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Numero do processo: 10073.720226/2008-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2101-000.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
______________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
_______________________________________________
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Francisco Marconi de Oliveira, Célia Maria de Souza Murphy e Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) ______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) _______________________________________________ GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Francisco Marconi de Oliveira, Célia Maria de Souza Murphy e Alexandre Naoki Nishioka. RELATÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 73 .7 20 22 6/ 20 08 -9 6 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10073.720226/200896 Resolução nº 2101000.151 S2C1T1 Fl. 141 2 Tratase de recurso voluntário (fls.87/104) interposto em 03/10/2012, contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), (fls.71/80), do qual o Recorrente teve ciência em 14 de setembro de 2012 (fls.85), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 02/05, lavrado em 25 de agosto de 2008, em decorrência da não comprovação da totalidade da área de preservação permanente para redução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural – ITR no exercício de 2005, e, ainda, em decorrência da não comprovação do valor da terra nua por meio de laudo de avaliação, relativo ao imóvel NIRF 3.850.8958 (Fazenda Estrela), sendo constituído um crédito tributário, suplementar, de R$ 3.426,00, mais cominações legais. Em seu apelo ao CARF a recorrente, reitera os mesmos argumentos suscitados perante o Órgão julgador de primeiro grau, seja em sede de preliminar seja quanto ao mérito. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 139. É o relatório. Voto O recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Como se colhe do relatório, cuidase do lançamento de ITR decorrente da não comprovação da área de Preservação Permanente e do Valor da Terra Nua VTN. Em sede de preliminar a Recorrente pugna pela nulidade da Notificação. Sobre a alegação, tomo como razões de decidir o Voto do julgador à quo, cujo trecho transcrevo: “Assim, a notificação de lançamento de fls. 1/4 atendeu aos requisitos estabelecidos pelo art. 11 do PAF, pois contém todas as informações nele previstas, inclusive a identificação do servidor competente, a indicação de seu cargo e o número de matrícula, não havendo que se falor em notificação apócrifa, como alegado pela contribuinte.” O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR tem como hipótese de incidência tributável a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano (art.1º da Lei nº 9.393/96). A base de cálculo dessa exação, por sua vez, é resultado de operação por meio da qual se aplica sobre o Valor da Terra Nua Tributável – VTNt, determina a alíquota prevista no anexo da Lei nº 9.393/96, que varia em função da área total do imóvel (art. 10º, § 1º, III, da Lei nº 9.393/96), sendo que o VTN corresponde ao valor do imóvel, devidamente declarado pelo contribuinte, deduzido dos valores correspondentes a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; e d) florestas plantadas. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10073.720226/200896 Resolução nº 2101000.151 S2C1T1 Fl. 142 3 A área tributável do imóvel, por sua vez, corresponde à área total do imóvel com exclusão das seguintes: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. Tratase, nos termos da legislação em vigor, de tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo sua apuração e recolhimento de responsabilidade do contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, sujeitandose a posterior homologação como explicitado no art. 10º , da Lei nº 9.393/96. (...) § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. O artigo 17O da Lei nº 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.165/2000, passou a prever que: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Grifo nosso. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10073.720226/200896 Resolução nº 2101000.151 S2C1T1 Fl. 143 4 Percebese que a apresentação do ADA pelo contribuinte ao IBAMA ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali contidas – restringese a informações prestadas pelo próprio contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas que possuem algum interesse ecológico. Tenho que o § 1º do art. 17O instituiu a obrigatoriedade apenas para situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, ou seja, depende do reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público. Assim, é de se entender que o ADA apresentado tempestivamente tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra o protocolo tempestivo do referido documento, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo do ITR. Vejase a seguinte resposta à questão nº 40 constante no link “Respostas às Perguntas mais freqüentes sobre o ADA”, extraída no sítio do IBAMA – www.ibama.gov.br (Serviços Online), relativamente à comprovação das áreas de interesse ambiental: 40 Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental? ∙ Ato do Chefe do Poder Executivo declarando as áreas cobertas com florestas ou outras formas de vegetação como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o 'Código Florestal' (Lei 12.651/12) em seu artigo 6º; ∙ Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou de Servidão Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ∙ Laudo de vistoria técnica do IBAMA relativo à área de interesse ambiental; ∙ Certidão do IBAMA ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão estadual de meio ambiente OEMA) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ∙ Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ∙ Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ∙ Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10073.720226/200896 Resolução nº 2101000.151 S2C1T1 Fl. 144 5 ∙ Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal ou de Servidão Ambiental; ∙ Portaria do IBAMA de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN); ∙ Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo. Como se vê o contribuinte pode se valor de outros meios de prova, que não o ADA, visando a fruição da redução da base de cálculo do ITR. Contudo, no presente caso, a Recorrente não fez apensar documentos comprobatórios, limitandose a informar que o imóvel se encontra, em sua quase totalidade, no Parque Estadual da Ilha Grande, criado pelo Decreto Estadual nº 4.972, de 02 de dezembro de 1981, parque esse que teve sua ampliação através do Decreto nº 40.602, de 12 de fevereiro de 2007. Reitera a contribuinte quanto a juntada ao processo de planta e memorial descritivo, documentos esses não localizados pelo julgador à quo. Compulsandose os autos verificase que não há definitivamente tais provas capazes de confirmar a isenção, mesmo que parcial, do imóvel na área do aludido parque. No concernente ao VTN o artigo 14, caput e § 1º, da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que autoriza, no caso de subavaliação, o arbitramento do VTN, assim estabelece: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. E o artigo 12 da Lei nº 8.629, de 1993, cuja redação foi alterada pela Medida Provisória nº 2.18256, de 2001: Art. 12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) II aptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10073.720226/200896 Resolução nº 2101000.151 S2C1T1 Fl. 145 6 III dimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) O arbitramento do valor da terra nua, expediente legítimo, nos art. 148 do CTN, para as situações em que não mereçam fé as declarações prestadas pelo sujeito passivo, deve observar os parâmetros previstos pelo legislador e acima referidos, inclusive capacidade potencial da terra, informados pelas Secretarias de Agricultura dos Estados e Municípios. Compulsandose os autos verificase que não fora apensado o extrato do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT (Portaria nº 447/2002), contendo as informações necessárias, inclusive a capacidade potencial da terra. Transcrevo abaixo trecho do voto proferido pela Ilustre Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, no acórdão nº 220200.722, para situação em tudo assemelhada à presente e cujos fundamentos adoto, in verbis: “Ressaltese, entretanto, que o VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores informados na DITR, constitui um parâmetro inicial, nas não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois, notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Isso porque esta informação não é contemplada na declaração, que contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Assim, o valor arbitrado deve ser obtido com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.” Sendo assim, não é possível emitir qualquer posicionamento quanto ao VTN, razão pela qual voto por converter o julgamento em diligência, a ser realizada pela repartição de origem, com a finalidade de apensar aos autos extrato do SIPT que informe os dados de praxe, inclusive a aptidão agrícola do imóvel cadastrado sob o nº NIRF 3.850.8958. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10680.018658/99-97
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/1995 a 30/09/1995, 01/05/1998 a 31/12/1998
EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PAGA SOB A LEGISLAÇÃO ENTÃO VIGENTE.
O pagamento da contribuição para o PIS, devida nos períodos de competência de março a setembro de 1995 e de novembro de 1995 a fevereiro de 1996, em montante integral ao devido, nos termos da legislação tributária, então vigente, e cuja aplicação ainda não havia sido afastada pelo Senado Federal, extingue a obrigação tributária.
DÉBITOS. COMPENSAÇÃO. PROCESSOS. EXIGÊNCIA. DUPLICIDADE.
A exigência de débitos, objetos de pedido de compensação, protocolado em data anterior à do lançamento de ofício, implica duplicidade de exigência e, conseqüentemente, cancelamento do lançamento de ofício.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-002.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Helder Massaaki Kanamaru, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1995 a 30/09/1995, 01/05/1998 a 31/12/1998 EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PAGA SOB A LEGISLAÇÃO ENTÃO VIGENTE. O pagamento da contribuição para o PIS, devida nos períodos de competência de março a setembro de 1995 e de novembro de 1995 a fevereiro de 1996, em montante integral ao devido, nos termos da legislação tributária, então vigente, e cuja aplicação ainda não havia sido afastada pelo Senado Federal, extingue a obrigação tributária. DÉBITOS. COMPENSAÇÃO. PROCESSOS. EXIGÊNCIA. DUPLICIDADE. A exigência de débitos, objetos de pedido de compensação, protocolado em data anterior à do lançamento de ofício, implica duplicidade de exigência e, conseqüentemente, cancelamento do lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1995 a 30/09/1995, 01/05/1998 a 31/12/1998 EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PAGA SOB A LEGISLAÇÃO ENTÃO VIGENTE. O pagamento da contribuição para o PIS, devida nos períodos de competência de março a setembro de 1995 e de novembro de 1995 a fevereiro de 1996, em montante integral ao devido, nos termos da legislação tributária, então vigente, e cuja aplicação ainda não havia sido afastada pelo Senado Federal, extingue a obrigação tributária. DÉBITOS. COMPENSAÇÃO. PROCESSOS. EXIGÊNCIA. DUPLICIDADE. A exigência de débitos, objetos de pedido de compensação, protocolado em data anterior à do lançamento de ofício, implica duplicidade de exigência e, conseqüentemente, cancelamento do lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 86 58 /9 9- 97 Fl. 562DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Helder Massaaki Kanamaru, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Belo Horizonte (MG) que julgou procedente, em parte, a impugnação interposta contra o lançamento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), referentes aos fatos geradores ocorridos nos períodos de competência de junho a novembro de 1989, janeiro e abril de 1990 a setembro de 1995 e maio a dezembro de 1998. O lançamento decorreu da falta e/ ou insuficiência do pagamento dos valores da contribuição devida naqueles períodos, nos termos da LC nº 7, de 1970, e da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 05/08 e Termo de Verificação Fiscal às fls. 10/11. Intimada, a recorrente impugnou o lançamento, alegando, em síntese, a decadência do direito de a Fazenda constituir referentes aos fatos geradores anteriores a junho de 1999, nos termos do CTN, art. 150, § 4º; e, no mérito, que recolheu as contribuições referentes aos períodos mensais de competência até setembro de 1995, nos termos dos Decretoslei nº 2.445 e nº 2.449, ambos de 1988, o que implicou pagamentos a maior do que os devidos nos termos da LC nº 7, de 1970; e, para as competências de maio de a dezembro de 1998, os valores devidos foram compensados. Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua procedente, em parte, conforme acórdão nº 1.131, datado de 06/05/2002, às fls. 349/358, sob a seguinte ementa: “Extingue o crédito tributário o pagamento efetuado na sua totalidade, em conformidade com a legislação pertinente, à época em vigor. O prazo decadencial das contribuições que compõem a Seguridade Social ( 10 anos ) – dentre elas o Pis – encontrase fixado em lei. O pedido de compensação não se inclui entre as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário.” Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 364/106), requerendo a sua a reforma a fim de que se julgue improcedente o lançamento, alegando, em síntese, as mesmas razões expendida na impugnação, ou seja, decadência parcial e pagamento/compensação. Contestou, ainda, a multa de ofício e os juros de mora. O processo foi então sorteado e distribuído para o relator conselheiro Rogério Gustavo Dreyer da Primeira Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes. No entanto, em sessão realizada em 02/12/2003, os membros daquela Câmara resolveram converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 20100.382, às fls. 467/471, para que a autoridade administrativa informasse: “1. se o valor referente ao período de apuração de setembro de 1995 fez parte do parcelamento informado e se o mesmo foi quitado; Fl. 563DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.018658/9997 Acórdão n.º 3301002.091 S3C3T1 Fl. 563 3 2. em relação ao crédito tributário reclamado relativo aos períodos de apuração de maio a dezembro de 1998, seja o processo mantido na repartição até o julgamento do pedido de compensação mencionado. Após o julgamento, sejam adotadas as seguintes providências: 2.a. em qualquer caso – provido ou não – desde que não haja manifestação de inconformidade ou recurso voluntário ou recurso de oficio, da decisão transitada em julgado juntar cópia ao presente processo, devolvendoo a este Colegiado para prossecução no julgamento; e 2.b. em havendo qualquer ato processual mencionado no item anterior, seja procedido, se possível, o julgamento pelos mesmos órgãos julgadores que proferiram decisão no presente processo, tendo em vista a manifesta relação entre causa e efeito entre ambos, com manifesta conexão e dependência.” Em atendimento à diligência, foi apresentado o despacho às fls. 478, informando que a contribuição referente à setembro de 1995 foi quitada por meio do processo de parcelamento nº 10680.001996/9692. Intimada daquele despacho, a recorrente apresentou a manifestação às fls. 482/488, pugnando pelo cancelamento integral do crédito tributário. Retornado o processo a este Conselho, os membros daquela Câmara entenderam que a diligência solicitada não foi atendida e resolveram converter novamente o julgamento em diligência para o devido atendimento, conforme Resolução nº 20100.482, datada de 01/12/2004, às fls. 509/511. Em cumprimento àquela resolução, foi apresentado o Termo de Diligência Fiscal, datado de 16/09/2010, às fls. 554/555, no qual foi informado que o valor da contribuição, apurado para a competência de setembro de 1995, no valor de R$24.787,23, foi parcelado e amortizado, via proc. nº 10680.001996/9692; já em relação às competências de maio a dezembro de 1998, os débitos foram objeto de pedido de compensação no possesso nº 10680.00638/9960. É o relatório. Voto O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim dele conheço. A autoridade julgadora de primeira instância deu provimento parcial à impugnação e exonerou o contribuinte do pagamento dos valores lançados para as competências de junho de 1989 a agosto de 1995 e manteve a exigência das parcelas lançadas para as competências de setembro de 1995 e para as de maio a dezembro de 1998. A parcela lançada e exigida para setembro de 1995 corresponde à diferença entre o valor de R$24.787,23, declarado/pago pela recorrente, nos termos dos Decretoslei nº 2.445 e nº 2.449. ambos de 1998, e o valor, de R$28.268,09, devido nos termos da Lei Complementar nº 7, de 1970, conforme prova a planilha às fls. 365, combinada com o demonstrativo de apuração da contribuição às fls. 23. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Ora, o fato de o Senado Federal ter suspendido a execução daqueles Decretoslei, restabelecendo as normas fixadas pelas LCs nº 7, de 1970, e nº 17, de 1973, não obriga o contribuinte a pagar a diferença de 0,10 % entre a alíquota de 0,65 %, prevista nos referidos decretoslei, e a de 0,75 %, prevista na lei complementar. Os pagamentos efetuados pelo contribuinte com base naqueles diplomas, então vigentes, extinguiram integralmente as contribuições devidas, desobrigandoa de quaisquer complementos. Neste caso devese observar o princípio da segurança jurídica, pois o contribuinte agiu de acordo com a legislação então vigente ainda não declarada inconstitucional. Exigir diferenças de tributos em face da inconstitucionalidade lei declarada posteriormente aos recolhimentos efetuados pelo contribuinte de acordo a lei então vigente e editada pelo Estado constituiu penalidade a ele por um erro ou infração que não cometeu. Também, tal entendimento está implícito no art. 18 da Medida Provisória n.º 1.973, de 10 de dezembro de 1999: Art. 18 Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: [...]; VIII à parcela da contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do Decretolei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e do Decretolei nº 2.449, de 21 de julho de 1988, na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, e alterações posteriores. [...]. § 2º O disposto neste artigo não implicará restituição ex offício de quantias pagas. Portanto, considerados válidos os atos praticados à época em que a observância dos decretoslei era exigida, não há que se falar em lançamento de diferenças de contribuições para o PIS. O entendimento acima externado coincide com o da administração da Secretaria da Receita Federal (SRF), consubstanciado no Parecer MF/SRF/COSIT/DIPAC N.º 156, de 7 de maio de 1996, item “e”: e) Em situação de cobrança (CAD) tendo o contribuinte efetuado o recolhimento com base no DL 2.445 e 2.449/88 (alíquota de 0,65% e com Receitas Financeiras) e tal valor seja menor que o apurado com base na LC 7/70, devese cobrar a diferença? Considerando que a resposta seja negativa, e no caso de não ter pago sobre as receitas financeiras, deverá ser cobrado das mesmas? Resp.: Não, visto que o contribuinte efetuou o pagamento na forma determinada pela legislação aplicável à época. No caso de falta ou insuficiência de recolhimento de acordo com a legislação vigente à época, apurada após a Resolução SF n.º Fl. 565DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.018658/9997 Acórdão n.º 3301002.091 S3C3T1 Fl. 564 5 49/95, deverá ser efetuado lançamento de ofício com base na Lei Complementar n.º 7/70 e alterações posteriores. (grifei) Assim, a diferença lançada e exigida para a competência de setembro de 1995 deve ser cancelada. Quanto às parcelas lançadas exigidas para as competências de maio a dezembro 1998, suas exigências neste processo administrativa constituem duplicidade, tendo em vista que aqueles valores foram objeto do pedido de compensação nº 10680.000638/9960, protocolado em 25/01/1999, data anterior à do lançamento em discussão, em 28/06/1999. Consulta ao sistema eProcesso mostra que aquele processo já foi julgado em 27/06/2013 pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, cujos membros, por unanimidade de votos, deram provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a compensação dos débitos até o limite do montante do crédito financeiro que lhe foi reconhecido. Assim, comprovada a exigência daquelas parcelas em processo protocolado anteriormente à constituição do crédito tributário, em discussão, suas exigências neste processo deverão ser canceladas. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 566DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13888.003437/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
EXCLUSÃO DO SIMPLES. LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA.
A lei do SIMPLES proíbe a opção pelo sistema por pessoa jurídica que realize operações relativas à prestação de serviço de locação de mão-de-obra.
Na locação de mão-de-obra, a locadora assume a obrigação de contratar empregados sob sua exclusiva responsabilidade, que ficarão subordinados hierarquicamente à locatária, que por sua vez determinará e comandará os serviços a serem executados, sendo que a remuneração se dá, em regra, em função das horas-homem trabalhadas.
Hipótese em que se pretende excluir do SIMPLES empresa com base em contratos que não comprovam que se contratou somente mão-de-obra, nem que ela estava subordinada aos desígnios da contratante, nem que o pagamento se dava em horas-homem trabalhadas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1102-000.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar os efeitos do Ato Declaratório Executivo DRF/PCA nº 50, de 25 de novembro de 2009, afastando a exclusão da empresa do SIMPLES.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA. A lei do SIMPLES proíbe a opção pelo sistema por pessoa jurídica que realize operações relativas à prestação de serviço de locação de mão-de-obra. Na locação de mão-de-obra, a locadora assume a obrigação de contratar empregados sob sua exclusiva responsabilidade, que ficarão subordinados hierarquicamente à locatária, que por sua vez determinará e comandará os serviços a serem executados, sendo que a remuneração se dá, em regra, em função das horas-homem trabalhadas. Hipótese em que se pretende excluir do SIMPLES empresa com base em contratos que não comprovam que se contratou somente mão-de-obra, nem que ela estava subordinada aos desígnios da contratante, nem que o pagamento se dava em horas-homem trabalhadas. Recurso Voluntário Provido.
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MONTAGEM INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. A lei do SIMPLES proíbe a opção pelo sistema por pessoa jurídica que realize operações relativas à prestação de serviço de locação de mãodeobra. Na locação de mãodeobra, a locadora assume a obrigação de contratar empregados sob sua exclusiva responsabilidade, que ficarão subordinados hierarquicamente à locatária, que por sua vez determinará e comandará os serviços a serem executados, sendo que a remuneração se dá, em regra, em função das horashomem trabalhadas. Hipótese em que se pretende excluir do SIMPLES empresa com base em contratos que não comprovam que se contratou somente mãodeobra, nem que ela estava subordinada aos desígnios da contratante, nem que o pagamento se dava em horashomem trabalhadas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar os efeitos do Ato Declaratório Executivo DRF/PCA nº 50, de 25 de novembro de 2009, afastando a exclusão da empresa do SIMPLES. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 34 37 /2 00 9- 55 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13888.003437/200955 Acórdão n.º 1102000.971 S1C1T2 Fl. 231 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório AUTUAÇÃO O contribuinte acima identificado foi excluído de ofício do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, por exercer atividade vedada. O relatório do acórdão de 1a instância descreveu o processo da seguinte maneira (fl. 191): 1. Trata o processo de MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE contra decisão que excluiu a empresa em epígrafe do Simples Federal a partir de 01/01/2004, de acordo com o ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/PCA N.50, de 25 de novembro de 2009, fl. 95. 2. O motivo apontado para o indeferimento foi o exercício da atividade vedada de locação de mãodeobra. 3. O enquadramento legal utilizado foi a Lei N.9.317/96, art.9°, XII, f. 4. O Despacho Decisório, fls.89/94, descreve que, apesar de a empresa conter em seu Contrato Social a atividade de Comércio de painéis, instrumentação e a montagem industrial, paralelamente firmou Contrato de Prestação de Serviços, demonstrados às fls. 11/41, os quais são configurados como locação de mãode obra, de acordo com a Lei N.8.212/91. 5. O Despacho Decisório citado também amparase nas notas fiscais juntadas às fls.42/76, que demonstram a execução de tarefas diversas à Ripasa S/A Celulose e Papel, em suas dependências,com habitualidade. 6. Identifica o Despacho Decisório, que a empresa excluída da Simples Federal, era a responsável por todas as obrigações trabalhistas, previdenciárias e de segurança do trabalho, corroborando o disposto no Parecer n.69, de 10 de novembro de 1999, da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, sobre a locação de mãodeobra. IMPUGNAÇÃO Cientificado do ato administrativo, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 101 a 109), acatada como tempestiva. Alegou, conforme o relatório do acórdão de 1a instância (fls. 191 a 192), que: Fl. 231DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13888.003437/200955 Acórdão n.º 1102000.971 S1C1T2 Fl. 232 3 8. Os requisitos que configuram a situação de locação de mãodeobra, tais como habitualidade, continuidade, disposição exclusiva e subordinação, estão ausentes da relação profissional existente entre a tomadora e a empresa contestante. 9. Não há dúvidas de que a empresa realiza um trabalho de manutenção/montagem industrial que foi previamente especificado, determinado e contratado, não permanecendo qualquer funcionário à disposição da empresa contratante, e findo o trabalho contratado, encerrouse a relação nova contratação deveria ser efetivada. 10. O art.31 da Lei N.8.212/91, não se aplica ao caso em tela, pois os funcionários se dirigem até a empresa tomadora sob a fiscalização do funcionário encarregado da contratada, realizam o trabalho específico e determinado para o qual forma contratados e finda está a relação. Não há disposição, não há continuidade e muito menos subordinação. 11. A empresa contestante vende um serviço de montagem industrial, e é claro que necessita de mãodeobra especializada para efetivar o contratado. 12. As notas fiscais anexas comprovam que cada uma descreve exatamente quais materiais estão sendo comprados para realização de determinado trabalho iniciado e terminado, absurdo falar em disposição, habitualidade e subordinação. 13. Com relação à alegação de se submeterem às normas e regulamentos internos da tomadora, outra distorção existe, pois o que existe é uma obrigatória observância às normas da empresa contratante no tocante à segurança do trabalho e regulamentos internos de conduta afim de uniformizar as atitude de todas as empresas que ali adentram todos os dias, bem como de seus funcionários. 14. Não se pode admitir que pela maneira de organização da empresa tomadora, que discrimina o valor da mãodeobra (comprada com o material, e não locada), seja a contestante injustiçada ao ponto de ser excluída do sistema de tributação que lhe é garantido constitucionalmente. 15. Requer o cancelamento do Ato Declaratório, assim como sua manutenção no Simples Nacional. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) julgou o recurso improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 190 a 195): Assunto: Simples Federal Anocalendário: 2004 Ementa: Inclusão no Simples Impossibilidade Existência de Atividade Econômica Vedada Comprovada a existência de atividade vedada, ocorre a impossibilidade de inclusão no Simples. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Fl. 232DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13888.003437/200955 Acórdão n.º 1102000.971 S1C1T2 Fl. 233 4 O fundamento dessa decisão foi o de que os documentos dos autos comprovavam que a empresa executava a atividade de locação de mãodeobra, o que é impeditivo para a adesão ao SIMPLES. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 24/11/2011 (fl. 201), o contribuinte apresentou, em 15/12/2011, o recurso de fls. 203 a 209, onde afirma que: a) não exerce atividade de locação de mãodeobra, sendo que sua atividade fim se desenvolve através da comercialização de painéis, instrumentos e montagem industrial. De fato, é evidente que é utilizada a mão de obra para que o serviço seja desenvolvido com a costumeira excelência, mas não ocorre qualquer tipo de locação de mãodeobra, visto que a recorrente vende os equipamentos, os instála, e ai está concluída sua obrigação; b) de fato, funcionários seus são utilizados para realizar o serviço, mas não ocorre qualquer tipo de locação de mãodeobra, visto que somente vende os equipamentos, os instála, concluindose, aí, sua obrigação; c) somente exerce labor de manutenção/montagem industrial que fora previamente especificado e contratado, não permanecendo qualquer funcionário à disposição de empresa contratante e, findo o trabalho contratado, encerrouse a relação e nova contratação deverá ser efetivada. Assim, não se enquadra no conceito de cessão de mãodeobra do art. 2o da Ordem de Serviço n° 230, de 29 de janeiro de 1999, ou do artigo 31 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991; d) para sua atividadefim, a venda e montagem industrial, a mãodeobra é somente um meio; e) as empresas contratantes não fiscalizam os trabalhos da recorrente, mas apenas recebem o resultado final. Ao final, pugna por sua manutenção no SIMPLES. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em junho de 2013, numerado digitalmente até a fl. 229. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. O processo foi incluído em pauta pela primeira vez na sessão de 10 de setembro de 2013, retornando nos meses subsequentes em razão de pedidos de vista. É o relatório. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13888.003437/200955 Acórdão n.º 1102000.971 S1C1T2 Fl. 234 5 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O contribuinte foi excluído do SIMPLES pelo Ato Declaratório Executivo DRF/PCA nº 50, de 25 de novembro de 2009 (fl. 95), por exercer atividade vedada, no caso a de locação de mãodeobra. A origem do processo ocorreu em pedido de restituição de contribuições previdenciárias formulado pelo contribuinte, decorrentes da retenção de que trata o art. 31 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativas a serviços executados mediante cessão de mão deobra. Ao verificar que a empresa era optante pelo SIMPLES, e por considerar que exercia a atividade de locação de mãodeobra, a autoridade fiscal representou para o setor competente para a exclusão da pessoa jurídica do sistema (fls. 84 a 86). Como consequência, o Despacho Decisório DRF/PCA nº 1763, de 25 de novembro de 2009, ratificou a representação fiscal e determinou a emissão do citado Ato Declaratório Executivo (fls. 89 a 94). Essa decisão concluiu que o contribuinte prestava o serviço de locação de mãodeobra, caracterizado a partir do momento em que a empresa prestadora contrata os funcionários que permanecem à disposição da tomadora, onde são executadas tarefas por ela determinadas, porque: a) a empresa firmou contrato de prestação de serviços (fls. 11 a 41), que, confrontado com o conceito de locação de mãodeobra do art. 31 da Lei n° 8.212, de 1991, demonstrou se tratar dessa espécie; b) as notas fiscais juntadas aos autos demonstravam a execução de tarefas diversas à Ripasa S/A Celulose e Papel, em suas dependências, com habitualidade; c) o contrato de prestação de serviços previa que os funcionários e/ou contratados deveriam obedecer às normas internas da contratante; d) a contratada responsabilizavase por todas as obrigações trabalhistas, previdenciárias e de segurança do trabalho. O contribuinte refutou essa conclusão, alegando que comercializava painéis e instrumentos e prestava serviços de montagem industrial, utilizandose de empregados seus, sob sua ordem, para realizar as atividades necessárias para a execução dos contratos na sede da contratante. A vedação para que empresas que exerçam a atividade de locação de mãode obra possam optar pelo SIMPLES se encontra na alínea “f” do inciso XII do art. 9o da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, abaixo transcrito: Fl. 234DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13888.003437/200955 Acórdão n.º 1102000.971 S1C1T2 Fl. 235 6 Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XII que realize operações relativas a: (...) f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; (...) Transcrevese, também, o citado conceito de cessão de mãodeobra do § 3o do art. 31 da Lei n° 8.212, de 1991: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (...) § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. Não há dúvidas de que a empresa que executa atividades de locação de mão deobra não pode optar pelo SIMPLES. O cerne da discussão está em saber se os contratos e notas fiscais indicados pela autoridade fiscal demonstram que o recorrente presta esse tipo de serviço. O conceito de locação de mãodeobra está bem delimitado no Parecer COSIT nº 69, de 10 de novembro de 1999, e utilizado como fundamento da exclusão. Nesse tipo de contrato, a locadora assume a obrigação de contratar empregados sob sua exclusiva responsabilidade, que ficarão subordinados hierarquicamente à locatária, que por sua vez determinará e comandará os serviços a serem executados. A contratada entrega os trabalhadores que obedecerão às ordens da contratante. Esse tipo de contrato muitas vezes se confunde com o de empreitada, onde o contratado se compromete a entregar obra certa, com o uso de trabalhadores que executam tarefas sob sua direção. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13888.003437/200955 Acórdão n.º 1102000.971 S1C1T2 Fl. 236 7 Assim, a diferença básica entre os dois contratos é o objeto que se entrega: enquanto na locação de mãodeobra o acordo envolve a disponibilização de mãodeobra para realizar atividades determinadas e comandadas pelo contratado, na empreitada comprometese com a entrega da obra acordada. Enquanto na primeira é possível se encerrar o contrato sem a conclusão da tarefa, uma vez que se contrataram trabalhadores por um determinado período e sob as ordem da contratante, na segunda ele só se encerra com a entrega da obra. Diante dessas características, a remuneração da locação de mãodeobra, em regra, se dá pelas horashomem trabalhadas, enquanto, na empreitada, pelo valor da obra a ser executada. Cuidado especial há que se ter com a outra denominação dada pela lei civil e pela doutrina ao contrato de locação de mãodeobra, que também é chamado de contrato de prestação de serviços. A contratação de um serviço, no sentido comum, pode se dar por um contrato de empreitada e não por um de prestação de serviços, como, por exemplo, quando se contrata uma empresa para executar um instalação elétrica. Nesse caso, está se acordando a entrega de um resultado determinado e não simplesmente a disponibilização de uma equipe de eletricistas que obedecerão a ordens suas. A dificuldade na diferenciação dos institutos é bem explicada por Sílvio de Salvo Venosa1: Como assinalamos no exame da locação, o Direito Antigo conheceu a locatio conductio sob três modalidades. A locatio conductio rei corresponde à atual locação. A locatio conductio operarum referese à locação de serviços e dá origem ao contrato de trabalho. A locatio conductio operis faciendo originou o atual contrato de empreitada. Algumas legislações o denominam contrato de obra. (...) A distinção, nem sempre muito clara, reside no fato de que o fulcro da prestação de serviço é a atividade prometida do prestador, enquanto na empreitada seu objetivo é a conclusão da obra proposta. Na empreitada, existe obrigação de entregar obra; na prestação de serviços, existe obrigação de resultado. Se existe atividade, mas não há resultado, ocorre inadimplemento, não podendo o empreiteiro exigir o preço. Na prestação de serviços, como regra, a obrigação será de meio. De outro lado, geralmente, o pagamento da prestação de serviços é periódico, em razão do tempo do serviço prestado. O pagamento da empreitada tem em mira o valor contratado da obra, ou de parte dela. Todavia, nenhum desses critérios é absoluto, podendo figurar ou não em conjunto na empreitada. O advogado, por exemplo, que se compromete a ultimar escritura de venda e compra para seu cliente, compromete se a prestar serviço, cuja obrigação é de resultado e não de meio. Na empreitada, o empresário executa trabalho para o dono da obra sem estar a seu serviço, nem sob sua dependência hierárquica, não se submetendo, portanto, a horário e subordinação. A execução desse trabalho é livre, estando apenas subordinada ao resultado final, sem prejuízo da faculdade de fiscalização atribuída ao comitente, como veremos. Por sua parte, o contrato de trabalho, derivado da prestação de serviços, regulado por legislação específica, mais se afasta da empreitada, dada sua marcante característica de subordinação hierárquica do empregado em relação ao empregador. 1 VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: Contratos em Espécie. 5. ed. Atlas, 2005. pp. 244245. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13888.003437/200955 Acórdão n.º 1102000.971 S1C1T2 Fl. 237 8 Como notamos, nem sempre é clara a linha divisória entre prestação de serviços e empreitada. Clóvis Beviláqua afirma que o objeto da empreitada e da prestação de serviços seria o mesmo, qual seja, o trabalho humano. A distinção deve residir, sem dúvida, no conceito de obra, objeto da empreitada, como fixado no art. 610 (antigo, art. 1.237). Para De Plácido e Silva, obra representa o resultado do trabalho, sendo o efeito de tudo o que se tenha gerado com interferência da ação humana. Ademais, a característica de autonomia na execução é acentuado na empreitada, que não é afetada pelo fato de poder o dono da obra fiscalizála e alterá la. Ainda, é o empreiteiro que suporta o risco decorrente da construção, do resultado final, não sendo isso o que ocorre na prestação de serviços de natureza civil, no contrato de trabalho e no mandato. Destaco a importante relação feita pelo ilustre doutrinador entre o contrato de trabalho e a prestação de serviços, em especial em relação ao caráter de subordinação hierárquica. Veja o que o que se afirma em outro trecho da mesma obra2: Como já afirmado, ontologicamente não há diferença entre a prestação de serviços de índole civil e o contrato de trabalho. Portanto, o contrato de prestação de serviços e o contrato de trabalho possuem diferenças apenas relativas ao enfoques legislativos. Cuidase apenas de saber qual é a legislação aplicável, sendo cada vez menor a atividade não atingida pelas leis do direito social. Quanto ao conceito de cessão de mãodeobra, é bastante comum a afirmação de se tratar de sinônimo de locação de mãodeobra. Entretanto, penso ser necessário tomar essa conclusão com cautela. A definição de cessão de mãodeobra da Lei n° 8.212, de 1991, envolve “a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.” A princípio, não localizo nessa conceituação a obrigação de subordinação hierárquica entre a mãodeobra cedida e o contratante. Nesse sentido, entendo que, quando o contratante disponibiliza empregado para trabalhar nas dependências do contratado para prestar serviços contínuos, mesmo sem estar a ele subordinado, há a subsunção aos termos da lei. Contudo, não é possível se utilizar desse conceito mais elástico do instituto e, adotando a suposta equivalência com o de locação de mãodeobra, concluir que toda cessão de mãodeobra, nos termos da lei previdenciária, impede a opção pelo SIMPLES. Isso porque a definição da Lei n° 8.212, de 1991, está restrita àquele ato legal por expressa determinação de seu art. 31, §3o, e se a lei do SIMPLES vedou a opção à prestação de serviço de locação de mãodeobra, há que se dar ao termo o sentido usual da lei civil. 2 VENOSA, Sílvio de Salvo. Op. Cit. p. 228. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13888.003437/200955 Acórdão n.º 1102000.971 S1C1T2 Fl. 238 9 A partir dessas premissas, passase a analisar os contratos trazidos aos autos para se verificar se possuem as características acima descritas, de forma a enquadrálos em uma das modalidades contratuais citadas. O primeiro contrato, constante às fls. 11 a 17, cuida de comodato de uso de canteiro de obras, onde a empresa Ripasa S/A Celulose e Papel cedia gratuitamente, em favor do recorrente, parte do seu terreno para a construção de canteiro de obras a ser utilizado para a guarda e utilização de bens e equipamentos pertencentes ao recorrente, que seriam aplicados em obras do interesse da empresa Ripasa. Nem a representação fiscal, nem o despacho decisório que fundamentou a exclusão, especificam em que sentido esse contrato colabora com a caracterização de locação de mãodeobra. Já o julgador de 1a instância destacou diversos aspectos que comprovariam esse enquadramento, como: a) o prazo inicial de 12 meses, prorrogado por mais 12; b) não foi mencionada a venda de qualquer equipamento, mas só a construção de uma instalação para futura realização de obras no interesse da comodante, o que demonstraria a habitualidade na prestação dos serviços; c) como a instalação seria retirada no término do contrato, não há se que falar que o contribuinte foi contratado para construíla. Concluiu, então, que poderia se depreender do contrato acima, inclusive pelo seu extenso prazo, que o recorrente ficaria à disposição da empresa contratante, em seu terreno, para futura realização de obras de seu interesse, e que, no mínimo, além da venda de equipamentos, também forneceria mãodeobra especializada. Com as devidas vênias, discordo do argumento. O contrato de comodato está obviamente inserido em um contexto maior, em tudo condizente com as afirmações do recurso de que a empresa vende painéis e instrumentos e os instála nas dependências dos clientes. Ora, o acordo é claro ao afirmar que o canteiro de obras serviria para a guarda e utilização de bens e equipamentos pertencentes ao contribuinte que seriam utilizados em obras do interesse da empresa Ripasa. O segundo contrato, constante às fls. 18 a 41, trata de prestação de serviços vinculados a pedidos de compra. Por ele, a recorrente se compromete a prestar serviços elétricos à empresa Ripasa vinculados a pedidos de compras, que estabelecerão as tarefas que serão executadas. Estabelece, ainda, que os pedidos de compra serão elaborados com base em cartas convites a serem expedidas pela contratante, sendo que tanto os pedidos de compra quanto as cartas convites farão parte integrante do contrato. A representação fiscal observou que a contratada ficava na obrigação de fornecer mãodeobra especializada para a prestação de serviços elétricos em geral sem especificação de tarefa determinada, e que os empregados contratados deveriam ser treinados e observar as regras da empresa contratante e que somente dirigentes ou empregados da contratada devidamente registrados em CTPS poderiam prestar os serviços. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13888.003437/200955 Acórdão n.º 1102000.971 S1C1T2 Fl. 239 10 O despacho decisório que fundamentou a exclusão concluiu que esse contrato demonstrava a execução de diversas tarefas à Ripasa, em suas dependências, com habitualidade, e que previa que os funcionários contratados deveriam obedecer às normas internas da contratante. O acórdão recorrido entendeu que o contrato demonstrava uma prestação de serviços com habitualidade e exclusividade, com empregados vinculados à contratada, mas subordinados à contratante. Mais uma vez não posso concordar com essas conclusões. De início, há que se verificar que esse contrato somente pode ser analisado em conjunto com os pedidos de compras e cartas convites que a ele se integrarão, e que não foram trazidos aos autos, nem mesmo por amostragem. Serão esses documentos que especificarão as tarefas a serem realizadas e os preços a serem pagos. Esse contrato apenas permite que as diversas filiais da contratante realizem compras futuras com o recorrente por um determinado período. O documento especifica, também, que os funcionários que prestarão os serviços devem obedecer às normas internas da empresa e que devem atender às normas trabalhistas e tributárias. Longe de estabelecer uma vinculação de subordinação com a contratante, essas cláusulas visam apenas protegêla de eventuais problemas com as fiscalizações tributárias e do trabalho. Sem a análise dos pedidos de compras emitidos com base nesse contrato é impossível se analisar o objeto contratado, impedindo se afirmar que se locou mãodeobra, muito menos verificar se o preço pago ser daria em horashomem ou por valor fixo por obra. Mas os termos contratuais conhecidos em tudo são coerentes com a afirmação do recorrente de que vende equipamentos e os instála nas dependências do cliente. As notas fiscais trazidas aos autos estão também no contexto do afirmado no recurso, pois especificam tarefas específicas vinculadas aos números de pedido indicados, confirmando a convicção de que se contratavam resultados determinados, e não simplesmente mãodeobra. A única nota fiscal que trata exclusivamente de fornecimento de mãodeobra a vincula a pedido específico e totaliza apenas R$320,00 (fl. 43). Todas as outras (fls. 42 e 44 a 76) cuidam de serviços de limpeza, manutenção e instalação de peças. Dessa forma, as provas em que se escorou a decisão de exclusão do recorrente do SIMPLES não comprovam nem que se contratou somente mãodeobra, nem que ela estava subordinada aos desígnios da contratante, nem que o pagamento se dava em horas homem trabalhadas, não podendo surtir os efeitos indicados pela autoridade fiscal. A jurisprudência mais recente do CARF é majoritária no sentido aqui defendido, como demonstram as ementas abaixo transcritas: LOCAÇÃO E/OU CESSÃO DE MÃODEOBRA Não caracteriza locação de mãodeobra, a disponibilização de funcionários para execução de tarefas determinadas, mesmo quando as atividades contratadas sejam executadas nas dependências da contratante, desde que as atividades laborais exercidas não Fl. 239DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13888.003437/200955 Acórdão n.º 1102000.971 S1C1T2 Fl. 240 11 caracterizem vinculo direto ou indireto entre o contratante e o efetivo prestador de serviço contratado, seja pela inexistência de relação de subordinação/ hierarquia, ou pela inexistência de continuidade, na realização da prestação desses serviços, ou mesmo pela inexistência de pagamento efetuado por horas homem trabalhadas. (Acórdão nº 120200.334, 1a Turma Ordinária/2a Câmara, sessão de 6 de julho de 2010, relatora Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta) SIMPLES E FEDERAL LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA VEDAÇÃO Caracteriza locação de mãodeobra a contratação de serviços contínuos prestados por profissionais colocados à disposição e sob o comando da contratante, remunerados em razão das horashomem trabalhadas. (Acórdão nº 110100.286, 1a Turma Ordinária/1a Câmara, sessão de 19 de maio de 2010, relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa) LOCAÇÃO/CESSÃO DE MÃODEOBRA. INOCORRÊNCIA. PROVA. A falta de elementos que evidenciem o exercício da atividade vedada afasta a determinação contida nos atos declaratórios que excluíram a pessoa jurídica do SIMPLES FEDERAL e do SIMPLES NACIONAL. (Acórdão nº 1301000.740, 1a Turma Ordinária/3a Câmara, sessão de 21 de outubro de 2011, relator Conselheiro Jaci de Assis Junior) Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar os efeitos do Ato Declaratório Executivo DRF/PCA nº 50, de 25 de novembro de 2009, afastando a exclusão da empresa do SIMPLES. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 240DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13888.003437/200955 Acórdão n.º 1102000.971 S1C1T2 Fl. 241 12 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
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Numero do processo: 13971.002125/2008-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2004
EMBARGOS.
Somente após a ciência do acórdão que julga recurso voluntário, ainda que a Fazenda Nacional tenha oposto embargos de declaração, é que se iniciam os prazos para os recursos do contribuinte.
Embargos Acolhidos em Parte
Numero da decisão: 2402-003.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos opostos.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Somente após a ciência do acórdão que julga recurso voluntário, ainda que a Fazenda Nacional tenha oposto embargos de declaração, é que se iniciam os prazos para os recursos do contribuinte. Embargos Acolhidos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos opostos. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 21 25 /2 00 8- 02 Fl. 516DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/11/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração com fundamento no artigo 65 do Regimento Interno do CARF, opostos pelo contribuinte contra acórdão desta turma: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Alega a embargante obscuridade do acórdão pelo fato de ter sido intimada do resultado do acórdão que julgou embargos da Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC sem que antes tivesse conhecimento do resultado do acórdão que deu provimento parcial ao seu recurso voluntário. Assim, requer anulação do acórdão embargado por prejuízo ao seu direito de ampla defesa e contraditório. É o Relatório. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/11/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.002125/200802 Acórdão n.º 2402003.788 S2C4T2 Fl. 517 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator De acordo com o Regimento Interno deste CARF, aprovado Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, é amplo o rol de legitimados para a oposição de embargos. A finalidade do processo administrativo fiscal é a certeza do crédito tributário constituído e para tanto esperase que erros materiais sejam prontamente corrigidos como também as omissões, obscuridades e contradições sejam sanadas. Sempre quando a decisão é ao menos parcialmente favorável ao contribuinte, o processo tramita primeiro para a Procuradoria da Fazenda Nacional que poderá interpor recurso especial ou opor embargos de declaração. Quando os embargos são acolhidos para o reexame da turma julgadora, tudo devidamente publicado em Diário Oficial da União, procede se ao julgamento, ocasião em que o contribuinte poderá sustentar oralmente a improcedência dos embargos ou mesmo requerer a retirada de pauta para conhecimento das questões suscitadas pela Fazenda. Na fase seguinte, o processo é encaminhado ao órgão executor do acórdão que também poderá opor embargos, o que foi o caso do presente processo. Da mesma forma, o processo tramita imediatamente à turma julgadora. Somente após é que os acórdãos são levados ao conhecimento do contribuinte, que também poderá embargálos ou interpor recurso especial: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. Não vejo equívocos no acórdão embargado e nem no encaminhamento, sem ciência do contribuinte, dos embargos opostos pela Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC; no entanto, pelo exame do documento às fls. 438, após os julgamentos, o contribuinte não teria sido intimado do acórdão que julgou seu recurso voluntário, mas apenas do acórdão por ele embargado. É necessário que o processo retorne à origem para ciência do embargado de todos os acórdãos, com abertura de prazos para os recursos cabíveis contra ambos os acórdãos. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/11/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Assim, voto no sentido de acolher parcialmente os embargos opostos. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 519DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/11/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10120.901011/2009-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. JULGAMENTO DE RECURSO COM CÁRATER DE REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDO PELO STF.
Nos termos do art. 62ª do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-B do Código de Processo Civil, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da Lei Complementar nº 118/2005, que determinou a aplicação retroativa de seu artigo 3º, o qual, ao interpretar o artigo 168, inciso I do CTN, ficou em cinco anos, contados desde o pagamento indevido, o prazo para se pleitear o indébito tributário, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos somente as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. JULGAMENTO DE RECURSO COM CÁRATER DE REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDO PELO STF. Nos termos do art. 62ª do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-B do Código de Processo Civil, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da Lei Complementar nº 118/2005, que determinou a aplicação retroativa de seu artigo 3º, o qual, ao interpretar o artigo 168, inciso I do CTN, ficou em cinco anos, contados desde o pagamento indevido, o prazo para se pleitear o indébito tributário, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos somente as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Recurso voluntário negado.
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COMPENSAÇÃO Recorrente UN1DROGAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MEDICAMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. JULGAMENTO DE RECURSO COM CÁRATER DE REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDO PELO STF. Nos termos do art. 62ª do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543B do Código de Processo Civil, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da Lei Complementar nº 118/2005, que determinou a aplicação retroativa de seu artigo 3º, o qual, ao interpretar o artigo 168, inciso I do CTN, ficou em cinco anos, contados desde o pagamento indevido, o prazo para se pleitear o indébito tributário, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos somente as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 10 11 /2 00 9- 42 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.901011/200942 Acórdão n.º 3202000.958 S3C2T2 Fl. 150 2 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, que não reconheceu o direito de crédito apresentado pela Recorrente: Tratase de Declaração de Compensação — DCOMP, com base em suposto direito creditório oriundo de 'pagamento indevido ou a maior' do tributo 'PIS'. Transmitida em 28/07/2005, a DCOMP recebeu da DRF de origem o seguinte Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 15): Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO, a compensação declarada. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que (11s. 02/06): • Os DecretosLeis ri° 2445/1988 e n° 2.449/1988, que alteraram a tributação do PIS, foram declarados inconstitucionais peto Judiciário, com posterior ato do Senado Federal, que por meio da Resolução n°49/1995 os tornou inexequíveis; • O direito à repetição inicialmente ficou restrito até setembro de 1995, em virtude da edição da Medida Provisória n° 1.212/1995, convertida na Lei n" 9.715/1988, com efeito retroativo a partir de 01/10/1995; • A expressão contida no artigo 18 de Lei n° 9.715/1988, "aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/10/1995" foi declarada inconstitucional peto STF, em sede da Adin n° 1.417 (DJ 23/03/2001), e Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.901011/200942 Acórdão n.º 3202000.958 S3C2T2 Fl. 151 3 também suspensa a execução pelo Senado Federal, por meio da Resolução IV 10/2005 (DOE] 08/06/2005); • Diante do ocorrido, teria se dado uma situação de vacância da lei, uma vez que somente a partir da publicação da Lei ri° 9.715/1998, em 25/11/1998, a exação era cabível; •Aduz quo o prazo para repetição do indébito, no caso, deve se fincar, por similitude, no inciso 11 do artigo 168 do CTN, qual seja, "da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado,revogado ou rescindido a decisão condenatória.", e que, portanto, seria a data de 08/06/2005, data da publicação da Resolução do Senado Federal n' 10/2005. A decisão proferida pela DRJ de Brasília foi assim ementada: Compensação 1. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. Não tendo sido localizado o DARF com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito aproveitado em declaração de compensação, não se homologa o procedimento. 2. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de a contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente e/ou de proceder a. declaração de compensação extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de oficio. Inconformada com a decisão da DRJ de Campinas, a Recorrente protocolou recurso voluntário reiterando os termos anteriormente apresentados. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.901011/200942 Acórdão n.º 3202000.958 S3C2T2 Fl. 152 4 O Recurso ora analisado é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões de mérito. Decadência. Tese dos 5 mais 5 anos A questão central do Recurso apresentado pela Recorrente é a questão do prazo decadencial para utilizarse dos créditos oriundos de pagamentos indevidos de PIS peço alargamento de sua base de cálculo. A Recorrente protocolou o pedido de restituição em 28 de julho de 2005, referente a pagamento realizado em 13 de novembro de 1998. Neste aspecto, em virtude do Supremo Tribunal Federal (“STF”) ter se manifestado pela repercussão geral no julgamento do Recurso Extraordinário (“RE”) 566.621, o qual discute a constitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da Lei Complementar (“LC”) nº 118/2005, que determinou a aplicação retroativa do seu artigo 3º, o qual, ao interpretar o artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional (“CTN”), fixou o prazo decadencial para pleitear a restituição do indébito tributário no que tange a tributos sujeitos a lançamento por homologação, em cinco anos à contar da data do pagamento indevido. O acórdão do RE 566.621 foi publicado recentemente, destacandose a ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.901011/200942 Acórdão n.º 3202000.958 S3C2T2 Fl. 153 5 de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Vêse, portanto, que a matéria encontrase pacificado no Supremo Tribunal Federal. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou Fl. 153DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.901011/200942 Acórdão n.º 3202000.958 S3C2T2 Fl. 154 6 c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. Verifica se, assim, que a referida decisão do Excelso Pretório deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntario interposto pela Recorrente. É como voto Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 154DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11610.002950/2003-68
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2002
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3801-002.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração opostos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio De Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, , Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl(Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2002 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração opostos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio De Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, , Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl(Relator) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 29 50 /2 00 3- 68 Fl. 4742DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11610.002950/200368 Acórdão n.º 3801002.202 S3TE01 Fl. 4.743 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração promovidos pela Fazenda Nacional em decorrência do acórdão de fls. 4.725 e seguintes. Aponta como fundamento aos embargos o seguinte excerto: Esse Colegiado, por meio do acórdão nº 3801001.614 (fls. 4725/4733),, deu provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo (fls. 436/437) por considerar ter ocorrido cerceamento do direito de defesa do contribuinte. As razões adotadas pela Turma podem se extraídas do seguinte trecho do voto condutor do acórdão, que ora se transcreve (fl. 4730): Na realidade a decisão da DRF se sustentou em premissa errônea. Alegou que houve inércia da contribuinte. Fato esse inexistiu. Ficou evidenciado que a recorrente apresentou pedido de prorrogação no prazo e o indeferimento e nãohomologação se deram motivados pela inação da contribuinte, ou seja, a decisão se fundamentou em premissa falsa. No mais a autoridade não examinou documento que deveria examinar, protocolizado antes do julgamento, o pedido de prorrogação, que não pode ser tacitamente negado. Tenho que o despacho decisório é nulo. As provas contradizem a fundamentação do despacho decisório, isso é incontestável e, nesse sentido, a decisão cerceou o direito a defesa da Recorrente que nos termos do artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972, implica em nulidade do despacho (...). A partir do citado excerto do voto, extrai se que o Colegiado resolveu cancelar o lançamento com base em dois fundamentos, os quais podem ser assim sintetizados: 1) o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para apresentação de documentos dentro do prazo concedido pela autoridade fiscal, não havendo que se falar, pois, em inércia do interessado; 2) a DRF não examinou o pedido de prorrogação protocolizado pelo contribuinte antes da prolação do despacho decisório. Ocorre que as duas premissas fáticas utilizadas pela Turma para justificar a anulação do despacho decisório e os atos dele decorrentes estão equivocadas. Com efeito, a partir da análise Fl. 4743DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11610.002950/200368 Acórdão n.º 3801002.202 S3TE01 Fl. 4.744 3 detida dos autos, percebe se que: 1) o contribuinte apresentou pedido de prorrogação fora do prazo concedido pela autoridade fiscal, restando, portanto, inerte; 2) a DRF analisou expressamente o pedido de prorrogação protocolizado pelo contribuinte. Em relação ao primeiro ponto, cumpre destacar que o interessado teve ciência do termo de intimação fiscal nº 212/2009 (fls. 440/441) – o qual fixava o prazo de 20 dias para apresentação de documentos –, em 07/01/2010, conforme comprova o AR de fl. 442. Não obstante, o contribuinte apenas peticionou nos autos, com a apresentação de pedido de prorrogação, na data de 28/01/2010 (fl. 443 – vide carimbo da DRF), fato que é por ele reconhecido em sua manifestação de inconformidade. Isto posto e diante dos elementos fáticos apresentados, concluise que o interessado não se manifestou dentro do prazo assinalado, o qual findou em 28/01/2010, restando caracterizada, pois, sua inércia. Nesse contexto, percebese que não há qualquer falha na fundamentação empregada pela autoridade fiscal, eis que de fato o contribuinte quedouse inerte, não havendo que se falar, portanto, em falsidade da premissa utilizada pela DRF, tampouco pela DRJ. Em relação ao segundo ponto, cabe salientar que a autoridade fiscal analisou expressamente a solicitação de prorrogação de prazo apresentada pelo contribuinte, tendo lhe sido negado o pedido, conforme se extrai do despacho de fl. 268. Atente se, ainda, que o contribuinte foi devidamente cientificado da decisão que negou o pedido de dilação de prazo para apresentação de documentos. Percebese, pois, que, diferentemente do que consta no acórdão ora embargado, não houve recusa tácita do pedido de prorrogação do prazo feito pelo contribuinte. Conforme já explanado, a autoridade fiscal analisou de forma expressa o pedido. Assim, a embargante entendeu que restou omisso e contraditório o acórdão de fls. e requer o seu exame e provimento. É o relatório. Fl. 4744DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11610.002950/200368 Acórdão n.º 3801002.202 S3TE01 Fl. 4.745 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Dois pontos são apontados nos Embargos em exame: o um, a apresentação extemporânea do pedido de prorrogação de prazo pela Embargada; e o dois, o fato da autoridade ter de forma expressa analisado o pedido de prorrogação. Quanto ao primeiro ponto a própria PFN expressa nos embargos que “não obstante, o contribuinte apenas peticionou nos autos, com a apresentação de pedido de prorrogação, na data de 28/01/2010 (fl. 443 – vide carimbo da DRF), fato que é por ele reconhecido em sua manifestação de inconformidade. Isto posto e diante dos elementos fáticos apresentados, concluise que o interessado não se manifestou dentro do prazo assinalado, o qual findou em 28/01/2010, restando caracterizada, pois, sua inércia.” (fls. 5458). De fato, o pedido de prorrogação foi protocolizado no último dia de prazo, conforme assevera a própria procuradoria, sendo correta a informação do acórdão de que o pedido de prorrogação foi apresentado no prazo. Quanto ao segundo ponto, não é correta a afirmação da procuradoria de que houve indeferimento expresso do pedido de prorrogação. Vejamos o que consta do despacho decisórios às fls. 248, in verbis: 03. No intuito de instruir o processo, o contribuinte foi intimado em 07/01/2010 a apresentar em 20 (vinte) dias documentação comprobatória do seu pretenso crédito (fls. 245/247). O prazo expirou em 28/01/2010 sem que o interessado apresentasse os documentos solicitados, tampouco compareceu a essa Equipe para solicitar prorrogação do prazo para cumprimento da intimação. Nesse sentido, resta claro que o pedido não foi analisado. Considerando isso, tenho que rejeitar os presentes embargos é medida que se impõe. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 4745DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11610.002950/200368 Acórdão n.º 3801002.202 S3TE01 Fl. 4.746 5 Fl. 4746DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13116.001913/2008-53
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. COMPROVAÇÃO.
A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 11.320,00, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. COMPROVAÇÃO. A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1717; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 109 1 108 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13116.001913/200853 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.296 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de novembro de 2013 Matéria IRPF Recorrente WILIAN RODRIGUES DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. COMPROVAÇÃO. A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 11.320,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 19 13 /2 00 8- 53 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13116.001913/200853 Acórdão n.º 2801003.296 S2TE01 Fl. 110 2 Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de 1ª instância (fl. 78 deste processo digital), reproduzido a seguir: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado, por Auditor Fiscal da DRF/Anápolis GO, Notificação de lançamento com crédito tributário apurado no valor de R$ 18.731,06, assim constituído em Reais: Imposto Suplementar........................................ 8.564,34 Juros de Mora (07/2008)................................... 3.743,47 Multa Proporcional (Passível de Redução)....... 6.423,25 Total do Crédito Tributário.............................. 18.731,06 DA AUTUAÇÃO O lançamento originouse na constatação das seguintes infrações: Dedução indevida de dependente em decorrência do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos, no importe de R$ 1.272,00. Dedução indevida de despesas médicas em decorrência do não atendimento a intimação para prestar esclarecimentos, no total de R$ 24.070,00. Dedução indevida de previdência privada em decorrência de não atender a intimação para prestar esclarecimentos, no montante de R$ 5.801,05. Enquadramento legal na Notificação de Lançamento. DA IMPUGNAÇÃO. Inconformado, o contribuinte apresentou, em 27 de agosto de 2008, impugnação ao lançamento, às fls.01/02, mediante as alegações relatadas, resumidamente, a seguir: Afirma não ter sido notificado a prestar esclarecimentos antes do lançamento, e que reside à Rua José Rodrigues Q48, Lt12, Edifício Firenze, Apto 902, Bairro Jundiaí, Anápolis – GO, endereço que teria sido adequadamente informado na Declaração de Ajuste. Argumenta estar apresentando cópias de todos os comprovantes de dedução de despesas questionados pela Fiscalização, demonstrando que é pessoa idônea sem interesse de lesar os cofres públicos. A impugnação apresentada foi julgada procedente em parte, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13116.001913/200853 Acórdão n.º 2801003.296 S2TE01 Fl. 111 3 Exercício: 2004 GLOSAS DE DEDUÇÕES COM DEPENDENTES, CONTRIBUIÇÃO COM PREVIDÊNCIA PRIVADA E DESPESAS MÉDICAS (PARCIAL) 02666365786. Restabelecemse parte dos valores glosados quando demonstrado nos autos, por meio de documentos hábeis e idôneos, que o contribuinte faz jus a pleitear as respectivas deduções na Declaração de Ajuste. Cientificado da decisão de primeira instância em 08/08/2011 (fl. 85), o Interessado interpôs, em 31/08/2011, o recurso de fls. 86/87, acompanhado dos documentos de fls. 88/106. Na peça recursal, aduz, em síntese, que, após ser informado do motivo da glosa pela decisão recorrida, procurou os profissionais que emitiram os recibos e solicitou que os mesmos os retificassem, desta feita constando as informações requeridas pela RFB. Ao final, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Cingese à controvérsia às glosas de despesas médicas cujos beneficiários são os profissionais Marco Túlio da Silva e Régis Murilo Gomes Siqueira, no valor total de R$ 20.000,00, uma vez que as demais glosas efetuadas pela Fiscalização foram restabelecidas pela decisão de 1ª instância. A “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fl. 8 deste processo digital) demonstra que referidas despesas foram glosadas por falta de comprovação, em face do não atendimento à intimação. Assim, não havia a possibilidade de a Autoridade lançadora saber se os documentos apresentados na impugnação preenchiam ou não os requisitos previstos na legislação tributária. Os requisitos formais dos comprovantes de despesas médicas exigidos pela legislação tributária encontramse previstos no inciso III do § 1º do art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/1999, nos seguintes termos: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13116.001913/200853 Acórdão n.º 2801003.296 S2TE01 Fl. 112 4 (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; A leitura do trecho em destaque revela que os requisitos formais necessários à dedução de despesas médicas são as seguintes: documento que indique o nome, o endereço e o número do CPF ou do CNPJ de quem os recebeu. Na decisão de piso está escrito: Os recibos apresentados para comprovar pagamentos de R$5.000,00, a Marco Túlio da Silva, referente a tratamento odontológico (fls.28/30); R$11.320,00, a Regis Murilo Gomes Siqueira, referente a tratamento ortodôntico (fls.26/27), não indicam o beneficiário dos serviços e nem o endereço dos profissionais. Observo, por oportuno, que foram glosadas despesas médicas do profissional Regis Murilo Gomes Siqueira no valor de R$ 15.000,00, não obstante o Interessado ter apresentado recibos que totalizam apenas R$ 11.320,00. À peça recursal foram anexados novos recibos emitidos pelo profissional Regis Murilo Gomes Siqueira, no valor de R$ 11.320,00 (fls. 98/101), contendo todos os requisitos exigidos pela legislação para fins de dedução na declaração de ajuste anual do imposto de renda. Os recibos emitidos pelo cirurgiãodentista Marco Túlio da Silva, no valor de R$ 5.000,00, no entanto, foram reapresentados sem a indicação do endereço do profissional, o que significa dizer que tais recibos não estão revestidos das formalidades legais necessárias à dedução das respectivas despesas na declaração de ajuste anual Nesse contexto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 11.320,00. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos Almeida Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13116.001913/200853 Acórdão n.º 2801003.296 S2TE01 Fl. 113 5 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10830.008862/2008-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO -APRESENTAÇÃO DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO SEM FORMALIDADES LEGAIS-
Constitui infração a não exibição dos documentos relacionados às contribuições previdenciárias, ou a exibição de documento ou livro que não atenda as formalidades exigidas.
Numero da decisão: 2301-003.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior
.Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva,
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior .Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 88 62 /2 00 8- 27 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 15/08/2008, por ter a empresa acima identificada deixado de exibir documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91, ou apresentálos sem que atendam as formalidades legais exigidas, infringindo, dessa forma, o art. 33, §§ 2º e 3o, da referida Lei, c/c o art. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme consta do Relatório Fiscal da Infração (fls. 12), a recorrente apresentou exibiu o Livro Diário referente ao ano de 2007 sem as formalidades extrínsecas (capa dura) e sem o devido registro no Cartório. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0523.801, da 6a Turma da DRJ/CPS, (fls. 64), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 68), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, reitera que todos os documentos foram devidamente apresentados em conformidade ao regime tributário imposto à recorrente, qual seja, o Simples Nacional. Reafirma que sempre cumpriu com suas obrigações, sejam elas recolhimento de tributo ou deveres instrumentais, de forma que sempre apresentou todos os documentos a que estava obrigada em virtude do regime no qual estava submetida, sendo impossível a exigência de documentos diversos dos exigidos às empresas no Simples. Informa que discute administrativamente a sua manutenção no Simples, sendo de rigor a suspensão do presente até o julgamento final das referidas manifestações de inconformidade, sob pena de ceifarse o contraditório e ampla defesa, bem como pelo risco de carrearse à recorrente decisões distintas sobre um mesmo fato. Entende que os documentos relacionados não podem ser exigidos pela autuante, visto que a recorrente encontrase no SIMPLES e a decisão que a exclui encontrase pendente de apreciação de manifestação de inconformidade. Por meio da Resolução 2301000.139, esta Turma da 3a Câmara do CARF converteu o julgamento em diligência para que a autoridade autuante se pronunciasse quanto ao regime de tributação da recorrente e, no caso de ser optante do SIMPLES, informasse se a empresa mantém a escrituração do Livro Caixa e do Livro de Registro de Inventário. Em cumprimento à decisão do CARF, a fiscalização intimou a empresa , por meio do TIF de 04/05/2012, a apresentar os Livros Caixa e de Registro de Inventário relativos à competência de 2007. Em Informação Fiscal de fls 104, a autoridade lançadora esclarece que a empresa é optante do SIMPLES e que, em resposta à intimação para apresentação dos Livros Caixa e de Registro de Inventário, a autuada respondeu que deixou de apresentar tais Livros Fl. 113DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10830.008862/200827 Acórdão n.º 2301003.822 S2C3T1 Fl. 113 3 por ter mantido, no ano de 2007, escrituração contábil regular, apresentando Livros Diário, Razão e Balancetes. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. O AI em tela foi lavrado por ter a empresa apresentado o Livro Diário referente ao ano de 2007 sem as formalidades extrínsecas e sem o devido registro no Cartório. Em seu recurso, a recorrente insiste em afirmar que é optante do SIMPLES, o que a desobriga de apresentar o documento exigido pela fiscalização, e que discute administrativamente sua manutenção no referido sistema de tributação. De fato, restou constatado que a empresa é optante do referido sistema de tributação, e o § 16, do art. 225, do Decreto 3.048/99 estabelece que: Art. 225 A empresa também é obrigada a: (...) §16.São desobrigadas de apresentação de escrituração contábil: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) (...) IIIa pessoa jurídica que optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, desde que mantenha escrituração do Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário Contudo, depreendese da leitura do dispositivo legal transcrito acima, que a empresa optante do SIMPLES está desobrigada da apresentação dos Livros Diário e Razão somente no caso de manter os Livros Caixa e de Registro de Inventário. Ocorre que, em resposta à intimação para apresentação dos Livros Caixa e de Registro de Inventário, a autuada respondeu que deixou de apresentar tais Livros por ter mantido, no ano de 2007, escrituração contábil regular, apresentando Livros Diário, Razão e Balancetes. Portanto, como a própria recorrente afirma que não mantém os Livros Caixa e de Registro de Inventário, e mantém o Livro Diário, caberia a ela apresentar o Livro Diário revestido de todas as formalidades legais, o que não ocorreu no caso em tela. Assim, ao deixar de fazêlo, a recorrente descumpriu obrigação acessória a todos imposta, prevista no art. 33, § 2°e 3o, da Lei 8.212/91, e nos arts. 232 e 233, parágrafo único, do Decreto 3.048/99: Art.33. (...) Fl. 115DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10830.008862/200827 Acórdão n.º 2301003.822 S2C3T1 Fl. 114 5 § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (grifei) § 3° O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97) Os artigos 232 e 233, do RPS dispõe que: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. (grifei) Portanto, houve infração à legislação previdenciária e, como não é facultado ao servidor público deixar de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8.212/91 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Nesse sentido, Considerando tudo mais que dos autos consta, Fl. 116DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 VOTO no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relator Fl. 117DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10845.905883/2011-29
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 45 .9 05 88 3/ 20 11 -2 9 Fl. 452DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905883/201129 Resolução nº 3801000.564 S3TE01 Fl. 452 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ de Ribeirão Preto que indeferiu pedido de restituição/compensação da contribuinte. A DRF de origem proferiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, através de guia DARF, foi integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre de pagamentos a maior, realizados em função da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e que houve falta de aprofundamento na investigação dos fatos. Em face da inconstitucionalidade alegada, reclama que, na base de cálculo do tributo, somente deveriam ter sido incluídos os valores correspondentes ao seu faturamento, excluindose a parcela que foi calculada sobre receitas financeiras acostando aos autos os demonstrativos e os documentos correspondentes. Em sede de Manifestação de Inconformidade retifica o valor inicialmente pleiteado A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 453DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905883/201129 Resolução nº 3801000.564 S3TE01 Fl. 453 3 Direito Creditório Não Reconhecido Apresenta a contribuinte o presente Recurso Voluntário apontando como fundamento os mesmos apresentados na manifestação de inconformidade. É o importa relatar. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905883/201129 Resolução nº 3801000.564 S3TE01 Fl. 454 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. São dois os pontos que ainda se encontram em discussão no presente processo: o um, a possibilidade da recorrente retificar a Per/Dcomp em sua manifestação de inconformidade e o dois o seu direito ao aproveitamento dos valores indevidamente pagos em decorrência do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS por conta da alteração do artigo 3 º, da Lei n.º 9.718/98. Quanto ao primeiro ponto, tenho que não há como se alterar o pedido de compensação/restituição no curso do presente processo, quer porque os limites do processo se dão na sua origem, nos termos do disposto no Decreto 70.235/1972, quer subsidiariamente pelo disposto no Código de Processo Civil, além disso, havendo meio próprio de retificação da Per/Dcomp não se pode permitir que se o faça por outros meios. Quanto ao segundo ponto apesar da brilhante tese esposada no acórdão da DRJ tenho que o presente processo deve seguir caminho diverso. O Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905883/201129 Resolução nº 3801000.564 S3TE01 Fl. 455 5 Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905883/201129 Resolução nº 3801000.564 S3TE01 Fl. 456 6 Não considerar tais documentos e negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10940.901416/2008-46
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA.
A compensação, encontro de débitos e créditos, é forma de extinção do crédito tributário.
Para a concretização da compensação tributária deve ser comprovada, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do direito creditório utilizado.
A prova do fato constitutivo do direito creditório compete ao autor do pedido.
Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte e, por via de conseqüência, considerar as compensações tributárias informadas, é necessário que sejam carreados aos autos documentos que demonstrem, de forma inequívoca, a certeza e liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art.170 do CTN.
Numero da decisão: 1802-001.885
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. A compensação, encontro de débitos e créditos, é forma de extinção do crédito tributário. Para a concretização da compensação tributária deve ser comprovada, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do direito creditório utilizado. A prova do fato constitutivo do direito creditório compete ao autor do pedido. Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte e, por via de conseqüência, considerar as compensações tributárias informadas, é necessário que sejam carreados aos autos documentos que demonstrem, de forma inequívoca, a certeza e liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art.170 do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho.
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DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. A compensação, encontro de débitos e créditos, é forma de extinção do crédito tributário. Para a concretização da compensação tributária deve ser comprovada, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do direito creditório utilizado. A prova do fato constitutivo do direito creditório compete ao autor do pedido. Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte e, por via de conseqüência, considerar as compensações tributárias informadas, é necessário que sejam carreados aos autos documentos que demonstrem, de forma inequívoca, a certeza e liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art.170 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 14 16 /2 00 8- 46 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901416/200846 Acórdão n.º 1802001.885 S1TE02 Fl. 204 2 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901416/200846 Acórdão n.º 1802001.885 S1TE02 Fl. 205 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário (fls. 184/199) contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Curitiba de fls. 172/174 que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta que em 23/11/2004 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a Declaração de Compensação Tributária nº 21002.00756.231104.1.3.045152 (fls. 12/17 e 156 a 160), informando compensação sob condição resolutória: a) débito (confessado): IRPJ – Lucro Real Anual, obrigação de antecipaçáo de imposto por estimativa mensal, código de receita 5993, do PA janeiro/2002, com data de vencimento 28/02/2002, assim especificado: principal: R$ 25.545,78; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 25.545,78. b) débito (confessado): IRPJ – Lucro Real Anual, obrigação de antecipaçáo de imposto por estimativa mensal, código de receita 5993, do PA fevereiro/2002, com data de vencimento 28/03/2002, assim especificado: principal: R$ 1.425,05; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 1.425,05. c) crédito utilizado: aproveitamento de crédito de R$ 26.970,83 (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA mensal 30/11/2001. Pagamento DARF no valor total de R$ 27.843,26, com data do recolhimento, arrecadação, de 28/12/2001. O despacho decisório da DRF/Ponta Grossa, de 18/07/2008, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. A propósito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico (fls. 11 e 162), in verbis: Fl. 205DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901416/200846 Acórdão n.º 1802001.885 S1TE02 Fl. 206 4 (...) 3‐FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 27.843,26. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Inconformada com essa decisão monocrática da qual tomou ciência em 31/07/2008 (fls. 164/165), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 27/08/2008 de fls. 01/05 e anexos de fls. 06/160, aduzindo, em síntese, em suas razões: que os débitos informados na DCOMP, objeto dos autos, somam R$ 26.970,83; que o crédito utilizado/pleiteado de R$ 26.970,83 (= ao valor dos débitos informados na DCOMP) tem origem no pagamento a maior ou indevido do IRPJ estimativa mensal do PA novembro/2001; que, relativo ao PA novembro/2001, o imposto a pagar por antecipação (estimativa mensal), com base em balancete de suspensão/redução, foi de R$ 872,43; que, porém, efetuou antecipação de pagamento do imposto desse PA mensal no valor de R$ 27.843,26, código receita 5993, conforme recolhimento – DARF – de 28/12/2001; que, destarte, houve antecipação de pagamento do IRPJ estimativa mensal desse PA, de forma indevida ou a maior, no valor de R$ 26.970,83; que, para melhor compreensão do exposto, temse o demonstrativo resumo abaixo: DARF pagamento 28/dezembro/2001 – referente novembro/2001 27.843,26 Imposto de Renda devido referente novembro/2001 872,43 = Valor pago indevidamente em 28/dezembro/2001 – referente novembro/2001 26.970,83 que mesma conclusão extraíse da DIPJ 2002, anocalendário 2001 (declaração de ajuste anual), conforme Quadro Sinótico abaixo: Fl. 206DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901416/200846 Acórdão n.º 1802001.885 S1TE02 Fl. 207 5 Imposto de Renda Declarado 130.976,27 Imposto de Renda a Compensar – DARF/DCTF 142.982,91 IRRF – DIRF Instituições Financeiras 14.964,19 SALDO A COMPENSAR 26.970,83 Obs: i) O crédito aproveitado, informado no demonstrativo acima, de R$ 142.982,91 tem origem, ou é composto, de antecipação de pagamentos do IRPJ estimativa dos meses do anocalendário 2001 por DARF (fls. 62/71) e de créditos de exercícios anteriores declarados na DCTF referente ao 4º trimestre/2001 (fls. 72/116); ii) O crédito aproveitado, informado no demonstrativo acima, de R$ 14.964,19 referese a IRRF do anobase 2000, conforme informado pelas respectivas DIRF das instituições financeiras da época (fl. 170/171). que se utilizou, para apuração do referido crédito pleiteado, do balanço de suspensão/redução (Lei nº 8.981/95, art. 35); que à luz do art. 66 da Lei 8.383/91, com redação da Lei nº 9.069/95 (art. 58), é facultado a utilização do crédito de pagamento indevido, em compensação tributária, já no mês subsequente; Por fim, com base nessas razões, a contribuinte concluiu, diversamente do que consta do despacho decisório, que a apuração do crédito e sua utilização na compensação deuse em consonância com a legislação tributária de regência. A DRJ/Curitiba, conforme já mencionsado no início do relatório, enfrentando o mérito da lide, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, não reconhecendo o crédito pleiteado, conforme Acórdão da 2ª Turma, de 25/11/2010 (fls. 172/174), cuja ementa transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. CRÉDITO INEXISTENTE. ESTIMATIVA DEVIDA. APURAÇÃO DE IRPJ A PAGAR NO ENCERRAMENTO DO ANOBASE. O pagamento de IRPJ por estimativa não pode ser considerado indevido ou a maior quando tal estimativa era efetivamente devida e, ademais, não apurado saldo negativo de imposto de renda no encerramento do anocalendário. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Devem ser não homologadas as compensações declaradas quando não restar comprovada a existência do direito creditório respectivo. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901416/200846 Acórdão n.º 1802001.885 S1TE02 Fl. 208 6 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 29/09/2011 (fls. 181/182), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 28/10/2011 (fls. 184/199), reiterando, em essência, as razões aduzidas na instância a quo e já apresentadas, resumidamente, neste relatório. Além disso, em relação ao IRRF instituições financeiras que, pela decisão a quo o valor não seria de R$ 14.964,19, mas sim apenas R$ 7.812,23 (a contribuinte utilizouse de IRRF proveniente de aplicações financeiras, indevidamente por dois motivos, em suma: 1) o IRRF retro mencionado, referese a Base Negativa de IRPJ e não a imposto pago indevidamente ou a maior, e; 2) O valor declarado pelas fontes pagadoras –Bancos via DIRF's Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte, somou apenas o montante de R$ 7.812,23 e não os R$ 14.964,19), a recorrente rebate, neste ponto, a decisão recorrida, acrescentando que: “que parte do saldo informado para compensação é de R$ 14.964,19 o qual é composto pelo valor de R$ 9.775,39, proveniente do exercício de 2000, devidamente corrigido pela taxa SELIC e o seu complemento, de retenções provenientes de 2001, conforme informações recebidas diretamente das instituições financeiras responsáveis pelas retenções tributárias”. que deve preponderar, nesta lide, é a essência do pagamento indevido ou maior, com base no que preconiza o artigo 66 e seu parágrafo primeiro da Lei n°. 8.383/91, com redação dada pelo artigo 58 da Lei n°. 9.069/95; que tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo pago a maior ou indevidamente, seja qual for a modalidade de seu pagamento (CTN, art. 165); Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu provimento ao recurso, vale dizer, para que seja reformada a decisão recorrida, reconhecido o crédito utilizado/pleiteado e homologada a compensação tributária objeto dos autos. É o relatório. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901416/200846 Acórdão n.º 1802001.885 S1TE02 Fl. 209 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de Declaração de Compensação Tributária – DCOMP nº 21002.00756.231104.1.3.045152 (fls. 12/17 e 156 a 160), transmitida eletronicamente em 23/11/2004, por meio da qual a contribuinte compensou, sob condição resolutória: a) débitos (confessados) do IRPJ – Estimativa Mensal, código de receita 5993, dos PA janeiro/2002 e fevereiro/2002, valor principal no montante de R$ 26.970,83; b) crédito utilizado (valor original): R$ 26.970,83, referente suposto pagamento indevido ou a maior do IRPJ estimativa mensal do PA mensal novembro/2001 DARF no valor total de R$ 26.970,83, com data do recolhimento de 28/12/2001. Entretanto, a decisão recorrida, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório utilizado/pleiteado, deixando de homologar a compensação tributária, ante a inexistência de pagamento indevido ou maior do IRPJ estimativa mensal, relativo ao citado período de apuração. Nesta instância recursal, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, pedindo sua reforma, conforme razões já aduzidas, resumidamente, no relatório. Para a recorrente, o pagamento do IRPJ estimativa mensal do PA novembro/2001, no valor de R$ 26.970,83, seria indevido ou a maior, invocando balanço de suspensão/redução para esse mês. A irresignação da recorrente não merece prosperar. O crédito pleiteado não restou comprovado nos autos, seja na instância a quo, seja nesta instância recursal. Diversamente do alegado pela recorrente, para o PA novembro/2001, o IRPJ estimativa mensal foi apurado com base na receita bruta e acréscimos, e não com base em balanço de suspensão/redução, conforme Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, DIPJ 2002, anocalendário 2001, recepcionada eletronicamente pelo fisco em 28/06/2002 (fls. 117/155). A propósito, transcrevo a Ficha 11 da DIPJ 2002, anocalendário 2001, quanto à apuração do IRPJ estimativa mensal do PA novembro 2001 (fls. 128 e 168): Fl. 209DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901416/200846 Acórdão n.º 1802001.885 S1TE02 Fl. 210 8 Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa (fl. 129): Discriminação Novembro 2001 FORMA DE DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA: Com base na Receita Bruta e Acréscimos 01 Base de Cálculo do Imposto de Renda 132.621,55 IMPOSTO DE RENDA APURADO 02. À Alíquota de 15% 19.893,26 03. Adicional 11.262,16 DEDUÇÕES: 05. () Deduções de Incentivos Fiscais 795,73 (...) 11 Imposto de Renda a Pagar 30.359,49 Obs: (i) Entretanto, na DCTF/4º trimestre 2001 (DCTF retificadora) a contribuinte confessou débito do IRPJ estimativa mensal do PA novembro/2001, no valor de R$ 27.843,26 (fls. 168 e 169) e quitado por DARF (fl. 72). Como visto, há contradição na versão da contribuinte. Nas razões do recurso, a recorrente alegou que apurara o IRPJ do PA novembro 2001 com base em balancete de suspensão/redução, mas na DIPJ 2002 (anocalendário 2001) já havia informado ao fisco, conforme Ficha 11 (informações e dados transcritos acima) apuração com base na receita bruta e acréscimos para esse mês.. Se isso não fosse o bastante, nas razões de defesa, as quais estão resumidas no relatório, a contribuinte alegou que o débito apurado do IRPJ estimativa mensal do PA novembro/2001, com base em balanço de suspensão/redução, seria de apenas R$ 872,43. Ora, quanto ao PA novembro/2001 sem comprovação de erro material na base de cálculo do imposto ou na apuração do imposto do PA novembro/2001 (valores informados na DIPJ), a antecipação de pagamento do IRPJ estimativa é devida integralmente, pois foi efetuada na forma da legislação de regência. Incabível, destarte, a alegação de antecipação de pagamento indevido ou a maior para esse PA. A contribuinte, após encerrado o anocalendário (e após efetuada a entrega da DIPJ), não pode mudar, unilateralmente, a apuração do IRPJ mensal com base na receita bruta e acréscimos para balancete de suspensão redução, e ainda apresentando mera planilha ou demonstrativo resumo constante da impugnação e das razões do recurso. Não há que se falar em antecipação de pagamento indevido ou a maior do PA novembro/2001 sem comprovação da existência de erro material na base tributável informada na DIPJ 2002. Por isso, prejudicada a aplicação da Súmula CARF nº 84. Como visto, a recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito pleiteado, motivo suficiente para sua denegação. Vale dizer, nos termos do art. 170 do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96, somente é possível a compensação tributária de débitos com créditos líquidos e certos. Como visto, inexiste certeza e liquidez quanto ao crédito pleiteado. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901416/200846 Acórdão n.º 1802001.885 S1TE02 Fl. 211 9 No processo de compensação tributária, a contribuinte é autora do pedido de direito creditório contra o fisco; logo tem o ônus de comprovar o fato constitutivo do seu direito, nos termos do art. 333, I, do CPC (Lei nº 5869, de 11 de janeiro de 1973 e alterações posteriores), in verbis: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II (...) Já o Decreto nº 70.235/72, diploma legal que rege o Processo Administrativo Tributário Federal, nos arts. 15 e 16 estatui o momento da produção das provas, in verbis: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I (...) II – (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV – (...) V – (...) § 1º (...) § 2º (...) § 3º (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) (...) (Grifei) Fl. 211DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901416/200846 Acórdão n.º 1802001.885 S1TE02 Fl. 212 10 A contribuinte, nesta instância recursal também não produziu prova do fato constitutivo do direito creditório alegado, pois não demonstrou, quanto ao PA novembro/2001, a existência de erro material na base tributável utilizada ou a existência de lapso material na apuração da estimativa, cujo valor foi declarado na DIPJ 2002, DCTF e recolhido por DARF, que pudesse justificar o pleito formulado de que houve antecipação de pagamernto indevido ou maior do imposto desse período mensal de apuração. Sem cotejar as informações constantes da DIPJ/DCTF com as informações constantes da escrituração contábil (livros Diário, Razão), balancetes analíticos mensais de suspensão/redução nos termos do art. 35 da Lei nº 8.981/95 e o LALUR, não há como aquilatar se houve, ou não, erro material na base de cálculo ou na apuração do IRPJ estimativa mensal do PA novembro/2001. Incabível, no caso, a análise se haveria ou não eventual saldo negativo suficiente, apurado na declaração de ajuste anual, para a compensação dos débitos confessados nestes autos, pois não é matéria objeto do pedido formulado na DCOMP. O pedido de crédito formulado na compensação delimita a máteria sob litígio e estabiliza o processo. Na DCOMP foi formulado pedido de crédito referente pagamento indevido ou a maior do IRPJ do PA novembro/2001, e não de eventual saldo negativo do anocalendário 2001. È vedado julgar além do pedido (ultra petita) e extra pedido (extra petita). Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 212DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL
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