr. Marcelo T. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13956.000137/200963 Acórdão n.º 2101002.339 S2C1T1 Fl. 80 6 Miura (fl. 06). Em meu entender, o relato médico de fl. 06 não substitui o receituário médico exigido na norma citada. Isso porque o receituário é a prescrição do tratamento, situandose em momento anterior ao tratamento. Já o relato de fl. 07 é apenas uma descrição do procedimento médico realizado na esposa do contribuinte, em momento já posterior à cirurgia. Especialmente quanto aos parafusos e placas (valor de R$ 21.065,54), a orientação disponibilizada na página da Receita Federal do Brasil, no “Perguntas e Respostas”, é clara ao indicar que pode haver a dedução de gastos com parafusos e placas em cirurgias ortopédicas desde que tais gastos integrem a conta hospitalar. Isso ocorre porque os parafusos e placas não possuem previsão legal para sua dedução, são aceitos apenas nos termos do início do caput do art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda RIR supracitado, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, desde que integrem a conta hospitalar. No caso em tela, o documento apresentado pelo impugnante não é uma conta hospitalar, é uma nota fiscal de aquisição de produtos de empresa especializada na importação e exportação de produtos médicos. Tal documento, por si só, não é suficiente para autorizar a dedução pleiteada das placas e parafusos. De outra parte, não se discute se a esposa do impugnante recebeu ou não o implante dos equipamentos descritos nas notas fiscais. Todavia, para a dedução, há que ser comprovado tal fato, de acordo com os atos acima reproduzidos” (fl. 63). Entendo, todavia, que o artigo 8º., II, “a”, da Lei n. 9.250, de 1995, e o artigo 80, V, do RIR/99 são muito claros ao autorizar as deduções relativas a “aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas”, exigindo, apenas e tão somente, a “comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário”. In casu, entendo que o documento de fl. 06, acompanhado da nota fiscal de fl. 07, supre, sim, o receituário médico a que se refere o inciso V do artigo 80 do RIR/99, não se admitindo formalismo tal que afaste a aplicação da norma prevista no artigo 8º., II, “a”, da Lei n. 9.250, de 1995. Se isso não bastasse, não há, nem na lei nem no regulamento, qualquer dispositivo exigindo que os produtos descritos na nota fiscal de fl. 07 integrem a conta hospitalar, pois não há dúvida que as placas, parafusos e cages cervicais integraram as próteses utilizadas na cirurgia na coluna vertebral da esposa do Recorrente, conforme expressamente consignado na decisão recorrida. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 80DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13956.000137/200963 Acórdão n.º 2101002.339 S2C1T1 Fl. 81 7 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 14033.000692/2010-01
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2803-000.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindo-a de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestar-se, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Voto vencedor redator designado Conselheiro Gustavo Vettorato. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que vota pelo provimento parcial para que a autoridade fiscal lançadora apure o valor correto das contribuições sociais devidas, considerando os documentos, livros contábeis e os recolhimentos efetuados pela empresa e suas obras, restituindo os valores se devidos. Sustentação oral Advogado Dr Eurides Veríssimo de Oliveira Junior, OAB/MG nº00699160.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Fabio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindo-a de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestar-se, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Voto vencedor redator designado Conselheiro Gustavo Vettorato. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que vota pelo provimento parcial para que a autoridade fiscal lançadora apure o valor correto das contribuições sociais devidas, considerando os documentos, livros contábeis e os recolhimentos efetuados pela empresa e suas obras, restituindo os valores se devidos. Sustentação oral Advogado Dr Eurides Veríssimo de Oliveira Junior, OAB/MG nº00699160. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Fabio Pallaretti Calcini.
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Voto vencedor redator designado Conselheiro Gustavo Vettorato. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que vota pelo provimento parcial para que a autoridade fiscal lançadora apure o valor correto das contribuições sociais devidas, considerando os documentos, livros contábeis e os recolhimentos efetuados pela empresa e suas obras, restituindo os valores se devidos. Sustentação oral Advogado Dr Eurides Veríssimo de Oliveira Junior, OAB/MG nº00699160. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Fabio Pallaretti Calcini. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 33 .0 00 69 2/ 20 10 -0 1 Fl. 724DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/201001 Resolução nº 2803000.185 S2TE03 Fl. 712 2 Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela Construtora RV Ltda contra a decisão de indeferimento do Pedido de Restituição de valores retidos sobre notas fiscais de prestações de serviços (11% NFS), na forma do art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/98, referente à competência 01/2006. O pedido de restituição foi requerido pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), para as obras de matrícula CEI n. 38.720.05895/70 e n. 38.720.05896/72 em 18/12/2009. Foi emitido o Despacho Decisório n. R52/SRFB/DRF/BSA, em 29/09/2010, fls. 308/309, com a decisão de não reconhecimento do direito creditório do contribuinte frente à Fazenda Pública, tendo por fundamento, nos termos do enquadramento legal elencado: não haver GFIP para a competência 01/2006, da CEI n. 38.720.05895/70, sendo que a última GFIP entregue foi a de competência 12/2005; a impossibilidade de execução dos serviços pelo número de segurados declarados, de acordo com o Sistema Restituição WEB 2.0, seqüencial 2877, a relação massa salarial/faturamento corresponde a 14.69%, o que corrobora incongruências de informações do CAGED/GFIP; não haver GFIP para a competência 01/2006, da CEI n. 38.720.05896/72, sendo que a última GFIP entregue foi a de competência 12/2005; a impossibilidade de execução dos serviços pelo número de segurados declarados, de acordo com o Sistema Restituição WEB 2.0, seqüencial 2877, a relação massa salarial/faturamento corresponde a 14.69%, o que corrobora incongruências de informações do CAGED/GFIP. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO Regularmente cientificado o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou improcedente a manifestação de inconformidade, fls. 611/615. O contribuinte foi cientificado da decisão em 13/04/2011, apresentando recurso voluntário, em 31/05/2011, fls. 618/657, alegando em síntese: durante o procedimento de fiscalização a Recorrente atendeu criteriosamente todas as solicitações realizadas pelo Fisco apresentando toda a documentação requerida, inclusive conciliando as informações apresentadas com o seu movimento contábil, afastando, assim, qualquer possibilidade de arguição de omissão, fraude ou simulação por parte da Recorrente em virtude de apresentação inidônea, não apresentação ou apresentação deficiente de documentos solicitados pelo Fisco; Fl. 725DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/201001 Resolução nº 2803000.185 S2TE03 Fl. 713 3 os documentos que foram apresentados dizem respeito única e exclusivamente à situação fiscal, vez que em nenhum momento existiu, por parte do Fisco, solicitação de documentos relativos à subcontratação de mão de obra ou de terceiros, motivo pelo qual não foram apresentados; devese anular a decisão recorrida, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99, reconhecendo o direito creditório e concedendo a restituição pleiteada; a não observância dos princípios da finalidade, razoabilidade e proporcionalidade pela fiscalização; a inaplicabilidade do artigo 447, IV, "c" da IN RFB 971/09 ao caso, vez que as informações constantes nos documentos descaracterizados pelo Fisco são as mesmas que embasaram tal decisão acarretando um confronto de fundamentação (folha de pagamento, GFIP, notas fiscais e o contrato apresentado); não obstante existirem valores retidos dos subcontratados, a Recorrente não utilizou da faculdade de deduzir na nota fiscal emitida ao seu contratante, o valor da retenção já efetuada dos seus subcontratados (art. 127 da IN/RFB 971/09); Com o objetivo de cumprimento das normas de direito tributário que disciplinam sobre procedimento de restituição, bem como para afastar a possibilidade de agressão aos princípios gerais do direito e, por sua vez, evitar o enriquecimento sem causa por parte da União, a Recorrente requer o reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante formalização, que está em debate, sendo imprescindível o deferimento do pedido de restituição ora em apreço; a partir das premissas aqui construídas, notadamente, (i) a apuração do Sistema de Restituição WEB 2.0 se vale apenas dos valores de folha de pagamento ou GFIP própria da Recorrente, descartando qualquer valor de mão de obra subcontratada; e (ii) de que a chamada de massa salarial na verdade é apenas uma parcela dos proventos integrantes da folha de pagamento vez que considera apenas os dados inseridos em GFIP, (iii) concluise que toda a sistemática utilizada pela administração fazendária inclusive o Sistema de Restituição WEB 2.0 são falhos, devendo toda e qualquer apuração através deste ser desconsiderada em sua totalidade; as preliminares suscitadas devem ser acolhidas, dando provimento ao presente recurso em razão da inaplicabilidade do instituto do arbitramento/aferição indireta, conforme restou comprovado, anulando o acórdão recorrido, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99, reconhecendo o direito creditório da recorrente e consequentemente deferindo o pedido de restituição de valores referentes à retenção de Contribuições Previdenciárias pleiteado, determinando, por fim, o cancelamento da solicitação de inclusão da Recorrente no Planejamento Fiscal; quanto ao mérito, admitido em respeito ao princípio da eventualidade, seja reconhecido o direito creditório da Recorrente em face da legitimidade comprovada através do fiel e criterioso adimplemento de todas as obrigações tributárias concernentes às Contribuições Previdenciárias, bem como às relativas à formalização do Pedido Eletrônico de Restituição (PER/DCOMP), anulando o acórdão recorrido, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99 e, consequentemente, deferir o pedido de restituição de valores referentes à retenção de Contribuições Previdenciárias pleiteado, determinando, por fim, o cancelamento da solicitação Fl. 726DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/201001 Resolução nº 2803000.185 S2TE03 Fl. 714 4 de inclusão da Recorrente no Planejamento Fiscal uma vez que inconcebível, por inexistir créditos tributários a serem verificados e/ou lançados. na remota hipótese de não acolhimento dos requerimentos já realizados, seja dado provimento ao presente recurso em virtude da ilegitimidade dos fundamentos que sustentam o acórdão recorrido, anulando o acórdão recorrido, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99; nos termos do art. 58, II do anexo II do Regimento Interno deste Conselho, requer, desde já, seja reconhecido o direito da Recorrente de sustentar oralmente toda a fundamentação ora expendida, quando do julgamento do presente Recurso; requer a reunião dos processos de restituição, nos termos do art. 47 do Regimento Interno do CARF. É o Relatório. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/201001 Resolução nº 2803000.185 S2TE03 Fl. 715 5 Voto Vencido Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisálo. DO INDEFERIMENTO DA RESTITUIÇÃO O Despacho Decisório n. R52/SRFB/DRF/BSA, em 29/09/2010, fls. 308/309, denegou a restituição de contribuições previdenciárias pleiteada pelo contribuinte na competência 01/2006, pois considerou que não foi atendido o valor mínimo para aferição de mão de obra utilizada para prestação de serviço de 40% do valor das notas fiscais e: não haver GFIP para a competência 01/2006, da CEI n. 38.720.05895/70, sendo que a última GFIP entregue foi a de competência 12/2005; não haver GFIP para a competência 01/2006, da CEI n. 38.720.05896/72, sendo que a última GFIP entregue foi a de competência 12/2005; a impossibilidade de execução dos serviços pelo número de segurados declarados, de acordo com o Sistema Restituição WEB 2.0, seqüencial 2877, a relação massa salarial/faturamento corresponde a 14.69%, o que corrobora incongruências de informações do CAGED/GFIP. DA DECISÃO RECORRIDA A decisão recorrida menciona que a massa salarial da mão de obra das CEI 38.720.05895/70 e 38.720.05896/72 declaradas pelo contribuinte em GFIP, em folha de pagamento e na contabilidade, em confronto com as notas fiscais emitidas para pagamento desses serviços (NFS n. 223, 224 e 001), apresenta uma relação massa salarial/faturamento de 4,41% e 7,79%, respectivamente. Assim, menciona a decisão que há impossibilidade de execução dessas obras, em virtude do número de segurados constantes em GFIP ou em folhas de pagamento específicas para as obras, referentes à mão de obra própria ou à terceirizada, mediante confronto com as notas fiscais, tanto de materiais e equipamentos quanto às de contratação de mão de obra. Diante do observado, alega a decisão recorrida ser necessário o indeferimento da restituição e que a empresa seja incluída no planejamento fiscal, a fim de que a fiscalização, em específica ação fiscal, analise, de forma pormenorizada, toda a documentação relativa à execução das obras e possa aferir os corretos valores devidos, atinentes ao pleito. Em relação à aferição indireta, informa ser possível conforme legislação de regência, se a empresa recusarse a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou apresentálos deficientemente. A constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específica, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos, é considerado como apresentação de documentos de forma deficiente, nos termos do art. 33, §§ 3o e 6o, da Lei 8.212/91 e art. 477, inciso IV, “c” da IN/RFB 971/2009. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/201001 Resolução nº 2803000.185 S2TE03 Fl. 716 6 DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Anunciado o julgamento do recurso voluntário em sessão pelo Presidente de Turma, é direito do contribuinte, se desejar, fazer sustentação oral logo após a leitura do relatório do processo, nos termos do art. 58, inciso II, da Portaria nº 256, de 22/06/2009 (Regimento Interno do CARF). A distribuição e sorteio dos processos seguem regras estabelecidas nos arts. 46 a 51 da Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, que aprova Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Assim, não há necessidade de juntar os processos de restituição do contribuinte para decisões conjuntas por se tratar de competências, valores, análises distintas e já distribuídos para as turmas de julgamento. O contribuinte apresenta memorial alegando sua regularidade fiscal e reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário. A recorrente anexa aos autos notas fiscais de serviços tomados de terceiros e guias de recolhimento GPS de recolhimento de retenção efetuada por ela, entretanto, tais documentos não estão acompanhados de explicações e demonstrativos estabelecendo a que obra pertence, nem acompanhados da escrituração contábil, memórias de cálculo e notas explicativas. O pedido de restituição do contribuinte deve ser acompanhado de todas as informações necessárias para se apurar o correto valor das contribuições previdenciárias, eventuais valores recolhidos a maior e a diferença a restituir. Assim, o pedido deve ser acompanhado de planilhas e notas explicativas, cálculos, documentos (GFIP, Folha de pagamento, férias, rescisões, retenções, contratos de empreitada e de subempreitada, NFS, outros) e registros contábeis (diário, razão). Sem a demonstração e a comprovação exata do valor a restituir pelo contribuinte, não pode o fisco conferir se o valor pleiteado está correto. Os documentos, planilhas, demonstrações, valores, devem ser apresentados de uma só vez, e não por parte. Isto dificulta a comprovação do valor correto a restituir. A restituição não é uma situação que se viabiliza automaticamente. Para a implementação do instituto, a parte interessada deverá cumprir as regras dispostas no ordenamento jurídico. Nos termos do art. 33 e parágrafos 1o, 2o, 3o e 4o da Lei 8.212/91 compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previdenciárias. É prerrogativa da RFB o exame da contabilidade, ficando obrigada a empresa a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitadas. A empresa é obrigada a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída, ao padrão de execução da obra e aos serviços Fl. 729DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/201001 Resolução nº 2803000.185 S2TE03 Fl. 717 7 prestados, cabendo à empresa responsável o ônus da prova em contrário (art. 33, § 4o da Lei 8.212/91). Desse modo, quando não demonstrado pelo contribuinte de maneira clara qual o valor correto das contribuições previdenciárias, correta a aferição indireta com base no valor de 11% da nota fiscal de prestação de serviço, nos termos do art. 31 c/c art. 33, § 4o, da Lei 8.212/91. O valor mínimo para aferição de mão de obra utilizada para prestação de serviço de 40% do valor das notas fiscais, tem respaldo no art.219, §§ 7o e 8o do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.049/99. Não se deve deferir valor de restituição sem a comprovação exata da quantia e do direito. A recorrente informa que não apresentou os documentos relativos à subcontratação de mão de obra ou de terceiros. Não se pode anular ato de indeferimento de restituição quando devidamente fundamentado na lei e normas previdenciárias, tampouco, revogálo sem motivo de conveniência ou oportunidade, e sem comprovação certa do direito adquirido, como quer o contribuinte. Inaplicável, portanto, o art. 53 da lei 9.784/99. Fundamentada a decisão na forma da lei, não há que se falar em inobservância dos princípios da finalidade, razoabilidade e proporcionalidade pela fiscalização. Nem em agressão aos princípios gerais do direito e em enriquecimento sem causa por parte da União. Não se pode reconhecer o direito de restituição de valor ilíquido, incerto e sem comprovação. A aferição indireta pode ser utilizada quando as informações prestadas ou os documentos apresentados pelo contribuinte são insuficientes em face de outras informações, ou outros documentos de que dispõe a fiscalização, no caso, a constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específica, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos, nos termos do art. 447, inciso IV, “c” da IN/RFB 971/2009. A apuração do Sistema de Restituição WEB 2.0, as GFIP, a massa salarial, as folhas de pagamento, são válidas como documentos para embasar o indeferimento da restituição quando não há prova específica nos autos do correto valor a restituir, apenas informações genéricas, que não são suficientes para justificar o pedido de restituição. A formalização do Pedido Eletrônico de Restituição (PER/DCOMP) não dá direito à restituição pretendida, pois precisam ser demonstrados os valores recolhidos a maior por intermédio dos documentos e livros contábeis, bem como, a memória de cálculo, planilhas, notas explicativas, outros, para análise da fiscalização. O contribuinte possui pedido de restituição de contribuições para diversas obras e de competências variadas, o que exige da fiscalização apuração de valores individualizados por obra, entretanto, considerando os valores recolhidos pela empresa e todas as suas obras. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/201001 Resolução nº 2803000.185 S2TE03 Fl. 718 8 Em razão dos princípios da verdade material, da ampla defesa e contraditório, do valor justo do tributo, considerando que o contribuinte afirmou possuir todos os documentos (Folha de pagamento, GFIP, GPS, Notas Fiscais de Serviços, Contabilidade, Contratos, Subcontratos, outros) que comprovem o valor das contribuições previdenciárias devidas, o pleito deve ser acatado parcialmente, no sentido de se analisar com mais detalhe o pedido de restituição. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que a autoridade fiscal lançadora apure o valor correto das contribuições sociais devidas, considerando os documentos, livros contábeis e os recolhimentos efetuados pela empresa e suas obras, restituindo os valores se devidos. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 731DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/201001 Resolução nº 2803000.185 S2TE03 Fl. 719 9 Voto Vencedor Conselheiro Gustavo Vettorato, Redator Designado Em que pese as alegações da decisão recorrida, em que a verdadeira base para o indeferimento ao pedido de restituição foi a relação de massa laboral, abaixo do valor de 40% do disposto no art. 450, I, da IN SRFB n. 971/2009, sem analise de qualquer um dos documentos ou outras formalidades para o pedido de restituição, o mesmo não pode ser aplicado isoladamente, sem qualquer outro elemento de levantamento, de forma a desconsiderar toda a documentação trazida pelo contribuinte. Observese que o instrumento de aferição indireta utilizado é um instrumento de lançamento do crédito tributário, não do processo de restituição. Inclusive, em momento algum, a primeira decisão fundamentouse na legislação ordinária para fins de fundamentar o indeferimento, não demonstrando o fenômeno da subsunção da norma individual e concreta com base na legislação ordinária, ou em decreto regulamentador. Inclusive, o disposto no art. 447, 450 460, da IN n. 971/2009, são balizas interpretativas para casos em que há realmente necessidade de desconsideração da documentação apresentada pelo contribuinte em casos de apuração do crédito tributário. Ainda, na decisão da autoridade fiscal, não houve a demonstração da ocorrência da hipótese de incidência do art. 33, §§ 3º e 6º, da Lei n. 8.212/1991, nem do art. 148 do CTN, que disciplinam a possibilidade de aferição indireta ou arbitramento nos casos que haja negativa do contribuinte de apresentar documentos hábeis e confiáveis a fiscalização quando solicitado. Essa indicação foi feita apenas na decisão da DRJ, inovando a motivação do ato administrativo, o que já é uma infração ao princípio da segurança jurídica. A fundamentação em atos infralegais deve ser sempre ponderada com as normas de hierarquia superiores, sob pena de violação à legalidade. Primeiro, até o presente momento, não há indicativo de qualquer lançamento de crédito tributário contra a contribuinte no que tange os períodos questionados, se o fiscal alega a existência descumprimento à legislação tributária, e a fiscalização não tomou as providências cabíveis até hoje, a falta é do memso que incorre em descumprimento de obrigações de pena funcional conforme o art. 142, do CTN. Segundo, nos autos até onde se verificou, não houve qualquer solicitação da fiscalização ou indicação de necessidade de retificações por parte da fiscalização, conseqüentemente, a sua negativa também não ocorreu. Terceiro, a simples alegação da pouca massa salarial em comparação do faturamento, na atualidade considerando as diversas formas da atividade da construção civil (ex.: construções prémoldadas, as partes do edifício já saem praticamente prontas da fábrica) como o único argumento de rejeição do pedido de restituição, o que abalroa a verdade material e legalidade. Quarto, a não entrega ou entrega incorreta de GFIP pode ser retificada a qualquer tempo, inclusive durante o procedimento de restituição, não é motivo final de não indeferimento de restituição; inclusive, a retificação pode ser por ofício (art. 257, §8º, do Regulamento da Previdência social, do Dec. n. 3048/1999). Em casos semelhantes, esta Turma Especial já decidiu pela possibilidade da restituição, como o caso (ainda não publicado) do , o qual se transcreve o voto condutor da lavra do Eminente Conselheiro Eduardo de Oliveira, nos autos do processo n. 10020.004375/200892: A DRF – origem após o contribuinte ter retificado as GFIP’s e retransmitidas estas considerou que as falhas do requerimento e da Fl. 732DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/201001 Resolução nº 2803000.185 S2TE03 Fl. 720 10 instrução processual devidas a falta de comprovação das alegações foram sanadas e reconheceu parte do pedido do contribuinte como esclarecido na Informação Fiscal,de fls. 131. Desta forma, com base na informação citado o direito creditório foi, assim, reconhecido. (...) Desta forma, atendidas as exigências por parte do requerente faz ele jus ao direito creditório reconhecido pela Informação Fiscal citada, conforme consta da tabela cima. A DRF – origem deve averiguar nos termos da legislação que rege a matéria, se o contribuinte faz jus a restituição, uma vez que reconhecer a existência do direito creditório, não implica e determinar a restituição de plano. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso para no mérito dar lhe provimento parcial, nos termos da Informação Fiscal prestada pela DRF – origem, reconhecendo o direito creditório da recorrente. Porém, cabendo à DRF – origem verificar o preenchimento das condições para a restituição, conforme legislação de regência. Contudo, o presente caso demanda algumas particularidades, como se há realmente outro motivo para negativa ao pedido, pois nem sequer foi apontada falha ou irregularidade da documentação apresentada. Também, por esses motivos, entendo que não é possível um deferimento ou indeferimento de plano do Recurso Voluntário, inclusive a anulação da decisão anterior, simplesmente incorreria em maior demora na resposta efetiva ao contribuinte. Assim, cabe uma solicitação de diligência à autoridade fiscal para que, indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito e condições para a restituição conforme a legislação de regência, havendo qualquer carência de requisito (ex.: preenchimento incorreto de formulário, GFIP, etc) que seja informado a requerente, instruindoa de como retificar, concedido prazo para realizar a retificação, após emita informação fiscal a respeito, sendo a contribuinte intimada para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Tudo conforme o que estabelece o art. do RICARF/MF. Conclusão Isso posto, voto por converter o presente julgamento em diligência para solicitar à autoridade fiscal para que: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; Fl. 733DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/201001 Resolução nº 2803000.185 S2TE03 Fl. 721 11 (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. É como voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato – Redator Designado Fl. 734DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10680.013578/2006-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 04/02/2002 a 29/01/2003
COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
Tal como disposto no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões de Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, a base de cálculo das Contribuições para o Pis/Pasep e Cofins é aquela determinada pelas Leis Complementares 07/70 e 70/91, até as modificações introduzidas pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03.
VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE REEMBOLSO DE DESPESAS COM JUROS BANCÁRIOS. NATUREZA JURÍDICA.
Para fins de incidência das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, não integra o faturamento, tal como definido nas Leis Complementares 07/70 e 70/91, os valores recebidos pessoa jurídica a título de reembolso de despesas financeiras decorrentes do pagamento de juros bancários, devidamente consignado em contrato.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI 10.637/02. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA.
A partir de 1º de dezembro de 2002, a contribuição para o PIS/Pasep incide sobre o valor total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-00.925
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Tal como disposto no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões de Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, a base de cálculo das Contribuições para o Pis/Pasep e Cofins é aquela determinada pelas Leis Complementares 07/70 e 70/91, até as modificações introduzidas pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03. VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE REEMBOLSO DE DESPESAS COM JUROS BANCÁRIOS. NATUREZA JURÍDICA. Para fins de incidência das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, não integra o faturamento, tal como definido nas Leis Complementares 07/70 e 70/91, os valores recebidos pessoa jurídica a título de reembolso de despesas financeiras decorrentes do pagamento de juros bancários, devidamente consignado em contrato. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. FATOS GERADORES POSTERIRORES À LEI 10.637/02. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. A partir de 1º de dezembro de 2002, a contribuição para o PIS/Pasep incide sobre o valor total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 361DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 15/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Lavraramse contra o contribuinte acima identificado os Autos de Infração de fls. 12/17 e 05/11 e relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, nos valores de R$ 128.286,29 e R$ 279.348,93, respectivamente, totalizando um crédito tributário de R$ 407.635,22 incluindo multa de oficio e juros de mora, correspondente aos períodos de 02/2002 e 01/2003 (fls. 06 e 14). A autuação ocorreu em virtude de insuficiência no recolhimento da contribuição, originada da não inclusão na base de cálculo das receitas de prestação de serviços provenientes de contratos aditivos, denominados "Termo de Acordo e Transação", celebrados entre a autuada e a prefeitura municipal, lançadas a crédito de despesas financeiras e de recuperação de custos. Ressalta a fiscalização que tais aditivos foram efetuados nos termos do art. 65, § 6° da Lei n° 8.666, de 1993, que prevê o aditamento para fins de restabelecimento do equilíbrio econômicofinanceiro inicial dos contratos originários a que se subordinam, possuindo a mesma natureza destes, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 18/20, cuja apuração encontrase discriminada nos demonstrativos de fls. 19 e 20. Como enquadramento legal, citaramse, para o PIS, os artigos 1° e 3°, da Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970; artigos 2°, inciso 1, 3°, 8°, inciso 1, e 9°, Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998, e arts. 2° e 3° da Lei n°9.718, de 27 de novembro de 1998; arts. 1°, 3° e 4° da Lei n° 10.637, de 2002. Para a Cofins, os artigos 1° e 2° da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; artigos 2°, 3° e 8° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, (Decreto n° 4.524, de 2002, arts. 2° e 3°). Irresignado, tendo sido cientificado em 06/12/2006 (fl. 05), o autuado apresentou, em 05/01/2007, acompanhadas dos documentos de fls. 321/330 e Anexo I (fls. 02/124), as suas razões de discordância (fls. 309/320), a seguir resumidas: Fl. 362DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.013578/200671 Acórdão n.º 310200.925 S3C1T2 Fl. 356 3 Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente processo, alega que as fantasiosas receitas apuradas pela fiscalização em verdade representam reembolso de despesas financeiras incorridas, não constituindo fatos geradores das contribuições. Relata a autuada que firmou com o Município de Belo Horizonte contratos de prestação de serviços, sendo que em todos resta determinado que o preço proposto pela contratada constitui a única remuneração a ela devida pela execução dos serviços, nos temos da cláusula quarta — item 2. Assim, qualquer recebimento extraordinário não decorrente de reajuste de preço do serviço não teria correlação nenhuma com o direito do prestador à contraprestação pecuniária em razão dos serviços prestados. O que de fato ocorreu foi que, emitidas as notas fiscais para o pronto recebimento dos valores devidos, o município deixou de honrálos no vencimento, tendo, contudo, autorizado o contribuinte a descontálas perante instituições financeiras, comprometendose a arcar com as despesas inerentes à transação, promovendo o seu reembolso mediante tais contratos aditivos. Portanto, não podendo o contribuinte suportar o ônus das despesas financeiras, procedeu contabilmente de forma a anulálas, não constituindo receita sob nenhum ponto de vista. Prossegue em seu arrazoado, salientando que os denominados "Termos de Acordo e Transação" não devem ser entendidos como aditivos ao contrato original, até mesmo porque não alteraram nenhuma de suas cláusulas, eis que fundamentados no art. 65, II, "d", da Lei n° 8.666, de1993, tratandose de legítimo acordo entre as partes, pelo que tais recebimentos foram utilizados na recuperação de despesas financeiras cujo ônus, decorrente da impontualidade no cumprimento das obrigações do município, fora suportado pelo contribuinte. Assim, não se tratando de receita bruta operacional, não devem integrar a base de cálculo das contribuições, conforme jurisprudência administrativa que transcreve. Alega também que o Supremo Tribunal Federal vem decidindo pela inconstitucionalidade da extensão do conceito de faturamento, limitandoo de modo a não contemplar as receitas financeiras. Finalmente, requer seja julgado improcedente o lançamento, reconhecendo que as receitas que deixaram de ser levadas à tributação são, em verdade, receitas não operacionais, não constituindo base de cálculo das contribuições. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 04/02/2002, 29/01/2003 O faturamento para fins de incidência da Cofins e do PIS passou a ser considerado, nos termos de seus arts. 2°, 3°, e 9°, como a totalidade das receitas auferidas, independentemente do tipo de atividade desenvolvida pela pessoa jurídica e da classificação contábil adotada: A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria. Fl. 363DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 04/02/2002, 29/01/2003 O faturamento para fins de incidência da Cofins e do PIS passou a ser considerado, nos termos de seus arts. 2°, 3°, e 9°, como a totalidade das receitas auferidas, independentemente do tipo de atividade desenvolvida pela pessoa jurídica e da classificação contábil adotada: A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário apresentado pela recorrente. Para solução da lide, imperioso decidir, em primeiro lugar, quanto à correta classificação das receitas objeto da autuação fiscal. A recorrente argumenta trataremse de simples ressarcimentos por despesas incorridas com a antecipação de valores resgatados junto às instituições financeiras, se não vejamos. Nos contratos firmados, restou expressamente avençado que "o preço proposto pela contratada constitui a única remuneração a ela devida pela execução dos serviços..." (cláusula quarta). Com efeito, uma vez prestados os serviços a ora Recorrente emitiu as respectivas notas fiscais para pagamento. No entanto, o Município Contratante se quedou inadimplente, mas, por outro lado, autorizou a Contratada/Recorrente a receber tais valores junto a certas instituições financeiras. O custo financeiro atinente à transação, por óbvio, haveria de ser suportado pelo Município Contratante que, em vista de sua inadimplência, deu causa a toda transação financeira, conforme "Termos de Acordo e Transação" anexados à Impugnação. Posteriormente, em razão do efetivo reembolso das referidas despesas, a Recorrente tratou de anular contabilmente as despesas, de modo a não tributar os valores recebidos a título de REEMBOLSO. Muito embora os valores recebidos sejam originários de instituições financeiras, ao revés do que afirmou às fl. 337 o delegado julgador da decisão ora recorrida, tais valores não se enquadram em nenhum dos conceitos de "Receita Financeira" estabelecidos pelo Decreto n° 3.000/99, quais sejam: juros recebidos, Fl. 364DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.013578/200671 Acórdão n.º 310200.925 S3C1T2 Fl. 357 5 descontos obtidos, prêmio de resgate de títulos e debêntures, variações monetárias e rendimentos nominais relativos a aplicações financeiras. Em verdade, os recebimentos utilizados na recuperação das despesas financeiras têm como único escopo a restituição do ônus financeiro cominado ao contribuinte pela impontualidade do Município, não havendo o que se falar em receita bruta operacional, eis que não houve contraprestatividade por parte da Recorrente em relação a estes recebimentos. Para o i. Julgador de piso, embora não considere a classificação das receitas um fator determinante para manutenção do crédito exigido, tal não favorece à contribuinte. O argumento de que os valores recebidos o foram para fazer face a dispêndios de origem financeira não possui o condão de classificálos como receitas financeiras, como pretende a autuada, porquanto, nos termos da legislação tributária de regência da matéria (Decreto n° 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda) constituem receitas financeiras, entre outras, os juros recebidos, os descontos obtidos, o prêmio de resgate de títulos e debêntures, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações e os rendimentos nominais relativos a aplicações financeiras, não se vislumbrando do que dos contratos consta nenhuma dessas características. Ademais, ainda que se possa atribuir aos recebimentos certa natureza compensatória, decorrente do pagamento intempestivo por parte do contratante, tais importâncias, recebidas além do valor de direito contra terceiro, contabilizadas a título de recuperação de custo ou despesas, também integrariam a receita bruta operacional. Reproduzo a seguir os termos do ajustamento pactuado entre as partes. CLÁUSULA PRIMEIRA Acordam as partes em compor mútuos direitos e obrigações, mediante, reconhecimento pela CONTRATANTE, em favor da CONTRATADA, do crédito no montante de R$541.101,51 (quinhentos e quarenta e um mil, cento e um reais e cinqüenta e um centa"), em pagamento dos ônus adicionais e imprevistos por esta última suportados, decorrentes da falta de pagamento de parcelas relativas aos serviços executados. PARÁGRAFO ÚNICO — A documentação bancária de empréstimo obtido pela empresa contratada, da qual resultaram os cálculos dos encargos encontrase em arquivo próprio da DR.TOM — Diretoria Técnico Operacional e de Mobilização Social. Claro está trataremse de valores pagos à recorrente a título de ressarcimento por “pagamento dos ônus adicionais e imprevistos, quais sejam, encargos de empréstimos bancários contraídos em vista da “falta de pagamento de parcelas relativas aos serviços executados”. Ou seja, em vista do inadimplemento da contratante, a Consita obteve empréstimos bancários, sendo os encargos correspondentes mais tarde ressarcidos pela contratante. Não me parece que tais valores guardem tanta relação com o negócio originalmente avençado, tal como entendeu o i. Relator do voto condutor da decisão recorrida. Fl. 365DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 Uma vez fixadas as condições de interesse das partes para realização dos serviços de limpeza, estas foram expressamente incluídas no contrato firmado. Não havendo, por parte da contratante, o adimplemento do compromisso de pagar, a contratada contraiu empréstimo bancário, como meio de obter os recursos de que necessitava, pagando os encargos determinados pela instituição financeira. Mais tarde, a contratante ressarciu a contratada destas despesas. Observese que estes valores não foram fixados pela Consita e tampouco havia interesse da mesma em obter qualquer tipo de resultado neste negócio. Houve sim a compensação de uma despesa extra na qual incorreu, no exato valor determinado pelo banco, este sim titular do negócio e do faturamento correspondente. Segundo entendo, estes valores não podem ser classificados como faturamento pela venda de serviços de limpeza, pois não atendem a requisitos básicos para receberem tal designação. O faturamento de serviços se dá em função das condições determinadas pelo titular do negócio. Seja pelo tipo de opção que escolhe, assumindo os riscos do negócio, seja pela estimativa de custos, expectativa de lucros, demanda, oferta etc. A parte do negócio que escapa a estes preceitos deve ser classificada segundo suas próprias particularidades. No caso, houve apenas o ressarcimento por despesas bancárias nas quais a Consita incorrera, sem que essa tivesse tomada qualquer outra medida típica das relações negociais das quais decorre o faturamento por serviços. No que diz respeito ao alcance da tributação em epígrafe, de se destacar que a origem das Contribuições encontrase nas Leis Complementares nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e 07, de 07 de setembro de 1970. A primeira, em seu artigo 2º, referiuse à base de cálculo como sendo “o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza”, ao passo que a segunda, referiuse simplesmente ao “faturamento”, mais tarde especificado na Emenda Constitucional de Revisão nº 01/94 como “receita bruta operacional”. Percebese que as demais receitas, tais como alugueis, juros, descontos, correção monetária etc, não estão contempladas neste universo. De fato, a exigência encontra fundamento legal na Lei 9.718/98 que, ao promover o famigerado “alargamento da base de cálculo”, inclui na base tributável toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil, nos seguintes termos. Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Contudo, a inconformidade dos contribuintes alcançados pelo alargamento levou o assunto ao Poder Judiciário. A matéria terminou por ser decidida pelo Supremo Tribunal Federal, considerada como de repercussão geral, nos seguintes termos. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos Fl. 366DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.013578/200671 Acórdão n.º 310200.925 S3C1T2 Fl. 358 7 do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso Tal como disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, conforme alteração introduzida pela Portaria 586/2010, as matérias de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes."(AC) Código do Processo Civil Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5o O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Isto posto, temse que o disposto no § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, deve ser afastado na apreciação dos litígios influenciados pela determinação ali contida. Contudo, Fl. 367DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 necessário anotar que, no vertente caso, parte da exigência está sujeita às regras introduzidas pela Lei 10.637/02, especificamente a exigência da Contribuição para o Pis/Pasep referente ao fato gerador ocorrido em 29 de janeiro de 2003. Ao definir a base de cálculo da Contribuição para o Pis/Pasep como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, a Lei 10.637/02 passou a admitir que fossem excluídos da base de cálculo apenas alguns poucos ingressos especificados no parágrafo 3º do artigo 1º, dentre os quais não estão as receitas sub examine. Por todo o exposto, considerando a natureza dos valores identificados pela fiscalização e as modificações introduzidas pela Lei 10.637/02, VOTO POR DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário apresentado pela recorrente, mantendo exclusivamente o crédito tributário correspondente à contribuição para o Pis/Pasep referente ao fato gerador ocorrido em 29 de janeiro de 2003. Sala de Sessões, 01 de março de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 368DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 14041.000940/2007-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3403-000.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 15/10/2007, lavrado para exigir o crédito tributário relativo à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão Financeira – CPMF, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento do tributo, em relação aos períodos de apuração compreendidos entre 23/06/1999 e 01/01/2003. As citações dos números de folhas do processo se referem à imagem PDF e não ao processo físico. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .0 00 94 0/ 20 07 -1 0 Fl. 4079DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14041.000940/200710 Resolução nº 3403000.487 S3C4T3 Fl. 4 2 Segundo o termo de verificação fiscal de fls. 114 a 162, a fiscalização detectou que houve falta de retenção da CPMF em 22.580 contas sem embasamento legal para tal procedimento. As contas que deixaram de sofrer a retenção da CPMF foram agrupadas com base nos motivos que levaram à autuação. Os grupos e as motivações apresentadas pela fiscalização são, resumidamente, os seguintes: A Contas de titulares declarados como sendo pertencentes à administração pública direta e indireta. Segundo a fiscalização, este grupo contém contas cujos titulares são pessoas físicas, empresas públicas, sociedades de economia mista, entidades empresariais e afins, empresas de educação ou congêneres, entidades de previdência privada, cartórios e demais atividades jurídicas, fundações privadas, organizações religiosas, sindicatos, organizações políticas, associações, cooperativas e outras formas de organizações sem fins lucrativos. Segundo a fiscalização, não há previsão legal para que o banco deixe de fazer a retenção da CPMF em relação a essas entidades; B Contas de titulares declarados como entidades referidas no art. 8º, III, da Lei nº 9.311/96 (instituições financeiras, bolsas e cooperativas de crédito). Segundo a fiscalização, este grupo contém contas cujos titulares não são instituições financeiras, tais como administradoras de consórcio, empresas de previdência privada fechada e aberta, gestão de participações societárias (holdings). Alega a fiscalização que nenhum dos titulares dessas contas está cadastrado no Banco Central ou na Comissão de Valores Mobiliários, assim, não se enquadram na hipótese prevista no art. 8º, III, da Lei nº 9.311/96 (alíquota zero); C Contas de titulares declarados como sendo entidades beneficentes. Foram autuadas contas em relação às quais o banco não apresentou as declarações de entidade beneficente exigidas pelas Instruções Normativas da Receita Federal ou em relação às quais as declarações apresentadas eram inválidas; D Contas em relação às quais o banco não declinou os motivos para a não cobrança da CPMF. Foi detectado, ainda, que houve falta de recolhimento da CPMF em razão da instituição financeira ter oferecido a alguns clientes serviços de liquidação de compromissos com a utilização de cheques de terceiros, diretamente no caixa, sem que esses cheques de terceiros fossem depositados na conta corrente dos clientes e, portanto, sem a retenção da CPMF, violando o disposto no art. 2º, III, da Lei nº 9.311/96. Em sede de impugnação a defesa alegou em síntese o seguinte: a) Recolheu o crédito tributário lançado pela falta de retenção do tributo das contas de entidades beneficentes em relação às quais não conseguiu localizar ou regularizar as declarações exigidas pelas Instruções Normativas; b) Decadência do direito do fisco efetuar o lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos até 14/10/2002, com base na regra do art. 150, § 4º do CTN; c) Exigência de tributo fora do período fiscalizado, pois o procedimento fiscal teve por escopo o período de 17/06/1999 a 31/12/2002, mas o auto de infração abarcou também o período de 01/01/2003 a 08/01/2003; Fl. 4080DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14041.000940/200710 Resolução nº 3403000.487 S3C4T3 Fl. 5 3 d) Inadmissibilidade de tributação das contas de titularidade da União vinculadas ao título contábil 3120100007 do plano geral de contas do banco. As contas cujos números iniciam com “333” ou “555” são de titularidade da União, representadas por pessoas físicas e/ou jurídicas autorizadas a movimentálas. Eram movimentadas por pessoas físicas das unidades gestoras da administração direta e indireta, integrantes do SIAFI. Eram abertas por solicitação da STN e não admitiam nenhuma espécie de débito para pagamento de despesas, uma vez que destinadas exclusivamente à movimentação dos recursos do orçamento da União (IN STN nº 9/1992). Atualmente essas contas não mais existem, pois os recursos da União passaram a ser movimentados em conta única da União, conforme disciplinado na IN STN nº 4/1998; e) Inadmissibilidade de tributação das contas da Paranaprevidência. Segundo os arts. 2º e 3º da Lei Estadual nº 12.398, de 30/12/1998, essa entidade possui personalidade jurídica de direito privado e não tem fins lucrativos. Ela surgiu no lugar do antigo Instituto de Previdência e Assistência aos Servidores do Estado do Paraná, visando abrigar o sistema de seguridade social dos agentes públicos estaduais, seus dependentes e pensionistas. A Paranaprevidência faz jus à imunidade recíproca do art. 150, VI, “a” da CF/88, pois exerce, por delegação, atividade típica do Estado do Paraná; f) Inadmissibilidade de tributação das contas do BNDESPAR. A fiscalização fundamentou o lançamento na violação do art. 8º, III, da Lei nº 9.311/96, por entender que os lançamentos efetuados nessas contas não se sujeitavam à alíquota zero. Entretanto, o caso é de alíquota zero porque se tratam de movimentações de valores de conta corrente de depósito para conta de idêntica natureza do mesmo titular (transferências entre contas correntes 5.0326 e 715.0210, ambas de titularidade da BNDESPAR), nos termos do art. 8º, II, da Lei nº 9.311/96; g) Comprovação da isenção de entidades beneficentes. A fiscalização efetuou o lançamento em razão da ausência de apresentação das declarações de entidade beneficente previstas nas Instruções Normativas da Receita Federal. A defesa conseguiu obter parte das declarações comprobatórias, requerendo a desconstituição do crédito tributário em relação às contas das entidades a que se referem as declarações anexadas com a impugnação; h) Impossibilidade de tributação das operações de liquidação de compromissos/títulos de clientes com cheques de terceiros. Essas operações estão fora do campo de incidência da CPMF. Entende a recorrente que a entrega de cheques nominais endossados ao banco para pagamento de compromissos, objetivando a não incidência tributária, não caracteriza ilicitude. Essas operações estão no campo da elisão fiscal, isso porque tal procedimento compreende exatamente um ato de antecipação à ocorrência do fato gerador da CPMF, por meio da via legal disponível (art. 17, I, da Lei nº 9.311/96), evitando legitimamente a ocorrência do fato gerador. De acordo com o art. 2º, III, da Lei nº 9.311/96, o fato gerador só ocorrerá se os pagamentos forem efetuados por conta e ordem de terceiros, diversamente do que ocorre na situação fática autuada, onde o pagamento é efetuado pelo próprio cliente, beneficiário dos cheques nominais que são endossados ao Banco. Ainda que se admita que tal operação possa ser enquadrada no art. 2º, III, da Lei nº 9.311/96, no caso, não haveria tributo a recolher, pois a liquidação/pagamento de cheque está indicada na lei em hipótese de aplicação de alíquota zero de CPMF (art. 8º, V, da Lei nº 9.311/96). Fl. 4081DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14041.000940/200710 Resolução nº 3403000.487 S3C4T3 Fl. 6 4 Por meio do despacho de fls. 1554 a 1564 a DRJ – Brasília converteu o julgamento em diligência. Os autos retornaram com os documentos de fls. 1568 a 1626 e com o relatório de diligência de fls. 1628 a 1649. Regularmente notificado do relatório de diligência em 31/01/2012 (fl. 1650), o contribuinte apresentou manifestação às fls. 1654 a 1670, onde reforçou as alegações de decadência parcial e da não tributação das contas “333” e “555”, fato que fora reconhecido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em processo relativo ao próprio Banco do Brasil, por meio do Acórdão 930301.185 (fls. 1706 a 1724). Por meio do Acórdão 48.975, de 20 de julho de 2012, a 2ª Turma da DRJ Brasília julgou a impugnação parcialmente procedente, decidindo o seguinte: 1) Em relação ao pagamento parcial do valor lançado, no montante de R$ 8.610.846,64, ficou decidido que o procedimento da DRF em ter alocado o referido valor aos períodos de apuração mais antigos não tem nenhum amparo legal, pois o contribuinte indicou no arquivo denominado “Demonstração Valor Pago Analítica e Consolidado (anexado à fl. 796 do processo físico), a quais períodos e a quais matérias se referiam os aludidos pagamentos; 2) O pagamento efetuado alcançou valores devidos por fatos geradores cujo crédito tributário já havia sido extinto pela decadência do direito do fisco, cabendo à autoridade administrativa, encarregada da execução do acórdão, alocar esses pagamentos indevidos aos períodos de apuração remanescentes mais antigos; 3) Embora o sujeito passivo tenha identificado claramente na impugnação as matérias sobre as quais apresentou seu inconformismo, o próprio autuado recolheu certas exigências de CPMF referentes à parte de algumas das matérias impugnadas. Existem casos em que serão consideradas procedentes (ainda que em parte) as razões de impugnação em relação a determinadas matérias. Entretanto, no que tange a essas certas exigências de CPMF que foram pagas, é forçoso concluir que não se instaurou o litígio, não cabendo cogitar, nessa hipótese, de pagamento indevido; 4) Foi reconhecida a decadência em relação aos fatos geradores semanais, correspondentes aos períodos de apuração semanal nº 1 (de 17/06/1999 a 23/06/1999) até o de número 173 (de 03/10/2002 a 09/10/2002), restando não alcançadas pela decadência as exigências referentes ao período de apuração semanal nº 174 (de 10/10/2002 a 16/10/2002) até o de número 185 (de 26/12/2002 a 01/01/2003), conforme planilha elaborada pela fiscalização às fls. 1631 a 1642; 5) Foi rejeitada a alegação de que a autuação englobou fatos geradores não incluídos no MPF, pois o MPF de fl. 08, cientificado ao contribuinte em 06/07/2004, incluiu na fiscalização os períodos de janeiro de 2003 a junho de 2004; 6) Em relação às contas “333” e “555” de titularidade da União, foi considerada não impugnada a parcela recolhida pelo contribuinte sob esta rubrica. Quanto à parte não recolhida, a DRJ reconheceu o direito à não incidência da CPMF, com base no entendimento vertido no Acórdão 20179.608 (que foi mantido pela CSRF por meio do Fl. 4082DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14041.000940/200710 Resolução nº 3403000.487 S3C4T3 Fl. 7 5 Acórdão 930301.185). A tabela contendo os valores não impugnados e os excluídos encontrase nas fls. 3928 e 3929; 7) Foi mantido o lançamento em relação às contas da Paranaprevidência, sob o argumento de que a imunidade recíproca só se refere aos impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços da União, Estados e Municípios. Além disso, não se aplica ao caso o art. 150, § 2º, da CF/88, pois a Paranaprevidência possui personalidade jurídica de direito privado, não se confundindo com autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público. Também é inaplicável ao caso o art. 3º, I e V, da Lei nº 9.311/96, pois a Paranaprevidência não é uma entidade beneficente de assistência social; 8) Foi cancelado o lançamento em relação às contas do BNDSPAR, pois com base nos extratos bancários anexados com a impugnação, a DRJ entendeu que os lançamentos a débito na conta corrente 5.0326 tiveram como histórico “transferência de saldo” desta conta para a conta 715.0210, ambas de titularidade do BNDSPAR. A tabela contendo o valor exonerado encontrase às fls. 3931 a 3932; 9) Relativamente às contas de entidades beneficentes, entendeu a DRJ que embora o contribuinte tenha apresentado diversas declarações firmadas por entidades beneficentes para fins de não incidência da CPMF, uma parte do crédito tributário lançado sob esta rubrica foi atingido pela decadência e outra parte não foi impugnado, em razão de o contribuinte ter efetuado o recolhimento parcial. Assim, concluiu a DRJ que só restaram para análise as declarações de entidades beneficentes relativas ao período de 01/01/2002 a 31/12/2002. A defesa apresentou à fl. 1480 uma relação de 24 contascorrentes de entidades beneficentes e as correspondentes declarações foram anexadas às fls. 1482 a 1524. A DRJ considerou que das 24 contas impugnadas, cinco delas não foram objeto da autuação (contas nº 2217, 5148, 15425, 18608 e 31730) e, portanto, não teriam as declarações de entidades beneficentes analisadas. Em relação às demais declarações apresentadas, a DRJ entendeu que estavam de acordo com os requisitos estabelecidos no art. 1º, §§ 1º e 2º da IN SRF nº 44, de 02/05/2001 combinado com o Ato Declaratório Executivo SRF nº 69, de 31/12/2001. A tabela contendo os valores lançados, não impugnados (recolhidos) e excluídos sob esta rubrica encontrase na fl. 3934; 10) Foi mantida a exigência da contribuição sobre as operações de liquidação de compromissos/títulos de clientes com cheques de terceiros, sob o argumento de que a utilização de créditos, direitos ou valores, não creditados em contacorrente de depósitos de seu titular, para liquidação, compensação ou pagamento de obrigações desse mesmo titular, sem a correspondente cobrança da contribuição, constituía violação do art. 2º, III, da Lei nº 9.311/96 (conforme Ato Declaratório nº 33, de 17/05/2000 e art. 3º, § 8º da IN SRF nº 173, de 11/07/2002, aos quais a DRJ está vinculada). Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 23/08/2012 (fl. 3963), o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 3964 a 3985 alegando, em síntese, o seguinte: 1) Em face do cancelamento da exigência sobre as contas de titularidade da União, os valores recolhidos parcialmente tornaramse indébitos tributários, uma vez que devem ser excluídos da autuação, não havendo que se falar em parcela não impugnada; Fl. 4083DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14041.000940/200710 Resolução nº 3403000.487 S3C4T3 Fl. 8 6 2) Em relação às entidades beneficentes, não há que se falar em valores não impugnados. Aqui também surgiu um indébito tributário que deve ser restituído à recorrente, pois uma parte do crédito foi exonerado pela decadência e a outra parte porque se considerou que as contas eram de titularidade das entidades beneficentes, conforme as declarações que foram aceitas pela DRJ; 3) Reiterou a alegação de decadência do direito do fisco e pleiteou a manutenção do acórdão recorrido nesta parte; 4) Pleiteou a restituição do indébito resultante do pagamento efetuado antes do julgamento de primeira instância, sob o argumento de que o lançamento já foi declarado indevido e que a não devolução do valor pago configura a violação de vários princípios jurídicos, além de enriquecimento sem causa da União; 5) Relativamente às contas da Paranaprevidência, reprisou que se trata de uma entidade que faz jus à imunidade recíproca do art. 150, VI, “a” da CF/88, pois é uma entidade que exerce, por delegação, atividade típica do Estado do Paraná. Também faz jus à imunidade do inciso VI, “c” e § 2º do mesmo dispositivo constitucional, pois se qualifica como instituição de assistência social sem fins lucrativos. A DRF – Curitiba, escorada na Solução de Consulta Interna nº 31, de 02/12/2003 e na Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DISIT nº 205, de 04/12/2003, reconheceu o caráter público dos recursos movimentados pela entidade, os quais comprovadamente pertencem ao Estado do Paraná e destinamse aos pagamentos de benefícios previdenciários dos segurados inativos e pensionistas daquele ente federativo (Anexo 2 ao recurso); 6) No que tange às operações de liquidação de compromissos/títulos de clientes com cheques de terceiros, reprisou e reforçou as alegações de impugnação, no sentido de que se trata de planejamento tributário e que tais operações não são alcançadas pela incidência prevista no art. 2º, III, da Lei nº 9.311/96. Caso esse argumento seja superado, reiterou que se trata de operação sujeita à alíquota zero, enquadrandose no art. 8º, V, da Lei nº 9.311/96; 7) Alegou que o auto de infração deve ser revisto de ofício, pois afrontou o princípio da verdade material. É inadmissível que se considere válido um lançamento maculado por vício e incorreção que comprometem a essência da cobrança do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso de ofício preenche o requisito formal de admissibilidade, pois os valores da contribuição e da multa de ofício exonerados pelo acórdão de primeira instância superaram o limite de alçada, conforme se pode comprovar no demonstrativo “B”, de fls. 3955 a 3961. O recurso voluntário também preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido e julgado por este colegiado. Fl. 4084DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14041.000940/200710 Resolução nº 3403000.487 S3C4T3 Fl. 9 7 Uma das matérias postas no recuso de ofício para revisão por parte deste colegiado é a decadência do direito do fisco. No que concerne a essa questão, este colegiado está vinculado pelo art. 62A do Regimento Interno à interpretação do art. 150, § 4º do CTN versada no RESP nº 973.733, decidido sob a sistemática do art. 543C do CPC. Verificase na fl. 3921 que o acórdão da DRJ – Brasília aplicou ao caso concreto a Súmula Vinculante nº 8 do STF e o Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008, que contém basicamente o mesmo entendimento vertido no RESP nº 973.733. A decisão recorrida considerou que “No caso dos autos, é incontroverso que houve recolhimentos da CPMF no período abrangido pela autuação”. Entretanto, um fato só pode ser considerado incontroverso quando tiver sido alegado por uma parte e admitido pela parte contrária. E definitivamente não é isso que consta dos autos. A fiscalização silenciou sobre a existência ou a inexistência do pagamento antecipado a que alude o art. 150, § 1º do CTN e a defesa também não alegou e nem comprovou que efetuara tais pagamentos. O que se tem nos autos é a omissão de informação quanto à existência ou inexistência de pagamentos antecipados e não um fato incontroverso. Ninguém se pronunciou sobre a existência de pagamento antecipado. Para que se possa analisar o recurso de ofício interposto pela DRJ, na parte em que aquele órgão decidiu pela decadência do direito do fisco, é preciso que este colegiado saiba com certeza em quais períodos houve ou não houve o pagamento antecipado que alude o art. 150, § 1º do CTN, uma vez que deverá ser aplicado ao caso o entendimento do acórdão do STJ acima indicado. Com esses fundamentos, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem, a fim de que a autoridade administrativa adote as seguintes providências: a) Em relação aos fatos geradores considerados decaídos pela DRJ, ou seja, em relação aos períodos de apuração semanais nº 1 (de 17/06/1999 a 23/06/1999) até o de nº 173 (de 03/10/2002 a 09/10/2002), informar em quais houve o pagamento antecipado da CPMF, a que alude o art. 150, § 1º, do CTN, e em relação a quais não houve pagamento; b) Juntar as telas do sistema SINAL ou um extrato desse sistema para fins de comprovação nos autos. Atendida esta solicitação, os autos deverão retornar a este colegiado para que se prossiga no julgamento dos recursos. Antonio Carlos Atulim Fl. 4085DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10865.908708/2009-31
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO ENTRE ESTIMATIVAS DO MESMO TRIBUTO NO MESMO ANO
1. O que se restitui ou compensa, em regra, é o saldo negativo (seja de IRPJ ou de CSLL), e não as estimativas destes tributos, mas esse entendimento restritivo em relação à restituição/compensação de estimativas merece ponderações, especialmente quando o débito a ser compensado corresponde a outra estimativa do mesmo tributo e no mesmo ano.
2. Na sistemática de apuração anual todos os recolhimentos de estimativa feitos ao longo do ano contribuem igualmente nesta apuração, independentemente do mês a que se refira cada um deles.
3. A razão para a apresentação de PER/DCOMP, objetivando deslocar excedentes de estimativa entre os meses de um mesmo ano, é apenas de evitar a aplicação da multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativa em um determinado mês, enquanto há excesso em outro.
Numero da decisão: 1802-001.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO ENTRE ESTIMATIVAS DO MESMO TRIBUTO NO MESMO ANO 1. O que se restitui ou compensa, em regra, é o saldo negativo (seja de IRPJ ou de CSLL), e não as estimativas destes tributos, mas esse entendimento restritivo em relação à restituição/compensação de estimativas merece ponderações, especialmente quando o débito a ser compensado corresponde a outra estimativa do mesmo tributo e no mesmo ano. 2. Na sistemática de apuração anual todos os recolhimentos de estimativa feitos ao longo do ano contribuem igualmente nesta apuração, independentemente do mês a que se refira cada um deles. 3. A razão para a apresentação de PER/DCOMP, objetivando deslocar excedentes de estimativa entre os meses de um mesmo ano, é apenas de evitar a aplicação da multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativa em um determinado mês, enquanto há excesso em outro.
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O que se restitui ou compensa, em regra, é o saldo negativo (seja de IRPJ ou de CSLL), e não as estimativas destes tributos, mas esse entendimento restritivo em relação à restituição/compensação de estimativas merece ponderações, especialmente quando o débito a ser compensado corresponde a outra estimativa do mesmo tributo e no mesmo ano. 2. Na sistemática de apuração anual todos os recolhimentos de estimativa feitos ao longo do ano contribuem igualmente nesta apuração, independentemente do mês a que se refira cada um deles. 3. A razão para a apresentação de PER/DCOMP, objetivando deslocar excedentes de estimativa entre os meses de um mesmo ano, é apenas de evitar a aplicação da multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativa em um determinado mês, enquanto há excesso em outro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 87 08 /2 00 9- 31 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/200931 Acórdão n.º 1802001.848 S1TE02 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/200931 Acórdão n.º 1802001.848 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1435.123, às fls. 95 a 105: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório em que foi apreciada a PER/DCOMP de n° 18604.36870.030907.1.7.049621, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 2362) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 2362). Por intermédio do despacho decisório de fl. 01, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado "por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 08/11, acompanhada dos documentos de fls. 12/44, na qual alega, em síntese, que: a) no mês de agosto/2006, apurou base de cálculo negativa do IRPJ, no valor de R$ 237.167,82, conforme consta da Ficha 11 da DIPJ/2007; b) no dia 17/11/2006, efetuou pagamento indevido no valor de R$ 79.914,75; c) no mês de outubro/2006, a manifestante apurou base de cálculo positiva no valor de R$ 281.747,46, o que gerou IRPJ a pagar, em 30/11/2006, no valor de R$ 39.553,77; d) do referido valor devido, R$ 27.521,77 foram compensados na data de 03/09/2007; e) a compensação levada a efeito pela Manifestante revestiuse de. caráter inteiramente satisfativo do crédito tributário da Receita Federal; f) sob o aspecto legal carece de fundamento a glosa da compensação levada a efeito pela Manifestante; g) o .órgão julgador da RFB buscou fundamento para impugnar a compensação no artigo 10 da Instrução Normativa n° 600/2005; h) a própria Receita Federal, contudo, entendendo ser imperioso e justo que as empresas tenham efetuado pagamento indevido ou a maior em meses anteriores, houve por bem alterar o artigo 10 da IN .SRF n° 600/2005, a teor do artigo 11 da IN RFB n° 900/2008, para Fl. 185DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/200931 Acórdão n.º 1802001.848 S1TE02 Fl. 5 4 excluir do texto do artigo 10 as disposições: “bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal.”; i) tratandose de pagamento indevido e não de retenção indevida, a Manifestante não está limitada a somente utilizar o indébito no final do período de apuração. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 17/11/2006 RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. ANTECIPAÇÃO. Os recolhimentos de IRPJ por estimativa são meras antecipações, não sendo passíveis de restituição, a não ser após a apuração de saldo negativo ao final do anocalendário. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/11/2006 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 09/03/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 05/04/2012, onde reitera os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Além disso, informa que está juntando aos autos cópias das fichas 9A, 11 e 12A da DIPJ/2007; extratos dos pagamentos referentes ao IRPJ do ano 2006, efetuados no código 2362; Livro LALUR; e as DCTF dos períodos envolvidos. Este é o Relatório. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/200931 Acórdão n.º 1802001.848 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 31/01/2007 (conforme consulta ao sítio da Receita Federal) e retificada em 03/09/2007, na qual utiliza um alegado crédito decorrente de pagamento indevido referente à estimativa de IRPJ do mês de agosto/2006, feito em 17/11/2006, no valor total de R$ 79.914,75. O crédito informado no PER/DCOMP corresponde a uma parte do referido pagamento indevido (R$ 32.918,72), e o débito objeto da compensação é referente à parcela da estimativa de IRPJ do mês de outubro/2006, informada com as seguintes rubricas: Principal: 27.521,77 Multa: 5.504,35 Juros: 547,68 Há outro PER/DCOMP em que a Contribuinte utiliza outra parte do alegado pagamento indevido, que é objeto do processo nº 10865.908709/200985, também examinado nesta sessão de julgamento. A negativa da Delegacia de origem foi amparada no entendimento de que os recolhimentos de estimativa mensal só poderiam ser utilizados na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que apurou, mediante balancetes de suspensão/redução, base de cálculo negativa para a estimativa de IRPJ do mês de agosto/2006, o que tornou indevido o referido pagamento. Ela destacou também que houve alteração no texto contido no art. 10 da IN SRF nº 600/2005, modificando a regra que restringia a compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação. De acordo com a decisão de primeira instância administrativa, os “recolhimentos mensais por estimativa” a maior efetuados durante o anocalendário pela interessada não seriam pagamentos passíveis de compensação. Ainda segundo a DRJ, mesmo que se admitisse o recolhimento a maior de estimativa como pagamento indevido ou a maior passível de restituição/compensação, a Fl. 187DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/200931 Acórdão n.º 1802001.848 S1TE02 Fl. 7 6 Contribuinte não teria se desincumbido do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, mediante as seguintes considerações: [...] Por tudo isso, concluise que os “recolhimentos mensais por estimativa” a maior efetuados durante o anocalendário pela interessada não são pagamentos passíveis de compensação em cada mês, pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda, conforme pressupostos definidos nos artigos 165 e 170 do CTN, bem como no art. 74, caput, da Lei 9.430/96, vez que a lei permite a compensação de valor pago de tributo, quando este se referir à modalidade de extinção de obrigação tributária, o que não abrange o Fl. 188DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/200931 Acórdão n.º 1802001.848 S1TE02 Fl. 8 7 recolhimento por estimativa, por não significar extinção de crédito tributário. Noutro giro, ainda que se admitisse o recolhimento a maior de estimativa como pagamento indevido ou a maior de tributo, esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Assim, caberia à recorrente trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis que identificassem, inequivocamente, a base de cálculo do IRPJ do mês de agosto de 2006, o imposto de renda devido em meses anteriores (até julho/2006) e os recolhimentos que deram origem ao indébito pretendido. Ainda mais, quando a contribuinte é pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real que, nos termos do artigo 7º do Decretolei n° 1.598, de 1977, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. Nesse contexto, indispensáveis, portanto, os registros contábeis de conta no ativo do imposto a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos nos livros “Diário” ou “Lalur”, a demonstração do resultado do exercício, etc., além dos registros pertinentes do livro “LALUR”, principalmente porque, para se antecipar ao ajuste anual (tributação pelo lucro real anual) e não ter que recolher tributo a maior durante o ano, a contribuinte levantou balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução. Destarte, a juntada de documentos que demonstrem a efetividade e liquidez do crédito que a interessada aduz possuir e a comprovação de que referido crédito foi apurado e compensado de acordo com as normas legais é obrigação da pretendente. A par disso, assim dispõe o Código de Processo Civil, art. 333: [...] No caso presente, a recorrente, com o recurso a esta instância julgadora, não apresentou qualquer elemento contábil que comprovasse o indébito pleiteado. Por tais razões, quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/200931 Acórdão n.º 1802001.848 S1TE02 Fl. 9 8 Ora, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de n° 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante de todo o exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. Cabe destacar, no entanto, que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Nesse sentido, também vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário cópias das fichas 9A, 11 e 12A da DIPJ/2007; extratos dos pagamentos referentes ao IRPJ do ano 2006, efetuados no código 2362; Livro LALUR; e a DCTF do mês de agosto/2006. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/200931 Acórdão n.º 1802001.848 S1TE02 Fl. 10 9 Vêse que a Contribuinte apurou as estimativas mensais de IRPJ em 2006 mediante balancetes cumulativos de suspensão/redução. Até o mês de agosto, foram apuradas bases mensais negativas, e de setembro a dezembro bases mensais positivas crescentes (R$ 1.965.005,13, em 31/12/2006). Os valores discriminados na DIPJ como base de cálculo mensal das estimativas correspondem aos valores registrados mensalmente no LALUR. Em agosto/2006 foi apurada uma base negativa de R$ 237.167,82, mas a Contribuinte recolheu estimativa de R$ 67.954,73 para esse período, que ainda foram acrescidos com multa e juros, perfazendo o total recolhido de R$ 79.914,75. A DCTF também não indica a existência de débito de estimativa de IRPJ para o mês de agosto/2006. No ajuste anual não foi computado qualquer valor de dedução como estimativa de agosto/2006. E o PER/DCOMP apresentado serviu tão somente para deslocar uma parte do recolhimento feito indevidamente referente ao mês de agosto/2006 (R$ 32.918,72) para a quitação de parcela da estimativa do mês de outubro (com a rubrica principal de R$ 27.521,77, mais acréscimos). Os documentos apresentados são suficientes para a homologação da compensação. Desde o início, a negativa ao pleito da Contribuinte busca fundamento no argumento de que os recolhimentos de estimativa não podem ser objeto de restituição ou compensação, haja vista que eles só poderiam ser utilizados na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração anual, ou para compor saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Quanto a isso, é importante mencionar que tal entendimento já foi superado, inclusive com súmula editada pelo CARF: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mas a questão deste processo envolve aspectos que vão além desse debate sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa. Cabe registrar que de fato, em regra, o que se restitui ou compensa é o saldo negativo (seja de IRPJ ou de CSLL), e não as estimativas destes tributos. Contudo, esse entendimento restritivo em relação à restituição/compensação de estimativas sempre mereceu ponderações, especialmente quando o débito a ser compensado corresponde a outra estimativa do mesmo tributo e no mesmo ano. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/200931 Acórdão n.º 1802001.848 S1TE02 Fl. 11 10 Isto porque na sistemática de apuração anual todos os recolhimentos de estimativa feitos ao longo do ano contribuem igualmente nesta apuração, independentemente do mês a que se refira cada um deles. Tanto a apuração final (ajuste anual) quanto os balancetes mensais de suspensão/redução de tributo são cumulativos, computandose neles todos os fatos e recolhimentos ocorridos a partir de primeiro de janeiro até o último dia do período a que se refiram. Assim, pela própria sistemática dos sucessivos Balancetes de suspensão/redução ao longo do mesmo ano, um eventual excesso de estimativa acaba sendo absorvido nos meses posteriores, para, ao final, ser levado como dedução no ajuste anual, independente do mês a que se refira. Para tanto, não seria nem mesmo necessária a apresentação de PER/DCOMP. Com efeito, a Contribuinte tem o direito de computar o recolhimento em pauta na apuração de ajuste em 2006, seja como estimativa de agosto, seja como estimativa de outubro. Aliás, ao computar o referido recolhimento como estimativa de outubro, a Contribuinte inclusive reduz a dedução que poderia fazer no ajuste, uma vez que passa a computar os acréscimos legais sobre o novo débito, incluindo a multa de mora. No caso, a razão para a apresentação do PER/DCOMP, objetivando deslocar o valor de R$ 32.918,72 de agosto para quitar estimativa de R$ 27.521,77 em outubro, é apenas de evitar a aplicação da multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativa em um mês, enquanto há excesso em outro. Realmente, não há nada a obstar que parte do recolhimento a título de estimativa de IRPJ de agosto/2006, no valor total de R$ 79.914,75, realizado em 17/11/2006, seja utilizado para a quitação de parte da estimativa de IRPJ de outubro do mesmo ano, no valor de R$ 27.521,77 mais acréscimos. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para homologar a compensação, no limite do crédito reconhecido, observados os acréscimos legais cabíveis, conforme a data de envio do PER/DCOMP. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 192DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/200931 Acórdão n.º 1802001.848 S1TE02 Fl. 12 11 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.003746/2003-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
EMENDA CONSTITUCIONAL N. 20/1998. EXECUÇÃO. JUSTIÇA DO TRABALHO.
A partir de 16 de dezembro de 1998, é de competência exclusiva da Justiça do Trabalho promover a execução das contribuições previdenciárias destinadas à previdência social e às entidades e fundos, devendo a fiscalização abster-se de lançar qualquer débito que porventura verificar em ação fiscal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Marcelo Oliveira e Henrique Pinheiro Torres que davam provimento e a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo que dava provimento parcial para excluir a multa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Redator - Designado
EDITADO EM: 11/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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EXECUÇÃO. JUSTIÇA DO TRABALHO. A partir de 16 de dezembro de 1998, é de competência exclusiva da Justiça do Trabalho promover a execução das contribuições previdenciárias destinadas à previdência social e às entidades e fundos, devendo a fiscalização absterse de lançar qualquer débito que porventura verificar em ação fiscal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Marcelo Oliveira e Henrique Pinheiro Torres que davam provimento e a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo que dava provimento parcial para excluir a multa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 37 46 /2 00 3- 41 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10950.003746/200341 Acórdão n.º 9202002.545 CSRFT2 Fl. 172 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Redator Designado EDITADO EM: 11/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 10423.077, da 4a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes (fls. 142 a 145), julgado na sessão plenária de 06 de março de 2008, pelo voto de qualidade, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para considerar como isentas as verbas trabalhistas auferidas por extinção contratual reconhecida pela Justiça do Trabalho. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS FALTA DE RETENÇÃO DO IRF Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do credito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula 1° CC n° 12, DOU, seção 1, dias 26, 27 e 28/02/2006). INCIDÊNCIA DO IMPOSTO ACORDO TRABALHISTA INDENIZAÇÃO POR DOENÇA PROFISSIONAL. As verbas Fl. 2DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10950.003746/200341 Acórdão n.º 9202002.545 CSRFT2 Fl. 173 3 trabalhistas auferidas por extinção contratual reconhecida pela Justiça do Trabalho como de natureza indenizatória não incide a tributação do imposto de renda. Recurso provido. Cientificada dessa decisão em 26/05/2010 (fl. 146), a Fazenda Nacional manejou, no mesmo dia, recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência da prova e de divergência (fls. 149 a 164). Na parte em que aponta contrariedade à lei ou à evidência da prova, afirma que o contribuinte abriu mão de duas ações trabalhistas para firmar acordo onde deu quitação integral do contrato de trabalho e renunciou a qualquer estabilidade decorrente de doença profissional. Nesta situação, o pagamento das verbas ao contribuinte não se deu como forma de recomposição de seu patrimônio (como acontece quando se trata de pagamento de valores indenizatórios), mas como opção sua e mera liberalidade do empregador. Assim, a decisão teria contrariado as provas dos autos, pois a análise do acordo trabalhista leva à conclusão de que as verbas nele tratadas não se encontram entre aquelas consideradas isentas pela legislação tributária. Na parte em que indica divergência de interpretação da lei tributária, aponta paradigma que, ao examinar acordo trabalhista no qual o contribuinte renunciou à estabilidade no emprego a que fazia jus por lei, recebendo em decorrência valores a esse título, considerou que a referida verba não possuía caráter indenizatório e tampouco se subsumia a alguma das hipóteses isentivas expressamente estabelecidas em lei. Tratase do Acórdão no 10246.538, da 2a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, julgado na sessão plenária 10 de novembro de 2004, cuja ementa se transcreve: Ementa: IRPF INDENIZAÇÃ0 PAGA A EMPREGADO ESTÁVEL Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte os valores recebidos a título de indenização especial, mediante acordo em decorrência de rescisão de contrato de trabalho, no curso do período de estabilidade assegurado ao empregado que ocupa cargo de direção sindical, especialmente quando não decorre de convenção trabalhista homologada pela Justiça do Trabalho ou sentença proferida em dissídio coletivo. O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 165 a 166. Cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional em 16/03/2011 (fl. 169), o contribuinte não apresentou contrarrazões (fl. 170). É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10950.003746/200341 Acórdão n.º 9202002.545 CSRFT2 Fl. 174 4 Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A discussão cingese à tributação pelo imposto de renda dos rendimentos recebidos a título de “Indenização de Reparação de Danos”, no valor de R$ 100.000,00, no acordo trabalhista firmado pelo contribuinte e o HSBC Bank Brasil S/A. Observese que o acordo foi firmado para encerrar o contrato de trabalho, pondo fim a duas ações trabalhistas propostas pelo contribuinte. Transcrevo os itens do acordo de interesse à discussão (fls. 28 a 29): 4. As partes compõem, também, que o valor pago referese a quitação integral do contrato de trabalho, envolvendo as duas ações trabalhistas propostas pelo Autor sob os números RT 5660/1998 (4a Vara do Trabalho de Maringá) e RT 1973/2001 (1a Vara do Trabalho de Maringá), renunciando, ainda, o Autor, a qualquer estabilidade decorrente de doença profissional. (...) 7. As partes declaram que as verbas que compõem o presente acordo são: REFLEXO EM AVISO PRÉVIO INDENIZADO R$ 5.507,39 DIFERENÇA DE FGTS + MULTA R$ 48.342,63 INDENIZAÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS R$ 100.000,00 DIFERENÇA DE FERIAS + 1/3 R$ 7.343,18 VERBAS SALARIAIS R$ 91.789,81 Diante do conjunto probatório, tenho que concordar com os argumentos do recurso especial e do voto vencido do acórdão guerreado, no sentido de que não está comprovada a natureza não tributável da verba paga. Com bem ressaltado no citado voto vencido, a simples atribuição do nome “indenização” à verba não a exclui do alcance da norma de incidência do imposto de renda. Para isso, seria necessário a comprovação da natureza do dano que se pretende reparar, para que então se pudesse concluir pela inexistência de acréscimo patrimonial. O acórdão recorrido entendeu que estava comprovado nos autos que o contribuinte fora acometido por doença profissional, que lhe rendeu a percepção de auxílio doença e a estabilidade de doze meses a partir do retorno do trabalho, e que se estaria indenizando a renúncia a essa estabilidade. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10950.003746/200341 Acórdão n.º 9202002.545 CSRFT2 Fl. 175 5 Entretanto, toda essa conclusão foi tirada do item 4 do acordo, acima transcrito, que incluía a renúncia do autor a “qualquer” estabilidade decorrente de doença profissional. Ora, o voto vencido, analisando o caso concreto, concluiu que, na melhor das hipóteses, se o contribuinte tivesse direito a alguma estabilidade por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, o prazo restante não seria superior a seis meses. E pergunto: como explicar a indenização, por um período tão curto, no valor de R$100.000,00, de um total de R$ 252.983,01? A própria quantia recebida demonstra que se refere a outra causa jurídica. E teria sido fácil ao contribuinte produzir provas da natureza da reparação dos danos, bastando trazer aos autos cópias das ações judiciais impetradas. Ao invés disso, o recurso se concentrou apenas na responsabilidade da fonte pagadora, matéria devidamente rechaçada pelo acórdão recorrido. Não é possível que, em sede de recurso administrativo, o julgador tenha que fazer um esforço interpretativo para encontrar nos autos a natureza não tributária da verba, quando o contribuinte não se desincumbiu da tarefa, em especial quando teve a oportunidade de fazêlo. A regra geral é a de tributação dos proventos de qualquer natureza recebidos, devendose provar a sua não aplicação. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional para manter o lançamento efetuado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10950.003746/200341 Acórdão n.º 9202002.545 CSRFT2 Fl. 176 6 Voto Vencedor Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Designado Apesar dos substanciosos argumentos apresentados pelo i. Conselheiro Relator, ouso divergir pelos seguintes fundamentos. Contribuições Previdenciárias em face de acordos e sentenças trabalhistas Da análise dos autos verificase que se trata de lançamento lavrado em face de acordo foi firmado para encerrar o contrato de trabalho, pondo fim a duas ações trabalhistas propostas pelo contribuinte: 4. As partes compõem, também, que o valor pago referese a quitação integral do contrato de trabalho, envolvendo as duas ações trabalhistas propostas pelo Autor sob os números RT 5660/1998 (4a Vara do Trabalho de Maringá) e RT 1973/2001 (1a Vara do Trabalho de Maringá), renunciando, ainda, o Autor, a qualquer estabilidade decorrente de doença profissional. (...) 7. As partes declaram que as verbas que compõem o presente acordo são: REFLEXO EM AVISO PRÉVIO INDENIZADO R$ 5.507,39 DIFERENÇA DE FGTS + MULTA R$ 48.342,63 INDENIZAÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS R$ 100.000,00 DIFERENÇA DE FERIAS + 1/3 R$ 7.343,18 VERBAS SALARIAS R$ 91.789,81 Com a Emenda Constitucional n ° 20/1998, publicada em 16.12.1998, houve uma cisão de competência jurisdicional em relação às contribuições previdenciárias. Como regra a competência para dizer o direito em relação aos tributos federais é da Justiça Federal, conforme art. 109 da Carta Magna. Contudo, em relação às reclamatórias trabalhistas a competência será da Justiça do Trabalho. Considerando que a Justiça do Trabalho possui competência constitucional para execução de ofício das sentenças que proferir (art. 114 da Constituição Federal); da mesma forma que a decisão que reconhecer a não incidência de contribuições não poderá ser rediscutida pela Previdência Social, a decisão que reconhecer a incidência também não poderá ser rediscutida fora do Poder Judiciário. Por uma questão lógica, quem é competente para executar é também competente para declarar tal direito. Para a Previdência Social, a decisão homologatória, em matéria trabalhista, não possui o condão de se tornar definitiva sem que antes seja conferida a oportunidade de manifestação do órgão previdenciário, conforme previsto expressamente no parágrafo único do art. 831 da CLT. Art. 831 A decisão será proferida depois de rejeitada pelas partes a proposta de conciliação. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10950.003746/200341 Acórdão n.º 9202002.545 CSRFT2 Fl. 177 7 Parágrafo único. No caso de conciliação, o termo que for lavrado valerá como decisão irrecorrível, salvo para a Previdência Social quanto às contribuições que lhe forem devidas. (Redação dada pela Lei nº 10.035, de 25.10.2000) A interpretação a ser conferida é que uma vez homologado o acordo, não cabe naqueles autos a interposição de recurso, seja pelo autor, seja pelo réu. Somente a Previdência é que pode interpor o recurso, seja o recurso ordinário, seja embargos de declaração, ou se na fase de execução o agravo por petição, conforme o caso. Agora, não se manifestando naqueles autos ocorre a preclusão para o órgão previdenciário. Não é outro o entendimento do Colendo TST, cujo enunciado da Súmula n ° 259 retrata o que aqui foi exposto, nestas palavras: Termo de Conciliação. Ação Rescisória. Só por ação rescisória é impugnável o termo de conciliação previsto no parágrafo único do art. 831 da CLT. Nesse sentido, foi expedida IN/INSS/DC n. 70, de 15 de maio de 2002, que em seu artigo 54 definiu qual o procedimento a ser adotado pelo INSS: Art. 54. Quanto às reclamatórias trabalhistas encerradas na Justiça do Trabalho, a fiscalização deverá adotar os procedimentos a seguir, respeitando os respectivos períodos: I nas sentenças e nos acordos homologados até 15 de dezembro de 1998, data da edição (data anterior ao início da vigência) da Emenda Constitucional nº 20, o AFPS, durante a auditoria fiscal, ao constatar contribuições previdenciárias devidas ou com recolhimento a menor em reclamatórias trabalhistas, deverá apurar e lançar os créditos correspondentes; II a partir de 16 de dezembro de 1998, é de competência exclusiva da Justiça do Trabalho promover a execução das contribuições previdenciárias destinadas à previdência social e às entidades e fundos, devendo a fiscalização absterse de lançar qualquer débito que porventura verificar em ação fiscal. Dito isso, entendo que a Secretaria da Receita Federal do Brasil não possui competência para lançamento, haja vista que há perante aquela Justiça Especializada representação da Fazenda Nacional. Pelo exposto, voto conhecer do recurso, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 7DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10950.003746/200341 Acórdão n.º 9202002.545 CSRFT2 Fl. 178 8 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13887.000348/2010-09
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2011
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2011 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 7. 00 03 48 /2 01 0- 09 Fl. 29DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000348/201009 Acórdão n.º 1801001.658 S1TE01 Fl. 30 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fl. 05, com a exigência do crédito tributário no valor de R$23.840,16 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 20.08.2010 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de janeiro do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 19.03.2010. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0204, com as alegações a seguir transcritas. De acordo com a legislação, o Município de Araras passou a utilizar o sistema de lançamento 1.7 do DCTF Mensal, e não mais o DCTF Semestral que utilizávamos em anos anteriores, tomamos conhecimento ao encaminhar as informações após a alteração do Regime de Semestral para Mensal, que estaríamos sendo multado pelo encaminhamento das informações em atraso referente ao período de Janeiro de 2010, ao qual ocorreu através da Notificação em 20/08/2010. [...]Fazse necessário analisar que o Município de Araras efetua os pagamentos do PASEP mensalmente, portanto, não estando inadimplente com os pagamentos mensais do PASEP, ao qual se refere o DCTF mensal. [...]Pretendese questionar a legalidade da multa regulamentar imposta pelo descumprimento Fl. 30DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000348/201009 Acórdão n.º 1801001.658 S1TE01 Fl. 31 3 extemporâneo da obrigação acessória de entregar DCTF, com base [no art. 161 do Código Tributário Nacional]. O artigo 161 do CTN fixa a regra geral de que a inadimplência acarreta o pagamento agravado de juros de mora, correção monetária e multas pela mora, sem prejuízo da imposição de penalidades previstas em lei. O artigo 138 define exceção a esta regra, sendo claro ao estabelecer que o inicio de qualquer medida de fiscalização afasta a aplicação do instituto da denuncia espontânea. [...] O art. 138 do CTN estatui que se o contribuinte, espontaneamente e antes do inicio de qualquer medida de fiscalização relacionados com a infração, reconhece e confessa a infração cometida, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora ou procedendo ao depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o valor do tributo dependa de apuração, ficará excluído da responsabilidade (multa) pela infração à legislação tributária. A aplicação do artigo 138 exige a presença de seus pressupostos cumulativos de exclusão de responsabilidade: a) confissão espontânea; b) desistência do proveito da infração; c) deve ser feita antes do início de qualquer medida de fiscalização relacionada com a infração; d) deve ser feito o pagamento simultâneo do principal corrigido, acompanhado dos juros de mora ou o depósito da importância arbitrada; e) não se tratar de responsabilidade acessória autônoma, sem vínculo direto com o fato gerador. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que o lançamento é nulo, nos seguintes termos: Do exposto, podese concluir que a multa regulamentar cobrada pela Administração Tributária não está em harmonia com a legislação, posto que: a) a denúncia espontânea alcança as obrigações acessórias autônomas, decorrente do poder de polícia da administração; b) ainda que a Autuada preenche os pressupostos cumulativos de exclusão de responsabilidade, tendo em vista que não houve prévio início de medida de fiscalização relacionada com a infração e houve recolhimento do PASEP mensal relativo ao DCTF em questão. À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Termos em que, p. deferimento. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000348/201009 Acórdão n.º 1801001.658 S1TE01 Fl. 32 4 Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1436.721, de 17.02.2012, fls. 1517: Impugnação Improcedente. Consta no Voto condutor O nãocumprimento de uma obrigação acessória convertea em principal relativamente à penalidade pecuniária. A entrega da declaração de rendimentos constitui obrigação acessória prevista no CTN, e a multa pelo atraso na entrega está contida na legislação tributária como sanção pelo inadimplemento tributário, aplicada pela inobservância dos deveres acessórios. Não se pode admitir a alegação de ter havido a denúncia espontânea, pois a entrega da declaração se deu fora do prazo legal, sendo a multa fixada em lei e indenizatória da impontualidade, ou seja, constitui uma sanção punitiva da negligência. Dessa forma, com fulcro no art. 113, tornase aplicável a penalidade pelo não cumprimento da obrigação acessória de apresentação da declaração, lançada de acordo com o dispositivo legal descrito no auto de infração. Interpretandose sistematicamente os dispositivos do CTN, temse que o art. 138 não se desfez da multa por atraso na entrega de declaração. Restou ementado ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Notificada em 30.03.2012, fl. 21, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 30.04.2012 (segundafeira), fls. 2226 e 28, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de Fl. 32DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000348/201009 Acórdão n.º 1801001.658 S1TE01 Fl. 33 5 março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos que instruem os autos foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional1. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente diz que o lançamento não poderia ter ido realizado sem prévia intimação. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador2. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante da multa de ofício isolada devida e identificação do sujeito passivo e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 46, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 2 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000348/201009 Acórdão n.º 1801001.658 S1TE01 Fl. 34 6 A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal. O instituto da denúncia espontânea não abrange a obrigação acessória.3. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 4, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Assim, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui 3 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 4 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 5 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000348/201009 Acórdão n.º 1801001.658 S1TE01 Fl. 35 7 confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). O sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos6. Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; 6 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000348/201009 Acórdão n.º 1801001.658 S1TE01 Fl. 36 8 (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores7. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 20.08.2010 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de janeiro do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 19.03.2010. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 7 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000348/201009 Acórdão n.º 1801001.658 S1TE01 Fl. 37 9 Carmen Ferreira Saraiva Fl. 37DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10875.902752/2009-18
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Valdirene Lopes Franhani, OAB/SP 141.248. Adiado o julgamento para o período vespertino a pedido da recorrente.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Valdirene Lopes Franhani, OAB/SP 141.248. Adiado o julgamento para o período vespertino a pedido da recorrente. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior a título de COFINS. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 02 75 2/ 20 09 -1 8 Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.902752/200918 Resolução nº 3801000.525 S3TE01 Fl. 12 2 contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese: 1) O Despacho Decisório deve ser declarado nulo, uma vez que não cumpre os requisitos essenciais de validade do ato administrativo, qual seja, a motivação. 2) A Recorrente informou em seu Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), que apurou no mês de set/2005, COFINS a pagar no valor de R$ 409.904,78 (doc.05). Posteriormente, retificou referido valor para R$ 429.710,06 e o pagou através de DARF, no mesmo valor. 3) Ocorre que a Recorrente voltou a encontrar equívocos em sua contabilidade e chegou à conclusão de que o valor da COFINS a pagar era, na verdade, de R$ 295.789,86, em decorrência de alguns créditos que estava deixando de tomar. Diante disso, se tornou detentora de crédito no valor de R$ 133.920,20, decorrente da diferença entre o valor apurado inicialmente e o valor retificado em seu DACON, o qual foi então utilizado para compensar débito de COFINS, referente ao período de apuração ago/2006, cujo valor inicial do crédito original utilizado na DCOMP é exatamente os R$ 133.920,20, que atualizados na data da transmissão (15/09/2006) somam a quantia de R$ 152.427,97. 4) Muito embora a Recorrente tenha reconhecido o recolhimento a maior e o utilizado para a compensação mencionada, a entrega da DACON retificadora somente ocorreu em 07/04/2009. 5) Destaca que a Câmara Superior de Recursos Fiscais firmou o entendimento de que se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como é o caso da COFINS, o prazo para o contribuinte apresentar a retificação das informações prestadas à RFB, coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional. 6) Requer a realização de diligencia, afim de comprovar os fatos acima descritos. Ao analisar o caso. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, alegando que a contribuinte apenas alega na manifestação, em preliminar, a nulidade do Despacho Decisório, não trazendo ao processo nenhuma comprovação da efetividade dos supostos indébitos compensados e das bases de cálculo sobre as quais teriam sido realizados. Argumenta que em sede de exame de declaração de compensação, no qual a ação cabe à interessada,a esta cabem todos os esclarecimentos e as comprovações de seu pleito. Dispõe não ser possível fazer nenhuma confrontação de dados se a contribuinte não traz dados fidedignos aptos a provar o direito alegado, e que não cabe ao Fisco procurar supostas provas a favor do contribuinte, pois é ônus exclusivo deste, provar o que alega, nos termos do art.333, do Código de Processo Civil. Alega ser correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.902752/200918 Resolução nº 3801000.525 S3TE01 Fl. 13 3 confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente traz, basicamente, as mesmas alegações apresentadas em sua Manifestação de Inconformidade. Também traz aos autos demonstrativo de apuração das bases de cálculo das contribuições a serem compensadas, cópia do livro de apuração do IPI que reflete o faturamento e cópia de parte do Livro Razão que reflete os lançamentos contábeis relativos à apropriação indevida. É o relatório. VOTO O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Campinas, sob o argumento de que o reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Ocorre, contudo, que a Recorrente, além de ter indicado corretamente em sua DACON os valores dos créditos, retificou a sua DCTF, fazendo jus, a princípio, aos créditos utilizados na compensação não homologada pela Douta Delegacia da Receita Federal de Campinas. No julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Campinas poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.902752/200918 Resolução nº 3801000.525 S3TE01 Fl. 14 4 Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ......................................................................................................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.902752/200918 Resolução nº 3801000.525 S3TE01 Fl. 15 5 Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.902752/200918 Resolução nº 3801000.525 S3TE01 Fl. 16 6 busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, as DCTFs que foram retificadas pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstram créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Guarulhos, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além das DCTF’s retificadas, a DACON, demonstrativo de apuração das bases de cálculo das contribuições a serem compensadas, cópia do livro de apuração do IPI que reflete o faturamento e cópia de parte do Livro Razão que reflete os lançamentos contábeis relativos à apropriação indevida. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/Guarulhos para: Com base nas retificações realizadas pela Recorrente, nos documentos contábeis e fiscais da Recorrente e nos documentos anexados ao presente Recurso Voluntário, apurar se o valor do crédito indicado na compensação é suficiente para liquidar o débito compensado; Intimar a Recorrente a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Relator Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.902752/200918 Resolução nº 3801000.525 S3TE01 Fl. 17 7 Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15374.913223/2008-23
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que a repartição de origem informe o regime de apuração do imposto de renda da recorrente no ano-calendário 2003 e ateste a apuração dos créditos procedida. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que a repartição de origem informe o regime de apuração do imposto de renda da recorrente no ano-calendário 2003 e ateste a apuração dos créditos procedida. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que a repartição de origem informe o regime de apuração do imposto de renda da recorrente no anocalendário 2003 e ateste a apuração dos créditos procedida. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 41789.88449.130804.1.3.041604, fls. 3/7, em que utilizou como crédito pagamento supostamente indevido de PIS cumulativo, relativo aos períodos de apuração agosto/2003, no valor de R$ 7.961,50. Despacho Decisório eletrônico, de 12 de agosto de 2008, da Derat/Rio de Janeiro, fl. 8, não homologou a DComp em face de o pagamento indicado na DComp ter sido RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 13 22 3/ 20 08 -2 3 Fl. 491DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.913223/200823 Resolução nº 3803000.322 S3TE03 Fl. 492 2 utilizado integralmente para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PeR/DComp. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 10, a Manifestante alegou que a origem do crédito deuse pela alteração no regime de tributação, com a introdução da não cumulatividade veiculado pela Lei 10.637/2002, fazendo jus aos créditos do PIS pelos custos dos apartamentos construídos para venda, não computados na apuração do pagamento do PIS do mês de agosto de 2003, conforme DARF, mas corretamente declarada no DACON e na DCTF que retificou após o despacho decisório. Em julgamento da lide, a DRJ/Rio de Janeiro II asseverou que cabe à Contribuinte o dever de comprovar a origem do crédito alegado no PerDComp, com a exigência de que a prova deveria consubstanciarse em documentação contábil/fiscal robusta para suportar sua alegação. Afirmou que a Contribuinte apenas alegara que o Dacon, fl. 13, que deduz do PIS apurado o crédito no valor de R$ 7.958,67, está corretamente declarado e que retificara a DCTF, sem juntar aos autos qualquer documento contábil/fiscal que pudesse corroborar o direito alegado. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. PROVA. MOMENTO. PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Cientificada da decisão em 24 de março de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, 51/62, em 24 de abril de 2012, em que, reiterou o seu direito aos créditos de PIS incidente sobre os bens e serviços aplicados na atividade, somados ao crédito derivado da presunção de abertura de estoque, segundo o art. 11 da Lei nº 10.637/2002. Anexou documentos e planilhas em que descreve os itens que compõem a base de cálculo dos créditos e reclama por sua admissão, em vista da aplicação do princípio da verdade material, com amparo em diversos julgados administrativos de primeira instância e do extinto Conselho de Contribuintes. É o relatório. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.913223/200823 Resolução nº 3803000.322 S3TE03 Fl. 493 3 VOTO Conselheiro Belchior Melo Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. De início, registrese que não se pode atribuir erro à decisão recorrida, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Contribuinte com base no que a Manifestante deixou de trazer na defesa: a prova da alegação de erro no preenchimento da DCTF. No presente processo temse como fatos que: (i) a Contribuinte transmitira a DComp em 13 de agosto de 2004; (ii) fêlo com suporte em anterior retificação que procedera no Dacon transmitido em 16 de julho de 2004; (iii) não houve modificação da base de cálculo do débito de PIS, que alcançou o valor de R$ 10.312,55, antes do desconto dos créditos, quitado; e (iv) a alteração que gerou o crédito utilizado na DComp deuse por conta de levantamento de créditos a cujos descontos a Contribuinte declara ter direito. No recurso voluntário a Recorrente anexou os documentos abaixo, todos referentes ao mês de agosto de 2003: a) notas fiscais de bens e serviços utilizados na atividade da empresa, incluindo as contas de água e energia elétrica; b) do livro fiscal Registro de Entradas de Materiais e Serviços de Terceiros, de exigência legal municipalREMAS, com Termo de Início; c) de planilhas descritivas dos elementos que compuseram as receitas e as entradas de insumos, com totalizações das bases de cálculo assim apuradas pela Contribuinte. A planilha de custos totaliza o valor de R$ 318.983,01, do qual informa ter utilizado como base dos créditos total de custos com bens e serviços o montante de R$ 274.427,53; d) folhas de pagamento de salários e rescisões de contrato de trabalho; e) contratos de Promessa de Compra e Venda e Outros Pactos. A duas, destaquese que, nada obstante a força dos indícios do direito alegado, os elementos de prova trazidos no recurso voluntário não tornam, ainda, o direito da Recorrente líquido e certo. Isso, porque o art. 8º da Lei nº 10.637/2002 estabelece que certas pessoas jurídicas, algumas atividades e determinadas receitas permanecem sob o regime de apuração do PIS previsto na Lei nº 9.718/981, e no rol estão as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido. Dos autos, extraise que nem a atividade nem a natureza jurídica da empresa a obrigam a apurar o seu resultado pelo lucro real. Por outro lado, as receitas informadas nos três 1 Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: [..] II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; Fl. 493DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.913223/200823 Resolução nº 3803000.322 S3TE03 Fl. 494 4 períodos de apuração atinentes aos processos ora em análise são um dado insuficiente para afirmar que esta empresa esteve obrigada ao lucro real no anocalendário 2003. Dessa forma, existe a possibilidade de que no anocalendário 2003 esta pessoa jurídica tenha apresentado seus resultados com base no lucro presumido. Confirmandose esta hipótese a Contribuinte não poderia apurar as contribuições pela sistemática não cumulativa. Este é o ponto que impede seja certo o direito da Recorrente. Contudo, é substancioso o acervo de documentos trazidos no recurso sob exame. Em vista deles, uma vez confirmada a opção desta pessoa jurídica pelo lucro real, não é de se fazer tabula rasa do direito ao creditamento pelo fato de a Recorrente têlos trazido apenas no recurso voluntário. Justifico. O litígio decorrente da apreciação das compensações declaradas passou a ser submetido ao rito do Processo Administrativo Fiscal, regido pelo Decreto nº 70.235/72, a partir da data publicação da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003). Assim, a princípio, deve o litigante submeterse à observância do art. 16, § 4º2, que trata do momento processual de apresentação das provas como sendo o da manifestação de inconformidade, ou, ainda, até a decisão de primeira instância, autorizado pelo órgão julgador3. É consabido que a norma legal do art. 16, § 4º, citado, tem sua aplicação originária ao processo de determinação e exigência de crédito tributário, cujos fatos imputados ao fiscalizado devem ser respaldados pela provas levantadas e apresentadas pelo fisco no procedimento inquisitório do lançamento. É exigência, ainda, desse feito que os fatos de que é acusado o autuado estejam pontual e claramente descritos. Este modelo de ação tem por fim permitir o exercício da ampla defesa do contribuinte, sob amparo de garantia constitucional. Este rito foi tomado por empréstimo para reger o procedimento administrativo de apreciação da compensação tributária, como acima referido (MP 135/2003), logo após a inauguração do seu novel regime pela MP nº 66, de 29 de agosto de 2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002). O procedimento da compensação operada pelo contribuinte pode assemelharse ao de determinação e exigência de crédito tributário quando o despacho decisório sustentase em Termo de Verificação Fiscal elaborado presencialmente, forma por meio da qual ficam evidenciados os erros em que incorre o contribuinte, bem assim as providências e as provas que 2 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) 3 § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 494DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.913223/200823 Resolução nº 3803000.322 S3TE03 Fl. 495 5 ele deve suprir para elidir a apuração fiscal, permitindolhe amplamente o exercício do seu direito de defesa. O despacho decisório eletrônico não cumpre este desiderato. O meio eletrônico de sua emissão torna a sua diagramação sintética que, embora descreva de forma objetiva o fato imediato subjacente ao teor da decisão, não permite revelar os motivos mediatos, causais que resultam na não homologação. A decorrência disso é que o teor da intimação para a apresentação de manifestação de inconformidade não fornece todos os elementos de que deve se valer o contribuinte, e exigíveis pela Administração, para subsidiar a sua defesa. Somente na decisão de primeira instância é que o julgador, por vezes, levanta a exigência das provas, e nem sempre de forma específica. Em situação como a presente, deixar de acolhêlas na fase recursal cerceia a ampla defesa do contribuinte, promove desvalor ao princípio da verdade material (que informa o Processo Administrativo Fiscal), e ao da moralidade (que rege os atos da Administração), este, a impedir que se negue a repetição de comprovado indébito e sua utilização na DComp, resultante de posterior apuração do contribuinte. Esta Contribuinte retificara o Dacon deduzindo do débito apurado (pago integralmente) crédito de mesmo valor, em data antecedente à transmissão da DComp, 16 de julho de 2004, para a seguir utilizar o indébito correspondente ao DARF pago na DComp em análise. No entanto, não retificou concomitantemente a DCTF, excluindo o débito. Se tomada esta providência a sua compensação, decerto, teria sido homologada eletronicamente. Por essas razões, entendo que o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite enquadrar a presente situação. No caso presente, os indícios da existência de créditos são sobremodo fortes, aptos a reduzir em algum valor a contribuição apurada. Nada obstante fortes, não os tornam líquidos ainda, ante a possibilidade de a Contribuinte ter incluído insumos que não sejam objeto de creditamento, nos termos legais. Pelo exposto, com fulcro no art. 18 , II, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência para que a Derat/Rio de Janeiro informe: a) qual o regime de apuração do imposto de renda desta pessoa jurídica no ano calendário 2003; b) se submetida à apuração pelo lucro real, ateste se os documentos trazidos aos autos respaldam a apuração dos créditos procedida pela Contribuinte no Dacon, composto de crédito presumido sobre os estoques em 31 de dezembro de 2002, no valor de R$ 3.607,46, e de crédito sobre bens e serviços no valor de 4.351,21, de cuja soma, R$ 7.958,67, foi utilizado o mesmo valor para dedução da contribuição relativa ao mês de agosto de 2003. Sala das sessões, 27 de junho de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 495DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.913223/200823 Resolução nº 3803000.322 S3TE03 Fl. 496 6 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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