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Numero do processo: 16366.720427/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2012
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL.
As aquisições de mercadorias com suspensão, conforme consignam as respectivas notas fiscais, somente podem ser efetuadas com crédito presumido, e não com crédito integral, nos termos dos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2003.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS VINCULADOS A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Os dispêndios vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram direito ao crédito da contribuição, por vedação do artigo 6º, §4º, da Lei 10.833/2003.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2012
REVISÃO DE OFÍCIO DE ATO ADMINISTRATIVO PARA HOMOLOGAÇÃO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O artigo 27 da Lei 10.522/2002 não veda a revisão de ofício de ato da autoridade competente para a homologação do pedido de compensação, pois trata de instituto distinto, o Recurso de Ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-004.504
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrente SEARAIND. E COMÉRCIO DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2012 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL. As aquisições de mercadorias com suspensão, conforme consignam as respectivas notas fiscais, somente podem ser efetuadas com crédito presumido, e não com crédito integral, nos termos dos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS VINCULADOS A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Os dispêndios vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram direito ao crédito da contribuição, por vedação do artigo 6º, §4º, da Lei 10.833/2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2012 REVISÃO DE OFÍCIO DE ATO ADMINISTRATIVO PARA HOMOLOGAÇÃO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O artigo 27 da Lei 10.522/2002 não veda a revisão de ofício de ato da autoridade competente para a homologação do pedido de compensação, pois trata de instituto distinto, o Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 72 04 27 /2 01 3- 41 Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 16366.720427/201341 Acórdão n.º 3201004.504 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento Eletrônico apresentado pela contribuinte relativo a crédito de PIS NãoCumulativo Exportação. Reproduzo partes do relatório da primeira instância administrativa: Conforme Despacho Decisório Revisor, o direito creditório foi parcialmente reconhecido (...), nos termos da Informação Fiscal, abaixo resumida, nada remanescendo, após as compensações declaradas. A fiscalização relata que a presente Informação Fiscal anula a anterior, com base no art. 53 da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, e mediante autorização para segundo reexame do período, nos termos do art. 906 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99), em razão de novos fatos apurados relacionados às receitas de exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação e os créditos vinculados a essas receitas. E que o crédito pleiteado é decorrente de operações com o mercado externo, remanescente às deduções das contribuições a recolher e das compensações com outros tributos administrados pela RFB. Após discorrer sobre a legislação da não cumulatividade, bem como da instrução processual feita com a Dacon, memoriais de apuração dos créditos, rateios e bases de cálculo, demonstrativos, escrituração SPED e notas fiscais de saídas/entradas, diz que a interessada exerce a atividade econômica de Comércio Atacadista de Cereais e Leguminosas Beneficiados, além da Fabricação de Adubos e Fertilizantes (CNAE 20134/00), Comércio Atacadista de Açúcar (CNAE 46371/02), Fabricação de Farinha de Milho e derivados, exceto óleos de milho (CNAE 10643/00), e comércio varejista de combustíveis para veículos automotores (CNAE 47318/00), entre outros, apurando o imposto de renda pelo lucro real. Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 16366.720427/201341 Acórdão n.º 3201004.504 S3C2T1 Fl. 4 3 Acrescenta que a empresa fabrica derivados de milho NCM constantes no capítulo 11 da TIPI e adubos NCM constantes no capítulo 31 da TIPI; e que adquire para revenda: soja NCM 12010090, milho NCM 10059010, açúcar NCM 17011100, defensivos NCM constantes no capítulo 38 da TIPI e sementes NCM 10051000 e NCM 12010010. Esclarece que a empresa aufere receitas sem incidência das contribuições para o Pis e a Cofins (alíquota zero – fertilizantes, defensivos agropecuários, sementes destinadas à semeadura e plantio, e farinha de milho, nos termos da Lei nº 10.925, de 2004). Discorre sobre a legislação atinente às vendas com suspensão de insumos destinados à produção das mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM, consoante arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004; IN SRF nº 660, de 2006; e Solução de Consulta SRRF/10ª RF nº 29, de 31/01/2007; bem como sobre a base de cálculo das contribuições e sobre o conceito de insumos (art. 3º, II, Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003; IN SRF nº 247, de 21/11/2002). Caracteriza a interessada como empresa comercial exportadora, com base nas operações de exportações realizadas (Dacon, CFOP, Demonstrativo Exportações e arquivos eletrônicos de notas fiscais (SPED/EFD – Saídas Exportação)), dizendo que adquire mercadoria com o fim específico de exportação, cuja aquisição não se sujeita à incidência das contribuições, nos termos das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Informa que o crédito foi apurado mediante rateio proporcional dos custos e despesas entre receitas sujeitas ao regime cumulativo e não cumulativo, cujo critério é igualmente aplicável para a determinação dos custos e despesas vinculados à exportação. Ressalta que só é passível de ressarcimento ou compensação com outros tributos e contribuições o crédito apurado em operações de vendas para o exterior e vendas no mercado interno efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das Contribuições, tornandose indispensável apurar a participação percentual dessas receitas em relação à receita bruta total. (...) Dos créditos pleiteados Informa que os créditos pleiteados pela contribuinte em seus Pedidos de Ressarcimento estão explicitados na DACON, MEMORIAL DACON e Demonstrativos de Créditos. Dentre as irregularidades apontadas pela Fiscalização, destacamos as que interessam ao presente julgamento: Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 16366.720427/201341 Acórdão n.º 3201004.504 S3C2T1 Fl. 5 4 a) a contribuinte adquiriu Mercadorias Recebidas com o Fim Específico de Exportação, feita com código CFOP 5117 (Venda de Mercadoria Adquirida ou Recebida de Terceiros, Originada de Encomenda para Entrega Futura cujas “notas mães” indicam que a mercadoria se destina à exportação), com aproveitamento indevido de crédito integral, pois a legislação da regência (art. 6º, § 4º, e art. 15 da Lei nº 10.833/2003), não permite à comercial exportadora a apuração de créditos quando da aquisição de mercadoria com o fim específico de exportação; 2) a contribuinte adquiriu bens com Suspensão com aproveitamento indevido de crédito integral (soja e milho), pois a legislação de regência não permite o aproveitamento de créditos nas aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Os valores excluídos estão individualizados nos demonstrativos, com os comprovantes (notas fiscais) juntados, por amostragem, ao processo. Cientificada dos despachos decisórios, revisado e revisor, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Em preliminar, contrapõese à revisão dos Despachos Decisórios, dizendo que encontra vedação legal no art. 27 da Lei nº 10.522/2002, motivo pelo qual é ilegal. A DRJ/Ribeirão Preto, por meio do Acórdão 14063.060, de 28/09/2016, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. No Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Acrescenta que não industrializa soja, e que o acórdão recorrido teria alterado o fundamento do Despacho Decisório, ao incluir nas atividades da recorrente a industrialização de soja, o que a fiscalização não teria feito. Reitera que somente revende soja. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.483, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 16366.000367/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.483): "O recurso é tempestivo e, nos termos em que relatado, atende aos requisitos de admissibilidade. Preliminar – Vedação de revisão dos despachos decisórios Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 16366.720427/201341 Acórdão n.º 3201004.504 S3C2T1 Fl. 6 5 A recorrente pede a nulidade do Despacho Decisório que reviu, de ofício, o Despacho Decisório anterior, para alterar os valores calculados. A revisão de ofício dos atos administrativos tributários, quando constatado erro, encontra previsão nos artigos 145, III e 149 do CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. (...) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. A Lei 9.784/99 contém dispositivos que tratam da revogação e revisão dos atos administrativos, nos capítulos XIV eXV. Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 16366.720427/201341 Acórdão n.º 3201004.504 S3C2T1 Fl. 7 6 A revisão de ofício distinguese das decisões no âmbito do PAF – Decreto 70.235/72, pelo menos, quanto à autoridade competente e a finalidade. A primeira tem como autoridade competente a mesma que prolatou o ato revisto, ou sua superior hierárquica, e tem a finalidade de corrigir erro ou omissão no ato revisto. A segunda tem como autoridades competentes os órgãos de julgamento administrativo, com a finalidade de garantir o contraditório, a ampla defesa e a legalidade, no contexto do litígio administrativo fiscal. Tal distinção é expressa no artigo 145 supratranscrito, ao tratar do PAF nos inciso I e II, e da revisão de ofício no inciso III. O artigo 27 da Lei 10.522/20021, conforme expressamente consta em seu caput, trata de Recurso de Ofício, e não de revisão de ofício. Portanto, não revoga o artigo 149 do CTN, isto é, a revisão de ofício tributária, mas apenas limita o Recurso de Ofício, no contexto do PAF, cf. seu artigo 342. . Portanto, não é aplicável ao presente caso. Preliminar – Alteração de critério jurídico O pedido, nesse tópico, é confuso, conforme a seguir se transcreve: “Tendo em vista ao disposto no artigo 146 do CTN o atual entendimento da fiscalização em relação ao tema somente pode ser aplicado para fatos geradores ocorridos posteriormente a abril de 2011 quando a RFB informa ao contribuinte a mudança de critério jurídico que já fora aplicado nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, inclusive neste processo alvo de revisão o que por si só justifica a procedência da manifestação de inconformidade neste tópico.” Talvez se refira ao tópico que precede o pedido, no Recurso Voluntário, o qual menciona a Solução de Consulta 354/2009. O auditor utiliza tal consulta para concluir: “60. É princípio de direito que a lei não contém palavras inúteis ou supérfluas. Assim, concluise que o §4º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 tem por objetivo impedir o cálculo de qualquer crédito pelas empresas comerciais exportadoras no que diz respeito às receitas 1 Art. 27. Não cabe recurso de ofício das decisões prolatadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em processos relativos a tributos administrados por esse órgão: (Redação dada pela Lei nº 12.788, de 2013) I quando se tratar de pedido de restituição de tributos; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) II quando se tratar de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) III quando se tratar de reembolso do saláriofamília e do saláriomaternidade; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV quando se tratar de homologação de compensação; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) V nos casos de redução de penalidade por retroatividade benigna; e (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) VI nas hipóteses em que a decisão estiver fundamentada em decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade, em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal e no disposto no § 6o do art. 19. (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) 2 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 16366.720427/201341 Acórdão n.º 3201004.504 S3C2T1 Fl. 8 7 decorrentes de exportação de mercadorias recebidas com fins específicos de exportação e não apenas àquelas já abrangidos pela vedação presente no art. 3º, §2º, II, da mencionada lei” Todavia, a mera referência do auditor à Solução de Consulta, do ano de 2009, não performa alteração de critério jurídico da Receita Federal. A mudança de critério jurídico se caracterizaria se houvesse ato da Receita Federal que alterasse entendimento oficial, presente em ato anterior. Não há demonstração dessa alteração, no caso. Caso a recorrente se refira à alterações na legislação, a preliminar se confunde com o mérito, que analisará as matérias conforme a legislação vigente nas datas dos fatos geradores. Assim, afasto a preliminar. Mérito Créditos sobre dispêndios vinculados a mercadorias adquiridas com fim específico de exportação Conforme relatado, foram glosadas despesas relativas a fretes, armazenagem, energia elétrica, aluguéis e outros dispêndios vinculados a operações com mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. A aquisição da mercadoria com fim específico de exportação não gera direito a crédito, cf. §4º do artigo 6º da Lei 10.833/2003, o que é incontroverso no presente processo. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. O mesmo aplicase ao Pis, cf. art. 15, III: Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 16366.720427/201341 Acórdão n.º 3201004.504 S3C2T1 Fl. 9 8 (...) III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Todavia, a recorrente sustenta que tais dispositivos vedam apenas o crédito sobre a aquisição da mercadoria em si, e não sobre os demais dispêndios vinculados às operações com tais mercadorias, como fretes, armazenamento, energia elétrica, aluguéis, etc, vinculados a essas exportações de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. Há lógica no entendimento da recorrente, posto que a empresa vendedora somente apurou créditos sobre seus dispêndios logísticos até a venda com fim específico de exportação, e a empresa comercial exportadora tem dispêndios para efetivar a exportação dessas mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, dispêndios esses sobre os quais os fornecedores pagam Pis e Cofins – o dono do imóvel de aluguel, a transportadora, etc que não foram aproveitados como geradores de créditos na cadeia anterior. Assim, sob o enfoque da finalidade da Lei, que é desonerar as exportações dos tributos incidentes na cadeia, a pretensão da recorrente encontraria abrigo. Todavia, a Lei é clara ao vedar a pretensão. A expressão legal é que, para as empresas comerciais exportadoras, é vedado o aproveitamento de créditos vinculados à receita de exportação”, o que, evidentemente, abrange os dispêndios tratados, e não somente as mercadorias em si. Com efeito, tais dispêndios são vinculados às receitas de exportação, do mesmo modo que os mesmos dispêndios, no caso da empresa vendedora, são vinculados à receita de exportação e desonerados, conforme §§8º e 9º do artigo 3º, combinados com §3º do artigo 6º: § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (...) § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. Isto é, quando a Lei se refere aos dispêndios (custos, despesas e encargos) vinculados à receita de exportação, referese justamente a fretes, armazenamento, aluguéis, energia elétrica, etc, vinculados à receita de exportação, que deveriam ser apurados em apropriação direta ou proporcional. Portanto, a expressão do §3º do artigo 6º da Lei 10.833/2003 é pela vedação dos créditos pretendidos pela recorrente. Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 16366.720427/201341 Acórdão n.º 3201004.504 S3C2T1 Fl. 10 9 Quanto ao art. 17 da Lei 11.033/2004, não prevalece sobre a vedação específica do §4º do art. 6º da Lei 10.833/2003, segundo o consagrado princípio hermenêutico da especificidade. Créditos sobre aquisições de mercadorias vendidas com suspensão A legislação é clara ao vedar o crédito integral sobre aquisições de cerealistas, cf. §4º do artigo 8º da Lei 10.925/2004, na redação então vigente: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 16366.720427/201341 Acórdão n.º 3201004.504 S3C2T1 Fl. 11 10 II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. § 1o O disposto neste artigo: I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. As notas fiscais autuadas continham a expressão “Venda com Suspensão”, conforme orienta a IN 660/2006, art. 2º, §2º: Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action ?idArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011) b) 12.01 e 18.01; II de leite in natura; III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. A empresa alega que tais aquisições foram feitas para revendas, e não para industrialização, o que descaracterizaria a suspensão da inciDência de Pis e Cofins da operação. Todavia, tal alegação contraria os documentos fiscais. Aduz ainda que não industrializa soja. Decerto que a atividade de mera revenda não caracterizaria a suspensão. Todavia, considerando que a vendedora considerou a venda como passível de suspensão, não tributou a operação com o Pis e a Cofins, o que impede o aproveitamento integral das contribuições. O negócio efetuado foi, conforme o documento fiscal, e portanto, para a vendedora, para que a Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 16366.720427/201341 Acórdão n.º 3201004.504 S3C2T1 Fl. 12 11 mercadoria fosse industrializada. Não pode a recorrente, depois desse negócio assim acertado, mudar a finalidade da aquisição, para direcionála à revenda, e pretender com isso o crédito integral nas operações. Caso o documento fiscal seja equivocado, cumpre à recorrente produzir prova robusta dessa inconsistência, na ocasião, isto é, que o negócio tenha sido feito com finalidade de revenda. Com efeito, não poderia a operação ter sido acordada como sendo com suspensão, o que significaria o não pagamento de Pis e Cofins na vendedora, para depois a recorrente apropriarse do crédito integral e alegar que não industrializou as mercadorias adquiridas. Em outras palavras, não basta que a recorrente não tenha industrializado a mercadoria, cumpre ainda que a vendedora tivesse ciência disso e tributado a operação. Verifico, pois, que tal prova não foi produzida pela recorrente, que alega ter feito cartas de correção das notas fiscais, porém não as juntou. E, ainda, se tivesse juntado, tais cartas de correção deveriam ser auditadas para aferição de sua tempestividade e efetividade. Sem tais elementos, não há como albergar a pretensão da recorrente. A recorrente alega ainda que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 teria derrogado a vedação da apropriação de crédito integral em foco. Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Tal artigo trata do crédito na vendedora, e não na compradora. No caso das operações em foco, a recorrente foi a compradora. Portanto, inaplicável o dispositivo em seu benefício. Portanto, não há direito ao crédito de Pis e Cofins em tais aquisições. Conclusão Pelo exposto, voto por afastar as preliminares, e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.003303/2004-98
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996
COMPENSAÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS DO PIS SOMENTE COM O PRÓPRIO PIS. DIREITO SUPERVENIENTE. POSTERIOR UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS JUDICIAIS PARA A COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITOS DE OUTROS TRIBUTOS DA INTERESSADA. POSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. EFEITOS.
Os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, no caso de a legislação posterior admitir tal hipótese.
Não há violação da coisa julgada quando norma posterior permite a compensação do crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, mas tão somente justa adequação do direito às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação.
Numero da decisão: 9303-007.883
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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TÍTULO JUDICIAL. DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS DO PIS SOMENTE COM O PRÓPRIO PIS. DIREITO SUPERVENIENTE. POSTERIOR UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS JUDICIAIS PARA A COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITOS DE OUTROS TRIBUTOS DA INTERESSADA. POSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. EFEITOS. Os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, no caso de a legislação posterior admitir tal hipótese. Não há violação da coisa julgada quando norma posterior permite a compensação do crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, mas tão somente justa adequação do direito às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 33 03 /2 00 4- 98 Fl. 804DF CARF MF Processo nº 10920.003303/200498 Acórdão n.º 9303007.883 CSRFT3 Fl. 805 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 330100.382, de 03 de dezembro de 2009 (fls. 665 a 673 do processo eletrônico), proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, retificado pelo acórdão n.º 3301001.933, de 23 de julho de 2013, que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem nas declarações de compensação transmitidas pelo Contribuinte, sendo que em todas as Dcomp’s houve a indicação de um crédito que adviria do processo judicial n.º 93.010248601, com decisão transitada em julgado em 05/03/1997, contendo uma autorização para compensação com tributos de espécies diferentes, havendo a seguinte descrição do tipo de crédito "CRÉDITO DECORRENTE DE RECOLHIMENTO A MAIOR A RUBRICA DO PIS", sendo que a pretensão do Contribuinte era utilizar tal credito para quitar débitos fiscais de diversos Fl. 805DF CARF MF Processo nº 10920.003303/200498 Acórdão n.º 9303007.883 CSRFT3 Fl. 806 3 tributos e contribuições; o crédito, indicado na primeira das Dcomp’s transmitidas, era np montante de R$ 3.130.910,50. Nos termos do despacho decisório exarado, o pedido formulado pelo Contribuinte foi indeferido, não sendo homologadas as declarações de compensação. O Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: quanto ao processo nº 93.01024861 e à alegação de prescrição: destaca a arguição do fisco no tocante a prescrição, que, segundo entende, não deve prosperar; menciona a passagem do despacho decisório que diz que a contribuinte poderia promover a liquidação da sentença, transitada em julgado em 05/03/1997, até 04/03/2002; argumenta ter sido o que fez, pois em 04/03/2002 protocolizou pedido administrativo de restituição dos valores pagos a maior a título de PIS, conforme lhe autorizariam as referidas ações judiciais; quanto ao processo judicial n.º 91.01038150: com respeito a esse processo judicial diz que a autoridade fiscal invocou o PAF n.º 10920.002479/9228, destacando que no mesmo, em 1996, fezse levantamento sobre eventual crédito do contribuinte, em virtude de solicitação de levantamento dos depósitos judiciais, constatando se, na verdade existência de diferenças em favor do fisco, tendo o contribuinte reconhecido a dívida e a parcelado; da interpretação cabível ao caso: comenta as argumentações fiscais, contidas nos tópicos "interpretação cabível ao caso" e "interpretação dada pelo STJ", que iriam no sentido de não haver decisão judicial pela adoção da semestralidade da base de cálculo do PIS, posto que não foi esse o objeto do pedido judicial da contribuinte, que requerera, na verdade, o restabelecimento do prazo de seis meses para o recolhimento da contribuição, tendo o Judiciário decidido, quanto à interpretação a ser dada ao parágrafo único do art. 6° da Lei Complementar nº. 07/70, pela observância dos prazos de recolhimento previstos na legislação superveniente, entende que não merece prosperar essa interpretação do fisco, uma vez que o procedimento que adotou é aquele autorizado pela decisão judicial, e que é o entendimento pacifico adotado pelo STJ, argumenta que se na decisão consta que o prazo de recolhimento deve obedecer a legislação superveniente é evidente que o parágrafo único da Lei Complementar nº. 07/70 tratou da semestralidade; da interpretação dada pelo STJ: volta a sustentar que a interpretação ao art. 6°, parágrafo único, da Lei Complementar nº. 07/70, dada pelo STJ, é pela adoção da tese Fl. 806DF CARF MF Processo nº 10920.003303/200498 Acórdão n.º 9303007.883 CSRFT3 Fl. 807 4 da semestralidade da base de cálculo do PIS, a qual, diferentemente do entendimento do fisco, estenderseia, ao caso em discussão. A DRJ em Curitiba/PA julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado deu provimento parcial, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. O deferimento dos embargos de declaração pode ter, em alguns casos, efeitos infringentes, no sentido de determinar a modificação do julgamento anteriormente realizado (Acórdão CSRF/0104.539), razão pela qual retificase o Acórdão nº 330100.382 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, cuja ementa e decisório passam a ter a seguinte redação: SEMESTRALIDADE. Até o advento da Medida Provisória 1.212/95 a base de cálculo do PIS corresponde ao sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Assunto esse já sumulado no âmbito do CARF (Súmula CARF nº 15): “A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. ” PEDIDO DE COMPENSAÇÃO, DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS DIFERENTES. Na forma da Nota COSIT nº 141/03, é possível, no processo administrativo, assegurar ao contribuinte a compensação de seus créditos de PIS com débitos de quaisquer outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, não obstante a decisão judicial tenha se adstrito a possibilitar a compensação de PIS com parcelas do próprio PIS. Embargos Acolhidos. Recurso Parcialmente Provido. O Contribuinte opôs embargos de declaração às fls. 687 a 719, sendo que estes foram acolhidos com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso da Recorrente, reconhecendose o direito à apuração do indébito de PIS, já reconhecido pelo Poder Judiciário, devendo a unidade de origem ao apurar o indébito, apuralo com base na semestralidade da base de cálculo, sem correção monetária, nos termos do art. 6º da Lei Complementar n.º 7, de 19970, e Súmula CARF nº15, bem como vedada a compensação de ofício de eventuais débitos que não tenham sido objeto de regular lançamento ou confessados pela Contribuinte, homologandose as compensações declaradas, até o montante do crédito Fl. 807DF CARF MF Processo nº 10920.003303/200498 Acórdão n.º 9303007.883 CSRFT3 Fl. 808 5 apurado, sem as limitações impostas pela decisão recorrida, podendo ser compensado com qualquer tributo administrado pela SRFB – acordão nº 3301001.933, de 23/07/2013 (fls.739 a 751). A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 755 a 763) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito à decisão judicial transitada em julgado que restringiu o direito à compensação a créditos e débitos da contribuição para o PIS. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma os acórdãos nº 20402.901 e nº 20313.554. A comprovação dos julgados firmouse pela transcrição de inteiro teor das ementas dos acórdãos paradigmas no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 766 a 768. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 775 a 791, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e que seja mantido o v. acórdão. É o Relatório. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento, conforme despacho de fls. 766 a 768. Fl. 808DF CARF MF Processo nº 10920.003303/200498 Acórdão n.º 9303007.883 CSRFT3 Fl. 809 6 Pois, em ambos os acórdãos paradigmas, decidiuse pela necessária observância da decisão judicial transitada em julgado que reconheceu o direito à compensação do indébito da contribuição para o PIS somente com débitos do mesmo tributo, não obstante lei posterior autorizando a compensação com quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Cotejando o acórdão recorrido com os acórdãos paradigmas, constatouse que houve encaminhamentos distintos para a mesma situação fática, com interpretações diversas da legislação aplicável, tendose, portanto, por configurada a divergência jurisprudencial regimentalmente requerida. Desta forma, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Do mérito Nos termos do despacho decisório foram homologadas em parte as compensações declaradas pelo Contribuinte, apenas as compensações de PIS com PIS, não sendo homologadas as compensações de PIS com outros tributos, obedecendo o disposto da decisão judicial juntada aos autos. A decisão recorrida entendeu que: Quanto ao outro item sob julgamento, sobre a compensação do crédito do indébito de PIS/Pasep, com débito de outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, entendo que nos termos do art. 49 da Lei n" 10.637/02, que alterou o art. 74, §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/96, que assim expôs: "o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão". Fl. 809DF CARF MF Processo nº 10920.003303/200498 Acórdão n.º 9303007.883 CSRFT3 Fl. 810 7 De acordo, inclusive com a IN nº 210/02, cujo art. 21 estatuiu: "o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizála na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF". Nesse sentido, importante ressaltar que esse assunto já foi pacificado pela própria Coordenação Geral de Tributação (COSIT), na forma da Nota COSIT nº 141, de 23 de maio de 2003, que ora transcrevo em sua inteireza: Relevante destacar que a sentença, foi proferida em 05/03/1997, data anterior a entrada em vigor da Lei nº. 10.637/02 (01/10/2002), que alterou o art. 74 da Lei nº. 9.430/96 para permitir a compensação com tributos diversos. O art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº. 10.637/02 regula o instituto da compensação tributária nos seguintes termos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Se o trânsito em julgado ocorreu na vigência da redação original do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, e a implementação da compensação (a entrega da Dcomp) vier a ser realizada após a entrada em vigor da Medida Provisória n.º 66, de 2002, mesmo que a decisão judicial tenha limitado o direito à compensação a tributos de mesma espécie, o contribuinte tem o direito a compensar débito referente a qualquer tributo administrado pela RFB vez que o legislador reafirmou este seu direito em uma nova lei posterior. A Lei nº 10.637/2002 sedimentou a desnecessidade de equivalência da espécie dos tributos compensáveis, na esteira da Lei n.º 9.4300/96, a qual não mais albergava esta limitação. Fl. 810DF CARF MF Processo nº 10920.003303/200498 Acórdão n.º 9303007.883 CSRFT3 Fl. 811 8 A Receita Federal do Brasil desde 2003 vem se posicionando no sentido que o Contribuinte pode compensar créditos relativos à contribuição para o PIS/PASEP a ele reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com débitos próprios referentes a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a sentença, fundada em dispositivos legais restritivos vigentes à época de sua prolação (posteriormente modificados), disponha diversamente. Segue abaixo várias Soluções de Consulta e de Divergência sobre o tema: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 244, DE 28 DE NOVEMBRO DE 2003. ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: COMPENSAÇÃO. COISA JULGADA. LEI SUPERVENIENTE FAVORÁVEL. O sujeito passivo pode compensar créditos relativos à contribuição para o PIS/PASEP a ele reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com débitos próprios referentes a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a sentença, fundada em dispositivos legais restritivos vigentes à época de sua prolação (posteriormente modificados), disponha diversamente. A compensação deverá ser efetuada por meio do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Não é admitida, entretanto, a compensação desses créditos com débitos de terceiros, a exemplo dos débitos dos fabricantes e dos importadores de veículos, oriundos da obrigação, relativamente às vendas que fizerem, de cobrar e recolher, na condição de contribuintes substitutos, a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelos comerciantes varejistas, ainda que o detentor dos créditos seja o contribuinte substituído. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 5.172, de 1966, arts. 128 170 e 170A; Lei nº 8.383, de 1991, art. 66; Lei nº 9.250, de 1995, art. 39; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74; Lei nº 10.637, de 2002, art. 49; Lei nº 10.677, de 2003; Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 43; Medida Provisória nº 135, Fl. 811DF CARF MF Processo nº 10920.003303/200498 Acórdão n.º 9303007.883 CSRFT3 Fl. 812 9 de 2003, art. 17; IN SRF nº 210, de 2002, art. 30; IN SRF nº 360, de 2003. VERA LÚCIA RIBEIRO CONDE Chefe da Divisão de Tributação SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 2 de 22 de Setembro de 2010 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002, RESTRITIVA A TRIBUTO DE MESMA ESPÉCIE. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, ou ainda, que tenha permitido apenas a repetição do indébito, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB (a) se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou (b) se a legislação vigente quando do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 279, DE 07 DE OUTUBRO DE 2014 ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DE CRÉDITO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10920.003303/200498 Acórdão n.º 9303007.883 CSRFT3 Fl. 813 10 tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. As restrições à compensação da nova legislação devem ser observadas. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 543C da Lei nº 5.869, de 1973 (CPC); art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002; arts. 41, 81 e 82 da IN RFB nº 1.300, de 2012. SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 382, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2014 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002; POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB — exceção feita às contribuições previdenciárias e tributos apurados na sistemática do Simples Nacional — quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. EXECUÇÃO JUDICIAL. DESISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO NA VIA ADMINISTRATIVA. PRAZO PRESCRICIONAL. Tendo o contribuinte iniciado a execução na via judicial e posteriormente dela desistido, o direito de compensar prescreve no prazo de cinco anos contados a partir da homologação da desistência pelo Juízo da execução. No período entre o pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a ciência do seu deferimento definitivo no âmbito administrativo, o Fl. 813DF CARF MF Processo nº 10920.003303/200498 Acórdão n.º 9303007.883 CSRFT3 Fl. 814 11 prazo prescricional para apresentação da Declaração de Compensação fica suspenso. O crédito habilitado pode comportar mais de uma Declaração de Compensação, todas sujeitas ao prazo prescricional de cinco anos do trânsito em julgado da sentença ou da extinção da execução, não havendo interrupção da prescrição em relação ao saldo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. As decisões judiciais que reconheçam o indébito tributário não podem ser objeto de pedido de restituição administrativo, sob pena de ofensa ao art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB). DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 100 da CRFB/88; art. 108, I, arts. 168 a 170, e art. 174, I, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN); arts. 460 e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 (CPC); art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991; art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002; arts. 41, 81 e 82 da IN RFB nº 1.300, de 2012; Parecer Normativo Cosit/RFB nº 11, de 2014. SOLUÇÃO DE CONSULTA DISIT/SRRF06 Nº 6035, DE 12 DE JULHO DE 2017 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB – exceção feita às contribuições previdenciárias e aos tributos apurados na sistemática do Simples Nacional – quando a Fl. 814DF CARF MF Processo nº 10920.003303/200498 Acórdão n.º 9303007.883 CSRFT3 Fl. 815 12 legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As decisões judiciais que reconhecem o indébito tributário não podem ser objeto de pedido administrativo de restituição, sob pena de ofensa ao art. 100 da Constituição Federal de 1988. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 382, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2014. DISPOSITIVOS LEGAIS: CF, de 1988, art. 100, Lei nº 9.430, de 1996, art. 74 e IN RFB nº 1.300, de 2012, arts. 41, 81 e 82. Também através da Nota COSIT nº 141, de 23 de maio de 2003, a Receita Federal entendeu pela possibilidade de aplicação da legislação ulterior mais benéfica ao contribuinte que aquelas definidas em decisão judicial transitada em julgado. A Receita Federal publicou, também, a Solução de Consulta 29/COSIT/SRF, segundo a qual “como regra geral, desde que observadas as restrições previstas na legislação vigente, os débitos próprios relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal podem ser compensados com os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, mesmo que essa decisão tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie”. Solução de Consulta nº 29 Cosit Data 30 de março de 2016 Processo Interessado CNPJ/CPF ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS RECONHECIDOS POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS A LEI Nº 10.637/2002. RESTRIÇÕES. Como regra geral, desde que observadas as restrições previstas na legislação vigente, os débitos próprios relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB podem ser compensados com os créditos relativos a tributos administrados pela RFB reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, mesmo que essa Fl. 815DF CARF MF Processo nº 10920.003303/200498 Acórdão n.º 9303007.883 CSRFT3 Fl. 816 13 decisão tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie. Entre as referidas restrições da legislação em vigor citase, exemplificativa, mas não exaustivamente, a impossibilidade de compensar débitos relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’, e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/1991 com créditos relativos aos demais tributos administrados pela RFB. Dispositivos Legais: CTN, 170; Lei nº 11.457/2007, arts. 2º e 26, parágrafo único; Lei nº 8.383/1991, art. 66; Lei nº 8.212, art. 89, caput; IN RFB nº 1.300/2012, arts. 41, caput, e 56, caput. Como se pode ver todos os casos acima se aplicam perfeitamente ao presente caso. Sobre o tema ainda, encontrei diversos posicionamentos esclarecendo que as sentenças transitadas em julgado posteriormente à Lei 10.637/2002 — mesmo na hipótese de terem autorizado apenas a compensação entre tributos da mesma espécie — poderiam ser utilizadas pelos contribuintes para a compensação com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Prevaleceu, assim, a aplicação da norma contida em lei a despeito de restrição eventualmente estabelecida em sentença. Tal se justifica na medida em que o contribuinte pode ter requerido o reconhecimento do seu indébito em juízo de forma mais restritiva antes da alteração legislativa que veio a permitir a compensação ampliada. A alteração na legislação e no procedimento de compensação poderia, portanto, ser aplicada posteriormente. Ademais, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acordão nº 9303 002.458, de Relatoria do Conselheiro Rodrigo Possas, manifestouse no mesmo sentido: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2001 a 30/04/2002 AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. RELATIVIZAÇÃO. É permitida a compensação do PIS com outros tributos administrados pela SRF, não obstante a decisão judicial tenha se apenas permitido à compensação de Fl. 816DF CARF MF Processo nº 10920.003303/200498 Acórdão n.º 9303007.883 CSRFT3 Fl. 817 14 COFINS com parcelas da própria COFINS. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Verificase que, no âmbito administrativo, há entendimento consolidado no sentido de que os créditos relativos a tributos administrados pela RFB, reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Por conseguinte, se a decisão judicial transitada em julgado não tiver sido proferida com base na legislação posterior, esta poderá ser aplicada, possibilitando o contribuinte de efetuar compensação com débitos de outra espécie. Quanto ao teor do título judicial em favor da Contribuinte, ressaltese que o mesmo, de fato, se restringe ao direito de compensação das parcelas pagas a maior a título do PIS com o próprio PIS, atendendo somente em parte ao pleito da demandante, que buscava a compensação dos indébitos do PIS com o próprio PIS, a COFINS, a CSLL e o IRPJ. Contudo, o reconhecimento apenas parcial do direito pela Justiça, frente à legislação restritiva do direito de compensação à época vigente, não impede seja aludido título judicial aproveitado para a quitação de outros débitos da recorrente, como autorizado pela legislação superveniente, não sendo razoável exigir que a decisão judicial admitisse hipótese de compensação ainda não albergada pela legislação vigente à época da autuação do processo. Logo, o deferimento administrativo do direito de compensar o crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal não importa em desobediência à decisão judicial, mas tão somente uma justa adequação do direito da interessada às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação. Por fim o Superior Tribunal de Justiça se manifestou no Resp. 1.137.738, no sentido de que o contribuinte pode proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, de acordo com as normas posteriores, ressalvandose o direito de o contribuinte Fl. 817DF CARF MF Processo nº 10920.003303/200498 Acórdão n.º 9303007.883 CSRFT3 Fl. 818 15 proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART.543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇAO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART.170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇAO. MAJORAÇAO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇAO DO ART.535 DO CPC NAO CONFIGURADA. [...] 2. A Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, ato normativo que, pela vez primeira, versou o instituto da compensação na seara tributária, autorizou apenas entre tributos da mesma espécie, sem exigir prévia autorização da Secretaria da Receita Federal (artigo 66). 3. Outrossim, a Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na Seção intitulada "Restituição e Compensação de Tributos e Contribuições", determina que a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal (artigo 73, caput), para efeito do disposto no artigo 7º, do DecretoLei 2.287/86. [...] 6. A Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (regime jurídico atualmente em vigor) sedimentou a desnecessidade de equivalência da espécie dos tributos compensáveis, na esteira da Lei 9.4300/96, a qual não mais albergava esta limitação. 7. Em consequência, após o advento do referido diploma legal, tratandose de tributos arrecadados e administrados pela Secretaria da Receita Federal tornouse possível a compensação tributária, independentemente do destino de suas respectivas arrecadações, mediante a entrega, pelo contribuinte, de declaração na qual constem informações acerca dos créditos utilizados e Fl. 818DF CARF MF Processo nº 10920.003303/200498 Acórdão n.º 9303007.883 CSRFT3 Fl. 819 16 respectivos débitos compensados, termo a quo a partir do qual se considera extinto o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, que se deve operar no prazo de 5 (cinco) anos. [...] 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp488992/MG). A vista do exposto voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 819DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.903418/2010-44
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.534
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 34 18 /2 01 0- 44 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10783.903418/201044 Acórdão n.º 1002000.534 S1C0T2 Fl. 91 2 Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 73/74) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 61/65), proferida em sessão de 07 de outubro de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 1241.288, da 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ (DRJ/RJ1), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 02/03) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 03/08/2010 (efl. 04), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 39918.09737.140706.1.3.048003 (efls. 20/24), transmitido em 14/07/2006, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 CRÉDITO JÁ UTILIZADO EM OUTRO PER/DCOMP. DUPLICIDADE. Comprovado que o crédito em questão foi integralmente utilizado em outro PER/DCOMP, não restando valor disponível, não se homologam as compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Trata o presente processo de DCOMP n.º 39918.09737.140706.1.3.048003 (fls. 20/24) não homologada por meio do despacho decisório (fl. 04) em virtude da impossibilidade de confirmar a procedência do crédito original informado pois a declaração (obrigação acessória) relativa ao período correspondente não foi apresentada. A DCOMP informa crédito relativo a pagamento indevido, arrecadado em 10/07/2002, sob o código 6106, no valor de R$ 4.972,59, Período de Apuração: 30/06/2002. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10783.903418/201044 Acórdão n.º 1002000.534 S1C0T2 Fl. 92 3 A interessada foi cientificada em 16/08/2010 (fl. 25) e apresentou manifestação de inconformidade em 27/08/2010 (fls. 02/03) alegando que: apresenta manifestação de inconformidade contra o indeferimento da DCOMP n.º 25036.28771.240706.1.3.043320; que não transmitiu a DCOMP n.º 39918.09737.140706.1.3.048003, citada no despacho decisório, e que tal declaração de compensação não foi localizada pelo atendimento da RFB; que foi excluída do Simples por meio do ato declaratório executivo DRF/VIT n.º 422180, de 07/08/2003, com efeitos desde 01/01/2002; que a Declaração PJ Simples apresentada foi cancelada após a exclusão; que recalculou seus tributos, apresentou a DIPJ com base no Lucro Presumido e solicitou a compensação de tais tributos com o Simples recolhido indevidamente. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 4.972,59, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, não foi possível confirmar a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, pois a declaração (obrigação acessória) relativa ao período correspondente não foi apresentada à Receita Federal, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 30/06/2002 6106 R$ 4.972,59 10/07/2002 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/08/2010 Principal: R$ 8.460,86 Multa: R$ 1.692,16 Juros: R$ 9.494,21 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Verificase que a interessada pleiteou o mesmo crédito por meio das DCOMPs n.º 32987.57489.130706.1.3.041129, n.º 39918.09737.140706.1.3.048003 e n.º 25036.28771.240706.1.3.043320. A dcomp n.º 25036.28771.240706.1.3.043320 está pendente de análise, portanto, não cabe apresentação de manifestação de inconformidade, uma vez que não houve análise pela unidade de origem (DRF Vitória). A dcomp n.º 39918.09737.140706.1.3.048003 é o objeto deste processo e não cabe a alegação de que não foi transmitida, nem localizada, já que consta cópia da mesma (fls. 20/24) Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10783.903418/201044 Acórdão n.º 1002000.534 S1C0T2 Fl. 93 4 acostada no presente processo e discrimina os dados do mesmo DARF pleiteado anteriormente pela interessada. Quanto a dcomp n.º 32987.57489.130706.1.3.041129, o crédito já foi reconhecido por meio do acórdão n.º 1232.781 de 18/08/2010 (fls. 56/60). Desta forma, não há crédito disponível visto que o crédito pleiteado já foi integralmente utilizado na DCOMP 32987.57489.130706.1.3.041129. No recurso voluntário (efls. 73/74), em síntese, o contribuinte reiterou os termos da manifestação de inconformidade. Argumenta que o PER/DCOMP objeto dos autos deve ser cancelado e afirma que os débitos que estão sendo cobrados em sua totalidade não correspondem ao apurado e declarado nas respectivas obrigações acessórias, bem como encontramse pagos ou compensados. Diz que não apresentou o PER/DCOMP em questão, pois os débitos informados já foram liquidados de forma distinta. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10783.903418/201044 Acórdão n.º 1002000.534 S1C0T2 Fl. 94 5 Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 4.972,59. Observo, ainda, que o Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 28/11/2011, efls. 67 e 72, e protocolo recursal em 22/12/2011, efl. 73), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição, aliás, em regra, a análise do crédito é o objeto da lide, da análise da inconformidade; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação do débito confessado com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte aponta em confissão e indica para ser objeto da quitação via compensação. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10783.903418/201044 Acórdão n.º 1002000.534 S1C0T2 Fl. 95 6 No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, não reconhecendo a existência de crédito líquido e certo, não reconhecendo o pagamento indevido ou a maior vindicado, negando a restituição do crédito requerido. Observase que, na primeira análise, pelos sistemas informatizados da Receita Federal, o suposto crédito, proveniente do DARF indicado no PER/DCOMP, não tinha como ser aferido, deixando de se apresentar de forma líquida e certa, pois a obrigação acessória não havia sido cumprida e cuidandose de sistema eletrônico a confrontação da liquidez e certeza passaria pelos cruzamentos de dados armazenados digitalmente. De toda sorte, a DRJ bem analisou toda a contenda destacando que a recorrente vindicou o direito creditório objeto desta lide (PER/DCOMP n.º 39918.09737.140706.1.3.048003) em outros PER/DCOMP's, a saber: n.º 32987.57489.130706.1.3.041129 e n.º 25036.28771.240706.1.3.043320. Aliás, constatou a primeira instância que no PER/DCOMP n.º 32987.57489.130706.1.3.041129 o crédito já foi reconhecido por meio do acórdão n.º 1232.781, de 18/08/2010 (fls. 56/60). Lá foi reconhecido o direito de compensar os pagamentos indevidos realizados na sistemática do SIMPLES com débitos relativos a apuração pelo lucro presumido, sendo que, após o procedimento compensatório, não remanesceu créditos. Logo, não há crédito para o PER/DCOMP desta lide, vez que o crédito pleiteado já foi integralmente utilizado. Não havendo saldo disponível, então assiste razão ao indeferimento da compensação, eis que não se reconhece o direito creditório, não se comprovou o indicado crédito líquido e certo, incontroverso. Por outro lado, numa análise mais criteriosa e expansiva da defesa observase que o recorrente alega que o PER/DCOMP objeto destes autos não teria sido transmitido, nem localizado. Deveras, o contribuinte vem alegar que o PER/DCOMP objeto dos autos deve ser cancelado e afirma que os débitos que estão sendo cobrados em sua totalidade não correspondem ao apurado e declarado nas respectivas obrigações acessórias, bem como encontramse pagos ou compensados. Sustenta, inclusive, que não teria apresentado o PER/DCOMP em questão, pois os débitos informados já teriam sido liquidados de forma distinta. Pois bem. Não assiste razão ao recorrente quanto a afirmativa de que não apresentou o PER/DCOMP objeto desta lide, uma vez que o mesmo consta anexado neste processo e, em regra, decorre de transmissão do sujeito passivo ou de seu procurador ou preposto, inclusive constando os dados decorrentes da transmissão eletrônica (efls. 20/24). Aliás, quanto a negativa de autoria da transmissão do PER/DCOMP, o recorrente, a despeito de suas alegações, não apresenta quaisquer provas para comprovar seu arrazoado, não apresenta o mínimo de elementos para uma eventual possibilidade de reconhecimento do alegado. Sequer afirma, sob as penas da lei, que não foi o autor do PER/DCOMP; não apresenta protocolo de eventual processo administrativo próprio para apuração do suposto fato; não junta eventual boletim de ocorrência de suposto delito, denunciando a suposta infração penal por uso indevido de seu nome por terceiros na apresentação do PER/DCOMP. Desta feita, não há como considerar as afirmativas da defesa, desprovidas de elementos mínimos de verossimilhança. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10783.903418/201044 Acórdão n.º 1002000.534 S1C0T2 Fl. 96 7 Em realidade, consoante se lê no recurso voluntário, o sujeito passivo não controverte quanto a improcedência do pedido de crédito, portanto é, inclusive, incontroverso a inexistência do direito creditório. O que pretende, efetivamente, o sujeito passivo é atacar os débitos confessados, indicados para extinção por meio da compensação, os quais não foram compensados por inexistir o direito creditório. Em outras palavras, o ponto de inconformismo do contribuinte, em última análise, é a pretensão de cancelar o PER/DCOMP ou os efeitos jurídicos da DCOMP, pretendese negar a existência dos débitos confessados ou, alternativamente, objetiva que se reconheça que os mesmos já estão extintos ou que não houve a confissão, caso ocorra o cancelamento com retorno ao status quo ante. Pois bem, mesmo assim, não prospera o inconformismo do sujeito passivo, não lhe assistindo razão. Não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. Vejase. Não existe erro in procedendo ou erro in iudicando no julgamento de primeira instância, de modo que não se pode falar em reforma do julgado. Deve ser ressaltado que, mesmo que fosse possível efetuar o cancelamento da declaração de compensação após seu julgamento, não existe permissão para tal em sede recursal, pois eventual pedido neste viés deveria ter sido direcionado à Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) da jurisdição do contribuinte cuja autoridade é competente para apreciar pedido de cancelamento de declaração, conforme previsão normativa contida no art. 295, inciso XI, do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n.º 587, de 21 de dezembro de 2010, já que a matéria referente a cancelamento de declaração de compensação não está na esfera de competência das autoridades julgadoras recursais. Importante frisar que o julgamento destes autos se limita ao controle de legalidade do ato administrativo de não homologação da compensação por inexistência do direito creditório. Vale dizer, os débitos que constam confessados na DCOMP, pelo próprio contribuinte, não são o objeto do mérito a analisar. A indicação dos débitos ocorreu de modo unilateral pelo próprio contribuinte, sendo ato próprio de sua responsabilidade, impondo a legislação força de confissão de dívida (Lei 9.430, art. 74, § 6.º). Se referidos débitos já foram extintos, por quaisquer que sejam os meios e formas em que ocorreu eventual extinção, hipótese em que seria uma duplicidade exigi los na DCOMP objeto destes autos, a qual teve a compensação negada, se eventualmente puder se falar que ocorreu erro de fato na confissão deles por ocasião da transmissão da referida declaração pelo contribuinte, a solução não passa por este caderno processual, mas sim por postulação diretamente na unidade de origem, por força de competência própria. Explico. Para evitar eventual indébito, com recolhimento em duplicidade do mesmo tributo, caso o débito confessado na DCOMP já tenha sido extinto, tendo sido um "equívoco" indicálo na DCOMP, deverá o sujeito passivo postular a confirmação da inexistência do débito ou, na realidade, a extinção dele, em petição própria, encaminhada para a autoridade administrativa na origem (DRF), requerendo o cancelamento de ofício da cobrança a fim de obstar uma dupla exigência tributante ou uma exigência indevida, afinal o procedimento justificase pelas próprias características da obrigação tributária e pelo princípio da verdade material, pois o tributo somente é devido se houver plena subsunção Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10783.903418/201044 Acórdão n.º 1002000.534 S1C0T2 Fl. 97 8 entre o fato que se observa na realidade e aquela hipótese prevista pelo legislador e na exata medida de sua mensuração. Eventual erro de fato, com o apontamento em DCOMP de débito extinto ou que se extinguiu no tempo após transmissão da declaração, trazendo duplicidade de exigência neste momento, caso seja compelido a pagar o débito confessado em DCOMP, deve ser objeto de pedido de revisão de ofício junto às Delegacias da Receita Federal do Brasil (CTN, art. 149, IV e V; art. 145, III), por força de competência própria não outorgada ao juízo recursal, requerendose que a autoridade competente, através da fiscalização, proceda à revisão de ofício de crédito tributário constituído e de declaração(ões) apresentada(s) pelo sujeito passivo. Cumprirá à unidade de origem, se for o caso, verificar se o crédito tributário reconhecido e confessado no PER/DCOMP já foi objeto de pagamento ou extinto por outros meios legais de extinção do crédito tributário (do débito do contribuinte), evitandose uma duplicidade de exigência tributante de uma mesma situação. Adotarseá, para cada cenário, os procedimentos administrativos pertinentes, sendo certo que um só fato gerador não poderá resultar em duas exações. Em suma, carece, em regra, este Colegiado de competência para dizer o direito relativo ao pronunciamento sobre o débito indicado unilateralmente pelo contribuinte para a compensação. O objeto do julgamento é exercer o controle de legalidade do ato administrativo de não homologação da compensação por base no não reconhecimento da parcela do direito creditório vindicado. A regra não é focar no débito, mas no direito creditório postulado. Devese analisar se há erro in procedendo ou erro in iudicando no não reconhecimento do direito creditório. Eis a temática em litigiosidade. Por conseguinte, o julgamento destes autos se limita ao controle de legalidade do ato administrativo de não homologação da compensação por inexistência do direito creditório. A competência recursal outorgada para este Colegiado decorre da inconformidade relativa a não homologação da compensação. Vale dizer, o interesse recursal do contribuinte, que abre a via recursal e outorga competência para este Colegiado, é quanto a não homologação. Seria contraditório o sujeito passivo buscar exatamente confirmar a não homologação da compensação, já que não se compensa um débito que em hipótese não existiria. Este entendimento, aliás, já foi deliberado anteriormente no CARF, a teor da seguinte passagem no Acórdão n.º 1402002.151: Antes de apreciar as razões de defesa, importa ressaltar a natureza do pedido de compensação, como o presente. O que se analisa em processos desse tipo é, fundamentalmente, a liquidez e certeza do crédito pleiteado. A autoridade julgadora não se pronuncia sobre o(s) débito(s) que está(ão) sendo quitado(s) mediante compensação, mas sim se o crédito suscitado pelo demandante está demonstrado, total ou parcialmente. Essa é a lide. Ainda que a cobrança do débito seja uma conseqüência natural da compensação não homologada, é procedimento a cargo da Unidade Local da RFB e não se confunde com a matéria aqui sob exame. Em outras palavras, qualquer argumento que se relacione com a cobrança dos débitos não homologados deve ser direcionado à autoridade responsável pela execução da decisão. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10783.903418/201044 Acórdão n.º 1002000.534 S1C0T2 Fl. 98 9 Destaco e reafirmo que, na forma explanada em linhas pretéritas, a lide, em regra, não diz respeito ao débito, buscandose no litígio apurar a certeza e liquidez do direito creditório vindicado, o que não restou demonstrado e só por isso não ocorreu a homologação da compensação. Não há, portanto, motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, que não homologou a compensação por não reconhecer o crédito, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de supostos erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando de pedidos de compensação eletrônicos. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento para manter íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 98DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.720052/2007-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO.
O reexame de decisões proferidas no sentido de exoneração de créditos tributários e encargos de multa se impõe somente nos casos em que o limite de alçada supera o previsto no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, sendo aplicável o limite vigente na data do julgamento do recurso, conforme Súmula CARF nº 103
EMPRESAS PÚBLICAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA. INCIDÊNCIA.
As empresas publicas, quando prestadoras de serviço público, equiparam-se às autarquias e, portando, são alcançadas pela imunidade tributária recíproca, incidindo, na espécie, o art. 150, VI, "a" e seu §2º da CF.
Numero da decisão: 2402-006.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão do crédito exonerado pela decisão de primeira instância não ter atingido o limite de alçada, e, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, afastar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, dar-lhe provimento para reconhecer a imunidade tributária da Recorrente, nos termos do art. 150, inciso VI, alínea "a" e § 2º, da Constituição Federal, cancelando-se o lançamento.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci (vice-presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. O reexame de decisões proferidas no sentido de exoneração de créditos tributários e encargos de multa se impõe somente nos casos em que o limite de alçada supera o previsto no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, sendo aplicável o limite vigente na data do julgamento do recurso, conforme Súmula CARF nº 103 EMPRESAS PÚBLICAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA. INCIDÊNCIA. As empresas publicas, quando prestadoras de serviço público, equiparamse às autarquias e, portando, são alcançadas pela imunidade tributária recíproca, incidindo, na espécie, o art. 150, VI, "a" e seu §2º da CF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão do crédito exonerado pela decisão de primeira instância não ter atingido o limite de alçada, e, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, afastar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, darlhe provimento para reconhecer a imunidade tributária da Recorrente, nos termos do art. 150, inciso VI, alínea "a" e § 2º, da Constituição Federal, cancelandose o lançamento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 00 52 /2 00 7- 41 Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10670.720052/200741 Acórdão n.º 2402006.773 S2C4T2 Fl. 586 2 (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci (vicepresidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0328.818, da 1ª Turma da DRJ de Brasília (fls. 390/418), que julgou procedente a Notificação de Lançamento n° 06108/00013/2007, que tem por objeto a cobrança de imposto suplementar no montante de R$ 1.882.558,55 (um milhão e oitocentos e oitenta e dois mil e quinhentos e cinquenta e oito reais e cinquenta e cinco centavos, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR do exercício de 2004, acrescido de multa de oficio (75,0%) e juros legais calculados até 29.06.2007, perfazendo o total de R$ 4.077.621,81 (quatro milhões e setenta e sete mil e seiscentos e vinte e um reais e oitenta e um centavos) incidentes sobre o imóvel rural denominado “Gleba C2 Projeto Jaíba”, cadastrado na RFB sob o nº 5.460.0189, com área de 11.896,3 ha, localizado no Município de Matias Cardoso/MG. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2004 incidentes em malha valor, iniciouse com a intimação para a contribuinte apresentar os seguintes documentos de prova: 1° cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA requerido junto ao IBAMA; 2° Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 2° da Lei n° 4.771/1965, acompanhado de ART registrada no CREA, identificando o imóvel rural através de memorial descritivo de acordo com o art. 9º do Decreto n° 4.449/2002; 3º Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 30 da Lei n° 4.771/65, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; 4º laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, sendolhe informado que a falta de apresentação do laudo de avaliação ensejaria o arbitramento do VTN com base nas informações do SIPT. Em resposta, foi apresentada a correspondência de fls. 10/21, e juntados aos autos os documentos de fls. 22/82. Fl. 586DF CARF MF Processo nº 10670.720052/200741 Acórdão n.º 2402006.773 S2C4T2 Fl. 587 3 No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2004, a autoridade fiscal glosou a área declarada como de preservação permanente, de 8.420,8 ha, e alterou o Valor da Terra Nua (VTN) do imóvel, que entendeu sub avaliado, com base no Sistema de Preços de Terras (S1PT) instituído pela então SRF, que passou de R$ 356.899,00 (trezentos e cinquenta e cinco mil e oitocentos e noventa e nove reais, à razão de RS 30,00 por hectare, para R$ 9.517.040,00 (nove milhões e quinhentos e dezessete mil e quarenta reais), à razão de R$ 800,00 por hectare, com o consequente aumento do VTN tributado, disso resultando também o imposto suplementar de R$ 1.882.558,55 (um milhão e oitocentos e oitenta e dois mil e quinhentos e cinquenta e oito reais e cinquenta e oito reais e cinquenta e cinco centavos), conforme demonstrativo de fls. 08. A contribuinte apresentou impugnação aos 27.07.2007 (fls. 124) e aos 10.08.2007, foi lavrado Termo Complementar à Notificação de Lançamento n° 06108/00013/2007 (fls. 168), abrindose prazo para apresentação de nova impugnação pelo contribuinte, o que se deu tempestivamente (fls. 333). Analisadas as razões de defesa e a documentação apresentada pela contribuinte em suas impugnações, a DRJ julgou o lançamento parcialmente procedente em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo a contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal PAF. DAS ÁREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL ERRO DE FATO Cabe ser acatada a área de utilização limitada/reserva legal comprovada com averbação, em tempo hábil, à margem da matrícula do imóvel, além de objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA protocolado tempestivamente junto ao IBAMA. No caso de evidente erro de fato no preenchimento da DITR/2004, comprovado com documentais hábeis, cabe à autoridade administrativa rever o lançamento para adequálo à realidade fática do imóvel. DO VALOR DA TERRA NUA Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, por falta de documentação hábil (Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, em consonância com as normas da ABNT NBR 14.6533), demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel e a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão do VTN em questão. Lançamento Procedente em Parte Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10670.720052/200741 Acórdão n.º 2402006.773 S2C4T2 Fl. 588 4 Intimado aos 09/03/09 (fls. 426), a contribuinte interpôs recurso voluntário aos 08.04.09 (fls. 582), nele trazendo os mesmos argumentos constantes de suas impugnações, quais sejam, em síntese: Em preliminar, esclarece que o valor da terra nua de seus imóveis, inseridos em perímetros de irrigação, é estabelecido em conformidade com o disposto no art. 17 do Decreto nº 89.495/84, pelo que não elabora laudo específico à época da elaboração de suas declarações de ITR. Assim, considerando o teor das disposições constantes do subitem 7.4.3.3 da NBR 14.6533:2004 da ABNT, não é possível a elaboração do referido laudo retroativamente, em momento posterior, para o imóvel objeto do lançamento; ademais, considerando o subitem 9.1.1 da mesma norma NBR 14.653 3:2004 da ABNT, o grau de precisão do laudo de avaliação exigido pela Receita depende exclusivamente das características da amostra coletada e, por essa razão, não é passível de fixação "a priori". Dessa forma, a exigência de laudo de avaliação conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, constitui instrumento de cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, uma vez que as exigências são incompatíveis entre si, o que inviabiliza a elaboração do laudo requerido; que a CODEVASF é uma empresa pública federal criada pela Lei nº 6.088/74, atualmente vinculada ao Ministério da Integração Nacional, que tem por finalidade o aproveitamento, para fins agrícolas, agropecuários e agroindustriais dos recursos de água e solo dos vales dos rios São Francisco e Parnaíba. Os perímetros públicos de irrigação, dos quais o imóvel objeto do lançamento em debate é parte integrante, são empreendimentos voltados aos desenvolvimento de áreas prioritárias para a União por meio da infraestrutura de irrigação implantada com recursos públicos, a eles se aplicando a legislação específica; que se trata de empresa pública, mantida exclusivamente com recursos da União Federal, que presta serviço público típico. Sendo assim, apesar de sua personalidade jurídica de direito privado, equiparase a uma autarquia, conforme tese já assente no Supremo Tribunal Federal acerca do tema (ACO nº 959/RN, rel. Min. Menezes Direito, Tribunal Pleno, DJe 16/05/08) e reconhecido pelo TRF1 na Apelação Cível nº 1997.34.00.0037988/DF. Desse modo, o imóvel sobre qual se exige o tributo questionado, que se presta ao desenvolvimento de serviço público típico, qual seja a implementação de perímetros públicos de irrigação, é alcançado pela imunidade constitucional prevista no art. 150, VI, "a" e §2º da CF; No mérito, que os valores declarados estão em perfeita compatibilidade com aqueles estabelecidos pelo INCRA, consideradas as peculiaridades do imóvel, conforme comprovado nos autos por meio de Laudo Técnico e Mapa de Solos firmados por profissionais devidamente habilitados do Perímetro de Irrigação Jaíba; que o imóvel em questão se encontra inserido em perímetro público de irrigação (Perímetro de Irrigação Jaíba), estando sujeito aos ditames da Lei nº 6.662/72 e do Decreto nº 89.496/84, que a regulamenta, cujo art. 17 determina que nas terras já pertencentes a Fl. 588DF CARF MF Processo nº 10670.720052/200741 Acórdão n.º 2402006.773 S2C4T2 Fl. 589 5 entidades integrantes da administração federal, o valorhectare da terra nua será o mesmo atribuído pelo INCRA; que não há nenhuma incompatibilidade entre a Lei nº 9.393/96 e o Decreto nº 89.496/84, que define a forma de cálculo dos lotes inseridos em perímetro público de irrigação; que não há falar em sub avaliação quando o contribuinte estabelece o Valor da Terra Nua de acordo com a legislação que determina critérios específicos para a avaliação de seu imóvel. Esse entendimento foi acatado pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes no Acórdão nº 301.34.161 na análise de situação idêntica à presente e referente ao mesmo imóvel ora tratado; que o VTN considerado para fins de apuração do imposto suplementar foi estabelecido em total discrepância com os valores da terra nua da base das DITR's/2004 e, por conseguinte, em desacordo com o que determina a própria RFB na Portaria SRF nº 447, de 28 de março de 2002, que aprova do Sistema de Preços de Terras SIPT; que os valores constantes das planilhas elaboradas pelas Fundação Getúlio Vargas, que serviram de base para a alimentação do SIPT, não se referem à Terra Nua, nos termos da NBR 146533:2004, norma indicada como parâmetro para valoração da Terra Nua pela própria RFB; ademais, que mencionados valores dizem respeito ao primeiro semestre dos anos de 2000 a 2004, refletindo os valores apurados nas negociações realizadas até junho de cada ano. Assim, esses valores violam o disposto no § 2º do art. 8º da Lei nº 9.393/96, que determina que o VTN refletirá o preço de mercado das terras no dia 1° de janeiro a que se referir o DIAT1; no que concerne ao VTN atribuído, não é lícito inferir, sem manifestação oficial da Secretaria de Agricultura, órgão responsável pelo fornecimento à RFB das informações para lançamento no SIPT, que os dados por ela informados contém erro, com o fim de se imputar pesada tributação ao contribuinte; que a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais EMATER não tem dentre suas atribuições a de proceder à avaliação de terras, razão pela qual os dados informados, que serviram de base para alimentar o SIPT, não seguem os critérios estabelecidos pela ABNT para efeito de avaliação de imóveis rurais, referindose, em verdade, aos preços médios de venda de terra, e não considera a Nota Agronômica de cada classe de solos, que é uma das variáveis imprescindíveis para a determinação do valor da terra nua. Assim, o SIPT, no que se refere aos valores serem considerados na região de localização do imóvel objeto do tributo cobrado, não tem sido alimentado em consonância com a Portaria SRF nº 447/2007; a portaria em tela permite a utilização dos preços informados pelas Secretarias de Agricultura bem como por entidades correlatas como forma de alimentação do SIPT. Nessa linha, o INCRA é entidade pública que, nos termos da Lei nº 4.504/64 e dos Decretos nºs 1.110/70 e 5.735/06 tem, dentre sua atribuições, proceder à avaliação de imóveis rurais. 1 Documento de Informação e Apuração do ITR Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10670.720052/200741 Acórdão n.º 2402006.773 S2C4T2 Fl. 590 6 Por fim, requer seja dado provimento ao recurso voluntário, cancelandose o débito fiscal. Subsidiariamente, seja seu valor revisto, conforme art. 3º da Portaria SRF nº 447/02, para considerar os valores de terra nua da base de declarações do ITR do exercício de 2004, qual seja R$ 377,09 (trezentos e setenta e sete reais e nove centavos) por hectare de terra nua.. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini – Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. DO RECURSO DE OFÍCIO ÁREAS DE UTILIZAÇÃO LTDA/RESERVA LEGAL Não obstante tenha sido declarada na DITR uma área de preservação permanente de 8.420,0 ha, a contribuinte, em resposta à intimação inicial, apresentou documentação para comprovar a existência de uma área de reserva legal de 8.429,8 ha, e na fase de impugnação, requereu o reconhecimento dessa área. A relatora entendeu que houve evidente erro de fato por parte da contribuinte em sua Declaração e, uma vez que, de fato, cumpriu os requisitos para a exclusão da área de utilização limitada/reserva legal do âmbito de incidência do ITR, quais sejam (i) procedeu à averbação tempestiva da área de utilização limitada/reserva legal à margem da Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente e (ii) informou a existência dessa área no requerimento do ADA — Ato Declaratório Ambiental, protocolizado tempestivamente junto ao IBAMA/órgão conveniado, entendeu que deveria ser acatada a pretensão da contribuinte, tendo em vista o teor da documentação por ela apresentada e à luz do que determinam os arts. 147, § 1º e 145, I, ambos do CTN. Foi seguida à unanimidade pelos demais integrantes da 1ª Turma da DRJ/BSA e essa decisão implicou na redução do imposto suplementar apurado pela fiscalização de R$1.882.558,55 para R$533.790,55, portanto, implicando exoneração do crédito tributário em valor superior ao limite de alçada previsto no art. 1º da Portaria MF nº 03/08, à época fixado em R$ 1.000.000,00. Esse valor, todavia, foi majorado pela Portaria MF nº 63, de 10/02/2017, que estabelece em R$ 2.500.000,00 o valor de alçada para a interposição de recurso de ofício em hipóteses que tais, conforme abaixo: Fl. 590DF CARF MF Processo nº 10670.720052/200741 Acórdão n.º 2402006.773 S2C4T2 Fl. 591 7 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, essa norma deve ter aplicação imediata aos julgamentos em curso: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (destacamos) O valor total crédito tributário exonerado, somandose o valor do tributo e a multa de ofício de 75%, é de R$ 2.360.344,00 (dois milhões e trezentos e sessenta mil e trezentos e quarenta e quatro reais) (fls. 422), inferior, portanto, ao valor de alçada fixado pela Portaria MF nº 63/17, impondose, assim, o não conhecimento do recurso de ofício. Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício. PRELIMINAR Cerceamento de defesa Em preliminar, a recorrente alega que, por ser regida por disposição normativa específica, qual seja o Decreto nº 89.496/84, não elabora laudo de avaliação à época de suas declarações de ITR e que, pelos próprios termos do item 7.4.3.3 da NBR 146533, da ABNT, a elaboração do aludido laudo em momento posterior é impossível, uma vez que, de acordo com esse dispositivo, as pesquisas de mercado para fundamentálo devem ser contemporâneas ao período da declaração, o que inviabiliza sua elaboração de forma retroativa. Ademais, de acordo com o item 9.1.1 da mesma norma NBR 146533, o grau de precisão do laudo depende exclusivamente das características da amostra coletada e, desse modo, não é passível de fixação "a priori". Por essas razões, alega a recorrente que a exigência pela RFB, como condição para elidir o lançamento, de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 146533, com fundamentação e grau de precisão II, constitui elemento de cerceamento de seu direito de defesa por conter exigências incompatíveis entre si, o que inviabiliza a sua elaboração. Neste ponto, entendemos não lhe assistir razão. Com efeito, como bem ressaltado pela decisão recorrida, o fato de o grau de precisão depender das características da amostra coletada não é impedimento para que se consiga alcançar o grau de precisão II, no caso concreto, conforme previsto no subitem 9.3 da NBR 14.6533, até porque a própria NBR l4.653 aponta, no subitem 8.1.2 o caminho a seguir quando não for possível utilizar as metodologias previstas: "8.1.2 Esta parte da NBR 14653 e as demais partes se aplicam a situações normais e típicas do mercado. Em situações atípicas, onde ficar comprovada a impossibilidade de utilizar as metodologias previstas nesta parte da NBR Fl. 591DF CARF MF Processo nº 10670.720052/200741 Acórdão n.º 2402006.773 S2C4T2 Fl. 592 8 14653, é facultado ao engenheiro de avaliações o emprego de outro procedimento, desde que devidamente justificado." Assim, parecenos, s.m.j., que não há a incompatibilidade apontada pela recorrente. Da mesma forma não procede a alegação do recorrente de que a elaboração de laudo de avaliação seria impossível tendo em vista que as pesquisas de mercado para fundamentar tal laudo devem ser contemporâneas, o que inviabilizaria sua realização de forma retroativa. Na verdade, conforme disposto no item 7.4.3.3 da NBR 146533, o que devem ser contemporâneos à avaliação do imóvel são os dados relativos às negociações realizadas e ofertas, não à própria pesquisa. Portanto, nada impede que o engenheiro avaliador colete os dados referentes ao exercício de 2003, já que todas as negociações possuem data de realização que podem ser facilmente comprovadas. Desse modo, não se há falar em cerceamento de defesa. MÉRITO Imunidade tributária CF 150, VI, "a" e § 2º Embora essa matéria tenha sido deduzida pela recorrente como preliminar, entendemos que se trata de matéria de mérito, pelo que assim será tratada. A recorrente esclarece que é uma empresa pública federal criada pela Lei nº 6.088/74, atualmente vinculada ao Ministério da Integração Nacional, que tem por finalidade o aproveitamento, para fins agrícolas, agropecuários e agroindustriais dos recursos de água e solo dos vales dos rios São Francisco e Parnaíba, promovendo o desenvolvimento integrado de áreas prioritárias e a implantação de distritos agroindustriais e agropecuários, conforme a lei que a criou o seu estatuto, anexado aos autos. Tratase de empresa pública mantida exclusivamente com recursos da União Federal que presta serviço público, pelo que, apesar de sua personalidade jurídica de direito privado, goza de ambiguidade jurídica, tida como uma empresa pública de natureza autárquica, conforme tese já assente no Supremo Tribunal Federal (ACO nº 959/RN, rel. Min. Menezes Direito, Tribunal Pleno, DJe 16/05/08) e reconhecido pelo TRF1 na Apelação Cível nº 1997.34.00.0037988/DF. Esclarece que o imóvel sobre qual se exige o tributo questionado se presta ao desenvolvimento de serviço público típico, qual seja a implementação de perímetros públicos de irrigação, que são empreendimentos voltados ao desenvolvimento de áreas prioritárias para a União por meio da infraestrutura de irrigação implantada com recursos públicos, nos termos da Lei nº 6.662/79 e do Decreto nº 89.496/81. Dentre os projetos implantados pela recorrente, destacase o Projeto Jaíba, localizado nos municípios de Matias Cardoso e Jaíba, Estado de Minas Gerais, do qual a Gleba C2, que constitui o imóvel sobre o qual incide o tributo discutido, é parte integrante. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10670.720052/200741 Acórdão n.º 2402006.773 S2C4T2 Fl. 593 9 Desse modo, argumenta que o imóvel em questão, destinado a prestação de serviço público, é alcançado pela imunidade constitucional prevista no art. 150, VI, "a" e §2º da CF. Pois bem. Inicialmente, cumpre anotar que a nós parece não haver dúvida de que o assunto tratado imunidade tributária tratase de matéria de ordem pública2, que, portanto, pode, e mais, deve ser conhecida pelo julgador em qualquer grau ordinário3 de jurisdição, impondose, portando, o seu conhecimento por este colegiado. Realmente, a recorrente se trata de empresa pública que teve sua criação autorizada pelo art. 1º da Lei nº 6.088/79, e conforme disposto no art. 4° dessa mesma lei, "tem por finalidade o aproveitamento, para fins agrícolas, agropecuários e agroindustriais, dos recursos de água e solo do Vale do São Francisco, diretamente ou por intermédio de entidades públicas e privadas, promovendo o desenvolvimento integrado de áreas prioritárias e a implantação de distritos agroindustriais e agropecuários, podendo, para esse efeito, coordenar ou executar, diretamente ou mediante contratação, obras de infraestrutura, particularmente de captação de água para fins de irrigação, de construção de canais primários ou secundários, e também obras de saneamento básico, eletrificação e transportes, conforme Plano Diretor em articulação com os órgãos federais competentes". 2 "Toda disposição, ainda que ampare um direito individual, atende também, embora indiretamente, ao interesse publico; hoje até se entende que se protege aquele por amor a este: por exemplo, há conveniência nacional em ser a propriedade garantida em toda a sua plenitude. A distinção entre prescrições de ordem publica e de ordem privada consiste no seguinte: entre as primeiras o interesse da sociedade coletivamente considerada sobreleva a tudo, a tutela do mesmo constitui o fim principal do preceito obrigatório; é evidente que apenas de modo indireto a norma aproveita aos cidadãos isolados, porque se inspira antes no bem da comunidade do que no do individuo; e quando o preceito é de ordem privada sucede o contrário: só indiretamente serve o interesse publico, a sociedade considerada em seu conjunto; a proteção do direito do individuo constitui o objetivo primordial. Os limites de uma e outra espécie têm algo de impreciso; os juristas guiamse, em toda parte, menos pelas definições do que pela enumeração paulatinamente oferecida pela jurisprudência." (Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 176) 3 Sobre as questões de ordem pública, ensina Nelson Nery Junior que "essas matérias podem ser alegadas pelas partes ou interessado a qualquer momento, em qualquer grau de jurisdição (CPC 485, IV, VI,VI, IX e § 3º; CPC 337 I a XIII e § 5º) e devem ser analisadas, ex officio, pelo juiz ou tribunal, enquanto não extinto o processo de execução. A prescrição deve ser reconhecida ex officio (CPC 485 IV)" (NERY JUNIOR, Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. Comentários ao Código de Processo Civil. Novo CPC Lei 13.105/2015. São Paulo: RT, 2015, p. 1829). Ainda a esse respeito, esclareçase que quando se fala em conhecimento ex officio de matéria de ordem pública, evidentemente está a se referir a que essa providência seja tomada em grau ordinário de jurisdição, uma vez que em instâncias extraordinárias, isso é vedado por força do que dispõem os arts. 102, III e alíneas e 105, III e alíneas, ambos da CF, que exigem que para ser levada a conhecimento do STF ou do STJ, a matéria já tenha sido efetivamente decidida pelas instâncias inferiores. Daí a necessidade de oposição de Embargos de Declaração no tribunal "a quo" para provocar a análise da matéria de modo a viabilizar, assim, o conhecimento da questão pelos tribunais superiores (o tal "prequestionamento"). Percebese, desse modo, que o prequestionamento (a que o ilustre doutrinador do Largo São Francisco, Flávio Luiz Yarshell, jocosamente se referia como "prerrespondimento", já que não basta provocar o tribunal "a quo" para que ele aprecie a matéria, sendo necessário que ele efetivamente o faça) decorre de uma exigência constitucional e é necessário, tão somente, para viabilizar o conhecimento de matérias pelos Tribunais Superiores. Em outros termos, não se há falar em necessidade de prequestionamento como óbice para conhecimento de matéria de ordem pública em sede de instâncias ordinárias, tampouco de tribunais administrativos. Nessa linha, salientese que mesmo as disposições contidas nos arts. 67, § 5º e 68, § 4º não impedem o conhecimento ex offício de matéria de ordem pública pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Tribunal. Pois bem. Transpondo a lógica constitucional que fez nascer a necessidade de "prequestionamento" para o processo administrativo fiscal federal, se nos termos do RICARF, a apreciação ex offício de matéria de ordem pública não está impedida sequer à Câmara Superior de Recursos Fiscais, a "instância extraordinária" deste Tribunal Administrativo, com muito maior razão também não está às suas Turmas Ordinárias de julgamento. Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10670.720052/200741 Acórdão n.º 2402006.773 S2C4T2 Fl. 594 10 O artigo 6º dessa mesma lei dispõe a respeito da formação do capital da empresa, da seguinte maneira: Art 6º O capital da CODEVASF será de Cr$ 300.000.000,00 (trezentos milhões de cruzeiros), a ser integralizado: a) parte pela incorporação, a CODEVASF, de bem móveis, imóveis e instalações da Superintendência do Vale do São Francisco SUVALE, da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUDENE e do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas DNOCS, que lhe forem transferidos por força do Artigo 16 desta Lei; b) o restante por subscrição, pelo Tesouro Nacional, nos exercícios de 1974, 1975 e 1976. § 1º O capital da CODEVASF poderá ser aumentado por ato do Poder Executivo, mediante a incorporação de reservas, pela reinversão de lucros e reavaliação do ativo ou por acréscimo de capital da União. § 2º Poderão participar dos aumentos de capital pessoas jurídicas de direito público interno, inclusive entidades da Administração Federal Indireta, observado o disposto no artigo 5º do Decretolei nº 900, de 29 de setembro de 1969. As empresas públicas, em regra, não gozam da chamada imunidade tributária recíproca prevista na CF/88, seja porque não referidas expressamente no art. 150, VI, "a" e seu § 2º, seja porque seu art. 173, § 2º dispõe que a elas não podem ser concedidos privilégios fiscais não extensíveis às empresas privadas. Todavia, consolidouse no Supremo Tribunal Federal o entendimento no sentido de que essas empresas, quando prestadoras de serviço público, equiparamse às autarquias e, portando, são alcançadas pela imunidade tributária recíproca, conforme restou consignado na ACO 95944, ajuizada pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ECT contra o Estado do Rio Grande do Norte visando, sob o fundamento da imunidade, à declaração de inexistência de dever jurídico de recolhimento de IPVA sobre os veículos de sua propriedade. A decisão proferida no julgamento dessa ação, que traz diversos outros precedentes do Supremo Tribunal Federal no mesmo sentido, restou assim ementada: 4 rel. Min. Menezes Direito, Tribunal Pleno, j. 17/03/08, DJe 16/05/08. Fl. 594DF CARF MF Processo nº 10670.720052/200741 Acórdão n.º 2402006.773 S2C4T2 Fl. 595 11 Posteriormente, a matéria foi novamente apreciada em sede de repercussão geral nos RE's nºs 601.392/PR e nº 580.264/RS no que tange às atividades da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ECT e de hospital vinculado ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul. No primeiro caso (RE nº 601.392/PR)5, o Supremo Tribunal Federal declarou relevantes as peculiaridades do serviço postal, conforme consignado na ementa do aresto: Recurso extraordinário com repercussão geral. 2. Imunidade recíproca. Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. 3. Distinção, para fins de tratamento normativo, entre empresas públicas prestadoras de serviço público e empresas públicas exploradoras de atividade. Precedentes. 4. Exercício simultâneo de atividades em regime de exclusividade e em concorrência com a iniciativa privada. Irrelevância. Existência de peculiaridades no serviço postal. Incidência da imunidade prevista no art. 150, VI, “a”, da Constituição Federal. 5. Recurso extraordinário conhecido e provido. (Destacamos) No segundo caso (RE nº 580.264/RS)6, a decisão do Supremo destacou ser importante que a empresa estatal não tenha por fim a obtenção de lucro: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. SERVIÇOS DE SAÚDE. 1. A saúde é direito fundamental de todos e dever do Estado (arts. 6º e 196 da Constituição Federal). Dever que é cumprido por meio de ações e serviços que, em face de sua prestação pelo Estado mesmo, se definem como de natureza pública (art. 197 da Lei das leis). 2 . A prestação de ações e serviços de saúde por sociedades de economia mista corresponde à própria atuação do Estado, desde que a empresa estatal não tenha por finalidade a obtenção de lucro. 3. As sociedades de economia mista prestadoras de ações e serviços de saúde, cujo capital social seja majoritariamente estatal, gozam da imunidade tributária prevista na alínea “a” do inciso VI do art. 5 Rel. Min. Joaquim Barbosa, j. 12/11/2009, Tribunal Pleno meio eletrônico 6 Rel. Min. Joaquim Barbosa, j. 09/10/2008, Tribunal Pleno meio eletrônico Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10670.720052/200741 Acórdão n.º 2402006.773 S2C4T2 Fl. 596 12 150 da Constituição Federal. 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento, com repercussão geral. (Destacamos) Este Tribunal já teve a ocasião de enfrentar a matéria, analisando o posicionamento do STF acerca do tema7, e assim se posicionou: SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. IMUNIDADE. RECÍPROCA. INOCORRÊNCIA. Se o objeto social da companhia alcança outras atividades para além da prestação de serviço público, e pessoas físicas e pessoas jurídicas privadas podem participar de seu capital, com direito a dividendos, o reconhecimento da imunidade representaria privilégio fiscal não extensivo às pessoas jurídicas do setor privado. (Destacamos) IMUNIDADE CONSTITUCIONAL — SERVIÇOS DE ÁGUA E ESGOTO — AUTARQUIA MUNICIPAL — TAXA — APLICABILIDADE— Uma vez comprovado que se trata de entidade autárquica municipal, que presta diretamente, em nome do Poder Público Municipal, com a finalidade essencial pública [o serviço] de tratamento de água e esgotos, enquadrase na regra constitucional do art. 150, Parágrafo 2° da Constituição Federal, mediante a cobrança de taxa contraprestacional. E, portanto, não auferindo lucro, e não apurando faturamento, na acepção técnica de tal termo, não é passível de tributação reflexa da CSLL, PIS e COFINS.8 (Destacamos) Pois bem. O Estatuto Social da recorrente, anexado aos autos a fls. 241 e seguintes, dispõe o quanto segue acerca de objetivo social: CAPITULO III DO OBJETIVO SOCIAL Art. 5° A CODEVASF tem por finalidade o aproveitamento, para fins agrícolas, agropecuários e agroindustriais, dos recursos de água e solo dos vales dos rios São Francisco e Parnaíba, diretamente ou por intermédio de entidades públicas e privadas, promovendo o desenvolvimento integrado de áreas prioritárias e a implantação de distritos agroindustriais e agropecuários. Art. 6° Compete especialmente à CODEVASF, no tocante à região dos vales dos rios São Francisco e Parnaíba: I coordenar a implantação de programas de valorização e aproveitamento dos recursos de água e solo para fins agrícolas, agropecuários e agroindustriais; II coordenar a execução, diretamente ou mediante contratação, de obras de infraestrutura, particularmente de captação de águas para fins de irrigação de canais primários ou secundários, bem assim de obras de saneamento básico, eletrificação e transportes, conforme o plano diretor, em articulação com os órgãos federais competentes; III implantar ou colaborar na implantação de núcleos de colonização para médios e pequenos irrigantes, assim como na implantação de projetos empresariais; 7 Acórdão nº 1101001.241 8 Acórdão nº 10809.360. Fl. 596DF CARF MF Processo nº 10670.720052/200741 Acórdão n.º 2402006.773 S2C4T2 Fl. 597 13 IV promover ou manter, em articulação com entidades públicas ou privadas, centros de desenvolvimento e capacitação de irrigantes; V manter articulação com os órgãos da Administração Pública Federal, Estadual e Municipal na execução dos planos, programas e projetos; VI atuar, coordenadamente com os órgãos de desenvolvimento regional, na elaboração de seus programas e projetos e no exercício de sua atuação nas áreas coincidentes com as dessas entidades, a fim de garantir a unidade de orientação das políticas sócioeconômica e agrícola e a eficiência dos investimentos públicos ou privados; VII colaborar, permanentemente, no estudo do regime fluvial e no combate à poluição dos rios São Francisco e Parnaíba e de seus principais afluentes; VIII promover ou executar estudos cartográficos, topográficos, geológicos, pedológicos e de classificação de terras, para irrigação e vocação agropecuária; IX promover a aquisição ou desapropriação de áreas destinadas à implantação de projetos de desenvolvimento agrícola, agropecuário e agroindustrial, inclusive de irrigação, bem como alienálas na forma da legislação vigente; e X exercer atividades necessárias à operacionalização de seus programas e projetos, quando os órgãos específicos não as puderem atender, e desde que expressamente solicitada, podendo ainda celebrar convênios, contratos, acordos ou ajustes, com pessoas jurídicas de direito público ou privado, nacionais, estrangeiras ou internacionais. § 1° No exercício de suas atribuições, a CODEVASF poderá atuar, por delegação dos Órgãos competentes, como agente do Poder Público, desempenhando função de administração e fiscalização do uso racional dos recursos de água e solo. § 2° A CODEVASF, no exercício de suas atribuições, relativas ao uso múltiplo dos recursos hídricos, ficará adstrita a observância das normas e diretrizes dos órgãos reguladores dos recursos hídricos. Art. 7° Para a realização de seus objetivos, poderá a CODEVASF: I estimular e orientar a iniciativa privada, promover a organização de empresas de produção, beneficiamento e industrialização de produtos primários; II promover e divulgar, junto a entidades públicas e privadas, informações sobre recursos naturais e condições sociais, infraestruturais e econômicas, visando à realização de empreendimentos nos vales dos rios São Francisco e Parnaíba; III elaborar, em colaboração com os demais órgãos públicos federais, estaduais ou municipais que atuam na área, os planos anuais e plurianuais de desenvolvimento integrado dos vales dos rios São Francisco e Parnaíba, indicando, desde logo, os programas e projetos prioritários, com relação às atividades previstas neste Estatuto; IV projetar, construir e operar obras e estruturas de barragem, canalização, bombeamento, adução e tratamento de água e saneamento básico; V elaborar, implantar e operar projetos de irrigação; e Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10670.720052/200741 Acórdão n.º 2402006.773 S2C4T2 Fl. 598 14 VI realizar trabalhos de regularização dos rios São Francisco e Parnaíba, controle de enchentes, de poluição e de combate às secas, e nos seus tributários, mediante Convênio. Art. 8° No desempenho de suas tarefas, a CODEVASF atuará, preferencialmente por intermédio de entidades públicas ou privadas, recorrendo, sempre que possível à execução indireta de trabalhos, mediante convênios, contratos, acordos ou ajustes. O objetivo social constante do estatuto da recorrente revela que sua atividade está, de fato, adstrita à prestação de serviços públicos típicos a cargo do Estado. Nesse contexto, conforme entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal, a atividade da recorrente é alcançada pela imunidade constitucional invocada, aplicandose, ao presente caso, o art. 150, VI, "a" e § 2º da CF. E mais: a análise da Lei nº 6.662/79, que dispõe sobre a Política Nacional de Irrigação, e do Decreto nº 89.496/84, que a regulamenta, normas estas que erigem as empresas públicas existentes ou que vierem a ser constituídas em consonância com os objetivos daquela lei a órgãos auxiliares do Ministério do Interior, revelam, de maneira muito clara, que os serviços prestados não são apenas tipicamente públicos, mas, muito mais do que isso, têm feição evidentemente social. Salientese que imunidade tributária da recorrente foi reconhecida judicialmente por decisão proferida na AC nº 1997.34.000037988/DF (fls. 253). Dessa decisão, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou recurso extraordinário (RE 608.529), que teve seguimento negado sob o fundamento de estar a decisão recorrida de acordo com a jurisprudência firmada por aquela Corte. Vejamos: DECISÃO: O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o ARE 638.315 RG/BA, Rel. Min. CEZAR PELUSO (Presidente), reconheceu existente a repercussão geral da matéria constitucional igualmente versada na presente causa, e, na mesma oportunidade, reafirmou a jurisprudência desta Corte sobre o tema, proferindo decisão consubstanciada em acórdão assim ementado: “RECURSO. Extraordinário. Imunidade tributária recíproca. Extensão. Empresas públicas prestadoras de serviços públicos. Repercussão geral reconhecida. Precedentes. Reafirmação da jurisprudência. Recurso improvido. É compatível com a Constituição a extensão de imunidade tributária recíproca à Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária – INFRAERO, na qualidade de empresa pública prestadora de serviço público.” O exame da presente causa evidencia que o acórdão ora impugnado ajustase à diretriz jurisprudencial que esta Suprema Corte estabeleceu – e reafirmou – na matéria em referência. Cabe observar, de outro lado, que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal tem reiteradamente enfatizado que, em princípio, as alegações de desrespeito aos postulados da legalidade, da motivação dos atos decisórios, do contraditório, do devido processo legal, dos limites da coisa julgada e da prestação jurisdicional podem configurar, quando muito, situações caracterizadoras de ofensa meramente reflexa ao texto da Constituição (RTJ 147/251 – RTJ 159/328 – RTJ 161/284 – RTJ 170/627 628 – AI 126.187AgR/ES, Rel. Min. CELSO DE MELLO – AI 153.310AgR/RS, Rel. Min. SYDNEY SANCHES – AI 185.669AgR/RJ, Rel. Min. SYDNEY Fl. 598DF CARF MF Processo nº 10670.720052/200741 Acórdão n.º 2402006.773 S2C4T2 Fl. 599 15 SANCHES – AI 192.995AgR/PE, Rel. Min. CARLOS VELLOSO – AI 257.310 AgR/DF, Rel. Min. CELSO DE MELLO – RE 254.948/BA, Rel. Min. CELSO DE MELLO, v.g.), o que não basta, só por si, para viabilizar o acesso à via recursal extraordinária. A espécie ora em exame não foge aos padrões acima mencionados, refletindo, por isso mesmo, possível situação de ofensa indireta às prescrições da Carta Política, circunstância essa que impede – como precedentemente já enfatizado – o próprio conhecimento do recurso extraordinário (RTJ 120/912, Rel. Min. SYDNEY SANCHES – RTJ 132/455, Rel. Min. CELSO DE MELLO). Sendo assim, em face das razões expostas, conheço, em parte, do presente recurso extraordinário, para, nesta parte, negarlhe provimento. Como se pode constatar da tela de andamento abaixo reproduzida, essa decisão transitou em julgado aos 18/04/2012, de modo que a recorrente tem a favor de si uma decisão transitada em julgado proferida pelo Supremo Tribunal Federal que reconhece sua condição de entidade que goza da imunidade tributária recíproca. Desse modo, entendo que a recorrente é alcançada pela imunidade tributária prevista no art.150, VI, "a" e § 2º da CF. Fl. 599DF CARF MF Processo nº 10670.720052/200741 Acórdão n.º 2402006.773 S2C4T2 Fl. 600 16 CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício e conhecer do recurso voluntário para afastar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, darlhe provimento para reconhecer a imunidade tributária da recorrente, nos termos do art. 150, VI, "a" e § 2º da CF, cancelandose o lançamento. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Fl. 600DF CARF MF
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Numero do processo: 16004.720523/2011-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
O direito ao contraditório e à ampla defesa assegurado pela Constituição Federal deve ser exercido depois de formalizada a exigência do crédito tributário por meio do Auto de Infração ou Notificação de Lançamento. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização, que se caracteriza, fundamentalmente, por ser inquisitorial, investigativa, em que inexiste, ainda, um processo de constituição e exigência do crédito tributário pelo lançamento.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO.
O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE.
A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias
Numero da decisão: 2401-005.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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O direito ao contraditório e à ampla defesa assegurado pela Constituição Federal deve ser exercido depois de formalizada a exigência do crédito tributário por meio do Auto de Infração ou Notificação de Lançamento. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização, que se caracteriza, fundamentalmente, por ser inquisitorial, investigativa, em que inexiste, ainda, um processo de constituição e exigência do crédito tributário pelo lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 05 23 /2 01 1- 37 Fl. 703DF CARF MF 2 A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração de fls. 572/576, do qual fazem parte o Demonstrativo de Apuração Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (fls. 577/578), o Demonstrativo de Multa e Juros de Mora (fls. 579), o Termo Verificação Fiscal (fls. 580/587), o Demonstrativo Final dos Créditos Bancários Não Justificados (fls. 588/593), concernente a Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, referente aos anoscalendários 2007 e 2008, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 494.742,51 (quatrocentos e noventa e quatro mil, setecentos e quarenta e dois reais e cinquenta e um centavos). De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 574/576), foi apurada omissão de rendimentos caracterizada pela falta de comprovação da origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento, de titularidade do autuado. Os depósitos de origem não comprovada estão discriminados, às fls. 588/593. Devidamente cientificado, o Interessado apresentou, tempestivamente, impugnação (fls. 601/6014), alegando, resumidamente, o que segue: Fl. 704DF CARF MF Processo nº 16004.720523/201137 Acórdão n.º 2401005.917 S2C4T1 Fl. 3 3 (i) O lançamento é nulo com base na verdade objetiva, de acordo com a lei, especialmente o art. 24 do Decreto nº 7.574, de 2011, e os princípios constitucionais da ampla defesa, do devido processo legal, da capacidade contributiva e da vedação ao confisco, bem como pelo dever que a administração pública tem de reconhecer hábeis e idôneos os documentos apresentados; (ii) A fiscalização não reconheceu despesas e lançamentos feitos em livros obrigatórios apresentados pelo contribuinte, em razão da falta de apresentação dos documentos que lhe deram suporte. Contudo, o contribuinte não foi intimado a apresentar tais documentos, contrariando o disposto no do Decreto nº 7.574, de 2011; (iii) A autoridade fiscal não aprofundou o ato de fiscalizar, ferindo o princípio da igualdade de tratamento em matéria tributária previsto no artigo 150, inciso II, da Constituição Federal. Mesmo nas presunções legais, a fiscalização não está dispensada de fazer a prova do fato; (iv) os depósitos objeto do lançamento fiscal não constituem acréscimo patrimonial para o impugnante, não se enquadrando na hipótese de incidência do imposto de renda; (v) em suas contas correntes transitaram valores da atividade rural, receitas da pessoa jurídica Paulo Brunetti & Advogados Associados e outros que não constituem rendimentos da pessoa física; (vi) a fiscalização não excluiu do lançamento fiscal depósitos realizados em suas contascorrentes advindos da pessoa jurídica Paulo Brunetti & Advogados Associados, CNPJ 08.215.318/000159, vinculados a contrato firmado com a Associação Desportiva Polícia Militar do Estado de São Paulo (ADPM), CNPJ 61.935.318/000159, em 04/04/2008, no valor de R$ 150.000,00, e pagamentos efetuados de julho a novembro de 2007 correspondentes à R$ 50.000,00, também vinculados a contrato com a ADPM; (vii) relaciona, às fls. 603/604, os depósitos que teriam origem justificada em rendimentos declarados como tributáveis recebidos de pessoas jurídicas e físicas, isentos e não tributáveis advindos de lucro na alienação de imóvel residencial para aquisição de outro imóvel, bem como os vinculados a contrato de mútuo firmado entre a Consultec e Paulo Brunetti & Advogados Associados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 1539.142 da 3ª Turma da DRJ/SDR, às fls. 663/666, julgando improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Fl. 705DF CARF MF 4 Presumemse rendimentos omitidos os depósitos de origem não comprovada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O contribuinte foi cientificado da decisão de 1ª instância em 18/11/2015, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 671. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 673/696) alegando o que segue: (i) O Auto de Infração é nulo por afronta a princípios constitucionais. Nos termos da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional, o imposto de renda só pode incindir sobre aquilo que se refletir em acréscimo patrimonial para o particular, o que não ocorreu no presente caso. Isso porque, osvalores sobre os quais o auditor fical quer fazer incindir o IRPF não se constitui em acréscimo patrimonial para o Recorrente, não se enquadrando na hipótese de incidência. Por este fato, em uma simples análise dos procedimentos adotados pelo fisco, descritos no decorrer das defesas proferidas nestes autos, constatase a violação dos direitos constitucionais garantidos ao Recorrente na Constituição Federal, que são o direito do contraditório e a ampla defesa e do devido processo legal; O princípio do in dubio pro reo foi esquecido pela administraçã pública no instante em que não valiou os documentos e a escrituração da pessoa física. Ademais, alega que a autoridade fiscal deixou de observar os artigos 108 e 112 do Código Tributário Nacional. (ii) Da atividade rural. Afirma que comprovou, tanto nos documentos entregues à Fiscalização, quanto na sua defesa, que parte dos valores constantes nos extratos bancários são frutos da atividade rural, e, por este fato, entende que tornase inviável a tributação da totalidade dos depósitos realizados em suas contas bancárias como omissão de rendimentos relativa à outra atividade desenvolvida pelo contribuinte afora a de produtor rural, a qual goza de tributação mais favorecida. Disserta no seguinte sentido: “No presente caso, não se cogita em contrariedade à lei (artigo 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96), mas tão somente compatibilização da apuração de omissão de rendimentos (exclusivos da atividade rural) com base em depósitos bancários de origem não compovada, com o regim de tributação especial dos produtores rurais, na forma prescrita no artigo 5º da Lei nº 8.023/1990”. E finaliza no sentido de que não se pode confundir regime de tributação com a forma de apuração do crédito tributário. Sustenta que no presente caso, o regime especial de tributação dos produtores rurais pessoas físicas, impõe à observância aos limites do regramento específico (artigo 5º da Lei nº 8.023/1990), devendo a apuração de rendimentos – ainda que com base em depósitos bancários na forma do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 – obedecer aquele regime especial, de maneira a manter a autuação, limitando, porém, a base de cálculo a 20% da omissão apontada. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 16004.720523/201137 Acórdão n.º 2401005.917 S2C4T1 Fl. 4 5 (iii) Da redução da multa isolada. Entende que não há qualquer evidência de que o contribuinte tenha agido de máfé, e, em razão disso, a penalidade imputada contraria os ditames da Constituição Federal, uma vez que “tendem a inibir a iniciativa dos contribuintes de buscarem junto ao Fisco a cobrança de valores indevidamente recolhidos”. Aduz que a aplicação da multa com base apenas no indeferimento do pedido afronta o princípio da proporcionalidade, por não ser razoável a coação do contribuinte de boa fé, com a limitação do seu direito de petição, se a intenção era dar celeridade aos processos na via administrativa. Afirma que a aplicação da multa pela Fiscalização é confiscatória e exorbitante, de modo que viola os princípios da proporrcionalidade e da razoabilidade, de forma que deve ser excluída do lançamento. Ao final, pede: (i) o recebimento e posterior deferimento do presente Recurso Administrativo, pelos motivos e fundamentos explanados nesta petição, em especial por ser nulo o auto de infração, pelo fato do não reconhecimento de despesas e lançamentos realizados nos livros obrigatórios; (ii) Em não sendo o caso de extinção do auto de infração por ser nulo e, substituindo o lançamento com base no arbitramento do lucro, o valores referentes a Omissão de Receita apurados devem ser revistos, considerando o expurgo dos depósitos bancários relativos ao mútuo entre o Recorrente e as empresas acima mencionadas, por entender que está comprovado que não se trata de receita e sim de empréstimos entre partes. Assim, deverá ser revisto os valores referentes a omissão de receita relativos aos mútuos, alterando o lançamento em virtude da alteração do valor de receita omitida; (iii) O regime especial de tributação dos produtores rurais pessoas físicas, impõe à observância aos ditames do regramento específico (artigo 5º da Lei nº 8.023/90), devendo a apuração de rendimentos – ainda que com base em depósitos bancários na forma do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 – obedecer àquele regime especial, de maneira a manter a atuação, limitando, porém, a base de cálculo a 20% (vinte por cento) da omissão apontada; devendo ser revistos os lançamentos realizados no presente auto de infrção; (iv) Em caso de não extinção ou deferimento da exclusão da totalidade da multa isolada, que é a mais pura justiça, requer a redução da porcentagem da multa isolada, tendo em vista que 75% fere normas e princípios constitucionais e infraconstitucionais, já sendo matéria arguida e deferida em Arguição de inconstitucionalidade nº 5007416 62.2012.404.0000, com Repercursão Geral, conforme explanado acima. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Fl. 707DF CARF MF 6 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 18/11/2015 conforme Termo Aviso de Recebimento (AR) à fl. 671, e o Recurso Voluntário foi interposto, TEMPESTIVAMENTE, no dia 16/12/2015, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. Da Nulidade do Auto de Infração. O Recorrente argui a nulidade do auto de infração sob o argumento de que o auditor fiscal não reconheceu despesas e lançamentos realizados pelo contribuinte, tendo em vista que não foram analisados os livros contábeis e fiscal, tendo por embasamento apenas os extratos bancários, e, dessa forma, entende que houve “afronta aos princípios constitucionais, que torna o auto de infração nulo por direito, motivo pelo qual deverá imediatamente ser extinto”. Sem razão o Recorrente. Di início, destaco que a análise do presente recurso não está limitada às alegadas nulidades do Processo Administrativo Fiscal, sendo elas apenas mais graves. Pois bem. Ao dispor sobre as nulidade no processo administrativo fiscal – PAF, o Decreto nº 70.235, de 1972, em seu artigo 59 estabelece: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Pelo acima transcrito, é de se considerar que só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente. Por outro lado, a lavratura de ato ou termo (categoria à qual pertence o auto de infração) não pode configurar cerceamento do direito de defesa, porquanto somente os despachos e as decisões podem estar eivados desse vício processual, quando proferidos com preterição desse direito de defesa. Nesse sentido, a arguição de nulidade do lançamento, sob o argumento de ofensa á garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa (artigo 5º, LIV, da Constituição Federal), não tem como prosperar. O trâmite de um processo administrativo fiscal envolve dois momentos distintos: o do procedimento fiscal e o do contencioso. A primeira fase do procedimento, correspondente à fiscalização, caracteriza se pela atuação da autoridade fiscal competente, tendo por objetivo a verificação do Fl. 708DF CARF MF Processo nº 16004.720523/201137 Acórdão n.º 2401005.917 S2C4T1 Fl. 5 7 cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativamente aos tributos e contribuições administrados pela RFB, podendo essa ação resultar em constituição do crédito tributário. Essa etapada da ação fiscal caracterizase por ser inquisitorial, investigativa. O que existe nessa fase é um procedimento fiscal instaurado, em que o contribuinte é intimado a apresentar os esclarecimentos/comprovações necessários à averiguação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo. Não existe, entretanto, ainda, nenhum processo administrativo de constituição e exigência de crédito tributário formalizado, não havendo, a rigor, a possibilidade de observância do princípio do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal nessa etapa do procedimento. Já a fase contenciosa da relação fiscocontribuinte iniciase com a impugnação tempestiva do lançamento (artigo 14 do Decreto nº 70.235, de 1972) e se caracteriza pelo conflito de interesses submetido à Administração. À litigância e consequente solução desse conflito é que se aplicam as garantias constitucionais da observância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. Convém ressaltar que o contraditório traduzse na faculdade da parte de manifestar sua posição sobre os fatos ou documentos trazidos pela outra parte. Como dito acima, o princípio do contraditório e da ampla defesa assegurado pela Constituição Federal é um direito de todos os litigantes, que deve ser exercido depois de formalizada a exigência do crédito tributário por meio do Auto de Infração ou Notificação de Lançamento. Como dito acima, o princípio do contraditório e da ampla defesa assegurado pela Constituição Federal é um direito de todos os litigantes, que deve ser exercido depois de formalizada a exigência do crédito tributário por meio do Auto de Infração ou Notificação de Lançamento. No caso em comento, conforme bem observado pela instância administrativa a quo, “o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe que se consideram rendimentos omitidos os créditos em contas bancárias, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratase de uma presunção legal, portanto, não cabe à fiscalização aprofundar o procedimento fiscal para comprovar por outros indícios a ocorrência do fato gerador, nem mesmo a variação patrimonial, mas sim intimar regularmente o contribuinte a comprovar a origem dos valores creditados em suas contas bancárias. O ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deve comprovar a origem dos depósitos de forma individualizada, pela coincidência de datas e valores, através de documentação hábil e idônea”. Outrossim, não se vê do exame dos autos qualquer ofensa aos princípios da moralidade, razoabilidade, finalidade e ampla defesa previstos no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999. Fl. 709DF CARF MF 8 Muito menos violação ao Princípio da legalidade, ampla defesa, contraditório e do devido processo legal consagrados na Constituição Federal. Conforme dito anteriormente, o princípio do contraditório e da ampla defesa assegurado pela Constituição Federal é um direito de todos os litigantes, que deve ser exercido depois de formalizada a exigência do crédito tributário por meio do Auto de Infração ou da Notificação de Lançamento. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização, que se caracteriza, fundamentalmente, por ser inquisitorial, investigativa, em que inexiste, ainda, um processo de constituição e exigência do crédito tributário pelo lançamento. Portanto, improcede qualquer alegação do Recorrente no sentido de que houve infringência ao Princípio da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, uma vez que não correu qualquer restrição ao seu direito de se manifestar e impugnar o lançamento tributário do modo mais amplo possível. Desta forma, nego provimento a Recurso Voluntário neste particular. Ultrapassado esse ponto, passo ao mérito propriamente dito. 3. DO MÉRITO 3.1. Da omissão de rendimentos. O exame dos autos revela que a Ação Fiscal consistiu em verificar a origem da movimentação financeira do Recorrente nos anoscalendário 2007 e 2008. Por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 17/18), foi solicitado ao contribuinte que apresentasse, dentre outros, os extratos de todas as contas bancárias, nas quais mantém ou manteve conta no Brasil e no exterior, no período fiscalizado. Em seguida, a Fiscalização emitiu o Termo de Constatação, Intimação e Reintimação Fiscal (fls. 21/26), para verificação de recolhimento de contribuições previdenciárias relativas aos anoscalendários 2007 a 2010 em nome do contribuinte fiscalizado, ocasião em que foi reitimado a apresentar os elementos solicitados no TIPF. Por sua vez, o contribuinte solicitou prorrogação de prazo por mais 30 (trinta) dias para o atendimento do TIPF (fl. 20). Em 16/05/2011, o contribuinte apresentou os extratos bancários relativos às suas contas mantidas no Banco Nossa Caixa e no Unibanco (fls. 27/86) e informou a Fiscalização estar providenciando as demais informações solicitadas. Em seguida, no dia 31/05/2011, o contribuinte apresentou documentos e guias de recolhimentos relativos às contribuições previdenciárias devidas nos anoscalendário 2007 a 2010 e outros documentos relativos a obra (fls. 87/151), solicitados através do Termo de Constatação, Intimação e Reintimação Fiscal. Na sequência, a Fiscalização emitiu as Requisições de Informações sobre Movimentção Financeita para demais instituições financeiras onde o Recorrente manteve conta bancária no período fiscalizado, cujas respostas emitidas pelos bancos encontramse às fls. 156/235. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 16004.720523/201137 Acórdão n.º 2401005.917 S2C4T1 Fl. 6 9 Após a análise da documentação apresentada, a Fiscalização emitiu o Termo de Intimação Fiscal nº 03 (fl. 391) solicitando ao contribuinte documentação apta a comprovar a origem dos depósitos bancários bancários listados às fls. 392/396. Em respostas, o contribuinte apresentou diversos documentos – fls. 410/568 (Livros Caixa, planilha, cpóias de contrato e guias de depósito judicial) com o objetivo de justificar os depósitos bancários listados pela Fiscalização às fls. 392/396. Após analisar toda documentção, a Autoridade Fiscal concluiu pela omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada os valores lançados no Demonstrativo Final dos Créditos Bancários Não Justificados (fls. 588/593). Em sede de impugnação, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) manteve o entendimento da Fiscalização, no sentido de que não restou comprovada a origem dos referidos depósitos. Nas suas razões recursais, o Recorrente afirma que comprovou, tanto nos documentos entregues à Fiscalização, quanto na sua defesa, que parte dos valores constantes nos extratos bancários são frutos da atividade rural, e, por este fato, entende que tornase inviável a tributação da totalidade dos depósitos realizados em suas contas bancárias como omissão de rendimentos relativa à outra atividade desenvolvida pelo contribuinte afora a de produtor rural, a qual goza de tributação mais favorecida. Sustenta em suas razões recursais que “No presente caso, não se cogita em contrariedade à lei (artigo 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96), mas tão somente compatibilização da apuração de omissão de rendimentos (exclusivos da atividade rural) com base em depósitos bancários de origem não compovada, com o regim de tributação especial dos produtores rurais, na forma prescrita no artigo 5º da Lei nº 8.023/1990”. E finaliza no sentido de que não se pode confundir regime de tributação com a forma de apuração do crédito tributário. Nesse passo, alega que no caso, o regime especial de tributação dos produtores rurais pessoas físicas, impõe à observância aos limites do regramento específico (artigo 5º da Lei nº 8.023/1990), devendo a apuração de rendimentos – ainda que com base em depósitos bancários na forma do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 – obedecer aquele regime especial, de maneira a manter a autuação, limitando, porém, a base de cálculo a 20% da omissão apontada. Todavia, em que pese o esforço do Recorrente, a irresignação não merece prosperar. Diz o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Fl. 711DF CARF MF 10 No caso específico, nos livros caixas apresentados (fls. 411/535), constam diversos lançamentos relativos a débitos em suas contas bancárias, nos quais o Recorrente alega trataremse atividade rural. Por sua vez, em que pese o Recorrente tenha juntado aos autos a declaração de fl. 646, firmada por Luiz Carlos Marcon, as declarações de fls. 647/648 firmadas por Edson Luiz Pas, os certificados de registros (fls. 649/654) e as notas fiscais de aquisição de produtos agropecuários (fls. 655/657), estes documentos não são aptos a comprovar a origem dos depósitos bancários havidos em sua conta. Conforme salientado pelo acórdão recorrido, “A prova a ser apresentada deve ser individualizada, nos termos do art. 42, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996”. Por outro lado, os contratos firmados entre a Paulo Brunetti & Advogados Associados e a Associação Desportiva Polícia Militar do Estado de São Paulo, às fls. 544/549 e 640/645, prevêem valores de entrada e de parcelas a receber que não coincidem em data e valor com os depósitos objeto da autuação, às fls. 588/593, e também porque não foi apresentado nenhum documento que comprove que estem foram realmente provenientes da pessoa jurídica contratante, no caso a Associação Desportiva Polícia Militar do Estado de São Paulo. Dessa forma, os meros contratos acima indicados não são hábeis para comprovar a origem dos depósitos. Por fim, quanto ao alegado contrato de mútuo firmado entre a empresa Consutec e Paulo Brunetti & Advogados Associados, cujos valores encontram listados pelo Recorrente às fls. 677/678, não há documentação comprobatória de que os depósitos foram provenientes daquela empresa, restando assim, mais uma vez, não comprovada a origem. 3.2. Da Multa de Ofício. O Recorrente sustenta que a multa de ofício de 75% aplicada estaria ferindo o princípio do nãoconfisco, motivo pelo qual deveria ser anulada, e, além disso, o valor aplicado é exorbitante. Entretanto, o inconformismo não merece prosperar. Uma vez instaurado o procedimento de ofício e constatada infração à legislação tributária, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de ofício (multa de 75%). “Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) [...] Fl. 712DF CARF MF Processo nº 16004.720523/201137 Acórdão n.º 2401005.917 S2C4T1 Fl. 7 11 § 1º O percentual de multa que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Neste sentido, o artigo 142 do CTN prevê que a autoridade lançadora tem o dever de lavrar a referida multa de ofício, sob pena de responsabilidade funcional, visto que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória. Assim, no momento em que o auditor realiza de ofício o lançamento do imposto de renda, deve ser aplicada a multa do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 sobre o imposto suplementar calculado, por estrita determinação legal. Quanto às alegações de inconstitucionalidade levantadas pelo Recorrente, sobre a aplicação da multa com suposto efeito de confisco, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador, esta matéria é estranha à sua competência. Sem delongas, a teor do disposto no artigo 26ª do Decreto 70.235 de 06/03/1972, recepcionado pela ordem constitucional vigente com força de lei, aos órgãos de julgamento administrativo é vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, excetuando apenas os casos relacionados no próprio Decreto, os quais não têm relação com o objeto da presente lide. Confirase: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993.” Fl. 713DF CARF MF 12 No mesmo sentido é o artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973.” Desse modo, não é lícito a este Colegiado a análise da constitucionalidade de normativos legais, mediante afastamento de sua aplicação, mesmo que existam doutrinas e/ou julgados que respaldem a tese esposada na peça recursal, ainda mais quando se constata que tais decisões não se enquadram nos termos prescritos no inciso I do parágrafo 6º anteriormente reproduzido. Além disso, de conformidade com a Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, é vedado a esta Corte Administrativa pronunciarse sobre constitucionalidade de lei: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Desta feita, temse como não sendo possível aos órgãos de julgamento administrativos afastarem as conclusões contidas no despacho decisório sob o fundamento de que as normas legais que lhe dão suporte ferem princípios consagrados na Carta da República, pois, admitir ao julgador administrativo tal análise equivaleria invadir competência exclusiva do Poder Judiciário. Fl. 714DF CARF MF Processo nº 16004.720523/201137 Acórdão n.º 2401005.917 S2C4T1 Fl. 8 13 Portanto, não há razões para modificar o julgamento de primeira instância. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora. Fl. 715DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001127/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998
DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI N 8.212/91. SUMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Consideram-se decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/9l, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos ` da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008.
Numero da decisão: 2401-005.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a decadência.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI N” 8.212/91. SUMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Consideramse decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/9l, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos ` da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a decadência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 11 27 /2 00 7- 13 Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11330.001127/200713 Acórdão n.º 2401005.976 S2C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório MERIDIONAL CARGAS LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 13a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, Acórdão nº 1216.808/2007, às efls. 144/152, que julgou procedente o lançamento fiscal, concernente às contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social, correspondentes às rubricas segurados, empresa, inclusive ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT), bem como as destinadas a outras entidades e fundos, em relação ao período de 01/1997 a 31/1998, conforme Relatório Fiscal, às fls. 98/100 e demais documentos que instruem o processo. Conforme Relatório Fiscal, constituem fatos geradores das contribuições sociais incluídas na presente NFLD remunerações pagas a segurados empregados, nas competências 01/1197 a 12/1998, apuradas nos Livros Diário n° 21 a 34, contas 42516004 e 42802001, bem como a rubrica “Comissão” informada nas folhas de pagamento; remunerações creditadas a contribuintes individuais, nas competências 01/1197 a 12/1998, apuradas nas contas 41104001 e 42103002, 42508003 e 42802999; e pagamentos decorrentes de reclamações trabalhistas, apurados na conta 41101001. A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ entendeu por bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 72/79, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as razões da impugnação, preliminarmente pugnando pela decretação da decadência (prescrição como narra a recorrente) nos termos do artigo 173 do CTN. Ainda em caráter preliminar, sustenta a nulidade do lançamento, na medida em que os discriminativos do débito são complexos e não possibilitam o entendimento e a conseqüente impugnação pelo contribuinte. Além disso, não estão expostos os índices utilizados para correção, tampouco os juros aplicados, impedindo qualquer conferência do valor final. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11330.001127/200713 Acórdão n.º 2401005.976 S2C4T1 Fl. 4 3 No mérito, alega que não houve violação ou descumprimento de obrigação alguma de sua parte, sendo que todas as contribuições devidas foram quitadas em tempo hábil. Alfim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DA DECADÊNCIA A recorrente pugna pela decretação da decadência (prescrição como narra a recorrente) nos termos do artigo 173 do CTN. Primeiramente cabe esclarecer que pretende o sujeito passivo discutir a decadência do direito de constituir o crédito tributário, e não propriamente a prescrição, que sequer teve início. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...] Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11330.001127/200713 Acórdão n.º 2401005.976 S2C4T1 Fl. 5 4 [...] Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11330.001127/200713 Acórdão n.º 2401005.976 S2C4T1 Fl. 6 5 Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11330.001127/200713 Acórdão n.º 2401005.976 S2C4T1 Fl. 7 6 Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11330.001127/200713 Acórdão n.º 2401005.976 S2C4T1 Fl. 8 7 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11330.001127/200713 Acórdão n.º 2401005.976 S2C4T1 Fl. 9 8 antecipação de pagamento no Imposto de Renda Pessoa Física, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. Em suma, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que o crédito tributário lançado encontrase fulminado pela decadência por qualquer um dos dois artigos supra mencionados, deixo de tecer maiores explanações. Assim, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 03/07/2007 com a devida ciência da contribuinte, verificase que os fatos geradores relativos às competências 01/1997 a 12/1998 encontramse extintas pela decadência, pois, na pior das hipóteses, poderiam ter sido lançadas até 31/11/2001, nos termos do art. 173, I, do CTN. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine dissonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 207DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.900025/2008-51
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITO DISPONÍVEL.
Somente são compensáveis os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública cujas liquidez e certeza sejam comprovadas pelo contribuinte. Assim, o crédito usado em compensação deve estar disponível na data da transmissão da PERD/COMP.
Numero da decisão: 1003-000.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITO DISPONÍVEL. Somente são compensáveis os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública cujas liquidez e certeza sejam comprovadas pelo contribuinte. Assim, o crédito usado em compensação deve estar disponível na data da transmissão da PERD/COMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 00 25 /2 00 8- 51 Fl. 66DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0921604, proferido pela 2ª Turma da DRJ/.JFA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. Aos 17/04/2008, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1/3), contra Despacho Decisório (nº de rastreamento 749305449) que não homologou a compensação declarada, em razão de divergências apuradas entre os valores de saldo negativo de CSLL informados na DIPJ e os informados no PER/DCOMP. De acordo com a Recorrente, houve a tentativa de retificação do "valor original do saldo negativo que era de R$ 2.472,30 para R$ 16.178,32, saldo este, de acordo com a DIPJ, mas não conseguiu o contribuinte a transmissão do mesmo, cuja mensagem diz "pois já foi objeto de decisão administrativa". A DRJ/REC, por sua vez, julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório, conforme ementa abaixo: Assunto: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO O crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão da PERDCOMP. Solicitação Indeferida Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário que, em síntese, destacou que: a) realmente ocorreram divergências nos valores informados entre a DIPJ e a DCOMP, por isso há um processo tramitando na Receita Federal; b) as divergências se deram no momento de transição da extinta Declaração de Compensação, em formulário, para a Declaração de Compensação Eletrônica e o preenchimento de seus campos, que à época, era de complexo entendimento; c) quanto às DIPJ, foram feitas retificadoras, já quanto às DCOMP, houve a tentativa de retificação, mas, não foi possível ante a mensagem que aparecia no sistema: "objeto de decisão administrativa"; d) o saldo negativo apurado é um direito do contribuinte, podendo ser compensado ou restituído, conforme Lei 9.430/96, art. 14, e, no caso, optouse pela compensação com débitos posteriores, e que está sendo glosado em detrimento das transcrições incorretas para o PERDCOMP e DIPJ, e, por fim, e) que deve haver a revogação da decisão administrativa da nãohomologação do PERDCOMP. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10660.900025/200851 Acórdão n.º 1003000.406 S1C0T3 Fl. 61 3 É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que a Recorrente foi cientificada do Acórdão nº 0921604, proferido pela 2ª Turma da DRJ/JFA (fls 33/34), em 27/11/2008 (fls. 36) e apresentou o recurso competente em 24/12/2008 (fls. 37/39). O recurso voluntário interposto, portanto, atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235/72. Assim, dele tomo conhecimento ante sua tempestividade. Em suas razões recursais, a Recorrente, basicamente, reproduziu os argumentos apresentados em sua impugnação. Assim, por entender que, de fato, a decisão da DRJ não merece ser reformada, e, por serem irretocáveis as considerações aduzidas no acórdão recorrido, colaciono aqui parte do seu texto, como fundamento deste voto: A empresa informou na DCOMP em análise, um valor de saldo negativo de CSLL diferente do que constava na DIPJ, que por sua vez também estava errado. Em 16/04/2008, depois de notificada do Despacho Decisório de fls. 23, ela retificou a citada DIPJ. Com fulcro no parágrafo 14°, do artigo 74 da Lei 9.430/1996, que prevê que “a Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação”, foi emitida a Instrução Normativa SRF n° 460/2004, cujo artigo 28 estabelece que “na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”(grifei). Tal Instrução Normativa foi revogada pela de n° 600/2005, que mantêm a mesma determinação também no artigo 28. Portanto não resta dúvidas de que a compensação se dá na data da transmissão da DCOMP. Assim, temos que quando da transmissão da PERDCOMP em análise o crédito não existia, já que os valores de saldo negativo de CSLL apurados e informados a RFB estavam errados. Portanto, a compensação foi não homologada corretamente". Fl. 68DF CARF MF 4 Ora, levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN1), concluise que não deve Secretaria da Receita Federal homologar a compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, notadamente com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte em declarações ou demonstrativos por ele entregues. Assim, o crédito usado em compensação deve estar disponível na data da transmissão da PERDCOMP, ou seja, o crédito deve ser líquido e certo naquele momento, fato que não se deu no presente caso, pois, de acordo com os documentos que instruem os autos, não é possível a comprovação do crédito pleiteado, nem tampouco futura homologação da declaração de compensação efetuada. Por outro lado, quanto ao pedido de autorização, feito em sede do Recurso Voluntário, para retificação dos PER/DCOMP e DIPJ; vale ressaltar que a Recorrente, a quem recai o ônus da prova do alegado erro de fato2 (art. 147 do CTN3), teve oportunidade de esclarecer as divergências entre os dados informados em suas declarações, conforme Termo de Intimação de Irregularidade no Preenchimento de PER/DCOMP datado de 31/08/2006, às fls. 22, cujo trecho segue transcrito: “(...) Em relação ao valor do saldo negativo e crédito demonstrado, solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período e, se for o caso. corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição Quanto aos débitos por estimativa, retifique a DIPJ e/ou DCTF tornando coerentes as informações prestadas nestas declarações. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras”. Ademais, os procedimentos de retificação dos dados informados pela Recorrente cabem à Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) no âmbito da respectiva jurisdição (art. 270 do Anexo I do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). aprovado pela Portaria MF nº 430, de 09 de outubro de 2017). 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. 2 O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. 3 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10660.900025/200851 Acórdão n.º 1003000.406 S1C0T3 Fl. 62 5 Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o não reconhecimento do direito creditório em questão, e, por conseguinte, a não homologação da compensação pleiteada. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 70DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.910144/2012-22
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 20/04/2012
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3003-000.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 20/04/2012 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/04/2012 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 01 44 /2 01 2- 22 Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13896.910144/201222 Acórdão n.º 3003000.073 S3C0T3 Fl. 250 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) nº26826.54350.200412.1.3.042247 com aproveitamento de suposto pagamento a maior do PIS no valor de R$ 5.671,91, referente ao período de apuração (PA) de dez/09. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, argumentando que é prestadora de serviços no ramo de engenharia, tendo como tomadora o Grupo Petrobrás, acumulando créditos com as aquisições de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades exercidas. Aduz que a sistemática nãocumulativa da COFINS e do PIS pretendeu desonerar a cadeia produtiva, ao permitir que sejam descontados créditos referentes às aquisições, efetuadas no mês, de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, conforme dispõe o artigo 3º da Lei 10.833/03. Para comprovar a regularidade dos créditos, anexa o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais retificador, Declaração de Débitos e Créditos retificada e Pedido de Compensação – Per/Dcomp. A 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu decisão, acórdão n.º 09 47.503, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/04/2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA, DEVIDAMENTE ESCRITURADA. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13896.910144/201222 Acórdão n.º 3003000.073 S3C0T3 Fl. 251 3 não há que se falar em pagamento indevido. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e não constitui elemento de prova suficiente para justificar a retificação dos valores dos tributos devidos constantes de DCTF as informações declaradas pelo Contribuinte por meio do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, quando desacompanhada dos documentos e demonstrativos contábeis aptos a lhe darem sustentação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, argumentando, em síntese: 1 que a compensação se deu com créditos existentes, demonstrados pela retificação dos DACON´s; 2 que houve apenas erro material nas informações em DCTF, fato que pode ser comprovado pelas informações apresentadas nos DACON´s, devendose observar o princípio da verdade material; 3 que a natureza do crédito pleiteado está comprovada em "todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes" que trouxe aos autos com o recurso voluntário. A recorrente aduz, ainda, que "todos os documentos contábeis e fiscais poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa". É o relatório. Voto Márcio Robson Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 13896.910144/201222 Acórdão n.º 3003000.073 S3C0T3 Fl. 252 4 A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional , pressupõe a existência de créditos e débitos tributários em nome do sujeito passivo. Segundo o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. Como se sabe, a compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose, tal procedimento, a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. No presente caso o contribuinte transmitiu a DCOMP descrita no relatório acima e indicou a existência de crédito em razão de pagamento a maior. A auditoria fiscal ao analisar a DCOMP transmitida, verificou que não havia o saldo pretendido, uma vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito, diante desse fato foi publicado o Despacho Decisório que não homologou a compensação dos débitos confessados. Importa observar que a retificação da DCOMP foi em data posterior ao despacho decisório. Tal procedimento foi validado pelo Parecer Normativo COSIT Nº 2, de 28 de agosto de 20151, contudo, a produção da prova relacionada a essa retificação deve ser realizada de forma minuciosa, como veremos no decorrer deste voto. A impugnação sustentou erro material ao transmitir a DCTF e DACON originais. Em tais declarações, o débito informado foi erroneamente apurado, de maneira que a retificação da DCTF e DACON seria suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado. Na impugnação, a recorrente trouxe aos autos as declarações retificadoras com apuração de débito de contribuição social a menor, deixando de apresentar, todavia, documentos para comprovar sua alegação, infirmando as declarações originais. Ao apreciar a impugnação, a decisão recorrida entendeu que a simples entrega de declarações retificadoras não seria suficiente para demonstrar a existência de pagamento a maior do qual teria derivado o direito creditório pleiteado pela recorrente em sua DCOMP. No entendimento do colegiado, a recorrente deveria ter demonstrado a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, por meio da apresentação de escrituração 1 Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 13896.910144/201222 Acórdão n.º 3003000.073 S3C0T3 Fl. 253 5 contábilfiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, comprovando que a contribuição devida era realmente menor do que o valor constante nas declarações originais. Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Como bem assinalou a decisão a quo, para que os dados declarados em DACON fossem tidos como corretos, infirmando aqueles informados em DCTF e demonstrando a certeza e liquidez do crédito a compensar, deveria a recorrente ter apresentado documentos que corroborassem a apuração do tributo declarado. Com efeito, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, com redução de débitos originalmente apurados. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; De igual forma é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção das provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 253DF CARF MF Processo nº 13896.910144/201222 Acórdão n.º 3003000.073 S3C0T3 Fl. 254 6 b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material, conforme bem evocado no Recurso Voluntário, e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, passo à análise dos documentos apresentados após a impugnação os quais podem representar, de certo modo, uma forma de contrapor as razões consignadas na decisão recorrida, aplicandose, no caso concreto, a exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.235/722. Compulsando os documentos apresentados, observase que apesar de ter trazido aos autos diversas notas fiscais, a recorrente deixou de apresentar escrituração contábilfiscal e demonstrativos de apuração a fim de justificar a retificação do DACON e DCTF e assim não logrou demonstrar a certeza e liquidez do direito pleiteado. Como se sabe, a parte incumbida do ônus probatório possui o amplo direito de produzir a prova. A parte adversa, em contrapartida, tem o amplo direito à contraprova, pois só assim o contraditório e a ampla defesa serão igualmente garantidas às partes. O ônus de prova é a incumbência que a parte possui de comprovados fatos que lhe são favoráveis no processo, visando à influência sobre a convicção do julgador, nesse sentido, a organização e vinculação dos documentos com as matérias impugnadas e a reunião de suas informações na escrituração contábil seria indispensável para um convencimento. No caso dos autos, ocorreu simples juntada de notas fiscais avulsas, desacompanhadas de escrituração contábilfiscal e de esclarecimentos analíticos para demonstrar seu eventual impacto na apuração do tributo devido. A recorrente deveria ter apresentado descrição minuciosa da apuração da contribuição social, estabelecendo conexões entre os diversos elementos que devem compor a prova do direito creditório alegado: notas fiscais, escrituração contábilfiscal, demonstrativo de apuração do tributo devido. Modernamente defendese a divisão do ônus probandi entre as partes sob a égide da paridade de tratamento entre estas. Francesco Carnelutti, no clássico Teoria Geral do Direito3, assim leciona: Quando um determinado fato é afirmado, cada uma das partes tem interesse em fornecer a prova dele, uma delas a de sua existência e a outra a da sua inexistência; o interesse na prova do fato é, portanto, bilateral ou recíproco.(grifei) Diante da complexidade de um processo de compensação tributária o recorrente deve se preocupar em formar o convencimento do julgador de forma que este seja capaz de fazer presunções simples, aquelas que são consequências do próprio raciocínio do 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 3 CARNELUTTI, Francesco. Teoria geral do direito. (Tradução de Antônio Carlos Ferreira). São Paulo: Lejus, 1999, p.541 (in Temas Atuais de Direito Tributário) Fl. 254DF CARF MF Processo nº 13896.910144/201222 Acórdão n.º 3003000.073 S3C0T3 Fl. 255 7 homem em face dos acontecimentos que observa ordinariamente. Elas são construídas pelo aplicador do direito, de acordo com o seu entendimento e convicções. No dizer de Giuseppe Chiovenda4: São aquelas de que o juiz, como homem, se utiliza no correr da lide para formar sua convicção, exatamente como faria qualquer raciocinador fora do processo. Quando, segundo a experiência que temos da ordem normal das coisas, um ato constitui causa ou efeito de outro, ou de outro se acompanha, nós, conhecida a existência de um dos dois, presumimos a existência do outro. A presunção equivale, pois, a uma convicção fundada sobre a ordem normal das coisas. (grifei) Ocorre que, das notas fiscais acostadas não se pode presumir a causa do que deu consequência a retificação, fato que prejudica o acolhimento dos fundamentos recursais. Ainda sobre a importância das provas na retificação da DCTF O Paracer Normativo COSIT Nº. 2 de 2015 assim resolve: 1 Após a transmissão do PER/DCOMP, pode a DCTF ser retificada com o intuito de formalizar o indébito objeto de compensação?Sim. Essa é a diretriz adotada pela RFB na análise eletrônica dos PER/DCOMP. Tal diretriz está ainda mais evidente com a implantação da autorregularização. 2 Em caso positivo, a retificação da DCTF, sozinha, é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior? Se a retificação da DCTF for suficiente, há um limite temporal para que ela produza os efeitos de uma declaração original (antes da ciência do despacho decisório, a qualquer tempo ou antes de 5 anos do fato gerador)? a. Não, a DCTF por si só não é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. É necessário que os valores informados na DCTF estejam coerentes com outras declarações enviadas à RFB, a exemplo da DIPJ, Dacon, DIRF, em cada caso, ou confirmados por documentos fiscais ou contábeis acostados aos autos. Isso porque a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF em relação a outras declarações não elidida por provas, afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação.(grifei) Em seu recurso, a recorrente aduz que "disponibiliza todos os documentos contábeis e fiscais", os quais "poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa", sendo conveniente dizer que do mesmo modo os poderia ter juntado aos autos no momento oportuno, mas não o fez, ocorrendo a preclusão. Por fim, no tocante ao pedido de sustentação oral, deduzido no recurso voluntário, há que se lembrar o que dispõe o art. 61A, §2º., do Anexo II do Regimento do Interno do CARF (RICARF): 4 CHIOVENDA, Giuseppe. Instituições de direito processual civil Trad.J. Guimarães Menegale. São Paulo: 1969. v. III.p. 139 Fl. 255DF CARF MF Processo nº 13896.910144/201222 Acórdão n.º 3003000.073 S3C0T3 Fl. 256 8 Art. 61A. As turmas extraordinárias adotarão rito sumário e simplificado de julgamento, conforme as disposições contidas neste artigo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 1º Os processos serão pautados em reunião composta por sessões não presenciais virtuais. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 2º A pauta da reunião será elaborada em conformidade com o disposto no art. 55, dispensada a indicação do local de realização da sessão, e incluída a informação de que eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, e ainda, de que é facultado o envio de memoriais, em meio digital, no mesmo prazo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Márcio Robson Costa Relator Fl. 256DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.903464/2008-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Numero da decisão: 3201-004.559
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente TOYOTA DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 34 64 /2 00 8- 62 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13819.903464/200862 Acórdão n.º 3201004.559 S3C2T1 Fl. 3 2 convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (.) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, que: (...) transmitiu o (...) PER/DCOMP (...) pelo qual pleiteou a homologação de compensação, valendose de créditos de contribuições recolhidas a maior em decorrência da não dedução de vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus. Em termos práticos, a decisão ora combatida afirma que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente usado para quitação de débitos do contribuinte. Não é o que mostra, contudo, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, (...), apresentada pela Manifestante (...). Da análise de tal documento, podese concluir, em absoluto, que há crédito suficiente para a compensação formalizada na PER/DCOMP em questão (.). Ante o exposto, a não homologação da compensação não merece prosperar em hipótese alguma, eis que comprovada a existência do crédito da Manifestante. Caso V. Sas. não entendam dessa forma, o que se admite apenas para fins de argumentação, a Manifestante, desde já, esclarece a legalidade, regularidade e tempestividade das informações prestadas a esta Secretaria. Ao encaminhar, originalmente, o PER/DCOMP em questão, todos os valores informados pela Manifestante já eram Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13819.903464/200862 Acórdão n.º 3201004.559 S3C2T1 Fl. 4 3 absolutamente condizentes com a realidade, ou seja, a Manifestante, àquela altura, já detinha todos os créditos pleiteados. Os créditos da Manifestante, decorrentes de pagamento a maior por não dedução em vendas para a Zona Franca de Manaus, SEMPRE existiu (sic) e, agora, ainda mais, resta plenamente demonstrado na DCTF da Manifestante, ora anexada. A Manifestante, portanto, jamais causou qualquer prejuízo ao erário público, ao compensar valores com créditos dos quais dispunha integralmente. Assim, não bastasse a regularidade da compensação, que deve ser plenamente homologada, nunca houve mora ou infração da Manifestante, motivo pelo qual a cobrança de multa e juros apresentada no despacho decisório é igualmente descabida. Caso entendam V. Sas. que há alguma irregularidade no caso, nem mesmo mero erro de fato poderia ser cogitado, entendimento que, aliás, ocasionaria verdadeiro enriquecimento ilícito da Unido Federal. A DRJ/Campinas/SP, por meio do Acórdão 0529.649, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 EMENTA: DESPACHO ELETRÔNICO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA POSTERIOR. O despacho decisório eletrônico fundase nas informações prestadas pela interessada nas declarações apresentadas à Administração Tributária. A inexistência do crédito informado nas declarações justifica a nãohomologação, sendo que a retificação de tais declarações posteriormente à emissão do despacho eletrônico não o invalidam. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. No Recurso Voluntário, a empresa reforça a invocação do princípio da verdade material, e reitera que a DCTF retratava a condição de liberação do pagamento indevido. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13819.903464/200862 Acórdão n.º 3201004.559 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.544, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 13819.903407/200883, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.544): "O recurso é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade, devendo ser conhecido. O Despacho Decisório foi cientificado ao contribuinte em 21/08/2008, e a DCTF retificadora foi transmitida em 08/09/2008, portanto, depois da ciência do Despacho Decisório. Portanto, o débito no valor integral do Darf foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído, passível de posterior homologação. A DCTF retificadora apresentada antes de qualquer procedimento de ofício tem o mesmo valor da original, e a substitui integralmente, porque a motivação da alteração é espontânea. Todavia, após qualquer procedimento de ofício, a retificação da DCTF incide em ausência de espontaneidade, caracterizando vício de motivação, e por isso, exige comprovação material. Vigia, então, a Instrução Normativa RFB 786/2007: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquiv oBinario=0 II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13819.903464/200862 Acórdão n.º 3201004.559 S3C2T1 Fl. 6 5 III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. § 5º A pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora, relativa ao ano calendário utilizado como referência para o enquadramento no disposto no art. 3º, nos casos em que a retificação implicar seu desenquadramento dessa condição, poderá pedir dispensa de apresentação da DCTF Mensal. § 6º O pedido de dispensa de que trata o § 5º será formalizado, mediante processo administrativo, perante a unidade da RFB do domicílio tributário da pessoa jurídica. § 7º Em caso de deferimento do pedido de que trata o § 5º, a pessoa jurídica estará dispensada da apresentação da DCTF Mensal a partir do anocalendário em que ocorreu o enquadramento com base na declaração retificada, desde que não se enquadre, novamente, na condição de obrigada à DCTF Mensal. § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 9º A retificação de declarações, cuja alteração de valores resulte no enquadramento da pessoa jurídica segundo as hipóteses do art. 3º, obriga a apresentação da DCTF Mensal desde o início do anocalendário a que estaria obrigada com base na declaração retificada, sendo devidas as multas pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado, calculadas na forma do art. 9º. § 10. Verificandose a existência de imposto de renda postergado, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 11. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. Estando o crédito tributário formalmente constituído pela DCTF original, e o Fisco agindo em consonância com o que foi formalmente constituído, para que se pudesse retificálo – o crédito tributário após o procedimento de ofício, seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova, e respectivos lastros documentais (nfs, contratos, etc). Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2). 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13819.903464/200862 Acórdão n.º 3201004.559 S3C2T1 Fl. 7 6 Esses aspectos da força probante dos documentos são tratados nos artigos 219 e 226 do Código Civil: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. (...) Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. A obrigação de conservar os registros até que prescrevam os direitos reclamados com base neles, consta do Código Tributário Nacional, §único do artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Temse ainda o DecretoLei 486/69, art. 4º: Art 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Fechando o arcabouço legal pertinente, temse ainda que, em se tratando de pedido de restituição e consequente compensação, o ônus da prova é do contribuinte, conforme art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373, I do CPC4. Caso a DCTF ativa (original ou retificadora) estivesse com os valores que alega a recorrente, a compensação poderia ser sido auditada, para eventual prova de sua inconsistência, e para conferir o crédito. Em outras palavras, o Fisco tem o dever de averiguar I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13819.903464/200862 Acórdão n.º 3201004.559 S3C2T1 Fl. 8 7 e comprovar apenas o que for diferente daquilo que foi declarado pelo contribuinte. Após o procedimento de ofício, que agiu em conformidade com o que estava declarado, a contraprova, o ônus probatório, no caso de restituição/compensação, passa ao contribuinte. Dado que a DCTF ativa tinha o valor total do Darf de pagamento, a compensação foi negada por comparativo eletrônico. Sem os elementos de prova do direito da recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, de acordo com art. 1705 do CTN, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído, por meio da DCTF original. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 5 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001705/2007-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002, 2003
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR MÍNIMO PARA O CONHECIMENTO NÃO ATINGIDO. SUMULA CARF 03.
Em virtude da exoneração de crédito tributário em montante inferior a R$2.500.000,00 (Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017), cumpre não conhecer o Recurso de Ofício, em atenção às disposições do art. 34, inc. I, Dec. n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97.
GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS OU ASSISTÊNCIA TÉCNICA. REMESSAS A EMPRESAS DOMICILIADAS NO EXTERIOR. Não são dedutíveis do lucro líquido, na apuração do lucro real, as importâncias pagas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, quer fixas, quer como percentagem da receita ou do lucro, se os contratos firmados não forem registrados no INPI e no BACEN. A dedução somente seria admitida se satisfeitos todos os limites e requisitos estipulados por lei.
PREJUÍZO FISCAL DE ANOS ANTERIORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE.
Procede a constatação fiscal de saldo de prejuízo fiscal insuficiente para compensação com lucro real do anocalendário de 2003, uma vez utilizado para compensar lucro real apurado de infração referente ao ano anterior.
JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF 108. Incidem juros moratórias, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 1301-003.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora..
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002, 2003 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR MÍNIMO PARA O CONHECIMENTO NÃO ATINGIDO. SUMULA CARF 03. Em virtude da exoneração de crédito tributário em montante inferior a R$2.500.000,00 (Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017), cumpre não conhecer o Recurso de Ofício, em atenção às disposições do art. 34, inc. I, Dec. n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97. GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS OU ASSISTÊNCIA TÉCNICA. REMESSAS A EMPRESAS DOMICILIADAS NO EXTERIOR. Não são dedutíveis do lucro líquido, na apuração do lucro real, as importâncias pagas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, quer fixas, quer como percentagem da receita ou do lucro, se os contratos firmados não forem registrados no INPI e no BACEN. A dedução somente seria admitida se satisfeitos todos os limites e requisitos estipulados por lei. PREJUÍZO FISCAL DE ANOS ANTERIORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. Procede a constatação fiscal de saldo de prejuízo fiscal insuficiente para compensação com lucro real do anocalendário de 2003, uma vez utilizado para compensar lucro real apurado de infração referente ao ano anterior. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF 108. Incidem juros moratórias, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
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VALOR MÍNIMO PARA O CONHECIMENTO NÃO ATINGIDO. SUMULA CARF 03. Em virtude da exoneração de crédito tributário em montante inferior a R$2.500.000,00 (Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017), cumpre não conhecer o Recurso de Ofício, em atenção às disposições do art. 34, inc. I, Dec. n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97. GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS OU ASSISTÊNCIA TÉCNICA. REMESSAS A EMPRESAS DOMICILIADAS NO EXTERIOR. Não são dedutíveis do lucro líquido, na apuração do lucro real, as importâncias pagas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, quer fixas, quer como percentagem da receita ou do lucro, se os contratos firmados não forem registrados no INPI e no BACEN. A dedução somente seria admitida se satisfeitos todos os limites e requisitos estipulados por lei. PREJUÍZO FISCAL DE ANOS ANTERIORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. Procede a constatação fiscal de saldo de prejuízo fiscal insuficiente para compensação com lucro real do anocalendário de 2003, uma vez utilizado para compensar lucro real apurado de infração referente ao ano anterior. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF 108. Incidem juros moratórias, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 05 /2 00 7- 57 Fl. 1787DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 19515.001705/200757 Acórdão n.º 1301003.708 S1C3T1 Fl. 1.788 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Versam os presentes autos sobre lançamento de ofício formalizado em decorrência de ação fiscal procedida nos livros e documentos fiscais da Recorrente, relativamente aos anos calendários de 2002 e 2003, iniciada após revisão de ofício das respectivas DIPJ’s, entregues pelo sistema denominado “Lucro Real Anual”. No curso da ação fiscal a autoridade administrativa intimou a Recorrente a comprovar, mediante documentação hábil idônea, bem como a demonstrar a efetividade da prestação dos serviços e sua necessidade face aos objetivos da empresa, em relação as (i) despesas contabilizadas no ano calendário de 2002; além de comprovar a autenticidade de (ii) contratos de câmbios; (iii) pagamentos de IRRF, (iv) CIDE das despesas objeto das referidas intimações fiscais; e apresentar os contratos de prestação de serviços de assistência técnica, registrado junto ao Banco Central, celebrados com as pessoas envolvidas nas respectivas despesas. Após resposta a intimação fiscal, a autoridade administrativa entendeu que a Recorrente não comprovou os valores passíveis de dedução do lucro real a título de pagamento por assistência técnica pagas ao exterior, e procedeu a glosa desses valores submetendoos a tributação pelo lançamento de ofício em foco, ressaltando que, considerando resposta a intimação fiscal na qual a Recorrente afirma ter procedido a estornos em razão da devolução de valores relativos a horas de consultoria prestada por empresas do Chile e da Espanha, deduzidas na apuração de resultados declarados em DIPJ, subtraiu estes valores da base de calculo do lançamento. Ademais, a autoridade fiscal procedeu a compensação dos prejuízos fiscais apurados durante os anoscalendários de 2001 e 2002. Em decorrência do aproveitamento integral, tanto dos prejuízos fiscais quanto das bases de calculo negativas da CSLL, tendo em vista a glosa realizada no ano calendário de 2002, as compensações com o lucro líquido ajustado e com a base de calculo da CSLL declarada no ano calendário de 2003 tornaramse indevidas. De tal sorte, foi apurado lucro em relação ao mencionado período fiscal, também levado a tributação pelo lançamento em foco. Cientificada da autuação, a Recorrente apresentou tempestiva impugnação requerendo a anulação do lançamento ante a ausência de motivação da autuação haja vista que não se procedeu a busca da verdade material no curso da fiscalização. Para fundamentar tal alegação, a impugnação menciona que a limitação à compensação aduzida pela autoridade fiscal somente se aplicam nos casos em que há efetiva transferência de tecnologia, situação que não foi mencionada e tampouco comprovada durante o curso da ação fiscal. Prossegue asseverando que a fiscalização limitase a partir da premissa de que as despesas deduzidas referemse a prestação de serviços de assistência técnica, sem justificar tal assertiva em relação aos fatos e documentos disponibilizados, sendo que, todavia, tais despesas correspondiam a necessidade que a Recorrente teve de Fl. 1789DF CARF MF 4 contratar outras empresas do grupo para prestar serviços no Brasil, tendo em vista que no início de suas atividades o seu quadro de funcionários no país era bastante reduzido. Assim, considerando que as despesas deduzidas eram necessárias e não meramente assistência técnica, justifica a não apresentação de contratos registrados no BACEN, que são obrigatórios somente nas prestações de serviços de assistência técnica provenientes do exterior. Ademais, aduz que o fato de a autoridade fiscal ter constatado a existência de pagamentos feitos sob código de receita 0422, referente a prestação de serviços de assistência técnica, isoladamente, não é suficiente para comprovar que tais despesas são decorrentes da prestação de serviços de assistência técnica, tendo em vista que tais recolhimentos correspondem a pequena parcela dos valores objetos da autuação, asseverando que a grande maioria dos recolhimentos a título de IRRF foram efetuados mediante o código 0473, referente a rendimentos do trabalho, aluguéis e arrendamentos. Outro princípio invocado pela impugnação é o do dever da investigação, pelo o qual o Fisco tem o dever de apurar, verificar e certificarse acerca da existência de determinada conduta. Assim, uma vez inexistente qualquer evidência de que os serviços contratados referiamse a assistência técnica, e que, tampouco, consistiam transferência de tecnologia, não se pode aplicar as limitações impostas pela autoridade fiscal. Além disso, a impugnação traz os conceitos de “assistência técnica” e “transferência de tecnologia”, no intuito de descaracterizar as infrações constatadas. De acordo com a Recorrente, o contrato de transferência de tecnologia constitui uma autorização do detentor de determinada tecnologia para outra pessoa utilizar em seu processo produtivo, trazendo o conceito de tecnologia. Quanto a assistência técnica, salienta tratarse de pressuposto para a transferência de tecnologia, ou seja, a comunicação de informações relativas ao fornecimento de conhecimento, knowhow. Assim, aduz que inexiste, nas despesas glosadas, tanto a prestação de serviços de assistência técnica quanto transferência de tecnologia, tratandose tais despesas apenas de prestação de serviço que requer o emprego de conhecimentos especializados. Além disso, quanto a base de calculo da CSLL, aduz a impugnação, ainda que admitida a hipótese de que as despesas referemse a assistência técnica e transferência de tecnologia, é inaplicável a limitação da dedução de tais despesas da base de calculo da CSLL. Tal situação decorreria da inexistência de qualquer previsão legal que determine a adição de despesas com prestação de serviços de assistência técnica para determinação da base de calculo da CSLL. Por fim, na hipótese de prevalecer a autuação, apenas a título de argumentação, pugna pela inaplicabilidade dos juros sobre a multa de ofício aplicada. Após a apresentação da peça impugnatória, a Recorrente trouxe ao conhecimento da autoridade de primeira instância fato superveniente, no intuito de reforçar os argumentos defensórios. Tais fatos consistem no requerimento de juntada de cópia integral do Processo de Consulta INPI/DIRTEC/Nº 076269 no qual o INPI se manifestou pela ausência de transferência de tecnologia nos serviços tomados Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 19515.001705/200757 Acórdão n.º 1301003.708 S1C3T1 Fl. 1.789 5 pela Recorrente, quando da análise de contrato de prestação de serviços da mesma natureza dos apreciados pela autoridade fiscal. A decisão de primeira instância considerou parcialmente procedente a impugnação apresentada, consoante ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002, 2003 PRELIMINAR. NULIDADE. Não se acata a argüição de nulidade se o lançamento foi efetuado por agente competente, com a observância dos requisitos exigidos pela legislação tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003 GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS OU ASSISTÊNCIA TÉCNICA. REMESSAS A EMPRESAS DOMICILIADAS NO EXTERIOR. Não são dedutíveis do lucro líquido, na apuração do lucro real, as importâncias pagas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, quer fixas, quer como percentagem da receita ou do lucro, se os contratos firmados não forem registrados no INPI e no BACEN. A dedução somente seria admitida se satisfeitos todos os limites e requisitos estipulados por lei. DEDUTIBILIDADE. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. Se não há averbação do contrato em razão de as importâncias pagas a domiciliados no exterior não envolverem transferência de tecnologia, tratase de assistência técnica ou serviços genuínos, não dedutíveis, para efeito de apuração do lucro real. PREJUÍZO FISCAL DE ANOS ANTERIORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. Procede a constatação fiscal de saldo de prejuízo fiscal insuficiente para compensação com lucro real do anocalendário de 2003, uma vez utilizado para compensar lucro real apurado de infração referente ao ano anterior. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, após o seu vencimento, está prevista nos artigos 43 e 61, § 3°, da Lei n° 9.430/1996. No caso em pauta, o crédito tributário constituído pelo lançamento abrange tributo e multa de oficio, portanto, incidem juros de mora sobre o montante total do débito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Exercício: 2002, 2003 Fl. 1791DF CARF MF 6 BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. AJUSTES AO LUCRO LÍQUIDO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Uma vez que a glosa das despesas não foi motivada pela falta de comprovação e/ou suposta inexistência das despesas deduzidas, mas em razão da impossibilidade de dedução prevista na legislação do Imposto sobre a Renda, a base de cálculo da CSLL não é afetada, pois esta corresponde ao resultado do exercício, submetido a ajustes entre os quais não estão contempladas expressamente as despesas com assistência técnica pagas a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE ANOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO. Não subsiste a glosa fiscal da compensação da base de cálculo negativa efetuada na DIPJ/2004, pois decorrente da exigência da contribuição do ano calendário de 2002, considerada improcedente nesta instância julgadora. Lançamento Procedente em Parte Destarte, de acordo com a decisão a quo, o lançamento não padece de qualquer nulidade, pois foi constituído de acordo com o artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Além disso, inexiste qualquer das hipóteses de nulidade positivadas pelo artigo 59 do referido diploma legal. Quanto as deduções, a autoridade julgadora a quo enfatiza que a fiscalização, mediante os documentos de fls. 212/490, comprovou trataremse de despesas com assistência técnica, asseverando que tais serviços nem sempre pressupõem transferência de tecnologia, Neste sentido, traz à baila o ADN (COSIT) nº 01, de 05 de janeiro de 2000, o qual impõe a tributação do IRRF aos contratos de prestação de serviços técnicos sem transferência de tecnologia, contrapondose a alegação de que a limitação da dedução só se aplicaria nos casos em que houvesse transferência de tecnologia. Além disso, esclarece a autoridade a quo, ainda que houvesse a possibilidade de deduzir tais despesas, haveria de se adicionar ao lucro real o valor correspondente à diferença entre o montante dos pagamentos anuais e o limite legal. Quanto ao fato superveniente, sustenta que tal documentação contraproduz os efeitos buscados pela Recorrente, uma vez que ela equivocase ao aduzir que o regime fiscal invocado pela autoridade fiscal somente se aplica quando houver transferência de tecnologia. No tocante aos prejuízos fiscais compensados no exercício de 2004 a decisão recorrida assevera que a procedência do lançamento do IRPJ do ano calendário de 2002 se aplica, igualmente, ao ano calendário seguinte, uma vez que o saldo de prejuízos utilizados na DIPJ/2004 foi consumido pela compensação do lucro real de 2002 apurado de infrações. A respeito da base de calculo da CSLL, a decisão recorrida considerou insubsistente a glosa, porquanto, diferentemente do IRPJ, inexiste qualquer disposição legal quanto a vedação ou a existência de limites específicos para a dedução da base de cálculo da referida contribuição. No que tange a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, a autoridade julgadora a quo sustenta que tal previsão encontrase positivada nos artigos 43 e 61,§3º da Lei 9.430/1996. Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 19515.001705/200757 Acórdão n.º 1301003.708 S1C3T1 Fl. 1.790 7 Por fim, quanto a base negativa da CSLL de anos anteriores, compensada indevidamente no exercício de 2004, aponta que, uma vez reconhecida a improcedência do lançamento relativo ao ano calendário de 2002, o mesmo se aplica ao ano calendário seguinte. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário contra a decisão que manteve o lançamento correspondente ao IRPJ, alegando, em síntese, que a autoridade julgadora a quo adotou premissa equivocada ao classificar como assistência técnica os serviços correspondentes aos pagamentos deduzidos, modificando a acusação fiscal ao sustentar que é possível existir prestação de serviços de assistência técnica sem transferência de tecnologia, numa tentativa de esquivarse da discussão sobre o conceito de assistência técnica, trazendo o conceito de assistência técnica extraído da IN 252/02, concluindo que os serviços relativos as despesas deduzidas tratavamse disponibilização de mãodeobra qualificada e apta a aplicar conhecimentos especializados, tanto para trabalhos que beneficiariam diretamente a Recorrente quanto para atender a demanda de clientes locais desta, que haviam a contratado para prestar tais serviços. Ademais, assevera a Recorrente que, não obstante a ausência de qualquer diligência no sentido de verificar se os serviços tomados pela Recorrente referiamse a assistência técnica, ela mesmo tomou a iniciativa de formular consulta ao INPI, que ao analisar o mesmo contrato de prestação de serviço entregue a autoridade fiscal, concluiu que tais serviços não são caracterizados como de assistência técnica, nos termos do artigo 211, da Lei 9279/96. Ainda, salienta que a efetividade das despesas deduzidas restaram amplamente demonstradas no curso da fiscalização, uma vez que foram apresentados os contratos de prestação de serviços firmados entre a Recorrente e empresas do grupo localizadas em outros países; relatórios de atividades desenvolvidas, contratos de câmbios das remessas de valores, dentre outras evidências. Por fim, pugna a Recorrente pela inaplicabilidade do juro de mora sobre a multa de ofício aplicada, uma vez que se admitida, tal providencia implicaria no enriquecimento ilícito do Erário público. Em sessão de 13 de junho de 2013, decidiu esta mesma turma converter o processo em diligencia, através da Resolução nº 1202000.197, nos seguintes termos (fl. 1302): Antes de apreciar a questão sob o critério meritório, quanto a glosa realizada sobre as despesas deduzidas do IRPJ cabe tecer algumas considerações; A autoridade fiscal considerou que os serviços cujos pagamentos foram deduzidos da base de calculo referiamse a prestação de serviços de assistência técnica e, portanto, tais deduções eram indevidas; Em sua Impugnação, a Recorrente assevera não se tratar de assistência os serviços prestados, cujos pagamentos foram deduzidos da base de calculo, uma vez que tais serviços não consistiam em transferência de tecnologia, alegando que tais serviços eram despesas necessárias, ou seja, de natureza eminentemente operacional; A decisão recorrida, por sua vez, sustenta que, ainda que não exista transferência de tecnologia, as prestações de serviços relativas a assistência técnica não podem ser totalmente deduzidos da base de calculo do IRPJ; Fl. 1793DF CARF MF 8 A Recorrente reitera a alegação de que tais serviços não referemse a assistência técnica trazendo resposta a consulta realizada junto ao INPI, que analisou o mesmo contrato analisado pela autoridade fiscal, e conclui não se tratar de prestação de serviços de assistência. Assim, é crucial para o esclarecimento fático do presente litígio, a descrição real e verdadeira sobre a natureza das despesas glosadas pela autoridade fiscal. Neste sentido, considerando que a Recorrente já se manifestou sobre tal situação, e considerando a necessidade real verificação sobre a natureza de tais serviços, uma vez que a decisão recorrida apenas se manifesta sobre a impossibilidade de dedução dos serviços prestados sem transferência de tecnologia, remanesce a dúvida concreta se realmente são serviços de assistência técnica, ou se são despesas operacionais, em confronto com o contrato de prestação de serviços e com a efetividade dos serviços prestados, sejam, ou não, de assistência técnica. Diante tal questão fática, apresentase necessária, considerando a busca da verdade material sobre os fatos que embasam a autuação fiscal, propor a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade de origem constate, mediante análise dos contratos de prestações de serviços da Recorrente, por amostragem, e seus clientes no território nacional, intimandoos para tanto, a fim de descrever, efetivamente, os serviços realizados decorrentes dos contratos indigitados, após o que, colher a manifestação, no prazo de 30(trinta) dias da Recorrente. Em observância à Resolução CARF nº 1202.000.197, foi apresentado Relatório de Diligencia (fl. 1776). Uma vez encerrada a Diligencia Fiscal o Recorrente foi cientificado e facultado a manifestarse, dentro do prazo legal, sobre seu conteúdo. Tendo em vista que não houve manifestação do Recorrente, os autos retornaram ao CARF para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 19515.001705/200757 Acórdão n.º 1301003.708 S1C3T1 Fl. 1.791 9 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso de Ofício Compulsando os autos, verificase que o recurso de ofício foi interposto visto que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo de determinada parcela do crédito tributário originalmente lançado, parcela esta relacionada aos seguintes itens do auto de infração : falta de recolhimento da CSLL: artigo 2°, caput e parágrafos, da Lei n° 7.689/1988, artigo 19 da Lei n° 9.249/1995, artigo 10 da Lei n° 9.316/1996, artigo 28 da Lei n°9.430/1996 e artigo 6° da MP n° 1.858/1999 e reedições; compensação indevida de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores: artigo 2°, caput e parágrafos, da Lei n° 7.689/1988, artigo 58 da Lei n° 8.981/1995, artigo 16 da lei n° 9.065/1995 e artigo 37 da Lei n° 10.637/2002. Conforme demonstrativo do crédito tributário constante da decisão de primeira instancia (fl. 1.250) que o valor exonerado total da CSLL foi inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) para fins do limite proposto pela Portaria MF nº 63, de 10/02/2017. Neste caso, aplicase a Sumula CARF 103, vejamos: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Baseado em tais assertivas, entendo que o Recurso de Ofício deve ser NÃO CONHECIDO, nos termos da Portaria MF nº 63/17, com amparo no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 1795DF CARF MF 10 Recurso Voluntário Admissibilidade A admissibilidade do recurso voluntário já foi analisado por este colegiado, motivo pelo qual se passa a analise dos argumentos levantados em sede recursal. Fatos Conforme relatado acima em mais detalhes, em resumo, contra a empresa em epígrafe foi lavrado o auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), fls. 512 a 518, em razão da apuração das irregularidades descritas nos Termos de Verificação Fiscal n° 01 e 02 (fls. 499 a 511), quais sejam: (i) Indedutibilidade de despesas com assistência técnica, científica ou tecnológica de beneficiários no exterior. (ii) Glosa de prejuízos compensados indevidamente. Passamos a análise dos itens mencionados. I. Indedutibilidade de despesas com assistência técnica, científica ou tecnológica de beneficiários no exterior a beneficiários domiciliados no exterior A Fiscalização considerou não dedutíveis as despesas com serviços prestados por profissionais especializados oriundos da matriz na Espanha e filiais no Chile e Argentina, que ao seu ver deveriam ser enquadradas como de assistência técnica pois que a Recorrente não teria cumprido com os requisitos legais dos artigos 354 e 355 do RIR, que tratam da dedutibilidade de despesas de serviços de assistência técnica, dentre os quais o registro no Banco Central do Brasil e averbação no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual INPI. Em breve resumo a Recorrente reafirma suas alegações de defesa, em sede de Recurso Voluntário, que somente estaria sujeita aos comandos dos artigos 354 e 355 do RIR/99, caso ocorrida uma efetiva transferência de tecnologia, o que não se verificaria em seu caso, motivo pelo qual as respectivas despesas seriam dedutíveis por força da regra geral prevista no art. 299 do RIR/1999. Em relação a este tópico, as principais questões abordadas pelas partes e que devem ser enfrentadas para fins de deslinde do caso em tela dizem respeito: (i) a necessidade de ocorrência de transferência de tecnologia para fins de enquadramento dos serviços prestados como de assistência técnica e, conseqüentemente, às regras dos artigos 354 e 355 do RIR/99. (ii) o enquadramento dos serviços efetivamente prestados pelas contratadas da Recorrente e relativos às glosas de despesas realizadas no conceito de "assistência técnica", e, conseqüentemente, às regras dos artigos 354 e 355 do RIR/99. Diante destes pontos, ao meu ver, cabe em um primeiro momento revisitar os dispositivos legais referentes ao tema em tela para então passarmos a análise do caso concreto e verificação de subsunção do fato às normas. I.a Regras legais de dedutibilidade Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 19515.001705/200757 Acórdão n.º 1301003.708 S1C3T1 Fl. 1.792 11 As despesas realizadas pela pessoa jurídica serão dedutíveis, como regra geral, no momento em que forem incorridas ou pagas e quando se mostrarem necessárias, usuais ou normais no tipo de operações ou atividades da empresa, nos termos preconizados pelo art. 47 da Lei n° 4.506/1964, regulamentado no art. 299 do RIR/1999: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n" 4.506, de 1964, art. 47). § 1° São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n" 4.506, de 1964, art. 47, § Io). § 2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n" 4.506, de 1964, art. 47, § 2o). § 3° O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem.Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n" 4.506, de 1964, art. 47). Os requisitos de necessidade, usualidade e normalidade são condições gerais mínimas para que qualquer despesa possa ser considerada dedutível na determinação do Lucro Real. A legislação do imposto de renda, impõe, no entanto, uma série de condições adicionais para que seja autorizada a dedução, como despesa operacional, das importâncias pagas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, encontrandose o assunto regulamentado pelo artigo 354 do RIR/1999: Art. 354. As importâncias pagas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, quer fixas, quer como percentagem da receita ou do lucro, somente poderão ser deduzidas como despesas operacionais quando satisfizerem aos seguintes requisitos (Lei n° 4.506, de 1964, art. 52): constarem de contrato registrado no Banco Central do Brasil; corresponderem a serviços efetivamente prestados à empresa através de técnicos, desenhos ou instruções enviadas ao País, ou estudos técnicos realizados no exterior por conta da empresa; III o montante anual dos pagamentos não exceder ao limite fixado por ato do Ministro de Estado da Fazenda, de conformidade com a legislação específica. § 1° As despesas de assistência técnica, científica, administrativa e semelhantes somente poderão ser deduzidas nos cinco primeiros anos de funcionamento da empresa ou da introdução do processo especial de produção, quando demonstrada sua necessidade, podendo esse prazo ser prorrogado até mais cinco Fl. 1797DF CARF MF 12 anos por autorização do Conselho Monetário Nacional (Lei n° 4.131, de 1962, art. 12, §3°). § 2° Não serão dedutíveis as despesas referidas neste artigo, quando pagas ou creditadas (Lei n° 4.506, de 1964, art. 52, parágrafo único): I pela filial de empresa com sede no exterior, em beneficio da sua matriz; II pela sociedade com sede no Brasil a pessoa domiciliada no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, o controle de seu capital com direito a voto. § 3° O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às despesas decorrentes de contratos que, posteriormente a 31 de dezembro de 1991, venham a ser assinados, averbados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial lNPI e registrados no Banco Central do Brasil, observados os limites e condições estabelecidos pela legislação em vigor (Lei n° 8.383, de 1991, art. 50). (realcei) Já o art. 355 do RIR/1999 regulamenta os limites de dedução comuns às despesas com royalties e com assistência técnica, científica, administrativa e semelhantes: Limite e Condições de Dedutibilidade Art. 355. As somas das quantias devidas a título de royalties pela exploração de patentes de invenção ou uso de marcas de indústria ou de comércio, e por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, poderão ser deduzidas como despesas operacionais até o limite máximo de cinco por cento da receita liquida das vendas do produto fabricado ou vendido (art. 280), ressalvado o disposto nos arts. 501 e 504, inciso V (Lei n 3.470, de 1958, art. 74, e Lei w° 4.131, de 1962, art. 12, e DecretoLei n? 1.730, de 1979, art. 6?). § 1 Serão estabelecidos e revistos periodicamente, mediante ato do Ministro de Estado da Fazenda, os coeficientes percentuais admitidos para as deduções a que se refere este artigo, considerados os tipos de produção ou atividades reunidos em grupos, segundo o grau de essencialidade (Lei n 4.131, de 1962, art. 12) § 2 Não são dedutíveis as quantias devidas a título de royalties pela exploração de patentes de invenção ou uso de marcas de indústria e de comércio, e por assistência técnica, científica; administrativa ou semelhante, que não satisfizerem às condições previstas neste Decreto ou excederem aos limites referidos neste artigo, as quais serão consideradas como lucros distribuídos (Lei n 4.131, de 1962, arts. 12 e 13). § 3° A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de aluguéis ou royalties pela exploração ou cessão de patentes ou pelo uso ou cessão de marcas, bem como a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) somente será admitida a partir da averbação do Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 19515.001705/200757 Acórdão n.º 1301003.708 S1C3T1 Fl. 1.793 13 respectivo ato ou contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, obedecidos o prazo e as condições da averbação e, ainda, as demais prescrições pertinentes, na forma da Lei n 9.279, de 14 de maio de 1996. (grifei) Os condicionamentos legais que autorizam a atual dedução de importâncias pagas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a título de royalties e de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, regulamentados pelos artigos 354 a 355 do RIR/1999, permitem concluir que a política cambial e tributária procura restringir remessas de tais naturezas quando as partes são relacionadas, indicando que, nestas situações, a não dedutibilidade dessas despesas seria a regra, somente ultrapassada pela via da exceção, quando atendidos determinados limites e requisitos, dentre os quais, o registro no Bacen e a averbação no INPI dos respectivos contratos. Notase que o § 3o do art. 355 do Regulamento, em simetria com o dispositivo anterior, além de repetir a necessidade de averbação no INPI, como condição de dedutibilidade, vincula as atividades de "assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços especializados" à expressão "transferência de tecnologia". I. b Serviços de assistência técnica A conceituação de assistência técnica é dada pela legislação do imposto de renda no artigo 17 da Instrução Normativa 1.455/2014, vejamos: II considerase: (...) b) assistência técnica: a assessoria permanente prestada pela cedente de processo ou fórmula secreta à concessionária, mediante técnicos, desenhos, estudos, instruções enviadas ao País e outros serviços semelhantes, os quais possibilitem a efetiva utilização do processo ou fórmula cedido. Pela leitura do dispositivo acima, extraise que o serviço de assistência técnica tem caráter acessório a um contrato prévio de cessão de "processo ou fórmula secreta" e que se materializa mediante "técnicos, desenhos, estudos, instruções enviadas ao País e outros serviços semelhantes" para que se possa efetivar a utilização de tal "processo ou fórmula secreta". I.c Transferência de Tecnologia Os contratos de transferência de tecnologia são regulados em nosso sistema jurídico por um conjunto de normas diversas, não consolidadas, envolvendo, principalmente o INPI, Banco Central e legislação tributária. Já o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (“INPI”), órgão responsável pela execução de normas que regulam a propriedade industrial, elenca os contratos que impliquem em transferência de tecnologia da seguinte forma: (i) os contratos de licença de direitos (exploração de patentes ou de uso de marca); (ii) os de aquisição de conhecimentos tecnológicos (fornecimento de tecnologia e prestação de serviços de assistência técnica e científica), e ainda (iii) os contratos de franquia. Como se vê, o INPI não define os contratos de transferência de tecnologia da mesma forma que a legislação do IRPJ o faz. Na legislação do IRPJ, o contrato de assistência técnica assemelhase ao que seria para o INPI, o contrato de transferência ou fornecimento de Fl. 1799DF CARF MF 14 tecnologia. Para o INPI, assistência técnica assemelhase ao que seria pela legislação do IRPJ, o contrato de projetos ou serviços técnicos especializados. A legislação do IRPJ não traz especificações ou distinções entre os contratos de transferência ou fornecimento de tecnologia e os contratos de assistência técnica, enquadrando ambos no conceito geral de transferência de tecnologia. Já o INPI prevê como gênero os contratos de aquisição de conhecimentos tecnológicos, subdividindoos em contratos de fornecimento de tecnologia e de prestação de serviços de assistência técnica. No que se refere à legislação do IRPJ, ao dispor sobre a dedutibilidade das importâncias pagas a título de royalties e remuneração por transferência de tecnologia, o art. 355, § 3º do Regulamento do Imposto de Renda, instituído pelo Decreto nº 3.000/99, faz distinção ao categorizar os contratos em (i) exploração ou cessão de patentes; (ii) uso ou cessão de marcas, e (iii) transferência de tecnologia, incluindose entre estes últimos os de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados. Terminologias à parte, passaremos agora a tratar do conceito e da natureza jurídica dos contratos de fornecimento de tecnologia e de prestação de serviços de assistência técnica e científica, tal como entendidos pelo INPI, importantes para a análise dos aspectos tributários em questão. No Brasil, o “fornecimento” de tecnologia é considerado “venda” e não licença. Este contrato visa a transferência a outra pessoa, durante prazo determinado, de conhecimentos, técnicas, processos de fabricação não patenteados, ou seja, “knowhow”. No que se refere aos contratos de prestação de serviços de assistência técnica, estes regulam a prestação de todo e qualquer serviço técnico que esteja diretamente ligado a atividades inerentes ao sistema produtivo, ou seja, a todo e qualquer serviço técnico especializado prestado à indústria, como por exemplo, obtenção de técnicas, métodos, pesquisas, estudos e projetos. Nesses contratos será necessário especificar o custo do homem/hora detalhado por tipo técnico, o prazo para realização do serviço e o valor total estimado para a prestação do serviço. A essência dos contratos de fornecimento de tecnologia ou “knowhow” é a própria tecnologia envolvida no negócio. Quanto à natureza jurídica desses contratos, verifica se que é complexa, pois tais contratos podem estabelecer obrigações variadas como: “de dar” (coisa certa, como projetos impressos, plantas) ou “de fazer” (treinamentos, avisar sobre melhoramentos) ou ainda obrigações complementares como as “de não fazer” (como por exemplo, de nãoconcorrência). Embora tais contratos possam estabelecer obrigações “de fazer”, como por exemplo, nos contratos de assistência técnica, sua atividade principal continua sendo a própria transferência de tecnologia (obrigação “de dar”). De acordo com a legislação aplicável, os contratos de transferência de tecnologia devem ser averbados perante o INPI para os seguintes propósitos: (i) produzir efeito perante terceiros; (ii) viabilizar a remessa de pagamentos e (iii) possibilitar a dedutibilidade fiscal dos pagamentos. Conclusão Os serviços de assistência técnica envolvem, portanto, uma necessária transferência de tecnologia, cabendo ao INPI a atribuição de averbar contratos de prestação de serviços que apresentem essa característica. Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 19515.001705/200757 Acórdão n.º 1301003.708 S1C3T1 Fl. 1.794 15 Portanto, se, no caso concreto, os contratos não forem passíveis de averbação no INPI, ou seja, não forem de transferência de tecnologia, o tomador dos serviços no País estaria autorizado a deduzir os respectivos pagamentos da base de cálculo do IRPJ, na medida que a essa modalidade de despesa, estaria sujeita somente aos requisitos gerais de dedutibilidade discriminados no art. 299 do RIR/1999. Primeira conclusão, o serviço de assistência técnica necessariamente envolve transferência de tecnologia para fins de enquadramento nos artigos 354 e 355 do RIR/99. II. Do caso concreto Diligencia fiscal Uma vez esclarecidos os conceitos aqui envolvidos, vale analisar se os serviços prestados efetivamente pela Recorrente em território nacional utilizandose de colaboradores estrangeiros são serviços de assistência técnica e, por conseguinte, envolvem transferência de tecnologia. Neste sentido, foi requerida diligencia, nos seguintes termos (fl. 1308): Assim, é crucial para o esclarecimento fático do presente litígio, a descrição real e verdadeira sobre a natureza das despesas glosadas pela autoridade fiscal. Neste sentido, considerando que a Recorrente já se manifestou sobre tal situação, e considerando a necessidade real verificação sobre a natureza de tais serviços, uma vez que a decisão recorrida apenas se manifesta sobre a impossibilidade de dedução dos serviços prestados sem transferência de tecnologia, remanesce a dúvida concreta se realmente são serviços de assistência técnica, ou se são despesas operacionais, em confronto com o contrato de prestação de serviços e com a efetividade dos serviços prestados, sejam, ou não, de assistência técnica. Diante tal questão fática, apresentase necessária, considerando a busca da verdade material sobre os fatos que embasam a autuação fiscal, propor a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade de origem constate, mediante análise dos contratos de prestações de serviços da Recorrente, por amostragem, e seus clientes no território nacional, intimandoos para tanto, a fim de descrever, efetivamente, os serviços realizados decorrentes dos contratos indigitados, após o que, colher a manifestação, no prazo de 30(trinta) dias da Recorrente. Neste sentido, foram requeridas pela autoridade fiscal as seguintes informações à Recorrente (Diligencia Fiscal de fl. 1776): Para podermos verificar o tipo de serviço prestado pelo contribuinte no território nacional conforme solicitado, intimamos a demonstrar a sua receita bruta, do ano calendário de 2002, desmembrando seu faturamento por clientes, a fim de selecionarmos os maiores clientes, e de posse dessa relação, selecionamos os maiores clientes, diante da necessidade de apurarmos a natureza dos serviços prestados, intimamos o contribuinte a: Fornecer cópias dos contratos de prestação de serviços, na forma da legislação, dos seguintes serviços prestados referentes às notas fiscais de sua emissão referentes o ano calendário de 2002, cujos números e clientes, descrevemos, a saber: Fl. 1801DF CARF MF 16 A Banco do Estado de São Paulo Banespa CNPJ 61.411.633/000187, contratos de prestação de serviços prestados através de suas notas fiscais de números; : 049, 052, 053, 054, 055, 056, 057 , 058, 062, 093, 094, 095, 096, 097, 098, 099, 100, 101, 102, 103, 109, 110, 11, 112, 113, 118, 119, 120. B Telefônica Empresas S/A CNPJ 04.027.547/000161; contratos de prestação de serviços prestados através de suas notas fiscais de números; 064, 074, 086, 087, 088, 089, 091, 107, C Esmena do Brasil S/A CNPJ 04.660.028/000106 ; contratos de prestação de serviços prestados através de suas notas fiscais de números; 077, 078, 080, 081, 083, 084, 092, 106, 114, 116, 121, 123, 124, 126. De sua resposta através de seu ofício de 27/03/2014, o contribuinte entre outras informações nos informa em resumo com relação aos serviços prestados à essas empresas: A Banco do Estado de São Paulo Banespa CNPJ 61.411.633/000187: Nos informa o contribuinte que " infelizmente, não conseguiu localizar em seus arquivos o contrato de serviços firmado como Banespa em virtude de tratarse de documento firmado há mais de 12 anos passados..." " Além disso, a fim de demonstrar a sua boa fé, a contribuinte procede nesse momento a juntada das notas fiscais n°s 049, 052, 053, 054, 055, 056, 057 , 058, 062, 093, 094, 095, 096, 097, 098, 099, 100, 101, 102, 103, 109, 110, 11, 112, 113, 118. 119, 120. (doe 3) que permitem verificar, por meio da analise do campo "descrição dos serviços prestados" que os serviços prestados pela ora contribuinte ao Banespa foram também, como nos casos dos contratos acima, de ordem de consultoria administrativa e de tecnologia da informação (sistemA ALTAIR BANESPA)". B Telefônica Empresas S/A CNPJ 04.027.547/000161: Nos informa, "A empresa contribuinte foi contratada justamente, portanto, para prestar os serviços que "envolvem desenvolvimento, operação e implementação de funcionalidades, processos e procedimentos em todos os componentes da solução" relacionados ao sistema tecnológico PRISMA (pag 16)". C Esmena do Brasil S/A CNPJ 04.660.028/000106: Nos informa em resumo, ..." o grupo econômico DMR se responsabilizava em linhas gerais , por prestar consultoria administrativa e de tecnologia da informação, tanto na Espanha quanto no Brasil, de forma : (1) a obter um modelo economico financeiro adequado, segundo a legislação brasileira, para a implantação de empresa do grupo Esmena no Brasil; (2) gerar um modelo flexível e compatível para todo o grupo Esmena; (3) realizar, no Brasil, um desdobramento da funcionalidade de toda a cadeia logística implantada na Esmena Espanha...; (4) promover todas as adaptações/implementações necessárias no sistema tecnológico SAP/3..." Em síntese ao acima, a Recorrente informou que prestou os seguintes serviços: (i) Banco do Estado de São Paulo consultoria administrativa e de tecnologia da informação (ii) Telefônica Empresas S/A desenvolvimento, operação e implementação de funcionalidades, processos e procedimentos em todos os componentes da solução" relacionados ao sistema tecnológico PRISMA Fl. 1802DF CARF MF Processo nº 19515.001705/200757 Acórdão n.º 1301003.708 S1C3T1 Fl. 1.795 17 (iii) Esmena do Brasil S/A prestar consultoria administrativa e de tecnologia da informação, tanto na Espanha quanto no Brasil, de forma: (1) a obter um modelo econômicofinanceiro adequado; (2) gerar um modelo flexível e compatível para todo o grupo Esmena; (3) realizar, no Brasil, um desdobramento da funcionalidade de toda a cadeia logística implantada na Esmena Espanha; (4) promover todas as adaptações/implementações necessárias no sistema tecnológico SAP/3. Conforme legislação do INPI Resolução INPI Nº 54 DE 18/03/2013 temos uma lista de serviços de contratos de Serviços de Assistência Técnica que não são averbáveis, por não implicarem em transferência de tecnologia e portanto não são registráveis: Art. 1º. Divulgar a lista dos contratos de Serviços de Assistência Técnica que não são averbáveis, por não implicarem em transferência de tecnologia: 1. Agenciamento de compras, incluindo serviços de logística (suporte ao embarque, tarefas administrativas relacionadas à liberação alfandegária, etc.); 2. Serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da empresa brasileira, que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios, como por exemplo, beneficiamento de produtos; 3. Homologação e certificação de qualidade de produtos; 4. Consultoria na área financeira; 5. Consultoria na área comercial; 6. Consultoria na área jurídica; 7. Consultoria visando participação em licitação; 8. Serviços de marketing; 9. Consultoria remota, sem a geração de documentos; 10. Serviços de suporte, manutenção, instalação, implementação, integração, implantação, customização, adaptação, certificação, migração, configuração, parametrização, tradução, ou localização de programa de computador (software); 11. Serviços de treinamento para usuário final ou outro treinamento de programa de computador (software); Fl. 1803DF CARF MF 18 12. Licença de uso de programa de computador (software); 13. Distribuição de programa de computador (software); 14. Aquisição de cópia única de programa de computador (software). Consulta ao INPI Fato Superveniente Visando reafirmar seus argumentos de defesa de que os serviços prestados não se enquadram como de assistência técnica, a Recorrente julgou oportuno apresentar consulta ao INPI visando o registro de contrato idêntico ao ora em comento. A confirmação de suas alegações teria advindo do posicionamento que o INPI aditou ao entender pela impossibilidade de registro, demonstrando ainda mais a inexistência de transferência de tecnologia/knowhow nos casos em questão. Notese que a redação e o objeto dos contratos firmados com as empresas do grupo situadas na Espanha, na Argentina e no Chile são praticamente idênticos, conforme se verifica das cópias dos contratos anexadas à impugnação apresentada (docs. 03 a 05 da impugnação fls 646 e segs), razão pela qual a Recorrente formulou consulta ao INPI apenas em relação ao contrato firmado com a empresa do grupo situada na Espanha. Cumpre ressaltar que o contrato oferecido à análise do INPI é exatamente o mesmo contrato apresentado à D. Autoridade Fiscal quando do processo de fiscalização, tal qual se pode verificar da análise do contrato anexado à impugnação (doc. 03 da impugnação) e das folhas 67 a 84 do Processo de Consulta INPI/DIRTEC/N° 076269, cuja cópia integral foi anexada à presente contenda. A resposta do INPI só pode corroborar a defesa, no sentido de que somente se caracteriza como de assistência técnica o serviço que implique direta ou indiretamente na transferência de tecnologia apresentada. Vejamos a resposta a consulta no INPI (fl. 1192 e segs): "Em atenção à consulta feita por essa empresa em carta de 06/09/2007, protocolada neste instituto em 05/10/2007, constante do processo em referência, comunicamos a Vossas Senhorias que o Contrato de Serviços Entre Escritórios firmado com a empresa EVERIS SPAIN S.L. não é passível de averbação por este Instituto, por não caracterizar Transferência de Tecnologia nos termos do disposto no Artigo 211 da Lei No 9279/96." Considerando que os serviços apurados conforme diligencia fiscal foram no sentido de que são não registráveis no INPI, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para que sejam revertidas a glosa de despesas aqui analisadas conforme fundamentação acima realizada. Glosa de prejuízos fiscais Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 19515.001705/200757 Acórdão n.º 1301003.708 S1C3T1 Fl. 1.796 19 Uma vez comprovado o descabimento da autuação no que tange à glosa das despesas deduzidas pela Recorrente, totalmente descabida também no que tange ao IRPJ apurado no anocalendário de 2003 (recomposição dos prejuízos fiscais do anocalendário de 2002). Juros sob Multa de Ofício Súmula CARF 108 Tendo em vista o acima fundamentado, entendo que a analise sobre esta tópico encontrase prejudicada, no entanto, enfrentoa pois se trata de matéria sumulada. A recorrente alega ainda que a incidência de juros sobre a multa de ofício viola o ordenamento tributário que estabelece a cobrança de juros apenas sobre tributos. Como a multa tem natureza de sanção, sustenta que não se confunde com tributo, a teor dos artigos 3o, 113 e 139 do CTN, devendo por isso ser cancelada a cobrança de juros sobre a multa. Entendo, em linha com o que defenda a Recorrente, que o § 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 determina que "sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. À evidência, a expressão "sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora que inaugura o dispositivo supra transcrito, diz respeito somente ao valor do principal relativo à obrigação tributária não paga no vencimento. Basta ver que o caput do art. 61 da Lei n° 9.430 está assim redigido: "Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (...), não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora (...)" Resta evidente que o "débito" a que se refere a lei é composto apenas pelo valor do principal, isto é, do tributo vencido e não pago. Posteriormente ao vencimento é que são lançados os acréscimos de multa e juros. Falta, portanto, lei que autorize a União a incluir a multa como parte integrante do principal, para efeitos de incidir os juros sobre ambos, o que viola, segundo meu entender, o princípio da legalidade. Não obstante meu posicionamento foi editada sobre esta matéria Sumula CARF 108 de aplicação vinculante aos processos administrativos conforme Regimento Interno deste Conselho, vejamos: Súmula CARF 108: Incidem juros moratórias, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Conclusão Fl. 1805DF CARF MF 20 Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso de Ofício e CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 1806DF CARF MF
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