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Numero do processo: 10580.008944/2007-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/11/2001 a 31/12/2004
MULTA. OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES. INEXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO PARA EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. DISPOSITIVO APLICÁVEL.
Havendo declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões sem o lançamento das contribuições correspondentes, a multa é aplicada com esteio no art. 32-A, I, da Lei n. 8.212/1991.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2401-003.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, de modo que se rerratifique o acórdão n. 2401-02.206 para que a multa aplicada tenha como limite o valor calculado nos termos do inciso I do art. 32-A da Lei n.º 8.212/1991.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/11/2001 a 31/12/2004 MULTA. OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES. INEXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO PARA EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões sem o lançamento das contribuições correspondentes, a multa é aplicada com esteio no art. 32-A, I, da Lei n. 8.212/1991. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, de modo que se rerratifique o acórdão n. 2401-02.206 para que a multa aplicada tenha como limite o valor calculado nos termos do inciso I do art. 32-A da Lei n.º 8.212/1991. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovada contradição no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõese o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir a contradição apontada, dandolhe efeitos infringentes na parte em que o saneamento da contradição necessariamente conduzir a alteração no resultado do julgamento. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/12/2004 MULTA. OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES. INEXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO PARA EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões sem o lançamento das contribuições correspondentes, a multa é aplicada com esteio no art. 32A, I, da Lei n. 8.212/1991. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 89 44 /2 00 7- 80 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, de modo que se rerratifique o acórdão n. 240102.206 para que a multa aplicada tenha como limite o valor calculado nos termos do inciso I do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.008944/200780 Acórdão n.º 2401003.185 S2C4T1 Fl. 551 3 Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador (BA), desafiando o Acórdão n. 240102.206, de 18/01/2012, de lavra da 1.ª Turma Ordinária da 4.ª Câmara da 2.ª Seção de Julgamento do CARF. Assim decidiu a Turma: “ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial do recurso para que se aplique a multa mais favorável ao contribuinte na comparação entre o cálculo efetuado de acordo com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, com dedução da multa aplicada na NFLD correlata. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que aplicava o art. 32A da Lei nº 8.212/91.” Foi na parte relativa à aplicação da multa mais benéfica que o órgão da RFB detectou a alegada contradição, alegando que inexistiu na ação fiscal a lavratura de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD correlata ao presente Auto de Infração – AI, o qual se refere à imposição de penalidade pela falta de declaração de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Suscita o órgão embargante o saneamento da mácula, de modo que se decida pela aplicação da multa com base no inciso I do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991. É o relatório. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os embargos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da retificação do acórdão De fato, restou comprovado nos autos que a NFLD n. 37.060.0185, a qual a turma entendeu ser correlata ao AI sob enfoque, na verdade, diz respeito a fatos geradores outros, quais sejam a falta de retenção pela contratante da contribuição sobre as faturas de prestação de serviço executados mediante cessão de mãodeobra. Assim, não tendo havido lançamento das contribuições, o AI reclama, para aplicação da pena menos gravosa, a comparação do patamar imposto conforme a legislação da época da ocorrência dos fatos geradores com aquele calculado conforme o art. 32A, I, da Lei n.º 8.212/1991. A conclusão acima leva ao reconhecimento de que os embargos de declaração devem ser acolhidos para que a multa aplicada tenha como limite o valor calculado conforme o inciso I do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991. Conclusão Voto por acolher os embargos de declaração, de modo que se rerratifique o acórdão n. 240102.206 para que a multa aplicada tenha como limite o valor calculado nos termos do inciso I do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 553DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10882.720653/2012-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PIS. EMPRESA DE TRABALHO TEMPORÁRIO. CONCOMITÂNCIA. INTERPOSIÇÃO DE AÇÃO JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. AUSÊNCIA DE PREJUI´ZO PARA O LANÇAMENTO. DESCABIMENTO.
Deve ser afastada a multa de oficio agravada quando a ausência de cumprimento integral ou parcial de intimações não impede a lavratura do auto de infração, que restou concretizado a partir das informações e documentos carreados ao processo pelo contribuinte.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO.
Caracterizado o interesse comum das pessoas jurídicas na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e, por outro lado, havendo previsão legal que estabelece a obrigação solidária entre empresas integrantes de grupo econômico, correta a designação das pessoas jurídicas como sujeitos passivos solidários.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO GERENTE.
Somente nos casos em que restar comprovada a atuação com excesso de poder ou com infração a lei, é possível responsabilizar o sócio pelos débitos da pessoa jurídica.
Recurso Voluntario Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: 1)- por unanimidade de votos, para declarar a concomitância do mérito com a ação judicial, nos termos do voto do relator; 2)- por maioria de votos, para reduzir a multa de ofício para 75% e para excluir os administradores da responsabilidade solidária, nos termos do voto do relator; e 3)- pelo voto de qualidade, para manter a responsabilidade solidária das empresas coligadas, nos termos do voto do redator designado. Vencidos, quanto ao item 2, os conselheiros Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó e, quanto ao item 3, os Conselheiros Alexandre Gomes (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor quanto à manutenção das empresas coligadas como responsáveis solidárias.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 17/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PIS. EMPRESA DE TRABALHO TEMPORÁRIO. CONCOMITÂNCIA. INTERPOSIÇÃO DE AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. AUSÊNCIA DE PREJUI´ZO PARA O LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Deve ser afastada a multa de oficio agravada quando a ausência de cumprimento integral ou parcial de intimações não impede a lavratura do auto de infração, que restou concretizado a partir das informações e documentos carreados ao processo pelo contribuinte. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. Caracterizado o interesse comum das pessoas jurídicas na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e, por outro lado, havendo previsão legal que estabelece a obrigação solidária entre empresas integrantes de grupo econômico, correta a designação das pessoas jurídicas como sujeitos passivos solidários. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO GERENTE. Somente nos casos em que restar comprovada a atuação com excesso de poder ou com infração a lei, é possível responsabilizar o sócio pelos débitos da pessoa jurídica. Recurso Voluntario Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: 1)- por unanimidade de votos, para declarar a concomitância do mérito com a ação judicial, nos termos do voto do relator; 2)- por maioria de votos, para reduzir a multa de ofício para 75% e para excluir os administradores da responsabilidade solidária, nos termos do voto do relator; e 3)- pelo voto de qualidade, para manter a responsabilidade solidária das empresas coligadas, nos termos do voto do redator designado. Vencidos, quanto ao item 2, os conselheiros Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó e, quanto ao item 3, os Conselheiros Alexandre Gomes (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor quanto à manutenção das empresas coligadas como responsáveis solidárias. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 17/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
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EMPRESA DE TRABALHO TEMPORÁRIO. CONCOMITÂNCIA. INTERPOSIÇÃO DE AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA O LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Deve ser afastada a multa de oficio agravada quando a ausência de cumprimento integral ou parcial de intimações não impede a lavratura do auto de infração, que restou concretizado a partir das informações e documentos carreados ao processo pelo contribuinte. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. Caracterizado o interesse comum das pessoas jurídicas na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e, por outro lado, havendo previsão legal que estabelece a obrigação solidária entre empresas integrantes de grupo econômico, correta a designação das pessoas jurídicas como sujeitos passivos solidários. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO GERENTE. Somente nos casos em que restar comprovada a atuação com excesso de poder ou com infração a lei é possível responsabilizar o sócio pelos débitos da pessoa jurídica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 06 53 /2 01 2- 26 Fl. 5191DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 3 2 Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PIS. EMPRESA DE TRABALHO TEMPORÁRIO. CONCOMITÂNCIA. INTERPOSIÇÃO DE AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA O LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Deve ser afastada a multa de oficio agravada quando a ausência de cumprimento integral ou parcial de intimações não impede a lavratura do auto de infração, que restou concretizado a partir das informações e documentos carreados ao processo pelo contribuinte. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. Caracterizado o interesse comum das pessoas jurídicas na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e, por outro lado, havendo previsão legal que estabelece a obrigação solidária entre empresas integrantes de grupo econômico, correta a designação das pessoas jurídicas como sujeitos passivos solidários. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO GERENTE. Somente nos casos em que restar comprovada a atuação com excesso de poder ou com infração a lei, é possível responsabilizar o sócio pelos débitos da pessoa jurídica. Recurso Voluntario Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: 1) por unanimidade de votos, para declarar a concomitância do mérito com a ação judicial, nos termos do voto do relator; 2) por maioria de votos, para reduzir a multa de ofício para 75% e para excluir os administradores da responsabilidade solidária, nos termos do voto do relator; e 3) pelo voto de qualidade, para manter a responsabilidade solidária das empresas coligadas, nos termos do voto do redator designado. Vencidos, quanto ao item 2, os conselheiros Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó e, quanto ao item 3, os Conselheiros Alexandre Gomes (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor quanto à manutenção das empresas coligadas como responsáveis solidárias. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Redator Designado. Fl. 5192DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 17/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ: Tratase de autos de infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins e de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, lavrados em 21/03/2012, relativos aos períodos de apuração janeiro a dezembro/2008, e de multa regulamentar, (...) No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade autuante assim relata as constatações do procedimento fiscal: [...] 5. A ação fiscal foi iniciada, visando apurar os indícios de falta de declaração e recolhimento do PIS e das COFINS, haja vista que foram apuradas expressivas divergências entre o faturamento declarado na DIPJ e na DACON. 6. O sócio administrador, Sr. Johannes Antonios Maria Wiegerinck, CPF n.° 000.041.70849, foi cientificado pessoalmente do Termo de Início do Procedimento Fiscal, em 13/01/2011, e intimado a apresentar os arquivos digitais contendo as informações dos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras relativas ao ano calendário de 2008, nos termos do Anexo Único do ADE COFIS n.° 15/2001. [...] 8. Em 04/03/2011, o contribuinte protocolou petição, através da qual alega, em breve síntese, que devido a problemas de capacidade operacional, administrativa e financeira, encontravase "impossibilitada de atender às exigências documentais solicitadas pela referida fiscalização, pelo que pede complacência e um maior prazo para organizarse, visando responder aos pedidos da fiscalização". Informa ainda que "vem mantendo diálogo com a empresa Prado Chaves, onde encontramse arquivados os documentos solicitados nesta fiscalização, no sentido de reativar o acesso, que foi interrompido por motivo de inadimplência." Por fim, informa encontrarse em processo de recuperação judicial e apresenta Certidão de Objeto e Pé do Processo n. 152.01.2009.0170625/ 0000000000, no qual constam como requerentes da recuperação judicial, além da pessoa jurídica fiscalizada, as empresas ATRA PRESTADORA DE SERVIÇOS EM GERAL LTDA, CNPJ Fl. 5193DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 5 4 45.180.072/000104; PGP PLANEJAMENTO E GESTÃO DE PROCESSOS LTDA, CNPJ 08.045.743/000190 e PLANSERVICE BACK OFFICE LTDA, CNPJ 74.330.838/000180; integrantes de grupo econômico que têm como sócio majoritário a holding GELDRIA PARTICIPAÇÕES E SERVIÇOS LTDA, CNPJ 60.837.275/000106. [...] 10. Em função das alegações do contribuinte, realizamos diligência junto à empresa Prado Chaves Arquivos e Sistemas Ltda, CNPJ sob n° 86.890.308/000175, onde ficou contatado em suma que: 10.1.1.1.Em função da inadimplência por parte da empresa fiscalizada houve a rescisão do contrato e a contratante (Gelre) foi notificada a retirar a documentação armazenada pela contratada; 10.1.1.2.Dada a sua negativa, a contratada ( Prado Chaves) ingressou com ação de "Obrigação de Fazer" que tramita junto à 10a Vara Cível da Comarca da Capital, tudo conforme consta dos documentos juntados aos autos; 10.1.1.3. Por ser mera depositária desconhece o conteúdo das caixas por ela armazenada. 11. Em 25/04/2011 foi o contribuinte foi notificado do Termo de Intimação para esclarecer a divergência entre a receita bruta declarada na DACON (R$ 33.143.901,86) e na DIPJ (R$ 160.220.611,20), ambas referentes ao ano calendário de 2008. 12. Em 11/05/2011, o contribuinte foi cientificado do teor da resposta da empresa Prado Chaves, conforme explicitado no item 10, e reintimado a apresentar, no prazo de 10 dias, todos os documentos e esclarecimentos anteriormente requisitados por esta fiscalização. [...] 17. Intimado a apresentar esclarecimentos acerca da divergência entre a receita bruta constante nas três bases de informações (DIPJ/DACON/DIRF), o contribuinte não apresentou nenhuma justificativa. Portanto, para apuração da base de cálculo das contribuições, mediante composição mensal da receita bruta do contribuinte, a única base de dados disponível era a DIRF apresentada por terceiros. Considerandose a grande quantidade de declarantes, foram selecionados por amostragem 10 empresas que declararam pagamentos à GELRE TRABALHO TEMPORÁRIO S/A (Matriz e Filiais) no valor total de R$ 48.397.256,06, o qual correspondem a 37 % do total de rendimentos informado em DIRF. 18. Em atendimento ao Termo de Inicio de Diligência Fiscal, as 10 empresas relacionadas a seguir, apresentaram a listagem de todas as Notas Fiscais de Prestação de Serviços, emitidas pela empresa GELRE TRABALHO TEMPORÁRIO S/A (Matriz e Filiais), conforme informado pela contratante na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF correspondente ao ano calendário de 2008, devidamente acompanhada dos arquivos digitais (PDF) com cópias das notas fiscais em referência. As informações prestadas estão resumidas no demonstrativo abaixo: [...] 19. Em 09/11/2011, o contribuinte protocolou petição, através da qual apresenta os seguintes documentos justificativas: Fl. 5194DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 6 5 19.1.1. Em relação ao Livro Registro de Notas Fiscais, solicita prazo adicional de 30 dias para sua apresentação. 19.1.2. Em relação às Notas Fiscais, apresenta planilha individualizada contendo todas as notas fiscais que foram emitidas pela Empresa Gelre no ano calendário de 2008 e CD com aproximadamente 60% das notas impressas eletronicamente. 20. Com base nos arquivos digitais apresentados pelo contribuinte (anexados aos autos), foi apurado por esta fiscalização um faturamento total de R$ 191.558.090,86 no ano calendário de 2008. Até a presente data, não foi apresentado o Livro Registro de Notas Fiscais de Prestação de Serviços. No CD apresentado pelo contribuinte, constam apenas Notas Fiscais emitidas pela Matriz e 08 (oito) filiais localizadas no município de São PauloSP (foi anexado aos autos uma amostra dessas NFs). No cadastro CNPJ, constavam 137 filiais ativas no ano calendário de 2008. Mediante análise por amostragem do arquivo digital de Notas Fiscais, confirmou se a veracidade dos valores registrados no Relatório de Faturamento apresentado pelo contribuinte durante o procedimento de fiscalização. [...] 22. Em 13/02/2012 o contribuinte foi intimado a apresentar os seguintes documentos justificativas: 22.1.1. Demonstrativo em meio digital (planilha.xls) com a composição do faturamento total do ano calendário de 2008, consignado no relatório apresentado pelo contribuinte a esta fiscalização em 09112001 através de arquivo digital, no valor total de R$ 191.558.090,86. 22.1.2. Demonstrativo em meio digital (planilha.xls) com a listagem das Notas Fiscais Canceladas, consignadas no relatório apresentado pelo contribuinte a esta fiscalização em 09112001, devidamente acompanhado do comprovante de registro do cancelamento na Prefeitura responsável pela autorização de emissão da NF (ou talonário com todas as vias da NF cancelada). 22.1.3. Esclarecer a divergência entre a receita bruta declarada na DACON (R$ 33.143.901,86), constante na DIRF de Terceiros (R$ 144.657.779,10), na DIPJ (R$ 160.220.611,20) e aquela informada através dos arquivos digitais apresentados em 09112011 (R$ 191.558.090,86), conforme demonstrativo a seguir: Apresentar demonstrativo (para cada tipo de crédito), escrituração contábil e os documentos fiscais que comprovam a correta apuração da base de cálculo dos créditos de PIS/COFINS informados na DACON. [...] 22.1.4. Recibo de transmissão da Escrituração Contábil Digital ECD, relativa ao ano calendário de 2008. Fica o contribuinte cientificado de que a não apresentação da ECD no prazo fixado no art. 5° da IN RFB n° 787, de 19 de novembro de 2007, acarretará a aplicação de multa no valor de R$ 5.000,00 ( cinco mil reais) por mês calendário ou fração. 23. Comparandose os valores de faturamento informado pelo contribuinte após o inicio da fiscalização, com aqueles obtidos através da diligência, verificase uma divergência entre as duas bases, conforme demonstrativo a seguir: [...] 24. Esta divergência pode ser justificada em função da diferença entre o regime de apuração caixa e competência entre as duas bases. Nos arquivos de Fl. 5195DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 7 6 faturamento apresentados pelo contribuinte, constam, por exemplo, notas fiscais emitidas para o cliente Lojas Riachuelo no dia 30/12/2008, no valor total de R$ 4.095.178,15, as quais não estão incluídas na DIRF referente ao ano calendário de 2008. 25. Considerandose que o faturamento no Lucro Real é apurado pelo regime de competência e a falta de atendimento ao Termo de Intimação lavrado em 13/02/2012, a base de cálculo das contribuições será apurada a partir dos relatórios de faturamento apresentados pelo contribuinte, considerandose todas as notas fiscais emitidas no ano calendário de 2008. As informações contidas em DIRF e confirmadas pelas empresas declarantes, conforme Relatório anexado aos Autos, foram utilizadas para fins de validação das informações prestadas pelo contribuinte durante o procedimento de fiscalização e confirmação da falta de declaração em DCTF dos débitos relativos às contribuições (PIS COFINS) atinentes ao ano calendário de 2008. PIS E COFINS REGIME NÃO CUMULATIVO 26. O Parecer Cosit n° 69, de 10/11/99 tratou da conceituação e interpretação em relação à locação de mão de obra, ao analisar enquadramento no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, trazendo os esclarecimentos a seguir transcritos: [...] 27. Ante o exposto, concluise que a empresa que presta serviços de locação de mão de obra é a responsável pela prestação do serviço e pelo vínculo empregatício, embora os trabalhadores fiquem à disposição da tomadora dos serviços, que comanda as tarefas e fiscaliza a execução dos trabalhos. É por conta desse vínculo contratual e empregatício, que a prestadora de serviços está diretamente obrigada a pagar os salários dos trabalhadores contratados e a recolher os respectivos encargos sociais e trabalhistas. Tais obrigações, por conseguinte, são custos operacionais nos quais a empresa incorre precisamente para obter a receita decorrente da locação de mão de obra. Por óbvio os custos operacionais, como em qualquer outra atividade de prestação de serviço, compõem, ao lado da margem de lucro, o preço do serviço que é cobrado e faturado pela empresa (locação de mão de obra). Isto posto, o preço faturado pelo prestador do serviço é sempre o valor total cobrado na nota fiscal ou fatura que é apresentada ao cliente, conforme disciplina o § 2o do art. 20 da Lei n.°5.474, de 18 de julho de 1968, in verbis: [...] 28. Nos termos dos artigos 2o e 3o da Lei n° 9.718/98 e art. 1o da Lei n° 10.637/2002, abaixo reproduzidos, o PIS e a COFINS incidem sobre o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, excluídas as parcelas expressamente previstas na lei. 29. Tendo sido demonstrado que o valor pago pelo tomador do serviço representa tão somente o pagamento do preço que é cobrado pela prestadora em troca da locação da mão de obra, é inegável que esse valor constitui uma receita auferida por essa última, não importando, para os efeitos da incidência das contribuições, se, do cotejo entre esta receita e os custos e despesas incorridas no período, a contribuinte conseguiu, ou não, obter algum acréscimo patrimonial. 30. O art. 276 do RIR/99, combinado com art. 24 da Lei 9.249/95 autoriza o lançamento do PIS/COFINS sobre a omissão de receita apurada com base em informações ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou qualquer outro Fl. 5196DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 8 7 elemento de prova, aí se incluindo as DIRF, especialmente quando estes se revelam incontroversos e irrefutáveis, e o contribuinte deixa de produzir provas que possam elidir a constatação da infração apurada pela fiscalização. 31. Neste caso, para fins de lançamento da Contribuição ao Programa de Integração Social PIS e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS regime não cumulativo, foram adotados os seguintes procedimentos: 31.1. A recomposição da base de cálculo de cada período de apuração mensal no regime não cumulativo, a partir do faturamento declarado pelo sujeito passivo em resposta ao Termo de Intimação Fiscal; 31.2. A determinação do valor da Contribuição Social, com base na alíquota própria do regime não cumulativo, conforme declarado pelo sujeito passivo na DACON ( PIS 1,65%, COFINS7,6 %); 31.3. O aproveitamento de ofício dos valores objeto de retenção na fonte, informados em DIRF, conforme demonstrativo a seguir: [...] 31.4. Glosa dos créditos informados na DACON, tendo em vista que regularmente intimado o contribuinte não apresentou a documentação para comprovação da sua correta apuração, conforme demonstrativo a seguir: [...] Enquadramento Legal :1º a 7º da Lei nº 10.637/2002 c/c art. 24 da Lei 9.249/1995 (PIS); 1º a 9º da Lei nº 10.833/2003 c/c art. 24 da Lei nº 9.249/1995 (COFINS) MULTA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA 32. Assim dispõe o art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007: [...] 33. Os arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1996, por sua vez, têm a seguinte redação: [...] 34. Com efeito, restou nos autos comprovado que o contribuinte omitiu grande volume de receitas auferidas no DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, apresentado à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Consequentemente, dada à falsa declaração acerca das bases de cálculo, não houve declaração dos débitos relativos às contribuições do PIS e COFINS nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, em relação a todos os fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2008. 35. No presente caso, cumpre reconhecer a sonegação e a fraude, na tentativa da contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco Federal das receitas auferidas em sua atividade operacional, comprovadas nas DIRF apresentadas por terceiros e no Relatório de Faturamento apresentado pelo próprio contribuinte após o início do procedimento fiscal. 36. Caracterizase também como um procedimento doloso tendente a fraudar o Fisco, a medida que o contribuinte informa em DIPJ um faturamento de R$ 160.220.611,20, mas no demonstrativo de apuração das contribuições (DACON), informa um faturamento de apenas R$ 33.143.901,86. Agravado pelo fato de o Fl. 5197DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 9 8 próprio contribuinte ter apresentado durante o procedimento fiscal documentos que comprovam um faturamento de R$ 191.558.090,86. Somase a isso o fato de o contribuinte não ter apresentado à fiscalização as justificativas e os documentos fiscais e contábeis exigidos, com o evidente intuito de manter o Fisco Federal à margem da realidade/totalidade dos fatos geradores passíveis de tributação. 37. Cumpre esclarecer que no direito tributário penal, é possível reconhecer dois tipos de conduta e, consequentemente, de ilícitos fiscais: aqueles decorrentes de erro, aos quais deve ser aplicada a multa de ofício de 75%, e aqueles decorrentes de dolo, apenados com a multa de ofício qualificada de 150%. E assim sendo, como não se pode admitir que uma omissão tão expressiva das receitas comprovadamente auferidas na atividade da empresa seja decorrente de mero erro no preenchimento do DACON, então, não se vislumbra possível a descaracterização da conduta dolosa da empresa autuada. 38. Ressaltese, que a majoração aqui justificada, com a aplicação da Multa Qualificada de 150%, em relação às infrações verificadas no ano calendário de 2008, nos termos do disposto no artigo 44 da Lei 9.430/96; será acompanhada de devida Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos e na forma da legislação em vigor (Processo Administrativo n. 10882.720.939/201210). MULTA ISOLADA 39. O contribuinte estava obrigado a apresentar a Escrituração Contábil Digital ECD relativa ao ano calendário de 2008, nos termos do Instrução Normativa RFB n° 787 de 19 de novembro de 2007, uma vez que estava sujeito ao acompanhamento econômico tributário diferenciado, nos termos da Portaria RFB n° 11.211, de 7 de novembro de 2007 e à tributação do Imposto de Renda com base no Lucro Real. 40. Regularmente intimado o sujeito passivo não apresentou o recibo de transmissão da Escrituração Contábil Digital ECD, relativa ao ano calendário de 2008 e nos sistemas de controle da RFB não consta registro de sua transmissão. 41 .Nos termos do art. 5o da IN RFB n° 787, de 19 de novembro de 2007, foi aplicada a multa no valor de R$ 5.000,00 ( cinco mil reais) por mês calendário ou fração, pela não apresentação da ECD no prazo fixado. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS 42. Conforme petição inicial extraída dos autos do Processo de Recuperação Judicial n.° 152.01.2009.0170625/ 0000000000, as empresas requerentes, GELRE TRABALHO TEMPORÁRIO S/A, CNPJ 47.192.091/000178; ATRA PRESTADORA DE SERVIÇOS EM GERAL LTDA, CNPJ 45.180.072/000104; PGP PLANEJAMENTO E GESTÃO DE PROCESSOS LTDA, CNPJ 08.045.743/000190 e PLANSERVICE BACK OFFICE LTDA, CNPJ 74.330.838/000180; todas elas representadas neste ato pelo Sr. Johannes Antonius Maria Wiegerinck, CPF n." 000.041.70849, na qualidade de " Diretor Superintendente da primeira peticionaria e SócioAdministrador das demais", declaram integrar grupo econômico que têm como sócio majoritário a holding GELDRIA PARTICIPAÇÕES E SERVIÇOS LTDA, CNPJ 60.837.275/000106. 43. Na sentença de deferimento da recuperação judicial (acostada aos autos), o juiz reitera que as empresas supracitadas integram o mesmo grupo econômico e exercem a atividade de fornecimento de mão de obra temporária terceirizada. Fl. 5198DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 10 9 44. Os instrumentos contratuais dessas empresas, devidamente registrados na Junta Comercial de São Paulo (anexados aos autos), confirmam a confusão patrimonial, vinculação gerencial, coincidência de sócios e administradores e a caracterização do grupo econômico. 45. Com relação à a sujeição passiva solidária, o CTN estabelece as condições para que seja estabelecida a solidariedade: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. 46. A Lei Básica da Previdência Social Lei n° 8.212, de 24/07/1991 sem definir "grupo econômico", trata do efeito da sua existência, estabelecendo: Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; III receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: (...) d) as das empresas, incidentes sobre faturamento e lucro; "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n". 8.620. de 05/01/1993). (...) Cientificada dos autos de infração por via postal em 28/03/2012, a contribuinte apresentou impugnação, alegando: [...] II DO FATURAMENTO 10. A autuada executou as exclusões na base de cálculo da COFINS e do PIS, em estrita obediência a interpretação dada pelo Poder Judiciário, a quem cabe interpretar as leis, de que "não integram a base de cálculo do PIS e COFINS todas as entradas havidas na contabilidade das empresas agenciadoras de mãodeobra e serviços, senão que apenas as receitas por ela auferidas, sendo, tão somente neste particular, irrelevantes o tipo de atividade exercida ou a classificação contábil adotada para as receitas, nos termos do disposto no art. 3° § Io, da Lei n° 9.718/1998". 11. A Contribuinte, conforme constata do seu contrato social, é do ramo de locação de mão de obra e prestação de serviços e adepta a interpretação dada pelo Poder Judiciário, quanto ao conceito de Faturamento e base de cálculo, para fins de lançamento da COFINS e do PIS. 12. Tendo, pois, como objeto de seus contratos de prestação de serviços, os serviços de recrutamento, seleção e administração de contratados, consistente na mão de obra especializada para a prestação de serviços a terceiros em atividades administrativas, técnicas, operacionais de produção, de manutenção, de marketing, de telecomunicações, dentre outros, mediante a cobrança de TAXA ADMINISTRATIVA. Fl. 5199DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 11 10 13. Cabe frisar que, o AFRF nunca verificou a procedência da Receita Bruta, as Notas Fiscais e os contratos de prestação de serviços, para a apuração da base de cálculo e o lançamento dos referidos tributos, o que evidencia que a exclusão procedida não fere nenhuma norma legal, pois a apuração do tributo levou em conta o faturamento da Impugnante, consistente nas entradas das taxas de administração. 14. Não se pode perder de vista que a Impugnante, se enquadra no mesmo conceito disposto no artigo 4º da Lei n° 6.019/74, cujo objetivo é "colocar à disposição de outras empresas, trabalhadores, devidamente qualificados, por elas remunerados e assistidos", sendo que esta se reveste de natureza especial, tratando se de mera intermediadora entre a empresa tomadora e o prestador de serviço. 15. Portanto, tão somente os valores inerentes as "taxas de administração", é que podem constituir seu REAL FATURAMENTO passível de incidência da COFINS e do PIS, sendo de rigor a exclusão dos valores repassados pelas tomadoras de serviços para o pagamento dos salários e demais encargos trabalhistas. 16. Essa é a interpretação dada pelo Poder Judiciário, e se ao Poder Judiciário é dado interpretar as leis, sendo seu entendimento "uníssono" de que o faturamento das empresas prestadoras de serviços consiste, basicamente, na TAXA DE AGENCIAMENTO percebida das empresas cessionárias, em contraprestação aos serviços realizados, desnecessário, a nosso ver, socorrerse a ele para poder ter medida judicial que autorize fazer tais exclusões. 17. A própria Constituição Federal da República, em seu artigo 195, I, b, bem como as leis n° 10.833/03 e 10.637/02, são claras ao dispor que a base de cálculo para apuração da COFINS e do PIS é o FATURAMENTO, e este só pode ser inerente ao próprio contribuinte da relação jurídica tributária, não sendo legal/constitucional tributar o faturamento de terceiros. 18. Nesse sentido, justificando o nosso entendimento a respeito da exclusão dos valores (salários e encargos trabalhistas) que são repassados para as empresas prestadoras de serviços, por não constituírem receita desta, mas tão somente valores de terceiros que transitam por sua contabilidade. [...] 23. Resta cristalino que o conceito de faturamento já está solidificado no âmbito do direito privado, tanto na doutrina quanto na legislação e jurisprudência, conforme cópia de acórdão acostadas, sendo expressamente vedado à legislação tributária alterálo, sob pena de ofensa ao artigo 110 do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: [...] 24. Ademais, além de patente ofensa ao artigo 110 do Código Tributário Nacional, o Fisco Federal ao incluir na base de cálculo os valores aqui discutidos, acaba por extrapolar a capacidade contributiva das empresas de locação de mão de obra, bem como atentar contra o Princípio do Não Confisco, na medida em que "mascara" como receitas tributáveis valores de terceiros que são meramente repassados para o pagamento dos funcionários e seus encargos, para assim, tornaremse passíveis de tributação. 25. Com todas as vênias, ante todo o exposto na doutrina e jurisprudência, cabe a Receita Federal do Brasil acatar essa interpretação, até mesmo porque já foi objeto de pronunciamento pelo STJ e STF, e não se agarrar a letra fria da lei só pela gana em arrecadar a qualquer custo. [...] Fl. 5200DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 12 11 III DO LANÇAMENTO ABUSIVO 28. O levantamento fiscal do Auditor fiscal está tão equivocado que afirma categoricamente que a Impugnante recebeu rendimentos tributáveis de R$ 191.558.090,86 (cento e noventa e um milhões, quinhentos e cinqüenta e oito mil noventa reais e oitenta e seis centavos) e que a defendente sofre a devida retenção do COFINS E PIS nas notas de fatura, porém não considera estes valores para apurar o quanto devido a título destes tributos. 29. Ora, todas as receitas auferidas da prestação de serviços realizadas pela Impugnante foram com as competentes notas fiscais, tanto que não está sendo acusada de recebimento de receitas sem origem, todas as entradas foram devidamente comprovadas e documentadas. 30. Desse modo, se a Impugnante recebeu essa quantia toda de faturamento, sofreu a retenção do correspondente a 3% deste importa a título de COFINS, que corresponde ao total de R$ 5.746.742,73, com mais o valor recolhido pela contribuinte esta não deve nada ao erário. [...] 35. O fiscal desconsidera tudo isso e apenas faz uma análise equivocada dos fatos, desconsidera que foram emitidas notas fiscais, e as retenções feitas pelos contratantes, para considerar todos os valores como receitas omitidas, de forma totalmente equivocada e abusiva, conforme a planilha constante a fl. 11 do termo de verificação fiscal. 36. Importante salientar que, a Impugnante declarou na sua DACON e DIPJ que seu faturamento, em razão de que entende faturamento corresponde à taxa de administração de trabalho temporário e de recrutamento e seleção dos trabalhadores selecionados para eventos e promoções de produtos, e excluía da base de cálculo os valores referentes aos encargos trabalhistas e sociais pagos aos trabalhadores temporários. 37. Inclusive impetrou Mandado de Segurança para tanto perante a 24a Vara Federal da Subseção Judiciária de São Paulo, sob o n° 2005.61.00.0123479, onde obteve liminar e sentença concedendo lhe o direito de somente recolher o PIS e a COFINS sobre os valores da taxa de administração de trabalho temporário e de recrutamento e seleção dos trabalhadores selecionados para eventos e promoções de produtos, sendo excluídos da base de cálculo os valores referentes aos encargos trabalhistas e sociais (docs. n° 03). 38. Portanto, está mais caracterizado de que os valores de prestação de serviço de trabalho temporário e que a mesma não deve os valores exigidos no presente auto de infração. Deve o Auditor fiscal ir atrás das empresas que fizeram as retenções e não repassaram os valores devidos ao fisco. 39. Não pode simplesmente fazer uma alegação falsa, de que a Impugnante declarou a menor na DACON e na DIPJ. 40. A Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais do antigo Conselho de Contribuintes atual CARF pacificou que a fiscalização tem que fazer um liame entre a receita declarada, a supostamente omitida vinculando a transações comerciais e/ou que estão fora das receitas declaradas, conforme decisão publicada no Diário Oficial da União de 14 de dezembro de 2000, Acórdão CSRF/0102.863, que segue a ementa abaixo transcrita: [...] Fl. 5201DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 13 12 41. No caso em tela, o Fiscal teve todos os elementos necessários para fazer esse liame e respeitar o princípio da verdade material, ao invés disso preferiu desconsiderar todos os documentos, provas, contabilidade e depoimentos, e realizar o trabalho mais fácil e mais curto, que foi colocar tudo como omissão de receita. [...] 43. A Impugnante, pessoa jurídica tributada pelo lucro liquido, demonstrou cabalmente que não sonegou nada, até porque todos os seus recebimentos sofrem retenções na fonte dos 4 (quatro) tributos exigidos no presente processo administrativo. IV DA MULTA QUALIFICADA 45. O D. auditor fiscal aplicou nos presentes autos de infração a multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) nos termos do art. 44, § Io da Lei n°9.430/96, por entender que houve sonegação de informações nas DIPJ's e DCTF's. 46. Ocorre que conforme acima salientado não existiu nenhuma omissão por parte da contribuinte, esta atendeu a fiscalização corretamente, apesar de estar com dificuldades financeiras, inclusive em recuperação judicial, conforme narrado no próprio termo de verificação fiscal, não sonegou nenhuma informação, emitiu todas as notas fiscais de serviço, DACON e DIPJ, inclusive sendo utilizados todos estes documentos no trabalho fiscal. 47. O que ocorreu foi que lançou em seus documentos fiscais a taxa de administração do trabalho temporário e terceirização de mãodeobra como seu faturamento e base de cálculo para as contribuições ao PIS e da COFINS. 48. Assim, não se trata de omissão de receitas, mas sim de interpretação a lei, que além de escorada em decisões judiciais favoráveis a Impugnante conforme narrado, também avalizada por parecer jurídico da lavra do Professor Paulo de Barros Carvalho (doe. n° 221/250) 49. Portanto, caso mantidos os autos de infrações, o que se admite apenas por hipótese, deve ser afastada a multa qualificada, uma vez que não existiu sonegação ou fraude ao erário. Ao final, requer a desconstituição dos lançamentos dos autos, e a produção de provas por todos os meios admitidos, em especial, a perícia contábil e juntada de documentos, para o que já indica seu assistente pericial, bem como os quesitos que pretende ver respondidos. Cientificadas do Termo de Sujeição Passiva Solidária e dos autos de infração em tela, as empresas PLANSERVICE BACK OFFICE LTDA, ATRA PRESTADORA DE SERVIÇOS EM GERAL LTDA, PGP PLANEJAMENTO E GESTÃO DE PROCESSO LTDA, GELDRIA PARTICIPAÇÕES E SERVIÇOS LTDA apresentaram suas impugnações (todas redigidas com o mesmo conteúdo) nas quais requerem a exclusão de sua responsabilidade solidária sobre os créditos tributários em questão. Alegam: 10. Conforme acima salientado, o Auditor fiscal não comprovou, nem mesmo descreveu o motivo da Impugnante ter interesse comum no fato gerador da obrigação tributária. 11.O artigo 124, inc. I, do Código Tributário Nacional dispõe que: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 5202DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 14 13 I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;. " 12.A norma não define o que é interesse comum na situação que constitua fato gerador, porém se entende como as pessoas que tenham participado do fato gerador de forma conjunta, conforme ensina Macedo Oliveira, "in verbis ": [...] 13."Data máxima vénia", não se trata do caso em tela, uma vez que a Impugnante não está envolvida na realização dos fatos geradores que geraram os presentes autos de infrações. É apenas empresa do grupo econômico e goza de independência dos seus atos e gestão, conforme o princípio da independência dos estabelecimentos. 14. Quanto a determinação do inc. II do art. 124 do CTN também não é aplicável no caso, uma vez que a designação legal utilizada pelo D. auditor fiscal para imputar a responsabilidade solidária a Impugnante não prevê sobre PIS e COFINS, que são os tributos exigidos no processo administrativo tributário em tela. 15. Para tentar imputar responsabilidade tributária de forma indevida à Impugnante, o D. Fiscal, no termo de verificação fiscal, estabeleceu que a responsabilidade solidária advêm de expressa determinação do art. 30, inc. IX, da Lei n° 8.212/91, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social, institui Plano de Custeio. 16. Ora, o art. 30, inc. IX da Lei n° 8.212/91 estabelece que as empresas que integram grupo econômico respondem solidariamente pelas obrigações decorrentes desta lei, "in verbis ": [...] 17. As obrigações tributárias decorrentes da Lei n° 8.212./91 são as contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de salários e demais remunerações pagas aos segurados empregados e trabalhadores avulsos (art. 22, inc. I) e contribuição social ao SAT (art. 22, inc. II). 18. Nos presentes autos de infrações, o único tributo exigido para o custeio da seguridade social é a COFINS, o qual não configura obrigação tributária decorrente da Lei n° 8.212/95. E disciplinada pela Lei Complementar n° 70/91, Lei n° 9.718/98 e posteriores alterações. 19. Desse modo, incabível a aplicação da solidariedade decorrente de expressa previsão legal, tendo em vista que nos autos de infrações ora questionados não estão exigindo as contribuições previdenciárias disciplinadas pela Lei n° 8.212/91. 20. Ante o exposto, fica claro que a Impugnante não tem responsabilidade alguma sobre os débitos tributários em questão, a uma por não ter concorrido para a realização dos fatos gerados em tela; a duas por não existir previsão legal para lhe imputar responsabilidade solidária quanto ao PIS e COFINS. Igualmente cientificados do Termo de Sujeição Passiva Solidária e dos autos de infração em tela, os diretores JOHANNES ANTONIUS MARIA WIEGERINCK e JAN MARIA WIEGERINCK apresentaram suas impugnações (todas redigidas com o mesmo conteúdo) nas quais requerem a exclusão de sua responsabilidade solidária sobre os créditos tributários em questão. Alegam: Fl. 5203DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 15 14 10. Conforme acima salientado, o Auditor fiscal não comprovou, nem mesmo descreveu, qual ato o Impugnante cometeu para ser responsabilizado solidariamente, e ainda responsabilizou o Impugnante nos termos do art. 135 do CTN. Por sua vez, o artigo 135, inc. III, do Código Tributário Nacional somente prevê uma única hipótese do sócio respondendo pelo débito tributário da empresa, que é no caso de ele praticar atos ilegais, com excesso de poder e que resultem na obrigação tributária, "in verbis ": [...] 12. Desta feita, o Impugnante somente poderia ser considerado como responsável pelos débitos tributários da empresa e ser incluso no polo passivo da ação fiscal em tela, se não cumprisse as determinações do contrato social ou do estatuto ou realizasse atos ilícitos que gerassem obrigações tributárias para a pessoa jurídica. 13. "Data máxima venia", não se trata do caso em tela, uma vez que não foi realizado nenhum ato irregular na gestão da empresa ora autuada, apenas o Fiscal entendeu que ocorreu a falta de recolhimento dos tributos devidos, os quais são devidos por qualquer empregador e a Contribuinte recolheu e não omitiu nenhuma receita, conforme descrito e comprovado em sua defesa. 14. Portanto, não se trata de nenhum ato ilegal ou contrário ao contrato social ou estatuto da empresa, somente entendimento equivocado da D. Fiscalização. 15. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento que sócio gerente não responde pela dívida tributária da empresa pela simples falta de recolhimento de tributo, conforme se pode observar nas ementas abaixo vazadas, "in verbis "... 17. Ante o exposto, fica claro que o Impugnante não tem responsabilidade alguma sobre os débitos tributários em questão, uma vez que não é mais sócio, bem como nunca geriu a empresa e o débito tributário em questão não advém de ato ilegal e contrário ao objeto social da sociedade. A par dos argumentos lançados na Impugnação apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a as defesas em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2008 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INSTAURAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. O litígio administrativo se instaura com a apresentação de impugnação tempestiva. As matérias que não tenham sido especificamente impugnadas, consideramse definitivamente constituídas na esfera administrativa. No caso, restaram definitivas por ausência de questionamento a multa regulamentar lançada em razão da falta de apresentação dos arquivos digitais solicitados, e a glosa dos créditos não comprovados no âmbito da apuração das contribuições para o PIS e a Cofins apuradas pelo regime não cumulativo. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Fl. 5204DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 16 15 As provas documentais devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, excetuado fundado motivo para não têlo feito naquela oportunidade. DILIGÊNCIA.PRESCINDIBILIDADE. A conversão do julgamento em diligência só se revela necessária para elucidar pontos duvidosos que requeiram conhecimento técnico especializado para o deslinde de questão controversa. Não se justifica a sua realização quando presentes nos autos elementos suficientes a formar a convicção do julgador. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2008 LANÇAMENTO. OMISSÃO DE RECEITA. PROCEDÊNCIA. A apresentação de documentos durante o procedimento de fiscalização evidenciando faturamento superior ao informado nas declarações apresentadas configura a omissão de receita, não sendo o caso de presunção legal. LANÇAMENTO. DEDUÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES RETIDAS NA FONTE. PROCEDÊNCIA. Demonstrado que o lançamento considerou como dedução dos valores apurados os montantes de contribuição retidos na fonte quando do recebimento das receitas de prestação de serviços, procedente a exigência do saldo devedor remanescente. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; e das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. PESSOA JURÍDICA. INTERESSE COMUM. GRUPO ECONÔMICO. Caracterizado o interesse comum das pessoas jurídicas na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e, por outro lado, havendo previsão legal que estabelece a obrigação solidária entre empresas integrantes de grupo econômico, correta a designação das pessoas jurídicas como sujeitos passivos solidários, nos termos do artigo 124, incisos I e II do CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ADMINISTRADORES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os Fl. 5205DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 17 16 mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Correto o procedimento do Fisco em elaborar, contra os administradores do sujeito passivo, quando presentes os pressupostos legais do artigo 71, I, da Lei nº 4.502/64 e artigo 135, III, do CTN, o Termo de Sujeição Passiva Solidária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS é o valor do faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, consoante disposições das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS é o valor do faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, consoante disposições das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra esta decisão foram apresentados Recursos Voluntários onde são reprisados os argumentos lançados nas Impugnações apresentadas. É o relatório. Voto Vencido Em Parte Conselheiro ALEXANDRE GOMES Os Recursos Voluntários são tempestivos, preenchem os demais requisitos e deles tomo conhecimento. Conforme se pode depreender do relatório acima transcrito contra a Recorrente foi lavrado auto de infração para constituir créditos de PIS e COFINS no ano de 2008, tendo em vista que a contribuinte deixou de declarar e apurar os valores devidos de contribuições sobre o seu faturamento. Fl. 5206DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 18 17 Em sua defesa a Recorrente Gelre Trabalho Temporário alegou que somente incidiriam as contribuições sociais sobre o que denominou de Taxa de Administração, sendo de rigor a exclusão dos valores repassados pelas tomadoras de serviços para o pagamento dos salários e demais encargos trabalhistas. Insurgiuse também contra a aplicação da multa de 150%, uma vez que não houve sonegação fiscal, posto que tratouse apenas de interpretação da lei escorada inclusive em decisões judiciais. As demais empresas responsabilizadas solidariamente apresentam impugnação somente quanto a suas responsabilizações, ao argumento de que a existência de grupo econômico por si só não permitiria a aplicação do art. 124 do CTN. Alegaram também a inaplicabilidade do disposto no art. 30 da Lei nº 8.212/91. Também os sócio gerentes requereram a exclusão do polo passivo sob o argumento de que não agiram com excesso de poder ou com pratica de atos ilegais. Feito este breve resumo, divido a análise do presente processo nos seguintes tópicos: (i) faturamento da empresas de trabalho temporário; (ii) a aplicação da multa de ofício de 150%; (iii) responsabilidade solidária de empresas do mesmo grupo econômico; e (iv) responsabilidade solidária dos sócios gerentes. (i) faturamento da empresas de trabalho temporário. A Recorrente submeteu a tributação do PIS e da COFINS somente parte dos valores recebidos de seus contratantes sob o argumento de que sua receita estaria restrita a Taxa de Administração, não podendo ser nela incluídas as verbas necessárias ao pagamentos de sua folha de salários e encargos trabalhistas. Informou que a matéria foi submetida ao judiciário que reconheceu seu direito por meio de sentença datada de 09/06/2006, nos seguintes termos: Diante do exposto, julgo procedente o pedido e CONCEDO A SEGURANÇA, tomando definitiva a liminar concedida provisoriamente para o fim de garantir o direito da Impetrante de recolher PIS e COFINS sobre os valores referentes à taxa de administração do trabalho temporário, sendo excluído da base de cálculo e da retenção os salários dos trabalhadores temporários, os encargos trabalhistas e os encargos sociais. A Autoridade autuante esclareceu que referida sentença foi reformada em 17/03/2010, por meio de acórdão proferido pelo Tribunal Regional da 3ª Região. Neste ponto ressalto que, em relação as competências abrangidas pelo presente processo (ano de 2008), a Recorrente possuía sentença que lhe permitia excluir da base de cálculo das contribuições os valores relativos aos salários de seus trabalhadores e os encargos sobre eles incidentes. Somente em março de 2010 esta decisão deixou de existir. Fl. 5207DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 19 18 Destaco também que o auto de infração foi lavrado em 21/03/2012, quando não mais existia a decisão judicial favorável, motivo pelo qual houve o lançamento com multa de ofício. Não são necessárias maiores tergiversações a respeito da evidente existência de concomitância, uma vez que a matéria foi submetida ao judiciário, o que afasta a análise da matéria por este órgão julgador. Este tema encontrase, inclusive, sumulado neste órgão colegiado nos seguintes termos: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nunca é demais lembrar que as súmulas editadas pelo CARF são de aplicação obrigatória, nos termos do art. 721 do Regimento Interno. Ainda que assim não fosse, melhor sorte não assistiria ao Recorrente, tendo em vista que o tema já foi julgado pelo STJ no regime do art. 543 C do CPC, como se vê na ementa do julgamento que abaixo transcrevo: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. VERIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ, DA CSLL, DO PIS E DA COFINS. VALORES DESTINADOS AO PAGAMENTO DE SALÁRIOS E DEMAIS ENCARGOS TRABALHISTAS DOS TRABALHADORES TEMPORÁRIOS. 1. Ausente o interesse de agir em relação ao pedido de exclusão das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, devidos pela empresa de trabalho temporário, dos valores atinentes a salários e encargos da mãodeobra contratada por conta e ordem dos tomadores de serviços, por já haver a previsão legal para tal dedução no regime de apuração pelo lucro real. 2. Não é possível para a empresa alegar em juízo que é optante pelo lucro presumido para em seguida exigir as benesses a que teria direito no regime de lucro real, mesclando os regimes de apuração. 3. A base de cálculo do PIS e da COFINS, independentemente do regime normativo aplicável (Leis Complementares 7/70 e 70/91 ou Leis ordinárias 10.637/2002 e 10.833/2003), abrange os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mãodeobra temporária (regidas pela Lei 6.019/74 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observa ncia obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 5208DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 20 19 e pelo Decreto 73.841/74), a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários. 4. Tema já julgado sob o regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/08 no REsp. n. 1.141.065 SC, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.12.2009. 5. Agravo regimental não provido.( AgRg nos EDcl no AgRg no Ag 1105816 / PR. Relator Min. Mauro Campbel Marques. Dje 15/12/2010.) Assim, o precedente seria aplicável ao presente caso nos termos do art. 62 A2 do Regimento Interno do CARF. Isto posto, não conheço do Recurso Voluntário neste tópico. (ii) a aplicação da multa de ofício de 150%. O Auto de infração lavrado assim fundamentou a aplicação da multa majorada: 34. Com efeito, restou nos autos comprovado que o contribuinte omitiu grande volume de receitas auferidas no DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, apresentado à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Consequentemente, dada à falsa declaração acerca das bases de cálculo, não houve declaração dos débitos relativos às contribuições do PIS e COFINS nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, em relação a todos os fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2008. 35. No presente caso, cumpre reconhecer a sonegação e a fraude, na tentativa da contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco Federal das receitas auferidas em sua atividade operacional, comprovadas nas DIRF apresentadas por terceiros e no Relatório de Faturamento apresentado pelo próprio contribuinte após o início do procedimento fiscal. 36. Caracterizase também como um procedimento doloso tendente a fraudar o Fisco, a medida que o contribuinte informa em DIPJ um faturamento de R$ 160.220.611,20, mas no demonstrativo de apuração das contribuições (DACON), informa um faturamento de apenas R$ 33.143.901,86. Agravado pelo fato de o próprio contribuinte ter apresentado durante o procedimento fiscal documentos que comprovam um faturamento de R$ 191.558.090,86. Somase a isso o fato de o contribuinte 2 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justic a em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no a mbito do CARF Fl. 5209DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 21 20 não ter apresentado à fiscalização as justificativas e os documentos fiscais e contábeis exigidos, com o evidente intuito de manter o Fisco Federal à margem da realidade/totalidade dos fatos geradores passíveis de tributação. 37. Cumpre esclarecer que no direito tributário penal, é possível reconhecer dois tipos de conduta e, consequentemente, de ilícitos fiscais: aqueles decorrentes de erro, aos quais deve ser aplicada a multa de ofício de 75%, e aqueles decorrentes de dolo, apenados com a multa de ofício qualificada de 150%. E assim sendo, como não se pode admitir que uma omissão tão expressiva das receitas comprovadamente auferidas na atividade da empresa seja decorrente de mero erro no preenchimento do DACON, então, não se vislumbra possível a descaracterização da conduta dolosa da empresa autuada. A multa aplicada encontra fundamento na Lei nº 9.430/96, que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A lei 4.502, por sua vez, assim tipifica a sonegação, a fraude e o conluio: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 5210DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 22 21 No caso concreto a imputação fiscal é de que a conduta reiterada da Recorrente em omitir os valores da totalidade de suas receitas operacionais nas DACONs e DCTFs apresentadas durante o ano de 2008. Tais procedimentos importariam em sonegação e fraude uma vez que teriam retardado o conhecimento do fato gerador do tributo e das receitas operacionais da Recorrente por parte do fisco. Neste ponto, discordo do entendimento exarado no acórdão recorrido. Como tenho reiteradamente defendido, a aplicação da multa agravada deve ser analisada de maneira bastante atenta, uma vez que a conduta típica (impedir ou retardar o conhecimento) deve estar bem caracterizada. Digo isto porque, com a quantidade de obrigações acessórias a que estão submetidos os contribuintes, a alegação de não conhecimento dos fatos se torna bastante complexa. Conforme destacado pela autoridade fiscal a Recorrente informou em DIPJ a totalidade de sua receita, porém informou em DACON e DCTF valores menores. Concordo com a decisão recorrida que as parcelas controversas deveriam ter sido declaradas na DACON e DCTF com a exigibilidade suspensa, porém a meu ver isto, por si só, não atrai a aplicação da multa agravada. Ainda mais se consideramos que a Recorrente possuía decisão judicial que determinava expressamente que a base de cálculo das contribuições seria apenas a taxa de administração, excluíndose os valores relativos a remuneração dos trabalhadores temporários e os respectivos encargos incidentes. Desta decisão a Receita Federal não poderia alegar desconhecimento, uma vez que a União atuou efetivamente no processo judicial, tendo inclusive logrado êxito em rever a sentença proferida, por meio de Recurso de Apelação junto ao TRFda 3ª Região. Contudo, importante destacar que o procedimento de fiscalização foi de fato permeado por inúmeras contratempos e dificuldades, tendo inclusive deixado de ser atendidas algumas da intimações efetuadas pela fiscalização. Necessário assim, verificar se estes percalços seriam suficientes para caracterizar a conduta da Recorrente nos tipos penais “sonegação” ou “fraude”. Em sua defesa, a Recorrente alegou que encontravase em recuperação judicial e que encontravamse "impossibilitada de atender às exigências documentais solicitadas pela referida fiscalização, pelo que pede complacência e um maior prazo para organizarse, visando responder aos pedidos da fiscalização". Aduz que o auto de infração foi baseado em documentos que foram por ela apresentados. De fato, do relatório fiscal é possível verificar que a Recorrente apresentou diversos documentos, senão vejamos: Em 09/11/2011, o contribuinte protocolou petição, através da qual apresenta os seguintes documentos justificativas: Fl. 5211DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 23 22 19.1.1. Em relação ao Livro Registro de Notas Fiscais, solicita prazo adicional de 30 dias para sua apresentação. 19.1.2. Em relação às Notas Fiscais, apresenta planilha individualizada contendo todas as notas fiscais que foram emitidas pela Empresa Gelre no ano calendário de 2008 e CD com aproximadamente 60% das notas impressas eletronicamente. 20. Com base nos arquivos digitais apresentados pelo contribuinte (anexados aos autos), foi apurado por esta fiscalização um faturamento total de R$ 191.558.090,86 no ano calendário de 2008. Até a presente data, não foi apresentado o Livro Registro de Notas Fiscais de Prestação de Serviços. No CD apresentado pelo contribuinte, constam apenas Notas Fiscais emitidas pela Matriz e 08 (oito) filiais localizadas no município de São Paulo SP (foi anexado aos autos uma amostra dessas NFs). No cadastro CNPJ, constavam 137 filiais ativas no ano calendário de 2008. Mediante análise por amostragem do arquivo digital de Notas Fiscais, confirmouse a veracidade dos valores registrados no Relatório de Faturamento apresentado pelo contribuinte durante o procedimento de fiscalização. Conforme atesta a própria fiscalização, o valor do faturamento total foi apurado com base nos documentos carreados aos autos pela Recorrente. Em relação as informações constantes na DACON a Recorrente afirma que declarou apenas somente os valores relativos a Taxa de Administração, motivo pelo qual havia a divergência entre os valores apontados na DIPJ e DACON. Como tenho me manifestado reiteradamente neste colegiado, entendo que somente em casos onde fica evidente o doloso embaraço a fiscalização é que seria cabível a aplicação da multa majorada. Reforça tal entendimento as lições de Marco Aurélio Greco3 para quem a aplicação da multa majorada, e a “exceção da exceção”, e, portanto, só seria aplicável “em hipóteses absolutamente nítidas que não envolvam avaliações subjetivas e cujos fatos tenham sua qualificação jurídica incontroversa. No presente processo apesar de existirem reiteradas solicitações de apresentação de documentos e informações não atendidas, ou atendidas de forma parcial, pela Recorrente, é inquestionável que o lançamento fiscal ocorreu com base nas declarações e documentos apresentados pela Recorrente. Devo destacar também que a autoridade coatora do Mandado de Segurança impetrado pela Recorrente era o Delegado da Receita Federal de São Paulo, que inclusive deixou de prestar as informações requeridas pelo Juízo no prazo legal, como restou consignado na sentença de fls 4.988. Assim, dentro do contexto acima descrito, que envolve empresa em recuperação judicial que tinha sentença favorável que lhe, à época dos fatos geradores, permitia 3 In ob. Cit. Pag 151 Fl. 5212DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 24 23 as exclusões da base de calculo do PIS e da COFINS, decisão que a Receita Federal tinha conhecimento. Considerando ainda que, o lançamento efetuado ocorreu a partir dos documentos e informações apresentados pela Recorrente, não vislumbro o dolo necessário para a imposição da multa agravada, nem obstáculo que tenha acarretado prejuízo ao lançamento efetuado. Sobre o tema, transcrevo as decisões da Câmara Superior Recursos Fiscais CSRF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2002, 2003 MULTA AGRAVADA, INAPLICABILIDADE. Esta 2ª Turma da CSRF firmou entendimento no sentido de que para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte ao não responder às intimações da autoridade fiscal no prazo por esta assinalado o faça de forma intencional e que acarrete prejuízo no procedimento fiscal, obstaculizando a lavratura do auto de infração, o que não ocorreu no presente caso. Recurso especial negado. (Acórdão 9202002.839, de 12 de setembro de 2013. Relator Conselheiro Elias Sampaio) MULTA. AGRAVAMENTO DA PENALIDADE. Somente nos casos dispostos no Art. 44 da Lei 9.430/1996 é que a legislação determina o agravamento da multa de oficio. MULTA DE OFICIO AGRAVADA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA O LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Devese desagravar a multa de oficio, pois o Fisco já detinha informações suficientes para concretizar a autuação. Assim, o não atendimento às intimações da fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração, não criando qualquer prejuízo para o procedimento fiscal. Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão nº 920201.949, de 15 de fevereiro de 2012, Redator Designado: conselheiro Marcelo Oliveira) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2003 a 31/12/2004 MULTA AGRAVADA. Fl. 5213DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 25 24 Incabível aplicação de multa agravada por acusação de embaraço à fiscalização, quando o contribuinte, apesar de fora do prazo, atende aos termos da intimação e ainda verificase que o Fisco possuía em seu poder documentos que possibilitavam efetuar o lançamento. Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão nº 9303 001.727, de 06 de DEZEMBRO de 2012, Redator Designado: conselheira Nanci Gama) Por todo o exposto, não tendo havido prejuízo a lavratura do auto de infração afasto a multa agravada, reduzindo a multa aplicada para 75%. (iii) responsabilidade solidária de empresas do mesmo grupo econômico. A Fiscalização imputou responsabilidade solidaria pelos créditos apurados às demais empresas relacionadas no presente auto de infração, sob o argumento de pertencerem ao mesmo grupo econômico, o que caracterizaria o interesse comum das pessoas jurídicas na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal. Fundamentou seu ato no art. 124, inciso I do CTN, que assim prescreve: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Para justificar a responsabilização das empresas do grupo econômico existentes, restou consignado no Termo de Verificação Fiscal que: Os instrumentos contratuais dessas empresas, devidamente registrados na Junta Comercial de São Paulo (anexados aos autos), confirmam a confusão patrimonial, vinculação gerencial, coincidência de sócios e administradores e a caracterização de grupo econômico. Citou também o disposto no art. 30, IX da lei 8.212/91, nos seguintes termos: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Ao analisar o dispositivo do Código Tributário Nacional acima citado, Mizabel Abreu Machado Derzi4, traz importante lição: 4 in Direito Tributário Brasileiro, Aliomar Baleeiro. Notas de atualização 12ª Ed. Rio de Janeiro. Forense. 2013 Fl. 5214DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 26 25 A solidariedade não é espécie de sujeição passiva por responsabilidade indireta, como querem alguns. O Código Tributário Nacional, corretamente disciplina a matéria em seção própria, estranha ao capitulo V, referente à responsabilidade. É que a solidariedade é simples forma de garantia, a mais ampla das fidejussórias. Quando houver mais de um obrigado no pólo passivo da obrigação tributária (mais de um contribuinte, ou um contribuinte e responsável, ou apenas uma pluralidade de responsáveis), o legislador terá de definir as relações entre os coobrigados. Se são eles solidariamente obrigados, ou subsidiariamente, com beneficio de ordem ou não, etc.. A Solidariedade não é, assim, forma de inclusão de um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, apenas forma de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já compõem o pólo passivo. Vale também destacar que a solidariedade não se presumo, como bem determina o Código Civil: Art. 265. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes. Ao analisar detidamente o que dispõe a art. 124 do CTN verifico que para fazer incidir a solidariedade devem, as partes, terem interesse comum em situação que constitua o fato gerador do tributo, ou seja, ambas devem figurar no polo passivo da obrigação tributária. Para Fabio Pallaretti Calcini5 é “possível verificar, portanto, que a responsabilidade tributária, em virtude do “interesse comum” na ocorrência do fato gerador da obrigação principal, demanda basicamente um interesse jurídico e não meramente fático, econômico, social, além de necessitar que as pessoas partícipes do fato jurídico tributário não estejam em situação oposta no ato, fato ou relação negocial, ou contrário, que se quedem em situação de comunhão, como, por exemplo, no caso de coproprietários e a incidência do IPTU ou na incidência de Imposto sobre a Renda e sua relação com os cônjuges. Assim, o fato de pertencerem a um mesmo grupo econômico por si só, não implica na configuração do interesse comum na ocorrência do fato gerador. O Superior Tribunal de Justiça tem reiteradamente decidido no sentido de que para caracterização da solidariedade, é preciso que as empresas pertencentes ao grupo econômico realizem em conjunto ato que importe na ocorrência do fato gerador, como sem vê: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ entende que existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a 5 in RDDT nº 167, Agosto de 2009. p. 44 Fl. 5215DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 27 26 situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. 2. A pretensão da recorrente em ver reconhecido o interesse comum entre o Banco Bradesco S/A e a empresa de leasing na ocorrência do fato gerador do crédito tributário encontra óbice na Súmula 7 desta Corte. Agravo regimental improvido. (STJ. AgRg no AREsp 21073 / RS DJe 26/10/2011) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. PESSOAS JURÍDICAS QUE PERTENCEM AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. CIRCUNSTÂNCIA QUE, POR SI SÓ, NÃO ENSEJA SOLIDARIEDADE PASSIVA. 1. O entendimento prevalente no âmbito das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte é no sentido de que o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN. Ressaltese que a solidariedade não se presume (art. 265 do CC/2002), sobretudo em sede de direito tributário. 2. Embargos de divergência não providos. (STJ. EREsp 834044 / RS) E ainda: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA (LETRAS FINANCEIRAS DO TESOURO). AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. RECUSA. POSSIBILIDADE. MENOR ONEROSIDADE. ART. 620 DO CPC. SÚMULA 7∕STJ. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. 1. É legítima a recusa pela exeqüente de nomeação à penhora de bem de difícil alienação, in casu, as apólices da dívida pública, sem cotação na Bolsa de Valores. Precedentes: (AgRg no Ag 616978 ∕ RJ Rel. Min. LUIZ FUX DJ 20.06.2005; AgRg no Ag 705716 ∕ SP Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI DJ 28.11.2005; AgRg no REsp 476560∕RS Rel. Min. ELIANA CALMON DJ 02.06.2003). 2. A exegese do art. 656 do CPC (aplicável subsidiariamente à execução fiscal) torna indiscutível a circunstância de que a gradação de bens estabelecida no artigo 655 visa favorecer apenas o credor∕exeqüente, porquanto a nomeação pelo executado só é válida e eficaz se houver concordância daquele. Fl. 5216DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 28 27 3. O Tribunal a quo concluiu pela configuração da hipótese extremada. Por isso que afastar tal premissa esbarra no óbice da Súmula 7∕STJ. 4. Na relação jurídicotributária, quando composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuinte, cada uma delas estará obrigada pelo pagamento integral da dívida, perfazendo se o instituto da solidariedade passiva. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. 5. A Lei Complementar 116∕03, definindo o sujeito passivo da regramatriz de incidência tributária do ISS, assim dispõe: "Art. 5º. Contribuinte é o prestador do serviço." 6. Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei." 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá Fl. 5217DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 29 28 no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220) 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. 10. In casu, verificase que o Banco Alfa S∕A não integra o pólo passivo da execução, tãosomente pela presunção de solidariedade decorrente do fato de pertencer ao mesmo grupo econômico da empresa Alfa Arrendamento Mercantil S∕A. Há que se considerar, necessariamente, que são pessoas jurídicas distintas e que referido banco não ostenta a condição de contribuinte, uma vez que a prestação de serviço decorrente de operações de leasing deuse entre o tomador e a empresa arrendadora. 11. Recurso especial parcialmente provido, para excluir do pólo passivo da execução o Banco Alfa S∕A, mantida a penhora imposta pelo Tribunal a quo. Como se vê, a jurisprudência é farta no sentido de restringir a aplicação do disposto no art. 124, I do CTN. No presente caso, não há evidencia de que houve atuação conjunta das empresas envolvidas na prestação dos serviços, tendo a acusação fiscal se baseando apenas na existência do grupo econômico e na coincidência de sócios (juntou como prova os atos constitutivos registrados na Junta Comercial de São Paulo. Por fim em relação ao dispositivo da Lei 8.212/91, citado também como fundamento para a responsabilização perpetrada, entendo que sua aplicação se limita as contribuições previstas na própria Lei 8.212/91, como por exemplo, as previstas no art. 22 da referida norma legal. Tal interpretação advém da leitura literal da parte final do inciso IX que expressamente determina a responsabilidade pelas obrigações decorrentes da Lei 8.212/91. Neste contexto dou provimento aos Recursos Voluntários apresentados por PLANSERVICE BACK OFFICE LTDA, ATRA PRESTADORA DE SERVIÇOS EM GERAL LTDA, PGP PLANEJAMENTO E GESTÃO DE PROCESSO LTDA, GELDRIA PARTICIPAÇÕES E SERVIÇOS LTDA, para afastar a responsabilidade solidária a elas imputada pelo lançamento sob análise nos presente processo. (iv) responsabilidade solidária dos sócios gerentes. Fl. 5218DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 30 29 Foram também responsabilizados os sócios gerentes da Recorrente, posto que “são pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado”. Cita o disposto no art. 135, II do CTN, in verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) II os mandatários, prepostos e empregados; Cito, do termo de Verificação Fiscal, os motivos ensejaram a responsabilização dos sócios: No presente caso tendo sido lançada a multa qualificada, em função da carcterização de sonegação e fraude, na tentativa da contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento pelo fisco federal das receitas auferidas em sua atividade operacional, sem prejuízo das conseqüências atinentes à esfera penal, impõemse a responsabilização dos sócios ou terceiros com poderes de gestão à época dos fatos geradores. Tendo sido afastada a majoração da multa, diante da não configuração da sonegação ou fraude, haja vista a existência de sentença judicial favorável ao Recorrente, impõese, por consequência lógica, seja afastada a responsabilização dos sócios gerentes, ainda mais quando esta decorreu de fatos que restaram afastados por esta decisão. Por todo o exposto voto pro DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para reduzir a multa aplicada para 75% e afastar a responsabilidade solidária em relação as empresas PLANSERVICE BACK OFFICE LTDA, ATRA PRESTADORA DE SERVIÇOS EM GERAL LTDA, PGP PLANEJAMENTO E GESTÃO DE PROCESSO LTDA, GELDRIA PARTICIPAÇÕES E SERVIÇOS LTDA, bem como aos sócios JOHANNES ANTONIUS MARIA WIEGERINCK e JAN MARIA WIEGERINCK. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES – Relator Fl. 5219DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 31 30 Voto Vencedor Em Parte WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. Acompanho o voto do Ilustre Conselheiro Relator, exceto quanto a exclusão das empresas coligadas do pólo passivo da obrigação objeto da contestação, pelas razões que passo a expor. Conforme apurado e provado pela Fiscalização, as empresas PLANSERVICE BACK OFFICE LTDA, ATRA PRESTADORA DE SERVIÇOS EM GERAL LTDA, PGP PLANEJAMENTO E GESTÃO DE PROCESSOS LTDA, GELDRIA PARTICIPAÇÕES E SERVIÇOS LTDA têm como principal quotista, direta ou indiretamente, e dirigente máximo, o Sr. Johannes Antonius Maria Wiegerink. Com exceção da empresa holding, GELDRIA PARTICIPAÇÕES E SERVIÇOS LTDA, todas as demais empresa exercem a mesma atividade de fornecimento de mãodeobra temporária terceirizada. Formam, portanto, um Grupo Econômico, posto que entre elas existe confusão patrimonial, vinculação gerencial e coincidência de sócios e administradores. E, como tal, os artigos 124 do CTN e 30 da Lei nº 8.212/91 (transcritos no Termo de Verificação Fiscal e na decisão recorrida), determinam a inclusão desses empresas no pólo passivo do Auto de Infração objeto da contestação. Conforme descrito pelas empresas na ação judicial citada no acórdão recorrido, as empresas do Grupo GELRE (em torno de 15 empresas) atuavam em conjunto nas “novas frentes de trabalho”, e estavam “umbilicalmente legadas” entre si e gravitavam em torno da GELRE. Pelo histórico constante da Petição Inicial do Processo Judicial nº 152.02.2009.0170625, fica evidente a existência de interesse comum no resultado dos negócios das empresas prestadoras de serviços terceirizados do Grupo GELRE, conforme bem demonstrou a decisão recorrida. Discordo do entendimento do Ilustre Conselheiro Relator de que as disposições do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91 não se aplica ao PIS e à Cofins porque não são obrigações decorrente da Lei nº 8.212/95. Por evidente, essas contribuições decorrem do art. 195 da Constituição Federal, dispositivo este regulamentado pela referida Lei nº 8.212/91, que, em seu art. 23, dispõe sobre as contribuições, para a Seguridade Social, sobre o faturamento e lucro das empresas. O fato dessas obrigações terem sido alteradas e detalhas por leis específicas não altera a sua natureza de contribuição para a Seguridade Social. Portanto, a Lei nº 8.212/91 estabelece a obrigação das empresas de contribuir para a seguridade social sobre o seu faturamento. Em assim sendo, aplicase a essas contribuições a solidariedade prevista no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91. Fl. 5220DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10882.720653/201226 Acórdão n.º 3302002.373 S3C3T2 Fl. 32 31 No mais, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida nesta parte (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19996). Por tais razões, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para: 1) declarar a concomitância do mérito com a ação judicial; 2) reduzir a multa de ofício para 75%; 3) excluir os administradores da responsabilidade solidária; e 4) manter a responsabilidade solidária das empresas coligadas. WALBER JOSÉ DA SILVA 6 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 5221DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13204.000111/2005-94
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS.
PIS/COFINS. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS.
Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não-cumulativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-002.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I - Por maioria de votos, em não converter o processo em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira; II - Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial, no sentido de reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições do óleo combustível TP A-BPF; III - Por maioria de votos, em negar provimento quanto às glosas decorrentes de fornecimento de alimentação para os funcionários e serviço especializado de vigilância. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira; IV - Pelo voto de qualidade, em negar provimento em relação as demais glosas (alteamento, limpeza e passagem, locação de equipamentos, decapeamento, lavra, transporte de funcionários, melhoria das estradas, gasolina comum e óleo diesel). Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento nestes itens. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para elaborar o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Delduca Cilino, OAB/SP 258.040.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. PIS/COFINS. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não cumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por maioria de votos, em não converter o processo em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira; II Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial, no sentido de reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições do óleo combustível TP ABPF; III Por maioria de votos, em negar provimento quanto às glosas decorrentes de fornecimento de alimentação para os funcionários e serviço especializado de vigilância. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira; IV Pelo voto de qualidade, em negar provimento em relação as demais glosas (alteamento, limpeza e passagem, locação de equipamentos, decapeamento, lavra, transporte de funcionários, melhoria das estradas, gasolina comum e óleo diesel). Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento nestes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 01 11 /2 00 5- 94 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 3801002.044 S3TE01 Fl. 3 2 itens. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para elaborar o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Delduca Cilino, OAB/SP 258.040. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 3801002.044 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 0114.318, de 16 de junho de 2009, da 3ª. Turma da DRJ/BEL, referente ao processo administrativo n° 13204.000111/200594 , em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, não sendo reconhecido o direito creditório, sendo mantidas as glosas. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BEL, que assim relata: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de PIS/Pasep não cumulativo no valor de $ 169.924,73, feito pela empresa acima identificada (fl. 01), a ser utilizado na compensação de fl. 02. 2. A DRF Belém, conforme Parecer Seort n° 729, de 16.10.2008, fls. 74/95 (cópia), procedeu a análise conjunta do presente pleito e de outros mais referentes ao PIS/Pasep e à Cofins não cumulativos. 3. Após diligência realizada pela Fiscalização da Unidade (cópia do Termo nas fls. 64/73 do presente processo), foi reconhecido o direito ao crédito de PIS/Pasep no valor de R$ 85.647,43, sendo parcialmente homologada a compensação, até o limite do crédito. Cabe destacar que os Anexos (I a IV) do referido Termo de Diligência encontramse no processo n° 13204.000009/200416, o qual deverá acompanhar todos os demais analisados conjuntamente. 4. Cientificada em 17.11.2008 (AR fl. 96v.), a interessada apresentou, tempestivamente, em 17.12.2008, manifestação de inconformidade (fls. 22/40), na qual, em síntese: a) Argumenta que as glosas efetuadas desrespeitam o princípio da não cumulatividade, uma vez que os serviços e bens desconsiderados estão intimamente ligados ao processo produtivo da empresa, sendo passíveis de creditamento; b) Tece considerações acerca da contribuição, destacando que a legislação tratou de prever expressamente as hipóteses em que não há direito ao crédito (art. 3°, § 2% da Lei n° 10.637, de 2002), não devendo "pairar dúvidas sobre a possibilidade de creditamento da pessoa jurídica referente aos bens e serviços utilizados como inumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda'; c) Ressalta, ao comentar a utilização pela Fiscalização do Parecer Normativo n° 65, de 1979, e da Instrução Normativa SRF n° 404, de 2004, que “qualquer definição de insumo trazido Fl. 193DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 3801002.044 S3TE01 Fl. 5 4 ao mundo jurídico, seja por veículo de Instrução Normativa ou Parecer Normativo, contraria a competência que lhe é atribuída pelo Código Tributário Nacional”. Acrescenta que tais veículos normativos citados "extrapolam seus poderes, na medida em que tentam inovar o conceito constitucional e legal de insumos”; d) Defende que "o conceito de inumo está intimamente ligado à idéia de consumo de certo bem ou serviço, deforma direta ou indireta, na atividade desenvolvida pela pessoa jurídica para a fabricação do produto', sendo "a complexidade de bens e serviços aplicados na produção ou fabricação de bens, sem os quais não seria possível a obtenção do produto final e acabado com suas características próprias”; e) Afirma estar claro que os bens e insumos glosados estão intrinsecamente afetos à fabricação do produto caulim, procurando justificar a função de cada item, conforme tabela nas fls. 31/32; f) Procura demonstrar o caráter contraditório das conclusões da Fiscalização, na medida em que não teria lógica a adoção de bens ou serviços inúteis à sua produção, aumentando o custo de produção; g) Cita Solução de Consulta expedida no âmbito da Receita Federal do Brasil, sem especificar de qual Região Fiscal, que manifesta juízo no sentido de que “os bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços, intrinsecamente relacionado com o objetivo da empresa e com o serviço prestado, podem ser considerados créditos na apuração do PIS/Pasep não cumulativo”; h) Reforça o entendimento de que a desconsideração dos bens e serviços fere o princípio da não cumulatividade previsto na Carta Magna, alertando que o fato de haver sido atribuída ao legislador ordinário a competência de definir os setores de atividade econômica sujeitos à não cumulatividade da contribuição, não significa autorização para desvirtuamento do conceito “nãocumulativo”; i) Não se pode interpretar o conceito de insumo exclusivamente a partir das legislações de IPI ou ICMS, por falta de previsão legal e devido a divergência da materialidade desses impostos com relação à contribuição; j) Alerta para a violação do princípio constitucional do "não confisco" sempre que o tributo absorva parcela expressiva da renda ou de propriedade do contribuinte; k) Por fim, requer a revisão da decisão, sendo enquadrados como insumos os bens e serviços glosados. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 3801002.044 S3TE01 Fl. 6 5 Entendeu a DRJ/BEL por conhecer a manifestação de inconformidade apresentada, por ser tempestiva e por esta atender aos requisitos dos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/1972. Na primeira parte do acórdão, fez a DRJ/BEL tratou das alegações de inconstitucionalidade. Transcrevese aqui este trecho do acórdão: 5. No que diz respeito às alegações de inconstitucionalidade, vale lembrar que tais argumentos não são oponíveis à instância julgadora administrativa, pelo que não se toma conhecimento destes. 6. Não cabe à autoridade administrativa, em face de sua vinculação ao texto legal, apreciar questões de ordem constitucional ou doutrinária, competindolhe tão somente aplicar o direito tributário positivo. O julgador administrativo nesta instância deve estrita observância aos atos expedidos pela Receita Federal, consoante estabelece o art. 7° da Portaria MF n° 58, de 17 de março de 2006, que "Disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento — DR F. 7. Em verdade, de acordo com o parágrafo único do artigo 142 do CTN, a autoridade fiscal encontrase limitada ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de ultrapassar tais restrições para examinar questões outras como as suscitadas na impugnação em exame. Compete ao julgador administrativo simplesmente seguir a lei obrigar seu cumprimento, cabendo ainda citar que tal entendimento foi objeto de súmulas dos extintos Conselhos de Contribuintes, hoje Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. Após, a DRJ/BEL julga o mérito da manifestação de inconformidade, entendendo pelo indeferimento da solicitação da contribuinte, devendo ser mantidas as glosas, vejamos: 15. Em relação às glosas, no que diz respeito aos bens, temse: a) gasolina e óleo diesel utilizados para transporte de materiais — deverá ser mantida a glosa, por não se enquadrarem no conceito de insumos; b) óleo combustível TP, utilizado como energia para aquecimento dos vasos que promoverão a redução da água contida na polpa — conforme transcrição do art. 3° da Lei n° 10.822, de 2003, acima, a energia térmica somente pôde ser aproveitada a partir da Lei n° 11.488, de 2007, (15.07.2007), devendo ser mantida a glosa. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 3801002.044 S3TE01 Fl. 7 6 16. Quanto aos serviços glosados (alteamento, limpeza, locação, jantar, descapeamento, lavra, transporte de funcionários, vigilância e melhoria nas estradas), entendese que os mesmos não são utilizados na linha de produção, devendo ser mantida a glosa, conforme esclarecimentos anteriormente prestados (itens 13 e 14 acima). 17. Especificamente com relação à energia elétrica, conforme os esclarecimentos feitos pela Fiscalização no Termo de Diligência, não houve glosa a partir de fevereiro de 2003, podendo isso ser comprovado pelas relações de produtos glosados constante das fls. 03/38 do Anexo I ao processo n° 13204.000009/200416. Assim restou ementado o Acórdão n. 0114.318, de 16 de junho de 2009, da 3ª. Turma da DRJ/BEL: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 INSUMO. BENS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS. Além das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que componham visualmente o produto final, poderão ser descontados créditos em relação a produtos que sejam aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto em fabricação. INSUMO. SERVIÇOS APLICADOS NA PRODUÇÃO. Geram direito ao crédito os serviços prestados por pessoas jurídicas contribuintes do PIS/Pasep, domiciliadas no País, que sejam utilizados na linha de produção da empresa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade de dispositivos legais. Os atos regularmente editados segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. Solicitação Indeferida. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário. Após fazer breve retrospectiva dos fatos, foram apresentadas as razões de direito para a reforma da decisão de 2ª. instância. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 3801002.044 S3TE01 Fl. 8 7 Em seus requerimentos, requereu que seja julgado procedente o Recurso Voluntário apresentado, sendo reformada a decisão proferida pela DRJ. Reproduzemse aqui os pedidos: 51. Diante de todo o exposto, requer a total reforma da decisão recorrida, em razão da demonstração de que: (i) o artigo 3°, da Lei n° 10.637, dispõe sobre a possibilidade de se utilizar, no regime nãocumulativo, de créditos decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades desenvolvidas pela Recorrente; (ii) o conceito de insumo da decisão recorrida não encontra respaldo no dispositivo legal que permite o aproveitamento de créditos, tampouco na Constituição Federal; (iii) todos os créditos decorrem de bens e serviços utilizados como insumos no processo produtivo da Recorrente, não havendo qualquer fundamento de validade o entendimento fazendário impugnado, no sentido de que o insumo deve ter (necessária e obrigatoriamente) relação direta com o produto e não com o processo produtivo, como sustenta a Recorrente. Após, apresenta a contribuinte petição, onde foram reiterados os pedidos para que seja dado integral provimento ao recurso voluntário, reformandose o acórdão recorrido. Na mesma oportunidade juntou documento, que se trata de Solução de Divergência n° 37 Cosit, oriunda do processo n° 13204.000028/200787, onde é interessada a própria contribuinte ora recorrente. É o relatório. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 3801002.044 S3TE01 Fl. 9 8 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. O caso em questão trata de pedido de homologação de créditos de bens e serviços que seriam utilizados como insumo no processo produtivo desenvolvido pela Recorrente. Os bens e serviços não homologados pela Delegacia de Julgamento foram os seguintes: (i) Serviços de alteamento; (ii) Serviços de limpeza e passagem; (iii) Serviço de locação de equipamentos para extração do minério; (iv) Fornecimento de alimentação para os funcionários; (v) Serviço de decapeamento; (vi) Serviço de lavra; (vii) Serviço de transporte de funcionário; (viii) Serviço especializado de vigilância; (ix) Serviço de melhoria das estradas que conduzem às jazidas minerais; (x) Gasolina comum; (xi) Óleo diesel; (xii) Óleo combustível TP ABPF; (xiii) Energia elétrica. A jurisprudência do CARF é polêmica em relação ao tema, existindo posicionamentos divergentes sobre a matéria. Três posicionamentos sobressaem sobre o conceito de insumo: como integrados ao produto ou serviço, como necessários à atividade ou como O primeiro conceito aparece em diversas decisões do CARF, dentre as quais podemos citar: INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 3801002.044 S3TE01 Fl. 10 9 Somente geram créditos da Cofins as despesas com matéria prima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. Em sentido diverso podemos citar a seguinte decisão: Acórdão 3402001.661 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária COFINS NÃO CUMULATIVIDADE RESSARCIMENTO CONCEITO DE INSUMO CRÉDITOS RELATIVOS A AQUISIÇÕES DE PEÇAS COM DESGASTE NO PROCESSO PRODUTIVO LEIS Nº 10.637/02 E Nº 10.684/03. O princípio da não cumulatividade da COFINS visa neutralizar a cumulação das múltiplas incidências da referida contribuição nas diversas etapas da cadeia produtiva até o consumo final do bem ou serviço, de modo a desonerar os custos de produção destes últimos. A expressão “insumos e despesas de produção incorridos e pagos”, obviamente não se restringe somente aos insumos utilizados no processo de industrialização, tal como definidos nas legislações de regência do IPI e do ICMS, mas abrange também os insumos utilizados na produção de serviços, designando cada um dos elementos necessários ao processo produtivo de bens e serviços, imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção destes últimos. Créditos autorizados: a aquisições de óleo combustível, e de peças com desgaste no processo produtivo tais como peneiras, chapas perfuradas, correias, telas, capas perfuradas e martelos tipicamente integrantes dos maquinários do processo produtivo, e material de embalagem (containeres flexíveis). Atividade da empresa: setor de alimento. Por último, partilhamos do entendimento de que o conceito de insumo de ser buscado de modo autônomo ao preceituado no IPI, no ICMS e mesmo no IRPJ, visto que os tributos mencionados possuem materialidade distinta da PIS e COFINS. Diferenciase do IPI porque não abrange somente atividades de industrialização, não se dirige apenas a comercialização, pois envolve outras atividades de Fl. 199DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 3801002.044 S3TE01 Fl. 11 10 produção (industrialização) e não se submete ao IRPF porque não procura verificar a renda (disponibilidade econômica ou jurídica) do contribuinte, nem tampouco aferir a sua capacidade contributiva. Tampouco se admitiria a utilização do conceito de insumo previsto no IPI, ICMS ou IR sob pena de se constituir na utilização indevida de analogia, pelo uso de vedada ampliação da base de cálculo do tributo. Determina o art. 108 do CTN que: “(...) § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei“. O conceito de insumo diferenciase dos gastos necessários à industrialização (IPI), consumidos ou integrados à mercadoria ou necessários à atividade (IR) e deve estar coerentemente ligado à essência do tributo em questão, ou seja, na produção. Os gastos de materiais de escritório não são usualmente necessários à produção e portanto não geram créditos de PIS/Cofins, apesar de necessários à atividade, abatendo da base de cálculo do IR. O conceito de insumo não está claramente delimitado na legislação, sendo que o art. 3º determina que: “Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Inexistindo limitação por parte da legislação, não cogita tal limitação por normas infralegais, de tal modo que toda a despesa necessária à produção ou prestação de serviços permitirá o seu aproveitamento em prol do princípio da nãocumulatividade. Da leitura do pedido da recorrente se verifica que a prova de que os insumos citados foram necessários à produção se encontraria presente no processo n° 13204.000009/200416, inexistindo nestes autos qualquer elemento que permita fazer o julgamento sem a referida prova. O relatório da DRJ/BEL, em seu item 2, do acórdão ora recorrido deixa claro que: “A DRF Belém, conforme Parecer Seort n° 729, de 16.10.2008, fls. 74/95 (cópia), procedeu a análise conjunta do presente pleito e de outros mais referentes ao PIS/Pasep e à Cofins não cumulativos.”. Em seguida, no item 3, também é referido que: “Após diligência realizada pela Fiscalização da Unidade (cópia do Termo nas fls. 64/73 do presente processo), foi reconhecido o direito ao crédito de PIS/Pasep no valor de R$ 85.647,43, sendo parcialmente homologada a compensação, até o limite do crédito. Cabe destacar que os Anexos (I a IV) do referido Termo de Diligência encontramse no processo n° 13204.000009/200416, o qual deverá acompanhar todos os demais analisados conjuntamente.” Fl. 200DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 3801002.044 S3TE01 Fl. 12 11 Necessário destacar também que a fls. 15 dos autos há um TERMO DE JUNTADA DE PROCESSO. No referido termo é dito que o presente processo estava sendo juntado, por apensação, naquela data (28/12/2007), ao processo 13204.000009/200416. O processo 13204.000009/200416 ainda não foi julgado, estando no momento aguardando julgamento por este Conselho. Absolutamente necessário portanto que seja realizada a baixa em diligências do presente processo, de modo que estes seja somente incluído em pauta junto com o processo 13204.000009/200416, haja vista o apensamento realizado de fls. 15, bem como de que toda a prova realizada se encontra no referido processo, não sendo passível de verificação se os bens e serviços são ou não insumos sem a referida prova. Em face do exposto, encaminho o voto para que seja o presente processo baixado em diligências, a fim de que seja ele aguardado para colocação em pauta a posteriori, de modo que seja julgado conjuntamente com o processo 13204.000009/200416. É o meu voto. (assinado digitalmente) Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Voto Vencedor Conselheiro Flávio de Castro Pontes Redator designado Ainda que respeitáveis as razões do ilustre relator, discordase de seu entendimento. O processo tem todos os elementos necessários para a formação da convicção do julgador. Assim, afastase de imediato a proposta do relator de conversão em diligência. Passase a apreciação do mérito. As matérias em discussão nesse litígio administrativo são objeto de inúmeras controvérsias entre a Fazenda Nacional e os contribuintes. O julgador com os elementos probatórios tem que solucionálas. A recorrente insurgiuse contra a glosa dos serviços e bens descritos no recurso voluntário: Serviço de alteamento: consiste no aumento da capacidade da bacia de rejeites. Por sua natureza, fica claro que o serviço de alteamento representa importante etapa do processo produtivo em sua fase posterior. (...). Serviço de limpeza e passagem: consiste na remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim. (...) Fl. 201DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 3801002.044 S3TE01 Fl. 13 12 Serviço de locação: consiste na locação de equipamentos para extração do minério. Por sua especificidade e alta exigência técnica a extração de minério não pode ser realizada a contento sem maquinário apropriado. (...) Fornecimento de jantar: consiste no serviço de refeitório para os funcionários. (...) Serviço de decapeamento: consiste na retirada de vegetação e solo para expor o minério. (...) Serviço de lavra: consiste na extração do minério da natureza. (...) Serviço de transporte: consiste no serviço de transporte de funcionários. (...) Serviço especializado de vigilância: consiste no serviço de segurança patrimonial. (...) Serviço de melhoria das estradas: consiste na manutenção de estradas privadas que conduzem às jazidas minerais. (...) Gasolina comum: utilizada nos veículos da fábrica para transporte de materiais. (...) Óleo diesel: utilizado nos caminhões para transporte de caulim. (...) Óleo combustível TP ABPF: utilizado na fase da "evaporação" (redução do teor de água contida na polpa através de passagem por evaporadores, que são aquecidos por caldeiras alimentadas pela queima de combustível). (...) De sorte que a grande controvérsia tem por objeto o conceito de insumo. A legislação de regência, Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 – Cofins e Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 – PIS, e alterações posteriores, disciplinava: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no Fl. 202DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 3801002.044 S3TE01 Fl. 14 13 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) (grifouse) Destarte, o ponto central da questão é compreender o conceito de insumo estabelecido nos termos do inciso II do art. 3º das Lei nº 10.833/03 e 10.637/2002. Há diversas exegeses a respeito desse dispositivo, tais como: definição de insumo segundo a legislação do IPI, aplicação de custos e despesas de acordo com a legislação do IRPJ, custos de produção, etc. Para o deslinde da questão, é despiciendo examinar o método indireto subtrativo que, em regra, foi adotado para o exercício da nãocumulatividade da contribuição PIS. A respeito da interpretação das leis, Carlos Maximiliano em Hermenêutica e Aplicação do Direito, 19ª ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 162, ensina: Por mais opulenta que seja a língua e mais hábil quem a maneja, não é possível cristalizar numa fórmula perfeita tudo o que se deva enquadrar em determinada norma jurídica: ora o verdadeiro significado é mais estrito do que se deveria concluir do exame exclusivo das palavras ou frases interpretáveis; ora sucede o inverso, vai mais longe do que parece indicar o invólucro visível da regra em apreço. A relação lógica entre a expressão e o pensamento faz discernir se a lei contém algo de mais ou de menos do que a letra parece exprimir: as circunstâncias extrínsecas revelam uma idéia fundamental mais Fl. 203DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 3801002.044 S3TE01 Fl. 15 14 ampla ou mais estreita e põem em realce o dever de estender ou restringir o alcance do preceito. Mais do que regras fixas influem no modo de aplicar uma norma, se ampla, se estritamente, o fim colimado, os valores jurídico sociais que lhe presidiram à elaboração e lhe condicionaram a aplicabilidade. (grifouse) A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da Instrução Normativa (IN) nº 404/2004 – Cofins – abaixo transcrito, e da Instrução Normativa (IN) nº 247/2002 (redação dada pela IN SRF nº 358/03) – PIS, regulamentou o assunto a partir da concepção tradicional da legislação do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) e adotou uma interpretação restritiva para o conceito de insumo, conforme excerto a seguir transcrito: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (..). § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 3801002.044 S3TE01 Fl. 16 15 Em que pese não vincular a autoridade julgadora, a interpretação dada pela RFB apresentase compatível e coerente com a legislação da nãocumulatividade dessas contribuições. Essas normas complementares não atentaram contra a legalidade, além de não terem extrapolados os limites traçados na respectiva lei. Em outras palavras, as normas acima delimitaram o direito de crédito com a especificação dos serviços que geram crédito. Posto isso, ao sujeito passivo somente é permitido descontar unicamente os créditos autorizados e discriminados pela lei. Em suma, não é qualquer serviço, custo de produção ou despesa que confere crédito da contribuição. Caso o legislador tivesse outra intenção, de tal forma que os direitos de descontar os créditos abrangeriam o maior número de gastos possíveis, teria feito constar na lei uma referência explícita ao direito de descontar créditos em conformidade com custos e as despesas necessárias segundo a legislação do IRPJ. Da mesma maneira, caso quisesse adotar o conceito de custos de produção, não teria utilizado a expressão insumos. Além disso, a lei que instituiu a nãocumulatividade das contribuições em referência especificou outros custos de produção e despesas operacionais que geram direto ao crédito, tais como: aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica; máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃO CUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA Fl. 205DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 3801002.044 S3TE01 Fl. 17 16 EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de Fl. 206DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 3801002.044 S3TE01 Fl. 18 17 insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse) Nessa esteira, se o conceito de insumo estivesse relacionado com os custos de produção, não faria sentido o legislador ordinário enumerar uma série de outros custos passíveis de gerarem créditos. Deste modo, adotase como solução deste litígio o conceito de insumo segundo o disposto na IN 404/2004 Cofins e na IN nº 247/2002 (redação dada pela IN SRF nº 358/03) PIS. Consignese, por oportuno, que a autoridade fiscal no Termo de Encerramento da Ação Fiscal manifestou expressamente no sentido de que os bens e os serviços acima mencionados não se enquadram no conceito de insumo, visto que não se integram nem agem diretamente sobre o produto em fabricação. Deste modo, nos termos da posição adotada anteriormente, para se ter direito ao desconto dos créditos é necessário que os serviços prestados pela pessoa jurídica sejam aplicados diretamente na fabricação do produto, o que não ocorreu nas situações descritas. Dos elementos que constam neste processo administrativo fiscal, constatase que os serviços que foram objeto de glosa fiscal (alteamento, limpeza e passagem, locação, fornecimento de jantar, descapeamento, lavra, transporte de funcionários, vigilância e melhoria das estradas) não podem ser considerados insumos porque não foram aplicados diretamente na atividade fabril. É bem verdade que esses serviços são importantes para o processo produtivo, todavia tais serviços não são empregados diretamente na fabricação do produto destinado à venda. Do exame dos elementos probatórios, é forçoso concluir que são serviços auxiliares e/ou complementares ao processo produtivo. Como visto, em regra, são custos de produção que não se enquadram no conceito de insumos. Em relação à glosa dos combustíveis gasolina comum e óleo diesel, verifica se que eles foram utilizados nos veículos da fábrica para transporte de materiais, nos caminhões para transporte de caulim, portanto sem ligação direta com o processo produtivo, logo, concluise que a aquisições de tais produtos não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição apurada de forma nãocumulativa. Ao contrário dos demais combustíveis, o óleo combustível TP ABPF, que é utilizado na fase da "evaporação" (redução do teor de água contida na polpa através de passagem por evaporadores, que são aquecidos por caldeiras alimentadas pela queima de combustível), configura insumo, visto que é consumido diretamente no processo fabril. Por fim, em relação às alegações de inconstitucionalidades, a autoridade julgadora não pode afastar a aplicação de norma jurídica, visto que não tem competência legal para decidir sobre constitucionalidade e legalidade de leis em vigor. Além disso, o controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, nos termos dos arts. 97 e 102 da Constituição Federal. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 3801002.044 S3TE01 Fl. 19 18 Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a glosa de créditos decorrentes da aquisições do óleo combustível TP A BPF. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Redator designado Fl. 208DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10945.900878/2012-82
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002
ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
Numero da decisão: 3803-004.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 08 78 /2 01 2- 82 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte com o propósito de reformar a decisão prolatada pela DRJ de Foz do Iguaçu que indeferiu o pedido de restituição, sob o argumento de que não haveria direito crédito suficiente para extinção do débito informado. Em seu recurso o contribuinte repisa os argumentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade e insiste novamente na tese de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. O ponto central de sua defesa encontrase no argumento de que o conceito de faturamento não pode ser ampliado a ponto de considerar tributáveis meros ingressos em sua contabilidade, como ocorre com o ICMS. Neste passo, no intuito de melhor fundamentar sua pretensão, cita doutrina de Geraldo Ataliba, Cléber Giardino, Marçal Justen Filho e Marco Aurélio. Reclama pela observação do princípio da capacidade contributiva e do princípio do não confisco para demonstrar que a incidência das contribuições sobre o valor do ICMS representa efetivar tributação sobre fatos que não são signopresuntivos de riqueza, razão pela qual tal prática fazendária não encontra respaldo na Constituição Federal. Por fim, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeiro grau e o deferimento do pedido de restituição com acréscimos de juros remuneratórios com Taxa Selic, desde a data do pagamento indevido até a data da compensação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Assiste razão ao contribuinte. Em 20.03.2013 o STF já reconheceu o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições em relação as operações de importação, por meio do RE n.º 559.937, Ministra Ellen Gracie, conforme abaixo descrito: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900878/201282 Acórdão n.º 3803004.947 S3TE03 Fl. 71 3 IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o VALOR ADUANEIRO, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Todavia, é verdade que o caso em exame não se trata de PIS/COFINS – IMPORTAÇÃO, mas sim de operações no mercado interno, razão pela qual não se aplica ao presente julgamento o RE n.º 559.937. Entretanto, ainda assim, este importante precedente da Suprema Corte aponta como tem sido interpretação dos ministros quanto ao desejo da Fazenda Fl. 72DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Nacional em ampliar o conceito da expressão ”valor aduaneiro”. Assim, é provável que igual interpretação seja realizada futuramente pelo STF também em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o mercado interno. De qualquer forma, cabe agora ingressar ao mérito da discussão trazida para apreciar a pretensão do contribuinte, tendo em vista que não há necessidade de sobrestar o julgamento do presente processo. Assim, refletindo a respeito do tema, manifesto posicionamento de que o ICMS não integra o faturamento da Recorrente, basicamente porque os valores correspondentes a este imposto pertencem constitucionalmente ao Estado. Nessa medida, não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Neste passo, data vênia, parto da premissa de que “faturamento” é receita própria. Logo representa erro qualquer afirmação no sentido de que os contribuintes da Cofins faturam o ICMS, pois é impossível admitir que se fature receita pertencente a terceiro. Outro forte argumento a favor do contribuinte, diz respeito à constatação de que o imposto estadual configura uma “despesa” e jamais receita, pois faturamento deve implicar, necessariamente, ingresso financeiro, o que não ocorre no caso em exame. Neste sentido, vale mencionar decisão proferida pelo TRF 1º: TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. NÃO CABIMENTO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC E JUROS DE MORA.I. O PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento ou as receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 195, I, "b", CF).II. A base de cálculo do PIS e da COFINS não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou a prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da COFINS faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso à entidade de direito público que tem a competência para cobrálo (RE 240.785/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, em julgamento ainda pendente por força de pedido de vista do Min. Gilmar Mendes).III. Se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência destas exações, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte.4. Apelação a que se dá parcial provimento. IV. São compensáveis créditos decorrentes do indevido recolhimento, a título do PIS e da COFINS, devidamente corrigidos, com qualquer outro tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, sendo irrelevante se o destino das arrecadações seja outro. Juros de mora de 1% até 31/12/95, seguindose exclusivamente a SELIC.V. Apelação provida." (grifo) AMS nº 2007.38.03.0028733/MG, 8ª Turma TRF1ª Região, em 14/08/2007 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900878/201282 Acórdão n.º 3803004.947 S3TE03 Fl. 72 5 Por outro lado, é verdade em que o STJ tem se manifestado no sentido contrário, ou seja, de que o ICMS integra a base de cálculo da COFINS e cito o AgRg no AREsp 400823/SP, julgado em 07/11/2013. Contudo, diante do caso concreto, em que pese os julgados do STJ, compreendo que não há a obrigatoriedade de submissão dos julgadores do CARF a estes julgados. Aproveito o ensejo ainda para citar importante julgado exarado pela Câmara Superior no sentido de que as receitas de “roaming” não integra a base de cálculo das contribuições. EMENTA COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. "ROAMING" As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo.(GRIFO) Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo Administrativo n.º 10166.000888/200131, Conselheiro ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, Data do Julgamento: 2.4.01.2006 Por fim, trago a baila ainda a discussão referente à base de cálculo do ISS, mais especificamente no tocante a incidência deste imposto sobre os serviços de locação de mão de obra. Contudo, aqui cabe a ponderação de que apesar de se tratarem de tributos diversos e com sistemática de incidência também distinta, por outro lado observase que os Municípios também tiveram a intenção de ampliar indevidamente a base de cálculo do ISS, pois interpretavam que esta era composta por todos os valores que ingressavam na contabilidade das prestadoras de serviços. Todavia, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nem todo o ingresso constitui receita, ou seja, o tribunal partir da premissa de que o ISS deve incidir somente sobre as receitas que efetivamente representem acréscimo de riqueza para o contribuinte. Vale aqui mencionar, a título de exemplo, o Agravo Regimental no Recurso Especial n.º 1107097 / SP, julgado em 18/05/2010: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISSQN. AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. ATIVIDADEFIM DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DO SERVIÇO. VALOR REFERENTE AOS SALÁRIOS E AOS ENCARGOS SOCIAIS. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1.138.205/PR, DJ DE 01/02/2010. JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no artigo 9°, caput, do DecretoLei 406/68. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 2. As empresas de mãodeobra temporária podem encartarse em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados: (i) como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho; (ii) como prestadora do próprio serviço, utilizando de empregados a ela vinculados mediante contrato de trabalho. 3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". 4. O ISS incide, nessa hipótese, apenas sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários (...). (GRIFO) Com efeito, extraise do julgado acima que em regra geral devese admitir a incidência de impostos e contribuições apenas sobre valores que representam necessariamente riqueza nova do sujeito passivo, sob pena da exação violar o princípio da capacidade contributiva e se tornar confiscatória, razão pela qual correta é a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do PIS e da Cofins. Antes de tudo, consigno que são respeitáveis os fundamentos que sustentam a tese abraçada pelo voto vencido, de impossibilidade da dita inclusão, cujo pano de fundo encerra o que se atribui ser um desvalor que se entende não dever existir no nosso sistema tributário, vale dizer, a cobrança de tributo sobre tributo, na espécie a cobrança das aludidas contribuições sobre o ICMS enquanto receita de terceiro. Considero, no entanto que não se pode perder de vista – como referência para o presente julgamento , que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no estreito espaço do controle de legalidade das decisões administrativas. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900878/201282 Acórdão n.º 3803004.947 S3TE03 Fl. 73 7 O nobre Relator inicia o seu voto erigindo um paradigma com o fim de alavancar a tese abraçada , consubstanciado no julgamento do RE n.º 559.937, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Embora tendo ele reconhecido que aquele julgado não se aplica ao presente julgamento qualificao como precedente importante da Suprema Corte, quando equipara a ampliação, ali, do conceito de valor aduaneiro ao que entende ocorrer aqui: a ampliação do conceito de faturamento. Oponhome ao paradigma. Nada obstante tratarem, semelhantemente, da inclusão do ICMS na base de cálculo das citadas contribuições (PIS/Cofins Cumulativos; PIS/CofinsImportação), a decisão no RE n.º 559.937 não vejo que seja indicativa do prognóstico proferido pelo Relator: de resultado do julgamento desta matéria na mesma direção que tomou aquela. Isso, porque a decisão no RE n.º 559.937 não tratou de alargamento do conceito de valor aduaneiro articulado pela Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação determinando a continência nelas do ICMS. Segundo a decisão do STF “o que fez [a dita lei] foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal”. A expressão valor aduaneiro, conforme acentuado por aquela Corte, é utilizada na Constituição em sentido técnico e “remete àquele já praticado no discurso jurídico positivo preexistente à sua edição”, e circunscreve integralmente a base de cálculo a ser observada pelo legislador ordinário na instituição das ditas contribuições, no que foi extrapolada com a adição ao valor aduaneiro do ICMS. Servirse a Constituição de grandeza específica então já definida legalmente no apontamento dessa expressão (valor aduaneiro) como uma das bases de cálculo do PIS/CofinsImportação[1], não é o que se dá no presente debate, em que a base de cálculo eleita pelo art. 195, I, b, da CF/88, o faturamento, não tinha definição por lei tributária préexistente. Naquele caso, a definição legal fora recepcionada pela Carta Magna, passando a se ter uma definição constitucional de valor aduaneiro. No presente caso, pela razão acima, à míngua de detalhamento constitucional do que viesse a ser faturamento esse mister haveria de estar a cargo de norma infraconstitucional, o que se deu por meio da LC 70/91, da Lei nº 9.715/98 e da Lei nº 9.718/98. O Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[2]. A sua propositura é do Presidente da República e o seu objeto é legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de 1 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: [...] a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; 2 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[3]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF. A instituição da Cofins pela LC 70/91[4] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando quanto a tributos que nele não se integra o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[5], também o fez estabelecendo quanto a tributos que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[6] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços. Ao definirem faturamento a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que excluemse da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão do faturamento, não há como não se considerar que ficou definido a contrario sensu e de forma implícita – que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/687 reiterado pela LC Nº 87/96[8][9].endossam esta conclusão. 3 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 5 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 7 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 8 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900878/201282 Acórdão n.º 3803004.947 S3TE03 Fl. 74 9 Exemplificando: · ICMS por dentro · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento=830,00/83 % (100% 83%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS = 170,00 · ICMS por fora · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; · O preço de venda será o valor da mercadoria em estoque, cujo montante resultará no faturamento. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 9 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade sem redução de texto do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG, abraçada pelo i. Relator. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado10, ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento11. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou serviço e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: 10 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 11 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900878/201282 Acórdão n.º 3803004.947 S3TE03 Fl. 75 11 a): a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.907759/2011-09
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 77 59 /2 01 1- 09 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907759/201109 Acórdão n.º 3803005.189 S3TE03 Fl. 81 2 decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, do PER, da DCOMP e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 31/01/2002 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907759/201109 Acórdão n.º 3803005.189 S3TE03 Fl. 82 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando que o indébito decorreria da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre o ICMS. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907759/201109 Acórdão n.º 3803005.189 S3TE03 Fl. 83 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Além disso, mesmo que a preclusão não tivesse ocorrido neste processo, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum documento hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito argüido. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907759/201109 Acórdão n.º 3803005.189 S3TE03 Fl. 84 5 Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Dessa forma, mesmo que preclusão não houvesse, não se poderia reconhecer o direito creditório pleiteado por total ausência de prova de sua existência. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.018586/2003-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/1997 a 31/07/2002
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO CONFIGURADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecido recurso especial interposto com base em acórdão prolatado diante de situação fática que não corresponde à hipótese figurada nos autos em que foi prolatado o acórdão recorrido. Ao passo que o presente processo trata da eficácia da realização de depósito judicial para atender à condição necessária ao gozo da anistia prevista no artigo 12 da MP nº 75/2002, o acórdão utilizado como paradigma refere-se à análise sobre a possibilidade de que o depósito judicial seja considerado como pagamento para fins da dispensabilidade da lavratura de auto de infração para prevenir a decadência.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-002.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: NANCI GAMA
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/1997 a 31/07/2002 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO CONFIGURADA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido recurso especial interposto com base em acórdão prolatado diante de situação fática que não corresponde à hipótese figurada nos autos em que foi prolatado o acórdão recorrido. Ao passo que o presente processo trata da eficácia da realização de depósito judicial para atender à condição necessária ao gozo da anistia prevista no artigo 12 da MP nº 75/2002, o acórdão utilizado como paradigma refere-se à análise sobre a possibilidade de que o depósito judicial seja considerado como pagamento para fins da dispensabilidade da lavratura de auto de infração para prevenir a decadência. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Nanci Gama - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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DIVERGÊNCIA NÃO CONFIGURADA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido recurso especial interposto com base em acórdão prolatado diante de situação fática que não corresponde à hipótese figurada nos autos em que foi prolatado o acórdão recorrido. Ao passo que o presente processo trata da eficácia da realização de depósito judicial para atender à condição necessária ao gozo da anistia prevista no artigo 12 da MP nº 75/2002, o acórdão utilizado como paradigma referese à análise sobre a possibilidade de que o depósito judicial seja considerado como pagamento para fins da dispensabilidade da lavratura de auto de infração para prevenir a decadência. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 85 86 /2 00 3- 61 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em face ao acórdão de número 340200.575, proferido pela Segunda Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para considerar que a obrigação tributária relativa ao pagamento de PIS referente ao período de setembro de 2001 a julho de 2002 teria sido satisfeita, por meio de depósito judicial realizado pelo contribuinte (entidade previdenciária) em 30/09/2002, no montante do principal de PIS, sem juros e multa, em consonância à anistia concedida no período por meio do artigo 12 da MP nº 75/2002, conforme ementa a seguir: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO. A realização de depósito cujos valores são repassados à conta única do Tesouro Nacional, no mesmo prazo de repasse dos tributos pagos, satisfaz a obrigação tributária e configura o exercício da faculdade de pagar o tributo deferida pelo art. 12 da Medida Provisória nº 75, de 2002. Recurso Provido.” Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência por meio do qual aduziu, em síntese, a impossibilidade de que o depósito judicial realizado pelo contribuinte pudesse ser considerado como efetivo pagamento do tributo para fins de extinção do crédito tributário e para efeitos de cumprimento das condições para se fazer jus ao benefício previsto no artigo 12 da MP nº 75/2002, tendo suscitado, para tanto, como acórdão paradigma, o de nº 20214.940, a seguir ementado: “NORMAS PROCESSUAIS – DEPÓSITO JUDICIAL: Não se confunde com pagamento, dele juridicamente se externa, pois justamente exprime a recusa ao pagamento de parte do depositante. Não possibilita o lançamento por homologação em relação ao valor depositado, nem torna dispensável a constituição do crédito tributário pelo lançamento formal para prevenir a decadência e garantir a exequibilidade do crédito tributário. Afasta a comunicação de multa e juros moratórios neste lançamento, já que elide os efeitos da mora em face das obrigações de prazo certo. DCTF – Os créditos tributários nela declarados, com exigibilidade suspensa por força de dpósitos judiciais, prejudica, inclusive, a sua utilidade como instrumento de “confissão de dívida”, pois nessa circunstância retrata a rejeição do sujeito passivo aos débitos ali declarados. Recurso negado.” Fl. 448DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10680.018586/200361 Acórdão n.º 9303002.451 CSRFT3 Fl. 468 3 Em despacho de nº 34001219, o i. Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, na qual suscitou a inadmissibilidade do recurso especial, aduzindo, para tanto, que as premissas fáticas e de direito objeto do acórdão recorrido (relativo à validade do depósito judicial para fins de fruição do benefício instituído pela MP nº 75/2002) seriam distintas daquelas constantes do acórdão utilizado como paradigma (relativo à validade de depósito judicial como meio hábil de excluir um lançamento lavrado para prevenir a decadência), ou, caso assim não se entendesse, que fosse julgado totalmente improcedente o recurso especial para que fosse integralmente mantido o acórdão a quo. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e passo a analisar a sua admissibilidade no que se refere à configuração da divergência. Conforme se infere do voto proferido nos autos do acórdão recorrido, a Câmara a quo analisou se a realização de depósito judicial pelo contribuinte teria o condão de atender à condição necessária ao gozo da anistia prevista no artigo 12 da MP nº 75/2002, qual seja: a de “pagar em parcela única, até o último dia útil o mês de novembro de 2002, com dispensa de juros e multa, os débitos relativos à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins”. Paralelamente, o acórdão utilizado como paradigma pela Fazenda Nacional referese à análise acerca da possibilidade de que o depósito judicial seja considerado como pagamento para fins de que seja tido como “dispensável a constituição do crédito tributário pelo lançamento formal para prevenir a decadência e garantir a exequibilidade do crédito tributário”. A meu ver, a análise acerca dos efeitos do depósito judicial em cada uma das hipóteses será diferenciada a depender do caso concreto. Ao passo que o presente caso concreto se refere aos efeitos do depósito judicial para fins de subsunção do fato à norma constante do artigo 12 da MP nº 75/2002, o caso utilizado como paradigma se refere aos efeitos do depósito judicial como instrumento suficiente para a confissão da dívida pelo contribuinte para fins de dispensabilidade de auto de infração lavrado para prevenir a decadência. Tratamse, a meu ver, de premissas fáticas completamente distintas que não se prestam para delinear a divergência pretendida pela Fazenda Nacional. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA 4 Face ao exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional por não ter sido configurada a divergência. Nanci Gama Fl. 450DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA
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Numero do processo: 10380.002299/2007-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1401-000.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Por unanimidade de votos, CONVERTERAM o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Por unanimidade de votos, CONVERTERAM o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 02 29 9/ 20 07 -4 8 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10380.002299/200748 Resolução nº 1401000.284 S1C4T1 Fl. 303 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0823.175, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE, que, por unanimidade de votos, manteve o crédito tributário exigido. Por descrever os fatos com a riqueza de detalhes necessária para a compreensão da controvérsia, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: Tratase de auditoria fiscal determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 0330100.2005.008375, concernente ao ano calendário 2002, tendo por sujeito passivo a pessoa jurídica COMERCIAL INTERCONTINENTAL DE PRODUTOS LTDA., CNPJ 69.367.092/000149, dedicada à atividade do comércio varejista de bebidas, CNAE 4723700, optante pelo lucro presumido no período albergado pela fiscalização. Ao término da auditoria fiscal foram constituídos os créditos tributários a seguir especificados: Imposto de Renda Pessoa JurídicaR$185.321,31 Programa de Integração SocialR$ 44.704,73 Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoR$ 74.278,61 Contribuição p/ Financ. Seguridade SocialR$ 206.329,55 Total LançadoR$510.634,20 02. A fiscalização foi iniciada pela ciência do termo correspondente, fl. 106, recepcionado por via postal em 27/01/2006, fl. 107. Naquela ocasião foi determinada a apresentação dos Livros de Registro de Entradas, Saídas e de Apuração do ICMS, dos Livros Diário e Razão ou do Livro Caixa, dentre outros. 03. Nada tendo sido apresentado, foi lavrado Termo de Reintimação Fiscal, fl.110, cientificado por via postal em 17/02/2006. Permanecendo a pessoa jurídica em mora, novo Termo de Reintimação foi lavrado, fl. 114, tendo sido recebido no domicílio tributário da empresa em 03/04/2006, fl. 115. 04. Segundo registrado pela autoridade fiscalizadora, através do Termo de Verificação Fiscal de fls. 24/25, o contribuinte apresentou a sua escrituração contábil,. constituída dos Livros Diário e Razão. Em assim sendo, a autoridade lançadora considerou que o fiscalizado não utilizou a prerrogativa estabelecida pelo art. 527 do Decreto nº 3.000, de 1999, o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), a determinar como regra geral que a pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter escrituração contábil, nos termos da legislação comercial, mas que estaria Fl. 303DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10380.002299/200748 Resolução nº 1401000.284 S1C4T1 Fl. 304 3 dispensado dessa obrigação, na hipótese de manter Livro Caixa, contendo a escrituração de toda a movimentação financeira, inclusive a bancária. Compulsandose os autos, observase que além dos Livros Diário e Razão, foi apresentado o Livro de Apuração do ICMS, fls. 28/41. 05. Dando prosseguimento à fiscalização, o Agente Fiscal intimou o contribuinte a apresentar a documentação comprobatória dos saldos registrados em 31/12/2002 na conta Fornecedores Nacionais. A ciência deuse em 24/05/2006, fls. 118/119. Nada tendo sido apresentado, novo termo foi emitido e apresentado ao contribuinte em 07/07/2006, fls. 122/123. Em mais uma oportunidade o fiscalizado permaneceu inerte, pelo que voltou a ser intimado, em 22/08/2006, fls. 126/127. 06. Em documento datado de 06/09/2006, fl. 130, a fiscalizada afirmou que a documentação solicitada, comprobatória da composição do saldo da conta fornecedores em 31/12/2002, havia sido entregue à Fazenda Estadual do Ceará, em razão do que solicitou que o prazo para apresentação à Fazenda Nacional fosse postergado para a segunda quinzena de novembro/2006. O Auditor Fiscal responsável pela fiscalização deferiu o pleito da pessoa jurídica. 07. Transcorrido o novo prazo acordado, sem que a fiscalizada nada apresentasse, novo termo foi emitido, fl. 135. Nesse documento ficou registrado que “a falta da comprovação acima solicitada, poderá cominar na presunção de omissão de receitas prevista no art. 281, III do Decreto 3.000/99”. A ciência deuse em 25/01/2007, fl. 136. Dessa feita, conforme assentado no Termo de Verificação Fiscal, fls. 24/25, houve a apresentação de “diversas notas fiscais/faturas, de forma avulsa, sem indicação de suas vinculações com o saldo da conta em questão. Mesmo assim foi examinada a documentação e verificado que algumas dessas notas comprovavam parte do saldo da referida conta, restando no entanto ainda sem comprovação o total de R$2.830.659,30”. 08. Além do saldo não comprovado da conta Fornecedores Nacionais, a autoridade fiscal ainda constatou insuficiência de recolhimentos do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, caracterizada pela divergência entre os valores devidos, calculados sobre as receitas escrituradas nos livros contábeis e fiscais, cotejadas com os valores confessados em DCTF ou pagos, conforme Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada, fls. 26/27, procedimento a partir do qual foram determinadas as diferenças a recolher, exigidas no lançamento fiscal ora tratado. 09. Nessa fase da auditoria, a autoridade fiscal concluiu seus trabalhos, lavrou os autos de infração de fls. 05/23 e cientificou o representante o representante legal da empresa no dia 21/03/2007. Nos lançamentos foram consideradas as infrações a seguir sintetizadas: 9.1 – Omissão de Receitas da Atividade: no valor tributável de R$ 2.830.659,30, decorrente de passivo fictício caracterizado pela não comprovação de parte do saldo existente, em 31/12/2002, na conta Fornecedores Nacionais, conforme acima relatado. Enquadramento Legal: art. 528 do RIR/99. Além do IRPJ, a omissão de receitas deu ensejo aos lançamentos relativos à Contribuição Social Fl. 304DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10380.002299/200748 Resolução nº 1401000.284 S1C4T1 Fl. 305 4 sobre o Lucro Líquido (CSLL), à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e à Contribuição para o PIS/PASEP. 9.2 – Falta ou Insuficiência de Recolhimento do Imposto: específica em relação ao IRPJ e apurada consoante especificado no item 08 (oito) supra. Enquadramento Legal: art. 516, §§ 4º e 5º e art. 541, inc. I e IV, ambos do RIR/99. 10. Inconformada com o auto de infração ora tratado, em 20/04/2007 a pessoa jurídica impugnou o lançamento. Quanto à primeira infração, argumentou que na tributação pelo lucro presumido não caberia a imputação de passivo fictício, infração específica do lucro real. Em relação à segunda, argumentou que durante a fiscalização não lhe teria sido apresentada a planilha que embasou o lançamento, de modo que exercesse o direito ao contraditório e à ampla defesa, pelo que requereu a nulidade do lançamento. 11. Segundo defendido pelo sujeito passivo, a omissão de receitas decorrente do passivo fictício não deve prosperar pois O auto de infração pretende exigir imposto de renda sobre uma base imponível inexistente, não prevista em lei, aplicando uma hipótese de incidência na qual o contribuinte não se insere na condição de sujeito passivo porque sua modalidade de tributação escolhida para o ano calendário de 2002 foi pelo lucro presumido e não pelo real como erroneamente interpretou a autoridade lançadora. (... ) a hipótese legal invocada pela autuação é a do art. 528, combinada com o art. 281, inciso III, do RIR/99, (...) Não resta dúvida que o art. 528 do RIR/99, incluise no capítulo V, do subtítulo IV Lucro Presumido inferindose daí, que os preceitos de tributação ali impostos referemse ao lucro presumido. (...) no caso presente, a verificação de omissão de receita partiu de uma presunção legal do art. 281, inc. III, do RIR/99, inaplicável ao impugnante, por se tratar de tributação do IRPJ/CSLL formalizada no lucro presumido, em cujos dispositivos, incluídos no “subtítulo IV” do RIR, não constam este presunção. Presunção esta, que se diga, escolhida pelo legislador como hipótese de incidência somente para as empresas tributadas pelo lucro real. (...) A lei não autoriza as presunções de omissão de receitas, afetas ao lucro real, sejam aplicadas ao lucro presumido, apenas porque o contribuinte apresentou à autoridade lançadora a sua escrituração completa. (...) A conta Caixa é a primeira conta do livro Razão. Destacandose deste as folhas das operações da conta Caixa e leválas a encadernação, formalizase o próprio livro Caixa com autonomia apenas em relação ao volume do qual fora separado. Como prova, juntase à presente defesa as folhas do livro Razão, representativa da conta CAIXA, com as operações detalhadas, Fl. 305DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10380.002299/200748 Resolução nº 1401000.284 S1C4T1 Fl. 306 5 financeiras e bancárias sobre a qual a autoridade fiscal não logrou examinála ou mesmo atestar sua existência. Vêse pelos dispositivos legais citados que se o contribuinte possui livro CAIXA “completo” fica ele dispensado da escrituração comercial. 12. Objetivando fundamentar a tese apresentada, a impugnante transcreveu as seguintes ementas de julgados, oriundas do extinto Conselho de Contribuintes do MF: Acórdão nº 10320278, de 12/04/2000, e Acórdão nº 10320440, de 09/11/2000. 13. Por fim, postulou a improcedência da impugnação. É o que se tem a relatar. O feito foi submetido à apreciação da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE, que houve por bem julgar totalmente improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. O acórdão de fls. 272/283 restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2002 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. As garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa somente se manifestam com a configuração do processo administrativo fiscal, mais especificadamente a partir da ciência do lançamento, que instaura a fase litigiosa do procedimento. Nesses termos, por se tratar de procedimento inquisitório, incompatível com os preceitos do contraditório e da ampla defesa, não há que se cogitar de cerceamento do direito de defesa durante a fiscalização, direito com aptidão de ser exercido em sua plenitude quando da impugnação do lançamento. PASSIVO FICTÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizase como omissão no registro de receitas, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. PASSIVO FICTÍCIO. LUCRO PRESUMIDO. A adoção do chamado passivo fictício, como método de quantificação do crédito tributário, coadunase com a legislação de regência quando o contribuinte, submetido à sistemática do lucro presumido, mantém escrituração regular. Assim, é possível que a contabilidade seja utilizada pela Administração Tributária, para fins de mensuração da omissão de receita. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão adotada quanto ao IRPJ. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10380.002299/200748 Resolução nº 1401000.284 S1C4T1 Fl. 307 6 Impugnação Improcedente Em face do referido acórdão, a Recorrente interpôs o recurso voluntário, alegando o cerceamento do direito de defesa e a impossibilidade de se auferir presunção de omissão de receita no presente caso, cujos fundamentos passo a apreciar. É o relatório. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10380.002299/200748 Resolução nº 1401000.284 S1C4T1 Fl. 308 7 VOTO Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira: O recurso preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a Recorrente alega o cerceamento do direito de defesa pelo fato de ter apresentado as notas fiscais que confirmariam o saldo da conta passiva. Entretanto, a Autoridade Fiscal apenas teria considerado os valores que se equivaliam, desconsiderando algumas notas apresentadas. Alega, ainda, ser estranho o fato do Fiscal não juntar ao auto de infração a cópia de mencionadas notas. Já que, segundo o fiscal, se existiam notas fiscais que não serviram para comprovar o saldo, necessário seria que houvessem sido colacionadas aos autos, possibilitando, assim, a análise em sede de impugnação administrativa (fl. 296). O Termo de Verificação Fiscal faz a referência às notas fiscais apresentadas para comprovar o saldo da conta passiva no montante de R$3.339.976,23, sendo que, em função das notas apresentadas, a Autoridade Fiscal reduziu o saldo não comprovado para R$2.830.659,30. Entretanto, as notas fiscais apresentadas não foram anexadas aos autos. Em função de ser necessária a análise das notas fiscais, no intuito de refutar ou corroborar a alegação da Recorrente, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que sejam anexadas aos autos as notas fiscais apresentadas pelo Recorrente durante o procedimento de fiscalização. Em sequencia, proponho seja elaborado relatório conclusivo, por meio do qual se promova a vinculação das notas apresentadas com os saldos passivos autuados, dandose ciência à contribuinte, que terá 30 dias para se manifestar acerca do mesmo. Após, retornem os autos a este colegiado, para julgamento. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 308DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 10880.910754/2008-21
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2001
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2001 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 54 /2 00 8- 21 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 64): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador30/11/1999 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. ALTERAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO HOMOLOGADO TACITAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento, em virtude do transcurso do lustro previsto no § 4º, art. 150 do CTN, não é passível de alteração pelo Contribuinte e nem pela Administração Tributária. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Embora o contribuinte tenha retificando a Dctf após o despacho decisório, a DRJ não a admitiu, porquanto ocorrida após cinco anos do fato jurídico tributário, quando já operada a homologação tácita do pagamento. Entendeu ainda que o Darf indicado no PER/Dcomp como origem do crédito teria sido utilizado para quitar o débito confessado em Dctf; e que o contribuinte não logrou provar que a verdade material seria outra. O Recorrente, nas razões de fls. 73 e ss., alega que, após revisar os seus lançamento contábeis e declarações, verificou que o saldo devedor a título de PIS seria inferior ao que foi recolhido. Sustenta ter retificado a Dctf para que esta refletisse as informações que Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.910754/200821 Acórdão n.º 3802001.999 S3TE02 Fl. 203 3 constavam de seus livros fiscais. Aduz ter direito à compensação, porquanto a Dctf seria apenas um obrigação acessória imposta para a declaração dos tributos pagos; que eventuais formalidades no preenchimento de documentos fiscais não devem prejudicar a compensação; que os atos anteriores a não homologação da compensação não influem na obrigação tributária. Requer, assim, diante da liquidez e da certeza do direito de crédito, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 23/01/2012 (fls. 143), interpondo recurso tempestivo em 22/02/2012 (fls. 73). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. No presente feito, consoante destacado, a compensação não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto Fl. 205DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.910754/200821 Acórdão n.º 3802001.999 S3TE02 Fl. 204 5 nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) Fl. 206DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 No presente caso, o contribuinte limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 207DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10850.907660/2011-27
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem audite a escrituração contábil-fiscal da pessoa jurídica, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem audite a escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 07 66 0/ 20 11 -2 7 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907660/201127 Resolução nº 3803000.389 S3TE03 Fl. 307 2 Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à plena restituição, assim como a reunião dos processos ali identificados para julgamento em conjunto, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, dispositivo esse que promovera o alargamento da base de cálculo da contribuição para além do faturamento, este consistente no resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços; b) o CARF tem reconhecido o direito pleiteado, por força do contido na Lei nº 11.941, de 2009, que revogou o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assim como do disposto no Decreto nº 7.574, de 2011, no art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, e no art. 62A do Regimento Interno do CARF; c) o despacho decisório fora emitido em desacordo com a legislação e a jurisprudência pacificada sobre o tema, não tendo a autoridade administrativa aprofundado na investigação dos fatos, dada a falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos acerca da higidez do crédito, o que contrariaria o art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do DARF, de planilha de cálculo da contribuição e de partes do Livro Diário e do Balancete, acompanhadas dos termos de abertura e de encerramento. A DRJ Ribeirão Preto/SP rejeitou a reunião dos processos para julgamento conjunto, por se referirem a fatos e provas distintos, e não reconheceu o direito creditório, considerando que a autoridade administrativa teria procedido corretamente ao indeferir o pleito do contribuinte, em razão do fato de que o débito confessado em DCTF seria do mesmo valor do montante recolhido, o que evidenciaria a inexistência de saldo credor, conclusão essa reforçada pela inocorrência de retificação da DCTF. Aduziu o relator do voto condutor da decisão recorrida que, no tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, no presente caso, não se discutiria o entendimento do STF, tampouco se questionaria a vinculação do CARF à decisão proferida no Recurso Extraordinário (RE) julgado na sistemática da repercussão geral, e que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pela Lei nº 11.941, de 2009, não alcançaria este processo por não se aplicar retroativamente. Destacou, ainda, o julgador de piso, que o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, vedaria o afastamento da aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as exceções previstas no § 6º, incisos I e II, do mesmo artigo, exceções essas não aplicáveis ao presente caso. Segundo o relator, amparandose no Parecer PGFN/CDA nº 2.025, de 2011, as condições previstas no inciso II do § 6º do 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não se verificariam em relação à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, sendo inaplicáveis ao presente caso; e, no que se refere ao inciso I do mesmo dispositivo, ele não abrangeria decisão proferida em controle difuso de constitucionalidade, a qual produziria efeitos somente em relação às partes da relação processual, mesmo que proferida em processo julgado pela sistemática da repercussão geral. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907660/201127 Resolução nº 3803000.389 S3TE03 Fl. 308 3 Destacou, também, o julgador de primeira instância, que, ainda que os óbices à utilização integral do recolhimento não existissem, o contribuinte não teria se desincumbido de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior, tendo requerido a restituição de todo o valor da contribuição recolhido no período, o que só seria possível se não tivesse auferido nenhum faturamento, apenas receitas financeiras, o que não ficou comprovado. Finalmente, ressaltou o relator de piso, que a cópia parcial do livro Diário apresentada, constando apenas algumas folhas de lançamentos e parte do balancete do período em exame, permitiria vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa, em razão do que não haveria como se apurar o total da base de cálculo da contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse acerca de eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. Cientificado da decisão em 24 de abril de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 22 de maio do mesmo ano, reiterou o pedido de julgamento em conjunto dos processos ali identificados e requereu o reconhecimento do direito à plena restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, repisando os mesmos argumentos de defesa apresentados na primeira instância, sendo acrescentadas as seguintes alegações: a) a DCTF não seria o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, devendose elucidar que nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo; b) “[a] exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei, tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público”; c) “a afirmação do acórdão recorrido está em total desconformidade com o princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, e pelo qual o julgador deve buscar a verdade dos fatos, desconsiderando as formalidades, cabendolhe analisar todos os vieses da situação fática antes de lançar mão do ato administrativo, notadamente em casos em que a interpretação do contexto fático dependa, exclusivamente, da devida análise probatória”; d) “[o] princípio de que a contabilidade, lastreada em documentação idônea, faz prova a favor do contribuinte não é estranho ao direito tributário, estando expressamente previsto no Decretolei nº 1.598/77, fundamento legal do artigo 923 do RIR/99”, sendo de “manifesta obviedade que as autoridades administrativas almejam negar o reconhecimento ao crédito a todo custo, o que não tem mínimas condições de prevalecer, haja vista que, além dos argumentos expostos, a jurisprudência administrativa já se manifestou no sentido de que, quando em boa ordem, a escrituração contábil faz prova em favor do contribuinte”; e) a Planilha de cálculo, o DARF, o livro Diário,o balancete e os respectivos termos de abertura e encerramento apresentados, referentes ao período sob análise, foram considerados insuficientes na decisão recorrida, o que denotaria a ocorrência de uma análise superficial dos documentos acostados; Fl. 308DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907660/201127 Resolução nº 3803000.389 S3TE03 Fl. 309 4 f) “ainda que a documentação juntada não fosse suficiente para comprovar o crédito, o que se admite apenas em caráter argumentativo, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsão do art. 18 do Decreto nº 70.235”; g) ao invocar a preclusão do direito de apresentação de novas provas após a manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora não se dera conta de que “uma das hipóteses que autoriza a apresentação posterior de prova documental se configura no momento em que se faz necessário contrapor fatos ou razões que, porventura, foram trazidos posteriormente aos autos”, conforme disciplina do art. 16, § 4o, "c", do Decreto nº 70.235, de 1972; h) no acórdão recorrido, afirmouse que os órgãos administrativos não estariam vinculados a decisões de inconstitucionalidade exaradas na esfera judicial em controle difuso de constitucionalidade, sendo que tal afirmação encontrarseia “em total desconformidade com o que vem decidindo a jurisprudência administrativa, que já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei 9.718/98, em razão de terem sido proferidas em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal e demonstrarem o entendimento pacífico e inequívoco daquela Corte sobre a matéria”; i) “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão do seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência. Ora, seria ilógico que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um artigo de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”; j) “o inciso I, do parágrafo 6o, do art. 26A, incluído no Decreto n. 70.235, de 6.3.1972, pela Lei n. 11.941, de 27.5.2009, "in verbis", determina que, nos casos de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, os órgãos de julgamento da administração fiscal federal devem afastar sua aplicação consoante o entendimento exarado na decisão:” Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópia integral do livro Diário e dos balancetes relativos ao anocalendário 2000 e da Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição de valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, do alargamento da base de cálculo promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907660/201127 Resolução nº 3803000.389 S3TE03 Fl. 310 5 Quanto ao pedido de julgamento em conjunto dos processos identificados na peça recursal, informase que eles foram incluídos na pauta da mesma sessão, encontrandose, portanto, atendido o pedido do Recorrente acerca dessa questão. De início, devese registrar que a decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP encontrase em conformidade com a legislação processual então vigente, uma vez que sua prolação se dera em 28 de março de 2013, data essa anterior à alteração do art. 19, inciso IV, e § 5º, da Lei nº 10.522, de 2002, promovida pelo art. 21 da Lei nº 12.844, de 2013, cuja vigência se deu a partir de 19 de julho de 2013. Tal alteração legislativa se refere à determinação dirigida às unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil de reproduzirem em suas decisões o entendimento adotado em decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (repercussão geral), após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Anteriormente a essa alteração da lei, a disciplina da matéria restringiase ao art. 62A do Regulamento do CARF, aplicável apenas a este órgão colegiado, e ao contido no art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, que excetuava a hipótese de inconstitucionalidade declarada por decisão plenária do STF da vedação dirigida aos órgãos de julgamento administrativos relativa à impossibilidade de afastamento da aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade,. Notese que essa exceção contida no § 6º, inciso I, do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não obrigava o julgador administrativo a reproduzir o teor da decisão plenária do STF, tratandose de hipótese de permissão autorizada de adoção do entendimento da Corte Constitucional. Feitas essas considerações, passase à análise do fundamento legal do pedido de restituição. A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 1, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. 1 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907660/201127 Resolução nº 3803000.389 S3TE03 Fl. 311 6 De acordo com o entendimento do STF2, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, conforme se depreende do contido no art. 2° da Lei Complementar n° 70, de 1970, in verbis: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. (grifei) Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. O fato de o Supremo Tribunal Federal ter considerado o conceito de faturamento equivalente ao de “receita bruta” não pode ser interpretado como dilatação autorizada do alcance de tais institutos, pois o termo “receita bruta” foi considerado como coincidente com o de faturamento, ou seja, a totalidade das receitas provenientes da venda de mercadorias e serviços. A possibilidade de se tributarem outras receitas somente passou a vigorar após a vigência da Emenda Constitucional n° 20, de 1998, quando se incluiu, dentre as hipóteses de fatos geradores das contribuições sociais, a “receita” genericamente considerada. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Desde a Manifestação de Inconformidade, o Recorrente já havia trazido aos autos cópia de parte do Livro Diário, relativa ao período sob comento, em que se encontram identificadas inúmeras contas, dentre elas algumas relativas a rendimentos de aplicação financeira e de lucros obtidos no mercado de renda variável, que vêm a ser a receita correspondente ao alegado alargamento da base de cálculo da contribuição. Junto ao Recurso Voluntário, o Recorrente, em razão da alegação do julgador de piso de que as partes o livro Diário e do Balancete então apresentadas não seriam suficientes à apuração da base de cálculo total da contribuição no período, trouxe aos autos cópia integral do 2 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907660/201127 Resolução nº 3803000.389 S3TE03 Fl. 312 7 livro Diário e do Balancete correspondentes ao anocalendário sob análise, em que se confirmam as informações que já haviam sido apresentadas na primeira instância. Contudo, conforme já havia destacado o julgador de primeira instância, tendo o contribuinte requerido no Pedido Eletrônico de Restituição (PER) a devolução de todo o valor da contribuição recolhido no período, a conclusão a que se chega é que toda a receita auferida teria natureza financeira, não tendo havido então a ocorrência de faturamento, conclusão essa que se confirma no Balancete e na planilha trazida aos autos pelo Recorrente. Nesse sentido, não remanescem dúvidas quanto ao auferimento de receitas financeiras no período, tratandose de elemento de prova consistente que robustece a tese defendida pelo Recorrente. Analisandose os referidos documentos, é possível constatar que, na referida planilha e na escrituração, o Recorrente apurara a contribuição com base na alíquota de 2% e, no DARF, com base na alíquota de 3%, alíquota esta que corresponde à definida pelo art. 8º da Lei nº 9.718, de 1998. Contudo, apenas essa constatação não se mostra suficiente para se decidir, peremptoriamente, acerca do direito creditório pleiteado pelo Recorrente, pois, nos termos do art. 923 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, “[a] escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º)” – grifei. Além disso, o fato de não se constatar do livro Diário e do Balancete a ocorrência de faturamento, mas apenas de receitas financeiras, indica a necessidade de se estender a pesquisa a toda a escrituração contábilfiscal do Recorrente para se esclarecer essa peculiaridade, tendose em conta que o seu objeto social encontrase definido no estatuto como “a) administração de bens móveis por conta própria ou de terceiros; b) representação comercial; c) promoção e publicidade; d) prestação de serviços técnicos; e) participação no capital e proventos de :outras sociedades.” Nesse contexto, com base no contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa audite a escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica, assim como os documentos fiscais que a lastreiam, com vistas a se apurarem o faturamento e as demais receitas auferidas no período sob análise neste processo, bem como a contribuição devida, tendose em conta a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição operado pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Mostrase relevante verificar se o objeto social da pessoa jurídica não abrange a prestação de serviços de caráter financeiro, situação em que parte ou a totalidade das receitas financeiras auferidas pode se configurar faturamento ou receita bruta, suscetível de tributação com base na Lei nº 9.718, de 1998, mesmo considerando a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo já declarada pelo STF. Após as providências ora requeridas, o Recorrente deverá ser cientificado dos seus resultados, franqueandolhe o prazo de 30 (trinta) para se pronunciar, devendo, ao final, os autos retornar a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF para julgamento. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907660/201127 Resolução nº 3803000.389 S3TE03 Fl. 313 8 É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 313DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 12045.000324/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL.
A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2301-003.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Renato Luiz Faustino de Paula. OAB: 95.103/RJ.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Renato Luiz Faustino de Paula. OAB: 95.103/RJ. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1804; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 374 1 373 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12045.000324/200795 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2301003.669 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de agosto de 2013 Matéria Embargos Embargante M.I. MONTREAL INFORMÁTICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Renato Luiz Faustino de Paula. OAB: 95.103/RJ. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 03 24 /2 00 7- 95 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório 1. Tratase de embargos opostos tempestivamente pela MI MONTREAL INFORMÁTICA, contra acórdão assim ementado: LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização de ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava na localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado Crédito Tributário Exonerado. 2. Entende a embargante, em síntese, que houve omissão no referido acórdão, dada a falta de análise acerca da natureza jurídica da nulidade por cerceamento do direito de defesa, uma vez que julga necessário um pronunciamento explícito da Turma sobre o tipo de vício que motivou a anulação do lançamento. 3. Além disso, a embargante tece algumas considerações sobre o acórdão embargado e argumenta que houve contradição entres os termos do voto e o dispositivo da decisão, uma vez que entende que no caso do contribuinte, a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, conforme jurisprudência do CARF, deuse por vício material e não vício formal: “o vício não é de mero procedimento, formal, mas sim intrínseco ao lançamento do crédito tributário e a determinação da matéria tributável, ou seja, evidentemente material” (f. 758). 4. Para subsidiar sua tese a embargante transcreve alguns parágrafos do voto condutor do julgamento, que sob sua ótica contradizem o dispositivo do decisório e ao final de sua exposição argumentativa, solicita que os embargos sejam conhecidos e providos, para incluir no acórdão embargado, como justificativa da nulidade do lançamento, o vício material. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000324/200795 Acórdão n.º 2301003.669 S2C3T1 Fl. 375 3 Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes 1. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão quanto a algum ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma possibilita a oposição de embargos de declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. 2. Na análise do acórdão proferido verificamos que, de fato, apesar de haver expressamente no item 15 o reconhecimento da nulidade do lançamento por vício formal, não houve o cotejamento da natureza jurídica do mencionado vício com o caso concreto, sendo assim no que tange a esse ponto, merece razão a embargante. 3. Para adentrar ao mérito da alegação de contradição, suscitando o reconhecimento do vício material como causa da nulidade do lançamento, mister se faz a distinção de vício formal e vício material. 4. Entendese por vício formal aquele relacionado aos requisitos objetivos para a validade do lançamento. Diz respeito a exigências legais préestabelecidas para o ato administrativo. Por outro lado, vício material está diretamente relacionado à própria matéria tributada pela autoridade administrativa. Envolve questões relacionadas à interpretação das normas jurídicas, situação fática apurada pela fiscalização, dados contábeis, etc. 5. O vício material diz respeito à própria obrigação tributária e não aos requisitos burocráticos exigidos ao lançamento. 6. Destarte, ao analisar o voto condutor, observase que as alegações ali trazidas referemse á impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, ensejando, por consectário, a nulidade do auto por vício material, consubstanciado nos artigos 142 e 173, II, do Código Tributário Nacional. 7. Como é cediço, é formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração); e B) Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 8. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. 9. Forma é requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. 10. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. A sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. 11. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Fl. 380DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000324/200795 Acórdão n.º 2301003.669 S2C3T1 Fl. 376 5 Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) 12. Para ratificar esse entendimento destacase a doutrina de Leandro Paulsen (Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 9ª ed., pág. 01112): “Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento a ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei.” 13. O que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorrência do fato gerador, equívocos e omissões no dispositivo legal, da data e horário da lavratura, identificação do sujeito passivo. 14. Apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa não prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu. Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). 15. Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é a diferença esclarecida acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão apenas quando o vício é formal, pois não há dúvida no lançamento de que o fato gerador existiu. 16. O rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vício na formalização. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 17. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da existência do fato gerador. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação ocorreu e que esse fato existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. 18. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. 19. Ademais, este Conselho já se posicionou sobre esta matéria, ao analisar o Recurso Voluntário n. 12045.000302/200725, cuja relatoria coube ao eminente Conselheiro Igor Araújo Soares, deixando patente que o cerceamento de direito de defesa acarreta a nulidade do auto de infração por vício material. AUTO DE INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE NO MOMENTO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. De acordo com o disposto no art. 142 do CTN, deverá o fiscal, ao efetuar o lançamento, verificar e comprovar a ocorrência do fato gerador, da matéria tributável e da penalidade a ser aplicada. Em se tratando de Auto de Infração, um dos elementos que deverá ser comprovado pela fiscalização no momento do lançamento da multa pelo descumprimento da legislação previdenciária é a ocorrência ou não de circunstâncias agravantes, as quais determinam o cálculo do montante do crédito tributário a ser lançado. A posterior verificação pelo acórdão recorrido da ocorrência de circunstância agravante, não apurada quando do lançamento da multa objeto do Auto de Infração, enseja a nulidade do lançamento efetuado, pela inobservância do art. 142 do CTN. LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Quando o lançamento não obedece aquilo o que determinado pelo art. 142 do CTN, deverá ser considerado como carecedor de algum de seus fundamentos principais de validade, o que enseja a ocorrência de vício material insanável. Lançamento Anulado 20. Ora, os embargos de declaração possuem o fito de aprimoramento do julgado, como bem observou o Eminente Ministro Marco Aurélio em seu voto no AI 163.047 5/PR: “os embargos declaratórios não consubstanciam crítica ao ofício judicante, mas servemlhe ao aprimoramento. Ao apreciálos, o órgão deve fazêlo com espírito de compreensão, atentando para o fato de consubstanciarem verdadeira contribuição da parte em prol do devido processo legal”. 21. Destarte, não paira dúvida de que há a necessidade de sanar a omissão e contradição apontadas no presente recurso horizontal, devendo constar na ementa do julgado anulação do lançamento por vício material, ensejando, assim, a procedência das alegações da embargante. CONCLUSÃO 22. Pelo exposto, voto em acolher os embargos propostos, para analisar o vício existente e conceituálo como material, conforme o voto. (assinado digitalmente) Fl. 382DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000324/200795 Acórdão n.º 2301003.669 S2C3T1 Fl. 377 7 Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 383DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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