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Numero do processo: 10680.721551/2010-32
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2007
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOA COM INTERESSE COMUM.
Nos casos de fraude, quando a pessoa jurídica funciona apenas como proteção para ocultar o verdadeiro realizador do fato imponível, a solução é direcionar o lançamento contra o administrador oculto, ou o sócio de fato, que também é sujeito passivo.
Evidenciada a existência de vários beneficiários da omissão da receita, organizados sobre a gerência do principal interessado, configura-se a sociedade de fato e a imputação de responsabilidade tributária por força do interesse comum (art. 124, inciso I, do CTN).
DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA
Quando intimada do termo a autuação, o contribuinte deve oferecer impugnação munida de todos os meios de provas, nos termos do Decreto 70.235/72. Quando regularmente intimado, o contribuinte não faz contraprova ou requer diligência, não há que se falar em lesão ao contraditório e a ampla defesa.
DA DECADÊNCIA DOS TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
É pacífico o entendimento neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, mesmo sendo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, caso não haja antecipação, ou incorra em fraude, simulação ou dolo, o prazo seguido será o do art. 173, I, do CTN.
DA POSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. CONTRAPROVA
A omissão da Empresa, embora intimada, em apresentar todos os documentos necessários à perfeita identificação dos fatos geradores, obrigaram a Fiscalização a dimensionar a matéria tributável mediante o procedimento de aferição indireta, com fulcro no permissivo encartado nos §§ 3º e 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91.
DA MULTA QUALIFICADA
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, §1°, da Lei n° 9.430/96, se demonstrado que a conduta do sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Caio Eduardo Zerbeto Rocha.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2007 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOA COM INTERESSE COMUM. Nos casos de fraude, quando a pessoa jurídica funciona apenas como proteção para ocultar o verdadeiro realizador do fato imponível, a solução é direcionar o lançamento contra o administrador oculto, ou o sócio de fato, que também é sujeito passivo. Evidenciada a existência de vários beneficiários da omissão da receita, organizados sobre a gerência do principal interessado, configura-se a sociedade de fato e a imputação de responsabilidade tributária por força do interesse comum (art. 124, inciso I, do CTN). DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA Quando intimada do termo a autuação, o contribuinte deve oferecer impugnação munida de todos os meios de provas, nos termos do Decreto 70.235/72. Quando regularmente intimado, o contribuinte não faz contraprova ou requer diligência, não há que se falar em lesão ao contraditório e a ampla defesa. DA DECADÊNCIA DOS TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. É pacífico o entendimento neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, mesmo sendo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, caso não haja antecipação, ou incorra em fraude, simulação ou dolo, o prazo seguido será o do art. 173, I, do CTN. DA POSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. CONTRAPROVA A omissão da Empresa, embora intimada, em apresentar todos os documentos necessários à perfeita identificação dos fatos geradores, obrigaram a Fiscalização a dimensionar a matéria tributável mediante o procedimento de aferição indireta, com fulcro no permissivo encartado nos §§ 3º e 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91. DA MULTA QUALIFICADA Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, §1°, da Lei n° 9.430/96, se demonstrado que a conduta do sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64. Recurso Voluntário Negado.
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2007 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOA COM INTERESSE COMUM. Nos casos de fraude, quando a pessoa jurídica funciona apenas como proteção para ocultar o verdadeiro realizador do fato imponível, a solução é direcionar o lançamento contra o administrador oculto, ou o sócio de fato, que também é sujeito passivo. Evidenciada a existência de vários beneficiários da omissão da receita, organizados sobre a gerência do principal interessado, configurase a sociedade de fato e a imputação de responsabilidade tributária por força do interesse comum (art. 124, inciso I, do CTN). DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA Quando intimada do termo a autuação, o contribuinte deve oferecer impugnação munida de todos os meios de provas, nos termos do Decreto 70.235/72. Quando regularmente intimado, o contribuinte não faz contraprova ou requer diligência, não há que se falar em lesão ao contraditório e a ampla defesa. DA DECADÊNCIA DOS TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. É pacífico o entendimento neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, mesmo sendo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, caso não haja antecipação, ou incorra em fraude, simulação ou dolo, o prazo seguido será o do art. 173, I, do CTN. DA POSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. CONTRAPROVA A omissão da Empresa, embora intimada, em apresentar todos os documentos necessários à perfeita identificação dos fatos geradores, obrigaram a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 15 51 /2 01 0- 32 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10680.721551/201032 Acórdão n.º 2803003.544 S2TE03 Fl. 360 2 Fiscalização a dimensionar a matéria tributável mediante o procedimento de aferição indireta, com fulcro no permissivo encartado nos §§ 3º e 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91. DA MULTA QUALIFICADA Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, §1°, da Lei n° 9.430/96, se demonstrado que a conduta do sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Caio Eduardo Zerbeto Rocha. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10680.721551/201032 Acórdão n.º 2803003.544 S2TE03 Fl. 361 3 Relatório 1. Tratase de Recurso voluntário interposto por VIVIANE MENDES PENA CARDOSO, em face de acórdão, que por unanimidade de votos não conheceu a impugnação, considerandoa improcedente e mantendo o crédito exigido, bem como a responsabilidade solidária, por interesse comum. 2. A autuação se refere ao AI DEBCAD nº 37.235.0054, com valor consolidado em 24/06/2010, de R$24.734,57 (fl. 4), lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe, referente à exigência de contribuições destinadas à previdência social, parte dos segurados, não recolhida em época própria. 3. A contribuinte foi regularmente cientificada da constituição do crédito tributário e por não se conformar, apresentou impugnação fls. 142/204. 4. O acórdão de primeira instância, que julgou a impugnação apresentada pelo contribuinte, restou lavrado com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2007 INTERPOSTA PESSOA. Constatada a interposição de pessoa com o objetivo de mascarar a identificação de seu verdadeiro sócio administrador, deve ser este responsabilizado. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a recolher as Contribuições Previdenciárias a seu cargo conforme dispõe a Legislação Previdenciária. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IRREGULARIDADE NA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. ILEGITIMIDADE DE PARTE. Nos casos de representação processual, quando não é possível conferir a assinatura do procurador do sujeito passivo, pela falta de apresentação do documento de identidade, mesmo após o contribuinte ter sido intimado a juntar esse documento aos autos, fica consubstanciada a ilegitimidade de parte e prejudicada a apreciação da impugnação interposta. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10680.721551/201032 Acórdão n.º 2803003.544 S2TE03 Fl. 362 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” 5. Intimado da decisão da instância a quo, a recorrente interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário fls. 298/338, alegando em síntese que: a) Preliminarmente, quanto à ilegitimidade da recorrente, houve a devida falta de suporte probatório quanto à coobrigação da recorrente, alega também que houve nulidade do trabalho fiscal , afrontando o principio da verdade material e presunção cabalística da falta de competência para declaração de coobrigação da receita federal, b) Em relação ao principio do devido processo legal (contraditório e ampla defesa) o recorrente alega que houve nulidade no cerceamento de defesa, argumentando que ninguém pode ser processado ou condenado sem que tenha ciência da acusação que se lhe faz, Diz que apesar de ter sido referida a declaração do IRPJ – Simples pela fiscalização, não há nos autos qualquer declaração do IRPJ – Simples da empresa Moda Ítalo Brasileira LTDA e que, ademais, citase um “Dossiê integrado” que foi pesquisado do qual se concluiu que a empresa realizou vendas no anocalendário de 2004, c) Foi responsabilizada solidariamente por supostas dívidas da sociedade empresária, apesar de nunca ter feito parte de seu quadro societário. Aduz que o auditor fiscal lhe incluiu como responsável do pretenso crédito tributário por mera presunção sem motivação fáticojurídica e que, por essa razão, tal inclusão não merece prosperar, d) No mérito, argumenta a falta de certeza e liquidez do valor apurado, a falta de documentos probatórios quanto à suposta omissão de receitas, diz que, se não há nos autos qualquer documento ou espécie de prova de que praticou um ato jurídico em nome da empresa, que dirá de forma dolosa, em violação ao contrato social, lei ou a ato normativo, evidenciando, assim, que não pode ser responsabilizada, na qualidade de coobrigada do presente lançamento tributário. Aduz que existem, apenas, cartões de autógrafos bancários, os quais contêm suas assinaturas, o que é justificável por ter sido a tesoureira da empresa e ter tido outorgada em seu favor uma procuração para tanto, e) Foi aplicada multa agravada sem que houvesse provas do intuito de obstar se a fiscalização, o que não pode prosperar. Aduz que a multa aplicada configura verdadeiro confisco em afronta aos princípios constitucionais. disserta sobre as funções da multa. Diz que o excesso de exação deve ser revisto, para se aplicar sobre o crédito residual, se existente, o percentual mínimo previsto em lei, desqualificando a multa agravada. 6. Ao final, requer que seja dado total provimento ao Recurso, para tornar nulo o lançamento reconhecer a decadência parcial, extinguir o crédito tributário com consequente arquivamento do processo e total desqualificação das multas aplicadas sobre o crédito tributário. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10680.721551/201032 Acórdão n.º 2803003.544 S2TE03 Fl. 363 5 7. Sem contrarrazões da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados á apreciação e julgamento por este conselho. É o relatório. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10680.721551/201032 Acórdão n.º 2803003.544 S2TE03 Fl. 364 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA – RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE PESSOA COM INTERESSE COMUM. 2. Alega a recorrente que é parte ilegítima para figurar no polo passivo da fiscalização tributária, pois segundo ela, o trabalho do fiscal foi subsidiado por achismos e eivado de parcialidade, uma vez que a recorrente foi identificada como responsável solidária apenas pelo fato de o fiscal se deparar com uma procuração enviada ao Banco Bradesco, na qual continha especificamente os poderes em que a mesma poderia exercer. 3. Ressalta ainda que, jamais figurou no quadro societário da citada empresa, exercendo apenas o cargo de tesoureira da mesma, sendo responsável pela área bancária, bem como pelas compras e pagamentos. Sendo assim, seus poderes eram exercidos com a fiscalização do sócio gerente, inexistindo qualquer prova sobre a responsabilidade dela. 4. Compulsando os autos, verifico que a fiscalização tributária foi minuciosa e cuidadosa no sentido de construir um arcabouço probatório rico em informações, que foram traduzidas no relatório fiscal, da seguinte forma: “(...). 1.2.7 Consolidando as informações até aqui relatadas, temos, como sinal da falta de atendimento aos termos acima mencionados: a) Que a empresa não funciona mais no local de seu domicilio fiscal, embora em diligência realizada, tenha sido constatada a continuidade de atividade por outra pessoa jurídica, mas mantendo vínculos com a anterior, a exemplo do contrato de aluguel das lojas ocupadas que possuem os mesmos avalistas e permaneceram com as mesmas garantias para continuidade desta locação comercial. Importante registrar que um dos fiadores tratase exatamente da pessoa física, Sra. Viviane Mendes Pena Cardoso; b) Que o sócio responsável perante a RFB, Sr. Fernando da Mota Júnior, CPF 033.834.49696, apesar de cientificado por AR dos Termos de Intimação e Reintimação Fiscal, não se pronunciou, deixando o processo correr a revelia. De acordo com as apurações e os fatos apresentados, existe incompatibilidade entre os expressivos recursos (movimentação Fl. 364DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10680.721551/201032 Acórdão n.º 2803003.544 S2TE03 Fl. 365 7 financeira, vendas, cartão de crédito) gerados pela empresa e a sua situação econômicofinanceira, espelhada na falta de apresentação das declarações DIRPF e também pela ausência de movimentação financeira e demais transações registradas e informadas por terceiros à Receita Federal do Brasil; c) Que a pessoa física da Sra. Viviane Mendes Pena Cardoso, que administrou a empresa, por procuração passada em cartório, com poderes amplos e gerais, informou em suas alegações que apenas prestava serviços para a empresa, exercendo a função de tesoureira, efetuando os pagamentos quando necessários, recebendo remuneração pelo exercício de sua atividade, alegando ainda nada saber sobre os livros fiscais da empresa. d) Em que pese todos os artifícios utilizados na tentativa de ocultação do nome da Sra. Viviane Mendes Pena Cardoso no Contrato Social e Alterações Contratuais da Moda Italo Brasileira Ltda, outros fatos corroboram a convicção de que a mesma é a verdadeira proprietária da empresa: d.1) Em consulta ao site IN Investimentos e Noticias (resultado da consulta, em anexo), em matéria publicada na Gazeta Mercantil de 09/04/2003, sob o titulo "MODA: Grife alemã Imp marca em BH", a própria Sra. Viviane Mendes Pena Cardoso se qualifica como sóciaproprietária da empresa Moda Ítalo Brasileira LTDA, franqueada da marca "Hugo Boss", cujo texto colacionamos a seguir (negritos nossos): "Data: 09/04/2003 06:56:26 Idioma: PortuguêsBrasil Autor: Gazeta Mercantil BELO HORIZONTE, 9 de abril de 2003 A grife alemã Hugo Boss lança, amanhã, em Belo Horizonte, a marca paralela 'Hugo'. Voltada para o público feminino e masculino, o novo mix será revendido com exclusividade, no Brasil, na loja franqueada da companhia mantida no BH Shopping, o que demandou investimentos da ordem de R$ 50 mil em mídia local. 'Esse é o investimento médio aplicado em publicidade por estação, informa a sóciaproprietária da franquia em Belo Horizonte, Viviane Mendes Pena Cardoso, representante exclusiva da Hugo Boss no mercado mineiro. Além da nova marca, a empresa mineira aposta na revenda da etiqueta Boss Woman, lançada no mercado nacional a cerca de dois anos. '0 comércio local é carente de marcas internacionais de vestuário feminino, o que nos fez investir nesse público', argumenta a empresária. Segundo ela, a expansão do mix de produtos resultou na aquisição de 8 mil pegas para o lançamento do outono inverno2003, resultado 50% maior comparado ao aporte aplicado no mesmo período do ano passado. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10680.721551/201032 Acórdão n.º 2803003.544 S2TE03 Fl. 366 8 Apesar da instabilidade cambial, a empresária diz que não há repasse dos aumentos do dólar frente ao real ao consumidor final, 'pois seguimos a mesma tabela de pregos praticada pelos mercados norteamericano e europeu, o que incentiva as vendas deste tipo de produto no comércio interno'. A empresária acrescenta, ainda, que a Hugo Boss, como a maioria das grife internacionais renomadas, está investindo em linhas de produtos com pregos mais acessíveis visando atrair consumidores da classe média. 'Contamos com uma ampla linha de produtos, que custam entre R$ 120 (tshirt) e R$ 7 mil (terno), permitindo ao cliente maior opção de escolha, principalmente no que se refere ao fator prego', ressalta. De acordo com a empresária, a Hugo Boss trabalha com três faixas de pregos: mais acessíveis, média e alta, com linhas de ternos variando entre R$ 1,9 mil e R$ 18 mil, 'mas dentro da realidade brasileira, estamos investindo na venda de ternos que não ultrapassem o valor de R$ 7 mil'. (Christine Salomão Gazeta Mercantil Regional Minas Gerais)."(Negritei). d.2) Da tela "Cadastro de Clientes", em anexo, encaminhada à Fiscalização pelo Banco Bradesco, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal NR 02, constatase que o endereço para correspondência, vinculado a conta corrente da empresa junto àquela instituição bancária, é o mesmo endereço residencial da administradora, Sra. Viviane Mendes Pena Cardoso, qual seja, Ave Celso Porfírio Machado n° 172 — Belvedere — BH — MG — CEP 30320400.” 5. Como pode ser percebido pelo que acima foi trazido aos autos pela autoridade fazendária, resta clara a interposição de terceira pessoa, com a aparente finalidade de evitar a identificação dos reais sócios e administradores do negócio, para que não fossem responsabilizados tributariamente. 6. Pelo que foi apurado nos autos, o senhor Fernando de Mota Junior não teve proveito econômico com a atividade desenvolvida, aparentemente, figurando como pessoa interposta, vulgarmente conhecida como “laranja”, que vem sendo uma prática muito comum entre aqueles que tentam furtarse das obrigações trabalhistas, cíveis e tributárias. 7. Nos casos de fraude, quando a pessoa jurídica funciona apenas como proteção para ocultar o verdadeiro realizador do fato imponível, a solução é direcionar o lançamento contra o administrador oculto, ou o sócio de fato, que também é sujeito passivo. 8. Prevendo tais situações, o Código Tributário Nacional, em seu art. 124, assim dispôs: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...). Parágrafo único: A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” Fl. 366DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10680.721551/201032 Acórdão n.º 2803003.544 S2TE03 Fl. 367 9 9. Apesar da vagueza do termo interesse comum, é uníssono na jurisprudência pátria que para configuração da responsabilidade tributária solidária, é imprescindível que as pessoas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador. 10. Ora, no caso em tela, a recorrente, Viviane, é quem administrava as atividades da pessoa jurídica, bem como se identificava como sócia proprietária para a imprensa e usufruía do proveito econômico da atividade, estando patente sua participação no fato gerador, senão de comissiva, no mínimo de forma omissiva. 11. Outrossim, ao enfrentar a matéria em caso análogo, a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF/0105.543, corrobora o entendimento aqui explicitado, da seguinte forma: “(...) Responsabilidade tributária – Interposta Pessoa – Simulação. Comprovada a interposição fictícia da pessoa jurídica, deve o fisco exigir o imposto do beneficiário da renda tributável auferida em nome da empresa individual. O art. 149 do CTN, VII, autoriza realizar o lançamento de ofício diretamente naquele que agiu com dolo, fraude ou simulação, afastandose o sujeito aparente, cuja constituição formal visava apenas ocultar os reais titulares da renda. Essa, aliás, é a também regra inscrita na Lei nº 9.430/96, art. 42, § 5º, que determina que, no caso de interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito bancário. Sociedade de Fato – evidenciada a existência vários beneficiários da omissão da receita, organizados sobre a gerência do principal interessado, configurase a sociedade de fato e a imputação de responsabilidade tributária por força do interesse comum (art. 124, inciso I, do CTN). Legitimidade Processual – Admitese a defesa administrativa dos responsáveis solidários no processo administrativo fiscal, por força do disposto no art. 58 da Lei nº 9.784/99, que atribuiu legitimidade aqueles cujos interesses forem indiretamente afetados pela decisão. Competência – Dada a identificação dos corresponsáveis pelo pagamento da obrigação tributária, é legítima sua inclusão no lançamento de ofício (art. 202 do CTN). Recurso negado.” 12. Neste mesmo diapasão, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região, assim se pronunciou: “Tributário. Autuação fiscal. Constatação de uso de pessoas interpostas como sócios formais. Fortes elementos indiciários. Responsabilidade solidária. Art. 124, I, do CTN. (...). Indícios de fraude e utilização de ‘laranjas’ também puderam ser observados nas declarações do imposto de renda pessoa física, que os sócios de direito jamais tiveram capacidade econômica para constituir e administrar a empresa... Fl. 367DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10680.721551/201032 Acórdão n.º 2803003.544 S2TE03 Fl. 368 10 Destarte, demonstrado pelas provas, informações e depoimentos, constantes do procedimento administrativo fiscal que os apelantes eram representantes responsáveis pela administração da pessoa jurídica autuada, forçoso reconhecer a solidariedade tributária destes relativamente ao crédito tributário constituído na ação fiscal, por se encontrarem na mesma relação obrigacional, eis que possuem interesse comum na situação que constituiu o respectivo fato gerador. Apelação improvida. (TRF5. R, Primeira Turma, AC 508.804/PB, Rel. Des. Francisco Cavalcanti. DJE 06.09.2012).” 13. Diante do exposto, resta axiomática a responsabilidade tributária solidária da recorrente, sendo ela legítima para ser cobrada, sem benefício de ordem, nos termos do art. 124, parágrafo único, do CTN. DA ALEGADA LESÃO AO CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA 14. Alega a recorrente que o fiscal não juntou quaisquer elementos/documentos utilizados para a formação ou perpetuação de seu convencimento acusatório, sendo os mesmos imprescindíveis ao pleno exercício da ampla defesa, a fim de que pudesse exercer o contraditório, o que seria veementemente repudiado pelo ordenamento jurídico, tanto na esfera judicial, como na administrativa. 15. Ora, a recorrente dedicouse a tecer vários questionamentos sobre a forma de recolhimento das informações, de forma a insinuar a imparcialidade da autoridade fazendária, contudo, não aproveitou a oportunidade para apresentar contraprova, que desconstituísse a lógica demonstrada pelo Fisco. 16. A recorrente questiona o que levou o Fiscal a expedir um ofício direcionado ao cartório de Contagem e, especificamente, requerer cópias de procurações, uma vez que a recorrente nunca teve domicílio fiscal naquela localidade. Ora, a autoridade fiscal deve perseguir a verdade real dos fatos, como o fez. Por outro lado, a recorrente quedouse inerte em explicar o motivo de uma procuração ter sido encontrada no referido cartório, uma vez que não era o seu domicílio fiscal. 17. Não vislumbro vício de defesa capaz de ensejar lesão aos princípios do contraditório e ampla defesa, que são basilares do Estado Democrático de Direito. 18. Outrossim, à impugnante foi oportunizada a apresentação de impugnação, nos termos do Decreto 70.235/72, que era o momento adequado para fazer contraprova as alegações do Fisco, podendo ter solicitado perícia, juntada de documentos, bem como ter identificado o contador, porém não o fez. 19. Sendo assim, não verifico a alega violação ao contraditório e ampla defesa, capaz de macular o procedimento fiscalizatório. DA INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA 20. Alega a recorrente que a autuação se deu em razão de Contribuições Previdenciárias, que são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, portanto, deveria Fl. 368DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10680.721551/201032 Acórdão n.º 2803003.544 S2TE03 Fl. 369 11 seguir a regra do art. 150, § 4º, do CTN, tendo como dies a quo a data da realização do fato gerador. 21. Razão não assiste a recorrente quando alega a decadência no que se refere ao ano calendário de 2005 a 2007, pois conforme consta às fls. 57 e 58, ela recebeu intimação do lançamento em 01/07/2010, portanto no período hábil para constituição do crédito tributário. 22. É pacífico o entendimento neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, mesmo sendo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, caso não haja antecipação, ou incorra em fraude, simulação ou dolo, o prazo seguido será o do art. 173, I, do CTN, que assim, dispõe: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” 23. É importante ressaltar que mesmo tento sido excluída do SIMPLES, por meio do Acórdão de n º 0217.797, de 19, de maio de 2008, a recorrente continuou a recolher os tributos por meio do programa, com evidente simulação. 24. Nesse sentido, confirase a jurisprudência deste Conselho, apresentada no seguinte julgado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 DECADÊNCIA TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO APLICAÇÃO DO ART. 173, I, CTN. O prazo para constituição do crédito tributário, quando originado de dolo, fraude ou simulação iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (CARF, Processo 10935.006506/201015, Acórdão 2401 003.364, 4ª câmara, 1ª Turma Ordinária, Seção de 23/01/2014)”. 25. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça segue a mesma corrente adotada pelo CARF, conforme demonstrado no julgado abaixo colacionado. “TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO. DECADÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. 1. A Primeira Seção, no julgamento do REsp 973.733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), firmou entendimento no sentido de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, Fl. 369DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10680.721551/201032 Acórdão n.º 2803003.544 S2TE03 Fl. 370 12 para a fixação do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, considerase apenas a existência, ou não, de pagamento antecipado, pois é esse o ato que está sujeito à homologação pela Fazenda Pública, nos termos do art. 150, e parágrafos, do CTN. 2. Não havendo pagamento algum, não há o que homologar, motivo pelo qual deverá ser adotado o prazo previsto no art. 173, inciso I, do CTN. 3. Hipótese em que não houve pagamento do tributo. Assim, contandose o prazo quinquenal do primeiro dia do exercício seguinte àquele que deveria ter sido constituído o crédito tributário, não se encontra caracterizada a decadência. 4. O agravo regimental manejado contra decisão que teve por base questão já decidida sob o rito do artigo 543C do Código de Processo Civil é manifestamente inadmissível, justificando a aplicação da multa prevista no artigo 557, § 2º, do Código de Processo Civil. Agravo regimental improvido com aplicação de multa. (STJ AgRg no REsp: 1384048 SC 2013/01359490, Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS, Data de Julgamento: 15/08/2013, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 26/08/2013).” 26. Tendo em vista que o fato gerador ocorreu 2005, o dies a quo para a constituição do crédito foi 01/01/2006 e o prazo final seria 01/01/2011, portanto o lançamento poderia ocorrer até o dia 31/12/2010. Tendo em vista que a recorrente foi intimada do lançamento dia 01/07/2010, não há que se falar em decadência do direito potestativo do lançamento. DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO VALOR APURADO 27. A recorrente alega que o Fisco não detém qualquer suporte probatório ou jurídico que caracterizasse um não cumprimento de obrigação tributária, e que, o auditor apenas teria separado valores, sem demonstrar a fonte. 28. Ora, consta dos autos que tanto a contribuinte quanto a responsável solidária, então recorrente, foram intimadas para que apresentasse documentos contábeis, contudo, quedaramse inertes. 29. No caso em apreciação, a omissão da Empresa, embora intimada, em apresentar todos os documentos necessários à perfeita identificações dos fatos geradores, obrigaram a Fiscalização a dimensionar a matéria tributável mediante o procedimento de aferição indireta, com fulcro no permissivo encartado nos §§ 3º e 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91. 30. Tendo em vista que os valores foram lançados por arbitramento, ou aferição indireta, cabia a prova em contrário à empresa, contudo, nada foi apresentado, não assistindo razão à recorrente. DA MULTA QUALIFICADA 31. A recorrente alega que “além de apurar os valores por arbitramento, a diferença existente entre o valor declarado e os valores não declarados, foi aplicada a multa agravada, sem provas do intuito de obstar a fiscalização, o que não pode prosperar.” Fl. 370DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10680.721551/201032 Acórdão n.º 2803003.544 S2TE03 Fl. 371 13 32. O censurado acórdão, na fl. 291, o julgador de primeira instância ao decidir sobre o tema, assim dispôs: “(...). Conforme se depreende do relatório fiscal e do demonstrativo de fls. 132/148 a fiscalização efetuou a comparação entre as multas aplicáveis antes e após a publicação da MP nº 449/2008, em obediência ao disposto no CTN, artigo, 106, inciso II. A Lei 8.212/1991, após a edição da MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, estabelece que nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições previdenciárias, aplicase o disposto na Lei 9.430/1996, artigo 44. Contatase que por ter deixado de prestar à fiscalização da RFB todos os esclarecimentos necessários ao procedimento fiscal, alternativamente à lavratura do auto de infração específico pelo descumprimento da obrigação acessória, nas competências 02/2005, 09/2005, 13/2005, 01/2006, 13/2006 e 05/2007 (Levantamentos E2 e 12), nas quais a multa aplicada foi aquela apurada em conformidade com as normas modificadas pela MP nº 449/2008 (multa de 75%) o percentual foi aumentado de metade passando a 112,50% nos termos da Lei nº 9.430/1996, artigo 44, § 2°, inciso I, ... Verificase, pela apreciação dos documentos de fls. 184/190 dos autos do processo nº 10680.721550/201098 que a fiscalização enviou termos de reintimação fiscal para o sócio (formalmente responsável por representar o contribuinte) por via postal, que além de solicitar a apresentação de documentos como os livros contábeis comerciais ou os livros caixa pediu a prestação de esclarecimentos, dentre outros, acerca do correto local de funcionamento da empresa. Conforme informação fiscal não impugnada não houve o atendimento dessas intimações. Assim, considerandose as normas citadas, não há se falar que a multa foi agravada indevidamente como quer o contribuinte, sendo desprovidas de razão suas alegações em sentido contrário. Diante das alterações da legislação previdenciária, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4/12/2009, o valor da multa aplicada deverá ser verificado e revisto, se for o caso, por ocasião do pagamento”. 33. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ao analisar o tema em tela, decidiu pela aplicação da multa qualificada, nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, §1°, da Lei n° 9.430/96, se demonstrado que a conduta Fl. 371DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10680.721551/201032 Acórdão n.º 2803003.544 S2TE03 Fl. 372 14 do sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64.” (CARF, Processo 10467.720711/201131, Acórdão 1202 001.116, 2ª Câmara, 2º Turma Ordinária, Seção de 12/03/2014)”. 34. Tendo em vista que, o entendimento empregado pela instância a quo é o mesmo adotado pelo CARF, não vislumbro razão para reformar o acórdão. CONCLUSÃO 35. Por todo exposto, conheço do recurso voluntário, para no mérito, negar lhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 16095.000514/2008-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/11/2005
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REGRA APLICÁVEL.
O Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas.
No presente caso a obrigação tributária principal foi lançada acompanhada da multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991.
Sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a multa aplicada poderia alcançar o patamar de 100%, conforme previsto no art. 35, III, "d" da Lei nº 8.212, de 1991.
Portanto, no presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior e Pedro Anan Junior (suplente convocado). Votou pelas conclusões o Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Redator-Designado
EDITADO EM: 04/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justicadamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2003 a 30/11/2005 MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REGRA APLICÁVEL. O Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas. No presente caso a obrigação tributária principal foi lançada acompanhada da multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991. Sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a multa aplicada poderia alcançar o patamar de 100%, conforme previsto no art. 35, III, "d" da Lei nº 8.212, de 1991. Portanto, no presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997. Recurso especial provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior e Pedro Anan Junior (suplente convocado). Votou pelas conclusões o Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Redator-Designado EDITADO EM: 04/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justicadamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/11/2005 MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REGRA APLICÁVEL. O Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas. No presente caso a obrigação tributária principal foi lançada acompanhada da multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991. Sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a multa aplicada poderia alcançar o patamar de 100%, conforme previsto no art. 35, III, "d" da Lei nº 8.212, de 1991. Portanto, no presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior e Pedro Anan Junior (suplente convocado). Votou pelas conclusões o Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 05 14 /2 00 8- 59 Fl. 912DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – RedatorDesignado EDITADO EM: 04/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justicadamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira. Relatório LINCOLN ELETRIC DO BRASIL INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrado Auto de Infração nº 37.182.7051, em 05/09/2008, exigindolhe crédito tributário referente às contribuições sociais devidas ao INSS pela autuada, correspondentes à parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações dos empregados e contribuintes individuais, assim consideradas as verbas consubstanciadas nos levantamentos AUT, CBS, RUB e VTR, constantes dos autos, em relação ao período de 09/2003 a 11/2005, conforme Relatório Fiscal da Autuação, às fls. 62/64, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra decisão da 9a Turma da DRJ/CPS, Acórdão 0524.713/2009, às fls. 548/552, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a egrégia 3ª Turma Ordinária da 4a Câmara, em 27/07/2011, por maioria de votos, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 2403000.646, com sua ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2005 CESTA BÁSICA. PAGAMENTO. PECÚNIA. INCIDÊNCIA.TRIBUTO.VIOLAÇÃO LEGAL. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000514/200859 Acórdão n.º 9202003.276 CSRFT2 Fl. 1.950 3 O pagamento de cesta básica para ser excluído da incidência da contribuição social previdenciária precisa ser feito in natura, conforme previsão legal, caso contrário, haverá a incidência do tributo. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. CRÉDITO EM CONTA CORRENTE. CARÁTER NÃO SALARIAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO N 478.410/SP. UNANIMIDADE DE VOTOS. CONTROLE DIFUSO. TEORIA DA TRANSCENDÊNCIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. EFEITOS ERGA OMNES. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O vale transporte pago em pecúnia, mediante crédito na conta corrente dos segurados, não afeta a natureza jurídica de ser não salarial, segundo entendimento proferido no Recurso Extraordinário n 478.410/SP por unanimidade de votos. Sendo o recurso extraordinário instrumento de apreciação da constitucionalidade pela via difusa, há de se prevalecer a corrente que defende a Teoria da Transcendência dos Motivos Determinantes, a qual admite que a decisão proferida nessa modalidade de controle tenha efeitos erga omnes, hipótese em que a contribuição previdenciária não incidirá sobre a verba. AJUDA DE CUSTO E INDENIZAÇÃO. REQUISITO. PAGAMENTO. PARCELA ÚNICA. NÃO CONSTATAÇÃO. O valor pago a título de ajuda de custo, para que seja excluído da incidência tributária, deverá ser pago em única parcela, o que não foi constatado. Recurso Voluntário Provido em Parte” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 608/620, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Turmas do CARF, consubstanciado nos Acórdãos nºs 230100283 e 2401 00120, a respeito da mesma matéria, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência argüida. Sustenta que os Acórdãos encimados, ora adotados como paradigmas, divergem do decisum guerreado, na medida em que, ao analisarem autuação fiscal, determinaram que o artigo 35 da Lei n° 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n° 11.941/2009, qual seja, o artigo 35A que, por sua vez, faz remissão ao artigo 44 da Lei n° 9.430/96, ao contrário do que restou assentado no decisório recorrido que impôs a limitação da multa de mora aplicada ao percentual de 20%, com esteio no artigo 61 da Lei n° 9.430/91, aplicado retroativamente à hipótese vertente. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Em defesa de sua pretensão, infere que o artigo 35 da Lei n° 8.212/91 na nova redação conferida pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP n° 449 à legislação previdenciária. Explicita a alteração legislativa ocorrida após a edição da MP n° 449/2008, bem como os casos de aplicação da multa de ofício e de mora, para concluir que na hipótese de lançamento ocorre a imputação da multa de ofício, enquanto a de mora somente se dá quando o contribuinte pretende fazer o pagamento espontâneo do tributo a destempo, sem que tenha ocorrido a autuação fiscal, o que deverá ser observado para as contribuições previdenciárias. Neste sentido, assevera que apesar da denominação, a antiga multa de mora prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 tem natureza de multa de ofício, uma vez que aplicada somente nos casos de realização de lançamentos fiscais, não se podendo comparar com aquela penalidade inscrita no artigo 61 da Lei n° 9.430/96, que contempla da multa de mora para pagamento espontâneo fora do prazo legal. Partindo dessas premissas, não se pode cogitar na aplicação retroativa do disposto no artigo 61 da Lei n° 9.430/96 para fins de limitar a multa de mora (de ofício) aplicada aos lançamentos previdenciários pretéritos à edição da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado nos paradigmas a respeito da mesma matéria, consoante se positiva do Despacho nº 2400001/2012, às fls. 656/660. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 665/672, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o relatório. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000514/200859 Acórdão n.º 9202003.276 CSRFT2 Fl. 1.951 5 Voto Vencido Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e passo à análise das razões recursais. Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, notadamente Relatório Fiscal da Autuação, no presente lançamento exigese as contribuições previdenciárias referentes à parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações dos empregados e contribuintes individuais, assim consideradas as verbas consubstanciadas nos levantamentos AUT, CBS, RUB e VTR, constantes dos autos, em relação ao período de 09/2003 a 11/2005. Por sua vez, ao analisar a demanda, a Turma recorrida entendeu por bem dar provimento parcial do feito, determinando o recálculo da multa de mora com esteio no artigo 61 da Lei n° 9.430/96, limitandoa ao percentual de 20%, nos termos dos preceitos estabelecidos na MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, por se apresentar como legislação posterior à ocorrência do fato gerador mais benéfica ao contribuinte, o que impôs a sua retroatividade em observância aos ditames do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs o presente Recurso Especial, suscitando que o decisório guerreado malferiu entendimento levado a efeito por outras Turmas do CARF, consubstanciado nos Acórdãos nºs 230100.283 e 240100.120, a respeito da mesma matéria, impondo seja conhecida a peça recursal, uma vez comprovada à divergência argüida. A fazer prevalecer seu entendimento, sustenta que os Acórdãos encimados, ora adotados como paradigmas, divergem do decisum guerreado, na medida em que, ao analisarem autuação/notificação fiscal, determinaram que o art. 35 da Lei n° 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n° 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430/96, ao contrário do que restou assentado no decisório recorrido que impôs a limitação da multa de mora aplicada ao percentual de 20%, com esteio no artigo 61 da Lei n° 9.430/91, aplicado retroativamente à hipótese vertente. Em defesa de sua pretensão, infere que o artigo 35 da Lei n° 8.212/91 na nova redação conferida pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP n° 449 à legislação previdenciária. Explicita a alteração legislativa ocorrida após a edição da MP n° 449/2008, bem como os casos de aplicação da multa de ofício e de mora, para concluir que na hipótese de lançamento ocorre a imputação da multa de ofício, enquanto a de mora somente se dá quando o contribuinte pretende fazer o pagamento espontâneo do tributo a destempo, sem que tenha ocorrido a autuação fiscal, o que deverá ser observado para as contribuições previdenciárias. Fl. 916DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Neste sentido, assevera que apesar da denominação, a antiga multa de mora prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 tem natureza de multa de ofício, uma vez que aplicada somente nos casos de realização de lançamentos fiscais, não se podendo comparar com aquela penalidade inscrita no artigo 61 da Lei n° 9.430/96, que contempla da multa de mora para pagamento espontâneo fora do prazo legal. Partindo dessas premissas, não se pode cogitar na aplicação retroativa do disposto no artigo 61 da Lei n° 9.430/96 para fins de limitar a multa de mora (de ofício) aplicada aos lançamentos previdenciários pretéritos à edição da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. Não obstante as substanciosas alegações da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos autos, conjugada com a legislação de regência, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Em que pese à procedência em parte da autuação em relação ao seu mérito, na forma decidida pelo Acórdão recorrido, mister destacar que posteriormente à ocorrência dos fatos geradores ora lançados fora publicada a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trazendo nova ordem na aplicação de multas de ofício e/ou acessória e, bem assim, determinando a exclusão da multa de mora do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, com a consequente aplicação das multas constantes da Lei nº 9.430/96. Antes mesmo de contemplar as razões meritórias, mister analisarmos o disposto no artigo 113 do Código Tributário Nacional, o qual determina que as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória relacionase às prestações positivas ou negativas constantes da legislação de regência, de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento deixar a contribuinte de informar em GFIP a totalidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela RFB que, em curto lapso temporal, compatibilizou os procedimentos fiscalizatórios e, por conseguinte, de constituição de créditos tributários, estabelecendo, igualmente, para os tributos em epígrafe multas de ofício a serem aplicadas em observância à Lei n° 9.430/1996, conforme alterações na legislação introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Como se observa, a nova legislação, de fato, contemplou inédita formula de cálculo de aludidas multas que, em suma, vem sendo conduzida pelo Fisco, da seguinte forma: 1) Na hipótese do descumprimento de obrigações acessórias ocorrer de maneira isolada (p.ex. tão somente deixar de informar a totalidade dos fatos geradores em GFIP), com a ocorrência da observância da obrigação principal (pagamento do tributo devido), aplicarseá para o cálculo da multa o artigo 32A da Lei n° 8.212/91; 2) Por seu turno, quando o contribuinte, além de inobservar as obrigações acessórias, também deixar de recolher o tributo correspondente, a multa a ser aplicada deverá obedecer aos ditames do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, que remete ao artigo 44 da Lei n° 9.430/96, determinando a aplicação de multa de ofício de 75%; Fl. 917DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000514/200859 Acórdão n.º 9202003.276 CSRFT2 Fl. 1.952 7 Inobstante parecer simples, aludida matéria encontrase distante de remansoso desfecho. Isto porque, a legislação anterior apartava as autuações por descumprimento de obrigações acessórias das notificações fiscais (NFLD) decorrentes de inobservância das obrigações principais, levando a efeito multas distintas, inclusive, no segundo caso, com aplicação de multa de mora variável no decorrer do tempo (fases processuais). Assim, com a introdução de novas formas de cálculo da multa, nos casos de descumprimento de obrigações tributárias (principal e acessória), os lançamentos pretéritos, bem como aqueles mais recentes que abarcam fatos geradores relacionados a período anterior a referida alteração, tiveram que ser reanalisados com a finalidade de se verificar a melhor modalidade do cálculo da penalidade e, se mais benéfico, aplicálo. Na hipótese dos autos, a fiscalização achou por bem aplicar a multa de mora insculpida no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e, bem assim, da lavratura da notificação fiscal, ou seja, antes das alterações na legislação promovidas pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. No entanto, com as novas modalidades de multas contempladas pela legislação hodierna, a multa de mora prescrita no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 deixou de existir, passando a dar lugar à multa de ofício estabelecida no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, o que fez florescer o entendimento de que a multa de mora aplicada em lançamentos pretéritos teriam que ser rechaçadas ou mesmo limitadas a 20%, na esteira da previsão contida no artigo 61 da Lei n° 9.430/96. Com mais especificidade, analisando a legislação previdenciária constatase que a multa moratória achavase regulamentada pelo artigo 35 da Lei n° 8.212/91, que assim prescrevia: “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei 9.528, de 10/12/97) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: (Inciso e alíneas restabelecidas, com nova redação, pela Lei 9.528, de 10/12/97) a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 918DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99)” Entrementes, a Medida Provisória n° 449, de 04/12/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, em seu artigo 24, alterou a redação do dispositivo legal encimado, revogando, ainda, os seus incisos e parágrafos, passando a estabelecer o seguinte: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Por sua vez, os artigos 44 e 61 da Lei n° 9.430/96, trazem em seu bojo as seguintes determinações: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000514/200859 Acórdão n.º 9202003.276 CSRFT2 Fl. 1.953 9 § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Conforme se verifica da evolução da legislação acima transcrita, constatase que, para as contribuições previdenciárias, as notificações fiscais eram lavradas com a exigência de multa de mora gradativa, dependendo da época em que fosse pago o tributo. Não havia, porém, a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados. Em via, os débitos administrados pela Receita Federal do Brasil, anteriormente à unificação com a Previdência, se pagos em atraso estariam sujeitos à multa de mora, limitada a 20%, na forma do artigo 61 da Lei n° 9.430/96. No entanto, na hipótese de lançamento de ofício, aplicase a multa de ofício contemplada no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, deixando de se exigir a multa de mora do artigo 61 do mesmo Diploma Lega. Em outras palavras, no que concerne as contribuições previdenciárias, antes da edição da Lei n° 11.941/2009, somente se exigiria multa de mora, que podia variar de acordo com a data do pagamento, não se cogitando em multa de ofício. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Por seu turno, na Receita Federal do Brasil a multa de mora só é exigida no pagamento a destempo, antes do lançamento de ofício, que, se ocorrer, sujeitará o contribuinte à multa de ofício, não mais a de mora. Assim, a partir da edição da MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, a multa de mora exigida/lançada nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito – NFLD e/ou Autos de Infração de contribuições previdenciárias, como in casu, deixou de ter amparo legal, eis que aqueles Diplomas Legais determinaram que somente seria cobrada multa de mora, limitada a 20%, no caso de pagamento e, multa de ofício, na hipótese de lançamento. Dessa forma, tendo a multa moratória encontrado limite legal, qual seja, 20% (vinte por cento), nos termos do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, por força da alteração introduzida pela Lei n° 11.941/2009, devem seus efeitos retroagir para alcançar fatos geradores ocorridos anteriormente à sua edição, por tratarse de norma que comina penalidade mais branda, com base no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, in verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II – tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática.” Observese que a multa de ofício, atualmente exigida no lançamento de ofício, não poderá ser aplicada retroativamente, tendo em vista não ser mais benéfica ao contribuinte, ao contrário do que ocorre com a multa de mora. Neste sentido, aliás, impende transcrever os ensinamentos do doutrinador LEANDRO PAULSEN, que assim preleciona: “Penalidade, inclusive multa moratória. A retroatividade abrange qualquer penalidade pelo descumprimento da legislação tributária, incluindose, nesta categoria, evidentemente, a multa moratória. Ou juros moratórios, por não terem caráter punitivo, não sofrem a incidência deste dispositivo. Na nota acima, sob a rubrica Retroatividade da lei mais benigna, há ementas de acórdãos dando aplicação ao art. 106, II, c, do CTN em relação a multas moratórias.” (Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência / Leandro Paulsen. 10 ed. Ver. Atual. – Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora;a ESMAFE, 2008) A propósito da matéria, não é demais citar outro excerto da obra de Leandro Paulsen, supratranscrita, corroborando a pretensão da contribuinte, senão vejamos: “ – Multa moratória. Art. 61 da Lei 9.430/96. O percentual de multa moratória teve inúmeras variações ao longo do tempo. Alternouse entre 20% e 30% e chegou até mesmo a 40% aplicada com suporte na Lei 8.218/91, tendo sido novamente reduzida para 30% pelo art. 84, III, c, da Lei n° 8.981/95 e para 20% novamente em razão da superveniência do art. 61 da Lei 9.430/96. Sempre que o percentual aplicado tenha sido superior Fl. 921DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000514/200859 Acórdão n.º 9202003.276 CSRFT2 Fl. 1.954 11 a 20%, cabe reduzir a mesma a este percentual por força da lei superveniente em cumprimento ao art. 106, II, c, do CTN.” (grifamos) Na esteira desse entendimento, impõese manter a ordem legal no sentido de limitar a exigência de multa de mora no percentual de 20 % (vinte por cento), na forma do disposto no artigo 9.430/96, atualmente aplicada ao caso. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido em consonância com as normas que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA E NEGAR LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 922DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Voto Vencedor Conselheiro Elias Sampaio Freire, Designado Ouso divergir do ilustre conselheiro relator no que diz respeito à regra de aplicação da multa. No presente caso a obrigação tributária principal foi lançada acompanhada da multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991. Ocorre que a MP n.º 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, ao mesmo tempo em que revogou os referidos dispositivos da Lei nº 8.212, de 1991, promoveu nova sistemática de aplicação de multas. Assim dispunha, à época, o no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I – para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II – para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) III – para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: Fl. 923DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000514/200859 Acórdão n.º 9202003.276 CSRFT2 Fl. 1.955 13 a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Por certo o Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas, in verbis: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II – tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão» desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." Portanto, é Indubitável a aplicação da multa benéfica, conforme disciplina do art. 106, II, “c” do CTN. O ponto submetido a apreciação deste colegiado resumese em definir como deve ser aplicada a multa nos termos da atual regência normativa. Ante o exposto e em decorrência da alteração legislativa, o acórdão recorrido optou por aplicar a regra contida no art. 35 da Lei n.º 8.212, de 1991, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O aludido dispositivo faz remissão expressa ao art.61, da Lei n. º 9.430, de 2009, in verbis: Fl. 924DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de No presente caso, não há de se falar aplicação da multa do art. 32, § 5º, da Lei 8.212, de 1991, que poderia corresponder a 100% do valor relativo às contribuições não declaradas, posto que os fatos geradores objeto do lançamento foram regularmente declarados em GFIP, posto que o contribuinte alegava ser imune a impostos e isenta de contribuições previdenciárias patronais, em face da aplicação do art. 55, §5º, da Lei n. º 8.212/1991, arts. 150, VI, c, e 195, §7º, ambos da CF/1988. Saliento que, sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a multa aplicada poderia alcançar o patamr de 100%, conforme previsto no art. 35, III, "d" da Lei nº 8.212, de 1991. Entendo que na atual sistemática, nos casos de lançamento de ofício, têmse uma única multa, prevista no art. 35A da Lei 8.212, de 1991, que faz remissão expressa ao art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Portanto, no presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997. Isso posto, voto no sentido de conhecer do recurso especial, para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, para que se limite o valor da multa aplicada ao valor da multa prevista no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 925DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000514/200859 Acórdão n.º 9202003.276 CSRFT2 Fl. 1.956 15 Fl. 926DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10580.911734/2009-32
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2005
Direito ao crédito não conhecido.
Ausência da prova do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3802-003.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Ausência da prova do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 34 /2 00 9- 32 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos, julgou pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, tendo em vista que, na ótica fazendária, o contribuinte não conseguiu comprovar o direito ao crédito e, por via de conseqüência, não houve a homologação da compensação pleiteada. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à identificação e exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme decisão em seu favor, ainda não transitada em julgado, perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal sob o número 2009.34.00.0314472, de modo a manter a integralidade do crédito declarado e a homologar a compensação pleiteada por intermédio do PER/DCOMP. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que os requisitos de admissibilidade do presente recurso se fazem presentes, é de rigor dele tomar conhecimento e analisar o mérito da questão. Mérito Consultando os autos do processo noticiado pelo contribuinte, se verifica que houve a propositura de mandado de segurança coletivo, impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços, com o objetivo de suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores feitas pela Lei nº 10.548/02, de modo a isentar ou impedir a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clínicas substituídos. Nessa decisão de primeira instância do Pode Judiciário em favor ao recorrente, a qual está em segundo grau de jurisdição, a segurança foi concedida para Fl. 96DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911734/200932 Acórdão n.º 3802003.463 S3TE02 Fl. 112 3 determinar à autoridade fiscal que se abstivesse de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicação, bem como foi declarado o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. A partir da decisão judicial proferida pelo Justiça Federal, surge a seguinte situação: o contribuinte cumpre a determinação judicial e, por sua conta e risco, adota esse novo modelo tributário para o futuro e aqui sempre é bom lembrar que essa decisão judicial ainda não é definitiva, pois comporta recursos de ambas as partes envolvidas no processo até o seu ultimato da marcha processual. E, por outro lado, em relação ao passado, o contribuinte se antecipa e requer a compensação dos direitos decorrentes da própria decisão judicial. Pois bem! Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do artigo 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária dáse nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Não é possível o encontro de contas se o contribuinte não demonstrar, previamente, estes dois requisitos. No presente caso, o recorrente tem ao seu favor uma decisão judicial precária que suspende a exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores, bem como declaração do direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. Esta situação, por sua vez, não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários. A compensação de tributos devidos com créditos do particular em face do fisco é permitida em nossa legislação, desde que satisfeitos certos requisitos para tanto. Inicialmente, é interessante lembrar que a matéria está prevista no Código Tributário Nacional, no caput do art. 170: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Desde logo se verifica que o CTN é expresso ao afirmar que a lei poderá permitir a compensação, desde que seja ela feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Não basta, assim, que existam hipotéticos pagamentos de um tributo posteriormente julgado indevido: é preciso que exista a certeza do pagamento, bem como o valor atualizado do seu montante. Por via de conseqüência, qualquer decisão judicial que autorize a compensação de créditos ilíquidos ou incertos estará violando o art. 170 do CTN. Interessante observar que o dispositivo transcrito acima não condiciona a compensação a uma necessária intervenção do Poder Judiciário. Não exige o CTN, assim, que somente possa compensar créditos aquele que tenha uma autorização judicial para tanto. O caput do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30/12/91, autoriza a compensação prevista no art. 170 do CTN: "Art. 66. Os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação Fl. 97DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes." Expressamente se verifica, inicialmente, que há de haver pagamento indevido ou a maior de tributos para que possa surgir o direito à compensação. Além disso, como mencionado acima, os créditos precisam ser líquidos e certos. Assim, se inexiste pagamento indevido ou a maior, não é possível compensar (art. 66 da Lei nº 8.383/91). Nesse sentido, se não há a certeza da existência dos pagamentos devidos, ou se estes não são líquidos, não é possível compensar (art. 170 do CTN). Presentes esses requisitos, tem o contribuinte o direito à compensação. Se não estão presentes esses requisitos, não tem o contribuinte o direito à compensação. Tendo em vista que, no presente caso, o contribuinte tem em seu poder uma decisão judicial passível de reforma, já que não houve o acertamento tributário definitivo, sou pelo CONHECIMENTO do presente recurso e dele NEGOLHE provimento para manter a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 98DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13808.000118/99-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1996, 1997
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88. INCONSTITUCOINALIDADE DA CSLL. EXISTÊNCIA DE COISA JULGADA. CONSTITUCIONALIDADE DA CSLL SUPERVENIENTE. AUSÊNCIA DE AÇÃO RESCISÓRIA. FORMAÇÃO DE COISA SOBERANAMENTE JULGADA.
A coisa julgada formada em controle concentrado não é rescindida por decisão do Supremo Tribunal Federal em controle difuso em sentido contrário, especialmente nos casos em que inexiste ação rescisória.
PARECER PGFN 492/2011. INTERPRETAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. EXISTÊNCIA DE RECURSO REPETITIVO EM SENTIDO CONTRÁRIO. INTERPRETAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO.
O Parecer PGFN 492/2011 apresenta interpretação conflitante com o caráter constitucional e infraconstitucional da coisa julgada, este reafirmado pelo REsp 1118893/MG, julgado pelo rito do art. 543-C do CPC, razão pela qual não deve ser observado pelos Tribunais Administrativos.
Numero da decisão: 1302-001.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, vencidos os Conselheiros Alberto Pinto e Waldir Rocha.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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INCONSTITUCOINALIDADE DA CSLL. EXISTÊNCIA DE COISA JULGADA. CONSTITUCIONALIDADE DA CSLL SUPERVENIENTE. AUSÊNCIA DE AÇÃO RESCISÓRIA. FORMAÇÃO DE COISA SOBERANAMENTE JULGADA. A coisa julgada formada em controle concentrado não é rescindida por decisão do Supremo Tribunal Federal em controle difuso em sentido contrário, especialmente nos casos em que inexiste ação rescisória. PARECER PGFN 492/2011. INTERPRETAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. EXISTÊNCIA DE RECURSO REPETITIVO EM SENTIDO CONTRÁRIO. INTERPRETAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. O Parecer PGFN 492/2011 apresenta interpretação conflitante com o caráter constitucional e infraconstitucional da coisa julgada, este reafirmado pelo REsp 1118893/MG, julgado pelo rito do art. 543C do CPC, razão pela qual não deve ser observado pelos Tribunais Administrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, vencidos os Conselheiros Alberto Pinto e Waldir Rocha. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 01 18 /9 9- 25 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Fl. 445DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 445 3 Relatório Tratase de recurso de ofício. De início, cabe esclarecer que a empresa Companhia Brasileira de Distribuição, doravante Recorrida, incorporou a empresa “Imobiliária SantosDiniz Ltda.”. Por isso, o procedimento de fiscalização se iniciou em face da Recorrida (incorporadora), embora a fiscalização pretendesse verificar a regularidade do recolhimento tributário da empresa incorporada no período de 1993 e 1994. Entretanto, em razão de constatações supervenientes, o auto de infração acabou exigindo tributo por atos praticados pela própria Recorrida. Também é importante consignar que, no decurso do procedimento fiscal, foram fiscalizados fatos jurídicos relacionados à empresa “Mentha Empreendimentos Comerciais S/A”, também incorporada pela Recorrida. Novamente, as situações envolvendo a empresa Mentha não têm relação com o presente auto de infração (embora possa parecer o contrário em certos momentos). Efetivamente, os fatos jurídicos que subsidiam o auto de infração em ataque têm relação unicamente com o recolhimento tributário decido pela própria Recorrida no período de 1995 a 1997. Portanto, cumpre advertir que não se está diante de responsabilidade tributária por sucessão. Isto posto, vêse que foi lavrado auto de infração contra a Recorrida em razão de exclusões supostamente indevidas da base de cálculo da CSLL nos exercícios de 1995 e 1997, consoante esclarecem os Termos de Constatação adiante sintetizados (fls. 138 a 142): Termo de Constatação n. 2 (fls. 138) (i) Que foram excluídos valores da base de cálculo da CSLL, a título de “outras exclusões”, sem justificativa ou detalhamento; (ii) Que foram excluídos da base de cálculo da CSLL no período de 1995 valores relativos a reversões de provisões que não haviam sido adicionadas nas bases de cálculo do período anterior; (iii) Que foram excluídos “indevidamente das Bases de Cálculo de 1996, a (título de ‘Reversão de Provisões para Devedores Duvidosos’), o valor de R$ 26.428.620,44, sendo que, no período anterior, havido sido adicionado o valor de apenas R$ 1.652.097,44, ou seja, houve uma exclusão a maior, em 1996, da ordem de R$ 24.776.5213,00;” (fls. 138); (iv) Que foram realizadas exclusões indevidas das bases de cálculo de 1995, de valores não especificados no art. 2o da Lei n. 7.689/88 e legislação complementar (a saber, “indenizações de imóveis” e “contingências diversas”); Termo de Constatação n. 3 (fls. 139) Fl. 446DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 (i) Que foi realizada “indevida compensação integral dos Saldos Negativos da C.S.L.L. de 1996 e 1997, discordando do disposto no artigo 58 da Lei n. 8.981/95 e artigo 16 da Lei n. 9.065/95, que limitou essa compensação a 30% da Base de Cálculo.” (fls. 139); (ii) Que a contribuinte apresentou documentos que não justificam essa atitude, uma vez que Medida Cautelar Inominada n. 95.0028975 0(relacionada ao Mandado de Segurança 162066 e àAção Ordinária n. 95.00329840) não contempla a CSLL, mas apenas o IRPJ; (iii) Que não existe fundamento legal para que os direitos da empresa Mentha Empreendimentos Comerciais S/A (incorporada) sejam entendidos à Companhia Brasileira de Distribuição (incorporadora –Recorrida); Termo de Constatação n. 4 (fls. 142) (i) Que, em razão das irregularidades demonstradas nos termos anteriores, e tendo sido realizado o estorno das exclusões indevidamente promovidas pela contribuinte, o saldo negativo passou a ser o seguinte: Ano Calendário Base de Cálculo (contribuinte) Ajuste da Fiscalização Saldo Negativo Ajustado 1995 108.621.327,01 70.128.564,78 38.492.762,33 1996 84.614.593,45 8.771.887,50 75.842.705,95 1997 99.052.790,12 24.776.523,00 74.276.267,12 (ii) Que, a partir dos saldos negativos ajustados, foram feitas as compensações devidas (art. 58, Lei n. 8.981/95, art. 16 da Lei 9.065/95), quando então se determinou as seguintes bases de cálculo e o tributo devido: AnoCalendário Base de Cálculo CSLL devida 1995 38.492.762,23 1996 22.938.734,75 22.938.734,75 1997 19.084.83184 19.084.831,84 (iii) Que, em função da fiscalização ter constatado a indevida apuração do Saldo Negativo a Compensar de C.S.S.L, originário de 1995, foi realizada a redução de ofício do saldo negativo de 1995, observese: Saldo negativo em 1995: Saldo apurado conforme ajustes supra R$(38.492.762,23) (+) Compensação devida, realizada em 1996 R$9.830.886,32 (+) Compensação devida, realizada em 1997 R$8.179.213,64 (+) Saldo Negativo Ajustado,a compensar a partir de 1998 R$ (20.482.662,27) Durante o procedimento de fiscalização, a Recorrida apresentou cópias de ações e decisões judiciais que possibilitaram às empresas incorporadas, às empresas do mesmo grupo e a si própria a não observância do teor do art. 42 da Lei n. 8.981/95. Para melhor compreensão, segue em resumo as ações comunicadas pela Requeria ao AFRFB: (i) A Recorrida apresentou cópia da petição inicial da Medida Cautelar n. 95.00555123, ajuizada em novembro de 1995 pela empresa incorporada “Mentha”. Segundo se percebe, a autora reclama a inconstitucionalidade do art. 42 da Lei n. 8.981/95, segundo o qual “a partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições Fl. 447DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 446 5 e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento.”. O parágrafo único do mesmo dispositivo determinava que “a parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anos calendário subseqüentes.”. Em dezembro de 1995 foi deferida liminar para autorizar a empresa “Mentha” a não observar o artigo impugnado. Em tempo, referida liminar faz referência ao MS n. 95.00540886. No entanto, a ora Recorrida demonstrou, por meio de certidão explicativa judicial, que o acórdão era efetivamente ao MS n. 95.00555123 (tratavase de simples erro material). Por fim, observo que não há informações nestes autos sobre o teor da decisão final do Poder Judiciário na ação cautelar supramencionada (fls. 7 a 21). Todavia, como dito inicialmente, o desenrolar desta ação não interferirá na solução deste PAF. (ii) A Recorrida também apresentou cópia da Medida Cautelar n. 95.00289750 ajuizada em março de 1995, na qual é autora (ao lado de outras pessoas jurídicas). Reclama o direito de não observar o art. 42 da Lei n. 8.981/95 (supracitado). A petição inicial foi declarada inepta pelo Magistrado. Inconformada, a Recorrida ajuizou Mandado de Segurança n. 162066 perante o TRF3 com a finalidade de reformar a decisão singular (na época, aceitavase a medida como “equivalente” à apelação). No Mandado de Segurança, a ora Recorrida logrou êxito em reformar a decisão singular e obter decisão liminar lhe desobrigando de observar o art. 42 da Lei n. 8.981/95 (fls. 22 a 44). Na sequência, considerando que a relação processual teve início com uma medida cautelar, a ora Recorrida ajuizou em 24/04/1995 a ação principal denominada “Ação Ordinária Declaratória Negativa de Débito Fiscal” de n. 95.00329840 (fls. 46), na qual reitera os pedidos constantes na medida cautelar e no mandado de segurança. Esta ação veio a ser julgada procedente em primeiro grau (no primeiro semestre de 2002) e improcedente no segundo grau pelo TRF3 (em 25/06/2003 fls. 215 e ss.). Na sequência, a Recorrida renunciou ao direito em se que fundava a ação, consoante consta da certidão de fls. 228 (não é possível precisar a data). Retornando aos fatos deste PAF, temse que após tomar ciência do auto de infração em 10/02/1999 (fls. 138 a 143), a Recorrida apresentou impugnação em 10/03/1999 (fls. 150), alegando, em suma: (i) Que não seria possível lavrar o auto de infração em combate na vigência das decisões liminares apresentadas; (ii) Subsidiariamente, que fosse afastada a multa de ofício por força das liminares que suspendiam a exigibilidade do tributo (art. 63 da Lei n. 9.430/96); Fl. 448DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 (iii) Que o art. 42 da Lei n. 8.981/95 (limite de 30%) é inconstitucional; (iv) De modo bastante suscito, alegou que existiria a seu favor decisão judicial transitada em julgado (coisa julgada) declarando a inconstitucionalidade da CSLL (v. item V – fls. 166). Todavia, não faz referência a qualquer número de processo nem junta cópias de decisões judiciais. Ao seu turno, a Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ), afastou apenas a exigência da multa de ofício, consoante se denota da ementa que segue transcrita (fl. 193): Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Anocalendário: 1996, 1997 COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL – A partir de 1° de janeiro de 1995, para efeito de determinar a base de cálculo da CSLL, o lucro líquido do exercício ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, 30%. A parcela das bases de cálculo negativas apuradas até 31 de dezembro de 1994, não compensadas em virtude desse limite, poderá ser utilizada nos anos calendário subseqüentes. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS – A Instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. MULTA DE OFÍCIO CABIMENTO ESTANDO SUSPENSA A EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO – Não cabe exigir multa de oficio na constituição do crédito tributário em que o tributo ou contribuição cuja exigibilidade haja sido suspensa na forma do inciso IV do artigo 151 do CTN. Lançamento Procedente em parte Ao ser intimada da decisão supra em 21/08/2008 (fl. 237), a Recorrida apresentou recurso de ofício em 17/09/2008 (fl. 238) no qual se dedica com exclusividade a sustentar a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a inconstitucionalidade da CSLL. Em síntese, argumenta o seguinte: (i) Que ajuizou a ação declaratória n. 90.00049326 em 25/06/1990 (fls. 307) objetivando a declaração da “inexistência de relação jurídica entre as Autoras e a União, no que tange à exigência de pagar contribuição social, instituída pela Lei n. 9.689/88, por manifesta inconstitucionalidade.” (fls. 241); (ii) Que os pedidos foram julgados procedentes em primeira e segunda instâncias (TRF1). Após, não houve apresentação de recurso extremos, razão pela qual houve o trânsito em julgado na data de 20 de fevereiro de 1992; Fl. 449DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 447 7 (iii) Que é impossível que a Fazenda Nacional exija a CSLL supostamente devida nos anos de 1996 e 1997 após o transcurso de 7 anos, e sem apoio em decisão rescisória (ação rescisória); (iv) Que a conduta afronta “o instituto constitucional da coisa julgada, merecendo, portanto, a decisão da Delegacia de Julgamento, que não se manifestou sobre essa alegação (apesar de ter sido mencionada na impugnação – item V) e manteve parcialmente o lançamento tributário, ser reformada, sob pena de ser perpetrada incontestável violação constitucional.” (fls. 241/242); (v) Discorre sobre a coisa julgada em matéria tributária; (vi) Que a procedência da ação meramente declaratória de inexistência de relação jurídica entre si e o Fisco, relativamente à Lei n. 7.689/88, “paralisou a aplicação (incidência)” (fls. 247) da norma em sua totalidade; (vii) Que não cabe falar em relação jurídica continuativa ou impossibilidade de incidência da lei a um período determinado, pois a insurgência da Recorrida ocorreu contra a hipótese de incidência em abstrato, e não contra um ato concreto; (viii) Que, segundo o art. 471, I, CPC, nenhum juiz pode decidir novamente questões já decididas, exceto se ajuizada ação rescisória no prazo de dois anos. Outrossim, as exceções do mencionado dispositivo não se aplicam, pois (a) não há relação jurídica continuativa; (b) não houve modificação de fato ou de direito; (c) não houve expresso pedido de revisão ao juízo; (ix) Que apesar de a Lei n. 7.689/88 ter sido alterada por diplomas legais posteriores, não houve modificação em todos os critérios da regramatriz da CSLL, razão pela qual a relação jurídica tributária continua não se formando entre a recorrida e o sujeito ativo; (x) Que (a) o art. 1º da Lei Complementar n. 79/91 alterou apenas a alíquota; (b) o art. 72, inc. III, do ADCT1, somente alterou a alíquota; (c) as modificações da Lei n. 8.981/95 não alteraram a base de cálculo; (d) a Lei n. 9.065/95 apenas introduziu formas de utilização da base de cálculo negativa; (xi) Que até que seja editada nova lei que disponha sobre todos os critérios da regramatriz da CSLL, revogando o disposto na Lei n. 7.689/88, não é possível a exigência do tributo, sobretudo pelo fato de inexistir ação rescisória para desconstituir a coisa julgada favorável à Recorrida; (xii) Que a CSLL não é devida, razão pela qual é impertinente falar em suposta compensação indevida da base de cálculo negativa (acima do limite de 30% estipulado pela Lei n. 8.891/95), pois indigitada norma não alterou os critérios da regramatriz da contribuição; (xiii) Que a Taxa Selic é ilegal e inconstitucional, pois “sua fixação visa à remuneração do investidor, de uma forma competitiva, e não para ser Fl. 450DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 aplicada como sanção, por atraso no cumprimento de uma obrigação.” (fl. 258). (xiv) Que a Selic possui natureza remuneratória, e não moratória, além de ter sido estipulada por resoluções, o que ofende o princípio da legalidade, especialmente o art. 161, §1o, CTN. Transcreve jurisprudência. (xv) Por fim, pugna pela reforma do acórdão recorrido e pelo cancelamento do auto de infração lavrado. Remetidos os autos a este Conselho, foi proferido acórdão n. 130200.832 para anular a decisão da DRJ, consoante se conclui da ementa que segue transcrita (fls. 370 e ss): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Exercício: 1997, 1998. Ementa: FUNDAMENTOS DO LANÇAMENTO. TESE DE DEFESA. APRECIAÇÃO PELA AUTORIDADE JULGADORA. NECESSIDADE. Revelase violadora dos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, a decisão que deixa de examinar os fundamentos do lançamento tributário relacionados diretamente com a defesa apresentada pelo contribuinte fiscalizado, bem como argumento de contestação trazido por meio de peça instauradora do litígio. Em seu voto, o Conselheiro destacou que o auto de infração está fundamentado na impossibilidade de a Recorrida se valer dos efeitos da decisão judicial favorável à empresa incorporada “Mentha” (medida cautelar 95.00555123). Todavia, segundo o Relator, a Recorrida fez constar em sua impugnação que possuía uma ação promovida em nome próprio (medida cautelar n. 95.00289750, mandado de segurança 162066 e ação ordinária 95.00329840). Dessa forma, seria necessária nova decisão da DRJ, com ajustamento dos fatos à defesa. Observese a seguinte passagem do acórdão supratranscrito: (...) Noto, primeiramente, que a contribuinte, ao impugnar o lançamento, fez referência única e exclusivamente ao Mandado de Segurança nº 162.066, ou seja, para sustentar a insubsistência da exigência, NÃO se serviu da medida judicial impetrada por MENTHA EMPREENDIMENTOS COMERCIAIS, por ela incorporada, mas, sim, da que trata o documento de fls. 33 e 34/40. A decisão de fls. 33, datada de 07 de abril de 1995, diz respeito a Mandado de Segurança (o de nº 162.066) impetrado por PENÍNSULA PARTICIPAÇÕES S/A e OUTROS em virtude da extinção liminar do processo correspondente à medida cautelar anteriormente ajuizada (processo nº 95.00289750). No curso da ação fiscal, a contribuinte [ora Recorrida], como já dito, juntou aos autos a inicial referente à cautelar acima mencionada [MC n. 95.00289750]. Ali, ELA PRÓPRIA, juntamente com outras pessoas jurídicas, expressamente requereram, in verbis: (...) Fl. 451DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 448 9 Diante do que até aqui foi retratado, me parece fora de dúvida de que a decisão exarada em primeiro grau, ao excluir a multa de ofício aplicada sem tecer qualquer consideração sobre o fundamento utilizado pela Fiscalização para não considerar a medida judicial indicada pela contribuinte na sua peça de defesa como justificadora da improcedência da exigência, e, ao deixar de apreciar o argumento da contribuinte de que estaria desobrigada de proceder o recolhimento da contribuição lançada por força de decisão judicial transitada em julgado, revelase violadora dos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, devendo, portanto, ser declarada nula. (...) (grifo não original) Em cumprimento ao que determinou o CARF, o processo retornou à DRJ para que fosse proferida nova decisão. Todavia, desta vez, os julgadores passaram a tratar com maior profundidade o tema da coisa julgada sobre a CSLL. Recordese que este assunto foi tratado bastante superficialmente na impugnação e com maior detalhamento no recurso voluntário. A decisão da DRJ recebeu a seguinte ementa (fls. 422): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Anocalendário:1996, 1997 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICO TRIBUTÁRIA POR SENTENÇA JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. LIMITES DA COISA JULGADA. EFEITOS DA LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C DO CPC. Declarada, por decisão judicial transitada em julgado, a inexistência de relação jurídico tributária entre o contribuinte e o Fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar o tributo, em respeito à coisa julgada material. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.118.893, no regime do art. 543C do CPC. COISA JULGADA. EFICÁCIA. DECISÃO CONTRÁRIA DO STF. A eficácia da coisa julgada não subsiste ante decisão contrária, definitiva e vinculante emanada do Egrégio Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado de constitucionalidade. Nas relações jurídicas tributárias, de trato sucessivo e continuado, a nova ordem jurídica somente atinge os fatos geradores ocorridos após o trânsito em julgado da decisão do Excelso Pretório. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Fl. 452DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Em razão da exoneração integral do crédito tributário, foi interposto recurso de ofício e, novamente, o feito é posto em pauta. A Fazenda Nacional (recorrente) não apresentou razões. É o relatório. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 449 11 Voto Conselheiro MARCIO RODRIGO FRIZZO O recurso de ofício é tempestivo e apresenta os requisitos de admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. 1. Da a Possibilidade de Julgar o Recurso de Ofício Como visto na parte inicial, a impugnação aborda superficialmente o tema da coisa julgada (item V – fl. 166), enquanto o recurso voluntário trata com maior profundidade do tema. Por conta dessa situação, apenas a segunda decisão da DRJ teve condições de ingressar nesse debate. Portanto, entendo que a questão pode ser enfrentada por esta Turma. Dessa forma, entendo que o esta Turma está autorizada a apreciar o teor do recurso voluntário em testilha e julgar se houve correta aplicação da legislação tributária, especialmente no que se refere ao tema da coisa julgada. Não cogito a existência de supressão de instância, pois o segundo julgamento proferido pela DRJ apreciou exatamente os argumentos do recurso voluntário, que já estavam presentes na impugnação. Inobstante, consoante tenho reiteradamente defendido, entendo possível que o recurso voluntário traga argumentos e provas adicionais ao que foi ventilado na impugnação, tendo em vista que este Conselho tem o dever de manifestarse de ofício sobre qualquer irregularidade na aplicação da lei tributária. Aliás, esta é a “natureza e finalidade” primeira deste Tribunal, consoante art. 1º do Anexo I da Portaria MF n. 256/99 (Regimento Interno). Destaco que o CARF é órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, o qual, por sua vez, é órgão da administração pública federal direta (art. 1º do Dec. 7.301/10). Logo, incide imperativamente o princípio da legalidade (art. 37, caput, da Constituição Federal), de modo que eventuais irregularidades no lançamento tributário devem ser retificadas incontinenti, ainda que o contribuinte a elas não se refira. Aliás, nesse sentido estão as Súmulas nº. 346 e 473 do STF, adiante transcritas: Súmula nº. 346: A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. Súmula nº. 473: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Ante ao exposto, passo a analisar o recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário da Recorrente, conheçoo como contrarrazões de recurso de ofício. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 2. Das ações judiciais movida contra o teor do art. 42 da Lei n. 8.981/95 Como visto, as ações judiciais buscam combater o teor normativo do art. 42 da Lei n. 8.981/95, cujo teor é o seguinte: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. (Vide Lei nº 9.065, de 1995 Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. (grifo não original) Notase dos documentos juntados aos autos que a Recorrida ajuizou em nome próprio a Medida Cautelar n. 95.00289750 (relacionada ao Mandado de Segurança n. 162066 e à Ação Ordinária n. 95.00329840) na qual foi deferida liminar afastando o teor normativo do artigo impugnado. A decisão definitiva e contrária à Recorrida apenas foi proferida em 25/05/2003 (fls. 215 e ss.). Concluise que a Recorrida possuía liminar em seu favor que neutralizava os efeitos do artigo supracitado durante o período fiscalizado neste PAF (1995 a 1997). Esta é a razão de constar na parte inicial deste voto que é impertinente averiguar as questões relativas à incorporação da empresa “Mentha”, bem como os efeitos decorrentes. Por fim, observo que a Recorrida não repetiu em seu recurso voluntário os argumentos sobre a inconstitucionalidade do art. 42 da Lei n. 8.981/95, tampouco tratou da existência das medidas judiciais e respectivas liminares. Nem mesmo após ser intimada da segunda decisão da DRJ houve interesse em complementar as razões do recurso voluntário, de modo que se torna impertinente aprofundar a questão. 3. Da Coisa Julgada A ora Recorrida havia apresentado recurso voluntário contra a primeira decisão da DRJ. Todavia, após ser intimada da segunda decisão da DRJ, não apresentou complemento ao que já estava nos autos. Por isso, consoante dito acima, o recurso voluntário será conhecido como contrarrazões ao recurso de ofício. Vêse que o tema recursal referese à coisa julgada formada em 20 de fevereiro de 1992 na Ação Ordinária n. 90.00049326 ajuizada pela Recorrida em 25/06/1990, na qual foi proferida decisão judicial reconhecendo a inconstitucionalidade da Lei n. 7.689/88, que instituiu a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (v. fls. 307/337), o que fez nos seguintes termos (fls. 358): CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. LEI N. 7.689/88. ART. 146, III, "A", da CF/88. MESMO FATO GERADOR E MESMA BASE DE CÁLCULO PARA TRIBUTOS DIFERENTES. EXIGÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR PARA INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. INCONSTITUCIONALIDADE. 1. É inaplicável às contribuições sociais no disposto no art. 150, inciso III, da Constituição da República, em face do disposto no § 6, do art. 195, da mesma Lei Maior. 2. Somente através de lei complementar pode ser instituída contribuição social. 3. Decisão Fl. 455DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 450 13 do Plenário na MIS n2 89.01.136147 MG, por maioria. Ressalva pessoal. 4. Recurso improvido. (grifo não original) O Relator do acórdão acima restou vencido na ocasião, motivo pelo qual, sucintamente, utilizou como razões de decidir o entendimento majoritário na época, cunhado no AMS 89.01.136147/MG (Rel. Tourinho Neto – TRF1), cuja redação é a seguinte: CONSTITUCIONAL. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS LEI N. 7.689, DE 15.12.88. INCONSTITUCIONALIDADE. 1 Ante o disposto no art. 149, da Constituição Federal de 1988, que manda observar o art. 146, inc. III, só lei complementar pode instituir contribuição social. 2 – Às contribuições sociais, que, em face dos arts. 149 e 146, inc. III, da CF/88, são tributos, não se aplica o disposto no art. 150, inc. III, tendo em vista o estabelecido no § 6, do art.195, da CF/88. 3 As contribuições sociais novas não podem ter fato gerador ou base de cálculo próprios dos impostos e contribuições já existentes (CF/88 1 art. 195, § 4 2 , c/c o art. 154, inc. I). A lei 7.689/88, no entanto, elege como base de cálculo da contribuição o lucro das pessoas jurídicas (arts. 1e 2), que já é próprio do imposto de renda (arts. 44 do CTN, e 153, do RIR/80), além de assemelhar o seu fato gerador ao deste imposto aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica (art. 43, I CTN). 4 A lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988, por outro lado, não poderia instituir contribuição social, pois o novo sistema tributário ainda não estava em vigor, ex vi do art. 34 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, que estabeleceu que o sistema tributário entraria em vigor a partir do primeiro dia do quinto mês seguinte ao da promulgação da Constituição – 1º de março de 1989. Infringência, por conseguinte, ao princípio da irretroatividade. 5 Violou, outrossim, a lei 7.689/88 o art. 165, § 5º, inc. II, da CF/88, ao determinar, em seu art. 6º, que a contribuição social será administrada e fiscalizada pela Secretaria da Receita Federal,quando diante do preceito constitucional art. 165, § 5 2 , inc. III), a sua arrecadação deveria integrar o orçamento da seguridade social. 6 A lei 7.689/88 é inconstitucional, em razão, pois de ter infringido os arts. 146, inc. III;154, inc. I; 165, § 5 g , inc. III; e 195, §§ 4 e6º, da Constituição Federal de 1988. 7 Incidente de inconstitucionalidade procedente. (grifo não original) Como se sabe, em momento posterior, o Supremo Tribunal Federal foi instado a julgar novamente a matéria (ADI 15), vindo a posicionarse definitivamente pela constitucionalidade da Lei 7.689/88, com a exceção dos artigos 8° e 9°, tendo tal decisão transitado em julgado em data de 12/09/07. A decisão ficou assim ementada: Fl. 456DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 I. ADin: legitimidade ativa: "entidade de classe de âmbito nacional" (art. 103, IX, CF): compreensão da "associação de associações" de classe. Ao julgar, a ADin 3153AgR, 12.08.04, Pertence, Inf STF 356, o plenário do Supremo Tribunal abandonou o entendimento que excluía as entidade de classe de segundo grau – as chamadas "associações de associações" – do rol dos legitimados à ação direta. II. –ADIn: pertinência temática. Presença da relação de pertinência temática, pois o pagamento da contribuição criada pela norma impugnada incide sobre as empresas cujos interesses, a teor do seu ato constitutivo, a requerente se destina a defender. III. – ADIn: não conhecimento quanto ao parâmetro do art. 150, § 1º, da Constituição, ante a alteração superveniente do dispositivo ditada pela EC 42/03. IV. ADIn: L. 7.689/88, que instituiu contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, resultante da transformação em lei da Medida Provisória 22, de 1988. 1. Não conhecimento, quanto ao art. 8º, dada a invalidade do dispositivo, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal, em processo de controle difuso (RE 146.733), e cujos efeitos foram suspensos pelo Senado Federal, por meio da Resolução 11/1995. 2. Procedência da arguição de inconstitucionalidade do artigo 9º, por incompatibilidade com os artigos 195 da Constituição e 56, do ADCT/88, que, não obstante já declarada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 150.764, 16.12.92, M. Aurélio (DJ 2.4.93), teve o processo de suspensão do dispositivo arquivado, no Senado Federal, que, assim, se negou a emprestar efeitos erga omnes à decisão proferida na via difusa do controle de normas. 3. Improcedência das alegações de inconstitucionalidade formal e material do restante da mesma lei, que foram rebatidas, à exaustão, pelo Supremo Tribunal, nos julgamentos dos RREE 146.733 e 150.764, ambos recebidos pela alínea b do permissivo constitucional, que devolve ao STF o conhecimento de toda a questão da constitucionalidade da lei. (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07) (grifo não original) Neste momento, buscase definir se é possível exigir o crédito tributário em questão (período de apuração de 1995 a 1997), considerando que a Recorrente possui coisa julgada firmada em 20/02/1992 reconhecendo a inconstitucionalidade da CSLL. Segundo a DRJ, isto não seria possível, pois a constitucionalidade da CSLL foi reconhecida apenas em 31/08/2007 (data de publicação da ADI 151). Todavia, destaco antecipadamente que essa afirmação parte de interpretação equivocada do Parecer PGFN 492/2011. 1 Lei n. 9.868/99. Art. 28. Dentro do prazo de dez dias após o trânsito em julgado da decisão, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial do Diário da Justiça e do Diário Oficial da União a parte dispositiva do acórdão. Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra Fl. 457DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 451 15 De toda forma, a DRJ entendeu pela necessidade de respeitar a coisa julgada, o que, sob minha ótica, representa acertada a inteligência2, tendo em vista que prestigia a correta e justa interpretação do sistema normativo nacional. De início, recordo que a coisa julgada tem status constitucional (art. 5º, XXXVI, CRF/88) e é definida pela legislação como “decisão judicial de que já não caiba recurso”, nos termos do art. 6º, §3º, do Dec.Lei n. 4.657/42 (LINDB). Ao seu turno, o Código de Processo Civil esclarece que “denominase coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário.” (art. 467, caput, CPC). O mesmo Códigoesclarece que nenhum juiz julgará questões já decididas, salvo em se tratando de relação jurídica continuativa nas quais sobrevenha modificação no estado de fato ou de direito (art. 471, caput e inciso I, CPC). Outra hipótese de modificação da coisa julgada é a ajuizamento de ação rescisória, que deve ser interposta no prazo de 2 anos da decisão que se pretende rescindir, e desde que presentes as situações autorizadoras3. Sem pretender esgotar o assunto, mas apenas para demonstrar as circunstâncias afetas à coisa julgada, é importante observar que este é um instituto jurídico decorrente da autoridade das decisões do Poder Judiciário, o qual tem por função típica o poderdever de solver definitivamente conflitos de interesses em razão das pretensões resistidas. Tal mister decorre da tripartição dos poderes consignada no art. 2º da Constituição Federal. Portanto, as raízes da presente controvérsia alcançam o pacto político entabulado em 1988, cuja fundamentação teórica sustenta o próprio Estado Democrático e de Direito almejado pela República Federativa do Brasil. Assim, desrespeitar a coisa julgada por meio de ato administrativo emanado de agente público a cargo do Poder Executivo (por exemplo, auto de infração, acórdão da DRJ ou CARF, resolução ou pareceres da Fazenda Nacional etc.) é um inquestionável atentado à tripartição dos poderes, especificamente dirigido contra o Poder Judiciário. Além disso, a coisa julgada busca evitar que contendas judiciais já decididas sejam novamente levadas a juízo, de modo a perpetuar o conflito de interesses. Tal conduta afronta a busca pela paz social. A exceção à imutabilidade da coisa julgada fica por conta das todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal. 2 Neste ponto específico. 3 CPC. Art. 485. A sentença de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: I se verificar que foi dada por prevaricação, concussão ou corrupção do juiz; II proferida por juiz impedido ou absolutamente incompetente; III resultar de dolo da parte vencedora em detrimento da parte vencida, ou de colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei; IV ofender a coisa julgada; V violar literal disposição de lei; Vl se fundar em prova, cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal ou seja provada na própria ação rescisória; Vll depois da sentença, o autor obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de Ihe assegurar pronunciamento favorável; VIII houver fundamento para invalidar confissão, desistência ou transação, em que se baseou a sentença; IX fundada em erro de fato, resultante de atos ou de documentos da causa; § 1o Há erro, quando a sentença admitir um fato inexistente, ou quando considerar inexistente um fato efetivamente ocorrido. § 2o É indispensável, num como noutro caso, que não tenha havido controvérsia, nem pronunciamento judicial sobre o fato. Art. 495. O direito de propor ação rescisória se extingue em 2 (dois) anos, contados do trânsito em julgado da decisão. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 situações aventadas acima. Extinta tais hipóteses, dizse que a coisa julgada transformouse em “coisa soberanamente julgada”. Cumpre investigar, portanto, se a relação em testilha representa uma relação jurídica continuativa, de modo que a coisa julgada pudesse perder seus efeitos a partir do ano calendário subsequente, invocando a aplicação da súmula 239 do STF, segundo a qual: “Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores.”. O tema foi enfrentado pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1118893/MG por meio do rito do art. 543C do CPC. Sobre este ponto, verificase que o STJ entendeu que não tem lugar a súmula n. 239 do STF, uma vez que foi reconhecida a própria inconstitucionalidade da contribuição (direito material), razão pela qual o vício transborda os limites de um período de apuração. Com essa finalidade, o STJ analisou as modificações introduzidas na Lei n. 7.689/88, quando então concluiu da forma que segue: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 452 17 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRgnosEREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. (REsp 1118893/MG, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/03/2011, DJe 06/04/2011) (grifo não original) A decisão acima adotou como paradigma o entendimento apresentado pela Min. Eliana Calmon no REsp 731250/PE, no sentido de que a súmula 239 do STF “aplicase tãosomente no plano do direito tributário formal porque são independentes os lançamentos em cada exercício financeiro. Não se aplica, entretanto, se a decisão tratou da relação de direito material, declarando a inexistência de relação jurídicotributária”. Portanto, por força do art. 62A do RICARF, doume por vinculado quanto a ausência de modificação pelas lei supervenientes e afastando a aplicação da súmula 239 do STF. Pela mesma razão, doume por vinculado à conclusão do STJ acerca da coisa julgada, razão pela qual afasto a aplicação da súmula 239 do STF. Todavia, este tema merece maiores considerações, tendo em vista o advento do Parecer PGFN 492/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em despacho publicado no D.O.U em 26/05/2011. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 18 A decisão recorrida defende que o referido Parecer justificaria a exoneração do crédito tributário, pois a decisão do STF tomada na ADI 15 (Publ. 31/08/2007) é posterior aos fatos geradores do crédito tributário em discussão (1995 a 1997). Na oportunidade, foi transcrita uma parte do acórdão recorrido, do qual destaco a seguinte passagem: 59. E as conseqüências que decorrem, diretamente, da cessação da eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado em face do advento de precedente objetivo e definitivo do STF em sentido contrário ao nela sufragado são, no que mais de perto interessa à Fazenda Nacional, as seguintes: (...)(ii) diversamente, se o precedente do STF for desfavorável ao Fisco, o sentido, por exemplo, da inconstitucionalidade de uma dada norma de incidência tributária, tida, por sua vez, como constitucional em decisão tributária pretérita, a partir do seu advento [precedente objetivo e definitivo] o contribuinte autor deixa de estar compelido ao pagamento do correspondente tributo, em relação aos fatos geradores ocorridos DALI PARA FRENTE. Não é demais repetir, aqui, que os precedentes do STF capazes de fazer cessar a eficácia vinculante de anteriores decisões tributárias transitadas em julgados são, apenas, aqueles referidos no parágrafo 51 do presente Parecer, eis que apenas esses podem ser considerados objetivos e definitivos. (grifo não original) Ocorre que o acórdão recorrido não captou a extensão do termo “precedente objetivo e definitivo do STF”. Portanto, para reposicionar o debate, é relevante observar a seguinte passagem do Parecer: 24. (..) Ou seja, nos dias atuais, são objetivos e definitivos e, portanto, alteram/impactam o sistema jurídico vigente, agregandolhe um elemento novo, tanto os precedentes oriundos do Plenário do STF formados em controle concentrado de constitucionalidade, quanto alguns dos seus precedentes formados em CONTROLE DIFUSO, independentemente, nesse último caso, de posterior edição, pelo Senado Federal, da Resolução prevista no art. 52, inc. X da CF/88. (grifo não original) Concluise da passagem acima que o Parecer PGFN n. 492/2011 supracitado afirma que as decisões em controle difuso proferidas pelo Pleno do STF fazem cessar os efeitos da coisa julgada, independentemente da edição de Resolução Senatorial (art. 52, inc. X, CF/88), pois podem “alterar/impactar” o sistema jurídico nacional. Este entendimento fica explícito no item 29 4 do Parecer, observese: 29. Todos esses exemplos apontam, inequivocamente, para uma mesma direção, ou para uma mesma verdade que já se mostra irrecusável: as decisões proferidas pelo STF em sede de controle difuso de constitucionalidade, quando oriundas do seu órgão Plenário, independentemente de posterior edição de Resolução Senatorial, têm assumido um caráter objetivo, já que desprendido do caso concreto e de suas vicissitudes. O controle difuso de constitucionalidade, nesse passo, quando exercido pelo Pleno da Suprema Corte, abandona a marca que tradicionalmente o vinculava ao chamado “controle concreto” (posto que feito à luz das peculiaridades do caso concreto), 4 Parecer PGFN 429/11. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 453 19 passando a ligarse, tanto quanto o exercido na modalidade concentrada, ao “controle abstrato”, em que a questão jurídica levada à apreciação é analisada em tese, ainda que de forma incidental (incidenter tantum). (...). (grifo não original). Esta constatação é relevante, uma vez que a própria ADI 15 faz menção a precedentes anteriores proferidos pelo Pleno do STF em controle difuso, como o RE 146.733 (Publ. 06/11/1992) e RE 150.764 (Publ. 30/03/1998). Ou seja, estes também seriam “precedentes objetivos e definitivos” que afastariam os efeitos da coisa julgada formada em favor da Recorrida em 20/02/1992. Aqui está o ponto de equívoco da DRJ (o qual, todavia, não altera o resultado do julgamento). Adotando esse entendimento, o indigitado Parecer autoriza a conclusão (ao meu ver, equivocada), de que devem ser mantidos os autos de infração lavrados após a formação de coisa julgada favorável ao contribuinte, desde que exista uma decisão em controle difuso em sentido contrário (“precedente objetivo e definitivo do STF”), ainda que antes da publicação do texto do Parecer, observese: 79. Em outras palavras: este parecer não retroage para alcançar aqueles fatos geradores pretéritos, que, mesmo sendo capazes, à luz do entendimento ora defendido, de fazer nascer obrigações tributárias, não foram, até o presente momento, objeto de lançamento. Por óbvio, se nas situações PRETÉRITAS o Fisco já tiver adotado o entendimento ora defendido, efetuando a cobrança relativa aos fatos geradores ocorridos desde cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, em relação a essas a situações pretéritas o critério jurídico contido no presente Parecer não poderá ser considerado “novo”, o que afasta a aplicação do princípio da não surpresa e do art. 146 do CTN; esses lançamentos, portanto, deverão ser mantidos. (grifo não original) Portanto, seguindo o entendimento do Parecer PGFN n. 492/2011, as decisões em controle difuso, que vieram a ser confirmadas pela ADI 15, teriam o condão de fazer cessar a eficácia da coisa julgada favorável à Recorrida, de modo que o presente auto de infração deveria ser mantido. Todavia, o entendimento do Parecer PGFN n. 492/2011 NÃO deve ser seguindo por este Conselho, principalmente pelo fato de o Resp 1118893/MG, julgado pelo rito dos recursos repetitivos, lhe ser evidentemente contrário. Não ignoro a força vinculante de pareceres dessa natureza5, todavia, é preciso ter em mente que as decisões judiciais construídas pelo rito do art. 543C do CPC emanam do órgão autorizado a reconhecer a definitividade da coisa julgada, e também a rescindila. Não bastante a autoridade das decisões do STJ, ressalto que até mesmo o Supremo Tribunal Federal tem defendido a impossibilidade de relativização da coisa julgada, salvo nos casos em que a ação rescisória é manejada dentro do prazo decadencial bienal. É o que se conclui da decisão proferida no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n. 592.912, proferido pela Segunda Turma, sob a relatoria do Ministro Celso de Mello, datada de 03/04/2012: 5V. art. 13 e 42 da Lei Complementar 72/93. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 20 E M E N T A: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – COISA JULGADA EM SENTIDO MATERIAL INDISCUTIBILIDADE, IMUTABILIDADE E COERCIBILIDADE: ATRIBUTOS ESPECIAIS QUE QUALIFICAM OS EFEITOS RESULTANTES DO COMANDO SENTENCIAL PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL QUE AMPARA E PRESERVA A AUTORIDADE DA COISA JULGADA EXIGÊNCIA DE CERTEZA E DE SEGURANÇA JURÍDICAS – VALORES FUNDAMENTAIS INERENTES AO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO – EFICÁCIA PRECLUSIVA DA “RES JUDICATA” “TANTUM JUDICATUM QUANTUM DISPUTATUM VEL DISPUTARI DEBEBAT” CONSEQUENTE IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO DE CONTROVÉRSIA JÁ APRECIADA EM DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO, AINDA QUE PROFERIDA EM CONFRONTO COM A JURISPRUDÊNCIA PREDOMINANTE NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL A QUESTÃO DO ALCANCE DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 741 DO CPC MAGISTÉRIO DA DOUTRINA – RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. (grifo não original). Do referido acórdão, extraemse conclusões no sentido de que o efeito retroativo (extunc) das decisões em controle concentrado não prejudica os efeitos da coisa julgada, observese: A sentença de mérito transitada em julgado só pode ser desconstituída mediante ajuizamento de específica ação autônima de impugnação (ação rescisória) que haja sido proposta na fluência do prazo decadencial previsto em lei, pois, como exaurimento do referido lapso temporal, estarseá diante da coisa soberanamente julgada, insuscetível de ulterior modificação, ainda que o ato sentencial encontre fundamento em legislação que, em momento posterior, tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, quer em sede de controle abstrato, quer no âmbito de fiscalização incidental de constitucionalidade. A superveniência de decisão do Supremo Tribunal Federal, declaratória de inconstitucionalidade de diploma normativo utilizado como fundamento do título judicial questionado, ainda que impregnada de eficácia “extunc” como sucede, ordinariamente, com os julgamentos proferidos em sede de fiscalização concentrada (RTJ 87/758 – RTJ 164/506509 – RTJ 201/765) , não se revela apta, só por si, a desconstituir a autoridade da coisa julgada, que traduz, em nosso sistema jurídico, limite insuperável à força retroativa resultante dos pronunciamentos que emanam, “in abstracto”, da Suprema Corte. Doutrina. Precedentes. O significado do instituto da coisa julgada material como expressão da própria supremacia do ordenamento constitucional e como elemento inerente à existência do Estado Democrático de Direito. (grifo não original). O que se vê do referido julgado, é a valoração que aqueles Ministros dão à coisa julgada, alçandoa ao patamar de garantia constitucional inviolável, que só pode ser derrogada se pelo meio legal apto, devidamente previsto em lei, como é a ação rescisória. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 454 21 Passo a me utilizar, na sequência, das razões do voto do Ministro Celso de Mello, que destaca a instabilidade jurídica que advém do desrespeito à soberania da coisa julgada, observese: Esses atributos que caracterizam a coisa julgada em sentido material, notadamente a imutabilidade dos efeitos inerentes ao comando sentencial, recebem, diretamente, da própria Constituição, especial proteção destinada a preservar a inalterabilidade dos pronunciamentos emanados dos Juízes e Tribunais, criando, desse modo, situação de certeza, de estabilidade e de segurança para as relações jurídicas. [...] A pretendida “relativização” da coisa julgada – tese que tenho repudiado em diversos julgamentos (monocráticos) proferidos no Supremo Tribunal Federal (RE 554.111/RS – RE 594.350/RS RE 594.892/RS RE 594.929/RS RE 595.565/RS, dos quais sou Relator) provocaria consequências altamente lesivas à estabilidade das relações intersubjetivas, à exigência de certeza e de segurança jurídicas e à preservação do equilíbrio social, valendo destacar, em face da absoluta pertinência de suas observações, a advertência de ARAKEN DE ASSIS (“Eficácia da Coisa Julgada Inconstitucional”, “in” Revista Jurídica nº 301/729, 1213) (grifo não original) Evidentemente, havendo o manejo da ação rescisória, nenhum óbice haveria à restituição da relação jurídicotributária, consoante já esclareceu o jurista Luiz Rodrigues Wambier em parecer sobre a matéria6. Este, contudo, não é o que ocorreu no presente caso, pois não houve manejo tempestivo da ação rescisória. Dessa forma, oferecer temperamentos à soberania da coisa julgada, por meio de interpretação de outros institutos jurídicos, na trilha do Parecer PGFN 492/2011, representa uma medida que afronta o senso de Justiça e do devido processo legal. Ainda que se considere a existência de corrente teórica que aceita a eficácia vinculante das decisões proferidas no controle difuso, devese considerar que tal entendimento está longe de ser unânime. Aliás, considerando que o referido tema não encontra apoio pacífico no Poder Judiciário, que é o ambiente autorizado a decidir sobre a legalidade e constitucionalidade de atos jurídicos das mais diversas naturezas, com muito menos razão se pode cogitar tal debate na esfera administrativa (CARF Poder Executivo), uma vez que este tem o dever de observar a legalidade. A questão, portanto, se resolveria com simples análise do conflito aparente de normas. Nesse sentido, ainda que se desconsidere o REsp 1118893/MG, não tenho dúvidas de que a natureza constitucional e infraconstitucional da coisa julgada se sobreporia à interpretação exposta no Parecer PGFN n. 492/2011. 6 Segundo o jurista, “Há que se ressaltar, por fim, que a propositura de demanda rescisória encontrase condicionada à observância do prazo decadencial de dois anos a contar do trânsito em julgado da decisão rescindenda. Na situação subjacente a esta consulta, a ação rescisória, que objetivava desconstituir decisão que declarou a inconstitucionalidade da CSLL, foi manejada dentro do biênio legal, tendo, com a decisão de parcial procedência, restabelecido a relação jurídicotributária entre a União e a Consulente, no que diz respeito à CSLL.” (WAMBIER, Luiz Rodrigues. Pareceres: Processo Civil. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2012, pag. 639) Fl. 464DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 22 Todavia, admitindo a força vinculante do recurso especial e do Parecer, entendo que este último (parecer) não pode ser seguido pela Administração Pública, pois representa uma interpretação ilegal e inconstitucional dos efeitos da coisa julgada. Aliás, o Parecer contraria, a um só tempo, o texto de lei e a interpretação do Poder Judiciário. O Tribunal Regional Federal da 4a Região proferiu recente decisão afastando a aplicação do Parecer PGFN 492/2011, no exato sentido que neste momento defendo, consoante se percebe da seguinte passagem da ementa da decisão, transcrita em sua parte pertinente: (...) 4. A tentativa da Administração, por meio do Parecer PGFN nº 492/11, de sujeitar a coisa julgada a exame administrativo viola o princípio da separação dos poderes, já que, uma vez regrada a relação jurídica pela normativa individual emitida pelo Poder Judiciário, salvo a superveniência de lei, somente este poderá examinar a conservação e a permanência daquele regramento individual em relação aos fatos futuros. (...) (TRF4. Apelação e Reexame Necessário n. 5006618 44.2012.404.7100/RS. (...) (TRF4 500661844.2012.404.7100, Segunda Turma, Relator p/ Acórdão Otávio Roberto Pamplona, D.E. 12/12/2013) Outrossim, não bastasse o já exposto, diversas são as decisões deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no sentido de afastar a cobrança de CSLL, como também se viu em decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento e que peço, mais uma vez, a vênia para citar: CSLL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICO TRIBUTÁRIA POR SENTENÇA JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. LIMITES DA COISA JULGADA. EFEITOS DA LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62A DO RICARF. Declarada, por decisão judicial transitada em julgado, a inexistência de relação jurídico tributária entre o contribuinte e o Fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar o tributo, em respeito à coisa julgada material. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.118.893, no regime do art. 543C do CPC. Aplicabilidade do art. 62A do Regimento Interno do CARF. (Acórdão nº 1301000.760, sessão 23 de novembro de 2011) COISA JULGADA. EFICÁCIA. DECISÃO CONTRÁRIA DO STF. A eficácia da coisa julgada não subsiste ante decisão contrária, definitiva e vinculante emanada do Egrégio Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado de constitucionalidade. Nas relações jurídicas tributárias, de trato sucessivo e continuado, a nova ordem jurídica somente atinge os fatos geradores ocorridos após o trânsito em julgado da decisão do Excelso Pretório. (Acórdão nº 180301.254, sessão 10 de abril de 2012). Fl. 465DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 455 23 Diante da posição do STJ em recurso repetitivo, diante das reiteradas decisões do STF e diante do entendimento da melhor doutrina tributária e processualista que garantem poder a coisa julgada, diante do princípio da segurança jurídica, e de outro lado diante do Parecer normativo da PGE tenho que me curvar ao entendimento que um parecer emitido em 2007, não pode regular uma situação jurídica de 1996 e 1997 retroativamente sob pena de acabar com a segurança jurídica do Estado de direito. Ante ao exposto, entendo que a exoneração do crédito tributário deve ser mantida, não pelo fundamento exposto pela DRJ, mas sim em razão soberania da coisa julgada, que no caso em tela não foi atacada tempestivamente pela Fazenda por meio de ação rescisória. 4. Da conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator Fl. 466DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 24 Declaração de Voto Conselheiro Eduardo de Andrade Neste julgado, manifestou o ilustre Conselheiro Relator Márcio Rodrigo Frizzo seu posicionamento no sentido de que prestigiar a autoridade da coisa julgada face ao lançamento perpetrado pela fiscalização, reproduzindo em seu voto as conclusões lançadas no acórdão da Primeira Seção do STJ proferido nos autos do REsp nº 1118893/MG, vinculante para este colegiado, nos termos do art. 62A do RICARF. Não obstante o brilho do voto proferido, que acompanhei integralmente, tendo em vista que este colegiado, em outras assentadas, embora com distinta composição, já oscilou em sua jurisprudência, entendi por bem declarar minhas razões de votar, as quais passo a declinar, tendo em vista reflexão recente que fiz sobre a matéria destes autos. Assim, no PA 19515.000797/200413 (Consórcio Nacional Volkswagen), relatado pelo ilustre Conselheiro Irineu Bianchi e julgado na sessão de 03/08/2011, este colegiado, em distinta composição, por unanimidade de votos, reconheceu a força vinculante do Resp nº 1118893/MG, nos termos do art. 62A do RICARF, atendendo a pedido da recorrente, feito por seu patrono, da tribuna. Naquele caso, cuidavase de decisão transitada em julgado em 08/1993 e os créditos constituídos eram relativos aos anoscalendário de 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003, anteriores, portanto, ao julgamento da ADI 15. Já no julgamento do PA nº 19515.003932/200717, relatado pelo ilustre Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior e julgado na sessão de 11/06/2013, este colegiado rechaçou o Resp nº 1.118.893MG em prestígio ao Parecer PGFN nº 492/2011, tendose em vista os art. 13 e 42 da LC nº 73/93. Neste último caso, os lançamentos eram referidos aos anoscalendário de 2001 a 2006, também anteriores ao julgamento da ADIN 15. Embora haja dispositivos inibindo implicitamente a cognição da matéria por este colegiado, por remeter a decisão, independentemente de seu conhecimento, seja às conclusões exaradas pelo STJ no Resp nº 1118893MG, seja àquelas, em sentido absolutamente contrário, expostas no Parecer PGFN nº 492/2011, a existência desta antinomia leva, invariavelmente, à necessidade de adentrarse ao mérito da questão, ainda que não para decidila pelo mérito, mas para que se possa adotar com segurança um dos caminhos já pré estabelecidos ao julgador administrativo, oferecendo ao caso um julgamento com a necessária convicção. O caso não possibilita saída pelos critérios tradicionais (hierárquico, cronológico, da especialidade). Primeiro, porque há uma dificuldade inerente à aplicação dos critérios, já que as normas que estabelecem as condutas a serem adotadas em relação ao tratamento da coisa julgada (conclusões do REsp 1118893/MG e do Parecer PGFN nº 492/2011) diferem das normas que lhes conferem vinculação ao julgamento administrativo (art. 62A do Ricarf, e art. 13 e 42 da LC nº 73/93). Por fim, porque a própria tentativa de aplicação Fl. 467DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 456 25 deles resulta infrutífera. Assim, pelo critério da lex superior, verificase que ambos os conteúdos prescritivos antinômicos derivam, em última análise, da vontade da mesma autoridade, o Exmo. Sr. Ministro da Fazenda, seja pela aprovação do Parecer, seja pela assinatura da Portaria que trouxe à lume o art. 62A do RICARF. Também não há solução pelo critério da especialidade. Isto porque, embora pareçam aparentemente tratar do mesmo tema (o que, por si só, já afastaria este critério) há uma discussão preliminar sobre a matéria tratada no REsp 1118893/MG e a matéria tratada no Parecer PGFN nº 492/2011, no sentido de que disporiam, em tese, sobre temas distintos, forçando necessariamente ao ingresso no mérito para verificála, vez que não é de pronto identificável. Por fim, é inaplicável também o critério cronológico, pois, sendo ambas contemporâneas (publicadas no primeiro semestre de 2011), não é para mim evidente da leitura dos textos que houve alguma mudança de posição temática final da autoridade que lhes impõe, demonstrando inclinação por uma ou outra via. Isto porque, a idéia principal contida no Parecer PGFN nº 492/2011, que é a desconstituição de decisão judicial por ato administrativo, baseado na mudança de jurisprudência do STF não é nova, tendo apenas ganho contornos mais específicos com a edição do parecer (vejase, v.g., que o procedimento de lançar a CSLL, desconsiderandose decisão transitada em julgado, já era comum bem antes do posicionamento do STF na ADI 15, baseado em: a) decisões posteriores em sentido contrário do STF no controle difuso; b) eventuais modificações de fundo promovidas pela legislação posterior à Lei nº 7689/88). Por outro lado, a decisão vinculante do STJ é tomada no âmbito do Poder Judiciário, sem qualquer participação deliberativa do Poder Executivo, exceto pela manutenção do art. 62A do RICARF, mesmo após tornarse a decisão definitiva. Deste modo, inevitável o ingresso no mérito da matéria, ainda que para decidir tão somente a questão da antinomia, seguindo, assim, o escólio de Bobbio7, para quem, na impossibilidade de se solucionar o conflito pelos critérios tradicionais, há que se tentar eliminar uma, duas, ou conservar ambas as normas antinômicas, por meio da interpretação. Digamos então de uma maneira mais geral que, no caso de conflito entre duas normas, para o qual não valha nem o critério cronológico, nem o hierárquico, nem o da especialidade, o intérprete, seja ele juiz ou o jurista, tem à sua frente três possibilidades: 1) eliminar uma; 2) eliminar as duas; 3) conservar as duas. Desta forma, após refletida análise, mediante este efetivo ingresso no mérito da matéria, concluí merecer reparos a adoção irrestrita do Parecer PGFN nº 492/2011, consoante adiante demonstrarei. a) Art. 62A do Ricarf e Efeito Repetitivo no Resp nº 1118893/MG Preliminarmente, requer a recorrente aplicação do art. 62A do Ricarf, mediante a reprodução, nesta decisão, do quanto decidido pelo STJ no julgamento do Resp nº 1118893/MG, sujeito ao regime do art. 543C do CPC, que decidiu não ter sido modificada ou 7 BOBBIO, Norberto. Teoria do Ordenamento Jurídico. 10ªed. Brasília: Editora UNB; 1999, p.100101. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 26 revogada em sua essência a relação jurídicotributária entre contribuinte e fisco, nos termos da Lei nº 7.689/88, a inaplicabilidade da Súmula STF nº 239, porquanto afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, e a impossibilidade de, por manifestação posterior do STF em sentido oposto à decisão transitada em julgado, alterarse a coisa julgada, sob pena de se negar validade ao controle difuso de constitucionalidade. Eis a ementa do julgado: RECURSO ESPECIAL Nº 1.118.893 MG (2009/00111359) RELATOR : MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA RECORRENTE : ALE DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS LTDA ADVOGADO : JOSE MARCIO DINIZ FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 457 27 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, César Asfor Rocha, Hamilton Carvalhido e Castro Meira votaram com o Sr. Ministro Relator. Sustentaram, oralmente, os Drs. Jose Marcio Diniz Filho, pela recorrente, e Alexandra Maria Carvalho Carneiro, pela recorrida. Brasília (DF), 23 de março de 2011(data do julgamento) MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA Relator Regimentalmente, o art. 62A do RICARF estabelece que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STF ou pelo STJ na sistemática prevista nos art. 543B e 543C do CPC deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Carf, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 28 No que tange ao decisum proferido no Resp nº 1118893/MG, verificase que satisfaz as condições estabelecidas no art. 62A, vez que o acórdão ficou sujeito ao regime do art. 543C do CPC e Resolução 8/STJ, conforme texto da ementa supracitda. Além disso, o acórdão transitou em julgado em 09/05/20118, caracterizandose, assim, como decisão definitiva de mérito. O exame das matérias tratadas no Resp nº 1.118.893MG é o meio apropriado para saber se a decisão de mérito nele exarada guarda conformidade com a questão dos autos. b) Da matéria tratada no Resp nº 1.118.893MG b.1) Dos fatos Cuida o Resp nº 1118893/MG de suposta ofensa à coisa julgada pelo TRF/1ª em execução fiscal instaurada para cobrança da CSLL, embora existisse sentença judicial transitada em julgado declarando inexistência de relação jurídica material obrigandoa ao recolhimento da exação, sob a égide da Lei nº 7.689/88. Relativamente aos fatos analisados pelo acórdão, cabe reproduzir que havia transitado em julgado (fls.910/23), em 8/9/92 (fl. 48e) sentença proferida em ação de rito ordinário, pelo juízo federal da 7ª Vara da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, que declarou a inexistência de relação jurídica que obrigasse a parte recorrente a recolher a CSLL, instituída pela Lei nº 7.689/88, reputada inconstitucional. Diante do ajuizamento de execução fiscal buscando a cobrança de valores correspondentes à CSLL referentes ao ano base de 1991, com vencimento em 30/04/92, ofereceu a parte recorrente [..] embargos à execução, sob argumento de ofensa à coisa julgada. b.2) Manifestação posterior do STF em sentido contrário Após, menciona o Min. Relator que o STF, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar a ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art. 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT.(grifo nosso) 8 Consoante sítio do STJ, dísponível em: https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?src=1.1.2&aplicacao=processos.ea&tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica &num_registro=200900111359 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 458 29 À frente o tema é retomado (fl.14/23), onde se assevera que a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada em nada se altera pelo fato de ter posteriormente se manifestado em sentido oposto, verbis: Outrossim, o fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade à própria existência do controle difuso de constitucionalidade, fragilizando, sobremodo, a res judicata, com imensurável repercussão negativa no seio social. Para mim não é possível afirmar que o decisum se refere apenas a manifestações do STF proferidas em sede de controle concentrado. A uma, porque ao não efetuar qualquer discrimen, mas tão somente à fórmula geral manifestação posterior do STF em sentido oposto, não nos cabe dizer onde não foi dito, instituindo categorias onde não foram elas criadas. A duas, por conseqüência lógica, adotandose interpretação diversa do julgado, afinal se no entender do acórdão nem mesmo uma manifestação posterior no controle concentrado pode fragilizar a res judicata, que se dirá, então, da manifestação em controle difuso, em processo no qual o contribuinte não era parte. c) Parecer PGFN nº 975/2011 Posteriormente ao trânsito em julgado do acórdão proferido no Resp nº 1118893MG a PGFN editou o Parecer nº 975/2011, que, ao que nos parece, buscou elucidar eventuais pontos de conflito entre o acórdão do STJ e o Parecer PGFN nº 492/2011, que tinha por escopo tratar das situações de perda da eficácia de decisão transitada em julgado por decorrência de manifestação posterior do STF. Assim, de passagem, mas com proveito sobre o tema em exposição, colho o ensejo para, delimitando o alcance do acórdão do STJ, lembrar que embora tenhase dito no Parecer PGFN nº 975/2011 que não há conflito entre o acórdão e o Parecer nº 492/2011, tenho para mim que há colisão. Em primeiro lugar, segundo o Parecer PGFN nº 975/2011, embora o acórdão do STJ tivesse afirmado que decisão posterior do STF (no caso, a ADI nº 152/DF, publicada no DJ de 31/8/2007) não poderia alcançar decisão judicial transitada em julgado que declarou a inexistência de relação jurídicotributária ocorrida anteriormente à decisão da Suprema Corte, o fez em obiter dictum (e não, pois, como ratio decidendi). Vejase, a respeito, a passagem mencionada do Parecer nº 975/2011: 13. Entre suas razões de decidir, a Primeira Seção do STJ, ao tecer seu juízo acerca do debate sobre a suposta revogação da Lei nº 7.689, de 1988, pela legislação ulterior correlata, acabou adentrando em tema paralelo e manifestou seu entendimento quanto à impossibilidade da decisão do STF no julgamento da ADI nº 152/DF – DJ 31/8/2007 (que julgou pela constitucionalidade da Lei nº 7.689, de 1988, com exceção de seus art. 8º e 9º) atingir o caso ora analisado. 14. Destarte, embora o objeto da demanda gravitasse no exame quanto à substancialidade ou acessoriedade das alterações Fl. 472DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 30 legislativas da CSLL posteriores à Lei nº 7.689, de 1988, a Primeira Seção do STJ sucintamente, pois em um único e breve parágrafo, pugnou, em obter dictum, pela impossibilidade de decisão posterior do STF (no caso, a ADI nº 152/DF, publicada no DJ de 31/8/2007) alcançar/revalidar decisão judicial transitada em julgado que declarou a inexistência de relação jurídicotributária ocorrida no exercício de 1991, ou seja, de uma situação já consolidada anteriormente à decisão da Suprema Corte. De fato, naquele caso não se cuidava de negativa de eficácia prospectiva a decisão transitada em julgado por decorrência de decisão do STF em controle concentrado, visto que os fatos narrados no processo datam de 1991 e 1992. Mas a leitura do acórdão não me proporciona a leitura restritiva que dele faz o Parecer PGFN nº 975/2011. Isto porque vejo ali, naquele decisum, a resolução da questão de forma ampla, em seus variados contornos, pelo menos aqueles sujeitos à competência do STJ, embora estivesse sob apreciação tão somente a ofensa à coisa julgada, em especial aos art. 467 e 471 do CPC, verbis: Art. 467. Denominase coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário. Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: A análise ampla do tema feita pelo eminente Relator revela que o acórdão buscou não só tratar da mitigação da coisa julgada feita por lei (abordagem das alterações legislativas posteriores, no caso da Lei nº 7.689/88), mas também por decisão judicial (abordagem da jurisprudência posterior do STF em sentido contrário à coisa julgada). Para elucidar a situação, lembro que a antiga Lei de Introdução ao Código Civil (atual Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – Decreto nº 4.657/42, na redação dada pela Lei nº12.376/2010) já prescrevia, no §3º do art. 6º, o dever da Lei nova respeitar a coisa julgada, verbis: Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. (Redação dada pela Lei nº 3.238, de 1957) § 3º Chamase coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso. (Incluído pela Lei nº 3.238, de 1957) A mesma disposição, constante do art. 5º, XXXVI, da CF/88, revela, mais uma vez preocupação do nosso Ordenamento em preservar a coisa julgada em face de lei nova. Art. 5º. ... XXXVI a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; A questão da mitigação da coisa julgada por Lei posterior foi tratada pelo acórdão, ao efetuar a análise das leis posteriores à Lei nº 7.689/88, em especial pela remissão ao voto da eminente Min. Eliana Calmon no REsp nº 731.250/PE, apontado como paradigma no recurso especial. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 459 31 Mas, para além disso, também fez o acórdão a análise de violação da coisa julgada por decisão judicial, e neste ponto se situa, a meu ver, a análise de que um juiz ou um tribunal não podem reconhecer a quebra da coisa julgada tendo por base um julgado posterior do STF em sentido contrário, sem que isso represente violação aos art. 467 e 471 do CPC. Com respeito à conclusão quanto à manifestação posterior do STF em sentido oposto cuidada no REsp, entendo, como afirmei acima, da leitura do acórdão do STJ, que pode se referir tanto ao controle concentrado quanto ao controle difuso, e a mera condição de constar do rol de conclusões do acórdão já basta para sua vinculação ao julgamento administrativo, nos termos do art. 62A do RICARF. Faço apenas esta breve consideração, porquanto a dicção do Parecer PGFN nº 492/2011 é no sentido de que eventual decisão posterior do STF em sentido contrário à res judicata, ainda que em controle difuso, em processo do qual o contribuinte por ela protegido não faça parte, e mesmo sem que haja posterior resolução do Senado, se confirmada posteriormente por outras decisões tomadas pelo plenário do STF, é hábil para que se aniquilem os efeitos da decisão judicial alberga pela coisa julgada. O acórdão não abordou a possibilidade de quebra da autoridade da coisa julgada e da eficácia de decisão judicial por ato administrativo (auto de infração) que tenha como suporte de direito decisão do STF em sentido contrário e posterior à res judicata, porque, já em adiantado estágio aquele processo judicial, cuidavase de apreciar a quebra da coisa julgada pelo TRF/1ª Região, ao manter o ato administrativo que primeiramente a ofendeu. Tal questão apreciarei adiante, mas por ora cumpre dizer que, nos termos da delimitação feita pelo Parecer PGFN nº 975/2011, resta aí alguma matéria que é tratada no Parecer PGFN nº 492/2011 e que não é cuidada no acórdão do STJ. Todavia, a questão relativa à modificação de situação de direito por decisão do STF como mote hábil para per se cassar a autoridade de coisa julgada e desconsiderar, assim, efeitos da decisão por ela protegida, o foi, não só porque apreciado e disposto na ementa do acórdão, mas porque o acórdão efetivamente apreciou e decidiu que a quebra naquele caso resultava em violação ao art. 471 do CPC, como se infere do pedido e da decisão tomada pelo colegiado. EMENTA CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme Fl. 474DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 32 concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestou se, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ.(grifo nosso) Fl. 475DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 460 33 O Parecer PGFN nº 975/2011 afirma que o Parecer PGFN nº 492/2011 trata da possibilidade de cessação da eficácia prospectiva de decisão transitada em julgado. Assim, a contrario sensu, não haveria divergência entre ele e a posição firmada no Resp 1118893MG, porquanto a posição do STJ se limitaria tão somente a rechaçar a cessação da eficácia retroativa de decisão transitada em julgado. Vejamse as passagens: 15. Por outro lado, o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011 trata, além de outras questões, sobre a possibilidade de precedente objetivo e definitivo do STF constituir instrumento hábil a fazer cessar, prospectivamente, a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhes forem contrárias. 16. Nessa linha de entendimento, não há que se falar em divergência entre o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011 e a posição firmada pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.118.893MG quanto ao alcance da ADI nº 152/DF, pois, em momento algum, tal Parecer defende a cessação de eficácia retroativa de decisão judicial transitada em julgado, que, se assim fosse, colidiria com o entendimento exarado no REsp nº 1.118.893MG, mas, na verdade, sustenta a cessação de eficácia de forma exclusivamente prospectiva. 17. Explicase: defende o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011 que o contribuinte que tiver, a seu favor, decisão judicial transitada em julgado em que foi declarada a inconstitucionalidade de tributo e, em momento posterior, o STF manifestarse pela constitucionalidade da exação, a Administração Tributária Federal poderá cobrar o tributo em relação aos fatos geradores ocorridos após o trânsito em julgado da decisão do STF. Nunca em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente! A conclusão pela inexistência de colisão entre o Parecer PGFN nº 492/2011 e o acórdão do STJ no REsp nº 1118893/MG merece reparo. Embora citando uma decisão posterior do STF (proferida na ADI nº 152) à res judicata, e mesmo doutrina que cuida do efeito retrospectivo de decisão do STF em sentido contrário, o acórdão do STJ conclui pela impossibilidade de um tribunal acolher pedido para afastar a eficácia da decisão judicial transitada em julgado com base em uma decisão posterior do STF. Mas isto não autoriza inferir que limitouse ao denominado efeito retrospectivo, pelo qual uma decisão do STF incidiria sobre a coisa julgada anterior, atingindo fatos geradores anteriores à sua própria prolação. Isto porque a situação daqueles autos propiciava a segregação da conclusão para disciplinar diversamente efeito prospectivo e efeito retrospectivo da cessação de eficácia, vez que os fatos geradores ali tratados eram anteriores à prolação do acórdão na ADI nº152. Ou mesmo, simplesmente, a delimitar o julgado ao efeito retrospectivo. Mas ela não foi feita, nem no voto condutor, nem na ementa do acórdão. Vejamos o texto da ementa: 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 34 Enfim, não vejo a limitação alegada no Parecer PGFN nº 975/2011 para aplicação do acórdão proferido no REsp nº 111.8893/MG tão somente ao mencionado efeito retrospectivo. Se o Parecer PGFN nº 492/2011 limitouse a disciplinar situações no âmbito prospectivo, não é verdade, de outro lado, que o acórdão do STJ também se limitou a disciplinar situações no âmbito retrospectivo, porque seu texto não faz esta limitação. Há uma razão lógica para o Parecer PGFN nº 492/2011 ter cuidado tão somente do efeito prospectivo, e ela reside no limite imposto pelo art. 146 do CTN, uma vez que se destina a regrar comportamentos das autoridades administrativas. Por sua vez, o acórdão do STJ cuida da violação aos art. 467 e 471 do CPC, que podem ocorrer tanto prospectivamente quanto retrospectivamente, embora se praticado com efeitos retrospectivos, o auto de infração não estará amparado pelo Parecer PGFN nº 492/2011. Pouco importa na análise da violação aos referidos artigos da lei processual, se a violação à coisa julgada se deu com efeito prospectivo ou com efeito retrospectivo. A questão ali posta é meramente a violação à coisa julgada. E ela sempre será posta, neste âmbito, por meio de uma contestação a um auto de infração lançado em ofensa à coisa julgada, tendo por fundamento de validade uma decisão posterior e em sentido contrário do STF ou uma lei posterior. Decerto que poderá haver ainda apreciação do STF quanto ao seu poder qualitativo de aniquilar a coisa julgada mediante decisão tomada pelo plenário em controle difuso ou concentrado, com efeitos prospectivos. Todavia, isto não autoriza inferir que o STJ tenha passado ao largo desta questão no Resp nº 111.8893MG. Reescrevo o trecho do acórdão, para maior elucidação: Outrossim, o fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade à própria existência do controle difuso de constitucionalidade, fragilizando, sobremodo, a res judicata, com imensurável repercussão negativa no seio social. A análise do STJ é feita com base na lei processual e a posição adotada busca consonância com o direito posto e com nossa positivação da coisa julgada, pela qual uma decisão transitada em julgado passa a ser imutável, salvo se, em hipóteses muito específicas (como no caso de ação rescisória, ou de revisão do julgado, se houver modificação no estado de fato ou de direito, para relação jurídica continuativa) puder a coisa julgada ser revista por outro magistrado. Tal situação difere daquela – defendida no Parecer PGFN nº 492/2011 – pela qual mero acórdão do STF, seja em controle concentrado (com apreciação de questão abstrata) ou em controle difuso (em que apenas a Fazenda permanece como parte comum) que decida de forma diversa, seja hábil, nas situações aventadas, para per se cassar a coisa julgada. Assim, devo rechaçar parcialmente as conclusões do Parecer PGFN nº 975/2011 para reconhecer coincidência temática e conclusão distinta entre o Parecer PGFN nº 492/2011 e o acórdão proferido no REsp nº 111.8893/MG, motivo pelo qual a opção de um implica o abandono de outro. d) Modificação na situação de direito Fl. 477DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 461 35 Entendo que, seja no controle difuso seja no concentrado, a decisão do STF que acolhe a constitucionalidade da Lei nº 7.689/88 pode vir a ser considerada como uma modificação no estado de direito, relativamente à questio decidida e albergada pela coisa julgada. Todavia, não há dispositivo legal positivado que faça ponte entre o quanto se dispõe num acórdão do STF em controle difuso ou concentrado e uma decisão judicial estabilizada pela coisa julgada, exceto pelas trilhas determinadas nas disposições legais vigentes, que não eximem a questio pacificada de um novo e específico exame judicial, se for este ainda cabível. No caso do controle concentrado, o dispositivo ulterior é incongruente com aquele relativo à coisa julgada anterior. Tratamse de dispositivos que estabelecem relações jurídicas distintas. Na coisa julgada anterior, declarouse inexistência de relação jurídica entre as partes, tendo a declaração de inconstitucionalidade sido decidida como questão incidental, fundamental para a motivação, mas que, nos termos do art. 469, I, do CPC não faz coisa julgada, verbis: Art. 469. Não fazem coisa julgada: I os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; Il a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença; III a apreciação da questão prejudicial, decidida incidentemente no processo. Já no caso da decisão proferida na ADI nº 152 o dispositivo declara tão somente a inconstitucionalidade dos art. 8º e 9º da Lei nº 7.689/88, julgando improcedentes os demais pedidos formulados (entre os quais o de que fosse a Lei julgada integralmente inconstitucional). Assim, em outras palavras, julga constitucional os demais dispositivos da Lei, verbis: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu da ação direta e julgoua parcialmente procedente para declarar a inconstitucionalidade dos artigos 8º e 9º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, julgando, no mais, improcedentes os pedidos formulados. Votou o Presidente. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa e a Senhora Ministra Cármen Lúcia e, neste julgamento, a Senhora Ministra Ellen Gracie (Presidente). Presidiu o julgamento o Senhor Ministro Gilmar Mendes (VicePresidente). Plenário, 14.06.2007. De se ver que a questão da inexistência de relação jurídica entre contribuinte e Fazenda que embora tenha por motivação a declaração incidental de inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88, anteriormente decidida não resta atingida por esta decisão do STF, ainda que ela valha erga omnes. A novel decisão do STF, para partes sujeitas à decisão judicial anterior, ainda então com eficácia de Lei inter partes, pode ser vista tão somente uma modificação na situação Fl. 478DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 36 de direito, que deverá ser alegada como causa de pedir para que se requeira a modificação da sentença anteriormente proferida em favor do contribuinte. Nada mais. No caso de controle difuso, não se seguem muitas variações, exceto pelo fato de que o contribuinte, alheio ao processo do qual não foi parte nem pôde se defender adequadamente, sequer tem conhecimento dela e sequer a ela se vincula. A modificação de jurisprudência experimentada pela suprema Corte, todavia, também nesta hipótese, pode ser considerada uma modificação na situação de direito, que também poderá ser alegada como causa de pedir. e) Súmula STF nº 239 O acórdão do STJ também analisa a limitação da Súmula STF nº 239 para a situação, como a daqueles autos, em que foi declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, situação em que não há falar na restrição em tela. Vejase: SÚMULA Nº 239 Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores. Para fundamentação do afastamento da Súmula 239 relembra o votocondutor que o verbete, datado de 1963 teve como um de seus precedentes o voto vencedor do Ministro Castro Nunes, nos autos dos Embargos no Agravo de Petição nº 11.227, que assim se manifestara à época: O que é possível dizer, sem sair, aliás, dos princípios que governam a coisa julgada, é que esta se terá de limitar aos têrmos da controvérsia. Se o objeto da questão é um dado lançamento que se houve por nulo em certo exercício, claro que a renovação do lançamento no exercício seguinte não estará obstada pelo julgado. É a lição dos expositores acima citados. Do mesmo modo, para exemplificar com outra hipótese que não precludirá nova controvérsia: a prescrição do impôsto referente a um dado exercício, que estará prescrito, e assim terá sido julgado, sem que, todavia, a administração fiscal fique impedida de lançar o mesmo em períodos subseqüentes, que não estarão prescritos nem terão sido objeto do litígio anterior. Mas se os tribunais estatuíram sôbre o impôsto em si mesmo, se o declararam indevido, se isentaram o contribuinte por interpretação da lei, ou de cláusula contratual, se houveram o tributo por ilegítimo, porque não assente em lei a sua criação ou por inconstitucional a lei que o criou em qualquer dêsses casos o pronunciamento judicial poderá ser rescindido pelos meios próprios, mas enquanto subsistir será um obstáculo à cobrança, que, admitida sob a razão especiona de que a soma exigida é diversa, importaria praticamente em suprimir a garantia jurisdicional do contribuinte que teria tido, ganhando à demanda a que o arrastara o Fisco, uma verdadeira vitória de Pirro. A ementa do acórdão citado assim ficou redigida: Fl. 479DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 462 37 Executivo fiscal – Impôsto de renda sobre juros de apólices – Coisa julgada em matéria fiscal. É admissível em executivo fiscal a defesa fundada em "coisa julgada" para ser apreciada pela sentença final. Não alcança os efeitos da coisa julgada em matéria fiscal, o pronunciamento judicial sôbre nulidade do lançamento do impôsto ou da sua prescrição referente a um determinado exercício, que não obsta o procedimento fiscal nos exercícios subseqüentes. (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45) Vale lembrar que a posição tomada pelo STJ diante da aplicação da Súmula nº 239/STF é referendada pela doutrina majoritária, que já em diversas manifestações, demonstrou que a referida súmula não se aplica às situações em que a Lei que cria o tributo é declarada inconstitucional, ainda que incidenter tantum. Neste sentido, lembro a reflexão autorizada de Tércio Sampaio Ferraz Júnior (Coisa julgada em matéria tributária e as alterações sofridas pela legislação da contribuição social sobre o lucro (Lei n.7.689/88). Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, vol. 125, pp.7291, fev.2006, p.8182): Essas posições jurisprudenciais, contudo, não são de interpretação absoluta e uniformemente literais. Acompanhando, de certo modo, a própria doutrina, o STF pronunciouse, ao dar provimento ao RE 93.048SP, delimitando o alcance da própria Súmula 239. Na ementa lêse: “Não incidência. Coisa julgada. Súmula 239 (interpretação restritiva). Inaplicação da Súmula 239 à hipótese, dado que o reconhecimento da inexistência do débito tributário, ajuizado pelas mesmas partes, e declarada inconstitucional faz coisa julgada material”. O Min. Rafael Mayer, relator, conforme destaca Ruy Barbosa Nogueira (Direito Tributário Atual, vol.4, 1984, p.605), em seu voto vencedor, esclareceu nesse sentido, que a referida súmula não se aplica a casos em que “a decisão se coloca no plano da relação de Direito Tributário material para dizer inexistente a pretensão fiscal do sujeito ativo, por inexistência da fonte legal da relação jurídica que obrigou o sujeito passivo, então não é possível renovar a cada exercício o lançamento e a cobrança do tributo, pois não há precedente vinculação substancial. A coisa julgada que daí decorre é inatingível e nova relações jurídicotributárias só poderiam advir da mudança dos termos da relação pelo advento de uma norma jurídica nova com as suas novas condicionantes.” (RTJ 99/418) Notase que as dificuldades tanto da doutrina quanto da jurisprudência estão, como dizia Rubens Gomes de Sousa, no mencionado texto, em que se encontrar entre soluções extremas um “temperamento”. A nosso ver, o problema colocase da seguinte maneira: a) não se nega a coisa julgada em matéria fiscal, por outra razão não fosse que por seu caráter constitucional irrestrito; b) quando aplicada, porém, gera uma dificuldade, cujo cerne está numa razoável compreensão dos seus limites objetivos; Fl. 480DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 38 c) assim, quando referida a tributos, como o imposto de renda, que são cobrados por períodos certos de tempo, dando lugar a lançamentos periódicos, geralmente com a duração de um ano, a tendência parece ser a de se aceitar uma limitação temporal do alcance; d) contudo, a regra da Súmula 239 exige “temperamento” e a questão de se encontrar uma clara delimitação do decisum para efeito da coisa julgada tornase problemática, se observarmos que, em matéria fiscal, o objeto da demanda, sejam os tributos direitos ou indiretos, não é apenas a prestação devida, mas pode ser também uma situação jurídica concreta decorrente de aplicação de lei, por exemplo, declarada incidentalmente inconstitucional ou a ilegalidade de uma cobrança. (grifo nosso) Na mesma linha, ressaltando os ensinamentos de Celso Neves, Ruy Barbosa Nogueira, e Lúcia Valle Figueiredo, André Luiz Santa Cruz Ramos (O problema da limitação temporal dos efeitos da coisa julgada em matéria tributária. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, vol. 113, pp.1730, fev.2005, p.2224) afirma: Há muitos anos, em brilhante parecer, o professor Celso Neves já alertava para a necessidade de esclarecimentos alguns pontos referentes à aplicabilidade da Súmula nº 239 do STF. Como ele bem explica, o entendimento jurisprudencial consagrado nesta súmula só se aplica “quando expressamente se refere a cobrança indevida em determinado exercício”, ou seja, “circunscrita a lide ao indébito referente a determinado exercício, a coisa julgada não o transcende, por força do próprio princípio da congruência entre o pedido e a decisão”. Em alguns casos, porém, ressalta o professor Celso Neves, a própria declaração se reveste da autoridade da coisa julgada, em vez de se ater a repelir certos lançamentos, referentes a determinados exercícios. Não menos brilhante é a advertência feita por Ruy Barbosa Nogueira: “Imaginese ainda do ponto de vista prático, em um país como o Brasil, onde os maiores impostos são os continuativos ou de autolançamento, se cada contribuinte tivesse que impetrar mandado de segurança, propor ação ou ser demandado em cada ato a ser praticado, ou continuado, como ficariam os tribunais sufocados em atos repetitivos ou de rotina”. Também aponta José Maria Tesheiner que outros autores, como Lúcia Valle Figueiredo, também criticam o enunciado da súmula em comento, afirmando a necessidade de que, sobretudo nas hipóteses de isenção, imunidade e inconstitucionalidade, não se restrinja a sentença a decidir um único fato, para um mês, ou um exercício. Apenas no que se refere aos lançamentos, pois, é que os efeitos da coisa julgada tributária são limitados no tempo, restringindose ao que foi objeto do litígio. Em contrapartida, quando a demanda ataca não o lançamento, mas o imposto em si mesmo, os efeitos da coisa julgada tributária se projetam para os períodos subseqüentes. É esse o entendimento prevalecente nos precedentes que deram origem à Súmula nº 239 do STF, e assim que deve ser ela interpretada. Uma interpretação diferente só se justifica, como bem destaca Leonardo Greco, pela “esdrúxula autonomia” que os enunciados sumulares têm adquirido em relação aos seus precedentes, “tornandose verdadeiras normas genéricas e abstratas semelhantes às emanadas pelo Poder Legislativo”. (grifos nossos) Assim, arrematando a questão relativa à Súmula, que não se aplica em caso de declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, aduz o acórdão do STJ que em se tratando de ação declaratória, pela qual apenas se dá certeza oficial sobre a relação deduzida em juízo, não tendo nenhum outro efeito específico, seria absurdo que ela somente se Fl. 481DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 463 39 referisse a um limitado exercício, liberando o sujeito ativo para cobrar tributos nos subseqüentes. A decisão revela que somente é aplicável a Súmula STF nº 239 se a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na referida restrição. f) Coisa julgada e eficácia da sentença judicial Nos termos do relatório (fl.4/23), o eminente relator, Min. Arnaldo Esteves Lima, menciona que a Fazenda defendia que “a coisa julgada não impede que lei nova passe a reger diferentemente os fatos ocorridos a partir de sua vigência, por ser a relação jurídico tributária de caráter continuativo” A alegação se fundava no art. 471, I, do CPC (abaixo transcrito) pois sendo a relação jurídicotributária de trato sucessivo, segundo parte da doutrina, não faria coisa julgada9. Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: I se, tratandose de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito; caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; A bem da verdade, a questão é controversa e não é unânime a afirmação de que não há coisa julgada nas relações de trato sucessivo. Sobre o tema, Luiz Guilherme Pennacchi Dellore10 afirma, v.g., que não há falar em coisa julgada capaz de obstar o julgamento de uma segunda demanda se não houver identidade de ações. E como o próprio art. 471,I, do CPC admite a revisão do estatuído se houver modificação no estado de fato ou de direito, admite, pois, revisão por nova causa de pedir, e desta forma, não há a necessária tríplice identidade. Desta forma, o dispositivo não afastaria a formação da coisa julgada; ao contrário, reforça o entendimento de que se forma a res judicata mesmo nas relações jurídicas continuativas, sendo que a segunda ação terá por finalidade modificar a relação jurídica estipulada pela primeira sentença e não a relação jurídica originária. Contudo, vejase que ainda que se admita a inexistência de coisa julgada nas relações jurídicas continuadas, como são aquelas que regem a cobrança do IRPJ e da CSLL, em hipótese alguma há falar em inexistência de eficácia da primeira sentença, que somente perderia eficácia a partir do início da eficácia da segunda sentença. 9 Consoante Luiz Guilherme Penacchi Dellore esta é a posição de Vicente Greco Filho, para quem "por razões da natureza das relações jurídicas discutidas, não fazem, também, coisa julgada material: (...) IV as sentenças, em geral, proferidas em casos de relações jurídicas continuativas, quando sobrevém modificação no estado de fato ou de direito, caso em que a parte pode pedir a revisão do que foi estatuído na sentença (art. 471, I)." (Direito processual brasileiro, v.2, p.250) apud DELLORE, Luiz Guilherme Penacchi. Das Sentenças Definitivas que não são cobertas pela coisa julgada no direito processual civil brasileiro. Dissertação de Mestrado. São Paulo, 2006, Universidade de São Paulo. 10 DELLORE, L.G.P. Op.Cit., p.126127. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 40 A distinção entre autoridade da coisa julgada e eficácia da sentença foi brilhantemente defendida por Enrico Túlio Liebman na sua clássica obra Eficácia e Autoridade da Sentença. Nela, o mestre italiano que tanto influenciou nossa doutrina processual civil, e mesmo o anteprojeto Buzaid, que mesmo após várias alterações, ao se transformar no código de processo brasileiro de 1973 manteve muitas dessas influências – expôs sua distinção, tendo se consagrado a coisa julgada como uma forma elíptica de denominarse a autoridade da coisa julgada, pela qual ficaria um juiz, com os mesmos poderes e a jurisdição de um juiz anterior, impedido de conhecer de uma lide já decidida por aquele outro. Já, no que tange ao conteúdo e aos efeitos das sentenças, estas se classificariam em declaratórias, constitutivas e condenatórias. No ensino de Liebman11, Uma coisa é distinguir os efeitos da sentença segundo sua natureza declaratória ou constitutiva, outra é verificar se eles se produzem de modo mais ou menos perene e imutável. De fato, todos os efeitos possíveis da sentença (declaratório, constitutivo, executório) podem, de igual modo, imaginarse pelo menos em sentido puramente hipotético, produzidos independentemente da autoridade da coisa julgada, sem que por isso se lhe desnature a essência. A coisa julgada é qualquer coisa que se ajunta para aumentarlhes a estabilidade, e isso vale igualmente para todos os efeitos possíveis das sentenças. Identificar a declaração produzida pela sentença com a coisa julgada significa, portanto, confundir o efeito com um elemento novo que o qualifica. No mesmo diapasão, em trecho posterior, acolhendo o ensino de Carnelutti, afirma o mestre que12 Não se pode, pois, duvidar de que a eficácia da sentença se possa e deve distinguir da autoridade da coisa julgada; e nesse sentido é certamente de acolher a distinção formulada por CARNELUTTI entre imperatividade e imutabilidade da sentença; porque é esta imperativa e produz todos os seus efeitos ainda antes e independentemente do fato da sua passagem em julgado. Não há como negar, das lições acima, perfeitamente acolhidas por nosso Ordenamento, que a questão da imutabilidade da decisão, ou autoridade da coisa julgada é assunto para magistrados dotados de jurisdição, jamais podendose nela imiscuir autoridades administrativas, a quem cumpre observar fielmente a eficácia da decisão jurisdicional (efeito da decisão) até que venha ela a ser modificada, se o for, por outra autoridade jurisdicional no exercício de sua jurisdição. Qualquer comportamento diverso da autoridade administrativa importará em desobediência da norma individual e concreta produzida e com eficácia plena. Frisando tal conclusão, aduz Liebman, ainda, acerca da eficácia da sentença13 11 LIEBMAN, Enrico Tulio. Eficácia e autoridade da sentença e outros escritos sobre a coisa julgada (com aditamentos relativos ao direito brasileiro). Tradução de Alfredo Buzaid e Benvindo Aires. Tradução dos textos posteriores à edição de 1945 e notas relativas ao direito brasileiro vigente de Ada Pellegrini Grinover. 2ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1981, p.1920. 12 LIBEMANN, E.T. Op. Cit., p.46. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 464 41 Não há uma declaração que se dirija a uma pessoa, de preferência a outra determinada, e nem mesmo tantas declarações quantas são as pessoas obrigadas a sujeitarse a elas, mas um só ato que, emanado do órgão ao qual confiou a lei o poder de dizer soberanamente e com valor normativo qual seja, em caso, a sua vontade concreta, tem eficácia igual e não diferenciável para todos no âmbito do ordenamento jurídico. Também os juízes lhe estão sujeitos; não porém, de modo diverso de qualquer outro, e de todo em todo independentemente da coisa julgada; acontece apenas que, estando sempre e sem limitação investidos do poder jurisdicional dentro da esfera da própria competência, poderiam – malgrado a obrigatoriedade da precedente declaração – pronunciar em processo novo uma segunda sentença eventualmente contraditória. Para evitálo, serve a coisa julgada, pela qual dispõe a lei que o efeito produzido por uma sentença permanecerá irrevogavelmente adquirido. Mas isso não é – o que se deve pôr bem claro desde já – um efeito diverso e distinto, porém tãosó uma qualidade do próprio efeito. ... Foi somente esta estranha idéia da coisa julgada como vínculo dos juízes que pôde fazer sustentar que a sentença e a coisa julgada valessem só num futuro processo civil e não nas mil outras contingências da vida, em que pode ser necessário conhecer como é regulada pela lei determinada relação. Consoante o escólio de Liebman, ainda atualíssimo em face da nossa legislação processual, a coisa julgada seria a definitividade da decisão, enquanto que a eficácia dos efeitos da sentença, vista como um comando, seria sua imperatividade. A sentença, assim, vale como comando, contendo a formulação autoritativa duma vontade de conteúdo imperativo. Distinto disto é sua imutabilidade (ou a autoridade de sua coisa julgada), cujo poder de mutação é restrito a um círculo de juízes. Não é diferente o que dispõe nossa lei processual, nos termos dos art. 467 e 468 do CPC (embora, como tenha bem lembrado Ada Pellegrini Grinover nas notas ao texto do jurista italiano, a redação do art. 467 tenhase distanciado do conceito original proposto, conforme amplamente aceito pela doutrina): Art. 467. Denominase coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário. Art. 468. A sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas.(grifos nossos) Como decorrência desta tomada de posição a coisa julgada deve ser observada pelas partes litigantes (limites subjetivos da coisa julgada), enquanto que a eficácia 13 Idem.Ibidem, p. 42. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 42 da sentença atinge a todos, que ficam sujeitos a observála. E desta forma, colhendo o ensinamento para o caso prático, temse que a decisão transitada em julgado em desfavor da Fazenda Nacional obrigaa, bem como a seus agentes, a observar a coisa julgada e a eficácia da sentença, sob pena de se negar eficácia ao art. 468 do CPC e à sentença legitimamente proferida e transitada em julgado. Quanto à desnecessidade de norma que cuide expressamente da eficácia geral da sentença, entende Liebman14 que A eficácia geral da sentença decorre tão singela e naturalmente do caráter público universalmente reconhecido à administração da justiça, que não há necessidade de nenhuma norma especial que expressamente a sancione. Em vez disso, seria necessária uma disposição explícita contrária para sermos obrigados a considerar diversamente; mas não existe disposição restritiva nesse sentido, como não existe princípio geral de que se possa deduzir intenção análoga da lei. Por certo, seria errôneo pretender inferir uma limitação subjetiva dos efeitos da sentença da limitação subjetiva da autoridade da coisa julgada, o que suporia demonstrada a identidade da eficácia e da autoridade da sentença, que são, pelo contrário, coisas absolutamente distintas. Nem mesmo o próprio legislador, para Liebman, escaparia dos limites impostos à coisa julgada, pois não poderia mudar a normação concreta da relação, a qual vem estabelecida para sempre pela autoridade da coisa julgada. Acaso o fizesse e somente de modo expresso o poderia fazer isso a nova lei teria como significação a abrogação implícita – na medida correspondente – da norma que sancionou o princípio da autoridade da coisa julgada. 15 De relance, lembrese que o princípio, em nosso direito, vem prescrito na própria constituição, com desdobramentos na lei de introdução às normas brasileiras e no código de processo civil, o que exigiria fosse feito, caso se pudesse fazêlo (isto porque, nos termos do art. 60, §4º, IV, da CF/88, tal matéria não pode se objeto de emenda constitucional), por emenda à constituição. A doutrina coligida no acórdão proferido pelo STJ segue no mesmo sentido, tendo o relator trazido à colação o ensinamento de Eduardo Talamini (Coisa julgada e sua revisão. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2005, p.30): A coisa julgada material pode ser configurada como uma qualidade de que se reveste a sentença de cognição exauriente de mérito transitada em julgado, qualidade essa consistente na imutabilidade do conteúdo do comando sentencial. g) Análise da superveniência de leis posteriores à Lei nº 7.689/88 O acórdão também aprecia a alegação de que a legislação ulterior à Lei nº 7.689/88 não alterou de forma substancial a CSLL e que a decisão recorrida contraria os art. 467 e 471 do CPC, verbis: 14 Idem, ibidem, p.126. 15 Idem.Ibidem, p.54. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 465 43 Art. 467. Denominase coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário. Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: O votocondutor do acórdão do STJ remetese à tese já conduzida à apreciação do Tribunal nos autos do Resp 731.250/PE (Rel. Min. Eliana Calmon, 2ª Turma, DJ 30/407), apontado como paradigma, oportunidade em que se decidiu que as alterações veiculadas pelos diplomas posteriores (Lei 7856/89, 8.034/90, 8.212/91, 8.383/91 e LC 70/91) não revogaram a disciplina da CSLL, que continuou a ser cobrada em sua forma primitiva. Neste acórdão, restou decidido que 2. A coisa julgada afastando a cobrança do tributo produz efeitos até que sobrevenha legislação a estabelecer nova relação jurídicotributária. ... 4. As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material. Adotase no REsp nº 1118893/MG (fl. 16/23) alguns fundamentos utilizados no acórdão mencionado, a saber: As referidas leis tão somente modificaram a alíquota e a base de cálculo da exação e dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não tiveram o condão de estabelecer uma nova relação jurídicotributária entre o Fisco e a executada, fora dos limites da coisa julgada. De relance, para que não passe despercebido, vale ressaltar que a conclusão adotada pela eminente Ministra, no sentido de que mudança na base de cálculo da exação não estabelece nova relação jurídicotributária não colide com a denominada tipologia bimembre dos tributos em nosso direito tributário, que, nas palavras de Paulo de Barros Carvalho16 seria composta pela conjugação da base de cálculo e hipótese de incidência, verbis: Introduzimos uma noção de induvidosa operatividade, para a qual convocamos todas as atenções: havendo desencontro entre os termos do binômio (hipótese de incidência e base de cálculo), a base é que deve prevalecer. Por isso tem o condão de infirmar o critério material oferecido no texto, que será substituído por aqueloutro que percebemos medido. Isto porque, a uma, não é qualquer aspecto da base de cálculo que tem interferência na possível classificação que o tributo venha a ostentar. A base de cálculo possui, 16 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2000, p.328. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 44 em seu entender, três funções distintas: a) medir as proporções reais do fato; b) compor a específica determinação da dívida; c) confirmar, infirmar ou afirmar o verdadeiro critério material da descrição contida no antecedente da norma. Todavia, para infirmar o critério material, há de haver alteração substancial que importe reconhecer hipótese de incidência distinta. A duas, porque para parte significativa da doutrina, sequer a base de cálculo teria esse condão classificador, responsável por distinguir a espécie tributária, como Geraldo Ataliba17, para quem é na hipótese de incidência que se encontra o verdadeiro critério classificador: 52.1 Por isso, na própria lei tributária – situado em posição essencial e nuclear – haverá de ser encontrado o elemento decisivo de classificação. Efetivamente, este está na h.i., mais precisamente, no seu aspecto material. 52.2 É a materialidade do conceito do fato, descrito hipoteticamente pela h.i. que fornece o critério para classificação das espécies tributárias. 52.3 O principal e decisivo caráter diferencial entre as espécies tributária está na conformação ou configuração e consistência do aspecto material da hipótese de incidência. 52.4 Conforme, pois, a consistência do aspecto material da h.i., será possível reconhecer as espécies de tributos. De se ver que mera alteração na base de cálculo, inserindo aqui uma rubrica, excluindo ali outra, não tem o condão de infirmar o critério material da hipótese de incidência, que permanecerá não abalada. Continuase a cuidar do mesmo tributo e da mesma relação jurídicotributária. Menciona o relator, também, o acórdão proferido também pelo STJ nos embargos de divergência (EResp) nº 731.250/PE (Rel. Min. José Delgado), opostos contra o AgRg no Ag 661.289/MG (precedente em sentido contrário), aos quais a Primeira Seção negou provimento. O acórdão que decidiu sobre os embargos tomou como razões de decidir o quanto segue: a) o acórdão embargado está fundado em precisa análise da natureza das leis que sucessivamente foram editadas, concluindo pela identidade das condições legitimadoras da exigência do tributo em referência, como se demonstra: As referidas leis tãosomente modificaram a alíquota e a base de cálculo da exação e dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não tiveram o condão de estabelecer uma nova relação jurídicotributária entre o Fisco e a executada, fora dos limites da coisa julgada. Por isso, está impedido o Fisco cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material. b) também o acórdão proferido em apelação, confirmado pelo julgado ora embargado, consignou com expressa clareza a essência da fundamentação adotada (fl. 62): A meu ver, tratase da mesma contribuição que foi julgada inconstitucional pela decisão deste Tribunal. Então, dessa maneira, entendo que somente com ação rescisória, se tivesse sido proposta a ação rescisória para desconstituir, em parte, o 17 ATALIBA, Geraldo. Hipótese de incidência tributária. 6ª edição. São Paulo: Malheiros, 2001, p.130. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 466 45 acórdão, para limitar aquele exercício de 1989 é que se poderia entender inaplicável o acórdão às situações posteriores. c) nesse contexto, o não pagamento da CSLL não se consubstancia em ilegalidade, porquanto autorizado pela coisa julgada; d) o acórdão paradigma (AgRg no Ag 661.289/MG, DJ 1010/2005, de minha relatoria), embora tenha examinado tema semelhante, está fundado na jurisprudência então existente (2005), havendo inclusive aplicado a Súmula 83 deste Superior Tribunal de Justiça, ao litígio. 3. Destarte, no caso em apreciação, como antes demonstrado, o acórdão embargado está amparado em fundamento diverso, no sentido de que, para além da mera alteração de expressões nas diferentes legislações que regularam a CSLL, ou mesmo das alíquotas praticadas, não houve real mutação dos critérios, pressupostos e condições que já havia sido objeto de expressa declaração de inconstitucionalidade. 4. Embargos de divergência conhecidos e nãoprovidos. (Rel. Min. JOSÉ DELGADO, Primeira Seção, DJe 16/6/08) (grifo nosso) Percebese, assim, que a posição do Tribunal é a de somente admitir os efeitos da nova lei se houver mudança na relação jurídicotributária. Em caso contrário, somente mediante ação rescisória fica admitida tal possibilidade. Verificase, novamente, que esta posição está completamente desalinhada com a posição adotada no Parecer PGFN nº 492/2011 que admite que até mesmo decisão em controle difuso tomada pelo plenário e reiterada possa alterar a situação fática, autorizando – independentemente de ação rescisória – a manutenção do lançamento. Com relação à ofensa aos art. 467 e 471, caput, do CPC, o acórdão conclui pela sua ocorrência no caso em tela, verbis: Diante do fato de que o diploma legal em tela não foi revogado, mas tão somente alteradas, ao longo dos anos, alíquota e base de cálculo da CSLL, principalmente no tocante ao indexador monetário, permanecendo incólume a regra padrão de incidência, não há como deixar de reconhecer a ofensa à coisa julgada e, em consequência, aos arts. 467 e 471, caput, do CPC, pelo acórdão que permite a cobrança da referida contribuição (grifo nosso) h) O Parecer PGFN nº 492/2011 Paralelamente à publicação do acórdão proferido pelo STJ no Resp nº 111.8893MG, foi editado o Parecer da PGFN nº 492/2011, o qual foi aprovado pelo Sr. Ministro da Fazenda, sendo, assim, de observação também obrigatória, nos termos do art. 42 c/c art. 13, ambos da Lei Complementar nº 73/95, pelos órgãos autônomos e entidades vinculadas. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 46 Digno de nota é que referido parecer, embora forjado em elegante linguagem, e respaldado em vários estudos, expostos em riqueza de detalhes, chega, todavia, a conclusões com as quais não podemos concordar. No referido Parecer, estabelecese que: (i) a alteração nos suportes fático ou jurídico existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de relações jurídicas tributárias continuativas faz cessar, dali para frente, a eficácia vinculante dela emergente em razão do seu trânsito em julgado; (ii) possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente,, precisamente por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e sejam confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. (iii) o advento de precedente objetivo e definitivo do STF configura circunstância jurídica nova apta a fazer cessar a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhe forem contrárias; (iii) como a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado é automática, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da constitucionalidade da lei tributária, o Fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores ocorridos daí para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; por outro lado, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da inconstitucionalidade da lei tributária, o contribuinte autor deixa de estar obrigado ao recolhimento do tributo, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; (iv) em regra, o termo a quo para o exercício do direito conferido ao contribuinteautor de deixar de pagar o tributo antes tido por constitucional pela coisa julgada, ou conferido ao Fisco de voltar a cobrar o tributo antes tido por inconstitucional pela coisa julgada, é a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF. Excepcionase essa regra, no que tange ao direito do Fisco de voltar a cobrar, naquelas específicas hipóteses em que a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado tenha ocorrido em momento anterior à publicação deste Parecer, e tenha havido inércia dos agentes fazendários quanto à cobrança; nessas hipóteses, o termo a quo do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir, do contribuinte autor, o tributo em questão, é a publicação do presente Parecer. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 467 47 De plano, verificase que uma das primeiras conclusões a que chega o parecer é a de que A alteração das circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de uma dada relação jurídica tributária de trato sucessivo faz surgir uma relação jurídica tributária nova, que, por isso, não é alcançada pelos limites objetivos que balizam a eficácia vinculante da referida decisão judicial. Daí por que se diz que, alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, esta naturalmente deixa de produzir efeitos vinculantes, dali para frente, dada a sua natural inaptidão de alcançar a nova relação jurídica tributária. Com efeito, o conteúdo de tal conclusão deixa claro que a alteração da circunstância jurídica faz com que a decisão judicial naturalmente deixe de produzir efeitos vinculantes. Isto porque, em tese, a nova circunstância jurídica teria criado uma nova relação jurídicotributária que não a anteriormente decidida pela res judicata. Esta interpretação fica evidente da leitura das primeiras páginas do Parecer. Vejamos: 10. Ocorre que a imutabilidade e a eficácia vinculante da decisão transitada em julgado apenas recairá sobre os desdobramentos futuros da declaração, nela contida, de existência ou inexistência da relação jurídica de direito material sucessiva deduzida em juízo, se e enquanto permanecerem inalterados os suportes fático e jurídico existentes ao tempo da sua prolação, ou seja, se e enquanto continuarem ocorrendo aqueles mesmos fatos e continuar a incidir (ou a não incidir) aquela mesma norma sob os quais o juízo de certeza se formou. Alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, o que se faz possível em face da natureza conhecidamente dinâmica dos fatos e do direito, essa decisão naturalmente deixa de produzir efeitos vinculantes, dali para frente; tratase da cláusula rebus sic stantibus subjacente às sentenças em geral, com especial destaque àquelas que se voltam à disciplina de relações jurídicas de trato continuado. 11. Vejase que isto se dá – e eis aqui ponto essencial à compreensão de tudo o que será dito a seguir , por razões ligadas aos limites objetivos da coisa julgada, que determinam que a eficácia vinculante que emana das decisões transitadas em julgado recaia, apenas, sobre a específica relação jurídica de direito material deduzida em juízo (apontada como existente ou inexistente) e nela apreciada, e não sobre qualquer outra. Assim, modificados os fatos existentes ao tempo da prolação da decisão, ou alterado o direito então aplicável à espécie, estar seá diante de nova relação jurídica de direito material, que, justamente por ser diferente daquela nela declarada, de modo definitivo em razão do seu posterior trânsito em julgado, como existente ou inexistente, não poderá ser alcançada pelos efeitos vinculantes da referida decisão. Tanto é assim que essa nova relação jurídica material poderá ser objeto de debate e decisão Fl. 490DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 48 em nova demanda, sem que isso encontre óbice na coisa julgada anterior. Em primeiro lugar, com a devida venia, e antes de qualquer consideração, não posso deixar de reconhecer que tal interpretação viola frontalmente os art. 467 e 468 do CPC, verbis: Art. 467. Denominase coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário. Art. 468. A sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas. Tais dispositivos asseguram a autoridade da coisa julgada e a eficácia da sentença no direito brasileiro, sendo que ambas, pela dicção da conclusão, passam a ser naturalmente inexistentes, independentemente de manifestação jurisdicional posterior, ignorandose por completo toda sistematização da quebra da coisa julgada em nosso direito. Além disso, viola,também, o próprio art. 471, I, do CPC a que alude, verbis: Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: I se, tratandose de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito; caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; Isto porque, mesmo nos casos de trato sucessivo, passa, segundo o parecer, a ser totalmente despicienda a intervenção de um magistrado para analisar a modificação no estado de fato ou de direito porventura existente, deixando de ser, assim, a coisa julga, na dicção de Liebman, um vínculo de juízes, agora passível de ser naturalmente desconstituída. De se ressaltar, como já fiz acima, que v.g., no caso da declaração de constitucionalidade da Lei nº 7.689/88 em controle concentrado, feita pela ADI nº 152, efetiva modificação na situação de direito, o dispositivo do acórdão proferido pelo STF, por natureza abstrato, nada ataca declarações de inexistência jurídica que foram decididas com decisão incidental de inconstitucionalidade da referida Lei. Da comparação, exsurge como evidência o fato de que não há identidade quanto à res in iudicium deducta. Mas ainda assim, pelas conclusões do parecer, teria tal decisão o condão de naturalmente fazer com que a decisão albergada pela coisa julgada deixe de ter eficácia. Vejase que não se trata de exigir a tríplice identidade, criticada por Vicente Greco Filho18 (partes, pedido e causa de pedir), nos termos dos §§1º e 2º do art. 301 do CPC, verbis: Art. 301. ... § 1o Verificase a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) 18 GRECO FILHO, Vicente. Coisa julgada e tríplice identidade (Revisão do conceito). Revista da Faculdade de direito das Faculdades Metropolitanas Unidas de São Paulo. São Paulo, 1991, p.2729. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 468 49 § 2o Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) Mas ao menos, há de haver coincidência das partes e relação entre o pedido e a decisão em vigor, fundada na modificação da situação de direito, originada pela decisão da suprema corte transitada em julgado em sentido contrário à res judicata. É o que ensina Luiz Guilherme Pennacchi Dellore19, para quem Logo, a melhor exegese do art. 471 do CPC é no sentido de que o legislador prestigia a coisa julgada. A nova sentença somente regulará a relação jurídica para o futuro. Em síntese, no tocante às sentenças que decidem relações jurídicas continuativas, há uma situação igual à verificada nas ações de alimentos (relação jurídica continuativa que é), nos seguintes termos: (i) caso se proponha uma segunda ação igual à primeira (identidade de partium, causa petendi, petitium), a coisa julgada formada na primeira ação provocará a extinção do segundo processo, sem julgamento de mérito (CPC, art. 267, V); (ii) caso ocorra mudança do substrato fático, teremos alteração da causa de pedir, e, por via de conseqüência, do pedido, não havendo se falar em óbice da coisa julgada, visto que inexistente a tríplice identidade (alcance negativo da coisa julgada); (iii) a sentença anteriormente proferida permanece hígida, tampouco sendo possível alterar qualquer de seus efeitos já produzidos (alcance positivo da coisa julgada); o que é modificado pela nova sentença são os efeitos da anterior – modificação que se dá ex nunc. No caso do acórdão transitado em julgado em controle difuso – hipótese também encampada pelo Parecer PGFN nº 492/2011 sequer há identidade de partes, vez que o contribuinte albergado pela coisa julgada não participa do processo em que há inversão da jurisprudência. Na situação de controle concentrado, também não há identidade de partes, vez que somente as pessoas legitimadas, consoante a Lei nº 9.868/99, serão aceitas no pólo ativo da demanda. Sequer há identidade quanto às partes que deverão observar a coisa julgada, porquanto o controle concentrado estendese a todos, consoante o parágrafo único do art. 28 da Lei nº 9.868 (transcrito abaixo), enquanto a res judicata anterior estendese à Fazenda e ao contribuinte, tão somente. Art. 28. ... Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito 19 DELLORE, L.G.P. Op.Cit., p.127. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 50 vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal. Por outro lado, embora prescreva o parágrafo único do art. 28 que a decisão tomada em sede de controle concentrado tem eficácia contra todos, não há como daí inferir, também, que ela deva atingir a coisa julgada anterior, e, pior, de forma imediata. Em primeiro lugar, devese notar que a decisão judicial tomada em sede de controle concentrado, por ter eficácia contra todos assemelhase à lei geral e abstrata, que também tem eficácia contra todos. Todavia, nosso sistema jurídico veda expressamente que a lei nova atinja a coisa julgada, vedação esta que se encontra encartada na própria Constituição (art. 5º, XXXVI). Não há motivos, assim, para que a decisão tomada em controle concentrado pelo Poder Judiciário ostentasse privilégio que a lei geral e abstrata, formada na casa do povo (Poder Legislativo), não possui. Vale ressaltar, pois, que a sobredita cessação natural da eficácia da sentença transitada em julgado não encontra abrigo em nosso sistema jurídico, que se movimenta tão somente pela ação do homem, embora possa acolher efeitos naturais, porém trazidos ao Direito pela ação do homem, como no caso da força maior. E neste caso específico dos autos, a ação do homem possui requisito adicional, pois, além do ato a ser praticado necessitar circunscreverse às hipóteses legalmente admitidas, há que ser produzido por competente autoridade judicial, que é a legitimada para que se produza o efeito desejado da cessação da eficácia. Em outras palavras, não há como aceitarse no caso vertente a revogação tácita da sentença, embora possase falar em revogação tácita de Lei (consoante dispõe o §1º do art. 2º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro). Admitese que uma lei nova passe a regrar condutas futuras de forma diversa, sem que expressamente revogue a anterior, que dispunha em sentido diverso. Todavia, para casos concretos, levados ao Poder Judiciário e por ele definitivamente decididos, não há como ignorar a sentença irrecorrível proferida, ainda que em face de nova situação fática ou jurídica, porquanto é imprescindível que aquela mesma situação já decidida venha a ser apreciada, à luz dos novos fatos e/ou do novo direito, por um novo magistrado, que somente após conhecer deles, possa dizer se o comando jurídico com força de Lei deve ser ou não modificado. Demais disso, como visto acima, não há nenhuma identidade entre partes, pedido ou causa de pedir. Por fim, mas não menos importante, embora haja semelhança entre o que se decide no acórdão proferido pelo STF e na decisão transitada em julgado anterior, em especial no caso dos autos haja vista que os efeitos declaratórios da inexistência de relação jurídica decorrem da declaração incidental de inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88, e a decisão proferida pelo STF limitase a declarála constitucional não há qualquer identidade entre os dispositivos das referidas decisões, e, portanto, a fortiori, a coisa julgada formada no STF não é autoaplicável no caso concreto já anteriormente decidido. Isto porque embora os motivos tenham que ser levados em conta para a elaboração da sentença, eles não fazem coisa julgada, e nem a apreciação de questão prejudicial, decidida incidentalmente no processo, exceto se a parte o requerer, o juiz for competente para apreciar a matéria e constituir pressuposto necessário para o julgamento da lide, nos termos dos art. 469, I e III, verbis: Art. 469. Não fazem coisa julgada: Fl. 493DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 469 51 I os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; Il a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença; III a apreciação da questão prejudicial, decidida incidentemente no processo. Art. 470. Faz, todavia, coisa julgada a resolução da questão prejudicial, se a parte o requerer (arts. 5o e 325), o juiz for competente em razão da matéria e constituir pressuposto necessário para o julgamento da lide. Esta é também a opinião de Hugo de Brito Machado e Hugo de Brito Machado Segundo20, para quem A declaração de inconstitucionalidade de uma lei, ao menos quando ocorre no denominado controle difuso, ou por via de exceção, não pode ser objeto da coisa julgada. É que essa declaração sempre acontece na apreciação de uma questão incidental. Assim, ou será entendida como motivo da sentença, ou como questão prejudicial decidida incidentalmente no processo. E qualquer desses entendimentos leva a sua exclusão do âmbito da coisa julgada material, nos termos do art.489, incisos I e III, do Código de Processo Civil. É importante, porém, a distinção que se há de estabelecer entre a declaração da inconstitucionalidade da lei e a declaração da inexistência da relação jurídica continuativa. [...] Na verdade, quando se questiona a existência de uma relação jurídica tributária, com fundamento na inconstitucionalidade da lei que criou ou aumentou o tributo, não se está no plano simplesmente normativo, ou plano da abstração jurídica. A propositura da ação declaratória pressupõe a ocorrência de fatos que sendo válida (constitucional) a lei que os descreve em sua hipótese de incidência, faz nascer a relação jurídica tributária. Não se admite a ação declaratória da existência, ou inexistência, de relação jurídica em tese. Esta sim, seria equivalente à ação declaratória de inconstitucionalidade que só perante o Supremo Tribunal Federal pode ser promovida. Mais adiante, prosseguem Não se deve confundir a modificabilidade da coisa julgada em decorrência da mudança havida nos elementos de direito ou de fato formadores da relação jurídica nela albergada com a 20 MACHADO, H.B; MACHADO SEGUNDO, H.B. Coisa julgada. Decisão superveniente do STF. Relação continuativa tributária. Questões de procedimento administrativo. Multa Desproporcional e irrazoável. Revista Dialética de Direito Tributário, vol.123, São Paulo, pp.95121, dez/2005, p.99100. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 52 sentença declaratória, com ausência de eficácia de coisa julgada que caracteriza as partes da sentença por esta não protegidas, como os fundamentos e a decisão de questões prejudiciais. [...] Diante do efeito da coisa julgada, e mesmo admitindo que em face da decisão do Supremo Tribunal Federal a declaração de inexistência da relação tributária resta atingida por direito novo, pensamos que a supressão dos efeitos daquela declaração não se opera automaticamente. Não é razoável entender que uma decisão, da qual a consulente não foi intimada, passe a produzir efeitos contra ele imediatamente. A ofensa aos princípios da cientificação, e do devido processo legal, seria intolerável. É necessária, como dissemos acima (itens 2.6 e 2.7), a propositura de ação de revisão ou modificação da coisa julgada. Poderseia objetar, em oposição ao que dissemos, que a propositura de uma “ação de revisão de coisa julgada” seria exigível em demanda entre dois “particulares”, mas não em questão envolvendo a Fazenda Pública, pois esta constitui seus próprios títulos executivos, não tendo, em regra, interesse processual para manejar ação de conhecimento. É preciso, porém, fazer um esclarecimento. É verdade que a Fazenda Pública, em regra, não precisa manejar ações de conhecimento, eis que “fabrica” seus próprios títulos executivos, unilateralmente, nos quais declara a existência de direitos, constitui realidades jurídicas, e condena terceiros a observálas. Essa premissa, porém, não autoriza a conclusão de que não seja necessária a manifestação do Judiciário, em ação de revisão da coisa julgada movida pela Fazenda Pública. Aliás, não só a propositura dessa ação é necessária, como só depois de seu julgamento, se for o caso, é que o contribuinte beneficiado pela coisa julgada estará novamente sujeito ao tributo. E, como dizíamos, a premissa não afasta a necessidade de a Fazenda manejar a ação, no caso de que se cuida, porque se tem um impedimento de ordem judicial à sua atuação, que somente pelo próprio Judiciário pode ser removido. O raciocínio é o mesmo aplicado à rescisória: embora a Administração possa constituir seus próprios títulos, no âmbito da chamada autotutela vinculada, isso não a exime de propor ação rescisória (que é ação de conhecimento...) quando for o caso. Assim, é certo que não existe positivação deste poder natural de cassação dos efeitos de decisão judicial em nosso direito processual, passandose ao largo das regras prescritas para modificação de sentença judicial. A falta de suporte no direito positivo para a defesa desta desconsideração da coisa julgada já foi objeto de dura crítica na doutrina. Fernanda Donnabella Camano de Souza21 alega que 21 SOUZA, Fernanda Donnabella Camano de. Breves comentários sobre o Parecer PGFN/CRJ nº492/2011Coisa julgada em matéria tributária. Revista Dialética de Direito Tributário, vol. 201, São Paulo, pp.7082, jun/2012, p.71;76. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 470 53 Sem sombra de dúvida, o argumento da descontinuidade da coisa julgada é tese da Fazenda Nacional porque, como bem assinala José Ignácio Botelho de Mesquita, “é que isto só convém à Fazenda Pública, sempre às voltas com a omissão dos que não propõem a tempo as rescisórias de seu interesse” buscando validar sempre perante a comunidade jurídica as autuações, mesmo em face do trânsito em julgado. É tese da Fazenda Nacional, pois em 2003 foi publicado, pelo mesmo órgão, o Parecer nº 3.401, em que a situação era inversa, ou seja, alguns contribuintes haviam perdido a demanda relativa ao Finsocial e, posteriormente, o STF declarou inválido o tributo acima da alíquota de 0,5% para as empresas que não fossem exclusivamente prestadoras de serviços. Temendo uma avalanche de pedidos de restituição/compensação por parte dos contribuintes vencidos e que haviam recolhido o Finsocial acima de 0,5%, a PGFN, que hoje declara que a coisa julgada pode ser simplesmente desconsiderada, naquele Parecer defendeu de forma ferrenha o instituto, alegando que: “36. Todavia, de tudo quanto até aqui se falou, parece claro que a intangibilidade da coisa julgada, a que está submetida a situação daqueles contribuintes que tiveram seus depósitos judiciais convertidos em renda da União, dispensa discussão sobre o termo inicial do prazo de decadência para repetição do indébito tributário. (...) 41. A decisão proferida no RE 150.764/PE, que declarou a inconstitucionalidade da norma que majorou a alíquota da exação, na via de defesa, não atinge automaticamente situações concretas formadas sob a égide e durante a vigência da norma impugnada. De lembrar que, se antes da declaração de inconstitucionalidade, a norma impugnada serviu de fundamento para sentenças judiciais, já passadas em julgado e executadas, não é possível que essas sentenças sejam atingidas pela declaração de inconstitucionalidade a ponto de se anular a coisa julgada e desfazer a execução (cobrança da exação).(...) 42. Assim, de um lado, ninguém mais poderá invocar a norma fulminada para sustentar pretensão individual, mas a decisão do STF que fulminou a norma também não poderá ser invocada para automática e imediatamente, desfazer situações jurídicas concretas e atingir direitos subjetivos, porque não foram o objeto da pretensão declaratória de inconstitucionalidade.(...)” Ou seja, dependendo do lado em que se encontra, a interpretação da Fazenda Nacional ora defende, ora ataca a coisa julgada, o que, no mínimo, gera sentimento de imenso descrédito no estudo apresentado no Parecer nº 492/2011. É possível – e até compreensível – que a PGFN alegue que os institutos processuais evoluíram (inclusive com a inovação da sistemática da repercussão geral e dos recursos repetitivos) e, portanto, o entendimento prolatado no Parecer nº 3.401/2002 estaria ultrapassado. Mas não há como negar que a interpretação jurídica da PGFN varia de forma casuística, a depender do seu interesse, “a denotar a natureza francamente demagógica da opção pela ruptura da intangibilidade da coisa julgada”, nas palavras de José Ignácio Botelho de Mesquita. Adiante, prossegue Donnabela22, asseverando que 22 Idem.Ibidem, p.76;80. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 54 Para fugir, contudo, da discussão de tamanha magnitude e instabilidade acerca da “relativização da coisa julgada inconstitucional”, a PGFN adota a teoria de que o Parecer não tem relação com tal “relativização” do instituto; em verdade, seria bem “simples”: sequer o Judiciário precisaria se pronunciar novamente porque eventual alteração dos fatos ou da situação jurídica (legislação ou entendimento do STF), “automaticamente” faria com que a decisão não prevalecesse para o futuro. Ou seja, a PGFN, por meio de um parecer divulgado com o timbre (o peso) de tal instituição, argumenta que o Executivo está autorizado, em uma penada, a ignorar a coisa julgada nas situações especificadas. [...] Não se nega, em absoluto, a tendência atual da jurisprudência de equiparação do controle concentrado de constitucionalidade ao difuso, relativamente aos efeitos transcendentes das decisões proferidas no âmbito deste último; mas daí a afirmar a PGFN que tais decisões prolatadas, após a resolução definitiva da demanda, implicam criação de direito novo capaz de interromper o conteúdo estabilizado pela res judicata, seria autorizála a criar regras novas no sistema sem competência para tanto. A afirmação da PGFN no sentido de que o suporte fático seria o mesmo (isto é, mesmos fatos geradores), mas o direito – agora revestido do juízo de certeza e definitividades – seria diverso, não resiste a uma análise técnica da tríplice identidade da demanda à luz do provimento jurisdicional definitivo. A crítica aguda às conclusões do Parecer PGFN nº 492/2011 a que chega a doutrina de Fernanda Donabella, em tons que prefiro diluir, por não concordar com a idéia do casuísmo, a depender do lado da Fazenda, não retira, contudo, o brilho de suas conclusões, em especial, quando afirma que, se acatados os termos do Parecer, estaria agora o Executivo autorizado a, numa penada, ignorar a coisa julgada, conclusão esta a que já havíamos chegado e com a qual nos inclinamos totalmente. Convergimos também quanto fato de que a alegação de que o direito é diverso não resiste, conforme já abordei, a uma análise técnica da tríplice identidade da demanda à luz do provimento jurisdicional definitivo. Com efeito, constatado que a novel decisão tomada pelo STF, em controle difuso ou concentrado, não possui o condão de desestabilizar a decisão judicial passada em julgado, e sabendose que somente o ato humano é capaz de inovar o Direito, exsurge com evidência que é exatamente o ato administrativo de lançamento tributário aquele que promoverá a desconsideração dos efeitos da decisão judicial, se chancelado for, dandose guarida ao que se poderia chamar de desconsideração administrativa da coisa julgada. Afinal, estaríamos suprindo uma atividade judicial faltante por uma administrativa. A aproximação da questão abordada no Parecer PGFN nº 492/2011, conforme bem assinala Fernanda Donnabella, guarda semelhança com o tema atual da relativização da coisa julgada, pela qual vem se permitindo a quebra da coisa julgada em determinadas situações muito específicas. É certo que já no início do Parecer PGFN nº 492/2011 rechaçase qualquer vinculação da tese ali exposta com a tese da relativização da coisa julgada, mas sem dúvida, como, aliás, admitido no próprio parecer, ambas as teorias possuem o mesmo “pano de fundo”. Vejamos o que diz o parecer: Já pelo segundo registro preliminar, pretendese, já neste momento inicial, espancar eventuais dúvidas quanto ao objeto que será realmente enfrentado no presente Parecer. Com esse escopo, vale esclarecer que não se pretende tratar, a seguir, da conhecida questão da “relativização da coisa julgada inconstitucional”, embora seja certo que esta quando trazida Fl. 497DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 471 55 para o campo do Direito Tributário, assim como a que será especificamente enfrentada neste Parecer, possuem o mesmo tema como “pano de fundo”, qual seja, o já referido tema dos “reflexos gerados pela alteração da jurisprudência do STF em relação à coisa julgada em matéria tributária”. À frente, ao tratar do tema, o Parecer PGFN nº 492/2011 afirma que reside a principal diferença entre a tese proposta (que se poderia chamar de desconsideração administrativa da coisa julgada) e a tese da relativização da coisa julgada no fato de que a relativização opera de forma pretérita, modificando efeitos já produzidos pela sentença transitada em julgado, enquanto que pela tese proposta, a mudança jurisprudencial operada no STF passaria a ter efeitos meramente prospectivos, resguardados os efeitos da sentença já produzidos. Menciono o termo desconsideração administrativa da coisa julgada, pois, na própria exposição das formas de relativizar a coisa julgada de trato sucessivo tributário o parecer expõe quais as formas de se fazêla, as quais – concordese ou não com a tese da relativização se dão sempre por meio de uma decisão judicial que irá analisar especificamente o pedido e a causa de pedir da Fazenda em face de uma decisão do STF. São elas: (i) ação rescisória (art. 485 do CPC); (ii) impugnação à sentença (art. 475L, inc.II, §1º do CPC); (iii) embargos à execução de sentença contra a Fazenda Pública (art. 741, parágrafo único do CPC). Ao contrário, pela tese proposta, a res judicata é afastada por mera análise de autoridade fiscal no caso concreto, em procedimento fiscal, e portanto, ainda sequer sujeita ao contraditório administrativo (Art. 14, Decreto nº 70.235/72), tendo por base uma decisão do STF adotada em controle difuso ou concentrado, a qual se deseja aplicar a uma situação específica sem o exame de um magistrado sobre sua efetiva procedência no caso concreto. Vejase à frente que nos próprios termos do parecer, no caso da relativização da coisa julgada, que a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de uma dada lei, declarada pelo STF, será utilizada como fundamento para desconstituir anterior coisa julgada, sujeita, assim, no âmbito de um processo, à análise de um magistrado, e não de autoridade fiscal. 83. Registrese sem, no entanto, qualquer pretensão de aprofundar e, menos ainda, de esgotar o tema, que não se insere no objeto deste Parecer , que essa relativização da coisa julgada inconstitucional, ao menos em princípio, e à luz do sistema jurídico positivo, somente pode ser alcançada mediante o manejo de um dos seguintes mecanismos processuais (nos quais a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de uma dada lei, declarada pelo STF, será utilizada como fundamento para desconstituir anterior coisa julgada): (i) da ação rescisória (art. 485 do CPC), que, desde que ajuizada no prazo decadencial apropriado, tem sido admitida como capaz de desconstituir coisas julgadas contrárias à posterior jurisprudência do STF, seja em controle difuso, seja em controle concentrado, suplantandose o óbice previsto na Súmula n. 343 da Suprema Corte ; (ii) da impugnação à sentença (art. 475L, inc. II, §1º do CPC) ou dos embargos à execução de sentença contra a Fazenda Pública (art. 741, parágrafo único do CPC), respaldados na alegação de “inexigibilidade do título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou Fl. 498DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 56 interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição Federal”, independentemente de se tratar de decisão do STF proferida em sede de controle difuso ou concentrado de constitucionalidade , desde que, por óbvio, tratese de sentença que comporta execução. Dizse que esses dois mecanismos processuais são aptos a relativizar a coisa julgada , ou melhor, as decisões judiciais transitadas em julgado, precisamente porque o seu manejo é capaz de, de certo modo, desconstituílas, atingindolhes ou desfazendolhes os efeitos pretéritos, ou seja, aqueles efeitos já produzidos em momento anterior ao advento do precedente do STF.(grifo nosso) Dinamarco (DINAMARCO, Cândido Rangel. Relativizar a coisa julgada material. Revista Forense. São Paulo, vol. 358, ano 97, pp. 1132, novdez/2001, p. ), buscando sistematizar uma teoria da relativização da coisa julgada, propõe deva ela se restringir a situações extraordinárias, tendo por objetivo afastar absurdos, injustiças flagrantes, fraudes e infrações à Constituição. Seus exemplos contemplam um caso em que a Fazenda Paulista havia sido vencida em processo por desapropriação indireta, e depois, feito acordo para parcelamento com os adversários. Pagas algumas parcelas, voltou a juízo com ação declaratória de nulidade de ato jurídico cumulada com repetição de indébito, por motivo de erro na ação expropriatória causado ou facilitado pela perícia, já que a área supostamente apossada pelo Estado já lhe pertencia, e não aos autores. Citase também a manifestação do STF na década de 80 (época de altíssima inflação e correção monetária) no sentido de que “não ofende a coisa julgada a decisão que, na execução, determina nova avaliação para atualizar o valor do imóvel, constante de laudo antigo, tendo em vista atender à garantia constitucional da justa indenização.” Seguem como hipóteses de relativização, também, os casos de fraude processual, direito adquirido a ofensa ao meio ambiente, e demandas de investigação de paternidade, decididas com base em prova testemunhal, agora com base nos novos exames de DNA. Como se vê, tratamse de situações muito específicas (extraordinárias, na dicção de Dinamarco), que devem ser tratadas como verdadeiras exceções, somente justificando a mitigação da segurança jurídica em favor de princípios caros ao Direito, como a moralidade administrativa, o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, e o direito à ordem jurídica justa. Mas Dinamarco23 não exclui o fato de que a relativização é matéria para juízes: A fragilização da coisa julgada como reação a injustiças, absurdos, fraudes ou transgressão a valores que não comportam transgressão, é susceptível de ocorrer em qualquer área das relações humanas que são trazidos à apreciação do Poder Judiciário. Onde quer que se tenha uma decisão aberrante de valores, princípios, garantias ou normas superiores, ali terseão os efeitos juridicamente impossíveis e portanto não incidirá a autoridade da coisa julgada material.(grifo nosso) Vejase que mesmo neste caso de hipóteses estreitas da relativização não se desvia do caminho que necessariamente leva a um magistrado, a quem caberá efetuar a quebra da autoridade da coisa julgada, como, v.g., por meio da flexibilização das hipóteses de conhecimento da ação rescisória. Assim, mesmo nestas hipóteses, não há qualquer espaço para 23 Idem.Ibidem, p.27. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 472 57 a quebra da eficácia da decisão judicial passada em julgado por autoridades administrativas, ou sequer, a descontinuidade “natural” da res judicata. Seria crível, por exemplo, ainda no campo das relações jurídicas de trato sucessivo, imaginar que havendo o pai divorciado logrado melhor colocação profissional, teria o alimentando o direito natural de aniquilar a decisão judicial que estabeleceu os alimentos e exigir, antes de qualquer provimento judicial, uma majoração nos valores a que pela decisão judicial tem direito? Seria, também, crível que a renovação de valor locatício pudesse também se operar assim, naturalmente, sem que um magistrado, analisando a nova causa de pedir e o novo pedido à vista do decisum já proferido, verificada majoração no valor do imóvel locado, decidisse pela majoração do aluguel? Em não havendo, definitivamente, este poder natural proclamado no Parecer PGFN nº 492/2011 é indubitável notarse afronta à eficácia da decisão judicial que será feita pelo ato administrativo de constituição do lançamento, e se chancelado, reiterada pelos órgãos administrativos de julgamento, inclusive por este colegiado, na eventual manutenção do crédito tributário assim constituído. Eis um motivo de preocupação e, portanto, ensejador do enfrentamento da matéria. A questão já foi levantada em parecer de Ruy Barbosa Nogueira24 ao analisar situação de fato de contribuinte do imposto sobre serviços, a qual já havia sido decidida em decisão judicial transitada em julgado, na qual também se decidiu que sobre a mesma atividade não incidia, nem poderia incidir, o velho ICM. Na situação do parecer, não obstante a decisão transitada em julgado, a fiscalização do Estado lavrou contra a consulente auto de infração, na tentativa de cobrar ICM e multas. Ruy Barbosa Nogueira, então, assim se manifestou no tocante aos atos da Fazenda paulista: XXIV. Portanto, a solução da relação jurídicotributária de que dá notícia a consulente é definitiva e sem sombra de dúvida oponível à Fazenda do Estado de São Paulo. Esta não só não pode renovar a coação, mas estando, como está, integralmente ciente de que essa cobrança é manifestamente ilegal, por decisão definitiva do Poder Judiciário, no interesse da sociedade e proteção de seus próprios funcionários deve “ex officio” desistir de toda tentativa no sentido dessa exigência. Este dever da Fazenda seria mesmo homenagem ao art.316 do Código Penal (reproduzido no futuro Código), que tipifica como delito o “excesso de exação”, assim considerado: “Art. 316 ... §1º Se o funcionário exige imposto, taxa ou emolumento que sabe indevido, ou, quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza.” Não há dúvida que, para a ocorrência dessa figura, é prérequisito o dolo, que não se presume. Entretanto é instrutiva e cautelar a leitura dos doutos em Direito Penal. Comentando o dispositivo acima transcrito, ensina o Catedrático MAGALHÃES DRUMMOND: 24 NOGUEIRA, Ruy Barbosa. A coisa julgada em direito tributário. Separata da Revista da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, Volume LXVIII (1º Fasc). São Paulo: Empresa Gráfica da "Revista dos Tribunais" S.A., 1973, p.109111. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 58 “Na hipótese da simples exigência do indébito, o dolo estará na consciência disto – na consciência de não ser devida legalmente a taxa, imposto, ou emolumento, e, entretanto, exigilo, pondo assim em ação uma vontade poluída do ponto de vista moral e criminosa, do prisma legal. [...] Tanto mais quanto o excesso constitui crime do Código Penal, cuja ignorância não se compadeceria com a qualidade de funcionário, ademais da sua geral inalegabilidade. Existindo precisamente para por em ação a lei, o funcionário sabe, por presunção legal, o que lhe cumpre fazer, e, se, em assunto tão importante, age contra a lei, é, de certo, com a consciência da ilegalidade da sua conduta. [...]” Convém esclarecer que a falta de providência da autoridade coatora, a que no caso, cabe expedir instruções fiscais em contramarcha, aos funcionários encarregados da fiscalização, autuação e cobrança, para não deixálos no risco de incidirem no excesso de exação, a falta de cumprimento da ordem judicial por parte da autoridade coatora incidirá também no mesmo Código Penal, que prevê o crime de desobediência: “O não atendimento do mandado judicial, caracteriza o crime de desobediência a ordem legal (Código Penal, art. 330) e por ele responde o impetrado renitente, sujeitandose até mesmo à prisão em flagrante, dada a natureza permanente do delito” (HELY LOPES MEIRELLES, op. cit., p.43). Em relação, pois, à autoridade coatora impetrada poderá no caso de se efetivar nova coação, ocorrer até o “concurso formal” dos crimes de excesso de exação previsto no art. 316, §2º e o de desobediência, previsto no art. 330, de conformidade com o art.51, §1º do mesmo Código Penal que disciplina o concurso formal de crimes. i) Voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho (embargos de divergência (EDcl) em Agravo Nº 991.788 – DF) Digno de ressalva é o voto do eminente Min. Napoleão Nunes Maia Filho, no acórdão proferido nos embargos de divergência (EDcl) em Agravo Nº 991.788 – DF, em que, embora reformando decisão anterior em que havia aceitado a cessação de eficácia da decisão transitada em julgado a partir de decisão do STF em sentido contrário proferida no sistema de controle difuso, dando um passo atrás e reajustando o termo a quo da cessação da eficácia para após a vigência do acórdão proferido na ADIN 152, ainda assim acata a tese propugnada no Parecer PGFN nº 492/2011. Vejamos: A discussão jurídica sobre o tema da perda de eficácia da coisa julgada, em caso como este, somente veio a se exaurir no Judiciário com o julgamento da ADIN 15 (Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, DJU 01.08.2007); o venerando Acórdão proferido nesse julgamento concentrado do STF tem força vinculante e aplicabilidade erga omnes, por isso que a partir do seu trânsito em julgado, temse essa controvérsia por encerrada, prevalecendo, porém, os efeitos da res judicata anterior, o trânsito em julgado dessa decisão emergente da Corte Suprema. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 473 59 Todavia, vale ressaltar, tratase de posição isolada, adotada monocraticamente, em cotejo da qual deve ser vista a decisão, tomada à unanimidade pela Primeira Seção do STJ no acórdão 1118893MG, em acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC, na qual se faz a defesa intransigente da coisa julgada, mesmo em face de posterior manifestação do STF em controle concentrado, aqui já tratada. j) A interpretação das conclusões do Parecer PGFN nº 492/2011 como opinião jurídica Como se vê, embora moderna, a tese propugnada no Parecer PGFN nº 492/2011 ainda não possui respaldo no nosso Ordenamento. Não se nega sua visão vanguardista. A dessubjetivação ali defendida é posição cuja adoção futura poderá resultar no aumento da eficiência com que as lides são decididas em nosso país. O prestígio ao princípio da igualdade tributária e a vedação à concorrência desleal pela mitigação deste princípio também são questões que merecem reflexão, pois congregam valores caros a qualquer sistema tributário que almeje ser justo. Todavia, o Direito é um sistema que opera com regras bastante definidas, sendo conservador. Tal conservadorismo, se por um lado, poda idéias de vanguarda, por outro lado, garante estabilidade e paz social, porquanto as pessoas sempre poderão saber o que esperar das outras, mediante a estabilidade das regras intersubjetivas. Na estruturação do Direito como sistema, são estabelecidas regras de conduta. Dentre elas, como correspondência ao poder da eficácia das decisões judiciais, pois ligados em relação jurídica, jaz o dever de respeitálas, o qual é exigido de todos, neles, portanto, incluídas as autoridades administrativas, e até mesmo as próprias autoridades judiciais, embora tenham elas o poder de substituir, em determinados casos, os efeitos de tais decisões. O sistema jurídico garante coercibilidade a este dever mediante prescrição de normas penais que definem como criminoso o descumprimento deste dever, dentre elas, como afirmado por Ruy Barbosa Nogueira, o crime de desobediência e o crime de excesso de exação, no caso do direito tributário. O Parecer PGFN nº 492/2011 chega a conclusões equivocadas, por partir de premissas que também o são (como a tese da cessação natural da eficácia da sentença judicial motivada pela mudança jurisprudencial do STF). Uma dessas conclusões, como vimos, é a possibilidade de uma autoridade administrativa desconsiderar a res judicata e os efeitos de decisão judicial mediante exame dos fatos, independentemente de apreciação judicial específica. É possível que o STF, em julgamento futuro venha a colmatar esta lacuna, se efetivamente vier a reiterar, com eficácia erga omnes, os termos do Parecer. Neste caso, em sua função de integrar o direito, a Suprema Corte conferirá ao Parecer e à desconsideração administrativa de efeitos de sentença transitada em julgado fundamento de validade que hoje não possuem. Não havendo lei que dê supedâneo ao Parecer PGFN nº 492/2011 e havendo claro conflito entre ele e o art. 468 do CPC exsurge com clareza mediana sua ilegalidade, porquanto não é dado a ato administrativo inovar o Ordenamento ou revogar Lei. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 60 A idéia de que a vedação à inovação de ato administrativo e sua necessária conformidade com a Lei será sempre observada nos pareceres de consultarias jurídicas é a razão de o art. 42 os tornarem vinculantes aos órgãos autônomos e entidades vinculadas. De fato, havendo sempre observação estrita da Lei, os agentes estarão protegidos e resguardados, sendo lícito que devam acompanhar as conclusões do parecer. Entretanto, ao desbordar dos limites da Lei e a sujeitar seus agentes a responder por crimes por atuarem segundo o disposto no Parecer, suas conclusões evidentemente perdem sua força vinculante, havendo de serem tidas como mera opinio iuris doctorum, porquanto é sempre garantido e jamais poderá ser obstado o direito de agir conforme a Lei. Aliás, este é exatamente o argumento lógico a impedir que um sistema jurídico hipotético consiga proibir tudo, pois ainda se logre atingir tal intento (eliminando até mesmo aquele mínimo de liberdade garantido, no dizer de Kelsen25, pela regulação negativa das condutas, e suprindo, assim, toda limitação técnica que afeta a disciplina positiva da conduta humana) sempre terá que permitir aos a ele sujeitos que cumpram os preceitos proibitórios por ele estabelecidos. Neste sentido, dou por resolvida a antinomia que estabelecia dois caminhos antagônicos e mutuamente excludentes, a saber, pela vinculação tanto ao Parecer PGFN nº 492/2011 como ao acórdão proferido no Resp nº 1118893MG, este último por força do art. 62 A do Ricarf, e reproduzo, nos termos do art. 62A do Ricarf, a decisão proferida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no acórdão proferido no Resp nº 1118893MG, bem como suas conclusões, em especial as seguintes: a) O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade; b) Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência; c) "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada m relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10); d) Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se 25 Para Kelsen, "Como ordem social que estatui sanções, o Direito regula a conduta humana não apenas num sentido positivo enquanto prescreve uma tal conduta ao ligar um ato de coerção, como sanção, à conduta oposta e, assim, proíbe esta conduta mas também por uma forma negativa na medida em que não liga um ato de coerção a determinada conduta,e, assim, não proíbe esta conduta nem prescreve a conduta oposta. Uma conduta que não é jurídicamente proibida é num sentido negativo juridicamente permitida. [...] Mesmo sob a ordem jurídica mais totalitária existe algo como uma liberdade inalienável não enquanto direito inato do homem, enquanto direito natural, mas como uma consequência da limitação técnica que afesta a disciplina positiva da conduta humana." KELSEN, Hans. Teoria Pura do Direito. São Paulo: Martins Fontes, 2000, p.4648). Fl. 503DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 1302001.410 S1C3T2 Fl. 474 61 for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). e) "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídico tributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). Assim, voto para negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Fl. 504DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13819.900266/2012-23
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2005
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento
Numero da decisão: 3802-003.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2005 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2005 PEDIDO DE DILIGÊNCIA DESTINADO À COMPROVAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. INDEFERIMENTO. A verdade material não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. O dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Assim, a diligência não é instrumento de inversão do ônus da prova de suposto indébito tributário, não podendo ser utilizada para suprir ação omissiva de sujeito passivo que, mesmo ciente de sua necessidade, não apresenta a documentação necessária à comprovação do direito creditório que alega em seu favor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2005 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 02 66 /2 01 2- 23 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 36/39 da cópia digitalizada do processo), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2009 DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo relata a instância recorrida, a lide decorre da não homologação de Declaração de Compensação – DCOMP mediante a qual o sujeito vislumbrava o reconhecimento de direito creditório por conta de aduzido pagamento a maior de PIS, no valor de R$ 157,55, referente ao mês de maio/2005, em vista da suposta venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, uma vez que o pagamento apontado como origem do direito fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando, portanto, crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.900266/201223 Acórdão n.º 3802003.620 S3TE02 Fl. 115 3 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus – ZFM. Por seu turno, a DRJ recorrida, muito embora tenha reconhecido que as alíquotas do PIS e da COFINS foram reduzidas a zero para as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM, ressaltou que a reclamante não procedeu à retificação das respectivas DCTF e DACON e não junta aos autos a comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas para a ZFM [...] na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Registrese que a empresa não apresentou sequer notas fiscais que comprovem tais operações. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 25/10/2013 (fls. 41). Inconformada, a mesma apresentou, em 26/11/2013, o recurso voluntário de fls. 43/48, onde ressalta haver juntado aos autos a DCTF retificadora, “ou seja, a documentação contábil e fiscal capaz de comprovar a inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas a Zona Franca de Manaus”. Assevera, ainda, o sujeito passivo, que a questão probatória suscitada pela autoridade julgadora, com fulcro nos amplos poderes instrutórios conferidos pelos princípios da oficialidade e da verdade material, deveria ensejar a conversão do julgamento em diligência para que se permitisse a ora recorrente juntar as provas comprobatórias de seu reclamado direito. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 25/10/2013 (fls. 41). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 26/11/2013, tempestivamente, portanto. Ademais, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento da contribuição devida no período, e que o débito declarado na DCTF não corresponderia à realidade fática. Mesmo ciente de que a negativa de homologação da compensação decorreu da não retificação da DCTF e da DACON, e ainda, pelo fato de não haver juntado aos autos documentação contábilfiscal comprobatória do aduzido equívoco, comparece novamente aos autos apresentando, unicamente, DCTF retificada ulteriormente, contudo, desguarnecida do necessário lastro probatório indispensável à comprovação dos dados nela consignados. Com efeito, não há como acolher as razões apresentadas pela recorrente. Nos pedidos de compensação, como o presente, a apresentação de DCTF retificadora pode até ser dispensada, mas desde que comprovado o erro, ou, em outras palavras Fl. 116DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, os dados declarados em DCTF podem até ser retificados de ofício pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte, o que não ocorreu no caso presente, como destacado pela primeira instância. Neste comenos, como já ressaltado, a primeira instância de julgamento ressaltou a necessidade de apresentação de “documentação contábilfiscal” comprobatória do direito reclamado. Agora, comparece a recorrente novamente aos autos trazendo unicamente a DCTF retificadora do período desacompanhada de qualquer documentação que alicerce as informações nela contidas, situação que impossibilita sejam acatadas as informações ali declaradas. De fato, é do contribuinte o ônus da prova do direito creditório que aduz em seu favor e é este que detém em seu poder toda a documentação capaz de comprovar o crédito alegado, qual seja, a escrita e os documentos inerentes à sua atividade empresarial. Sem a prova do direito, impossível homologar a compensação. A Lei é clara quando ressalta que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e de certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. É desarrazoada a pretensão do sujeito passivo de buscar seja novamente perquirido para apresentar o que já tem em seu poder e sabe ser necessário para a comprovação do crédito e conseqüente liquidação do débito por compensação, principalmente diante da decisão de primeira instância. Efetivamente, a verdade material, invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. Ademais, o dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Portanto, uma vez não comprovada a certeza e a liquidez do crédito por falta de apresentação probatória suficiente, não é possível autorizar a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 16 de setembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 117DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.900266/201223 Acórdão n.º 3802003.620 S3TE02 Fl. 116 5 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 19311.000465/2010-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP´S APRESENTADAS COM INEXATIDÕES RELATIVAMENTE A FATOS NÃO GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIOS FAMÍLIA E MATERNIDADE E ERRO NA INDICAÇÃO DO CNAE. A apresentação de GFIP com equívocos de preenchimento de dados que não se relacionem com os fatos geradores das contribuições, enseja a infração ao previsto no art. 32, IV, §6o da Lei 8.212/91.
SÓCIOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INDICAÇÃO DOS MESMOS NO RELATÓRIO REPLEG. A mera indicação dos sócios da recorrente no anexo REPLEG não enseja qualquer atribuição de responsabilidade solidária ou subsidiária em relação ao lançamento, pois trata-se de documento meramente informativo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP´S APRESENTADAS COM INEXATIDÕES RELATIVAMENTE A FATOS NÃO GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIOS FAMÍLIA E MATERNIDADE E ERRO NA INDICAÇÃO DO CNAE. A apresentação de GFIP com equívocos de preenchimento de dados que não se relacionem com os fatos geradores das contribuições, enseja a infração ao previsto no art. 32, IV, §6o da Lei 8.212/91. SÓCIOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INDICAÇÃO DOS MESMOS NO RELATÓRIO REPLEG. A mera indicação dos sócios da recorrente no anexo REPLEG não enseja qualquer atribuição de responsabilidade solidária ou subsidiária em relação ao lançamento, pois trata-se de documento meramente informativo. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso Elias Sampaio Freire - Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1776; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 599 1 598 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.000465/201065 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.987 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: GFIP. OUTROS DADOS Recorrente VITROTEC VIDROS DE SEGURANÇA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP´S APRESENTADAS COM INEXATIDÕES RELATIVAMENTE A FATOS NÃO GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIOS FAMÍLIA E MATERNIDADE E ERRO NA INDICAÇÃO DO CNAE. A apresentação de GFIP com equívocos de preenchimento de dados que não se relacionem com os fatos geradores das contribuições, enseja a infração ao previsto no art. 32, IV, §6o da Lei 8.212/91. SÓCIOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INDICAÇÃO DOS MESMOS NO RELATÓRIO REPLEG. A mera indicação dos sócios da recorrente no anexo REPLEG não enseja qualquer atribuição de responsabilidade solidária ou subsidiária em relação ao lançamento, pois tratase de documento meramente informativo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 04 65 /2 01 0- 65 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/10/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/10/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19311.000465/201065 Acórdão n.º 2401002.987 S2C4T1 Fl. 600 3 Relatório Tratase de Recursos Voluntários interposto por VITROTEC VIDROS DE SEGURANÇA LTDA, em face do acórdão que manteve o AI 37.266.3443 lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente apresentado GFIP com inexatidões acerca de dados não relacionados a fatos geradores de contribuições previdenciárias a seu cargo. Consta do relatório fiscal que análise das GFIP apresentadas, verificouse que a empresa não informou o valor do salário família nas competências de 08/2006 a 08/2007; do salário maternidade nas competências 09/2006 a 12/2006; além de ter informado incorretamente o CNAE nas competências 06/2007 a 08/2007, vez que a partir de 06/2007 o CNAE da empresa passos de 26115 para 23117, constando da planilha em anexo o número total de campos com informações omissas e incorretas na GFIP das competências acima citadas. O lançamento compreende as competências de 08/2006 a 08/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 14/09/2010. O contribuinte impugnou o lançamento, na oportunidade tendo reconhecido os erros apontados pela fiscalização, todavia, justificandoos como mero erro material humano, situação que não enseja dolo ao não pagamento das contribuições e, portanto, o seu lançamento. O acórdão de primeira instância manteve a integralidade do lançamento. Em seu recurso sustenta que apresentou todos os documentos requeridos pela fiscalização, não havendo que se falar na apresentação de GFIP´s com dados incorretos acerca de informações do saláriofamília e maternidade, já que todos os dados ali constantes estavam corretos. Por fim, aponta que é ilegal a inclusão dos sócios no pólo passivo do presente lançamento. Processado os recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/10/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, merece conhecimento. Sem preliminares. MÉRITO. A recorrente sustenta não ter apresentado as GFIP´s com os equívocos apontados no relatório fiscal, de modo que o lançamento, por este motivo, merece ser anulado. Da analise do v. acórdão de primeira instância, verificase que naquela oportunidade os julgadores analisaram a contento toda a matéria de defesa, que ora é repetida com a impetração do recurso voluntário, sem que a recorrente, ao menos tenha juntados aos autos qualquer documento que venha a sustentar suas alegações ou mesmo contrapor qualquer dos fundamentos sustentados quando do julgamento de primeira instância. Cumpre asseverar que naquela oportunidade os julgadores bem analisaram todas a GFIPS sobre os quais repousou o lançamento, informando veementemente que a recorrente retificou tais documentos, sem que deles constasse os valores de saláriofamília e maternidade, demonstrando, portanto, haverem falhas no preenchimento de referidos documentos. Ademais, dos autos verificase que a autuada nem mesmo contesta a imputação fiscal relativa ao erro na informação do CNAE do que impõese concluir que, sob tal aspecto, o presente auto de infração deve ser considerado procedente de plano. Quanto ao pedido de exclusão dos sócios do pólo passivo do presente processo, esclareço que a sua mera indicação no REPLEG (relatório de coresponsáveis), serve para fins meramente indicativos, de forma que aos mesmos não é atribuída qualquer responsabilidade solidária ou subsidiária pelo lançamento ora em debate, se tratando de documento meramente informativo. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/10/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19311.000465/201065 Acórdão n.º 2401002.987 S2C4T1 Fl. 601 5 Ante todo o exposto voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 63DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/10/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por IGOR ARAUJO SOARES
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100777/2008-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela PGFN, contra acórdão que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR ALTERAÇÃO NA PARCELA DO DÉBITO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .1 00 77 7/ 20 08 -0 9 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 A cessão de ICMS gerado de operações de exportação anteriormente registrado como encargo tributário não materializa ingresso de elemento novo. O aumento do resultado do exercício da pessoa jurídica no momento da recuperação do custo tributário provê o retorno à situação patrimonial anterior, não reunindo condições de qualificála no conceito de receita. A PGFN apresentou Recurso Especial argumentando que o acórdão deve ser reformado porque não há previsão legal para que os valores obtidos com a cessão de créditos de ICMS gerados de operações de exportação não integrem a base de cálculo da Cofins. O sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pleiteia a manutenção do acórdão ora recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Em julgamento ocorrido em 01/07/2010, foi reconhecida a repercussão geral e sobrestamento do RE 606107/RS, que trata da trata da inclusão das receitas auferidas integrarem ou não a base de cálculo da contribuições PIS e Cofins não cumulativas. Eis a ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. 1. A questão de os valores correspondentes à transferência de créditos de ICMS integrarem ou não a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS nãocumulativas apresenta relevância tanto jurídica como econômica. 2. A matéria envolve a análise do conceito de receita, base econômica das contribuições, dizendo respeito, pois, à competência tributária. 3. As contribuições em questão são das que apresentam mais expressiva arrecadação e há milhares de ações em tramitação a exigir uma definição quanto ao ponto. 4. Repercussão geral reconhecida. Desta forma, nos termos do art. 62A do RICARF é imperioso que seja aguardado o julgamento final do processo em tramitação no E. STF. Assim, tendo em vista a inexistência de trânsito da referida decisão judicial, com repercussão geral, entendo ser necessário sobrestar o julgamento do presente recurso voluntário, conforme dispõe o § 1º, do art. 62A do RICARFs até que seja proferida decisão definitiva, pelo STF, no Recurso Extraordinário (RE) acima mencionado. Isto posto, e na forma do disposto no inciso II, do § 1º, do art. 2º, da Portaria CARF nº 01, de 03 de janeiro de 2012, voto pelo sobrestamento do julgamento do recurso do presente processo. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 237DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915965/2008-50
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/1999
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas.
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Sidney Eduardo Stahl que davam provimento integral, e a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva que convertia em diligência para a apuração do direito creditório. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/1999 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado.
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NULIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Sidney Eduardo Stahl que davam provimento integral, e a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva que convertia em diligência para a apuração do direito creditório. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes– Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 65 /2 00 8- 50 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915965/200850 Acórdão n.º 3801003.867 S3TE01 Fl. 11 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915965/200850 Acórdão n.º 3801003.867 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, uma vez que narra bem os fatos: Em 26/8/2008, Despacho Decisório não homologa Pedido Eletrônico de Restituição (PER)/Declaração de Compensação (DComp) de fl 1, por falta de crédito no Darf da contribuição acima citada (código de receita: 8109; fato gerador: 31/05/1999). O valor foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo compensável. O débito confessado nesta declaração é de: PisNão Cumulativo; código de receita: 6912; de fevereiro de 2004; no valor de R$ 970,95 (fl 9). A base da decisão são os artigos 165 e 170, do CTN, e o art. 74, da Lei 9.430/96. Foram emitidas mais 90 Decisões, cada qual formando um processo (de 10880.915886 até 10880.915976, conjunto ao qual estes autos pertencem). Em 24/9/2008, a empresa deduz sua inconformidade (fl 11 e seguintes) na qual: diz que as Declarações de Compensação tratam de créditos do mesmo tipo e prova, não fracionáveis; pede para apensar todos os autos em um, para análise conjunta da defesa e das provas; argui: nulidade, pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; que devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; que recolheu indevidamente Pis e Cofins de abril de 1999 a fevereiro de 2004 em vendas à ZFM que não geram obrigação fiscal, pois equiparadas a exportação (DL 288/67); diz juntar as notas fiscais e demonstrativos da base da compensação, planilhas das bases de cálculo e demonstrativo contábil. Ao final, requer emissão de novo Despacho em face da prova e/ou homologação das compensações deste e dos demais autos que pleiteia anexar. Junta documentos da representação processual e societários. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não há nulidade. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento quando o interessado é regularmente cientificado do despacho decisório, e lhe é possível apresentar sua irresignação no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total de pagamento a um débito próprio expressa a inexistência de direito creditório compensável e é circunstância apta a embasar Fl. 105DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915965/200850 Acórdão n.º 3801003.867 S3TE01 Fl. 13 4 a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar a decisão. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. CONTRIBUIÇÃO SUPERVENIENTE. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. O art. 4o do DecretoLei no 288/67 aplica a equiparação a tributo vigente em 28/2/67 e não projeta isenções futuras. A restrição era para os tributos existentes em vigor à época e não para contribuição social superveniente. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos inconformada com as premissas do acórdão recorrido. Em preliminar sustenta a nulidade do acórdão recorrido. Menciona que a leitura da decisão em referência não possibilita apontar com clareza e precisão qual a fundamentação utilizada pela autoridade julgadora para negar provimento à manifestação de inconformidade e não homologar o crédito compensado. Destaca que a referida decisão não deixa claro se a premissa para negar provimento à manifestação de inconformidade foi (i) a falta de comprovação de que a recorrente realizou operações de vendas com destino à Zona Franca de Manaus; (ii) se a recorrente não demonstra no mérito qual o fundamento de sua pretensão; (iii) ou se a recorrente não tinha direito à isenção da contribuição sobre as vendas com destino à Zona Franca de Manaus, ou qualquer outra. Insiste que a decisão foi construída com base em afirmações descuidadas, “soltas”, caracterizando verdadeiras ilações, mencionando institutos tributários (imunidade, isenção, alíquota zero) não discutidos na manifestação de inconformidade. No mérito, alega que recolheu indevidamente a contribuição, tendo em vista que suas operações de venda com destino à Zona Franca de Manaus estavam alcançadas por norma de isenção, conforme estabelecem o artigo 4º do DecretoLei n° 288/67 c/c art. 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) e art. 14, inciso II, da Medida Provisória nº 2.13535. Pontua que o artigo 4º do DecretoLei n° 288/67 equiparou mencionadas vendas à ZFM as operações de exportações para o exterior e que o art. 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) manteve os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus. Após histórico da evolução legislativa, esclarece que dentre as hipóteses de exclusão das isenções estabelecidas pelo § 2º, do art. 14, da Medida Provisória n° 2.158, vigente no período no período de apuração em estudo, não se inserem as receitas de vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915965/200850 Acórdão n.º 3801003.867 S3TE01 Fl. 14 5 Colaciona jurisprudência administrativa. Aduz que não se aplica a este caso o entendimento consolidado através da Solução de Divergência Cosit nº 07. Demonstra a internação das mercadorias vendidas à ZFM no período sob exame. Por fim, requer a reforma integral do acórdão recorrido para que seja homologado o crédito compensado. Por meio de petição e em razão dos julgamentos dos diversos processos por colegiados diferentes, a interessada junta cópias das notas fiscais e planilha de recomposição da base de cálculo das contribuições sociais. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915965/200850 Acórdão n.º 3801003.867 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. A interessada sustenta a nulidade da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) em face de que a decisão recorrida foi construída com base em premissas confusas e obscuras o que impossibilitou o pleno exercício do direito de defesa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, a propósito da alegada isenção, o julgador “a quo” motivou sua convicção de forma clara e precisa. Confirase trecho do voto condutor: Mas a empresa parece não estar falando de Isenção ou de Alíquota Zero, pois estes institutos jurídicos pressupõem a incidência e afetam o crédito tributário nascido do fato gerador, ou seja a obrigação surge e o crédito tributário dela decorrente não é cobrado, ou por que é excluído (e.g.: Isenção) ou por que o produto da Base de Cálculo pela Alíquota é nulo (Alíquota Zero). Ao dizer que não gerava obrigação fiscal e que havia equiparação à exportação, o defensor da inconformada parece querer falar de Imunidade. A Imunidade é instituto constitucional. Logo, se a empresa estiver desejando alegar inconstitucionalidade deverá fazêlo perante o Judiciário, pois a DRJ não é o foro competente para apreciar esse pleito. Além do mais, como bem colocado pela decisão de primeira instância, não fica comprovado o alegado pagamento indevido ou a maior. Ademais, os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. Nessa esteira, o julgador não tem a obrigação de rebater, um a um, todos os argumentos apresentados pela interessada na manifestação de inconformidade. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial o fato de que o direito creditório não foi comprovado por documentação hábil e idônea, tanto é assim que as notas fiscais de venda de produtos à Zona Franca de Manaus somente foram juntadas posteriormente Fl. 108DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915965/200850 Acórdão n.º 3801003.867 S3TE01 Fl. 16 7 a apresentação do recurso voluntário. Assim, eventual omissão sobre argumentos do sujeito passivo não acarreta a nulidade da decisão recorrida, visto que o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta os motivos pelos quais o direito creditório não foi reconhecido. Por tais razões não há que se falar em nulidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. No mérito, a controvérsia cingese em definir se as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições PIS e Cofins. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Em relação à isenção da Cofins, no período objeto do lançamento, estava em vigor o art. 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001. Art.14.Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915965/200850 Acórdão n.º 3801003.867 S3TE01 Fl. 17 8 I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992.(grifouse) Fl. 110DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915965/200850 Acórdão n.º 3801003.867 S3TE01 Fl. 18 9 Mister se faz ressaltar que este diploma legal já havia sido ajustado de acordo com a medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo Tribunal Federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória Fl. 111DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915965/200850 Acórdão n.º 3801003.867 S3TE01 Fl. 19 10 nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da contribuição em tela incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada contribuição, nos termos da legislação de regência. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915965/200850 Acórdão n.º 3801003.867 S3TE01 Fl. 20 11 Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915965/200850 Acórdão n.º 3801003.867 S3TE01 Fl. 21 12 Declaração de Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Em que pesem os argumentos apontados pelo ilustre relator ouso dele discordar. Conforme bem apontado a controvérsia cingese em definir se as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições PIS e Cofins e já é conhecido por essa turma o meu entendimento referente à questão, pois entendo que às mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, deve ser aplicado o disposto no artigo 149, § 2º da Constituição Federal c/c. o artigo 40 do ADCT considerandose que, a partir da análise do Decretolei 288/67, o legislador claramente objetivou que todos os benefícios fiscais instituídos para incentivar a exportação fossem aplicados, também, à mencionada localidade. Desta forma, a destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais. A questão se origina na Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, que criou a COFINS, o dispositivo que tratou da isenção para as vendas de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, como pode se ver, não fez qualquer menção expressa àquelas realizadas para a Zona Franca de Manaus: “Artigo 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: (Redação dada pela LCP nº 85, de 15/02/96) I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” Na regulamentação de referido dispositivo, o artigo 1º do Decreto nº 1.030, de 1993, referiuse expressamente às vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus, para a Amazônia Ocidental e para as Áreas de Livre Comércio, não reconhecendo a isenção, consoante se vê abaixo: Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915965/200850 Acórdão n.º 3801003.867 S3TE01 Fl. 22 13 “Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, instituída pelo artigo 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras, registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do artigo 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992. d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação.”(grifos e destaques meus) Posteriormente, com a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que também cuidou das regras da Cofins, não se verificou a existência de qualquer dispositivo versando sobre a incidência ou da não incidência de tais contribuições nas as receitas de exportação, o que, presumese, tenha sido feito com a edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/1999, e reedições, até a Medida Provisória nº 2.03724, de 23/11/2000, ao dispor, no seu artigo 14, caput e parágrafos sobre tais casos, revogando expressamente todos os dispositivos legais relacionados à exclusão de base de cálculo e isenção existentes até 30/06/1999, senão vejamos: “Artigo 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915965/200850 Acórdão n.º 3801003.867 S3TE01 Fl. 23 14 (...) § 1º (...) § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; “(grifei) Até aqui, resta claro que a intenção do legislador fora a de não estender a isenção da COFINS às receitas de vendas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental e nas áreas de livre comércio. Entretanto, tal regramento veio a ser contestado quando, em 07/11/2000, alegando afronta ao DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, bem como às determinações constitucionais que garantem tratamento beneficiado à Zona Franca de Manaus, o Governador do Estado de Amazonas, Sr. Amazonino Mendes, impetrou a Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI nº 2.3489 (DOU de 18/12/2000) –, requerendo a declaração de inconstitucionalidade e ilegalidade da restrição feita à Zona Franca de Manaus e que constou da citada MP nº 2.037. Neste sentido, o Supremo Tribunal Federal STF deferiu medida cautelar suspendendo a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, disposta no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724/00. A essa decisão foi conferido, expressamente, efeito ex nunc. Da consulta no sítio do Supremo Tribunal Federal na Internet, obtémse a informação de que, de fato, em 7/12/2000 (DOU 14/12/2000) fora deferida a Medida Cautelar pelo Pleno, com efeitos ex nunc, suspendendo a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do inciso I, do § 2º, do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23/11/2000. Certamente por conta de tal decisão, o Executivo editou a Medida Provisória nº 1.95231, de 14/12/2000, modificando aquele dispositivo cuja eficácia fora suspensa pelo STF, da seguinte forma: “Art. 11. O inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de novembro de 2000, passa a vigorar com a seguinte redação: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (NR)” Notese que foi retirada a expressão “na Zona Franca de Manaus”, o que indica que não mais estava estabelecida em lei a vedação expressa da isenção dessas operações. Assim, esteve em vigor a referida liminar de 14/12/2000 até 02/02/2005, quando o processo foi encerrado. Logo em seguida, editouse a Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001, que manteve a supressão apenas da expressão “na Zona Franca de Manaus”, retroagindo seus efeitos aos fatos geradores a partir de 1º de fevereiro de 1999. Vale a pena transcrever tal enunciado: Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915965/200850 Acórdão n.º 3801003.867 S3TE01 Fl. 24 15 “Artigo 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o artigo 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o artigo 13. §1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. §2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; Revogado pela Lei no 11.508, de 2007 ; Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915965/200850 Acórdão n.º 3801003.867 S3TE01 Fl. 25 16 III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do artigo 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992.”(grifei) Com base nessas breves considerações sobre a evolução legislativa, podemos afirmar que à época da ocorrência do fato gerador em comento havia, de um lado, uma disposição expressa não estendendo a isenção das vendas de mercadorias ao exterior para as vendas para a Amazônia Ocidental e para as Áreas de Livre Comércio, e, de outro, inexistindo qualquer menção à incidência ou não das vendas para a Zona Franca de Manaus. Verdade seja dita, essa “omissão” do legislador decorreu de uma adequação à referida decisão do STF, e, de qualquer modo, a não ser por conta dessa peculiaridade, a de ter o poder público se ajustado ao caminho delineado pelo STF, o rumo tomado pelo citado julgamento da Adin nº 2.3489 pouca ou nenhuma influência há de exercer neste julgamento, seja por que a mesma foi arquivada, seja porque o Poder Executivo acabou por curvarse ao entendimento do STF e tratou de retirar a expressão considerada inconstitucional (“Zona Franca de Manaus”), do dispositivo que vedava a isenção da COFINS. Assim, o que está em vigor desde 1º de fevereiro de 1999 e que abrangeu o período de apuração objeto deste julgamento, é a seguinte regra, na parte que nos interessa: “Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I – (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...) “ Na verdade, a celeuma só existe por conta dessa omissão, aparentemente deliberada do legislador, pois, mesmo conhecendo a posição do STF acerca da desvinculação das receitas para a Zona Franca de Manaus das receitas de exportação em geral, preferiu não enfrentar diretamente a questão ao estabelecer a vedação expressa da isenção apenas para as vendas efetuadas para a Amazônia Ocidental e para as áreas de livre comércio, quedandose inerte, ou melhor, omisso, em relação às vendas para a Zona Franca de Manaus. Lembremonos que, para fins de interpretação da regra, estamos sob a égide da Constituição Federal e com a instituição de um novo ordenamento jurídico pela Constituição Federal de 1988, o artigo 40 do ADCT expressamente prorrogou os benefícios fiscais concedidos anteriormente à Zona Franca de Manaus, in verbis : Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915965/200850 Acórdão n.º 3801003.867 S3TE01 Fl. 26 17 Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. A aludida norma, ao preservar a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, recepcionou expressamente o Decretolei nº 288/67, que prevê que a exportação de mercadorias de origem nacional para a Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será, para todos os efeitos fiscais, equivalente a uma exportação brasileira para o exterior. Após, a Emenda Constitucional nº 42, de 19/12/2003, que acrescentou o artigo 92 ao ADCT, prorrogou por mais 10 (dez) anos o prazo fixado no mencionado artigo 40. No que se refere ao PIS, a Lei nº 7.714/88, com a redação dada pela Lei nº 9.004/95, dispôs que: Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) e para o Programa de Integração Social (PIS), de que trata o DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. Prevê, ainda, a Lei nº 10.637/2002, em seu art. 5º: Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; Em relação à COFINS, a Lei Complementar nº 70/91, com as modificações trazidas pela Lei Complementar nº 85/96, afirmou expressamente que: Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I – de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; Da leitura das normas acima, verifico que os valores resultantes de exportações foram excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS e, por extensão, em razão do disposto no Decretolei nº 288/67 e nos artigos 40 e 92 do ADCT, da CF/88, às operações destinadas à Zona Franca de Manaus. Essa disposição se reforça pela interpretação da determinação dada pelo artigo 149, § 2º, I da Carta Magna: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915965/200850 Acórdão n.º 3801003.867 S3TE01 Fl. 27 18 (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo:(Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) A regra constitucional desonerativa, conforme visto, foi devidamente observada pela legislação infraconstitucional, a exemplo do artigo 7º da LC 70/91 (COFINS) e do artigo 5º da Lei 10.637/02 (PIS). Diante desse quadro e, especialmente, em razão da forma contundente e reiterada com que tem se posicionado nossas cortes judiciais superiores, tenho que considerar que as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições para o PIS e a COFINS em face da regras constantes do inciso II do caput, e do inciso I, do § 2º, ambas do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, combinadas com as do artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 e do artigo 40 do ADCT da Constituição Federal de 1988. Vejamos algumas decisões do Superior Tribunal de Justiça (cujos destaques são meus): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. ARTS. 110, 111, 176 E 177, DO CTN. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ART. 4º DO DL 288/67. INTERPRETAÇÃO. EMPRESAS SEDIADAS NA PRÓPRIA ZONA FRANCA. CABIMENTO. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. 2. No caso, a recorrente apontou violação do art. 535, II, do CPC, porque o aresto impugnado teria sido omisso quanto aos arts. 110, 111, 176 e 177, do CTN, sem explicitar, contudo, os diversos requisitos acima mencionados. Limitouse a defender a Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915965/200850 Acórdão n.º 3801003.867 S3TE01 Fl. 28 19 necessidade de prequestionamento para fins de interposição dos recursos extremos. Incidência da Súmula 284/STF. 3. A ausência de prequestionamento – arts. 110, 111, 176 e 177, do CTN – obsta a admissão do apelo, nos termos da Súmula 211/STJ. 4. A tese de violação do art. 110 do CTN não se comporta nos estreitos limites do recurso especial, já que, para tanto, fazse necessário examinar a regra constitucional de competência, tarefa reservada à Suprema Corte, nos termos do art. 102 da CF/88. Precedentes. 5. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposto no art. 4o do DecretoLei 288/67, de modo que sobre elas não incidem as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 6. O benefício fiscal também alcança as empresas sediadas na própria Zona Franca de Manaus que vendem seus produtos para outras na mesma localidade. Interpretação calcada nas finalidades que presidiram a criação da Zona Franca, estampadas no próprio DL 288/67, e na observância irrestrita dos princípios constitucionais que impõem o combate às desigualdades sócioregionais. 7. Recurso especial conhecido em parte e não provido. STJ 2º TURMA RECURSO ESPECIAL Nº 1.276.540 AM (2011/00820963) – Rel: MIN. CASTRO MEIRA. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. ART. 3º DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. MERCADORIAS DESTINADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. NÃOINCIDÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. 1. A questão do prazo prescricional das Ações de Repetição de Indébito Tributário, à luz do art. 3º da Lei Complementar 118/2005, não foi atacada no Recurso Especial. A discussão do tema em Agravo Regimental encontrase vedada, diante da preclusão. 2. Não se conhece de Recurso Especial quanto a matéria não especificamente enfrentada pelo Tribunal de origem, dada a ausência de prequestionamento. Incidência, por analogia, da Súmula 282/STF. 3. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/1967. Não incidem Fl. 121DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915965/200850 Acórdão n.º 3801003.867 S3TE01 Fl. 29 20 sobre elas as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 4. A revisão da verba honorária implica, como regra, reexame da matéria fáticoprobatória, o que é vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). Excepcionamse apenas as hipóteses de valor irrisório ou exorbitante, o que não ocorreu no caso dos autos. 5. Agravo Regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (AgRg no Ag 1.295.452/DF, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 01.07.10) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE VÍCIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. MERAS CONSIDERAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284 DO STF, POR ANALOGIA. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DA TESE DOS CINCO MAIS CINCO. PRECEDENTE DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1002932/SP. OBEDIÊNCIA AO ART. 97 DA CR/88. PIS E COFINS. RECEITA DA VENDA DE PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO À EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. 1. Não merece acolhida a pretensão da recorrente, na medida em que não indicou nas razões nas razões do apelo nobre em que consistiria exatamente o vício existente no acórdão recorrido que ensejaria a violação ao art. 535 do CPC. Desta forma, há óbice ao conhecimento da irresignação por violação ao disposto na Súmula n. 284 do STF, por analogia. 2. Consolidado no âmbito desta Corte que nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da pretensão relativa à sua restituição, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05 (em 9.6.2005), somente ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. 3. Precedente da Primeira Seção no REsp n. 1.002.932/SP, julgado pelo rito do art. 543C do CPC, que atendeu ao disposto no art. 97 da Constituição da República, consignando expressamente a análise da inconstitucionalidade da Lei Complementar n. 118/05 pela Corte Especial (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. A jurisprudência da Corte assentou o entendimento de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decretolei n. 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem a Cofins sobre tais receitas. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915965/200850 Acórdão n.º 3801003.867 S3TE01 Fl. 30 21 5. Precedentes: REsp 1084380/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26.3.2009; REsp 982.666/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 18.9.2008; AgRg no REsp 1058206/CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12.9.2008; e REsp 859.745/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 3.3.2008. 6. Recurso especial não provido. (REsp 817.847/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25.10.10) TRIBUTÁRIO ZONA FRANCA DE MANAUS PRESCRIÇÃO REMESSA DE MERCADORIAS EQUIPARADA À EXPORTAÇÃO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI ISENÇÃO DO PIS E DA COFINS. 1. Prevalência da tese dos “cinco mais cinco” na hipótese dos autos, relativa à prescrição dos tributos sujeitos à lançamento por homologação Inaplicabilidade da Lei Complementar 118/2005. 2. A destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decreto lei 288/67. 3. Direito da empresa ao crédito presumido do IPI, nos termos do art. 1o da Lei 9.363/96, e à isenção relativa às contribuições do PIS e da COFINS. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido. (REsp 653.975/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 16.02.07) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. RESP 1.002.932/SP. PIS. COFINS. VERBAS PROVENIENTES DE VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. NÃO INCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, referente a pagamento indevido efetuado antes da entrada em vigor da LC 118/05, continua observando a “tese dos cinco mais cinco” (REsp 1.002.932/SP, Rel Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, DJ 18/12/09). 2. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da LC 118/05, que estabelece aplicação retroativa de seu art. 3o, por ofensa dos princípios da autonomia, da independência dos poderes, da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa Fl. 123DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915965/200850 Acórdão n.º 3801003.867 S3TE01 Fl. 31 22 julgada (AI nos EREsp 644.736/PE, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, Corte Especial, DJ 27/8/07). 3. Este Superior Tribunal possui entendimento assente no sentido de que as operações envolvendo mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/67 (REsp 802.474/RS, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 13/11/09). 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.141.285/RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26.05.11) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. 1. A interposição de embargos declaratórios é pressuposto do especial fundado na violação ao art. 535 do CPC, sob pena de não conhecimento do recurso quanto ao ponto, dada a ausência de prequestionamento. 2. A ausência de debate, na instância recorrida, sobre os dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai, por analogia, a incidência da Súmula 282 do STF. 3. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1a Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3o da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 4. Nos termos do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida “com suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição”. Ora, entre as “características” que tipificam a Zona Franca destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto lei 288/67, segundo o qual “a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e Fl. 124DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915965/200850 Acórdão n.º 3801003.867 S3TE01 Fl. 32 23 enquanto não alterado ou revogado o art. 4º do DL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a Zona Franca de Manaus são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: RESP. 223.405, 1a T. Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 01.09.2003 e RESP. 653.721/RS, 1a T., Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 26.10.2004) 5. “O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI n. 23489, suspendeu a eficácia da expressão 'na Zona Franca de Manaus', contida no inciso I do § 2o do art. 14 da MP n.o 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus.” (REsp 823.954/SC, 1a T. Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 25.05.2006). 6. “Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, e, ainda, que a referida ação direta de inconstitucionalidade esteja pendente de julgamento final, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.037 24 que tiveram sua eficácia normativa suspensa” (REsp n.º 677.209/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de 28/02/2005). 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. (REsp 1.084.380/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26.03.09) Assim, evidente que, enquanto não alterado o artigo 4º do Decretolei 288/1967 que equiparou as vendas destinadas à Zona Franca de Manaus às exportações, as vendas destinadas à região estão desoneradas das contribuições para o PIS e a COFINS. Nesse sentido, voto pela procedência do presente recurso voluntário para reconhecer o direito creditório da Recorrente decorrente dos valores indevidamente pagos. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Fl. 125DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10850.904568/2011-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
COMBUSTÍVEIS. DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Os distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero em razão do regime monofásico, não podem se creditar das aquisições de produtos destinados à revenda em face de vedação expressa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
:
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Os distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero em razão do regime monofásico, não podem se creditar das aquisições de produtos destinados à revenda em face de vedação expressa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. : (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 45 68 /2 01 1- 13 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904568/201113 Acórdão n.º 3801003.655 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciado Pedido de Ressarcimento (PER/DCOMP) de nº 02781.62091.201008.1.1.116002, por intermédio da qual o contribuinte pretende ver ressarcido crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo, no valor de R$ 27.456,14, concernente a COFINS (COFINS NÃO CUMULATIVO MERCADO INTERNO), período de apuração: 4º trimestre de 2007. Por meio de despacho decisório de fl. 7, com fundamento na informação fiscal de fls. 55/57, constatouse que o interessado apurou créditos relativos às aquisições de gasolina e óleo diesel para pleitear ressarcimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), considerando as suas saídas com alíquota zero. O pedido do contribuinte foi indeferido, pois apesar de sair produtos com alíquota zero, as tributações do COFINS, referentes ao óleo diesel e à gasolina, ocorrem de forma concentrada (incidência monofásica) no produtor ou importador, não havendo previsão legal da possibilidade de manutenção de créditos na aquisição pelo distribuidor ou revendedor atacadista ou revendedor varejista. Diante disso, como não foi constatado o auferimento de receitas não tributadas no mercado interno, passíveis de ressarcimento, o despacho decisório concluiu que o interessado não tem direito ao ressarcimento pleiteado. Regularmente cientificado do Despacho Decisório em 17/01/2012 (fl. 8), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 09/47, insurgindose contra o teor do despacho decisório de fl. 7, acompanhado de Informação Fiscal, na qual alega, em síntese, que: a) por entender ter direito ao crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, em relação aos produtos que adquiriu, pleiteou o seu ressarcimento; b) não pleiteou direito ao creditamento sobre álcool, gás liquefeito ou natural ou biodiesel, mas apenas ao creditamento na aquisição de gasolina A e óleo diesel, doravante englobados pelo termo combustível; c) as normas devem ser interpretadas sistematicamente sob pena de desvirtuamento da ordem jurídica, sendo desejo expresso do legislador que não existisse mais qualquer vedação ao creditamento pretendido como forma de dar efetividade à não cumulatividade; d) a contribuinte está obrigatoriamente sob a incidência das leis da nãocumulatividade, nos termos da Lei nº 10.637/2002 (PIS não cumulativo) e da Lei nº 10.833/2003 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904568/201113 Acórdão n.º 3801003.655 S3TE01 Fl. 4 3 (Cofins nãocumulativa), já que não se enquadra nas exceções; e) é de se consignar que os distribuidores já constaram expressamente como jungidos à cumulatividade, mas houve uma mutação na redação original que instituiu como substituto a refinaria e substituídos os distribuidores; f) a Lei nº 9.990/00 retirou a distribuidora da incidência; g) há ainda uma menção residual aos distribuidores de combustíveis, mas totalmente esvaziada, pois já não existe mais a substituição tributária aventada; h) há norma latente para os distribuidores enquanto substitutos, mas não há como contribuintes diretos, pois não estão mais na cumulatividade; i) quem se encontra em limbo tributário são os produtores não os distribuidores, já que passaram a ser submetidos às chamadas alíquotas diferenciadas; j) essa mixórdia se refere a “produtor” e “importador”, não arrastando para a balbúrdia os “distribuidores”; k) a legislação da cumulatividade não se destina à contribuinte já que os distribuidores, que apuram resultados para o imposto sobre a renda pelo lucro real, foram postos compulsoriamente na nãocumulatividade; l) cita os artigos que foram apresentados como fundamento para vedação definitiva dos créditos aqui discutidos; m) na cadeia produtiva de combustíveis, as distribuidoras estão em uma etapa que está sob a incidência da legislação do PIS/Cofins nãocumulativos e, para completar os critérios da regramatriz de incidência, já tinha ficado estabelecido que os distribuidores operariam com alíquota zero, conforme MP nº 2.15835/01; n) é descabido confundir alíquota zero com não incidência, pois são fenômenos distintos; o) quando a lei estabelece a tributação dita monofásica, ela expressamente coloca a incidência em uma única fase que não se confunde com a nãocumulatividade que pressupõe a tributação em várias fases mesmo que em uma ou alguma delas a incidência se dê à alíquota zero; p) nesse caso, não há direito a creditamento para outras fases, porque o resto da cadeia está fora do campo de incidência do tributo, uma vez que a tributação ficou inteiramente concentrada em um único contribuinte, independente da sistemática dos demais elos da cadeia produtiva. Nestes específicos casos, descabe falar em cumulatividade ou nãocumulatividade. Todavia, se incidir, ainda que com alíquota zero, não é o caso de tributação monofásica, o que não ocorreu com os combustíveis aqui discutidos: gasolina A e Diesel; q) é constrangedora a freqüência com que se repete, até em atos regulamentares inferiores, que os combustíveis estão sob o sistema de monofasia, porém não há tributação monofásica justamente porque todos estão submetidos à incidência da tributação das citadas contribuições (alíquota zero); r) por meio da MP nº 206, publicada e vigente em 09/08/2004, surgiu o artigo 16, que virou o artigo 17, quando convertida na Lei nº 11.033/2004, criando condições para a plena nãocumulatividade no que tange ao PIS/Cofins, como expresso na Exposição de Motivos da referida MP; s) a MP que introduziu o artigo 17 é norma politemática; t) a Lei nº 11.116/2005 veio para dar maior efetividade ao creditamento como instrumento da nãocumulatividade; u) a autoridade administrativa usou o argumento equivocado para Fl. 138DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904568/201113 Acórdão n.º 3801003.655 S3TE01 Fl. 5 4 negar o direito da empresa, citando as disposições da IN SRF nº 594/2005, que teria expressamente introduzido a vedação, e mais, com efeito retroativo. No Estado Democrático de Direito, as limitações e restrições ao agir dos contribuintes somente podem estar previstas em lei; v) pela normatização do PIS/Cofins nãocumulativos, o método escolhido pelo legislador foi o indireto subtrativo, ou seja, independe de quanto foi, ou sequer se houve, tributação na cadeia anterior, ou se o elo anterior estava no regime da nãocumulatividade, pois se baseia somente em incidência da alíquota base sobre as aquisições, independente se a aquisição seja decorrente de creditamento sobre etapas não tributadas, ou tributadas com alíquota diferente; x) em 03/01/2008, foi editada a MP nº 413, que alterou o permissivo de creditamento das leis da nãocumulatividade, porém tal dispositivo não foi aprovado; y) após toda a exposição, transcreve as seguintes premissas: 1) se a contribuinte é distribuidora de combustíveis; 2) se a contribuinte é tributada pelo Lucro Real (regime nãocumulativo para o PIS/Cofins); 3) o único instrumento com poderes para criar restrições é a lei; 4) existe norma que previu expressamente que a contribuinte deveria tributar o PIS/Cofins com alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofasia ou não incidência; 5) o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 prevê expressamente que todos os contribuintes da nãocumulatividade, mesmo que faturem com alíquota zero, podem creditarse de PIS/Cofins; 6) a Lei nº 11.033/2004 é politemática; 7) o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 fez foi dotar de mais garantias a previsão do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 8) sempre se ressalva, nas novas normas, o que fica ainda regulado em outra norma anterior, o que não aconteceu com a possibilidade de creditamento para a contribuinte, sendo certo que normas infralegais não tem tal condão; 9) o creditamento é coerente com a técnica de não cumulatividade empregada no PIS/Cofins, em consonância com a prescrição constitucional; 10) o Poder Executivo, via medida provisória, tentou restaurar a vedação ao creditamento, mas por intuitiva inconstitucionalidade, não foi mantida no ordenamento jurídico; z) repisese, creditamento sobre a aquisição de Gasolina A e óleo Diesel, como consta de seu pedido. Ao final, requer a procedência da Manifestação de Inconformidade para o fim de se deferir o creditamento pretendido e homologada a compensação efetuada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DERIVADOS DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEIS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. REVENDA VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. SISTEMÁTICA DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito a creditamento de PIS/PASEP relativo às operações de distribuição e varejo de combustíveis, realizadas à alíquota zero, com base na sistemática da nãocumulatividade. É Fl. 139DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904568/201113 Acórdão n.º 3801003.655 S3TE01 Fl. 6 5 incontroverso que a Lei nº 9.990/2000 fixou a incidência monofásica do PIS/PASEP e da Cofins sobre combustíveis derivados de petróleo, permanecendo concentrada na produção e importação a incidência do tributo, inviabilizando, por esse motivo, o creditamento pretendido. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Reforça as teses suscitadas na manifestação de inconformidade e insiste que com o art. 17 da Lei n° 11.033/04 reaparece permissão para a mantença dos créditos discutidos e que o art. 16 da Lei nº 11.116/05 permitiu a utilização dos referidos créditos. Questiona o mérito das decisões judiciais colacionadas no acórdão. Argumenta que no caso da recorrente há: a) uma incidência tributária no início da cadeia, com alíquota diferenciada e ocasionalmente mais alta que a regra geral; b) e também uma incidência tributária nos demais elos da cadeia, igualmente com alíquota diferenciada e ocasionalmente mais baixa que a da regra geral. Pontua que monofásico seria, como a própria nomenclatura já adianta, só incidir em uma fase, ficando as demais como NT; que não é, como visto, o que ocorre, afinal a contribuinte está também ao alcance das contribuições sociais, apenas com uma alíquota diferenciada. Reitera que monofasia não é alíquota zero citando artigos das Leis 10.865/04 e 10.560/2002. Alega que o acórdão recorrido passou sem maiores análises sobre o fundamental art. 17 da Lei nº 11.033/04, que, por ser norma específica e posterior, revoga qualquer obstáculo que houvesse ao creditamento pretendido. Discorda da tese de que o art. 17 da Lei n° 11.033/04 não pode prevalecer sobre a vedação. Aduz que o art. 17 só pode se destinar exatamente para os casos que tinham vedação expressa. Os demais não precisavam, justamente porque não estavam vedados. De outro giro, apresenta os contornos das edições da Medidas Provisórias 413 e 451 de 2008, que não foram convertidas em Lei. Por fim, colaciona novamente as premissas legais apresentadas na manifestação de inconformidade e requer a reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904568/201113 Acórdão n.º 3801003.655 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Para a solução da lide é importante um breve histórico da evolução legislativa em face da tributação das contribuições PIS e Cofins sobre os combustíveis. De imediato, registrese que não há controvérsia em relação ao fim do instituto da substituição tributária nas operações com combustíveis (gasolina e óleo diesel) a partir da edição da MP 199115, de 10 de março de 2000, e Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que alteraram a redação original da Lei 9.718/98: Art. 4º As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições a que se refere o art. 2º, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás. (Vide arts. 4º e art. 92, da Medida Provisória nº 215835, de 2001) Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será calculada sobre o preço de venda da refinaria, multiplicado por quatro.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, devidas pelas refinarias de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) I – dois inteiros e sete décimos por cento e doze inteiros e quarenta e cinco centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas, exceto gasolina de aviação; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) II – dois inteiros e vinte e três centésimos por cento e dez inteiros e vinte e nove centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) III – dois inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento e onze inteiros e oitenta e quatro centésimos por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liqüefeito de petróleo – GLP; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – Fl. 141DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904568/201113 Acórdão n.º 3801003.655 S3TE01 Fl. 8 7 PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) III – 10,2% (dez inteiros e dois décimos por cento) e 47,4% (quarenta e sete inteiros e quatro décimos por cento) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de petróleo (GLP) dos derivados de petróleo e gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III 10,2% (dez inteiros e dois décimos por cento) e 47,4% (quarenta e sete inteiros e quatro décimos por cento) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) IV – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades.(Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) Parágrafo único. Revogado.(Redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000)" Anotese, por pertinente, que a MP 199115, de 10 de março de 2000 (atual e em vigor MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001) em seu art. 43 reduziu a zero as alíquotas das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre os combustíveis vendidos pelos distribuidores e comerciantes, uma vez que se adotou o regime concentrado com alíquotas diferenciadas: Art. 43 Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolina automotiva, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas;(...) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às hipóteses de venda de produtos importados, que se sujeita ao disposto no art. 6º da Lei no 9.718, de 1998, com a redação atribuída pelo art. 2º desta Medida Provisória. (...) Fl. 142DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904568/201113 Acórdão n.º 3801003.655 S3TE01 Fl. 9 8 Art. 46. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (...) II no que se refere à nova redação dos arts. 4o a 6o da Lei no 9.718, de 1998, e ao art. 43 desta Medida Provisória, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de julho de 2000, data em que cessam os efeitos das normas constantes dos arts. 4o a 6o da Lei no 9.718, de 1998, em sua redação original, e dos arts. 4º e 5º desta Medida Provisória. . Como visto, o regime de substituição tributária nas operações com combustíveis foi extinto a partir da edição da MP 199115/2000 e de suas reedições. Desta forma, o regime em relação à incidência das contribuições PIS e Cofins passou a ser concentrado, em uma única fase, incidindo apenas sobre a receita de venda das refinarias. Com a instituição da sistemática de incidência nãocumulativa para as contribuições PIS e Cofins, as receitas de venda de combustíveis, inicialmente, não integravam a base de cálculo da contribuição em face de vedação legal, PIS/Pasep: art. 1°, § 3°, inciso IV, da MP nº 66/2002 e da Lei n° 10.637/2002 e Cofins: art. 1°, § 3°, inciso IV, da MP nº 135/2003 e da Lei n° 10.833/2003. Este status foi alterado pela Lei n° 10.865/2004 (DOU 30/4) que permitiu por força do disposto nos artigos 21 e 37, a utilização da sistemática nãocumulativa em relação às receitas da venda de gasolinas (exceto gasolina de aviação), óleo diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP) e autorizou o aproveitamento dos créditos relativos a tais produtos. Destacase a vedação da utilização de créditos por parte dos revendedores em relação aos produtos adquiridos para revenda, nos termos do art. 3°, inciso I, da Lei n° 10.637/2002 e art. 3°, inciso I, da Lei n° 10.833/2003. Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP) derivado de petróleo e gás natural; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP Fl. 143DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904568/201113 Acórdão n.º 3801003.655 S3TE01 Fl. 10 9 derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008)(grifouse) A recorrente insiste que o art. 17 da Lei nº 11.033/04 alterou esse cenário e por ser norma específica e posterior, revoga qualquer obstáculo ao pretenso crédito. Não assiste razão à recorrente. Este dispositivo legal, abaixo transcrito, não alcança os produtos sujeitos ao regime monofásico. Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Por força de expresso dispositivo legal (art. 3°, inciso I, da Lei n° 10.637/2002 e art. 3°, inciso I, da Lei n° 10.833/2003), o regime monofásico não possibilita o creditamento referentes as aquisições de mercadorias para revenda. Tenhase presente que a tributação concentrada nos produtores, importadores e refinarias de petróleo foi uma opção do legislador e não foi modificada pelo citado art. 17. Não se pode perder de vista que o referido artigo 17 foi antes da conversão da Lei expresso no artigo16 da MP 206/2004. A exposição de motivos reafirma o caráter meramente interpretativo deste diploma legal: “as disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS” Deste modo, o artigo 17 da Lei nº 11.033/04 não gerou novas hipóteses de creditamento como quer fazer crer a recorrente. Reiterase que a vedação expressa não foi revogada tacitamente. Interpretação equivocada a da recorrente e que não tem guarita neste Conselho e no Poder Judiciário. Por pertinente, transcrevese a expressão do § 8º da exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002: 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, Fl. 144DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904568/201113 Acórdão n.º 3801003.655 S3TE01 Fl. 11 10 as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária.(grifouse). Nesse sentido, recentemente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial 1.259.770 PR, assim se pronunciou: COFINS. CREDITAMENTO. ART. 17 DA LEI 11.033/2004, C/C ART. 16, DA LEI N. 11.116/2005. REVENDA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES E AUTOPEÇAS. REGIME DE INCIDÊNCIA MONOFÁSICA DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS. REGIME ESPECIAL EM RELAÇÃO AO REGIME DE INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. 1. Consoante os precedentes desta Segunda Turma de Direito Tributário do Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes das atividades de venda e revenda sujeitas ao pagamento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS em Regime Especial de Tributação Monofásica não permitem o creditamento pelo revendedor das referidas contribuições incidentes sobre as receitas do vendedor por estarem fora do Regime de Incidência NãoCumulativo, a teor dos artigos 2º, §1º, e incisos; e 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003. Desse modo, não se lhes aplicam, por incompatibilidade de regimes e por especialidade de suas normas, o disposto nos artigos 17, da Lei n. 11.033/2004, e 16, da Lei n. 11.116/2005, cujo âmbito de incidência se restringe ao Regime NãoCumulativo, salvo determinação legal expressa. Precedentes: REsp. Nº 1.267.003 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 17.09.2013; AgRg no REsp. Nº 1.239.794 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 17.09.2013. 2. Indiferentes se tornam as alterações efetuadas no art. 8º VII "a" da Lei n.º 10.637/2002 e art. 10, VII "a" da Lei n.º 10.833/2003 pelo art. 42, III, "c" e "d", da Lei n. 11.727/2008, e pelo art. 21, da Lei n. 10.865/2004 no art. 1º, §3º, IV, da Lei n. 10.833/2003 e pelo art. 37 da Lei n. 10.865/2004 no art. 1º, §3º, IV, da Lei n. 10.637/2002, pois a incompatibilidade é dos próprios regimes de tributação. 3. Incompatibilidade que se restringe às mercadorias e produtos sujeitos à tributação monofásica, não alcançando as atividades empresariais como um todo. 4. Agravo regimental não provido.(grifouse) Assinalese, também, que este entendimento está em consonância com os princípios constitucionais da capacidade contributiva, que se aplica as diversas espécies tributárias, e universalidade do custeio da seguridade social. Uma interpretação equivocada de um dispositivo legal, art. 17 da Lei nº 11.033/04, não pode enriquecer ilicitamente parcela dos contribuintes. De outro giro, o financiamento da seguridade social por toda a sociedade, esteado no princípio da solidariedade, não autoriza o creditamento dos produtos adquiridos para revenda sujeitos à tributação concentrada. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904568/201113 Acórdão n.º 3801003.655 S3TE01 Fl. 12 11 De modo que, ao contrário do alegado, não há que se falar em direito à restituição dos valores de PIS e Cofins, visto que há vedação expressa ao creditamento referente às aquisições de produtos monofásicos destinados à revenda. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto, não reconhecendo o direito creditório e não homologando as compensações pleiteadas. Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 146DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 35011.003644/2006-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ARTIGO 65 DO RICARF.
Havendo contradição no acórdão proferido deve-se acolher os embargos para sanar o vício existente.
Numero da decisão: 2301-004.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) em corrigir o período citado, nos termos do voto do Relator
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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