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Numero do processo: 11030.721754/2014-70
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
NULIDADE. ALEGAÇÃO DE ANÁLISE RASA DAS PROVAS NA INSTÂNCIA ANTERIOR. DESCABIMENTO.
O julgador, ao decidir, não está obrigado a examinar todos os fundamentos de fato ou de direito trazidos ao debate, podendo a estes conferir qualificação jurídica diversa da atribuída pelas partes, cumprindo-lhe entregar a prestação jurisdicional, considerando as teses discutidas no processo, enquanto necessárias ao julgamento da causa.
NULIDADE. INOVAÇÃO EM DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
A autoridade julgadora pode expressar livremente sua percepção dos fatos reunidos nos autos, inclusive acrescendo análises não cogitadas pela Fiscalização, em resposta à defesa do impugnante. Somente não lhe é permitido manter a exigência do crédito tributário com fundamento, exclusivamente, em argumentos novos, por ela adicionados à motivação do lançamento.
NULIDADE. FALTA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA OU AO EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO.
Afasta-se a tese de nulidade relativa à falta de indicação do artigo que supostamente serviria de fundamento para a autuação, especialmente quando se constata que a autoridade fiscal descreveu os fatos apurados de forma que a empresa e todos os intervenientes no processo puderam ter nítida compreensão das infrações autuadas. Inexistência de prejuízo à defesa ou ao exercício do contraditório.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
GLOSA DE DESPESAS. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte a comprovação das operações e correspondentes despesas que considera dedutíveis para fins de imposto de renda, incluindo sua efetividade.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. IRRF.
Sujeita-se à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), o pagamento efetuado por pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação que lhe deu causa, sem prejuízo da glosa das despesas que resultaram em redução indevida do lucro líquido do período.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
LANÇAMENTO REFLEXO.
Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.
Numero da decisão: 9101-004.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial em relação à matéria nulidade do acórdão de 1º grau por falta de exame criterioso de conteúdo probatório, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa e Adriana Gomes Rêgo, que não conheceram dessa matéria. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer das demais matérias admitidas no recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Edeli Pereira Bessa. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, em relação à nulidade do acórdão de 1º grau por falta de exame criterioso de conteúdo probatório, votando pelas conclusões o conselheiro Demetrius Nichele Macei; (ii) por unanimidade de votos, em relação à imprestabilidade dos autos de infração como consequência de erro material cometido na capitulação legal da acusação, votando pelas conclusões a conselheira Lívia De Carli Germano; (iii) por maioria de votos, em relação à suficiência dos registros de exportação e contratos de câmbio como prova, vencida a conselheira Cristiane Silva Costa, que deu provimento nessa matéria; (iv) por unanimidade de votos, em relação à tentativa fiscal de inversão do onus probandi; e (v) por maioria de votos, em relação à impossibilidade jurídica de se exigir o IR Fonte concomitantemente à exigência de IRPJ/CSLL, vencidas as conselheiras Cristiane Silva Costa e Lívia De Carli Germano, que deram provimento nessa matéria. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa e Demetrius Nichele Macei. Esgotado o prazo do §6º do art. 63 do Anexo II do RICARF, considera-se não formulada a declaração de voto da Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Livia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE. ALEGAÇÃO DE ANÁLISE RASA DAS PROVAS NA INSTÂNCIA ANTERIOR. DESCABIMENTO. O julgador, ao decidir, não está obrigado a examinar todos os fundamentos de fato ou de direito trazidos ao debate, podendo a estes conferir qualificação jurídica diversa da atribuída pelas partes, cumprindo-lhe entregar a prestação jurisdicional, considerando as teses discutidas no processo, enquanto necessárias ao julgamento da causa. NULIDADE. INOVAÇÃO EM DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. A autoridade julgadora pode expressar livremente sua percepção dos fatos reunidos nos autos, inclusive acrescendo análises não cogitadas pela Fiscalização, em resposta à defesa do impugnante. Somente não lhe é permitido manter a exigência do crédito tributário com fundamento, exclusivamente, em argumentos novos, por ela adicionados à motivação do lançamento. NULIDADE. FALTA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA OU AO EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO. Afasta-se a tese de nulidade relativa à falta de indicação do artigo que supostamente serviria de fundamento para a autuação, especialmente quando se constata que a autoridade fiscal descreveu os fatos apurados de forma que a empresa e todos os intervenientes no processo puderam ter nítida compreensão das infrações autuadas. Inexistência de prejuízo à defesa ou ao exercício do contraditório. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 GLOSA DE DESPESAS. ÔNUS DA PROVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 17 54 /2 01 4- 70 Fl. 4736DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 Cabe ao contribuinte a comprovação das operações e correspondentes despesas que considera dedutíveis para fins de imposto de renda, incluindo sua efetividade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. IRRF. Sujeita-se à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), o pagamento efetuado por pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação que lhe deu causa, sem prejuízo da glosa das despesas que resultaram em redução indevida do lucro líquido do período. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 LANÇAMENTO REFLEXO. Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial em relação à matéria nulidade do acórdão de 1º grau por falta de exame criterioso de conteúdo probatório, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa e Adriana Gomes Rêgo, que não conheceram dessa matéria. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer das demais matérias admitidas no recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Edeli Pereira Bessa. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, em relação à nulidade do acórdão de 1º grau por falta de exame criterioso de conteúdo probatório, votando pelas conclusões o conselheiro Demetrius Nichele Macei; (ii) por unanimidade de votos, em relação à imprestabilidade dos autos de infração como consequência de erro material cometido na capitulação legal da acusação, votando pelas conclusões a conselheira Lívia De Carli Germano; (iii) por maioria de votos, em relação à suficiência dos registros de exportação e contratos de câmbio como prova, vencida a conselheira Cristiane Silva Costa, que deu provimento nessa matéria; (iv) por unanimidade de votos, em relação à tentativa fiscal de inversão do onus probandi; e (v) por maioria de votos, em relação à impossibilidade jurídica de se exigir o IR Fonte concomitantemente à exigência de IRPJ/CSLL, vencidas as conselheiras Cristiane Silva Costa e Lívia De Carli Germano, que deram provimento nessa matéria. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa e Demetrius Nichele Macei. Esgotado o prazo do §6º do art. 63 do Anexo II do RICARF, considera-se não formulada a declaração de voto da Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Fl. 4737DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Livia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata-se de recurso especial apresentado pelo contribuinte AMERICA TRADING LTDA. em face da decisão proferida no Acórdão nº 1401-001.896, em 20 de junho de 2017, que decidiu, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O processo cuida de autos de infração para a constituição de créditos tributários de IRPJ e CSLL, decorrentes da glosa de despesas com pagamento de comissões a agentes em operações de exportação não comprovadas pela empresa, cumulado com lançamento de IRRF relativo a pagamento sem causa, nos anos-calendário de 2010, 2011 e 2012, acrescidos de multa de ofício (75%) e juros de mora. De acordo com Termo de Verificação Fiscal (e-fls.3-22), foram apuradas as seguintes infrações: (1) despesas não comprovadas e sem causa - Comissões sobre vendas, em face de a fiscalizada não ter apresentado os documentos que pudessem comprovar de forma cabal e efetiva a prestação dos serviços pelos agentes no exterior e Intersugar Consultoria Ltda, que somaram R$ 1.621.725,77; R$ 75.555.766,63 e R$ 14.899.037,55 nos anos-calendário 2010, 2011, 2012, respectivamente; (2) pagamentos efetuados aos agentes no exterior e à Intersugar Consultoria Ltda que não tiveram comprovada a operação e a sua causa, em razão de a fiscalizada ter efetuado pagamentos à empresa Intersugar Consultoria Ltda e a agentes no exterior a título de comissões, sem comprovação da operação ou causa; (3) compensação indevida de prejuízos fiscais, apurada em consequencia da glosa de despesas (item 1); (4) compensação indevida das bases de cálculo negativas da CSLL, apurada em consequencia da glosa de despesas (item 1). Os fundamentos da autuação constam ainda do TVF, cujas conclusões seguem reproduzidas: a) Não existe qualquer contrato celebrado entre a fiscalizada e seus agentes no exterior; b) O contrato celebrado entre a fiscalizada e Intersugar Consultoria Ltda. em 20/05/2011, teve apenas a assinatura de Thiago Gaviolli reconhecida em 29/03/2012, Fl. 4738DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 portanto, após a suposta prestação de serviços pela Intersugar Consultoria Ltda e também após a emissão das Notas Fiscais pela Intersugar Consultoria Ltda; c) O Contrato de Prestação de Serviços firmado entre América Trading Ltda. e Intersugar Consultoria Ltda., em 20/05/2011 não foi objeto de registro nos órgãos competentes do Brasil; d) Os agentes no exterior nunca emitiram um pedido ou documento equivalente de venda dos produtos fabricados pela fiscalizada, o que é estranho em se tratando de uma representação comercial; e) A Intersugar Consultoria Ltda nunca emitiu um pedido ou documento equivalente de venda dos produtos fabricados pela fiscalizada, o que é estranho em se tratando de uma representação comercial; f) Nenhuma nota fiscal de prestação de serviço ou documento equivalente (Commercial invoice) relacionado com as comissões foi emitida pelos agentes no exterior; g) Não obstante no período fiscalizado as comissões incorridas perfazerem o montante de R$ 92.076.529,95 (noventa e dois milhões, setenta e seis mil, quinhentos e vinte e nove reais e noventa e cinco centavos), nenhuma correspondência, memorando, ofício, fax, email, pedido, relatório ou qualquer outro documento foi produzido ou expedido pelos agentes no exterior e por Intersugar Consultoria Ltda à fiscalizada; h) O percentual da comissão paga pela fiscalizada aos agentes no exterior é de 15%. Além disso, tem-se mais 9% de comissão paga à Intersugar Consultoria Ltda, perfazendo 24% sobre as exportações, percentual muito acima daquele praticado pelo mercado, que gira em torno de 5% a 10% para produtos industrializados; i) Todas as Notas Fiscais emitidas por Intersugar Consultoria Ltda. foram no ano de 2012 e a maioria das exportações ocorreu no ano de 2011; j) As Notas Fiscais fornecidas por Intersugar, são notas fiscais eletrônicas de serviços emitidas pela Prefeitura do Município de Santana de Parnaíba – SP. Todas as notas fiscais apresentadas foram emitidas no ano de 2012 e totalizam R$ 33.703.726,85; k) Em nenhum momento as Propostas Comerciais, Ofertas Econômicas e Cartas Compromisso firmados com sua cliente no exterior (PDVSA) faz referência ou identifica os representantes/agentes no exterior ou Intersugar Consultoria Ltda, os quais teriam sido contratados, conforme afirma a fiscalizada; l) Todos os pedidos foram efetuados diretamente de sua cliente no exterior (PDVSA) à fiscalizada; m) Para concretizar as operações de câmbio, as instituições financeiras exigem apenas o fornecimento do número do Registro de Exportação (RE), o SD e número do conhecimento, e que, a partir destes dados, a instituição financeira, em consulta ao Siscomex, confere a operação e executa a transferência bancária, o que não legitima o conjunto da operação; n) O atendimento à previsão contida no § 1º do art. 3º da IN SRF Nº 252/2002 transcrito acima, por si só, não é condição única e suficiente para comprovação da prestação de serviços por agente no exterior e legitimar os pagamentos realizados; o) Não restou comprovada a existência de vínculo comercial entre a fiscalizada e empresa Intersugar Consultoria Ltda; p) Não restou comprovada a existência de vínculo comercial entre a fiscalizada e seus agentes no exterior. É inadmissível a comprovação da prestação de serviços a título de comissão a agentes no exterior com base unicamente na mera existência de informações contidas em Registro de Exportação, sem que se obtenha efetiva prova da prestação do serviço; e É inadmissível a comprovação da prestação de serviços a título de comissão a Intersugar Consultoria Ltda com base unicamente no Contrato de Prestação de Serviços e Notas Fiscais apresentados, sem que se obtenha efetiva prova da prestação do serviço; Fl. 4739DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 Com a ciência dos autos de infração, o contribuinte apresentou impugnação, com o objetivo de defender a improcedência dos lançamentos, a partir dos seguintes argumentos: - Preliminar de nulidade parcial, por ausência de "suporte autorizativo" no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em relação a alguns períodos; - Argumenta que realiza aquisições no mercado interno de equipamentos e maquinário para uso agrícola e de transportes pesados para venda no exterior, devidamente registradas no Siscomex, atividade na qual seria imprescindível a atuação de agentes intermediadores nos mercados interno e externo; - Considera normais e de livre pactuação os percentuais de comissão e apresentou os modos de atuação e forma de pagamento das comissões aos agentes no exterior e Intersugar Consultoria, com a juntada de documentos; - Afirma que competiria à Secex, nos termos dos art. 217 e 218 da Portaria Secex 23/2001, o exame da comissão, não ao Fisco; - Alega imprestabilidade do lançamento, no que tange ao IRPJ e à CSLL, decorrente de erro material cometido na capitulação legal da "acusação"; - Aponta equívocos de interpretação da norma reguladora de pagamentos de comissões a agentes no exterior com alíquota zero de IRRF (art. 691 do RIR/99), por entender que os registros de exportação (RE) seriam suficientes para a comprovação dos pagamentos de comissões a agentes no exterior; - Defende que não haveria na legislação qualquer exigência de contrato de prestação de serviço, commercial invoice, etc.; - Quanto ao auto de infração do IRRF, assegurou que todos os pagamentos estão devidamente comprovados, assim como a causa de cada um; - Indica, ainda, violação do art. 3º do CTN, em razão da "natureza tipicamente sancionatória" da exigência, por entender que o IRRF não poderia ser exigido com base nos mesmos fatos que motivaram o reajustamento do lucro líquido e ensejaram os autos de infração de IRPJ e CSLL. Em 25 de julho de 2015, a 4 a Turma da DRJ/REC decidiu, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, julgar a impugnação improcedente, consoante a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 DESPESAS. ÔNUS DA PROVA. No âmbito do processo administrativo tributário, cabe ao contribuinte provar as alegações relativas às despesas registradas na contabilidade. LUCRO REAL. DESPESAS DE COMISSÕES POR INTERMEDIAÇÃO DE VENDAS NO MERCADO EXTERNO. EFETIVIDADE. COMPROVAÇÃO. Despesas dedutíveis são aquelas necessárias à atividade da pessoa jurídica, relativas à efetiva contraprestação de algo recebido, corroboradas por documentação própria e devidamente registradas na contabilidade. As despesas com comissões na intermediação de vendas de equipamentos no mercado internacional são provadas mediante a apresentação de documentação produzida como conseqüência da prestação do serviço, que demonstre a sua efetiva realização. Contrato e transferência bancária (ou contrato de câmbio) comprovam a contratação do serviço e o pagamento, mas não servem como prova da realização do serviço (efetividade), condição necessária para dedução na apuração do lucro real. IRRF. PAGAMENTO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU DA CAUSA. Os pagamentos sem comprovação da operação ou da causa são tributados pelo imposto de renda na fonte. Fl. 4740DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (grifou-se) Com a ciência da decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário (e-fls. 4.140 e ss.), no qual reproduziu os fundamentos da impugnação e acrescentou o argumento de que a decisão foi omissa em relação a pontos fundamentais da defesa, aliado à tese de que houve "exame raso" dos documentos comprobatórios acostados aos autos. Em 20 de junho de 2017, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, no acórdão 1401- 001.896, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 PRELIMINAR DE NULIDADE. ALEGAÇÃO DE ANÁLISE RASA DOS DOCUMENTOS PELA INSTÂNCIA A QUO. O livre convencimento do julgador não perpassa pela necessidade de enfrentamento de todas as matérias trazidas pela recorrente, desde que o fundamento utilizado para a decisão seja suficiente para o deslinde da causa e que a parte não tenha seu direito de defesa cerceado. PRELIMINAR DE NULIDADE. FALTA DE INDICAÇÃO DA BASE LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Deve-se afastar a preliminar de nulidade por falta de indicação do artigo que deu azo ao lançamento fiscal quando a fiscalização descreveu todos os fatos geradores apurados e quando a própria empresa, a partir de suas peças recursais, demonstra nítida compreensão do que lhe fora arrogado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 DESPESAS. ÔNUS DA PROVA. No âmbito do processo administrativo tributário, cabe ao contribuinte provar as alegações relativas às despesas registradas na contabilidade. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. COMISSÃO DE VENDAS NO MERCADO EXTERNO. PAGAMENTO DE CONSULTORIA. GLOSA. Perfeitamente cabível o lançamento de glosa de despesas, quando a empresa, regularmente intimada, não apresenta documentos e esclarecimentos que possam comprovar a efetividade do dispêndio realizado, ou os apresenta de maneira deficiente. A despesa decorrente de serviços de intermediação de vendas efetuadas no exterior deve ser comprovada por documentação hábil e idônea de que efetivamente ocorreram. Somente após esta prova é que se deve verificar se os valores das comissões constam no registro de exportação. CSLL. LANÇAMENTO. A CSLL incide sobre despesas não comprovadas, porque estas acarretam a redução indevida do lucro, base de cálculo da referida contribuição social, não competindo embrenhar-se na discussão de aplicação reflexa para a CSLL dos fatos geradores do IRPJ. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 PAGAMENTO SEM CAUSA. Todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica a terceiros está sujeito à tributação do Imposto de Renda na Fonte, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), desde que não Fl. 4741DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 restar comprovada a sua causa, cabendo o reajustamento da base de cálculo nos termos do §3º do art. 674 do RIR/1999. IRPJ POR GLOSA E IRRF POR PAGAMENTO SEM CAUSA. CABIMENTO. Não há que se afastar a aplicação de um tributo em detrimento de outro, pois ambos incidem sobre fatos distintos. Um (IRPJ) incide sobre a glosa de despesa não comprovada; já o outro (IRRF) incide sobre o pagamento que não foi fincado em uma causa fiscalmente justificável. INCIDÊNCIA SOBRE PAGAMENTO DE COMISSÃO A AGENTES NO EXTERIOR. ALÍQUOTA ZERO OU ALÍQUOTA ESPECÍFICA. DESCABIMENTO. APLICAÇÃO DA REGRA GERAL. A partir da requalificação, como pagamento sem causa, do pagamento de comissão a agentes domiciliados no exterior, em razão da falta de comprovação de sua natureza, afasta-se qualquer pretensão de reenquadramento em alíquota específica do IRRF, devendo a tributação recair na regra geral do pagamento sem causa, sobre o qual é aplicada a alíquota de 35%. Contra a decisão o contribuinte opôs embargos (e-fls. 4.346), sob o fundamento de omissões e contradições no acórdão, os quais foram rejeitados, conforme despacho de e-fls. 4.367 e ss. Com a rejeição dos embargos, o contribuinte apresentou recurso especial de divergência (e-fls. 4.383 e ss.), em que manifesta sua discordância com o desfecho dos embargos e reproduz, em linhas gerais, os argumentos já formulados ao longo do processo, inclusive quanto às preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de 1ª instância. Em relação ao pedido de nulidade da decisão de 1ª instância, tece as seguintes alegações sobre os documentos apresentados: Viu-se que a instância de piso mal manuseou as provas carreadas nos ANEXOS 2 à 5 da IMPUGNAÇÃO, FLS. 2903 À 4107, o que sustentou o pedido de nulidade daquele julgamento. Importante, por aqui, deixar muito claro do que se tratam estes anexos: - ANEXO 2 DA IMPUGNAÇÃO (FLS. 2903-3084): OPERAÇÕES COM “TRACTO AMÉRICA”: 1) PLANILHA EM QUE RELACIONADAS COMISSÕES PAGAS; 2) “CARTA DE COMPROMISSO” ESTABELECENDO CONDIÇÕES DE INTERMEDIAÇÃO E AJUSTES FINANCEIROS; 3) AMOSTRAS DE COMERCIAL INVOICES; 4) AMOSTRA DE EMAILS EM QUE RETRATADAS ALGUMAS DAS OPERAÇÕES COMERCIAIS ENTRE AS PARTES; 5) CONTRATOS DE CÂMBIO QUE COMPROVAM OS PAGAMENTOS DE COMISSÕES NAS OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO/IMPORTAÇÃO, ENTABULADAS ENTRE AMBAS. - ANEXO 3 DA IMPUGNAÇÃO (FLS. 3085-3852): Além dos REs, CARTAS DE COMPROMISSO/ORDENS DE COMPRA/ACEITES, entre outros – todos reproduzidos no e-PAF por ocasião de resposta a intimação fiscal – a RECORRENTE apresentou os seguintes elementos adicionais: OPERAÇÕES COM PDVSA - PETRÓLEOS VENEZUELA S/A (PDVSA AGRÍCOLA), INTERMEDIADOS POR INTERSUGAR LTDA: 1) DOCUMENTOS QUE ILUSTRAM O EVENTO QUE PRECEDEU O ACORDO ECONÔMICO ENVOLVENDO FABRICANTES/FORNECEDORES BRASILEIROS, AMÉRICA TRADING, INTERSUGAR E A IMPORTADORA PDVSA, EM SÃO PAULO, EM 03/2011; 2) AVISOS DE PAGAMENTOS DA PDVSA À AMÉRICA TRADING; 3) COMERCIAL INVOICES; 4) PLIEGOS, PROSPECTOS TÉCNICOS, OFERTAS, CARTAS DE COMPROMISSO, ORDENS DE COMPRA E ACEITES DA IMPORTADORA PDVSA, RELATIVAMENTE AOS EQUIPAMENTOS OBJETOS DA “PROCURA INTERNACIONAL URGENTE” - ANEXO 4 DA IMPUGNAÇÃO (FLS. 3853-4107), composto dos seguintes elementos adicionais: Fl. 4742DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 OPERAÇÕES COM INTERSUGAR CONSULTORIA LTDA: 1) DECLARAÇÃO FIRMADA POR PDVSA, SEGUNDO A QUAL ATESTA SEU REPRESENTANTE NO BRASIL É INTERSUGAR CONSULTORIA LTDA.; 2) PLANILHA EM QUE RELACIONADAS COMISSÕES PAGAS; 3) TODAS AS NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (INCLUSIVE AS EMITIDAS EM 2011); 4) COMPROVANTES DE PAGAMENTOS; 5) AMOSTRA DE E-MAILS TROCADOS ENTRE PDVSA, A RECORRENTE E A PRESTADORA INTERSUGAR, COMPROVANDO A TRIANGULAÇÃO DAS OPERAÇÕES COM A ESTATAL VENEZUELANA - ANEXO 5 DA IMPUGNAÇÃO (FLS. 3913-4107): OPERAÇÕES DE PAGAMENTOS AOS DEMAIS AGENTES EXTERNOS: 1) PLANILHA EM QUE RELACIONADAS COMISSÕES PAGAS, VINCULADAS AOS REGISTROS DE EXPORTAÇÃO (RES) – JÁ REPRODUZIDOS NO E-PAF -, E 2) CONTRATOS DE CÂMBIO QUE COMPROVAM OS PAGAMENTOS DE COMISSÕES NAS OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO A seu turno, em contraponto aos argumentos esgrimidos pelos julgadores de 1º grau, a então RECORRENTE reforçou o conjunto probatório com os seguintes ANEXOS RECURSAIS: - ANEXO RECURSAL 1, FLS. 4206-4208: Resposta à consulta formulada à DECEX/SECEX por meio da qual confirma a dispensabilidade de formalização de contratos com agentes no exterior para a validade dos pagamentos de comissões efetivados. - ANEXO RECURSAL 2, FLS. 44210-4254: 1) TERMO DE ESCLARECIMENTOS prestado pela representante da PDVSA no Brasil, INTERSUGAR CONSULTORIA LTDA; 2) DECLARAÇÃO PRESTADA POR PDVSA AGRÍCOLA confirmando que INTERSUGAR CONSULTORIA LTDA é sua representante para negócios no Brasil e autorizada a realizar contratações, em seu nome; 3) Contrato entre Intersugar e PDVSA relacionado à “SERVIÇO DE CONSULTA PARA LOGÍSTICA INTERNACIONAL NO BRASIL” - ANEXO RECURSAL 3, FLS. 4255-4303: E-MAILS complementares por meio dos quais se prova a inter-relação negocial entre a RECORRENTE, INTERSUGAR, FABRICANTES e PDVSA. Cita passagens do voto condutor da decisão de 1ª instância, às fls. 4118-4119, para sustentar que a referida decisão relacionou os “anexos” para, em seguida e em “bloco”, advogar que não serviriam ao propósito de comprovar o modus operandi nas operações de exportação e a dedutibilidade das comissões pagas a intermediários, indevidamente glosadas. É dizer: a DRJ sequer deu-se ao trabalho de explicar o porquê de suas conclusões; limitou-se, simplesmente, a rejeitar o extenso conteúdo probatório sem pormenorizar as razões disso. Pede que sejam consideradas as garantias constitucionais (LV, art. 5º, CRFB/88) e infraconstitucionais (Decreto nº 70.235/72 e Lei nº 9.784/99), o corolário da verdade material, além do que preceitua o art. 373 do NCPC, com a nulidade da decisão de 1ª instância. Sobre a nulidade da autuação fiscal, alega que a autoridade fiscal se equivocou ao adotar como esteio material o que dispõe o art. 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), uma vez que todos os pagamentos de comissões, indevidamente glosadas, revestem-se das características preconizadas pelo referido dispositivo, o qual traduz apenas regra geral de dedutibilidade das despesas qualificadas de “operacionais” (como o são, repita-se, as comissões pagas na intermediação nas operações de exportação, que representa o objetivo social maior da recorrente). Entretanto, deveria ter sido indicada regra específica de “indedutibilidade”, expressa Fl. 4743DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 no art. 304 do RIR/99. A autuação, da forma como efetuada, descumpriu exigência prevista no Decreto nº 70.235/72 (art. 10, inc. IV). No mérito, sustenta a dedutibilidade plena das comissões pagas a agentes e intermediadores nas operações de exportações em lide, sendo suficiente a apresentação dos registros de exportação e contratos de câmbio, tipicamente exigíveis nesse tipo de operação internacional. Aduz, ainda a impossibilidade de inversão do onus probandi da autoridade fiscal no caso, por ausência de autorização legal presuntiva. Aponta que o pagamento, cuja ocorrência e prova estaria a cargo do Fisco, configura condição indispensável a atrair a presunção de que trata o art. 674 do RIR/99. Por fim, aduz a impossibilidade jurídica de se exigir o IR-Fonte sob acusação do art. 674 do RIR/99 concomitantemente à exigência de IRPJ/CSLL calcada em glosa de custos ou despesas dos mesmos valores ou fatos que serviram de base de cálculo para ambos. O recurso especial do contribuinte foi objeto de análise pelo despacho de admissibilidade de e-fls. 4.705 e ss., que decidiu pelo seguimento parcial do recurso, para processamento das seguintes matérias, admitidas a partir dos respectivos paradigmas: 1- nulidade do acórdão de 1º grau por falta de exame criterioso de conteúdo probatório - paradigma: Acórdão nº 1202-000.872 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA E DA VERDADE MATERIAL. Deve ser declarada nula a decisão da DRJ que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, sem ter analisado criteriosamente os documentos comprobatórios apresentados juntamente com a peça impugnatória. O método adotado pelo julgador de primeira instância acarretou violação aos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal, quais sejam, Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa e Princípio da Verdade Material. O julgador só pode concluir o julgamento quando tiver elementos suficientes que comprovem a verdade dos fatos, não sendo permitido julgar por presunção, principalmente quando não analisada, de forma criteriosa, toda a documentação apresentada. Acolhida a preliminar de nulidade a fim de anular a decisão da DRJ. Recurso Voluntário Provido. 2 - imprestabilidade dos autos de infração como consequência de erro material cometido na capitulação legal da acusação - paradigma: Acórdão nº 9202-002.604 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/03/1999, 31/08/2005 AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO ENTRE OS FATOS NARRADOS PELA FISCALIZAÇÃO E O DISPOSITIVO LEGAL INDICADO COMO INFRINGIDO NULIDADE VIOLAÇÃO AO ARTIGO 142 DO CTN. De acordo com o artigo 10, inciso IV, do Decreto-lei n° 70.235/72, o auto de infração deve conter, obrigatoriamente, a disposição legal infringida. O descumprimento dessa Fl. 4744DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 regra, como ocorre no caso em apreço, ofende os princípios da legalidade, do contraditório e da ampla defesa, além de violar o artigo 142 do CTN, sendo causa de nulidade do lançamento. Ademais, a falta de correlação entre a conduta praticada pelo contribuinte e a norma legal indicada como infringida desrespeita, ainda, o princípio da motivação. O prejuízo à parte, inclusive pela impossibilidade de compreensão da controvérsia, é evidente. NATUREZA DO VÍCIO MATERIAL X FORMAL. A nulidade existente neste feito não diz respeito à forma do auto de infração, mas ao seu conteúdo, à sua materialidade, pois os fatos supostamente ocorridos não se enquadram na norma indicada pela fiscalização como infringida. O vício, portanto, é material. Recurso especial negado. 3 - suficiência dos registros de exportação e contratos de câmbio para comprovação da prestação de serviços de agentes e intermediadores nas operações de exportação - paradigma: Acórdão nº 105-14.378 IRPJ, PIS E IR-FONTE - MÚTUO - ARTIGO 21 DO DECRETO-LEI N° 2.65/83 - EMPRÉSTIMO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS COLIGADAS, CONTROLADAS, INTERLIGADAS E CONTROLADAS - A correção monetária da parcela mutuada seja calculada pelo tempo de duração do empréstimo em cada período-base, tendo-se por base o valor diário da ORTN - COMISSÃO DO AGENTE - EXPORTAÇÃO - A aceitação da inclusão do agente na declaração de exportação, documento hábil de comprovação perante a Receita Federal e o Banco Central, inclusive com menção do percentual da comissão, corroborada com outros documentos complementares, induz à aceitação da dedutibilidade das comissões de intermediação pagas a agente no exterior. PROVISÃO PARA DEVEDORES DUVIDOSOS - INCLUSÃO DE CRÉDITOS EM SUA BASE DE CÁLCULO - A provisão para devedores duvidosos incide sobre todos os créditos da empresa, à exceção daqueles expressamente excluídos pelo Regulamento do Imposto de Renda, não podendo a autoridade fiscal, via de interpretação, estender o comando legal para restringir situações nele não previstas. Recurso voluntário conhecido e parcialmente provido. 4 - tentativa fiscal de inversão do onus probandi - paradigmas: Acórdão nº 103-17.474 DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS - COMISSÕES SOBRE VENDAS - AGENTES SEDIADOS NO EXTERIOR - DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis, como despesas operacionais, as importâncias pagas a agentes sediados no exterior, a título de comissões sobre vendas, quando restar comprovado que foram realizados os negócios jurídicos de compra e venda, a exportação dos produtos e o pagamento das comissões devidas. A liquidação da obrigação e, de conseqüência, a efetiva prestação dos serviços, resulta da prática adotada no comércio exterior. Recurso provido. Acórdão nº 107-04.534 IRPJ - COMISSÕES PAGAS A AGENTES NO EXTERIOR - Não comprovado pelo Fisco que as vendas foram realizadas sem a interveniência do agente, incabível a glosa das despesas de comissões sobre vendas no exterior. [...] 5 - impossibilidade jurídica de se exigir o IR fonte concomitantemente à exigência de IRPJ/CSLL - paradigmas: Acórdão nº 104-22169 Fl. 4745DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA DE FONTE - REMESSA PARA O EXTERIOR - EMPRÉSTIMO - OPERAÇÃO COM T BILL'S - SIMULAÇÃO - PAGAMENTO SEM CAUSA - ART. 61 DA LEI N°8.981 DE 1995- PROVA - Comprovada a operação pelo contribuinte com documentos hábeis e idôneos e não havendo contra- prova da fiscalização, ainda que indiciária, a fundamentar o lançamento, descabe a autuação. IRF - REMUNERAÇÃO INDIRETA PAGA A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO - GLOSA DE DESPESAS - Não havendo prova para desmentir que se trata de despesas com aluguel de veículos e curso de idiomas destinados à diretoria, gerência e administradores da contribuinte, conforme contabilizado por ela, cabe a incidência de IRF. IRFONTE - PAGAMENTO SEM CAUSA - ART. 61 DA LEI N° 8981 DE 1995 - LUCRO REAL - REDUÇÃO DE LUCRO LIQUIDO - MESMA BASE DE CÁLCULO - INCOMPATIBILIDADE - A aplicação do art. 61 está reservada para aquelas situações em que o Fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do lucro liquido, tipicamente caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas, situações próprias da tributação do IRPJ pelo lucro real. Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 9202-00686 Assunto: Imposto de Renda Retido na Fonte - IRFonte IRFONTE - PAGAMENTO SEM CAUSA - ART. 61 DA LEI N°8.981, DE 1995 - LUCRO REAL - REDUÇÃO DE LUCRO LIQUIDO - MESMA BASE DE CÁLCULO - INCOMPATIBILIDADE. A aplicação do art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, está reservada para aquelas situações em que o Fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do lucro líquido, tipicamente caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas, situações próprias da tributação do IRPJ pelo lucro real. Precedente da CSRF. Acórdão n° CSRF/04-01 094. Jul. 03/11/2008 Rel. Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. No caso concreto, por presunção, foi considerado omissão de receita o dinheiro creditado em conta bancária da empresa no dia 18/02/97. Assim, se houve receita omitida aumentou-se o lucro e exigiu-se IRPJ, CSLL, COFINS, PIS. Todavia, quando o dinheiro saiu do caixa da empresa para pagar, com juros, o valor que foi considerado receita omitida, tal importância não pode ser considerada pagamento sem causa, sob pena de efetivamente confirmar que não se tratava de receita omitida, mas sim empréstimo com obrigação de restituição dos valores. Recurso especial negado. O contribuinte não apresentou agravo da parte que não prosseguiu, como atestado pelo despacho de e-fls. 4.719, que encaminhou os autos para apreciação da CSRF. Verificado que os autos não haviam sido encaminhados para ciência da Procuradoria da Fazenda Nacional, elaborou-se despacho de saneamento com tal finalidade (e- fls.4721-4724). Cientificada, a PFN apresentou contrarrazões (e-fls.4726-4732), em que, preliminarmente, requer que o recurso especial da contribuinte não seja conhecido, pois a recorrente pretende ver reapreciadas provas, o que encontra óbice na aplicação analógica da Súmula 07/STJ, segundo a qual “a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial”, sendo o recurso especial um apelo de fundamentação vinculada, não pode a Câmara Superior apreciar e reanalisar fatos e provas. Fl. 4746DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 Quanto ao mérito, sustenta os fundamentos apresentados pelo julgado atacado são sólidos e não merecem qualquer reparo, sendo a questão eminentemente probatória. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Conhecimento Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, nos termos do art. 67 do Anexo II do RICARF. Como visto, o recurso especial do contribuinte foi admitido de forma parcial, com seguimento para cinco matérias pelo despacho de admissibilidade (e-fls. 4705/4713), sob os seguintes fundamentos: (1) nulidade da decisão de primeira instância por falta de exame criterioso de conteúdo probatório: Com relação a essa primeira matéria, ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegou-se a conclusões distintas. Enquanto a decisão recorrida entendeu que não é nula a análise rasa dos documentos pela instância a quo, o primeiro acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 1202- 000.872, de 2012) decidiu, de modo diametralmente oposto, que deve ser declarada nula a decisão da DRJ que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, sem ter analisado criteriosamente os documentos comprobatórios apresentados juntamente com a peça impugnatória. Já no referente ao segundo acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 1402-002.707, de 2017), não ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, por se tratar de situações fáticas distintas. Enquanto na decisão recorrida tratou-se de análise rasa dos documentos pela instância a quo, no segundo acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 1402-002.707, de 2017), ao contrário, tratou-se de falta de enfrentamento de item de mérito apresentado na impugnação. São, pois, situações fáticas distintas, a demandarem, forçosamente, decisões diversas, insuscetíveis de uniformização por meio do Recurso Especial de divergência. (2) imprestabilidade dos autos de infração como consequência de erro material cometido na capitulação legal da acusação: No que se refere a essa segunda matéria, também ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegou-se a conclusões distintas. Enquanto a decisão recorrida entendeu que se deve afastar a preliminar de nulidade por falta de indicação do artigo que deu azo ao lançamento fiscal, quando a fiscalização descreveu todos os fatos geradores apurados e quando a própria empresa, a partir de suas peças recursais, demonstra nítida compreensão do que lhe fora arrogado, o acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 9202-002.604, de 2013) decidiu, de modo diametralmente oposto, que o auto de infração deve conter, obrigatoriamente, a Fl. 4747DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 disposição legal infringida, sendo que o descumprimento dessa regra [...] ofende os princípios da legalidade, do contraditório e da ampla defesa, além de violar o artigo 142 do CTN, sendo causa de nulidade do lançamento. (3) suficiência dos registros de exportação e contratos de câmbio para comprovação da prestação de serviços de agentes e intermediadores nas operações de exportação; No tocante a essa terceira matéria, também ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegou-se a conclusões distintas. Enquanto a decisão recorrida entendeu não ser suficiente à comprovação da efetividade da prestação de serviços documentos que apenas demonstram que houve pagamento (e sua respectiva menção no registro de exportação), o acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 105-14.378, de 2004) decidiu, de modo diametralmente oposto, que, sendo razoável o percentual [de comissão], sendo habitual a utilização de agentes no exterior em negócios de exportação e estando indicado nas declarações de exportação o nome do agente, [...] devem ser aceitos seus pagamentos dentro da condição de dedutibilidade fiscal. (4) tentativa fiscal de inversão do onus probandi: Relativamente a essa quarta matéria, também ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegou-se a conclusões distintas. Enquanto a decisão recorrida entendeu que a despesa decorrente de serviços de intermediação de vendas efetuadas no exterior deve ser comprovada por documentação hábil e idônea de que efetivamente ocorreram, os acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos nºs 103-17.474, de 1996, e 107-04.534, de 1997) decidiram, de modo diametralmente oposto, que a liquidação da obrigação e, de consequência, a efetiva prestação dos serviços, resulta da prática adotada no comércio exterior (primeiro acórdão paradigma) e que, não comprovado, pelo Fisco, que as vendas foram realizadas sem a interveniência do agente, incabível a glosa das despesas de comissões sobre vendas no exterior (segundo acórdão paradigma). (5) impossibilidade jurídica de se exigir o IR-fonte concomitantemente à exigência de IRPJ/CSLL: Por fim, no concernente a essa sexta matéria, ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegou-se a conclusões distintas. Enquanto a decisão recorrida entendeu que não há que se afastar a aplicação de um tributo em detrimento de outro, pois ambos incidem sobre fatos distintos e que um (IRPJ) incide sobre a glosa de despesa não comprovada; já o outro (IRRF) incide sobre o pagamento que não foi fincado em uma causa fiscalmente justificável, os acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos nºs 104-22.169, de 2007, e 9202-00.686, de 2010) decidiram, de modo diametralmente oposto, que a aplicação do art. 61 [da Lei nº 8.981, de 1995] está reservada para aquelas situações em que o Fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do lucro líquido, tipicamente caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas, situações próprias da tributação do IRPJ pelo lucro real. Sendo certo que à CSRF não compete apreciar e reanalisar fatos e provas, contudo, a manifestação da Fazenda Nacional, a título de contrarrazões, questionando a admissibilidade recursal, em razão de uma suposta "pretensão de simples reexame de prova", a teor da Súmula 7 do STJ não encontra eco nos presentes autos. O recurso apresentado, no que tange às questões probatórias, as trata no contexto de alegação de nulidade da decisão (item 1, Fl. 4748DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 acima) ou de definição de requisitos para fins de comprovação (item 3) ou, ainda, inseridas na discussão sobre o ônus probatório (item 4). Assim, presentes os pressupostos recursais, conheço do recurso especial do contribuinte, nos moldes do despacho de admissibilidade (e-fls. 4.705 e ss.), cujos fundamentos e conclusões ratifico. Passo ao exame do mérito. Da nulidade da decisão de 1ª instância por falta de exame criterioso de conteúdo probatório Inicialmente, aduz a recorrente que tanto a decisão da DRJ como o acórdão proferido pela Turma Ordinária do CARF, embora convergentes quanto ao entendimento de que a empresa não logrou êxito em comprovar as despesas, teriam analisado as provas de modo superficial, sem conferir a devida atenção aos documentos anexos à impugnação, de e-fls. 2.903- 4.107. Afirma, ainda, que "reforçou a documentação", em sede recursal, de sorte que as provas em seu favor totalizariam mais de 1.200 páginas. Embora admita a recorrente que o acórdão do CARF procurou examinar os documentos relativos à comprovação dessas despesas, reclama que a análise teria sido superficial, para também atacar a decisão de piso ante a "escandalosa omissão" perpetrada, tudo em ofensa ao princípio da verdade material e ao novo Código de Processo Civil - CPC. Aduz, também, que as conclusões do acórdão recorrido somente seriam pertinentes acaso a matéria em discussão cuidasse, exclusivamente, de questões de direito, o que não é verdade, posto que a acusação fiscal baseou-se em situações de fato para as autuações. Por fim, com o objetivo de demonstrar a divergência, a recorrente traz aos autos acórdãos em que se decidiu pela necessidade de análise criteriosa dos documentos comprobatórios. Como é cediço, a competência desta CSRF restringe-se à análise de divergências jurídicas oriundas de decisões conflitantes, com o objetivo precípuo de uniformização da jurisprudência administrativa, sendo vedada, por força da premissa, a apreciação de provas ou fatos já discutidos no processo. No despacho de admissibilidade do recurso especial do contribuinte restou consignado que em relação a essa matéria "ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegou-se a conclusões distintas." Prosseguindo o despacho: Enquanto a decisão recorrida entendeu que não é nula a análise rasa dos documentos pela instância a quo, o primeiro acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 1202- 000.872, de 2012) decidiu, de modo diametralmente oposto, que deve ser declarada nula a decisão da DRJ que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, sem ter analisado criteriosamente os documentos comprobatórios apresentados juntamente com a peça impugnatória. Assim, em relação a matéria de nulidade admitida para apreciação desta turma da CSRF discute-se tão-somente a nulidade da decisão da DRJ por falta de apreciação da documentação apresentada na impugnação. Fl. 4749DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 Para fins de declaração de nulidade de decisão em processo administrativo tributário cumpre observar cumpre observar o disposto nos seguintes dispositivos do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Vejamos o que restou decidido pela decisão da DRJ: Com efeito, a documentação apresentada durante a fiscalização, composta de notas fiscais, contratos de prestação de serviços, registros de exportação, contratos de câmbio, etc., revela indícios da contratação e do pagamento mas não se encontra completa para fins de prova da efetividade da despesa com serviços. Em relação à Tracto America C.A., alegou-se na impugnação a existência de vínculo comercial mediante carta de compromisso segundo a qual a empresa venezuelana teria a responsabilidade por prospecção de mercado, comercialização, entrega técnica, treinamento de pessoal e assistência pós-venda. Por esses serviços de intermediação e assistência na Venezuela, teriam ajustado remuneração adicional, como comissões de agente de exportação, com percentual variável de 2 a 15%, dependendo do tipo de equipamento embarcado. Os documentos que compõem o Anexo 2 da impugnação (fls. 2.903/3.082) foram apresentados como comprovação, a saber: "Carta Compromisso de Negocios", quadro de comissões pagas, contratos de câmbio e amostras de commercial invoices e de e- mails. A correspondência eletrônica, em espanhol e em português, trata de entrega de produtos, montagem de equipamentos, crédito de comissões, agendamento de treinamento e deslocamento de representante. A documentação revela indícios da contratação do serviço mas não prova a sua efetiva realização. Os Anexos 3 e 4 acompanharam a argumentação direcionada à impugnação da glosa referente às comissões da Intersugar Consultoria Ltda. A documentação está em língua espanhola na sua quase totalidade, desacompanhada de tradução oficial (juramentada). Encontram-se no Anexo 3 (fls. 3.085/3.851): programa, prospectos e outros papéis da Rodada de Negócios Brasil-Venezuela realizada em março/2011, faturas comerciais relativas a exportações da autuada para a venezuelana PDVSA Agrícola S/A, avisos de pagamentos, autorizações da autuada à PDVSA Agrícola para depósitos em conta bancária, "cartas compromisso" firmadas entre America Trading Import Export e fornecedores de equipamentos para exportação à PDVSA Agrícola, ofertas comerciais e técnicas, pedidos de compras da PDVSA Agrícola diretamente à autuada, solicitações de confirmação de embarque de mercadorias, etc. Fl. 4750DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 Fl. 16 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 Compõem o Anexo 4 (fls. 3.852/3.912): Declaração da PDVSA Agrícola informando ser a Intersugar a única empresa autorizada a "solicitar cotización, fabricación, ingeniería o diseño de algún equipo" para si, quadro demonstrativo de comissões supostamente devidas pela autuada à Intersugar, notas fiscais emitidas por Intersugar em 2011 e 2012 relativas a serviços de "consultoria comercial" à autuada, comprovantes de pagamentos (TED), correspondência eletrônica trocada entre a autuada, Intersugar e PDVSA Agrícola, etc. O exame dos dois anexos revela indícios de atividade comercial diretamente entre a autuada e PDVSA Agrícola. Contudo, nada contém em condições de comprovar efetiva intermediação de negócios por Intersugar em contrapartida dos pagamentos realizados por suposta prestação de serviço de "consultoria comercial". Encontra-se na correspondência eletrônica (e-mails) apenas menção a informações sobre pagamentos de comissões, nada relativo ao serviço propriamente. Portanto, não está documentalmente provada a efetividade da despesa de comissões pagas a Intersugar Consultoria Ltda, em razão da inexistência nos autos de documentação produzida pela suposta prestadora do serviço como conseqüência da sua realização, a exemplo de relatórios, pedidos de compra, pesquisas de mercado, tratativas com a compradora, treinamentos, etc. Do Anexo 5 (fls. 3.913/4.107), dirigido à glosa das comissões dos demais agentes no exterior, constam, também em espanhol, "cartas compromisso" firmadas entre America Trading Import Export e fornecedores de equipamentos para exportação à PDVSA Agrícola, quadro demonstrativo de comissões devidas, contratos de câmbio, ofertas comerciais, autorizações para depósitos em conta bancária, pedidos/ordens de compras diretamente à autuada, etc. Repete-se relativamente ao anexo 5 a constatação exposta acima quanto ao exame dos Anexos 3 e 4. Mantém-se, assim, a glosa promovida pela autoridade fiscal. (grifou-se) Nesse contexto, convém reproduzir o teor do voto condutor acerca da preliminar de nulidade: A requerente pugna pela decretação de nulidade do acórdão recorrido, tendo em vista que não foram enfrentados pontos nodais de sua defesa, como, por exemplo, aquele segundo o qual a fiscalização tenha se baseado para glosar as despesas com agentes do exterior, exigindo a exibição de contratos registrados, e, com isso, indo além do que exige o § 1º do art. 3º da IN SRF 252/2002 a estipulação do pagamento no Registro de Exportação. Ainda, alega que a DRJ/REC somente procedeu a um exame raso dos diversos elementos probatórios carreados no processo. A recorrente pede que seja ultrapassado o pedido preliminar aqui destacado, caso se entenda que deva ser dado provimento quanto ao mérito, baseada no § 3º do art. 59 do Decreto 70.235/1972, abaixo: (...) Antes de adentrar neste ponto, cabe esclarecer que o julgador não precisa enfrentar todos os pontos questionados pela empresa autuada, se já formou seu convencimento por meio das questões mais essenciais trazidas no recurso, desde que tais questões sejam fundamentais para o julgamento da lide e a falta de discussão de outros pontos não permita violação ao direito de defesa da empresa. O Conselheiro Antonio Bezerra Neto trata do assunto com propriedade: (...) Muito embora a decisão de piso não tenha tratado especificamente do questionamento quanto à desobediência, pela autoridade fiscal, do disposto no § 1º do art. 3º da IN SRF 252/2002, entendo que o julgador a quo tratou como irrelevante o enfrentamento da matéria, por ter partido de premissa diversa daquela que quis fazer crer a Fl. 4751DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 recorrente: o julgador percebeu que a fiscalização efetuou lançamento a partir de despesas não comprovadas, e não sobre despesas comprovadas, mas não dedutíveis para fins de IRPJ e CSLL. Veja em trecho do acórdão recorrido: Constata-se, de imediato, que a fiscalização não cogitou de despesa desnecessária, como quis fazer crer a autuada em passagem da sua peça de contestação. Trata-se, portanto, de questionamento estranho à matéria sob julgamento. Assim, entendeu que a despesa não comprovada foge da natureza de despesa com comissão de agentes no exterior e cai na "vala comum", devendo ter tratamento idêntico dispensado às despesas definidas na regra geral. Desta forma, no meu sentir, não houve necessidade de se explorar a aplicação ou não do § 1º do art. 3º da IN SRF 252/2002. Da mesma forma, em relação ao pagamento sem causa, entendeu o julgador que não tem qualquer pertinência com o pagamento de comissão a agentes no exterior. Este ponto, no entanto, será tratado mais adiante no capítulo que trata do IRRF. Outrossim, entendo que a decisão de piso enfrentou as questões mais relevantes ao deslinde da causa. O julgador citou inclusive os agentes comissionados e enfrentou as questões trazidas na impugnação, mas entendeu que nada de relevante foi trazido ao processo após a ciência do auto de infração. Por esta razão, afasto estas preliminares de nulidade. (grifou-se) A leitura dos excertos acima transcritos evidencia que a decisão recorrida não se omitiu acerca do argumento preliminar formulado pelo contribuinte; ao contrário, confirmou o entendimento dado pela DRJ sob o fundamento de que as análises partiram de premissas distintas daquelas apresentadas pela defesa. Nesse sentido, os embargos opostos à decisão ora recorrida (e-fls. 4.346), sob o fundamento de omissões e contradições no acórdão, foram rejeitados, conforme despacho de e- fls. 4.367 e ss. Concordo com a decisão recorrida. Nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72, "na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias". Assim, no exercício de sua função, compete ao julgador expressar livremente sua percepção dos fatos constantes dos autos, inclusive analisando sob ótica distinta da fiscalização, em resposta às alegações trazidas pela defesa. Vedado ao julgador, à luz do art. 59 do mesmo decreto, é manutenção do lançamento exclusivamente sob novo fundamento, em evidente cerceamento ao direito de defesa. De fato, o julgador, ao decidir, não está obrigado a examinar todos os fundamentos de fato ou de direito trazidos ao debate, podendo a estes conferir qualificação jurídica diversa da atribuída pelas partes, cumprindo-lhe entregar a prestação jurisdicional, considerando as teses discutidas no processo, enquanto necessárias ao julgamento da causa. Nesse sentido é o entendimento dos Tribunais Superiores: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS PELA TERCEIRA VEZ NA AÇÃO RESCISÓRIA. COFINS. LEGITIMIDADE DA REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO PELA LEI 9.430/96. AÇÃO JULGADA PROCEDENTE. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO QUANTO A ARGUMENTOS CONCERNENTES AO NÃO CABIMENTO DA AÇÃO RESCISÓRIA. VÍCIO NÃO EVIDENCIADO. ACLARATÓRIOS PROTELATÓRIOS. MULTA PROCESSUAL MANTIDA. Fl. 4752DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 1. Terceiros aclaratórios pelos quais a contribuinte insiste em asseverar que o acórdão impugnado continua omisso no que tange à alegação de que não caberia o ajuizamento da presente ação rescisória, porquanto, na data da sua propositura, ainda estava em vigor a Súmula 276/STJ e o STF não havia reconhecido a constitucionalidade do art. 56 da Lei 9.430/96. 2. É cediço que o julgador, desde que fundamente suficientemente sua decisão, não está obrigado a responder todas as alegações das partes, a ater-se aos fundamentos por elas apresentados nem a rebater um a um todos os argumentos levantados, de tal sorte que a insatisfação quanto ao deslinde da causa não oportuniza a oposição de embargos de declaração. No caso concreto, importa repetir que o acórdão embargado, respaldado na jurisprudência do STJ, afastou o enunciado 343/STF e admitiu a ação rescisória por entender que o acórdão rescindendo apreciou equivocadamente matéria de índole constitucional. 3. Os argumentos ventilados pela embargante não dizem respeito a vício de integração do julgado, mas a esforço meramente infringente tendente a respaldar tese que não foi acolhida, o que não é admitido na via dos aclaratórios. Ainda assim, caso a embargante entenda que não foi prestada a jurisdição, caberá a ela intentar a anulação do julgado mediante a interposição de recurso próprio. 4. A presente ação rescisória foi julgada em 14/4/2010 e até o momento a entrega da efetiva prestação jurisdicional vem sendo retardada pela parte sucumbente em razão de repetidos embargos de declaração pelos quais ela busca, tão somente, a modificação do resultado que lhe foi desfavorável. A constatação do caráter protelatório dos aclaratórios justifica a manutenção da multa processual de 1% sobre o valor da causa (art. 538, parágrafo único, do CPC). 5. Embargos de declaração rejeitados." (EDcl nos EDcl nos EDcl na AR 3788 PE 2007/0144084-2, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, DJe 02/03/2011). (grifou-se) Ademais, o julgador não precisa refutar, um a um, os argumentos apresentados pelas partes quando encontrou motivos suficientes para decidir. Tal entendimento permanece mesmo após a entrada em vigor do Novo Código de Processo Civil (NCPC/2015), conforme já decidiu o Superior Tribunal de Justiça: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. HIPÓTESE DE NÃO CABIMENTO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Mesmo após a vigência do CPC/2015, não cabem embargos de declaração contra decisão que não se pronuncie tão somente sobre argumento incapaz de infirmar a conclusão adotada. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC/2015, destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade ou eliminar contradição existente no julgado. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo inciso IV do § 1º do art. 489 do CPC/2015 ["§ 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador"] veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo STJ, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão. EDcl no MS 21.315-DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. (grifou-se) Portanto, o que é vedado, em termos de prestação jurisdicional, é o julgador deixar de apreciar questão controversa constante dos autos, situação que definitivamente não ocorreu, pois a decisão de primeira instância procedeu ao exame das provas constantes dos autos nos termos e limites suficientes para a formação da convicção dos julgadores do colegiado e a mesma questão, à luz, inclusive, de novas provas, foi confirmada pela turma ordinária do CARF. Fl. 4753DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 Como não restou demonstrado pela recorrente o vício da decisão de primeira instância, o que é o objeto de divergência trazida a esta instância especial, nego provimento ao pedido de nulidade da decisão de primeira instância. Da imprestabilidade dos autos de infração como consequência de erro material cometido na capitulação legal da acusação Neste item, aduz a recorrente que a autoridade fiscal baseou o lançamento no art. 299 do RIR/99 e que as despesas glosadas revestir-se-iam das exatas características preconizadas pelo dispositivo, que não se prestaria para alicerçar a infração em debate. E esse lapso implicaria erro material e nulidade da autuação, posto que a fiscalização deveria ter indicado a regra específica de indedutibilidade, prevista no art. 304 do mesmo diploma legal: Art. 304. Não são dedutíveis as importâncias declaradas como pagas ou creditadas a título de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes, quando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento. (grifou-se) Ocorre que a análise do lançamento evidencia que a autoridade fiscal indicou diversos dispositivos legais que serviram de base para a autuação, como destacado pela decisão recorrida no seguinte trecho: A recorrente questiona que a fiscalização tipificou incorretamente seu auto de infração no art. 299 do RIR/1999, quando deveria citar o art. 304 do mesmo regulamento. Desta forma, alega violação ao art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, assim como ao art. 142 do CTN. Entendo que esta alegação poderia ser tratada também nas preliminares, pois, mesmo que tangencialmente, a recorrente pugna pela nulidade da autuação, sobretudo porque remete a dispositivos que indicam tal pretensão. Em decorrência de seu pedido, traz a fundamentação legal contida no auto de infração, com fins de demonstrar a falta de aposição do citado art. 304. Eis a fundamentação legal do auto de infração: art. 3º da Lei 9.249/1995 e os art. 247; 248; 249, I; 251; 277; 278; 299 e 300 do RIR/1999. Convém esclarecer neste momento que compartilho com o entendimento exarado pela DRJ/REC, de que a fiscalização efetuou o lançamento do IRPJ e da CSLL em razão da falta de documentação comprobatória das despesas realizadas em decorrência de pagamentos de comissão a agentes do exterior, e não com base na desnecessidade de tal dispêndio, como entendeu a recorrente. Assim, a fundamentação legal contida no auto de infração vai ao encontro do que pretendeu demonstrar a autoridade fiscal. O argumento da recorrente de que não foi citado o art. 304 do RIR/1999 não merece ser acolhido para fins de reconhecimento do suposto erro material cometido pela fiscalização. A fundamentação legal não se estabelece somente pela indicação do dispositivo legal a que se refere. Ela também compreende a descrição do fato imponível, daquele que retrata a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, que, a meu ver, é de mais alto relevo do que a própria descrição legal, pois permite à outra parte o perfeito conhecimento do que lhe está sendo arrogado. Entender que a falta de dispositivo legal, não obstante a descrição pormenorizada dos fatos apurados, pode ocasionar prima facie o cerceamento do direito de defesa, nos levaria a padecer a um retrocesso que tanto se combate quando nos debruçamos sobre o estudo da evolução da hermenêutica jurídica. É óbvio que não se está aqui a militar em favor da completa falta de fundamentação Fl. 4754DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 legal de um ato jurídico, o que não se pode admitir, mas tão somente tenho em mente que deve ser sopesada tal ausência com o prejuízo causado à parte que a alega. No caso concreto, não vislumbro prejuízo à recorrente, uma vez que, apesar da falta de indicação do art. 304 do RIR/1999, a recorrente entendeu perfeitamente o que lhe fora imputado, conforme se observa em suas peças recursais de impugnação e de recurso voluntário. Assim, verificando o disposto no art. 142 do CTN, bem como do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, abaixo reproduzidos, constato que todas as premissas ali contidas foram atendidas, devendo ser negado provimento quanto a este ponto. (grifou-se) Entendo que não há reparos a fazer nos fundamentos acima apresentados, até porque não há como acolher a pretensão da interessada, haja vista que os supostos problemas mencionados não têm o condão de tornar nulo os lançamentos efetuados, nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifou-se) Portanto, eventuais equívocos na capitulação legal das infrações imputadas ao sujeito passivo não implicam nulidade dos lançamentos ou do procedimento fiscal quando resta evidente que em nada prejudicaram o direito ao contraditório. Nesse contexto, não se observa qualquer ofensa ao art. 142 do CTN, como quer a recorrente, pois até mesmo um lapso (e neste caso o lapso teria sido no entendimento do contribuinte), não leva à conclusão de nulidade, sempre que a descrição dos fatos e os fundamentos legais indicados sejam suficientes para a compreensão do que lhe foi imputado, permitindo, como decorrência lógica, o exercício da ampla defesa. Com efeito, a indicação de diversos dispositivos legais pela autoridade autuante, aliada à completa descrição dos fatos, acompanhada de fundamentos que permitiram a clara compreensão acerca do racional utilizado para o enquadramento da infração demonstram a ausência de prejuízo à defesa. Não se vislumbra, no caso concreto, qualquer prejuízo na definição e na delimitação das infrações, razão pela qual não prospera a tese de erro material, que decorreria de equívoco ou inexatidão relacionados a aspectos objetivos do lançamento. A inexistência de tais vícios afasta a tese de ofensa ao art. 142 do CTN ou aos dispositivos do PAF mencionados pela recorrente e acima reproduzidos. Assim, nego provimento também nessa matéria. Da suficiência dos registros de exportação e contratos de câmbio para comprovação da prestação de serviços de agentes e intermediadores nas operações de exportação Neste tópico, aduz a recorrente que a decisão questionada incorreu em contradição, posto que o voto condutor atestou a juntada dos documentos que comprovariam a existência de pagamentos a agentes no exterior, mas negou provimento ao recurso porque não se "demonstrou que tais serviços foram prestados". Fl. 4755DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 O texto atacado, em sua inteireza, é o seguinte: Dos Documentos Apresentados A recorrente faz referência a documentos apresentados na fase impugnatória, assim como apresenta documentos no recurso voluntário, os quais têm objetivo de demonstrar que as despesas se referiam a pagamentos a agentes comissionados no exterior e pagamento de serviços profissionais de consultoria prestados no Brasil, com objetivo de afastar o lançamento tributário em relação a tais agentes. Assim, trouxe esclarecimentos e documentos em relação aos seguintes agentes: Tracto América No recurso voluntário, a recorrente trata da relação estabelecida com a empresa Tracto América (efl. 4167): Desde os idos de 2009 (tempo em que iniciou suas operações), até início de 2011, estabeleceu vínculo de "parceria comercial" com um distribuidor/importador venezuelano denominado MF Tracto América, para fornecimento de maquinários, peças e equipamentos agrícolas. O vínculo comercial, entabulado através de Carta de Compromisso, funcionava da seguinte maneira: a Recorrente adquiria internamente os equipamentos dos fabricantes e executava todos os trâmites relacionados à exportação para a Venezuela, ao passo que TRACTO AMÉRICA ficava responsável pela prospecção de mercado, comercialização, entrega técnica, treinamento de pessoal e assistência pós venda dos equipamentos. Por estes serviços de intermediação e assistência, em solo venezuelano, ajustaram remuneração adicional, a título de comissões de agente na exportação, com percentual variável entre 2% e 15%, conforme o tipo de equipamento embarcado. Desta forma, fez referência aos seguintes documentos, já apresentados no Anexo 2 da impugnação (efls. 2.903/3.082): Operações com "Tracto América": 1) Planilha em que relacionadas comissões pagas; 2) "Carta de Compromisso" estabelecendo condições de intermediação e ajustes financeiros; 3) Amostras de Comercial Invoices; 4) Amostra de Emails em que retratadas algumas das operações comerciais entre as partes; 5) Contratos de Câmbio que comprovam os pagamentos de comissões nas operações de exportação/importação, entabuladas entre ambas. Da análise dos documentos apresentados, tem-se que a empresa Tracto América tinha duas relações com a recorrente: figurava como importadora dos produtos exportados pela recorrente conforme se observa dos Registros de Exportação anexados, e figurava como prestadora de serviços de montagem, entrega e assistência técnica dos equipamentos exportados pela recorrente América Trading para a Venezuela, conforme se observa de trecho do contrato (efls. 2905 e 2906) reproduzido abaixo, e de cópia de emails trocados entre a recorrente e a Tracto América: (...) Como visto, o pagamento efetuado pela recorrente à Tracto América não representou, a meu ver, pagamento a agente no exterior por comissões decorrentes de exportação, mas sim pagamento por serviços de montagem, entrega e assistência técnica, serviços díspares àqueles inerentes ao agenciamento para exportação. Na verdade, a Tracto América pode ter prestado serviços de montagem, entrega e assistência técnica dos equipamentos exportados pela recorrente à PDVSA (Venezuela). Mas, apesar da tentativa da recorrente em apresentar os documentos, não se comprova nem que os serviços citados acima tenham sido efetivamente prestados. O contrato apresentado contempla os serviços de importação, montagem, entrega e assistência técnica dos equipamentos exportados pela recorrente América Trading para a Venezuela. Entretanto, em análise das invoices apresentadas, somente percebo que tratam das mercadorias exportadas pela recorrente, que têm como importadora a Fl. 4756DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 empresa Tracto América. Não há sequer menção ao pagamento pelos serviços descritos no contrato firmado entre as partes. Além disso, nos emails trazidos pela recorrente, também não vejo prova de que os serviços eventualmente contratados pela recorrente se efetivaram. Somente constam solicitações de pagamentos e demais informações, que em nada comprovam a efetividade dos serviços que ensejaram as despesas glosadas. Ao contrário, em um email (efls. 2953), consta a possível solicitação de serviços de assistência técnica que deveria ser prestado pela recorrente na Venezuela, e não pela Tracto América, ou seja, tal serviço não serviria nem para provar o pagamento feito pela recorrente à sua representante na Venezuela. Demais agentes no exterior Quanto aos demais agentes no exterior, a recorrente anexou na impugnação, e novamente no recurso voluntário (Anexo 5 da impugnação), documentos que apenas demonstram que houve pagamento (e sua respectiva menção no registro de exportação) e remessa para o exterior referente aos supostos serviços de agenciamento para exportação, mas não demonstrou que tais serviços foram prestados, razão pela qual nego provimento também quanto a este ponto. Por fim, cabe observar que a declaração firmada pela empresa Juston Business Corp (efl. 4309), trazida pela recorrente após término do prazo do recurso voluntário, em que consta que a empresa prestadora no exterior oferece serviços de intermediação de pedidos e contratos de compra emitidos pela PDVSA Agrícola Petróleos de Venezuela, e que, por seus serviços, recebe um percentual de 15%, não faz qualquer prova de que as despesas efetivamente ocorreram. Assim, independentemente da discussão de preclusão processual decorrente de documentos apresentados após a fase de impugnação, este argumento também deve ser afastado. A leitura dos excertos transcritos evidencia, sem margem para dúvidas, que a decisão recorrida analisou minuciosamente os documentos apresentados (inclusive aqueles supostamente intempestivos), para concluir que inexiste, nos autos, qualquer comprovação de que os serviços teriam sido efetivamente prestados, circunstância que corrobora o acerto da autuação, que fundou seu entendimento no já mencionado art. 299 do RIR/99, por entender que a não comprovação das despesas implica sua indedutibilidade perante o fisco. Como é cediço, descabe em sede de recurso especial reapreciar os fatos e as provas apresentados ao longo do processo, cabendo a esta CSRF apenas a verificação de eventual divergência interpretativa ou mesmo de impropriedade da decisão recorrida. Pretende a recorrente que sejam considerados suficientes os registros de exportação e contratos de câmbio para comprovação da prestação de serviços de agentes e intermediadores nas operações de exportação, tendo apresentado acórdão paradigma nesse sentido. Entendo que não há reparos aos fundamentos ou conclusões do acórdão questionado, em que o Colegiado entendeu que as provas trazidas aos autos em nenhum momento demonstram a prestação dos serviços dos agentes no exterior, o que implicaria reconhecer que os pagamentos se deram por mera liberalidade, circunstância que atesta a correção dos lançamentos efetuados. O simples fato de o acórdão paradigma ter reconhecido a suficiência da declaração de exportação para fins de comprovação do pagamento de agentes ao exterior, ainda que corroborada com outros documentos complementares (e a consequente dedutibilidade das comissões, naquele caso) não exige que tal raciocínio deva ser aplicado à hipótese dos autos, até porque, com a devida vênia, sabe-se que esses documentos têm um caráter nitidamente formal (servem para demonstrar, sobretudo, o valor e as partes da operação), mas em nenhum momento atestam a efetiva prestação dos serviços. Fl. 4757DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 Assim, com razão a decisão recorrida, que não desconhece a existência das remessas (que são demonstradas pelos documentos acostados), mas exige, para fins de dedutibilidade, a prova da natureza dos serviços contratados e de sua efetiva prestação. É certo que valores podem ser mandados ao exterior pelos mais diversos motivos, inclusive com os registros competentes, até porque praticamente inexiste, sob a ótica aduaneira, qualquer efeito tributário relevante sobre tais operações. De modo diverso, para fins de dedutibilidade do IRPJ e da CSLL a legislação, em especial o art. 299 do RIR/99, exige a comprovação da efetividade não apenas dos pagamentos, mas também das operações que deram causa às respectivas despesas, o que não restou demonstrado no presente caso. Da tentativa fiscal de inversão do onus probandi Neste tópico, afirma a recorrente que não possui estrutura para realizar as exportações diretamente e que tal situação demandava a contratação de intermediários. Aduz que caberia ao fisco o ônus de provar que as exportações ocorreram de forma direta. Ocorre que este não é o caso. O que se discute nestes autos não é a inversão do ônus da prova, mas a necessidade de efetiva comprovação dos serviços que ensejaram o pagamento aos agentes no exterior. Cada empresário pode tocar seus negócios da forma e modo que julgar necessários para o sucesso da empreitada; contudo, a dedutibilidade de despesas que, por definição, reduzem o lucro tributário exige, acima de tudo, a demonstração de sua efetividade e correspondência com os objetivos societários, vale dizer, as despesas devem representar uma contrapartida à expectativa de receitas que a o negócio pode gerar. Não se trata, portanto, de inversão do ônus da prova ou da tentativa de dizer ao empresário como este deve realizar suas operações: o que se está a questionar é se as despesas efetivamente correspondem à alegada prestação de serviços dos agentes no exterior e, por tudo o que consta do processo, a resposta é negativa. O fracasso em demonstrar a pertinência das despesas conduz, de forma automática, à sua indedutibilidade, não por presunção, como diz a recorrente, mas por expressa dicção legal, a exemplo do que estabelece o já referido art. 299 do RIR/99: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). §1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §1º). §2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §2º). §3º O disposto neste artigo aplica-se também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. (grifou-se) Não se questiona, nos autos, se a empresa tinha condições de realizar exportações diretas ou se necessitava da intervenção de terceiros. O que se debateu, de fato, foi a falta de comprovação de que tais serviços foram efetivamente prestados, pois a simples remessa de recursos ao exterior não tem o condão de confirmar essa prestação, que deve ser objeto de efetiva demonstração pelo contribuinte. O ônus da prova, nesse caso, é confirmado pelo o art. 923 do RIR/99: Fl. 4758DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). O insucesso na comprovação, pelo contribuinte, dos serviços prestados, confirma a interpretação adotada pela autoridade fiscal, que foi convalidada por todas as demais instâncias neste processo. Assim, nego provimento ao recurso especial do contribuinte também nesta matéria. Da impossibilidade jurídica de se exigir o IR fonte concomitantemente à exigência de IRPJ/CSLL Neste último tópico, a recorrente defende a inexistência de autorização legal para a exigência do IRRF de forma concomitante ao IRPJ e à CSLL lavrados com base nas glosas de despesas, ou seja, a infração decorrente do pagamento sem causa não poderia, com base nos mesmos fatos, subsistir em relação à indedutibilidade das despesas. Em sentido diverso, o acórdão recorrido consignou que: Mister observar que não estou aqui a tentar aplicar as mesmas normas originárias a ambos os tributos (IRPJ/CSLL e IRRF). Sabe-se que têm bases legais distintas, por decorrerem de fatos geradores diferentes, quais sejam: um (IRPJ/CSLL) incide sobre a glosa de despesa não comprovada; já o outro (IRRF) incide sobre o pagamento que não foi fincado em uma causa fiscalmente justificável. É que, especificamente neste caso, ambos os tributos decorrem do mesmo fato originário: despesas que foram contabilizadas no resultado contábil e tiveram redução no resultado fiscal (IRPJ/CSLL) e pagamentos derivados destas despesas que não tiveram uma causa fiscalmente justificável (IRRF). Assim, não é porque a legislação do IRRF permite a aplicação de alíquota zero apenas com a comprovação de que o pagamento de comissão a agentes no exterior estejam estipulados no Registro de Exportação que todo pagamento a agentes no exterior, desde que preenchida tão somente esta condição, deve ser aceito como tal pela autoridade fiscal. Há uma premissa anterior a esta que deve ser ultrapassada, para que se possa usufruir do benefício fiscal: a de que a despesa com pagamento tenha se concretizado e que tal pagamento realmente se refira a despesas com comissão de agentes no exterior, ou, para ser mais claro, que tenha ocorrido o agenciamento do representante comercial no exterior. Caso isto seja comprovado, basta tal pagamento estar contido no Registro de Exportação para que se possa gozar do benefício fiscal. O principal questionamento a ser feito é se o agente efetivamente atuou na consecução da exportação, fato este que somente se comprova mediante outros elementos que não somente a informação do pagamento ao agente no Registro de Exportação. (...) Em momento algum, a fiscalização reconheceu os pagamentos a agentes no exterior, pois em momento algum a fiscalizada comprovou a natureza de tais pagamentos. Assim sendo, os pagamentos foram desnaturados como tal e foram reenquadrados como pagamentos sem uma causa de existir, cabendo corretamente a aplicação da regra geral para o referido pagamento não comprovado. Além disso, correto o reajustamento da base de cálculo do IRRF, conforme preconiza o §3º do art. 674 do RIR/1999. (grifou-se) Fl. 4759DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 Aduz a defesa, portanto, que não é possível a incidência do IRRF cumulada com o alargamento da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, via glosa de despesas, sob pena de se configurar bis in idem e confisco. Entendo que não tal linha de argumentação não merece prosperar, como será demonstrado. A matriz jurídica para o IRRF é o art. 61 da Lei nº 8.981/85: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o§ 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considera-se vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Verifica-se que a incidência do IRRF na hipótese decorre da entrega de valores a terceiros sem a comprovação da operação que lhes deu causa. Trata-se de incidência autônoma e com base de cálculo específica, sem qualquer relação com a apuração do IRPJ e da CSLL devidos no ajuste anual. Diante desse cenário, a interpretação dos dispositivos do art. 61, da Lei nº 8.981/95, nos leva a concluir que o fato jurídico que enseja o IRRF decorre de pagamentos sem causa (§ 1º) e a base de cálculo é fixada depois do reajustamento do rendimento bruto (§ 3º). No caso dos autos e à luz de tudo o que já se mencionou, restou entendido que a interessada não logrou êxito em comprovar a efetiva prestação dos serviços prestados por agentes supostamente contratados para a intermediação de negócios, razão pela qual deve ser aplicado o comando legal. Contudo, alega a recorrente precedentes do CARF que suportariam a sua pretensão, no sentido de que só caberia a incidência de IRRF se as despesas não fossem glosadas. Embora existam posições divergentes neste Conselho, filio-me à corrente que não vê obstáculos à exigência em paralelo do IRRF (sobre pagamentos sem causa ou a beneficiário não comprovado) com o IRPJ e a CSLL, devidos ante a glosa de despesas cuja origem não foi demonstrada. Nesse sentido já me manifestei em outros casos julgados por este Colegiado. Com a devida vênia àqueles que pensam de forma diferente, entendo que se as despesas não existiram a glosa deve ser efetuada, por expressa determinação legal, considerando, ainda, que o lucro foi indevidamente reduzido. Em razão disso, o lucro precisa ser recomposto e a diferença oferecida à tributação. Por outro lado, há dispositivo expresso que determina a incidência do IRRF quando não houver causa para o pagamento. Não se trata, pois, de concomitância ou bis in idem, porque são fatos jurídicos distintos (despesas inexistentes e pagamento sem causa), com matrizes e fundamentos legais também diferentes. Fl. 4760DF CARF MF Fl. 26 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 Note-se que se não houvesse o pagamento sem causa, ainda assim a glosa deveria ser efetuada e o IRPJ e a CSLL seriam devidos, embora, nesta situação, não seria exigível o IRRF. O pagamento de uma despesa não comprovada não se confunde com a escrituração indevida, até porque tratamos de matrizes jurídicas diferentes, razão pela qual não se verifica dupla penalização (tributos não se prestam a isso, como se sabe) ou bis in idem sobre único fato. Ademais, ainda que se possa pensar de forma distinta, com base numa interpretação econômica das regras tributárias, convém ressaltar que é vedado a este Conselho negar eficácia a norma tributária vigente e válida, a teor do disposto na Súmula CARF nº 2 ("o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária"). Portanto, conclui-se que não há vedação para a exigência em paralelo de IRRF (sobre o pagamento sem causa) e do IRPJ e da CSLL (pela glosa de despesas fictícias), pois se trata de fatos distintos, os quais devem ser apurados e autuados, sem margem para discricionariedade, como determina o art. 142 do Código Tributário Nacional. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso especial apresentado pelo contribuinte e, quanto ao mérito, voto por negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Declaração de voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Em vistas aos autos acompanhei a Conselheira Relatora no conhecimento do recurso especial da Contribuinte, na parte admitida, apenas com algumas ressalvas a seguir detalhadas. A primeira divergência jurisprudencial admitida diz respeito à "nulidade da decisão de primeira instância por falta de exame criterioso de conteúdo probatório". America Trading Ltda ("Contribuinte") observou que o acórdão recorrido manteve a decisão de 1ª grau, praticamente, por seus próprios fundamentos, deixando de reparar graves omissões no exame de conjunto probatório que compunha os anexos 02 ao 05 da peça de impugnação. Omissão e contradição neste sentido foram suscitadas em embargos de declaração, mas rejeitadas. Detalhando os anexos juntados à impugnação e o reforço probatório apresentado com o recurso voluntário, a Contribuinte afirma que não só a DRJ se omitiu no dever de examiná-los, com acuidade, mas também a Turma Recorrida deixou de fazê-lo satisfatoriamente, além de contradizer-se. A autoridade julgadora de 1ª instância teria analisado as provas "em bloco", sem explicar o porquê de suas conclusões, motivando a arguição de nulidade daquela decisão, acerca da qual o Colegiado a quo assim se manifestou: Antes de adentrar neste ponto, cabe esclarecer que o julgador não precisa enfrentar todos os pontos questionados pela empresa autuada, se já formou seu convencimento por meio das questões mais essenciais trazidas no recurso, desde que tais questões sejam Fl. 4761DF CARF MF Fl. 27 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 fundamentais para o julgamento da lide e a falta de discussão de outros pontos não permita violação ao direito de defesa da empresa. Expondo seu entendimento de que esta premissa somente seria válida na hipótese de se tratar, nesta contenda fiscal, exclusivamente de matéria de direito, afirma a ocorrência de cerceamento do direito de defesa e aponta divergência em face dos paradigmas nº 1202-000.872 e 1402-002.707, por decidirem que a omissão da DRJ no exame de matéria de mérito apresentada em IMPUGNAÇÃO, principalmente na falta de exame criterioso de conteúdo probatório produzido com a defesa inaugural, seguramente viola direitos assegurados à Recorrente. No despacho às e-fls. 4705/4713 foi dado seguimento ao recurso especial neste ponto, sob os seguintes fundamentos: Com relação a essa primeira matéria, ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegou-se a conclusões distintas. Enquanto a decisão recorrida entendeu que não é nula a análise rasa dos documentos pela instância a quo, o primeiro acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 1202- 000.872, de 2012) decidiu, de modo diametralmente oposto, que deve ser declarada nula a decisão da DRJ que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, sem ter analisado criteriosamente os documentos comprobatórios apresentados juntamente com a peça impugnatória. Já no referente ao segundo acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 1402-002.707, de 2017), não ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, por se tratar de situações fáticas distintas. Enquanto na decisão recorrida tratou-se de análise rasa dos documentos pela instância a quo, no segundo acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 1402-002.707, de 2017), ao contrário, tratou-se de falta de enfrentamento de item de mérito apresentado na impugnação. São, pois, situações fáticas distintas, a demandarem, forçosamente, decisões diversas, insuscetíveis de uniformização por meio do Recurso Especial de divergência. Descartado o paradigma nº 1402-002.707, cabe observar que no paradigma nº 1202-000.872, ao analisar glosa de despesas tidas por fictícias e contratadas com pessoa jurídica inexistente de fato e constituída por pessoas ligadas, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara divergiu quanto à validade da decisão de 1ª instância. O Relator restou vencido em seu entendimento assim manifestado: No que concerne à omissão na apreciação das provas, cumpre esclarecer ao recorrente que o julgador não tem a obrigação de apreciar, uma a uma, as provas trazidas aos autos. O conjunto dos fatos narrados e das provas juntadas é que levam à convicção do julgador para decidir. No caso em análise, o julgador de primeira instância considerou que as provas trazidas com a impugnação não eram suficientes para descaracterizar a ocorrência da simulação. Por isso, considerou desnecessário o exame aprofundado de todos os documentos relacionados pela defesa. Se o julgador entendeu que as provas trazidas aos autos não eram suficientes para lhe convencer do contrário, significa que foi exercido o seu direito à livre convicção. A conclusão do voto encontra-se devidamente acompanhada do raciocínio e da respectiva motivação que o conduziram aos fundamentos apresentados na decisão. [...] No presente caso, verifica-se que o acórdão recorrido apresentou os fundamentos em sua decisão com base, principalmente, na caracterização da ocorrência da “simulação”. O farto conjunto probatório trazido aos autos pela fiscalização levou o julgador a concluir nesse sentido. Caracterizada a “simulação”, o órgão julgador de primeira Fl. 4762DF CARF MF Fl. 28 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 instância entendeu que estava correta a glosa dos custos, despesas e créditos artificiais, decidindo como correta a recomposição das bases de cálculo dos tributos em decorrência de tal prática. Já a autuada demonstrou ter plena compreensão das infrações apuradas e teve a oportunidade de se defender do lançamento fiscal e do que foi decidido no acórdão recorrido, ao apresentar suas provas e ampla argumentação nas suas razões, o que afasta qualquer prejuízo na sua defesa. O fato das provas juntadas pela autuada não terem sido suficientes para convencer o julgador de primeira instância das suas alegações, não significa que se esteja diante de ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. [...] Por fim, entendo que o pedido de diligência formulado no recurso não deve ser conhecido, a teor do § 1º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Primeiramente, porque não foram atendidas as condições previstas no inciso IV do referido art. 16 (expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados) e, em segundo lugar, porque os documentos constante dos autos são suficientes para o exame das matérias contestadas, mostrando-se desnecessária para a solução do litígio. Prevaleceu, naquele julgado, a decisão assim fundamentada em seu voto vencedor: Ao examinar os presentes autos foi possível observar a boafé da Recorrente em demonstrar por todos os meios aparentemente existentes a inexistência de simulação na prática de suas atividades, seja em relação à empresa CD Sul Logística Ltda. seja quanto à Oniz Distribuidora Ltda. Juntamente com a peça impugnatória (fls. 680/762), a Recorrente apresentou um dossiê com diversos documentos (fls. 763/1046) na tentativa de comprovar a licitude das operações realizadas por referidas empresas. Constata-se, assim, à luz da decisão de primeira instância que julgou improcedente a Impugnação apresentada, que os documentos comprobatórios apresentados pela Recorrente não foram minuciosamente analisados, o que prejudicou o julgamento do presente caso. Por se tratar de matéria preliminar e que deve ser examinada com cautela, em que há alegação de indícios de ocorrência de simulação e aplicação de multa qualificada, é dever do julgador analisar todos os documentos apresentados pelo sujeito passivo, na tentativa de justificar as operações realizadas e afastar a imputação de infrações. Entretanto, conforme se observa da decisão recorrida, o julgamento ocorreu por presunção, o que não pode prosperar no ordenamento jurídico. [...] Ademais, a decisão recorrida violou também o Princípio da Verdade Material, exclusivo do Processo Administrativo Fiscal, que tem como principal alicerce a busca pela Administração Pública, através dos julgadores, de um grau máximo de certeza para conduzir o julgamento dos processos. Nos casos em que não há provas suficientes ou faltam elementos para o julgador decidir sobre a controvérsia existente no processo, o mesmo deve buscar o preenchimento dos elementos faltantes através de perícia, intimação para apresentação de documentos, etc. [...] Tendo em vista que a decisão recorrida deixou de analisar os documentos comprobatórios apresentados pela Recorrente, resta claro que houve cerceamento do seu direito de defesa e, por isso, a decisão da DRJ deve ser anulada, nos termos do artigo 59, inciso II do Decreto 70.235/72, abaixo transcrito: [...] Fl. 4763DF CARF MF Fl. 29 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 Embora referido paradigma não detalhe a natureza das provas apresentadas naqueles autos, a maioria da 2ª Turma da 2ª Câmara declarou a nulidade da decisão de 1ª instância porque não analisados minuciosamente os documentos comprobatórios, e em sua totalidade, afirmando que o julgamento ocorreu por presunção, inclusive porque se não havia elementos suficientes para decisão, o julgador deveria buscar o preenchimento dos elementos faltantes através de perícia, intimação para apresentação de documentos, etc. Tais premissas são substancialmente divergentes daquelas que orientaram o acórdão recorrido, cujo voto condutor admite que o julgador deixe de enfrentar todos os pontos questionados pela empresa autuada, se já formou seu convencimento por meio das questões mais essenciais trazidas no recurso, desde que tais questões sejam fundamentais para o julgamento da lide e a falta de discussão de outros pontos não permita violação ao direito de defesa da empresa, e isto frente ao pedido de que a produção probatória fosse examinada contratando-a tópico a tópico, com as acusações fiscais sobrantes. Assim, o recurso especial merece ser conhecido quanto à primeira divergência. A segunda divergência diz respeito a "imprestabilidade dos autos de infração como consequência de erro material cometido na capitulação legal da acusação", e a Contribuinte contrasta o fato de a autoridade lançadora ter indicado como enquadramento legal, no corpo do auto de infração, o art. 299 do RIR/99, quando o correto seria a indicação da regra específica expressa no art. 304 do RIR/99, com consequente inobservância do art. 10, inciso IV do Decreto nº 70.235/72. Observando que as decisões proferidas nestes autos pretenderam requalificar a acusação fiscal para "despesa não comprovada", a Contribuinte destaca os seguintes excertos do acórdão recorrido: “A recorrente questiona que a fiscalização tipificou incorretamente seu auto de infração no art. 299 do RIR/1999, quando deveria citar o art. 304 do mesmo regulamento. Desta forma, alega violação ao art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, assim como ao art. 142 do CTN. [...] Em decorrência de seu pedido, traz a fundamentação legal contida no auto de infração, com fins de demonstrar a falta de aposição do citado art. 304. Eis a fundamentação legal do auto de infração: art. 3º da Lei 9.249/1995 e os art. 247; 248; 249, I; 251; 277; 278; 299 e 300 do RIR/1999. [...]. No caso concreto, não vislumbro prejuízo à recorrente, uma vez que, apesar da falta de indicação do art. 304 do RIR/1999, a recorrente entendeu perfeitamente o que lhe fora imputado, conforme se observa em suas peças recursais de impugnação e de recurso voluntário. Assim, verificando o disposto no art. 142 do CTN, bem como do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, abaixo reproduzidos, constato que todas as premissas ali contidas foram atendidas, devendo ser negado provimento quanto a este ponto”. Afirma o dissídio jurisprudencial em face do paradigma nº 9202-002.604, que recebeu a seguinte análise no exame de admissibilidade às e-fls. 4705/4713: No que se refere a essa segunda matéria, também ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegou-se a conclusões distintas. Enquanto a decisão recorrida entendeu que se deve afastar a preliminar de nulidade por falta de indicação do artigo que deu azo ao lançamento fiscal, quando a fiscalização descreveu todos os fatos geradores apurados e quando a própria empresa, a partir de suas peças recursais, demonstra nítida compreensão do que lhe fora Fl. 4764DF CARF MF Fl. 30 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 arrogado, o acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 9202-002.604, de 2013) decidiu, de modo diametralmente oposto, que o auto de infração deve conter, obrigatoriamente, a disposição legal infringida, sendo que o descumprimento dessa regra [...] ofende os princípios da legalidade, do contraditório e da ampla defesa, além de violar o artigo 142 do CTN, sendo causa de nulidade do lançamento. (destaques do original) De fato, na situação analisada pelo paradigma a contribuinte sofreu auto de infração para lhe exigir multa por informação inexata em GFIP, no campo referente à retenção de 11% sobre as notas fiscais de serviços emitidas, relativamente às competências compreendidas entre 03/1999 e 08/2005. Neste caso, o Colegiado entendeu incorreto o enquadramento legal utilizado pela auditoria fiscal, no caso, o art. 32, § 6º, da Lei nº 8.212/91, afirmando que o correto seria o art. 32, § 5º do mesmo diploma, que tratariam, ambos, de infrações distintas com penalidades distintas. Considerou evidente o erro cometido pela fiscalização, o que levou a decretação da nulidade do lançamento, rejeitando a pretensão da Fazenda Nacional no sentido de inexistiria nulidade sem prejuízo, como apontado em paradigmas indicados no recurso especial. Assim, também aqui o recurso especial merece ser conhecido. A terceira divergência reporta-se à "suficiência dos registros de exportação e contratos de câmbio para comprovação da prestação de serviços de agentes e intermediadores nas operações de exportação". Houve embargos neste ponto, nos quais a Contribuinte afirmou omissão do Colegiado a quo ao deixar de decidir acerca da notória incapacidade da Recorrente em promover diretamente as exportações dos maquinários, defendendo que o ônus probatório recai sobre o Fisco Federal de provar o contrário, ou seja, que a exportação deu-se sem intermediação de agente no exterior. Os embargos foram rejeitados, mas destacando que o tema foi prequestionado, a Contribuinte observa que, embora tenha tido acesso à todos os REGISTROS DE EXPORTAÇÃO (REs) averbados no período - onde declarados, inclusive para efeitos fiscais, os pagamentos de comissões a agentes no exterior - e cópias de CARTAS DE COMPROMISSO e de OFERTAS ECONÔMICAS (com os respectivos Aceites) firmados com o citado importador (PDVSA), bem ainda registros contábeis destes dispêndios (dos quais não discordou, homologando-os); o AUTUANTE resolveu, sem dar-se ao trabalho de aprofundar o exame dos fatos, ou de circularizar dados coletados com os prestadores de serviços e destinatários dos recursos, glosar a totalidade dos pagamentos feitos a este título, como se jamais tivesse havido a necessidade e indispensabilidade de a RECORRENTE tomar seus serviços nas operações paras as quais foram contratados e pagos. Como estes pagamentos estavam sujeitos a alíquota zero de imposto de renda retido na fonte, a autoridade fiscal exigiu documentos extravagantes como contrato, pedidos, faturas, e-mails, comercial invoices, etc., desmerecendo a apresentação de contrato e de notas fiscais como efetiva prova da prestação do serviço, e assim promovendo a glosa das despesas e a exigência de IRRF por falta de comprovação da operação ou causa. O acórdão recorrido teria confirmado esta exigência, destacando a recorrente o seguinte excerto da decisão questionada: Demais agentes no exterior Quanto aos demais agentes no exterior, a recorrente anexou na impugnação, e novamente no recurso voluntário (Anexo 5 da impugnação), documentos que apenas demonstram que houve pagamento (e sua respectiva menção no registro de exportação) e remessa para o exterior referente aos supostos serviços de agenciamento para exportação, mas não demonstrou que tais serviços foram prestados, razão pela qual nego provimento também quanto a este ponto. Fl. 4765DF CARF MF Fl. 31 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 Por fim, cabe observar que a declaração firmada pela empresa Juston Business Corp (e- fl. 4309), trazida pela recorrente após término do prazo do recurso voluntário, em que consta que a empresa prestadora no exterior oferece serviços de intermediação de pedidos e contratos de compra emitidos pela PDVSA Agrícola Petróleos de Venezuela, e que, por seus serviços, recebe um percentual de 15%, não faz qualquer prova de que as despesas efetivamente ocorreram. Assim, independentemente da discussão de preclusão processual decorrente de documentos apresentados após a fase de impugnação, este argumento também deve ser afastado. Cabe observar que esta abordagem diferencia-se daquela adotada no acórdão recorrido para manter as glosas referentes a "Tracto America" (ausência de menção nas invoices acerca dos serviços descritos no contrato firmado, falta de prova da efetividade dos serviços e inclusive de seu pagamento) e "Intersugar Consultoria Ltda" (ausência de prova da intermediação desta no contrato firmado com PDVSA). Para caracterizar a divergência, a Contribuinte indicou o Acórdão nº 105-14.378, acerca do qual foram feitas as seguintes considerações no exame de admissibilidade às e-fls. 4705/4713: No tocante a essa terceira matéria, também ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegou-se a conclusões distintas. Enquanto a decisão recorrida entendeu não ser suficiente à comprovação da efetividade da prestação de serviços documentos que apenas demonstram que houve pagamento (e sua respectiva menção no registro de exportação), o acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 105-14.378, de 2004) decidiu, de modo diametralmente oposto, que, sendo razoável o percentual [de comissão], sendo habitual a utilização de agentes no exterior em negócios de exportação e estando indicado nas declarações de exportação o nome do agente, [...] devem ser aceitos seus pagamentos dentro da condição de dedutibilidade fiscal. (destaques do original) O citado paradigma traz análise acerca da prova necessária para dedutibilidade de despesas com prestação de serviços de intermediação em exportações. Apesar da prova do desembolso financeiro, as despesas foram glosadas por falta de prova da efetividade dos serviços, porém a 5ª Câmara do Primeiro Conselho acolheu como prova suficiente o fato de as declarações de exportação indicarem como agente o beneficiário dos pagamentos, porque: As declarações de exportação são conferidas, vistadas e reconhecidas pela Receita Federal, Banco Central e organismos comerciais, constituindo-se em verdadeiro contrato, onde se verifica inclusive o percentual de 10% de comissão, percentual razoável e representativo de condição comercial corrente no mercado exportador. É que a empresa exportadora precisa de apoio na divulgação, acompanhamento e supervisão de seus negócios com o exterior. Assim, sendo razoável o percentual, sendo habitual a utilização de agentes no exterior em negócios de exportação e estando indicado nas declarações de exportação o nome do agente, entendo deverem ser aceitos seus pagamentos dentro da condição de dedutibilidade fiscal. Considerando que no acórdão recorrido consta que há prova do pagamento e de sua respectiva menção no registro de exportação, confirma-se a divergência em relação ao tratamento dado às glosas de "demais agentes no exterior", devendo o recurso especial ser conhecido neste âmbito. A quarta divergência aborda a "tentativa fiscal de inversão do onus probandi" Houve embargos neste ponto, dada omissão apontada pela Contribuinte por ter o Colegiado a quo deixado de decidir acerca da notória incapacidade da Recorrente em promover diretamente Fl. 4766DF CARF MF Fl. 32 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 as exportações dos maquinários, defendendo que o ônus probatório recai sobre o Fisco Federal de provar o contrário, ou seja, que a exportação deu-se sem intermediação de agente no exterior. Tais embargos foram rejeitados. Destacando que o acórdão recorrido traz em sua ementa que cabe ao contribuinte provar as alegações relativas às despesas registradas na contabilidade, devendo ser mantida a glosa de despesas quando a empresa, regularmente intimada, não apresenta documentos e esclarecimentos que possam comprovar a efetividade do dispêndio realizado, ou os apresenta de maneira deficiente, a Contribuinte indicou os paradigmas nº 103-17.474 e 107-04.534 e ambos foram admitidos para seguimento do recurso especial, conforme e-fls. 4705/4713: Relativamente a essa quarta matéria, também ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegou-se a conclusões distintas. Enquanto a decisão recorrida entendeu que a despesa decorrente de serviços de intermediação de vendas efetuadas no exterior deve ser comprovada por documentação hábil e idônea de que efetivamente ocorreram, os acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos nºs 103-17.474, de 1996, e 107-04.534, de 1997) decidiram, de modo diametralmente oposto, que a liquidação da obrigação e, de consequência, a efetiva prestação dos serviços, resulta da prática adotada no comércio exterior (primeiro acórdão paradigma) e que, não comprovado, pelo Fisco, que as vendas foram realizadas sem a interveniência do agente, incabível a glosa das despesas de comissões sobre vendas no exterior (segundo acórdão paradigma). (destaques do original) De fato, no paradigma nº 103-17.474 as glosas de comissões pagas a agentes no exterior foram glosadas porque parte delas foram pagas em razão de intermediações de negócios entre empresas do mesmo grupo, e outra parte por ausência de prova da efetiva intermediação, posto que os documentos apresentados são genéricos e não comprovam a real participação da beneficiária nos negócios. A 3ª Câmara do Primeiro Conselho acolheu a alegação da autuada de que caberia ao agente do fisco o ônus de provar a desnecessidade da intermediação, destacando- se no voto condutor do julgado a farta documentação acostada aos autos, a desnecessidade de outorga de procuração do comitente em favor do comissário, e o fato de a Fiscalização não ter colocado dúvidas quanto ao pagamento dos serviços prestados. Já no paradigma nº 107-04.534, apesar das evidências de que os serviços teriam beneficiado a controladora da contribuinte, e a ressalva de que teriam faltado alguns elementos de prova na conclusão do trabalho fiscal, no que se refere à destinação dos pagamentos a título de comissões, a 7ª Câmara do Primeiro Conselho, ainda assim, entendeu que caberia ao Fisco comprovar que as operações foram diretamente contratadas e que a autuada operava diretamente no exterior, dada a certeza de que sem intermediação comercial de terceiros, os negócios não seriam celebrados e as receitas de venda não ocorreriam. Logo, apesar de o primeiro paradigma limitar a divergência às glosas nas quais o pagamento foi comprovado, o segundo paradigma com maior amplitude presta-se à caracterização da divergência em face de todas as glosas promovidas, devendo ser conhecido o recurso especial também deste ponto. A quinta divergência trata da "impossibilidade jurídica de se exigir o IR-fonte concomitantemente à exigência de IRPJ/CSLL" e representa questão recorrente neste Conselho, estando a admissibilidade claramente exposta no despacho às e-fls. 4705/4713: Por fim, no concernente a essa sexta matéria, ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegou-se a conclusões distintas. Fl. 4767DF CARF MF Fl. 33 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 Enquanto a decisão recorrida entendeu que não há que se afastar a aplicação de um tributo em detrimento de outro, pois ambos incidem sobre fatos distintos e que um (IRPJ) incide sobre a glosa de despesa não comprovada; já o outro (IRRF) incide sobre o pagamento que não foi fincado em uma causa fiscalmente justificável, os acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos nºs 104-22.169, de 2007, e 9202-00.686, de 2010) decidiram, de modo diametralmente oposto, que a aplicação do art. 61 [da Lei nº 8.981, de 1995] está reservada para aquelas situações em que o Fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do lucro líquido, tipicamente caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas, situações próprias da tributação do IRPJ pelo lucro real. Conclui-se, de todo o exposto, que não há reparos ao conhecimento do recurso especial na forma exposta no exame de admissibilidade. Passando ao mérito, confirma-se, na forma exposta pela Conselheira Relatora, a inexistência de vício na decisão de primeira instância. Cabe apenas acrescentar que antes de expor suas conclusões acerca de cada bloco de documentos analisados, a autoridade julgadora de 1ª instância expôs as premissas de sua análise, nos seguintes termos: Para a autoridade lançadora, a contribuinte não teria apresentado "efetiva prova da prestação do serviço". Segundo a autuada, as despesas de comissões estariam devidamente comprovadas com base na documentação apresentada, composta de registros de exportação, contratos, notas fiscais, etc. A impugnação tratou especificamente dos pagamentos à "intermediadora venezuelana" Tracto America, à Intersugar Consultoria e aos demais agentes no exterior. Faz-se necessária a separação entre a contratação do serviço e a sua efetiva realização. A contratação se prova, geralmente, com o contrato, que é instrumento insuficiente para a comprovação da realização. A efetividade se confirma mediante a apresentação de documentação produzida como conseqüência da prestação do serviço, que demonstre a sua realização. É sob esse enfoque que deve ser orientado o presente exame. Inicialmente, deve ser afastada a exigência de registro de contratos e reconhecimento de firmas, em razão da sua desnecessidade para comprovação do negócio pactuado, nos termos da lei civil, conforme bem alegado pela contribuinte. Contudo, reconhece-se a ausência de contrato como enfraquecimento da prova da contribuinte, tendo em vista a sua declaração, em resposta a intimação da autoridade fiscal, de acerto comercial com os agentes no exterior mediante acordo verbal (fls. 2.102/2.105). Deve ser minimizada, para fins deste julgamento, a contestação da contribuinte quanto ao comentário da autoridade fiscal relativo a suposto pagamento de comissões em percentuais acima dos considerados usuais. A menção aos percentuais não é fundamento do lançamento, dele serviu-se o lançador como elemento adicional na descrição do contexto de fato, sem, contudo, ser determinante para a realização do ato. Afinal, a autuação teve por base falta de comprovação de despesa, e não despesa contabilizada acima do limite legalmente permitido, conforme exposto acima, no relatório e neste voto. Em suma, a referência aos percentuais no TVF deve ser considerada como complementar, semelhante a menção obiter dictum. Com efeito, a documentação apresentada durante a fiscalização, composta de notas fiscais, contratos de prestação de serviços, registros de exportação, contratos de câmbio, etc., revela indícios da contratação e do pagamento mas não se encontra completa para fins de prova da efetividade da despesa com serviços. Em relação à Tracto America C.A., alegou-se na impugnação a existência de vínculo comercial mediante carta de compromisso segundo a qual a empresa venezuelana teria a responsabilidade por prospecção de mercado, comercialização, entrega técnica, treinamento de pessoal e assistência pós-venda. Por esses serviços de intermediação e Fl. 4768DF CARF MF Fl. 34 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 assistência na Venezuela, teriam ajustado remuneração adicional, como comissões de agente de exportação, com percentual variável de 2 a 15%, dependendo do tipo de equipamento embarcado. Os documentos que compõem o Anexo 2 da impugnação (fls. 2.903/3.082) foram apresentados como comprovação, a saber: "Carta Compromisso de Negocios", quadro de comissões pagas, contratos de câmbio e amostras de commercial invoices e de e- mails. A correspondência eletrônica, em espanhol e em português, trata de entrega de produtos, montagem de equipamentos, crédito de comissões, agendamento de treinamento e deslocamento de representante. A documentação revela indícios da contratação do serviço mas não prova a sua efetiva realização. Os Anexos 3 e 4 acompanharam a argumentação direcionada à impugnação da glosa referente às comissões da Intersugar Consultoria Ltda. A documentação está em língua espanhola na sua quase totalidade, desacompanhada de tradução oficial (juramentada). Encontram-se no Anexo 3 (fls. 3.085/3.851): programa, prospectos e outros papéis da Rodada de Negócios Brasil-Venezuela realizada em março/2011, faturas comerciais relativas a exportações da autuada para a venezuelana PDVSA Agrícola S/A, avisos de pagamentos, autorizações da autuada à PDVSA Agrícola para depósitos em conta bancária, "cartas compromisso" firmadas entre America Trading Import Export e fornecedores de equipamentos para exportação à PDVSA Agrícola, ofertas comerciais e técnicas, pedidos de compras da PDVSA Agrícola diretamente à autuada, solicitações de confirmação de embarque de mercadorias, etc. Compõem o Anexo 4 (fls. 3.852/3.912): Declaração da PDVSA Agrícola informando ser a Intersugar a única empresa autorizada a "solicitar cotización, fabricación, ingeniería o diseño de algún equipo" para si, quadro demonstrativo de comissões supostamente devidas pela autuada à Intersugar, notas fiscais emitidas por Intersugar em 2011 e 2012 relativas a serviços de "consultoria comercial" à autuada, comprovantes de pagamentos (TED), correspondência eletrônica trocada entre a autuada, Intersugar e PDVSA Agrícola, etc. O exame dos dois anexos revela indícios de atividade comercial diretamente entre a autuada e PDVSA Agrícola. Contudo, nada contém em condições de comprovar efetiva intermediação de negócios por Intersugar em contrapartida dos pagamentos realizados por suposta prestação de serviço de "consultoria comercial". Encontra-se na correspondência eletrônica (e-mails) apenas menção a informações sobre pagamentos de comissões, nada relativo ao serviço propriamente. Portanto, não está documentalmente provada a efetividade da despesa de comissões pagas a Intersugar Consultoria Ltda, em razão da inexistência nos autos de documentação produzida pela suposta prestadora do serviço como conseqüência da sua realização, a exemplo de relatórios, pedidos de compra, pesquisas de mercado, tratativas com a compradora, treinamentos, etc. Do Anexo 5 (fls. 3.913/4.107), dirigido à glosa das comissões dos demais agentes no exterior, constam, também em espanhol, "cartas compromisso" firmadas entre America Trading Import Export e fornecedores de equipamentos para exportação à PDVSA Agrícola, quadro demonstrativo de comissões devidas, contratos de câmbio, ofertas comerciais, autorizações para depósitos em conta bancária, pedidos/ordens de compras diretamente à autuada, etc. Repete-se relativamente ao anexo 5 a constatação exposta acima quanto ao exame dos Anexos 3 e 4. Mantém-se, assim, a glosa promovida pela autoridade fiscal. (destacou- se) O confronto entre o relato do conteúdo das provas apresentadas e as premissas antes fixadas acerca da prova esperada para demonstração dos serviços prestados deixa patente a suficiência da análise promovida pela autoridade julgadora de 1ª instância. Ao assim proceder, a Fl. 4769DF CARF MF Fl. 35 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 autoridade julgadora demonstrou que não havia prova da efetividade dos serviços questionados e permitiu ao sujeito passivo se contrapor a estas conclusões em sede de recurso voluntário. Na medida em que, como se verá adiante, não houve indevida inversão do ônus da prova, cumprindo ao sujeito passivo demonstrar a natureza dos valores escriturados e que reduziram o lucro tributável, este ônus permanece incumbindo-lhe durante o contencioso administrativo, não se acolhendo a pretensão de que, na forma do paradigma indicado, a autoridade julgadora esteja obrigada a buscar informações para suprir deficiências probatórias do sujeito passivo. Por tais razões, andou bem o Colegiado a quo em rejeitar a arguição de nulidade, do que decorre a negativa de provimento ao recurso especial neste ponto. Com respeito à "imprestabilidade dos autos de infração como consequência de erro material cometido na capitulação legal da acusação", para além de esposar o entendimento da Conselheira Relatora no sentido de que eventuais equívocos no fundamento legal do lançamento não afetaria sua validade, vez que a descrição dos fatos permitiram o regular exercício de defesa pela Contribuinte, importa observar que, para fundamentar a exigência no art. 304 do RIR/99, a autoridade lançadora precisaria, minimamente, ter confirmado, que os valores glosados corresponderiam a comissões pagas, realidade não alcançada durante o procedimento fiscal, porque identificados os seguintes vícios nas despesas escrituradas: Diante dos fatos e CONSIDERANDO QUE: a) Não existe qualquer contrato celebrado entre a fiscalizada e seus agentes no exterior; b) O contrato celebrado entre a fiscalizada e Intersugar Consultoria Ltda em 20/05/2011, teve apenas a assinatura de Thiago Gaviolli reconhecida em 29/03/2012, portanto, após a suposta prestação de serviços pela Intersugar Consultoria Ltda e também após a emissão das Notas Fiscais pela Intersugar Consultoria Ltda; c) O Contrato de Prestação de Serviços firmado entre América Trading Ltda e Intersugar Consultoria Ltda, em 20/05/2011 não não foi objeto de registro nos órgãos competentes do Brasil; d) Os agentes no exterior nunca emitiram um pedido ou documento equivalente de venda dos produtos fabricados pela fiscalizada, o que é estranho em se tratando de uma representação comercial; e) A Intersugar Consultoria Ltda nunca emitiu um pedido ou documento equivalente de venda dos produtos fabricados pela fiscalizada, o que é estranho em se tratando de uma representação comercial; f) Nenhuma nota fiscal de prestação de serviço ou documento equivalente (Commercial invoice) relacionado com as comissões foi emitida pelos agentes no exterior; g) Não obstante no período fiscalizado as comissões incorridas perfazerem o montante de R$ 92.076.529,95 (noventa e dois milhões, setenta e seis mil, quinhentos e vinte e nove reais e noventa e cinco centavos), nenhuma correspondência, memorando, ofício, fax, e-mail, pedido, relatório ou qualquer outro documento foi produzido ou expedido pelos agentes no exterior e por Interesugar Consultoria Ltda à fiscalizada; h) O percentual da comissão paga pela fiscalizada aos agentes no exterior é de 15%. Além disso, tem-se mais 9% de comissão paga à Intersugar Consultoria Ltda, perfazendo 24% sobre as exportações, percentual muito acima daquele praticado pelo mercado, que gira em torno de 5% a 10% para produtos industrializados; i) Todas as Notas Fiscais emitidas por Intersugar Consultoria Ltda foram no ano de 2012 e a maioria das exportações ocorreu no ano de 2011; j) As Notas Fiscais fornecidas por Intersugar, são notas fiscais eletrônicas de serviços emitidas pela Prefeitura do Município de Santana de Parnaíba – SP. Todas as notas fiscais apresentadas foram emitidas no ano de 2012 e totalizam R$ 33.703.726,85; Fl. 4770DF CARF MF Fl. 36 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 k) Em nenhum momento as Propostas Comerciais, Ofertas Econômicas e Cartas Compromisso firmados com sua cliente no exterior (PDVSA) faz referência ou identifica os representantes/agentes no exterior ou Intersugar Consultoria Ltda, os quais teriam sido contratados, conforme afirma a fiscalizada; l) Todos os pedidos foram efetuados diretamente de sua cliente no exterior (PDVSA) à fiscalizada; m) Para concretizar as operações de câmbio, as intituições financeiras exigem apenas o fornecimento do número do Registro de Exportação (RE), o SD e número do conhecimento, e que, a partir destes dados, a instituição financeira, em consulta ao Siscomex, confere a operação e executa a transferênica bancária, o que não legitima o conjunto da operação; n) O atendimento à previsão contida no § 1º do art. 3º da IN SRF Nº 252/2002 transcrito acima, por si só, não é condição única e suficiente para comprovação da prestação de serviços por agente no exterior e legitimar os pagamentos realizados; o) Não restou comprovada a existência de vínculo comercial entre a fiscalizada e empresa Intersugar Consultoria Ltda; p) Não restou comprovada a existência de vínculo comercial entre a fiscalizada e seus agentes no exterior, É inadmissível a comprovação da prestação de serviços a título de comissão a agentes no exterior com base unicamente na mera existência de informações contidas em Registro de Exportação, sem que se obtenha efetiva prova da prestação do serviço; e É inadmissível a comprovação da prestação de serviços a título de comissão a Intersugar Consultoria Ltda com base unicamente no Contrato de Prestação de Serviços e Notas Fiscais apresentados, sem que se obtenha efetiva prova da prestação do serviço; Ademais, embora o art. 2º da Lei nº 3.470/58 tenha sido incorporado em artigo específico do Regulamento do Imposto de Renda (art. 304), isto não significa que comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes não se sujeitem às regras gerais de dedutibilidade de despesas expressas no art. 299 do RIR/99. Isto porque a Lei nº 3.470/58 foi editada para alterar a legislação do Imposto de Renda até então consolidada no Decreto nº 40.702/56, e que assim determinava: Art. 108. Até 30 de abril de cada ano, as pessoas físicas e jurídicas são obrigadas a enviar ás repartições do Impôsto do Renda informações sôbre os rendimentos que pagaram ou creditaram no ano anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias e dos nomes e endereços das pessoas que os receberam. (Decreto-lei nº 58.844). § 1º Deverão ser informados, de acôrdo com êste artigo, os ordenados, gratificações, bonificações, interêsses, comissões, honorários, percentagens, juros, dividendo, lucros, aluguéis e quaisquer outros rendimento. (Decreto-lei nº 5.844). § 2º A informação deverá abranger as importâncias em dinheiro pagas para custeio de viagem e estada, no exercício da profissão, bem como as cotas para constituição de fundos de beneficência. (Decreto-lei número 5.844) § 3º Salvo quanto a juros, dividendos, lucros e aluguéis, não serão prestadas informações sobre rendimentos pagos, quando as respectivas importâncias não excederam a Cr$60.000,00 (sessenta mil cruzeiros) anuais, desde que as pessoas que os tiverem recebido não percebam rendimentos de outras fontes. (Lei número 2.354, art. 31 e Lei nº 2.862, art. 19 § 2º). § 4º Ignorando o informante se houve pagamento por outras fontes, deve prestar informações dos rendimentos que pagou (Decreto-lei número 5.844). § 5º Quando as rendimentos se referirem a residentes ou domiciliados no estrangeiro, o informante mencionará essa circunstância, indicando o nome e endereço do procurador a quem forem pagos. (Decreto-lei número 5.844). Fl. 4771DF CARF MF Fl. 37 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 § 6º Havendo dúvida sôbre quaisquer informações prestadas ou quando estas forem incompletas, a repartição poderá mandar verificar a sua veracidade na escrita dos informantes ou exigir os esclarecimentos necessários. (Decreto-lei nº 5.844). § 7º Os assalariados sujeitos ao pagamento do impôsto na forma do art. 98, inciso 2º, dêste regulamento, quando dispensados de apresentar declaração, ficam obrigados a informar os rendimentos pagos no ano anterior, como aluguéis, juros, honorários de médicos e dentistas. § 8º As informações de que trata o parágrafo anterior serão encaminhadas às repartições do Impôsto de Renda, por intermédio dos empregadores, juntamente com as informações referidas no item 7 das observações da tabela anexa a êste regulamento. (negrejou-se) Este o cenário no qual a legislação é alterada para ressalvar que, embora declaradas como pagas, as importâncias creditadas a título de comissões e assemelhados não são dedutíveis, bem como se sujeitarão a tributação específica, se não comprovada a operação ou causa que a originou, e se o beneficiário não estiver individualizado no comprovante de pagamento. Esta a redação da Lei nº 3.470/58: Art 2º Não são dedutíveis, para os efeitos do impôsto de renda da pessoa jurídica, as importâncias que forem declaradas como pagas ou creditadas a título de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes, quando não fôr indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento. § 1º Desde que não atendida a condição estabelecida neste artigo, os rendimentos declarados como pagos ou creditados por sociedades anônimas serão tributados na fonte à razão de 28%. § 2º No caso das demais sociedades ou de firma individual, consideram-se os mesmos rendimentos como lucros pagos aos seus sócios ou titulares. Tais determinações não excluem a aplicação dos requisitos posteriormente estabelecidos genericamente na Lei nº 4.506/64 e incorporados ao art. 299 do RIR/99, relativamente a todos os decréscimos de natureza operacional não computados em custos: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da emprêsa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da emprêsa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da emprêsa. [...] Assim, inexiste qualquer vício no lançamento que, apesar de promover a glosa de valores escriturados a título de comissões, adota como fundamento o art. 299 do RIR/99, devendo ser negado provimento ao recurso especial também neste ponto. Quanto à "suficiência dos registros de exportação e contratos de câmbio para comprovação da prestação de serviços de agentes e intermediadores nas operações de exportação", como mencionado na análise do conhecimento, a divergência demonstrada, aqui, se limita às glosas de despesas classificadas como "demais agentes no exterior", para as quais há prova do pagamento e de sua respectiva menção no registro de exportação. O entendimento firmado no paradigma, favorável à dedutibilidade da despesa, pauta-se na razoabilidade do percentual, na habitualidade da utilização de agentes no exterior em negócios de exportação e na indicação do nome do agente nas declarações de exportação. Fl. 4772DF CARF MF Fl. 38 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 A autoridade lançadora, porém, pondera que, dentre outras circunstâncias, não há em relação a estes agentes: i) contrato celebrado entre a fiscalizada e seus agentes no exterior; ii) pedido ou documento equivalente de venda dos produtos fabricados pela fiscalizada; iii) nota fiscal de prestação de serviços ou documento equivalente por eles emitido; e iv) documento correspondente à esperada comunicação entre os agentes e a fiscalizada. Acrescenta, ainda, que a baixa formalidade para as transferências bancárias no âmbito do Siscomex não permitem legitimar o conjunto da operação, assim como não o faz a ausência de retenção do IRRF, para o que basta a informação da comissão no registro de exportação. O Colegiado a quo declarou desnecessária a elaboração de contrato, bem como de seu registro, muito embora esta forma documental evidencie maior credibilidade na operação e o tempo de celebração, mormente tendo em conta o efeito fiscal de elevada monta em discussão. Manteve, ainda, o afastamento dos questionamentos quanto às alíquotas pagas aos agentes, mas ressalvou o poder da autoridade fiscal de desconstituir uma operação que tem como único escopo deixar de recolher tributos que o sujeito passivo tem o dever legal de fazê-lo. Ao fim, manteve as glosas promovidas relativamente aos demais agentes sob os seguintes fundamentos: Quanto aos demais agentes no exterior, a recorrente anexou na impugnação, e novamente no recurso voluntário (Anexo 5 da impugnação), documentos que apenas demonstram que houve pagamento (e sua respectiva menção no registro de exportação) e remessa para o exterior referente aos supostos serviços de agenciamento para exportação, mas não demonstrou que tais serviços foram prestados, razão pela qual nego provimento também quanto a este ponto. Por fim, cabe observar que a declaração firmada pela empresa Juston Business Corp (e- fl. 4309), trazida pela recorrente após término do prazo do recurso voluntário, em que consta que a empresa prestadora no exterior oferece serviços de intermediação de pedidos e contratos de compra emitidos pela PDVSA Agrícola Petróleos de Venezuela, e que, por seus serviços, recebe um percentual de 15%, não faz qualquer prova de que as despesas efetivamente ocorreram. Assim, independentemente da discussão de preclusão processual decorrente de documentos apresentados após a fase de impugnação, este argumento também deve ser afastado. De fato, como bem ponderado pela Conselheira Relatora, não há razão para aqui aplicar o entendimento manifestado no paradigma em favor da admissibilidade das despesas em razão da prova de seu pagamento e indicação no registro de exportação. A autoridade fiscal permitiu ao sujeito passivo provar por diversas formas a efetividade da prestação dos serviços, e nenhuma evidência neste sentido foi apresentada no curso do procedimento fiscal ou do contencioso administrativo. A 1ª Turma da CSRF, aliás, já se manifestou neste sentido, como se constata no Ementário de Acórdãos publicado no Diário Oficial da União, Seção 1, de 12/12/2000: Processo n°.: 13005.000092193-93 Recurso n° RP/103-0.177 Matéria: IRPJ Recorrente: FAZENDA NACIONAL Recorrida: 3ª CÂMARA DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Suj. Passivo: D. B. I. TABACOS LTDA Sessão de: 06 DE DEZEMBRO DE 1999 Acórdão n°: CSRF/0I-02.803 Fl. 4773DF CARF MF Fl. 39 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 COMISSÕES DE EXPORTAÇAO - Não são dedutíveis, na apuração do lucro real, despesas relativas a pagamentos de comissões, sem a demonstração inequívoca de que o beneficiário interferiu na obtenção do rendimento. Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de admissibilidade, e no mérito, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Edison Pereira Rodrigues EDISON PEREIRA RODRIGUES PRESIDENTE AFONSO CELSO MATTOS LOURENÇO RELATOR Referido julgado reformou o entendimento assim expresso pela 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, nos termos do voto condutor do Acórdão nº 103-18.937: Como as comissões foram pagas e as exportações realizadas, com conseqüente ingresso de receita, não pode .o fisco simplesmente argüir que tendo sido os produtos exportados para subsidiária do mesmo grupo econômico que os revendeu para diversos clientes no exterior, as despesas com as comissões seriam da responsabilidade da subsidiária e não da fiscalizada. Como o fisco não comprova que as operações foram diretamente contratadas e que a autuada possuía estrutura administrativa para operar diretamente no exterior, a forma como as comissões são pagas pertencem à economia doméstica dos negócios internacionais da recorrente, restando para efeito da dedutibilidade da despesa a certeza de que sem intermediação comercial de terceiros os negócios não seriam celebrados e as receitas de venda não ocorreriam. Pouco importa quem seja o beneficiário das comissões. Como não foi questionado nenhum outro aspecto relacionado com o pagamento das comissões, inclusive no que diz respeito ao seu percentual em função do valor das exportações, nem comprovado que os destinatários finais das mercadorias negociaram diretamente com a autuada, entendo que não me resta outra alternativa que acatar as despesas como dedutíveis, caso contrário estaria concluindo que as vendas internacionais se realizariam sem o pagamento de comissões. Assim, o recurso especial da Contribuinte, mais uma vez, não merece provimento. Passando à abordagem acerca da "tentativa fiscal de inversão do onus probandi", as razões da Conselheira Relatora também não merecem reparos, mas apenas um acréscimo no sentido de que, em relação às glosas distintas daquelas atribuídas aos "demais agentes no exterior", para além da ausência de prova da efetividade dos serviços prestados, outros questionamentos foram consignados pela autoridade fiscal, e não restaram afastados no contencioso fiscal, como bem exposto no voto condutor do acórdão recorrido: Tracto América No recurso voluntário, a recorrente trata da relação estabelecida com a empresa Tracto América (e-fl. 4167): Desde os idos de 2009 (tempo em que iniciou suas operações), até início de 2011, estabeleceu vínculo de "parceria comercial" com um distribuidor/importador venezuelano denominado MF Tracto América, para fornecimento de maquinários, peças e equipamentos agrícolas. O vínculo comercial, entabulado através de Carta de Compromisso, funcionava da seguinte maneira: a Recorrente adquiria internamente os equipamentos dos fabricantes e executava todos os trâmites relacionados à exportação para a Venezuela, ao passo que TRACTO AMÉRICA ficava responsável pela prospecção de mercado, comercialização, entrega técnica, treinamento de pessoal e assistência pós venda dos equipamentos. Por estes serviços de intermediação e assistência, em solo venezuelano, ajustaram Fl. 4774DF CARF MF Fl. 40 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 remuneração adicional, a título de comissões de agente na exportação, com percentual variável entre 2% e 15%, conforme o tipo de equipamento embarcado. Desta forma, fez referência aos seguintes documentos, já apresentados no Anexo 2 da impugnação (e-fls. 2.903/3.082): Operações com "Tracto América": 1) Planilha em que relacionadas comissões pagas; 2) "Carta de Compromisso" estabelecendo condições de intermediação e ajustes financeiros; 3) Amostras de Comercial Invoices; 4) Amostra de Emails em que retratadas algumas das operações comerciais entre as partes; 5) Contratos de Câmbio que comprovam os pagamentos de comissões nas operações de exportação/importação, entabuladas entre ambas. Da análise dos documentos apresentados, tem-se que a empresa Tracto América tinha duas relações com a recorrente: figurava como importadora dos produtos exportados pela recorrente conforme se observa dos Registros de Exportação anexados , e figurava como prestadora de serviços de montagem, entrega e assistência técnica dos equipamentos exportados pela recorrente América Trading para a Venezuela, conforme se observa de trecho do contrato (e-fls. 2905 e 2906) reproduzido abaixo, e de cópia de e-mails trocados entre a recorrente e a Tracto América: [...] Como visto, o pagamento efetuado pela recorrente à Tracto América não representou, a meu ver, pagamento a agente no exterior por comissões decorrentes de exportação, mas sim pagamento por serviços de montagem, entrega e assistência técnica, serviços díspares àqueles inerentes ao agenciamento para exportação. Na verdade, a Tracto América pode ter prestado serviços de montagem, entrega e assistência técnica dos equipamentos exportados pela recorrente à PDVSA (Venezuela). Mas, apesar da tentativa da recorrente em apresentar os documentos, não se comprova nem que os serviços citados acima tenham sido efetivamente prestados. O contrato apresentado contempla os serviços de importação, montagem, entrega e assistência técnica dos equipamentos exportados pela recorrente América Trading para a Venezuela. Entretanto, em análise das invoices apresentadas, somente percebo que tratam das mercadorias exportadas pela recorrente, que têm como importadora a empresa Tracto América. Não há sequer menção ao pagamento pelos serviços descritos no contrato firmado entre as partes. Além disso, nos e-mails trazidos pela recorrente, também não vejo prova de que os serviços eventualmente contratados pela recorrente se efetivaram. Somente constam solicitações de pagamentos e demais informações, que em nada comprovam a efetividade dos serviços que ensejaram as despesas glosadas. Ao contrário, em um e-mail (e-fls. 2953), consta a possível solicitação de serviços de assistência técnica que deveria ser prestado pela recorrente na Venezuela, e não pela Tracto América, ou seja, tal serviço não serviria nem para provar o pagamento feito pela recorrente à sua representante na Venezuela. [...] Intersugar Consultoria Ltda Segundo a recorrente, (ela) foi convidada pela Intersugar para participar de um contrato do tipo "Procura Internacional Urgente" cujo objetivo era de fornecer equipamentos diversos à estatal venezuelana PDVSA Petroleos Venezuelanos S/A. A listagem dos equipamentos contemplava caminhões, colheitadeiras, peças, etc, que deveriam ser entregues à sucursal PDVSA Agrícola. Em 22/03/2011, foi realizado evento em que a recorrente tornou-se vencedora, portanto apta a fornecer os equipamentos à PDVSA, por intermédio da Intersugar. Como tentativa de provar o alegado pagamento de comissão à Intersugar, a recorrente juntou (e-fls. 4211) termo de esclarecimento da Intersugar em que há previsão de uma rodada de debates promovida pela América Trading, com consultoria da Intersugar, com objetivo de levantar fornecedores para o cliente da Intersugar, qual seja, PDVSA agrícola. Com a exportação de equipamentos, a Intersugar ficaria com a comissão de Fl. 4775DF CARF MF Fl. 41 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 9%. Alega que Intersugar representa no Brasil os interesses da PDVSA, prestando serviços logísticos internacionais. Em 2010, a PDVSA firmou parceria com a América Trading objetivando intermediar os negócios, desde estudos de viabilidade, desenvolvimento de projetos, até a entrega final dos produtos e serviços. A recorrente afirma que a Intersugar prospectou os equipamentos. Depois, o governo venezuelo vetou os pagamentos à América Trading devido à crise naquele país. Por decorrência, a empresa Intersugar também deixou de receber. Para comprovar a despesa efetuada, a recorrente juntou documentos no anexo 3 da impugnação: planilha de comissões pagas, NFs, comprovantes de pagamentos, e-mail trocados entre as 3 empresas. Juntou no recurso voluntário declaração da PDVSA Agrícola (anexo 4 da impugnação) em que esta afirma que a Intersugar era a única empresa autorizada a solicitar cotação, fabricação, projeto de engenharia de algum equipamento para a importadora (PDVSA). Veja: [...] Os documentos acostados ao processo não deixam dúvidas de que a América Trading celebrou contrato com a PDVSA e este contrato foi realizado. Há comprovantes de pedidos de importação (pela PDVSA), registros de exportação (pela América Trading), contratos de câmbio da operação, tudo isso indicando a realização do aludido contrato. Entretanto, a intermediação efetuada pela Intersugar não está comprovada. A Intersugar somente aparece na convenção realizada em 22/03/2011, mas que nada comprova que participou da intermediação das vendas efetuadas pela recorrente. Apesar de constar contrato de prestação de serviços, notas fiscais e comprovantes de pagamento, isto, por si só, não é o bastante para comprovar a efetividade dos serviços supostamente prestados pela Intersugar. Desta forma, correta a fiscalização e a decisão de DRJ de que os serviços prestados pela Intersugar não foram comprovados conforme preconiza a lei fiscal. (destaques do original). Por fim, no que se refere à "impossibilidade jurídica de se exigir o IR-fonte concomitantemente à exigência de IRPJ/CSLL", tratando-se de incidências distintas, como bem exposto pela Conselheira Relatora, deve ser negado provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Conselheira Declaração de voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei A presente declaração de voto se presta a esclarecer a visão deste julgador sobre a questão da preclusão por ausência de impugnação da matéria relativa ao agravamento da multa de ofício. Pois bem. Discordo da Recorrente basicamente por dois fundamentos/princípios: legalidade e verdade material. A legalidade, aqui, é por mim considerada nos seguintes sentidos: a) a relativa a função/dever da autoridade administrativa de exercer o controle de legalidade e; b) a observância compulsória pela autoridade administrativa lançadora do artigo 142 do CTN. Quanto à verdade material, tenho que a análise da relação entre tal princípio e os princípios da Fl. 4776DF CARF MF Fl. 42 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 segurança jurídica e da justiça é essencial e esclarecedora para demonstrar porque, neste caso, não deveria incidir o instituto da preclusão. Entretanto, repassando antes o contexto que levou ao recurso especial, temos que a turma ordinária entendeu por bem reduzir a multa qualificada para 75% nos seguintes termos (e-fls. 503 a 505): A multa de ofício foi aplicada no percentual de 112,50%, com base no art.44, I, §2º, da Lei nº 9.430/96, que tinha a seguinte redação: (...) De acordo com as hipóteses legais acima, infere-se, à míngua de uma explicação mais precisa no relatório fiscal, que a aplicação do percentual de 112,5 % decorreu do não atendimento, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. Interpreto tal dispositivo no sentido de possibilitar o aumento da penalidade apenas nos casos em que se ignora completamente o chamado da fiscalização. Com tal previsão busca-se reprimir o desdém dos contribuintes, que se sujeitam a uma sanção mais gravosa em caso de assim se comportarem. Prestados os esclarecimentos, ainda que em concreto não tenham sido plenos sob o prisma da fiscalização, cabe a esta valorá-los à luz da legislação de regência, como ocorreu no caso concreto, que permitiu o arbitramento do lucro. (...) É fato que a sócia-gerente formal, Sra. Vivian Cristina Vasconcelos Barbosa, e o Sr. René Pimentel atenderam durante o procedimento fiscal as intimações que lhe foram dirigidas, ainda que não de forma inteiramente satisfatória a juízo da autoridade fazendária. Na realidade, a única menção da autoridade fiscal relacionada à aplicação da multa em tal percentual é no sentido de que a Sra. Vivian Cristina Vasconcelos Barbosa, apesar de ter atendido a intimação de outubro de 2002, deixou de fazê-lo com relação à intimação de abril de 2003 (fl.29). Com a devida vênia, há uma contradição insuperável. Se a própria fiscalização concluiu que o Sr. René Pimentel procedeu à alteração contratual para resumir o quadro societário a verdadeiros “laranjas”, a falta de atendimento de intimação dirigida a alguma destas pessoas não implica em penalidade à pessoa jurídica cuja existência, salvo prova em contrário, era desconhecida dos sócios formais. Em outros termos, a sociedade não pode responder por atos de terceiros que lhe são de fato estranhos. (...) Por sua vez, a Procuradoria, em seu recurso especial, visando a manutenção da multa de ofício agravada, defende que por não ter sido impugnado expressamente o agravamento da multa de ofício pelo contribuinte, teria havido a preclusão, não podendo a turma ordinária ter se pronunciado sobre o tema. O argumento da recorrente é aparentemente sustentado pela previsão do artigo 16, §4º do Decreto nº 70.235/72, senão vejamos: Fl. 4777DF CARF MF Fl. 43 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Todavia, não merece prosperar tal fundamento no caso concreto. Aliás, como bem apontou a i.Conselheira Relatora, há, inclusive, entendimento sumulado pelo Supremo Tribunal Federal contrário aos argumentos da recorrente (Súmula STF 473). Mas este não é o único fundamento para o descabimento de sua reivindicação. Acompanhe-se o raciocínio. Habitualmente, em todos os ordenamentos que possuem em sua estrutura de Estado um Poder Judiciário, está a ideia de que o processo busca estabelecer se os fatos realmente ocorreram ou não, o que torna a Verdade dos fatos no processo um tema altamente problemático e produz inúmeras incertezas ao tentar-se definir o papel da prova nesse contexto. Enquanto a Verdade Formal seria estabelecida no processo por meio das provas e dos procedimentos probatórios admitidos pela lei, a Verdade Material é aquela ocorrida no mundo dos fatos reais, ou melhor, em setores de experiência distintos do processo, obtido mediante instrumentos cognitivos distintos das provas judiciais. Nesse contexto, não é difícil definir o que vem a ser a verdade formal, pois é aquela obtida – repita-se – mediante o uso dos meios probatórios admitidos em lei. O problema é conceituar a verdade material, pois inicialmente chegamos ao seu conceito por mera exclusão. Qualquer outra “Verdade” que não a formal, é a material. A Verdade material, nesse sentido, admite outros meios de comprovação e cognição não admissíveis no âmbito do processo. Obedecidas as regras do ônus da prova e decorrida a fase instrutória da ação, cumpre ao juiz ter a reconstrução histórica promovida no processo como completa, considerando o resultado obtido como Verdade — mesmo que saiba que tal produto está longe de representar a Verdade sobre o caso em exame. Isto é ilustrado, em âmbito administrativo, pelo já citado artigo 16, §4º do Decreto nº 70.235/72. Com efeito, as diversas regras existentes no Código de Processo Civil tendentes a disciplinar formalidades para a colheita das provas, as inúmeras presunções concebidas a priori pelo legislador e o sempre presente temor de que o objeto reconstruído no processo não se identifique plenamente com os acontecimentos verificados in concreto induzem a doutrina a buscar satisfazer-se com outra “categoria de Verdade”, menos exigente que a verdade material. É por isso que, ao admitir a adoção da Verdade Material como Princípio regente do processo, os conceitos extraprocessuais tornam-se importantes, sobretudo os filosóficos, epistemológicos, que buscam definir como podemos conhecer a Verdade. Mas não é só isso. A doutrina moderna tem reconhecido o chamado Princípio da Busca da Verdade Material, tornando-o relevante também para o Direito Processual, na medida em que algumas modalidades de processo supostamente admitem sua aplicação de forma ampla. Parte-se da premissa de que o processo civil, por lidar supostamente com bens menos relevantes que o processo penal, por exemplo, pode contentar-se com menor grau de segurança, satisfazendo-se com um grau de certeza menor. Seguindo esta tendência, a doutrina do processo civil passou a dar mais relevo à observância de certos requisitos legais da pesquisa Fl. 4778DF CARF MF Fl. 44 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 probatória (através da qual a comprovação do fato era obtida), do que ao conteúdo do material de prova. Passou a interessar mais a forma que representava a Verdade do fato do que se este produto final efetivamente representava a Verdade. Mas ainda assim, reconhecia-se a possibilidade de obtenção de algo que representasse a Verdade, apenas ressalvava-se que o processo civil não estava disposto a pagar o alto custo desta obtenção, bastando, portanto, algo que fosse considerado juridicamente verdadeiro. Era uma questão de relação custo-benefício entre a necessidade de decidir rapidamente e decidir com segurança; a doutrina do processo civil optou pela preponderância da primeira. 1 Nessa medida, a expressão “Verdade material”, ou outras expressões sinônimas (Verdade real, empírica etc.) são etiquetas sem significado se não estiverem vinculadas ao problema geral da Verdade. A doutrina moderna do direito processual vem sistematicamente rechaçando esta diferenciação 2 , corretamente considerando que os interesses, objeto da relação jurídica processual penal, por exemplo, não têm particularidade nenhuma que autorize a inferência de que se deva aplicar a estes métodos de reconstrução dos fatos diverso daquele adotado pelo processo civil. Se o processo penal lida com a liberdade do indivíduo, não se pode esquecer que o processo civil labora também com interesses fundamentais da pessoa humana pelo que totalmente despropositada a distinção da cognição entre as áreas. Na doutrina brasileira não faltam críticas para a adoção da Verdade formal, especialmente no processo civil. Boa parte dos juristas desse movimento, entende que desde o final do século XIX não é mais possível ver o juiz como mero expectador da batalha judicial, em razão de sua colocação eminentemente publicista no processo (processo civil inserido no direito público), conhecendo de ofício circunstâncias que até então dependia da alegação das partes, dialogando com elas e reprimindo condutas irregulares. 3 Outro aspecto que dificulta ainda mais uma solução para o problema é o fato de que a única Verdade que interessa é aquela ditada pelo juiz na sentença, já que fora do processo não há Verdade que interesse ao Estado, à Administração ou às partes. A Verdade no seu conteúdo mais amplo é excluída dos objetivos do processo, em particular do processo civil. José Manoel de Arruda Alvim Netto aponta que o Juiz sempre deve buscar a Verdade, mas o legislador não a pôs como um fim absoluto no Processo civil. O que é suficiente para a validade da eficácia da sentença passa ser a verossimilhança dos fatos. 4 O jurista reconhece a Verdade formal no processo civil, mas salienta que quando a demanda tratar de bens indisponíveis, “...procura-se, de forma mais acentuada, fazer com que, o quanto possível, o resultado obtido no processo (Verdade formal) seja o mais aproximado da Verdade material...” Diante do reconhecimento de tal diferenciação (Verdade material versus Verdade formal), ao mesmo tempo se reconhece que, em determinadas áreas do processo, a Verdade material é almejada com mais afinco que em outras. Naquelas áreas em que se considera a Verdade material essencial para a solução da controvérsia, se diz que o Princípio da Verdade Material rege a causa. O Princípio da Verdade Formal, por outro lado, rege o Processo em 1 (Veja-se: Sergio Cruz Arenhart e Luiz Guilherme Marinoni (Comentários… Op. Cit. p. 56.) 2 (TARUFFO, Michele. La prova dei fatti giuridice. Milão: Giufrè, 1992. p.56) 3 (Neste sentido Antonio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pelegrini Grinover e Candido Rangel Dinamarco. (Teoria Geral do Processo. 26 ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 70).) 4 (Manual de Processo Civil. 14 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011. p. 932.). Fl. 4779DF CARF MF Fl. 45 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 que não se considera essencial a busca da Verdade real, contentando-se portanto com a verossimilhança ou a probabilidade. Dejalma de Campos, afirma que pelo Princípio da Verdade Material, o magistrado deve descobrir a Verdade objetiva dos fatos, independentemente do alegado e provado pelas partes, e pelo Princípio da Verdade formal, o juiz deve dar por autênticos ou certos, todos os fatos que não forem controvertidos. 5 A predominância da busca da Verdade material no âmbito do direito administrativo fica evidenciada nas palavras de Celso Antonio Bandeira de Mello, quando afirma: Nada importa, pois, que a parte aceite como verdadeiro algo que não o é ou que negue a veracidade do que é, pois no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte ou pelas partes, a administração deve sempre buscar a Verdade substancial. 6 Paulo Celso Bergston Bonilha ressalta que o julgador administrativo não está adstrito as provas e a Verdade Formal constante no processo e das provas apresentadas pelo contribuinte. Segundo ele, outras provas e elementos de conhecimento público ou que estejam de posse da Administração podem ser levados em conta para a descoberta da Verdade. 7 Ainda no âmbito do direito administrativo, há aplicação ampla do Princípio da Verdade material, mesmo que com outras denominações. Hely Lopes Meirelles chama de Princípio da Liberdade de Prova aquele em que a administração tem o poder-dever de conhecer de toda a prova de que tenha conhecimento, mesmo que não apresentada pelas partes litigantes. Hely Lopes salienta que no processo judicial o juiz cinge-se às provas indicadas, e no tempo apropriado, enquanto que no processo administrativo a autoridade processante pode conhecer das provas, ainda que produzidas fora do processo, desde que sejam descobertas e trazidas para este, antes do julgamento final 8 Constata-se dessa exposição inicial que temos dois extremos, no que tange a aplicação concreta do principio da busca da verdade material: de um lado a liberdade de prova (já admitida em outros julgados por este Colegiado); de outro lado a ausência de Preclusão. Entendo que, se o que caracteriza a busca da verdade material é a possibilidade de o julgador (administrativo, no caso), a qualquer tempo, buscar elementos – de fato e de direito – que o convençam para julgar corretamente, independentemente do que foi trazido pelas partes no curso do processo, então mais razão para que qualquer das partes também traga ao processo, elementos de fato e de direito, em qualquer momento processual. É bom lembrar que a preclusão, enquanto modalidade de decadência lato senso, isto é, perda de um direito pelo decurso do tempo (direito de manifestar-se no processo) é regra meramente processual, infraconstitucional. 5 (Lições do processo civil voltado para o Direito Tributário. In O processo na constituição. Coord . Ives Gandra da Silva Martins e Eduardo Jobim. São Paulo: Quartier Latin, 2008. p. 691.) 6 (Curso de Direito administrativo. 26 ed. rev. ampl. São Paulo: Malheiros, 2009. p. 497. O autor se socorre da definição de Hector Jorge Escola, para quem o Princípio da Verdade Material consiste na busca daquilo que é realmente a Verdade independentemente do que as partes hajam alegado ou provado. 7 ( BONILHA. Paulo Celso Bergstrom. Da prova no processo administrativo tributário. 2 ed. São Paulo: Dialética, 1997. p. 76.) 8 .( Direito Administrativo Brasileiro. 14 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1989. p. 584. Em outra passagem da obra, o autor classifica o processo administrativo com base em duas espécies: o disciplinar e o tributário. Segundo ele, ambos, mesmo que usualmente tratados pela doutrina separadamente, possuem o mesmo núcleo de Princípios. Hely Lopes Meirelles faleceu Agosto de 1990. Sua obra passou a ser atualizada por outras pessoas e encontra-se na sua 33ª edição. Sem qualquer demérito a estes juristas, procuramos aqui refletir a opinião autêntica do autor, mediante consulta a edição imediatamente anterior a sua morte (julho de 1989), sobre um tema de cunho Princípiológico que, aliás, ultrapassa as barreiras da legislação alterada posteriormente.) Fl. 4780DF CARF MF Fl. 46 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 Com isso quero dizer que não se pode, por exemplo, mitigar institutos constitucionais, tais como a decadência (stricto senso), a prescrição, a coisa julgada, o ato jurídico perfeito etc. Mas, em se tratando de normas de nível de lei ordinária, deve prevalecer, como o próprio nome já diz: o PRINCÍPIO (da busca verdade material, no caso). Ademais, a Lei Geral do Processo Administrativo Federal LGPAF (Lei Federal 9.784/99), reconhece implicitamente o principio em mais de uma passagem de seu texto, das quais destaco uma, particularmente aplicável ao caso concreto: “Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: I fora do prazo; II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. § 1o Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendo-lhe devolvido o prazo para recurso. § 2o O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. ” Destaco o parágrafo segundo acima. Veja-se que por “preclusão administrativa” deve ser entendido como a chamada “coisa julgada administrativa”, i. e., exceção aplicável apenas no caso do inciso IV, posto que, se não há mais processo, a autoridade julgadora não tem mais competência para tratar o tema. Veja-se que o parágrafo primeiro dá outra solução também ao inciso II, privilegiando outro princípio, conhecido por fungibilidade e informalismo. Se, por uma hipótese, o parágrafo não fosse aplicável nos casos de perda de prazo processual, restaria apenas o “exame de oficio” para o caso de parte ilegítima (inciso III) o que faria o parágrafo perder completamente seu sentido. Há uma clara antinomia em relação ao disposto no artigo 17 do decreto-lei 70.235/72, posto que no artigo 63 acima não consta a falta de inclusão na impugnação como causa de preclusão contra o contribuinte. Na minha opinião, a LGPAF deveria ser aplicável, em razão da sua novidade, mas mesmo para aqueles que entendem que prevalece o “Decreto” por ser norma especial, não há antinomia em relação ao parágrafo segundo. Com isso quero dizer que, mesmo em casos de não conhecimento de um recurso, por exemplo, este conselho de forma alguma está impedido de analisar livremente o tema, coincidente ou não com o argumento trazido no recurso. Finalmente, outra passagem da LGPAF deixa evidente o alcance do principio da busca da verdade material, seja para a instrução probatória, seja para elementos de interpretação da lei vigente, verbis: “Art. 65. Os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada.” Este dispositivo é aplicável a favor do administrado, pois não poderá tal revisão resultar em agravamento da sanção, bem como deve respeitar os institutos constitucionais de decadência, prescrição etc., mas evidencia sem duvida a busca da verdade material. Fl. 4781DF CARF MF Fl. 47 do Acórdão n.º 9101-004.250 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11030.721754/2014-70 Ora, se este Conselho pode, por iniciativa própria, acolher a outros aspectos de fato ou de direito, não necessariamente trazidos ao processo pelas partes, pergunta-se por que então as partes (fisco ou contribuinte) também não podem, se o objetivo desta esfera de julgamento é um só para todos: a verdade!! É neste ponto que destaco a relação inicialmente informada sobre a legalidade e a verdade material. Perceba-se que o caput do artigo 142 do CTN é taxativo ao prever que a aplicação da penalidade cabível é proposta pela autoridade administrativa, não imposta. E esta é uma diferença bem importante, justamente porque a natureza sugestiva da penalidade, no momento do lançamento permite que o julgador administrativo – pautado no princípio da livre convicção – possa entender pela redução ou manutenção, ou até mesmo agravamento da penalidade lançada. Disto, admite-se, por óbvio, que institutos como o da preclusão tem seu papel a cumprir, porém, como seu escopo é dar efetividade ao princípio maior ou sobreprincípio da segurança jurídica, e como a mesma relação ocorre com o princípio da verdade material e da justiça, sendo o último equiparado a segurança jurídica na classificação de sobreprincípio, resta claro que a relação entre a segurança jurídica e a verdade material é desarmônica, pois enquanto aquela for priorizada, mais longe da verdade real se estará e consequentemente a justiça – fim último do processo – será mitigada. Diante deste raciocínio, e por medida de razoabilidade, entendo que a justiça deve imperar sobre a segurança jurídica, e que portanto – principalmente no caso dos autos, em que por previsão legal expressa o julgador administrativo pode revisar o lançamento de ofício procedendo ao controle de legalidade – não haveria que se falar em preclusão no caso concreto, devendo-se manter o decido pelo v.acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 4782DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.001657/2006-50
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS DE PROVA ADICIONAIS. POSSIBILIDADE
A apresentação de recibo, por si só, não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais, tais como provas da efetiva prestação do serviço e de seu pagamento.
Numero da decisão: 9202-007.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
Patrícia da Silva - Relatora.
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Ausente a conselheira Ana Paula Fernandes.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS DE PROVA ADICIONAIS. POSSIBILIDADE A apresentação de recibo, por si só, não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais, tais como provas da efetiva prestação do serviço e de seu pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. Patrícia da Silva Relatora. Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 16 57 /2 00 6- 50 Fl. 60DF CARF MF 2 Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Ausente a conselheira Ana Paula Fernandes. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, efls. 45/50, contra o acórdão nº 2802002.229, julgado na sessão do dia 16 de abril de 2013 pela 2ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, hospitais e Planos de Saúde efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. FALTA DE ENDEREÇO. Cabe à autoridade lançadora apontar as razões pelas quais os recibos apresentados não servem de prova do pagamento. As normas de direito material e de direito processual devem ser aplicadas harmonicamente. Se não conta no lançamento, nem no acórdão de primeira instância, qualquer objeção quanto à falta de indicação do endereço nos recibos, prevalece o devido processo legal, e a falta do endereço passa a ser mero descumprimento de formalidade que não impede a dedução. Recurso voluntário provido. Como descrito: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF (fls. 02 a 05), referente ao exercício 2003, anocalendário 2002, por Auditor Fiscal da Receita Federal, da DRF/Ribeirdo PretoSP, glosando parte das despesas médicas declaradas, com redução do valor Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10840.001657/200650 Acórdão n.º 9202007.902 CSRFT2 Fl. 61 3 do Imposto a Restituir apurado na sua declaração de ajuste desse exercício, para R$ 1.672,35. 0 lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Dedução Indevida de Despesas Médicas. Intimado a demonstrar o efetivo desembolso dos valores referentes aos pagamentos relativos aos recibos de serviços profissionais apresentados, o contribuinte não comprovou. Valor alterado de R$ 27.385,13 para R$ 6.385,13. Enquadramento legal: art. 8°, inciso II, alínea "a" e parágrafos 2° e 3° da Lei 9.250/95; arts. 43 a 48 da IN SRF n° 15/2001 (fl. 05). Intimada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, efls. 45/50, requerendo o provimento do presente Recurso Especial, reconhecendose a plena legitimidade de todas as glosas de despesas médicas previstas no auto de infração. Apresenta como paradigma o acórdão abaixo: Acórdão nº 280100.197 "DESPESAS MÉDICAS APRESENTAÇÃO DE RECIBOS SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO POSSIBILIDADE Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tãosomente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA RECIBOS MÉDICOS INIDÔNEOS – CABIMENTO A utilização de recibos médicos inidôneos, emitidos por profissional para o qual há Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, tão somente com o propósito de reduzir a base de cálculo do imposto devido, caracteriza o evidente intuito de fraude, justificando a imposição da multa de oficio qualificada. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula n". 4, do Primeiro Conselho de Contribuintes). Conforme despacho de efls. 52/55, o Recurso foi admitido, conforme trecho transcrito abaixo: Não obstante os dois julgados terem considerado que, como regra, os recibos são documentos hábeis para comprovar a dedução, a divergência instaurase no ponto em que, de um lado, o recorrido considerou que para rejeição da força probante dos recibos haveria de ter sido comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado, Fl. 62DF CARF MF 4 bem como deveria a Fiscalização ter apontado as razões pelas quais não acolheria os recibos apresentados. De outro lado, no paradigma considerouse que a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada, sendo necessária a comprovação da efetividade dos serviços prestados e dos correspondentes pagamentos, sem qualquer ressalva quanto à necessidade de a autoridade lançadora apontar as razões pelas quais os recibos apresentados foram tidos como insuficientes. Diante do exposto, com fundamento nos arts. 67 e 68, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, DOU SEGUIMENTO ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que seja rediscutido o restabelecimento de despesas médicas que haviam sido glosadas pela Fiscalização. Intimado, conforme AR de efls. 59, o Contribuinte foi intimado e não apresentou Contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e conforme despacho de admissibilidade de efls. 52/55, preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A matéria em discussão é a comprovação efetiva das despesas médicas para fins de dedução na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física. O presente Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional limitase à discussão de serem os recibos juntados aos autos provas suficientes para caracterização da prestação de serviços ao contribuinte e seus dependentes. Destaco o disposto no art. 8º da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10840.001657/200650 Acórdão n.º 9202007.902 CSRFT2 Fl. 62 5 § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Pela leitura dos dispositivos acima, bastaria a apresentação dos recibos pelos respectivos profissionais, devendo tais documentos trazerem elementos suficientes para identificação do prestador de serviço que recebeu os valores despendidos pelo contribuinte. Destaco que das efls. 8/25, constam os recebidos apresentados pelo Contribuinte para comprovar os gastos, que apresentam o nome do profissional, endereço, o carimbo com a inscrição no órgão de classe. Nesse sentido, apresento o meu posicionamento exarado no acórdão nº 9202 005.323, prolatado na sessão do dia 30 de março de 2017: Na hipótese dos autos, a contribuinte comprovou a efetividade e pagamento dos serviços médicos mediante apresentação dos recibos do profissional, não tendo a fiscalização declinado qualquer fato que pudesse macular a idoneidade de aludida documentação. Corroborou, ainda, os recibos ofertados com Laudos, fichas e Exames Médicos, acostados aos autos junto à impugnação, confirmando a prestação do serviço e o recebimento do respectivo pagamento. É bem verdade, que o artigo 73 do RIR/1999 autoriza a autoridade lançadora, a juízo próprio, refutar os comprovantes apresentados pela contribuinte. Entrementes, tal que a levaram a não admitir as provas ofertadas pela autuada. Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “DESPESAS MÉDICAS RECIBO IDÔNEO Não existindo fundado receio quanto à legitimidade dos recibos comprobatórios de despesas dedutíveis, tais instrumentos deverão ser aceitos como meios de prova. Recurso provido” Fl. 64DF CARF MF 6 (4ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Recurso nº 145.606 – Acórdão n° 10421.833, Sessão de 17/08/2006) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2004 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Laudos, fichas e Exames Médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física. Recurso especial provido. Não se pode inverter o ônus da prova, quando inexistir dispositivo legal assim contemplando, a partir de uma presunção legal. In casu, havendo dúvidas quanto a efetividade e pagamento dos serviços médicos prestados, caberia a fiscalização se aprofundar no exame das provas, intimando, inclusive, os profissionais médicos ou outros a prestar esclarecimentos, como ocorre em inúmeras oportunidades, sendo defeso, no entanto, presumir que os serviços médicos/odontológicos não foram prestados tão somente porque não houve apresentação de cheques nominativos na totalidade das despesas médicas ou extratos bancários, o que fora comprovado exclusivamente por recibos e Laudos/Exames Médicos. Destarte, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento a autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, identificando perfeitamente a sujeição passiva, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Decorre daí que quando não couber a presunção legal, a qual inverte o ônus da prova ao contribuinte, deverá a fiscalização provar a ocorrência do fato gerador do tributo, com a inequívoca identificação do sujeito passivo, só podendo praticar Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10840.001657/200650 Acórdão n.º 9202007.902 CSRFT2 Fl. 63 7 o lançamento posteriormente a esta efetiva comprovação, sob pena de improcedência do feito, como aqui se vislumbra. Ademais, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito, o ônus da prova cabe a quem alega, in casu, ao Fisco, especialmente por inexistir disposição legal contemplando a presunção para a glosa de despesas médicas escoradas exclusivamente em recibos, incumbindo à fiscalização buscar e comprovar a realidade dos fatos, podendo para tanto, inclusive, intimar os prestadores de serviços para confirmar a idoneidade dos documentos ofertados pela contribuinte. A doutrina pátria não discrepa dessas conclusões, consoante de infere dos ensinamentos de renomado doutrinador Alberto Xavier, em sua obra “Do lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, nos seguintes termos: “ B) Dever de prova e “in dúbio contra fiscum” Que o encargo da prova no procedimento administrativo de lançamento incumbe à Administração fiscal, de modo que em caso de subsistir a incerteza por falta de prova beweilöigkeit), esta deve absterse de praticar o lançamento ou deve praticálo com um conteúdo quantitativo inferior, resulta claramente da existência de normas excepcionais que invertem o dever da prova e que são as presunções legais relativas. [...]” (Xavier, Alberto – Do lançamento no direito tributário brasileiro – 3ª edição. Rio de Janeiro: Forense, 2005) (grifos nossos) Não bastasse isso, a existência de eventual DÚVIDA, ao contrário do que sustenta a Procuradoria, só pode vir a beneficiar o acusado, qual seja, o contribuinte, em observância ao artigo 112, do Códex Tributário, que assim preconiza: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Partindo dessas premissas, uma vez comprovada pela contribuinte a prestação dos serviços médicos mediante recibos e Laudos/Exames Médicos, sem que a fiscalização tenha levantado qualquer suspeita ou se aprofundado na análise das provas apresentadas, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de afastar as glosas procedidas pelo fiscal autuante. Fl. 66DF CARF MF 8 Em relação a ausência de indicação do endereço do profissional ou nome do paciente nos recibos, destaco o acórdão nº 9202003.693, de relatoria do Ilmo. Conselheiro Gerson Macedo Guerra, que foi negado provimento ao RESp da PGFN por unanimidade, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 A mera falta da indicação do endereço do profissional e/ou do nome do paciente nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas não são, por si sós, fatos que autorizem à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas médicas. Admite se ainda a juntada de novos documentos contendo os requisitos faltantes no curso do processo fiscal. (...) Inobstante à análise dos novos comprovantes trazidos aos autos pelo contribuinte, vejo que a glosa de despesas médicas pela falta de informações nos recibos do endereço profissional do prestador do serviço e da indicação do beneficiário do tratamento não é razoável. Isso porque a autoridade fiscal tinha condição de encontrar a profissional já que em todos os recibos havia seu carimbo contendo seu nome completo e número de sua identidade profissional. Logo, apesar da falta de tais elementos nos recibos, poderia a autoridade fiscal ter diligenciado junto ao prestador de serviços odontológicos para questionar sobre a efetividade do tratamento e do seu respectivo pagamento. Não simplesmente desconsiderar os documentos e efetuar a glosa das despesas.. Contudo, pautandose em um formalismo exagerado a autoridade fiscal preferiu autuar o contribuinte em questão. Por esse motivo apenas já fundamentaria minha decisão pela improcedência do recurso da União. Não foi suscitada qualquer dúvida quanto a validade dos documentos apresentados ou feita qualquer verificação junto aos prestadores de serviços. Nesse sentido destaco o trecho do voto do acórdão da Câmara a quo, que entende que os recibos apresentados pelo Contribuinte são hábeis: O lançamento baseouse na imputação fiscal de que os recibos apresentados não comprovam o “efetivo pagamento”, sem qualquer óbice quanto a seus aspectos formais. No julgamento de primeira instância, a impugnação foi indeferida essencialmente pelas mesmas razões do lançamento, que em linha geral pode ser sintetizado com a idéia de que os recibos não provam o “efetivo pagamento”, sem que os aspectos formais do recibos tenham sido tomados como relevantes pela autoridade julgadora, assim como o fez a autoridade lançadora. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10840.001657/200650 Acórdão n.º 9202007.902 CSRFT2 Fl. 64 9 As normas de direito material devem ser analisadas em cotejo com as de direito processual. Nesse sentido, é mister ressaltar que o devido processo legal exige que o processo caminhe sempre para frente e que o contribuinte arque com o ônus de defenderse unicamente da imputação que lhe foi feita no auto de infração. Não cabe ao julgador ocupar o papel da autoridade lançadora no sentido de comprovar a inidoneidade dos recibos e, ainda que haja imperfeições na lei que, em tese, permitam a deturpação do benefício fiscal, não é lícito ao julgador, na tentativa de corrigir essas imperfeições, ampliar a imputação fiscal e com isso aumentar as exigências comprobatórias ao contribuinte sem base legal. Ademais, na fase recursal o recorrente contesta o acórdão de primeira instância, se este não fez qualquer ressalva em relação a aspectos formais dos recibos, não é razoável ampliar as exigências comprobatória no âmbito do julgamento do recurso voluntário, notadamente quando esta Turma Julgadora, na linha de outros precedentes do CARF, já reconheceu a possibilidade da dedução, diante das peculiaridades do caso concreto, em casos nos quais a única ressalva aos documentos é a falta de endereço Assim, a apresentação de recibos idôneos fornecidos por profissionais de saúde, contendo os elementos necessários à identificação de quem recebeu o pagamento, constituem documentos hábeis a comprovar a realização das despesas permitidas como dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda Diante de todo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial interposto pela PGFN. Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado Divergi da relatora quanto ao mérito, relativamente à comprovação das despesas médicas. Entendeu a Relatora que os recibos são documentos hábeis e idôneos para comprovar as despesas, não devendo o contribuinte ser instado a apresentar elementos adicionais de prova. Penso de outro modo. Entendo que os recibos são meios de prova, mão não a prova em si, podendo ser questionados em situações em que se apresentem indícios de irregularidade, como é o caso de dedução de despesas em valor elevado em relação aos rendimentos declarados. No presente caso, mais de 50% dos rendimentos declarados. Nessas situações poderá o Fisco exigir elementos adicionais de prova, como da efetividade dos pagamentos ou da prestação dos serviços. No presente caso, o contribuinte foi intimado a fazer tal prova e nada apresentou. Fl. 68DF CARF MF 10 Ora, não é nada desarrazoado o Fisco exigir que o contribuinte apresente elementos adicionais que comprovem a efetividade dos pagamentos, como transferência bancária, cheque ou saques correspondentes aos valores pagos. Poe outro lado, nada impede que as pessoas façam seus pagamentos em espécie, porém, se estão sujeitas a eventual comprovação dessas operações devem ter a cautela de escolher outros meios, que possam produzir provas, como a transferência bancária ou mesmo o cheque. Mas, mesmo com o pagamento em dinheiro, é possível apresentar elementos adicionais de prova, como saques equivalentes aos valores pagos; podem ser produzidas ainda provas da efetividade da prestação dos serviços, como a requisição médica, dentre outras. Ressalto que a possibilidade de o fisco exigir elementos adicionais de prova da efetividade dos pagamentos tem previsão no art. 73 do DecretoLei nº 5.844, de 1943, ainda em vigor. Confirase: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).” § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). E nem poderia ser de outro modo, pois o recibo é documentos particular, válido, em princípio, entre as partes. Porém para servir de prova perante terceiros, há de ser corroborado por outros elementos. De modo que divirjo frontalmente da Relatora quando afirma que os recibos são documentos hábeis e idôneos para comprova as despesas. Não são. São meios de prova, que podem ser questionados, situação em que precisam ser corroborado por outros elementos de prova. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e, no mérito, doulhe provimento. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 69DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.000210/2006-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2001
PEDIDO DE PERÍCIA.PROVA JÁ PRODUZIDA NOS AUTOS.
Rejeita-se o pedido de perícia formulado se o litígio envolve matéria probatória que já se encontra produzida nos autos e que não foi afastada pelo sujeito passivo mediante a competente contraprova.
Numero da decisão: 1302-003.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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EXTERIOR LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2001 PEDIDO DE PERÍCIA.PROVA JÁ PRODUZIDA NOS AUTOS. Rejeita-se o pedido de perícia formulado se o litígio envolve matéria probatória que já se encontra produzida nos autos e que não foi afastada pelo sujeito passivo mediante a competente contraprova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregorio - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por FOUR UNION ASSESSORIA DE COM. EXTERIOR LTDA. contra acórdão que julgou procedente auto de infração lavrado pela DRF/Guarulhos-SP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 02 10 /2 00 6- 20 Fl. 1354DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.725 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000210/2006-20 Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: Trata-se de auto de infração à legislação do Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF, que constituiu o crédito tributário no montante total de R$ 6.406.510,73, incluídos a multa de oficio e os juros de mora calculados até a data da lavratura. De acordo com o Termo de Verificação e Constatação Fiscal anexado às fls. 1.197 a 1.208, foram constatadas as seguintes infrações à legislação tributária: "Contexto Irregularidade Apurada: Pagamentos Sem Causa. No exercício das funções de Auditores-Fiscais da Receita Federal, no curso da ação fiscal junto ao Contribuinte acima identificado, de acordo com o disposto nos artigos 904, 905, 910, 911 e 927 do Decreto no. 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), verificamos e constatamos os fatos a seguir descritos: 1- DO PROCEDIMENTO FISCAL: 1.1 - ORIGEM DO PROCEDIMENTO FISCAL - MPF no. 08.1.11.00-2005-00116-7, ação fiscal realizada junto à pessoa da sócia: Nelly Toffoli Damas, CPF no. 004.502.428-62; - Mandado de Procedimento Fiscal - Fiscalização no. 08.1.11.00-2006- 00326; - Tributos - Períodos de Apuração: Imposto de Renda Pessoa Jurídica - 01/2001 a 12/2001 e Imposto de Renda Retido na Fonte - 09/2001; - Operações: 21103 - Fluxo Financeiro e 50151 - IRRF - Pagamentos a Beneficiários Não Identificados/Sem Causa ou por operação Não Comprovada 1.2 - Histórico 1.2.1 - Da ação fiscal realizada junto à sócia Nelly Toffoli Damas: A presente ação de fiscalização se originou em decorrência de outra (MPF 08.1.11.00- 2005-00116-7 e Complementares, cópias às fls. 156 a 158) que já se encontrava em andamento junto à pessoa física de sua sócia: Sra. Nelly Toffoli Damas, CPF n° 004.502.428-62. No curso da referida ação, a Sra. Nelly apresentou, conforme documentos anexados às fls. 165, 175, 195 e 245, os extratos de contas correntes de depósito de sua titularidade e de titularidade da empresa em epígrafe, da qual é sócia, relativos aos anos-calendário de 1998 a 2001, conforme abaixo: - de titularidade da fiscalizada Nelly Toffoli Damas (relativos ao período de 1998 a 2001): 1- BANCO 104 (Caixa Econômica Federal), Agência 0247, C/C n°15.417- 4, fls. 166 a 173 (ano-calendário 2001) e fls. 255 a 271 (anos-calendário de 1998 a 2000); 2- BANCO 409 (Unibanco), Agência 593, C/C n° 200.357-6, fls. 196 a 236, fls. 274 a 530 (anos-calendário de 1998 a 2000) e, Fl. 1355DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.725 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000210/2006-20 3- BANCO 001 (Banco do Brasil S/A), Agência 3222-0 (após 21/02/2001 o n° da agência muda para 3222-0), C/C n° 8.230-8, fls. 176 a 193 (ano-calendário 2001) e fls. 531 a 556 (anos-calendário de 1998 a 2000). - de titularidade da empresa Four Union, CNPJ n° 00.583.184/0001-60, relativos ao período de 1998 a 2001: 1- BANCO 104 (Caixa Econômica Federal), agência 0247, C/C n° 665-1 «Is. 558 a 584); 2- BANCO 409 (Unibanco), Agência 593, C/C n° 201.344-3 Ols. 585 a 767) e 3- BANCO 001 (Banco do Brasil S/A), Agência 636-X (após 21/02/2001 o n° da agência muda para 3222-0), C/C n° 2806-1, fls. 768 a 824. Na ocasião, ainda foram apresentados por essa sócia, os seguintes documentos: - Declaração onde objetiva comprovar e justificar a origem dos valores depositados em suas contas correntes, mantidas nas instituições financeiras em voga, no ano-calendário 2001 (fls. 245 a 252); - Livros Diário e Razão da empresa supra identificada, relativos aos anos-calendário de 1998 a 2001 (Declaração de entrega ás fls. 253 e cópias dos livros anexadas às fls. 825 a 1193) e - Comprovante de depósito na conta do sócio, Sr. José da Silva, cópia às fls. 1195, que corresponde a parte do débito efetuado na conta da empresa Four Union, conforme cópia do comprovante de saque, cuja cópia foi anexada às fls. 1196. A outra parte desse débito corresponde a um crédito efetuado na conta da Sra. Nelly Toffoli Damas. A análise dos documentos acima permitiu constatar a ocorrência, em 20/09/2001, de pagamentos efetuados, pela empresa ora fiscalizada, a seus sócios, sem a comprovação de sua causa, conforme será explicitado adiante. A fim de apurar a irregularidade acima apontada, foi expedido o MPF n° 08.1.11.00- 2006-00326-0, que ampara a presente ação fiscal. 1.2.2 Da presente Ação Fiscal Dando início à presente Ação Fiscal, lavrou-se o Termo de Início de Fiscalização, fls. 03 a 05, onde a empresa supra é intimada a esclarecer em que contas foram efetuados os créditos correspondentes aos débitos efetuados, na data de 20/09/2001, em suas contas de depósito mantidas junto ao Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal e também a apresentar os comprovantes de todos os rendimentos auferidos no ano-calendário 2001, decorrentes de aplicações financeiras, além do Contrato Social e Alterações ocorridas nos últimos cinco anos. Respondendo ao Termo citado no parágrafo anterior, a empresa anexou a este processo o documento de fls. 06, onde informa o destino dos valores questionados. Também, em resposta ao mesmo Termo, foram anexados pela Fiscalizada, os originais e cópias do Contrato Social da empresa e Alterações Posteriores (cópia às fls. 07 a 34), além dos extratos de fls. 36 a 37. Ainda foram objeto de análise, neste processo, além dos extratos bancários, os outros documentos apresentados pela Sócia da Fiscalizada, Nelly Toffoli Damas, CPF 004.502.428-62, no curso da ação fiscal amparada pelo MPF no. 08.1.11.00- 2005- 00116-7, conforme já explanado. 2 - DA ANÁLISE: Fl. 1356DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.725 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000210/2006-20 Conforme informações trazidas pela Fiscalizada no documento de fls. 06, os valores constantes na planilha de fls. 05 foram transferidos, das contas da empresa, para as contas dos Sócios: Nelly Toffoli Damas, CPF 004.502.428-62 e José da Silva, CPF n° 692.145.498-34, conforme abaixo: 1- Valor de R$ 303.030,00, transferido em 20/09/2001 da conta no. 2806-1 (fls. 821), mantida pela empresa na agência n° 3222-0 do Banco do Brasil, para a conta n° 8230-8 «is. 188), mantida pela Sócia Nelly na agência n° 3222-0 do Banco do Brasil; 2- Valor de R$ 865.800,00, transferido em 20/09/2001 da conta n° 2806-1 (fls. 821), mantida pela empresa na agência 3222-0 do Banco do Brasil, para a conta n°8230- 8 (fls. 188), mantida pela Sócia Nelly na agência no. 3222-0 do Banco do Brasil; 3- Valor de R$ 1.134.200,00, transferido em 20/09/2001 da conta n°2806- 1 (fls. 821), mantida pela empresa na agência n° 3222-0 do Banco do Brasil, para a conta n° 73.245- 1 (fls. 36), mantida pelo Sócio José da Silva na agência n° 3222-0 do Banco do Brasil; 4- Valor de R$ 1.884.189,60, transferido em 20/09/2001 da conta n°665-1 (fls. 581), mantida pela empresa na agência n° 0247 da Caixa Econômica Federal, transferido parcialmente para a conta n° 14.033-5 (fls. 1196), mantida pelo Sócio José da Silva na agência n° 0247 da Caixa Econômica Federal (valor transferido para este Sócio: R$ 1.132.800,92) e o restante (R$ 751.388,68) transferido para a conta n° 15.417-4 (fls. 170), mantida pela Sócia Nelly na agência 0247 da Caixa Econômica Federal; 5- Valor de R$ 396.970,00, transferido em 20/09/2001 da conta n°2806-1 Uh. 821), mantida pela empresa na agência no. 322-0 do Banco do Brasil, para a conta no. 73.245- 1 «is. 36), mantida pelo Sócio José da Silva na agência n° 3222-0 do Banco do Brasil; Naquele mesmo documento, de fls. 06, a Fiscalizada alega que os valores em questão foram repassados a titulo de Distribuição de Lucros. Cabe analisar essa alegação sob dois aspectos: 1°. - Que a alegação se refira apenas a Lucros Distribuídos no ano-calendário 2001: Ocorre que, contrariamente ao que alega a fiscalizada, ou seja, que tratam-se de valores repassados aos sócios a título de distribuição de lucros, os registros contábeis dos lançamentos referentes à distribuição de Lucros do ano-calendário 2001, não coincidem, tanto em datas como em valores, com as transferências acima elencadas (efetuadas em 20/09/2001), conforme se observa nos documentos anexados às fls. 948, 950, 955, 958, 960, 963, 965, 967 e 977 correspondentes a cópias das fls. nos.04, 06, 11, 14, 16, 19, 21, 23, 33 do Livro Diário 2001. 2°. - Que a alegação se refira a Lucros Distribuídos nos anos-calendário de 1998 a 2000: Conforme documento de fls. 245 a 252, a Sra. Nelly já havia alegado, durante o curso da ação fiscal sobre sua pessoa, que aquelas transferências envolviam valores relativos a lucros dos anos-calendário de 1998 a 2000. Ela afirma que tais Lucros haviam sido distribuídos apenas contabilmente, mas não efetivamente na sua totalidade, ou seja, só havia sido realizada a transferência de pequenos valores necessários à sua subsistência. Ante tais afirmações, faz-se necessário proceder à análise desse período, o que passo afazer: Em que pese a alegação da Fiscalizada, tal afirmação não procede, pois não encontra guarida: Fl. 1357DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-003.725 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000210/2006-20 1- Nos Livros Diário e Razão Naqueles Livros, referentes aos anos-calendário de 1998 a 2001, apresentados pela sócia, foram objeto de verificação as seguintes contas: Lucro do Exercício, conta n° 2340111020.1, e Lucros Acumulados, conta n°2340111015.1, tendo sido constatado o seguinte: - 1998: Lucro Líquido de R$ 1.259.416,22, fls. 1012 (folha n°25 do Razão 1998 - conta Lucro do Exercício); essa conta encerrou aquele ano com saldo zero. Nesse período, não figura, no balanço de encerramento, fls. 858 a 860 (fls. 34 a 36 do Diário 1998), a conta Resultados Acumulados, portanto todo o Lucro Auferido foi distribuído naquele ano-calendário; - 1999: Lucro Líquido de R$ 1.881.218,35, fls. 1069 (folha n°27 do Razão 1999 - Conta Lucro do Exercício). Essa conta encerrou aquele ano com saldo credor de R$ 5.818,35, valor esse que, no balanço de encerramento daquele período, figurou como Resultados Acumulados *Lucro do Exercício, fls. 899 (folha n°36 do Diário ano-calendário 1999), portanto foi distribuído naquele ano a diferença entre os dois valores, que equivale a R$ 1.875.400,00 (valor que foi debitado na conta Lucro do exercício). Embora figure no Balanço o saldo referido no parágrafo anterior, não foi localizada, no Razão daquele ano, a conta Lucros Acumulados; - 2000: Lucro Líquido de R$ 1.075.794,34, fls. 1121 (folha n°22 do Razão 2000 - conta Lucro do Exercício); essa conta encerrou o ano com saldo credor de R$ 63.994,34, valor esse que figurou como saldo de Resultados Acumulados no Balanço de Encerramento daquele período. Quanto a conta Lucros Acumulados, fls. 1121 (folha 22 do Razão 2000): Apesar de constar no balanço de encerramento daquele período, o valor de R$ 63.994,34, a título de Resultados Acumulados *Lucro do Exercício, fls. 940 (folha 37 do Diário 2000), foi realizado apenas um lançamento a débito de R$ 5.818,35, naquela conta, valor esse equivalente ao saldo credor inicial da mesma, ou seja, valor que figurou no Balanço de Encerramento do período anterior (1999), conforme já mencionado. Portanto, o valor distribuído nesse período corresponde à soma dos valores relativos ao saldo inicial de Lucros Acumulados (R$ 5.818,35) mais o Lucro Líquido do Exercício (R$ 1.075.794,34), o que equivale a Distribuição de Lucros no total, naquele ano, de R$ 1.017.618,35. - 2001: Lucro Líquido de R$ 717.076,34, fls 1167 (folha n° 21 do Razão 2001); essa conta encerrou o ano com saldo credor de R$ 30.000,00, valor esse que figurou como saldo de Resultados Acumulados no Balanço de Encerramento daquele período, conforme fls. 981 (fi. de n°37 do Diário 2001). No que diz respeito à conta Lucro Acumulados, fl. 1167 (folha n° 21 do Razão 2001), aqui, mais uma vez, apesar de constar no balanço de encerramento daquele período, o valor de R$ 30.000,00, foi realizado apenas um lançamento a débito de R$ 63.994,34, na referida conta, valor esse equivalente ao saldo inicial da mesma, ou seja, valor que figurou no Balanço de Encerramento do período anterior (2000), conforme já mencionado. Logo, o valor distribuído nesse período corresponde à soma dos valores relativos ao saldo inicial de Lucros Acumulados (R$ 63.994,34) mais o Lucro Líquido do Exercício Fl. 1358DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-003.725 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000210/2006-20 (R$ 717.076,34), diminuída do saldo que figura no Balanço a título de Resultados Acumulados *Lucro do Exercício (R$ 30.000,00), o que equivale a Distribuição de Lucros no total de R$ 751.070,68. Em suma, os registros efetuados nos Livros Diário e Razão, indicam, conforme exposto acima, que houve a seguinte distribuição de Lucros: Ano-calendário 1998 - R$ 1.259.416,22; Ano-calendário 1999 - R$ 1.875.400,00; Ano-calendário 2000 - R$ 1.017.618,35 e Ano-calendário 2001 - R$ 751.070,68. 2- Nas DIPJ (Declaração Integrada de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica) da Fiscalizada, relativas aos anos-calendário de 1998 a 2001, as quais encontram-se anexadas às fls. 38 a 132 deste processo, constata-se que foram distribuídos aos sócios os seguintes valores totais, a título de Lucros/Dividendos: 1998 - R$ 1.259.416,21; 1999 - R$ 1.870.000,00; 2000 - R$ 1.015.818,30 e 2001 - R$ 736.470,68, conforme abaixo: Ano-calendário 1998 - DIPJ 1999 (fls. 72): Sócio Plínio Vergari: R$ 30.557,00 Sócio José da Silva: R$ 695.560,87 Sócia Nelly Damas: R$ 533.298,34 Total: R$ 1.259.416,21 Ano-calendário 1999 - DIPJ 2000 (fls. 92): Sócio José da Silva: R$ 1.060.477,00 Sócia Nelly Damas: R$ 809.523,00 Total: R$ 1.870.000,00 Ano-calendário 2000 - DIPJ 2001 (fls. 111): Sócio José da Silva: R$ 576.070,56 Sócia Nelly Damas: R$ 439.747,74 Total: R$ 1.015.818,30 Ano-calendário 2001 - DIPJ - 2002 (fls. 131) Sócio José da Silva: R$ 416.786,74 Sócia Nelly Damas: R$ 319.683,94 Total: R$ 736.470,68. 3- Nas Declarações de Ajuste Anuais dos seus Sócios (fls. 137 a 155), relativas aos anos-calendário de 1998 a 2000, que indicam que os mesmos receberam, a título de Rendimentos Isentos e Não-Tributáveis, os seguintes valores: Fl. 1359DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-003.725 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000210/2006-20 Ano-calendário 1998: Sócio Plínio Vegari: R$ 27.247,23 (fls. 137) Sócia Nelly Damas: R$ 524.928,09 (fls. 138) Sócio José da Silva: R$ 686.222,95 (fls. 139) Total: R$ 1.238.398,27 Ano-calendário 1999: Sócia Nelly Damas: R$ 809.523,00 (fls. 143) Sócio José da Silva: R$ 1.061.880,16 (fls. 144) Total: R$ 1.871.403,16 Ano-calendário 2000: Sócia Nelly Damas: R$ 439.747,74 (fls. 146) Sócio José da Silva: R$ 577.583,83 (fls. 150) Total: R$ 1.017.331,57. Em todas as DIRPF acima analisadas, constata-se que os Sócios indicaram o CNPJ da fiscalizada como sendo o da principal fonte pagadora. Cabe esclarecer que: as quantias, referentes aos Lucros Distribuídos pelas empresas, são declaradas, nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física de seus Sócios, como Rendimentos Isentos e Não-Tributáveis (art. 39, inc. XXIX do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto no. 3000, de 26 de março de 1999), e em virtude disso, foram verificadas e juntadas a esse processo. Portanto, apesar da alegação da fiscalizada de que as transferências são devidas à Distribuição de Lucros, demonstramos que a mesma não procede, haja vista que tanto os Livros Comerciais, como as DIPJ e Declarações de Ajuste Anual dos sócios não corroboram com o alegado por aquela. Ante o acima exposto, não restou comprovada, por parte da fiscalizada, a causa daquelas transferências, e, em virtude desse fato, ficou configurada a ocorrência de "Pagamentos sem Causa", conforme previsto no § 1° do artigo 674 do RIR-99 (Regulamento do Imposto de Renda-99), aprovado pelo Decreto n°3000/99. (...) O Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades, junto do Anexo 1 e respectivo Auto de Infração foi cientificado pessoalmente à sócia Nelly Toffoli Damas em 04/09/2006, que também subscreveu a impugnação de fls. 1.218 a 1.223, protocolizada em 04/10/2006. Na peça de defesa destaca, inicialmente, que a metodologia do trabalho fiscal teria implicado, em primeiro lugar, a identificação de pagamentos à margem da contabilidade, sobre os quais se lançou a suspeita materializada no auto de infração e, em segundo lugar, a verificação do suporte contábil das alegações da impugnante. Fl. 1360DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-003.725 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000210/2006-20 No primeiro caso teria sido privilegiada a realidade em detrimento da escrituração, ao passo que no segundo, teria sido privilegiada a escrituração em detrimento da realidade. Afirma que a escrituração fiscal apresentada à auditoria não representaria fielmente a realidade da distribuição dos lucros, citando trecho de declaração do contabilista Valmir Moreira dos Santos, apresentada em anexo à impugnação (fls. 1.224 a 1.226). E explica: "... a empresa mostrou-se lucrativa ao longo desses quatro anos-calendário. Os lucros apurados foram devidamente oferecidos à tributação na pessoa jurídica, mas não foram efetivamente distribuídos aos sócios. Permaneceram retidos na sociedade, depositados em conta bancária própria da Impugnante, até que em setembro de 2001 foram todos distribuídos, de uma única vez, aos sócios". Salienta que por falha contábil teriam constado dos livros distribuições anuais de montantes expressivos, sempre nos meses de dezembro, dos anos de 1998, 1999, 2000 e 2001, mas que, na realidade, essas distribuições não teriam ocorrido, o que estaria retratado na movimentação bancária da empresa que demonstraria não ter havido a efetiva transferência financeira para as contas de titularidade das pessoas dos sócios. Demonstra, com base no seguinte demonstrativo, que os lucros acumulados entre 1998 e 2001 seriam suficientes para distribuição, de forma globalizada, em setembro de 2001: Ano Lucro não distribuído Acumulado 1998 R$ 1.259.416,22 R$ 1.259.416,22 1999 R$ 1.870.400,00 R$ 3.129.816,22 2000 R$ 1.010.000,00 R$ 4.139.816,22 2001 R$ 687.076,34 R$ 4.826.892,56 Observa que o erro na escrituração contábil da empresa teria repercutido nas declarações de ajuste anual apresentadas pelos sócios, que consignaram ter recebido montantes que efetivamente não receberam, mas que tais inconsistências não teriam gerado qualquer prejuízo ao erário, posto que os lucros distribuídos são isentos de tributação. Admite que é sua a comprovação de que os valores recebidos em setembro de 2001, pelos seus sócios, corresponderiam aos lucros distribuídos acumuladamente, mas que, para isso, dependeria de prova pericial a demonstrar que os valores pagos aos sócios teriam tido contrapartida em lucros acumulados e que os lançamentos efetuados nos livros Diários não corresponderiam a uma efetiva distribuição. Em suas palavras: "A perícia é necessária porque esses fatos não poderão ser comprovados documentalmente. Pelo contrário, os documentos correspondentes - os livros contábeis - mencionam fatos que se deseja desconstituir. De nada adiantaria à Impugnante apresentar nestes autos cópias de sua escrituração, porque elas não serviriam para provar o alegado; pelo contrário, foi justamente essa escrituração equivocada que deu margem à autuação". Apresenta os quesitos que deseja sejam respondidos em diligência pericial, indicando assistente técnico. Ao final pugna pelo cancelamento da autuação. Fl. 1361DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-003.725 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000210/2006-20 A DRJ/Campinas-SP proferiu, então, acórdão cuja ementa assim figurou: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2001 IRRF - PAGAMENTOS EFETUADOS AOS SÓCIOS DA EMPRESA SEM COMPROVAÇÃO DA CAUSA Não se acata como causa do pagamento, a alegada distribuição de lucros auferidos nos anos-calendário 1998 a 2001 e distribuídos de forma acumulada em setembro de 2001, quando incompatíveis com as distribuições registradas anualmente na escrituração e nas declarações de entrega obrigatória à SRF - DIPJ, DIRPF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2001 ESCRITURAÇÃO E DOCUMENTOS QUE LHE DÃO SUPORTE Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, quando escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios (Código Civil - Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002 artigo 226, atualizada pela Lei n° 10.825, de 22 de dezembro de 2003). PERÍCIA Indefere-se o pedido de perícia quando o mérito do litígio for de cunho eminentemente probatório e os elementos probantes já se encontrarem presentes nos autos. Lançamento Procedente Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário onde, essencialmente, repete as alegações contidas na impugnação. Contudo, seu pedido foca na realização da prova pericial com o objetivo de esclarecer os seguintes fatos: (i) que os valores pagos aos sócios em 20/09/2001 tiveram como contrapartida lucros acumulados na sociedade; e (ii) que os lançamentos efetuados nos livros diários, a título de distribuição de lucros, nos meses de dezembro dos anos de 1998, 1999 e 2000, corresponderam a uma efetiva distribuição. Enfatiza, ainda, que suas alegações não poderiam ser comprovadas documentalmente. Fl. 1362DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-003.725 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000210/2006-20 É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Como se vê, a recorrente atém-se ao pedido de realização de perícia. A instância a quo indeferiu tal pedido porque atestou que o litígio envolve matéria eminentemente probatória que já se encontra produzida nos autos e que não foi afastada pelo sujeito passivo mediante a competente contraprova. A empresa, no entanto, insiste que suas alegações não poderiam ser comprovadas documentalmente. É de se estranhar essa afirmativa. O que espera a empresa com a perícia? Reforçar a prova testemunhal já produzida por seu contador? Será que isso iria ser suficiente para contrapor as provas documentais (extratos bancários, contabilidade, DIPJ, DIRPF) trazidas aos autos pela fiscalização? A meu ver, não. A materialidade dos fatos a serem esclarecidos com a perícia (segundo proposto no próprio recurso) não poderia ser provada senão pela via documental. Em sua impugnação (no parágrafo 16), a empresa até mencionou que havia requerido seus extratos bancários da movimentação ocorrida entre 1998 e 2001 perante o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Disse que se comprometia a apresentá-los nos autos assim que ficassem prontos. Passaram-se quase treze anos e nada foi juntado. A verdade é que, para acrescer alguma verossimilhança às suas alegações, a empresa deveria não só ter trazido alguma prova concreta de que os recursos correspondentes aos lucros por ela auferidos não haviam saído da sua esfera patrimonial até a data do pagamento imputado como sem causa, mas, principalmente, refutado os argumentos da decisão recorrida que demonstraram que foram justamente os valores declarados como recebidos pelas pessoas físicas dos sócios que justificaram suas variações patrimoniais no decorrer daquele período. Veja-se, nesse sentido, o seguinte trecho do voto condutor daquela decisão: Importa salientar, inclusive, que referidos valores justificam o acréscimo patrimonial apontado nas DIRPF dos sócios. Fl. 1363DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1302-003.725 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000210/2006-20 Com efeito, a DIRPF do exercício 2000 - ano-calendário 1999 - do sócio José da Silva (fl. 145) demonstra um acréscimo no patrimônio particular no ano de 1999, em comparação com o ano de 1998, da ordem de R$ 216.204,76. Ou seja, o ano- calendário 1998 foi encerrado com um patrimônio total de R$ 176.829,98 enquanto que o ano-calendário 1999 foi encerrado com um patrimônio total de R$ 393.034,74. A somatória das retiradas de pró-labore no ano-calendário 1999, num total que varia de R$ 260,00 a R$ 272 para TODOS os sócios, não ampara tal evolução patrimonial. Como se constata à fl. 138, a sócia Nelly Toffoli Damas encerrou o ano- calendário 1998 com um patrimônio pessoal de R$ 177.843,18. No ano-calendário 1999 o patrimônio acumulado até 31 de dezembro foi de R$ 253.191,04 (fl. 143), tendo havido, portanto, um acréscimo da ordem de R$ 75.146,96, não justificado apenas pelas retiradas de pró-labore que, somadas, não atingem tal valor. Na DIRPF do exercício 2001 - ano-calendário 2000 - (fl. 150/152), o sócio José da Silva declara ter encerrado o ano de 2000 com um patrimônio de R$ 522.093,94 que comparado ao patrimônio declarado no encerramento do ano de 1999, de R$ 393.034,74, acusa um acréscimo de patrimônio, em 2000, de R$ 129.059,20, não amparado apenas pelas retiradas de pró-labore, ainda que somadas. Por outro lado, na DIRPF do exercício 2002 - ano-calendário 2001 - (fls. 153/155) o sócio José da Silva afirma ter extinguido todo o seu patrimônio acumulado até 31/12/2000, entre imóveis, veículos, investimentos bancários e outros. Ou seja, o patrimônio do sócio em 31/12/2001 é de R$ 0,00, justamente no ano em que, segundo afirmações da impugnante, teria sido creditado ao sócio o valor total de R$ 2.663.970,92, referente aos lucros acumulados em 1998, 1999, 2000 e 2001. Da mesma forma, a sócia Nelly Toffoli Damas declara não possuir patrimônio algum no ano-calendário 2001 (fl. 148), enquanto que a impugnante afirma haver creditado à referida sócia, no mês de setembro de 2001, a quantia total de R$ 1.920.218,68, também referente aos lucros acumulados de 1998 a 2001. Como se vê há estrita vinculação entre os valores escriturados e declarados em DIPJ pela Four Union, a título de lucros distribuídos aos sócios, e os montantes declarados como recebidos, a título de rendimentos isentos e não tributáveis, pelos sócios, valores esses que amparam a variação patrimonial anual destes últimos. Ora, se houve variação patrimonial nas pessoas físicas acima dos rendimentos auferidos de outras formas, para além dos lucros distribuídos pela empresa, eles deveriam ter sido informados nas respectivas DIRPF. Então, das duas uma: ou a variação patrimonial a descoberto deveria ser tributada (o que não foi, já que todos os registros contábeis e as informações declaradas levavam a crer que os lucros foram distribuídos nos respectivos períodos de apuração), ou os valores recebidos em 20/09/2001 configuraram um pagamento sem causa (e, como tal, foi corretamente tributado conforme o lançamento preconizado no presente processo). Destarte, é acertado o entendimento da decisão recorrida ao rejeitar o pedido de perícia formulado por considerar que o litígio envolve matéria probatória que já se encontra produzida nos autos e que não foi afastada pelo sujeito passivo mediante a competente contraprova. Fl. 1364DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1302-003.725 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000210/2006-20 Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário e manter a integralidade do lançamento efetuado. (documento assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregorio Fl. 1365DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.900240/2016-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO.
O despacho decisório que não homologou a compensação de indébito oriundo de pagamento indevido ou a maior, quando aponta que tal pagamento foi totalmente utilizado para quitar crédito tributário espontaneamente declarado pelo mesmo contribuinte, demonstra que o pagamento indicado não é indevido e não foi pago a maior. Tal fato é razão suficiente para fundamentar a não homologação da compensação, não havendo que se falar em carência de fundamentação.
Numero da decisão: 1201-003.064
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10665.901535/2013-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Júnior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. O despacho decisório que não homologou a compensação de indébito oriundo de pagamento indevido ou a maior, quando aponta que tal pagamento foi totalmente utilizado para quitar crédito tributário espontaneamente declarado pelo mesmo contribuinte, demonstra que o pagamento indicado não é indevido e não foi pago a maior. Tal fato é razão suficiente para fundamentar a não homologação da compensação, não havendo que se falar em carência de fundamentação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10665.901535/2013-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Júnior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 02 40 /2 01 6- 11 Fl. 63DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.064 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.900240/2016-11 Relatório REAL COMERCIO INDUSTRIA DE COUROS E ARTEFATOS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida em relação à sua manifestação de inconformidade, interpôs recurso voluntário dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O processo trata de declaração de compensação a qual aponta direito creditório a título de pagamento indevido ou a maior. A compensação foi não homologada pela Administração Tributária, nos seguintes termos: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Contra essa decisão, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância. Cientificado dessa última decisão, o contribuinte apresentou o presente Recurso Voluntário, por meio do qual propugna pela anulação do despacho decisório que não homologou a sua declaração de compensação, sobre o fundamento de alegada falta de motivação do ato administrativo decisório. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.064 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.900240/2016-11 Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 1201-003.051, de 13 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10665.901535/2013-62, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201-003.051): O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecê-lo. O contribuinte apresentou declaração de compensação em que aponta indébito oriundo de pagamento indevido ou a maior. A Administração Tributária não homologou essa compensação. No presente contencioso administrativo, o contribuinte vem afirmando que o despacho decisório está eivado de nulidade em razão de não ter apontado o fundamento para a não homologação de sua compensação. Compulsando os autos verifico que o referido despacho decisório não homologou a compensação declarada em razão de o pagamento apontado pelo contribuinte ter sido totalmente utilizado para quitar crédito tributário espontaneamente declarado pelo contribuinte, ou seja, o pagamento apontado não é indevido e não foi pago a maior. Entendo que tal fato é razão suficiente para fundamentar a não homologação ora combatida pelo contribuinte, pelo que afasto a alegada nulidade do despacho decisório. Destarte, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.905521/2012-34
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
PIS. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei n° 10.637, art. 5° e Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16.
Numero da decisão: 3003-000.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PIS. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei n° 10.637, art. 5° e Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16.
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COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei n° 10.637, art. 5° e Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade apresentada em face do deferimento parcial do pedido de ressarcimento, apresentado por meio do PER/Dcomp nº 24056.49305.300110.1.1.10-4350, referente ao PIS não cumulativo – mercado interno do 3º trimestre de 2009, nos termos do despacho decisório emitido em 04/09/2012 pela DRF/Florianópolis (rastreamento nº 031054627). O despacho decisório aponta, no campo 3, a fundamentação para o deferimento parcial do PER/Dcomp em tela, como se vê a seguir: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 55 21 /2 01 2- 34 Fl. 35DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.436 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.905521/2012-34 Cientificada dessa decisão em 27/09/2012 a contribuinte interpôs, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade. Inicialmente, relaciona os pedidos de ressarcimento transmitidos com os valores que foram indeferidos pela DRF/Florianópolis, como demonstrado a seguir: (...) A seguir, informa que trabalha com beneficiamento do arroz e que essa atividade é beneficiada com o crédito presumido de PIS e Cofins para as aquisições realizadas com os produtores. Constatou a requerente que os créditos que não foram reconhecidos se referem justamente ao crédito presumido anteriormente referido. Aduz que considerando o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, cumpriu todas as formalidades legais, tendo inclusive realizado os registros em sua contabilidade. Desse modo, solicita a reconsideração e liberação dos valores dos créditos ainda não concedidos por questão de justiça. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para dedução da contribuição para o PIS/Pasep apurado no regime de incidência não cumulativa, vedado o seu ressarcimento ou compensação. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade quanto ao mérito do seu direito creditório. É o Relatório. Fl. 36DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.436 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.905521/2012-34 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma-se conhecimento. O direito creditório referente ao PIS não cumulativo – mercado interno do 3º trimestre de 2009 foi reconhecido parcialmente conforme despacho Decisório de fls. 08. Aduz a interessada que os créditos que não foram reconhecidos se referem ao crédito presumido (atividades agroindustriais) de PIS. Nesta esteira, argumenta que a sua atividade se refere ao beneficiamento e industrialização do arroz e, portanto, tem direito de apurar crédito presumido de PIS e Cofins para as aquisições realizadas com os produtores com fulcro no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. A decisão recorrida não acolheu a pretensão da recorrente, sob o fundamento de que com a vigência da Lei nº 10.925/2004, ocorrida a partir de 1º de agosto de 2004, o crédito presumido sob exame somente poderia ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/Pasep devido em cada período de apuração, não havendo previsão legal para a utilização do crédito presumido da agroindústria para compensação ou ressarcimento. De fato, não assiste razão à recorrente. Na ficha 06A da Dacon (Apuração dos créditos de PIS/Pasep – Aquisições no mercado interno) a contribuinte informou os seguintes valores: Verifica-se assim que os valores glosados nos pedidos de ressarcimento formulados pela Recorrente correspondem aos créditos presumidos na aquisição dos insumos previstos no artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, que estabeleceu um tratamento tributário específico atinente às contribuições do PIS e da Cofins, assim dispondo: Fl. 37DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.436 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.905521/2012-34 Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002,e10.833, de 29 de dezembro de 2003,adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)(Vigência)(Vide Lei nº 12.058, de 2009)(Vide Lei nº 12.350, de 2010)(Vide Medida Provisória nº 545, de 2011)(Vide Lei nº 12.599, de 2012)(Vide Medida Provisória nº 582, de 2012)(Vide Medida Provisória nº 609, de 2013(Vide Medida Provisória nº 609, de 2013(Vide Lei nº 12.839, de 2013)(Vide Lei nº 12.865, de 2013) O referido dispositivo legal permitiu deduzir do valor devido das contribuições um crédito presumido calculado sobre os insumos adquiridos de pessoa física ou cooperado pessoa física. Esse é o alcance da norma. Há previsão legal, no caso das operações com arroz em casca, para que o interessado calcule crédito presumido à alíquota de 35% sobre o valor dessas aquisições, nos termos do disposto no §1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, valor que poderá apenas ser deduzido dos débitos da própria contribuição, não servindo para ser ressarcido ou compensado com outros créditos tributários devidos pela contribuinte. Os outros dispositivos legais que permitem o aproveitamento de créditos em compensações e ressarcimento (art. 5° da Lei n° 10.637 e art. 6° da Lei n° 10.833) referem-se, expressamente, aos créditos básicos apurados na forma dos artigos 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e não ao crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Da mesma forma, a possibilidade de compensação e ressarcimento trazida pelo art. 16 da Lei n° 11.116/2005 também se refere expressamente ao “saldo credor apurado na forma do art. 3º das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, e do art. 15 da Lei n° 10.865/2004”, e não ao crédito presumido em questão. A IN SRF 660/2006, que regulamentou a o crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/2004 1 , não extrapolou o conteúdo da lei, mas apenas regulamentou o dispositivo legal, que já previa a impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensações ou ressarcimento. O mesmo podemos afirmar do ADI SRF nº 15/2005, citado na decisão recorrida, 1 Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. § 1º O crédito de que trata o caput será calculado mediante a aplicação, sobre o valor de aquisição dos insumos, dos percentuais de: (...) II - 0,5775% (cinco mil e setecentos e setenta e cinco décimos de milésimo por cento) e 2,66% (dois inteiros e sessenta e seis centésimos por cento), respectivamente, no caso dos demais insumos. § 2º Para efeito do cálculo do crédito presumido de que trata o caput, o custo de aquisição, por espécie de bem, não poderá ser superior ao valor de mercado. § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I - não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II - não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Fl. 38DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.436 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.905521/2012-34 que apenas interpretou a norma que tratava do crédito presumido e da possibilidade de compensação: Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência não-cumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16 No mesmo sentido temos o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em diversos precedentes, acerca da legalidade da IN 660/2006 e da validade do ADI SRF nº15/2005 (REsp 1118011/SC 2 , Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010; e REsp nº 1.240.954/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe: 21/6/2011). 2 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DECORRENTES DA LEI 10.925/04 COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS NÃO PREVISTOS NA NORMA LEGAL AUTORIZADORA. ART. 11 DA LEI 11.116/05. DIREITO LÍQUIDO E CERTO NÃO EVIDENCIADO. 1. Recurso especial interposto nos autos de mandado de segurança, impetrado pela contribuinte com objetivo de ver reconhecido o direito de compensar seus créditos presumidos de PIS e de COFINS, oriundos da Lei 10.925/04, com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei 11.116/05. Aduz que são ilegais os atos regulamentares do Poder Executivo (Ato Interpretativo Declaratório 15/2005 e a Instrução Normativa SRF 660/2006) que se contrapõem a essa pretensão. 2. O direito à compensação tributária deve ser analisado à luz do princípio da legalidade estrita, em conformidade com o que dispõe o art. 170 do CTN: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Precedentes: AgRg no Ag 1.207.543/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, DJe 17/06/2010; AgRg no AgRg no REsp 1012172/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 11/5/2010; AgRg no REsp 965.419/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 5/3/2008. 3. Dispõe o art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05: "O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria". 4. A compensação autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/05 não contempla a utilização dos créditos presumidos disciplinados na Lei 10.925/04, o que, por si só, à luz do art. 170 do CTN, afasta o direito líquido e certo vindicado nesta impetração. 5. Além disso, a concessão de créditos presumidos pela Lei 10.925/04 tem por escopo a redução da carga tributária incidente na cadeia produtiva dos alimentos, na medida em que a venda de bens por pessoa física ou por cooperado pessoa física para a impetrante (cerealista) não sofre a tributação do PIS e da COFINS, ou seja, dessa operação, pela sistemática da não cumulatividade, não há, efetivamente, tributo devido para a adquirente se creditar. 6. Essa finalidade é suficiente para diferenciar esses créditos presumidos daqueles expressamente admitidos pela Lei 11.116/05, os quais são efetivamente existentes, por decorrerem da sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04. Aliás, a Lei 10.637/02 (com redação incluída pela Lei 10.865/04), em seu art. 3º, § 2º, inciso II, exclui de sua sistemática o crédito derivado "da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". 7. Ademais, a própria Lei 10.925/04, em seus arts. 8º e 15, só prevê a utilização desses créditos presumidos para o desconto daquilo que for devido de PIS e de COFINS. 8. Portanto, os atos regulamentares expedidos pelo Poder Executivo ora impugnados pela recorrente, ao impedirem a compensação ora postulada, não inovaram no plano normativo nem contrariaram o disposto no art. 16 da Lei 11.116/05, mas, apenas explicitaram vedação que, como visto, já estava contida na legislação tributária vigente. 9. Recurso especial não provido.Diário da Justiça Eletrônico. 31/08/2010. p. Fl. 39DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.436 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.905521/2012-34 Este também é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), expresso no Acórdão nº 9303-008.258, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2010 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Portanto, o crédito presumido a que se refere o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004 apenas pode ser usado para fins de dedução da COFINS e da Contribuição para o PIS apuradas conforme o regime da não-cumulatividade, não podendo ser objeto de compensação ou ressarcimento com outros tributos, razão pela qual a decisão recorrida deverá ser mantida. CONCLUSÕES Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado, mantendo-se a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 40DF CARF MF
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Numero do processo: 10630.000237/2008-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/12/2001 a 30/06/2006
SEGURADOS EMPREGADOS. ARRECADAÇÃO MEDIANTE DESCONTO. INSUBSISTÊNCIA.
Não subsistindo as contribuições consideradas como não arrecadadas mediante desconto das remunerações, não há que se falar em descumprimento do art. 30, I, a, da Lei n. 8.212, de 1991, e alterações posteriores.
Numero da decisão: 2401-006.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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ARRECADAÇÃO MEDIANTE DESCONTO. INSUBSISTÊNCIA. Não subsistindo as contribuições consideradas como não arrecadadas mediante desconto das remunerações, não há que se falar em descumprimento do art. 30, I, a, da Lei n. 8.212, de 1991, e alterações posteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 104/114) interposto em face de decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (e-fls. 93/100) que, por unanimidade de votos, julgou procedente o Auto de Infração - AI nº 37.104.597-5, lavrado por deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições de segurados a seu serviço (CFL 59), incidentes sobre Gratificação Especial e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 02 37 /2 00 8- 93 Fl. 121DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.807 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.000237/2008-93 Cestas Básicas sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, lançadas nas NFLDs n° 37.135.264-9 (10630.000232/2008-61) e n° 37.135.265-7 (10630.000234/2008-50). Na impugnação (e-fls. 69/81), a empresa requereu o cancelamento do auto de infração e, sucessivamente, o reconhecimento da decadência até dezembro de 2002, tendo, em síntese, alegado: (a) Tempestividade. (b) Irrelevância do descumprimento de obrigações acessórias cujos créditos foram atingidos pela decadência. (c) Inexigibilidade de contribuição sobre gratificação especial. (d) Ilegitimidade de contribuição sobre fornecimento de cestas básicas. Intimada do Acórdão de Impugnação em 24/09/2008 (e-fls. 101/102), a empresa interpôs em 10/10/2008 (e-fls. 104) recurso voluntário (e-fls. 104/114), em síntese, alegando: (a) Admissibilidade. Diante do Acórdão de Impugnação, apresenta recurso tempestivo, sendo desnecessário depósito prévio recursal. (b) Inexigibilidade de contribuição sobre gratificação especial. O Acórdão acolheu o entendimento de a gratificação especial ser habitual e representar contraprestação pelo trabalho. Contudo, esse entendimento não está aparado pela jurisprudência relativa ao abono de férias (CLT, art. 144) e a CLT não impede vinculação à assiduidade. A gratificação foi paga por força de Acordo Coletivo como reparação plena ao empregado em retorno de férias, a atrair o art. 28, § 9°, alínea e, item 6, da Lei n° 8.212, de 1991. Não houve contraprestação, restando não preenchido o art. 195, I, da Constituição e há correspondência a qualquer das verbas dos arts. 457 e 458 da CLT. (c) Ilegitimidade de contribuição sobre fornecimento de cestas básicas. O pagamento de alimentação in natura (cestas básicas) foi estipulado em Acordo Coletivo e com a ressalva expressa de não integrar o salário para qualquer efeito, tendo a norma coletiva efeito normativo (Constituição, art. 7°, XXVI). Além disso, vantagens ou bens in natura não se incorporam ao salário e não integram a remuneração por não constituírem imediata vantagem financeira e ter por escopo o aumento de produtividade e eficiência (jurisprudência). A adesão ao Programa de Amparo do Trabalhador – PAT ou o cumprimento de suas regras constituem-se em meras formalidades e não podem ser opostos como impeditivos à exclusão do art. 28, § 9°, alínea c, da Lei n° 8.212, de 1991. Caso contrário, estar-se-ia negando vigência ao art. 195, I, da Constituição. Por fim, a recorrente pede a reforma do Acórdão com a decretação da insubsistência da autuação e cancelamento da exigência. Fl. 122DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.807 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.000237/2008-93 Aditamento. Em 04/03/2009 (e-fls. 116), a empresa protocolou petição acusado o advento da MP n° 449, de 2008, e requereu a retificação do recurso voluntário para agregar pedido sucessivo de recálculo da penalidade aplicada, eis que seria mais benéfica a multa veiculada no art. 32-A da Lei n° 8.212, de 1991 (CTN, art. 106, II, c). É o relatório Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Relator. Admissibilidade. Diante da intimação em 24/09/2008 (e-fls. 101/102), o recurso interposto em 10/10/2008 (e-fls. 104) é tempestivo (Decreto n° 70.235, de 1972, arts. 5° e 33). Não mais se exige depósito recursal (Lei n° 11.727, de 2008, art. 42, I). Presentes os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Decadência. Em relação ao presente auto de infração, não se cogita de decadência com lastro no art. 150, §4°, do CTN 1 e, como bem demonstrado pelo Acórdão de piso, a multa é única (independe do número de competências e de ocorrências) e a infração imputada se reiterou até a competência 06/2006 sendo possível a manutenção da multa pela inobservância do art. 30, I, a, da Lei n. 8.212, de 1991, e alterações posteriores com lastro no período não atingido pelo art. 173, I, do CTN, não tendo o recurso vertido alegação de decadência. Mérito. Como bem explicitado no Relatório do AI nº 37.104.597-5, a infração imputada consistiu em deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições de segurados a seu serviço (CFL 59), incidentes sobre Gratificação Especial e Cestas Básicas sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, lançadas nas NFLDs n° 37.135.264-9 (10630.000232/2008-61) e n° 37.135.265-7 (10630.000234/2008-50). A NFLD n° 37.135.264-9 não subsiste em razão de o Acórdão n° 9202-002.981, de 06/11/2013, ter declarado a decadência total da exigência fiscal. A NFLD n° 37.135.265-7 também não deve subsistir por ter este colegiado a pouco reconhecido a decadência em relação às competências 01/2002 a 11/2002 e, no mérito, ter afastado a imputação da incidência das contribuições sobre as parcelas gratificação especial (abono de férias) e cesta básica (auxílio- alimentação in natura). Diante disso, na mesma linha já empreendida no julgamento do recurso voluntário apresentado no processo n° 10630.000234/2008-50 passo a analisar se são devidas as contribuições em tela sobre gratificação especial (abono de férias) e cesta básica para se possibilitar a conclusão de ter havido ou não infração à obrigação de arrecadar mediante desconto tais contribuições. 1 O presente processo não versa sobre tributo sujeito ao lançamento por homologação, mas sobre multa por descumprimento de obrigação acessória, não havendo como se falar no caso concreto em antecipação de pagamento legalmente previsto, impondo-se a aplicação do art. 173, I, do CTN, em face da inteligência veiculada no REsp n° 973.733/SC. Fl. 123DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.807 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.000237/2008-93 Gratificação Especial. A fiscalização considerou como integrante da base de cálculo gratificação especial paga no período de junho de 2005 a junho de 2006, pois não se consubstanciaria em pagamento excepcional, mas em pagamento ajustado e em sucessivos Acordos Coletivos, ou seja, nos acordos referentes aos anos de 2005 e 2006. Para facilitar, transcrevo do Relatório Fiscal da NFLD n° 37.135.265-7 (processo n° 10630.000234/2008-50, e- fls. 101/114) a motivação referente à Gratificação Especial: 5. No período de junho de 2005 a junho de 2006 o contribuinte acima identificado, realizou o pagamento em diversas competências, de uma "Gratificação Especial" para seus empregados. Esta gratificação, foi convencionada em diversos Acordos Coletivos (Anexo "a") nos quais, encontramos sempre cláusula em que o texto segue em linhas gerais, a cláusula reproduzida a seguir, referente à Acordo Coletivo assinado em 08 de agosto de 2006: "CLÁUSULA VIGÉSIMA - GRATIFICAÇÃO ESPECIAL A empresa em caráter de excepcionalidade concederá a todos os seus empregados, um abono anual único no valor de RS 64,00 (Sessenta e Quatro Reais). O pagamento se dará até cinco dias úteis após o retomo de suas férias e obedecerá aos seguintes critérios: • O empregado que tiver até cinco faltas no período, receberá o abono integralmente; • O empregado que tiver de 06 (seis) até 14 (quatorze) faltas no período, receberá a título de abono a importância de RS 51,20; • O empregado que tiver de 15 (quinze) até 23 (vinte e três faltas no período, receberá a titulo de abono a importância de RS 38,40; • O empregado que tiver de 24 (vinte e quatro) até 32 (trinta e duas) faltas no período, receberá a título de abono a importância de RS 25.60; • O empregado que tiver acima de 32 faltas não fará jus ao abono; • Para fins de apuração será considerado os doze meses que antecederam a concessão das férias Concertam as partes acordantes que a parcela não tem caráter salarial, não se integrando a remuneração dos empregados para qualquer fim ou efeito " (Grifamos). 6. Foi observado no período fiscalizado, que embora no texto do Acordo Coletivo de 2006, a Gratificação Especial é descrita como paga "em caráter de excepcionalidade", este pagamento "excepcional" foi realizado no ano de 2005 e novamente pago no ano de 2006. O Acordo Coletivo de Trabalho em questão foi carreado aos autos no Anexo B do presente AI n° 37.104.597-5 (e-fls. 36/53). O Acórdão atacado sustentou não se tratar de “ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei” e que não se demonstrou a natureza de reparação ou indenização. Desde a impugnação, a empresa sustenta que a gratificação especial teria a natureza jurídica do abono de férias de que trata o art. 144 da CLT, representando reparação ou indenização ao trabalhador assíduo que retornar das férias. Sobre o abono de férias, recordo as considerações vertidas pelo Conselheiro Cleberson Alex Friess em voto proferido em 03 de julho de 2017 e acolhidas, por unanimidade, pelo então colegiado, a gerar o Acórdão 2401-004.914: 91. Sob a ótica da autoridade lançadora, para que o abono celetista de férias não integre a base de cálculo da tributação, a sua concessão deverá ocorrer independentemente do implemento de qualquer condição pelo trabalhador, de ordem Fl. 124DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.807 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.000237/2008-93 pessoal ou geral, haja vista a inexistência de previsão nesse sentido no art. 144 da CLT. Caso contrário, diz a fiscalização, configura prêmio. 92. Pois bem. O art. 144 da CLT prevê que o abono concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente a 20 (vinte) dias do salário, não integra a remuneração do empregado para os efeitos da legislação trabalhista: Art. 144. O abono de férias de que trata o artigo anterior, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da legislação do trabalho 93. A Lei n° 8.212, de 1991, contém previsão expressa para afastar a incidência da contribuição previdenciária: Art. 28 (...) § 9o Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 6. recebidas a titulo de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (...) 94. A rigor, cuida-se de parcela com natureza contraprestativa. Porém, o legislador tributário entendeu por bem desvinculá-la da remuneração do segurado empregado e isentá-la da base de cálculo da contribuição previdenciária, quando concedida em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da ernpresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não ultrapassado, em qualquer caso, o limite de vinte dias de salário. 95. Como se observa do texto do § 9 o do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991, não há qualquer exigência adicional para a não incidência tributária, daí porque a utilização do critério de assiduidade na convenção ou acordo coletivo não lhe altera a natureza jurídica, eis que inexiste na legislação disposição que condicione a isenção à proibição de constar vinculação dessa natureza. 95.1 De maneira que a interpretação do dispositivo de lei adotada pela autoridade fiscal é inovadora e ao mesmo tempo restritiva, onde a lei não ressalva, nem faz tal limitação quanto à impossibilidade de escalonamento do valor pago em função do número de faltas ao trabalho durante o período aquisitivo das férias. Por sua vez, os pagamentos efetuados pela recorrente atendem aos dois requisitos previstos na CLT. 96. Portanto, cabe excluir do crédito tributário lançado os pagamentos a título de "Prêmio Férias" (código H). No caso concreto, a norma coletiva não adotou a expressão abono de férias, mas “gratificação especial” consistente em “abono anual único” a ser pago após o retorno das férias e segundo a assiduidade do trabalhador nos doze meses que antecedem a concessão das férias. Note-se, contudo, que a vinculação do direito à percepção do abono e do montante a ser percebido como abono à assiduidade nos doze meses que antecedem a concessão das férias não descaracterizar a natureza de abono de férias decorrente de acordo coletivo de trabalho, mas a atesta. Isso porque, o próprio direito às férias guarda relação com a assiduidade, em face do disposto no art. 130 da CLT: Art. 130 - Após cada período de 12 (doze) meses de vigência do contrato de trabalho, o empregado terá direito a férias, na seguinte proporção: (Redação dada pelo Decreto-lei nº 1.535, de 13.4.1977) Fl. 125DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.807 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.000237/2008-93 I - 30 (trinta) dias corridos, quando não houver faltado ao serviço mais de 5 (cinco) vezes; (Incluído pelo Decreto-lei nº 1.535, de 13.4.1977) II - 24 (vinte e quatro) dias corridos, quando houver tido de 6 (seis) a 14 (quatorze) faltas; (Incluído pelo Decreto-lei nº 1.535, de 13.4.1977) III - 18 (dezoito) dias corridos, quando houver tido de 15 (quinze) a 23 (vinte e três) faltas; (Incluído pelo Decreto-lei nº 1.535, de 13.4.1977) IV - 12 (doze) dias corridos, quando houver tido de 24 (vinte e quatro) a 32 (trinta e duas) faltas. (Incluído pelo Decreto-lei nº 1.535, de 13.4.1977) § 1º - É vedado descontar, do período de férias, as faltas do empregado ao serviço. (Incluído pelo Decreto-lei nº 1.535, de 13.4.1977) § 2º - O período das férias será computado, para todos os efeitos, como tempo de serviço. (Incluído pelo Decreto-lei nº 1.535, de 13.4.1977) Assim, ao vincular o abono à assiduidade, a norma posta no exercício da autonomia privada dos particulares respeitou a mesma ponderação axiológica que pautou o legislador ao positivar a regra do art. 130 da CLT, revelando que a gratificação especial consubstancia-se em verdadeiro abono de férias. Não descaracteriza a natureza jurídica de abono de férias a circunstância de o pagamento se dar até cinco dias úteis após o retorno das férias, eis que o art. 145 da CLT exige o pagamento até dois dias antes do início do período de férias apenas para a remuneração de férias e para o abono referido no art. 143 da CLT, mas não para o abono de férias decorrente de acordo coletivo por este estar especificado na parte final do art. 144 da CLT. Logo, a norma coletiva pode determinar o pagamento do abono de férias decorrente do acordo coletivo em até cinco dias úteis após o retorno das férias. Da mesma forma, em face do regramento legal, não descaracteriza a natureza de abono de férias ajustado em norma coletiva o fato de a parcela ter sido prevista em acordos coletivos de trabalho de 2005 e de 2006, ou seja, de não ser pagamento excepcional. Não há que se perquirir se o abono de férias lastreado no art. 144 da CLT constitui-se ou não em reparação ou indenização, eis que o item 6 da alínea e do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991, o exclui da base de cálculo, tendo as contribuições para terceiros a mesma base. Além disso, tal abono por força da parte final do art. 144 da CLT expressamente não integra a remuneração do empregado, a também atrair o item 7 da alínea e do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991. A fiscalização não imputou que os valores pagos a título de gratificação especial tenham excedido a vinte dias do respectivo salário do empregado, sendo os valores previstos em norma coletiva de pequena monta. Explico. No Acordo Coletivo de e-fls. 123/130 (Anexo “a”), o valor máximo da gratificação especial é R$ 64,00 e o menor piso salarial é de R$ 360,00. Por conseguinte, não se sustenta o lançamento em relação à gratificação especial por ter tal pagamento natureza jurídica de abono de férias concedido em virtude de cláusula de acordo coletivo de trabalho, ou seja, por ser abono do art. 144 da CLT. Cesta básica. A fiscalização considera como tributável a cesta básica fornecida aos empregados por força de Acordo Coletivo de Trabalho no período de 01/2002 a 06/2006. Fl. 126DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.807 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.000237/2008-93 A matéria em questão já se encontra pacificada diante do Ato Declaratório PGFN n° 3, de 2011: Ato Declaratório PGFN n° 3, de 20 de dezembro de 2011 (Publicado(a) no DOU de 22/12/2011, seção 1, página 36) "Nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio- alimentação não há incidência de contribuição previdenciária" . A PROCURADORA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, desta Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24/11/2011, declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária" . JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787-SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/ 11/ 2007). ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO O Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011, que subsidiou a emissão do Ato Declaratório PGFN nº 3, de 2011, revela que o pagamento in natura do auxílio-alimentação (a envolver o fornecimento pelo próprio empregador de cestas básicas) não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Logo, não prospera a inclusão na base de cálculo de parcela referente ao fornecimento de cesta básica mensal a segurados empregados. Conclusão. Não subsistindo as contribuições consideradas como não arrecadadas mediante desconto das remunerações, não há que se falar em descumprimento do art. 30, I, a, da Lei n. 8.212, de 1991, e alterações posteriores. Isso posto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 127DF CARF MF
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Numero do processo: 13147.000013/2008-21
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
-calendário: 2006
PEREMPÇÃO. DECISÃO DEFINITIVA.
Declara-se a perempção quando o recurso voluntário é apresentado após o prazo regular previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, conforme preceitua o art. 35 do mesmo diploma legal, tornando definitiva a decisão exarada em primeira instância.
Numero da decisão: 1803-002.011
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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DECISÃO DEFINITIVA. Declarase a perempção quando o recurso voluntário é apresentado após o prazo regular previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, conforme preceitua o art. 35 do mesmo diploma legal, tornando definitiva a decisão exarada em primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 14 7. 00 00 13 /2 00 8- 21 Fl. 56DF CARF MF Excluído Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0819.11427.PLUT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório AGROPECUÁRIA LILIANA LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ CAMPO GRANDE (MS), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Tratase de processo de auto de infração eletrônico relativo a multa por atraso nas entrega da DCTF do primeiro semestre de 2006 (f. 21), pelo qual se exige crédito tributário no total de R$ 7.019,36. A fundamentação legal está disposta no corpo do auto de infração e é a seguinte: Art. 113, § 3° e 160 da Lei n° 5.172, de 26/10/66 (CTN); art. 11 do Decreto lei n° 1.968, de 23/11/1982, com redação dada pelo art. 10 do Decreto lei n° 2.065, de 26/10/1983; art. 30 da Lei n° 9.249, de 26/12/1995; art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 18, de 24/02/2000; art. 7° da Lei n° 10.426, de 24/04/2002. A ciência quanto ao auto de infração ocorreu em 5 de outubro de 2007. Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de f. 01 a 13 em 5 de novembro de 2007, alegando, em síntese, que: a) o lançamento é nulo por cerceamento do direito de defesa, uma vez a fundamentação legal apresentada não guardar conexidade com o assunto e não se poder criar obrigação por meio de atos infralegais como a instrução normativa; b) a exigência da DCTF e a previsão da multa pela falta de entrega ou com informações inexatas ou incompletas são ilegais e inconstitucionais; C) não poderia ter havido a delegação de competência para a instituição da obrigatoriedade da entrega das DCTFs, o que afronta o princípio da legalidade, da indelegabilidade da competência tributária e mesmo o princípio constitucional da separação dos poderes; d) a cominação de penalidade pela falta de entrega da DCTF não pode ser efetuada por meio de instrução normativa. • É apresentada vasta jurisprudência sobre o assunto. Ao final, pugna a impugnante pela declaração de nulidade do lançamento. É requerida a produção de provas e informado o endereço para intimações. Fl. 57DF CARF MF Excluído Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0819.11427.PLUT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13147.000013/200821 Acórdão n.º 1803002.011 S1TE03 Fl. 54 3 A DRJ CAMPO GRANDE (MS), através do acórdão nº 0417.430, de 24 de abril de 2009 (fls. 25/32), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 ENQUADRAMENTO LEGAL DEFICIENTE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A exposição suficiente dos fatos, com a demonstração inequívoca dos valores submetidos à cobrança, assim como a oferta de um apelo impugnatório em que o direito de defesa é plenamente exercido, suprem as falhas porventura existentes na capitulação legal da infração. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. No âmbito do processo administrativo, não cabe a discussão sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade. Ciente da decisão em 25/05/2009, conforme ciência pessoal (fl. 33), apresentou o recurso voluntário em 29/06/2009 fls. 35/50, onde reitera os termos da inicial. É o relatório Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch Antes que se adentre ao mérito do processo impende verificar a tempestividade do recurso voluntário apresentado. Conforme já alerta o despacho de fl. 34 constatase que o recurso voluntário foi entregue intempestivamente. Com efeito, a ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 25/05/2009 (fl. 33), enquanto o recurso voluntário foi apresentado somente em 29/06/2009 (fl. 35). O art. 33 do Decreto nº 70.235/72, dispõe: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro de trinta dias seguintes à ciência da decisão.” Diante do exposto, consoante dispõe o art. 35 do Decreto nº 70.235/72, impende declarar como perempto o recurso voluntário apresentado, motivo pelo qual voto por não conhecer do recurso, considerando definitiva a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Fl. 58DF CARF MF Excluído Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0819.11427.PLUT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 59DF CARF MF Excluído Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0819.11427.PLUT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WALTER ADOLFO MARESCH em 12/02/2014 16:53:00. Documento autenticado digitalmente por WALTER ADOLFO MARESCH em 12/02/2014. Documento assinado digitalmente por: WALTER ADOLFO MARESCH em 12/02/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 13/08/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP13.0819.11427.PLUT Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 6165C99D7AFA193DE3FB14E9B36BD923E2EC5878 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13147.000013/2008-21. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10469.901093/2010-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. RESULTADO DA DILIGÊNCIA FISCAL. COMPROVAÇÃO, EM PARTE, DO CRÉDITO PLEITEADO.
O contribuinte que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo atributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, po-derá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tri-butos e contribuições administrados por esse Órgão.
No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada./entregue ao Fisco.
À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal, compete ao autor do pedido de crédito o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito contra a Fazenda Nacional para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional.
O momento para a produção ou apresentação das provas está previsto nos arts. 15 e 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores.
A compensação tributária apresentada, informada à Receita Federal do Brasil extingue o débito tributário na data da transmissão da DCOMP, sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação, conforme legislação de regência.
Os requisitos de certeza e liquidez do crédito utilizado na DCOMP devem estar preenchidos ou atendidos, por conseguinte, na data de transmissão da declaração de compensação tributária.
Restando demonstrado pela diligência fiscal a existência, em parte, do direito creditório pleiteado na DCOMP, defere-se essa parte comprovada do crédito e homologa-se a compensação até o limite do crédito deferido.
Numero da decisão: 1301-004.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório, em valores originais, de R$ 57.190,12, a título de saldo do IRPJ ajuste anual do ano-calendário 2006, em valor único para todos os processos citados no bojo do voto condutor do Relator, e homologar as compensações, quanto aos débitos confessados nas DCOMP objeto dos referidos processos, até o limite desse crédito deferido.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcelo José Luz de Macedo (suplente convocado), Giovana Pereira de Paiva Leite, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocado), Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. RESULTADO DA DILIGÊNCIA FISCAL. COMPROVAÇÃO, EM PARTE, DO CRÉDITO PLEITEADO. O contribuinte que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo atributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, po-derá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tri-butos e contribuições administrados por esse Órgão. No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada./entregue ao Fisco. À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal, compete ao autor do pedido de crédito o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito contra a Fazenda Nacional para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. O momento para a produção ou apresentação das provas está previsto nos arts. 15 e 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. A compensação tributária apresentada, informada à Receita Federal do Brasil extingue o débito tributário na data da transmissão da DCOMP, sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação, conforme legislação de regência. Os requisitos de certeza e liquidez do crédito utilizado na DCOMP devem estar preenchidos ou atendidos, por conseguinte, na data de transmissão da declaração de compensação tributária. Restando demonstrado pela diligência fiscal a existência, em parte, do direito creditório pleiteado na DCOMP, defere-se essa parte comprovada do crédito e homologa-se a compensação até o limite do crédito deferido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório, em valores originais, de R$ 57.190,12, a título de saldo do IRPJ ajuste anual do ano-calendário 2006, em valor único para todos os processos citados no bojo do voto condutor do Relator, e homologar as compensações, quanto aos débitos confessados nas DCOMP objeto dos referidos processos, até o limite desse crédito deferido. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcelo José Luz de Macedo (suplente convocado), Giovana Pereira de Paiva Leite, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocado), Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. RESULTADO DA DILIGÊNCIA FISCAL. COMPROVAÇÃO, EM PARTE, DO CRÉDITO PLEITEADO. O contribuinte que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo atributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, po derá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tri butos e contribuições administrados por esse Órgão. No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada./entregue ao Fisco. À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal, compete ao autor do pedido de crédito o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito contra a Fazenda Nacional para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. O momento para a produção ou apresentação das provas está previsto nos arts. 15 e 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. A compensação tributária apresentada, informada à Receita Federal do Brasil extingue o débito tributário na data da transmissão da DCOMP, sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação, conforme legislação de regência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 10 93 /2 01 0- 28 Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10469.901093/201028 Acórdão n.º 1301004.055 S1C3T1 Fl. 560 2 Os requisitos de certeza e liquidez do crédito utilizado na DCOMP devem estar preenchidos ou atendidos, por conseguinte, na data de transmissão da declaração de compensação tributária. Restando demonstrado pela diligência fiscal a existência, em parte, do direito creditório pleiteado na DCOMP, deferese essa parte comprovada do crédito e homologase a compensação até o limite do crédito deferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório, em valores originais, de R$ 57.190,12, a título de saldo do IRPJ ajuste anual do anocalendário 2006, em valor único para todos os processos citados no bojo do voto condutor do Relator, e homologar as compensações, quanto aos débitos confessados nas DCOMP objeto dos referidos processos, até o limite desse crédito deferido. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcelo José Luz de Macedo (suplente convocado), Giovana Pereira de Paiva Leite, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocado), Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10469.901093/201028 Acórdão n.º 1301004.055 S1C3T1 Fl. 561 3 Relatório Tratase do Recurso Voluntário (efls. 48/57) em face do Acórdão da 4ª Turma da DRJ/Recife (efls. 37/39 e 41/43) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente ao não reconhecer o direito creditório pleiteado e ao não homologar a compensação tributária informada nos autos. Quantos aos fatos consta dos autos: que a contribuinte reclama direito creditório contra o fisco federal no valor de R$ 86.235,61 (valor original) decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ, ajuste anual, anocalendário 2006 (PA 31/12/2006), vencimento 30/03/2007, valor do pagamento DARF R$ 208.000,00, código de receita 2430, data de arrecadação 31/01/2007; que a contribuinte utilizou o referido crédito em compensações tributárias de débitos próprios de tributos federais em 14 (quatorze) processos (computado o presente processo), conforme relação de processos e DCOMP discriminados a seguir: PER/DCOMP DATA TRANS MISSÃO CRÉDITO UTILIZADO VALOR ORIGINAL (R$) DÉBITOS CONFESSADOS (R$) PROCESSO Retificador: 34969.80386.130710.1.7.041989 Retificado: 15394.96347.240608.1.3.040094 01617.41354.250608.1.7.048237 13/07/2010 6.094,89 (efls. 04/08) IPI P.A. 10/2007 R$ 6.497,91 IPI P.A. 11/2007 R$ 1.834,41 10469.901670/201081 Retificador: 32444.81129.140710.1.7.046427 Retificado: 36060.68621.090808.1.3.048396 14/07/2010 2.477,60 IRPJEstimativa PA 10/2002 R$ 3.387,13 10469.901086/201026 Retificador: 06625.86272.140710.1.7.041800 Retificado: 33730.00134.251008.1.3.047859 14/07/2010 6.829,63 Cofins Não Cumulativa PA 04/2004 R$ 2.987,79 Cofins Não Cumulativa PA 09/2004 R$ 6.349,00 10469.901087/201071 Retificador: 42355.31828.140710.1.7.041924 Retificado: 23768.42284.251008.1.3.049644 14/07/2010 2.258,33 Cofins Não Cumulativa PA 09/2004 R$ 3.087,36 10469.901088/201015 Retificador: 36642.12372.190710.1.7.040680 Retificado: 18254.68135.271008.1.3.043870 19/07/2010 3.819,03 Cofins Não Cumulativa PA 04/2004 R$ 5.221,00 10469.901089/201060 Retificador: 28122.36484.190710.1.7.046076 Retificado: 34899.76565.271008.1.3.046117 19/07/2010 4.933,87 Cofins Não Cumulativa PA 04/2004 R$ 6.745,09 10469.901090/201094 Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10469.901093/201028 Acórdão n.º 1301004.055 S1C3T1 Fl. 562 4 Retificador: 28119.57837.190710.1.7.047036 Retificado: 20677.46828.271008.1.3.040376 19/07/2010 6.980,78 Cofins Não Cumulativa PA 04/2004 R$ 9.543,43 10469.901091/201039 Retificador: 40409.37928.130710.1.7.047621 Retificado: 37628.60315.271008.1.3.048490 13/07/2010 2.160,78 Cofins Não Cumulativa PA 04/2004 R$ 2.954,00 10469.901092/201083 Retificador: 29452.95824.140710.1.7.041808 Retificado: 15579.77286.271008.1.3.048280 14/07/2010 802,55 Cofins Não Cumulativa PA 04/2004 R$ 1097,17 10469.901093/201028 DCOMP: efls. 03/07 Retificador: 01108.53920.140710.1.7.049897 Retificado: 28009.91072.291008.1.3.045653 14/07/2010 17.908,19 Cofins Não Cumulativa PA 10/2004 R$ 24.482,28 10469.901094/201072 Retificador: 14471.47759.140710.1.7.040940 Retificado: 20810.98239.280809.1.3.043269 14/07/2010 115,58 CSLL Estimativa PA 06/2003 R$ 158,01 10469.901096/201061 Retificador: 41473.12320.140710.1.7.042860 Retificado: 28599.58532.280809.1.3.041050 14/07/2010 308,53 CSLL Estimativa PA 06/2003 R$ 421,79 10469.901097/201014 Retificador: 34854.11206.190710.1.7.048597 Retificado: 01703.52550.271008.1.3.042970 19/07/2010 4.038,23 Cofins Não Cumulativa PA 04/2004 R$ 5.520,67 10469.901848/201094 Retificador: 04050.50317.140710.1.7.041110 Retificado: 01367.67545.021208.1.3.041606 14/07/2010 PIS/PASEP PA 11/2003 R$ 4.861,73 10469.901849/201039 que, em 03/08/2010, a DRF/Natal indeferiu o direito creditório pleiteado, por inexistência de crédito disponível, e não homologou a compensação tributária (DCOMP objeto dos autos), conforme Despacho Decisório (efl. 02), cuja fundamentação transcrevo, in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 77.979,94. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10469.901093/201028 Acórdão n.º 1301004.055 S1C3T1 Fl. 563 5 CARACTERÍSTICAS DO DARF (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Ciente desse despacho decisório por via postal, em 11/08/2010 (efls. 03 e 14/31), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 08/09/2010 por via postal (efls. 08/11), cujas razões, em síntese, são as seguintes: Da improcedência da cobrança dos débitos confessados na DCOMP pela existência do direito creditório: que, conforme já restou consignado no despacho decisório, pagou a título de saldo do IRPJ do anocalendário 2006 (PA 31/12/2006 ajuste anual), valor de R$ 208.000,00, data do recolhimento 31/01/2007; que, entretanto, o saldo do débito a pagar desse PA (ajuste anual) foi de apenas R$ 121.764,39, conforme DIPJ 2007, anocalendário 2006 (declaração retificadora), transmitida em 13/07/2010 , regime lucro real anual (efls. 12/13); que, portanto, há diferença paga a maior do IRPJ de R$ 86.235,61, e parte desse valor foi utilizada na DCOMP objeto dos presentes autos (PER/DCOMP nº 29452.95824.140710.1.7.041808 Retificador); que, por fim, pediu o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação. Na sessão de 22/03/2012, a 4ª Turma da DRJ/Recife julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, ao não reconhecer o crédito pleiteado (crédito inexistente, consumido, não disponível), conforme Acórdão (efls. 37/39), cuja ementa e dispositivo transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 VALORES INFORMADOS EM DCTF E/OU DIPJ. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10469.901093/201028 Acórdão n.º 1301004.055 S1C3T1 Fl. 564 6 Sendo o valor do tributo pago idêntico ao informado na última DCTF ativa e anterior ao Despacho Decisório, tem se por pago valor idêntico ao confessado, de sorte que o valor desse mesmo tributo informado a menor em DIPJ não afasta o valor devido, confessado, muito menos quando o interessado não apresenta nem livros nem documentos contábeis e fiscais, hábeis e idôneos à comprovação fundamentada de erro na DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar a manifestação de inconformidade IMPROCEDENTE, nos termos do relatório e voto do relator. (...) Obs: Consta dos autos, realmente, cópia da DCTF Mensal Março 2007 na qual a contribuinte fez constar e confessou saldo de débito a pagar do IRPJ ajuste anual do anocalendário 2006 valor R$ 208.000,00 cujo valor coincide com o valor do recolhimento em DARF de R$ 208.000,00 , código de receita 2430 ajuste anual 2006 (efls. 34/36) Ciente desse decisum em 04/04/2012, por via postal (efls. 45/46), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 30/04/2012 por via postal (efls. 47 e 48/57), reiterando as razões já apresentadas na primeira instância e acrescentou: que houve equívoco, erro de fato, da contribuinte ao confessar saldo de débito a pagar ajuste anual 2006 de R$ 208.000,00; que o saldo apurado do débito do IRPJ ajuste anual anocalendário 2006 foi de R$ 121.764,39 e juntou documentos (efls. 427/1535): a) cópia do Livro Diário n° 81, com 426 folhas, arquivado na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Norte, sob n° 07/0043124, de 19/11/2007, contendo as operações do 4º trimestre/2006 (outubro a dezembro/2006); b) cópia Livro Razão, com 683 folhas, contendo os registros das operações do 4º trimestre/2006 (outubro a dezembro/2006); Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10469.901093/201028 Acórdão n.º 1301004.055 S1C3T1 Fl. 565 7 que, por fim, pediu a realização de diligência fiscal, caso os Julgadores entendam ser necessária e imprescindível para comprovação cabal da existência do crédito pleiteado. Obs: A numeração das efls. nesse tópico quanto à juntada de provas corresponde ao processo conexo nº 10469.901670/201081, pois quando da Manifestação de Inconformidade as provas foram juntadas apenas nesse processo. Na sessão de 10/04/2013, a então 2ª Turma Especial do CARF converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1802000.183 – 2ª Turma Especial (efls. 61/69), cuja fundamentação do voto condutor transcrevo, no que pertinente, in verbis: (...) Por tudo que foi exposto, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. Para verificar se houve ou não o alegado pagamento a maior, é preciso averiguar qual é efetivamente o valor do saldo a pagar a título de IRPJ no ajuste anual de 2006. Para tanto, é necessário que a Delegacia de origem, analisando a documentação contábil e fiscal da empresa, as informações constantes dos sistemas eletrônicos da própria Receita Federal (SINAL, DIRF, etc.), as DIPJ (original e retificadora), as DCTF, e ainda outros elementos que entender relevantes: 1) verifique e informe: o valor total do IRPJ devido no ano de 2006; o valor das retenções na fonte para este período; o valor das estimativas recolhidas para este período; o saldo de IRPJ a pagar no ajuste anual; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se houve pagamento a maior em relação ao saldo a pagar no ajuste anual, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar. (...) Obs: (i) Consta dos autos: a) cópia DIPJ 2007 (original), anocalendário 2006, lucro real anual, transmitida em 26/06/2007, entrega normal, Ficha 12 Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, saldo a pagar ajuste anual valor R$ 183.658,80 (efls. 72/165). b) que, entretanto, houve apresentação de retificadora: o saldo do débito a pagar desse PA (ajuste anual) foi de apenas R$ 121.764,39, conforme Ficha 12A DIPJ 2007, anocalendário 2006 (declaração retificadora), transmitida em 13/07/2010 , regime lucro real anual (efls. 12/13). Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10469.901093/201028 Acórdão n.º 1301004.055 S1C3T1 Fl. 566 8 A Fiscalização da DRF/Natal realizou a Diligência Fiscal, cujo Relatório está acostado aos autos (efls. 539/542). A contribuinte foi intimada a manifestarse nos autos e juntou sua manifestação (efls. 543/551). Estando conclusos os autos, retornaram para julgamento. Obs: Em face da extinção da 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, foi realizado sorteio dos 14 processos, porém para Relatores de Turmas diversas. Em face da conexão dos processos este Relator ficou prevento (reunião dos 14 processos para julgamento por esta Turma), conforme despacho aprovado pelo Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de julgamento do Carf. É o relatório. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10469.901093/201028 Acórdão n.º 1301004.055 S1C3T1 Fl. 567 9 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso. Conforme relatado, a recorrente informou que procedera pagamento do IRPJ, ajuste anual, anocalendário 2006 (PA 31/12/2006), valor de R$ 208.000,00, data de vencimento 31/03/2007, data de recolhimento/arrecadação 31/01/2007. Entretanto, frisou que o pagamento foi indevido ou a maior, no valor de R$ 86.235,61 (valor original), pois o saldo devedor do imposto ajuste anual foi de R$ 121.764,39. A contribuinte, então, utilizou o referido valor, que teria pago a maior ou indevidamente, em 14 (quatorze) DCOMP já discriminadas no relatório para compensação com débitos próprios de tributos/contribuições. As decisões anteriores nestes autos (despacho decisório da DRF/Natal e Acórdão da DRJ/Recife) não reconheceram o direito creditório pleiteado pela recorrente, pois o valor integral do pagamento encontravase alocado ao débito do imposto do respectivo Período de Apuração (PA), não restando, destarte, crédito disponível para ser utilizado nas 14 (quatorze) DCOMP citadas no relatório. Ainda consta da decisão recorrida: que, sendo o valor do tributo pago idêntico ao informado na última DCTF ativa e anterior ao Despacho Decisório (valor pago idêntico ao débito confessado), a DIPJ Retiticadora, por si só, onde consta que o valor do débito apurado é menor , não tem o condão de afastar o valor do débito confessado na DCTF, pois a interessada não juntou aos autos, quando da Impugnação, cópia da escrituração contábil (cópias dos livros Diário, Razão e Lalur,), nem juntou documentos, hábeis e idôneos de suporte dos registros contábeis, para comprovação do alegado erro de fato (Necessidade de comprovar o que teria implicado confissão de débito a maior na DCTF); que consta dos autos, realmente, cópia da DCTF Mensal Março 2007 na qual a contribuinte fez constar e confessou saldo de débito a pagar do IRPJ ajuste anual Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10469.901093/201028 Acórdão n.º 1301004.055 S1C3T1 Fl. 568 10 do anocalendário 2006 valor R$ 208.000,00 cujo valor coincide com o valor do recolhimento em DARF de R$ 208.000,00, código de receita 2430 ajuste anual 2006, conforme já consignado no relatório. Nesta instância recursal, a recorrente argumentou: que houve equívoco, erro de fato, ao confessar saldo de débito a pagar ajuste anual 2006 de R$ 208.000,00; que o saldo apurado do débito do IRPJ ajuste anual anocalendário 2006 foi de R$ 121.764,39 e juntou documentos (efls. 427/1535): a) cópia do Livro Diário n° 81, com 426 folhas, arquivado na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Norte, sob n° 07/0043124, de 19/11/2007, contendo as operações do 4º trimestre/2006 (outubro a dezembro/2006); b) cópia Livro Razão, com 683 folhas, contendo os registros das operações do 4º trimestre/2006 (outubro a dezembro/2006); que, por fim, pediu a realização de diligência fiscal, caso os Julgadores entendam ser necessária e imprescindível para comprovação cabal da existência do crédito pleiteado. Obs: A documentação cópia da escrituração contábil foi juntada apenas nos autos do Processo nº 10469.901670/201081. Logo, a numeração de efls., quanto às provas mencionadas, referese ao citado processo. Necessidade de instrução probatória complementar. Nesse sentido, na sessão de 10/04/2013, a então 2ª Turma Especial do CARF converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1802000.187 – 2ª Turma Especial (efls. 60/68), cuja fundamentação consta do voto condutor e que transcrevo, no que pertinente, in verbis: (...) Por tudo que foi exposto, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10469.901093/201028 Acórdão n.º 1301004.055 S1C3T1 Fl. 569 11 Para verificar se houve ou não o alegado pagamento a maior, é preciso averiguar qual é efetivamente o valor do saldo a pagar a título de IRPJ no ajuste anual de 2006. Para tanto, é necessário que a Delegacia de origem, analisando a documentação contábil e fiscal da empresa, as informações constantes dos sistemas eletrônicos da própria Receita Federal (SINAL, DIRF, etc.), as DIPJ (original e retificadora), as DCTF, e ainda outros elementos que entender relevantes: 1) verifique e informe:o valor total do IRPJ devido no ano de 2006; o valor das retenções na fonte para este período; o valor das estimativas recolhidas para este período; o saldo de IRPJ a pagar no ajuste anual; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se houve pagamento a maior em relação ao saldo a pagar no ajuste anual, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar. (...) A unidade de origem da RFB, no caso, a DRF/Natal, após realizada a diligência fiscal (análise da cópia da escrituração contábil juntada pela recorrente por ocasião da apresentação do recurso voluntário e das informações constantes dos sistemas informatizados internos da RFB), produziu relatório de diligência fiscal (efls. 539/542) e os resultados e conclusões transcrevo, in verbis: (...) 2. A partir das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), original e retificadoras, relativas ao anocalendário de 2006, verificamos que os principais motivos da divergência entre elas, quanto ao montante de “IMPOSTO DE RENDA A PAGAR”, se deve aos itens “12.()Imp. de Renda Ret. na Fonte”, “14.()IR Retido na Fonte p/ Demais Ent. da Adm. Púb. Fed. (Lei n° 10.833/2003)” e “16.()Imp. de Renda Mensal Pago por Estimativa” da “Ficha 12 – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real – PJ em Geral”, conforme transcrito a seguir: Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10469.901093/201028 Acórdão n.º 1301004.055 S1C3T1 Fl. 570 12 3. Em consulta às Declarações do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirfs) relativas ao anocalendário de 2006, em que consta a empresa IMPORTADORA COMERCIAL DE MADEIRAS LTDA como beneficiária, encontramos as seguintes retenções, que discriminam os valores relativos aos itens 12 e 14 da “Ficha 12 – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real– PJ em Geral” da DIPJ: • item 12: Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10469.901093/201028 Acórdão n.º 1301004.055 S1C3T1 Fl. 571 13 5. Ressalvado o exposto no item 2, cabe registrar que observamos compatibilidade da escrituração contábil e fiscal apresentada em anexo ao recurso voluntário (Livros Diário e Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10469.901093/201028 Acórdão n.º 1301004.055 S1C3T1 Fl. 572 14 Razão relativos ao 4º trimestre do anocalendário de 2006), havendo harmonia entre sua Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) e as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTFs) ativas, os valores recolhidos a título de estimativas mensais de IRPJ e a 2ª DIPJ retificadora. 6. Logo, os seguintes valores deveriam estar constando na “Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real PJ em Geral” da DIPJ: CONCLUSÃO 7. De todo o relatado acima, concluímos informando que: a) o valor total do IRPJ devido no ano de 2006 é R$ 1.730.360,52; o valor das retenções na fonte para este período totaliza R$ 34.289,79; o valor das estimativas recolhidas para este período totaliza R$ 1.520.860,36; e o Saldo de IRPJ a pagar no ajuste anual é R$ 150.809,88. b) houve pagamento a maior em relação ao saldo a pagar no ajuste anual, no montante original de R$ 57.190,12. 8. Por fim, nos termos da Resolução nº 1802000.187 – 2ª Turma Especial, da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, e das demais resoluções contidas nos processos ora analisados, cientifico o contribuinte deste Relatório de Diligência Fiscal, ressalvando lhe o direito de apresentar manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias contados daciência deste relatório. (...) Intimada a contribuinte do resultado da diligência fiscal, apresentou suas razões (efls. 543/551) e documentos juntados aos autos do Processo nº 10469.901086/201026 (efls. 556/570 do citado processo), discordando do resultado do relatório de diligência quanto à diferença de crédito R$ 29.045,49 (valor não confirmado pela diligência fiscal). Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10469.901093/201028 Acórdão n.º 1301004.055 S1C3T1 Fl. 573 15 Nessa parte, a recorrente assim se manifestou, in verbis: (...) (...) A irresignação da recorrente quanto ao resultado da diligência é atinente à diferença de valor de R$ 29.045,49 (IRRF não encontrado pela diligência fiscal). Como já dito, intimada do resultado da diligência para se manifestar nos autos, a contribuinte juntou documentos apenas nos autos do Processo nº 10469.901086/2010 26 (efls. 556/570 do citado processo), argumentando, in verbis: (...) Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10469.901093/201028 Acórdão n.º 1301004.055 S1C3T1 Fl. 574 16 Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10469.901093/201028 Acórdão n.º 1301004.055 S1C3T1 Fl. 575 17 (...) Não procede a irresignação da recorrente, em relação ao resultado do relatório de diligência fiscal: 1 Receitas Financeiras oferecidas à tributação. Consta da DIPJRetificadora Ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral, de 13/07/2010 (efls. 132/166) que a contribuinte ofereceu à tributação receitas financeiras no valor de R$ 372.896,00: Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10469.901093/201028 Acórdão n.º 1301004.055 S1C3T1 Fl. 576 18 (...) (...) O direito creditório apurado pela diligência fiscal de R$ 57.190,12 levou em conta receitas financeiras com DIRF no valor de R$ 356.532,39 = (R$ 149.233,83 + R$ 207.358,56) e IRRF R$ 34.289,79 = (R$ 22.159,96 + R$ 12.129,83), conforme demonstrativos já transcritos. Então, faltaria comprovar IRRF apenas acerca da diferença de receitas financeiras de R$ 16.363,61 = (receitas financeiras oferecidas à tributação R$ 372.896,00 R$ 356.532,39 receitas financeiras com DIRF). Obs: Esses dados trazidos pela recorrente, por último, de IRRF (crédito não deferido), revelam, em tese, que ela oferecera à tributação receitas financeiras a menor na declaração de ajuste anual na DIPJ 2007, anocalendário 2006 ( Fichas 06 e 54) e agora pretende crédito de IRRF acerca de receitas financeiras não oferecidas à tributação na DIPJ. Ora, cabe aproveitamento de crédito do IRRF acerca das receitas financeiras informadas na DIPJ e ainda desde que seja comprovado o IRRF, mediante DIRF, ou informe de rendimentos, Nota Fiscal e cópia da escrituração contábil. Portanto, como demonstrado, o IRRF já apurado pela diligência (resultado) está em consonância compatível com as receitas financeiras declaradas na DIPJ. 2 Ônus probatório do direito creditório alegado: No processo de compensação tributária, pedido de restituição/aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, é ônus do autor do pedido comprovar o fato constitutivo do direito creditório alegado, conforme art. 373, I, do Código de Processo Civil Lei 13.105, de 2015, de aplicação subsidiária do PAF, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; (...) O momento da produção da prova é quando da apresentação da Impugnação, na primeira instância de julgamento (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72). Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10469.901093/201028 Acórdão n.º 1301004.055 S1C3T1 Fl. 577 19 A contribuinte juntou cópia da escrituração contábil (livro Diário e Razão), quando da apresentação do recurso voluntário, alegando erro de fato, ou seja: que, inicialmente, a contribuinte transmitiu declarações à RFB (DIPJ e DCTF) com saldo do imposto a pagar do anocalendário 2006 (ajuste anual) no valor de R$ 208.000,00. Efetuou o pagamento em DARF, no valor de R$ 208.000,00; que transmitiu, eletronicamente, DIPJ 2007, anocalendário 2006 e, anos depois, apresentou duas DIPJ retificadoras, sendo a última na própria data de apresentação da DCOMP (a contribuinte gerou o suposto crédito pela segunda retificação da DIPJ e na mesma data já apresentou DCOMP utilizando esse suposto crédito). Vale dizer, a última retificadora da DIPJ 2007, anocalendário 2006, a contribuinte transmitiu eletronicamente em 13/07/2010 (efls. 27/28) e, nessa mesma data, transmitiu o PER/DCOMP nº 29452.95824.140710.1.7.041808 Retificador, utilizando o pretenso crédito (efls. 04/07). Como visto, quanto à escrituração contábil/fiscal, sob pretexto de ocorrência de erros de fato na apuração do imposto, a contribuinte apresentou várias versões de DIPJ e juntou escrituração contábil. Então, os autos do processo foram baixados à unidade de origem da RFB para análise da escrituração contábil juntada aos autos pela recorrente (cópia do livro Diário e Razão) em relação aos dados constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal. Logo, configura um despautério a recorrente alegar que a diligência fiscal não lhe oportunizou a produção de provas. Ora, a contribuinte juntou as provas que possuía por ocasião da apresentação do recurso voluntário e, por isso, os autos foram baixados em diligência para a unidade de origem da RFB analisar essas provas. E, ademais, a recorrente foi intimada do resultado da diligência, em observância do contraditório e da ampla defesa, tanto que apresentou sua manifestação e juntou outras provas. Exerceu e esta exercendo, plenamente, as garantias constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Ainda, frisese a diligência fiscal não se presta a substituir a parte na produção de provas. O ônus probatório do direito creditório alegado contra o Fisco, no caso, como já demonstrado, é da recorrente, parte autora do pedido de crédito contra a Fazenda Nacional. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10469.901093/201028 Acórdão n.º 1301004.055 S1C3T1 Fl. 578 20 2 IRRF: Dispõe o artigo 2º, § 4º, inciso III, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pela pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pela art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida mensalmente, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, observado o disposto nos §§ 1o e 2o do art. 29 e nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; (...) No caso, a contribuinte, na sua manifestação após ciência do resultado da diligência fiscal: a) juntou cópias de demonstrativos de rendimentos financeiros Banco do Brasil (demonstrativos simplificados); porém, esses demonstrativos são diversos dos informes de rendimentos exigidos pela legislação do imposto de renda, pois sequer consta a informação do código de receita (os documentos juntados constam das efls. 556/563 autos do Processo nº 10469.901086/201026 Doc. 1). Mas, não é só isso!!! Consta da DIPJ Retificadora Ficha 54 Demonstrativo do Imposto de Renda e CSLL Retidos na Fonte (efls. 132/164): (...) Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10469.901093/201028 Acórdão n.º 1301004.055 S1C3T1 Fl. 579 21 (...) O CNPJ (fonte pagadora): 00.000.000/086649. Porém, os CNPJ informados nos demonstrativos financeiros são diversos. Ainda não há DIRF. Logo, não se pode precisar que os rendimentos financeiros informados na DIPJ (Ficha 54) seriam esses que constam dos demonstrativos juntados aos autos pela recorrente, pois: a) não informam o código de receitas e, ainda, o CNPJ da fonte pagadora é diverso; b) ainda, há discrepância: Veja. O somatório do IRRF a que se referem esses demonstrativos (valores não comprovados), e mais o IRRF já apurado pela diligência fiscal, se fossem deferidos como pretende a recorrente, extrapolariam, em muito, os valores informados na DIPJ nas fichas 06 e 54. Inferese que haveria, em tese, receitas financeiras que não foram oferecidas à tributação pela recorrente, quando do ajuste anual. Inferese, também, que o resultado da diligência fiscal apurou, considerou crédito de IRRF (DIRF existentes) acerca de receitas financeiras não oferecidas à tributação pela recorrente. De modo que, no cômputo geral, o resultado da diligência fiscal quanto ao IRRF informado em DIRF está compatível com as receitas financeiras oferecidas à tributação pela recorrente na DIPJRetificadora (Fichas 06 e 54). Ou seja, a diligência fiscal apurou existência de IRRF(em DIRF) para a contribuinte sobre receitas financeiras de R$ 356.532,39. A contribuinte ofereceu à tributação receitas financeiras no valor de R$ 372.896,00 na DIPJ (Fichas 06 e 54). Logo, estaria faltando reconhecer IRRF acerca da diferença de receita financeira de R$ 16.363,61 oferecida à tributação na DIPJ = (R$ 372.896,00 R$ 356.532,39). Mas, como já analisado anteriormente os documentos juntados aos autos não comprovam IRRF pelo Banco do Brasil, pois não há DIRF e, além disso, os documentos juntados possuem CNPJ diverso da fonte pagadora (Ficha 06 e 54 da DIPJ) e ainda não informam o código de receita, a que título teria sido retido imposto. Portanto, não restou comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado, nessa parte (art. 170 do CTN). b) venda de mercadorias Polícia Militar do Rio Grande do Norte: A contribuinte informou na DIPJRetificadora Ficha 54: Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10469.901093/201028 Acórdão n.º 1301004.055 S1C3T1 Fl. 580 22 (...) (...) Aqui, também, a recorrente não tem melhor sorte. Não há DIRF. A contribuinte, então, juntou cópia do Razão Analítico, informando escrituração de valores que no somatório implicariam no citado montante (efls. 564/566 doc. 2 autos do Processo nº 10469.901086/201026), mas não juntou cópia de notas fiscais de venda com canhoto de entrega de que a operação existiu. Logo, esse valor pleiteado não satisfaz os requisitos de certeza e liquidez exigidos pelo art. 170 do CTN. Ademais, como já dito, o IRRF apurado com DIRF pela diligência fiscal está compatível com as receitas financeiras declaradas e objeto da DIPJRetificadora (Fichas 06 e 54). c) fundo de investimento Caixa Econômica Federal: A contribuinte informou na DIPJRetificadora, Ficha 54 (efls. 133/165)): (...) (...) Consta do relatório de diligência fiscal DIRF de apenas R$ 823,45. Valor acatado. A contribuinte, na manifestação após ciência do resultado da diligência, juntou cópia de pedido endereçado à CEF, solicitando, pleiteando, fornecimento dos Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10469.901093/201028 Acórdão n.º 1301004.055 S1C3T1 Fl. 581 23 comprovantes de retenção na fonte por essa instituição financeira (efls. 567/569 doc.3 constante do Processo nº 10469.901086/201026), para fazer prova perante a RFB. Ora, inexistindo DIRF e inexistindo os informes de rendimentos, nem outros documentos, não há como deferir essa diferença de crédito pleiteado. Ademais, como já dito, o IRRF apurado em DIRF pela diligência fiscal está compatível com as receitas financeiras declaradas na DIPJRetificadora, como já demonstrado antes. Assim, não restou comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado, nessa parte (art. 170 do CTN). Por fim, nesse sentido também são os precedentes deste CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FO NTE IRRF Anocalendário: 1998 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. Não há possibilidade de restituição/compensação pura e simples do imposto de renda retido na fonte principalmente quando não há comprovação do direito líquido e certo. O imposto de Renda Retido na Fonte é passível de compensação desde que os respectivos rendimentos sejam oferecidos a tributação. (Acórdão nº 1402003.950 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 16/07/2019, Relatora Junia Roberta Gouveia Sampaio). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Anocalendário: 2004 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NO FINAL DO PERÍODO. COMPOSIÇÃO NA APURAÇÃO DO FINAL DO PERÍODO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO. O imposto de renda retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido no final do período. Portanto, o valor retido deve ser computado para dedução do imposto a pagar e, se apurado saldo a favor do contribuinte, poderá ser restituído ou compensado como crédito de saldo negativo de IRPJ, e não como pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO FALTA DE COMPROVAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a nãohomologação das compensações. (Acórdão nº 1302003.796 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 18/07/2019, Luiz Tadeu Matosinho Machado – Presidente e Relator). Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10469.901093/201028 Acórdão n.º 1301004.055 S1C3T1 Fl. 582 24 (...) Logo, conforme relatório de diligência fiscal, restou comprovado o direito creditório do IRPJ do anocalendário 2006, no montante de R$ 57.190,12 (valor original), único e comum a todos os processos abaixo e homologar as compensações objeto dos processos abaixo, até o limite desse crédito deferido: PER/DCOMP DATA TRANSMISSÃO PROCESSO Retificador: 34969.80386.130710.1.7.041989 Retificado: 15394.96347.240608.1.3.040094 01617.41354.250608.1.7.048237 13/07/2010 10469.901670/201081 Retificador: 32444.81129.140710.1.7.046427 Retificado: 36060.68621.090808.1.3.048396 14/07/2010 10469.901086/201026 Retificador: 06625.86272.140710.1.7.041800 Retificado: 33730.00134.251008.1.3.047859 14/07/2010 10469.901087/201071 Retificador: 42355.31828.140710.1.7.041924 Retificado: 23768.42284.251008.1.3.049644 14/07/2010 10469.901088/201015 Retificador: 36642.12372.190710.1.7.040680 Retificado: 18254.68135.271008.1.3.043870 19/07/2010 10469.901089/201060 Retificador: 28122.36484.190710.1.7.046076 Retificado: 34899.76565.271008.1.3.046117 19/07/2010 10469.901090/201094 Retificador: 28119.57837.190710.1.7.047036 Retificado: 20677.46828.271008.1.3.040376 19/07/2010 10469.901091/201039 Retificador: 40409.37928.130710.1.7.047621 Retificado: 37628.60315.271008.1.3.048490 13/07/2010 10469.901092/201083 Retificador: 29452.95824.140710.1.7.041808 Retificado: 15579.77286.271008.1.3.048280 14/07/2010 10469.901093/201028 Retificador: 01108.53920.140710.1.7.049897 Retificado: 28009.91072.291008.1.3.045653 14/07/2010 10469.901094/201072 Retificador: 14471.47759.140710.1.7.040940 Retificado: 20810.98239.280809.1.3.043269 14/07/2010 10469.901096/201061 Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10469.901093/201028 Acórdão n.º 1301004.055 S1C3T1 Fl. 583 25 Retificador: 41473.12320.140710.1.7.042860 Retificado: 28599.58532.280809.1.3.041050 14/07/2010 10469.901097/201014 Retificador: 34854.11206.190710.1.7.048597 Retificado: 01703.52550.271008.1.3.042970 19/07/2010 10469.901848/201094 Retificador: 04050.50317.140710.1.7.041110 Retificado: 01367.67545.021208.1.3.041606 14/07/2010 10469.901849/201039 Obs: (i) A unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Natal, deverá fazer a imputação do crédito, até o limite do valor deferido, levando em conta os débitos confessados nas DCOMP objeto dos processos listados no demonstrado acima; (ii) Quanto às compensações que não restar crédito (DCOMP não homologadas pela insuficiência/inexistência de crédito), a contribuinte deverá ser intimada para proceder o pagamento dos débitos confessados nas DCOMP (débitos em aberto). Por tudo que foi exposto, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório, em valores originais, de R$ 57.190,12, a título de saldo do IRPJ ajuste anual do anocalendário 2006, em valor único, comum a todos os processos citados no demonstrativo acima e homologar as compensações, quanto aos débitos confessados nas DCOMP objeto dos referidos processos, até o limite desse crédito deferido. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 583DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.722011/2017-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2013
Ementa:
CONTRATO DE AFRETAMENTO. ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE UM CONTRATO ÚNICO.
A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de afretamento e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções, no caso concreto. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços, configurando a simulação praticada, vinculado à causa do negócio jurídico.
SUPOSTA EXIGÊNCIA DA BIPARTIÇÃO PARA ADMISSÃO NO REGIME DO REPETRO. DESCABIMENTO A concessão do regime do REPETRO não respalda, nem tampouco exige, a bipartição dos contratos de prestação de serviços técnicos relacionados à exploração de petróleo.
BASE DE CALCULO. VALOR ANTES DA RETENÇÃO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS é o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza - ISS e do valor das próprias contribuições.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2013
Ementa:
PIS E COFINS. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO EMBASADA NOS MESMOS FUNDAMENTOS.
Aplicam-se ao lançamento do PIS as mesmas razões de decidir adotadas quanto ao lançamento da Cofins, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática.
Numero da decisão: 3302-007.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad, nos termos do voto do relator. Apresentou declaração de voto o conselheiro Walker Araújo.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: conselheiros Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2013 Ementa: CONTRATO DE AFRETAMENTO. ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE UM CONTRATO ÚNICO. A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de afretamento e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções, no caso concreto. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços, configurando a simulação praticada, vinculado à causa do negócio jurídico. SUPOSTA EXIGÊNCIA DA BIPARTIÇÃO PARA ADMISSÃO NO REGIME DO REPETRO. DESCABIMENTO A concessão do regime do REPETRO não respalda, nem tampouco exige, a bipartição dos contratos de prestação de serviços técnicos relacionados à exploração de petróleo. BASE DE CALCULO. VALOR ANTES DA RETENÇÃO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS é o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza - ISS e do valor das próprias contribuições. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2013 Ementa: PIS E COFINS. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO EMBASADA NOS MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicam-se ao lançamento do PIS as mesmas razões de decidir adotadas quanto ao lançamento da Cofins, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática.
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ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE UM CONTRATO ÚNICO. A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de afretamento e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções, no caso concreto. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços, configurando a simulação praticada, vinculado à causa do negócio jurídico. SUPOSTA EXIGÊNCIA DA BIPARTIÇÃO PARA ADMISSÃO NO REGIME DO REPETRO. DESCABIMENTO A concessão do regime do REPETRO não respalda, nem tampouco exige, a bipartição dos contratos de prestação de serviços técnicos relacionados à exploração de petróleo. BASE DE CALCULO. VALOR ANTES DA RETENÇÃO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS é o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza ISS e do valor das próprias contribuições. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2013 Ementa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 20 11 /2 01 7- 17 Fl. 47966DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 144 2 PIS E COFINS. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO EMBASADA NOS MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicamse ao lançamento do PIS as mesmas razões de decidir adotadas quanto ao lançamento da Cofins, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad, nos termos do voto do relator. Apresentou declaração de voto o conselheiro Walker Araújo. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: conselheiros Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata o presente processo de auto de infração de PIS e COFINS, IMPORTAÇÃO, do anocalendário de 2013. O Termo de Verificação Fiscal apurou o que se segue: O escopo inicial da fiscalização é a apuração da possível incidência de IRRF, CIDE e PIS e COFINS – Importação, sobre pagamentos em favor de empresas estrangeiras, a título de afretamento de plataformas navios e sondas para pesquisa/exploração de petróleo e gás (doravante chamadas unidades). O termo de verificação trata inicialmente do IRRF que não é objeto deste auto de infração. Segue afirmando que se trata de contratações em que as prestações de serviços de sondagem, perfuração ou exploração de poços, bem como contratações de outros serviços técnicos ligados ao setor de petróleo, foram artificialmente bipartidas em dois contratos: um de afretamento e outro de serviços, tendo de um lado a contratante PETROBRAS e, de outro, empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, as quais atuam em Fl. 47967DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 145 3 conjunto, de forma interdependente, com responsabilidade solidária. Os serviços são prestados no Brasil, mediante a utilização de plataforma ou de embarcação (unidade) fornecida pelo próprio grupo econômico que presta os ditos serviços. A maior parte do preço pago pela PETROBRAS é atribuída ao afretamento da unidade e destinada ao exterior, sem retenção do imposto de renda na fonte, sem o recolhimento da CIDE e sem o PIS/COFINS Importação, enquanto parcela muito inferior é atribuída aos serviços, paga no Brasil, e tributada na fonte. Em que pese a repartição formal em dois contratos, não há que se falar em afretamento autônomo. Nos casos examinados, o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. As Contratadas são empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, que assumem direitos e obrigações recíprocos, com responsabilidade solidária, dividindo receitas e custos segundo a sua conveniência, ou segundo a conveniência da contratante. A seguir o Termo de Verificação detalha cada contrato esclarecendo que se trata de uma só contratação, que o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados e que a prestadora de serviço e a empresa que detém a unidade são do mesmo grupo. Em resumo, apurou–se as seguintes características nos contratos: Contrato de afretamento declarase vinculado a contrato de prestação de serviços assinado, na mesma data; A Fretadora figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços; No contrato de afretamento a prestadora de serviços assina, como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora); Cláusula no contrato de afretamento diz que a responsabilidade, operação, movimentação e administração da unidade ficarão sob controle e comando exclusivo da Fretadora ou seus prepostos; A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; No Anexo do contrato de afretamento há a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela Contratada (Fretadora), em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Superintendente de Perfuração, Sondador, Assistente de Sondador, etc.; Clausula no contrato prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo e outros resíduos no mar, a responsabilidade Fl. 47968DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 146 4 conjunta recai sobre a Fretadora MODEC INC. e sobre a Interveniente (e prestadora de serviços) MODEC SERVIÇOS; A tripulação deve ser fornecida e mantida pela fretadora; Confusão entre os contratos de afretamento e de serviços, visto que o contrato de prestação de serviços contém diversas disposições pertinentes ao fornecimento da plataforma; No contrato nº 091 da Petrobrás Netherlands apurouse que apesar da Petrobrás Netherlands constar como fretadora, há referência a um outro contrato de afretamento no qual a contratada é a PROSAFE GFPSO I B.V, que é interveniente no contrato de prestação de serviços celebrado com a PROSAFE PRODUCTION DO BRASIL LTDA. Com base na MP nº 164/2004 convertida com modificações na Lei nº 10.865/2004 foram lançados o PIS e a COFINS sobre os pagamentos efetuados pela contribuinte a empresas estrangeiras, a título de afretamento, no ano de 2013. Os tributos lançados de ofício foram calculados sobre os pagamentos selecionados pela fiscalização, com as características descritas na inferência fiscal, ou seja, em que o suposto afretamento é parte integrante e indissociável dos serviços prestados pelo grupo econômico contratado pela PETROBRAS – vide Planilha “Beneficiários de Pagamentos ao Exterior à Título de Afretamento Na apuração do PIS e da COFINS, observamos a INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 572/2005, que esclarece como deve ser efetivado o cálculo do PIS e COFINS Importação. Desta forma, o PIS Importação e a Cofins Importação incidem sobre o valor bruto das remessas, antes da retenção do Imposto de Renda, acrescido do ISS e das próprias contribuições. No presente caso, a fiscalizada tratou as remessas como pagamentos de afretamento, razão pela qual não sofreram a retenção de IR na fonte nem CIDE, tampouco a tributação do ISS. Assim, tornase irrelevante a alíquota do ISS. O contribuinte foi cientificado em 02/01/2018 (fls. 47.576/47.577) e apresentou impugnação de fls. 47.629/47.674 em 31/01/2018 alegando em síntese: Quanto à alegação de que não se trata de questão nova, já que houve autuações anteriores, importante frisar que, no âmbito judicial, em decisão proferida na ação anulatória de débito fiscal de nº 004018575.2015.4.013400, em trâmite na 14ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, foi entendido que a legislação posterior reconheceu, expressamente, a possibilidade de execução simultânea dos contratos de afretamento e prestação de serviços, inclusive com pessoas jurídicas vinculadas entre si. Fl. 47969DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 147 5 No processo nº 000707083.2008.4.02.5101, o TRF da 2 Região considerou indevida a cobrança do IRRF sobre as remessas relativas a pagamento de afretamento de plataformas justamente por reputar que as mesmas são embarcações. No CARF também há precedentes favoráveis validando a estrutura contratual ora questionada pela fiscalização. Com a recente alteração promovida pela Lei nº 13.586/2017, não há mais qualquer possibilidade de se exigir o recolhimento do PIS e da COFINS, pois, mantidas as condições contratuais originalmente pactuadas, tal como previsto no texto legal, inexiste importação de serviços que configure fato gerador destes tributos. As plataformas móveis são enquadradas como embarcação especial, como demonstrado no Parecer nº 023/06 anexo ao Ofício nº 573/2006DPC, de 10/04/2006, da Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil, item 31. Os contratos de afretamento da presente autuação se inserem na modalidade afretamento por tempo. A utilização, posse, uso e controle de embarcações envolve gestão náutica e gestão comercial. A gestão náutica está relacionada à manutenção da embarcação em condições de ser operada e utilizada nos fins aos quais se destina. A gestão comercial está relacionada com a utilização efetiva da embarcação nos fins a que se destina. A diferença entre o contrato de afretamento a casco nu e o contrato de afretamento por tempo é exatamente a forma como as atribuições de gestão da embarcação são alocadas entre fretador e afretador. No afretamento por tempo, a gestão náutica fica sob a responsabilidade do Fretador, e a gestão comercial fica com o afretador. Quando a impugnante firma contratos de afretamento, a ela é transferido o direito de utilizar as embarcações nas finalidades econômicas que lhe forem de interesse, isto é, a ela é atribuída a gestão comercial. E como o afretamento envolve a cessão do uso de um bem mediante o pagamento de uma remuneração, e não a obrigação de fazer, nunca poderia ser enquadrado como se fosse prestação de serviços, sob pena de absoluta dissociação da realidade. Ainda que fosse um único instrumento e apenas com a empresa sediada no exterior tratarseiam de dois contratos distintos formalizados num único instrumento, contratos coligados, sendo um de prestação de serviços e outro de afretamento. Os indícios apontados pelo Fisco não tem lugar porque apenas denotam a existência de contratos coligados. As embarcações, em razão de sua complexidade técnica, são bens de vultoso valor e absolutamente necessários ao desenvolvimento da atividade a que se destinam, representando, Fl. 47970DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 148 6 portanto, o seu afretamento efetivamente a maior parcela do valor total da contratação. Se cabível a unificação, seria mais lógico e coerente que o afretamento abarcasse a prestação de serviços, do que o contrario como pretende o Fisco. Se eventualmente fosse comprovada uma atribuição irreal de preços aos contratos – o que sequer foi cogitado – seria cabível a glosa do excesso de custo do afretamento. Porem nada justifica a desqualificação do contrato de afretamento para atribuirlhe a natureza de prestação de serviços e, com isso, tributálo integralmente como tal. O próprio artigo 2º da Lei nº 13.586/2017 que introduziu os §§2º a 12º ao art. 1º da Lei nº 9.481/97 reconhece expressamente a execução simultânea dos contratos de afretamento e prestação de serviços, inclusive entre empresas vinculadas. A Lei nº 13.586/2017 não criou a hipótese de contratação de afretamento e prestação de serviços com execução simultânea firmada com empresas vinculadas entre si. Apenas ajustou os parâmetros de aplicação da alíquota zero de IRRF anteriormente estabelecidos pela Lei nº 13.043/2014, esclarecendo, todavia, que sobre tais contratos não há a incidência do PIS/COFINS – Importação e da CIDE importação. Cita decisões judiciais sobre a não incidência do ISS nos contratos de afretamento e decisões administrativas que reconheceram a possibilidade de bipartição contratual criticada no TVF. Ainda que se entenda possível a desconsideração do afretamento, por ser prática costumeira devese aplicar o art. 100, parágrafo único do CTN, para excluir a aplicação de penalidades. A IN RFB nº 844/2008 que trata do REPETRO reconhecia a possibilidade de vinculação dos contratos. A impugnante foi autuada por seguir norma da própria Receita. O art. 146 do CTN veda a adoção de posturas contraditórias, como a alteração posterior de critérios jurídicos já utilizados no lançamento de tributos, para fatos geradores anteriores à eventual alteração do critério. A fiscalização está alterando a forma e a substância de contratos típicos de direito privado e, com isso, violando os artigos 109 e 110 do CTN. Se não é possível o desmembramento, com muito mais razão, não é possível unificar, também para efeitos fiscais, contratos absolutamente autônomos, firmados com pessoas jurídicas distintas, uma situada no exterior e outra situada no País, sendo absolutamente irrelevante que pertençam ao mesmo grupo econômico. Fl. 47971DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 149 7 Não se pode falar em artificialismo ou manipulação, até porque não há nada de reprovável no procedimento adotado de contratar separadamente o afretamento (de empresa estrangeira) e a prestação de serviços (de empresa nacional) ainda que do mesmo grupo, porque é licito a essas empresas organizarem seus negócios da forma que melhor lhes aprouver. Reconhecendose a existência de um contrato de afretamento autônomo, não há o que se falar em recolhimento de PIS e de COFINS sobre a importação. Ainda que não se entenda o contrato de afretamento como arrendamento, aduzse que, com a admissão dos bens no REPETRO, houve a suspensão da cobrança dos tributos incidentes, tal como reconhecido, no âmbito da RFB, pelo disposto no art. 4º da IN 844/2008. Caso se venha a entender pela incidência do PIS/COFINS Importação, eventual recolhimento dos tributos exigidos nos presentes autos ensejará o direito aos respectivos créditos, haja vista que tal direito independe do momento em que ocorra o pagamento, mesmo quando lançado de ofício por meio da lavratura de auto de infração. Caso se entenda pela manutenção do lançamento, com a desconsideração dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, alguns ajustes devem ser realizados na base de cálculo, como será demonstrado a seguir: Contrato nº 2100.0068105.11.20 não foi objeto de analise no TVF e não possui contrato vinculado de prestação de serviços, tratandose apenas de contrato celebrado com a PNBV para o afretamento da UMS Dan Swift. Nos contratos a seguir as empresas contratadas para o afretamento e para a prestação de serviço são de grupos econômicos completamente distintos. a) contrato n° 2300.0050143.09.2, afretamento celebrado com a PETROBRAS NETHERLANDS B.V (PNBV), e a prestação de serviços com a PROSAFE PRODUCTION DO BRASIL LTDA.; b) contrato n° 2050.0057771.10.2, contrato de afretamento celebrado com empresa PETROBRAS NETHERLANDS B.V., e o de prestação de serviços com a BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES Ltda.; c) contrato n° 2400.006969612.2, em que o afretamento foi celebrado com a GUARÁ B.V. e a prestação de serviços com a MODEC SERVIÇOS DE PETRÓLEO DO BRASIL Ltda.; d) contrato n° 2200.0013256.05.2, no qual o afretamento foi celebrado com a a PRA1 MV15 B.V., ao passo que a prestação de serviços foi contratada com a MODEC SERVIÇOS DE PETRÓLEO Ltda; Fl. 47972DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 150 8 e) contratos n° 2050.0022643.06.2 e n° 2050.0022588.06.22, nos quais os afretamentos foram celebrados com a EIFFFEL RIDGE GROUP C.V., ao passo que a empresa contratada para a prestação de serviços foi a Queiroz Galvão Perfurações S. A f) contrato n° 2050.0028827.07.2, afretamento celebrado com a LONDON TOWER INTERNATIONAL DRILLING e a prestação de serviços pactuada com a QUEIROZ GALVÃO PERFURAÇÕES S.A; g) contrato n° 2400.0041968.08.2, afretamento celebrado com a GAS OPPORTUNITY MV20 B.V. e a prestação de serviços celebrada com a MODEC SERVIÇOS DE PETRÓLEO DO BRASIL Ltda.; h) contrato n° 2050.0059066.10.2, em que o afretamento foi celebrado com a ABAN INTL NORWAY AS e a prestação de serviços com a empresa ETESCO CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO Ltda. i) contrato n° 2050.0042751.08.2, afretamento celebrado com a COMMODORE MARINE LLP e a prestação de serviços pactuada com a OCEAN DRILL PETRÓLEO S.A.; j) contrato n° 2050.0066906.11.2, afretamento celebrado com a DEEP SEA METRO HOLLAND BV e a prestação de serviços contratada com a empresa ODFJELL GESTÃO DE PERFURAÇÕES DO BRASIL Ltda; k) contrato n° 2050.0042724.08.2, afretamento celebrado com a PALASE C.V e a prestação de serviços com a empresa TARSUS SERV. DE PETRÓLEO Ltda; l) contrato n° 2050.0042726.08.2, afretamento celebrado com a empresa PODOCARPUS C.V. e a prestação de serviços, inicialmente, com a empresa COMERCIAL PERFURADORA DELBA SERVIÇOS Ltda, cujo contrato depois foi cedido para MAN ISA SERVIÇOS DE PETRÓLEO Ltda.; m) contrato 2400.0061580.10.2, afretamento celebrado com a empresa TIRO SIDON AS, e a prestação de serviços fora celebrada com a TEEKAY PETROJARL PRODUÇÃO PETROL. DO BRASIL Ltda. Nos contratos a seguir não há a prestação de serviços de perfuração, e segundo o TVF a plataforma é afretada apenas para viabilizar a extração do petróleo. a) contrato n° 2050.0020438.06.2, contrato de prestação de serviços técnicos de lançamento e recolhimento de dutos flexíveis, reparos de instalações submarinas e outras operações celebrado com a STOLT OFFSHORE S.A; b) contrato n° 2050.0020438.06.2, contrato de prestação de serviços técnicos de mergulho saturado, utilização de ROV e mergulho com sinos celebrado com a ACERGY BRASIL S.A; Fl. 47973DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 151 9 c) contrato n° 2050.0051003.09.2, contrato de prestação de serviços técnicos de lançamento e recuperação de dutos flexíveis, utilização de ROV, etc celebrado com a ACERGY BRASIL S.A; d) contrato n° 2600.0031084.07.2, contrato de prestação de serviços de recebimento, no processamento, no armazenamento de petróleo a bordo, na transferência de petróleo estabilizado para navios aliviadores, no processamento de gás, na compressão de gás, no tratamento de gás, na injeção de gás e operando com poços produtores de petróleo elou gás e injetores de gás, em lâmina d'água que pode variar de 800 (oitocentos) metros até 1.700 (um mil e setecentos) metros celebrado com a PIRANEMA SERVIÇOS DE PETRÓLEO Ltda. e) contrato n° 2050.0062666.10.2, contrato de prestação de serviços técnicos na unidade BLUE SHARK, de fraturamento, restauração, estimulação e outros serviços correlatos em poços, linhas e dutos, com fornecimento de produtos químicos celebrado com a Schahin Engenharia Ltda; f) contrato n° 2050.0026034.06.2, contrato de prestação de serviços técnicos de lançamento e recuperação de dutos flexíveis, utilização de ROV, etc. celebrado com a SUBSEA 7 SERVIÇO DO BRASIL Ltda; g) contrato n° 2050.0059526.10.2, contrato de prestação de serviços técnicos de lançamento e recuperação de dutos flexíveis, utilização de ROV, etc. celebrado com a ACERGY BRASIL S.A; h) contrato n° 2010.0073574.12.2, contrato de prestação de serviços de levantamento de dados geofísicos celebrado com a RXT Tecnologia de Exploração de Res. Do Brasil; i) contrato n° 2050.0063728.10.2, contrato de prestação de serviços para a instalação de dutos flexíveis celebrado com a MCDERMOTT SERVIÇOS E CONSTRUÇÕES Ltda. É ilegal a aplicação do artigo 725 do RIR/99 ao caso concreto para fins de reajustamento da base de cálculo do IRRF, e conseqüentemente, o reflexo nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. É equivocada a premissa adotada, haja vista que se a impugnante jamais considerou o IRRF sobre as remessas para pagamento dos contratos de afretamento, não há que se falar em assunção voluntária do ônus do imposto supostamente devido pelo beneficiário, única hipótese prevista no aludido dispositivo para o reajustamento da base de calculo do IRRF. O contribuinte junta também Acórdão do CARF nº 2401005.149 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, da Segunda Seção de Julgamento que vai ao encontro da sua tese de defesa (fls. 47.729/ 47.758 ) Fl. 47974DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 152 10 A 12ª Turma da DRJ Rio de Janeiro (RJ) julgou a procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 12100.900, de 29 de agosto de 2017, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2013 PIS/COFINS IMPORTAÇÃO. CONTRATO DE AFRETAMENTO E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS NA EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. BIPARTIÇÃO CONTRATUAL VERSUS EXECUÇÃO SIMULTÂNEA DOS SERVIÇOS TÉCNICOS COM O AFRETAMENTO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. DIFERENÇA. RATIO LEGIS. A bipartição contratual, no contexto das atividades de exploração de petróleo, é figura distinta da execução simultânea dos serviços técnicos com afretamento, prevista no art. §2º do art. 2º da lei 13.586/2017, conforme se depreende pela ratio legis. No caso dos autos, restou caracterizado que a Impugnante lançou mão da bipartição, cujos efeitos não são tributariamente admissíveis em razão de seu caráter artificial. Comprovado que o serviço técnico foi de fato prestado de forma inseparável do afretamento por empresa domiciliada no exterior, incide PIS/COFINSImportação sobre o valor cheio, não se podendo ainda excluir da base de cálculo da contribuição qualquer parcela em tese a título de afretamento. SUPOSTA EXIGÊNCIA DA BIPARTIÇÃO PARA ADMISSÃO NO REGIME DO REPETRO. DESCABIMENTO A concessão do regime do REPETRO não respalda, nem tampouco exige, a bipartição dos contratos de prestação de serviços técnicos relacionados à exploração de petróleo. BASE DE CALCULO. VALOR ANTES DA RETENÇÃO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS é o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza ISS e do valor das próprias contribuições. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2013 PIS/COFINS IMPORTAÇÃO. CONTRATO DE AFRETAMENTO E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS NA EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. BIPARTIÇÃO CONTRATUAL VERSUS EXECUÇÃO SIMULTÂNEA DOS SERVIÇOS TÉCNICOS COM O AFRETAMENTO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. DIFERENÇA. RATIO LEGIS. Fl. 47975DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 153 11 A bipartição contratual, no contexto das atividades de exploração de petróleo, é figura distinta da execução simultânea dos serviços técnicos com afretamento, prevista no art. §2º do art. 2º da lei 13.586/2017, conforme se depreende pela ratio legis. No caso dos autos, restou caracterizado que a Impugnante lançou mão da bipartição, cujos efeitos não são tributariamente admissíveis em razão de seu caráter artificial. Comprovado que o serviço técnico foi de fato prestado de forma inseparável do afretamento por empresa domiciliada no exterior, incide PIS/COFINSImportação sobre o valor cheio, não se podendo ainda excluir da base de cálculo da contribuição qualquer parcela em tese a título de afretamento. SUPOSTA EXIGÊNCIA DA BIPARTIÇÃO PARA ADMISSÃO NO REGIME DO REPETRO. DESCABIMENTO A concessão do regime do REPETRO não respalda, nem tampouco exige, a bipartição dos contratos de prestação de serviços técnicos relacionados à exploração de petróleo. BASE DE CALCULO. VALOR ANTES DA RETENÇÃO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS é o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza ISS e do valor das próprias contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2013 CONTRATO. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. O Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do auto de infração, deve conter descrição dos fatos. Na autuação por bipartição artificial dos contratos é necessária a descrição das características do contrato que levaram a tal conclusão. Confirmado que determinado contrato não consta dos autos, nem consta do Termo de Verificação Fiscal, cabível a improcedência do lançamento nesta parte. Impugnação Procedente em Parte Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Havia conhecimento prévio da modelagem contratual usada pela Recorrente e a validação de tal procedimento pela Receita Federal do Brasil (RFB) quando da autorização de inclusão dos bens afretados no regime aduaneiro do REPETRO; b) A legislação do REPETRO respalda a prática de bipartição de contratos em serviço e afretamento sendo este, inclusive, um requisito necessário para adesão ao regime; Fl. 47976DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 154 12 c) Há reconhecimento expresso da legalidade da modelagem contratual adotada pela Recorrente tanto pela Lei n° 13.043/14 quanto pela Lei n° 13.586/17, inclusive para fatos ocorridos até 31/12/2014; d) Houve violação dos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional (CTN); e) Havendo reconhecimento de um contrato de afretamento autônomo, não há fato gerador do PIS/COFINSImportação; f) Caso se entenda pela manutenção das exigências fiscais, sejam efetuados procedimentos para correção das bases de cálculo das exações. Termina o recurso requerendo o provimento integral para cancelar o auto de infração lavrado, afastando a cobrança do principal, dos acréscimos moratórios e das penalidades cominadas. Alternativamente, que seja ajustada a base de cálculo do PIS e da COFINS de forma a expurgar tanto os contratos descritos em tópico próprio, como também a parcela relativa ao IRRF. E, na remota hipótese de manutenção do auto de infração, que sejam afastados os encargos legais, com base no art. 110 do CTN. É o breve relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. A partir da análise do Termo de Verificação Fiscal, em cotejo com o recurso apresentado, observase que o cerne da questão resumese à chamada "bipartição artificial dos contratos de prestação de serviços e de afretamento". O Recorrente entendeu perfeitamente esta acusação, focando seu recurso na busca por descaracterizar a alegação de artificialidade. Essa questão foi didaticamente esmiuçada no Acórdão nº 3402005.853, de 27/11/2018, da lavra do Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, o qual reflete minha visão sobre o tema, de forma que o reproduzo e o utilizo para fundamentar minha razão de decidir, verbis: DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E DOS CONTRATOS VINCULADOS A autoridade fiscal demonstrou que as contratações relativas às prestações de serviços de sondagem, perfuração ou exploração de poços, bem como contratações de outros serviços técnicos ligados ao setor de petróleo, foram artificialmente bipartidas em dois contratos: um de afretamento e outro de serviços, tendo de um lado a contratante PETROBRÁS e, de outro, empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, as quais atuam em conjunto, de forma interdependente, com responsabilidade solidária. Segundo a alegação fiscal, os serviços foram Fl. 47977DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 155 13 prestados no Brasil, mediante a utilização de plataforma ou de embarcação (unidade) fornecida pelo grupo próprio econômico que presta os ditos serviços. A maior parte (90%) do preço pago pela PETROBRÁS é atribuída ao afretamento da unidade e destinada ao exterior, sem retenção do imposto de renda na fonte, sem o recolhimento da CIDE e sem o PIS/COFINS Importação, enquanto parcela muito inferior (10%) é atribuída aos serviços, paga no Brasil, e tributada na fonte. A conclusão do procedimento fiscal demonstra a inexistência de afretamento autônomo, apesar da existência formal de dois contratos. Para a fiscalização, o fornecimento da unidade (afretamento) seria apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. A única contratação existente seria de pesquisa e exploração de petróleo e gás, sendo o fornecimento da unidade apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. Nos casos analisados, constatouse que as empresas contratadas pertenciam a um mesmo grupo econômico, detentor do equipamento e do knowhow da prestação de serviços, e desempenharam de forma conjunta e solidária as atividades formalmente contratadas de forma segregada. Tal vinculação era de pleno conhecimento da contratante PETROBRÁS. Em sua defesa, a Recorrente alega a regularidade do modelo contratual adotado, afastando o enquadramento como prestação de serviço. Também afasta a artificialidade dos contratos, afirmando que, apesar de coligados, os contratos seriam autônomos. Também alega que o modelo contratual seria reconhecido pela Lei nº 13.043/2014, e já era exigido pela Administração desde 2008 para fins de regulamentação do REPETRO, e que foram objeto de análise quando da habilitação no REPETRO, de forma que o lançamento configuraria mudança de critério jurídico afrontando o disposto no artigo 146 do CTN. A fiscalização realizou uma análise minuciosa de cada contrato de afretamento e de prestação de serviços, no intuito de demonstrar que, não obstante a segregação formal, na realidade, o que existia era uma única atividade de exploração e pesquisa de petróleo/gás, prestada pelo grupo econômico (empresa brasileira e estrangeira). Em sua conclusão reafirmou que os valores pagos às empresas estrangeiras, a título de afretamento, corresponderiam, de fato, a remuneração pela prestação de serviços. Destacamse os seguintes fatos apurados pela autoridade fiscal que fundamentaram a decisão recorrida: ∙ contratos vinculados, em alguns casos expressamente em cláusulas, ou assinados na mesma data; ∙ fretadora cossegurada em seguro de responsabilidade civil com prestadora de serviços; ∙ fretadora solidariamente responsável com prestadora de serviços; Fl. 47978DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 156 14 ∙ rescisão do contrato de prestação de serviço é base para rescisão do contrato de afretamento; ∙ contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela prestadora de serviços, com cargos diretamente ligados à operação da unidade; ∙ contrato de afretamento dispõe que a responsabilidade, operação, movimentação e administração da unidade ficarão sob controle e comando exclusivo da Fretadora ou seus prepostos; ∙ no caso de despejo de petróleo, óleo e outros resíduos no mar, a responsabilidade conjunta recai sobre a Fretadora e sobre a Prestadora de Serviços; ∙ contrato de afretamento diz que a Contratada (Fretadora) deverá fornecer à PETROBRAS “Folha de Pagamento de seus empregados que estiverem envolvidos na prestação dos serviços contratados”. Tais fatos, devidamente comprovados e não refutados, não podem ser desprezados na presente análise. A vinculação entre as partes, a estreita ligação entre os objetos contratados, as mutuas responsabilidades, os prazos, e as pessoas envolvidas, caracterizam uma verdadeira confusão entre as contratações, comprovando a existência de uma única contratação, conforme afirmado pela autoridade fiscal. Portanto, concluise que a autoridade fiscal demonstrou que os contratos eram não são apenas interligados, mas unos, conforme afirmação feita para todos os contratos analisados nos autos: “a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade [...] foi de fato fornecida por empresa do Grupo [...], mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo [...] foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo [...] forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda, da CIDE, e do PIS/Cofins Importação sobre a maior parte da remuneração.” Analisando situação semelhante, assim se manifestou o Conselheiro Alexandre Kern no voto vencido (vencedor neste ponto) do Acórdão 3403002.702, cujo excerto reproduzo a seguir: “Pareceme que o conjunto indiciário reunido pela Fiscalização é consistente e corrobora essa conclusão. Em primeiro lugar, os contratos ditos de afretamento de afretamento não são, pois não têm como objeto embarcação. Fl. 47979DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 157 15 Ademais, as unidades de perfuração e de produção de petróleo offshore, objeto dos contratos de afretamento, não são meras estruturas metálicas, sobre as quais desembarcam e atuam os operadores da companhia prestadora de serviço contratada. Em absoluto. As unidades são, justamente, os equipamentos que serão operados para a consecução do objetivo último da Petrobrás, que é a perfuração ou produção do poço de petróleo. E, penso ser evidente, tratase de equipamentos sofisticados, construídos sob encomenda, com projeto único, que incorpora, em geral, o último estágio de desenvolvimento da tecnologia. Nesse sentido, seus operadores são designados já durante a fase de construção, no estaleiro, tamanha é a intimidade com equipamento requerida para operálos. Saliento esse aspecto porque, ainda que se considere a natureza genérica dos contratos, como contrato de aluguel de bens, o que sobressai é que tal contratação é absolutamente dispensável. Bastaria que a Petrobrás celebrasse contrato único, de prestação de serviços, fosse com a nacional ou com a empresa estrangeira, ainda assim as unidades seriam fornecidas, simplesmente, porque não há como prestar os serviços sem elas. Aliás, esse é exatamente o modelo de contratação para a perfuração e produção de petróleo em terra. A Petrobrás, em terra, não se dá ao trabalho de contratar o aluguel de uma sonda de perfuração de terra SPT e, simultaneamente, contratar a prestação do serviço, pois é ilógico, desnecessário, antieconômico. E, se ainda assim, por qualquer razão que se nos escape, a Petrobrás insistisse nesse modelo de contratação, a hipotética locatária dos equipamentos jamais admitiria que os mesmos fossem operados por terceiros. Portanto, pareceme que a conclusão a que chegou a Fiscalização a respeito da essência desses contratos está correta. A bipartição do contrato em “afretamento” e prestação de serviços – a também, por óbvio, a sua coligação voluntária – é artificial, desnecessária, sem propósito. A recorrente nessa hora bradará princípios constitucionais como da Livre Iniciativa (art. 1º, IV), da Livre Concorrência (art. 170, IV) ou mesmo da Propriedade Privada (art. 170, II), e que o ordenamento jurídico brasileiro outorga ao contribuinte o direito de organizarse de forma que se lhe imponha a menor carga tributária possível. Pugnará por que se analisem os contratos celebrados sob uma concepção estritamente formal da legalidade. Enfim, invocará a clássica cantilena liberal formalista que leva à (equivocada) conclusão de que, em matéria de planejamento tributário, tudo o que não estiver expressamente proibido é lícito ao contribuinte. Marciano Seabra de Godoi diagnostica que essa postura parte de certos valores arraigados e que não mais se compatibilizam com o atual estado de arte da dogmática constitucional e tributária nacional, quais sejam, o tributo visto como uma agressão ou um castigo que se aceita mas não se justifica; a segurança jurídica como um valor absoluto; a aplicação Fl. 47980DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 158 16 mecânica e não valorativa da lei como um mito sagrado; o individualismo e a autonomia da vontade sobrevalorizados e hipertrofiados, como se vivêssemos em pleno século XIX. Atualmente, as bases da tributação são liberdade, igualdade e solidariedade. Neste cenário, a interpretação dos atos jurídicos e das operações não se pode valer da máxima de hipossuficiência dos contribuintes frente ao todo poderoso Estado, sob pena de se obstar a aplicação de outros princípios constitucionais. Há diversos outros que podem ser tolhidos caso planejamentos sejam indiscriminadamente considerados válidos e legítimos tão somente porque adotaram forma jurídica prevista em texto de lei (Dignidade da Pessoa Humana, Função Social da Propriedade, Isonomia). O planejamento tributário deve ser analisado “não apenas sob a ótica das formas jurídicas admissíveis, mas também sob o ângulo da sua utilização concreta, do seu funcionamento e dos resultados que geram à luz dos valores básicos igualdade, solidariedade social e justiça” (GRECO. Marco Aurélio Planejamento tributário. 3ª ed. São Paulo: Dialética, 2011, p. 195) . Enfim, exigese, para além de uma economia de tributos, um propósito negocial. Nesse sentido, a doutrina propõe um teste para se constatar ausência de propósito negocial (SCHOUERI, Luís Eduardo. O desafio do planejamento tributário. In: SCHOUERI, Luís Eduardo (coord.); FREITRAS, Rodrigo de (org,). Planejamento tributário e o “propósito negocial”. São Paulo: Quartier Latin, 2010, apud PAULA, Daniel Giotti de. O Dever Geral de Vedação À Elisão: uma análise constitucional baseada nos fundamentos da tributação Brasileira e do direito comparado. Revista da PGFN. Brasília: PGFN, 2011. p.187): a) o elemento temporal: já que muitas vezes se verifica que o planejamento, em geral atividade pensada e preparada, é realizada às pressas, com a assinatura de vários documentos em um único momento, alguns desfazendo transações que se celebram no mesmo instante; b) a independência ou não das partes, eis que muitas fusões, cisões e incorporações se dão apenas como forma de alocar perdas e ganhos entre empresas de mesmo grupo, sempre visando à redução da tributação; c) ausência de coerência, quando se realizam transações que não se inserem na rotina da empresa ou na lógica empresarial. Marco Aurélio Greco (GRECO, Marco Aurélio. Perspectivas teóricas do debate sobre planejamento tributário. Revista Fórum de Direito Tributário, Belo Horizonte, ano 7, n. 42, ano 2009. Apud PAULA, Daniel Giotti de. O Dever Geral de Vedação À Elisão: uma análise constitucional baseada nos fundamentos da tributação Brasileira e do direito comparado. Revista da PGFN. Brasília: PGFN, 2011. p. 187) revela os indícios de mera tentativa despropositada de economia de tributo: Fl. 47981DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 159 17 a) operações estruturas em seqüência, em que uma etapa não tem sentido a não ser quando vista a partir do conjunto de etapas [...]; b) operações invertidas, no sentido de serem realizadas ao contrário do que indica o juízo comum, por exemplo, a incorporação da controladora pela controlada; c) operações entre partes relacionadas, pois nestas é mais rigoroso o juízo sobre os critérios de eqüitatividade em que devem ser feitas certas operações quando comparadas com operações com terceiros; d) o uso de pessoas jurídicas para realizar determinadas operações, pois além de poderem configurar uma interposta pessoa, estas sociedades podem se apresentar como meros instrumentos de passagens de recursos destinados a terceiros (conduint companies) ou assumirem a condição de sociedade aparentes, fictícias ou efêmeras; e) operações que impliquem deslocamento da base tributável para o exterior, pois isto afeta a soberania e a imperatividade da norma tributária; f) as substituições ou montagens jurídicas em que as formas contratuais são construídas meramente para vestir determinado conteúdo sem que haja razões reais e efetivas que as justifiquem.” O i.relator assim concluiu no Acórdão 3403002.702 sobre o modelo de contratação da Petrobrás, situação similar àquela apurada nos presentes autos: “O modelo de contratação da Petrobrás sucumbe em todos os testes que lhe são pertinentes: a) Quanto ao aspecto temporal, revelase a simultaneidade da celebração dos pares de contratos; b) A interdependência das partes contratantes é nota característica: a prestadora dos serviços nacional é controlada pela “fretadora” estrangeira; c) Ausência de coerência: a Petrobrás não reproduz o modelo de contratação bipartida, mutatis mutandis, nas suas operações terrestres; d) Deslocamento da base tributável para o exterior: a Petrobrás atribui ao contrato de afretamento, celebrado com a empresa estrangeira, 90% do valor total da causa dos contratos (a exploração dos poços de petróleo); e) Montagem jurídica: a bipartição de contrato que tem causa unitária – a exploração de poços de petróleo – é artificial e despropositada.” Fl. 47982DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 160 18 Não procede a alegação da Recorrente quanto à violação aos artigos 109 e 110 do CTN, bem como ao artigo 170 da Constituição Federal, ao desconsiderar a dualidade contratual e considerar como um único contrato de prestação de serviços. Não houve desrespeito aos institutos próprios do direito privado, ou ao direito de livre iniciativa ou exercício de atividade econômica, mas apenas definir a verdadeira natureza dos pagamentos realizados pela empresa no exterior e imputar os efeitos tributários decorrentes de tal pagamento. O que ocorreu foi constatação de que os contratos firmados, bipartidos, teriam uma só natureza e seriam, de fato, unos, com o objetivo de regular a contratação de serviços técnicos para garantir a funcionalidade da plataforma para o cumprimento de sua finalidade, a perfuração/exploração de gás e petróleo. Comprovouse que o fornecimento da plataforma seria apenas meio para alcançar a verdadeira atividade pretendida pela Recorrente. Aqui, os princípios de liberdade de auto organização colidem com o princípio da solidariedade, da capacidade contributiva e da igualdade. A autoridade fiscal, na análise da situação fática e da hipótese de incidência da contribuição, ao dar efeitos tributários diversos daquele esperado pela Recorrente, não apenas considerou os aspectos formais da operação, mas buscou a essência dos atos praticados, de forma a afastar uma interpretação literal que considera apenas os aspectos formais dos atos. A liberdade de contratar não poderia se sobrepor aos princípios da capacidade contributiva, igualdade e solidariedade. A bipartição de contratos revelase artificial, conforme já decidiu este Conselho em diversos outros julgados: Acórdão nº 3201003.022 CIDE. AFRETAMENTO. NATUREZA INDISSOCIÁVEL DO SERVIÇO. CONTRATAÇÃO ÚNICA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESNECESSIDADE. A contratação de embarcação com especificações de construção, equipamento e operação para atender à consecução dos serviços técnicos especializados de levantamento sísmico consubstancia se parte integrante e indissociável da atividade, que se constitui única, não permitindo segregar os valores pagos para os efeitos de incidência da CIDE ainda que discriminados no mesmo ou diferentes contratos. Acórdão nº 3302004.822 CONTRATO IMPROPRIAMENTE DENOMINADO DE AFRETAMENTO DE NAVIO DE PESQUISA. REAL NATUREZA DO NEGÓCIO JURÍDICO CONTRATADO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS. REMESSA AO EXTERIOR A TÍTULO DE REMUNERAÇÃO PELOS SERVIÇOS PRESTADOS. INCIDÊNCIA DA CIDE. POSSIBILIDADE. Fl. 47983DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 161 19 1. Para fins tributários, prevalece a natureza real do negócio jurídico realizado e não a declaração formal inverídica contida nos instrumentos contratuais impropriamente denominados de afretamento de navio de pesquisa. Segundo os fatos comprovados nos autos, o real negócio jurídico contratado pela recorrente foi a prestação de serviços de “levantamento de dados sísmicos multicomponentes tridimensionais (3D)” e não o afretamento de navio de pesquisa. 2. O fornecimento da embarcação, aparelhada com os equipamentos sísmicos, é parte integrante e indissociável dos real contrato de serviços técnicos de levantamento de dados sísmicos contratados, razão pela qual os valores mensais integrais remetidos ao exterior a título de remuneração às empresas estrangeiras prestadoras dos referidos serviços estão sujeitos à incidência da CIDE e integram a base de cálculo da referida contribuição. Acórdão nº 3302003.095 ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. REALIDADE MATERIAL. CONTRATO ÚNICO. A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação e de prestação de serviços propriamente dita nos casos é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços. Acórdão nº 2202003.063 ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. REALIDADE MATERIAL. CONTRATO ÚNICO. A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços. Também revela a artificialidade dos contratos, na repartição de 90/10, as alterações legislativas que estabeleceram o percentual máximo a ser atribuído aos contratos de afretamento. A alteração promovida pelo art. 106 da Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, no § 2º do art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, estabeleceu, para fins de redução a zero da alíquota do IRRF, o percentual máximo de 80% (oitenta por cento) atribuídos aos contratos de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas Fl. 47984DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 162 20 relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, quanto às embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação e manutenção de poços. Posteriormente, os percentuais máximos foram ajustados pela Lei 13.586/2017, prevendo que o percentual de afretamento passaria a ser de 65% (sessenta e cinco por cento), quanto às embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação e manutenção de poços. Destacase que tais percentuais não se aplicam no caso em concreto, que aqui discute a incidência das contribuições, mas revelam a artificialidade reconhecida pelo próprio legislador brasileiro quanto aos percentuais de repartição dos contratos de afretamento e serviços nos percentuais de 90% e 10%. A repartição dos contratos revelase artificial, com a constatação de que os valores pagos às empresas estrangeiras, a título de afretamento, corresponderam, de fato, a remuneração pela prestação de serviços, configurando uma única contratação. A situação constatada enquadrase, de forma clara, no conceito de simulação, ligado à causa do negócio jurídico. É cristalino o fato que o negócio aparente (dois contratos) é divergente do negócio real (única contratação de fato). A causa típica do negócio (contratação para pesquisa e exploração de petróleo e gás, com o fornecimento da unidade) diverge da causa aparente, que artificialmente repartiu a contratação através de um contrato autônomo de afretamento. Nesse caso, haveria um vício na causa, pois as partes usaram determinada estrutura negocial (contratos bipartidos) para atingir um resultado prático, que não correspondeu à causa típica do negócio posto em prática. Destacase, mais uma vez, que a única contratação existente seria de pesquisa e exploração de petróleo e gás, sendo o fornecimento da unidade apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. O entendimento acima encontra abrigou na doutrina do professor Marciano Seabra de Godoi, que assim analisou a questão da simulação como vício na causa do negócio jurídico: “O conceito de simulação é, no âmbito do próprio direito civil brasileiro, bastante controverso. Ainda que nem sempre deixem isso explícito, diversos autores definem e aplicam o conceito de simulação com base numa visão causalista. A causa dos negócios jurídicos pode ser definida como o “fim econômico ou social reconhecido e garantido pelo direito, uma finalidade objetiva e determinante do negócio que o agente busca além da realização do ato em si mesmo”. A causa é portanto o propósito, a razão de ser, a finalidade prática que se persegue com a prática de determinado negócio jurídico. Orlando Gomes inclusive promove uma classificação dos negócios jurídicos com base nas causas típicas de cada um deles (a cada negócio “corresponde causa específica que o Fl. 47985DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 163 21 distingue dos outros tipos”): o seguro é por exemplo um negócio jurídico cuja causa é a “prevenção de riscos”, ao passo que o contrato de sociedade tem como causa uma associação de interesses, compondo a categoria dos “negócios associativos”. Fixado esse conceito de causa dos negócios jurídicos, como encarar a figura da simulação? Na simulação há um vício na causa, pois as partes usam determinada estrutura negocial (compra e venda) para atingir um resultado prático (doar um patrimônio) que não corresponde à causa típica do negócio posto em prática. Na formulação de Orlando Gomes sobre a simulação relativa, “ao lado do contrato simulado há um contrato dissimulado, que disfarça sua verdadeira causa” destacamos. Os autores causalistas ressaltam que na simulação não há propriamente um vício do consentimento (como no erro ou no dolo), pois as partes consciente e deliberadamente emitem um ato de vontade. O que ocorre é que o ato simulado não corresponde aos propósitos efetivos dos agentes da simulação. Por isso diversos autores vêem na simulação uma “divergência consciente entre a intenção prática e a causa típica do negócio”. O espanhol Federico de Castro y Bravo sustenta que a natureza específica da simulação não é a de “uma declaração vazia de vontade”, mas a de uma “declaração em desacordo com o objetivo proposto [pelas partes], ou, o que é o mesmo, uma declaração com causa falsa” – destacamos. Tanto na concepção causalista ora estudada, quanto na concepção restritiva vista na seção anterior, o negócio simulado é visto como “nãoverdadeiro”. Mas isso a partir de perspectivas diferentes. Com efeito, na perspectiva causalista haverá simulação mesmo que as partes não inventem nem escondam de ninguém um fato específico no bojo de cada um dos negócios praticados”. A situação apurada nos autos também não diverge do conceito civilista de simulação, previsto no §1º do art. 167 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): Art. 167 – É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º – Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I – Aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II – Contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III – Os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. Fl. 47986DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 164 22 No caso, não havia contrato autônomo real de afretamento, mas apenas uma única contratação pesquisa e exploração de petróleo e gás, com o fornecimento da unidade. Dessa forma, a pessoa a quem foi conferido o direito no contrato de afretamento foi diversa daquela que efetivamente se conferiu, configurando a simulação conforme o Código Civil. No presente caso a própria bipartição dos contratos, no percentual de 90/10 já se revela artificial, configurando a simulação praticada. A própria contratante dos serviços determinou a repartição dos contratos em duas, delimitando que, do valor global a ser desembolsado pela companhia estatal, 90% (noventa por cento) seria destinado ao fretamento e 10% para a remuneração da prestação de serviços. Portanto, a artificialidade da repartição dos contratos foi um ato consciente e intencional da recorrente, configurando o intuito doloso da simulação praticada. Dessa forma, concluise pela higidez do lançamento efetuado e da decisão recorrida, pela comprovação da unicidade contratual, simulação praticada, e constatação da existência de pagamentos efetuados em favor das empresas estrangeiras como contrapartida de serviços técnicos prestados, sujeitos à incidência das contribuições. DO REPETRO A Relatora alega que o entendimento fiscal desconsidera, por completo, a forma prevista pela própria legislação pátria para a Recorrente desempenhar suas atividades, inclusive com a previsão de regime aduaneiro especial para o afretamento de bens do exterior destinados, especificamente, para a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural (REPETRO). Confirma, ainda, a afirmativa da Recorrente acerca da adequação do modelo de contratação adotado àquele determinado pelo REPETRO. Conforme já exposto pela Relatora, o REPETRO é o regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural. O regime foi instituído pelo Decreto nº 3.161, de 02 de setembro de 1999 (revogado) e atualmente é regulamentado pelo Decreto nº 6.759, de 2009 (Regulamento Aduaneiro), e pela IN RFB nº 1.415, de 2013. Aqui, destacamos um importante ponto no referido regime: a base legal indicada pelos atos infralegais é o artigo 79, parágrafo único, da Lei 9.430/96, que assim dispõe: Art. 79. Os bens admitidos temporariamente no País, para utilização econômica, ficam sujeitos ao pagamento dos impostos incidentes na importação proporcionalmente ao tempo de sua permanência em território nacional, nos termos e condições estabelecidos em regulamento. Fl. 47987DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 165 23 Parágrafo único. O Poder Executivo poderá excepcionar, em caráter temporário, a aplicação do disposto neste artigo em relação a determinados bens. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18949, de 2001) Constatase, portanto, que a base legal do regime é uma “norma em branco”, que outorga competência para o Poder Executivo a determinar quais seriam os requisitos para a aplicação do regime de admissão temporária para utilização econômica. Destacase que o referido regime tem a natureza jurídica de isenção condicionada. O mesmo vício encontramos na previsão do Decretolei nº 37/66: Art.93. O regulamento poderá instituir outros regimes aduaneiros especiais, além dos expressamente previstos neste Título, destinados a atender a situações econômicas peculiares, estabelecendo termos, prazos e condições para a sua aplicação. Entendo que tal disposição seria uma violação ao princípio da estrita legalidade, que exige “lei” tanto para tributar quanto para exonerar (CTN, art. 97, inciso III, c/c estenderei nesse ponto. Em resumo, o REPETRO prevê os seguintes tratamentos tributários/aduaneiros DRAWBACK SUPENSÃOà EXPORTAÇÃO COM SAÍDA FICTA à ADMISSÃO TEMPORÁRIA Conforme exposto pela Relatora, à época dos fatos geradores autuados, esse regime aduaneiro era disciplinado pelo Regulamento Aduaneiro/2009, aprovado pelo Decreto n.º 6.759/2009 e pela Instrução Normativa n.º 844/2008. A Relatora afirma, com base nos dispositivos regulamentares transcritos em seu voto, que os contratos firmados estavam sujeitos à uma análise prévia e pormenorizada pela RFB para a habilitação da pessoa jurídica no REPETRO e para admissão dos bens no regime. Entretanto, a Relatora se equivoca a afirmar que tais contratos foram previamente homologados pela RFB e que não poderiam ser desconsiderados pela autoridade fiscal e aduaneira. Já afirmamos em estudo acadêmico publicado que a homologação do lançamento tributário aduaneiro ocorre no procedimento de Revisão Aduaneira, ainda que o canal de conferência aduaneira tenha sido diferente do verde. No referido ato também ocorre a homologação das informações prestadas nas Declarações de Importação ou Admissão em Regime Especial, conforme previsto no artigo 54 do Decretolei nº 37/66: Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo Fl. 47988DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 166 24 importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Portanto, não procede o fundamento que aponta pela análise definitiva e homologação dos contratos. Em seguida, a Relatora reproduz exceto do Manual do REPETRO, publicado pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira (COANA) em 12/03/2015 e atualizado em 05/01/2018, e disponível no sítio da RFB. No referido manual, a administração aduaneira esclarece os tipos de contrato objeto do REPETRO, com a previsão do Contrato de Importação, Contrato de Prestação de Serviços, Contrato de Afretamento, Contrato Tripartite e o Contrato de Execução Simultânea. A legislação veda a prestação de serviço direta por empresa estrangeira, mas prevê que o mesmo pode ser prestado por outra empresa por ela designada, conforme dispõe o item 4.1.4 do referido manual: 4.1.4 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS [...] Nota: É possível também que empresa estrangeira seja contratada pela operadora para a prestação de serviços, mas, neste caso, como a legislação brasileira não permite que aquela preste os serviços diretamente no País (vide o tópico 2.6.4 Prestação de Serviços ou Produção de Bens no País por Sociedade Empresário Estrangeira em Beneficiários do Repetro), uma empresa designada deverá fazer parte do contrato com a finalidade de importar o bem e prestar os serviços contratados (Regulamento Aduaneiro, art. 461A, § 4º; IN RFB nº 1.415, de 2013, art. 1º c/c art. 4º, § único, inc. II, alínea c). O parágrafo 3º do artigo 5º da IN RFB 844/2008, com a redação dada pela IN RFB 1070/2010, traz a previsão regulamentar para a designação de empresa com sede no País para promover a importação de bens, em caso de contratação de pessoa jurídica com sede no exterior: Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010). I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1º; e Fl. 47989DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 167 25 II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I em afretamento por tempo ou para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 2º A pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1º, ou sua subcontratada, também poderá ser habilitada ao Repetro para promover a importação de bens objeto de contrato de afretamento, em que seja parte ou não, firmado entre pessoa jurídica sediada no exterior e a detentora de concessão ou autorização, desde que a importação dos bens esteja prevista no contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 3º Quando a pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1º não for sediada no País, poderá ser habilitada ao Repetro a empresa com sede no País por ela designada para promover a importação dos bens, observado o disposto na legislação específica. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010). No caso, seria um Contrato Tripartite, conforme definição do item 4.1.6 do manual: O Contrato Tripartite, no caso do Repetro, é uma forma de composição contratual que se caracteriza pela existência de três partes: 1) Proprietário do bem (ou armador, no caso de embarcação): é a empresa estrangeira contratada para ceder o bem temporariamente; 2) Contratante: é a operadora, pessoa jurídica sediada no País, detentora de concessão, de autorização ou de cessão, ou a contratada sob o regime de partilha de produção, para o exercício, no País, das atividades de que trata o artigo 1º da IN RFB nº 1.415, de 2013. É o tomador de serviços (contratante); e 3) Designada: é a pessoa jurídica, sediada no País, contratada para promover a importação dos bens e prestar os serviços contratados. É possível a ocorrência de variações na composição das partes. Assim, pode ocorrer, por exemplo, a existência de um consórcio de operadoras (no lugar de uma operadora) ou de um consórcio de prestadores de serviços (no lugar de um único prestador de serviços). Além disso, o contrato tripartite pode ser instrumentalizado por um único contrato ou por dois contratos, neste último caso ele será denominado contrato de execução simultânea. Fl. 47990DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 168 26 A operação poderia ser considerada como válida se efetivamente existisse três empresas envolvidas de forma autônoma. O modelo tripartite, com contratos distintos entre agentes distintos e autônomos, poderia ser considerado como válido caso houvesse, efetivamente, três agentes autônomos envolvidos. A Relatora corretamente afirmou que a divisão dos contratos de afretamento e de prestação de serviços seria um meio expressamente admitido pela legislação aduaneira brasileira para o cumprimento dos contratos de afretamento de plataformas, navios, naviosonda e embarcações especiais para o desempenho da atividade petrolífera, mas desde que tal contrato reflita a realidade da operação contratada. O modelo seria permitido, desde que refletisse a real operação, o que não ocorreu nos autos. A designação de uma empresa brasileira para a prestação de serviços ligada à contatada estrangeira, com as vinculações e confusões contratuais e financeiras identificadas pela autoridade fiscal, afasta a natureza autônoma da suposta subcontratação para prestação de serviços, e a validade tributária dos contratos distintos, configurando apenas uma operação de fato para fins tributários. Neste caso, o que de fato ocorreu foi uma única contratação da empresa estrangeira, que designou um preposto para a execução do serviço no País e para se habilitar no REPETRO. É importante lembrar, ainda, que a finalidade do REPETRO é a redução da carga tributária na importação dos bens utilizados na exploração do petróleo, e não a regulação da prestação de serviços vinculados. Destacase, também, que a interligação entre os contratos não é negada pela Recorrente. Entretanto, a autoridade fiscal demonstrou que os contratos não são apenas interligados, mas unos, conforme afirmação feita para todos os contratos analisados nos autos: “a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade [...] foi de fato fornecida por empresa do Grupo [...], mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; unidade que o próprio Grupo [...] forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda, da CIDE, e do PIS/COFINS Importação sobre a maior parte da remuneração.” Questão semelhante acerca da repartição dos contratos também foi objeto de análise da RFB na Solução de Consulta nº 225/2014, curiosamente citada pela defesa como argumento justificador de sua conduta, que se revela imprópria para tal fim. A referida Solução de Consulta advertia, em suas conclusões, que a contratação entre partes relacionadas integrantes de um Fl. 47991DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 169 27 conglomerado poderia consubstanciar um planejamento tributário abusivo. Transcrevo excerto do referido ato: “[...] 13. No caso em tela, a consulente detém um contrato de construção de navio sonda com um estaleiro brasileiro. Finalizada a construção, o navio sonda será submetido ao procedimento de exportação ficta, ou seja, será exportado sem a efetiva saída do território brasileiro. 14. O centro da questão é a forma de contratação dos referido navios sonda para operação no Brasil, que será feito por meio de dois contratos distintos: (i) contrato de afretamento; e (ii) contrato de prestação de serviço. O primeiro contrato será efetuado entre a consulente, que é uma empresa domiciliada no exterior, e uma empresa brasileira da área de petróleo e gás. Já o contrato de prestação de serviços para operação do navio sonda será efetuado entre a empresa brasileira da área de petróleo e gás e uma empresa operadora brasileira. 15. É certo que as empresas são livres para montar os seus negócios e para contratar na forma que melhor entenderem, visando a otimização de suas operações e a obtenção de lucros. Essa liberdade não é absoluta pois tem como limite a observância das leis. 16. Portanto, em princípio, não se vislumbra nenhum óbice que, na gestão de seus negócios, determinada empresa opte por efetuar dois contratos com empresas distintas, uma para afretamento do bem e outra para sua operação. 17. No caso ora analisado, a consulente afirma que será responsável por fornecer o equipamento afretado enquanto uma outra empresa brasileira será a operadora do equipamento, sendo que as duas empresas são independentes e não pertencem ao mesmo grupo econômico. 18. Esse aspecto é importante porque a vinculação entre as empresas responsáveis pelo afretamento do equipamento e pela sua operação poderia configurar, quando associada a outros aspectos, tais como a desproporção da remuneração pactuada e ausência de propósito negocial, um planejamento fiscal abusivo com a conseqüente descaracterização do negócio por parte do Fisco. [...]” No caso referido na Solução de Consulta não havia a vinculação entre as partes, diferentemente do que ocorre no caso em análise cujos fatos comprovadamente apontaram a existência de apenas uma única contratação da empresa sediada no exterior, que foram formalmente desmembrados em dois contratos para Fl. 47992DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 170 28 usufruir dos benefícios fiscais do REPETRO e iludir o pagamento das contribuições, dentre outros benefícios. Portanto, pelas razões acima expostas, entendo que deve ser afastado o fundamento utilizado no voto da i. Relatora no sentido de que as normas do REPETRO legitimam o modelo de contrato adotado pela Recorrente: primeiro, pela inexistência de um ato legal que poderia legitimar as operações, mas apenas atos regulamentares da RFB que não teria poder para tanto, especialmente para legitimar a ilusão da incidência das contribuições, especialmente o aspecto material de sua hipótese de incidência; segundo, ainda que fosse permitido à RFB definir os modelos contratuais, se sobrepondo à hipótese de incidência das contribuições, a interpretação dada pela RFB não avaliza a operação em questão, visto que se trata de um único contrato executado pela contratante e por empresa designada por ela para promover a importação e prestar os serviços contratados. A legislação tributária não admite a bipartição artificial dos contratos de prestação de serviços em tela. É sobremodo importante assinalar que o processo cujo acórdão foi aqui reproduzido trata dos mesmos fatos jurídicos constantes no processo ora em julgamento, diferenciando apenas quanto ao período de apuração. Por esse fato, fico tranqüilo em aplicar a ratio decidendi lá utilizada para fundamentar minha decisão. Ressalto, por derradeiro, que reconheço a existência no mundo jurídico da modelagem contratual adotada pelo recorrente, em virtude da Lei nº 13.586/2017, mas afirmo que houve simulação para transfigurar um contrato único em contrato de prestação de serviço e de afretamento. Dito isso, e por tudo o que foi exposto, entendo que os contratos de afretamento e de prestação de serviços se confundiam, devendo ser considerados como únicos, correspondentes à prestação de serviços técnicos de pesquisa e exploração de petróleo e gás. Que as empresas contratadas estrangeiras e a brasileira atuavam de forma conjunta, solidária e contínua, prestando serviços técnicos, embora sob a forma de contratos distintos, segregados formalmente. Os contratos, porém, eram de fato vinculados, entrelaçados, amarrados, sem independência, o que demonstra que não havia afretamento autônomo. A bipartição dos contratos pela recorrente era puramente formal e deuse unicamente com o intuito de evitar a incidência dos tributos. Como a tese de afretamento foi afastada e ficou decidido que na verdade os contratos versam sobre prestação de serviço, não tem sustentáculo jurídico a alegação de não incidência do PIS e Cofins sobre importação, pois o fato gerador está previsto no art. 3º da Lei nº 10.865/2004. Por fim, consigno que a legislação do REPETRO não respalda a prática de bipartição de contratos em serviço e afretamento e que não houve violação aos artigos 109 e 110 do CTN. Os dois únicos capítulos do recurso que não foram enfrentados pelo citado acórdão dizem respeito ao ajustamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, para fins de Fl. 47993DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 171 29 expurgar tanto os contratos descritos em tópico próprio, como também a parcela relativa ao IRRF. Sendo assim, passo à análise. Exclusões na base de cálculo das Contribuições. O recorrente reiterou as razões apresentadas na impugnação, alegando que é ilegal a aplicação do art. 725 do RIR/99 ao caso concreto para fins de reajustamento da base de cálculo do IRRF, com reflexos nas bases de cálculo do PIS e da Cofins, bem como a necessidade de exclusão dos valores referentes a contratos que não pertencerem ao mesmo grupo econômico e aos contratos que não envolveram os serviços de perfuração. Como não há elemento novo sobre esses temas, e entendo correta a decisão a quo, tendo por base o § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, peço vênia para utilizar a ratio decidendi da DRJ como se minha fosse, verbis: a) IRRF. Em relação ao fato de não haver considerado o IRRF sobre as remessas para pagamento dos contratos de afretamento, reproduzse alguns dispositivos legais: DECRETO Nº 3.000, DE 26 DE MARÇO DE 1999. Art. 722. A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido. (...) Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei nº 4.154, de 1962, art. 5º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 63, § 2º). Da leitura desses dispositivos verificase que a obrigatoriedade pelo recolhimento do tributo é, por evidente, da fonte pagadora, mesmo que não o tenha retido, até porque os beneficiários dos rendimentos não tem domicílio no País. Portanto, tais rendimentos, que foram remetidos ao exterior, equivaleriam, efetivamente, aos seus valores líquidos, isto é, aqueles que couberam, em realidade, ao seu beneficiário. Assim, se a operação (remessa de valores) deveria sofrer a respectiva tributação, se os valores remetidos são considerados líquidos e se, por lei, a fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do tributo, ainda que não o tenha retido, nada mais lógico e correto que aqueles valores remetidos sejam submetidos ao reajustamento estabelecido pelo art. 725 do RIR/1999. Fl. 47994DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 172 30 Ademais, a Lei nº 10.865, de 2004 é clara ao estabelecer em seu art. 7º que a base de cálculo é o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza ISS e do valor das próprias contribuições. E esse foi o procedimento adotado pela autoridade fiscal, como bem demonstrou no Termo de Verificação Fiscal b) Exclusão da base de cálculo dos valores referentes a contratos com empresas de grupos econômicos distintos. Em todos os contratos citados pelo contribuinte, há no Termo de Verificação demonstração da relação entre as empresas contratadas para o afretamento e aquelas contratadas para a prestação de serviços. CONTRATO DE AFRETAMENTO no 2300.0050143.09.2 Consta no Termo de Verificação: “Obs: apesar de a Petrobras Netherlands constar como fretadora, no contrato de prestação de serviços, abaixo comentado, há referência a um contrato de número 2300.0028836.07.2 (cláusula 15.1 do contrato de prestação de serviço), no qual a contratada é a PROSAFE GFPSO I B.V., interveniente no referido contrato de prestação de serviços. (...) Fica evidente que a Petrobras Netherlands firmou um contrato de afretamento com a Prosafe, de nº 2300.0028836.07.2, e que esta faz parte do mesmo grupo da empresa prestadora de serviços. É a mesma forma de operar que vemos nos outros contratos: afretase o equipamento de uma empresa estrangeira e contrata o serviço atrelado ao equipamento de uma empresa nacional, do mesmo grupo da empresa estrangeira. Pagase quase a totalidade do valor do como afretamento, e o restante fica com a empresa nacional. A diferença, neste caso, é que a Petrobras fez um contrato de afretamento com a PNBV, tentando descaracterizar a operação de afretamento da prestação de serviços. Ocorre, porém, que o próprio contrato de prestação de serviço desmascara a operação: a diversas referências à empresa fretadora de fato PROSAFE GFPSO I B.V., ela consta como interveniente e, para solapar de vez a figuração da PNBV, há menção expressa ao contrato que não foi fornecido, onde a PROSAFE GFPSO I B.V. é a fretadora do equipamento. Confirma o entendimento acima a informação extraída do próprio site da Petrobrás, no endereço a seguir e que reproduzimos logo abaixo: http://www2.petrobras.com.br/materiaishtm/contratos_servicos/ PORTAL_3200_S/Documents/SPB_MM_WEB_SITE_3200_S_00 010.htm. CONTRATO DE AFRETAMENTO no 2050.0057771.10.2 Fl. 47995DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 173 31 Consta no Termo de Verificação: A Diamond Offshore é a real proprietária da plataforma afretada: Informações extraídas da internet comprovam que a BRASDRIL é o braço da DIAMOND OFFSHORE no Brasil. Link na internet: http://www.diamondoffshore.com/locations No ano de 2013, a BRASDRIL pertencia às empresas DIAMOND OFFSHORE HOLDINGS LLC (74,75%) e DIAMOND OFFSHORE BRAZIL LLC (25,25%), ambas sediadas nos EUA (dados da DIPJ). CONTRATO DE AFRETAMENTO no 2400.006969612.2 Consta no Termo de Verificação Fiscal: No endereço da internet http://www.modec.com/fps/fpso_fso/projects/guara.html o equipamento FSPO Cidade de São Paulo consta como pertencente a MODEC International Inc. A empresa prestadora de serviços MODEC SERVIÇOS DE PETRÓLEO DO BRASIL LTDA, pertence à empresa estrangeira MODEC International Inc. Esta, por sua vez, é a proprietária do equipamento afretado, FPSO Cidade de São Paulo. CONTRATO DE AFRETAMENTO no 2200.0013256.05.2 Consta no Termo de Verificação Fiscal: No contrato de afretamento assina como solidariamente responsável com a Contratada (Fretadora), a empresa MODEC SERVIÇOS DE PETRÓLEO DO BRASIL LTDA. (cláusula 20.1). site da MODEC INC. na internet revelam que a empresa é a proprietária e operadora da unidade, a serviço da PETROBRAS. Verificase que a empresa estrangeira, sediada em Tóquio (Japão), tem escritórios principais naquela cidade, em Houston e em Singapura, além de escritórios regionais, um dos quais no Brasil, aberto em 2003. Links na internet: http://www.modec.com/about/glance/index.html http://www.modec.com/about/history/index.html http://www.modec.com/fps/fpso_fso/projects/espadarte.html No ano 2013, a MODEC SERVIÇOS era controlada pela MODEC INTERNATIONAL LLC, sediada nos EUA, que detinha 99% de seu capital (dados da DIPJ). CONTRATO DE AFRETAMENTO: 2050.0022643.06.2 e 2050.0022588.06.22 e 2050.0028827.07.2. Consta no Termo de Verificação Fiscal: Fl. 47996DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 174 32 b) a unidade foi de fato fornecida por empresa do Grupo Queiroz Galvão, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo Queiroz Galvão foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo forneceu; d) a mesma pessoa (Antonio augusto de Queiroz Galvão) assina os contratos em nome da Eiffel Ridge (fretadora) e da Queiroz Galvão (empresa solidária e prestadora de serviços). CONTRATO DE AFRETAMENTO nº 2400.0041968.08.2 Consta no Termo de Verificação Fiscal: Cláusula de Interveniência (nº 29): a empresa MODEC Intl LLC figura como interveniente anuente, respondendo solidariamente com a empresa fretadora. CONTRATO DE AFRETAMENTO no 2050.0059066.10.2 Consta no Termo de Verificação Fiscal: b) a unidade foi de fato fornecida por empresas fretadora e prestadora de serviços que são ligadas; CONTRATO DE AFRETAMENTO no 2050.0042751.08.2 Consta no Termo de Verificação Fiscal d) A empresa prestadora de serviços pertence à empresa estrangeira fretadora. Esta, por sua vez, é a proprietária do equipamento afretado. CONTRATO DE AFRETAMENTO no 2050.0066906.11.2 Consta no Termo de Verificação Fiscal: d) A empresa prestadora de serviços pertence à empresa estrangeira fretadora. Esta, por sua vez, é a proprietária do equipamento afretado. CONTRATO DE AFRETAMENTO no 2050.0042724.08.2 Consta no Termo de Verificação Fiscal: d) A empresa prestadora de serviços pertence à empresa estrangeira fretadora. Esta, por sua vez, é a proprietária do equipamento afretado. CONTRATO DE AFRETAMENTO no 2050.0042726.08.2 Consta no Termo de Verificação Fiscal: d) A empresa prestadora de serviços pertence à empresa estrangeira fretadora. Esta, por sua vez, é a proprietária do equipamento afretado. Fl. 47997DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 175 33 CONTRATO DE AFRETAMENTO no 2400.0061580.10.2 Consta no Termo de Verificação Fiscal: b) a unidade foi de fato fornecida por empresa do Grupo NOBLE, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; A interessada apenas afirma que as empresas são de grupo distintos, contudo, não contesta de forma específica os elementos trazidos pela fiscalização demonstrado que são do mesmo grupo. Assim, considerando que não foram afastadas as alegações da fiscalização, não há reparos a efetuar nos autos. A interessada apenas afirma que as empresas são de grupo distintos, contudo, não contesta de forma específica os elementos trazidos pela fiscalização demonstrado que são do mesmo grupo. Assim, considerando que não foram afastadas as alegações da fiscalização, não há reparos a efetuar nos autos. c) Exclusão da base de cálculo dos valores referentes a contratos que não envolvem serviços de perfuração. O contribuinte também alega que a tese da bipartição artificial somente teria lugar nos casos de serviços de perfuração, uma vez que a plataforma é afretada apenas para viabilizar a extração do petróleo. Diante disso, pleiteia pela exclusão da base de cálculo dos contratos que não envolvem prestação de serviços de perfuração. A tese da bipartição artificial não trata apenas de serviços de sondagem, perfuração ou exploração de poços, como também trata de contratações de outros serviços técnicos ligados ao setor do petróleo, conforme trechos do Termo de Verificação Fiscal abaixo transcritos: Conforme antecipamos, tratase de contratações em que as prestações de serviços de sondagem, perfuração ou exploração de poços, bem como contratações de outros serviços técnicos ligados ao setor de petróleo, foram artificialmente bipartidas em dois contratos: um de afretamento e outro de serviços, tendo de um lado a contratante PETROBRAS e, de outro, empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, as quais atuam em conjunto, de forma interdependente, com responsabilidade solidária. (...) É de se notar que, no contexto concreto destas contratações, em que pese a repartição formal em dois contratos, não há que se falar em afretamento autônomo. Nos casos examinados, o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. (...) Fl. 47998DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 176 34 Pois não se pode perder de vista que, nos casos descritos a seguir, a unidade de perfuração/sondagem/exploração e outros serviços técnicos “pertence” à própria empresa contratada para prestar os serviços de perfuração/sondagem/exploração, ou à sua controladora estrangeira – seja a título de propriedade, seja por detenção do direito de exploração comercial da unidade. A interessada alega que a plataforma é afretada apenas para serviços de perfuração, se é este o caso, por que foram efetuados os afretamentos contratados já que não haveria tais serviços, apenas serviços auxiliares? A tese é de que não há que se falar em afretamento autônomo, o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados, ou seja, não haveria como se prestar tal serviço sem a plataforma, tanto o é que há previsão de rescisão simultânea, vinculação dos contratos, etc. Assim sendo, deve ser mantido o auto de infração quanto a este aspecto. Forte nestes argumentos, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Declaração de Voto Conselheiro Walker Araujo Com todo respeito ao i. Relator, ouso discordar da solução dado ao presente processo. Isto porque, entendo que no presente caso não houve qualquer ilegalidade ou artificialidade no simples fato da empresa habilitada ao REPETRO contratar, separadamente, o afretamento de plataforma e a prestação do serviço de exploração de petróleo. Se existe planejamento tributário abusivo, este deve ser plenamente demonstrado na autuação, o que na visão deste Conselheiro não ocorreu. Com efeito, a fiscalização, não elaborou demonstrativos, conciliados com documentos e/ou registros contábeis, para evidenciar a irregularidade por ela apontada, Tampouco foi realizado levantamento no seguimento empresarial para verificar o preço praticado por outras empresas do ramo, com fim o de demonstrar que os valores praticados pela Recorrente não representavam a realidade do comércio. Fl. 47999DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 177 35 Sobre a ausência de provas para demonstrar a irregularidade do negócio praticado pela Recorrente, peço vênia para transcrever o voto do Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, PA 16682.723012/201517 (acórdão nº 3401005.808), que analisou caso similar ao presente caso, a saber: II DA ALEGAÇÃO DE REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO ADOTADO 30. A partir da análise do Termo de Verificação Fiscal, em cotejo com a Impugnação apresentada, observase que o cerne da autuação resumese à questão da chamada "bipartição artificial dos contratos de prestação de serviços e de afretamento". O Recorrente entendeu perfeitamente esta acusação, focando seu recurso na busca por descaracterizar a alegação de artificialidade. 31. Inicialmente, cabe analisar a legislação de regência. 32. O Repetro é o regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e gás natural (IN RFB nº 1.415, de 2013, art. 1º). O regime foi instituído pelo Decreto nº 3.161, de 02/09/1999 (revogado) que teve por base a Lei nº 9.430, de 1996 (art. 79, § único) e atualmente é regulamentado pelo Decreto nº 6.759, de 2009 (Regulamento Aduaneiro), por força do previsto no artigo 93 do Decretolei nº 37, de 1966. Lei nº 9.430/96 Art. 79. Os bens admitidos temporariamente no País, parautilização econômica, ficam sujeitos ao pagamento dos impostos incidentes na importação proporcionalmente ao tempo de sua permanência em território nacional, nos termos e condições estabelecidos em regulamento. Parágrafo único. O Poder Executivo poderá excepcionar, em caráter temporário, a aplicação do disposto neste artigo em relação a determinados bens. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18949, de 2001) Decreto nº 3.161, de 1999 Art. 1º Fica instituído, nos termos deste Decreto, o regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural REPETRO, conforme definidas na Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997. § 1º Os bens de que trata este artigo são os constantes de relação estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. [...] Art. 5º A Secretaria da Receita Federal expedirá as normas necessárias ao disciplinamento do REPETRO. 33. Com base nesse art. 5º do Decreto nº 3.161/99, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa (IN) SRF nº 112, de 1999: Art. 1º O regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e de gás natural REPETRO, instituído pelo Decreto nº 3.161, de 2 de setembro de 1999, será aplicado de conformidade com o estabelecido nesta Instrução Normativa. Fl. 48000DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 178 36 [...] Art. 6º O regime aduaneiro de admissão temporária aplicase aos bens referidos no caput e no § 1º do art. 2º importados para utilização exclusiva nas atividades de pesquisa ou produção de petróleo e gás natural, por pessoa jurídica que tenha firmado contrato de concessão ou que possua autorização do órgão competente para exercer essas atividades no País, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997. [...] § 2º O regime aduaneiro de que trata este artigo poderá ter como beneficiária pessoa jurídica sediada no País que tenha sido subcontratada pela concessionária para executar as atividades de pesquisa ou produção de petróleo ou gás natural. 34. A IN SRF nº 112/99 foi revogada pela IN SRF nº 27, de 2000, a qual, por sua vez, foi revogada pela IN SRF nº 87/2000. De qualquer forma, mantevese a máxima de que beneficiária do REPETRO era a pessoa jurídica que estivesse à frente da execução das atividades de pesquisa ou produção de petróleo e gás natural, fosse ela a própria concessionária, a pessoa jurídica contratada pela concessionária ou as subcontratadas para exercer essas atividades, conforme se verifica no seu art. 5º: Instrução Normativa SRF nº 87, de 2000 Art. 5º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: I detentora de concessão ou autorização para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1º, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997; e II que mantenha controle contábil informatizado, inclusive da situação e movimentação do estoque de bens sujeitos ao Repetro, que possibilite o acompanhamento da aplicação do regime, bem assim da utilização dos bens na atividade para a qual foram importados, mediante utilização de sistema próprio. § 1º O disposto neste artigo aplicase, também, a pessoa jurídica contratada, pela concessionária ou autorizada, para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem assim às subcontratadas. § 2º Quando a pessoa jurídica de que trata o parágrafo anterior, contratada pela concessionária ou autorizada, não for sediada no País, poderá ser habilitada ao Repetro a empresa com sede no País por ela autorizada a promover a importação de bens. 35. Poucos meses depois, outra IN foi expedida para disciplinar o REPETRO. Tratase da Instrução Normativa SRF nº 4, de 2001, que revogou a IN SRF nº 87, de 2000. No entanto, a nova IN simplesmente manteve a mesma redação da IN anterior. A revogação se explica pela prática que a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) possuía à época, de anualmente reeditar suas instruções normativas. 36. Vale destacar que, em 2002, o Decreto instituidor do REPETRO foi revogado pelo então novo Regulamento Aduaneiro, que passou a ser o fundamento para as instruções normativas da RFB sobre o tema, sem trazer inovação no que se refere ao tema da presente análise. Fl. 48001DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 179 37 37. A IN SRF nº 04/2001, vigorou até 2008, ano em que foi editada a Instrução Normativa RFB nº 844, da qual destaco os seguintes comandos normativos em sua redação original: Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1º; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. § 2º Quando a pessoa jurídica de que trata o inciso II do § 1º não for sediada no País, poderá ser habilitada ao Repetro a empresa com sede no País por ela designada para promover a importação dos bens. 38. Como se observa, a Instrução Normativa RFB nº 844/2008, em sua redação original, não alterou a IN anterior na parte relativa aos beneficiários do regime. Também não havia qualquer referência a contrato de afretamento de embarcações, embora houvesse várias menções a contratos de aluguel de bens estrangeiros. 39. Apenas com a alteração promovida pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009, a Instrução Normativa RFB nº 844/2008, passou a se referir expressamente aos contratos de afretamento. Notese que, com essa alteração, a RFB expressamente admitiu que a mesma pessoa jurídica contratada pela concessionária para a prestação de serviços pudesse providenciar o fornecimento de bem necessário a essa execução, amparado em contrato de afretamento distinto do contrato de serviços, desde que tivessem execução simultânea. Tratase da previsão contida no § 3º do art. 5º da IN RFB nº 844/2008, incluído pela Instrução Normativa RFB nº 941/2009: Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1º; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. § 2º Quando a pessoa jurídica de que trata o inciso II do § 1º não for sediada no País, poderá ser habilitada ao Repetro a empresa com sede no País por ela designada para promover a importação dos bens. § 3º O fornecimento de bens pela pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º poderá estar previsto em contrato de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, o qual deverá ter execução simultânea com o de Fl. 48002DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 180 38 prestação de serviços. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009) § 4º Poderá ser habilitada ao Repetro empresa com sede no País formalmente designada pela pessoa jurídica de que trata o inciso I do § 1º, para promover a importação dos bens que sejam objeto de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, desde que vinculados à execução de contrato de prestação de serviços celebrado entre elas, relacionado às atividades a que se refere o art. 1º. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009) 40. Com esse § 3º incluído no art. 5º da IN RFB nº 844/2008, pela IN RFB nº 941/2009, a própria RFB admitiu que a concessionária da exploração de petróleo pudesse celebrar, com uma mesma pessoa jurídica, dois contratos distintos, um para o afretamento e outro para a prestação de serviços. 41. Cabe destacar que, neste mesmo ano de 2009, foi publicado o Decreto nº 6.759, de 05/02/2009, com o novo Regulamento Aduaneiro, contendo redação semelhante ao Regulamento de 2002, na parte relativa ao REPETRO. 42. Em 2010, o regramento foi novamente alterado, desta vez pela Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13/09/2010, e pela Instrução Normativa RFB nº 1.089, de 30/11/2010. Como resultado dessas alterações, a IN RFB nº 844/2008 assumiu a redação que se encontrava vigente à época de ocorrência dos fatos geradores alcançados pelo lançamento fiscal ora combatido. 43. Vale destacar que a alteração promovida pela IN RFB nº 1070/2010 no art. 5º da IN RFB nº 844/2008, reproduz com exatidão o art. 461A do Regulamento Aduaneiro, introduzido apenas três dias antes pelo Decreto nº 7.296, de 10/09/2010. 44. Na nova redação dada ao art. 5º da IN RFB nº 844/2008, pela IN RFB nº 1070/2010, a grande inovação foi a inclusão da pessoa jurídica contratada para o afretamento no rol de possíveis beneficiárias do REPETRO, ao lado da concessionária da exploração de petróleo e da pessoa jurídica contratada (ou subcontratada) para a prestação de serviços, como se verifica no inciso II do § 1º: Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1º; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I em afretamento por tempo ou para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 2º A pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1º, ou sua subcontratada, também poderá ser habilitada ao Repetro para promover a importação de bens objeto de contrato de afretamento, em que seja parte ou não, firmado entre pessoa jurídica sediada no exterior e a detentora de concessão ou autorização, desde que a importação dos bens esteja prevista no contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) Fl. 48003DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 181 39 45. A nova redação dada ao § 2º do art. 5º da IN RFB nº 844/2008 deixa claro que a prestadora de serviço contratada pela concessionária também pode ser parte no contrato de afretamento. Com isso, podese afirmar que a RFB mantém a possibilidade de a concessionária da exploração de petróleo celebrar, com uma mesma pessoa jurídica, dois contratos distintos: um para o afretamento e outro para a prestação de serviços. Com a diferença que agora essa pessoa jurídica poderá ser habilitada ao Repetro para promover a importação de bens objeto de contrato de afretamento, sendo parte ou não deste contrato. 46. A IN RFB nº 844/2008 foi revogada pela Instrução Normativa RFB nº 1.415, de 04/12/2013, atualmente em vigor. 47. A Autoridade Tributária responsável pelo procedimento fiscal, entretanto, teve entendimento diverso. Observese a fundamentação contida no TVF, tópico 5, "Das Infrações": Conforme antecipamos, tratase de contratações (...) artificialmente bipartidas em dois contratos: um de afretamento e outro de serviços, tendo de um lado a contratante PETROBRÁS e, de outro, empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico (...). Os serviços são prestados no Brasil, mediante a utilização de plataforma ou de embarcação fornecida pelo próprio grupo econômico que presta os ditos serviços. A maior parte do preço pago pela PETROBRÁS é atribuída ao afretamento da unidade e destinada ao exterior, (...) enquanto parcela muito inferior é atribuída aos serviços (...). É de se notar que, no contexto concreto destas contratações, em que pese a repartição formal em dois contratos, não há que se falar em afretamento autônomo. Nos casos examinados, o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. Entender o contrário seria admitir, por exemplo, que uma empresa contratada para a retirada de entulho de uma obra cobrasse um valor pela retirada e outro pelo uso do seu caminhão de entulho. (...) As Contratadas são empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, que assumem direitos e obrigações recíprocos, com responsabilidade solidária, dividindo receitas e custos segundo a sua conveniência, ou segundo a conveniência da contratante (...). 48. A partir da análise da legislação e das provas coletadas, verifico que as conclusões da Autoridade Tributária mostramse equivocadas. A alegação de artificialidade (simulação ou planejamento tributário abusivo) na bipartição dos contratos não restou comprovada no procedimento fiscal. Além disso, esta possibilidade de bipartição contratual está expressamente prevista na legislação do Repetro, sendo justamente o modelo construído pelo legislador para possibilitar que as empresas se utilizem deste regime aduaneiro especial. O art. 5º, §§ 3º e 8º, c/c o art. 17, § 9º, todos da IN RFB nº 844/2008 (e alterações), determinam o seguinte: Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). (...) § 3º O fornecimento de bens pela pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º poderá estar previsto em contrato de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, o qual deverá ter execução simultânea com o de Fl. 48004DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 182 40 prestação de serviços. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009) (...) § 8º Na hipótese prevista no § 9º do art. 17, as pessoas jurídicas de que trata o inciso II do § 1º poderão ser habilitadas ao Repetro com base no contrato de prestação de serviços, desde que haja execução simultânea com os contratos de afretamento a casco nu, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) (...) Art. 17. A solicitação do regime será formulada mediante apresentação do Requerimento de Concessão do Regime (RCR), de acordo com o modelo constante do Anexo II à Instrução Normativa SRF no 285, de 2003. (...) § 9º Na hipótese de disponibilização de bem pela concessionária ou autorizada à empresa contratada para a prestação de serviços, será aceito, para fins de concessão do regime de admissão temporária, contrato de afretamento a casco nu, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo, firmado entre a concessionária ou autorizada e a empresa estrangeira, desde que: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) I esteja vinculado à execução de contrato de prestação de serviços, relacionado às atividades a que se refere o art. 1º; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) II conste cláusula prevendo a transferência da guarda e da posse do bem. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) 49. Interpretando os dispositivos normativos que regem a matéria, a Secretaria da Receita Federal publicou, em sua página institucional na internet, o "Manual do Repetro / RepetroSped", com último acesso em 15/09/2018 no endereço eletrônico http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/repetro. 50. No tópico "4 Contratos" deste Manual, consta o seguinte: 4.1 INTRODUÇÃO (...) 4.1.4 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS O Contrato de Prestação de Serviços, no caso do Repetro, é o instrumento decorrente do acordo firmado entre o importador brasileiro (beneficiário do regime/prestador do serviço) e o tomador de serviços (operadora contratante) e que estabelece os e obrigações das partes no tocante à prestação de serviços no País. Nota: É possível também que empresa estrangeira seja contratada pela operadora para a prestação de serviços, mas, neste caso, como a legislação brasileira não permite que aquela preste os serviços diretamente no País (vide o tópico 2.6.4 Prestação de Serviços ou Produção de Bens no País por Sociedade Empresário Estrangeira em Beneficiários do Repetro), uma empresa designada deverá fazer parte do contrato com a finalidade de importar o bem e prestar os Fl. 48005DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 183 41 serviços contratados (Regulamento Aduaneiro, art. 461A, § 4º; IN RFB nº 1.415, de 2013, art. 1º c/c art. 4º, § único, inc. II, alínea c). A prestação de serviços no Repetro deve estar ligada às atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (Regulamento Aduaneiro, art. 458; IN RFB nº 1.415, de 2013, art. 1º). (...) 4.1.5 CONTRATO DE AFRETAMENTO Ao Contrato de Afretamento por Tempo, no caso do Repetro, se aplicam as mesmas disposições previstas no tópico 4.1.4 acima. (...) 4.1.6 CONTRATO TRIPARTITE O Contrato Tripartite, no caso do Repetro, é uma forma de composição contratual que se caracteriza pela existência de três partes: 1) Proprietário do bem (ou armador, no caso de embarcação): é a empresa estrangeira contratada para ceder o bem temporariamente; 2) Contratante: é a operadora, pessoa jurídica sediada no País, detentora de concessão, de autorização ou de cessão, ou a contratada sob o regime de partilha de produção, para o exercício, no País, das atividades de que trata o artigo 1º da IN RFB nº 1.415, de 2013. É o tomador de serviços (contratante); e 3) Designada: é a pessoa jurídica, sediada no País, contratada para promover a importação dos bens e prestar os serviços contratados. É possível a ocorrência de variações na composição das partes. Assim, pode ocorrer, por exemplo, a existência de um consórcio de operadoras (no lugar de uma operadora) ou de um consórcio de prestadores de serviços (no lugar de um único prestador de serviços). Além disso, o contrato tripartite pode ser instrumentalizado por um único contrato ou por dois contratos, neste último caso ele será denominado contrato de execução simultânea. 4.1.7 CONTRATO DE EXECUÇÃO SIMULTÂNEA O Contrato de Execução Simultânea, no caso do Repetro, é uma forma de composição contratual que se caracteriza pela existência de dois contratos distintos, que devem ser executados simultaneamente: 1) Contrato de Importação (arrendamento operacional, afretamento, locação ou empréstimo); e 2) Contrato de Prestação de Serviços. Esse tipo de contrato é mais usual nos casos de importação de embarcações ou plataformas para execução das atividades de pesquisa e lavra de petróleo e gás. Deste modo, podemos ter as seguintes combinações contratuais: (...) Fl. 48006DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 184 42 4) contrato de prestação de serviços c/c contrato de afretamento de embarcação ou plataforma (este último é uma modalidade do contrato de importação). Nota: não confundir "contrato de prestação de serviços c/c contrato de locação de bens" com "contrato de prestação de serviços com locação de bens". No primeiro caso, temos uma combinação de dois contratos: o contrato de prestação de serviços com o contrato de importação, os quais serão executados de maneira simultânea, tão logo o bem seja importado. Mas, no segundo caso, temos um único contrato para utilização interna no País, mas que não se enquadra no Repetro por não atender aos preceitos legais, conforme tópico Disposições sobre Contratos. 51. Vejamos o que dispõe o citado tópico "4.2 Disposições sobre Contratos": 4.2.5 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM LOCAÇÃO DE BENS O Contrato de Prestação de Serviços é o instrumento decorrente do acordo firmado entre o importador brasileiro (beneficiário do regime/prestador do serviço) e o tomador de serviços (operadora contratante) e define os direitos e obrigações das partes no tocante à prestação de serviços no País . Para outras informações sobre contratos de prestação de serviços, vide o tópico "4.1.4 Contrato de Prestação de Serviços" em Contratos – Introdução. Por outro lado, o contrato de prestação de serviços com locação de bens é uma construção contratual extravagante, que se caracteriza por uma dissimulação da ocorrência do fato gerador. Portanto, será objeto de indeferimento o pedido do sujeito passivo que tenha como suporte fático tal avença. Abaixo, desenvolvese o arrazoado conducente à dissimulação. (...) Nota: é possível ainda que o prestador de serviços queira dissimular também o nome do instituto de locação, adotando outros vocábulos análogos, tais como: arrendado, disponibilizado, posto à disposição, cedido, cessão de uso, etc. Porém, isso não altera, de forma alguma, o caráter dissimulatório dessa construção contratual extravagante, aplicandose o disposto no presente tópico. (...) Concluindo, o contrato de prestação de serviços com locação é: 1) ilícito, uma vez que fere as regras estabelecidas no direito positivo pátrio ao distorcer o instituto da locação com a finalidade de se obter a redução da base de cálculo do tributo devido (Código Tributário Nacional, art. 116, parágrafo único; Código Civil, art. 104, inciso II); 2) impossível, porque um locador não pode prestar serviços sem estar na posse da coisa, pois em um contrato de locação deve haver a efetiva transferência de posse da coisa do locador para o locatário (Código Civil, art. 565 c/c art. 566, inciso I) e o locatário é quem deve fazer uso da coisa e não o locador (Código Civil, art. 569, inciso I). Logo, a prestação de serviços com locação de bens é algo impossível, pois como poderia o locador ceder a posse da coisa e ao mesmo tempo prestar o serviço com esse mesma coisa? Destarte, ainda que as partes assinassem um contrato (ou cláusula) de "retorno de posse", isso descaracterizaria completamente o instituto da locação, não passando de uma simulação, pois o Fl. 48007DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 185 43 locatário não mais teria a posse da coisa ao devolvêla ao locador (Código Civil, art. 104, inciso II). (...) Destarte, será objeto de indeferimento do pedido de aplicação do regime quando, no Resumo de Contrato apresentado, houver sido assinalada, no item 4.2, a opção: 1) "2. Prestação de serviços com aluguel de bens"; 2) "8. Prestação de serviços com locação de bens"; 3) "8. Prestação de serviços com disponibilização de bens"; 4) "8. Prestação de serviços com cessão de bens"; 5) "8. Prestação de serviços com cessão de uso de bens"; ou 6) Qualquer outro nomen iuris que distorça o instituto da prestação de serviços. 52. Como se depreende da legislação colacionada, bem como da interpretação do tema pela própria RFB, órgão ao qual foi delegada a função de disciplinar a matéria, a "bipartição contratual", como denomina a Autoridade Fiscal o modelo de contratação da Recorrente, ou o "Contrato Tripartite", também um "Contrato de Execução Simultânea", na denominação dada pela RFB, não só pode ser utilizada, como deve ser utilizada. 53. Isso porque a RFB orienta os contratantes, no tópico 4.2.5, acima colacionado, no sentido de que será objeto de indeferimento do pedido de aplicação do regime quando, no Resumo de Contrato apresentado, houver sido assinalada, no item 4.2, a opção que trate de prestação de serviços cumulada com aluguel, locação de bens ou qualquer outro nomen iuris que distorça o instituto da prestação de serviços. 54. Outro elemento de interpretação que deve ser destacado é a finalidade da norma instituidora do Repetro. A Lei nº 9.478, de 06/08/1997, a chamada Nova Lei do Petróleo, possibilitou a abertura do mercado exploratório, e outras empresas além da Petrobrás conquistaram o direito de lavra. A lei tributária modificou a aplicação do Regime de Admissão Temporária e limitou a suspensão dos tributos de comércio exterior para importação de bens às atividades de pesquisa e lavra de petróleo e gás. Neste mesmo ano foi criada a Agência Nacional do Petróleo e Biocombustíveis (ANP). 55. Com a Lei nº 9.478/97, foi permitida a participação das empresas privadas estrangeiras e outras empresas nacionais na área de pesquisa e exploração de petróleo. A Lei nº 9.430/96, através do art. 79, parágrafo único, trouxe a permissão legal para o chefe do Poder Executivo conceder à importação de bens considerados de interesse da economia nacional, tais como os bens destinados à atividade de pesquisa e lavra de petróleo e gás de forma temporária, suspensão tributária total. 56. Em 02/09/1999 foi publicado o Decreto 3.161/99, que instituiu o Repetro, como resultado da necessidade do Estado brasileiro de facilitar, através da desoneração tributária, a importação de bens que pudessem ser utilizados na exploração e produção do petróleo. O país buscava a sua auto suficiência na produção de petróleo (alcançada no dia 26/05/2006, com a produção de 1,87 milhão Fl. 48008DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 186 44 de barris diários, contra um consumo diário estimado de 1,83 milhão de barris diários), mas para tanto precisava viabilizar a utilização de bens de altíssimo valor e tecnologia, como as plataformas de petróleo. 57. Tais bens, fabricados no exterior e importados, ou fabricados no Brasil e objeto de exportação ficta, precisavam sofrer uma desoneração tributária que tornasse viável economicamente o investimento de empresas estrangeiras e nacionais, notadamente a Petrobrás, no setor petrolífero, tendo em vista a grande concorrência entre países na busca por investimentos neste setor. 58. Ao tempo dos fatos, já estava vigente o Decreto nº 6.759, de 2009 (Regulamento Aduaneiro 2009), que previa o seguinte tratamento para estes bens: DO REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE EXPORTAÇÃO E DE IMPORTAÇÃO DE BENS DESTINADOS ÀS ATIVIDADES DE PESQUISA E DE LAVRA DAS JAZIDAS DE PETRÓLEO E DE GÁS NATURAL REPETRO Art. 458. O regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural REPETRO, previstas na Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, é o que permite, conforme o caso, a aplicação dos seguintes tratamentos aduaneiros: I exportação, sem que tenha ocorrido sua saída do território aduaneiro e posterior aplicação do regime de admissão temporária, no caso de bens a que se referem os §§ 1º e 2º, de fabricação nacional, vendido a pessoa sediada no exterior; II exportação, sem que tenha ocorrido sua saída do território aduaneiro, de partes e peças de reposição destinadas aos bens referidos nos §§ 1º e 2º, já admitidos no regime aduaneiro especial de admissão temporária; e III importação, sob o regime de drawback, na modalidade de suspensão, de matériasprimas, produtos semielaborados ou acabados e de partes ou peças, utilizados na fabricação dos bens referidos nos §§ 1º e 2º, e posterior comprovação do adimplemento das obrigações decorrentes da aplicação desse regime mediante a exportação referida nos incisos I ou II. § 1º Os bens de que trata o caput são os constantes de relação elaborada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 2º O regime poderá ser aplicado, ainda, às máquinas e aos equipamentos sobressalentes, às ferramentas e aos aparelhos e a outras partes e peças destinados a garantir a operacionalidade dos bens referidos no § 1º. § 3º Quando se tratar de bem referido nos §§ 1º e 2º, procedente do exterior, será aplicado, também, o regime de admissão temporária. 59. A IN SRF nº 844/2008 e alterações, por sua vez, detalhava o tratamento aduaneiro positivado no Decreto nº 6.759/2009: Art. 25 O regime de admissão temporária extinguese com a adoção de uma das seguintes providências, pelo beneficiário, que deverá ser requerida dentro do prazo fixado para a permanência do bem no País: I reexportação, inclusive no caso de bem referido no inciso I do art. 3º; II entrega à Fazenda Nacional, livre de quaisquer despesas, desde que a autoridade aduaneira concorde em recebelo; Fl. 48009DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 187 45 III destruição, às expensas do interessado; IV transferência para outro regime aduaneiro especial; ou V despacho para consumo. (...) § 5º A reexportação requerida fora do prazo estabelecido somente será autorizada após o pagamento da multa prevista no inciso I do art.72 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 6º Nas hipóteses de extinção referidas nos incisos II a IV do caput, não será exigido o pagamento dos tributos suspensos pela aplicação do regime, sem prejuízo da exigência da multa referida no § 5º, caso a providência tenha sido requerida após expirado o prazo de vigência do regime e antes de iniciada a exigência do crédito constituído no TR. (...) Art. 26. Tratandose de embarcação ou plataforma, após formalizada a reexportação, enquanto autorizada a permanecer no mar territorial brasileiro pelo órgão competente da Marinha do Brasil, será considerada automaticamente em admissão temporária, nos termos do art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 285, de 2003, dispensada sua saída do território aduaneiro. 60. Portanto, buscava o legislador a desoneração tributária do setor petrolífero, com a suspensão total dos impostos incidentes na importação, quando da admissão temporária, e sua dispensa integral quando da extinção do regime, se atendidas todas as condições deste. 61. A Autoridade Tributária, no entanto, desconsiderou completamente a finalidade do regime, afirmando que a bipartição dos contratos era artificial, consistindo em mera repartição formal dos contratos, não havendo que se falar em afretamento autônomo, pois o fornecimento da unidade seria parte integrante e instrumental dos serviços contratados. 62. No entanto, todo o modelo construído pela legislador visa a promover a desoneração tributária através da separação das operações de afretamento e de prestação de serviços, permitindo a dispensa total dos tributos incidentes sobre aquela, havendo a incidência apenas sobre esta. O AuditorFiscal, apesar da legislação ser bastante cristalina sobre o tema, afirma que o fornecimento da unidade não pode estar dissociado da prestação de serviços. 63. A partir desse raciocínio, lavrou auto de infração exigindo o PIS/Pasep e a Cofins incidentes na importação sobre o valor total do contrato de afretamento, quando o objetivo do Repetro é justamente dispensar esta incidência de uma parte da operação, aquela parcela referente ao afretamento, garantindo para isso a plena legalidade da bipartição contratual e inclusive determinando que ambos os contratos estejam vinculados e tenham execução simultânea. 64. Nesse sentido, as seguintes decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: a) Acórdão nº 3301004.592 – Terceira Seção de Julgamento 3 ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 17/04/2018: Fl. 48010DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 188 46 Em análise à defesa referente à acusação de que a contratação segregada do afretamento em relação à prestação de serviços seria, por si só, indevida, entendo que assiste razão à Impugnante. Em outras palavras, entendo que a contratação segregada do afretamento em relação à prestação de serviços encontra amparo na legislação tributária do País, inclusive à época dos fatos abrangidos pelo lançamento. Conforme restou claro, a Autoridade Fiscal entendeu que a segregação dos contratos é indevida haja vista que “o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados”, de modo que “tratase de uma só contratação, cujo fundamento econômico é o serviço de produção de petróleo de petróleo e gás natural”. (...) Voltando à questão da legalidade do arranjo contratual utilizado, da mesma forma que a Impugnante, entendo que a própria Receita Federal, mesmo antes de 2011, já considerava legítima a coexistência de contratos de afretamento e de prestação de serviços com execução simultânea, pois nas suas Instruções Normativas expressamente admite a celebração de contratos dessa natureza por parte de um único concessionário de exploração de petróleo e gás, inclusive quando as contrapartes são pessoas jurídicas vinculadas, conforme passo a demonstrar. (...) E se é autorizada a contratação segregada do afretamento e dos serviços com uma mesma pessoa jurídica, a princípio, sem que haja outros elementos que evidenciem eventual planejamento fiscal abusivo (tal como ressaltado no parágrafo 18 da Solução Cosit nº 225, de 2014, adiante transcrito), não haveria razão para se opor a esse mesmo arranjo contratual, no caso de a concessionária da exploração de petróleo celebrar a contratação com pessoas jurídicas distintas, porém vinculadas, pertencentes ao mesmo grupo econômico, como no presente caso. Essa é a razão de minha discordância em relação ao mais importante fundamento do lançamento, qual seja, a premissa de que, no contexto sob exame, haveria uma indissociabilidade absoluta entre o fornecimento da unidade flutuante e a prestação de serviços realizada por meio dela, o que tornaria a contratação segregada indevida por natureza. Ainda segundo a Autoridade Fiscal, a contratação segregada somente teria sido admitida após a alteração promovida pela Lei nº 13.043, de 2014 (Termo de Verificação, item IV). Neste ponto, há que se concordar com a Contribuinte quando, no item 4.7 de sua Impugnação, afirma que a Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, ao alterar o art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, inovou apenas no sentido de estabelecer um limite objetivo para uma prática que já era admitida anteriormente, na hipótese de serem vinculadas as contrapartes dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, com execução simultânea e celebrados com uma mesma pessoa jurídica, normalmente a concessionária da exploração de petróleo: (...) Portanto, com a devida vênia, no meu modo de ver o melhor entendimento para o tema aqui analisado é o seguinte: o arranjo contratual utilizado pela Impugnante não encontrou amparo na legislação tributária apenas com a alteração promovida pela Lei nº 13.043, de 2014. Na verdade, esse arranjo já era Fl. 48011DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 189 47 expressamente admitido pela própria Receita Federal pelo menos desde de alteração promovida pela IN RFB nº 941, de 2009. Ademais, é exatamente esse o entendimento da CoordenaçãoGeral de Tributação da RFB (Cosit), expresso na Solução de Consulta nº 225, de 19 de agosto de 2014, e expedido antes mesmo da publicação da Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014. b) Acórdão nº 1402002.726 – Primeira Seção de Julgamento 4 ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 15/08/2017: Inicialmente, temse que não há vedação legislativa para que o contribuinte reparta sua operação em afretamento e prestação de serviços. Muito pelo contrário, o art. 1 da Lei n. 9.481/1997, com redação dada pela Lei n. 13.043/2014, incluiu expressamente embarcações utilizadas na exploração e produção de petróleo no rol de hipóteses em que a alíquota restou reduzida a zero. A própria COSIT em mais de uma ocasião já manifestouse pela possibilidade de as empresas de óleo e gás adotarem a referida estrutura negocial com repartição entre prestação de serviços e afretamento, é o que se lê no próprio acórdão da DRJ: (...) A partir disso temse que a mera bipartição de contratos, não conduz necessariamente à consideração de tratarse de operação simulada. c) Acórdão nº 2401005.149 – Segunda Seção de Julgamento 4 ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 05/12/2017: Dessa forma, o fato de haver necessidade de serem executados simultaneamente contratos de afretamento e de prestação de serviços (fls. 15.257/15.335), de nenhum modo traz indicativo de inexistência ou artificialidade de negócio jurídico, mas tão somente da existência de contratos coligados de modo a garantir a segurança e eficácia dos objetos negociais sem os desnaturar como contratos distintos. (...) A caracterização de contrato de afretamento como sendo de prestação de serviços técnicos, por presunção, sem trazer motivação sólida e prova robusta e adequada da acusação, de modo a afastar a autonomia dos contratos e a liberdade na gestão dos negócios da empresa, não pode prevalecer. O lançamento foi efetuado tomando como base a totalidade dos valores remetidos ao exterior a título de afretamento das embarcações como se não existissem referidos contratos e sem comprovação de ausência de propósito negocial. Sendo assim, estarseia afirmando que foram cedidas plataformas sem pagamento de qualquer valor, ou que os serviços poderiam ser realizados sem a plataforma. Não verifico base fática e legal para se considerar 100% (cem por cento) do valor do afretamento como prestação de serviços técnicos. O fato dos contratos terem sido pactuados com empresas do mesmo grupo não autorizaria essa Fl. 48012DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 190 48 presunção. Da mesma forma, a existência de cláusulas contratuais estabelecendo a vinculação dos contratos de afretamento e de prestação de serviços não transformaria todos os valores pagos em prestação de serviços técnicos remetidos ao exterior. Tendo em vista que a constituição do crédito tributário é atividade administrativa plenamente vinculada, não pode a fiscalização lançar mão de presunções, sem autorização em lei, para a cobrança de tributo. A complexidade do negócio jurídico envolvido demandaria da autoridade Fiscal uma análise mais aprofundada da ocorrência do fato gerador para se chegar à conclusão de que os valores remetidos ao exterior decorreram da prestação de serviços e não do pagamento dos afretamentos. A vinculação na execução simultânea de contratos de afretamento e de prestação de serviços é perfeitamente legítima e não autoriza a desconsideração dos contratos pactuados da forma como efetivada no lançamento. No caso em apreço constatase que a presunção lançada pela fiscalização para descaracterizar os contratos de afretamento não encontra respaldo na Lei nº 9.481/97, com as alterações estabelecidas pela Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, que trouxe em seu bojo a bipartição de contratos como consequência natural do negócio jurídico, conforme se destaca: (...) Conforme se vê do diploma legal, no caso de execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos, a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a 85% (oitenta e cinco por cento), no caso de embarcações com sistemas flutuantes de produção e/ou armazenamento e descarga, podendo referido percentual ser elevado em até 10 % (dez por cento). Referida lei apenas corroborou situação já existente em face de negócios jurídicos firmados em que envolviam a prospecção e exploração de petróleo em águas profundas no mar, por envolver afretamento de plataforma de custos elevadíssimos, equipadas com tecnologia específica para a tal exploração e que prepondera significativamente sobre o valor do serviço, tanto que o próprio legislador considerou as proporções percentuais razoáveis. Desse modo, se o próprio legislador trata da execução simultânea do contrato de afretamento de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural por pessoas jurídicas vinculadas entre si, inclusive estabelecendo o limite da parcela relativa ao afretamento, que poderá chegar a 95% (§ 8º, do art. 1º da Lei nº 9.481/97), verificase que a presunção configurada na acusação fiscal ressai totalmente insubsistente. A uma, porque não se pode motivar o lançamento por presunção não estabelecida em lei; a duas, porque não há ilegitimidade na contratação de afretamento na forma como pactuada; a três, porque dentro do conjunto dos contratos, independente se foi feito de forma conjunta ou separada, deveria o fiscal ter excluído da base de incidência o que efetivamente não configura a prestação de serviços. Não há motivação razoável para a interpretação a que chegou a fiscalização. Fl. 48013DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 191 49 Nesse diapasão, a Coordenação Geral de Tributação (COSIT) publicou a Solução de Consulta nº 225, de 19 de agosto de 2014, antes mesmo das alterações introduzidas na Lei nº 9.481/97, pela Lei nº 13.043/2014, em que respalda o procedimento adotado pela Recorrente no que tange a liberdade das empresas na forma de montar os seus negócios e de contratação, em especial para a exploração de petróleo. 65. Apesar de restar claro, a meu ver, que a utilização do regime aduaneiro Repetro para fins de suspensão dos tributos incidentes na admissão temporária das plataformas de exploração de petróleo pressupõe que a contratação destas esteja prevista em contrato distinto daquele referente à prestação de serviços, devese ter em conta que a artificialidade da "bipartição" ainda assim poderia realmente ocorrer, mas, neste caso, teria o AuditorFiscal que demonstrar que não ocorreu o afretamento, ou que a empresa estrangeira não existia, ou demonstrar a falta de capacidade operacional de alguma das empresas contratadas, ou divergência entre a real vontade das partes e o negócio por elas declarado, ou que havia manipulação dos contratos com a finalidade de distribuir custos e receitas de forma a diminuir, fraudulentamente, a incidência dos tributos. 66. Apesar do TVF conter uma extensa análise das cláusulas contratuais, não vislumbro a identificação de qualquer destas situações, ou de outras que pudessem comprovar a artificialidade alegada. Vejamos, a seguir, os fatos que foram destacados pela Autoridade Fiscal, a partir das cláusulas contratuais, como indícios da simulação. 67. Em relação ao fato de que as empresas contratadas pela Petrobrás pertencem a um mesmo grupo econômico, tal situação deve ser levada em conta apenas para uma análise mais cuidadosa dessa operação mas, por si só, isoladamente, não tem o condão de indicar uma simulação nessas contratações. Devese levar em conta que o § 2º do art. 5º da IN RFB nº 844/2008 deixa claro que a prestadora de serviço contratada pela concessionária também pode ser parte no contrato de afretamento, ou seja, a concessionária da exploração de petróleo possa celebrar, com uma mesma pessoa jurídica, dois contratos distintos: um para o afretamento e outro para a prestação de serviços. 68. Se tal combinação é admitida expressamente na própria legislação, não se pode imaginar que o fato das empresas contratantes pertencerem a um mesmo grupo econômico seja impeditivo para a separação dos contratos, já que poderia até mesmo haver apenas uma empresa sendo parte em ambos os contratos. 69. Ademais, a Lei nº 13.043, de 2014, ao alterar a Lei nº 9.481/97, para tratar da execução simultânea dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, admitiu expressamente a possibilidade de que estes contratos sejam celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si. Os limites percentuais lá estabelecidos, inclusive, só são aplicáveis justamente quando existir tal vinculação. 70. Nesse sentido, a seguinte decisão da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no Acórdão nº 3301004.592 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 17/04/2018: Mas, o mais importante aqui é observar que uma das combinações possíveis que se pode extrair da nova redação dada ao § 2º do art. 5º da IN RFB nº 844, de 2008, é a hipótese em que a prestadora de serviço contratada pela concessionária também é parte no contrato de afretamento. Ou seja, podese afirmar que a Receita Federal, com amparo direto no Regulamento Aduaneiro, continuou admitindo que a concessionária da exploração de petróleo pudesse celebrar, com uma mesma pessoa Fl. 48014DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 192 50 jurídica, dois contratos distintos, um para o afretamento e outro para a prestação de serviços. Por fim, há que se registrar que a IN RFB nº 844, de 2008, foi revogada pela Instrução Normativa RFB nº 1.415, de 4 de dezembro de 2013, atualmente em vigor. Com base na análise acima empreendida, podese concluir que a Receita Federal, mesmo antes de 2011, já admitia a possibilidade de a concessionária da exploração de petróleo celebrar, com uma mesma pessoa jurídica, dois contratos distintos, um para o afretamento e outro para a prestação de serviços. E se é autorizada a contratação segregada do afretamento e dos serviços com uma mesma pessoa jurídica, a princípio, sem que haja outros elementos que evidenciem eventual planejamento fiscal abusivo (tal como ressaltado no parágrafo 18 da Solução Cosit nº 225, de 2014, adiante transcrito), não haveria razão para se opor a esse mesmo arranjo contratual, no caso de a concessionária da exploração de petróleo celebrar a contratação com pessoas jurídicas distintas, porém vinculadas, pertencentes ao mesmo grupo econômico, como no presente caso. 71. Quanto a estas empresas, pertencentes ou não ao mesmo grupo econômico, assumirem direitos e obrigações recíprocos, entendo que tal situação se mostra perfeitamente compatível com um modelo de contratação no qual os contratos, por exigência legal, devem possuir execução simultânea. Afinal, o inadimplemento de uma poderá acarretar a inviabilidade material de cumprimento contratual pela outra. Sem os serviços, de nada serve a plataforma; sem a plataforma, não há como ser executado o serviço. 72. Aliás, esta é uma característica geral dos contratos: estabelecer direitos e obrigações recíprocos; entendo que andou mal o Fisco ao não detalhar quais seriam estes direitos e obrigações recíprocos que tornariam artificial a bipartição contratual efetivada. 73. Quanto à responsabilidade solidária, também me parece uma consequencia natural da interdependência e complementariedade existente entre os contratos e o tipo de atividades. Tanto o afretador quanto o prestador de serviços estão sujeitos à ocorrência de acidentes de trabalho que possa vitimar um funcionário de alguma das contratadas; ou de algum acidente ambiental. Em tais casos, pode ser muito difícil identificar o responsável, ou mesmo ambos podem ser responsáveis. Pode decorrer de uma falha da plataforma ou de sua má utilização pelos prestadores de serviço. 74. Pelas mesmas razões, nada vejo de irregular no fato dos contratos de afretamento declararemse vinculados a contratos de prestação de serviços, e que ambos sejam assinados na mesma data, visto que a legislação determina exatamente isso: os contratos devem estar vinculados e ter sua execução simultânea, conforme IN RFB nº 844/2008, art. 5º § 3º, c/c art. 17, § 9º, inciso I. Daí porque as prorrogações de prazo do afretamento, por meio de aditivos, são espelhadas por iguais prorrogações do contrato de serviços, por meio de aditivos assinados nas mesmas datas. 75. Na mesma linha, o fato de alguns contratos de afretamento estipularem que a medição do afretamento se dará por meio de Boletins de Medição assinados por ambas as partes, à semelhança do que ocorre com os contratos de serviços, também não indica uma simulação contratual ou um abuso de formas. É natural que o período de medição do afretamento seja o mesmo adotado para a medição dos serviços: do primeiro ao último dia do mês de competência. Fl. 48015DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 193 51 76. As plataformas possuem uma capacidade operacional, a qual vai influenciar no preço do contrato. Logicamente, existem plataformas com diferentes níveis tecnológicos e capacidade de produção. Da mesma forma, existem prestadores de serviço mais eficientes que outros, com maior expertise e que conseguem, com uma mesma plataforma, alcançar diferentes níveis de produtividade. 77. Me parece natural uma operação de exploração de petróleo em que o afretante deseje estipular o pagamento dos contratos com base na produção, ou seja, no desempenho da plataforma e da equipe contratada para operála. Logo, entendo que estipular o pagamento de ambos os contratos com base em Boletins de Medição seja, inclusive, a forma mais eficaz de garantir o retorno do contratante pelo valor desembolsado para a empreitada global. 78. Sobre a rescisão do contrato de serviços ser base para a rescisão do contrato de afretamento, tratase de consequencia natural da vinculação entre os contratos e a necessidade de sua execução simultânea, tendo em vista que a prestação de serviços não pode se dar sem a plataforma fretada, ao mesmo tempo que a plataforma de nada serve sem a prestação do serviço de perfuração. 79. Nesse sentido, a seguinte decisão da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no Acórdão nº 3301004.592 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 17/04/2018: Em sua extensa e bastante didática defesa, a Contribuinte esclareceu a natureza diversa e o objeto próprio de cada um dos contratos – de afretamento e de prestação de serviços de operação e manutenção (O&M) –, que justificam a celebração de contratos coligados (e não um único contrato de prestação de serviços abrangendo a disponibilização da unidade flutuante). Depois, demonstrou que há razões para que a contratação seja realizada com empresas vinculadas entre si, e também que é natural que haja cláusulas contratuais recíprocas entre contratos coligados. 80. Pelo mesmo fato das empresas pertencerem a um mesmo grupo e de terem, assim, vantagens pela sinergia existente; e por conta da exigência imposta pela legislação de execução simultânea dos contratos, também entendo perfeitamente normal que as empresas fretadoras figurem como cosseguradas em seguros de responsabilidade civil firmados pelas prestadoras de serviços e, da mesma forma, que estas, nos contratos de afretamento, assinem, como solidariamente responsáveis com as Contratadas (Fretadoras). O AuditorFiscal não se aprofundou sobre o porquê deste fato implicar uma simulação ou artificialidade das contratações. 81. No tocante às cláusulas dos contratos de afretamento dizerem que a responsabilidade, operação, movimentação e administração da unidade ficarão sob controle e comando exclusivo das Fretadoras ou seus prepostos, também não vejo qualquer irregularidade, pois tais operações não se confundem com a prestação dos serviços de perfuração, objeto do segundo contrato. Além disso, estão expressamente previstas na definição de afretamento por tempo, contrato em virtude do qual o afretador recebe a embarcação armada e tripulada, ou parte dela, para operála por tempo determinado, diferenciandose do afretamento a casco nú, contrato em virtude do qual o afretador tem a posse, o uso e o controle da embarcação, por tempo determinado, incluindo o direito de designar o comandante e a tripulação, conforme art. 2º, incisos I e II, da Lei nº 9.432, de1997: Fl. 48016DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 194 52 Art. 2º Para os efeitos desta Lei, são estabelecidas as seguintes definições: I afretamento a casco nu: contrato em virtude do qual o afretador tem a posse, o uso e o controle da embarcação, por tempo determinado, incluindo o direito de designar o comandante e a tripulação; II afretamento por tempo: contrato em virtude do qual o afretador recebe a embarcação armada e tripulada, ou parte dela, para operála por tempo determinado; III afretamento por viagem: contrato em virtude do qual o fretador se obriga a colocar o todo ou parte de uma embarcação, com tripulação, à disposição do afretador para efetuar transporte em uma ou mais viagens; 82. Em relação aos contratos de afretamento trazerem a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela Contratada (Fretadora), em que estão listados cargos supostamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Superintendente de Perfuração, Sondador, Assistente de Sondador, etc, também não identifico elementos para comprovar que os valores pagos a título de afretamento se referem, na verdade, a prestação de serviços, apesar de, aparentemente, haver uma irregularidade nesta cláusula. 83. Esta constatação feita pelo AuditorFiscal poderia indicar a utilização dos contratos para manipular a distribuição de custos e receitas de forma a diminuir de forma fraudulenta a incidência de tributos. No entanto, pela descrição do fato, o que ocorreu foi uma alocação de custos na empresa Fretadora estrangeira, que seria a beneficiária do Repetro com a suspensão e posterior dispensa do pagamento dos tributos. 84. O usual, neste tipo de prática de sonegação fiscal, é justamente o contrário; alocar custos na empresa nacional, para diminuir seu lucro e consequentemente o IRPJ e a CSLL a pagar; e deslocar receitas pra empresa beneficiada pelo regime, para diminuir a incidência de tributos sobre o lucro e também sobre o faturamento. 85. O entendimento poderia ser, talvez, de que a assunção de custos pela Fretadora indicaria que, por consequencia, receitas da prestação de serviços também estariam sendo deslocadas para a Fretadora. Ou de que a existência destes custos no contrato de afretamento indicaria que esta seria uma única operação prestação de serviços, e não um afretamento autônomo. Não me parece que esse ponto tenha sido suficientemente esclarecido pelo autuante. 86. De qualquer sorte, o AuditorFiscal não se aprofundou em sua análise. Seria necessário avaliar qual o valor dos custos com o fornecimento desse pessoal em relação aos custos totais do contrato e também da empresa prestadora de serviços, para identificar a sua relevância. Além disso, como o contrato é de "afretamento por tempo", o Fretador está obrigado contratualmente a fornecer a tripulação para operar a plataforma, digase de passagem, uma "plataforma de exploração de petróleo". 87. Logo, seria necessário também indicar quais as atividades deste pessoal, pois apesar da denominação dos cargos levar a crer que estariam relacionadas com o objeto do segundo contrato, de prestação de serviços, há a possibilidade de que estivessem envolvidos em atividades próprias de uma tripulação de plataforma de petróleo. Tal exame precisaria ser feito à luz dos objetos dos contratos, verificando qual a delimitação de cada um deles. Fl. 48017DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 195 53 88. A Autoridade Fiscal afirma também que a maior parte do preço pago pela PETROBRÁS é atribuída ao afretamento da unidade e destinada ao exterior, enquanto parcela muito inferior é atribuída aos serviços. Que as contratadas dividiam as receitas e os custos segundo a sua conveniência, ou segundo a conveniência da contratante. No entanto, limitase a uma afirmação isolada, em um único parágrafo do TVF, sem informar qual seria esta proporção, muito menos apresentando qualquer informação adicional que pudesse indicar a existência de uma manipulação de receitas entre os contratos. 89. A DRJ/RJO, porém, utilizandose de argumentos de outras autuações fiscais, que não esta, entendeu equivocadamente que havia sido determinado a proporção entre as receitas dos contratos, como se depreende do seguinte excerto: Dos Contratos Coligados e os Arts. 109 e 110 do CTN A autoridade fiscal afirmou que a impugnante havia contratado serviços de sondagem, perfuração e exploração de poços de petróleo e outros serviços ligados ao setor. Tal contratação, entretanto, teria sido “artificialmente bipartida em dois (sic) contratos”: um de afretamento e outro de serviços; que os contratos de afretamento envolvem grandes valores, em torno de 90% da soma dos dois contratos firmados, enquanto os contratos com as empresas sediadas no Brasil preveem pagamentos da ordem de 10%; que as contratadas – a estrangeira e a brasileira pertencem a um mesmo grupo econômico, detentor do equipamento e do knowhow da prestação de serviços de pesquisas e exploração de petróleo/gás. Desta forma, desempenharam de forma conjunta e solidária, atividades formalmente contratadas de forma segregada, mas que tinham um único objetivo, prestação de serviços necessários para a autuada. Considerando a realidade fática apontada, a Fiscalização concluiu que se tratava de um único contrato de prestação de serviços, não podendo atribuir os pagamentos, feitos à empresa estrangeira, a simples afretamento. Afirma que o serviço prestado absorve o afretamento, já que o primeiro é a atividadefim e o segundo é atividademeio. 90. Ora, a afirmação de que a proporção dos pagamentos foi de 90% para o contrato de afretamento e 10% para o de serviços, bem como a tese de que o serviço prestado absorve o afretamento, constam, no Termo de Verificação Fiscal, no tópico "3. Da Legislação Pertinente à Alíquota Zero de IRRF no Afretamento de Embarcações Procedimentos Fiscais Anteriores Jurisprudência Administrativa", e se referem a outras ações fiscais. No presente processo, entretanto, a Autoridade Tributária não lança mão da tese da atividade meio; e aborda a questão da proporção dos pagamentos de forma bastante superficial. 91. De qualquer sorte, mesmo que esta fosse a proporção da divisão de receitas entre os contratos no presente caso, ainda assim entendo que não haveria qualquer abusividade a ensejar a qualificação de artificial para o arranjo contratual realizado pelo Recorrente, ou a demonstrar, isoladamente, a existência de uma simulação. Isso porque tal divisão se mostra perfeitamente compatível com o custo dos contratos. 92. Plataformas de exploração de petróleo envolvem altíssima tecnologia e seu custo é muito elevado. Para se ter uma idéia, a plataforma P57, construída no Brasil, custou, segundo reportagem do jornal O Globo, acessado pela internet através do link https://oglobo.globo.com/economia/construcaodeplataformanobrasiljatemcustomeno rquenoexterior2942610, cerca de US$ 1,2 bilhão de dólares. Os contratos de Fl. 48018DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 196 54 prestação de serviços envolvem, em geral, apenas custo de mãodeobra relacionado diretamente à exploração de petróleo e equipamentos de menor valor, como computadores, laboratório, etc. Os contratos de afretamento da Petrobrás são "por tempo", logo ainda envolvem a tripulação que deixará a plataforma "armada", bem como toda a parte de manutenção desta, incluindo pessoal especializado e materiais de reparo e manutenção. Logo, tratase de situação peculiar, na qual entendo razoável a desproporção entre as remunerações dos contratos. 93. Deve ser destacado também que a própria legislação estabeleceu parâmetros de avaliação do que seria uma proporção razoável entre esses contratos, conforme se depreende do art. 1º da Lei nº 9.481/97, com redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017: Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.97) I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras ou motores de aeronaves estrangeiros, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem como os pagamentos de aluguel de contêineres, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) (...) § 2º Para fins de aplicação do disposto no inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea de contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e de contrato de prestação de serviço relacionados à exploração e produção de petróleo ou de gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, a redução a 0% (zero por cento) da alíquota do imposto sobre a renda na fonte fica limitada à parcela relativa ao afretamento ou aluguel, calculada mediante a aplicação sobre o valor total dos contratos dos seguintes percentuais: (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) I 85% (oitenta e cinco por cento), quanto às embarcações com sistemas flutuantes de produção ou armazenamento e descarga; (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) II 80% (oitenta por cento), quanto às embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação e manutenção de poços; e (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) III 65% (sessenta e cinco por cento), quanto aos demais tipos de embarcações. (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) (...) § 6º A parcela do contrato de afretamento ou aluguel de embarcação marítima que exceder os limites estabelecidos nos §§ 2º, 9º e 11 deste artigo sujeita se à incidência do imposto sobre a renda na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento), exceto nos casos em que a remessa seja destinada a país ou dependência com tributação favorecida ou em que o fretador, arrendante ou locador de embarcação marítima seja beneficiário de regime fiscal privilegiado, nos termos Fl. 48019DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 197 55 dos arts. 24 e 24ª da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, hipóteses em que a totalidade da remessa estará sujeita à incidência do imposto sobre a renda na fonte à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento). (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) § 7º Para efeitos do disposto nos §§ 2º, 9º e 11 deste artigo, a pessoa jurídica fretadora, arrendadora ou locadora de embarcação marítima sediada no exterior será considerada vinculada à pessoa jurídica prestadora do serviço, quando: (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) (...) § 8º Ato do Ministro de Estado da Fazenda poderá elevar em até dez pontos percentuais os limites de que tratam os §§ 2º, 9º e 11 deste artigo, com base em estudos econômicos. § 9º A partir de 1º de janeiro de 2018, a redução a 0% (zero por cento) da alíquota do imposto sobre a renda na fonte, na hipótese prevista no § 2º deste artigo, fica limitada aos seguintes percentuais: (Incluído pela Lei nº 13.586, de 2017) I 70% (setenta por cento), quanto às embarcações com sistemas flutuantes de produção ou armazenamento e descarga; (Incluído pela Lei nº 13.586, de 2017) II 65% (sessenta e cinco por cento), quanto às embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação e manutenção de poços; e (Incluído pela Lei nº 13.586, de 2017) III 50% (cinquenta por cento), quanto aos demais tipos de embarcações. (Incluído pela Lei nº 13.586, de 2017) 94. Os percentuais fixados nesta legislação foram obtidos a partir de médias internacionais na prática desta formatação contratual, como indicado na Exposição de Motivos nº 00100/2017 MF, da MP nº 795/2017, posteriormente convertida na Lei nº 13.586, de 2017: 2. A Medida Provisória tem por objetivo aprimorar a legislação tributária aplicada às empresas do setor de petróleo estabelecendo regras claras de tributação, dando segurança jurídica às empresas e à Administração Tributária e incentivando os investimentos na indústria petrolífera no Brasil. (...) 4. O art. 2º deste Projeto altera os §§ 2º a 8º e acrescenta os §§ 9º a 12 ao art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, que tratam da incidência do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF nas remessas ao exterior a título de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas. 4.1. A alteração promovida pelo art. 106 da Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, no § 2º do art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, estabeleceu, para fins de redução a zero da alíquota do IRRF, percentuais máximos atribuídos aos contratos de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural. A referida alteração visava a limitar o benefício fiscal de redução a zero da alíquota do IRRF e, simultaneamente, dar segurança jurídica, uma vez que o Fisco estava desconsiderando os contratos de afretamento realizados pelas empresas do setor. Fl. 48020DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 198 56 4.2. Entretanto, os percentuais atualmente estabelecidos apresentam um desequilíbrio econômico e não estão compatíveis com os percentuais adotados por outros países. Nesse sentido, o § 9º ajusta os percentuais a fim de manter a segurança jurídica. 4.3. As alterações promovidas nos §§ 2º a 6º e no § 8º têm como objetivo adequar a redação às alterações mencionadas anteriormente e esclarecer acerca da incidência de IRRF à alíquota de vinte e cinco por cento sobre a totalidade da remessa destinada a país com tributação favorecida ou a beneficiário de regime fiscal privilegiado. 4.4. A alteração promovida no § 7º tem como objetivo ajustar a definição de empresa vinculada a pessoa jurídica prestadora do serviço. O conceito anterior não alcançava situações importantes de vinculação, tal como a hipótese de controle societário ou administrativo comum. 4.5. O § 11 estabelece o percentual máximo atribuído ao contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionados às atividades de transporte, movimentação, transferência, armazenamento e regaseificação de gás natural liquefeito para fins de aplicação da redução a zero de IRRF prevista no inciso I do caput, visando a evitar o abuso na utilização do referido benefício e a transferência de lucros para o exterior. 4.6. Por fim, o § 12 traz norma que esclarece que os percentuais definidos nos §§ 2º e 9º não se aplicam à apuração da contribuição de intervenção de domínio econômico CIDE de que trata a Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/ PASEPImportação e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação, permanecendo válidas, para efeitos de apuração desses tributos, a natureza e as condições do contrato de afretamento ou aluguel. 5. O art. 3º deste Projeto possibilita que, para os fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2014, as empresas possam adotar os percentuais máximos previstos no § 2º do art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, mediante recolhimento em janeiro de 2018 da diferença de IRRF, acrescida de juros de mora, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, condicionada à desistência expressa e irrevogável das ações administrativas e judiciais. Isso porque, antes do estabelecimento dos percentuais expressamente em lei, havia grande divergência de entendimento entre o Fisco e os contribuintes, o que gerava litígios administrativos e judiciais. (...) 7. O art. 5º institui regime especial de importação com suspensão do pagamento dos tributos federais em relação a bens cuja permanência no País seja definitiva e que estejam destinados às atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos. Tal regime desonera estas atividades do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/PASEP, da COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação. 8. O art. 6º desonera os tributos federais na importação e na aquisição no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de Fl. 48021DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 199 57 embalagem para serem utilizados integralmente no processo produtivo de produto final destinado às atividades de trata o caput do art. 5º. De igual sorte, os fabricantesintermediários que industrializem produtos a serem diretamente fornecidos as empresas de que trata o art. 6º poderão importar ou adquirir bens no mercado interno com desoneração dos tributos federais. 95. Como se depreende da leitura da EM, os percentuais foram estabelecidos de forma a refletir o que é praticado internacionalmente, em média. Inicialmente, para plataformas de petróleo (inciso I, embarcações com sistemas flutuantes de produção ou armazenamento e descarga), foi estabelecido que o percentual do afretamento, sobre o valor global dos dois contratos, poderia alcançar até 95%, sendo 85% de imediato e mais 10% mediante Ato do Ministro de Estado da Fazenda. Mesmo com a redução destes percentuais a partir de 01/01/2018, ainda poderia ser estabelecida uma proporção com até 80% do valor total dos contratos unicamente para o contrato de afretamento, o que não é tão distante dos percentual de 90% calculado em fiscalizações anteriores. 96. Isso significa que este argumento da Fiscalização não pode servir de base para indicar uma "artificialidade da bipartição contratual". A proporção indicada nos procedimentos fiscais anteriores não tem nada de absurdo, ou de flagrantemente simulado, com o objetivo de repartir as receitas entre os contratos de forma a fraudar o Fisco. Com efeito, verificase que os custos das operações justifica a desproporção entre os contratos, nada havendo de ilegal ou simulado, não tendo a Fiscalização logrado êxito em provar o contrário. 97. Vejase que em outros procedimentos fiscais o Fisco conseguiu demonstrar que a empresa que executava os serviços operava com prejuízos, enquanto a fretadora tinha alta lucratividade; porém, em seguida, a fretadora estrangeira repassava valores para o prestador dos serviços, a título de "ressarcimentos de despesas", fato que denotava alta probabilidade de triangulação de contratos com objetivo de simulação. Naqueles casos, este CARF acordou pela manutenção da autuação. 98. Em resumo, o meu entendimento é que, para demonstrar que houve uma simulação, um conluio entre os contratantes, ou um planejamento tributário abusivo, de forma a tornar "artificial" a bipartição contratual, teria o AuditorFiscal que demonstrar que parte do valor global da empreitada, que deveria corresponder a pagamento pela prestação de serviços, foi pago através do contrato de afretamento, com o objetivo de evitar fraudulentamente a incidência de tributos. 99. Poderia valerse de laudo técnico sobre quantidade de pessoal necessário para a empreitada, tendo em vista que a prestação de serviços tem como custo, basicamente, despesas com mão de obra. Teria ainda a opção de realizar essa apuração indo pessoalmente à plataforma (em operação em alto mar) e verificar in loco as operações e os funcionários responsáveis por cada tarefa, acompanhado de profissionais de ambos os contratantes. 100. Entretanto, em todo o TVF, não se verifica a existência de provas deste deslocamento de receitas entre os contratos, muito menos da sua quantificação. Apesar de listar uma grande quantidade de cláusulas sob suspeição, o objetivo da Autoridade Fiscal é, nitidamente, tentar comprovar sua tese de que o contrato de servi os absorve o de afretamento, que não existiria de forma autônoma. Nenhuma destas cláusulas se presta a demonstrar que valores do contrato de serviços estaria sendo pago através do contrato de afretamento. Fl. 48022DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 200 58 101. Apesar de mencionar, de forma superficial, que a receita entre os contratos seria repartida da forma como desejassem as empresas, com o objetivo de diminuir a incidência de tributos, não se aprofundou na tentativa de sua comprovação, muito menos de sua quantificação. 102. Tendo o nome de funcionários e suas atividades desenvolvidas, e os salários respectivos (principal custo, que é mão de obra), acrescidos de demais verbas incidentes sobre a folha de salários, poderia levantar os demais custos (administrativos, seguros, equipamentos) e, acrescentando a margem de lucro, apurar um valor razoável para a prestação de serviços e comparálo com o valor fixado no contato. 103. Assim, haveria uma base de comparação com o valor estipulado em contrato e, caso fosse apurado que este valor havia sido subfaturado, a diferença poderia ser lançada através de Auto de Infração. Neste ponto, inclusive, reside mais um equívoco grave da autuação. 104. Com efeito, mesmo que superada a questão da legalidade da bipartição contratual, bem como a questão da carência de provas sobre a artificialidade ou o planejamento tributário abusivo, ainda assim o Auto de Infração não poderia prosperar, pois a Autoridade Fiscal, ao realizar o lançamento, decidiu por incluir todo o valor do afretamento na base de cálculo, como se este não tivesse sequer existido. 105. Na verdade, tal decisão mostrase coerente com a linha de autuação, segundo a qual não há afretamento autônomo, sendo a bipartição contratual uma artificialidade e, portanto, todo o valor da empreitada seria, unicamente, prestação de serviços. O afretamento seria apenas uma atividade meio, um custo necessário para a execução do serviço. Por esse raciocínio deveria existir apenas um contrato, o que justificaria o lançamento ter por base de cálculo todo o valor do projeto. 106. Obviamente tal tese não deve prevalecer, pois já demonstrada a legalidade da arquitetura contratual adotada. Além do mais, usar todo o valor do afretamento como base de cálculo para o lançamento significa concluir que o incentivo do Repetro não poderia ser utilizado pelo recorrente, sem qualquer base jurídica. O incentivo existe, o recorrente a se habilitou a utilizálo conforme as regras da Receita Federal, e se algum abuso de formas existiu, deveria ter sido devidamente quantificado, e não simplesmente adotar a solução mais fácil, qual seja, autuar todo o valor. 107. Por fim, há uma última questão a ser enfrentada. Caso reste superada a questão da legalidade da bipartição contratual, bem como a questão da carência de provas sobre a artificialidade ou o planejamento tributário abusivo, e se entenda que a base de cálculo do lançamento deve incluir todo o valor referente ao afretamento, e não apenas o valor do serviço que fora subfaturado, ainda assim o Auto de Infração não poderia prosperar. Explico. 108. Como bem destacado no item "3.1.1 Da existência de bis in idem", no Recurso Voluntário, a questão final que deve ser analisada trata do correto enquadramento legal do fato pela Autoridade Tributária. Afinal, se esta entende que a repartição em dois contratos era simulada, sendo inexistente o contrato de afretamento, pois seria parte integrante do contrato de prestação de serviços, não há que se falar em cobrança de PIS e COFINS Importação do Recorrente. 110. Com efeito, estes dois tributos incidem sobre a importação de bens. Mas no contexto apresentado pela Autoridade Fiscal, o que existe, em verdade, é o Fl. 48023DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 201 59 contrato da Petrobrás com a empresa nacional prestadora dos serviços, a qual, por sua vez, teria como parte integrante deste contrato a importação da plataforma que se pretendia simular como uma contratação apartada. 111. A importação da plataforma pela Petrobrás seria artificial, sendo que a verdadeira operação, que se pretendia encobrir, seria a importação realizada pela empresa nacional prestadora dos serviços de exploração e produção de petróleo. Assim, a Petrobrás estaria pagando por uma importação que deveria ser realizada pela prestadora dos serviços. 112. Nesse caso, entretanto, a cobrança deveria ser referente à retenção de PIS e COFINS na fonte, em relação a um pagamento que deveria estar inserido no contrato com a empresa nacional. Quem poderia ser autuada em relação ao PIS e COFINS Importação seria o real importador, no caso, a empresa nacional contratada para prestar os serviços, e não a Petrobrás. Nesse contexto, haveria uma ilegitimidade passiva na autuação da Petrobrás, pois esta não deveria figurar no pólo passivo destes tributos sobre a importação. 113. Ao mesmo tempo, descaracterizar a bipartição contratual para afirmar que havia apenas um único contrato não poderia ser causa para esta autuação, mesmo que fosse efetivada contra a empresa nacional prestadora dos serviços. Isso porque esta também poderia estar habilitada ao Repetro, conforme estabelece o art. 461A, § 1º, inciso II, e § 2º, do Decreto 6759/2009 (Regulamento Aduaneiro): Art. 461A. O REPETRO será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). § 1º Poderá ser habilitada ao REPETRO a pessoa jurídica: (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 458; I A detentora de cessão, nos termos da Lei nº 12.276, de 2010; I B contratada sob o regime de partilha de produção, nos termos da Lei nº 12.351, de 2010; e II contratada pela pessoa jurídica referida nos incisos I, IA ou IB, em afretamento por tempo ou para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, ou por suas subcontratadas. § 2º A pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1º, ou sua subcontratada, também poderá ser habilitada ao REPETRO para promover a importação de bens objeto de contrato de afretamento, em que seja parte ou não, firmado entre pessoa jurídica sediada no exterior e a detentora de concessão ou autorização, desde que a importação dos bens esteja prevista no contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). 114. Logo, não haveria qualquer sentido em simular uma bipartição da operação, um vez que a empresa nacional contratada também poderia realizar a importação sob o regime do REPETRO. Tal artifício fraudulento só faria sentido caso se pretendesse desviar receitas do contrato de prestação de serviços, no qual há tributação, para o contrato de afretamento, no qual os tributos estão dispensados. Fl. 48024DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 202 60 Entretanto, tal fato não foi sequer alegado pela Fiscalização, muito menos comprovado. 115. Além disso, o lançamento que poderia ser feito contra o recorrente seria de PIS/Cofins retido na fonte, e não de PIS/Cofins Importação, já que a importação realizada pela Petrobrás teria sido simulada, na tese da fiscalização. Tendo em vista que essa importação estaria inserida no contrato de serviços, o qual "absorveria" também o valor do afretamento, logicamente o valor a ser cobrado da Petrobrás seria, como já dito, referente ao PIS/Cofins retido na fonte incidente sobre a prestação de serviços. 116. Por fim, vale destacar que, em recente julgamento, datado de 23/10/2018, relativo ao processo n° 004018575.2015.4.01.3400, o juízo da 14ª Vara da Justiça Federal de Brasília proferiu decisão favorável ao Recorrente em caso praticamente idêntico, apesar de tratar da CIDE, nos seguintes termos: Na espécie, a discussão envolve prática muito comum na estrutura contratual adotada por empresas do setor de petróleo e de gás, na qual há a celebração de duas avenças distintas pela petroleira nacional, quais sejam: uma de afretamento, com a empresa proprietária do bem e domiciliada no exterior; outra de prestação de serviços para operação do objeto afretado, firmado com empresa brasileira prestadora de serviços, mormente integrante do mesmo grupo econômico da sociedade estrangeira proprietária do bem. O ponto fulcral da presente demanda é saber se o valor pago a título de afretamento seria, em verdade, remuneração simulada de prestação de serviços, o que justificaria a incidência da CIDE na forma assim sustentada pela União: (...) A Petrobrás aduz que a fiscalização considerou erroneamente que o afretamento é parte integrante e inseparável dos serviços prestados. A RFB entendeu, ainda, que plataformas não são embarcações. (...) Entrementes, quanto à alegação da bipartição artificial de contratos, sobreleva sinalar que o próprio CARF, recentemente, nos autos do processo administrativo n. 16682.721161/201291, em sessão realizada no dia 05/12/2017, por unanimidade, reconheceu a possibilidade de execução simultânea de contratos, aduzindo que a Lei n. 9.481/97, com as alterações estabelecidas pela Lei n. 13.043/2014, trouxe em seu bojo a bipartição de contratos como consequência natural do negócio jurídico. Como a análise fiscal era pertinente a fatos geradores do IRRF, atinente ao anocalendário de 2008, é notório que a própria Administração Fazendária, por meio de seu órgão julgador e colegiado, tenha admitido que tal norma apenas reconheceu uma situação de fato em benefício do contribuinte. Ainda nesta assentada, fixou o entendimento de que “as plataformas (fixas e flutuantes) devem ser consideradas como embarcações”. (...) Com efeito, a Lei n. 13.043/2014, acrescentando parágrafos ao artigo 1º da Lei n. 9.481/1997, assim estabeleceu: Fl. 48025DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 203 61 (...) Ao assim dispor, a legislação prevê a possibilidade de execução simultânea dos contratos de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e prestação de serviços, com pessoas jurídicas vinculadas entre si, estabelecendo, para fins de alíquota do imposto de renda na fonte, os percentuais máximos da parcela relativa ao afretamento ou aluguel. A título elucidativo, ressalto que a recente alteração dos supracitados incisos pela Lei n. 13.586/2017 colocou uma pá de cal sobre a discussão quanto à possibilidade de execução simultânea dos contratos de afretamento e prestação de serviços, o que veio a ser corroborado pela Instrução Normativa n. 1.778, de 19/12/20173, por meio da qual a Receita Federal do Brasil esclarece os procedimentos a serem adotados pelos contribuintes nesses casos, especialmente no que se refere à fruição da alíquota zero do IRRF em operações de afretamento e aluguel de embarcações para atividades de exploração e produção de petróleo e gás. Pelo que consta do Termo de Verificação Fiscal, quanto aos fatos geradores ocorridos no ano de 2008, “na operação, atribuise valor bastante expressivo ao contrato de afretamento (90% da soma dos dois contratos), cujos pagamentos foram destinados ao exterior, sem retenção de serviços, e pago à contratada nacional, com retenção de imposto. Valor menor (10% do total) foi atribuído à prestação de serviços, e pago à contratada nacional com retenção de imposto” (fl. 65verso). A Solução de Consulta Cosit 225/2014, formulada quando da contratação da construção e afretamento de embarcações de última geração para utilização por pessoa jurídica domiciliada no exterior e seus parceiros na exploração de petróleo em águas profundas e ultraprofundas, conclui que, “respeitados os aspectos acima citados nesta solução de consulta, o pagamento, crédito, emprego ou remessa da contraprestação do contrato de afretamento de navios sonda está enquadrado no inciso I do art. 1º da Lei n. 9.841/97, estando sujeito à alíquota zero do IRRF” (fls. 197/200). Posteriormente, a Solução de Consulta Cosit n. 12/2015, formulada por pessoa jurídica no exterior, concluiu que “o pagamento, crédito, emprego ou remessa da contraprestação do contrato de afretamento de plataforma semissubmerssível está sujeito à alíquota zero do IRRF. A parcela relativa ao contrato de afretamento estará limitada a 80% do valor global do contrato, quando houver execução simultânea de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si (fl. 202). Sendo assim, em que pese a legislação citada (Lei nº 13.043/2014) ser posterior aos fatos geradores e versar sobre tributo diverso (IR) daquele discutido nos autos (CIDE), ela é, não se pode negar, o reconhecimento expresso pela lei da autonomia do contrato de afretamento diante do contrato de prestação de serviço, o que, por conseguinte, demonstra o excesso na lavratura do Auto de Infração em espeque, que tomou por base o valor total dos contratos, sem indicação da quantia considerada abusiva no contrato de afretamento. Esclareço que não se trata de retroatividade de norma interpretativa, mas apenas de paradigma legislativo que reconhece uma situação fática há tempos existente como prática comercial. Nem o contribuinte está certo em superfaturar o contrato de afretamento nem a RFB está com a razão em considerar o valor total Fl. 48026DF CARF MF Processo nº 16682.722011/201717 Acórdão n.º 3302007.288 S3C3T2 Fl. 204 62 dos contratos, como negócio jurídico único, para o fim de proceder ao lançamento e, nessa esteira, fixar multa pela suposta sonegação. Aliás, o Auto é, inclusive, contrário ao novel entendimento do próprio CARF na análise da existência do contrato de afretamento em conjunto com o de prestação de serviços no setor petroleiro, realidade legislativa inconteste, conforme já explicitado. (...) Por essas razões, ante o excesso verificado, a anulação do auto de infração é medida que se impõe. Pelo exposto, confirmo a decisão que antecipou os efeitos da tutela e acolho o pedido autoral para anular o Auto de Infração que deu origem ao processo administrativo fiscal n. 16682.721162/201235, cancelando qualquer cobrança a ele pertinente, facultando à ré a lavratura de novo lançamento, nos termos do art. 148 do CTN, conforme explicitado na fundamentação (art. 487, I, do CPC). 117. Assim, pelos fundamentos acima expostos, voto por conhecer e dar integral provimento ao recurso. Cito, ainda, a decisão proferida no PA 16682.720407/201479 (acordão 3301005.358): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2009, 2010 DESCONSIDERAÇÃO DA BIPARTIÇÃO CONTRATUAL. AUSÊNCIA DE PROVAS Não deve ser aceita a descaracterização, para fins fiscais, da bipartição das operações em contratos de afretamento e de prestação de serviços, em razão da ausência de provas de que se tratava de estrutura artificial, engendrada com o fim exclusivo de obter ganho com redução da carga tributária. Neste cenário, entendo que o recurso voluntário deve ser provido para cancelar o lançamento fiscal. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 48027DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001918/2001-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 1998
INCENTIVOS FISCAIS PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS.
Conforme Súmula CARF nº 37, Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72
Numero da decisão: 1401-003.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada em razão da ausência do conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues).
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 1998 INCENTIVOS FISCAIS PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS. Conforme Súmula CARF nº 37, “Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada em razão da ausência do conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 19 18 /2 00 1- 12 Fl. 691DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.597 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001918/2001-12 Relatório O recurso voluntário apresentado pela Recorrente já sofreu uma apreciação por parte do CARF, ocasião em que o Colegiado converteu o julgamento em diligências, em sessão realizada em 06 de outubro de 2016, por meio da Resolução 1401-000.434, que ora se reproduz integralmente, pois resume bem a situação que ocorreu nos autos: Relatório A contribuinte acima identificada ingressou com o PERC Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais de fl. 01, tendo em vista que o não recebimento do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais FINOR, relativamente à sua opção por aplicação de parte do IRPJ relativo ao ano- calendário 1998, exercício 1999, no FINOR. Após análise do processo, foi constatado que a contribuinte, possuía pendências impeditivas a liberação do incentivo. Em 9 de abril de 2008 esta foi, então, intimada a regularizar tais pendências. Em 9 de maio de 2008, a empresa apresentou a resposta de fls. 90 e seguintes, esclarecendo: Com relação ao item “2” DÉBITOS INSCRITOS NA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO, a Requerente gostaria de esclarecer que mesmo antes do recebimento da presente intimação, a mesma já havia tomado todas as providências para regularização dos débitos inscritos em divida ativa junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Nesse sentido, a Requerente requer a juntada, nesse momento, dos documentos comprobatórios, a fim de comprovar o alegado. Com relação ao item “7” DÉBITOS EM COBRANÇA NO SIEF, a Requerente esclarece que o valor de R$ 138.485,03 (cento e trinta e oito mil quatrocentos e oitenta e cinco reais e três centavos) e informa que o mesmo esta vinculado ao processo de Compensação n.° 13804.001899/200325 e 13804001898/200381 conforme demonstra na sua DCTF e nos pedidos de compensação em anexo e pendente de julgamento. Com relação ao item “8” DÉBITO EM COBRANÇA NO PROFISC a Requerente informa que os débitos referentes aos processos administrativos em cobrança apontados no extrato SINCOR, quais sejam os de números 16327002989/200213, 16327.002990/200248, 16327.000.734/9851 e 16327.000.382/200207 estão com a sua exigibilidade suspensa, devido às seguintes situaçoes a saber: a) proc. adm. n° 16327002989/200213 esta com sua exigibilidade suspensa, por força dos depósitos realizados nos autos dos processo 97000485323 e 9800534210 (doc. anexo); b) proc. adm. n° 16327.002990/200248 esta com sua exigibilidade suspensa, por força dos depósitos realizados nos autos dos processo 97.000485323 e 98.00534210 (doc. anexo); e c) proc. adm. n° 16327.000.734/9851 esta com sua exigibilidade suspensa, por força dos depósitos realizados nos autos dos Fl. 692DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.597 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001918/2001-12 processo 97000485323 (doc. anexo); e d) proc. adm. n° 16327.000.382/200207 esta com sua exigibilidade suspensa, por força da liminar concedida nos autos do processo n.° 9600298904 (doc. anexo). Feita nova análise da regularidade fiscal, foi constatado que ainda havia pendências impeditivas à liberação do incentivo, conforme relatório de fls. 537. Tal relatório aponta a existência de pendências na PFN, em especial a fls. 525526, nas quais constam processos administrativos em situação de dívida ativa ajuizada. Por meio do Despacho Decisório de fls. 538, proferido em fevereiro de 2009, a autoridade administrativa indeferiu o pedido, com base no artigo 60 da Lei n° 9.069/1995. A empresa apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente em 11 de março de 2010, em acórdão da DRJ/SP1, assim ementado: ASSUNTO: Imposto Sobre a Renda Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 1998 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Não procede a argüição de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. PERC QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal tica condicionada it comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Diante da ausência desta prova o PERC não.pode ser deferido. Manifestação de Inconformidade improcedente Outros Valores Controlados Cientificada em 16/06/2010 (fls. 640), a empresa apresentou recurso voluntário em 15/07/2010, alegando, em síntese: (i) Impossibilidade de se exigir prova de regularidade fiscal posteriormente à sua opção pelo investimento como condição à fruição do benefício: sustenta que a decisão recorrida, ao concluir que a regularidade fiscal do contribuinte deve ser analisada no momento da apreciação do PERC ou, ainda, no momento em que ocorre o processamento eletrônico de dados (emissão do Extrato das aplicações em incentivos fiscais), está em desacordo com os artigos 105 e 144 do CTN e não reflete a atual jurisprudência sobre o caso. Neste sentido, defende que a comprovação da regularidade fiscal deve ser feita no momento da manifestação da opção (data da entrega da Declaração de Imposto de Renda 1999), alegando que "com relação a esse período não há nos autos do processo administrativo nenhuma prova de que a Recorrente estivesse em situação irregular perante o Fisco" (fls. 608). (ii) prescrição administrativa do direito de a administração analisar o PERC, eis que entre a data da opção para destinar parcelas de seu imposto de renda aos fundos de investimento regionais (no exercício de 1999, com relação ao ano- calendário 1998) e a data de análise de seu pedido (2008) transcorreram 9 anos, o que conduziria à sua homologação tácita. Fl. 693DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.597 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001918/2001-12 Neste sentido, transcreve trechos da Portaria Interministerial 237/2002, dos Ministérios da Fazenda e da Integração Nacional, a qual estabelece que "caberá à SRF adotar providências no sentido de concluir a análise e julgamento dos Pedidos de Revisão de Ordens de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, referentes ao Exercício de 1991 / Ano calendário 1990 a Exercício de 1999 / Ano calendário 1998, dentro de trinta e seis meses, a contar da publicação desta Portaria." Tal norma determinou à SRF a instituição de cronogramas para processamento, observado o prazo de julho de 2005 para os PERC relativos ao exercício de 1999, ano-calendário 1998, sendo que somente em abril de 2008 a administração deu andamento inicial ao PERC. (iii) preclusão temporal ou prescrição ocorrida no processo administrativo, considerando que "nos termos do artigo 54 da Lei 9.784/99, tem a Administração o prazo de 5 anos para analisar os atos praticados pelos contribuintes", não podendo ser impingido a estes o ônus da morosidade da Administração. (iv) decadência da administração, que implicaria a homologação tácita da declaração da "opção" efetuada pelo contribuinte, nos termos do art. 150, par. 4o do CTN. Ou seja, sustenta que a não apreciação do PERC no prazo de 5 anos a contar da data em que efetivada a opção pelo incentivo configura decadência do direito de a Administração proceder ao seu indeferimento, com a consequente homologação tácita da opção efetuada pelo contribuinte. Isso porque, muito embora o indeferimento do PERC não implique imediato lançamento tributário, a decisão terá reflexo direto na esfera jurídica do contribuinte, pois não obstante a destinação de parcela de seu imposto ao fundo de investimentos, ele não receberá os certificados de investimento. (v) nulidade da Intimação n° 6240/2008 e do parecer que a embasa. Quanto ao parecer, sustenta que, nos termos do art. 3l do Decreto n° 70.235/1972, para ser válida, a decisão que aprecia o PERC deve conter, obrigatoriamente, (i) relatório resumido do processo, (ii) fundamentação legal com a apreciação de todos os argumentos de fato e de direito alegados, (iii) conclusão fundamentada, e (iv) ordem de intimação do contribuinte. Neste sentido, alega que o relatório sucinto da decisão que impõe um ônus à Recorrente, ao indeferir o PERC, se não tem o condão de impedir a defesa do contribuinte, tal como aduzido na decisão recorrida, certamente a compromete, já que dificulta a ampla compreensão acerca dos fundamentos de fato e de direito que levaram ao indeferimento. Quanto à intimação, defende que esta é nula por ter violado o princípio da motivação, exigido no arts. 2° e 319 da Lei 10.941/2001, pois não se indicam os fundamentos pelos quais se exige a comprovação de regularidade fiscal no momento da apreciação do PERC. (vi) ilegalidade da exigência de CND como pressuposto para a concessão de benefício fiscal. Nesse ponto, observa que a opção pela destinação do imposto aos fundos de investimento regionais se deu com base na Lei 8.167/1991, sendo Fl. 694DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.597 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001918/2001-12 que as únicas condições impostas por tal diploma eram (i) pagar integralmente o IR, sendo destinada parcela do valor recolhido ao respectivo fundo; e (ii) manifestar esta opção em sua declaração de rendimentos. Assim, a administração não poderia impor, anos depois da opção, novas condições para a fruição do benefício, fazendo tabula rasa ao princípio da segurança jurídica. Por ocasião desta sessão de julgamento, a Recorrente apresentou petição protocolizada em 5 de outubro último, na qual comprovaria a quitação dos apontados débitos. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. A Súmula Vinculante do CARF n. 37 estabelece que o momento de verificação da regularidade fiscal para fins de apreciação do PERC é aquele em que configurada a opção pelo investimento (isto é, a entrega da declaração de rendimentos), admitindo- se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo: "Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72." Diante disso, e considerando que a petição apresentada pela Recorrente no dia da sessão de julgamento ainda não estava juntada aos autos, entendo pela necessidade de se converter o julgamento em diligência para que ocorra a juntada de tal petição, bem como para que se verifique a autenticidade e veracidade da informação ali constante. Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Em atendimento à Resolução demandada pelo CARF, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária de São Paulo DERAT/DIORT/SPO, apresentou o seguinte RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA: Fl. 695DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-003.597 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001918/2001-12 Trata o presente de Diligência determinada pela 1 ª Turma Ordinária da 4 ª Câmara do CARF através da Resolução 1401.000-434 , às fls.667 a 671, para que fosse feita a juntada da petição, às fls. 661 a 665 e verificado a autenticidade e veracidade da informação ali constante, que deveria garantir a comprovação de quitação dos débitos. Sendo assim foi feita a análise fiscal de acordo com a NE CORAT/COSIT Nº 02/2001 e da SUMULA CARF Nº 37, e conforme consta na informação fiscal, às fls.680 a 686, fica comprovada a quitação dos débitos. Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano Às fls.680 a 686, encontram-se indicados os débitos e respectivos processos e a situação processual em que se encontram, os quais não impediram a emissão à Recorrente de certidão positiva com efeitos de negativa de débitos: Fl. 696DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-003.597 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001918/2001-12 Atendida a diligência demandada pela Resolução 1401-000.434 do CARF, e de modo satisfatório à pretensão da Recorrente, conforme relatoriado, de se dar provimento ao recurso voluntário, deferindo o PERC - Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais que consta nos autos. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 697DF CARF MF
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