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Numero do processo: 10865.900225/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO - INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO
O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc.
Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc.
Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96.
COMPENSAÇÃO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO
Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal.
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. RECONHECIMENTO COMO SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE
As estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano-calendário.
Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002.
Numero da decisão: 1302-002.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 RESTITUIÇÃO INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96. COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. RECONHECIMENTO COMO SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE As estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 02 25 /2 00 8- 15 Fl. 3753DF CARF MF Processo nº 10865.900225/200815 Acórdão n.º 1302002.027 S1C3T2 Fl. 3.754 2 Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem sintetizar o processo, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto SP a seguir transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar Fl. 3754DF CARF MF Processo nº 10865.900225/200815 Acórdão n.º 1302002.027 S1C3T2 Fl. 3.755 3 débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ estimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 06/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que seria nulo o despacho decisório recorrido por ausência de fundamentação e motivação do indeferimento do pedido, com afronta a dispositivos legais e constitucionais; que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que caberia as autoridades fiscais diligenciar junto à empresa para averiguar os valores informados em PER/DCOMP, em observância ao princípio da verdade material e as disposições constitucionais que regem a administração pública; que “a simples declaração da existência de um crédito a ser restituído e/ou compensado com outros débitos administrados pela Receita Federal já é suficiente para que a fiscalização federal utilize todos os meios hábeis para comprovar a veracidade do pedido do contribuinte, em especial a comprovação da existência de um crédito tributário”; Fl. 3755DF CARF MF Processo nº 10865.900225/200815 Acórdão n.º 1302002.027 S1C3T2 Fl. 3.756 4 Ao final requer seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade, anulando o despacho decisório recorrido e restabelecidas as compensações efetuadas. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, na conformidade da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento afirmou que as estimativas mensais não poderiam caracterizar pagamento a maior passível de compensação, dada a sua Fl. 3756DF CARF MF Processo nº 10865.900225/200815 Acórdão n.º 1302002.027 S1C3T2 Fl. 3.757 5 natureza de mera antecipação. Contudo, entendeu que deveria examinar eventual apuração, pela Contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão (2001), já que este poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. Nesse contexto, fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, firmando que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação em sua peça impugnatória. Inconformada com a decisão de primeira instância administrativa, da qual tomou ciência em 28/07/2010, a Contribuinte apresentou em 26/08/2010 o recurso voluntário de fls. 94 a 130, com os argumentos abaixo: DOS FATOS Em virtude das antecipações efetuadas a título de imposto de renda durante o anocalendário 2001, ao final do exercício a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ, razão pela qual decidiu solicitar a restituição/compensação dos valores pagos a maior, por meio da transmissão de diversas Declarações de Compensação utilizando o indigitado crédito (Doc. 03); DA PROVA Inicialmente, importante destacar a necessidade do conhecimento dos documentos acostados ao presente recurso voluntário que atestam a legitimidade do crédito proveniente da apuração de saldo negativo de IRPJ no exercício de 2001 (Doc. 04 – DARF´s; Doc. 05 DIPJ/2001; e Doc. 06 LALUR/2001), em obediência ao princípio da verdade material que norteia o procedimento administrativo fiscal federal; É imperioso o conhecimento do presente recurso voluntário e a análise dos argumentos expostos, que indubitavelmente acarretarão no reconhecimento integral dos créditos de IRPJ e, por consectário, na extinção dos débitos compensados; Fl. 3757DF CARF MF Processo nº 10865.900225/200815 Acórdão n.º 1302002.027 S1C3T2 Fl. 3.758 6 Ainda que a existência do crédito não tenha sido comprovada quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, em razão da necessidade de se observar o princípio da verdade material, a Recorrente pode fazêlo neste momento sem prejuízos; DO DIREITO DO CRÉDITO PLEITEADO A Recorrente adotava a sistemática de apuração do IRPJ por estimativa mensal, tendo efetuado pagamentos estimados no decorrer do ano calendário de 2001 (vide doc. 04) e, com o fechamento de seu balanço contábil, verificou o pagamento a maior do referido tributo, gerando, desta forma, o denominado saldo negativo (vide doc. 05); Referida sistemática encontra respaldo no artigo 6°, § 1°, inciso II, da Lei n° 9.430/96; Da análise dos documentos fiscais acostados pela Recorrente é possível constatar a apuração do saldo negativo de IRPJ no importe de R$ 140.283,14 vide doc. 05 DIPJ/2001), sendo certo que esse crédito é suficiente para liquidar o débito debatido no presente procedimento administrativo, bem como todos os demais débitos extintos com a utilização do referido saldo negativo através da transmissão de PER/DCOMP's; A Recorrente possuía um crédito no valor de R$ 140.283,14, o qual foi corretamente utilizado para quitar débitos administrados pela Receita Federal do Brasil; Inclusive, remanesceu em favor do Recorrente saldo credor de R$ 40.887,18, mesmo após ter efetuado as compensações supra mencionadas; Em que pese a Recorrente tenha informado nas PER/DCOMP's o valor dos recolhimentos por estimativa, e não o saldo negativo, é certo que esse procedimento não fulmina a existência do seu crédito tributário; Da análise dos documentos fiscais acostados ao recurso, e principalmente da DIPJ/2001 e das guias DARF´s, é visível que todos os recolhimentos mensais Fl. 3758DF CARF MF Processo nº 10865.900225/200815 Acórdão n.º 1302002.027 S1C3T2 Fl. 3.759 7 por estimativa (vide docs. 04 e 05) geraram recolhimentos a maior, os quais são passíveis de compensação; O crédito utilizado pela Recorrente é líquido e certo, não havendo razão para a manutenção do indeferimento da presente compensação, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional e artigo 74 da Lei n° 9.430/96; Diante da comprovação da existência do saldo negativo de IRPJ através da DIPJ anocalendário 2001, não obstante o preenchimento do PER/DCOMP tenha sido efetuado com o valor do IRPJ recolhido por estimativa, não há razão para o não reconhecimento do direito creditório pleiteado; Um simples vício formal não tem o condão de extinguir o direito da Recorrente, mesmo porque a Receita Federal do Brasil, através de seu banco de dados, tem como verificar os valores efetivamente recolhidos a título de IRPJ; A D. Autoridade Julgadora, por ter todas as informações em seu sistema, poderia ter verificado a sua existência, ou ter intimado a Recorrente a apresentar documentos capazes de comprovar o crédito, não podendo simplesmente indeferir o pleito da Recorrente; A simples ocorrência de erro formal não macula a existência do crédito apurado em decorrência dos recolhimentos a maior efetuados pela Recorrente no anocalendário de 2001 a título de IRPJ; Tendo em vista que no caso em tela o crédito pleiteado decorre de recolhimentos efetuados a maior, devidamente comprovados através do saldo negativo apurado no anocalendário 2001 (vide docs. 04 e 05), e compensados dentro do prazo legal, é de rigor o reconhecimento do direito creditório pleiteado pela Recorrente, com a consequente extinção do débito compensado; DA DECADÊNCIA Fl. 3759DF CARF MF Processo nº 10865.900225/200815 Acórdão n.º 1302002.027 S1C3T2 Fl. 3.760 8 Cabe destacar, ainda, que no caso em tela o crédito de IRPJ apurado no anocalendário 2001 não pode ser objeto de questionamento por parte das autoridades fiscais, em razão da decadência; O saldo negativo apurado em 2001 foi homologado tacitamente em 2007, extinguindose o direito do Fisco de discutir o crédito compensado, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional; Sendo o IRPJ um tributo sujeito ao lançamento por homologação, o contribuinte apura o valor do tributo, o declara e efetua o pagamento do montante que considera devido, sendo certo que no caso em discussão, a Recorrente ao invés de apurar saldo devedor de IRPJ, no final do exercício de 2001, apurou crédito, o qual foi devidamente discriminado na DIPJ ano calendário 2001; Assim, caberia ao Fisco o dever de fiscalizar os procedimentos adotados pelo contribuinte, e realizar o lançamento das eventuais diferenças apuradas dentro do quinquídio legal; Uma vez que o saldo negativo apurado pela Recorrente nunca foi alvo de contestação pela D. Autoridade Fiscal, é certo que as informações declaradas na DIPJ do anocalendário 2001 encontramse homologados, ainda que tacitamente; O saldo negativo apurado pela Recorrente no ano de 2001 foi tacitamente homologado em 2007, com a consequente ausência do direito da D. Autoridade Fiscal em discordar da compensação efetuada pela Recorrente; A decisão administrativa proferida em 24/04/2008 é manifestamente extemporânea, haja vista que o ano de 2007 o saldo negativo de IRPJ não era mais passível de glosa por parte da D Autoridade Fiscal. Exatamente nesse sentido é a jurisprudência firmada por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (decisões transcritas); E nem que se diga que a DIPJ retificadora, transmitida em 08/03/2004, tenha alterado o marco inicial para o decurso do prazo decadencial, haja Fl. 3760DF CARF MF Processo nº 10865.900225/200815 Acórdão n.º 1302002.027 S1C3T2 Fl. 3.761 9 vista que, como consabido, o prazo decadencial não é interrompido ou suspenso. Além disso, a referida declaração não alterou a composição do saldo negativo apurado originalmente no anocalendário de 2001; Contandose o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, a apuração do saldo negativo referente ao ano de 2001, utilizado para a quitação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, foi tacitamente homologado no ano de 2007, motivo pelo qual, mais uma vez, devem ser reconhecidas como legítimas as compensações efetuadas pela Recorrente; DO PEDIDO A Recorrente solicita seja o presente recurso conhecido e provido para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado, bem como para que sejam homologadas as compensações efetuadas. Vindo os autos para julgamento por este Egrégio Conselho, o mesmo foi convertido em diligência para esclarecer os seguintes pontos (368/378), litteris: É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade: 1) junte aos autos cópia integral da DIPJ do anocalendário de 2001; 2) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJ no anocalendário de 2001; o valor das estimativas recolhidas referentes a 2001; o valor das retenções sofridas a título deste imposto no mesmo período; as receitas relativas a estas retenções, averiguando se elas foram computadas pela Contribuinte na base de cálculo do imposto; 3) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; Fl. 3761DF CARF MF Processo nº 10865.900225/200815 Acórdão n.º 1302002.027 S1C3T2 Fl. 3.762 10 4) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Baixado os autos em diligência, foi produzido relatório circunstanciado pela Delegacia da Receita Federal de Limeira/SP, aduzindo, resumidamente, o seguinte (fls. 3719/3723): 2 O valor do saldo negativo de IRPJ é de R$ 140.283,14, mas o crédito utilizado pelo contribuinte para compensação limitouse ao valor do pagamento, esclarecendo que não foi utilizado o pagamento de R$ 106,87, feito para o mês de maio de 2001: 3 Não há previsão legal para restituição de ofício. Portanto o crédito original a ser reconhecido na totalidade dos processos não pode ser superior a R$ 94.185,13. Intimada do relatório de diligência, a recorrente pleiteia que seja homologada a sua PERDCOMP tendo em visto o reconhecimento na integralidade do valor do seu saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 140.283,14. É o relatório. Fl. 3762DF CARF MF Processo nº 10865.900225/200815 Acórdão n.º 1302002.027 S1C3T2 Fl. 3.763 11 Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA O presente Recurso Voluntário foi apresentado em conformidade com o que dispõe o art. 33, do Decreto 70.235/72, portanto, dele conheço. Quanto ao argumento da decadência trazido pela recorrente, entendemos que não é aplicável ao caso vertente. É certo que após o transcurso do prazo decadencial, não pode o Fisco realizar procedimento fiscal visando modificar a base de cálculo do tributo, seja para exigir débitos, ou para reverter/reduzir prejuízo fiscal. O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96. Por isso a alegação de decadência não tem o efeito pretendido pela recorrente, no sentido de justificar uma restituição automática do alegado direito creditório. Superada essa questão, passamos a análise do mérito propriamente dito. Compulsando a PERDCOMP (06224.49917.150604.1.3.049302) objeto da presente lide, observase que o contribuinte pleiteou a compensação de seu débito tributário com crédito decorrente de pagamento indevido ou maior de IRPJ referente a estimativa do mês de junho de 2001, senão vejamos: Fl. 3763DF CARF MF Processo nº 10865.900225/200815 Acórdão n.º 1302002.027 S1C3T2 Fl. 3.764 12 Fl. 3764DF CARF MF Processo nº 10865.900225/200815 Acórdão n.º 1302002.027 S1C3T2 Fl. 3.765 13 O despacho decisório não reconheceu o direito creditório da recorrente pelo seguinte motivo (fls.12): Fl. 3765DF CARF MF Processo nº 10865.900225/200815 Acórdão n.º 1302002.027 S1C3T2 Fl. 3.766 14 Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, temse que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 2° da Lei n° 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do anocalendário, proceder a apuração do tributo devido, sendo autorizada a dedução dos valores anteriormente recolhidos por estimativa, para efeitos de determinação do tributo a pagar. Da leitura do texto legal podese inferir que o lucro real, deve ser apurado trimestralmente, como regra, e que a apuração anual é uma alternativa que, para seu exercício requer pagamentos mensais por estimativa nos termos dos artigos 222, 223, 228 a 230 do RIR/99. Assim, a pessoa jurídica, ao optar pela apuração do imposto de renda com base no lucro real anual, poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo, calculado com base no lucro real do período em curso. O levantamento de balanços ou balancetes mensais equivale ao próprio ajuste efetuado entre o mês de janeiro e o mês de levantamento do balanço ou balancete. O tributo calculado com base no lucro real daquele período (janeiro ao mês de levantamento do balanço) será comparado com todo o tributo recolhido sobre as operações de janeiro até mês anterior ao do levantamento do balanço ou balancete. Se a soma dos pagamentos efetuados for maior que o tributo devido apurado com base no balanço ou balancete, a empresa não terá que pagar o tributo relativo ao mês de levantamento do balanço. Se o tributo apurado no balanço ou balancete for maior, a empresa deverá pagar a diferença. Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano calendário. Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002. Passando a análise do mérito do caso em apreço, o pedido formalizado em PER/DCOMP tem por objeto o crédito do tipo "pagamento indevido ou a maior" de IRPJ estimativa mensal de junho de 2001, código de arrecadação 2362. O relatório de diligência ao analisar de forma pormenorizada o cálculo do Imposto de Renda por estimativa no anocalendário de 2001 afirmou o seguinte: Fl. 3766DF CARF MF Processo nº 10865.900225/200815 Acórdão n.º 1302002.027 S1C3T2 Fl. 3.767 15 3 No anocalendário de 2001, o contribuinte apurou os seguintes valores de IRPJ devido por estimativa: Fl. 3767DF CARF MF Processo nº 10865.900225/200815 Acórdão n.º 1302002.027 S1C3T2 Fl. 3.768 16 O total de imposto de renda retido na fonte deduzido na apuração do imposto de renda devido por estimativa é de R$ 26.432,29 e para validar o saldo negativo apurado, o contribuinte teria que ter sofrido retenção no valor total de R$ 45.991,14 e ter oferecido a receita correspondente à tributação. A retenção feita pela fonte pagadora Bradesco já comprova a retenção deduzida bem como o valor oferecido à tributação. Assim, o valor do saldo negativo de IRPJ confirmado é de R$ 140.283,14. (...) Fl. 3768DF CARF MF Processo nº 10865.900225/200815 Acórdão n.º 1302002.027 S1C3T2 Fl. 3.769 17 Diante da análise pormenorizada efetuada pela unidade preparadora, não restam dúvidas quanto ao direito creditório do contribuinte. Contudo, andou bem a unidade preparadora ao chamar a atenção deste colegiado que o contribuinte não pleiteou a compensação do seu saldo negativo de IRPJ (R$ 140.283,14), mas sim do pagamento indevido ou a maior por ele pleiteado em suas DCOMP´s, totalizando a quantia de R$ 94.185,13, isto é, o seu direito creditório está limitado a tal montante. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, reconhecendo a compensação efetivada como saldo negativo do IRPJ até o limite do seu direito creditório que totaliza a quantia original de R$ 94.185,13, conforme tabela abaixo enumerada, incidindo correção monetária a partir de 1 de janeiro de 2002. É como voto. Fl. 3769DF CARF MF Processo nº 10865.900225/200815 Acórdão n.º 1302002.027 S1C3T2 Fl. 3.770 18 MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator Fl. 3770DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.917368/2011-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.101
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 17 36 8/ 20 11 -7 8 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10480.917368/201178 Resolução nº 3401001.101 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.789. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10480.917368/201178 Resolução nº 3401001.101 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10480.917368/201178 Resolução nº 3401001.101 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 187DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.732113/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM SAÚDE. RECIBOS DE PAGAMENTO. REQUISITOS LEGAIS.
Os recibos de pagamento firmados por profissionais de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos que estejam em consonância com a legislação, se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física das despesas médicas efetuadas.
Numero da decisão: 2201-003.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÃO DE DESPESAS COM SAÚDE. RECIBOS DE PAGAMENTO. REQUISITOS LEGAIS. Os recibos de pagamento firmados por profissionais de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos que estejam em consonância com a legislação, se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física das despesas médicas efetuadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
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RECIBOS DE PAGAMENTO. REQUISITOS LEGAIS. Os recibos de pagamento firmados por profissionais de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos que estejam em consonância com a legislação, se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física das despesas médicas efetuadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Carlos Henrique de Oliveira Presidente Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 21 13 /2 01 3- 21 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 12448.732113/201321 Acórdão n.º 2201003.409 S2C2T1 Fl. 70 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte ofertada em face da lavratura de Notificação de Lançamento de IRPF, que é objeto do presente processo. Os aspectos principais do lançamento estão bem delineados no relatório da decisão de primeira instância, os quais transcrevo abaixo: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício 2012. O valor apurado do imposto suplementar corresponde a R$ 887,55, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. O referido lançamento teve origem na constatação das seguintes infrações: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica pelo titular e/ou dependente(s). Valor: R$ 67,46. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS glosa de dedução de despesas médicas, pleiteada indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Valor: R$ 6.160,00. Motivo da glosa: ARNALDO DE MACEDO SILVA (R$ 6.160,00) – recibos (RPA) sem identificação do beneficiário dos serviços prestados, sem endereço do prestador do serviço e sem qualificação do profissional emitente do mesmo. O enquadramento legal do lançamento encontrase na referida Notificação. O sujeito passivo teve ciência do lançamento em 30/11/2013, conforme documento de fl. 11 e, em 26/12/2013, apresentou impugnação acostada à fl.02, em que concorda com a omissão de rendimentos, discorda da glosa das despesas médicas e consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes. Requer acolhida a presente impugnação. A DRJ julgou improcedente (fls.39/42) a impugnação do contribuinte sob o argumento principal de que os recibos apresentados pelo contribuinte não cumpriam os requisitos legais exigidos, faltando a indicação do beneficiário dos serviços prestados, condição necessária para a validação do recibo para fins de dedução fiscal. Cientificado do acórdão da DRJ em 06/04/2015, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 29/04/2015, alegando, em síntese, que: a apresentação dos novos documentos retificados são suficientes para comprovar o seu direito a dedução fiscal. Requer, por fim, o cancelamento da glosa e da notificação de lançamento. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Fl. 72DF CARF MF Processo nº 12448.732113/201321 Acórdão n.º 2201003.409 S2C2T1 Fl. 71 3 Admissibilidade Como relatado, o Recurso Voluntário é tempestivo. Ademais, preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Produção de prova documental na fase recursal Com relação à apresentação de provas o Decreto nº 70.235/1972 dispõe em seu art.16: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993.) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; ( Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente ;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 73DF CARF MF Processo nº 12448.732113/201321 Acórdão n.º 2201003.409 S2C2T1 Fl. 72 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). (grifei) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). Não obstante o recorrente ter apresentado os recibos de despesas médicas com o objetivo de desconstituir o presente lançamento, a decisão de piso não atribuilhes validade, pela ausência da indicação do beneficiário dos serviços médicos. Em sede recursal, o contribuinte faz a juntada de declaração firmada pelo profissional de saúde emitente dos recibos, no afã de suprir a omissão apontada de falta de indicação do beneficiário. Desse modo, acolho os novos documentos, nos termos do artigo 16, §4°, “c” do Decreto n° 70.235/72, tendo em vista que tais provas servem para contrapor a argumentação expendida no acórdão da primeira instância. Da dedução de despesas com saúde Após o acatamento dos documentos apresentados, passemos ao argumento do acórdão de primeira instância para considerar indevida a dedução perpetrada pelo sujeito passivo, qual seja: a necessidade de indicação do beneficiário dos serviços prestados. O ponto fulcral da lide gira em torno da não identificação do paciente beneficiário do serviço de fisioterapia. Nesse sentido aduz o artigo 80, §1º, III do Decreto 3.000/99: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Fl. 74DF CARF MF Processo nº 12448.732113/201321 Acórdão n.º 2201003.409 S2C2T1 Fl. 73 5 Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;(grifei) Os documentos apresentados se prestam para comprovar que os serviços de fisioterapia foram realizados no próprio sujeito passivo, especificando a declaração carreada aos autos que o recorrente se submeteu a um tratamento de correção postural/lombalgia no ano calendário 2015. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.003247/2007-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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score : 1.0
Numero do processo: 10410.000854/97-60
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 1999
Numero da decisão: 201-04.835
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, poe unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Ana Neyle Olimpio Holanda
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Numero do processo: 19991.000119/2007-70
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-005.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1657; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19991.000119/200770 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.029 – 2ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2016 Matéria RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA NOS LANÇAMENTOS PREVIDENCIÁRIOS ANTERIORES A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FUNDACAO EDUCACIONAL GUAXUPE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 99 1. 00 01 19 /2 00 7- 70 Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 19991.000119/200770 Acórdão n.º 9202005.029 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 19991.000119/200770 Acórdão n.º 9202005.029 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 19991.000119/200770 Acórdão n.º 9202005.029 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 19991.000119/200770 Acórdão n.º 9202005.029 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 19991.000119/200770 Acórdão n.º 9202005.029 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 19991.000119/200770 Acórdão n.º 9202005.029 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 19991.000119/200770 Acórdão n.º 9202005.029 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 19991.000119/200770 Acórdão n.º 9202005.029 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 19991.000119/200770 Acórdão n.º 9202005.029 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1242DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.008127/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
LANÇAMENTO. NULIDADE. VALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. PARTE NÃO AFETADA PELO VÍCIO.
Subsiste o lançamento tributário, mesmo na hipótese de nulidade de uma de suas partes, se o vício não afetar a totalidade do ato administrativo.
LANÇAMENTO. INOVAÇÃO PELO ÓRGÃO JULGADOR. FATOS E FUNDAMENTOS JURÍDICOS.
A inovação do lançamento pelo órgão julgador só ocorre quando há modificação da matéria fática e dos fundamentos jurídicos.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO.
Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, existindo o pagamento a que se refere o caput do art. 150 do CTN, o termo inicial do prazo de decadência é a data de ocorrência do fato gerador.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS VALORES DEPOSITADOS. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO.
O lançamento de crédito tributário, baseado em depósitos bancários, é insubsistente quando, mediante documentação hábil, se comprova a origem dos valores depositados.
REGISTRO CONTÁBIL. REDUÇÃO DO RESULTADO DO PERÍODO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. OMISSÃO DE RECEITAS.
É cabível o lançamento por omissão de receitas quando o contribuinte não consegue comprovar documentalmente os registros contábeis que afetam o resultado do período, seja diminuindo o lucro ou aumentando o prejuízo.
IMPOSTO DE RENDA. LUCRO ARBITRADO. HIPÓTESES DEFINIDAS NA LEI. VÍCIOS PONTUAIS DA ESCRITA CONTÁBIL.
O lucro arbitrado é forma de apuração da base de cálculo do IRPJ que só é admitida nas hipóteses taxativamente previstas na lei, entre as quais não se incluem vícios pontuais que não tornem imprestável a escrita contábil.
IRPJ. LUCRO REAL. PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA.
A apuração da base de cálculo do IRPJ pelo lucro real impõe a incidência não cumulativa do PIS.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. DEDUÇÃO.
O Imposto de Renda retido na fonte, ou recolhido pelo próprio contribuinte, tem natureza de antecipação e, assim, deve ser deduzido do valor do imposto lançado, se tal dedução não tiver sido feita quando do lançamento.
IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO.
Quando os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
Numero da decisão: 1301-002.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, (1) por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício; (2) DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para: (a) por unanimidade, reconhecer a decadência para PIS e COFINS nos períodos de janeiro a novembro de 2003; (b) por unanimidade, admitir que o imposto de renda retido na fonte seja deduzido do IRPJ lançado; (c) por maioria de votos, afastar a infração referente a depósitos bancários, vencidos, neste ponto, os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha, que mantinham esta exigência; e (d) no que se refere às outras duas infrações, NEGAR provimento ao recurso, por maioria de votos, vencido o Relator Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior. Designado redator ad hoc (Portaria CARF nº 107/2016) o Conselheiro Roberto Silva Júnior.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Redator Designado e Redator ad hoc (Portaria CARF nº107/2016)
O julgamento teve início na sessão de 5 de abril de 2016, sob a relatoria do Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, sendo naquela ocasião interrompido por pedido de vista. Diante do afastamento definitivo do Conselheiro relator, o julgamento prosseguiu nesta sessão nos termos da Portaria CARF nº 107/2016.
Participaram desta sessão de julgamento os conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. O Conselheiro Marcelo Malagoli da Silva não participou deste julgamento.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 LANÇAMENTO. NULIDADE. VALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. PARTE NÃO AFETADA PELO VÍCIO. Subsiste o lançamento tributário, mesmo na hipótese de nulidade de uma de suas partes, se o vício não afetar a totalidade do ato administrativo. LANÇAMENTO. INOVAÇÃO PELO ÓRGÃO JULGADOR. FATOS E FUNDAMENTOS JURÍDICOS. A inovação do lançamento pelo órgão julgador só ocorre quando há modificação da matéria fática e dos fundamentos jurídicos. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, existindo o pagamento a que se refere o caput do art. 150 do CTN, o termo inicial do prazo de decadência é a data de ocorrência do fato gerador. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS VALORES DEPOSITADOS. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. O lançamento de crédito tributário, baseado em depósitos bancários, é insubsistente quando, mediante documentação hábil, se comprova a origem dos valores depositados. REGISTRO CONTÁBIL. REDUÇÃO DO RESULTADO DO PERÍODO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. OMISSÃO DE RECEITAS. É cabível o lançamento por omissão de receitas quando o contribuinte não consegue comprovar documentalmente os registros contábeis que afetam o resultado do período, seja diminuindo o lucro ou aumentando o prejuízo. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO ARBITRADO. HIPÓTESES DEFINIDAS NA LEI. VÍCIOS PONTUAIS DA ESCRITA CONTÁBIL. O lucro arbitrado é forma de apuração da base de cálculo do IRPJ que só é admitida nas hipóteses taxativamente previstas na lei, entre as quais não se incluem vícios pontuais que não tornem imprestável a escrita contábil. IRPJ. LUCRO REAL. PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. A apuração da base de cálculo do IRPJ pelo lucro real impõe a incidência não cumulativa do PIS. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. DEDUÇÃO. O Imposto de Renda retido na fonte, ou recolhido pelo próprio contribuinte, tem natureza de antecipação e, assim, deve ser deduzido do valor do imposto lançado, se tal dedução não tiver sido feita quando do lançamento. IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Quando os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, (1) por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício; (2) DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para: (a) por unanimidade, reconhecer a decadência para PIS e COFINS nos períodos de janeiro a novembro de 2003; (b) por unanimidade, admitir que o imposto de renda retido na fonte seja deduzido do IRPJ lançado; (c) por maioria de votos, afastar a infração referente a depósitos bancários, vencidos, neste ponto, os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha, que mantinham esta exigência; e (d) no que se refere às outras duas infrações, NEGAR provimento ao recurso, por maioria de votos, vencido o Relator Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior. Designado redator ad hoc (Portaria CARF nº 107/2016) o Conselheiro Roberto Silva Júnior. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira - Relator (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Redator Designado e Redator ad hoc (Portaria CARF nº107/2016) O julgamento teve início na sessão de 5 de abril de 2016, sob a relatoria do Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, sendo naquela ocasião interrompido por pedido de vista. Diante do afastamento definitivo do Conselheiro relator, o julgamento prosseguiu nesta sessão nos termos da Portaria CARF nº 107/2016. Participaram desta sessão de julgamento os conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. O Conselheiro Marcelo Malagoli da Silva não participou deste julgamento.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 LANÇAMENTO. NULIDADE. VALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. PARTE NÃO AFETADA PELO VÍCIO. Subsiste o lançamento tributário, mesmo na hipótese de nulidade de uma de suas partes, se o vício não afetar a totalidade do ato administrativo. LANÇAMENTO. INOVAÇÃO PELO ÓRGÃO JULGADOR. FATOS E FUNDAMENTOS JURÍDICOS. A inovação do lançamento pelo órgão julgador só ocorre quando há modificação da matéria fática e dos fundamentos jurídicos. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, existindo o pagamento a que se refere o caput do art. 150 do CTN, o termo inicial do prazo de decadência é a data de ocorrência do fato gerador. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS VALORES DEPOSITADOS. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. O lançamento de crédito tributário, baseado em depósitos bancários, é insubsistente quando, mediante documentação hábil, se comprova a origem dos valores depositados. REGISTRO CONTÁBIL. REDUÇÃO DO RESULTADO DO PERÍODO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. OMISSÃO DE RECEITAS. É cabível o lançamento por omissão de receitas quando o contribuinte não consegue comprovar documentalmente os registros contábeis que afetam o resultado do período, seja diminuindo o lucro ou aumentando o prejuízo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 81 27 /2 00 8- 61 Fl. 71848DF CARF MF Processo nº 19515.008127/200861 Acórdão n.º 1301002.171 S1C3T1 Fl. 71.849 2 IMPOSTO DE RENDA. LUCRO ARBITRADO. HIPÓTESES DEFINIDAS NA LEI. VÍCIOS PONTUAIS DA ESCRITA CONTÁBIL. O lucro arbitrado é forma de apuração da base de cálculo do IRPJ que só é admitida nas hipóteses taxativamente previstas na lei, entre as quais não se incluem vícios pontuais que não tornem imprestável a escrita contábil. IRPJ. LUCRO REAL. PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. A apuração da base de cálculo do IRPJ pelo lucro real impõe a incidência não cumulativa do PIS. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. DEDUÇÃO. O Imposto de Renda retido na fonte, ou recolhido pelo próprio contribuinte, tem natureza de antecipação e, assim, deve ser deduzido do valor do imposto lançado, se tal dedução não tiver sido feita quando do lançamento. IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Quando os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, (1) por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício; (2) DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para: (a) por unanimidade, reconhecer a decadência para PIS e COFINS nos períodos de janeiro a novembro de 2003; (b) por unanimidade, admitir que o imposto de renda retido na fonte seja deduzido do IRPJ lançado; (c) por maioria de votos, afastar a infração referente a depósitos bancários, vencidos, neste ponto, os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha, que mantinham esta exigência; e (d) no que se refere às outras duas infrações, NEGAR provimento ao recurso, por maioria de votos, vencido o Relator Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior. Designado redator ad hoc (Portaria CARF nº 107/2016) o Conselheiro Roberto Silva Júnior. (ASSINADO DIGITALMENTE) Waldir Veiga Rocha Presidente Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Roberto Silva Junior Redator Designado e Redator ad hoc (Portaria CARF nº107/2016) Fl. 71849DF CARF MF Processo nº 19515.008127/200861 Acórdão n.º 1301002.171 S1C3T1 Fl. 71.850 3 O julgamento teve início na sessão de 5 de abril de 2016, sob a relatoria do Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, sendo naquela ocasião interrompido por pedido de vista. Diante do afastamento definitivo do Conselheiro relator, o julgamento prosseguiu nesta sessão nos termos da Portaria CARF nº 107/2016. Participaram desta sessão de julgamento os conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. O Conselheiro Marcelo Malagoli da Silva não participou deste julgamento. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 69.530/69.565 e de Recurso de Ofício em face da decisão da 4ª Turma da DRJ/São Paulo I (fls. 69.462/69.504), que julgou a IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE, conforme ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2003 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, e as demais contribuições são tributos, em regra, sujeitos a lançamento por homologação. Contudo, não havendo pagamento antecipado ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial regese pela norma contida no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN. No caso em discussão de omissão de receita, como não houve pagamento antecipado, não ocorreu a decadência alegada. PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente serão considerados nulos os atos em que presentes quaisquer das circunstâncias estabelecidas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Incomprovada a presença, não há que se falar em nulidade. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configuram omissão de receita ou rendimento os valores creditados em conta bancária cuja origem não tenha sido comprovada, mediante documentação hábil e idônea, pelo contribuinte regularmente intimado. Deve ser exonerada a parte do lançamento relativa aos depósitos que a diligência considerou como comprovados. PASSIVOS NÃO COMPROVADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizase como omissão de receitas obrigações cuja origem não tenha sido comprovada com documentação hábil e idônea. Deve ser exonerada a Fl. 71850DF CARF MF Processo nº 19515.008127/200861 Acórdão n.º 1301002.171 S1C3T1 Fl. 71.851 4 parte do lançamento relativa aos passivos que a diligência considerou como comprovados. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo o para o sujeito passivo, que pode refutar a presunção mediante oferta de provas hábeis e idôneas. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicarse à tributação dele decorrente. Em decorrência de ação fiscal levada a efeito junto à contribuinte foi identificada a ocorrência de três infrações referentes à presunção de omissão de receitas tendo em vista a constatação de: a) Presunção de Omissão de Receita – Depósitos bancários de origem não comprovada – Face à insuficiência de comprovação de parte das operações, foi tributado o total de R$ 53.899.172,40 como presunção de omissão de receita, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. b) Presunção de Omissão de Receitas – Redução de Contas de Resultado (Receitas) sem a Devida Comprovação Foram contabilizados descontos obtidos dos fornecedores, decorrentes de pagamentos de passagens aéreas, diárias de hotéis e outros, que foram contabilizados na conta “4.2.1.01.002 Descontos e Abatimentos Obtidos". Ao final de cada mês, os saldos destas receitas eram zerados mediante lançamento a débito nesta conta, e a crédito da conta "1.1.2.05.004 Repasse Recebido a Cliente", conta pertencente ao subgrupo da Conta Corrente de Clientes pertencente ao ativo circulante. Instada a se manifestar, a contribuinte informou que na conta "1.1.2.05.004" são registrados os valores dos descontos obtidos e que são repassados para os seus clientes. Entretanto, não foi apresentada a identificação destes clientes aos quais esses valores foram repassados, indicando o valor e a data de cada repasse, assim como a apresentação dos respectivos comprovantes. Desta forma a autoridade autuante entendeu que, apesar de a conta "1.1.2.05.004 Repasse Recebido a Cliente" ser do ativo, tratase de redutora de contas a receber, ou seja, tem natureza credora, e por isso representa obrigações com terceiros. Sendo assim, foi tributado o valor total de R$ 17.762.986,37, como presunção legal de omissão de receita em decorrência de passivo não comprovado, com fulcro no art. 281, inciso III, do RIR/99. c) Omissão de Receitas – Receitas Contabilizadas em Contas Patrimoniais sem Justificativa. Relata a autoridade fiscal que a contribuinte se valeu da utilização de diversas contas de natureza transitória. Assim, o registro contábil de recebimentos de notas fiscais e comissões aéreas e terrestres tiveram como contrapartida contas transitórias do ativo circulante e do passivo circulante. Após análise da escrituração e documentação apresentada pela contribuinte entendeu a Fiscalização que as receitas eram provenientes, de fato, de prestação de serviços e comissões, e portanto deveriam ter sido integralmente transferidas para contas de resultado, com base no art. 279 do RIR/99. Foi incluído na base de cálculo o valor de R$ 16.317.991,00. Dessa forma, foram lavrados os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins de fls. 1.732/1.764, cuja ciência deuse em 12/12/2008. Fl. 71851DF CARF MF Processo nº 19515.008127/200861 Acórdão n.º 1301002.171 S1C3T1 Fl. 71.852 5 A contribuinte apresentou impugnação de fls. 1.792/1.827. Em razão dos argumentos da defesa, os autos foram encaminhados para diligência pelo Relator da 4ª Turma da DRJ/SãoPaulo I, sendo o resultado apresentado pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo no “Relatório de Diligência Fiscal” de fls. 69.232/69.249. A contribuinte manifestouse sobre as conclusões da diligência por meio da petição de fls. 69.256/69.280. Por sua vez, a 4ª Turma da DRJ/São Paulo I, em sessão realizada no dia 22/11/2012, no Acórdão nº 1642.088, de fls. 69.462/69.504, tomando como referência os resultados apresentados pela diligência, julgou a impugnação procedente em parte, para: 1) excluir da base de cálculo dos lançamentos de ofício da primeira infração o valor de R$ 53.515.073,81, relativo à presunção de omissão de receitas do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e manter a exigência de R$ 384.098,59; 2) excluir da base de cálculo dos lançamentos de ofício da segunda infração o valor de R$ 5.338.737,72, relativo à presunção de omissão de receitas do passivo não comprovado, e manter a exigência de R$12.424.248,65; e 3) manter integralmente a exigência correspondente à terceira infração, no valor de R$ 16.317.991,00. A decisão de primeira instância foi cientificada à contribuinte em 28/01/2013, por meio do “AR” de fl. 69.519. Foi interposto recurso voluntário em 27/02/2013 de fls. 69.530/69.565, no qual discorre sobre os seguintes aspectos: a) nulidade do lançamento fiscal; b) decadência em relação aos fatos geradores anteriores a 12 de dezembro de 2003; c) inexistência de passivo fictício, d) incerteza dos lançamentos referentes às infrações II e III, incorrendo em duplicidade de exigências fiscais, e) necessidade de dedução do imposto de renda retido na fonte recolhido pela contribuinte sob o código 8045, no valor retido de R$ 223.988,22. f) incorreção do regime de tributação adotado pela Fiscalização (lucro real). No que concerne ao PIS, foi aplicada alíquota relativa ao regime não cumulativo (1,65%), contudo, em razão do caso concreto implicar em arbitramento do lucro, caberia a alíquota do regime cumulativo (0,65%). Remetidos os autos para julgamento do Recurso de Ofício e do Recurso Voluntário perante este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, foram distribuídos para Relatoria do ilustre Conselheiro André Mendes Moura. Fl. 71852DF CARF MF Processo nº 19515.008127/200861 Acórdão n.º 1301002.171 S1C3T1 Fl. 71.853 6 Ao apreciar o Recurso Voluntário observouse a existência de questão prejudicial de mérito relativos à suposta decadência sobre partes dos tributos objeto dos autos de infração, nos termos a seguir transcritos do voto do ilustre Relator: “Ou seja, são dois os aspectos determinantes para verificar se cabe a contagem do prazo decadencial do art. 150, § 4º ou do art. 173, inciso I, ambos do CTN: 1º) constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo, sendo que, caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62A, Anexo II do Regimento Interno do CARF. 2º) verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I, do CTN. Quanto ao conceito de declaração prévia de débito, entendo, numa acepção geral, que se caracteriza por ato que implique em confissão da dívida por parte do sujeito passivo. Assim, podem também ser considerados, além do pagamento espontâneo, por exemplo, o débito confessado em DCTF, em compensação tributária ou parcelamento. Analisando o caso concreto, aduz a recorrente que, considerandose a ciência dos autos de infração em 12/12/2008 e a contagem prevista no art. 150, § 4º do CTN, os lançamentos de ofício anteriores a 12/12/2003 estariam fulminados pela decadência. Acostados autos comprovantes de pagamento de PIS, Cofins e IRRF (Código de Receita 8045) de fls. 69.648/69.753, o que justificaria a contagem do prazo decadencial com base no art. 150, § 4º, do CTN. Verificase que a ciência dos autos de infração deuse em 12/12/2008. No que concerne ao PIS e à Cofins, encontramse sob regime de apuração mensal. Tomandose a regra prevista no art. 173, inciso I, do CTN (em que o termo inicial da contagem darseia no primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado), a contagem para o lançamento mais antigo (P.A. 31/01/2003) teria início em 01/01/2004, e o termo final darseia em 31/12/2008. Nesse caso, não teria extrapolado a contagem do prazo decadencial. Por outro lado, caso se tome a contagem do art. 150, § 4º, do CTN, os lançamentos de janeiro a novembro de 2003 (P.A. 31/01/2003 até 31/11/2003) estariam fulminados pela decadência. Tendo em vista que não houve qualificação da multa de ofício, resta observar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo, para definir qual o prazo de contagem decadencial que deve ser aplicado. A recorrente acostou aos autos, às fls. 69.648/69.686, comprovantes de arrecadação com códigos de receita 2172 e 8109, referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2003. Caso se confirme a ocorrência dos pagamentos, o prazo decadencial a ser aplicado para o PIS e a Cofins é o previsto no art. 150, § 4º, do CTN. Fl. 71853DF CARF MF Processo nº 19515.008127/200861 Acórdão n.º 1301002.171 S1C3T1 Fl. 71.854 7 Contudo, há que se confirmar a autenticidade dos pagamentos, tarefa que deve ser executada pela unidade preparadora, por meio de diligência a ser encaminhada. Em se tratando de IRPJ e CSLL, para o regime de tributação do lucro real anual, o fato gerador só se aperfeiçoa no dia 31 de dezembro do ano calendário. Portanto, para o IRPJ e a CSLL, o fato gerador sob referência é o de 31/12/2003. E, mesmo se tomando a contagem do prazo decadencial mais favorável à recorrente, qual seja, o art. 150, § 4º, do CTN, não há que se falar em decadência, vez que os lançamentos de ofício poderiam ter sido cientificados até 31/12/2008, e, como já visto, a ciência à contribuinte deuse em 12/12/2008. Ainda assim, entendo ser pertinente diligência para verificar a autenticidade dos pagamentos referentes ao IRRF, código de receita 8045, fls. 69.689/69.573. Tratasede retenção prevista no art. 651, do RIR/99: Art. 651. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de um e meio por cento, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas (Lei nº 7.450, de 1985, art. 53, DecretoLei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, art. 8º, e Lei nº 9.064, de 1995, art. 6º): I a título de comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela representação comercial ou pela mediação na realização de negócios civis e comerciais. II por serviços de propaganda e publicidade. § 1º No caso do inciso II, excluemse da base de cálculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio e televisão, jornais e revistas, atribuída à pessoa jurídica pagadora e à beneficiária responsabilidade solidária pela comprovação da efetiva realização dos serviços (Lei nº 7.450, de 1985, art. 53, parágrafo único). § 2º O imposto descontado na forma desta Seção será considerado antecipação do devido pela pessoa jurídica. O MAFON (Manual do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte), disponível no sítio da Receita Federal, esclarece sobre a responsabilidade da retenção: RESPONSABILIDADE/RECOLHIMENTO O recolhimento do imposto deverá ser efetuado pela pessoa jurídica que receber de outras pessoas jurídicas importâncias a título de comissões e corretagens relativas a: a) colocação ou negociação de títulos de renda fixa; b) operações realizadas em Bolsas de Valores e em Bolsas de Mercadorias; c) distribuição de emissão de valores mobiliários, quando a pessoa jurídica atuar como agente da companhia emissora; d) operações de câmbio; e) vendas de passagens, excursões ou viagens; f) administração de cartões de crédito; Fl. 71854DF CARF MF Processo nº 19515.008127/200861 Acórdão n.º 1301002.171 S1C3T1 Fl. 71.855 8 g) prestação de serviços de distribuição de refeições pelo sistema de refeições convênio; h) prestação de serviço de administração de convênios. O recolhimento do imposto cabe à fonte pagadora, no caso de pagamento de comissões e corretagens a outro título. Os rendimentos e o respectivo imposto sobre a renda na fonte devem ser informados na Declaração de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirf) da pessoa jurídica que tenha pago a outras pessoas jurídicas comissões e corretagens nas hipóteses mencionadas nas letras de “a” a “h”. As pessoas jurídicas que tenham recebido importâncias a título de comissões devem fornecer às pessoas jurídicas que as tenham pago, até 31 de janeiro de cada ano, documento comprobatório com indicação do valor das importâncias e do respectivo imposto sobre a renda recolhido, relativos ao anocalendário anterior.(grifei). Conforme o MAFON, a pessoa jurídica que receber importâncias recebidas a título de comissões decorrentes de vendas de passagens, excursões ou viagens, deve efetuar o recolhimento do imposto na alíquota de 1,5%. Tratase precisamente da fonte de receitas da recorrente, conforme constatado pela autoridade autuante à fl. 1.716 do Termo de Constatação Fiscal: A receita bruta informada no ano calendário de 2003, R$ 5.985.067,86, foi basicamente proveniente de comissões de serviços de turismo. Observese que se trata de situação em que não é o tomador de serviços que tem a responsabilidade de efetuar a retenção, na condição de sujeito passivo indireto. Pelo contrário, no caso em tela, é a própria pessoa jurídica que aufere rendimentos a título de comissão é quem deve recolher o imposto na fonte, a título de antecipação. Por sua vez, o imposto retido será deduzido do apurado no encerramento do período de apuração trimestral ou anual. Portanto, caso seja confirmada a autenticidade dos comprovantes de arrecadação de IRRF, devem ser deduzidos do IRPJ apurado no lançamento de ofício.” Desta forma, tendo em vista a conversão do julgamento em diligência, os autos foram encaminhados para a unidade preparadora para elaboração de relatório fiscal, conforme solicitado no v. acórdão. Como resultado da diligência, verificase a juntada das consultas internas do sistema da Receita Federal (fls. 71.705 a 71.819) e parecer do Sr. Auditor Fiscal, acompanhado de quadros demonstrativos dos pagamentos, que confirmaram a autenticidade dos seguintes pagamentos: COFINS anexadas a este processo às fls. 71.705 a71.726; PIS anexadas a este processo às fls. 71.727 a71.747; IRRF (cód.8045) anexadas a este processo às fls.71.748 a 71.819. Nessa esteira, o relatório fiscal concluiu pela autenticidade dos pagamentos relacionados entre as fls. 69.648 e 69.753 destes autos. Fl. 71855DF CARF MF Processo nº 19515.008127/200861 Acórdão n.º 1301002.171 S1C3T1 Fl. 71.856 9 Cientificado sobre o resultado da diligência, o recorrente manifestouse as fls. 71.827 a 71.832. Voto Vencido Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Voto proferido pelo Relator na sessão de julgamento de 5 de abril de 2016. Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 28/01/2013 e o Recurso Voluntário foi apresentado em 27/02/2013. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Inicialmente, é preciso enfrentar a questão prejudicial de mérito relativa a contagem do prazo decadencial, para verificar se o caso concreto se enquadra na aplicação do art. 150, § 4º, ou do art. 173, inciso I, ambos do CTN. Para definição do enquadramento da contagem do prazo decadencial, necessário observar se houve o pagamento espontâneo do débito por parte do contribuinte, sendo que, em caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, I, do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça. No julgamento anterior convertido em diligência, foi determinada a devolução destes autos para a autoridade preparadora com a finalidade de autenticar os pagamentos juntados pela contribuinte através de relatório fiscal. Conforme se depreende do parecer formulado pela autoridade competente acostado as fls. 71.820 a 71.823, o relatório fiscal conclui pela autenticidade dos pagamentos relacionados entre as fls. 69.648 e 69.753 destes autos. Dessa forma, foram autenticados os comprovantes de arrecadação com códigos de receita 2172 e 8109, COFINS e PIS, referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2003. Em assim sendo, o prazo decadencial a ser aplicado para esses tributos é o previsto no art. 150, § 4º, do CTN. Concluise então que os lançamentos de PIS e COFINS, referentes aos meses de janeiro a novembro de 2003 (P.A 31/01/2003 a 31/11/2003) estão fulminados pela decadência e devem ser excluídos do crédito tributário. Relativamente aos pagamentos de IRRF, os comprovantes acostados as fls. 69.689/69.573, código de receita 8045, foram autenticados pela unidade verificadora, e, portanto, devem ser deduzidos do IRPJ apurado no lançamento de ofício. Fl. 71856DF CARF MF Processo nº 19515.008127/200861 Acórdão n.º 1301002.171 S1C3T1 Fl. 71.857 10 Quanto à alegação de nulidade levantada pela contribuinte, entendo que no caso em discussão não se verifica nenhuma das situações elencadas no art. 59, incisos I e II do Decreto nº 70.235/1972, razão pela qual entendo não haver vício de nulidade nas autuações lavradas em face da contribuinte. Mérito Omissão de Receitas: depósitos bancários A omissão de receita ou de rendimentos caracterizase também pelos valores creditados em contas mantidas junto a instituições financeiras, sem comprovação hábil e idônea da origem dos recursos. Em decorrência da ação fiscal e dos extratos bancários fornecidos pela contribuinte, foi requerido pela autoridade competente comprovação da origem de depósitos e créditos selecionados, além das devidas escriturações nos livros contábeis. Instada a sem manifestar, a contribuinte apresentou uma planilha informando, de forma genérica, que estes depósitos ou créditos se referiam a recebimentos de faturas de venda de passagens aéreas, parte terrestre ou comissões e, quanto aos documentos, apresentou somente extratos de "Lançamento em Conta", do sistema de contabilidade de uso interno denominado "Gatecash" ou extrato de "Conciliação Bancária". Como tais documentos não foram suficientes para a comprovação de parte das operações, foi tributado o total de R$ 53.899.172,40 como presunção de omissão de receita, com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Por ocasião do julgamento da Impugnação da Contribuinte, a DRJ solicitou diligência à DEFIC/SPO para análise dos documentos trazidos pela contribuinte, de forma a possibilitar a adequada instrução dos autos, propiciando condições necessárias ao julgamento do contencioso administrativos fiscal. Através do Relatório Fiscal, a autoridade fiscal constatou que os créditos e depósitos foram quase que na sua totalidade provenientes da cobrança das faturas de seus clientes e que não constituíram receita da atividade da contribuinte. A fiscalização concluiu que, exceto os depósitos e créditos provenientes dos incentivos e metas de vendas pagas pelas companhias aéreas, todos os demais encontramse satisfatoriamente comprovados, considerando que, de acordo com a documentação apresentada na impugnação e no curso da diligência fiscal, se mostram provenientes do recebimento de bilhetes aéreos, reservas de hotéis e pacotes de viagens intermediados pelo contribuinte e repassados aos prestadores de serviço e que, portanto, não constitui receita da contribuinte. No quadro elaborado pela fiscalização verificase que o montante dos depósitos e créditos não comprovados, sobre os quais prevalecem a presunção legal de omissão de receitas e a exigência fiscal correspondente, totaliza a quantia de R$ 384.098,59 e referese aos meses de janeiro, março, agosto, setembro, outubro e novembro de 2003, ou seja, todos fulminados pela decadência, conforme já decidido acima. Fl. 71857DF CARF MF Processo nº 19515.008127/200861 Acórdão n.º 1301002.171 S1C3T1 Fl. 71.858 11 Sendo assim, relativamente à infração tributária de omissão de receitas provenientes de depósitos e créditos em conta não comprovados, opino pela exclusão integral do valor remanescente de R$ 384.098,59 do crédito tributário. Omissão de Receitas Redução de Contas de Resultado (Receitas) sem a devida comprovação No v. acórdão recorrido, a DRJ assim se manifestou sobre a alegação de não aplicação do conceito de passivo fictício neste caso concreto: “Quanto à alegação da não aplicação do conceito de passivo fictício no presente caso, diferentemente do que entende a Impugnante está perfeitamente caracterizada esta situação quando é apresentada uma conta redutora de conta a receber, ou seja, conta de ativo com saldo credor que se caracteriza como um passivo e que não são apresentados documentos comprovando individualmente os beneficiários destes créditos (obrigação para Impugnante). Aplicase no caso o que prevê o inciso III do artigo 281. Como presunção legal, o ônus da prova cabe ao contribuinte, in verbis: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; II – a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. (g.n.)”. A diligência requerida pela DRJ reconheceu como passivo comprovado o valor de R$ 5.338.737,72 de um total de R$ 17.762.986,37, inicialmente não comprovado. Esclareceu ainda que a apresentação de mais cópias de cheques provando os repasses e a relação anexada discriminando os valores que foram repassados aos clientes ou fornecedores em exercícios seguintes, não são suficientes para a devida comprovação, pois, não foram apresentados os devidos lançamentos individualizados no livro razão com os documentos suporte, como recibo assinado pelo beneficiário, não bastando somente a apresentação de cópias de cheques em nome dos mesmos. Com base no apurado na diligência, a DRJ acatou a conclusão da mesma, ou seja, in verbis: “Considerando as justificativas e os elementos comprobatórios apresentados na sua impugnação e no curso desta diligência fiscal relativamente ao item II do auto de infração, a fiscalização conclui que as deduções em contas de resultado levadas a efeito pelo contribuinte encontramse parcialmente comprovados, merecendo os necessários ajustes conforme se demonstra a seguir: Fl. 71858DF CARF MF Processo nº 19515.008127/200861 Acórdão n.º 1301002.171 S1C3T1 Fl. 71.859 12 REDUÇÃO INDEVIDA REPASSES COMPROVADOS REDUÇÃO INDEVIDA MÊS AUTO DE INFRAÇÃO FATURAS GATE FATURAS REGENTE NÃO COMPROVADA JAN 1.042.963,33 119.984,23 3.555,93 919.423,17 FEV 1.570.716,39 526.394,14 1.101,19 1.043.221,06 MAR 1.570.716,39 540.211,20 21.948,22 1.008.556,97 ABR 1.439.585,14 496.160,54 100.357,93 843.066,67 MAI 995.721,93 379.487,91 123.889,13 492.344,89 JUN 2.053.286,05 458.457,44 160.864,42 1.433.964,19 JUL 468.239,53 457.390,12 208.907,38 0,00 AGO 4.297.128,68 236.305,47 194.369,25 3.866.453,96 SET 1.287.586,85 26.754,58 327.225,09 933.607,18 OUT 2.061.680,25 1.048,42 335.947,77 1.724.684,06 NOV 475.495,32 26,82 233.765,89 241.702,61 DEZ 499.866,51 1.382,72 383.201,93 115.281,86 TOTAL 17.762.986,37 3.243.603,59 2.095.134,13 12.424.248,65 Conforme demonstrado, a fiscalização conclui que deve permanecer a exigência fiscal sobre o montante não comprovado de R$ 12.424.248,65.(g.n.)” Compartilho da opinião DRJ e a acompanho, entretanto, considerando a aplicação da decadência relativamente aos tributos do período de janeiro a novembro de 2003, opino pela manutenção de parte do crédito tributário relativamente apenas ao mês de dezembro/2003, consubstanciado no valor de R$ 115.281,86, conforme “DEMONSTRAÇÃO DOS VALORES NÃO COMPROVADOS OMISSÃO DE RECEITAS” elaborado pela fiscalização em diligência. Omissão de Receitas: receitas contabilizadas em contas patrimoniais sem justificativa No mesmo passo, o v. acórdão acompanhou o resultado da diligência nos termos a seguir reproduzidos: Consequentemente, acato a conclusão dada pela diligência com respeito a este item III, devendo ser mantida a autuação como presunção legal de omissão de receita por passivo não comprovado no valor deR$ 16.317.991,00. in verbis: Verificase conforme acima demonstrado que os indícios de omissão são evidentes e, considerando que em sua impugnação não foi apresentado nenhum elemento adicional comprobatório para afastar a presunção dessa omissão de receitas, a fiscalização entende e conclui que o item III do auto de infração não merece reparos devendo manter a exigência fiscal na sua integralidade. (g.n.)” Fato é que dos R$ 16.317.991,00, como já discorrido, a parte referente ao período de janeiro a novembro de 2003 encontrase atingida pela decadência, sendo assim, opino pela exclusivamente pela manutenção do valor de R$ 1.185.914,08. Conclusão Diante do exposto, voto pelo PROVIMENTO PARCIAL do Recurso Voluntário e pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso de Ofício nos termos da fundamentação supra. Fl. 71859DF CARF MF Processo nº 19515.008127/200861 Acórdão n.º 1301002.171 S1C3T1 Fl. 71.860 13 Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Junior O lançamento apurou a prática de omissão de receitas evidenciada por três situações distintas: a) existência de depósitos bancários de origem não comprovada, no montante de R$ 53.899.172,40; b) redução do saldo da conta de resultado intitulada "descontos e abatimentos obtidos", sem a comprovação da regularidade dos lançamentos contábeis, no valor de R$ 17.762.986,37; e c) registro de receitas em contas patrimoniais, sem a comprovação da regularidade dos lançamentos contábeis, no valor de R$ 16.317.991,00. Da constatação desses fatos originouse a exigência de crédito tributário no montante de R$ 82.156.158,16 compreendendo IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, acrescidos de multa e juros. O lançamento foi impugnado, e do julgamento pela DRJ São Paulo I resultou a decisão consubstanciada no Acórdão nº 1642.088, da 2ª Turma, que deu provimento parcial à impugnação, reduzindo o montante da omissão de receita em R$ 58.853.811,53. A DRJ, com fulcro nas conclusões da diligência feita pela autoridade lançadora, considerou comprovada a origem de depósitos bancários no total de R$ 53.515.073,81, e considerou regular a transferência de R$ 5.338.737,72 da conta de resultado "descontos e abatimentos obtidos" para conta de natureza patrimonial. No mais, o lançamento foi mantido, o que provocou a irresignação da contribuinte, que interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese, nulidade do lançamento em razão de diversos equívocos, sobretudo considerando que o relatório de diligência, frente ao termo de constatação fiscal, configura, no entender da recorrente, um novo lançamento; decadência; inexistência de passivo fictício; bis in idem decorrente da duplicidade de exigência fiscal materializada nas infrações II e III; e erro na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, que deveriam ser apurados pelo lucro arbitrado. Pleiteou ainda a dedução de R$ 223.988,22 a título de Imposto de Renda na fonte. Vindo os autos ao CARF, a 3ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, determinou a realização de diligência a fim de verificar a efetividade dos pagamentos de PIS, Cofins e Imposto de Renda na fonte. Com o resultado da diligência, os autos retornaram para julgamento do recurso voluntário, e para reexame da decisão da DRJ, na parte que exonerou o crédito tributário. Nulidade Fl. 71860DF CARF MF Processo nº 19515.008127/200861 Acórdão n.º 1301002.171 S1C3T1 Fl. 71.861 14 O lançamento, como ato administrativo, não será nulo, na sua totalidade, se uma parte do crédito tributário for excluída, ou se parte do próprio lançamento for considerada inválida ou improcedente. Dispõe o art. 184 do Código Civil que a invalidade parcial de um negócio jurídico não o prejudicará na sua parte válida, se esta for separável. Comentando esse dispositivo, Frabrício Zamprogna Matiello diz que sempre que determinado negócio contiver defeito que o torne em parte inválido e inaproveitável para o mundo jurídico, a parcela porventura remanescente e não afetada pela imperfeição será aproveitada e não levará à invalidação integral do negócio, contanto que dele possa ser separada para sobreviver de forma autônoma. É a aplicação do princípio utile per inutile non vitiatur, ou seja, o útil não se considera viciado pelo inútil, subsistindo a fração não contaminada do negócio jurídico. (Código Civil Comentado) Extirpase a parte comprometida pelo vício, conservandose a parte válida. Esse princípio, aplicável ao lançamento, se verifica na maioria das decisões em que se dá provimento parcial a impugnação ou recurso. O E. Superior Tribuna de Justiça STJ deixou clara a aplicabilidade dessa regra ao lançamento tributário no REsp nº 1.115.501SP, cuja ementa, na parte que interessa ao ponto aqui discutido, tem a seguinte redação: 6. Consequentemente, tendo em vista a desnecessidade de revisão do lançamento, subsiste a constituição do crédito tributário que teve por base a legislação ulteriormente declarada inconstitucional, exegese que, entretanto, não ilide a inexigibilidade do débito fiscal, encartado no título executivo extrajudicial, na parte referente ao quantum a maior cobrado com espeque na lei expurgada do ordenamento jurídico, o que, inclusive, encontrase, atualmente, preceituado nos artigos 18 e 19, da Lei 10.522/2002, verbis: (...) 7. Assim, ultrapassada a questão da nulidade do ato constitutivo do crédito tributário, remanesce a exigibilidade parcial do valor inscrito na dívida ativa, sem necessidade de emenda ou substituição da CDA (cuja liquidez permanece incólume), máxime tendo em vista que a sentença proferida no âmbito dos embargos à execução, que reconhece o excesso, é título executivo passível, por si só, de ser liquidado para fins de prosseguimento da execução fiscal (artigos 475B, 475H, 475N e 475I, do CPC). No caso em exame, a recorrente alega nulidade do lançamento por diversos equívocos, que resultaram na exclusão de mais da metade do crédito originalmente constituído. Além do que, o relatório de diligência teria configurado novo lançamento. Esse argumento não pode prosperar. É irrelevante o valor ou o percentual que tenha sido excluído do lançamento. O importante é saber se existe divisibilidade; se a parte remanescente é separável da parte nula; se o vício que contaminou a parte excluída se comunicou para o restante do ato administrativo. Efetivamente, foi excluída a maior parte dos valores lançados em contas bancárias, em face da comprovação documental da origem dos recursos depositados. Ocorre que o lançamento não se restringiu a depósitos bancários, contemplou também omissão de Fl. 71861DF CARF MF Processo nº 19515.008127/200861 Acórdão n.º 1301002.171 S1C3T1 Fl. 71.862 15 receitas caracterizada por registros contábeis dos quais a recorrente, embora intimada, não apresentou a respectiva documentação fiscal e comercial. A invalidade que atingiu uma fração do lançamento (depósitos bancários) não comprometeu o restante. Daí porque não se verifica a nulidade alegada pela recorrente. Também não procede a afirmação de que o relatório de diligência, em si, configura novo lançamento. Não existe inovação quanto a fatos, nem modificação de fundamentos jurídicos. Portanto, rejeitase a preliminar. Decadência A recorrente alegou decadência. Aqui, pelo menos em parte, ela tem razão. Os autos de infração se referem a tributos (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins) sujeitos a lançamento por homologação. A Fiscalização não imputou à autuada a prática de atos nos quais estivesse presente o dolo, a fraude ou a simulação. E, por fim, existe comprovação, admitida no relatório da diligência de fls. 71.820 a 71.823, quanto aos pagamentos feitos na forma do caput do art. 150 do CTN, de PIS, Cofins e Imposto de Renda na fonte, referentes aos meses do ano de 2003. Na conformidade desses fatos, o termo inicial do prazo de decadência é o definido no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, a data do fato gerador. Considerando que o PIS e a Cofins são apurados mensalmente, concluise que a cada mês ocorre um novo fato gerador. No caso, o período colhido pelo lançamento é o ano de 2003. Assim, aplicandose a regra do § 4º do art. 150, concluise que a decadência foi se consumando a cada mês do ano de 2008. A intimação pessoal do lançamento é de 12 de dezembro de 2008. Portanto, percebese que em relação ao PIS e à Cofins, a decadência alcançou os créditos tributários pertinentes aos meses de janeiro a novembro de 2003, remanescendo crédito quanto ao restante, ou seja, dezembro de 2003. Repitase, para que não haja dúvidas: em relação ao PIS e à Cofins, a decadência fulminou o crédito tributário, exceto o relativo ao mês de dezembro de 2003. Para o IRPJ e a CSLL, entretanto, não houve decadência. É que a forma de apuração adotada no lançamento foi o lucro real anual. Assim, o fato gerador só se considera ocorrido no último momento do ano de 2003. Portanto, o dies a quo do prazo decadencial é o primeiro dia de janeiro de 2004. O dies ad quem, por sua vez, é o dia 31 de dezembro de 2008. Considerando que a intimação se deu dentro desse limite temporal (12/12/2008), é forçoso reconhecer que, em relação àqueles dois tributos, decadência não ocorreu. Depósito bancário de origem não comprovada No que concerne a essa infração, a DRJ, com fulcro na diligência realizada pela autoridade fiscal, excluiu R$ 53.515.073,81 do montante de R$ 53.899.172,81, considerados no lançamento como valores depositados em conta bancária, para os quais não havia comprovação de origem. Fl. 71862DF CARF MF Processo nº 19515.008127/200861 Acórdão n.º 1301002.171 S1C3T1 Fl. 71.863 16 Examinado a documentação exibida pela recorrente, a Fiscalização se deu por convencida de que a maior parte daqueles valores tinha origem em operações ligadas ao exercício regular da atividade empresarial da recorrente, opinando, por isso, pela exclusão dessas quantias da base de cálculo do lançamento. A DRJ acatou o resultado da diligência. Como se sabe, o órgão julgador não está vinculado às conclusões de diligência, entretanto para desmerecer essa prova, é preciso demonstrar que houve erro na sua realização, determinando que ela seja refeita. O órgão julgador de primeira instância, adotando o resultado da diligência, excluiu a quase totalidade do crédito tributário lançado com base em depósitos bancários. Não há razão para alterar esse entendimento. Dessa forma, remanesceu como depósito de origem não comprovada o valor de R$ 384.098,59, que representa 1,34% da soma dos valores das duas outras infrações (já excluída a parte considerada insubsistente pela decisão da DRJ, ou seja, R$ 28.742.239,65). Tal montante se refere a omissão de receitas caracterizada pela redução de saldo de conta de resultado e o registro de receitas em contas patrimoniais. Observese que nos três casos, depósitos bancários de origem não comprovada, redução de saldo de conta de resultado e registro de receitas em contas patrimoniais, a infração é sempre a mesma: omissão de receitas. Isso mostra que a omissão de receitas pode ser constatada e comprovada, para fins de lançamento tributário, por várias situações diferentes, tais como, falta de emissão de notas fiscais, falta de registro de receitas, saldo credor de caixa, passivo fictício, passivo inexistente, depósitos bancários de origem não comprovada etc. Muitas vezes essas situações refletem o mesmo fato, a mesma infração. É por isso que o cuidado deve ser redobrado quando, no mesmo período, se constata a presença de mais de um daqueles fatos considerados como sinal da omissão de receita. É possível que a infração seja uma só, porém refletida em mais de uma situação. Nessa hipótese, a Fiscalização há de escolher uma delas para fazer o lançamento, sob pena de bis in idem. No caso em tela, o montante remanescente dos depósitos bancários de origem não comprovada (R$ 384.098,59), até pelo diminuto valor frente ao apurado no lançamento (R$ 87.980.149,77), indica que esse remanescente da primeira infração já está contido em uma das outras duas, e, por essa razão, deve ser excluído. O art. 112, inciso II, do CTN, manda que se decida de maneira mais favorável ao sujeito passivo, quando houver dúvida acerca da natureza ou das circunstâncias materiais do fato. Portanto, excluise da primeira infração (depósitos bancários de origem não comprovada) o valor remanescente de R$ 384.098,59. Redução do saldo de conta de resultado e registro de receitas em contas patrimoniais Fl. 71863DF CARF MF Processo nº 19515.008127/200861 Acórdão n.º 1301002.171 S1C3T1 Fl. 71.864 17 A recorrente alegou inexistir prova de passivo fictício, nem fundamento legal que pudesse amparar a inversão do ônus da prova. Ademais, não teriam sido considerados cheques nominais, compensados em 2003, emitidos em nome de seus clientes. As infrações, conforme descritas no termo de constatação fiscal (1.716 a 1.724) foram: a) omissão de receitas redução de contas de resultado (receitas) sem a devida comprovação; e b) omissão de receitas receitas contabilizadas em contas patrimoniais sem justificativa. Nos dois casos, a Fiscalização constatou a existência de registros contábeis que, a seu juízo, se afastavam do padrão de normalidade, e que, por essa razão, deveriam ser explicados pelo contribuinte. Solicitou, então, esclarecimentos, bem como a apresentação dos documentos que dessem suporte aos respectivos registros. Não existe aqui inversão do ônus da prova. O dever de conservar documentos fiscais e comerciais, até que ocorra a prescrição do crédito tributário a que se refiram, sempre foi do sujeito passivo, conforme disposto no parágrafo único do art. 195 do CTN. Ocorre que, durante o procedimento de fiscalização, a recorrente, embora intimada, não apresentou a documentação necessária a comprovar suas alegações. Os documentos só foram exibidos na fase de impugnação, o que deu causa à exclusão parcial do crédito tributário pela DRJ, com fulcro no resultado de diligência. Alega a recorrente que não teriam sido considerados alguns cheques compensados emitidos para seus clientes. Nesse ponto, é útil voltar os olhos para o relatório de diligência, a fim de perceber os problemas enfrentados pela Fiscalização ao examinar o material probatório oferecido pela recorrente, já na fase de impugnação. Diz o relatório: Em relação aos valores repassados ao cliente em dinheiro, através de TED ou cheque, indicados no (doc.09) Bônus e Incentivo e (doc.10) Reembolso e Repasse apresentados na impugnação, o contribuinte, sem apresentar qualquer outro elemento comprobatório das operações, limitouse a afirmar que "aguarda o envio das respectivas microfilmagens de cheques pelas instituições financeiras". (fl. 69.239) (...) Para os repasses efetuados mediante a geração de créditos nas faturas, sem a devolução de dinheiro, indicados pelo contribuinte nas colunas "DESCONTO FATURAS GATE" e "DESCONTO FATURAS REGENTE" da sua planilha, os exames quanto a sua efetiva transferência ao cliente foram feitos através da análise da fatura correspondente e, principalmente, pela comprovação da sua efetiva liquidação, o que consumaria também a liquidação do desconto nela consignado. Na análise dos relatórios (doc.11) Descontos Concedidos (fls.10.650 a 11.015) e "faturas emitidas gates ano 2003" (fls. 66.101 a 66.368), relativos aos dados informados na coluna "DESCONTO FATURAS GATE no valor total de R$ 4.293.843,89, verificouse que, em relação a algumas das faturas/duplicatas nelas listadas, não foi possível, por meio da documentação disponibilizada, concluir se elas foram efetivamente emitidas e cobradas de seus clientes. Fl. 71864DF CARF MF Processo nº 19515.008127/200861 Acórdão n.º 1301002.171 S1C3T1 Fl. 71.865 18 Não foram apresentadas pelo contribuinte as cópias das faturas/duplicatas com a identificação dos clientes, dos serviços a eles vendidos, a discriminação dos repasses através delas efetuados e, principalmente, a comprovação de que elas foram efetivamente liquidadas e os descontos efetivamente repassados aos seus clientes. Foram disponibilizados apenas os extratos gerados pelo seu sistema denominado GATEMAIN Manutenção de Duplicatas (fls. 66.369 a 66.442), que não trazem nenhuma indicação quanto à efetiva liquidação das referidas faturas/duplicatas. Trazem, na verdade, a indicação "Em Aberto", inclusive com a quantificação dos dias em aberto, sugerindo que elas, na verdade, encontramse pendentes de liquidação, de forma que não há como aferir se os descontos dos repasses ali consignados foram efetivos ou não. (fls. 69.240) (...) Analisando os dados informados em sua planilha sob a rubrica "DESCONTO FATURAS REGENTE" no valor total R$ 2.095.134,13 e "DESCONTO NA VENDA INCENT/COMISS" nos valores de R$ 1.023.510,43 e R$ 753.246,21, bem como os respectivos relatórios FIRT009.GERFinanceiro/C.ReceberTttulos ("C.Receber Liquidados/Cancelados") e CMCL023.GERComercial/Clientes ("Descontos Concedidos Por Cliente"), verificouse que parte dos descontos foram ali informados em duplicidade pelo contribuinte. O relatório "CMCL023.GERComercial/ClientesDescontos Concedidos Por Cliente" (fls. 67.223 a 68.832) traz a relação dos bilhetes aéreos emitidos e os valores dos eventuais descontos concedidos na venda e emissão de cada um desses bilhetes ao seu cliente, e o relatório "FlRT009.GERFinanceiro/C.ReceberTítulos CReceber Liquidados/Cancelados" (fls. 66.443 a 67.222), por sua vez, traz os dados das faturas emitidas para a cobrança desses bilhetes aéreos e demais serviços vendidos, com a indicação do valor total dos serviços e dos descontos concedidos nessas vendas. Na verdade são dois relatórios gerenciais distintos, mas que fazem referência aos mesmos descontos sob ópticas diferentes. O primeiro relatório traz a discriminação dos descontos concedidos por bilhete aéreo e o segundo, consolidaos por fatura emitida. Todavia, o contribuinte, na elaboração da planilha, informou indevidamente na coluna "DESCONTO NA VENDA INCENT/COMISS" os descontos do relatório "CMCL023.GERComercial/Clientes Descontos Concedidos Por Cliente" (desconto concedido por bilhete aéreo) mas que já estavam também contemplados pelo relatório "FIRT009.GERFinanceiro/C.ReceberTítulos C.Receber Liquidados/Cancelados" (desconto concedido por fatura) e que foram informados na coluna "DESCONTO FATURAS REGENTE", de forma que o mesmo desconto foi informado em duplicidade. (fl. 69.241) (...) O equívoco pode igualmente ser constatado do exame das faturas a seguir relacionadas confrontandoas com os dados dos referidos relatórios FIRT009.GER Financeiro/C.RreceberTítulos C.Receber Liquidados/ Cancelados e CMCL023.GERComercial/Clientes Descontos Concedidos Por Cliente: (fl. 69.242) Fl. 71865DF CARF MF Processo nº 19515.008127/200861 Acórdão n.º 1301002.171 S1C3T1 Fl. 71.866 19 (...) Em relação aos repasses pagos ao cliente através de cheques ou TED e relacionados no (doc.09) Bônus e Incentivos (fl. 10.609) da impugnação, no valor total de R$ 1.055.064,49, foram apresentadas apenas cópias da microfilmagem de alguns daqueles pagamentos (cheques n° 530.915 no valor de R$ 16.777,88 pago à Açominas Gerais e n° 530.341 no valor de R$ 16.969,97, pago à Mineração Serra do Sossego, às fls. 69.182 a 69.186, sendo que não foram disponibilizados quaisquer outros elementos comprobatórios da natureza das operações. Apesar de ter requisitado cópia dos cheques às instituições financeiras, conforme esclareceu em 13062012, importante aqui destacar que eles em si apenas comprovam que houve os pagamentos, sendo que isoladamente são insuficientes para comprovar as circunstâncias que deram causa aos pagamentos, de forma que não há como aferir somente através deles se referem, de fato, ao pagamento de bônus e incentivos conforme sustenta na sua impugnação. (fl. 69.242) (...) Examinando esse novo relatório, verificase que ele contempla também valores reembolsados em anos posteriores (2004 e 2005), de forma que os mesmos não devem interferir na escrituração fiscal do ano de 2003, objeto da fiscalização. (fl. 69.243) (g.n.) O relatório revela que muitos documentos, já nessa fase (fase de impugnação), deixaram de ser apresentados, ao argumento de que as instituições financeiras ainda não haviam fornecido as microfilmagens de cheques. Isso em meados de 2012, sendo que a fiscalização ocorrera em 2008 e os fatos geradores em 2003. No que tange a alguns relatórios, não foi possível concluir que as faturas e duplicatas neles inseridas foram efetivamente emitidas e cobradas dos clientes. Por outro lado, não teriam sido apresentadas as cópias das faturas e das duplicatas com a identificação dos clientes, dos serviços a eles vendidos, a discriminação dos repasses efetuados através delas e a prova de que as obrigações foram efetivamente liquidadas e os descontos repassados a quem de direito. Além disso, a Fiscalização constatou, em várias informações e demonstrativos apresentados, a duplicidade de repasses. Por fim, cópias de cheque foram trazidas sem que a recorrente lograsse estabelecer um vínculo seguro com os repasses alegados na impugnação. Portanto, seriam documentos sem correlação com os fatos apurados no lançamento. Por tudo isso, é de se manter a decisão de primeira instância, no que tange à segunda infração, inclusive quanto à parte do crédito tributário excluído. Quanto à terceira infração, registro contábil de receitas em contas patrimoniais, a recorrente não apresentou documentos na fase de fiscalização, e tampouco na impugnação, como se verifica da parte do relatório de diligência abaixo transcrito. Esses lançamentos indicam a liquidação financeira da comissão lhe devida pelas companhias aéreas e pelas redes hoteleiras ali indicadas, efetivos prestadores dos serviços, mediante a retenção do seu valor pelo contribuinte, deduzindoo do montante proveniente da venda de bilhetes aéreos, pacotes de viagem e outros Fl. 71866DF CARF MF Processo nº 19515.008127/200861 Acórdão n.º 1301002.171 S1C3T1 Fl. 71.867 20 serviços intermediados a serem repassados a esses fornecedores e registrados nas contas 211020013 Parte Aérea, 211020007 Parte Terrestre e 211020010 Turismo Diversos, todas do grupo denominado Fornecedores Serviços de Turismo do passivo circulante. (...) Para subsidiar o exame de suas receitas de comissões no curso da fiscalização, através do Termo de Intimação cientificado em 28082008 (fl. 457) havia sido solicitado ao contribuinte para que apresentasse em meio magnético e em papel impresso, a relação de todas as notas fiscais de prestação de serviços emitidas, relativamente às comissões auferidas no ano de 2003 (item II) e os necessários esclarecimentos acerca dos lançamentos levados nestas contas do ativo (item III). O contribuinte, sem apresentar as notas fiscais de prestação de serviços requisitadas pela fiscalização, afirmou através de resposta apresentada em 1011 2008 (fl. 484) que "as notas fiscais emitidas estão registradas na conta 112010001 Contas Fornecedores a Receber e 421060012 Comissão Turismo Diversos". (fls. 69.245 e 69.246) (...) Assim sendo, ante essas constatações e considerando o disposto inciso III do artigo 281 do RIR Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n 3.000/99, segundo o qual caracteriza omissão de receitas a manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, através do item III do Termo de Intimação de 19112003 (fl.772) lhe foi solicitado os necessários esclarecimentos para o procedimento adotado, apresentando a documentação pertinente, bem como a individualização dos supostos credores desses novos "passivos", com a indicação das datas de pagamento e dos valores pagos. (...) O contribuinte, porém, não apresentou qualquer comprovante ou esclarecimento, sendo que sequer se manifestou quanto a intimação. (fl. 69.247) (...) Ademais, nenhum fato novo ou elemento hábil para afastar a presunção de omissão de receitas capitulada no inciso III do artigo 281 do RIR acima reproduzido, na qual se fundamentou a autuação, foi apresentado em sua impugnação. (fl. 69.248) À mingua de documentos que possam comprovar a regularidade dos registros contábeis, em especial o registro de receitas em contas patrimoniais, o lançamento, nesta parte, deve ser mantido integralmente. Duplicidade de exigências fiscais A recorrente alegou bis in idem em relação às infrações II e III: redução do saldo de conta de resultado e registro contábil de receitas em contas patrimoniais. Esse efeito, em tese, poderia ter ocorrido. Mas para reconhecêlo, seria necessário que a recorrente demonstrasse que, nas duas infrações, utilizaramse as mesmas contas patrimoniais e que por elas transitaram os mesmos valores, de modo a evidenciar que as quantias consideradas como receitas omitidas na segunda infração fossem as mesmas Fl. 71867DF CARF MF Processo nº 19515.008127/200861 Acórdão n.º 1301002.171 S1C3T1 Fl. 71.868 21 transferidas da conta de resultado, reduzindo o respectivo saldo, constatado na primeira infração. A contribuinte, durante a fase de fiscalização, não teve interesse em demonstrar esse fato, como revela o trecho abaixo, extraído do Termo de Constatação Fiscal. Neste sentido, relativamente aos valores transferidos para outras contas patrimoniais, através do item III do Termo de Intimação cientificado em 21112008 foi solicitado ao contribuinte: "III Relativamente ao montante dos recebimentos de NFs e comissões auferidas no AC de 2003, registradas a crédito da conta de 1.1.2.01.001 Contas Clientes à Receber e conta 1.1.2.01.0001 Contas Fornecedores a Receber (a partir do mês de agosto), do ativo circulante, e posteriormente transferidos para outras contas patrimoniais, conforme se demonstra no quadro a seguir, justificar o procedimento contábil adotado, bem como apresentar os documentos comprobatórios que deram origem aos lançamentos. Em se tratando de valores devidos ou repassados a terceiros, informar o nome destes, mencionando o n° do CPF/CNPJ, indicando o valor e a data de cada repasse, colocando a disposição os respectivos comprovantes:.." Todavia, nenhum dos elementos solicitados foram apresentados, sequer se manifestou acerca da intimação. (fl. 1.723) O mesmo comportamento teve quando da diligência determinada pela DRJ. Portanto, não há como acolher a alegação de bis in idem. Lucro arbitrado A recorrente sustenta que deveria ter sido adotado, na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o lucro arbitrado, e não o lucro real, que acabou gerando distorções ao tributar a receita, quando deveria tributar a renda. Sem razão a recorrente. O lucro arbitrado só é cabível nas hipóteses taxativamente previstas em lei, sendo vedado à autoridade lançadora, por ato discricionário, adotar o lucro arbitrado fora das situações definidas na norma legal. Não procede a afirmação de que, pela desproporção entre a receita omitida e a declarada, a escrita contábil se tornaria imprestável, dando ensejo ao arbitramento. As infrações constatadas pela Fiscalização, a despeito dos valores expressivos, envolvem aspectos pontuais da escrita contábil, que não autorizam a adoção do lucro arbitrado, ainda que essa sistemática, no caso concreto, convenha à recorrente. A apuração do IRPJ com base no lucro real vincula a apuração do PIS ao regime não cumulativo, conforme se depreende, a contrario sensu, do art 8º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002. Quanto à Cofins, a legislação vigente ao tempo do fato gerador ainda não havia instituído a sistemática não cumulativa. Portanto, está correta a forma de apuração adotada no lançamento para ambas as contribuições. Dedução do Imposto de Renda na fonte Fl. 71868DF CARF MF Processo nº 19515.008127/200861 Acórdão n.º 1301002.171 S1C3T1 Fl. 71.869 22 O Imposto de Renda retido pela fonte pagadora, ou recolhido pelo próprio contribuinte, tem natureza de antecipação. Sendo assim e uma vez comprovada a efetividade da retenção e do recolhimento, é cabível a dedução do respectivo montante do valor do Imposto de Renda lançado, se tal dedução não tiver sido feita quando do lançamento. É o que se passa neste caso. Confirmouse o recolhimento de Imposto de Renda no valor de R$ 223.988,22, o qual deve ser deduzido do imposto lançado no auto de infração. CSLL, PIS e Cofins Quanto aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, importa ressaltar que, por recaírem sobre a mesma base fática do IRPJ, a decisão adotada para qualquer um deles há de ser a mesma para os demais, o que só não ocorreria se houvesse algum aspecto específico, inerente à legislação de um desses tributos, que exigisse solução diferente. Conclusão Como se constata, este voto se alinha, no geral, com o voto do ilustre Conselheiro Relator, dele divergindo, entretanto, em relação a dois pontos específicos: 1) a decadência, que se reconhece apenas para o PIS e a Cofins, alcançando os períodos de janeiro a novembro de 2003, sem atingir o crédito tributário relativo a IRPJ e CSLL; e 2) a omissão de receitas apurada por depósitos bancários de origem não comprovada, que era excluída pelo Relator, por comprovação documental da origem e por decadência, e aqui é excluída por comprovação documental da origem dos depósitos e por insubsistência da fração remanescente frente às outras duas omissões de receita apuradas no lançamento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para: a) declarar a decadência dos lançamentos de PIS e de Cofins no período compreendido entre os meses de janeiro a novembro de 2003; b) excluir o valor de R$ 384.098,59 a título de omissão de receita caracterizado por depósito bancários de origem não comprovada; e c) determinar que seja deduzido do valor do Imposto de Renda lançado de ofício a quantia de R$ 223.988,22 recolhida antes do lançamento a título de Imposto de Renda na fonte. Neste caso, devem ser excluídos proporcionalmente a multa e os juros. (ASSINADO DIGITALMENTE) Roberto Silva Junior Redator Designado Fl. 71869DF CARF MF Processo nº 19515.008127/200861 Acórdão n.º 1301002.171 S1C3T1 Fl. 71.870 23 Fl. 71870DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.916034/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.083
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 16 03 4/ 20 11 -8 7 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10480.916034/201187 Resolução nº 3401001.083 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.077. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10480.916034/201187 Resolução nº 3401001.083 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10480.916034/201187 Resolução nº 3401001.083 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 175DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.720058/2008-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO.
Comprovado, através do que consta dos autos, estar o imóvel inserido em área de interesse ecológico, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, para a proteção à flora, à fauna, às belezas naturais, bem como para garantir sua utilização a objetivos educacionais, recreativos e científicos, visto estar inserida no Parque Estadual da Serra do Mar, a área deve ser excluída da tributação em conformidade com o art. 10, §1º, II, b, da Lei n.º 9.393/96. Neste caso, o ADA não é o único meio de prova, podendo a comprovação ser realizada por outros documentos.Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. Comprovado, através do que consta dos autos, estar o imóvel inserido em área de interesse ecológico, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, para a proteção à flora, à fauna, às belezas naturais, bem como para garantir sua utilização a objetivos educacionais, recreativos e científicos, visto estar inserida no Parque Estadual da Serra do Mar, a área deve ser excluída da tributação em conformidade com o art. 10, §1º, II, b, da Lei n.º 9.393/96. Neste caso, o ADA não é o único meio de prova, podendo a comprovação ser realizada por outros documentos.Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 00 58 /2 00 8- 62 Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10860.720058/200862 Acórdão n.º 2202003.815 S2C2T2 Fl. 262 2 Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele utilizado por ocasião da Resolução nº 2202000.701, desta Turma Ordinária, de 16 de junho de 2016, complementandoo ao final (fl. 250): Contra o interessado supra foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 01 a 06, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2006, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 218.701,33, relativo ao imóvel rural denominado "Fazenda Herança Divina", com área de 930,5 ha, NIRF 0.795.2740, localizado no município de Ubatuba/SP. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, a declaração de ITR do interessado incidiu em malha fiscal nos parâmetros áreas não tributáveis e cálculo do valor da terra nua; após regularmente intimado e transcorrido o prazo fixado, o interessado não apresentou os documentos solicitados que comprovassem as informações contidas em sua declaração, objeto de análise pelo Grupo de Malha Fiscal. O sujeito passivo informou que o imóvel serve como local de subsistência dele, de sua família e empregados. Solicitou, ainda, dispensa dos documentos solicitados. Pela ausência de Laudo Técnico e Ato Declaratório Ambiental, a área declarada como de preservação permanente foi glosada bem como não foi apresentado o Laudo de Avaliação do Imóvel Rural, o VTN declarado foi modificado com base nas informações constantes do Sistema de Preços de Terras SIPT, mantido pela Receita Federal do Brasil. Cientificado do lançamento, por via postal, em 05/11/2008, conforme fl. 79, o interessado apresentou a impugnação de fls. 51 a 54, em 01/12/2008, alegando, em síntese, que: • Em 20 de agosto de 2008, protocolou na Receita Federal os documentos necessários para comprovar que o imóvel rural encontrase em área considerada de preservação permanente; • Os documentos apresentados foram expedidos pelo governo federal, de total credibilidade, não restando quaisquer dúvidas de que o imóvel está inserido em sua quase totalidade em área de preservação permanente, sendo corroborado pelo Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido em 28/09/2009; • Só tomou conhecimento da necessidade de elaborar o ADA, ao receber o Termo de Intimação Fiscal; • Anexa aos autos, Certidões expedidas pelo Instituto de Terras e do Governo do Estado de São Paulo, Planta, Relatório de Vistoria Técnica, do Instituto Florestal Núcleo Picinguaba, Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10860.720058/200862 Acórdão n.º 2202003.815 S2C2T2 Fl. 263 3 Boletim de Ocorrência Ambiental, entre outros, que comprovam que a propriedade está inserida no Parque Estadual da Serra do Mar; • Está sem explorar o imóvel desde 1999, embora estando na posse da propriedade, pois ainda não recebeu indenização, motivo pelo qual, não possui condições para arcar com o pagamento do imposto, juros e multa de ofício; • Não deve o valor do imposto suplementar, porque os imóveis de sua propriedade são totalmente inexploráveis por estarem inseridos dentro do Parque Estadual da Serra do Mar; • Requer cancelamento da Notificação de Lançamento, em virtude de erro no preenchimento da declaração e, em sendo o caso, da autorização do órgão para providenciar junto ao Ibama o ADA dos exercícios anteriores, por medida de justiça. O julgamento recorrido assim analisou, em resumo, a questão: a) O presente processo versa sobre a glosa total da área de preservação permanente declarada em virtude de o contribuinte não ter apresentado à fiscalização os documentos que foram solicitados no Termo de Intimação Fiscal. Nesta fase, basicamente, a interessada pretende que seja considerada isenção relativa a área do imóvel, porque ele estaria integralmente inserido no Parque Estadual da Serra do Mar, fato que tornaria legítimo o cabimento da isenção, sem necessidade de exigências para tal, e para justificar seus argumentos anexou documentos. Para comprovar estes tipos de preservação permanente bastaria a apresentação de laudo técnico elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART, atentando a existência de florestas, com as dimensões e locais listados de conformidade com a legislação. Além da comprovação da existência da APP, seja mediante laudo técnico e/ou ato específico é indispensável a comprovação da regularização dessas áreas junto ao Ibama, através do ADA, protocolado dentro do prazo legal para o exercício analisado. Não há possibilidade de procederse a apresentação de ADA, de um ou mais exercícios anteriores por não haver retroatividade desse documento. Em que pesem as argumentações do contribuinte, mas não atendido o requisito de protocolização tempestiva do ADA perante o Ibama, apresentação do Laudo Técnico e Ato Específico, a pretensa área de preservação permanente ficará sujeita à tributação. b) No que pertine ao Valor da Terra Nua considerado no lançamento, o interessado nada questionou e a matéria está preclusa, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. c) Quanto à multa de 75% exigida no lançamento de ofício, encontra previsão no art. 44,1, da Lei n.° 9.430/1996, combinado com o art. 14, § 2 o da Lei n.° 9.393/1996. Quanto aos juros, o Código Tributário Nacional, em seu artigo 161, caput e § 1º , dispôs que o crédito tributário não pago no Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10860.720058/200862 Acórdão n.º 2202003.815 S2C2T2 Fl. 264 4 vencimento, qualquer que fosse o motivo da falta, seria acrescido de juros de mora. c) O imposto pago pelo contribuinte, no valor de R$ 103,77, foi devidamente compensado, sendo mantida a exigência na Notificação de Lançamento da diferença apurada, com os devidos acréscimos legais cabíveis no procedimento de ofício. Assim, reputouse improcedente a impugnação apresentada. Cientificado dessa decisão em 01 de abril de 2011 (AR na folha 130), o contribuinte apresentou recurso voluntário (anexado na folha 99 e ss.), onde, em síntese, assim manifesta sua inconformidade com o acórdão recorrido: a) Requer seja citada a Fazenda do Estado de São Paulo, para integrar a lide, vez que a totalidade do imóvel foi por ela desapropriada para a implantação do Parque Estadual da Serra do Mar, pelo Decreto n° 10.251/77. Logo, se há um devedor esse é a própria Fazenda do Estado de São Paulo. Citando lide judicial entre ele e a Fazenda do Estado de São Paulo, diz que na realidade o imóvel objeto do presente Recurso pertence ao Estado, conforme comprova o Acórdão ora anexo. b) Requer ao CARF que se digne Julgar nulo o lançamento efetuado, uma vez que, no caso, o próprio Decreto Estadual n° 10.251/1977, substitui o ADA, por ser ato emanado do próprio Governo Estadual, logo, é merecedor de toda a credibilidade, de que todo o imóvel do Recorrente é de preservação permanente, reserva legal, de interesse ecológico e imprestável para qualquer exploração agrícola, motivo de excluirse da área tributável. c) Diz que embora não tenha apresentado o ADA em tempo hábil para comprovar que o imóvel objeto desta autuação é área de preservação permanente, reserva legal, de interesse ecológico e imprestável para qualquer exploração agrícola, não muda o fato de a área estar realmente preservada pelo próprio Decreto Estadual. d) Por estar o imóvel improdutivo, não tem como o Recorrente arcar com o exorbitante do valor fixado de ITR, mormente porque sua área foi objeto de desapropriação indireta, por força do Decreto n° 10.251/77 e até a presente data, ainda não recebeu o valor que lhe é devido pelo Estado de São Paulo. PEDE que se traga ao no pólo passivo a Fazenda Estadual, tendo em vista a Ação de Interdito Proibitório acima citada, ou então que seja anulado o lançamento, mas, se assim não se entender, espera e requer que seja acolhido o presente recurso voluntário, para cancelarse o débito reclamado. O recurso foi encaminhado a este CARF que proferiu Resolução a fim de que o julgamento fosse convertido em diligência, nos seguintes termos: Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10860.720058/200862 Acórdão n.º 2202003.815 S2C2T2 Fl. 265 5 "Entretanto, para a escorreita aplicação do direito em tela e para que não restem dúvidas de que as áreas declaradas pela Recorrente efetivamente configuramse como de Preservação Permanente, prestigiandose o princípio da verdade material que rege os procedimentos administrativos, é imperioso que o presente processo seja baixado em diligência para que o órgão ambiental em questão informe se a área do imóvel objeto do lançamento se encontra dentro do Parque Estadual da Serra do Mar". Foi cumprida a diligência, com comunicação entre a Unidade da RFB preparadora e os órgãos de competência sobre meio ambiente do Estado de São Paulo, restituindose o processo ao CARF nos seguintes termos: "Em atenção à Resolução 2801000.086 de 30 de novembro de 2011 às fls 132 a 135 foi juntado o Ofício Resposta da Fundação Florestal às fls 206. Isto posto, restituo o presente processo à 2ª Seção de Julgamento do CARF para continuidade". Ao analisar a questão, resolveuse pela conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos (fl. 254): ... pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade preparadora informe qual a data de protocolo do recurso em questão ou, na impossibilidade de fazêlo, manifeste se expressamente. A Unidade preparadora na fl. 260, informando que o recurso foi encaminhado em 27/04/2011, conforme o Aviso de Recebimento que então anexou, na fl. 256. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. Primeiro observo que a Autoridade lançadora procedeu de ofício a duas alterações nos dados informados pelo contribuinte em sua DITR: a glosa da área de preservação permanente de 895,5 ha e alteração do VTN declarado para R$ 2.342.273,21 (2.517, 22 R$/ha), conforme discriminado nas fls. 76/77, cópia da Notificação de Lançamento. No curso deste processo, o contribuinte questiona apenas a glosa da área (APP), não se manifestando sobre a alteração do VTN, matéria que está, portando, fora do litígio, nos termos d artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972, como já inclusive destacara a Autoridade Julgadora de 1ª instância. Diz a Lei nº 9.393, de 1996: Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10860.720058/200862 Acórdão n.º 2202003.815 S2C2T2 Fl. 266 6 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Vide art. 25 da Lei nº 12.844, de 2013) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; Assim, referida lei, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, menciona que para efeitos de apuração do ITR considerarseá “área tributável” a área total do imóvel “menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal”. O tamanho da área tributável influi no cálculo e, conseqüentemente, no valor a pagar de ITR. A apresentação do ADA – Ato Declaratório Ambiental, para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal, que outrora era exigida pela RFB com base em norma infralegal, surgiu no ordenamento jurídico com o art. 1º, da Lei nº 10.165/2000, que incluiu o art. 17O, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001: Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10860.720058/200862 Acórdão n.º 2202003.815 S2C2T2 Fl. 267 7 §1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (grifei) A jurisprudência da Câmara Superior deste CARF já se manifestou em julgamento no Acórdão 9202 – 002.383 (processo: 10120.000407/200628, data 13/03/2013, Relatora Susy Gomes Hoffmann): ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. REQUISITO NECESSÁRIO. A fim de obter a isenção quanto à Área de Preservação Permanente (APP) o sujeito passivo deve apresentar documentação sobre a existência. No presente caso, o sujeito passivo apresentou apenas mapa, sem o devido e necessário Ato Declaratório Ambiental (ADA), motivo da não obtenção de isenção da citada área.(grifei) Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. O Decreto regulamentador do ITR também possui determinação expressa. Decreto 4.382/2002: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II – de reserva legal, ... § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e(grifei) Primeiramente, antes de nossa análise, cabe ressaltar a importância do Ato Declaratório Ambiental (ADA). O ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental e possui como função cadastramento as áreas de interesse ambiental declaradas, permitindo o controle e verificação dessas áreas pelo órgão responsável pela área ambiental. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10860.720058/200862 Acórdão n.º 2202003.815 S2C2T2 Fl. 268 8 Com essa declaração aos órgãos responsáveis, em busca da preservação ambiental dessas áreas, o Estado concede isenção tributária quanto ao ITR. Cabe ressaltar que a isenção tributária, como a incidência, decorre de lei. É o próprio poder público competente para exigir tributo que tem o poder de isentar. É a isenção um caso de exclusão tributária, de dispensa do crédito tributário, conforme determina o I, Art. 175 do Código Tributário Nacional (CTN). Buscase, assim, uma conduta determinada dos cidadãos. No caso, o objetivo é a preservação das áreas em comento, pela fiscalização das áreas informadas pelo ADA e o órgão que possui a qualificação técnica para tal é o Ibama. Desta forma, o objetivo da isenção é estimular a preservação e proteção da flora e das florestas e, conseqüentemente, contribuir para a conservação da natureza e proporcionar melhor qualidade de vida. “O postulado da proporcionalidade exige que o Poder Legislativo e o Poder Executivo escolham, para a realização de seus fins, meios adequados, necessários e proporcionais. Um meio é adequado se promove o fim. Um meio é necessário se, dentre todos aqueles meios igualmente adequados para promover o fim, for o menos restritivo relativamente aos direitos fundamentais. E um meio é proporcional, em sentido estrito, se as vantagens que promove superam as desvantagens que provoca”. (ÁVILA, Humberto. Teoria dos Princípios: da definição á aplicação dos princípios jurídicos. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 102) A IN Ibama nº 76, de 31 de outubro de 2005, estabeleceu: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental ADA representa o cadastro indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de isenção do Imposto Territorial Rural ITR”. Observo ainda que a Instrução Normativa nº 76 do Ibama traz considerações importantes sobre o ADA e seu disciplinamento, para justificar a necessidade de padrões e prazos. Abaixo transcrevemos alguns: “ Considerando a necessidade de padronizar o modelo de Ato Declaratório AmbientalADA; Considerando a necessidade de regulamentação das modalidades de apresentação do ADA, para fins de isenção e/ou dedução de Imposto Territorial Rural ITR ; Considerando a necessidade de o Ibama instituir um cadastro das propriedades rurais que possuem áreas de interesse ambiental, mediante apresentação do ADA;...(grifei)” Por fim, a IN Ibama nº 76, de 2005 foi expressamente revogada pela IN Ibama nº 5, de 25 de março de 2009, a qual, entre outras determinações, definiu modelo de laudo técnico de vistoria de campo um dos documentos comprobatórios das declarações prestadas no ADA, passível de ser exigido em momento posterior à apresentação do ADA, Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10860.720058/200862 Acórdão n.º 2202003.815 S2C2T2 Fl. 269 9 deixou de contemplar o formulário padrão como um dos modelos de apresentação do ADA e determinou o prazo para a apresentação do ADA bem como de sua retificação: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental – ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre estas últimas. (...) Art. 6º O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). (...) § 3o O ADA deverá ser entregue de 1º de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. Assim, a exigência do ADA tem previsão legal. E também está disciplinada e pareceme, a partir do excerto que citamos acima, proporcional e adequada. Entendo que o §7º do artigo 10 da Lei nº 9.393/1996, incluído pela MP nº 2.166/2001, ao dizer que: §7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas a e d do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis, referese à questão do lançamento do ITR darse por homologação, nos termos do Art. 150 do CTN, e reputo importante destacar os termos “declaração” e “prévia”. Não é necessário que o contribuinte apresente nenhum documento para que em sua declaração faça constar a informação das áreas isentas, de reserva legal e preservação permanente, e, desta feita, conseqüentemente, apure o imposto devido e faça o recolhimento, cabendo ao Fisco simplesmente chancelar tal apuração, quando a entenda correta, mediante homologação expressa ou tácita. Nenhum ato prévio do Fisco, pois, se faz mister. Contudo, entendendo a autoridade fiscal que se faz necessária comprovação, principalmente no que diz respeito a uma isenção pleiteada pelo declarante, cabe a este atendê la. Quando não o faz, na forma prevista em diploma legal, que, portanto, revestese de todas as Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10860.720058/200862 Acórdão n.º 2202003.815 S2C2T2 Fl. 270 10 prerrogativas e formalidades que possamos aqui discutir, é de entenderse que restou não comprovada a veracidade da declaração. O caso concreto, contudo, é diverso. Tratase de imóvel que foi inserido em parque estadual criado por ato do Poder Público. Como consta de cópia anexada nas fls. 112, o governo de São Paulo, mediante o Decreto nº 10.251, de 30 de agosto de 1977, criou o Parque Estadual da Serra do Mar com a finalidade de "assegurar integral proteção à flora, à fauna, ás belezas naturais, bem como para garantir sua utilização a objetivos educacionais, recreativos e científicos." No seu artigo 6º, diz ainda o referido decreto que "ficam declaradas de utilidade pública, para fins de desapropriação, por via amigável ou judicial, as terras do domínio particular abrangidas pelo parque ora criado." Da leitura da decisão recorrida, observase que o julgador lança dúvidas sobre dois pontos: se o imóvel estaria integralmente inserido no parque estadual e se as restrições a que estaria submetido de fato impediriam sua utilização, para que fosse considerado isento. Na folha 193 consta cópia do Ofício 389/2009, emitido pela Fundação Florestal do Estado de São Paulo dizendo que "as áreas mencionadas" estão localizadas dentro dos limites do Parque Estadual da Serra do Mar, criado pelo Decreto Estadual nº 10.251, de 1977. Após a diligência determinada por este CARF e interlocução entre a Fundação Florestal e a Unidade da RFB de jurisdição do imóvel, veio aos autos o Ofício nº 1854/2014, em que é ratificado o Ofício 389/2009, encaminhado ao requerente, para dizer que as áreas mencionadas estão de fato dentro dos limites do Parque Estadual. O acompanhamento da exploração dessas áreas já era feito pelos órgãos de controle ambiental há muito tempo, como demonstram o Boletim de Ocorrência e o processo que se seguiu a ele, em que o contribuinte foi responsabilizado por crime ambiental, por mandar cortar 0,9 ha da área para fazer pastagens (fl. 15 e seguintes). Atestou o Ministério Público Estadual, naquela ocasião, que "o Parque Estadual da Serra do Mar, protegido pela própria Constituição Federal, em seu artigo 225, § 4º, é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral."(fl. 19) Assim, existem nos autos documentos que possibilitam concluir que o imóvel declarado está inserido no Parque Estadual da Serra do Mar e que o parque tratase de uma área de proteção integral, onde não é permitida qualquer exploração comercial. Registrese que os Parques (Nacional, Estadual ou Municipal), em conformidade com a Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que regulamentou o art. 225, § 1o, incisos I, II, III e VII da Constituição da República Federativa do Brasil e instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC, são Unidades de Proteção Integral, para as quais só é admitido o uso indireto (aquele que não envolve consumo, coleta, dano ou destruição dos recursos naturais) dos seus atributos naturais. Como se vê, as terras inseridas em parques nacionais não se prestam a qualquer tipo de exploração comercial, posto que seu único objetivo é a preservação de ecossistemas naturais, possibilitando, apenas, a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação ambiental, de recreação e de turismo ecológico. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10860.720058/200862 Acórdão n.º 2202003.815 S2C2T2 Fl. 271 11 Assim, entendo que a área em questão melhor se enquadra na alínea 'b' do inciso II, artigo 10, da Lei nº 9.393, de 1996, acima copiado. Nesse caso, tornarseia desnecessária, pelos motivos expostos, a exigência do ADA como requisito formal para o reconhecimento da isenção, uma vez que suas finalidades, aqui tratadas, perdem sentido, pois a área já é controlada e acompanhada pelo poder público que cria o Parque, mesmo que ainda não tenha sido efetivamente desapropriada em função do longo processo que se desenvolve. Colho na jurisprudência deste CARF: Acórdão 2801003.079, Sessão de 20 de junho de 2013 Exercício: 2005 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Não é tributável o imóvel inteiramente localizado em área de interesse ecológico transformada em Parque Estadual instituído por Decreto Estadual. Recurso Voluntário Provido. Acórdão 2301004.857, Sessão de 22 de setembro de 2016 Exercício 2005, 2006, 2007 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. 1. Comprovada, através da localização do imóvel, ser área de interesse ecológico, para a proteção dos ecossistemas, visto estar inserida no Parque Estadual Serra do Tabuleiro, deve ser excluída da tributação em conformidade com o art. 10, §1º, II, b, da Lei n.º 9.393/96. 2. Para essa exclusão da APP da tributação, o ADA não é o único meio de prova, podendo a comprovação ser realizada por outros meios, no caso dos autos, mediante Laudo de Vistoria e de Uso do Solo. Acórdão 2102002.515 Exercício:2003 ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. PARQUE ESTADUAL. Comprovado o fato de que a propriedade está inserida em Parque Estadual criado por meio de Decreto do Governador do Estado, é lícita a sua exclusão da base de cálculo do ITR, na forma do art. 10, § 1º, inciso II, alínea "b", da Lei nº. 9.393/96. CONCLUSÃO Em face do acima exposto, ressaltando que o contribuinte não impugnou a questão do valor da terra nua (VTN), alterado pela Autoridade Fiscal, VOTO por dar provimento ao recurso para restabelecer, para fins de cálculo do ITR, a área de preservação permanente declarada de 895,5 hectares. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10860.720058/200862 Acórdão n.º 2202003.815 S2C2T2 Fl. 272 12 (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 272DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.007560/2007-02
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/11/2003
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 75 60 /2 00 7- 02 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10283.007560/200702 Acórdão n.º 9202004.808 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10283.007560/200702 Acórdão n.º 9202004.808 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10283.007560/200702 Acórdão n.º 9202004.808 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10283.007560/200702 Acórdão n.º 9202004.808 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10283.007560/200702 Acórdão n.º 9202004.808 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10283.007560/200702 Acórdão n.º 9202004.808 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10283.007560/200702 Acórdão n.º 9202004.808 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10283.007560/200702 Acórdão n.º 9202004.808 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10283.007560/200702 Acórdão n.º 9202004.808 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 177DF CARF MF
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