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Numero do processo: 10380.910546/2008-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3302-000.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: Não se aplica
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NORDESTE DE AQUICULTURA E ALIMENTAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Relatório No dia 02/06/2004 a empresa CINA CIA NORDESTE DE AQUICULTURA E ALIMENTAÇÃO, já qualificada nos autos, apresentou PERDCOMP pleiteando o ressarcimento de crédito presumido de IPI (Portaria MF nº 38/97), relativo ao 4º trimestre de 2003, e declarando a compensação de débitos com o referido crédito. Após a realização das verificações fiscais, a DRF em Fortaleza CE não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas, nos termos do Despacho Decisório de flse. 249/250. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 10 54 6/ 20 08 -6 2 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.910546/200862 Resolução nº 3302000.250 S3C3T2 Fl. 3 2 Para indeferir o pleito da Recorrente, a autoridade da RFB acolheu os fundamentos do Termo de Verificação Fiscal, resumidos pela decisão recorrida nos seguintes termos (flse. 331/333): a) Analisando as notas fiscais de saída disponibilizadas pela empresa (ano 2003), aqui destacadas as NF de venda para o exterior (CFOP 7.11 e 7.101), verificamos inconsistências que comprometem a razão da empresa quando se apresenta no Pedido de Ressarcimento (através de PER/DCOMP) como produtora e exportadora. Foram relacionadas várias NF; b) Como pode ser constatado, o CFOP destas notas repetemse em 7.11 e 7.101, mas, segundo as informações escritas manualmente ou datilografadas no corpo da nota, quantidades improváveis de mercadorias exportadas não foram produzidas pela Interessada, Cina Cia Nordeste de Aqiiicultura e Alimentação, mas pelos seguintes estabelecimentos industriais, o que pode ser verificado na tabela e nas cópias das NF anexadas: Aqua Aquicultura Ltda CNPJ 04.634.110/000166 Maricultura do Maranhão Ltda CNPJ 00.017.358/000208 Camarões do Brasil Ltda CNPJ 03.681.729/000240 Fco. Ferreira Souto Filho CNPJ 08.248.957/000197 Aquarium Aquicultura do Brasil Ltda CNPJ 04.153.254/000109 c) Além do visto, a impossibilidade de quantificar o que foi efetivamente produzido e exportado pela Interessada, a documentação apresentada pela empresa não permite saber qual a relação comercial e/ou industrial que a mesma manteve no período com os cinco citados estabelecimentos produtores, o que impede tentativa de se chegar a alguma conclusão sobre que insumos foram efetivamente adquiridos e utilizados pela Cina da fabricação de produtos exportados, haja vista que, em relações que, (...), parecem tão próximas, ao ponto de a interessada responder intimamente, no corpo de suas notas fiscais, pela exportação de outras empresas, não é difícil ocorrerem trocas ou mesmo cessões informais de matériaprima, produto intermediário e/ou material de embalagem, especialmente considerando que todas as empresas envolvidas tiveram produtos industrializados pelo mesmo estabelecimento industrial, M.M.C Industrial Ltda, em Luis Correia, PI; d) Esse estabelecimento, acompanhado do Cominalli Com. Ind. de Alimentos Ltda, foram indicados pela empresa interessada como industrializadores por encomenda, o que justificaria a citação dos mesmos no corpo das notas fiscais quando isoladamente, sem referência a qualquer dos cinco estabelecimentos que tiveram produtos seus exportados pela Cina, no entanto, verificando as NF de saída oferecidas, somente a partir de 04.08.2003, surge a primeira nota de Remessa p/ Industrialização (NF 2102), no caso para a Cominalli Com Ind de Alimentos Ltda, que teria recebido camarões do Mar com Cabeça, sem classificação fiscal, 2.460kg, para processar, embalar e congelar, e, imaginando que tudo teria sido feito muito rápido, explicaria a emissão da NF 2085 Camarão sem Cabeça Congelado (Aqüicultura), classificação fiscal resumida aos dígitos 0306 (ver tabela), em 06.08.2003, CFOP 7.101, não fosse pela quantidade exportada, 2.704kg, superior ao que teria sido remetido para Fl. 402DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.910546/200862 Resolução nº 3302000.250 S3C3T2 Fl. 4 3 industrialização, e pela divergência quanto à origem do camarão (do mar x aqiiicultura); e) Aliás, sobre origem do camarão, a inconsistência é ainda maior, a empresa afirma que o camarão que adquire tem origem na aqüicultura, como pode ser verificado na Relação das MP, PI e ME Adquiridos, onde relaciona apenas Camarão de Fazenda, classificação fiscal 0306.23.00, origem que também pode ser verificada nas NF de Saída CFOP 7.11 ou 7.101, mas todo o camarão descrito nas poucas notas de Remessa para Industrialização tem origem no mar (Camarão do Mar c/ Cabeça e Camarão do Mar s/Cabeça); f) Adendo às inconsistências verificadas, salta aos olhos, nas NF 2103 e 2109 Remessa para Industrialização (para Cominalli Com e Ind de Alimentos Ltda), a descrição do que parecem ser materiais de embalagem (o que não é possível assegurar, haja vista que, como em todas as NF de saída da interessada, a classificação fiscal não está aposta ou assim não o foi corretamente), "Tampas Pirangi Cominalli" e "Cartões Pirangi Cominalli", haja vista ser estranho que um simples industrializador por encomenda dê nome ao produto do encomendante. g) No que se refere ao estabelecimento M.M.C Industrial Ltda, em Luis Correia, PI, a inconsistência ainda é maior, haja vista que em 15.05.2003 o mesmo já teria processado, embalado e congelado para a Interessada, quando, no entanto, somente em 28.08.2003, NF 2120, teria recebido a primeira remessa para industrialização, Camarão do mar c/ Cabeça e Camarão do Mar s/ Cabeça, seguida de outras (NF 2121, 08.09.2003, e 2125, 09.09.2003), que descrevem os mesmos insumos, e somente os mesmos, o que faz restar a pergunta: e o produto químico metabissulfito de sódio...? e os materiais de embalagem...? o industrializador adquiriu?; h) A indagação final não encontra resposta, como todas as outras referentes ao alegado processo de industrialização por encomenda, haja vista que a documentação oferecida Fiscalização não comprova absolutamente a efetividade de tal operação, o que demandaria a comprovação da saída dos insumos para o industrializador por encomenda (passando ou não pelo estabelecimento encomendante), o retorno do produto industrializado (acompanhado da devolução dos insumos) e a venda final, no caso, com fins de exportação. i) No caso exposto, uma última observação, tanto a MMC como a Cominalli teriam recebido da Interessada, como Remessa para Industrialização por Encomenda, Camarão c/ Cabeça e Camarão s/ Cabeça, mas quem teria realizado o processo industrial anterior, no caso do Camarão s/ Cabeça? Haja vista que, segundo o Memorial Descritivo da Produção (Industrialização por Encomenda), oferecido pela Cina, o descabeçamento do camarão faz parte do processo produtivo. j) Na relação das MP, PI e ME Adquiridos apresentados pela empresa, no que diz respeito a camarão, consta como já visto, apenas, Camarão de Fazenda, classificação fiscal 0306.23.00, Camarão s/ Cabeça (e do Mar), não está listado como matériaprima. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.910546/200862 Resolução nº 3302000.250 S3C3T2 Fl. 5 4 Não se conformando com a decisão acima, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade, cujas alegações estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido às flse. 331/335, nos seguintes termos: Decadência • Que, a compensação realizada em 02.06.2004 completou cinco anos exatos, sem nenhuma notificação, em 02.06.2009, e que é evidente que a notificaçãonãocientificada, em sua plenitude, equivale, em sua plenitude, à notificaçãonenhuma, de sorte que o período de cinco anos, suficiente para decair a compensação realizada, cumpriu se em 02.06.2009. Cerceamento • Que, a fiscalização objeto do MPF n° 03.1.01.002008 016310, iniciouse em 26.11.2008 (Doc. n° 1). Terseia encerrado em 28.05.2009, mas a rigor permanece, até hoje em aberto, uma vez que a manifestante jamais teve ciência do Termo de Verificação Fiscal que supostamente fundamenta as glosas, e que, é certo que o despacho da autoridade referencia o TVF, mas faltou o cuidado de conferir se o contribuinte fora notificado da peça fundamental, o TVF. Tratase da impossibilidade material de defenderse. • Que, sabese que a AUDITORIA, ciência exata, fundase em números. Inexiste isto de "em cerca", "em torno" e que tais Números. Mesmo porque, o disparate, se lido detrás para adiante, levará a um absurdo maior, uma vez que "algo em torno 15% jamais produzirá "cerca de 50%". Admitase, apenas em homenagem ao argumento que os cálculos estejam certos. E os outros 85%?! E os outros 50%?!; • Que, ante acusação tão imprecisa, impossível defenderse; • Que, é principio universal do Direito que compete, a quem acusa, a comprovação da acusação; • Que, o único elemento de prova, nos autos, é a nãonotificação o contribuinte do Termo de Verificação Fiscal. Mérito • Que, cumpre, em primeiro, esclarecer que o camarão inteiro congelado é produto tributado pelo IPI, com alíquota zero. De fato todos os crustáceos, sem distinção, têm essa classificação de alíquota zero; • Que, não há, como se demonstra, com a transcrição da TIPI vigente à época dos fatos (2003), qualquer linha "NT" para crustáceos. Uma definição legal, e pronto. Contudo, o auditor fiscal estranhou a tipologia "camarão do mar" para os produtos da aqüicultura; • Que, pior bateu o pé (no dia que compareceu para "encerrar"), garantido que os crustáceos exportados não seriam industrializados, porque produtos "in natura" • Que, a paralisação de suas atividades não desautorizou o incentivo fiscal. Este há de decorrer de condições objetivas: adquiriu industrializou exportou, e só. • Que, a manifestante é empresa de produção industrial, exportou produtos tributados de sua produção. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.910546/200862 Resolução nº 3302000.250 S3C3T2 Fl. 6 5 A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0115.148, de 15/09/2009, cuja ementa abaixo se transcreve. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO OCORRÊNCIA. Consoante a legislação tributária vigente, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da Declaração de Compensação. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCABIMENTO. Descabe alegação de cerceamento do direito de defesa quando ao contribuinte garantiuse o acesso aos atos praticados no processo, tendo o mesmo inclusive reproduzido e juntado aos autos o Termo de Verificação Fiscal que alega não ter tido ciência. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não constituem normas gerais, razão pela qual seus julgados não aproveitam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O ressarcimento autorizado pelo art. 1º da Lei n° 9.363, de 1996, vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Na ausência de provas nos autos que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõese o indeferimento do pleito. Desta decisão a empresa interessada tomou ciência no dia 29/10/2009, conforme recibo aposto à fle. 340, e, no dia 30/11/2009, ingressou com o recurso voluntário de flse. 341/354, no qual alega: Tratase de matéria idêntica à do processo n° 10380.901189/200680, recorrido nesta mesma data. Por isto mesmo, pedese seja aplicado a este processo, mais recente e repetitivo, idêntico resultado do nº 10380.901189/200680. Na forma regimental, o processo foi sorteado para relatar. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.910546/200862 Resolução nº 3302000.250 S3C3T2 Fl. 7 6 A empresa Recorrente está pleiteando o ressarcimento de crédito presumido do IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) e declarou que efetuou a compensação de débitos com o crédito pleiteado. Por serem estranhas à lide, não serão examinadas as alegações da Recorrente sobre os requisitos para a autoridade administrativa efetuar o lançamento tributário. Neste processo não se está tratando de lançamento tributário e sim de ressarcimento de crédito presumido do IPI. A DRF de origem indeferiu o pleito da Recorrente pelas seguintes razões: · Parte dos produtos exportados não foram produzidos pela Recorrente e sim pelas empresas Aqua Aqüicultura, Maricultura do Maranhão, Camarões do Brasil, Francisco Ferreira Souto Filho e Aquarium Aquicultura do Brasil; · Impossibilidade de quantificar o que foi efetivamente produzido pela Recorrente e exportado. A documentação apresentada não permite segregar do camarão exportado, quanto foi processado e embalado pela Recorrente (diretamente ou por encomenda) e quanto foi processado e embalado por terceiros, mesmo que estes tenham utilizado embalagem fornecida pela Recorrente; · Falta de comprovação da alegada industrialização por encomenda pelas empresas M.M.C Industrial Ltda e Cominalli Com. Ind. de Alimentos Ltda Em seu recurso voluntário a empresa discorre sobre criação de camarão, sobre a impossibilidade do indeferimento de seu pedido com base em suposições e do arbitramento “a zero” de suas operações e, ainda, sobre a necessidade de identificação das notas fiscais impugnadas. Em seu recurso voluntário a empresa discorre sobre criação de camarão, sobre a impossibilidade do indeferimento de seu pedido com base em suposições e do arbitramento “a zero” de suas operações e, ainda, sobre a necessidade de identificação das notas fiscais impugnadas. Apesar de fazer um demonstrativo do crédito que está pleiteando, a Recorrente não demonstra a quantidade e valor dos produtos exportados que foram recebidos de terceiros (por compra ou por industrialização por encomenda) e a quantidade e valor dos produtos exportados de sua produção (criação e beneficiamento ou beneficiamento, somente). No caso de industrialização por encomenda, a Recorrente também não apresentou as notas fiscais de remessa de insumos e de recebimento de produtos acabados e do pagamento do serviço de industrialização por encomenda. Portanto, está claro para este Relator que dos produtos exportados, parte foi produzida pela Recorrente e parte foi adquirida de terceiros. Há evidências de que dos produtos acabados adquiridos de terceiros, a totalidade ou parte, se destinavam à exportação. A alegação da Fiscalização de que foi impossível quantificar o que foi efetivamente produzido pela Recorrente e exportado não pode ser acolhido por este Relator como verdade absoluta que justifique o indeferimento total do crédito pleiteado. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.910546/200862 Resolução nº 3302000.250 S3C3T2 Fl. 8 7 A Fiscalização deveria intimar a Recorrente, interessada que é, a fazer e provar a referida segregação. Ao Fisco, caberia verificar a veracidade dos fatos à luz da documentação de suporte e da escrituração. Não há nos autos intimação, e nem recusa, para a Recorrente efetuar as demonstrações aqui referidas. Deve, portanto, a Recorrente ser intimada a efetuar a segregação, em termos físico e monetário, da produção própria exportada; dos produtos industrializados por encomenda exportados; e dos produtos adquiridos de terceiros exportados, tudo devidamente comprovado por documentação hábil e idônea, devidamente escriturada. Também deve a Recorrente ser intimada a segregar os insumos adquiridos e consumidos no processo de produção/beneficiamento do camarão exportado, bem como dos insumos adquiridos e remetidos para terceiros, devidamente comprovado com documentação hábil e idônea, devidamente registrado da escrita contábil e fiscal da Recorrente. Esclareçase que os demonstrativos acostados aos autos com o Recurso Voluntário são absolutamente imprestáveis para determinar o crédito a que a Recorrente tem direito. O não atendimento total à intimação acima referida pode justificar o indeferimento total do pleito da Recorrente. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à DRF de origem para as seguintes providências: 1 Intimar a Recorrente a segregar, do camarão exportado, aquele que ela realizou todas as etapas de produção/beneficiamento, indicando, no mínimo, descrição do produto, quantidade, valor e nota fiscal de saída; 2 Intimar a Recorrente a segregar os insumos empregados na produção do camarão a que se refere o item 1, acima, indicando, no mínimo, produto, quantidade, valor e nota fiscal de entrada; 3 Intimar a Recorrente a segregar, do camarão exportado, aquele que ela mandou industrializar (industrialização por encomenda), indicando, no mínimo, produto industrializado, quantidade, valor, nota fiscal de entrada, nome do industrializador e a nota fiscal de saída do camarão não beneficiado; 4 Intimar a Recorrente a identificar os insumos (material de embalagem, camarão não beneficiado, metabissulfito e cloro) remetidos para o estabelecimento que efetuou a industrialização por encomenda a que se refere o item 3, indicando, no mínimo, insumo/material de embalagem, quantidade, valor, nota fiscal de saída e destinatário; 5 Intimar a Recorrente a segregar, do camarão exportado, aquele adquirido no mercado interno para exportação (mesmo que tenha fornecido as embalagens ou algum insumos ao fornecedor), indicando, no mínimo, produto, quantidade, valor, nota fiscal de entrada e fornecedor; 6 Intimar a Recorrente a colocar à disposição do Fisco a documentação referida nos itens anteriores, bem como os competentes livros contábeis e fiscais; Fl. 407DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.910546/200862 Resolução nº 3302000.250 S3C3T2 Fl. 9 8 7 Intimar a Recorrente a demonstrar o crédito presumido a que julga ter direito sobre a exportação de camarão de produção própria e de produção por encomenda devidamente comprovada. 8 Com base nos elementos acima, e em outros que julgar necessário, deve a Fiscalização demonstrar o crédito presumido que a Recorrente tem direito, se houver. 9 dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindo lhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 408DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 15504.012541/2009-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.
Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações, e recolher o produto no prazo estipulado na legislação de regência.
ESCREVENTES E NOTÁRIOS. VINCULAÇÃO AO REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL - IPSEMG. ESTADO DE MINAS GERAIS. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO OPÇÃO POR OCASIÃO DA EDIÇÃO DA LEI N° 8.935/1994. EFEITOS EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20/1998.
Inexistindo nos autos comprovação de que os notários e/ou escreventes foram contratados anteriormente à edição da Lei n° 8.935/1994, bem como que optaram pela manutenção da vinculação ao Regime Próprio de Previdência Social do Estado de Minas Gerais - IPSEMG, não há razão para se discutir os efeitos da Emenda Constitucional n° 20/1998, uma vez que os contratados posteriormente ou que não fizeram referida opção passaram, já naquela oportunidade, a ser segurados obrigatórios do RGPS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações, e recolher o produto no prazo estipulado na legislação de regência. ESCREVENTES E NOTÁRIOS. VINCULAÇÃO AO REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL IPSEMG. ESTADO DE MINAS GERAIS. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO OPÇÃO POR OCASIÃO DA EDIÇÃO DA LEI N° 8.935/1994. EFEITOS EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20/1998. Inexistindo nos autos comprovação de que os notários e/ou escreventes foram contratados anteriormente à edição da Lei n° 8.935/1994, bem como que optaram pela manutenção da vinculação ao Regime Próprio de Previdência Social do Estado de Minas Gerais IPSEMG, não há razão para se discutir os efeitos da Emenda Constitucional n° 20/1998, uma vez que os contratados posteriormente ou que não fizeram referida opção passaram, já naquela oportunidade, a ser segurados obrigatórios do RGPS. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 25 41 /2 00 9- 23 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.012541/200923 Acórdão n.º 2401002.858 S2C4T1 Fl. 57 3 Relatório FRANCISCO JOSÉ REZENDE DOS SANTOS, contribuinte, equiparado à empresa na condição de Titular de Cartório, já qualificado nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, Acórdão n° 0228.636/2010, às fls. 37/45, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas pelo autuado, concernentes à parte destinada a Terceiros (Salário Educação), incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, em relação ao período de 11/2005 a 13/2005, consoante Relatório Fiscal, às fls. 17/21. Tratase de Auto de Infração (obrigações principais), lavrado em 17/08/2009, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito no valor de R$ 786,71 (Setecentos e oitenta e seis reais e setenta e um centavos). De conformidade com o Relatório Fiscal, o contribuinte, equiparado à empresa em razão da condição de Titular de Cartório, nos termos do artigo 15, parágrafo único, da Lei n° 8.212/91, deixou de arrecadar e recolher as contribuições previdenciárias devidas incidentes sobre as remunerações dos funcionários contratados pelo Titular, por meio de designação, através do regime trabalhista estatutário e que não havia em folha, desconto a titulo de previdência. Esta designação não lhes conferiu a situação de servidores do Estado, já que sempre foram remunerados pelo Cartório, através do seu Titular e nunca pelos cofres públicos. Concluiu, assim, a fiscalização que os funcionários estatutários, uma vez que não são detentores de cargos efetivos no Estado e nem estavam amparados por regime próprio de previdência social, vinculamse ao Regime Geral de Previdência Social, sendo devida a contribuição para o INSS — Instituto Nacional da Seguridade Social. Informa, ainda, o fiscal autuante, que o contribuinte concedia a parte dos seus funcionários pagamentos a título de plano de saúde, o qual fora considerado como remuneração em virtude de não ser disponibilizados à totalidade dos empregados e dirigentes. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 61/65 (nos autos do processo n° 15504.012540/200989 – em razão de estarem anteriormente apensados), procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do procedimento, mormente em relação à incidência de contribuições previdenciárias sobre a remuneração dos escreventes e auxiliares de cartório, aduzindo para tanto que os funcionários do Cartório estão vinculados ao Regime Próprio de Previdência do Estado de Minas Gerais – IPSEMG. Em defesa de sua pretensão, assevera que há de ser resguardado o direito adquirido do Recorrente, eis que, foi muito preciso pelo legislador quando da edição da Lei 8.935/1994 em seus artigos 40 e 48, §2°, quando estipulou a opção do serventuário a escolha Fl. 121DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 dos dois regimes, IPSEMG ou RGPS. Salientando que, aqueles que não fizeram à opção continuariam vinculados ao IPSEMG. Esta ferramenta legal é nada menos, nada mais, que a proteção do direito adquirido no período de transição da Ordem Jurídica. Assevera que o artigo 9° do Decreto n° 3.048/99, Regulamento da Previdência Social, é por demais enfático ao afirmar que somente são vinculados obrigatoriamente ao RGPS os escreventes e auxiliares contratados a partir de 24 de novembro de 1994, ou aqueles que, contratados, anteriormente, optaram por aquele regime. Com mais especificidade, sustenta que o Estado de Minas Gerais legislou sobre o assunto mediante a edição da Lei Complementar n° 64/2002, alterada pela Lei Complementar n° 70/2003, corroborando os preceitos do dispositivo legal encimado, resguardando o direito adquirido de tais funcionários, o que veio a ser ratificado pela Portaria n° 2.701/1995 do Ministério da Previdência Social. Neste sentido, defende que a Emenda Constitucional n° 20/1998 não tem qualquer interferência no caso dos autos, impondo seja aplicada a legislação pertinente, que oferece proteção às razões de recurso, sob pena de afronta ao instituto de direito adquirido, consoante resta assentado na jurisprudência transcrita na peça recursal. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.012541/200923 Acórdão n.º 2401002.858 S2C4T1 Fl. 58 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo a análise das alegações recursais. Consoante se positiva dos autos, a presente autuação fora lavrada em face do contribuinte, na condição de Titular de Cartório e, por conseguinte, equiparado a empresa, em razão do não recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos escreventes e notários, mais precisamente funcionários contratados pelo Titular, por meio de designação, através do regime trabalhista estatutário e que não havia em folha, desconto a titulo de previdência. Esta designação não lhes conferiu a situação de servidores do Estado, já que sempre foram remunerados pelo Cartório, através do seu Titular e nunca pelos cofres públicos. Com arrimo nas disposições da Emenda Constitucional n° 20/1998, concluiu a fiscalização que os funcionários estatutários, uma vez que não são detentores de cargo efetivo no Estado e nem estavam amparados por regime próprio de previdência social, vinculamse ao Regime Geral de Previdência Social, sendo devida a contribuição para o INSS — Instituto Nacional da Seguridade Social. Informa, ainda, o fiscal autuante, que o contribuinte concedia a parte dos seus funcionários pagamentos a título de plano de saúde, o qual fora considerado como remuneração em razão de não ser disponibilizado à totalidade dos empregados e dirigentes, matéria que não fora impugnada pelo autuado, razão pela qual considerase confessada, com a constituição definitiva do crédito. Por sua vez, o contribuinte se insurge contra a exigência fiscal, corroborada pela decisão de primeira instância em sua integralidade, aduzindo, em síntese, que os funcionários do Cartório estão vinculados ao Regime Próprio de Previdência do Estado de Minas Gerais – IPSEMG, devendo ser resguardado o direito adquirido do Recorrente, eis que, foi muito preciso pelo legislador quando da edição da Lei 8.935/1994 em seus artigos 40 e 48, §2°, quando estipulou a opção do serventuário a escolha dos dois regimes, IPSEMG ou RGPS. Salientando que, aqueles que não fizeram à opção continuariam vinculados ao IPSEMG. Esta ferramenta legal é nada menos, nada mais, que a proteção do direito adquirido no período de transição da Ordem Jurídica. A fazer prevalecer seu entendimento, sustenta que o artigo 9° do Decreto n° 3.048/99, Regulamento da Previdência Social, é por demais enfático ao afirmar que somente são vinculados obrigatoriamente ao RGPS os escreventes e auxiliares contratados a partir de 24 de novembro de 1994, ou aqueles que, contratados, anteriormente, optaram por aquele regime. Com mais especificidade, assevera que o Estado de Minas Gerais legislou sobre o assunto mediante a edição da Lei Complementar n° 64/2002, alterada pela Complementar n° 70/2003, corroborando os ditames do dispositivo legal retro, resguardando o Fl. 123DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 direito adquirido de tais funcionários, o que veio a ser ratificado pela Portaria n° 2.701/1995 do Ministério da Previdência Social. Partindo dessas premissas, defende que a Emenda Constitucional n° 20/1998 não tem qualquer interferência no caso dos autos, impondo seja aplicada a legislação pertinente, que oferece proteção às razões de recurso, sob pena de afronta ao instituto de direito adquirido, consoante resta assentado na jurisprudência transcrita na peça recursal. Antes mesmo de contemplar as razões recursais do contribuinte, impõese trazer à baila a legislação que regulamenta a matéria e a sua evolução, de maneira a melhor delimitar o tema e auxiliar no deslinde da controvérsia. O artigo 236 da Constituição Federal, ao dispor sobre os serviços notoriais, estabelece o seguinte: Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público. (Regulamento) § 1º Lei regulará as atividades, disciplinará a responsabilidade civil e criminal dos notários, dos oficiais de registro e de seus prepostos, e definirá a fiscalização de seus atos pelo Poder Judiciário. § 2º Lei federal estabelecerá normas gerais para fixação de emolumentos relativos aos atos praticados pelos serviços notariais e de registro. § 3º O ingresso na atividade notarial e de registro depende de concurso público de provas e títulos, não se permitindo que qualquer serventia fique vaga, sem abertura de concurso de provimento ou de remoção, por mais de seis meses. Por seu turno, ao regulamentar a matéria, a Lei n° 8.935/1994, especificamente a respeito dos regimes de previdência social, em seus artigos 40, 48 e 51, assim prescreveu: “Art. 40. Os notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares são vinculados à previdência social, de âmbito federal, e têm assegurada a contagem recíproca de tempo de serviço em sistemas diversos. Parágrafo único. Ficam assegurados, aos notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares os direitos e vantagens previdenciários adquiridos até a data da publicação desta lei. Art. 48. Os notários e os oficiais de registro poderão contratar, segundo a legislação trabalhista, seus atuais escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial desde que estes aceitem a transformação de seu regime jurídico, em opção expressa, no prazo improrrogável de trinta dias, contados da publicação desta lei. § 1º Ocorrendo opção, o tempo de serviço prestado será integralmente considerado, para todos os efeitos de direito. § 2º Não ocorrendo opção, os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial continuarão Fl. 124DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.012541/200923 Acórdão n.º 2401002.858 S2C4T1 Fl. 59 7 regidos pelas normas aplicáveis aos funcionários públicos ou pelas editadas pelo Tribunal de Justiça respectivo, vedadas novas admissões por qualquer desses regimes, a partir da publicação desta lei. Art. 51. Aos atuais notários e oficiais de registro, quando da aposentadoria, fica assegurado o direito de percepção de proventos de acordo com a legislação que anteriormente os regia, desde que tenham mantido as contribuições nela estipuladas até a data do deferimento do pedido ou de sua concessão.” Naquela oportunidade, com a finalidade de melhor aclarar o tema, o Ministro da Previdência e Assistência Social entendeu por bem editar Portaria n° 2.701/1995, nos seguintes termos: Art. 1° O notário ou tabelião, oficial de registro ou registrador que são os titulares de serviços notariais e de registro, conforme disposto no art. 5° da Lei n° 8.935, de 18 de novembro de 1994, tem a seguinte vinculação previdenciária: a) aqueles que foram admitidos até 20 de novembro de 1994, véspera da publicação da Lei n° 8.935.194, continuarão vinculados à legislação previdenciária que anteriormente os regia; b) aqueles que foram admitidos a partir de 21 de novembro de 1994, são segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, como pessoa. física, na qualidade de trabalhador autônomo, nos termos do inciso IV do art. 12 da Lei n° 8.212/91. Art. 2° A partir de 21 de novembro de 1994, os escreventes e auxiliares contratados por titular de serviços notarias e de registro serão admitidos na qualidade de empregados, vinculados obrigatoriamente ao Regime Geral de Previdência Social, nos termos da alínea a do inciso I do art. 12 da Lei n° 8.212/91. § 1° Os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial, contratados por titular de serviços notariais e de registro antes da vigência da Lei n° 8.935/94 que fizeram opção, expressa, pela transformação do seu regime jurídico para o da Consolidação das Leis do Trabalho, serão segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social como empregados e terão o tempo de serviço prestado no regime anterior integralmente considerado para todos os efeitos de direito, conforme o disposto nos arts. 94 a 99 da Lei n° 8.213/91 § 2° Não tendo havido a opção de que trata o parágrafo anterior, os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial continuarão vinculados à legislação previdenciária que anteriormente os regia, desde que mantenham as contribuições nela estipuladas até a data do deferimento de sua aposentadoria, ficando, conseqüentemente, Fl. 125DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 excluídos do RGPS conforme disposição contida no art. 13 da Lei n° 8.212/91. Art. 3° Os titulares de serviços notariais e de registro são considerados empresa em relação a segurado que lhe preste serviço na condição de empregado, nos termos do art. 15 da Lei n° 8.212/91, sendo devidas as contribuições para a seguridade de que trata a referida Lei.” Referidos preceitos reinaram absolutos até a edição da Emenda Constitucional n° 20/1998, a qual, dentre outras disposições, alterou os ditames do artigo 40 da Constituição Federal, mais precisamente o regramento do sistema de previdência social, limitando o alcance dos regimes próprios, exclusivamente, aos servidores públicos titulares de cargos de provimento efetivos, passando a dispor: "Art. 40 Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. [...]” (grifamos) Na mesma linha, a Lei n° 9.717, de 27 de novembro de 1998, notadamente em seu artigo 1o, inciso V, vai ao encontro das disposições constitucionais encimadas, assim determinando: “Art. 1º Os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal deverão ser organizados, baseados em normas gerais de contabilidade e atuária, de modo a garantir o seu equilíbrio financeiro e atuarial, observados os seguintes critérios: [...] V cobertura exclusiva a servidores públicos titulares de cargos efetivos e a militares, e a seus respectivos dependentes, de cada ente estatal, vedado o pagamento de benefícios, mediante convênios ou consórcios entre Estados, entre Estados e Municípios e entre Municípios;” Por outro lado, o artigo 9o, inciso I, alínea “o”, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, oferece guarida ao pleito do contribuinte, senão vejamos: “Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: [...] o) o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como aquele que optou pelo Regime Geral de Previdência Social, em conformidade com a Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994; [...]” Fl. 126DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.012541/200923 Acórdão n.º 2401002.858 S2C4T1 Fl. 60 9 No mesmo sentido, a Instrução Normativa INSS/PRES nº 20, de 11/10/2007, ratificou o dispositivo suso mencionado, nos seguintes termos: “Art. 3º São segurados na categoria de empregado, conforme o inciso I do art. 9º do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999 [...] XII – o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como aquele que optou pelo Regime Geral de Previdência Social RGPS, em conformidade com a Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994; [...] XVI – o servidor Estadual, do Distrito Federal ou Municipal, incluídas suas autarquias e fundações públicas, ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, o contratado por tempo determinado para atender à necessidade temporária de excepcional interesse público, bem como de outro cargo temporário ou emprego público (Consolidação das Leis do TrabalhoCLT), observado que: a) até 15 de dezembro de 1998, desde que não amparado por RPPS, nessa condição; b) a partir de 16 de dezembro de 1998, por força da Emenda Constitucional nº 20, de 1998;” Como se observa, o deslinde da questão de direito posta nos autos se fixa em determinar se os escreventes e notários, independentemente de sua condição e/ou opção quando da edição da Lei n° 8.935/1994, passaram a ser segurados obrigatórios do Regime Geral da Previdência Social a partir da Emenda Constitucional n° 20/1998, ou se aqueles que optaram por ficarem vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social do Estado de Minas Gerais (IPSEMG) no momento oportuno, assim permanecem mesmo após a emenda constitucional supra, não sendo devida a contribuição para a Previdência Social, como pretende fazer crer a autoridade lançadora. Como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito, a análise do caso concreto, sobretudo com a finalidade de proceder à subsunção dos fatos às normas pertinentes, depende das provas e dos fatos que permeiam a questão posta nos autos. Melhor elucidando, antes mesmo de se determinar os efeitos da Emenda Constitucional n° 20/1998 no regime de previdência dos escreventes e notários, mister verificar se referida decisão teria o condão de influenciar o resultado do presente caso, a partir dos fatos e provas que se apresentam. Destarte, a resolução da hipótese vertente depende, primeiramente, em constatar se algum dos funcionários, de fato, optou à época da edição da Lei n° 8.935/1994, por permanecer vinculado ao Regime Próprio do Estado de Minas Gerais (IPSEMG), uma vez que, se assim não for, inexiste razão para se fixar a questão de direito, se a de fato não oferece proteção ao pleito do contribuinte. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Com efeito, a única controvérsia que ainda persiste é saber se aqueles escreventes e notários que optaram por manter vinculados ao IPSEMG quando da edição da Lei n° 8.935/1994, passaram a ser segurados empregados do RGPS a partir da EC n° 20/1998. Mesmo porque, posteriormente aquele primeiro limite temporal todos que não fizeram aludida opção e os demais contratados se vincularam ao Regime Geral de Previdência Social. Na hipótese dos autos, em que pese toda discussão se fixar em referida questão de direito, em momento algum o contribuinte trouxe à colação documentos comprobatórios no sentido de que os escreventes e notários foram contratados anteriormente à edição da Lei n° 8.935/1994 e optaram pela manutenção da vinculação ao regime próprio de previdência do Estado de Minas Gerais (IPSEMG). Esvaziouse, assim, toda discussão de direito posta nos autos, tendo em vista que, inexistindo comprovação da vinculação dos escreventes e notários (quais e quantos) ao IPSEMG, anteriormente à edição da Lei n° 8.935/1994, com a opção à manutenção àquele regime de previdência, não há necessidade de definir quais os efeitos da Emenda Constitucional n° 20/1998 sobre referidos funcionários. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expresso sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 128DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10680.721002/2010-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. PARTICIPAÇÃO DO REPRESENTANTE DA ENTIDADE SINDICAL NA COMISSÃO COMPETENTE. NECESSIDADE.
A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho.
Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica - artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91-, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados.
In casu, não obstante a contribuinte ter comprovado a existência de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente, bem como de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, deixou de observar/cumprir a necessária participação de representante da entidade sindical da categoria na comissão eleita pelos segurados empregados e empresa para elaborar o programa da PLR.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. PARTICIPAÇÃO DO REPRESENTANTE DA ENTIDADE SINDICAL NA COMISSÃO COMPETENTE. NECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 10 02 /2 01 0- 68 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10680.721002/201068 Acórdão n.º 2401002.751 S2C4T1 Fl. 216 3 Relatório GEORADAR LEVANTAMENTOS GEOFÍSICOS SA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, Acórdão n° 0232.740/2011, às fls. 161/167, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas pela autuada, concernentes à parte destinadas a Terceiros, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, assim considerados os valores pagos a título de PLR em desconformidade com a legislação de regência, em relação às competências 01/2006 e 07/2006, conforme Relatório Fiscal, às fls. 89/95. Tratase de Auto de Infração (descumprimento de obrigação principal), lavrado em 18/05/2010, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 30.778,60 (Trinta mil, setecentos e setenta e oito reais e sessenta centavos). De acordo com o Relatório Fiscal, a contribuinte pagou aos segurados empregados Participação nos Lucros e Resultados, nas competências 01/2006 e 07/2006, inobservando os preceitos inscritos na Lei n° 10.101/2000, mais precisamente em razão da ausência de comprovação de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente, da necessária participação da entidade sindical da categoria, bem como a falta de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 173/183, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, com a devida delimitação da matéria em debate, contrapõese à exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, alegando que as parcelas pagas aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados não podem ser consideradas remunerações e, por conseguinte, indevida a inclusão no salário de contribuição, face aos preceitos inscritos no artigo 7º, inciso XI, da CF, c/c artigo 22 da Lei nº 8.212/91, os quais excluem tais importâncias da base de cálculo das contribuições previdenciárias, tratandose de uma verdadeira imunidade objetiva. Corroborando o acima exposto, suscita que o legislador, através do artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, afastou a incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas pagas a título de participação nos lucros e resultados, entendimento, esse, reforçado pela Lei nº 10.101/2000, bem como pela jurisprudência de nossos Tribunais, impondo seja decretada a improcedência do feito. Sustenta que a própria argumentação da fiscalização constante do Relatório Fiscal é contraditória, uma vez admitir que os critérios acima atendem as condições estabelecidas pela Lei n° 10.101/2000, promovendo o lançamento, no entanto, a pretexto da ausência de programas e metas, resultados e prazos pactuados previamente, em total afronta as Fl. 392DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 provas dos autos que demonstram que o programa PLR adotado pela empresa e seus empregados é claro ao fixar as metas e condições. Acrescenta que os valores ora tributados dizem respeito a Acordos firmados entre a empresa e comissão de seus empregados realizados em 08/06/2005, recebido e homologado pela entidade sindical em 24 de agosto de 2005, suprindo a exigência da participação sindical nas tratativas, não se cogitando em contrariedade às disposições legais que regem a matéria. Opõese à pretensão fiscal, aduzindo para tanto que o programa de PLR da recorrente apresenta mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, ao contrário do que restou assentado no Relatório Fiscal, sobretudo por ter havido negociação da forma com que se daria a repartição de seus lucros com os seus funcionários, estando devidamente previsto no Termo de Aceite e Implantação do Programa de PLR, o qual, reitere se, foi devidamente registrado e homologado pela entidade sindical. Explicita que o instrumento de acordo optou pela previsão de apuração de resultados, estando, portanto, perfeitamente observada a exigência legal de negociação entre as partes quanto à divisão dos lucros da empresa, e fixação de critérios e regras claros e objetivos, e de conhecimento prévio dos empregados, não havendo dúvidas de que os lucros foram distribuídos nos termos do acordado. Arremata, inferindo que à época a recorrente tinha somente a PETROBRÁS como cliente, sendo que os BAD’s (Boletim de Avaliação de Desempenho) adotados para apuração da PLR restringemse aqueles efetivamente recebidos. Em defesa de sua pretensão, argumenta que no caso da recorrente fora escolhida a Comissão de Empregados com a interveniência do sindicato da classe, notadamente verificada quando da aposição do despacho homologatório do Programa de PLR, como ficou demonstrado nos autos. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10680.721002/201068 Acórdão n.º 2401002.751 S2C4T1 Fl. 217 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, a lavratura do presente Auto de Infração deveuse a constatação de contribuições previdenciárias, destinadas a Terceiros, pretensamente devidas pela empresa ao INSS, incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados. Com mais especificidade, entendeu a autoridade lançadora que tais importâncias foram concedidas em desacordo com a legislação que contempla a matéria, mais precisamente a Lei nº 10.101/2000, em face da ausência de comprovação de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente, da necessária participação da entidade sindical da categoria, bem como a falta de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado. Por sua vez, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, por entender que os valores concedidos aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados – PLR não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme ditames inscritos na legislação de regência, especialmente o artigo 7º, inciso XI, da Constituição Federal, c/c artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, sobretudo quando pagos em observância à MP nº 794/94 e reedições, convertida na Lei nº 10.101/2000. Argumenta que a PLR constitui verdadeira imunidade, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da Constituição Federal, que é norma cogente e auto aplicável, independentemente de lei específica. Confronta todas as razões que levaram a fiscalização a desconsiderar as verbas pagas a título de PLR, de maneira individualizada, procurando rechaçar a exigência fiscal, alegações estas que abordaremos no bojo do voto. Antes mesmo de se adentrar as questões de mérito propriamente ditas, em relação ao caso concreto, mister se faz trazer à baila a legislação de regência que regulamenta a verba sub examine, bem como alguns estudos a propósito da matéria, senão vejamos: A Constituição Federal, por meio de seu artigo 7º, inciso XI, instituiu a Participação dos empregados nos Lucros e Resultados da empresa, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, desvinculandoa expressamente da base de cálculo das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] Fl. 394DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;” Por seu turno, a legislação tributária ao regulamentar a matéria, impôs algumas condições para que as importâncias concedidas aos segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados não integrassem o salário de contribuição, a começar pelo artigo 28, § 9º, alínea “j”, que assim preceitua: “Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei: [...] j – a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica.” (grifos nossos) Em atendimento ao estabelecido na norma encimada, a Medida Provisória nº 794/1994, tratando especificamente da questão, determinou em síntese o seguinte: “Art. 2º Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, mediante negociação coletiva, a forma de participação destes em seus lucros ou resultados. Parágrafo único. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Art. 3º A participação de que trata o artigo 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário. [...] § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre. [...]” Após reedições a MP retro fora convertida na Lei nº 10.101/2000, trazendo em seu bojo algumas inovações, notadamente quanto a forma/periodicidade do pagamento de tais verbas, senão vejamos: Fl. 395DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10680.721002/201068 Acórdão n.º 2401002.751 S2C4T1 Fl. 218 7 “Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade funcional dos trabalhadores. [...] Art.3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. [...] § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação de lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. [...]” Em suma, extraise da evolução da legislação específica relativa à participação nos lucros e resultados que existem dois momentos a serem apartados quanto aos requisitos para não incidência das contribuições previdenciárias. Para o período até 29/06/1998, era vedado o pagamento em periodicidade inferior a um semestre. Posteriormente a 30/06/1998, além da exigência acima, passou a ser proibido o pagamento de mais de duas parcelas no mesmo ano civil. No que tange aos demais requisitos, especialmente àqueles inscritos no artigo 2º, as disposições legais continuaram praticamente as mesmas, exigindo regras claras e objetivas relativamente ao método de aferição e concessão da verba em comento. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 A teor dos preceitos inscritos na legislação encimada, constatase que a Participação nos Lucros e Resultados, de fato, constitui uma verdadeira imunidade, eis que desvinculada da tributação das contribuições previdenciárias por força da Constituição Federal, em virtude de se caracterizar como verba eventual e incerta. Entrementes, não é a simples denominação atribuída pela empresa à verba concedida aos funcionários, in casu, PLR, que irá lhe conferir a não incidência dos tributos ora exigidos. Em verdade, o que importa é a natureza dos pagamentos efetuados, independentemente da denominação pretendida pela contribuinte. E, para que a verba possua efetivamente a natureza de Participação nos Lucros e Resultados, indispensável se faz a conjugação dos pressupostos legais inscritos na MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, dependendo do período fiscalizado. Nessa esteira de entendimento, é de fácil conclusão que as importâncias pagas aos segurados empregados intituladas de PLR somente sofrerão incidência das contribuições previdenciárias se não estiverem revestidas dos requisitos legais de aludida verba. Melhor elucidando, a tributação não se dá sobre o valor da PLR, mas, tão somente, quando assim não restar caracterizada. Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização de tal verba, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de afronta ao Princípio da Legalidade. Os artigos 111, inciso II e 176, do CTN, inobstante tratarem de isenção, traduzem muito bem os limites que a legislação tributária impõe quando da subsunção da norma ao caso concreto, in verbis: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias; Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Extraise dos dispositivos legais supracitados que qualquer tipo de isenção, in casu, imunidade, que o Poder Público pretenda conceder deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal, não podendo o contribuinte, o fisco ou o julgador impor condições que não decorrem da lei seca. Outro não é o entendimento do eminente doutrinador Leandro Paulsen que, ao discorrer sobre a matéria, assim preleciona: “Não se pode exigir senão o cumprimento dos requisitos previstos na lei isentiva. O artigo 111 do CTN também se presta Fl. 397DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10680.721002/201068 Acórdão n.º 2401002.751 S2C4T1 Fl. 219 9 ao afastamento de requisitos não estabelecidos, por lei, como condição ao gozo da isenção.” (Paulsen, Leandro – “Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10 ed. rev. atual. – Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008 – pág. 876) Na hipótese dos autos, a ilustre autoridade lançadora achou por bem descaracterizar os pagamentos efetuados pela contribuinte aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados, utilizando como fundamento à sua empreitada as seguintes constatações inseridas no Relatório Fiscal, às fls. 90/96, as quais passaremos a contemplar separadamente: a) Ausência de comprovação de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente; No que tange à referida constatação, aduz a fiscalização que a contribuinte apresentou documento denominado “Programa de Participação nos Lucros e Resultados de 2006”, carimbado pelo SINTAPPIMG somente em 08/07/2008, e “Termo de Aceite e Implantação do Programa do PLR, bem como Termo Aditivo”, elencando as diretrizes e critérios para o pagamento de aludida verba. Por seu turno, a contribuinte suscita que os valores ora tributados dizem respeito a Acordos firmados entre a empresa e comissão de seus empregados realizados em 08/06/2005, recebido e homologado pela entidade sindical em 24 de agosto de 2005, suprindo a exigência da participação sindical nas tratativas, não se cogitando em contrariedade às disposições legais que regem a matéria. Em que pese não me filiar ao entendimento da necessidade de acordo prévio ao exercício correspondente ao pagamento da Participação nos Lucros e Resultados, não nos aprofundaremos em referida questão, muito embora a autoridade lançadora tenha adotado esse fundamento, uma vez se apresentar como premissa equivocada, como passaremos a demonstrar. Com efeito, da análise dos documentos que instruem o processo concluise que o acordo entre a empresa e seus funcionários em relação à implantação do programa da PLR fora procedido previamente, ainda em 2005, com estabelecimento de regras claras e objetivas e mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, consoante se positiva do “Termo de Aceite e Implantação do Programa do PLR”, datado de 08/06/2005 e autenticado em 06/07/2005, às fls. 153/157, e da “Ata de Posse dos Representantes Eleitos e Indicados da Comissão para Implantação do Programa de Participação nos Lucros e Resultados”, datado de 13/06/2005 e autenticado em 06/07/2005, de fl. 158. Aliás, o próprio fiscal autuante reconhece em seu Relatório Fiscal que os critérios acima determinam se será paga ou não aos empregados o PLR semestral, estabelecendo ainda o Termo de Aceite a classificação do BAD e do cronograma de projetos e subprojetos, com os percentuais a serem atingidos, com notas e pesos. Ato contínuo, por ocasião do pagamento, ou melhor, da aferição do cumprimento do acordado, a empresa emitia/publicava “Informes”, dando conta da observância Fl. 398DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 ou não, parcial ou total, das bases acordadas, a partir da análise detalhada do Resultado Operacional do Período, Boletim de Avaliação de Desempenho, Cronogramas, Acidentes com Afastamento, fixando o valor a ser participado aos segurados, como se extrai dos Informes, datados de 20/01/2006 e 11/07/2006, às fls. 149/152. Melhor explicitando, ao contrário do que restou assentado pelo agente lançador e, bem assim, julgador de primeira instância, os requisitos e condições do Programa da PLR foram acordados previamente, ainda em 2005, com a análise do eventual cumprimento antes do pagamento de referida verba, o que não tem o condão de determinar a contrariedade à legislação de regência, razão pela qual não se pode acolher a pretensão fiscal neste ponto; b) Da necessária participação da entidade sindical da categoria; Em defesa de sua pretensão, argumenta que no caso da recorrente fora escolhida Comissão de Empregados com a interveniência da respectiva entidade de classe, notadamente verificada quando da aposição do despacho homologatório do Programa de PLR, como ficou demonstrado nos autos, fato que supriria a participação do representante do sindicato nas tratativas do Acordo pertinente à PLR. Neste ponto, inobstante sensibilizar a alegação da contribuinte de que a homologação do acordo, bem como o seu arquivamento no respectivo sindicato seria capaz de ensejar a observância à legislação de regência, impende registrar que a participação do representante do sindicato na Comissão constituída para elaborar o Programa é requisito expresso, objetivo e literal da Lei para legitimar o pagamento da PLR. É o que se infere da leitura do artigo 2o, inciso I e § 2o, da Lei n° 10.101/2000, que assim prescreve: “Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; [...] § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade funcional dos trabalhadores.” Observese que existe determinação expressa do legislador da necessidade de participação do representante do Sindicato na comissão escolhida pela empresa e segurados para tratar do Programa de PLR. Assim, o fato de referido programa ter sido arquivado e/ou “homologado” pelo Sindicato, por si só, não tem o condão de suplantar a necessidade legal da participação do representante do Sindicato nas tratativas, mesmo porque o arquivamento se apresenta como outro pressuposto legal, como acima relembrado. Na hipótese dos autos, além de a contribuinte não fazer prova da alegada “homologação” por parte do Sindicato, ainda que o fizesse, não seria capaz de afastar a exigência da participação do representante do Sindicato na respectiva Comissão, sob pena de afronta direta ao texto da lei. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10680.721002/201068 Acórdão n.º 2401002.751 S2C4T1 Fl. 220 11 c) Falta de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado. Por derradeiro, relativamente à pretensa ausência de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, alega que a justificativa fiscal afronta as provas dos autos que demonstram que o programa de PLR adotado pela empresa e seus empregados é claro ao fixar as metas e condições. Opõese à pretensão fiscal, aduzindo para tanto que o programa de PLR da recorrente apresenta mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, ao contrário do que restou assentado no Relatório Fiscal, sobretudo por ter havido negociação da forma com que se daria a repartição de seus lucros com os seus funcionários, estando devidamente previsto no Termo de Aceita e Implantação do Programa de PLR, o qual, reitere se, foi devidamente registrado e homologado pela entidade sindical. Explicita que o instrumento de acordo optou pela previsão de apuração de resultados, estando, portanto, perfeitamente observado a exigência legal de negociação entre as partes quanto à divisão dos lucros da empresa, e fixação de critérios e regras claros e objetivos, e de conhecimento prévio dos empregados, não havendo dúvidas de que os lucros foram distribuídos nos termos do acordado. Arremata, inferindo que à época a recorrente tinha somente a PETROBRÁS como cliente, sendo que os BAD’s (Boletim de Avaliação de Desempenho) adotados para apuração da PLR restringemse aqueles efetivamente recebidos. De fato, conforme alinhavado acima, a contribuinte, em nosso entender, detinha Acordo previamente formalizado para o pagamento da PLR contemplando regras claras e objetivas e mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, consoante se infere do “Termo de Aceite e Implantação do Programa do PLR”, datado de 08/06/2005 e autenticado em 06/07/2005, às fls. 153/157, “Ata de Posse dos Representantes Eleitos e Indicados da Comissão para Implantação do Programa de Participação nos Lucros e Resultados”, datado de 13/06/2005 e autenticado em 06/07/2005, de fl. 158. Neste sentido, não há se falar em “Falta de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado”, na forma afirmada pelo fiscal autuante, uma vez que a contribuinte implantou o programa de PLR fazendo referência expressa às condições e pressupostos para pagamento de referida verba, como se extrai dos documentos retromencionados. Dessa forma, inferir que inexistem tais condições/requisitos para o pagamento da PLR não representa a realidade dos fatos, maculando, assim, a argumentação do fiscal autuante em relação a este ponto. Nessa toada, muito embora tenha a contribuinte, em nosso sentir, observado os demais requisitos inscritos na Lei n° 10.101/2000, para o pagamento da PLR aos segurados empregados, notadamente quanto a comprovação de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente, e da existência de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, não se pode acolher seu insurgimento, em face da ausência da necessária participação do representante da entidade sindical na comissão eleita para elaborar aludido programa, impondo seja mantida a exigência fiscal em sua plenitude. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 401DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 15521.000091/2009-18
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INTEGRAL. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTO INIDÔNEO. DECADÊNCIA.
A suposta realização integral do lucro inflacionário acumulado no ano calendário de 1999 não restou comprovada. Os dados contidos não correspondem aos efetivamente entregues à Receita Federal do Brasil por ocasião da transmissão de DIPJ retificadora. Sem comprovação do realizado em 1999, afasta-se qualquer hipótese de decadência neste ano.
LUCRO INFLACIONÁRIO. TRIBUTAÇÃO.
O lucro inflacionário inclui-se nas contas de patrimônio líquido e são tributadas a partir do resultado no exercício. Assim, ocorrendo lucro no período, entra no cômputo tributável do IRPJ.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL.
Mantém-se a autuação, uma vez comprovada a compensação de prejuízo fiscal em valor superior ao saldo existente na data, não comprovando o contribuinte em sentido contrário.
Numero da decisão: 1802-001.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares suscitadas e no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INTEGRAL. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTO INIDÔNEO. DECADÊNCIA. A suposta realização integral do lucro inflacionário acumulado no ano calendário de 1999 não restou comprovada. Os dados contidos não correspondem aos efetivamente entregues à Receita Federal do Brasil por ocasião da transmissão de DIPJ retificadora. Sem comprovação do realizado em 1999, afasta-se qualquer hipótese de decadência neste ano. LUCRO INFLACIONÁRIO. TRIBUTAÇÃO. O lucro inflacionário inclui-se nas contas de patrimônio líquido e são tributadas a partir do resultado no exercício. Assim, ocorrendo lucro no período, entra no cômputo tributável do IRPJ. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL. Mantém-se a autuação, uma vez comprovada a compensação de prejuízo fiscal em valor superior ao saldo existente na data, não comprovando o contribuinte em sentido contrário.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2088; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 630 1 629 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15521.000091/200918 Recurso nº 924.866 Voluntário Acórdão nº 1802001.395 – 2ª Turma Especial Sessão de 3 de outubro de 2012 Matéria Auto de Infração Recorrente SAN ANTONIO INTERNACIONAL DO BRASIL SERVIÇOS DE PETROLEO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE Comprovado que o auto de infração formalizouse com obediência a todos os requisitos previstos em lei e que não se apresentam nos autos nenhum dos motivos de nulidades apontados no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, descabem as alegações do interessado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INTEGRAL. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTO INIDÔNEO. DECADÊNCIA. A suposta realização integral do lucro inflacionário acumulado no ano calendário de 1999 não restou comprovada. Os dados contidos não correspondem aos efetivamente entregues à Receita Federal do Brasil por ocasião da transmissão de DIPJ retificadora. Sem comprovação do realizado em 1999, afastase qualquer hipótese de decadência neste ano. LUCRO INFLACIONÁRIO. TRIBUTAÇÃO. O lucro inflacionário incluise nas contas de patrimônio líquido e são tributadas a partir do resultado no exercício. Assim, ocorrendo lucro no período, entra no cômputo tributável do IRPJ. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL. Mantémse a autuação, uma vez comprovada a compensação de prejuízo fiscal em valor superior ao saldo existente na data, não comprovando o contribuinte em sentido contrário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 00 91 /2 00 9- 18 Fl. 684DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares suscitadas e no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao. Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração imputado em face (I) de suposta compensação indevida de prejuízo fiscal, dada sua inexistência pelo constante nos sistemas da Fl. 685DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15521.000091/200918 Acórdão n.º 1802001.395 S1TE02 Fl. 631 3 Receita Federal e (II) de ausência de adição de lucro líquido nos anos calendários de 2004 e 2005, pela inobservância do percentual mínimo a ser utilizado, conforme ditado pela legislação de regência. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente Recurso Voluntário, adoto o relatório proferido pela 2a Turma da DRJ/RJ1, através do Acórdão n° 12 27.177, constante às fls. 556: Trata o presente processo de auto de infração de fls. 271/276, lavrado em 09/07/2009, no âmbito da DRF/CAMPOS DOS GOITACAZES/RJ, por meio do qual é exigido do interessado acima identificado, relativo aos anos calendário de 2004 e 2005, o imposto sobre a renda de pessoa jurídica, no valor de R$ 90.627,06, acrescido de multa de oficio de 75% e de encargos moratórios. 2. Fundamentaram a exação as seguintes infrações: 2.1. Compensação indevida de prejuízo fiscal, no valor de R$ 293.512,59, em função de insuficiência de saldo apurado pelo cotejo entre os dados declarados na DIPJ e o saldo de prejuízo fiscal acumulado controlado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Enquadramento legal: arts. 247, 250, III, 251 parágrafo único, 509 e 510 do RIR/1999. 2.2. Ausência de adição ao lucro liquido do período, na determinação do lucro real apurado na DIPJ dos anos calendário de 2004 e 2005, do lucro inflacionário realizado no montante de R$ 43.122,32, uma vez que não foi observado o percentual de realização mínima previsto na legislação de regência. Enquadramento legal: art. 8° da Lei no 9.065/1995; arts. 6° e 7° da Lei n° 9.249/1995 e arts. 249, I, e 449 do RIR/199. 3. Irresignado, o interessado apresentou a impugnação de fls. 297/317, acompanhada dos documentos de fls. 319/519, alegando, em síntese, o que segue: nulidade do lançamento, em razão de descrição de fatos imprecisa no que diz respeito a glosa de prejuízo fiscal; inexiste saldo de lucro inflacionário a realizar nos anos calendário de 2004 e 2005, uma vez que todo o saldo acumulado até 31/12/1995 foi realizado no ano calendário de 1999, conforme DIPJ (fls. 365/366) e LALUR (fl.441); eventuais diferenças decorrentes dos valores realizados em 31/12/1999 não podem ser exigidos em face da decadência; ainda que houvesse lucro inflacionário a realizar nos exercícios de 2004 e 2005, conforme remansosa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a sua exigência seria absolutamente ilegal; conforme LALUR, no ano calendário de 2005, possuía saldo de prejuízo fiscal a compensar de R$ 3.578.620,60; Fl. 686DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 por mero erro de preenchimento na DIPJ, declarou na linha 45, ficha 9 A, o valor de RS 3.583.263,05. No máximo, o autuante poderia glosar a compensação a maior de R$ 5.000,00; inexplicavelmente, o autuante adicionou ao lucro real o montante de R$ 336.634,91, sem tecer qualquer esclarecimento sobre a origem desse número, o que o impossibilita contestar a autuação. Naquela oportunidade, entendeu a nobre turma julgadora em deferir parcialmente o pleito da recorrente, no sentido de que a exigência do anocalendário de 2005 ao invés de R$ 43.122,32, representava na verdade, R$ 38.981,54, nos seguintes termos (fls. 558): 21. Em sendo assim, considero procedente a realização do lucro inflacionário no ano calendário de 2004 e parcialmente em 2005, conforme abaixo demonstrado. Ao final, sintetizou o colegiado seu entendimento, através da seguinte Ementa (fls. 554/555): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE Comprovado que o auto de infração formalizouse com obediência a todos os requisitos previstos em lei e que não se apresentam nos autos nenhum dos motivos de nulidades apontados no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, descabem as alegações do interessado. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE A autoridade administrativa não possui competência para apreciar a legalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, cabendo tal prerrogativa unicamente ao Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INTEGRAL. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTO INIDÔNEO. Saldo a realizar em 31/12/2002 cfe SAPLI 125.226,18 () baixa por decadência em 2003 (43.122,32) (=) saldo em 31/12/2003 82.103,86 () realização de oficio em 2004 (43.122,32) (=) saldo em 31/12/2004 38.981,54 () realização de oficio em 2005 (38.981,54) Fl. 687DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15521.000091/200918 Acórdão n.º 1802001.395 S1TE02 Fl. 632 5 Rejeitase o documento apresentado para comprovação da suposta realização integral do lucro inflacionário acumulado no ano calendário de 1999, ante a comprovação de que os dados ali contidos não correspondem aos efetivamente entregues à Receita Federal do Brasil por ocasião da transmissão de DIPJ retificadora. LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA. PARCELAS DECAÍDAS A partir de 10 de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário acumulado existente em 31/12/1995. Na apuração do saldo do lucro inflacionário acumulado a ser tributado, devem ser consideradas as realizações mínimas anteriores, ainda que não tributadas, por haverem sido alcançadas pelo instituto da decadência. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL. Mantémse a autuação, uma vez comprovada a compensação de prejuízo fiscal em valor superior ao saldo existente na data. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimada do Acórdão em 21/12/2009, não se conformando com a exigência mantida, apresentou Recurso Voluntário em 20/01/2010, argüindo em apertada síntese: que a autoridade julgadora reconheceu impropriedades no Auto de Infração capazes de acarretar a nulidade, mas o convalidou, por entender que a “impugnante” foi capaz de se defender, o que entende ser inaceitável; que a pretensão fiscal que exige tributação sobre o lucro inflacionário não merece prosperar, na medida em que diz ter realizado na integralidade o lucro inflacionário no anocalendário de 1999, estando, neste prisma decaído e que além disso, por entendimento jurisprudencial, não serem tais valores tributáveis; que na glosa, não foram os ajustes feitos no LALUR do anocalendário de 2005 considerados pela fiscalização, que se apegou somente no histórico de declarações (DIPJ) feitas à Receita Federal a partir de 1996, pedindo a análise dessa prova, dada a inexistência das informações da DIPJ como consta nos sistemas da Receita Federal; ao final, pede pela nulidade do auto de infração, ou quando menos que a exigência seja julgada improcedente, pela validação das compensações realizadas com base na legislação vigente, pela decadência dos supostos débitos decorrentes da realização do lucro inflacionário, pela impossibilidade de tributação do lucro inflacionário no IRPJ, na medida que correção monetária não perfaz o conceito de renda e pela diligência das provas consignadas pelo LALUR. É o relato do essencial. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa O Recurso Voluntário interposto denotase tempestivo, preenchendo também aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Como se observa, há preliminar de nulidade do auto de infração suscitada. Passo inicialmente a analisála. PRELIMINAR DE NULIDADE Alega a recorrente ter ocorrido clara ofensa do Auto de Infração e do Acórdão recorrido frente ao devido processo legal e aos princípios da motivação, da legalidade, da universalidade da jurisdição, da ampla defesa e do controle dos atos administrativos. Inaugura suscitando que o auto de infração careceu da precisa descrição da situação de fato que ensejou sua lavratura, o que diz ter sido convalidado impropriamente pelas autoridades julgadoras, mesmo com o reconhecimento de irregularidades. Aduz que tais ocorrências configuram ofensa aos princípios do devido processo legal, da verdade material, da ampla defesa e do contraditório. Neste sentido, reforça o art. 10 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: [...] III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; [...] Ora, neste sentido, atestase às fls. 11/14 que a verificação do sistema SAPLI (Sistema de Acompanhamento de prejuízo, lucro inflacionário e base negativa de CSLL) apurou referidas inconsistências, corroborado pelo contido das DIPJ entregues pelo contribuinte e constante nos sistemas da Receita Federal (fls. 15/118). A descrição dos fatos está perfeitamente realizada nos Termos de Intimação n° 95 e 104, dando conta de inconsistências no lucro inflacionário no montante de R$ 43.122,32, tanto no anocalendário de 2004 como no de 2005 e inconsistências na compensação de prejuízo no anocalendário de 2005, no montante de R$ 293.512,59. A recorrente em resposta à intimação, apesar de juntar documentos, não comprovou que o lucro arbitrado havia sido tributado na forma prescrita em lei, nem mesmo demonstrou ter ocorrido o lançamento em seus registros contábeis. Não esclareceu aquilo que demandado, prestando informações esparsas à demanda e que reforçaram falhas em seu cálculo. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15521.000091/200918 Acórdão n.º 1802001.395 S1TE02 Fl. 633 7 Na sequência, consta o auto de infração, que fornece a descrição dos fatos e os devidos fundamentos legais, que colaciono a seguir (fls. 272/273): Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Oficio, nos termos do art. 926 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas as infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES Compensação indevida de prejuízo(s) fiscal(is) . apurado(s), tendo em vista a(s) reversão(ões) do prejuízo(s) após o lançamento da(s) infração(ões) constatada(s) no(s) período(s) base 2005 , saldos insuficientes de prejuízos. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/12/2005 R$ 293.512,59 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do RIR/99. 002 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO REALIZAÇÃO MÍNIMA Ausência de adição ao lucro liquido do período, na determinação do lucro real apurado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), do lucro inflacionário realizado no montante de R$43.122,32, uma vez que foi inobservado o percentual de realização mínima previsto na legislação de regência. Razão Social SAN ANTONIO INTERNACIONAL DO BRASIL SERVIÇOS DE PETROLE DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS) Imposto de Renda Pessoa Jurídica Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa 31/12/2004 R$ 43.122,32 75,00 31/12/2005 R$ 43.122,32 75,00 Fl. 690DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 8° da Lei n° 9.065/95; Arts. 6° e 7° , da Lei n° 9.249/95; Arts. 249, inciso I, e 449, do RIR/99. No que se refere à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, os enquadramentos legais correspondentes constam dos respectivos demonstrativos de cálculo. Fazem parte do presente Auto de Infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. [...] ENQUADRAMENTO LEGAL MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007. 75,00% Art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. JUROS DE MORA A PARTIR DE JANEIRO DE 1998 APURAÇÃO ANUAL (p/ Fatos Geradores a partir de 01/01/97): percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. 0 valor dos juros será calculado a partir de primeiro de fevereiro do ano do vencimento. Art. 6°, § 2°, da Lei n° 9.430/96 Junto ao Auto de Infração que consagrou o lançamento de ofício alhures, seguiu o Termo de Verificação Fiscal (constante às fls 279/287), que discrimina exatamente todos os termos da exigência e seus fundamentos legais. Diante do exposto, não verifico quaisquer nulidades no auto de infração e também no Acórdão recorrido por suposta ofensa a princípios constitucionais, na forma em que reclamado pela recorrente. Ressaltase ainda que as causas de nulidade estão contidas no Decreto n° 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15521.000091/200918 Acórdão n.º 1802001.395 S1TE02 Fl. 634 9 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Assim, selo entendimento de que a nulidade suscitada não guarda relação ao dispositivo supracitado e além de tudo, por atestar que não houve cerceamento do direito de defesa, sendo respeitados prazos razoáveis para resposta do contribuinte, não houve ofensa ao princípio da verdade material, dado que o contribuinte não provou de forma inequívoca estar o lançamento equivocado ou incorreto, não houve ofensa ao contraditório e à ampla defesa, sendo analisados com perícia todos os documentos juntados ao processo, não houve ofensa ao princípio do devido processo legal, sendo respeitados todos os termos do Decreto n° 70.235/72 a que se vinculam as autoridades administrativas. Portanto, afasto as preliminares de nulidade suscitadas. Vencidas as preliminares, passo à análise das questões de mérito. Neste estigma, verificase haver discussão sedimentada sobre duas rubricas: (I) valores não adicionados a título de lucro inflacionário nos anoscalendário de 2004 e 2005, na apuração do lucro real e (II) compensação indevida de prejuízos fiscais no anocalendário de 2005. Para melhor deslinde das razões, subdivido as matéria a seguir. DO LUCRO INFLACIONÁRIO NÃO ADICIONADO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL NOS ANOSCALENDÁRIO DE 2004 E 2005 Da suposta realização do lucro inflacionário no anocalendário de 1999 e da Decadência Inicialmente, cabe averiguar a informação de que o montante reclamado havia sido devidamente lastreado no anocalendário de 1999, na forma em que alegado pela recorrente, conforme consta em sua manifestação de inconformidade às fls. 306, comando repetido no Recurso Voluntário às fls. 583: 34. Assim, a Impugnante entendeu por realizar o total do saldo de seu lucro inflacionário acumulado até 31.12.1995 no ano calendário de 1999, conforme se constata na DIPJ (doc. 03), e do LALUR do respectivo ano (doc. 04). (grifos no original) Neste ponto, é importante destacar que a DIPJ juntada na manifestação de inconformidade do anocalendário de 1999, não possui as mesmas características da existente nos sistemas da Receita Federal, sendo exatamente a informação do valor questionado, a divergência, conforme consta no Acórdão às fls. 557/558: 13. Em consulta aos sistemas da RFB (Consulta Declarações IRPJ), à fl. 527, verificase que, de fato, em 15/03/2004, as 9:02:02, foi apresentada DIPJ retificadora do ano calendário de 1999, HASH 17.76.39.86.51, arquivada sob o n° 1204628 (fl.528). Fl. 692DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 14. Entretanto, na DIPJ efetivamente transmitida à RFB nenhum valor foi oferecido tributação a titulo de lucro inflacionário realizado. Ou seja, a linha 11 da Ficha 10A encontrase ZERADA (fl.529). A Ficha 08 (Demonstração do Lucro Inflacionário Realizado) sequer foi transmitida (fl.528). 15. Assim, há que se considerar inidôneos os documentos de fls 361/404 trazidos colação para elidir o lançamento; por conseguinte, serão considerados válidos somente os valores declarados na DIPJ efetivamente entregue A repartição fiscal (fls.528/531 e 543). Do LALUR juntado, verifico às fls. 441 (no mês de dezembro/1999) constar em “Adições” o montante de R$ 449.795,14, sob a rubrica “Lucro Inflacionário Realizado”. Com este cálculo, apurou a recorrente prejuízo fiscal de R$ 138.078,54. Ocorre que desta prova: (I) verificase não constar assinatura do contador nem do representante legal; (II) o contador e o representante legal difere das demais páginas do livro e (III) os saldos relatados nessa parte não conferem com o declarado em DIPJ no ano calendário de 1999. Assim pelas divergências apuradas, não pode a autoridade fiscal se convalidar dela para afastar a exigência tributária, quando todos os elementos estão lastreados corretamente nos sistemas da Receita Federal, provando exatamente o contrário. Portanto, não é válida a pretensão do contribuinte na parte em que alega ter sido efetuado o registro do lucro inflacionário no anocalendário de 1999. Também não se verifica nos anos seguintes qualquer lastro contábil de que houve adição do lucro inflacionário na contabilidade, tributandose o respectivo montante. Por via de conseqüência, não entendido como levada a efeito no ano calendário, de plano se afasta qualquer hipótese de que teria ocorrido a decadência, não havendo o que se retratar ao anocalendário de 1999. Da tributação do lucro inflacionário A recorrente alega que o lucro inflacionário não indica a existência de acréscimo patrimonial e, portanto, merece escapar da tributação, confundindo o lucro decorrente da inflação com correção monetária, juntando jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Neste sentido, a Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 assim dispôs acerca da matéria: Art. 7º O saldo do lucro inflacionário acumulado, remanescente em 31 de dezembro de 1995, corrigido monetariamente até essa data, será realizado de acordo com as regras da legislação então vigente. § 1º Para fins do cálculo do lucro inflacionário realizado nos períodosbase posteriores, os valores dos ativos que estavam Fl. 693DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15521.000091/200918 Acórdão n.º 1802001.395 S1TE02 Fl. 635 11 sujeitos a correção monetária, existentes em 31 de dezembro de 1995, deverão ser registrados destacadamente na contabilidade da pessoa jurídica. § 2º O disposto no parágrafo único do art. 6º aplicase à correção dos valores de que trata este artigo. § 3º À opção da pessoa jurídica, o lucro inflacionário acumulado existente em 31 de dezembro de 1995, corrigido monetariamente até essa data, com base no parágrafo único do art. 6º, poderá ser considerado realizado integralmente e tributado à alíquota de dez por cento. (Grifouse) Como se observa, a Lei não retira da incidência tributária o lucro inflacionário. Ademais, o entendimento jurisprudencial se coaduna neste sentido, aplicando à tributação conforme o resultado contábil, da averiguação de acréscimo patrimonial, haja vista a contabilização de lucro inflacionário possuir movimentação nas contas do patrimônio líquido, não havendo que se confundir com correção monetária. É assim, neste sentido que se encaminha a jurisprudência do STJ, senão vejamos: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA. LUCRO INFLACIONÁRIO (LEI 7.799/89, ART. 21). CORREÇÃO MONETÁRIA DAS CONTAS INTEGRANTES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (LEI 6.404/76, ARTS. 178, § 2º, D, E 185; DL 1.598/77, ART. 39, E LEI 7.799/89, ART. 4º). EXCLUSÃO DA BASE DE INCIDÊNCIA DO IRPJ. IMPOSSIBILIDADE. 1. Visando a "expressar, em valores reais, os elementos patrimoniais e a base de cálculo do imposto de renda de cada períodobase" (art. 3º), a Lei 7.799/89 determinou que a consideração dos efeitos da inflação sobre as demonstrações contábeis se fizesse mediante sua atualização monetária, realizada nos termos ali explicitados e destacada em conta de natureza nãooperacional. O saldo dessa conta, se devedor, constitui encargo dedutível do lucro tributável (art. 4º, III), e, se credor, deve a ele ser adicionado, denominandose "lucro inflacionário" (art. 21). 2. A legitimidade dessa sistemática frente aos conceitos de renda e de lucro da legislação infraconstitucional foi reconhecida pelo STF no RE 201.4656/MG, em que, apreciando o tema da constitucionalidade do art. 3º, I, da Lei 8.200/91, a Corte assentou não haver um conceito ontológico (= pertencente ao mundo dos fatos) de lucro tributável, mas apenas um conceito jurídicoformal, obtido pelo ajuste do resultado do exercício segundo as prescrições (adições, deduções e exclusões) taxativamente estabelecidas em preceitos normativos. 3. Entre as contas cujo valor histórico deveria ser corrigido, integrando a conta especial de correção monetária, estavam Fl. 694DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 aquelas integrantes do patrimônio líquido, arroladas no art. 178, § 2º, d, da Lei 6.404/76, por força do art. 185 da mesma Lei (revogado pela Lei 7.730, de 31.01.1989), o qual continha norma semelhante à posta no Decretolei 1.598/77, art. 39, e na Lei 7.799/89, art. 4º (revogada pela Lei 9.249, de 26.12.1995). 4. Havendo normas legais determinando expressamente a dedução ou a adição, conforme devedor ou credor, do saldo da conta especial de correção monetária do lucro real, não há como salvo mediante a declaração de inconstitucionalidade das referidas normas excluir da base de incidência do imposto de renda o valor correspondente à correção monetária do patrimônio líquido, conta que, também por força de expressa disposição normativa, deve ter seu resultado integralmente corrigido. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (REsp 802.452/PR, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2009, DJe 02/02/2010) O TRF da 4a Região possui jurisprudência com igual interpretação: TRIBUTÁRIO. LUCRO INFLACIONÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. RIR/80. RIR/94. LEI N. 7.799/89, ART. 21. ART. 43 DO CTN. LEI N. 7.689/88. O lucro inflacionário (art. 21 da Lei 7.799/89) não representa meramente a diferença de valores em razão da desvalorização da moeda, mas sim a apuração de saldo credor em uma conta que relaciona as variações monetárias de todas as contas das demonstrações financeiras das empresas.Quando há saldo credor desta Conta de Correção Monetária significa que o ativo permanente obteve maior valorização que o patrimônio líquido. Isso importa em acréscimo patrimonial, pois significa que o ativo permanente foi financiado por um passivo assumido com índices inferiores à inflação. Assim, o lucro inflacionário deve fazer parte da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 43 do CTN), porque significa efetivo acréscimo patrimonial da empresa. É que renda não é somente aquilo que efetivamente ingressou no caixa da empresa (disponibilidade econômica), mas também os valores a que a sociedade tem o direito de exigir recebimento (disponibilidade jurídica). Diversamente do Imposto de Renda, que baseiase no lucro real, na Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689/88) é apurado resultado do período base com observância da legislação comercial, chegandose ao lucro contábil, em que não é computado o lucro inflacionário não realizado. Tendo em vista a diferenciação entre lucro real e lucro contábil, embora deva incidir IRPJ sobre o lucro inflacionário não realizado (por representar aquisição de disponibilidade jurídica), não deve incidir sobre ele a CSL, pois esta incide sobre o lucro contábil, apurado com base na Lei nº 6.404/76. Os valores recolhidos indevidamente podem ser compensados com Contribuições Sociais sobre o Lucro futuras (artigos 66, § 1º da Lei nº 8383/91 e artigo 39 da Lei nº 9.250/95), devendo respeitar os limites previstos nas Leis nº Fl. 695DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15521.000091/200918 Acórdão n.º 1802001.395 S1TE02 Fl. 636 13 9.032/95 e 9.129/95. A correção monetária dos valores a compensar deve ser feita pela ORTN/OTN/BTN/IPC/INPC/UFIR (até dezembro de 1995), com a aplicação das Súmulas 32 e 37 deste Tribunal, sendo que, a partir de janeiro de 1996, aplicase a taxa SELIC (art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95), que não deve ser cumulada com qualquer fator de correção monetária ou juros. Apelação parcialmente provida. (TRF4, AC 98.04.015919, Primeira Turma, Relatora Vânia Hack de Almeida, DJ 03/01/2001) Como se observa, a incidência do lucro inflacionário existe, estando incluída na apuração do lucro real. Assim sendo, como nos anoscalendário 2004 (fls. 21) e 2005 (fls. 96) o contribuinte apurou lucro, o lançamento da parcela de 10% relativo a lucro inflacionário nas contas do patrimônio líquido aumenta na mesma proporção o lucro real apurado, sendo desta forma, correto o lançamento de ofício realizado. DA COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS NO ANOCALENDÁRIO DE 2005 A recorrente alega que foram considerados apenas o constante nos sistemas da Receita Federal, que apurou ser o prejuízo fiscal utilizado no anocalendário de 2005 superior ao que o ali constante, e desconsiderado seu LALUR. Ocorre que não constam nos autos LALUR de todos os anoscalendário que evidenciem ou permitam a análise sistemática do controle de prejuízo fiscal acumulado, na mesma forma em que consta do sistema SAPLI colacionado aos autos. Ora, o ônus da prova neste caso era do contribuinte, que deveria demonstrar em sendo o caso o suposto equívoco em suas declarações, utilizandose de meio próprio (retificação) para corrigir possíveis inconsistências (Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Neste sentido, o contribuinte não comprovou por quaisquer meios que o controle de prejuízo fiscal demonstrado pela Receita Federal, que reflete a própria declaração prestada pelo contribuinte (DIPJ) estava incorreto. Assim, mantémse o cálculo detalhado pela DRJ a seguir (fls. 559/560): 27. Verificase, entretanto, que o demonstrativo apresentado não está em consonância com os prejuízos apurados/compensados nas DIPJ. Sendo vejamos: Fl. 696DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 Descrição Valor Origem Fls Saldo de prejuízo fiscal em 1996 59.874,38 SAPLI Prejuízo fiscal apurado em 1997 0,00 Prejuízo fiscal apurado no 3° tri/1998 615.273,53 DIPJ retificadora apresentada em 06/12/1999 (n° de arquivo 1104718) 541 Prejuízo fiscal apurado no 4° tri/1998 323.437,44 DIPJ retificadora apresentada em 06/12/1999 (n° de arquivo 1104718) 542 Saldo de prejuízo fiscal em 1998 998.585,35 Prejuízo fiscal apurado em 1999 565.873,68 DIPJ retificadora apresentada em 15/03/2004 (n° de arquivo 1204628) 543 Saldo de prejuízo fiscal em 1999 1.564.459,03 () prejuízo compensado em 2000 (430.234,23) DIPJ retificadora apresentada em 15/03/2004 (n° de arquivo 1202416) 544 Saldo de prejuízo fiscal em 2000 1.134.224,80 () prejuízo compensado em 2001 (370.317,14) DIPJ retificadora apresentada em 13/10/2005 (n° de arquivo 1239684) 545 Saldo de prejuízo fiscal em 2001 763.907,66 Prejuízo fiscal apurado em 2002 5.562.637,24 DIPJ retificadora apresentada em 13/10/2005 (n° de arquivo 1247478) 546 Saldo de prejuízo fiscal em 2002 6.326.544,90 () prejuízo compensado em 2003 (720.491,39) DIPJ retificadora apresentada em 21/09/2006 (n° de arquivo 1293801). 547 Saldo de prejuízo fiscal em 5.606.053,51 Fl. 697DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15521.000091/200918 Acórdão n.º 1802001.395 S1TE02 Fl. 637 15 2003 () prejuízo compensado em 2004 2.316.750,46 DIPJ retificadora apresentada em 29/06/2005 (n° de arquivo 0872906). 548 Saldo de prejuízo fiscal em 2004 3.289.750,46 () prejuízo compensado em 2005 (3.583.263,05) DIPJ retificadora apresentada em 13/04/2007 (n° de arquivo 1391085). 494 Prejuízo compensado a maior (293.512,59) CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito, negar provimento ao recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Relator Fl. 698DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 12963.000346/2008-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
LUCRO INFLACIONÁRIO.
A obtenção de decisão judicial, assegurando à contribuinte o direito de realizar o lucro inflacionário e o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF somente à medida da efetiva realização dos bens, direitos e obrigações sujeitos à correção monetária, não constitui fato impeditivo à sua posterior opção pela tributação incentivada prevista no art. 31 da Lei n° 8.541/92.
Numero da decisão: 1401-000.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, cuja análise restou prejudicada, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente). Declarou-se impedido o conselheiro Maurício Pereira Faro.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 LUCRO INFLACIONÁRIO. A obtenção de decisão judicial, assegurando à contribuinte o direito de realizar o lucro inflacionário e o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF somente à medida da efetiva realização dos bens, direitos e obrigações sujeitos à correção monetária, não constitui fato impeditivo à sua posterior opção pela tributação incentivada prevista no art. 31 da Lei n° 8.541/92. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, cuja análise restou prejudicada, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente). Declarouse impedido o conselheiro Maurício Pereira Faro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 03 46 /2 00 8- 74 Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 706708): Tratase de impugnação ao lançamento do imposto de renda da pessoa jurídica – IRPJ. No termo de verificação fiscal de fls. 5/7, o auditor relata, em síntese, o seguinte: a) em razão de divergências encontradas entre as informações constantes do sistema interno da RFB sobre a realização do lucro inflacionário, e as informações prestadas nas DIPJ relativas aos anoscalendários de 2003 a 2006, foi a contribuinte intimada (fl. 20) a apresentar o LALUR daquele período; b) em resposta (fls. 22/40), a fiscalizada entregou cópia do livro solicitado, bem como comprovante de arrecadação do IRPJ sobre o lucro inflacionário, e comprovante de depósito judicial realizado nos autos do mandado de segurança n° 94.00220359. O somatório dos valores indicados nesses dois documentos corresponde à tributação incentivada (aliquota de 5%) do IRPJ sobre o lucro inflacionário e o saldo credor da diferença de correção monetária IPC/BTNF acumulados até 31/12/1992, corrigidos até a data de sua realização (art. 6°, V, da Instrução Normativa SRF n° 96/93). Foi também apresentada planilha demonstrando como se processou a realização do lucro inflacionário nos meses seguintes a dezembro de 1994, tendo em vista o deferimento de liminar no mandado de segurança antes referido, no sentido de que o lucro inflacionário e a diferença IPC/BTNF somente fossem tributados quando da alienação do ativo em valor superior ao valor contábil corrigido, ou liquidação do passivo em valor menor que o valor contábil corrigido; c) intimada para tanto (fl. 41), a fiscalizada apresentou (fls. 44/111) certidão de objeto e pé acerca do mandado de segurança em apreço, constando ali que a segurança fora deferida na forma pedida pela contribuinte, e que o processo transitou em julgado em 13/04/1999. Da certidão constava, ainda, a informação de que o depósito judicial fora levantado em 20/03/2002; d) tendo a decisão judicial definitiva determinado que a contribuinte realizasse o lucro inflacionário e a diferença IPC/BTNF quando da alienação do ativo em valor superior ao valor contábil corrigido, ou liquidação do passivo em valor menor que o valor contábil corrigido, e tendo em conta o levantamento do depósito judicial, concluiu esta fiscalização não ter havido realização integral do lucro inflacionário à aliquota incentivada de 5%, requisito essencial ao exercício da opção, restando a mesma ineficaz, tendo em vista o art. 9°, § 2° da IN SRF n° 96/93. Da leitura de tal dispositivo é possível concluir Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12963.000346/200874 Acórdão n.º 1401000.855 S1C4T1 Fl. 824 3 que a opção pela tributação incentivada em comento é um ato jurídico complexo que se inicia com a opção e se aperfeiçoa com o pagamento do montante integral do imposto devido. Não se realizando todos os passos, não há que se falar em ato jurídico perfeito; e) intimada (fls. 112/117) a se manifestar sobre as conclusões da fiscalização, a contribuinte, em resposta (fls. 119/152), transcreveu argumento apresentado em juizo, afirmando que a utilização da faculdade prevista no art. 151, II, do CTN, ao atribuir aos depósitos judiciais a faculdade de suspender a exigibilidade das obrigações, concedeu a eles os efeitos temporais do pagamento; f) discordamos de tal colocação, na medida em que o CTN atribui efeitos diversos ao depósito judicial e ao pagamento. Aquele, o art. 151, II, atribui o efeito de suspender a exigibilidade do crédito tributário, enquanto a este o art. 156, I, atribui o efeito de extinguir o crédito tributário. Levantado o depósito judicial pela contribuinte, tornouse novamente exigível parte do imposto de renda sobre o lucro inflacionário e correção monetária IPC/BTNF aliquota incentivada, o que torna ineficaz a opção por esta forma de tributação, por não atendimento de requisito essencial, conforme alhures explicado; g) intimada (fls. 153/161) a se pronunciar sobre essas novas conclusões, a fiscalizada argumentou (fls. 163/179) que em caso de apuração posterior de saldo de lucro inflacionário e correção monetária IPC/BTNF acumulados até dezembro de 1992, deveria ser aplicado o art. 13 da IN SRF n° 96/93, ou seja, prevaleceria a opção incentivada para a parte realizada, e aplicarseia as aliquotas e procedimentos normais A diferença apurada; h) novamente discordamos da contribuinte na medida em que tal dispositivo aplicase a diferenças apuradas após a opção pela tributação incentivada. Isso se daria em sede de fiscalização própria para tanto. Mas esse não é o caso, uma vez que o saldo acumulado de lucro inflacionário acumulado e a diferença IPC/BTNF já eram conhecidos quando da opção pela tributação incentivada. Não foram apurados saldos desconhecidos. De fato, a base de cálculo correspondente ao depósito judicial não merecia outro tratamento que não fosse a tributação incentivada, caso o contribuinte quisesse aperfeiçoar sua opção pela mesma. E isto se daria pela conversão do depósito judicial em renda da União; i) em razão do exposto, elaboramos as planilhas de recomposição do lucro inflacionário (fls. 8/10) e a planilha de apuração do lucro inflacionário a lançar (fl. 11), e lavramos o auto de infração do IRPJ. Há que se destacar que desconsideramos a decadência lançada automaticamente pelo sistema (extrato do SAPLI As fls. 180/185), uma vez que a mesma defluiu do disposto no art. 3 0, parágrafo único, da IN SRF n° 96/93. A concessão de tutela judicial autorizando a Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 contribuinte a realizar o lucro inflacionário acumulado e a diferença IPC/BTNF de acordo com a alienação do ativo a valor acima do valor corrigido, ou da realização do passivo a valor menor que o valor corrigido, mutatis mutandis, exclui a aplicação do dispositivo retro citado. Cientificada da autuação, a interessada impugnou a exigência (fls. 648/658) pedindo ao final seja julgado improcedente o lançamento, sob as seguintes alegações, em síntese: a) muito embora a opção pela realização incentivada do lucro inflacionário acumulado e da diferença IPC/BTNF tenha sido validamente manifestada pela impugnante em 28/12/1994, passados mais de treze anos daquele evento, em agosto de 2008, a fiscalização alega ter havido insuficiência no recolhimento efetuado naquela época, fato que, em seu entender, invalidaria a opção realizada; b) partindo da premissa de que não houve opção pela realização incentivada do lucro inflacionário e da diferença IPC/BTNF, a fiscalização recalculou os respectivos saldos desde 1994 até 2006. Tal recomposição implicou a apuração de IRPJ a pagar nos anos de 2003, 2004 e 2006, assim como resultou na redução do valor do prejuízo fiscal apurado no ano de 2005; c) pois bem, antes de qualquer outra consideração é necessário esclarecer que há muito tempo já decaiu o direito de o Fisco questionar a realização levada a efeito pela impugnante nos termos do art. 31 da Lei n. 8541/92. Ainda que se admita que o pagamento efetuado em 28/12/1994 tenha sido realizado em montante inferior ao devido, a fiscalização não poderia pretender questionar esse fato em agosto de 2008, mais de treze anos após a manifestação pela referida opção, tendo em vista o disposto nos arts. 150, § 4°, e 156, inciso V, ambos do CTN. Esse é também o entendimento do Conselho de Contribuintes, conforme, por exemplo, os acórdãos 10193377 e 10193444; d) de mais a mais, ainda que não estivesse decaído o direito de o Fisco exigir as supostas diferenças, a glosa ainda assim seria improcedente. Isso porque eventual insuficiência no recolhimento efetuado pela impugnante em 28/12/1994 não teria o condão de invalidar a opção pela realização incentivada. E o que dispõe o art. 13 da Instrução Normativa SRF n° 96/93, ao determinar que em caso de apuração de diferença entre o valor recolhido a titulo de tributação incentivada, e o valor efetivamente devido, o saldo restante do lucro inflacionário e da diferença IPC/BTNF será realizado segundo as regras gerais de realização; e) houve equivoco do auditor em relação aos percentuais de realização adotados na autuação. Embora a autoridade tenha pretendido adotar os mesmos percentuais que foram utilizados pela impugnante, há divergências em relação aos empregados nos anos de 2003 e 2004; f) E por fim, devese ressaltar que a fiscalização também cometeu equívocos na apuração do valor do IRPJ efetivamente devido em cada períodobase objeto de autuação, pois não considerou a compensação de prejuízos fiscais de períodos Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12963.000346/200874 Acórdão n.º 1401000.855 S1C4T1 Fl. 825 5 anteriores e o montante das deduções a titulo de incentivos fiscais. Protesta ainda a impugnante provar os fatos alegados por todos os meios em direito admitidos, tais como ajuntada de documentos e a realização de diligências. A 2ª Turma da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, por meio do Acórdão nº 0921.231, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 LUCRO INFLACIONÁRIO. Se a contribuinte obteve medida liminar em mandado de segurança, posteriormente confirmada por sentença transitada em julgado, que lhe garantiu o direito de realizar o lucro inflacionário e o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF somente A medida da efetiva realização dos bens, direitos e obrigações sujeitos à correção monetária, não pode alegar que o pagamento parcial do IRPJ mediante aliquota de 5%, realizado posteriormente à obtenção daquela medida, tenha significado a sua opção pela tributação incentivada prevista no art. 31 da Lei n° 8.541/92. PREJUÍZOS FISCAIS. Se as infrações apuradas na auditoria elevaram o lucro real declarado pela contribuinte, ou transformaram o prejuízo fiscal do período em lucro real, deve a autoridade verificar a existência de prejuízos fiscais acumulados na escrita da empresa e, se for o caso, realizar sua compensação até o limite legalmente permitido. Lançamento Procedente em Parte A aludida decisão retificou o lançamento, considerando a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores, observado o limite legal permitido (30%). Tendo em vista o disposto no art. 34, I, do Decreto 70.235/72, e no art. 10 da Portaria MF n° 3/2008, foi interposto recurso de ofício. Cientificada do referido Acórdão em 10/11/2008 (fls. 716), a contribuinte apresentou em 09/12/2009 o recurso voluntário de fls. 717661, reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória. Adicionalmente, questionou a incidência de juros sobre a multa. É o relatório. Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 6 Voto Os recursos atendem aos requisitos legais, razão pela qual devem ser conhecidos. Por razões práticas, inicialmente apreciarei o recurso voluntário, postergando a análise do recurso de ofício Da opção pela tributação incentivada do lucro inflacionário Conforme relatado, em 14/11/1994 a recorrente impetrou mandado de segurança preventivo em face do Delegado de Varginha – MG, pleiteando o direito de promover a realização do lucro inflacionário acumulado e do saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF na medida em que os bens sujeitos à correção monetária fossem sendo efetivamente realizados. Em outras palavras, a contribuinte desejava não se submeter ao sistema de realização mínima mensal, estabelecido pelos arts. 30 e 32 da Lei n° 8.541/92. Como pedido alternativo, a contribuinte, ora recorrente, requereu o direito de realizar de maneira incentivada, à aliquota de 5%, lucro inflacionário acumulado e do saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF, conforme disposto no art. 31, V, da Lei n° 8.541/92. Em 30/11/1994 (fls. 120), foi deferida a liminar. Em 28/12/1994 (ou seja, 28 dias após a obtenção da medida liminar), a contribuinte recolheu um DARF no valor de R$ 9.325.769,00 com código arrecadação 3320 (v. extrato, fls. 32). Segundo o disposto no art. 9°, § 2°, da IN SRF n° 96/1993, o referido código de arrecadação 3320 referese ao pagamento do IRPJ relativo à tributação incentivada do lucro inflacionário acumulado e do saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF existentes em 31/12/1992, corrigidos até a data da opção. Em 19/12/1995, a contribuinte efetuou um depósito judicial, no valor de R$ 1.528.463,00, (fls. 31). A sentença de 1º grau foi proferida em 20 de maio de 1996, nos seguintes termos (fls. 74. grifado): POR TAIS FUNDAMENTOS, constituindose direito liquido e certo da Impetrante, verse tributada sob identificação correta do FATO GERADOR, constituise lado outro, inconteste ilegalidade a exigência que se faz em descompasso com o art. 43 do C.T .N., pelo que JULGO PROCEDENTE o pedido e. ratificando a liminar de fis 40, concedo a segurança, para ordenar ao Fisco que se abstenha de exigir da Impetrante o Imposto de Renda sobre o lucro inflacionário acumulado, o saldo credor da diferença IPC/BTNF, e a variação cambial apurada em regime de competências nas contas passivas. até a REALIZAÇÃO EFETIVA dos mesmos, a saber, A ALIENAÇÃO DE BENS DO ATIVO A VALOR SUPERIOR AO VALOR CONTÁBIL CORRIGIDO, OU A LIQUIDAÇÃO DE PASSIVO A Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12963.000346/200874 Acórdão n.º 1401000.855 S1C4T1 Fl. 826 7 VALOR INFERIOR AO VALOR CONTÁBIL CORRIGIDO, mantendoos até a efetiva realização em conta diferida nos livros fiscais,(Lalur). O recurso de apelação proposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, foi improvido pelo TRF – 1ª Região, tendo o processo transitado em julgado em 13/04/1999, nos termos da sentença de 1º grau (fl. 53). O depósito judicial foi integralmente levantado pela contribuinte em 20/03/2002 (fl. 53). Cumpre destacar que o valor do IRPJ pago, somado ao valor depositado judicialmente, totaliza R$ 10.854.232,00. Esse montante corresponderia, precisamente, à aplicação da alíquota de 5% (art. 31, V, da Lei n° 8.541/92) sobre o valor de R$ 217.084.637,00, que representava o montante do lucro inflacionário acumulado e do saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF existente em 31/12/1992, corrigido até 28/12/1994 (data do recolhimento do DARF, no valor de R$ 9.325.769,00, sob código arrecadação 3320). Ao analisar estes fatos, o colegiado julgador a quo considerou que o retrocitado pagamento do IRPJ (com código 3320), efetuado pela contribuinte em 28/12/1994, não teve o condão de manifestar sua opção de realizar, de uma só vez, o montante do lucro inflacionário acumulado e do saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF existente em 31/12/1992. Sobre o tema, assim se pronunciou o acórdão recorrido, fls. 711712: A resposta a essa questão há que ser negativa. É que a impetração do mandado de segurança e a respectiva obtenção da medida liminar (posteriormente confirmada por sentença transita em julgado) em data anterior ao pagamento do IRPJ, é incompatível com o exercício da opção prevista no art. 31, V. da Lei n° 8.541/92. Em outras palavras, quando, em 28/12/1994, a interessada recolheu o DARF com código 3320, já estava ela amparada por medida liminar que lhe garantia o direito de realizar o lucro inflacionário acumulado e o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF com base em metodologia diversa da realização incentivada. Como a opção pela realização incentivada não convive juridicamente com outras formas de realização, não há como se admitir que tenha havido, no caso, opção válida pela realização incentivada. Se a contribuinte quisesse realmente manifestar sua opção pela realização incentivada, deveria haver desistido da ação proposta até 31/12/2004, data limite para o exercício da opção, e recolhido até aquela data a diferença do IRPJ, com código 3320. Como não o fez, é de se concluir que não houve manifestação válida pela realização incentivada. A recorrente discordou deste entendimento, com base nos seguintes argumentos, fls. 729730: Com base na liminar concedida, a recorrente foi autorizada a tributar os seus resultados abrangidos pela referida ação apenas Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 8 no momento da sua efetiva realização, controlando no seu La lur o "diferimento" autorizado judicialmente. A transcrição acima evidencia que a ordem judicial preferida era no sentido de permitir o diferimento da tributação no Lalur e não propriamente obrigar a recorrente a proceder dessa forma. Dai porque, especialmente no que tange aos saldos de lucro inflacionário acumulado e de diferença de correção monetária IPC/BTNF existentes em 31.12.1992, a recorrente abriu mão do regime de tributação concedido pela medida liminar proferida, e houve por bem optar pela sua realização incentivada, com base no art. 31, inciso V, da Lei n. 8541/92. Paralelamente à realização incentivada dos saldos existentes em 1992, a recorrente prosseguiu discutindo o seu direito de tributar os demais resultados referentes aos outros exercícios (1993, 1994, e 1995), abrangidos pelo mandado de segurança n. 94.00220359, apenas no momento da sua efetiva realização, como vem fazendo até hoje. [...] Em suma, expostos os fatos ocorridos, podese verificar que o procedimento adotado pela recorrente, em relação à referida ação judicial, foi o seguinte : • os saldos de lucro inflacionário acumulado e de diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF, existentes em 31.12.1992, foram objeto de realização incentivada, nos termos do art. 31 da Lei n. 8541/92, com base no pagamento efetuado em 28.12.1994; e • os demais resultados abrangidos pelo mandado de segurança n. 94.00220359 passaram a ser controlados no Lalur, para tributação apenas no momento da sua efetiva realização, conforme decisão transitada em julgado proferida naqueles autos. É importante ficar claro que a ação judicial tinha objeto amplo, referente à tributação de todo e qualquer resultado, referente a todo e qualquer períodobase, apurado pela recorrente a titulo de lucro inflacionário. Embora inicialmente aquele mandado de segurança também abrangesse a tributação dos saldos de lucro inflacionário existentes em 31.12.1992 e aqueles decorrentes da diferença de correção monetária IPC/BTNF, não apenas aqueles montantes estavam sendo discutidos, pois os saldos de lucro inflacionário referentes aos anos de 1993, 1994 e 1995 também estavam abrangidos por aquela ação judicial. Tanto isso é verdade que, após a opção pela realização incentivada dos saldos de 1992 e da diferença de correção monetária, a recorrente prosseguiu tributando os demais resultados a titulo de lucro inflacionário, apurados justamente nos anos seguintes, na medida da sua realização efetiva, conforme autorizado pela sentença. Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12963.000346/200874 Acórdão n.º 1401000.855 S1C4T1 Fl. 827 9 Aliás, é interessante notar que parte dos saldos de lucro inflacionário de 1993, 1994, e 1995, até hoje ainda não foi tributada, pois uma parte dos seus ativos e passivos que os gerou ainda não foi objeto de efetiva realização. Destarte, ao contrário do que pretendeu levar a crer a r. decisão recorrida, não há incompatibilidade entre a ordem judicial proferida nos autos do mandado de segurança n.94.00220359 e a opção pela tributação incentivada prevista no art. 31 da Lei n. 8451/92. Analisandose a legislação de regência, em conjunto com a decisão judicial, considero que a razão encontrase ao lado da recorrente. De fato, não existe fundamento jurídico para amparar a afirmação do acórdão recorrido, no sentido de que “a opção pela realização incentivada não convive juridicamente com outras formas de realização”. Conforme bem apontado pela recorrente, não havia qualquer impedimento, legal ou judicial, para que a recorrente optasse por abrir mão de parte do regime de tributação estabelecido no mandado de segurança, para valerse da tributação mais benéfica prevista na Lei nº 8451/92. Em resumo: a sentença obtida pela contribuinte autorizava, mas não obrigava, a tributação do lucro inflacionário apenas no momento da sua realização. Importante destacar que a insuficiência no recolhimento efetuado pela recorrente, em 28/12/1994, também não teve o condão de invalidar a opção pela realização incentivada praticada pela recorrente. O tratamento a ser dado na hipótese de recolhimento a menor encontravase claramente previsto no art. 13, II da IN SRF nº 96/93, verbis: Art. 13. Caso sejam apuradas, após a opção, eventuais diferenças no saldo do lucro inflacionário acumulado e saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF, existentes em 31 de dezembro de 1992, terão elas o seguinte tratamento: I — se o saldo for menor do que o utilizado na opção, a parcela do imposto pago a maior poderá ser compensado nos recolhimentos dos meses subseqüentes, ressalvado o direito de restituição. II — se o saldo for maior que o utilizado na opção, sobre a parcela excedente apurada, a pessoa jurídica não poderá pleitear o exercício da opção. A recorrente, ao analisar o retrocitado dispositivo legal, identificou corretamente a consequência deste recolhimento parcial: A aplicação desse dispositivo determina o reconhecimento de que o pagamento de R$ 9.325.769,00 seriam suficientes para liquidar o saldo de R$ 186.515.380,00 a titulo de realização Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 10 incentivada, restando R$ 30.569.257,00 (R$ 217.084.637,00 R$ 186.515.380,00) a ser tributados com aliquota não reduzida, na forma estabelecida pela sentença transitada em julgado anteriormente referida, isto é, na medida da efetiva realização dos respectivos saldos. De todo o exposto, concluise que o presente lançamento não pode prosperar. De fato, não havia qualquer incompatibilidade entre a tributação incentivada (prevista pelo art. 31 da Lei n. 8541/92) e a aplicação da sentença proferida nos autos do mandado de segurança n. 94.00220359, impetrado pela recorrente. Ademais, é forçoso admitir que a recorrente efetivamente cumpriu todas as formalidades previstas em lei para exercer a opção pela realização incentivada, quais sejam: (i) recolhimento do imposto devido antes de 31.12.1994, prazo final para o exercício da opção (§ 4° do art. 31 da Lei n. 8541/92); (ii) preenchimento do DARF correspondente com o código 3320 (§2° do art. 9° da IN SRF n. 96/93); e Uma vez demonstrada a insubsistência material do lançamento, tornase desneceessário analisar as demais alegações da recorrente, tais como a preliminar de decadência e a incidência de juros sobre a multa. Recurso de ofício Uma vez demonstrada a total insubsistência do presente lançamento, também resulta prejudicada a análise do recurso de ofício. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, cuja análise restou prejudicada. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
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Numero do processo: 10425.902399/2009-74
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO FUNDADO NA ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR PELA APLICAÇÃO DO COEFICIENTE DE 32%, EM VEZ DE 8%. SERVIÇO HOSPITALAR. NÃO COMPROVAÇÃO.
A certeza e a liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Quanto à tributação dos serviços hospitalares pelo lucro presumido, no que diz respeito à apuração da base de cálculo com o coeficiente de 8% (e não 32%), a jurisprudência do STJ é bastante clara ao não considerar como serviço hospitalar a simples prestação de atendimento médico, e os elementos constantes dos autos indicam ser essa a atividade da Recorrente. Não comprovada a origem do alegado direito creditório, mantém-se a negativa em relação à compensação.
Numero da decisão: 1802-001.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1912; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10425.902399/200974 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1802001.423 – 2ª Turma Especial Sessão de 06 de novembro de 2012 Matéria IRPJ Recorrente SABINO ROLIM GUIMARÃES FILHO & CIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO FUNDADO NA ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR PELA APLICAÇÃO DO COEFICIENTE DE 32%, EM VEZ DE 8%. SERVIÇO HOSPITALAR. NÃO COMPROVAÇÃO. A certeza e a liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Quanto à tributação dos serviços hospitalares pelo lucro presumido, no que diz respeito à apuração da base de cálculo com o coeficiente de 8% (e não 32%), a jurisprudência do STJ é bastante clara ao não considerar como serviço hospitalar a simples prestação de atendimento médico, e os elementos constantes dos autos indicam ser essa a atividade da Recorrente. Não comprovada a origem do alegado direito creditório, mantémse a negativa em relação à compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 90 23 99 /2 00 9- 74 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902399/200974 Acórdão n.º 1802001.423 S1TE02 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902399/200974 Acórdão n.º 1802001.423 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que manteve a negativa de homologação em relação à Declaração de Compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fundamentos para a negativa da compensação pela Delegacia de origem e os argumentos da primeira peça de defesa da Contribuinte (manifestação de inconformidade) estão assim descritos na decisão de primeira instância, Acórdão nº 1134.351 (fls. 38 a 40): Trata o presente processo de PER/DCOMP eletrônica (n° 32328.76265.270706.1.3.046100) na qual se indicou, como origem de crédito, o DARF relativo a IRPJ referente ao regime de tributação pelo lucro presumido (código de receita n° 2089) do período de apuração de 30 de setembro de 2001, no valor de R$832,38, que teria sido pago indevidamente pela Interessada em 31/10/2001, fl. 20. O despacho decisório eletrônico (fl. 23) identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de débito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada, com indicação de saldo devedor no valor de R$1.141,45 a ser acrescido de multa e juros moratórios. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 01/03, alegando ter apresentado a referida DCOMP, compensando o valor de R$1.141,45 referente a débito de IRPJ, tendo apresentado um crédito original no valor de R$624,29, conforme cópia do PER/DCOMP em questão e cópia do DARF, fl. 19. Aduz que do crédito devidamente atualizado, no valor de R$1.141,45, havia compensado o mesmo valor. Portanto, à época da compensação possuía crédito suficiente para compensar o tributo acima citado. Que não teve oportunidade de retificar possíveis divergências ou sanar quaisquer omissões oriundas do preenchimento das DCOMP apresentadas já que não havia recebido qualquer notificação da Receita Federal neste sentido. Finaliza requerendo a reforma do Despacho Decisório em lide e o conseqüente deferimento da compensação realizada mediante referido PER/DCOMP. . Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902399/200974 Acórdão n.º 1802001.423 S1TE02 Fl. 5 4 Como já mencionado, a DRJ Recife/PE manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 06/10/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/11/2011 (segundafeira), aduzindo as razões abaixo: a 3ª Turma da DRJ/REC limitouse a refutar os argumentos defendidos pela Recorrente, sem ao menos examinar o aspecto legal e material da questão. Também não analisou detidamente as provas constantes dos autos; a Recorrente é pessoa jurídica de direito privado, constituída sob a forma de sociedade limitada, tendo por objeto a prestação de serviços médicos hospitalares, nos termos de seu contrato social (consolidação), fls. 06/10, sendo contribuinte do Imposto de Renda pelo lucro presumido; nos termos da Lei n° 9.249/1995, as empresas prestadoras de serviço passaram a recolher o Imposto de Renda sobre uma base de 32% (trinta e dois por cento), exceto as que prestarem serviços hospitalares, que recolhem de acordo com a base de 8% (oito por cento); é este o entendimento do STJ sobre a matéria: “A Primeira Seção pacificou o entendimento de que o conceito de serviços hospitalares a que se refere o art. 15, § 1º, III, a, da Lei 9.249/95, na sua redação original, deve ser interpretado de forma objetiva, abrangendo as atividades de natureza hospitalar essenciais à população, independente da existência de estrutura para internação, excluídas somente as consultas realizadas por profissionais liberais em seus consultórios médicos” (EREsp 923.537/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, PRIMEIRA SEÇÃO/ julgado em 09/12/2009, DJe 18/12/2009). Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902399/200974 Acórdão n.º 1802001.423 S1TE02 Fl. 6 5 a Recorrente, examinando os seus documentos, especificamente DARFs e DIPJs, observou que por um equívoco do seu setor contábil, recolheu a maior o IRPJ nos anos calendário 1998 a 2002, utilizando a alíquota de 32% (trinta e dois por cento) e não de 8% (oito por cento) para determinar a base de cálculo do Lucro Presumido, conforme se vê na cópia da DIPJ 2002 original, anocalendário 2001, em anexo (doc.01); desta feita, a Recorrente providenciou a retificação da DIPJ acima referida, adaptandoa à realidade da empresa, isto é, corrigindo a base de cálculo de 32% para 8%, conforme se percebe da cópia da DIPJ 2002 RETIFICADORA, doc. 02 em anexo, uma vez que prestou serviços de natureza hospitalar; após fazer um levantamento de seu crédito, a Recorrente apresentou PER/DCOMP de n° 32328.76265.270706.1.3.046100, em 27/07/2006, compensando o valor de R$ 1.141,05 (hum mil, cento e quarenta e um reais e cinco centavos) decorrentes de débito de IRPJ, apresentando para tanto um crédito original no valor de R$ 624,29, conforme cópia do documento em anexo, fls.11/16. surpreendentemente, a Requerente foi notificada de que o crédito apontado na PER/DCOMP já tinha sido totalmente utilizado para a compensação com outros débitos, fl.23; podese notar da PER/DCOMP indeferida apresentada em 27/07/2006, que do crédito devidamente atualizado no valor de R$ 1.141,05, somente foi compensado esse mesmo valor de R$ 1.141,05; analisando seus arquivos, a Contribuinte percebeu que apenas foi apresentada a PER/DCOMP n° 06359.52942.141105.1.3.043338, vinculada ao mesmo crédito original apresentado na PER/DCOMP indeferida, em 14 de novembro de 2006, e isso mesmo em valor que não supera o saldo remanescente, conforme cópia em anexo, fls.17/22; como existia saldo ainda a compensar no valor de R$ 1.141,05 (hum mil, cento e quarenta e um reais e cinco centavos), a Suplicante compensou esse mesmo valor de R$ 1.141,05 mediante PER/COMP apresentada em 27/07/2006, que restou indeferida, posteriormente, por meio despacho decisório ora recorrido; apesar de a Requerente não ter informado na PER/DCOMP apresentada em 27/07/2006 que o crédito original já tinha sido objeto de compensação em outra PER/DCOMP, há de se convir que a Contribuinte possuía crédito suficiente para compensar tanto os débitos lançados na PER/DOMP apresentada no dia 14/11/2005 como também na PER/DCOMP apresentada no dia 27/07/2006; em que pese as afirmações da autoridade julgadora de que a Recorrente teria utilizado o crédito indicado na PER/DCOMP n° 32328.76265.270706.1.3.046100 para abater o débito do IRPJ relativamente ao 3° trimestre de 2001, aquela autoridade não considerou que o débito dessa mesma competência foi de R$ 811,34 (oitocentos e onze reais e trinta e quatro centavos), retificado através da DIPJ 2002 RETIFICADORA (doc.02), e não de R$ 3.245,35, uma vez que a base de cálculo outrora aplicada foi de 32% (trinta e dois por cento), quando o correto seria 8% (oito por cento), já que a Contribuinte presta serviços hospitalares; como a Recorrente recolheu um valor de R$ 3.245,35, quando deveria ter recolhido R$ 811,34 referente ao IRPJ do 3º trimestre de 2001, ficou com um crédito a Fl. 71DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902399/200974 Acórdão n.º 1802001.423 S1TE02 Fl. 7 6 compensar no valor de R$ 2.434,01 (dois mil, quatrocentos e trinta e quatro reais e um centavo), referente a essa mesma competência. E foi justamente desse crédito que a Recorrente se utilizou para compensar o débito indicado na PER/DCOMP em questão; a Contribuinte não teve sequer a oportunidade de retificar possíveis divergências ou sanar quaisquer omissões oriundas do preenchimento das DCTFs e PER/DCOMPs apresentadas, já que não recebeu nenhuma notificação da Receita Federal, à exceção do despacho decisório ora impugnado; a Recorrente realizou a compensação obedecendo estritamente a legislação vigente à época do encontro de contas, de acordo com o entendimento consolidado pelo Poder Judiciário, não existindo, portanto, motivos legais que não autorizassem a homologação da compensação pela autoridade administrativa. Este é o Relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902399/200974 Acórdão n.º 1802001.423 S1TE02 Fl. 8 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a não homologação de Declaração de Compensação – DCOMP por ela apresentada, em que utiliza crédito decorrente de pagamento feito a título de IRPJ Lucro Presumido, referente ao 3º trimestre do ano calendário de 2001. A Delegacia de origem, por meio de despacho eletrônico, não homologou a compensação. A negativa foi motivada pelo fato de o referido pagamento já ter sido utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, a Contribuinte alegou que possuía crédito suficiente para a compensação, e também que não teve oportunidade de retificar possíveis divergências ou sanar quaisquer omissões oriundas do preenchimento das DCOMP apresentadas, já que não havia recebido qualquer notificação da Receita Federal neste sentido. A Delegacia de Julgamento fundamentou sua decisão nos seguintes termos: (...) A DRF/Campina Grande/PB constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora integralmente vinculado ao próprio débito do IRPJ apurado pela sistemática do lucro presumido relativo ao terceiro trimestre de 2001, que, conforme declarado em DCTF, importou em R$3.245,35, o exato valor da soma dos pagamentos efetuados pela contribuinte conforme DARFs por mim anexados às fls. 35/37. Assim, resultou inexistente o crédito reclamado na DCOMP, razão pela qual não foi homologada a compensação nela declarada. Como nos termos da legislação de regência1, a DCTF constitui instrumento de confissão de divida quanto aos débitos nela declarados, e tendo em vista.que a contribuinte apresentou DCTF em que fez constar haver apurado pelo regime de tributação pelo lucro presumido relativamente ao 3º trimestre de 2001, débito do IRPJ no valor de R$3.245.,35, vinculandoo ao pagamento realizado através de DARFs no mesmo montante (fls. 35/37), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a contribuinte, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902399/200974 Acórdão n.º 1802001.423 S1TE02 Fl. 9 8 E, não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do Código Tributário Nacional CTN). Correto, então, o despacho decisório ao não homologar a compensação pretendida em vista do fato de que o crédito foi totalmente utilizado para compensar o débito declarado em DCTF, portanto, confessado como devido pelo próprio contribuinte. Ante o acima exposto, VOTO por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o despacho decisório de fl. 23. (grifos acrescidos) Só na fase de recurso voluntário é que a Contribuinte veio esclarecer que o alegado crédito tinha origem em pagamento a maior de IRPJ com base no lucro presumido, em razão de ela ter apurado a base de cálculo com o coeficiente de 32%, quando o correto seria o de 8%, aplicável às prestadoras de serviço hospitalar. Destaca ainda que retificou a DIPJ para reduzir o débito de IRPJ do 3º trimestre de 2001, de R$ 3.245,35 para R$ 811,34, dando origem ao alegado direito creditório. Ao não retificar a DCTF, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa em relação à compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora, esta deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelos contribuintes, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. No caso concreto, a Contribuinte veio alegar nessa fase de recurso voluntário que presta serviços hospitalares e que recolheu IRPJ a maior, em razão de ter utilizado o Fl. 74DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902399/200974 Acórdão n.º 1802001.423 S1TE02 Fl. 10 9 coeficiente de 32% para a apuração da base de cálculo do lucro presumido, em vez do coeficiente de 8%. Para comprovar esta alegação, ela destaca o objeto social constante de seu ato constitutivo: “a sociedade simples terá por objeto social a prestação de serviços médico hospitalar”. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902399/200974 Acórdão n.º 1802001.423 S1TE02 Fl. 11 10 RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/00064810) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente Fl. 76DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902399/200974 Acórdão n.º 1802001.423 S1TE02 Fl. 12 11 à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifo acrescido) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no julgamento do RESP 951.251PR, conforme mencionado acima. Também é interessante transcrever a ementa desta decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃOOBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃOPROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se Fl. 77DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902399/200974 Acórdão n.º 1802001.423 S1TE02 Fl. 13 12 pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, Fl. 78DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902399/200974 Acórdão n.º 1802001.423 S1TE02 Fl. 14 13 concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. (grifos acrescidos) Fl. 79DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.902399/200974 Acórdão n.º 1802001.423 S1TE02 Fl. 15 14 Retornando ao conteúdo destes autos, vêse que a Contribuinte, apesar de invocar a jurisprudência do STJ acima transcrita, não esclarece em nenhum momento qual é o tipo de serviço hospitalar que realiza. A única informação nesse sentido, e à qual ela se apega, é a descrição totalmente vaga de seu objeto social: “a sociedade simples terá por objeto social a prestação de serviços médico hospitalar”. Nem mesmo o seu nome empresarial colabora para esta questão. Vale lembrar que de acordo com o art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro – CPC, “o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito”. No caso, estamos diante de uma Sociedade Simples, constituída perante o Registro de Títulos e Documentos, com um capital social de R$ 2.000,00 (dois mil reais), conforme cópias do contrato social, às fls. 06/07 A jurisprudência do STJ é bastante clara ao não considerar como serviço hospitalar a simples prestação de atendimento médico, e os elementos constantes dos autos indicam ser essa a atividade da Recorrente. Deste modo, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 80DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 15504.012254/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - INFRAÇÃO
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a GFIP - Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL.
Uma vez que já foram julgadas as autuações cujos objetos são as contribuições correspondentes aos fatos geradores omitidos em GFIP, a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória subsistirá relativamente àqueles fatos geradores em que as autuações correlatas foram julgadas procedentes
LEGISLAÇÃO POSTERIOR - MULTA MAIS FAVORÁVEL - APLICAÇÃO
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-003.066
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para adequação da multa ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Ana Maria Bandeira- Relatora.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já foram julgadas as autuações cujos objetos são as contribuições correspondentes aos fatos geradores omitidos em GFIP, a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória subsistirá relativamente àqueles fatos geradores em que as autuações correlatas foram julgadas procedentes LEGISLAÇÃO POSTERIOR MULTA MAIS FAVORÁVEL APLICAÇÃO A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 22 54 /2 00 9- 13 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Ana Maria Bandeira Relatora. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.012254/200913 Acórdão n.º 2402003.066 S2C4T2 Fl. 57 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5º, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 06), o autuado, titular do Belo Horizonte Cartório do 1°. Oficio de Registro de Notas, deixou de incluir em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social — GFIP, remunerações de segurados empregados. O autuado teve ciência do lançamento em 16/07/2009 e apresentou defesa (fls. 19/22) alegando que não caberia ao defendente a informação da obrigação prevista na GFIP , eis que, tratarseia de funcionários vinculados ao regime de previdência do Estado de Minas Gerais. Argumenta que também não seria obrigado ao recolhimento da obrigação principal correspondente, esta objeto do AI 37.227.9570. Assim, tanto a presente autuação como o citado AI seriam nulos de pleno direito. Menciona a Lei 8.935/1994 que foi promulgada com o intuito de disciplinar o art. 236 da Constituição Federal, dispondo sobre os serviços notariais e de registro. Segundo o art. 40 da citada lei “os notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares são vinculados previdência social de âmbito federal”. No entanto, o § único do referido artigo dispõe que "ficam assegurados aos notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares os direitos e vantagens previdenciários adquiridos até a data da publicação desta lei." Entende que o legislador, por cautela e com o intuito de resguardar a garantia constitucional, referente ao direito adquirido, concedeu a faculdade ao estatutário de optar pelo regime geral da previdência INSS, conforme art. 48 do citado diploma. Informa que o citado diploma legal ainda prevê que, caso o funcionário se abstenha da opção, continuará vigorando a relação de estatutário, defeso, porém às admissões posteriores (§2º do art. 48). Argumenta que os funcionários apontados foram admitidos, anteriormente à citada lei. Considera que o Auditor Fiscal teria deixado de verificar as condições peculiares dos funcionários, agindo na contramão da própria legislação que resguarda o direito adquirido. Além disso, a Constituição da República dispõe no art. 24 item XI que a competência para legislar sobre Previdência Social é concorrente dos entes estatais, significando que o Estado de Minas Gerais teria competência para legislar a Previdência do Estado. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Assim, teria sido promulgada a Lei Complementar 64/2002, posteriormente alterada pela Lei Complementar 70/03, onde está prevista a regulamentação do Regime Próprio de Previdência dos Servidores Estaduais. Considera que estando a obrigação principal pendente de julgamento, o presente feito estaria com a exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional. Pelo Acórdão nº 0230.493 (fls. 33/40), a 6ª Turma da DRJ/Belo Horizonte julgou o lançamento procedente. Contra tal decisão, o autuado apresentou recurso tempestivo (fls. 44/49), onde mantém a argumentação de defesa. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.012254/200913 Acórdão n.º 2402003.066 S2C4T2 Fl. 58 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. O cerne do recurso do recorrente repousa na tese da inocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias que teriam sido omitidos da GFIP. Argumenta também que como as contribuições correspondentes foram objeto de lançamento, o julgamento do presente recurso restaria dependente do julgamento do recurso apresentado nos autos da obrigação principal. De fato, a fim de evitar decisões conflitantes no âmbito desta instância de julgamento, esta turma tem tido o cuidado de julgar os processos relativos à obrigação acessória após o julgamento da matéria de mérito, ou seja, os recursos apresentados contra o lançamento das obrigações principais. Salientase que se trata de mero cuidado, não significando que o crédito decorrente da obrigação acessória esteja com a exigibilidade suspensa pela existência de discussão de mérito em outra autuação, como entendeu a recorrente. A exigibilidade está suspensa mas em razão da instauração do contencioso relativamente a este lançamento. Na situação em tela, os lançamento relativos às obrigações principais já foram julgados por esta turma que entendeu por negar provimento por unanimidade aos recurso apresentados nos autos dos processos nº 15504.012250/200935 (empresa + SAT), nº 15504.012249/200919 (terceirosFNDE) e 15504.012.251/200980 (segurados), por meio dos Acórdãos nº 2402.002.848, 2402.002.847 e 2402.002.849, respectivamente. Transcrevo abaixo trechos do Acórdão nº 2402.002.848 de lavra do Conselheiro Relator, o Dr. Ronaldo de Lima Macedo: DO MÉRITO: No aspecto meritório, o cerne do recurso repousa na alegação de que os escreventes e auxiliares notariais não seriam segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), pois, segundo a Recorrente, eles estariam vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) do Estado de Minas Gerais. Tal alegação não será acatada pelos motivos a seguir delineados. É cediço que o art. 40 da Constituição Federal, “caput” e § 13, desde a redação dada pela Emenda Constitucional n° 20/1998, somente possibilita a inclusão em regime próprio de previdência para os servidores públicos titulares de cargo efetivo. Eis o texto: Fl. 113DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (...) § 13. Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplicase o regime geral de previdência social. (g.n.)” Trilhando no mesmo sentido, o artigo 13 da Lei 8.212/1991, cuidou de se adequar às disposições da Constituição Federal e da Lei 9.717/1998, tratando da exclusiva inserção em RPPS dos servidores públicos titulares de cargo efetivo, ficando os demais automaticamente vinculados ao RGPS. “Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei 1109.876, de 1999). (g.n.)” Resta saber se os serventuários (escreventes e auxiliares) dos cartórios poderiam ser considerados servidores públicos para fins de aplicação do dispositivo constitucional acima transcrito (art. 40 da Constituição Federal de 1988). O Supremo Tribunal Federal (STF) – nos termos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) n° 575/1991 (medida liminar, Acórdão, DJ 01/07/1994), cuja relatoria coube ao Ministro Sepúlveda Pertence – entendeu que os servidores de cartórios não remunerados pelos cofres públicos não são considerados servidores públicos para fins de aplicação do art. 40 da Constituição Federal. Transcrevo a Ementa na parte que interessa ao presente julgamento: “[...] V Tabeliães e oficiais de registros públicos aposentadoria inconstitucionalidade da norma da Constituição local que – além de concederlhes aposentadoria de servidor público, que , para esse efeito, não são – vincula os respectivos proventos às alterações dos vencimentos da magistratura: precedente (ADIn 139, RTJ 138/14). [...]” (...)” Vale a pena trazer à colação as palavras do Ilustre Ministro responsável pela relatoria da ADI n° 575/1991: “[...] Não pode permanecer no corpo da Constituição esse dispositivo, teratologia que há de erradicar, em resguardo do paradigma constitucional. Com efeito, em matéria de aposentadoria, parte a Constituição Federal do art. 40, com o radical comando (grifo do ora a.). Quer dizer: no campo do Capítulo VII do Título III da Carta Política, aquele, “DA Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.012254/200913 Acórdão n.º 2402003.066 S2C4T2 Fl. 59 7 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA”, a previsão de APOSENTADORIA é exclusiva para o SERVIDOR, para quem vinculado à Administração Pública por relação estatutária ou contratual administrativa (pressuposta a extinção, com adoção de regime jurídico único, do pessoal de regime temporário ou especial), em tal condição remunerado pelos cofres públicos. Quem não é servidor do Estado, mediante vínculo administrativo, não pode ter aposentadoria compreendida nas disposição do art. 40 Constituição Federal. O servidor trabalhista, por exemplo, temna por previsão do art. 7.°, XXIV do mesmo Estatuto Supremo. Nesse art. 28 do ADCT integrado à Constituição da nação piauiense, todavia, está inserto o inimaginável, a garantia de aposentadoria a não servidores, a titulares de órgãos auxiliares da Justiça não oficiais, não integrantes da Administração Pública [...]” Nesse caminho, o STF volta a afirma que não são titulares de cargo público efetivo, tampouco ocupam cargo público, os notários e os registradores que exercem atividade estatal, e, por consectário lógico, não estão submetidos a regra de aposentadoria do art. 40 da Constituição Federal de 1998, nos termos da ADI 2602/MG: “[...] Ementa: Ação Direta de Inconstitucionalidade. Provimento N. 055/2001 do Corregedor Geral de Justiça do Estado De Minas Gerais. Notários e Registradores. Regime Jurídico dos Servidores Públicos. Inaplicabilidade. Emenda Constitucional N. 20/98. Exercício de Atividade em Caráter Privado por Delegação do Poder Público. Inaplicabilidade da Aposentadoria Compulsória aos Setenta Anos. Inconstitucionalidade. 1. O artigo 40, § 1º, inciso II, da Constituição do Brasil, na redação que lhe foi conferida pela EC 20/98, está restrito aos cargos efetivos da União, dos Estado membros, do Distrito Federal e dos Municípios – incluídas as autarquias e fundações. 2. Os serviços de registros públicos, cartorários e notariais são exercidos em caráter privado por delegação do Poder Público – serviço público não privativo. 3. Os notários e os registradores exercem atividade estatal, entretanto não são titulares de cargo público efetivo, tampouco ocupam cargo público. Não são servidores públicos, não lhes alcançando a compulsoriedade imposta pelo mencionado artigo 40 da CB/88 – aposentadoria compulsória aos setenta anos de idade. 4. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente. (ADI 2602 MG; Relator(a): JOAQUIM BARBOSA; Julgamento: Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 23/11/2005; Órgão Julgador: Tribunal Pleno; Publicação: DJ 31032006)]”. Ainda dentro do aspecto jurisprudencial, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) reconheceu que, a partir da Constituição Federal de 1988, os trabalhadores contratados pelos cartórios estão sujeitos ao regime jurídico da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), pois o vínculo profissional é estabelecido diretamente com o tabelião, e não com o Estado. Isso está consubstanciado no Recurso de Revista (RR) no 1080053.2006.5.12.0023, noticiado no sítio do TST em 14/02/2011, com o seguinte resumo: os empregados de cartório estão necessariamente sujeitos ao regime jurídico da CLT, mesmo quando contratados em período anterior à vigência da Lei 8.935/1994, pois o artigo 236 da Constituição de 1988 já previa o caráter privado do exercício dos serviços notariais e de registro. “[...] Ementa: RECURSO DE REVISTA. EMPREGADOS AUXILIARES E ESCREVENTES DE CARTÓRIO. REGIME JURÍDICO CELETISTA. ARTIGO 236 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. NORMA AUTO APLICÁVEL. A jurisprudência majoritária desta Corte superior é de que os empregados de cartório estão sujeitos ao regime jurídico da CLT, ainda que contratados em período anterior à vigência da Lei nº 8.935/94. A partir da vigência da Constituição Federal de 1988, ficou implicitamente determinado, em seu artigo 236, que os trabalhadores contratados pelos cartórios extrajudiciais, para fins de prestação de serviços, encontramse sujeitos ao regime jurídico da CLT, pois mantêm vínculo profissional diretamente com o tabelião, e não com o Estado. Esse preceito constitucional, por ser de eficácia plena e, portanto, auto aplicável, dispensa regulamentação por lei ordinária. Logo, reconhecesse, na hipótese, a natureza trabalhista da relação firmada entre as partes, também no período por ele trabalhado sob o errôneo rótulo de servidor estatutário (de 08/03/1994 a 30/10/2004), e a unicidade de seu contrato de trabalho desde a data da admissão do autor, em 1º/09/1992, até a data de sua dispensa sem justa causa, em 05/12/2005. Recurso de revista conhecido e provido. (Processo: RR 1080053.2006.5.12.0023; Número no TRT de Origem: RO10800/ 2006002312.00; Publicação: 11/02/2011) [...]”. Nesse julgado do TST (RR no 1080053.2006.5.12.0023)também reconheceu que o art. 236 da Constituição Federal de 1988 é norma auto aplicável e dispensa regulamentação por lei ordinária. E o fato de o empregado não ter feito opção pelo regime da CLT no prazo de 30 dias após a edição da Lei 8.935/1994 não é suficiente para afastar o reconhecimento do regime celetista na hipótese. “Lei 8.935/1994: Art. 48. Os notários e os oficiais de registro poderão contratar, segundo a legislação trabalhista, seus atuais escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial desde Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.012254/200913 Acórdão n.º 2402003.066 S2C4T2 Fl. 60 9 que estes aceitem a transformação de seu regime jurídico, em opção expressa, no prazo improrrogável de trinta dias, contados da publicação desta lei. § 1° Ocorrendo opção, o tempo de serviço prestado será integralmente considerado, para todos os efeitos de direito. § 2° Não ocorrendo opção, os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial continuarão regidos pelas normas aplicáveis aos funcionários públicos ou pelas editadas pelo Tribunal de Justiça respectivo, vedadas novas admissões por qualquer desses regimes, a partir da publicação desta lei. (g.n.)” Por sua vez, o artigo 236 da Constituição estabelece que: “os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público”. Esse dispositivo demonstra que a intenção do legislador foi excluir o Estado da condição de empregador, deixando para o titular do cartório a tarefa de contratar seus auxiliares e escreventes pelo regime celetista. Entendese como titulares de cargos efetivos àqueles que estão vinculados na Administração Pública direta (União, Estados membros, Distrito Federal e Municípios),incluídos também os servidores de suas autarquias e fundações públicas, estas instituídas na modalidade de pessoa jurídica de direito público. Convém lembrar que cargo efetivo é daquele que conta com a nomeação em caráter definitivo, permanente e com prévia aprovação em concurso público. Dessa maneira, uma pessoa que tem vínculo trabalhista com o empregador de serviços notariais e de registros, que não está nos quadros dessa Administração Pública, não pode ser titular de cargo efetivo, que é o caso do presente processo. Curvome à lição apresentada na jurisprudência do STF e do TST retromencionada, e passo a entender que os escreventes e auxiliares de cartório não são servidores públicos titulares de cargo efetivo para fins de vinculação ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). Com isso, os oficiais dos serviços notariais e de registros (notário ou tabelião e oficial de registro) – na qualidade de segurado contribuinte individual –, bem como os seus auxiliares e escreventes – na qualidade de segurado empregado –, são filiados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), nos termos do art. 12, inciso I e alínea “a”, inciso V e alínea “h”, da Lei 8.212/1991, in verbis: “Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 V como contribuinte individual: (...) h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999)”. (g.n.) Esclareço também que não há direito adquirido à manutenção de regime jurídico anterior para servidores públicos, como faz registro na peça recursal da Recorrente, pois os benefícios e vantagens previstos inicialmente podem ser suprimidos em momento posterior por meio de lei ou emenda constitucional, que é o caso da Emenda Constitucional 20/1998 que inseriu novas normas no âmbito previdenciário. Isso já foi reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal (RE 246989/DF; DJ 17/04/2009) e pelo Superior Tribunal de Justiça (AgRg no RMS 20.029/CE; DJ 24/05/2010), que admitem não haver como impedir que o legislador edite uma nova lei ou altere já existente, não tendo, portanto, como garantir a manutenção de uma disposição legal ou constitucional, desde que se respeite aos limites formais (respeito ao procedimento) e circunstanciais (a Constituição não será emendada na vigência de intervenção federal, estado de sítio e estado de defesa), bem como às cláusulas pétreas (art. 60, § 4o, da Constituição). Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídico tributário vigente à época da sua lavratura. Assim, prevalecendo, no mérito, a obrigação principal, deve ser mantido o lançamento relativo à obrigação acessória correlata à primeira. No que tange à multa aplicada, observase que a Lei nº 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.012254/200913 Acórdão n.º 2402003.066 S2C4T2 Fl. 61 11 e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Para tanto, a auditoria fiscal considerou os valores correspondente à multa de mora mais a multa acessória calculadas de acordo com a Legislação vigente à época dos fatos geradores e comparouas com a multa de ofício prevista na legislação atual. Entendo que o procedimento utilizado pela auditoria fiscal ao considerar multas de naturezas diversas (de mora, por descumprimento de obrigação acessória e de ofício) não encontra respaldo no arcabouço jurídico existente. À época dos fatos geradores, vigia a o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação abaixo: Lei no 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Como se vê da leitura do dispositivo, a multa prevista tinha natureza moratória e era devida inclusive no caso no recolhimento espontâneo por parte do contribuinte. Além da multa de mora, a Lei nº 8.212/1991 previa a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigações acessórias, dentre as quais a omissão de fatos geradores em GFIP. A Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, além de alterar a redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, revogou todos os seus incisos e parágrafos e incluiu na mesma lei o art. 35A, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Os dispositivos da Lei 9.430/1996, por sua vez dispõe o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.012254/200913 Acórdão n.º 2402003.066 S2C4T2 Fl. 62 13 §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A Lei nº 9.430/1996 traz disposições a respeito do lançamento de tributos e contribuições cuja arrecadação era da então Secretaria da Receita Federal, atualmente Secretaria da Receita Federal do Brasil. Já o lançamento das contribuições previdenciárias obedeciam as disposições de lei específica, no caso, a Lei nº 8.212/1991. Depreendese das alterações trazidas pela MP 449/2008, a instituição da multa de ofício, situação inexistente anteriormente. A meu ver, a multa moratória prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991 tem natureza diversa da multa de ofício prevista na legislação atual. Assim, entendo que devese cumprir o que dispõe o artigo 144 do CTN, segundo o qual o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Portanto, não há que se falar em aplicação de multa de oficio para fatos geradores ocorridos em períodos anteriores à edição da Medida Provisória 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Aplicase, sim, o artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 na redação anterior às alterações trazidas pela citada Medida Provisória. Quanto à presente situação que trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, entendo que há que se calcular a situação mais favorável ao sujeito passivo, porém efetuandose o cálculo conforme dispõe o novel artigo 32 A e comparandose o resultado obtido à multa aplicada nos termos da legislação anterior. Nesse sentido, na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 e comparado ao cálculo anterior, para que seja aplicado o cálculo mais benéfico ao sujeito passivo. É como voto. Ana Maria Bandeira Relatora Fl. 121DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10980.721528/2010-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2009
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA.
A legislação vigente determina que a autoridade tributária efetue o lançamento para prevenir a decadência nos casos em que o contribuinte esteja discutindo na via judiciária a legalidade do tributo (art. 142 do CTN e art. 63 da Lei n.º 9.430/93).
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-003.133
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1657; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1.448 1 1.447 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.721528/201063 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301003.133 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de outubro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SOCIEDADE EVANGÉLICA BENEFICENTE DE CURITIBA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2009 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. A legislação vigente determina que a autoridade tributária efetue o lançamento para prevenir a decadência nos casos em que o contribuinte esteja discutindo na via judiciária a legalidade do tributo (art. 142 do CTN e art. 63 da Lei n.º 9.430/93). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 15 28 /2 01 0- 63 Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela SOCIEDADE EVANGÉLICA BENEFICENTE DE CURITIBA (SEB) em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada, referente ao lançamento de crédito tributário a fim de prevenir a decadência, do período de 01/02/2005 a 30/06/2009. 2. Narra o relatório fiscal que o auto de infração teve como finalidade a constituição do crédito tributário relativo a contribuições arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB), relativo à contribuição da empresa, incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas a contribuintes individuais – pessoas físicas com vínculo empregatício – com a entidade. 3. O relatório do auto de infração trata da motivação do lançamento da seguinte forma, f. 241: “3. Cabe inicialmente ressaltar que a Sociedade Evangélica Beneficente de Curitiba – SEB, na condição de mantenedora e seus estabelecimentos acima relacionados, configurase atualmente em entidade civil, de direito privado, sem fins lucrativos, de caráter filantrópico, beneficente, religioso e educacional, contribuindo para a seguridade social, no FPAS – Fundo de Previdência e Assistência Social nº 639, que abriga as Entidades Filantrópicas e Entidades Beneficentes de Assistência Social. 4. Entretanto, a entidade foi objeto do Ato Cancelatório n° 005/2005, fundamentado no que dispõe o artigo 55, parágrafos 4° e 6° da Lei nº 8.212/91, definitivamente julgado na área administrativa, que cancelou a imunidade das contribuições sociais da entidade desde 01/02/2005. Inconformada, a Entidade ingressou com a Ação Ordinária n° 2007.70.00.0023069, perante a 6ª Vara Federal de Curitiba, buscando a suspensão do referido Ato Cancelatório. Em 07/02/2007, o juízo de primeira instância concedeu liminar suspendendo a eficácia do Ato Cancelatório. Após Agravo de Instrumento n° 2007.04.00.0064070/PR, protocolizado perante o Tribunal Regional da 4ª Região foi suspensa tal liminar por decisão singular, em 13/03/2007, restabelecendo o cancelamento da imunidade tributária até o julgamento da matéria. Em 19/08/2008 foi proferida sentença, julgando parcialmente procedentes os pedidos da autora, entretanto, sem tornar nulo o Ato Cancelatório nº 005/2005 e salientando que a imunidade reconhecida poderia ser reexaminada caso a entidade deixasse de preencher os requisitos legais. Em 09/09/2008, a Procuradoria da Fazenda Nacional entrou com recurso de apelação n° 08/1504893, o qual foi recebido apenas no efeito devolutivo, ainda em tramitação. Concluise, portanto, que a sentença de primeira instância continua vigente, mas a Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.721528/201063 Acórdão n.º 2301003.133 S2C3T1 Fl. 1.449 3 Receita Federal do Brasil não está impedida de lançar a contribuição para a Seguridade Social incidente sobre a quota patronal, nos termos do artigo 142 do CTN Código Tributário Nacional, a fim de prevenir a decadência, em decurso do prazo previsto no artigo 173 do CTN. Todavia não há lançamento de multa sobre as contribuições patronais, de acordo com o previsto no artigo 63, da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, publicado no Diário Oficial da União em 30/12/1996, na redação dada pela MP Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. A exigibilidade do crédito tributário deverá permanecer suspensa até o trânsito em julgado da ação judicial em comento.” 4. Do teor da liminar concedida em primeiro grau, ff. 688 “...deverá o réu se abster de qualquer ato tendente à cobrança das exações beneficiadas pela imunidade referida no art. 195, § 7º, da Constituição Federal. 5. Sobre este assunto, a 5ª Turma da DRJ/CTA entendeu que: “(...) ato tendente à cobrança das exações é toda e qualquer iniciativa que tenha por fim compelir o sujeito passivo ao pagamento das contribuições. Nessa categoria se encontra qualquer providência convocandoo para o pagamento, como por exemplo emissão de correspondências nesse sentido ou mesmo inscrição do débito em dívida ativa e ajuizamento da ação de cobrança. Para tais atos, efetivamente, existe um comando judicial impeditivo. Mas não para o simples lançamento do crédito, com o devido cuidado do sobrestamento dos autos administrativos até a sentença definitiva na via judicial, conforme já orientara o auditor fiscal. Porquanto, até aí, isto não configura ato tendente à cobrança das exações. 6. Cumpre salientar que foi feito o seguinte levantamento, ff. 93/98: “CI – EMP CI AFERIÇÃO: trata da contribuição patronal, incidente sobre a remuneração paga ou creditada a segurados contribuintes individuais, no período de 02/2005 a 06/2009 (...).” 7. O acórdão de primeira instância refutou os argumentos trazidos pelo contribuinte, restando ementado nos termos que transcrevo abaixo: “PROCESSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA EM DISCUSSÃO JUDICIAL. Tratando o lançamento de matéria idêntica àquele que se acha sob discussão judicial, qual seja exigibilidade das contribuições ou sua inexigibilidade pela via da declaração da imunidade tributária, carece de competência o julgador administrativo para examinar e se pronunciar sobre tal matéria. CRÉDITO LANÇADO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE Estando o crédito lançado exclusivamente para prevenir a decadência já com a exigibilidade suspensa, por efeitos da decisão judicial, não há razão Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 para que se determine, em sede de julgamento administrativo, a sua suspensão, por ser redundante qualquer determinação nesse sentido. AÇÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE IMPEDITIVO AO LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA A decisão proferida em liminar, que impede apenas a emissão de ato tendente à cobrança das exações beneficiadas pela imunidade, não impede o lançamento do crédito objeto de discussão judicial para efeitos de prevenir a sua decadência, desde que fique a cobrança respectiva sobrestada até decisão definitiva na ação judicial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 8. Buscando reverter a decisão a quo, que manteve o lançamento de débito, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando em síntese: a) pugna pela suspensão do processo até o julgamento do recurso, dada a previsão do art. 33 do Decreto n.º 70.235/72; b) inconstitucionalidade da exigência de arrolamento de bens, considerando que, em virtude da ADI 1976, foi declarada inconstitucional tal exigência para recebimento do recurso administrativo; c) cancelamento do auto de infração, por não haver possibilidade de se proceder ao lançamento do crédito, diante da ordem judicial proferida nos autos n.º 2007.70.00.0023069, pois se trata de meio de cobrança do crédito tributário; d) o contribuinte é imune a contribuições sociais decorrentes da cota patronal, diante do contido no art. 195, § 7º, da Constituição Federal. 9. Não houve apresentação de contrarrazões pelo fisco e os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. O contribuinte, em suas alegações, dispõe: “considerando que, em virtude da ADIN 1976, foi declarada inconstitucional a exigência de arrolamento de bens para recebimento do recurso administrativo, pedese o recebimento deste recurso sem a exigência deste antigo requisito”. Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.721528/201063 Acórdão n.º 2301003.133 S2C3T1 Fl. 1.450 5 2. Entretanto, a garantia de instância para admissibilidade de recurso administrativo foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº. 1976, resultando na edição da súmula vinculante nº 21. 3. Consta da redação da súmula que “É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévio de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.”. 4. Dessa forma, não sendo mais exigível o depósito recursal, conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DAS PRELIMINARES 5. O contribuinte requer que seja atribuído efeito suspensivo ao recurso voluntário, em face do disposto no art. 33 do Decreto n.º 70.235/72. 6. Contudo, como se depreende do relatório fiscal: “a exigibilidade do crédito tributário deverá permanecer suspensa até o trânsito em julgado da ação judicial em comento”. Assim, o lançamento originouse com a exigibilidade suspensa, sendo inócua tal arguição. DO LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA 7. No mérito, a demanda conduzida nos autos diz respeito ao lançamento para prevenir a decadência, pois a questão discutida referese ao Ato Cancelatório de Isenção n.º 005/2005. Objeto da Ação ordinária n.º 2007.70.00.0023069, perante a 6ª Vara Federal de Curitiba, buscando a suspensão do referido Ato Cancelatório, definitivamente julgado na área administrativa, que cancelou a imunidade das contribuições sociais da entidade desde 01/02/2005. O juízo de primeira instância concedeu liminar suspendendo a eficácia do Ato Cancelatório, e, após o Agravo de Instrumento n.º 2007.04.00.006407 0/PR, foi suspensa a liminar por decisão singular. Em 19/08/2008 foi proferida sentença julgando parcialmente procedentes os pedidos da autora, entretanto sem tornar nulo o Ato Cancelatório. E em 09/09/2008, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso de apelação, o qual foi recebido com efeito devolutivo, ainda em tramitação. 8. Diante desse contexto, o fisco entendeu pela possibilidade do lançamento da contribuição para a Seguridade Social, nos termos do art. 142 do CTN, a fim de prevenir a decadência, em decurso do prazo previsto no art. 173 do mesmo diploma legal. Não houve lançamento de multa sobre tais contribuições, de acordo com o previsto no artigo 63, da lei 9.430/1996, bem como a exigibilidade do crédito restou suspensa até o trânsito em julgado da ação judicial em comento. 9. Em seu recurso voluntário, o contribuinte aduziu que a realização do lançamento do crédito descumpriu a ordem judicial proferida nos autos da ação ordinária, e, assim, requer o seu cancelamento, pois a sentença proferida em primeira instância reconhece a inexistência da relação jurídicotributária entre as partes, ou seja, não há substrato fáticojurídico que embase o lançamento, posto que a imunidade, conferida pelo artigo 195, § 7º, da Constituição Federal, não autoriza o lançamento de tributos. Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 10. O art. 142 do CTN define que a autoridade administrativa é competente para constituir o crédito tributário pelo lançamento, atividade essa vinculada e obrigatória. Sendo assim, é mandatório o lançamento de ofício para prevenir a decadência de créditos tributários, cuja exigibilidade encontrase suspensa até o trânsito em julgado da ação judicial em questão. 11. O entendimento, segundo o qual a Fazenda está impedida de efetivar o lançamento do tributo implica admitir a interrupção do prazo decadencial, o que, nesse caso, não se coaduna com a natureza do instituto, conforme se depreende dos artigos 142 do CTN e 63 da Lei n.º 9.430/93. 12. O Superior Tribunal de Justiça já se pronunciou pela obrigatoriedade do lançamento para prevenção da decadência, conforme ementa abaixo transcrita: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. VIOLAÇÃO DE FRONTAL DISPOSIÇÃO DE LEI. ART. 485, V, DO CPC. DECADÊNCIA. RELAÇÃO TRIBUTÁRIA. INTERRUPÇÃO OU SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE. ARTS. 173, PARÁGRAFO ÚNICO, E 174, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. PEDIDO PROCEDENTE. [...] 4. O simples processamento de ação judicial em que se discute a existência ou inexistência de relação jurídicotributária não tem o condão de impedir o Fisco de constituir o crédito tributário, que é atividade privativa e vinculada, nos termos do art. 142 do CTN. Ainda que presentes quaisquer das causas de suspensão da exigibilidade previstas no art. 151 do CTN, estaria a autoridade fiscal obrigada a constituir o crédito mediante lançamento com o objetivo de prevenir a decadência tributária. Precedente da Seção. [...]9. Pedido rescisório que se julga procedente.” (AR 2.159/ SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, 1ª TURMA, julgado em 22/08/2007, DJe: 10/09/2007) Confirase também o festejado Alberto Xavier: "A suspensão regulada pelo artigo 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício efetivo do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142 do mesmo Código, e necessária para evitar a decadência do poder de lançar. Nem o depósito, nem a liminar em mandado de segurança têm a eficácia de impedir a formação do título executivo pelo lançamento, pelo que a autoridade administrativa deve exercer o seu poderdever de lançar, sem quaisquer limitações, apenas ficando paralisada a executoriedade do crédito. (...) Embora de constitucionalidade discutível, do ponto de vista formal (dado a matéria de lançamento ser reservada a lei complementar), a verdade é que, do ponto de vista material, o preceito citado é compatível com o Código Tributário Nacional, pois é corolário do caráter 'obrigatório' do exercício do poder de lançar, tal como estabelecido no artigo 142 daquele Código" (in Do lançamento Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, 2ª edição, p. 428). Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.721528/201063 Acórdão n.º 2301003.133 S2C3T1 Fl. 1.451 7 13. Assim, o lançamento foi regularmente efetivado, restando sobrestadas as ações de cobrança até a decisão judicial final, quando lhe seja possibilitada a cobrança. DA INCIDÊNCIA DOS JUROS DE MORA 14. Com relação à incidência dos juros, como disposto no Discriminativo do Débito, entendo que o lançamento fiscal também deve ser mantido, aplicandose a Súmula n.º 5 do CARF: “São devidos juros de mora sobreo crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral”. 15. Com efeito, ao que consta dos autos, não houve depósito dos valores envolvidos no lançamento fiscal, por parte da empresa recorrente, de maneira que os juros são devidos. CONCLUSÃO 16. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 14041.000164/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2402-000.292
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio César Vieira Gomes - Presidente.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
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Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .0 00 16 4/ 20 09 -1 0 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 14041.000164/200910 Resolução nº 2402000.292 S2C4T2 Fl. 110 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 18/02/2009, decorrente do não recolhimento dos valores referentes à contribuição a cargo da empresa (cota patronal) e da contribuição ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), no período de 01/04/1997 a 28/02/1998. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 29/37), este lançamento foi efetuado em decorrência da anulação das NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087 pelo Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 43/73) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília – DF, ao analisar o presente caso (fls. 77/88), julgou o lançamento procedente, entendendo que (i) na hipótese de lançamento substitutivo, o prazo decadencial é de 5 anos a contar da decisão definitiva que anulou o lançamento anterior; (ii) as decisões administrativas só são validas a partir da ciência do interessado; (iii) as duas empresas respondem solidariamente e sem benefício de ordem; (iv) é regular a notificação somente em face da Via Engenharia; (v) a Recorrente poderia ter elidido a sua responsabilidade, apresentando documentos, como não o fez, é correta a aplicação da aferição indireta; (vi) é devida a multa incidente sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas; (vii) as decisões colacionadas não constituem normas complementares de direito tributário; e (viii) ao final deve ser comparada a multa aplicada com a prevista na Lei nº 11.941/2009 para verificar qual é a mais benéfica. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 90/99) argumentando que: (i) o prazo decadencial contase 5 anos após a lavratura do acórdão que anulou os lançamentos anteriores por vício formal; (ii) o crédito já decaiu para o legítimo contribuinte; (iii) a autoridade tributária arbitrou quem seria o responsável pelo tributo e discricionariamente perdoou o contribuinte; e (iv) a Recorrente não é responsável solidário, não devendo sofrer a incidência da multa. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 14041.000164/200910 Resolução nº 2402000.292 S2C4T2 Fl. 111 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Analisando o processo, verificase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente. Isto porque, uma dos argumentos suscitados nas razões de recurso do contribuinte diz respeito à possível decadência do crédito tributário, levando em consideração o prazo previsto no art. 173, inc. II, do CTN. Para que a contagem do prazo decadencial possa ser devidamente realizada, é mister que se tenha devidamente definido no processo qual a data em que o contribuinte foi notificado da decisão que anulou o lançamento anterior. No entanto, até o presente momento, tal data não foi devidamente comprovada. De acordo com o item 2 do Relatório Fiscal, a data da ciência da decisão que anulou o lançamento anterior teria ocorrido a partir de 18/02/2004, posto que esta data se refere à data da carta encaminhada pelo INSS à empresa, e não à efetiva data que esta obteve a ciência. “2. Cumpre observar que a ciência à Via Engenharia S.A da anulação das NFLDs mencionadas ocorreu a partir de 18/02/2004 (data da carta encaminhada pelo INSS/Serviço de Or. Gerenciamento de Recuperação de Créditos).” – destacouse Assim, é mister que o processo baixe em diligência para que a autoridade competente junte no processo cópia do AR (ou documento equivalente) que comprove a data em que o contribuinte foi notificado das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Requerse também que a carta encaminhada ao contribuinte, mencionada no item 2 do Relatório Fiscal, seja anexada ao processo. Caso a preliminar de decadência seja superada após a análise dos documentos apresentados pela fiscalização, poderá ser necessário analisar também o teor das notificações anuladas. Assim, fazse oportuno requerer a juntada de cópia integral das NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Em síntese, requerse: (i) cópia do AR (ou documento equivalente) que comprove a data em que o contribuinte foi notificado das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087; (ii) cópia da carta encaminhada ao contribuinte, mencionada no item 2 no Relatório Fiscal; e (iii) cópia integral dos autos relativos às NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. Após, deve ser dada vista ao contribuinte para que essa possa se manifestar acerca da diligência realizada, no prazo de 30 dias. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 111DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 10640.002095/00-14
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/10/1995
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621).
O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005).
No presente caso, o pedido de repetição de indébito deu-se antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicando-se, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito.
Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito.
Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito.
Recurso Extraordinário Provido em Parte.
Numero da decisão: 9900-000.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM:20/11/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM:20/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1990 a 31/10/1995 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA COMPROVADA. Ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1990 a 31/10/1995 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O Supremo Tribunal Federal STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 20 95 /0 0- 14 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Recurso Extraordinário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM:20/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.002095/0014 Acórdão n.º 9900000.562 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 02 02.905, proferido pela 2ª Turma da CSRF em 28/01/2008, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso extraordinário à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial. Segue abaixo sua ementa: “NORMAS PROCESSUAIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O termo a quo para contagem do prazo decadencial para pedido administrativo, de repetição de indébito de tributo pago indevidamente coro base em lei impositiva que veio a ser declarada inconstitucional pelo STF, coro posterior Resolução do Senado suspendendo a execução daquela, é a data da publicação desta. No caso dos autos, em 10/10/1995, com a publicação da Resolução do Senado n° 49, de 09/10/95. A partir de tal data, abrese ao contribuinte o prazo decadencial de cinco anos para protocolo do pleito administrativo de repetição do indébito. Recurso especial negado.” A Fazenda Nacional afirma que o acórdão diverge dos paradigmas que apresenta no ponto em que desconsiderou que o Código Tributário Nacional, em seu art. 168, fixa, sem qualquer ressalva, a data do pagamento indevido como sendo o marco inicial para a contagem do prazo prescricional, além das disposições da LC 118. Logo, pondera, não surte qualquer efeito a declaração de inconstitucionalidade do tributo e a subseqüente publicação de resolução pelo Senado Federal. Segue abaixo as ementas dos paradigmas: “RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. Em razão da determinação contida no artigo 3º da Lei Complementar nº 118/05 que, em caráter interpretativo do disposto no inciso I do artigo 168 do Código Tributário Nacional, determina que a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado, prescindindo da homologação dos procedimentos efetuados pelo administrado, é no momento do pagamento que se inicia a contagem do prazo de cinco anos para que o contribuinte possa pleitear a restituição. Recurso especial negado.” (AC CSRF/01 05.858) “RESTITUIÇÃO. O prazo extintivo do direito de pleitear a repetição de tributo indevido ou pago a maior, sujeito a lançamento por homologação, esgotase com o decurso de cinco anos contados da data do pagamento antecipado, nos precisos termos dos arts. 156, I, 165, I, 168 e 150, §§1º e 4º, do Código Tributário Nacional. Recurso especial negado.” (AC CSRF/01 05.773) Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — ILL — O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido.” (AC CSRF/0400.810) Observa que o aresto recorrido entendeu que o prazo decadencial para o pedido de restituição/compensação de valor pago indevidamente começa a fluir a partir da Resolução do Senado que dá efeito erga omnes à declaração de inconstitucionalidade de lei ou a partir do ato da autoridade administrativa que concedesse ao contribuinte o direito de pleitear a restituição/compensação. Por outro lado, argumenta, os paradigmas acima colacionados adotaram entendimento no sentido de que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, prescreve com o recurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento a inconstitucionalidade ou simples erro. No mérito, diz que decisão recorrida respaldouse em posicionamento superado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, pois a referida Corte é unânime em sufragar que a declaração de inconstitucionalidade do tributo não influi no prazo decadencial para a repetição do indébito. Ao final, requer o provimento do presente recurso. Nos termos do Despacho n.º 910000.329, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte não apresentou contrarazões. Eis o breve relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.002095/0014 Acórdão n.º 9900000.562 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito tributário. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. O Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621), em acórdão assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” O Superior Tribunal de Justiça – STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005): “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP Fl. 6DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.002095/0014 Acórdão n.º 9900000.562 CSRFPL Fl. 5 7 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos EREsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si" (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” Fl. 7DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005 (24/08/2000), aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso extraordinário da Fazenda Nacional e darlhe parcial provimento, para não acolher o direito de repetição de indébito do contribuinte para os fatos geradores ocorridos anteriormente à 24/08/1990. É como voto. Elias Sampaio Freire Fl. 8DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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