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Numero do processo: 16327.001867/2005-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2002, 2003
CSLL — SOCIEDADES COOPERATIVAS — OPERAÇÕES COM COOPERADOS — SOBRAS LÍQUIDAS — NÃO INCIDÊNCIA
A base de cálculo da Contribuição Social é o lucro líquido ajustado. Se a fiscalização não demonstra que a cooperativa auferiu receitas em operações com não cooperados, não há lucros passíveis de incidência da contribuição.
Numero da decisão: 1103-000.828
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao
recurso.
Nome do relator: Mário Sérgio Fernandes Barroso
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2002, 2003 CSLL — SOCIEDADES COOPERATIVAS — OPERAÇÕES COM COOPERADOS — SOBRAS LÍQUIDAS — NÃO INCIDÊNCIA A base de cálculo da Contribuição Social é o lucro líquido ajustado. Se a fiscalização não demonstra que a cooperativa auferiu receitas em operações com não cooperados, não há lucros passíveis de incidência da contribuição.
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Se a fiscalização não demonstra que a cooperativa auferiu receitas em operações com não cooperados, não há lucros passíveis de incidência da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 67 /2 00 5- 52 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001867/200552 Acórdão n.º 1103000.828 S1C1T3 Fl. 447 2 Conforme o Termo de Verificação de fls.05/07, em fiscalização empreendida junto à contribuinte supramencionada, o autuante verificou que: 1. Nos anoscalendário de 2002 e 2003, a contribuinte exerceu atividades relacionadas no art.79 da Lei n° 5.764/71, na qualidade de cooperativa de crédito. 2. Ocorre que a contribuinte deixou de recolher a CSLL referente aos períodos em questão. No entanto, o art.2° e §§ da Lei n° 7.689/88 impõem a apuração e o recolhimento da CSLL. Em decorrência das constatações feitas pela Fiscalização, em 16/11/2005 foi lavrado o Auto de Infração de CSLL de fls.08/11, no valor total de R$1.650.808,03. Da impugnação A contribuinte apresentou a impugnação de fls.443/458, acompanhada dos documentos de fls.459/485 e protocolizada em 16/12/2005 (conforme informa o despacho da SACAT/DRJ/SJC/SP de fls.487), alegando em síntese que: 1. As cooperativas buscam para si, enquanto pessoas jurídicas, somente a satisfação dos custos administrativos, nunca o lucro. Tributar os atos cooperativos de forma equiparada aos atos do comércio, que visam somente o lucro, é ofender os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da isonomia, além de ferir o adequado tratamento tributário ao ato cooperativo. 2. As cooperativas não auferem qualquer tipo de lucro e não têm qualquer tipo de receita, seja operacional ou financeira. Inclusive, as suas operações não têm caráter de mercado, conforme disposição do art.79, da Lei n° 5.764/71. Nesse sentido, não há base de cálculo para a CSLL. 3. A matéria em comento não poderia ser tratada por meio de lei ordinária, como é o caso da Lei n° 7.689/88, por expressa disposição constitucional determinando que o tratamento tributário das cooperativas será diferenciado e disposto por lei complementar conforme o at.146 da Constituição Federal. A 10.ª Turma da DRJ de São Paulo I, decidiu (ementa): “CSLL. COOPERATIVA. INCIDÊNCIA. A Contribuição Social sobre o Lucro é devida por todas as sociedades cooperativas e incide sobre todos os seus resultados, sejam eles relativos as operações com associados ou não. (Lei n 8.212, de 1991, art. 10, Lei n' 7.689, de 1988, art. 4, e IN SRF n' 198, de 1988). ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. LEI N° 7.689/88. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001867/200552 Acórdão n.º 1103000.828 S1C1T3 Fl. 448 3 Alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade são de exclusiva competência do Poder Judiciário.” A contribuinte, ora recorrente, praticamente repete as razões da impugnação, destacandose ementas de acórdão do STJ e dos antigo 1.º Conselho de Contribuintes. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. A matéria em litígio não é nova no CARF, tratase da incidência da CSLL sobre atos cooperativos. A decisão de 1a. instância foi no sentido de que a CSLL incide tanto sobre os atoscooperativos como sobre as operações com não cooperados. A contribuinte alega que não aufere lucro, e que à luz da jurisprudência está fora do campo de incidência da CSLL. De fato, do Termo de Verificação Fiscal é isso que consta, ou seja a recorrente apenas realizou atos cooperados. Da matéria em si inúmeros são os acórdãos referentes ao tema como por exemplo o acórdão n.º 140200.417, da 2.ª Turma ordinária da 4.ª Câmara, da lavra do Ilustre relator Antônio José Praga de Souza, em 28 de janeiro de 2011 a saber (ementa): “CSLL. COOPERATIVAS. OPERAÇÕES COM COOPERADOS. SOBRAS LÍQUIDAS. NÃO INCIDÊNCIA. Em relação aos atos cooperativos, os resultados positivos da sociedade cooperativa não tem natureza de lucros como definido na legislação tributária e comercial, não se subsumindo a norma de incidência da contribuição social sobre o lucro.” A CSRF já a muito tempo consolidado o tema, como por exemplo, citese o acórdão CSRF/0105.874, proferido na sessão de 11/08/2008, da relatoria do Douto ex conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima: CSLL SOCIEDADES COOPERATIVAS OPERAÇÕES COM COOPERADOS SOBRAS LÍQUIDAS NÃO INCIDÊNCIA Em relação aos atos cooperativos, os resultados positivos da sociedade cooperativa não tem natureza de lucros como definido na legislação tributária e comercial, não se subsumindo a norma de incidência da contribuição social sobre o lucro. Recurso especial negado. (Recurso especial do Procuradoria da Fazenda Nacional negado provimento) Do voto condutor do aludido acórdão extraise os seguintes fundamentos: Fl. 448DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001867/200552 Acórdão n.º 1103000.828 S1C1T3 Fl. 449 4 “(..) Depreendese do relatado que a Recorrente ingressou com recurso especial a esta Colenda Câmara insurgindose contra decisão do Conselho de Contribuintes que deu provimento ao recurso para afastar a tributação da CSLL de sociedades cooperativas. Essa matéria vem sendo decidida, reiteradas vezes, por essa Turma, sempre no sentido de afastar a exigência da CSLL sobre o resultado auferido com atos cooperados. De fato, a hipótese de incidência tributária descreve a ocorrência de "lucro", termo de conteúdo semântico bem definido em nosso ordenamento jurídico e relacionado sempre à atividade mercantil. Como o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produtos ou mercadorias como explicitado na própria lei das cooperativas (art. 19 da Lei n° 5.764/99), não há como se aceitar a possibilidade de subsunção do resultado positivo apurado pela sociedade cooperativa à Lei n°7.689, de 1988, norma de incidência da CSLL.” Por fim temos a Súmula CARF n.º 83 que determina: “Súmula CARF nº 83: O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei no 10.865, de 2004.” Dessa forma, quando ocorre atos entre cooperados não há lucro, e por isso, não há base de cálculo da CSLL. De todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 07 de março de 2013 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 449DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13896.721004/2011-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL.
Uma vez comprovadas, parcialmente, despesas médicas do contribuinte, conforme previsão contida na legislação pertinente, há de se restabelecer, em parte, o valor informado na correspondente declaração de rendimentos.
Numero da decisão: 2402-006.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, cancelando a glosa de R$ 25.200,00, referente à prótese de joelho, bem como para cancelar a glosa de R$ 11.437,01, referente ao Plano de Saúde Ana Costa.
Julgamento realizado na sessão de 17/1/19, com início às 14h.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Uma vez comprovadas, parcialmente, despesas médicas do contribuinte, conforme previsão contida na legislação pertinente, há de se restabelecer, em parte, o valor informado na correspondente declaração de rendimentos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, cancelando a glosa de R$ 25.200,00, referente à prótese de joelho, bem como para cancelar a glosa de R$ 11.437,01, referente ao Plano de Saúde Ana Costa. Julgamento realizado na sessão de 17/1/19, com início às 14h. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
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DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO Recorrente JOSÉ ROBERTO BRANCO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Uma vez comprovadas, parcialmente, despesas médicas do contribuinte, conforme previsão contida na legislação pertinente, há de se restabelecer, em parte, o valor informado na correspondente declaração de rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, cancelando a glosa de R$ 25.200,00, referente à prótese de joelho, bem como para cancelar a glosa de R$ 11.437,01, referente ao Plano de Saúde Ana Costa. Julgamento realizado na sessão de 17/1/19, com início às 14h. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Cláudia Cristina Noira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 10 04 /2 01 1- 09 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201109 Acórdão n.º 2402006.868 S2C4T2 Fl. 121 2 Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 19ª Tuma da DRJ/RJ1, consubstanciada no Acórdão nº 1259.014, que julgou improcedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra o sujeito passivo foi emitida Notificação de Lançamento nº 2010/137881576433788, relativa ao anocalendário 2009, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foi apurada pela fiscalização dedução indevida de despesas médicas, na importância de R$ 82.987,86 (fls.21). A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o Fisco a diferença apurada, acrescida de juros de mora e multa de ofício. Cientificado da notificação, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls.2/13), esclarecendo a natureza e origem das despesas médicas cujas deduções foram glosadas pela fiscalização, colacionando respectiva documentação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente em parte a impugnação, conforme ementa abaixo reproduzida: Acórdão 1259.014 19ª Turma da DRJ/RJ1 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2010 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Uma vez comprovadas, parcialmente, despesas médicas do contribuinte, conforme previsão contida na legislação pertinente, há de se restabelecer, em parte, o valor informado na correspondente declaração de rendimentos. PLANO DE SAÚDE. BENEFICIÁRIO. Uma vez não comprovados, com documentos hábeis, os beneficiários dos planos de saúde, quando este foi o motivo da apuração da infração, procede a glosa efetuada. APARELHOS ORTOPÉDICOS. PRÓTESES. RECEITUÁRIO MÉDICO. NOTA FISCAL. No caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário, por expressa determinação legal. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201109 Acórdão n.º 2402006.868 S2C4T2 Fl. 122 3 IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 61/65, por meio do qual reitera, em síntese, o quanto aduzido na impugnação apresentada em relação às glosas mantidas pela DRJ, colacionando novos documentos. Na sessão de julgamento realiza em 10 de maio de 2018, este Colegiado converteu o julgamento do processo em diligência para que a autoridade administrativa fiscal da DRF Barueri, responsável pela lavratura da Notificação de Lançamento que deu origem ao presente PAF, anexe aos autos todos os documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização (tais como recibos de pagamento, dentre outros), referentes aos gastos com os Planos de Saúde “Ana Costa” e “Bradesco Saúde”. Caso não possua, por qualquer motivo, tais documentos em seu poder, que proceda à intimação do contribuinte para reapresentálos. Em atenção ao quanto solicitado, a Unidade de Origem intimou o contribuinte para apresentar os recibos de pagamento e outros documentos que julgar necessários referentes aos gastos com os Planos de Saúde “Ana Costa” e “Bradesco Saúde”. Em resposta, o contribuinte apresentou o expediente de fls. 92, trazendo aos autos os comprovantes referentes aos gastos com os susoditos planos de saúde de fls. 101 a 114. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. A Notificação de Lançamento guerreada foi motivada em decorrência da glosa de deduções de despesas médicas. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201109 Acórdão n.º 2402006.868 S2C4T2 Fl. 123 4 I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Sobre a matéria, assim dispõe o art. 80 do Decreto nº 3.000/1999, vigente à época dos fatos geradores, in verbis: Seção I Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201109 Acórdão n.º 2402006.868 S2C4T2 Fl. 124 5 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Na espécie, a Notificação de Lançamento guerreada foi motivada em decorrência da glosa de deduções de despesas médicas, abaixo descritas para melhor análise: Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201109 Acórdão n.º 2402006.868 S2C4T2 Fl. 125 6 DESCRIÇÃO VALOR MOTIVO DA GLOSA MARISTELA PEREIRA 450,00 1 FERNANDA FAVERAN ROVARON 1.000,00 1 MARIA FERNANDA DOMINGUES 1.550,00 1 CRISTIANE DE JESUS PEDROSO 6.000,00 1 MARIA FERNANDA DOMINGUES 1.350,00 1 MARIA FERNANDA DOMINGUES 1.200,00 1 ALEXANDRE DE OLIVEIRA ITU – ME 9.730,00 2 ALEXANDRE DE OLIVEIRA ITU – ME 25.200,00 3 PLANO DE SAÚDE ANA COSTA LTDA 11.437,01 4 BRADESCO SAÚDE S/A 25.070,85 4 1 – recibos sem identificação do endereço do prestador; 2 – dedução sem previsão legal; 3 – despesa com prótese exige comprovação com receituário médico, além da nota fiscal em nome do beneficiário; 4 – não foram discriminados os pagamentos por beneficiário. Com o julgamento de primeira instância, remanesceram as glosas referentes aos motivos “2”, “3” e “4”, abaixo reproduzidos: DESCRIÇÃO VALOR MOTIVO DA GLOSA ALEXANDRE DE OLIVEIRA ITU – ME 9.730,00 2 ALEXANDRE DE OLIVEIRA ITU – ME 25.200,00 3 PLANO DE SAÚDE ANA COSTA LTDA 11.437,01 4 BRADESCO SAÚDE S/A 25.070,85 4 Impõese, portanto, a análise de cada uma das despesas em destaque: * Alexandre de Oliveira ITU – ME – R$ 9.730,00 De acordo com a fiscalização, o montante de R$ 9.730,00 foi glosado por falta de previsão legal. Analisandose a cópia da Nota Fiscal de fls. 30, verificase que razão assiste à fiscalização. De fato, tratase de despesas com cama hospitalar, cadeiras de rodas, escada, suporte para soro, andador, esparadrapo, atadura e gazes, conforme imagem abaixo: Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201109 Acórdão n.º 2402006.868 S2C4T2 Fl. 126 7 Registrese, conforme constatado pela própria DRJ, constam na NF em destaque elementos que o art. 43, §7º, da Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001, considera como aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas, tais como cadeira de rodas e andador. No entanto, ao contrário do alegado pelo contribuinte, a Lei nº 9.250, de 1995, exige a comprovação dessas despesas com receituário médico, requisito este não comprovado pelo interessado no curso da ação fiscal, tampouco na impugnação. Com relação aos demais itens constantes da nota fiscal, não há previsão legal para dedução como despesas médicas na declaração de rendimentos, como afirmou a autoridade fiscal na descrição dos fatos da notificação de lançamento, pelo que fica mantida a respectiva glosa. * Alexandre de Oliveira ITU – ME – R$ 25.200,00 No que tange à despesa de R$ 25.200,00, tratase de gasto com prótese de joelho, conforme se infere da Nota Fiscal de fls. 29, parcialmente reproduzida abaixo: Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201109 Acórdão n.º 2402006.868 S2C4T2 Fl. 127 8 A fiscalização efetuou a glosa da referida despesa aduzindo que despesa com prótese exige comprovação com receituário médico, além da nota fiscal em nome do beneficiário. Pois bem! Como se vê, dois foram os fundamentos utilizados pela fiscalização para glosar a despesa em análise: (i) comprovação com receituário médico e (ii) nota fiscal em nome do beneficiário. No que tange à comprovação com receituário médico, o contribuinte esclareceu que deixou de apresentar o referido documento oportunamente, uma vez que o mesmo ficou retido pelo fornecedor quando da aquisição da prótese, pelo que, notificado pela RFB, acreditou o contribuinte que uma vez apresentada a NF de compra, em caso de dúvidas, o próprio fisco se encarregaria de sanálas junto aos mesmos. Assim, mantida a glosa em análise pelo órgão julgador de primeira instância, logrou o contribuinte trazer aos autos cópia do receituário médico que deu origem à compra da prótese de joelho objeto da NF de fls. 29, reapresentada às fls. 67. O referido receituário está às fls. 69. No que diz respeito à apresentação de nota fiscal em nome do beneficiário, verificase que o referido documento foi apresentado pelo contribuinte ainda no curso do procedimento fiscal, tendo sido emitida em nome de Adriano Branco – mesmo nome do receituário médico – o qual consta como dependente do Sr. Jose Roberto Branco, ora Recorrente, na sua Declaração de Ajuste Anual de fls. 43, fato incontroverso nos presentes autos. Neste espeque, restando superadas as razões que motivaram a glosa da dedução em análise, impõese o restabelecimento da mesma, no valor de R$ 25.200,00, referente a despesa com prótese ortopédica. * Bradesco Saúde S/A – R$ 25.070,85 Com relação às despesas com Bradesco Saúde S/A, no valor de R$ 25.070,85, a motivação da glosa foi o fato do contribuinte não ter apresentado documentos que discriminassem os beneficiários do plano de saúde e os respectivos valores individualizados. Em seu recurso voluntário, o contribuinte se limitou a aduzir que quanto ao Plano Bradesco Saúde, também anexouse os comprovantes de pagamento. Se paira alguma dúvida por parte do fisco, é dever do mesmo notificar o plano de saúde exigindo uma relação dos beneficiários, partindose do princípio da boafé. Como se vê, o contribuinte não se desincumbiu de demonstrar os beneficiários do plano de saúde em questão, bem como os valores individualizados por beneficiário. Ao revés, entende o contribuinte que deveria o Fisco intimar o Plano de Saúde para que este apresentasse a relação dos beneficiários. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201109 Acórdão n.º 2402006.868 S2C4T2 Fl. 128 9 Olvida o Recorrente, entretanto, que o ônus da prova recai sobre aquele que alega se detentor / titular de determinado direito. No caso concreto, foi o contribuinte que informou, na sua Declaração de Ajuste Anual, ser detentor de um direito, ficando a seu cargo, portanto, o ônus de comprovar a existência e idoneidade de tal direito. Como não o fez, não há qualquer reparo a ser feito na decisão de primeira instância neste particular, mantendose a glosa realizada pela fiscalização no valor de R$ 25.070,85, referente ao plano de saúde Bradesco. * Plano de Saúde Ana Costa LTDA – R$ 11.437,01 Tal como em relação ao Plano de Saúde Bradesco, a Fiscalização também glosou os valores referentes ao Plano de Saúde Ana Costa por não ter sido apresentado documentos que discriminassem os beneficiários do plano de saúde e os respectivos valores individualizados. Bem, em relação ao Plano de Saúde em destaque, o contribuinte trouxe aos autos declaração da Companhia de Docas do Estado de São Paulo – CODESP (fls. 66), informando que o Sr. Adriano Branco – dependente do Recorrente, registrese foi participante do plano de saúde, patrocinado e subsidiado por essa CODESP até dezembro de 2010 (...) e que esta inscrita na condição de dependente do titular a Sra. Zilda Ferreira Branco – igualmente dependente do Recorrente na sua DAA (fls. 43). Por fim, mas não menos importante, o contribuinte, em sede de diligência fiscal, (re)apresentou os efetivos comprovantes de pagamento, conforme evidenciam os comprovantes bancários acostados aos autos a partir das fls. 107. Assim, tratandose de despesas com plano de saúde cujos beneficiários – Sr. Adriano Branco e Sra. Zilda Ferreira Branco – foram declarados como dependentes do Sr. José Roberto Branco na DAA deste e que tal fato restou incontroverso nos presentes autos, impõe se o restabelecimento da dedução em análise. Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de restabelecer a dedução das despesas médicas, conforme quaro resumo abaixo: DESCRIÇÃO GLOSA Reestabelecido Pela DRJ Reestabelecido Pelo CARF MARSTELA PEREIRA 450,00 450,00 FERNANDA FAVERAN ROVARON 1.000,00 1.000,00 MARIA FERNANDA DOMINGUES 1.550,00 1.550,00 CRISTIANE DE JESUS PEDROSO 6.000,00 6.000,00 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201109 Acórdão n.º 2402006.868 S2C4T2 Fl. 129 10 DESCRIÇÃO GLOSA Reestabelecido Pela DRJ Reestabelecido Pelo CARF MARIA FERNANDA DOMINGUES 1.350,00 1.350,00 MARIA FERNANDA DOMINGUES 1.200,00 1.200,00 ALEXANDRE DE OLIVEIRA ITU – ME 9.730,00 ALEXANDRE DE OLIVEIRA ITU – ME 25.200,00 25.200,00 PLANO DE SAÚDE ANA COSTA LTDA 11.437,01 11.437,01 BRADESCO SAÚDE S/A 25.070,85 (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.903082/2012-42
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO.
A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito.
Numero da decisão: 1003-000.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 30 82 /2 01 2- 42 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10280.903082/201242 Acórdão n.º 1003000.365 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1152.787, de 29 de abril de 2016, da 4ª Turma da DRJ/REC, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório. A Recorrente apresentou pedido de compensação, PER/DCOMP nº 20233.78640.170510.1.3.047170, vinculada ao PER/DCOMP nº 16069.02420.290410.1.3.04 3551 (Proc. nº 10280.909330/201204), em razão de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior oriundo da CSLL paga por estimativa, código 2484. O crédito informado, no valor original na data da transmissão de R$ 5.960,22, seria decorrente de pagamento indevido relativo ao DARF de valor R$ 69.914,11, recolhido em 30/10/2009. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico nº de rastreamento 031025501, emitido em 04/09/2012, às fls. 06, a Autoridade Competente decidiu não homologar a compensação fundamentando que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade e defendeu o seguinte: (i) que a empresa enviou PER/DCOMP nº 20233.78640.170510.1.3.047170, na qual requer a compensação do débito de CSLL referente ao mês de abril de 2010, totalizando R$ 10.244,43, utilizando crédito do mês de julho de 2004 por pagamento indevido no valor original de R$ 5.960,22, que corrigido totalizaria R$ 10.244,43; (ii) que o crédito em questão ocorreu em conseqüência de pagamento em duplicidade, o qual iniciou num processo de parcelamento, que, posteriormente, foi quitado à vista (30/10/2009), fazendo parte do processo de nº 10280006088/200893; (iii) pelo exposto, requereu a improcedência da cobrança e a homologação da compensação pleiteada. A DRJ/REC analisou a impugnação e julgou o pedido da Recorrente improcedente, nos moldes da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO EXISTENTE Comprovada a existência de direito creditório, referente a pagamento indevido ou a maior, é permitida a sua utilização na extinção de débitos mediante apresentação de Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10280.903082/201242 Acórdão n.º 1003000.365 S1C0T3 Fl. 4 3 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário que repetiu os argumentos e provas acostados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente fundamenta seu recurso sob a alegação de que o crédito em análise foi gerado em razão de pagamento em duplicidade, que teria se iniciado num processo de parcelamento que veio a ser quitado à vista em 30/10/2009, fazendo parte do processo nº 10280.006088/200893. A PER/DCOMP apresentada pela Recorrente de nº 20233.78640.170510.1.3.047170 (fls. 2 a 5), vinculada ao PER/DCOMP nº 16069.02420.290410.1.3.043551, informa ser o crédito originado a partir do DARF, CSLL, código de receita 2484, com vencimento em 30/10/2009, no valor de R$ 69.914,11. A Autoridade administrativa, ao analisar a liquidez e certeza do crédito, identificou, através do Despacho Decisório (fls. 06), que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi utilizado para realização de um ou mais pagamentos, não restando créditos disponíveis para compensação dos débitos pleiteados. A DRJ, ao analisar as informações da manifestação de inconformidade e confrontar com as informações constantes nos sistemas da RFB, verificou o seguinte: a contribuinte apresentou, em 18/04/2008, a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2005 –, relativa ao anocalendário de 2004, onde consta, no período de Julho/2004, na FICHA 16 CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO MENSAL POR ESTIMATIVA , CSLL a pagar no valor apurado de R$ 8.962,03: a contribuinte apresentou, em 02/09/2008, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF Retificadora relativa a Julho/2004, onde consta no período CSLL cód. 2484 no valor apurado de R$ 8.962,03: Por essa razão, a contribuinte formalizou o Processo nº 10280.006088/200893 com pedido de parcelamento, por meio do qual quitou o débito de CSLL, cód. 2484, do período de apuração julho/2004, no valor originário de R$ 8.214,19 (mesmo valor informado na DCTF) Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10280.903082/201242 Acórdão n.º 1003000.365 S1C0T3 Fl. 5 4 O DARF no valor de R$ 69.914,11 também se encontra integralmente alocado no Processo nº 10280.006088/200893, conforme tela abaixo: Verificase, assim, que tanto a Impugnante quanto a Autoridade Fiscal somente se referiram ao Processo nº 10280.006088/2008 93, sendo justamente nesse processo onde se encontra vinculado o DARF no valor de R$ 69.914,11, recolhido em 30/10/2009. A Impugnante reconheceu a existência desse processo e não apresentou outros dados que supostamente caracterizassem pagamento em duplicidade de CSLL, cód. 2484, no período de apuração julho/2004. A Impugnante apenas se referiu a outro processo de parcelamento por meio da Lei nº 11.941/2009, mas não o especificou. Constatase, portanto, que a Autoridade Fiscal procedeu corretamente ao não reconhecer o direito creditório pleiteado. Assiste razão à DRJ. Não há nos autos informações ou provas que pudessem corroborar as alegações de pagamento em duplicidade realizado pela contribuinte. Pelas informações constantes no processo, o DARF está alocado no processo de nº 10280.006088/200893 e o parcelamento informado foi realizado para quitar o débito de CSLL do período. Não há outros documentos nos autos que suportem a alegação de pagamento em duplicidade. Ademais, todos os argumentos de defesa e as provas devem ser colacionadas na Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão do direito, nos moldes determinados pelo Decreto nº 70.235/1972, art.16. No presente caso, nem a manifestação de inconformidade nem o recurso voluntário esclarecem como foi realizado o pagamento em duplicidade e nem traz documentos que possam corroborar a tese ventilada nas defesas. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10280.903082/201242 Acórdão n.º 1003000.365 S1C0T3 Fl. 6 5 O extrato do Processo de nº 10280903141/201282 e o DARF de recolhimento de CSLL do período de apuração 07/07/1980 acostados no Recurso Voluntário, desprovidos de outras informações que o integrem à demanda, não ajudam na solução da questão. A Lei nº 11.941/2009 alterou a legislação tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários e concedeu remissão nos casos em que especificados na citada norma. A Recorrente, contudo, não informou se estava enquadrada nos requisitos da Lei, nem juntou qualquer documento que comprovasse ter havido a remissão no caso concreto, fato que também não foi identificado pelas autoridades administrativas que instruíram o processo. Isto posto, voto pela improcedência do recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/REC. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13738.001007/2007-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 8. 00 10 07 /2 00 7- 51 Fl. 77DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2005, anocalendário de 2004, quando foram constatadas as seguintes irregularidade, conforme a Descrição dos Fatos: dedução indevida de despesas médicas, especialmente pela falta de detalhamento dos beneficiários (valor R$5.311,11), dedução Indevida de Dependentes (valor R$ 2.544,00), dedução Indevida de Despesas com Instrução ( valor R$ 1.998,00) e dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial (valor: R$ 23.600,00). O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação juntando toda a documentação possível para tentar evidenciar a efetividade das suas despesas. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes e documentos fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte foram suficientes para comprovar as despesas com pensão alimentícia bem como as despesas com instrução. Com relação a despesa com dependentes, não é possível utilizar esta dedução eis que os filhos do Contribuinte já são seus alimentados e estas despesas não são cumulativas. Com relação a despesas médicas, com plano de saúde, a DRJ mantece a glosa apenas por não ter o contribuinte juntado o detalhamento das despesas por beneficiário. Em sede de Recurso Voluntário, junta o contribuinte o detalhamento das despesas médicas, com plano de saúde, por beneficiário, esclarecendo totalmente a duvida levantada pela DRJ. Com relação a despesa com dependente, não foi mais objeto de questionamento em sede de Recurso, o que torna a matéria não mais litigiosa.. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13738.001007/200751 Acórdão n.º 2001000.981 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou despesa com plano de saúde, Unimed, no valor total de R$5.311,11 e a DRJ não tinha considerado como passível de dedução haja vista que não havia detalhamento de despesa por beneficiário. Ocorre que em sede de Recurso, juntou o contribuinte o extrato da Unimed NOVA FRIBURGO, no total de RS 5.845.62, onde constam os valores pagos individualmente pelo declarante no ano de 2004 em beneficio próprio e da senhora SONNIA MARIA SANTOS BRASIL (exesposa), HELENA DOS SANTOS BRASIL e HELLEN DOS SANTOS BRASIL (filhas), por força de DECISÃO JUDICIAL em audiência de 27/ l 1/2001, no JUÍZO DE DIREITO DA COMARCA DE NOVA FRIBURGO VARA DE FAMÍLIA, DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE, cuja cópia foi anexada. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. Fl. 79DF CARF MF 4 A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na prova documental do Recorrente, bem como sua postura colaborativa e visivelmente de boa fé, entendo, que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário para serem acatadas as despesas médicas anteriormente glosadas. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar as despesas médicas glosadas anteriormente. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13738.001007/200751 Acórdão n.º 2001000.981 S2C0T1 Fl. 4 5 Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17878.000148/2009-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Numero da decisão: 3201-004.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para não reconhecer o pagamento a maior e não homologar a declaração de compensação. Votou pelas conclusões o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para não reconhecer o pagamento a maior e não homologar a declaração de compensação. Votou pelas conclusões o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para não reconhecer o pagamento a maior e não homologar a declaração de compensação. Votou pelas conclusões o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 87 8. 00 01 48 /2 00 9- 74 Fl. 255DF CARF MF Processo nº 17878.000148/200974 Acórdão n.º 3201004.712 S3C2T1 Fl. 256 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face da não homologação da Declaração de Compensação nº 28264.45744.030505.1.3.04 9838, nos termos do Despacho Decisório (fls. 92/94) emitido em 16/04/2010 pela DRF de Volta Redonda/RJ. No aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 03/05/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 698.143,15, que corresponde à parcela do DARF recolhido em 14/03/2003, de PIS, código de receita 8109, no valor total de R$ 2.436.559,05. Segundo o Despacho Decisório recorrido, a interessada informou que: O presente crédito originouse de retificação na sistematização da apuração do débito de PIS, sem o trânsito pela sua escrita contábil, de valores em dinheiro recebidos mensalmente de sua matriz na França no inicio de suas operações no Brasil. Segundo ela, tais valores eram originalmente classificados na contabilidade como receitas financeiras, conforme orientação da própria matriz na França, integrando a base de cálculo do PIS e da COFINS, e que, em 2003, ao se perceber o equívoco naquela classificação contábil, procedeuse à apuração dos tributos recolhidos a maior. Relata que a interessada, apesar de intimada, não esclareceu, por meio de sua escrita contábil, a natureza dos valores recebidos mensalmente da matriz e nem especificou o montante mensal de cada remessa. Diz que ela apenas alegou que teria recebido de sua matriz valores que originalmente teriam sido escriturados como receita financeira, mas que posteriormente, em 2003, teriam sido remanejados para outra conta, sem qualquer registro na escrituração contábil, de modo que tais valores não comporiam a base de calculo do PIS e da Cofins. Informa que a manifestante não demonstrou como obteve o valor por ela indicado na DCTF retificadora que geraria o pagamento indevido. Conclui que, por falta de provas e pelo fato do procedimento adotado pela interessada não se coadunar com a sistemática de Fl. 256DF CARF MF Processo nº 17878.000148/200974 Acórdão n.º 3201004.712 S3C2T1 Fl. 257 3 restituição de pagamento indevido na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional, o crédito padece de certeza e liquidez. Cientificada em 28/04/2010, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 137/141, alegando, em síntese, o seguinte. Esclarece que o PIS é tributo sujeito ao lançamento por homologação, razão pela qual cabe ao sujeito passivo antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Aduz que retificou sua DCTF antes da ciência do despacho decisório, informando corretamente o tributo devido, de modo a evidenciar o pagamento indevido. Ressalta que o crédito foi verificado em virtude da reclassificação contábil dos valores recebidos de sua matriz no exterior, os quais deixaram de ser considerados como receitas financeiras, ocasionando o pagamento a maior. Entende que a retificação da DCTF é capaz, por si só, de evidenciar o pagamento indevido ou a maior. Protesta ainda pela posterior juntada da comprovação de sua escrita fiscal, de modo a provar o crédito pleiteado. Requer a reforma do despacho decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR por intermédio da 3ª Turma, no Acórdão nº 0660.372, sessão de 21/09/2017, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não homologou sua compensação. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PROVAS. INSUFICIÊNCIA. A mera alegação do direito desacompanhada da escrituração contábil/fiscal do período não é suficiente para comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário (fls. 229/238), no qual vem renovar seus argumentos para reformar a decisão recorrida, reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar a compensação declarada. É o relatório. Voto Fl. 257DF CARF MF Processo nº 17878.000148/200974 Acórdão n.º 3201004.712 S3C2T1 Fl. 258 4 Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. A irresignação suscitada em recurso voluntário referese à acusação pela autoridade fiscal da ausência de comprovação da origem do pagamento a maior do PIS, informado na DCTF original, que após retificações em 14/09/2004, 20/04/2005, 16/02/2007 e 26/03/2007, fez exsurgir um valor de pretenso crédito. A recorrente rechaça a conclusão do Fisco sob o argumento de que as DCTFs foram retificadas em data anterior à emissão do despacho decisório e, portanto, fazem prova dos requisitos da certeza e liquidez do crédito proveniente de pagamento de tributo maior que o devido. Aduz que as declarações retificadoras foram "aceitas" pelo Fisco; assim e por conseguinte, há de ser reconhecido a existência do crédito por pagamento a maior do PIS apurado. Colaciona decisões do CARF que entende validar tal raciocínio. Sustenta, ainda, que a decisão recorrida atentouse tão somente à questão formal das retificações e seus julgadores omitiramse de perquirir sobre a existência do direito creditório, faltando com seu dever de ofício, em desprezo ao Princípio da Verdade Material, de apurar todos os fatos que lhe foram apresentados. Traz doutrina e jurisprudência que alega corroborar esse entendimento. Como se vê, para a contribuinte, a transmissão de DCTF retificadora consignando um valor de tributo menor que o originalmente informado é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de seu créditos. Essa tese não tem amparo legal e sequer é corroborado pela jurisprudência do CARF ou doutrina. Mister colacionar os dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao Fl. 258DF CARF MF Processo nº 17878.000148/200974 Acórdão n.º 3201004.712 S3C2T1 Fl. 259 5 órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Fl. 259DF CARF MF Processo nº 17878.000148/200974 Acórdão n.º 3201004.712 S3C2T1 Fl. 260 6 Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de sucessivas retificações de DCTFs (quatro, em verdade), com a redução do PIS devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular (conforme admite a contribuinte) e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado pagamento a maior, importa em reconhecer o acerto da autoridade fiscal em não homologar a compensação declarada. Assim se manifestou a autoridade fiscal no despacho decisório (fls. 71/73): [...] Após a transmissão da DCTF original, a interessada transmitiu duas DCTF retificadoras do 1º Trimestre de 2003, em 14/09/2004 e 20/04/2005, nas quais manteve o valor original do débito apurado de PIS do período de apuração fevereiro/2003 (fls. 22 e 26). Entretanto, posteriormente à apresentação da declaração de compensação em comento, a interessada transmitiu duas novas DCTF retificadoras, em 16/02/2007 e 26/03/2007, nas quais reduziu o valor do saldo a pagar do PIS no referido período de apuração para R$ 1.883.748,32, na primeira, e para R$ 1.185.605,17, na segunda, o que originou o valor de R$ 1.250.953,88, a titulo de pagamento indevido ou a maior de PIS, do qual utilizou R$ 698.143,15 para compensar débitos seus (fls. 30 e 34, respectivamente). A interessada, conforme relatado, alega que o seu direito creditório teria se originado da retificação da forma de apuração do PIS, mais precisamente do estorno, sem o trânsito pela sua escrita contábil, de valores em dinheiro recebidos mensalmente da matriz na França que originalmente teriam sido escriturados como receita financeira. No caso, a interessada, apesar de intimada, não esclareceu, por meio de sua escrita contábil, a natureza desses valores em dinheiro recebidos mensalmente da matriz localizada na França, nem especificou o montante mensal de cada remessa. 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 17878.000148/200974 Acórdão n.º 3201004.712 S3C2T1 Fl. 261 7 Apenas alegou que teria recebido de sua matriz na França valores que originalmente teriam sido escriturados como receita financeira, mas que posteriormente, em 2003, teriam sido remanejados para outra conta, sem qualquer registro na sua escrituração contábil, de modo que tais valores não mais comporiam a base de calculo do PIS e da COFINS, sem, contudo, demonstrar como obteve o valor por ela indicado na DCTF retificadora que geraria o crédito a titulo de pagamento indevido. Como se vê, a interessada não apresentou qualquer documentação contábilfiscal relativamente ao período de apuração em questão, em que demonstraria a recuperação desses valores da conta receita financeira, para reduzir o valor do saldo devedor do PIS daquele período de apuração para R$ 1.185.605,17, o que, por consequência, tornaria indevido uma parcela do pagamento efetuado, da qual utiliza uma parte para compensar débitos seus. [...] Em suma, apesar de intimada, a interessada não logrou comprovar, por meio de seus livros contábeisfiscais, quer por meio de seus livros obrigatórios quer por meio de seus livros auxiliares, como encontrou tal valor consolidado, nem como utilizou esse valor consolidado para reduzir o valor do saldo devedor originalmente apurado a titulo de PIS no período de apuração fevereiro/2003, de R$ 2.436.559,05, como informado na DCTF original, para R$ 1.185.605,17, conforme consta na sua DCTF retificadora, e, por conseqüência, que o valor da diferença teria sido pago indevidamente ou a maior. Dessa forma, alem de o procedimento adotado pela interessada não se coadunar com a sistemática da restituição de pagamento indevido na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional, o crédito por ela pleiteado padece de falta de certeza e liquidez. [...] Iniciado então o contencioso com a manifestação de inconformidade era dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Em sede de despacho decisório, a autoridade fiscal explicitou as razões do indeferimento do direito creditório e não homologação da compensação, pois o crédito padece de falta de certeza e liquidez. Nas peças de defesa (manifestação de inconformidade e recurso voluntário) nada acrescentou em matéria de prova, isto é, inexiste comprovação do indébito com suporte na escrituração contábil e fiscal da contribuinte. Os esclarecimentos prestados em sede de Fl. 261DF CARF MF Processo nº 17878.000148/200974 Acórdão n.º 3201004.712 S3C2T1 Fl. 262 8 auditoria da Dcomp para justificar o procedimento de estorno de valores recebidos de sua matriz e que "geraram" o crédito alegado estão à margem da escrituração contábil e sem qualquer lastro documental. Diante dessa circunstância não há reconhecimento de direito creditório decorrente de qualquer pagamento indevido ou a maior. Evidenciase que o recorrente não se preocupou, em momento algum, em apresentar os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal2, o PAF e o CPC. Quanto às alegações do dever da Administração perquirir acerca do direito creditório em face do princípio da verdade material, é de se esclarecer que tal princípio destina se à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Na situação dos autos em que a contribuinte alega um pretenso direito creditório incumbelhe a apresentação de todas os documentos e evidências destinados à sua comprovação. Destarte, não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, e sua compensação para extinção de crédito tributário, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. A busca pela verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Em matéria de comprovação do direito creditório pleiteado, o processo administrativo fiscal, conquanto admita flexibilização na apresentação de provas, não se coaduna com a inversão do ônus da prova, como pretende a contribuinte. Os precedentes do CARF trazidos pelo contribuinte, além de não lhes socorrer em sua tese, são firmes em explicitar que a declaração retificadora, com supedâneo no princípio da verdade material, é aceita quando restar demonstrado o que se alega com provas irrefutáveis. Transcrevo a ementa colacionada às folhas 236/237 do recurso: “NORMAS PROCESSUAIS. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material se mostra apto a aceitar que a declaração comunicada à SRF não é desejada pela contribuinte, quando este demonstra, com provas irrefutáveis, ter siso outra a compensação efetivamente realizada. Realizada a retificação da DIPJ original, com a consequente alteração da DComp formulada, e desde que o contribuinte tenha logrado comprovar, cabalmente a origem e a liquidez de seu crédito, não há óbice legitimo à homologação da compensação. Prevalência dos princípios da economia processual e da verdade material. 2 Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 17878.000148/200974 Acórdão n.º 3201004.712 S3C2T1 Fl. 263 9 “COMPENSAÇÃO – ERRO NO PREENCHMENTO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração de compensação (DCOMP) e a existência do crédito, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, sendo o crédito reconhecido e a compensação homologada." Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 263DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.730808/2013-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2008
INTIMAÇÃO. MEIO ELETRÔNICO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO. NÃO CONHECIDO.
Considera-se Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) a Caixa Postal atribuída ao contribuinte pela Administração Tributária e disponibilizada no e-CAC. A contribuinte cientificada por meio eletrônico na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo.
IRPF. PAF. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE.
A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva.
Numero da decisão: 2401-005.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2008 INTIMAÇÃO. MEIO ELETRÔNICO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO. NÃO CONHECIDO. Considera-se Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) a Caixa Postal atribuída ao contribuinte pela Administração Tributária e disponibilizada no e-CAC. A contribuinte cientificada por meio eletrônico na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. IRPF. PAF. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva.
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MEIO ELETRÔNICO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO. NÃO CONHECIDO. Considerase Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) a Caixa Postal atribuída ao contribuinte pela Administração Tributária e disponibilizada no eCAC. A contribuinte cientificada por meio eletrônico na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. IRPF. PAF. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 08 08 /2 01 3- 44 Fl. 818DF CARF MF Processo nº 15504.730808/201344 Acórdão n.º 2401005.923 S2C4T1 Fl. 3 2 Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório SEI ENGENHARIA LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 17a Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, Acórdão nº 1451.704/2014, às efls. 683/733, que julgou procedente o lançamento fiscal, concernente às contribuições previdenciárias para outras entidades (terceiros), em relação ao período de 01/2008 a 12/2008, conforme Relatório Fiscal, às fls. 12/24 e demais documentos que instruem o processo. Consoante Relatório Fiscal o lançamento foi efetivado para constituir créditos tributários relativos a contribuições previdenciárias sobre valores pagos pelo Contribuinte a prestadores de serviços, formalmente constituídos como pessoas jurídicas (doravante designadas apenas “PJ”), mas cujos serviços a Fiscalização caracterizou como realizados por pessoas físicas (doravante designadas como “PF”), com as quais considerou que o Contribuinte mantinha, na realidade, relação empregatícia, conforme relata a Fiscalização (não tendo sido os respectivos valores declarados em GFIP): 4.1.1 A SEI Engenharia Ltda, doravante denominada SEI Engenharia, contrata diversas pessoas físicas na forma de empresas (pessoas jurídicas), quando deveria registrálas como seus empregados de acordo com a legislação pertinente. 4.1.2 Constatouse que, a SEI Engenharia incorreu em uma sistemática irregular de contratação de diversos empregados – profissionais de áreas diversas. Esta pactuação se deu por meio de Contratos de Prestação de Serviços celebrados com aqueles profissionais figurando como empresários (sócios das pessoas jurídicas). Fl. 819DF CARF MF Processo nº 15504.730808/201344 Acórdão n.º 2401005.923 S2C4T1 Fl. 4 3 4.1.3 A relação de emprego foi atestada pela auditoria fiscal mediante análise de diversos elementos que identificaram os pressupostos de tal vínculo: prestação de serviço, pessoalidade, remuneração, nãoeventualidade e subordinação na forma como preceitua a Lei nº. 8.212/91 em seu Art. 12, inciso I, alínea “a”: (...). 4.1.10.2 Na ação fiscal e através dos elementos deste relatório, restou comprovado que a SEI Engenharia, contratou trabalhadores mediante remuneração, para realização dos serviços permanentes da empresa, com atribuições estabelecidas em contratos de prestação de serviços que importam em pessoalidade e subordinação no exercício das atividades, além de exigir o comprometimento profissional da pessoa física e não da pessoa jurídica. Quanto aos contratos de prestação de serviços firmados com as PJ, cujos sóciosgerentes foram considerados empregados do Contribuinte, a Fiscalização explana acerca da nãoeventualidade, da subordinação, da pessoalidade e da honerosidade. A Fiscalização acrescenta que, além da contratação de serviços diretamente relacionados com suas atividadesfim, o Contribuinte foi além: contratou PJ para realizar até mesmo serviços “de áreas típicas de uma organização empresarial: Gestão Financeira e Coordenação/Gestão de Contratos, dentre outros”, informando as PJ (Cosan Engenharia, para gestão de contratos e operações e Elo Consultoria e Projetos, para gestão financeira) e respectivas PF consideradas empregadas: João Henrique da Costa Santos e Angelo Lima. Finalmente, a Fiscalização informa que foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), para os devidos fins e efeitos legais. A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto/SP entendeu por bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 738/774, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as razões da impugnação, aduzindo ser ilegal a desconsideração das personalidades jurídicas das empresas que figuram como prestadoras de serviços, “bem como a alegação de suposta formação de grupo econômico”. Menciona manifestações doutrinárias e jurisprudência, defende que houve cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório, não sendo possível a decretação da desconsideração da personalidade jurídica da forma que foi realizada. Fl. 820DF CARF MF Processo nº 15504.730808/201344 Acórdão n.º 2401005.923 S2C4T1 Fl. 5 4 Defende que a Secretaria da Receita Federal do Brasil (doravante referido simplesmente como “RFB”) não tem competência para “reconhecer vínculos trabalhistas”, o que cabe exclusivamente à Justiça do Trabalho, desde que provocada pelo “jurisdicionado ou do MPT OU MTE”. Neste contexto, o lançamento fiscal somente deve se dar “após o reconhecimento da relação de emprego por juiz competente”. Trata dos elementos caracterizadores do vínculo empregatício: a) Trabalho realizado por pessoa física; b) prestação efetuada com pessoalidade pelo trabalhador; c) não eventualidade; d) subordinação; e) onerosidade, dissertando sobre cada um. Ressalva que não há nenhuma manifestação dos prestadores de serviços quanto à caracterização dos vínculos empregatícios. Insurgese quanto os valores lançados a título de juros e multa, que carecem de legalidade, além de implicar em violação a diversos princípios e dispositivos constitucionais, devendose, portanto, serem drasticamente reduzidos. Alfim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar os Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator ADMISSIBILIDADE Para conhecimento e analise do recurso voluntário, este deve obedecer o pressuposto de admissibilidade contido nos artigos 5° e 33 do Decreto 70.235/72, que assim dispõe: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Como se extraí dos dispositivos encimados, o prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias. No presente caso, a intimação aconteceu por via eletrônica. Nesse caso, há normas específicas expressas no Decreto nº 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 821DF CARF MF Processo nº 15504.730808/201344 Acórdão n.º 2401005.923 S2C4T1 Fl. 6 5 (...) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 2° Considerase feita a intimação: (...) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013)(...) Depreendese da legislação encimada, em se tratando de intimação eletrônica, há, portanto, duas hipóteses principais: a) ou o contribuinte é intimado de forma ficta após 15 dias desde o registro da intimação no seu sistema eletrônico, ou b) ele acessa o sistema, é intimado e, a partir dali, o prazo começa a ser contado. Pois bem, o registro da intimação no sistema aconteceu em 15/10/2014, de acordo com o documento "Intimação de Resultado de Julgamento" à efl. 735. Em 16/10/2014, a contribuinte tomou ciência ao ter aberto os arquivos enviados, informação constante no "Termo de Abertura de Documento" (efl. 736), iniciandose o prazo recursal. Também consta dos autos o "Termo de Ciência por Decurso de Prazo" (efl 737), considerando a data da ciência em 30/10/2014. Conforme as datas relatadas, o recurso é intempestivo. A contribuinte foi cientificada do acórdão de impugnação em 16/10/2014, conforme Termo de Abertura de Documento, o prazo para a interposição se iniciou em 17/10/2014; portanto, seu termo final foi o dia 15/11/2014 (sábado), conseqüentemente dilatado para o dia 17/11/2014 (segundafeira). Entretanto o recurso foi protocolado em 10/12/2014, ou seja, após o prazo legal para interposição do recurso. Fl. 822DF CARF MF Processo nº 15504.730808/201344 Acórdão n.º 2401005.923 S2C4T1 Fl. 7 6 A título de elucidação, mesmo que considerássemos a intimação realizado por decurso de tempo em 30/10/2014, o recurso também não obedeceria o prazo legal. Assim, seja pela data de abertura ou pelo decurso de tempo, o recurso é intempestivo. Por todo o exposto, não preenchidos os pressupostos de admissibilidade, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO POR SER INTEMPESTIVO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 823DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.902606/2015-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/02/2012
DCTF. PREENCHIMENTO.
Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.902600/2015-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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PREENCHIMENTO. Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.902600/201541, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 26 06 /2 01 5- 18 Fl. 250DF CARF MF 2 Relatório EMPRESA DE ASSISTENCIA TECNICA E EXTENSAO RURAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMATERMG recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 6ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 165 do Código Tributário Nacional e no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte pretendeu extinguir débitos próprios com suposto crédito decorrente de pagamento a maior oriundo de DARF de Código de Receita 2362, recolhido em 29/02/2012, no valor de R$ 591.219,08. A DRF/Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando o feito sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a maior estava integralmente utilizado para quitação de outro débito confessado pelo contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega, em síntese, que a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ evidencia a inexistência de IRPJ a pagar, que houve o recolhimento do DARF indevido demonstrado em DCTF e, assim, mediante as evidências da DIPJ, concluise pela existência de crédito tributário por pagamento indevido a maior, passível de compensação de débitos tributários. A autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, por meio do acórdão cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/02/2012 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10680.902606/201518 Acórdão n.º 1301003.530 S1C3T1 Fl. 3 3 O principal argumento das autoridades fiscais foi no sentido de que "a contribuinte indicou na DIPJ apuração anual do Lucro Real e Base de cálculo da CSLL registrados no LALUR, contudo, não apresentou a escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a existência dos seus débitos, indicados na DIPJ." Cientificado da decisão de primeira instancia em 05/06/2017, o contribuinte apresentou, em 29/06/2017, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade e apresentando uma vasta documentação contábil e fiscal visando, enfim, sua linha de argumentação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.523, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.902600/2015 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.523): "O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Conforme acima relatado, a EMATERMG, optante pelo lucro real, realizou a apuração do IRPJ e CSLL conforme a Lei n°8.981 de 20 de janeiro de 1995, ou seja, lucro real anual com base no balancete mensal de suspensão redução. Alega o contribuinte que os valores apurados dos impostos abaixo descritos, foram liquidados com utilização dos créditos provenientes das retenções na fonte de notas fiscais emitidas e recebidas e também de aplicações financeiras. Após estes ajustes teriam sido realizados pagamentos em espécie através de DARF, que o ocasionaram um pagamento a maior ao final do exercício apresentado. Conforme demonstrado na tabela de cálculo abaixo. Fl. 252DF CARF MF 4 Descrição Valor Anexo para Consulta IRPJ 1.878.907,15 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício () IR Retido na Fonte de Orgãos Publicos 396.434,37 Anexo II Razão Contábil conta 110.211.0015 () IR retido na Fonte 1.067.820,00 Anexo III Razão Contábil conta 110.211.0004 Valor a Recolher 414.652,78 () Pagamento em 29/02/2012 591.219,08 Anexo IV DARF Recolhida em 29/02/2012 cod 2362 () Pagamento em 29/04/2012 55.721,60 Anexo V DARF Recolhida em 29/04/2013 cod 2430 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 232.287,90 Descrição Valor Anexo para Consulta CSLL 1.104.476,29 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício ()CSLL Retido na Fonte de Orgãos Publicos74.016,43 Anexo VI Razão Contábil conta 110.211.0016 () CSLL Retido na Fonte 837,41 Anexo VII Razão Contábil conta 110.211.0012 Valor a Recolher 1.029.622,45 () PERD/DCOMP 17/08/2012 139.413,59 Anexo VIII Declar. 42685.42010.170812.1.3.040857 () PERD/DCOMP 04/09/2012 11.431,75 Anexo IX Declar. 37686.72607.040912.1.3.040923 () Pagamento em 29/02/2012 236.273,46 Anexo X DARF recolhida em 29/02/2012 cod 2484 () Pagamento em 29/04/2012 682.915,50 Anexo XI DARF recolhida em 29/04/2013 cod 6773 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 40.411,85 No entanto, de acordo com o contribuinte, foram identificadas informações indevidas no preenchimento da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012, relativas a identificação do crédito de IRPJ e CSLL, decorrentes de pagamento a maior destes tributos. Teriam sido efetuadas, então, as retificações da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012 com o objetivo de evidenciar e comprovar o crédito tributário utilizado pela EMATERMG. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10680.902606/201518 Acórdão n.º 1301003.530 S1C3T1 Fl. 4 5 apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, prosseguindose assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por . dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.720960/2011-01
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1550; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 248 1 247 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.720960/201101 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.735 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria IRPF Recorrente VANDERLEI PERPETUO VAZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 09 60 /2 01 1- 01 Fl. 248DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 138 a 143), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 3.535,22, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 154 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: O (A) contribuinte, cientificado(a) apresentou defesa (fls. 02) tempestiva, alegando em breve síntese que: apresenta novos recibos médicos com os requisitos estabelecidos pela legislação tributária e anexa extratos bancários da Caixa Econômica Federal (fls. 144/154), para comprovar a efetividade dos pagamentos das despesas médicas. A impugnação foi apreciada na 7ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 15/01/2015, no acórdão 0365.607, às efls. 158 a 162, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 168 a 242, alegando, em síntese, que há provas suficientes nos autos que comprovam as despesas médicas, como recibos e declarações dos prestadores de serviços. Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 05/02/2015, efls. 166, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 03/03/2015, efls. 168, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O contribuinte foi autuado pela dedução indevida das seguintes despesas médicas: · Fábio Altem Carpi R$12.000,00; Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10850.720960/201101 Acórdão n.º 2002000.735 S2C0T2 Fl. 249 3 · Vanessa Carla da Costa R$5.000,00. A DRJ manteve a glosa sob os fundamentos abaixo narrados: Dessa forma, tendo em vista que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação a juízo da autoridade fiscal e que estas não foram realizadas satisfatoriamente, concluise que a glosa objeto deste lançamento encontrase perfeitamente embasada. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 250DF CARF MF 4 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10850.720960/201101 Acórdão n.º 2002000.735 S2C0T2 Fl. 250 5 É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de Fl. 252DF CARF MF 6 comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10850.720960/201101 Acórdão n.º 2002000.735 S2C0T2 Fl. 251 7 seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Às efls. 172 a 175 há recibos emitidos pela profissional Vanessa Carla da Costa, no importe de R$5.000,00. Às efls. 179 a 181 há ficha de avaliação e evolução fisioterápica elaborada pela fisioterapeuta. Ainda, às efls. 14 há declaração confirmando os serviços prestados. Às efls. 176 a 178 há recibos de Fábio Altem Carpi que somam R$12.000,00. Ainda, Às efls. 10 há declaração do profissional ratificando a prestação de serviços. Feitas estas considerações, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Voto Vencedor Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada. Com a devida vênia, divirjo do Relator quanto à comprovação das despesas médicas em litígio. Extraise da Notificação de Lançamento (efls. 06/07) que a autoridade fiscal procedeu à glosa das despesas declaradas para Fábio Altem Carpi e Vanessa Carla da Costa por não ter o contribuinte, devidamente intimado, comprovado o seu efetivo pagamento. A decisão de primeira instância manteve a glosa efetuada, corroborando as razões expostas pela fiscalização conforme trecho a seguir reproduzido (efls. 161): Em sua impugnação, o contribuinte anexa recibos das despesas glosadas e extratos bancários referentes ao anocalendário de 2009, no intuito de comprovar a liquidez para promover pagamentos em moeda corrente do país. Contudo, os documentos apresentados não são suficientes para demonstrar o efetivo pagamento, requisito solicitado pela autoridade fiscal. Não é possível concluir que os saques em conta apresentados nos extratos bancários referemse às despesas declaradas, pois, da análise dos extratos bancários e dos recibos médicos apresentados, não é possível fazer o confronto entre os referidos saques com os recibos apresentados (datas e valores). Fl. 254DF CARF MF 8 Ademais, o contribuinte não apresentou nenhuma planilha relacionando quais saques teriam sido utilizados para os recibos apresentados, limitandose a juntar seu extrato bancário. Ressaltese que, ainda que o montante global dos saques tenha sido superior ao valor das despesas declaradas, os pagamentos propriamente ditos não restaram comprovados. A disponibilidade financeira, por si só, não comprova o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas. Tal comprovação requer a coincidência de datas e valores, e o impugnante não logrou êxito em fazer a vinculação entre as despesas realizadas e os saques efetuados. Em seu Recurso Voluntário o interessado apresenta cópias de extratos bancários sem apontar qualquer correspondência de datas e valores entre as movimentações realizadas e os recibos de despesas médicas já apresentados, permanecendo sem comprovação o efetivo pagamento das despesas. Cumpre esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. Ressaltese que tal exigência não está relacionada à constatação de inidoneidade dos recibos examinados, mas tão somente à formação de convicção da autoridade lançadora. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10850.720960/201101 Acórdão n.º 2002000.735 S2C0T2 Fl. 252 9 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) O contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ele e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que o recorrente tenha feito seus pagamentos em espécie, tal como alega, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, como exposto no acórdão de primeira instância, cabia a ele demonstrar a correspondência de datas e valores entre os saques efetuados em sua conta e os recibos apresentados, o que não ocorreu no presente caso. Importa salientar que não é o Fisco que precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte que deve apresentar as devidas comprovações quando solicitadas. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 256DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.722722/2017-62
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS QUE JUSTIFIQUEM O SERVIÇO MÉDICO E QUE SE REFIRA A PROCEDIMENTO DE MEDICINA.
São dedutíveis da base de cálculo do Imposto sobre a Renda as despesas médicas devidamente comprovadas, independentemente da especialidade, quando o serviço for efetuado por profissional habilitado, com a finalidade prevenir, manter ou recuperar a saúde física ou mental do paciente.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física somente quando revestido das formalidades legais e que permita a perfeita identificação dos procedimentos médicos realizados por profissionais devidamente registrados no órgão de controle do sistema de saúde e medicina. A glosa de despesa é conhecida na ausência dos elementos que assegurem tratar-se de serviços médicos ou quando na presença de indícios consistentes de sua inaplicabilidade ao que dispõe a legislação.
Numero da decisão: 2001-001.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS QUE JUSTIFIQUEM O SERVIÇO MÉDICO E QUE SE REFIRA A PROCEDIMENTO DE MEDICINA. São dedutíveis da base de cálculo do Imposto sobre a Renda as despesas médicas devidamente comprovadas, independentemente da especialidade, quando o serviço for efetuado por profissional habilitado, com a finalidade prevenir, manter ou recuperar a saúde física ou mental do paciente. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física somente quando revestido das formalidades legais e que permita a perfeita identificação dos procedimentos médicos realizados por profissionais devidamente registrados no órgão de controle do sistema de saúde e medicina. A glosa de despesa é conhecida na ausência dos elementos que assegurem tratar-se de serviços médicos ou quando na presença de indícios consistentes de sua inaplicabilidade ao que dispõe a legislação.
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS QUE JUSTIFIQUEM O SERVIÇO MÉDICO E QUE SE REFIRA A PROCEDIMENTO DE MEDICINA. São dedutíveis da base de cálculo do Imposto sobre a Renda as despesas médicas devidamente comprovadas, independentemente da especialidade, quando o serviço for efetuado por profissional habilitado, com a finalidade prevenir, manter ou recuperar a saúde física ou mental do paciente. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física somente quando revestido das formalidades legais e que permita a perfeita identificação dos procedimentos médicos realizados por profissionais devidamente registrados no órgão de controle do sistema de saúde e medicina. A glosa de despesa é conhecida na ausência dos elementos que assegurem tratarse de serviços médicos ou quando na presença de indícios consistentes de sua inaplicabilidade ao que dispõe a legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 27 22 /2 01 7- 62 Fl. 82DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O Lançamento da Fazenda Nacional em revisão da DAA modifica o resultado final da apuração do imposto que passa de uma restituição declarada pelo Contribuinte de R$ 6.157,01 para R$ 1.444,00, de imposto de renda pessoa física a pagar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2013. A fundamentação do Lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura o fato de não ter sido apresentada comprovação complementar referente aos pagamentos de despesas médicas além dos recibos. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na comprovação da despesa, especialmente no que se refere a documentos suplementares aos recibos apresentados pelos serviços médicos prestados, como segue: (...) A fiscalização procedeu ao lançamento de ofício fazendo a glosa de despesas médicas no valor de R$ 37.210,00. Ressaltese que a legislação lista algumas formas para o contribuinte provar o seu direito ao mesmo tempo em que permite ao Fisco, a seu juízo, exigir outros meios de comprovação de maneira a firmar sua convicção frente aos fatos informados. O que importa ao presente julgamento, conforme determina a lei, é que o impugnante apresente provas de que realmente arcou com tais despesas, tanto que permite que ele comprove de várias maneiras o seu direito de deduzir. Assim, se o contribuinte pretende deduzir tais despesas médicas deve agir provando a veracidade de suas afirmações. Ressaltese que a dedução dessas despesas com saúde é uma faculdade do contribuinte, ou seja, ele não está obrigado a deduzilas, mas caso deseje aproveitálas, deve obedecer, se submeter aos ditames da lei. Confirmando o entendimento acima, acrescentese ainda à presente discussão, que mesmo estando presente todos os requisitos enumerados para os recibos, a legislação tributária não confere aos mesmos valor probante absoluto, pois a tônica do art. 80, § 1º, inciso III, do RIR/99, é a especificação e comprovação dos pagamentos. Em sendo assim, o contribuinte deve ter em conta que o pagamento de despesa médica não envolve apenas ele e o profissional de saúde Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10120.722722/201762 Acórdão n.º 2001001.003 S2C0T1 Fl. 83 3 (prestador de serviços), mas também o Fisco caso haja intenção de se beneficiar da dedução na declaração de rendimentos. Por isso, este deve se acautelar na guarda de outros elementos de prova da efetividade do pagamento e do serviço. No caso em tela, a Autoridade Fiscal informou que não foram aceitas as despesas médicas pelos seguintes motivos: a) intimado a comprovar transferência de numerário e efetiva prestação de serviço, a defesa restringiuse a informar que o pagamento foi realizado em espécie e a apresentar o recibo dos serviços prestados (intimações e respostas constam no dossiê nº 10010.030510/061518). Analisando as provas dos autos com o que foi disposto na Notificação de Lançamento e na Impugnação, podese concluir: a) a defesa não conseguiu documentalmente comprovar as despesas médicas, pois o Termo de Intimação Fiscal solicitou a comprovação do efetivo pagamento. A defesa limitouse a apresentar apenas o demonstrativo de pagamento de salários com o desconto da Unimed sem fazer qualquer referência do beneficiário. Desta feita, deve ser mantida a infração de dedução indevida de despesas médicas por força do que determina os incisos II e III, do §1º, do art. 80 do RIR/99. Destarte, considerando os motivos discorridos em itens anteriores e com base no princípio da livre convicção do julgador na apreciação da prova, gravado no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, deve ser mantida a infração no valor de R$ 37.210,00. Por todo exposto, VOTO julgar improcedente a impugnação para manter os termos da Notificação de Lançamento. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a reversão do resultado de imposto a ser restituído para imposto de renda a pagar no valor de R$ 1.444,00. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: O peticionante vem a presença de Vossa Senhoria para, nos autos do processo supra requerer a reconsideração da decisão proferida por essa relatoria, pelos motivos que adiante expõe: No caso em tela, a Autoridade Fiscal informou que não foram aceitas as despesas médicas pagas a Nutriderma Médicos Associados A/C Ltda., CNPJ 05703765/000101, no valor de R$ 37.210,00 pelos seguintes motivos: Fl. 84DF CARF MF 4 a)O intimado não comprovou a forma de pagamento. Conforme informado a esta Instituição Senhor Auditor, os pagamentos estão descritos de forma clara e transparente no recibo anexo, lembrando que o pagamento feito em espécie, moeda corrente em nosso país, é aceito conforme forma de pagamento em todas as instituições, não sendo assim contravenção, portanto não existe nada de ilegal. b)A Receita Federal do Brasil alega que o peticionante limitouse a apresentar apenas o demonstrativo de pagamentos de salários com desconto da UNIMED, sem fazer qualquer referência ao beneficio. Equivocadamente a Receita Federal do Brasil não observa que em momento algum em sua declaração, o peticionante faz menção a pagamentos ou descontos feitos a UNIMED conforme afirma a Receita, o que pode ser comprovado conforme o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte, Ano Calendário 2013 anexo, E do Comprovante de Pagamentos Folha 4 da Declaração de Imposto de Renda. Nenhum desconto ou pagamento foi feito pelo contribuinte para a UNIMED, improcedendo assim a afirmação feita pela Receita Federal do Brasil. Observase: que consta no Comprovante de Rendimentos apenas os seguintes itens: 1 – Total de Rendimentos Inclusive Férias. R$ 71.077,00 2 – Contribuição Previdenciária Oficial. R$ 5.489,67 5 – Imposto de Renda Retido na Fonte. R$ 6.610,60 51 Décimo Terceiro Salário. R$ 4.263,04 No Comprovante de Pagamentos, folha 4 da Declaração de Imposto de Renda: 11 João Geraldo V. Junior R$ 1.800,00 21 Nutriderma Médicos Associados R$ 37.210,00 Até prova em contrário, que deve ser produzida pela RFB, presumese verdadeiro o recibo anexado, bem como as informações neles prestadas, o que não foi devidamente refutado. Invoca o impugnante as disposições do Artigo 923 do RIR 1999, que diz que: “A escrituração mantida com observância das disposições legais faz a prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais” (DecretoLei Nº 1.598, de 1977, Artigo 9º, Parágrafo 1º). Em síntese quer dizer o impugnante que o que conclui é que a escrituração referida no Artigo 923 do RIR/1999, no caso de despesas médicas, deve ser tida como a guarda do recibo de pagamento de tais despesas, desde que contenha os dados no Artigo 80, Parágrafo 1º, inciso III, do mesmo regulamento, como é no presente caso. Assim, conclui o impugnante que o recibo através do qual provou o dispêndio com tratamento médico , se não eficazmente contestado por essa Autarquia, deve ser admitido para fins de dedução da base de cálculo do imposto sobre a renda, nos termos da legislação vigente, especialmente, o Artigo 924 do RIR/1999, segundo o qual cabe à Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10120.722722/201762 Acórdão n.º 2001001.003 S2C0T1 Fl. 84 5 autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância nas disposições legais. Por tais argumentos, o impugnante requer a improcedência da glosa feita por essa Autarquia Federal no processo administrativo em epígrafe, relativa a despesas médicas por declaradas na declaração do IRPF 2013/2014 e, de consequência, a ele restitua o respectivo valor apurado. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A lide trata de comprovação de despesas médicas utilizadas como redutor na tributação do imposto sobre a renda de pessoa física com comprovação fornecida por pessoa jurídica que disponibilizou recibos de prestação de serviços no valor de R$ 37.210,00. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com Fl. 86DF CARF MF 6 hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10120.722722/201762 Acórdão n.º 2001001.003 S2C0T1 Fl. 85 7 lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. De considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante se especificar com clareza a espécie de serviço prestado de forma a identificalo com a permissibilidade da dedução amparada na legislação tributária. Neste sentido passemos a analisar o caso aqui apresentado. No presente caso, foi apresentado recibo nº 169, da empresa FORMA DAY SPA – Nutriderma Médicos Associados Ltda., emitido em 12/11/2013, no valor de R$ 37.210,00, dos atendimentos do anobase de 2013, que corresponde ao período examinado pela fiscalização. Contudo, o documento apresentado carece de clareza quanto à especificação dos serviços prestados, especialmente quando informa como procedimento “aplicações corporais”, sem identificar a que tipo se refere e qual sua finalidade em relação à saúde do paciente/contribuinte. Igual indefinição e de difícil leitura está contida no descritivo do item “aplicações corporais s/médicos”, o que pressupõe entender que se refere a procedimento de alguém sem habilitação médica ou sem acompanhamento do profissional médico, o que não seria enquadrado como despesa médica a menos que tivesse sido realizado em ambiente hospitalar, clínica ou laboratório médico, reconhecido como tal. Se a empresa FORMA DAY SPA – Nutriforma Médicos Associados Ltda. estivesse claramente identificada como estabelecimento hospitalar, clínica ou laboratório seria perfeitamente entendível que os itens “consultas” e “honorários médicos” teriam sido realizados por profissionais da medicina, pelo rígido controle que os órgãos de saúde e da profissão médica exercem sobre essas atividades. Contudo, num estabelecimento que se dedica a tratar da forma estética corporal o contribuinte poderia ser atendido por profissionais não enquadrados na atividade de médico. Portanto, o serviço carece de comprovação específica da atividade de medicina conforme dispõe a legislação. O instrumento de prova utilizado é inadequado para a situação em vista de que sendo o prestador de serviço uma pessoa jurídica deveria fornecer nota fiscal, e não recibo que é um comprovante emitido por profissional pessoa física. Este fato, por si só não seria definidor da rejeição do documento, porém, em vista da existência de outras inconsistências passa a ser considerado como elemento de inadequada comprovação. O recibo, mesmo que aceito para justificar serviço prestado por pessoa jurídica, em complemento ou substituição à nota fiscal, deveria ter a assinatura de alguém responsável pelo recebimento dos valores, fato relevante que não consta do documento apresentado. A comprovação mostrase com ausência absoluta de identificação direta ou indireta de profissionais médicos nos atendimentos a que fora submetido o contribuinte. Fl. 88DF CARF MF 8 Também não há assinatura em qualquer documento de profissionais médicos e identificação de registro do órgão de controle profissional. Em resumo, o recibo apresenta várias indefinições na identificação dos procedimentos que resultam em incerteza de tratarse de procedimento médico e/ou realizado por profissional habilitado, pelo que se vê do enunciado no corpo do documento. Assim sendo, o recibo não se mostra como documento hábil para fazer prova efetiva da prestação do serviço utilizado como dedução do imposto na DAA. É evidente que os pagamentos de prestação de serviços médicos possam ser realizados em espécie porque são meios de pagamento legalmente admitidos, contudo, o documento comprobatório de quitação deve apresentarse com clareza para transmitir certeza da realização da operação. A ausência de comprovação escritural seja na pessoa física ou na pessoa jurídica do fornecedor/emitente dos recibos não permite a verificação da veracidade dos fatos ocorridos entre o Recorrente e o prestador dos serviços. Assim, verificase que o Recorrente não logrou êxito em comprovar a despesa utilizada como dedutível do imposto sobre a renda porque tão somente o recibo apresentado não se fez suficiente para respaldar a realidade dos fatos alegados como verdadeiros. Neste caso, a documentação comprobatória da despesa não contempla o benefício da dedução do imposto porque incompatível com as disposições legais e, por isso, não poderia ter sido utilizada como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a manutenção da glosa das despesas no valor de R$ 37.210,00. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito NEGAR PROVIMENTO, para manter o crédito tributário no valor de R$ 1.444,00. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10437.720962/2015-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DIREITO ADQUIRIDO. ISENÇÃO. DECRETO No 1.510/76. APLICAÇÃO.
A manutenção da participação societária da empresa pelo período de 05 (cinco) no decorrer da vigência do Decreto-Lei nº 1.510/76, importa na não incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital auferido a partir da alienação de aludido direito, nos termos do artigo 4º, alínea d, daquele Diploma Legal, ainda que o ato negocial tenha ocorrido posteriormente à revogação de referida benesse fiscal, em face do direito adquirido pelo contribuinte no período sob a égide do precitado comando legal.
IRPF. GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA.
O art. 62, § 2°, do Regimento Interno do CARF impõe a utilização da regra definida no REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil de 1973, o que faz com que o art. 150, §4º, do CTN, somente deva ser adotado nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação; nas demais situações prevalecem os ditames do art. 173 do CTN.
Numero da decisão: 2401-005.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro (relator) e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rayd Santana Ferreira.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa., Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro
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GANHO DE CAPITAL Recorrente MARCOS EDUARDO DO AMARAL GUIMARAES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DIREITO ADQUIRIDO. ISENÇÃO. DECRETO No 1.510/76. APLICAÇÃO. A manutenção da participação societária da empresa pelo período de 05 (cinco) no decorrer da vigência do DecretoLei nº 1.510/76, importa na não incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital auferido a partir da alienação de aludido direito, nos termos do artigo 4º, alínea “d”, daquele Diploma Legal, ainda que o ato negocial tenha ocorrido posteriormente à revogação de referida benesse fiscal, em face do direito adquirido pelo contribuinte no período sob a égide do precitado comando legal. IRPF. GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA. O art. 62, § 2°, do Regimento Interno do CARF impõe a utilização da regra definida no REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973, o que faz com que o art. 150, §4º, do CTN, somente deva ser adotado nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação; nas demais situações prevalecem os ditames do art. 173 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro (relator) e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rayd Santana Ferreira. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 7. 72 09 62 /2 01 5- 05 Fl. 839DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.810 S2C4T1 Fl. 840 2 (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa., Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte Impugnação apresentada contra Auto de Infração, ano calendário 2010, que apurou omissão/apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de bens e direitos e deduções indevidas de previdência privada, de pensão judicial e de despesas médicas e com instrução. Do Termo de Verificação Fiscal, em síntese, extraise: a) A aquisição da totalidade das quotas da Organização Farmacêutica Drogão Ltda ocorreu em 21/06/2010 e perfez a quantia total de RS 96.852.000,00. Numa primeira etapa, pelo Contrato Particular de Compra e Venda de Quotas e Outras Avenças, comprouse 2.858.180 cotas (1.935.790 do Sr. Marcos Eduardo do Amaral Guimarães e 1.935.790 do Sr. Paulo Nei Amarai Guimarães) por R$ 24.500.000,00 com pagamento em 22/06/2010 (R$ 12.250.000,00 para cada um dos sócios). Por indicação dos vendedores o crédito foi realizado da seguinte forma: (a) R$ 10.405.121,02 em conta/corrente de cada um dos sócios (para o autuado: na c/c n° 112937 do Banco Safra S/A) e (b) RS 2.094.878,98 na conta n° 2043331 no Banco Safra S/A. Na segunda parte, com lastro no Contrato Particular de Subscrição de Ações e Outras Avenças, houve a subscrição de 1.935.790 ações de emissão da empresa Drogaria São Paulo S/A, no valor total de RS 72.352.000,00, mediante a conferência de 8.438.974 quotas da empresa Organização Farmacêutica Drogão Ltda (sendo 4.219.487 do autuado), conforme Ata da Assembléia Geral Extraordinária da Drogaria São Paulo S/A de 21/06/2010. Por fim, no mesmo documento, houve a integralização de 1.411.832 ações da Companhia Comercial de Drogas e Medicamentos Codrome, no valor de R$ 72.352.000,00, mediante a conferência de 1.935.790 ações da Drogaria São Paulo S/A (sendo 967.895 do autuado), conforme comprovado pela Ata da Assembléia Geral Extraordinária da Codrome realizada em 21/06/2010. b) Assim, o Sr. Marcos Eduardo do Amaral Guimarães era detentor de 50% (= 6.155.267 quotas) da Organização Farmacêutica Drogão e alienou totalmente sua participação em 21/06/2010 para a Drogaria São Paulo S/A Fl. 840DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.810 S2C4T1 Fl. 841 3 CNPJ pelo valor de RS 48.426.000.00. A importância de R$ 10.405.121,02 foi depositada em conta/corrente no dia 22/06/2010 por 1.935.790 quotas. A importância de R$ 36.176.000,00 decorrente da subscrição de 967.895 ações da Drogaria São Paulo S/A (pela conferência de 4.219.487 quotas), depositadas no Inhambú II Fundo de Investimento em Participações. Por fim, no mesmo documento, foram integralizadas ações da Companhia Comercial de Drogas e Medicamentos Codrome mediante conferência de 967.865 ações da Drogaria São Paulo S/A pertencentes ao Sr. Marcos Eduardo do Amaral Guimarães. c) Desconsiderando o valor da totalidade das quotas da Organização Farmacêutica Drogão Ltda em 31/12/2009 declaradas pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2011 ano/calendário 2010 e considerando o valor obtido a partir da documentação apresentada pela Drogaria São Paulo S/A em diligência, após o contribuinte não ter atendido intimação para apresentação de documentação, resta demonstrado que a participação acionária do contribuinte montava em R$ 5.648.577,00. Considerando que a totalidade de sua participação, representada por 6.155.277 quotas, tem um custo médio ponderado de R$0,9177 o custo total seria RS 5.648.577,00. Portanto temos um Ganho de Capital de R$ 42.777.423,00 ou seja: R$ 48.426.000,00 menos R$ 5.648.577.00. Não há recolhimento. O ganho de capital não foi submetido à tributação. O contribuinte apresentou impugnação, considerada tempestiva, da qual, em síntese, se extrai: a) Descrição dos fatos alegados pela fiscalização e dos fatos como eles são (fls. 363/382). b) Decadência em face do art. 150, § 4°, do CTN (fls. 382/385). c) Cumprida a condição exigida pelo Decretolei n°. 1.510, de 1976, durante a sua vigência, há direito à isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital havido na operação, mesmo com a posterior revogação da norma de isenção (fls. 385/394). d) Houve mera permuta de cotas/ações com torna, deixando o impugnante de ter a totalidade do capital social da Organização Farmacêutica Drogão Ltda. e passando a ser acionistas da Drogaria São Paulo S/A, conferindo suas cotas para integralização no capital social desta (aumentado para este fim) e, logo em seguida e no mesmo ato societário, passando a se tornar acionista da CODROME, conferindo as cotas da Drogaria São Paulo S/A para a integralização no capital. d1) Segundo as autoridades fiscais, à época dos fatos, as cotas que o impugnante detinha na Organização Farmacêutica Drogão Ltda. valiam R$ 5.648.577,00. Ao alienar as suas ações à Drogaria São Paulo S/A, o Impugnante dela teria recebido em troca: a) R$ 10.405.121,02 em espécie; e b) ao final, 967.895 ações da CODROME no valor total R$ 36.176.000,00. O ganho de capital tributado equivaleria à soma de "a" e "b" menos o valor das cotas da Drogão (custo). Fl. 841DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.810 S2C4T1 Fl. 842 4 d2) Contudo, não recebeu valor líquido em dinheiro, pois por disposição contratual expressa assumiu responsabilidade perante a CODROME por passivos e contingências da Organização Farmacêutica Drogão Ltda., sendo que boa parte deste valor em espécie (R$ 4.580.674,10) já foi revertido em favor dessas empresas para ressarcilas de tais revezes e o remanescente persiste como garantia depositado em um fundo de investimentos. Logo, não há disponibilidade jurídica e econômica e, no mínimo, o valor já arcado deve ser abatido do ganho. d3) Na permuta de cotas por ações, trocouse apenas um bem por outro sem correspondência de dinheiro em espécie. Há mera expectativa de direito de se auferir no futuro ganho de capital tributável, ou seja, quando da alienação dos papéis. Houve ganho apenas escritural, não liquidado em dinheiro, e meramente potencial decorrente da permuta pura e simples sem referência no mercado bursátil (CODROME é sociedade anônima de capital fechado) e mesmo o patrimônio líquido ajustado não seria referência segura. Não houve alienação no mercado de ações, mas utilização das ações para integralizar cotas em fundo de investimento. A melhor leitura do art. 23, § 2°, da Lei n° 9.249, de 1995, é a de que o ganho de capital só pode ser tributado no momento em que realizado e o art. 121, § 2°, do RIR limita a apuração do ganho de capital na permuta com torna ao valor recebido em dinheiro. Só há tributação quando as ações são vendidas no mercado e a permuta deve levar em consideração o caráter hedonístico e não o valor em si dos bens permutados (Pareceres PGFN/PGA n° 970/91 e n° 454/92). Pelo art. 150, II, da Constituição, o legislador não pode conferir tratamento diverso para contribuintes em situação equivalente. Cita doutrina e jurisprudência. Logo, como na permuta de bens há mera expectativa de ganho a ser realizado futuramente, não incide imposto de renda. e) Possibilidade das deduções e princípio da verdade material (fls. 409/410). f) Pedido. Pede a procedência da impugnação, uma vez que nada é devido a título de Imposto de renda sobre o ganho de capital havido, seja por conta da decadência, seja porque ele é acobertado por isenção tributária ou, finalmente, porque ainda não se encontra realizado para fins de tributação. Subsidiariamente, que o ganho de capital seja limitado ao valor da torna em dinheiro efetivamente auferida (deduzir comissão Banco Safra, provisões para contingências e pagamentos diversos conta gráfica, escrow account). Do Acórdão prolatado pela Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em síntese, se extrai: a) Ante a ausência de pagamento, mesmo que parcial, não há o que se falar em homologação, o que desloca o marco inicial da contagem da decadência para o previsto no art. 173, I, do CTN, o que, no caso em concreto, corresponderia a 01/01/2011, com término em 31/12/2015. A ciência do lançamento se deu em 22/07/2015, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 358, abrangida, portanto, pelo indigitado lustro, o que afasta a alegação de decadência. Fl. 842DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.810 S2C4T1 Fl. 843 5 b) A Lei n. 7.713/1988 revogou, em seu art. 58, os arts. 1º a 9º do citado Decretolei n. 1.510/1976, sem se olvidar ainda que o art. 3º, § 5º, daquela assim determinou: “§5º Ficam revogados todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão, da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, de rendimentos e proventos de qualquer natureza, bem como os que autorizam redução do imposto por investimento de interesse econômico ou social”. A supressão da isenção se operou por lei e sem reconhecimento de direito adquirido. c) Quanto ao valor recebido em espécie, R$ 10.405.121,02, é líquido. O "INSTRUMENTO PARTICULAR DE CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS E OUTRAS AVENÇAS" de fls. 420/433 não contempla qualquer ressalva que modifique tal compreensão. Dos R$ 25.000.000,00 pagos aos alienantes indicados (Paulo e o ora impugnante, Marcos), conforme comunicação de fl. 478, já se excluem R$ 4.189.757,96 destinados ao Banco Safra BSI S/A, em face de serviços de assessoria e intermediação nos contratos firmados. Dessa forma, cada um dos sócios recebeu líquidos R$ 10.405.121,02 {=(R$ 25.000.000,00 R$ 4.189.757,96) : 2}. No contrato de intermediação, às fls. 479/484, fora estabelecida pela prestação dos serviços, de acordo com a cláusula 4ª (fl. 481), a remuneração de 3% da consideração agregada, ou seja, do valor bruto recebido, direta ou indiretamente em decorrência da operação, considerandose pagamentos a vista, valores a prazo, em moeda corrente ou outras ativos nãomonetários em geral e eventuais dívidas assumidas pelo adquirente da participação acionária, se for o caso, quando da conclusão da operação. Se o preço do serviço fora fixado em 3% do valor bruto da operação, ao se relacionar em simples regra de três obtémse um total de R$ 139.658.598,67 (= R$ 4.189.757,96 x 100 : 3), o que permite pressupor que a negociação ocorreu em patamar maior até do que os importes apresentados à Fiscalização. Destarte, mesmo sem referência bursátil nos termos alegados, a compreensão é a de que a mensuração da participação acionária envolvida na operação apresentese no mínimo representativa do patrimônio a que se refere. Para a parcela recebida em espécie, não se vislumbra qualquer instrumento que sugerisse algum contrato de caução ou, nos moldes aduzidos pelo interessado, similar a "escrow account". Em relação à alegação de que na permuta os bens são equivalentes em valor, deve ser invocado o art. 23 da Lei n° 9.249/95 para o qual inclusive pouco importa se a operação se deu de forma escritural, sendo fato que, com base na legislação, se verifica que ocorreu ganho de capital, uma valorização dos bens do contribuinte. Havendo incremento de valor, há plena tipificação no art. 43 do CTN. O art. 121, § 2º, do RIR/1999, não se refere à questão e nem os Pareceres PGFN/PGA n. 970/1991 e 454/1992, se amoldam à situação em exame. Por fim, a jurisprudência e a doutrina invocadas não são vinculantes. d) Das glosas. Em parte, há comprovação. Intimado em 29/05/2017, o contribuinte interpôs em 22/06/2017 recurso voluntário, em síntese, alegando: Fl. 843DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.810 S2C4T1 Fl. 844 6 a) Tempestividade. Cientificado em 29/05/2017, o prazo recursal de 30 dias expira em 28/06/2017. Logo, está clara a tempestividade. b) Por uma questão de materialidade, o recorrente restringirá a discussão recursal ao ganho de capital, tendo em vista que os valores envolvidos nas glosas são mínimos, se comparados com o valor total exigido no auto de infração. c) Decadência. A tributação do ganho de capital é definitiva e exclusiva. Logo, não faz sentido deslocar a decadência para o art. 173, I, do CTN. Isto é, não há necessidade de se aguardar o encerramento do exercício para então se apurar o tributo devido, não havendo se falar em regime de recolhimentos mensais pela metodologia de estimativa. Além disso, até hoje não houve ganho de capital. Por conseguinte, não faz sentido alegar que o contribuinte deveria ter recolhido em parte para se aplicar o art. 150, § 3°, do CTN. A tributação é exclusiva e submetida ao regime de lançamento por homologação de modo que o prazo decadencial independe de pagamento prévio. Nesse sentido, cita jurisprudência do 1º Conselho de Contribuintes. Portanto, a pretensão fiscal está fulminada pela decadência. e) Decretolei n° 1.510, de 1976. A decisão recorrida ignorou os argumentos de defesa, restringindose a mera interpretação literal da legislação em desconsideração ao contexto fático e jurisprudencial. A Organização Farmacêutica Drogão Ltda foi constituída em 21/11/1975 e em 27/11/1976 publicado o Decretolei n° 1.510, de 1976, a isentar o imposto de renda sobre o lucro havido na alienação de participações societárias, desde que o seu titular as mantivesse dentro do seu patrimônio durante cinco anos, contado da data da subscrição ou aquisição das participações. O prazo em questão findou em 21/11/1980 ou, contado da data de vigência do Decreto lei, findou em 27/11/1981. Mesmo com a ulterior revogação dessa isenção pela Lei n° 7.713, de 1988, cumpridas antes da revogação as exigências para o gozo da isenção, está assegurada sua fruição, sob pena de frustração de justa e fundada expectativa de direito. A exegese se sustenta por ser a isenção em tela condicionada (CTN, art. 178; princípio da boafé, doutrina e jurisprudência). Logo, em face da isenção, o lançamento é ilegal e nulo de pleno direito. f) Permuta de ativos financeiros, inocorrência do ganho de capital. Ao contrário do decidido, houve deduções do valor recebido em dinheiro de passivos anteriormente constituídos em face da Drogão que depois foram imputados à CEDROME, por conta da operação de permuta de ações. Por força do "Instrumento Particular de Contrato de Compra e Venda de Quotas e Outras Avenças", 25,30% do capital social da Organização Farmacêutica Drogão Ltda. foi adquirido mediante pagamento em espécie. Contudo, o valor avençado não foi líquido, conforme se depreende da cláusula 4.1, do Instrumento Particular de Contrato de Subscrição de Ações e Outras Avenças: 4.1. Indenização pelos Quotistas Drogão. Os Quotistas Drogão, individualmente e sem solidariedade, deverão indenizar, defender ou manter a Drogaria, a Codrome, os Acionistas Codrome, e seus respectivos conselheiros, diretores, empregados, Fl. 844DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.810 S2C4T1 Fl. 845 7 procuradores, Afiliadas, representantes e respectivos sucessores e cessionários (em conjunto, "Partes Indenizáveis Codrome" e, individualmente, "Parte Indenizável Codrome") isentos de todas e quaisquer perdas, danos, obrigações, responsabilidades, contingências (consubstanciadas em processos judiciais ou administrativos ou em procedimentos de arbitragem), prejuízos, passivos, reclamações, ações, processos, demandas, investigações, fiscalizações, autuações, decisões (incluindo judiciais, administrativas ou arbitrais), cobranças, multas, juros, penalidades, custos e despesas (incluindo, sem limitação, honorários de advogados, custas, depósitos judiciais e desembolsos) (em conjunto, "Passivos Indenizáveis", e, individualmente, "Passivo Indenizável") efetivamente incorridos pela Drogão ou por uma Parte Indenizável Codrome e decorrente exclusivamente: (...) f1) Assim, da data da celebração do negócio até hoje, o Recorrente teve de arcar com diversas despesas deduzidas da torna em dinheiro, a saber: (a) Comissão paga ao Banco Safra no valor de R$ 4.189.757,96 por ter intermediado o negócio, conforme recibo anexo ao contrário do que assevera a r. decisão atacada, o valor tem total relação com a operação e o Recorrente não possui nenhum outro negócio com valor igual ou próximo; (b) Provisões para contingências, perdas de funcionários, estoques, custas processuais etc. no valor de R$ 9.161.348,19, conforme recibo de quitação de 31.05.2011 da Drogaria São Paulo S/A, sendo deste total o Recorrente arcou com a metade; e (c) Pagamentos diversos ligados a passivos processuais (honorários de advogado, perito, custas etc), sendo que destes totais o Recorrente arcou com a metade, tal como já provado nesses autos. f2) O dinheiro recebido não esteve livre e à disposição do Recorrente por ter sido integralizado em fundo de investimento, cujas cotas ainda se encontram na titularidade do Recorrente. Não há disponibilidade jurídica e econômica e, no mínimo, o valor já arcado deve ser abatido do ganho. Os rendimentos produzidos nesse fundo de investimento fechado, mantido como lastro para as eventuais indenizações por passivos, são isentos enquanto lá permanecerem ou cujas cotas forem alienadas para aquisição de outras pertencentes a outro fundo, só podendo ser tributadas pelo resgate ou em caso de liquidação (MP n 2.18949/01, art. 6, §§ 3° e 4°; Lei n° 8.981/95, art. 66, parágrafo único). Por conseguinte, não há, pois, disponibilidade pelo recorrente sobre este valor, o que afasta a incidência do imposto (CTN, art. 43). f3) Apesar de não haver instrumento jurídico em apartado, foi mantida entre o Recorrente e a Drogaria São Paulo S/A uma verdadeira conta gráfica (escrow account) por conta da cláusula contratual acima citada. Há prova de que as deduções que ocorreram (R$ 4.580.674,10 já foi revertido e deve ser abatido do ganho). Tornandose exigíveis os passivos da Drogão, o recorrente arca com o valor correspondente e o deduz do montante recebido em dinheiro e em algumas dessas remessas foram retidos na fonte valores a titulo de imposto de renda. Ainda existem passivos não exigíveis, a serem eventualmente deduzidos dos valores mantidos no fundo de investimentos. Uma vez debitados, tais valores não mais repercutem positivamente no patrimônio e não podem ser considerados como ganho de capital. f4) Por força das cláusulas 2.1 e 2.2 do "Instrumento Particular de Contrato de Subscrição de Ações e Outras Avenças", mediante conferência do Fl. 845DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.810 S2C4T1 Fl. 846 8 restante das cotas que o Recorrente detinha na Organização Farmacêutica Drogão Ltda., foram subscritas ações da Drogaria São Paulo S/A e, com a totalidade destas, foram finalmente subscritas ações da CODROME. No dia 21 de junho de 2010, foi celebrado um "Contrato de Penhor de Ações", juntado aos autos, por força do qual ficaram empenhadas as ações da CODROME subscritas pelo Recorrente, uma vez que o contrato de subscrição, conforme já visto acima, prevê dever de indenização à CODROME em razão de passivos constituídos contra a Organização Farmacêutica Drogão Ltda. Em 22 de dezembro de 2010, foi efetuado cancelamento do penhor que incidiu sobre as ações da CODROME e as ações, de acordo com convencionado entre as partes contratantes, foram utilizadas para subscrever e integralizar cotas no fundo "INHAMBU II Fundo de Investimento em Participações". Assim, o ganho de capital havido na permuta de cotas e ações até o momento foi puramente contábil e escritural, decorrente apenas da mera diferença de valores dos papeis permutados, sobre o qual o Recorrente ainda não possui qualquer disponibilidade, pois: (a) não houve qualquer ato de alienação das ações para gerar ganho disponível e suscetível de tributação; (b) por seguir o regime de caixa, eventual tributação só pode ocorrer no momento da realização dos papéis em mercado bursátil a terceiros, sem o qual não surgem os recursos para se fazer frente ao imposto devido; (c) os valores permutados não têm referência em mercado bursátil por ser CODROME sociedade anônima de capital fechado e nem é segura a precificação com base em patrimônio líquido ajustado. Logo, quanto à permuta de cotas e ações, no presente momento o Recorrente não tem nada além de uma mera expectativa de direito de auferir no futuro um ganho de capital tributável, no momento em que alienar seus papeis. f5) Na permuta de cotas por ações, trocouse apenas um bem por outro sem correspondência de dinheiro em espécie. Houve ganho apenas escritural, não liquidado em dinheiro e meramente potencial decorrente da permuta pura e simples. Não houve alienação no mercado de ações, mas utilização das ações para integralizar cotas em fundo de investimento. A melhor leitura do art. 23, § 2°, da Lei n° 9.249, de 1995, é a de que o ganho de capital só pode ser tributado no momento em que realizado e o art. 121, § 2°, do RIR limita a apuração do ganho de capital na permuta com torna ao valor recebido em dinheiro. Só há tributação quando as ações são vendidas no mercado e a permuta deve levar em consideração o caráter hedonístico e não o valor em si dos bens permutados (Pareceres PGFN/PGA n° 970/91 e n° 454/92). Pelo art. 150, II, da Constituição, o legislador não pode conferir tratamento diverso para contribuintes em situação equivalente. Cita doutrina e jurisprudência. Logo, como na permuta de bens há mera expectativa de ganho a ser realizado futuramente, não incide imposto de renda. g) Pedido. Requer a nulidade do auto de infração, uma, porque decaiu o direito de a Fazenda Nacional lançar qualquer tributo e, duas, porque o Recorrente faz jus à isenção sobre eventual ganho de capital, mesmo em caso de sua revogação superveniente, uma vez que cumpriu os requisitos da norma isentiva enquanto permaneceu em vigor, cabendo, nesse particular, a aplicação do artigo 178, do CTN. Subsidiariamente, requer o cancelamento Fl. 846DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.810 S2C4T1 Fl. 847 9 integral do auto de infração, uma vez que nada é devido a título de imposto de renda sobre o ganho de capital havido, uma vez que, sobre o valor pago a título de torna, houve deduções já efetuadas e o valor remanescente encontrase adstrito ao pagamento de eventuais passivos da Drogão imputáveis à CODROME, por conta da permuta de ações, não havendo, pois, falar em disponibilidade econômica ou jurídica sobre esse rendimento. Sobre a permuta de ações, não há se falar em tributação, porquanto o ganho amealhado na operação não está realizado, só podendo ser onerado quando estiver liquidado, já que às pessoas físicas se aplica o regime de caixa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Intimado em 29/05/2017, o recurso interposto em 22/06/2017 é tempestivo (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 33). Presentes as condições de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Notese que o recurso é parcial, tendo o recorrente expressamente sustentado que restringiria a discussão recursal ao ganho de capital. Decadência. A decisão recorrida afastou a preliminar de decadência por aplicar o art. 173, I, do CTN, em face da inexistência de pagamento antecipado, mesmo que parcial. O recorrente não nega a inexistência de qualquer pagamento e nem que o tributo em questão sujeitese ao lançamento por homologação. No seu entender, contudo, não seria possível a aplicação do art. 173, I, por ser a tributação do ganho de capital definitiva e exclusiva e por até hoje não ter havido o ganho de capital. A objeção levantada pelo recorrente não tem o condão de afastar a incidência do art. 173, I, do CTN, eis que a incidência do art. 150, §4°, do CTN demanda a existência de antecipação de pagamento. Esse entendimento é de observância obrigatória, eis que o art. 62, § 2°, do Regimento Interno do CARF impõe a utilização da regra definida no REsp nº 973.733 – SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973, o que faz com que o art. 150, §4º, do CTN, somente deva ser adotado nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e, cumulativamente, não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação; nas demais situações prevalecem os ditames do art. 173 do CTN. Além disso, a matéria está sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça: Súmula STJ n° 555 Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Fl. 847DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.810 S2C4T1 Fl. 848 10 Se houve ou não ganho de capital, é matéria de mérito e com ele será analisada. Logo, em relação à preliminar de decadência, não merece reforma a decisão de piso. Isenção. A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989, pois inexiste direito adquirido a regime jurídico e não se tratava de isenção concedida por prazo determinado e nem em caráter oneroso (CTN, art. 178). Aprovada na Sessão Plenária de 03/12/1969, a aplicação da Súmula do STF n° 544 se restringe aos limites traçados pela nova redação do art. 178 do CTN, advinda da Lei Complementar n° 24, de 1975. Logo, no caso concreto, deve ser aplicada a lei vigente ao tempo da alienação, por força do art. 144 do CTN. Nesse sentido, invocase a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão nº 9202006.508, de 26 de fevereiro de 2018; e Acórdãos nº 9202004.506 e nº 9202004.507, ambos de 25 de outubro de 2016). A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da Solução de Consulta (SC) Cosit nº 505, de 17 de outubro de 2017, passou, após o lançamento e o julgamento de primeira instância, a compreender que as alienações de participações societárias efetuadas depois de 1º de janeiro de 1989 podem se beneficiar da isenção da alínea "d" do art. 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, ao ponderar a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a Portaria PGFN n° 502, de 2016. Contudo, a jurisprudência e os encaminhamentos da ProcuradoriaGeral da Fazenda e da Cosit não são vinculantes, como bem destacado no voto vencedor do Acórdão n° 9202006.508 da 2ª Turma da Câmara Superior de Recuros Fiscais, proferido na sessão de 26 de fevereiro de 2018: Por fim, faço notar, ainda, quanto aos atos administrativos emanados da PGFN e da COSIT relacionados ao tema citados pela nobre Relatora, que nenhum deles possui caráter vinculante em relação a este Conselho, o que também se aplica aos julgados do STJ ali citados, visto que não proferidos sob a sistemática constante do art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 Código de Processo Civil/2015, de forma a que fossem obrigatoriamente aqui reproduzidos, na forma do art. 62, §2° do RICARF vigente. Destarte, mantenho o entendimento de não haver direito adquirido à isenção do imposto sobre o ganho de capital decorrente das participações societárias alienadas a partir de 1º de janeiro de 1989, data de vigência da Lei nº 7.713, de 1988. Permuta de ativos e inocorrência de ganho de capital. Segundo o recorrente, teria havido permuta com torna e o dinheiro recebido pela venda das ações nunca teria estado livre e à disposição do vendedor, pois se obrigara a arcar com contingências ou indenizações imputáveis à Drogão e para tanto teria depositado o preço em fundo de investimentos e dele iria abatendo os valores para arcar com tais dívidas, havendo escrow account. Foram pactuados três instrumentos contratuais. A compra e venda das ações está veiculada no "Instrumento Particular de Contrato de Compra e Venda de Quotas e outras Avenças" (fls. 86/96). Não apenas o título, mas as premissas e cláusulas desse contrato deixam claro de que se trata de uma compra e venda e que o preço é certo e deve ser pago a vista, transcrevo: Fl. 848DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.810 S2C4T1 Fl. 849 11 PREMISSAS CONSIDERANDO QUE: (a) os Quotistas Drogão, cm conjunto, detêm a totalidade do capital social da Drogão; (b) a Drogaria deseja adquirir 2.858.180 (dois milhões, oitocentas e cinquenta e oito mil, cento c oitenta) quotas de emissão da Drogão, equivalentes a 25,30% (vinte e cinco inteiros e trinta centésimos por cento) do seu capital sócia! total, diretamente dos Quotistas Drogão, e os Quotistas Drogão desejam vender à Drogaria referidas quotas; e (c) as Partes celebrarão na presente data um (i) Instrumento Particular de Subscrição de Ações e Outras Avenças ("Contrato de Subscrição''), por meio do qual os Quotistas Drogão subscreverão i.935.790 (um milhão, novecentas e trinta e cinco mil, setecentas e noventa) ações de emissão da Drogaria, mediante a conferência, pelos Quotistas Drogão para a Drogaria, de 8 438.974 (oito milhões, quatrocentas e trinta e oito mil, novecentas e setenta e quatro) quotas de emissão da Drogão representativas de 74,70% (setenta e quatro inteiros e setenta centésimos por cento) do total do capital social da Drogão, e (ii) Instrumento Particular de Compra e Venda de Quotas e Outras Avenças ("Contrato de Compra e Venda de Quotas Administradora"), por meio do qual a Drogaria adquiriu 20.000 (vinte mil) quotas de emissão da Drogão Administradora de Cartões de Crédito. Comércio e Participações Ltda. de titularidade dos Quotistas; AS PARTES RESOLVEM celebrar o presente Instrumento Particular de Contrato de Compra e Venda de Quotas e Outras Avenças, de acordo com os seguintes termos e condições: (...) CLÁUSULA II COMPRA E VENDA 2.1. Compra c Venda. Observados os termos e condições do presente Contrato de Compra e Venda, Paulo e Marcos, neste ato e pelo presente Contrato de Compra e Venda, vendem à Drogaria e a Drogaria compra de Paulo e Marcos, respectivamente, 1.429.090 (um milhão, quatrocentos e vinte e nove mil e noventa) c 1.429.090 (um milhão, quatrocentos e vinte e nove mil e noventa) quotas de emissão da Drogüo (em conjunto, "Quotas"), representativas de 25,30% (vinte e cinco inteiros t trinta centésimos poi cento) do seu capital social. A transferência de tais Quotas à Drogaria darseá na presente data mediante alteração do contrato social da Drogão. a ser assinada na presente data. 2.1.1. Preço, O valor total pago pelas Quotas é de R$24.500.000,00 (vinte e quatro milhões e quinhentos mil Reais) ("Preço das Quotas"), a ser pago no primeiro Dia Útil após a presente data, da seguinte forma: (i) RS 12.250.000,00 (doze Fl. 849DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.810 S2C4T1 Fl. 850 12 milhões, duzentos e cinquenta mil Reais) para Paulo, e (ii) R$12.250.000,00 (doze milhões, duzentos e cinquenta mil Reais) para Marcos. 2.1.2. Pagamento. O Preço das Quotas deverá será pago à vista, no primeiro Dia Útil após a presente data, pela Drogaria para Paulo e Marcos, nos lermos da Cláusula 2.1.1 acima, mediante transferência de fundos imediatamente disponíveis por meio de transferência eletrônica (TED), para as contas correntes indicadas por Paulo e Marcos. (...) CLAUSULA IV VALIDADE E INDENIZAÇÃO 4.1. Indenização pelos Quotistas Drogao. Toda ç qualquer indenização devida pelos Quotistas Drogão oriunda do presente Contrato deverá seguir o rito, processo e limites estabelecidos no Contrato de Subscrição, nos termos da Cláusula IV, conforme aplicável. Portanto, não se sustenta a alegação de que teria havido permuta de ações com torna em dinheiro. A leitura do "Instrumento Particular de Contrato de Subscrição de Ações e Outras Avenças"(fls. 108134) corrobora essa constatação, transcrevo: PREMISSAS CONSIDERANDO QUE: (a) (i) os Acionistas Codrome detêm, em conjunto. 81,0343% das ações que compõem o capitai social da Codrome, e (ii) os Quotistas Drogao detêm, em conjunto, a totalidade do capitai saciai da Drogão; (b) a Codrome detém 99,9951% das ações que compõem o capital social de Drogaria; (c) as Partes decidiram unificar as operações da Drogao o da Drogaria ("Associação"), mediante uma operação que envolve, num primeiro instante, a subscrição de ações de Drogaria pelos Quotistas Drogão, a serem integral izadas mediante a conferência, de quotas do capitai social da Drogão, e. num segundo instante, a subscrição, pelos Quotistas Drogão, de ações do capitai cie Cocirome, integralizadas mediante a conferência das ações de Drogaria que esses subscreveram, como acima referido; e (d) as Panes entendem que a Associação resulta na redução de custos redundantes e ganhos dc escala operacional que viabilizarão investimentos mais elevados e uma maior taxa de crescimento de (brma sustentada, em linha com a estratégia de contínua expansão, dos negócios da Drogão e da Drogaria, resultando em maior eficiência e competitividade para fazer frente aos desafios do mercado nacional: Fl. 850DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.810 S2C4T1 Fl. 851 13 AS PARTES RESOLVEM celebrar o presente Instrumento Particular de Contrato de Subscrição de Ações e Outras Avenças, de acordo com os seguintes termos e condições: (...) CLAUSULA IV VALIDADE E INDENIZAÇÃO 4.1. Indenização pelos Quotistas Drogão. Os Quotistas Drogão, individualmente e sem solidariedade, deverão indenizar, defender ou manter a Drogaria, a Codrome, os Acionistas Codrome, e seus respectivos conselheiros, diretores, empregados, procuradores. Afiliadas, representantes e respectivos sucessores e cessionários (cm conjunto.''Partes indenizáveis Codrome'' e, individualmente, •'Parte Indcmzável Codrome''") isentos de todas e quaisquer perdas, danos, obrigações, responsabilidades, contingências (consubstanciadas em processos judiciais ou administrativos ou em procedimentos de arbitragem), prejuízos, passivos, reclamações, ações, processos, demandas, investigações, fiscalizações, autuações, decisões (incluindo judiciais, administrativas ou arbitrais), cobranças, multas, juros, penalidades, custos e despesas' (incluindo, sem limitação, honorários de advogados, custas, depósitos judiciais e desembolsos) (em conjunto. "Passivos Indenizáveis". e, individualmente, "Passivo Indenizável") efetivamente incorridos pela Drogão ou por uma Parte Indenizável Codrome e decorrentes exclusivamente: (i) de violação, inveracidade ou inexatidao de qualquer declaração ou garantia prestada pelos Quotistas Drogão nes termos da Cláusula 11I(B) acima; (ii) do não cumprimento, pela Drogao ou pelos Quotistas Drogão, de quaisquer de suas obrigações constantes do presente Contrato de Subscrição: ou (íií) de fatos, atos, omissões ou negócios da Drogào relativos ao período anterior à presente data e cujo valor não esteja especifica e integralmente provisionado nas demonstrações financeiras de Drogão." datadas de 31 de dezembro de 2009 e anexas ao presente Contrato de Subscrição como Anexo 4,l("Demonstrações financeiras Drogão). 42 Garantia da indenização pelos Quotistas Drogão, Em garantia da obrigação assumida nos termos desta Cláusula, os Quotistas Drogão constituíram, nesta data, em favor dos Acionistas Codrorne, da Codrome c da Drogaria, penhor sobre as Novas Ações da Codrome, nos termos do Contrato de Penhor ("Penhor'). Para tanto, os Quotistas Drogão autorizam, neste ato e pelo presente instrumento, o lançamento do registro do Penhor nos registros societários da Codrome e nos certificados de ações eventualmente emitidos, 4.2.1. O .Penhor constituído sobre as Novas Ações Codrome permanecerá em vigor ate a ocorrência de um Evento de Liquidez. Na ocorrência de um Evento de Liquidez, o Penhor Fl. 851DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.810 S2C4T1 Fl. 852 14 constituído sobre as Novas Ações Codrome que estiverem sendo Transferidas deverá ser liberado para que o(s) Quotísta(s) Drogão possa(m) Transferir tais ações livres de quaisquer Gravames, desde que o(s) Quotista(s) Drogão constitua(m), nos termos do Contrato de Penhor, garantia real em favor dos Acionistas Codrome. da Codrome e da Drogaria, sobre 50% dos créditos ou recursos recebidos pelo(s) Quotista(s) Drogão em razão de tal Transferência {"Penhor de Direitos Creditórios"). 4,2.2. O Penhor de Direitos Creditórios permanecerá válido e em vigor por um prazo de quatro unos contados da presente data ("Data de A Duração"). Na Data de Apuração, as Partes deverão so reunir' c determinar, dentro cio prazo cie 05 (cinco) Dias Úteis, o valor total de Passivos Indeniza veis que lenham se materializado ate tal data c que, nos termos das Cláusulas 4.1 e 4.4. sejam de responsabilidade dos Quotistas Drogão ("Valor Final de Contingências"). Após a determinação do Valor Final de Contingências, deverá ser liberado da garantia constituída, nos termos do Contrato de Penhor, o que for excedente enlie (i) o valor total depositado na conta corrente objeto do Penhor de Direitos Creditórios, e (íi) o Valor Final de Contingências. O procedimento previsto nesta Cláusula deverá ser repetido anualmente após a Data de Apuração até que a totalidade dos recursos depositados na conta corrente bem corno as aplicações financeiras a ela vinculadas objeto do Penhor de Direitos Creditórios sejam liberados para os Quotistas Drogão ou utilizados para o pagamento do Valor Final de Contingências. Caso as Partes, na Data de Apuração ou em qualquer data de apuração posterior, não cheguem a um acordo com relação aos valores que devem ficar relidos em garantia ou liberados para os Quotistas Drogão, a matéria será submetida a arbitragem nos termos da Cláusula 11.7 abaixo para que os árbitros, com o auxílio de uma das Empresas de Auditoria Acordada, determinem os valores em discussão. A determinação dos árbitros será final e não passível de questionamento. Os custos da arbitragem e da Empresa de Auditoria Acordada serão antecipados pelos Quotistas Drogão e pelos Acionistas Codrome, na proporção dc 50% (cinqüenta por cento) para cada, ressalvado, entretanto, que após decisão ou determinação arbitral definitiva a parte perdedora deverá reembolsar os custos incorridos pela outra parte, na proporção da sucumbência em que incorrer. Constatase, destarte, que houve uma efetiva compra e venda com preço certo e pago à vista e duas integralizações de ações; ações da Dogrão integralizadas na Drogaria e, a seguir, as ações da Drogaria integralizadas na Codrome. Não houve instituição de escrow account, cuja definição dada pelo Banco Central do Brasil transcrevo1: ESCROW ACCOUNT conta especial instituída pelas partes junto a uma terceira entidade, sob contrato, destinada a acolher depósitos, a serem feitos pelo devedor e ali mantidos em custódia, para liberação após o cumprimento de requisitos especificados. O dinheiro percebido pela venda das ações integrou o patrimônio jurídico do contribuinte, a caracterizar disponibilidade econômica ou jurídica (e também a financeira), e ao 1 http://www.bcb.gov.br/htms/infecon/dividarevisada/apends_gloss_bibliografia.pdf Fl. 852DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.810 S2C4T1 Fl. 853 15 aplicálo em fundo de investimentos o autuado exerce prerrogativa inerente ao direito de propriedade, sendo irrelevante a forma de tributação dos rendimentos do fundo. Além disso, como bem demonstrou o Acórdão recorrido, o montante de R$ 4.189.757,96 destinado ao Banco Safra BSI S/A pela intermediação do negócio foi devidamente excluído. A circunstância de se valer do dinheiro aplicado para arcar com dívidas assumidas por força do "Instrumento Particular de Contrato de Subscrição de Ações e Outras Avenças" em nada afeta a anterior caracterização do ganho de capital. Integralização de Ações. No caso, o recorrente adquiriu a participação societária na Drogaria mediante entrega das ações da Drogão e, a seguir, na Codrome mediante entrega das ações da Drogaria. Em outras palavras, saíram ações de seu patrimônio jurídico e novas ações ingressaram. A situação em questão representa uma transferência de domínio de um bem para outra pessoa, tendo em vista os efeitos patrimoniais para o sócio, o qual, ao adquirir participação societária atual, entrega ações anteriormente possuídas integrantes de seu patrimônio. Nesse sentido, dispõe a legislação: Lei 9.249, de 1995 Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. § 1º Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. As operações que importem alienação de bens estão sujeitas à apuração de ganho de capital: Lei 7.713, de 1988 Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (...)§ 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou Fl. 853DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.810 S2C4T1 Fl. 854 16 direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Notese que o §3º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 1988, veicula rol exemplificativo, enumerando sem esgotar negócios jurídicos reconhecidamente distintos, como a compra e venda, permuta, desapropriação e os contratos afins. A disponibilidade da nova riqueza em pecúnia não é requisito absoluto para a tributação do ganho de capital, bastando o acréscimo patrimonial advindo do ingresso de bem ou direito. Ao definir o fato gerador do imposto, o ordenamento não se reporta à disponibilidade financeira ou circulação de numerário (dinheiro em caixa regime de caixa), mas à disponibilidade econômica ou jurídica (acréscimo patrimonial): Constituição Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) III renda e proventos de qualquer natureza; (...) § 2º O imposto previsto no inciso III: I será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei; Código Tributário Nacional Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Lei 7.713, de 1988 Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (...)§ 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou Fl. 854DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.810 S2C4T1 Fl. 855 17 proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Por isso, não há que se falar em mera expectativa de renda a ser concretizada apenas quando da venda das ações, uma vez que as ações entregues em pagamento foram avaliadas economicamente, refletindo o seu valor a prática do mercado, ainda que sem referência bursátil, e representando o acréscimo patrimonial do contribuinte na perspectiva estática, ou seja, em relação a situação anterior à operação. Notese que o artigo 55 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR, em seus incisos IV e XIII, traz exemplificativamente hipóteses de incidência em que não há recebimento de valores em dinheiro: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) IV os rendimentos recebidos na forma de bens ou direitos, avaliados em dinheiro, pelo valor que tiverem na data da percepção; (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; Não há uma mera substituição de ações, com equivalência de valores entre bens substituídos e, no caso concreto, não há como se considerar haver uma simples troca entre bens de mesmo valor. Não se amoldam ao caso concreto o art. 121, § 2°, do RIR e nem os Pareceres PGFN n° 970/1991 e 454/1992. Independentemente da existência de torna, por força do § 3º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 1988, há ganho de capital tributável sempre que existir uma diferença positiva entre o custo de aquisição e o valor de bens permutados. Há aquisição de disponibilidade econômica com o recebimento de um valor que acresce efetivamente riqueza ao patrimônio do contribuinte, mesmo que não seja em dinheiro. A celebração do contrato de penhor pelo contribuinte revela que adquiriu a titularidade e a disponibilidade jurídica das ações, pois apenas o proprietário pode dar bens em garantia e para tanto, além do domínio, deve ter a livre disposição da coisa (Lei n° 3.071, de 1916, art. 756; e Lei n° 10.406, de 2002, art. 1.420). Notese que o Contrato de Penhor de Ações estabelece expressamente como uma de suas premissas que "os Acionistas Garantidores são legítimos titulares das Ações Empenhadas" (fls. 509). Assim, a instituição do penhor não implica concluir pela existência de mera expectativa de acréscimo patrimonial e, portanto, pela necessidade de diferimento da tributação para a data de encerramento do mesmo ou para o momento de alienação das participações societárias, quando só então seria possível mensurar, na visão do recorrente, o seu efetivo acréscimo patrimonial. Fl. 855DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.810 S2C4T1 Fl. 856 18 Houve entrega de ações para subscrição de novas ações, sendo estas penhoradas. Há aquisição de disponibilidade econômica com o recebimento de bem que acresce efetivamente riqueza ao patrimônio do contribuinte, mesmo que não seja em dinheiro. Isso porque, a incidência da exação tributária é demarcada no momento em que as ações mais valiosas ingressam no patrimônio do contribuinte, de acordo com precificação determinada por laudos de avaliação específicos, não ficando a base de cálculo do ganho de capital submetida aos fatores naturais do mercado de ações que acarretam flutuações no preço do ativo. Se, após a liberação do penhor, o contribuinte integraliza as ações em fundo de investimento como garantia, novamente exercita seu domínio sobre as ações. A jurisprudência e doutrina invocadas não são vinculantes. Por todo o exposto, não prosperam as razões recursais. Isso posto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. Após a leitura desse voto, diante da invocação do Ato Declaratório PGFN n° 12, de 2018, entendo que, ainda assim, a situação em tela possibilita a conclusão por se negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Voto Vencedor Rayd Santana Ferreira Redator Designado. Não obstante as sempre bem fundamentadas razões do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pelo nobre julgador, quanto o posicionamento ao Recurso Voluntário, devendo ser modificada a decisão a quo, com o cancelamento do ganho de capital, como passaremos a demonstrar. Consoante se positiva dos autos, os argumentos do recorrente têm o condão de reformar o Acórdão atacado, bem como o Auto de Infração, por representar a melhor interpretação a propósito do tema, garantindo a segurança jurídica em homenagem ao direito adquirido à isenção de ganho de capital sobre a alienação de participação societária, posteriormente à vigência do DecretoLei nº 1.510/76, conquanto que tenha permanecido com a propriedade de sua participação por 05 (cinco) anos durante o período de validade de aludido Diploma Legal, impondo o acolhimento do pleito do contribuinte, com o fito de se restabelecer a ordem legal nesse sentido. Com efeito, a Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou em diversas ocasiões a respeito da matéria, oferecendo guarida ao requerimento do contribuinte, conforme se extrai do excerto do voto do ilustre Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, acolhido de forma unânime, exarado nos autos do processo nº 10875.004768/0054, Acórdão nº 920200.102, de onde peço vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir, in verbis: Fl. 856DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.810 S2C4T1 Fl. 857 19 Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito à restituição do indébito tributário pleiteado. Segundo a recorrente, como a alienação ocorreu após a revogação da isenção prevista pelo Decretolei n° 1.510/76 e inexiste direito adquirido no caso, estão corretos os recolhimentos efetuados e não merece prosperar o pedido de restituição. Eis a matéria em litígio. Pois bem, o artigo 4°, alínea “d”, do Decretolei n° 1.510/76, que tratou, entre outros temas, da tributação de resultados obtidos na venda de participações societárias por pessoas físicas, estabeleceu o seguinte: Art. 4°. Não incidirá o imposto de que trata o art. 1°: (...) d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de 5 (cinco) anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Este benefício fiscal foi revogado pelo artigo 58 da Lei n° 7.713/88. No caso, é incontroverso que o contribuinte recebeu por doação participações societárias em 22/08/1979 e em 15/04/1983, tendo as alienado em 14/05/1996. Com isso, ele faz jus a tal benefício? Penso que sim, de modo que a decisão recorrida merece ser confirmada. Sob minha ótica, o benefício fiscal previsto no Decretolei n° 1.510/76 tinha por objetivo excluir da tributação os ganhos auferidos quando da alienação de participações societárias, após decorrido o prazo de cinco anos da aquisição ou subscrição das participações. Salvo melhor juízo, esta foi a intenção do legislador. Nesse sentido, não se pode olvidar que ao tempo da edição da Lei n° 7.713/88, o interessado já havia cumprido a exigência prevista no artigo 4°, alínea “d”, do Decretolei n° 1.510/76, pois era proprietário das ações da empresa Pardelli S.A. Indústria e Comércio desde 22/08/1979 e 15/04/1983, quando as recebeu por doação. Entendo que a incidência do imposto de renda pessoa física sobre o ganho de capital apurado na alienação de participações societárias não se aplica quando tais ações foram adquiridas há Fl. 857DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.810 S2C4T1 Fl. 858 20 mais de cinco anos contados do início de vigência da Lei n° 7.713/88, como ocorre no caso em tela. Devese respeitar o direito adquirido, previsto no artigo 5°, inciso XXXVI, da Constituição Federal e no artigo 6° da Lei de Introdução ao Código Civil – LICC. Segundo De Plácido e Silva1,: ... direito adquirido quer significar o direito que já se incorporou ao patrimônio da pessoa, já é de sua propriedade, já constitui um bem, que deve ser judicialmente protegido contra qualquer ataque exterior, que ouse ofendêlo ou turbálo. (...) O direito adquirido tira a sua existência dos fatos jurídicos passados e definitivos, quando o seu titular os pode exercer. No entanto, não deixa de ser adquirido o direito, mesmo quando o seu exercício depende de um termo prefixado ou de uma condição preestabelecida, inalterável a arbítrio de outrem. Por isso, sob o ponto de vista da retroatividade das leis, não somente se consideram adquiridos os direitos aperfeiçoados ao tempo em que se promulga a lei nova, como os que estejam subordinados a condições ainda não verificadas, desde que não se indiquem alteráveis ao arbítrio de outrem. Sob minha ótica, a edição da Lei n° 7.713/88 não pode prejudicar o direito do contribuinte previsto no artigo 4°, alínea “d”, do Decretolei n° 1.512/76, apenas pelo fato de a alienação da participação societária não ter ocorrido anteriormente, ou seja, antes da revogação do benefício fiscal. A posição defendida por este julgador é corroborada pela jurisprudência amplamente majoritária do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ilustram as ementas dos seguintes acórdãos: IRPF – PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS – DIREITO ADQUIRIDO – DECRETOLEI 1.510/76 – Não incide imposto de renda na alienação de participações societárias integrantes do patrimônio do contribuinte há mais de cinco anos, nos termos do art. 4º, alínea d, do DecretoLei 1.510/76 a época da publicação da Lei de nº 7.713, em decorrência do direito adquirido. Recurso especial negado. (CSRF, Quarta Turma, Recurso n° 102134.080, Acórdão CSRF/0400.215, Relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, julgado em 14/03/2006) IRPF – PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS – AQUISIÇÃO SOBRE OS EFEITOS DA HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA PREVISTOS NO ART. 4º, ALÍNEA "d" DO DECRETOLEI 1.510/76 – DIREITO ADQUIRIDO A ALIENAÇÃO SEM TRIBUTAÇÃO MESMO NA VIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO Fl. 858DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.810 S2C4T1 Fl. 859 21 POSTERIOR ESTABELECENDO A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA (LEI 7.713/88) – Se a pessoa Física titular da participação societária, sob a égide do artigo 4º "d", do DecretoLei 1.510/76, subseqüentemente ao período de 5 (cinco) anos da aquisição da participação, alienoua, ainda que legislação posterior ao decurso do prazo de 5 (cinco) anos tenha transformado a hipótese de não incidência em hipótese de incidência, não torna aquela alienação tributável, prevalecendo, sob o manto constitucional do direito adquirido o regime tributário completado na vigência da legislação anterior que afastava qualquer hipótese de tributação. (CSRF, Primeira Turma, Recurso n° 106013.824, Acórdão CSRF/0103.725, Redator Designado Conselheiro Victor Luís de Salles Freire, julgado em 18/02/2002) IMPOSTO SOBRE GANHO DE CAPITAL PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS ISENÇÃO Participações societárias com mais de cinco anos sob a titularidade de uma mesma pessoa, completados até 31.12.88, trazem a marca de bens exonerados do pagamento do imposto sobre ganho de capital, na forma do art. 4º letra d, do DL 1.510/76, sendo irrelevante que a alienação tenha ocorrido já na vigência da Lei nº. 7.713/88. IRPF PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DIREITO ADQUIRIDO DECRETOLEI 1.510/76 Não incide imposto de renda na alienação de participações societárias integrantes do patrimônio do contribuinte há mais de cinco anos, nos termos do art. 4º, alínea d, do Decretolei 1.510/76 a época da publicação da Lei de nº. 7.713, em decorrência do direito adquirido. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA. De ser afastada a alegação de que parte dos valores foram recebidos e posteriormente depositados em conta especial, sem permitir ao contribuinte a disponibilidade econômica e jurídica sobre o valor tributado, já que a estipulação efetuada entre as partes, comprador e vendedor das ações, não modificou a natureza da forma de pagamento. Recurso provido. (Primeiro Conselho, Segunda Câmara, Recurso Voluntário n° 158.393, Acórdão n° 10249.306, Relatora Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues, julgado em 08/10/2008) AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA SOB A ÉGIDE DO DECRETOLEI Nº. 1510, DE 1976 ALIENAÇÃO NA VIGÊNCIA DE NOVA LEI REVOGADORA DO BENEFÍCIO DIREITO ADQUIRIDO PAGAMENTO INDEVIDO RESTITUIÇÃO A alienação de participação societária adquirida sob a égide do art. 4°, alínea "d", do Decretolei nº. 1.510, de 1976, após decorridos cinco anos da aquisição, não constitui operação tributável, ainda que realizada sob a vigência de nova lei revogadora do benefício, tendo em vista o direito adquirido, constitucionalmente previsto. Implementada a condição antes da revogação da lei que concedia o benefício, os Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.810 S2C4T1 Fl. 860 22 pagamentos porventura efetuados são indevidos, portanto passíveis de restituição. Recurso provido. (Primeiro Conselho, Quarta Câmara, Recurso Voluntário n° 147.557, Acórdão n° 10421.519, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgado em 26/04/2006) Entendo, portanto, que a decisão recorrida merece ser confirmada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.” Na hipótese dos autos, tendo o contribuinte permanecido com sua participação societária por mais de 05 (cinco) anos, durante a vigência do DecretoLei nº 1.510/1976, não há que se falar em expectativa de direito, mas, sim, em direito adquirido, tendo em vista o cumprimento dos pressupostos legais para fruição da isenção no decorrer do período regido pelo dispositivo legal retro. Destarte, o fato de a alienação de sua participação societária ter ocorrido sob o manto dos preceitos insculpidos na Lei nº 7.713/88, não tem o condão de rechaçar o seu direito adquirido. Como muito bem asseverou a recorrente há de se observar o princípio do tempus regit actum, implicando dizer que o contribuinte adquiriu o direito de gozar de aludida benesse fiscal no período em que vigia a norma isentiva, sendo defeso a alteração introduzida pela Lei nº 7.713/88 retroagir de maneira a alcançar fato jurídico perfeito e acabado. A possibilidade de aplicação de uma norma mesmo após a sua revogação, dá se o nome de “ultratividade”. Sobre a ultratividade em matéria de direito adquirido, vale destacar a lição do professor Roque Antônio Carraza (Curso de direito constitucional tributário. São Paulo: Malheiros, 1999, 13ª ed., p. 555.), oportunidade em que o doutrinador demonstra com clareza a impossibilidade de lei posterior suprimir direito adquirido: Em remate, convém assinalarmos que o direito adquirido e o ato jurídico perfeito mais do que imunes ao efeito retroativo da lei nova, impedem que esta, de algum modo, os desconstitua. (...) Neste sentido, o direito adquirido e o ato jurídico perfeito asseguram a ultratividade da lei velha, que continuará a disciplinar as situações que sob sua égide se consumara, mesmo depois da entrada em vigor da lei nova. Tudo em homenagem ao princípio da segurança jurídica. (grifos acrescidos) Em se tratando diretamente de matéria tributária, mais especificamente com relação às isenções, o direito adquirido é disciplinado pelo Código Tributário Nacional. De acordo com o art. 178 deste código, as isenções podem ser revogadas ou modificadas por lei, exceto quando estas forem concedidas mediantes determinados requisitos ou condições, as chamadas isenções condicionadas. Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.810 S2C4T1 Fl. 861 23 Art. 178 – A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. Depreendese, a partir da leitura deste dispositivo, que o contribuinte passa a ter direito adquirido a uma isenção condicionada a partir do momento em que cumpre as exigências legais para tanto. Além de que, como demonstrado anteriormente, esse direito não se esvazia com a eventual revogação póstera da norma concedente do referido benefício. Não sendo o bastante a vasta fundamentação acima esposada, a Solução de Consulta Cosit n° 505, de 17 de outubro de 2017, aduz que a hipótese desonerativa prevista na alínea “d” do art. 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, aplicase às alienações de participações societárias efetuadas por pessoa física após 1° de janeiro de 1989, data de revogação do benefício, desde que tais participações já constassem do patrimônio do adquirente em prazo superior a cinco anos, contado da referida data, assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA SOB A ÉGIDE DO DECRETOLEI Nº 1510, DE 1976. ALIENAÇÃO NA VIGÊNCIA DE NOVA LEI REVOGADORA DO BENEFÍCIO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. A hipótese desonerativa prevista na alínea “d” do art. 4º do DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, aplicase às alienações de participações societárias efetuadas após 1° de janeiro de 1989, desde que tais participações já constassem do patrimônio do adquirente em prazo superior a cinco anos, contado da referida data. A isenção é condicionada à aquisição comprovada das ações até o dia 31/12/1983 e ao alcance do prazo de 5 anos na titularidade das ações ainda na vigência do Decretolei nº 1.510, de 1976, revogado pelo art. 58 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Dispositivos Legais: art. 4º, alínea “d”, do Decreto Lei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976; art. 178 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). No mesmo sentindo, claramente aplicável ao caso, dispõe o Ato Declaratório PGFN n° 12, de 25 de junho de 2018, in verbis: (...)nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988,(...) Fl. 861DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.810 S2C4T1 Fl. 862 24 Ante o exposto, resta claro que o contribuinte tem direito adquirido à isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física incidente sobre o ganho de capital auferido pela alienação de participação societária, vez que atendeu a condição imposta pelo art. 4º, alínea “d” do DecretoLei 1.510/76 antes mesmo de sua revogação pela Lei n. 7.713/88. Imprescindível mencionar o entendimento do Conselheiro Cleberson Alex Friess, pois há algumas ressalvas com a posição adotada por este Redator, como muito bem restou demonstrado na "Declaração de Voto" exarada no Acórdão n° 2401005.278, senão vejamos: A alínea "d" do art. 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, estabeleceu hipótese de não incidência do imposto sobre a renda nas alienações de participações societárias efetivadas após decorrido o período de 5 (cinco) anos contados da data da subscrição ou aquisição da participação. O dispositivo foi revogado pelo art. 58 da Lei nº 7.713, de 1988, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 1989. Meu ponto de vista é que não se tratou de isenção concedida por prazo determinado, tampouco de caráter oneroso (ver, por exemplo, Acórdão nº 2401004.662, de 15 de março de 2017). Uma vez qualificada como isenção não onerosa e por prazo indeterminado, não há que se falar em direito adquirido ao benefício fiscal, podendo ser revogada a qualquer tempo pelo legislador, aplicandose a lei tributária vigente no momento da ocorrência do fato gerador, quando configurado o acréscimo patrimonial resultante da operação de alienação das participações societárias. (...) Acontece que, recentemente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da Solução de Consulta (SC) Cosit nº 505, de 17 de outubro de 2017, declarou que mesmo as alienações de participações societárias efetuadas após 1º de janeiro de 1989 podem gozar da hipótese desonerativa estabelecida na alínea "d" do art. 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976. Senão vejamos a ementa da SC Cosit nº 505/2017: (...) Em linhas gerais, a SC Cosit nº 505/2017 acolheu a orientação prevalente sobre o tema existente no Superior Tribunal de Justiça (STJ), assim como o encaminhamento dado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio da Portaria PGFN nº 502, de 12 de maio de 2016. As soluções de consulta emitidas pela CoordenaçãoGeral de Tributação da RFB tem efeito vinculante no âmbito daquele órgão fazendário, inclusive no que tange às decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento, representando a interpretação oficial da legislação tributária aplicável a fato determinado. Fl. 862DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.810 S2C4T1 Fl. 863 25 Implica reconhecer, portanto, que os contribuintes em idêntica situação tributária, sob pena de inaceitável discriminação, devem ser tratados uniformemente pelo Poder Público. À vista dessas razões, com a ressalva do ponto de vista pessoal sobre a matéria, acompanho o voto do I. Relator no sentido de que as ações adquiridas pelo contribuinte até 31 de dezembro de 1983 fazem jus à isenção a que alude o DecretoLei nº 1.510, de 1976, mesmo que a alienação das participações societárias tenha se efetivado na vigência da Lei nº 7.713, de 1988 (Fração Anterior FA).(...)(grifo nosso) Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para afastar o ganho de capital, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 863DF CARF MF
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