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Numero do processo: 10880.978724/2009-01
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/10/2004
IRPJ. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise, pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
Numero da decisão: 1802-001.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise, pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 87 24 /2 00 9- 01 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Por economia processual e bem descrever a síntese dos fatos adoto o relatório da decisão recorrida, fl.37, que a seguir transcrevo: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório de fl. 3, pelo qual a DERAT/DIORT/EQPIR/SPO não reconheceu o direito creditório fundado em indébito de IRPJ, código 2362, recolhido em 31/10/2004, no valor de R$ 1.542.528,47 e, conseqüentemente, não homologou nesses autos o PER/DCOMP n° 05399.59468.270808.1.7.048355, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. A contribuinte apresentou peça recursal (fls. ) em 29/09/2009, alegando, em síntese, que: inicialmente, requer a reunião do presente processo com os processos administrativos n° 10880.976929/200943, 10880.976930/200978 e 10880.976931/200912, por tratarem da mesma matéria; para a compensação de créditos, basta o cumprimento dos requisitos previstos no artigo 170 do Código Tributário Nacional e no artigo 74, caput, da Lei n° 9.430/96; a limitação imposta pelo artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 600/2005, no tocante à restrição da compensação dos créditos relativos a pagamento indevido ou a maior de IRPJ e CSLL a título de estimativa mensal, é inconstitucional e ilegal; nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, deve ser admitida a retroatividade benéfica da revogação da Instrução Normativa SRF n° 600/05, pelo artigo 100 da Instrução Normativa RFB n° 900/08 que, inclusive, não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11; a SRFB, via Superintendência Regional da Receita Federal da 9a Região Fiscal, quando da apreciação da Consulta n° 285/09, de 17 de julho de 2009, esclareceu que os recolhimentos indevidos ou a maior a título de antecipações mensais por estimativa podem ser objeto de Declaração de Compensação no próprio anocalendário; Pelos mesmos fundamentos expendidos no Despacho Decisório, fl. 3, da DERAT/DIORT/EQPIR/SPO acima mencionado, é a decisão de primeira instância proferida mediante o Acórdão nº 1627.805, de 17 de novembro de 2010 (fls.36/38), ou seja, a Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade da pessoa jurídica com escora também no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, confirmado pelo artigo 10 da IN SRF n° 600, de 2005. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.978724/200901 Acórdão n.º 1802001.623 S1TE02 Fl. 3 3 O Acórdão de primeira instância possui a seguinte ementa, fl.38: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2004 Ementa: ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO.UTILIZAÇÃO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a titulo de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração. Cientificada da mencionada decisão em 04/06/2011, conforme o Aviso de Recebimento, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 02/02/2011, alegando, essencialmente, os mesmos fundamentos expendidos na manifestação de inconformidade perante a DRJ, portanto, desnecessário repeti los. Finalmente requer: Preliminarmente: ser reconhecida a conexão do presente processo com os Processos Administrativos nºs 10880.976930/200978, 10880.976931/200912 e 10880.976929/200943, determinando se a distribuição dos presentes autos para a mesma Seção e Câmara, desse E. CARF, bem como ao mesmo Conselheiro Relator, para evitar que sejam proferidas decisões divergentes acerca do mesmo fato; e, No Mérito: ser reformado o acórdão (nº 1627.804) proferido pela D. DRJ/SP1, para o fim de ser totalmente homologada a compensação realizada, cancelandose, por decorrência, a importância exigida a titulo de IRPJ, multa, juros e demais encargos, constante do Processo Administrativo nº 10880.982477/200939. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 De início esclareço que os Processos Administrativos nºs 10880.976930/200978 e 10880.976931/200912 foram distribuídos conjuntamente e encontramse sob julgamento nesta mesma sessão de 09/04/2013. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 05399.594S8.270808.1.7.04 8355 (fls. 01/02), retificador, transmitido em 27/08/2008, com objetivo de ver reconhecida a compensação de suposto crédito decorrente de pagamento indevido e/ou a maior de estimativa de IRPJ (código 2362),em 31/10/2004, no valor de R$ 19.068,57, com débito de IRPJ estimativa, (PERÍODO DE APURAÇÃO: Out. / 2005 e VENCIMENTO: 30/11/2005). Sobre a análise do PER/DCOMP pela autoridade administrativa originária da Derat/São Paulo/SP, consta que: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 19.068,57. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito Informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. CARACTERÍSTICAS DO DARF PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA (2362), VALOR TOTAL DO DARF R$ 1.542.528,47;PERÍODO DE APURAÇÃO 30/09/2004; DATA DE ARRECADAÇÃO 31/10/2004. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. 0 referido decisório está arrimado no artigo 10 da Instrução Normativa SRFn° 460, de 2004, abaixo transcrito: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Pelos mesmos fundamentos expendidos no Despacho Decisório acima mencionado, é a decisão de primeira instância proferida no Acórdão nº 1627.805, de 17 de novembro de 2010 (fls.36/38), ou seja, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade da pessoa jurídica com escora também no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.978724/200901 Acórdão n.º 1802001.623 S1TE02 Fl. 4 5 Desse modo concluiu que, somente o saldo negativo do IRPJ apurado no encerramento do ano calendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário. Sobre os mencionados atos normativos a Recorrente alega que nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, deve ser admitida a retroatividade benéfica da revogação da Instrução Normativa SRF n° 600/05, pelo artigo 100 da Instrução Normativa RFB n° 900/08 que, inclusive, não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De fato a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Com efeito, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: ... Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito Fl. 73DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) ... Como visto os fundamentos para o indeferimento do PERDCOMP, tanto pela DRF quanto pela DRJ, por si só, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. O assunto encontrase pacificado na Súmula CARF nº 84, verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário NacionalCTN). Não constando dos autos a DIPJ/2005 e DCTF(s), tampouco os Balancetes de Suspensão/Redução do ano calendário de 2004 para se verificar se o pagamento efetuado de IRPJ à titulo de estimativa mensal, relativo ao período de apuração de 30/09/2004 é maior que o devido e acumulado até 30/09/2004, e ainda se, o requerente não compôs o alegado pagamento indevido de estimativa no ajuste anual do IRPJ/2004 e não compensado com outros Fl. 74DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.978724/200901 Acórdão n.º 1802001.623 S1TE02 Fl. 5 7 débitos, tornase inviável, nessa fase processual, a análise quanto ao crédito alegado e conseqüente compensação pleiteada. Porém, a motivação para o indeferimento do pleito tanto pela autoridade administrativa da Derat/São Paulo/SP quanto pela Delegacia de Julgamento restringese ao teor da IN SRF no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, e como visto extrapolam o conteúdo da Lei nº 9430/96. Assim, não havendo análise quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado objeto do PERDCOMP e, afastado o óbice escorado apenas no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005, que serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem (Derat/São Paulo/SP) para análise do PERDCOMP em comento e proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado ao interessado para sua manifestação se for o caso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11020.720674/2007-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS.
A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representativa de receita.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-000.499
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Charles Mayer de Castro Souza, que negavam provimento ao recurso. Redator designado: o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representativa de receita. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Charles Mayer de Castro Souza, que negavam provimento ao recurso. Redator designado: o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Gilberto de Castro Moreira Junior – Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Wilson Sampaio Sahade Filho. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório Cuida a lide de Pedido de Ressarcimento de alegado crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, vinculado às receitas de exportação, referente ao 4º trimestre de 2006, no valor total de R$ 2.310,98 . A DRF Caxias do Sul/RS, fundamentada no Relatório de Verificação Fiscal de fls. 05/07, por meio do Despacho Decisório DRF/CXL/2008 (fl.08), reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 1.953,94, glosando, portanto, R$ 350,04. A parcela do crédito glosada deveuse à inclusão, na base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP, das receitas com créditos de ICMS transferidos para terceiros. De tal despacho, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 41/47), alegando, em síntese: que o saldo credor de ICMS não configura receita, mas tributo embutido no custo das mercadorias adquiridas, recuperável sob a forma de compensação ou restituição; que a recuperação do ICMS embutido no custo das mercadorias adquiridas decorre do princípio da nãocumulatividade; que o ICMS destacado nas notas fiscais integra o preço de venda do produto, configurando, assim, parcela da receita/faturamento, fazendo parte da base de cálculo do PIS e da COFINS; contudo, o ICMS já serviu de base de cálculo para apuração do PIS e da COFINS devidos pelo fornecedor dos insumos adquiridos pela requerente; que a empresa está imune ao ICMS sobre receita decorrente de exportações; que a Lei Complementar nº 87/96, em seu artigos 25, §2º, inciso II, autorizou às empresas exportadoras a transferirem, para outros contribuintes do mesmo Estado, os saldos credores acumulado de ICMS; que, ao transferir seus créditos de ICMS acumulados para quitar obrigações contraídas junto a fornecedores, está, na verdade, usando seus créditos como moeda de pagamento do débito que possui por conta de aquisição de insumos. Essa transação não implica no ingresso de dinheiro novo, posto que, na prática, o tributo recuperado passa para o caixa da empresa da mesma forma como se ela tivesse sido ressarcida do benefício pelo fisco; que a exigência do PIS e da COFINS sobre o ICMS recuperado e aproveitado pela empresa exportadora ofende a regra constitucional da imunidade assegurada às exportações pelo art. 155, §2º, inciso X, alínea “a” da Constituição Federal; e que sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento devem incidir juros calculados pela Taxa Selic. Ao final, requereu o deferimento da restituição consoante os cálculos originariamente apresentados, devidamente atualizados pela taxa Selic. A DRJJuiz de Fora/MG julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls.67/71), nos termos da ementa adiante transcrita: Assunto: Normas de Administração Tributária Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.720674/200797 Acórdão n.º 3202000.499 S3C2T2 Fl. 87 3 Anocalendário: 2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO Não comprovada a existência de crédito disponível à data da transmissão do PER, não há que se reconhecer o direito creditório em litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário perante este Colegiado (fls. 78/82), insurgindose quanto à inclusão do ICMS transferido para terceiro na base de cálculo da contribuição do PIS/PASEP, sob os argumentos que ali apresenta, que não se diferenciam daqueles trazidos na Manifestação de Inconformidade. Ao final, requereu o provimento do recurso. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Ao teor do relatado, trata a lide de Pedido de Ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de alegados créditos vinculados às receitas de exportação, referente ao 4º trimestre de 2006, no valor total de R$ 2.310,98. A DRJJuiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório postulado, manifestandose, nesse sentido, apenas quanto ao montante de R$ 350,04, visto que a DRF Caxias do Sul/RS já havia reconhecido parte do direito creditório, no valor de R$ 1.953,94. Por guardar absoluta identidade com a matéria ora em apreço, adoto como razões de decidir o entendimento manifestado pelo i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, nos autos do processo nº. 11065.000342/200512, cujo voto condutor do Acórdão transcrevo abaixo, excertos: “ (...) Das discussões que se devem travar, a primeira diz respeito à necessidade de inclusão da “receita” decorrente da alienação do saldo credor de ICMS decorrente de exportações na base de cálculo da contribuição. (...) Com efeito, essas parecem ser as razões para o entendimento da SRF. Primeiro, que o crédito fiscal é alienado; segundo, “logo”, há uma receita; terceiro, a Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 lei que estabeleceu a incidência nãocumulativa da contribuição, cuja base de cálculo é a totalidade das receitas, não previu sua exclusão. Por fim, não importa que não tenha havido lançamento em conta de resultado porque é irrelevante a forma de contabilização da receita. Tentemos examinar com mais profundidade cada elemento da tese fiscal. Quanto à existência de uma alienação onerosa, os contribuintes contrapõem que ela não existe. Tratarseia meramente de um pagamento ao seu fornecedor que é feito utilizando o saldo credor de ICMS por expressa autorização legal. Em suma, o crédito fiscal funciona como uma espécie de “moeda” na operação, permitindo a extinção da obrigação contraída junto ao fornecedor sem a necessidade de pagamento com efetivo numerário. Em troca, o fornecedor utilizará o crédito na forma “normal”, isto é para compensar imposto devido pelas suas próprias saídas, o que não poderia ser feito pelo detentor original. Não partilho tal entendimento. Com efeito, a mera transferência de titularidade do direito, originalmente apenas oponível à Fazenda, basta, a meu ver, para caracterizar a alienação nos termos do direito civil. E não há dúvida de que essa alienação é onerosa na medida em que há contrapartida por parte do fornecedor, ainda que no exato valor do direito transferido. Minha divergência acerca do entendimento da Administração radica no segundo elo do raciocínio. É que ele considera suficiente a ocorrência de uma alienação para que seja imperativo o reconhecimento de uma receita. Disso divirjo, valendome dos próprios conceitos contábeis aplicáveis à matéria. É que, por certo, a ninguém escapa ser o objetivo da contabilidade a demonstração das mutações patrimoniais, especialmente aquelas de natureza quantitativa, de modo a facilitar a tomada de decisões por parte de gestores e investidores. O seu foco é, portanto, o resultado, que corresponde a modificações no Patrimônio Líquido da entidade. Até redundante, o Patrimônio líquido só se altera, de forma definitiva, em razão de lucro ou prejuízo apurado. A princípio, pois, nada impede que tais mutações sejam registradas e “demonstradas” diretamente nas contas patrimoniais. Nesses termos, uma venda de mercadoria adquirida com esse fim, por exemplo, poderia ser contabilizada a crédito da conta de estoque (item do ativo) correspondente e a débito de uma outra conta de ativo (caixa ou clientes). Em complemento, registrarseia, diretamente na conta lucros ou prejuízos acumulados (conta do Patrimônio Líquido) a diferença entre o valor do estoque e o da venda. Sabemos todos que não é assim que tal operação é contabilizada. De fato, tratandose mesmo de uma operação de venda de mercadorias (ou de produtos elaborados ou serviço prestado) exigem as normas contábeis seja contabilizada segregadamente. De um lado, reconhecese contabilmente o direito decorrente do preço ajustado, ainda que não imediatamente liquidado: débito de uma conta de ativo (caixa ou clientes) e crédito de uma conta de resultado (receita de venda); de outro lado, registrase a perda patrimonial correspondente à entrega do bem, imprescindível à obtenção da receita (crédito do estoque e débito do custo das mercadorias, ou dos produtos ou dos serviços vendidos). Podemse conceber diversas razões para a necessidade ou conveniência de tal segregação, desde a dificuldade em apurar o custo no momento da venda dada a grande quantidade de operações realizadas diariamente, sabendose que essa é a finalidade da empresa, até a clareza da demonstração do resultado que advém da existência de contas próprias indicando, individualizadamente, como se formou o resultado do exercício. Transferese, assim, para a conta de lucros ou prejuízos apenas o resultado final relativo a um dado período. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.720674/200797 Acórdão n.º 3202000.499 S3C2T2 Fl. 88 5 Seja qual for a razão fundamental para essa segregação (os livros não a indicam) é certo, porém, que ela não atinge aquelas operações que, por não corresponderem ao objetivo central da empresa, não ocorrem costumeira ou freqüentemente. Assim se passa com aqueles itens que não foram comprados para serem revendidos e que por isso mesmo não integram os estoques para venda. O melhor exemplo provavelmente seja a venda de itens do ativo permanente. De fato, quando uma empresa se desfaz de uma máquina, um imóvel, um veículo, ou mesmo ações de uma outra empresa, nenhuma norma contábil determina que ela registre uma “receita de venda” acompanhada de uma baixa do bem contra uma conta de “custo”. Pelo contrário, lançase diretamente o dinheiro ou direito recebido a débito do ativo contra a própria conta representativa do bem vendido. Não há receita e custo; no resultado apenas aparece, e diretamente, o lucro ou a perda (nesse caso não operacionais) apurado na operação. Ou seja, as contas de resultado só registram o efetivo resultado líquido. Daí que desaparece o suporte técnico para a afirmação de que, por ter ocorrido uma alienação (e notese que alienação é gênero do qual a venda é mera espécie) já surge a obrigatoriedade do registro de uma receita. Essa obrigatoriedade somente existe para aqueles itens que foram adquiridos exatamente para serem vendidos, seja no mesmo estado, seja depois de transformados em um novo produto ou serviço. O exemplo envolveu item classificado contabilmente no ativo permanente. Por isso, sabendose que o direito relativo ao crédito de ICMS decorrente da aquisição é contabilmente registrado no mesmo grupo do ativo (ativo circulante) do estoque caberia perguntar se, só por isso, a contabilização de sua “venda” não deveria seguir o mesmo padrão das mercadorias no último obrigatoriamente incluídas. Também entendo que a melhor resposta é não. E assim penso porque as mercadorias divergem totalmente do crédito fiscal (seja de ICMS, IPI ou mesmo das próprias contribuições PIS e COFINS) naquilo que realmente importa: enquanto as mercadorias são adquiridas, desde o início, para serem vendidas, o crédito fiscal, além de não ser propriamente “adquirido”, não tem por “objetivo” ser vendido. Realmente, o crédito fiscal não é “adquirido” juntamente com o produto como defendem, ao meu ver equivocadamente, algumas autoridades fiscais. E isso porque ele não decorre da relação comercial que se estabelece entre vendedor e comprador. Entre estes há uma operação de venda, com um preço ajustado, que é pago pelo comprador. Neste preço há uma parte que corresponde ao imposto de que o vendedor é sujeito passivo. Ele é destacado na nota fiscal de compra não porque seja objeto de uma venda entre aquele e o comprador, mas sim porque a legislação tributária o exige de modo a tornar mais clara a concretização do princípio constitucional da nãocumulatividade. Ainda assim, o que o adquirente compra é um produto, e só um produto. O que ele paga é um preço, e só um preço. Ele nem “adquire” o crédito do imposto nem “paga” o imposto decorrente da aquisição. Ele suporta o ônus dessa incidência tributária e é essa circunstância que o autoriza a recuperar esse valor do ente tributante de modo a dar cumprimento ao princípio da nãocumulatividade. Essas são as razões, aliás, para que o ICMS destacado pelo vendedor integre sua receita de venda e seja, por isso mesmo, base de cálculo da própria contribuição que discutimos, como já pacificou o Superior Tribunal de Justiça (Súmula nº 68). Esse fato, no entanto, não constitui razão, a meu ver, para que, na sistemática não cumulativa, deva “imputarse” um débito da contribuição de modo a “anular” o crédito a que o contribuinte do PIS tem em conseqüência da aquisição feita, tese Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 acrescida em alguns processos que analisamos, visando a “restabelecer o equilíbrio tributário”. Assim não penso, também. Bem antes o contrário. O direito de crédito das contribuições PIS e COFINS sobre o valor integral pago ao vendedor (preço do produto) decorre exatamente do fato de que este último também sobre esse total as recolherá. O direito de mantêlo mesmo quando na venda posterior (por ser uma operação de exportação) não haja PIS nem COFINS a recolher decorre de expressa disposição legal (art. 5º da Lei 10.637 e art. 6º da Lei 10.833). E como essas disposições não condicionaram tal aproveitamento à forma como venha a ser utilizado o crédito fiscal do ICMS, parece necessário concluir que o “restabelecimento do equilíbrio tributário” a imposição de um débito de COFNS deveria ocorrer mesmo se o ente federativo com direito ao recebimento do ICMS viesse a estabelecer forma diversa de utilização daquele crédito, por exemplo, o ressarcimento em dinheiro. Será que, mesmo assim, se entenderia que deveria haver um lançamento de receita? Receita de quê? De “venda” ao Estado? Registro, para não parecer uma contradição: essa situação difere por completo do crédito presumido de IPI objeto de ressarcimento. Neste caso, sim, há nova receita porque não havia direito algum registrado contabilmente em contrapartida do qual pudesse ser “baixado” o valor a ser ressarcido. Nem mesmo o “custo” com as contribuições o pode ser dado que a norma legal (Lei 9.363) não condicionou o crédito presumido a seu “estorno”. Ou seja, o custo com as contribuições incidentes sobre os insumos já foi, ou pelo menos podia ter sido, “recuperado” via preço. Em conseqüência, o valor posteriormente recebido é nova receita, e que tem sim de ser tributada quando a base de cálculo seja a totalidade das receitas por falta de previsão legal para ser excluída. No caso que discutimos, não. Já há um direito registrado contabilmente e o que o legislador fez ao autorizar sua transferência foi, simplesmente, dar a ele uma nova destinação que viabilizasse na prática sua utilização, o que, ademais, somente dá cumprimento ao texto constitucional que prevê, não só a imunidade, mas também o direito ao crédito (art. 155, § 2º, inciso X, letra a com a redação da Emenda Constitucional 42/1993). Divergimos, por essas razões, do entendimento da Administração de que a operação de transferência de saldo credor de ICMS, ainda que alienação seja, e alienação onerosa, gere receita. E não sendo receita, também não vale o argumento final da autoridade fiscal atuante neste processo: a expressão contida no art. 3º da Lei 9.718/98 (“independente da forma de contabilização”) exige, primeiro, que se esteja realmente falando de receita. Não autoriza que seja assim considerado algo que receita não é. Tudo isso não obstante, é imperioso reconhecer que o entendimento fazendário vem de ser recentemente encampado em texto legal expresso. Refirome à Lei 11.945 cujo art. 16 está vazado nos seguintes termos: Art. 16. Os arts. 1o, 2o e 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 1o ............................................................................................................. § 3o .................................................................................................................... VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.720674/200797 Acórdão n.º 3202000.499 S3C2T2 Fl. 89 7 o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996." (NR) Há, pois, segundo o texto legal, receita. Ela pode ser excluída da base de cálculo das contribuições, mas só a partir de 1º de janeiro de 2009, isso porque o art. 33 do mesmo ato legal determinou que o artigo 17 acima produz efeitos apenas a partir de 1º de janeiro de 2009. Que tal conceito deveria emergir diretamente da ciência contábil e não de um ato legal, vocacionado apenas a regular a incidência de contribuições, é até desnecessário reafirmar. O fato concreto, porém, é que há hoje ato legal dizendo que dessa operação advém receita para o contribuinte em questão, e receita que deve ser tributada pela contribuição até 31 de dezembro de 2008. Não vejo como possam os Conselheiros membros do CARF desconsiderar esse enunciado sem contrariar o art. 62 do Regimento da Casa (Portaria MF 256/2009): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. De fato, a não ser sua inconstitucionalidade, não vejo o que se possa alegar, especialmente porque já concluímos que a decisão judicial que possui o contribuinte não alcança esse processo e não há nenhuma decisão do STF que se possa a ele aplicar. Tal norma regimental, aliás, embasa enunciado de Súmula Administrativa originada no Segundo Conselho de Contribuintes (Súmula nº 02, aprovada em sessão de 18 de setembro e publicada em 26 do mesmo ano). Ainda que extinto aquele órgão, a observância dos entendimentos firmados em suas Súmulas pelos Conselheiros membros do CARF é obrigatória por força de disposição regimental (art. 72, § 4º da Portaria MF 256/2009). Com essas considerações, e em estrito respeito à Súmula Administrativa nº 02 do Segundo Conselho de Contribuintes e ao Regimento Interno do CARF, e tendo em conta que o período considerado é anterior a 1º de janeiro de 2009, voto por negar provimento ao recurso do contribuinte neste ponto.” Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 8 Assim, descabe o entendimento de que a precitada lei é norma meramente interpretativa. Norma interpretativa é norma que não altera qualquer conteúdo ou elemento da norma interpretada, limitandose a apenas esclarecerlhe o significado. A Lei n.º 11.945/2009, ao acrescentar o inciso VI ao §3º do art. 1º da Lei n.º 10.637/2003, alteroulhe o conteúdo, acrescentando mais uma hipótese de exclusão de receita para fins de apuração da base de cálculo do PIS, criando, assim, nova norma, instituindo novo direito, que passou a existir somente a partir da data do início da vigência daquela nova lei. É o que claramente se vê da leitura do item 6 da Exposição de Motivos da MP nº.451/2008, ao explicitar as razões da alteração introduzida por meio do art. 8º daquela Medida Provisória, posteriormente convertido no referido art. 17 da Lei n.º 11.945/2009, verbis: Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Submeto à apreciação de Vossa Excelência o Projeto de Medida Provisória que altera a legislação tributária federal, dispõe sobre ações de reestruturação dos setores produtivos, especialmente os de aquicultura e pesca nos municípios do Estado de Santa Catarina atingidos pelas chuvas ocorridas no último bimestre de 2008, e que altera a Lei no 6.194, de 19 de dezembro de 1974 (...) 6. Os arts. 7º, 8º e 9º objetivam incentivar as exportações brasileiras, ao criar nova hipótese de exclusão da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, deixando de tributar as receitas decorrentes de transferência onerosa, a outros contribuintes do ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação. (grifo não constante do original) Desta forma, vez que a presente lide trata de créditos referentes ao 4º trimestre de 2006, anterior, portanto, a 1º/01/2009, quando, então, passou a produzir efeitos a Lei nº. 11.945/2009, a qual excluiu da base de cálculo da contribuição para o PIS as transferências a terceiros de créditos de ICMS originados de operações de exportação, não há como reconhecer o direito creditório na integralidade, conforme pretende a recorrente. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Voto Vencedor Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior No que tange a cessão de créditos de ICMS, ouso discordar da ilustre Relatora e entendo caber razão à Recorrente. Devese levar em consideração o fato de que, nos termos da sistemática tributária em questão, o ICMS é, por, expressa determinação constitucional, imposto não cumulativo, devendo se compensar em cada operação com o montante cobrado nas anteriores Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.720674/200797 Acórdão n.º 3202000.499 S3C2T2 Fl. 90 9 pelo mesmo ou outro Estado. Assim, na condição de imposto não cumulativo, o ICMS, eventualmente pode gerar saldos credores continuados na escrita fiscal do Contribuinte. Diversas são as hipóteses que podem ocasionar essa situação, tais como, saídas desoneradas do imposto com autorização para se manter os créditos, alíquota aplicável na saída menor do que a de aquisição, entre outras. O fato é que o crédito acumulado de ICMS gerado por um Contribuinte não pode ser enquadrado no conceito de receita supra mencionado e nem, tampouco pode ser equiparado a tal eis que tem natureza meramente contábil. De acordo com o Manual de Contabilidade da FIPECAFI, "o ICMS é um imposto incidente sobre o valor agregado em cada etapa do processo de industrialização e comercialização da mercadoria, até chegar ao consumidor final. O valor do imposto a ser pago pelas empresas é representado pela diferença entre o imposto incidente nas vendas e o imposto pago na aquisição das mercadorias que integram o processo produtivo, ou para serem revendidas. Por definição legal, o ICMS integra o preço de venda a ser cobrado do comprador". Ao final, está concluído que mesmo que não haja recolhimento do ICMS, em razão da apuração de saldo credor, "em nada isso altera o resultado, já que, conforme foi visto, o ICMS não é receita nem despesa". Quando a Contribuinte não encontra meios para realizar seu saldo de créditos, desde que atendidas às condições constantes do Regulamento do ICMS do respectivo Estado Membro, o legislador previu, dentre outras, a possibilidade de transferência de créditos acumulados de ICMS para outra pessoa jurídica, que pode ser estabelecimento fornecedor, nas operações de compras de matériaprima, material secundário ou de embalagem máquinas, aparelhos e equipamentos industriais, isso quando o saldo de crédito supera os seus débitos. Assim, é muito comum que na existência de saldo de créditos acumulados de ICMS, os contribuintes realizem operações de cessão de créditos, mormente com seus fornecedores. Analisandose estas operações contabilmente, verificase que não há transito em contas de resultado, não representando ingresso de receita para a contribuinte. Ao contrário, tratase de pagamento de insumos via cessão de crédito. Não há circulação de dinheiro, tão somente a transferência de um direito que, no caso do ICMS será feita por meio da emissão de Nota Fiscal. A operação é escritural, sendo a transferência regida pela legislação de cada EstadoMembro. A cessão de créditos não pode ser comparada a uma venda de mercadorias, isto porque se trata de operação fiscal no qual a contribuinte possuidora dos créditos cede o direito de utilização a uma outra empresa, operação essa sem cunho comercial. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 10 Neste sentido, podese citar o recente julgado da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais (“CSRF”) que, ao analisar o tema, proferiu a seguinte decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 16/02/2005 CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representativa de receita. Recurso Especial do Procurador Negado. (CSRF, Acórdão n° 0203.783, 2ª Turma, Processo n° 13005.000684/2005 64 Recurso n° 202137.936, Sessão de 11 de fevereiro de 2009, Recorrente: FAZENDA NACIONAL, Interessado: CALÇADOS MAJOLO LTDA.) No mesmo sentido é o acórdão 340300.708 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção, em que foi relator o conselheiro Winderley Morais Pereira, cabendo destaque o seguinte excerto de seu voto: “A operação de transferência dos créditos ocorre normalmente com um repasse em valores ou mercadorias das empresas recebedoras dos créditos as empresas cedentes. Entendo serem os valores recebidos em razão das transferências destes créditos de ICMS, operações de alteração patrimonial, visto que, os créditos não utilizados se constituem em direitos da empresa. Ao ceder os créditos, o valor recebido substitui no patrimônio, o valor ocupado anteriormente pelos créditos a serem recuperados que foram objeto da transferência. Portanto, temos uma simples permuta de contas do ativo, não gerando receitas. Conseqüentemente, os valores recebidos nas operações de transferência não sofrem a incidência do PIS e da COFINS por sua natureza jurídica não se revestir de receita. A matéria já foi enfrentada pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes no Acórdão nº 20218.714, na sessão do dia 12 de fevereiro de 2008, com relatoria do e. Conselheiro Antonio Zomer, quando foi decidido pela não incidência das contribuições sobre as receitas obtidas com a transferência de créditos de ICMS a terceiros.” Portanto, a contribuinte simplesmente deixou de utilizar as reservas de seu caixa para efetuar o pagamento, sem que isso passe a ser fato gerador das contribuições sociais. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.720674/200797 Acórdão n.º 3202000.499 S3C2T2 Fl. 91 11 Além disso, aplicável também ao tema é a decisão do Excelso Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral (RE 585.235), que decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base do PIS, na medida em que o artigo 3º da Lei nº 9.718/98 altera o conceito de faturamento devidamente consagrado no direito privado brasileiro. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em relação ao tema da cessão de créditos de ICMS. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10283.901239/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3101-000.196
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente) Relatório Tratase de Pedido de Compensação – PER/DCOMP formulado pela Recorrente para compensação de créditos de PIS referente ao período de março de 2005, decorrentes de pagamento a maior, com débitos de CSLL – dezembro de 2006, o qual foi NÃO HOMOLOGADO pela ausência de crédito. Contra o referido despacho decisório, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que, o direito creditório referese ao pagamento a maior de PIS em razão do erro na declaração da DCTF emitida em 06/05/2005 – referente ao período de 03/2005 – no montante de R$ 45.594,80, cujo montante devido foi declarado posteriormente na Fl. 216DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10283.901239/200970 Resolução n.º 3101000.196 S1C1T1 Fl. 210 2 DACON no valor de R$ 10.413,70, ou seja, o pagamento indevido ou maior seria a diferença do valor declarado na DACON com a DCTF. Tendo em vista a falta de retificação da DCTF, o crédito decorrente do pagamento a maior constante do DARF indicado pela Recorrente, estava integralmente alocado ao débito de PIS declarado na DCTF. Assim, ao analisar a Manifestação de Inconformidade da Recorrente, a DRJ proferiu decisão no sentido de indeferir o pedido com base nos fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra decisão proferida pela DRJ, foi interposto pela Recorrente Recurso Voluntário alegando, em síntese, que: (i) a DACON é o instrumento competente para apuração do PIS, devendo prevalecer sobre a DCTF; (ii) a observância do princípio da verdade material; e, (iii) impossibilidade de cobrança da estimativa mensal de CSLL após o encerramento do anobase. É o relatório. Voto Primeiramente, alega a Recorrente que, de forma equivocada, apurou e declarou em sua DCTF o montante de R$ 45.594,80 a título de PIS, e, posteriormente, no momento da entrega da DACON, percebeu que o verdadeiro montante devido era de R$ 10.413,70, o que ensejou um crédito pelo pagamento a maior de R$ 35.181,10. Para tanto, sustenta que diante da divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevaleceria as informações prestadas via DACON, o que não deve prosperar já que o único instrumento lingüístico apropriado para constituição do crédito tributário é a DCTF. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10283.901239/200970 Resolução n.º 3101000.196 S1C1T1 Fl. 211 3 Conforme se verifica pela sua própria denominação – Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais , o DACON é um mero demonstrativo de apuração que não tem o condão de confissão de dívida e constituição do crédito tributário. Quanto ao crédito pleiteado pela Recorrente, verificarse que o PIS é espécie de tributo sujeito ao lançamento por homologação jungido às regras previstas no art. 150, §§ 1º a 4º do CTN, segundo as quais corresponde à atividade do Contribuinte de apurar o montante do tributo devido e efetuar o seu recolhimento antecipado. Para estes casos, o crédito tributário propriamente dito constituise com a formalização da obrigação tributária mediante a apuração e entrega pelo sujeito passivo da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais – DCTF. A DCTF, inicialmente denominada Declaração de Contribuições e Tributos Federais foi instituída pela IN SRF nº 129/1986 para prestação de informações de débitos, e, posteriormente, substituída pela Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais instituída pela já revogada IN SRF nº 126/1998, a qual, na época dos fatos, era regulamentada pela IN SRF nº 482/2004, instrumento este que tem o condão de confissão de dívida e constituição do crédito tributário. Os efeitos de constituição do crédito e confissão de dívida das declarações prestadas pelo Contribuinte estão previstos no § 1º do artigo 5º do DecretoLei nº 2.124/84: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Corroborando o efeito previsto no Decretolei nº 2.341/84, foi editada a IN SRF nº 77/98 que veio justamente confirmar a constituição do crédito pela DCTF, determinando a remessa direta dos débitos declarados e não quitados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa: “Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” Demonstrado que a DCTF é o instrumento que constituí o crédito tributário, é consequência lógica que a restituição/compensação de eventual pagamento a maior só poderia Fl. 218DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10283.901239/200970 Resolução n.º 3101000.196 S1C1T1 Fl. 212 4 ser homologada caso o valor recolhido fosse maior do que os valores constituídos em sua DCTF, e não com base nos valores informados na DACON. O indébito tributário decorrente de pagamento a maior de tributos declarados em DCTF são desde logo passíveis de compensação justamente porque a declaração do contribuinte importa na sua constituição como crédito tributário. Assim, mesmo tendo a Recorrente declarado em sua DCTF e pago um valor superior do que o devido, bastaria sua retificação para constituir o PIS no montante devido, uma vez que a DCTF retificadora substituí integralmente a original, podendo inclusive reduzir o valor do crédito tributário confessado, conforme §1º do artigo 10 da IN SRF nº 482/2004 (vigente à época da declaração): Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. Ocorre que, a Recorrente alega em seu Recurso Voluntário que efetuou a retificação de sua DCTF para constar o montante informado na DACON, entretanto, juntou apenas o recibo de entrega da DCTF retificadora do mês de março de 2005 – fls. 189 (as folhas seguintes ao recibo de entrega referemse à DCTF de fevereiro de 2005). Assim, com base no artigo 37 da Lei nº 9.784/991, mesmo que a alegação e juntada da retificadora tenham sido apresentadas apenas no Recurso Voluntário, já que em sua Manifestação de Inconformidade a Recorrente defendia que a retificação deveria ser efetuada de ofício pelo Fisco, resta fundamental a juntada da suposta DCTF retificadora para julgamento da lide. Diante disso, converto o julgamento em diligência à repartição de origem para que informe e junte aos autos a alegada DCTF retificadora referente ao mês de março de 2005, bem como confirme na escrituração contábil e fiscal da Recorrente a correlação entre a materialidade da base de cálculo declarada, confirmando sua procedência e informando qual o valor do crédito tributário devido decorrente dessa apuração. Concluída a diligência, intimese a Recorrente para, querendo, manifestarse acerca da diligência, no prazo de 30 dias, sendo que, após, os autos devem retornar para julgamento. Luiz Roberto Domingo 1 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 16062.000028/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/01/2007
SALÁRIO PAGO DURANTE OS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO POR DOENÇA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Incidem contribuições sobre o salário pago pela empresa aos segurados empregados, durante os primeiros dias de afastamento motivado por doença.
CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. SUJEIÇÃO DAS EMPRESAS URBANAS.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas.
CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. SUJEIÇÃO DAS EMPRESAS DE TRANSPORTE
O tributo arrecadado para custear o SEBRAE é devido também pelas
empresas que atuam na prestação de serviço de transporte.
EMPRESAS, INTEGRANTES DE GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. .
As empresas que integram grupo econômico respondem entre si,
solidariamente e sem benefício de ordem, pelas obrigações decorrentes da legislação previdenciária.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/01/2007
MPF. ASSINATURA ELETRÔNICA PELA AUTORIDADE EMISSORA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não gera nulidade do MPF o fato do mesmo ter sido assinado digitalmente pela autoridade emissora, posto que essa possibilidade tem previsão normativa.
TIAF.. AÇÃO FISCAL INICIADA EM FEVEREIRO DE 2007. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA.
Para as ações fiscais iniciadas sob a égide da IN n. 03/2005, antes das alterações promovidas pela IN SRP n. 23, de 30/04/2007, inexistia a previsão de lavratura de Termo de Inicio da Ação Fiscal, posto que a ciência do procedimento de fiscalização era suprida pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF.
DAD, DSD e RL. ENTREGA EM MEIO MAGNÉTICO. POSSIBILIDADE.
O Discriminativo Analítico do Débito, o Discriminativo Sintético do Débito e o Relatório de Lançamentos pode ser entregue ao sujeito passivo em meio magnético sem que isso acarrete nulidade do procedimento.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/01/2007
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da
constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
APLICAÇÃO DE PENA DE MORA AO FISCO POR ÓRGÃO DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se vislumbra possibilidade de aplicação de pena moratória à
Administração Tributária por órgão administrativo de julgamento sem que haja determinação legal expressa nesse sentido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.627
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado da segunda seção de julgamento, por
unanimidade de votos, em I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/01/2007 SALÁRIO PAGO DURANTE OS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO POR DOENÇA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Incidem contribuições sobre o salário pago pela empresa aos segurados empregados, durante os primeiros dias de afastamento motivado por doença. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. SUJEIÇÃO DAS EMPRESAS URBANAS. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. SUJEIÇÃO DAS EMPRESAS DE TRANSPORTE O tributo arrecadado para custear o SEBRAE é devido também pelas empresas que atuam na prestação de serviço de transporte. EMPRESAS, INTEGRANTES DE GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. . As empresas que integram grupo econômico respondem entre si, solidariamente e sem benefício de ordem, pelas obrigações decorrentes da legislação previdenciária. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/08/2003 a 31/01/2007 MPF. ASSINATURA ELETRÔNICA PELA AUTORIDADE EMISSORA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não gera nulidade do MPF o fato do mesmo ter sido assinado digitalmente pela autoridade emissora, posto que essa possibilidade tem previsão normativa. TIAF.. AÇÃO FISCAL INICIADA EM FEVEREIRO DE 2007. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA. Para as ações fiscais iniciadas sob a égide da IN n. 03/2005, antes das alterações promovidas pela IN SRP n. 23, de 30/04/2007, inexistia a previsão de lavratura de Termo de Inicio da Ação Fiscal, posto que a ciência do procedimento de fiscalização era suprida pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF. DAD, DSD e RL. ENTREGA EM MEIO MAGNÉTICO. POSSIBILIDADE. O Discriminativo Analítico do Débito, o Discriminativo Sintético do Débito e o Relatório de Lançamentos pode ser entregue ao sujeito passivo em meio magnético sem que isso acarrete nulidade do procedimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2003 a 31/01/2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. APLICAÇÃO DE PENA DE MORA AO FISCO POR ÓRGÃO DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Não se vislumbra possibilidade de aplicação de pena moratória à Administração Tributária por órgão administrativo de julgamento sem que haja determinação legal expressa nesse sentido. Recurso Voluntário Negado.
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INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Incidem contribuições sobre o salário pago pela empresa aos segurados empregados, durante os primeiros dias de afastamento motivado por doença. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. SUJEIÇÃO DAS EMPRESAS URBANAS. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. SUJEIÇÃO DAS EMPRESAS DE TRANSPORTE O tributo arrecadado para custear o SEBRAE é devido também pelas empresas que atuam na prestação de serviço de transporte. EMPRESAS, INTEGRANTES DE GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. . As empresas que integram grupo econômico respondem entre si, solidariamente e sem benefício de ordem, pelas obrigações decorrentes da legislação previdenciária. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/08/2003 a 31/01/2007 MPF. ASSINATURA ELETRÔNICA PELA AUTORIDADE EMISSORA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não gera nulidade do MPF o fato do mesmo ter sido assinado digitalmente pela autoridade emissora, posto que essa possibilidade tem previsão normativa. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 TIAF.. AÇÃO FISCAL INICIADA EM FEVEREIRO DE 2007. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA. Para as ações fiscais iniciadas sob a égide da IN n. 03/2005, antes das alterações promovidas pela IN SRP n. 23, de 30/04/2007, inexistia a previsão de lavratura de Termo de Inicio da Ação Fiscal, posto que a ciência do procedimento de fiscalização era suprida pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF. DAD, DSD e RL. ENTREGA EM MEIO MAGNÉTICO. POSSIBILIDADE. O Discriminativo Analítico do Débito, o Discriminativo Sintético do Débito e o Relatório de Lançamentos pode ser entregue ao sujeito passivo em meio magnético sem que isso acarrete nulidade do procedimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2003 a 31/01/2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. APLICAÇÃO DE PENA DE MORA AO FISCO POR ÓRGÃO DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Não se vislumbra possibilidade de aplicação de pena moratória à Administração Tributária por órgão administrativo de julgamento sem que haja determinação legal expressa nesse sentido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16062.000028/200818 Acórdão n.º 240101.627 S2C4T1 Fl. 1.182 3 Relatório Tratase de recursos voluntários interpostos pela empresa acima epigrafada e por aquelas arroladas como devedoras solidárias contra decisão da DRJ em Campinas (SP), fls. 105/115, a qual declarou procedente o lançamento consubstanciado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n. 37.037.1097, posteriormente cadastrada na RFB sob o número de processo constante no cabeçalho. O crédito em questão contempla o período de 08/2003 a 01/2007 e contém a contribuição dos segurados contribuintes individuais e as contribuições patronais, inclusive a destina ao financiamento dos benefícios acidentários, bem como as arrecadadas para outras entidades e fundos. O valor do crédito, com data de consolidação em 28/05/2007, assumiu o montante de R$ 5.581.480,27 (cinco milhões, quinhentos e oitenta e um mil, quatrocentos e oitenta reais e vinte e sete centavos). Nos termos do Relatório da Auditoria, fls. 49/58, posteriormente substituído pelo de fls. 207/217, o lançamento decorreu da suposta falta de recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais verificadas mediante análise de folhas de pagamento de Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP . A Auditoria assinala que foram analisados na apuração fiscal os seguintes elementos apresentados pelo sujeito passivo: folhas de pagamento, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP e escrita contábil. Relata o Auditor fiscal que a apuração foi dividida em três levantamentos, a saber: a) CIN Contribuinte Individual não declarado em GFIP foram incluídos os contribuintes individuais cuja remuneração paga ou creditada não foram declaradas em GFIP ou foram declaradas a menor; b) GFP — GFIP e Folha de Pagamento foram incluídas as remunerações pagas ou creditadas aos empregados da empresa, com base em Folha de Pagamento e as remunerações pagas ou creditadas aos contribuintes individuais que prestaram serviços a empresa e também o valor do Pro Labore pago ao sóciogerente, Sr. Renê Gomes de Sousa; c) LDC — Livro Diário Contribuinte Individual foram incluídas as remunerações (escrituradas no Livro Diário) pagas ou creditadas aos contribuintes individuais que não constaram da folha de pagamento e não sofreram o desconto da contribuição previdenciária por eles devidas. Segundo o Fisco, tendo sido constatada a existência de grupo econômico constituído pela notificada e as empresas abaixo arroladas, essas últimas figuram como responsáveis solidárias pelo crédito lançado. Eis a lista das empresas que compõem o suposto grupo econômico: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 1) RN EMPREENDIMENTOS AGROPECUÁRIOS LTDA 2) ETCA EMPRESA DE TRANSPORTES COLETIVOS DO ACRE LTDA 3) BREDA SOROCABA TRANSPORTES E TURISMO LTDA 4) AUTO VIAÇÃO TRIANGULO LTDA 5) VIAÇÃO SÃO BENTO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS LTDA; 6) VIAÇÃO REAL LTDA 7) TRANSMIL TRANSPORTE E TURISMO LTDA 8) TCS TRANSPORTES COLETIVOS DE SOROCABA LTDA 9) EMPRESA DE ÔNIBUS SÃO BENTO LTDA 10) TRANSTAZA RODOVIÁRIO LTDA 11) RÁPIDO SÃO ROQUE LTDA No item 9 do Relatório Fiscal são apresentados todos os fatos que levaram a Auditoria a concluir pela existência de grupo econômico entre as empresas, os quais foram embasados em documentos acostados. A empresa notificada apresentou impugnação, fls. 361/398, a qual foi seguida das impugnações das empresas BREDA SOROCABA – fls. 402/436; EMPRESA DE ÔNIBUS SÃO BENTO – fls. 440/474; TRANSMIL TRANSPORTE E TURISMO – fls. 482/516; RÁPIDO SÃO ROQUE – fls. 520/554; TRANSTAZA RODOVIÁRI0 – fls. 560/594; AUTO VIAÇÃO TRIÂNGULO – fls. 598/632; RN EMPREENDIMENTOS AGROPECUÁRIOS – fls. 640/674; VIAÇÃO REAL LTDA – fls. 682/716; VIAÇÃO SÃO BENTO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS – fls. 724/758; TCS TRANSPORTES COLETIVOS DE SOROCABA – fls. 768/802. A DRJ em Campinas (SP) julgou, fls. 815/829, procedente o lançamento, tendo o Acórdão sido assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/01/2007 PREVIDENCIÁRIO. REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS AOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONTRIBUIÇÕES. ARRECADAÇÃO E RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições previdenciárias dós segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, mediante o desconto de suas respectivas remunerações, e a recolher as importâncias arrecadadas, juntamente com Fl. 4DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16062.000028/200818 Acórdão n.º 240101.627 S2C4T1 Fl. 1.183 5 as suas próprias contribuições, na forma e no prazo estabelecidos em lei. EMPRESAS INTEGRANTES DE GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico respondem entre si, solidariamente e sem benefício de ordem, pelas obrigações decorrentes da legislação previdenciária. No seu recurso, fls. 876/915, a empresa notificada argumenta, em apertada síntese, que: a) ao contrário do que afirma a DRJ recorrida, a assinatura da autoridade emissora é obrigatória no MPF e deve ser feita de próprio punho, sob pena de nulidade do procedimento, por afronta ao inciso VII do art. 7. do Decreto n. 3.969/2001; b) também é causa de nulidade a falta de emissão do Termo de Início da Ação Fiscal, o qual é obrigatório nos termos do art. 70 da Instrução Normativa INSS/DC n. 70/2002 e do art. 591 da IN SRP n. 03/2005, na redação dada pela IN SRP n. 23, de 30/04/2007; c) a recorrente teve o seu direito de defesa cerceado na medida em que não há nos autos o Discriminativo Analítico do Débito – DAD, o Discriminativo Sintético do Débito – DSD e o Relatório de Lançamentos – RL; d) não sendo rendimento proveniente do trabalho, não podem incidir contribuições previdenciárias sobre os valores pagos pela empresa, nos quinze primeiros dias do afastamento, a segurados empregados afastados do trabalho por motivo de doença; e) por outro lado a empresa não teria obrigação de pagar esses valores, que são um encargo previdenciário, que deve ser suportado pelo INSS. Assim, as quantias pagas durante o afastamento aos seus empregados deve ser deduzida da presente NFLD; f) é inconstitucional a exigência de contribuição ao INCRA; g) se devida alguma contribuição ao Seguro de Acidente de Trabalho essa deve ser calcula à alíquota de 1% e não 3% como concluiu a decisão recorrida; h) a contribuição destinada ao SEBRAE é inconstitucional e ilegal; i) o Fisco não lhe pode exigir juros e multa, posto que o Ente Tributante não cumpriu com a obrigação de consolidar anualmente a legislação relativa ás contribuições previdenciárias, conforme prevê o art. 212 do CTN; j) a aplicação da taxa SELIC é ilegal e inconstitucional. Ao final, pede: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 a) a declaração de nulidade do lançamento em face das preliminares suscitadas; b) a compensação dos valores pagos aos empregados afastados nos quinze primeiros dias do afastamento, bem como o reconhecimento da ilegalidade das contribuições incidentes sobre essas quantias; c) excluir do crédito as contribuições destinadas ao SEBRAE e ao INCRA; d) exclusão dos acréscimos moratórios ou a redução dos juros a taxa de 1% ao mês. Apresentaram também recursos as empresas arroladas como devedoras solidárias BREDA SOROCABA – fls. 1.006/1.033; EMPRESA DE ÔNIBUS SÃO BENTO – fls. 1.147/1.164; TRANSMIL TRANSPORTE E TURISMO – fls. 1.117/1.143; RÁPIDO SÃO ROQUE – fls. 917/944; TRANSTAZA RODOVIÁRI0 – fls. 560/594; AUTO VIAÇÃO TRIÂNGULO – fls. 1.093/1.115; RN EMPREENDIMENTOS AGROPECUÁRIOS – fls. 1.064/1.091; VIAÇÃO REAL LTDA – fls. 977/1.004; VIAÇÃO SÃO BENTO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS – fls. 948/975; TCS TRANSPORTES COLETIVOS DE SOROCABA – fls. 1.035/1.062. Nas referidas peças recursais os argumentos, que se repetem, tentam afastar o vínculo de solidariedade em razão da suposta inexistência de grupo econômico, em face da alegada ausência de requisitos que pudessem vir a caracterizar esse tipo de vinculação apontada pelo Fisco. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16062.000028/200818 Acórdão n.º 240101.627 S2C4T1 Fl. 1.184 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. PRELIMINARES Passemos à análise das preliminares. 1) Defeito nos MPF – falta de assinatura da autoridade emissora Ao alegar a invalidade da assinatura eletrônica aposta nos MPF n° 09376391F00 e 09376391CO2 a recorrente incorre em equívoco. O art. 7°, parágrafo 5°, da Portaria MPS/SRP n. 3.031, de 16 de dezembro de 2005, previa expressamente esse procedimento, conforme abaixo: Art. 7º O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: I a numeração de identificação e controle; II os dados identificadores do sujeito passivo; III a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV o prazo para a realização do procedimento fiscal; V o nome e a matrícula do servidor responsável pela execução do mandado; VI nome, endereço e telefone funcionais do chefe do servidor a que se refere o inciso V; VII nome, matrícula e assinatura da autoridade emissora e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato; e VIII o código de acesso à "Internet" que permita, ao sujeito passivo do procedimento fiscal, identificar o MPF. (...) § 5º Os MPF poderão ser assinados eletronicamente Por outro lado, o art. 7. do Decreto n. 3.669/2001, não traz qualquer dispositivo que preveja que a assinatura do MPF pela autoridade emissora tenha que ser efetuada de próprio punho, ou seja, não há vedação a assinatura eletrônica. Nesse sentido, a Portaria MPS/SRP 3.031/2005 não se choca com os termos do referido Decreto. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Vêse então que não se verifica nos MPF que deram autorização para ação fiscal em questão a mácula de nulidade apontada pela empresa. 2) Falta de emissão do Termo de Início da Ação Fiscal TIAF A questão posta pela recorrente no tocante a nulidade do procedimento fiscal por ausência do TIAF resolvese pela verificação da aplicação da legislação no tempo. Necessitase, assim, pesquisar quais eram as determinações da Administração Tributária na data de início da ação fiscal sob relevo. O ato que deu ciência ao contribuinte de que o mesmo encontravase sobre ação fiscal foi o MPF n. 09376391F00, fl. 36, datado de 07/07/2007. Assim, verificase que a auditoria teve como termo inicial a referida data. Nesse marco temporal vigia o art. 588 da IN n. 03/2005, o qual carregava a seguinte redação: Art. 588. Será dada ciência do MPF ao sujeito passivo da seguinte forma: I pessoal, comprovada com a assinatura do representante legal, do mandatário ou do preposto do sujeito passivo; II por via postal, ou por qualquer outro meio, com prova de recebimento tomada no domicílio tributário do sujeito passivo; III por edital, quando os meios previstos nos incisos I e II resultarem infrutíferos. § 1º Ocorrendo a recusa de recebimento do MPF, o AFPS deixará a via destinada ao sujeito passivo no local da ocorrência e registrará, em todas as vias, no campo destinado ao recibo, a expressão "recusouse a assinar", seguida da identificação do responsável pela recusa, considerandose cientificado o sujeito passivo. § 2º A ciência do MPF dá início ao procedimento fiscal, implicando a perda da espontaneidade do sujeito passivo referida no § 1º do art. 645. (Revogado pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007) § 3º Após a ciência do MPF, a SRP não emitirá parecer em relação a consulta relativa às obrigações previdenciárias objeto de verificação no procedimento fiscal. Percebese, portanto, que quando do início do procedimento fiscal inexistia na legislação de regência menção ao TIAF, sendo o MPF o documento hábil a demarcar o início da ação de fiscalização. Frisese que o TIAF, que tinha previsão na IN INSS/DC n. 70, de 10/05/2002, foi extinto pela IN INSS /DC n. 100, de 14/07/2005, somente vindo a ser reinserido na legislação pela IN SRP n. 23, de 30/04/2007, que alterou o art. 591 da IN n. 03, de 14/07/2005. Nesse sentido, não posso dar razão à recorrente, haja vista que a ausência do TIAF se deu por falta de previsão desse documento na legislação vigente quando do início do Fl. 8DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16062.000028/200818 Acórdão n.º 240101.627 S2C4T1 Fl. 1.185 9 procedimento fiscal, não merecendo censura o trabalho da Auditoria no que diz respeito a esse aspecto. Falta do DAD, DSD e RL A alegada falta dos referidos anexos da NFLD não se sustenta. Verifico nos autos o DAD, fls. 04/12 , o DSD, fls. 13/16 e o RL, fls. 22/28. Esse documentos nos termos da IN SRP n. 03/2005 são de entrega obrigatória ao sujeito passivo, senão vejamos: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: I Instruções para o Contribuinte IPC, que fornece ao sujeito passivo orientações, dentre outros assuntos de seu interesse, sobre as providências para regularização de sua situação perante a Previdência Social, por meio de recolhimento, parcelamento ou apresentação de defesa ou recurso, quando for o caso; II Discriminativo Analítico do Débito DAD, que discrimina, por estabelecimento, levantamento, competência e item de cobrança, os valores originários das contribuições devidas pelo sujeito passivo, as alíquotas utilizadas, os valores já recolhidos, anteriormente confessados ou objeto de notificação, as deduções legalmente permitidas e as diferenças existentes; III Discriminativo Sintético do Débito DSD, que discrimina sinteticamente, por estabelecimento, competência e levantamento, as contribuições objeto da apuração, atualização monetária, multa e juros devidos pelo sujeito passivo; IV Discriminativo Sintético por Estabelecimento DSE, que discrimina sinteticamente, por competência e por estabelecimento, as contribuições objeto da apuração, atualização monetária, multa e juros devidos pelo sujeito passivo; V Relatório de Lançamentos RL, que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo, com observações, quando necessárias, sobre sua natureza ou fonte documental; VI Relatório de Documentos Apresentados RDA, que relaciona, por estabelecimento e por competência, as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos, valores espontaneamente confessados pelo sujeito passivo e, quando for o caso, por valores que tenham sido objeto de notificações anteriores; VII Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA, que demonstra, por estabelecimento, competência, levantamento e tipo de documento, os valores recolhidos pelo Fl. 9DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 sujeito passivo, arrolados no relatório do inciso VI, e a correspondente apropriação e abatimento das contribuições devidas; VIII Diferenças de Acréscimos Legais DAL, que discrimina, por levantamento e por estabelecimento, as diferenças decorrentes de recolhimento a menor de atualização monetária, juros ou multa de mora, com indicação dos valores que seriam devidos e dos valores recolhidos, considerandose como competência para lançamento do acréscimo legal aquela em que foi efetuado o recolhimento a menor; IX Fundamentos Legais do Débito FLD, que informa ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores; X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; X Relatório de Representantes Legais RepLeg, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; XIA Termo de Início da Ação Fiscal (TIAF); XII Mandado de Procedimento Fiscal MPF; XII Mandado de Procedimento Fiscal MPF e o Demonstrativo de que trata o § 6º do art. 587, quando aplicável; (Redação dada pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007) XIII Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD; XIV Auto de Apreensão, Guarda e Devolução de Documentos AGD; XV Termo de Arrolamento de Bens e Direitos TAB; XVI Termo de Encerramento da AuditoriaFiscal TEAF; XVI Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF); XVII Relatório Fiscal REFISC, que se destina à narrativa dos fatos verificados em procedimento fiscal, sendo emitido por AFPS sempre que houver lavratura de NFLD, LDC ou AI; XVIII Outros anexos a critério da fiscalização, devendo o relatório fiscal fazer menção aos mesmos. Desse rol alguns são poderiam ser entregues, alternativamente, em meio papel ou em arquivos digitais. É o que se conclui da leitura do dispositivo da mesma IN: Fl. 10DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16062.000028/200818 Acórdão n.º 240101.627 S2C4T1 Fl. 1.186 11 Art. 663. Os relatórios e os documentos previstos no art. 660, quando emitidos em procedimento fiscal, serão entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais autenticados pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) em sistema informatizado próprio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), devendo ser entregues também em meio impresso: I os relatórios previstos nos incisos XII, XIII, XIV, XV e XVI e as folhas de rosto dos documentos NFLD, LDC, LDCG, DCG, AI e IFD, que deverão obrigatoriamente conter a assinatura do sujeito passivo; II os relatórios e documentos previstos nos incisos I, IX e XVII. Nesse sentido, para o DAD (inciso II), o DSD (inciso III) e o RL (inciso IV) não haveria obrigação de entrega ao sujeito passivo em meio papel, sendo suficiente para satisfazer a norma apenas a entrega dos arquivos eletrônicos. Nesse sentido, a regra foi cumprida na medida em que consta nos autos o "Recibo de arquivos entregues ao contribuinte" (fls. 45 a 48), em cuja página 4 se verifica que a empresa os recebeu em meio magnético. Portanto, descabida também essa alegação. MÉRITO Vamos agora aos argumentos de mérito, porém, tendo em conta que muitos das teses recursais apresentadas dizem respeito à indicação de supostas inconstitucionalidades das normas derem embasamento legal ao lançamento, prefiro iniciar pela abordagem dessa problemática. Para o enfrentamento da questão é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente, como é o caso da aplicação dos juros e da multa, além da contribuição ao seguro de acidente de trabalho – RAT. 1. Do afastamento por motivo de doença nos quinze primeiros dias Essa alegação envolve dois aspectos. O primeiro diz respeito à própria validade da norma que dispõe acerca do pagamento pela empresa dos salários relativos aos quinze primeiros dias de afastamento dos empregados, quando este se dá por motivo de doença. O segundo ponto referese à possibilidade de incidirem contribuições sobre esses pagamentos. A obrigação do pagamento de salários na quinzena inicial da licença por problemas de saúde tem apoio legal no art. 60, § 3.º, da Lei n. 8.213/1991, verbis: Art. 60. O auxíliodoença será devido ao segurado empregado a contar do décimo sexto dia do afastamento da atividade, e, no caso dos demais segurados, a contar da data do início da incapacidade e enquanto ele permanecer incapaz. (...) 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 12DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16062.000028/200818 Acórdão n.º 240101.627 S2C4T1 Fl. 1.187 13 § 3o Durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbirá à empresa pagar ao segurado empregado o seu salário integral. (...) Considerandose que o texto legal acima reproduzido não foi objeto de declaração de inconstitucionalidade em sede de controle concentrado ou controle difuso de constitucionalidade pelo Pretório Excelso, este Tribunal Administrativo falece de competência para se pronunciar sobre a sua conformação com a Carta Magna. Nesse sentido, devo afastar o pedido de compensação de supostos créditos que a empresa seria detentora, pelo fato de supostamente ter arcado com os salários nos primeiros quinze dias de afastamento dos seus empregados por motivo de doença. De outra banda, a incidência de contribuições previdenciárias sobre esses valores decorre do fato que os primeiros quinze dias de afastamento do obreiro por motivo de doença enquadramse em típica situação de interrupção do contrato de trabalho, já que não há prestação de serviço, nem disposição do obreiro perante seu empregador, ocorrendo, porém, o pagamento de salário, como decorrência da manutenção da relação empregatícia (o contrato de trabalho permanece em execução), computandose normalmente o período de afastamento (15 dias) como de efetivo serviço para os efeitos legais, inclusive previdenciários. Assim, não há fundamento jurídico e legal para afastar da incidência da contribuição previdenciária os valores pagos pelo empregador a título de remuneração dos primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença, posto que caracterizada a natureza salarial.. Além de que, não se pode olvidar toda a legislação previdenciária que disciplina a incidência da contribuição. E mais: há que se ter em consideração que só se pode negar vigência a essa legislação, plenamente válida, se forem observadas as hipóteses do art. 62 do Regimento Interno do CARF, conforme já frisei. Devese tem em conta, por outro lado, o § 3º do art. 60 da Lei n. 8.213/1991, além de que a matriz constitucional das contribuições sociais (art. 195, inciso I, da CF) define que a seguridade social será financiada, entre outras fontes, pelas contribuições sociais dos empregadores incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho. De acordo com o art. 201, § 11, da CF, que define os contornos da base de cálculo da contribuição previdenciária, os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. A luz dos artigos 22, inciso I, 28, inciso I e § 9º, da Lei n. 8.212/1991, concluise pela natureza salarial do valor pago nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado por motivo de doença, razão pela qual essa verba deve integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. 2. Da inconstitucionalidade e ilegalidade da contribuição ao INCRA Deixando de me pronunciar sobre o aspecto constitucional da exação, ponderarei apenas sobre a questão da sua legalidade. A suposta ilegalidade da exação para o Fl. 13DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 INCRA não se sustenta. Ao contrário do que afirma a notificada, tem respaldo legal a sua cobrança, mesmo das empresas urbanas. Essa é matéria que já se encontra pacificada no Superior Tribunal de Justiça, cujo entendimento firmado inclusive no rito dos recursos repetitivos, é de que o referido tributo tem caráter de contribuição especial de intervenção no domínio econômico. São, assim. desnecessárias maiores discussões sobre a questão, conforme se extrai da ementa do recentíssimo julgado abaixo transcrito: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA.EXIGIBILIDADE. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. SÚMULA 168/STJ. INCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. "A jurisprudência da Primeira Seção, consolidada inclusive em sede de recurso especial repetitivo (REsp 977.058/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 10/11/2008), firmou o entendimento de que a contribuição para o Incra (0,2%) não foi revogada pelas Leis 7.787/89 e 8.213/91, sendo exigível, também, das empresas urbanas" (AgRg no EREsp 803.780/SC, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Seção, DJe 30/11/09). 2. "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado" (Súmula 168/STJ). 3. Agravo regimental não provido. (STJ – Primeira Sessão AgRg no EREsp 780030 /GO, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, DJe 03/11/2010). 3. Da inconstitucionalidade e ilegalidade da contribuição ao SEBRAE Como dantes, apenas lançarei minhas considerações sobre a ilegalidade da contribuição destinada ao SEBRAE, deixando de lado aspectos relativos a sua constitucionalidade. Ao contrário do afirma a recorrente, não são apenas as empresas que contribuem para o SESC e o SENAC, ou ao SESI e ao SENAI as obrigadas ao pagamento do adicional do SEBRAE 8.706/93), também as empresas de transportes urbanos o são, por decorrência do Princípio da Isonomia. Essa matéria também foi pacificada no STJ, conforme se vê da ementa do aresto abaixo transcrito: TRIBUTÁRIO. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE. CONTRIBUIÇÃO PARA O SESI E PARA O SENAI.ALTERAÇÃO DA DESTINAÇÃO DO TRIBUTO PARA O SEST E PARA O SENAT. ADICIONAL PARA O SEBRAE. EXIGIBILIDADE. 1. Conforme jurisprudência pacífica do STJ, a Lei 8.706/93 não extinguiu o adicional ao SEBRAE devido pelas empresas prestadoras de serviços de transportes. Houve apenas alteração da destinação do tributo, pois, se antes contribuíam para o SESI e para o SENAI, com a lei passaram a contribuir para o SEST e para o SENAT. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16062.000028/200818 Acórdão n.º 240101.627 S2C4T1 Fl. 1.188 15 2. Agravo Regimental não provido. (STJ – Segunda Turma AgRg no REsp 740430/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, DJe 09/02/2009). 4. Da impossibilidade de exigência dos acréscimos legais em face da falta de cumprimento do disposto no art. 212 do CTN Alega a recorrente que, não tendo o INSS cumprido o que determina o art. 212 do CTN em relação à legislação previdenciária, o órgão ficaria impedido de aplicar sanções aos contribuintes. Vejamos o que preleciona o dispositivo invocado: Art. 212. Os Poderes Executivos federal, estaduais e municipais expedirão, por decreto, dentro de 90 (noventa) dias da entrada em vigor desta Lei, a consolidação, em texto único, da legislação vigente, relativa a cada um dos tributos, repetindose esta providência até o dia 31 de janeiro de cada ano. A tese adotada pela recorrente, cujo amparo doutrinário é da lavra do Tributarista Hugo de Brito Machado, não há de prevalecer. Seria inconcebível que um órgão de julgamento administrativo viesse a impor uma sanção ao Poder Executivo pela mora em editar determinado ato, na espécie a consolidação da legislação tributária. Digo mais, havendo o desejo do sujeito passivo de aplicar pena moratória à Fazenda Pública a via adequada é a judicial, devendo o interessado intentar a ação própria visando corrigir a suposta omissão do Poder Público em editar a consolidação das normas previdenciárias. Tenho que concordar com a decisão recorrida quando afirma que sequer inexiste a alegada falta de consolidação da legislação da Previdência Social. Nesse sentido, vale a pena transcrever essa passagem do voto do relator do voto na DRJ, posto que bastante elucidativa: Ainda que restassem superados os dois obstáculos acima — o que se admite apenas por apego à argumentação —, salientamos que, ao menos no respeitante às contribuições incluídas na presente NFLD, o Poder Executivo não parece estar em mora em relação ao comando do art. 212 do CTN, conforme veremos a seguir. As contribuições previdenciárias aqui exigidas foram instituídas em 24 de julho de 1991, por intermédio da Lei federal n° 8.212, cujo art. 103 assim prescreve: Art. 103. O Poder Executivo regulamentará esta Lei no prazo de 60 (sessenta) dias a partir da data de sua publicação. Naquele mesmo ano — embora com algum atraso, é verdade , o Presidente da República editou o Decreto n° 356, de 2 de dezembro, que aprovou o "Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social". Pois bem, esse "ROCSS" outra coisa não fez senão dispor, exaustivamente e em texto único, sobre as exações criadas pela referida lei ordinária, com o que reputase dado pleno cumprimento à referida norma do código de 1966. É certo que o regulamento de 1991 foi substituído pelo aprovado pelo Decreto n° 612, de 2171992; e que este foi substituído pelo aprovado pelo Decreto n° 2.173, de 53 1997; e, finalmente, que este foi substituído pelo aprovado pelo Fl. 15DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Decreto n° 3.048, de 651999, atualmente em vigor. Entretanto, o que realmente importa é que nenhum deles perdeu as características do original, qual seja a de fazer exatamente aquilo que preconiza o art. 212 do Código Tributário Nacional: consolidar, em texto único, a legislação vigente relativa a cada um dos tributos. Em suma, a pretensão ora deduzida pela defesa há que ser indeferida também pelo fato de que não se verifica, in casu, o descumprimento que ela imputa ao Poder Executivo Federal. Feitas essas considerações, afasto a tese da inaplicabilidade da multa e dos juros em razão do descumprimento pelo Poder Executivo do art. 212 do CTN. 5. Da inconstitucionalidade e ilegalidade da aplicação da taxa de juros SELIC Mais uma vez deixarei de me posicionar sobre a constitucionalidade da aplicação da taxa SELIC às contribuições não recolhidas em época própria. Os motivos já expus a exaustão. Quanto a legalidade não há muito o que acrescentar haja vista que esses acréscimos foram impostos por decorrência do comando legal insculpido no hoje revogado artigo 34 da Lei n. 8.212/1991, que assim dispunha: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Portanto, não há o que se questionar quanto à legalidade da aplicação da taxa de juros SELIC às contribuições previdenciárias não recolhidas no prazo, posto que tal procedimento decorre de disposição expressa de texto de lei vigente e eficaz. 6. Do erro da alíquota da contribuição para financiamento dos benefícios acidentários A Contribuição para Financiamento dos Benefícios Concedidos em Razão do Grau de Incidência dos Riscos Ambientais do Trabalho (RAT) é prevista no art. 22, II, da Lei n. 8.212/1991, nos seguintes termos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; Fl. 16DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16062.000028/200818 Acórdão n.º 240101.627 S2C4T1 Fl. 1.189 17 b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Alega a empresa que a alíquota de 3% para o cálculo da contribuição em destaque está equivocado e que o percentual correto seria 1%. Considerando que a recorrente se trata de empresa de transporte urbano de passageiros, verificase que o seu grau de risco é 3 (CNAE 49213/01), nos termos do Anexo V do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/1999, o qual apresenta a RELAÇÃO DE ATIVIDADES PREPONDERANTES E CORRESPONDENTES GRAUS DE RISCO. Por outro lado, a empresa não indica o porquê de sua alegação relativa à incorreção da alíquota RAT adotada no lançamento. Dos termos do recurso, não há como saber se seu inconformismo decorreu do fato de sua atividade preponderante não ser o transporte de passageiros ou se entende que houve erro na utilização da tabela de graus de risco. O certo que esse argumento, que se mostra totalmente impreciso, também não está embasado em nenhum elemento probatório, pelo que não podemos sequer analisálo com profundidade, imaginem acolhêlo. 7. Da inexistência de grupo econômico Essa foi a tese apresentada pelas empresas arroladas como devedoras solidárias que interpuseram recurso voluntário. Todas os recursos foram patrocinados pelo escritório Advocacia Empresarial Vinícius Leôncio e trazem as mesmíssimas alegações, sobre as quais passarei a ponderar. Façamos inicialmente uma síntese dos argumentos utilizados pelo Fisco para fundamentar a caracterização do suposto grupo econômico. A auditoria indicou a existência de interesse comum entre as empresas , na medida em que das quatro empresas que operavam na atividade de transporte público na cidade de São José dos Campos, três eram pertencentes ao chamado “Grupo RGS”. Assinalouse ainda que pela análise da contabilidade da empresa fiscalizada, podese constatar considerável número de empréstimos efetuados entre as empresas do grupo e também com o sóciogerente René Gomes de Sousa. Afirmase ainda que, ao se indagar o contador da empresa, Sr. Paulo Henrique Gregório Silva, acerca dessa particularidade o mesmo declarou em documento acostado: "Somos um grupo de empresas coligadas, possuindo um único financeiro que por necessidade, realiza empréstimos diariamente entre as empresas do grupo, (coligadas, interligadas), onde são formalizados através de um Contrato entre o Credor e o Devedor (exemplo em anexo) servindo este de suporte para a Conta Corrente da Coligada, tendo vencimento fixado, juros corrigido, este tipo de operação é necessário para o dia a dia dás empresas para honrar compromissos com fornecedores, folha de pagamentos e impostos e são liquidados através de operações inversas" Fl. 17DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 Foram acostados diversos documentos para comprovar a existência das mencionadas transações financeiras. No dizer da Auditoria Fiscal, observase a utilização de prédio comum por três empresas do grupo, além de que verificase o funcionamento de estabelecimentos da empresa notificada em prédio pertencente a outra empresa do grupo. Ressaltase também a existência de serviços advocatícios lançados na contabilidade como empréstimos a coligadas. Passemos à análise dos recursos. Nos seus arrazoados as empresas alegam que ou o Fisco não conseguiu demonstrar os fatos que caracterizariam o grupo econômico ou as evidências apontadas não são suficientes para que se chegasse a tal conclusão. Alegam a inexistência de gerência centralizada para todas as empresas. Esse argumento não resiste à análise dos autos. Verificase na espécie que o Sr. René Gomes de Sousa figura como sóciogerente em todas as empresas arroladas. Nesse sentido fica evidente a existência de comando único. Nos termos do art. 748 da IN SRP n 03/2005: Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Não tenho dúvida de que a constatação de que o sóciogerente das empresas autuava na formalização dos empréstimos entre as integrantes do grupo representando as empresas devedora e credora é forte indício da existência de controle comum entre as entidades. O interesse comum entre as empresas, negado pelas recorrentes, não se resume a questão da atividade coincidente, mas decorre da existência de objetivo único para as empresas envolvidas que se corporifica na atuação conjunta visando à consecução dos resultados pretendidos pelo efetivo controlador. As atividades podem não ser idênticas, mas vislumbro a existência de um fim comum que é buscado mediante a atuação coordenada das empresas integrantes. Essa coordenação fica melhor evidenciada quando se constata a ocorrência de transações financeiras necessárias, nas palavras do contador do grupo, para manter o fluxo de caixa dentro da normalidade para todas as empresas. Embora quisessem minimizar a declaração do contador, as recorrentes não conseguiram explicar o fato de que o formulário utilizado para produzir a declaração transcrita acima contém a logomarca do grupo denominado RGS. A constatação do funcionamento de algumas das empresas em um mesmo prédio, embora não seja suficiente a comprovar a existência do grupo econômico, é mais um forte indício da atuação das entidades sob o mesmo comando. Insurgemse as recorrentes ainda contra a utilização de conceitos do Direito do Trabalho para justificar a conclusão acerca do grupo de empresas. Não vejo problema nesse expediente utilizado pelo Fisco. A tese dos ramos do Direito como searas incomunicáveis está a muito superada. Hodienarmente trabalhase com o conceito de interdisciplinaridade até entre Fl. 18DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16062.000028/200818 Acórdão n.º 240101.627 S2C4T1 Fl. 1.190 19 outras áreas do conhecimento, não havendo motivo para se tentar isolar áreas que fazem parte dos chamados Direitos Sociais, como é o caso da Trabalhista e da Previdenciária. Além de que, conforme já assinalei, a conceituação de grupo econômico presente na IN SRP n. 03/2005 contempla a situação relatada pelo Fisco. É de se observar ainda que equivocamse as recorrentes quando invocam a Lei n. 6.404/1976 para concluir pela inexistência das hipóteses ali traçadas para configuração de grupo econômico. Em verdade a conclusão a que chegou a Auditoria foi lastreada não na existência da sucessão de empresas, mas na ocorrência de controle único e interesse comum entre as empresas integrantes. É verdade que de acordo com o Código Civil Brasileiro a solidariedade passiva decorre de acordo de vontade ou de disposição legal. Nesse aspecto têm razão as devedoras solidárias, porém isso não afasta o procedimento fiscal, uma vez que a solidariedade imposta está exatamente arrimada no inciso IX do art. 30 da Lei n. 8.212/1991, verbis: IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Também, ao contrário do que afirmam as empresas, a Fiscalização não estaria obrigada a constituir créditos para cada uma das devedoras solidárias, mas efetuar as lavraturas na empresa fiscalizada, dando ciência da existência dos créditos às empresas chamadas ao pólo passivo por força da solidariedade tributária. É assim que prelecionava a IN SRP n. 03/2005: Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei n°8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. sç 1° Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. 2° É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do ,55. I° deste artigo, vista do processo administrativo fiscal.. Esse foi o procedimento adotado pela Auditoria, que ao constatar a existência de grupo econômico vinculou ao crédito todas as empresas deste, em razão da solidariedade prevista em Lei. Então, verificando restam afastados todos os argumentos articulados nos diversos recursos, voto pelo seu conhecimento, pelo afastamento das preliminares suscitadas e, no mérito, pelo desprovimento dos mesmos. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 Sala das Sessões, em 10 de fevereiro de 2011 Kleber Ferreira de Araújo Fl. 20DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 19288.000030/2011-36
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2009 DCTF. ATRASO NA ENTREGA NÃO CONFIGURADO. PENALIDADE. DESCABIMENTO. Demonstrado que não houve atraso na entrega da declaração, deve ser cancelada a penalidade imposta.
Numero da decisão: 1803-001.445
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, deram provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Walter Adolfo Maresch e Sérgio Rodrigues Mendes que lhe negavam provimento.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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ATRASO NA ENTREGA NÃO CONFIGURADO. PENALIDADE. DESCABIMENTO. Demonstrado que não houve atraso na entrega da declaração, deve ser cancelada a penalidade imposta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, deram provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Walter Adolfo Maresch e Sérgio Rodrigues Mendes que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES 2 Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento de multa por atraso na DCTF relativa ao 2° semestre de 2009. Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, em que alegou em síntese que: a) Que apresentou as declarações exigidas no presente lançamento por meio de processo eletrônico. b) O certificado digital que habilitaria cumprir a obrigação só foi adquirido em 08/12/2010, e neste momento, foram reapresentadas as DCTF’s e as DIPJ’s. c) Ao processar as declarações apresentadas em janeiro a autoridade lançadora equivocadamente considerou que se tratava de uma nova declaração, quando na verdade era apenas a ratificação da declaração existente. d) As obrigações acessórias de apresentar declaração não podem ser punidas porque o impede o art. 138 do CTN. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos: a) Cabe ao contribuinte o dever de cuidar de sua senha. Assim, supostas alegações da interessada de que somente apresentou suas declarações após 08/12/2010 por culpa de atraso na obtenção de seu certificado digital, não afastam a multa pelo atraso na entrega delas. b) A recorrente tentou apresentar a declaração em 08/04/2010, em papel, tendo o requerimento sido indeferido. c) O art. 138 do CTN não pode ser invocado para afastar as multas aplicadas por atraso na apresentação das declarações. d) A legislação não dá margem a incertezas ou dúvidas. Se a Declaração foi apresentada depois do prazo regulamentar, independente de qualquer circunstância, o contribuinte está sujeito à multa. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que apenas reitera a alegação de que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes Fl. 43DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 19288.000030/201136 Acórdão n.º 180301.445 S1TE03 Fl. 2 3 A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 12/09/2012 (extrato de fls. 38). O recurso foi protocolado em 27/09/2011, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Alega a recorrente que a transmissão da DCTF foi impedida pelo programa ReceitaNet, pelo fato de que as sociedades cadastradas sob o código 2127 (sociedade em conta de participação) estariam dispensadas de apresentação da referida declaração. Diante desta situação, a contribuinte efetuou a entrega da declaração em papel. A autoridade administrativa indeferiu o requerimento de apresentação da DCTF em papel com base nos seguintes fundamentos (fls. 16/18): “A sociedade em conta de participação (direito brasileiro) ou conta da metade (direito português) é uma sociedade empresária que vincula, internamente, os sócios. É composta por duas ou mais pessoas, sendo que uma delas necessariamente deve ser empresário ou sociedade empresária. Por ser apenas uma ferramenta existente para facilitar a relação entre os sócios não é uma sociedade propriamente dita, ela não tem personalidade jurídica autônoma, patrimônio próprio e não aparece perante terceiros. O empreendimento é realizado por dois tipos de sócios: o sócio ostensivo e o sócio oculto. O sócio ostensivo (necessariamente empresário ou sociedade empresária) realiza em seu nome os negócios jurídicos necessários para ultimar o objeto do empreendimento e responde pelas obrigações sociais não adimplidas. O sócio oculto, em contraposição, não tem qualquer responsabilidade jurídica relativa aos negócios realizados em nome do sócio ostensivo. (...) Nesse sentido e pelo acima exposto, indeferimos o pleito do contribuinte, eis que ausente previsão legal que o ampare, mormente na hipótese em que a legislação estabelece a forma para adimplemento da obrigação acessória em questão, que, no caso, deve ser cumprida pelo sócio ostensivo inscrito no CNPJ, face à sua equiparação à pessoa jurídica”. O fundamento da decisão que indeferiu a entrega da declaração em papel não é válido. Isto porque, a legislação relativa ao CNPJ faculta a inscrição da sociedade em conta de participação no cadastro. Tanto é assim que, há previsão expressa de código de natureza jurídica para as sociedades em conta de participação, qual seja, 2127. A legislação oferece duas possibilidades às sociedades em conta de participação: cumprir suas obrigações acessórias por meio do sócio ostensivo, ou inscreverse no CNPJ, e cumprilas tal como as demais pessoas jurídicas. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES 4 Apesar do despacho decisório não ser objeto de discussão no presente processo, a análise de sua validade é essencial para a convicção acerca da existência da infração de atraso na entrega da declaração, esta sim, objeto da autuação questionada neste recurso. Tratase de uma questão prejudicial, ou seja, de controvérsia cuja solução é imprescindível para a decisão relativa à existência da conduta infracional de atraso na entrega da declaração. O prazo para apresentação da DCTF relativa ao 2° semestre de 2009 encerrouse em 08/04/2010 A recorrente protocolou o requerimento de apresentação da DCTF em papel em 08/04/2010, ou seja, dentro do prazo legal de entrega previsto na legislação (fls. 16). A decisão recorrida desconsiderou a declaração em papel por entender que não há previsão legal para sua entrega em papel, sendo o único meio possível, aquele previsto na legislação: entrega mediante transmissão pela Internet, com assinatura digital. O contribuinte, impedido de cumprir obrigação acessória por meio da Internet, diligentemente enviou a DCTF em papel, protocolando requerimento na repartição, dentro do prazo legal. Em que pese a instrução normativa ser clara ao dispor que a DCTF deverá ser apresentada em meio magnético, mediante a utilização de programa gerador de declaração, disponível na Internet, o contribuinte não pode ser penalizado na hipótese dos presentes autos. Sua conduta não pode ser equiparada à do contribuinte que não efetuou nenhum esforço para cumprir a obrigação acessória dentro do prazo legal. A situação fática dos presentes autos não é a mesma do caso em que o contribuinte simplesmente entrega sua declaração fora do prazo, sem qualquer tentativa comprovada de cumprila, ainda que por meio diverso daquele previsto em lei. Como diz Eros Roberto Grau, em sua obra “Ensaio e discurso sobre a interpretação/aplicação do direito”, o intérprete discerne o sentido do texto a partir e em virtude de um determinado caso dado. (item X). Em suas palavras: “Vou repetir mais uma vez: a norma é produzida, pelo intérprete, não apenas a partir de elementos colhidos no texto normativo (mundo do deverser), mas também a partir de elementos do caso ao qual será ela aplicada, isto é, a partir de dados da realidade (mundo do ser). Por oportuno, trazemos à colação decisão do Poder Judiciário que analisa situação análoga: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. ENTREGA DE DCTF DE FORMA MANUAL. MULTA. CERTIFICAÇÃO DIGITAL. POSTERIOR. SENTENÇA PROCEDENTE. EFEITOS. INALTERADOS. TRÂNSITO EM JULGADO. AUSÊNCIA. DESCUMPRIMENTO. I É importante ressaltar que o juiz não está vinculado a examinar todos os argumentos expendidos pelas partes, nem a se pronunciar sobre todos os artigos de lei, restando bastante que, Fl. 45DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 19288.000030/201136 Acórdão n.º 180301.445 S1TE03 Fl. 3 5 no caso concreto, decline fundamentos suficientes e condizentes a lastrear sua decisão. II Inicialmente, devese salientar que a discricionariedade da Administração Pública não pode sobrepor o limite da razoabilidade, na medida em que, caso não existisse o aludido limite, tornariase um verdadeiro obstáculo às empresas que cumprem com suas obrigaçõese e que por algum motivo não poderiam apresentar as declarações legalmente previstas em lei por motivos alheios à sua vontade. III Vêse dos autos, que a impetrante agiu com toda a transparência, inclusive tendo buscado o cumprimento nos prazos fixados pela Receita Federal. Aliás, o procedimento necessário à obtenção de certificação não é automático, é complexo e burocrático, tendo o contribuinte inciado os trâmites necessários, para a regularização. Registrese, ainda, que a impetrante não pretende postergar a entrega de qualquer declaração, apenas objetiva a autorização para momentânea entrega manual das declarações a que está obrigada, sem a imposição da multa prevista pela Receita. IV Não é demais, também, falar sobre o princípio da proporcionalidade. O grande fundamento deste princípio é o excesso de poder e o fim a que se destina é exatamente o de conter atos, decisões e condutas de agentes públicos que ultrapassem os limites adequados, com vistas ao objetivo colimado pela Administração, ou até mesmo pelo Poderes representativos do Estado. Significa que o Poder Público, quando intervém nas atividades sob seu controle, deve atuar porque a situação reclama realmente a intervenção, e esta deve processarse com equilíbrio, sem excessos e proporcionalmente ao fim a ser atingido. V Desse modo, obstaculizar a entrega das declarações de modo manual, enquanto a impetrante providencia a certificação digital, ofende os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, razão pela qual, a sentença não merece reforma. VI Ademais, recebida a apelação apenas no efeito devolutivo, persistem os efeitos da sentença que tornou o débito inexigível até o pronunciamento definitivo das instâncias superiores, o que não ocorreu, acarretando, o descumprimento, em afronta ao disposto no artigo 26 da Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança). VII – Remessa necessária e apelação não providas.”(AMS 2005.51.01.0167166, sessão em 12/04/2011). Por conseguinte, não há como deixar de concluir que na hipótese dos autos não houve descumprimento da obrigação acessória, tendo a recorrente entregue a declaração no prazo, valendose do meio possível na época dos fatos, qual seja, a entrega em papel na repartição. No caso concreto, a conduta prevista na legislação – atraso na entrega da declaração – não se materializou, e portanto, não pode dar azo à imposição de penalidade. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES 6 No que se refere à exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea da infração, de que trata o art. 138 do CTN, tratase de matéria sumulada neste Conselho: “Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” Ante todo o exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 47DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 19288.000030/201136 Acórdão n.º 180301.445 S1TE03 Fl. 4 7 Declaração de Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes Votei, juntamente com o Conselheiro Walter Adolfo Maresch, pela negativa de provimento ao recurso voluntário interposto, por entender que se está diante de caso no qual a impossibilidade de entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) pela internet, por falta da indispensável assinatura digital, decorreu, unicamente, da culpa in eligendo e in vigilando da Recorrente, a qual, de nenhum modo, poderia alegar desconhecimento da legislação pertinente. Quanto à questão de a transmissão da DCTF ter sido supostamente impedida pelo programa ReceitaNet, pelo fato de que as sociedades cadastradas sob o código 2127 (sociedade em conta de participação) estariam dispensadas de sua apresentação, não foi, essa matéria, objeto de discussão pela decisão recorrida, restando, de todo modo, prejudicada pela falta da necessária assinatura digital. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 48DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES
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Numero do processo: 10120.010254/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.339
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1178; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.010254/201011 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.339 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 13 de março de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente ESTADO DE GOIÁS TRIBUNAL DE JUSTIÇA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .0 10 25 4/ 20 10 -1 1 Fl. 851DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/04/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.010254/201011 Resolução nº 2402000.339 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados (servidores comissionados) e contribuintes individuais, relativas às contribuições da parte patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), bem como glosas de compensação e acréscimos legais decorrentes de Guia de Recolhimento da Previdência (GPS) recolhida em atraso, para as competências 12/2005 a 13/2008. O Relatório Fiscal (fls. 51/59) informa que o fato gerador decorre da remuneração paga ou creditada aos segurados empregados (cargo em comissão) e contribuintes individuais (trabalhadores autônomos). Informa que os valores dos créditos previdenciários objeto do presente Auto de Infração foram apurados com base nos Arquivos Magnéticos de Folha de Pagamento em confronto com as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s) entregues pelo contribuinte, constantes dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), em 16/03/2010. Informa com relação à alíquota do SAT/GILRAT, que a alteração na tabela CNAE, Anexo V do Decreto 3.048/99, trazida pelo Decreto 6.042/2007, elevou o grau de risco dos órgãos públicos de 1(um) para 2(dois), consequentemente majorando de 1% (um por cento) para 2% (dois por cento) esta alíquota para tais contribuintes, a partir da competência junho de 2007. Cientifica que foi constatado que o contribuinte deixou de proceder às retificações das GFIP relativa as competências que deram origem ao crédito compensado, em desacordo com a lei de regência. Dispõe que, nos termos da IN RFB nº 900/2008, art. 45 § único, no caso de compensação indevida, o sujeito passivo deverá recolher o valor indevidamente compensado, acrescido de juros e multa de mora devidos e, que caso a compensação indevida decorra de informação incorreta em GFIP, deverá ser apresentada declaração retificadora, o que não aconteceu. Assim procedeuse a glosa dos valores compensados em 13/2007, 09/2008, 10/2008, 12/2008 e 13/2008, uma vez que a fiscalizada não procedeu à retificação de todas as GFIP que deram origem a compensação. Quanto à multa aplicada, houve comparação entre as multas cabíveis antes da MP 449/08 (multa anterior + AIOA 68) e após esta MP (multa atual) que foi convertida na Lei 11.941/09 e, portanto, a multa aplicada e discriminada no DD decorreu da observância do princípio da retroatividade benigna (art.106, II, alínea “c”, do CTN), conforme discriminado nas planilhas de comparação de multas. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 17/12/2010 (fls. 01 e 246), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). Fl. 852DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/04/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.010254/201011 Resolução nº 2402000.339 S2C4T2 Fl. 4 3 A Recorrente interpôs impugnação (fls. 249/255) requerendo a total improcedência do lançamento e alegando, em síntese, que: 1. Das Preliminares. Não concorda com o presente auto de infração com relação às glosas de compensação efetuadas pelo contribuinte em 13/2007, 09/2008, 12/2008 e 13/2008, bem como as demais alegações contidas neste DEBCAD, em razão de que o contribuinte recolheu todas as contribuições devidas em conformidade com as informações geradas pela GFIP. Esclarece que os créditos que originaram as compensações ocorreram em virtude da política adotada pelo Estado de Goiás em efetuar o pagamento do décimo terceiro salário no mês de aniversário do servidor, ocorrendo dessa forma o pagamento a maior na GPS na competência mensal da folha de pagamento dos servidores e não na competência do 13°. Ressalta que, embora na GPS conste o valor total da folha de pagamento mensal acrescida do valor dos 13° salários dos servidores que faziam aniversário nessa competência, a informação via GFIP não contemplava o valor referente ao 13° salário. Mas que para regularizar a competência 13/2007, fez apuração do valor devido e procedeu ao pagamento da diferença, conforme GPS anexas, e retificou a GFIP no dia 30/09/2008. 2. DO MÉRITO. No mérito explica que começou as compensações a partir da competência 09/2008, dos créditos pagos a maior, referentes ao período de janeiro de 2007 a agosto de 2008, não havendo necessidade, portanto, de retificações das GFIP relativas as competências que deram origem ao crédito compensado, vez que os valores informados são os mesmos da folha de pagamento mensal e que o valor a maior constante da GPS referese ao recolhimento antecipado do 13° salário dos aniversariantes do mês. Discorre sobre o instituto da compensação como forma de extinção de crédito tributário previstas no art. 156 e 170, do CTN. Dispõe ainda que a Lei nº 9.430/96 possibilita ao contribuinte que apurar crédito, efetuar a compensação com seus débitos e menciona que não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados, o que não ocorreu no presente caso. Aduz ainda que a lei não condicionou a compensação à prévia manifestação do Fisco quanto ao crédito que o contribuinte pretenda considerar, senão que, ao revés, deixou claro que este último poderá efetuar a compensação no recolhimento de importância correspondente a período subsequente e que sendo assim poderá a compensação acontecer, independentemente de verificação anterior da Administração Fiscal do crédito utilizado pelo sujeito passivo tributário; 3. Ante o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência dos Autos de Infração, espera e requer o contribuinte que seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o AI. Afirma ainda que o contribuinte se reserva no direito de fazer a juntada de outras provas documentais com base na Lei n° 9.532, de 10.12.1997. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/04/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.010254/201011 Resolução nº 2402000.339 S2C4T2 Fl. 5 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão no 0348.604 da 5a Turma da DRJ/BSB (fls. 477/486) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele se coaduna com os preceitos legais que disciplinam a sua lavratura, posto que traz em seu conteúdo todos os requisitos necessários a sua validade. A Recorrente interpôs recurso voluntário argumentando que: (i) servidores do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) foram computados como segurados do Regime Geral de Previdência Social (RGPS); (ii) não foram realizadas as deduções pagas de forma indevida; (iii) na competência 13, há valores em duplicidade; e (iv) ocorreu valores apurados de servidores que estão com remuneração acima do teto do RGPS. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Goiânia/GO informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/04/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.010254/201011 Resolução nº 2402000.339 S2C4T2 Fl. 6 5 VOTO Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Analisando o processo, verificase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco). Isso porque, um dos argumentos suscitados nas razões de recurso do contribuinte diz respeito à matéria fática relacionada com a base de cálculo, acompanhada de cópias de documentos juntados aos autos. No que tange à matéria submetida à controvérsia instaurada, o Fisco informa que objeto do lançamento fiscal seria o seguinte (Relatório Fiscal, fls. 51/59): “[...] DA APURAÇÃO DO CREDITO PREVIDENCIÁRIO 5. Os valores dos créditos previdenciários objeto do presente AI Auto de Infração foram apurados com base nos Arquivos Magnéticos de Folha de Pagamento de Folha de Pagamento com código de validação no fab06b1f1 fbdf0edb77724061c27e25e de 19/10/2010 em confronto com as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP entregues pelo contribuinte, constantes dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil SRFB, em 16/03/2010. [...]” Em sentido contrário, a Recorrente afirma na peça recursal que: (i) servidores do Regime Próprio de Previdência Social do Estado de Goiás foram computados como segurados do RGPS; (ii) rubrica de deduções referentes a exonerações dos servidores não foi computada na apuração da base de cálculo lançada; (iii) ocorreu divergência da alíquota SAT sobre a base de cálculo; (iv) na competência 13, há duplicidade de base de cálculo; (v) há segurados que já contribuem acima do teto do RGPS; e (vi) há incongruência das informações em razão de números de identificação dos segurados (PIS/PASEP). Assim, necessitamos que a AuditoriaFiscal (Fisco) examine e emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal que foram acompanhados de várias cópias de documentos, juntados aos autos na peça recursal. Isso decorre do fato de que o trabalho de auditoria fiscal, em caso de verificação de descumprimento de obrigações tributárias, poderá acarretar o lançamento tributário, ato administrativo impositivo, de império, gravoso para os administrados. Por isso, o trabalho da fiscalização deve sempre demonstrar, com clareza e precisão, como determina a legislação, os motivos fáticos e jurídicos da lavratura da exigência. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/04/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.010254/201011 Resolução nº 2402000.339 S2C4T2 Fl. 7 6 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto 70.235/1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF): Art. 9°. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Tal entendimento também está em consonância com o art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação clara, explícita e congruente. Lei 9.784/1999 – processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Com isso, decido converter o presente julgamento em diligência, a fim de que o Fisco emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal, acompanhada de um conjunto probatório – inclusive, para a competência 13/2007, deverá verificar se efetivamente foram realizados os recolhimentos das contribuições noticiados pela Recorrente, por meio de cópias de GPS e de GFIP’s acostadas aos autos –, submetidos à controvérsia instaurada no presente processo. Segundo a Recorrente, esses documentos foram devidamente acostados ao processo no prazo estabelecido pela legislação de regência. Após essa providência, o Fisco deve elaborar Parecer Fiscal conclusivo sobre a necessidade, ou não, de retificação de valores contidos em cada competência, com os motivos que justificam sua posição. Por fim, após a emissão do Parecer, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e do Parecer, com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/04/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 35434.000858/2005-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/05/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. SALÁRIO INDIRETO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal).
NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO DIVERGÊNCIA.
Com arrimo no artigo 67, §§ 3º e 6°, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento a respeito do tema, bem como da constatação do interesse recursal. Ademais, não merece conhecimento o Recurso Especial fundamentado em única premissa em face de Acórdão arrimado em dois ou mais fundamentos, por absoluta falta de utilidade e/ou interesse recursal.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO INDIRETO. PLANO EDUCACIONAL - REEMBOLSO ESCOLAR E PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. HIPÓTESE DE ISENÇÃO CONFIGURADA. OBSERVÂNCIA. REQUISITOS LEGAIS.
De conformidade com o artigo 28, § 9º, alíneas “p” e “t”, da Lei nº 8.212/91, os valores concedidos aos funcionários e diretores da empresa a título de Plano Educacional, in casu, denominado “Reembolso Escolar”, e Previdência Complementar Privada, conquanto que extensivo a totalidade dos empregados e diretores, estão fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias.
Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado.
Recurso Especial da Contribuinte Conhecido em Parte e Provido.
Numero da decisão: 9202-002.192
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso do contribuinte e na parte conhecida, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator) e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/05/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. SALÁRIO INDIRETO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal). NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO DIVERGÊNCIA. Com arrimo no artigo 67, §§ 3º e 6°, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento a respeito do tema, bem como da constatação do interesse recursal. Ademais, não merece conhecimento o Recurso Especial fundamentado em única premissa em face de Acórdão arrimado em dois ou mais fundamentos, por absoluta falta de utilidade e/ou interesse recursal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO INDIRETO. PLANO EDUCACIONAL - REEMBOLSO ESCOLAR E PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. HIPÓTESE DE ISENÇÃO CONFIGURADA. OBSERVÂNCIA. REQUISITOS LEGAIS. De conformidade com o artigo 28, § 9º, alíneas “p” e “t”, da Lei nº 8.212/91, os valores concedidos aos funcionários e diretores da empresa a título de Plano Educacional, in casu, denominado “Reembolso Escolar”, e Previdência Complementar Privada, conquanto que extensivo a totalidade dos empregados e diretores, estão fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado. Recurso Especial da Contribuinte Conhecido em Parte e Provido.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/05/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. SALÁRIO INDIRETO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicouse o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal). NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO DIVERGÊNCIA. Com arrimo no artigo 67, §§ 3º e 6°, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do préquestionamento a respeito do tema, bem como da constatação do interesse recursal. Ademais, não merece conhecimento o Recurso Especial fundamentado em única premissa em face de Acórdão arrimado em dois ou mais fundamentos, por absoluta falta de utilidade e/ou interesse recursal. Fl. 5557DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 2 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO INDIRETO. PLANO EDUCACIONAL REEMBOLSO ESCOLAR E PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. HIPÓTESE DE ISENÇÃO CONFIGURADA. OBSERVÂNCIA. REQUISITOS LEGAIS. De conformidade com o artigo 28, § 9º, alíneas “p” e “t”, da Lei nº 8.212/91, os valores concedidos aos funcionários e diretores da empresa a título de Plano Educacional, in casu, denominado “Reembolso Escolar”, e Previdência Complementar Privada, conquanto que extensivo a totalidade dos empregados e diretores, estão fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado. Recurso Especial da Contribuinte Conhecido em Parte e Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso do contribuinte e na parte conhecida, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator) e Maria Helena Cotta Cardozo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Fl. 5558DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 35434.000858/200571 Acórdão n.º 920202.192 CSRFT2 Fl. 4.465 3 (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – RedatorDesignado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 5559DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 4 Relatório GENERAL MOTORS DO BRASIL LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 35.753.1736, referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, correspondentes a parte dos segurados, da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas a Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, em relação ao período de 01/1995 a 05/2004, conforme Relatório Fiscal, às fls. 1.465/1.517, concernentes aos seguintes levantamentos: A) PREVIDÊNCIA PRIVADA — Foram apurados fatos geradores verificados na conta 503008 e conta S503000006, em razão de a empresa descumprir o preceito da legislação previdenciária que determina que o valor da previdência complementar não integra o salário de contribuição desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. Constatouse que o acesso dos empregados ao sistema de previdência só se dava a partir dos 60 dias de efetivo serviço prestados, razão porque foram apuradas contribuições sobre este fato gerador. PP1 — PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA — PERÍODO 03/1998 A 12/1998; PP2 — PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA — PERÍODO 01/1999 A 05/2004; B) PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS — PR1 — PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS — FILIAL 0089 — PERÍODO 01/1997, constatouse a exclusão dos empregados dos níveis de supervisão, gerência e diretoria, bem como observouse que não foram estabelecidas regras clara e objetivas, inclusive quanto aos mecanismos de aferição; PR2 — PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS — FILIAL 0096 — PERÍODO 07/2001 A 01/2002 — empresa efetuou pagamento sem o correspondente acordo ou convenção coletiva; PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS LEVANTAMENTOS P31 A 37 — A empresa apresentou declaração de que as filais estavam abrangidas por acordo coletivo de outra base territorial, sem contudo provar o alegado, razão porque a fiscalização considerou a inexistência de acordo ou convenção. Foram também apuradas contribuições para as filiais e períodos em que os acordos e convenções coletivas não descreviam claramente as metas, ou mesmo nos casos em que o beneficio não era extensivo a todos os empregados. P31 — PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS — FILIAIS 0010, 011, 013, 025, 030, 057, 058, 078, 081 (SEM NEGOCIAÇÃO COLETIVA) — PERÍODO 08/1995 A 05/1997; P32 — PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS — FILIAIS 0041 e 0066 (SEM NEGOCIAÇÃO COLETIVA) — PERÍODO 08/1995 A 05/1997; Fl. 5560DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 35434.000858/200571 Acórdão n.º 920202.192 CSRFT2 Fl. 4.466 5 P33 — PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS — FILIAIS 0031 (SEM NEGOCIAÇÃO COLETIVA) — PERÍODO 08/1995 A 05/1997; P34 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS FILIAIS 0010, 011, 013, 025, 030, 057, 058, 078, 081, 092, 093, 094 (SEM NEGOCIAÇÃO COLETIVA) PERÍODO 08/1997 A 07/1998; P35 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS FILIAIS 0021, 0031, 0041, 0066 (SEM NEGOCIAÇÃO COLETIVA) PERÍODO 08/1997 A 07/1998; P36 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS FILIAIS 0010, 011, 013, 025, 030, 057, 058, 078, 081, 092, 093, 094 (SEM NEGOCIAÇÃO COLETIVA) PERÍODO 01/1999 A 01/2004; P37 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS FILIAIS 0021, 0031, 0041, 0066 (SEM NEGOCIAÇÃO COLETIVA) PERÍODO 01/1999 A 01/2004; PR4 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ANO DE 1999 FILIAIS 0001, 002, 008, 0036, 048, 049, 052, 069 PERÍODO 12/1999; PR5 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ANO DE 2003 FILIAIS 0001, 002, 008, 0036, 048, 049, 052, 069 E 075 PERÍODO 01/2004; P61 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS SEM ADITAMENTO – FILIAIS 0008 PERÍODO 08/1995 A 05/1997; P62 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS SEM ADITAMENTO – FILIAIS 0052 PERÍODO 08/1995 A 05/1997; P63 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS SEM ADITAMENTO – FILIAIS 0089 PERÍODO 08/1995 A 05/1997; P64 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS SEM ADITAMENTO – FILIAIS 0008 E 0052 PERÍODO 08/1997 A 07/1998; P65 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS SEM ADITAMENTO – FILIAIS 0089 PERÍODO 08/1997 A 07/1998; P66 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS SEM ADITAMENTO – FILIAIS 0008 E 0052 A 0097 PERÍODO 01/1999 A 01/2004; P67 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS SEM ADITAMENTO – FILIAIS 0089 PERÍODO 01/1999 A 01/2004; P68 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS SEM ADITAMENTO – FILIAIS 0096 PERÍODO 01/1999 A 01/2004; P71 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ADITAMENTO SEM METAS FILIAIS 0001 PERÍODO 08/1995 A 05/1997; P72 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ADITAMENTO SEM METAS FILIAIS 0002, 0006, 0048, 0049 E 0069 PERÍODO 08/1995 A 05/1997; Fl. 5561DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 6 P73 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ADITAMENTO SEM METAS FILIAIS 0036 PERÍODO 08/1995 A 05/1997; P74 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ADITAMENTO SEM METAS FILIAIS 0001, 002, 006, 0048, 049, 069 PERÍODO 08/1997 A 07/1998; P75 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ADITAMENTO SEM METAS FILIAIS 0001, 002, 006, 0048, 049, 069, 075 PERÍODO 01/1999 A 01/2001; C) REEMBOLSO ESCOLAR a empresa reembolsa 50% das despesas escolares (matrícula e mensalidade) dos empregados, conforme programa de Plano de Reembolso Escolar), ressarcindo formação de ensino médio, profissionalizantes e Universitário, pósgraduação e cursos regulares de idiomas. São elegíveis para ter acesso ao plano os empregados com mais de 60 dias de empresa, sendo que os contratados por prazo determinado, estagiários e aprendizes que forem posteriormente efetivados não precisaram cumprir o período de carência. RE1 REEMBOLSO ESCOLAR FILIAIS 0001, 00, 006, 008, 021, 031, 036, 041, 048, 049, 052, 066, 069, 075, 097 PERÍODO 10/2001 A 05/2004; RE2 REEMBOLSO ESCOLAR FILIAIS 0010, 013, 025, 030, 081, 092, 094 PERÍODO 10/2001 A 05/2004; RE3 REEMBOLSO ESCOLAR FILIAIS 0089 PERÍODO 10/2001 A 05/2004; RE4 REEMBOLSO ESCOLAR FILIAIS 0096 PERÍODO 10/2001 A 05/2004; D) ABONO APOSENTADORIA empresa efetua pagamentos os quais estão previstos em acordos e convenções coletivas de trabalho de São Caetano do Sul e Contrato Coletivo de São José dos Campos, contudo não existe qualquer previsão de exclusão de tais valores da base de cálculo de contribuições previdenciárias; AA1 ABONO APOSENTADORIA FILIAIS 0001, 0008 – PERÍODO 01/1995 A 06/1997; AA2 ABONO APOSENTADORIA FILIAIS 0006, 021, 041, 048, 049, 052, 066, 069 PERÍODO 01/1995 A 06/1997; AA3 ABONO APOSENTADORIA FILIAIS 0013, 0025, 0030, 0081 PERÍODO 01/1995 A 06/1997; AA4 ABONO APOSENTADORIA FILIAIS 0031 PERÍODO 01/1995 A 06/1997; AA5 ABONO APOSENTADORIA FILIAIS 0036 PERÍODO 01/1995 A 06/1997; AA6 ABONO APOSENTADORIA FILIAIS 0001, 002, 006, 008, 021, 031, 036, 048, 049, 052, 066, 069 PERÍODO 07/1997 A 12/1998; AA7 ABONO APOSENTADORIA FILIAIS 0010, 011, 013, 025, 030, 081, 092, 094 PERÍODO 07/1997 A 12/1998; Fl. 5562DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 35434.000858/200571 Acórdão n.º 920202.192 CSRFT2 Fl. 4.467 7 AA8 ABONO APOSENTADORIA FILIAIS 0001, 002, 006, 008, 021, 031, 036, 041, 048, 049, 052, 066, 069, 097 PERÍODO 01/1999 A 05/2004; AA9 ABONO APOSENTADORIA FILIAIS 0010, 013, 025, 030, 081 PERÍODO 01/1999 A 05/2004; AIO ABONO APOSENTADORIA FILIAIS 0089 PERÍODO 01/1999 A 05/2004; E) DESPESAS DE EXEMPREGADOS referese a diversas contas contabilizadas e pagas a titulo de rescisões de contrato de aluguel, manutenção em residências, contas de água, luz, IPTU. EX1 DESPESAS DE EXFUNCIONÁRIOS FILIAIS 0041, 0049, 0069 PERÍODO 01/1995 A 06/1997; EX2 DESPESAS DE EXFUNCIONÁRIOS FILIAIS 0049 – PERÍODO 07/1997 A 12/1998; EX3 DESPESAS DE EXFUNCIONÁRIOS FILIAIS 0002, 013, 041, 048, 049, 066, 069 E 075 PERÍODO 01/1999 A 05/2004; EX4 DESPESAS DE EXSÓCIOS PERÍODO 07/1996; EX5 DESPESAS DE EXSÓCIOS PERÍODO 07/2000 A 08/2000; F) DIFERENÇAS DE ALÍQUOTAS SAT a empresa realizou dentro de um mesmo estabelecimento enquadramentos diversos, desrespeitando os preceitos legais que determinam que o enquadramento seja realizado pela atividade preponderante. DF1 DIFERENÇAS DE ALÍQUOTAS SAT PERÍODO 07/1997 A 12/1998; DF2 DIFERENÇAS DE ALÍQUOTAS SAT PERÍODO 01/1999 A 05/2004; DF3 DIFERENÇAS DE ALÍQUOTAS SAT DIRETORES – PERÍODO 07/1997 A 13/1998; DF4 DIFERENÇAS DE ALÍQUOTAS SAT DIRETORES – PERÍODO 01/1999 A 05/2004 Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Segundo Conselho de Contribuintes contra decisão da SRP em São Bernardo do Campo/SP, DN nº 21 434/0082/2006, às fls. 4.352/4.384, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a egrégia 6ª Câmara, em 05/09/2008, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e, por maioria de votos, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 20601.322, com sua ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/05/2004 Fl. 5563DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 8 CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO, RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. MPF ENGLOBA TODOS OS ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PARCELA PAGA EM DESACORDO COM A LEI ESPECÍFICA. NATUREZA REMUNERATORIA. O GERENTE DELEGADO É SEGURADO EMPREGADO CONFORME DISPOSIÇÃO NO PARECER CJ/MPAS N° 2.484/2001. A empresa é responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados que lhe prestaram serviços. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF autoriza a fiscalização de todos os estabelecimentos da empresa. A parcela intitulada "participação nos resultados" quando paga em desacordo com a lei especifica possui natureza remuneratória. Nas sociedades limitadas, até o advento do Código Civil de 2003, não havia previsão legal para a figura do diretor não empregado. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO CTN. I Segundo a súmula n° 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional. II Em se tratando de tributo sujeito à homologação, contase o prazo para constituir o crédito tributário da ocorrência do fato gerador. III Tratandose de tributação de salário indireto, não se pode negar a ocorrência da antecipação de pagamento por parte do contribuinte, tratandose o lançamento de majoração da base a ser tributada. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 4.525/4.529, com arrimo no artigo 7º, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado a legislação que contempla a matéria, mais precisamente os artigos 150, § 4°, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à contrariedade à lei arguida. Fl. 5564DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 35434.000858/200571 Acórdão n.º 920202.192 CSRFT2 Fl. 4.468 9 Sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, corroborada pelo entendimento adotado no Superior Tribunal de Justiça, estabelece que a aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4º, do CTN, pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente. Contrapõese ao Acórdão recorrido, por entender que o artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, estaria dispondo sobre prazo para o ato de “homologação” de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento. Assevera que inexistindo recolhimento, ou seja, antecipação de pagamento não há o que se homologar, não estando o lançamento de ofício previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, mas, sim, no artigo 173, inciso I, daquele Diploma legal, conforme doutrina transcrita na peça recursal. Em defesa de sua pretensão, infere que adotandose o artigo 173, inciso I, do CTN, o prazo decadencial começaria a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. In casu, para as competências de dezembro de 1999 a junho de 2000 não houve antecipação de pagamento por parte da contribuinte, impondo seja adotado o dispositivo legal retro, mantendo a exigência fiscal em relação àquele período. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do Procurador, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido, em tese, contrariou a legislação tributária, conforme Despacho nº 2400182/2009, às fls. 4.530/4.531. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Procuradoria, a contribuinte ofereceu suas contrarrazões, às fls. 4.549/4.554, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, relativamente ao prazo decadencial, em defesa de sua manutenção. Igualmente, o contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls. 4.885/4.897, com arrimo nos artigos 9º, inciso II, 64, inciso II, 67 e 68, do RICARF, contra parte do Acórdão ora guerreado, mais precisamente em relação à incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título PLR, Previdência Complementar e Reembolso Escolar, reiterando as razões de fato e de direito esposadas em seu recurso voluntário, adotando como paradigmas os Acórdãos nºs 20501.473, 20501.178, 20501.374, de maneira a comprovar as divergências pretendidas. A fazer prevalecer seu entendimento, em síntese, sustenta que a autoridade lançadora achou por bem determinar a incidência das contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas aos segurados empregados a título de Previdência Complementar, Participação nos Lucros e Resultados e Reembolso Escolar, sob o único fundamento de não serem extensivos à totalidade de seus funcionários, o que não representa a realidade dos fatos, uma vez que a simples condição de labor mínimo, de 60 (sessenta) dias, do empregado na empresa não representa contrariedade à lei. Quanto aos valores pagos a título de Previdência Complementar, aduz que o decisório atacado diverge do decisum ora adotado como paradigma, eis que admite como não extensividade do benefício a todos funcionários a simples restrição de 60 (sessenta) dias, ao Fl. 5565DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 10 revés do decidido no Acórdão confrontado, o qual afastou a incidência das contribuições previdenciárias em caso com os mesmos fatos. No que tange à PLR, após breve histórico da evolução legal de aludida verba, defende que a legislação de regência, mais precisamente a Lei n° 10.101/2000, não oferece guarida ao entendimento constante do decisum recorrido, tendo em vista que não contempla a necessidade da extensividade a todos os segurados empregados para fazer jus ao benefício legal em comento, na forma que restou assentado no Acórdão paradigma. Relativamente aos valores concedidos a título de Reembolso Escolar, igualmente, infere que a restrição temporal mínima estabelecida para empresa para concessão de tal benefício não desconfigura a natureza indenizatória da verba em comento, impondo seja afastada a tributação imposta pela autoridade fiscal. Opõese ao entendimento levado a efeito no Acórdão recorrido, argumentando que uma vez superada a “carência” de sessenta dias, todos os funcionários teriam direito à previdência complementar. Levado, o Recurso Especial de Divergência da contribuinte, à análise da observância dos pressupostos de admissibilidade, o nobre Presidente da 4ª Câmara da 2a SJ do CARF, vislumbrou as divergências arguidas, dando seguimento ao recurso da notificada, nos termos do Despacho nº 2400328/2010, às fls. 4.947/4.949, razão pela qual a Fazenda Nacional fora intimada para apresentar suas contrarrazões, assim o tendo feito, às fls. 4.452/4.462, requerendo o improvimento do recurso da empresa, com a consequente manutenção do Acórdão atacado. É o relatório. Fl. 5566DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 35434.000858/200571 Acórdão n.º 920202.192 CSRFT2 Fl. 4.469 11 Voto Vencido Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a contrariedade à lei suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, tratase de notificação fiscal exigindo contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações (salário indireto) pagas aos segurados empregados, assim consideradas as verbas concedidas em desconformidade com a legislação de regência. Objetivando melhor análise da demanda, com mais especificidade, extraise do Relatório Fiscal, às fls. 1.465/1.517, que o presente lançamento contempla, sinteticamente, os seguintes levantamentos: 1) Previdência Complementar Privada; 2) Participação nos Lucros e Resultados; 3) Reembolso Escolar; 4) Abono Aposentadoria; 5) Despesas ExFuncionários; 6) GILRAT; Por sua vez, ao analisar o caso, a Câmara recorrida achou por bem rechaçar parcialmente a pretensão fiscal, aplicando o prazo decadencial insculpido no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, por entender em sua maioria ter havido antecipação de pagamento, restando decaída parte do crédito tributário, nos termos da parte dispositiva do Acórdão recorrido, in verbis: “ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) Por unanimidade de votos acolheuse a preliminar de decadência, para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre os fatos geradores ocorridos até a competência 11/1999; II) Por maioria de votos declarouse a decadência das contribuições incidentes sobre os fatos geradores ocorridos até a competência 06/2000. Vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), Bemadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por reconhecer a decadência somente até 11/99; e III) Por unanimidade de votos, no mérito, negouse provimento Fl. 5567DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 12 ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à decadência, o(a) Conselheiro(a) Rogério de Lellis Pinto.” Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a legislação de regência, notadamente os artigos 150, § 4°, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional e, bem assim a jurisprudência deste Colegiado e do Superior Tribunal de Justiça a propósito da matéria, a qual exige a existência de recolhimentos, ou seja, a antecipação de pagamento para que se aplique o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo sejam levados a efeito os ditames do artigo 173, inciso I, uma vez que inexistindo autolançamento do contribuinte, com antecipação de pagamento, não há o que se homologar. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] Fl. 5568DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 35434.000858/200571 Acórdão n.º 920202.192 CSRFT2 Fl. 4.470 13 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do Fl. 5569DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 14 tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, Fl. 5570DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 35434.000858/200571 Acórdão n.º 920202.192 CSRFT2 Fl. 4.471 15 escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo a tese que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco Fl. 5571DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 16 regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nas contribuições previdenciárias, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, por tratase de salário indireto, portanto, diferenças de contribuições, eis que a contribuinte promoveu o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para a aplicação do instituto, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar. Fl. 5572DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 35434.000858/200571 Acórdão n.º 920202.192 CSRFT2 Fl. 4.472 17 Assim, é de se manter a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, na forma do artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 12/07/2005, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da notificação, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 01/1995 a 06/2000, os quais se encontram fora do prazo decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. Em face dos argumentos encimados, não se cogitando na ausência de pagamento suscitada pela Procuradoria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, mantendo incólume o Acórdão recorrido, pelos seus próprios fundamentos. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE 1) DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS E NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO – AUSÊNCIA DIVERGÊNCIA Com a devida vênia ao ilustre Presidente da 4a Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, ouso divergir em parte do despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da contribuinte, relativamente ao levantamento PLR, por não vislumbrar na hipótese vertente requisito regimental amparando a pretensão da recorrente, não merecendo ser conhecida sua peça recursal, como passaremos a demonstrar. Destarte, as contribuições previdenciárias incidentes sobre os pagamentos realizados a título de PLR, ora lançadas, se encontram inseridas e fundamentadas nos seguintes levantamentos: 1) PR1 – Exclusão dos empregados dos níveis de supervisão, gerência e diretoria (não extensivo à totalidade dos funcionários) e ausência de regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, ou seja, não estabelece metas a serem atingidas pelos empregados; 2) PR2 – Ausência de instrumento decorrente de negociação entre a empresa e seus empregados; 3) P31 a P37 – Ausência de instrumento de negociação coletiva para pagamento de PLR, para as unidades que se localizam em outros municípios e que acompanham o Acordo de São Caetano do Sul; 4) PR4 – A contribuinte, posteriormente ao Acordo inicialmente firmado, estabeleceu que, por decisão da empresa, seria acrescido um valor fixo de R$ 500,00 (quinhentos reais) ao valor pago aos empregados a título de participação nos resultados, evidenciando tratarse de liberalidade da empresa, e, portanto, totalmente desvinculado do acordo préestabelecido por ser pago independente do atingimento de quaisquer metas; 5) PR5 – Da apuração apresentada, observamos que o índice de Qualidade GDSe alcançado foi 245, acima do limite máximo. Dessa forma, os empregados não teriam direito a essa parcela da participação, no entanto a empresa efetuou o pagamento de 80% do Fl. 5573DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 18 valor por liberalidade, motivo pelo qual esta fiscalização considerou os pagamentos integrantes da remuneração dos empregados; 6) P61 a P68 – 2.6.1 A empresa firmou Acordos Coletivos para participação nos resultados da empresa excluindo os empregados em nível de supervisão, e ou acima. Para o período de 1995 a 2000, ficou acordado com o sindicato da categoria a possibilidade de dar tratamento diferenciado aos mesmos. Para o período de 2001 a 2003, no entanto, facultado a empresa incluir os mesmos nos referidos acordos. 2.6.2 A inclusão dos referidos empregados foi apresentada através de aditamentos aos acordos firmados, porém somente com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico e Eletrônico, Siderúrgicas, Veículos e de Autopeças de SÃO CAETANO DO SUL, conforme cópia do aditamento — Anexo 16C , não apresentando para as demais unidades. [...] 2.6.5 Em razão da não apresentação de aditamentos aos acordos coletivos que incluíssem a participação dos empregados ocupantes dos cargos de supervisão, gerência e direção, tal como ocorreu para as unidades abrangidas pelo acordo coletivo de São Caetano do Sul, configurouse a ausência de instrumento de negociação coletiva para os pagamentos a título de participação nos resultados das demais unidades e, assim sendo, esta fiscalização considerou os pagamentos em desacordo com a legislação, e, portanto, os valores foram considerados integrantes da remuneração dos empregados dessas unidades para fins de base para o cálculo das contribuições sociais a cargo da empresa, em obediência à legislação previdenciária apontada no item 2.8; 7) P71 a P75 A empresa firma Acordos para participação nos resultados da empresa excluindo os empregados ocupantes dos cargos de supervisão, gerência e direção. [...]. 2.7.2 Da análise dos referidos instrumentos de negociação coletiva, observamos que ficou acordado com o sindicato da categoria a possibilidade de a empresa dar tratamento diferenciado aos empregados excluídos. 2.7.3 Ao dar o tratamento diferenciado aos referidos empregados, a empresa não observou o previsto na legislação vigente, deixando de estabelecer regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, limitandose, simplesmente, a integrálos ao acordo geral, e ainda, em razão dos resultados já conseguidos, deixando claro que os mesmos não possuíam metas a serem atingidas. 2.7.4 A legislação pertinente à participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa determina, no que diz respeito aos instrumentos de negociação e às metas, o seguinte: [...]; Em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma do Acórdão recorrido, o qual manteve, no mérito, a exigência fiscal em sua plenitude, sustentando que a legislação de regência, mais precisamente a Lei n° 10.101/2000, não oferece guarida ao entendimento constante do decisum guerreado, tendo em vista não contemplar a necessidade da extensividade a todos os segurados empregados para fazer jus ao benefício legal em comento, na forma que restou assentado no Acórdão n° 20501.178, adotado como paradigma. Com a finalidade de melhor delimitar a matéria, mister ressaltar os levantamentos da PLR que fizeram referência à não extensividade à totalidade dos funcionários Fl. 5574DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 35434.000858/200571 Acórdão n.º 920202.192 CSRFT2 Fl. 4.473 19 da empresa, os quais serão objeto de análise nesta oportunidade, o que impõe reconhecer que a decisão levada a efeito para os demais levantamentos transitou em julgado, não sendo objeto de contestação. Neste sentido, extraise da lista acima elencada, que somente os levantamentos PR1; P61a P68 e P71 a P75, fazem constar o fato de a participação não ter sido extensiva à totalidade dos empregados. Melhor elucidando, registram em todos aqueles levantamentos que os empregados ocupantes de cargos de supervisão, gerência e direção foram excluídos da participação da verba em questão. Entrementes, não fora este fato isolado que ensejou a tributação dos valores pagos a título de PLR. Ao contrário, inobstante inscrever que os ocupantes de cargos de supervisão, gerência e direção foram excluídos de tais benefícios, a autoridade lançadora, ao constituir o crédito previdenciário, assim o fez, em suma, pelas razões a seguir esposadas: 1) PR1 – Exclusão dos empregados dos níveis de supervisão, gerência e diretoria (não extensivo à totalidade dos funcionários) e ausência de regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e regras adjetivas; 2) P61 a P68 – Em razão da não apresentação de aditamentos aos acordos coletivos que incluíssem a participação dos empregados ocupantes dos cargos de supervisão, gerência e direção, tal como ocorreu para as unidades abrangidas pelo acordo coletivo de São Caetano do Sul, configurouse a ausência de instrumento de negociação coletiva para os pagamentos a título de participação nos resultados das demais unidades; 3) P71 a 75 – A empresa firma Acordos para participação nos resultados da empresa excluindo os empregados ocupantes dos cargos de supervisão, gerência e direção. [...]. Da análise dos referidos instrumentos de negociação coletiva, observamos que ficou acordado com o sindicato da categoria a possibilidade de a empresa dar tratamento diferenciado aos empregados excluídos. Ao dar o tratamento diferenciado aos referidos empregados, a empresa não observou o previsto na legislação vigente, deixando de estabelecer regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, limitandose, simplesmente, a integrálos ao acordo geral, e ainda, em razão dos resultados já conseguidos, deixando claro que os mesmos não possuíam metas a serem atingidas. Observase que a fiscalização não adotou como fundamento à sua empreitada o fato de alguns segurados empregados não terem sido contemplados por referido benefício inicialmente. Em outras palavras, a não extensividade à totalidade dos funcionários não fora em momento algum a razão precípua da constituição do crédito previdenciário consignado nestes levantamentos. No levantamento PR1, além desse motivo, ensejou a caracterização do salário indireto a ausência de regras claras e objetivas. Quanto aos levantamentos P61 a P68, o que deu margem à tributação foi a ausência de instrumento de negociação coletiva para os pagamentos a título de participação. Fl. 5575DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 20 Relativamente aos levantamentos P71 a P75, ao excluir os empregados ocupantes dos cargos de supervisão, gerência e direção dos Acordos, concedendo tratamento diferenciado àqueles funcionários, a empresa deixou de prescrever regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação, etc. Por sua vez, o Acórdão n° 20501.178, utilizado pela contribuinte para efeito de comprovação da divergência arguida, trata exclusivamente da necessidade da extensão da PLR à todos os segurados empregados da empresa, consoante se extrai do excerto do voto transcrito na peça recursal, como segue: "Confrontando os motivos elencados pela fiscalização que foram determinantes para a conclusão de que os pagamentos a titulo de PLR são fatos geradores de contribuições previdenciárias, verificamos, facilmente, que o pagamento a todos os segurados empregados das empresas não é condição imposta pela legislação para a não incidência. Assim, como o recebimento por todos os segurados das empresas não é condição expressa na legislação para não incidência de contribuição previdenciária, não há razão, por esse motivo, para que esses pagamentos integrem o SaláriodeContribuição (SC)." Partindo dessas premissas, restando demonstrado que a exigência fiscal consubstanciada nos levantamentos PR1, P61 a P68 e P71 a P75, corroborada pelo Acórdão recorrido, não encontra sustentáculo exclusivamente no fato da não extensividade a todos segurados empregados da empresa, mas, sim, e substancialmente, em outros fundamentos, acima relatados, não se pode cogitar na divergência arguida pela contribuinte, tendo em vista adotar para tanto decisum que, precipuamente/essencialmente, rechaçou a pretensão fiscal por sustentar ser desnecessária a extensão à totalidade dos funcionários. Desta forma, a recorrente não poderia valerse unicamente da extensividade de aludida verba para pretender o conhecimento do recurso por esta Câmara Superior, sobretudo quando a solução jurídica dada ao caso no segundo grau, em relação à PLR, a partir da constatação fiscal, não dependeu daquela discussão. Neste aspecto, ademais, ainda que hipoteticamente caracterizada a divergência jurisprudencial acerca da discussão sobre a necessidade de extensão da PLR à totalidade dos segurados empregados, esta não tem o condão de ensejar o conhecimento do Recurso Especial da Fazenda, eis que, mesmo neste caso, não haveria o necessário interesse recursal, sob o prisma da necessidade/utilidade do recurso. De fato, a utilidade referese à possibilidade de o recurso melhorar a situação jurídica da recorrente. Ora, tratandose de um dos pressupostos do lançamento, a solução jurídica assomada no Acórdão dele não decorreu unicamente, de sorte que, ainda que julgado o mérito do recurso em benefício da contribuinte, a decisão combatida subsistiria por seus próprios e efetivos fundamentos. O Recurso, portanto, não se apresenta útil. Na esteira desse entendimento, vislumbrase que o interesse recursal não se encontra presente mesmo que se considere a questão da extensão de tal benefício como fundamento integrante do Acórdão recorrido, como componente da sua ratio decidendi, porquanto, ainda assim, faltaria o requisito da necessidade/utilidade do recurso. Isto porque, o lançamento, mantido pelo Acórdão recorrido, repousa em mais de um fundamento, que não apenas o concernente à extensividade da PLR à totalidade dos funcionários da empresa, como acima demonstrado. Deste modo, ainda que acolhida a tese da Fl. 5576DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 35434.000858/200571 Acórdão n.º 920202.192 CSRFT2 Fl. 4.474 21 recorrente, e dirimida a eventual divergência em seu favor, o decisum guerreado permaneceria respaldado nos demais fundamentos, já mencionados. Dessa forma, no que pertine à Participação nos Lucros e Resultados, não se vislumbra a divergência pretendida, na forma que exige o Regimento Interno do CARF, uma vez que os Acórdãos confrontados tratam de fatos diversos para alcançarem suas conclusões, razão pela qual não se pode conhecer da peça recursal. 2) DA PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA E DO REEMBOLSO ESCOLAR – NÃO EXTENSIVIDADE À TOTALIDADE DOS FUNCIONÁRIOS Relativamente aos pagamentos realizados aos segurados empregados a título de Previdência Complementar Privada e Reembolso Escolar, o fiscal autuante os caracterizou como salário de contribuição em face da inobservância à legislação de regência, notadamente em razão de não terem sido extensivos à totalidade dos funcionários da contribuinte, entendimento compartilhado pelo Acórdão recorrido, que manteve a exigência fiscal. Por seu turno, insurgese a contribuinte contra o decisum guerreado, aduzindo para tanto que a restrição temporal mínima (60 – sessenta dias) estabelecida para empresa para concessão de tais benefícios não desconfigura a natureza indenizatória das verbas, na forma decidida pelos decisórios paradigmas, impondo seja afastada a tributação imposta pela autoridade fiscal. A fazer prevalecer seu entendimento, assevera que a concessão de Previdência Complementar Privada e do Reembolso Escolar se encontra disponível a todos empregados da contribuinte, os quais poderão solicitálos a qualquer tempo, ao contrário do alegado pelo fiscal autuante. Infere que a simples condição de labor mínimo do funcionário na empresa não representa contrariedade à lei. Antes mesmo de se adentrar as questões de mérito propriamente ditas, em relação ao caso concreto, mister se faz trazer à baila a legislação de regência que contempla as verbas sub examine, bem como algumas considerações a propósito da matéria, senão vejamos: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] Fl. 5577DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 22 p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9° e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97); [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do artigo 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo.” Consoante se infere do dispositivo legal encimado, para que os valores pagos a título de Previdência Complementar Privada e Plano Educacional (Reembolso Escolar) não sejam incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciárias, deverão preencher alguns requisitos, quais sejam: A) Previdência Complementar: 3) Extensivo a todos os funcionários. B) Plano Educacional: 1) Vinculação à atividade da empresa; 2) Não substitua parcela salarial; e 3) Extensivo a todos os funcionários. Por sua vez, impende salientar que a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais para concessão de tal verba, sem a incidência de contribuições previdenciárias, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de afronta ao Princípio da Legalidade. Destarte, tratandose de hipótese de isenção e/ou não incidência, os artigos 111, inciso II e 176, do CTN, traduzem muito bem os limites que a legislação tributária impõe quando da subsunção da norma ao caso concreto, in verbis: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias” Fl. 5578DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 35434.000858/200571 Acórdão n.º 920202.192 CSRFT2 Fl. 4.475 23 Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Extraise das normas legais supracitadas que qualquer espécie de isenção e/ou hipótese de não incidência que o Poder Público pretenda conceder deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal, não podendo o contribuinte, o fisco ou o julgador impor ou afastar condições/requisitos que não decorrem da lei seca. Na hipótese dos autos, a ilustre autoridade lançadora achou por bem descaracterizar os pagamentos efetuados pela contribuinte aos funcionários a título de Previdência Complementar e Reembolso Escolar tendo em vista não serem extensivo à totalidade dos empregados, de conformidade com o Relatório Fiscal. Diante de tais considerações, em que pese o esforço da contribuinte, no mérito, seu insurgimento não tem o condão de macular o lançamento sob análise, impondo seja mantida a exigência fiscal em sua integralidade. Isto porque, ao contrário do que ocorre com outras verbas, o legislador, ao estabelecer a hipótese de não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores concedidos a título de Plano Educacional e Previdência Complementar, além de outros requisitos, exigiu EXPRESSAMENTE à extensão à totalidade dos empregados da empresa. Com efeito, ao admitir a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas retro, pagas aos segurados empregados em total afronta aos dispositivos legais que regulam a matéria, teríamos que interpretar o artigo 28, § 9º, e seus incisos, da Lei nº 8.212/91, de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação tributária, como acima demonstrado. Afora as demais discussões a respeito da matéria, o certo é que nos termos do artigo 28, § 9º, da Lei n° 8.212/91, não integram o salário de contribuição às importâncias recebidas pelo empregado ali elencadas, sendo defeso a interpretação de referida previsão legal extensivamente, de forma a incluir outras verbas ou afastar requisitos, senão aquela (s) constante (s) da norma disciplinadora do “benefício” em comento, a pretexto de meras ilações desprovidas de qualquer amparo legal ou fático, sobretudo quando os pagamentos foram efetuados aos funcionários da empresa sem observância às normas legais. No presente caso, repitase, observase que não foram observadas as exigências da extensão de referido benefício a todos os empregados. Aliás, a própria recorrente confirma esse fato, procurando justificálo de inúmeras maneiras, o que não é capaz de rechaçar a tributação sobre essas importâncias, uma vez que a legislação pertinente contempla os pressupostos esteios da pretensão fiscal. Destarte, inobstante o argumento da contribuinte, de que aludidas verbas eram extensivas a todos os funcionários efetivos da empresa, após completarem período de experiência de 60 (sessenta) dias, sensibilizar este Relator, não vislumbramos ainda amparo legal para acolher o pleito da contribuinte. Melhor elucidando, mesmo que se reconheça certa plausibilidade na concessão de referidas verbas somente aos funcionários e/ou diretores, após a sua “efetivação” Fl. 5579DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 24 por decurso de certo limite temporal, objetivando minimizar perdas em razão de benefícios a trabalhadores que não venham a ser incluídos no quadro de empregados efetivos da empresa, não conseguimos afastar os pressupostos legais que regulam o tema, os quais não trazem essa distinção, sobretudo em face da necessidade de interpretação literal da legislação de regência. Mais a mais, como a Relatora subscritora do voto condutor do Acórdão recorrido dissertou com muita propriedade, a contratação em caráter de experiência não afasta os direitos trabalhistas dos empregados, desde o primeiro dia de serviço, o que reforça a tese da ausência de distinção entre os funcionários “efetivos” e os que se encontram sob contrato de experiência, senão vejamos: “[...] O contrato de experiência respaldado no art. 445, §2° da CLT, nada mais é do que uma possibilidade de o empregador "testar" o empregado antes que o mesmo tornese empregado por prazo indeterminado. OU seja, desde o primeiro dia em que está trabalhando na condição de empregado contratado por experiência o empregado faz jus a TODOS os direitos trabalhistas, por exemplo: Férias, 13° salário, FGTS etc.. Os únicos direitos que acabam sendo inviabilizados são o aviso prévio e a indenização de 40% do FGTS, mas, não por se tratar de contratação por experiência, mas porque não encontramse presentes os requisitos da dispensa imotivada. Portanto, qualquer empregado desde o 1° dia, é considerado empregado e como tal faz jus a direitos trabalhistas. A exclusão dos empregados até 60 dias de vinculo, restringe o acesso à previdência complementar e portanto, descumprido o preceito legal que afastaria a natureza salarial. [...]” E, se no âmbito trabalhista (direito privado) não existe distinção de direitos dos empregados em experiência daqueles “efetivos”, não pode a legislação previdenciária adentrar a tais conceitos do direito privado de maneira a estabelecer aludida distinção para efeito de concessão de benefícios aos empregados, limitandoos aos “efetivos”, em total afronta aos dispositivos legais que contemplam a matéria, seja trabalhista ou previdenciária. Extraise daí que a disposição contida no artigo 28, § 9°, alíneas “p” e “t”, da Lei n° 8.212/91, ao exigir a extensividade das verbas em comento a todos funcionários da empresa, representa à observância aos preceitos do direito trabalhista, o qual não traz distinção entre os segurados empregados em regime de experiência ou já contratados definitivamente, conferindo direitos iguais e, por conseguinte, benefícios idênticos àqueles, independentemente do lapso temporal da contratação. Assim, não tendo a contribuinte concedido a totalidade de seus segurados empregados o Auxílio Educacional (Reembolso Escolar) e a Previdência Complementar, torna se defeso se cogitar em não incidência de contribuições previdenciárias sobre referidas verbas, por se caracterizarem como salário de contribuição, devendo ser mantida notificação. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo à extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Fl. 5580DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 35434.000858/200571 Acórdão n.º 920202.192 CSRFT2 Fl. 4.476 25 Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela então 6ª Câmara do 2o Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER EM PARTE DO RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE, somente em relação aos valores pagos a título de Previdência Complementar Privada e Reembolso Escolar e, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 5581DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 26 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Designado Com todo respeito ao excelso Conselheiro Relator, divirjo de suas conclusões quanto à integração ao Salário de Contribuição dos valores referentes à Previdência Privada e ao Reembolso Escolar. Analisaremos cada um para melhor decidirmos a questão. Quanto à Previdência Complementar, o Fisco, segundo seu Relatório Fiscal (RF), lançou os valores com base em determinação constante do Regulamento Complementar para o Plano de Aposentadoria, Capitulo A.3 — DOS PARTICIPANTES, em que são participantes todos os empregados das patrocinadoras ou da sociedade, com mais de 60 (sessenta) dias de vínculo empregatício. Para o Fisco, em síntese, essa determinação fere o que dispõe a legislação para a concessão as isenção sobre esses valores. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; Como destacado na legislação, o plano de previdência complementar necessita estar disponível à totalidade dos segurados empregados. Fl. 5582DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 35434.000858/200571 Acórdão n.º 920202.192 CSRFT2 Fl. 4.477 27 Em nosso entender, a exigência de que o segurado empregado possua mais de 60 dias de vínculo com a recorrente não caracteriza a indisponibilidade do benefício a totalidade dos segurados. Quanto às normas que concedem isenção, devemos relembrar decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO. MOLÉSTIA GRAVE. CARDIOPATIA. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 111, INCISO II, DO CTN. LEI N. 4.506/64 (ART. 17, INCISO III). DECRETO N. 85.450/80. PRECEDENTES. 1. O art. 111 do CTN, que prescreve a interpretação literal da norma, não pode levar o aplicador do direito à absurda conclusão de que esteja ele impedido, no seu mister de apreciar e aplicar as normas de direito, de valerse de uma equilibrada ponderação dos elementos lógicosistemático, histórico e finalístico ou teleológico, os quais integram a moderna metodologia de interpretação das normas jurídicas. 2. O STJ firmou o entendimento de que a cardiopatia grave, nos termos do art. 17, inciso III, da Lei n. 4.506/64, importa na exclusão dos proventos de aposentadoria da tributação pelo Imposto de Renda, mesmo que a moléstia tenha sido contraída depois do ato de aposentadoria por tempo de serviço. 3. Recurso especial conhecido e nãoprovido. (REsp 192531 RS 1998/00779515, Relator(a): Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA) Concordamos com a decisão acima, devemos interpretar a norma isentiva de forma literal, mas nem com a literalidade podemos chegar á conclusão de que a necessidade de vínculo com a recorrente por 60 dias carcaterize hediondo privilégio aos beneficiários que já cumpriram o tempo exigido. Ressaltese – pois importante para nossa conclusão que nesse período, sessenta dias, o segurado está em contrato de experiência com a empresa e que não há para o usufruto do benefício a dependência da vontade da empresa, assim como não há demonstração de que uma classe de segurados é excluída da possibilidade de usufruir do benefício. Por esses motivos, votamos em dar provimento ao recurso nesta questão. Quanto ao reembolso escolar, o Fisco, segundo o RF, considerou esses valores integrantes do Salário de Contribuição devido ao regulamento que concede o benefício determinar que são elegíveis os empregados, após completarem dois meses de serviço contínuo e com contrato de trabalho por tempo indeterminado, excluindo, portanto, os empregados com tempo de serviço menor do que o previsto. Para a fiscalização, esta regra vai de encontro ao que determina a legislação. Fl. 5583DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 28 Como demonstra o voto constante do acórdão paradigma, de minha Relatoria, e como afirmado acima, devemos verificar as regras de concessão do benefício para concluir se ele integra, ou não, o Salário de Contribuição. “Quanto ao mérito, a questão central trata de se os valores gastos com auxílioeducação integram, ou não, o SC. Primeiramente, salientamos que a existência de regras para a concessão de um benefício não lhe retira a possibilidade de extensão a todos os empregados, pois cabe à fiscalização somente verificar se o benefício pode vir a ser estendido a todos os segurados, não avaliar normas de gestão empresarial para sua concessão. Portanto, não é por esse motivo que a exigência deve ser lançada ou não. Cabe destacar, também, que a fiscalização tem considerado a educação como parcela integrante do saláriodecontribuição, de acordo com o artigo 28 da Lei 8.212/91, sendo tratado como ganho habitual sob a forma de utilidade. Entretanto, não tem havido unanimidade nestas decisões. As decisões pela não integração ao Salário de Contribuição (SC), afirmam que: O auxílio para educação é uma gratuidade, fornecida por liberalidade da empresa e não habitual, por não exigir contraprestação de serviço, originandose da simples vontade do empregador em oferecer melhores oportunidades aos seus empregados e dependentes; Esse benefício pode ser suprimido a qualquer tempo; e Devese levar em conta o objetivo social da iniciativa da empresa, que está colaborando com a área educacional e ajudando a suprir a carência do ensino oficial. Somase a isto a Legislação Trabalhista, ramo do Direito ligado ao Direito Previdenciário, que estatui: Consolidação das Leis do Trabalho (CLT): Art. 458. (...) ... § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: ... II educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; O Direito Previdenciário configurase em ramo do Direito autônomo, em que existem regras específicas sobre Princípios, conceitos, definições. Fl. 5584DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 35434.000858/200571 Acórdão n.º 920202.192 CSRFT2 Fl. 4.478 29 Já as decisões pela integração ao Salário de Contribuição (SC), afirmam que: Não obstante todo o componente social do auxílioeducação, é inegável o acréscimo patrimonial do empregado, devendo então incidir contribuição previdenciária; e Tendo em vista que a prestação in natura constitui salário, quando fornecida habitualmente ao empregado, por força de contrato ou costume, o auxílio para educação também pode resultar de acordo expresso entre as partes ou de ajuste tácito, oriundo do costume atinente à empresa ou à atividade profissional empreendida. A definição da questão não é simples, mas devemos seguir uma lógica: a de que, em um Estado Democrático de Direito, regras jurídicas vigentes devem ser seguidas. A Legislação de custeio da Previdência Social possui regra, vigente, sobre esse tema. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: e) as importâncias: ... t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Assim, há regra, vigente e explícita, sobre a parcela referente à educação, quanto à questão de integrar ou não o SC. O Legislador fez com que os seguintes valores não integrassem o SC: 1 Plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; e 2 A cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Fl. 5585DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 30 A recorrente anexou documentação ao processo, fls. 0174 a 0176, onde se demonstra que: a) Todos os empregados possuem acesso ao benefício; b) Os empregados devem manifestar interesse na utilização do benéfico; c) Deve existir correlação com as atividades desenvolvidas pelo segurado para a recorrente. Informação de relevância da fiscalização afirma que a parcela do custo do benefício não reduziu a remuneração dos segurados que o estavam usufruindo. Assim, verificamos que todos os requisitos para que esses valores não integrem o SC estão presentes e foram comprovados. Portanto, os valores não devem integrar o SC. Novamente, não há como afirmarmos com total certeza de que regra que imponha período de dois meses de trabalho do segurado na empresa configure vedação de acesso ao benefício. Também, pois importante para nossa decisão, não ficou configurado que o benefício era pago em substituição a parcela salarial, todos os segurados possuiriam acesso ao benefício e este era fornecido para qualificação profissional, ou seja, em última análise, o benefício era oferecido para o trabalho e não pelo trabalho. Pelas razões já expostas, votamos em dar provimento ao recurso nesta questão. CONCLUSÃO: Pelo exposto, na parte conhecida pelo Relator, voto em dar provimento ao recurso, na forma do voto. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 5586DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL
score : 1.0
Numero do processo: 17460.000770/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/12/2006
INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Da decisão de primeira instância cabe recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A apresentação do recurso fora desse prazo resulta na intempestividade e no não conhecimento deste.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2301-002.549
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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PREV NFLD Recorrente MUNICÍPIO DE OCAUCU PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/12/2006 INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Da decisão de primeira instância cabe recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A apresentação do recurso fora desse prazo resulta na intempestividade e no não conhecimento deste. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Relatório Fl. 90DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.074.2680, lavrada em 28/03/2007, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre , no período de 01/01/1997 a 30/12/2006, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 111.599,00, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 29/03/2007, fls. 01 , a recorrente apresentou impugnação, fls. 57/60, na qual alegou: A 7ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, no Acórdão de fls. 68/71, julgou o lançamento procedente , tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 21/02/2008, fls. 74. O recurso voluntário, apresentado em 13/04/2007, fls. 57/60, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Deixamos de resumir os argumentos da recorrente em face da intempestividade do recurso. Sobre a intempestividade, alega que a Fazenda Pública não pode ser citada por correio e que os prazos em seu favor são contados em dobro. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000770/200712 Acórdão n.º 230102.549 S2C3T1 Fl. 88 3 Voto Conselheiro Mauro José Silva A recorrente foi cientificada do Acórdão a quo em 21/02/2008, fls. 53, e apresentou seu Recurso Voluntário em 26/03/2008, fls. 48. Segundo o art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para apresentar o Recurso Voluntário é de 30(trinta dias). No caso em análise, tal prazo se esgotou em 24/03/2008. Assim, tendo o Recurso Voluntário sido protocolizado após o prazo legal para sua apresentação, votamos por não conhecer seu conteúdo dada a intempestividade de sua apresentação. O argumento da recorrente de que a citação deverá ser pessoal não pertine ao processo administrativo fiscal e sim ao processo civil, tendo em vista que o Decreto 70.235/72 dispõe de maneira diversa no art. 23. A data de intimação é aquela que consta do AR, conforme podemos extrair do art. 23, inciso II do Decreto 70.235/72. A propósito, esse Colegiado tem súmula sobre o assunto: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assim, o fato de o Prefeito ter tomado conhecimento somente em 25/03/2008, não muda o fato de a ciência ter sido realizada em 21/02/2008, data que consta do AR. Por todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10932.000697/2007-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2007
DECLARAÇÃO PARCIAL DOS FATOS GERADORES. RELEVAÇÃO
DA MULTA NA PROPORÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DECLARADA.
Se o contribuinte, até a decisão de primeira instância, declarava parte dos fatos geradores omitidos na GFIP, merecia a relevação da multa na proporção das contribuições declaradas, desde que cumpridos os demais requisitos normativos.
MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Aplica-se a legislação editada após a ocorrência dos fatos geradores, quando esta se mostre mais favorável ao sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.445
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para que seja concedida a relevação da multa na proporção dos fatos geradores declarados, nas competências com informação parcial de fatos geradores, devendo a multa ficar limitada ao que dispõe o art. 32A, I, combinado com o § 3.º , II, do mesmo artigo da Lei n. 8.212/1991.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2007 DECLARAÇÃO PARCIAL DOS FATOS GERADORES. RELEVAÇÃO DA MULTA NA PROPORÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DECLARADA. Se o contribuinte, até a decisão de primeira instância, declarava parte dos fatos geradores omitidos na GFIP, merecia a relevação da multa na proporção das contribuições declaradas, desde que cumpridos os demais requisitos normativos. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Aplica-se a legislação editada após a ocorrência dos fatos geradores, quando esta se mostre mais favorável ao sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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RELEVAÇÃO DA MULTA NA PROPORÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DECLARADA. Se o contribuinte, até a decisão de primeira instância, declarava parte dos fatos geradores omitidos na GFIP, merecia a relevação da multa na proporção das contribuições declaradas, desde que cumpridos os demais requisitos normativos. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Aplicase a legislação editada após a ocorrência dos fatos geradores, quando esta se mostre mais favorável ao sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que seja concedida a relevação da multa na proporção dos fatos geradores declarados, nas competências com informação parcial de fatos geradores, devendo a multa ficar limitada ao que dispõe o art. 32A, I, combinado com o § 3.º , II, do mesmo artigo da Lei n. 8.212/1991. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Fl. 3476DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 3477DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10932.000697/200736 Acórdão n.º 2401002.445 S2C4T1 Fl. 3.477 3 Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração – AI n.º 37.125.4981, no qual é aplicada multa pelo descumprimento da obrigação acessória de declarar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP a totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 14, a empresa infringiu a legislação ao deixar de declarar na GFIP as seguintes parcelas: a) os valores pagos aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços no período de 01/1999 a 04/2007, conforme tabela anexada; b) o valor bruto das notas fiscais da prestação de serviços, relativamente aos serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio da cooperativa de trabalho, na área de transportes, a Logiscooper Cooperativa de Trabalho em Transporte, CNPJ 04.135.801/000115, no período 08/2001 a 04/2007, conforme demonstrativo em anexo; c) Os valores pagos decorrentes de reclamatórias trabalhistas, no período 09/1991 a 04/2002, cujos valores estão relacionados em tabela acostada. Afirmase também que a empresa durante a ação fiscal entregou as GFIP com todos os fatos geradores para as competências 04/2000 a 06/2000, 08/2000, 01/2001 a 07/2001, 10/2001 a 04/2002, 03/2003 a 09/2004, 11/2004, 01/2005 a 05/2005, 07/2005 a 02/2006, 04/2006 a 05/2006 e 07/2006 a 04/2007, o que ocasionou, para as referidas competências, a atenuação da multa em 50%. Cientificada da lavratura em 08/11/2007, a empresa apresentou impugnação, fls. 104/112, na qual, em síntese, alegou que sendo inconstitucional o art. 45 da Lei n.º 8.212/1991, a lavratura está parcialmente alcançada pela caducidade. Assevera que as infrações que o fisco verificou no exercício de 2001 foram fulminadas pela decadência. No mérito, advoga que, para as competências de 01 a 12/1999 merece a atenuação da penalidade em 50%, posto que cumpriu os requisitos normativos que lhe garantem esse redução da penalidade. Para as competências em que o fisco reconheceu a correção da falta, afirma a empresa que deve ser relevada a multa. Alega que deixou de entregar as GFIP relativas a reclamatórias trabalhistas apenas para os casos em que o Judiciário determinou o recolhimento das contribuições, posto que nesses casos não teve como determinar a base de cálculo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRJ em São Paulo I declarou a decadência para as infrações ocorridas até a competência 11/2001, por aplicação do art. 173, I, do CTN para a contagem do prazo decadencial. Fl. 3478DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 No mérito, concedeuse a relevação da multa aplicada para o período de 12/2001 a 04/2002, 03/2003 a 09/2004, 01/2005 a 05/2005, 07/2005 a 02/2006, 04/2006 a 05/2006 e 07/2006 a 04/2007, posto que a empresa houvera cumprido todos os requisitos normativos para fazer jus ao favor fiscal. Todavia, para as demais competências, assim se pronunciou o órgão a quo: Relativamente as demais competências, verificase que não houve correção da falta nos períodos de 05/2002 a 02/2003, 10/2004, 12/2004, 06/2005, 03/2006 e 06/2006 relativamente aos valores pagos a cooperativas de trabalho pelo estabelecimento CNPJ 62.691.043/000118, nos termos do relatório fiscal da infração e conforme se verifica das informações constantes no sistema GFIPWEB (fls. 5.175/5.189) e, ainda, nos meses de 12/2004, 06/2005, 03/2006 e 06/2006 em relação as reclamações trabalhistas, como declarado pela própria impugnante em sua defesa. Deste modo, não foram informados nesses meses todos os fatos geradores de todas as contribuições sociais devidas pela empresa e, assim, não houve correção total da falta. Sendo assim, a impugnante não preenche todos os requisitos para ter direito à relevação da multa aplicada em tais competências, a saber: 05/2002 a 02/2003, 10/2004, 12/2004, 06/2005, 03/2006 e 06/2006. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 5.206/5.210, no qual alega que merece a relevação posto que apresentou comprovantes de regularização das GFIP que deram ensejo a lavratura. Faz ressalva, todavia, quanto aos pagamentos relativas a reclamatórias trabalhistas em que a Justiça determinou a quitação da contribuição previdenciária, posto que não se indicou a base de cálculo correspondente, impossibilitando o conhecimento da remuneração a ser lançada na GFIP. É o relatório. Fl. 3479DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10932.000697/200736 Acórdão n.º 2401002.445 S2C4T1 Fl. 3.478 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Relevação da penalidade Como já discutido fartamente no processo a concessão do benefício da relevação da penalidade depende do cumprimento dos requisitos previstos no revogado art. 291, § 1.º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, in verbis: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) A constatação de que a infração não houvera corrigido integralmente a infração levou o órgão de primeira instância a indeferir o pedido de relevação para as competências enumeradas naquele decisum. A empresa, por sua vez, alega haver corrigido a infração, conforme documentação colacionada. Analisando às provas constantes do processo, verifico que foram acostadas cópias do sistema informatizado da Administração Tributária que comprovam que a empresa não houvera informado todos os fatos geradores relativos aos serviços que lhe foram prestados por cooperativas de trabalho, quanto às reclamatórias trabalhistas, o próprio sujeito passivo confessou na defesa e no recurso que não teve como efetuar a declaração de todos os fatos geradores. O entendimento que hoje prepondera nessa turma de julgamento é de que seja concedida a relevação da multa na proporção dos fatos geradores que tenham sido declarados. Inclusive em julgamento realizado nessa Turma no dia 16/03/2011, fui vencido nessa questão, o que me levou a uma melhor reflexão sobre o tema tendo evoluído para o entendimento firmado no citado julgamento pela maioria da Turma. Nesse sentido, para justificar meu atual posicionamento, favorável a relevação da multa de forma parcial, mesmo para as ocorrências em que inexistiu a correção integral da falta, peço licença para transcrever o voto vencedor Fl. 3480DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 naquela ocasião da lavra do Ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire (Acórdão n.º 2401 01.693): Ouso divergir do ilustre relator na sua seguinte afirmação: “Alinhome aos que entendem que a concessão do benefício da relevação da penalidade por descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária, hoje fora do nosso ordenamento, pressupunha a integral correção de cada ocorrência.” Anteriormente, até o advento da IN SRP nº 23/2007, a legislação previa a possibilidade de relevação da multa na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias relativas aos fatos geradores informados (art. 656, § 6º da IN SRP nº 3/2005): Art. 656. (...) (...) §6° Na hipótese do inciso III do caput do art. 647, a entrega pelo autuado de GFIP informando parte dos fatos geradores omitidos na competência implicará a atenuação ou a relevação da multa na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias relativas aos fatos geradores informados, exceto: (REVOGADO PELA IN SRP nº 23/2007) I os fatos geradores não relacionados no Relatório Fiscal; II a diferença entre o valor total relativo à contribuição não declarada e o limite máximo estabelecido para a aplicação da multa. Ocorre que esta alteração, decorrente da revogação do aludido dispositivo normativo, não decorreu de alteração legal e sim de interpretação. Há de se salientar que regra de hermenêutica do art. 112 do CTN preconiza que deva se dar a interpretação da maneira mais favorável ao contribuinte, no que diz respeito a lei tributária que defina infrações, nas situações em que menciona, in verbis: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” A expedição de atos normativas pela Administração Tributária deve aterse à observância dos princípios da legalidade e da razoabilidade. Embora o Código Tributário Nacional estabeleça que a obrigação acessória decorre da legislação tributária (art. 113, § 2°), expressão que compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares (atos normativos, decisões dos órgãos de jurisdição administrativa, as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades tributários e convênios), não se deve perder de vista que sobrepaira sobre todo o sistema o princípio da legalidade. Fl. 3481DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10932.000697/200736 Acórdão n.º 2401002.445 S2C4T1 Fl. 3.479 7 Em comentário ao dispositivo, Luiz Alberto Gurgel de Faria enfatiza, na esteira da melhor doutrina, que apenas a lei formal poderia ser fonte de obrigação tributária acessória: (Código Tributário Nacional Comentado, Coord. Vladimir Passos de Freitas, 3a ed., Ed. RT, pp. 551552) A obrigação acessória decorre da 'legislação tributária' (§ 2°), o que há de ser interpretado em harmonia com a Constituição Federal. Com efeito, nos termos do art. 96 do CTN, a referida expressão 'compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes', de modo que, na concepção do legislador de 1966 (ano da promulgação do CTN), quaisquer desses atos poderiam instituir uma obrigação acessória. Ocorre que, na Carta Magna em vigor, o princípio da legalidade foi reforçado ' ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei' (art. 5°, II) , demonstrando que as obrigações acessórias hão de ser criadas através de lei, formal e materialmente considerada, advinda, portanto, do Poder Legislativo, cabendo aos decretos e demais normas complementares o papel de explicitar a lei, viabilizando a sua melhor forma de execução, quando necessário Portanto, as obrigações tributárias acessórias, incluídas as possibilidades de atenuação ou relevação de multa, não podem ser criadas ou extintas via de atos normativas da Administração Tributária. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para relevar a multa na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias relativas aos fatos geradores informados em GFIP. É como voto. Diante dessas considerações, a multa para as competências em que houve correção parcial da falta deve ser relevada na proporção das contribuições previdenciárias declaradas na GFIP. Aplicação da multa mais benéfica Devo de ofício determinar a possível aplicação da multa mais benéfica. É que ocorreu alteração do cálculo da multa para esse tipo de infração pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009. Nessa toada, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) Fl. 3482DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Considerandose que na ação fiscal não foram efetuados lançamentos para apuração da obrigação principal devese aplicar retroativamente o disposto no art. 32A, I, combinado com o § 3o , II, do mesmo artigo da Lei n. 8.212/1991, para as competências que remanesceram após a relevação parcial da multa, caso esse critério seja mais benéfico ao sujeito passivo. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para que seja concedida a relevação da multa na proporção dos fatos geradores declarados, nas competências com informação parcial de fatos geradores, devendo a multa ficar limitada ao que dispõe o art. 32A, I, combinado com o § 3o , II, do mesmo artigo da Lei n. 8.212/1991. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 3483DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 12181.001356/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUFERIDOS PELO DECLARANTE.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECEBIDOS POR DEPENDENTE.
A declaração em conjunto com o dependente que aufere rendimentos
tributáveis é opção colocada à disposição dos pais pela legislação tributária.
Se esta foi a opção exercida pelo autuado e a fiscalização constatou rendimentos auferido pela dependente, correta a inclusão destes na base de cálculo do de imposto de renda.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.579
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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AUFERIDOS PELO DECLARANTE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECEBIDOS POR DEPENDENTE. A declaração em conjunto com o dependente que aufere rendimentos tributáveis é opção colocada à disposição dos pais pela legislação tributária. Se esta foi a opção exercida pelo autuado e a fiscalização constatou rendimentos auferido pela dependente, correta a inclusão destes na base de cálculo do de imposto de renda. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Fl. 135DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Jose Evande Carvalho Araujo, Ewan Teles Aguiar, Eivanice Canario da Silva e Alexandre Naoki Nishioka. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0934.232, proferido pela 4ª Turma da DRJ Juiz de Fora (fl. 49), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação à notificação de lançamento às fls. 13/16. O lançamento originouse da revisão da DIRPF/2006 (fls. 22/25), quando foram apuradas as seguintes omissões de rendimentos: R$ 25.600,00 (IRRF de R$ 695,44) pagos ao contribuinte pela Fundação de Ensino e Pesquisa do Sul de Minas; e R$ 10.315,82 (IRRF de R$ 51,70) pagos à dependente Maria Paula Braga Murad pela Editora Alto Astral Ltda. Em razão do lançamento, o interessado apresentou SRL (fls. 29/32 e anexos de fls. 33/37), que fora indeferida, de acordo com o resultado de fl. 19. Juntamente com a impugnação de fl. 01, para amparo de suas alegações, o contribuinte reapresentou a documentação inerente à SRL ( fls. 03/11), com as seguintes alegações: Infração: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica/CNPJ: 21.420.856/000196 Valor da Infração: RS 25.600,00 Tratase de indenização trabalhista recebida na justiça sendo que todo o imposto de renda devido foi retido pela empresa empregadora quando do pagamento do que era devido. 0 valor liquido, já retido o imposto pelo empregador, foi parcelado em 24 meses. Infração: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica/CNPJ: 46.157.905/000170 Valor da Infração: RS 10.315,82 Lancei, erradamente, uma filha como dependente depois que ela foi demitida. Reconhecido o erro, o correto é deixar de excluir o valor deduzido incorretamente e não, como foi feito pela Receita, incluir a renda de minha filha como se minha fosse. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECEBIDOS POR DEPENDENTE. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 12181.001356/200913 Acórdão n.º 2101001.579 S2C1T1 Fl. 2 3 Ê opção do contribuinte o registro de dependente, para efeito de dedução, na declaração de ajuste anual; contudo tornase definitiva essa escolha se presente até o inicio de algum procedimento fiscal. Em assim sendo, os rendimentos porventura percebidos pelo dependente agregamse ao do contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIMENSIONAMENTO DE VALORES. AUSÊNCIA DE PROVA. Os documentos oferecidos pelo contribuinte não sustentam a alegação da inexistência da omissão de rendimentos apontada no lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, estando o direito do impugnante precluso se não exercido no momento processual fixado, salvas as exceções previstas e devidamente fundamentadas, as quais não foram demonstradas no caso em concreto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF o contribuinte discute os fundamentos da decisão recorrida e reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do exame das peças processuais, firmo convencimento de que o lançamento e a decisão de primeiro grau não merecem qualquer reparo. No acordo realizado entre o autuado e a FEPESMIG — Fundação de Ensino e Pesquisa do Sul de Minas, nos autos da Reclamação Trabalhista nº 01846/0100 (fls. 76/78), homologado pela justiça, consta o seguinte: 1 As partes de comum acordo, fixam em R$ 76.800,00 (Setenta e seis mil e oitocentos reais) o montante do débito, oriundo da sentença de fls. , correspondente ao principal e demais encargos moratórios apurado até maio de 2004, o qual fica reconhecido e confessado pela executada em prol do Exeqüente e que se obrigam a resgatar a divida reconhecida e confessada da seguinte forma: 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e Fl. 137DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 consecutivas no importe, liquido e livre de quaisquer impostos e encargos, de R$ 3.200,00 (três mil e duzentos reais) cada uma, vencendose a primeira no dia 10/05/04 e as demais nos mesmos dias e meses subseqüentes. 1.1 Para pagamento dos honorários advocatícios devidos aos advogados do Reclamante, a Fundação/executada compromete se a pagar o importe, liquido e livre de quaisquer impostos e encargos, de R$ 21.400,00 (vinte e um mil e quatrocentos reais) da seguinte forma: a primeira parcela de R$ 6.400,00 (seis mil e quatrocentos reais), vencendose dia 10/05/04; e o restante em 4 (quatro) parcelas mensais e consecutivas no importe de R$ 3.750,00 (três mil, setecentos e cinqüenta reais) cada uma, vencendose a primeira no dia 10/06/04 e as demais nos mesmos dias e meses subseqüentes. Resta cristalino a omissão apontada pela fiscalização, tendo em vista que o acordo homologado entre as parte não previa a incidência do imposto de renda. Esse acordo, homologado pelo juízo trabalhista, substituiu integralmente as parcelas indicadas na sentença anterior. Todos sabem que se aplica à tributação do imposto de renda das pessoas físicas o regime de caixa, e a retenção na fonte ocorre em cada parcela que efetivamente é recebida pelo beneficiário do pagamento. No caso em exame, os extratos bancários às fls. 80/108 comprovam o depósito em cada mês do ano de 2005, no valor de R$3.200,00, em conta corrente mantida pelo autuado no Banco do Brasil, ou seja, as parcelas foram pagas sem retenção de IR. Os extratos bancários comprovam, ainda, que a omissão foi de R$38.400,00, maior que a omissão lançada (R$25.600,00), com base em DIRF apresentada pela fonte pagadora. Contudo, nenhuma alteração deve ser implementada no lançamento em desfavor do recorrente, tendo em vista o princípio aplicável ao processo administrativo fiscal, que veda o reformacio in pejus. Ademais, somente a fiscalização poderia revisar o lançamento para agravar a exigência, se ainda não decaído o direito da Fazenda Pública, nos termos do artigo 149 do CTN. Como os valores apurados pela fiscalização não foram informados pelo beneficiário do rendimento em sua DIRPF/2006, em dissonância com o disposto na Súmula CARF nº 12, cabe a sua inclusão mediante lançamento de ofício: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Da mesma forma, é evidente a omissão dos rendimentos auferidos pela dependente Maria Paula Braga Murad. O recorrente afirma que a registrou em sua D1RPF/2006, equivocadamente. Entende que o procedimento correto seria excluir a dependente da declaração, em vez de somar os rendimentos por ela recebidos ao do declarante titular, sendo esta a solução mais justa e menos onerosa. Não procede tal argumento. A declaração em conjunto com o dependente que aufere rendimentos tributáveis é opção colocada à disposição dos pais pela legislação tributária. O contribuinte deve avaliar se compensa incluir os rendimentos e deduzir as despesas com dependentes, instrução, despesas médicas, previdência privada etc. Se esta foi a opção exercida pelo autuado e a fiscalização constatou rendimentos auferido pela dependente, correta a inclusão destes na base de cálculo do imposto de renda. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 12181.001356/200913 Acórdão n.º 2101001.579 S2C1T1 Fl. 3 5 No caso em exame, o recorrente solicitou a exclusão da filha da relação de dependente da DIRPF/2006, mas em nenhum momento expressou o mesmo intuito acerca de outras deduções relacionadas a esta dependente, como as despesas com instrução e despesas médicas. De qualquer forma, feita a opção pela declaração em conjunto, qualquer omissão detectada pela fiscalização, em momento posterior, deve ser adicionada à base de cálculo do IRPF. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 139DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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