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Numero do processo: 11516.722563/2015-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA
A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção.
NULIDADE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO
A vedação do art. 146 do CTN acontece diante de um mesmo cenário fático, do mesmo contribuinte e em relação a período já fiscalizado, em que a autoridade fiscal não pode se valer de duas formas distintas de apurar a matéria tributária e a respectiva base de cálculo.
Entretanto, o ordenamento jurídico pátrio permite que, em períodos de apuração diferentes, ocorram mudanças nos fundamentos da autuação, até porque no Direito podem ocorrer mudanças interpretativas em virtude da sua construção dialética. Não há engessamento da atividade tributante por conta do dispositivo do art. 146 do CTN, haja vista o dever de proceder ao lançamento da forma estabelecida pelo art. 142 do CTN.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DISTRIBUIÇÃO DESPROPORCIONAL. NATUREZA DISTINTA DOS DIVIDENDOS
A partir da distinção estabelecida pelo STJ quanto a natureza jurídica dos JCP e do dividendo, não se justifica que a distribuição dos JCP não obedeça a proporção existente no capital social investido, razão porque não é possível a aplicação da possibilidade contida na norma do art. 1007 do Código Civil que permite a distribuição de lucros de forma desproporcional, em virtude de acordo de negociação entre os sócios.Súmula CARF nº 108
JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 2401-006.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. NULIDADE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO A vedação do art. 146 do CTN acontece diante de um mesmo cenário fático, do mesmo contribuinte e em relação a período já fiscalizado, em que a autoridade fiscal não pode se valer de duas formas distintas de apurar a matéria tributária e a respectiva base de cálculo. Entretanto, o ordenamento jurídico pátrio permite que, em períodos de apuração diferentes, ocorram mudanças nos fundamentos da autuação, até porque no Direito podem ocorrer mudanças interpretativas em virtude da sua construção dialética. Não há engessamento da atividade tributante por conta do dispositivo do art. 146 do CTN, haja vista o dever de proceder ao lançamento da forma estabelecida pelo art. 142 do CTN. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DISTRIBUIÇÃO DESPROPORCIONAL. NATUREZA DISTINTA DOS DIVIDENDOS A partir da distinção estabelecida pelo STJ quanto a natureza jurídica dos JCP e do dividendo, não se justifica que a distribuição dos JCP não obedeça a proporção existente no capital social investido, razão porque não é possível a aplicação da possibilidade contida na norma do art. 1007 do Código Civil que permite a distribuição de lucros de forma desproporcional, em virtude de acordo de negociação entre os sócios.Súmula CARF nº 108 JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
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NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. NULIDADE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO A vedação do art. 146 do CTN acontece diante de um mesmo cenário fático, do mesmo contribuinte e em relação a período já fiscalizado, em que a autoridade fiscal não pode se valer de duas formas distintas de apurar a matéria tributária e a respectiva base de cálculo. Entretanto, o ordenamento jurídico pátrio permite que, em períodos de apuração diferentes, ocorram mudanças nos fundamentos da autuação, até porque no Direito podem ocorrer mudanças interpretativas em virtude da sua construção dialética. Não há engessamento da atividade tributante por conta do dispositivo do art. 146 do CTN, haja vista o dever de proceder ao lançamento da forma estabelecida pelo art. 142 do CTN. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DISTRIBUIÇÃO DESPROPORCIONAL. NATUREZA DISTINTA DOS DIVIDENDOS A partir da distinção estabelecida pelo STJ quanto a natureza jurídica dos JCP e do dividendo, não se justifica que a distribuição dos JCP não obedeça a proporção existente no capital social investido, razão porque não é possível a aplicação da possibilidade contida na norma do art. 1007 do Código Civil que permite a distribuição de lucros de forma desproporcional, em virtude de acordo de negociação entre os sócios.Súmula CARF nº 108 JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 25 63 /2 01 5- 53 Fl. 707DF CARF MF 2 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP (DRJ/SPO) que, por unanimidade de votos, julgou a impugnação improcedente e manteve o Crédito Tributário, conforme ementa do Acórdão nº 1681.042 (fls. 601/613): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011,2012,2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. No processo administrativo fiscal, são nulos apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. VALIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O auto de infração contém descrição clara dos fundamentos de fato e de direito que embasam o lançamento tributário. Não há Fl. 708DF CARF MF Processo nº 11516.722563/201553 Acórdão n.º 2401006.068 S2C4T1 Fl. 3 3 nulidade do lançamento quando não configurado óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. PAGAMENTO DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO NO CAPITAL SOCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Os juros sobre capital próprio são despesas financeiras para a empresa e espécie do gênero remuneração para o sócio beneficiário. Os valores pagos ao sócio a título de juros sobre capital próprio, além do que lhe seria devido pela aplicação do percentual correspondente à sua participação no capital social, deve sofrer a incidência de imposto de renda com base na tabela progressiva. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É cabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício porque esta integra o crédito tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata de Auto de Infração (fls. 440/450), lavrado contra o Contribuinte em 11/11/2015, relativo aos anoscalendário 2011, 2012 e 2013, decorrente de classificação indevida de rendimentos recebidos da pessoa jurídica A. Angeloni & Cia Ltda, informados nas Declarações de Ajuste Anual como Juros sobre o Capital Próprio (JCP) sujeitos à tributação exclusiva, no qual é exigido R$ 4.415.566,40 de Imposto de Renda Suplementar, R$ 3.311.674,80 de Multa Proporcional, passível de redução, e R$ 1.186.403,81 de Juros de Mora, calculados até 11/2015, ficando o Crédito Tributário no valor total de R$ 8.913.645,01. De acordo com Relatório Fiscal (fls. 452/473), temos que: 1. O sujeito passivo recebeu nos anoscalendário 2011, 2012 e 2013, a título de Juros sobre o Capital Próprio, valores desproporcionais à sua participação no capital social da empresa, de modo que os valores recebidos excedentes à sua participação foram considerados Rendimentos Tributáveis de acordo com a tabela progressiva do Imposto de Renda Pessoa Física; 2. O lançamento tributário contempla a diferença de Imposto de Renda resultante da reclassificação do valor excedente de JCP, que passou de Rendimentos Tributados Exclusivamente na Fonte à alíquota de 15% para Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica sujeitos à tabela progressiva. O Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração, via Correio, em 16/11/2015 (AR fl. 478) e, em 10/12/2015, apresentou sua Impugnação de fls. 481/520, instruída com os documentos nas fls. 521 a 597. O Processo foi encaminhado à DRJ/SPO para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1681.042, em 18/12/2017 a 11ª Turma resolveu, por unanimidade de votos, Fl. 709DF CARF MF 4 rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário lançado. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/SPO, via Correio, em 26/12/2017 (AR fl. 615) e, inconformado com a decisão prolatada, em 24/01/2018, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 620/681, instruído com os documentos nas fls 682 a 701, por meio da qual contesta o lançamento e, em síntese, argumenta: 1. Preliminarmente, sobre: a. A nulidade do Acórdão recorrido em razão da ausência de fundamentação, na medida em que não enfrentou especificamente os argumentos de defesa suscitados pelo Contribuinte em sua peça impugnatória (Item II.1 fls. 625/633); b. A nulidade do lançamento fiscal em razão da impossibilidade de alteração do Critério Jurídico adotados pela autoridade administrativa em 2015 para exigir o IRPF referente aos anosbase de 2011 a 2013 (Item II.2 fls. 633/639); c. A nulidade do lançamento tributário em razão da ausência de identificação objetiva de eventual norma infringida (Item II.3 fls. 639/646); 2. No Mérito, assevera sobre: a. A ausência de vedação legal para pagamento de JCP desproporcionalmente ao capital investido e a inexistência de obrigação de pagamento proporcional (Item III.1 fls. 647/655); b. A necessidade de respeito à opção legal do Contribuinte e a impossibilidade de ingerência do Fisco nos negócios particulares (Item III.2 fls. 655/659); c. A natureza jurídica dos JCP e a possibilidade de serem pagos de forma desproporcional (Item III.3 fls. 659/678); d. A ilegalidade da cobrança de Juros sobre a Multa (Item III.4 fls. 678/680). Finaliza seu RV requerendo seu provimento para que determine o cancelamento do Acórdão recorrido em razão da ausência de fundamentação. No caso de assim não se entender, requer, subsidiariamente, a reforma integral do Acórdão recorrido e consequente cancelamento integral do Auto de Infração. É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Fl. 710DF CARF MF Processo nº 11516.722563/201553 Acórdão n.º 2401006.068 S2C4T1 Fl. 4 5 Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Nulidade da decisão de primeira instância O Recorrente pleiteia a nulidade da decisão recorrida por carecer da necessária fundamentação. Afirma que a Turma julgadora deixou de analisar diversos argumentos de defesa, em total violação ao devido processo legal. Em que pese a irresignação do contribuinte, foram enfrentados todos os argumentos defensivos apresentados em sede de impugnação e, consoante os elementos de fato e de direito contidos nos autos do processo administrativo, o julgador formou seu livre convencimento, apresentando fundamentos suficientes e claros para refutar as alegações deduzidas. A decisão foi fundamentada, de forma adequada e suficiente, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Destarte, a despeito da apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, conforme determina o Decreto nº 70.235/1972, ao dispor na Seção VI acerca do julgamento de primeira instância: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Ademais, cabe destacar que o órgão julgador deve analisar os argumentos de defesa suscitados, porém, sem a obrigatoriedade de rebater um a um todos os elementos aduzidos pelo contribuinte em sua peça de defesa, mas os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. 1 Portanto, rejeito a preliminar suscitada. Nulidade do lançamento Mudança de critério jurídico O Recorrente alega a nulidade do lançamento, tendo em vista que o agente fiscal buscou aplicar critério jurídico introduzido em 2015 para exigir o IRPF referente aos anos base de 2011 a 2013. Assevera que em 2012 foram lavrados autos de infração em face da sociedade A. Angeloni & Cia Ltda. para exigir IRPJ e CSLL referente aos anos base de 2006 a 1 EDcl no AgRg no AREsp 575.844/GO, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 13/11/2018, DJe 22/11/2018 Fl. 711DF CARF MF 6 2010, por entender que as despesas referentes ao JCP pagos ao Recorrente em desproporção à sua participação no capital social seriam indedutíveis. Afirma que o entendimento manifestado pelas autoridades fiscais foi de que os JCP pagos de forma desproporcional manteria a sua natureza jurídica. Com efeito, o Código Tributário Nacional determina em seu artigo 146 que a mudança de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no lançamento, somente poderia ocorrer, em relação a um mesmo sujeito passivo, com relação a fato gerador realizado posteriormente à sua introdução. Assim, diante de um mesmo cenário fático, do mesmo contribuinte e em relação a período já fiscalizado, a autoridade fiscal não pode se valer de duas formas distintas de apurar a matéria tributária e a respectiva base de cálculo. Entretanto, o ordenamento jurídico pátrio permite que, em períodos de apuração diferentes, ocorram mudanças nos fundamentos da autuação, até porque no Direito podem ocorrer mudanças interpretativas em virtude da sua construção dialética. Não há engessamento da atividade tributante por conta do dispositivo do art. 146 do CTN, haja vista o dever de proceder ao lançamento da forma estabelecida pelo art. 142 do CTN. No caso em debate, embora o lançamento seja concernente ao pagamento de JCP de forma desproporcional à participação do sócio no capital social, se refere a período e sujeito passivo distintos da situação anterior. Não existem fatos já tributados no presente lançamento e nem sobreposição da exigência fiscal. A questão trazida aos autos diz respeito à exigência de IRPF com base na tabela progressiva, sobre os valores pagos ao sócio a título de Juros Sobre Capital Próprio, de forma desproporcional ao que lhe seria devido pela aplicação do percentual correspondente à sua participação no capital social da empresa, e em face dessa desproporcionalidade, os pagamentos excedentes efetuados à título de JCP foram considerados rendimentos tributáveis. O Processo Administrativo nº 11516.721632/201269, relativo aos anos calendários de 2006 a 2010, se refere a exigência de IRPJ e CSLL. Segundo a decisão proferida no Acórdão nº 1402002.204, o procedimento da empresa de efetuar pagamento de JCP de forma desproporcional à participação no capital social teve o efeito de reduzir indevidamente a tributação total do lucro por ela gerado não na forma pretendida pelo legislador, manipulando a proporção dos juros que é destinada a cada um de seus sócios. Com a manobra, a autuada e os seus sócios obtiveram ilicitamente uma vantagem fiscal superior àquela prevista na legislação. Vejamos trecho da ementa: JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PAGAMENTO DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIAL Os juros sobre capital próprio que são dedutíveis na apuração do resultado tributável são somente os que são pagos ou creditados individualizadamente a cada titular, sócio ou acionista a título de remuneração do capital. Não se enquadram como tal e são indedutíveis os juros pagos ou creditados que excederem ao que beneficiário teria direito de acordo com sua participação no capital social da empresa. No presente caso não se aplica a vedação contida no artigo 146 do CTN, portanto, rejeito a preliminar suscitada. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 11516.722563/201553 Acórdão n.º 2401006.068 S2C4T1 Fl. 5 7 Nulidade do lançamento – Ausência de identificação objetiva da norma infringida Nos termos do artigo 142 do CTN: Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. As disposições normativas que embasaram o lançamento, contidas nos artigos 37, 38, 43, 45 e 83 do RIR/99, vigente à época dos fatos geradores, se referem ao fato imponível do Imposto de Renda, qual seja, a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza. O Auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional, com clareza na motivação, e o contribuinte teve ampla oportunidade de defesa, tanto por ocasião da impugnação, como do Recurso Voluntário. Não vislumbro qualquer prejuízo ao Recorrente em seu direito à ampla defesa. Conforme se verifica dos autos, foi devidamente instaurado o procedimento administrativo, com a devida identificação do Auditor Fiscal responsável, realização de intimações necessárias para os esclarecimentos dos fatos analisados. Dessa forma, não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e o auditor fiscal agiu de forma regular e balizou sua conduta dentro das provas obtidas e carreadas ao processo. Assim, não procede as alegações de nulidade do auto de infração. Mérito Pagamento de JCP desproporcional ao capital investido Afirma o contribuinte que inexiste vedação legal para o pagamento de JCP de forma desproporcional ao capital investido, consoante artigo 9º da Lei nº 9.249/95, razão porque a administração deve agir sem discricionariedade, da forma em que preceitua a lei e sem ingerência nos negócios e liberdade individual dos contribuintes. Assevera que no aspecto societário/contábil é indiscutível que a natureza jurídica dos JCP é a mesma da distribuição de resultado/lucro, na forma de dividendos e que ambos estão atrelados à existência de lucro, elemento imprescindível para a distribuição do resultado da atividade econômica. E que no tocante ao aspecto tributário, diferente do que acontece com os dividendos, a lei trouxe previsão de dedução do lucro real e da base de cálculo da CSLL os valores pagos a título de JCP, limitando a dedutibilidade ao resultado da aplicação da TJLP pro rata dia sobre o valor do patrimônio líquido. Fl. 713DF CARF MF 8 O Juros sobre o Capital Próprio JSCP foram introduzidos na legislação brasileira através da Lei nº 9.249/1996, como forma alternativa de remuneração pelo capital investido, os quais poderiam ser deduzidos como custo ou despesa operacional para fins de apuração do lucro real, conforme normas abaixo citadas: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. §1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; [...] § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. [...] Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Consoante se verifica às fls. 454 e seguintes do Relatório Fiscal, constatouse que os Juros sobre o Capital Próprio pagos pela empresa A. Angeloni & Cia Ltda. ao contribuinte, nos anoscalendário 2011, 2012 e 2013, foram realizados em valores desproporcionais ao capital investido pelo Recorrente na sociedade, desnaturando sua natureza jurídica. Fl. 714DF CARF MF Processo nº 11516.722563/201553 Acórdão n.º 2401006.068 S2C4T1 Fl. 6 9 Pois bem. Dentro dos limites da liberdade individual de autonomia da empresa, caberia a ela a análise e realização do que lhe seria mais vantajoso em termos de economia tributária, pagar dividendos aos sócios, dentro da sua margem de negociação entre os integrantes da sociedade, sem a incidência de imposto de renda, ou remunerálos mediante JCP, sendo nesse caso dedutíveis como despesas operacionais para fins de apuração do lucro real, quando distribuídos de forma proporcional. Como visto, há tratamento fiscal diverso quanto à distribuição dos resultados. Os JCP são considerados despesas financeiras para a empresa e receitas para o beneficiário, limitada a dedutibilidade à variação da TJLP. O seu pagamento remunera o capital próprio do sócio/acionista que foi investido na empresa. As posições doutrinárias divergem quanto a sua natureza jurídica, pois para alguns doutrinadores os dividendos e os JCP possuem os mesmos pressupostos essenciais, e para outros, o entendimento é que existem pressupostos distintos o que diferenciam a sua natureza jurídica2. Ocorre que independente das divergências de posições doutrinárias acerca do tema em debate, o Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 1.200.492RS, publicado em 22/02/2016 e submetido à sistemática do artigo 543 C, firmou entendimento sobre a natureza jurídica dos Juros sobre o Capital Próprio, em Acórdão assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO JCP. 1. A jurisprudência deste STJ já está pacificada no sentido de que não são dedutíveis da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS o valor destinado aos acionistas a título de juros sobre o capital próprio, na vigência da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003, permitindo tal benesse apenas para a vigência da Lei n. 9.718/98. Precedentes da Primeira Turma: AgRg nos EDcl no REsp 983066 / RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 01.03.2011; AgRg no Ag 1209804 / RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 16.12.2010; REsp 1018013 / SC, Rel. Min. José Delgado, julgado em 08.04.2008; REsp 952566 / SC, Rel. Min. José Delgado, julgado em 18.12.2007; REsp 921269 / RS, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 22.05.2007. Precedentes da Segunda Turma: REsp 1212976 / RS, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 9.11.2010; AgRg no Ag 1330134 / SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 19.10.2010; REsp 956615 / RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 13.10.2009; AgRg no REsp 964411 / SC, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 22.09.2009. 2. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: "não são dedutíveis da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS o valor destinado aos acionistas a título de juros sobre 2 COELHO, Fabio Ulhôa Curso de Direito Comercial, 9ª edição, São Paulo, Saraiva, 2006, vol.2, p. 342343 EIZIRIK, Nelson A Lei das S/A Comentada, São Paulo: Quartier Latin, 2011, vol. 4, p. 104 Fl. 715DF CARF MF 10 o capital próprio, na vigência da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003. 3. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Verificase que a razão de decidir da decisão proferida foi a distinção da natureza jurídica dos JCP e dos dividendos, conforme restou definido no voto do Ministro Mauro Campbell Marques: No caso concreto pretende a REFINARIA DE PETRÓLEO IPIRANGA S/A deduzir da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS o valor que destina a seus acionistas a título de juros sobre o capital próprio, invocando: a) o emprego por analogia do art. 9º caput da Lei nº 9.249/95, que permite a dedução de tais valores da base de cálculo do lucro real; b)que a natureza jurídica desses valores seria a de lucro e dividendos, o que permitiria a incidência do art. 1º, §3º , V, "b", da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, que retiraram da base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas referentes a lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição. Ora, em que pese os juros sobre o capital próprio, a exemplo dos lucros ou dividendos, serem destinações do lucro líquido, para fins tributários sua semelhança acaba aí, havendo uma série de tratamentos distintos na legislação que evidencia a diferença de sua natureza jurídica, a saber: (...) Desse modo, ainda que se diga que os juros sobre o capital próprio não constituam receitas financeiras, não é possível simplesmente classificálos para fins tributários como “lucros e dividendos” em razão da diferença de regimes aplicáveis, de modo que não incidem o art. 1º, §3º, V, "b", da Lei n. 10.637∕2002 e o mesmo dispositivo da Lei n. 10.833∕2003. A partir da distinção estabelecida pelo STJ quanto a natureza jurídica dos JCP e do dividendo, não se justifica que a distribuição dos JCP não obedeça a proporção existente no capital social investido, razão porque não é possível a aplicação da possibilidade contida na norma do art. 1007 do Código Civil que permite a distribuição de lucros de forma desproporcional, em virtude de acordo de negociação entre os sócios. É cediço que a relação entre os sócios de uma sociedade limitada pode ser pautada de acordo com as disposições por eles estabelecidas. Assim, embora a distribuição dos dividendos tenha por regra a proporcionalidade às respectivas quotas, existe margem para negociação entre os integrantes da sociedade. No entanto, o caso em apreço trata de pagamento de parcela diversa da distribuição de dividendos. Com efeito, embora o parágrafo primeiro da cláusula 29 da consolidação do contrato social da empresa A. Angeloni & Cia. Ltda., preveja que “a sociedade deliberará, em reunião de quotistas devidamente convocada para este fim, a respeito da distribuição dos resultados positivos ou negativos, e da remuneração do trabalho e do capital próprio, proporcional ou não aos seus percentuais de participação no capital social, segundo autoriza o artigo 1.007 da Lei n.º10.406, de 10 de janeiro de 2.002 (Código Civil)” (fls.79 e seguintes), bem como nas atas de reuniões de cotistas (fls.134 e seguintes) estabeleça o pagamento Fl. 716DF CARF MF Processo nº 11516.722563/201553 Acórdão n.º 2401006.068 S2C4T1 Fl. 7 11 desproporcional dos Juros sobre o Capital Próprio sob o respaldo do dispositivo normativo do Código Civil (art. 1007) a deliberação adotada pela empresa não tem poder de contrariar a legislação tributária, nos termos do art. 123 do CTN que estabelece, salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Dessa forma, em face do posicionamento firmado no âmbito do STJ no sentido de que os Juros sobre Capital Próprio não tem a natureza jurídica de dividendo, não seria possível aplicar a norma do artigo 1007 do Código Civil que possibilita a distribuição de lucros de forma desproporcional. Assim, tendo em vista que o contribuinte, na condição de sócio, recebeu JCP em percentual que extrapola a sua participação societária, o excesso deve ser tributado por não obedecer a proporção existente no capital social. Assim, deve ser mantida a decisão e piso. Juros sobre a multa Com relação aos juros de mora sobre a multa de ofício, destaquese o verbete da Súmula nº 108: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Dessa forma, não acolho o pleito aduzido no recurso. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGOLHE provimento. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 717DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915908/2013-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR
À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.
Numero da decisão: 3301-005.770
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 08 /2 01 3- 38 Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de compensação de contribuição não cumulativa, que não restou integralmente homologada em razão do indeferimento parcial do crédito que originava tal pedido, nos termos da informação fiscal que instrui os autos. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, que: • Preliminarmente, solicitase a reunião dos 54 processos administrativos, decorrentes dos 54 despachos decisórios proferidos, em apenas dois, um relativo ao PIS, e outro à Cofins, em razão dos princípios da economia processual, da razoabilidade e da eficiência, assegurados no art. 37 da Constituição, considerando que a questão controvertida é a mesma em todos os casos; • Ainda em sede preliminar, alegase a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base apenas no despacho decisório, o que leva à nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos arts. 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72, 38 do Decreto nº 7.574/2011; • A autoridade administrativa não pode cobrar débitos sem que tenham sido constituídos por meio do lançamento. Caso a cobrança seja feita de forma diversa e não prevista em lei, será improcedente, devendo ser cancelada; • Nesse sentido, citase jurisprudência do CARF e do STJ; • Assim, resta evidente a necessidade de se anular o despacho decisório, visto que este não é via competente para se fazer cobrança; • O texto das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não define o conceito de insumo, nem estabelece quais seriam os bens e serviços passíveis de creditamento; • A autoridade fiscal diverge do entendimento firmado pela doutrina e pela jurisprudência administrativa sobre tal conceito, considerando o disposto nas IN nºs 247/2002 e 404/2004, que interpretaram tal conceito de forma restritiva, tomando por base o conceito de insumo estabelecido na legislação do ICMS e do IPI; • No entanto, tal conceito deve ser analisado de forma ampla, contemplando a totalidade dos dispêndios essenciais para o processo produtivo da empresa, do qual resulta seu faturamento, pois as citadas Leis não apresentam qualquer ressalva quanto ao conceito de insumo, seja em relação à natureza dos bens e serviços adquiridos, seja no que se refere à sua aplicação, direta ou indiretamente, no processo produtivo; • Citase doutrina acerca de tal questão; Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 4 3 • O conceito de insumo deve estar atrelado a tudo que colabora de forma imprescindível à formação de receita, incorporando todas as despesas que sejam essenciais para a atividade comercial e geração de receitas da sociedade; • Assim, a definição do termo “insumo” nas referidas IN não encontra amparo nas Leis citadas, pois restringe o direito ao desconto de créditos de forma arbitrária e sem fundamento, desvirtuandose do princípio da estrita legalidade previsto no art. 150I da Constituição e no art. 97 do CTN, bem como da própria sistemática não cumulativa do PIS e da Cofins, prevista no art. 195, § 12, da Constituição; • As IN expedidas pela RFB são normas secundárias, cuja finalidade exclusiva é esclarecer as disposições contidas em lei, não lhes cabendo inová las ou contrariálas; • O conceito de “insumo” para fins de PIS e Cofins deve ser assemelhado aos conceitos de “custo de produção” e “despesas necessárias”, previstos nos arts. 290I e 299 do RIR, mais amplos que aqueles contidos nas IN citadas; • Ao contrário do ICMS e do IPI, o PIS e a Cofins não dependem de operações específicas para que ocorra seu fato gerador. Ao contrário, dependem apenas da geração de receita/faturamento; • A requerente entende que não apenas o bem ou serviço consumido por sua aplicação direta ao produto final deve ser considerado insumo, mas também os bens ou serviços indispensáveis ao processo produtivo e à geração de receita; • Citase jurisprudência do CARF e da CSRF; • Especificamente em relação às glosas efetuadas, em razão do ramo de atividade exercido pela requerente, é nítida a essencialidade de gastos com materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas, assim como os produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade do leite; • Tais gastos são empregados diretamente no processo produtivo, seja para garantir a não contaminação do leite, seja para permitir sua conservação, caracterizandose como insumos por sua essencialidade; • Além disso, tais despesas não são mera liberalidade da requerente, mas exigidas pelos órgãos governamentais para a industrialização e comercialização do leite, ou seja, são imprescindíveis à atividade da empresa. Nesse sentido, citase a Portaria nº 370/1997 e a IN nº 62/2011, do Ministério da Agricultura, órgão responsável pelo controle da industrialização e pelo comércio do leite, além da Portaria nº 177/1999, da Secretaria de Vigilância Sanitária; • Citase decisão do STJ, relativa à aquisição de materiais de limpeza aplicados ao ambiente produtivo, e jurisprudência do CARF; Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 5 4 • Quanto aos materiais de embalagem, a autoridade fiscal incorreu em erro ao efetuar a glosa, uma vez que fazem parte do processo de produção da requerente, tanto a embalagem que envolve o leite, com conteúdo de 1 litro, como também a caixa que acondiciona as doze embalagens e o plástico que as circunda; • Conforme comprovam as fotos da linha de produção da requerente, a máquina responsável pelo acondicionamento do leite inicia a produção inserindo o leite na embalagem de 1 litro e, dentro da mesma máquina, essas embalagens são lacradas e acondicionadas na caixa contendo material mais resistente, voltada para a segurança do produto; • Após, a mesma máquina envolve a caixa com o plástico, para garantir que não haja dano, contaminação ou sujeira nas embalagens durante o transporte; • Assim, a caixa contendo 12 embalagens e o plástico que a envolve não são utilizados pela requerente apenas por opção e conveniência de transporte, mas para segurança do produto. A embalagem individual necessita de uma embalagem de acondicionamento, sob o risco de estourar ou apresentar vazamentos. Logo, tais materiais fazem parte do processo produtivo e integram o produto; • Tal questão já foi objeto de julgamento no STJ e no CARF, conforme decisões transcritas; • Sem a utilização de tais itens seria impossível o transporte e a comercialização do leite, não se tratando de excesso ou de algo desnecessário, não essencial, supérfluo, nem ocasional, mas de embalagem fundamental para a atividade fim da sociedade; • Sobre a glosa das despesas com soro de leite, a requerente esclarece que não tomou crédito sobre tais despesas no período objeto do despacho decisório – 1º tri/2006; • Considerando as alegações trazidas, a empresa requer a realização de diligência, para que, por meio de perícia técnica, seja demonstrada a essencialidade das despesas objeto das glosas, trazendo os quesitos que pretende ver respondidos e indicando seu assistente técnico; • Além disso, a falta de homologação das compensações por parte da autoridade fiscal não pode ensejar a cobrança de multa e juros moratórios, em razão da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários; • Para a exigência de tais acréscimos, é condição necessária que o contribuinte encontrese em atraso com o pagamento de crédito tributário, o que não se verifica no presente caso. A requerente só estaria em mora caso houvesse transcorrido 30 dias, contados da data em que teve ciência da decisão que homologou parcialmente seus pedidos de compensação, conforme ordem de intimação a ela encaminhada; • Tal prazo não transcorreu. Pretender tal exigência antes do referido prazo é ato ilegal. Além disso, a presente manifestação suspende a Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 6 5 exigibilidade do crédito. Mesmo depois de findo tal prazo, nenhum valor a título de multa e juros de mora poderá ser exigido enquanto o processo administrativo encontrarse me curso; • A compensação realizada é legal e válida, e implicou quitação do valor compensado, supostamente devido pela requerente. Assim, não há acréscimos a serem cobrados; • Por fim, ainda que algum valor fosse devido a este título, tendo em vista que a requerente, ao proceder à compensação, observou todas as normas e atos administrativos expedidos pela autoridade fiscal, de acordo com o art. 100, parágrafo único, do CTN, deve ser excluída da base de cálculo do tributo “a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário”. O colegiado a quo julgou improcedente esta manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 12080.278 Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.757, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.915900/201371, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.757): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de indeferimento parcial de créditos de COFINS e consequente homologação de compensações até o limite do crédito admitido (Despacho Decisório, fl. 90). O Fisco revisou Pedidos de Ressarcimento (PER) e glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite, materiais de embalagem para transporte e soro de leite. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 7 6 Antes de adentrar nas preliminares e mérito, consigno que a recorrente pleiteou a reunião de 54 processos administrativos, cujas discussões são idênticas ao presente, quais sejam, legitimidade de créditos de COFINS ou PIS, objetos de, aos quais foram vinculados Pedidos de Compensação (DCOMP). O presente processo será julgado sob a sistemática dos "recursos repetitivos", com reunião para julgamento em conjunto de todos os processos conexos que se encontram no CARF. Passemos então à análise dos argumentos de defesa. PRELIMINAR "Nulidade da exigência fiscal vício formal" Alegou que o Despacho Decisório (fl. 90) é nulo, por conter vício formal, pois não pode ser utilizado para exigir créditos tributários decorrentes da instauração de mandado de procedimento fiscal. Apresenta como fundamento o art. 142 do CTN, o art. 9° do Decreto n° 70.235/72, decisões do CARF (Acórdãos n° 20401.613, de 21.8.2006; 10514.097, de 13.5.2003; e 10704.172, de 15.5.1997) e do STJ (Embargos de Divergência do Recurso Especial nº 576.661/RS). Em sua opinião, assim deveria ter procedido a fiscalização (recurso voluntário, fl. 266): "(. . .) 31. Com efeito, uma vez apresentado o pedido de compensação pelo contribuinte, cabe à D. Autoridade Fiscal analisar a procedência do crédito e, posteriormente, homologar ou não a compensação. Caso não seja homologada, deverá ser realizado de ofício o lançamento do débito apurado, mediante a lavratura de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, sob pena de nulidade do ato. 32. Sendo assim, resta claro que há necessidade de reforma do V. Acórdão recorrido, com o reconhecimento da nulidade formal da exigência fiscal formulada, uma vez que o r. despacho decisório não é a via competente para se fazer uma cobrança decorrente de Mandado de Procedimento Fiscal, e tal fato contraria expressamente o disposto no artigo 142, caput e parágrafo único do CTN, além dos artigos 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. (. . .)" Divirjo da recorrente. Não houve lançamentos de ofício, porém cobrança de tributos já lançados, que restaram em aberto, em decorrência da não homologação da compensação. Adoto como fundamento, o Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 8 7 seguinte trecho da decisão de piso, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99: "(. . .) DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Ainda em sede preliminar, o contribuinte alega a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base no despacho decisório, pretendendo a nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos artigos 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. O contribuinte informou no PER/DCOMP nº 24770.42497.080808.1.3.11 8497 a compensação do direito creditório ora em análise com débito de IRPJ, relativo ao PA mar/2008. Em conseqüência do reconhecimento parcial do direito pleiteado, restou um saldo não compensado deste débito, no valor original de R$ 41.256,22, objeto de cobrança no próprio despacho decisório. A utilização de direito de crédito para fins de compensação com débitos administrados pela RFB encontrase prevista e disciplinada pela Lei nº 9.430/96, conforme dispositivos abaixo transcritos: 'Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 9 8 § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (...)'(Grifouse) Desta forma, não procede a alegação do contribuinte, uma vez que a própria Lei que instituiu a compensação nos moldes em que é realizada atualmente equiparou a Declaração de Compensação a instrumento hábil e suficiente para exigência dos débitos nela declarados, não havendo, portanto, necessidade de se realizar o lançamento para viabilizar a cobrança de tais valores, na hipótese de a compensação não ser homologada, ou ser homologada parcialmente, como ocorreu no presente caso. Na hipótese de não pagamento dos débitos, a Lei prevê, inclusive, sua inscrição em Dívida Ativa da União. Portanto, apresentado o PER/DCOMP pelo contribuinte, os créditos tributários nele confessados e compensados já estão aptos a serem exigidos, na eventual hipótese de não homologação da compensação, ou de sua homologação parcial, independentemente de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal relativo à sua constituição, constituindo se a própria Declaração de Compensação em título de cobrança administrativa e execução judicial, por expressa autorização legal. (. . .)" Com base no acima exposto, nego provimento à preliminar de nulidade. MÉRITO A fiscalização glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 10 9 análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Os produtos não se enquadrariam no conceito de insumos, previsto nas IN SRF n° 247/02 e 400/04, que disciplinaram os artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Em sede do REsp n° 1.221.170/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, a cuja decisão este colegiado está vinculado (§ 2° do art. 62 do RICARF), o STJ considerou ilegal o conceito de insumos previsto nas IN SRF 247/02 e 400/04 e dispôs que o enquadramento ou não no conceito de insumos deve levar em conta "(. . .) essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." Reproduzo a ementa da decisão: "EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, após o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (voto vista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR" (g.n.) A meu ver, a decisão do STJ está essencialmente em linha com a maior parte das decisões sobre o tema que vêm sendo proferidas pelo CARF e, em particular, com os posicionamentos que este relator tem adotado. Em razão da decisão do STJ, em 18/12/18, a RFB publicou o PN COSIT n° 5/18, em que traz um novo conceito de insumos a ser aplicado no âmbito da RFB e ainda analisa a situação de alguns tipos de bens e serviços à luz do REsp n° 1.221.170/PR. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 12 11 Extraio os trechos da conclusão do PN COSIT n° 5/18 que demonstram de forma patente a mudança no conceito antes aplicado pela RFB: "(. . .) b) permitese o creditamento para insumos do processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços, e não apenas insumos do próprio produto ou serviço comercializados pela pessoa jurídica; c) o processo de produção de bens encerrase, em geral, com a finalização das etapas produtivas do bem e o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente, excluindose do conceito de insumos itens utilizados posteriormente à finalização dos referidos processos, salvo exceções justificadas (como ocorre, por exemplo, com os itens que a legislação específica exige aplicação pela pessoa jurídica para que o bem produzido ou o serviço prestado possam ser comercializados, os quais são considerados insumos ainda que aplicados sobre produto acabado); (. . .) e) a subsunção do item ao conceito de insumos independe de contato físico, desgaste ou alteração química do bem insumo em função de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração ou durante a prestação de serviço; (. . .) h) havendo insumos em todo o processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, permitese a apuração de créditos das contribuições em relação a insumos necessários à produção de um bem insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros (insumo do insumo); i) não são considerados insumos os itens destinados a viabilizar a atividade da mão de obra empregada pela pessoa jurídica em qualquer de suas áreas, inclusive em seu processo de produção de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida, etc., ressalvadas as hipóteses em que a utilização do item é especificamente exigida pela legislação para viabilizar a atividade de produção de bens ou de prestação de serviços por parte da mão de obra empregada nessas atividades, como no caso dos equipamentos de proteção individual (EPI); (. . .)" Consignado o conceito de insumos, transcrevo excertos da "Informação Fiscal" (fls. 67 a 84) que instruiu o Despacho Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 13 12 Decisório (fl. 90), em que o agente fiscal dispõe sobre os tipos de produtos cujos créditos foram glosados: "(. . .) DOS BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS EM OPERAÇÕES ACESSÓRIAS AO PROCESSO PRODUTIVO (. . .) 51. Tendo em vista que a interessada tem como objeto a produção e venda de derivados de leite e laticínios em geral, os materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas são, no âmbito da produção executada pela interessada, insumos indiretos de produção e, como não estão literalmente dispostos na legislação pertinente, não geram direito a crédito, tanto no cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep quanto no da Cofins, nos termos do art. 3º, inciso II, respectivamente das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. 52. O mesmo pode se dizer a respeito dos produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade, que não têm vínculo intrínseco com a produção e são, na verdade, necessários a operações paralelas que dão suporte ao processo produtivo. (. . .) DOS MATERIAIS DE EMBALAGEM (. . .) 62. No caso em tela, como já consignado, o sujeito passivo atua no ramo de laticínios e tem como principal atividade a produção e venda de leite industrializado. 63. Encontramos em suas planilhas descritivas de créditos aquisições de papelão cortado em forma própria, moldados para a montagem de caixotes; e bobinas de filme plástico classificados nos códigos NCM 39.20.10.99, 3920.10, 3920.10.10, 3920.10.90, 3920.10.99, 3921.19, 48.19.10.01, 4819.00, 4819.10, 4819.10.01, 4819.50 e 4823.90.99. 64. Uma parte do filme plástico é utilizada pelo sujeito passivo para envolver o conjunto de caixotes contendo 12 caixas de 1 litro de leite transportados em pallets. Vale dizer que esse plástico sequer chega ao consumidor final, sendo descartado pelos varejistas assim que o Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 14 13 produto é integrado ao estoque, enquadrandose, portanto, no conceito de “embalagem para transporte”. 65.Já o papelão moldado e a outra parte do filme plástico são utilizados para a confeccionar e envolver os caixotes para o transporte de 12 caixas de leite do tipo “Tetrapak” contendo 1 litro cada envoltas em filme plástico. 66. Vale lembrar que o leite é vendido ao consumidor no varejo individualmente por cada caixa de 1 litro. Os caixotes de papelão, embora encontrados na venda a varejo, ali estão por liberalidade do vendedor, não sendo praticada a compra do caixote contendo 12 litros de leite e sim a compra individual de 12 caixas de 1 litro de leite, de modo que o caixote é levado por conveniência das partes com o objetivo de facilitar o transporte. 67. Fica claro que os caixotes de papelão e o filme plástico que os envolve enquadramse na definição de “embalagem para transporte” e, assim, não ensejam apuração de créditos das contribuições. 68. Desta forma, o papelão moldado, utilizado na confecção de caixotes, e o filme plástico, utilizados para envolver individualmente ou em conjunto os referidos caixotes para transporte em pallets, foram glosados pela Fiscalização. (. . .)" (g.n.) Meu voto é no sentido de acatar todos os créditos em discussão, quais sejam, os calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Entendo que são elementos essenciais para a conclusão satisfatória do processo produtivo, bem como para garantir que os produtos (alimentícios) sejam oferecidos aos clientes em perfeitas condições. Não se admite que uma empresa do ramo alimentício não empregue os devidos esforços para manter em perfeito estado de limpeza e conservação as máquinas que preparam alimentos para consumo humano. E este rigor deve ser ainda maior, quando se trata de verificar se os produtos estão aptos para o consumo, por meio de testes de qualidade. Em sua defesa, a recorrente menciona a Portaria do Ministério da Agricultura e do Abastecimento n° 370/1997, que exige que o industrial aplique testes para certificarse de que o leite atende aos padrões legais exigidos. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 15 14 Com relação às embalagem, conforme descrição contida na "Informação Fiscal", acima transcrita, tratase de filme plástico e caixa de papelão. Consta da peça recursal que se destinam à proteção das caixas "Tetrapak", onde é acondicionado o leite. O processo de produção somente pode ser tido como concluído, após a obtenção do produto final, no formato em que será transportado para o consumo. E todos os elementos que são adicionados ao produto têm sua função, posto que nenhum empresário deseja onerar desnecessariamente o custo de seu produto, em prejuízo de sua margem de lucro ou mesmo que o obrigasse a aumentar o preço, reduzindo sua competitividade no mercado. O filme plástico e a caixa de papelão são imprescindíveis à manutenção da integridade do leite, produto para consumo humano. Passa, sem sombra de dúvida, por qualquer teste que adote o critério de "essencialidade ou relevância" estabelecido pela citada decisão do STJ. E, por fim, não se poderia admitir que bem os resíduos industriais fossem dispensados, sem o devido tratamento, posto que colocariam em risco o meio ambiente, o que ao certo colidiria com a legislação aplicável. Assim, reputo que estão compreendidos no conceito de insumos e podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de COFINS. Não obstante, cumpre destacar que, exceto quanto os créditos sobre material de embalagem para transporte, os demais foram expressamente citados pelo PN COSIT n° 5/18 como produtos que devem ser tidos como insumos, à luz da decisão do STJ, como segue (trechos do PN COSIT n° 5/18): "(. . .) 53.São exemplos de itens utilizados no processo de produção de bens ou de prestação de serviços pela pessoa jurídica por exigência da legislação que podem ser considerados insumos para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) no caso de indústrias, os testes de qualidade de produtos produzidos exigidos pela legislação4; b) tratamento de efluentes do processo produtivo exigido pela legislação c) no caso de produtores rurais, as vacinas aplicadas em seus rebanhos exigidas pela legislação, etc. (. . .) 98. Como relatado, na presente decisão da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, os Ministros consideraram elegíveis ao conceito de insumos os “materiais de limpeza” descritos pela recorrente como “gastos gerais de fabricação” de produtos alimentícios. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 16 15 99. Aliás, também no REsp 1246317 / MG, DJe de 29/06/2015, sob relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, foram considerados insumos geradores de créditos das contribuições em tela “os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios”. 100. Malgrado os julgamentos citados refiramse apenas a pessoas jurídicas dedicadas à industrialização de alimentos (ramo no qual a higiene sobressai em importância), parece bastante razoável entender que os materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização de ativos utilizados pela pessoa jurídica na produção de bens ou na prestação de serviços podem ser considerados insumos geradores de créditos das contribuições. 101. Isso porque, à semelhança dos materiais e serviços de manutenção de ativos, tratase de itens destinados a viabilizar o funcionamento ordinário dos ativos produtivos (paralelismo de funções com os combustíveis, que são expressamente considerados insumos pela legislação) e bem assim porque em algumas atividades sua falta implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço disponibilizado, como na produção de alimentos, nos serviços de saúde, etc. (. . .) 150.De outra banda, a análise é mais complexa acerca dos testes de qualidade aplicados sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção (produtos acabados). Conquanto tais testes sejam realizados em momento bastante avançado do processo de produção, é inexorável considerálos essenciais ao este processo, na medida em que sua exclusão priva o processo de atributos de qualidade. 151.Assim, são considerados insumos do processo produtivo os testes de qualidade aplicados anteriormente à comercialização sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção, independentemente de os testes serem amostrais ou populacionais. 152.Por fim, salientase que os testes de qualidade versados nesta seção são aqueles aplicados por escolha da pessoa jurídica, vez que os testes de qualidade aplicados por exigência da legislação estão versados na seção BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS POR IMPOSIÇÃO LEGAL. (. . .)" (g.n.) Por outro lado, apesar de propor que sejam acatados os créditos correlatos, também consigno que a RFB manteve o Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 17 16 entendimento de que material de embalagem para transporte não gera créditos: "(. . .) 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente6, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. (. . .)" Isto posto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 361DF CARF MF
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Numero do processo: 11610.012185/2001-22
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3003-000.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Relatório
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente. (assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 12 18 5/ 20 01 -2 2 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11610.012185/200122 Resolução nº 3003000.013 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Cuida o presente processo da lavratura – contra o sujeito passivo discriminado em epígrafe – do Auto de Infração que consta às fls. 21 a 28, cuja ciência se deu à vista do esclarecimento disposto à fl. 59, por meio do qual foi constituído o crédito tributário no valor total de R$13.689,04, que inclui o valor devido de contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), multa e juros de mora (calculados até 30/11/2001), cujos períodos de apuração se referem a 0101, 0102, 0103, 0104, 0105 e 0106/1997. Eis que os fatos e o enquadramento legal constam à fl. 22. 2. Irresignada com os lançamentos, em 28/12/2001 (fl. 3), apresentou a Contribuinte sua Impugnação às fls. 3 a 6, bem como juntou documentos aos autos. Eis, abaixo, os argumentos aduzidos, nestes exatos termos: [...] a Impugnante foi surpreendida pelo Auto de Infração em referência, que consubstancia a cobrança de valores supostamente devidos a título da Contribuição para Programa de Integração Social PIS, multa punitiva e juros de mora. No Termo de Constatação integrante do Auto de Infração a Autoridade Fiscal não considerou o fato da Impugnante ter impetrado Mandado de Segurança, distribuído automaticamente na Primeira Instância em 10/04/96, à 20.ª Vara Cível Federal de São Paulo, sob n.° 96.00099650 com pedido de liminar, objetivando a concessão de segurança para o fim de eximiremse do recolhimento do PIS nos termos da Medida Provisória n.° 1.286/96 e suas reedições, conforme demonstra a Certidão de Objeto e Pé (doc. 4). O D. Juízo, em 21 de maio 1996, julgou procedente a ação e concedeu a segurança requerida, para fim de garantir à Impetrante o direito ao pagamento do PIS nos moldes da Lei Complementar n.° 7/70, e não nos da Medida Provisória n.° 1.212/95 e suas reedições, conforme demonstra a Certidão supra citada. Assim sendo, em relação ao crédito tributário a pagar para o primeiro semestre de 1997, encontrouse a ora Impugnante completamente amparada por decisão judicial, o que impede que se proceda a lavratura de auto de infração, uma vez que não há, em relação à conduta seguida pela Impugnante, infração alguma a ser apurada. Conforme se pode verificar da simples leitura do presente auto de infração a D. Autoridade Administrativa tinha Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11610.012185/200122 Resolução nº 3003000.013 S3C0T3 Fl. 4 3 conhecimento da Medida Liminar. Isto porque a Impugnante, na sua declaração de contribuições e tributos federais (DCTF), referiuse ao processo acima mencionado para sustentar o não pagamento da Contribuição para Programa de Integração Social devido à suspensão da exigibilidade. Ademais a D. Autoridade Administrativa tinha de ter conhecimento da concessão da medida liminar e destarte da suspensão da exigibilidade do crédito "ex officio ", tendo em vista ser parte do processo referido. [...]Diante de todo o exposto, servese a Impugnante da presente para requerer seja cancelado o Auto de Infração em análise em todos os seus efeitos. Requer, outrossim, que todas as intimações e notificações a serem feitas, relativamente às decisões proferidas neste processo, sejam encaminhadas aos seus procuradores, todos com escritório nesta Capital do Estado de São Paulo, na Rua Padre João Manoel, n° 923, 8º andar, em atenção ao Dr. RICARDO LACAZ MARTINS, bem como sejam enviadas cópias à Impugnante, no endereço constante destes autos. Protesta ainda a Impugnante por todos os tipos de provas admitidas em direito. [...] 3. O presente processo foi encaminhado a esta Delegacia por meio do despacho à fl. 59. 4. É o relatório. A 9ª Turma da DRJ São Paulo I proferiu decisão, dando parcial provimento à impugnação, tendo exonerado a multa de ofício, mas mantendo a exigência com relação ao principal. Eis o teor da ementa do aresto recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 AÇÃO ORDINÁRIA. DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. COISA JULGADA. A decisão judicial definitiva em ação ordinária constituise coisa julgada que jamais pode sofrer alteração no processo administrativo, pois, do contrário, violar seja a Constituição Federal de 1988, que adota o modelo de jurisdição una, por meio do qual são soberanas as decisões judiciais. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833, DE 2003. Com a edição da Medida Provisória n.º 135, de 2003, convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, não cabe mais imposição de multa, excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da Medida Provisória n.º 135, de 2003, em face da retroatividade benigna (ex vi alínea “c”, inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11610.012185/200122 Resolução nº 3003000.013 S3C0T3 Fl. 5 4 FASE LITIGIOSA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Na fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o momento processual para apresentação de provas é o definido pelo disposto no parágrafo 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972 e alterações posteriores. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, aduzindo, em síntese, que a decisão de primeira instância teria, na verdade, cancelado o auto de infração e efetuado novo lançamento, inovando nos fundamentos: o fundamento da autuação seria a não comprovação de processo judicial informado em DCTF pela recorrente "proc. jud. não comprovad.", enquanto que a decisão recorrida teria consignado, como fundamento, o trânsito em julgado do processo judicial, o qual teve desfecho desfavorável à recorrente. Subsidiariamente, a recorrente sustenta que o lançamento da multa de mora é indevido, uma vez que, no caso concreto, estando amparada por medida judicial, não teria ocorrido mora. É o relatório. Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. O litígio se resume à questão de saber se a autuação é subsistente pelos seus próprios fundamentos e se teria havido mudança de fundamento da autuação pela instância a quo. Analisando as DCTFs de fls. 61 a 66, verificase que a recorrente declarou, para os períodos de apuração de 01/1997 a 06/1997, que os débitos de PIS/PASEP estavam com exigibilidade suspensa em virtude de medida judicial, processo nº. 96.03.0360929. Compulsando os autos, no campo "Ocorrência" do ANEXO I DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS, às fls. 23/24, integrante do Auto de Infração eletrônico às fls. 20 a 28, podese verificar que a infração que teria dado azo à atuação é descrita como "Proc. Jud. não comprova", tendo sido indicado, em declaração do sujeito passivo, o processo judicial nº. 96.03.0360929, conforme está descrito no campo "NÚMERO DO PROCESSO", constante do mesmo ANEXO I (fls. 23/24). Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11610.012185/200122 Resolução nº 3003000.013 S3C0T3 Fl. 6 5 Observase, assim, que a autuação se deu porque o processo judicial informado em DCTF, como razão para o não recolhimento do PIS/PASEP dos períodos de janeiro a junho de 1997, não foi comprovado pelos sistemas da então Secretaria da Receita Federal. Tal é o fundamento da autuação. Apreciando a questão, a decisão recorrida assim se manifestou (grifei algumas partes): Do mérito 7. Segundo o que consta às fls. 21 a 28, foi a Contribuinte cientificada da lavratura de Auto de Infração, por meio do qual foram realizados lançamentos de PIS relativamente aos períodos de apuração de 0101, 0102, 0103, 0104, 0105 e 0106/1997. Tratase de lançamentos realizados por conta de terem sido verificadas diferenças entre os débitos declarados em DCTF e os respectivos créditos ali vinculados (fls. 60 a 66), haja vista que os sistemas informatizados da Fazenda Pública não conseguiram confirmar a existência de processo(s) judicial(is) que se relacionaria(m) às Exigibilidades Suspensas informadas, tal como discriminado na tabela abaixo (cujos valores estão em reais):(...) 7.1. Cabe destacar que a Contribuinte declarou em DCTF (fls. 61 a 66) que as referidas Exigibilidades Suspensas se referem ao processo judicial de n.º 96.03.0360929. 7.2. Em sua Impugnação, noticia a Contribuinte a existência do processo judicial de n.º 96.00099650, relativamente à ação de mandado de segurança impetrado na 20ª Vara Cível Federal de São Paulo, [...] com pedido liminar, objetivando a concessão de segurança para o fim de eximiremse do recolhimento do PIS nos termos da Medida Provisória n.° 1.286/96 e suas reedições, conforme demonstra a Certidão de Objeto e Pé (doc.4). 7.3. Para o deslinde do litígio, inicialmente, valese do que consta à fl. 53, que cuida de parecer da Equipe de Análise e Acompanhamento de Medidas Judiciais e Controle do Crédito Tributário Sub Judice da Derat em São Paulo, que esclarece o seguinte: Este AIDCTF cuida de débitos de PIS com vinculação à exigibilidade suspensa pelo MS 96.00099650 (Agravo de Instrumento n° 96.03.0360929). O MS pleiteou o afastamento da MP 1.212/95 e suas reedições. Não houve êxito por parte do contribuinte (apenas "anterioridade nonagesimal") e o trânsito em julgado ocorreu em 18/12/2009 no STF. Portanto, quanto à medida judicial, o débito é passível de cobrança. Na esfera administrativa há impugnação. [...]7.4. De fato, consta à fl. 45 que ajuizou a Contribuinte, na Justiça Federal, ação de mandado de segurança, [...] objetivando afastar a Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11610.012185/200122 Resolução nº 3003000.013 S3C0T3 Fl. 7 6 exigência do PIS na forma instituída pela Medida Provisória n.º 1.212/95 e suas sucessivas reedições, para que lhe seja garantido o direito ao seu recolhimento nos termos da Lei Complementar 07/70. O M.M. Juízo "a quo" concedeu a ordem. Submeteuse ao reexame necessário. Irresignada, apela a União, pugnando pela reforma do julgado, sustentando a constitucionalidade da MP 1212/95 e reedições. Com contrarazões, vieram os autos a esta Corte [é dizer, Tribunal Regional Federal da 3ª Região], tendo o Ministério Público Federal opinado pelo improvimento da apelação. À fl. 46, consta, no Voto da Desembargadora Federal Salette Nascimento, que a [...] questão acerca da cobrança da contribuição ao PIS, nos termos preconizados pela MP n° 1212/95 e suas reedições, já foi apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, bem assim por nossas Cortes Regionais, firmandose entendimento no sentido da inexigibilidade da exação antes de decorrido o prazo nonagesimal, a partir da veiculação da medida provisória, de forma que, por unanimidade, o Tribunal Regional da 3ª Região concedeu parcial provimento à apelação da União que sustentava a constitucionalidade da Medida Provisória n.º 1.212, de 1995. À fl. 67, consta que apresentou a Contribuinte recurso extraordinário que foi negado, havendo ocorrido o trânsito em julgado em 18/12/2009 (fl. 51). 7.5. Diante do exposto, não resta dúvida de que não está judicialmente amparada a Contribuinte no que toca a afastar a exação de PIS relativamente aos períodos de apuração de 0101, 0102, 0103, 0104, 0105 e 0106/1997. 7.6. A propósito, salientase que, dado que as decisões judiciais se tornaram definitivas, estáse diante de coisa julgada que jamais pode sofrer alteração no processo administrativo – pois tal procedimento feriria a Constituição Federal de 1988, que adota o modelo de jurisdição una, por meio do qual são soberanas as decisões judiciais –, bem como que, havendo pronunciamento definitivo da parte da Justiça, não há como reconhecerse litígio administrativo a ser dirimido na instância julgadora administrativa. À Administração Pública cabe, tão somente, acatar a decisão judicial transitada em julgado, e, assim, deverá ser feito. 7.7. Manifestase a Contribuinte acerca de que a [...] Autoridade Administrativa tinha de ter conhecimento da concessão da medida liminar e destarte da suspensão da exigibilidade do crédito "ex officio ", tendo em vista ser parte do processo referido. 7.8. Suscita a Contribuinte que não deveria ter sido lavrado o Auto de Infração por conta de que seu objeto estaria sendo discutido na Justiça Federal. Ocorre que, no que toca à lavratura do Auto de Infração, é de se esclarecer que a formalização do crédito tributário pelo lançamento, consoante o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, é decorrente do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a Autoridade Fiscal, sob pena de responsabilidade funcional, eximirse de praticálo, ainda que a exigibilidade esteja suspensa. Uma vez que surge a obrigação tributária, nasce, também, para a Administração e Autoridades Tributárias o dever de realizar o lançamento correspondente, sob pena de responsabilidade funcional, Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11610.012185/200122 Resolução nº 3003000.013 S3C0T3 Fl. 8 7 conforme dispõe o citado dispositivo legal, transcrito abaixo, in verbis:(...) 7.10. Ademais, certo é que, à época da lavratura do Auto de Infração, ainda que houvesse discussão judicial sobre a matéria, não estava mais amparada a Contribuinte por nenhuma medida judicial que determinasse a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, de maneira que não havia como aplicar ao caso o disposto no art. 62 do Decreto n.º 70.235, de 1972 e alterações posteriores, transcrito a seguir in verbis: Art. 62. Durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança, do tributo não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente, à matéria sobre que versar a ordem de suspensão. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Parágrafo único. Se a medida referirse a matéria objeto de processo fiscal, o curso deste não será suspenso, exceto quanto aos atos executórios. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Dos excertos da decisão recorrida, verificase que o colegiado a quo entendeu pela procedência do auto de infração, assinalando razões para tanto: (i) o processo judicial teve desfecho desfavorável à recorrente; (ii) não há impedimento para constituição do crédito tributário para prevenir a decadência; (iii) à época da lavratura do Auto de Infração, o crédito tributário objeto de lançamento não estava com sua exigibilidade suspensa. Dentre tais fundamentos, aquele que, na verdade, motivou a autuação foi a suposta inexistência de processo judicial, à época da lavratura, apto para suspensão da exigibilidade dos débitos de PIS informados em DCTF. Assim, a questão fundamental dos autos consiste em saber se os referidos débitos de PIS estavam ou não com exigibilidade suspensa por medida judicial em favor da recorrente. Como visto acima, o aresto recorrido assinala que, à época do lançamento, a exigibilidade dos referidos débitos de PIS não estava suspensa. De maneira diversa, a recorrente sustenta, por sua vez, que, à época da autuação, havia medida liminar a seu favor, garantindo a suspensão da exigibilidade dos débitos de PIS confessados em DCTF: Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11610.012185/200122 Resolução nº 3003000.013 S3C0T3 Fl. 9 8 Analisando os autos, não há como concluir se, à época da autuação, existia provimento judicial suspendendo a exigibilidade dos créditos atinentes ao PIS dos períodos de 01 a 06/1997. Embora tenham sido trazidas certidões de objeto e pé da Justiça Federal e acórdão do TRF da 3ª Região, não constam, dos autos, cópias da sentença de primeira instância, do despacho de admissibilidade da apelação e da decisão no Agravo de Instrumento que teria concedido a liminar, documentos fundamentais para sabermos o alcance dos provimentos judiciais e se, ao tempo da autuação 09/11/2001, os débitos controversos de PIS estavam realmente com exigibilidade suspensa. Embora a recorrente sustente que gozava, à época da autuação, de suspensão da exigibilidade em razão do Agravo de Instrumento (AI) nº. 96.03.0360929, fato é que, em 07/04/1997 antes mesmo das DCTFs serem transmitidas , deuse o julgamento do referido agravo, tendo a decisão sido vazada nos seguintes termos (decisão obtida em consulta à página da justiça federal e trazida ao presente processo à fl. xx): Tal decisão foi publicada no DJU em 23/04/1997, conforme se observa na certidão juntada aos autos à fl. 32. Verificase, assim, que, à época da autuação, não vigorava mais o AI nº. 96.03.0360929, uma vez que restou decidido, pelo Tribunal, que sua apreciação foi prejudicada em face da prolação de sentença de mérito na primeira instância, no curso do mandado de segurança nº. 96.00099650, a qual veio a ser reformada pelo acórdão do TRF da 3ª Região, julgado em 02/10/2002, cópia às fls. 44 a 50 ou seja, após a lavratura do auto de infração. Desse modo, pelo que se pode deduzir, prima facie, da análise das certidões, relatórios de andamento processual e peças processuais disponíveis, ao tempo da lavratura do auto de infração, vigorava sentença de mérito no mandado de segurança nº. 96.00099650. No entanto, como não foram juntadas cópias da sentença e do despacho de admissibilidade da apelação não disponíveis na página da Justiça Federal , não há como saber qual o teor e alcance da sentença e quais os efeitos do recurso interposto pela União se unicamente devolutivo ou, também, suspensivo. Considerando a lacuna de informações, sobretudo pela falta de algumas peças fundamentais do processo judicial, cujos efeitos podem incidir diretamente no resultado do presente processo, voto por converter o presente julgamento em diligência, a fim de que a Unidade de Origem tome as seguintes providências: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11610.012185/200122 Resolução nº 3003000.013 S3C0T3 Fl. 10 9 1. Analisar se, à época da lavratura do auto de infração, objeto do presente processo, havia alguma decisão judicial em vigor que garantia a suspensão da exigibilidade dos débitos de PIS atinentes aos períodos de apuração de 01/1997 a 06/1997, confessados nas DCTFs integrantes do presente processo. 2. Intimar a recorrente a apresentar: cópia da decisão de mérito no mandado de segurança nº. 96.00099650; cópia da decisão de admissibilidade da Apelação; quaisquer outros documentos (sentenças e despachos judiciais) que sirvam para demonstrar que, à época da autuação, existia (ou inexistia) suspensão da exigibilidade dos débitos de PIS objeto da autuação ora analisada. 3. Apresentar relatório, com parecer conclusivo, esclarecendo, de forma fundamentada e minuciosa, a análise descrita no item 1, devendo trazer todos os elementos e documentos que o embasem, inclusive as peças processuais referidas no item 2. 4. Verificar se os débitos autuados foram objeto de algum parcelamento, trazendo, aos autos, parecer conclusivo com todos os documentos e elementos necessários para embasálo. 5. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. Vinícius Guimarães Relator. Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.004783/2003-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
DCTF. ERRO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao contribuinte comprovar a improcedência do lançamento referente a tributos informados em DCTF, seja por recolhimentos já efetuados ou por outra razão de ordem técnica e/ou processual, para fins de afastar a exigência fiscal correspondente.
A mera alegação de eventual existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada do respectivo conjunto probatório, enseja a manutenção do lançamento.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE.
De acordo com a Sumúla CARF nº 11, não é aplicável o instituto da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 1201-002.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 DCTF. ERRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao contribuinte comprovar a improcedência do lançamento referente a tributos informados em DCTF, seja por recolhimentos já efetuados ou por outra razão de ordem técnica e/ou processual, para fins de afastar a exigência fiscal correspondente. A mera alegação de eventual existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada do respectivo conjunto probatório, enseja a manutenção do lançamento. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. De acordo com a Sumúla CARF nº 11, não é aplicável o instituto da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1413; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.004783/200349 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.715 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2019 Matéria IRPJ DCTF Recorrente CENTAURO GRÁFICA E EDITORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 DCTF. ERRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao contribuinte comprovar a improcedência do lançamento referente a tributos informados em DCTF, seja por recolhimentos já efetuados ou por outra razão de ordem técnica e/ou processual, para fins de afastar a exigência fiscal correspondente. A mera alegação de eventual existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada do respectivo conjunto probatório, enseja a manutenção do lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. De acordo com a Sumúla CARF nº 11, não é aplicável o instituto da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 47 83 /2 00 3- 49 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10120.004783/200349 Acórdão n.º 1201002.715 S1C2T1 Fl. 3 2 Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório 1. Tratase de processo administrativo fiscal decorrente do auto de infração nº 0004689 (fls. 31/39), referente à cobrança de IRPJ do ano calendário de 1998. Inicialmente o montante exigido totalizava R$ 111.980,39, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora. 2. Segundo o auto de infração, a exigência decorre da "falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata”, referente aos períodos de apuração do 3° e 4° trimestres/98, por débitos de IRPJ (cód. 3373), informados nas DCTF’s nºs: (i) 100199800567508, com vinculação de DARF's nos valores de: R$ 13.024,38 e R$ 601,00, tidos como "Compensação com pagamentos não localizado"; e (ii) 100199900038150, com vinculação de DARF no valor de: R$ 29.701,06, tido como "pagamento não localizado". 3. Devidamente intimada do lançamento (AR em 10/07/2003, fl. 30), a contribuinte apresentou Impugnação (fl. 01), na qual trouxe as seguintes razões de defesa (fls. 54): "a) compensação do valor do imposto a pagar com o pagamento não localizado, conforme demonstrativo anexo, referese ao pagamento de DARF no valor de R$ 79.930,43; valor total de R$ 1.073,67 (Lucro Inflacionário); R$ 1.585,48 de retenção por Órgãos Públicos; compensação de R$ 12.757,30, referente a pagamento a maior nos I e II trimestres/98 e R$ 1.217,82, referente à compensação da Cofins dos I e II trimestres do mesmo ano, conforme planilhas de demonstração de pagamentos e relatórios de faturamento em anexo, bem como cópias de documentos comprobatórios juntados nos processos 10120.004330/9821 e 10120.004331/9893 e respectivas cópias de entrega de Declaração; b) com relação ao pagamento não localizado (R$ 29.701,06), demonstrado no anexo 1b do relatório de sua auditoria, apresenta cópia do DARF pago no vencimento." 4. Em 06/09/2007, foi proferido o Despacho Secat/DRF/GOI nº 3.584/2007 (fls. 59/65) que constatou o seguinte: Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10120.004783/200349 Acórdão n.º 1201002.715 S1C2T1 Fl. 4 3 4.1. Os valores declarados pela contribuinte a título de compensação, no montante de R$ 13.625,38, não se encontram confirmados nos sistemas da Receita e não foram adequadamente comprovados; 4.2. A planilha apresentada, bem como o relatório de faturamento, não estão lastreados pela documentação fiscal e contábil da empresa; 4.3. Os alegados "documentos comprobatórios" juntados nos processos 10120.004330/9821 e 10120.004331/9893 não se encontram anexados aos autos; 4.4. A solicitação de Retificação de DCTF referente aos I e II trimestres de 1998, realizada pela peticionante através dos processos anteriormente citados, foi parcialmente deferida e não contemplou a retificação de IRPJ e CSLL de ambos os períodos; 4.5. Ao se analisar a decisão proferida nos Despachos Decisórios (processos 10120.004330/9821 e 10120.004331/9893, às fls.16/20), o julgador observa que em relação às alterações pretendidas (IRPJ, CSLL) não há elementos fiscais ou contábeis que comprovem o exercício correto e que deem base de convencimento quanto ao pretendido; 4.6. A contribuinte foi capaz de comprovar que efetuou o recolhimento (Cód. 3373) no valor de R$ 29.701,06, conforme DARF apresentado e consulta nos sistemas internos; 5. Em seguida, a DRF revisou de ofício o lançamento, cancelou o montante originário de R$ 29.701,06 e manteve o montante originário de R$ 13.625,38. 6. Em sessão de 26 de março de 2009, a 4ª Turma da DRJ/BSA, por unanimidade dos votos, julgou procedente em parte o lançamento deste processo, para manter apenas o originário de R$ 13.625,38 e os acréscimos correspondentes, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0330.068 (fls. 75/77), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 PROVAS/DCTF Se na fase impugnatória a contribuinte comprovar a improcedência do lançamento referente a tributos informados em DCTF, seja por recolhimentos já efetuados ou por outra razão qualquer, há que se cancelar a importância da exigência fiscal correspondente. Por outro lado será mantido o valor do crédito tributário cujo recolhimento não for comprovado. Lançamento Procedente em Parte”. 7. Cientificada da decisão (AR de 17/04/2009, fls. 82), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 90/101), em 18/05/2009 e, além de reiterar os seus argumentos de defesa, sustenta que a exigência foi alcançada pela prescrição, vez que foi intimada do r. acórdão da DRJ (17/04/2009) após ter transcorrido prazo superior a cinco anos da constituição definitiva do suposto crédito tributário (10/07/2003). Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10120.004783/200349 Acórdão n.º 1201002.715 S1C2T1 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 8. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Questão Preliminar I. Da Inocorrência de Decadência ou Prescrição no Caso Concreto 9. A Recorrente afirma que o crédito exigido teria sido alcançado pela prescrição, tendo em vista que, no momento da cientificação do acórdão da DRJ (17/04/2009) já teria transcorrido o prazo de cinco anos contados a partir da constituição da exigência (10/07/2003). Afirma ainda que a fiscalização teria até o dia 10/07/2008 para concluir o processo administrativo e não o fez. 10. Claramente a contribuinte confunde, em sua linha argumentativa, os institutos da decadência e da prescrição em matéria tributária. 11. In casu, não há que se falar na ocorrência de prescrição, pois o prazo de 5 anos a contar da constituição definitiva do crédito tributário para apresentação de Execução Fiscal sequer foi iniciado. Uma vez que o processo administrativo fiscal está em trâmite, inclusive para apreciação de Recurso Voluntário por esta relatoria, não há que se falar em constituição definitiva do crédito tributário. 12. O artigo 174 do CTN é claro neste sentido: "Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva." 13. No mais, o prazo decadencial (artigo 150, §4º, do CTN) foi devidamente respeitado pela douta autoridade fiscal quando da lavratura do auto de infração exigência de IRPJ, períodos de apuração do 3° e 4° trimestres de 1998, sendo certo que a contribuinte foi intimada em 10/07/2003 (fl. 34). 14. Ademais, conforme Súmula CARF nº 11, o processo administrativo fiscal não comporta a prescrição intercorrente. Confirase: Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. 15. Diante do exposto, afasto a alegação de prescrição suscitada pela ora Recorrente. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10120.004783/200349 Acórdão n.º 1201002.715 S1C2T1 Fl. 6 5 Questões de Mérito I. Da Manutenção da Exigência 16. Conforme relatado, o presente processo trata de lançamento em função da não localização de pagamentos no valor de R$ 43.326,44. Na revisão de oficio o valor de R$ 29.701,06 e acréscimos correspondentes foram excluídos, restando um saldo remanescente de R$ 13.625,38, relativo ao 3º trimestre de 1998. 17. O montante de R$ 13.625,38 é referente a valores declarados pelo sujeito passivo a título de “Compensação com DARF’s”. 18. Conforme o Anexo 1b do auto de infração, a fiscalização não encontrou os pagamentos que supostamente fundamentam as referidas compensações: 19. Por sua vez, a Recorrente afirma que efetuou recolhimentos a maior que o devido, para o 1º e 2º trimestres de 1998, na importância de R$ 12.618,43 e R$ 195,06, respectivamente. Tais montantes seriam passíveis de restituição e teriam sido utilizados para compensar parte do IRPJ devido no 3º trimestre de 1998. 20. Afirma também que, “não existem, isoladamente, os DARF de R$ 13.024,38 e R$ 601,00, por serem valores recolhidos a maior que o devido, nos 1° e 2° Trimestres de 1998”. 21. Para comprovar suas alegações apresenta diversos documentos no curso do processo, como: (i) planilha de demonstração de pagamentos (fl. 5); (ii) relatório de faturamento (fl. 4); (iii) cópia de entrega de DCTF (fl. 18); e (iv) DARFs relativos ao período de apuração de 31/01/98 a 30/09/98, cujos códigos de receita são 3373 e 3320. 22. Entretanto, conforme já indicado no despacho Secat (fls. 54/60) e r. acórdão da DRJ (fls. 75/77), a Recorrente não apresenta sua escrituração contábil e fiscal capaz de comprovar suas alegações e as informações dispostas em suas declarações (DCTF e DIPJ): Despacho Secat “a) A impugnante argumenta tratarse de compensação de R$ 12.757,30 e R$ 1.217,82, referente a pagamento a maior de IRPJ e da Cofins, respectivamente, referentes ao I e II trimestres do Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10120.004783/200349 Acórdão n.º 1201002.715 S1C2T1 Fl. 7 6 anobase 1998, conforme planilhas apresentadas e documentos juntados ao processo (fls. 15/20); b) A planilha apresentada, bem como o relatório de faturamento, não estão lastreados pela documentação fiscal e contábil da empresa; c) Os alegados "documentos comprobatórios" juntados nos processos 10120.004330/9821 e 10120.004331/9893, não se encontram anexados aos autos; d) A solicitação de Retificação de DCTF referente aos I e II trimestres de 1998, realizada pela peticionante através dos processos anteriormente citados, foi parcialmente deferida e não contemplou a retificação de IRPJ e CSLL de ambos os períodos. Mesmo quanto ao PIS e a Cofins, houve deferimeto parcial; e) Ao se analisar a decisão proferida nos Despachos Decisórios (processos 10120.004330/9821 e 10120.004331/9893, às fls.15/20), o julgador observa que em relação às alterações pretendidas (IRPJ, CSLL) não há elementos fiscais ou contábeis que comprovem o exercício correto e que deem base de convencimento quanto ao pretendido. Aduz ainda que os balancetes e o Lalur demonstram apuração mensal e que o balanço do trimestre não foi transcrito no Diário”.(grifo nossos). Acórdão DRJ “Acrescentase ainda, com base, na revisão de oficio, letra "c", folha 57, que a interessada não apresentou os documentos comprobatórios, bem como que a planilha apresentada e o relatório de faturamento não estão lastreados pela documentação fiscal e contábil da empresa (item "b", folha 57)”. (grifos nossos) 23. Em linha com as conclusões acima transcritas, considero que não basta a Recorrente alegar e apresentar demonstrativos e/ou limitarse a juntar cópia da DIPJ e dos DARF’s. Para dar lastro ao suposto direito creditório e afastar a presente cobrança, a contribuinte deveria ter apresentado documentação fiscal e contábil comprobatória da origem do suposto crédito (LALUR, Livros Diário e Razão) juntamente com a cópia do processo administrativo específico que trata da citada compensação, inclusive alvo de análise pelo próprio despacho SECAT (trecho supra transcrito). 24. A escrituração contábil e fiscal capaz de suportar as alegações da Recorrente também não foram trazidas em sede de Recurso Voluntário. A contribuinte limitase a arguir que “tinha o direito à restituição das importâncias recolhidas a maior que o devido nos 1º e 2º trimestres de 1998, quando optou por compensálas”, e que seu direito está devidamente comprovado pela documentação apresentada nos autos. 25. Diante do exposto, entendo que a exigência do montante de R$ 13.625,38, referente a valores declarados pelo sujeito passivo a título de “Compensação com DARF’s”, deve ser mantida. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10120.004783/200349 Acórdão n.º 1201002.715 S1C2T1 Fl. 8 7 Conclusão 26. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.000148/2002-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO.
A fruição do direito a ressarcimento de IPI decorrente de crédito presumido relativo às contribuições PIS e COFINS incididas nas aquisições de insumos adquiridos para industrialização de produtos destinados à exportação, depende do cumprimento de deveres instrumentais que forneçam ao Fisco elementos necessários ao calculo e/ou conferência do valor pleiteado. Indeferido o pedido de ressarcimento com fundamento na impossibilidade do cálculo do crédito presumido, não sendo tal preliminar de prejudicialidade objeto de recurso e não havendo a regularização das faltas apontadas, fica prejudicada a apreciação das demais matérias suscitadas no Recurso Voluntário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3101-000.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Seção
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente à época).
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO. A fruição do direito a ressarcimento de IPI decorrente de crédito presumido relativo às contribuições PIS e COFINS incididas nas aquisições de insumos adquiridos para industrialização de produtos destinados à exportação, depende do cumprimento de deveres instrumentais que forneçam ao Fisco elementos necessários ao calculo e/ou conferência do valor pleiteado. Indeferido o pedido de ressarcimento com fundamento na impossibilidade do cálculo do crédito presumido, não sendo tal preliminar de prejudicialidade objeto de recurso e não havendo a regularização das faltas apontadas, fica prejudicada a apreciação das demais matérias suscitadas no Recurso Voluntário. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Seção (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente à época).
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CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO. A fruição do direito a ressarcimento de IPI decorrente de crédito presumido relativo às contribuições PIS e COFINS incididas nas aquisições de insumos adquiridos para industrialização de produtos destinados à exportação, depende do cumprimento de deveres instrumentais que forneçam ao Fisco elementos necessários ao calculo e/ou conferência do valor pleiteado. Indeferido o pedido de ressarcimento com fundamento na impossibilidade do cálculo do crédito presumido, não sendo tal preliminar de prejudicialidade objeto de recurso e não havendo a regularização das faltas apontadas, fica prejudicada a apreciação das demais matérias suscitadas no Recurso Voluntário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente da 3ª Seção (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente à época). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 01 48 /2 00 2- 14 Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3101000.763 S3C1T1 Fl. 582 2 Relatório Nos termos do art. 17, III1, e art. 19, VII2, do Regimento Interno do CARF, o Senhor Presidente da 3ª Seção designoume redator para formalizar o presente acórdão, mediante despacho de fls. 579/580, tendo em vista que o relator originário, exConselheiro Luiz Roberto Domingo, deixou de integrar o Colegiado antes da formalização do acórdão com a devida correção, vez que o primeiro foi excluído, em razão de erros nele identificados. Assim, reproduzo, na íntegra, o relatório disponibilizado pelo Conselheiro Luiz Roberto Domingo, conforme a seguir: Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP que manteve a o indeferimento do Pedido de Ressarcimento e a não homologação da Compensação respectiva, referente a Crédito Presumido do IPI formulado com fundamento na Portaria MF nº 38/97 e na Lei nº 9.363/96, com período de apuração nos quatro trimestres do ano 2001, sob o fundamento de que a Recorrente: (i) não instruiu satisfatoriamente seu pedido, por não trazer aos autos os valores de estoques finais e iniciais de cada mês a fim de subsidiar o cálculo mensal dos insumos, (ii) não apresentou a ficha de apuração do crédito constante da DCTF; (iii) adotou forma inadequada para realizar seu pedido ao apresentálo em um único formulário para o ano calendário de 2001 todo, enquanto que o correto, segundo a legislação aplicável seria um pedido para cada trimestre. Além disso, pronunciouse acerca do mérito do direito ao ressarcimento aduzindo que: (i) os conceitos de matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME) são subsidiariamente dados pela legislação do IPI, a qual não abrange os produtos adquiridos para manutenção de máquinas e equipamentos da empresa; (ii) aquisições de energia elétrica não dão direito ao crédito presumido do IPI por não estar prevista na Lei 9.363/96, bem como não consta no conceito de MP, PI e ME dado pelo RIPI/98, além de ser expressamente excluído pelo Parecer Normativo CST nº 65/79; e, (iii) aquisições de pessoas físicas e sociedades cooperativas não dão direito ao crédito presumido porque não se enquadram como sujeitos passivos das contribuições do PIS e da COFINS. Destacase também o seguinte argumento da fiscalização, presente às fls. 365: Tendo em vista o prazo exíguo e as possíveis repercussões tributárias dos fatos apontados em relatório advindas do deferimento do crédito sem a devida fiscalização, bem como da insuficiente instrução por parte da requerente (não obstante se tratar de interesse da própria), proponho o INDEFERIMENTO do presente Pedido de Ressarcimento e que NÃO SEJAM HOMOLOGADAS os 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo colegiado e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; (...) 2 Art. 19. Aos presidentes das Seções incumbe, ainda: (...) VII praticar atos inerentes à presidência de Câmara vinculada à Seção nas ausências simultâneas do presidente da Câmara e de seu substituto. Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3101000.763 S3C1T1 Fl. 583 3 Pedidos de Compensação, convertidos em Declarações de Compensação por força da Lei n° 10.637/02. Discordando desse posicionamento, a Recorrente interpôs Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto, que, além de ratificar os fundamento da repartição de origem, escorouse nos fundamentos apresentados pela seguinte ementa (fls. 420): ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. INSUMOS. ENERGIA ELÉTRICA E FRETE. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com energia elétrica e frete. Solicitação Indeferida Intimada dessa decisão em 19/02/2009 (fls. 432 – verso) a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 20/03/2009 (fls. 450/481), aduzindo em síntese que: i) é indevida a glosa das aquisições feitas junto a pessoa física e a sociedades cooperativas porque a Lei nº 9.363/96 não traz esse tipo de vedação e que a norma contida na IN nº 23/97 não é competente para trazer tal proibição por ter natureza infralegal; ii) essas aquisições suportam a incidência do PIS e da COFINS na medida em que seu preço contém o custo das incidências anteriores ao longo da cadeia produtiva; iii) a energia elétrica compõe parcela substancial do cálculo do benefício e que o contato físico com a mercadoria produzida não é condição dada pelo RIPI, mas pelo parecer CST nº 65/79, que não tem competência para tanto; iv) o ICMS, tributo análogo ao IPI, prevê o consumo da energia elétrica na tomada de seu crédito; v) a Lei nº 10.276/2001 inclui a energia elétrica como insumo passível de contabilização na base de cálculo do benefício; vi) a glosa dos valores pagos pelo frete é indevida e que o fundamento para sua realização foi confuso; vii) o frete pago entrou no custo de suas MP, PI e ME; viii) ao final protesta pela suspensão da exigibilidade do crédito referente aos tributos objeto do pedido de compensação não homologado. Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3101000.763 S3C1T1 Fl. 584 4 É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Redator ad hoc A teor do relatório acima reproduzido, também adoto aqui, na íntegra, o voto do Conselheiro Luiz Roberto Domingo, que assim dispõe: Conheço do Recurso por ser tempestivo e atender aos requisitos de admissibilidade. Apesar de todas as matérias de mérito debatidas nos autos serem de relevante importância na apuração do quantum devido a título de ressarcimento de IPI decorrente de crédito presumido relativo às contribuições PIS e COFINS incididas nas aquisições de insumos adquiridos com o fim de industrializar produtos destinados à exportação, fato é que os autos carecem de instrumentalidade bastantes e suficiente para prova das exportações e para viabilizar a apuração desses créditos. O principal fundamento do indeferimento é o não atendimento aos requisitos necessários à apreciação do pedido de ressarcimento, conforme pode ser colhido nos seguintes trechos do Despacho formulado pela Autoridade fiscal de origem: “O ressarcimento foi apresentado em pedido único no valor de R$ 737.949,00 para todo anocalendário 2001, em desacordo, portanto, ao que dispõe a Portaria MF n° 38/1997 (o pedido deve ser por trimestrecalendário).” Fls. 352 (grifos acrescidos) ... “1) Da instrução do processo verificações preliminares: a) o Pedido de ressarcimento foi assinado pelo representante legal da empresa, conforme disposto nos documentos de constituição da empresa; b) os débitos compensados no presente processo constam declarados em DCTF (fls. 337 a 350); c) verificamos que os débitos de código 9438 (C1DE — Combustíveis — Importação) compensados às folhas 25 e 29 nos montantes de R$ 72.746,96 e R$ 78.373,46, respectivamente, foram declarados no código 9331 (CIDE — Combustíveis — Mercado Interno) em DCTF (conforme folhas 341 e 349); d) em pesquisa ao sistema da Receita Federal, verificamos que a empresa, não apresentou DCP referente ao período em análise.” (fls. 352/353) (grifos acrescidos) ... “2) Quanto ao cálculo do Crédito Presumido: Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3101000.763 S3C1T1 Fl. 585 5 a) dos insumos: • as MP,PI,ME foram apurados de acordo com as aquisições em cada mês do anocalendário 2001, em desacordo, portanto, ao que dispõe a Portaria MF n°38/1997; • a empresa não apresentou documentos que evidenciassem a forma de apuração das MP,PI,ME por sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração contábil ou relação de quantidades e valores das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem em estoque no final de cada período de apuração que permitissem calcular o montante utilizado na industrialização dos produtos vendidos em cada mês; • dos insumos relacionados, verificamos que a interessada incluiu indevidamente na base de cálculo das MP,PI,ME aquisições não admitidas pela Lei n° 9.363/96 e Portaria n° 38/97; • foram verificadas aquisições de MP,PI,ME de pessoas físicas e cooperativas, conforme planilha apresentada pela empresa intitulada "RELAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS DE AQUISIÇÕES DE MATÉRIAPRIMA PARA FINS DE CRÉDITO PRESUMIDO IPI EXPORTAÇÃO" (112 a 123); ... • à partir das planilhas retificadas acima e tendo em vista a impossibilidade de apurar os montantes em cada mês de MP,PI,ME utilizados em cada mês pela inexistência de dados dos estoques finais de cada período ou porque a empresa não possui sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração contábil, apuramos o montante das aquisições de MP, PI, ME que dão direito ao crédito presumido, conforme tabela a seguir:” Fls 354 (grifos acrescidos) Portanto, a Fiscalização acusa que diante das informações prestadas pela Recorrente e da falta de cumprimento das obrigações acessórias, tais como apresentação de DCP e do cálculo objeto do pedido administrativo de forma trimestral, não há possibilidade de realização e/ou conferência do direito creditório pretendido. Desta forma, antes mesmo da apreciação das questões acerca do tipo de aquisição que dá direito a crédito, objeto da peça recursal, há questão procedimental que mereceria apreciação. Nesse sentido é a decisão de primeira instância que ratifica: “Inicialmente cabe lembrar à impugnante que o crédito presumido legalmente foi estabelecido, não para viabilizar o princípio da nãocumulatividade do IPI, mas para ressarcir o exportador das contribuições incidentes sobre as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem empregados na industrialização de produtos exportados, a ser calculado nos termos da Lei n° 9363/96 e Portaria MF n° 38/97. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3101000.763 S3C1T1 Fl. 586 6 Portanto, se o contribuinte deixa apresentar a ficha de apuração do crédito presumido, constante na DCTF, além de apurar as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem pelo valor das aquisições, sem apresentar os valores de estoques finais e iniciais de cada mês, não houve subsídios para que a SRF refizesse o cálculo do crédito presumido.” (fls. 421) Ocorre que a Recorrente, além de não se insurgir contra esses fundamentos de prejudicialidade da apreciação do direito creditório, não trouxe aos autos elementos de fato ou de direito que pudessem subsidiar tal apreciação. Suponho que a Recorrente tenha direito ao ressarcimento, pois exportou e adquiriu insumos no mercado interno utilizados nos bens exportados. Contudo, é dela o ônus de fornecer os elementos necessários para viabilizar o cálculo do direito creditório, ou conferência do cálculo apresentado. Curioso notar que a Recorrente formalizou pedido de ressarcimento de IPI relativamente ao anocalendário de 2000, nos autos do processo administrativo fiscal n° 10820.001642/200115, distribuído para mim e pautado para julgamento nesta sessão, com os mesmos vícios deste feito. Naquele caso, intimada da constatação de tais vícios, a Recorrente promoveu a regularização, em 08/11/2006, antes mesmo da despacho inicial dado pela autoridade de origem. Momento em que poderia ter regularizado, também, o presente feito. Diante das irregularidades apontadas e da ausência de contestação das irregularidades apontadas, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicada a apreciação das demais questões suscitadas. Eis o voto que me coube redigir. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 586DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.970719/2009-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de restituição/compensação de Cofins, com origem no período de apuração de março de 2008. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em 16/11/2009, em face da não homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 14566.35387.280409.1.3.040574, nos termos do despacho decisório emitido em 07/10/2009 pela Derat Rio de Janeiro (rastreamento nº 848605440). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 70 71 9/ 20 09 -8 5 Fl. 559DF CARF MF Processo nº 15374.970719/200985 Resolução nº 3201001.817 S3C2T1 Fl. 560 2 Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 28/04/2009, a contribuinte indicou um crédito de R$ 128.086,55 (que corresponde a uma parte do pagamento de Cofins – Importação de Serviços, efetuado em 17/04/2008, sob o código 5442, no valor de R$ 230.700,58) para extinguir débitos de sua responsabilidade no valor total de R$ 116.023,11. Segundo o despacho decisório, cientificado em 20/10/2009, a compensação não foi homologada porque o pagamento indicado como indevido (que foi localizado) encontravase totalmente alocado ao débito de Cofins – Importação de Serviços (cód 5442) do período de apuração “17/04/2008”. Na manifestação apresentada a contribuinte discorre resumidamente sobre os fatos e diz que o valor foi recolhido erroneamente pois corresponderia, na realidade, à locação de equipamentos no exterior. Diz estar juntando cópia do contrato de câmbio, planilha com o cálculo da contribuição e cópia “das invoices” que geraram o pagamento indevido. A seguir, salienta que a IN SRF nº 320, de 2003, trouxe novas regras para a apresentação de pedidos de compensação e que a IN RFB nº 900, de 2008, prevê o respectivo direito. Insiste que não houve serviço, mas locação de equipamentos (“que não se enquadra como fato gerador”), e que o valor indevidamente recolhido deve ser devolvido com o acréscimo de taxa Selic. Informa que apresentou DCTF retificadora e pede o acolhimento de sua manifestação com a consequente homologação da compensação. Em 13/01/2017, consoante despacho de fl. 97, o processo foi encaminhado para esta DRJ em Curitiba, para análise e julgamento. É o relatório. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/CTA n.º 06 58.871, de 26/04/2017 (fls. 98 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 17/04/2008 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. A alegação do direito desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período e, ainda, de documentos que comprovem inequivocamente tanto a celebração de contratos de locação de equipamentos, quanto os pagamentos correspondentes, não é suficiente para demonstrar que determinados valores foram indevidamente incluídos na base de cálculo da contribuição. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 15374.970719/200985 Resolução nº 3201001.817 S3C2T1 Fl. 561 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, o recurso voluntário de fls. 144 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, alega, em síntese: Nulidade Há nulidade do Despacho Decisório, ao se negar o direito sem maior análise do direito creditório. É nulo o acórdão recorrido, pois houve mudança de critério jurídico, uma vez que se destacou que não se poderia homologar a compensação, ao fundamento de que não havia prova suficiente que demonstrasse o pagamento indevido. Mérito Acostou todos os documentos necessários à comprovação do crédito (comprovante de pagamento, planilha com a composição da base de cálculo, notas fiscais de locação de equipamentos e contrato de câmbio, através do qual remetidos valores ao exterior para o pagamento das locações). Para que não pairem dúvidas, acosta os livros e documentos contábeis que demonstram a composição da base de cálculo do tributo e cópia do contrato de locação firmado com a empresa estrangeira. Não se pode desconsiderar a retificação, apenas pelo fato de ter não sido realizada no momento oportuno. Por meio da petição de fls. 519/520, a Recorrente requer a juntada de contrato firmado com a empresa Southern Shlumberger S/A, com base no qual efetuou as remessas ao exterior. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente teve indeferido pedido eletrônico de restituição de crédito decorrente de pagamento a maior do PIS/Cofins, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando saldo disponível para a restituição requerida. Contestada a decisão, a DRJ julgoua improcedente. E fêlo, no nosso entender, com a devida vênia, equivocadamente. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 15374.970719/200985 Resolução nº 3201001.817 S3C2T1 Fl. 562 4 Não porque havia prova suficiente para o deferimento do pleito, mas porque havia indício bastante para ao menos baixar os autos em diligência, a fim de dirimir a dúvida que a própria DRJ suscitou. Vejam o que constou do voto do acórdão recorrido: No caso em questão, para comprovar o seu direito a contribuinte apresentou cópia de demonstrativos, de faturas (invoices) emitidas por empresa situada em Montevidéu – Uruguai (com informações não preenchidas no vernáculo), de contrato de câmbio e de DCTF. Analisandose a documentação apresentada – devendose ressaltar que os contratos (traduzidos para o vernáculo) relativos às alegadas locações não foram apresentados – resta claro que, embora a contribuinte alegue possuir o crédito, não comprovou inequivocamente a sua liquidez e certeza. De fato, os documentos apresentados, desacompanhados da escrituração contábil e, também, dos contratos firmados com o alegado locador internacional, até trazem indícios de que houve uma operação de câmbio (tendo como recebedora a mesma empresa emitente das faturas ou “invoices” constantes dos autos), mas tais indícios de modo algum comprovam a locação informada, desautorizando, assim, qualquer decisão diversa da que já foi tomada, ou seja, de que a confissão originalmente realizada em 08/05/2008, com a transmissão da DCTF, está correta, estando correto também o despacho decisório questionado. Cabe ressaltar que as invoices referidas trazem a informação, embora não no vernáculo, de tratarse de aluguel, não de importação de serviços. Pelo exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise os documentos acostados aos autos pela Recorrente, inclusive ao Recurso Voluntário. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 562DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.914210/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 23/04/2007
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior.
DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE.
Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, ou comprovar o erro material em sua retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas.
VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES.
Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi-lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal.
Numero da decisão: 2201-004.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício)
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 23/04/2007 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, ou comprovar o erro material em sua retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi-lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício) (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, ou comprovar o erro material em sua retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 42 10 /2 00 9- 81 Fl. 215DF CARF MF 2 Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício) (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório 1 Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 76/81) por sua precisão: 1. O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 23 a 28 (PER/DCOMP nº 10140.67389.240507.1.3.040553), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF (cód. receita 5286) relativo ao pagamento efetuado em 23/04/2007. 2. Pelo Despacho Decisório de fls. 20 o contribuinte foi cientificado, em 19/10/2009 (fls. 73), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Tendo sido o pagamento vinculado ao débito de IRRF, declarado em DCTF (período de apuração 23/04/2007). 3. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 25.483,38). 4. Irresignado, o contribuinte apresentou, em 17/11/2009, a Manifestação de Inconformidade de fls. 02 e 10, informando e alegando, em suma, o seguinte: 4.1 O pagamento a maior de IRRF, código 5286, foi gerado pois o manifestante efetuou retenção a maior de imposto de renda da empresa "LOMBARD ODIER DARIER HENTSCH", ocasionado por aplicação de alíquota de 15% sobre rendimentos apurados em aplicação em cotas do Fundo Dynamo Cougar, quando a correta seria 10%. A diferença gerou um imposto retido a maior no montante de R$ 22.355,80. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 16327.914210/200981 Acórdão n.º 2201004.984 S2C2T1 Fl. 202 3 4.2 O cotista supra citado está situado na Suiça e o fundo é de ações, de forma que, pelo inciso I do artigo 39 da IN 25/01 e por não estar o citado país na lista da IN 188/02, a alíquota a ser aplicada seria mesmo de 10%. 4.3 Houve devolução da quantia retida indevidamente ao cliente e o recolhimento indevido foi feito, juntamente com outras retenções, no DARF de R$ 253.984,83. 4.4 O principio da legalidade (150, I da CF) veda a cobrança de tributos sem previsão legal e pelo principio da verdade material a consequência tributária somente ocorrerá se o evento efetivamente se verificar no plano fenomênico. No presente caso não ocorreram as circunstâncias que a própria lei estabelece como necessárias a gerar incidência tributária. O que ocorreu foi equívoco no preenchimento da DCTF, onde o manifestante informou no campo "débito apurado" valor maior do que o devido. Erro esse prontamente retificado (doc. 11). O Conselho de Contribuintes decidiu reiteradamente em 3 favor dos contribuintes no tocante ao "erro de fato", conforme se depreende das ementas colacionadas. 4.5 Por todo o exposto requer seja julgada procedente a manifestação de inconformidade para que: (i) sejam homologadas compensações atreladas ao presente processo e (ii) sejam efetuadas diligências para comprovação das alegações antes mencionadas. 2 A manifestação de inconformidade do contribuinte foi julgada improcedente de acordo com decisão da DRJ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 23/04/2007 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Considerase não formulado o pedido de diligências quando não forem cumpridos os requisitos estabelecidos na legislação tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 217DF CARF MF 4 03 – Seguiuse recurso voluntário do contribuinte às fls. 90/103. É o relatório do necessário. Voto Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 Conheço do recurso. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. 5 Não verifico razões para a reforma do julgado, que se baseou nos elementos de prova juntados pelo contribuinte que teve assegurado o devido processo legal e contraditório, inclusive podendo ter juntado novos documentos na época para comprovar a existência do direito creditório. 6 No presente caso, o Despacho Decisório não homologou a compensação em razão de o crédito a ser compensado estar alocado como pagamento de débito confessado na DCTF original. Após a emissão do Despacho Decisório, a DCTF foi retificada para se excluir tal débito e se caracterizar o recolhimento em questão como indevido/a maior. 7 A apresentação de DCTF constituise em obrigação acessória. Entretanto, uma vez apresentada, o contribuinte comunica a existência de crédito tributário, confessando a dívida (DecretoLei n° 2.124, de 1984, art. 5°, § 1°)1. Destarte, o Despacho Decisório foi validamente emitido, eis que havia débito confessado correspondente ao valor recolhido em DARF. Resta perquirir se sua eficácia permanece, em face da posterior retificação da DCTF. 8 Ao apresentar a DCTF retificadora após a emissão do Despacho Decisório, o contribuinte pretende corrigir pretenso erro de preenchimento da DCTF original, conforme expressamente consignado na manifestação de inconformidade e nas razões do recurso. 9 A simples apresentação das DCTFs original e retificadora, ainda que acompanhadas de DARF, não se constitui em prova do alegado erro de fato. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero Fl. 218DF CARF MF Processo nº 16327.914210/200981 Acórdão n.º 2201004.984 S2C2T1 Fl. 203 5 exame das DCTFs (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II2; e IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §2°, III). 10 A alegação de erro de fato nessa instância recursal, no caso, deve vir acompanhada de documentos incontestes quanto a esse fato, posto que tais oportunidades de esclarecimentos e juntada de novos documentos que comprovam a veracidade das razões recursais, o foram analisadas quando do julgamento de primeiro grau constatando a não comprovação do alegado direito pelo contribuinte. 11 Alega o contribuinte em seu recurso: 12 Contudo, entendo que os documentos juntados e reproduzidos também em recurso voluntário foram devidamente analisados pela instância a quo, como bem evidenciado pela decisão de piso no qual tomo como razões de decidir, verbis: 7. Na peça recursal ora em análise, o manifestante alega que o valor de R$ 22.355,80 foi indevidamente retido do cliente "LOMBARD ODIER DARIER HENTSCH", uma vez que por se tratar de rendimentos decorrentes de investimento realizado em fundo de ações e ser o cotista residente na Suiça, a alíquota do imposto de renda a ser aplicada deveria ser de 10% e não 15% como utilizada para o cálculo do IR anteriormente declarado e recolhido. Para a comprovação do alegado erro juntase a planilha de fls. 31 com o cálculo incorreto e a de fls. 33 com aquele supostamente correto, além de documentos a comprovar a residência do citado cliente na Suiça, cópia do regulamento do Fl. 219DF CARF MF 6 mencionado fundo, extratos bancários a comprovar a devolução dos valores ao cliente e cópia da conta que informa o IR a compensar. 7.1 Analisando os documentos apresentados há que fazer as seguintes considerações: I) De fato, os documentos de fls. 35 a 42, demonstram estar o cliente "LOMBARD ODIER DARIER HENTSCH" estabelecido na Suiça e o regulamento do fundo Dynamo Cougar revela ser o mesmo destinado a investimentos em ação, estando, portanto seus rendimentos sujeitos à alíquota de 10%, conforme o disposto no inciso I do artigo 39 da IN SRF 25/01. II) As planilhas de fls. 31 e 33 apontam uma diferença de R$ 22.355,74 no cálculo do IR ocasionado pela diferença de alíquota. III) Os extratos de fls. 50 a 54, indicam que realmente houve a retenção e a devolução dos valores mencionados, considerando que no valor de R$ 558.024,20, lançado a título de "estornos de tarifas", estão contidos, além dos valores referentes a este processo, também aqueles constantes nos processos 16327.914211/200925 e 16327.914212/200970. 7.2 Em que pese as verificações acima, faltou ao manifestante demonstrar ser mesmo o imposto retido referente a rendimentos do Fundo Dynamo Cougar, auferido pelo cliente " LOMBARD ODIER DARIER HENTSCH". As planilhas de fls. 31 e 33, desacompanhadas de outros elementos que lhe confiram certeza, não são bastantes para tal comprovação. O interessado não anexou qualquer documento que mostrasse ser o mencionado cliente cotista do referido Fundo de Ações e tampouco evidenciou , por meio de extratos, quais teriam sido os rendimentos que serviram para o cálculo do IR, restando assim ilíquido e incerto o direito creditório pleiteado. 7.2.1 Além disso, o contribuinte também não comprovou estar o pagamento a maior inserido no DARF de R$ 253.984,83. Nota se que no documento de fls. 58 existem apenas anotações que apontam a existência de imposto a recolher e de recolhimento nos valores mencionados, no entanto não há indicação de qualquer relação existente entre tais valores. Quais teriam sido os outros valores de IR que, juntamente com o do crédito aqui pleiteado, estaria compondo o DARF de R$ 253.984,83? 13 Cabe, portanto, à Recorrente, a demonstração da origem e liquidez de seu crédito pleiteado. A Recorrente trouxe aos autos, em seu recurso voluntário, e na manifestação de inconformidade documentos que parece não ter a menor pertinência para o deslinde da causa para respaldar a origem e formação do seu crédito. No entanto, caberia à Recorrente realizar uma conciliação com a escrita fiscal e contábil, que, aliás, foi apresentada de forma insuficiente, com vistas a esclarecer os fatos de seu interesse e respaldar o direito de seu pedido. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 16327.914210/200981 Acórdão n.º 2201004.984 S2C2T1 Fl. 204 7 14 No entanto, em que pese a Recorrente ressaltar em seu Recurso Voluntário que os documentos juntados aos autos atestam, de forma inquestionável, a restituição pleiteada em seu pedido, o que se tem, na verdade, é um simples demonstrativo de cálculo, o valor do recolhimento e o crédito objeto do pedido de restituição/compensação. Estes demonstrativos não possui força probatória isoladamente, desacompanhada de outros documentos oficiais, como registros contábeis e fiscais. 15 Nem mesmo diligência fiscal poderia esclarecer e confirmar a existência do crédito pleiteado. É de total interesse da Recorrente, em casos de pedidos de ressarcimento e compensação, o esclarecimento e a prova de seu crédito. Apenas apresentar documentos aleatórios sem nenhum critério de conexão, como por exemplo o livro razão de uma única conta contábil, que não se mostra suficiente para a causa, ou invocar a verdade material para afirmar que é dever da fiscalização analisar a documentação e conferir com a DCTF retificada não são suficientes para evidenciar a liquidez e certeza de seu crédito. 16 É assente o entendimento de que, nos pedidos de restituição e compensação, o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa e nesse ponto, adoto como razões de decidir excerto dessa Turma da lavra do I. Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC. 2201 004.437 j. 04/04/18, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (...) omissis Fl. 221DF CARF MF 8 Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário provalo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 16327.914210/200981 Acórdão n.º 2201004.984 S2C2T1 Fl. 205 9 Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. (...) 17 Quanto a questão da diligência e perquirição de provas e aplicação do princípio da busca da verdade material, tomo como razões de decidir parte do Voto do I. Conselheiro Orlando Rutigliani Berri no Ac. 3001000.545 j. 17/10/2018, verbis: Mais, que analisados os pretensos elementos de prova carreados aos presentes autos, verificouse que se mostraram insuficientes para comprovar o direito creditório alegado. Diante destas constatações e o que dos autos consta, aí também aliado aos corretos fundamentos da decisão recorrida, advogo o entendimento segundo o qual não é papel deste colegiado recursal conceder infindáveis oportunidades para que o contribuinte transponha aos autos documentos e/ou informações que venham confirmar seu direito, digo isto pois entendo que tal concessão importaria em desrespeito aos prazos estabelecidos na legislação processual de regência, como vimos anteriormente. Prosseguindo um pouco mais, podese dize ainda que é comezinho a obrigação do sujeito passivo, desde a feitura de seu pleito reivindicatório, passando pela sua manifestação de inconformidade, municiar sua pretensão em documentos hábeis suficientes para evidenciar a liquidez e certeza do crédito tributário cuja restituição postula. Por isso, e não por outra razão, é que a legislação impõe ao contribuinte o dever de demonstrar sua liquidez e certeza. De outra forma dizendo, é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária tal mister. Desta feita, não se pode, sob o pálio da "verdade material" suplantar toda e qualquer regra processual aplicável ao processo administrativo fiscal federal a fim de, ao arrepio, dentre outros, do princípio da isonomia, permitir seja desbancada a competência originária da autoridade fiscal ou mesmo do colegiado recorrido, para fins de substituir tarefa que competia ao sujeito passivo, seja espontaneamente ou mesmo depois de provocado, em face das sucessivas rejeições da sua pretensão. Portanto, não é correto afirmar que a aventada a menor rigidez dos prazos para a produção de prova tenha o condão de sobrepujar determinadas regras, vez que o primado da "verdade material", na medida em que autoriza o julgador apreciar provas e/ou indícios não contemplados pela instância a quo, impõe que estas tenham sido produzidas no momento oportuno, o Fl. 223DF CARF MF 10 que não se observa nestes autos, uma vez que não foram produzidas. omissis Ultrapassada a contextualização fático, esclareço, por oportuno que este colegiado, atento à hodierna tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para o fim de acolher provas apresentadas nesta instância recursal, entende que para aplicarse tais regras, o comportamento do sujeito passivo é determinante. Melhor dizendo, estando o contribuinte, como é o caso em apreço, ciente dos motivos pelos quais os elementos de prova coligidos aos autos não foram considerados hábeis e suficientes para seu desiderato, era seu o dever demonstrar que envidou o esforço no sentido de sanar as lacunas probatórias aventadas na decisão recorrida. No entanto, o recorrente, ao manter se fiel à linha argumentativa, mesmo sabedor que o fundamento da decisão recorrida assentouse na ausência de documentos que corroborassem sua pretensão, preferiu agir de forma não proativa, ao deixar de se empenhar em provar o direito que alega possuir, impedindo, in totum, que este julgador aventasse, quiçá, a hipótese de conversão deste julgamento em diligência, com supedâneo no novel princípio da cooperação, que atualmente tem redação implementada pelo artigo 6º da Lei nº 13.105, de 16.03.2015 Novo Código de Processo Civil, que afirma que "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva". Em suma, constatase que no caso destes autos, o alegado indébito não foi correta e suficientemente demonstrado e provado. Conclusão 18 Diante do exposto, conheço do recurso e NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 224DF CARF MF Processo nº 16327.914210/200981 Acórdão n.º 2201004.984 S2C2T1 Fl. 206 11 Fl. 225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721129/2012-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDO DE PESSOA JURÍDICA.
Deve ser mantido o lançamento quando verificada a ocorrência de omissão de rendimento recebido de pessoa jurídica na Declaração de Ajuste Anual.
RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA.
Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira em relação aos quais o titular, pessoa física regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2402-007.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDO DE PESSOA JURÍDICA. Deve ser mantido o lançamento quando verificada a ocorrência de omissão de rendimento recebido de pessoa jurídica na Declaração de Ajuste Anual. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira em relação aos quais o titular, pessoa física regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
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Deve ser mantido o lançamento quando verificada a ocorrência de omissão de rendimento recebido de pessoa jurídica na Declaração de Ajuste Anual. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira em relação aos quais o titular, pessoa física regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 11 29 /2 01 2- 25 Fl. 441DF CARF MF Processo nº 19515.721129/201225 Acórdão n.º 2402007.059 S2C4T2 Fl. 442 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de n° 1057.199 8ª Turma da DRJ/POA, com o seguinte dispositivo: A) Acordam os membros da 8ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação apresentada. B) Vencida a relatora e o julgador Elser Volnei Diogo no tocante à aceitação da prova apresentada, quanto à origem do depósito bancário no Banco BRADESCO S.A (R$ 1.000.000,00), mantendo em parte o crédito tributário, pelo voto qualificado do presidente. C) O Presidente designou como relator, para proferir o voto vencedor, o julgador Ricardo Noé Bretin Mello. Considerando que a pretensão da recorrente foi parcialmente acolhida, o processo seguirá apenas com relação à discussão da parte em que foi vencida. Nessa linha, por bem descrever os fatos, peço vênia para reproduzir o relatório constante do recurso voluntário de fls. 406/408, que abaixo reproduzo: Tratase de Auto de Infração lavrado em função de fiscalização promovida por meio do mandado de procedimento fiscal de n.° 08.1.90.00 2010021930, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF, referente ao ano calendário de 2007 (conforme fls.02). Nos autos do aludido Mandado de Procedimento Fiscal, a Contribuinte, ora Recorrente, intimada para apresentar, relativamente ao ano de 2007, os extratos bancários de contas correntes, aplicações financeiras e cadernetas de poupança das contas mantidas perante as Instituições Financeiras Banco UBS S/A e Banco Bradesco S/A, ofertou, regularmente, à fiscalização, os documentos requisitados. Apresentados os documentos requisitados, a Recorrente foi intimada para que comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, as origens de todos os depósitos efetuados, ao longo do ano de 2007, em suas contas bancárias, mantidas junto às aludidas instituições bancárias. Fl. 442DF CARF MF Processo nº 19515.721129/201225 Acórdão n.º 2402007.059 S2C4T2 Fl. 443 3 Após extensa pesquisa efetuada pela Recorrente, a mesma prestou, regularmente, os esclarecimentos pertinentes, apresentando a documentação demonstrativa da origem da grande maioria dos depósitos constantes de seus extratos bancários (fls. 35/165) Todavia, embora tenha sido dado total cumprimento às intimações expedidas nos autos do Mandado de Procedimento Fiscal de que se trata, a autoridade fiscal, concluindo os trabalhos de fiscalização, surpreendentemente constituiu crédito tributário, no montante principal de R$ 732.446,62, o qual, acrescido de multa e juros de mora, totalizou um crédito tributário no valor de R$ 1.585.234,21, à título de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física IRPF, referente ao ano calendário de 2007 (fls. 275/280). Inconformada com os diversos vícios contidos no auto de infração em questão, a ora Recorrente apresentou, tempestivamente, defesa administrativa, acostada às fls. 284/306, acompanhada de documentos comprobatórios, juntados às fls. 307/376, logrando demonstrar, em síntese, que: i) a fiscalização considerou ter ocorrido omissão de rendimentos, tributando, com fundamento no Art. 42 da Lei n.° 9.430/96, meras entradas financeiras, constantes dos extratos bancários da contribuinte, eivando de nulidade a autuação em questão; ii) embora a contribuinte, ora Recorrente, tenha comprovado a origem de tais depósitos, a documentação apresentada não foi tomada em consideração pela fiscalização, que procedeu à tributação de valores que não são abrangidos pela hipótese de incidência do Imposto de Renda. Posteriormente, adveio o v. acórdão de n.° 1057.199, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre — RS, que julgou a Impugnação parcialmente procedente para, reduzindo o montante principal, de R$ 732.446,62 para R$ 452.242,70, manter parte do crédito tributário constituído pelo auto de infração mencionado. Em seu recurso voluntário, a recorrente reproduz seus argumentos apresentados na impugnação e não apresenta novas provas. Sem contrarrazões ou recurso de oficio. É o relatório. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 19515.721129/201225 Acórdão n.º 2402007.059 S2C4T2 Fl. 444 4 Voto Conselheira Renata Toratti Cassini Relatora O recurso é tempestivo e foram preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, pelo que deve ser conhecido. Considerando que o recurso voluntário em questão apenas reproduziu os argumentos apresentados em sede de impugnação, tendo em vista o que dispõe o art. 57, §3º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto, como razões de decidir, os fundamentos da decisão de primeira instância, que reproduzo abaixo, com os quais estou de pleno acordo: Voto Vencido em Parte: A impugnante alegou, em preliminar, ser ilegal e conseqüentemente nula a presente autuação em razão de conter vícios. Afirmou ter a fiscalização fundamentado a omissão de rendimentos apurada de forma equivocada tendo por base o disposto no art. 42, da Lei 9.430/96. Segundo afirmou os valores apontados se referem “a meras entradas financeiras constantes nos seus extratos bancários”. Conforme observo, no presente caso, inexistem de vícios/ilegalidades apontados na defesa que possam levar à nulidade do lançamento, eis que foram atendidos todos os requisitos previstos nos incisos I a IV, e parágrafo único do art. 11, do Decreto nº 70.235/72. Ademais, as hipóteses de nulidade estão previstas nos incisos I e II do art. 59 do mesmo Decreto e são as seguintes: Art. 59. São nulos: a) Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente. b) Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Analisandose as peças que compõem o processo constato a não ocorrência de nenhuma dessas hipóteses. E, ainda, a presente autuação contém a qualificação do autuado, o local, a data e a hora da lavratura, a descrição dos fatos, o valor do crédito tributário, a disposição legal infringida e a intimação para cumprila ou impugnála, no prazo de trinta dias. Perfeitamente se mostram atendidos os princípios constitucionais da legalidade, da ampla defesa e do contraditório. Registro que as diversas situações apontadas pela autuada na defesa, não constituem causa de nulidade da Fl. 444DF CARF MF Processo nº 19515.721129/201225 Acórdão n.º 2402007.059 S2C4T2 Fl. 445 5 presente autuação por falta de definição legal. Preliminar rejeitada. A autuada alegou incompatibilidade do conceito de renda com a tributação efetuada, com base em extratos bancários. Observou que “a partir das limitações impostas pelo art. 153, III, da CF/88, e, interpretando o disposto no art. 43 do CTN, se exige um acréscimo patrimonial sem o que não se poderia cogitar da incidência de imposto de renda”. Afirmou, também, que não pode fazer parte da base de cálculo do imposto sobre a renda valores que não representem renda, lucro ou acréscimo patrimonial. A autuada em seu arrazoado buscou caracterizar e fundamentar de forma diversa os fatos motivadores da presente autuação. Há que se referir que a fiscalização no Termo de Verificação Fiscal (fls. 270), ao caracterizar a infração – Depósitos Bancário de origem não comprovada, indicou acertadamente o disposto no art. 42 e seus §§ parágrafos da Lei 9.430/96 e o art. 4º da Lei 9.481/97, a seguir: (Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 DOU de 30.12.96) “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Como se denotan o texto acima, o legislador estabeleceu, a partir da edição da Lei n° 9.430/1996, uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o contribuinte comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos da pessoa física. Há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais – o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. Ao impugnante cabia refutar a presunção contida na lei, pois a previsão legal em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos créditos bancários. Via de regra, para caracterizar a ocorrência do fato gerador, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador, as chamadas presunções legais, a produção de tais provas é dispensada. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 19515.721129/201225 Acórdão n.º 2402007.059 S2C4T2 Fl. 446 6 Assim dispõe o Código de Processo Civil nos artigos 333 e 334: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. (...) Verificase no texto legal que a tributação por meio de depósitos bancários deriva de presunção de renda legalmente estabelecida. Tratase, por outro lado, de presunção relativa que pode a qualquer momento ser afastada mediante prova em contrário, cabendo ao contribuinte, sua produção. Diante do indício de omissão de rendimentos detectado por meio de depósitos de origem não comprovada objeto da autuação em tela, operouse a inversão do ônus da prova, cabendo ao interessado, a partir de então, provar a inocorrência do fato ou justificar sua existência. Por oportuno, cumpre notar que essa matéria é objeto de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, publicadas, no DOU de 22/12/2009 (Seção 1, págs. 70 a 72), a saber: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Conforme verifico, a fiscalização demonstrou que somente foram objeto do presente lançamento os valores de depósitos bancários no ano calendário 2007, para os quais a autuada deixou de comprovar a sua procedência mediante a apresentação de provas, ou por ter apresentado de forma deficiente. Convém referir que, a própria autuada na defesa apresentada, na alínea “d”, intitulada de “A idoneidade dos contratos de mútuo firmados pela contribuinte e o erro na apreciação dos elementos probatórios” reconheceu ter a fiscalização considerado quase a totalidade dos ingressos havidos nas suas contas bancárias, nos seguintes termos: “a fiscalização efetivamente reconheceu que quase a totalidade dos ingressos, havidos nas contas bancárias da contribuinte, se originou de contrato de mútuo, considerando não tributável, o montante de R$ 13.032.864,10” Assim agindo, constato que a fiscalização nada mais fez do que efetuar o lançamento dos valores cuja origem não ficou comprovada, enquadrados na definição legal Fl. 446DF CARF MF Processo nº 19515.721129/201225 Acórdão n.º 2402007.059 S2C4T2 Fl. 447 7 do art. 42, da Lei 9.430/96 No tocante à alegação contida na defesa acerca dos valores serem “insignificantes”, ficou evidenciado que se referem a depósitos para os quais a contribuinte não apresentou justificativas. E, ainda, que foram “somente considerados como omissão de rendimentos os depósitos não justificados de valor individual igual ou superior a R$ 12.000,00, ou os de valores inferiores a R$ 12.000,00 cujo montante anual for igual ou superior a R$ 80.000,00”. Observo que no demonstrativo intitulado “Omissão de Rendimentos –Valores Tributáveis” (fls. 271), no Termo de Verificação Fiscal, efetivamente foram apurados nos meses de maio a novembro de 2007, valores considerados insignificantes, mas cujo montante anual, desses depósitos não comprovados, ultrapassam em muito o limite legal de R$ 80.000,00. Assim o argumento apresentado na defesa de que foram apurados valores de R$ 145,00 em 09/04/07; R$ 383,00 em 25/04/07; R$ 670,00 em 01/03/07 e R$ 276,00 em 29/03/07, em razão do rigor excessivo da fiscalização não se sustenta posto que o somatório dos valores no ano em questão foi superior ao limite legal. A autorização para a tributação dos valores citado no Termo de Verificação Fiscal reside no disposto no art. 4º, da Lei 9.481/97. Não merecendo reparo a presente autuação neste sentido. No item 11.2.1, na alínea “a”, no subtítulo “a tributação de meras transferências de numerário havidas entre contas correntes”, a autuada alegou que o depósito bancário no valor de R$ 1.000.000,00, realizado em 12/01/2007, para crédito na conta corrente nº 31038, da Ag. 2375, do Banco Bradesco S/A originouse de movimentação bancária entre contas de sua titularidade. E, ainda, que o valor foi depositado pela própria contribuinte, não tendo a fiscalização dispensado o mesmo tratamento dado a outros depósitos. Informou estar apresentando o doc. 07, que no seu entendimento demonstra que o citado depósito, creditado em 12/01/2007, na conta 31038 do Banco Bradesco, partiu da conta nº 13075, Agência nº 001, mantida pela autuada no Banco UBS S/A (atual BTG Pactual). No tocante ao documento indicado na defesa (nº 07), de fls. 348 (cópia), entendo não ser suficiente para comprovar a transferência de valores entre contas que informou ser de sua titularidade. O documento intitulado Relatório de Lançamentos, conforme verifico, não identificou o banco responsável pela informação nele contida. Observo que, poderia a autuada, se tivesse interesse, ter apresentado extrato bancário do banco de onde se originou o depósito do período do citado, o que demonstraria a efetividade da operação. Assim, por entender ser insuficiente a prova apresentada para comprovar a transferência entre contas, mantenho o valor na forma lançada. No tocante às alíneas “b” “c” intituladas de “A idoneidade dos contratos de mútuo firmados pela contribuinte” e “A tributação de ingressos havidos a titulo de mútuo” – A autuada alegou erro Fl. 447DF CARF MF Processo nº 19515.721129/201225 Acórdão n.º 2402007.059 S2C4T2 Fl. 448 8 na apreciação dos elementos probatórios. Segundo afirmou, diversos depósitos bancários cuja justificação de origem restou determinada à contribuinte, se originaram de contrato de mútuo firmados com seu falecido esposo. Porém, contrariando sua afirmação quanto ao erro, admitiu ter “a fiscalização efetivamente reconhecido quase a totalidade dos ingressos havidos nas suas contas bancárias como originados dos Contratos de Mútuo, considerando não tributável o montante de R$ 13.032.864,10”. (g.n) Alegou, também, que a fiscalização entendeu por bem considerar que os depósitos de R$ 236.365,08 e RS 117.105,17, realizados em 17/07/07 e 19/06/07, respectivamente, não teriam se originado do mútuo, por suposta divergência entre o valor depositado e o previsto no contrato. E, que pesquisando em seus arquivos localizou a cópia do cheque relativo ao depósito de RS 117.105,17, realizado em 19/07/07, o documento demonstra que tais valores foram recebidos a título de mútuo, da mesma forma que os demais depósitos assim reconhecidos pela fiscalização (doc. 09). Conforme verifico, a cópia do cheque de n. 000006IT, no valor de R$ 117.105,17 (às fls. 352), emitido pela empresa Cyrela Évora Empreendimentos Imobiliários Ltda. em 19/07/2007, teve como beneficiário Francisco Antônio Maria Sebastiano Matarazzo (esposo da autuada). Juntamente com este cheque foram apresentados, também, três cheques nominais a Francisco Antonio Maria Sebastiano Matarazzo todos no valor de R$ 117.105,17, números 00007IT, 00008IT e 00009IT (fls. 353), todos de Cyrela Évora Empreendimentos Imobiliários Ltda. O valor total dos cheques importou em R$ 468.428,68 (R$ 117.105,17 X 04 cheques) que é coincidente com o valor do Contrato de Mútuo, identificado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 267) como de número 12. A autuada apresentou também cópia do comprovante do depósito ocorrido em 19/06/2007. O valor foi considerado comprovado sendo afastado da tributação na presente autuação. Fica mantido o valor de R$ 236.365,08, que embora a autuada tenha afirmado tratarse do mútuo em questão, nada foi comprovado. Repiso o fato de que os quatro cheques apresentados de R$ 117.105,17, perfazem o total de R$ 468.428,68, valor pactuado no Contrato de Mútuo número 12 do Termo de Verificação Fiscal. Relativamente à infração apontada no lançamento como omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, identificada na alínea “c” e no item II, sob o título de Valores recebidos da empresa Pillar Empreendimentos Ltda., a autuada alegou ter sido desconsiderada a documentação apresentada. E, ainda, afirmou que os valores recebidos no montante de R$ 480.000,00, não se amoldam no conceito de renda, não se caracterizando como riqueza nova, mas mera devolução do patrimônio que já lhe pertencia. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 19515.721129/201225 Acórdão n.º 2402007.059 S2C4T2 Fl. 449 9 Segundo referiu, conforme contrato já apresentado (doc.12), em 22/09/2004, se subrogou na titularidade de crédito detido pela empresa Ponte Alta Empreendimentos Imobiliários Ltda., com a empresa Pillar Empreendimentos Ltda., no montante de RS 701.044,48, conforme item IV, do Instrumento Particular de Cessão do Direitos (doc. 13). Observou que o valor de RS 701.044,48, havia sido pago em abril de 2001, pela empresa Ponte Alta Emp. Imobiliários Ltda. à empresa Pillar Emp. Ltda., a título de reembolso de despesas incorridas pela última em empreendimento imobiliário. A autuada afirmou que desde 22/09/2004, passou a titularizar investimentos na empresa Pillar Emp.Ltda., devidamente informados em sua Declaração de Ajuste Anual (Declaração de Bens e Direitos), que indicou em 31/12/2006, investimento de RS 734.159,44, na empresa Pillar Emp.Ltda. (doc. 14). Entende que a devolução de valores por parte da empresa no ano de 2007, não pode ser considerada riqueza nova, não sendo passível de tributação. Destacou também que relativamente à baixa do investimento mantido na empresa Pillar, ou ainda, na contabilidade da desta, ao emitir recibos indicando "retirada/antecipação para sócio", não pode, como pretendeu a fiscalização, servir de fundamento para a tributação. Diferente do argumento apresentado verifico que não assiste razão à autuada. Há que ser destacado que a contribuinte e a empresa Pillar Emp. Ltda, responsável pelo pagamento de R$ 40.000,00, mensais durante o ano de 2007 à autuada, apresentaram durante o procedimento fiscal justificativas diversas, quanto aos pagamentos. Primeiramente foi caracterizado como retiradas ou antecipações, posteriormente, como devoluções de valores fruto de investimento. Conforme verifico não ficou comprovado nos autos, por meio de documentação hábil e idônea que os valores recebidos mensalmente (R$ 40.000,00) estavam isentos de tributação, ou, ainda, que já haviam sido tributados anteriormente. Constato não ter sido apresentado pela autuada argumento ou novos elementos de prova que permitisse concluir que os valores pagos pela empresa Pillar Empreendimentos Ltda. estavam isentos de tributação. Observo que a fiscalização efetuou uma linha de tempo no Termo de Verificação Fiscal, no tocante aos fatos ocorridos em 2007 relativamente ao recebimento de tais valores, com base nos documentos apresentados. Concluiu que “ a origem dos recursos está justificada, mas em face das divergências entre as informações prestadas pela autuada e pela empresa Pillar Empreendimentos Ltda, não ficou comprovado que os valores estavam isentos de tributação. Assim referiu; “ A contribuinte alega que o valor recebido referese à retirada/ antecipação a sócio. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 19515.721129/201225 Acórdão n.º 2402007.059 S2C4T2 Fl. 450 10 A empresa Pillar, primeiramente alega ser referente 3 retirada de sócio e posteriormente, alega ser devolução de capital aportado.” Em face das divergências de informações constatadas pela fiscalização e da ausência de elementos que modificassem o entendimento apresentado, considero que não ficou comprovado que os valores recebidos não estariam sujeitos a tributação. Portanto, os valores recebidos pela autuada da empresa Pillar Empreendimentos Ltda, devem ser mantidos como omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica. Os fundamentos legais da exigência encontramse identificados na autuação. Destaco que por ocasião da defesa não foram apresentados argumentos ou elementos de provas que modificassem o entendimento apresentado pela fiscalização A seguir consta o demonstrativo de apuração com o cálculo do imposto devido: Quanto à jurisprudência administrativa/judicial trazida pelo interessado, mesmo que proferida pelos órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Estas decisões não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente são aplicadas sobre a questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. À autoridade administrativa (lançadora ou julgadora) incumbe a observância das normas legais, em obediência ao princípio da legalidade. (...) Voto Vencedor Discordo do voto emitido pela relatora no que concerne a insuficiência do documento da defesa [Documento nº 07 – Relatório de Lançamentos (fl. 348)] para comprovar a Fl. 450DF CARF MF Processo nº 19515.721129/201225 Acórdão n.º 2402007.059 S2C4T2 Fl. 451 11 transferência do valor de R$ 1.000.000,00 (Hum milhão de reais) entre contas da mesma titular (a impugnante), sem, no entanto, divergir do resultado do julgamento proposto de procedência parcial da impugnação com relação aos demais itens do litígio. Considerando os documentos constantes do processo, que: 1) A impugnante declarou, em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA)2008 (anocalendário 2007), na ficha Declaração de Bens e Direitos (fls. 07/08), que possui a contacorrente de número 130753 no BANCO UBS S/A nos Estados Unidos (contrato nº 07/12012/01/2007 249). 2) A impugnante declara possuir contacorrente no BANCO BRADESCO S/A, no Brasil. 3) A contribuinte declara, na impugnação, que o depósito realizado em 12/01/07, no valor de R$ 1.000.000,00, na conta corrente nº 31038, do BANCO BRADESCO, partiu da conta de nº 130753, agência nº 001, mantida pela mesma contribuinte, junto ao BANCO UBS S/A (atual BTG PACTUAL). 4) A prova anexada sob título Relatório de Lançamento (fl. 348), descreve claramente uma transferência eletrônica de valores (TED D STR – liquidada) de valor de R$ 1.000.000,00, na data de 12/01/2007, tendo como agência/conta de origem (Ag/Conta Orig.) o número 0001 / 130753 (a conta do banco UBS S/A declarada pela impugnante em sua DAA) e como agência/conta de destino (Ag/Conta Dest.) o número 2375 / 31038 (a conta do BANCO BRADESCO declarada pela impugnante em sua DAA), tendo como pessoa favorecida (Favorecido Doc) a impugnante (SILVIA MARIA A) e como remetente (Contraparte) também a impugnante (SÍLVIA MARIA ARANH). 5) O extrato do BANCO BRADESCO (DOC 25 fl. 43) registra o depósito do valor de R$ 1.000.000,00 em 12/01/2007, na agência 23752 e conta 3.1038, através de Transferência Eletrônica de Valores (TED) (documento nº 6525152), tendo como remetente SÍLVIA MARIA A. MATARAZZO. Entendo que os documentos acima, quando analisados em conjunto, permitem identificar perfeitamente a origem do depósito de R$ 1.000.000,00 (Hum milhão de reais) na conta corrente da impugnante no BANCO BRADESCO (agência 2375 2 e conta 3.1038), como sendo proveniente do BANCO UBS S/A (agência 0001 e conta 130753 declaradas pela contribuinte em sua DAA), e que se trata de uma transferência entre contas da mesma titular (a impugnante). Portanto, a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada no valor de R$ 1.000.000,00 deve ser cancelada, uma vez que a origem do depósito resta comprovada pela impugnante. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 19515.721129/201225 Acórdão n.º 2402007.059 S2C4T2 Fl. 452 12 A seguir consta o demonstrativo de apuração com o novo cálculo do imposto devido:BANCO BRADESCO declarada pela impugnante em sua DAA), tendo como pessoa favorecida (Favorecido Doc) a impugnante (SILVIA MARIA A) e como remetente (Contraparte) também a impugnante (SÍLVIA MARIA ARANH). 5) O extrato do BANCO BRADESCO (DOC 25 fl. 43) registra o depósito do valor de R$ 1.000.000,00 em 12/01/2007, na agência 23752 e conta 3.1038, através de Transferência Eletrônica de Valores (TED) (documento nº 6525152), tendo como remetente SÍLVIA MARIA A. MATARAZZO. Entendo que os documentos acima, quando analisados em conjunto, permitem identificar perfeitamente a origem do depósito de R$ 1.000.000,00 (Hum milhão de reais) na conta corrente da impugnante no BANCO BRADESCO (agência 2375 2 e conta 3.1038), como sendo proveniente do BANCO UBS S/A (agência 0001 e conta 130753 declaradas pela contribuinte em sua DAA), e que se trata de uma transferência entre contas da mesma titular (a impugnante). Portanto, a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada no valor de R$ 1.000.000,00 deve ser cancelada, uma vez que a origem do depósito resta comprovada pela impugnante. A seguir consta o demonstrativo de apuração com o novo cálculo do imposto devido: Portanto, deve ser mantido o crédito tributário no valor de R$ 425.242,70 (principal), com os acréscimos legais cabíveis. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 19515.721129/201225 Acórdão n.º 2402007.059 S2C4T2 Fl. 453 13 Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Fl. 453DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720016/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS.
O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte.
NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO.
Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo.
CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho.
COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA.
As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM.
Concede-se direito a crédito na apuração não-cumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES.
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias.
CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM.
As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda.
FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS.
Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio.
Numero da decisão: 3201-004.831
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratar-se de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeita-se à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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INSUMOS DIVERSOS. Recorrente FERTILIZANTES HERINGER S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO. Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 16 /2 01 2- 18 Fl. 505DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 3 2 vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM. Concedese direito a crédito na apuração nãocumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeitase à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 06047.528 3ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese trechos do relatório da referida decisão: (...) O Auditor Fiscal informa que a fiscalização se iniciou com a ciência do termo de início de fiscalização em 17/01/2012. Tal termo especifica como período fiscalizado o transcorrido entre 01/2007 e 12/2009. Comunica que a contribuinte exerce atividade de industrialização e comercialização de fertilizantes contemplados no capítulo 31 da TIPI, bens cujas receitas de vendas estão sujeitas à alíquota zero do PIS/Pasep e da Cofins. O processo produtivo da empresa está descrito às fls. 983/985 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122. Na sequência, no tópico “FUNDAMENTAÇÃO” disserta sobre a legislação de regência da contribuição em análise, explica a sistemática de creditamento do PIS/Pasep e da Cofins e define o conceito de insumo fornecido pelas Instruções Normativas n°s 247/2002 e 404/2004. Ao fim, informa que, com base na análise da escrituração do sujeito passivo e planilhas de apuração das contribuições e de outros elementos apresentados pela contribuinte, apurou inconsistências nos valores dos créditos pleiteados. Diz que, consequentemente, foram realizados ajustes nos dados do Dacon, adequando o PER ao disciplinado na legislação tributária. No tópico “I – DOS CRÉDITOS PLEITEADOS”, explica que não foram realizadas glosas nas despesas de energia elétrica, serviços de industrialização, depreciação, fretes em operações de venda e locação de prédios, bem como, nas aquisições de embalagens, enxofre e bens para revenda. Em relação à base de cálculo, não foram realizados ajustes. No item “I.1 – DESESTIVA/DESPACHANTE”, relata que o serviço ou o bem adquirido, para ser utilizado no cálculo dos créditos a descontar, deve, necessariamente, ser aplicado ou consumido na Fl. 507DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 5 4 fabricação do produto. Aduz que o conceito de insumo não abrange os serviços de qualquer natureza, de modo que os serviços administrativos, de auditoria, aqueles decorrentes de atividades meio não configuram serviços sujeitos à apuração de créditos de PIS/Pasep e de Cofins. Informa que foram desconsideradas as despesas de despachante e desestiva, visto que estes serviços não se enquadram na definição de insumo, uma vez que não são destinados à área de comercialização dos produtos e não de sua produção. Explica que os valores foram glosados em sua totalidade, nos montantes indicados nas planilhas de fls.974/976 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/201122. No item “I.2 SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explana que a empresa fiscalizada se apropriou de créditos decorrentes de serviços de pintura, de cópia de chaves, de gráficas, serviços gerais, médicos, de confecção de andaimes, de tratamento de efluentes, dentre outros. Narra que a interessada se apropriou também de créditos nas aquisições e no transporte de ferramentas, fusíveis, plugs, materiais para almoxarifado, vestuário dos funcionários, materiais de escritório, utensílios de elevadores, cartuchos de impressora, armários, cadeados, celulares, materiais elétricos, radiadores e baterias para carros, graxas, vale transportes de funcionários, dentro outros. Explica que em outras situações não foi discriminado o serviço ou o produto adquirido. Todos esses bens e serviços foram glosados por não serem considerados insumos do processo produtivo da empresa. Os ajustes foram compilados na “planilha 2” (fls.1.133/1.278 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/2011 22), a qual, conforme explica a autoridade fiscal, “engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens, que, por ausência de previsão legal, não podem ser utilizados para fins de desconto de créditos”. No item “I.3 FRETES SOBRE COMPRAS”, explica que quando o seguro e o frete para a entrega de bens correrem por conta do comprador, por integrarem os custos de aquisição (art. 289, § 1o do RIR/99), eles compõem a base de cálculo do crédito da contribuição. Aduz, porém, que a Lei n° 10.865/2004 redefiniu as condições para o direito ao crédito do PIS/Pasep e da Cofins, ao alterar a redação dos arts. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, ao incluir a seguinte vedação ao direito do crédito no inc. II, do §2º dos citados artigos: “não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”. A autoridade fiscal explica que, com base nessa disposição, os contribuintes não podem descontar créditos de PIS e Cofins decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero e utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. O Auditor Fiscal relata que o inciso I do art. 1º da Lei n° 10.925/2004 reduziu a zero as alíquotas de PIS/Pasep e de Cofins incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado Fl. 508DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 6 5 interno de adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário e suas matériasprimas. Informa que a contribuinte apresentou a relação das notas fiscais referente às despesas com transportes de insumos, discriminando os produtos transportados. Diz que, em quase sua totalidade, os insumos adquiridos estão sujeitos à alíquota zero, pois são matérias primas para a produção de fertilizantes. Entende que se não há previsão legal para apuração de crédito na aquisição de adubos, fertilizantes e suas matériasprimas e se as despesas de frete incorridas para o seu transporte integram o custo de aquisição, logicamente, não poderia ter sido apurado crédito sobre as despesas de frete. Informa que na “planilha 3” discriminou todas as despesas de frete que foram glosadas, na qual também foram incluídas as despesas de fretes sem descrição do produto transportado (fls. 1.279/5.002 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122). Explica, por fim, que foi garantido o aproveitamento de créditos no transporte de ureia, quando adquirida para fins veterinários, visto haver tributação sobre esse insumo. No item “I.4 ARMAZENAGEM”, explica que, intimada a comprovar as despesas realizadas nesta rubrica, a contribuinte informou que se tratavam de armazenagem de insumos adquiridos que, por razões de logística e capacidade de armazenagem interna, eram guardados em armazéns externos. Afirma, todavia, nos termos do inciso IX do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, extensiva ao PIS/Pasep em função do inciso II do art. 15 da mesma lei, que tal crédito é restrito às despesas efetuadas nas operações de vendas e se o ônus for suportado pelo vendedor. Entende que as despesas com armazenagem de insumo ou mercadorias adquiridas para industrialização ou revenda não geram direito ao crédito das contribuições. Diz que tal entendimento é corroborado pelas Soluções de Consulta n° 151/2006 (8a RF), n° 25/2009 (8aRF) e n° 403/2007 (Cosit). Informa que está discriminado na “planilha 4” todas as despesas de armazenagem que foram glosadas (fls. 5.003/5.040 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122). No item “I.5 – ENTRADA BENS P/ REVENDA – URÉIA PECUÁRIA EEMBALAGENS”, relata que no processo administrativo de n° 15586.001201/201048 foi lavrado o Parecer n° 83/2010 e seu respectivo Despacho Decisório, com ciência da contribuinte em 26/11/2010, no qual foi feita a análise do PER de n° 29114.33033.090409.1.1.111732,referente a créditos da Cofins não cumulativa (mercado interno) do 3º trimestre de 2008. Diz que, neste processo, ficou provado que a contribuinte se apropriou indevidamente, neste trimestre, de créditos relativos às aquisições de ureia pecuária e de embalagens correspondentes a períodos anteriores (janeiro de 2005 a Fl. 509DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 7 6 junho de 2008), nos montantes de R$160.094.943,96 e R$ 17.854.396,54, respectivamente. Informa que a contribuinte justificou o procedimento adotado, invocando o art. 16 da Lei n° 11.116/2005, o qual autorizou a compensação e o ressarcimento de créditos de PIS/Pasep e Cofins vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Relata que o Acórdão de n° 1335.523, proferido pela DRJ/RJ2 em 16/06/2011, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendose integralmente o Despacho Decisório proferido. Narra que o entendimento da DRJ foi no sentido de considerar indevida a inclusão na base de cálculo dos créditos os valores de custos, encargos e aquisições que ensejariam a apropriação dos créditos correspondentes, mas que dizem respeito, todavia, não ao 3º trimestre de 2008, mas a trimestres anteriores de apuração. Explica que o procedimento adotado não se restringiu à inclusão em um mesmo PER de créditos originados de períodos anteriores àquele a que se refere, mas cometeu o mesmo erro no Dacon, ao incluir no mês de setembro de 2008 os custos de aquisições de insumos e embalagens originados em meses anteriores (desde janeiro de 2005). Entende que a contribuinte, assim agindo, não promoveu o necessário e regular confronto dos créditos decorrentes de tais operações de meses anteriores de apuração, utilizandoos na dedução da contribuição devida no próprio mês de apuração, em desrespeito ao regime de competência de apuração da contribuição. Por tal razão, as mesmas glosas efetuadas na apuração do saldo de créditos da Cofins foram mantidas na apuração do saldo de créditos de PIS. No tópico “III – RESSARCIMENTO”, explica que os ajustes de créditos realizados, bem como o percentual de rateio utilizado para separar os diferentes tipos de créditos, foram discriminados no “Demonstrativo de Apuração do PIS”, constante às fls.5.041/5.043, bem como no “Demonstrativo de Apuração da Cofins”, constante às fls.5.044/5.046 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/201122. Informa que os créditos vinculados a receitas tributadas no mercado interno foram consumidos antes dos créditos vinculados a receitas não tributadas no mercado interno e antes dos créditos vinculados a receitas de exportação. (...) A autoridade fiscal propôs, ainda, a homologação das Dcomp vinculadas ao PER até o limite do crédito reconhecido por trimestre calendário, por tributo e por tipo de crédito. Com base no Parecer de n° 74/2012, foi emitido Despacho Decisório pelo Delegado da RFB em Vitória/ES, reconhecendo o direito creditório proposto e homologando as compensações vinculadas até o limite do crédito reconhecido. Fl. 510DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 8 7 (...) Cientificada (...), a contribuinte apresentou (...) a manifestação de inconformidade, a seguir sintetizada. No tópico “I DOS FATOS”, explica que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. No tópico “II DO DIREITO”, aduz, preliminarmente, que a manifestação de inconformidade apresentada engloba todos os processos apensados. A seguir, no item “DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIOANTE A AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DA GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS ORIUNDOSDA AQUISIÇÃO DE UREIA E EMBALAGEM PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, aduz que a autoridade fiscal, ao tratar dos créditos extemporâneos de PIS/Pasep e Cofins oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08, se pautou tão somente na análise dos créditos de Cofins, sem, contudo, fundamentar a decisão com relação ao PIS/Pasep. Explica que não há uma ausência absoluta de motivação das glosas realizadas. Diz, todavia, que há latente insuficiência da motivação, decorrente da precariedade da análise realizada, que, em última instância, acabou por inviabilizar o entendimento acerca do trabalho fiscal realizado, prejudicando o direito ao contraditório. Entende ser inquestionável a necessidade de reconhecimento da nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa e do contraditório, haja vista a inexistência de elementos sólidos para definir os motivos específicos das glosas perpetradas em relação aos créditos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem. Argumenta que a indicação específica dos fatos que ensejaram a glosa dos créditos tributários é um dos requisitos de validade das decisões administrativas, conforme se depreende do art. 50, I, da Lei 9.784/99. Diz ainda que são nulos os despachos proferidos com preterição do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/72. Traz decisão do CARF sobre o assunto. Requer a nulidade do despacho decisório. A seguir, no item “DA DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE INDEFERIR O DIREITO AO CRÉDITO DE PIS E DE COFINS APROPRIADO ATÉ MAIO DE 2007”, assevera que a autoridade fazendária glosou os créditos oriundos da aquisição de serviços de desestiva, frete sobre compra, armazenagem e de bens e serviços empregados na da produção, referentes ao período transcorrido entre o 1º trimestre de 2007 e o 4º trimestre de2009 e, ainda, créditos Fl. 511DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 9 8 extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de uréia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Alega, todavia, que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007. Diz que o reconhecimento do direito creditório se deu entre 01/2007 e12/2009, ocasião em que apropriou os créditos em sua escrita fiscal e os declarou em Dacon. Explana que a contribuição em análise está sujeita ao lançamento por homologação, de modo que lhe compete apurar mensalmente o montante de tributo devido, declarálo ao Fisco e efetuar o recolhimento. Informa que a homologação pode ocorrer expressa ou tacitamente, a qual se dá pelo transcurso do prazo de 5 (cinco) anos sem a manifestação do fisco, tornando extinto o crédito tributário, nos termos do §4° do art. 150 do CTN. Argumenta que uma vez pago o tributo devido começou a fluir o prazo decadencial de 05 (cinco) anos para o Fisco averiguar se estava correto o procedimento adotado, bem como lançar eventual diferença. Preconiza que, em relação aos créditos apurados entre 01/2005 e 05/2007, o prazo para o Fisco indeferilos findouse em 31/05/2012. Informa que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, ou seja, quando já decorrido o prazo decadencial para que o Fisco pudesse rever os valores creditados para apuração do tributo. Requer que seja reconhecido como homologado tacitamente os créditos apropriados entre 01/2005 e 05/2007. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DE RESTRIÇÃO INFRALEGAL AO CONCEITO DE INSUMO”, explica que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 determinam que a pessoa jurídica poderá fazer algumas deduções da sua base de cálculo, prevendo que podem ser descontados os bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação de bens destinados à venda. Diz que ao regulamentar as leis, a RFB externou, por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04, o seu entendimento do que consiste o termo “insumo” parafins de PIS/Pasep e Cofins, equiparando o ao conceito estabelecido para o IPI, o que não merece prosperar, uma vez que a lei assim não o fez. Explica que tais Instruções Normativas não oferecem a melhor interpretação ao art. 3o, inciso II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, pois a concepção estrita de insumo não se coaduna com a base econômica da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários à obtenção de receita. Explana que a base de cálculo do IPI é o valor da mercadoria industrializada, de modo que insumo, neste caso, está relacionado apenas aos elementos que entram na composição do valor da mercadoria, tais como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Por sua vez, o PIS/Pasep e a Cofins têm como base de cálculo a receita, que é composta por todos os ingressos que integram o patrimônio da pessoa jurídica, razão pela qual o insumo se relaciona com a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, as quais, para serem obtidas, exigem que os contribuintes incorram em despesas e custos. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 10 9 Em função disso, entende que para as contribuições ao PIS e à Cofins o significado de insumo é muito mais abrangente do que o do IPI, devendo integrar todas as despesas e custos necessários utilizados na produção de bens e serviços que abarão gerando receita, relacionados nos artigos 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n°3.000/1999), e que definem, respectivamente, custos e despesas operacionais. Aduz que o CARF proferiu decisão na qual reconhece a validade do conceito de insumo oferecido pela legislação do IRPJ, afastando a possibilidade de utilização dos conceitos de insumo trazidos pela legislação do IPI. Assevera que a Justiça Federal está adotando o entendimento do CARF. Anexa decisão da 1a Turma do TRF da 4a Região. Alega que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 não conceituam e nem limitam o conceito de insumos, assim como não remetem à utilização subsidiária da legislação do IPI para o alcance de seu conceito, razão pela qual entende que a restrição ao conceito de insumo trazida nas referidas Instruções Normativas são ilegais, ferindo o princípio constitucional da legalidade. Por fim, ressalta, “apenas por amor à argumentação”, que mesmo em caso de atendimento ao disposto nas IN SRF n°s 247/02 e 404/04, que faz jus aos créditos em discussão, pois consoante se verifica do seu objeto social, é produtora de fertilizantes, sendo imprescindível a observância de todas as etapas relativas ao processo produtivo, o qual abrange desde a chegada dos insumos importados, o carregamento, o transporte, a pesagem, a produção dos fertilizantes, a distribuição e a venda destes produtos. Requer o cancelamento das glosas realizadas relativamente aos dispêndios com insumos. No item “DO DIREITO AO CRÉDITO DE DESESTIVA”, argumenta que, à época, todos os desembolsos efetuados com operações portuárias eram classificados como desestiva, de modo que dentro desta conta foram contabilizados os custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matéria prima do navio),movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Relata que tais atividades são realizadas por pessoas jurídicas especializadas que atuam apenas para este fim, sem os quais seria impossível a retirada da mercadoria dos porões dos navios e o seu acondicionamento nos caminhões de transporte. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas para operar no porto. Alega que, assim, pode, com base no artigo 3o, inc. II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/2003, descontar créditos de PIS/Pasep ou Cofins sobre aquisições de insumos, bens e serviços empregados na fabricação Fl. 513DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 11 10 de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Argumenta que a questão que gera inúmeras discussões doutrinárias e jurisprudenciais é o real significado de insumo, uma vez que não existe uma definição legal, mas apenas instruções normativas publicadas pela RFB na tentativa de conceituálo. Diz que após diversas decisões conflitantes, a Receita Federal publicou a Solução de Divergência n° 15/2008, a qual define insumo como “aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado”. Afirma que tal entendimento lhe possibilita apropriar créditos sobre o valor de aquisição de insumos que não necessariamente se consumam ou desgastem em razão do contato com o produto em fabricação, mas também sobre insumos que são aplicados direta ou indiretamente no processo produtivo de determinada mercadoria, sem que tenham sido desgastados ou consumidos. Cita o art. 110 do CTN, segundo o qual a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos conceitos de direito privado. Delimita o conceito de insumo com base na NPC n° 02 do IBRACON (Instituto dos Auditores Independentes do Brasil), que define custo como todos os gastos incorridos para a aquisição e/ou produção de um bem. Traz, também, o conceito de custo fornecido pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC n° 1.170/2009). Entende que é este o conteúdo que deve ser dado ao conceito de insumo pela RFB. Conclui que se enquadram no conceito de custo de produção os incorridos, intrínsecos e necessários na aquisição e na prestação de determinado bem até a etapa em que ele estiver em condições de ser comercializado. Alega, ainda, que a atividade portuária é essencial à sua atividade, o que está cabalmente demonstrado por fotos constantes em documentos anexos. Afirma que tais custos são intrínsecos ao seu processo produtivo, pois, caso algum deles não seja efetuado, a matéria prima não terá continuidade no processo produtivo. Entende, pelo exposto, que os serviços mencionados são, efetivamente, utilizados como insumo no processo produtivo da indústria, haja vista que, após a liberação do Ministério da Agricultura ou da Receita Federal, iniciase todo o serviço de desestiva e descarga do navio, a fim de acomodar as mercadorias dentro do caminhão que as transportará para o processo produtivo da indústria. Traz aos autos fluxograma para demonstrar o procedimento realizado. Afirma que os serviços realizados não podem jamais serem tratados como uma mera atividade meio ou uma despesa administrativa, como entendeu a autoridade fazendária, haja vista que são atividades essenciais e que estão intrinsecamente ligadas à produção de fertilizantes. Requer que se considere os serviços de desestiva, descarregamento, armazenagem alfandegada e movimentação como insumo do processo produtivo e, consequentemente, se reconheça os descontos dos créditos efetuados. Argumenta, com base na citada decisão do CARF, que o conceito de insumo para o PIS/Cofins é o mesmo utilizado na legislação do IRPJ, Fl. 514DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 12 11 ou seja, insumos não apenas as matériasprimas, mas todos os custos diretos ou indiretos da cadeia produtiva. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, devese considerálas como englobadas no custo de transporte, o qual integra o conceito de frete. Diz que não é por não estar amparada por um documento fiscal, apresentado por uma transportadora, que não pode ter direito ao crédito de PIS/Cofins, pois a caracterização do serviço está relacionado ao transporte que faz parte de seu processo produtivo. Aduz que a RFB reconhece o crédito sobre o frete pago no transporte das matérias primas até o estabelecimento fabril. Traz soluções de consultas da RFB sobre o assunto. Requer, por fim, uma vez que a fiscalização não efetuou qualquer questionamento sobre a composição dos lançamentos classificados nas rubricas DESESTIVAS/DESPACHANTES, que seja efetuada diligência para responder qual é o valor dos créditos que deverão ser aceitos nos pedidos de ressarcimento. No item “SERVIÇOS DE TRANSPORTE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS”, relata que o Fisco glosou crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Alega, entretanto, que a alíquota zero aplicada às aquisições de matérias primas não se estende ao frete, que sofre a tributação normal do PIS/Pasep e da Cofins. Afirma que este esse é o entendimento adotado pela melhor jurisprudência do CARF e das DRJ. Traz algumas ementas de decisões desses órgãos, assim como as Soluções de Consulta nº 17/2010 e n° 234/2007. Requer o reconhecimento da totalidade dos créditos oriundos dos fretes sobre compra de insumos. No item, “DOS CRÉDITOS DAS DESPESAS DE ARMAZENAGEM”, aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Diz que duas das Soluções de Consulta utilizadas pelo Auditor Fiscal para efetuar as glosas lhe é favorável. Afirma que a Solução de Consulta n° 403/2007 esclarece que os créditos das despesas de armazenagem são devidos desde que seu respectivo ônus seja suportado pela tomadora de créditos, que é o caso em análise. Explica que a Solução de Consulta n° 25/2009, a seu turno, elucida que os créditos de armazenagem não são devidos quando a despesa se refere a produtos que não foram aplicados diretamente na produção, o que não é o caso dos autos. Requer o reconhecimento dos créditos glosados. No item “DOS SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao Fl. 515DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 13 12 processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. No tópico “DA GLOSA DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS ORIUNDOS DA AQUISIÇÃO DE URÉIA PECUÁRIA E EMBALAGEM – PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que tal indeferimento se deu unicamente sob o argumento de que estavam sendo mantidas em relação ao PIS as glosas realizadas em relação à Cofins no PAF de n° 15586.001201/201048. Afirma que, se não for acatada a preliminar de nulidade, há argumentos, expostos a seguir, que rebatem a glosa perpetrada. No item “DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS”, explica que transmitiu PER em virtude da aquisição de ureia pecuária e embalagens aplicadas em seu processo produtivo, referentes ao período de 01/2005 a 09/2008. Diz que tal direito creditório foi glosado sob o possível entendimento de que deveria ter feito o pedido para cada trimestre calendário, nos termos dos artigos 21 e 22 da IN n° 600/2005. Diz que tal entendimento não merece prosperar pelos seguintes motivos. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DA REVOGAÇÃO DE LEI POR MEIO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA”, expõe que o artigo 16 da Lei n° 11.116/2005 não obrigou que os sujeitos passivos fizessem um PER para cada trimestre como condição para utilizar créditos extemporâneos. Afirma que a lei apenas criou o direito ao crédito e que a única obrigação trazida era de que o saldo credor fosse acumulado em cada trimestre. Aduz que se a lei não restringiu o direito do contribuinte, uma mera instrução normativa não tem o condão de fazêlo, devendo ser observado o princípio da legalidade. Traz à baila o art. 100 do CTN. Argumenta que não há dúvidas sobre o caráter regulatório das Instruções Normativas, que, como normas secundárias, não podem ir além daquilo que foi determinado em lei. Conclui que não merece prosperar a decisão da autoridade fiscal. No tópico “DA OBSERVÂNCIA PELA MANIFESTANTE DO PROCEDIMENTO NECESSÁRIO PARA COMPENSAÇÃO”, assevera que o art. 16 da Lei n° 11.116/05 determina que os contribuintes somente podem utilizar seu crédito acumulado de PIS/Cofins para compensálo com outros tributos após o encerramento do trimestre. Entende que o legislador não proibiu os contribuintes de fazer um único pedido, reunindo saldos acumulados de trimestres anteriores já encerrados. Diz que a obrigatoriedade trazida é apenas que a apuração do saldo credor seja feita a cada trimestre. Informa que quando lançou, deforma extemporânea, em seu Dacon do mês 09/2008 todas as suas operações com direito a crédito do período compreendido entre 01/2005 e 09/2008 e, consequentemente, entregou PER e Dcomp, já estavam encerrados todos os trimestres cujo crédito se pleiteava. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 14 13 No tópico “DA COMPOSIÇÃO DO SALDO CREDOR REFERENTE AO 3º TRIMESTRE DE 2008”, diz que o saldo credor deste período é composto pelos créditos apurados dentro do próprio trimestre e pelos créditos extemporâneos reconhecidos no trimestre. Diz ter agido de acordo com as normas jurídicas aplicáveis ao caso e ter feito um único PER. Alega que incorporar crédito extemporâneo aos créditos do 3o trimestre de 2008 apenas lhe prejudicou, em virtude do atraso na devolução do saldo credor a que tem direito. No tópico “DA APLICAÇÃO AO CASO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL” diz, novamente, ser possível a utilização de créditos extemporâneos. Aduz que a autoridade fiscal não pode deixar de reconhecêlos apenas por entender que o procedimento para sua utilização ter sido feita da forma inadequada. Diz que no processo administrativo tributário deve prevalecer sempre a verdade material. Traz decisões do antigo Conselho de Contribuintes sobre a aplicação do princípio. Postula por sua aplicação, reformando a decisão prolatada. No tópico “DA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO”, explica que no exíguo prazo de 30 dias para apresentação da Manifestação de Inconformidade não foi possível apresentar toda a documentação que respalda os argumentos expostos. Pede, em homenagem ao princípio da ampla defesa, pela entrega dos documentos, a fim de provar a verdade dos fatos até antes do julgamento. No tópico “DA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL”, requer, com base no artigo 16 do Decreto 70.235/72, a realização de diligência para responder a seguinte questão: “qual é o valor do crédito de PIS/Cofins oriundos dos lançamentos classificados como “desestiva/despachantes”, frete sobre compras, armazenagem e serviços e bens não admitidos que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no PER?” Protesta pela formulação de quesitos complementares. Nomeia como assistentes técnicos o Sr. Rubens Leite de Mattos, contador, inscrito no CRC 1SP163.568/06, e o Sr. Fabiano de Oliveira Bernarde, engenheiro, inscrito no CREA 5061932479, ambos com endereço na Avenida Irene Karcher, 620, Betel, Paulínia/SP, CEP 13148906, fone: (019) 33222289. Por fim, no tópico “DO PEDIDO”, requer: 1) a nulidade do Despacho Decisório em face da insuficiência da motivação das glosas dos créditos extemporâneos de PIS, por ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório; 2) a homologação tácita dos créditos apropriados até 05/2007; 3) quanto ao mérito, o reconhecimento integral dos créditos; 4) a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar o todo alegado; 5) protesta pela posterior juntada de documentos até antes do julgamento; Fl. 517DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 15 14 6) requer que as futuras intimações sejam enviadas não só para o domicílio do contribuinte, como também para seus advogados, cujo domicílio encontrase na rua Paulo Lobo, n° 33, Cambuí, Cidade de Campinas/SP, CEP 13.025210. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 06047.528 3ª Turma da DRJ/CTA, está assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos, os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à produção de bens, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desestiva e despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem somente geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Somente os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal na legislação de regência do PIS/Pasep e da Cofins para o aproveitamento extemporâneo de créditos da não cumulatividade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 16 15 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: I. Dos Fatos A Recorrente reproduz os argumentos da impugnação explicando que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. II. Do Direito II.1 – Da Decadência – Desestiva e Outros A Recorrente alega a decadência do direito de lançar o créditos oriundos da glosa de serviços de desestiva, frete sobre a compra, armazenagem e bens e serviços empregados na produção, referentes ao período transcorrido entre o 1o trimestre de 2007 e o 4o trimestre de 2009 e, ainda, créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de uréia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Nessa linha, repete os argumentos da impugnação, sustentando dentre outros a) que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007; b) que o tributo era sujeito a lançamento por homologação com a contagem do prazo decadencial nos termos do §4° do art. 150 do CTN; c) que o prazo para o Fisco indeferilos findouse em 31/05/2012; d) que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, portando posterior a data de 31/05/2012. II.2 – Da Direito ao Crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins Não Cumulativas Oriundas da Aquisição de Insumos e Serviços e da Impossibilidade de Ressarcimento/Compensação. A Recorrente argumenta que com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 a contribuição ao PIS e a Cofins tornaramse, via de regra, nãocumulativas. Complementa afirmando que teria direito ao crédito na aquisição de bens e serviços, bem como Fl. 519DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 17 16 das despesas incorridas para a fabricação de seu produto. Embasa sua afirmativa no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004. O referido artigo assim dispõe: "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota O (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." (DOU 22/12/04) Reforça esse argumento, fazendo referência ao art. 16, da Lei nº 11.116/05 que trata dentre outros da compensação com débitos próprios do crédito acumulado a cada trimestre de PIS/Pasep e Cofins. II.3 – Da Impossibilidade de Restrição Infralegal ao Conceito de Insumo A Recorrente argumenta que a RFB por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 da RFB fez uma interpretação equivocada do conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins constante das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. O equívoco ocorre pois as referidas INs equipararam o conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins ao conceito de insumo para a legislação do IPI. Dessa forma, explica que os tributos em cena têm uma estrutura jurídica completamente diversa, sendo o IPI um imposto sobre a produção e o PIS/Pasep e Cofins contrições sobre a receita. Cita doutrina e jurisprudência tratando do conceito de insumo. Pede que seja reconhecido o direito creditório. II.4 – Do Direito ao Crédito de Desestiva A Recorrente defende o direito ao crédito com as atividades de desestiva. Tratase de desembolsos efetuados com operações portuárias, a saber: custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matériaprima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Alega que as atividades portuárias são realizadas por pessoas jurídicas domiciliadas no país e transcreve trechos da Lei nº 8.630/93. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas para operar no porto. Alega que as despesas com o serviço de desestiva enquadramse no conceito de insumos. Cita doutrina e jurisprudência para pedir o reconhecimento do direito creditório de PIS/Pasep e Cofins. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, devese considerálas como englobadas no custo de transporte, o qual Fl. 520DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 18 17 integra o conceito de frete. Cita jurisprudência reconhecendo o direito ao crédito nos serviços de frete na aquisição. II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Argumenta que os custos relativos ao frete são tributados pelo PIS/COFINS e que faria jus ao crédito. A seu favor, cita trecho de parecer, de legislação do IR (RIR/2011 art. 289) e jurisprudência administrativa. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Dessa forma, alega que não se pode restringir o direito ao crédito de PIS/COFINS provenientes das despesas de armazenagem. II.7 – Dos Serviços e Bens Não Admitidos A Recorrente relata explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. II.8 – Da Glosa dos Créditos Extemporâneos de PIS Oriundos da Aquisição de Uréia Pecuária e Embalagem – Período de Jan/05 a Jun/08 A Recorrente relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que a questão relacionada aos créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 será tratada especificamente no PA de n° 15586.720015/201273, uma vez que tais créditos foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.100006. Pede que os autos sejam julgados em conjunto com outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo nº 10783.900001/201291, uma vez que são conexos por tratarem das mesmas matérias. III.8 – Da Produção de Prova Pericial/Diligência Fl. 521DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 19 18 A Recorrente reforça que foi requerida quando da interposição da Manifestação de Inconformidade a realização de prova pericial/diligência, para responder ao seguinte questionamento: Qual é o valor do crédito de PIS/COFINS oriundo dos lançamentos classificados como DESESTIVAS/DESPACHANTES, FRETE SOBRE COMPRA, ARMAZENAGEM e SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no pedido de ressarcimento? Protesta pela formulação de quesitos complementares e indica assistentes técnicos. IV – Do Pedido A Recorrente ao final pede que: 1) inicialmente, requer a Recorrente que o presente processo seja analisado em conjunto com todos os outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo n.o 10783.900001/201291, uma vez que são conexos por tratarem das mesmas matérias; 2) requer que seja reconhecida a homologação tácita dos créditos apurados pela Defendente até maio de 2.007, eis que quando da notificação da Defendente em 13/06/2012, já estava decaído o direito do Fisco de indeferir e glosar o direito creditório do contribuinte em decorrência do transcurso do prazo de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 150, g 40 do CTN; 3) requer que o presente recurso seja integralmente provido para reformar o v. acórdão recorrido e reconhecer integralmente o crédito pleiteado, eis que o conceito de insumo engloba todos os custos e despesas incorridos para a obtenção de receita advinda da venda de fertilizantes, nos termos articulados no presente recurso, e que sejam homologadas as compensações realizadas pela Recorrente, extinguindose, assim, o respectivo crédito tributário, nos termos do artigo 156, II, do CTN. 4) requer a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar todo o alegado. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.805, de 31/01/2019, proferido no julgamento do processo 10783.900005/201270, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 522DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 20 19 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.805): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Inicialmente a Recorrente pede que estes autos sejam julgados em conjunto com outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo nº 10783.900001/201291. Ocorre que os processos foram desapensados pela DRJ por entender ser melhor a análise de julgamento individualizada. Os processos apensados, digase, envolvem créditos de natureza diferentes (mercado interno não tributado e exportação) e períodos de apuração distintos. Além disso, há pontos controversos que não dizem respeito a todos os processos. Por isso, cada qual deve seguir seu próprio caminho, independentemente dos demais. (efl. 463) Assim negase o pedido, sendo que este acordão diz respeito unicamente ao PER de n° 24645.20425.080409.1.1.105572, relativo ao 4º trimestre de 2008, resultantes da não incidência de PIS/Pasep sobre as receitas de vendas não tributadas no mercado interno. Do Direito II.1 – Da Preliminar de Decadência A Recorrente alega a preliminar de decadência do direito de lançar parte dos créditos. Não lhe assiste razão. A lide trata de PER Pedido Eletrônico de Restituição, sendo que não há previsão legal acerca da ocorrência de “homologação” ou de “decadência” para que o fisco examine o direito creditório de restituição. O prazo de 5 anos para a homologação é válido para os casos de compensação, isto é, da extinção do débito (crédito tributário) por um alegado crédito. Tratase de aplicar o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ... § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 21 20 § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Assim, de forma conclusiva, afasto a preliminar de decadência. II.2 – Da Direito ao Crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins Não Cumulativas Oriundas da Aquisição de Insumos e Serviços e da Impossibilidade de Ressarcimento/Compensação. A Recorrente argumenta que com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 a contribuição ao PIS e a Cofins tornaramse, via de regra, nãocumulativas. Assiste razão a Recorrente. O art. 3º de ambas as leis utiliza o termo “insumos” para caracterizar o direito ao crédito. Tratase de assunto exaustivamente discutido neste CARF, cabendo ao intérprete da lei definir a amplitude ou abrangência do termo “insumos” para cada caso em concreto. O direito ao crédito dos insumos também está assegurado mesmo nos casos das vendas de produtos finais tributadas a alíquota zero. Nesse sentido, citase jurisprudência da CSRF deste CARF: CARF CSRF Acórdão 9303007.500 – 3ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 PIS/PASEP. AQUISIÇÃO E REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. CRÉDITO SOBRE ARMAZENAGEM E FRETES NA VENDA. POSSIBILIDADE. As revendas, por distribuidoras, de produtos sujeitos à tributação concentrada, ainda que as receitas sejam tributadas à alíquota zero, possibilitam desconto de créditos relativos a despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, conforme artigo 3º, IX da Lei nºs 10.637/2002 e 10.833/03. Assim, mesmo que o produto final esteja sujeito a alíquota zero, existe o direito ao crédito na aquisição de bens e serviços que tenham sido efetivamente tributados pelas contribuições na etapa anterior. Os dispositivos legais que embasam tal conclusão são a Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, §§ 7º e 8º; e a Lei 11.033, de 2004, art. 17. Assim, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito dos insumos sujeitos ao pagamento das contribuições, particularmente o frete, de produtos cuja revenda esteja sujeita a alíquota zero. II.3 – Da Impossibilidade de Restrição Infralegal ao Conceito de Insumo Fl. 524DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 22 21 A Recorrente argumenta que a RFB por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 da RFB fez uma interpretação equivocada do conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins constante das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. Assiste razão a Recorrente. O conceito de insumo é distinto do conceito de matériasprimas e produtos intermediários constante da legislação do IPI. Para o PIS/COFINS o conceito de insumo é mais amplo, ultrapassando as limitações de contato direto com o produto fabricado. Ao julgar a questão sob o prisma dos recursos repetitivos (Recurso Especial nº 1.221.170 – PR), o acórdão do STJ destacou que ao interpretar o termo insumos de forma restritiva, a Fazenda por meio das INs 247/02 e 404/04 desnaturou o sistema não cumulativo e limitou indevidamente o conceito, que está relacionado àquilo que é intrínseco à atividade econômica da empresa. A atuais redações dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (COFINS), seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002 (PIS) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 525DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 23 22 VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 526DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 24 23 VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) As INs 247/02 e 404/04 da RFB equipararam o conceito de insumo para fins de PIS/COFINS ao conceito de insumo para a legislação do IPI e, por isso, foram consideradas restritivas. Cabe esclarecer que o julgado na sistemática de recursos repetitivos, implica na aplicação do art. 62 do anexo II do RICARF, aprovado por meio da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, nos termos do julgado do STJ, o conceito de insumo deve ser avaliado considerando a essencialidade ou relevância do bem ou serviço, ou seja, considerandose a sua necessidade ou a sua importância para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada. II.4 – Do Direito ao Crédito de Desestiva A Recorrente defende o direito ao crédito com as atividades de desestiva. Assiste razão parcial a Recorrente. Por um lado os gastos com armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matériaprima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada) geram direito ao crédito. Tratase de questão previamente abordada por esta turma que aceita o frete na aquisição do insumo como componente de seu custo. Ora, aqui, as despesas relacionadas à Fl. 527DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 25 24 operação física de importação – desestiva, descarregamento, movimentação – têm a mesma natureza contábil do frete, como custo do insumo. Por outro lado, os gastos com despachantes aduaneiros e outros serviços administrativos para o cumprimento dos trâmites burocráticos de importação não geram direito a crédito. Tais despesas enquadramse no conceito de despesa administrativa. Sobre o assunto notese que a função do despachante é praticar atos administrativos como representante das empresas ou clientes pessoa física. No Brasil, ao contrário de alguns países, inexiste a obrigatoriedade de contratação de despachante aduaneiro. A empresa pode realizar de forma própria tais atividades. Tratase de disposição expressa no art. 5º do Decreto lei nº 2.472/88: Decretolei nº 2.472, de 01.09.88: Art. 5º A designação do representante do importador e do exportador poderá recair em despachante aduaneiro, relativamente ao despacho aduaneiro de mercadorias importadas e exportadas e em toda e qualquer outra operação de comércio exterior, realizada por qualquer via, inclusive no despacho de bagagem de viajante. § 1º Nas operações a que se refere este artigo, o processamento em todos os trâmites, junto aos órgãos competentes, poderá ser feito: a) se pessoa jurídica de direito privado, somente por intermédio de dirigente, ou empregado com vínculo empregatício exclusivo com o interessado, munido de mandato que lhe outorgue plenos poderes para o mister, sem cláusulas excludentes de responsabilidades do outorgante mediante ato ou omissão do outorgado, ou por despachante aduaneiro; b) se pessoa física, somente por ela, ou por despachante aduaneiro; c) se órgão da administração pública direta ou autárquica, federal, estadual ou municipal, missão diplomática ou repartição consular de país estrangeiro ou representação de órgãos internacionais, por intermédio de funcionário ou servidor, especialmente designado ou por despachante aduaneiro. Diante do exposto, reafirmase que a atividade de despachante aduaneiro é de natureza administrativa sem relação com o frete/armazenagem/logística da atividade econômica da empresa. Caberá a unidade de origem, em conjunto com a Recorrente, determinar as rubricas relativas ao pagamento de despachantes aduaneiros para a exclusão dos créditos. Assim, dáse razão parcial a Recorrente apenas para reconhecer o direito ao crédito quando do pagamento dos serviços com armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/armazenagem/logística. II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Assiste razão a Recorrente. Sobre o assunto existe jurisprudência do CARF CSRF. Fl. 528DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 26 25 CARF CSRF Acórdão (9303007.562) PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Dessa forma, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas dos serviços de transporte, frete, de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Assiste razão a Recorrente. Conforme consta da leitura dos autos, entendo que os serviços de armazenagem são essenciais para a atividade da empresa que opera com carga a granel. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo. Tal conceito ensina que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o teste de subtração para a armazenagem dos produtos é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre a armazenagem do insumo a granel. Dessa forma, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. II.7 – Dos Serviços e Bens Não Admitidos A Recorrente relata explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses Fl. 529DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 27 26 bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Da leitura dos autos depreendese que tais créditos serão analisados no processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122, a qual engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens. II.8 – Da Glosa dos Créditos Extemporâneos de PIS Oriundos da Aquisição de Uréia Pecuária e Embalagem – Período de Jan/05 a Jun/08 A Recorrente relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que a questão relacionada aos créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 será tratada especificamente no PA de n° 15586.720015/201273, uma vez que tais créditos foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.100006. Em vista do exposto entendese que o assunto será objeto de julgamento no processo n° 15586.720015/201273. III.8 – Da Produção de Prova Pericial/Diligência A Recorrente reforça que foi requerida quando da interposição da Manifestação de Inconformidade a realização de prova pericial/diligência. Entendo que desnecessária a realização de perícia/diligência para solução da lida. A questão dos lançamentos realizados para o pagamento dos serviços administrativos de despachantes aduaneiros pode perfeitamente ser sanada pela unidade de origem, em conjunto com a Recorrente, ou de maneira isolada. Assim, negase provimento. Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, conforme abaixo. 1) Negar a análise conjunta com outros processos tendo em vista a exposição de motivos realizada pela DRJ; 2) Indeferir a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição; 3) No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: (a) por unanimidade de votos: (i) reverter as glosas do frete de insumos, mesmo quando a revenda dos produtos sujeitase a alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; Fl. 530DF CARF MF Processo nº 15586.720016/201218 Acórdão n.º 3201004.831 S3C2T1 Fl. 28 27 (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; (b) por maioria de votos: manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Não julgar a questão dos serviços e bens não admitidos que serão objeto de julgamento em outro processo. Não julgar a questão dos créditos extemporâneos que serão objeto de julgamento em outro processo. Negar provimento a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado indeferiu a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição. No mérito, o colegiado deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeitase à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide e, por último, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 531DF CARF MF
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Numero do processo: 13804.000469/2005-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter novamente o julgamento em diligência, adotando-se como critérios os previstos no REsp no 1.221.170/PR, detalhados no Parecer Normativo COSIT/RFB no 5, de 17/12/2018.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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(incorporada por BRF BRASIL FOODS S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter novamente o julgamento em diligência, adotandose como critérios os previstos no REsp no 1.221.170/PR, detalhados no Parecer Normativo COSIT/RFB no 5, de 17/12/2018. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre a Declaração de Compensação (DCOMP) de fls. 3/41, efetuada em 30/01/2005, invocando créditos da COFINS (com fundamento no art. 6o, § 1o da Lei no 10.833/2003), na sistemática não cumulativa, referentes ao mês de agosto de 2004, no 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 00 46 9/ 20 05 -5 8 Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 13804.000469/200558 Resolução nº 3401001.822 S3C4T1 Fl. 1.128 2 valor utilizado de R$ 2.000.000,00. Há ainda outras DCOMP no processo principal (totalizando R$ 844.941,12) e uma DCOMP, no processo apensado, de no 19679.013146/2005 93, referente ao mesmo tributo e ao mesmo período, no valor de R$ 280.804,22. Na Informação Fiscal de fls. 39/40, narrase que a empresa foi intimada e reintimada a apresentar a documentação necessária à análise de seu direito de crédito, sem atendimento, ocasionando o indeferimento do pleito. Tal informação é acolhida pelo Parecer Decisório de 29/10/2009 (fls. 42 a 45), que indefere o direito de crédito e não homologa as compensações correspondentes, com ciência à empresa em 02/12/2009. A empresa apresenta manifestação de inconformidade em 30/12/2009 (fls. 54 a 75) argumentando, em síntese, que: (a) o termo de início de fiscalização lavrado em 14/04/2009 não foi recebido pelo setor responsável pelo atendimento à fiscalização, não constando nos autos o aviso de recebimento referente a tal intimação, com a assinatura do recebedor, tendo a empresa solicitado aos correios informações acerca do nome do recebedor; (b) ao receber o termo de reintimação, o procurador da recorrente entrou em contato com os auditores para obter cópia do termo de início, que não fora recebido, tendo solicitado o prazo de vinte dias para apresentação de arquivos magnéticos, não tendo sido aceito o pedido de prorrogação; (c) o fato de haver uma segunda intimação não afasta a necessidade de concessão do prazo de vinte dias, estampado na Instrução Normativa SRF no 86/2001; (d) para análise do direito de crédito sequer haveria necessidade de se verificar arquivos magnéticos, bastando às autoridades a verificação e DIPJ, DCTF e DACON, ou outros documentos relativos às operações que geraram os créditos; (e) apesar de não ter sido possível atender no prazo a solicitação fiscal, as notas fiscais que a fiscalização demandou que estivessem à disposição, na empresa, sempre o estiveram; (f) não houve qualquer análise fiscal sobre a existência do crédito solicitado, nem questionamento em relação aos valores informados em DACON, ferindo os princípios da instrumentalidade processual e da verdade material; e (g) para confirmar seu direito de crédito, a empresa junta, em sua peça de defesa, DVD com arquivos magnéticos e planilhas demonstrativas (validação à fl. 173). Em 27/05/2010 (fls. 194 a 203), ocorre o julgamento de primeira instância, no qual se acorda pela improcedência da manifestação de inconformidade, concluindo aquele colegiado unanimemente que: (a) a recorrente se limita a invocar sua própria desorganização administrativa para sustentar que não recebeu o termo de início de ação fiscal, ainda que documentado o recebimento pelos correios; (b) não há prova nos autos de que a empresa tenha solicitado prorrogação de prazo para apresentar arquivos magnéticos, e nem que tenha apresentado os outros documentos solicitados na intimação (que não se constituem em arquivos magnéticos); (c) a fiscalização sequer iniciou os exames do crédito justamente porque a empresa não atendeu a intimação para comprovar seu direito; (d) o único disco digital (DVD) juntado aos autos está incompleto, não contendo todos os arquivos magnéticos solicitados e enumerados de forma expressa pelas autoridades fiscais, faltando os arquivos mestres de notas fiscais de serviço emitidas (item 4.3.5), arquivos de itens de notas fiscais de serviço emitidas (item 4.3.6) e arquivo de insumos relacionados (item 4.6.1); e (e) a empresa não foi capaz de comprovar a liquidez e a certeza do direito de crédito informado nas compensações. Cientificada do acórdão da DRJ em 22/06/2010 (AR à fl. 205), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 21/07/2010 (fls. 213 a 255), basicamente reiterando as alegações expostas em sua manifestação de inconformidade, mormente no que se refere à verdade material e à instrumentalidade do processo, agregando que (a) há necessidade de que o presente processo seja julgado em conjunto com outros 7, relacionados à fl. 217, referentes a Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 13804.000469/200558 Resolução nº 3401001.822 S3C4T1 Fl. 1.129 3 créditos da COFINS de junho de 2004 a setembro de 2005, objetos do mesmo mandado de procedimento fiscal, de modo a evitar decisões distintas para a mesma matéria; (b) a decisão da DRJ é ilegal, e cerceia o direito de defesa da empresa, pois, apesar de entender incompleta a documentação, o julgador sequer analisou os documentos apresentados (v.g., cópias de DACON, da ficha 25 da DIPJ, da ficha 24 da DIPJ 2005; e planilhas demonstrativas), e entendeu como necessários outros documentos (notas fiscais) que a própria fiscalização revelou que deveriam apenas ficar na empresa à disposição do fisco; (c) a decisão da DRJ violou o art. 16, § 4o, do Decreto no 70.235/1972, pois, diante da documentação apresentada na manifestação de inconformidade, deveria haver análise pela DRJ ou conversão em diligência; (d) o prazo de 5 dias, concedido para atendimento à intimação, foi exíguo, tendo a empresa ainda sofrido autuação, no processo no 19515.003507/200990, para exigência de penalidade por atraso, prevista no art. 12, III da Lei no 8.212/1991, no qual a mesma turma julgadora da DRJ acatou a necessidade de 20 dias para atendimento; (e) houve falta de razoabilidade e proporcionalidade, com violação à moralidade administrativa; (f) a lista de documentos que a DRJ entendeu faltantes não foi apresentada porque a empresa não é prestadora de serviços, e em virtude de questões de segredo industrial; (g) pelos documentos acostados aos autos, resta provado o direito de crédito da empresa; e (h) em nenhum momento a fiscalização ou a DRJ demonstraram a iliquidez ou incerteza dos créditos, e a contabilidade faz prova a favor da empresa. Ao final da peça recursal (fls. 254/255), demanda a recorrente a realização de diligência, para que não restem dúvidas sobre suas alegações, e em nome da verdade material, com um quesito, dirigido à autoridade fiscal. Em 17/03/2016 o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, tendo sido incluído em pauta em setembro de 2016 (e retirado de pauta durante a sessão), e indicado para a pauta de outubro de 2016, em sessão suspensa por determinação do CARF, assim como em novembro e dezembro do mesmo ano. Em 26/01/2017, o julgamento foi unanimemente convertido em diligência, pela Resolução no 3401001.130 (fls. 1066 a 1086), esclarecendose a relação entre o presente processo e outros 33, que não houve nulidade, e que restou inequívoco que a empresa foi intimada a comprovar mediante documentação hábil seu direito de crédito, na fase de fiscalização, e não o fez. Como a empresa apresentou documentos em sua manifestação de inconformidade, que geraram dúvida em relação à comprovação do direito de crédito, o colegiado entendeu pela necessidade da conversão em diligência, “para que a unidade local analise a documentação tempestivamente apresentada em sede de manifestação de inconformidade, e diante de tal documentação (e de outra que a autoridade local entender necessária, como as notas fiscais que o fisco exigiu que ficassem à sua disposição na empresa, desde que prontamente apresentada quando demandada pelo fisco), manifestese, conclusivamente, em relatório de diligência, sobre a eventual existência e quantificação do direito de crédito da empresa”, oportunizando manifestação posterior da empresa. Na ocasião, apresentou declaração de voto o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que defendia diligência mais ampla, permitindo a produção e novas provas. Após a unidade preparadora juntar ao processo a Nota SEI no 63/2018, que trata do REsp no 1.221.170/PR, no qual o STJ trata do conceito de insumos para as contribuições, à luz da essencialidade ou relevância, e o Parecer Normativo COSIT/RFB no 5, de 17/12/2018, no qual o órgão e manifesta sobre o mesmo tema, a Informação Fiscal de fls. 1073/1074, opinando que a análise seja feita já à luz de tal parecer, por ser de natureza interpretativa e mais benéfico à contribuinte. No entanto, por orientação da DISIT/SRRF09, devolveu o processo ao Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 13804.000469/200558 Resolução nº 3401001.822 S3C4T1 Fl. 1.130 4 CARF para que este determine quais os critérios a observar para esclarecer as possíveis dúvidas remanescentes do colegiado. O processo retornou a este relator em 26/02/2019. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Sobre a fase de fiscalização e as intimações efetuadas, assim como sobre os demais processos relacionados, remetemos simplesmente à Resolução no 3401001.130, devendo ser retomado o tema quando do retorno da diligência. Naquela mesma resolução, no item denominado “Dos esclarecimentos finais e da conclusão”, esclarecemos a motivação da diligência anteriormente determinada, e ainda não cumprida, para que a unidade local analise a documentação tempestivamente apresentada em sede de manifestação de inconformidade, e diante de tal documentação (e de outra que a autoridade local entender necessária, como as notas fiscais que o fisco exigiu que ficassem à sua disposição na empresa, desde que prontamente apresentada quando demandada pelo fisco), manifestese, conclusivamente, em relatório de diligência, sobre a eventual existência e quantificação do direito de crédito da empresa. Por certo que tal atividade deve ser efetuada à luz das considerações externadas no Parecer Normativo COSIT/RFB no 5, de 17/12/2018, fruto da decisão vinculante no REsp no 1.221.170/PR, e que adota posicionamento que já era corrente no CARF. Assim, endosso a diligência anterior, ainda pendente de atendimento, e fixo os demandados critérios, coincidentes com previstos no REsp no 1.221.170/PR, detalhados no Parecer Normativo COSIT/RFB no 5, de 17/12/2018. Reitero que deve a unidade local dar ciência do relatório de diligência à empresa, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto no 7.574/2011, abrindose prazo para manifestação. Após a ciência e a eventual manifestação da empresa, os autos devem ser devolvidos a este CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 1130DF CARF MF
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