Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13964.000224/2001-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - 1RPF
Exercício: 1999
Ementa:
OMISSÃO DE RENDIMENTOS REDIMIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DIRF APRESENTADA PELA FONTE PAGADORA ÔNUS DA PROVA
Se o ônus da prova é do contribuinte, cabe a ele comprovai a importância efetivamente recebida pai a fins de dedução do imposto de renda, em face da D1RF apresentada pela fonte pagadora. A prova nao pode ser substituída por meras alegações
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL.
INEXISTÊNCIA.
Após a lavratura do auto de infração, instaura-se, a use litigiosa, entre o fisco e o contribuinte, sendo, portanto, a partir deste momento, possível a aplicação dos preceitos constitucionais e legais relativos A ampla defesa e ao
contraditório. Antes de identificado o contribuinte a respeito da lavratura do auto de infra0o, portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa,especialmente porque teve o contribuinte acesso a todos os documentos acostados aos autos, suficientes, pois, para sua defesa administrativa.
JUROS DE MORA TAXA SELIC
"A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria. da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, a taxa referencial do Sistema. Especial de Liquidação e Custodia SELIC para títulos federais." (Súmula n.º 4 do CARL).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.857
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara
da Segunda Seção de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatei
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201010
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - 1RPF Exercício: 1999 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS REDIMIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DIRF APRESENTADA PELA FONTE PAGADORA ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova é do contribuinte, cabe a ele comprovai a importância efetivamente recebida pai a fins de dedução do imposto de renda, em face da D1RF apresentada pela fonte pagadora. A prova nao pode ser substituída por meras alegações CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Após a lavratura do auto de infração, instaura-se, a use litigiosa, entre o fisco e o contribuinte, sendo, portanto, a partir deste momento, possível a aplicação dos preceitos constitucionais e legais relativos A ampla defesa e ao contraditório. Antes de identificado o contribuinte a respeito da lavratura do auto de infra0o, portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa,especialmente porque teve o contribuinte acesso a todos os documentos acostados aos autos, suficientes, pois, para sua defesa administrativa. JUROS DE MORA TAXA SELIC "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria. da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, a taxa referencial do Sistema. Especial de Liquidação e Custodia SELIC para títulos federais." (Súmula n.º 4 do CARL). Recurso negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 13964.000224/2001-64
conteudo_id_s : 6001238
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-000.857
nome_arquivo_s : Decisao_13964000224200164.pdf
nome_relator_s : ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
nome_arquivo_pdf_s : 13964000224200164_6001238.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatei
dt_sessao_tdt : Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
id : 7723520
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906146828288
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-10T13:08:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-10T13:08:56Z; Last-Modified: 2011-03-10T13:08:56Z; dcterms:modified: 2011-03-10T13:08:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:bf80652b-fefd-404d-9eb5-9aad3ffeba16; Last-Save-Date: 2011-03-10T13:08:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-10T13:08:56Z; meta:save-date: 2011-03-10T13:08:56Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-10T13:08:56Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-10T13:08:56Z; created: 2011-03-10T13:08:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2011-03-10T13:08:56Z; pdf:charsPerPage: 1776; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-10T13:08:56Z | Conteúdo => 52-Cl 1•i MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELII0 ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS srciuNDA SH,19\0 DE JUI,GAMIA I 0 Processo n" 13964,000224/2001-64 Recorso n" 163.012 VoluntArio Acórdiio n" 2101-00.857 — I Cãmara / 1" Turma 0i-din:kilt Sessão de 21 de outubro de 2010 Mlatétia IRPI; Recorrente LUIZ OLIV F 1R A J LUZ 12ecori ida 3" TURMA/DRJ-FLORIANOPOI,IS/SC ASSEN FO: IMPOSIO SOBRE A RENDA DE PESSOA PISICA - 1RPF Fxcleicio: 1999 Ementa: OMISSÃO DE RFNDIMENTOS RECIMIDOS DE PESSOA 1 .11R1DICA. DIRE APRE.SENTADA PITA FONTE PAGADORA ONUS DA PROVA Se o onus da prova 6 do contribuinte, cabe a ele comprovai a importiincia efetivamente recebida pai a fins de deduçrlo do imposto de renda, em face da D1RF apresentada pela fonte pagadora. A prova nao pode set- subst ituída por meras alegaçõ es CERCFAMFNIO DE DEFESA. NUT ;MADE DO PROCESSO FISCAL. IN.EXISTÊNCIA. Após a Iavratura do auto de infração, instaura-se, a use litigiosa, ent re o fisco e o contribuinte, sendo, portanto, a partir deste momento, possível a aplicaçáo dos preceitos constitucionais e legais relativos A ampla defesa e ao contraditório. Antes de cientificado o contribuinte a respeito da lavratura do auto de infra0o, portanto, nib há que se falar em cerceamento de defe,sa, especialmente porque teve o contribuinte acesso a todos os documentos acostados aos autos, su Ii cientes, pois, para sua defesa administrativa. "GROS DE MORA.. TAXA SELIG "A partir .. de 1' de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos .tdbutários administrados pela Secretaria. da Receita . 1 ederal. suo devidos, no período de ina.dirnplencia, ir taxa referencial do Sistema. [special de Liquidaçáo e Custodia SELIC para títulos federais." (Súmula n." 4 do CARL). Recurso negado. r Process() IV I 3964 000224/2001-W S2-C li II Acôrdio ii " 2191-90.857 1 , 1 34 istos, relatados e discutidos Os presentes autos. A.00.1.Z.DA.M os Membros da Primeira Turma OrdinAria da .Prirnoira Camara da Segunda Seçao de julgamento do Conselho Administrativo de ReCUESOS Fiscais, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatei C-AR4ARCOS -CANDID - Presidente IL Jiv,L ij ALEXANDRE NAOK1 NISHIOKA - Relator LORMALIZ.A.D0 FM: 1 1 FEIL:20 - 11 'Participaram do presente julgamento Os Conselheiros Ana Nevle Ifolanda, Caio M.areos Candido, Alex.andte Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Odmit .Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso volontdrio (Hs. 25/30) interposto, evil 18 de setembro de 2007, contra o acordao de Ils, l 7/19, do qual o Reconente teve ciência ern 21 de agosto de 2007 (IL 24), proferido pela 3" Turma da Delegacia da Receia Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente o auto de infiaçao de -Hs. 03/07, lavrado em 02 de julho de 2001., em decorrência de omissao de rendinientos recebidos de pessoa jurídica ou física, decorrentes de trabalho corn vinculo empregaticio e de deduções indevidas a titulo de previdência privada e de despesas com instração e médicas, verificadas no ano-calendatio de 1998. 0 telatório contido no acoirlao recorrido resume as inftações apontadas e as alegações do Recorrente da seguinte forma: "Poi intermédio do Auto de Infracao de fOlhas 3 a 7 exige-se do inter essado o troposto de Renda Pessoa Física Suplementar de R$ 3..968,21, acrescido da multa de (Akio de 75% e juros de mom, em. raziro de a a utoridade revisora haver apurado as seguintes irregularidades na declaracao de *sic apresentada par t o exercício de 1999, a no-calenda no 1998: omiss-ao de renditilentOS do trabalho, Coln vinculo empregaticio, recebidos da Llettosul, CNP.1 n" 00.73 957/0001-68, no montante de R$ 30 924,33, conforme informado em 1)1RJ. - Decliaracao de Imposto (Ie, Renda na .Fonte: 2) deduçao indevida a titulo de contribuicao i previdência ivada I_ LOS, por fa [ta de comprovacao; I'I {(O if" I 306.1 (1 .00234 /2001-64 S 2-Cl I I Ac(w(Vio it 2101-00..857 11. 35 3) dedução indevida a titulo de despesas corn instrução, poi falta de compyovação; 4) deducao indevida a titulo de despesas tiled leas, poi fula de comprovação, 5) dedução indevida do imposto: exclusao da coniribuicao a Sociedade de Amparo aos Necessi Lidos de (i'apivari, poi não ser dedutivel 0 imposto de renda raid° na tonic, I10 valor de R$ 7 627,25, relativo aos rendimentos considerados omitidos, foi incluído no montante a sei compensado corn o impost() devido apurado na DTRPT. (v. folha 5) A fundamornacao legal consta do refer ido Arno de Teti ação. InconfoI Mad() corn o lançaincnO, o col -dill -mimic apresenta a impupnação de folhas 1 e 2, na qual alega quo: a) os rendimentos considerados omitidos 01 iginaram-se de ação trabalhista na lus(ica do trabalho de Tubarão; Ii) o valor efetivamente recebido foi de R$ 23.193,27, contOrme docuinentos de folhas 8; e) o valor recebido contém verbas isentas e lino tributaveis, como FOI correção monetaria, lutos, indenizaçeics adicionais, retenção na Fundação Elos, que provara posteriormente, visto que as intOrma.çOes encontram-se no process() que tramita ',Maio do Irabalho-, el) a fonte pagadora não enviou o respectivo Comprovante de Rendimentos Pagos e de Imposto de Renda na Fonte pai a declatação do !RN' tentou obter junto a .Justiça do 1 iabalho, na I iletrosul e na Gemsul, porem, não conseguiu Como não sabia o valor col ref.() a sex declarado, não informou e, pot esta razão, ali. but ii tonic pagadoi a eventual. cobrança (IC null as; e) prgort lionoiarios advocatielos de RS 2.319,32, cujo valor deve sei reduzido do valor recebido da justiça trabalhista; I) os valores a serem tributados e os demais &sec -m(1)s infOrmados pela Fundação Elos denionstuun clue o lançamento deve ser cancelado; g) a aplicação da multa de of icio c dos juros de niora não ptocede por serem elevados e eontratios ao que dispOe o COdigo de Defesa do Consumidor" (fls. 17 verso/18) A Recorrida julgou procedente em parte o lançamento, poi meio do acórdão de fls. 17/19. Não se conformando, o Recorrente in terpõs o recurso vol.untatio de As.. .25/30, requerendo o cancelamento do auto de infração. É o relakrwio. Voto Conselheiro ALEXANDRF NAOKI NISHIOKA, Relator Pr(x ) 11 1396,1 00022 1 /200 I.-64 52-C [I .Ae6RM0 í " 2101 -00..857 H 3{.) 0 recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual (Idle eon Ruço .. inicialmente, frise-se que o ora Recorrente apresentou imirugnaçao parcial, somente no que tange r omissáo de rendimentos, motivo pelo qual deixo de analisar as questões relativas its deduções indevidas. Aduz o Recorrente, em sede de preliminar, a nulidade do auto de in hacao, tendo em vista, sinteticamente, que alem do vicio na citacao, ter -ia ha vido a negativa de acesso ao processo, born como o cerceamento ao direito de de tesa e coattaditório, e descumprimento, por parte da autoridade lscai, dos ditames do Decreto n.`" 70,235/72, quando da lavratura do auto de intiacilo. No caso vertente, entendo descabidas as alegações de nulidade do Recorrente, pelas razões abaixo aduzidas. Pri.m.eiramente, náo se vislunibra qualquer vicio na citaçao do conti ibuinte. De tato, como aponta a jurisprudncia. pad i lien deste or gao judicante, apenas corn a intimaçáo do contribuinte, por meio do auto de infraçáo, é que se instaura a -lase litigiosa do pi ocess° administrativo, sendo, portanto, incabível falar-se em cerceamento de delesa do con ti ibuinte. Nesse sentido, cumpre eon-fern o seguinte acórdao, da lavra do Conselheiro Moises Giacomell i. Nunes da Silva , cilia emeriti segue transcrita: "DLCADENCIA - /VMS It ANUAL - 1,ANÇAMEN1 0 POR .140JVIOLOGAÇÃO - Sendo a ti ibutacao das pessoas fisicas sujeita a ajuste na declaiacao anual e independenteinente de exame pi evict da autori.(liide adminisliativa, o lançamento é poi homologaçao, hipótese ern que o dii eito de u Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de :31 de dezembro dc cada ano-calei dario questiormdo. VIOLAÇÃO DO SlCilL0 BANCÁRIO - QI.I.F13RA DO SMILO BANC.ARIO DE FORMA PARCIAL PELO PODER .1tJD1CIÁRIO - LIMITAÇÃO DE ACESSO - NULIDADE LANÇAMENTO - Descabe a etensao de nulidade do auto de infia0o, ainda que acostadas aos autos copias integrais de extratos bancatios, fOrnecidos pelas instituições finance:has, cm decorrCucia de ordem judicial que autorizou a quebta do sigilo bancário envolvendo openteões iguais ou superiores a R$ 50.000,00 (cinqüenta mil Reais), se no lançamento foram considelados apenas os valores determinados pela justica CIRCEAMEN 10 DE DEI LSA - NULIDADE DC) PROCESS() - Somente a partir da laviatura do auto de inh ação éque se instaina o litigio critic o fisco e o conti ibuinte, podendo-se, então , fidai em ampla detesa ou cerceamento dela sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa (Irian& concedida, ria rase de impughaçao, ampla oportunidade de apresentação (lc documentos e esclarecimentos" (Primeiro Conselho de Contribuintes, 2" Cantata, Recurso Voluntário ii 0 141 595, ielator Conselheiro Moises (. i:icon:lei li Nunes da Silva, sessão de 18/05/2005), Nem se diga que houve qualquer negativa á vista dos autos, notadamente, inclusive, por náo haver qualquer registro de pedido de vista nesses autos ou dc seu indeferimento.. No mais, descabida a tentativa do Recorrente de degar cerceamento de defesa Da análise dos presentes autos, não se infcre cm nenhum moment() qualquer prejuízo sua detesa, urna vez que não se vislumbrou negativa de acesso aos autos. Salienta-se, inclusive, oce ,--;;;3) 11 13964 00022z1/2a01-64 S2 -C1 II Acw (Boii 2101-00.857 H 37 (pie elaborou suas defesas, apresentando as provas que entendeu pertinentes; logo, não ha que se. falar elt1 nulidade do auto de infração, aplicando-se, pois, o brocardo /vs de indlitc, suns giiçt Ora, o Recorrente poderia ter apresentado todas as provas que considerasse necessárias a sua de i esa. e conseqijente afastamento do lançamento no momento da apresentação da sua impugnação e, ate mesmo, em fase de recur - so .voluntario, na hipótese de ter conseguido a documentação habi I nesse momento da sua defesa Ademais, item se alegue que a autoridade -fiscalizadora desconsiderou Os preceitos do Decreto ft.' 70.235/72.. Isso porque, da detida análise dos autos, vemos que houve o (annprintento por page, da fiscalização (to todos os preceitos que norteiam a Administra.ção Pública, pelo que não há que se Filar aqui em anulação do lançamento em n questão, como alegado peio -Recorrente. Superada a anal ise acima, passa-se a ponderar a questão relativa à. 0111iss5o de rendiirlentos Aduz o Reeoi rente que teria recebido a quantia de R$ 23.193,27 (vinte c tres mil, cento e noventa e três reais e vinte e sete centavos), decorrente da ação trabalhista n." 510/94, (pre train i (ou pa 1" XI de Tubarão.. A (Tim de comprovar o impode dito como auferido, acostou aos autos recibo emitido em 03/03/1998, cujo teor segue transcrito: "Recebi da Dra.. lacira Caetano t llyssea a importância de Vinte e três mil, cento e noventa e três reais e vinte e sete centavos, referente ao pagamento do acordo de 75% no processo de Horas NAtras sob o n" 510/94 af trizada. na 1" .11 de "Inbarao contra a empresa Eletrosul. ( )," 08). No mais, também foi apresentou reeibo emitido lia mesmã data, por conta do pagamento de R$ 2 319,32, a titulo de honorarios. Diga-se, document() entendido como suficiente, pela ora Recorrida, para comprovação da efetiva prestação de serviços, razão pela gnat roi cancelada a glosa relativa ao valor acima indicado para fins de dedução de imposto de enda Com efeito, vale notar que foi acostada também aos autos a DIRE relativa ao recolhimento de imposto de renda feito pela fonte pagadora "Ftetrosul" (0. 1.3), cujo valor pago ao Recoi tente totaliza a importância de R$ 30 924,33 (trinta mil novecentos e vinte e quatro r cais e Uinta e tress centavos), Alem disso, em atendimento ao principio da verdade material, foi .feita pesquisa .junto ao site do Tribunal Regional do Trabalho da 12" Região, com base nos dados aqui tot ... .. . . ecidos, sendo que, muito embora exista o processo em referencia. (n." 510/94), est r não so coaduna coin os dados fornecidos polo Recorrente Considerando-se que o Unico document() acostado pelo Recorrente insuficiente para comprovar que o valor per ele recebido (I; efetivamente o de R$ 23.193,27 e não o declarado na DIRE, nego oprovim.ento ao tecurso.. Por fim, não tent guarida o entendimento consubstanciado no recurso voluntario ora em exame, relativamente aos juros de mora incidentes sobre os tributos Esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já pacificou seu entendimento, contbrine teor da Sumula n." 4, in verbis: Proce::soii" 1.3964 0092 21 /2901-04 S2-(!fl - 11 Act:wao n " 2.1.01-00..857 ••1 133 "A partir de " de abiil de 1995, os juto81.110Tatólios incideffies sobra dóbitos inbuióios administiados pela Secretalia da Receita Fedesid sío devidos, no pciiodo de inadimplencia, li taxa ieferencial do Sistema 1spccia1 de liquiditOo a Custódia - SEL1C pala títulos fedetais" Hs os motivos pelos quais voto no sentido do a tastar a preliminar de ccrecznuento de delesa e, no mérito, NEGAR piovimento ao recurso Sala. das SessCies-DF, em 2 I dc maul) de 2010. ALEXANDRE NAOKI NISITIOKA 6
score : 1.0
Numero do processo: 13709.000346/2002-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1989
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR A 2005. PRESCRIÇÃO. SÚMULA CARF Nº 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Súmula CARF nº 91.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. PAGAMENTO INDEVIDO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO INICIAL DA DECADÊNCIA. REsp n° 1.110.578-SP.
A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. REsp n° 1.110.578-SP.
Numero da decisão: 1201-002.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1989 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR A 2005. PRESCRIÇÃO. SÚMULA CARF Nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Súmula CARF nº 91. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. PAGAMENTO INDEVIDO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO INICIAL DA DECADÊNCIA. REsp n° 1.110.578-SP. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. REsp n° 1.110.578-SP.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13709.000346/2002-52
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5996527
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1201-002.891
nome_arquivo_s : Decisao_13709000346200252.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
nome_arquivo_pdf_s : 13709000346200252_5996527.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7714611
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906152071168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1630; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 61 1 60 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13709.000346/200252 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.891 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2019 Matéria DCOMP DECADÊNCIA Recorrente AMBIENT AIR AR CONDICIONADO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1989 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR A 2005. PRESCRIÇÃO. SÚMULA CARF Nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Súmula CARF nº 91. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. PAGAMENTO INDEVIDO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO INICIAL DA DECADÊNCIA. REsp n° 1.110.578SP. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. REsp n° 1.110.578SP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 9. 00 03 46 /2 00 2- 52 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13709.000346/200252 Acórdão n.º 1201002.891 S1C2T1 Fl. 62 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório AMBIENT AIR AR CONDICIONADO LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 9099/2005 (fls. 37), pela DRJ Rio de Janeiro, interpôs recurso voluntário (fls. 48) dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O processo trata de pedido de reconhecimento de direito creditório, formalizado em 15/01/2002, visando a compensação de débitos, composto de pagamentos alegadamente indevidos de CSLL, realizados no ano 1989 e totalizando R$ 5.937,63, mais ajustes (fls. 2). O direito creditório não foi reconhecido pela Administração Tributária, nos termos do Parecer e do Despacho Decisório de fls. 24, dos quais se extrai o seguinte excerto: Versa o presente processo sobre o pedido de restituição de fl. 01, relativo ao recolhimento indevido da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 42.899,25, calculado de acordo com a Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, cujos efeitos jurídicos foram suspensos pelo Senado Federal através da Resolução 11/95, de 4 de abril de 1995. A interessada apresenta uma planilha dos recolhimentos por ela efetuados, entre 28/04/1989 e 31/12/1989, (fl.04), bem como cópias dos respectivos DARF (fls. 06/09). O Ato Declaratório SRF n.° 096/99 assim dispõe: "o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data de extinção do crédito tributário art. 165, I e 168, I da Lei n. ° 5.172/66 (Código Tributário Nacional) Isto posto, considerando que o crédito tributário se extinguiu com os pagamentos efetuados no período acima descrito, e que a protocolização do presente processo se deu em 15/01/2002, proponho o indeferimento do pleito. Contra essa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 48, a qual foi julgada improcedente pela DRJ, em decisão que recebeu a seguinte ementa (fls. 65): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1994, 1996, 1997 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo para o contribuinte pleitear a restituição e a compensação de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito Tributário arts. 165, I, e 168, I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13709.000346/200252 Acórdão n.º 1201002.891 S1C2T1 Fl. 63 3 Cientificado dessa última decisão, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 73, por meio do qual repisa os argumentos já trazidos na sua manifestação de inconformidade, pelos quais a decadência prevista no artigo 168 do CTN deve ser contada a partir da homologação da declaração do contribuinte na qual foi constituído o crédito tributário, o que ocorre tacitamente após cinco anos do pagamento espontâneo do tributo. No caso em espécie, considerando que o pagamento tornouse indevido com a declaração de inconstitucionalidade da norma que criou a hipótese da obrigação tributária, o termo inicial a ser considerado é a data em que a norma foi declarada inconstitucional, ou seja, em 1996. Com isso requer a reforma de decisão atacada, para que seja reconhecido o direito de crédito solicitado. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O contribuinte foi cientificado da decisão recorrida em 13/01/2006 (fls. 47) e apresentou o seu recurso voluntário em 13/02/2006 (fls. 48), dentro do prazo recursal. O recurso voluntário atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecêlo. O contribuinte apresentou pedido de reconhecimento de direito de crédito oriundo de pagamentos de CSLL realizados em 1989 e que teriam se tornado indevidos em razão da Resolução nº 82 do Senado Federal, de 19/11/1996 que declarou inconstitucional o artigo 35 da Lei nº 7.713/88. A Administração Tributária negou o pedido do contribuinte por entender que o prazo para o contribuinte pleitear a restituição em tela extinguiuse após o transcurso do prazo de cinco anos contado da data do pagamento, ainda que o pagamento tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional. Tal entendimento foi corroborado na decisão de piso. No presente recurso voluntário, o contribuinte repisa o mesmo argumento para afastar a decadência, apontando em seu favor jurisprudências deste CARF e do Superior Tribunal de Justiça. A tese do contribuinte exige uma análise em dois momentos. No primeiro momento, o argumento estabelece que a decadência aventada ocorreria apenas cinco anos após a homologação da declaração do contribuinte na qual foi constituído o crédito tributário, o que ocorreria tacitamente após cinco anos do pagamento espontâneo do tributo. Essa tese foi sedimentada na Súmula CARF nº 91, verbis: Súmula CARF nº 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13709.000346/200252 Acórdão n.º 1201002.891 S1C2T1 Fl. 64 4 No segundo momento, o argumento estabelece que, no caso em que o pagamento tornouse indevido em razão da declaração de inconstitucionalidade da regra matriz da obrigação tributária, a contagem do prazo não deve ser iniciada na data do pagamento, mas na data da referida declaração de inconstitucionalidade. Nesse segundo momento, entendo que a tese não pode ser acolhida, pois o termo inicial da contagem, determinado em lei, é a data da extinção do crédito tributário, ou seja, o pagamento, sem ressalvas quanto ao motivo que teria tornado indevido o pagamento. Este é o entendimento que vem sendo adotado na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Por exemplo, o Acórdão nº 9101002.724, de 03/04/2017, o qual adotou a seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1988 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PAGAMENTOS REALIZADOS COM BASE EM NORMA DECLARADA INCONSTITUCIONAL PELO STF. PRAZO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITOS. Para a contagem de prescrição de indébito decorrente de pagamento de tributo feito com base em norma tida como inconstitucional, o STJ atualmente aplica as regras do CTN, e ainda afirma que a declaração de inconstitucionalidade de norma de direito tributário material, tanto no controle direto como no difuso, é irrelevante para fins da contagem da prescrição do indébito (REsp n° 1.110.578SP). A declaração de inconstitucionalidade que embasaria a repetição do indébito, portanto, não é marco inicial para contagem de prescrição, não interrompe prazo de prescrição em curso, e nem reabre prazo para repetição de indébitos já prescritos. Conforme o § 2o do artigo 62 do Anexo n do atual Regimento Interno do CARF. aprovado pela Portaria MF n° 343/2015. com a redação dada pela Portaria MF n° 152/2016. esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ. na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C do CPC. Verificase que o fundamento da referida decisão da CSRF é a necessidade de reproduzir as decisões de alcance erga omnes dos tribunais superiores, no caso o REsp n° 1.110.578SP, o qual adotou a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ , Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ , Rei. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rei. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP , Rei. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP , Rei. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ , Rei. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13709.000346/200252 Acórdão n.º 1201002.891 S1C2T1 Fl. 65 5 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rei. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rei. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rei. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) Este colegiado também está obrigado a reproduzir a decisão do STJ acima transcrita, nos termos do §2º do artigo 621 do RICARF. Na espécie, os pagamentos foram realizados em 1989 e, assim, o contribuinte poderia ter apresentado seu pedido até 1999. Todavia, o pedido ocorreu apenas em 2002, de forma que já não havia mais prazo hábil para acolhêlo. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator 1 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13873.720298/2016-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2015
MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias, ainda que o contribuinte efetua a regularização antes de iniciado procedimento fiscal. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1201-002.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13873.720284/2016-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2015 MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias, ainda que o contribuinte efetua a regularização antes de iniciado procedimento fiscal. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13873.720298/2016-16
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5997416
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1201-002.788
nome_arquivo_s : Decisao_13873720298201616.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 13873720298201616_5997416.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13873.720284/2016-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
id : 7715218
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906222325760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13873.720298/201616 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1201002.788 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2019 Matéria Obrigação Acessória Recorrente MUNÍCIPIO DE BOTUCATU Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2015 MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias, ainda que o contribuinte efetua a regularização antes de iniciado procedimento fiscal. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 49: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do nãoconfisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13873.720284/201601, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 72 02 98 /2 01 6- 16 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13873.720298/201616 Acórdão n.º 1201002.788 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de notificação de lançamento lavrado para a cobrança de multa, no montante de R$ R$ 30.317,69, decorrente de atraso na entrega da DCTF, referente ao mês de março de 2015. A contribuinte teria entregue a referida declaração apenas em 07/06/2016, com 14 meses de atraso. Segundo consta na descrição dos fatos do Auto de Infração, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, reduzida em 50% em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 200,00 no caso de inatividade e de R$ 500,00 nos demais casos”. Devidamente intimada a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, na qual afirma que o auto de infração não merece prosperar, seja em razão da ocorrência da denúncia espontânea (artigo 138 do CTN), seja porque exige multa com caráter confiscatório e desproporcional, já que foi calculada com base em percentual dos tributos informados na declaração. Em sessão de 11 de setembro de 2017, a 4ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1157.574, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2015 ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, sujeitarseá a multa especificada na legislação. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se considera como denúncia espontânea o cumprimento de obrigações acessórias depois de decorrido o prazo legal para seu adimplemento. A multa aplicada decorre da impontualidade do contribuinte e não tem qualquer vínculo com a existência de fato gerador de tributo. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13873.720298/201616 Acórdão n.º 1201002.788 S1C2T1 Fl. 4 3 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO OBRIGATORIEDADE DO CERTIFICADO DIGITAL E VALOR DA MULTA APLICADA. As autoridades administrativas são obrigadas a observar a legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Cientificada da decisão (AR de 11/10/2017), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 09/11/2017, onde reitera as razões apresentadas em sede impugnação para requerer o afastamento da multa exigida considerando a denúncia espontânea (artigo 138 do CTN) e o efeito de confisco da exigência (vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal). É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.774, de 20/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 13873.720284/2016 01, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1201002.774): O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Questões de Mérito I. Da Aplicação da Súmula CARF nº 49 Conforme exposto no relatório, a exigência em questão referese a multa decorrente de atraso na apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais referente a janeiro de 2014. A Recorrente não cumpriu o prazo do dia 25/03/2014 e apresentou a declaração apenas em 07/06/2016. Em sede recursal, a Recorrente afirma que apresentou a declaração de forma espontânea, antes de qualquer manifestação do Fisco. Segundo ela, a espontaneidade enseja a exclusão de qualquer penalidade. Para corroborar sua alegação, apresenta jurisprudência judicial e doutrina. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13873.720298/201616 Acórdão n.º 1201002.788 S1C2T1 Fl. 5 4 De antemão, vale registrar que o instituto da denúncia espontânea foi altamente debatido por este E. CARF e, inclusive, é objeto da Súmula CARF nº 49: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)”. (Grifos nossos). A partir da edição da referida Súmula, não há que se aplicar o benefício da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do CTN, para afastar penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Nesse mesmo sentido são as ementas abaixo transcritas, verbis: “MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de FCONT em atraso”. (Processo nº 13770.002101/200721, Acórdão nº 1001000.973, Turma Extraordinária / 1ª Seção, Sessão de 04 de setembro de 2018) “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 49 Ainda que o contribuinte efetue a regularização da entrega de obrigação acessória (DIFPapel Imune) antes de iniciado procedimento fiscal, não é aplicável o benefício da denúncia espontânea, previsto no artigo 138, do CTN. Precedentes do STJ. Existência de súmula desse Colegiado, o que impede decisão em contrário.” (Processo nº 19515.000850/200559, Acórdão nº 3401004.461, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 3ª Seção, Sessão de 22 de março de 2018) Assim, como situação fática apresentada nos presentes autos configura a hipótese tratada pela Súmula CARF nº 49, a multa exigida (fl. 17) no lançamento deve ser mantida. II. Da Alegação do Caráter Confiscatório da Multa Outro argumento manifesto pela Recorrente é o do caráter confiscatório da multa exigida, o que seria vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Alega que o cálculo da exigência, a partir de percentual do valor declarado, é ilógico e que deveria ter sido aplicado o princípio da proporcionalidade. Em que pese a inconformidade da Recorrente, cumpre consignar que a exigência da multa está compreendida no artigo 7º da Lei nº 10.426/2002. E, em análise da composição da exigência, Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13873.720298/201616 Acórdão n.º 1201002.788 S1C2T1 Fl. 6 5 constatei que a autoridade fiscal realizou o lançamento corretamente e de acordo com o dispositivo mencionado. O argumento da Recorrente caracteriza a arguição de inconstitucionalidade dos dispositivos legais que dão suporte à penalidade aplicada e, a respeito, não cabe à Administração Pública afastar a legislação vigente. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento. Ora, como é cediço, somente os órgãos judiciais tem esse poder. Essa é a diretriz da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Conclusão Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, NEGARLHE provimento (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001855/2007-30
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO - ACORDO TRABALHISTA - DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO
Os valores pagos a título de honorários advocatícios, desde que comprovados, podem ser deduzidos na DAA do montante recebido em ação judicial, pois não configuram renda.
Numero da decisão: 2002-001.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO - ACORDO TRABALHISTA - DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO Os valores pagos a título de honorários advocatícios, desde que comprovados, podem ser deduzidos na DAA do montante recebido em ação judicial, pois não configuram renda.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13811.001855/2007-30
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6008675
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-001.010
nome_arquivo_s : Decisao_13811001855200730.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : THIAGO DUCA AMONI
nome_arquivo_pdf_s : 13811001855200730_6008675.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7746562
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906243297280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1407; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 89 1 88 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13811.001855/200730 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002001.010 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 24 de abril de 2019 Matéria IRPF Recorrente JOAO CARLOS ALARCON Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO ACORDO TRABALHISTA DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO Os valores pagos a título de honorários advocatícios, desde que comprovados, podem ser deduzidos na DAA do montante recebido em ação judicial, pois não configuram renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 18 55 /2 00 7- 30 Fl. 89DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 05 a 09), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de processo trabalhista em face de ALLPAC embalagens, no valor de R$80.199,72. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 67, que, conforme decisão da DRJ, o contribuinte alega: Cientificado da autuação em 26/04/2007 (fls. 34), o interessado apresentou, em 28/05/2007, a impugnação de fls. 01, trazendo as seguintes alegações: 1. No Termo Extrajudicial de Autorização para Acordo Trabalhista foram fixados honorários no montante de R$ 130.199,70, sendo R$50.000,00 relativos a um dos advogados e R$80.199,70 ao segundo advogado. Neste termo não foram indicados os nomes dos mesmos nem os respectivos CPFs; 2. Quando da elaboração da declaração, o Sr. Waldir Dorvani, CPF n° 506.452.26815, informou que o total dos honorários deveria ser lançado em seu nome; 3. Apresenta documentos que comprovam a dedução mensal do valor de R$ 13.019,97. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/SPOII que, por unanimidade, em 28/10/2008, no acórdão 1728.341, às efls. 69 a 72, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 75 a 85, no qual alega, em resumo, que o valor glosado pela fiscalização são referentes aos honorários advocatícios pagos ao patrono, senhor Waldir Dorvani. É o relatório. Voto Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13811.001855/200730 Acórdão n.º 2002001.010 S2C0T2 Fl. 90 3 Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 16/01/2009, efls. 74, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 05/02/2009, efls. 75, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O presente processo assentase na suposta omissão de rendimentos percebidos pelo contribuinte de pessoa jurídica, decorrentes de processo trabalhista em face de ALLPAC embalagens, no valor de R$80.199,72. O contribuinte alega que tais valores são honorários advocatícios repassados ao patrono, não constituindo renda própria. A DRJ manteve a autuação sob os seguintes fundamentos: No presente caso, o contribuinte argumenta que tem direito à dedução do valor de R$ 130.199,70, a título de gastos com advogados, apresentando para fins de comprovação os documentos de fls. 07/28. De acordo com o Termo Extrajudicial de Autorizaçao para Acordo Trabalhista (fls. 07/09), firmado pelo próprio interessado em 19/03/2001, o total pago a título de honorários advocatícios somaria R$ 130.199,70, dos quais R$ 50.000,00 corresponderiam ao pagamento efetuado a um dos advogados e R$ 80.199,70, a um segundo advogado. Entretanto, não consta do referido documento a identificação desses profissionais. Por outro lado, os documentos de prestação de contas encaminhados pelo advogado do Waldir Dorvani ao impugnante (fls. 14/15 e 22/28), atestam o pagamento ao mencionado advogado do importe de R$ 50.000,00, que foi dividido em 10 parcelas de R$5.000,00. No entanto, embora façam referência ao pagamento do valor de R$ 80.199,70 (dez parcelas de R$ 8.019,97),~a título de honorários a “advogada p/ acordo parte contrária”, tais documentos não identificam o beneficiário desse pagamento, sendo, portanto, insuficientes para respaldar a dedução da alegada despesa com advogados. Como se vê,o acórdão da DRJ, a unanimidade, manteve o crédito tributário sob a fundamentação de que o contribuinte, em sede de impugnação, não comprovou o repasse do valor objeto do auto de infração ao patrono. É sabido que os gastos com advogados e despesas judiciais podem ser abatidos dos valores recebidos em decorrência de ação judicial, pois, claro, não podem ser considerados como renda do contribuinte. Fl. 91DF CARF MF 4 Desta feita, o contribuinte deve informar como rendimento tributável, o valor recebido, já abatido o valor pago a título de honorários advocatícios, constando tais valores na relação de "Pagamentos e Doações Efetuados", informando o CPF e o valor pago aos profissionais, como de fato fez o contribuinte, às efls. 16. De acordo com o Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, temos: Art. 718. O imposto incidente sobre os rendimentos tributáveis pagos em cumprimento de decisão judicial será retido na fonte, quando for o caso, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento, no momento em que, por qualquer forma, o rendimento se torne disponível para o beneficiário (Lei nº 8.541, de 1992, art. 46). § 1º Fica dispensada a soma dos rendimentos pagos no mês, para aplicação da alíquota correspondente, nos casos de (Lei nº 8.541, de 1992, art. 46, § 1º): I juros e indenizações por lucros cessantes; II honorários advocatícios; III remuneração pela prestação de serviços no curso do processo judicial, tais como serviços de engenheiro, médico, contador, leiloeiro, perito, assistente técnico, avaliador, síndico, testamenteiro e liquidante. § 2º Quando se tratar de rendimento sujeito à aplicação da tabela progressiva, deverá ser utilizada a tabela vigente no mês do pagamento (Lei nº 8.541, de 1992, art. 46, § 2º). § 3º O imposto incidirá sobre o total dos rendimentos pagos, inclusive o rendimento abonado pela instituição financeira depositária, no caso de o pagamento ser efetuado mediante levantamento do depósito judicial. Ainda, de acordo com a jurisprudência deste CARF, temos: HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. É de se permitir, dos rendimentos recebidos acumuladamente em reclamatória trabalhista, a dedução do valor integral das despesas com honorários advocatícios, desde que pagas pelo contribuinte, sem indenização. (Acórdão nº 9202003.608 03 de março de 2015) Em sede recursal, o contribuinte alega que o advogado que atuou no acordo foi autuado pela suposta omissão dos valores a ele repassados, provas estas que não são suficientes para comprovação de que o valor de R$80.199,72 foram pagos ao profissional Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13811.001855/200730 Acórdão n.º 2002001.010 S2C0T2 Fl. 91 5 Diante do exposto, conheço do presente Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13769.000452/2007-36
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
ementa_s :
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13769.000452/2007-36
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6002554
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1001-001.147
nome_arquivo_s : Decisao_13769000452200736.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 13769000452200736_6002554.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
id : 7726108
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906533752832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1304; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13769.000452/200736 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001001.147 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 9 de abril de 2019 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente TREVO EQUIPAMENTOS PARA CONSTRUCAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO:MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. ANOSCALENDÁRIO 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 Correta a aplicação da multa por atraso na entrega de DCTF quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que não justifiquem o seu cancelamento. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 1219.375, da 5a Turma da DRJ/RJ0I, que negou provimento à impugnação, apresentada pela ora recorrente, contra o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 9. 00 04 52 /2 00 7- 36 Fl. 140DF CARF MF 2 Auto de Infração (fl.04) que exigiu o crédito tributário, relativamente à multa pelo atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Resumo, a seguir o relatório: Trata o presente processo de auto de infração de fl. 04 por meio do qual éexigida da interessada acima qualificada a multa por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, do quarto trimestre do anocalendário de 2001, dos quatro trimestres dos anos calendário de 2002, 2003 e 2004 e dos primeiro e segundo semestres do anocalendário de 2005, totalizando R$ 7.532,76. Inconformada, a interessada apresentou sua peça impugnatória à exigência, instaurando a fase litigiosa do processo, onde alega, em síntese, que, sendo optante pelo SIMPLES, estava desobrigada da entrega de DCTF. A recorrente foi cientificada da decisão em 28/07/2008 (fl 84) e apresentou o seu recurso voluntário em 20/08/2008 (fl 85). Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, e que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alega, basicamente, as mesmas razões apresentadas em sua impugnação requerendo que: · CANCELAMENTO DE DCTF(S) EMITIDAS INDEVIDAMENTE PELO CONTADOR ANTERIOR, REFERENTE AOS ANOS 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, CANCELAMENTO DAS DCTF(S) RETIFICADORAS E CANCELAMENTO TAMBÉM DAS MULTAS EMITIDAS · Tal solicitação se faz necessário uma vez que a empresa desde a sua abertura pediu a inclusão no SIMPLES e se comportou com tal. Entregou as Declarações de Imposto de Renda como Simples e pagou o Imposto Simples como deveria ser. Acontece que no ano de 2007 a empresa precisou de uma Certidão Negativa e quando foi solicitar a Receita Federal não lhe concedeu e argumentou que a empresa estava fora do Simples. O contador da época ...de acordo com as exigências da já Receita Federal imediatamente apresentou as DCTF(s).O qual era uma das exigências. Essa impensada atitude, para resolver um problema imediato que seria a emissão de uma Certidão negativa, causou imenso problemas a empresa. A mesma na época entrou com um pedido de inclusão retroativo no Simples, mas infelizmente não lhe foi concedido. Após diversos transtornos por parte dos sócios que sempre procuraram trabalhar com seriedade e transparência procurou um outro profissional na área contábil para que lhe auxiliasse junto a este órgão no qual acredita ser ele não meramente um receptor de Declarações, mas sim um órgão que dispõe de pessoas competentes e Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13769.000452/200736 Acórdão n.º 1001001.147 S1C0T1 Fl. 3 3 sensatas para o julgamento correto e analise profunda de situações diversas e atípicas como esta. · Aproveitamos o ensejo para informar que paralelo a esta solicitação estamos pedindo desarquivamento e reanálise do processo de inclusão no simples retroativo. · Eis o motivo pelo qual pedimos e aguardamos deferimento do exposto acima. · a) Seja feito o cancelamento de DCTF(s) entregues indevidamente em 2007, referente aos anos 2001, 2002, 2003, 2004, 2005,2006; · b) cancelamento das DCTF(s) retificadoras referentes os mesmos anos das emitidas indevidamente; · c) a) Seja desconsiderada a cobrança imposta através do processo 13769000.452/200736, uma vez que já foi exposto a situação pelo qual as mesmas foram emitidas. A DRJ proferiu o seguinte voto (fl 80): Confere razão à interessada que o art. 3°, da Instrução Normativa n° 126, de 30 de outubro de 1998, que instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, dispõe que estão dispensadas de sua apresentação, dentre outras, as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES. Porém, os documentos juntados às fls. 43/47 demonstram que, apesar da interessada apresentar suas Declarações de Rendimentos como optante pelo Simples desde a sua abertura, tal opção se deu somente em 01/07/2007. Cumpre destacar que a interessada, inclusive, teve o pedido de inclusão retroativa no Simples, objeto do processo n° 13769.000086/200391, indeferido pelo Parecer Seort n° 0648/205 da Delegacia da Receita Federal em VitóriaES, cientificado em 06 de janeiro de 2007, sem que tenha sido apresentada manifestação de inconformidade à esta Delegacia no prazo legal, tomando, portanto, definitiva aquela decisão. Face a todo o exposto, julgo PROCEDENTE o lançamento efetuado e, por conseguinte, DEVIDAS as multas por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF do quarto trimestre do anocalendário de 2001, dos quatro trimestres dos anos calendário de 2002, 2003 e 2004 e dos primeiro e segundo semestres do anocalendário de 2005, totalizando R$ 7.532,76. Não cabe qualquer discussão quanto à decisão da DRJ, acima transcrita. A recorrente, em seu recurso, solicita que este CARF proceda ao cancelamento das DCTF entregues. Contra este requerimento, temos o art. 1° da Portaria 343/2015, com a redação dada pela Portaria MF 153/2018, que aprovou o Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e Fl. 142DF CARF MF 4 voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Portanto, não é da competência desde órgão efetuar cancelamento de obrigações acessórias. Quanto ao terceiro pedido, ou seja, que seja desconsiderada a cobrança das penalidades impostas pelo atraso na entrega das DCTF, estas estão em acordo com a legislação em vigor, como bem exposto pela DRJ. Assim, correta a decisão exarada à qual peço a devida vênia para a ela aderir, com base no art. com base no art. 50, da Lei 9.784/99 e parágrafo 3°, ao artigo 57, do RICARF, negando provimento ao recurso voluntário e mantendo o crédito tributário. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15471.000894/2006-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE POR SER SÓCIO DE EMPRESA.. EMPRESA INAPTA, DESCABIMENTO DA MULTA POR ATRASO, SÚMULA CARF N° 44.
Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração - Súmula CARF n° 44.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-000.791
Decisão: Acordam os membros do colegiada por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: José Evande Carvalho Araujo
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201009
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 IRPF. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE POR SER SÓCIO DE EMPRESA.. EMPRESA INAPTA, DESCABIMENTO DA MULTA POR ATRASO, SÚMULA CARF N° 44. Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração - Súmula CARF n° 44. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 15471.000894/2006-62
conteudo_id_s : 5998941
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-000.791
nome_arquivo_s : Decisao_15471000894200662.pdf
nome_relator_s : José Evande Carvalho Araujo
nome_arquivo_pdf_s : 15471000894200662_5998941.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiada por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2010
id : 7717732
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906559967232
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-18T19:19:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-11-18T19:19:18Z; Last-Modified: 2010-11-18T19:19:18Z; dcterms:modified: 2010-11-18T19:19:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:f6c2677a-33b0-4b3d-a614-1529c65fd024; Last-Save-Date: 2010-11-18T19:19:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-11-18T19:19:18Z; meta:save-date: 2010-11-18T19:19:18Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-11-18T19:19:18Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-11-18T19:19:18Z; created: 2010-11-18T19:19:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-11-18T19:19:18Z; pdf:charsPerPage: 1203; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-11-18T19:19:18Z | Conteúdo => ,i() S2-CITI F] 40 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 15471.000894/2006-62 Recurso n" 509.154 Voluntário Acórdão n" 2101-00.791 — 1" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 24 de setembro de 2010 Matéria IRPF Recorrente LUIZ PAULO MASCARENHAS RIBEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 IRPF„. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE POR SER SÓCIO DE EMPRESA.. EMPRESA INAPTA, DESCABIIVIENTO DA MULTA POR ATRASO, SÚMULA CARF N° 44. Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração - Súmula CARF n° 44. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiada por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Caio Marcos Candido - Presidente, (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo- Relator. EDITADO EM: 05/10/2010 r)[. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Candido, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishroka, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fi. 02, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, relativa à multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos, formalizando a exigência de multa no valor de R$165,74 IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (11 01), acatada como tempestiva, onde solicitou o cancelamento da multa, alegando que o atraso na entrega se deu por informação errada de funcionário dos Correios. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 1" Turma da DRJ/Rio de Janeiro II/RJ julgou procedente o lançamento com base, em síntese, nas seguintes considerações (fls. 25 a 27): A multa decorrente do atraso na entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física é aplicável apenas quando presentes simultaneamente duas condições: I — a pessoa física está obrigada a apresentar a declaração; 2 — tal apresentação é extemporânea. Quanto à primeira condição, a Secretaria da Receita Federal, por força do disposto no art. 16 da Lei n° 9,779/99, estabeleceu os casos de obrigatoriedade de entrega da declaração. Verifica-se do exame dos autos que o(a) contribuinte participou, durante o ano calendário de 2004, de quadro societário das empresas GUARANI COMERCIO DE MATERIAIS LIDA e PAPELARIA LAVRADIO LIDA, inscritas no CNPT sob os n c's 28.343.622/0001-31 e 33 245 960/0001-70 (fis 18 e 19), como titular ou sócio, o que torna o(a) irnpugnante obrigado(a) a apresentar a Declaração de Ajuste do exercício de 2005. Tendo feito a entrega da DIRPF fora do prazo legal previsto, está sujeito à multa em questão. Ressalta-se que as alegações de ordem pessoal do(a) contribuinte não o(a) socorrem, urna vez que a legislação tributária foi infringida e há previsão legal para aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. De acordo, ainda, com o inciso VI do art. 97 do Código Tributário Nacional, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades Ocorre que não há dispositivo de lei que preveja hipótese de dispensa de multa por atraso na entrega de Declaração como no presente caso Salienta-se, por fim, que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente, na forma do art. 136 do Código. , , . DO 2 Processo n" 15471 000894/2006-62 S2-C1T . 12 Ackirsno o" 2101-00,79 I Fl 41 Tributário Nacional. Assim, o fato de não ter havido má fé não é suficiente para elidir a aplicação da penalidade. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CA.RF) Cientificado da decisão de primeira instância em 18/06/.2009 (fl. 31), o contribuinte apresentou, em 23/06/2009 (fl. 32), o recurso de fls. 32 a 33, onde repisa os argumentos da impugnação, e acrescenta que as duas empresas das quais era proprietário estão inativas, urna desde 1970 e a outra desde 1980, Ao final, pugnou pelo cancelamento da multa aplicada O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 39, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARP. É o Relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido_ Não há argüição de qualquer preliminar. O contribuinte apresentou, no dia 17 de novembro de 2005, Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física - MU . do exercício de 2005 (fl, 21). A Instrução Normativa SRP n° 507, de 11 de fevereiro de 2005, era o ato legal que regulamentava a declaração daquele exercício, e determinava, em seu art I", inciso III, que estava obrigado a declarar quem participou do quadro societário de empresa como titular, sócio ou acionista, ou de cooperativa, e fixava o prazo de entrega para 29 de abril de 2005 (art. 3 0). Desta forma, por estar obrigado a apresentar declaração anual de ajuste por ser sócio das empresas GUARANI COMERCIO DE MATERIAIS LTDA, CNPJ n° 28343.622/0001-31 (f1. 18) e PAPELARIA LAVRADIO LTDA, CNN IV 33,245,960/0001-70 (fl. 19), e por fazê-lo em atraso, recebeu a multa no valor mínimo de R$165,74 De inicio, cabe ressaltar que o argumento de que foi informado erroneamente da data da entrega da declaração por funcionário dos Correios, apesar de tocante, não é capaz de afastar as cominações legais. De qualquer modo, há que se considerar que as empresas das quais o contribuinte é sócio estão na situação de inaptas desde 06 de setembro de 1997, pelo fato de serem omissas contumazes (fl.. 18 e 19). Ora, a Súmula CARP n" 44 possui o seguinte enunciado: Descabe a aplicação da multa por falta ou ali aso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas' Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não 3 CARI: :\.n: se enquaáe nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração. A essa súmula foi atribuído efeito vinculante aos órgãos da administração tributária federal pela Portaria ME n0 383, de 12 de julho de 2010, Assim, como a declaração que provocou a multa por atraso deste processo é referente ao ano de 2004, período em que as empresas já estavam na situação de inaptas, e não se verificando qualquer outra hipótese de obrigatoriedade de apresentação de DIREI'', há subsunção perfeita com a situação da súmula, o que impende considerar a multa aplicada como indevida. Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário, José Evande Carvalho Araujo €r)r.:) I 4
score : 1.0
Numero do processo: 15504.012381/2009-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/08/2007
PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 e da lei 6.404/76 DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º, "J" DA LEI 8212/91.
Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) à título de participação nos lucros sujeitam-se a incidência de contribuições previdenciárias, por não haver norma específica que, disciplinando art. 28, § 9º, "j" da lei 8212/91, preveja a sua exclusão do salário-de-contribuição.
A lei 10.101/2000 não serve como subsídio para fundamentar a exclusão do conceito de salário de contribuição previsto no art. 28 da lei 8212/91, face em seu próprio art. 2º, restringir a sua aplicabilidade aos empregados.
A verba paga aos diretores/administradores não empregados possui natureza remuneratória. A Lei nº 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados, nem tampouco a exclusão do conceito de salário de contribuição. A verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos diretores.
Numero da decisão: 9202-007.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 31/08/2007 PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 e da lei 6.404/76 DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º, "J" DA LEI 8212/91. Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) à título de participação nos lucros sujeitam-se a incidência de contribuições previdenciárias, por não haver norma específica que, disciplinando art. 28, § 9º, "j" da lei 8212/91, preveja a sua exclusão do salário-de-contribuição. A lei 10.101/2000 não serve como subsídio para fundamentar a exclusão do conceito de salário de contribuição previsto no art. 28 da lei 8212/91, face em seu próprio art. 2º, restringir a sua aplicabilidade aos empregados. A verba paga aos diretores/administradores não empregados possui natureza remuneratória. A Lei nº 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados, nem tampouco a exclusão do conceito de salário de contribuição. A verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos diretores.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15504.012381/2009-12
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6017701
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.607
nome_arquivo_s : Decisao_15504012381200912.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15504012381200912_6017701.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7771549
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906630221824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2133; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15504.012381/200912 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202007.607 – 2ª Turma Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria CSP PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Recorrente FDS ENGENHARIA DE ÓLEO E GÁS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/08/2007 PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 e da lei 6.404/76 DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º, "J" DA LEI 8212/91. Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) à título de participação nos lucros sujeitamse a incidência de contribuições previdenciárias, por não haver norma específica que, disciplinando art. 28, § 9º, "j" da lei 8212/91, preveja a sua exclusão do saláriodecontribuição. A lei 10.101/2000 não serve como subsídio para fundamentar a exclusão do conceito de salário de contribuição previsto no art. 28 da lei 8212/91, face em seu próprio art. 2º, restringir a sua aplicabilidade aos empregados. A verba paga aos diretores/administradores não empregados possui natureza remuneratória. A Lei nº 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados, nem tampouco a exclusão do conceito de salário de contribuição. A verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos diretores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 23 81 /2 00 9- 12 Fl. 367DF CARF MF 2 Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração (DEBCAD n° 37.234.5301), totalizando R$ 25.127,05 e consolidado em 07/07/2009, referente a a) contribuições dos segurados, incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados PLR, em desacordo com a lei específica Lei 10.101/00 e b) contribuições dos segurados referente a remunerações pagas a segurados contribuintes individuais a título de participação nos lucros. No período de apuração de 05/2005 a 08/2007. Ainda extraído do relatório fiscal temos que, quanto aos valores pagos aos segurados empregados a título de participação nos lucros, da leitura dos Acordos e Convenções apresentadas e esclarecimentos prestados pela empresa, estaria claro que o critério para pagamento da PLR seria subjetivo, sem um plano de metas a ser cumprido e independe do esforço pessoal do empregado. Há ainda a conclusão de que a rubrica denominada PLR seria um complemento salarial. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 19/06/2012, foi dado provimento em parte ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403001.388, (efls. 273/277) com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de voto, em dar provimento parcial ao recurso determinando a exclusão dos levantamentos PL1, PL2 e PLA Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Strtingari. II) Por unanimidade de voto a exclusão da multa de ofício. III) Por maioria de votos determinar o recálculo da multa de mora conforme Art. 35 da Lei 8212/91, incluido pela Lei nº 11941/2009, nos termos do art. 61 da Lei 9430/1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia limitada a 20% critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro”. O acórdão encontra se assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2007 Fl. 368DF CARF MF Processo nº 15504.012381/200912 Acórdão n.º 9202007.607 CSRFT2 Fl. 3 3 PREVIDENCIÁRIO.CONEXÃO. Devem ser julgados em conjunto com o processo principal os processos apensados por conexão. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. Não prosperando a constituição dos créditos dos lançamentos no processo principal que representam as bases de cálculo de processos conexos, têm esses, a mesma sorte daquele. O processo foi encaminhado para ciência, que ocorreu em 13/12/2012, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. O sujeito passivo, então, interpôs tempestivamente em 28/12/2012 o presente Recurso Especial (efls. 294/341). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido para que a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) não sejam base de cálculo para a incidência de contribuições previdenciárias. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho da 4ª Câmara, de 14/06/2017 (efls. 353/358), levandose em consideração como paradigma o Acórdão nº 2803000.696, tendo por matéria a ser enfrentada: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS – DIRETORES NÃO EMPREGADOS. A recorrente afirma: · Que a interpretação, tanto da fiscalização, quanto do acórdão, estão equivocados ao confundirem participação nos lucros com prólabore. · Afirma ainda que no caso em tela se trataria de Participação nos Lucros e Resultados – PLR, uma vez que não teria a habitualidade que caracteriza a remuneração, sendo por outro lado uma verba eventual e incerta, por depender exatamente da ocorrência de lucro da recorrente, o que traria a imunidade do art. 7º, XI, da Constituição Federal. · Assevera ainda que mesmo os beneficiários em tela da PLR serem administradores nãoempregados, o art. 7º, da Constituição Federal os alcançaria, na medida que elencaria todos os trabalhadores, indistintamente. · Alega também que, além do disposto constitucional, a Lei nº 8.212/1991, traria norma de isenção específica para contribuições previdenciárias incidentes em valores pagos a título de PLR. · Por fim, afirma que o paradigma trazido da sustentação à divergência, a medida que contradiz o acórdão recorrido, que teria isentado de contribuições previdenciárias as verbas pagas como PLR, e requer a admissão de seu Recurso Especial, para darlhe provimento, reconhecendo e declarando improcedente o crédito remanescente do Fl. 369DF CARF MF 4 auto de infração em tela no que se refere às verbas pagas a título de PLR aos diretores. A Fazenda Nacional foi cientificada do Acórdão nº 2403001.388, do Recurso Especial do sujeito passivo e do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial do sujeito passivo em 04/08/2017 e apresentou, ainda em 04/08/2017, portanto, tempestivamente, contrarrazões (efls. 360/364). Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional: § Contrapõe a argumentação da recorrente, defendendo a manutenção da decisão exarada no acórdão recorrido. § A representante da Fazenda Nacional afirma que os valores pagos a segurados contribuintes individuais a titulo de PLR estão conduzidas pelo art. 28, II, da Lei nº 8.212/1991, o que abrangeria os diretores não empregados aqui em tela. § Assevera ainda que não se está discutindo ilegalidade ou constitucionalidade nos presentes autos, uma vez que seria de competência do Poder Judiciário, requerendo a atenção dos julgadores do Carf à legislação no que tange as obrigações em face da Seguridade Social. § Por fim, a representante da Fazenda Nacional encerra suas contrarazões requerendo o não provimento do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É o relatório. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 15504.012381/200912 Acórdão n.º 9202007.607 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 353/358. Não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Participação dos lucros e resultados à contribuintes individuais. Quanto aos levantamentos de PLR em relação aos valores pagos à segurados contribuintes individuais, devemos primeiramente identificar os fundamentos da autoridade fiscal, para que referidos valores constituíssem salário de contribuição, para então, baseado na peça recursal e fundamentos do acórdão recorrido, determinar a procedência do lançamento frente aos argumentos do julgador de primeira instância. No relatório fiscal, o auditor descreveu as regras para que o pagamento de PLR constitua pagamento em desacordo com a exclusão previsto na lei, o que determina a incidência de contribuição sobre os valores de PLR . Em relação aos levantamentos sobre os pagamentos aos diretores estatutários, lançou a autoridade fiscal contribuições por entender que os pagamentos não se coadunam com os preceitos legais, seja da lei 6.494 ou mesmo da lei 10.101/2000. O lançamento foi mantido em primeira instância e quando do julgamento do recurso voluntário, a turma a quo decidiu por manter no lançamento os valores de contribuições incidentes sobre a PLR paga a diretores não empregados, contribuintes individuais. Quanto aos pagamentos aos diretores não empregados, assim como descrito pela autoridade fiscal, entendo que não demonstrou a recorrente estar incorreta a descrição fiscal, ou mesmo que os pagamentos estariam amparados por legislação para que os valores estejam excluídos do conceito de salário de contribuição. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Fl. 371DF CARF MF 6 Conforme previsto no § 6º do art. 150 da Constituição Federal, somente a Lei pode instituir isenções. Assim, o § 2º do art. 22 da Lei nº 8.212/91 dispõe que não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28 da mesma Lei. O § 9º do art. 28 da Lei n° 8.212/91 enumera, exaustivamente, as parcelas que não integram o salário de contribuição. De acordo com o art. 9º, inciso V, alínea “f”, §§ 2º e 3º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, são considerados contribuintes individuais tanto o diretor não empregado como o membro do conselho de administração da sociedade anônima. Regulamento da Previdência Social (RPS), Decreto 3.048/1999: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) (...) f) o diretor não empregado e o membro de conselho de administração na sociedade anônima; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) (...) § 2º Considerase diretor empregado aquele que, participando ou não do risco econômico do empreendimento, seja contratado ou promovido para cargo de direção das sociedades anônimas, mantendo as características inerentes à relação de emprego. § 3º Considerase diretor não empregado aquele que, participando ou não do risco econômico do empreendimento, seja eleito, por assembléia geral dos acionistas, para cargo de direção das sociedades anônimas, não mantendo as características inerentes à relação de emprego. (g.n.) No mesmo sentido, prevê o art. 12, inciso V, da Lei 8.212/1991 como contribuintes individuais os administradores (o diretor não empregado e o membro de conselho de administração) da companhia. Lei 8.212/1991: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (g.n.) Fl. 372DF CARF MF Processo nº 15504.012381/200912 Acórdão n.º 9202007.607 CSRFT2 Fl. 5 7 Logo, a legislação previdenciária enquadra os administradores da Recorrente como contribuintes individuais. Esse entendimento está consubstanciado na própria concepção do papel dos administradores dentro da sociedade (membros da Diretoria e do Conselho de Administração), ou seja, são órgãos da companhia, na medida em que o ato praticado por eles, dentro de seus poderes, é um ato da própria sociedade empresária (Recorrente), linha adotada por Fábio Ulhoa Coelho (Curso de Direito Comercial. São Paulo: Saraiva, 1999, v. 2, p. 239 241). Em outras palavras, os membros da Diretoria e do Conselho de Administração, possuem poder decorrentes da lei e do estatuto, sendo que isso viabiliza todo o poder para a condução das atividades diárias da companhia e distanciase da subordinação pessoal da relação empregatícia1. Verificase que a legislação aplicável à espécie determina, em um primeiro momento, a regra geral de incidência das contribuições previdenciárias sobre a remuneração total dos segurados obrigatórios da previdência social, no caso, na qualidade de contribuintes individuais, inclusive sobre os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o Somente em um segundo momento é que são definidas, de forma expressa e exaustiva, porquanto excepcionais, as hipóteses de não incidência das contribuições destinadas à Seguridade Social. Não restou demonstrado pelo recorrente que o pagamento enquadravase nas exclusões descritas na norma. Não se discute a impossibilidade de utilização das exclusões previstas no art. 28, §9º para os contribuintes individuais, mas a inaplicabilidade de tal dispositivo, pela ausência de respaldo legal específica aos contribuintes individuais, já que a lei 10.101/2000 apenas reportase aos empregados. A legislação previdenciária, em obediência ao preceito constitucional, é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e renumerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : 1 CARVALHOSA, Modesto. Comentários à lei de sociedades anônimas. São Paulo: Saraiva, 1997, v. 3, p. 19. Fl. 373DF CARF MF 8 Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (grifo nosso) I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. § 1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. § 2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. § 3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. § 4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 15504.012381/200912 Acórdão n.º 9202007.607 CSRFT2 Fl. 6 9 Cabe observar que o § 2º, do art. 2º, da Lei n ° 10.101, foi introduzido no ordenamento jurídico a partir da Medida Provisória nº 955, de 24 de março de 1995, e o § 3º, do art. 3º, a partir da Medida Provisória nº 1.69851, de 27 de novembro de 1998. Aliás, referente raciocínio, encontrase em perfeita consonância com o entendimento do próprio STF, que destaca que o direito previsto no art. 7, XI não é auto aplicável, iniciandose apenas a partir da edição da MP 794/1994, reeditada várias vezes e finalmente convertida na Lei 10.101/2000. Esse entendimento é extraído do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do RE 398284/RJRio de Janeiro. RE 398284 / RJ RIO DE JANEIRO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. MENEZES DIREITO Julgamento: 23/09/2008 Órgão Julgador: Primeira Turma Ementa EMENTA Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Merece transcrição excerto do voto do Ministro Menezes Direito (Relator do RE 398284/RJ): “Há três precedentes monocráticos na Corte. Um que foi relator o Eminente Ministro Gilmar Mendes; e dois outros da relatoria do Ministro Eros Grau. Então a questão está posta com simplicidade. E estou entendendo, Senhor Presidente, com a devida vênia da bela sustentação do eminente advogado, que realmente a regra necessita de integração, por um motivo muito simples: é que o exercício do direito é que se vincula à integração, não é a regra só, que nesses casos, quando manda que a lei regule o exercício, que vale por si só. Se a própria Constituição determina que o gozo do exercício dependa de lei, tem que haver a lei para que o exercício seja pleno. Se não há lei, não existe exercício. E com um agravante que, a meu ver, parece forte o suficiente para sustentar esse raciocínio. É que o fato de existir a participação nos lucros, desvinculada da remuneração, na forma da lei, não significa que se está deixando de dar eficácia a essa regra, porque a participação pode ser espontânea; já havia participação nos lucros até mesmo antes da Constituição dos 80. E, por outro lado, só a lei pode regular a natureza dessa contribuição previdenciária e também a natureza jurídica para fins tributários da participação nos lucros. A lei veio exatamente com esse objetivo. É uma lei que veio para determinar, especificar, regulamentar o exercício do direito de participação nos lucros, dando consequência à necessária estipulação da Fl. 375DF CARF MF 10 natureza jurídica dessa participação para fins tributários e para fins de recolhimento da Própria Previdência Social. Ora, se isso é assim, e, a meu sentir, parece ser, pela leitura que faço eu do dispositivo constitucional, não há fundamento algum para afastarse a cobrança da contribuição previdenciária antes do advento da lei regulamentadora.” Ainda nessa linha de raciocínio, notese, conforme grifado no art. 1 da referida lei, que a PLR descrita na Lei 10.101/2000 serve apenas para regulamentar a distribuição no âmbito dos “empregados”, ou seja, não serve para afastar do conceito de remuneração os valores pagos à título de “participações estatutárias” (diretores não empregados). Aqui destaco meu posicionamento, mesmo que previsto em parte dos acordos coletivos, não existiria previsão legal para tal exclusão. Não se pode elastecer o conceito de lucros ou resultados, sob pena de todas as empresas enquadrarem como resultados, todo e qualquer pagamento feito aos seus trabalhadores e em função dessa nomenclatura desvincular as verbas do conceito de remuneração e salário. A Lei n ° 10.101, resultado da conversão das Medidas Provisórias anteriores, é cristalina nesse sentido. Vale de pronto afastar também, os argumentos que o dispositivo constitucional, por si só , já afastaria para todo e qualquer trabalhador a “participação nos Lucros e resultados” do conceito de remuneração, considerando o fato de que o “caput do art. 7 da CF/88, utilizou a nomenclatura “trabalhadores”. Basta analisarmos os 34 incisos do próprio art. 7º, para que identifiquemos, que o termo “trabalhadores urbanos e rurais”, referese ao direitos dos “empregados urbanos e rurais”. Os direitos elencados no dispositivo constitucional, nos trazem a certeza do sentido empregado pelo legislador, considerando que: férias com adicional de 1/3, FGTS, repouso semanal remunerado, salário mínimo, jornada de trabalho, piso salarial, licença maternidade, licença paternidade, aviso prévio, previsão de indenização no caso de dispensa imotivada, salário família, horas extras, adicional noturno, insalubridade, periculosidade, dentro outros muitos ali elencados, são assegurados apenas aos trabalhadores detentores de uma relação de emprego, ou seja, garantidos aos empregados. No parágrafo único, também observamos a nomenclatura “trabalhadores”, porém com referência aos empregados domésticos. Levando a efeito esse raciocínio, chegaríamos a conclusão de obrigatoriedade de atribuir a observância dos direitos ali elencados a todos os trabalhadores autônomos. Nessa toada, entendo que não há como acolher a pretensão do recorrente. Assim, não acato o argumento do recorrente de que o termo trabalhador descrito também na lei, é capaz de abranger a categoria de administradores e demais contribuintes individuais. Vejase que o termo autônomo ou para previdência social, contribuinte individual, não é uma pessoa que trabalha de forma subordinada, devendo cumprir metas alcançar resultados, pois se assim o fosse estaríamos atribuindo um requisito de empregado, qual seja a subordinação. Também vale lembrar que o trabalho de um mesmo autônomo exigindo o cumprimento de resultados e metas durante um período (exercício) não deve ser utilizado de forma continuada, pois senão estaríamos atribuindo o segundo requisito que é a habitualidade na prestação de serviços. Dessa forma, entendo inviável a interpretação dada pelo recorrente, razão pela qual todo e qualquer pagamento feito a contribuintes individuais constituem salário de contribuição, salvo se possível o seu enquadramento dentre as elencadas no art. 28, §9º da lei 8212/91. Percebese, então, que, se o STF entendeu que não havia lei regulamentando o pagamento de PLR antes da edição da MP nº 794/1994, não há como acolher o entendimento de que a expressão “lei específica” contida na alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/1991 Fl. 376DF CARF MF Processo nº 15504.012381/200912 Acórdão n.º 9202007.607 CSRFT2 Fl. 7 11 também se refere a outras leis extravagantes, tal como a Lei 6.404/1976 que dispõe sobre as Sociedades por Ações (companhia), inclusive o seu art. 152, § 1o, estabeleceu que o estatuto da companhia pode atribuir aos administradores participação nos lucros da companhia, desde que sejam atendidos dois requisitos: (i) a fixação dividendo obrigatório em 25% ou mais do lucro líquido; e (ii) o total da participação estatutária não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros, prevalecendo o limite que for menor. Corroborando esse entendimento, o Supremo Tribunal Federal (STF) pacificou esse entendimento por meio do RE 569441/RS, rel. orig. Min. Dias Toffoli, red. p/ o acórdão Min. Teori Zavascki, de 30/10/2014 (Info 765), submetido a sistemática de repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), nos seguintes termos: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO 569.441 RIO GRANDE DO SUL RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI REDATOR DO ACÓRDÃO : MIN. TEORI ZAVASCKI EMENTA: CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL. 1. Segundo afirmado por precedentes de ambas as Turmas desse Supremo Tribunal Federal, a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF – inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários – depende de regulamentação. 2. Na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94 e que o fato gerador em causa concretizouse antes da vigência desse ato normativo, deve incidir, sobre os valores em questão, a respectiva contribuição previdenciária. (g.n.) 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento.” Por força do artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF2, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869/1973 (Código de Processo Civil CPC), devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF. O STJ comunga do mesmo entendimento: “(...) A contribuição previdenciária sobre a participação nos lucros é devida no período anterior à MP n. 794/94, uma vez que o benefício fiscal concedido sobre essa verba somente passou a existir no ordenamento jurídico com a entrada em vigor do referido normativo. (...)” (STJ. 2ª Turma. AgRg no AREsp 95.339/PA, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20/11/2012). 2 Portaria MF n° 343/2015 (Regimento Interno do CARF RICARF): Art. 62. (...). § 2o As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 377DF CARF MF 12 Assim, concluise que a Lei 8.212/1991, ao excluir da incidência das contribuições os pagamentos efetuados de acordo com a lei específica, quis se referir à PLR paga em conformidade com a Lei 10.101/2000, a qual é destinada apenas aos empregados. Por fim, vale mencionar que nem mesmo poderíamos analisar se o pagamento em questão estaria de acordo com o descrito na lei 6404/76, posto que na referida lei a participação dáse em função do capital investido. Ademais, também não entendo que a referida lei 6404/76, tenha excluído dos valores do conceito de salário de contribuição e por consequencia respaldar os argumentos do recorrente. Em relação à distribuição dos lucros para Administradores e Diretores, não empregados, afirmou a Recorrente que tais pagamentos não deveriam ser tributados, vez que foram efetuados em observância ao artigo 152 da Lei 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas LSA). Lei 6.404/1976: Art. 152. A assembléia geral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. (g.n.) § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202. Quanto às participações estatutárias, tal como a participação no lucro dos administradores – diretores não empregados, qualificados como segurados contribuintes individuais –, elas dependem de o resultado da companhia, no respectivo exercício social, ter sido positivo, pois do contrário não haverá lucros a serem partilhados aos diretores não empregados com base nos lucros, conforme determinar o art. 190 da LSA: “as participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiárias serão determinadas, sucessivamente e nessa ordem, com base nos lucros que remanesceram depois de deduzidas a participação anteriormente calculada” (g.n.). Considerando não ter sido trazido qualquer argumentação de que tratavamse de acionistas, os fatos acima mencionados evidenciam que a Recorrente concedeu aos diretores não empregados (contribuintes individuais) uma remuneração distinta dos lucros previstos no art. 152 da Lei 6.404/1976 (Lei da LSA) ou distribuiu uma verba cognominada de lucros em desacordo com as regras estampadas na Lei 6.404/1976 (artigo 152 c/c o artigos 189 e 190). Isso configura, efetivamente, que a verba paga aos diretores não empregados caracterizase como uma remuneração pelo exercício de atividades na empresa, decorrente da relação empregador e empregado, que é distinta da relação acionista e diretores não empregados. Ainda. em relação a este ponto, entendo relevante dizer que não vislumbro na referida lei a exclusão do conceito que amparasse qualquer argumentação em excluir os valores do conceito de salário de contribuição. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 15504.012381/200912 Acórdão n.º 9202007.607 CSRFT2 Fl. 8 13 Os pagamentos efetuados possuem natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados contribuintes individuais em decorrência do contrato e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho como apreciamos anteriormente. Dessa forma, estando no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento em toda a sua extensão em relação aos contribuintes individuais, negandose provimento integralmente ao recurso nessa parte. Isto posto, entendo que não há como acolher a pretensão do recorrente para excluir o pagamento do PLR do conceito de salário de contribuição aos segurados contribuintes individuais, seja pela art. 7º da CF/88, seja pela lei 10.101/2000, nem tampouco com respaldo nas lei 6.404/76. Assim, nego provimento ao resp do contribuinte. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 379DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13820.000370/00-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13820.000370/00-72
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6017722
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-002.016
nome_arquivo_s : Decisao_138200003700072.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 138200003700072_6017722.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Thais De Laurentiis Galkowicz.
dt_sessao_tdt : Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
id : 7771751
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906712010752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1457; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.372 1 1.371 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13820.000370/0072 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402002.016 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 22 de maio de 2019 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente TB SERVIÇOS, TRANSPORTE, LIMPEZA, GERENCIAMENTO E RECURSOS HUMANOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório A Recorrente formulou Pedido de Restituição (fl. 02) referente ao pagamento indevido a título de contribuição para o PIS/PASEP, no valor de R$ 5.699.258,84, protocolado pelo interessado em 14/08/2000. O motivo do pedido é o recolhimento indevido de PIS Faturamento quando devido o PIS REPIQUE em face da inconstitucionalidade dos Decretos Leis nº 2.445 e 2.449/88, Resolução nº 49, de 10/09/1995, do Senado Federal (fls. 02). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 20 .0 00 37 0/ 00 -7 2 Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 13820.000370/0072 Resolução nº 3402002.016 S3C4T2 Fl. 1.373 2 Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma completa, adoto o relatório da decisão recorrida, conforme a seguir transcrito (fls. 1.309/1.311): (...) A Delegacia da Receita Federal (DRF) em Santo André, deferiu apenas parcialmente o pedido de restituição, por conta do prazo decadencial de 5 (cinco) anos que atingiu os pagamentos efetuados até julho de 1995. O interessado, então, apresentou manifestação de inconformidade contra a decisão da DRF/Santo André (fls. 545/564). Contudo, o Acórdão da DRJ/Campinas indeferiu a solicitação do contribuinte, ratificando o despacho decisório da DRF/Santo André (fls.566/571). O interessado apresentou recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes contra o acórdão da DRJ/Campinas (fls. 596/611). O Segundo Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso, reconhecendo a inocorrência da prescrição à pretensão do contribuinte e também da decadência ao direito, impondo a verificação dos créditos alegados em virtude de recolhimentos havidos entre dezembro de 1989 e setembro de 1995 de acordo com a Lei Complementar nº 7/70 (fls. 617/620). A União, através da Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), apresentou recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), pedindo a reforma do acórdão do Conselho de Contribuintes, com o intuito de restabelecer o prazo de 5 (cinco) anos de restituição para o PIS para o presente caso (fls. 622/625). Cientificado, o interessado apresentou contrarazões ao recurso especial interposto pela PFN (fls. 662/682). Acórdão da Segunda Turma da CSRF negou provimento ao recurso, confirmando o início do prazo prescricional após a publicação da resolução senatorial (fls. 729/734). Após, a PFN interpôs recurso extraordinário contra o retro acórdão sob alegação de dissídio jurisprudencial (fls. 738/748), a qual não foi reconhecida pelo CSRF, que, dessa forma, negou provimento ao recurso, finalizando a lide administrativa. O Despacho Decisório de fls. 1249/1255 reconheceu o direito creditório de R$ 1.862.549,08, atualizados até 31/12/95, lembrando que a DRF/Santo André já havia reconhecido parcialmente o pleito no valor de R$ 45.707,13 (fls. 538/541). Dessa forma, o direito creditório total é de R$ 1.908.256,21. O contribuinte foi notificado deste Despacho Decisório em 19/03/2012 (fls. 1268) e apresentou sua manifestação de inconformidade em 18/04/2012 (fls. 1257/1266), alegando em síntese que: 1) o contribuinte não teve acesso aos autos, tendo sensivelmente prejudicado o seu direito de contraditório e ampla defesa; 2) o cálculo apresentado inicialmente está correto e de acordo com a legislação vigente; 3) o cálculo sintetizado no r. despacho decisório, é um cálculo fechado e que não permite a conferência, sendo certo que deveria impugnar analiticamente o cálculo apresentado anteriormente; Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 13820.000370/0072 Resolução nº 3402002.016 S3C4T2 Fl. 1.374 3 4) os valores recolhidos indevidamente a título de PISFaturamento por força dos decretos lei inconstitucionais são passíveis de restituição, independente da receita da empresa ser ou não exclusivamente da prestação de serviços, inclusive, no caso, os relativos aos anosbase de 1989 e 1990, já que a Lei Complementar n° 07/1970 era o único diploma legal válido para disciplinar a espécie; 5) as declarações de compensação a serem homologadas são as apresentadas a partir de julho de 2009 em diante, já que as declarações anteriores foram rejeitadas e os créditos ali "compensados" foram incluídos em regular parcelamento. Ao final, requer o deferimento integral da restituição requerida através do processo administrativo nº 13820.000370/0072. É o relatório. No entanto os argumentos aduzidos pela Recorrente não foram suficientes e a DRJ em Fortaleza/CE, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos (fl. 650): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE PROVAS. Não há que se falar em prejuízo ao direito de defesa quando não são apresentadas provas de sua alegação. Alegar e não provar é o mesmo que não alegar. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 PIS. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. No período de aplicação da Lei Complementar nº 7/70, as empresas exclusivamente prestadoras de serviços estavam sujeitas ao recolhimento do PIS Repique, calculado mediante aplicação da alíquota de 5% sobre o imposto de renda devido ou como se devido fosse. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 13820.000370/0072 Resolução nº 3402002.016 S3C4T2 Fl. 1.375 4 Na decisão de piso restou consignado que "(...) No Despacho Decisório de fls.1249/1255, a partir da análise das declarações de rendimentos do contribuinte, a autoridade fiscal destaca que o crédito advindo do pagamento indevido de PIS somente se refere aos períodos de apuração da janeiro de 1991 a setembro de 1995, quando o contribuinte apresenta receitas exclusivamente da prestação de serviços, condição para se enquadrar como contribuinte da modalidade PIS REPIQUE". Conclui que o contribuinte não contesta o fato de que somente a partir do ano calendário 1991 apresentou receitas exclusivamente decorrentes de prestação de serviços, concluise que nos anoscalendário 1989 e1990 a contribuição ao PIS era devida de acordo com a modalidade do PIS Faturamento, conforme disposto na Lei Complementar nº 07/70. De outro lado, a Recorrente insiste em seu recurso que "(...) Nos anos de 1989 e 1990, a receita da contribuinte deve ser considerada exclusivamente decorrente da prestação de serviços, consoante os registros da Junta Comercial de São Paulo". Afirma ainda a Recorrente que "(...) Os pedidos de compensação anteriores a julho de 2009, indevidamente homologados no despacho decisório e mantidos no v. Acórdão recorrido, devem ser desconsiderados, posto que regularmente parcelados". (Grifei) Por fim, requer a reforma da decisão recorrida, para reconhecer o direito da contribuinte de recalcular o PIS recolhido indevidamente nos períodos de 1989 e 1990, bem como que os pedidos de compensação indeferidos pela própria Receita Federal e parcelados pela contribuinte, sejam regularmente excluídos da homologação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo (postado via SEDEX em 22/06/2015, conforme doc. fls. 1.367/1.368) e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide A Recorrente solicita restituição referente a recolhimento indevido de PIS Faturamento quando devido era o PIS REPIQUE, em face da inconstitucionalidade dos Decretos Leis nº 2.445 e 2.449/88. Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 13820.000370/0072 Resolução nº 3402002.016 S3C4T2 Fl. 1.376 5 3. Das constatações do Fisco na decisão recorrida Os julgadores entenderam que quaisquer recolhimentos indevidos de PIS Faturamento efetuados sob a égide dos Decretos Leis nº 2.445 e 2.449/88, referentes aos anos calendário de 1989 e 1990, devem ser apurados pela diferença em relação ao critério de cálculo da modalidade de PISFaturamento definido pela Lei Complementar nº 07/70. Portanto, tal análise foge ao escopo do presente processo, que se restringe ao pedido de restituição de recolhimento indevidos de PISFaturamento quando devido o PISREPIQUE, conforme especificado na fl. 02, do presente processo. Já a Recorrente aduz em seu recurso que nos anos de 1989 e 1990, a receita da contribuinte era exclusivamente decorrente da prestação de serviços, consoante os registros da Junta Comercial de São Paulo conforme documentos que anexa e que os pedidos de compensação anteriores a julho de 2009, indevidamente homologados no despacho decisório e mantidos pelo Fisco devem ser desconsiderados, posto que regularmente parcelados". 4. Da necessidade da conversão do julgamento em Diligência Pois bem. Pelo interesse demonstrado e pelas razões apresentadas em seu Recurso Voluntário, entendo que persiste razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos aos créditos que a Recorrente pretende compensar. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábil e fiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para a Recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados em seu recurso e, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, entendo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho a conversão do julgamento em Diligência, para que a autoridade fiscal da DRF de origem, informe o que segue: (i) com base nos documentos juntados aos autos (doc. fls. 1.340/1.366) e, caso entender necessário poderá intimar a Recorrente a apresentar outros documentos, objetivando comprovar que nos anos de 1989 e 1990 a receita deveria ser considerada exclusivamente decorrente da prestação de serviços, consoante os registros em documentos da Junta Comercial de São Paulo; (ii) avaliar e informar se procede a afirmação da Recorrente em seu recurso que "Os pedidos de compensação anteriores a julho de 2009, indevidamente homologados no despacho decisório e mantidos no Acórdão recorrido, devem ser desconsiderados, posto que regularmente parcelados" (fls. 1.328/1.329, do RV); e Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 13820.000370/0072 Resolução nº 3402002.016 S3C4T2 Fl. 1.377 6 (iii) ao término dos trabalhos, a Autoridade Fiscal, deverá elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados na Diligência, inclusive manifestandose sobre a existência (ou não) de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pela Recorrente nas Declarações de Compensação apresentadas e aqui discutidas. Por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574, de 2011, dando ciência à Recorrente do Relatório e documentos produzidos, concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara/3ª Sejul/CARF, para prosseguimento do julgamento. É como voto a presente diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 1377DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10707.001524/2008-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TITULARIDADE DOS DEPÓSITOS. SÚMULA CARF Nº 32.
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.
Numero da decisão: 9202-007.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Patrícia da Silva não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa na reunião anterior.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TITULARIDADE DOS DEPÓSITOS. SÚMULA CARF Nº 32. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10707.001524/2008-80
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6019239
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.629
nome_arquivo_s : Decisao_10707001524200880.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10707001524200880_6019239.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Patrícia da Silva não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa na reunião anterior. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7776898
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906795896832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1940; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10707.001524/200880 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202007.629 – 2ª Turma Sessão de 27 de fevereiro de 2019 Matéria IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recorrente MARIA CLARA FERREIRA NETO MENESCAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TITULARIDADE DOS DEPÓSITOS. SÚMULA CARF Nº 32. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Patrícia da Silva não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa na reunião anterior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 7. 00 15 24 /2 00 8- 80 Fl. 7200DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 2.276/2.325 – vol XII) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF exercícios 2004, 2005, anoscalendário 2003, 2004, por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 1.316.067,68, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído devido à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Foi solicitada a comprovação da origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, tendo a fiscalização efetuado relação de cada depósito/crédito individualizado e intimado a contribuinte a comprovar a origem de cada depósito. O fundamento legislativo do lançamento é o art. 849 do Regulamento de Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3000, de 1999 (RIR 99) e o art. 1º da Medida Provisória 22, de 2002, convertida na Lei 10.451, de 2002. O auto de infração foi lavrado em 03/11/2008 e cientificado à contribuinte em 07/11/2008 A autuada apresentou impugnação, tendo Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ julgado a impugnação procedente em parte, mantendo, em parte, o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 26/01/2016, o julgamento foi convertido em diligência, restando a Resolução nº 2301000.572 (fls. 5055), da 3ª Câmara, que decidiu pelo retorno deste processo ao SECOJ para juntada ao processo nº 10707.001523/2008 35, do qual é sujeito passivo o Sr. Sergio Arthur Fabiano Leão Menescal, marido da autuada e cotitular da referida conta conjunta. Tais processos possuem como elemento de conexão a co titularidade das contas correntes, observado o disposto no artigo 46, II, do Ricarf. Em 23/02/2016, o Conselheiro Relator dos presentes autos opôs Embargos de Declaração (fls. – Despacho em Embargos) alegando o seguinte: Fl. 7201DF CARF MF Processo nº 10707.001524/200880 Acórdão n.º 9202007.629 CSRFT2 Fl. 3 3 “(...) Porém, consultando o andamento do processo 10707.001523/200835, verifico que este encontrase na atividade “para relatar”, na 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção deste Carf, desde 09/12/2015. Assim, é inaplicável o § 5º do art. 6º do Ricarf, conforme constou na Resolução. A regra aplicável é a do § 3º do mesmo artigo, que prevê a juntada por despacho do Presidente da Câmara (se os processos estiverem em Turmas de idêntica Câmara) ou do Presidente da Seção (caso de processos em Turmas de Câmaras distintas); Eis a redação do art. 6º, § 3º do Ricarf: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: (...) § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. Ocorre que o presente processo já teve sua juntada requerida ao Presidente da Seção, via email corporativo, em 15/05/2015 (durante o recesso do Colegiado, em 2015), que foi negada, sob as seguintes alegações: “a distribuição por conexão é uma exceção ao princípio da impessoalidade, garantido pelo sorteio. Portanto, como o operador deôntico do art. 6o do RICARF é PODERÁ, não fico vinculado à distribuição por conexão. Assim, somente tenho deferido a distribuição por conexão quando há UMA QUESTÃO DE PREJUDICIALIDADE entre as decisões, ou seja, se uma vez tendo sido dado provimento ao recurso de um processo, o outro necessariamente deveria ser provido, e viceversa. Exemplifico, dois processos previdenciários um com o lançamento do tributo e outro com lançamento de multa (isso ainda ocorre muito no CARF), ora, se o tributo não for devido, não há que se falar em multa. Agora, analisando o caso, temos dois contribuintes que, conforme livre convencimento dos colegiados, frente às provas apresentadas, podem ter julgamentos diferentes. A divergência, justamente, é resolvida pela CSRF em sede de RESP. Concluindo, salvo novos esclarecimentos sobre a questão de fato, esse não seria um dos casos de distribuição por conexão.” Nesse sentido, creio que a melhor solução é EMBARGAR DE OFÍCIO a resolução, uma vez que foi omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma (art. 65 do Ricarf), ou seja, o processo já estar distribuído para Conselheiro de outra Câmara no momento da conversão do julgamento em diligência. Fl. 7202DF CARF MF 4 Penso, ainda, que a melhor solução a ser dada ao presente caso é o de ser novamente pautado para julgamento.” Assim, em sessão plenária de 12/04/2016, foi negado seguimento ao recurso voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301004.598 (fls. 5067), com o seguinte resultado: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.” O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anoscalendário: 2003, 2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto 70.235/72 que rege o processo administrativo fiscal, não ocorre nulidade, mormente quando fica demonstrado à saciedade que a recorrente teve oportunidade e exerceu o mais amplo direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS APURADA A PARTIR DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DECADÊNCIA. “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário” (Súmula Vinculante CARF nº 38). OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TITULARIDADE DOS DEPÓSITOS. SÚMULA CARF 32. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. ÔNUS DA PROVA. Sendo o ônus da prova, por presunção legal, do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Cientificado em 04/05/2016, o contribuinte opôs em 09/05/2016, portanto, tempestivamente, Embargos de Declaração alegando omissão acerca dos aspectos nucleares da acusação, segundo o qual: (i) ela e seu cônjuge, sócios majoritários daquela pessoa jurídica Fl. 7203DF CARF MF Processo nº 10707.001524/200880 Acórdão n.º 9202007.629 CSRFT2 Fl. 4 5 (CAOLIM AZZI LTDA.) que se encontrava em grave situação de liquidez, pagavam a quase totalidade das despesas da aludida sociedade e lhe emprestavam dinheiro, tornandose, desse modo, seus credores, conforme demonstraram também os cheques emitidos para esse fim, cujas cópias foram exibidas; (ii) para quitar as dívidas assim contraídas com a EMBARGANTE e seu cônjuge, a CAOLIM endossava, em favor de ambos, as duplicadas que emitia nas vendas a prazo aos clientes; (iii) desse modo, os mesmos recursos financeiros giravam diversas vezes naquelas contas, entrando e saindo sucessivamente, sem acarretar acréscimos dos patrimônios dos credores, salvo no tocante aos juros incidentes sobre os créditos em comento, que foram tributados exclusivamente na fonte e informados nas suas Declarações de Ajuste de seu marido. Alega também contradição existente entre os termos do acórdão embargado e a verdadeira causa da autuação em face da demonstração cabal pela própria fiscalização da origem dos depósitos em suas contas bancárias, assim como (ii) suprir a omissão a respeito das provas da causa dos endossos das duplicatas que os originaram, a respeito das quais foi inteiramente silente o aresto embargado”. Tais embargos foram rejeitados, conforme Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 20/05/2016 (fls. ). Cientificado da rejeição dos embargos opostos em 13/06/2016, o contribuinte interpôs em 28/06/2016, portanto, tempestivamente, Recurso Especial (fls. 6907. Em seu recurso visa a rediscussão das seguintes matérias: a) nulidade por preterição ao direito de defesa; b) apreciação de provas trazidas aos autos após a interposição de recurso voluntário, relacionadas a atos posteriores à sua interposição; c) presunção prevista no art. 42 da Lei n.º 9.430/96 uma vez comprovada a origem dos depósitos cabe ao fisco investigar a sua causa para aplicar, se for o caso, regra de tributação específica; e d) presunção prevista no art. 42 da Lei n.º 9.430/96 não se aplica diante de indícios de que a movimentação bancária decorre de atividade específica. Ao Recurso Especial foi dado parcial seguimento, em relação às matérias constantes dos itens “c” e “d”, de acordo com o Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 14/10/2016 (fls. 7058), conforme acórdãos paradigmas nsº 10617.207 e 10423.143 (item c) e nºs 102 45.896 e 10249.335 (item d). Em relação ao item “c” presunção prevista no art. 42 da Lei n.º 9.430/96 uma vez comprovada a origem dos depósitos cabe ao fisco investigar a sua causa para aplicar, se for o caso, regra de tributação específica, o contribuinte alega: · que o acórdão recorrido apóiase na insólita tese de que, quando o artigo 42 da Lei nº 9.430/93 concebeu a presunção legal de considerar como rendimento omitido crédito em conta bancária cuja origem não tenha sido comprovada, o vocábulo “origem” nele empregado para descrever a hipótese de incidência do tributo não significa origem, mas causa. · Diz, porém, que a origem daqueles depósitos é o patrimônio dos depositantes, clientes da CAOLIM, todos perfeitamente identificados; e que a causa é o endosso das duplicatas correspondentes às faturas emitidas em decorrência de vendas efetuadas pela CAOLIM àqueles depositantes, fato incontroverso no presente auto, como declarado pelos próprios autores, ao reconhecerem que “o contribuinte limitou seu atendimento a comprovar que as duplicatas cobradas, cujos valores foram creditados em suas contas bancárias, eram Fl. 7204DF CARF MF 6 provenientes de títulos endossados pela Caolim Azzi Ltda.”, mormente diante da identificação minuciosa de cada depósito com a coincidência de datas e valores indicados nos extratos de desconto de duplicatas, conforme planilhas e demonstrativos de fls. 1.332/1.501 e 1.504/1.521 instruídas com documentação de suporte. · Salienta que ao rechaçar os esclarecimentos prestados pela Recorrente, tanto a fiscalização como a instância de origem não estavam contestando a origem e muito menos a causa desses depósitos; e sim, estavam questionando a causa dos endossos, que a Recorrente reputa indiscutivelmente comprovada nestes autos. · Constata que os acórdãos paradigmas afastam a aplicação da presunção prevista na Lei nº 9.430/96 em situações fáticas idênticas ao presente caso, em que a própria fiscalização reconhece a comprovação da origem dos depósitos (duplicatas endossadas pela CAOLIM em favor da Recorrente), dispensando expressamente a prova de todas as operações que deram causa a essa operação, justamente porque para repudiar os esclarecimentos prestados pelo contribuinte, indispensável seria aprofundar as investigações para verificar se seria possível contornar o comando inserto no §1º do artigo 845 do RIR/99 e, se fosse o caso, tributar eventual rendimento omitido com base na legislação aplicável à sua natureza identificada, jamais por presunção. Em relação ao item “d” presunção prevista no art. 42 da Lei n.º 9.430/96 não se aplica diante de indícios de que a movimentação bancária decorre de atividade específica, o contribuinte alega que: · embora o aresto recorrido não negue os pagamentos realizados no interesse da CAOLIM, preferiu cerrar os olhos à existência da operação de crédito rotativo, ignorando até mesmo os cheques nominais emitidos pela Recorrente e seu esposo em favor da sociedade mutuante, para concluir que “nas operações de mútuo existe uma vinculação evidente entre os recursos emprestados e sus respectivos pagamentos. Esse nexo de causalidade não foi estabelecido entre os pagamentos efetuados a terceiros e os depósitos nas contas da recorrente.” · Acrescenta que ao cerrar os olhos às evidências mais do que flagrantes da existência do fluxo financeiro existente entre a CAOLIM e as contas bancárias da recorrente e seu marido e à existência de sucessivos pagamentos realizados com recursos de suas contas pessoais em favor daquela pessoa jurídica, a fiscalização demonstrou a sua intenção deliberada em lavrar auto de infração de vulto a qualquer custo, abstraindo até mesmo os cheques emitidos acompanhados de comprovantes de pagamentos em favor da CAOLIM, que a própria auditoria fiscal listou às fls. 2.297/2.302, com relação aos períodos de janeiro a agosto de 2003, e, lamentavelmente, recebeu os aplausos da instância a quo pela pratica desse comportamento. Fl. 7205DF CARF MF Processo nº 10707.001524/200880 Acórdão n.º 9202007.629 CSRFT2 Fl. 5 7 · Cita trechos dos acórdãos paradigmas que ao apreciar a aplicação da regra do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, que trata de imputação de omissão de rendimentos por presunção relativa inferida a partir de créditos efetuados em conta bancária, levam em conta que as presunções são meios indiretos de prova admitidos em Direito, cuja eficácia dos raciocínios dedutivos desenvolvidos para erigilas e aplicalas, mesmo quando formuladas pelo legislador (presunções legais) está condicionada à plausibilidade da relação entre as premissas e suas conclusões, sustentada na existência de liame lógico, porque empírico e reiteradamente constatado, entre um fato conhecido e um resultado que desse se depreende; em outras palavras, sempre que o intérprete se sentir estimulado a invocar norma presuntiva que acarrete como consequência um efeito ilógico e improvável, convém retroceder e admitir que a sua interpretação está incorreta, como decidido nos arestos paradigmas. · Ressalta que essa é exatamente a interpretação rejeitada pelo aresto recorrido, que desconsidera a origem verdadeira e ostensivamente declarada dos depósitos efetuados nas suas contas no contexto do crédito rotativo concedido à CAOLIM, para, olvidandose de que, de acordo com os pagamentos realizados no interesse daquela empresa, os recursos emprestados retornavam às suas contas bancárias e eram novamente empregados em favor daquela sociedade, admitindo tratá los individualmente como rendimentos omitidos, chegando a um montante estratosférico, incompatível com as dimensões da CAOLIM e o patrimônio real da recorrente, o que deveria ter levado a instância a quo pelo menos desconfiar que essas conclusões eram ainda mais estapafúrdias, merecendo ser afastadas, como decidido nos acórdãos paradigmas em situações fáticas idênticas nas quais restou demonstrada atividade exercida pelo sujeito passivo que afasta a presunção absurda de que cada um daqueles depósitos constituem rendimento omitido pelo titular da conta bancária. Cientificado do Despacho que trata da admissibilidade do seu Recurso Especial em 08/12/2016, o contribuinte interpôs Agravo (fls. 7091), questionado o não seguimento dos itens “a” e “b” de seu recurso, que foi rejeitado pelo Despacho s/nº da ASTEJ/PRESI/CARF, de 16/06/2017 (fls. 7109). Desse despacho, o contribuinte foi cientificado em 24/07/2017. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 15/08/2017 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional apresentou em 21/08/2017, portanto, tempestivamente, contrarrazões (fls. 7132). Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional alega que: · de acordo com o teor do art. 42 da Lei n.º 9.430/96, a autoridade fiscal está autorizada, mediante conhecimento dos valores creditados na conta bancária, a intimar o seu titular a comprovar a origem daqueles recursos, com o fim de que seja observado se já foi objeto de Fl. 7206DF CARF MF 8 tributação; e como se trata de hipótese em que a própria lei define que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos, cabe ao sujeito passivo, para que tais valores não sejam objeto de exação fiscal, a apresentação dos esclarecimentos necessários à identificação da origem dos recursos depositados na contacorrente bancária. · Ressalta que em tal hipótese, observase a inversão do ônus da prova no direito tributário, que se opera quando, por transferência, compete ao sujeito passivo o ônus de provar que não houve o fato infringente, sendo que a inversão sempre se origina de existência em lei. · Salienta que a presunção representa uma prova indireta, partindose de ocorrências de fatos secundários, fatos indiciários, que apontam para o fato principal, necessariamente desconhecido, mas relacionado diretamente ao fato conhecido. · Verifica que a tributação por meio de depósitos bancários deriva de presunção de renda legalmente estabelecida; ou seja, tratase, por outro lado, de presunção juris tantum, ou seja, uma presunção relativa que pode a qualquer momento ser afastada mediante prova em contrário, cabendo ao contribuinte sua produção. · Afirma que a autoridade autuante agiu com acerto: diante do indício de omissão de rendimentos, operou a inversão do ônus da prova, cabendo ao interessado, a partir de então, provar a inocorrência do fato ou justificar sua existência, o que não logrou fazêlo. · Diz que, a partir do exame do dispositivo citado, percebese claramente que a presunção de omissão de receitas ou de rendimentos dos valores depositados em contas de depósito ou de investimento condicionase à ausência de comprovação, pelo contribuinte, da origem dos recursos utilizados nessas operações; o comando legal, quanto a esse ponto, é expresso, ainda, no sentido de que a comprovação da origem, quando houver, deverá ser feita mediante documentação hábil e idônea. · Por fim, acredita que o entendimento adotado pelo colegiado a quo, no sentido de considerar não comprovada a origem do valor constante de depósito bancário mediante a simples indicação formal do depositante, encontrase plenamente de acordo com a disposição do art. 42 da Lei n.º 9.430/96. É o relatório. Fl. 7207DF CARF MF Processo nº 10707.001524/200880 Acórdão n.º 9202007.629 CSRFT2 Fl. 6 9 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 7058. Não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do Mérito Cingese a controvérsia em relação a: · Em relação ao item “c” presunção prevista no art. 42 da Lei n.º 9.430/96 uma vez comprovada a origem dos depósitos cabe ao fisco investigar a sua causa para aplicar, se for o caso, regra de tributação específica; · Em relação ao item “d” presunção prevista no art. 42 da Lei n.º 9.430/96 não se aplica diante de indícios de que a movimentação bancária decorre de atividade específica Na verdade, da leitura das matérias trazidas em sede de recurso pelo contribuinte as mesmas tangenciam os mesmos fundamentos, quais sejam, incabivel a manutenção do lançamento com base no art. 42 da lei 9430/96, sobre depósitos bancários face as provas apresentadas com a identificação da origem dos depósitos bancários. Um ponto que já merece ser colocado. diz respeito a alegação do recorrente trazida ao processo de que o processo conexo do cônjuge acabou por ser anulado, conforme decisão proferida no acordão nº 2201003.636 de 10.05.2017. Contudo, entendo que a decisão adotada pela maioria daquele colegiado não vincula o resultado desse processo, tanto que a decisão adotada no acordão recorrida na mesma instância foi diversa, possibilitando a apresentação do recurso especial que ora se analisa. Competira a Fazenda NAcional, se entender cabivel aa interposição do recurso especial em relação ao citado processo. Tratandose de depósitos bancários entendo que a presunção de omissão de receitas ou de rendimentos dos valores depositados em contas de depósito ou de investimento condicionase à ausência de comprovação, pelo contribuinte, da origem dos recursos utilizados nessas operações. Contudo, o comando legal, quanto a esse ponto, ou seja, comprovação, é expresso, no sentido de que a comprovação da origem, quando houver, deverá ser feita mediante documentação hábil e idônea. Ainda quanto a esta comprovação, não se trata da mera identificação do depositante, como forma de elidir a presunção legal, tanto mais quando distanciada, aquela identificação, da prova documental, repitase, hábil e idônea, a respaldar a demonstração da verdadeira origem dos recursos empregados. Fl. 7208DF CARF MF 10 Alias, entendo quanto ao mérito da questão que o acordão recorrido enfrentou da forma devida a matériaa, razão pela qual adoto a interpretação ali adotada como razões de decidir, razão pela qual transcrevo nas partes pertinentes. DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS EM FACE DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA A contribuinte alega que detém, juntamente com seu marido, 97% das quotas representativas do capital da Caolim, CNPJ 22.349.880/000148, (cada um possui 48,5% das quotas); em 1999, tendo sido elevado o volume de inadimplência dos seus clientes, ela e seu marido estipularam “contrato oneroso de abertura de crédito”, pelo qual ambos se propuseram “a emprestar o dinheiro necessário para a manutenção do funcionamento do negócio, utilizando recursos próprios que se encontram aplicados em instituições financeiras" (cláusula 2); em garantia do pagamento dos empréstimos a devedora endossaria, “em favor dos mutuantes duplicatas mercantis representativas do faturamento para seus clientes das vendas de itens de sua linha de produção”, as quais eram “alocadas em cobrança simples em contas correntes bancárias de titularidade dos mutuantes” (cláusula 3); sendo que “a remuneração do capital emprestado será acordada pelas partes conforme juros cobrados pelos bancos para empréstimos com a garantia de duplicatas” (cláusula 6). Afirma que, na prática, o contrato funcionava sob a forma de crédito rotativo, de modo que ela e seu marido pagavam, com seus próprios recursos, as obrigações contraídas pela Caolim, subrogandose nos direitos dos credores, bem como adiantavam lhe recursos financeiros por transferências bancárias; em contrapartida, os créditos de ambos eram quitados à medida que os clientes da Caolim pagavam as duplicatas de sua emissão, mediante depósitos nas contas bancárias pessoais dos mutuantes e, concomitantemente, os valores recebidos eram destinados para saldar novas dívidas da Caolim, em um sistema que se auto alimentava. Assevera que negar a validade jurídica do contrato de mútuo significa desconsiderar a personalidade jurídica da Caolim, e que a origem dos depósitos é o patrimônio dos depositantes, clientes da Caolim, sendo a sua causa o endosso das duplicatas, demonstrada pelos seguintes documentos: a) contrato de mútuo oneroso (doc. 02 da Impugnação); b) cópias dos Extratos de Movimentação de Títulos fornecidos pelo Banco ITAÚ (fls. 143/537, 572/626, 648/684 e 1.219/1.331), que atestam serem as duplicatas neles indicadas provenientes do endosso da CAOLIM em favor da RECORRENTE e de seu marido, com a menção especifica aos valores, às datas, aos nomes dos sacados e números da cada um daqueles títulos; c) demonstrativos apresentados pela própria CAOLIM (fls.1.332/ 1.501), que indicam as prestações de contas dos valores pagos à RECORRENTE e ao seu marido em razão dos mútuos concedidos, com a descrição das duplicatas emitidas Fl. 7209DF CARF MF Processo nº 10707.001524/200880 Acórdão n.º 9202007.629 CSRFT2 Fl. 7 11 pela empresa e endossadas como garantia dos empréstimos rotativos realizados; d) cópia do Livro Caixa da CAOLIM, curiosamente não trazida aos autos pelos autuantes, mas apresentada como doc. 06 anexo da Impugnação, que registra o endosso de cada uma das duplicatas sacadas contra seus clientes, com a indicação dos respectivos valores, datas, nomes dos sacados e números dos títulos, que são rigorosamente os mesmos que deram origem aos depósitos nas contas correntes da RECORRENTE Ê de seu marido. Lembra que a quase totalidade dos depósitos bancários advém de movimentação rotativa de recursos decorrente de empréstimos e descontos de duplicatas, a gerar sucessiva tributação sobre os mesmos valores que reingressam na conta da autuada. Afirma que as cópias reprográficas (verso e anverso) dos cheques emitidos por si seu marido para o pagamento das obrigações da Caolim foram apresentadas à fiscalização com relação ao período de janeiro a agosto de 2003 (fls. 1.676 a 2.183), sendo que a compensação daqueles cheques pode ser facilmente confirmada pelos débitos registrados nos extratos bancários daquelas contas que se encontram nos autos, com coincidência das datas e valores estampados nas suas cópias, eliminando qualquer dúvida sobre a “efetiva movimentação financeira”. Diz que a fiscalização nunca teve dúvida da existência de sues créditos perante a Caolim, tanto que examinou detalhadamente os cálculos dos juros que incidiam sobre os saldos daqueles créditos, discriminados nos demonstrativos apresentados pela Caolim às fls. 1.332 a 1.501, tendo esmiuçado os detalhes da sua tributação na fonte, declaradas nas DIRPF de seu marido (doc. 03 da impugnação) e que os cheques emitidos, acompanhados de comprovantes de pagamentos em favor da Caolim, foram listados pela fiscalização às fls. 2.297 a 2.302, com relação aos períodos de janeiro a agosto de 2003; outrossim, outorgou expressamente às autoridades lançadoras poderes para quebrar seu sigilo bancário (fl. 1.218) o que lhes permitiria acessar os originais e extrair cópias de tudo o que desejassem, inclusive dos cheques compensados. Por primeiro, cumpre registrar que não se está, nesse processo, procedendo à desconsideração da pessoa jurídica Caolim Azzi Ltda. Ocorre que a recorrente, ao firmar contrato de mútuo com a sociedade em questão, pelo qual se obriga a pagar contas dessa sociedade com seus fornecedores e a ser ressarcida pelo recebimento de duplicadas endossadas pela sociedade, originada de créditos dessa com seus fornecedores, deve saber que a prova da execução de tal contrato exige prova detalhada de cada operação, ou seja, devem estar documentados cada valor que repassa à Caolin bem como cada valor dessa recebido. Caso contrário, ante à impossibilidade de provar a Fl. 7210DF CARF MF 12 origem de cada depósito em sua conta corrente é aplicável a presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, a seguir transcrito: [...] Foram diversas as intimações para a comprovação da origem dos recursos (fls. 541 a 542, 557 a 558, 636 a 638, 708 a 709, 745 a 747, 941 a 942, 1222 a 1223, 1666 a 1667). A cada intimação, foram excluídos, caso existissem, os depósitos comprovados em resposta à intimação anterior. Entende a recorrente que a origem dos depósitos é o patrimônio dos depositantes, clientes da Caolim, sendo a causa dos depósitos o endosso das duplicatas, demonstrada pelos seguintes documentos. Não lhe assiste razão. A origem a ser comprovada é a do crédito que a recorrente possui com a Caolim, o qual, segundo ela, advém do contrato do mútuo. Pois bem, não basta apresentar o contrato de mútuo, mas deve ser demonstrado documentalmente que os recursos foram emprestados à Caolim, sendo quitados pelos pagamentos das duplicatas. Foi o que conseguiu parcialmente comprovar (ver resumo das operações, comprovadas ou não, às fls. 2283 a 2295). O contribuinte alega que: (a) foram depositados em suas contas correntes valores destinados a prover a sobrevivência de várias pessoas, os quais não são receitas tributáveis; (b) os depósitos efetuados na conta n° 16824908, mantida no Banco de Boston teriam como origem os aluguéis dos imóveis de propriedade de seu marido, rendimentos esses que já teriam sido em parte declarados e em parte tributados no processo n° 10707.001523/200835. Competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirma, segundo o disposto na referida Súmula CARF 32, no art. 42 da Lei 9.430, de 1996 e, ainda no art. 36 da Lei 9.784, de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal): Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido, o art. 330 da Lei 5.869, de 1973 (Código de Processo Civil): Art. 333. O ônus da prova incumbe: (...) II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Corroborando tal tese, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710— RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Fl. 7211DF CARF MF Processo nº 10707.001524/200880 Acórdão n.º 9202007.629 CSRFT2 Fl. 8 13 Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada. (Intervenção Federal Nº 83— PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) Ademais, não restou demonstrado que os depósitos efetuados na conta do Banco de Boston eram atinentes aos rendimentos de aluguéis recebidos por seu marido, permanecendo, em virtude disso, tais depósitos no montante de depósitos sem origem comprovada. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, a teor da Súmula Carf 32: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Quanto às cópias dos cheques não compensados emitidos pela recorrente e por seu marido para o pagamento das obrigações da Caolim, não foi feita a prova de que tais cheques tenham quitado dívidas da Caolim. Para tanto, seria necessário examinar a contabilidade dessa sociedade, da qual, repito, a recorrente e seu marido detém 97% das cotas. Porém, no curso do procedimento de fiscalização, do qual a recorrente foi intimada em 12/01/2007 (fl. 09), a Coalim, em 05/07/2007, registrou o extravio de todos os seus livros contábeis e fiscais, bem como da documentação que os lastreia e do disco rígido de computador que continha seus dados (fls. 875 a 880). Impossibilitouse, assim, de fazer provas (outras que já não tivessem sido apresentadas) da origem dos créditos da recorrente com a Caolim. Como apontou o acórdão guerreado, a origem dos depósitos efetuados nas contas de cotitularidade da interessada não restou provada pelas planilhas das fls. 937 a 941 e 942 a 946, uma vez que não há nenhuma prova que vincule os créditos efetuados nas contas particulares da recorrente a esses pagamentos, nem tampouco que os depósitos em favor dessa fariam parte de uma grande operação de crédito rotativo envolvendo a Caolim. Não foi demonstrado que os depósitos recebidos por meio de títulos de crédito emitidos pela Caolim correspondia a algum pagamento efetuado em favor dessa. Não houve identificação de pagamentos em favor da Caolim e demonstração de que valores que saíram da conta da contribuinte teria retornado a ela através de duplicata emitida pela Caolim endossada à recorrente. Não há qualquer correspondência de valores ou datas entre os pagamentos mencionados na impugnação e os depósitos com origem não comprovada. Nas operações de mútuo, existe uma vinculação evidente entre os recursos emprestados e seus respectivos pagamentos. Esse nexo de causalidade não foi estabelecido entre os pagamentos Fl. 7212DF CARF MF 14 efetuados a terceiros e os depósitos nas contas da recorrente. Por essa razão, os depósitos em questão não podem ser considerados como pagamentos de empréstimos concedidos à Caolim. Friso também que não há qualquer elemento nos autos que possa levar ao erro de identificação do sujeito passivo. As contas correntes fiscalizada efetivamente pertencem à recorrente, individualmente ou conjuntamente com seu marido e a tributação levou em consideração tais fatos. Sendo assim, não tendo sido elidida a presunção constante no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, deve ser mantido o lançamento, a exceção do depósito mencionado. No que tange aos depósitos de R$1.100,00 na conta 3702355 (Banco Real) nos anos calendário de 2003 e 2004, não restou provado que se tratava dos aluguéis recebidos pelo imóvel localizado na Rua Conde Baependi n° 34, apartamento 801, uma vez que, apesar de haver coincidência de valores, não foi produzida prova de que os referidos depósitos foram efetuados pelo locatário do citado imóvel como pagamento pelo aluguel devido. Assim, permanecem sem origem comprovada os depósitos de RS1.100,00 efetuados na conta de poupança n° 3702355 (Banco Real) nos anos calendário de 2003 e 2004. Os dispositivos legais chancelam a posição aqui adotada, de que não basta a demonstração de origem, mas a comprovação individual de que os depósitos bancários possuíam lastro em outras operações já ofertadas a tributações específicas: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Fl. 7213DF CARF MF Processo nº 10707.001524/200880 Acórdão n.º 9202007.629 CSRFT2 Fl. 9 15 Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Da analise dos dispositivos legais transcritos, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento presumem omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. É o que ocorre no presente caso. A partir da vigência do artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser modalidade de arbitramento – que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo Poder Judiciário (Súmula TFR 182), pelo Primeiro Conselho de Contribuintes e artigo 9º, inciso VII, do DecretoLei 2.471, de 1988 (que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto sobre a renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários) – para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Nacional. Aliás a aplicação da sumula no recorrido encontrase devidamente empregada. No âmbito do contencioso administrativo fiscal, foi editada a Súmula CARF 26, a fim de consolidar tal entendimento: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 7214DF CARF MF 16 Ou seja, não há que se acatar a tese esposada pelo recorrente, uma vez que o mesmo não conseguiu demonstrar o integral cumprimento da legislação para afastar a tributação na forma como veiculada no presente lançamento, razão pela qual nego proviment a seu recurso. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Especial do Contribuinte, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 7215DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.995328/2012-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA
A manifestação da DRJ acerca dos elementos probatórios juntados aos autos que permita a clara compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a hipótese de cerceamento de defesa e a possibilidade de declaração de nulidade da decisão a quo.
PEDIDO GENÉRICO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS. PRECLUSÃO.
Descabe, à luz da norma que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, o pedido genérico de apresentação, a qualquer tempo após a impugnação, de novos elementos de prova, sem que se demonstre a ocorrência de uma das possibilidades de exceção à regra geral de preclusão, qual sejam: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
DIREITO REPETITÓRIO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS PROBATÓRIO.
No pedido de restituição/ressarcimento ou na declaração de compensação, o contribuinte tem o ônus de provar a existência, certeza e liquidez do crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido. A consequência jurídica do não cumprimento do ônus probatório é o indeferimento do pedido.
DESCONSIDERAÇÃO DE ESCRITA CONTÁBIL E FISCAL. DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE.
Na análise do direito creditório decorrente de pagamento a maior ou indevido, o ônus probatório é do contribuinte, não sendo necessário que a Administração desconsidere a escrita comercial ou fiscal ou declare inidôneos os documentos juntados aos autos.
Numero da decisão: 1401-003.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade da decisão a quo, declarar a preclusão e indeferir o pedido de juntada de novos elementos de prova e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo-se incólume a decisão da DRJ. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10880.995319/2012-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Breno do Carmo Moreira Vieira (Conselheiro Suplente Convocado), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA A manifestação da DRJ acerca dos elementos probatórios juntados aos autos que permita a clara compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a hipótese de cerceamento de defesa e a possibilidade de declaração de nulidade da decisão a quo. PEDIDO GENÉRICO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS. PRECLUSÃO. Descabe, à luz da norma que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, o pedido genérico de apresentação, a qualquer tempo após a impugnação, de novos elementos de prova, sem que se demonstre a ocorrência de uma das possibilidades de exceção à regra geral de preclusão, qual sejam: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. DIREITO REPETITÓRIO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS PROBATÓRIO. No pedido de restituição/ressarcimento ou na declaração de compensação, o contribuinte tem o ônus de provar a existência, certeza e liquidez do crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido. A consequência jurídica do não cumprimento do ônus probatório é o indeferimento do pedido. DESCONSIDERAÇÃO DE ESCRITA CONTÁBIL E FISCAL. DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE. Na análise do direito creditório decorrente de pagamento a maior ou indevido, o ônus probatório é do contribuinte, não sendo necessário que a Administração desconsidere a escrita comercial ou fiscal ou declare inidôneos os documentos juntados aos autos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.995328/2012-35
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6002587
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1401-003.152
nome_arquivo_s : Decisao_10880995328201235.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10880995328201235_6002587.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade da decisão a quo, declarar a preclusão e indeferir o pedido de juntada de novos elementos de prova e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo-se incólume a decisão da DRJ. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10880.995319/2012-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Breno do Carmo Moreira Vieira (Conselheiro Suplente Convocado), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
id : 7726141
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906828402688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1950; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.995328/201235 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401003.152 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2019 Matéria PER/DComp; IRPJ Recorrente SPORT PROMOTION SOCIEDADE SIMPLES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA A manifestação da DRJ acerca dos elementos probatórios juntados aos autos que permita a clara compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a hipótese de cerceamento de defesa e a possibilidade de declaração de nulidade da decisão a quo. PEDIDO GENÉRICO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS. PRECLUSÃO. Descabe, à luz da norma que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, o pedido genérico de apresentação, a qualquer tempo após a impugnação, de novos elementos de prova, sem que se demonstre a ocorrência de uma das possibilidades de exceção à regra geral de preclusão, qual sejam: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. DIREITO REPETITÓRIO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS PROBATÓRIO. No pedido de restituição/ressarcimento ou na declaração de compensação, o contribuinte tem o ônus de provar a existência, certeza e liquidez do crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido. A consequência jurídica do não cumprimento do ônus probatório é o indeferimento do pedido. DESCONSIDERAÇÃO DE ESCRITA CONTÁBIL E FISCAL. DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 53 28 /2 01 2- 35 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.995328/201235 Acórdão n.º 1401003.152 S1C4T1 Fl. 3 2 Na análise do direito creditório decorrente de pagamento a maior ou indevido, o ônus probatório é do contribuinte, não sendo necessário que a Administração desconsidere a escrita comercial ou fiscal ou declare inidôneos os documentos juntados aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade da decisão a quo, declarar a preclusão e indeferir o pedido de juntada de novos elementos de prova e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendose incólume a decisão da DRJ. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10880.995319/2012 44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Breno do Carmo Moreira Vieira (Conselheiro Suplente Convocado), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Trata o presente processo de PER/Dcomp transmitido pelo contribuinte no qual demonstra crédito decorrente de Pagamento Indevido ou a Maior e declara compensações. Ao processar o PER/DComp apresentado pelo contribuinte, a Autoridade Administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil exarou Despacho Decisório denegando o pedido repetitório e não homologando a compensação. A negativa deveuse à constatação de que o DARF apresentado pelo contribuinte como origem do crédito teria sido integralmente utilizado para pagamento de débitos tributários, não restando nenhum saldo a ser repetido. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alegou que a fiscalização não teria se atido a todos os elementos do crédito pleiteado. Ao final, pede a homologação das compensações declaradas. Juntou notas fiscais. Na decisão de piso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou que, nos termos do disposto no artigo 333 do Código de Processo Civil (CPC/73), incumbe ao contribuinte, no caso de pedidos de repetição de indébito, fazer prova de seu direito, que deve ser líquido e certo conforme determinação do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.995328/201235 Acórdão n.º 1401003.152 S1C4T1 Fl. 4 3 No caso concreto, a DRJ constatou que, efetivamente, o DARF indicado pelo contribuinte havia sido integralmente utilizado no pagamento de outros débitos. Também constatou que o débito no qual o pagamento foi integralmente aproveitado está declarado em DCTF e DIPJ. Ao analisar os documentos apresentados pelo contribuinte, a DRJ conclui que estes não têm o condão de demonstrar qualquer erro que possa levar à alteração do débito declarado em DCTF e DIPJ, no qual o valor do DARF foi integralmente utilizado. Desta forma, a DRJ decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendose incólume o Despacho Decisório de indeferiu o crédito postulado e não homologou a compensação declarada. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alegou, sucintamente: (i) nulidade da decisão de piso: o contribuinte não pede de forma expressa a declaração de nulidade da decisão da DRJ. Entretanto, alegou que a DRJ teria deixado de fundamentar sua decisão, pois, embora tenha julgado improcedente a Manifestação de Inconformidade com fundamento na falta de comprovação do direito creditório, os julgadores teriam deixado de apreciar os documentos juntados, tais como livros fiscais, DCTF e cópias de notas fiscais. A falta de fundamentação da decisão afetaria o direito de defesa do contribuinte; (ii) pagamento em duplicidade ou a maior: o contribuinte repisou a alegação de que teria ocorrido efetivamente o pagamento indevido ou a maior; (iii) falta de comprovação, por parte da Administração, de fato impeditivo do direito creditório: alegou o contribuinte que à Administração incumbiria a comprovação de fato impeditivo do direito creditório pleiteado, nos termos do artigo 333, II, CPC/73; (iv) documentação e contabilidade idôneas: considerando que não há nenhum ato que desqualifique a contabilidade ou declare inidôneos os documentos apresentados, pleiteia o afastamento de qualquer punibilidade imputada; (v) juntada de novos documentos: o contribuinte protesta pela possibilidade de juntar novos documentos que eventualmente sejam necessários para provar suas alegações. Era o que havia a relatar. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10880.995328/201235 Acórdão n.º 1401003.152 S1C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.142, de 20/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.995319/2012 44, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401003.142): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos legais. Dele tomo conhecimento. A controvérsia do presente feito pode ser explicitada no seguintes pontos: (i) o contribuinte indicou o DARF por meio do qual teria ocorrido pagamento a maior ou indevido; (ii) com base nesse suposto pagamento indevido ou a maior, o contribuinte apresentou o PER/DComp requerendo o deferimento do crédito equivalente ao valor do pagamento indevido e a homologação da compensação declarada; (iii) a autoridade da DRF indeferiu o pedido porque o DARF havia sido inteiramente utilizado no pagamento de outros débitos e portanto, não havia nenhum saldo a ser repetido; (iv) a DRJ confirmou o Despacho Decisório ao constatar que o débito que foi quitado com o DARF em questão está declarado em DCTF e DIPJ. Diante desse quadro, o que seria necessário para configurar o pagamento indevido ou a maior? O contribuinte deveria, mesmo após o Despacho Decisório que denegou o direito creditório, retificar a DCTF e a DIPJ e demonstrar com documentos hábeis e idôneos que teria incorrido em erro de fato ao preencher as duas declarações. Somente a demonstração por meio da escrita contábil e fiscal, com a devida documentação de suporte, teria o condão de comprovar que houve um pagamento indevido e que haveria um saldo a repetir. Há diversos precedentes deste Conselho nesse sentido, como se pode ver nos excertos abaixo: Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10880.995328/201235 Acórdão n.º 1401003.152 S1C4T1 Fl. 6 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2014 PERDCOMP. CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza. (Acórdão nº 1302003.122, de 20/09/2018, relatoria do conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado). Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/04/2007 DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA PROVA. NECESSIDADE. A retificação das DCTF e DCOMP após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não é suficiente para a demonstração do direito creditório invocado. É ônus do interessado demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, apresentando os documentos e elementos de sua contabilidade que demonstram referido direito. (Acórdão nº 9303007.439, de 19/09/2018, redator designado conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal). No caso em apreço, o contribuinte não apresentou declarações retificadoras de DCTF e DIPJ. Também não trouxe as escritas contábil e fiscal que façam prova de que o tributo devido, que foi quitado com o DARF sob análise, seria inferior ao registrado nas declarações originais. O contribuinte, na impugnação e no recurso voluntário, limitou se a apresentar cópias de notas fiscais e singelos demonstrativos extra contábeis com relações de notas fiscais e demonstração de apuração (fora da escrita fiscal) das bases de cálculo dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) do terceiro trimestre do anocalendário. Tais elementos de prova não demonstram a retificação do débito que foi quitado com o DARF em questão. Não comprovam que teria ocorrido erro de fato nas declarações. Não comprovam que haja um saldo de pagamento indevido ou a maior a repetir. Não havendo liquidez e certeza do crédito, nos termos do artigo 170 do CTN, não é de se deferir o pedido de repetição. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10880.995328/201235 Acórdão n.º 1401003.152 S1C4T1 Fl. 7 6 Passo, agora, à análise das matérias postas pelo contribuinte no recurso voluntário. Preliminar de nulidade da decisão de piso A DRJ, ao fundamentar seu acórdão, manifestase acerca dos documentos juntados pelo contribuinte à manifestação de inconformidade. A manifestação é singela, mas chega às mesmas conclusões deste relator, conforme exposto acima. O que se percebe é que há uma inconformidade do contribuinte em relação às conclusões a que chegou a DRJ na análise das provas juntadas aos autos e pretende rediscutir a matéria por forma transversa, ou seja, alegando que a DRJ não fundamentou sua decisão. Não se enxerga nenhum prejuízo ao direito de defesa ou ao contraditório na forma como a DRJ fundamentou sua decisão. Não há que se falar, portanto, em nulidade da decisão. Neste ponto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Juntada de novos documentos. O Decreto nº 70.235/72 regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União. O artigo 16, § 4º, deste diploma institui a regra geral de preclusão do direito de juntar novos elementos de prova com a impugnação. As exceções à regra geral de preclusão, que permitiriam a apresentação de provas em momentos processuais posteriores, resumemse a três hipóteses, a saber: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No presente processo, não há fatos ou direitos supervenientes e nem fatos e razões trazidas aos autos após o Despacho Decisório. Restaria ao contribuinte, para fundamentar um pedido de apresentação de provas a destempo, conforme dicção do § 5º do dispositivo aludido, demonstrar a ocorrência de motivo de força maior que tenha impedido a apresentação tempestiva dos elementos de prova necessários para demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não encontra acolhida na norma processual mencionada, no atual estágio do processo, pugnar genericamente pelo direito de apresentar novos elementos de prova a qualquer tempo, caso sejam necessários. O que se constata de forma cristalina é que o contribuinte, desde o início e ao longo de todo o processo, não logrou apresentar os Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10880.995328/201235 Acórdão n.º 1401003.152 S1C4T1 Fl. 8 7 elementos probatórios necessários para demonstrar o crédito tributário pleiteado. Assim, neste ponto, voto por declarar a preclusão e indeferir o pedido de juntada de novos elementos de prova. Mérito. Pagamento em duplicidade ou a maior e falta de comprovação, por parte da Administração, de fato impeditivo de seu direito Conforme exposto anteriormente, com lastro na jurisprudência deste Conselho, incumbe ao contribuinte comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, nos termos do artigo 170 do CTN. Neste sentido, a hipótese de distribuição do ônus probatório pelas partes, no caso vertente, é a veiculada pelo artigo 373, I, do CPC/2015, ou seja, incumbe ao contribuinte a prova quanto ao fato constitutivo de seu direito creditório. Em síntese, o contribuinte tem o ônus de comprovar a existência, liquidez e certeza de seu direito creditório. A consequência jurídica do não cumprimento do ônus probatório é o indeferimento do pedido. E o contribuinte não se desincumbiu minimamente desse ônus probatório. Os parcos documentos apresentados, desacompanhados da retificação de DCTF e DIPJ e das escritas fiscal e contábil, não são hábeis para demonstrar que teria efetivamente ocorrido um pagamento a maior ou indevido. Assim, no mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Documentação e contabilidade idôneas. Alegou o contribuinte que não houve nenhum ato declarando os documentos inidôneos ou desconsiderando a sua contabilidade. Por isso, pretende ver qualquer punibilidade afastada. Ora, tratase neste processo de duas normas jurídicas, uma de repetição de indébito e outra de compensação. A primeira tem como antecedente a existência de um crédito líquido e certo. E, como consequente, a relação obrigacional do Estado de repetir o imposto pago indevidamente ou a maior. A segunda norma jurídica tem no antecedente o crédito do contribuinte face ao Estado, decorrente da aplicação da norma anterior. E, no consequente, a satisfação de um débito pela compensação, sujeita à homologação. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10880.995328/201235 Acórdão n.º 1401003.152 S1C4T1 Fl. 9 8 O contribuinte não comprovou a existência de um crédito líquido e certo. Desta forma, não surgiu o direito à repetição. Destarte, como não há crédito, não se aplica a segunda norma e não se homologa a compensação. Nas duas hipóteses normativas, não há necessidade da Administração desconsiderar a contabilidade ou declarar a inidoneidade dos documentos. Na esteira da fundamentação deste voto, na medida que o contribuinte não comprova a liquidez e certeza do crédito pleiteado, não deve haver homologação da compensação declarada. Os débitos compensados indevidamente estão sujeitos à incidência de multa e juros. Desta forma, neste ponto voto pelo indeferimento do recurso voluntário. Conclusão. Em síntese, voto por afastar a preliminar de nulidade da decisão a quo, por declarar a preclusão e indeferir o pedido de juntada de novos elementos de prova e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendose incólume a decisão da DRJ. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por afastar a preliminar de nulidade da decisão a quo, por declarar a preclusão e indeferir o pedido de juntada de novos elementos de prova e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendose incólume a decisão da DRJ. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
