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Numero do processo: 13603.902290/2012-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA. ÚNICO FUNDAMENTO. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO.
Sendo a glosa fundamentada no único fundamento da ausência de comprovação de que a receita correspondente não foi oferecida à tributação, inexistindo tais provas nos autos possibilitando checar que a citada receita, efetivamente, foi computada no lucro real do período, impõe-se o não-provimento do recurso.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS MENSAIS
Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização.
Demonstrado que a diferença pleiteada já se encontra na composição de crédito pleiteado em outro processo administrativo, não há que se falar em locupletamento por parte da Administração Pública, e o conseqüente o não-provimento do pleito formulado neste processo.
Numero da decisão: 1301-002.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA. ÚNICO FUNDAMENTO. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. Sendo a glosa fundamentada no único fundamento da ausência de comprovação de que a receita correspondente não foi oferecida à tributação, inexistindo tais provas nos autos possibilitando checar que a citada receita, efetivamente, foi computada no lucro real do período, impõese o não provimento do recurso. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS MENSAIS Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Demonstrado que a diferença pleiteada já se encontra na composição de crédito pleiteado em outro processo administrativo, não há que se falar em locupletamento por parte da Administração Pública, e o conseqüente o não provimento do pleito formulado neste processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 22 90 /2 01 2- 22 Fl. 289DF CARF MF Processo nº 13603.902290/201222 Acórdão n.º 1301002.259 S1C3T1 Fl. 290 2 José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 0247.155, proferido pela 3ª Turma da DRJ/BHE, em 14 de agosto de 2013, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do voto do relator, para não homologar as compensações em litígio. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito. Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização de parte do pretenso “Saldo Negativo de IRPJ apurado no AC de 2004 no valor de R$ 284.967,83. 2. As compensações declaradas pelo contribuinte, sinteticamente: Despacho Decisório da DRF 3. A análise dos documentos protocolizados pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório nº 024895065, que apurou: 3.1 Verificadas as antecipações referentes ao IRPJ AC 2004 identificadas no PER/DCOMP, foi confirmada a importância de R$ 2.409.130,88, para um IRPJ devido igual a R$ 2.175.594,28. 3.1.1 O detalhamento da análise do crédito, parte integrante do Despacho Decisório, encontrase anexado ao processo, e indica que as antecipações do imposto indicadas pelo contribuinte e a parcela confirmada pelo fisco: Tendo em vista as constatações acima, a DRF apurou o Saldo Negativo de IRPJ disponível para compensação no valor de R$ 233.536,60; utilizou o crédito reconhecido na extinção dos débitos declarados pelo contribuinte na DCOMP, Fl. 290DF CARF MF Processo nº 13603.902290/201222 Acórdão n.º 1301002.259 S1C3T1 Fl. 291 3 resultando na HOMOLOGAÇÃO PARCIAL da compensação declarada, em função da insuficiência do crédito. Manifestação de Inconformidade 4. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 13/07/2012, conforme documento anexado ao processo. Irresignado, o contribuinte apresenta em 27/07/2012 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 19/20, onde, em síntese, argumenta: 4.1 Que as receitas que originaram o Imposto de Renda pago no exterior referemse à exportação de serviços e foram lançadas na linha 08 da ficha 06A em função da inexistência de linha específica para lançar tais rendimentos. Menciona a anexação das notas fiscais correspondentes aos serviços prestados. 4.2 Que a estimativa mensal referente ao mês de janeiro/2004 foi quitada através de pagamentos e compensações. Esclarece que um dos pagamentos foi efetuado equivocadamente com o código da CSLL; menciona a necessidade de retificação dos DARF’s e das DCTF’s correspondentes. 4.3 Acrescenta que a resposta ao “Termo de Intimação” apresentada à DRF explica o procedimento. Informa que tal documento encontrase anexado. 5. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide (fl. 205). Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. Para efeito de compensação do imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. A pessoa jurídica fica dispensada dessa obrigação quando comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de representante regularmente Fl. 291DF CARF MF Processo nº 13603.902290/201222 Acórdão n.º 1301002.259 S1C3T1 Fl. 292 4 constituído, com documentos que supostamente validam seu direito creditório, pugnando por seu provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste Colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram acostados ao processo quando da apresentação do recurso voluntário. Estes documentos são: i) tradução juramentada dos comprovante de retenções ocorridas no exterior; ii) reconhecimento de "legalização", reconhecido pelo Consulado da Embaixada Brasileira em Córdoba/Argentina; dos comprovantes de retenções ocorridos no exterior . Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4o do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, a jurisprudência do CARF vem temperando essa disposição em nome do princípio da verdade material, para a consecução dos fins processuais No caso, penso ser possível a análise dos documentos juntados pela recorrente, em seu recurso, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares. Assim, no caso concreto, a apresentação das novas provas é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Dessa forma, as novas provas são admitidas e serão analisadas. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Consoante relatado, por meio da PER/DCOMP n.º 20100.16433.280708.1.7.025460, o contribuinte informou a existência de crédito correspondente a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, no valor de R$ 284.967,83, sendo composto por IR pago no exterior (R$39.311,38), retenções na fonte (R$230.686,74), pagamentos com DARF (R$ 935.141,98) e estimativas compensadas com Fl. 292DF CARF MF Processo nº 13603.902290/201222 Acórdão n.º 1301002.259 S1C3T1 Fl. 293 5 saldo negativo de anos anteriores (R$ 946.034,50) e demais estimativas compensadas (R$ 309.386,81). De acordo com o despacho decisório, não foi reconhecida a parcela referente ao IR pago no exterior, no valor de R$39.311,38, e reconheceuse o valor de R$ 297.267,66 dos R$309.386,81 informados a título de "demais estimativas compensadas", glosando o valor de R$12.119,15. O fundamento utilizado para rejeitar o IR pago no exterior foi que a receita correspondente não foi oferecida a tributação. Com relação às demais estimativas compensadas, justificouse a glosa com a seguinte mensagem: compensação confirmada parcialmente com mais de um crédito. Sendo assim, a soma das parcelas admitidas no despacho é igual a R$ 2.409.130,88. Considerando a DIPJ apresentada pela interessada, o IRPJ anual devido é igual a R$ 2.175.594,28, sendo reconhecido saldo negativo disponível no valor de R$ 233.536,60. Irresignado, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, cujos argumentos foram apreciados pela DRJ, que decidiu julgála improcedente e não homologar a compensação em litígio. Sendo assim, reside a lide no reconhecimento ou não da parcela do crédito correspondente ao IR pago no exterior, no valor de R$39.311,38; e na parcela do crédito referente a "demais estimativas compensadas", no valor de R$12.119,15 (diferença entre o valor constante no PER/DCOMP R$309.386,81 e aquele confirmado pela RFB R$ 297.267,66). Não há preliminares a analisar, passase ao mérito. Imposto pago no exterior Ao analisar à glosa das retenções relativas ao IR pago no exterior, a DRJ afirma que os documentos apresentados pelo contribuinte não comprovam o oferecimento das receitas correspondentes à tributação, enfatizando que, no máximo, as notas fiscais apresentadas indicam a execução dos serviços e o auferimento da renda, mas não comprovam de que tais receitas foram computadas na apuração do resultado do período. Com referência aos comprovantes de retenções trazidas pelo corrente, esclareceu que tais documentos em idioma estrangeiro não podem ser avaliados uma vez que desacompanhados de tradução, ferindo as regras afetas a matéria. Assim, concluiu a DRJ que não houve nem a comprovação do efetivo pagamento do imposto no exterior e nem foi comprovado o oferecimento à tributação de qualquer rendimento obtido pelo contribuinte no exterior. Sobre o ponto, a recorrente faz referência aos documentos por ela juntados em seu recurso, requerendo que sejam apreciados, a fim de comprovar o pagamento de IRPJ pago a maior com a conseqüente homologação da compensação almejada. (grifei) Conforme inferese do despacho decisório, o único fundamento utilizado para rejeitar eventuais retenções de imposto de renda no exterior reside na ausência de provas de que a receita correspondente não foi oferecida a tributação. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 13603.902290/201222 Acórdão n.º 1301002.259 S1C3T1 Fl. 294 6 Embora o contribuinte tenha anexado a tradução juramentada dos comprovante de retenções ocorridas no exterior, bem como reconhecimento de "legalização", pelo Consulado da Embaixada Brasileira em Córdoba/Argentina; dos referidos comprovantes de retenções ocorridos no exterior, não há como saber, pelo simples exame dos autos e documentos apresentados, que as receitas que originaram as retenções se encontram dentro do resultado no período. Necessário seria que estes documentos estivessem refletidos em documentos fiscais e contábeis, cujas provas devem ser trazidas aos autos pela interessada, possibilitando checar que as citadas receitas, efetivamente, foram computadas no lucro real do período. Assim, como não afastado o fundamento da glosa, negase provimento, quanto ao item. IRPJ Estimativa Mensal DCOMP não homologada Sustenta o contribuinte que parte do saldo negativo que se pretende compensar foi lançado com o código da "CSLL"; que o sistema da Receita não aceita a retificação dos DARFs sobre créditos anteriores ao ano de 2006; que não pode o contribuinte ficar sem seu direito de compensar o tributo pago a maior em função de uma técnica do sistema, sob pena de se configurar, vez mais, locupletamento por parte do Fisco; e ao final, requer seja o DARF retificado. Sobre o ponto, a decisão recorrida esclarece que retificação de DARF possui previsão em legislação tributária vigente, mediante provocação do contribuinte e respeitadas as regras afetas ao procedimento; que não cabe a DRJ retificar exoffício os DARF´s recolhidos pelo contribuinte para legitimar a compensação declarada na DCOMP; ao final, conclui que inexiste saldo negativo de IRPJ AC 2004 disponível para compensação além do já validado pelo fisco. Neste período, relativo ao anocalendário de 2004, pelo que se apura, o contribuinte realizou várias retificadoras, e além disso, segundo informa em sua peça recursal, também incorreu em equívocos quando do recolhimento de estimativas de CSLL e IRPJ, utilizandose de códigos trocados, recolhendo estimativa de CSLL com o código da estimativa do IRPJ. Daí, informa que o valor da glosa mantida pela decisão recorrida é no exato valor da diferença existente entre o que recolheu e o que deveria ser recolhido. Ocorre que o pagamento realizado por DARF, com o código 2484, no valor de R$ 18.808,70 já se encontra na composição de crédito pleiteado em outro processo, qual seja, o de nº13603.901573/201095, sendo tal crédito correspondente ao saldo negativo de CSLL deste mesmo anocalendário (AC 2004). Verificase ainda, naquela oportunidade, quando obteve decisão administrativa naquele processo da lavra da DRJ, o contribuinte não apresentou resistência, operandose a definitividade da referida decisão administrativa. Desta forma, não há reparos a fazer na decisão recorrida, devendose manter a glosa de R$12.119,15. Por assim ser, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 13603.902290/201222 Acórdão n.º 1301002.259 S1C3T1 Fl. 295 7 (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 295DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.720233/2009-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
Auto de Infração DEBCAD sob n° 37.225.678-3
Consolidado em 07/01/2009
JULGAMENTO EM CONJUNTO DE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS
Guardando semelhança processos administrativos onde oriundos de mesma autuação fiscal, não há prejuízo processual e de mérito a sua defesa e julgamento a serem realizados num mesmo momento.
No caso em tela a autuação fiscal realizou vários autos de infração contra a Recorrente e guardam semelhança.
DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS e DAS PREVISÕES LEGAIS ACERCA DA PLR. DA VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL À TRIBUTAÇÃO DA PLR. DO ESTÍMULO ÀS EMPRESAS À DISTRIBUIÇÃO DE SEUS LUCROS
Convenção Coletiva de Trabalho não pode superar a legislação que dirime a Participação nos Lucros e Resultados das empresas.
No caso em tela a Recorrente diz que havia uma PLR do sindicato da categoria e que este previa um pagamento semestral ao ano. Diz que o julgou de pouca eficiência e criou o seu, onde houve a conhecidência de pagamento, superando a exigência da Lei 10.101/2000, havendo mais de dois pagamentos ao ano.Assumiu o risco, pois poderia não seguir o da CCT, através do manto judicial ou o seguia.
Há de se seguir o determinado pela CF regulamentado pela Lei nº 10.101/00, e por isto é obrigação observado se foi trilhado pelas partes que negociaram o instrumento definidor das regras de participação dos empregados nos lucros ou resultados das empresas a subordinação às regras.
Nesta seara, a Recorrente olvidou de seguir o regramento quanto ao pagamento em mais de uma vez no mesmo semestres e duas ao ano
Há na Carta Maior o estimulo à distribuição de seus lucros pelas empresas aos seus empregados através de PLR, verificando ser uma forma de distribuição de riqueza.
Isto não implica que será realizado de qualquer forma, desrespeitando a lei de regência, como aconteceu no presente caso.
PLANO DE LUCROS E RESULTADOS. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. PAGAMENTO EM UM SEMESTRE CIVIL. REGULAR. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
No caso em tela a PLR realizada junto ao sindicato da categoria não apresenta anomalia, coincidindo o pagamento em um mesmo semestre civil, por conta de outro PLR realizado pela Recorrente, cujo qual, sendo desconsiderado não haverá mais de um pagamento no mesmo semestre. Razão pela qual encontra-se em plena sintonia com a legislação de regência.
AJUDA DE CUSTO - DO PAGAMENTO DA AJUDA DE CUSTO STRICTO SENSU
REDATOR A SER DESIGNADO - ENVIAR PARA DRº MARCELO
AUXÍLIO - BABÁ
Auxílio-babá tem a mesma natureza do auxílio-creche, onde já se encontra sumulado no CARF, não incidindo contribuição previdenciária.
No caso em tela, a empresa não prestou as informações relativas ao seu pagamento, ao não apresentar os comprovantes do pagamento da remuneração às pessoas contratadas para cuidar dos filhos de segurados empregados, onde passou a incidir contribuição, por desrespeito ao artigo 28, parágrafo 9º, "s" da Lei 8.212/1991 que não deixa dúvidas da necessidade de provar as despesas realizadas.
Numero da decisão: 2301-003.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso voluntário, no que tange à não incidência de contribuição sobre as parcelas relativas a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que dava provimento total ao recurso nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que incida contribuição sobre os pagamentos a título de PLR somente nas parcelas que excederem a duas vezes no mesmo ano civil, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em negar provimento ao recurso, na questão da retenção, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao Recurso na questão da ajuda de custo, nos termos do voto do Redator. Vencido os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em não conhecer de ofício da questão da multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Adriano Gonzáles Silvério, que conheciam de ofício sobre essa questão; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Mauro José Silva.
João Bellini Júnior Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 Auto de Infração DEBCAD sob n° 37.225.678-3 Consolidado em 07/01/2009 JULGAMENTO EM CONJUNTO DE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS Guardando semelhança processos administrativos onde oriundos de mesma autuação fiscal, não há prejuízo processual e de mérito a sua defesa e julgamento a serem realizados num mesmo momento. No caso em tela a autuação fiscal realizou vários autos de infração contra a Recorrente e guardam semelhança. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS e DAS PREVISÕES LEGAIS ACERCA DA PLR. DA VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL À TRIBUTAÇÃO DA PLR. DO ESTÍMULO ÀS EMPRESAS À DISTRIBUIÇÃO DE SEUS LUCROS Convenção Coletiva de Trabalho não pode superar a legislação que dirime a Participação nos Lucros e Resultados das empresas. No caso em tela a Recorrente diz que havia uma PLR do sindicato da categoria e que este previa um pagamento semestral ao ano. Diz que o julgou de pouca eficiência e criou o seu, onde houve a conhecidência de pagamento, superando a exigência da Lei 10.101/2000, havendo mais de dois pagamentos ao ano.Assumiu o risco, pois poderia não seguir o da CCT, através do manto judicial ou o seguia. Há de se seguir o determinado pela CF regulamentado pela Lei nº 10.101/00, e por isto é obrigação observado se foi trilhado pelas partes que negociaram o instrumento definidor das regras de participação dos empregados nos lucros ou resultados das empresas a subordinação às regras. Nesta seara, a Recorrente olvidou de seguir o regramento quanto ao pagamento em mais de uma vez no mesmo semestres e duas ao ano Há na Carta Maior o estimulo à distribuição de seus lucros pelas empresas aos seus empregados através de PLR, verificando ser uma forma de distribuição de riqueza. Isto não implica que será realizado de qualquer forma, desrespeitando a lei de regência, como aconteceu no presente caso. PLANO DE LUCROS E RESULTADOS. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. PAGAMENTO EM UM SEMESTRE CIVIL. REGULAR. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. No caso em tela a PLR realizada junto ao sindicato da categoria não apresenta anomalia, coincidindo o pagamento em um mesmo semestre civil, por conta de outro PLR realizado pela Recorrente, cujo qual, sendo desconsiderado não haverá mais de um pagamento no mesmo semestre. Razão pela qual encontra-se em plena sintonia com a legislação de regência. AJUDA DE CUSTO - DO PAGAMENTO DA AJUDA DE CUSTO STRICTO SENSU REDATOR A SER DESIGNADO - ENVIAR PARA DRº MARCELO AUXÍLIO - BABÁ Auxílio-babá tem a mesma natureza do auxílio-creche, onde já se encontra sumulado no CARF, não incidindo contribuição previdenciária. No caso em tela, a empresa não prestou as informações relativas ao seu pagamento, ao não apresentar os comprovantes do pagamento da remuneração às pessoas contratadas para cuidar dos filhos de segurados empregados, onde passou a incidir contribuição, por desrespeito ao artigo 28, parágrafo 9º, "s" da Lei 8.212/1991 que não deixa dúvidas da necessidade de provar as despesas realizadas.
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No caso em tela a autuação fiscal realizou vários autos de infração contra a Recorrente e guardam semelhança. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS e DAS PREVISÕES LEGAIS ACERCA DA PLR. DA VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL À TRIBUTAÇÃO DA PLR. DO ESTÍMULO ÀS EMPRESAS À DISTRIBUIÇÃO DE SEUS LUCROS Convenção Coletiva de Trabalho não pode superar a legislação que dirime a Participação nos Lucros e Resultados das empresas. No caso em tela a Recorrente diz que havia uma PLR do sindicato da categoria e que este previa um pagamento semestral ao ano. Diz que o julgou de pouca eficiência e criou o seu, onde houve a conhecidência de pagamento, superando a exigência da Lei 10.101/2000, havendo mais de dois pagamentos ao ano.Assumiu o risco, pois poderia não seguir o da CCT, através do manto judicial ou o seguia. Há de se seguir o determinado pela CF regulamentado pela Lei nº 10.101/00, e por isto é obrigação observado se foi trilhado pelas partes que negociaram o instrumento definidor das regras de participação dos empregados nos lucros ou resultados das empresas a subordinação às regras. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 02 33 /2 00 9- 33 Fl. 613DF CARF MF 2 Nesta seara, a Recorrente olvidou de seguir o regramento quanto ao pagamento em mais de uma vez no mesmo semestres e duas ao ano Há na Carta Maior o estimulo à distribuição de seus lucros pelas empresas aos seus empregados através de PLR, verificando ser uma forma de distribuição de riqueza. Isto não implica que será realizado de qualquer forma, desrespeitando a lei de regência, como aconteceu no presente caso. PLANO DE LUCROS E RESULTADOS. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. PAGAMENTO EM UM SEMESTRE CIVIL. REGULAR. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. No caso em tela a PLR realizada junto ao sindicato da categoria não apresenta anomalia, coincidindo o pagamento em um mesmo semestre civil, por conta de outro PLR realizado pela Recorrente, cujo qual, sendo desconsiderado não haverá mais de um pagamento no mesmo semestre. Razão pela qual encontrase em plena sintonia com a legislação de regência. AJUDA DE CUSTO DO PAGAMENTO DA AJUDA DE CUSTO ‘STRICTO SENSU’ REDATOR A SER DESIGNADO ENVIAR PARA DRº MARCELO AUXÍLIO BABÁ Auxíliobabá tem a mesma natureza do auxíliocreche, onde já se encontra sumulado no CARF, não incidindo contribuição previdenciária. No caso em tela, a empresa não prestou as informações relativas ao seu pagamento, ao não apresentar os comprovantes do pagamento da remuneração às pessoas contratadas para cuidar dos filhos de segurados empregados, onde passou a incidir contribuição, por desrespeito ao artigo 28, parágrafo 9º, "s" da Lei 8.212/1991 que não deixa dúvidas da necessidade de provar as despesas realizadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso voluntário, no que tange à não incidência de contribuição sobre as parcelas relativas a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que dava provimento total ao recurso nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que incida contribuição sobre os pagamentos a título de PLR somente nas parcelas que excederem a duas vezes no mesmo ano civil, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em negar provimento ao recurso, na questão da retenção, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao Recurso na questão da ajuda de custo, nos termos do voto do Redator. Vencido os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em não conhecer de ofício da questão da multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Adriano Gonzáles Silvério, que conheciam de ofício sobre essa questão; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso Fl. 614DF CARF MF Processo nº 19740.720233/200933 Acórdão n.º 2301003.714 S2C3T1 Fl. 3 3 nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Mauro José Silva. João Bellini Júnior – Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Relatório Conselheiro João Bellini Júnior Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato do conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa, relator original, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Auto de Infração contra a Recorrente e referese às contribuições sociais correspondentes à parte dos segurados, tendo como fatos geradores: a) o pagamento de Participação nos Resultados em desacordo com a Lei 10.101/2000, no período de 01/2005 a 12/2006; b) o pagamento de ajuda de custo a segurados empregados recém contratados; c) o pagamento de auxíliobabá sem o cumprimento dos requisitos estabelecidos pelo art. 214, § 9º, XXIV, do Decreto 3.048/1999; d) os pagamentos feitos a segurados contribuintes individuais declarados em DIRF como rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício e não informados em GFIP. Inconformada com a autuação interpôs impugnação, com suas razões, cujas quais não foram suficientes para modificarem o lançamento, sendo julgada improcedente. Em 10.JUN.2011 foi intimada da decisão de piso e em 11.JUL.2011 aviou o presente recurso voluntário, alegando: i) julgamento em conjunto aos processo administrativos 19.740.720232/200999 e 19.740.720236/200977; ii) da PLR; iii) das previsões legais acerca da PLR; iv) dos instrumentos coletivos celebrados pela Recorrente; v) da vedação constitucional à tributação da PLR; vi) do estímulo às empresas à distribuição de seus lucros; vii) posicionamento do STJ; viii) ajuda de custo – do pagamento da ajuda de custo ‘stricto sensu’; ix) da eventualidade no pagamento da ajuda de custo; x) auxíliobabá; xi) da legislação Fl. 615DF CARF MF 4 que regulamenta a concessão do auxíliobabá; xii) da concessão do auxíliobabá por força de convenção coletiva de trabalho; xiii) do caráter indenizató9rio do auxíliobabá independentemente da apresentação dos comprovantes de reembolso; xiv) da documentação desconsiderada pela fiscalização. É a síntese do necessário. O processo foi distribuído para este redator ad hoc em 15/03/2017. Voto Conselheiro João Bellini Júnior Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato do conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa, relator original, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. O presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço. i) JULGAMENTO EM CONJUNTO AOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS 19.740.720232/200999 E 19.740.720236/200977 Diz a Recorrente que na autuação fiscal vários autos de infração foram lavrados contra si, sendo que deles, muitos guardam semelhança na autuação e na defesa, razão pela qual elaborou uma única peça defensiva. Não há prejuízo o que requerido pela Recorrente, até porque de fato serão julgados numa mesma sessão, sem prejuízo para defesa, ou melhor, para as partes interessadas. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS e DAS PREVISÕES LEGAIS ACERCA DA PLR DOS INSTRUMENTOS COLETIVOS CELEBRADOS PELA RECORRENTE Reconhece a Recorrente que nos anos de 2005 e 2006 efetuou mais de duas distribuições de PLR, mas segundo alega, em razão da obrigatoriedade do cumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho firmado com o Sindicato da categoria de seus empregados (com força de norma cogente – artigo 7°, XXVI da Constituição Federal c/c artigo 611 da Consolidação das Leis do Trabalho) em conjunto com seu programa específico de PLR. Faz um breve historio da legislação da PLR. Diz a Recorrente ser empresa que atua na área de capitalização, onde induz ao caminho de que o incentivo é a forma mais estimulante para obtenção de resultados. Alega que para os anos de 2005 e 2006 o Sindicato da Categoria de seus empregados celebrou Convenção Coletiva de Trabalho prevendo a PLR, com um pagamento obrigatório e outro facultativo, caso a empresa tivesse o seu próprio PLR. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 19740.720233/200933 Acórdão n.º 2301003.714 S2C3T1 Fl. 4 5 Para estimular seus empregados, por certo, por julgar ‘fraco’ o PLR do Sindicato resolveu criar o seu próprio PLR, respeitando todas as diretrizes da lei de regência, segundo alega. Todavia, assim não penso, eis que se acudisse de fato a legislação veria que o §° 2° do artigo 3° da Lei 10.101/2000 impede o pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes ao ano, o que impediria de constituir sua própria PLR, sem assumir o risco, como de fato assumiu. Vide artigo em comento, abaixo: Art.3oA participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ....... §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.(GN) Ora, com a devida vênia, não se pode crer que a Recorrente não tinha conhecimento do dispositivo de lei supra, não imaginando que tal comportamento de criar a sua PLR em conjunto com a do Sindicato por certo lhe acarretaria, como de fato acarretou dissabores perante a fiscalização previdenciária. Por outro lado, não posso concordar com a alegação de que a CCT tenha tamanha força cogente que impeça a Recorrente, se de fato insatisfeita com a PLR do Sindicato, de procurar o pálio da Justiça para fazer valer a sua PLR ao invés da PLR do Sindicato, eis que o Julgador em análise da lei de regência, onde, esta sim, cogente, impede o pagamento em mais de duas vezes no mesmo ano civil, e, de frente com uma PLR (sua) superior derrubaria a imperatividade da imposta pela CCT. O que não pode é comparar a força de uma CCT com uma legislação federal. Não se pode admitir que os sindicatos tenham força legislativa, como quer a Recorrente, dizendo que eles possuem caráter imperativo de criar normas e regras acima daquela que saem do Poder Legislativo. No meu entender a Recorrente, conhecedora da legislação assumiu o risco em detrimento à lei federal, sabendo que estava descumprindoa, razão pela qual não vejo fundamento nas alegações defensivas, quanto a PLR. Desaprovo, portanto, neste quesito, não reconhecendo as suas alegações. DA VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL À TRIBUTAÇÃO DA PLR Discorre a Recorrente da vedação constitucional à tributação da PLR, com suas fortíssimas razões, cujas quais não há de se discordar. Mas, não olvidemos que o legislador, que inseriu o comando do artigo 3º da Lei nº 10.101/00, que a participação nos lucros e resultados "não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade" não teve como objetivo Fl. 617DF CARF MF 6 isentar de encargos toda e qualquer verba paga a título de "PLR". Isto porque nem tudo que é pago a título de PLR é realmente PLR. Creio que nos casos concretos devese verificar se o conceito trazido na Constituição Federal e regulamentado na Lei nº 10.101/00 foi observado pelas partes que negociaram o instrumento definidor das regras de participação dos empregados nos lucros ou resultados das empresas. Nesta seara, tenho que assiste razão à Recorrente nos seus perfulgentes ensinamentos quanto à vedação da Carta Maior em tributar a PLR. Mas, olvidou tão somente que isto ocorrerá deste que haja subordinação à lei que regulamenta a PLR. O que não ocorreu no caso em tela. Sem razão a Recorrente. DO ESTÍMULO ÀS EMPRESAS À DISTRIBUIÇÃO DE SEUS LUCROS Diz que a Carta Maior estimula a distribuição de seus lucros pelas empresas aos seus empregados através de PLR, verificando ser uma forma de distribuição de riqueza, mas que as empresas não terão como seguir tal preceito em razão de altíssima carga previdenciária em razão de descumprimento de pequenas formalidades. Da mesma forma, temse que as empresas não sofreriam autuações se cumprissem meras formalidades, como é o caso de respeito à Lei 10.101/2000. Traz posicionamento do STJ, cujos quais não vislumbro enquadramento ao caso em tela, não modificando o nosso entender. Portanto, não assiste razão a Recorrente. Entretanto, vejo que a PLR da REcorrente não aponta outras anomalias, além de ter realizado duas ao ano que acarretou mais de um pagamento no semestre civil, agredindo, como acima transcrito, o § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.101/2000. Desta forma, considerando a segurança que o primeiro PLR tem, por ter sido elaborado junto com o sindicato do trabalhador, e, como é o caso, não havendo nenhuma anomalia, este não deve compor a base de cálculo do lançamento. Assim, excluo do lançamento o PLR oriundo da CCT, não devendo incidir contribuição previdenciária. AJUDA DE CUSTO – DO PAGAMENTO DA AJUDA DE CUSTO ‘STRICTO SENSU’ Em síntese e em consonância com a legislação diz a Recorrente que ajuda de custa é uma forma compensatória de retribuir a empregados que mudam de domicílio a serviço do empregador, paga uma única vez. Diz que no caso em tela isto aconteceu, onde reconheceu a fiscalização a natureza do pagamento realizado em uma única vez, mas que não aceitou como verba indenizatória eis que o funcionária o recebeu ao entrar na empresa. Alega a Recorrente que este funcionário veio de outra localidade a que foi efetivado. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 19740.720233/200933 Acórdão n.º 2301003.714 S2C3T1 Fl. 5 7 Este aspecto pareceme que merece acolhida as alegações da Recorrente, ainda que não tenha o funcionário vindo de outra localidade, eis que o pagamento foi reconhecidamente pela fiscalização realizado em uma única vez, não configurando quesitos necessários para enquadramento de verba remuneratória. Fortalece ainda o caráter indenizatório, como dito no recurso, a eventualidade do pagamento e o próprio artigo 28, §° 9°, G da Lei 8.212/91, quando esta trata tão somente da mudança do local de trabalho, não havendo qualquer exigência específica quanto a necessidade de transferência entre estabelecimento da empresa. Com razão. AUXÍLIO – BABÁ Segundo relatório fiscal, a empresa não prestou as informações relativas ao seu pagamento, ao não apresentar os comprovantes do pagamento da remuneração às pessoas contratadas para cuidar dos filhos de segurados empregados. Neste diapasão não podemos olvidar que o artigo 28, parágrafo 9º, "s" da Lei 8.212/1991 é bem cristalino ao determinar que não integra o salário de contribuição apenas o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando comprovadas as despesas realizadas. Mas, não é só, pois o inciso XXIV, do § 9º, do artigo 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999 e o § 10 do mesmo diploma legal, dispõe: Art. 214 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) ... XXIV o reembolso babá, limitado ao menor saláriode contribuição mensal e condicionado à comprovação do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social da empregada, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária, pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade da criança; (Inciso acrescentado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) (...) § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. (GN) Cotejando os autos não se verifica, de fato, os comprovantes de pagamento realizadas às pessoas contratadas para cuidar dos filhos de segurados empregados. Fl. 619DF CARF MF 8 Como dizem os latinos: “Na clareza da lei cessa sua interpretação”. Razão pela qual não conheço os argumentos da Recorrente, devendo incidir contribuição previdenciária nesta exação. Sem razão a Recorrente. DAS DIFERENÇAS DE RETENÇÃO DE 11% Diz a Recorrente que os valores pagos a título de reembolso de plano de saúde previstos nos contratos com cessão de mãodeobra celebrados por ela não integram o cálculo da retenção de 11%, já que a assistência médica não é parcela integrante do saláriode contribuição, não devendo ser entendido o rol de exclusões previsto no art. 152 da IN 03/2005 como taxativo. 'In verbis': “Art. 152. Poderão ser deduzidas da base de cálculo da retenção as parcelas que estiverem discriminadas na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, que correspondam: I ao custo da alimentação in natura fornecida pela contratada, de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo MTE, conforme Lei nº 6.321, de 1976; II ao fornecimento de valetransporte, de conformidade com a legislação própria.” De fato, assiste razão a Recorrente quanto ao objeto da regra da retenção do art. 31, da Lei 8.212/1991, antecipando o recolhimento de um tributo devido. Neste diapasão, coaduno com a REcorrente de que as exclusões constantes no artigo acima transcrito não devem ser entendidas como taxativas, eis que no caput do mesmo não consta o termo “exclusivamente”. As hipóteses previstas na legislação foram explicitadas por serem mais usuais nos contratos de prestação de serviços. Entretanto, haveria de ser deduzida da base de cálculo do lançamento se os valores de assistência médica reembolsada pela Recorrente acudisse a determinação do disposto no art. 28, § 9º, “q”, da Lei 8.212/1991, in verbis: “Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei,exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa;(g.n.) Todavia, compulsando os autos observei da ausência de tais comprovantes de que todos os empregados e dirigentes das empresas prestadoras de serviços contratadas Fl. 620DF CARF MF Processo nº 19740.720233/200933 Acórdão n.º 2301003.714 S2C3T1 Fl. 6 9 mediante cessão de mãodeobra tinham cobertura dos respectivos planos de saúde, não há como se acatar a alegação da REcorrente de que se está cobrando uma antecipação de tributo sobre parcela sem incidência de contribuição previdenciária. Ora, para acudir os dispositivos supra, deveria a Recorrente ter demonstrado os comprovantes, como acima mencionado, sendo isto um ônus seu, não realizado. Nestas razões, penso que não há imperfeição no lançamento, devendo ser mantido na forma que foi realizado. MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS. Urge tratar das matérias não suscitadas em seu recurso, cujas quais penso não constituir matéria de ordem pública, já que estas normas (ordem pública) são aquelas de aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o caso. Neste diapasão tenho que a ‘Ordem Pública’ significa dizer do desejo social de justiça, assim caracterizado porque há de se resguardar os valores fundamentais e essenciais, para construção de um ordenamento jurídico ‘JUSTO’, tutelando o estado democrático de direito. Por outro lado, julgar matéria não questionada e que não trate do interesse público é decisão ‘extra petita’, como é o caso em tela onde a multa não foi anatematizada pelo Recorrente, e que tem o meu pronunciamento de aplicação da multa mais favorável ao contribuinte, mas que neste momento não julgo a questão, eis que não refutada no recurso e não se trata de matéria de ordem pública. Tem o meu voto no sentido de que matéria não recorrida é matéria atingida pela instituição do trânsito em julgado, mesmo as matérias de ordem pública não pré questionadas, porque, em não sendo préquestionadas há limite para cognição. Das pesquisas realizadas para definir o que seja ‘matéria de ordem pública’, parecenos que a mais completa seja a de Fábio Ramazzini Becha, que peço vênia para transcrevêla: “.. Matéria de Ordem Pública tratase de conceito indeterminado, a dificuldade de interpretação é maior do que nos conceitos legais determinados. .. Prossegue: “... A ordem pública enquanto conceito indeterminado, caracterizado pela falta de precisão e ausência de determinismo em seu conteúdo, mas que apresenta ampla generalidade e abstração, põese no sistema como inequívoco princípio geral, cuja aplicabilidade manifestase nas mais variadas ramificações das ciências em geral, notadamente no direito, preservado, todavia, o sentido genuinamente concebido. A indeterminação do conteúdo da expressão faz com que a função do intérprete assuma um papel significativo no ajuste do termo. Considerando o sistema vigente como um sistema aberto de normas, que se assenta fundamentalmente em conceitos indeterminados, ao Fl. 621DF CARF MF 10 mesmo tempo em que se reconhece a necessidade de um esforço interpretativo muito mais árduo e acentuado, é inegável que o processo de interpretação gera um resultado social mais aceitável e próximo da realidade contextualizada. Se, por um lado, a indeterminação do conceito sugere uma aparente insegurança jurídica em razão da maior liberdade de argumentação deferida ao intérprete, de outro lado é, pois, evidente, a eficiência e o perfeito ajuste à historicidade dos fatos considerada. O fato de se estar diante de um conceito indeterminado não significa que o conteúdo da expressão “ordem pública” seja inatingível.(...)” (...) A ordem pública representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano. Tratase de instituto que tutela toda a vida orgânica do Estado, de tal forma que se mostram igualmente variadas as possibilidades de ofendêla. As leis de ordem pública são aquelas que, em um Estado, estabelecem os princípios cuja manutenção se considera indispensável à organização da vida social, segundo os preceitos de direito. (...) Para Andréia Lopes de Oliveira Ferreira matéria de ordem pública implica dizer que: “são questões de ordem pública aquelas em que o interesse protegido é do Estado e da sociedade e, via de regra, referemse à existência e admissibilidade da ação e do processo. Tratase de conceito vago, não podendo ser preenchido com uma definição” e cita Tércio Sampaio Ferraz, para quem “é como se o legislador convocasse o aplicador para configuração do sentido adequado” A princípio temse que matéria de ordem pública é aquela que diz respeito à sociedade como um todo, e dentro de um critério mais correto a sua identificação é feita através de se saber qual o regime legal que ela se encontra, ou seja, quando a lei diz. É bem verdade e o difícil é que nem sempre a lei diz se determinada matéria é ou não de ordem publica, e, neste caso, para resolver a questão, urge que a concretização e a delimitação do conteúdo da ordem pública constitui tarefa exclusiva das Cortes Nacionais. Todavia, elas mesmas (Cortes Superiores) não definiram com exatidão o que vem ser matéria de ordem pública, e tão pouco se a multa quando não recorrida deve ou não ser decidido por ser matéria imperiosa de julgamento, tratandose de interesse geral. E mais, mesmo quando a matéria é de ordem pública e não préquestionada, o STJ vem reiteradamente decidindo que, reconhecidamente matérias de ordem pública, quando Fl. 622DF CARF MF Processo nº 19740.720233/200933 Acórdão n.º 2301003.714 S2C3T1 Fl. 7 11 não analisada em instâncias inferiores e tão pouco préquestionadas, não devem ser analisadas naquela Corte. ‘Ex vi’ Acórdão abaixo: AgRg no REsp 1203549 / ESAGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2010/01195407 Relator Ministro CESAR ASFOR ROCHA (1098) T2 SEGUNDA TURMA Data de Julgamento 03/05/2012 DJe 28/05/2012 Ementa AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. SUSPENSÃO DE LIMINARINDEFERIDA. PREQUESTIONAMENTO. QUESTÕES DE ORDEM PÚBLICA. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que, na instância especial, é vedado o exame de questão não debatida na origem, carente de préquestionamento, ainda que se trate eventualmente de matéria de ordem pública.Agravo regimental improvido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindose no julgamento, após o voto vista do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, acompanhando o Sr. Ministro Cesar Asfor Rocha, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques (votovista) votaram com o Sr. MinistroRelator. Assim, tenho que a multa não é matéria de ordem pública porque, como dito por Fábio Rmanssini Bechara, ela não ‘representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano’. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito DARLHE PROVIMENTO Fl. 623DF CARF MF 12 PARCIAL, para que seja excluído da autuação o pagamento ajuda de custo, bem como o PLR oriundo do Convenção Coletiva de Trabalho, devendo, nas demais questões, permanecer a autuação como realizada. É o voto. ASSIM VOTOU O CONSELHEIRO NA SESSÃO DE JULGAMENTO. João Bellini Júnior Redator ad hoc na data da formalização do acórdão. . Fl. 624DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001396/2003-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
INOVAÇÃO NOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO PELAS AUTORIDADES JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE.
Às autoridades julgadoras de primeira instância não compete o aprimoramento do lançamento realizado. A adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em conteúdo diverso daquele inicialmente utilizado, importa em efetiva nulidade da atuação das autoridades julgadoras.
Numero da decisão: 1201-001.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão de piso, nos termos do voto do Relator, para que nova decisão seja proferida. Vencido o Conselheiro José Carlos, que não reconheceu nulidade no processo. Declarou-se impedido o Conselheiro José Roberto Adelino.
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 06/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 INOVAÇÃO NOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO PELAS AUTORIDADES JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE. Às autoridades julgadoras de primeira instância não compete o aprimoramento do lançamento realizado. A adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em conteúdo diverso daquele inicialmente utilizado, importa em efetiva nulidade da atuação das autoridades julgadoras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão de piso, nos termos do voto do Relator, para que nova decisão seja proferida. Vencido o Conselheiro José Carlos, que não reconheceu nulidade no processo. Declarouse impedido o Conselheiro José Roberto Adelino. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 06/03/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 13 96 /2 00 3- 39 Fl. 1043DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Tratase das Declarações de Compensação, protocolizadas a partir de 15/05/2003, autuadas neste e nos processos administrativos n° 10882001397/200383 e n° 10882.001396/200339, de diversas Declarações de Compensação — DCOMP Eletrônicas e do Pedido Eletrônico de Restituição — PER n° 37105.32729.111207.1.2.026207, pela empresa Nova Cidade de Deus Participações S.A. (CNPJ n° 04.866.462/0001 47) com fundamento no indébito tributário decorrente dos saldos negativos de IRPJ e CSLL, respectivamente, de R$15.922.989,68 e R$1.452.612,61, apurados na DIPJ 2003 (anocalendário de 2002) pela empresa denominada Nova Cidade de Deus Participações S.A. (CNPJ nº 48.594.1391000137). Foram compensados débitos no valor total de R$17.848.363,46 (valor na data da compensação). Com base em toda a documentação apresentada e no Parecer Seort n° 256/2008, em 04/04/2008, a DRF Osasco/SP não reconheceu o direito creditório decorrente dos saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002, e consequentemente, não homologou as compensações formalizadas nas DCOMP e indeferiu o PER. Manifestação de Inconformidade Cientificada do não reconhecimento do direito creditório, a contribuinte, ora recorrente, apresentou manifestação de inconformidade, em 27/05/2008, aduzindo, em síntese, as seguintes razões de fato e de direito. Contesta o fundamento adotado pelo órgão local para indeferir o direito creditório, afirmando que seria da pessoa jurídica cindida a obrigação de apresentar a DIPJ Especial decorrente da cisão parcial, o que teria sido providenciado (fls. 94/115), e a DIPJ teria sido regularmente processada (doc. 02), bem como teria sido apresentada DCTF relativa ao evento especial da cisão (doc. 03). Defende que seria a legítima detentora do crédito, por sucessão, conforme documentos da cisão parcial da NCD de CNPJ n° 48.594.139/000137, mediante a qual teria sido vertido para o patrimônio da empresa o acervo líquido de R$ 1.393.065.138,72. Invoca a nulidade do despacho decisório, porque não poderia ser indeferido o direito creditório, quando já decorrido o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário relativo ao IRRF incidente sobre as despesas de juros sobre o capital próprio, mediante lançamento de oficio. Requer a improcedência da glosa do saldo negativo de IRPJ, no valor de R$15.421.387,17, correspondente às retenções de fonte incidentes sobre as receitas de JSCP, tendo em conta que o IRRF devido incidente sobre as despesas de JSCP, para se tornar exigível, deveria ter sido ser objeto de lançamento de oficio. Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 10882.001396/200339 Acórdão n.º 1201001.557 S1C2T1 Fl. 3 3 No mérito, explica a impugnante que da despesa de juros sobre o capital próprio de R$117.015.076,67, informada na DIPJ, do anocalendário 2002, o valor de R$ 87.211.529,58 teria sido pago à Fundação Bradesco, entidade imune. Esclarece ainda que, aplicandose a alíquota de 15% sobre o valor remanescente da despesa de R$ 29.803.547,09, terseia o IRRF devido de R$ 4.470.532,05, tendo restado saldo de IRRF incidente sobre as receitas de JSCP de R$ 10.950.855,12. Faz remissão ao Parecer Normativo n° 1 de 24/09/2002, no qual definiuse que "quando a incidência na fonte tiver natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual". Invoca a imunidade tributária do art. 150, VI, "c" da CF e art. 9% IV, "c" do CTN, da beneficiária dos pagamentos dos juros sobre o capital próprio para referendar a regularidade do procedimento adotado. Assevera ainda que as receitas recebidas pela Fundação Bradesco a título de juros sobre o capital próprio estariam diretamente relacionadas às finalidades essenciais da entidade, na medida em que a participação societária em outras empresas teria o intuito de gerar recursos para a consecução de seus objetivos institucionais. Remete, quanto ao tema, a observância da Solução de Consulta n° 255SRRF da 9ª Região Fiscal de 24 de julho de 2007. No que tange às estimativas mensais de IRPJ, questiona a glosa do valor de R$ 4.618.058,50 decorrente das compensações efetuadas com o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1997, tendo em conta a nãohomologação das compensações no âmbito do processo administrativo n° 10882.003743/200287. Reafirma que não poderia a Administração Tributária proceder à cobrança dos débitos das estimativas, cuja compensação não foi homologada, acrescidos de multa e juros de mora, e simultaneamente, glosar tais antecipações do saldo negativo de IRPJ, sob pena de exigência de tributo em duplicidade. A mesma argumentação quanto à duplicidade de exigência é expendida em relação ao saldo negativo de CSLL. Finalmente, aponta equívoco na decisão recorrida, no que pertine à restituição do IRPJ destinado a incentivos regionais. O valor de R$ 39.211,68 sequer integraria a determinação do saldo negativo de IRPJ, segundo a impugnante. Requer o sobrestamento do presente processo até a decisão final a ser proferida no processo administrativo que trata da compensação das antecipações que integram os saldos negativos ora em apreço, ou a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto das compensações ora sob apreciação, dada a relação de prejudicialidade entre as matérias envolvidas. Questiona a imputação de falta de comprovação da origem do direito creditório utilizado nas compensações sem prévia intimação da empresa, e defende ser Fl. 1045DF CARF MF 4 incabível a análise dos saldos negativos dos anoscalendário de 1997, 2000 e 2001 que teriam sido utilizados nas compensações das estimativas devidas em 2002. Acrescenta que em se tratando de compensações entre tributos de mesma espécie e destinação constitucional, efetuadas antes de 1° de outubro de 2002, sem processo, na escrituração da empresa e informadas em DCTF, imprescindível o lançamento de oficio para sua desconstituição. Por fim, quanto ao indeferimento da restituição, alega ofensa aos princípios da moralidade e da legalidade da Administração Pública, assim como ao direito de propriedade e à vedação de locupletamento ilícito e de confisco. Acórdão nº 0524.945 – 2ª Turma da DRJ/CPS Voto Vencido Denotouse, inicialmente, que a documentação que instrui os autos seria suficiente para comprovar a operação de cisão parcial da Nova Cidade de Deus Participações S.A. (CNPJ n° 48.594.1391000137), com versão do acervo patrimonial líquido no valor de R$1.393.065.138,72, para a Nova Cidade de Deus Participações S.A. (CNPJ n° 04.866.4621000147). Cisão parcial: sucessão patrimonial versus cessão de crédito Entendeuse que a cisão parcial é uma hipótese legal de sucessão dos direitos previstos nos atos de sua formalização, entre os quais se incluem os créditos decorrentes de indébito tributário de IRPJ e CSLL, e que caracterizada a sucessão não há que se falar em crédito de terceiro, mas em crédito próprio, sendo perfeitamente válidas as declarações de compensação e o pedido de restituição formulados pela sucessora. Nulidade. Determinação da Liquidez e Certeza do Indébito Tributário. Limites. Em suma, concluiuse que o ato de verificação da certeza e liquidez do indébito tributário, relativo aos saldos negativos de IRPJ e CSLL, em sede de análise de declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo, não está limitado aos valores das antecipações recolhidas no curso do anocalendário, devendo atingir, também, a verificação da regularidade da determinação da base de cálculo apurada pelo contribuinte. Consequentemente, entendeuse que ainda que a retificação de base de cálculo do tributo somente seja cabível mediante lançamento de oficio, a verificação também deve ser efetuada no âmbito da análise de declarações de compensação vinculadas ao saldo negativo de IRPJ, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito invocado pelo sujeito passivo para extinção de outros débitos fiscais. Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 10882.001396/200339 Acórdão n.º 1201001.557 S1C2T1 Fl. 4 5 Da compensação do IRRF retido no recebimento dos JSCP com o IRRF devido no pagamento dos JSCP No caso em apreço, para a determinação do IRRF dedutível do IRPJ devido no ajuste anual e, consequentemente, do saldo negativo do IRPJ, impôsse verificar se a contribuinte não havia efetuado tais compensações das retenções sofridas no recebimento dos JSCP no valor de R$15.421.387.17 (informes de rendimentos de fls. 63/65 e DIRF de fls. 3931394) com o IRRF devido no pagamento dos JSCP. Segundo a autoridade julgadora, justamente nesse ponto é que situa a controvérsia: na DIPJ apresentada pela contribuinte foi informado o pagamento de juros sobre o capital próprio (código de receita 5706), no valor de R$117.015.076,67, fato confirmado na DIRF de fls. 709. Todavia, constatouse que na mesma DIRF foi informada a retenção de apenas R$4.470.532,05, quando, se fosse aplicada a alíquota de 15% sobre os valores pagos, a empresa deveria ter retido R$ 17.552.261,50, conforme anotado na decisão recorrida. Diante de tal divergência, concluiuse que o valor de R$15.421.387,17 retido por ocasião do recebimento dos juros sobre o capital próprio deveria ter sido não parcialmente, como alegado pela defesa (R$4.470.532,05), mas integralmente utilizados na compensação dos valores devidos por ocasião do pagamento aos seus acionistas dos JSCP (R$17.552.261,50), não tendo remanescido valor disponível para utilização no ajuste anual. Salientouse que já constava da DIRF, apresentada em 26/02/2003, e foi reiterado na manifestação de inconformidade, com a apresentação do informe de rendimentos de fls. 512, que a falta de retenção e de recolhimento de IRRF sobre o pagamento de JSCP devese ao fato de parte dos pagamentos, no valor de R$87.211.529,58, ter sido feita à Fundação Bradesco (CNPJ n° 60.701.521/000106), entidade imune, dedicada à assistência social. Diante das provas apresentadas e da ausência de procedimento específico de suspensão da imunidade tributária da Fundação Bradesco, conforme previsto no art. 14, §1 ° do CTN e no art. 32 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cumpriuse reconhecer a regularidade do IRRF devido pela contribuinte e incidente no pagamento dos JSCP. Além das retenções incidentes sobre o recebimento de JSCP, esclareceuse que a empresa teria ainda retenções sobre aplicações financeiras no valor de R$688.310,85, conforme comprovado pelos Informes de Rendimentos de fls. 60/61 e DIRF de fls. 391/392, totalizando de retenções disponíveis o valor de R$11.639.165, 97. Por fim constatouse que parte destas retenções foram utilizadas na dedução das estimativas devidas no curso do anocalendário de 2002, no valor de R$ 2.187.656,39, remanescendo ainda valor a ser computado na dedução do IRPJ devido na apuração anual de R$ 9.451.509,58. Da compensação das estimativas de IRPJ devidas em 2002, com os saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário de 1997 e 1998 Fl. 1047DF CARF MF 6 Ratificouse a decisão recorrida quanto à necessidade de glosar o valor de R$ 130.018,83 do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, apurado na DIPJ 2003, porque somente as estimativas extintas, mediante pagamento ou compensação, podem regularmente integrar o saldo negativo de IRPJ do período de apuração. Diferentemente do alegado na manifestação de inconformidade, entendeuse que o valor das estimativas com suspensão da exigibilidade integrou indevidamente o saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ 2003. No que tange ao saldo negativo de 1997, reconheceuse que no âmbito do processo administrativo n° 10882.003743/200287 para determinar a certeza e liquidez do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1997, foram ratificadas as compensações efetuadas sem processo das estimativas devidas de janeiro a setembro de 2002, conforme Acórdão n° 23.475 desta Segunda Turma de 25/09/2008 (fls. 744/756), e demonstrativos de fls. 757/770, no valor total de R$ 4.002.713,27. No que tange às estimativas devidas de outubro e novembro de 2002, nos valores respectivamente de R$ 350.365, 58 e R$ 264.979,65, reconheceuse que as razões apresentadas pela defesa, tendo em conta que tais compensações foram efetivadas, mediante declarações de compensação, no âmbito do mesmo processo acima referido, e ainda que não homologadas, tais débitos poderiam vir a ser objeto de cobrança, devendo tais estimativas integrar o saldo negativo do anocalendário de 2002. Em consequência, os valores das estimativas de IRPJ devidas em 2002 teriam sido completamente compensados com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1997, no valor total de R$ 4.618.058,50 (R$ 4.002.713,27 + R$ 350.365,58 + R$ 264.979,65). Apesar das alegações da defesa, entendeuse que não se confirma a utilização do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998 na compensação das estimativas de IRPJ devidas no ano calendário de 2002. A estimativa dedutível para fins de apuração do saldo a pagar de IRPJ ao final do período de apuração de 2002 seria de R$ 6.805.714,89 (R$2.187.656,39 + R$ 4.618.058,50), valor reputado compatível com aquele transferido para a sucessora pelo instrumento de cisão parcial no valor de R$ 6.920.045,53 (fls. 85). Finalmente, reputouse completamente equivocada a glosa, efetuada pelo Fisco, do valor de R$ 39.211,68, relativo à Aplicação em Incentivo Fiscal no FINAM — Ficha 29 da DIPJ 2003 (fls. 720), porque tal destinação de imposto devido não afeta a determinação do saldo negativo do período, conforme pode se observar na Ficha 12A de fls. 713. Da compensação das estimativas de CSLL devidas em 2002, com os saldos negativos de IRPJ e CSLL de períodos anteriores No que tange às compensações sem processo das estimativas de janeiro e fevereiro de 2002, com o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000, salientouse que tal crédito também já teria sido objeto de apreciação por esta Turma de Julgamento, no âmbito do processo n° 10882.001347/200304, mediante Acórdão DRJ Campinas n° 0524.556 de 5 de janeiro de 2009 (fls. 773/778). Naqueles autos, teriam sido validadas as compensações sem processo do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000, no valor de R$ 1.400.089,33, com as estimativas devidas de abril a novembro de 2001, no valor total de R$ 1.440.041,66, conforme Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 10882.001396/200339 Acórdão n.º 1201001.557 S1C2T1 Fl. 5 7 demonstrativos de fls. 780/783, tendo remanescido para as compensações das estimativas devidas em 2002 apenas R$ 97.311,25 (fls. 781). Conforme demonstrativos de fls. 784/786, tal valor teria sido suficiente apenas para a extinção de parte da estimativa de CSLL devida em janeiro de 2002, no valor de R$115.420.987. Desta forma, concluiuse que a compensação da estimativa de CSLL de fevereiro de 2002 não pode ser validada. Por sua vez, quanto a compensação das estimativas de março a agosto de 2002, no valor total de R$ 1.913.766,37, estas já se encontrariam validadas pela Turma de Julgamento no âmbito do processo n° 10882.001347/200304, mediante Acórdão n° 0524.556, de 05 de janeiro de 2009, e demonstrativos de fls. 787/790. Entendeuse que parte da estimativa de novembro de 2002 (R$116.688,79) teve sua compensação homologada no âmbito do mesmo processo acima referido, e qualquer parcela remanescente, se houvesse, deveria ser cobrada no âmbito daqueles autos, impondose confirmala no saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002. Por fim, quanto à outra parte da estimativa de novembro de 2002, no valor de R$84.116,88, entendeuse que também deve ser ratificada, porque consta de declaração de compensação autuada, inicialmente, no âmbito do processo n° 10882.004063/200281, e atualmente no processo n° 10882.003743/200287. Voto Vencedor Em síntese, todo o entendimento anterior fora superado diante da constatação principal de que se a transferência de indébitos tributários é possível na incorporação, o mesmo não se pode dizer quando se trata de operação de cisão parcial. Elucidouse que na cisão parcial poderseia cogitar que houve transferência de parcela do patrimônio da empresa cindida. Contudo, uma vez que o sujeito passivo originário, ou a sociedade, continua a existir com a mesma razão social, ele permanece como a pessoa jurídica legítima a solicitar a repetição de indébito à Administração Pública. Desta maneira, entendeuse não teria fundamento na legislação tributária os procedimentos efetuados pelas empresas citadas a fim de transferir os saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados na DIPJ/2003, em virtude da cisão parcial realizada em 10/01/2003. Por todo o exposto, votouse no sentido de indeferir o direito creditório em litígio, e não homologar as compensações declaradas, com manutenção integral da cobrança dos débitos compensados pela contribuinte com créditos de pessoa jurídica ainda ativa. Recurso Voluntário O ora recorrente trouxe em seu recurso a mesma linha de raciocínio desenvolvida em sede de manifestação de inconformidade. Peço vênia para reproduzir os pontos essenciais de cada tópico: “ (...) Fl. 1049DF CARF MF 8 I.1 NULIDADE DA DECISÃO PROFERIDA PELA DRJ: ALTERAÇÃO DO FUNDAMENTO JURÍDICO INVOCADO PELA DRF/OSASCO PARA A NÃO HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES (...) A autoridade fiscal fica vinculada à motivação deduzida por ocasião da expedição do seu ato, motivação esta que será objeto de impugnação pelo sujeito passivo e não pode ser posteriormente inovada no curso do processo, sob pena de nulidade por cerceamento de defesa da parte e violação ao princípio do devido processo legal. (...) I.2 O CRÉDITO INDICADO NAS PER/DCOMPs PERTENCE A RECORRENTE (...) (...) é inconteste que a Recorrente, por sucessão, é a legítima detentora do crédito pleiteado, não restando dúvida quanto ao seu direito de pleitear o crédito então apontado, e ver homologadas as compensações declaradas. (...) I.3 DA SUPOSTA INEXISTÊNCIA DE INFORMAÇÃO QUANTO A CISÃO PARCIAL NO SISTEMA DA RECEITA FEDERAL (...) (...) a empresa cindida informou sim à Secretaria da Receita Federal a cisão parcial ocorrida em Janeiro/2003, tendo apresentado à época DIPJ correspondente ao período de 01/01/2003 a 10/01/2003 (fls. 94/115), a qual foi devidamente processada pelo sistema da Receita Federal, como se comprova pelo documento anexo à sua defesa como doc. 02, bem como a DCTF relativa ao evento especial da cisão anexada à manifestação de inconformidade como doc. 03. (...) II.I IRFONTE SOBRE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DO ANOBASE DE 2002 (...) Ocorre que dos R$ 117.015.076,67 indicados na DIPJ/2003 a título de despesa de juros sobre capital próprio, R$ 87.211.529,58 correspondem ao montante pago pela Recorrente a Fundação Bradesco (does. 04 e 05 da manifestação de inconformidade), entidade imune, de modo que aplicandose a alíquota de 15% sobre o valor remanescente de R$ 29.803.547,09 pago a título de juros sobre capital próprio (R$117.015.076,67 — R$ 87.211.529,58 = R$ 29.803.547,09, sendo que R$1.048.365,39 foram pagos à Caixa Beneficente e R$ Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 10882.001396/200339 Acórdão n.º 1201001.557 S1C2T1 Fl. 6 9 28.755.181,70 à Elo Participações (does. 04 e 05)), e apurando se IRRF sobre tal montante, correspondente a R$ 4.470.532,05, dúvida não resta quanto à existência de saldo de IRRF de juros sobre capital próprio no valor de R$ 10.950.855,12. (...) Demonstrase, portanto, o equívoco em que incorreu a d. Autoridade Administrativa ao não considerar que parte do valor relativo à despesa de juros sobre capital próprio, correspondente ao montante pago pela Recorrente a tal título à Fundação Bradesco, não está sujeito à retenção de IRRF, por ser a beneficiária das receitas entidade imune, nos termos do artigo 150, VI, "c" da Constituição Federal. (...) II.1.2 NECESSIDADE DE LANÇAMENTO – DECADENCIA (...) Realmente, se a ora Recorrente em lugar de apurar saldo negativo no ano de 2002 houvesse apurado imposto a pagar, não haveria dúvida alguma de que a fiscalização somente poderia exigir o IRF que entende ter sido recolhido a menor mediante a lavratura do competente auto de infração. Assim, no caso concreto o que na verdade pretende a d. Autoridade é cobrar por vias transversas o suposto IRFonte que considera devido, sem realizar o necessário lançamento e desconsiderando a ocorrência no caso da decadência. (...) Certamente não pode a fiscalização, decorridos 05 (cinco) anos desde a ocorrência do respectivo fato gerador, nos termos do artigo 150, parágrafo 4° do Código Tributário Nacional, pretender agora modificar as apurações fiscais feitas pela Recorrente relativas ao anocalendário de 2002, porque foram alcançadas pelo instituto da decadência. Como consequência, a eventual glosa do saldo negativo de IRPJ pleiteado sob o argumento de que a Recorrente teria IRFonte a pagar é manifestamente indevida, porque desatende a regra que torna imutáveis os fatos espelhados nos registros contábeis mantidos pela Recorrente. Também por este motivo, portanto, já se mostra absolutamente improcedente a glosa do saldo negativo do ano de 2002. (...) II.1.3 EVENTUAL IRF NÃO RETIDO PELA FONTE NÃO PODE DELA SER COBRADO APOS O ENCERRAMENTO DO ANOBASE (...) Fl. 1051DF CARF MF 10 (...) não há qualquer responsabilidade por parte da Recorrente quanto à eventual retenção e recolhimento do imposto supostamente devido, tendo em vista o encerramento do período de apuração. (...) De fato, (...), se algum IRF fosse devido por conta de juros sobre capital próprio pago aos acionistas da Recorrente relativamente a períodos de apuração já encerrados, somente dos beneficiários contribuintes poderia o Fisco exigir o imposto. (...) II.2 – IRPJ MENSAL POR ESTIMATIVA REFERENTE AO ANOCALENDÁRIO DE 2002 (...) b.1) R$ 4.618.058,50 dizem respeito "à compensação com saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1997 e com os processos nºs 10882.0034171200270, 10882.0037081200268 e 10882.0040631200281 que também são do ano calendário de 1997, conforme petição do interessado às fls. 151, cujo pleito foi indeferido/não homologada a compensação pelo Parecer SEORT/DRFIOSA nº 88412007 proferido no processo n° 10882.0037431200287, motivo pelo qual os mesmos devem ser glosados"; b.2) R$ 130.018,82 "se encontra com suspensão da exigibilidade por liminar em mandado de segurança n° 2001.61.000315120, conforme DCTFs de demonstrativo (...), motivo pelo qual deve ser glosada "; b.3) R$ 2.187.656,39 "que é relativo à dedução com imposto de renda retido na fonte, que conforme item 2 acima é passível de utilização apenas R$ 688.310, 85, motivo pelo qual deve ser glosada a importância de R$ 1.499.345, 54 ". (...) (...) quanto ao item b.1 supra (...) (...) Ocorre, porém, que ao assim decidir a r. decisão proferida pela DRF/Osasco deixou de considerar que a consequência da não homologação da compensação das antecipações relativas ao anobase de 2002 ocorre naqueles processos administrativos de compensação, e não nos presentes autos, sendo certo que os valores cuja compensação não foi homologada já estão sendo exigidos naqueles processos de compensação, acrescidos inclusive de multa e juros de mora, conforme se verifica exemplificativamente dos DARFs anexos (doc. 10 da manifestação de inconformidade). (...) No que diz respeito ao item b .2 supra (...) Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 10882.001396/200339 Acórdão n.º 1201001.557 S1C2T1 Fl. 7 11 (...) Não obstante, contudo, este valor nunca foi objeto de compensação pela ora recorrente, exatamente porque com sua exigibilidade suspensa, inicialmente por medida liminar em mandado de segurança e, posteriormente por depósito judicial, como se comprova do respectivo comprovante (doc. 04), de modo que mesmo que não obtenha êxito na, discussão judicial, os valores depositados serão convertidos em renda, chancelandose o saldo negativo apurado. (...) Finalmente, no que tange ao item b.3 supra, demonstrase equivocado o entendimento da r. decisão proferida pela DRF/Osasco de glosar o montante de R$ 1.499.345,54, posto que, conforme reconhece aquela mesma decisão, tal valor está relacionado ao montante de IRRF de juros sobre capital próprio (item 2 da decisão da DRF), de modo que já tendo sido acima comprovada a improcedência da glosa daquele valor, porque a Fundação Bradesco — beneficiária dos pagamentos — é pessoa jurídica imune, do mesmo modo não procede a presente glosa. (...) Por derradeiro, equivocouse novamente a DRFOsasco ao consignar que "consta opção por aplicação em investimentos regionais, manifestada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), no valor de R$ 39.211,68 (fls. 420), que deve ser glosada por ser vedada a restituição, conforme dispõe o artigo 6° da IN SRF n° 60012005 ". Isto porque em momento algum a Recorrente pretendeu pleitear a restituição do montante de R$ 39.211,68, indicado pela d. Autoridade, nem tampouco tal valor compôs o saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2002, que corresponde ao montante indicado na DIPJ/2003 (Ficha 12A, linha 18), não podendo a Recorrente sequer compreender a razão da menção feita no r. despacho decisório àquela opção. (...) II.2.1 PREJUDICIALIDADE: NECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO DO FEITO (...) Mesmo que sejam afastados os argumentos acima expostos, o que se admite apenas para argumentar, é manifesta quando menos a necessidade de sobrestamento do presente feito até decisão final a ser proferida no que diz respeito aos processos administrativos relativos às antecipações do anobase de 2002, ou quando menos a suspensão da exigibilidade do presente crédito tributário, sob pena de cobrança indevida. (...) Fl. 1053DF CARF MF 12 (...) resta evidente que se a final homologadas as compensações objeto daqueles outros processos deixará.de ter qualquer razão de ser o indeferimento da homologação das compensações objeto do presente processo administrativo, sendo, portanto, manifesta a relação de prejudicialidade entre os mesmos. (... II.3 — QUANTO AO SALDO RESIDUAL (...) Finalmente, ainda que pudesse prevalecer a glosa procedida pela r. decisão ora impugnada, o que se admite para argumentar, de qualquer forma improcede o indeferimento integral do presente pedido de restituição e não homologação das declarações de compensação, posto que a própria Autoridade Administrativa reconhece a existência de saldo negativo no montante de R$290.918,99, cuja restituição/compensação é indeferida exclusivamente "em face da falta da inexistência (sic) da cisão parcial no sistema CNPJ". Nessas condições, já tendo sido comprovado que a cisão parcial foi devidamente comunicada à Receita Federal (item I.3 supra), e considerando de qualquer modo que eventual descumprimento de obrigação acessória não poderia jamais fulminar o direito da Recorrente à restituição dos valores a que faz jus, seria de rigor quando menos o deferimento da restituição/compensação deste saldo residual. III QUANTO A EXISTENCIA DO CREDITO PLEITEADO: SALDO NEGATIVO DE CSL (...) Pois bem, primeiramente, no que diz respeito à parte da CSL mensal por estimativa de novembro/2002 paga mediante compensação com saldo negativo de IRPJ do ano de 1997, objeto do processo n° 10882 .004063/200281 (R$ 84. 116,88), reportase a Recorrente integralmente as considerações objeto dos itens II.2 e II.2.1 supra, posto que eventual consequência da não homologação daquela compensação somente poderá ocorrer naqueles autos, sob pena de cobrança de tributo em duplicidade, fazendose mister quando menos o sobrestamento do feito até final decisão naquele processo. O mesmo raciocínio é também integralmente aplicável quanto ao restante da CSL mensal por estimativa de novembro/2002, paga mediante compensação objeto do processo n° 10882.001347/200304, sendo certo que na mesma data que apresentada a manifestação de inconformidade nos presentes autos a recorrente também apresentou manifestação de inconformidade naqueles autos. Em segundo lugar, cumpre ressaltar que improcede a assertiva da r. decisão proferida pela DRFOsasco no sentido de que os saldos negativos de CSL utilizados na compensação da CSL mensal paga por estimativa "não se encontram comprovadas", posto que se a d. Autoridade Administrativa entende que os Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 10882.001396/200339 Acórdão n.º 1201001.557 S1C2T1 Fl. 8 13 valores não estão comprovados, deve então intimar a Recorrente a apresentar os documentos, e não sob tal pretexto indeferir de plano a restituição do valor pleiteado. De qualquer modo, e em terceiro lugar, cumpre salientar ser a rigor absolutamente descabida no presente feito qualquer análise quanto à existência dos saldos negativos dos anos de 1997, 2000 e 2001, e ainda a absurda sugestão de necessidade de verificação da existência do saldo negativo utilizado para compensação das estimativas que resultaram naqueles saldos negativos de 1997, 2000 e 2001. Entretanto, certamente não pode a fiscalização, decorridos diversos anos desde a ocorrência do respectivo fato gerador e entrega da competente DIPJ, pretender a cada nova compensação efetuada com crédito oriundo de saldo negativo retroagir o exame da origem daquele saldo negativo para atingir fatos geradores já alcançadas pelo instituto da decadência, nos termos do artigo 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional. Na verdade, com tal procedimento o que pretende mais uma vez a d. Autoridade Administrativa é cobrar por vias transversas o valor que considera devido, sem realizar o necessário lançamento, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, com o que a Recorrente não pode concordar, pelas razões acima expostas e face à pacífica jurisprudência de nossos Tribunais administrativos e judiciais sobre a matéria. (...) III.1 QUANTO ÀS ESTIMATIVAS DE CSL DE JANEIRO E FEVEREIRO DE 2002 COMPENSADAS COM O SALDO NEGATIVO DE PERÍODOS ANTERIORES (...) Ocorre, contudo, como se demonstrou, que o saldo negativo de 1999 compensado com as estimativas de 2000 é maior do que aquele considerado pela DRJ nos autos do PA nº 10882.001347/200304, refletindo tal diferença sobre o saldo negativo de 2000, que é suficiente para compensar a totalidade da estimativa devida em janeiro de 2002 e parte da estimativa de fevereiro de 2002. Por outro lado, como se verifica da contabilidade da Recorrente (doc. 03) parte da Estimativa da CSL de fevereiro de 2002 foi compensada com o saldo negativo de 2001 e não com o saldo negativo de 2002 como constou da r. decisão, tudo a demonstrar a validade das compensações declaradas nestes autos. Assim, dúvidas não restam quanto à improcedência da não homologação das compensações de estimativas de janeiro e fevereiro de 2002. (...)” Fl. 1055DF CARF MF 14 É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Da Nulidade – Cerceamento do Direito de Defesa Assiste razão à recorrente quanto a arguição de nulidade concernente ao cerceamento do direito de defesa por inovação no critério jurídico adotado pela 2ª Turma da DRJ/CPS, em voto vencedor. A perfectibilização do lançamento através do despacho decisório proferido pela DRF/Osasco em 19/08/2014, indica, inicialmente, a não homologação das declarações de compensação “uma vez que se trata de matéria já apreciada pela autoridade administrativa e não foi reconhecido direito creditório suficiente para extinção de novos débitos por compensação.”. Em momento posterior, a DRF/Osasco, de forma ratificadora e complementar, emitiu Parecer SEORT/DRF/OSA nº 256/2008, compulsionando novo despacho decisório, o qual manteve o indeferimento da homologação, mas, agora, exclusivamente pela falta de informação à Receita Federal, no sistema CNPJ, da cisão parcial que verteu para a ora recorrente os créditos objeto da compensação. Apesar deste fato, restrito à questões meramente formais, analisouse, de forma pormenorizada, a suficiência e liquidez do crédito pleiteado e a certeza do débito alvo da compensação. A manifestação de inconformidade se ateve, então, tão somente a: i) comprovar a existência de informação junto a RFB no que cabe a ocorrência de cisão parcial e, consequentemente; ii) enfrentar as alegações da DRF/Osasco quanto à insuficiência de créditos para a realização da compensação intentada. Conquanto, o entendimento prevalecente perante a autoridade julgadora de primeira instância, para novo indeferimento do direito creditório, respaldase por fundamentação inédita. Decidiuse que a cisão parcial não garante a transferência de titularidade do indébito tributário da empresa cindida para a empresa que incorporoua, nos seguintes termos, ipsis litteris: “(...) inexistência de titularidade da interessada no direito creditório junto à Fazenda Pública, visto que a peticionária Nova Cidade de Deus Participações S.A (CNPJ n° Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 10882.001396/200339 Acórdão n.º 1201001.557 S1C2T1 Fl. 9 15 04.866.46210001 47), empresa onde foram apurados os tributos ora objetos de compensação, qualificase como sucessora da empresa de mesma denominação e de, tendo em conta a cisão parcial ocorrida em 10/01/2003, conforme DIPJ Especial relativa ao período de 01/01 a 10/01/2003 (fls. 94/115). (...) Na cisão parcial, poderseia cogitar que houve transferência de parcela do patrimônio da empresa cindida. Contudo, uma vez que o sujeito passivo originário — ou a sociedade continua a existir com a mesma razão social, ele permanece como a pessoa jurídica legítima a solicitar a repetição de indébito à Administração Pública. (...) Desta maneira, não têm fundamento na legislação tributária os procedimentos efetuados pelas empresas citadas a fim de transferir os saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados na DIPJ/2003, em virtude da cisão parcial realizada em 10/01/2003. (...)” Veja, inequivocamente a DRJ/CPS inova a argumentação jurídica aplicável como alicerce à não homologação da compensação. O acórdão se atém a questão material em nenhum momento suscitada, sem qualquer precedente, tanto no lançamento, quanto nos próprios autos, sem quaisquer documentos, intimações ou menções que remetessem a matéria e pudessem incitar o contribuinte a rebatêla. Houve nítido cerceamento do direito de defesa, razão pela qual o acórdão proferido se mostra nulo de pleno direito. A alteração do lançamento mediante decisão administrativa só é possível em uma hipótese legal, qual seja, a ocorrência de fato gerador posterior a sua concretização: “Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução.” Não se vislumbra nos autos a possibilidade fática que efetive o supracitado normativo. Tal conclusão culmina na aplicação do art. 59 do Decreto Lei nº 70.235/72, primeiramente em seu inciso II, para reconhecer a nulidade e, posteriormente em seu § 3º, para não a pronunciar e seguir a análise do mérito: Fl. 1057DF CARF MF 16 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O posicionamento adotado por este julgador, além de respaldo legal, encontra precedentes no âmbito do CARF: RECURSO VOLUNTÁRIO. ALTERAÇÃO DOS CRITÉRIOS UTILIZADOS NO LANÇAMENTO PELAS AUTORIDADES JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE. Às autoridades julgadoras de primeira instância não compete o aprimoramento do lançamento realizado, devendo, sempre, limitarse aos termos ali então especificamente apresentados. A adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em conteúdo diverso daquele inicialmente utilizado, importa em efetiva nulidade da atuação das autoridades julgadoras, acarretando, assim, a sua invalidade. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Entretanto, considerando a possibilidade de julgamento do feito de maneira favorável à contribuinte, segundo a inteligência contida nas disposições do Art. 59, par.3o do Decreto 70.235/72, afastase a nulidade apontada, apreciandose o mérito da causa. (Acórdão nº 1301001.436 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 12 de março de 2014) De todo o exposto, entendo presente a nulidade da decisão de 1° instância, devendo os presentes autos retornarem à DRJ para novo julgamento. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para DECLARAR a NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA e DETERMINAR o RETORNO DOS AUTOS à DRJ/CPS para que nova decisão seja proferida. Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 10882.001396/200339 Acórdão n.º 1201001.557 S1C2T1 Fl. 10 17 É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1059DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002645/2010-29
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 28/02/2010
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PATRONAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento e solicitou apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PATRONAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento e solicitou apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 26 45 /2 01 0- 29 Fl. 3032DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.267.3244, lavrado contra o contribuinte identificado acima, consolidado em 14/09/2010, no valor total de R$ 1.886.570,01, já acrescidos de juros e multa de mora, correspondentes às contribuições previdenciárias devidas pela empresa no período 01/2005 a 12/2008, por ter deixado de recolher contribuições previdenciárias (parte patronal), incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviço e contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, sobre a remuneração dos segurados empregados, nas competências 01/2008 a 02/2010, incluídas as Gratificações Natalinas (13º salário), dos anos de 2008 e 2009. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS julgado a impugnação improcedente, mantendo integralmente o crédito tributário apurado. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 14/08/2012, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403001.547, com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Monteiro na questão da multa de mora”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/04/2010 PREVIDENCIÁRIO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO FACE ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não há que se falar em anulação de NFLD ou insubsistência do crédito tributário quando não houver qualquer tipo de vício. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. Fl. 3033DF CARF MF Processo nº 11065.002645/201029 Acórdão n.º 9202005.286 CSRFT2 Fl. 3 3 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. VERBAS INDENIZATÓRIAS. As verbas que não integram o saláriodecontribuição estão elencadas no art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91, devendo, contudo, serem comprovados os seus pagamentos. TAXA SELIC. Previsão quando não realizado o pagamento no prazo previsto. MULTA DE MORA. Recálculo da multa de mor pra que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em parte. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 27/09/2012 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 25/10/2012, o presente Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400834/2012, da 4ª Câmara, de 22/11/2012. O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2403001.547, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 26/01/2013, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 3034DF CARF MF 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 3017. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ver reformado o acórdão recorrido no ponto: para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. Fl. 3035DF CARF MF Processo nº 11065.002645/201029 Acórdão n.º 9202005.286 CSRFT2 Fl. 4 5 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei Fl. 3036DF CARF MF 6 nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 3037DF CARF MF Processo nº 11065.002645/201029 Acórdão n.º 9202005.286 CSRFT2 Fl. 5 7 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. Fl. 3038DF CARF MF 8 No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº Fl. 3039DF CARF MF Processo nº 11065.002645/201029 Acórdão n.º 9202005.286 CSRFT2 Fl. 6 9 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 3040DF CARF MF 10 § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 3041DF CARF MF Processo nº 11065.002645/201029 Acórdão n.º 9202005.286 CSRFT2 Fl. 7 11 Declaração de Voto Conselheiro Fábio Piovesan Bozza Não obstante o judicioso voto da conselheira relatora, peço vênia para apresentar breves considerações sobre a aplicação da retroatividade benigna às multas por descumprimento de obrigações principal e acessória (art. 35, II e art. 32, IV e § 5o, todas Lei n° 8.212/91), lançadas anteriormente à vigência da Lei nº 11.941/2009. Multa e Retroatividade Benigna Previamente à edição da Lei nº 11.941/2009, o sistema de penalidades da legislação previdenciária de custeio apresentava diversas particularidades. A redação do antigo art. 35 previa a exigência de penalidade sobre as contribuições previdenciárias em atraso – denominada como multa de mora – com percentuais que aumentavam progressivamente, de acordo com a ocorrência de determinados atos administrativos e também com o passar do tempo. O fato de o contribuinte ter apresentado declaração (GFIP) à autoridade previdenciária não influenciava a evolução percentual da multa, o qual somente seria fixada no instante do efetivo pagamento. Vale lembrar que a falta de apresentação ou a apresentação com alguma incorreção da GFIP sujeitava o contribuinte à imposição de multa específica severa, por descumprimento de obrigação acessória, constante do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Com a unificação da Secretaria da Receita Federal e da Secretaria da Receita Previdenciária, iniciada em 2007, uma série de modificações legislativas foi introduzida, a fim de harmonizar com o tratamento dado aos demais tributos federais. A fiscalização, ao lançar a multa por descumprimento de obrigação acessória, baseouse na seguinte redação do art. 32, IV e §5º da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 3042DF CARF MF 12 No entanto, referido dispositivo foi revogado, dando lugar ao art. 32A, cuja redação é a seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. Com relação à multa sobre a falta de recolhimento de contribuição previdenciária, o antigo art. 35 da Lei nº 8.212/91 prescrevia o seguinte: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I – para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II – para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III – para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; Fl. 3043DF CARF MF Processo nº 11065.002645/201029 Acórdão n.º 9202005.286 CSRFT2 Fl. 8 13 c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Com a edição da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/91 passou a tratar da multa de mora e o novel art. 35A cuidou de dispor sobre a multa de ofício: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). O art. 44 da Lei nº 9.430/96, mencionado no art. 35A supra, possui a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Pois bem. Feita esta breve digressão sobre a evolução legislativa, há dois pontos que gostaria de examinar, com vistas à aplicação da retroatividade benigna, quais sejam, o emprego da chamada “cesta de multas” (Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009) e o limite do percentual da multa. Com o intuito de facilitar a compreensão do posicionamento ora esposado, as matérias foram separadas em dois tópicos. Conflito entre Multa por Descumprimento de Obrigação Acessória e Multa por Falta de Pagamento de Tributo – A Questão da “Cesta de Multas” O primeiro ponto a ser destacado, quando se analisa os regimes das penalidades constantes da Lei nº 8.212/91 – antes e depois da edição da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 –, referese à identificação do comportamento sancionado. Tal providência afigurase importante para se aplicar adequadamente a retroatividade benigna aludida pelo art. 106, II do CTN, em virtude de alteração legislativa. Fl. 3044DF CARF MF 14 A posição encampada pela Administração Tributária Federal, quando há lançamento de multas por falta de recolhimento de contribuição previdenciária e também de multas por descumprimento de obrigação acessória (GFIP), é convencionalmente denominada de “cesta de multas” e sua regulamentação encontrase detalhada na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009, nos seguintes termos: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Ou seja, na “cesta de multas”, a aplicação da retroatividade benigna é condicionada à comparação entre: (i) o somatório entre as multas por descumprimento de obrigações acessórias (art. 32 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior às alterações da Lei nº 11.941/2009) e as multas por falta de pagamento de contribuições previdenciárias (art. 35, nas mesmas condições); e (ii) o art. 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, o qual introduziu à legislação previdenciária a multa de ofício de 75% sobre o valor da contribuição previdenciária devida. A redução da penalidade, em função da retroatividade benigna, terá lugar somente se o valor resultante da aplicação do critério (i) for superior ao resultado da aplicação do critério (ii). Nesse caso, a multa lançada deverá ser reduzida ao patamar do valor encontrado pelo critério (ii). A fundamentação do raciocínio que permitiu à Administração Tributária Federal alcançar tais conclusões não é explicitada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009. Contudo, ao analisar a jurisprudência administrativa sobre o tema, é possível tecer conjecturas sobre os motivos que conduziram à elaboração do mencionado normativo. Nesse sentido, por ocasião da prolação do acórdão nº 9202003.795, de 17/02/2016, a eminente Fl. 3045DF CARF MF Processo nº 11065.002645/201029 Acórdão n.º 9202005.286 CSRFT2 Fl. 9 15 conselheira relatora Maria Helena Cotta Cardozo fez constar do seu voto o seguinte trecho esclarecedor (grifos nossos): Destarte, resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. A minha leitura sobre o entendimento preconizado pelo acórdão nº 9202003.795 foi o de que: – antes da edição da Lei nº 11.941/2009, a falta de declaração ou a declaração inexata (descumprimento de obrigação acessória), bem como a falta de recolhimento do tributo (descumprimento da obrigação principal) configuravam infrações autônomas, com sanções independentes e cumuláveis, sendo a primeira apenada pelo art. 32 e a segunda apenada pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91; – depois da edição da Lei nº 11.941/2009, a falta de declaração ou a declaração inexata juntamente com a falta de recolhimento do tributo passaram a tipificar, de acordo com o mencionado julgado, condutas necessárias para a tipificação de uma única sanção, em função da redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, ao qual o art. 35A da Lei nº 8.212/91 faz remissão. No final, saber se a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009 atuou ou não dentro dos preceitos legais depende, em essência, da interpretação a ser dada à expressão “nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata”, contida no art. 44, inc. I da Lei nº 9.430/96. Não obstante a clareza do acórdão nº 920203.795, penso que tal exegese merece aprofundamento. De início, é possível afirmar que o legislador ordinário não está impedido de impor uma única sanção para mais de uma infração. Em tese, portanto, a finalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/96 poderia ser sancionar o contribuinte que não efetuou pagamento e não declarou ou declarou de forma inexata, sendo tais infrações identificadas pela autoridade fiscal, mediante lançamento de ofício. Não abrangeria a falta de recolhimento de tributo já declarado, cuja infração estaria sujeita apenas à multa de mora prevista no novo art. 35, nem o descumprimento isolado de obrigação acessória, passível de multa prevista no art. 32A, todos da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Fl. 3046DF CARF MF 16 O problema é que o art. 44, inc. I da Lei nº 9.430/96 possui redação truncada quando faz alusão “nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata”. Na literalidade do dispositivo, se a multa de 75% fosse aplicável quando houvesse cumulativamente falta de pagamento, falta de declaração e declaração inexata, isso consistiria um paradoxo, porque não seria possível, ao mesmo tempo, não existir declaração e existir declaração com inexatidão. Se, em outra leitura possível, a multa de 75% fosse aplicável quando houvesse alternativamente falta de pagamento ou falta de declaração ou declaração inexata seria criada uma antinomia em relação ao disposto no art. 32A, que igualmente cuida de penalizar a falta de declaração ou a declaração inexata. Diante da dúvida sobre a aplicação de sanções tributárias, o art. 112 do CTN prioriza a interpretação mais favorável ao acusado. Retrata a adoção do princípio “in dubio pro reo” em matéria de interpretação e deixa transparecer a vontade (vinculante) do legislador de favorecer o infrator com a aplicação da penalidade mais branda. Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I – à capitulação legal do fato; II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III – à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV – à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. A norma protege o acusado de injustiça na punição, quando houver incerteza a respeito do fato ou do direito aplicável. Assim, nas palavras de Hugo de Brito Machado (“Teoria das Sanções Tributárias”, in Sanções Administrativas Tributárias, Ed. Dialética, p. 177): Se o princípio de Direito Penal do in dubio pro reo exige certeza quanto ao fato, pela mesma razão deve exigir certeza quanto ao direito, pois a verificação da incidência da norma penal depende não apenas da constatação da ocorrência do fato, mas da delimitação do alcance da norma que é indispensável para que se saiba se está aquele fato abrangido, ou não, pela hipótese de incidência, vale dizer, pelo tipo penal. No caso concreto, pareceme que a interpretação mais favorável ao acusado é considerar que as infrações (i) de falta de declaração ou de declaração inexata e (ii) de falta de recolhimento da contribuição previdenciária devam ser sancionadas globalmente pelo art. 35A da Lei nº 8.212/91. Conflito entre o Antigo Art. 35 e os Novos Art. 35 e Art. 35A, todos da Lei nº 8.212/91 – A Questão do Percentual da Multa O segundo ponto a ser tratado e que tem gerado controvérsia na jurisprudência referese ao limite do percentual da multa a ser observado, para fins de aplicação da retroatividade benigna. Sobre o tema, há essencialmente duas linhas de interpretação. Fl. 3047DF CARF MF Processo nº 11065.002645/201029 Acórdão n.º 9202005.286 CSRFT2 Fl. 10 17 A primeira linha de interpretação sustenta que somente o novo art. 35 poderá retroagir com o objetivo de limitar a 20% o percentual da multa constante do antigo art. 35. Por seu turno, o art. 35A, por inovar a legislação previdenciária de custeio, seria aplicável aos lançamentos de ofício realizados a partir da vigência da Lei nº 11.941/2009. Esta é a posição sustentada de maneira reiterada pelo Superior Tribunal de Justiça. Citese, a esse respeito, o seguinte enxerto do voto do Min. Humberto Martins (os grifos são nossos): A jurisprudência desta Corte é dominante no sentido de que se aplica o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN na execução fiscal não julgada definitivamente na esfera judicial, independentemente da natureza da multa, sem descaracterizar a liquidez e certeza da Certidão de Dívida Ativa, pois tal normativo estabelece que a lei aplicase a ato ou a fato pretérito quando lhe comina punição menos severa que a prevista por lei vigente ao tempo de sua prática. Verificase que o art. 35 da Lei n. 8.212∕91 foi alterado pela Lei n. 11.941∕09, devendo o novo percentual aplicável à multa moratória seguir o patamar de 20%, que, sendo mais benéfico ao contribuinte, deve lhe ser aplicado, por se tratar de lei mais benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do CTN. (...) Cumpre destacar que o art. 35 da Lei n. 8.212∕91, com a redação anterior à Lei n. 11.940∕09, não distinguia a aplicação da multa em decorrência da sua forma de constituição (de ofício ou por homologação), mas levando em consideração, essencialmente, o momento em que constatado o atraso no pagamento: antes da notificação fiscal, durante a notificação e existência de recurso administrativo, e após a inscrição em dívida ativa. (...) Com efeito, a nova redação do art. 35 da Lei n. 8.212∕91, dada pela Lei n. 11.941∕09, ao prever que as multas aplicadas obedecerão os parâmetros estabelecidos no art. 61 da Lei n. 9.430∕96, possibilitou a aplicação da multa reduzida aos processos ainda não definitivamente julgados. (...) A distinção quanto à forma de lançamento para fixação de multa somente foi prevista com o advento da Lei n. 11.940∕09, que introduziu o art. 35A à Lei n. 8.212∕91 (...) Com efeito, sua aplicação restringese aos lançamentos de ofício existentes após sua vigência, sob pena de retroação. STJ, 2ª Turma, EDcl no AgRg no RESP nº 1.275.297/SC, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 03/12/2013 Fl. 3048DF CARF MF 18 No mesmo sentido, citese também o seguinte trecho do voto da Min. Regina Helena Costa (os grifos são nossos): Controvertese acerca do percentual de multa moratória aplicável ao lançamento de ofício após a alteração do art. 35 da Lei n. 8.212∕91 pela Lei n. 11.941∕09 que, ao incluir o art. 35A naquele diploma normativo, determinou a observância do parâmetro mais gravoso do art. 44 da Lei n. 9.430∕96, qual seja, de 75% (setenta e cinco por cento). Com efeito, esta Corte possui entendimento segundo o qual deve ser observado o percentual original da multa moratória previsto no art. 35 da Lei n. 8.212∕91, porquanto as ulteriores disposições do art. 35A cominam penalidade mais severa, autorizando a aplicação do preceito anterior, mais benéfico, a teor do disposto no art. 106, II, c, do CTN. (...) Isto posto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial para fixar o percentual da multa moratória em 20% (vinte por cento). STJ, 1ª Turma, RESP nº 1.585.929/SP, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 19/04/2016 A segunda linha de interpretação, por seu turno, considera que o antigo art. 35 da Lei nº 8.212/91 já previa em seu bojo tanto a multa moratória, para os recolhimentos espontâneos, quanto a multa de ofício, em decorrência de autuação da fiscalização (emissão de notificação fiscal de lançamento), não obstante o “caput” do dispositivo faça referência à “multa de mora”. Afinal, não será o “nomen iuris” que determinará o regime jurídico da multa. No fundo, a natureza jurídica dessas multas – moratória ou de ofício – seria a mesma, possuindo caráter sancionador, punitivo e nãoindenizatório. Em consequência, o lançamento de multa relativa a fatos geradores das contribuições previdenciárias ocorridos até 03/12/2008 deverá observar, por essa vertente interpretativa, os percentuais do antigo art. 35 (em respeito ao art. 144 do CTN), ficando limitado ao disposto (i) no novo art. 35 (20%), no caso de declaração entregue pelo contribuinte, ou (ii) no art. 35A (75%), no caso de ausência da mencionada declaração e existência de lançamento de ofício. Esta é a posição que tem prevalecido no CARF, pelo voto de qualidade ou, quando menos, por maioria de votos. De forma exemplificativa, vale citar os seguintes julgados: ac. 9202003.713, de 28/01/2016; ac. 9202004.344, de 24/08/2016; ac. 2202 003.445, de 14/06/2016; ac. 2301004.388, de 09/12/2015; ac. 2401004.286, de 13/04/2016). É indubitável a relevância dos fundamentos jurídicos apresentados pelas duas linhas de interpretação. Mas a existência dessa divergência jurisprudencial introduz, a meu ver, uma dúvida no sistema, de caráter objetivo, quanto à solução do conflito a respeito da retroatividade benigna da lei nova que define infrações, atraindo a aplicação do art. 112 do CTN, já reproduzido acima. Fl. 3049DF CARF MF Processo nº 11065.002645/201029 Acórdão n.º 9202005.286 CSRFT2 Fl. 11 19 Nesse cenário de incerteza normativa quando à natureza da penalidade aplicável ou à graduação da multa originalmente lançada (inc. IV), novamente o art. 112 do CTN é invocado para a solução do caso concreto. Tratase de corolário que não pode ser ignorado pelo intérprete, ainda que ele particularmente não apresente dúvida acerca do relacionamento entre o antigo art. 35, o novo art. 35 e o art. 35A. Isso porque a referida dúvida, pressuposto para aplicação do art. 112 do CTN, é objetiva e advém das decisões divergentes entre os membros da mesma turma, entre turmas diversas do mesmo tribunal ou entre tribunais diferentes. A jurisprudência judicial não destoa a esse respeito (grifamos): Além disso, o art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à Lei nº 11.941/2009, estabelece somente multas de mora, inclusive quando houver lançamento de ofício. O legislador considerou irrelevante, para efeito de aplicação da multa de mora, o fato de haver ou não informação a respeito do débito na GFIP. Isso porque as hipóteses de falta de declaração ou declaração inexata eram penalizadas com as multas previstas no art. 32, §§ 4º e seguintes, da Lei nº 8.212/91, que foram revogadas pela Lei nº 11.941/2009. De qualquer sorte, mesmo que haja dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável (se é multa de mora ou de ofício), a lei deve ser interpretada da maneira mais favorável ao contribuinte, nos termos do art. 112 do CTN. TRF da 4ª Região, 1ª Turma, Apelação Cível nº 2005.71.11.0045302/RS, Rel. Des. Federal Joel Ilan Paciornik, julgado em 24/02/2010 Em vista de todo o exposto, para fins de aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, voto por comparar a multa por descumprimento de obrigação acessória e a multa por falta de pagamento de contribuição previdenciária impostas ao contribuinte de forma englobada, limitandoas ao percentual de 20% constante do novo art. 35 da Lei nº 8.212/91 (já com as alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009), por força interpretação mais favorável ao acusado, conforme determina o art. 112 do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza Fl. 3050DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.008718/2008-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALORES REPASSADOS À DENTISTAS CREDENCIADOS. OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. NÃO INCIDÊNCIA
Não incide contribuição previdenciária sobre os valores repassados aos dentistas credenciados pelas operadoras de plano de saúde, posto que estas são meras intermediárias, que pagam por serviços médicos hospitalares e/ou odontológicos em nome e por conta das pessoas seguradas, estas sim tomadoras desses serviços.
Numero da decisão: 2202-003.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Rosemary Figueiroa Augusto, Cecília Dutra Pillar e José Alfredo Duarte Filho, que negaram provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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VALORES REPASSADOS À DENTISTAS CREDENCIADOS. OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. NÃO INCIDÊNCIA Não incide contribuição previdenciária sobre os valores repassados aos dentistas credenciados pelas operadoras de plano de saúde, posto que estas são meras intermediárias, que pagam por serviços médicos hospitalares e/ou odontológicos em nome e por conta das pessoas seguradas, estas sim tomadoras desses serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Rosemary Figueiroa Augusto, Cecília Dutra Pillar e José Alfredo Duarte Filho, que negaram provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 87 18 /2 00 8- 80 Fl. 328DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Recorrente para constituir crédito referente a Contribuições Previdenciárias. Foi apresentada impugnação e, tendo em vista o julgamento da DRJ que manteve integralmente o crédito fazendário, foi interposto recurso voluntário. Chegando ao CARF, foi determinada diligência, a qual não foi realizada por não ter sido encontrada a Contribuinte. Feito o resumo da lide, passamos ao relatório pormenorizado dos autos. Foi constituído em 31/10/2008 auto de infração registrado sob o DEBCAD nº 37.083.5808 em desfavor da Contribuinte, ora recorrente, para constituir débito referente a contribuições sociais para o financiamento da seguridade social de terceiros referente a todo o anocalendário de 2004 no valor de R$ 736.505,69, além de juros e multa. Conforme o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 72/80), o crédito constituído tem "como fatos geradores a remuneração efetivamente paga aos contribuintes individuais, autônomos e sócios, obtidos a partir das (...) GFIP e dos lançamentos contábeis registrados nos Livros Razão e Diário do ano fiscalizado" (fl. 72). Intimado do lançamento, o Contribuinte apresentou impugnação (fls. 90/118 e docs. anexos fls. 119/180), que foi julgada improcedente pela DRJ no acórdão nº 1522.777, de 04/03/2010 (fls. 214/227). Essa decisão colegiada restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CUSTEIO. PRÓLABORE. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. A empresa é obrigada a arrecadar e recolher as contribuições sociais para a Seguridade Social incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer titulo, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. É devida contribuição a Seguridade Social pela sociedade empresária sobre a remuneração paga a título de prólabore aos contribuintes individuais. Saláriodecontribuição para o contribuinte individual é a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês. Impugnação Improcedente Intimada da decisão de 1º grau em 31/05/2010 (fl. 238), e insatisfeita, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 25/06/2010 (fls. 242/256), argumentando, em síntese: Fl. 329DF CARF MF Processo nº 18050.008718/200880 Acórdão n.º 2202003.612 S2C2T2 Fl. 329 3 · Que não incide a Contribuição Previdenciária do art. 22, III, da Lei nº 8.212/1991 nos pagamentos efetuados pela Recorrente aos profissionais odontólogos credenciados pelas seguintes razões: 1. Os profissionais não prestam serviço à Contribuinte, operadora de seguro de assistência à saúde, mas sim às pessoas seguradas. Assim, os pagamentos são feitos a conta e por ordem dos segurados, que tomaram os serviços; 2. Que o art. 201 do Regulamento da Previdência Social buscou alargar o fato gerador criado pela Lei nº 8.212/1991, que tem status de Lei Complementar nos termos do art. 146, III, 'a', da CF/1988, o que viola, inclusive, o princípio da legalidade insculpida no art. 151, I, da mesma Carta Magna e no art. 97, III, do CTN; · Que há erros de fato contidos no Relatório de Lançamentos, especificamente: 1. a autoridade lançadora não observou a base de cálculo/teto para a contribuição previdenciária prevista no art. 12, I; art. 21, §2º e art. 28, III, todos da Lei nº 8.212/1991; 2. a inclusão, na base de cálculo, de valores pagos a credenciados pessoas jurídicas, pagos a título de Bolsa Auxílio, de Royalties, de Reembolsos, de Prólabore, de despesas operacionais etc. · Que o pagamento a profissionais dentistas, efetuado pela Recorrente, não constituem fato gerador para a contribuição previdenciária prevista no art. 4º, caput, da Lei nº 10.666/2003; Chegando a e.CARF, e considerando que a Recorrente afirma ter sido incluído no lançamento valores pagos a pessoas jurídicas, bem como a não observância do limite máximo para o cálculo da contribuição relativa aos segurados, o julgamento foi convertido em diligência pela Resolução nº 2302000.260, de 19/11/2013 (fls. 262/264), para que a autoridade lançadora se pronuncie sobre os temas. Esses autos foram então apensados ao processo nº 18050.008717/200835. Enfim, em 19/02/2015 foi lavrada "Informação Fiscal" (fls. 266/267), na qual se constata que não foi possível contatar a empresa para a realização da diligência, tendo sido publicado edital sem resultado e, inclusive, intimado o condomínio comercial onde ficava localizada anteriormente para que prestasse informações e foi esclarecido que a empresa já não ocupava qualquer imóvel naquele edifício. Ainda, que a empresa passou a declarar GFIPs como "Sem Movimento" desde 11/2014, de sorte que a fiscalização concluiu pela dissolução irregular da empresa, lavrando Representação Fiscal. Enfim, como a relatora original já não compõe os quadros desse e.CARF, os autos foram novamente sorteados, caindo em minha relatoria. É o relatório. Fl. 330DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Conforme o quanto já exposto no relatório, o Recurso Voluntário suscita três questões, a saber: (i) a não incide a Contribuição Previdenciária do art. 22, III, da Lei nº 8.212/1991 nos pagamentos efetuados pela Recorrente aos profissionais odontólogos credenciados; (ii) que o pagamento aos profissionais dentistas cadastrados não é fato gerador para a contribuição previdenciária do art. 4º, caput, da Lei nº 10.666/2003; e (iii) a incorreção da base de cálculo em relação aos profissionais credenciados. Da Contribuição Previdenciária e dos Profissionais Credenciados O fundamento da primeira questão pode ser resumido, pois, na seguinte pergunta: os odontólogos credenciados em um plano de saúde prestam serviço ao Plano de Saúde (a Contribuinte) ou aos seus pacientes, as pessoas físicas que são atendidas pelos profissionais, os beneficiários do plano de saúde? A verdade é que o mesmo problema já foi objeto de análise nesse e.CARF em diversas oportunidades. A toda honestidade, há precedentes em ambos os sentidos: EM FAVOR DA TESE DE AUTORIDADE LANÇADORA: acórdão nº 2402004.871, de 27.01.2016: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INCIDÊNCIA. É devida contribuição sobre remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais a serviço da empresa. Quando realiza diretamente o pagamento aos profissionais da área de saúde, o Contribuinte, operador de plano de assistência odontológica, é considerado o efetivo contratante dos prestadores de serviços odontológicos. acórdão nº 2401003.967, de 09.12.2015: PLANO DE SAÚDE. MÉDICOS CREDENCIADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA O pagamento realizado aos profissionais de saúde está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, com base no artigo 22, III da Lei nº 8.212/91. Quando uma empresa contrata serviços, estes podem ser executados a ela diretamente, aos seus clientes ou aos seus colaboradores. Em todas essas situações, a empresa figura como contratante, como tomadora do serviço, embora possa haver um outro beneficiário (cliente ou colaborador). Para fins de custeio previdenciário, o que importa Fl. 331DF CARF MF Processo nº 18050.008718/200880 Acórdão n.º 2202003.612 S2C2T2 Fl. 330 5 é que os serviços sejam contratados em benefício de seus interesses, de sua atividade. O credenciamento acompanhado da remuneração pela prestação de serviços caracteriza a existência de relação jurídica entre os prestadores e a recorrente, mormente quando a utilização dos serviços é submetida ao controle da recorrente, havendo submissão dos prestadores (credenciados) e empregados (beneficiários) ao preenchimento de documentos, formulários e autorizações, inclusive com a possibilidade de glosa de pagamentos. Assim, o vínculo jurídico é, em primeiro plano, com a contratante dos serviços e secundariamente com o empregado, beneficiário. acórdão nº 2301002.430, de 27.10.2011: MERO REPASSADOR DE HONORÁRIOS MÉDICOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Na hipótese de a entidade hospitalar se revestir da qualidade de mera repassadora dos honorários médicos será a responsável pelo pagamento da contribuição social previdenciária devida e pelo recolhimento da contribuição do segurado contribuinte individual a empresa que atua mediante plano ou seguro de saúde que pagou o segurado. EM FAVOR DA TESE DA CONTRIBUINTE: acórdãos nº 2403002.481 e nº 2403002.482, ambos de 20.02.2014: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VALORES REPASSADOS À DENTISTAS CREDENCIADOS POR OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE NÃO INCIDÊNCIA Os valores repassados aos dentistas pelas operadoras de plano de saúde não devem sofrer incidência de contribuição previdenciária pois estas são apenas intermediárias que oferecem e pagam por serviços médicos hospitalares na qualidade de substitutas dos particulares que efetivamente se utilizam destes serviços. acórdão nº 2403002.387, de 21.01.2014: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VALORES REPASSADOS À MÉDICOS CREDENCIADOS POR OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE – NÃO INCIDÊNCIA Os valores repassados aos médicos pelas operadoras de plano de saúde não devem sofrer incidência de contribuição previdenciária, pois estas são apenas intermediárias que oferecem e pagam por serviços médicos hospitalares na qualidade de substitutas dos particulares que efetivamente se utilizam destes serviços. O meu entendimento é, nesse caso, o mesmo defendido pelo Contribuinte. Explico por meio da análise do fato observado da realidade. Fl. 332DF CARF MF 6 Do ponto de vista do odontólogo: em sua prática profissional, esse profissional pode ter um grande número de clientes, suficiente para ocupar todo o seu tempo dedicado ao consultório, de forma que cobrará diretamente deles a sua remuneração. Pode acontecer, também, por diversos motivos, que ele disponham de tempo livre e, para melhorar a sua renda, decida se cadastrar em determinadas empresas, os planos de saúde, que têm diversos clientes e que podem indicálos para esse profissional. O seu cadastro, pois, significa incluir o seu nome em uma lista de outros profissionais que são considerados aptos pela empresa e que aceitam atender os pacientes por determinado valor. São funcionários da empresa? Não. Quem são seus clientes? Os pacientes. Qual a função do plano de saúde? Indicar pacientes e garantir o pagamento pelo serviço prestado a esses paciente. Do ponto de vista do paciente: sendo a saúde um ponto central na vida de qualquer pessoa, e preocupandose em ter condições de garantir um tratamento de qualidade para eventualidades, um plano de saúde ou, in casu, plano odontológico se torna elemento indispensável para aqueles que podem têlo. Ocorrido o fato (problema), o beneficiário do plano dirigese a um dos hospitais ou clínicas incluídos na lista de credenciados de seu plano, escolhendo aquele que melhor lhe aprouver, e tranquilo por saber que não precisará pagar (há planos diferentes, nos quais o beneficiário deve pagar uma parte do tratamento). Pode optar por outro profissional ou empresa que não esteja na lista de credenciados em seu plano, hipótese em que ele próprio realizará o pagamento. Também, ainda que esteja sendo atendido por profissional cadastrado em seu plano de saúde, é possível que seja solicitada a realização de determinado procedimento, não coberto pelo seu seguro, hipótese em que poderá escolher realizar o serviço às suas próprias custas. Em ambos os casos, ele será o tomador do serviço, escolhendo o serviço que será realizado e qual não será, bem como escolhendo o profissional que o fará. Do ponto de vista da empresa (Contribuinte): enquanto seguradora, a empresa deve oferecer um serviço de seguro para o seu contratante/beneficiário. Em outras palavras, seu serviço é garantir que o contratante/beneficiário estará acobertado economicamente para o caso de ocorrência de um sinistro. A extensão desse seguro varia de acordo com o plano eleito: (i) pode custear parte do tratamento/exame/procedimento; (ii) pode custear integralmente o preço do tratamento/exame/procedimento; ou (iii) pode ainda reembolsar o seu contratante/beneficiário pela despesa incorrida em seu tratamento/exame/procedimento. Tendo o poder econômico que lhe garante vantagens na negociação, a empresa seguradora costuma selecionar no mercado profissionais tidos como aptos a realizar os exames/procedimentos/tratamentos e oferecer um valor reduzido como honorários para os casos em que houver efetiva realização de exame/tratamento/procedimento; como contrapartida, inclui o nome desses profissionais que aceitaram o preço reduzido em uma lista que oferece aos seus contratantes/beneficiários, de forma que tais profissionais terão mais pacientes. Pode ocorrer de que determinado profissional, em que pese esteja credenciado, não receba nenhum paciente direcionado pelo plano? Sim. Recebendo um paciente direcionado pelo plano de saúde, quem decidirá o serviço a ser prestado? O profissional em conjunto com o paciente. Qual a função do plano de saúde? Custear o referido tratamento/exame/procedimento. Em outras palavras, nos casos em que o plano de saúde ou o plano odontológico realiza pagamentos diretamente ao profissional de saúde, o faz em nome e por conta do paciente. Como listado acima, muitas das seguradoras oferecem a possibilidade de reembolso aos seus contratantes/beneficiários caso eles optem por um profissional não credenciado; para essas seguradora, pouco importa se o pagamento é feito ao profissional ou ao contratante/beneficiário. Alguns poderão argumentar que o plano de saúde interfere no serviço prestado pelo profissional, vez que é necessário preencher formulários e pedir autorização do Fl. 333DF CARF MF Processo nº 18050.008718/200880 Acórdão n.º 2202003.612 S2C2T2 Fl. 331 7 plano. Tal tese não pode prevalecer. A verdade é que tal autorização se refere ao pagamento, e não à prestação do serviço, seja ele exame ou procedimento. Ainda que o plano se recuse a custear o referido serviço, o paciente pode optar, naquele momento, por arcar ele mesmo com o preço, independentemente do plano de saúde. Analisando precedentes do STJ, percebese que, na esfera judicial, a jurisprudência tem se consolidado nesse sentido, i.e., da nãoincidência da contribuição previdenciária sobre os valores repassados aos profissionais de saúde pelas operadoras de plano de saúde: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. VALORES REPASSADOS AOS MÉDICOS CREDENCIADOS. NÃO INCIDÊNCIA. 1. "As Turmas que integram a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça firmaram orientação no sentido de que não incide contribuição previdenciária sobre os valores repassados pelas operadoras de plano de saúde aos médicos credenciados que prestam serviços aos pacientes segurados" (AgRg no REsp 1.481.547/ES, Rel. Ministra Marga Tessler (juíza federal convocada do TRF 4ª região), Primeira Turma, DJe 19/5/2015). 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1333585/RJ, Rel. Ministra DIVA MALERBI (DESEMBARGADORA CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO), SEGUNDA TURMA, julgado em 19/04/2016, DJe 27/04/2016) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. OFENSA AO ART. 557/CPC. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALORES REPASSADOS AOS MÉDICOS CREDENCIADOS. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. O caput do art. 557 do Código de Processo Civil possibilita ao Ministro Relator o julgamento monocrático de recursos especiais manifestamente inadmissíveis, improcedentes, prejudicados ou em confronto com súmula ou jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça ou do Supremo Tribunal Federal. Inexiste, portanto, a sustentada afronta ao princípio da colegialidade. 2. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores repassados pela operadora de plano de saúde aos médicos credenciados. Precedentes: AgRg no AREsp 674.427/AL, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 04/08/2015 e AgRg no REsp 1427532/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 26/03/2014. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1286775/RJ, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/12/2015, DJe 03/02/2016) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SIMPLES REITERAÇÃO DAS ALEGAÇÕES VEICULADAS NO RECURSO ANTERIOR. Fl. 334DF CARF MF 8 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. MÉDICOS PRESTADORES DE SERVIÇO. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 83/STJ. I É pacífico o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, segundo o qual não incide contribuição previdenciária sobre os valores repassados pela operadora de plano de saúde aos médicos credenciados. II O Agravante não apresenta argumentos capazes de desconstituir a decisão agravada, reiterando apenas as alegações veiculadas no recurso anterior. III Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 674.427/AL, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2015, DJe 04/08/2015) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTENTE. RAZÕES DO AGRAVO DISSOCIADAS DA DECISÃO RECORRIDA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF.EMPRESA OPERACIONALIZADORA DE PLANOS DE SAÚDE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALORES REPASSADOS AOS MÉDICOS CREDENCIADOS. NÃO INCIDÊNCIA. (...) 4. Esta Corte pacificou o entendimento no sentido de que não cabe à empresa operacionalizadora de planos de saúde recolher a contribuição previdenciária cujo ônus é do profissional ou da empresa que recebe pela prestação do serviço. Da incidência da Súmula 83/STF. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 688.081/MG, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/05/2015, DJe 01/06/2015) TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. VALORES REPASSADOS AOS MÉDICOS CREDENCIADOS. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS DA PRIMEIRA SEÇÃO. 1. As Turmas que integram a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça firmaram orientação no sentido de que não incide contribuição previdenciária sobre os valores repassados pelas operadoras de plano de saúde aos médicos credenciados que prestam serviços aos pacientes segurados. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.375.479/RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 08/05/2014; AgRg no REsp 1.427.532/SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 26/03/2014; REsp 987.342/PR, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJe 20/05/2013 e AgRg no AREsp 176.420/MG, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 22/11/2012. 2. O acórdão recorrido tem fundamentos constitucional e infraconstitucional e, uma vez interposto recurso extraordinário, não há que se falar em usurpação de competência do Supremo Tribunal Federal. 3. Agravo regimental desprovido. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 18050.008718/200880 Acórdão n.º 2202003.612 S2C2T2 Fl. 332 9 (AgRg no REsp 1481547/ES, Rel. Ministra MARGA TESSLER (JUÍZA FEDERAL CONVOCADA DO TRF 4ª REGIÃO), PRIMEIRA TURMA, julgado em 12/05/2015, DJe 19/05/2015) Diante dos precedentes elencados, bem como dos precedentes citados nas ementas transcritas, é possível concluir que o STJ tem, efetivamente, jurisprudência no sentido da não incidência da contribuição previdenciária sobre os valores repassados pela Contribuinte aos profissionais cadastrados. Enfim, conforme os argumentos expostos e da jurisprudência apontada, entendo que a Contribuinte não é a tomadora de serviços odontológicos, razão pela qual o lançamento não pode prevalecer. Dispositivo: De acordo com tudo quando exposto acima, voto por dar provimento ao recurso voluntário para afastar o lançamento em relação aos valores pagos aos odontólogos credenciados. (ASSINADO DIGITALMENTE) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 336DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.720055/2008-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO.
Comprovado, através do que consta dos autos, estar o imóvel inserido em área de interesse ecológico, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, para a proteção à flora, à fauna, às belezas naturais, bem como para garantir sua utilização a objetivos educacionais, recreativos e científicos, visto estar inserida no Parque Estadual da Serra do Mar, a área deve ser excluída da tributação em conformidade com o art. 10, §1º, II, b, da Lei n.º 9.393/96. Neste caso, o ADA não é o único meio de prova, podendo a comprovação ser realizada por outros documentos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. Comprovado, através do que consta dos autos, estar o imóvel inserido em área de interesse ecológico, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, para a proteção à flora, à fauna, às belezas naturais, bem como para garantir sua utilização a objetivos educacionais, recreativos e científicos, visto estar inserida no Parque Estadual da Serra do Mar, a área deve ser excluída da tributação em conformidade com o art. 10, §1º, II, b, da Lei n.º 9.393/96. Neste caso, o ADA não é o único meio de prova, podendo a comprovação ser realizada por outros documentos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 00 55 /2 00 8- 29 Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10860.720055/200829 Acórdão n.º 2202003.816 S2C2T2 Fl. 376 2 Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele utilizado por ocasião da Resolução nº 2202000.698, desta Turma Ordinária, de 16 de junho de 2016, complementandoo ao final (fl. 364): Contra o interessado supra foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 01 a 05, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2003, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 213.288,82, relativo ao imóvel rural denominado "Fazenda Herança Divina", com área de 930,5 ha, NIRF 0.795.2740, localizado no município de Ubatuba/SP. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, a declaração de ITR do interessado incidiu em malha fiscal nos parâmetros áreas não tributáveis e cálculo do valor da terra nua; após regularmente intimado e transcorrido o prazo fixado, o interessado não apresentou os documentos solicitados que comprovassem as informações contidas em sua declaração, objeto de análise pelo Grupo de Malha Fiscal. O sujeito passivo informou que o imóvel serve como local de subsistência dele, de sua família e empregados. Cientificado do lançamento, por via postal, em 05/11/2008, conforme fl. 76, o interessado apresentou a impugnação de fls. 50 a 53, em 01/12/2008, alegando, em síntese, que: • Em 20 de agosto de 2008, protocolou na Receita Federal os documentos necessários para comprovar que o imóvel rural encontrase em área considerada de preservação permanente; • Os documentos apresentados foram expedidos pelo governo federal, de total credibilidade, não restando quaisquer dúvidas de que o imóvel está inserido em sua quase totalidade em área de preservação permanente, sendo corroborado pelo Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido em 27/09/2009; • Só tomou conhecimento da necessidade de elaborar o ADA, ao receber o Termo de Intimação Fiscal; • Anexa aos autos, Certidões expedidas pelo Instituto de Terras e do Governo do Estado de São Paulo, Planta, Relatório de Vistoria Técnica, do Instituto Florestal Núcleo Picinguaba, Boletim de Ocorrência Ambiental, entre outros, que comprovam que a propriedade está inserida no Parque Estadual da Serra do Mar; • Está sem explorar o imóvel desde 1999, embora estando na posse da propriedade, pois ainda não recebeu indenização, motivo pelo qual, não possui condições para arcar com o pagamento do imposto, juros e multa de ofício; Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10860.720055/200829 Acórdão n.º 2202003.816 S2C2T2 Fl. 377 3 • Não deve o valor do imposto suplementar, porque os imóveis de sua propriedade são totalmente inexploráveis por estarem inseridos dentro do Parque Estadual da Serra do Mar; • Requer cancelamento da Notificação de Lançamento, em virtude de erro no preenchimento da declaração e, em sendo o caso, da autorização do órgão para providenciar junto ao Ibama o ADA dos exercícios anteriores, por medida de justiça. O julgamento recorrido assim analisou, em resumo, a questão: a) O presente processo versa sobre a glosa total da área de preservação permanente declarada em virtude de o contribuinte não ter apresentado à fiscalização os documentos que foram solicitados no Termo de Intimação Fiscal. Nesta fase, basicamente, a interessada pretende que seja considerada isenção relativa a área do imóvel, porque ele estaria integralmente inserido no Parque Estadual da Serra do Mar, fato que tornaria legítimo o cabimento da isenção, sem necessidade de exigências para tal, e para justificar seus argumentos anexou documentos. Para comprovar estes tipos de preservação permanente bastaria a apresentação de laudo técnico elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART, atentando a existência de florestas, com as dimensões e locais listados de conformidade com a legislação. Além da comprovação da existência da APP, seja mediante laudo técnico e/ou ato específico é indispensável a comprovação da regularização dessas áreas junto ao Ibama, através do ADA, protocolado dentro do prazo legal para o exercício analisado. Não há possibilidade de procederse a apresentação de ADA, de um ou mais exercícios anteriores por não haver retroatividade desse documento. Em que pesem as argumentações do contribuinte, mas não atendido o requisito de protocolização tempestiva do ADA perante o Ibama, apresentação do Laudo Técnico e Ato Específico, a pretensa área de preservação permanente ficará sujeita à tributação. b) No que pertine ao Valor da Terra Nua considerado no lançamento, o interessado nada questionou e a matéria está preclusa, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. c) Quanto à multa de 75% exigida no lançamento de ofício, encontra previsão no art. 44,1, da Lei n.° 9.430/1996, combinado com o art. 14, § 2 o da Lei n.° 9.393/1996. Quanto aos juros, o Código Tributário Nacional, em seu artigo 161, caput e § 1º , dispôs que o crédito tributário não pago no vencimento, qualquer que fosse o motivo da falta, seria acrescido de juros de mora. c) O imposto pago pelo contribuinte, no valor de R$ 103,77, foi devidamente compensado, sendo mantida a exigência na Notificação de Lançamento da diferença apurada, com os devidos acréscimos legais cabíveis no procedimento de ofício. Assim, reputouse improcedente a impugnação apresentada. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10860.720055/200829 Acórdão n.º 2202003.816 S2C2T2 Fl. 378 4 Cientificado dessa decisão em 01 de abril de 2011 (AR na folha 103), o contribuinte apresentou recurso voluntário (anexado na folha 104 e ss.), onde, em síntese, assim manifesta sua inconformidade com o acórdão recorrido: a) Requer seja citada a Fazenda do Estado de São Paulo, para integrar a lide, vez que a totalidade do imóvel foi por ela desapropriada para a implantação do Parque Estadual da Serra do Mar, pelo Decreto n° 10.251/77. Logo, se há um devedor esse é a própria Fazenda do Estado de São Paulo. Citando lide judicial entre ele e a Fazenda do Estado de São Paulo, diz que na realidade o imóvel objeto do presente Recurso pertence ao Estado, conforme comprova o Acórdão ora anexo. b) Requer ao CARF que se digne Julgar nulo o lançamento efetuado, uma vez que, no caso, o próprio Decreto Estadual n° 10.251/1977, substitui o ADA, por ser ato emanado do próprio Governo Estadual, logo, é merecedor de toda a credibilidade, de que todo o imóvel do Recorrente é de preservação permanente, reserva legal, de interesse ecológico e imprestável para qualquer exploração agrícola, motivo de excluirse da área tributável. c) Diz que embora não tenha apresentado o ADA em tempo hábil para comprovar que o imóvel objeto desta autuação é área de preservação permanente, reserva legal, de interesse ecológico e imprestável para qualquer exploração agrícola, não muda o fato de a área estar realmente preservada pelo próprio Decreto Estadual. d) Por estar o imóvel improdutivo, não tem como o Recorrente arcar com o exorbitante do valor fixado de ITR, mormente porque sua área foi objeto de desapropriação indireta, por força do Decreto n° 10.251/77 e até a presente data, ainda não recebeu o valor que lhe é devido pelo Estado de São Paulo. PEDE que se traga ao no pólo passivo a Fazenda Estadual, tendo em vista a Ação de Interdito Proibitório acima citada, ou então que seja anulado o lançamento, mas, se assim não se entender, espera e requer que seja acolhido o presente recurso voluntário, para cancelarse o débito reclamado. O recurso foi encaminhado a este CARF que proferiu Resolução a fim de que o julgamento fosse convertido em diligência, nos seguintes termos: "Entretanto, para a escorreita aplicação do direito em tela e para que não restem dúvidas de que as áreas declaradas pela Recorrente efetivamente configuramse como de Preservação Permanente, prestigiandose o princípio da verdade material que rege os procedimentos administrativos, é imperioso que o presente processo seja baixado em diligência para que o órgão ambiental em questão informe se a área do imóvel objeto do lançamento se encontra dentro do Parque Estadual da Serra do Mar". Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10860.720055/200829 Acórdão n.º 2202003.816 S2C2T2 Fl. 379 5 Foi cumprida a diligência, com comunicação entre a Unidade da RFB preparadora e os órgãos de competência sobre meio ambiente do Estado de São Paulo, restituindose o processo ao CARF nos seguintes termos: "Em atenção à Resolução 2801000.083 de 30 de novembro de 2011 às fls 265 a 268 foi juntado o Ofício Resposta da Fundação Florestal às fls 339. Isto posto, restituo o presente processo à 2ª Seção de Julgamento do CARF para continuidade". Ao analisar a questão, resolveuse pela conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos (fl. 368): ... pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade preparadora informe qual a data de protocolo do recurso em questão ou, na impossibilidade de fazêlo, manifeste se expressamente. A Unidade preparadora manifestouse na fl. 372, informando que o recurso foi encaminhado em 27/04/2011, conforme o Aviso de Recebimento que então anexou, na fl. 370. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. Primeiro, observo que a Autoridade lançadora procedeu de ofício somente a glosa da área de preservação permanente de 895,5 ha, conforme discriminado nas fls. 168/170, cópia da Notificação de Lançamento. Diz a Lei nº 9.393, de 1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10860.720055/200829 Acórdão n.º 2202003.816 S2C2T2 Fl. 380 6 II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Vide art. 25 da Lei nº 12.844, de 2013) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; Assim, referida lei, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, menciona que para efeitos de apuração do ITR considerarseá “área tributável” a área total do imóvel “menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal”. O tamanho da área tributável influi no cálculo e, conseqüentemente, no valor a pagar de ITR. A apresentação do ADA – Ato Declaratório Ambiental, para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal, que outrora era exigida pela RFB com base em norma infralegal, surgiu no ordenamento jurídico com o art. 1º, da Lei nº 10.165/2000, que incluiu o art. 17O, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001: Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) §1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (grifei) A jurisprudência da Câmara Superior deste CARF já se manifestou em julgamento no Acórdão 9202 – 002.383 (processo: 10120.000407/200628, data 13/03/2013, Relatora Susy Gomes Hoffmann): ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. REQUISITO NECESSÁRIO. A fim de obter a isenção quanto à Área de Preservação Permanente (APP) o sujeito passivo deve apresentar documentação sobre a existência. No presente caso, o sujeito passivo apresentou apenas mapa, sem o devido e necessário Ato Declaratório Ambiental (ADA), motivo da não obtenção de isenção da citada área.(grifei) Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10860.720055/200829 Acórdão n.º 2202003.816 S2C2T2 Fl. 381 7 Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. O Decreto regulamentador do ITR também possui determinação expressa. Decreto 4.382/2002: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II – de reserva legal, ... § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e(grifei) Primeiramente, antes de nossa análise, cabe ressaltar a importância do Ato Declaratório Ambiental (ADA). O ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental e possui como função cadastramento as áreas de interesse ambiental declaradas, permitindo o controle e verificação dessas áreas pelo órgão responsável pela área ambiental. Com essa declaração aos órgãos responsáveis, em busca da preservação ambiental dessas áreas, o Estado concede isenção tributária quanto ao ITR. Cabe ressaltar que a isenção tributária, como a incidência, decorre de lei. É o próprio poder público competente para exigir tributo que tem o poder de isentar. É a isenção um caso de exclusão tributária, de dispensa do crédito tributário, conforme determina o I, Art. 175 do Código Tributário Nacional (CTN). Buscase, assim, uma conduta determinada dos cidadãos. No caso, o objetivo é a preservação das áreas em comento, pela fiscalização das áreas informadas pelo ADA e o órgão que possui a qualificação técnica para tal é o Ibama. Desta forma, o objetivo da isenção é estimular a preservação e proteção da flora e das florestas e, conseqüentemente, contribuir para a conservação da natureza e proporcionar melhor qualidade de vida. “O postulado da proporcionalidade exige que o Poder Legislativo e o Poder Executivo escolham, para a Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10860.720055/200829 Acórdão n.º 2202003.816 S2C2T2 Fl. 382 8 realização de seus fins, meios adequados, necessários e proporcionais. Um meio é adequado se promove o fim. Um meio é necessário se, dentre todos aqueles meios igualmente adequados para promover o fim, for o menos restritivo relativamente aos direitos fundamentais. E um meio é proporcional, em sentido estrito, se as vantagens que promove superam as desvantagens que provoca”. (ÁVILA, Humberto. Teoria dos Princípios: da definição á aplicação dos princípios jurídicos. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 102) A IN Ibama nº 76, de 31 de outubro de 2005, estabeleceu: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental ADA representa o cadastro indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de isenção do Imposto Territorial Rural ITR”. Observo ainda que a Instrução Normativa nº 76 do Ibama traz considerações importantes sobre o ADA e seu disciplinamento, para justificar a necessidade de padrões e prazos. Abaixo transcrevemos alguns: “ Considerando a necessidade de padronizar o modelo de Ato Declaratório AmbientalADA; Considerando a necessidade de regulamentação das modalidades de apresentação do ADA, para fins de isenção e/ou dedução de Imposto Territorial Rural ITR ; Considerando a necessidade de o Ibama instituir um cadastro das propriedades rurais que possuem áreas de interesse ambiental, mediante apresentação do ADA;...(grifei)” Por fim, a IN Ibama nº 76, de 2005 foi expressamente revogada pela IN Ibama nº 5, de 25 de março de 2009, a qual, entre outras determinações, definiu modelo de laudo técnico de vistoria de campo um dos documentos comprobatórios das declarações prestadas no ADA, passível de ser exigido em momento posterior à apresentação do ADA, deixou de contemplar o formulário padrão como um dos modelos de apresentação do ADA e determinou o prazo para a apresentação do ADA bem como de sua retificação: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental – ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre estas últimas. (...) Art. 6º O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10860.720055/200829 Acórdão n.º 2202003.816 S2C2T2 Fl. 383 9 (...) § 3o O ADA deverá ser entregue de 1º de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. Assim, a exigência do ADA tem previsão legal. E também está disciplinada e pareceme, a partir do excerto que citamos acima, proporcional e adequada. Entendo que o §7º do artigo 10 da Lei nº 9.393/1996, incluído pela MP nº 2.166/2001, ao dizer que: §7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas a e d do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis, referese à questão do lançamento do ITR darse por homologação, nos termos do Art. 150 do CTN, e reputo importante destacar os termos “declaração” e “prévia”. Não é necessário que o contribuinte apresente nenhum documento para que em sua declaração faça constar a informação das áreas isentas, de reserva legal e preservação permanente, e, desta feita, conseqüentemente, apure o imposto devido e faça o recolhimento, cabendo ao Fisco simplesmente chancelar tal apuração, quando a entenda correta, mediante homologação expressa ou tácita. Nenhum ato prévio do Fisco, pois, se faz mister. Contudo, entendendo a autoridade fiscal que se faz necessária comprovação, principalmente no que diz respeito a uma isenção pleiteada pelo declarante, cabe a este atendê la. Quando não o faz, na forma prevista em diploma legal, que, portanto, revestese de todas as prerrogativas e formalidades que possamos aqui discutir, é de entenderse que restou não comprovada a veracidade da declaração. O caso concreto, contudo, é diverso. Tratase de imóvel que foi inserido em parque estadual criado por ato do Poder Público. Como consta de cópia anexada nas fls. 112, o governo de São Paulo, mediante o Decreto nº 10.251, de 30 de agosto de 1977, criou o Parque Estadual da Serra do Mar com a finalidade de "assegurar integral proteção à flora, à fauna, ás belezas naturais, bem como para garantir sua utilização a objetivos educacionais, recreativos e científicos." No seu artigo 6º, diz ainda o referido decreto que "ficam declaradas de utilidade pública, para fins de desapropriação, por via amigável ou judicial, as terras do domínio particular abrangidas pelo parque ora criado." Da leitura da decisão recorrida, observase que o julgador lança dúvidas sobre dois pontos: se o imóvel estaria integralmente inserido no parque estadual e se as restrições a que estaria submetido de fato impediriam sua utilização, para que fosse considerado isento. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10860.720055/200829 Acórdão n.º 2202003.816 S2C2T2 Fl. 384 10 Na folha 193 consta cópia do Ofício 389/2009, emitido pela Fundação Florestal do Estado de São Paulo dizendo que "as áreas mencionadas" estão localizadas dentro dos limites do Parque Estadual da Serra do Mar, criado pelo Decreto Estadual nº 10.251, de 1977. Após a diligência determinada por este CARF e interlocução entre a Fundação Florestal e a Unidade da RFB de jurisdição do imóvel, veio aos autos o Ofício nº 1854/2014, em que é ratificado o Ofício 389/2009, encaminhado ao requerente, para dizer que as áreas mencionadas estão de fato dentro dos limites do Parque Estadual. O acompanhamento da exploração dessas áreas já era feito pelos órgãos de controle ambiental há muito tempo, como demonstram o Boletim de Ocorrência e o processo que se seguiu a ele, em que o contribuinte foi responsabilizado por crime ambiental, por mandar cortar 0,9 ha da área para fazer pastagens (fl. 15 e seguintes). Atestou o Ministério Público Estadual, naquela ocasião, que "o Parque Estadual da Serra do Mar, protegido pela própria Constituição Federal, em seu artigo 225, § 4º, é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral."(fl. 19) Assim, existem nos autos documentos que possibilitam concluir que o imóvel declarado está inserido no Parque Estadual da Serra do Mar e que o parque tratase de uma área de proteção integral, onde não é permitida qualquer exploração comercial. Registrese que os Parques (Nacional, Estadual ou Municipal), em conformidade com a Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que regulamentou o art. 225, § 1o, incisos I, II, III e VII da Constituição da República Federativa do Brasil e instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC, são Unidades de Proteção Integral, para as quais só é admitido o uso indireto (aquele que não envolve consumo, coleta, dano ou destruição dos recursos naturais) dos seus atributos naturais. Como se vê, as terras inseridas em parques nacionais não se prestam a qualquer tipo de exploração comercial, posto que seu único objetivo é a preservação de ecossistemas naturais, possibilitando, apenas, a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação ambiental, de recreação e de turismo ecológico. Assim, entendo que a área em questão melhor se enquadra na alínea 'b' do inciso II, artigo 10, da Lei nº 9.393, de 1996, acima copiado. Nesse caso, tornarseia desnecessária, pelos motivos expostos, a exigência do ADA como requisito formal para o reconhecimento da isenção, uma vez que suas finalidades, aqui tratadas, perdem sentido, pois a área já é controlada e acompanhada pelo poder público que cria o Parque, mesmo que ainda não tenha sido efetivamente desapropriada em função do longo processo que se desenvolve. Colho na jurisprudência deste CARF: Acórdão 2801003.079, Sessão de 20 de junho de 2013 Exercício: 2005 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10860.720055/200829 Acórdão n.º 2202003.816 S2C2T2 Fl. 385 11 Não é tributável o imóvel inteiramente localizado em área de interesse ecológico transformada em Parque Estadual instituído por Decreto Estadual. Recurso Voluntário Provido. Acórdão 2301004.857, Sessão de 22 de setembro de 2016 Exercício 2005, 2006, 2007 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. 1. Comprovada, através da localização do imóvel, ser área de interesse ecológico, para a proteção dos ecossistemas, visto estar inserida no Parque Estadual Serra do Tabuleiro, deve ser excluída da tributação em conformidade com o art. 10, §1º, II, b, da Lei n.º 9.393/96. 2. Para essa exclusão da APP da tributação, o ADA não é o único meio de prova, podendo a comprovação ser realizada por outros meios, no caso dos autos, mediante Laudo de Vistoria e de Uso do Solo. Acórdão 2102002.515 Exercício:2003 ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. PARQUE ESTADUAL. Comprovado o fato de que a propriedade está inserida em Parque Estadual criado por meio de Decreto do Governador do Estado, é lícita a sua exclusão da base de cálculo do ITR, na forma do art. 10, § 1º, inciso II, alínea "b", da Lei nº. 9.393/96. CONCLUSÃO Em face do acima exposto, VOTO por dar provimento ao recurso para restabelecer, para fins de cálculo do ITR, a área de preservação permanente declarada de 895,5 hectares. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 385DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.721355/2013-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009, 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011
FALTA DE ARGUMENTOS DE DEFESA. LANÇAMENTO MANTIDO.
Há que se manter o lançamento se o recorrente não aduz qualquer argumento técnico de defesa e termina por confessar fatos que demonstram a procedência do arbitramento do lucro: o auferimento da receita; irregularidade da escrita e entrega de DIPJ em branco.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, este Colegiado não tem competência para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS.
Numero da decisão: 1302-002.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Julio Lima Souza Martins (Suplente Convocado) Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrente SPS SUPRIMENTOS PARA SIDERURGIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009, 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011 FALTA DE ARGUMENTOS DE DEFESA. LANÇAMENTO MANTIDO. Há que se manter o lançamento se o recorrente não aduz qualquer argumento técnico de defesa e termina por confessar fatos que demonstram a procedência do arbitramento do lucro: o auferimento da receita; irregularidade da escrita e entrega de DIPJ em branco. Nos termos da Súmula CARF nº 2, este Colegiado não tem competência para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 13 55 /2 01 3- 42 Fl. 1579DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Julio Lima Souza Martins (Suplente Convocado) Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0648.124 da 2ª Turma da DRJ/CTA, o qual foi assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009, 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011 ARBITRAMENTO DOS LUCROS. É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, apesar dos prazos concedidos e reiteradamente prorrogados, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, não surtindo qualquer efeito sobre o lançamento as DIPJ e DCTF retificadoras entregues após a ciência da autuação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos lançamentos decorrente. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. É cabível a incidência da multa de ofício qualificada no percentual de 150% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte, quando restar comprovada, por meio de fatos e documentos constantes do processo, a ocorrência das condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964. Impugnação Improcedente”. A recorrente, cientificada do Acórdão nº 0648.124 em 15/08/2014 (AR a fls. 1561), interpôs, em 27/08/2014 (Termo a fls. 1560), recurso voluntário (doc. a fls. 1555 e segs.), no qual aduz as seguintes razões de defesa: “SPS SUPRIMENTOS PARA SIDERURGIA LTDA.. empresa industrial estabelecida no Estado de São Paulo, no município de Embu Guagu, com sede na Estrada EmbuGuacu a Santa Rita, km 46, Jardim São Paulo, com CNPJ de n° 49.004.286/000172, por seu representante legal ao fim assinado, vem apresentar RECURSO contra a decisão de primeira instância prolatada pela 2ª Turma da DRJ/CTA, acordão de nº Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 10865.721355/201342 Acórdão n.º 1302002.010 S1C3T2 Fl. 1.575 3 0648.124, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em Curitiba, Paraná, conforme razões que passa a aduzir. O processo em referência e formado pelo Auto de Infração de n° 0811300.2012.00270, o qual abrange exigências a seguir: (...) A impugnação foi julgada improcedente com os mesmos argumentos utilizados para justificar a autuação, a saber: nos anoscalendário de 2009, 2010 e 2011 a empresa entregou "zeradas" as declarações do Imposto de Renda (DIPJ); foi intimada a empresa varias vezes e mantevese silente, o que autorizou o uso do arbitramento, que foi feito com base nos dados fornecidos ao Fisco estadual; a apresentação de declarações "zeradas" conduz o Fisco ao caminho da sonegação. A Recorrente entregou as declarações, sem movimento ou zeradas, para não ficar omissa no cumprimento dessa obrigação. E o fez simplesmente por problemas internos, ainda não superados. O principal problema é o de caixa, decorrente da desaceleração da economia. Se tem dificuldades para produzir, vender e receber, tem também dificuldades para manter os pagamentos em dia. E, se não consegue pagar em dia, também não pode fazer exigências. No momento atual, essa é a situação. Sonegação só existe na cabeça fiscalista dos agentes do Fisco, que não precisam quebrar essa cabeça para fazer seus pagamentos! Se sonegação fosse objeto do comportamento da empresa Recorrente, não teria fornecido ao Fisco estadual o montante das operações utilizado para o arbitramento desta autuação, pois sabe perfeitamente que os Fiscos se comunicam, já que não descuidam do disposto no artigo 199 do CTN. Com a fiscalização levada a efeito, a empresa conseguiu colocar em ordem a escrita fiscal, com os resultados a seguir discriminados, conforme documentação anexa: balanços e DIPJs. IRPJ Exercicio de 2009 Não há IRPJ a recolher Exercicio de 2010 Teve prejuizo de R$4.698.469,78 Exercicio de 2011 IRPF de R$33.580,57. Verificase que, somente no exercicio de 2011 houve imposto a recolher. COFINS Nos exercicios de 2009, 2010 e 2011 não há COFINS a recolher. PIS/PASEP Fl. 1581DF CARF MF 4 Nos exercícios de 2009, 2010 e 2011 não há PIS/PASEP a recolher. CSLL Exercício de 2009 não há CSLL a recolher Exercício de 2010 Teve prejuízo de R$R$4.698.469,78 Exercício de 2011 CSLL de R$ 22.390,80. Assim, a empresa cumpriu sua obrigação e não deve o montante de exigências lançadas no Auto de Infração. O Fisco não percebe ou faz que não percebe a exorbitante carga de documentos fiscais imposta ao contribuinte; documentos repetidos várias vezes. A documentação anexa a Impugnação é exemplo; deve pesar alguns quilos! Deve ressaltar ainda que não tem cabimento cálculo da multa na base 150%. Não há motivo para a exasperação e ademais tornase confiscatória e contraproducente. Se há dificuldade para recolher toda a carga normal, mas absurda, imposta as empresas, com mais razão será impraticável, difícil, cumprir as exigências com multa de 150%. A multa deve ser calculada na alíquota normal. Deve ser observado ainda que em questão de exigências fiscais, o que interessa é a verdade material ou real e não a formal. Isto posto, requer dignese V. S.a de receber, mandar processar e julgar o presente recurso para efeito de se desconstituir a autuação para que a empresa recolha somente o que e devido, nos termos já expostos.”. É o Relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto S. Jr.. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito pelo representante legal da recorrente, conforme Cláusula Décima do Contrato Social a fls. 718, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, ressalto que a recorrente reconhece em sua peça recursal que: a) que entregou DIPJ zeradas, quando alega que: “A Recorrente entregou as declarações, sem movimento ou zeradas, para não ficar omissa no cumprimento dessa obrigação...”; b) que sua escrita não estava regular, tanto que afirma que: “Com a fiscalização levada a efeito, a empresa conseguiu colocar em ordem a escrita fiscal...” e “A documentação anexa a Impugnação é exemplo; deve pesar alguns quilos!”; e c) que auferiu as receitas utilizadas pelo Fisco para arbitrar o lucro, pois confessa que os valores correspondem ao que foi informado ao Fisco estadual, conforme seguinte trecho: “Se sonegação fosse objeto do comportamento da empresa Recorrente, não teria fornecido ao Fisco estadual o montante das operações utilizado para o arbitramento desta autuação, pois sabe perfeitamente que os Fiscos se comunicam, já que não descuidam do disposto no artigo 199 do CTN”. Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 10865.721355/201342 Acórdão n.º 1302002.010 S1C3T2 Fl. 1.576 5 Assim, além de não aduzir qualquer argumento técnico de defesa, a recorrente termina por confessar fatos que demonstram a procedência do arbitramento do lucro. Com relação à multa qualificada, a recorrente se insurge, pois além do argumento citado na letra “c’do parágrafo acima, sustenta que: “Deve ressaltar ainda que não tem cabimento cálculo da multa na base 150%. Não há motivo para a exasperação e ademais tornase confiscatória e contraproducente”. Quanto à alegação de confiscatoriedade, cabe informar que, pela Súmula CARF nº 2, este Colegiado não tem competência para declarar inconstitucionalidade de lei, razão pela qual, estando previsto em lei o percentual de 150% em caso de qualificação da multa, esquivome de apreciar a questão. Além disso, a recorrente não tem razão na sua inconformidade, pois estamos diante de provas diretas de omissão de receitas, ou seja, receitas que eram oferecidas a tributação pelo Fisco Estadual e omitidas do Fisco Federal – fato confessado pelo recorrente em sua peça de defesa. É muito comum que contribuintes ofereçam receitas a tributação do Fisco Estadual – por ser ele mais presente – e omitam dolosamente do Fisco Federal, por saberem que sua estrutura não lhe permite acompanhar e controlar os contribuintes tão de perto como faz o Fisco estadual. Realmente, com o aprimoramento dos sistemas de troca de informações, tornase cada vez mais arriscada a conduta dolosa adotada pela recorrente. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1583DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720153/2013-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2008
OMISSÃO EM DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE.
É nula a decisão de primeira instância que se omite na apreciação de argumentos de defesa que, se procedentes, seriam suficientes, isoladamente ou em conjunto, para cancelar os lançamentos tributários.
Numero da decisão: 1302-002.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares de nulidade do auto de infração, e em ACOLHER a preliminar de nulidade do acórdão de primeiro grau por omissão na apreciação de questões essenciais apresentadas pela defesa. Designado o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior como redator ad hoc, para fins de formalização do acórdão, tendo em vista a renúncia da Conselheira Relatora Talita Pimenta Félix.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Redator Ad Hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa.
Nome do relator: TALITA PIMENTA FELIX
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NULIDADE. É nula a decisão de primeira instância que se omite na apreciação de argumentos de defesa que, se procedentes, seriam suficientes, isoladamente ou em conjunto, para cancelar os lançamentos tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares de nulidade do auto de infração, e em ACOLHER a preliminar de nulidade do acórdão de primeiro grau por omissão na apreciação de questões essenciais apresentadas pela defesa. Designado o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior como redator ad hoc, para fins de formalização do acórdão, tendo em vista a renúncia da Conselheira Relatora Talita Pimenta Félix. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Redator Ad Hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 01 53 /2 01 3- 77 Fl. 17052DF CARF MF 2 Designado como Redator Ad Hoc deste Acórdão, passo a discorrer sobre o relatório proferido pela Relatora, Conselheira Talita Pimenta Félix, na Sessão de Julgamento de 14 de fevereiro de 2017. TINTO HOLDING LTDA E OUTROS, recorrem do Acórdão nº. 12 64.912, proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro que, em sessão realizada em xxx, por maioriade votos, julgou improcedente as impugnações interpostas contra lançamento formalizado em 20/05/2013, no montante total de R$ 327.504.130,03. Nos termos do relatório produzido pela DRJ (fls. 16.494/16.538), segue: Trata o presente processo da exigência fiscal formulada contra à interessada acima identificada, por meio de lançamento de imposto sobre a renda da pessoa jurídica (IRPJ), contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), contribuição para o financiamento da seguridade social (Cofins) e contribuição para o programa de integração social (PIS), em valores respectivamente iguais a R$ 60.304.227,47, R$ 26.458.529,76, R$ 21.235.814,66 e R$ 4.610.407,13. O lançamento refere se ao ano calendário 2008. A multa de ofício foi qualificada para 150%. Autos de infração às fls. 13.187/13.221. No período, a interessada era tributada pelo regime do lucro real anual (fls. 13.255). O enquadramento legal empregado pela fiscalização consta do auto de infração. Há representação fiscal para fins penais autuada no processo administrativo n.º 15868.720152/201322, que segue em apenso. Fora consignado no termo de verificação de infração fiscal (TVF) de fls. 13.222/13.274 que a interessada incorreu nas seguintes infrações: 1. “CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS COMPROVAÇÃO INIDÔNEA DE DESPESAS ”, dando azo ao lançamento de IRPJ e CSLL, e correlata “INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA PADRÃO OMISSÃO DE RECEITA” sujeita a PIS e Cofins, dando azo ao lançamento dessas contribuições: • “Contabilização de despesas (custos) inidôneas no valor de R$ 123.000.000,00 para o ano de 2008 referentes à contrapartida às receitas referentes à escrituração de créditos presumidos do IPI em duplicidade vendidos à BASF S/A. O contribuinte fiscalizado "criou" ficticiamente despesas / custos no mesmovalor das receitas pela vendas dos créditos de IPI indevidosque efetuou à BASF S/A. Desta forma, esse lançamento corrigeesses custos indevidos, zerandoos, já que crédito de IPI(criado artificialmente) foi vendido pela Tinto Holding Ltda. Enão possuía custo algum que pudesse ser levado a registro nacontabilidade da pessoa jurídica e que fosse passível dededução para fins de IRPJ e CSLL ”. “Comprovou se que aescrituração dos créditos vendidos foram feitos em duplicidadeaos que já haviam sido escriturados pela Tinto Holding Ltda. Emanos anteriores, não havendo mais créditos presumidos de IPIque pudessem ter sido escriturados extemporaneamente pelaTinto Holding Ltda. em 2007, e comprovou segueforamvendidos à BASF S/A através de um contrato simulado decompra e venda de estabelecimento que na verdade se tratavade simples vendas de créditos indevidos. A comprovaçãodesses fatos se encontram no Fl. 17053DF CARF MF Processo nº 15868.720153/201377 Acórdão n.º 1302002.057 S1C3T2 Fl. 16.960 3 processoadministrativon°15868.000171/201096 referente ao estabelecimento da BASFS/A que se declarou detentor do crédito presumido do IPI, CNPJn° 48.539.407/003303. Esse processo possui dezenas devolumes, sendo que juntamos apenas os documentos queentendemos essenciais ”. “Todos os Autos de Infração lavradoscontra a BASF S/A (referentes a esses créditos vendidos)tiveram a Tinto Holding Ltda. como responsável solidária, e coma multa de ofício qualificada em 150% por conta da simulação.A BASF S/A efetuou o pagamento de todos Autos lavrados, edesta forma extinguiu o crédito tributário com a multaqualificada, sendo os processos administrativos definitivamenteextintos por pagamento. Tais créditos tributários contra a BASFS/A se referiam ao não pagamento de tributos por ela devidos,pois foram utilizados os créditos indevidos como dedução oucompensação. Já o lançamento que estamos efetuando nestemomento, tendo como sujeito passivo a Pessoa Jurídica quevendeu tais créditos indevidos, se refere à glosa de despesas/indevidamenteem custos gue a Tinto Holding Ltda. Registrousua escrituração e que acabou por "anular" no resultado as receitas escrituradas por ela, não havendo gue se falar em bis in idem. ”;“Contabilização de despesas (custos) inidôneas no valor de R$ 156.418.614,00 para o ano de 2008 referentes à contrapartida às receitas referentes a escrituração de créditos de ICMS indevidamente vendidos à BASF S/A. Podemos fazer uma comparação à infração anterior, pois o sujeito passivo também criou artificialmente despesas / custos no mesmo valor das receitas pela vendas dos créditos de ICMS indevidos que efetuou à BASF S/A. O lançamento ora efetuado corrige esses custos indevidos, zerandoos, já que crédito de ICMS (criado artificialmente) foi vendido pela Tinto Holding Ltda. e não possuía custo algum que pudesse ser levado a registro na contabilidade da pessoa jurídica e que fosse passível de dedução para fins de IRPJ e CSLL. Ao mesmo tempo a Tinto Holding Ltda. também transferiu despesas para a Bertin S/A em 2008 (vide planilha 39), e essas despesas foram ( 1º , 2° e 3ºtrimestres' de 2008 – processo administrativo n° 15868.72062/201331) ou serão glosadas (4o trimestre de 2008) na Bertin S/A através de Autos de Infração . Entretanto para a Tinto Holding Ltda. tais despesas deixaram de ser consideradas em sua escrituração, e seus valores foram compensados de ofício em relação às infrações apuradas (R$ 4.941.593,88), vide Planilha 40, obs. 07 e 13 e tabela 12. Portanto esta infração foi extinta parcialmente por compensação de ofício no próprio lançamento, juntamente com o crédito compensado ” 2. “FALTA DE ADIÇÃO AO LUCRO REAL DE VALOR DE RESERVA DE REAVALIAÇÃO R$ 26.608.083,13 PARA O ANO 2008”, dando azo ao lançamento de IRPJ e CSLL: “A Tinto Holding Ltda. estornou parte do valor de reserva de reavaliação e intimada não comprovou que tal estorno era devido. Como já foi dito há despesas transferidas da Tinto Holding Ltda. para a Bertin S/A em 2008 que serão desconsideradas por esta fiscalização e serão glosadas em quem se aproveitou indevidamente (Bertin S/A), mas para a Tinto Holding Ltda. tais despesas deixaram de ser consideradas em sua escrituração, e seus valores foram compensados de ofício em relação às infrações apuradas (R $ 26.608.083,13), vide Planilha 40, obs. 04 e tabela 12. Portanto esta infração foi extinta por compensação de ofício no próprio lançamento, juntamente com o crédito compensado ” 3. “DESPESAS NÃO COMPROVADAS R$ 120.422,14 PARA O ANO 2008 ”, dando azo ao lançamento de IRPJ e CSLL: “A Tinto Holding Ltda. escriturou Fl. 17054DF CARF MF 4 despesas a partir de contas de ativos bancários da Bertin S/A, vide planilha 12. Intimada não comprovou que tais despesas eram dedutíveis, foram glosadas e adicionadas ao resultado. Como já dissemos anteriormente houve despesas da Tinto Holding indevidamente transferidas para a Bertim S/A e essas despesas deixaram de ser consideradas em sua escrituração, e os seus valores foram compensados de ofício em relação às infrações apuradas (R$ 120.422,14), vide Planilha 40, obs. 05 e tabela 12. Portanto esta infração foi extinta por compensação de ofício no próprio lançamento, juntamente com o crédito compensado ”. 4. “FALTA/INSUFICIÊNCIA DE ADIÇÕES À BASE DE CÁLCULO AJUSTADA DA CSL IMPAIRMENT DE ÁGIO SOBRE INVESTIMENTO E AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO S/ DIFERIDORESULTANTES DOS NOVOS MÉTODOS CONTÁBEIS R$ 22.513,08 PARA O ANO 2008 ”, dando azo ao lançamento de CSLL: “A Tinto Holding Ltda. adicionou na apuração do Lucro Real o valor da conta IMPAIRMENT DE ÁGIOS /INVESTIMENTOS conta n° 911050000010203, mas não a adicionou para fins de CSLL. Essas despesas se tratam de ajustes das novas alterações contábeis ocorridas a partir de 2007, com vigência a partir de 2008, e intimada a Tinto Holding Ltda. não comprovou que tal estorno era devido, e adicionamos tal valor a base de cálculo da CSLL. Visto ter sido adicionado corretamente no IRPJ, há correlação com ele ”. “O Impairment de ágio se refere a novos critérios contábeis adotados a partir de 2008, com as alterações ocorridas na Lei das S/A em 2007. Desta forma o correto seria a sua adição na linha do RTT, mas a Tinto Holding Ltda . o adiconou para fins de IRPJ como amortização de ágio, mas não fez a mesma adição para fins da CSLL, que também corrigimos através deste lançamento. ”. 5. “EXCLUSÕES INDEVIDAS DA BASE DE CALCULO AJUSTADA DA CSLL EXCLUSÕES INDEVIDAS R$ 19.698.800,00 PARA O ANO 2008”, dando azo ao lançamento de CSLL: “A Tinto Holding Ltda. excluiu da base de cálculo da CSLL R$ 139.698.800,00. e intimada informou que R$ 120.000.000,00 seriam "créditos prêmios de IPI", mas quanto ao restante não apresentou qualquer justificativa / comprovação documental de sua dedutibilidade, e adicionamos a base de cálculo da CSLL. Para fins de IRPJ a exclusão foi de R$ 120.000.000,00, portanto houve uma exclusão a maior na CSLL que no IRPJ. Visto ter sido adicionado no IRPJ, há correlação com ele ”. A fiscalização registrou ainda que: “A responsabilidade solidária da Heber Participações S/A se baseia no artigo 124, inciso I do CTN (interesse comum), e se deu por ter a Tinto Holding Ltda. cometido fraude contábil com a criação de contas com custos indevidos (IRPJ e CSLL), e simulado a venda de estabelecimento sem oferecer à tributação as receitas do PIS e da Cofins, todos com evidente intuito de fraudar o pagamento dos tributos devidos. Como a Heber Participações S/A foi quem se beneficou com referidas fraudes pois era a sócia majoritária (99,99% das quotas) à época, e além disso ela se beneficiou com as distribuições de lucro da Tinto Holding Ltda. ficha 38 da DIPJ do ano 2008. Com a não contabilização correta dos tributo devidos a Heber Participações S/A se beneficou de um patrimônio indevido a maior na Tinto Holding Ltda. e em consequência de uma equivalência maior que a devida. Como os sócios (pessoas físicas ou jurídicas) são também os beneficiários, os representantes, os presidentes e administradores da Tinto Holding Ltda. e da Heber Participações S/A também devem responder solidariamente pelos tributos devidos pela Tinto Holding Ltda. com base no artigo 135, incisos I e III do CTN, em especial pela infração às leis tributárias . Eles são os outros beneficiários das fraudes perpetradas na Tinto Holding* Ltda. e são eles que devem responder pelo crime contra a ordem tributária, juntamente com o responsável pela escrituração contábil da Tinto holding Ltda. e quem preencheu a DIPJ do período com informações falsas. ”. Dessa forma, foram lavrados termo de sujeição passiva, relativamente às infrações apuradas, contra: • Heber Participações S. A (fls. 13.311/13.315); Fl. 17055DF CARF MF Processo nº 15868.720153/201377 Acórdão n.º 1302002.057 S1C3T2 Fl. 16.961 5 • JBS S.A (fls. 13.316/13.321); • Natalino Bertin (fls. 13 .322/13.326); • Reinaldo Bertin (fls. 13.322/13.326); • Silmar Roberto Bertin (fls. 13.322/13.326); • João Bertin Filho (fls. 13.322/13.326); • Fernando Antônio Bertin (fls. 13.322/13.326). Os sujeitos passivos foram cientificados da autuação conforme o seguinte: em 22/05/2013 (fls. 13.360/13.361), Natalino, Reinaldo, Silmar, João, Fernando e Heber; em 23/05/2013, fls. 13.359 e 13.362, a interessada e a JBS. Irresignada, a interessada interpôs, em 20/06/2013, as impugnações de fls . 13.582/13.654 (IRPJ), 15.378/15.621 (CSLL, Cofins e PIS), nas quais, em síntese, alegou o seguinte: • que o lançamento é nulo por contrariar a Portaria SRRF08/GAB nº 21/2011, instrumento pelo qual teria sido criado grupo de fiscalização da DRF/Araçatuba para fiscalizarem a interessada e a JBS, mas não a BASF S .A. “Todavia, nos termos dos documentos anexados no Auto de Infração, se depreende terem os referidos Auditores Fiscais realizados procedimentos fiscais relacionados a BASF S/A e utilizados inúmeras informações envolvendo esta empresa fundamentarem o lançamento tributário ora contestado. Considerando isto, o Lançamento Tributário é nulo, porque foi baseado em informações e procedimentos fiscais realizados de forma ilícita pelos referidos Auditores Fiscais, ao promoverem procedimentos fiscais relacionados a BASF S/A sem possuírem os devidos poderes outorgados” • que “o Auto de Infração é nulo nos termos do artigo 59, inciso I do Decreto n° 70.235/72, porque a DRF/Araçatuba e os AFRFsautuantes à ela vinculados não possuem competência para constituir crédito tributário (... ). Tal competência é privativa da DRF/São Paulo e dos servidores à ela vinculados, por ser o IRPJ um tributo cujas questões fiscais devem ser realizadas por fiscais com jurisdição no domicílio fiscal da empresa que no caso da IMPUGNANTE está no Município de São Paulo, Capital. Deve ser ressaltado, outrossim, não ter a Portaria SRRF08/GAB n° 21/2011 outorgado esta competência, especialmente porque não seria possível tal delegação como estabelece o artigo 13, inciso III da Lei Ordinária n° 9.784/99”; • que “o Auto de Infração também merece ser cancelado, por não terem sido desrespeitados os termos do MPF F que lhe deu origem. A nulidade de todo o trabalho fiscal decorre da inobservância dos termos do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização, porque conforme demonstra o texto do Mandado, a fiscalização deveria ter sido realizada no estabelecimento da IMPUGNANTE localizado no Município de São Paulo, Capital e pela Delegacia da Receita Federal com jurisdição em São Paulo, ou seja, a DRF/São Paulo. Todavia, conforme consta em vários dos Termos de Intimação, a fiscalização foi realizada pela DRF/Araçatuba e com a obrigação de apresentação de documentos fiscais naquela repartição, como Fl. 17056DF CARF MF 6 algo jamais autorizado no MPF F relacionado ao contestado Lançamento. Demais disso, não existiu delegação de competência da DRF/São Paulo para a DRF/Araçatuba”; • que “o Auto de Infração também é nulo, porque por terem sido incluídos como responsáveis solidários do crédito tributário 2 (duas) pessoas jurídicas e várias pessoas físicas os trabalhos fiscais, que culminaram no Lançamento, também deveriam estar respaldados por Mandados de Procedimento Fiscal específicos para cada uma das referidas pessoas. Tais responsáveis tributários são, como a IMPUGNANTE, sujeitos passivos do crédito tributário constituído no contestado Lançamento, como estabelece o Artigo 121, Incisos I e II do CTN”; • que “o Auto de Infração é nulo por contrariar a Coisa Julgada Administrativa originada dos Lançamentos Tributários lavrados em face da BASF S/A e contra a IMPUGNANTE, na condição de responsável tributária, pagos integralmente pela primeira conforme indicado pela fiscalização no TERMO DE VERIFICAÇÃO E INFORMAÇÃO FISCAL anexado neste processo. Como a BASF S/A efetuou o pagamento de todos os Autos de Infração e nos mesmos foram indicados, apenas, como responsável tributária a IMPUGNANTE, pelos mesmos fatos originários descritos no Lançamento ora contestado simulação de contrato, transferência e uso indevido de créditos fiscais jamais a fiscalização poderia, em outra oportunidade, ter incluído como responsáveis tributários a HEBER S/A, a JBS S/A e as PESSOAS FÍSICAS citadas acima. Ora, considerando estarem presentes as mesmas circunstâncias fáticas para a realização da responsabilização tributária, a partir do momentoque em outro Lançamento derivado dos mesmos fatos somente foi incluída como responsável a IMPUGNANTE, não mais existe a possibilidade da acusação fiscal, repita se, derivada dos mesmos fatos originários gerar a responsabilização de outras pessoas como aconteceu nestes autos. Justamente por isto, o Auto de Infração é nulo por não ter observado a Coisa Julgada Administrativa”; • que “a presente IMPUGNAÇÃO também merece ser provida para cancelar o contestado Lançamento em razão da precariedade da acusação fiscal porque, considerando não ser procedentes os argumentos defendidos no Tópico 11.1.1, diante de todas as circunstâncias envolvendo o caso, a fiscalização deveria ter intimado a BASF S/A e a KPMG AUDITORES INDEPENDENTES (incorporadora da BDO TREVISAN) para prestarem esclarecimentos considerando terem sido de seus atos a motivação para a IMPUGNANTE realizar o negócio jurídico previsto no contrato citado nestes autos. Em relação a BASF S/A, conforme comprovou a própria fiscalização nos TERMOS anexados no Auto de Infração, a mesma formulou em 18/03/2003 uma CONSULTA FISCAL à RFB acerca do negócio jurídico envolvendo a aquisição de estabelecimento comercial da IMPUGNANTE e do direito ao aproveitamento de créditos fiscais do IPI”; • que “a IMPUGNANTE é pessoa ilegítima para figurar na condição de sujeito passivo do lançamento realizado no AIIM, porque se efetivamente existiram as irregularidades indicadas pela fiscalização e até motivadoras oa aplicação da MULTA QUALIFICADA os causadores das mesmas foram apenas a BASF e a KPMG (incorporadora da BDO Trevisan) . Como restou demonstrado acima, a IMPUGNANTE somente realizou o negócio jurídico em razão da SOLUÇÃO DE CONSULTA formulada pela BASF, pela decisão do CADE e pelo Pareceremitido pela BDO TREVISAN, não existindo a possibilidade deresponder por crédito tributário decorrente de eventuais irregularidades que não deu causa, caso existentes. Por não ter praticado Fl. 17057DF CARF MF Processo nº 15868.720153/201377 Acórdão n.º 1302002.057 S1C3T2 Fl. 16.962 7 nenhum ato irregular e observado até o posicionamento da fiscalização em SOLUÇÃO CONSULTA emitida para a BASF, o posicionamento do CADE e Pareceres de Auditoria Independente, não pode a IMPUGNANTE ser responsabilidade por faltar o nexo de causalidade exigido pelo Artigo 136 do Código Tributário Nacional (...)Da mesma forma, a impossibilidade da IMPUGNANTE ser responsabilizada também encontra fundamento no Artigo 137 do CTN”; • que “o Auto de Infração também merece ser cancelado porque, caso não sejam procedentes os argumentos defendidos no tópico anterior, ainda assim a fiscalização deveria ter incluído como responsáveis solidários a BASF S/A e a KPMG AUDITORES INDEPENDENTES. Nos termos expostos alhures, a BASF S/A foi a empresa que obteve da fiscalização a SOLUÇÃO CONSULTA posteriormente cancelada pela Superintendência da RFB, em razão de atos próprios praticados por sua pessoa, e a KPMG é a empresa que incorporou a BDO TREVISAN com aquela que emitiu os Pareceres envolvendo os créditos fiscais do IPI e do ICMS objeto do negócio jurídico firmado em 2008. Considerando tais circunstâncias, tais empresas são responsáveis tributários por interesse comum nos termos do Artigo 124, Inciso I do CTN, juntamente com a IMPUGNANTE, porque as questões envolvendo o lançamento possuem relação direta com atos praticadas por estas 2 (duas) empresas . Quanto a BASF S/A, aliás, a própria fiscalização comprova esta vinculação, ao ter incluído a IMPUGNANTE como responsável solidária nos Autos de Infração lavrados contra esta empresa porque ambas teriam praticado uma simulação no contrato de compra e venda de estabelecimento. Como a inclusão não foi realizada, o Auto de Infração impugnado é nulo por ofender o autoridades fiscais ao constituírem o crédito tributário no lançamento devem identificar o sujeito passivo, se incluindo neste os contribuintes e responsáveis conforme demonstra o artigo 121 do mesmo Código, como atividade vinculada e obrigatória sob pena de responsabilidade funcional”; • que “a presente IMPUGNAÇÃO também deve ser provida porque o Auto de Infração está viciado por ter quebrado o sigilo fiscal da IMPUGNANTE sem prévia autorização judicial. Esta quebra de sigilo fiscal aconteceu em relação ao crédito fiscal do ICMS, porque os Auditores Fiscais da RFB, sem prévia autorização judicial, solicitaram e receberam da SEFAZ/SP informações fiscais da IMPUGNANTE e da BASF envolvendo o ICMS protegidas por sigilo fiscal conforme se depreende dos anexos do Auto de Infração. Em razão disto, os procedimentos fiscais envolvendo o crédito fiscal do ICMS ofenderam o artigo 5º, incisos X e XII da Constituição Federal de 1988. • que “no Auto de Infração impugnado, o AFRF realizaram (sic) a constituição do crédito tributário do IRPJ [CSLL, PIS, Cofins]. Em razão disso, para a validade do lançamento tributário seria imprescindível que no Auto de Infração o AFRF demonstrasse os fundamentos jurídicos do lançamento desse tributo, especialmente os dispositivos que estabelecem ser a Impugnante sujeito passivo, bem como os relativos a base de cálculo e alíquotas utilizadas para a apuração do quantum debeatur supostamente devido aos cofres públicos.” ; • que “o Auto de Infração também deve ser cancelado, porque os Auditores Fiscais desconsideraram ter sido realizado entre a IMPUGNANTE e a BASF uma permuta de bens abrangendo grande parte do valor objeto do Fl. 17058DF CARF MF 8 CONTRATO assinado no dia 26/05/2008, ou seja, créditos fiscais do IPI e do ICMS versusprodutos e direito creditório abrangendo um montante de R$209.418. 614,00 (duzentosenovemilhões, quatrocentosdezoito mil, seiscentos e quatorze reais) e ainda ter ocorrido uma venda de ativos sem a existência de ganho de capital e acréscimo patrimonial. Com esta desconsideração a fiscalização deixou de fundamentar juridicamente e taticamente o lançamento com as regras e circunstâncias envolvendo a permuta de bens e a venda de ativo, mormente aquela que somente permite a tributação sobre a chamada torna, o eventual ganho de capital auferido e acréscimo patrimonial existente. Deve ser ressaltado, outrossim, não ser possível se falar no caso em dação em pagamento, porque a permuta foi estabelecida de forma originária no próprio CONTRATO, não tendo existido obrigação inicialmente existente substituída por outra como elemento essencial daquele negócio jurídico nos termos do Artigo 356 do Código Civil. Como se não basta isto, também existiu erro de direito por ter a fiscalização considerado como fato gerador do tributo o dia 26/05/2008, como data de assinatura do CONTRATO, desconsiderando totalmente a previsão contratual da entrega parcelada dos produtos e dos valores em espécie realizados após esta data e a grande parte (quase totalidade) a partir do dia 1° de janeiro de 2009 abrangendo outra competência fiscal para fins do IRPJ e a própria legislação do IRPJ considerando o lucro real anual da IMPUGNANTE. ”; • que “a presente Impugnação também merece ser cancelada (sic) porque os Auditores Fiscais não provaram ter ocorrido simulação ou qualquer ato ilícito por parte da IMPUGNANTE, bem como a inexistência dos créditos fiscais do IPI e do ICMS.Conforme se depreende dos anexos documentos, a única prova realizada pela fiscalização foi a de estar a validade da operação realizada entre a IMPUGNANTE e a BASF baseada em SOLUÇÃO DE CONSULTA FISCAL emitida pela RFB, decisão do CADE aprovando especificadamente a operação e outrosdocumentosatestado a regularidade do negócio e atos praticados pelas 2 (duas) empresas, bem como ter a empresa, apresentado inúmeras razões demonstrando a existência dos créditos sem ter sido realizado uma contestação específica e análise de valores. ”; • que “o Auto de Infração também deve ser considerado nulo porque os AFRFs cientificaram a Impugnante do seu teor sem apresentarem seus anexos e todo o material que fundamentou a sua elaboração na data da intimação da empresa. Este procedimento ofendeu flagrantemente o artigo 9o do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972”; • que “o Auto de Infração também deve ser cancelado em razão da perda de eficácia do Termo de Início da Ação Fiscal. Este Termo teve validade pelo prazo de 60 (sessenta) dias, salvo se dentro deste período tivesse sido prorrogado por ato escrito, nos termos do Artigo 7o , §2° do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972”; • que “a presente Impugnação também merece ser provida porque a Impugnante não foi intimada previamente para se manifestar sobre o encerramento da fase instrutória os trabalhos fiscais que ao final culminaram na glosa de custos geradora do presente Auto de Infração. Este direito está previsto no artigo 44 da Lei n° 9.784/99, que exigem a intimação do interessado do fim da fase instrutória do processo fiscal para fins de exercer o seu direito de se manifestar sobre o mesmo no prazo de 10 (dez) dias”; • que “o Auto de Infração ainda é nulo por ter realizado a compensação de ofício indicada no TERMO DE VERIFICAÇÃO na forma indicada abaixo: Fl. 17059DF CARF MF Processo nº 15868.720153/201377 Acórdão n.º 1302002.057 S1C3T2 Fl. 16.963 9 "INFRAÇÃO 0002 FALTA DEADIÇÃOAOLUCROREALDEVALORDERESERVADE REAVALIAÇÃO R$ 26.608.083,13 PARA O ANO 2008 A Tinto Holding Ltda. estornou valor de reserva de reavaliação eintimada não comprovou que tal estorno era devido, e adicionamos ao Lucro Real o valor estornado. Entretanto a Tinto Holding Ltda. também transferiu despesas para a Bertin S/A em 2008 (vide planilha 39), e essas despesas foram (1o , 2° e 3o trimestres de 2008 – processo administrativo n° 15868.72062/201331) ou serão glosadas (4o trimestre de 2008) na Bertin S/A através de Autos de Infração, as para a Tinto Holding Ltda. tais despesas deixaram de ser consideradas em sua escrituração, e seus valores foram compensados de ofício em relação às infrações apuradas (R$ 26.608.083,13), vide Planilha 40, obs. 04 e tabela 12. Portanto esta infração foi extinta por compensação de ofício no próprio lançamento, juntamente com o crédito compensado; INFRAÇÃO 0003 DESPESAS NÃO COMPROVADAS R$ 120.422,14 PARA O ANO 2008 A Tinto Holding Ltda. escriturou despesas a partir de contas de ativos bancários da Bertin S/A, vide planilha 12, mas intimada não comprovou que tais despesas eram dedutíveis, foram glosadas e adicionadas ao resultado. Entretanto a Tinto Holding Ltda. também transferiu despesas para a Bertin S/A em 2008 (vide planilha 39), e essas despesas foram ( 1 o , 2o e 3o trimestres de 2008 processo administrativo n° 15868.72062/201331) ou serão glosadas (4º trimestre de 2008) na Bertin S/A através de Autos de Infração, mas para a Tinto Holding Ltda. tais despesas deixaram de ser consideradas em sua escrituração, e seus valores foram compensados de ofício em relação às infrações apuradas (R$ 120.422,14), vide Planilha 40, obs. 05 e tabela 12. Portanto esta infração foi extinta por compensação de ofício no próprio lançamento, juntamente com o crédito compensado;". Esta compensação jamais poderia ter sido realizado uma vez que deveria ser objeto de outro Lançamento ou do Lançamento ora contestado, não podendo ser apenas indicado no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL especialmente por não existir descrição de sua fundamentação legal. ”; • que “o Auto de Infração também merece ser cancelado, porque existiu, na realidade, um arbitramento irregular do tributo lançado ofendendo o artigo 148 do CTN. O arbitramento irregular existiu uma vez que a fiscalização desconsiderou na apuração do crédito tributário a necessária recomposição dos elementos necessários para se apurar a existência do tributo devido como outras despesas, custos e elementos previstos na legislação, simplesmente considerando como base de cálculo os próprios valores dos créditos fiscais do IPI e d o ICMS. Este procedimento jamais poderia ter sido realizado, porque não estão presentes as condições previstas no artigo 148 do CTN, ocasionando a nulidade do lançamento. Por sua vez, conforme se depreende do Auto de Infração, o lançamento foi realizado por amostragem demonstrando uma precariedade levantamento fiscal gerador de sua nulidade; • que “o Auto de Infração merece ser cancelado porque, conforme comprovam documentos juntados nestes autos, vários registros relacionados aos créditos fiscais do IPI e do ICMS foram realizados antes do dia 26/05/2008, não podendo mais serem objeto de fiscalização e consideração para fins de constituição de crédito tributário por força do Artigo 150, §4° do CTN. ”; • que “o Auto de Infração é nulo, porque admitindo como válido o posicionamento da fiscalização de ser ilícito o objeto do negócio jurídico Fl. 17060DF CARF MF 10 firmado entre a BASF e a IMPUGNANTE em 2008, a consequência inafastável seria a inexistência de Valor Tributável correspondente ao valor dos créditos fiscais do IPI e do ICMS no montante de R$ 279.418.614,00 (duzentos e setenta e nove milhões, quatrocentos e dezoito mil e seiscentos e quatorze centavos). Conforme o posicionamento fiscal demonstrado nos TERMOS e demais documentos anexados nestes autos, a BASF e a IMPUGNANTE realizaram um negóciojurídico considerado ilegal e ilícito pela RFB, cujo entendimentofundamentou toda a autuação fiscal, porque a legislação veda a transferência de créditos fiscais, as empresas realizaram uma simulação e teriam criado estabelecimentos inexistentes (sem operações) fraudando diversas disposições legais. Considerando a ilicitude do objeto do negócio jurídico, repita se, como entendeu a RFB na fundamentação do Auto de Infração e para aplicação da MULTA QUALIFICADA de 150%, o contrato firmado entre a BASF e a IMPUGNANTE seria nulo nos termos do Artigo 166, Incisos II, III, VI e VII do Código Civil”; • que “a inexistência de receita, acréscimo patrimonial e Valor Tributável correspondente aos montantes dos créditos fiscais do IPI e ICMS objeto do contrato assinado com a BASF também é resultando do posicionamento fiscal de serem indevidos tais créditos por terem sido supostamente registrados pela IMPUGNANTE em duplicidade e não aceitos, pela SEFAZ/SP para fins do negócio jurídico indicado acima. Considerando a validade deste posicionamento, evidentemente, do mesmo modo, não existirão receitas deles derivadas, porque sendo estas vinculadas àqueles a inexistência dos mesmos gera o seu inafastável desaparecimento porque a IMPUGNANTE não auferirá vantagem, acréscimo ou recebimento no seu patrimônio sem que tenha que devolver ou ressarcir a BASF de tais montantes. Com efeito, tais circunstâncias demonstram mais um motivo para o cancelamento do Auto de Infração, por não estarem presentes os elementos necessários para ser exigido o IRPJ [CSLL, PIS, Cofins] sobre o valor relacionado ao montante dos créditos fiscais do IPI e do ICMS objeto do contrato assinado entre a IMPUGNANTE e a BASF .”; • que “o Auto de Infração também é nulo porque, sem considerar as questões descritas acima, a fiscalização deixou e considerar que a IMPUGNANTE jamais auferiria GANHO DE CAPITAL,TORNAouacréscimospatrimonialdecorrentedocontrato firmado com a BASF impossibilitando a exigibilidade do IRPJ [CSLL, PIS, Cofins]. Conforme consta no contrato, os créditos fiscais do IPI e do ICMS de R$ 279.418. 614,00 (duzentos e setenta e nove milhões, quatrocentos e dezoito mil, seiscentos e quatorze reais) seriam pagos mediante: i) Permuta de produtos fabricados pela BASF destinados ao processo produtivo de couros e carnes a serem entregues para empresas listadas no CONTRATO DE FORNECIMENTO e indicadas pela IMPUGNANTE, em um período estimado de 3 (três) anos, no valor de R$ 176.418. 614,01 (cento e setenta e seis milhões, quatrocentos e dezoito mil, seiscentos e quatorze reais e um centavos); ii) Permuta do direito creditório da BASF perante a empresa XINGULEDER no valor de R$ 33. 000.000,00 (trinta e três milhões de reais) mediante a cessão; e iii) Pagamento Parcelado em espécie pela BASF no valor de R$ 70.000.000,00 (setenta milhões de reais) em 24 (vinte e guatro) parcelas, vencendose a primeira parcela a partir do ano de 2010. Considerando isto, nenhum acréscimo patrimonial, nenhum plus, nenhum ganho de capital ou torna seriam originados em favor da IMPUGNANTE do negócio jurídico firmado com a BASF, porque seriam trocadas coisas do mesmo valor, sem qualquer efeito para fins de existir tributos, especialmente IRPJ [CSLL, PIS, Cofins] somente passível de ser exigido em face de um acréscimo pntrimonial do contribuinte. ”que “a presente Impugnação Fl. 17061DF CARF MF Processo nº 15868.720153/201377 Acórdão n.º 1302002.057 S1C3T2 Fl. 16.964 11 também merece ser provida, porque admitindo a validade do posicionamento fiscal de ter existido, realmente e apenas, uma venda de créditos fiscais doIPI e do ICMS jamais seriam derivadas deste negócio receitas para fins de exigibilidade do tributo ora contestado. (...) Com efeito, a transferência pela venda dos créditos fiscais do IPI e do ICMS indicados no Auto de Infração nunca gerará receitas para a IMPUGNANTE porque representa uma forma de se ressarcir da COFINS, da Contribuição para o PIS e do ICMS, naforma das referidas disposições constitucionais e legais, respectivamente. Esta situação é similar a que vem sendo aplicada no âmbito da COFINS e da Contribuição para o PIS em relação ao ICMS, pelo não reconhecimento de receita derivada dos supracitados atos” ; • que “o Auto de Infração também merece ser cancelado porque, sem considerar os argumentos descritos acima, a operação realizada entre a IMPUGNANTE e a BASF foi totalmente lícita não existindo nenhuma irregularidade passível de ser considerada. Em relação a inexistência de simulação, este juízo deve considerar ter a IMPUGNANTE realizado o negócio considerando os termos da resposta da CONSULTORIA TRIBUTARIA indicada na SOLUÇÃO DE CONSULTA SRRF/83 RF/DISIT n° 195/2003 e do julgamento realizado no CADE, os quais analisarem o negócio tratado nestes autos e foram apresentadas todas as razões econômicas do negócio jurídico realizado abrangendo inúmeras circunstâncias e não apenas uma suposta transferência de créditos fiscais. Deve ser considerado ser uma inverdade de que a referida SOLUÇÃO CONSULTA não teria analisado especificadamente a guestão envolvendo os créditos presumidos do IPI e demonstrando avalidade do negócio jurídico realizado, também sendo aplicável no âmbito do ICMS, porque se depreende da análise do seu texto ter sido a questão envolvendo os créditos e as Leis n°s 9.363/96 e 10.276/2001 analisadas em face da legislação societária e tributária, mormente os artigos 227 da Lei n° 6.404/76 e 132 do CTN demonstrando razões fáticas e jurídicas da inexistência de simulação e validade e legalidade da operação realizada como motivos para o cancelamento da autuação fiscal. ”; • que “desconsiderando a nulidade e cancelamento doCONTRATOconsiderandooposicionamentofiscal,estãopresentes todas as razões para a validade da contabilização dos custos/despesas nos montantes equivalentes aos créditos fiscais do IPI e do ICMS”; que “o Auto de Infração também é nulo porque, sem considerar as questões descritas acima, a fiscalização deixou e considerar que a IMPUGNANTE também jamais auferiria receita tributável no contrato firmado com a BASF porque com a revogação implementada pelo artigo 79, inciso XII da Lei n° 11.941/2009 passou a vigorar, para fins de COFINS, o conceito de receita bruta previsto no artigo 12 do DecretoLei n° 1.598/77 que—não estabelece a hipótese prevista no Auto de Infração como fato gerador do tributo. Além disto, conforme demonstrado alhures, existiu uma efetiva venda de ativo imobilizado cujas receitas são excluídas da base de cálculo da CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS [Cofins] nos termos de sua legislação específica. E, como se não se bastasse, considerando serem as receitas derivadas de negócios realizados com o exterior, objetivando o ressarcimento dos custos da COFINS, da Contribuição para o PIS e do ICMS, se as mesmas fossem existentes, ainda existiria a Imunidade das receitas decorrentes de exportação e a impossibilidade da cobrança nos termos do artigo 149, parágrafo 2o , inciso I da Constituição Federal de 1988 e artigo 1 o, Fl. 17062DF CARF MF 12 parágrafo 3o , inciso I da Lei Ordinária n° 10.833/2003 [Cofins]” “e legislação da Contribuição para o PIS.”; • que “o Auto de Infração também deve ser cancelado por ter sido irregular aplicar o Regime de Competência, e não o de Caixa, em relação às questões nele envolvidas. Isto porque, caso fosse admitida a existência de receitas, sem observar os termos expostos alhures, para a IMPUGNANTE não teria recebido nenhum valor no dia 26/05/2008 indicando como data do fato gerador do IRPJ. Tal fato se comprova nos anexos documentosjuntadosnestaImpugnaçãoenopróprioAutodeInfração porque, neste dia, não recebeu, em razão do contrato, nenhum montante e no dia 26/05/2008 somente foi realizada a assinatura do referido instrumento, não sendo possível aplicar ao caso do Regime de Competência pela inexistência de fundamentação legal. Por sua vez, considerando os termos do CONTRATO e sua validade jurídica (eficácia), nunca os Auditores Fiscais poderiam ter vislumbrado a exigibilidade do IRPJ [CSLL, PIS, Cofins] no ano calendário de 2008, porque praticamente toda a contrapartida contratualmente da BASF deveria ser realizada a partir do ano de 2009” ; • que “não ser [é] procedente o posicionamento dos Auditores Fiscais de não existir bis in idem ou bitributação em razão de terem sido lavrados Autos de Infração contra a BASF figurando a IMPUGNANTE como responsável tributária. Conforme o TERMO DE VERIFICAÇÃO E INFRAÇÃO FISCAL, os Auditores defenderam não existir o supracitado vício porque enquanto naqueles outros Autos de Infração a origem foi a compensação dos créditos fiscais do IPI com os débitos tributários da BASF, sendo exigidos estes débitos compensados, no presente Lançamento a constituição do crédito tributário é decorrente à glosa de despesas/custos registradas pela IMPUGNANTE em sua escrituração acabando por "anular" o resultado das receitas escrituradas derivadas da venda ilícita dos créditos fiscais . Todavia, máxima vénia concessa, o posicionamento fiscal é equivocado, porque em ambos os Lançamentos o fato gerador da acusação fiscal está relacionado diretamente com os créditos fiscais do IPI, que por terem sido glosados nos Autos de Infração da BASF não podendo mais serem usufruídos, não podem ser considerados como geradores de receite para a IMPUGNANTE. Com efeito, a exigibilidade de tributo derivada de ato praticado em razão dos créditos fiscais do IPI, somente poderia ser realizado contra a BASF, por ter efetivamente utilizado osmesmos em compensação, não podendo ser exigido tributo derivado destes mesmos créditos porque os mesmos haviam sido anteriormente glosados e deles não surgiria qualquer efeito jurídico garantidor da exiguidade de exação fiscal. No máximo, a IMPUGNANTE poderia ter sofrido um Auto de Infração com a aplicação de multa por ter registrado os mencionados créditos fiscais do IPI e transferido para a BASF, todavia, jamais, considerando terem sido os mesmos glosados em anteriores Lançamentos e com a exigibilidade de tributos em razão de sua utilização, poderia ser compelida a pagar o IRPJ [CSLL, PIS, Cofins] da forma ora contestada. Esta mesma situação ocorreu para os créditos fiscais do ICMS, porque também foram glosados pela SEFAZ/SP e os débitos compensados foram pagos pela BASF nos termos dos anexos documentos. ”; • que “o Auto de Infração também deve ser reformado por ter aplicado contra a IMPUGNANTE a multa agravada de 150% (cento e cinqüenta por cento). Como restou demonstrado alhures, a IMPUGNANTE realizou o negócio jurídico com a BASF considerando a resposta da CONSULTORIA TRIBUTÁRIA, do PARECER emitido pela BDO TREVISAN, o julgamento do CADE analisando a operação e as questões envolvendo os créditos fiscais, Fl. 17063DF CARF MF Processo nº 15868.720153/201377 Acórdão n.º 1302002.057 S1C3T2 Fl. 16.965 13 não tendo praticado nenhum dos atos previstos na legislação geradores da referida penalidade (sonegação, fraude e conluio).” ; • que, quanto aos juros de mora calculados sobre as multas aplicadas, “esta cobrança é flagrantemente inconstitucional e ilegal por contrariar o caput, do artigo 161 do CTN por somente permitir a exigibilidade dos juros de mora sobre o valor do t r i b u t o devido, ou seja, do IRPJ e CSLL constituídos no lançamento. A observância do referido dispositivo do CTN é garantida pelo artigo 146, inciso III, alínea " b " da Constituição Federal de 1988. por ser a norma geral de direito tributário que regula a matéria envolvendo cobrança de juros de mora na área tributária .”. Culmina a peça de defesa com os pedidos: • de perícia e diligência, pelas razões constantes da impugnação; • de cancelamento do auto de infração ou, alternativamente, da reabertura do prazo de impugnação por 30 (trinta) dias, “em razão do não fornecimento dos anexos da autuação ”. Em 20/06/2013, NalatinoBertin interpôs a impugnação de fls. 15.622/15.640, na qual, em síntese, alegou o seguinte: • que “o IMPUGNANTE deve ser excluído na condição de responsável tributário, porque não foi lavrado em seu nome o TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA (...) Este TERMO é exigido pela Portaria RFB n° 2.284, de 29 de novembro de 2010, porque descreve de forma pormenorizada a motivação da inclusão de determinada pessoa como responsável solidária ”; • que “a inexistência de MPF F para o IMPUGNANTE ocasiona a nulidade de todos os trabalhos fiscais que lhe deram origem e de sua inclusão, porque conforme se depreende da Portaria RFB n° 3.014/2011 o Mandado é exigência necessária para a realização dos procedimentos fiscais e como os relacionados ao anexo processo se relacionam a outras pessoas (responsáveis tributários) somente poderiam ter sido praticados com base em MPF Fs também emitidos para tais pessoas ofendendo os Artigos 2o , Inciso I e 3o , Inciso I da referida Portaria ” • que “A inclusão do IMPUGNANTE como responsável tributário também ofende a Coisa Julgada Administrativa originada dos Lançamentos Tributários lavrados em face da BASF S/A e contra a TINTO HOLDING LTDA, na condição de responsáveltributária, pagos integralmente pela primeira conforme indicado pela fiscalização no TERMO DE VERIFICAÇÃO E INFORMAÇÃO FISCAL anexado neste processo. Como a BASF S/A efetuou o pagamento de todos os Autos de Infração e nos mesmos foram indicados, apenas, como responsável tributária a TINTO HOLDING LTDA . pelos mesmos fatos originários descritos nos Lançamentos objeto deste processo simulação de contrato, transferência e uso indevido de créditos fiscais jamais a fiscalização poderia, em outra oportunidade, ter incluído como responsáveis tributários o IMPUGNANTE. Ora, considerando estarem presentes as mesmas circunstâncias fáticas para a realização da responsabilização tributária, a partir do momento que em outro Lançamento derivado dos mesmos fatos somente foi incluída como responsável a TINTO HOLDING LTDA, não mais existe a possibilidade da acusação fiscal, repita Fl. 17064DF CARF MF 14 se, derivada dos mesmos fatos originários gerar a responsabilização de outras pessoas como aconteceu nestes autos ”; • que “a presente IMPUGNAÇÃO também merece ser provida para excluir o IMPUGNANTE da responsabilidade tributária em razão da precariedade da acusação fiscal em relação a sua pessoa porque, considerando não ser procedentes os argumentos defendidos no Tópico 11.1.1, diante de todas as circunstâncias envolvendo o caso, a fiscalização deveria ter intimado a BASF S/A e a KPMG AUDITORES INDEPENDENTES (incorporadora da BDO TREVISAN) para prestarem esclarecimentos considerando terem sido de seus atos a motivação para o IMPUGNANTE, na condição de administrador das empresas envolvidas, autorizar a realização do negócio jurídico previsto no contrato citado nestes autos ”; • que “O IMPUGNANTE é pessoa ilegítima para figurar na condição de tujeito passivo do lançamento realizado no AIIM,porque se efetivamente existiram as irregularidades indicadas pela fiscalização e até motivadoras ca aplicação da MULTA QUALIFICADA os causadores das mesmas foram apenas a BASF e a KPMG (incorporadora da BDO Trevisan) . Como restou demonstrado acima, o IMPUGNANTE somente autorizou a realização do negócio em razão da SOLUÇÃO DE CONSULTA formulada pela BASF, pela decisão do CADE e pelo Parecer emitido pela BDO TREVISAN, não existindo a possibilidade de responder por crédito tributário decorrente de eventuais irregularidades em que sua empresa não deu causa, caso existentes. Por não ter praticado nenhum ato irregular e observado até o posicionamento da fiscalização em SOLUÇÃO CONSULTA emitida para a BASF, o posicionamento do CADE e Pareceres de Auditoria Independente, não pode o IMPUGNANTE ser responsabilidade por faltar o nexo de causalidade exigido pelo Artigo 136 do Código Tributário Nacional ”; • que “o Auto de Infração ainda deve ser cancelado, por cercear o direito de defesa do IMPUGNANTE, por não ter demonstrado como pode ser ele lesponsabilizado sem que existam infrações à lei de outra natureza que não apenas a infração envolvendo a obrigação tributária da TINTO HOLDING LTDA ”; • que “a presente Impugnação também merece ser cancelada porque os Auditores Fiscais não provaram ter o IMPUGNANTE agido com infração à lei em relação ao negócio jurídico realizado com a BASF e se beneficiado com a operação como indicado no TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA emitido para a HEBER PARTICIPAÇÕES S/A. Como restou demonstrado acima, a sua conduta, na condição de administrador da TINTO HOLDING LTDA., foi somente ter assinado o contrato de venda do estabelecimento baseandose na existência de SOLUÇÃO DE CONSULTA, julgamento noCADE e Parecer dos AUDITORES INDEPENDENTES não sendopossível admitir que desta atitude geraria qualquer tipo de responsabilização ” • que “não existe a possibilidade do IMPUGNANTE ser incluído como responsável, porque a única motivação da sua inclusão foi a infração à legislação tributária praticada pela TINTO HOLDING LTDA. algo vedado pela jurisprudência do C. STJ sendo até matéria sumulada, nos seguintes termos: "Súmula 430 O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera,porsí só, a responsabilidade solidária do sócio gerente". Como se não bastasse isto, ter ou não se beneficiado das condutas realizadas pela TINTO HOLDING LTDA. e outras pessoas jurídicas envolvidas nunca foi uma causa para a aplicação do artigo 135, incisos I e III do CTN porque, Fl. 17065DF CARF MF Processo nº 15868.720153/201377 Acórdão n.º 1302002.057 S1C3T2 Fl. 16.966 15 nos termos deste dispositivo, apenas será possível a responsabilização solidária e pessoal quando estiver provado a prática de atos contrários aos estatutos, contrato social ou infração à lei ”; • que são “improcedentes todos os Autos de Infração, pelas mesmas razões defendidas pela TINTO HOLDING LTDA. nas Impugnações apresentadas ”. Em 21/06/2013, Reinaldo Bertin, João Bertin Filho, Silmar Roberto Bertin e Fernando Antônio Bertininterpuseram a impugnação de fls. 15.642/15.672, na qual, em síntese, reprisaram os argumentos de defesa apostos por Natalino Bertin e, em adição, alegaram o seguinte: Foi o administrador NATALINO BERTIN quem realizou os atos de negociação e de gerência envolvendo a negociação realizada com a BASF S/A, em nome da TINTO HOLDING LTDA., não tendo os IMPUGNANTES avaliado e participado do negócio e de sua realização (...)A atuação de NATALINO BERTIN em questões relacionadas aos Autos de Infração, outrossim, também pode ser apurado nos vários documentos fiscais assinados por sua pessoa, demonstrando ser o administrador das pessoas jurídicas com acompanhamento nas áreas fiscais e tais empresas. Com efeito, deve ser decretada a exclusão dos IMPUGNANTES como responsáveis tributários, porque pelo simples fato de não terem agido e praticado os atos relacionados ao negócio jurídico envolvendo a BASF S/A e realização das questões deles decorrentes – como reconhecido por NATALINO BERTIN em sua Impugnação não estão presentes as condições previstas no artigo 135 do CTN para ser responsabilizado na forma defendida pela fiscalização. ”; • que “a sujeição dos IMPUGNANTES como responsáveis tributários ainda deve ser cancelada porque, da forma que foi realizada, cerceou o direito de defesa ao não demonstrar quais atos específicos teriam praticado para serem responsabilizados e quais benefícios teriam auferido na condição de administradores”. Conforme consta nestes autos, a sua responsabilização está baseada em duas circunstâncias: i) ser apenas administradores e ii) terem se beneficiado dos atos realizados pela TINTO HOLDING LTDA e demais pessoas jurídicas ” Em 21/06/2013, a Heber Participações interpôs a impugnação de fls. 15.696/15.724, na qual, em síntese, reprisou os argumentos dos demais responsáveis solidários e alegou o seguinte: • que “a IMPUGNANTE deve ser excluída como responsável tributária porque a fiscalização praticou um Erro de Direito ao fundamentar a sua inclusão no artigo 124, inciso I do CTN e gerou disto uma sujeição sem a necessária fundamentação leaal. Como se depreende do TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA, a IMPUGNANTE foi incluída unicamente com fundamento no artigo 124. inciso I do CTN porque era sócia majoritária do contribuinte fiscalizado e teria se beneficiado das infrações, nestes termos: "SUJEITO PASSIVO QUE ERA SÓCIO MAJORITÁRIO (99,99% DAS QUOTAS) DO CONTRIBUINTEFISCALIZADO NA ÉPOCA DOS FATOS ANO 2008, E QUE É RESPONSÁVEL POR INTERESSE COMUM (INCISO I DO ART. 124 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL) QUANTO AOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS CONSTITUÍDOS REFERENTES AO ANO 2008 DA TINTO HOLDING LTDA. E QUE TAMBÉM SE BENEFICIOU PELO NÃO PAGAMENTO DOS TRIBUTOS DEVIDOS (Dividendos ou Lucros Distribuídos no período R$ 516.282.000,00 Ficha 38 da DIPJ do ano 2008)" (Trechos do Termo de Sujeição Passiva Solidária) (g.n.). Todavia, na Fl. 17066DF CARF MF 16 condição de sócia da TINTO HOLDING LTDA., somente poderia ter sofrido sujeição passiva por responsabilidade caso estivessem presentes as condições prevista no artigo 135 do Código Tributário Nacional CTN. (... ) Demais disso, da irregularidade acima também resulta a nulidade insanável da sujeição da IMPUGNANTE, por implicar ilegalidade por falta de embasamento jurídico necessário e prática da chamado Erro de Direito pelo uso de fundamentação inadequada afrontando o artigo 142 do Código Tributário Nacional e artigos 5o , inciso I I , 37, caput e 150, inciso I, todos da Constituição Federal de 1988. ”. Em 24/06/2013, a JBS interpôs a impugnação de fls. 15.766/15.819, na qual, em síntese, alegou o seguinte: • que inexistem elementos para lhe atribuir responsabilidade solidária com amparo do artigo 124, I, do CTN, vez que “não há qualquer “interesse comum na situação que constitua o fato gerador do tributo” a ensejar a aplicação de tal dispositivo ( ... ) A solidariedade atribuída nos termos do art. 124, CTN, pressupõe que o fato gerador indique a coobriqação dos sujeitos, como é o exemplo do IPTU devidos pelo coproprietários do imóvel. Isto é, o fato gerador deve revelar que os solidários "sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica iurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação"”; • que a não identificação, pela fiscalização, das notas fiscais que compõem os valores das mercadorias vendidas pela BASF implica em cerceamento ao seu direito de defesa, posto que “a Fiscalização se baseia em informações prestadas por BASF S/A. Todavia, não há nos autos qualquer abertura do valor de R$ 37.653.918,57, que possibilite à Impugnante defenderse. Isto é, deveria a d. Autoridade ter formado os autos com a relação das respectivas NF'sgue compõem tal valor”; • que é necessária a realização de diligência “para apurar: (i) efetivamente que a BERTIN S/A e CASCAVEL COUROSpagaram à TINTO HOLDING pelas mercadorias; (ii) efetivamente que a JBS S/A pagou à BASF pelas mercadorias recebidas em período posterior a 31/12/2009; (iii) perante os d. AFTN's, quais as NF's que compõem o valor de R$ 37.653.918,57 indicado pela BASF”; • que “outra situação que a d. Fiscalização está a utilizar como fundamento para a imputação de responsabilidade solidária éuma suposta cisão da TINTO HOLDING, que teria ocorrido em 01/10/2007. Todavia, tal assertiva é incorreta, pois: (i) além denão se tratar de cisão, conforme será exposto mais adiante; (ii) ainda que o fosse, não teria o condão de responsabilizar a "nova empresa" pelos débitos futuros da TINTO HOLDING (então denominada BERTIN LTDA .). Isto porque o art. 132, CTN, expressamente dispõe que a pessoa jurídica que resultar de outra é responsável pelos tributos devidos "até a data do ato"”; • que tendo ela e a Tinto holding Ltda “sede na Cidade de São Paulo SP, data vénia, a d. Autoridade Fiscalizatória (limo. Sr. Dr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Araçatuba) não poderia lavrar os autos de infração em comento ”, cumprindo ressaltar que “em Sessão realizada em 10/12/2012, o Órgão Pleno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não aprovou a seguinte Proposta de Súmula: "Irregularidade na emissão ou na prorrogação Fl. 17067DF CARF MF Processo nº 15868.720153/201377 Acórdão n.º 1302002.057 S1C3T2 Fl. 16.967 17 do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento. " Dessa forma, a contrariu sensu, comprova se que irregularidade na emissão do MPF pode acarretar na nulidade do lançamento, situação que é constatada no caso em tela ”; • que “a incompetência demonstrada no tópico anterior também causa à Impugnante evidente cerceamento de defesa, vez que a unidade da RFB que promoveu a fiscalização e lavrou as autuações dista aproximadamente 600 quilômetros daImpugnante. Todavia, outro motivo que leva a evidente cerceamento de defesa consiste na falta de clareza e correlação nos documentos que instruíram o presente processo ”; • que “a Impugnante jamais poderia compor o pólo passivo da presente autuação como solidária, justamente porque a responsabilidade dos seus dirigentes à época dos fatosgeradorespelanormatributáriaéexclusiva, origináriaepessoal, nos termosdo artigo 135, III do CTN. Na presente hipótese, o terceiro tornase, no lugar do próprio contribuinte, o único responsável pelos tributos decorrentes da infração praticada (... ) Tanto a doutrina como a recente jurisprudência do STJ apontam a responsabilização exclusiva dos administradores decorrente da prática de atos com infração de lei, contrato social ou estatutos da sociedade que tenham desencadeado uma relação jurídica obrigacional stricto sensu entre Fisco e a pessoa jurídica por eles administrada. In casu , a prática descrita no lançamento, de que houve atos para reduzir o pagamento dos tributos pela TINTO HOLDING, evidencia a prática de infração à Lei e ao contrato social pelos administradores daquela empresa, ensejando sua responsabilidade pessoal e exclusiva. (... ) Em outras palavras, deve ser anulado o lançamento fiscal por erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que os administradores da TINTO HOLDING à época somente eles são os legitimados para figurar no pólo passivo dos Autos de Infração ” • que “não há que se falar em responsabilidade solidária da Impugnante (JBS) em razão de suposta cisão ocorrida em 01/10/2007. Isto porque ainda que tivesse ocorrido a cisão, não se aplicaria a solidariedade, posto que são débitos posteriores ao suposto ato de cisão, referentes ao anocalendário 2008. Como o art. 132, CTN, prevê que a empresa criada (nova) será responsável pelos débitos "até a data do ato", ainda que houvesse cisão, não haveria que se falar em responsabilidade da Impugnante ”; • que “a empresa Bertin S/A (incorporada pela Impugnante) adquiriu da empresa Bertin Ltda. (atualmente denominada Bracol Holding Ltda), em 10/10/2007, diversos estabelecimentos via integralização de acervo líquido em aumento de capital subscrito e integralizado pela Bracol Holding Ltda. Com efeito,para a regular operação das unidades frigoríficas adquiridas, foi necessária a tomada de diversas providências regulatórias como a abertura de inscrições estaduais, CNPJ's, alteração de cadastro junto ao Serviço de Inspeção Federal, etc . Tais providências demandam razoável tempo, sendo necessária a continuidade de utilização de documentos fiscais em nome do antigo proprietário, especialmente para fins de cumprimento de contratos, cronograma de abate e aviso dos diversos fornecedores, os quais continuaram emitindo notas fiscais em nome daquele. Reitere se: os estabelecidos foram conferidos à BERTIN S/A em 10/10/2007 Assim, apenas a partir da referida data é que a BERTIN S/A teve legitimidade para dar entrada em pedidos de Inscrição Estadual e CNPJ, cadastro perante o SIF Fl. 17068DF CARF MF 18 etc. O ato societário em si da conferência do acervo não teve o condão de, automaticamente, transformar e formalizar todos os documentos em nome da BERTIN S/A. (... )A alegação da fiscalização de que a totalidade de ativos e passivos transferidos entre os estabelecimentos BRACOL e BERTIN S/A, estaria discriminada no Laudo elaborado pela empresa AMKS Contadores e Consultores Ltda.; e que após 10.10.2007 não poderia haver qualquer outra transferência entre as empresas está posta de maneira equivocada. ”; • que “a própria adição da despesa da amortização da contabilidade fiscal do ágio nos períodos autuados PODE TER DECORRIDO DE MERO ERRO DA TINTO HOLDING no momento de traduzir esses efeitos para fins do IRPJ, pois não há teste de recuperabilidade ("impairment") na determinação do lucro líquido (base do lucro real) apurado de acordo com as regras contábeis aplicáveis e vigentes antes da Lei n° 11.638/07. Isso significa que, na verdade, a manutenção da amortização fiscal do ágio pela TINTO HOLDING nos períodos para fins da CSL, PODE SER CORRETO, e onde pode ter havido equívoco éjustamente na adição dessas despesas de amortização do ágio para finsdoIRPJ.”; • que “a multa arbitrária e ilegal, de 150%, seja desconsiderada de plano, ante a falta de comprovação do "evidente intuito de fraude" da TINTO HOLDING (... )Caso a multa seja mantida, ao menos deve ser reconhecida a falta de responsabilidade solidária da ora Impugnante por ela. Isto porque, conforme amplamente exposto na presente defesa, não há que se falar em qualquer responsabilidade da Impugnante, pois: (i) trata se de lançamento relativo ao ano de 2008 e relativos a fatos imponíveis realizados pela TINTO HOLDING (BERTIN LTDA.); (ii) as empresas incorporadas pela Impugnante (BERTIN S/A e CASCAVEL), à época pertencentes ao Grupo Bertin, em nada contribuíram com os fatos geradores em tela; e (iii) a Impugnante não tinha qualquer relação com as empresas envolvidas (BERTIN S/A e CASCAVEL) à época dos fatos imponíveis (2008) ”; Culmina a peça de defesa da JBS com os seguintes pedidos: • que “seja conhecida e acolhida a provida a presente impugnação acolher as preliminares de nulidade apontadas ou ainda, no mérito, julgar totalmente, improcedente a autuação ”; • que sejam os autos baixados em diligência, para a elucidação dos quesitos que enumerou; • que “seja reconhecida a decadência do direito do Fisco questionar operações realizada em 10.10.2007, entre as empresas TINTO HOLDING LTDA . e BERTIN S/A ”; • que “durante todo o curso do presente feito, todas as publicações e intimações sejam realizadas em nome de FABIO AUGUSTO CHILO, OAB/SP 221.616, com escritório profissional sito à Avenida Marginal Direita do Tietê, 500, Vila Jaguara, São Paulo/SP, CEP 05118 100, inclusive para se fazer presente nojulgamento e realizar sustentação oral”. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Brasil do Rio de Janeiro que julgou improcedente a(s) impugnação(ões) interposta(s), em sessão realizada no dia 16 de abril de 2014, trouxe, em apertada síntese, os seguintes fundamentos: Fl. 17069DF CARF MF Processo nº 15868.720153/201377 Acórdão n.º 1302002.057 S1C3T2 Fl. 16.968 19 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. O MPF é mero instrumento administrativo de controle interno da atividade fiscal, por conseguinte documento sem qualquer feição atribuidora de poderes à autoridade fiscal para a realização do lançamento, prerrogativa funcional esta decorrente de lei. Sua não lavratura contra aqueles que, ao cabo da ação fiscal, são arrolados como responsáveis solidários pelo crédito tributário não representa violação ao direito ao contraditório e nem à ampla defesa . DEDUÇÕES E EXCLUSÕES. ÔNUS DA PROVA. O dever de provar as deduções e exclusões ao lucro real e à base de cálculo da CSLL incumbe ao contribuinte. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. DOLO. A informação pelo sujeito passivo de que valeuse de expediente indevido para a redução da base tributável, por si só, é elemento caracterizador da conduta dolosa do agente. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista nos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignados com a referida decisão, interpuseram, os sujeitos passivos, Recursos Voluntários (fls. 16563/16660, 16663/16689, 16732/16760, 16692/16729, 16763/16906) reiterando todos os argumentos trazidos na impugnação, acrescentando apenas: (i) a incompetência da DRJ/RJ para julgar impugnações de contribuintes localizados na cidade de São Paulo; (ii) a procedência do pedido de perícia, ora rejeitado; e por fim; (iii) a nulidade do processo devido a ocorrência de supressão de instância, tendo em vista, que a DRJ não procedeu com a análise de todos os pedidos contidos na impugnação. Ressaltese que a JBS S.A. também acrescentou em seu recurso a impossibilidade da cobrança de juros e multa, uma vez que a solidariedade trazida pelo 132 do CTN só abrangeria a obrigação principal, isto é, o tributo nos moldes do art. 3º do mesmo diploma. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Designado como Redator Ad Hoc deste Acórdão, passo a discorrer sobre o voto proferido pela Relatora, Conselheira Talita Pimenta Félix, na Sessão de Fl. 17070DF CARF MF 20 Julgamento de 14 de fevereiro de 2017, o qual foi acompanhado pela unanimidade dos Conselheiros desta Turma nesta Sessão de Julgamento de 21 de março de 2017. 1. PRELIMINARMENTE 1.1 DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Os recursos voluntários são tempestivos e atendem aos pressupostos legais e regimentais, motivo pelo qual devem ser conhecidos. 1.3 DAS NULIDADES A Recorrente e os responsáveis tributários fazem uma série de alegações de nulidade, aduzindo que o acórdão recorrido deixou de se pronunciar sobre relevantes questões atinentes à análise destes autos. Segue o enfrentamento de cada uma delas. 1.3.1 DA NULIDADE PELO INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA A contribuinte requer o cancelamento da decisão proferida pela 8a Turma Julgadora da DRJ/RJO, por entender que seu pedido de perícia e diligência foi indeferido indevidamente, são suas as seguintes palavras: 16. Mesmo se fosse competente a DRJ/RJ, o que se admite apenas para considerar, o ACÓRDÃO recorrido também merece ser cancelado, por terindeferido indevidamente o pedido de perícia e diligência formulados pela RECORRENTE sob o argumento de que competia a empresa trazer nestes autos os documentos comprobatórios das despesas e custos contabilizados e não existir dúvidas de ordem técnica dependentes de novas ações a fim de aferir dados factuais. 17.Todavia, como demonstrado nas IMPUGNAÇÕES, existe a necessidade da determinação da diligência e perícia porque muitos documentos relacionados ao efeito são de titularidade de terceiros e estão na sua posse, não possuindo a IMPUGNANTE poder de polícia para exigir a sua apreciação para análise, sendo as empresas envolvidas a JBS S/A, BASF, CASCAVEL COUROS LTDA. e a própria BERTIN S/A (incorporada pela JBS). 18. Ora, sem a realização de tais procedimentos estarseá sendo cerceado o direito de a RECORRENTE verificar questões fáticas que merecem ser apuradas, especialmente porque, diferentemente da decisão da DRJ, existe sim questões de ordem técnica que devem ser apurada separa fins deste feito ser julgado administrativamente. Inicialmente, há que se ressalvar que a pretensão formulada em peça recursal não possui qualquer amparo legal. Ou seja, o fato de a Recorrente não se conformar com o indeferimento do pedido de diligência e perícia não lhe confere o direito de ter seu pedido acolhido, qual seja, a declaração de nulidade do acórdão recorrido. Nestes termos, dispõe o art. 28 do Decreto 70.235/72: Fl. 17071DF CARF MF Processo nº 15868.720153/201377 Acórdão n.º 1302002.057 S1C3T2 Fl. 16.969 21 Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Quanto ao pedido de diligência e perícia, assim se manifestou a 8a Turma da DRJ/RJO: Quanto à diligência e à perícia demandadas pela interessada, cabe esclarecer que, apesar de ser pleito facultado ao sujeito passivo, a decisão sobre a realização ou não de tais feitos compete à autoridade julgadora, que deve se posicionar pela não realização sempre que considerar as pretendidas provas como prescindíveis ou impraticáveis, na forma em que é possível aduzir dos artigos 16 e 18 do já mencionado Decreto n.º 70.235/72. A realização de perícias e diligências tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Assim, o deferimento de um pedido dessa natureza pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria, bem como dirimir dúvidas que o exame dos autos não seja suficiente para esclarecer. No que se refere especificamente ao pedido contido na impugnação, cumpre consignar que a solução do presente litígio vinculase à apresentação de documentos cuja guarda e conservação compete à própria interessada, nos termos da legislação tributária. Portanto, torna se desnecessário o acionamento de outros agentes, órgãos ou entidades, visto que é suficiente a apresentação de documentos da fiscalizada para solução do litígio. No presente caso, o feito fiscal contém todos os elementos necessários para seu prosseguimento, inexistindo nos autos qualquer dúvida de ordem técnica que dependa de novas ações a fim de aferir dados factuais.(Sem grifo no original). (…) Logo, diante do convencimento da desnecessidade de quaisquer esclarecimentos adicionais para o julgamento em tela, concluo pelo indeferimento dos pedidos de perícia e diligência. Ante o exposto, notase que o pleito da Recorrente parece estar mais próximo a um inconformismo com a negativa da decisão proferida, do que com o que ora pretende, a nulidade do indeferimento por ocorrência de vício. Isso porque não há que se falar em “indeferimento indevido” do pedido de diligência e perícia, haja vista, estar submetido a um juízo de necessidade, a ser proferido pelo sujeito competente. Ainda, e para que não restem dúvidas, vale transcrever trecho da manifestação da contribuinte formulada em peça impugnatória (fls. 13.652), segue: 212. A IMPUGNANTE requer a realização de perícia e diligências para serem confirmados por este juízo, pela documentação fiscal adequada, o recebimento dos produtos fornecidos pela BASF pelas empresas BERTIN S/A e CASCAVEL COUROS LTDA. Incorporadas pela JBS S/A. Fl. 17072DF CARF MF 22 213. Existe a necessidade deste procedimento porque a IMPUGNANTE não possui poder de polícia e de exigir de tais empresas a juntada dos seus documentos fiscais, não obstante estar demonstrado de forma clara e precisa no CONTRATO DE COMPRA E VENDA e no CONTRATO DE FORNECIMENTO terem tais empresas recebido os produtos permutados pela BASF. 214. A perícia deverá ser realizada em tais documentos para confirmar as alegações da IMPUGNANTE e até confrontar com a listagem de entrega de produtos apresentada pela BASF em sua AÇÃO JUDICIAL. 215. No caso das diligências, essa deverá ser realizada no estabelecimento da JBS S/A, para análise de qualquer outro documento de interesse a solução do pleito formulado nesses autos. 216. Para a perícia a Recorrente nomeia o Sr. Gustavo Bortolan Martins (...). 217. Demais disso, seguem os quesitos que devem ser respondidos mediante análise de toda a documentação apresentada e outras a serem verificadas caso exista necessidade, são os seguintes: 1 – Quais empresas receberam os produtos fornecidos pela BASF? 2 – Os fornecimentos foram realizados em quais datas? Pois bem, após a reprodução de toda a manifestação da contribuinte, resulta claro que o pedido de perícia e diligência formulado em sua impugnação é genérico, e demandaria análise de toda a documentação acostada aos autos, o que neste momento representa, aproximadamente, 17 mil páginas, sem que fosse respeitado o disposto no art. 16 do PAF. De acordo com esse dispositivo: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV – as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...) Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Ante o exposto, e por entender de modo semelhante ao prescrito no acórdão recorrido, rejeito o pedido de cancelamento da decisão proferida pela 8a Turma da DRJ/RJO, por entender a Recorrente que seu pedido foi indevidamente indeferido. Fl. 17073DF CARF MF Processo nº 15868.720153/201377 Acórdão n.º 1302002.057 S1C3T2 Fl. 16.970 23 1.3.2 DA NULIDADE DA DECISÃO PROFERIDA PELA DRJ EM FACE À AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE RELEVANTES QUESTÕES ABORDADAS NAS IMPUGNAÇÕES A Recorrente alega que a falta de apreciação de importantes razões de direito possuem o condão de anular a decisão proferida pela DRJ, uma vez que tais argumentos, isoladamente, seriam suficiente para cancelar os lançamentos realizados. Em contrapartida, a Turma Julgadora aduz que não é obrigada a se manifestar sobre todos os argumentos expendidos pela parte, devendo apenas firmar seu posicionamento e decidir de maneira suficientemente fundamentada. Esse o conflito em análise. 1.3.2.1 DO DIREITO APLICÁVEL A Carta da República, em seu art. 93, inciso IX, dispõe que: IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Sem grifo no original) Quanto à não obrigatoriedade de rebater cada argumento trazido pelas partes, notório é o pacífico entendimento de que o julgador (judicial e administrativo) não esta obrigado a proceder deste modo. Desde que o argumento não tenha a capacidade de infirmar a conclusão adotada pelo julgador. Dado que se verifica no parágrafo único, art. 489 do NCPC, que de modo subsidiário pode e deve ser aplicado ao processo administrativo tributário: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Fl. 17074DF CARF MF 24 § 2º No caso de colisão entre normas, o juiz deve justificar o objeto e os critérios gerais da ponderação efetuada, enunciando as razões que autorizam a interferência na norma afastada e as premissas fáticas que fundamentam a conclusão. § 3º A decisão judicial deve ser interpretada a partir da conjugação de todos os seus elementos e em conformidade com o princípio da boafé. (Sem grifo no original). Vale citar, também, o artigo CPC, art. 131, o qual prescreve que: O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento. (Sem grifo no original) Cabe acrescentar outro enunciado pertinente ao tema, prescrito no Decreto lei n. 70.235/72: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei n. 8.748, de 1993)(Sem grifo no original) James Marins1, ao abordar o princípio da ampla competência decisória, revela que: Toda a matéria de defesa produzida pelo contribuinte deve ser conhecida e apreciada pelo órgão da Administração encarregado do julgamento do conflito fiscal. Não pode se escusar a autoridade julgadora – em homenagem à garantia constitucional da ampla defesa – de apreciar matéria formal ou material, de Direito ou de fato, questões preliminares e de mérito. Quer se tratem de questões concernentes à mera irregularidade formal do auto de infração, quer se trata de alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade de norma jurídica tributária, toda a matéria de defesa deve ser formalmente apreciada. Não se realiza ampla defesa sem o direito à cognição formal e material ampla, pois em se recusando a Administração a apreciar qualquer dos elementos fáticos ou jurídicos que estejam contidos na impugnação formulada haverá restrição do direito de ampla defesa, a macular o Processo Administrativo fiscal. Com escopo na jurisprudência e na doutrina acima mencionadas, estabeleço a premissa de que o julgador estará dispensado de abordar cada um dos fundamentos trazidos aos autos pelas partes (aspecto objetivo), desde que não sejam relevantes à decisão a ser proferida (aspecto subjetivo). Nova vertente se apresenta, uma vez que se torna necessário saber se os argumentos não mencionados no acórdão recorrido são relevantes, ou não, à solução da lide. Noutro giro, este exame pode ser tido como semelhante ao juízo quanto ao conhecimento ou não de um documento, ou mesmo, quanto ao juízo de conhecimento dos embargos de declaração, haja vista que somente é possível dizer que um fundamento seria relevante ao 1 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro: administrativo e judicial. 7a ed. São Paulo: Dialética, 2014, fls. 189/190. Fl. 17075DF CARF MF Processo nº 15868.720153/201377 Acórdão n.º 1302002.057 S1C3T2 Fl. 16.971 25 desenrolar da lide após seu cotejo à decisão exarada. Enfim, há que se estabelecer os limites mínimos do que se entende por argumentos relevantes, bem como, sobre fundamentação insuficiente. Neste ponto já é possível a manifestação do julgador quanto à nulidade, ou não, do acórdão recorrido. Pois bem, interessa à solução destes autos, também, a abordagem sobre a suficiente fundamentação quanto aos argumentos registrados na decisão recorrida, haja vista que a ausência de adequada fundamentação também é passível de nulidade. No entanto, a questão relativa à suficiência da fundamentação, por possuir cunho subjetivo e valorativo, demanda maior densidade em sua apreciação. E a primeira indagação que se faz é: como definir uma decisão fundamentada? O ponto de partida desta investigação poderia pautarse pelos itens descritos no parágrafo primeiro do art. 489 do NCPC? Neste caso, o dispositivo legal – mediante abordagem inversa – seria hábil a dizer quais critérios que ausentes implicariam nulidade da decisão? Deste modo, acaso relevantes argumentos não sejam apreciados pela decisão de primeira instância, eventual análise em sede recursal ocasionaria a tão rejeitada supressão de instâncias, ferindo o duplo grau de jurisdição2, o contraditório e a ampla defesa. Seria este o motivo de dizerse nula decisão nestes moldes? Entendendose o contraditório como princípio que “se concretiza pela possibilidade de insurgirse contra o ato e de obter plena e motivada resposta do quê reclamado. É forma de assegurar a ampla defesa. (...) Podese dizer que o contraditório é veículo que ampara a ampla defesa. (...) Mas curioso notar que o princípio da ampla defesa congrega o princípio do duplo grau de jurisdição, ou seja, o direito de o acusado ter o seu pleito apreciado em segunda instância de julgamento, ou seja, que a decisão que apreciou a impugnação possa ser objeto de nova apreciação”3. No entanto, para que seja realizada uma nova apreciação, uma anterior há que ter sido proferida, o argumento há que ter sido enfrentado, um primeiro posicionamento sobre o entendimento do juízo há que ser conhecido, caso contrário, feremse os pilares do duplo grau, contraditório e ampla defesa. E nas palavras de Luiz Roberto Domingo4: A acepção do termo “recursos” no dispositivo constitucional indica o instrumento de acesso ao segundo grau de jurisdição. Recorrer é, essencialmente, pleitear em instância superior a reforma de decisão exarada pelo juízo a quo ou a manifestação sobre fato ou direito que a decisão deveria manifestarse e omitiu se. O termo “recurso” implica oferecer a oportunidade de nova apreciação de suas alegações para emendar ou modificar a decisão a quo. 2De acordo com Eduardo Domingos Bottallo, “podem ser identificadas três correntes na doutrina: (a) a que defende a possibilidade de existir inst6ancia única de julgamento; (b) a que considera estar a material presa a critérios que venham a ser adotados pelo legislador complementar; e (c) a que entende ser o duplo grau imperativo extraído diretamente do texto da Lei Maior. (…) De nossa parte, filiamonos à Terceira corrente, fortemente majoritarian, por estarmos convencidos de que a dupla inst6ancia de julgamento constitui dimensão inafastável da ampla defesa, cuja instituição se dá por meio desta expressiva qualificação: ‘com os meios e recursos a ela inerentes’. In, BOTTALLO, Eduardo Domingos. Curso de processo administrativo tributário. São Paulo: Malheiros, 2a ed. 2009, p. 81. 3DOMINGO, Luiz Roberto. Contencioso administrativo tributário: questões polêmicas. O princípio da ampla defesa na apreciação do recurso de ofício. São Paulo: Noeses, 2011, p. 293. 4DOMINGO, Luiz Roberto. Contencioso administrativo tributário: questões polêmicas. O princípio da ampla defesa na apreciação do recurso de ofício. São Paulo: Noeses, 2011, p. 293/294. Fl. 17076DF CARF MF 26 Eduardo Domingos Bottallo ensina que “em perspectiva mais ampla, o duplo grau justificase por uma causa de intenso conteúdo ético, conquanto singela em sua aparência: a possibilidade de ocorrência de erro ou injustiça na decisão originária”5. Feitos alguns esclarecimentos, passo à apreciação do caso. 1.3.2.2 DA ANÁLISE DO CASO CONCRETO Em face do exposto, vale notar que a 8a Turma da DRJ/RJO (fls. 16.532), ao referirse à desnecessidade de o julgador manifestarse sobre todos os pontos, menciona que: No mais, se as peças acusatórias não primaram pela verbosidade, as alentadas e robustas impugnações demonstraram a ausência de qualquer prejuízo à defesa. Nesse mister, inclusive, ante o farto rol de argumentos de defesa, impende frisar que não há necessidade de o julgador reporterse expressamente a todas as alegações deduzidas nos autos, devendo apenas firmar o seu posicionamento e decidir de maneira suficientemente fundamentada. Ao julgador cumpre apreciar o tema de acordo com o que reputar atinente à lide. Não está obrigado a julgar a questão na forma conduzida pelas partes, mas sim sustentado por seu convencimento jurídico, utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e, maxime, da legislação que entender aplicável ao caso. Este é o entendimento que se extrai da Constituição Federal, art. 93, IX, combinado com o que dispõe o art. 131 da Lei n.º 5.869/73 (CPC) e o art. 29 do Decreto n.º 70.235/72 (PAF). Em oposição, a Recorrente e os responsáveis tributários requerem o acolhimento da nulidade da decisão proferida pela 8a Turma da DRJ/RJO em razão da falta de apreciação de relevantes questões, cita 15 (quinze) em sede de preliminar e 09 (nove) de mérito, às quais entende não haverem sido apreciadas pelo acórdão. Em outros dois tópicos (antecedentes) aduz, também, a nulidade pelo ‘indeferimento do pedido de diligência e perícia’, já abordado, bem como, a nulidade em face à ‘incompetência da DRJ/RJO para julgar impugnações de contribuinte localizado em São Paulo/SP’, este último será incluído na análise das nulidades preliminares, passando de 15 (quinze) para 16 (dezesseis). Neste tom a contribuinte revela que: 20. Este juízo deve considerar estar sendo discutido nestes Autos de Infração nos quais foram constituídos créditos tributários que na sua soma representam um valor superior a R$ 300.000.000,00 (trezentos milhões de reais) e cuja exigibilidade representa prejuízos incalculáveis para qualquer empresa. 21. Justamente por isto, não pode ser acatado o posicionamento adotado pela DRJ de não ser necessário o julgador apreciar todos os argumentos, especialmente porque neste processo esta sendo discutida a exigibilidade de valores altíssimos e todos os pontos que deixaram de ser analisados representam, por si só, motivos para o cancelamento integral dos Lançamentos por estarem baseados em jurisprudência e na legislação aplicável. 5BOTTALLO, Eduardo Domingos. Curso de processo administrativo tributário. São Paulo: Malheiros, 2a ed. 2009, p. 81. Fl. 17077DF CARF MF Processo nº 15868.720153/201377 Acórdão n.º 1302002.057 S1C3T2 Fl. 16.972 27 22. Analisando o r. Acórdão recorrido se depreende ter sido a premissa da decisão a suposta falta de prova das despesas e exclusões por parte da RECORRENTE, todavia, como demonstrado nas Impugnações, tal fato não existe e existem inúmeros outros motivos para o cancelamento dos Lançamentos como a inexistência do Valor Tributável considerado pela fiscalização, entre outras coisas. 23. Com efeito, a DRJ não poderia ter deixado de apreciar os argumentos indicados abaixo porque, repitase, todos demonstram com base em jurisprudência e legislação aplicável motivos para o cancelamento dos Lançamentos e são parte essencial da TESE DE DEFESA utilizada nestes autos não podendo terem sido desconsiderados como realizado no ACÓRDÃO recorrido motivando o cancelamento da decisão como vem decidindo este CARF em casos assemelhados (...). Para facilitar a compreensão de seu pedido, segue a transcrição dos temas em que a contribuinte requer a nulidade da decisão recorrida por ausência de abordagem de suas razões, são elas, em sede preliminar: i) Tópico 11.1.1 A Ofensa a Portaria SRRF08/GAB n° 21/2011: Como restou demonstrado nas Impugnações os Lançamentos são nulos por terem ofendido a Portaria SRRF08/GAB n° 21/2011 do Superintendente da SRRF da 8a Região Fiscal; ü) Tópico 11.1.2 A incompetência da DRF/Araçatuba e dos AFRFs de Araçatuba para constituírem os créditos tributários: os Autos de Infração foram lavrados por auditores incompetentes porque conforme legislação a DRF/Araçatuba e Auditores a ela vinculados não possuem competência para atuar, fiscalizar e lavrar Autos contra empresa localizada no Município de São Paulo/SP; iii)Tópico 11.1.4 A nulidade dos Trabalhos Fiscais Inexistência de MPF para os responsáveis solidários e intimação para prestarem esclarecimentos: como demonstrado os Lançamentos são nulos por tal falha ofendendo os artigos 121, inciso I e II do CTN, artigos 2o, inciso I,3o, inciso I, 5o, 8o e 10 da Portaria RFB n° 3.014/2011; iv) Tópico 11.1.5 A Nulidade do Auto de Infração – Pagamento realizado pela BASF nos Autos de Infração gerou Coisa Julgada Administrativa: Os Autos são nulos por contrariar a Coisa Julgada Administrativa porque já haviam sido lavrados outros Autos de Infração envolvendo a RECORRENTE em que o crédito tributário foi pago, entre outros motivos descritos neste Tópico; v) Tópico 11.1.6 A Precariedade da AcusaçãoFiscal Existência de Solução Consulta formulada pela BASF e Parecer da BDO Trevisan abrangendo os créditos do IPI e do ICMS: Precariedade da acusação porque a RECORRENTE somente fez negócio em função de Solução à Consulta emitida pela RFB e Parecer da BDO Trevisan motivando a intimação da BASF e KPMG para prestarem esclarecimentos; Fl. 17078DF CARF MF 28 vi) Tópico 11.1.7 A Ilegitimidade da IMPUGNANTE:A RECORRENTE é parte ilegítima e os Lançamentos somente poderiam ter sido lavrados contra a BASF e KPMG por força dos artigos 136 e 137 do CTN; vii)Tópico 11.1.8 A Nulidade do Lançamento pela falta de inclusão de outros Responsáveis Solidários BASF S/A e KPMG Auditores Independentes: em razão disto os Lançamentos são nulos por força do artigo 142, caputc/cparágrafo único do CTN, artigo 5o, inciso LV da CF/88 e Parecer CJ n° 2.376; viii) Tópico 11.1.9 A Quebra de Sigilo Fiscal do ICMS sem prévia autorização judicial: nulidade em razão de estarem baseados os Lançamentos em informações do ICMS obtidas de forma ilícita gerando nulidade por força dos artigos 5o, incisos X,XII e LVI da CF/88; ix) Tópico 11.1.11 A Capitulação Infracional incorreta e Erro de Direito: nulidade dos Autos de Infração porque o que existiu realmente foi permuta de bens e venda de ativos sem a existência de ganho de capital, diferente daquilo que foi considerado para fins de lançamento; x) Tópico 11.1.12 O Cerceamento do Direito deDefesa: como exposto pela RECORRENTE os Autos de Infração são nulos em razão de várias circunstâncias que deixaram de ser demonstradas de forma a permitir a exata compreensão da possibilidade da constituição dos créditos tributários da forma realizada; xi) Tópico 11.1.13 O Ônus da Prova da Fiscalização: Os Auditores não comprovaram ter ocorrido simulação ou qualquer ato ilícito por parte da RECORRENTE; xii) Tópico 11.1.14 A Acusação sem relação com a Infração Real Erro de Direito e Erro de Fato: da forma que foi lavrado a verdadeira e real infração da RECORRENTE seria apenas o registro irregular de custos e despesas, nada mais do que isto, muito diferente daquilo que consta no lançamento relacionado a falta de pagamento de tributo gerando a nulidade dos Autos de Infração; xiii) Tópico 11.1.16 O Termo de Início Perda de Eficácia: Nulidade dos Autos de Infração em razão da perda de eficácia do Termo de Início de Fiscalização nos termos do artigo 7º , parágrafo 2o do Decreto n° 70.235/72 e artigo 196, caput do CTN; xiv) Tópico 11.1.17 A Falta da Intimação para a Impugnante se manifestar sobre o fim da Instrução Artigo 44 da Lei 9.784/99: Nulidade dos Autos de Infração porque a RECORRENTE deveria ter sido intimada para se manifestar do fim da instrução; xv) Tópico 11.1.19 O Arbitramento Irregular e Levantamento por Amostragem: Como demonstrado pela RECORRENTE os Autos de Infração são nulos porque foram lavrados mediante a realização de um arbitramento sem a satisfação dos requisitos previstos no artigo 148 do CTN e ainda com base em amostragem. xvi) Tópico 11.1.20 Nulidade em face à incompetência da DRJ/RJ para julgar Impugnações de contribuinte localizado em São Paulo/SP: O Acórdão Fl. 17079DF CARF MF Processo nº 15868.720153/201377 Acórdão n.º 1302002.057 S1C3T2 Fl. 16.973 29 da DRJ/RJ é nulo, com fundamento no artigo 59, inciso I do Decreto n° 70.235/72, porque quem possui competência para apreciar todas as IMPUGNAÇÕES interpostas pela RECORRENTE por possuir domicílio fiscal localizado no Município de São Paulo, Capital, é a DRJ de São Paulo e não a referida Delegacia localizada no Município do Rio de Janeiro conforme estabelecido no Anexo I da Portaria SUTRI n° 658, de 21 de março de 2012. Pois bem, estes são os 16 (dezesseis) tópicos que a contribuinte aduz não terem sido abordados pelo acórdão recorrido. Quanto à manifestação da 8a Turma da DRJ/RJO, vale registrar ponto a ponto os itens por ela enfrentados, para que este Colegiado tenha maiores condições de compreender o alcance do que aqui se aduz. Deste modo, para facilitar a compreensão, registro que o acórdão aborda 5 (cinco) pontos em preliminar6, um dos quais já foi tratado neste voto (item 1.3.1 – nulidade por indeferimento da perícia e diligência), quanto aos demais, segue transcrição completa da manifestação da 8a Turma da DRJ/RJO, vide: a) Intimação prévia da interessada Desde logo é preciso consignar que, por absoluta falta de previsão normativa para tanto, nego provimento ao pedido de intimação prévia da interessada “com antecedência razoável” para acompanhamento da presente sessão de julgamento. A propósito do pedido para que as intimações sejam encaminhadas aos advogados dos impugnantes, cabe asseverar que o Decreto 70.235/72 contém as regras acerca das intimações em processos administrativos fiscais em seu artigo 23, do qual se depreende que, para ser válida, a intimação, quando efetuada por via postal, deve ser encaminhada ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim entendido aquele endereço fornecido para fins cadastrais. Tendo em vista que a autoridade administrativa atua de forma vinculada à lei, são estas as regras que devem ser observadas quanto à intimação, de modo que é descabido seu envio ao endereço do procurador. b) Protesto pela sustentação oral No que diz respeito ao protesto pela sustentação oral, cumpre registrar que tal pedido não possui respaldo, uma vez que a sustentação oral nas sessões de julgamento nas Delegacias de Julgamento (cuja deliberação acontece internamente) não possui previsão no âmbito da legislação processual tributária, haja vista que, em sentido diverso, o dispositivo regulador da matéria, no que é pertinente à defesa, apenas prevê a manifestação do contribuinte por escrito, nos exatos termos do artigo 15 do aludido decreto. O preceptivo legal que permitia sustentação oral em instância administrativa, previsto no inciso IX do art. 7º da Lei n. 8.906, de 1994 (que dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil) teve sua inconstitucionalidade declarada, por maioria, pelo Supremo Tribunal Federal em sede da ADI1.1278. Há que se consignar, entretanto, que em eventual julgamento perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o interessado terá oportunidade para tanto, assegurada 6Apenas a título de registro, com o intuito de evitar qualquer divergência de compreensão, vale registrar que o item d, abordado neste voto como preliminar, foi enfrentado pelo acórdão recorrido como primeiro argumento de mérito. Fl. 17080DF CARF MF 30 regimentalmente. c) Reabertura de prazo da impugnação em razão de alegado não fornecimento dos anexos da autuação De outro bordo, a interessada pugna pela reabertura do prazo de impugnação em razão de alegado não fornecimento dos anexos da autuação. Nesse mister é preciso observar que o Termo de Verificação Fiscal constante do auto de infração é bastante detalhado e descreve minuciosamente as infrações que ora lhe são imputadas, tanto assim que a interessada e demais responsáveis pelo crédito tributário puderam trazer aos autos extensas e esmeradas peças de bloqueio, sendo notória a ausência de qualquer prejuízo para a defesa, razão pela qual descabe o pedido de reabertura. d) Ausência de lavratura de MPF contra os responsáveis solidários De plano, nego proveito à defesa de todos os impugnantes quanto à suscitada preliminar de cerceamento aos direitos de ampla defesa e contraditório, alegado em razão de não ter sido lavrado mandado de procedimento fiscal (MPF) contra os responsáveis solidários, bem assim por ter a fiscalização trazido aos autos diversos documentos e informações não diretamente relacionados com o crédito tributário que constituiu. É preciso esclarecer que o MPF é mero instrumento administrativo de controle interno da atividade fiscal, por conseguinte documento sem qualquer feição atribuidora de poderes à autoridade fiscal para a realização do lançamento, prerrogativa funcional esta decorrente de lei. Ademais, o direito ao contraditório surge justamente ao cabo da ação fiscal, quando se encerra a fase inquisitorial e inauguralse a possibilidade de instauração da lide, se acaso sujeito passivo e/ou responsáveis vierem a oferecer resistência à pretensão fazendária, opondo defesa que dê azo a uma relação jurídica processual. É o momento em que o procedimento transmutese em processo. No mais, se as peças acusatórias não primaram pela verbosidade, as alentadas e robustas impugnações demonstraram a ausência de qualquer prejuízo à defesa. Nesse mister, inclusive, ante o farto rol de argumentos de defesa, impende frisar que não há necessidade de o julgador reporterse expressamente a todas as alegações deduzidas nos autos, devendo apenas firmar o seu posicionamento e decider de maneira suficientemente fundamentada. Não está obrigado a julgar a questão na forma conduzida pelas partes, mas sim sustentado seu convencimento jurídico, utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos atinentes ao tema, e, maxime, da legislação que entender aplicável ao caso. Este é o entendimento que se extrai da Constituição Federal, art. 93, IX, combinado com o que dispõe o art. 131 da Lei n. 5.869/73 (CPC) e o art. 29 do Decreto n. 70.235/72 (PAF). (…) Ainda no contexto da responsabilidade solidária, impende comentar o acerto da autoridade fiscal pela inclusão dos responsáveis já no auto de infração. É que na hipótese do Fisco já ter a prova da ocorrência dos pressupostos fáticos de incidência da norma de responsabilidade de terceiros, prevista no CTN, deve providenciar o lançamento contra o contribuinte e o terceiro responsável (ambos no pólo passivo). A indicação dos responsáveis solidário ou subsidiário já no auto de infração vem permitir que estes exerçam, desde o início, o seu direito ao contraditório e à ampla defesa. É exatamente o caso desses autos, estando, por isso, descartada qualquer hipótese de cerceamento de defesa. (Sem grifo no original) Fl. 17081DF CARF MF Processo nº 15868.720153/201377 Acórdão n.º 1302002.057 S1C3T2 Fl. 16.974 31 Após tais registros, entendo que a DRJ, ainda que de forma cumulada, manifestouse sobre os pedidos relevantes à apreciação das nulidades arguídas pela Recorrente, quanto ao cabimento em sede preliminar. E, cabe registrar, também, que algumas das menções trazidas em preliminar são elementos pertinentes ao mérito, como, por exemplo, os tópicos que ora transcrevo com o fito de facilitar a rápida compreensão: Tópico 11.1.5 A Nulidade do Auto de Infração – Pagamento realizado pela BASF nos Autos de Infração gerou Coisa Julgada Administrativa; Tópico 11.1.6 A Precariedade da Acusação Fiscal Existência de Solução Consulta formulada pela BASF e Parecer da BDO Trevisan abrangendo os créditos do IPI e do ICMS; Tópico 11.1.7 A Ilegitimidade da IMPUGNANTE; Tópico 11.1.8 A Nulidade do Lançamento pela falta de inclusão de outros Responsáveis Solidários BASF S/A e KPMG Auditores Independentes; Tópico 11.1.9 A Quebra de Sigilo Fiscal do ICMS sem prévia autorização judicial; Tópico 11.1.11 A Capitulação Infracional incorreta e Erro de Direito; Tópico 11.1.13 O Ônus da Prova da Fiscalização: Os Auditores não comprovaram ter ocorrido simulação ou qualquer ato ilícito por parte da RECORRENTE; Tópico 11.1.14 A Acusação sem relação com a Infração Real Erro de Direito e Erro de Fato, e; Tópico 11.1.19 O Arbitramento Irregular e Levantamento por Amostragem. A leitura dos tópicos permite a compreensão de que tais fatos são questões relacionadas diretamente às infrações, as quais foram enfrentadas, possivelmente, não nos termos pretendidos pela parte. Neste tom, rejeito o pleito de reconhecimento de ausência de apreciação das nulidades acima apontadas. Seguindo. Há, também, pleito pelo reconhecimento de nulidade do acórdão recorrido em face à não abordagem de 09 (nove) questões meritórias que a parte alega serem relevantes ao deslinde da lide. E de acordo com suas palavras, reproduzindo texto citado em linhas pretéritas: Com efeito, a DRJ não poderia ter deixado de apreciar os argumentos indicados abaixo porque, repitase, todos demonstram com base em jurisprudência e legislação aplicável motivos para o cancelamento dos Lançamentos e são parte essencial da TESE DE DEFESA utilizada nestes autos não podendo terem sido desconsiderados como realizado no ACÓRDÃO recorrido motivando o cancelamento da decisão como vem decidindo este CARF em casos assemelhados (...). Fl. 17082DF CARF MF 32 MÉRITO: i) Tópico II.2.2A Inexistência de Valor Tributável decorrente do posicionamento fiscal da ilicitude do negócio jurídico como fundamento do Al impugnado: Este argumento deveria ter sido analisado porque, com base nos argumentos da própria fiscalização, não existiriam receitas advindas do negócio jurídico firmado entre a BASF e a RECORRENTE em 2008 ocasionando a inexistência do Valor Tributável indicado em todos os Autos de Infração; ii) Tópico 11.2.3 A Inexistência de Créditos Fiscais na visão da Fiscalização: Este argumento é parecido com o anterior e deveria te sido analisado porque, com base nos argumentos da própria fiscalização ,não existiriam receitas advindas de créditos fiscais inexistentes; üi)Tópico 11.2.4 A inexistência de Ganho de Capital. Torna e Acréscimo Patrimonial: neste tópico existe a demonstração de também não existir nenhum dos elementos indicados exigidos para a cobrança dos tributos; iv)Tópico 11.2.5 A inexistência de Receitas Créditos do IPI e do ICMS: considerandoavendadecréditosdoIPIedoICMSgeradosemoperaçõesdeexpor taçãonãoexistiriamreceitasporseremressarcimentosdecustosnaformaindica daemtais Tópicos; v) Tópico 11.2.6 A inexistência de Simulação e Validade do Negócio Jurídico Solução Consulta e CAPE: comoexpostonestetópico,quenãofoi apreciado,nãoexistiusimulação,onegóciojurídico foiválidoeexistiuatéapreciaçãodomesmopelo CADE; vi) Tópico 11.2.7 Os Custos de Aguisição relacionados aos Créditos Fiscais do IPI e do ICMS: considerandoavalidadedoscontratosos custosdeaquisiçãoexistemporque,comorestou demonstrado,odireitodeaRECORRENTEde calcularaincidênciadaSELICatítulode atualizaçãomonetáriaéválidoequantoaoICMS estesnuncaforamconsideradosindevidospela SEFAZ/SPconformeoOfícioDRT/7Baurun° 434/2012juntadoaosautos; vii) Tópico II.2.8 O indevido Regime de Competência e recebimento contratual a prazo: como demonstrado neste tópico como a RECORRENTE não receberia nada no ano de 2008 jamais poderia ter sido exigidos tributos sem considerar o fluxo de pagamentos impedindo a consideração da ocorrência de fatos geradores naquele ano por ser aplicável o regime de caixa conforme os artigos 21 da Lei n° 7.7713/1988, artigos 29 e 31, parágrafo 2o do DecretoLei n° 1.598/77, artigo 421 do RIR/99 e jurisprudência deste CARF; viii)Tópico II.2.9 O Bis In Idem: nulidade em razão de terem sido Fl. 17083DF CARF MF Processo nº 15868.720153/201377 Acórdão n.º 1302002.057 S1C3T2 Fl. 16.975 33 lavrados anteriormente outros Autos de Infração e sido pagos pela BASF, e; ix) Tópico 11.2.10 – A Multa Qualificada; não exitirem razões para a sua aplicação. Os tópicos acima delineados foram abordados, tanto pela contribuinte, quanto pelos responsáveis tributários, ocorre que estes fizeram outros apontamentos que não foram arguídos pela Recorrente. Deste modo, com exceção da Recorrente, cito duas alegações comuns a todos os responsáveis: x) Tópico II.2.1 – A impossibilidade da aplicação do artigo 135 do CTN: Este argumento deveria ter sido analisado porque como exposto a mera falta de pagamento de tributo não gera responsabilização conforme jurisprudência do STJ; xi) Tópico II.2.2 – A observância dos termos da Solução Consulta, julgamento do CADE e Parecer da BDO Trevisan. Ainda, cabe ressalvar que os sujeitos passivos, dito responsáveis, fizeram pedidos específicos, os quais seguem mencionados. O responsável tributário HEBER PARTICIPAÇÕES (fls. 16.693/16.726), além de nulidades outras comum a todos os sujeitos passivos, pleiteia o reconhecimento: xii) Tópico II.2.1.5 – A inexistência de Fundamentação Jurídica e Erro de Direito – Indevida aplicação do artigo 124, inciso I do CTN; xiii) Tópico II.2.2.1 – O artigo 121 do CTN não é fundamento da responsabilização: Este argumento deveria ter sido analisado porque como a RECORRENTE era sócia seria aplicável o artigo 135 do CTN; xiv) Tópico II.2.2.1– O artigo 121 do CTN somente seria aplicável para pessoas que participaram do fato gerador do tributo; Os responsáveis tributários REINALDO BERTIN, JOÃO BERTIN FILHO, SILMAR ROBERTO BERTIN e FERNANDO ANTÔNIO BERTIN (fls. 16.733/16.756), informam: xv) Tópico 2.1.6 – A ilegitimidade dos IMPUGNANTES – Responsabilidade do Administrador Natalino Bertin; xvi) Tópico 2.1.8 – O cerceamento do Direito de Defesa: a fiscalização não demonstrou quais atos os Impugnantes teriam praticado; Por fim, o responsável tributário JBS S/A (fls. 16.764/16.820), descreve argumentos que não foram apreciados pelo acórdão recorrido, os quais entende serem hábeis a ensejar a nulidade da decisão por supressão de instância e cerceamento do direito de defesa, os quais seguem descritos: xvii)Inexistência de elementos para atribuir responsabilidade solidária à Recorrente; Fl. 17084DF CARF MF 34 xviii) Inexistência de responsabilidade solidária com fundamento na transferência de despesas da TINTO HOLDING para BERTIN S/A; xix) Inexistência de responsabilidade solidária com fundamento em suposto benefício direto e indireto com o recebimento de mercadorias da BASF S/A. Não houve benefício econômico. Recorrente e suas incorporadoras pagaram pelas mercadorias; xx) Cerceamento do direito de defesa em relação à acusação de solidariedade da JBS S/A, em razão de recebimento de mercadorias da BASF S/A em preíodo posterior a 31/12/2009. JBS pagou diretamente à BASF S/A. Necessidade de abertura de valores informados pela BASF (indicação das NF’s que compõem os valores); xxi) Necessidade de diligência para apurar: (i) efetivamente que a BERTIN S/A e CASCAVEL COUROS pagaram à TINTO HOLDING pelas mercadorias; (ii) efetivamente que a JBS S/A pagou à BASF pelas mercadorias recebidas em período posterior a 31/12/2009; (iii) perante os d. AFTN’s, quais as NF’s que compõem o valor de R$ 37.653.918,57 indicado pela BASF; xxii) Inexistência de responsabilidade solidária com fundamento em cisão da TINTO HOLDING que teria ocorrido em 01/10/2007; xxiii) Da responsabilidade direta e exclusiva dos administradores da TINTO HOLDING LTDA. O sujeito passivo, NATALINO BERTIN,não foi mencionado, pontualmente, uma vez que todas as alegações de nulidade por ele apontadas são comuns a outros responsáveis (fls. 16.667/16.681). No que toca à responsabilidade tributária, vale transcrever trecho da decisão proferida pela 8a Turma da DRJ/RJO: Nesse contexto , revelase acertada a responsabi l ização sol idária da pessoa juríd ica Heber Part icipações S.A . É que, como sóc ia major i tá r ia na in teressada, e la se benef ic iou di re tamente das inf rações cometidas, todas com o f i to de majorar o lucro, que lhe fora d is t r ibuído há razão de 99,99%, posto ser esta a f ração do seu capi ta l soc ia l . Tra tase, inegavelmente, de s i tuação reve ladora de interesse tanto econômico como juríd ico. Igual sorte colhem as pessoas f ís icas sócios na interessada e adminis tradores na Heber Part ic ipações, posto que na qualidade de representantes e gestores dessas pessoas jurídicas tinham o dever de impedi r a real ização das condutas dolosas que ensejaram as inf rações t r ibutárias em questão . A propósi to , ao contrá r io do a f i rmado nas peças de defesa, a mul ta fora qual i f icada rela t ivamente a todas as in frações autuadas, razão pela qua l a su je ição pass iva dos aqui a ludidos extendese para todo o crédi to t r ibutár io guerreado. No mais , sobre a responsabi l ização sol idár ia no contexto dos ar t igos 124 e 135 do CTN, já t ive a opor tunidade de me mani festar em declaração de voto pro fer ida no corpo do acórdão n .° 1255.392, em te rmos que parecem bem vest i r o caso ora em anál ise, valendo a t ranscr ição: Fl. 17085DF CARF MF Processo nº 15868.720153/201377 Acórdão n.º 1302002.057 S1C3T2 Fl. 16.976 35 "Não obstante as bem postas palavras do preclaro relator, as quais faço minhas em sua íntegra, é de se notar a relevância da responsabil idade solidária das pessoas naturais vinculadas à sociedade ora autuada. No caso em concreto, o eminente relator firmou entendimento pela responsabil idade de parte daquelas pessoas originariamente arroladas pela autoridade f iscal . O racional decisório encontrou como fundamento legal as normas apostas no inciso I do ar t igo 124 do CTN, para algumas si tuações, e no inciso III do ar t igo 135 do mesmo Código, para outras. Nesse mister , pareceme úti l aludir que a responsabil idade tributária refer ida no primeiro disposit ivo acima mencionado é aquela decorrente do interesse comum na si tuação que consti tui o fato gerador da exação tr ibutár ia. Tratase, por conseguinte, de hipótese fát ica, prescindindo, por isso, de previsão específ ica na lei que regula o tr ibuto objeto do lançamento, sendo, por tal razão, comumente referida como solidariedade de fato. No caso dos autos , res tou claro o interesse comum entre a sociedade autuada e os com ela responsabil izados por solidariedade de fato, posto que o elo que os unia nas operações perpetradas, .em nenhum momento, expôs bilateral idade no seio do fato tributado. Ao contrário, todos, a um só tempo, beneficiaramse do i l íc i to fiscal . Noutro giro, a responsabil idade com base no ar t igo 135, inciso III, exige que as pessoas indicadas tenham praticado diretamente ou, ao menos, tolerado a prát ica de ato abusivo e/ou i legal quando em posição de inf luir para a sua não ocorrência. E foi justamente esse o contexto em que se deu a si tuação fát ica do lançamento em tela. A f iscalização logrou demonstrar a direta concorrência de determinadas pessoas naturais para o cometimento da infração tributária , ao passo que o relator, com proficiência, indicou aqueles que o f izeram numa intensidade bastante para lhes tornar solidários ao sujei to passivo originário. Ainda no contexto da resposabil idade solidária , impende comentar o acerto da autoridade f iscal pela inclusão dos responsáveis já no auto de infração. É que na hipótese do Fisco já ter a prova da ocorrência dos pressupostos fát icos de incidência da norma de responsabil idade de terceiros, prevista no CTN, deve providenciar o lançamento contra o contribuinte e o terceiro responsável (ambos no pólo passivo). A indicação dos responsáveis solidário ou subsidiário já no auto de Fl. 17086DF CARF MF 36 infração vem permitir que estes exerçam, desde o início, o seu direi to ao contraditório e à ampla defesa. É exatamente o caso desses autos, estando, por isso, descartada qualquer hipótese de cerceamento de defesa." Ante o exposto , nego p rov imento às impugnações, para manter o lançamento nos exatos termos em que fora exarado pe la f iscal ização. Pois bem, após esta extensa citação, extraise da decisão recorrida que somente os itens viii e ix (multa qualificada), de 23 alegações de nulidade por ausência de enfrentamento das razões de defesa, foi – efetivamente abordado pelo acórdão, todos os demais, sequer, foram mencionados, como se irrelevantes fossem. Uma ressalva há que ser feita, a 8a Turma da DRJ/RJO abordou sim o tema responsabilidade tributária, no entanto, não se manifestou sobre os argumentos acostados aos autos pelos solidários. Fato, extremamente, perceptível ao se analisar a peça defensória da JBS S/A em confronto aos fundamentos colacionados pelo acórdão recorrido. Ou seja, tem se a sensação de que a defesa da parte não foi conhecida pela DRJ, como se intempestiva fosse, haja vista que nenhum de seus argumentos foi mencionado, sequer seu nome. Nesta tônica, claramente, concluise que a 8ª Turma da DRJ/RJO não enfrentou relevantes argumentos trazidos pela contribuinte, razão pela qual voto por acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos a DRJ/RJO, para que profira novo julgamento. Esse foi o voto da Conselheira Talita Pimenta Félix. Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Redator Ad Hoc Fl. 17087DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.018970/2009-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 89 70 /2 00 9- 12 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 15504.018970/200912 Acórdão n.º 9202004.968 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 15504.018970/200912 Acórdão n.º 9202004.968 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 15504.018970/200912 Acórdão n.º 9202004.968 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 221DF CARF MF Processo nº 15504.018970/200912 Acórdão n.º 9202004.968 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 15504.018970/200912 Acórdão n.º 9202004.968 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 223DF CARF MF Processo nº 15504.018970/200912 Acórdão n.º 9202004.968 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 15504.018970/200912 Acórdão n.º 9202004.968 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 225DF CARF MF Processo nº 15504.018970/200912 Acórdão n.º 9202004.968 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 15504.018970/200912 Acórdão n.º 9202004.968 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 227DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.907655/2009-78
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-000.923
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Fl. 61DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de PERDCOMP eletrônico (fls. 01/05), transmitido em 23/08/2007, pelo qual pretende a interessada a compensação de débito de estimativa de IRPJ de abril/2006, com direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL apurada no mês de abril de 2006 (recolhimento em maio/2006), no valor de R$ 25.061,07, baixado para tratamento manual neste processo. Pelo Despacho Decisório Eletrônico de fl. 06 a compensação pleiteada foi não homologada, ao fundamento de não haver crédito disponível para compensação pois o valor do indébito pleiteado já estaria alocado a outro débito. Na impugnação apresentada (fls. 08/10) a interessada alegou, entre outros aspectos: A empresa recolheu o IRPJ e a Contribuição Social estimado durante o ano de 2006, quando da elaboração do Balanço patrimonial encerrado em 31.12.2006, apurouse Contribuição Social e IRPJ a recolher, a Contribuição Social a pagar, foi totalmente compensada restando ainda valor pago a maior a compensar, o IRPJ foi compensado parcialmente, restando o valor a recolher de R$ 296.888,97 até 31.03.2007, valor este que foi compensado conforme PER/DCOMP apresentado em 23/08/2007 no valor de R$ 25.061,07, alterando o pagamento por estimativa no exercício de 2006. Apreciando o litígio a DRJ em Juiz de Fora/MG indeferiu o pleito ao argumento de que o art. 10 da IN SRF 600/2005 determina que os recolhimentos indevidos ou a maior de estimativa de IRPJ ou de CSLL somente podem ser utilizados ao final do período de apuração como dedução do devido a título de imposto ou contribuição, ou para composição do saldo negativo porventura apurado (fls. 37/39). Cientificada, em 23/09/2011, do acórdão, apresentou a interessada, em 24/10/2011, o recurso voluntário de fls., no qual, após tecer considerações a respeito da legislação que rege o assunto, observa que a não homologação da compensação com fundamento no art. 10 da IN SRF 600/2005, por ser ato infralegal, fere o princípio da legalidade. No mérito alega que houve erro no preenchimento do PERDCOMP na indicação do tipo de crédito. Afirma ter efetuado o recolhimento de estimativas mensais de Fl. 62DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907655/200978 Acórdão n.º 180100.923 S1TE01 Fl. 62 3 CSLL no ano de 2006 no total de R$ 390.315,10 e que de acordo com a Ficha 17 da respectiva DIPJ, depois de deduzidos os valores pagos por estimativa mensal, teria permanecido com um saldo total de R$ 437.492,14 de CSLL a compensar, de modo que haveria crédito suficiente para a homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A primeira questão que se coloca para análise nestes autos referese à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no curso do anocalendário gerando um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Tal questão já foi dirimida nesta Turma de julgamento, como se verifica dos trechos abaixo reproduzidos, extraídos do Acórdão 1801000.486, de relatoria desta mesma Conselheira: “... Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de Fl. 63DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação Fl. 64DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907655/200978 Acórdão n.º 180100.923 S1TE01 Fl. 63 5 mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. É verdade que, pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, se procurou acrescentar novas restrições à compensação, por meio da inserção dos incisos VII a IX, ao § 3° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas a compensação de indébitos de estimativas. Seria essa a redação: Art. 29. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...).....(...) (...).(...) § 3º (...)....(...)....(...) (...) VII os débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); VIII os débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 1988; e IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2º. (...) § 12. (...) Fl. 65DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 (...) Entretanto, na conversão da referida MP 449, de 2008, na Lei no. 11.941, de 2009, não se manteve a alteração acima: Lei n°. 11.941, de 27 de maio de 2009 (fruto da conversão da MP 449/2008): Art. 30. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...) (...) § 12. (...) (...) Portanto, não foi da vontade do legislador vedar a compensação de indébitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907655/200978 Acórdão n.º 180100.923 S1TE01 Fl. 64 7 §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ ou da CSLL – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, uma vez que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907655/200978 Acórdão n.º 180100.923 S1TE01 Fl. 65 9 § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, Fl. 69DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzi los por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de Fl. 70DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907655/200978 Acórdão n.º 180100.923 S1TE01 Fl. 66 11 janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. ...” No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar e pagar as estimativas mensais de CSLL do anocalendário 2006. Afirma ter efetuado o recolhimento de estimativas mensais de CSLL no ano de 2006 no total de R$ 390.315,10 e que de acordo com a Ficha 17 da respectiva DIPJ, depois de deduzidos os valores pagos por estimativa mensal, teria permanecido com um saldo total de R$ 437.492,14 de CSLL a compensar. De fato, compulsandose os autos, verificase que na DIPJ do exercício 2007 Ficha 17 – Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – foi deduzida, da CSLL apurada como devida, de R$ 182.260,87, estimativas mensais totais recolhidas no mesmo valor de R$ 182.260,87, o que não teria gerado qualquer valor a pagar ou a restituir de CSLL no ano calendário de 2006 (fls. 35/36). Contudo, à fl. 34, encontrase extrato do sistema de pagamentos SINAL 06, que demonstra que houve recolhimentos de estimativa de CSLL (código 2484), no decorrer do anocalendário 2006, que totalizam R$ 302.371,12. Também na cópia do Livro Razão n º 05, apresentado pela interessada, e anexada à fl. 26, encontramse registrados recolhimentos de estimativas mensais de CSLL de janeiro a dezembro de 2006 e na cópia da DCTF à fl. 32, débitos de CSLL declarados e valores vinculados, como se verifica do quadro resumo a seguir: Mês Sinal DCTF Razão Débitos Créditos janeiro 20.471,12 20.471,12 20.471,12 20.471,12 fevereiro 31.152,44 31.152,44 31.152,44 31.152,44 março 23.403,63 23.403,63 23.403,63 23.403,63 abril 25.061,07 25.061,07 25.061,07 25.061,07 maio 37.115,50 37.115,50 0,00 37.115,50 junho 16.545,94 16.545,94 16.545,94 16.545,94 julho 44.442,50 44.442,50 agosto 52.970,42 52.970,42 setembro 51.208,50 51.208,50 outubro 41.315,30 novembro 44.628,68 dezembro 2.000,00 Totais 302.371,12 153.749,70 116.634,20 390.315,10 Verificase, pois, que existe a possibilidade de a contribuinte ter operado com erro, na apuração e pagamento das estimativas de CSLL do ano de 2006. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 Entretanto, a autoridade julgadora da DRJ em Juiz de Fora/MG centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. E isto porque, em verdade, o único fundamento da decisão foi a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados. Tal fundamento porém, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. Superada, neste voto, a questão da possibilidade jurídica do pedido, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente quanto aos demais requisitos para homologação da compensação, ainda que o indébito deva ser tratado como saldo negativo de CSLL. Isto porque, dada a grande quantidade de processos formados a partir de PERDCOMP apresentados pela interessada com a indicação de indébitos de estimativas de CSLL de todo o anocalendário 2006 conforme relação ao final do voto todos julgados da mesma forma pela autoridade julgadora de 1a. instância – DRJ – é necessária uma análise conjunta de todos e, se for o caso, da reunião dos processos em único, para melhor controle da administração tributária. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação pleiteada por ausência de análise do mérito pela autoridade julgadora da DRJ em Juiz de Fora/MG, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, bem quanto à homologação ou não das compensações, observandose, se for o caso, a necessidade de reunião dos processos. Relação de Processos PERDCOM CSLL – anocalendário 2006: 10675.907651/200990 10675.907652/200934 10675.907653/200989 10675.907654/200923 10675.907655/200978 10675.907656/200912 10675.907657/200967 10675.907658/200910 (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 72DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907655/200978 Acórdão n.º 180100.923 S1TE01 Fl. 67 13 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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