Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10840.901866/2013-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
PERDCOMP - CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF - LIQUIDEZ E CERTEZA - ÔNUS DO CONTRIBUINTE
O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, na esteira das disposições do Parecer Cosit de nº 2/15, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1302-003.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012 PERDCOMP - CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF - LIQUIDEZ E CERTEZA - ÔNUS DO CONTRIBUINTE O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, na esteira das disposições do Parecer Cosit de nº 2/15, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10840.901866/2013-24
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5972797
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-003.411
nome_arquivo_s : Decisao_10840901866201324.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
nome_arquivo_pdf_s : 10840901866201324_5972797.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7655167
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051658994319360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1691; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 60 1 59 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.901866/201324 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.411 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2019 Matéria CSLL COMPENSAÇÃO Recorrente CERPA CENTRAL ENERGÉTICA RIO PARDO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 PERDCOMP CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF LIQUIDEZ E CERTEZA ÔNUS DO CONTRIBUINTE O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, na esteira das disposições do Parecer Cosit de nº 2/15, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 18 66 /2 01 3- 24 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10840.901866/201324 Acórdão n.º 1302003.411 S1C3T2 Fl. 61 2 Relatório Cuida o feito de pedido de compensação transmitido via DCOMP, concernente a pretenso crédito de CSLL (pagamento a maior) verificado no anocalendário de 2012. A DRF indeferiu, por meio de despacho eletrônico (proferido em 03/05/2013 e noticiado ao contribuinte em 13/05/2013), o pleito do recorrente ao fundamento de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP" (efls. 7a 11). O contribuinte opôs sua manifestação de inconformidade, desta feita, para noticiar um erro no preenchimento da DCTF relativa ao mês de setembro de 2012 e informando que promoveu a competente retificação (transmitida em 22/05/2013), anexando o respectivo recibo à sua peça de defesa (não juntou nenhum outro documento). Não trouxe, nesta oportunidade, nenhum argumento ou explicação que pudesse justificar ou demonstrar o alegado erro. A míngua de maiores explicações, e sem a juntada de outros documentos, a DRJ do Recife houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte, cujas razões foram suficientemente resumidas na ementa, cujo teor transcrevo a seguir: PER/DCOMP. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não comprovado o erro de fato no preenchimento da DIPJ e/ou DCTF, com base em documentos hábeis e idôneos, não há que se acatar a declaração para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica. ESPONTANEIDADE O primeiro ato por escrito de servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária, implica a perda da espontaneidade para retificar as declarações apresentadas. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A empresa foi cientificada do resultado do julgamento acima em 23 de abril de 2018 (efl. 37), tendo interposto o seu recurso voluntário em 23 de maio do mesmo ano (e Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10840.901866/201324 Acórdão n.º 1302003.411 S1C3T2 Fl. 62 3 fl. 39), por meio do qual tece considerações genéricas sobre o princípio da razoabilidade e sobre o fato da companhia se encontrar em dia com as suas obrigações fiscais, dando a entender que a existência de seu direito se presumiria a partir de tal contexto. Alega, outrossim, que a DCTF retificadora se encontra em situa "ativa", conjeturando, então, que as informações ali prestadas teriam sido "avalizadas" pelo próprio Fisco Federal, validando, portanto, a sua pretensão. Ao fim, pediu a conversão do julgamento em diligência para que fosse promovida a análise de seus livros contábeis e fiscais, sem, contudo, trazêlos aos autos. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães das Fonseca Relator O recurso é tempestivo e preenche todos os pressupostos de cabimento, razões pelas quais dele tomo conhecimento. Como se extrai do relatório acima, o recorrente, para justificar o pleito compensatório, apresenta, após a manifestação de inconformidade, DCTF retificadora, reduzindose o montante do débito a ser pago, ali descrito; não trouxe, todavia, nenhum documento, argumento, dica ou sugestão sobre os motivos pelos quais teria incorrido no erro do preenchimento da DCTF original, fazendo com que o direito creditório surgisse espontaneamente. O problema é que, como a origem do crédito está jungida exclusivamente ao citado erro de preenchimento da DCTF, cabia ao recorrente, desde a sua manifestação de inconformidade (=impugnação), trazer os documentos necessários à demonstração da liquidez e certeza do crédito cuja compensação se postulava. Essa, digase, é a mens legis do art. 170, caput, do CTN, quando franqueia aos entes federados a realização da compensação, senão vejamos: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Os pressupostos, pois, do direito creditório a ser utilizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária é a sua liquidez e certeza, pressupostos estes que antecedem o próprio pedido de compensação. Por isso, e não por outra razão, compete ao contribuinte demonstrar tais liquidez e certeza; é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária. Eventual alegação concernente à possibilidade de apresentar a DCTF retificadora após o despacho decisório é despicienda; inexistem oposições legais ou doutrinárias à retificação de declarações ou documentos após o início de ação fiscal ou, mesmo, como no caso, após a prolação de despacho que não homologa compensações. Esta Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10840.901866/201324 Acórdão n.º 1302003.411 S1C3T2 Fl. 63 4 possibilidade está explicitada na legislação de regência e a única consequência de sua apresentação extemporânea seria o afastamento da aplicação dos preceitos do art. 138 do CTN. O problema é que não basta retificar a DCTF; por força mesmo do art 170 acima reproduzido, impõese ao contribuinte demonstrar, documentalmente (por meio de livros contábeis e fiscais) os motivos pelos quais teria incorrido em erro, demonstrando, outrossim, a correção dos novos valores informados. Esta posição já fora encampada pela própria Receita Federal, por meio do Parecer Cosit de nº 2, de 2018, que admite a retificação das declarações, mesmo após o despacho decisório, exigindo, contudo, a comprovação dos fatos que motivaram a predita retificação. E, como já dito, o recorrente não se dignou, nem mesmo, a explicar qual seria, efetivamente, o erro incorrido quando do preenchimento da DCTF original, aliás, como bem pontuado pelo acórdão ora questionado, limitandose a trazer alegações genéricas e insuficientes para demonstrar o seu direito. Outrossim, o fato de se encontrar em dia com as suas obrigações ou, lado outro, de sua declaração retificadora não ter sido objeto de questionamentos, é, a toda monta, irrelevante, já que a comprovação do crédito postulado continua ausente. No que tange ao pedido de diligência, vale dizer, este só teria lugar se, e somente se, os documentos sobre os quais semelhante diligência se desenvolveria tivessem sido apresentados pela empresa oportunamente o que, insistase, não ocorreu. A diligência, digase, existe para aclarar possíveis dúvidas sobre a matéria fática posta no processo e não para inovar a sua própria instrução. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721784/2015-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.752
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16682.721784/2015-14
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5994346
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-001.752
nome_arquivo_s : Decisao_16682721784201514.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 16682721784201514_5994346.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
id : 7707829
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051659120148480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1432; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.721784/201514 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.752 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 31 de janeiro de 2019 Assunto MULTA ISOLADA Recorrente PETROLEO BRASILEIRO SA PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 78 4/ 20 15 -1 4 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 16682.721784/201514 Resolução nº 3201001.752 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 16682.721784/201514 Resolução nº 3201001.752 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.900170/2011-98
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2005
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DUPLICIDADE DE PEDIDO. NÃO RECONHECIMENTO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Considerando-se que o crédito pleiteado já foi reconhecido em processo administrativo diverso, resta caracterizada a duplicidade de pedido e resulta indeferimento do direito creditório com não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1003-000.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/09/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DUPLICIDADE DE PEDIDO. NÃO RECONHECIMENTO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Considerando-se que o crédito pleiteado já foi reconhecido em processo administrativo diverso, resta caracterizada a duplicidade de pedido e resulta indeferimento do direito creditório com não homologação da compensação.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10835.900170/2011-98
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5969969
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.472
nome_arquivo_s : Decisao_10835900170201198.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : SERGIO ABELSON
nome_arquivo_pdf_s : 10835900170201198_5969969.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
id : 7646020
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051659176771584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1271; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 89 1 88 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10835.900170/201198 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.472 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 14 de fevereiro de 2019 Matéria DCOMP Recorrente IRMÃOS BOMEDIANO & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DUPLICIDADE DE PEDIDO. NÃO RECONHECIMENTO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Considerandose que o crédito pleiteado já foi reconhecido em processo administrativo diverso, resta caracterizada a duplicidade de pedido e resulta indeferimento do direito creditório com não homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 01 70 /2 01 1- 98 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10835.900170/201198 Acórdão n.º 1003000.472 S1C0T3 Fl. 90 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 33/40) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 06, que não homologou a compensação, ali mencionada, de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior. A recorrente, às folhas 47/50, em síntese, alega que apresentou por engano a DCOMP 38566.51464.190407.1.3.042709 utilizando o mesmo crédito da DCOMP objeto do presente processo, 01746.02025.300507.1.3.048544, requerendo o cancelamento daquela DCOMP para que o crédito possa nesta ser utilizado. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. A DCOMP 38566.51464.190407.1.3.042709 foi analisada no processo 10835.900342/201123, julgado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF na sessão de julgamento de 12 de dezembro de 2018, às 14 horas, tendo sido proferido o acórdão 1402003.627, no qual os membros do colegiado não conheceram do recurso voluntário, por intempestivo, mantendo a decisão recorrida. Desta forma, mantida a decisão da DRJ naquele processo, resta, no presente, acatar os termos do acórdão a quo, os quais transcrevo no que é essencial, adotandoos como razões de decidir: O PER/DCOMP 38566.51464.190407.1.3.042709 está sendo tratado nos autos do processo administrativo 10835.900342/201123. Naqueles autos, houve reconhecimento parcial do direito creditório (R$ 2.619,11). (...) Assim, tendo sido já reconhecido o direito creditório de R$ 2.619,11 nos autos do processo administrativo nº 10835.900342/201123 e indeferido o pedido de cancelamento do PER/DCOMP 38566.51464.190407.1.3.042709, decorre que o crédito pleiteado no PER/DCOMP 01746.02025.300507.1.3.048544 (R$ 2.619,11) está sendo Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10835.900170/201198 Acórdão n.º 1003000.472 S1C0T3 Fl. 91 3 requerido em duplicidade, razão pela qual o pleito deve ser indeferido. O crédito em questão, portanto, foi utilizado em DCOMP já analisada em outro processo administrativo. Não cabendo nova análise daquela DCOMP no presente processo, por falta de previsão legal ou regulamentar, resta apenas acatar a decisão proferida naqueles autos e, diante da total utilização do crédito tributário aqui pretendido naquela DCOMP, não homologar a compensação aqui tratada, por falta de crédito disponível. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.000765/2002-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/08/1999 a 10/08/1999
PROCESSOS ADMINISTRATIVOS SEPARADOS. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CONEXÃO. APLICAÇÃO DA DECISÃO ANTERIOR.
Tratando-se de auto de infração (processo prejudicado) lavrado para exigir tributo em razão de o contribuinte ter efetuado compensação, supostamente indevida, com crédito objeto de outro processo administrativo (processo prejudicial), é o caso de aplicação da decisão proferida nestes últimos autos aos primeiros.
Numero da decisão: 3402-006.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que o débito de IPI cobrado por meio do Auto de Infração seja extinto na medida em que forem homologadas as compensações tratadas no PA 10845.002632/99-89, levando agora em conta o julgamento sobre os índices de correção monetária a serem utilizados para a atualização do indébito tributário indicada naquele processo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Antonio Borges (suplente convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/08/1999 a 10/08/1999 PROCESSOS ADMINISTRATIVOS SEPARADOS. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CONEXÃO. APLICAÇÃO DA DECISÃO ANTERIOR. Tratando-se de auto de infração (processo prejudicado) lavrado para exigir tributo em razão de o contribuinte ter efetuado compensação, supostamente indevida, com crédito objeto de outro processo administrativo (processo prejudicial), é o caso de aplicação da decisão proferida nestes últimos autos aos primeiros.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10940.000765/2002-53
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5985982
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.388
nome_arquivo_s : Decisao_10940000765200253.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
nome_arquivo_pdf_s : 10940000765200253_5985982.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que o débito de IPI cobrado por meio do Auto de Infração seja extinto na medida em que forem homologadas as compensações tratadas no PA 10845.002632/99-89, levando agora em conta o julgamento sobre os índices de correção monetária a serem utilizados para a atualização do indébito tributário indicada naquele processo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Antonio Borges (suplente convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
id : 7689061
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051659441012736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1773; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 250 1 249 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.000765/200253 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402006.388 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2019 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente CERVEJARIAS KAISER BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/1999 a 10/08/1999 PROCESSOS ADMINISTRATIVOS SEPARADOS. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CONEXÃO. APLICAÇÃO DA DECISÃO ANTERIOR. Tratandose de auto de infração (processo prejudicado) lavrado para exigir tributo em razão de o contribuinte ter efetuado compensação, supostamente indevida, com crédito objeto de outro processo administrativo (processo prejudicial), é o caso de aplicação da decisão proferida nestes últimos autos aos primeiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que o débito de IPI cobrado por meio do Auto de Infração seja extinto na medida em que forem homologadas as compensações tratadas no PA 10845.002632/9989, levando agora em conta o julgamento sobre os índices de correção monetária a serem utilizados para a atualização do indébito tributário indicada naquele processo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 07 65 /2 00 2- 53 Fl. 518DF CARF MF 2 Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Antonio Borges (suplente convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para exigir IPI, em razão de a Contribuinte ter efetuado compensação, supostamente indevida, com crédito objeto do processo n° 10845.002632/9989, que decorre de sentença judicial transitada em julgado na qual foi declarada a inconstitucionalidade incidenter tantum da exigência da quota de contribuição prevista no Decretolei n" 2.295/86, que no passado incidiu sobre as exportações de café. Apresentada a impugnação, a DRJ de Porto Alegre houve por bem julgála parcialmente procedente para converter a multa de oficio (75%) em multa de mora (20%), cancelando, assim, o montante de R$ 461.523,58. Inconformada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário (fls 178 182), cujo julgamento foi convertido em diligência (fls. 240/243) para que a autoridade preparadora juntasse aos presentes autos o resultado final dos julgamentos dos processos 10845.002632/99 89 e 10940.000217/0091. Convém esclarecer que o pedido realizado no PA n. 10845.002632/9989, em um primeiro momento, sob o argumento de que i) a Contribuinte não teria cumprido o disposto no §1° do artigo 17 da citada IN 21/97, já que, em seu entendimento, não teria comprovado a desistência da ação de execução do título judicial; ii) não haveria decisão judicial que garantisse à interessada o direito à compensação; e iii) os valores pleiteados devem ser líquidos e certos, havendo necessidade de se promover a liquidação da sentença judicial. Apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ, por unanimidade de votos, confirmou o direito creditório reconhecido na decisão transitada em julgado na Ação n. 94/02023348, que tramitava perante a 4ª Vara da Justiça Federal em Santos/SP, afastando a decisão proferida pela DRF em Santos/SP que condicionara o pedido de restituição à liquidação de sentença, entendendo, ainda, não ser razoável a submissão do contribuinte ao instituto do precatório. Contudo, indeferiu a solicitação de compensação ante a suposta ausência da comprovação do pedido de desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial. Ou seja, o crédito foi reconhecido integralmente pela Administração, restando em litígio tãosomente a hipotética ausência da comprovação da desistência da execução do título judicial. Dessa decisão foi interposto recurso voluntário, ao qual este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento, nos termos do Acórdão n. 310200.427. 1 1 Ementa(s) OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 21/05/1988 a 28/09/1989 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS PRÓPRIOS COM DÉBITOS DE TERCEIROS. No regime da IN SRF n° 21/97, o crédito a ser restituído a um contribuinte poderia ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte. COMPENSAÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. COMPROVAÇÃO DA DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10940.000765/200253 Acórdão n.º 3402006.388 S3C4T2 Fl. 251 3 A Procuradoria opôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados, conforme Acórdão n. 310200.642. 2 Os autos foram então remetidos à DRF de Santos, que, em despacho datado de 11/05/2012 (fls. 810) devolveu o processo ao CARF para que a Procuradoria da Fazenda Nacional fosse cientificada da decisão proferida em sede de embargos. O I. Procurador da Fazenda se deu por ciente em 29/06/2012 (fls. 811), transcorrendo in albis o prazo para interposição de recurso especial, o que tornou definitiva a decisão que deu provimento ao recurso voluntário, por força do disposto no art. 80 do Decreto 7.574/2011. Ocorre que, ao proceder à execução do acórdão, a DRF de Santos considerou o crédito insuficiente para abarcar todas as compensações realizadas com débitos de responsabilidade das Cervejarias Kaiser Brasil Ltda. sob a égide da IN 21/97 , deixando de homologar aquelas tratadas nos processos n. 10735.001686/0099, 13884.005304/9957 e 10530.000267/200151 e homologando parcialmente a do processo n" 10665.001293/9957. Assim, com lastro da Solução de Consulta Cosit 18/2012, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tendo em vista a inobservância dos índices constantes do Manual de Orientação de Procedimentos para Cálculos na Justiça Federal, aprovado pela Resolução do Conselho da Justiça Federal n° 561/2007 nos cálculos realizados pela SECAT/EQAJU. Todavia, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. 3 Irresignada, a Contribuinte interpôs novo recurso voluntário a este Conselho, no PA 10845.002632/9989, defendendo que possui direito à plena correção monetária do crédito reconhecido judicialmente em seu favor, com base na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, dos Pareceres Procuradoria da Fazenda Nacional sobre o tema e do Ato Declaratório PGFN n. 10, de 1ª de dezembro de 2008, os quais reconhecem que a correção No caso de título judicial em fase de execução, a compensação somente poderá ser efetuada se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. Desistência comprovada nos autos. Recurso Voluntário Provido 2 Ementa(s) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL COMPENSAÇÃO, REQUISITOS DA IN SRF 21/97 Não houve omissão/obscuridade, no Acórdão 310200.427, da sessão de 09/07/2009, quanto à análise dos requisitos delineados no artigo 17 da IN SRF nº 21/97, para que fosse deferido o direito à compensação pleiteado. Embargos Rejeitados. 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 13/08/1999 Restituição de valores recolhidos a título de Quota de Contribuição sobre Operações de Exportação de Café em grãocru. Diante da decisão judicial, já transitada em julgado, restou garantido à interessada o direito à restituição do indébito. O SEORT/ALFSTS homologou parcialmente o direito creditório, não reconhecendo a correção monetária pleiteada. O interessado ingressou com manifestação de inconformidade, a fim de que o crédito reconhecido em seu favor seja acompanhado da plena correção monetária. A administração tributária está limitada aos termos da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR Nº 08/97, carecendo de autorização legal restituição além desse limite. Fl. 520DF CARF MF 4 monetária é simplesmente a recuperação do valor do indébito, devendo seguir a Tabela Única da Justiça Federal (aprovada pela Resolução n. 561/2007). Haja vista que este processo versa sobre de Infração IPI cujo crédito encontravase em discussão no PA 10845.002632/9989, proferi despacho (fls 509), reconhecendo a relação de conexão existente entre os processos administrativos citados. Ademais, considerando que naquela data o Processo n. 10845.002632/9989 encontravase no SECOJ aguardando sorteio para uma das Câmaras da Terceira Seção, com fulcro dos artigos 6º, §§2º e 3º e 47 do RICARF, solicitei que o PA 10845.002632/9989 fosse a mim entregue, pois possui como pano de fundo os mesmos fatos daqueles a serem analisados nos presentes autos. É o relatório Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora O presente recurso já foi anteriormente admitido, uma vez que cumpridos seus requisitos formais para tanto, de modo que passo ao mérito. Como se depreende do relato acima, na realidade, o mérito do presente processo consiste no quanto decidido no Processo n. 10845.002632/9989. Este último é prejudicial ao presente caso. Isto porque aqui discutese auto de infração lavrado para constituir o crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados que a Recorrente teria deixado de recolher em razão de haverse utilizado indevidamente de compensação com créditos de terceiros, sendo que esta compensação é objeto do PA 10845.002632/9989. Tal entendimento compatibilizase com o da Administração Tributária, pois vai ao encontro do que consigna a Portaria RFB n. 1668, de 29 de novembro de 2016 a qual "dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal (RFB)". Vejase seu artigo 3º: Art. 3º Serão juntados por apensação os autos: I – do recurso hierárquico relativo à compensação considerada não declarada, do lançamento de ofício de crédito tributário e da multa isolada decorrentes da mesma DCOMP. II – de exclusão Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), de exigência de crédito tributário relativo às infrações apuradas no Simples Nacional que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo da forma de pagamento simplificada; e de possíveis lançamentos de ofício de crédito tributário decorrente dessa exclusão do sujeito passivo em anoscalendário subsequentes que sejam constituídos contemporaneamente e pela mesma unidade administrativa; III – de indeferimento de pedido de ressarcimento ou da não homologação de DCOMP e do lançamento de ofício e da multa isolada deles decorrentes, conforme o caso; e Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10940.000765/200253 Acórdão n.º 3402006.388 S3C4T2 Fl. 252 5 IV de pedidos de restituição ou de ressarcimento e de Declarações de Compensação (DCOMP) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, o processo principal será: a) o do recurso hierárquico, no caso do inciso I; b) o de exclusão do Simples Nacional, no caso do inciso II; c) o do indeferimento de pedido de ressarcimento e da não homologação de DCOMP, no caso do inciso III; e d) o do pedido de restituição ou de ressarcimento, no caso do inciso IV; Pois bem. O Processo n. 10845.002632/9989, principal, foi julgado por este mesmo Colegiado na presente data, dandose provimento ao recurso voluntário interposto, com a seguinte ementa: REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CORREÇÃO MONETÁRIA. RECOMPOSIÇÃO DO VALOR DA MOEDA. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA DO STJ. APLICAÇÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. A correção monetária tem o efeito de recompor a desvalorização da moeda. Assim, o contribuinte possui direito à plena correção monetária do indébito tributário reconhecido em seu favor, com base na jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça e do Ato Declaratório PGFN n. 10, de 1ª de dezembro de 2008, os quais reconhecem que a correção monetária é simplesmente a recuperação do valor do montante indevidamente recolhido aos Cofres Públicos, devendo seguir os expurgos inflacionários, conforme a Tabela Única da Justiça Federal (aprovada pela Resolução do Conselho da Justiça Federal n. 561/2007). Tendo em vista a conexão entre os feitos, é o caso de aplicação da citada decisão proferida por este Conselho, sobre os mesmos fatos relativamente ao crédito tributário, para o processo ora sob apreço, conforme requerido pela Contribuinte em seu recurso voluntário (fls 178 182). Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para que o débito de IPI cobrado por meio do presente auto de infração seja extinto na medida em que forem homologadas as compensações tratadas no PA 10845.002632/9989, levando agora em conta o julgamento sobre os índices de correção monetária a serem utilizados para a atualização do indébito tributário (Acórdão n. 3402006.411). Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 522DF CARF MF 6 Fl. 523DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.001338/2005-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal.
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO.
O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
Numero da decisão: 2402-007.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13603.001338/2005-54
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5979807
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-007.044
nome_arquivo_s : Decisao_13603001338200554.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
nome_arquivo_pdf_s : 13603001338200554_5979807.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7674208
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051659547967488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1508; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 667 1 666 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.001338/200554 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402007.044 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2019 Matéria IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recorrente ANDERSON MEIRELES MAIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 13 38 /2 00 5- 54 Fl. 667DF CARF MF Processo nº 13603.001338/200554 Acórdão n.º 2402007.044 S2C4T2 Fl. 668 2 (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada em face de lançamento suplementar de IRPF, constituído em face de suposta omissão de rendimentos, decorrente de valores creditados em conta de depósito ou investimento, cuja origem não teria sido comprovada mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Segue a ementa da decisão: Intimado da decisão em 15/07/2009, através de aviso de recebimento (fl. 622), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 14/08/2009 (fls. 626 e seguintes), no qual reafirmou a seguinte tese de defesa: os valores dos depósitos em sua conta corrente têm como origem a venda de hortaliças e suínos [...]; foram celebrados contratos de parceria agrícola e toda a movimentação financeira foi feita na conta bancária do contribuinte; o contribuinte possui as notas fiscais, recibos de todas as compras referentes à aquisição de suínos, sementes, rações, equipamentos e outras despesas, confirmando a sua atividade de produtor rural, conforme cartão de inscrição n° 809/0083 e inscrição no INCRA 0000277860988; os valores depositados na conta do contribuinte foram repassados aos meeiros, conforme estipulado nos contratos de parcerias e comprovado por recibos e planilhas; Fl. 668DF CARF MF Processo nº 13603.001338/200554 Acórdão n.º 2402007.044 S2C4T2 Fl. 669 3 De forma complementar, o contribuinte alegou que o auto de infração seria nulo por fato de elementos fundamentais, e que a multa de ofício seria confiscatória e ofenderia o princípio da razoabilidade. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, mas não deve ser totalmente conhecido. As teses de nulidade do lançamento e de ofensa aos princípios do não confisco e da razoabilidade não foram ventiladas na impugnação e são, portanto, insuscetíveis de conhecimento em grau recursal. A impugnação da exigência, a qual deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Somente a impugnação regular é capaz de atrair o poderdever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada com o lançamento fiscal mas efetivamente instaurada com a sua (da impugnação) apresentação. Vejase, nesse sentido, os seguintes dispositivos constantes do Decreto nº 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Justamente em função da falta de impugnação, a DRJ não julgou as matérias ora suscitadas, de forma que o seu conhecimento aviltaria o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. Fl. 669DF CARF MF Processo nº 13603.001338/200554 Acórdão n.º 2402007.044 S2C4T2 Fl. 670 4 2 Da origem dos rendimentos O recorrente contesta o lançamento efetuado, basicamente porque entende que os recursos creditados em sua conta, cujas origens, no entender da fiscalização, não teriam sido comprovadas, deveriam ser tributados de acordo com os benefícios concedidos à atividade rural. Segundo alega, sua condição de produtor rural estaria comprovada de forma robusta nos autos. Pois bem. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receitas ou rendimentos omitidos. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de acatarse afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. O § 3º do citado artigo, ao prever que os créditos serão analisados individualizadamente, corrobora a afirmação acima e não estabelece, para o Fisco, a necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado. A título ilustrativo, segue o texto da regra: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano Fl. 670DF CARF MF Processo nº 13603.001338/200554 Acórdão n.º 2402007.044 S2C4T2 Fl. 671 5 calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19971) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 612. A não comprovação da origem dos recursos viabiliza a aplicação da norma presuntiva, caracterizando tais recursos como receitas ou rendimentos omitidos. Destarte, e de acordo com a regra legal, não é que os depósitos bancários, por si só, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização. Expressandose de outra forma, o sujeito passivo pode comprovar que o recurso é atinente a venda de imóveis ou recebimento de prólabore e lucros, etc. Não o fazendo, aplicase o consequentemente normativo da presunção, com a consequente constituição do crédito tributário dela decorrente. O verbete sumular CARF 26 preceitua o seguinte: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O Superior Tribunal de Justiça reconhece a legalidade do imposto cobrado com base no art. 42, como se vê no precedente abaixo: 1 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. 2 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 13603.001338/200554 Acórdão n.º 2402007.044 S2C4T2 Fl. 672 6 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) Mais ainda, aquele Tribunal Superior vem consignando a inaplicabilidade da Súmula 182/TRF, que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242). No caso in concreto, o recorrente contesta o lançamento efetuado, basicamente porque entende que os recursos creditados em sua conta deveriam ser tributados de acordo com os benefícios concedidos à atividade rural. Ocorre que a apuração dos rendimentos provenientes da atividade rural demanda um mínimo de zelo e de rigor por parte do contribuinte. Exemplificativamente, o art. 60 do Regulamento do Imposto de Renda vigente à época dos fatos geradores dispunha que o resultado da exploração da atividade rural seria apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deveria abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integrariam a atividade, tudo lastreado em documentação hábil e idônea. Vejase: Art.60. O resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18). §1ºO contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, §1º). Fl. 672DF CARF MF Processo nº 13603.001338/200554 Acórdão n.º 2402007.044 S2C4T2 Fl. 673 7 §2ºA falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, §2º). §3ºAos contribuintes que tenham auferido receitas anuais até o valor de cinqüenta e seis mil reais facultase apurar o resultado da exploração da atividade rural, mediante prova documental, dispensado o Livro Caixa (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, §3º). §4ºÉ permitida a escrituração do Livro Caixa pelo sistema de processamento eletrônico, com subdivisões numeradas, em ordem seqüencial ou tipograficamente. §5ºO Livro Caixa deve ser numerado seqüencialmente e conter, no início e no encerramento, anotações em forma de "Termo" que identifique o contribuinte e a finalidade do Livro. §6ºA escrituração do Livro Caixa deve ser realizada até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente anocalendário. §7ºO Livro Caixa de que trata este artigo independe de registro. A despeito disso, e segundo se depreende da acusação fiscal, o contribuinte sequer havia apresentado a declaração de ajuste anual referente ao anocalendário objeto deste processo, tendo o feito apenas após notificado o lançamento. Mesmo que se pudesse cogitar do arbitramento da base de cálculo do imposto, à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário, conforme preleciona o § 2º do art. 60 retro mencionado, ainda assim haveria necessidade de comprovação de que os rendimentos realmente se refeririam à atividade rural, ao passo que o recorrente nem mesmo se dignara de apresentar a declaração de rendimentos, muito menos de comprovar, documentalmente, e de forma minimamente individualizada, que os depósitos efetuados em sua conta (vide demonstrativo de fls. 34/46) seriam relativos à atividade rural. No demonstrativo de fls. 34/46, a fiscalização arrolou cada um dos depósitos/créditos cujas origens o recorrente deveria comprovar, e, no demonstrativo de fl. 48, tais depósitos foram totalizados mensalmente. A despeito disso, e conquanto o § 3º do art. 42 determine que os créditos sejam analisados individualizadamente, o sujeito passivo não comprovou a origem tampouco de um só crédito, muito menos da totalidade ou de grande parte deles. Quer dizer, mesmo se considerando a documentação apresentada na impugnação, não se pode afirmar, de forma minimamente segura, que os depósitos apontados pela fiscalização tenham como origem receitas da atividade rural, a fim de viabilizar a regra benéfica prevista no Regulamento do Imposto de Renda, que permite a dedução de despesas e que presume que o resultado máximo da atividade rural seja de 20% da receita bruta do ano calendário. Logo, e no mérito, o recurso voluntário deve ser desprovido. Fl. 673DF CARF MF Processo nº 13603.001338/200554 Acórdão n.º 2402007.044 S2C4T2 Fl. 674 8 3 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 674DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915930/2013-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010
INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR
À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.
Numero da decisão: 3301-005.791
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.915930/2013-88
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5980602
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-005.791
nome_arquivo_s : Decisao_10880915930201388.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10880915930201388_5980602.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7675317
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051659599347712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1624; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.915930/201388 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.791 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2019 Matéria PIS Recorrente LATICINIOS GEGE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 30 /2 01 3- 88 Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de compensação de contribuição não cumulativa, que não restou integralmente homologada em razão do indeferimento parcial do crédito que originava tal pedido, nos termos da informação fiscal que instrui os autos. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, que: • Preliminarmente, solicitase a reunião dos 54 processos administrativos, decorrentes dos 54 despachos decisórios proferidos, em apenas dois, um relativo ao PIS, e outro à Cofins, em razão dos princípios da economia processual, da razoabilidade e da eficiência, assegurados no art. 37 da Constituição, considerando que a questão controvertida é a mesma em todos os casos; • Ainda em sede preliminar, alegase a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base apenas no despacho decisório, o que leva à nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos arts. 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72, 38 do Decreto nº 7.574/2011; • A autoridade administrativa não pode cobrar débitos sem que tenham sido constituídos por meio do lançamento. Caso a cobrança seja feita de forma diversa e não prevista em lei, será improcedente, devendo ser cancelada; • Nesse sentido, citase jurisprudência do CARF e do STJ; • Assim, resta evidente a necessidade de se anular o despacho decisório, visto que este não é via competente para se fazer cobrança; • O texto das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não define o conceito de insumo, nem estabelece quais seriam os bens e serviços passíveis de creditamento; • A autoridade fiscal diverge do entendimento firmado pela doutrina e pela jurisprudência administrativa sobre tal conceito, considerando o disposto nas IN nºs 247/2002 e 404/2004, que interpretaram tal conceito de forma restritiva, tomando por base o conceito de insumo estabelecido na legislação do ICMS e do IPI; • No entanto, tal conceito deve ser analisado de forma ampla, contemplando a totalidade dos dispêndios essenciais para o processo produtivo da empresa, do qual resulta seu faturamento, pois as citadas Leis não apresentam qualquer ressalva quanto ao conceito de insumo, seja em relação à natureza dos bens e serviços adquiridos, seja no que se refere à sua aplicação, direta ou indiretamente, no processo produtivo; • Citase doutrina acerca de tal questão; Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 4 3 • O conceito de insumo deve estar atrelado a tudo que colabora de forma imprescindível à formação de receita, incorporando todas as despesas que sejam essenciais para a atividade comercial e geração de receitas da sociedade; • Assim, a definição do termo “insumo” nas referidas IN não encontra amparo nas Leis citadas, pois restringe o direito ao desconto de créditos de forma arbitrária e sem fundamento, desvirtuandose do princípio da estrita legalidade previsto no art. 150I da Constituição e no art. 97 do CTN, bem como da própria sistemática não cumulativa do PIS e da Cofins, prevista no art. 195, § 12, da Constituição; • As IN expedidas pela RFB são normas secundárias, cuja finalidade exclusiva é esclarecer as disposições contidas em lei, não lhes cabendo inová las ou contrariálas; • O conceito de “insumo” para fins de PIS e Cofins deve ser assemelhado aos conceitos de “custo de produção” e “despesas necessárias”, previstos nos arts. 290I e 299 do RIR, mais amplos que aqueles contidos nas IN citadas; • Ao contrário do ICMS e do IPI, o PIS e a Cofins não dependem de operações específicas para que ocorra seu fato gerador. Ao contrário, dependem apenas da geração de receita/faturamento; • A requerente entende que não apenas o bem ou serviço consumido por sua aplicação direta ao produto final deve ser considerado insumo, mas também os bens ou serviços indispensáveis ao processo produtivo e à geração de receita; • Citase jurisprudência do CARF e da CSRF; • Especificamente em relação às glosas efetuadas, em razão do ramo de atividade exercido pela requerente, é nítida a essencialidade de gastos com materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas, assim como os produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade do leite; • Tais gastos são empregados diretamente no processo produtivo, seja para garantir a não contaminação do leite, seja para permitir sua conservação, caracterizandose como insumos por sua essencialidade; • Além disso, tais despesas não são mera liberalidade da requerente, mas exigidas pelos órgãos governamentais para a industrialização e comercialização do leite, ou seja, são imprescindíveis à atividade da empresa. Nesse sentido, citase a Portaria nº 370/1997 e a IN nº 62/2011, do Ministério da Agricultura, órgão responsável pelo controle da industrialização e pelo comércio do leite, além da Portaria nº 177/1999, da Secretaria de Vigilância Sanitária; • Citase decisão do STJ, relativa à aquisição de materiais de limpeza aplicados ao ambiente produtivo, e jurisprudência do CARF; Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 5 4 • Quanto aos materiais de embalagem, a autoridade fiscal incorreu em erro ao efetuar a glosa, uma vez que fazem parte do processo de produção da requerente, tanto a embalagem que envolve o leite, com conteúdo de 1 litro, como também a caixa que acondiciona as doze embalagens e o plástico que as circunda; • Conforme comprovam as fotos da linha de produção da requerente, a máquina responsável pelo acondicionamento do leite inicia a produção inserindo o leite na embalagem de 1 litro e, dentro da mesma máquina, essas embalagens são lacradas e acondicionadas na caixa contendo material mais resistente, voltada para a segurança do produto; • Após, a mesma máquina envolve a caixa com o plástico, para garantir que não haja dano, contaminação ou sujeira nas embalagens durante o transporte; • Assim, a caixa contendo 12 embalagens e o plástico que a envolve não são utilizados pela requerente apenas por opção e conveniência de transporte, mas para segurança do produto. A embalagem individual necessita de uma embalagem de acondicionamento, sob o risco de estourar ou apresentar vazamentos. Logo, tais materiais fazem parte do processo produtivo e integram o produto; • Tal questão já foi objeto de julgamento no STJ e no CARF, conforme decisões transcritas; • Sem a utilização de tais itens seria impossível o transporte e a comercialização do leite, não se tratando de excesso ou de algo desnecessário, não essencial, supérfluo, nem ocasional, mas de embalagem fundamental para a atividade fim da sociedade; • Sobre a glosa das despesas com soro de leite, a requerente esclarece que não tomou crédito sobre tais despesas no período objeto do despacho decisório – 1º tri/2006; • Considerando as alegações trazidas, a empresa requer a realização de diligência, para que, por meio de perícia técnica, seja demonstrada a essencialidade das despesas objeto das glosas, trazendo os quesitos que pretende ver respondidos e indicando seu assistente técnico; • Além disso, a falta de homologação das compensações por parte da autoridade fiscal não pode ensejar a cobrança de multa e juros moratórios, em razão da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários; • Para a exigência de tais acréscimos, é condição necessária que o contribuinte encontrese em atraso com o pagamento de crédito tributário, o que não se verifica no presente caso. A requerente só estaria em mora caso houvesse transcorrido 30 dias, contados da data em que teve ciência da decisão que homologou parcialmente seus pedidos de compensação, conforme ordem de intimação a ela encaminhada; • Tal prazo não transcorreu. Pretender tal exigência antes do referido prazo é ato ilegal. Além disso, a presente manifestação suspende a Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 6 5 exigibilidade do crédito. Mesmo depois de findo tal prazo, nenhum valor a título de multa e juros de mora poderá ser exigido enquanto o processo administrativo encontrarse me curso; • A compensação realizada é legal e válida, e implicou quitação do valor compensado, supostamente devido pela requerente. Assim, não há acréscimos a serem cobrados; • Por fim, ainda que algum valor fosse devido a este título, tendo em vista que a requerente, ao proceder à compensação, observou todas as normas e atos administrativos expedidos pela autoridade fiscal, de acordo com o art. 100, parágrafo único, do CTN, deve ser excluída da base de cálculo do tributo “a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário”. O colegiado a quo julgou improcedente esta manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 12080.876 Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.757, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.915900/201371, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.757): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de indeferimento parcial de créditos de COFINS e consequente homologação de compensações até o limite do crédito admitido (Despacho Decisório, fl. 90). O Fisco revisou Pedidos de Ressarcimento (PER) e glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite, materiais de embalagem para transporte e soro de leite. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 7 6 Antes de adentrar nas preliminares e mérito, consigno que a recorrente pleiteou a reunião de 54 processos administrativos, cujas discussões são idênticas ao presente, quais sejam, legitimidade de créditos de COFINS ou PIS, objetos de, aos quais foram vinculados Pedidos de Compensação (DCOMP). O presente processo será julgado sob a sistemática dos "recursos repetitivos", com reunião para julgamento em conjunto de todos os processos conexos que se encontram no CARF. Passemos então à análise dos argumentos de defesa. PRELIMINAR "Nulidade da exigência fiscal vício formal" Alegou que o Despacho Decisório (fl. 90) é nulo, por conter vício formal, pois não pode ser utilizado para exigir créditos tributários decorrentes da instauração de mandado de procedimento fiscal. Apresenta como fundamento o art. 142 do CTN, o art. 9° do Decreto n° 70.235/72, decisões do CARF (Acórdãos n° 20401.613, de 21.8.2006; 10514.097, de 13.5.2003; e 10704.172, de 15.5.1997) e do STJ (Embargos de Divergência do Recurso Especial nº 576.661/RS). Em sua opinião, assim deveria ter procedido a fiscalização (recurso voluntário, fl. 266): "(. . .) 31. Com efeito, uma vez apresentado o pedido de compensação pelo contribuinte, cabe à D. Autoridade Fiscal analisar a procedência do crédito e, posteriormente, homologar ou não a compensação. Caso não seja homologada, deverá ser realizado de ofício o lançamento do débito apurado, mediante a lavratura de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, sob pena de nulidade do ato. 32. Sendo assim, resta claro que há necessidade de reforma do V. Acórdão recorrido, com o reconhecimento da nulidade formal da exigência fiscal formulada, uma vez que o r. despacho decisório não é a via competente para se fazer uma cobrança decorrente de Mandado de Procedimento Fiscal, e tal fato contraria expressamente o disposto no artigo 142, caput e parágrafo único do CTN, além dos artigos 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. (. . .)" Divirjo da recorrente. Não houve lançamentos de ofício, porém cobrança de tributos já lançados, que restaram em aberto, em decorrência da não homologação da compensação. Adoto como fundamento, o Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 8 7 seguinte trecho da decisão de piso, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99: "(. . .) DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Ainda em sede preliminar, o contribuinte alega a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base no despacho decisório, pretendendo a nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos artigos 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. O contribuinte informou no PER/DCOMP nº 24770.42497.080808.1.3.11 8497 a compensação do direito creditório ora em análise com débito de IRPJ, relativo ao PA mar/2008. Em conseqüência do reconhecimento parcial do direito pleiteado, restou um saldo não compensado deste débito, no valor original de R$ 41.256,22, objeto de cobrança no próprio despacho decisório. A utilização de direito de crédito para fins de compensação com débitos administrados pela RFB encontrase prevista e disciplinada pela Lei nº 9.430/96, conforme dispositivos abaixo transcritos: 'Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 9 8 § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (...)'(Grifouse) Desta forma, não procede a alegação do contribuinte, uma vez que a própria Lei que instituiu a compensação nos moldes em que é realizada atualmente equiparou a Declaração de Compensação a instrumento hábil e suficiente para exigência dos débitos nela declarados, não havendo, portanto, necessidade de se realizar o lançamento para viabilizar a cobrança de tais valores, na hipótese de a compensação não ser homologada, ou ser homologada parcialmente, como ocorreu no presente caso. Na hipótese de não pagamento dos débitos, a Lei prevê, inclusive, sua inscrição em Dívida Ativa da União. Portanto, apresentado o PER/DCOMP pelo contribuinte, os créditos tributários nele confessados e compensados já estão aptos a serem exigidos, na eventual hipótese de não homologação da compensação, ou de sua homologação parcial, independentemente de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal relativo à sua constituição, constituindo se a própria Declaração de Compensação em título de cobrança administrativa e execução judicial, por expressa autorização legal. (. . .)" Com base no acima exposto, nego provimento à preliminar de nulidade. MÉRITO A fiscalização glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 10 9 análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Os produtos não se enquadrariam no conceito de insumos, previsto nas IN SRF n° 247/02 e 400/04, que disciplinaram os artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Em sede do REsp n° 1.221.170/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, a cuja decisão este colegiado está vinculado (§ 2° do art. 62 do RICARF), o STJ considerou ilegal o conceito de insumos previsto nas IN SRF 247/02 e 400/04 e dispôs que o enquadramento ou não no conceito de insumos deve levar em conta "(. . .) essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." Reproduzo a ementa da decisão: "EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, após o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (voto vista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR" (g.n.) A meu ver, a decisão do STJ está essencialmente em linha com a maior parte das decisões sobre o tema que vêm sendo proferidas pelo CARF e, em particular, com os posicionamentos que este relator tem adotado. Em razão da decisão do STJ, em 18/12/18, a RFB publicou o PN COSIT n° 5/18, em que traz um novo conceito de insumos a ser aplicado no âmbito da RFB e ainda analisa a situação de alguns tipos de bens e serviços à luz do REsp n° 1.221.170/PR. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 12 11 Extraio os trechos da conclusão do PN COSIT n° 5/18 que demonstram de forma patente a mudança no conceito antes aplicado pela RFB: "(. . .) b) permitese o creditamento para insumos do processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços, e não apenas insumos do próprio produto ou serviço comercializados pela pessoa jurídica; c) o processo de produção de bens encerrase, em geral, com a finalização das etapas produtivas do bem e o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente, excluindose do conceito de insumos itens utilizados posteriormente à finalização dos referidos processos, salvo exceções justificadas (como ocorre, por exemplo, com os itens que a legislação específica exige aplicação pela pessoa jurídica para que o bem produzido ou o serviço prestado possam ser comercializados, os quais são considerados insumos ainda que aplicados sobre produto acabado); (. . .) e) a subsunção do item ao conceito de insumos independe de contato físico, desgaste ou alteração química do bem insumo em função de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração ou durante a prestação de serviço; (. . .) h) havendo insumos em todo o processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, permitese a apuração de créditos das contribuições em relação a insumos necessários à produção de um bem insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros (insumo do insumo); i) não são considerados insumos os itens destinados a viabilizar a atividade da mão de obra empregada pela pessoa jurídica em qualquer de suas áreas, inclusive em seu processo de produção de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida, etc., ressalvadas as hipóteses em que a utilização do item é especificamente exigida pela legislação para viabilizar a atividade de produção de bens ou de prestação de serviços por parte da mão de obra empregada nessas atividades, como no caso dos equipamentos de proteção individual (EPI); (. . .)" Consignado o conceito de insumos, transcrevo excertos da "Informação Fiscal" (fls. 67 a 84) que instruiu o Despacho Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 13 12 Decisório (fl. 90), em que o agente fiscal dispõe sobre os tipos de produtos cujos créditos foram glosados: "(. . .) DOS BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS EM OPERAÇÕES ACESSÓRIAS AO PROCESSO PRODUTIVO (. . .) 51. Tendo em vista que a interessada tem como objeto a produção e venda de derivados de leite e laticínios em geral, os materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas são, no âmbito da produção executada pela interessada, insumos indiretos de produção e, como não estão literalmente dispostos na legislação pertinente, não geram direito a crédito, tanto no cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep quanto no da Cofins, nos termos do art. 3º, inciso II, respectivamente das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. 52. O mesmo pode se dizer a respeito dos produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade, que não têm vínculo intrínseco com a produção e são, na verdade, necessários a operações paralelas que dão suporte ao processo produtivo. (. . .) DOS MATERIAIS DE EMBALAGEM (. . .) 62. No caso em tela, como já consignado, o sujeito passivo atua no ramo de laticínios e tem como principal atividade a produção e venda de leite industrializado. 63. Encontramos em suas planilhas descritivas de créditos aquisições de papelão cortado em forma própria, moldados para a montagem de caixotes; e bobinas de filme plástico classificados nos códigos NCM 39.20.10.99, 3920.10, 3920.10.10, 3920.10.90, 3920.10.99, 3921.19, 48.19.10.01, 4819.00, 4819.10, 4819.10.01, 4819.50 e 4823.90.99. 64. Uma parte do filme plástico é utilizada pelo sujeito passivo para envolver o conjunto de caixotes contendo 12 caixas de 1 litro de leite transportados em pallets. Vale dizer que esse plástico sequer chega ao consumidor final, sendo descartado pelos varejistas assim que o Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 14 13 produto é integrado ao estoque, enquadrandose, portanto, no conceito de “embalagem para transporte”. 65.Já o papelão moldado e a outra parte do filme plástico são utilizados para a confeccionar e envolver os caixotes para o transporte de 12 caixas de leite do tipo “Tetrapak” contendo 1 litro cada envoltas em filme plástico. 66. Vale lembrar que o leite é vendido ao consumidor no varejo individualmente por cada caixa de 1 litro. Os caixotes de papelão, embora encontrados na venda a varejo, ali estão por liberalidade do vendedor, não sendo praticada a compra do caixote contendo 12 litros de leite e sim a compra individual de 12 caixas de 1 litro de leite, de modo que o caixote é levado por conveniência das partes com o objetivo de facilitar o transporte. 67. Fica claro que os caixotes de papelão e o filme plástico que os envolve enquadramse na definição de “embalagem para transporte” e, assim, não ensejam apuração de créditos das contribuições. 68. Desta forma, o papelão moldado, utilizado na confecção de caixotes, e o filme plástico, utilizados para envolver individualmente ou em conjunto os referidos caixotes para transporte em pallets, foram glosados pela Fiscalização. (. . .)" (g.n.) Meu voto é no sentido de acatar todos os créditos em discussão, quais sejam, os calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Entendo que são elementos essenciais para a conclusão satisfatória do processo produtivo, bem como para garantir que os produtos (alimentícios) sejam oferecidos aos clientes em perfeitas condições. Não se admite que uma empresa do ramo alimentício não empregue os devidos esforços para manter em perfeito estado de limpeza e conservação as máquinas que preparam alimentos para consumo humano. E este rigor deve ser ainda maior, quando se trata de verificar se os produtos estão aptos para o consumo, por meio de testes de qualidade. Em sua defesa, a recorrente menciona a Portaria do Ministério da Agricultura e do Abastecimento n° 370/1997, que exige que o industrial aplique testes para certificarse de que o leite atende aos padrões legais exigidos. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 15 14 Com relação às embalagem, conforme descrição contida na "Informação Fiscal", acima transcrita, tratase de filme plástico e caixa de papelão. Consta da peça recursal que se destinam à proteção das caixas "Tetrapak", onde é acondicionado o leite. O processo de produção somente pode ser tido como concluído, após a obtenção do produto final, no formato em que será transportado para o consumo. E todos os elementos que são adicionados ao produto têm sua função, posto que nenhum empresário deseja onerar desnecessariamente o custo de seu produto, em prejuízo de sua margem de lucro ou mesmo que o obrigasse a aumentar o preço, reduzindo sua competitividade no mercado. O filme plástico e a caixa de papelão são imprescindíveis à manutenção da integridade do leite, produto para consumo humano. Passa, sem sombra de dúvida, por qualquer teste que adote o critério de "essencialidade ou relevância" estabelecido pela citada decisão do STJ. E, por fim, não se poderia admitir que bem os resíduos industriais fossem dispensados, sem o devido tratamento, posto que colocariam em risco o meio ambiente, o que ao certo colidiria com a legislação aplicável. Assim, reputo que estão compreendidos no conceito de insumos e podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de COFINS. Não obstante, cumpre destacar que, exceto quanto os créditos sobre material de embalagem para transporte, os demais foram expressamente citados pelo PN COSIT n° 5/18 como produtos que devem ser tidos como insumos, à luz da decisão do STJ, como segue (trechos do PN COSIT n° 5/18): "(. . .) 53.São exemplos de itens utilizados no processo de produção de bens ou de prestação de serviços pela pessoa jurídica por exigência da legislação que podem ser considerados insumos para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) no caso de indústrias, os testes de qualidade de produtos produzidos exigidos pela legislação4; b) tratamento de efluentes do processo produtivo exigido pela legislação c) no caso de produtores rurais, as vacinas aplicadas em seus rebanhos exigidas pela legislação, etc. (. . .) 98. Como relatado, na presente decisão da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, os Ministros consideraram elegíveis ao conceito de insumos os “materiais de limpeza” descritos pela recorrente como “gastos gerais de fabricação” de produtos alimentícios. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 16 15 99. Aliás, também no REsp 1246317 / MG, DJe de 29/06/2015, sob relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, foram considerados insumos geradores de créditos das contribuições em tela “os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios”. 100. Malgrado os julgamentos citados refiramse apenas a pessoas jurídicas dedicadas à industrialização de alimentos (ramo no qual a higiene sobressai em importância), parece bastante razoável entender que os materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização de ativos utilizados pela pessoa jurídica na produção de bens ou na prestação de serviços podem ser considerados insumos geradores de créditos das contribuições. 101. Isso porque, à semelhança dos materiais e serviços de manutenção de ativos, tratase de itens destinados a viabilizar o funcionamento ordinário dos ativos produtivos (paralelismo de funções com os combustíveis, que são expressamente considerados insumos pela legislação) e bem assim porque em algumas atividades sua falta implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço disponibilizado, como na produção de alimentos, nos serviços de saúde, etc. (. . .) 150.De outra banda, a análise é mais complexa acerca dos testes de qualidade aplicados sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção (produtos acabados). Conquanto tais testes sejam realizados em momento bastante avançado do processo de produção, é inexorável considerálos essenciais ao este processo, na medida em que sua exclusão priva o processo de atributos de qualidade. 151.Assim, são considerados insumos do processo produtivo os testes de qualidade aplicados anteriormente à comercialização sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção, independentemente de os testes serem amostrais ou populacionais. 152.Por fim, salientase que os testes de qualidade versados nesta seção são aqueles aplicados por escolha da pessoa jurídica, vez que os testes de qualidade aplicados por exigência da legislação estão versados na seção BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS POR IMPOSIÇÃO LEGAL. (. . .)" (g.n.) Por outro lado, apesar de propor que sejam acatados os créditos correlatos, também consigno que a RFB manteve o Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 17 16 entendimento de que material de embalagem para transporte não gera créditos: "(. . .) 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente6, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. (. . .)" Isto posto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 372DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.004975/2006-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PIS NÃO CUMULATIVO. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Não deve ser homologada a compensação, uma vez que o litígio administrativo relativo ao Pedido de Ressarcimento já se encerrou e de forma desfavorável à recorrente.
Numero da decisão: 3301-005.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PIS NÃO CUMULATIVO. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Não deve ser homologada a compensação, uma vez que o litígio administrativo relativo ao Pedido de Ressarcimento já se encerrou e de forma desfavorável à recorrente.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13804.004975/2006-05
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5988691
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-005.961
nome_arquivo_s : Decisao_13804004975200605.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13804004975200605_5988691.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7697900
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051659610882048
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1356; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 232 1 231 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13804.004975/200605 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.961 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria PIS Recorrente TINTO HOLDING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PIS NÃO CUMULATIVO. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Não deve ser homologada a compensação, uma vez que o litígio administrativo relativo ao Pedido de Ressarcimento já se encerrou e de forma desfavorável à recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 49 75 /2 00 6- 05 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 13804.004975/200605 Acórdão n.º 3301005.961 S3C3T1 Fl. 233 2 "Versa o presente processo de análise de Declaração de compensação DComp de crédito fiscal de PIS não cumulativo no valor total de R$ 101.423,37 (fl.01) Consta no Despacho Decisório de fls. 169/170 que os Auditoresfiscais responsáveis pela fiscalização levada a efeito no processo administrativo n°16349.000220/200717 relativa ao pedido ressarcimento relativo ao PIS NÃO CUMULATIVO (Exportação) do 3°.trimestre de 2006 não constataram saldo, ensejando o indeferimento do referido pedido. Tendo em vista o resultado da fiscalização e o Despacho Decisório exarado que não reconheceu saldo do trimestre acima citado, a DERAT não homologou a compensação em tela nos seguintes termos: 5. Considerando a inexistência do direito creditório, conforme PARECER SAORT N° 10820/368/2011 e Despacho Decisório (fls. 134 a 142) proferidos pela DRF Araçatuba no processo administrativo n° 16349.000220/200717; 6. Considerando que o processo administrativo n° 13804.004990/200645 não foi incluído na listagem do Anexo Único da Portaria SRRF08RF N°34, de 10 de março de 2008, mantendose, portanto, a competência da DERAT/São Paulo para apreciar a declaração de compensação objeto do presente processo; 7. Considerando os ajustes realizados pela a DRF Araçatuba que refez o DACON do contribuinte, constando, com os novos valores apurados, que o interessado não t em saldo de crédito a ser ressarcido (fl. 132/133). 8. Em vista de todo o exposto, com supedâneo nos autos e nos aspectos legais discutidos, e no uso das atribuições do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, previstas no art. 6o , I, " b " da Lei n° 10.593/2002, com a redação dada pela Lei n° 11.457/2007, não homologo a Declaração de Compensação de valor R$ 101.423,37 (fl. 01) objeto do presente processo. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 174/177, tecendo seus argumentos conforme segue: 05 A presente Manifestação de Inconformidade merece ser provida para ser homologada a compensação, especialmente porque o despacho decisório é nulo, haja vista que o pedido de ressarcimento dos créditos oriundos do Processo Administrativo de n° 16349.000220/200717 ainda não teve um julgamento definitivo. 05. O Processo Administrativo de n° 16349.000220/200717 ainda está em fase de andamento conforme pode ser verificado no andamento obtido no website do sistema COMPROT(doc. 03). 06. Em razão disso não merece prevalecer o entendimento do Despacho Decisório de que o processo administrativo n° 16349.000218/200748 foi julgado em definitivo, devendo ser aguardado o julgamento em definitivo das defesas e recursos deste processo. 07. Portanto a compensação merece ser homologada em razão de que o processo administrativo oriundo do crédito utilizado para a referida compensação ainda não foi julgado em definitivo. Defende a suspensão da exigibilidade do crédito tributário: Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13804.004975/200605 Acórdão n.º 3301005.961 S3C3T1 Fl. 234 3 08. O débito em questão encontrase com sua exigibilidade suspensa nos termos do artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional (CTN) por estar pendente de apreciação da presente Manifestação de Inconformidade interposta pela Recorrente contra o despacho decisório que não homologou a compensação efetuada. 9. Não tendo encerrado em definitivo o respectivo processo administrativo, o mesmo deve constar com sua exigibilidade suspensa, como garante o artigo 151, inciso III do CTN, com a seguinte redação: (...) 10. Portanto, o débito em questão objeto da Declaração de Compensação/Manifestação de Inconformidade merece ter a sua exigibilidade suspensa ao menos até o encerramento da esfera administrativa, como nos garante o artigo 151 do CTN. E solicita: 11. Por tudo o que foi exposto e do que mais consta nos autos deste processo, requer a Recorrente que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade, para que seja reformado o r. Despacho Decisório, para ser homologada integralmente a compensação realizada." Em 07/06/17, a DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e o Acórdão n° 1466.306 foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO JÁ ANALISADO. Considerase não homologada a DComp de direito creditório vinculado a pedido de restituição/compensação, cuja matéria já foi analisada em outro processo administrativo fiscal, no qual foi indeferido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13804.004975/200605 Acórdão n.º 3301005.961 S3C3T1 Fl. 235 4 Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de não homologação de Declaração de Compensação, fundada no Pedido de Ressarcimento de PIS do 3° trimestre de 2006, que foi tratado no processo administrativo (PA) n° 16349.000220/200717. As únicas alegações da recorrente são as seguintes: i) a decisão recorrida deve ser reformada, porque o PA em que crédito utilizado está sendo discutido ainda não se encerrou; e ii) deve ser mantida a suspensão da exigibilidade dos débitos objetos de liquidação por meio das compensações até o encerramento do presente feito. O PA n° 16349.000220/200717 encontrase nesta pauta de julgamento e a decisão proferida foi desfavorável ao contribuinte. Portanto, como não havia crédito a compensar, deve ser mantido o Despacho Decisório que não homologou a compensação. Também deve ser rejeitado o argumento relacionado à suspensão da exigibilidade dos débitos liquidados por meio da compensação, pois a cobrança dos valores correspondentes não é objeto do presente. Assim sendo, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.001236/2002-90
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PROVA. O processo
administrativo fiscal pauta-se pela materialidade dos fatos, não importando a intenção do indivíduo e sim a ocorrência do fato ou situação. É imprescindível a apresentação de prova documental para desconstituir o direito da Fazenda Nacional de exigir o crédito tributário lançado de oficio à vista da escrita fiscal e contábil do contribuinte.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.062
Decisão: ACORDAM os membros da 1ªcâmara / 1ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Maria Cristina Roza da Costa
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Cofins - ação fiscal (todas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200905
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PROVA. O processo administrativo fiscal pauta-se pela materialidade dos fatos, não importando a intenção do indivíduo e sim a ocorrência do fato ou situação. É imprescindível a apresentação de prova documental para desconstituir o direito da Fazenda Nacional de exigir o crédito tributário lançado de oficio à vista da escrita fiscal e contábil do contribuinte. Recurso negado.
turma_s : Segunda Câmara
numero_processo_s : 13808.001236/2002-90
conteudo_id_s : 5980852
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-000.062
nome_arquivo_s : Decisao_13808001236200290.pdf
nome_relator_s : Maria Cristina Roza da Costa
nome_arquivo_pdf_s : 13808001236200290_5980852.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 1ªcâmara / 1ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
id : 7675380
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051659614027776
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-04T11:47:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-04T11:47:22Z; Last-Modified: 2009-09-04T11:47:22Z; dcterms:modified: 2009-09-04T11:47:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-04T11:47:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-04T11:47:22Z; meta:save-date: 2009-09-04T11:47:22Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-04T11:47:22Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-04T11:47:22Z; created: 2009-09-04T11:47:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-09-04T11:47:22Z; pdf:charsPerPage: 1169; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-04T11:47:22Z | Conteúdo => n S2-CIT1 Fl. 423 0-.7. e \i‘ft N "e .1 °. . ‘ MINIÇTÉRIn 11.4 RA7FNnA il. i. : et- CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS -1 SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13808.001236/2002-90 Recurso n° 137.633 Voluntário Acórdão n° 2101-00.062 — 1' Câmara/ia Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2009 Matéria COFINS Recorrente CIRCLE FRETES INTERNACIONAIS LTDA Recorrida DRJ em Campinas - SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PROVA. O processo administrativo fiscal pauta-se pela materialidade dos fatos, não importando a intenção do indivíduo e sim a ocorrência do fato ou situação. É imprescindível a apresentação de prova documental para desconstituir o direito da Fazenda Nacional de exigir o crédito tributário lançado de oficio à vista da escrita fiscal e contábil do contribuinte. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1 câm a P turma ordinária do segunda seção de julga • • o, por unanimidade de votos, em ir _ar prov mento ao recurso. --. r- i 1.- 1.1‘ e - i MARCOS CANDIDO Pr- . idente (1 e af:A- IS- TINA. RO aDjA COSTA4 elatora i ti Processo n° 13808.001236/2002-90 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.062 Fl. 424 Participaram, ainda, do presente julgnmentn , nc Conselheiros Cllictnyn Kelly Alencar, Antonio Zomer, António Lisboa Cardoso, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Relatório Retornam os autos a julgamento após realização da diligência requerida em julho de 2007 pela Resolução n°202-01.139, de fls.365/369. Reproduzo abaixo o relatório contido na Resolução, para retomar os fatos: "Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3" Turma de Julgamento da DRJ em Campinas, SP. Informa o relatório da decisão recorrida que foi formalizada de ofício a exigência da Contribuição para a Seguridade Social — Cofins, relativa ao período de apuração compreendido entre março de 1996 a dezembro de 1998, no qual foi constatada a insuficiência de recolhimento, conforme apurado pela fiscalização na escrita fiscal e contábil da empresa. Impugnando a exigência, a empresa alegou a desconsideração pela fiscalização de custos relativos ao agenciamento de carga como :ornador de serviços. Aduziu, também haver extrapolação do conceito de fatttramento com a inclusão de receitas financeiras e de valores repassados a terceiros. Cita precedentes dos Conselhos de Contribuintes relativos ao agenciamento praticado pelas agências de propaganda e a solução de consulta da SRRF/7" 12F sobre os recebimentos em consignação por agência de transporte. Apreciando as razões de recurso a Turma Julgadora decidiu, por unanimidade, julgar procedente o lançamento. Cientificada em 22/08/2006, a empresa apresentou, em 21/09/2006, recurso voluntário a este Eg. Conselho de Contribuintes, antepondo os seguintes argumentos de resistência à sua manutenção: 1) incongruência entre os valores tomados como base de cálculo, os quais não encontram respaldo na escrita contábil e fiscal da recorrente, sendo contraditórios entre si quando comparados com os valores tomados como base de cálculo do PIS para os mesmos períodos, resultando em total inconfiabilidade da quantificação da exação fiscal e a sua iliquidez, além de dificultar a defesa da recorrente; 2) conforme rege o contrato social, exerce atividade de prestação de serviços junto a exportadores e importadores, compreendidos no conceito de logística de transporte de cargas, com contratação de transportadores, capatazias, serviços portuários, etc, por conta e ordem e no interesse dos donos das cargas, o que importa em trânsito de recursos de terceiros por sua contabilidade, a título de reembolso de execução de atividades decorrentes de mandato outorgado, via contrato padrão; 3) admissão pela lei civil do (11 2 Processo n° 13808.00123612002-90 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.062 Fl. 425 contrato da ~dato tácito e não expresso por ~ri" n que ocorre quando inicia a prestação serviços antes mesmo da assinatura do contrato padrão, resultando daí o início da relação jurídica de mandato, comissão, gestão de negócios ou agência, que permeia todas as suas atividades, uma vez que atua junto aos importadores e exportadores, assessorando-os, como agência, comissária ou mandatária e até como gestora de negócios. Realiza operações de conta alheia; 4) o autuante e a decisão recorrida consideraram como receita valores que são dívida da recorrente e créditos constituídos nos casos em que, por conta e interesse de seus clientes, tenha adiantado numerário para pagamento de outros prestadores de serviços tais como transportadores, despachantes, etc, nos quais realiza operações de contra alheia, que são especialmente consideradas pela legislação vigente no período considerado pelo auto de infração; 5) o conceito de faturamento aplicável aos fatos geradores em questão é o contido na legislação anterior à Lei n° 9.718/98 por serem todos anteriores à sua edição; 6) precedentes dos Conselhos de Contribuintes determinam a apuração do valor do serviço prestado e não a partir de valores globais constantes da DIPJ ou nos balanços sintéticos; 7) em razão das incongruências do auto de infração refez a apuração da base de cálculo e, excluindo os valores já recolhidos, apurou bases de cálculo complementares, sobre as quais recolheu a Cofins devida, com os juros de mora e a multa de oficio reduzida em 3094 sendo, portanto, parcial o recurso apresentado, pela redução do valor total da lide. (para uma diferença de base de cálculo apurada pela fiscalização no total de R$42.025.488,76, recolheu sobre uma diferença de base de cálculo no valor de R$6.674.674,53 —fi 149 xfl. 256). Alfim requer seja o recurso conhecido e provido para considerar insubsistente o Auto de Infração, na parte que restou controvertida." Foi solicitada a diligência para que a fiscalização identificasse a origem, na escrita fiscal da recorrente, dos valores relativos às bases de cálculo de cada mês lançado, apresentando quadro demonstrativo discriminando as diferenças. A mera referência à Conta Clientes Contas a Receber dificulta o conhecimento das divergências apontadas. Também para intimar a recorrente para demonstrar e provar a realização de operações de conta alheia, os valores envolvidos e os respectivos resultados auferidos. Após o atendimento da intimação por parte da recorrente, foi solicitado que a fiscalização, se for o caso, elaborasse novo demonstrativo ajustando as bases de cálculo, no que couber, à receita bruta efetivamente comprovada. Concluídos os trabalhos pela fiscalização, dar ciência à recorrente para, se quiser, manifestar-se no prazo de 10 (dez) dias, devendo os autos retomar a esta Câmara deste Conselho de Contribuintes para prosseguir no julgamento. É o relatório. (Av 3 Processo n° 13808.00123612002-90 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.062 Fl. 426 Voto Conselheira Relatora MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA, Relatora O relatório fiscal de fls. 402/404, do qual o recorrente tomou ciência pessoalmente em 16/07/2008 (fl. 404), informa que, para atender aos termos da diligência requerida pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, intimou a recorrente diversas vezes — quatro, para ser exata, no período de janeiro a junho de 2008, sem lograr êxito na obtenção dos documentos requeridos. A Resolução que converteu o julgamento em diligência foi expedida em face das alegações apresentadas pela recorrente em seu recurso voluntário e objetivando observar os princípios da ampla defesa e do contraditório. Entretanto, às diversas intimações efetuadas pela fiscalização, inclusive fazendo o esclarecimento de que os documentos fiscais que dão arrimo a litígio fiscal devem ser conservados enquanto não esgotado o trânsito processual, o contribuinte respondeu, invariavelmente, não mais possuir a documentação em que fundou suas alegações de recurso. A legislação tributária é expressa em determinar que os documentos fiscais devem ser conservados enquanto não extinta lide fiscal que seja deles dependente. A recorrente enviou à fiscalização exclusivamente os Livros Diários, desacompanhados de qualquer um dos documentos de suporte. Referidos livros foram devolvidos, sendo esclarecido ao contribuinte a imprestabilidade da escrita contábil desacompanhada dos respectivos documentos. Após a ciência do encerramento da diligência, instada a manifestar-se, a recorrente protocolou, em 28/07/2008, na repartição fiscal, Manifestação na qual expõe que "no interesse de resolver a situação e colaborar com a fiscalização, vimos pleitear a concessão de prazo suplementar de 60 (sessenta) dias a fim de que se possa finalmente dar uma resposta acertada à solicitação de documentos da empresa". Esclareça-se, de pronto, que a diligência requerida teve o escopo de evitar a ocorrência de cerceamento do direito de defesa da recorrente em face dos fatos alegados no recurso voluntário. Pode ainda ser constatado que a fiscalização, quando da apuração dos fatos, verificou a existência de divergência entre os valores escriturados e aqueles oferecidos à - tributação. Intimou a recorrente a explicitar as diferenças apuradas. Informa o relatório fiscal que num primeiro momento a empresa alegou desconhecer os motivos das mesmas. Em seguida buscou esclarecer, apresentando documento, que "entre outros esclarecimentos vinculados à operacionalização das atividades da empresa, apresenta fluxo contábil adotado no reconhecimento de seus custos e receitas". As mesmas alegações foram apresentadas no recurso voluntário acerca do fato de concorrer com diversos custos de responsabilidade de tomador de serviços, que lhe são reembolsados em algum momento da liquidação financeira das respectivas operações. ÇA/1- 4 - .• Processo n°13808.001236/2002-90 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.062 Fl. 427 À viga ri i cen, a fiernlj7nç4n, à épnr a An ar floral , pronInvai 1 exàrnas baseados em documentos e livros fiscais, além de demonstrativos contábeis apresentados pela recorrente, constatando o comprometimento da eficiência técnica das contas contábeis em que os lançamentos foram efetuados. Desse modo, constatou a fiscalização que somente parte da receita auferida pela recorrente foi oferecida à tributação. A defesa da recorrente em nada diverge das anteriormente apresentadas. Entretanto, todas elas desguarnecidas de documentação probatória. E, na presente circunstância, é fato que é imprescindível, para comprovação das alegações de defesa, a apresentação das provas documentais. Segundo o brocardo latino as alegações sem prova, corresponde ao mesmo que não alegar (Allegatum, nom probatum, nom allegatum). O processo administrativo fiscal pauta-se pela materialidade dos fatos, não importando a intenção do indivíduo e sim a ocorrência do fato ou situação. Daí a prova documental ser o meio de maior uso. Em relação à defesa, as alegações apresentadas pela recorrente são referentes a fato que entende ser modificativo do direito da Fazenda de exigir o crédito tributário, na medida em que afirma que a realização de operações de conta alheia é que ensejaram a exclusão dos valores relativos aos custos de responsabilidade de terceiros. Entretanto tais alegações carecem de provas. Em decorrência dos fatos narrados, entendo que precluiu o direito da recorrente de apresentar provas relativas à formação da base de cálculo, restando desacobertadas de provas as alegações de defesa. Efetivamente, os valores lançados poderiam, sim, serem excluídos da tributação, como pretendido pela recorrente. Entretanto o ponto fimdamental dos autos é a formação da prova das alegações apresentadas. Por inexistentes, não podem ser acolhidas as razões de defesa. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, 06 de maio de 2009. el- --- /9 . Alt C IS INA R4 iACISTA 5 Page 1 _0044900.PDF Page 1 _0045000.PDF Page 1 _0045100.PDF Page 1 _0045200.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13830.001035/2005-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/10/1998
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Súmula CARF nº 91.
PIS.. LEI COMPLEMENTAR Nº 7/1970. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.212/1995 E REEDIÇÕES. VIGÊNCIA. .RESP Nº 1.136.210/PR DECIDIDO NA SISTEMÁTICA DE RECURSOS REPETITIVOS.
Suspensa a aplicação de medida provisória (MP 1.212/1995) durante o período de anterioridade nonagesimal e suspensa a execução de legislação declarada inconstitucional (Decretos-lei nºs 2.445 e 2.449, de 1988), aplica-se o disposto na legislação então vigente (LC 7/1970).
A contribuição social destinada ao PIS permaneceu exigível no período compreendido entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei Complementar 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições. Resp nº 1.136.210/PR.
Numero da decisão: 3201-005.205
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1996 a 31/10/1998 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Súmula CARF nº 91. PIS.. LEI COMPLEMENTAR Nº 7/1970. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.212/1995 E REEDIÇÕES. VIGÊNCIA. .RESP Nº 1.136.210/PR DECIDIDO NA SISTEMÁTICA DE RECURSOS REPETITIVOS. Suspensa a aplicação de medida provisória (MP 1.212/1995) durante o período de anterioridade nonagesimal e suspensa a execução de legislação declarada inconstitucional (Decretos-lei nºs 2.445 e 2.449, de 1988), aplica-se o disposto na legislação então vigente (LC 7/1970). A contribuição social destinada ao PIS permaneceu exigível no período compreendido entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei Complementar 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições. Resp nº 1.136.210/PR.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13830.001035/2005-58
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5988109
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-005.205
nome_arquivo_s : Decisao_13830001035200558.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13830001035200558_5988109.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
id : 7696930
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051659641290752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1799; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 159 1 158 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.001035/200558 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201005.205 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2019 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO_COMPENSAÇÃO Recorrente DISTRIBUIDORA FARMACEUTICA MARILIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1996 a 31/10/1998 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Súmula CARF nº 91. PIS.. LEI COMPLEMENTAR Nº 7/1970. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.212/1995 E REEDIÇÕES. VIGÊNCIA. .RESP Nº 1.136.210/PR DECIDIDO NA SISTEMÁTICA DE RECURSOS REPETITIVOS. Suspensa a aplicação de medida provisória (MP 1.212/1995) durante o período de anterioridade nonagesimal e suspensa a execução de legislação declarada inconstitucional (Decretoslei nºs 2.445 e 2.449, de 1988), aplicase o disposto na legislação então vigente (LC 7/1970). A contribuição social destinada ao PIS permaneceu exigível no período compreendido entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei Complementar 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições. Resp nº 1.136.210/PR. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 10 35 /2 00 5- 58 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13830.001035/200558 Acórdão n.º 3201005.205 S3C2T1 Fl. 160 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo no Acórdão nº 1434.429: Trata o presente processo de pedido de restituição de créditos da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) que teriam sido recolhidos indevidamente no período entre 01/01/1996 e 31/10/1998, no valor de R$ 161.495,63, combinado com pedido de compensação com débitos vencidos e vincendos, sob a alegação de que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 18 da Lei n° 9.715, de 1998, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) nº 1.4170, inexiste fato gerador da contribuição para aquele período. Isso ocorreria, no entender da requerente, porquanto a Medida Provisória (MP) nº 1.212, de 1995, não respeitou o prazo nonagesimal, pois, em virtude das freqüentes reedições, esse prazo sempre seria reiniciado. A DRF/Marilia, por meio do despacho decisório de fls. 79/84, indeferiu a solicitação da contribuinte, alegando que o prazo da anterioridade nonagesimal é contado a partir da primeira edição da medida provisória, portanto a MP n° 1.212, de 1995, teve vigência a partir de março de 1996, e antes disso vigorou a Lei Complementar (LC) no 7, de 7 de setembro de 1970, concluindo que durante todo o período reclamado os recolhimentos foram válidos. Considerou também a autoridade a quo que os recolhimentos, mesmo que fossem inválidos, já foram atingidos pela decadência, haja vista que o mais recente data de 13/11/1998, portanto ocorreu há mais de cinco anos da protocolização do pedido, que se deu em 08/06/2005. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a impugnação às fls. 89/99, requerendo a esta DRJ a reforma da decisão proferida pela DRF, para que seja autorizada a restituição do PIS, cumulada com a compensação com débitos vencidos e vincendos, alegando, em resumo, que após a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Adin nº 14170, em 02/08/1999, criouse um período de vacância da lei entre outubro de 1995 e outubro de 1998. Tal fato ocorreria porquanto a Medida Provisória (MP) nº 1.212, de 1995, não teria respeitado o prazo nonagesimal, Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13830.001035/200558 Acórdão n.º 3201005.205 S3C2T1 Fl. 161 3 pois, em virtude das freqüentes reedições, o prazo sempre seria reiniciado. Por outro lado, a cobrança com base na LC nº 7, de 1970, também seria incabível, pois não poderia haver dois diplomas legais normatizando o mesmo assunto no mesmo período. Discorre também a interessada sobre o embasamento legal da compensação entre tributos de espécies diferentes, concluindo pela possibilidade do exercício desse direito. Quanto ao prazo para se postular a restituição, argumenta que, nos tributos lançados por homologação, como é o presente caso, a extinção do crédito estaria sujeita a uma condição resolutória, qual seja, a homologação, tácita, após cinco anos, ou expressa, por parte do Fisco; assim, o prazo para se pleitear restituição/compensação é de cinco anos, contados da homologação do pagamento, que é quando ocorreria a extinção do crédito; como neste caso não houve homologação expressa, na prática o prazo para se exercer o direito à restituição/compensação do indébito seria de dez anos. Por fim, solicita a aplicação da taxa do Selic sobre o saldo a restituir, conforme legislação de regência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, por intermédio da 4ª Turma, no Acórdão nº 1434.429, sessão de 07/07/2011, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório pleiteado, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1996 a 31/10/1998 RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO. A restituição de indébito fiscal relativo ao PIS está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. PIS. VIGÊNCIA DA LEI. Suspensa a aplicação de medida provisória (MP 1.212/1995) durante o período de anterioridade nonagesimal e suspensa a execução de legislação declarada inconstitucional (Decretos lei nºs 2.445 e 2.449, de 1988), aplicase o disposto na legislação então vigente (LC 7/1970). PIS. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. Em cumprimento ao principio constitucional da anterioridade nonagesimal, as alterações introduzidas pela Medida Provisória ri° 1.212, de 1995 e suas reedições, somente terão eficácia a partir do período de apuração de março de 1996. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13830.001035/200558 Acórdão n.º 3201005.205 S3C2T1 Fl. 162 4 COMPENSAÇÃO. PIS. INDEFERIMENTO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário no qual solicita a reforma da decisão recorrida para que lhe seja reconhecido o direito à restituição/compensação pleiteada, apontando para os mesmos argumentos suscitados em manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O litígio posto em julgamento reclama decisão quanto à prescrição do direito creditório decorrente do alegado pagamento indevido/a maior que o devido do PIS, nos termos da Lei Complementar nº 07/70, realizado pelo contribuinte no período de janeiro/1996 a outubro/1998. No mérito, a autoridade administrativa asseverou que a aplicação da LC nº 07/70, no período entre 10/1995 e 02/1996, resultou em débito sempre superior àquele calculado na vigência da MP nº 1.212/1995, e reedições, haja vista a elevação da alíquota de 0,65% para 0,75%. Prescrição da repetição do indébito A decisão recorrida corroborou os fundamentos do despacho decisório para não acolher o pedido de restituição do contribuinte por entender alcançado pela decadência, visto que ultrapassados mais de 05 (cinco) anos entre a data dos pagamentos e da formalização da solicitação. A declaração de compensação foi analisada pela DRF em Marília/SP que a indeferiu sob o fundamento de que na data da sua formalização o direito da interessada repetir os indébitos reclamados compensandoos com débitos próprios encontravase alcançado pela decadência, nos termos dos arts. 150 § 4º, 165, I e 168, I, do CTN observado o disposto no Ato Declaratório SRF n° 96/1999, conforme consta do Parecer Saort nº 2005/2442 e Despacho Decisório (fls. 81/86). Firmouse então o Fisco na tese de que o pedido de restituição deve se dar dentro do prazo de 5 anos do pagamento indevido ou a maior. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13830.001035/200558 Acórdão n.º 3201005.205 S3C2T1 Fl. 163 5 A manifestação de inconformidade interposta contra aquela decisão foi julgada improcedente pela DRJ, sob o mesmo fundamento legal no qual a DRF exarou o despacho decisório recorrido, ou seja, o indébito estava alcançado pela decadência. Inconformada, a contribuinte arguiu que a jurisprudência dos tribunais superiores estabeleceu o prazo prescricional de 10 (dez) anos para o direito de pleitear restituição de indébito tributário, através da chamada tese dos “cinco mais cinco" A tese defendida pela fiscalização/DRJ era acolhida em decisões administrativas e judiciais; todavia, atualmente, encontrase pacificada e superada. É verdade que prevalecera a tese de que o termo inicial do prazo para a repetição do indébito era a data do pagamento do tributo, sobretudo após a edição da Lei Complementar nº 118/2005, verbis: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. No entanto, o STJ firmou entendimento de que o preceito da parte final do art. 4º da LC nº 118/2005, encontrase maculado por vício de inconstitucionalidade, não se cogitando na aplicabilidade retroativa do disposto no artigo 3°, consoante esculpido Recurso Especial nº 1.002.932/SP. Em síntese, posicionouse aquele Tribunal no sentido de que, no caso de repetição de indébito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo prescricional para protocolizar o pedido, após o advento da LC n° 118/05, contase da seguinte forma: 1) Pedidos efetuados antes da LC 118/2005 (até 08/06/2005) – Prazo de 10 (dez) anos – tese dos "5 + 5", contados da ocorrência do fato gerador, limitado ao período máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova; 2) Pedidos realizados após a vigência da LC 118 (09/06/2005) – Prazo de 05 (cinco) anos a contar da data do pagamento indevido; Corroborando a posição do STJ, o Supremo Tribunal Federal, pacificou a matéria, ratificando a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da LC n° 118/2005, mantendo, portanto, o prazo prescricional com base na tese dos 5 + 5 para nos casos de recolhimentos indevidos ocorridos anteriormente à vigência do aludido diploma legal. Sua decisão foi exarada no Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, julgado sob a sistemática do rito previsto no artigo 543B do antigo Código de Processo Civil. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13830.001035/200558 Acórdão n.º 3201005.205 S3C2T1 Fl. 164 6 A ressalva imposta pelo STF foi de que a LC nº 118/05 poderá ser aplicado às "ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005." Aos julgadores do CARF impõese a aplicação do que restar decidido pelo STJ e STF na sistemática do arts. 543B e 543C, do antigo CPC, a teor do que prescreve o disposto no caput do art. 62 da Portaria MF nº 343/2015 RICARF1 Quanto à aplicação das decisões dos Tribunais Superiores apenas às ações judiciais, excluindose dos pedidos administrativos, tem a Câmara Superior de Recursos Fiscais decidido a favor do contribuinte, a exemplo do Acórdão nº 9303003.313, decidido por unanimidade de votos, de lavra do Cons. Henrique Pinheiro Torres, no processo nº 13766.000694/9924, Sessão de 10 de dezembro de 2015. Segue excerto do voto: [...] Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 2005. Com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é. Com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF. Por conseguinte, deve todos os demais tribunais e órgãos administrativos observarem suas decisões. De outro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF, já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, temse que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob exame, na data em 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13830.001035/200558 Acórdão n.º 3201005.205 S3C2T1 Fl. 165 7 que protocolado o pedido de repetição (22/07/1999), os créditos a ele pertinentes não haviam sido alcançados pela prescrição. [...] Nesse mesmo sentido, recentes decisões da CSRF tem aplicado aos pedidos administrativos de restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ao a maior as teses assentadas pelo STJ e STF. Citese os acórdãos nºs. 9303005.488 (27/07/2017) e 9900 001.015 (11/12/2017), este do Pleno. A matéria encontrase pacificada com a edição da Súmula CARF nº 91: "Ao pedido administrativamente antes de 9 de junho de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador." Com base nesse entendimento, tendo em vista os recolhimentos antes da vigência da Lei Complementar n° 118/2005, e considerando que o Pedido de Restituição foi apresentado em 08/06/2005, temse que, relativamente a fatos geradores ocorridos no período de janeiro/1996 a outubro de 1998, a título de PIS, não foram alcançados pela prescrição. (In)existência de pagamento a maior O argumento de mérito da autoridade administrativa para o indeferimento do pedido de restituição é a inexistência de pagamento a maior, com base na alíquota do PIS vigente na LC nº 07/70 em confronto com aquela estipulada na vigência da MP nº 1.212/95. A contribuição para o PIS no período de outubro/1995 a fevereiro/1996 deixou de se sujeitar às regras da MP nº 1.212/1995, convertida na Lei nº 9.715/98, por força de decisão do STF no RE nº 232.896 e ADI nº 1.4170 e reconhecida pela Administração na IN SRF nº 6/2000. Assim, aos fatos geradores ocorridos no indigitado período aplicouse o disposto na Lei Complementar nº 07/1970, com a tese firmada pelo Superior Tribunal de Justiça, sob o rito do recurso repetitivo, no Resp nº 1.136.210/PR, com trânsito em julgado em 08/03/2010: “A contribuição social destinada ao Pis permaneceu exigível no período compreendido entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei Complementar 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições.” Improcedente, pois, a argumentação da recorrente de que a declaração de inconstitucionalidade na ADI nº 1.4170, em 02/08/1999, criou um período de vacância da lei entre outubro/1995 e outubro/1998, quando entrou em vigor a Lei nº 9.715/1998 o que teria implicado o pagamento indevido da integralidade dos valores recolhidos no período de janeiro/1996 a outubro/1998, a título de PIS; pois, em verdade, a Contribuição não deixou de ser devida, apenas sujeitouse à sistemática de recolhimento prevista na LC nº 07/70. Decorre dessa premissa que os valores pagos no período de janeiro/1996 a outubro/1998 são devidos, segundo as regras vigentes na LC 7/70. Cabe, então, verificar se a Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13830.001035/200558 Acórdão n.º 3201005.205 S3C2T1 Fl. 166 8 contribuinte comprova ter efetuado o recolhimento em valores superiores ao devido. Assim explicitou a autoridade fiscal: Deste modo, a Contribuinte passou a recolher o PIS com base no faturamento do próprio mês de competência, sob alíquota de 0,65%, inclusive sobre os períodos de 10/95 a 02/96, nos termos da lei. Á época não existia óbice legal em sentido contrário que afastava aplicabilidade da Medida Provisória nº 1.212/95, ou seja, a Contribuinte seguiu as normas de regência. Deste modo, entendo que a Contribuinte estava no estrito cumprimento das normas à época, de modo que para os fatos geradores ocorridos entre novembro de 1995 e fevereiro de 1996 deve ser aplicada a alíquota de 0,65%. De se ressaltar que só caberia restituição a título de PIS, no período sob exame, se tivesse havido pagamento a maior, por conta da utilização de base de cálculo inconstitucionalmente ampliada, no período anterior a vigência da MP 1.212/11995, fato este não ocorrido nos autos e sequer suscitado pela recorrente. Compulsando os DARFs acostados às folhas 28/60, referente aos recolhimentos do período de 01/1996 a 10/1998, nos quais se encontram informados os valores de base de cálculo, e no confronto com as alíquotas vigentes no período, verificase a inexistência de qualquer pagamento a maior que o devido. Assim, inobstante reconhecer que o pleito não fora alcançado pela prescrição, constatase plenamente devido o PIS recolhido pela contribuinte no período de 01/1996 a 10/1998, nos termos da decisão exarada pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos no Resp nº 1.136.210/PR, vinculante aos julgadores do CARF por força do art. 62 do RICARF, e não se verificando qualquer pagamento a maior, é de se confirmar não reconhecido o direito à restituição pleiteada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento quanto ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13433.001065/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
MULTA REGULAMENTAR. INFORMAÇÃO FALSA. CABIMENTO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELA DECADÊNCIA
Nos termos do § 3º do art. 86 da Lei nº 8.981, de 1995 a fonte pagadora que prestar informação falsa sobre rendimentos pagos, deduções ou imposto retido na fonte, será aplicada multa de trezentos por cento sobre o valor que for indevidamente utilizável, como redução do Imposto de Renda a pagar ou aumento do imposto a restituir ou compensar, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais.
O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Como a realização do lançamento ocorreu após o prazo, restou configurada a decadência.
Numero da decisão: 2401-006.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário devido à decadência.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 MULTA REGULAMENTAR. INFORMAÇÃO FALSA. CABIMENTO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELA DECADÊNCIA Nos termos do § 3º do art. 86 da Lei nº 8.981, de 1995 a fonte pagadora que prestar informação falsa sobre rendimentos pagos, deduções ou imposto retido na fonte, será aplicada multa de trezentos por cento sobre o valor que for indevidamente utilizável, como redução do Imposto de Renda a pagar ou aumento do imposto a restituir ou compensar, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Como a realização do lançamento ocorreu após o prazo, restou configurada a decadência.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13433.001065/2009-71
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5984818
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-006.126
nome_arquivo_s : Decisao_13433001065200971.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
nome_arquivo_pdf_s : 13433001065200971_5984818.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário devido à decadência. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
id : 7688054
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051659652825088
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-04-08T04:46:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-04-08T04:46:03Z; Last-Modified: 2019-04-08T04:46:03Z; dcterms:modified: 2019-04-08T04:46:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-04-08T04:46:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-04-08T04:46:03Z; meta:save-date: 2019-04-08T04:46:03Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-04-08T04:46:03Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-04-08T04:46:03Z; created: 2019-04-08T04:46:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-04-08T04:46:03Z; pdf:charsPerPage: 1573; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-04-08T04:46:03Z | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13433.001065/200971 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401006.126 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente SERGIO LUIZ LOBATO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 MULTA REGULAMENTAR. INFORMAÇÃO FALSA. CABIMENTO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELA DECADÊNCIA Nos termos do § 3º do art. 86 da Lei nº 8.981, de 1995 a fonte pagadora que prestar informação falsa sobre rendimentos pagos, deduções ou imposto retido na fonte, será aplicada multa de trezentos por cento sobre o valor que for indevidamente utilizável, como redução do Imposto de Renda a pagar ou aumento do imposto a restituir ou compensar, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Como a realização do lançamento ocorreu após o prazo, restou configurada a decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário devido à decadência. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 00 10 65 /2 00 9- 71 Fl. 1771DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife PE (DRJ/REC) que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o Crédito Tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 1129.610 (fls. 1683/1687): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência da multa no percentual de 300%, sobre o valor indevidamente utilizável em decorrência de apresentação de falsa Declaração de Imposto Retido na Fonte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata de Auto de Infração (fls. 1650/1652), lavrado contra o Contribuinte em 23/11/2009, relativo ao anocalendário 2003, decorrente da apresentação de Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRPF) fato gerador em 16/06/2003, no qual é exigido o recolhimento da Multa Regulamentar no valor de R$ 1.420.426,80, passível de redução. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 1656/1662): 1. A DIRF do Exercício 2003 / Ano Calendário 2002 da Câmara Municipal de Serra do Mel é falsa e o responsável pelo preenchimento da DIRF foi o contador Sérgio Luiz Lobato; 2. O Contribuinte transmitiu a DIRF da Câmara Municipal da Serra do Mel com informações de rendimentos e imposto de renda retido na fonte falsos, propiciando a existência das DIRF inverídica; 3. Em função da falsa DIRF foram enviadas 104 Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, Exercício 2003/Anocalendário 2002, com imposto a restituir de R$ 4.552,65, cada, totalizando o valor de R$ 473.475,60 de imposto restituído indevidamente; Fl. 1772DF CARF MF Processo nº 13433.001065/200971 Acórdão n.º 2401006.126 S2C4T1 Fl. 3 3 4. Diante destes fatos foi aplicada a penalidade prevista no § 3° da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, culminado com a lavratura do Auto de Infração de Multa Regulamentar por informação falsa sobre rendimentos pagos, deduções ou imposto retido na fonte, no valor de 300% do total restituído indevidamente, qual seja, R$ 1.420.426,80; 5. Aplicase ao caso em tela o art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional, no que se refere ao prazo decadencial para constituição do Crédito Tributário. O Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração, via Correio, em 24/11/2009 (AR fl. 1664) e, em 23/12/2009, apresentou sua Impugnação de fls. 1665/1667. O Processo foi encaminhado à DRJ/REC para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1129.610, em 29/04/2010 a 1ª Turma resolveu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o Credito Tributário. na sua integralidade. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/REC, via Correio (AR fl. 1690), em 14/09/2010 e, inconformado com a decisão prolatada, em 15/10/2010, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 1692/1693, por meio da qual contesta o lançamento e, em síntese, argumenta: 1. Preliminarmente, que os procedimentos por ele adotados resumese única e exclusivamente à transmissão da DIRF e que em nenhum momento teve a intenção de burlar o Fisco Federal até porque não obteve nenhuma vantagem com os procedimentos descritos; 2. No mérito solicita que seja feita uma análise apurada das peças já acostadas nos autos na certeza de que já são suficientes para subsidiar uma decisão que reforme o Acórdão da DRJ/REC recorrido. Finaliza seu RV requerendo o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 1773DF CARF MF 4 Mérito Segundo o Relatório Fiscal, o dossiê sobre a fraude no Imposto de Renda Pessoa Física Retido na Fonte apontou a necessidade de procedimento de fiscalização em relação aos beneficiários de diversas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), apresentadas em nome da Câmara Municipal Serra do Mel, tendo em vista indícios de que tais declarações haviam sido apresentadas pelo então contador responsável, Sérgio Luiz Lobato, com informações falsas, de forma a gerar restituições indevidas. Após ser intimada para apresentação de documentos acerca dos contratos de prestação de serviços (com ou sem vínculo empregatício) referentes ao ano calendário 2002 para as pessoas relacionadas na lista de fls. 11/13, notas de empenho recibos e autorização de crédito em conta corrente e dotação orçamentária, a Câmara Municipal Serra do Mel prestou os esclarecimentos às fl. 25 asseverando o seguinte: (i) que em consultas realizadas nas pastas de registros contábeis pretéritos da Casa Legislativa, não localizou nenhum pagamento em todo o decorrer do exercício financeiro de 2002, tendo como credores as pessoas físicas relacionadas na LISTA 1 da solicitação fiscal; (ii) Informou que o contador da Casa Legislativa, responsável pela contabilidade no exercício era o Sr. Sérgio Luiz Lobato; (iii) que em consulta aos registros contábeis pretéritos, verificouse que o total da dotação orçamentária, atinente ao repasse do Município para a Câmara Municipal relativo ao exercício de 2002 foi de R$ 202.020,84(duzentos e dois mil, vinte reais e oitenta e quatro centavos), de uma previsão anual constante na Lei Orçamentária Anual (LOA) de RS 28l.000,00(duzentos e oitenta e hum mil reais). A partir da auditoria fiscal, constatouse que os contribuintes listados da DIRF e que receberam a restituição de Imposto de Renda, não tiveram vínculo empregatício e/ou de outra natureza com a Câmara Municipal de Serra do Mel, bem como que o valor total de rendimentos informado na DIRF é incoerente com o orçamento da Câmara, tendo em vista que para o ano em questão, a DIRF registra rendimentos totais de R$ 2.783.040,00 (dois milhões, setecentos e oitenta e três mil e quarenta reais), quando o total da dotação orçamentária, do repasse do Município para a Câmara Municipal relativo ao exercício de 2002 foi de R$ 202.020,84 (duzentos e dois mil, vinte reais e oitenta e quatro centavos), além do que, não existe essa padronização constante na DIRF em que todos receberam da Câmara Municipal o valor de R$ 26.760,00 e, igualmente, todos tiveram restituição no valor de R$ 4.552,65, valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil. Conforme se verifica das respostas das intimações e demais documentos adunados aos autos, os contribuintes listados na DIRF, Exercício 2003/Ano Calendário 2002, não tiveram vínculo empregatício e/ou de outra natureza com a Câmara Municipal de Serra do Mel. Percebese claramente que o valor total de rendimentos informado na DIRF é totalmente incompatível com o orçamento da Câmara Municipal, que para o ano em questão, enquanto nas DIRF são declarados rendimentos totais de R$ 2.783.040,00, a Câmara Municipal informou que o total da dotação orçamentária, que se configura no repasse do Município para a casa legislativa, no exercício de 2002, foi de R$ 202.020,84 do total da previsão anual da Lei Fl. 1774DF CARF MF Processo nº 13433.001065/200971 Acórdão n.º 2401006.126 S2C4T1 Fl. 4 5 Orçamentária Anual (LOA) de R$ 281.000,00 (fl. 25), nos limites em que preceitua a Constituição Federal nos seguintes termos: Art. 29A. O total da despesa do Poder Legislativo Municipal, incluídos os subsídios dos Vereadores e excluídos os gastos com inativos, não poderá ultrapassar os seguintes percentuais, relativos ao somatório da receita tributária e das transferências previstas no § 5o do art. 153 e nos arts. 158 e 159, efetivamente realizado no exercício anterior: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000) I 7% (sete por cento) para Municípios com população de até 100.000 (cem mil) habitantes; (Redação dada pela Emenda Constituição Constitucional nº 58, de 2009) Conforme informações prestadas nos autos, nenhum dos vereadores eleitos no ano de 2000 com mandato até o ano calendário 2004, está relacionado na DIRF (1266/1267). Conforme documento às fls. 1373/1375, existe absoluta padronização no valor dos rendimentos (R$ 26.760,00) e valor das restituições (R$ 4.552,65) do Imposto de Renda das 104 pessoas físicas declaradas na DIRF da Câmara Municipal, o que é pouco acreditável. De acordo com as informações prestadas pela Câmara Municipal, o contador responsável pela contabilidade no exercício objeto da autuação, era o Sr. Sérgio Luiz Lobato, que era responsável pelo preenchimento, transmissão e retificação das DIRF´s (fls. 1376/1387). Por bem demonstrar os fatos ocorridos, destaco a seguir trechos do Relatório Fiscal constante às fls. 1656/1662: 2.4 Da ligação do Sr. Sérgio Luiz Lobato com a empresa Sabatella Foi detectado, durante procedimento específico realizado pelo Escritório de Pesquisa e Investigação na 4ª Região Fiscal que o Sr. Sérgio Luiz Lobato é primo do Sr. Francisco de Assis Carlos Filho, sócio da empresa Sabatella, e sobrinho do Sr Francisco de Assis Carlos, contador da empresa Sabatella. De acordo com os sistemas da Receita Federal do Brasil o nome da mãe do Sr. Sérgio Luiz Lobato é Francisca Ferreira Carlos Lobato, que vem a ser irmã de Francisco Assis Carlos CPF: 021.207.984O0 (pai do Sr. Francisco de Assis Carlos Filho), vide documento 16. Na mesma busca e apreensão determinada no processo da Justiça Federal do Rio Grande do Norte de n° 2003.84.00.0143641 no escritório do contador Sérgio Luiz Lobato, em 12 de maio de 2004, foi apreendida uma pasta azul com os dizeres “Esquema”, na qual continha 27 páginas com relações de nomes, data de nascimento, CPF, título de eleitor, dados da conta bancária compostos de nome do banco, conta, agencia e data no formato de carimbo (provavelmente a da abertura), no total de 117 pessoas, sendo que na primeira relação tem a introdução “À SERGIO CORRUPTO CONTADOR RELAÇÃO DAS CONTAS ABERTAS”, seguida da palavra “Vítimas”, documento 17. Comparando esta relação com a DIRF Exercício 2003/Anocalendário 2002 da Câmara Municipal de Serra do Mel (documento 02), dos 104 Fl. 1775DF CARF MF 6 beneficiários da DIRF, 98 constam na referida relação (Vítimas), os quais são relacionados como funcionários da empresa Sabatella. O autuado Sérgio Luiz Lobato, foi o responsável pelo preenchimento e transmissão da DIRF da Câmara Municipal da Serra do Mel com informações falsas, colocando como beneficiários da referida DIRF somente os supostos funcionários da empresa Sabatella. 'Além de transmitir, através de sua conexão de internet, dez declarações de IRPF retificadoras, cujo endereço informado é Av. México n° 76, Olinda/PE, o mesmo da empresa Sabatella. No mesmo dia, através da mesma conexão, foi transmitida a DIRF retificadora da Câmara Municipal de Serra do Mel, na qual estes 10 contribuintes foram incluídos como beneficiários de rendimentos. Estas mesmas declarações de Imposto de Renda Pessoa Física já haviam sido transmitidas no dia 10/04/2003, através de conexão ã internet do próprio Sr. Sérgio Luiz Lobato (documento 12). Desse modo, podese concluir pela existência da ligação do Sr. Sérgio Luiz Lobato com a empresa Sabatella, já que o mesmo na confecção da DIRF da Câmara Municipal da Serra do Mel, utilizou como beneficiários os supostos funcionários da referida empresa, como efetuou a transmissão de dez (10) DlRPFs Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física desses supostos funcionários. Nas fls. 1263 consta o termo de declaração prestado por Francisco de Assis Carlos Filho à Delegacia Policial de Repressão ao Estelionato. Consta às fls. 1389 o Auto de Apresentação Apreensão, onde no item 47 a “Pasta azul” com o título “ESQUEMA” com vasta documentação e contendo como primeiro documento “À SÉRGIO CORRUPTO CONTADOR RELAÇÃO DE CONTAS ABERTAS”. O contribuinte em nenhum momento trouxe provas, ou alegações consistentes que refutassem as constatações aduzidas no Relatório Fiscal. O Recurso Voluntário apresentado às fls. 1692/1693 apresenta apenas argumentos gerais sem contrapor as condutas constatadas e as infrações que lhes foram impostas. Diante dos fatos apurados e das provas constantes nos autos, constatase que a DIRF foi apresentada com informações inverídicas e que não daria direito à pessoa física de pleitear a restituição de Imposto de Renda, por não ter ocorrido retenção antecipada pela fonte pagadora ou pagamento mediante carnêleão. No entanto, in casu, ocorreu a restituição do imposto de renda para cada beneficiário, em decorrência da informação falsa prestada pelo Recorrente, acerca dos rendimentos pagos. Em virtude do referido fato, a multa aplicada é a estabelecida no artigo 86 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 que estabelece o seguinte: Art. 86. As pessoas físicas ou jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do Imposto de Renda na fonte, deverão fornecer à pessoa física ou jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das Fl. 1776DF CARF MF Processo nº 13433.001065/200971 Acórdão n.º 2401006.126 S2C4T1 Fl. 5 7 deduções e do Imposto de Renda retido no anocalendário anterior, quando for o caso. § 3º A fonte pagadora que prestar informação falsa sobre rendimentos pagos, deduções ou imposto retido na fonte, será aplicada multa de trezentos por cento sobre o valor que for indevidamente utilizável, como redução do Imposto de Renda a pagar ou aumento do imposto a restituir ou compensar, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais. § 4º Na mesma penalidade incorrerá aquele que se beneficiar da informação, sabendo ou devendo saber da sua falsidade. Percebese que a multa descrita na hipótese contida no § 3º do art. 86 da Lei nº Lei n° 8.981/95, somente acontece quando, em face da informação falsa sobre rendimentos pagos, deduções ou imposto retido na fonte, ocorrer utilização indevida, como, como redução do Imposto de Renda a pagar ou aumento do imposto a restituir ou compensar. Pois bem. Embora o contribuinte não tenha se pronunciado acerca da decadência em seu Recurso Voluntário, por ser matéria de ordem pública que transcende aos interesses das partes, podendo ser apreciada de ofício pelo julgador, passo à análise. Em decorrência das informações falsas contidas na DIRF foi disponibilizado imposto a restituir no valor de R$ 4.421,3, para cada um dos 104 beneficiários incluídos indevidamente na DIRF, com “DATA DISPONÍVEL: 16/06/2003 A 16/06/2004” (fls. 1268 e seguintes). De acordo com o lançamento o fato gerador ocorreu em 16/06/2003. No entanto, por tratarse de penalidade, a contagem do prazo deve ser observado o disposto no artigo 173, inciso I do CTN que assim dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Como o lançamento se perfectibilizou com a intimação do contribuinte que ocorreu em 24/11/2009, resta configurada a decadência do crédito tributário. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e DOULHE provimento para declarar a decadência. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1777DF CARF MF
score : 1.0
