Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19647.002254/2006-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 1999
AÇÃO JUDICIAL. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIAS COM MESMO OBJETO. RENÚNCIA.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo importa renúncia ao contencioso administrativo.
Numero da decisão: 2401-006.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 1999 AÇÃO JUDICIAL. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIAS COM MESMO OBJETO. RENÚNCIA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo importa renúncia ao contencioso administrativo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 19647.002254/2006-99
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6020656
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-006.643
nome_arquivo_s : Decisao_19647002254200699.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MIRIAM DENISE XAVIER
nome_arquivo_pdf_s : 19647002254200699_6020656.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
id : 7783796
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052122223738880
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-10T17:21:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-10T17:21:01Z; Last-Modified: 2019-06-10T17:21:01Z; dcterms:modified: 2019-06-10T17:21:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-10T17:21:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-10T17:21:01Z; meta:save-date: 2019-06-10T17:21:01Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-10T17:21:01Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-10T17:21:01Z; created: 2019-06-10T17:21:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-06-10T17:21:01Z; pdf:charsPerPage: 1678; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-10T17:21:01Z | Conteúdo => S2-C 4T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 19647.002254/2006-99 Recurso Voluntário Acórdão nº 2401-006.643 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de junho de 2019 Recorrente GILBERTO JOSÉ DE OLIVEIRA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 1999 AÇÃO JUDICIAL. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIAS COM MESMO OBJETO. RENÚNCIA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo importa renúncia ao contencioso administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Trata-se de pedido de Repetição de Indébito, fl. 3, objetivando obter restituição do imposto de renda retido na fonte incidente sobre verba recebida no ano-calendário 1999, exercício 2000, decorrente da aposentadoria pelo programa de demissão voluntária, gerando uma indenização voluntária incentivada, recebida do Banco do Estado de Pernambuco SA - BANDEPE, que entende ser isento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 22 54 /2 00 6- 99 Fl. 82DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.643 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.002254/2006-99 No Termo Individual de Opção pela Liquidação, fls. 16/17, consta que o BANDEPE firmou compromisso de suplementar a aposentadoria oficial do participante (recorrente), mas que foi feita por ele a opção pela liquidação dos benefícios até então mantidos. Recebeu o participante o valor bruto de R$ 343.719,56, a título de indenização voluntária incentivada correspondente ao benefício de aposentadoria a que teria direito, que era paga diretamente pelo BANDEPE. Conforme Termo de Informação Fiscal de fls. 25/28, o interessado apresentou declaração retificadora em 27/12/2005 pleiteando restituição do imposto de renda do exercícios 2000, quando o direito de pleitear a restituição para o ano-base 1999 extinguiu-se em 31/12/2004, conforme item 8.1 da Nota MF/COSIT 577/2000, SCI 16/03, 35/03 e 13/04, e arti 168, I da Lei 5.172/66. Desta forma, foi indeferido o pedido de restituição, nos termos do Despacho Decisório de fl. 29. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, fls. 32/36, questionando a prescrição declarada e informando que ajuizou o processo judicial 99.001746-3 em fevereiro de 1999, visando não haver tributação sobre sua renda advinda do PDV, que transitou em julgado apenas em 27/09/2004. Acrescenta que a quantia relativa ao imposto de renda foi depositada em juízo , sendo revertida para os cofres públicos apenas após a ordem do juiz. Diz que a interposição de ação suspendeu o prazo para requerer a restituição. A DRJ/REC, não conheceu da Manifestação de Inconformidade, conforme Acórdão 11-24.276 de fls. 44/47, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, tomando definitivo o lançamento, razão pela qual não se aprecia o seu mérito, não conhecendo da impugnação apresentada. Impugnação não Conhecida Cientificado do Acórdão em 25/2/09 (Aviso de Recebimento - AR de fl. 49), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 24/3/09, fls. 53/63, que contém, em síntese: Diz ser pacífico o entendimento sobre a não incidência de imposto sobre a verba recebida a título de PDV. Afirma que seu pedido foi indeferido por outro motivo. Na decisão alegam os auditores a concomitância com processo judicial. Esclarece que houve um processo judicial (sem êxito para o impetrante) que envolveu a matéria relativa ao PDV, mas o objeto de referido processo era outro: que o BANDEPE se abstenha de repassar à Receita Federal o valor correspondente ao Imposto de Renda sobre verbas indenizatórias a serem pagas aos impetrantes. Diz que, em outras palavras, requereu ao juiz que o BANDEPE não realizasse o desconto na fonte referente ao IRRF. Explica que o objeto do pedido feito à RFB foi a restituição do valor pago indevidamente a título de imposto de renda incidente sobre as verbas do PDV. Portanto, os objetos são distintos. Fl. 83DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.643 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.002254/2006-99 Acrescenta que a discussão foi com o BANDEPE sobre a retenção e que este processo se encerrou em 2004. O processo administrativo teve início somente em 2006, não havendo concomitância entre eles, pois não correram ao mesmo tempo. Entende que não houve extinção do prazo quinquenal para restituição do imposto, pois durante o curso do processo judicial o IRRF não chegou a ser recolhido, foi depositado em juízo. Somente após a ordem do juiz é que os valores depositados foram para os cofres públicos, a título de imposto de renda incidente sobre as verbas recebidas em virtude de PDV. Cita o CTN, art. 156, VI, ressaltando que a extinção do crédito tributário (que coincide com o início do prazo prescricional) no caso em que houve ação judicial e os valores foram depositados em juízo, só ocorreu com a conversão do depósito em pagamento em favor da União. Cita também o art. 151 do CTN, que suspende a exigibilidade do crédito tributário a concessão de medida liminar em mandado de segurança, o que também suspende o prazo para o pedido de restituição. Conclui que o prazo quinquenal para o contribuinte requerer administrativamente a restituição do tributo pago indevidamente iniciou-se com o trânsito em julgado do processo judicial que o contribuinte ajuizou, em 27/9/04. Requer seja reconhecido seu direito à restituição. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO No presente caso, a DRF, desconhecendo a ação judicial, negou a restituição ao argumento de decurso do prazo para pleitear a restituição. A DRJ, por sua vez, entendendo que o contribuinte ingressou com ação judicial contendo o mesmo objeto, não conheceu da manifestação de inconformidade. Conforme Certidão de fl. 37, reconheceu-se como legítima a incidência do imposto de renda sobre o benefício por serem proventos de aposentadoria: Certifico que acórdão do Egrégio Tribunal Regional Federal da 5ª Região por maioria dos votos deu provimento a apelação da FAZENDA NACIONAL, reconhecendo ser legítima a incidência do imposto de renda sobre tais benefícios por serem proventos de aposentadoria. Portanto, no julgamento do Mandado de Segurança impetrado pelo recorrente, julgou-se o mérito, decidindo-se pela incidência do imposto de renda, por se tratarem de proventos de aposentadoria e não valores recebidos a título de demissão voluntária, como quer fazer crer o recorrente. Pelo princípio da unidade de jurisdição haverá concomitância entre o objeto da discussão administrativa e da lide judicial quando ambos têm origem em uma mesma relação Fl. 84DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.643 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.002254/2006-99 jurídica de direito material. O processo administrativo então, perde o objeto, uma vez que prevalece o mérito pronunciado na instância judicial. O que o contribuinte desejava ao final era que o Poder Judiciário declarasse a não incidência do imposto de renda sobre valores recebidos a título de PDV, o que não foi concedido pelo TRF - 5ª Região, que deixou claro "ser legítima a incidência do imposto de renda sobre tais benefícios por serem proventos de aposentadoria." Assim, por força do princípio da unidade de jurisdição (Constituição Federal, art. 5º, inciso XXXV), as decisões judiciais se sobrepõem às decisões administrativas. Uma vez proposta ação judicial com o mesmo objeto e decidido o mérito pelo Poder Judiciário, não cabe à administração decidir de modo diverso ao proferido pelo Poder Judiciário. De qualquer forma, mesmo que não se constatasse a prescrição do direito à restituição, mesmo que não houvesse referida ação judicial, não seria diferente o resultado do julgamento administrativo, pois a Lei 9.250/95, dispõe que: Art. 33. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Os valores recebidos decorrentes de resgates em virtude de desligamento do plano de previdência complementar sujeitam-se à incidência do imposto de renda. Logo, uma vez devido o imposto pago, não há como ser deferida a restituição pleiteada. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.006379/2008-16
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1003-000.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora instrua os autos com as cópias das decisões judiciais, das certidões de objeto e pé e das certidões de trânsito em julgado, entre outras, das ações judiciais n° 0001396-93.2009.403.6105 (2009.61.05.001396-1) e nº 0030845-21.2004.4.03.0399 (97.06.01197-8) que tratam de matérias litigiosas instauradas no presente processo submetidas à apreciação judicial. Vencido o conselheiro Wilson Kazumi Nakayama que rejeitou o pedido de diligência.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10830.006379/2008-16
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6022349
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.076
nome_arquivo_s : Decisao_10830006379200816.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 10830006379200816_6022349.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora instrua os autos com as cópias das decisões judiciais, das certidões de objeto e pé e das certidões de trânsito em julgado, entre outras, das ações judiciais n° 0001396-93.2009.403.6105 (2009.61.05.001396-1) e nº 0030845-21.2004.4.03.0399 (97.06.01197-8) que tratam de matérias litigiosas instauradas no presente processo submetidas à apreciação judicial. Vencido o conselheiro Wilson Kazumi Nakayama que rejeitou o pedido de diligência. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
id : 7791655
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052122225836032
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-16T20:40:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-16T20:40:51Z; Last-Modified: 2019-06-16T20:40:51Z; dcterms:modified: 2019-06-16T20:40:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-16T20:40:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-16T20:40:51Z; meta:save-date: 2019-06-16T20:40:51Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-16T20:40:51Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-16T20:40:51Z; created: 2019-06-16T20:40:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2019-06-16T20:40:51Z; pdf:charsPerPage: 2447; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-16T20:40:51Z | Conteúdo => 0 S1-TE03 Ministério da Economia CCOONNSSEELLHHOO AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS Processo nº 10830.006379/2008-16 RReeccuurrssoo nnºº Voluntário Resolução nº 1003-000.076 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 04 de junho de 2019 AAssssuunnttoo DILIGÊNCIA Recorrente ASSIST ASSESSORIA TRIBUTÁRIA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora instrua os autos com as cópias das decisões judiciais, das certidões de objeto e pé e das certidões de trânsito em julgado, entre outras, das ações judiciais n° 0001396-93.2009.403.6105 (2009.61.05.001396- 1) e nº 0030845-21.2004.4.03.0399 (97.06.01197-8) que tratam de matérias litigiosas instauradas no presente processo submetidas à apreciação judicial. Vencido o conselheiro Wilson Kazumi Nakayama que rejeitou o pedido de diligência. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório I - Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração, fls. 02- 08, com a exigência do crédito tributário no valor de R$9.195,01, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, referente ao ano- calendário de 2003 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real. Descrição dos fatos e enquadramento legal: 001 - FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO O contribuinte apurou os impostos e contribuições federais na sistemática do Simples, relativos ao período de janeiro a outubro de 2003. Porém, tal apuração restou indevida em face da denegação da segurança e expressa cassação da liminar anteriormente concedida, no Mandado de Segurança nº 97.601197-8. Em virtude desta situação, o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, referente aos períodos trimestrais desse ano-calendário, foi calculado com base no lucro real, restando saldo de IRPJ a recolher, [...] Art. 218, 219, 220 e 841, incisos I, III e IV, do RIR/99. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 06 37 9/ 20 08 -1 6 Fl. 852DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 1003-000.076 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.006379/2008-16 Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II - O Auto de Infração, fls. 09-14, com a exigência do crédito tributário no valor de R$3.255,351 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Descrição dos fatos e enquadramento legal: 001 - INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO O contribuinte apurou os impostos e contribuições federais na sistemática do Simples, relativos ao período de janeiro a outubro de 2003. Porém, tal apuração restou indevida em face da denegação da segurança e expressa cassação da liminar anteriormente concedida, no Mandado de Segurança nº 97.601197-8. Em virtude desta situação, a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, referente aos períodos trimestrais desse ano-calendário, foi calculada com base na apuração contábil, restando saldo de CSLL a recolher, [...]. Art. 841, incisos I, III e IV, do RIR/99. III - O Auto de Infração, fls. 15-22, com a exigência do crédito tributário no valor de R$11.016,07 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) não- cumulativo, juros de mora e multa de ofício proporcional. Descrição dos fatos e enquadramento legal: 001 - PIS (FATURAMENTO) INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS O contribuinte apurou os impostos e contribuições federais na sistemática do Simples, relativos ao período de janeiro a outubro de 2003. Porém, tal apuração restou indevida em face da denegação da segurança e expressa cassação da liminar anteriormente concedida, no Mandado de Segurança nº 97.601197-8. Em virtude desta situação, a contribuição para o PIS/Pasep, referente aos meses desse ano-calendário, foi calculada com base na apuração não-cumulativa, restando saldo do PIS/Pasep a recolher, [...]. Arts. 1º, 3º e 4º da Lei nº 10.637/2002. IV - O Auto de Infração, fls. 22-29, com a exigência do crédito tributário no valor de R$8.381,86 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Descrição dos fatos e enquadramento legal: 001 - FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DA COFINS INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO O contribuinte apurou os impostos e contribuições federais na sistemática do Simples, relativos ao período de janeiro a outubro de 2003. Porém, tal apuração restou indevida em face da denegação da segurança e expressa cassação da liminar anteriormente concedida, no Mandado de Segurança no 97.601197-8. Em virtude desta situação, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), referente aos meses desse ano-calendário, foi calculada com base na receita bruta escriturada, restando saldo da Cofins a recolher [...]. Fl. 853DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 1003-000.076 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.006379/2008-16 Arts. 2º , inciso II e parágrafo único, 3º , 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524/02. Cientificadas, as Recorrentes apresentaram impugnações. Está registrado na ementa e excerto do voto condutor do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/CPS/SP nº 05-29.693, de 12.08.2010, fls. 396-407: SIMPLES. EFEITO DA EXCLUSÃO. ANO-CALENDÁRIO DE 1999. A exclusão do SIMPLES motivada por uma das situações previstas nos incisos III a XVIII do art. 9º, da Lei n.° 9.317, de 1996, efetuada mediante emissão de Ato Declaratório datado de 09 de janeiro de 1999 e cientificado contribuinte em 21 de janeiro de 1999, surte efeitos a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder a exclusão, ainda que de oficio. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis As demais pessoas jurídicas, justificando a exigência, por meio de lançamento de oficio, das diferenças de tributo/contribuições recolhidas a menor. [...] LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SIMPLES. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas A Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário Nacional, art. 150, § 4°, nos mesmos moldes do imposto de renda pessoa jurídica-simples. Cancelam-se as exigências fiscais da Contribuição ao PIS e da COFINS, com fatos geradores mensais, correspondentes aos meses de janeiro a março do ano-calendário de 2003, em vista da presença de pagamentos e da cientificação ocorrida em 30 de junho de 2008. Impugnação Procedente em Parte [...] 14. Dentro desse contexto, o Parecer PGFN/CAT n° 1.617, de 2008, aprovado por Despacho do Ministro da Fazenda em 18/08/2008, estabeleceu orientações a serem observadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, em face da edição pelo Supremo Tribunal Federal da Súmula Vinculante n° 8, assim dispondo quanto A, fixação do dies a quo dos prazos decadenciais das contribuições para a seguridade social, uma vez afastadas do mundo jurídico as normas contidas nos artigos 45 e 46 da Lei n°8.212, de 1991: "Parecer PGFN/CAT n° 1.617, de 2008: d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplica-se a regra do art. 173, inc. I do CIN, pouco importando se houve ou não declaração, contando-se o prazo do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplica-se a regra do § 4° do art. 150 do CTN; (...)"15. No presente caso, a empresa foi cientificada dos autos de infração em 30 de junho de 2008 e há exigências fiscais da Contribuição ao PIS e da COFINS para os meses de janeiro a maio do ano-calendário de 2003. [...] 21. Assim, cancelam-se as exigências fiscais do PIS e da COFINS correspondentes aos meses de janeiro a março do ano-calendário de 2003, conforme consolidação ao final deste acórdão. Fl. 854DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 1003-000.076 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.006379/2008-16 Notificada em 15.09.2010, fl. 415, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 14.10.2010, fls. 418-431, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: II. DO DIREITO II.1. PRELIMINARMENTE DO NECESSÁRIO RECONHECIMENTO DA DECADÊNCIA DAS EXIGÊNCIAS RELATIVAS AO PIS E À COFINS DOS MESES DE MAIO DE JUNHO DE 2003 [...]Com efeito, de acordo .com a decisão ora impugnada, "não foram localizados pagamentos correspondentes aos meses de abril e maio do ano-calendário de 2003. E a autoridade relata que os débitos relativos aos meses de abril a outubro foram extintos mediante entrega de Declarações de Compensação. Dessa forma, ausentes pagamentos nos meses de abril a maio, a contagem do prazo decadencial desloca-se para o artigo 173, inciso I, do CTN, iniciando-se em 1° de janeiro de 2004 e consumando-se me 31 de dezembro de 2008". Ora, se a própria autoridade fiscal noticia a apresentação de declaração de compensação, com relação aos débitos de PIS e COFINS dos meses de abril a outubro de 2003, não há que se falar em "ausência" que autorize a aplicação da regra do artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Com efeito, restando incontroverso que a empresa, ao contrário de deixar de extinguir os débitos de sua responsabilidade, apresentou tempestivas declarações de compensação, a questão da decadência se resolve pela regra do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. [...] DO ENCONTRO DE CONTAS — ABATIMENTOS ENTRE OS VALORES RECOLHIDOS PELA EMPRESA NO ÂMBITO DO SIMPLES E AQUELES APURADOS PELA SISTEMÁTICA DO LUCRO REAL A Recorrente entende necessário enfrentar a alegação constante da folha 05 do r. acórdão ora guerreado e esclarecer a esse órgão colegiado de julgamento em segunda instância administrativa que não estava obrigada a incluir as receitas estranhas ao conceito de faturamento, na base de cálculo do PIS e da COFINS, para fins de abatimento com os supostos débitos tributários referentes ao ano-calendário 2003, apurados pela sistemática do Lucro Real. Isso porque, a empresa Recorrente ingressou com o competente Mandado de Segurança Preventivo, processo registrado sob n° 0001396-93.2009.403.6105 — origem 2009.61.05.001396-1, perante o MM. Juízo da 4ª Vara Federal de Campinas/SP, a fim de assegurar, em caráter liminar, a suspensão da exigibilidade dos valores relativos ao Programa de Integração Social — PIS e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS, calculados sobre receitas estranhas ao faturamento, isto é, que não correspondam ao ingresso de valores decorrentes de venda de mercadorias ou de prestação de serviços, além da expedição de ordem voltada a obstar a atuação da Autoridade Coatora, em razão do caráter vinculado de sua atividade ao disposto o artigo 30, parágrafo primeiro, da Lei n° 9.718/98. [...] Conclui-se, então, que as antecipações efetuadas pela Recorrente a título de Imposto de Renda Retido na Fonte durante 2003, NÃO foram consideradas para fins de abatimento do imposto residual (IRPJ, o ano-calendário 2003), lançado por meio do MPF nº 0810400/00111/08, ao mesmo tempo em que também NÃO foram aceitos como créditos nas compensações formalizadas no bojo do processo administrativo n° 10830.003932/2003-46. Fl. 855DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 1003-000.076 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.006379/2008-16 Exsurge nítida, portanto, a necessidade de que tais valores sejam considerados para fins de apuração do imposto pela sistemática do lucro real, no ano-calendário de 2003 (MPF n° 0810400/00111/08), para fins de abatimento com os valores supostamente devidos pela Recorrente, no âmbito do presente processo administrativo n°10830.006379/2008-16. Outrossim, se faz necessário o enfrentamento da questão relacionada A documentação apresentada para comprovação das retenções do IRRF realizadas pela Recorrente no período de janeiro de 1997 a abril de 2003. [...] Assim sendo, restando comprovado que a Recorrente, de fato, suportou descontos a titulo de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), em períodos em que era desobrigada a tais retenções; e, sendo certo que tais eventos foram devidamente comprovados por meio da competente documentação, regularmente recepcionada pela SRF do Brasil, requer a reforma do acórdão proferido nos autos, de modo que sejam considerados todos os valores verificados nos presentes autos, assegurando-se à Recorrente o abatimento desses valores do supostos débitos cobrados da recorrente, no bojo dos presentes autos. II.2 DO MÉRITO DA INEXISTÊNCIA DE QUAISQUER DÉBITOS RELATIVOS AO IRPJ, À CSLL, AO PIS E À COFINS DO ANO CALENDÁRIO 2003 — ORDEM LIMINAR QUE PERMITIU A PERMANÊNCIA DA EMPRESA NO SIMPLES NO PERÍODO DE MARÇO DE 1997 A OUTUBRO DE 2003 - IMPROCEDÊNCIA DA MULTA REGULAMENTAR IMPOSTA A RECORRENTE Reclama imediata reforma o acórdão n° 05-29693-4, proferido nos autos pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP, haja vista que o entendimento nele consolidado resulta da equivocada aplicação, à hipótese dos autos, do mandamento emergente da Súmula n° 405 do repertório de jurisprudência do Egrégio Supremo Tribunal Federal, a qual determina que "denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária". [...] Isso porque, conforme já foi anteriormente noticiado nos autos, a Recorrente ajuizou mandado de segurança preventivo, com vistas a obter o reconhecimento judicial de seu direito de ser incluída no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, instituído pela Lei n° 9.317 de 05/12/1996. [...] Referida ação mandamental veiculou pedido liminar, deferido pelo juízo de primeira instância, que permitiu à Recorrente permanecer no regime simplificado de tributação no período compreendido entre março de 1997 e outubro de 2003, quando houve a prolação da sentença de mérito que revogou a liminar anteriormente concedida. [...] Pois bem. De acordo com a antiga redação do artigo 15, inciso II, da Lei n° 9.317/96, a eventual exclusão do optante - em virtude de constatação de situação excludente, que importe na impossibilidade de permanecer no SIMPLES -, somente se perfazia no mês subseqüente à comunicação da constatação da referida vedação, por ato do contribuinte, através de alteração cadastral, ou pelo Fisco, mediante ato administrativo próprio. No caso tratado nestes autos, observe-se que a Recorrente dispunha de liminar em mandado de segurança que autorizava sua permanência no referido regime simplificado de pagamento de tributos federais, no período compreendido entre março de 1997 e outubro de 2003, sendo inaplicável, portanto, naquele período, a vedação constante do inciso XIII, artigo 9°, da Lei supracitada. Fl. 856DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 1003-000.076 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.006379/2008-16 A situação excludente somente ocorreu Com a publicação da sentença de mérito de primeira instância, que afastou os efeitos da liminar outrora concedida em favor da empresa, e restabeleceu a eficácia da exceção constante do inciso XIII, artigo 9°, da Lei n° 9.317/96, a qual importa em vedação à inclusão da Recorrente no sistema tributário simplificado aqui enfocado nos autos. [...] Diante de todo o exposto, não restam dúvidas de que merece reforma o r. acórdão proferido nos autos do processo administrativo fiscal n° 10830.006379/2008-16, posto que a Recorrente esteve amparada por ordem judicial que lhe assegurou a inclusão no sistema simplificado de tributação no período compreendido entre março de 1997 e outubro de 2003, sendo certo que, por força da antiga redação do artigo 15, inciso II, da Lei n° 9.317196, a revogação de tal medida judicial e a conseqüente exclusão da empresa do regime do SIMPLES, s6 produz efeitos no mês subseqüente formalização do ato de exclusão, o que se verificou, no caso dos autos, com a publicação da sentença de mérito que restaurou a eficácia da vedação constante do artigo 9°, inciso XIII, da Lei supracitada. Por fim, e a despeito da afirmação lançada às fls. 21-verso, do r. acórdão ora recorrido, no sentido de que "não se encontra neste processo administrativo o respectivo autos de infração relativo à multa pela falta ou atraso na entrega dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON)", é fato que à Recorrente foi imposta Multa Regulamentar pelo descumprimento de obrigação assessória relacionada ao atraso ou na entrega dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais, com fundamento nas disposições do artigo 7° da Lei n° 10.426/2002. Desta forma, a Recorrente reitera as alegações de total improcedência de tal penalidade, em virtude das razões acima apresentadas, no sentido de que, (i) sua permanência no SIMPLES foi judicialmente assegurada até outubro de 2003; e, (ii) a revogação da ordem judicial que lhe favorecia, e a conseqüente exclusão da empresa do regime simplificado, só operou efeitos a partir do mês subseqüente à publicação de tal decisão judicial, conforme disposição do art. 15, inciso II, da Lei n° 9.317/96, com a redação dada pela Lei n° 9.732/98. Desta forma, é certo que a empresa nunca esteve obrigada à apresentação dos referidos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais e sua entrega tardia, em atenção solicitação da fiscalização, de modo algum, importa em reconhecimento de tal falta, apto a ensejar a injusta cominação que se pretende aplicar à Recorrente. Em face das razões acima expostas, Recorrente espera que as exigências relativas ao IRPJ CSLL, PIS, COFINS e demais acréscimos moratórios e punitivos, além da Multa Regulamentar imposta com fulcro no artigo 7° da Lei 10.426/2002, sejam integralmente canceladas, em sede de processo administrativo fiscal, com a reforma do acórdão no 05- 29693-4, proferido nos autos pela 4a Turma Julgadora da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP, de modo a restar decretada a definitiva extinção dos créditos tributários formalizados por meio dos atos de lançamento de oficio aqui enfocados, conforme previsto no inciso IX do artigo 156 do Código Tributário Nacional, nos exatos termos do pedido formulado ao final, como medida de lídima e soberana justiça fiscal. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. No que concerne ao pedido conclui que: III - DO PEDIDO Fl. 857DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 1003-000.076 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.006379/2008-16 Por todo o exposto, requer seja recebido e provido o presente recurso voluntário, reformando-se parcialmente o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas, de modo a restarem, finalmente, canceladas as exigências relativas ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, Programa de Integração Social — PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS e demais acréscimos moratórios e punitivos, formalizadas por meio dos Autos de Infração originários do Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.04.00-2008-00111-2, na forma do disposto no artigo 156, inciso IX, do Código Tributário Nacional, tudo como medida da mais lídima e sábia justiça tributária. Sendo diverso o entendimento desta autoridade julgadora, requer, alternativamente, seja declarada a decadência da pretensão constitutiva do Fisco no que se refere aos supostos débitos de PIS e COFINS dos meses de abril e maio de 2003; bem como sejam refeitos os cálculos dos débitos na sistemática do Lucro Real, agora considerando os critérios explicitados nas presentes razões recursais, bem como considerando os abatimentos relativos às . retenções de 1RRF suportadas pela empresa no ano-calendário 2003. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente diz que ajuizou os ações judiciais n°s 0001396-93.2009.403.6105 (2009.61.05.001396-1) e, 0030845-21.2004.4.03.0399 (97.06.01197-8) na Justiça Federal de Campinas/SP, respectivamente, para a suspensão da exigibilidade dos valores relativos PIS e a Cofins, bem como para manutenção na sistemática do Simples A garantia da inafastabilidade da jurisdição prevê que a lei não pode excluir lesão ou ameaça a direito da apreciação do Poder Judiciário, como também não pode prejudicar a coisa julgada, entendida como a imutabilidade dos efeitos da decisão judicial decorrente do esgotamento dos recursos eventualmente cabíveis. Nesse sentido, a decisão definitiva exarada em processo administrativo fiscal não tem força de coisa julgada, dada a sua suscetibilidade de revisão pelo Poder Judiciário (inciso XXXV e inciso XXXVI do art. 5º da Constituição Federal). Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1 e art. 78 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 353, de 09 de junho de 2015). Tendo em vista o início de prova produzido pela Recorrente e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto em converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente instrua os autos com as cópias das decisões judiciais, das certidões de Fl. 858DF CARF MF Fl. 8 da Resolução n.º 1003-000.076 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.006379/2008-16 objeto e pé e das certidões de trânsito em julgado, entre outras, das ações judiciais n° 0001396- 93.2009.403.6105 (2009.61.05.001396-1) e nº 0030845-21.2004.4.03.0399 (97.06.01197-8) que tratam de matérias litigiosas instauradas nos presente processo submetidas à apreciação judicial. A autoridade designada para cumprir a diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial sobre os efeitos das ações judiciais em face do lançamento de ofício. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes (inciso LV do art. 5º da Constituição Federal e art. 35 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011). (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 859DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10620.900186/2006-59
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2003
ERRO. PERDCOMP. IN SRF 600/2005, ART. 56. ALEGAÇÃO ANTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO.
Constatando-se que o contribuinte alegou o erro no preenchimento da PER/DCOMP antes de proferido despacho decisório válido, deve ser admitida a retificação desta declaração, nos termos autorizados pela então vigente IN SRF 600/2005.
Numero da decisão: 9101-004.233
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise do crédito pleiteado. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Edeli Pereira Bessa e Viviane Vidal Wagner.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2003 ERRO. PERDCOMP. IN SRF 600/2005, ART. 56. ALEGAÇÃO ANTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. Constatando-se que o contribuinte alegou o erro no preenchimento da PER/DCOMP antes de proferido despacho decisório válido, deve ser admitida a retificação desta declaração, nos termos autorizados pela então vigente IN SRF 600/2005.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10620.900186/2006-59
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6023289
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9101-004.233
nome_arquivo_s : Decisao_10620900186200659.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CRISTIANE SILVA COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 10620900186200659_6023289.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise do crédito pleiteado. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Edeli Pereira Bessa e Viviane Vidal Wagner. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
id : 7794862
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052122228981760
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-21T18:35:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-21T18:35:29Z; Last-Modified: 2019-06-21T18:35:29Z; dcterms:modified: 2019-06-21T18:35:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-21T18:35:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-21T18:35:29Z; meta:save-date: 2019-06-21T18:35:29Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-21T18:35:29Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-21T18:35:29Z; created: 2019-06-21T18:35:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-06-21T18:35:29Z; pdf:charsPerPage: 1576; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-21T18:35:29Z | Conteúdo => CSRF-T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10620.900186/2006-59 Recurso Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101-004.233 – CSRF / 1ª Turma Sessão de 6 de junho de 2019 Recorrente NEXA RECURSOS MINERAIS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2003 ERRO. PERDCOMP. IN SRF 600/2005, ART. 56. ALEGAÇÃO ANTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. Constatando-se que o contribuinte alegou o erro no preenchimento da PER/DCOMP antes de proferido despacho decisório válido, deve ser admitida a retificação desta declaração, nos termos autorizados pela então vigente IN SRF 600/2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise do crédito pleiteado. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Edeli Pereira Bessa e Viviane Vidal Wagner. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 62 0. 90 01 86 /2 00 6- 59 Fl. 214DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.233 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10620.900186/2006-59 Relatório Trata-se de processo originado pela transmissão em 04/06/2003 PER/DCOMP (09444.54877.040603.1.3.04-9736) na qual identificado crédito de pagamento indevido de CSLL, DARF arrecadada em 28/02/2003, no valor de R$ 120.000,00. Este crédito foi compensado com débito de CSLL (estimativa de fevereiro de 2003). Por despacho decisório proferido em 23/11/2007, foi negado o crédito do contribuinte (fls. 10). Este primeiro despacho decisório (nº rastreamento:733295770, de 23/11/2007) foi cancelado pela unidade de origem (fls. 12). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 18), sustentando que: “quando da apresentação da PER/ DCOMP em comento, por um lapso, a peticionária informou que estava utilizando-se do "CRÉDITO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR CSLL", quando o correto seria informar a utilização de crédito decorrente de "SALDO NEGATIVO DE CSLL". A Delegacia da Receita Federal em Sete Lagoas, em 09/05/2008, não reconheceu o crédito do contribuinte, pois “o DARF (...) não foi localizado no sistema da Receita Federal” (fls. 15, despacho decisório com rastreamento nº 759931558). O contribuinte, assim, apresentou nova manifestação de inconformidade em 10/06/2008 (fls. 46), reiterando que “faz jus à homologação do crédito, não por se tratar de pagamento indevido, mas por tratar de saldo negativo de CSLL, no valor de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais).” Além disso, sustenta que “Outro erro material ocorreu com a menção de DARF, com recolhimento do valor do crédito tributário ora impugnado, quando o correto seria apenas o valor de R$ 1.166,05, tal como se depreende do "Comprovante de Arrecadação" anexo.” A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade mantendo o indeferimento da compensação: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO - CSLL Exercício: 2001 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados o que não é permitido pela legislação. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 122), ao qual a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara negou provimento (acórdão 1102-00617, fls 140): Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 Ementa: PER/DCOMP. ANÁLISE. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE. Intimado o sujeito passivo quanto à inconsistência nas informações do PER/Dcomp transmitido, é permitida a retificação do documento antes de proferido o despacho decisório. Inexistente a retificação até aquele momento, a análise deve ter como base exclusivamente o teor do documento original. Fl. 215DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.233 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10620.900186/2006-59 O contribuinte foi intimado em 27/02/2012 (fls. 145), apresentando recurso especial em 12/03/2012 (fls. 184), no qual sustenta divergência na interpretação a respeito da acolhimento de erro no preenchimento da PER/DCOMP, identificando o acórdão paradigma nº 1803-000.751. Subsidiariamente, pede seja reconhecida a nulidade do acórdão recorrido, para baixa em diligência, como procedido pela Resolução nº 1401-00.063. O recurso especial foi admitido pelo então Presidente da 1ª Câmara: Portanto, o acórdão paradigma, em análise de DCOMP, concluiu que é possível reconhecer erro no preenchimento dessa declaração, cuja informação relativa ao crédito constou "pagamento indevido ou a maior" quando o correto era de fato, saldo negativo de IRPJ. O acórdão recorrido analisou DCOMP cujo crédito refere-se a pagamento de estimativa de CSLL do fato gerador de fevereiro de 2003, em que a recorrente argumenta que tratou-se de erro de preenchimento da DCOMP, pois seu objetivo era o reconhecimento do crédito de saldo negativo da CSLL do ano-calendário de 2000. Concluiu o colegiado que a alegação de erro de preenchimento da DCOMP não pode ser admitida pois a retificação da origem do crédito teria a mesma natureza de uma DCOMP de débitos não homologados, que seria vedado pela legislação. Do confronto dos fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido com os fundamentos do voto condutor do acórdão paradigma, conclui-se que o dissenso jurisprudencial está comprovado. A Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso especial, pedindo a manutenção do acórdão recorrido (fls. 188). Em despacho às fls. 196, foi determinado o saneamento “para análise da admissibilidade do recurso especial do contribuinte quanto à divergência relacionada à Resolução nº 1401-00.063, com pedido de anulação do acórdão recorrido”. Diante disso, foi efetuada a admissibilidade complementar, pelo então Presidente de Câmara, verbis: Ocorre que não se prestam como paradigmas as resoluções proferidas pelos colegiados do CARF, já que são medidas incidentais, de caráter instrumental, visando a determinar diligências ou outras providências para a adequada instrução processual, sem caráter decisório (quanto ao mérito do processo), portanto não sujeitas a recurso das partes. (...) Em cumprimento ao disposto no art. 18, inciso III, do Anexo II do RICARF, e com base nas razões retroexpostas, que aprovo e adoto como fundamentos deste despacho, DOU SEGUIMENTO PARCIAL ao recurso especial interposto. Quanto à matéria anulação do acórdão recorrido, este despacho é definitivo, de acordo com o art. 68, § 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Consequentemente, não cabe Agravo, conforme art. 71, § 2º, inciso VIII, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, com a redação da Portaria MF nº 329, de 2017. É o relatório Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Fl. 216DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.233 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10620.900186/2006-59 Adoto as razões do Presidente de Câmara para conhecimento do recurso especial do contribuinte na matéria com divergência demonstrada. Passo à análise do mérito. O contribuinte pede seja reconhecido o erro no preenchimento de PER/DCOMP, pelas razões seguintes expostas em manifestação de inconformidade às fls. : “quando da apresentação da PER/ DCOMP em comento, por um lapso, a peticionária informou que estava utilizando-se do "CRÉDITO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR CSLL", quando o correto seria informar a utilização de crédito decorrente de "SALDO NEGATIVO DE CSLL". É pertinente observar que o erro (no preenchimento do crédito) foi apontado em manifestação de inconformidade às fls. 18, datada de 28/12/2007, apresentada diante do indeferimento pelo despacho decisório datado de 23/11/2007 (rastreamento 33295770). Ocorre que este despacho decisório foi cancelado pela unidade de origem em 21/12/2007, sendo o contribuinte intimado em 08/01/2008 (fls.) Nesse panorama, a unidade de origem proferiu novo despacho decisório em 09/05/2008, não reconhecendo o crédito do contribuinte, pois “o DARF (...) não foi localizado no sistema da Receita Federal” (fls. 15, despacho decisório com rastreamento nº 759931558). Diante deste fato, resta-me clara a necessidade de reforma do acórdão recorrido, pois o pleito do contribuinte para reconhecimento de erro da PERDCOMP foi anterior ao despacho decisório válido dos autos. Ressalte-se que a própria Receita Federal admitia a retificação de Pedido de Compensação e de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), conforme artigo 56 da Instrução Normativa nº 600, de 2005, vigente ao tempo da notícia de erro acima citada: Art. 56. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Equivocado o acórdão recorrido, portanto, quando consigna que: Registre-se ainda que, nos termos bem colocados pela decisão recorrida, a alegação de erro de preenchimento da DCOMP não pode ser admitida pois a retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados. Tal procedimento é vedado pela legislação de regência, a qual já vigorava quando a interessada suscitou o preenchimento equivocado da Declaração. Diante de tais razões, dou provimento ao recurso especial do contribuinte, reformando o acórdão recorrido. Conclusão Fl. 217DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.233 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10620.900186/2006-59 Pelas razões expostas, voto por conhecer e dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte. Não é possível acolher a íntegra para homologação do crédito, sob pena de supressão de instância. Voto, ainda, pela baixa dos autos à unidade de origem para prosseguimento da análise do crédito pleiteado segundo a nova natureza demonstrada pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915094/2009-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a comprovação dos créditos de acordo com a documentação apresentada pelo Recorrente.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.915094/2009-55
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6033872
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-001.151
nome_arquivo_s : Decisao_10880915094200955.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10880915094200955_6033872.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a comprovação dos créditos de acordo com a documentação apresentada pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7824197
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052122246807552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1453; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 302 1 301 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.915094/200955 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301001.151 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 23 de maio de 2019 Assunto DCOMP ELETRÔNICO PAGAMENTO MAIOR OU INDEVIDO Recorrente CBPO ENGENHARIA LTDA Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a comprovação dos créditos de acordo com a documentação apresentada pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no. 1639.79811ª Turma da DRJ/SP1 (fls 134/141): DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP n.º 38258.44156.221208.1.7.049023, transmitida em 22/12/2008, que RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 15 09 4/ 20 09 -5 5 Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10880.915094/200955 Resolução nº 3301001.151 S3C3T1 Fl. 303 2 indicava como crédito o pagamento indevido ou a maior de PIS – código 8109, ocorrido em 20/02/2008, no montante de R$ 132.375,33 (crédito original na data de transmissão), referente ao período de apuração 31/01/2008, com débito próprio de IRPJ – código 2362, CSRF – código 5979 e CSRF – código 5979 com vencimentos em 28/02/2008 e 31/03/2008, sendo o valor total do DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) igual a R$ 132.375,33. DO DESPACHO DECISÓRIO 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (DERAT) em São Paulo emitiu em 23/10/2009, o Despacho Decisório (DD) eletrônico com n.º de rastreamento 849890026, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da interessada, a compensação não foi homologada, sendo apresentada a seguinte fundamentação: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data da transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 132.375,33 A partir das características do DARF discriminado acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação dos débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." 3. Devidamente cientificada do despacho decisório acima, em 06/11/2009 a contribuinte apresentou tempestivamente a manifestação de inconformidade, acompanhada dos seguintes documentos, procuração pública, contrato social, cópia do documento de identificação do advogado, DCTF original, DCTF e DACON retificadores, e demonstrativo de apuração, onde expõe em síntese pelo seguinte: 3.1. Em janeiro de 2008, apurou débito de PIS no total de R$ 300.731,46, o qual foi quitado em 20/02/2008 e posteriormente informado à Receita Federal do Brasil (RFB), por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a qual foi entregue eletronicamente, no dia 7/3/2008. 3.2. Após, alguns dias da aludida entrega, ao rever a exatidão do citado pagamento, verificou ter ocorrido erro no cálculo do tributo, por força do qual se recolheu valor a maior do que o realmente devido, que correspondia a R$ 159.916,38. 3.3. Assim sendo, a requerente detinha crédito frente ao fisco, resultante da diferença do valor levado aos cofres públicos, menos o valor efetivamente devido. Parte deste crédito foi utilizada para a compensação de débito de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica, que somava R$ 109.860,17, em 30/09/2008. 3.4. Assim sendo, detinha crédito frente ao fisco, da ordem de R$ 140.814,08, resultante da diferença do valor levado aos cofres públicos, menos o valor efetivamente devido. Esse crédito foi utilizado para a compensação de débito de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica, referente também a janeiro de 2008, e débitos de Contribuições Sociais Retidas na Fonte, relativos a março do mesmo ano. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10880.915094/200955 Resolução nº 3301001.151 S3C3T1 Fl. 304 3 3.5. Esclarece que, a vista do erro na apuração da PIS devida, em 04/08/2009, a requerente encaminhou a RFB retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), além da respectiva DCTF retificadora, transmitida em 16/10/2009, para fazer constar o verdadeiro valor do débito. 3.6. A fiscalização, todavia, ao analisar a compensação da requerente, emitiu o despacho decisório ora impugnado, glosando o crédito nela utilizado, sob a alegação de que os pagamentos realizados pela requerente foram "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. 3.7. Esse aparente desconhecimento da fiscalização poderia ter sido superado com simples intimação, por meio da qual fossem solicitados os esclarecimentos que o pelo Agente Fiscal da Receita Federal do Brasil julgasse necessários. A falta de qualquer verificação fiscal nesse sentido indica que, até o presente momento, a verdade material foi desprestigiada neste processo. 3.8. Diante do exposto, requer seja reconhecida a nulidade do despacho decisório impugnado, por manifesta ausência de investigação dos fatos pela fiscalização e consequente ofensa ao principio da verdade material, e, em não se acatando tal argumento da, seja cancelada a glosa fiscal em questão, pois o crédito compensado está devidamente comprovado e decorre de equivoco na apuração do total devido no período de apuração de PISjaneiro de 2008. 3.9. Por fim, protesta a requerente provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou parcialmente procedente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/02/2008 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Afastada a nulidade do despacho decisório por ficar evidenciada a inocorrência de preterição do direito de defesa, haja vista que ele consigna de forma clara e concisa o motivo da não homologação da compensação. No caso de apresentação de DCOMP (Declaração de Compensação) com indicação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, não há a previsão de emissão de termo de intimação, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), para sanear eventual erro de preenchimento de DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10880.915094/200955 Resolução nº 3301001.151 S3C3T1 Fl. 305 4 A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no valor dos tributos devidos. Não apresentada a escrituração contábil, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF e DACON, demonstrando a liquidez e certeza do crédito, se mantém a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório. Aplicamse as regras processuais previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, à manifestação de inconformidade, a qual deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas que possuir.PEDIDO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Contribuinte, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi apresentado Recurso Voluntário às fls. (fls. 144/274), no qual a Recorrente repisa os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade. No voto serão abordados os questionamentos. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Defende a Recorrente que há impropriedade do procedimento levado a efeito pela fiscalização e há incoerência nas razões apresentadas pela DRJ para manter o despacho decisório. Assevera que a base legal citada é genérica e padrão para esse tipo de despacho decisório eletrônico, o que não permite quaisquer inferências sobre por qual motivo o crédito foi glosado. Afirma que o enquadramento legal do despacho decisório referese aos arts. 165 e 170 do Código Tributário Nacional, os quais trazem normas gerais autorizando a restituição e compensação dos pagamentos indevidos e o art. 74 da Lei n. 9430, de 27.12.2006, que veicula Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10880.915094/200955 Resolução nº 3301001.151 S3C3T1 Fl. 306 5 as regras para a concretização da restituição ou compensação. Ressalta que não há quaisquer indícios das razões que motivaram o indeferimento do crédito. Defende também que a Fiscalização não deveria se limitar a analisar sua declaração de compensação, que errou a não considerar que o pagamento não era devido. Defende também que a Recorrente deveria ter sido intimada para saneamento de eventual erro de preenchimento de DCTF. Diante da conclusão constante da decisão recorrida de que as provas juntadas pela recorrente seriam insuficientes para amparar o crédito por ela pleiteado, a Recorrente junta mais documentos, conforme indica: Desse modo, os documentos contábeis foram apresentados juntamente com o Recurso Voluntário. Contudo, tendo em conta o princípio da verdade material, entendese que tais documentos devem ser objeto de análise. CONCLUSÃO Destarte, tendo em conta o exposto, proponho converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a comprovação dos créditos de acordo com a documentação apresentada pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 306DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.901526/2013-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/2013 a 28/02/2013
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Numero da decisão: 3302-006.930
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2013 a 28/02/2013 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10735.901526/2013-09
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6037817
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.930
nome_arquivo_s : Decisao_10735901526201309.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10735901526201309_6037817.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
dt_sessao_tdt : Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
id : 7832375
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052122260439040
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-24T16:31:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-24T16:31:03Z; Last-Modified: 2019-07-24T16:31:03Z; dcterms:modified: 2019-07-24T16:31:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-24T16:31:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-24T16:31:03Z; meta:save-date: 2019-07-24T16:31:03Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-24T16:31:03Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-24T16:31:03Z; created: 2019-07-24T16:31:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-07-24T16:31:03Z; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-24T16:31:03Z | Conteúdo => S3-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10735.901526/2013-09 Recurso Voluntário Acórdão nº 3302-006.930 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2019 Recorrente ACCUMED PRODUTOS MEDICO HOSPITALARES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2013 a 28/02/2013 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. Relatório Trata-se de declaração de compensação em face de pagamento a maior a título de Contribuição para o COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 15 26 /2 01 3- 09 Fl. 78DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-006.930 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.901526/2013-09 Após análise, a DRF de origem proferiu despacho decisório mediante o qual aludida compensação restou não homologada, posto que o documento de arrecadação (Darf) indicado pela declarante corresponderia a pagamento integralmente utilizado para a quitação de débitos da mesma contribuinte, inexistindo direito creditório disponível à compensação promovida através da mencionada declaração. Inconformada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual requer seja decretada a insubsistência do despacho decisório. Assevera que teria efetuado o envio, pela internet, de arquivo “EFD- Contribuições”, e aponta a data em que teria efetuado o recolhimento da contribuição. Historia que, posteriormente, teria identificado o cometimento de um erro na apuração do mencionado montante, reenviando os arquivos aludidos. Em se tratando do arquivo “EFD-Contribuições”, indicando a data do feito. Regista que, no caso do Dacon, a transmissão teria ocorrido antes da ciência do despacho decisório. Ressalta que a retificação do Dacon teria sido levada a efeito ao abrigo da espontaneidade, porquanto anterior a qualquer procedimento por parte do fisco. Restaria invertido, assim, o ônus da prova acerca da inexistência de pagamento a maior, ostentando precitado demonstrativo os mesmos efeitos e natureza do originalmente apresentado. Sustenta que subsistiria crédito a ser utilizado em futuras compensações. Por seu turno, a DRJ julgou improcedente a impugnação, por entender que seria ônus da Recorrente provar que o montante outrora declarado não seria correto, o que não se confunde com a simples retificação de declarações, ainda que eventualmente recepcionadas e processadas pela administração tributária. Observou que a distribuição dinâmica do ônus probante recai, neste particular, sobre o inconformado, vez que a administração é provocada a fulminar crédito tributário pelo próprio contribuinte confessado. É o que se extrai do Enunciado 436 da Súmula do STJ, segundo o qual a entrega de declaração pelo contribuinte, uma vez reconhecendo débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Irresignada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário por meio do qual reitera os argumentos apresentados quando da Manifestação de Inconformidade. Afirma, ainda, que retificou a DCTF e que esta providencia é aceita pelo CARF. Registre-se que a recorrente, que não trouxe qualquer documentação ao menos indiciária do seu direito quando da Manifestação de Inconformidade, também não o fez quando da apresentação do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.926, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10735.901522/2013-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 79DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-006.930 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.901526/2013-09 Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.926): O Recurso é tempestivo e a matéria é de competência deste colegiado, razão pela qual dele conheço. A Recorrente pleiteou a compensação de valores recolhidos, no seu entender, a maior, a título de PIS. Antes de adentrar na análise da distribuição do ônus da prova no Processo Administrativo Fiscal, é necessário superar a questão da necessidade ou não da retificação Contudo, a Recorrente não juntou seu requerimento, à Manifestação de Inconformidade nem ao Recurso Voluntário qualquer elementos de prova por meio do qual demonstrasse, ainda que de maneira indiciária, o motivo do recolhimento a maior, o que eventualmente poderia levar este Colegiado a deliberar pela conversão do julgamento em diligência. Em razão do fato da Recorrente não haver trazido ao processo qualquer documentação comprobatória do seu crédito, é de se aplicar o entendimento deste Colegiado no sentido de que o ônus da produção de tais provas é do Contribuinte, bem como o de que estas provas devem ser produzidas no momento processual próprio. Isto porque no processo brasileiro vigora a regra geral de que o dever de produzir provas recai sobre quem alega o direito. Assim, enquanto na lavratura de Autos de Infração o ônus probatório da ocorrência do fato típico recai sobre a Administração, nos pedidos de Compensação e Repetição de Indébito recai sobre o particular o ônus de demonstrar o direito ao crédito, no que a Recorrente não se desincumbiu, deixando de trazer aos autos documentos que minimamente corroborassem suas alegações. Neste sentido é importante destacar que para a compensação e restituição de tributos é necessário que a Requerente traga aos autos no momento apropriado, ou seja, no mais tardar quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, não apenas os documentos arrecadatórios por meio do qual ela declara o valor da "base de cálculo" sobre a qual calculou o tributo, mas também os documentos comprobatórios de tais fatos (notas fiscais por exemplo), livros contábeis e planilhas, lembrando que se trata do exercício de um direito creditório, cujo ônus da prova, repita-se, incumbe a quem alega. Este é o entendimento desta Turma acerca do tema, retratado pelo Acórdão 3302- 006.493 prolatado no dia 30 de janeiro de 2019. "ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado." Também merece transcrição o Acórdão n. 3302-006.427, também proferido por esta Turma na Sessão do dia 29 de janeiro de 2019. "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO. O direito creditório somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de documentos amparados pelos livros contábeis." Cumpre destacar que a mera retificação da DCTF não é suficiente para a comprovação do direito creditório. Fl. 80DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-006.930 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.901526/2013-09 Conclusivamente, diante do fato de que a Recorrente não se desincumbiu do ônus de demonstrar a origem dos créditos, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912431/2016-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2013
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Numero da decisão: 3302-007.011
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2013 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11020.912431/2016-74
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6037845
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-007.011
nome_arquivo_s : Decisao_11020912431201674.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 11020912431201674_6037845.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
dt_sessao_tdt : Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
id : 7832403
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052122263584768
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-24T17:50:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-24T17:50:36Z; Last-Modified: 2019-07-24T17:50:36Z; dcterms:modified: 2019-07-24T17:50:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-24T17:50:36Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-24T17:50:36Z; meta:save-date: 2019-07-24T17:50:36Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-24T17:50:36Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-24T17:50:36Z; created: 2019-07-24T17:50:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-07-24T17:50:36Z; pdf:charsPerPage: 1953; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-24T17:50:36Z | Conteúdo => S3-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11020.912431/2016-74 Recurso Voluntário Acórdão nº 3302-007.011 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2019 Recorrente MAGAZINE MODA VIVA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2013 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 24 31 /2 01 6- 74 Fl. 145DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.011 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912431/2016-74 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, emitido eletronicamente que não homologou a compensação de crédito de PIS/Cofins declarado em PER/DCOMP. Tal decisão estaria fundamentada no fato de que a partir das características do DARF descrito na declaração, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, pleiteando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório. No particular alega ausência de fundamentação, ausência de motivação e inocorrência de intimação para prestar esclarecimentos, os quais permitiriam ao Fisco conhecer a origem do crédito pretendido. Cita o art. 37 da CF, e observa que o ato administrativo deve respeitar o principio da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Por outro lado, defende que houve desvio de finalidade do ato administrativo. Sustenta que o despacho teria a função de exprimir o parecer da fiscalização e que, ao decidir pela não homologação da declaração de compensação, permitiria a instauração do contraditório administrativo. Entretanto, o despacho em comento teria extrapolado sua função precípua, tornando-se meio oblíquo para interrupção do prazo de homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996. No seu entendimento, o desvio de finalidade teria se materializado porque a interrupção do prazo de decadência é consequência do ato, jamais podendo ser seu objetivo. Argumenta, ainda, que houve prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal, pois a contribuinte não disporia das razões da não homologação da compensação declarada. No mérito, defende a reforma da decisão, aduzindo, incialmente que o Princípio da Verdade Material deve possibilitar à contribuinte a posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas na presente manifestação. Requer a inaplicabilidade da multa em face do princípio do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta que a multa aplicada sobre o montante do tributo devido é inconstitucional e ilegal, sendo seu valor excessivo. Defende que multa aplicada em razão de infrações não pode ultrapassar os limites da lei e que o tributo deve ser regulado pelo princípio da capacidade contributiva. Argumenta que o Ministro Celso de Mello reconheceu como confiscatória a multa do art. 3º, § único, da Lei n.º 8.846, de 1994. Acrescenta que há impedimento constitucional e legal à bitributação e ao bis in idem. Sustenta que, em que pesem a previsibilidade legal dos dispositivos que fixam os parâmetros da multa, no caso de imposto informado e recolhido em atraso, existem princípios que se irradiam sobre diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo como critérios para sua exata compreensão, razão pela qual as leis não podem distanciar-se dos princípios fundamentais que regem o ordenamento jurídico. Fl. 146DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.011 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912431/2016-74 Por seu turno, a DRJ indeferiu a Manifestação de Inconformidade, firmando o entendimento de que não havia sido juntada aos autos documentação que comprovasse o crédito alegado. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário onde defende a possibilidade de posterior juntada de documentos, especialmente em razão de fato superveniente, e aborda novamente os pontos tratados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.958, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.912379/2016-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.958): O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Sinteticamente, entende-se que em relação a requerimentos de compensação de créditos tributários compete a quem requer o reconhecimento do direito aos créditos produzir as provas que demonstrem a liquidez e certeza dos mesmos. No caso concreto, tendo sido o Despacho Decisório prolatado eletronicamente, a oportunidade de se provar a liquidez e certeza dos créditos é quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o que não ocorreu. A Recorrente não juntou à Manifestação de Inconformidade qualquer documento que pudesse demonstrar o seu direito aos créditos pleiteados. Posteriormente, apenas quando da interposição do Recurso Voluntário foram juntadas planilhas, todavia desacompanhadas de qualquer livro contábil ou nota fiscal. Entende-se que o momento final para produção de provas do crédito pleiteado é, no máximo, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e a produção de provas no Recurso Voluntário somente tem lugar na hipótese da decisão da DRJ haver as considerado insuficientes, situação na qual elas poderão ser complementadas quando da apresentação do Recurso Voluntário. No caso concreto a Manifestação de Inconformidade veio desacompanhada de quaisquer documentos, na qual a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, atacando tão somente as razões de direito. Passo à análise dos argumentos recursais. 1. ANÁLISE DAS PRELIMINARES (i) Preliminar - possibilidade de juntada de documentos em sede recursal, especialmente em razão de fato superveniente. (B.1 do Recurso Voluntário) Como já salientado, o momento para a produção das provas acerca do direito creditório pleiteado é quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Fl. 147DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.011 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912431/2016-74 Não há dúvidas que a busca da verdade material é um princípio norteador do Processo Administrativo fiscal. Contudo, ao lado dele, também de matiz constitucional está o princípio da legalidade, que obriga a todos, especialmente à Administração pública, da qual este Colegiado integra, a obediência as normas legais vigentes, merecendo destaque o Decreto 70.235 estabeleceu o momento da prática dos atos, sob pena ainda de se atentar ainda contra outro princípio constitucional, qual seja o da duração razoável do processo. O referido Decreto especifica objetivamente o momento da produção das provas no seu artigo 16. "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" O próprio Decreto 70.235, no mesmo artigo 16 especifica as hipóteses em que é possível a produção posterior de provas, o que faz de forma taxativa. "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância". É certo que este colegiado admite a juntada de provas em sede recursal, contudo apenas nos casos em que o Recorrente tenha demonstrado, na Impugnação, ou Manifestação de Inconformidade, como é o caso, a impossibilidade de se trazer aquela prova no momento oportuno (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade), o que definitivamente não ocorreu no caso concreto. Admitir-se deliberadamente a produção probatória na fase recursal subverteria todo o rito processual e geraria duas consequências indesejáveis (i) caso fosse determinado que o feito retornasse à instância original, implicaria uma perpetuação do processo e, (ii) caso as provas fossem apreciadas pelo CARF sem que tivessem sido analisadas pela DRJ, geraria indesejável supressão de instância e, em ambos os casos, representaria afronta direta ao texto legal que rege o processo administrativo fiscal. Por esta razão afasto as preliminares arguidas. (ii) Preliminar de nulidade do despacho decisório eletrônico. (B.2. do Recurso Voluntário) (iii) Preliminar de nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação. (B.2.1 do Recurso Voluntário) (iv) Preliminar de nulidade do despacho decisório por desvio de finalidade. (B.2.2. do Recurso Voluntário) e (v) Preliminar de prejuízo do contraditório, ampla defesa e devido processo legal (B.2.3 do Recurso Voluntário). Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, respeitosamente, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Entende-se que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião na qual o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu Fl. 148DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.011 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912431/2016-74 alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, o que não restou demonstrado no caso concreto, não podendo ser a citada decisão proferida pelo STF considerada como tal, eis que em nada altera a situação concreta. Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, tem-se que encontram-se presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. O ato também foi fundamentado na legislação nele apresentada. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito. A Recorrente afirma que o despacho decisório foi praticado em desvio de finalidade. Desvio de Finalidade, segundo o Professor Alessandro Dantas Coutinho, é "... quando o agente, apesar de competente para a prática do ato, o faz buscando alcançar outro interesse que não é o público." (COUTINHO, Alessandro Dantas e RODOR, Ronald Kruger Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro, Forense, 2015 p. 406), o que não ocorreu no caso concreto, eis que não foi proferido como meio de interromper o prazo quinquenal para homologação do crédito, como afirma a Recorrente, mas é um procedimento oficial adotado pela Receita Federal do Brasil e plenamente reconhecido pelo CARF e pelo Poder Judiciário. Finalmente, também ao contrário do que afirma a Recorrente, o despacho eletrônico não violou o contraditório, a ampla defesa, nem o devido processo legal, inclusive possibilitando que ela apresentasse as provas do seu crédito. A Recorrente não apontou de que maneira a suposta ilegalidade teria limitado o seu direito, prevalecendo a regra segundo a qual não há nulidade sem que seja demonstrado o prejuízo eventualmente advindo do alegado vício. Por estas razões, afasto a preliminar suscitada. 2. ANÁLISE DO MÉRITO. Mérito - Princípio da Verdade Material que norteia o processo administrativo. (C.1 do Recurso Voluntário) e materialidade e suficiência dos créditos compensados. recolhimento de contribuições sobre base de cálculo indevida. decisão definitiva proferida pelo STF durante o curso do processo administrativo fiscal (C.2 do Recurso Voluntário) O mérito da presente controvérsia deveria ser o direito da Recorrente aos créditos que alega possuir. Contudo, diante do fato de que não produziu provas da existência dos alegados créditos, a discussão no Recurso Voluntário foi deslocada para o momento da produção das provas. Em relação ao referido direito à produção de provas, a Recorrente defende que este direito não deve encontrar qualquer limite temporal, verbis: "... devendo ser assegurado ao contribuinte o direito de apresentação de prova sem qualquer limitação...". A ponderação entre a verdade material invocada pela Recorrente e os demais princípios que norteiam o processo administrativo fiscal já foi anteriormente realizada e embora Fl. 149DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.011 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912431/2016-74 efetivamente constitua um relevante princípio constitucional, não existem princípios constitucionais absolutos, e ele deve coexistir com os demais, especialmente o da legalidade e o da duração razoável do processo. Em relação à referida decisão judicial, tratada pela Recorrente como fato novo, efetivamente não tem o condão de reabrir a fase probatória. Merece destaque que o termo "fato ou a direito superveniente" deve dizer respeito a algo novo que não existia à época em que o ato deveria ser realizado. No caso concreto este "fato superveniente" em nada influiu na possibilidade ou não da Recorrente ter juntado, à época própria, os documentos comprobatórios do seu crédito. Mérito - inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. (C.3 do Recurso Voluntário) A Recorrente insurge-se contra a alegada falta de razoabilidade e de proporcionalidade da multa aplicada, todavia esta análise é vedada ao CARF por força da Súmula CARF 2, com efeitos vinculantes, que veda a este colegiado manifestar-se acerca da constitucionalidade de norma jurídica em vigor. Conclusivamente, é de se afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu afastar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000677/2009-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. EMPREGADOS E DIRIGENTES. CURSOS DE NÍVEL SUPERIOR. ISENÇÃO. POSSIBILIDADE.
A qualificação e capacitação profissional não se restringem a cursos oferecidos em nível de educação básica, podendo estender-se a cursos de graduação ou pós-graduação.
Numero da decisão: 9202-007.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício), Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. EMPREGADOS E DIRIGENTES. CURSOS DE NÍVEL SUPERIOR. ISENÇÃO. POSSIBILIDADE. A qualificação e capacitação profissional não se restringem a cursos oferecidos em nível de educação básica, podendo estender-se a cursos de graduação ou pós-graduação.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10976.000677/2009-11
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6020088
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.674
nome_arquivo_s : Decisao_10976000677200911.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10976000677200911_6020088.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício), Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7778685
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052122269876224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1442; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10976.000677/200911 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.674 – 2ª Turma Sessão de 26 de março de 2019 Matéria CSP SALÁRIO INDIRETO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GOOD LIFE SAÚDE S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. EMPREGADOS E DIRIGENTES. CURSOS DE NÍVEL SUPERIOR. ISENÇÃO. POSSIBILIDADE. A qualificação e capacitação profissional não se restringem a cursos oferecidos em nível de educação básica, podendo estenderse a cursos de graduação ou pósgraduação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Redator Designado AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 06 77 /2 00 9- 11 Fl. 164DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício), Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração (obrigação principal), DEBCAD 37.218.4898, totalizando R$ 1.981,95 e consolidado em 11/11/2009, referente às contribuições da empresa destinadas a outras entidades e fundos – SESC, SENAC, SEBRAE, INCRA e Salário Educação – incidentes sobre valores pagos a segurados empregados, não declarados em GFIP, a título de despesas com faculdades”, apuradas com base na contabilidade da empresa. Ressaltese que o processo está apensado ao principal 10976.000684/2009 12. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento. Em sessão plenária de 24/01/2013, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2803002.014 (efls. 98/104) com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).” O acórdão encontra se assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/12/2009 BOLSAS DE ESTUDO DE GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO. BASE DE CÁLCULO.INAPLICABILIDADE O pagamento de bolsas de estudo de graduação e pósgraduação a todos os empregados e dirigentes, enquadrase na exceção legal prevista na alínea “t”do § 9° do art. 28 da lei 8.212/91, não se constituindo em salário de contribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 24/07/2013 (fl. 1.108 do processo principal 10976.000684/200912) para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs tempestivamente, em 03/09/2013, Recurso Especial (efls. 105/113). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação à incidência de contribuições previdenciárias sobre valores pagos em forma de bolsa de estudos em curso superior aos empregados, a recorrente defende que tais valores deveriam integrar o saláriode contribuição. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10976.000677/200911 Acórdão n.º 9202007.674 CSRFT2 Fl. 3 3 Alega o previsto no art. 28 da Lei nº 8.212/91, onde para o segurado empregado, todos os rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluso os ganhos habituais sob a forma de utilidades, devem ser entendidos como saláriodecontribuição. Traz ainda os pagamentos que não integram o saláriodecontribuição, expressos no parágrafo 9º, do mesmo art. 28 da Lei nº 8.212/91: § 9º Não integram o salário‑ de‑ contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).” (Com os grifos do original.) Alega ainda que cursos de graduação e de pósgraduação não estariam elencados no disposto no parágrafo 9º acima e que, assim, deveriam compor o saláriode contribuição, por se constituirem em ganhos habituais ofertados sob a forma de utilidades. Finaliza sua argumentação, alegando pela literalidade dos dispositivos legais que caracterizam os ganhos em tela como integrantes do saláriodecontribuição, citando o art. 195, parágrafo 11 da Constituição Federal, vejamos: A prova mais robusta de que a verba para efeito previdenciário não coincide com a verba para incidência de direitos trabalhistas, é fornecida pela própria Constituição Federal. Conforme o art. 195, § 11 da Carta Magna, os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. Desse modo, pela singela leitura do texto constitucional é possível afirmar que para efeitos previdenciários foi alargado o conceito de salário. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 30/11/2016 (efls. 144/146), levandose em consideração como paradigma o Acórdão nº 230201.177. A recorrente, em suas alegações finais, requer que o recurso seja conhecido e provido, reformandose o acórdão recorrido, para a manutenção integral do lançamento. Cientificado do Acórdão nº 2803002.014, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o RESP da PGFN, em 18/01/2017 (efl. Fl. 166DF CARF MF 4 1.159 do processo principal 10976.000684/200912), o contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 154/163) em 06/02/2017, portanto, intempestivamente, conforme carimbo de protocolo (efl. 154). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 144. Não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Destacase, apenas que, por serem intempestivas as contrarrazões, as mesmas não serão apreciadas. Do mérito A questão objeto do recurso visa, resumidamente, a reforma do acórdão recorrido em relação à incidência de contribuições previdenciárias sobre valores pagos em forma de bolsa de estudos em curso superior aos empregados. Contudo, antes de apreciarmos o mérito da matéria, entendo pertinente trazer a legislação que trata da questão, para que se identifique a correta forma de interpretála. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras, especificamente em relação a bolsas de estudo: Art. 28 (...) Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10976.000677/200911 Acórdão n.º 9202007.674 CSRFT2 Fl. 4 5 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS, é necessário uma análise dos termos em que foi concedida, a fim de verificar a procedência ou não do lançamento nessa questão. Primeiro, vejamos os fundamentos do lançamento quanto ao fato gerador ora sob análise, resumidos no Relatório Fiscal às folhas 61/70: 1. O presente Auto de Infração AI destinase a informar ao sujeito passivo (SP) a constituição do crédito da Previdência Social, referene a: .......II) contribuição patronal (empresa) e a de Seguro de Acidentes do Trabalho relativas a remunerações pagas a segurados empregados e a contribuintes individuais, não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP e apuradas no período de janeiro a dezembro de 2005, conforme demonstrado nas planilhas anexadas ao presente relatório fiscal e a seguir discriminadas:......f) planilha 10, denominada "FACULDADE PARA EMPREGADOS", inserida no levantamento FP7;.......A planilha 10 também foi extraída da contabilidade conta nº 4297, contém pagamentos totais ou parciais de despesas com faculdades para parte dos segurados empregados; na mesma a fiscalização considerou os valores líquidos, conforme o caso, para cálculo das remunerações, ou seja, foram deduzidos quando ocorreram, dos valores totais, os referentes aos reembolsos de responsabilidade dos empregados. Para que esse benefício não integre o saláriodecontribuição, é necessária a observação dos seguintes requisitos: que os valores não sejam pagos em substituição à parcela salarial, que sejam extensivos a todos os empregados e dirigentes da empresa e que digam respeito somente a despesas com educação que estejam amparadas pela legislação. O custo relativo à educação superior (graduação e pósgraduação) de que trata o Capítulo IV, artigos 43 a 57 da Lei nº 9.394, de 1996,i ntegra o salário de contribuição para efeito de incidência de contribuição previdenciária. Vale dizer, o valor não está alcançado pela exclusão prevista na alínea "t", § 9º, art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, pelo que se enquadra como valor pago, devido ou creditado a "qualquer título", conforme previsto no inciso I, art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991.... (g.n.) Fl. 168DF CARF MF 6 Embora tenha me filiado à tese da autoridade fiscal no passado, no sentido de que a educação superior não estaria abrangida no dispositivo acima transcrito, revisitando o texto da Lei de Diretrizes Básicas da Educação, Lei 9394/1996 e analisando o texto original do art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, não vejo a impossibilidade de se interpretar a educação superior como uma forma de capacitação ou mesmo qualificação profissional. No caso, desde que a educação proporcionada seja vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, possível a sua exclusão do conceito de salário de contribuição, desde que cumpridos os demais requisitos legais, quais sejam: extensível a todos os empregados. Notese que não estou com isso afastando toda e qualquer fornecimento de auxílio educação de curso superior do conceito de salário de contribuição, mas tão somente, abrindo a possibilidade de interpretação de que essa modalidade de curso esteja amparada na exclusão prevista no art. 28, §º, "t" da lei 8212/90 desde que cumprido os requisitos ali expostos, mas precisamente: “e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não sejam utilizadom em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; No caso, pode o auditor promover o lançamento sobre essa rubrica, mas deve a autoridade fiscal ou identificar que o curso superior não possuía qualquer relação com as atividades desenvolvidas na empresa, ou tão somente, não era extensível a todos os dirigentes e empregados, caso entendo ser aplicável ao presente lançamento. Pela transcrição dos trechos do relatório fiscal, é possível vislumbrar que além de se tratar de curso superior, o benefício era concedido a apenas uma parte dos empregados, violando o requisito de que deveria alcançar todos os empregados e dirigentes; razão pela qual, devese dar razão à da Fazenda Nacional, dando provimento ao seu recurso especial. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para restabelecer o lançamento das contribuições incidentes sobre os valores de bolsas de estudos de cursos superiores por não serem extensivas a todos os empregados e dirigentes. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10976.000677/200911 Acórdão n.º 9202007.674 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Vencedor Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Redator. De início, importa esclarecer que meu entendimento acerca da incidência de contribuições previdenciárias sobre valores relativos a planos educacionais coincide com o esposado no voto da Ilustre Relatora. Contudo, analisandose as especificidades do caso concreto, a minha compreensão é de que o trabalho fiscal pautouse tãosomente na hipótese de a isenção prevista na legislação previdenciária não alcançar planos que visem a educação superior nas modalidades de graduação e pósgraduação. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 33/37), constam da contabilidade da empresa pagamento de despesas com faculdade para parte dos segurados empregados. Prossegue a autoridade autuante: Para que esse benefício não integre o saláriodecontribuição, é necessária a observação dos seguintes requisitos: que os valores não sejam pagos em substituição a parcela salarial; que sejam extensivos a todos os empregados e dirigentes da empresa e que digam respeito somente a despesas com educação que estejam amparadas pela legislação. O custo relativo a educação superior (graduação e pósgraduação) de que trata o Capítulo IV, artigos 43 a 57 da Lei nº 9.394/1996, integra o salário de contribuição para efeito de incidência de contribuição previdenciária. Vale dizer, o valor não está alcançado pela exclusão prevista na alínea “t”, § 9º, art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, pelo que se enquadra como valor pago, devido ou creditado a “qualquer título”, conforme previsto no inciso I, art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. (Grifouse) Convém mencionar que asserção trazida no Relatório Fiscal, quanto ao pagamento de despesas com faculdade a parte dos segurados da Previdência Social, por si só, não conduz à conclusão de que o benefício não estaria acessível à totalidade de empregados e dirigentes da empresa. Quisesse a Fiscalização utilizar também esse fundamento como suporte para a autuação, deveria aprofundar seu trabalho investigativo e comprovar o não atendimento de tal requisito, o que não foi feito. Ademais, os trechos do Relatório Fiscal, destacados acima, corroboram a percepção de que a tese do Fisco foi no sentido de que a isenção prevista na alínea “t” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 não abarca planos educacionais relacionados a graduação e pós graduação e, em virtude disso, os benefícios oferecidos pela empresa não estariam enquadrados na regra isentiva. Há de se ressaltar ainda que a decisão de primeira instância administrativa manteve o lançamento das contribuições sobre o plano educacional custeado pelo Sujeito Passivo somente em razão do entendimento de que o custeio de despesas com educação de nível superior de empregados não estaria abrangida pelo favor legal previsto na Lei de Custeio Previdenciário, tendo sido silente quanto a eventual não extensão à todos os empregados e Fl. 170DF CARF MF 8 dirigentes da empresa ou mesmo a desvinculação dos cursos oferecidos às atividades desenvolvidas pela empresa. Desse modo, considerando que, com relação à matéria em debate, o lançamento pautouse exclusivamente no fato de o plano educacional referirse a educação superior, mantenho entendimento manifestado, dentre outros, no Acórdão nº 9202007.686, de 26 de março de 2019, de que a isenção aqui discutida compreende a qualificação e capacitação profissional, ainda que realizada por meio de cursos de graduação ou pósgraduação. Conclusão Em virtude disso, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 171DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.900708/2009-97
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. SÚMULA VINCULANTE CARF Nº 84.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
É possível reconhecer da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos com a finalidade de confrontar a motivação constante nos atos administrativos em que a compensação dos débitos não foi homologada, pela suposta impossibilidade de caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
Numero da decisão: 1003-000.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. SÚMULA VINCULANTE CARF Nº 84. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. É possível reconhecer da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos com a finalidade de confrontar a motivação constante nos atos administrativos em que a compensação dos débitos não foi homologada, pela suposta impossibilidade de caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10725.900708/2009-97
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6039068
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.804
nome_arquivo_s : Decisao_10725900708200997.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 10725900708200997_6039068.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
id : 7837252
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052122289799168
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-24T23:09:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-07-24T23:09:40Z; Last-Modified: 2019-07-24T23:09:40Z; dcterms:modified: 2019-07-24T23:09:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-24T23:09:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-24T23:09:40Z; meta:save-date: 2019-07-24T23:09:40Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-24T23:09:40Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-07-24T23:09:40Z; created: 2019-07-24T23:09:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-07-24T23:09:40Z; pdf:charsPerPage: 2086; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-24T23:09:40Z | Conteúdo => S1-TE03 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10725.900708/2009-97 Recurso Voluntário Acórdão nº 1003-000.804 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 09 de julho de 2019 Recorrente REDE ENERGIA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. SÚMULA VINCULANTE CARF Nº 84. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. É possível reconhecer da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos com a finalidade de confrontar a motivação constante nos atos administrativos em que a compensação dos débitos não foi homologada, pela suposta impossibilidade de caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva– Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 07 08 /2 00 9- 97 Fl. 84DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.804 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10725.900708/2009-97 Relatório Per/DComp e Despacho Decisório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 30556.60876.071005.1.3.04-4051, em 07.10.2005, fls. 20-24, utilizando-se do crédito relativo ao pagamento a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), código 5993, no valor de R$1.205,70 contido no DARF recolhido em 29.04.2005 determinado sobre a base de cálculo estimada relativo ao mês do março do ano-calendário 2005 para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, fl. 04, em que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 1.205,70. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. [...] Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 7ª Turma/DRJ/RJI/RJ nº 12-40.408, de 14.09.2011, fls. 26- 31: COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DOS VALORES RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. Na vigência da Instrução Normativa SRF n° 600/2005, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que tivesse efetuado recolhimento indevido ou a maior a titulo de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor do indébito na dedução do IRPJ ou CSLL devido ao fim do ano-calendário ou para compor o saldo negativo do período em questão. COMPENSAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO. Fl. 85DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.804 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10725.900708/2009-97 A falta de comprovação do direito liquido e certo, requisito necessário para compensação, conforme o previsto no art. 170 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Recurso Voluntário Notificada em 19.10.2011, e-fls. 35-36, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.11.2011, e-fls. 38-82, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: II - DO DIREITO II.1 - PRELIMINAR Em relação ao INDÉBITO, cabe destaque o contexto da legislação que se segue e o fato de que a Recorrente não efetuou o recolhimento da estimativa mensal com base na sua Receita Bruta, tendo efetuado os pagamentos considerando o levantamento do Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução. [...] 1.CTN (Lei 5.172/66): [...] 2.Instrução Normativa SRF nº 600/2005: [...] 3.Lei nº 9.430/96: [...] TRANSCRIÇÃO DO ARTIGO 29 PRECITADO - PAGAMENTO POR ESTIMATIVA [...] II.2-MÉRITO Considerando que em 29/04/2005, o recolhimento do IRPJ no valor de R$ 1.826,10 (mil, oitocentos e vinte e seis reais e dez centavos), nº do pagamento 1811522121-8, Comprovante de Arrecadação em anexo, em conformidade com a fl. 69 do Livro Diário n9 7 e DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO FISCAIS, DIPJ 2006, ano-calendário 2005, Pag. 7, apresentada em 26/06/2006 (cópia em anexo), FOI MAIOR que o valor determinado pelo Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, onde foi apurado um débito de R$ 620,40 (seiscentos e vinte reais e quarenta centavos), cópia em anexo. Cabe a restituição, em forma de compensação, da diferença de R$ 1.205,70 (mil, duzentos e cinco reais e setenta centavos), constante da DCOMP Eletrônica n9 30556.60876.071005.1.3.04-4051, nº de Rastreamento 825040594, de 25/03/2009 e da fl. 97 do Livro Diário n9 7, cópia em anexo. Concernente ao pedido expõe que: III - DA CONCLUSÃO À vista de todo o exposto, estando comprovado o direito líquido e certo, requisito necessário para a devida retificação da compensação, com fundamento no art. 165, I, e art. 170 do CTN (Lei n° 5.172/66) c.c. art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600/2005 e art. 74, §1° e §3°, IX (incluído pela Medida Provisória n° Fl. 86DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.804 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10725.900708/2009-97 449/2008), espera e requer a Recorrente seja acolhido o presente RECURSO para que se efetive a homologação da DCOMP Eletrônica nº 30556.60876.071005.1.3.04-4051. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Pagamento a Maior de Estimativa da Súmula Vinculante CARF nº 84 A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo (art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170-A do Código Tributário Nacional, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 com redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que entrou em vigor em 01.10.2002 e foi convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar-se-ia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório Fl. 87DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.804 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10725.900708/2009-97 não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado detalhando os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré-constituída imprescindível à comprovação das matérias suscitada dada a concentração dos atos em momento oportuno. A apresentação da prova documental em momento processual posterior é possível desde que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O julgador orientando- se pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos ainda que apresentados em sede recursal com o escopo de confrontar a motivação constante nos atos administrativos em que foi afastada a possibilidade de homologação da compensação dos débitos, porque não foi comprovado o erro material (art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 15, art. 16, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Cabe esclarecer que a Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) desde a sua instituição a partir de 01.01.1999 tem caráter meramente informativo 1 . Somente a partir do ano-calendário de 2014, todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentar a Escrituração Contábil Fiscal (ECF) de forma centralizada pela matriz, que ficam dispensadas, em relação aos fatos ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, da escrituração do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) em meio físico e da entrega da DIPJ. Assim, no ano-calendário objeto de análise os sistemas na RFB não eram supridos com os dados completos da escrituração contábil fiscal da Recorrente (Instrução Normativa RFB nº1.422, de 19 de dezembro de 2013). Ainda, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas devem apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) de forma centralizada pela matriz por via da internet comunicando a existência de débito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para sua exigência 2 . Além disso, 1 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa RFB nº 1.028, de 30 de abril de 2010, Instrução Normativa RFB nº 1.149, de 28 de abril de 2011, Instrução Normativa RFB nº 1.264, de 30 de março de 2012, Instrução Normativa RFB nº 1.344, de 9 de abril de 2013, Instrução Normativa RFB nº 1.463, de 24 de abril de 2014 e Súmula CARF nº 92. 2 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro Fl. 88DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-000.804 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10725.900708/2009-97 por via de regra o Per/DComp somente pode ser retificado pela Recorrente caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, já que alterar dados depois do tempo próprio constitui inovação 3 . Apenas nas situações mediante comprovação do erro em que se funde de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. Por inexatidão material entendem-se os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente, o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. O conceito normativo de erro material no âmbito tributário abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos não resultantes de entendimento jurídico tais como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido do sujeito passivo as informações declaradas a RFB no caso de verificada circunstância objetiva de inexatidão material e mediante a necessária comprovação do erro em que se funde (incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional e art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Sobre a possibilidade de revisão e retificação de ofício de débitos confessados, o Parecer Normativo Cosit nº 8, de 03 de setembro de 2014, orienta que a revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa da DRF de origem para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato em dados declarados em Per/DComp, DCTF, DIPJ, entre outros, observados os demais requisitos normativos. Ademais, salvo exceções legais, verifica-se que a não retificação da DCTF não impede que o direito creditório pleiteado no Per/DComp seja comprovado por outros meios, bem como não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o Per/DComp que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação de acordo com o Parecer Normativo Cosit nº 02, de 28 de agosto de 2015. Vale ressaltar que a retificação das informações declaradas por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional). Por conseguinte, cabe a Recorrente a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao Erário para a instrução do processo a respeito dos fatos e dados contidos em de 2009, Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010 e Instrução Normativa RFB nº 1.599, de 11 de dezembro de 2015. 3 Fundamento legal: art. 56 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 17 de outubro de 2004, art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012, a art. 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017 e § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 89DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-000.804 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10725.900708/2009-97 documentos existentes em seus registros internos, caso em que deve prover, de ofício, a obtenção dos documentos ou das respectivas cópias (art. 36 e art. 37 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). Infere-se que os motivos de fato e de direito apostos no recurso voluntário, por si sós, não podem ser considerados suficientemente robustos a comprovar sobre os supostos erros de fato incorridos pela Recorrente, que precisa produzir um conjunto probatório com outros elementos extraídos dos assentos contábeis, que mantidos com observância das disposições legais fazem prova a seu favor dos fatos ali registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado pode ser analisado, uma vez que se refere a fato ou direito superveniente, pois “é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa”, conforme a Súmula Vinculante CARF nº 84 editada nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 e Portaria ME nº 129, de 01 de abril de 2019. Assim, pagamento a maior de tributo determinado pela base de cálculo estimada pleiteado a título de direito creditório pode ser analisado. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp com base em pagamento indevido de estimativa, impõe, pois, o retorno dos autos a DRF de origem que inaugurou o litígio sob esse fundamento para que seja analisado o conjunto probatório produzido junto com o recurso voluntário referente ao mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que evidenciada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais em cotejo com os registros internos da RFB. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve ser possibilitada a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, conforme o rito processual do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Dispositivo Em assim sucedendo, voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula Vinculante CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.901767/2015-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2011 a 31/03/2011
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.277
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2011 a 31/03/2011 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10865.901767/2015-26
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6036951
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-006.277
nome_arquivo_s : Decisao_10865901767201526.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10865901767201526_6036951.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
dt_sessao_tdt : Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7829893
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052122309722112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1506; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.901767/201526 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401006.277 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente LIMERCART INDUSTRIA E COM DE EMBALAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2011 a 31/03/2011 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 17 67 /2 01 5- 26 Fl. 62DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Diferentemente da hipótese de lançamento de ofício, em que o Fisco deve comprovar a infração cometida, no caso de pedido de restituição ou ressarcimento cabe à parte interessada, que pleiteia o crédito, provar que possui o direito invocado. DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário requerendo a reforma de decisão de primeira instância para que seja declarada a nulidade do despacho decisório por haver sido proferido com ausência de fundamentação e homologada a compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.261, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10865.901009/201427. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.261): "A Recorrente acusa o despacho decisório que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, por ausência de fundamentação, uma vez que este não teria indicado as razões da inexistência de crédito disponível. Ora, verificase que a referida decisão deixou de homologar a compensação pelo fato de o valor do DARF ter sido integralmente alocado à quitação de outro débito. Este fundamento era suficiente para a negativa, sobretudo porque, como a própria Recorrente veio a informar na Manifestação de Inconformidade, a DCTF só fora retificada Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10865.901767/201526 Acórdão n.º 3401006.277 S3C4T1 Fl. 3 3 posteriormente e o DACON também, de sorte que os sistemas da Receita Federal não dispunham de outra informação que não aquela constante do DCTF original. Assim, não merece prosperar a alegação de nulidade do despacho decisório por carência de fundamentação, visto que analisou acertadamente o direito creditório à luz da circunstância fática vigente à época, que incluía a confissão do débito em DCTF no seu valor original.. Ademais, a posterior retificação da DCTF com o fito de reduzir o valor do débito não tem, per si, o condão de comprovar o direito creditório da Recorrente se desacompanhada de documentos hábeis e idôneos que suportem as alterações realizadas. Em se tratando de pedidos de compensação/ressarcimento, o ônus probatório incumbe ao postulante, conforme reiterada jurisprudência deste Conselho: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) "“CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a Fl. 64DF CARF MF 4 respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.” (Acórdão 3401005.460 – paradigma, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 26.nov.2018) Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente veiculou genericamente a alegação de ter se valido de uma base de cálculo ampliada para o PIS/COFINS, com a inclusão de receitas que não comporiam o faturamento, o que ensejara a retificação da DCTF, sem carrear aos autos qualquer documentação que comprove o alegado, desejando transferir à fiscalização o ônus de perscrutar a origem do crédito pleiteado. No presente Recurso Voluntário, limitase à alegação de nulidade do despacho decisório, mesmo ciente de que o mesmo foi proferido antes da retificação que promovera na DCTF, o que já se refutou, silenciando quanto à origem e quantificação do crédito. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10865.901767/201526 Acórdão n.º 3401006.277 S3C4T1 Fl. 4 5 Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.723105/2016-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL.
Não há de se falar em nulidade da ação fiscal e do lançamento, se não restaram violados quaisquer incisos do artigo 59 do Decreto n.º 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal.
PRODUÇÃO DE PROVAS. JUNTADA POSTERIOR.
O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LUCRO DISTRIBUÍDO AO SÓCIO OU ACIONISTA EXCEDENTE AO VALOR ESCRITURADO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE LUCROS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES.
Verificado que a empresa distribuidora possuía lucros a serem distribuídos aos sócios de exercícios superiores, que suportaram os lucros recebidos pelo contribuinte, cabe a revisão do lançamento, para excluir o imposto de renda lançado sobre referidos lucros, uma vez que não se sujeita à incidência do imposto de renda.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos.
Os rendimentos tributáveis informados pela fonte pagadora na DIRF devem ser declarados pelo contribuinte no ajuste anual.
CONTRATO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO.
A alegação da existência de empréstimos (contrato de mutuo) está condicionada a comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos, da operação alegada, que deve ainda ser acompanhada da prova da transferência dos recursos mutuados e da capacidade financeira do mutuante.
LANÇAMENTO. REVISÃO DE OFÍCIO.
Deve ser revisto de ofício o lançamento, quando verificado o erro na apuração da base de cálculo do imposto lançado, fulcro no art. 149 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2202-005.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. Não há de se falar em nulidade da ação fiscal e do lançamento, se não restaram violados quaisquer incisos do artigo 59 do Decreto n.º 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal. PRODUÇÃO DE PROVAS. JUNTADA POSTERIOR. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LUCRO DISTRIBUÍDO AO SÓCIO OU ACIONISTA EXCEDENTE AO VALOR ESCRITURADO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE LUCROS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES. Verificado que a empresa distribuidora possuía lucros a serem distribuídos aos sócios de exercícios superiores, que suportaram os lucros recebidos pelo contribuinte, cabe a revisão do lançamento, para excluir o imposto de renda lançado sobre referidos lucros, uma vez que não se sujeita à incidência do imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos. Os rendimentos tributáveis informados pela fonte pagadora na DIRF devem ser declarados pelo contribuinte no ajuste anual. CONTRATO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A alegação da existência de empréstimos (contrato de mutuo) está condicionada a comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos, da operação alegada, que deve ainda ser acompanhada da prova da transferência dos recursos mutuados e da capacidade financeira do mutuante. LANÇAMENTO. REVISÃO DE OFÍCIO. Deve ser revisto de ofício o lançamento, quando verificado o erro na apuração da base de cálculo do imposto lançado, fulcro no art. 149 do Código Tributário Nacional.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11516.723105/2016-12
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6020227
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2202-005.064
nome_arquivo_s : Decisao_11516723105201612.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARTIN DA SILVA GESTO
nome_arquivo_pdf_s : 11516723105201612_6020227.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
id : 7779951
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052122311819264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1952; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 3.343 1 3.342 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.723105/201612 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2202005.064 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de abril de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida ADALBERTO SEDLACEK ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011, 2012, 2013 NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. Não há de se falar em nulidade da ação fiscal e do lançamento, se não restaram violados quaisquer incisos do artigo 59 do Decreto n.º 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal. PRODUÇÃO DE PROVAS. JUNTADA POSTERIOR. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LUCRO DISTRIBUÍDO AO SÓCIO OU ACIONISTA EXCEDENTE AO VALOR ESCRITURADO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE LUCROS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES. Verificado que a empresa distribuidora possuía lucros a serem distribuídos aos sócios de exercícios superiores, que suportaram os lucros recebidos pelo contribuinte, cabe a revisão do lançamento, para excluir o imposto de renda lançado sobre referidos lucros, uma vez que não se sujeita à incidência do imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos. Os rendimentos tributáveis informados pela fonte pagadora na DIRF devem ser declarados pelo contribuinte no ajuste anual. CONTRATO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 31 05 /2 01 6- 12 Fl. 3243DF CARF MF Processo nº 11516.723105/201612 Acórdão n.º 2202005.064 S2C2T2 Fl. 3.344 2 A alegação da existência de empréstimos (contrato de mutuo) está condicionada a comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos, da operação alegada, que deve ainda ser acompanhada da prova da transferência dos recursos mutuados e da capacidade financeira do mutuante. LANÇAMENTO. REVISÃO DE OFÍCIO. Deve ser revisto de ofício o lançamento, quando verificado o erro na apuração da base de cálculo do imposto lançado, fulcro no art. 149 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto nos autos do processo nº 11516.723105/201612, em face do acórdão nº 0741.477, julgado pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), em sessão realizada em 20 de março de 2018, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar parcialmente procedente a impugnação. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “I. DA EXIGÊNCIA TRIBUTÁRIA Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração – Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, fls. 156/162, relativo aos anoscalendário de 2011, 2012 e 2013 (exercícios 2012, 2013 e 2014), para formalização do crédito tributário abaixo indicado: Imposto 6.359.774,38 Juros de Mora (calculados até 10/2016) 2.597.779,52 Fl. 3244DF CARF MF Processo nº 11516.723105/201612 Acórdão n.º 2202005.064 S2C2T2 Fl. 3.345 3 Multa de Ofício (passível de redução) 4.769.830,78 Valor do Crédito Tributário Apurado 13.727.384,68 No Relatório Fiscal (RF), constante às fls. 27812800, a autoridade lançadora expõe que o procedimento fiscal foi autorizado pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF nº 0920100.2015.008168, e teve início em 16/11/20159, com a cientificação do Termo de Início do Procedimento Fiscal, no qual o contribuinte foi instado a apresentar documentos relacionados no item 2.1 do RF. 1 Composição detalhada dos valores lançados na DIRPF a título de dívidas e ônus reais, no período a seguir indicado; 2 . Composição detalhada dos valores lançados na DIRPF a título de rendimentos isentos e não tributáveis; 3. Composição detalhada dos valores lançados na DIRPF a título de rendimentos tributados exclusivamente na fonte; 4. Comprovantes de contribuições e doações dedutíveis do imposto de renda; 5. Comprovantes de despesas médicas; 6. Comprovantes do IRRF s/ aplicação financeira; 7. Comprovantes de despesas com instrução; 8. Comprovantes do IRRF s/ rend. da atividade; 9. Comprovantes originais de todos os rendimentos mensais recebidos de pessoa física, bem como apresentação do Livro Caixa, com documentação comprobatória de receita e despesa; 10. Comprovantes originais de todos os rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas e de retenção de imposto de renda na fonte, do contribuinte e de todos os dependentes, informados nas declarações acima especificadas; 11. Contrato Social (ou de Atas de Assembléia) e Alterações Posteriores referentes às empresas na qual seja titular ou tenha participação como sócio ou acionista (cópias); 12. Declaração de Importação, guia do ICMS e contrato de fechamento de câmbio, concernente a todos os bens importados, no período a seguir indicado (cópias autenticadas; 13. Documentação contábil e fiscal em relação a todos os saldos credores declarados na(s) empresa(s) de sua titularidade, respaldados em cópias de documentos bancários (extratos, cópias de cheque ou recibos de depósito); 14. Documentação original comprobatória de todas as deduções pleiteadas para os anos calendários acima especificados; Fl. 3245DF CARF MF Processo nº 11516.723105/201612 Acórdão n.º 2202005.064 S2C2T2 Fl. 3.346 4 15. Documento de aquisição e/ou alienação (original e cópia), de todos os bens móveis (incluindo veículos) e bens imóveis, efetuadas em nome do contribuinte, cônjuge ou dependentes, referente às alienações ocorridas; 16. Documentos públicos ou particulares que lastrearam a aquisição e alienação de bens móveis e imóveis, títulos e valores mobiliários, no período a seguir indicado; 17. Extratos bancários de contacorrente, aplicações financeiras e cadernetas de poupança, referente a todas as contas mantidas, inclusive de titularidade do cônjuge e outros dependentes, mantidas em instituições financeiras situadas no Brasil e no exterior; 18. Razão do conta corrente em seu nome, na(s) empresa(s) de que seja titular, ou que tenha participação como sócio ou acionista; 19. Apresentar Demonstrativo de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro Mensal, referente aos anoscalendários sob fiscalização, devendo as informações prestadas serem acompanhadas de documentos hábeis e idôneos que comprovem os valores ali lançados. Segue anexo modelo de planilha de fluxo financeiro mensal (anexo I) Consta que o contribuinte apresentou comprovantes de rendimentos, contratos de mútuo, atas e contrato sociais das empresas nas quais possui quotas/ações, seus extratos bancários e o Demonstrativo de Variação Patrimonial com as explicações relativas aos lançamentos contidos no demonstrativo apresentado. A autoridade fiscal também analisou informações relacionadas aos fatos geradores, disponíveis nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal (DIRF – Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte e DIPJ – Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica). Analisados referidos documentos, foi lavrado o presente Auto de infração, que, de acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 27222766, onde também constam os dispositivos legais das infrações, e o Relatório Fiscal, onde estão detalhados os fatos apurados pela fiscalização, decorre da apuração das infrações abaixo descritas: 1) OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf, constante do sistema da Secretaria da Receita Federal, que foi apresentada pela empresa GIAD Administradora de Imóveis Ltda, CNPJ 10.362.569/000150, da qual o contribuinte é sócio, Fl. 3246DF CARF MF Processo nº 11516.723105/201612 Acórdão n.º 2202005.064 S2C2T2 Fl. 3.347 5 foi informado que este recebeu rendimentos do trabalho assalariado, código de arrecadação 0561, no valor de R$ 540,00 para o mês de janeiro de 2011 e de R$ 545,00 para demais meses do ano. A soma dos rendimentos (R$ 6.535,00) não foram incluídos pelo contribuinte na declaração de ajuste anual de 2012 (AC 2011), ensejando o lançamento. (doc. Declarações Pj Outras DIRF 2011 GIAD). Sobre o valor do imposto apurado, foi exigida multa de 75%. 2) OMISSÃO DE RENDIMENTOS (JUROS E OUTROS ACRÉSCIMOS) RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA, acima do valor estipulado em contrato de mútuo, no valor de R$ 2.882.405,02 (fato gerador ocorrido em 12/08/2011). A fiscalização apurou que o valor de R$ 2.882,405,02 foi recebido pelo contribuinte como parcela excedente ao empréstimo por ele concedido para a empresa Poly Terminais Portuários SA, CNPJ 10.341.742/000134. De acordo com o REFISC, o contribuinte informou, em resposta ao Termo de Início de Fiscalização, que recebeu o valor de R$ 6.761.183,14 referente ao principal do empréstimo concedido, a partir do ano de 2009, à empresa Poly Terminais Portuários SA, acrescido de juros de 2% (dois por cento) ao mês, no total de R$ 5.392.183,14, nos termos do artigo 591 do Código Civil, conforme consta do "CONTRATO DE EMPRÉSTIMO (MÚTUO) nº 05.2011", valor esse informado na relação de bens e direitos da DIRPF do ano de 2012. Foi apurado que o valor devido pela mutuaria, incluindo o capital emprestado mais os juros calculados na fórmula de juros compostos, correspondente a R$9.528.534,12, enquanto que a empresa Poly Terminais Portuários devolveu ao contribuinte a importância de R$ 12.154.162,64. O valor excedente, de R$ 2.882.405,02, foi classificado como rendimentos recebidos de pessoa jurídica, visto não ter sido oriundo de empréstimo, e, também, não foi tributado na fonte, conforme verificado na DIRF apresentada pela empresa. Sobre o valor do imposto apurado, foi exigida multa de 75%. 3) RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE LUCRO DISTRIBUÍDO (PRESUMIDO / REAL) EXCEDENTE AO ESCRITURADO: Tratamse de rendimentos pagos a sócio ou acionista de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no Lucro Real ou Presumido, excedente ao valor escriturado, recebidos das empresas GIAD Administradora de Bens Ltda, CNPJ 10.362.569/000150; da empresa AMERICANPET Ind. Com. Imp. e Exp. Ltda, CNPJ 85.150.613/000168 e DISPET Ind. Com. e Exp. Ltda, CNPJ 05.826.289/000116. Sobre o imposto apurado, incidiu multa de ofício de 75%. Fl. 3247DF CARF MF Processo nº 11516.723105/201612 Acórdão n.º 2202005.064 S2C2T2 Fl. 3.348 6 Relata a autoridade lançadora que o contribuinte informou em sua declaração de ajuste anual de 2012, anocalendário 2011, nº 09/23.722.612, o recebimento de rendimentos isentos e não tributáveis "Lucros e dividendos recebidos pelo titular e pelos dependentes" das empresas GIAD ADMINISTRADORA DE BENS LTDA, CNPJ 10.362.569/000150, tributada pelo lucro presumido, o valor de R$ 1.200.000,00 e AMERICANPET IND. COM. IMP. EXP. LTDA, CNPJ 85.150.613/000168, tributada pelo lucro real, o valor de R$ 5.119.000,00. (doc. Declarações Pf Outras DIRPF 2012). Na declaração de ajuste anual de 2013, anocalendário 2012, nº 09/24.026.904, informou o recebimento de rendimentos isentos e não tributáveis "Lucros e dividendos recebidos pelo titular e pelos dependentes", das empresas DISPET IND. COM. E EXP. LTDA, CNPJ 05.826.289/0001 16, tributada pelo lucro real, o valor de R$ 6.880.753,74; GIAD ADMINISTRADORA DE BENS LTDA, CNPJ 10.362.569/000150, tributada pelo lucro presumido, no valor de R$ 3.341.804,13 e AMERICANPET IND. COM. IMP. EXP. LTDA, CNPJ 85.150.613/0001 68, tributada pelo lucro real, o valor de R$ 2.389.775,00. (doc. Declarações Pf Outras DIRPF 2013). Na declaração de ajuste anual de 2014, anocalendário 2013, nº 09/42.286.800, informou o recebimento de rendimentos isentos e não tributáveis "Lucros e dividendos recebidos pelo titular e pelos dependentes", das empresas GIAD ADMINISTRADORA DE BENS LTDA, CNPJ 10.362.569/000150, tributada pelo lucro presumido, o valor de R$ 1.334.868,58 e da POLY LOG TRANSPORTES LTDA, CNPJ 13.040.061/000124, tributada pelo lucro presumido, o valor de R$ 4.425.000,00. No tópico, a fiscalização registra que o contribuinte informou na declaração de ajuste o CNPJ 85.150.613/000168 que pertence a AMERICANPET IND. COM. IMP. EXP. LTDA, contudo, descreveu como razão social o da outra empresa. Na planilha e nos documentos apresentados pelo contribuinte, este informou que a distribuição de lucro é da empresa POLYLOG TRANSPORTES, concluindose, portanto, correto o CNPJ correto é o de nº 13.040.061/0001 24. (doc. Declarações Pf Outras DIRPF 2014, Documentos Diversos – Outros ITEM 2 DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO P ADALBERTO POLY LOG). Parte dos lucros informados como rendimentos informados nas DIRPF dos exercícios 2012, 2013 e 2014 como recebidos a título de distribuição de lucros não foi aceita como rendimentos isentos e não tributáveis. No caso do contribuinte em epígrafe, a fiscalização apurou que inexistiam nas pessoas jurídicas distribuidoras, lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente para suportar as distribuições. As parcelas excedentes foram submetidas à tributação nos termos do art. 3º, § 4º, da Lei nº. 7.713, de 1988, com base na tabela progressiva a Fl. 3248DF CARF MF Processo nº 11516.723105/201612 Acórdão n.º 2202005.064 S2C2T2 Fl. 3.349 7 que se refere o art. 3º da Lei nº. 9.250, de 1995, com as alterações posteriores (art. 48, § 4º da IN nº. 93/97). Encerrando os trabalhos fiscais, a autoridade lançadora elaborou Representação Fiscal Para Fins. II. DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte apresentou impugnação, na qual após breve relato dos gatos que ensejaram a autuação, expõe suas razões de contestação, abaixo sintetizadas. Do mérito a. Da imperiosa necessidade da aplicação do princípio da verdade material Alega que a fiscalização se deu de forma superficial e precária, desconsiderando fatos que comprovam a inexistência de qualquer omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica, a existência de lucros pelas pessoas jurídicas das quais o impugnante é sócio e o seu efetivo recebimento, e a inexistência de omissão de rendimento (juros e outros acréscimos) recebido de pessoa jurídica vinculado a devolução de empréstimo efetuado pelo Impugnante à pessoa jurídica da qual é sócio. Entende que o crédito tributário deve ser cancelado em sua integralidade, em face do Princípio da Verdade Material, conforme razões que apresenta nos tópicos que seguem. b. Falta de liquidez e certeza tributária sobre os rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica (Infração 001): Alude que a imputação de omissão de rendimentos do trabalho se mostra absolutamente indevida em face da incerteza do efetivo recebimento da verba junto à empresa Giad Administradora de Bens durante o anocalendário de 2011, pois a DIRF que serviu de base para o lançamento fiscal, apresentada pela empresa GIAD, menciona apenas a existência rendimentos do trabalho, porém não informa que houve pagamentos por conta de salário ou prólabore ao Impugnante no ano de 2011. c. Deficiências do auto de infração decorrente da rejeição dos rendimentos de lucros declarados isentos ou não tributáveis (Infração 002): Menciona que restará demonstrado que além do cerceamento ao direito de defesa, resta evidente o equívoco quanto do critério da apuração das bases tributáveis, bem como a falha do Fisco, que não conseguiu visualizar que as empresas das quais o Impugnante é sócio possuíam lucros que deram suporte às distribuições ocorridas. d. Do erro no enquadramento legal Cerceamento ao Direito de Defesa quanto a Infração 002: Fl. 3249DF CARF MF Processo nº 11516.723105/201612 Acórdão n.º 2202005.064 S2C2T2 Fl. 3.350 8 Argumenta que há erro de enquadramento legal, que leva ao cerceamento ao direito de defesa, porquanto a Instrução Normativa SRF nº 93, de 1997, mencionada no RF, seja em sua redação originária ou nas outras Instruções Normativa que a sucederam, em nenhum momento disciplinou a tributação do IRPF, disciplinando a tributação da pessoa jurídica. Ainda, os dispositivos legais contidos na “descrição dos fatos e enquadramento legal” do AI se repontam à condição de isenção dos lucros percebidos, mas nenhum dispositivo legal citado prevê a possibilidade da tributação dos lucros percebidos por pessoas físicas. Discorre que a auditoria fiscal deslocou os rendimentos de isentos para tributáveis, todavia não apontou a origem e a natureza dos rendimentos e também não informou qual o enquadramento legal para a tributação. Que não se preocupou em dizer qual então seria a origem e a natureza dos rendimentos que alega não serem verdadeiros, porém passível de tributação, cerceando o direito de defesa do contribuinte. Alude que não houve perfeita subsunção entre a norma e os fatos, no caso os arts. 37, 38, 83, 654, 662 e 666 do RIR/99, utilizados como fundamento legal e que a indicação lançada no auto de infração é totalmente genérica para as situações que definem a isenção dos lucros, inexistindo a indicação do enquadramento legal que possibilite a transmutação de “lucros inexistentes” para “lucros inexistentes tributáveis” como se busca na presente autuação, que se verifica a violação ao art. 142 do CTN. Requer seja cancelado o auto de infração, tendo em vista o erro no enquadramento legal que leva ao cerceamento de direito de defesa do Impugnante, bem como diante da falta de motivação que incide sobre o lançamento. e. Do erro material do lançamento caracterizado pela impossibilidade de converter em rendimentos tributáveis, de forma automática, os rendimentos declarados isentos ou não tributáveis rejeitados pela autoridade fiscal (Infração 002): Menciona que a Fiscalização se iniciou com o objetivo de apurar possível variação patrimonial a descoberto para o ano calendário de 2011 a 2013, conforme consta do Relatório Fiscal e do Termo de Início da Fiscalização (TIFF), como também no conjunto de documentos e formulários que o acompanharam, os quais foram entregues ao contribuinte quando do início da ação fiscal. Relata que ao verificar no demonstrativo da variação patrimonial preenchido pelo contribuinte, que os lucros advindos de suas empresas haviam sido declarados como rendimentos isentos do imposto de renda, a autoridade fiscal passou a examinar a validade dos lucros declarados, sem qualquer pedido de esclarecimento ao contribuinte. Fl. 3250DF CARF MF Processo nº 11516.723105/201612 Acórdão n.º 2202005.064 S2C2T2 Fl. 3.351 9 Entende que essa análise deuse de forma superficial, com o confronto precário entre as suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) e as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e as Declarações de Informações EconômicoFiscais das Pessoas Jurídicas (DIPJ) das empresas em que é sócio, e, ao final, a fiscalização entendeu que a distribuição dos lucros seria impossível, posto que as empresas elencadas na autuação fiscal operaram nos referidos períodos com prejuízos ou com lucros insuficientes para serem distribuídos. Defende que o procedimento de fiscalização está maculado pela nulidade, porquanto a legislação tributária não respalda a transmutação automática de rendimento isento para tributável, e porque o Auditor Fiscal se afastou da finalidade da ação fiscal, que sempre esteve voltada para o exame da variação patrimonial do contribuinte. f. Da existência de lucros apurados pelas pessoas jurídicas que o Impugnante é sócio e do efetivo recebimento (Infração 002): Justificativas gerais dos lucros distribuídos pelas empresas nos anoscalendário de 2011 a 2013: Relata que a suspeita do Fisco sobre a efetiva existência dos lucros distribuídos nos anoscalendário de 2011 a 2013 recaiu sobre quatro empresas nas quais o Impugnante é sócio: GIAD, AMERICANPET, DISPET e POLYLOG e reforça que teve apenas uma única oportunidade de se manifestar sobre os lucros recebidos das suas empresas, isso quando preencheu o demonstrativo da variação patrimonial em atendimento ao TIF, mas que não lhe foi oportunizado dar esclarecimentos sobre os lucros recebidos. Justificativas dos lucros distribuídos pela AMERICANPET em 2011 e 2012. Assevera que a fiscalização fez uma análise parcial das informações constantes das DIPJ entregues pela empresa. Com relação ao exercício 2012, anocalendário 2011, alega que a análise da folha 37A da DIPJ número 0001598220 de 2012 ficou restrita ao saldo da reserva de lucros e ao valor do prejuízo ocorrido em 2011, sem atentar a fiscalização que esse mesmo documento continha também a informação de lucros a pagar (passivo circulante) de R$ 8.426.278,54 advindos de 2010, o qual foi reduzido para R$ 2.180.439,54 no final de 2011. Observa que na DIPJ 2011, anocalendário 2010, apresentada em tempo hábil, continha também a informação dos lucros a pagar no final de 2010 no montante de R$ 8.426.278,54. Desse modo, diz que fica claro que durante anocalendário de 2011 a empresa AMERICANPET tinha plenas condições de fazer distribuição de lucros, sendo certo que o montante dos lucros distribuídos de R$ 6.245.839,00 [8.426.278,54 2.180.439,54] é Fl. 3251DF CARF MF Processo nº 11516.723105/201612 Acórdão n.º 2202005.064 S2C2T2 Fl. 3.352 10 mais que o suficiente para cobrir os lucros declarados isentos pelo Impugnante em 2011. O exame parcial também se seu na DIPJ 2013, anocalendário 2012, tendo em vista que a referida declaração continha também a informação de lucros a pagar no final de 2011 no montante de R$ 2.180.439,54, o qual foi reduzido para R$ 1.385.154,08 no final de 2012. Assim, dos lucros advindos de 2010 de R$ 2.180.439,54, conforme já mencionado, devese considerar que era possível a empresa AMERICANPET distribuir lucros em no montante R$ 795.285,46 [2.180.439,54 – 1.385.154,08], o qual, adicionado ao lucro gerado e distribuído em 2012 de R$ 658.226,10, perfaz o montante de R$ 1.453.511,66 [795.285,46 + 658.226,10], valor esse que chega bem próximo do valor do rendimento de lucros declarados pelo Impugnante. Diz que ainda que o valor de R$ 1.453.511,66, que apura, seja inferir aos lucros isentos declarados em 2012, essa diferença pode ser perfeitamente justificada através dos lucros tributados via auto de infração do processo fiscal de número 11516.720104/201454 que consta em nome da AMERICANPET. Justificativa dos lucros distribuídos pela Dispet em 2012: O Fisco deixou de fazer o exame completo das informações constantes da DIPJ 2013 (anocalendário 2012), deixando de observar que esta consignava, em seu passivo, lucros a pagar de R$ 10.784.159,48 no final de 2011, valor este reduzido para R$ 4.227.651,07, no final de 2012, restando legítima a distribuição de lucros no montante de R$ 6.556.508,41. Justificativa dos lucros distribuídos pela POLYLOG em 2013 Afirma que os lucros distribuídos pela empresa POLYLOG em 2013 contemplam não apenas os lucros de 2013, mas também os gerados em 2012. Que a autoridade fiscal aceitou como possível de distribuição, em 2013, apenas o valor de R$ 1.824.211,98, que se refere exclusivamente ao lucro gerado em 2013, deixando de observar, porém, que havia lucro de 2012 de R$ 1.326.492,86, que consta da DIPJ 2013 número 0001633748 apresentada pela empresa. Justificativa dos lucros distribuídos pela GIAD em 2011, 2012 e 2013. Afirma que o balanço patrimonial da referida empresa, encerrado em dezembro de 2009, já registrava R$ 13.394.760,35 de lucros a distribuir, valor esse suficiente para respaldar os lucros declarados pelo Impugnante nos anoscalendário de 2011 a 2013. Que ao analisar unicamente as DIPJ apresentadas pela GIAD, a autoridade fiscal deixou de examinar a contabilidade da referida pessoa jurídica, pela qual é possível verificar que nos anos de Fl. 3252DF CARF MF Processo nº 11516.723105/201612 Acórdão n.º 2202005.064 S2C2T2 Fl. 3.353 11 2011 e 2013, em que pese constarem zerados os dados nas DIPJ, a empresa obteve faturamento referente a venda parcelada de imóvel que para integralização do seu capital social e que constava em conta contábil de estoque ocorrida no ano de 2009, conforme registrado em Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 15/07/2009 (fls. 2388/2390). Que nos anos de 2011 e 2013, o faturamento da GIAD foi o mesmo apurado pela fiscalização no ano de 2012, destacando que houve o recolhimento dos tributos incidentes, devidamente registrados em contabilidade. Estes valores, em conjunto com os lucros acumulados ao final de 2009, reforçam quanto mais a existência dos lucros declarados nos anos de 2011 a 2013, nos valores indicados pelo Impugnante, razão pela qual não há como prosperar o argumento do Fisco de que os lucros são inexistentes. g. Da Inexistência de Omissão de Rendimentos (Juros e Outros Acréscimos Legais) Recebidos de Pessoa Jurídica (INFRAÇÃO 003) Afirma que a exigência fiscal do imposto de renda sobre a suposta omissão de rendimentos não procede, tendo em vista que a tomadora do empréstimo Poly Terminais Portuários Ltda. (mutuária) procedeu à retenção na fonte do imposto de renda sobre todo o montante dos juros pagos, conforme determina a legislação tributária. Da Legislação Tributária Aplicável aos Contratos de Mútuo Nesse item, o contribuinte discorre sobre a legislação tributária pertinente a matéria (Regulamento do Imposto de Renda – Decreto nº 3.000/1999, arts. 734, parágrafos 1º e 2º, e art. 1º da Lei nº 11.033, de 2004), aduzindo que esse regramento foi inteiramente observado pela Poly Terminais Portuários Ltda (mutuária), de maneira que os juros efetivamente pagos pelo impugnante sofreram a incidência de imposto de renda na fonte. Esclarece, ainda, que a mutuária calculou os juros devidos ao mutuante mediante a contagem do prazo em dia de permanência do empréstimo, sob pena de tornar inaplicável a legislação de regência, que determina alíquotas percentuais para o IRRF, conforme a quantidade de dias, e não em mês como foi conduzido o cálculo pelo Auditor Fiscal. Do Cálculo dos Juros e do Imposto de Renda Retido na Fonte Após descrever a forma de apuração dos juros aplicados ao contrato de mútuo pela fiscalização, o contribuinte alega que a divergência entre os juros apurados pela fiscalização, de R$ 2.017.263,21 não correspondem ao efetivamente pagos pela Poly Terminais Portuários Ltda. ao Impugnante, que foi de R$2.766.557,62, tal qual comprovam as DIRF apresentadas à Receita Federal pela mutuária e acolhidos pela própria fiscalização. Fl. 3253DF CARF MF Processo nº 11516.723105/201612 Acórdão n.º 2202005.064 S2C2T2 Fl. 3.354 12 Menciona que a divergência entre os valores decorre, dentre outros motivos, do prazo de permanência do empréstimo, que segundo a legislação de regência, é contado em dia e não em mês, como calculado pela fiscalização. Com relação ao montante de R$ 2.882.405,02, que consiste na divergência entre o total depositado pela mutuaria na conta do contribuinte, de R$ 12.154.162,64 diminuído de R$ 9.528.5378,12 – valor correspondente ao principal e ao juros declarados na DIRF pela mutuaria, acrescidos do empréstimo de R$ 256.779,50 em 31/12/2010 (fl. 2794), o contribuinte justifica que não se trata de omissão de rendimentos da tributação do imposto de renda, mas que corresponde à devolução de capital emprestado no anocalendário 2011. Diz que nem todos os depósitos bancários realizados em 25/03/2011, 11/08/2011 e 12/08/2011 se referem ao empréstimo de R$ 6.761.979,50, como demonstra a tabela com a composição dos valores depositados em favor do impugnante na mesma ordem dos demonstrados pela autoridade fiscal, relativos relativos aos empréstimos, prazo de permanência, juros pagos do período, IRRF apurado e recolhido, e os totais pagos ao mutuante, coincidentes em data e valor com os extratos bancários, com a escrituração contábil da mutuária, e com as DIRF apresentadas: Pagamentos realizados pela Poly Terminais (mutuária), em 25/03/2011, Banco Bradesco conta 5134, ao Impugnante(mutuante), correspondente ao valor emprestado e aos juros do período, descontado o imposto de renda retido na fonte: [...] Pagamentos realizados pela Poly Terminais (mutuária), em 11/08/2011, Banco do Brasil conta 768030, ao Impugnante (mutuante), correspondente ao valor emprestado e aos juros do período, descontado o imposto de renda retido na fonte: [...] Pagamentos realizados pela Poly Terminais (mutuária), em 12/08/2011, Banco do Brasil conta 768030, ao Impugnante (mutuante), correspondente ao valor emprestado e aos juros do período, descontado o imposto de renda retido na fonte: [...] Defende, com base nos depósitos bancários (fls. 689/713, 716/741, 749 e 750), e pela composição dos valores acima, que recebeu no anocalendário 2011, a título de juros, o total de R$2.766.558,24, correspondente à remuneração do capital emprestado, com retenção de R$491.595,60 a título de IR pela Poly Terminais Portuários Ltda. (mutuária). Fl. 3254DF CARF MF Processo nº 11516.723105/201612 Acórdão n.º 2202005.064 S2C2T2 Fl. 3.355 13 Que esse quadro confirma que é equivocada a informação prestada pelo impugnante em sua DIRPF, exercício 2012, ano calendário 2011, de que recebeu “RENDIMENTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA/ DEFINITIVA”, o valor de R$5.392.183,12, situação constatada pela autoridade fiscal no procedimento de fiscalização de que de fato não se trata de rendimentos com tributação definitiva. Afirma que na verdade, a diferença de R$2.625.624,88 (R$5.392.183,12 – R$2.766.558,24) se refere a devolução de outros empréstimos ao Impugnante, além do que foi registrado na Declaração de Bens e Direitos da DIRPF, exercício 2012, anocalendário 2011, na importância deR$6.761.979,50. O respectivo Contrato de Mútuo nº 0005.2011 foi acostado ao processo pela fiscalização (fls. 630/633), onde está especificado o prazo para a devolução do capital emprestado, que comprovadamente ocorreu em 25/03/2011, 11/08/2011 e 12/08/2011, acrescido do pagamento de juros e descontado o IRRF, conforme já demonstrado. Que os outros empréstimos antes mencionados, correspondem a mútuos contratados pelo Impugnante com a Poly Terminais Portuários Ltda. no anocalendário 2010 e no curso do próprio anocalendário 2011, os quais não foram declarados na DIRPF e também não foram examinados pela autoridade fiscal, que ignorou que o Impugnante concedeu outros empréstimos para a Poly Terminais Portuários Ltda., nos anoscalendário 2010 e 2011, todos devolvidos ao mutuante por meio do Banco Bradesco S/A., em 25/03/2011, e do Banco do Brasil S/A., em 11/08/2011 e 12/08/2011 (fls. 749/750, 689/713 e 716/741). Explica que com relação ao capital emprestado no ano calendário 2010, este foi igualmente devolvido ao Impugnante com o pagamento de juros e incidência do IRRF, conforme demonstra: • Pagamentos realizados pela Poly Terminais (mutuária), em 25/03/2011, Banco Bradesco conta 5134, ao Impugnante (mutuante), correspondente ao valor emprestado e aos juros do período, descontado o imposto de renda retido na fonte: • Pagamentos realizados pela Poly Terminais (mutuária), em 12/08/2011, Banco do Brasil conta 768030, ao Impugnante(mutuante), correspondente ao valor emprestado e aos juros do período, descontado o imposto de renda retido na fonte: Fl. 3255DF CARF MF Processo nº 11516.723105/201612 Acórdão n.º 2202005.064 S2C2T2 Fl. 3.356 14 Também alega que parte dos valores depositados em suas contas correntes são relativos a empréstimos contratados em 2011, mas que como as entradas e saídas de numerários para a mutuária não ultrapassaram a data de 12/08/2011, os mútuos não foram declarados na DIRPF/2012, examinada. Aponta que os empréstimos com prazo de permanência com a mutuária inferior a 224 dias foram feitos no curso do anocalendário 2011, mais precisamente até aquelas datas, a saber: • Pagamentos realizados pela Poly Terminais (mutuária), em 25/03/2011, Banco Bradesco conta 5134, ao Impugnante(mutuante), correspondente ao valor emprestado e aos juros do período, descontado o imposto de renda retido na fonte: [...] • Pagamentos realizados pela Poly Terminais (mutuária), em 11/08/2011, Banco do Brasil conta 768030, ao Impugnante(mutuante), correspondente ao valor emprestado e aos juros do período, descontado o imposto de renda retido na fonte: [...] Pagamentos realizados pela Poly Terminais (mutuária), em 12/08/2011, Banco do Brasil conta 768030, ao Impugnante(mutuante), correspondente ao valor emprestado e aos juros do período, descontado o imposto de renda retido na fonte: [...] Com tais informações, o contribuinte aduz que restou demonstrado que vinculado ao total das devoluções do capital emprestado de R$9.879.200,00 foram pagos juros de R$2.766.558,24 com a incidência do IRRF no total de R$491.595,49 e que inexiste fato gerador para a incidência do imposto de renda sobre a suposta omissão de R$2.882.405,02, posto que não se tratam de juros pagos acima do valor estipulado em contrato de mútuo (fls. 2763), mas de pagamento de empréstimo pela Poly Terminais Portuários Ltda. No tópico, o contribuinte relaciona os documentos comprobatórios dos fatos alegados. E, ao final, requer a improcedência do auto de infração, protestando pela juntadas de outras provas que se fizerem necessárias para o deslinde da questão. III. DA DILIGÊNCIA FISCAL Em face dos argumentos apresentados pelo contribuinte, no tocante a infração de RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE LUCRO DISTRIBUÍDO, o processo foi diligenciado à fiscalização, nos termos do despacho de fls. 31103117, a fim de que esta se manifestasse quanto às alegações do contribuinte, de Fl. 3256DF CARF MF Processo nº 11516.723105/201612 Acórdão n.º 2202005.064 S2C2T2 Fl. 3.357 15 que existiam lucros de exercícios anteriores que suportaram as distribuições de lucros informadas como recebidas das empresas das quais o contribuinte era sócio, quer com base nas informações das DIPJ das empresas, quer com base na escrituração contábil, procedendo as diligencias que se fizerem necessárias. A autoridade lançadora elaborou o Relatório de Diligência Fiscal de fl. 3191, no qual concorda expressamente com os argumentos apresentados pelo contribuinte: Em cumprimento à solicitação de diligência exarada pela 5ª Turma da DRJ/FNS, foi encaminhado ao contribuinte o Termo de Início de Diligência pelo qual foi solicitado Solicitamos que sejam apresentados os comprovantes da EFETIVA transferência dos lucros pagos/creditados das empresas AMERICANPET (2011 e 2012); DISPET (2012); POLYLOG (2013) e GIAD (2011, 2012 e 2013). Após a entrega dos comprovantes do efetivo pagamento e lendo os arrazoados levantados pelo contribuinte, entendemos que a empresa realmente possuía lucros anteriores que suportariam a distribuição nos anos subsequentes sob fiscalização. Desta forma entendo que cabe razão ao contribuinte quanto a parte de distribuição de lucros. Devidamente cientificado despacho de diligência e do relatório da fiscalização (fl. 3194), o contribuinte não se manifestou. Os autos retornaram para julgamento (fls. 3195)” A DRJ de origem entendeu pela procedência parcial da impugnação, mantendo a cobrança de R$ 583.495,05, acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora, mas exonerando o contribuinte o IRPF no valor de R$ 5.776,279,33 (cinco milhões e setecentos e setenta e seis mil e duzentos e setenta e nove reais e trinta e três centavos) e a multa ofício e juros de mora correspondentes. Tendo em vista o valor exonerado, foi interposto Recurso de Ofício. O contribuinte acessou o teor dos documentos (Acórdão de Impugnação) em 25/04/2018 conforme fl. 3229, não tendo apresentado recurso voluntário. Não foram apresentadas razões pela PGFN ao Recurso de Ofício, consoante despacho de encaminhamento de fl. 3234. Tampouco o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto – Relator Fl. 3257DF CARF MF Processo nº 11516.723105/201612 Acórdão n.º 2202005.064 S2C2T2 Fl. 3.358 16 O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A DRJ de origem entendeu por dar parcial provimento à impugnação apresentada mantendo a exigência de R$ 583.495,05, acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora, e exonerou o valor de R$ 5.776,279,33 (referente ao anoscalendário 2012 e 2013) e entendeu devido o novo cálculo do lançamento, considerando a exclusão de R$ 256.779,50 (anocalendário 2011). Considerando que houve tão somente Recurso de Ofício, decorrente do valor exonerado e, ausente recurso voluntário sobre o valor que fora mantido a exigência, o presente voto tratará da matéria que se encontra na lide, qual seja, a atinente ao valor exonerado pela DRJ. Quanto a Infração 002. No que tange à infração referente aos rendimentos (juros e outros acréscimos) recebidos de pessoa jurídica, verificase que, nos termos do relatório, o valor de R$ 2.882.405,02 (fato gerador lançado em 12/08/2011), oriundo de depósitos em suas contas correntes pela pessoa jurídica Poly Terminais Portuários SA, CNPJ 10.341.742/0001–34, foi considerado pela fiscalização como rendimento tributável sujeito ao ajuste anual, uma vez que o contribuinte não comprovou que a importância se refere à juros e acréscimos decorrentes de contrato de mútuo firmado com a referida empresa. Consta do relatório que na resposta ao termo de início de fiscalização, o contribuinte alegou que recebeu o valor de R$ 6.761.183,14 referente ao principal do empréstimo concedido, a partir do ano de 2009, à empresa Poly Terminais Portuários SA, CNPJ 10.341.742/000134 acrescido de juros de 2% (dois por cento) ao mês, no total de R$ 5.392.183,14, nos termos do artigo 591 do Código Civil, conforme consta do "CONTRATO DE EMPRÉSTIMO (MÚTUO) nº 05.2011", valor esse informado na relação de bens e direitos da DIRPF do ano de 2012 . Em sua DIRPF 2012, contudo, não estaria informado pelo contribuinte o valor total do contrato de mútuo. Assim, a diferença de R$ 256.779,50 entre o valor que foi declarado pelo contribuinte e o valor efetivo do contrato de mútuo foi considerada como um empréstimo do contribuinte por duas principais razões: mais benéfico ao contribuinte e por ausente o lançamento desse valor no ano de 2011. A devolução do mútuo ocorreu por meio de diversos depósitos bancários, conforme consta em anexo “Recebimento de Empréstimo Poly Terminais”, sendo que nos termos da decisão recorrida, estes teriam sido os depósitos: “[...] sendo os primeiros ocorridos no dia 25 de março de 2011, no montante de R$ 8.309.789,64, efetuados através do banco Bradesco conta 5134; após em 11 de agosto de 2011, no montante de R$ 2.506.463,38, e finalmente em 12 de agosto de 2011, no montante de R$ 1.337.909,72, ambos pagos pelo Banco do Brasil 768030, perfazendo um total de R$ 12.154.152,66. Os depósitos estão listados à fl. 2795 do REFISC. Adoto como voto as considerações realizadas pelas DRJ, pois entendo que em consonância com o meu entendimento, in verbis: Fl. 3258DF CARF MF Processo nº 11516.723105/201612 Acórdão n.º 2202005.064 S2C2T2 Fl. 3.359 17 “No Relatório, a fiscalização simulou a dos juros devidos em face do contrato, utilizando, para tanto, a fórmula dos juros compostos M=P.(1 + i)), que resultou no total de devidos de R$ 2.017.263,21. Esses valores deveriam ser submetidos a tabela regressiva de imposto sobre aplicação financeira de renda fixa retidos pela empresa tomadora do empréstimo e informada na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf. A tabela de fls. 2796, identifica que a autoridade lançadora procedeu corretamente a apuração dos juros, observando a data de empréstimo da parcela, apurando o tempo em meses até a data do pagamento, como se visualiza na tela abaixo, onde se compilam os cálculos de algumas competências: Destarte, consultada a Dirf da empresa Poly Terminais Portuários SA, CNPJ 10.341.742/000134, foi verificado que esta reteve imposto sobre aplicações financeiras decorrentes do empréstimo obtido junto ao contribuinte no valor de R$ 361.581,10, em abril de 2011, referente aos juros pagos de R$ 2.103.286,37 e imposto de R$ 130.014,39, em maio de 2011, referente aos juros pagos de R$ 663.271,25. (doc. Declarações Pj Outras DIRF 2011 POLY). O montante de juros pagos pela empresa, de acordo com a DIRF, corresponde a R$ 2.766.557,62 (2.103.286,37 + 663.271,25). Com base nisso, a fiscalização concluiu que o valor recebido pelo contribuinte, a título de devolução do valor do mútuo, incluindo o capital emprestado mais os juros decorrentes do empréstimo, somam R$ 9.528.537,12, que correspondem ao valor emprestado de R$ 6.761.979,50, constante da DIRPF do contribuinte mais os juros informados na Dirf da empresa de R$ 2.766.557,62 (2.103.286,37 + 663.271,25): [...] O valor excedente de R$ 2.882.405,02 foi classificado pela fiscalização como rendimentos recebidos de pessoa jurídica, visto não ter sido oriundo do empréstimo, o qual também não foi tributado na fonte, conforme verificado na DIRF apresentada pela empresa mutuária. Neste ponto, antes de adentrar na análise das argüições do impugnante, cumpre retificar o valor lançado pela fiscalização Fl. 3259DF CARF MF Processo nº 11516.723105/201612 Acórdão n.º 2202005.064 S2C2T2 Fl. 3.360 18 de R$ 2.882.405,02 para R$ 2.625.625,52, que corresponde a diferença entre os valores transferidos pela empresa no ano calendário 2011 e os valores devidos em face do contrato de mútuo: R$ 12.154.162,64 – R$ 9.528.537,12. Nesses termos, deve ser excluído, de ofício, o valor de R$ 256.779,50, da base de cálculo do IRPF calculado para o anocalendário 2011.” Assim, correta a exclusão do valor de R$ 256.779,50 (referente ao ano calendário 2011), devendo a fiscalização promover novo cálculo, considerando a exclusão devida. Portanto, correta a retificação procedida pela DRJ. Quanto a Infração 003. A DRJ de origem entendeu que o lançamento referente à infração 003 dever ser afastado, uma vez que no tocante a matéria fática inexiste divergência nos autos. Ocorre que, a respeito dos anoscalendário 2012 e 2013 foi determinada corretamente a exclusão na totalidade dos valores R$ 2.907,657,48 e R$ 1.058.635,24, respectivamente. Entendeu a DRJ de origem que não houve divergência quanto ao ponto, pois a autoridade lançadora no Relatório de Diligência Fiscal teria expressamente concordado com os argumentos apresentados pelo contribuinte. Assim constou no referido Relatório (fl. 3191): Assim, as empresas AMERICANPET (2011 e 2012); DISPET (2012); POLYLOG (2013) e GIAD (2011, 2012 e 2013), possuíam lucros anteriores que suportariam a distribuição nos anos subsequente sob fiscalização. Dos Valores exonerados Colacionase os quadros demonstrativos de apuração do IRPF elaborados pela DRJ de origem, os quais entendo como corretos, devendo ser mantida a exoneração realizada: A) DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO IRPF Fl. 3260DF CARF MF Processo nº 11516.723105/201612 Acórdão n.º 2202005.064 S2C2T2 Fl. 3.361 19 B) DEMONSTRATIVO DE MULTA E JUROS DE MORA – VALORES MANTIDOS E EXCLUÍDOS C) DEMONSTRATIVO DO PRINCIPAL EXCLUÍDO Nesse sentido, verificase que relativamente ao anocalendário de 2011 é devida a exclusão do valor de R$ 256.779,50 (diferença entre os valores transferidos pela empresa no anocalendário 2011 e os valores devidos em face do contrato de mútuo), assim como correta a exclusão da quantia de R$ 5.779.279,33 referente ao anoscalendário de 2012 e 2013, referente a infração apontada por lucro distribuído excedente ao escriturado. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 3261DF CARF MF
score : 1.0
