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Numero do processo: 19515.000693/2004-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 19 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1102-000.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DETERMINAR O ENCAMINHAMENTO deste processo ao relator do processo 13807.007541/2002-03, em razão da conexão entre os feitos.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jacson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé
Nome do relator: Não se aplica
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FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DETERMINAR O ENCAMINHAMENTO deste processo ao relator do processo 13807.007541/200203, em razão da conexão entre os feitos. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jacson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé Relatório Tratamse de Recursos Voluntário e de Ofício interpostos contra o Acórdão nº 16 15.531 (fls. 278/292), proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SPOI), na sessão de 22 de novembro de 2007, que, por unanimidade, julgou procedente em parte o auto de infração, levado a conhecimento da Contribuinte em 29/03/2004 (fl. 126). Em suma, a Contribuinte foi intimada em 18/07/2003 do Termo de Início de Ação Fiscal, referente ao Mandado de Procedimento FiscalDiligência, no qual a autoridade lançadora requereu diversos documentos referentes aos anos de 1999 a 2001 (fls. 59/60). Em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 69 3/ 20 04 -0 9 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 19515.000693/200409 Resolução nº 1102000.314 S1C1T2 Fl. 3 2 seguida, foram lavrados alguns Termos de Prosseguimento de Ação Fiscal (fls. 64/74) entre setembro de 2003 e fevereiro de 2004. Em 24/03/2004, a ora Recorrente foi intimada de novo Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 52/53), dessa vez decorrente de Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização, versando sobre os anos de 2002 a março de 2004. Conforme explanado no Termo de Verificação FiscalTVF (fls. 121/123), lavrado em 29/03/2004, essa fiscalização foi instaurada em decorrência dos pedidos de restituição e de compensação (fls. 105/120) feitos pela Contribuinte em outros processos. O Sr. AFRF informou, ainda no TVF, que, em 1997, a contribuinte captou recursos no exterior, por meio de “Fixed rate notes”, com prazo de amortização de 96 (noventa e seis) meses. O pagamento dos juros decorrentes dessa operação financeira não resultaria na incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), haja vista a norma de isenção prevista no art. 1º, inciso IX da Lei nº lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997: Art. 1º Relativamente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1997, a alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (...) IX juros, comissões, despesas e descontos decorrentes de colocações no exterior, previamente autorizadas pelo Banco Central do Brasil, de títulos de crédito internacionais, inclusive comercial papers, desde que o prazo médio de amortização corresponda, no mínimo, a 96 meses; Todavia, com o argumento que a Recorrente pagou os juros antes do prazo de 96 (noventa e seis) meses, o Sr. AFRF entendeu que a empresa não mais gozava do benefício fiscal acima citado, razão pela qual efetuou lançamento de ofício para exigência de R$ 4.549.041,18 a título de IRRF mais multa de 75% e juros (fls. 124/127): DataFG JurosRemessa JurosBase de cálculo Alíquota IRRFDevido Multa 31/03/1999 R$ 4.082.718,75 R$ 4.803.198,53 15% R$ 720.479,78 R$ 540.359,83 23/04/1999 R$ 7.909.212,50 R$ 9.304.955,88 15% R$ 1.395.743,38 R$ 1.046.807,54 01/10/1999 R$ 4.524.406,25 R$ 5.322.830,88 15% R$ 798.424,63 R$ 598.818,47 22/10/1999 R$ 9.261.562,50 R$ 10.895.955,88 15% R$ 1.634.393,38 R$ 1.225.795,04 Total R$ 25.777.900,00 R$ 30.326.941,17 R$ 4.549.041,18 R$ 3.411.780,88 TOTAL R$ 7.960.822,06 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 19515.000693/200409 Resolução nº 1102000.314 S1C1T2 Fl. 4 3 A infração foi assim tipificada: “001 – RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR Falta de recolhimento do Imposto de Renda na Fonte sobre rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior, conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo, integrante do presente Auto de Infração. [destrincha os valores] Enquadramento Legal: Arts. 18 e 28, da Lei nº 9.249/95; Art. 12 da Lei nº 9.718/98; Arts. 682, inciso II, 683, 684, e 713, do RIR/99.” – fl. 127. Discordando do lançamento, a ora Recorrente impugnou o auto de infração (fls. 130/152 e docs. fls. 153/191), argumentando que: 1. O procedimento fiscal padecia de nulidade; 2. Já era de seu conhecimento que pagou os juros antes do prazo; 3. A constituição e extinção do IRRF ocorreu por meio de compensações (processos nºs 13807.007541/2002031 e 13807.007542/2002402); 1 Este processo (13807.007541/200203) encontrase no e. CARF, distribuído para o il. Conselheiro Fernando Luis Gomes de Matos, integrante da e. 1ª TO da 4ª Câmara da 1ª Seção. O recurso ainda não foi julgado. Em 26/04/2007, a DRJ relatou e decidiu: “Tratase de pedido de restituição, seguido de compensação, apresentados em 28/06/2002, requerendo a compensação de débitos de Impostos sobre a Renda Retido na Fonte (IR/Fonte), relativos aos períodos de 02/04/1998, 02/10/1998 e 01/10/1999” – fl. 235 [...] “De todo o exposto, voto pelo indeferimento da manifestação de inconformidade” – fl. 243. 2 Este processo (13807.007542/200240) foi distribuído para o il. João Carlos de Lima Junior, quando ainda integrava esta e. 2ª TO da 1ª Câmara da 1ª Seção. O processo foi pautado em 29/09/2009, quando foi decidido: “Diante do exposto, voto no sentido de determinar o retorno do processo à DRF de origem para aguardar a decisão final nos processos n.s 19515.000696/200434 e 19515.000039/200578, após o que, devolvêlo ao Conselho para Fl. 395DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 19515.000693/200409 Resolução nº 1102000.314 S1C1T2 Fl. 5 4 4. A despeito de não ter informado o débito de IRRF na DCTF, o crédito do Fisco foi constituído por meio da declaração de compensação; 5. O simples fato de não ter informado o IRRF na DCTF não poderia ensejar a cobrança de tributo; 6. Ao compensar seu crédito com o débito de IRRF antes de qualquer procedimento do Fisco, deveria ser aplicado o benefício da denúncia espontânea; 7. O curso deste processo deve ser suspenso até a conclusão dos PAFs nºs 13807.007541/200203 e 13807.007542/200240; e 8. A taxa SELIC não pode ser aplicada sobre multa de mora. Em 30/09/2004, o Sr. Presidente da 2ª Turma da DRJ/SPOI concordou com a proposição do relator do feito naquela Delegacia (fls. 198/199), para que estes autos fossem apensados ao processo de nº 13807.007542/200240, haja vista que “a análise deste processo depende das decisões que o órgão competente (DIORT/DERAT/SPO) venha proferir com relação às restituições e consequentes compensações acima mencionadas” – fl. 199. O ato administrativo e a impugnação, em 22/11/2007, foram postos para julgamento perante a 2ª Turma da DRJ/SPOI. Esse colegiado decidiu, no acórdão nº 1615.531 (fls. 278/292), por unanimidade, pela exoneração de 83,5% da exigência (tributo e multa). Assim restou a ementa do julgado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Data do fato gerador: 31/03/1999, 23/04/1999, 01/10/1999, 22/10/1999 NULIDADE. PRESSUPOSTOS O auto de infração, lavrado por pessoa competente e em conformidade com a legislação que rege a matéria, não é nulo. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O mandado de procedimento fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos de auditoria fiscal. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa passaram a ser considerados declarações de compensação (DCOMP), desde o seu protocolo, e somente os apresentados após 31/10/2003 constituemse confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Os pedidos de compensação constantes dos autos não se constituem confissão de dívida por terem sido apresentados antes da referida data. DÉBITOS DECLARADOS EM DCOMP E HOMOLOGADOS Parte dos débitos exigidos de ofício foi extinta em consequência de julgamento, instruído com cópia das referidas decisões definitivas” – fl. 11 da Resolução 1102 00.003. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 19515.000693/200409 Resolução nº 1102000.314 S1C1T2 Fl. 6 5 compensações homologadas pela Autoridade Administrativa competente, devendo ser exonerada, bem como a multa de ofício correspondente. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. CABIMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. O instituto da denúncia espontânea pressupõe o pagamento do tributo e dos juros de mora. O débito informado no Pedido de Compensação não atende a tal pressuposto, e por não ter sido declarado nem pago, é cabível a multa de ofício quando exigido por meio de auto de infração. JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC. A exigência dos juros moratórios calculados com base na taxa SELIC atende à legislação tributária. Incabível a apreciação de constitucionalidade da legislação, na esfera administrativa. Lançamento procedente em parte.” – fls. 278/279. Os integrantes da D. 2ª Turma da DRJ/SPOI, unanimemente, entenderam que: 1.DA PRELIMINAR: VÍCIO NO MPF Afirmou a DRJ que, ainda que o trabalho do Sr. AFRF tenha sido feito em grande parte antes de expedido o MPF, não é possível falar em ofensa à Portaria da SRF nº 3007/2001, pois o Decreto 70.235/72, hierarquicamente superior, dispõe de modo diverso. Complementou que a Portaria da SRF nº 3007/2001 é uma norma de procedimento interno, que não retira os atributos do lançamento, instituídos por lei. 2.MÉRITO 2.1. DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO DE IRRF A DRJ fundamentou que a constituição do crédito por meio de declaração de compensação só foi introduzida em nosso ordenamento a partir de 31/10/2003, por meio da MP 135. Assim, no caso concreto, as compensações protocoladas em 28/06/2002 e 12/07/2002 não constituíram o crédito, razão pela qual o lançamento de ofício foi feito nos termos da lei. A DRJ complementou que apenas haveria a constituição do crédito se este tivesse sido formalizado por meio de DCTF, a qual deveria ter sido retificada em 2002, quando ocorreu o pagamento dos juros. 2.2 DA RETIFICAÇÃO DA DCTF “A impugnante afirma que na época da entrega das DCTF dos anosbase em que perdurou a condição suspensiva não tinha como informar tais débitos. Entretanto, ela não estava desobrigada de efetuar a retificação daquelas DCTF tão longo ocorreu a liquidação antecipada do contrato, em 2002” – fl. 289. 2.3 DO AUTO DE INFRAÇÃO Fl. 397DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 19515.000693/200409 Resolução nº 1102000.314 S1C1T2 Fl. 7 6 “(...) o auto de infração foi corretamente lavrado, uma vez que os pedidos de compensação, considerados declarações de compensação (DCOMP), não implicaram confissão dos débitos, no caso em análise, e esses não foram informados em DCTF” – fl. 289. 2.4 DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO APRESENTADO PARA COMPENSAR COM DÉBITO DE IRRF Os integrantes da 2ª Turma da DRJ/SPOI decidiram pela exoneração de parte do valor lançado e da proporcional multa de ofício, sob o argumento de que houve compensação parcial do montante aqui exigido, haja vista que, nos autos dos processos nºs 13807.007542/200240 e 13807.007541/200203, a DIORT reconheceu a existência de R$ 3.800.564,00 a título de crédito da Contribuinte e, como consequência, compensou débito de igual montante. Ao final, foram mantidos os seguintes valores: Acórdão DRJ Data FG IRRF Devido Multa 31/03/1999 R$ 0,00 R$ 0,00 23/04/1999 R$ 0,00 R$ 0,00 01/10/1999 R$ 612.584,33 R$ 459.438,25 22/10/1999 R$ 135.892,45 R$ 101.919,34 Total R$ 748.476,78 R$ 561.357,59 TOTAL R$ 1.309.834,37 2.5 DA MULTA DE OFÍCIO O colegiado fundamentou que o art. 138 condiciona a denúncia espontânea ao pagamento, que não se confunde com compensação. E, ainda que se aplicasse o instituto, a multa de mora não poderia ser dispensada, pois não se trata de penalidade, mas de “indenização pelo atraso no pagamento” – fl. 290. 2.6 DOS JUROS DE MORA Deveria ser mantida a exigência de taxa SELIC, haja vista previsão legal, bem como frente à incompetência da esfera administrativa para julgar a “questão da constitucionalidade ou legalidade de legislação tributária” (fl. 291). Foi formalizado recurso de ofício (fl. 279). A Contribuinte foi intimada do Acórdão DRJ em 22/04/2008, uma terçafeira (fl. 379). Visando reformálo, em 21/05/2008, interpôs Recurso Voluntário (fls. 302/341 e anexos fls. 342/377), argumentando: (i) DO VÍCIO NO MPF "... que o lançamento pode ser realizado por qualquer AuditorFiscal da Receita Federal” – fl. 306. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 19515.000693/200409 Resolução nº 1102000.314 S1C1T2 Fl. 8 7 (...) “Com efeito, o procedimento fiscalizatório (diligência) foi autorizado no dia 10 de julho de 2003, por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD) n° 08.1.90.00200302745 6, com ciência nela Recorrente em 18 de julho de 2003. Ou seja, conforme o artigo 3º, da Portaria MF n° 3.007/01, o agente fiscal que autuou a Recorrente estava autorizado, somente, a laborar diligência fiscal, mas não uma fiscalização, que tecnicamente são conceitos distintos, com amplitudes também divergentes” – fl. 308. (...) “Registrese que a função da DEFIC no procedimento de diligência, efetuado em processo administrativo movido pelo contribuinte para restituir e/ou compensar tributos, é a de simplesmente verificar o que lhe foi determinado pela Divisão competente pela análise do processo que é a DIORT, da Delegacia de Administração Tributária de São Paulo (“DERAT”) e, caso fosse detectada qualquer irregularidade, deveria relatála para que a DIORT analisasse e proferisse o despacho” – fl. 309. (ii) DO MÉRITO (ii.a) DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO DE IRRF “pelo histórico legislativo acima transcrito, é notório que os pedidos de compensação em tela, protocolados em 28 de junho de 2002, foram convertidos em declaração de compensação, por força da Medida Provisória n° 66/02, e, posteriormente, com a edição da Medida Provisória n° 135/03, tais declarações de compensação passaram a constituir verdadeira confissão de dívida. De fato, com a conversão dos pedidos de compensação, pendentes de análise, em declaração de compensação conforme reconheceu a Delegacia de Julgamento os dispositivos legais aplicáveis à declaração de compensação passaram, automaticamente, a serem aplicados aos pedidos de compensação convertidos” – fl. 320. (ii.b) DA DESNECESSIDADE DE INFORMAR OS DÉBITOS DE IR/ FONTE QUANDO DA ENTREGA DA DCTF “a apresentação dos pedidos de compensação (convertidos em declaração de compensação) supre a necessidade da retificação da DCTF, mencionada pela D. Turma Julgadora, de modo que não poderá prevalecer tal entendimento [de que a Contribuinte não estava desobrigada a efetuar retificação das DCTFs] perante esse E. Conselho de Contribuintes” – fl. 327. (ii.c) DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGIR TRIBUTO COMO SANÇÃO POR ATO ILÍCITO “No entanto, ainda que pudesse prevalecer tal entendimento [que a Contribuinte estava obrigada a efetuar retificação das DCTFs], o que se admite apenas para argumentar, jamais poderia ser exigido da Fl. 399DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 19515.000693/200409 Resolução nº 1102000.314 S1C1T2 Fl. 9 8 Recorrente o crédito tributário de IR/Fonte, acrescido de multa de 75% e juros moratórios, pois tal cobrança decorreria, de fato, do não cumprimento de mera obrigação acessória. Ora, o simples motivo de a Recorrente não ter informado em DCTF as compensações efetuadas não pode ensejar a cobrança de tributo” – fl. 327/8. (...) “Portanto, a única penalidade aplicável em face da apresentação de DCTF com incorreções ou com informações omitidas o que a fiscalização e a Turma Julgadora entendem que ocorreu in casu seria a aplicação de multa de R$ 20,00, para cada grupo de dez informações supostamente omitidas [nos termos do art. 7º da Lei nº 10.426/2002], bem como a intimação do contribuinte para apresentar nova DCTF, mas nunca a exigência do próprio tributo!” – fl. 329. (ii.d) DA MULTA DE OFÍCIO “Destarte, utilizandose das lições do ilustre professor [Paulo de Barros Carvalho] é possível ratificar o argumento até aqui desenvolvido, no sentido de que o fato gerador do direito à denúncia espontânea não é o simples pagamento, em dinheiro, do tributo denunciado, mas, sim, o adimplemento da obrigação tributária, por meio de qualquer das espécies previstas no artigo 156 do CTN, como, por exemplo, a compensação, razão pela qual se faz manifesta a necessidade de reforma da decisão recorrida, para que também seja exonerada, por esse E. Conselho, a multa de ofício lavrada.” – fl. 332. (ii.e) PAGAMENTO A MAIOR DA MULTA DE MORA “Ademais, em sendo reconhecida a denúncia espontânea no presente caso, deverá, ainda, esse E. Conselho reconhecer que foi feito o pagamento a maior da multa de mora, pois foi incluída nas compensações efetuadas pela Recorrente, multa essa que, por não incidir no presente caso, em razão do procedimento espontâneo, deverá ser reconhecida como crédito líquido e certo para fins de compensações futuras” – fl. 333. (ii.f) DA RETROATIVIDADE BENIGNA “E notese que a multa isolada, prevista na atual legislação, não pode ser aplicada em todos os casos de compensação não homologada, mas apenas naqueles em que (i) for comprovada falsidade na apresentada pelo contribuinte; ou (ii) a compensação efetuada pelo sujeito passivo for considerada não declarada. Vale dizer, a multa de ofício que estava prevista no artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835/01 deixou de existir com a Lei n° 10.833/03, com a redação dada pela Lei n° 11.488/07, de tal modo que o fato previsto como infração tributária deixou de ser assim caracterizado pela nova legislação” – fl. 336. (ii.g) DA COBRANÇA EM DUPLICIDADE DO DÉBITO DE IR/FONTE “Além dos argumentos acima contidos, é de ressaltar que não poderá prevalecer qualquer cobrança, nestes autos, dos débitos de IR/Fonte, Fl. 400DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 19515.000693/200409 Resolução nº 1102000.314 S1C1T2 Fl. 10 9 tendo em vista que eles já foram constituídos via pedidos de compensação (convertidos em declaração de compensação), sob pena de ser caracterizada duplicidade de lançamento” – fl. 337. (ii.h) DA TAXA SELIC “Ademais, devese ressaltar que a referida Taxa não foi criada e definida em lei, mas por Resolução do Banco Central do Brasil, o que ofende ao princípio constitucional da legalidade e ao disposto no artigo 161, § 1º, do CTN” – fl. 339. (...) “O artigo 161, parágrafo 1º, do CTN dispõe que ‘se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (...)’. Como não existe lei ordinária que tenha criado a Taxa Selic, os juros (se devidos) que deveriam ser aplicados ao presente caso estão limitados a 1% ao mês. Notase que o artigo em questão não veda a utilização de percentual diferente, desde que este seja fixado em lei. Assim, não existindo previsão legal, devese aplicar aos juros de mora a taxa de 1% ao mês” – fl. 340. Remetidos os autos para este e. CARF, o processo foi distribuído inicialmente para a relatoria do il. Cons. Rubens Maurício Carvalho, integrante da 2ª TO da 1ª Câmara da 2ª Seção. Aquele colegiado, em 16/05/2012, proferiu, por unanimidade, o acórdão nº 2102 002.038 (fls. 386/390), no qual não conheceu do recurso, sob o fundamento que “a matéria controvertida é de competência das Turmas de Julgamento da 1ª Seção” – fl. 386. Explicou que “o presente processo de Auto de Infração [é] decorrente de compensação indevida de créditos de saldo negativo de IRPJ, fls 95 e 102 com IRRF” – fl. 388, e citou o TVF (fl. 114) onde se faz referência aos processos nº 13807.007541/200203 e 13807.007542/200240. Feito novo sorteio, chegaramme os autos. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto Relator 1.DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Conforme relatado, o presente processo foi distribuído inicialmente para a 2ª Seção. Ali, através do acórdão nº 2102002.038 (fls. 386/390), foi remetido para esta 1ª Seção, haja vista a constatação de decorrência em relação às compensações que tramitam nos processos nºs 13807.007541/200203 e 13807.007542/200240. Realmente existe vinculação entre o presente processo e os outros dois, tanto que os débitos que foram mantidos pela e. 2ª Turma da DRJ/SPOI estão atrelados aos processos de compensação de nºs 13807.007541/200203 e 13807.007542/200240, conforme informações da própria Receita Federal do Brasil: Acórdão DRJ (fl. 292) Data FG IRRF Devido Multa Processo DCOMP nº Fl. 401DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 19515.000693/200409 Resolução nº 1102000.314 S1C1T2 Fl. 11 10 01/10/1999 R$ 612.584,33 R$ 459.438,25 13807.007541/200203 fl. 269 22/10/1999 R$ 135.892,45 R$ 101.919,34 13807.007542/200240 fl. 271 Total R$ 748.476,78 R$ 561.357,59 Existindo vinculação por conexão, decorrência ou reflexão entre processos, o Regimento Interno do CARF determina que eles sejam distribuídos, independentemente de sorteio, ao mesmo relator. É o que se depreende do art. 49, §7º, do Anexo II: Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. (...) § 7ºOs processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. No presente caso, registramos que todos os processos tramitam pela 1ª Seção. O presente processo adentrou no CARF em 13/08/2008. O processo nº 13807.007541/200203 adentrou no CARF em 24/09/2007, sendo distribuído para o il. Conselheiro Luis Gomes de Matos, integrante da e. 1ª TO da 4ª Câmara da 1ª Seção, que ainda não julgou o recurso. O processo nº 13807.007542/200240 adentrou no CARF em 06/11/2007, sendo distribuído para o il. João Carlos de Lima Junior, que integrava a e. 2ª TO da 1ª Câmara da 1ª Seção, e o recurso foi levado para julgamento, quando restou determinado o retorno do processo à DRF de origem para aguardar a decisão final nos processos nºs 19515.000696/200434 e 19515.000039/200578. Considerando que os processos tramitam em Relatorias distintas e que nenhum julgamento foi ainda concluído, compete a reunião deles àquele que primeiro recebeu, o que extrai do próprio art. 49, §7º, do Anexo II, do RICARF, quando determina que a distribuição será ao mesmo relator, logo, ao primeiro. Analisando as datas acima informadas, o presente processo deve ser reunido com o de nº 13807.007541/200203. Ante o exposto, determino o encaminhamento deste processo ao relator do processo 13807.007541/200203, em razão da conexão entre os feitos. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 402DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO
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Numero do processo: 11330.001219/2007-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1998 a 01/01/2002
DECADÊNCIA PARCIAL. OCORRÊNCIA. RECONHECIMENTO. PARTE DAS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS FORAM ALCANÇADAS PELA DECADÊNCIA. DIFERENÇAS E BASES DE CÁLCULO DEMONSTRADAS EM PLANILHAS DE CÁLCULO. CERCEAMENTO DE DEFESA INOCORRÊNCIA. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL. POSSIBILIDADE.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência em relação às competências até 11/2001, inclusive, com base no art. 150, § 4º, do CTN; no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado Digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado Digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1998 a 01/01/2002 DECADÊNCIA PARCIAL. OCORRÊNCIA. RECONHECIMENTO. PARTE DAS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS FORAM ALCANÇADAS PELA DECADÊNCIA. DIFERENÇAS E BASES DE CÁLCULO DEMONSTRADAS EM PLANILHAS DE CÁLCULO. CERCEAMENTO DE DEFESA INOCORRÊNCIA. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL. POSSIBILIDADE. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência em relação às competências até 11/2001, inclusive, com base no art. 150, § 4º, do CTN; no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 12 19 /2 00 7- 95 Fl. 603DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11330.001219/200795 Acórdão n.º 2202003.260 S2C2T2 Fl. 604 2 Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11330.001219/200795 Acórdão n.º 2202003.260 S2C2T2 Fl. 605 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal PAF encerra a Notificação Fiscal de Lançamento de débito NFLD Nº DEBCAD 37.026.6730, a qual objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária parte patronal, decorrente de diferença constatada entre a folha de pagamento e o recolhimento em Guia de Recolhimento da Previdência – GPS, conforme Relatório Fiscal Notificação Fiscal de Lançamento de débito REFISC NFLD, de fls 242 a 244. O agente lançador informa que a presente Notificação Fiscal de Lançamentos de Débitos – NFLD foi cientificada ao contribuinte, em 11/12/2006, conforme Folha de Rosto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, de fls. 03. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 268 a 284, recebida, em 26/12/2006, a qual foi acompanhada dos documentos, de fls. 286 a 418. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 420; 422 e 424. A primeira instância exarou o Acórdão Nº 12.16.821 12ª Turma, DRJ/RJO1, em 29/10/2007, fls. 434 a 448. No qual o lançamento foi considerado procedente. O contribuinte foi cientificado dessa decisão, em 17/04/2009, AR, de fls. 550. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 552 e 570, recebida, em 15/05/2009, acompanhada dos documentos, de fls. 572 a 588. As teses recursais sumariadas estão a seguir expostas. Preliminar. · que o lançamento é nulo em razão da decadência, pois as competências lançadas remontam a mais de cinco anos; Mérito. · que inexiste diferenças, no que tange a contribuição de segurados, bem como não é possível identificar a base de cálculo; · que o indeferimento da prova pericial implica em cerceamento de defesa, violando o direito da recorrente; · Ao fim, requer: a) provimento do recurso com a reforma do acórdão recorrido; b) que o lançamento seja julgado improcedente. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11330.001219/200795 Acórdão n.º 2202003.260 S2C2T2 Fl. 606 4 O Recurso Voluntário foi considerado tempestivo pelo órgão preparador, fls. 590 e 598. Os autos subiram ao CARF, fls. 598. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 12/03/2015, Lote 15, fls. 601. É o Relatório. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11330.001219/200795 Acórdão n.º 2202003.260 S2C2T2 Fl. 607 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Preliminar. Verificase ao compulsar o Discriminativo Sintético de Débito DSD, de fls. 24 a 28, que as competências lançadas nos presentes autos, referemse ao período de 12/1998; 03/1999; 10/1999; 01/2000; 06/2000 a 12/2001; 13º/1999; 13º/2000 e 13º/2001. Podese observar do documento, de fls. 03, Folha de Rosto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, que este foi lançado, em 11/12/2006. Não consta do lançamento a informação da ocorrência de pagamento, todavia o agente lançador deixa claro que tal notificação referese a lançamento de diferenças, observe se as passagens do REFISC que transcrevo abaixo. 1 O PRESENTE RELATÓRIO É PEÇA INTEGRANTE DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO (nfld) SUPRA CITADA, LAVRADA EM FACE DO CONTRIBUINTE EM TELA TENDO EM VISTA QUE 0 MESMO DEIXOU DE RECOLHER DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS SOBRE OS VALORES PAGOS AOS SEGURADOS EMPREGADOS, APURADAS EM FOLHAS DE PAGAMENTO EM COTEJO COM AS GUIAS DE RECOLHIMENTOS E GUIAS DE DEPÓSITO JUDICIÁRIO, RELATIVAMENTE A CONTRIBUIÇÃO DE " EMPRESA" , NÃO INCLUIDAS NA COMPENSAÇÃO EFETUADA PELA EMPRESA. 3 A EMPRESA NÃO APRESENTOU DEPÓSITOS JUDICIAIS DAS DIFERENÇAS APURADAS REFERENTES A CONTRIBUIÇÃO DE "EMPRESA' , COMO DEMONSTRA A PLANILHA EM ANEXO, ASSIM ESTA AUDITORIA ENTENDEU QUE ESTAS CONTRIBUIÇÕES NÃO FORAM CONSIDERADAS PELA EMPRESA EM SEUS CÁLCULOS DE COMPENSAÇÃO, PERMANECENDO TAIS Fl. 607DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11330.001219/200795 Acórdão n.º 2202003.260 S2C2T2 Fl. 608 6 CONTRIBUIÇÕES, COMO DÉBITO A SER AQUI LANÇADO. Assim sendo, cabe a aplicação da Súmula 99 do CARF que a seguir transcrevo. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No que tange a contagem do prazo decadência adoto a linha do Superior Tribunal de Justiça STJ exarada no RESP colacionado, bem como o que determina a SV STF Nº 08/2008. RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN Desta forma, retroagindose a data do lançamento em cinco anos teremos com marco inicial da decadência a data de 11/12/2001, ou seja, todos os fatos geradores anteriores a essa data estariam decadentes. No entanto, restam hígidas a cobrança por não terem sido atingidas pela decadências as competências 12/2001 e 13º/2001, uma vez que o fato gerador dessas competências são posteriores a data limite 11/12/2001. Mérito. O agente fiscal notificante deixou claro em seu REFISC a metodologia e os documentos utilizados para a apuração das diferenças, bem como na planilha, de fls. 128, apresenta o cálculo dos valores. Não demonstrando a empresa qualquer mácula nesse procedimento, limitandose a dizer genericamente, que as diferenças inexistem e que não pôde apurar a base de cálculo. A prova pericial é elemento a propiciar ao julgador a formação de seu convencimento, não sendo direito subjetivo do contribuinte, podendo e devendo o julgador indeferila quando a achar desnecessária, inútil ou protelatória. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11330.001219/200795 Acórdão n.º 2202003.260 S2C2T2 Fl. 609 7 HABEAS CORPUS. ART. 19, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI Nº 7.492/1986. ART. 333, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO PENAL. PACIENTE ABSOLVIDO. PEDIDO PREJUDICADO. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL REQUERIDA NA DEFESA PRELIMINAR E NA FASE DO ART. 499 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. DISCRICIONARIEDADE DO JULGADOR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. DECISÃO FUNDAMENTADA. RAZOABILIDADE. 1. Diante da notícia de que um dos pacientes foi absolvido na ação penal de que aqui se cuida, o writ mostra se prejudicado quanto a ele. 2. É pacífico o entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal de que o deferimento de prova pericial e de diligências na fase do art. 499 do Código de Processo Penal está condicionado à avaliação de sua conveniência, cabendo ao julgador aferir, em cada caso, dentro da esfera de discricionariedade, a real necessidade da medida para a formação de sua convicção. 3. Não há que falar em cerceamento de defesa se o indeferimento da realização da perícia está suficientemente justificado, de forma razoável, notadamente pela possibilidade de a defesa produzir provas diversas capazes de atingir o fim almejado com a perícia, assim também pela existência de outros elementos de convicção hábeis a comprovar a prática do delito, não evidenciado qualquer constrangimento ilegal. 4. Habeas corpus julgado prejudicado quanto a a Flávio Antônio Bonet e denegado em relação a Cezar Antônio Bonet. (HC 200601141456, PAULO GALLOTTI, STJ SEXTA TURMA, 30/06/2008) (o grifo é meu). No caso em tela a autoridade julgadora a quo demonstrou de forma objetiva e clara a desnecessidade da perícia, conforme transcrição abaixo. "23. Diante do exposto, INDEFIRO o PEDIDO de PERÍCIA, formulado pela, impugnante, por ser a mesma prescindível ao deslinde da controvérsia aqui debatida, nos termos do que dispõe o art. 11, da Portaria RFB n° 10.875/2007, in verbis: Art. 11. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 15. (grifei)" Fl. 609DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11330.001219/200795 Acórdão n.º 2202003.260 S2C2T2 Fl. 610 8 Assim sendo, o presente lançamento é improcedente em parte, em razão do reconhecimento da decadência em parte do crédito. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, rejeitando as preliminares, para no mérito darlhe provimento parcial para reconhecer a decadência das contribuições exigidas, para as competências cujos os fatos geradores ocorreram antes de 11/12/2001, nos termos do artigo 150º, §4º, da Lei 5.172/66, sendo hígida a cobrança das competências 12/2001 e 13º/2001. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10167.001496/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento da Súmula CARF no. 99, bem como do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62, parágrafo primeiro, II, b, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO - ALIMENTAÇÃO IN NATURA - EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT - POSICIONAMENTO DA PGFN NO ATO DECLARATÓRIO 03/2011 - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
Conforme o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011, a PGFN, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.
Desta forma, como o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 se amolda ao disposto no art. 62, parágrafo primeiro, inciso II, alínea c do Anexo II do Regimento Interno do CARF, tem-se então que a concessão de alimentação in natura aos segurados a título de vale-alimentação não implica em incidência de contribuição previdenciária.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.267
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência até a competência 05/2001, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; no mérito, dar provimento ao recurso para afastar a tributação do Lançamento "AL - ALIMENTAÇÃO DESACORDO COM LEI".
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento da Súmula CARF no. 99, bem como do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62, parágrafo primeiro, II, b, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUXÍLIOALIMENTAÇÃO ALIMENTAÇÃO IN NATURA EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT POSICIONAMENTO DA PGFN NO ATO DECLARATÓRIO 03/2011 NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Conforme o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011, a PGFN, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 7. 00 14 96 /2 00 7- 74 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. Desta forma, como o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 se amolda ao disposto no art. 62, parágrafo primeiro, inciso II, alínea c do Anexo II do Regimento Interno do CARF, temse então que a concessão de alimentação in natura aos segurados a título de valealimentação não implica em incidência de contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência até a competência 05/2001, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; no mérito, dar provimento ao recurso para afastar a tributação do Lançamento "AL ALIMENTAÇÃO DESACORDO COM LEI". Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10167.001496/200774 Acórdão n.º 2202003.267 S2C2T2 Fl. 173 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 0325.343 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº. 35.783.7924. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração indireta em forma de alimentação, fornecida aos seus empregados no período de 0112001 a 12/2005, correspondentes à parte patronal, à parte dos segurados empregados, às contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, e a de Terceiros (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE). O Relatório Fiscal informa que o arbitramento deuse em razão da não apresentação da inscrição no PAT — Programa de Alimentação ao Trabalhador no período de 01/2001 a 12/2005, condição necessária para que o benefício seja retirado da base de cálculo das contribuições previdenciárias. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo de Débito DD, às fls. 04, é de 01/2001 a 12/2005. O contribuinte teve ciência da NFLD em 08.06.2006, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva na qual alega em síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Contesta inicialmente o valor lançado pelo Auditor Fiscal na competência 01/2001 (R$2.728,22), quando entende que o valor correto seria R$1.760,00 conforme provado por meio da Nota Fiscal n° 67, cópia anexa (fl. 87). No mérito, protesta alegando ser descabido a legislação previdenciária penalizar as empresas cole acréscimos de encargos desta natureza. Reconhece que a legislação previdenciária prevê a incidência de contribuição previdenciária sobre parcela in natura recebida em desacordo com o PAT. Colaciona jurisprudência que entende ser favorável à não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação paga em desacordo com o PAT. Transcreve ainda o Enunciado 241/TST, que entende ser favorável à sua tese. O Relatório da decisão de primeira instância informa ter havido solicitação de Diligência Fiscal no qual foi solicitado a retificação/ratificação do lançamento no valor de R$968, 22 lançado na competência 01/2001. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 A fiscalização, em resposta (fls. 93) retificou a informação, confirmando que o valor de R$968,22 foi indevidamente incluído na competência 01/2001, quando o correto seria a inclusão na competência 12/2001. Conforme consta dos autos, foi efetuada ciência (fls. 96) do despacho n° 042 e da resposta da diligência, não tendo a impugnante apresentado nova contestação. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, para retificar o valor lançado na competência 01/2001, nos termos do Acórdão nº 0325.343 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005 ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR Integram o salário de contribuição as verbas pagas pela empresa a título de alimentação, sem a inscrição da empresa_ no . Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Lançamento Procedente em Parte Acordam os membros da 7' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos,. considerar procedente em parte o lançamento (DEBCAD n° 35.783.7924), mantendo o crédito no valor constante no Discriminativo Analítico do Débito Retificado (DADR) anexo. Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em síntese: (i) Da decadência com base no art. 150, §4 do CTN competências anteriores a junho/2001 (ii) Da alimentação "in natura" fornecida Os benefícios concedidos foram exclusivamente na modalidade "in natura" a titulo de utilidade em alimentos destinada aos trabalhadores, os quais não compreendem a base de incidência das contribuições sociais. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10167.001496/200774 Acórdão n.º 2202003.267 S2C2T2 Fl. 174 5 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 411. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) Da decadência com base no art. 150, §4 do CTN competências anteriores a junho/2001 Analisemos. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, Fl. 178DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (...) (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 343/2015, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo primeiro, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62, parágrafo primeiro, inciso I, Regimento Interno do CARF – RICARF. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10167.001496/200774 Acórdão n.º 2202003.267 S2C2T2 Fl. 175 7 Neste mesmo sentido, temse a Súmula 99 do CARF: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Na hipótese dos autos, no Relatório de Documentos Apresentados RDA, às fls. 31 a 43, se verifica recolhimentos do contribuinte, dentre outras, em todas as competências de 01/2001 a 05/2001. Portanto, estes recolhimentos feitos pelo contribuinte, via Guias da Previdência Social GPS, em todas as competências 01/2001 a 05/2001, no meu posicionamento, é o suficiente para considerar os recolhimentos antecipados feitos pelo contribuinte ensejando a aplicação do art. 150, § 4º, CTN, com fulcro na Súmula 99 do CARF e no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Inclusive, em que pese o fato de que os recolhimentos não serem referentes à mesma rubrica, mantenho este posicionamento de aplicação do critério decadencial do art. 150, § 4º, CTN com fundamento na Súmula 99, CARF. Então, o período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo de Débito DD, às fls. 04, é de 01/2001 a 12/2005. O contribuinte teve ciência da NFLD em 08.06.2006, conforme fls. 01. Portanto, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 05/2001, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. (ii) Da alimentação "in natura" fornecida Os benefícios concedidos foram exclusivamente na modalidade "in natura" a titulo de utilidade em alimentos destinada aos trabalhadores, os quais não compreendem a base de incidência das contribuições sociais. Analisemos. Em um primeiro aspecto, devemos determinar se a alimentação fornecida pela empresa foi feita "in natura" ou em pecúnia, ou ainda, por outra modalidade. Por um lado, a Recorrente alega em sede de Recurso Voluntário que a alimentação foi fornecida "in natura" aos empregados. Por outro lado, o Relatório Fiscal não define expressamente qual a modalidade de alimentação foi fornecida pela empresa. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 Outrossim, observandose o Relatório de Lançamentos RL, às fls. 23 a 30, temse no campo "Observação", referente a cada lançamento efetuado, descrições bem similares da alimentação fornecida, modalidade "in natura", como por exemplo: Competência 10/2001 Observação: . Alim. forn. por Orimisio A Guimarães, NF 555, Lanc Razão 31302.007 . Alimentação forn, por Dario Darci, NF 3750, Lanc no Razão 31302.007 Competência 11/2001 Observação: . Alim, forn. por Ideltina P dos Anjos, NF 007, Lanc no Razão 31302.007 . Alim. forn. por Orimisio A Guimarães, NF 557, Lanc Razão 31302.007 Competência 10/2002 Observação: . Alim. forn. por W P Souza, NF 32, Lanc no Razão 31201.008 . Alim. forn. por W P Souza, NF 33, Lane no Razão 31201.008 . Alim. forn. por Churasc Boi na Brasa, NF 293, Lanc no Razão 31501.008 Quanto ao Código de Levantamento AL ALIMENTAÇÃO DESACORDO COM LEI, referente ao fornecimento de alimentação in natura sem estar inscrita no PAT, devemos observar o Regimento Interno do CARF em seu art. 62, parágrafo único, inciso II, alínea a, do Anexo II: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (grifo nosso) Deste modo, conforme o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011, a PGFN, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, Fl. 181DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10167.001496/200774 Acórdão n.º 2202003.267 S2C2T2 Fl. 176 9 de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011: "DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. Então, como o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 se amolda ao disposto no art. 62, parágrafo único, inciso II, alínea a do Anexo II do Regimento Interno do CARF, temse então que a concessão de alimentação in natura aos segurados a título de valealimentação não implica em incidência de contribuição previdenciária. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, em: (i) acolher a PRELIMINAR de decadência até a competência 05/2001, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; (ii) no MÉRITO, dar provimento ao Recurso para afastar a tributação do Lançamento "AL ALIMENTAÇÃO DESACORDO COM LEI". É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 182DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 14485.000265/2007-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/10/1998
Ementa:
PREVIDENCIÁRIO.DECADÊNCIA
Tomando-se como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, " In casu", o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da notificação da constituição do crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Junior. Fez sustentação oral a Dra. Raissa Maia, OAB/DF 33.142.
JOÃO BELINNI JÚNIOR - Presidente.
IVACCIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
EDITADO EM: 19/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu
Nome do relator: Ivaccir Júlio de Souza
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/10/1998 Ementa: PREVIDENCIÁRIO.DECADÊNCIA Tomando-se como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, " In casu", o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da notificação da constituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido
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Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Junior. Fez sustentação oral a Dra. Raissa Maia, OAB/DF 33.142. JOÃO BELINNI JÚNIOR Presidente. IVACCIR JÚLIO DE SOUZA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 02 65 /2 00 7- 00 Fl. 508DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 EDITADO EM: 19/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu Fl. 509DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14485.000265/200700 Acórdão n.º 2301004.459 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Lí o Relatório produzido pela instância a quo , compulsei com os autos e tendo anuído , com grifos de minha autoria, por economia processual, abaixo o transcrevo na íntegra: " Tratase de notificação fiscal lavrada pela Auditora Fiscal da Previdência Social Sandra Akemi Takai, matrícula 1.334.762, relativo a contribuições devidas para a Seguridade Social e Terceiros, incidentes sobre a Folha de Pagamento de segurados empregados da empresa incorporada Fertisul S.A., CNPJ 94.845.9301004500, nas competências junho a agosto e outubro de 1998, abrangendo as rubricas: "47Indenização Compensatória", "165 Salário Substituição", e 195Indenização Dispensa (motivada", conforme Relatório Fiscal, de fls. 28131, no montante de R$ 112.911,73 (cento e doze mil, novecentos e onze Reais e setenta e três centavos), consolidado em 2011212005. O Relatório Fiscal esclarece, ainda: • 1.1. a Fertisul S/A., CNPJ 94.845.930/000190, em 0711998, foi incorporada pela Fertilizantes Serrana S/A., CNPJ 60.398.9891000165, que em 0812000, foi incorporada pela Manah S/A., com alteração da razão social para Bunge Fertilizantes S/A.; 1.2. o crédito previdenciário foi apurado a partir do exame das Folhas de Pagamento e Livros Razão, esclarecendose que após intimação em documento próprio não foi apresentada a relação de empregados que receberam as rubricas objeto deste lançamento; 1.3. a rubrica 47 Indenização Compensatória — referese a verba remuneratória paga aos empregados demitidos sem justa causa, além da indenização prevista em lei, de acordo com os anos trabalhados na empresa; 1.4. a rubrica 165 Salário Substituição —'referese a remuneração paga a empregado substituto com adicional correspondente a 20% (vinte por cento) do seu salário base nominal, limitado ao salário do substituído, desde que o prazo de substituição seja igual ou superior a 30 dias; 1.5. a rubrica 195 Indenização Dispensa Imotivada referese a 40 remuneração de 50% (cinqüenta por cento) do salário base nominal, a título de indenização nas dispensas imotivadas, pagos aos empregados que tinham mais de dez anos ininterruptos ou que tinham mais de 45 anos de idade; 1.6. o Relatório Fiscal traz planilha demonstrando mensalmente o salário de contribuição apurado para cada uma das rubricas consideradas, com fundamento no art. 28, inc. 1 da Lei n° Fl. 510DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 8.212191 e art. 214, § 9 1, inc. V, alínea "m" do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048199; DA IMPUGNAÇÃO 2. Cientificado pessoalmente da notificação aos 21/1212005 (fls.1), irresignado, o sujeito passivo interpôs aos 0310112006, sob protocolo n° 35464.0000861200600, a defesa, de fls. 37153, acompanhada de Instrumento de Procuração e Substabelecimento (fls. 54156), cópia de Ata de Assembléia de 2911112002 (fls. 57158), cópia da Acordos Coletivos de Trabalho do período 11194 a 10198 (fls. 591302) e cópia de Consulta ao Extrato do Devedor do Sistema Dívida da Procuradoria CDEBEXT e CCREDEXT (fls. 3031310), alegando, em resumo: PRELIMINARES 2.1. Decadência citando os art. 173 e 156 do CTN, bem como doutrina e julgados do TRF e do STJ, o sujeito passivo afirma estar patente a decadência dos tributos lançados, visto que o período fiscalizado é de 0111995 a 1011997 e a data limite para cobrar os tributos referentes ao último período seria, em tese, o mês de dezembro de 2002, e não dezembro de 2005 como no presente caso, concluindo, após citação do art. 475L do Código de Processo Civil, que pela sua redação, "depreendese que se atribuiu, agora, "status" de inexigível ao título judicial fundado em Lei ou ato normativo inconstitucional ou incompatível com a Constituição. O mesmo se pode afirmar, por interpretação analógica, transpondose para a esfera federal. Tendo o Superior Tribunal de Justiça, intérprete maior da Lei Federal, • pacificado a matéria de decadência (5 anos), no que se refere a contribuição previdenciária, mesmo em face do advento da lei 8.212191, NÃO HÁ FUNDAMENTO LEGAL PARA EMBASAR EXIGÊNCIA ALÉM DESSE PERÍODO, por contrariar o espírito da lei, em interpretação sistemática, que visa a celeridade processual e o impedimento de demandas infundadas que atolam o Judiciário já emperrado"; 2.2. Da Não apresentação de Documentos tendo o Superior Tribunal de Justiça pacificado a matéria de decadência em 5 anos não há como se exigir da Defendente documentos referentes a períodos anteriores ao prazo decadencial, pois conforme art. 5 0, inc. II da Constituição Federal, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Mérito 2.3. não merece prosperar o lançamento fiscal de contribuição incidente sobre a Folha de Pagamento e sobre a Participação nos Lucros ou Resultados, uma vez que as diferenças nas bases de cálculo apuradas nas Folhas de Pagamento relativas a rubrica 433 —Indenização Compensatória e 195 Indenização por Dispensa Imotivada são expressamente • excluídas do salário de contribuição pelo artigo 214, § 9 0, inciso V, "a" e "c" do Regulamento da Previdência Social. Nesse sentido tem se posicionado a jurisprudência, conforme acórdãos transcritos; Fl. 511DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14485.000265/200700 Acórdão n.º 2301004.459 S2C3T1 Fl. 4 5 2.4. para que haja integração de determinada verba ao salário de contribuição, deve esta necessariamente ser parte integrante da remuneração, ter o caráter de habitualidade, diferentemente do que ocorre no presente caso, por receber o empregado a respectiva verba uma única vez, quando de sua saída da empresa. É o que depreende do art. 28, inciso 1 da Lei n° 8.212191; 2.5. a Defendente, citando o art. 292, inc. V, combinado com o art. 291, § 1 0 do Decreto n° 3.048199, argumenta que ante a farta prova documental anexada, demonstra ser primária, cumprindo rigorosamente a legislação previdenciária, não incorrendo em nenhuma circunstância agravante, fazendo jus à redução de 50% do valor da infração lavrada napresente NFLD, caso não seja julgada insubsistente a notificação; Pedido 2.6. diante do exposto, aguarda o acolhimento das preliminares e, no mérito, requer seja julgada insubsistente a NFLD com o cancelamento da multa imposta de forma indevida ou, pelo princípio da eventualidade, a redução da multa imposta, e ainda eventuais juros, somente a contar de 2111212005. Protesta pela juntada posterior de outras provas em direito admitidas que se fizerem necessárias durante o desenrolar da instrução, como faculta a Portaria MPS n° 52012004. 3. É o relatório." DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Na forma do documento de fls.314, a Delegacia da Receita Previdenciária em São Paulo Sul, em 18/04/2006 , exarou DECISAONOTIFICAÇÃO n° 21.404.4/0256/2006, mantendo o crédito tributário. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Irresignada, a autuada interpôs Recurso Voluntário, onde reiterou e as alegações que fizera em sede aquo DA DECISÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO A 4" Câmara de Julgamento do então Conselho de Recursos da Previdencia Social CRPS, decidiu através do Acórdão 474/2007, de 27/03/2007, CONHECER DO RECURSO apresentado pela empresa E NEGARLHE PROVIMENTO. DO PEDIDO DE REVISÃO REGIMENTAL DO RECURSO Fl. 512DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Em 13/07/2007 a interessada foi cientificada, da decisão. Não satisfeita , a empresa protocolou em 27/07/2007, Pedido de Revisão do Acórdão.juntado às fls. 398 a 408, É o Relatório. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14485.000265/200700 Acórdão n.º 2301004.459 S2C3T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ivaccir Júlio de Souza O Recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA De plano, por economia processual, cumpre trazer à lume o que consta às fls. 01 no documento intitulado NFLD NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. Alí se registra que a empresa fora pessoalmente cientificada em 21/12/2005. Tomandose como marco temporal para observação da hipótese decadencial a sobredita notificação, as competências 11/ 2000 e anteriores restaram,decaídas. Diante do exposto, por quaisquer dos critérios previstos no Código Tributário Nacional CTN, todos os créditos lançados para o período 06/1998 a 10/1998 já restavam fulminados pelo instituto da decadência na ocasião da sua constituição. Compulsório portanto, RECONHECER e DECLARAR a DECADÊNCIA TOTAL do lançamento em comento. CONCLUSÃO Conheço do Recurso Voluntário para EM PRELIMINAR, com fulcro, quer seja nos termos do comando do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou nos do 173 do mesmo Diploma Legal, RECONHECER e DECLARAR A DECADÊNCIA TOTAL do lançamento em comento. É como voto Ivaccir Júlio de Souza Relator Fl. 514DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 36202.002615/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Acompanhou o julgamento a Dra. Jandira de Souza Ferreira, OAB/RJ 149.721.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, FABIO PIOVESAN BOZZA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Acompanhou o julgamento a Dra. Jandira de Souza Ferreira, OAB/RJ 149.721. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, FABIO PIOVESAN BOZZA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 62 02 .0 02 61 5/ 20 07 -2 6 Fl. 8589DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 36202.002615/200726 Resolução nº 2301000.596 S2C3T1 Fl. 8.255 2 Relatório Tratamse de recursos voluntário e de ofício interpostos contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento com ciência em 13/06/2007 de valores não retidos e recolhidos pelo contratante de serviços mediante cessão de mão de obra. Foram excluídos do lançamento os valores relativos ao período até 05/2002, inclusive, pelo reconhecimento da decadência parcial pelo artigo 150, §4º do CTN. Também foram excluídos valores que comprovadamente não se referiam a cessão de mão de obra e, portanto, os serviços não estavam sujeitos à retenção. Seguem transcrições de trechos do acórdão recorrido: CONSTRUÇÃO CIVIL, EMPREITADA PARCIAL. RETENÇÃO DE 11% O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra e empreitada responde pela retenção de 11% sobre os valores pagos às empresas contratadas e pelo repasse à Seguridade Social, a título de antecipação de recolhimento das contribuições das empresas contratadas. (artigo 31, caput, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.711/1998). DECADÊNCIA. Transcorrido o prazo decadencial relativamente a parte do lançamento, o Fisco resta impedido de exigir a parte lançada fora do prazo de decadência previsto no CTN. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO Excluemse do lançamento, em4função das provas trazidas aos autos, os valores equivocadamente considerados na base de cálculo da retenção. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte... 5.1. As demais empresas do grupo econômico não se manifestaram. ... Quanto a decadência parcial do crédito, a primeira instância recorreu de ofício de sua decisão que aplicara o artigo 150, §4º do CTN: 11.2. Uma vez que o período de referência do presente lançamento, datado de 08/06/2007, vai de 01/02/1999 a 31/01/2007, e que a empresa notificada, responsável por substituição pelas contribuições lançadas, apresenta recolhimentos em todo o período do lançamento, conforme consulta feita a sua contacorrente no sistema informatizado, forçoso é reconhecer que a impugnante tem razão ao alegar que a decadência ocorreu nos termos do art. 150, § 4° do CTN, ou seja, até a competência 05/2002, sendo os valores pertinentes ora excluídos. 11.3. Assim, remanescem apenas os valores lançados nas competências 06/2002 a 01/2007 e, assim, só esses serão objeto de análise. Fl. 8590DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 36202.002615/200726 Resolução nº 2301000.596 S2C3T1 Fl. 8.256 3 Para fins de exame da parte não decadente do lançamento, reproduzse algumas informações do relatório fiscal: a) Foram lançados valores relativos aos serviços na construção prestados por cessão de mão de obra: Os serviços prestados ao contribuinte, que motivaram a lavratura desta NFLD, enquadramse dentre aqueles relacionados no inciso III do § 4 0 do art. 31 da Lei n.° 8.212/91, combinado com o inciso III do § 20 e § 30 do art. 219 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. o 3.048, de 06/05/1999, e com o Anexo XIII Discriminação de Obras e Serviços de Construção Civil, da Instrução Normativa SRP n.° 3, de 14/07/2005, quais sejam, construção civil, que estão sujeitos a retenção de 11% (onze por cento) quando executados mediante cessão ou empreitada de mão de obra. Não compõe esta NFLD os serviços prestados ao contribuinte relacionados dentre aqueles constantes do art. 170 da Instrução Normativa SRP n.° 3, de 14/07/2005, que versa sobre os serviços não sujeitos a retenção. b) sem especificar quais, alega a autoridade fiscal que o recorrente teria deixado de apresentar muitos dos contratos de prestação de serviços, notas fiscais, faturas ou recibos. Assim, todos os valores dos serviços teriam sido extraídos da escrituração contábil da recorrente: Convém esclarecer que o contribuinte, apesar de cientificado através dos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, emitidos em 02/10/2006, 13/11/2006 e 16/02/2007, de acordo com os arts. 32, III, e 33, §§1 e 2 , da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, não apresentou a grande maioria, dos Contratos de Prestação de Serviços e Cessão de MãodeObra firmados com as empresas prestadoras de serviços, e das notas fiscais, faturas ou recibos emitidos pelas prestadoras de serviços, o que motivou a lavratura do Auto de Infração nº 37.095.0658. ... Estão discriminados no Anexo II as empresas prestadoras de serviço, as notas fiscais, os valores dos serviços e a data de pagamento, que foram identificados através do exame dos registros contábeis constantes das informações contábeis fornecidas em meio digital de acordo com o leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais da Secretaria da Receita Previdenciária. No Anexo III estão correlacionados com os códigos de levantamentos, utilizados na apuração do débito, as empresas prestadoras de serviços, identificadas com nome e CNPJ. c) conforme se constata acima, pressupondo que para todos os serviços a fiscalização não dispunha de contratos nem de notas fiscais, discriminou os valores lançados em duas planilhas: Anexo II (Competência, Data do lançamento contábil, Código da conta contábil, Valor dos serviços e Especificação do número da nota fiscal acompanhada do nome da empresa prestadora do serviço), fls. 499 e Anexo III (Empresas prestadoras de serviços, Códigos de levantamentos e CNPJ), fls. 560. Fl. 8591DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 36202.002615/200726 Resolução nº 2301000.596 S2C3T1 Fl. 8.257 4 Antes de se apreciar o recurso de ofício, o julgamento foi convertido em diligência para que se oferecesse ao contribuinte a oportunidade de apresentar recurso voluntário, a fim de ambos os recursos fossem julgados na mesma sessão. Assim, os autos retornaram com o recurso voluntário, reiterando as alegações em impugnação: 6.1. O débito estaria parcialmente fulminado pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, uma vez que o art. 146, III, "b" da Constituição Federal reserva o trato da decadência em matéria tributária a lei complementar, do que decorre a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/1991. Invoca jurisprudência nesse sentido. Quanto a decadência, o recorrente defende que a decisão se equivocou por não declarar também decadente o mês de 06/2002, a ciência teria ocorrido em 07/2007. 6.2. Contrariando os Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, a Fiscalização não teria demonstrado de forma clara e precisa, nos termos do art. 37 da Lei 8.212/1991, haver atraso por parte das empresas prestadoras dos serviços no recolhimento de suas contribuições previdenciárias e qual o valor das contribuições em atraso. Detalha no recurso a preliminar de nulidade alegando a falta de individualização das empresas prestadoras serviços. Também que a FLEXIBRAS não pode ser responsável pela retenção e recolhimento de valores que se refiram a contratos com a TECHNIP, pois são empresas distintas independentemente da formação de grupo econômico. 6.3. O lançamento baseouse em aferição indireta, mas sem o atendimento dos condicionantes para tal, previstos nos §§ 3°, 4° e 6° do art. 33 da Lei 8.212/1991, o que o tornaria nulo. 6.4. Além disso, a retenção de 11% prevista no art. 31 da Lei 8.212/1991 constitui mera obrigação acessória da contratante de fazer o recolhimento da antecipação das contribuições previdenciárias das prestadoras, não constituindo contribuição própria da empresa contratante, daí não caber o lançamento. De qualquer forma, teriam integrado a base de cálculo do lançamento valores de notas fiscais sobre as quais a impugnante já teria feito a devida retenção e recolhimento. 6.5. Foram empregados no lançamento valores de notas fiscais que não seriam objeto de retenção, pois se referem a: 6.5.1. compra de materiais (cerca de 35% da base de cálculo considerada); 6.5.2. vendas de produtos da própria FLEXIBRAS, cujos valores foram extraídos da conta de valores a receber de clientes; 6.5.3. serviços de empreitada total, não sujeitos à retenção, nos termos do art. 176, II da IN SRP 03/2005; Fl. 8592DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 36202.002615/200726 Resolução nº 2301000.596 S2C3T1 Fl. 8.258 5 6.5.4. serviços prestados por optantes do SIMPLESSistema Integrado de pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, no 111 período de 01/01/2000 a 31/08/2002 (e, portanto, não sujeitos à retenção, nos termos do art.142 da IN SRP 03/2005); 6.5.5. serviços prestados no estabelecimento das empresas contratadas. 6.6. Foi realizado lançamento em duplicidade, pois houve concomitância de levantamento em registro contábil (adiantamento) cumulado com o valor total da nota fiscal respectiva. 6.7. Não há responsabilidade entre as empresas prestadoras. 6.8. Pode ocorrer cobrança em duplicidade, caso as contribuições respectivas já tenham sido recolhidas pelas empresas prestadoras e a tomadora vier a recolher o valor da NFLD em questão. 6.9. Não tem lógica o lançamento, já que, uma vez recolhido o valor lançado, deixaria de prevalecer a regra de compensação pelas prestadoras, já que o débito deixaria de existir e, além disso, efetivamente, não se pode falar em lançamento de valor de retenção a qual não ocorreu. 7. Requer a análise da documentação juntada e o deferimento de perícia contábil, previamente nomeando seu perito e formulando quesitos que reproduzem os argumentos acima apresentados. Por fim alega que as prestadoras de serviços recolheram regularmente suas contribuições previdenciárias sobre a folha de salários. Em sessão plenária realizada em 25/01/2016, após voto deste relator por negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, em discussão pelo colegiado se constatou que, de fato, muitas das notas fiscais tiveram como contratante a empresa Technip Engenharia S.A, e, assim, o processo ficou com vista coletiva. Na sessão plenária de 10/03/2016, outro ponto levantado foi que apesar do fato em questão, aparentemente, as notas fiscais emitidas contra a empresa Technip Engenharia S.A foram lançadas na escrituração contábil da autuada, ora recorrente, Flexibras Tubos Flexíveis Ltda. É o Relatório. Fl. 8593DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 36202.002615/200726 Resolução nº 2301000.596 S2C3T1 Fl. 8.259 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Após compulsar os autos, constato que foi realizada fiscalização conjunta nas Flexibras Tubos Flexíveis Ltda e Brasflex Tubos Flexíveis Ltda, sucedida pela Technip Engenharia S.A. Na ocasião, então, foram disponibilizados os registros contábeis de ambas as empresa para a mesma fiscalização e foram realizados vários lançamentos contra ambas as empresas, fls. 834. Essa constatação é importante porque de acordo com o Anexo II do relatório fiscal, verificase que na mesma conta contábil de registro das transferências bancárias nº 11120020 foram indicados os lançamentos de notas fiscais da Flexibras Tubos Flexíveis Ltda e Technip Engenharia S.A, fls. 508, 519, 3595 e 7390. Cabe ressaltar que a responsabilidade solidária entre as empresas Flexibras Tubos Flexíveis Ltda e Technip Engenharia S.A foi atribuída pela formação de grupo econômico, artigo 30, IX da Lei nº 8.212/91, e não com fundamento no artigo 128 do CTN, quando se atribui a responsabilidade tributária às empresas vinculadas ao fato gerador do tributo. Considerando ainda que ao integrarem o mesmo grupo econômico é possível a utilização de um mesmo plano de contas contábeis, fica então a dúvida quanto a escrituração contábil nos registros da Flexibras Tubos Flexíveis Ltda de notas fiscais emitidas contra a Technip Engenharia S.A e sua sucedida, a empresa Brasflex Tubos Flexíveis Ltda, e eventualmente contra outras empresas. Para fins de exame e conclusão sobre a questão jurídica que envolve a responsabilidade na cessão de mão de obra, também não foi possível constatar se, em que pese a emissão de notas fiscais para empresas diferentes, na verdade se trataria da mesma obra de construção civil, isto é, do mesmo estabelecimento para o qual os segurados teriam sido cedidos. Entendo serem esclarecimentos relevantes que virão subsidiar a decisão dessa turma quanto a validade ou não do lançamento tributário sobre retenções nas circunstâncias apresentadas no processo. Fl. 8594DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 36202.002615/200726 Resolução nº 2301000.596 S2C3T1 Fl. 8.260 7 Por tudo, voto por converter o julgamento em diligência para que sejam esclarecidas as questões levantadas e, após, seja oportunizada a manifestação da recorrente no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 8595DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10510.721876/2011-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/11/2008
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA.
No que toca à multa, correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal que efetuado cálculos, por competência, para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte comparando-se a da legislação anterior, art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91, na redação antiga, vigente à época da lavratura do AI e a da legislação atual (art. 35-A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela Lei nº 11.941/2009). Como resultado, aplicou-se, para cada competência, a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN
O lançamento da multa isolada prevista no artigo 32-A da Lei 8.212/91 ocorrerá, apenas, quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - COMPARATIVO DE MULTAS - APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-003.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negaram provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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No que toca à multa, correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal que efetuado cálculos, por competência, para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte comparandose a da legislação anterior, art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91, na redação antiga, vigente à época da lavratura do AI e a da legislação atual (art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela Lei nº 11.941/2009). Como resultado, aplicouse, para cada competência, a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN O lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá, apenas, quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 18 76 /2 01 1- 58 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negaram provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10510.721876/201158 Acórdão n.º 9202003.848 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório O presente processo envolve a lavratura dos Autos de Infração de Obrigações Principais, em desfavor do recorrente, que tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela descontada dos segurados contribuintes individuais AI nº 37.323.4791, parcela a cargo da empresa AI 37.323.4902, parcela destinada a terceiros 37.323.4775, bem como Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) DEBCAD nº 37.323.4732,. O lançamento compreende competências entre o período de 07/2006 a 12/2010. Conforme o Relatório Fiscal, fls. 78 a 82, os créditos tributários acima indicados foram lavrados em decorrência da exclusão do contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Imposto e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Federal), instituído pela Lei nº 9.317, de 1996 e do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno porte, instituído a partir de 01/2007 pela Lei Complementar nº 123, de 2006 (Simples Nacional), mediante o Ato Declaratório Executivo – ADE nº 15, de 06 de junho de 2011, oriundo da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Aracajú (fl. 163). Assim, descreveu o Auditor: No que pertine às multas aplicadas aos lançamentos, conforme item 11 do REFISC, foi observada a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte, em virtude do disposto no art. 106, inciso II, alínea “c” da lei n° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional), uma vez que a Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008 (DOU de 04/12/2008), convertida na lei n° 11.941, de 27/05/2009 (DOU de 28/05/2009) instituiu novas diretrizes quanto ao valor da multa aplicada nos lançamentos de ofício de contribuições previdenciárias (art. 35A, da lei n° 8.212/1991), por falta de pagamento ou recolhimento (multa de mora) e por falta de declaração ou declaração inexata na GFIP (multa por descumprimento de obrigação acessória). De acordo com o quadro comparativo de multas, fl. 87, verificouse que nas competências 08/2006, 08, 09, 10 e 11/2008, as multas estabelecidas pela legislação vigente á época dos fatos geradores são mais benéficas ao contribuinte, ensejando a lavratura do AI DEBCAD º 37.323.4732, por descumprimento de obrigação acessória, e a exigência concomitante nessas competências da multa de mora prevista no art. 35, II, da Lei nº 8.212, de 1991, inclusa no AI DEBCAD nº 37.323.4902. Para as demais competências lançadas no AI DEBCAD nº 37.323.4902, até a edição da MP nº 449/2008 (até a competência 11/2008), resultou ser mais benéfica ao contribuinte a multa atual, de ofício, estabelecida pelo inciso I, do art. 44 da lei n° 9.430, de 27/12/1996 DOU de 30/12/1996 (75% setenta e cinco por cento) que foi comparada com a soma da multa de mora do inciso I do art. 35 (24% vinte e quatro por Fl. 308DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 cento) com a multa por descumprimento de obrigações acessórias, prevista no §5° do art. 32, ambos da Lei n° 8.212/1991. Relativamente ao Auto de Infração AI DEBCAD nº 37.323.4775, de Contribuições a Outras Entidades – por não integrarem a multa por descumprimento de obrigação acessória, não participaram do comparativo de multas, sendo aplicada nas competências anteriores a emissão da MP 499/2008 a multa prevista no art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (multa de mora) e nas competências posteriores (12/2008), a multa prevista no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991 (multa de ofício). Em sessão plenária de 18/02/2014, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2803002.996 (fls. 268 a 277), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 01/01/2011 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ADE COM EFEITOS SUSPENSOS. INOCORRÊNCIA. A CONTESTAÇÃO AO ADE É AUSENTE DE EFEITO SUSPENSIVO. O ATO FISCALIZATÓRIO E O LANÇAMENTO SÃO DIREITOS POTESTATIVOS DO FISCO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO BENÉFICA, QUANTO À MULTA RELACIONADA À GFIP. Recurso Voluntário Provido em Parte. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para corrigir a multa do Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.323.4732, CFL.68, para a determinada no artigo 32 A, I, da Lei 8.212/91. O processo foi encaminhado, para ciência da Fazenda Nacional, em 07/03/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 25/03/2014, o Recurso Especial. Em seu recurso visa restabelecer a multa aplicada nos termos da autuação, já que o art. 35 da Lei n° 8212/91 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n° 11941/09, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44 da Lei 9430/96. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho fls. 290 a 293. O recorrente traz como alegações: · Nosso ordenamento jurídico rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Isso significa dizer, em suma, que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito. · O que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10510.721876/201158 Acórdão n.º 9202003.848 CSRFT2 Fl. 4 5 · O artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na nova redação conferida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP nº 449 à legislação previdenciária. · Requer ao final seja dado total provimento ao presente recurso. · É o relatório. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. DO MÉRITO APLICAÇÃO DA MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ter seu patamar restabelecido àquele lançado pela autoridade fiscal em relação ao AI de obrigação acessória DEBCAD 37.323.4732, a qual determinou a autoridade de primeira instância a aplicação do art. 32A, entendo que razão assiste ao recorrente. No que toca à multa, a autoridade fiscal registrou em seu relatório, fls. 78 e seguintes, que foram efetuados cálculos, por competência, para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte comparandose a da legislação anterior, art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91, na redação antiga, vigente à época da lavratura do AI e a da legislação atual (art. 35 A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela Lei nº 11.941/2009). Como resultado, aplicouse, para cada competência, a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN. Ainda, no que tange ao cálculo da multa, para entender a natureza das multas aplicadas e por conseguinte como deve ser interpretada a norma, passemos a algumas considerações, tendo em vista que a citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP, introduzindo dois novos dispositivos legais, senão vejamos: Até a edição da MP 449, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10510.721876/201158 Acórdão n.º 9202003.848 CSRFT2 Fl. 5 7 fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Fl. 312DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. No presente caso, , conforme consta do relatório decorrente da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o comparativo foi lavrada multa de 24% e o AIOA. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso conforme descrito no relatório fiscal, para que se determinasse o valor da multa a ser aplicada, procedeuse ao comparativo: com base na antiga sistemática, multa moratória, com a aplicação de multa pela não informação em GFIP, e da sistemática descrita na nova legislação. No caso do AIOP ou NFLD julgada, e julgado em conjunto com a AIOA, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, ou seja, 24%, para as competências em que o somatório das multas, conforme a antiga legislação, foi mais benefício. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10510.721876/201158 Acórdão n.º 9202003.848 CSRFT2 Fl. 6 9 · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Assim, entendo que a multa aplicada pelo auditor encontrase em perfeita consonância com os normativos vigentes, bem como refletem de forma mais adequada a natureza da multa aplicada. Notese que a aplicação do somatório das multas para efeitos de apuração da multa mais benéfica, impossibilita a aplicação da limitação da multa a 20%, atribuída pela turma a quo, por considerar, que a multa aplicada pela legislação anterior não tem caráter de moratória, mas de multa de ofício. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para restabelecer a multa originalmente aplicada no presente lançamento. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10580.725871/2009-56
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pela contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Numero da decisão: 9202-004.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pela contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 58 71 /2 00 9- 56 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725871/200956 Acórdão n.º 9202004.214 CSRFT2 Fl. 297 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 280200.971, prolatado pela 2a Turma Especial da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 23 de agosto de 2011 (efls. 134 a 140). Ali, por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário de forma a se excluir a multa de ofício do lançamento, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 IRPF. ABONO PERCEBIDO PELOS INTEGRANTES DA MAGISTRATURA DO ESTADO DA BAHIA (LEI ESTADUAL nº 8.730, de 08 de setembro de 2003) As verbas percebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725871/200956 Acórdão n.º 9202004.214 CSRFT2 Fl. 298 3 Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Decisão: por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Quanto à multa, vencida, em parte, a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que afastava a multa de ofício com a aplicação da multa de mora Enviados os autos à contribuinte para fins de ciência do decisum, ciência esta ocorrida em 19/08/2013 (efl. 148), a autuada apresentou, inicialmente, em 25/07/13 (efl. 150) embargos de declaração de efls. 150 a 157, rejeitados consoante despachos de efls. 162/163. Cientificada da rejeição dos embargos em 20/10/13 (efl. 167), a contribuinte ingressa, em 11/11/2013 (efl. 168) com Recurso Especial, com fulcro nos arts. 64, II e 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 168 a 198 e anexos). Após pleitear pelo sobrestamento do feito com base na repercussão geral reconhecida pelo STF no âmbito dos REs 614.232 e 614.406 e caracterizar o prequestionamento das matérias objeto de recurso, o recorrente alega, no pleito: a) Que os julgadores a quo, ao desconsiderar o teor de Lei Estadual para fins de definição ou não da incidência do IRPF sobre as verbas em análise, a tendo considerado incompatível com dispositivo constitucional, teriam violado o art. 62 do Regimento Interno deste Conselho e a Súmula CARF no. 02, estabelecida aqui divergência em relação ao decidido no âmbito do Acórdão 10194.876, da 1a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes; b) O lançamento, uma vez que realizado através da reconstituição de bases anuais e não mensais, apresentaria "erro na construção" e, assim, ao não se anular o crédito tributário em questão, teria se estabelecido posicionamento divergente em relação ao Acórdão 19200.015, de lavra da 2a. Turma Especial do 1o. Conselho de Contribuintes; c) Ressalta terem decorrido os pagamentos sob análise de ações ordinárias que findaram desfavoráveis à Fazenda Pública Baiana e que foram quitados com receita originária do Estado da Bahia, retomando uma vez mais o argumento, já exaustivamente descrito em sede de impugnação e Recurso Voluntário, no sentido de entender não ser legítima a exigência pela Receita Federal do Brasil do Tributo em questão. Utiliza, ainda, do mesmo item para alegar divergência interpretativa em relação ao Acórdão CARF 2.10201.746; d) Defende como incabível a incidência de IR sobre os juros recebidos, tendo em vista entender que as verbas principais tem natureza indenizatória, colacionando diversos julgados do STF e STJ que suportariam sua pretensão de não incidência, pugnando pela observância do art. 62A do Regimento Interno deste CARF então em vigor e concluindo pela existência de divergência em relação ao decidido no Acórdão CARF 280102.138; e) Encerra seu recurso com nova defesa do argumento de ilegitimidade ativa da União para cobrança do tributo sob análise, sem indicação de paradigmas. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725871/200956 Acórdão n.º 9202004.214 CSRFT2 Fl. 299 4 Resumidamente, destarte, requer que o recurso seja conhecido e provido. para que seja declarado totalmente improcedente o lançamento, seja pela forma equivocada de sua constituição, seja pela natureza indenizatória da parcela em exame, que foi expressamente prevista por lei estadual plenamente válida e eficaz. O recurso foi parcialmente admitido pelos despachos de efls. 270 a 278, exclusivamente quanto às matérias tratadas no item "c" e "d", supra, a saber, "diferenças remuneratórias de URV" e "não incidência de IR sobre os juros moratórios/compensatórios". Foram encaminhados os autos à autuada, para fins de ciência dos despachos de admissibilidade recursal, ocorrida em 19/11/2015 (efl. 284). Posteriormente, quando encaminhados os autos à PGFN em 06/01/2016, esta apresenta contrarrazões tempestivas, datadas de 07/01/2016 (efls. 289 a 294), onde: a) Defende que as diferenças objeto de tributação em questão tinham natureza salarial, estando assim sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda e, somente nas situações excepcionalmente elencadas nas Leis nºs 9.665/98 e 10.477/2002, conforme Resolução nº 245/2002 do STF, encampada pelo Ministro da Fazenda por meio do Parecer PGFN nº 923/2003, é que a incidência de IRPF deve ser afastada; b) A interpretação de regra isentiva deve ser literal e a isenção é exceção feita expressamente à regra jurídica de tributação e deve ser veiculada por meio de lei; c) Quanto à incidência sobre os juros de mora, ressalta que o Superior Tribunal de Justiça (REsp 1072609/SC) tem entendido que os juros de mora possuem caráter acessório e devem seguir a mesma sorte da importância principal, de sorte a se tratar de matéria a ser decidida por ocasião da análise da natureza jurídica dos valores referentes ao pagamento da diferença da URV (11,98%). Requer, assim, a Fazenda Nacional que seja mantido o inteiro teor do recorrido, com o não provimento do Recurso Especial da contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, prequestionamento, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço quanto às matérias para as quais se deu seguimento. Passandose à análise de mérito, o litígio será abordado através de itens que enfrentam de forma integral, os argumentos dispendidos pelo recorrente, respeitandose, ainda, a ordem dos quesitos apresentada : Fl. 299DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725871/200956 Acórdão n.º 9202004.214 CSRFT2 Fl. 300 5 a) Quanto à não incidência do IRPF pela natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à aplicação da Lei Estadual no. 8.730, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. Reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: a.1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Estadual 8.730, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 4° e 5° da Lei Cdo Estado da Bahia n° 8.730, de 2003: Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias n os. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos magistrados, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual, o que restringe a aplicação da referida Lei Estadual na seara de interesse. Todavia, notese que não se trata, aqui, quando da consequente conclusão de não aplicação da referida Lei, para fins de definição da natureza tributária das verbas sob análise e da incidência ou não do IRPF, de invasão de competência do STF pela União para declarar a inconstitucionalidade a referida Lei Estadual (o que caracterizaria a violação alegada à Súmula CARF no. 02 e ao art. 62 do Regimento Interno deste CARF então em vigor quando da propositura do recurso), mas, sim, de interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei Estadual, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Não se está a afastar, aqui, Fl. 300DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725871/200956 Acórdão n.º 9202004.214 CSRFT2 Fl. 301 6 a constitucionalidade do dispositivo de forma a afastar sua aplicação, mas tão somente verifica se sua impossibilidade de produção de efeitos na seara tributária, em se tratando de IRPF. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo aplicável ao tributo em questão, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. A propósito, chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Tribunal de Justiça da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 4° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Desta forma, é incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração à efl. 06. a.2) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Poder Judiciário dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725871/200956 Acórdão n.º 9202004.214 CSRFT2 Fl. 302 7 A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725871/200956 Acórdão n.º 9202004.214 CSRFT2 Fl. 303 8 As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, mesmo caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação de se cingirem os efeitos da referida Resolução e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, a recorrente), vedados: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 06, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais de efl. 06 que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei do Estado da Bahia no. 8.730, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. a.3) Quanto aos efeitos do decidido no âmbito do RE 614.406/RS ao feito Reitero, também aqui, com a devida vênia ao posicionamento diverso de alguns Conselheiros desta casa, meu entendimento, já manifestado também na instância ordinária, de desnecessidade de observância obrigatória do decidido pelo STJ no âmbito do REsp 1.118.429/SP no caso sob análise, uma vez se estar a tratar ali, da tributação de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, situação fática notadamente diversa da dos presentes autos, onde não está a ser tratar de qualquer rubrica de benefício, mas sim de diferença remuneratória perceptível quando do servidor na ativa. Todavia, reconhecese aqui que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725871/200956 Acórdão n.º 9202004.214 CSRFT2 Fl. 304 9 Reportandome a este último julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 06, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute o qual, repita se, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria eventualmente mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pela contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando a contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento anti isonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Feita tal digressão, verifico, porém, que, no caso em questão, a autoridade fiscal já optou por tributar os valores com base nas alíquotas vigentes nos períodos que apurados o rendimento percebido a menor regime de competência (os rendimentos percebidos a menor referemse aos períodos de abril de 1994 a agosto de 2001) Acerca das tabelas progressivas/alíquotas aplicáveis aos meses de referência, de se consultar o resumo que se segue, que respalda a tabela utilizada de efl. 9: Fl. 304DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725871/200956 Acórdão n.º 9202004.214 CSRFT2 Fl. 305 10 Todavia, ainda que se tenha utilizado as alíquotas corretas, não há como se garantir que estivesse a autuada na faixa superior de recebimentos mensais para cada um dos meses de competência, uma vez que, notese, não se retroagiu, no lançamento, o momento de incidência aos meses dos anoscalendário de 1994 a 2001, constantes do demonstrativo detalhado de efls. 18 a 21. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de, nesta matéria, dar parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, tudo de acordo com o regime de competência. b) Quanto à incidência do IRPF sobre os juros de mora Para fins de solução do litígio quanto à esta matéria, de se perquirir a extensão dos efeitos da aplicação, ao presente feito, do decidido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no âmbito do REsp 1.227.133/RS, quanto à incidência de juros de mora sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Tratase, notese, também de decisum de aplicação obrigatória neste Conselho, consoante art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF em vigor quando da prolação da decisão recorrida, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 e, ainda, conforme o art. 62, §1o. do atual Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725871/200956 Acórdão n.º 9202004.214 CSRFT2 Fl. 306 11 A propósito, creio, em linha com o argumentado pela Fazenda Nacional em sede de contrarrazões, que o melhor esclarecimento da amplitude da decisão vinculante em questão (REsp 1.227.133/RS) pode ser obtido em outro feito daquele Egrégio Tribunal, a saber, no REsp 1.089.720/RS, cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e cuja cristalina ementa decisória, datada de 10/10/12 e publicada em 16/10/12 estabelece: REsp 1.089.720/RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133/RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR (grifei), 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Fl. 306DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725871/200956 Acórdão n.º 9202004.214 CSRFT2 Fl. 307 12 Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (grifei) (...) 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." Assim, com base no posicionamento constante do julgado acima, que adoto integralmente, uma vez entender que foi esse o julgado a sedimentar e esclarecer a correta forma de aplicação do julgado vinculante aqui discutido (REsp 1.227.133/RS), é de se perquirir, em cada caso concreto: 1) se os juros de mora foram auferidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e 2) se se está diante de verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR. Somente no caso de resposta afirmativa a um dos dois questionamentos acima deve não incidir o IR sobre os juros de mora recebidos acumuladamente, de forma a que se obedeça o julgado vinculante, restando incidente a tributação sobre os juros de mora nas demais situações. Aplicandose o acima disposto ao caso em questão: 1) Conforme já anteriormente delineado, entendo que não se está a tratar, aqui, de verba indenizatória, tendose concluído, no âmbito do presente voto, pela natureza remuneratória da verba principal de diferenças quando da conversão de Cruzeiro Real para URV sob análise, caracterizada, assim, a incidência do IRPF sobre tais verbas; 2) Verifico, também, que não se está a tratar de verbas recebidas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho; Concluo, assim, pela incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora em questão quando da aplicação do decisum vinculante constante do REsp 1.227.133/RS, a partir de sua interpretação detalhadamente estabelecida no âmbito do REsp 1.089.720/RS e, desta forma, nego provimento ao Recurso Especial da contribuinte também quanto a esta matéria. Destarte, diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, para determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725871/200956 Acórdão n.º 9202004.214 CSRFT2 Fl. 308 13 É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 308DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 15586.000856/2008-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/09/2003
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I.
CO-RESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS.
Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a Relação de Co-Responsáveis - CORESP passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído.
CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
A empresa responsável pela retenção da contribuição previdenciária devida pelo contribuinte individual por ela contratado deverá manter em sua guarda documentos do segurado que comprovem a remuneração acima do teto de salário de contribuição a fim de elidir o desconto integral.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Ivacir Julio de Souza, que davam provimento ao recurso voluntário. Acompanhou o julgamento o Dr. Tiago Teixeira, OAB/DF 24.259.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, FABIO PIOVESAN BOZZA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. CORESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a “Relação de CoResponsáveis CORESP” passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A empresa responsável pela retenção da contribuição previdenciária devida pelo contribuinte individual por ela contratado deverá manter em sua guarda documentos do segurado que comprovem a remuneração acima do teto de salário de contribuição a fim de elidir o desconto integral. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 08 56 /2 00 8- 84 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Ivacir Julio de Souza, que davam provimento ao recurso voluntário. Acompanhou o julgamento o Dr. Tiago Teixeira, OAB/DF 24.259. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, FABIO PIOVESAN BOZZA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.000856/200884 Acórdão n.º 2301004.602 S2C3T1 Fl. 398 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação lavrada em 29/12/2008 pela falta de desconto das contribuições devidas pelos contribuintes individuais contratados. Seguem transcrições do acórdão recorrido: Data do Fato Gerador: 29/12/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RETENÇÃO. AUSÊNCIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar de reter 11% de contribuição sobre os pagamentos realizados aos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, salvo quando comprovado, por documentação hábil, que já houve a contribuição pelo limite máximo. Subsiste a autuação quando a penalidade aplicada tem valor único, independentemente do número de competências envolvidas e há pelo menos uma delas em período não alcançado pela decadência. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DIES A QUO. EXERCÍCIO SEGUINTE. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do artigo 173, I, do CTN. SUJEITO PASSIVO. IDENTIFICAÇÃO. VÍCIO FORMAL.INOCORRÊNCIA. Inexiste vício formal quando o sujeito passivo deixa de informar à fiscalização a alteração de sua razão social, ocorrida no curso da ação fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Tratase de Auto de Infração (DEBCAD nº 37.101.8358) lavrado contra a Impugnante em virtude de a mesma não ter descontado o percentual de 11% nos pagamentos das remunerações dos segurados contribuintes individuais, conforme descrito no relatório de fls. 26, referentes ao período de 04/2003 a 09/2003, o que caracteriza a infração prevista no art.30, I, da Lei 8.212/91, c/c artigo 4º, caput, da Lei nº 10.666/03 e o artigo Fl. 399DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 216, I, “a”, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. ... 3. Nos Relatórios Fiscais de fls. 26/27 a fiscalização informou, em síntese, que: 3.1. Houve a contratação de serviços de contribuintes individuais, notadamente na área de saúde, e que não houve o desconto do percentual de 11%, a título de contribuição do segurado, por ocasião dos pagamentos; 3.2. A Impugnante sofreu autuação anterior (AI nº 35.090.6408), por motivo distinto do presente lançamento, cuja decisão de relevação foi homologada em 12/07/2000, de sorte que agravou a penalidade, elevando em duas vezes o valor da multa mínima. ... 7. Ainda como resposta à diligência, a fiscalização juntou planilha de fls.202/210 demonstrando os contribuintes individuais que não tiveram a contribuição pelo teto comprovada; Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: 4.2. O CNPJ autuado pertence a uma empresa que tem sede em São Paulo e o nome referese a uma empresa que não mais existe, portanto, caberia a decretação da nulidade por vício formal, pois, não se consegue saber quem é o real sujeito passivo do crédito tributário; 4.3. A ARCELORMITTAL BRASIL S/A, incorporadora por cisão parcial da CST, e ARCELORMITTAL TUBARÃO COMERCIAL S/A, empresa que resultou do mesmo processo de cisão parcial, entendem que a incorporadora deve arcar e assumir eventuais passivos, portanto, apresentam a presente impugnação, em conjunto, para que não sofram qualquer prejuízo de defesa. 4.4. Os diretores elencados no relatório REPLEG devem ser excluídos da autuação como coresponsáveis pelo débito; 4.5. O Auto de Infração foi alcançado pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4° do CTN, por força da Súmula Vinculante STF n° 08/2008. Nem se diga que a hipótese é do artigo 173, I do CTN, pois, houve o pagamento ordinário das contribuições previdenciárias, mas, ainda que assim não fosse, a atividade do lançamento não se dá sobre o valor pago ou não, mas sobre o procedimento da atividade do contribuinte; 4.6. “Há, claramente, um bis in idem com o AI nº 37.101.8331, pois em ambos os casos o motivo é o mesmo. Aqui pelo descumprimento de uma obrigação instrumental; lá por não reter (e cobrar o tributo) a contribuição previdenciária do contribuinte individual” 4.7. Correto estaria o presente AI, pois a retenção é uma obrigação de fazer, uma obrigação instrumental, cujo Fl. 400DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.000856/200884 Acórdão n.º 2301004.602 S2C3T1 Fl. 399 5 descumprimento enseja o pagamento de multa. O tributo cobrado no AI nº 37.101.8331 somente poderia ser exigido se verificado que o contribuinte individual não recolheu integralmente, portanto a cobrança do tributo é ilegítima; 4.8. “...A cobrança desta multa de caráter instrumental seria devida se houvesse o descumprimento da obrigação instrumental da retenção, contudo, na impugnação ao auto de infração 37.101.8331, a empresa demonstra que realizou todas as retenções devidas e quando não as realizou é porque os contribuintes individuais demonstraram que já recolhiam sob o teto, portanto, nada mais resta do que cancelar o auto de infração;” 4.9. Por economia processual entende que não deve repetir as mesmas razões já expostas no AI nº 37.101.8331, ratificandoas. Bem assim, não se opõe à conexão dos referidos processos. 5. Em 05/08/2009, solicitouse, através da Resolução n° 12229 12 ª Turma da DRJ/RJ1, de fls. 198/199, a realização de diligência, a fim de que fossem fornecidos esclarecimentos adicionais, por parte da fiscalização e pela Impugnante. ... 8. A Impugnante manifestouse, às fls. 221/232, em 19/10/2012, sobre os esclarecimentos prestados no relatório da diligência, reiterando o inteiro teor da defesa apresentada em 28/01/2009, de fls. 82/90, e, em adição, que: 8.1. Requer a análise de questão prejudicial de mérito, qual seja, a decadência total do lançamento, como decorrência do que foi julgado no processo principal, AI nº 37.101.8331, que exigia as contribuições sobre os pagamentos realizados aos mesmos contribuintes individuais, considerando que a data da autuação foi a mesma, 29/12/2008; 8.2. É indevida a cobrança do crédito tributário já que não houve descumprimento da retenção, como demonstrou na impugnação ao AI nº 37.101.8331. Eventuais retenções não realizadas foram em decorrência da demonstração de que os contribuintes individuais já recolhiam sobre o teto; 8.3. A fiscalização trouxe aos autos planilha referente apenas à competência 07/2003, que confirmou a existência de inúmeros recolhimentos no valor do teto. Olvidouse, contudo, de informar em quais competências houve o recolhimento do tributo pela Impugnante, pois a própria DRJ, no julgamento do processo principal informou que constam recolhimentos parciais em todas as competência do débito (04 a 09/2003). É o Relatório. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Das preliminares Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus Fl. 402DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.000856/200884 Acórdão n.º 2301004.602 S2C3T1 Fl. 400 7 membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Considerando o presente caso, deve ser aplicada a regra do artigo 173, I do CTN. Quando se trata de descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é lançamento de ofício e não lançamento por homologação. Assim, não é relevante para a regra decadencial aplicável a existência de pagamento parcial relativo aos valores descontados. Quanto aos requisitos formais da autuação O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 404DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.000856/200884 Acórdão n.º 2301004.602 S2C3T1 Fl. 401 9 III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à responsabilização pessoal dos sócios Quanto ao tema não existe dissenso do colegiado quanto à aplicação do artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 que revogou o artigo 13 da Lei no 8.620/93, Após a revogação acima o documento antes sob o título “Relação de CoResponsáveis – CORESP” passou à denominação de “REPLEG Relatório de Representantes Legais”. Segue transcrição: Lei 8.620/93: Art. 13. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem Fl. 405DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à seguridade social. Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa. Portanto, a “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente não mais existe, fora substituída pela relação de “Representantes Legais – REPLEG” que apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Não é conseqüência do aludido documento que os referidos representantes legais passem a constar no pólo passivo da obrigação tributária. O Relatório "REPLEG" serve apenas como subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, caso haja necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, e sendo verificada a ocorrência das hipóteses legais para a responsabilização tributária prevista no Código Tributário Nacional. Assim, temse que a indicação dos representantes legais é mero subsídio para, se necessário e cabível, o crédito previdenciário ser exigido dos administradores exclusiva, solidária ou subsidiariamente com o contribuinte. No entanto, nem por isso os representantes legais não devam constar em relação preparada pelo fisco. É através do exame de contratos sociais e estatuto que são identificados os sócios e diretores. da empresa e é da relação a PFN poderá indicar eventuais coresponsáveis pelo crédito, conforme dispõe em especial o artigo 135 da Lei n.° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional — CTN): Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: 1 as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99: Em síntese, temos que: a) a “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído; b) a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 alcança o crédito ainda não definitivamente constituído, pois o documento somente se presta para a cobrança através da Certidão de Dívida Ativa; c) não há de se falar em exclusão da relação que apenas identifica os representantes legais quando os documentos da empresa confirmam a veracidade da informação. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.000856/200884 Acórdão n.º 2301004.602 S2C3T1 Fl. 402 11 Portanto, considerando que a fiscalização, com acerto, apenas indicou os representantes legais da empresa no documento “Representantes Legais – REPLEG” o interesse do recorrente já fora atendido. Assim, voto pela rejeição da preliminar de coresponsabilidade. Quanto à responsabilidade da empresa incorporadora pelo crédito tributário, penso que a decisão recorrida dirimiu o alegado reconhecido que houve a oportunidade de manifestação para todas as empresas interessadas: 18. Não resta dúvida quanto à identificação de quem seja o sujeito passivo deste lançamento, posto que não houve a extinção da pessoa jurídica de CNPJ 27.251.974/000102, apenas a alteração da razão social e do endereço, os quais foram omitidos da fiscalização pela própria Defendente. Ademais, conforme se verifica nos autos, a Impugnante e a sua controladora, ARCELORMITTAL BRASIL S/A (CNPJ 17.469.701/000102), tomaram ciência, participaram de todos os atos deste processo e exerceram plenamente o direito à defesa e ao contraditório, pelo que não há que se falar em nulidade por vício formal. Quanto ao mérito De fato, tanto no procedimento fiscal quanto na diligência que o sucedeu ficou suficientemente demonstrado nos autos do processo que a recorrente deixou de descontar a contribuição previdenciária dos contribuintes individuais a seu serviço e não trouxe qualquer contraprova que afastasse a infração cometida, limitandose a contestar em tese a cobrança da multa. O contratante dos contribuintes individuais deve manter em sua guarda o documento que justificou o desconto a menor da contribuição previdenciária em razão da contribuição já ter atingido o teto em outra fonte pagadora. A presunção é que a contribuição deva ser descontada tendo como base a remuneração paga pelo contratante. Não se mostra razoável que a contratante assuma a responsabilidade de considerar que o contribuinte a seu serviço já tenha contribuído sobre o teto em outro contratante sem sequer lhe exigir um recibo de pagamento e o respectivo comprovante de recolhimento. De acordo com o §28 do artigo 216 Decreto nº 3.048/99 é ônus do contribuinte individual comprovar junto ao contratante a contribuição sobre o teto e, conseqüentemente, deverá o contratante manter sob sua guarda o documento comprobatório. Assim dispõe o Regulamento da Previdência Social: Decreto nº 3.048/99: RPS Artigo 216 (...) §26. A alíquota de contribuição a ser descontada pela empresa da remuneração paga, devida ou creditada ao contribuinte individual a seu serviço, observado o limite máximo do salário decontribuição, é de onze por cento no caso das empresas em geral e de vinte por cento quando se tratar de entidade beneficente de assistência social isenta das contribuições sociais patronais. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) Fl. 407DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 §27.O contribuinte individual contratado por pessoa jurídica obrigada a proceder à arrecadação e ao recolhimento da contribuição por ele devida, cuja remuneração recebida ou creditada no mês, por serviços prestados a ela, for inferior ao limite mínimo do saláriodecontribuição, é obrigado a complementar sua contribuição mensal, diretamente, mediante a aplicação da alíquota estabelecida no art. 199 sobre o valor resultante da subtração do valor das remunerações recebidas das pessoas jurídicas do valor mínimo do saláriode contribuição mensal. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §28.Cabe ao próprio contribuinte individual que prestar serviços, no mesmo mês, a mais de uma empresa, cuja soma das remunerações superar o limite mensal do saláriode contribuição, comprovar às que sucederem à primeira o valor ou valores sobre os quais já tenha incidido o desconto da contribuição, de forma a se observar o limite máximo do saláriodecontribuição. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §29.Na hipótese do § 28, o Instituto Nacional do Seguro Social poderá facultar ao contribuinte individual que prestar, regularmente, serviços a uma ou mais empresas, cuja soma das remunerações seja igual ou superior ao limite mensal do salário decontribuição, indicar qual ou quais empresas e sobre qual valor deverá proceder o desconto da contribuição, de forma a respeitar o limite máximo, e dispensar as demais dessa providência, bem como atribuir ao próprio contribuinte individual a responsabilidade de complementar a respectiva contribuição até o limite máximo, na hipótese de, por qualquer razão, deixar de receber remuneração ou receber remuneração inferior às indicadas para o desconto. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003). Assim, não procede alegação de que os contribuintes já recolhiam no teto sem comprovação do fato quando a fiscalização e a diligência trazem provas em sentido contrário. No mais, não procede a existência de duplicidade de lançamentos sobre o mesmo fato quando têm natureza distinta. A autuação por descumprimento da obrigação de desconto recai sobre o contribuinte pelo descumprimento da obrigação acessória; enquanto o lançamento da obrigação principal tem fundamento na responsabilidade tributária atribuída por lei. Cada um desses atos administrativos têm finalidades distintas e não se confundem. Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 408DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.000856/200884 Acórdão n.º 2301004.602 S2C3T1 Fl. 403 13 Fl. 409DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10380.908242/2008-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO PRESUMIDO - DCP. PROVA DO CRÉDITO EM DCTF. CRÉDITO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA IN SRF 323/03, MAS COM PEDIDO DE RESSARCIMENTO POSTERIOR A TAL MARCO. NECESSIDADE DE PROCESSAMENTO E ANÁLISE DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
O fato de o contribuinte ter apresentado pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI após a vigência da IN SRF n. 323/03 não lhe imputa o dever de fundamentar tal pedido em DCP, bastando a discriminação do crédito presumido em DCTF se o período de apuração do crédito for anterior à vigência da referida Instrução Normativa, sob pena de uma indevida retroação de uma obrigação acessória. Precedentes CARF.
CORREÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI PELA SELIC. PRECEDENTE DO STJ JULGADO SOB O RITO DE RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO PRECEDENTE PRETORIANO.
Ocorrendo a vedação ao aproveitamento de crédito presumido de IPI, posterga-se o reconhecimento do direito pleiteado, o que torna legítima a necessidade de atualizá-lo monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Precedente do STJ em sede de recurso repetitivo.
Numero da decisão: 3402-003.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para que, nos termos do voto, o pedido de ressarcimento do contribuinte referente ao 4º trimestre de 2002 seja analisado pela RFB e, na hipótese de haver crédito a ser ressarcido, seja este valor corrigido pela SELIC desde a data de protocolo do pedido de ressarcimento até a data da sua efetiva homologação. Sustentou pela recorrente o Dr. Walter Hubmann, OAB/CE 28.409.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
DIEGO DINIZ RIBEIRO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Carlos Augusto Daniel Neto, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO PRESUMIDO - DCP. PROVA DO CRÉDITO EM DCTF. CRÉDITO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA IN SRF 323/03, MAS COM PEDIDO DE RESSARCIMENTO POSTERIOR A TAL MARCO. NECESSIDADE DE PROCESSAMENTO E ANÁLISE DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO. O fato de o contribuinte ter apresentado pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI após a vigência da IN SRF n. 323/03 não lhe imputa o dever de fundamentar tal pedido em DCP, bastando a discriminação do crédito presumido em DCTF se o período de apuração do crédito for anterior à vigência da referida Instrução Normativa, sob pena de uma indevida retroação de uma obrigação acessória. Precedentes CARF. CORREÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI PELA SELIC. PRECEDENTE DO STJ JULGADO SOB O RITO DE RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO PRECEDENTE PRETORIANO. Ocorrendo a vedação ao aproveitamento de crédito presumido de IPI, posterga-se o reconhecimento do direito pleiteado, o que torna legítima a necessidade de atualizá-lo monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Precedente do STJ em sede de recurso repetitivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para que, nos termos do voto, o pedido de ressarcimento do contribuinte referente ao 4º trimestre de 2002 seja analisado pela RFB e, na hipótese de haver crédito a ser ressarcido, seja este valor corrigido pela SELIC desde a data de protocolo do pedido de ressarcimento até a data da sua efetiva homologação. Sustentou pela recorrente o Dr. Walter Hubmann, OAB/CE 28.409. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. DIEGO DINIZ RIBEIRO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Carlos Augusto Daniel Neto, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro.
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Recorrida UNIÃO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO PRESUMIDO DCP. PROVA DO CRÉDITO EM DCTF. CRÉDITO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA IN SRF 323/03, MAS COM PEDIDO DE RESSARCIMENTO POSTERIOR A TAL MARCO. NECESSIDADE DE PROCESSAMENTO E ANÁLISE DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO. O fato de o contribuinte ter apresentado pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI após a vigência da IN SRF n. 323/03 não lhe imputa o dever de fundamentar tal pedido em DCP, bastando a discriminação do crédito presumido em DCTF se o período de apuração do crédito for anterior à vigência da referida Instrução Normativa, sob pena de uma indevida retroação de uma obrigação acessória. Precedentes CARF. CORREÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI PELA SELIC. PRECEDENTE DO STJ JULGADO SOB O RITO DE RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO PRECEDENTE PRETORIANO. Ocorrendo a vedação ao aproveitamento de crédito presumido de IPI, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, o que torna legítima a necessidade de atualizálo monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Precedente do STJ em sede de recurso repetitivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para que, nos termos do voto, o pedido de ressarcimento do contribuinte referente ao 4º trimestre de 2002 seja analisado pela RFB e, na hipótese de haver crédito a ser ressarcido, seja este valor corrigido pela SELIC desde a data de protocolo do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 82 42 /2 00 8- 35 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 pedido de ressarcimento até a data da sua efetiva homologação. Sustentou pela recorrente o Dr. Walter Hubmann, OAB/CE 28.409. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. DIEGO DINIZ RIBEIRO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Carlos Augusto Daniel Neto, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro. Relatório 1. Por retratar adequadamente os fatos que permeiam o presente processo, adoto como meu parte do relatório esposado no acórdão n. 0114.767, proferido pela DRJ Belém, in verbis: 1. O presente processo trata sobre pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, com fundamento na Lei n° 10.276/2001, no valor de R$ 187.990,48; e também sobre pedido de ressarcimento de crédito básico de IPI, com fundamento no artigo 11 da Lei n° 9.779/1999, no valor de R$12.574,34. Ambos os pleitos referemse ao 4° trimestre de 2002. Outrossim, consta(m) dos autos declaração(ões) de compensação. 2. O processo foi analisado na Delegacia de origem, que concluiu, conforme parecer / despacho decisório de fls. 238/240, pelo: (a) indeferimento do pleito ressarcitório relativo ao crédito presumido de IPI; (b) deferimento do pedido alusivo ao crédito básico de IPI; (c) homologação da compensação declarada até o limite do direito creditório reconhecido. (...). (grifos constantes no original). 2. Diante do indeferimento do seu crédito presumido, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 249/265, oportunidade em que, de forma sumária, alegou o que segue: (i) que a recusa fiscal quanto ao pedido formulado teria se pautado no fato do Recorrente ter instruído seu pedido de ressarcimento com cópia de comprovante de entrega de DCTF, mas não de Demonstrativo de Crédito Presumido DCP, o que estaria em ofensa ao disposto no art. 14, §4°, inciso I da IN SRF n. 21/97, de 10 de março de 1997; (ii) que o aludido DCP foi entregue pelo contribuinte à SRF mediante declaração veiculada eletronicamente em 14.02.2003, na forma da legislação em vigência à época, i.e., como parte integrante da DCTF para o período em comento (4o. trimestre de 2002); (iii) que a exigência de transmissão autônoma da DCP passou a existir com o advento da Instrução Normativa n. 323/03, a qual passou a vigorar em 28/05/2003; (iv) que em resposta a termos de intimações a Recorrente realizou a entrega de cópia física da DCP para a fiscalização, o que possibilitaria a análise do pedido então formulado; e, por fim Fl. 367DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.908242/200835 Acórdão n.º 3402003.089 S3C4T2 Fl. 367 3 (v) a atualização do crédito presumido pela SELIC em razão da inércia fiscal, o que estaria em compasso com precedente do Superior Tribunal de Justiça formado em julgamento submetido ao rito de recursos repetitivos (REsp n. 1.035.847/RS). 3. Devidamente processada, a referida Impugnação foi julgada improcedente, nos termos do acórdão exarado pela DRJBelém e que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESSUPOSTO. DCP. APÓS O TERCEIRO TRIMESTRECALENDÁRIO DE 2002. A partir de 28/05/2003, data da publicação da Instrução Normativa SRF n° 323, os créditos presumidos do IPI somente poderão ter seu ressarcimento requerido à SRF, bem como serem compensados, após a entrega, pela pessoa jurídica do Demonstrativo de Crédito Presumido (DCP) do trimestre calendário de escrituração, na hipótese de créditos escriturados após o terceiro trimestrecalendário de 2002. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Inconformado com esta decisão, o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 281/296), oportunidade em que repisou as considerações já manifestadas em sua Impugnação, bem como requereu: 5. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 06. O recurso voluntário é tempestivo e atende as demais exigências formais, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Da exigência de DCP para o aproveitamento de crédito presumido de IPI 07. Ao se analisar a evolução legislativa, é possível constatar que a lei n. 9.363/961, em seu art. 1o., instituiu o crédito presumido de IPI para aquelas empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais, o qual era gozado mediante o 1 "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." Fl. 368DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 ressarcimento das contribuições devidas para o PIS e para a COFINS2. O art. 6o. da referida lei3, por seu turno, estabeleceu que competia ao Ministro da Fazenda expedir as instruções normativas necessárias para a regulação e cumprimento da referida legislação. 08. Fazendo uso de tais atribuições foi expedida a Portaria MF n. 38/97: Art. 4º O crédito presumido será utilizado pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica produtora e exportadora para dedução do valor do IPI devido nas vendas para o mercado interno. (...). § 5º O pedido de ressarcimento será apresentado por trimestre calendário, conforme estabelecido pela SRF. (...). Art. 12. A SRF fica autorizada a expedir normas complementares necessárias à implementação do disposto nesta Portaria. 09. Diante deste quadro, a Secretaria da Receita Federal expediu Instruções Normativas nos termos das disposições acima transcritas, sendo que, aquela que nos interessa no presente caso é a IN/SRF 210, de 30 de setembro de 2002, que assim prescreveu em sua redação original: Art. 14. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), escriturados na forma da legislação específica, poderão 2 Referido crédito presumido ganhou regime alternativo de apuração, haja vista o disposto no art. 1o. da lei n. 10.276/01 a seguir transcrito: "Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. § 2o O crédito presumido será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo referida no § 1o, do fator calculado pela fórmula constante do Anexo. § 3o Na determinação do fator (F), indicado no Anexo, serão observadas as seguintes limitações: I o quociente será reduzido a cinco, quando resultar superior; II o valor dos custos previstos no § 1o será apropriado até o limite de oitenta por cento da receita bruta operacional. § 4o A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente: I o último trimestrecalendário de 2001, quando exercida neste ano; II todo o anocalendário, quando exercida nos anos subseqüentes. § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. (...)." 3 "Art. 6o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador." Fl. 369DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.908242/200835 Acórdão n.º 3402003.089 S3C4T2 Fl. 368 5 ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. (...). § 4º Os créditos presumidos do IPI de que trata o inciso I do § 1º somente poderão ter seu ressarcimento requerido à SRF, bem assim serem utilizados na forma prevista no art. 21 desta Instrução Normativa, após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado referidos créditos, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do trimestrecalendário de apuração. 10. Por seu turno, referida disposição foi alterada pela IN/SRF n. 323, de 24 de abril de 2003, a qual instituiu a obrigação da entrega do Demonstrativo de Crédito Presumido DCP nos seguintes termos: Art. 14. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), escriturados na forma da legislação específica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. (...). § 4º Os créditos presumidos do IPI de que trata o inciso I do § 1º somente poderão ter seu ressarcimento requerido à SRF, bem assim serem utilizados na forma prevista no art. 21, após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado referidos créditos, do(a): I Demonstrativo de Crédito Presumido (DCP) do trimestre calendário de escrituração, na hipótese de créditos escriturados após o terceiro trimestrecalendário de 2002; ou (...). 11. Feita essa síntese legislativa, é possível novamente se voltar para o caso decidendo, no sentido de encaminhar a sua resolução. II. O caso em concreto 12. Conforme se observa dos autos, em 23/01/2004 a Recorrente veiculou pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI para o ano de 2002, o qual foi materializado pela PER/DCOMP n. 26174.44869.230104.1.1.017466 (fls. 05/07). Referido pedido, por sua vez, foi objeto de análise fiscal, que redundou em intimações para que o contribuinte apresentasse documentos fiscais que atestassem seu crédito. Dentre tais pedidos, a fiscalização solicitou que o Recorrente fizesse prova da entrega do citado DCP. 13. Em resposta a tais intimações, o contribuinte apresentou a DCTF referente ao 4o. trimestre de 2002, a qual contemplava a discriminação do crédito presumido para tal período, conforme atesta documento de fls. 269/274. Alega, em seu favor, que na época da apuração do crédito e entrega da DCTF (fls. 268 14/02/2003), ainda vigia a IN/SRF Fl. 370DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 210/02, a qual não previa a necessidade de entrega de DCP, bastando, pois, a DCTF para provar e autorizar o ressarcimento do crédito presumido. 14. Em contrapartida, a fiscalização negou o crédito ao fundamento que, na época em que apresentado o pedido de ressarcimento (PER/DCOMP de 23/01/2004 fls. 05/07), já vigia a IN/SRF n. 323/03, que deu nova redação ao art. 14 da IN/SRF 210/02 e que passou a exigir que referido pedido fosse instruído com o DCP. 15. Esta é a controvérsia do presente processo administrativo. 16. Pois bem. Uma análise literal do disposto no art. 14, §4º, inciso I da IN/SRF n. 323/03 poderia levar a equivocada conclusão que todos os pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI apresentados após a sua vigência (24/04/2003) deveriam ser instruídos com o correlato DCP. Logo, como o pedido de ressarcimento em apreço (fls. 05/07) foi apresentado pelo contribuinte em 23/01/2004, já deveria estar sujeito às exigências da citada IN. 17. Acontece que a interpretação literal é prelúdio de todo e qualquer processo interpretativo, não podendo o intérprete (em especial o intérprete autêntico, para fazer menção a Kelsen) estar limitado por essa incipiente regra hermenêutica, sob pena de reduzir o momento de realização do direito a um simplório, mecânico e tautológico procedimento. Neste sentido, Paulo de Barros Carvalho professa que: O desprestígio da chamada interpretação literal, como critério isolado de exegese, é algo que dispensa meditações mais sérias, bastando arguir que, prevalecendo como método interpretativo do direito, seríamos forçados a admitir que os meramente alfabetizados, quem sabe com o auxílio de um dicionário de tecnologia jurídica, estariam credenciados a elaborar substâncias das ordens legisladas, edificando as proporções dos significados da lei4. 18. Assim, transpondo a mera interpretação literal do dispositivo aqui mencionado, entendo que, ao instituir a obrigação de apresentação do DCP a Receita Federal criou uma obrigação acessória essencial para o aproveitamento do crédito presumido de IPI aqui tratado, a qual só poderia ser exigida para períodos posteriores à vigência da IN/SRF n. 323/03, ou seja, posteriores a 24/04/2003, independentemente do momento da apresentação do pedido de ressarcimento retratado em PER/DCOMP (se antes ou depois da vigência da sobredita IN), sob pena de indevida retroatividade desta exigência. Aliás, assim tem decidido este Tribunal Administrativo, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. DCTF. IRRETROATIVIDADE NORMATIVA. Informado o crédito presumido de IPI em DCTF, quando ainda não havia exigência do DCP, a compensação deve ser homologada, salvo se não houver a comprovação dos créditos declarados. 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 22a. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 140. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.908242/200835 Acórdão n.º 3402003.089 S3C4T2 Fl. 369 7 (Processo nº 13897.000136/200375; Recurso nº Voluntário; Acórdão nº 3201001.538; 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária; Sessão de 29 de janeiro de 2014; Recorrente FLINT INK DO BRASIL LTDA; Recorrida FAZENDA NACIONAL) (grifos nosso). 19.Patente está, portanto, a inadequação dos fundamentos adotados pela DRJ, os quais devem ser revistos. III. A correção do crédito presumido 20. O tópico em apreço referese à possibilidade ou não de correção pela SELIC dos créditos presumidos de IPI. Referida questão, por sua vez, já foi objeto de análise pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial julgado sob o rito de repetitivo, oportunidade em que o referido Tribunal assim se manifestou: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). Fl. 372DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; REsp 1.035.847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (g.n.). 21. A análise do sobredito julgado, em especial do voto do Relator, deixa claro que, para evitar o “enriquecimento ilícito do Estado”, há a possibilidade de correção de créditos presumidos de IPI pela SELIC sempre que o contribuinte se deparar com “oposição estatal” na validação dos referidos créditos, oposição essa que também se caracteriza pela mora fiscal em uma resposta. 22. No caso a ser decidido, o contribuinte pleiteou o ressarcimento do seu crédito em 23/01/2004, sendo que até a presente data, i.e., passados mais de 12 (doze) anos, ainda não obteve uma resposta fiscal definitiva para a questão, o que se deve a oposição indevida do Fisco em exigir o DCP para um caso em que tal obrigação ainda não era válida, conforme destacado no tópico imediatamente anterior do presente voto. Assim, comparando de forma analógicoproblemática os casos em questão (precedente e decidendo), percebese que estamos diante de fatos semelhantes e que, portanto, reclamam decisões iguais5. 23. Logo, diante de tudo o que fora exposto, o recurso voluntário do contribuinte também merece provimento para reconhecer que, havendo crédito a ser ressarcido, o valor apurado deverá ser atualizado pela taxa Selic, a qual incidirá entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e sua efetiva homologação. Dispositivo 24. Ex positis, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto para que, nos termos do voto, o pedido de ressarcimento do contribuinte referente ao 4o. trimestre de 2002 seja analisado pela RFB e, na hipótese de haver crédito a ser ressarcido, seja este valor 5 Neste mesmo sentido são as iterativas decisões deste E. Tribunal Administrativo, conforme se observa, exemplarmente, no caso cuja ementa segue abaixo transcrita: "Ementa Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 2006. RESSARCIMENTO DE IPI. CORREÇÃO. TAXA SELIC. A postergação do uso do crédito por parte do fisco, seja em razão da oposição de ato estatal, seja em razão da mora na apreciação do pedido, rende ensejo à correção do valor ressarcido pela taxa Selic, a partir da data de protocolo do pedido. Precedente do STJ RESP 1.035.847, julgado na sistemática do art. 543C do CPC. Recurso provido." (Número do Processo: 13854.000113/9711; Contribuinte: COINBRAFRUTESP S.A.; Tipo do Recurso: RECURSO VOLUNTÁRIO; Data da Sessão: 11/12/2014; Relator: ANTONIO CARLOS ATULIM; Nº Acórdão: 3403003.460). Fl. 373DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.908242/200835 Acórdão n.º 3402003.089 S3C4T2 Fl. 370 9 corrigido pela SELIC entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento até a data da sua efetiva homologação. 26. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 374DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 12898.000299/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
Ementa:
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. TRIBUTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. STJ. RECURSO REPETITIVO.
No caso de empresa que presta serviços de locação de mão-de-obra, são considerados na sua receita bruta os valores por ela recebidos da empresa tomadora dos serviços, neles incluídos reembolsos de pagamento de salários e encargos sociais, previdenciários e trabalhistas dos empregados, os quais integram a base de cálculo do PIS e da Cofins.
O CARF, nos termos do Regimento Interno, deve adotar o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferido na sistemática de Recursos Repetitivos.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-003.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. TRIBUTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. STJ. RECURSO REPETITIVO. No caso de empresa que presta serviços de locação de mãodeobra, são considerados na sua receita bruta os valores por ela recebidos da empresa tomadora dos serviços, neles incluídos reembolsos de pagamento de salários e encargos sociais, previdenciários e trabalhistas dos empregados, os quais integram a base de cálculo do PIS e da Cofins. O CARF, nos termos do Regimento Interno, deve adotar o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferido na sistemática de Recursos Repetitivos. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 02 99 /2 00 9- 71 Fl. 826DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Trata o processo de auto de infração em virtude da apuração de falta de recolhimento da Cofins com incidência não cumulativa, sendo exigido valor total de crédito tributário na importância de R$ 696.398,59 (Contribuição – R$ 316.259,80, multa de ofício – R$ 237.194,82 e juros de mora R$ 142.943,97), bem como de auto de infração pela falta de recolhimento da contribuição ao PIS não cumulativo, no valor total de R$ 151.250,95 (Contribuição – R$ 68.688,54, multa de ofício – R$ 51.516,36 e Juros de Mora – R$ 31.046,05). Conforme consta no Termo de Constatação e Intimação, lavrado em 03/11/2008, foram apuradas diferenças nos valores devidos a título de COFINS entre o valor declarado em DCTF e o valor calculado a partir das Notas Fiscais de prestação de serviços, tendo sido o contribuinte intimado a apresentar esclarecimentos quanto a tais diferenças apuradas pela Fiscalização. Requereu a contribuinte que fossem considerados como créditos aproveitáveis na apuração do PIS e da COF1NS não cumulativos os valores de mãodeobra e dos respectivos encargos, no que discordou a fiscalização, pois a Lei nº 10.833/2003, em seu art. 3°, §2°, com a redação dada pela Lei nº 10.865/2004, e a Lei nº 10.637/2002, em seu art. 3°, §2°, com a redação dada pela Lei nº 10.865/2004, expressamente vedam esse aproveitamento. Além disso, segundo a fiscalização, os valores que são passíveis de aproveitamento são aqueles expressamente listados no caput do art. 3° da Lei 10.833/2003 para a Cofins e do art. 3° da Lei 10.637/2002 para o PIS, dentre os quais não se incluem os valores de mãodeobra e encargos que a contribuinte deseja aproveitar. A contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, conforme consta na decisão recorrida: (...) 1. A autoridade fiscalizadora reconhece que a Impugnante apresentou resposta ao termo de reintimação, através do qual a mesma requereu que fossem considerados como créditos aproveitáveis na apuração do PIS/PASEP e da COFINS os valores de mãodeobra e dos respectivos encargos, sendo certo que o autuante negou tal pedido aduzindo inexistir permissivo legal na Lei nº 10.833/2003; Fl. 827DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 12898.000299/200971 Acórdão n.º 3402003.003 S3C4T2 Fl. 827 3 2. Em que pese o posicionamento individual do autuante, o mesmo não deve prosperar, haja vista a jurisprudência dominante no sentido de que as verbas repassadas pelas empresas tomadoras dos serviços não integram a base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS e, portanto, não alcançadas pelo Art. 1º, da Lei n° 10.833/2003; 3. Nesse sentido, os Tribunais Regionais Federais têm decidido, reiteradamente, que os valores repassados pelas tomadoras dos serviços, correspondentes a salários, respectivos encargos e reembolsos não constituem receita da empresa prestadora de serviço de intermediação de trabalho temporário. Entendimento também firmado pelo Superior Tribunal de Justiça; 4. Conforme cabalmente demonstrado, os valores recebidos para pagamento dos salários dos funcionários temporários, bem como dos encargos e reembolso de despesas não integram a base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS, restando por corretos os lançamentos demonstrados nas planilhas apresentadas durante o procedimento fiscal; 5. Por outro lado, as planilhas anexadas ao Termo de Constatação Anexo ao Auto de Infração encontramse equivocadas, contemplando valores não cumulativos do PIS/PASEP e da COFINS que deverão ser retirados. O expurgo desses valores, certamente levará ao mesmo resultado das planilhas já apresentadas pela Impugnante; 6. Portanto, nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional, ocorreu à extinção do crédito tributário, devido ao pagamento, efetuado corretamente e regularmente no prazo pela Impugnante; 7. Sendo assim, verificase que o presente auto de infração não deve ser mantido, pelo que a Impugnante requer que o mesmo seja julgado totalmente improcedente, determinando seu arquivamento, vez que os valores devidos já foram devidamente quitados, o que acarretou na extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, I, do Código Tributário Nacional; 8. A multa imposta de ofício pela Impugnada é excessiva e tem um caráter confiscatório, na medida em que cobra 75% do valor do tributo devido como imposição de penalidade, onerando excessivamente, o valor do débito supostamente devido; 9. Deve ser ressaltado que multa no valor de 75% (setenta e cinco por cento) em muito excede a proporcionalidade do que caberia a administração para a finalidade do interesse público. Na realidade, é um verdadeiro abuso, lesando o contribuinte e confiscando o seu patrimônio; 10. A Taxa Selic é comprometida com a estabilidade monetária, nada justifica que seja utilizada como taxa moratória aplicada aos tributos. Sendo assim, a conclusão lógica que se deve chegar é a de que a Taxa SELIC é de natureza remuneratória de títulos, entretanto, títulos e tributos são conceitos diametralmente opostos, que não podem ser embaralhados; 11. Outrossim, tal lei está equiparando os contribuintes aos aplicadores, criando a anômala figura do tributo rentável. O Fl. 828DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 emprego da Taxa SELIC provoca uma enorme discrepância com o que se obteria se, ao invés desta taxa, fossem aplicados os índices oficiais de correção monetária, alem dos juros legais de 12% (doze por cento) ao ano; 12. Ante o exposto e por tudo mais que dos autos consta, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer se declarar insubsistente a cobrança do presente auto de infração, devido a Impugnante ter calculado e recolhido corretamente, conforme comprovam os documentos/decisões ora anexados, extinguindo a exigibilidade do credito tributário. Requer ainda seja considerada insubsistente os valores aplicados como multa de oficio, devido ao seu caráter confiscatório, bem como sejam reformados os valores dos juros aplicados, limitandoos a 12% (doze por cento) ao ano, de acordo com a Constituição Federal e a Legislação infraconstitucional pátria em vigor. (...) Mediante o Acórdão nº 1250.839 17ª Turma da DRJ/RJ1, de 21 de novembro de 2012, foi julgada improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA OU EMPREITADA. VALOR TRIBUTÁVEL. Sendo a autuada responsável pelo vínculo empregatício com o trabalhador cuja mãodeobra é locada ou posta a disposição de outras empresas, todos os valores recebidos para a satisfação das obrigações contraídas com a contratação de pessoal devem ser considerados como receita bruta e, portanto, integrar a base de cálculo da COFINS. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA OU EMPREITADA. VALOR TRIBUTÁVEL. Sendo a autuada responsável pelo vínculo empregatício com o trabalhador cuja mãodeobra é locada ou posta a disposição de outras empresas, todos os valores recebidos para a satisfação das obrigações contraídas com a contratação de pessoal devem ser considerados como receita bruta e, portanto, integrar a base de cálculo da contribuição ao PIS. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 12898.000299/200971 Acórdão n.º 3402003.003 S3C4T2 Fl. 828 5 SENTENÇA JUDICIAL. No que diz respeito à jurisprudência trazida aos autos, dispõe o art. 472, do Código de Processo Civil, que “ a sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros.” Então, não sendo parte nos litígios objetos dos acórdãos, o sujeito passivo não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez que os efeitos são inter partes e não erga omnes. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância por via postal em 09/07/2014. Em 08/08/2014, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), alegando, em síntese: A decisão da 17ª Turma está completamente equivocada e desvirtuada da realidade, além de confundir a aplicação das leis trabalhistas com a base de cálculo para pagamento dos tributos PIS e COFINS, conforme se demonstrará a seguir. Não se pode confundir responsabilidade com o pagamento dos salários dos empregados com a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. Em se tratando de empresa fornecedora de mãodeobra temporária, que admite empregados para trabalharem exclusivamente para as empresas contratantes, colocando esses funcionários para trabalharem dentro das instalações das empresas contratantes por prazo determinado e não superior a 90 (noventa) dias, conforme determina a Lei 6.019, o valor pago por essas empresas contratantes inclui salários, todos os encargos trabalhistas e previdenciários incidentes sobre esses funcionários, reembolso de eventuais despesas desses funcionários com a prestação dos serviços, além da taxa de administração. Podemos afirmar, em derradeira hipótese, que esses trabalhadores são, em verdade, funcionários das empresas tomadoras dos serviços, que repassam para a autuada todo o custo que teria com salário, encargos trabalhistas e previdenciário, reembolso de despesas, tudo isso acrescido da taxa de administração. Tanto isso é verdade que a legislação trabalhista considera a empresa contratante responsável subsidiária com o pagamento de todas as verbas de cunho salarial, bem como com os encargos trabalhistas dos funcionários que lhe prestam serviço, conforme se depreende da súmula 331 do Colendo TST, verbis: Súmula n° 331 do TST CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei n° 6.019, de 03.01.1974). Fl. 830DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da Administração Pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei n° 7.102, de 20.06.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços quanto àquelas obrigações, desde que haja participado da relação processual e conste também do título executivo judicial. V Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n.° 8.666, de 21.06.1993, especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero inadimplemento; das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada. VI A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período da prestação laboral. Portanto, o fato de a recorrente/autuada efetuar o pagamento dos salários e recolher os encargos trabalhistas e previdenciários incidentes sobre tais salários não implica em incidência do PIS e da COFINS sobre esses valores, uma vez que se trata de mero repasse de valores. Ressaltese que em nenhum momento esses valores chegaram a incorporar o patrimônio da autuada, simplesmente ocorreu um repasse de valores com a finalidade específica de efetuar o pagamento dos salários e encargos existentes especificamente dos funcionários prestadores de serviços nas empresas contratantes. Idêntico raciocínio se encontra na legislação do imposto de renda da pessoa física, que permite a dedução da base de cálculo dos valores recebidos a título de diária e ajuda de custo. E por que esses valores não incluem a base de cálculo do IR? Não incluem porque se trata de reembolso de despesas efetuadas pelo empregado. Portanto, resta claro que o repasse de valores correspondentes a salários e demais encargos e despesas, realizados pelas empresas das empresas contratantes de serviços de fornecimento de mãodeobra temporária não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não integrando a base de cálculo do PIS e da COFINS, temse que os valores recolhidos pela Recorrente/Autuada estão corretos, consequentemente, a multa e os juros são inaplicáveis. É o relatório. Voto Fl. 831DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 12898.000299/200971 Acórdão n.º 3402003.003 S3C4T2 Fl. 829 7 Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Atendidos também aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Alega a recorrente que, em se tratando de empresa fornecedora de mãode obra temporária, nos termos da Lei nº 6.019, o valor pago pelas empresas contratantes incluiria salários, encargos trabalhistas e previdenciários incidentes sobre os funcionários, reembolso de eventuais despesas e taxa de administração. Assim, a seu ver, esses trabalhadores seriam, em verdade, funcionários das empresas tomadoras dos serviços, as quais repassariam para a recorrente todo esse custo. Nesse sentido seria, conforme entende, que a legislação trabalhista consideraria a empresa contratante responsável subsidiária pelo pagamento das verbas de cunho salarial e dos encargos trabalhistas dos funcionários que lhe prestam serviço. Assim, prossegue, uma vez que se trata de mero repasse de valores, não haveria incidência do PIS e da Cofins. Com essa argumentação, incorre a recorrente no mesmo equívoco que alega ter sido cometido na decisão de primeira instância, de confusão das leis trabalhistas com a base de cálculo do PIS e Cofins. Com efeito, a base de cálculo da Cofins e do PIS com a incidência não cumulativa é dada pelos arts. 1º s das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002 como o "faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", sendo somente permitidas as exclusões da bases de cálculo previstas em lei, dentre as quais não se incluem nenhuma das parcelas que compõem os valores recebidos, ainda que sejam reembolso de despesas, pelas empresas de trabalho temporário das empresas tomadoras dos serviços. Não socorre a recorrente com relação à Cofins e ao PIS, que incidem sobre o faturamento da pessoa jurídica, o argumento de que a legislação do imposto sobre a renda das pessoas físicas, que incide sobre a renda e os proventos, permite a dedução da base de cálculo dos valores recebidos a título de diária e ajuda de custo porque teriam natureza de reembolso de despesas. À míngua de previsão legal, o reembolso de despesas não pode ser excluído da base de cálculo das contribuições sociais não cumulativas, que são tributos distintos do IRPF. Ademais, o CARF, nos termos do Regimento Interno, deve adotar o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferido na sistemática de Recursos Repetitivos, conforme ementa abaixo: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS AO CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. "FATURAMENTO" E "RECEITA BRUTA". LEIS COMPLEMENTARES 7/70 E 70/91 E LEIS ORDINÁRIAS 9.718/98, 10.637/02 E 10.833/03. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO QUE OBSERVA REGIMES NORMATIVOS DIVERSOS. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO DE LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA (LEI 6.019/74). VALORES DESTINADOS AO PAGAMENTO DE SALÁRIOS E DEMAIS ENCARGOS TRABALHISTAS DOS Fl. 832DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 TRABALHADORES TEMPORÁRIOS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. 1. A base de cálculo do PIS e da COFINS, independentemente do regime normativo aplicável (Leis Complementares 7/70 e 70/91 ou Leis ordinárias 10.637/2002 e 10.833/2003), abrange os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mãodeobra temporária (regidas pela Lei 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74), a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários. 2. Isto porque a Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 847.641/RS, perfilhou o entendimento no sentido de que: (...) 1. A base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS é o faturamento, hodiernamente compreendido como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, vale dizer: a receita bruta da venda de bens e serviços, nas operações em conta própria ou alheia, e todas as demais receitas auferidas (artigo 1º, caput e § 1º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.8333/2003, editadas sob a égide da Emenda Constitucional nº 20/98). 2. A Carta Magna, em seu artigo 195, originariamente, instituiu contribuições sociais devidas pelos "empregadores" (entre outros sujeitos passivos), incidentes sobre a "folha de salários", o "faturamento"e o "lucro" (inciso I). 3. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, que sucedeu o FINSOCIAL, é contribuição social que se enquadra no inciso I, do artigo 195, da Constituição Federal de 1988, incidindo sobre o "faturamento", tendo sido instituída e, inicialmente, regulada pela Lei Complementar 70/91, segundo a qual: (i) a exação era devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, (ii) sendo destinada exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social, e (iii) incidindo sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. 4. As contribuições destinadas ao Programa de Integração Social PIS e ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP, por seu turno, foram criadas, respectivamente, pelas Leis Complementares nº 7/70 e nº 8/70, tendo sido recepcionadas pela Constituição Federal de 1988 (artigo 239). 5. A Lei Complementar 7/70, ao instituir a contribuição social destinada ao PIS, destinavaa à promoção da integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas, definidas como as pessoas jurídicas nos termos da legislação do Imposto de Renda, caracterizandose como empregado todo aquele assim definido pela Legislação Trabalhista. (...) 14. Por outro lado, se a lide envolve fatos imponíveis realizados na égide das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 (cuja elisão da higidez, no âmbito do STJ, demandaria a declaração incidental de inconstitucionalidade, mediante a observância da cognominada "cláusula de reserva de plenário"), a base de cálculo da COFINS e do PIS abrange qualquer receita (até mesmo os custos suportados na atividade empresarial) que não constar do rol de deduções previsto no § 3º, do artigo 1º, dos diplomas legais citados. 15. Conseqüentemente, a conjugação do regime normativo aplicável e do entendimento jurisprudencial acerca da composição do preço do serviço prestado pelas empresas fornecedoras de mãodeobra temporária, conduz à tese inarredável de que os valores destinados ao Fl. 833DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 12898.000299/200971 Acórdão n.º 3402003.003 S3C4T2 Fl. 830 9 pagamento de salários e demais encargos trabalhistas dos trabalhadores temporários, assim como a taxa de administração cobrada das empresas tomadoras de serviços, integram a base de cálculo do PIS e da COFINS a serem recolhidas pelas empresas prestadoras de serviço de mãode obra temporária (Precedentes oriundos da Segunda Turma do REsp 954.719/SC)">STJ:REsp 954.719/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 13.11.2007). (...) (...) Independentemente das vantagens ou desvantagens do regime da nãocumulatividade estabelecido pelo legislador, matéria que aqui não está em questão, o certo é que, mantido o atual sistema constitucional e ressalvadas as situações previstas nas Leis acima referidas, as contribuições para PIS/COFINS podem incidir legitimamente sobre o faturamento das pessoas jurídicas mesmo quando tal faturamento seja composto por pagamentos feitos por outras pessoas jurídicas, com recursos retirados de receitas sujeitas às mesmas contribuições."(EREsp 727.245/PE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 09.08.2006, DJ 06.08.2007) (...) 18. Recurso especial provido, invertidos os ônus de sucumbência." (REsp 847.641/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25.03.2009, DJe 20.04.2009) 3. Deveras, a definição de faturamento mensal/receita bruta, à luz das Leis Complementares 7/70 e 70/91, abrange, além das receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, concepção que se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98 (Precedentes do Supremo Tribunal Federal que assentaram a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS e do PIS pela Lei 9.718/98: RE 390.840, Rel. Ministro Março Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09.11.2005, DJ 15.08.2006; RE 585.235 RGQO, Rel. Ministro Cezar Peluso, Tribunal Pleno, julgado em 10.09.2008, DJe227 DIVULG 27.11.2008 PUBLIC 28.11.2008; e RE 527.602, Rel. Ministro Eros Grau Rel. p/ Acórdão Ministro Março Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 05.08.2009, DJe213 DIVULG 12.11.2009 PUBLIC 13.11.2009). 4. Por seu turno, com a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovida pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários subsumemse na novel concepção de faturamento mensal (total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil). 5. Conseqüentemente, a definição de faturamento/receita bruta, no que concerne às empresas prestadoras de serviço de fornecimento de mãodeobra temporária (regidas pela Lei 6.019/74), engloba a totalidade do preço do serviço prestado, nele incluídos os encargos trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores para tanto contratados, que constituem custos suportados na atividade empresarial. 6. In casu, cuidase de empresa prestadora de serviços de locação de mãodeobra temporária (regida pela Lei 6.019/74 e Fl. 834DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 pelo Decreto 73.841/74, consoante assentado no acórdão regional), razão pela qual, independentemente do regime normativo aplicável, os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários não podem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 7. Outrossim, o artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 8. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ REsp: 1141065 SC 2009/00959329, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 09/12/2009, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 01/02/2010) [grifos desta Relatora] Com efeito, foi esse o entendimento aplicado no Acórdão da 1ª Seção de Julgamento deste CARF cuja ementa se segue: Processo nº 10935.720192/201318 Acórdão nº 1803002.357– 3ª Turma Especial Sessão de 23 de setembro de 2014 Relator: Sérgio Rodrigues Mendes (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2009, 2010 EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS DE LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do PIS e da COFINS, independentemente do regime normativo aplicável (Leis Complementares 7/70 e 70/91 ou Leis ordinárias 10.637/2002 e 10.833/2003), abrange os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mãodeobra temporária (regidas pela Lei 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74), a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários (STJ Recurso Repetitivo). (...) Assim, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 835DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 12898.000299/200971 Acórdão n.º 3402003.003 S3C4T2 Fl. 831 11 Fl. 836DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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