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Numero do processo: 13629.000982/2005-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Exercício: 2000, 2001
SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATOS COOPERADOS.
O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei no 10.865, de 2004 (Súmula CARF nº 83).
Numero da decisão: 1401-003.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto da Relatora.
(documento assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada), Eduardo Morgado Rodrigues, Wilson Kazumi Nakayama (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano (Presidente em exercício) Carlos André Soares Nogueira e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin. Ausente o Conselheiro e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: Letícia Domingues Costa Braga
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada), Eduardo Morgado Rodrigues, Wilson Kazumi Nakayama (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano (Presidente em exercício) Carlos André Soares Nogueira e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin. Ausente o Conselheiro e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Exercício: 2000, 2001 SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATOS COOPERADOS. O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei no 10.865, de 2004 (Súmula CARF nº 83). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada), Eduardo Morgado Rodrigues, Wilson Kazumi Nakayama (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano (Presidente em exercício) Carlos André Soares Nogueira e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin. Ausente o Conselheiro e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Relatório Por bem expor o caso dos autos, reproduzo abaixo o relatório da Delegacia de origem, complementando-o a seguir: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 09 82 /2 00 5- 17 Fl. 122DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.823 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.000982/2005-17 Contra a empresa acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 02 a 04, para exigência de crédito tributário relativo a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), com referência aos anos-calendário 2000 e 2001, como a seguir especificado: Através do Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal à fl. 03/04 e do Termo de Verificação Fiscal à fl. 10/12, a autoridade fiscal relata os seguintes fatos: O contribuinte apresentou as DIPJ dos exercícios de 2001 e 2002 apurando lucro líquido, entretanto deixou de informar nos campos próprios o valor do IRPJ e da CSLL devidos. Intimado a prestar esclarecimentos, informou que todas as suas operações são efetuadas com cooperados, e segundo entende, seria isenta do IRPJ e da CSLL; Sobre os atos cooperativos, com efeito, não incide o 1RPJ, conforme a Lei n° 5.764/71, art. 85 a 88; Todavia, para as contribuições sociais, como a CSLL, a legislação posterior determinou a incidência sobre a totalidade das receitas. Veja-se, para ilustrar e fundamentar, trecho da Solução de Consulta n° 380/2004, fl. 10/12, exarado pela Superintendência Regional da Receita Federal na 7' Região; Desse entendimento, efetuamos o cálculo da CSLL sobre a base informada em sua DIPJ, inclusive o adicional previsto nos art. 6° e 7° da Medida Provisória 1.807/99, com as alterações da Medida Provisória 1.858/99, art. 6°. Tempestivamente, a contribuinte apresentou, através de procurador nomeado pelo instrumento de fl. 82, peça impugnatória de fls. 78 a 81, onde formula as seguintes razões de defesa. Alega que, na condição de sociedade cooperativa constituída nos moldes da Lei n° 5.764/1971, não visa lucros que possam ensejar a incidência da Contribuição Social ora exigida. Em seguida, afirma que, se não tem finalidade lucrativa e, não pratica atos que não cooperados, o que se impõe é o reconhecimento da isenção do pagamento de Contribuição Social sobre o Lucro, tal qual vem manifestando os nossos tribunais, situação pacificada pelo STJ, por meio da recente decisão proferida no Resp n° 209345, publicado em 16.05.2005 — PÁG. 176 do DJ. A contribuinte prossegue alegando que, de acordo com entendimento exposto na Instrução Normativa SRF n° 198/98 que se aplicaria para os fatos geradores de 2000 e 2001, objetos da presente autuação, estaria alcançada pela isenção. Fl. 123DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.823 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.000982/2005-17 Ressalta, ainda, que a IN SRF n° 390, de 30 de janeiro de 2004, embora revogue a Instrução Normativa anterior, não pode, de forma alguma, alcançar fatos pretéritos, em face do princípio da anterioridade. Finalmente, afirma que os atos cooperados encontram-se ao abrigo da isenção porque amparados em norma superior, a Lei Federal n° 5.764/71 e, em ambas as Instruções tratam os resultados dos atos cooperados corno lucro, quando, na verdade, o resultado deve ser tratado como sobras. Diante do que expõe, a contribuinte requer, ao final de sua peça impugnatória, seja o lançamento julgado insubsistente pelas razões acima apresentadas. Quando do julgamento pela Delegacia de origem, restou a decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2000, 2001 SOCIEDADES COOPERATIVAS – INCIDÊNCIA DA CSLL - BASE DE CÁLCULO. As cooperativas devem apurar a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre o resultado total do período-base, inclusive sobre a parcela relativa a operações com associados, não podendo considerar-se isenta, por falta de previsão legal. Inconformada com a decisão, apresentou a contribuinte o competente recurso alegando basicamente que por ser cooperativa era isenta à CSLL. Vieram esses autos a julgamento perante esse Conselho, em 05/03/2013, quando a Turma sobrestou os autos até que fosse proferida decisão definitiva no Recurso Extraordinário Nº.: 672.21 em curso no Supremo Tribunal Federal. Entretanto, tendo em vista a alteração do Regimento desse Conselho, retornaram esses autos à distribuição para julgamento. Este é o relatório do essencial. Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga, Relatora. O lançamento em debate decorre, exclusivamente, da glosa de exclusão dos resultados com cooperados promovidos pela Contribuinte na apuração da base de cálculo da CSLL nos anos-calendário 2000 e 2001. A motivação do lançamento reside na interpretação dos dispositivos constitucionais e legais que regem o financiamento da Seguridade Social, a partir da qual a autoridade lançadora conclui que a incidência da CSLL se verifica sobre o lucro líquido apurado, independentemente da denominação que se dê a esse resultado positivo do exercício, seja ele lucro líquido ou sobra líquida. A exclusão prevista no âmbito tributário se restringiria à apuração Fl. 124DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.823 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.000982/2005-17 do lucro real, base de cálculo do imposto de renda, e teria sido estendida à apuração da CSLL apenas com a edição da Lei nº 10.865/2004. Inexiste, assim, qualquer questionamento acerca dos valores classificados como "resultados com atos cooperados". A autoridade lançadora apenas discordou da exclusão destes valores da base de cálculo da CSLL sob os fundamentos antes descritos. No mérito, a matéria em debate já se encontra pacificada no âmbito deste Conselho, conforme Súmula CARF nº 83: O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei nº10.865, de 2004. Assim, pelo acima exposto, deve ser dado provimento ao recurso voluntário da Contribuinte. (documento assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.000313/2005-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2004
DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. CONDIÇÕES.
A dedução de despesas pleiteadas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada ao cumprimento dos requisitos legais e à comprovação por meio de documentação hábil e idônea. Cabe ao contribuinte juntar à sua defesa todos os documentos necessários à confirmação das deduções glosadas no lançamento.
DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO.
São dedutíveis na declaração de imposto de renda os pagamentos efetuados a título de despesas com instrução desde que devidamente comprovados, nos termos do artigo 8º, II, "b" da Lei nº 9.250 de 1995. Somente se caracterizam pela dedutibilidade as despesas com instrução relativas aos contribuintes e seus dependentes.
Numero da decisão: 2201-005.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
Débora Fófano dos Santos - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DEBORA FOFANO DOS SANTOS
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2004 DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. CONDIÇÕES. A dedução de despesas pleiteadas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada ao cumprimento dos requisitos legais e à comprovação por meio de documentação hábil e idônea. Cabe ao contribuinte juntar à sua defesa todos os documentos necessários à confirmação das deduções glosadas no lançamento. DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis na declaração de imposto de renda os pagamentos efetuados a título de despesas com instrução desde que devidamente comprovados, nos termos do artigo 8º, II, "b" da Lei nº 9.250 de 1995. Somente se caracterizam pela dedutibilidade as despesas com instrução relativas aos contribuintes e seus dependentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente Débora Fófano dos Santos - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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CONDIÇÕES. A dedução de despesas pleiteadas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada ao cumprimento dos requisitos legais e à comprovação por meio de documentação hábil e idônea. Cabe ao contribuinte juntar à sua defesa todos os documentos necessários à confirmação das deduções glosadas no lançamento. DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis na declaração de imposto de renda os pagamentos efetuados a título de despesas com instrução desde que devidamente comprovados, nos termos do artigo 8º, II, "b" da Lei nº 9.250 de 1995. Somente se caracterizam pela dedutibilidade as despesas com instrução relativas aos contribuintes e seus dependentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente Débora Fófano dos Santos - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 29/30) interposto contra decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) de fls. 16/19, a qual julgou procedente o lançamento formalizado na notificação de lançamento, lavrada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 03 13 /2 00 5- 36 Fl. 50DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.716 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19679.000313/2005-36 13/12/2004 (fl. 4), decorrente do procedimento de revisão da declaração de ajuste anual do exercício de 2004, ano-calendário de 2003 (fls. 5/6). O lançamento, decorrente da infração de dedução indevida de despesas com instrução no valor de R$ 2.876,80, alterou o valor do imposto a restituir declarado de R$ 2.611,59 para R$ 1.820,47, que acrescido de juros resultou em um total de R$ 1.997,96. Cientificado do lançamento por via postal em 28/12/2004, conforme cópia de AR de fl. 12, o contribuinte apresentou impugnação em 13/1/2005 (fls. 2/3), acompanhada de documentos (fls. 4/10), alegando em síntese, conforme resumo constante no acórdão recorrido (fl. 17): A ciência do lançamento ocorreu em 28/12/2004 (fls. 10) e, em 13/01/2005, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 01/02, acompanhada dos documentos de fls. 03/08, alegando que declarou, no campo despesas com instrução, suas despesas com dentista e plano odontológico, no valor total de R$ 2.876,80, visando separar os gastos com despesas médicas dos valores gastos com tratamento dentário. Afirma que, no campo relação de pagamentos efetuados, informou corretamente os valores descritos com tratamento dentário, não tendo informado nenhum gasto relativo à instrução no valor de R$ 2.876,80. Esclarece, ainda, que, por lapso, deixou de declarar, como despesas médicas, os valores descontados em seus contra-cheques a favor do Hospital do Servidor Público - IAMSPE, no valor total de R$ 1.777,08. Anexa declaração retificadora e requer revisão dos valores informados inicialmente em sua declaração de ajuste anual. Quando da apreciação do caso, em sessão de 17 de julho de 2008, a 7ª Turma da DRJ em Brasília (DF), julgou o lançamento procedente, conforme ementa do acórdão nº 03- 25.861 - 7ª Turma da DRJ/BSA, a seguir reproduzida (fl. 16): Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2004 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Só serão permitidas deduções na declaração de ajuste anual devidamente comprovadas, sendo do contribuinte o ônus dessa comprovação. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, cabendo ao contribuinte produzir as provas necessárias para justificar suas alegações. ENTREGA DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal afasta a espontaneidade do sujeito passivo em relação a atos anteriores e obsta a retificação da Declaração de Ajuste Anual relacionada ao procedimento instaurado. Lançamento Procedente Devidamente intimado da decisão da DRJ, em 9/3/2010 (fl. 26), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 19/3/2010 (fls. 29/30), acompanhado de documentos de fls. 31/48, alegando em síntese o que segue: (...) o recorrente, infelizmente, deixou de anexar os comprovantes gastos com Convênio médico e tratamento dentário, só o fazendo parcialmente com 02 (duas) cópias de hollerit de pgt° do o IAMSP, do Hospital do servidor público, não incluídas na sua declaração de rendimentos de 2.004. Junta à presente as seguintes cópias: Fl. 51DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.716 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19679.000313/2005-36 1° Cópia do gasto com o Convénio médico Sul América Saúde AS. No vlr. De (R$ 6.620,30 (Seis mil seiscentos e vinte reais e trinta centavos) expedida em 12.03.2004. 2° Cópia de dedução à Sul América Saúde, ref. Se. Out. Nov e Dez. de 2003. 3° Cópia do tratamento Odontológico pagos, em 2003, a ODONTOPREV SA. no vlr. de R$ 1.516,80-( Hum mil, quinhentos e dezesseis reais e oitenta Centavos.) expedida em 12.02.2004. 4º Cópias dos Hollerits de pagamento , do Governo do Estado de São Paulo, ref. o exercício de 2003, com o IAMSP, Serviço médico, do Hospital do Servidor Público, totalizando R$ 1.177.08 -(Hum mil cento e setenta e sete reais e oito centavos). Não declarados em 2.004, por lápso. 5º Com referência ao Vlr. de 1.360,00 -(hum mil trezentos e sessenta reais) com serviço dentário, com o Dr.Sergio, declarados na relação de pgtos. feitos, infelizmente, não tem os comprovantes em face do tempo decorrido. Assim, excluindo-se o vlr. de R$ l.360,00, o recorrente gastou com serviço médico e dentário o montante de R$ 9.314,18 (nove mil trezentos e quatorze reais e dezoito centavos), comprovadamente, com as cópias anexas. Mais o vIr.de 01 (dependente) filho, R$ 1.272,00-(hum mil duzentos e setenta e dois reais) e o desconto previdenciário R$ 4.708,36 (quatro mil setecentos e oito reais e trinta e seis centavos) soma o montante de R$ 15.294,54 (Quinze duzentos e noventa e quatro reais e cinqüenta e quatro centavos) como total de deduções. Desta forma, feitos os cálculos devidos, o imposto devido somam R$ 6.902,19 (seis mil novecentos e dois reais e dezenove nove centavos); menos o vlr. retido na fonte, hollerit, formam de R$ 9.463,48 (nove mil quatrocentos e sessenta e três reais e quarenta e oito centavos) que dariam um saldo a ser restituídos, fossem apresentados os documentos pertinentes na época, que evitariam esse aborrecimento à Receita Federal; totalizariam R$ 2.561,29 (dois mil quinhentos e sessenta e um reais e vinte e nove centavos). Declara que não teve gastos com instrução em 2003. Uma vez que o recorrente teve de restituição R$ 1.997,96, já corrigidos, na realidade e por justiça, não fosse o erro cometido. Jamais com o intuito de sonegação. No caso, este recursante, ainda teria direito, s.m.j., desse Conselho de Contribuintes de R$ 563,33 (quinhentos e sessenta e três reais e trinta e três centavos), como restituição. Caso contrário, se esse excelso Conselho, assim não entender infelizmente, que o recorrente, então, seja tributado pelo Vlr. de R$ 1.360,00. (hum mil trezentos e sessenta reais). Pede, M. Vênia, por não considerar, essa decisão, Justiça Tributária. O presente recurso compôs lote sorteado para esta relatora em sessão pública. É o relatório. Voto Conselheira Débora Fófano dos Santos, Relatora. O recurso é tempestivo uma vez que, cientificado do acórdão da DRJ em 9/3/2010 (fl. 26), o contribuinte interpôs o recurso voluntário em 19/3/2010 (fls. 29/30). Assim, presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, deve ser conhecido. O lançamento impugnado e que gerou a interposição do presente recurso refere- se ao fato de ter sido glosada a dedução com instrução, pleiteada indevidamente pelo contribuinte, uma vez que admite não ter tido gastos com instrução no ano de 2003 (fl. 30). Fl. 52DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.716 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19679.000313/2005-36 Segundo o ora Recorrente, ao preencher sua declaração de ajuste anual do exercício de 2004, ano-calendário de 2003, optou por separar os valores gastos com despesas médicas dos valores gastos com tratamento dentário, com o intuito de facilitar a conferencia por parte da Receita Federal. Deste modo, no campo 10 da declaração de ajuste anual, reservado às despesas com instrução, informou o valor de R$ 2.876,80 gasto com tratamento dentário (despesas médicas) e no campo 11, destinado às informações com despesas médicas, preencheu o valor de R$ 6.620,30, referente às despesas com convênio médico. O texto base que define o direito da dedução do imposto de pagamentos de despesas médicas e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º do artigo 8º da Lei nº 9.250 de 1995, regulamentados nos parágrafos e incisos do artigo 80 do Decreto nº 3.000 de 1999 (RIR/99), vigente à época dos fatos, reproduzidos abaixo: Lei nº 9.250 de 26 de dezembro1995. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV – não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V – no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000 de 26 de março de 1999 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem Fl. 53DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art8iia http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art8iia http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art8%C2%A72 Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.716 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19679.000313/2005-36 como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideram-se despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Dos referidos atos normativos extrai-se que poderão ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda devido, os pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, restringindo-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes e limitados a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Nos termos do disposto no artigo 73 do Decreto nº 3.000 de 26 de março de 1999, vigente à época dos fatos: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (...) A decisão de primeira instância manteve a glosa da dedução de despesas com instrução sob o argumento de que (fl. 19): Conforme informado acima, não restou comprovado que os valores informados no campo despesas com instrução foram referentes a tratamento odontológico. Quanto à Fl. 54DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art8%C2%A73 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5844.htm#art11%C2%A73 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5844.htm#art11%C2%A74 Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.716 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19679.000313/2005-36 dedução requerida, referente aos gastos com o Hospital do Servidor Público, não existem nos autos documentos que permitam concluir que tais despesas são passíveis de deduções. Na declaração de ajuste anual do exercício de 2004, ano-calendário de 2003, o contribuinte informou os seguintes pagamentos (fl. 6): Em decorrência, pleiteou as seguintes deduções (fl. 5): Com o recurso foram apresentadas cópias dos documentos abaixo relacionados: a) Declaração emitida em 12/3/2004 pela Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, referente pagamentos Sul América Seguros Saúde S.A., no montante de R$ 6.620,30. Consta informação no corpo da declaração que: “A responsabilidade do Access Clube de Benefícios pelas informações prestadas limita-se ao período compreendido entre 01.01.03 a 18.08.03”. Deste modo, o somatório dos valores do referido período totalizam R$ 4.274,30 (fl. 33). b) Declaração emitida em 8/3/2004 pela Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, referente pagamentos Sul América Seguros Saúde S.A., no período de setembro a dezembro de 2003, no montante de R$ 2.346,00 (fl. 34). c) Declaração emitida em 12/2/2004 por Odontoprev S.A, referente contribuições no exercício de 2003 a título de tratamento odontológico no valor de R$ 1.516,80 (fl. 35). d) Demonstrativos de pagamento dos meses de janeiro a dezembro de 2003, com descontos ao IAMSP, serviço médico do Hospital do Servidor Público, no montante de R$ 1.177,08 (fls. 36/48), que não foram informados na declaração de ajuste anual. Fl. 55DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.716 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19679.000313/2005-36 O Recorrente informou não ter localizado o comprovante no valor de R$ 1.360,00, referente a despesas com serviço dentário, declarados como pagos para Sergio F de Souza, na relação de pagamentos (fl. 6) Apresentou cópia de simulação de declaração de ajuste anual retificadora (fl. 8) e solicitou que fossem considerados como despesas médicas os valores de R$ 1.516,80, pago para a Odontoprev S.A., inserido indevidamente no campo de despesas com instrução e de R$ 1.177,08 pago ao IAMSP, constante nos comprovantes de rendimentos apresentados e que não foram informados por ocasião da entrega da declaração de ajuste anual. Tal pedido não pode ser acatado tendo em vista que não há comprovação, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, acerca de quem são os beneficiários dos planos odontológico e do serviço médico. Logo, não há reparos no acórdão recorrido. Conclusão Diante do exposto, vota-se em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto em epígrafe. Débora Fófano dos Santos Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.720088/2017-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2015
PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO.
Valor pago a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente são dedutíveis, desde que comprovada a efetividade do pagamento
Numero da decisão: 2301-006.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
João Mauricio Vital Relator
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Juliana Marteli Fais Feriato, Fernanda Melo Leal e João Mauricio Vital (Presidente).
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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COMPROVAÇÃO. Valor pago a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente são dedutíveis, desde que comprovada a efetividade do pagamento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Mauricio Vital – Relator (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Juliana Marteli Fais Feriato, Fernanda Melo Leal e João Mauricio Vital (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 72 00 88 /2 01 7- 15 Fl. 154DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.673 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.720088/2017-15 Relatório Em desfavor do contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento (fls. 46/51), ano-calendário de 2014, na qual foi apurado a DEDUÇÃO INDEVIDA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL E/OU POR ESCRITURA PUBLICA (Glosa do valor de R$ 14.400,00, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução pois o contribuinte não apresentou comprovante de pagamento de pensão alimentícia nos termos estabelecido na sentença judicial e DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS (Glosa do valor de R$ 13.658,02, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução). Após a ciência da Notificação de Lançamento em (fls. 53 e ss), o contribuinte apresentou impugnação (fls. 19/24), com as seguintes alegações: => a lei não indica a forma que deverá se revestir-se a comprovação de pagamento da pensão, havendo de se reconhecer a validade dos recibos, anteriormente apresentados à Receita Federal em momento adequado, e que por oportuno novamente encontram-se acostos aos autos (documento 2). => ao alegar que o contribuinte não apresentou o comprovante nos termos estabelecidos na sentença judicial (desconto em folha de pagamento), e desconsiderar que os comprovantes, acostado aos autos (documentos 2), não possuem qualquer tipo de irregularidade, sob a alegação de que não estão em conformidade com os termos estabelecidos na sentença judicial, a Receita Federal está extrapolando as exigências legais - está a realizar glosa sob alegação de descumprimento de regra que não foi recepcionada pela legislação pertinente ...) => a glosa realizada sobre os valores dos comprovantes de pagamento de pensão alimentícia apresentados pelo Impugnante não encontra substrato legal. É de suma importância frisar que o meio de pagamento adotado pelo Impugnante para o pagamento da importância de pensão alimentícia, qual seja pagamento direto á autora, consta expressamente no acordo firmado entre as partes e homologado judicialmente, conforme se observa no referido documento em anexo (Documento 3). Cumpre esclarecer ainda, que o Impugnante e a pensionista sempre tiveram uma excelente relação amistosa e que esta se perpetua até os dias de hoje. Motivo este pelo qual, a pensionista outorgou, mediante instrumento procuratório registrado em cartório, poderes ao Impugnante para receber junto à tesouraria da PMES os valores referentes à pensão alimentícia (Documento 4), para, então, o Impugnante proceder com pagamento direto à pensionista (em mãos), mediante recibo de quitação escrito assinado por ela. (Documento 2). Insta salientar que, visando solucionar o impasse gerado junto à Receita, vez que o Impugnante deixou de receber a dedução de pensão alimentícia por motivo de mera formalidade, o mesmo já peticionou junto á 1° Vara de Família de Vitória/ES, onde foi Fl. 155DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.673 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.720088/2017-15 homologado o acordo entre ex-cônjuges, requerendo seja reconhecido como único meio valido de pagamento de pensão alimentícia, o pagamento direto à pensionista (Documento 6). Assim, ante todo o exposto, requer seja a presente Impugnação recebida, e, no mérito, julgada procedente, determinando-se que sejam retiradas as glosas realizadas sobre os comprovantes de pagamento de pensão alimentícia, pelas razões supracitadas, eis que são comprovantes legítimos e válidos para deduções de imposto de renda, por medida da mais lídima justiça. A DRJ Fortaleza, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que: => preliminarmente salienta que em momento algum o contribuinte impugnou os lançamentos referentes à infração de despesa médicas na quantia de R$ 13.658,02. Em sendo assim, deve-se, observar o que estabelece o art. 17 do Decreto nº70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997,e considerando que a matéria não foi contestada, resta manter a glosa na quantia de R$ 13.658,02. => quanto à dedução da pensão alimentícia a DRJ entende que o contribuinte e a alimentada, por conta e risco deles, em procuração outorgada, alteraram a forma de pagamento da pensão, contrariando o disposto no art. 49 da Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001 que determina que podem ser deduzidas as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando em cumprimento de decisão judicial. Dessa forma, resta concluir pela manutenção da glosa da dedução pretendida no valor de R$ 14.400,00 Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte explica de forma clara e objetiva que o que efetivamente ocorreu, demonstra a sua boa fé e evidencia que efetuou o pagamento da pensão nos termos de acordo e decisão judicial. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Ratifica-se, mais uma vez, que as despesas médicas glosadas não foram objeto de impugnação nem de análise pela DRJ, considerando-se , pois, tal matéria não litigiosa. Após detida análise dos autos e dos argumentos do Recorrente, entendo o litígio recai sobre a forma de pagamento da pensão, a qual teria sido praticada de forma diversa ao quanto estabelecido em decisão judicial. Fl. 156DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.673 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.720088/2017-15 Em sua defesa, a contribuinte juntou diversos documentos, justificando de forma racional e lógica a ocorrência dos fatos. A decisão de piso manteve a autuação, apontando que a forma de pagamento teria sido distinta do quanto estabelecido primariamente em decisão judicial. Merece salientar que assim procedendo, está a se exigir algo não estabelecido em lei, bem como deixando de lado os princípios da razoabilidade e verdade material. . É fundamental ratificar que a obrigação de pagar pensão alimentícia é de extrema importância para o direito, já que se trata de uma forma garantir a sobrevivência digna do filho, ex esposa, com fundamento no direito à vida, art. 5°, caput e na dignidade da pessoa humana art. 1º, III, da Constituição Federal de 88. Vale dizer, tem como finalidade a preservação da vida. Daí vem o pilar ético que sustenta a obrigação de presta alimentos, segundo Miguel Reale, “toda e qualquer atividade humana, enquanto intencionalmente dirigida à realização de um valor, deve ser considerada conduta ética.” O pagamento da Pensão Alimentícia, pois, é obrigação que se não cumprida enseja a prisão do devedor e é também obrigação periódica, ou seja, sucessiva e tem caráter personalíssimo. Pode ainda gerar a negativação do nome do solvens, prisão em prazo máximo de 90 dias e pagamento de valores devidos por via expropriatória. Nesta senda, verifica-se que deve ser comprovada a obrigação judicial em se pagar a pensão e seu pagamento. No presente caso entendo que o Recorrente apresentou diversos documentos judiciais para comprovar sua obrigação e efetivos pagamentos, corroborados por sua ex esposa. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, busca-se a realidade dos fatos, desprezando-se as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. Fl. 157DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.673 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.720088/2017-15 A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisá-lo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Soma-se ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolver-se em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontra-se tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando-se na documentação e argumentação clara e objetiva do Recorrente, entendo que deve ser DADO provimento ao Recurso Voluntário e ser considerada como dedutível a pensão alimentícia outrora glosada . CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Fl. 158DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.673 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.720088/2017-15 Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.904992/2013-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2010
DIREITO CREDITÓRIO - COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ - AUSÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
A ausência da comprovação do crédito líquido e certo, requisitos necessários para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta na não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1302-004.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10783.904986/2013-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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NÃO HOMOLOGAÇÃO. A ausência da comprovação do crédito líquido e certo, requisitos necessários para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta na não homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10783.904986/2013-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 49 92 /2 01 3- 62 Fl. 91DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.077 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.904992/2013-62 Relatório A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende utilizar crédito de pagamento indevido ou a maior para compensação de débitos próprios. A declaração de compensação não foi homologada pela DRF/Vitória/ES, pois o pagamento se encontrava integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente, não restando crédito disponível para compensação de débitos informados na DCOMP. Foi apresentada manifestação de inconformidade, alegando que efetuou indevidamente recolhimentos a maior dos tributos devidos, que poderia ser constatado pela DIPJ apresentada. Alega, ainda, que promoveu a retificação da DCTF. Afirma que o despacho decisório deve ser reformado para que seja homologada a compensação. A 6ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, cuja decisão com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 26/03/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF ou DIPJ. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. A turma julgadora de primeira instância consignou que a DIPJ por si só não configura documento suficiente a comprovar erro nas informações prestadas na DCTF, principalmente se desacompanhada da correspondente documentação fiscal e contábil que daria suporte aos valores reclamados, com a indicação do motivo pelo qual teria reduzido o montante do débito confessado. Ressalta, ainda, que a homologação da compensação condiciona-se à comprovação da certeza e liquidez do direito de crédito, o que não teria ocorrido nos autos. Fl. 92DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.077 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.904992/2013-62 O recurso voluntário foi apresentado com as seguintes alegações: Equivoca-se a decisão recorrida, pois a prova da correta apuração do débito, menor do que o valor efetivamente recolhido, é a própria DIPJ transmitida oportunamente, não podendo ser ignorada pela DRJ. Constatada a divergência entre a DIPJ e a DCT retificada, é dever da autoridade julgadora de primeira instância, ao menos, tê-la questionado e não simplesmente ignorado a DIPJ. Apresenta Acórdão do CARF cuja ementa traz o entendimento de que não subsistiria o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.077 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.904992/2013-62 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 1302-004.071, de 17 de outubro de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10783.904986/2013-13, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302-004.071): O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. Conforme relatado, o direito creditório não foi reconhecido uma vez que o pagamento estava totalmente alocado a débitos, que foram declarados em DCTF. A recorrente, por sua, alega erro no preenchimento da DCTF ao declarar débito em valor superior ao devido. Informa que providenciou a retificação da DCTF, que ocorreu após ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação. Afirma, ainda, que o direito creditório está devidamente comprovado pela DIPJ, que informa o valor do débito correto. Contesta a decisão recorrida que desconsiderou os débitos informados na DIPJ, entendimento que contraria jurisprudência do CARF. Passo a julgar. Trata-se de uma questão de prova. São duas declarações apresentadas pela recorrente que apresentam valores distintos. De um lado, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), declaração que a Administração Tributária elegeu como documento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, nos termos da IN SRF nº 786/2007. Por outro lado, a Declaração de Informações da Pessoa Jurídica, que tem natureza apenas informativa, conforme já pacificado no CARF, nos termos da Súmula nº 92: Súmula CARF nº 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. Cumpre frisar que, nos termos do artigo 170 do CTN, o direito creditório só poderá ser reconhecido se estiverem presentes a certeza e liquidez do crédito. E o ônus da prova é daquele que pleiteia, por força do artigo 373 do CPC. Portanto, diante de informações distintas prestadas nas duas declarações, o ônus para comprovação do valor correto do débito é do contribuinte, principalmente quando o objetivo é a demonstração da certeza e liquidez do crédito. Logo, discordo da afirmação de que a Administração Tributária deveria ter aprofundado na análise de qual seria o valor correto. Este ônus é do contribuinte, que tem o interesse neste processo. Fl. 94DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-004.077 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.904992/2013-62 Continuando na análise, a alegação de que teria ocorrido erro no preenchimento da DCTF não foi comprovada. A simples apresentação da DIPJ desacompanhada de maiores explicações que justificassem a discrepância entre os valores dos tributos, não tem o condão de demonstrar a certeza e liquidez do crédito. Cumpre frisar que a apresentação da DCTF ocorre em momento mais próximo à ocorrência do fato gerador. A decisão recorrida ressaltou que: Note-se que o valor indicado na DCTF original coincide com o que foi recolhido pela contribuinte por meio de DARF, do que se depreende que a situação não se restringe a simples erro de preenchimento do formulário da DCTF, mas sim de nova apuração do débito. Essa nova apuração deve estar suportada por documentação que possibilite a administração certificar o novo valor do débito, admitir a retificadora, reconhecer o pagamento a maior e homologar a compensação que dele se aproveitou. Como bem apontou a decisão recorrida, a comprovação do erro de fato no preenchimento da DCTF perpassa por esclarecer (1) qual foi a base de cálculo inicial, que deu origem ao recolhimento, (2) qual foi o erro cometido e (3) a suposta base de cálculo correta, que daria origem ao crédito em função do pagamento a maior. A par disso, a recorrente ainda deveria demonstrar o valor correto do tributo apurado devidamente registrado na escrituração contábil. Ratificando este entendimento, transcrevo o artigo 147, § 1º do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.(grifei) § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Nestes termos, já que a certeza e liquidez do crédito não restaram comprovadas, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.903346/2015-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2010
RETENÇÃO INDEVIDA DE TRIBUTOS NA FONTE. PESSOA LEGITIMADA A PLEITEAR A RESTITUIÇÃO.
Na hipótese de retenção indevida de tributos na fonte, cabe ao beneficiário do pagamento ou crédito o direito de pleitear a restituição do indébito. Pode a fonte pagadora pedir a restituição, desde que comprove a devolução da quantia retida ao beneficiário, observada a disciplina própria.
INTERVENÇÃO DE TERCEIROS EM PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. INADMISSIVEL.
Não se admite no PAF a inclusão de novo legitimado em sede Recursal, que sequer participou da dialética processo desde sua gênese.
Numero da decisão: 1302-004.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2010 RETENÇÃO INDEVIDA DE TRIBUTOS NA FONTE. PESSOA LEGITIMADA A PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. Na hipótese de retenção indevida de tributos na fonte, cabe ao beneficiário do pagamento ou crédito o direito de pleitear a restituição do indébito. Pode a fonte pagadora pedir a restituição, desde que comprove a devolução da quantia retida ao beneficiário, observada a disciplina própria. INTERVENÇÃO DE TERCEIROS EM PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. INADMISSIVEL. Não se admite no PAF a inclusão de novo legitimado em sede Recursal, que sequer participou da dialética processo desde sua gênese.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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PESSOA LEGITIMADA A PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. Na hipótese de retenção indevida de tributos na fonte, cabe ao beneficiário do pagamento ou crédito o direito de pleitear a restituição do indébito. Pode a fonte pagadora pedir a restituição, desde que comprove a devolução da quantia retida ao beneficiário, observada a disciplina própria. INTERVENÇÃO DE TERCEIROS EM PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. INADMISSIVEL. Não se admite no PAF a inclusão de novo legitimado em sede Recursal, que sequer participou da dialética processo desde sua gênese. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 33 46 /2 01 5- 83 Fl. 64DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.144 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13819.903346/2015-83 Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo ora Recorrente. No caso em testilha, o Contribuinte apresentou PER/DCOMP pleiteando compensação crédito de pagamento indevido ou a maior decorrente de Contribuições Sociais Retidas na Fonte (CSRF). Tal fato deriva da prestação de serviços à empresa “JAEL CAVALCANTI NUNES – ME”, ocasião em que reteve os tributos (código 5952); nesse mister, aviou em sua exordial a alegação segundo a qual descobriu em momento posterior que não precisava operacionalizar a indigitada retenção, por se tratar de empresa optante da modalidade do SIMPLES. O Despacho Decisório, por sua vez, indeferiu o pedido de restituição, por considerar inexistente o direito creditório pretendido. De acordo com a fundamentação dessa decisão, o valor recolhido foi integralmente alocado ao débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), razão pela qual não restou resíduo a restituir/compensar. O Acórdão da DRJ, por seu turno, negou a manifestação de inconformidade, em virtude da ausência de comprovação do recolhimento do tributo retido. Em sua análise, não há que se cogitar a existência de direito creditório, eis que a fonte pagadora só figura como legítima para apresentar PER/DCOMP de tributo retido na fonte quando efetuar a devolução do valor ao beneficiário, o que não restou comprovado na presente circunstância. Quanto ao mais, o Voto de piso conduz sua fundamentação no sentido de reconhecer a desnecessidade de retenção na fonte àqueles contribuintes optantes pelo SIMPLES, conforme autoriza o art. 32 da Lei n° 10.833/2003, e a IN SRF nº 459, de 2004, em seu art. 3º, II, com redação dada pela IN RFB nº 765, de 2007. Nessa conjugação normativa, a DRJ expôs uma tríade de requisitos à restituição, qual seja: a) o prestador ser optante do SIMPLES; b) haver a retenção e o recolhimento respectivo; c) haver a devolução ao beneficiário, do valor retido indevidamente. Contudo, apesar de adimplidos os itens “a” e “b”, não foi concluir pela certeza e liquidez do crédito pretendido, vez que a efetividade do recolhimento não foi comprovada. Ademais, também não restou demonstrado nos autos que o Contribuinte efetuou a devolução ao beneficiário do valor retido indevidamente, o que seria condição para a fonte pagadora ser a parte legítima em apresentar o pedido de restituição. Em sede recursal o Recorrente essencialmente repete as alegações formuladas em sua exordial. A petição, contudo, é doravante apresentada tanto em nome da “CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA”, quanto da “JAEL CAVALCANTI NUNES – ME”. Em sua fundamentação, a defesa reforça que a própria DRJ manifestou que o crédito seria líquido e certo, o que tornaria seguro seu direito à compensação. No que cinge à legitimidade, o Contribuinte requer seja deferida intervenção de terceiros (art. 996 antigo CPC), por entender que os valores foram irregularmente retidos de outrem, na medida em que a obrigação tributária não lhe era cabível. Por fim, reitera que os valores foram indevidamente recolhidos, sendo estes cabíveis ao terceiro interveniente “JAEL CAVALCANTI NUNES – ME”, o que resta corroborado pela nota fiscal acostada aos autos. Não constam aos autos quaisquer escriturações contábeis. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.144 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13819.903346/2015-83 Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos e intrínsecos. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do Regimento Interno do CARF. Portanto, opino por seu conhecimento. Mérito Ab initio, ressalto que foram distribuídos a este Relator treze processos apresentando idêntica matéria, quais sejam: Número do processo Principal Nome do Contribuinte 13819.903344/2015-94 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA 13819.903352/2015-31 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA 13819.903370/2015-12 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA 13819.903349/2015-17 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA 13819.903345/2015-39 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA 13819.903369/2015-98 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA 13819.903350/2015-41 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA 13819.903347/2015-28 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA 13819.903354/2015-20 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA 13819.903356/2015-19 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA 13819.903348/2015-72 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA 13819.903368/2015-43 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA 13819.903346/2015-83 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA Em que pese a recalcitrância do Contribuinte, não vejo como acolher seu pleito. A decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a avaliação fática e legal. Nota- se, de plano, que o Recorrente não é o contribuinte de direito do tributo retido. Tanto é assim, que no próprio Recurso Voluntário tenta reverter sua posição no processo, incluindo a “JAEL CAVALCANTI NUNES – ME” como parte. In casu, a ilegitimidade para o pleito da restituição requer que o valor retido indevidamente tenha sido devolvido ao beneficiário, seguido dos ajustes contábeis de praxe. À época do feito, o regramento da sistemática supramencionada era pautado pela IN RFB n° 1.300/2012, mais precisamente pelos arts. 3° e 8°: Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: (...) § 12. O pedido de restituição de tributos administrados pela RFB, abrangidos pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), instituído pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, deverá ser formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição ou Ressarcimento, constante do Anexo I a esta Fl. 66DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.144 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13819.903346/2015-83 Instrução Normativa, inclusive o decorrente de retenção indevida, ressalvada a hipótese do art. 8º. Art. 8º O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. § 1º A devolução a que se refere o caput deverá ser acompanhada: I - do estorno, pela fonte pagadora e pelo beneficiário do pagamento ou crédito, dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; II - da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais referida retenção tenha sido informada; III - da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. Ainda nesse espectro de análise da legitimidade, vale ressaltar o preciso teor da Solução de Consulta Cosit nº 22, de 06/11/2013, que se amolda perfeitamente ao presente caso: 2.1. No entanto, as pessoas jurídicas optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), de que trata o art. 12 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, não se sujeitam a essas retenções, em relação às suas receitas próprias, conforme esclarece o art. 4º, inciso XI, da Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012. 3. Diante disso, a eventual retenção (e recolhimento) de tributos nos pagamentos feitos a pessoas jurídicas inscritas no Simples Nacional, nos moldes do art. 34 da Lei nº 10.833, de 2003, configura hipótese de pagamento indevido de tributos, o que garante ao sujeito passivo o direito à restituição da importância indevidamente retida, com fundamento no art. 165, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN). Esta a redação do art. 165 do CTN: (...) 3.1. O sujeito passivo a que se refere esse dispositivo, de acordo com o art. 121, parágrafo único, do CTN, pode ser o contribuinte (aquele que diretamente se enquadra na situação descrita como fato gerador do tributo) ou o responsável – pessoa obrigada a satisfazer a obrigação tributária, mas cuja relação com o fato gerador é apenas indireta, a exemplo da fonte pagadora obrigada à retenção na fonte de tributos. 4. Na hipótese de retenção indevida na fonte, o direito de reclamar a restituição, em princípio, cabe ao beneficiário do rendimento (pagamento), o contribuinte que suportou o encargo financeiro do tributo, consoante reiterados pronunciamentos da Administração Tributária, a exemplo do Parecer Normativo CST nº 313, de 6 de maio de 1971 (publicado no Diário Oficial da União - DOU de 01.07.1971), e do Parecer Normativo CST nº 258, de 30 de dezembro de 1974 (publicado no DOU de 24.01.1975). 5. A par disso, a Administração desde há muito admite, por analogia com o art. 166 do CTN, que o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) venha postular a restituição do indébito, desde que prove haver assumido o ônus do tributo, o que se dá, usualmente, mediante a exibição de comprovante de reembolso da quantia retida ao beneficiário do pagamento ou crédito. Fl. 67DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-004.144 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13819.903346/2015-83 Portanto, conforme bem ressaltado na instância a quo, a restituição demanda a ocorrência simultânea de três fatores: 1) o prestador ser optante do SIMPLES; 2) haver a retenção e o recolhimento respectivo; 3) haver a devolução ao beneficiário do valor retido indevidamente. Para demonstrar tal adimplemento circunstancial, torna-se imperativo instruir o PAF com elementos que comprovem cabalmente a liquidez e certeza do crédito pretendido, bem como a efetiva devolução do valor (indevidamente) retido ao beneficiário. Esta última, reitero, é conditio sine qua non para a fonte pagadora se firmar como parte legítima do pedido de restituição. Cito, ainda, o teor o art. 166 do CTN: Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la. Por fim, mostra-se completamente descabida e extemporânea a tentativa de inclusão da “JAEL CAVALCANTI NUNES – ME” no polo recursal. Além de não haver qualquer representatividade no presente caso, a indigitada empresa não participou da dialética processual nas etapas anteriores, não havendo que se cogitar em intervenção de terceiros, tampouco existindo permissivo nas regras do PAF para tanto. Caso entenda por conveniente a restituição dos valores ora em debate, a aludida empresa dispõe meios próprios para postulá-la, não sendo possível “pegar carona” em procedimento fiscal alheio, no qual lhe escapa a legitimidade. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.902437/2012-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010
CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado para compensação, restituição ou pedido de ressarcimento PER/DCOMP pela via administrativa. Inteligência do art. 170 do CTN.
Numero da decisão: 3003-000.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges Presidente
(documento assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Marcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010 CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado para compensação, restituição ou pedido de ressarcimento PER/DCOMP pela via administrativa. Inteligência do art. 170 do CTN.
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CERTEZA E LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado para compensação, restituição ou pedido de ressarcimento PER/DCOMP pela via administrativa. Inteligência do art. 170 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges – Presidente (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Marcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 24 37 /2 01 2- 12 Fl. 127DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.716 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.902437/2012-12 Relatório Por bem retratar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 40887836 emitido eletronicamente em 05/12/2012, referente ao PER/DCOMP nº 19290.72737.240112.1.7.045727. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 6912, no valor original na data de transmissão de R$ 43.923,28, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 23/04/2010. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 18/12/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 17/01/2013, requerendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em questão, conforme disposto no art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN). Em seguida, faz um resumo dos fatos e passa a discorrer sobre as suas razões de mérito. Nesse ponto, alega que apurou a título de PIS/PASEP o valor de R$139.789,12. Em procedimento de auditoria interna, foi refeita a apuração e constatado que eram devidos R$95.865,84. Portanto, após o ajuste na apuração e tendo em vista o recolhimento a maior, formalizou o PER/DCOMP nº 19290.72737.240112.1.7.045727 no valor especificado. Ressalta ainda que o valor efetivamente apurado foi retificado no Dacon e na DCTF, conforme documentos anexos. Faz referência às normas legais pertinentes à restituição e compensação, requerendo, ao final, que seja reconhecido integralmente o crédito pleiteado, homologando-se a compensação vinculada. A 2ª Turma da DRJ de Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade por ausência de elementos probatórios capazes de demonstrar a existência do direito creditório. Inconformada, a contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário reiterando, em síntese, as razões apostas na impugnação primeve com o pedido final de reconhecimento do crédito alegado na DCOMP de n. 19290.72737.240112.1.7.045727. São os fatos. Fl. 128DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.716 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.902437/2012-12 Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo a atende aos demais requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. 1 Sobre a Compensação Administrativa A compensação - uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional - pressupõe a existência de créditos e débitos tributários de titularidade do contribuinte. Conforme o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. A demonstração da certeza e liquidez do crédito tributário que se almeja compensar é condição sine qua non para que a Autoridade Fiscal possa apurar a existência do crédito, sua extensão e, por óbvio, a certeza e liquidez que o torna exigível. Ausentes os elementos probatórios que evidenciem o direito pleiteado pela Recorrente, não há outro caminho que não seja seu não reconhecimento. Trata-se de regra replicada no inciso VII, §3º do art. 74 da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 3 o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1 o : VII - o crédito objeto de pedido de restituição ou ressarcimento e o crédito informado em declaração de compensação cuja confirmação de liquidez e certeza esteja sob procedimento fiscal; - Grifado. De clareza cristalina a regra para compensação de créditos tributários por apresentação de Declaração de Compensação (DCOMP): demonstração da certeza e liquidez. A Fl. 129DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.716 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.902437/2012-12 regra é harmônica com a disposição do CTN sobre o instituto da compensação, conforme asserta o artigo 170: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostra-se fundamental para a efetivação da compensação. A Recorrente transmitiu eletronicamente a DCOMP descrita no relatório, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. Pela análise dos documentos juntados, a DRJ não identificou qualquer direito creditório, razão que motivou a interposição do presente Apelo. 2 Do Ônus da Prova Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito ou, em situações extremas, demonstrar indícios convergentes que levem ao entendimento de que as alegações são verossímeis. Sobre ônus da prova em compensação de créditos transcrevo entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303-005.226, a qual me curvo para adotá-la neste voto: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." No caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a Recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido. A regra maior que rege a distribuição do ônus da prova encontra amparo no art. 373 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 130DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.716 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.902437/2012-12 § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I - recair sobre direito indisponível da parte; II - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. O dispositivo transcrito é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, vez que a obrigação de provar está expressamente atribuída à Autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. As provas devem ser compreendidas como um meio apto a formar convencimento daquele que avalia determinada situação fática. No caso em testilha, o que deve ser compreendido e elevado ao patamar de prova são quaisquer elementos, aptos a dissuadir o julgador a tomar como verdadeira as alegações enunciadas nos autos. Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. O convencimento do julgador forma-se pela aferição dos elementos da ocorrência do fato, que assumem status de certeza. Mas não basta ter certeza, inafastável o efeito psicológico da prova, que promove o convencimento do julgador no intuito de prolatar decisão que representa a verdade. Regressando aos autos, não existem elementos, provas ou indícios que provoquem o mínimo de dúvida sobre o acerto da Fiscalização por não homologar o crédito pleiteado. Tenho por entendimento que, se o contribuinte consegue apurar em sua contabilidade recolhimento a maior, certamente poderá demonstrar documentalmente o suposto erro no preenchimento da DCTF e, por via de consequência, convencer os julgadores que, de fato, o recolhimento indevido existiu. Contudo, mesmo com as oportunidades dadas à Recorrente no contencioso administrativo, não trouxe aos autos a certeza e liquidez exigidas tanto pelo CTN quanto pela Lei 9.430/1996. Compulsando os autos, observa-se que a recorrente não apresentou, em nenhum momento processual, escrituração contábil-fiscal suficiente para comprovar o suposto equívoco na apuração do débito de PIS, período de apuração de março de 2010. Para afastar tal apuração, necessário se faz a prova de erro mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, não sendo suficiente a mera transmissão de Dcomp para garantir direito creditório. No caso concreto, verifica-se que não há provas nos autos para (i) confirmar a veracidade das informações prestadas na DCTF retificadora, tornando-a apta a infirmar o débito Fl. 131DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.716 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.902437/2012-12 regularmente constituído na DCTF original, nem para (ii) atestar a devida escrituração contábil do pagamento indevido e da compensação declarada. Observe-se, neste contexto, que os documentos trazidos aos autos (e-fls 34/56) não servem à comprovação da apuração do tributo devido. Deveria a recorrente ter apresentado os livros contábeis Diário e/ou Razão. Restringiu-se, todavia, a apresentar apenas notas fiscais que não são hábeis a apurar, com precisão, a base de cálculo da contribuição ao PIS no PA em discussão. Neste sentido já se manifestou esse colegiado por meio do acórdão de n. 3003- 000.463 de relatoria do Conselheiro Vinícius Guimarães: Importa lembrar que os livros contábeis trazem informações que interessam a vários usuários, alguns internos à empresa, como os dirigentes, associados e sócios, e outros externos, como os órgãos públicos administrativos, judiciários e fiscalizadores, fornecedores, entre outros. A validade jurídica desse conjunto de informações incorporado na escrituração contábil requer o devido registro público, no órgão competente, conferindo-lhe a autenticidade e validade como meio de prova aos diversos interessados, entre os quais a Administração Tributária. Nesse sentido, o Conselho Federal de Contabilidade, deliberando sobre as normas técnicas a serem observadas pelos respectivos profissionais no exercício da profissão, aprovou, mediante a Resolução CFC n° 1.330, de 18 de março de 2011, a Norma Técnica ITG 2000 – Escrituração Contábil. Entre outras disposições, a referida resolução estabelece que os livros contábeis obrigatórios, entre os quais o Livro Diário e o Livro Razão, devem revestir-se de formalidades extrínsecas - tais como: a) serem encadernados; b) terem suas folhas numeradas sequencialmente; c) conterem termo de abertura e de encerramento assinados pelo titular ou representante legal da entidade e pelo profissional da contabilidade regularmente habilitado no Conselho Regional de Contabilidade - e também devem ser registrados em órgão competente - autenticação no Registro Público de Empresas Mercantis, ex vi do art. 1.181 do Código Civil. No caso concreto, além de não terem sido apresentados os livros Diário e/ou Razão - com termos de abertura e encerramento devidamente autenticados -, livros hábeis como meio de prova perante a Administração Tributária, o balancete apresentado se revela despido, como visto, de formalidade essencial para sua mínima eficácia perante destinatários externos à própria empresa. Em outras palavras, em sede de verificação e julgamento das compensações declaradas, importa às autoridades fiscais e, também, aos tribunais administrativos aferir por documentação idônea a existência do crédito alegado. Entendo que andou bem a instância primeira de modo que o acórdão recorrido deve ser mantido na sua integralidade. Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para no mérito negar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Fl. 132DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-000.716 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.902437/2012-12 Fl. 133DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.001606/2006-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Exercício: 2003
COMPENSAÇÃO DE IRRF SOBRE JCP. PERÍODO BASE. ASPECTO TEMPORAL.
É cabível a compensação de IRRF retido quando do recebimento de juros sobre o capital próprio de empresas nas quais o contribuinte tenha participações, com o IRRF a ser recolhido quando do pagamento de juros sobre o capital próprio aos próprios acionistas/sócios, respeitado o limite do período base.
ERRO DE PREENCHIMENTO. VERDADE MATERIAL.
Uma vez constatado erro de preenchimento, é possível reconhecer o direito do contribuinte se este conseguir comprovar, por meios idôneos, fatos que ensejem o direito à compensação.
Numero da decisão: 1401-003.983
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, homologando a compensação pleiteada.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Wilson Kazumi Nakayama (suplente convocado), Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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PERÍODO BASE. ASPECTO TEMPORAL. É cabível a compensação de IRRF retido quando do recebimento de juros sobre o capital próprio de empresas nas quais o contribuinte tenha participações, com o IRRF a ser recolhido quando do pagamento de juros sobre o capital próprio aos próprios acionistas/sócios, respeitado o limite do período base. ERRO DE PREENCHIMENTO. VERDADE MATERIAL. Uma vez constatado erro de preenchimento, é possível reconhecer o direito do contribuinte se este conseguir comprovar, por meios idôneos, fatos que ensejem o direito à compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, homologando a compensação pleiteada. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Wilson Kazumi Nakayama (suplente convocado), Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 16 06 /2 00 6- 95 Fl. 406DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.983 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.001606/2006-95 Relatório Trata-se o presente processo de Recurso Voluntário interposto em face do Acordão proferido pela Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro - RJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte que não homologou a compensação apresentada de crédito relativo ao IRRF por ocasião do pagamento efetuado a seus sócios também a titulo de juros sobre o capital próprio na primeira semana de janeiro de 2004, no valor de R$ 1.211.351,55. Foi elaborado o Parecer Conclusivo n° 492/2008 (fls. 231/235), corroborado pelo Despacho Decisório de fls. 236, onde a Administração Tributária proferiu o seguinte entendimento: a) Conforme se pode concluir pela legislação citada, a interessada poderia, no trimestre ou ano-calendário em que lhe fossem pagos ou creditados juros sobre o capital próprio com retenção do Imposto de Renda, utilizar o referido crédito na compensação com o IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito de juros a titulo de remuneração de capital próprio a seu titular, sócios ou acionistas, durante o trimestre ou ano-calendário de retenção; b) Verifica-se pelo exame das fls. 03/10 que a interessada pretende compensar o IRRF sobre rendimentos recebidos a titulo de juros sobre o capital próprio, retenções sofridas no período de janeiro a dezembro de 2003 com IRRF por ocasião do pagamento efetuado a seus sócios a titulo de juros sobre o capital próprio efetuados em janeiro de 2004, o que não é permitido pela legislação; c) A interessada somente poderia se compensar do, oito em questão com o IRRF sobre os JPC pagos durante o ano de 2003; d) De acordo com a diligência fiscal constatou-se erro na PER/DCOMP em tela justamente quanto ao período do débito, uma vez que o mesmo deveria se referir ao ano de 2003. Entretanto, a interessada se compensa com débito de JCP referente ao ano de 2004. Inconformada com a decisão da DRJ, o interessado apresenta “a manifestação de inconformidade” (fls. 245/255), alegando em síntese: a) Em 06/01/2004, mediante a entrega da PER/DCOMP n° 16983.36681.060104.1.3 .06- 4196, efetuou a compensação de crédito que detinha referente ao IRRF decorrente de juros sobre o capital próprio atinente ao ano de 2003, com débitos do mesmo tributo, relativos a fatos geradores ocorridos na última semana de dezembro de 2003, com Fl. 407DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.983 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.001606/2006-95 vencimento para 07/01/2004, na forma permitida pelo § 6°, artigo 9° da Lei n° 9.249/1995; b) Neste sentido, foi procedida a extinção do crédito tributário via compensação, pendente de ulterior homologação pelo Fisco, dentro do prazo legal de 5 anos a contar da entrega da DCOMP; c) Entretanto, no que diz respeito ao suposto fundamento do despacho que não homologou a compensação, no sentido de que seria inadmissível a compensação efetuada pelo fato do débito de IRRF ter sido apurado em período distinto (janeiro de 2004) daquele onde nasceu o crédito da mesma exação referente à retenção de juros sobre o capital próprio, são dois os fundamentos ora apresentados que refutam tal alegação fiscal; d) O débito de IRRF, que tinha vencimento para 07/01/2004, dizia respeito ao período iniciado em 28/12/2003; e) Ainda que o débito fosse referente a período posterior ao da formação do crédito de IRRF, não haveria óbice a sua compensação; f) Cumpre ressaltar, ainda, que, ao contrario do alegado pelo Fisco, o artigo 32, caput e parágrafos da IN 600/2005, não traz qualquer restrição no sentido de que o crédito de IRRF( relativo ao recebimento dos juros sobre capital próprio somente poderia ser usado para compensação com débitos da mesma exação relativos ao mesmo período”; g) Ora, o caput do aludido artigo 32 dispõe que o crédito apurado de IRRF relacionado ao recebimento de juros sobre o capital próprio poderá ser usado para a compensação do mesmo imposto no mesmo trimestre ou ano- calendário em que ocorreu o pagamento; h) Em complemento ao caput, o § 2° do mesmo artigo 32 dispõe expressamente que o crédito não utilizado será deduzido do IRPJ devido pela pessoa jurídica ao final do período-base ou comporá o saldo negativo do IRPJ do trimestre ou ano-base em que a retenção foi efetuada; i) Portanto, o que preceitua a citada IN não é uma restrição à utilização daquele crédito ou a sua indedutibilidade de alguma forma do valor devido a titulo de IRPJ. Seria uma vedação injuridica, inviabilizando, na pratica, a utilização da grande maioria dos créditos de IRRF decorrentes de juros sobre o capital próprio nascidos no final do ano-base, os quais não teriam, até o fim do mesmo ano-calendário, como ser compensados pela ausência de débitos de IRRF relacionados a juros sobre o capital próprio; j) O que determinou a IN n° 600/2005, em seu artigo 32, § 2°, é que se o crédito de IRRF decorrente de recebimento de juros sobre o capital próprio não for utilizado no período do ano-calendário de sua formação, passará a compor o saldo negativo do IRPJ, o qual é passível de compensação; Fl. 408DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.983 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.001606/2006-95 k) Portanto, ainda que se entenda, como erroneamente fez o Fisco, que o crédito de IRRF detido não teria sido usado em compensação relacionada ao ano-calendário de 2003, o mesmo foi incluído na composição do saldo negativo de IRPJ relacionado ao ano-calendário de 2003, sendo, então, possível de utilizar-se para fins de compensação no ano-calendário de 2004, como foi feito, eis que a compensação se deu em 06/01/2004. O Acordão ora recorrido apresentou a seguinte ementa (12-24.281 – 4ª Turma da DRJ/RJ1): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2002 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. COMPENSAÇÃO. A pessoa jurídica optante pela tributação da renda com base no lucro real pode compensar o imposto de renda retido na fonte incidente sobre verbas recebidas a titulo de juros sobre o capital próprio com o imposto de renda a ser retido sobre verbas pagas por ela sob o mesmo titulo, desde que a compensação seja operada no mesmo ano-calendário e formalizada por via de declaração de compensação. Rest/Ress. Indeferido - Comp. não homologada Isso porque, conforme entendimento da Turma julgadora, “a interpretação possível é aquela que harmoniza as duas hipóteses. Isso somente é possível em função do aspecto temporal. Até o final do período de apuração do IRPJ, o contribuinte pode (tem a faculdade de compensar). Findo o período de apuração, incide a norma obrigatória ("será"), devendo o imposto retido ser considerado antecipação do devido na declaração. O IRRF transmuda-se, ao final do período de apuração, em crédito compensável com o imposto de renda devido no período, apurado na declaração. Eventualmente essa operação pode dar origem a novo crédito, consubstanciado em base negativa do IRPJ. A interpretação gramatical e a lógica conduzem a esse resultado harmônico, lastreado na lei. (...) Se pensarmos que a interessada, por ter apresentado erroneamente sua PER/DCOMP, no que tange à possibilidade da compensação dentro do próprio ano-calendário, o que poderia ocorrer era ela se utilizar do fato de que o IRRF é considerado antecipação do devido e, após encerrado o ano- calendário passaria a compor o saldo negativo de IRPJ, como a própria interessada aduziu em sua manifestação de inconformidade. Às fls. 372 dos autos – o interessado apresenta RECURSO VOLUNTÁRIO, alegando as mesmas razões trazidas em sede de impugnação administrativa. É o relato do essencial. Fl. 409DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.983 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.001606/2006-95 Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao e- processo. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Da análise dos autos é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado constitui-se de repetição dos argumentos utilizados em sede de impugnação, os quais foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. Em sede recursal, as poucas inovações trazidas pela parte em nada inovam a tese defendida na impugnação, apenas a reafirmam. A lide cinge-se à controvérsia sobre a possibilidade de compensação do IRRF retido quando do recebimento de juros sobre capital próprio das empresas nas quais a pessoa jurídica possuía participação, com o IRRF devido sobre a remuneração do capital próprio aos sócios da recorrente. Os dois atos (distribuição e recebimento) teriam ocorrido em 30/12/03, segundo a escrituração contábil do Livro Razão, fato incontroverso no presente procedimento. A decisão recorrida manteve o indeferimento, à medida em que fixou como critério temporal relevante ao exercício do direito subjetivo do contribuinte a data do envio da PER/DCOMP (06/01/04). Além disso, conforme certificado pela própria autoridade fiscal, o Recorrente errou ao reconhecer o débito no mês de janeiro/2004, bem como ao indicá-lo no pedido de compensação, isto porque, conforme reconhecido, trata-se de débito relativo à última semana de dezembro/2003. Tais fatos são incontroversos. Para o deslinde do feito é necessária a prévia análise da legislação que disciplina o regime jurídico do pagamento dos juros sobre capital próprio (art. 9º da Lei 9.249/95): Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. Fl. 410DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-003.983 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.001606/2006-95 § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do Decreto-Lei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. O dispositivo acima transcrito foi regulamentado pelo art. 32 da IN nº 460/04, abaixo reproduzido: Art. 32. A pessoa jurídica optante pelo lucro real no trimestre ou Ano-calendário em que lhe foram pagos ou creditados juros sobre o capital próprio com retenção de imposto de renda poderá, durante o trimestre ou ano-calendário da retenção, utilizar referido crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na compensação do IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pela pessoa jurídica na forma prevista no § 1º do art. 26. § 2º O crédito de IRRF a que se refere o caput que não for utilizado, durante o período de apuração em que houve a retenção, na compensação de débitos de IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio, será deduzido do IRPJ devido pela pessoa jurídica ao final do período ou, se for o caso, comporá o saldo negativo do IRPJ do trimestre ou ano-calendário em que a retenção foi efetuada. § 3º Não é passível de restituição o crédito de IRRF mencionado no caput. A análise da legislação acima transcrita abre dois caminhos interpretativos: a) a validade da compensação depende da data de envio da PER/DECOMP, que deverá ocorrer dentro do período de apuração do crédito relativo ao IRRF, incidente sobre o recebimento de juros sobre o capital próprio (conclusão defendida pela maioria dos julgadores prolatores da decisão recorrida); ou b) a legislação tributária condiciona o exercício do direito subjetivo do contribuinte à existência de débitos e créditos de IRRF, nascidos no mesmo período de apuração. Entendo como correta a segunda opção interpretativa. Fl. 411DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-003.983 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.001606/2006-95 Primeiro, porque interpretação tal qual defendida pela decisão recorrida revelaria insuperável antinomia da IN n° 460/04 com o dispositivo que lhe serve de fundamento de validade (art. 9º, §6º, da Lei n° 9.249/95). O fato é que a Lei nº 9.249/95, em nenhum momento, exige que o ato de compensação deva ocorrer dentro do período de apuração do crédito e do débito, razão por que a correta exegese da IN 460/04 diz respeito ao aproveitamento, ou não, do IRRF nascido com a retenção sofrida, e não à data de envio do documento que retrata essa compensação. Se assim não fosse, um pagamento de JCP ocorrido no último dia de um exercício acarretaria na obrigatoriedade de entrega de pedido de compensação no mesmo dia da ocorrência do fato gerador, e mesmo antes de o tributo se tornar exigível. Segundo, tendo em vista que o envio da PER/DCOMP ocorreu em 06/01/04, antes da data de pagamento do respectivo tributo (quando passaria a ser exigível), fato que prova, inclusive, a correção da data do envio do documento, conforme preceitua o art. 865 do RIR, abaixo reproduzido: Art. 865. O recolhimento do imposto retido na fonte deverá ser efetuado: I na data da ocorrência do fato gerador, no caso de rendimentos atribuídos a residente ou domiciliado no exterior; II até o terceiro dia útil da semana subseqüente a de ocorrência dos fatos geradores, nos demais casos. Além disso, o equívoco formal no preenchimento da PER/DCOMP, relativamente ao período de apuração (1ª Semana/Janeiro/2004) restou claramente sanado pelas comprovações documentais, e pela própria diligência realizada pelo Fisco. Assim, face a tudo o quanto exposto, oriento meu voto por dar provimento ao recurso voluntário homologando a compensação pleiteada. É como voto. (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 412DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720202/2007-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. DATA DE INÍCIO DO BENEFÍCIO. A isenção prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº. 7.713, de
1988, e alterações posteriores, deve ser aplicada aos rendimentos de aposentadoria recebidos a partir do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, se outra data não for identificada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-001.515
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Conselheira Rayana Alves de Oliveira França
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. DATA DE INÍCIO DO BENEFÍCIO. A isenção prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº. 7.713, de 1988, e alterações posteriores, deve ser aplicada aos rendimentos de aposentadoria recebidos a partir do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, se outra data não for identificada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR – Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 13/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Fl. 57DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI 2 Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrado Auto de Infração (fls.04/06) relativo ao IRPF, exercício 2004, tendo sido apurado crédito tributário no montante total de R$ 5.294,70, incluindo juros e multa pertinentes, originado da omissão de rendimentos do trabalho, recebidos do Fundo Especial de Previdência do Município do Rio de Janeiro e da Fundação Carlos Chagas, nos montantes de R$15.946,68 e R$366,00, respectivamente. Intimada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação, fls.01, considerada tempestiva nos termos do despacho de fls.26, argumentado em síntese que é Portadora de Doença Grave, acompanhado de Laudo Pericial (fls.07) e apresentando o seguinte cálculo (fls.02): Após analisar a matéria, os Membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão DRJ/RJO II n° 1332.936 de 22/12/2010, fls. 40/41, para alterar o valor do imposto suplementar para R$ 833,98, acrescido de multa de oficio de 75% e demais acréscimos legais, nos seguintes termos: Cientificada da decisão da DRJ em 11/04/2011 (“AR”fls.46), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls.49/50), assinado com data de 28/04/2011, escrito a próprio punho, através do qual alega, in verbis: “Fato – Tendo sido aposentada em 1992 e tendo contraído moléstia grave em agosto de 2003, conforme laudo emitido pela Perícia Médica da Prefeitura do Rio de Janeiro com validade para agosto de 2008, não houve necessidade de nova perícia, visto que a perícia, aposentoume na outra matrícula em novembro de 2007. Direito – Entende que o imposto devido já foi efetuado pela contribuinte. A vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante que seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado “ É o Relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10768.720202/200738 Acórdão n.º 220101.515 S2C2T1 Fl. 2 3 Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora Não há argüição de preliminar. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No mérito a matéria versa sobre a isenção por moléstia grave, prevista no inciso XIV do artigo 6o, da Lei n° 7.713/1988 com a redação dada pelo artigo 47 da Lei n° 8.541/1992 e alterações introduzidas pelo artigo 30 e §§ da Lei n° 9.250/1995. Inicialmente, cabe esclarecer que apesar da ressalva do voto de primeira instância que diz que o prazo de validade do laudo é em agosto de 2008, essa foi apenas uma referência, pois no anocalendário de 2003, o laudo estava válido e foi devidamente considerado no julgamento. A decisão recorrida também concede todos os requerimentos pleiteados pela recorrente, ou seja, isentou os valores recebidos do Fundo de Previdência do Município do Rio de Janeiro, referente a aposentadoria, a partir de agosto de 2003, data indicada no laudo. Do lançamento original restou apenas tributado os rendimentos percebidos da Fundação Carlos Chagas que não se referiam a aposentadoria ou reforma ou pensão e que a própria recorrente tinha concordado com a sua tributação quando fez a demonstração do seu crédito na impugnação. A diferença entre o cálculo apresentado pela contribuinte às fls. 02 e a conclusão da decisão de primeira instancia, está apenas nos rendimentos recebidos em Julho 2003. Inclusive, a própria recorrente na sua impugnação alega que seus rendimentos da aposentadoria são isento a partir de Julho/2003 (fls.01) e no seu Recurso Voluntário reconhece que é a partir de agosto/2003 (fls.49). A cópia do contracheque do mês de julho, apresentado pela contribuinte está acostado às fls. 08. O total de rendimentos nesse mês foi de R$1.342,25 = R$894,83 + R$447,42. A diferença entre o que foi reconhecido desde o início como devido pela recorrente na sua impugnação, no valor de R$541,95 e a decisão de primeira instância que apurou R$833,98, foi exatamente R$1.342,25, relativos aos rendimentos de julho. Se não vejamos: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI 4 Cálculo Detalhamento Planilha de Cálculo do IRRF Não Impugnado Demonstrativo do Crédito Tributário Diferença Salário Julho Diferença Impugnação Decisão 1a Instância Fls.02 Fls.41 Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro 35.792,69 35.792,69 Fundação Carlos Chagas 366,00 366,00 Fundo de Previdência do Mun. Rio de Janeiro 7.309,63 8.637,05 1.327,42 1.342,25 (14,83) Total de Rendimentos Tributáveis 43.468,32 44.795,74 1.327,42 Desconto Simplificado (8.693,66) (8.959,15) (265,48) Base de Cálculo 34.774,66 35.836,59 1.061,94 Alíquota % 27,50% 27,50% Total do Imposto 9.563,03 9.855,06 292,03 Parcela a deduzir 5.076,90 5.076,90 Imposto Devido 4.486,13 4.778,16 292,03 Imposto de Renda Retido na Fonte 3.944,18 3.944,18 Imposto a Pagar 541,95 833,98 292,03 Cabe ainda ressaltar que no cálculo da recorrente na impugnação, há uma pequena divergência facilmente identificável, com base nos valores da declaração de DIRF, acostada às fls.39: Mês Rendimento Bruto Imposto Retido Jan. 1215,80 23,67 Fev. 1.215,80 23,67 Mar 1.215,80 23,67 Abr. 1.215,80 23,67 maio 1.215,80 23,67 jun 1.215,80 23,67 jul* 1.342,25 42,64 ago 1.342,25 42,64 set 1.940,63 42,64 out 1.342,25 132,39 Nov. 1.342,25 42,64 dez 1.342,25 42,64 TOTAL 15.946,68 487,61 *Excluído 13o Salário Valor Tributável lançado pela 1 instância Rendimentos Tributáveis jan. a julho 8.637,05 Valor apresentado na impugnação fls.02 7.309,63 Rendimentos Tributáveis Jan. a junho 7.294,80 Diferença de Cálculo 14,83 Essa diferença é exatamente o valor quando comparamos o pleito inicial da contribuinte e a decisão de primeira instância. Desta forma, não há qualquer reparo a fazer a decisão recorrida. Diante do exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 60DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10768.720202/200738 Acórdão n.º 220101.515 S2C2T1 Fl. 3 5 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI
score : 1.0
Numero do processo: 10640.900096/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Nov 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004
INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO EM INSTÂNCIA A QUO.
A análise do contexto fático exposto no Recurso Voluntário é discrepante àqueles argumentos apresentados em sede de Impugnação, razão pela qual resta configurada a preclusão consumativa.
Numero da decisão: 1302-004.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO EM INSTÂNCIA A QUO. A análise do contexto fático exposto no Recurso Voluntário é discrepante àqueles argumentos apresentados em sede de Impugnação, razão pela qual resta configurada a preclusão consumativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 23 e 24) interposto contra o Acórdão n 09- 37.177, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (e-fls. 17 e 18), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo não homologação da compensação pretendida. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 00 96 /2 00 9- 72 Fl. 97DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.042 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.900096/2009-72 O interessado transmitiu a Dcomp n° 19233.92896.111106.1.7.04-1874, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de pagamento a maior de CSLL, efetuado em 31/12/2004; A DRF-Juiz de Fora/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada; A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fl. 01), na qual alega, em síntese, que o crédito declarado não existe e a transmissão da Dcomp foi indevida devendo pois ser cancelada. O Acórdão da DRJ, em sucinta decisão, decidiu calcado nos seguintes elementos: A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os requisitos de admissibilidade, assim dela conheço. A própria manifestante afirma que o crédito não existe, portanto a compensação não pode ser homologada. De fato não existe nos sistemas de controle da RFB, pagamento efetuado pela empresa em 31/120/09/2004, no código 6012, declarado por ela como indevido ou a maior. No entanto a Dcomp não pode ser cancelada, como quer a manifestante, visto que ela é confissão irretratável de divida, nos termos do § 6° do artigo 74 da Lei 9.430/96. Portanto, o débito declarado na Dcomp n° 19233.92896.111106.1.7.04-1874 deve ser pago pela empresa sob pena de inscrição em Divida Ativa da União. Registre-se que não é possível a retificação ou o cancelamento de Dcomp depois emitido o Despacho Decisório respectivo. O Recurso Voluntário, por sua vez, requer o que segue: Foram anexadas ao Recurso Voluntário uma série de notas fiscais. Quedam-se ausentes a DCTF original e a respectiva retificadora, mencionada pelo Contribuinte. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator. Fl. 98DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.042 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.900096/2009-72 Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Contudo, os requisitos intrínsecos não estão presentes, razão pela qual torna-se inviável conhecer o presente pleito. De plano, nota-se que as matérias veiculadas em sede recursal não foram abordadas na exordial defensiva, tampouco no Acórdão da DRJ, razão pela qual não merecem ser conhecidas nessa etapa. Assim, não conheço do Recurso Voluntário, deixando de apreciá-lo, inclusive, para evitar supressão de instância. Mister ressaltar que a possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação, contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscreve-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventá-la em sede de recurso voluntário como uma inovação. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor dos Acórdãos ns.º Fl. 99DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.042 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.900096/2009-72 9303-004.566 (3.ª Turma/CSRF), 3301-002.475 (3.ª Seção/3.ª Câmara/1.ª Turma Ordinária) e 3402-004.013 (4.ª Câmara/2.ª Turma Ordinária). Por fim, cumpre relembrar que não é de competência deste Órgão Colegiado apreciar o cancelamento de DCOMP. Dispositivo Ante o exposto, voto por não conhecer do Recurso voluntário. É como Voto. (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.008912/2004-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA
NULIDADE
ANULASE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, INCLUSIVE, DE ACORDO COM O ART. 59, INCISO II, DO DECRETO Nº 70.235/72.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3201-000.628
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular decisão de primeira instância, nos votos da relatora.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Mércia Helena Trajano D'Amorim
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular decisão de primeira instância, nos votos da relatora. Luciano Lopes de Almeida Moraes PresidenteSubstituto. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator. EDITADO EM: 04/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luciando Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luiz Eduardo Garrosssino Barbieri, Daniel Mariz Gudino e Mônica Monteiro Garcia de Los Rios. Fl. 1DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.1019.14122.12IC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo de indeferimento de compensação realizada via DCTF, nos períodos de 01/1999 a 03/2000, no qual a empresa pretendia ver compensados recolhimentos do PIS, efetuados com base nos Decretosleis nºs 2.445/88 e 2.449/88, com parcelas vincendas do próprio PIS, corrigidas monetariamente, desde a época dos efetivos pagamentos. Para tanto, a interessada ingressou com ação ordinária nº 98.00162933, da 4ª Vara Federal de CuritibaPR, que resultou no afastamento da aplicação dos citados Decretosleis, declarados inconstitucionais, com a aplicação da Lei Complementar nº 07/70 e alterações posteriores, conforme acórdão transitado em julgado em 26/07/2000 (fls. 05/39). A Delegacia da Receita Federal de Curitiba/PR, após análise dos autos, constatou a inexistência de saldo disponível a compensar, conforme planilhas de fls. 51/52, trazendo a informação de que os “valores compensados e que estão sendo encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União estão declarados em DCTF (fls. 55/69)”, relacionando, em seguida, referidos débitos. Fatos que foram mencionados em “Termo de Representação – Compensação Indeferida” emitida pela EQCAJ da DRF Curitiba (fls. 02/04). Em seqüência, a chefe da Secat/DRF/Curitiba decidiu não conhecer a compensação do PIS e reativar a cobrança dos débitos para fins de inscrição em Dívida Ativa da União (fl. 70). Cientificada do procedimento em 26/11/2004 (fl. 74), a interessada, por intermédio de seu representante legal (fls. 84/88), contesta o indeferimento das compensações realizadas por força de ação judicial procedente e respectiva cobrança dos débitos, argüindo que, nos termos da Lei nº 8.383/91, artigo 66, amparada judicialmente, compensou as quantias recolhidas a maior a título de PIS com Cofins. Diz que a Lei nº 9.430/96, o Decreto nº 2.138/97 que a regulamentou, e a IN SRF nº 21/97 admitem a compensação de débitos relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que não sejam da mesma espécie e não tenham a mesma destinação constitucional. Cita ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes a respeito. É o relatório.” O pleito não foi conhecido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/CTA no 0618.628, de 11/07/2008, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2000 Fl. 2DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.1019.14122.12IC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10980.008912/200429 Acórdão n.º 3201000.628 S3C2T1 Fl. 138 3 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃOCONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Não atende à admissibilidade a manifestação de inconformidade que não instaura litígio no processo administrativofiscal. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA.” O julgamento foi no sentido de não conhecer da reclamação que foi apresentada pela contribuinte no presente processo O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.1019.14122.12IC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano D'Amorim O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de indeferimento de compensação realizada via DCTF, nos períodos de 01/1999 a 03/2000, no qual a empresa pretendia ver compensados recolhimentos do PIS, efetuados com base nos Decretosleis nºs 2.445/88 e 2.449/88, com parcelas vincendas do próprio PIS, atualizadas, desde a época dos pagamentos. A recorrente ingressou com ação ordinária nº 98.00162933, da 4ª Vara Federal de CuritibaPR, que resultou no afastamento da aplicação dos citados Decretosleis, declarados inconstitucionais, com a aplicação da Lei Complementar nº 07/70 e alterações posteriores, conforme acórdão transitado em julgado em 26/07/200. Como relatado, trata o presente processo de indeferimento de compensação realizada via DCTF, nos períodos de 01/1999 a 3/2000, no qual a empresa pretendia ver compensados créditos de PIS advindos de sentença judicial (ação ordinária 98.00162933). O julgamento a quo foi no sentido de não conhecer da reclamação que foi apresentada pela contribuinte no presente processo A defesa da recorrente não foi acolhida pela DR.J/CTA, em razão dos argumentos abaixo: Após a análise dos autos, a Delegacia da RFB constatou a inexistência de saldo disponível a compensar, trazendo a informação de que os valores compensados e que estavam sendo encaminhados para a inscrição em dívida ativa estavam declarados em DCTF. Afirma ainda que estes fatos foram mencionados em Termo de Representação — compensação indeferida, emitida pela EQCAJ da DRF. Em seqüência a chefe da SECAT decidiu não conhecer a compensação do PIS, para reativar a cobrança dos débitos para fins de inscrição em dívida ativa; Cientificada do referido procedimento do Fisco, a Contribuinte teria contestado o indeferimento das compensações e respectiva cobrança, argüindo que compensou as quantias a maior a título de PIS com COFINS; Na verificação do exame de admissibilidade, concluiu que a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte perante a DIU/CTBA, não poderia ser aceita, sob a alegação de que a competência das DR.I's é de julgamento de impugnação nos processos de determinação e exigência de crédito tributário e de penalidades, bem como a manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações dos delegados da RFB em processos administrativos relativos à restituição, ressarcimento ou compensação; e que no caso em tela, foi verificado que a contestação apresentada pela interessada, em documento denominado impugnação, nasceu de sua contrariedade em relação ao Termo de Representação (compensação indeferida), que resultou do não conhecimento da compensação e emissão de intimação para pagamento de débito; conclui este raciocínio afirmando que não há evidência de protocolo de pedido de restituição/compensação para que fosse possível trazer a apreciação da autoridade competente a compensação alegada de créditos de PIS com débitos de diversos tributos administrados pela Fl. 4DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.1019.14122.12IC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10980.008912/200429 Acórdão n.º 3201000.628 S3C2T1 Fl. 139 5 RFB; justificando com toda essa argumentação que não houve compensação a ser apreciada, logo não seria cabível o recurso para que a DR] pudesse analisar; Afirma ainda que não consta nos autos que a interessada tenha protocolizado declaração de compensação; Aponta ainda que a intimação recebida pela Recorrente para pagamento do débito, não é meio formal para a constituição do crédito tributário, nem traduz autonomamente, qualquer relação jurídicotributária. Tratarseia, segundo a DRJ/CTA de simples advertência ao contribuinte de que a Fazenda já teria um crédito ao seu favor passível de inscrição em dívida ativa, ou seja, de que existem valores inadimplidos, extraídos de declarações entregues pelo Contribuinte; Especificamente sobre o uso do termo Manifestação de Inconformidade, diz que este último constitui recurso cabível contra a nãohomologação de declaração de compensação formalizada pelo contribuinte e que no presente caso inexiste indeferimento por parte da administração de pedido de compensação/restituição como também não haveria análise para fins de homologação de declaração de compensação porque tais documentos sequer teriam sido formalizados; concluindo, mais uma vez, que por essa razão, falece competência às Delegacias da RFB para apreciar a reclamação apresentada pela Contribuinte no presente caso; Entende ainda que a compensação informada em DCTF vinculada em débitos de PIS dos períodos de 01/99 a 03/2000, não constitui confissão de dívida. Ressalta que sobre o assunto é importante salientar que o recibo de entrega da DCTF dispõe que o declarante daquela confessa de forma irretratável os saldos a pagar dos tributos e contribuições então declarados, estando ciente de que os mesmos serão inscritos imediatamente em dívida ativa; complementa afirmando que no caso em comento os valores que estão sendo exigidos, em que pese terem sido declarados em DCTF, não foi declarado como saldo a pagar (que consta como zerado), mas, pelo contrário, como débito extinto mediante compensação, que não teria sido confirmada, sendo assim, haveria o enquadramento da hipótese de constituição de oficio do crédito tributário, diferentemente se tivessem aparecido nas DCTF's como saldo a pagar, hipótese em que não seriam passiveis de constituição e exigência por meio de lançamento de oficio. Inicialmente, observei à fl. 92, o seguinte despacho do SERVIÇO DE CONTROLE E ACOMPANHAMENTO TRIBUTÁRIO / SECAT: “O presente processo referese à compensação indeferida em análise da ação judicial n° 98.00162933, que tramitava na 4° Vara Federal em Curitiba. O contribuinte foi intimado da decisão que indeferiu o pedido, concedendo prazo de 30 dias para manifestação de inconformidade, de acordo com o art. 74 da Lei n° 9.430/1996, com as alterações promovidas pela Lei n° 10.833/2003. Uma vez que o contribuinte apresenta domicílio em São José dos Pinhais, alteramos a ULControle deste processo no sistema Profisc para a ARFS.J.Pinhais,PR. Considerando que a Nota Disit n° 7, de 12/08/2004, estabelece o direito do contribuinte ao contencioso administrativo no casos em que não for validada a compensação declarada em DCTF e sendo tempestiva a manifestação de inconformidade protocolizada pelo contribuinte, juntada às fls. 78 a 88, encaminhese a DRJ/CTAPR para prosseguimento.” Fl. 5DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.1019.14122.12IC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Há um despacho com encaminhamento a DRJ para apreciação, tendo em vista o direito ao contencioso administrativo. A despeito, ressalto que houve pedido de compensação, pois a comprovação do pedido foi a análise pela DRF e cálculos pelo próprio fisco dos valores dos créditos que se teria a compensar. Assim sendo, o princípio constitucional da ampla defesa foi mitigado no presente caso. Destarte, entendo que é necessário a que a autoridade julgadora, analise esta parte do mérito mencionada acima, com fins de garantir ao contribuinte o duplo grau de jurisdição e a ampla defesa, VOTO PELA DECLARAÇÃO DE NULIDADE DO PROCESSO, A PARTIR DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, INCLUSIVE, de acordo com o art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72. Pelo exposto, e em razão do princípio do duplo grau de jurisdição, não há possibilidade deste Colegiado se pronunciar sobre as questões em tela em Segunda Instância, sem que a autoridade que possui a atribuição de Julgamento em Primeira Instância o tenha feito. Isto posto, anulo o processo, a partir da decisão de Primeira Instância, inclusive, para que outra seja proferida. É como voto. . Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator Fl. 6DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.1019.14122.12IC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM em 29/03/2011 01:43:24. Documento autenticado digitalmente por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM em 08/04/2011. Documento assinado digitalmente por: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES em 04/05/2011 e MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM em 08/04/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 30/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP30.1019.14122.12IC Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: D68A99A1ECF10CD46FE6E911A5DEAFE63E5CD1D5 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10980.008912/2004-29. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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