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Numero do processo: 13808.000138/2002-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa quando a Fiscalização oportuniza ao contribuinte, previamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de apresentação de esclarecimentos e provas que poderiam evitar o lançamento fiscal, bem como quando o processo administrativo fiscal se desenvolve em consonância com as normas que o regulam.
INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. VALORES GLOBAIS. UTILIZAÇÃO PELA RFB PARA INSTAURAÇÃO DE PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. POSSIBILIDADE.
A legislação tributária faculta à RFB a utilização de informações relativas à identificação dos contribuintes e dos valores globais das operações por eles realizadas para instauração de procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, de crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430/1996.
INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. FORNECIMENTO PELO CONTRIBUINTE. SIGILO. QUEBRA. INEXISTÊNCIA.
A matéria relativa à utilização de informações bancárias por parte da RFB encontra-se pacificada no STJ, que decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105/2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. Se assim é, descabe falar em quebra de sigilo quando o titular de conta bancária, no bojo de processo administrativo regularmente instaurado, sponte sua, fornece informações bancárias ao Fisco e este as utilizada para apuração de infrações à legislação tributária.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO PELO IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE.
A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévias operações regulares e os depósitos dos recursos em conta de sua titularidade, pena de serem estes reputados como rendimentos omitidos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA.
Somente a partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, é que os depósitos bancários com origem não comprovada deverão ser imputados em proporções iguais aos co-titulares de conta conjunta, caso estes apresentem declaração de rendimentos em separado.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Preliminares Rejeitadas
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2201-002.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE, ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ, MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado) e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada).
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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INOCORRÊNCIA. Descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa quando a Fiscalização oportuniza ao contribuinte, previamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de apresentação de esclarecimentos e provas que poderiam evitar o lançamento fiscal, bem como quando o processo administrativo fiscal se desenvolve em consonância com as normas que o regulam. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. VALORES GLOBAIS. UTILIZAÇÃO PELA RFB PARA INSTAURAÇÃO DE PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. POSSIBILIDADE. A legislação tributária faculta à RFB a utilização de informações relativas à identificação dos contribuintes e dos valores globais das operações por eles realizadas para instauração de procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, de crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430/1996. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. FORNECIMENTO PELO CONTRIBUINTE. SIGILO. QUEBRA. INEXISTÊNCIA. A matéria relativa à utilização de informações bancárias por parte da RFB encontrase pacificada no STJ, que decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105/2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. Se assim é, descabe falar em quebra de sigilo quando o titular de conta bancária, no bojo de processo administrativo regularmente instaurado, sponte sua, fornece informações bancárias ao Fisco e este as utilizada para apuração de infrações à legislação tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 01 38 /2 00 2- 35 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13808.000138/200235 Acórdão n.º 2201002.902 S2C2T1 Fl. 170 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO PELO IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévias operações regulares e os depósitos dos recursos em conta de sua titularidade, pena de serem estes reputados como rendimentos omitidos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. Somente a partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, é que os depósitos bancários com origem não comprovada deverão ser imputados em proporções iguais aos cotitulares de conta conjunta, caso estes apresentem declaração de rendimentos em separado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE, ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ, MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado) e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada). Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Fl. 170DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13808.000138/200235 Acórdão n.º 2201002.902 S2C2T1 Fl. 171 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de 1ª instância (fls. 129/132 deste processo digital), reproduzido a seguir: Contra o contribuinte supraqualificado foi lavrado o auto de infração de fls. 113/117, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal de fls.109/ 112 relativo ao imposto sobre a renda de pessoas físicas, anocalendário 1998, em decorrência de ação fiscal que teve por objeto o exame do cumprimento das obrigações tributárias relativas ao referido período (fl.01). ` Das verificações realizadas resultou a apuração do credito tributário no valor total de R$ 67.497,11 (sessenta e sete mil, quatrocentos e noventa e sete reais e onze centavos), na seguinte composição: Imposto R$ 30.290,86 Juros de mora (cale. até 28/02/2002) R$ 14.488,11 Multa proporcional R$ 22.718,14 O crédito tributário constituído decorreu da constatação de irregularidade assim descrita no referido auto: “Omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nessas operações não foram comprovados mediante documentação hábil e idôneo. Enquadramento legal: art. 42 da Lei n° 9.430/96; art.4° da Lei 9.481/97, art. 21 da Lei 9.532/97. A multa de oficio foi aplicada no percentual de 75, 00 % (setenta e cinco por cento), com fundamento no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/ 1996 (fl.1l4). A ação fiscal foi instaurada com o objetivo de verificar movimentação financeira incompatível com a não apresentação de declaração de ajuste relativa ao anocalendário e os procedimentos adotados no seu curso encontramse detalhadamente descritos no Termo de Verificação Fiscal. A ciência do auto de infração foi dada pessoalmente ao contribuinte, na data de 21/03/2002 (fls.l15/118). Em 18/04/2002, o interessado apresentou a impugnação de fls.120/ 124, na qual aduz as razões de defesa que a seguir se reproduzem sinteticamente: RELEVANTES PRELIMINARES ARGUIDAS Cerceamento ao direito de defesa Fl. 171DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13808.000138/200235 Acórdão n.º 2201002.902 S2C2T1 Fl. 172 4 Suscita nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, alegando que não foi informado da necessidade e possibilidade de comprovação, não lhe tendo sido propiciado fazer tal prova. Reportase ao desenvolvimento da ação fiscal que se iniciou por uma informação equivocada por parte da instituição financeira, a respeito dos valores movimentados em suas contas (R$ 3.844.779,49). Alega que após ter esclarecido o engano, foi induzido a manterse inerte, acrescentando que apresentara todos os extratos de sua movimentação bancária. Contudo, foi surpreendido pela informação de que extraído o lançamento irregular, remanescia o valor de R$ 125.857,69 a ter a origem esclarecida. Informou que prestou serviços como empreiteiro de obras, sendo que se encontravam incluídos entre os depósitos os valores relativos à aquisição de materiais e de repasse à mão de obra terceirizada. Esclareceu, inclusive, a indisponibilidade imediata de fornecimento de notas fiscais de materiais de construção diante da informalidade de suas atividades e também da dificuldade da identificação e localização dos clientes. Do ônus da prova Defende que o ônus da prova da verificação e efetiva existência do rendimento cabe à Administração Fazendária, e a legislação vigente ao tempo do anocalendário aqui discutido não previa ou possibilitava a apuração e sua comprovação tão somente pelo Relatório de Movimentação Financeira. Acrescenta que, não obstante o argumentado, esclareceu plenamente a origem e destino dos valores apurados, devendo ser aplicado o princípio de “in dúbío contra fiscum”. Da efetiva irregularidade dos valores apurados Alega que não foi considerado o fato de que há contas de titularidade conjunta com seu cônjuge, que realizou trabalhos de vendas porta a porta, movimentando valores que totalizaram aproximadamente R$ 10.800,00. Reclama, também, da não consideração de deduções relativas a pensões alimentícias pagas à exesposa por força de determinação judicial, despesas com instrução realizadas com seu filho, bem como de diversos dependentes que elenca. Assim, requer “ad cautelam” a revisão dos cálculos realizados. Do pedido Diante do exposto, requer: a aplicação do princípio legal que estabelece “acessorium cedat principali”, requerendo seja reconhecida a ausência de liquidez, certeza e exigibilidade dos irregulares valores indicados no auto combatido, e o que aqui requer expressamente; Fl. 172DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13808.000138/200235 Acórdão n.º 2201002.902 S2C2T1 Fl. 173 5 que todas as preliminares arguidas sejam apreciadas e decididas fundamentalmente, uma a uma, para que não seja mantido inclusive o atual quadro de cerceamento de defesa caracterizado em referido auto, não sendo demais reafirmar o direito de ampla defesa assegurado ao autuado pelo artigo 5°, inciso LV da Constituição Federal vigente, e assim, sendo as prejudiciais aventadas de extrema relevância, devem ser consideradas na decisão de mérito, de forma a propiciar uma resposta motivada da Administração Fazendária Nacional ao direito de petição do contribuinte; que o procedimento fiscal, pelos vícios e irregularidades que contém, seja declarado insubsistente e nulo de pleno direito; “Ad cautelam”, que sejam promovidas as necessárias revisões de todos os valores lançados, e inclusive sendo consideradas todas as deduções legais indicadas; que o inteiro teor da decisão singular seja comunicado ao autuado. Finaliza, impugnando de forma expressa todos os cálculos apresentados por abusivos e exorbitantes salientando que: os juros moratórios devem obedecer aos critérios preconizados pelo artigo 39, § 4°, da Lei 9.250/95 e não como lançado; O fato gerador do imposto de renda pessoa física é a renda disponível, enquanto que a base de cálculo é a renda líquida, ou seja, a efetivamente recebida pelo autuado em contraprestação pelos serviços realizados a terceiros, excluindose os valores destinados a aquisição de materiais e pagamento de mão de obra terceirizada; o índice percentual aplicado por irregular e a progressividade aplicada visto que indiscutivelmente inconstitucional. Protesta por provar o alegado por todos os meios de provas em direito admitidos nesta fase administrativa, inclusive com a apresentação de documentos. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 121/125 deste processo digital. O lançamento foi julgado procedente por intermédio do acórdão de fls. 128/139, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 NULIDADES Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do Fl. 173DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13808.000138/200235 Acórdão n.º 2201002.902 S2C2T1 Fl. 174 6 contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em nulidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. A partir de 1° de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei 9.430/1996, consideramse rendimentos omitidos os depósitos/créditos efetuados em contas mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Alegações desacompanhadas de comprovação não constituem prova hábil para tal. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A utilização da taxa SELIC como juros moratórios, assim como a aplicação da multa de oficio e demais cálculos utilizados na apuração do crédito tributário decorrem de expressas disposições legais.A apreciação e decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais são de competência exclusiva do Poder Judiciário, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. Cientificado da decisão de primeira instância em 02/10/2008 (fl. 142 deste processo digital), o Interessado interpôs, em 28/10/2008, o recurso de fls. 145/151. Na peça recursal reitera as alegações lançadas na peça impugnatória e aduz, em complemento, que: Houve omissão na decisão recorrida com referência a relevantes pontos trazidos ao debate, evidenciando que a nulidade da decisão encontra total amparo legal (Decreto nº 70.235/1972, art. 59, II). Não há que se falar em aplicação das disposições da Lei Complementar nº 105/2001. A interpretação emprestada ao art. 144, § 1°, do CTN não tem o condão de revogar os direitos e garantias individuais, inclusive o direito ao sigilo bancário. A instituição da CPMF se deu com o objetivo de angariar recursos para um fim específico, e não para servir como meio de arrecadação e fiscalização de tributos, sendo defeso à Administração Fazendária emprestarlhe interpretação distinta. Ao final, reitera os pedidos anteriormente formulados na impugnação. Voto Fl. 174DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13808.000138/200235 Acórdão n.º 2201002.902 S2C2T1 Fl. 175 7 Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. PRELIMINARES Sobre a decisão recorrida A decisão de 1ª instância enfrentou, uma a uma, as alegações do Interessado lançadas na peça impugnatória, divididas nos seguintes capítulos: a) cerceamento ao direito de defesa; b) do ônus da prova; c) da não ocorrência do fato gerador; d) da efetiva irregularidade dos valores apurados; e) juros de mora e índice percentual; e f) da juntada de novas provas. Revelase inverossímil, portanto, a alegação do Recorrente de que houve omissão na decisão recorrida em relação a relevantes pontos trazidos ao debate. Sobre o suposto cerceamento do direito de defesa O Recorrente suscita nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, alegando que não foi informado da necessidade e possibilidade de comprovação da origem dos depósitos em suas contas bancárias, não lhe tendo sido propiciado fazer tal prova. A insurgência do Interessado não merece prosperar, porquanto devidamente intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias. O Termo de Início de Fiscalização de fl. 13 e o Termo de Intimação Fiscal de fl. 20, juntamente com o Demonstrativo de Movimentação Bancária (fls. 21/23), revelam que as afirmações do Interessado estão divorciadas do contexto fático evidenciado nos autos. Assim, descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa quando a Fiscalização oportuniza ao contribuinte, previamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de apresentação de esclarecimentos e provas que poderiam evitar o lançamento fiscal, bem como quando o processo administrativo fiscal se desenvolve em consonância com as normas que o regulam. Sobre a utilização de dados dos extratos bancários Observo, por primeiro, que a Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, que instituiu a CPMF, já havia determinado, no § 2º do seu art.11, que “As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda”. O § 3º do mesmo artigo vedava a utilização das informações prestadas, à RFB, para constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos (“A Secretaria da Receita Federal do Brasil resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outros contribuições ou impostos”). Fl. 175DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13808.000138/200235 Acórdão n.º 2201002.902 S2C2T1 Fl. 176 8 Registro, no entanto, que a Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, alterou o § 3º do artigo 11 da Lei nº 9.311/1996, permitindo a utilização das informações prestadas para a instauração de procedimento administrativofiscal com o objetivo de cobrar eventuais créditos tributários referentes a outros tributos, inclusive fazendo expressa referência ao art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que disciplinou a presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Confira: Lei nº 9.311/1996 Art. 11. (...) § 3oA Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. (Redação dada pela Lei nº 10.174, de 2001) Assim, é preciso diferenciar a prestação de informações necessárias à identificação dos contribuintes e dos valores globais das operações por eles realizadas, que deverão ser fornecidas pelas instituições financeiras e que poderão ou não servir à instauração do processo administrativo fiscal (faculdade da Administração Tributária), das informações constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, cujo exame reclama, necessariamente, a prévia instauração de processo administrativo ou a existência de procedimento fiscal em curso. Esta diferenciação foi feita, inclusive, pela Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, que em seu art. 5º previu que o Poder Executivo disciplinasse a prestação, pelas instituições financeiras, de informações que poderiam ser utilizadas para realização de fiscalização com o escopo de se apurar fatos relacionados ao cometimento de ilícito fiscal, e que em seu art. 6º estabeleceu os requisitos para o exame de documentos, livros e registros de instituições financeiras, vale dizer, a existência de processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso. Confira: Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) § 2o As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) Fl. 176DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13808.000138/200235 Acórdão n.º 2201002.902 S2C2T1 Fl. 177 9 § 4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. (...) Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Verificase, assim, que já existia previsão legal de acesso aos dados globais da CPMF mesmo sem procedimento fiscal instaurado (Lei nº 9.311/1996, art. 11, § 3º). Anoto, por oportuno, que o tema já está pacificado no STJ há bastante tempo: A título exemplificativo, multifários precedentes: TRIBUTÁRIO. CPMF. SIGILO. FISCALIZAÇÃO E COBRANÇA DE OUTROS TRIBUTOS. LEI 9.311/1996. LEI 10.174/2001. LC 105/2001. ART. 144, § 1º, DO CTN. (...) 2. É possível a utilização de informações provenientes da arrecadação da CPMF para a instauração de procedimento administrativofiscal objetivando a cobrança de créditos relativos a outros tributos, inclusive quanto a fatos geradores anteriores a 2001, nos termos do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/1996, com a redação dada pela Lei 10.174/2001, do art. 6º da Lei Complementar 105/2001, e do art. 144, § 1º, do CTN. 3. Precedentes: EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, DJ 05.03.2007, EREsp 608053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, DJ 04.09.2006, AgRg no Ag 775.069/SP, Rel. Ministro José Delgado, DJ 23.11.2006, REsp 529.818/PR, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, DJ 19.03.2007. 4. Embargos de Divergência providos. (EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008) "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. ARTIGO 6º DA LC 105/01 E 11, § 3º, DA LEI Nº 9.311/96, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.174/2001. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13808.000138/200235 Acórdão n.º 2201002.902 S2C2T1 Fl. 178 10 (...) 2. A Lei nº 9.311/96 instituiu a CPMF e, no § 2º do artigo 11, determinou que as instituições financeiras responsáveis pela retenção dessa contribuição prestassem informações à Secretaria da Receita Federal, especificamente, sobre a identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações efetuadas, vedando, contudo, no seu § 3º, a utilização desses dados para constituição do crédito relativo a outras contribuições ou impostos. 3. A Lei 10.174/2001 revogou o § 3º do artigo 11 da Lei nº 9.311/91, permitindo a utilização das informações prestadas para a instauração de procedimento administrativofiscal, a fim de possibilitar a cobrança de eventuais créditos tributários referentes a outros tributos. (...) 8. Embargos de divergência não conhecidos." (EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007) "DIREITO TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LC 105/2001 E LEI 10.174/2001. USO DE DADOS DE MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS PELAS AUTORIDADES FAZENDÁRIAS. POSSIBILIDADE. CONDIÇÕES. APLICAÇÃO IMEDIATA. PRECEDENTES. 1. A Lei 9.311/1996 ampliou as hipóteses de prestação de informações bancárias (até então restritas art. 38 da Lei 4.595/64; art. 197, II, do CTN; art. 8º da Lei 8.021/1990), permitindo sua utilização pelo Fisco para fins de tributação, fiscalização e arrecadação da CPMF (art. 11), bem como para instauração de procedimentos fiscalizatórios relativos a qualquer outro tributo (art. 11, § 3º, com a redação da Lei 10.174/01). (...) 4. Embargos de divergência a que se dá provimento." (EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006) Demais disso, a matéria relativa à utilização de informações bancárias por parte da RFB encontrase pacificada no STJ, que decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105/2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. A ementa do acórdão submetido ao rito do art. 543C do CPC está assim redigida: QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO Fl. 178DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13808.000138/200235 Acórdão n.º 2201002.902 S2C2T1 Fl. 179 11 IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringir seiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: Fl. 179DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13808.000138/200235 Acórdão n.º 2201002.902 S2C2T1 Fl. 180 12 "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Consequentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). Fl. 180DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13808.000138/200235 Acórdão n.º 2201002.902 S2C2T1 Fl. 181 13 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. 16. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 601.314/SP, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial. Art. 6º da Lei Complementar 105/2001." 17. O reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 18. Os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702/RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878/SP, Rel Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637/MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580/RN, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). Fl. 181DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13808.000138/200235 Acórdão n.º 2201002.902 S2C2T1 Fl. 182 14 19. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum , configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ora, se a RFB está autorizada a solicitar diretamente às instituições financeiras as informações sobre movimentações bancárias, por força da Lei Complementar 105/2001 e do entendimento do STJ firmado em julgamento submetido ao rito do art.543C do CPC, e a partir daí constituir os créditos tributários porventura existentes, o que dizer então da hipótese em que a titular de uma conta bancária, no bojo de processo administrativo regularmente instaurado, fornece as informações bancárias (Termo de Comparecimento à fl. 15) ao Fisco e este verifica que a movimentação é incompatível com a não apresentação de declaração de ajuste anual, como sói acontecer no caso em análise. Nesta hipótese, seria até surreal que a Administração Tributária, mesmo tendo ciência de tal situação, ficasse impedida de apurála. Noutros termos: não seria crível supor que o ordenamento jurídico criasse proteção de tal nível a quem, possivelmente, cometeu a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Assim, deve prevalecer o entendimento do STJ fixado em julgamento sob o rito dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos julgadores do CARF, a teor do que dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho, verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conclusão sobre as preliminares arguidas pelo Recorrente No contexto acima delineado, sou pela rejeição de todas as preliminares suscitadas pelo Interessado. MÉRITO Depósitos bancários com origem não comprovada Dispõe o artigo 42, § 6°, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13808.000138/200235 Acórdão n.º 2201002.902 S2C2T1 Fl. 183 15 A leitura do caput do art. 42 revela que o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos quando o contribuinte, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em contas de depósitos ou de investimentos. Como se percebe, o legislador oportuniza, ao titular da conta em que encontrados os recursos, a demonstração da sua procedência, mediante documentação hábil e idônea, o que evidencia tratarse de presunção legal relativa que apenas se desfaz com a justificação, pelo contribuinte, da origem dos recursos depositados nas contas bancárias. Nesse cenário, uma vez caracterizado o fato jurídico que dá suporte à presunção legal, cumpre ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévia operação regular e o depósito dos recursos em conta de sua titularidade, pena de ser este reputado como rendimento omitido. No caso concreto, o Recorrente não comprova, mediante a juntada de prova material, a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, se limitando a informar que a movimentação bancária “ocorreu porque trabalho como autônomo, executando pequenas reformas residenciais para pessoas físicas, as quais depositaram em minha conta corrente no Banco Itaú, numerários para a compra de materiais para as obras, não sendo portanto obrigatório qualquer documento fiscal, conforme preceitua o artigo 5°, inciso II e XIII da Constituição Federal” (fl. 105). Em outras palavras: o Interessado não juntou aos autos nenhuma nota fiscal, contrato de prestação de serviços ou qualquer outro documento que comprove a origem dos depósitos efetuados em suas contas correntes. Assim, na completa ausência de prova material da origem dos recursos, é razoável presumir que os valores creditados nas contas bancárias configuram renda, na medida em que o fato descrito na norma que contém a presunção (depósito sem origem) é relevante, enquanto hábil a revelar a capacidade contributiva relacionada com o fato previsto na norma que cria a obrigação tributária principal (renda). Ressalto, ainda, por importante, que o lançamento, além de encontrar base legal no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, o que autoriza a sua lavratura com fulcro no art. 149, I, do Código Tributário Nacional CTN, não está amparado unicamente na existência dos depósitos, mas sim na ausência de elucidação, por parte do contribuinte, acerca da origem dos valores depositados, a autorizar a sua caracterização como receitas ou rendimentos omitidos. Assim, o objeto da tributação não são os depósitos bancários em si mesmos considerados, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada por eles. Dessa forma, diante da não demonstração da origem dos valores depositados em contas de sua titularidade, bem como da ausência de qualquer início de prova material que fundamente a explicação para o volume de recursos que transitaram na conta corrente do Interessado no período, mostrase legítima a tributação dos valores como se rendimentos omitidos fossem, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Registro, ainda, por oportuno, que o fato de uma das contas correntes ser conjunta não tem o condão, neste caso específico, de elidir o procedimento fiscal nem parcialmente, haja vista que o Auto de Infração foi lavrado em 14/03/2002, com ciência ao Fl. 183DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13808.000138/200235 Acórdão n.º 2201002.902 S2C2T1 Fl. 184 16 contribuinte em 21/03/2002, época em que ainda não havia sido modificado o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 para inclusão do parágrafo 6º, que somente veio a ocorrer com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, e que foi convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, após sucessivas reedições. Juros de mora Os juros de mora cobrados no lançamento equivalem à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, estando em consonância com a Súmula CARF nº 4, assim descrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 184DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10314.010900/2005-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 09/11/2005
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS.
Por aplicação da RGI-1 combinada com a Nota 3 da Seção XVI, as impressoras multifuncionais devem ser classificadas nos desdobramentos da subposição 8471.60, da TIPI/2002, sendo que a posição 9009, preconizada pelo ADI SRF nº 7/2005, foi desautorizada pelo próprio Governo Federal ao publicar o Decreto nº 5.802, de 06 de junho de 2006, que introduziu vários "Ex" relativos à impressoras multifuncionais na subposição 8471.60.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-002.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Nijalma Cyreno, OAB/SP 136.631.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS. Por aplicação da RGI1 combinada com a Nota 3 da Seção XVI, as impressoras multifuncionais devem ser classificadas nos desdobramentos da subposição 8471.60, da TIPI/2002, sendo que a posição 9009, preconizada pelo ADI SRF nº 7/2005, foi desautorizada pelo próprio Governo Federal ao publicar o Decreto nº 5.802, de 06 de junho de 2006, que introduziu vários "Ex" relativos à impressoras multifuncionais na subposição 8471.60. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Nijalma Cyreno, OAB/SP 136.631. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 09 00 /2 00 5- 06 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de auto de infração com ciência do contribuinte em 02/12/2005, para exigência do IPI, multa de ofício e juros de mora, assim como da multa regulamentar por classificação incorreta de mercadoria na NCM, relativamente à DI 05/12172239, registrada em 09/11/2005. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal, o contribuinte importou impressoras multifuncionais modelo CX4700, que reúnem no mesmo equipamento as funções de impressora, copiadora e escâner, declarando a classificação fiscal no código 8471.6021 impressoras. Entretanto, segundo a fiscalização, a classificação correta é no código 9009.21.00 copiadoras, conforme Solução de Consulta SRRF/8ªRF/DIANA nº 1, de 28 de janeiro de 2005 e Ato Declaratório SRF nº 7, de 26/07/2005. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que a solução de consulta invocada pela fiscalização é totalmente equivocada, pois a função essencial dos equipamentos é a de ser impressora e não copiadora. As copiadoras contidas nas unidades multifuncionais importadas operam pelo sistema digital, e não pelo sistema óptico de que trata o código 9009.21.00. Anexou laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo, no qual o conceituado órgão conclui que a classificação das multifuncionais é na posição 8471.60.21. O Ministério da Ciência e Tecnologia, para fins de aproveitamento dos benefícios da Política Nacional de Informática, adotou o código 8471.60.21 relativamente às unidades multifuncionais a serem produzidas no país. Por meio do Acórdão nº 32.886, de 24/09/2009, a 2ª Turma da DRJSão Paulo II, julgou o lançamento procedente. O julgado recebeu a seguinte ementa: "Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 09/11/2005 Ementa: As impressoras multifuncionais, que realizam duas ou mais funções tais como impressão, cópia, transmissão de facsímile e escâner, capazes de se conectarem a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, classificamse na posição 9009 da Nomenclatura Comum do Mercosul (Ato Declaratório Interpretativo n° 7 de 26/07/2005). Lançamento Procedente" Regularmente notificado da decisão de primeira instância em 14/07/009 (fl. 166), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/08/2009 (fl. 174), no qual reafirmou as alegações de impugnação e contestou a decisão de primeira instância na parte em que sustentou que a solução de consulta impediria a rediscussão da classificação fiscal, mesmo porque a Solução de Consulta não se refere ao modelo de multifuncional que foi importado por meio da DI autuada. Invocou a análise técnica desenvolvida no laudo do IPT, que foi lavrado por dois engenheiros de computação, e reafirmou que a característica essencial do produto é conferida pela função de impressão e não pela função de copiadora. Requereu o provimento do recurso para o fim de cancelamento da exigência. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.010900/200506 Acórdão n.º 3402002.851 S3C4T2 Fl. 3 3 O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. As questões versadas nestes autos não são novas no CARF. Pelo, contrário, desde tempos imemoriais está cristalizado o entendimento no sentido de que no julgamento dos recursos voluntários o CARF tem independência para analisar todo e qualquer argumento de defesa, desde que não verse sobre a inconstitucionalidade das leis tributárias, o que significa que este colegiado pode e deve analisar as questões sobre classificação fiscal, ainda que elas já tenham sido objeto de decisões formais proferidas pelos órgãos consultivos da Receita Federal. Nesse sentido, a declaração de voto do Conselheiro Rosaldo Trevisan no Acórdão nº 3403003.186, de 20 de agosto de 2014, cujos fundamentos adoto para os fins do art. 50, § 1º da Lei nº 9.784/99. No que respeita à classificação fiscal das impressoras multifuncionais, o cerne da discórdia entre o fisco e o contribuinte está em estabelecer qual é a função principal do produto (impressora, copiadora ou escâner?) para o fim de aplicar as Notas 3 e 5 da Seção XVI da Nomenclatura, as quais estabelecem o seguinte: Notas 3 e 5 da Seção XVI: 3.Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. (...) 5.Para a aplicação destas Notas, a denominação “máquinas” compreende quaisquer máquinas, aparelhos, dispositivos, instrumentos e materiais diversos citados nas posições dos Capítulos 84 ou 85. O contribuinte entende que a característica essencial do produto é dada pela função de impressora, razão pela qual, com base na Nota 3 da Seção XVI e na RGI3B, a classificação fiscal deveria ocorrer sob o código 8471.60.21. Já o fisco entende que nenhuma das três funções pode ser considerada predominante nesse tipo de equipamento e, sendo assim, com base na RGI 3C preconizou a classificação na posição 9009. Essa questão também já foi objeto de inúmeras decisões no âmbito do CARF, favoráveis à EPSON DO BRASIL, pois é evidente que a função essencial do produto é a de impressora, uma vez que nenhum ser humano em seu juízo normal adquire uma impressora multifuncional pensando em utilizála como copiadora, mas sim para acoplála ao seu computador pessoal como dispositivo de saída. Não foi outra a constatação dos Engenheiros do IPT na verdadeira aula que deram no laudo técnico anexado aos autos (fl. 139): Fl. 217DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Entre as várias decisões proferidas no âmbito do CARF sobre o assunto, invoco o Acórdão 3802001.070, relatado pelo ilustre Conselheiro Sólon Sehn, que cita trecho do Acórdão 3802001.002 no qual o relator, Conselheiro Régis Xavier Holanda, faz interessante interpretação no sentido de que com o advento do Decreto nº 5.802, de 06 de junho de 2006 (que alterou a TIPI 2002), o próprio Governo Federal desautorizou a interpretação pretendida pelo Ato Declaratório SRF nº 7, de 26/07/2005. Pela relevância e pela pertinência do Acórdão 3802001.070, tomo por empréstimo a sua fundamentação para adotála como razão de decidir deste voto, in verbis: "(...) A classificação fiscal aplicável às impressoras multifuncionais foi pacificada no âmbito da Terceira Seção de Julgado (sic) do Carf. Nesse sentido, cumpre destacar o Acórdão nº 310100.253, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, da lavra do eminente Conselheiro Luiz Roberto Domingo, assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DEMERCADORIAS. Datado fato gerador: 28/09/2005. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. A classificação fiscal adotada pelo Fisco (Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 7/2005) para as impressoras multifucionais, não cumpre o rigor das regras de classificação fiscal, pois as funções nela disponíveis e a característica de sua conectividade com máquinas de processamento de dados, afasta a da posição 9009. A confirmação dessa interpretação está atualmente pacificada no âmbito do Mercosul, por seu Comitê Técnico n°1 da Comissão de Comércio do Mercosul que aceitou o laudo técnico do produto apresentado pela delegação brasileira e concluiu que o produto denominado comercialmente de "impressora multifuncional" tratase de uma impressora com diversas funções, razão pela qual determinou a sua classificação no código NCM 8443.31, como "máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax),capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede" (CXXXVIII Reunião do Comitê Técnico n° 1 "Tarifas, Nomenclatura e Classificação de Mercadorias" MERCOSUL/CCM/CTN°1/ATA N°08/08). Recurso Voluntário Provido. Na mesma linha, colocase o entendimento da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/12/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS, IMPRESSORAS MULTIFUNCIONAIS. Não se classificam na posição NCM 9009, as impressoras multifuncionais, identificadas como aquelas capazes de realizar duas ou mais funções tais como impressão, cópia, transmissão de facsimile e escâner, capazes de se conectarem a urna máquina automática para processamento de dados ou a uma rede. (Acórdão 320100.503. Rel. Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Sessão de 01/07/2010). Fl. 218DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.010900/200506 Acórdão n.º 3402002.851 S3C4T2 Fl. 4 5 Referida interpretação também é acolhida por unanimidade pela Turma, consoante Acórdão nº 3802001.002, da sessão de 22 de maio de 2012, da lavra do eminente Conselheiro Régis Xavier Holanda: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 17/03/2006 [...] CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. O produto caracterizado como impressora multifuncional, que execute pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telescópia (fax), capaz de ser conectada a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, encontrava adequada classificação fiscal no código NCM 8471.60 utilizado pelo importador, tal como adotado pelo Decreto nº 5.802/06, diversamente do definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF Nº 7, de 26/07/2005. Atualmente, com a edição da Resolução n° 07/08 do Mercosul, o produto encontra correta classificação fiscal no código NCM 8443.31 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Carf. 2ª Turma Especial. 3ª Seção. Acórdão nº 3802001.002. Processo nº 19814.000209/200621). Cabe destacar a seguinte passagem do voto do relator, que analisa a classificação aplicável antes da introdução da NCM nº 8443.31: [...] Entretanto, a meu ver, em que pese a possibilidade de utilização principal do produto em qualquer de sua funções – a depender das necessidades e desejos do usuário, é relevante para a adequada classificação fiscal o fato dessas máquinas terem como característica essencial a sua conectividade a uma máquina automática para processamento de dados, funcionando como unidades de entrada e/ou saída, o que atrai, de forma mais adequada, a subposição 8471.60 adotada pelo recorrente. Ademais, tenho que, a princípio, em termos objetivos, as máquinas multifuncionais, da forma como se apresentam no presente caso, possuem normalmente como principal função a de impressão. Com efeito, em geral, é essa a função própria desses equipamentos, sendo as demais funções realizadas de forma secundária não por outra razão são comercialmente conhecidas como impressoras multifuncionais. Dessa forma, tenho que a classificação fiscal adequada para o produto em estudo correspondia, à época, à adotada pelo recorrente, ou seja, na subposição 8471.60. Nessa mesma linha, como bem apontado pela recorrente, na vigência do referido ADI nº 7, o Governo decidiu baixar o Decreto n° 5.802, de 06 de junho de 2006, criando na TIPI os desdobramentos na descrição dos produtos sob a forma de destaques “Ex” relativos aos seguintes subitens: Fl. 219DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Dessa forma, aplicando estes destaques aos códigos em epígrafe, o Governo acabou por chancelar que as impressoras providas de duas ou mais das seguintes funções: digitalizar, copiar e emitir facsímile, deveriam se classificar na posição 8471. (...)" No mesmo sentido, aponto o Acórdão 3301002.063, de 25 de setembro de 2013, rel. Conselheiro Antonio Lisboa Cardoso, que posicionou as multifuncionais no código pretendido pelo contribuinte. Considerando que é evidente que a função essencial da impressora multifuncional é a impressão de documentos, mediante acoplagem a um computador ou a uma rede, por aplicação da RGI1, combinado com a Nota 3 da Seção XVI, tal produto deve ser classificado na subposição 8471.60, tal como procedeu o contribuinte. A minha ressalva em relação ao raciocínio das partes é que a regra que define a classificação das multifuncionais é a RGI1 e não a RGI3B, isso porque a Nota 3 da Seção XVI é quem define o critério da função essencial para o fim determinar o enquadramento nas posições. Sendo assim, e estando as impressoras nominalmente citadas na subposição 8471.60 da TIPI/2002 e seus desdobramentos, a classificação ocorre por aplicação da RGI1, combinada com a Nota 3 da Seção XVI, e não por aplicação da RGI3B, que somente é aplicável a produtos misturados, constituídos por matérias diferentes ou sortidos. Com a ressalva do meu entendimento pessoal quanto à regra de interpretação do sistema harmonizado aplicável às impressoras multifuncionais, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 220DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.010900/200506 Acórdão n.º 3402002.851 S3C4T2 Fl. 5 7 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13839.905547/2012-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Relatório
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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IRPJ compensado com imposto pago no exterior. Recorrente CONTINENTAL DO BRASIL PRODUTOS AUTOMOTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CONTINENTAL DO BRASIL PRODUTOS AUTOMOTIVOS LTDA contra acórdão proferido pela DRJ/São Paulo I que concluiu pela procedência parcial da manifestação de inconformidade acerca de pedido de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 05 54 7/ 20 12 -3 4 Fl. 453DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13839.905547/201234 Resolução nº 1401000.369 S1C4T1 Fl. 454 2 compensação de crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2010. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: A Interessada transmitiu Declaração de Compensação (DCOMP) em que aponta crédito referente ao Saldo Negativo de IRPJ (SNIRPJ), relativo ao anocalendário (AC) de 2010, no montante de R$8.576.386,29. O PER/DCOMP com demonstrativo do crédito é o de nº 00535.64266.030512.1.7.028241. Foram transmitidas outras DCOMP referentes ao mesmo crédito. 2. O contribuinte foi intimado (ciência em 25/05/2012; AR fl. 03) a corrigir informações divergentes prestadas na DCOMP em relação às informadas na DIPJ/2011 (AC 2010) e nas DCTF, explicitando quais os valores corretos. 2.1. Como o contribuinte nada fez, foi exarado Despacho Decisório (ciência em 18/09/2012; AR fls. 5 e 6) em que não foi reconhecido direito creditório e, em consequência, não foram homologadas as compensações constantes nas DCOMP vinculadas ao SNIRPJ AC 2010, nos termos a seguir sintetizados: “No curso da análise do direito creditório, foram detectadas inconsistências, objeto de termo de intimação, não saneadas pelo sujeito passivo. Dessa forma ... considerando que a soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP é insuficiente para comprovar sequer a quitação do imposto de renda devido, não há direito creditório a ser reconhecido. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$8.576.386,29 Somatório das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP: R$12.115.035,17 Imposto devido: R$15.054.845,42 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO as compensações declaradas nos seguintes PER/DCOMP: (...). 3. O contribuinte teve ciência do Despacho Decisório e dele recorreu, em 18/10/2012, por meio de sua procuradora, que juntou documentos, nos seguintes termos, resumidamente (fls. 48 a 58): I DOS FATOS 3.1. A REQUERENTE, no anocalendário de 2010, apurou saldo negativo de IRPJ no total de R$8.576.386,29 (posteriormente retificado para R$8.821.336,56 na DIPJ). Para o valor que compõe referido saldo negativo foram consideradas as receitas e despesas para apuração do Lucro Real, como também pagamentos e retenções de rendimentos do ano. 3.2 . Ocorre que, para surpresa da REQUERENTE, a Receita Federal do Brasil (RFB) proferiu despacho decisório indeferindo, a compensação nos seguintes termos: (...). 3.3. Contudo, com o devido respeito, as informações do r. despacho decisório são incoerentes e não correspondem a realidade dos fatos, razão pela qual se dedica a presente manifestação de inconformidade a demonstrar que o crédito da REQUERENTE efetivamente existe e é legítimo, sendo mais do que suficiente para Fl. 454DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13839.905547/201234 Resolução nº 1401000.369 S1C4T1 Fl. 455 3 saldar as compensações em tela, razão pela qual merece ser reformado para homologar as compensações tais como declaradas. II DO DIREITO A Da Composição e Existência do Crédito 3.4. A Lei nº 9.430/96, em seu artigo 2º, caput, faculta ao contribuinte, pessoa jurídica cuja tributação se dá por meio da apuração pelo lucro real, o recolhimento da IRPJ/CSLL por estimativa mensal. Eventual saldo de imposto recolhido a maior somente deveria ser apurado quando findo o exercício do ano corrente, oportunidade em que o contribuinte pode compensálo com débitos nos períodos posteriores. Vejase: (...). 3.5. O valor pago a maior, então, adquire status de saldo negativo de IRPJ do ano e, quando da entrega do PER/DCOMP referente a esse valor o contribuinte deve informar como origem do crédito “Saldo Negativo de IRPJ”. 3.6. I. Julgadores, o raciocínio é singelo, o saldo negativo é a diferença entre o total pago (assim compreendido os pagamentos por estimativa e retenções ao longo do anocalendário) e o total devido de IRPJ. No caso da Requerente, temse os seguintes valores: Apuração Saldo Negativo IRPJ AC 2010 (R$) IRPJ devido no AC 2010 15.054.845,42 IR Retido no Exterior (3.332.451,38) IRRF (206.197,50) IRPJ Pago por Estimativa (20.337.533,10) Saldo Negativo de IRPJ no AC 2010 (8.821.336,56) 3.7. Como se vê, o saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2010 é ainda maior do que o declarado originalmente no PER/DCOMP (R$8.576.386,29), o que se deu em razão da retificação da DIPJ. 3.8. No PER/DCOMP 00535.64266.030512.1.7.028241, além do total do crédito original, a REQUERENTE informou sua composição, conforme reproduzido no quadro a seguir (valores em Real). (...) 3.10. Ocorre que o I. AFRFB deixou de homologar as compensações da REQUERENTE sustentando que, de acordo com as informações declaradas, além de não existir crédito, haveria ainda um suposto débito pendente. (...) (...) 3.11. Entretanto, a avaliação realizada pelo r. despacho não foi feita de forma detida, posto que baseada em premissas equivocadas, tendo deixado de considerar os valores constantes nas declarações de compensação apresentadas, DIPJ, retenções sofridas e pagamentos feitos. O erro na aferição da fiscalização está na “soma das parcelas do crédito”. Isto porque, a soma não condiz com o que foi informado no PER/DCOMP. 3.12. O I. AFRFB NÃO considerou o total das estimativas pagas no ano calendário de 2010, mas tão somente a parcela excedente ao IRPJ devido, isto é, justamente aquela utilizada para compor o saldo negativo (crédito líquido). Fl. 455DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13839.905547/201234 Resolução nº 1401000.369 S1C4T1 Fl. 456 4 3.13. Na sequência, na contramão da lógica, o I. AFRFB abateu do crédito apurado o valor total de IRPJ devido no anocalendário de 2010 conforme apurado na DIPJ retificadora (R$15.054.845,42). Nada mais absurdo! 3.14. Por óbvio que a referida conta jamais fechará, pois, ao somar o crédito, a fiscalização considerou apenas a parcela dos pagamentos excedentes ao IRPJ devido (sem considerar a parcela dos pagamentos utilizados para quitar o próprio IRPJ) e, não bastasse isso, realizou novamente o abatimento do IRPJ devido no anocalendário de 2010. 3.15. Em outras palavras, o que a fiscalização fez, foi abater dos valores recolhidos o equivalente a 2 (duas) vezes o IRPJ devido, como se a REQUERENTE tivesse de pagar dobrado! 3.16. Portanto, resta claro que a nãohomologação das compensações se deu exclusivamente por um equívoco cometido pelo I. AFRFB, razão pela qual deve ser reconhecido o SNIRPJ AC 2010, conforme demonstrado linhas acima. 3.17. Adicionalmente, muito embora não tenha sido objeto de questionamento pela fiscalização, importante esclarecer que a compensação do imposto de renda pago no exterior é legítima e autorizada pelo art. 15 da Lei nº 9.430/96; arts. nºs 25 e 26 da Lei nº 9.249/95, INRFB nº 213/2002 e Convenção Internacional BrasilArgentina para evitar Dupla Tributação de Imposto de Renda, aprovada pelo Decreto Legislativo nº 74/1981, promulgada pelo Decreto nº 87.976/82 e regulamentada pela Portaria MF 22/1983. 3.18. Ainda nesse ponto, o resultado do exterior avaliado pelo método de equivalência patrimonial (R$9.066.858,00) foi devidamente incluído no resultado para fins de tributação do IRPJ e CSLL no Brasil, conforme se depreende da Linha 25 da Ficha 06 da DIPJ retificadora 2011/2010. Logo, corroborando com a avaliação fiscal, o crédito nesse ponto está perfeito. 3.19. De igual sorte ocorre quanto ao IRRF, sendo que, para demonstrar sua efetividade, a REQUERENTE elaborou abaixo relação de retenções que culminaram no total de R$206.197,50, utilizado no abatimento do IRPJ devido no anocalendário de 2010, a saber: (...) 3.20. Por fim, para que não pairem dúvidas a respeito da legitimidade do saldo negativo em análise, a REQUERENTE também acosta aos autos os seguintes documentos probatórios: > Fichas 01, 02, 03, 04A, Ó5A, 06A/07A, 08, 09A, 10, 11 e 12A da DIPJ 2011/2010 Original e Retificadora (Doc. 02); > PER/DCOMPs nos quais foi utilizado saldo negativo de IRPJ no ano calendário de 2010 (Doc. 03); > Comprovantes de Pagamento de IRPJ por Estimativa (Doc. 04); > Informes de Rendimento comprovando o IRRF do período (Doc. 05); e > Comprovante de Pagamento de IRPJ, e Declaração de Imposto de Renda no Exterior (Argentina); (Doc. 06). Fl. 456DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13839.905547/201234 Resolução nº 1401000.369 S1C4T1 Fl. 457 5 3.21. Por fim, ainda que se sustente que a REQUERENTE cometeu alguma falha formal no preenchimento de suas declarações, da mesma forma as compensações merecem ser homologadas. 3.22. Isso porque, à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal, a verdade material deve prevalecer sobre o erro formal é indubitável que o r. despacho deve ser completamente improcedente, conforme se verá no próximo tópico. B Do Vício Formal Prevalência da Verdade Material 3.23. Com efeito, na remota hipótese desta DRJ apontar eventuais “erros de declaração” (o que não ocorreu), referido despacho decisório não deve prevalecer. 3.24. Como é cediço, a verdade material que norteia o Processo Administrativo deve se sobrepor a qualquer equivoco presente nas obrigações acessórias, conforme dispõe o parágrafo 2º, do artigo 147, do CTN. 3.25. Eventual erro do contribuinte no preenchimento de Declarações não pode tolher o seu direito ao ressarcimento do valor pago a maior, o que é amplamente reconhecido pelo Conselho de Contribuintes, conforme se verifica pelas decisões abaixo transcritas: (...). Traz doutrina em socorro de sua tese. 3.26. Portanto, pela busca da verdade material, é dever do D. Delegado reconhecer o direito da REQUERENTE e homologar as compensações efetuadas tal como demonstrado na presente defesa, uma vez que o direito creditório existe e não pode ser mitigado por conta de mero erro de declaração. III DA DILIGÊNCIA 3.27. No intuito de provar o alegado e com base no princípio da verdade material, a REQUERENTE requer, se eventualmente necessário, a posterior juntada de documentos e a realização de diligências a fim de comprovar o direito creditório. VI DO PEDIDO 3.28. Ante o exposto, pede e espera a REQUERENTE, seja recebida a presente manifestação de inconformidade e, finalmente, acolhida nos termos dás razões acima aduzidas, para que: 3.28.1. seja reformado, o r. Despacho Decisório, homologandose integralmente as compensações realizadas, ante a inequívoca comprovação da existência, legitimidade e suficiência do crédito tributário posto em compensação; 3.28.2. subsidiariamente, caso se entenda necessário, requer, com base no art. 18, do Decreto nº 70.235/72, a realização de diligências a fim de comprovar o alegado e, inclusive, a juntada de documentos novos, que se prestem a atender a eventuais exigências futuras, com o intuito de corroborar com as compensações efetuadas. A 4ª Turma da já mencionada DRJ/São Paulo I proferiu, então, o Acórdão nº 16 52.042, de 25 de outubro de 2013, por meio do qual considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade. Assim figurou a ementa daquele julgado: Fl. 457DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13839.905547/201234 Resolução nº 1401000.369 S1C4T1 Fl. 458 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 IR PAGO NO EXTERIOR. NÃO ATENDIMENTO DOS QUESITOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovado o atendimento dos quesitos legais que autorizam a dedução do IR que teria sido pago no exterior, glosase os valores deduzidos na demonstração do imposto de renda a pagar constante da DIPJ. DIREITO CREDITÓRIO. Foi reconhecido crédito em favor do contribuinte, porém em montante inferior ao pleiteado. Cumpre esclarecer que a única parte do crédito pleiteado que não foi reconhecida pela decisão recorrida referese à parcela correspondente ao imposto pago no exterior. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário no qual defende a existência do crédito referente aos R$ 3.332.451,38 de imposto de renda pago no exterior. Afirma que, na manifestação de inconformidade, juntou os documentos que entendeu necessários, vez que no despacho decisório não constou qualquer exigência ou ausência de determinado documento. O acórdão recorrido alegou falta de comprovação, mas, em nenhum momento, fez o cotejo necessário com a declaração denominada "Impuesto de Las Ganancias", na qual estaria demonstrada a origem dos valores pagos. E, diante da novas exigências feitas pela DRJ, nos termos da alínea "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72 (PAF), anexa documentos adicionais no sentido de efetivar a referida comprovação. Ao final, requer o provimento do recurso e, caso se entenda necessário, a realização de diligências para a comprovação do seu direito. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator A instância a quo não concordou com a parcela do crédito referente ao imposto pago no exterior porque entendeu que a interessada não cumpriu os requisitos contidos no artigo 395 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99) e nos artigos Fl. 458DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13839.905547/201234 Resolução nº 1401000.369 S1C4T1 Fl. 459 7 1º, 6º e 14 da Instrução Normativa SRF (IN/SRF) nº 213/02. Depois de transcrever esses dispositivos normativos, o voto condutor daquela decisão ressaltou que: 9.3.1. Assim, considerando os excertos acima, observase que para fins de compensação do imposto pago no exterior, há necessidade de que: 9.3.1.1. os lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas decorrentes da prestação de serviços efetuada diretamente tenham sido computados no lucro líquido (lucro real), até o final do segundo AC subsequente ao de sua apuração; 9.3.1.2. em relação aos lucros, a pessoa jurídica apresente à RFB as demonstrações financeiras levantadas pelas filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior (que embasarem as demonstrações financeiras em Reais, no Brasil), e as transcreva ou copie no livro Diário da pessoa jurídica no Brasil; 9.3.1.3. o documento relativo ao IR pago no exterior tenha sido reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que devido o imposto (ou, alternativamente, se comprove que a legislação do país de origem preveja a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado); 9.3.1.4. o imposto a ser compensado tenha sido convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio fixada pelo Banco Central do Brasil, para venda, na data em que o imposto foi pago (caso a moeda em que o imposto foi pago não tivesse cotação no Brasil, deveria ter sido convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais); e, 9.3.1.5. tenha sido calculado o limite compensável, conforme previsto nos §§ 9º a 11, do artigo 14, da IN SRF 213/2002. 9.3.2. Compulsando os autos, observase que o único documento trazido pela Recorrente é um formulário intitulado “Impuesto a las Ganancias”, em seu nome (fl. 326). Não há cálculo de conversão, prova de pagamento ou de que foram atendidas as demais exigências acima elencadas, de modo que o IR informado como pago no exterior, no montante de R$3.332.451,38, não pode ser incluído na apuração do SNIRPJ AC 2010. Apesar de não se poder alegar desconhecimento da lei, é bem verdade que a especificidade dessas exigências não fez parte do texto do despacho decisório proferido pela unidade de origem (fls. 4). Por isso, considero pertinentes os motivos alegados pela recorrente para justificar a juntada de prova documental em momento posterior à manifestação de inconformidade. Com efeito, a alínea "c", do §4º, do artigo 16, do PAF, assim dispõe: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 459DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13839.905547/201234 Resolução nº 1401000.369 S1C4T1 Fl. 460 8 (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) As exigências contidas nos dispositivos normativos acima transcritos só foram evidenciadas com as razões trazidas aos autos pela DRJ. Portanto, é razoável concordar com os motivos invocados pela recorrente. Nesse sentido, os documentos juntados de fls. 405 a 447 possuem verossimilhança para comprovar o direito pleiteado pela recorrente. Por isso, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem adote as seguintes providências: 1) Verifique a efetividade do imposto pago no exterior; e 2) Efetue, se for o caso, nova apuração do saldo negativo do IRPJ para o ano calendário de 2010. Devese promover ciência à recorrente acerca do relatório conclusivo e dos demais elementos eventualmente juntados na diligência, para que esta, querendo, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 460DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 12448.737527/2011-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
O início do procedimento de fiscalização afasta a possibilidade de retificação das declarações já apresentadas, sem a produção de qualquer efeito sobre o lançamento de ofício.
COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte, mediante a apresentação de documentos hábeis e exaustivos, a comprovação das despesas efetivamente incorridas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA.
Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplica-se à CSLL, por relação de causa e efeito, o mesmo fundamento do lançamento primário.
Numero da decisão: 1201-001.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Ronaldo Apelbaum, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. O início do procedimento de fiscalização afasta a possibilidade de retificação das declarações já apresentadas, sem a produção de qualquer efeito sobre o lançamento de ofício. COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte, mediante a apresentação de documentos hábeis e exaustivos, a comprovação das despesas efetivamente incorridas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicase à CSLL, por relação de causa e efeito, o mesmo fundamento do lançamento primário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 75 27 /2 01 1- 84 Fl. 739DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 12448.737527/201184 Acórdão n.º 1201001.214 S1C2T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Ronaldo Apelbaum, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de autos de infração relativos ao anocalendário de 2008, pelos quais são exigidos o Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, no valor de R$ 345.987,27 (fls. 44/49 e termo de verificação às fls. 42/43), e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$ 124.555,42 (fls. 50/55), acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios. O lançamento do IRPJ decorre da compensação indevida de prejuízos fiscais apurados em exercícios anteriores, em função da insuficiência do saldo acumulado em 31/12/2007, conforme abaixo: Por igual motivo e valores, foi lançada a compensação indevida das bases de cálculo negativas da CSLL. Com a ciência das exigências, a interessada apresentou impugnação, na qual alegou, em síntese, que: 1. Apresentou declaração do imposto sobre a renda retificadora em 30/12/2009, em que apurou créditos tributários de IRPJ, no valor de R$ 201.973,52, e de CSLL, no valor de R$ 130.801,33. 2. Em 30/6/2010 apresentou nova declaração retificadora, mas irrelevante ao caso, por contemplar meros ajustes formais, sem alterações nos créditos tributários; 3. Em 9/11/2011 apresentou outra declaração retificadora, que modificou o IRPJ e a CSLL. O lucro líquido ajustado, antes das compensações de prejuízos fiscais e de bases de cálculos negativas, foi de R$ 2.768.159,36. As principais alterações decorrem das deduções da amortização de ágios (R$ 301.578,36) e de despesas de arrendamento de equipamentos Fl. 740DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 12448.737527/201184 Acórdão n.º 1201001.214 S1C2T1 Fl. 4 3 (R$ 7.661.556,50). A documentação comprobatória do arrendamento não estava disponível nas datas de elaborações das declarações anteriores; 4. Consequentemente, o lucro líquido ajustado, após as compensações dos prejuízos fiscais e das bases de cálculos negativas (R$ 830.447,76 para ambos), resultou no valor de R$ 1.937.711,60. Calculandose os tributos, apurouse IRPJ de R$ 460.427,90 e CSLL de R$ 174.394,04. Deduzidos os valores retidos nas fontes e pagamentos de estimativas, temos saldos a restituir de R$ 201.973,53 (IRPJ) e de R$ 130.801,33 (CSLL); 5. As compensações de prejuízos fiscais e das bases de cálculos negativas estão dentro dos saldos acumulados em exercícios anteriores; 6. Os autos lavrados desconsideraram a última declaração retificadora. Em 11 de janeiro de 2013, a 2a Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro julgou improcedente, por unanimidade, a impugnação apresentada, mantendo os lançamentos efetuados. Com a ciência da decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos formulados na impugnação e trazendo aos autos cópias de documentos que julga pertinentes para a sua linha de defesa, como as invoices e contratos de arrendamento mercantil firmados com empresas no exterior. Clama, acima de tudo, pela aplicação do princípio da verdade material ao presente processo. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. De plano convém ressaltar, por ser relevante para o desfecho do presente caso, que a fiscalização teve início em 04 de novembro de 2011, com a ciência dos autos de infração em 12 de dezembro do mesmo ano. Até aquele momento a empresa havia entregado a declaração original de IRPJ, em 15 de outubro de 2009 e, posteriormente, duas declarações retificadoras, em 30 de dezembro de 2009 e 30 de junho de 2010. Todos os argumentos da defesa baseiamse em declarações retificadoras apresentadas depois de iniciados os procedimentos de fiscalização, nas seguintes datas: 09 de novembro, 23 de novembro e 25 de novembro. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 12448.737527/201184 Acórdão n.º 1201001.214 S1C2T1 Fl. 5 4 Assim, é fato incontroverso que qualquer suposto direito da Recorrente adviria de documentos e declarações produzidos ou apresentados intempestivamente, nos termos da legislação de regência. Nesse sentido, o artigo 7o do Decreto n. 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. E, como visto, as retificadoras reclamadas pela empresa foram apresentadas depois de iniciada a fiscalização. Tratase, inclusive, de matéria sumulada neste Conselho: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Por força desses comandos, não há como acolher a pretensão da Recorrente, ainda que fundada no princípio da verdade material. Ademais e apenas a título de argumentação , a documentação trazida aos autos, já na fase recursal, não me parece suficiente para comprovar eventual direito da empresa. Isso porque as invoices, que sequer possuem força jurídica no comércio internacional, foram colacionadas apenas a título exemplificativo, dado que a própria Recorrente afirma que embora não tenha, até o momento, encontrado documentação que suporte todo o montante de despesas efetuadas no anocalendário de 2008 com o arrendamento mercantil de equipamentos, a Recorrente junta ao presente Recurso Voluntário cópia de diversas invoices... Conquanto também tenham sido apresentadas, somente na fase recursal, traduções dos documentos, vale destacar o que já fora percebido na decisão recorrida: Toda a documentação, datada de 2007 e 2008, foi emitida por Exterran Inc. contra a empresa Universal Compression Ltda (CNPJ 03.740.849/000190)e o que aparentam ser contratos (fls. 156/161, 168/173 e 176/180) não possuem as assinaturas da empresa Universal. Cabe destacar que a Universal foi incorporada pelo interessado em 30/9/2008, de acordo com as informações constantes nos cadastros da Receita Federal. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 12448.737527/201184 Acórdão n.º 1201001.214 S1C2T1 Fl. 6 5 Todavia, os comentários acima são apenas para demonstrar que, ainda que pudessem ser aceitos os documentos e retificações (o que é vedado), o conjunto probatório juntado seria insuficiente para subsidiar a pretensão da empresa, inclusive no que se refere aos supostos lançamentos contábeis, chamados pelo Contribuinte de DOC. 4A (fls. 711 e seguintes), que são apenas prints de telas de algum sistema, sem qualquer assinatura ou formalidade exigida pelas regras contábeis. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 743DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 16682.904095/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. CORREÇÃO.
Verificada inexatidão material devida a lapso manifesto no acórdão embargado, especificamente no que diz respeito à indicação da data em que ocorreu a sessão de julgamento, impõe-se a sua devida correção.
Numero da decisão: 3402-002.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, para sanar o vício apontado no Acórdão nº 3402-002.668, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, para sanar o vício apontado no Acórdão nº 3402-002.668, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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INEXATIDÃO MATERIAL. CORREÇÃO. Verificada inexatidão material devida a lapso manifesto no acórdão embargado, especificamente no que diz respeito à indicação da data em que ocorreu a sessão de julgamento, impõese a sua devida correção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, para sanar o vício apontado no Acórdão nº 3402002.668, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 40 95 /2 01 1- 10 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 2 Em face do Acórdão nº 3402002.668, proferido por esta Turma de Julgamento, foi apresentado requerimento (fl. 290) pela Delegacia da Receita Federal responsável pela sua liquidação e execução, nos seguintes termos: "Retornese este processo ao CARF para verificações quanto a data da sessão de julgamento do Acórdão proferido". Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA O art. 66 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, publicado em 10/05/2015, assim dispõe: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. Assim, a fim de sanear o lapso apontado, deve a questão ser submetida à Turma para julgamento. Com efeito, consultando a "ATA DA REUNIÃO DE JULGAMENTO PERÍODO: 24/02/2015 a 26/02/2015", desta 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sítio na internet do CARF, a qual menciona o julgamento do presente processo, verificase, claramente, que houve inexatidão material no cabeçalho do referido Acórdão quanto ao ano da data de sessão de julgamento, o qual, em face de lapso manifesto constou como "2014", quando o ano correto que deveria ter constado seria "2015". Diante do exposto, nos termos do art. 66 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo, VOTO no sentido de acolher os embargos inominados opostos para RERRATIFICAR o Acórdão embargado, sem alteração de resultado de julgamento, para retificar, no seu cabeçalho, a data da sessão de julgamento para "24 de fevereiro de 2015". É como voto. (Assinatura Digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 299DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 16682.904095/201110 Acórdão n.º 3402002.782 S3C4T2 Fl. 299 3 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000846/2010-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
ABONO U´NICO PAGO POR FORÇA DE ACORDO COLETIVO DE TRABALHO.
Abono extensivo a todos os trabalhadores e pago em única parcela visa indenizar o trabalhador por perdas passadas, não representando, portanto, parcela remuneratória passível de integrar o salário-de-contribuição.
ALIMENTAÇÃO IN NATURA E VALE ALIMENTAÇÃO
O pagamento in natura do auxi´lio-alimentac¸a~o e o valor pago a título de ticket alimentação na~o sofrem a incide^ncia de contribuic¸a~o previdencia´ria, independente da inscric¸a~o no referido PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador.
MATERIAL ESCOLAR E REEMBOLSO DE DESPESAS COM EDUCAÇÃO SUPERIOR
Não integram a base de ca´lculo da contribuic¸a~o previdencia´ria, os valores despendidos pela empresa com seus empregados a título de reembolso de despesas com material escolar e educação superior.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para: i) por maioria de votos, em excluir os lançamento relativos ao abono único pago em razão de ACT, vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva, Maria Cleci Coti Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini; ii) por maioria de votos, em excluir os lançamentos relativos ao auxílio-alimentação pago em Ticket Refeição, vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Maria Cleci Coti Martins; iii) por maioria de votos, em excluir os lançamento relativos ao auxílio material escolar e os decorrentes dos cursos apontados no relatório, vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva (os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini e Rayd Santana Ferreira votaram pelas conclusões neste item. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira;; iv) por maioria de votos, em manter o lançamento relativo ao PLR; vencida a Conselheira Relatora, Luciana Matos Pereira Barbosa; v) por unanimidade, em manter a multa aplicada, nos termos do voto do Conselheiro Arlindo da Costa e Silva. Apresentará declaração de voto em separado e também o voto vencedor referente à PLR e às multas, o Conselheiro de Arlindo da Costa e Silva.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Arlindo da Costa e Silva - Redator designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 ABONO U´NICO PAGO POR FORÇA DE ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. Abono extensivo a todos os trabalhadores e pago em única parcela visa indenizar o trabalhador por perdas passadas, não representando, portanto, parcela remuneratória passível de integrar o salário-de-contribuição. ALIMENTAÇÃO IN NATURA E VALE ALIMENTAÇÃO O pagamento in natura do auxi´lio-alimentac¸a~o e o valor pago a título de ticket alimentação na~o sofrem a incide^ncia de contribuic¸a~o previdencia´ria, independente da inscric¸a~o no referido PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador. MATERIAL ESCOLAR E REEMBOLSO DE DESPESAS COM EDUCAÇÃO SUPERIOR Não integram a base de ca´lculo da contribuic¸a~o previdencia´ria, os valores despendidos pela empresa com seus empregados a título de reembolso de despesas com material escolar e educação superior. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 08 46 /2 01 0- 63 Fl. 554DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 2 As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 3 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, em darlhe provimento parcial para: i) por maioria de votos, em excluir os lançamento relativos ao abono único pago em razão de ACT, vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva, Maria Cleci Coti Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini; ii) por maioria de votos, em excluir os lançamentos relativos ao auxílioalimentação pago em Ticket Refeição, vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Maria Cleci Coti Martins; iii) por maioria de votos, em excluir os lançamento relativos ao auxílio material escolar e os decorrentes dos cursos apontados no relatório, vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva (os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini e Rayd Santana Ferreira votaram pelas conclusões neste item. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira;; iv) por maioria de votos, em manter o lançamento relativo ao PLR; vencida a Conselheira Relatora, Luciana Matos Pereira Barbosa; v) por unanimidade, em manter a multa aplicada, nos termos do voto do Conselheiro Arlindo da Costa e Silva. Apresentará declaração de voto em separado e também o voto vencedor referente à PLR e às multas, o Conselheiro de Arlindo da Costa e Silva. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Arlindo da Costa e Silva Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 4 Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Data de lavratura do Auto de Infração: 27/08/2010 Data de ciência do Auto de Infração: 27/08/2010 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância, textualizada no Acórdão no 1255.369 12a Turma da DRJ/RJ1, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por meio do Auto de Infração DEBCAD no 37.249.0913. A fiscalização previdenciária, em processo regular de fiscalização, precedido da emissão de Mandado de Procedimento Fiscal, efetuou o lançamento de contribuições previdenciárias relativas à parte patronal, incidentes sobre remunerações creditadas a segurados empregados e a contribuintes individuais, bem como as contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, conforme determina a legislação previdenciária. Segundo consta dos autos, o sujeito passivo exerce a atividade de operações de carga e descarga em terminais portuários, sendo referência para o enquadramento nos seguintes códigos utilizados nos Levantamentos Fiscais: CNAE 63118/CNAE Fiscal 5231102; FPAS 540; Terceiros ou outras entidades e fundos 0131. O crédito apurado no respectivo Auto de Infração referese ao período de 01/2006 a 12/2006 e destinase a outras entidades e fundos (terceiros), como o INCRA, FNDE e DPC (Diretoria de Portos e Costas), tomandose como fato gerador: a remuneração de empregados a título de fornecimento de alimentação; a remuneração de empregados relativa a diferenças de pagamento do mês anterior; a remuneração de empregados a título de fornecimento de auxílio de material escolar; a remuneração de empregados a título de participação nos lucros; a remuneração de empregados a título de reembolso educacional superior. Apresentada impugnação contra o lançamento, o contribuinte suscintou as seguintes matérias: Fl. 557DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 4 5 diferença de remuneração paga aos segurados empregados, relativas ao mês anterior: foi efetuado o recolhimento do crédito previdenciário autuado, não apresentando contestação relativa a tal matéria; verbas concedidas pela empresa a seus empregados, a título de abono, alimentação, material escolar, participação nos resultados e reembolso educacional superior: a impugnante entende que se tratam de verbas indenizatórias, e, portanto, não integrantes do saláriodecontribuição; A impugnação foi integralmente rejeitada nos termos do v. Acórdão no 12 55.369 12a Turma da DRJ/RJ1, cuja ementa foi assim construída (fl. 447): MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DIFERENÇAS DO MÊS ANTERIOR. Será considerada como não impugnada a matéria que não foi expressamente contestada. ABONO. ALIMENTAÇÃO. CURSOS DE ENSINO SUPERIOR. MATERIAL ESCOLAR. PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS. NATUREZA SALARIAL. Integram a base de cálculo da contribuição previdenciária, os valores despendidos pela empresa com seus empregados, como se fossem verbas indenizatórias, mas que, na prática, se revestem das características de verbas remuneratórias, e não se enquadram nas hipóteses legais de exclusão. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. COMPARAÇÃO. MESMA CONDUTA PUNÍVEL. A comparação das multas vigentes na lei anterior e na lei atual, para fins de aplicação daquela mais benéfica para o contribuinte, deve ser efetuada entre normas que dispõem acerca de multas que tem por objetivo punir a mesma conduta do sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 490/522), ratificando parte de suas alegações anteriormente expendidas e respaldando sua inconformidade nos seguintes argumentos: Não inclusão das verbas relativas a concessão de abono aos empregados no saláriodecontribuição, em razão de sua natureza indenizatória; Não inclusão das verbas relativas ao fornecimento de alimentação no saláriodecontribuição, nos termos do art. 28, § 9o, alínea “c”, da Lei no 8.212/91; Não inclusão das verbas relativas ao fornecimento do auxílio do material escolar no saláriodecontribuição, em razão de sua natureza indenizatória; Fl. 558DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 6 Não inclusão das verbas relativas a participação nos lucros no saláriode contribuição, diante do atendimento dos requisitos do art. 2o da Lei no 10.101/00 c/c o art. 28, inciso I, § 9o, alínea “c”, da Lei no 8.212/91 Não inclusão das verbas relativas ao reembolso educacional superior no saláriodecontribuição, em razão de sua naturezaz indenizatória; Retificação da penalidade aplicada para o patamar de 20% (art. 61 da Lei no 9430/96), aplicandose a penalidade mais benéfica, com fundamento nos arts. 106, III, “c” e 112 do CTN. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheiro Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 09/10/2013, conforme AR juntado às fls. 488, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 08/11/2013, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1. ABONO O Recorrente sustenta o caráter indenizatório das verbas pagas a título de abono, sustentando que tais valores não integram o saláriodecontribuição. O abono concedido pelo Recorrente tem previsão em Acordo Coletivo de Trabalho, sendo extensivo a todos os trabalhadores e prevendo expressamente que não se trata de verba remuneratória. Abono pago em única parcela que visa indenizar o trabalhador por perdas passadas não é pagamento retributivo ao trabalho. Tratase de parcela com natureza diferente do que trata o artigo 457 da CLT, que está vinculado ao contrato de trabalho e à prestação de serviço, integrando o salário e, por isso, é considerado remuneração. Diversamente, as obrigações criadas em Acordo Coletivo de Trabalho, entre empregador e empregado, de natureza estritamente indenizatória, não repercutem no campo da Previdência Social. A legislação previdenciária estabelece o que integra e o que não integra a base de cálculo tributária e suas exceções e, no presente caso, por força constitucional (art. 201, § 11, CF/88), “os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da Lei”. O abono pago em uma única parcela não configura ganho habitual do empregado e, por isso, deve ser excluído do saláriodecontribuição. Além disso, o art. 214, § 9o, do Regulamento da Previdência Social enumera expressamente as parcelas que não integram o conceito do “saláriodecontribuição”. O referido dispositivo prevê expressamente, a teor da alínea “f”, que não integra o saláriodecontribuição as parcelas “recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário”. Data venia, restou comprovado no presente caso que o abono concedido está desvinculado do salário, porque não remunera o trabalho, mas indeniza por uma perda sofrida. O pagamento do abono não foi habitual e tão pouco remunerou o trabalho, possuindo Fl. 560DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 8 unicamente a finalidade de compensar o trabalhador pelo prejuízo causado com a alteração da data base e pelo adiamento da aplicação da cláusula 1ª do ACT 2005/2006. O abono foi concedido linearmente a todos os empregados, pago indiscriminadamente em uma única parcela, sem qualquer vinculação com a função exercida ou salário recebido, além de não ter sido destinado a retribuir trabalho. Teve vigência determinada em uma única parcela, sem obrigatoriedade de renovação da cláusula que previa o abono, logo, possui caráter indenizatório, NÃO habitual e NÃO remuneratório, já que sem vinculação de antecipação ou complementação salarial. O entendimento manifestado no v. Acórdão recorrido, de que o abono, para ter caráter indenizatório, deveria ser obrigação criada por lei federal, não encontra qualquer fundamento na legislação previdenciária. Aliás, na esteira desse raciocínio caminha a jurisprudência pátria e este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que já julgou questão semelhante e deu provimento a recurso voluntário para excluir do saláriode contribuição o abono pago em condições idênticas ao que se verifica neste caso: “ABONO ÚNICO. PREVISÃO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. Abono extensivo a todos os trabalhadores, mesmo aqueles que se encontram em gozo de benefício previdenciário não configura verba remuneratória. Abono pago em única parcela que visa indenizar o trabalhador por perdas passadas não é pagamento retributivo ao trabalho.” (Acórdão no 2301004.228, Relator: Cons. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA) Portanto, com razão o Recorrente. 2.2. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA E VALEALIMENTAÇÃO O Recorrente forneceu habitualmente alimentação a seus empregados sem estar inscrito no PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador. A ausência de inscrição do Recorrente no PAT é fato incontroverso, conforme o seguinte excerto extraído das razões recursais: “No presente caso, a Recorrente forneceu alimentação in natura, bem como valealimentação para seus empregados sem estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador no período auditado, motivo pelo qual houve a inclusão de tais parcelas no Auto de Infração” (fl. 499 – último parágrafo). Entretanto, o auxílioalimentação in natura, por não possuir natureza salarial, não é passível de incidência de contribuição previdenciária, independentemente da inscrição do empregador no PAT. O Poder Judiciário tem entendido que o pagamento in natura do auxílio alimentação, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Tratase de uma atitude do empregador visa tãosomente proporcionar um incremento à produtividade e eficiência funcionais. A questão encontrase pacificada no âmbito do Colendo Superior Tribunal de Justiça, conforme evidencia o paradigma consubstanciado no Recurso Especial no 1.119.787SP, publicado no DJe em 13/05/2010, da relatoria do eminente Ministro Luiz Fux, cuja ementa é a seguir transcrita: Fl. 561DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 6 9 “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FGTS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA . NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. O pagamento do auxílioalimentação in natura, ou seja, quando a alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, razão pela qual não integra as contribuições para o FGTS. Precedentes: REsp 827.832/RS, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/11/2007, DJ 10/12/2007 p. 298; AgRg no REsp 685.409/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/06/2006, DJ 24/08/2006 p. 102; REsp 719.714/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/04/2006, DJ 24/04/2006 p. 367; REsp 659.859/MG, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/03/2006, DJ 27/03/2006 p. 171.” 2. Recurso especial a que se nega seguimento. (grifouse) A seguir, outros julgados sobre essa mesma matéria: “EMENTA: TRIBUTÁRIO. FGTS. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAT. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. NÃO INSCRIÇÃO. TICKETS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO RELATIVA AO FGTS. 1. O auxílio alimentação, quando pago em espécie e com habitualidade, passa a integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, assumindo, pois, feição salarial, afastandose, somente, de referida incidência quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, estando ou não inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. Aplicação ao Enunciado n.° 241, do TST. Há incidência da contribuição social, do FGTS, sobre o valor representado pelo fornecimento ao empregado, por força do contrato de trabalho, de vale refeição. 3. Recurso Especial desprovido.” (STJ, REsp 433.230/RS, 1a Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 17/2/2003) “EMENTA: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. BENEFÍCIO DE ORDEM. 1. A responsabilidade do tomador do serviço pelas contribuições previdenciárias é solidária, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91. 2. O pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do TrabalhadorPAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 10 3. Recurso especial provido em parte.” (STJ, REsp 922.781/RS, 2a Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe 18/11/2008) “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. 1. O pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. 2. Ao revés, quando o auxílio alimentação é pago em dinheiro ou seu valor creditado em contacorrente, em caráter habitual e remuneratório, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. 3. Precedentes da Seção. 4. Embargos de divergência providos.” (STJ, EREsp 476.194/PR, 1a Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ 01.08.2005) “EMENTA: TRIBUTÁRIO. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. REFEIÇÕES REALIZADAS NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA E DESCONTADAS, PARTE, DO SALÁRIO DO EMPREGADO. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. 1. Recurso Especial interposto contra v. Acórdão que entendeu ser indevida a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa a título de alimentação a seus empregados, quando efetuados descontos nos salários destes, ainda que não esteja devidamente aprovado pelo Ministério do Trabalho. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento "in natura" do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. 3. Precedentes das 1a, 2a, 3 e 5a Turmas desta Corte Superior. 4. Recurso improvido.” (STJ, REsp 320.185/RS, 1a Turma, Min. Rel. José Delgado, DJ 03/09/2001) A PGFN ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, editou o Parecer PGFN/CRJ/No 2117 /2011, cuja ementa prevê o seguinte: “Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílio alimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei no 10.522, de 19 Fl. 563DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 7 11 de julho de 2002, e do Decreto no 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos.” Na esteira desse raciocínio, cabe a esse E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais acompanhar a jurisprudência pacífica emanada do Colendo Superior Tribunal de Justiça e, em especial, considerar os fundamentos constantes do parecer da PGFN. Razão pela qual, devese excluir do saláriodecontribuição os valores considerados a título de alimentação in natura pagos pelo Recorrente. A isenção sobre as contribuições previdenciárias, por outro lado, não alcança o auxílioalimentação pago em espécie ou creditado em contacorrente, em caráter habitual. Essa verba assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Já os valores despendidos na forma de ticket ou vale alimentação, não integram o conceito de remuneração, não compondo assim o salário de contribuição dos segurados favorecidos, para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias. 2.3. MATERIAL ESCOLAR E REEMBOLSO EDUCACIONAL SUPERIOR – AUXÍLIO EDUCAÇÃO O Recorrente sustenta o caráter indenizatório das parcelas pagas a título de auxílioeducação, ofertado por intermédio do reembolso de despesas com material escolar e das verbas pagas a título de cursos de ensino superior, quanto a esse tema, constatase que, inicialmente, os requisitos para aplicação da regra de isenção estavam previstos no art. 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.711/1998, in verbis: t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do artigo 21 da Lei nº 9394, de 20/12/1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não sejam utilizados em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(redação dada pela Lei nº 9.711/98)(g.n) Posteriormente houve alteração dessa regra pela Lei nº 12.513/2011, modificando os requisitos para obtenção da isenção, a saber: t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da lei nº 9.394, de 20/12/1996; (redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) Após a verificação das normas de regência em comento, observase que na vigência da regra anterior, alterada pela Lei nº 9.711/98, havia divergência de interpretação quanto a isenção no caso de empregado matriculado em estabelecimento de ensino superior e pósgraduação. Observase que em seu texto constava as expressões “cursos de capacitação e qualificação profissionais”, o que em juízo de cognição sumária, poderia não contemplar o ensino profissional de ensino superior. Já na redação atual da Lei nº 12.513/2011, qualquer Fl. 564DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 12 dúvida restou dirimida, posto que ao adotar a expressão “educação profissional e tecnológica de empregados”, contemplou os cursos superiores e de pósgraduação; notese que esses últimos, só para constar, não foram objeto de notificação pela Autoridade Fiscal, conforme consta em seu Relatório Fiscal. Frisese que não foi imputada à recorrente o fato de que os benefícios não eram estendidos ou acessíveis a todos os segurados empregados, de modo que não foi verificado o descumprimento de quaisquer dos outros requisitos da norma isentiva em vigor. A questão que se apresenta no caso sub examine reside na aplicação retroativa, ou não, da regra em vigor, constante na Lei nº 12.513/2011, já que o período do débito ora guerreado foi apurado de 01/2006 a 12/20016. Analisando as normas supratranscritas, fazse necessário realizar, em conjunto, uma interpretação sistemática da legislação tributária, momento em que restará claro que a retroatividade da aplicação da Lei nº 12.513/2011 deverá ser obrigatória, posto que, a teor do que ensina o art. 112, incisos I e II do CTN, em caso de dúvida devese adotar a interpretação mais favorável ao sujeito passivo, in verbis: Lei nº 5.172/1966 – Código Tributário Nacional Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. (grifos nossos) Nesse mesmo diapasão, caminha a jurisprudência pátria do Superior Tribunal de Justiça (STJ), entendendo que o auxílioeducação constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado, a saber: TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. ART. 535, II, DO CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. OFENSA. DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. FÉRIAS GOZADAS. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. MATÉRIA JULGADA PELO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura , porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. 3. Recursos Especiais não providos. (STJ, REsp 1491188/SC, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 19/12/1994). Fl. 565DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 8 13 PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura , porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. 2. In casu, a bolsa de estudos é paga pela empresa para fins de cursos de idiomas e pósgraduação. 3. Agravo Regimental não provido. (STJ, AgRg no REsp 182495/RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 07/03/2013). Também corrobora com o entendimento ora exposado, o art. 458 da CLT, ao estipular que os valores pagos a título de educação não compreendem salários pagos aos funcionários, bem como não há amparo legal para se exigir contribuição sobre essa rubrica, a saber: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. ......................................................................................................... § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: ......................................................................................................... II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (g.n) Nesse descortino, resta claro que não houve a caracterização do fato gerador da contribuição previdenciária apta a incidir sobre a verba paga a título de auxílioeducação (reembolso de material escolar e reembolso educacional de ensino superior), eis que os elementos probatórios carreados aos autos indicam que a Recorrente cumpriu a regra matriz, em vigor, prevista no artigo 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/91, alterada pela Lei nº 12.153/2011. Portanto, a pretensão recursal deve ser acolhida no que se refere ao pedido de exclusão das verbas de material escolar e reembolso educacional superior da base de cálculo do saláriodecontribuição, não incidindo contribuições previdenciárias sobre essas parcelas. 2.4. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Fl. 566DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 14 A participação nos lucros ou resultados PLR é uma verba desvinculada da remuneração, não havendo incidência de tributo. Entretanto, a legislação de regência trouxe regras para que a empresa e empregados possam usufruir desse instituto com isenção das contribuições sociais previdenciárias. Especificamente, a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa é regulada pela Lei no 10.101/2000 e será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, por meio de comissão escolhida pelas partes ou por meio de convenção coletiva ou acordo coletivo. Qualquer violação de qualquer dispositivo da lei específica, gera a desqualificação da natureza jurídica da PLR, incidindo contribuições sociais previdenciárias. Em síntese, o gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa aos seus empregados, ostentam a natureza de remuneração, passíveis de incidência das contribuições previdenciárias. No caso vertente, ao contrário do entendimento exposado pela Autoridade Fiscal, na análise desta Relatoria, não restou demonstrado qualquer violação aos requisitos estabelecidos na legislação previdenciária, para inquinar de vícios e invalidar o Acordo Coletivo de Trabalho firmado, que justificou o pagamento da PLR. A instância a quo, fundamentou seu julgamento ante a ausência de data no Acordo Coletivo de Trabalho, e que tal fato impossibilitaria afirmar se o pacto foi anterior ao pagamento da PLR, o que possibilitaria, assim, a cobrança da contribuição previdenciária sobre tais verbas, já que realizado em desacordo com a Lei nº 10.101/00, e, dessa forma, ao arrepio da norma constante no artigo 28, inciso I, §9º, “j”, da Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Nesse diapasão, em face do entendimento esposado pela Autoridade Fiscal, cabe verificar na íntegra a disposição constante em lei específica, a saber, no art. 2º, incisos I e II e Parágrafos 1º e 2º da Lei nº 10.101/00, que ensina: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um Fl. 567DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 9 15 dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Verificando atentamente a documentação colacionada aos autos, constatouse que a empresa recorrente cumpriu todos os requisitos trazidos pelo § 1º, apresentando regras claras e objetivas para aferição da Participação dos Lucros. Notese que foram disponibilizados os mecanismos de aferição das informações pertinentes a cumprimento do acordado; a distribuição da quantia e o período de vigência e prazos para revisão do acordo. Ainda em razão da documentação acostada aos autos, em que pese ter firmado o APR 2005, a Recorrente realizou reuniões mensais com seus funcionários (demonstradas por listas de presença dos empregados) denominadas “Gestão Participativa”, abordando os índices de produtividade, qualidade e lucratividade, programas de metas, resultados e prazos, os quais foram pactuados previamente pelo APR 2005. Diante desse cenário, acreditase que o excesso de formalismo na exigência da data do ACT 2005/2006, não possui o condão de descaracterizar a legalidade no cumprimento dos demais requisitos legais exigidos por lei, vez que da própria redação do Acordo permitese concluir que seus efeitos são “para frente”, legitimando o pagamento futuro da PLR aos empregados do Recorrente. Nesse diapasão, entendese que não se pode invalidar todo o processo utilizado para atendimento da legislação que rege a matéria, pela simples falta da DATA de assinatura do ACT pactuado entre as partes; um mero requisito formal não pode sobressair ao efetivo cumprimento do comando normativo constante na Lei nº 10.101/00, sob pena de supressão dos princípios da verdade material e da razoabilidade, até porque diante da documentação colacionada aos autos resta demonstrada a anuência dos funcionários sobre o cumprimento das metas estabelecidas pela empresa. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 16 Ademais, a CLT, nos arts. 613 e 614, estabeleceu especificamente os requisitos das convenções e acordos coletivos, estabelecendo como requisitos de validade a modalidade escrita e pública, com o registro e arquivo do acordado entre as partes no órgão competente do Ministério do Trabalho e Emprego, a fim de conferir validade e eficácia à negociação coletiva. Não restou atacado qualquer desses requisitos, motivo pelo qual os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados devem ser excluídos do salário decontribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária, já que realizados em perfeita consonância com o determinado pelo artigo 28, inciso I, § 9º, alínea “j” da Lei 8.212/00, tendo assim, a Recorrente, atendido todos os requisitos trazidos pelo comando do artigo 2º da Lei nº 10.101/00. 2.5. MULTA O Recorrente pretende, por fim, a redução do percentual da multa aplicada ao argumento de que a sistemática adotada pela fiscalização no cálculo dos acréscimos legais não considerou a forma de cálculo mais benéfica. Entende que não cabe a multa de ofício, mesmo nos casos de lançamento de ofício, mas apenas em multa de mora por falta de pagamento. Tendo em vista a manifestação pela improcedência do lançamento fiscal em debate, na percepção desta Relatora, s.m.j não houve o descumprimento de obrigação principal apta a justificar a cobrança de obrigação acessória (multa). 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, excluindo do levantamento fiscal as parcelas relativas ao abono, alimentação in natura, vale/ticket refeição, reembolso material escolar, reembolso educacional de ensino superior e participação nos lucros e resultados, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 10 17 Voto Vencedor Conselheiro Arlindo da Costa e Silva – Redator Designado 1. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS – PLR. Ouso discordar, data maxima venia, do entendimento adotado pela Relatora quanto à incidência de Contribuições Previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR. No caso presente, o Recorrente alega que as verbas relativas à Participação nos Resultados não estão inclusas no conceito de Salário de Contribuição. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452/43 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Fl. 570DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 18 §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salário utilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salário utilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de coabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana Fl. 571DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 11 19 remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 20 O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições previdenciárias não se restringe ao salário, mas, sim, a “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, por todos os lançamentos efetuados em favor do trabalhador em contraprestação direta pelo trabalho efetivo prestado à empresa, acrescido dos “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”, parcela esta que abraça todas as demais rubricas devidas ao trabalhador em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Nessa perspectiva, todo e qualquer lançamento a conta de despesa da empresa representativa de rubrica paga, devida ou creditada a segurado obrigatório do RGPS, que tiver por motivação e origem o trabalho realizado pela pessoa física em favor do Contribuinte, ostentará natureza jurídica remuneratória, e como tal, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Na prática, inexiste dificuldade em tal discernimento. Basta hipoteticamente suprimir o trabalho realizado pela pessoa física na consecução do objeto social da sociedade. A importância que deixar de ser vertida a essa pessoa corresponderá, assim, à parcela do trabalho que o obreiro dedicou à empresa. Ao revés, a fração que ainda for devida à pessoa, independentemente do eventual labor físico ou intelectual por ela realizado, representará mera liberalidade do empregador. Como visto, o próprio Legislador Constituinte honrou deixar consignado no Texto Constitucional a real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque: as contribuições previdenciárias incidem não somente a “folha de salários”, como também, sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência da base de incidência das contribuições previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 12 21 Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Portanto, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 0005300 7520095070011 Relator (a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação", mas, sim, de "Adicional Compensatório de Perda de Função" Fl. 574DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 22 A norma constitucional acima citada não exclui da tributação as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Leinº8.212,de24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Em verdade, até mesmo a remuneração referente ao tempo ocioso em que o empregado permanecer à disposição do empregador não escapa da amplitude do conceito de salário de contribuição. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 13 23 Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1. Remuneração Básica Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2. Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3. Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; Fl. 576DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 24 c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (grifos nossos) Fl. 577DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 14 25 l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 578DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 26 u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no §8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Conjuguese ainda, nesse mister, que o preceito encartado no art. 176 do CTN exige previsão legal para a concessão de isenção, não podendo tal requisito ser suprido por acordo coletivo de trabalho, os quais produzem efeitos, unicamente, entre as partes que os celebram, sendo imprestáveis para vincular o Estado aos termos pactuados em suas cláusulas. Código Tributário Nacional Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração. (grifos nossos) Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que a alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatuiu, de forma expressa, que não integram o Salário de contribuição, as importâncias recebidas a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. O Programa de Participação nos Lucros ou Resultados PLR consubstanciase numa ferramenta de gestão que visa ao alinhamento das estratégias organizacionais com as atitudes e desempenho dos empregados dentro do ambiente de trabalho. Tratase de um instrumento gerencial bastante utilizado pelas empresas, mundialmente disseminado, que auxilia no cumprimento das metas e diretrizes das organizações, permitindo uma maior participação e empenho dos empregados na produtividade da empresa, além do seu esforço ordinário decorrente do contrato de trabalho, proporcionando, dessarte, atração, retenção, motivação e comprometimento dos funcionários na busca de melhores resultados empresariais. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 15 27 Constituise o PLR num tipo de remuneração variável a ser oferecida àqueles que efetivamente colaboram na obtenção de lucros e/ou no atingimento das metas pré estabelecidas pelo empregador. Tratase de um Direito Social de matriz constitucional, tendo o Constituinte Originário, taxativamente, outorgado à lei ordinária a competência para a estipulação dos parâmetros legais da conformação do Direito dos trabalhadores, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Sendo um instrumento de integração capitaltrabalho e de estímulo à produtividade das empresas, buscase por meio da regra imunizante e da consequente redução da carga tributária proporcionar vantagens competitivas às empresas que, regularmente, implementam mecanismos efetivos de integração e participação de seus empregados, sem que, com isso, haja substituição da remuneração devida. Decorre daí a norma de desvinculação do pagamento a titulo de PLR da remuneração em geral. A Participação nos Lucros é norma constitucional de eficácia limitada. Nesse sentido dispõe o Parecer CJ/MPAS nº 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, ad litteris et verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Tais diretivas não atritam com entendimento esposado no Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99, cujo teor transcrevemos na sequência: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser Fl. 580DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 28 lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita, portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) Fl. 581DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 16 29 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Tratandose de norma constitucional de eficácia limitada, esta depende da integração de documento normativo editado pelo órgão legislativo competente para que suas disposições possam produzir os efeitos jurídicos colimados pelo Constituinte. Tal matéria já foi bater às portas da Suprema Corte, cuja Segunda Turma, no julgamento do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n° 505.597, pacificou o entendimento que deve prevalecer nas situações desse jaez. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. MP 794/94. Com a superveniência da MP n. 794/94, sucessivamente reeditada, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores no lucro das empresas [é o que extrai dos votos proferidos no julgamento do MI n. 102, Redator para o acórdão o Ministro Carlos Velloso, DJ de 25.10.02]. Embora o artigo 7º, XI, da CB/88, assegure o direito dos empregados àquela participação e desvincule essa parcela da remuneração, o seu exercício não prescinde de lei disciplinadora que defina o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifos nossos) Na mesma linha de entendimento: RE 398.284 / RJ Rel. Min. MENEZES DIREITO Órgão Julgador: Primeira Turma DJe de 19122008 Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 30 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Deflui dos termos dos julgados suso transcritos que o exercício do direito social em debate sujeitase às disposições estabelecidas na lei disciplinadora, à qual foi confiada a definição do modo e dos limites de sua participação, bem como do caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Atentese, por relevante, que o direito social estampado no inciso XI do art. 7º da CF/88 é dirigido à classe de trabalhadores que laboram mediante o vínculo jurídico de uma relação de emprego, não abraçando as pessoas físicas que, assumindo o risco da atividade econômica, exercem por conta própria, determinada atividade profissional de natureza urbana, como é o caso dos Diretores não empregados e demais segurados contribuintes individuais, eis que entre estes e as respectivas empresas não se formaliza vínculo empregatício. Das disposições plasmadas no caput do art. 2º do Diploma Legal acima desfiado erguese como fato incontroverso que o direito social objeto de regulamentação abarca, tão somente, os empregados da empresa, assim compreendidos os trabalhadores vinculados mediante um liame empregatício com a entidade empresarial em questão, não irradiando efeitos sobre as demais categorias de obreiros, aqui incluídos os segurados contribuintes individuais. A assertiva ora alinhada encontra amparo, igualmente, nas disposições insculpidas no §4º do art. 218 de nossa Lei Soberana, cuja norma de caráter programático prevê o apoio e estímulo às empresas que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. Constituição Federal de 1988 Art. 218 O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas. (...) §4° A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. (grifos nossos) Com efeito, a Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional em testilha, honrou materializar na alínea “j” do §9º do seu art. 28 a hipótese de não incidência tributária assinalada no inciso XI, in fine, do art. 7º da CF/88, excluindo do campo de tributação das contribuições previdenciárias as importâncias pagas, creditadas ou devidas a título de PLR, sempre que estas verbas forem pagas de acordo com a lei própria de regência, in casu, a Lei nº 10.101/2000, como assim prevê a Norma Matriz. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 17 31 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28 – (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Relembrando, a edição da Medida Provisória nº 794/94 veio ao atendimento do comando constitucional em tela, introduzindo no Ordenamento Jurídico os primeiros traços definidores do direito social ora em debate, vindo a sofrer, ao longo do tempo, em suas reedições e renumerações, um volume pouco expressivo de modificações legislativas, até a sua definitiva conversão na Lei nº 10.101/2000. Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000 Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (grifos nossos) I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (grifos nossos) §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 32 §1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4o A periodicidade semestral mínima referida no §2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. §5o As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. §1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. §2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. §3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. §4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Colhemos dos princípios idealizadores da rubrica em pauta, que a verba paga a título de PLR tem por espírito e essência de sua instituição servir como um instrumento de incentivo à produtividade dos trabalhadores e, consequentemente, da empresa, mediante o pagamento de um plus remuneratório além do salário e dos demais benefícios devidos ao trabalhador, como forma de estimular o empregado a ter um rendimento operacional que exceda ao desempenho ordinário que lhe é exigido habitualmente como decorrência comum, inerente e direta do contrato de trabalho. O plano de incentivo à produtividade tem que traduzir, portanto, de maneira clara e objetiva, um fim extraordinário a ser alcançado pelo desempenho emproado do Fl. 585DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 18 33 trabalhador, estimulado que está pela promessa de um ganho adicional remuneratório consistente na PLR. Nos termos do §1º, in fine, do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, tal fim extraordinário pode ser estabelecido como um índice de produtividade, de qualidade da produção ou de lucratividade da empresa. Pode, igualmente, ser traduzido por um programa de metas, de resultados ou de prazos, ou por qualquer uma outra ferramenta gerencial que, efetivamente, encoraje, deflagre e estimule o trabalhador a produzir mais e melhor do que aquele desempenho ordinário que ele vinha apresentando cotidiana e rotineiramente, decorrente do seu compromisso laboral celebrado no contrato de trabalho. Assim: · O desempenho regular e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho é remunerado mediante salário; · O desempenho extraordinário e túmido do trabalhador, visando a atingir objetivos de excelência fixados previamente pela empresa que excedam aos resultados históricos, é remunerado mediante participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, em valores previamente fixados nas negociações coletivas. Realizase, assim, a integração Capital vs Trabalho: A empresa ganha com o aumento da produtividade, qualidade, lucratividade, volume de produção, prazos, etc. O trabalhador ganha também, mediante o auferimento do plus remuneratório consubstanciado na PLR. Conforme dessai dos incisos I e II do §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, optou o legislador infraconstitucional por não engessar na Lei os fins extraordinários a serem almejados nos planos de incentivo à produtividade, delegando às próprias empresas a prerrogativa de estabelecer nos seus planos de PLR os objetivos que melhor de adequem à realidade e às características intrínsecas de cada pessoa jurídica. Dentre tais fins extraordinários, elencou a lei, exemplificativamente, dentre outros possíveis e viáveis, os seguintes critérios e condições: · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Mas não se iludam, caros leitores. Muito embora a legislação infraconstitucional não obrigue a empresa a seguir este ou aquele objetivo específico, a existência e delimitação clara e precisa, no plano de PLR, de um fim extraordinário específico a ser atingido pelo quadro funcional da Entidade é mandatória e indispensável para a caracterização da PLR legal. Assim, mesmo que a empresa decline de optar por qualquer um dos critérios ilustrativamente descritos nos incisos I e II do §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, ela tem que, necessariamente, descrever em detalhes, e de maneira prévia, um objetivo extraordinário específico a ser almejado pelo seu corpo funcional na consecução e realização do plano de Fl. 586DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 34 participação nos lucros e resultados da empresa, sob pena de descaracterização da PLR legal. Almeja com isso a Lei um comprometimento efetivo dos empregados no sentido de oferecer uma dedicação, um cuidado e um empenho de excelência, superior ao ordinário, usual e cotidiano, na busca pela consecução dos objetivos fixados no acordo e na obtenção do direito subjetivo estipulado no plano. Isso porque, conforme já salientado, qualquer verba paga em razão do desempenho regular e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho tem natureza jurídica de salário, remuneração direta e inescusável pelo labor rotineiro e usual oferecido cotidianamente pelo trabalhador à empresa e, nessas condições, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Dessarte, sem o estabelecimento prévio no plano de PLR de um objetivo especial, que incentive e alavanque a produtividade, a ser atingido pelo operariado, o qual, se atingido satisfatoriamente, tem o condão de premiar os trabalhadores que efetivamente envidaram esforços supranormais na sua consecução, o plano de PLR recai na tábula rasa do trabalho comum e ordinário, o qual é remunerado mediante salário, sofrendo a incidência, assim, das obrigações previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. O pagamento de verba com o rótulo de PLR Legal em retribuição ao trabalho comum, ordinário, usual e cotidiano do empregado, desconectado a qualquer incentivo à produtividade, é expressamente vedado pela Lei nº 10.101/2000, cujo art. 3º obsta o pagamento de tal rubrica em substituição ou complementação à remuneração devida a qualquer empregado. As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse ao direito dos trabalhadores de conhecerem, previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, o quanto irão receber a depender do lucro auferido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos, o que terá que fazer para receber tal quantia e como irá recebêla. Quanto às regras adjetivas, deve o trabalhador ter ciência dos mecanismos de aferição de seu desempenho, de como aferilo em determinado momento e situação, das metas e índices de produtividade a serem alcançados e o que falta para alcançálos, etc. A inexistência de tais regras, de forma clara e objetiva, no instrumento de negociação, implica a sua estipulação e avaliação dos trabalhadores por ato unilateral do empregador, circunstância que colide com o objetivo almejado pelo legislador. A exigência de regras claras e objetivas justificase como forma de inviabilizar a discriminação de empregados e de se consumar a própria finalidade do instituto criado. Sendo o resultado finalístico almejado pela norma o fomento da produtividade da mão de obra, nada mais compreensível e pertinente que os empregados tenham o real conhecimento da exata dimensão do direito a eles concedido e do esforço e dedicação que eles devem empreender para alcançálo. Exige a Lei n° 10.101/2000 que do acordo constem os “mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado", de modo a assegurar aos empregados a transparência nas informações por parte da empresa, o fornecimento dos dados necessários à definição das metas, a adoção de indicadores de produtividade, qualidade ou lucratividade que sejam compreendidos por todos, a possibilidade de fiscalização do regular cumprimento das regras pactuadas e o acompanhamento progressivo da constituição do direito em debate por parte do empregado. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 19 35 Da pena de Sergio Pinto Martins (in Participação dos Empregados nos Lucros das Empresas, Editora Atlas, 2009, pág. 150) já se escreveu: "Os critérios da participação nos resultados não poderão ficar sujeitos apenas a condições subjetivas, mas objetivas, determinadas, para que todos as possam conhecer e para que não haja dúvida posteriormente sobre se o empregado atingiu o resultado almejado pela empresa". Exsurge a todo ver que a regulamentação legal pautase no desígnio da proteção do trabalhador para que sua participação nos lucros seja concreta, justa e impessoal. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º da Lei de regência, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. Visa o Legislador Ordinário a impedir que condições ou critérios subjetivos obstem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados ou que a empresa utilize a rubrica em foco como forma dissimulada de remuneração, o que é expressamente vedado pelo art. 3º do Diploma Legal Regulador. Assim, devem as regras conformadoras do direito em palco ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos objetivamente, de modo que o obreiro possa exigir do empregador o seu efetivo cumprimento, eis que, alcançados os termos assentados no acordo, o trabalhador passa a ser titular do direito subjetivo ao recebimento da importância a que faz jus. Concretizase, dessarte, a integração entre o capital e o trabalho e o incentivo à produtividade tão visados pela lei. Mas a Lei não se contenta só com a explicitação dos direitos objetivos dos trabalhadores. Ela exige que o instrumento de acordo coletivo especifique os critérios e procedimentos a serem seguidos para a mensuração do quanto do acordado já se houve por cumprido, bem como para a aferição de quanto cada empregado já contribuiu para o alcance das metas propostas. Em primoroso trabalho doutrinário, Kertzman e Cyrino (KERTZMAN, Ivan e CYRINO, Sinésio. In Salário de contribuição; Salvador, Editora Jus Podivm, 2ª edição, 2010) realçaram as notas características da hipótese de não incidência de contribuições previdenciárias ora em trato: “A exigência de regras claras é uma forma de impossibilitar a discriminação dos empregados e de alcançar a própria finalidade do instituto criado. Se o objetivo é estimular a produtividade dos empregados, nada mais correto do que se exigir que estes tenham conhecimento das regras do benefício proposto, pois, se assim não fosse, não seria possível a promoção de um esforço adicional para alcançar a meta estabelecida, e o programa seria apenas uma forma de remuneração disfarçada”. A lei exige que nos instrumentos decorrentes da negociação constem as regras adjetivas do plano de PLR, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, para que o trabalhador possa saber, de antemão, como ele será avaliado e como será apurado o cumprimento das metas previamente estabelecidas, não se contentando a Lei com a mera divulgação, a posteriori, na internet ou em outro meio qualquer de comunicação da empresa, da consolidação dos resultados alcançados. A Lei preconiza um enfoque proativo, de natureza dinâmica, antecipando de maneira clara e precisa qual será efetivamente o mecanismo de avaliação dos trabalhadores Fl. 588DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 36 quanto às metas estabelecidas e de qual será o critério e metodologia de apuração do cumprimento das metas estabelecidas no acordo. Não se satisfaz com a mera postura estática, retroativa, de apenas medir e relatar os resultados alcançados. Alertese que a estipulação de metas e a divulgação estática dos resultados alcançados no final do período de apuração não se confundem com descrição dos mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. A Lei nº 10.101/2000 exige ambas. Não se basta só com a primeira. De outro eito, decorre por dedução lógica e, principalmente, pelas disposições expressas na lei, que a definição e formalização em documento próprio das condições de contorno do plano de PLR têm que estar concluídas e tornadas públicas aos empregados previamente ao período de apuração dos objetivos pactuados entre as partes, de maneira que o trabalhador tenha o perfeito e exato conhecimento daquilo que precisa fazer, de como precisa fazer, do quanto e quando precisa fazer, de como serão mensurados e avaliados os objetivos estabelecidos pela empresa e de como o empregado será avaliado pela empresa para fazer jus ao ganho patrimonial especificamente consignado e prometido na negociação coletiva REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. Tendo por finalidade a norma em tela a integração entre capital e trabalho e o ganho de produtividade, exige a lei a negociação prévia entre empresa e os empregados, mediante acordo coletivo ou comissão de trabalhadores, da qual resulte clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Tendo a PLR a finalidade de incentivar o trabalhador a realizar e oferecer à empresa um plus de produtividade que exceda ao resultado rotineiro e ordinário decorrente do contrato de trabalho, avulta que acordo tem que ser assinado antes do início do período de apuração, para que os trabalhadores saibam, com precisão, o quê, como, quando e quanto precisam fazer para auferir o ganho patrimonial que lhes é prometido por intermédio do plano ajustado. Por isso, os trabalhadores, antes do início do período de apuração, necessitam ter o claro e preciso conhecimento de quanto e quando irão ganhar, sob que forma, e como serão avaliados, para poderem decidir se vale ou não a pena se empenhar de maneira excessiva à ordinária e comum. São as tais das REGRAS CLARAS E OBJETIVAS quanto aos direitos substantivos dos trabalhadores. O espirito da lei pautase na transparência, conhecimento e registro documental prévio dos direitos subjetivos dos trabalhadores na participação nos lucros e resultados da empresa, bem como das condições e dos fins excepcionais que deverão de ser atingidos com o empenho incentivado pelo plano, para a consecução de tal ganho patrimonial. Deve ser enaltecido que o instrumento de acordo celebrado não figura como mera peça decorativa na indigitada lei específica, mas, sim, como documento formal para o registro dos fins extraordinários a serem alcançados pelo corpo funcional da empresa, das regras claras e objetivas referentes aos direitos substantivos dos empregados, ou seja, do incentivo contraprestacional que irão auferir caso atinjam os objetivos do plano, e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Deflui da simbiose dos fundamentos jurídicos e principiológicos dimanados dos dispositivos legais ora revisitados que o instrumento de negociação celebrado entre patrões Fl. 589DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 20 37 e empregados seja arquivado PREVIAMENTE na entidade sindical da categoria, como garantia dos direitos dos trabalhadores, porquanto os sindicatos ostentam, como uma de suas principais funções, a defesa dos interesses econômicos, profissionais, sociais e políticos dos seus associados. A Lei nº 10.101/2000 não se satisfaz com o mero convite ou carta de convocação aos sindicatos. Ela exige a participação efetiva dos sindicatos na mesa de negociações! A eventual escusa dos sindicatos de participar da celebração do plano de PLR não é excludente da exigência estatuída no Diploma Legal ora em foco, uma vez que o Ordenamento Jurídico prevê caminhos alternativos de sanatória de tal ausência, fixados no art. 616 da Consolidação das Leis do Trabalho, ad litteris et verbis: Consolidação das Leis do Trabalho Art. 616 Os Sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as empresas, inclusive as que não tenham representação sindical, quando provocados, não podem recusarse à negociação coletiva. (Redação dada pelo Decreto lei nº 229/67) §1º Verificandose recusa à negociação coletiva, cabe aos Sindicatos ou empresas interessadas dar ciência do fato, conforme o caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou aos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, para convocação compulsória dos Sindicatos ou empresas recalcitrantes. (Incluído pelo Decretolei nº 229/67) §2º No caso de persistir a recusa à negociação coletiva, pelo desatendimento às convocações feitas pelo Departamento Nacional do Trabalho ou órgãos regionais do Ministério de Trabalho e Previdência Social, ou se malograr a negociação entabolada, é facultada aos Sindicatos ou empresas interessadas a instauração de dissídio coletivo. (Incluído pelo Decretolei nº 229/67) §3º Havendo convenção, acordo ou sentença normativa em vigor, o dissídio coletivo deverá ser instaurado dentro dos 60 (sessenta) dias anteriores ao respectivo termo final, para que o novo instrumento possa ter vigência no dia imediato a esse termo. (Redação dada pelo Decretolei nº 424/69) §4º Nenhum processo de dissídio coletivo de natureza econômica será admitido sem antes se esgotarem as medidas relativas à formalização da Convenção ou Acordo correspondente. (Incluído pelo Decretolei nº 229/67) Nessa esteira, não atendendo os sindicatos à convocação levada a efeito pela Recorrente, deveria esta ter dado ciência do fato ao órgão responsável do Ministério do Trabalho, ou ao órgão governamental competente que lhe faça as vezes, para que procedesse à convocação compulsória dos Sindicatos recalcitrantes. Dessarte, sem a presença de um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria e enquanto não se promover o efetivo arquivamento do instrumento de Fl. 590DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 38 acordo celebrado na entidade sindical dos trabalhadores, irregular, incompleta e em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 estará a negociação entre patrões e empregados, circunstância que exclui toda e qualquer verba paga a título de PLR do campo de não incidência tributária delimitado na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido §9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Dado à exegese restritiva exigida pelo CTN, somente serão extirpadas da base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas pagas sob o rótulo de participação nos lucros e resultados (PLR) que forem pagas ou creditadas a segurados empregados, e em estreita e inafastável consonância com a lei específica que rege o benefício em pauta. Do contrário, não. Permanecerão qualificadas como Salário de Contribuição. Diante dos aludidos dispositivos, deflui que o efeito sublime da desoneração prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei de Custeio da Seguridade Social somente toma vulto na exclusiva condição de as verbas pagas ou creditadas a título de participação nos lucros e resultados atenderem cumulativamente aos seguintes requisitos: · A verba paga a título de participação nos lucros e resultados da empresa tem que ser representativa de um plano gerencial de incentivo à produtividade, consoante art. 1º da Lei nº 10.101/2000. · O plano de incentivo à produtividade tem que traduzir, portanto, de maneira clara e objetiva, um fim extraordinário a ser alcançado pelo desempenho emproado do trabalhador, estimulado que está pela promessa de um ganho adicional remuneratório consistente na PLR, de maneira que, efetivamente, encoraje, deflagre e estimule o trabalhador a produzir mais e melhor do que aquele desempenho ordinário que ele vinha apresentando cotidiana e rotineiramente, decorrente do seu compromisso laboral celebrado no contrato de trabalho. Ø O desempenho regular, rotineiro e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho é remunerado mediante salário; Ø O desempenho extraordinário e túmido do trabalhador, visando a atingir objetivos de excelência fixados previamente pela empresa que excedam aos resultados históricos, é remunerado mediante participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, em valores previamente fixados nas negociações coletivas. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 21 39 · Tem que resultar de negociação formal entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, obrigatoriamente, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria ou de convenção/acordo coletivo; · Das negociações suso citadas, deverão resultar instrumentos formais que registrem o plano de incentivo à produtividade adotado pela empresa, os objetivos a serem alcançados na execução de tal plano, as regras claras e objetivas definidoras dos direitos substantivos dos trabalhadores, bem como a regras adjetivas, abarcando os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, etc. · A negociação entre empresa e trabalhadores tem que ser concluída e assinada previamente ao período de execução do plano, de modo que os empregados dele participem com a perfeita e exata noção do que, do quanto, do quando e do como fazer para o atingimento dos objetivos pactuados, do quanto receberão pelo seu sucesso, e de como serão avaliados para fazerem jus à PLR prometida; · O instrumento formal resultante do acordo em realce tem que ser arquivado previamente ao período de execução do plano na entidade sindical dos trabalhadores; · A PLR não pode substituir, tampouco complementar a remuneração devida a qualquer empregado; · A PLR não pode ser distribuída em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; No caso em apreço, apurou a Fiscalização a ocorrência de pagamentos de Participação nos Resultados PR em fevereiro, março e abril de 2006, relativos ao período aquisitivo de cumprimento das metas durante o exercício de 2005. A empresa foi então intimada, mediante Termo próprio, a apresentar o regulamento da participação nos lucros ou resultados da empresa, sendo apresentada cópia do Acordo de Participação nos Resultados/Exercício 2005, sem constar a data de assinatura. O contribuinte foi então intimado, mediante Termo de Intimação Fiscal, a apresentar o original do referido acordo, ao que a empresa apresentou o documento original, a fls. 176/190, porém, outra vez, sem data de assinatura. Compulsando os autos, em especial o “TERMO DE ACORDO SOBRE A PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS RESULTADOS DO TERMINAL VILA VELHA – TVV, exercício 2005, verificamos que neste não consta consignada a data de assinatura, o que inviabiliza a aferição do requisito de assinatura prévia do Acordo. Merece ser mencionado que carimbo aposto na Folha de Rosto do citado Termo de PLR indica que o acordo houvese por arquivado no Sindicato Unificado da Orla Portuária do Espírito Santo (Suport ES) tão somente em 21/10/2005, ou seja, após percorrido quase 5/6 do período de apuração das metas e do desempenho de cada trabalhador. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 40 Malgrado o Termo de PLR tenha sido levado ao SUPORTES, inexiste no Termo de Acordo qualquer indício da efetiva participação de representante indicado pelo sindicato da categoria na Comissão da PR, escolhida pelas partes para a Negociação entre Empresa e Empregados. A cláusula 2.3 do acordo estatui que “A apuração da participação nos resultados farseá de forma proporcional à frequência do empregado no exercício de 2005, obedecidas, para tanto, e no particular, as mesmas regras e critérios utilizados para o pagamento da gratificação natalina”. Ou seja, basta não faltar ao trabalho para fazer jus ao PLR. Como visto, inexiste no plano de PLR da Recorrente qualquer animus de incentivo à produtividade ou de dedicação de excelência, superior à habitual, por parte dos trabalhadores, na medida em que tal comprometimento pessoal com os resultados da empresa é irrelevante para o cálculo do ganho que cada trabalhador irá auferir. A única regra existente que vincula a quota que cada um irá receber tem relação direta com a fração do ano que cada trabalhador frequentou os estabelecimentos da empresa. Se trabalhou o ano inteiro, recebe o benefício integral. Se teve faltas não justificadas ao serviço, recebe na mesma proporção da gratificação natalina. Se produziu pouco ou se produziu muito, é irrelevante. Se operou com substantiva eficiência ou se com total desmazelo ou desleixo, é indiferente. Tais parâmetros não influenciam o quantum que cada trabalhador irá receber a esse título. A única coisa que importa, no caso, é a fração do ano em que o trabalhador se manteve vinculado à empresa. Recebem participação nos lucros até se a empresa não tiver lucros !!!! Onde estará o incentivo à produtividade exigido pela Lei ? Perdeuse no caminho ! A Fiscalização apurou, igualmente, que no Termo de Acordo de PLR não havia critérios nem mecanismo de aferição do pactuado, etc. A PLR era paga, meramente, pela realização do trabalho ordinário, usual e rotineiro decorrente do contrato de trabalho. Tal trabalho é remunerado mediante salário, e não por meio de PLR. Por tais razões, os valores pagos foram considerados pela Fiscalização como Salário de Contribuição, nos termos do art. 28, I, da Lei nº 8.212/1991. 2. DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Alega o Recorrente que a sistemática adotada pela fiscalização no cálculo dos acréscimos legais não considerou a forma de cálculo mais benéfica para o contribuinte, posto que na comparação da multa mais benéfica utilizaramse multas com naturezas jurídicas diferentes como se fossem equivalentes. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio iuris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Fl. 593DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 22 41 Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. A questão ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Iluminese, inicialmente, que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Com efeito, o regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, Fl. 594DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 42 vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 23 43 §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado no Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.249.0905, referente a fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro a dezembro/2006. Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal acima indicado a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador – consegue, sem margem de erro, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 44 Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 597DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 24 45 a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, Fl. 598DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 46 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora se encontram dispostos em separado, digase, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 25 47 Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 600DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 48 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O Recorrente defende a aplicação retroativa, para as competências anteriores a dezembro/2008, do limite de 20% para a multa de mora previsto no §2º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, por entender tratarse de hipótese de retroatividade benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Ocorre que ao efetuar o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), quer se promover data venia a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’, do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 26 49 Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: 1. Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. 2. Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio, em que tal percentual é duplicado. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de Fl. 602DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 50 obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c", do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o limite máximo de 75%, desde que não estejam presentes situações de sonegação, fraude ou conluio, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No caso dos autos, considerando ser de janeiro a dezembro de 2006 o período de apuração do crédito tributário, e considerando não haver sido verificada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que, em tese, qualificase como fraude e sonegação, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, resulta que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante o presente lançamento de ofício deve ser aplicada de acordo com o art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum. É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 27 51 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Em que pese nossa concordância com a ilustre Conselheira Relatora quanto à não incidência de contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de auxílioeducação, ofertado pela Recorrente por meio de reembolso de despesas com material escolar e de valores pagos relativos a cursos de ensino superior, temos razões diversas para assim decidir. Cediço que as contribuições previdenciárias incidem sobre verbas de natureza remuneratória, pois expressamente a Lei de Custeio, Lei nº 8.212/91, ao tratar da contribuição das empresas, assim estabelece: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Como bem apontado no fundamentado e coerente voto da Conselheira Luciana Matos Pereira, a Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.711/98, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento, tinha a seguinte redação para determinação que tais valores não integrariam o salário de contribuição: "t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do artigo 21 da Lei nº 9394, de 20/12/1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não sejam utilizados em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(redação dada pela Lei nº 9.711/98)" (grifamos) Da leitura atenta do texto da norma, extraímos que somente os valores referentes ao pagamento de cursos de educação básica e qualificação e capacitação profissionais ligados às atividades do contribuinte, não utilizados como verba salarial Fl. 604DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 52 complementar e disponíveis para todos, não integrariam o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da contribuições previdenciárias. Dito de maneira direta: a partir da vigência da Lei 9.711/97, os valores pagos pelo empregador relativos a educação básica e profissional de seus empregados, desde que extensivos a todos os trabalhadores e não utilizados como verba salarial substitutiva, não integrariam a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nítido comando de norma isentiva, pois esses valores, ao integrarem o contrato de trabalho, pois por óbvio foram inseridos pelos empregadores nos contratos individuais de forma habitual, seriam passíveis de incidência em face de uma das facetas das verbas de natureza remuneratória. Aqui, mister um esclarecimento. Academicamente (Aspectos Trabalhistas e Tributários dos Bônus de Contratação e de Retenção, Revista de Direito do Trabalho, Ed. RT, no prelo), já nos pronunciamos no sentido de que as verbas de natureza remuneratória ostentam uma das seguintes características: "Do exposto, assentemos: o pagamento percebido do empregado terá natureza salarial quando este for resultado do serviço prestado, pelo tempo à disposição, quando for o caso de interrupção do efeito do contrato de trabalho (no caso ausência de trabalho), ou por força do contrato, individual ou coletivo, de trabalho. Nesses, e somente nesses casos, a verba recebida diretamente do empregador terá natureza salarial. A essa verba, acrescese a gorjeta, e teremos assim, as verbas remuneratórias. Todo o resto, remuneração não é" (destacamos) Assentados sobre o conceito de remuneração, recordemos com Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário, 3ª ed., Saraiva, pg. 232) o entendimento da melhor doutrina sobre isenção: "Na sistemática adotado pelo Código Tributário Nacional, a isenção não se confunde com a incidência, mas pressupõe a incidência. É por isso que a isenção é incluída no artigo 175 do Código Tributário Nacional, como hipótese de exclusão do crédito tributário. Ou seja, no modelo teórico ali inserido, o crédito tributário surge, mas o pagamento é dispensado por conta da isenção. Assim é que a isenção está compreendida dentro do campo da incidência da norma, já que o legislador contemplou a hipótese (e por isso não seria o caso de falarse em não incidência), mas isentou o contribuinte do pagamento." (negritos nossos) Dos conceitos de remuneração e de isenção apresentados, podemos inferir que a verba denominada auxílio educação, quando paga em conformidade com os ditames da Lei nº 8.212/91, e nos aspectos que nos interessam no caso em concreto, após a vigência da redação dada pela Lei 9.711, embora de nítida natureza remuneratória, não integra o salário de contribuição, em face da norma isentiva que impede a incidência da norma tributária. Não percamos o foco. A verba tem natureza remuneratória, e portanto seria passível de incidência, mas se encontra sob o manto isentivo da lei tributária. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 28 53 Porém, é inegável a tutela jurídica e social sobre a educação. A própria Carta da República, no artigo 6º, elenca entre os direitos sociais, o direito à educação e, embora não nos filiemos a corrente interpretativa topológica, em primeiro lugar. Ciente desse direito, e nesse momento, cioso de suas obrigações, o legislador ordinário promoveu, em 2001, alteração da legislação trabalhista, por meio da Lei 10.243/01, que deu nova redação ao parágrafo 2º do artigo 458 da CLT: "Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (...) § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador:(Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; V – seguros de vida e de acidentes pessoais; VI – previdência privada; VII –(VETADO) VIII o valor correspondente ao valecultura." (grifos nossos) Forçoso reconhecer que, a partir de 2001, os pagamentos feitos pelo empregador, mesmo que constantes de contrato de trabalho, destinados a reembolso, custeio direito ou pagamento de bolsa, relativos à educação, por expressa disposição da lei trabalhista, deixaram de ter natureza remuneratória. Reiteremos: a partir de 2001, verbas pagas a título de auxilio educação, seja destinada a qualquer curso, a matrícula ou mensalidade, a compra de material didático ou livros, não integrará a remuneração percebida pelo empregado por expressa determinação da lei trabalhista. Com ênfase: auxílio educação não é remuneração segundo a CLT. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 54 Vimos, linhas atrás, que a incidência de contribuição previdenciária se dá sobre verbas remuneratórias, logo, não podemos conceber que, após 2001, se tribute as verbas pagas pela empresa e destinadas, comprovadamente, a auxiliar os empregados a custear sua educação. Tal afirmação decorre da própria conceituação de isenção tributária, ou seja, não havendo incidência, não há isenção. Assim, no caso em apreço, em que os fatos geradores ocorreram no ano de 2006, tais valores já se encontravam fora do âmbito de incidência da Lei nº 8.212/91, o que nos obriga a excluir tais valores do crédito tributário constituido. É como voto. Carlos Henrique de Oliveira. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 29 55 DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro Arlindo da Costa e Silva. Ouso discordar, data maxima venia, do entendimento adotado por maioria pela 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF quanto à incidência de Contribuições Previdenciárias sobre os valores pagos a título de: · Remuneração paga aos empregados a título de abono, lançada no Levantamento AB – Abono; · Remuneração paga a empregados a título de alimentação, fornecida mediante ticket/cartões eletrônico, lançada no Levantamento AL – Alimentação; · Remuneração paga a empregados a título de material escolar, lançada no Levantamento ME – Material Escolar; · Remuneração paga a empregados, relativa a reembolso educacional superior, paga em desacordo com a lei, lançada no Levantamento RE – Reembolso Educacional. Pelos motivos que ora se vos seguem: 1. DO ABONO SALARIAL O item 7 da alínea ‘e’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatui de forma expressa que não integram o Salário de contribuição os abonos expressamente desvinculados do salário. De acordo com o inciso VI do art. 97 do CTN, constituise matéria de reserva legal as hipóteses de exclusão do crédito tributário, como assim se revela a isenção. Dessarte, somente os abonos desvinculados do salário por força expressa de lei stricto sensu se ajustam na hipótese de não incidência legal prevista no supratranscrito art. 28, §9º, ‘e’, 7, da Lei nº 8.212/91. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (...) Art. 175. Excluem o crédito tributário: Fl. 608DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 56 I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente. Outra não é a diretriz traçada pela Consolidação das Leis do Trabalho, à luz do que emana, com extrema clareza, do §1º, in fine, do seu art. 457, que estatui, expressamente, que os abonos pagos pelo Empregador configuramse parcelas integrantes do salário, in verbis: Consolidação das Leis do Trabalho Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999/53) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999/53) (grifos nossos) Não procede, por óbvio, a alegação recursal de que os abonos ora em debate teriam natureza indenizatória. Atentese que o dever de indenizar pressupõe a existência de um ato ilícito e de um dano dele diretamente decorrente, sem o qual não há o que se reparar. Dessai dos termos dos Acordos Coletivos de Trabalho que os valores pagos a título de abono salarial não possuem qualquer natureza indenizatória, como assim argumenta o Recorrente, haja vista não terem sido instituídos para ressarcir qualquer dano eventualmente sofrido pelos obreiros, mas sim, uma contrapartida financeira, na forma de um acréscimo patrimonial, paga ao empregado em razão da alteração da database e adiantamento dos efeitos da negociação da Cláusula Primeira do acordo coletivo 2005/2006, fatos esses que não se configuram como “atos ilícitos”. Acordo Coletivo de Trabalho – ACT 2006 a 2008. “2. INDENIZAÇÃO Em contrapartida pela alteração da database e pelo adiantamento dos efeitos da negociação da Cláusula Primeira do acordo coletivo 2005/2006, a empesa pagará para cada empregado com contrato de trabalho vigente em 31 de agosto de 2006 uma indenização no valor de R$ 1.200,00 (um mil e duzentos reais)," a) A indenização prevista no item anterior será realizada através de pagamento único em até 05 (cinco) dias úteis após a celebração deste acordo devendo o acerto ser feito no primeiro pagamento mensal subsequente; b) O efetivo pagamento da indenização quita integralmente todas as eventuais perdas decorrentes das alterações acima estabelecidas.” Fl. 609DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 30 57 A matéria ora em apreciação já foi bater às portas da Suprema Corte de Justiça, havendo o Egrégio STJ, de há muito, iluminado em seus arestos, a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, consoante dessai dos seguintes julgados. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VERBAS SALARIAIS. INCIDÊNCIA. AUXÍLIODOENÇA. NÃO INCIDÊNCIA. (...) 4. É pacífico no Superior Tribunal de Justiça o entendimento de que o saláriomaternidade não tem natureza indenizatória, mas sim remuneratória, razão pela qual integra a base de cálculo da Contribuição Previdenciária. Precedentes: AgRg no REsp 973.113/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques e REsp 803.708/CE, Rel. Min. Eliana Calmon. Da mesma forma, o saláriopaternidade deve ser tributado, por se tratar de licença remunerada prevista constitucionalmente, não se incluindo no rol dos benefícios previdenciários. (...) 6. Incide contribuição previdenciária sobre adicionais noturno (Enunciado 60/TST), insalubridade e periculosidade por possuírem caráter salarial. 7. O benefício residência é salárioutilidade (art. 458, §3º, da CLT) e, como tal, integra o salário para todos os efeitos, inclusive quanto às contribuições previdenciárias. 8. As verbas pagas por liberalidade do empregador, conforme consignado pelo Tribunal de origem (gratificação especial liberal não ajustada, gratificação aposentadoria, gratificação especial aposentadoria, gratificação eventual liberal paga em rescisão complementar, gratificação assiduidade e complementação tempo aposentadoria), possuem natureza salarial, e não indenizatória. Inteligência do art. 457, § 1º, da CLT. 9. Dispõe o enunciado 203 do TST: "A gratificação por tempo de serviço integra o salário para todos os efeitos legais". 10. O abono salarial e o abono especial integram o salário, nos moldes do art. 457, §1º, da CLT. (grifos nossos) 11. Com efeito, a Lei 8.212/1991 determina a incidência da Contribuição Previdenciária sobre o total da remuneração paga, com exceção das quantias expressamente arroladas no art. 28, § 9º, da mesma lei. 12. Enquanto não declaradas inconstitucionais as Leis 9.032/1995 e 9.129/1995, em controle difuso ou concentrado, Fl. 610DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 58 sua observância é inafastável pelo Poder Judiciário (Súmula Vinculante 10/STF). 13. O STJ pacificou o entendimento de que não incide Contribuição Previdenciária sobre a verba paga pelo empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença, porquanto não constitui salário. 14. Agravos Regimentais não providos. (AgRg nos EDcl no REsp 1098218 / SP, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 09/11/2009) TRIBUTÁRIO – IRRF – ABONO SALARIAL CONCEDIDO POR MEIO DE CONVENÇÃO COLETIVA – NATUREZA SALARIAL – INCIDÊNCIA DO TRIBUTO – PRECEDENTES. A jurisprudência desta Corte há muito se cristalizou no sentido de que as verbas recebidas a título de abono salarial em virtude de acordo ou convenção trabalhista possuem natureza remuneratória, porquanto substituem reajuste salarial e, assim, constituem fato gerador do imposto de renda, sendo passíveis, portanto, de incidência do imposto de renda na fonte. 2. Precedentes: REsp 696.677/CE, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 7.3.2007; AgRg no REsp 766.016/CE, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 12.12.2005; REsp 449.217/SC, Rel. Min. Francisco Peçanha Martins, DJ 6.12.2004. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 885006 / MG, Rel. Min. Humberto Martins, 2ª Turma, DJ 31/05/2007 p. 424) Nessa linha de análise, constatase que os valores pagos pela empresa aos seus empregados a título de abono não se ajustam à hipótese de não incidência tributária consagrada no art. 28, §9º, ‘e’, item 7, da Lei nº 8.212/91, urgindo prevalecer a regra segundo a qual, na ausência de disposição legal em contrário, todo abono ostenta cunho salarial. Ocorre, todavia, que os ventos que insuflavam o entendimento a Suprema Corte de Justiça sofreu mudança radical de direção nos campos do Planalto Central, conforme se depreende dos seguintes julgados: EMENTA: PROCESSO CIVIL E PREVIDENCIÁRIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ABONO ÚNICO NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. 1. (...) 2 "Por expressa determinação legal o abono único não integra a base de cálculo do saláriodecontribuição (Lei nº 8212/91, artigo 28 da, § 9º, acrescentado pela Lei 9528/97, letra 'e', item 7, acrescentado pela Lei 9711/98)". RESp. 434471/MG, 2ª T., Min. Eliana Calmon, DJ de 14.02.2005 3. Recurso especial provido. (grifouse) (STJ, REsp 840.328/MG, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 25/9/2009) EMENTA: PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E FGTS. ABONO ÚNICO Fl. 611DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 31 59 PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. ART. 28, § 9º, 'E', ITEM 7, DA LEI 8.212/91. EVENTUALIDADE E DESVINCULAÇÃO DO SALÁRIO, NO CASO. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS DA 1ª SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. VOTOVISTA O EXMO. SR. MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI: 1. Tratase de recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região que, em mandado de segurança preventivo visando à afastar a incidência da contribuição previdenciária e do FGTS sobre o abono único pago em função da Cláusula 46ª da Convenção Coletiva de Trabalho 2002/2003, deu provimento às apelações do INSS e da Fazenda Nacional e à remessa oficial, reformando a sentença que concedera a ordem. (...) Pedi vista. 2. Acompanho o relator apenas quanto à inexistência de violação ao artigo 535 do CPC. Divirjo, todavia, em relação à questão da incidência ou não da contribuição previdenciária e do FGTS sobre os valores pagos a título de "abono único" decorrentes de convenção coletiva de trabalho. (...) Ora, considerando a disposição contida no art. 28, § 9º, 'e', item 7, da Lei 8.212/91, é possível concluir que o referido abono não integra a base de cálculo do salário de contribuição, já que o seu pagamento não é habitual observese que, na hipótese, a previsão de pagamento é única, o que revela a eventualidade da verba , e não tem vinculação ao salário notese que, no caso, o benefício tem valor fixo para todos os empregados e não representa contraprestação por serviços, tendo em vista a possibilidade dos empregados afastados do trabalho também receberem a importância. Nesse contexto, é indevida a incidência da contribuição previdenciária sobre as importâncias recebidas a título de "abono único" previstas na cláusula acima referida. (...) (grifouse) (STJ, REsp 819.552/BA, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, Rel. p/ acórdão Teori Albino Zavascki, DJe 18/5/2009) EMENTA: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO ÚNICO. NÃOINTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. 1. Segundo iterativa jurisprudência construída por esta Corte em torno do art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, o abono único previsto Fl. 612DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 60 em convenção coletiva não integra o saláriodecontribuição. Precedentes. 2. A Primeira Turma deste STJ entendeu que "considerando a disposição contida no art. 28, § 9º, 'e', item 7, da Lei 8.212/91, é possível concluir que o referido abono não integra a base de cálculo do salário de contribuição, já que o seu pagamento não é habitual observese que, na hipótese, a previsão de pagamento é única, o que revela a eventualidade da verba , e não tem vinculação ao salário". (REsp 819.552/BA, Min. Luiz Fux, rel. p. acórdão Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 02.04.2009). 2. Recurso especial não provido. (grifouse) (STJ, REsp 1.125.381/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe 29/4/2010) Nesse diapasão, ressaltamse excertos do voto proferido pela Min. Eliana Calmon, nos autos do Recurso Especial nº 434.471/MG, publicado no DJ em 14/2/2005, cujos termos bem elucidam a questão: EMENTA: PROCESSO CIVIL E PREVIDENCIÁRIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ABONO ÚNICO NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. 1. (...) 2. Por expressa determinação legal o abono único não integra a base de cálculo do saláriodecontribuição (Lei nº 8212/91, artigo 28 da, § 9º, acrescentado pela Lei 9528/97, letra "e", item 7, acrescentado peal Lei 9711/98). 3. Recurso especial provido. RELATÓRIO A EXMA. SRA. MINISTRA ELIANA CALMON: Tratase de recurso especial, interposto com fulcro na alínea "a" do permissivo constitucional, contra acórdão do TRF da 1ª Região assim ementado: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO ÚNICO. INCIDÊNCIA. 1. Sobre o abono pago pelo empregador, mesmo em única parcela, aos empregados, incide contribuição previdenciária. 2. Apelação improvida. (fl. 114) (...) No mérito, afirma violados os arts. 457, §1º, da CLT e 28, § 9º, da Lei 8.212/91 e ao art. 1º, da Lei 9.528/97, buscando afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre o abono único porque não habitual e não integrante da remuneração de seus empregados. (...) VOTO A EXMA. SRA. MINISTRA ELIANA CALMON (RELATORA): Fl. 613DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 32 61 Preliminarmente, analiso o especial pela suposta violação aos arts. 515 e 535 do CPC, verificando que as teses em torno da revogação da alínea "b" do § 8º, do art. 28 da Lei 8.212/91 pelo art. 1º, da Lei 9.528/98 e da nova redação dada ao § 9º, item 7, da Lei 8.212/91 pela Lei 9.711/98, foram analisadas, ainda que implicitamente na sentença de primeiro grau, tendo o acórdão recorrido adotado as mesmas razões. (...) No mérito temos um abono único concedido pelo empregador, por força de convenção coletiva, praticamente imposto pela categoria, através do sindicato, ficando expresso que ele não se integraria à remuneração, deixando assim de compor a base de cálculo do salário. Entretanto não é suficiente para afirmar a não incidência a previsão em convenção coletiva, a qual não passa de um acordo de vontades da categoria, representada pelo sindicato, e do empregador, também representada pelo seu órgão de classe. No plano infraconstitucional, a fonte legislativa primeira do ABONO é a CLT, diploma que no art. 457, §1º, devidamente prequestionado neste especial, explicita que se integra ao salário os abonos pagos pelo empregador. Entretanto, este artigo se contrapõe ao disposto no art. 144 da mesma CLT, o qual, com a redação dada pela Lei 9.528/97, considera não integrativo da remuneração do empregado, para os efeitos da legislação do trabalho, o abono de férias e o abono concedido por força de acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário. Entendo que a linguagem direta e cronologicamente posterior é a norma que deve prevalecer na avaliação do instituto do abono. A partir daí, na interpretação da legislação previdenciária, temos no artigo 28 da Lei 8.212/91, o universo das parcelas que integram o saláriodecontribuição, deixando o § 9º, do mesmo artigo, acrescentado pela Lei 9.528/97, explicitadas as parcelas que não o integra, estando na alínea "e", 7: "as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. Assinalese que o item 7 foi acrescentado pela Lei 9.711/98. Entendo, portanto, que não há o que se discutir, diante do texto expresso de lei. No direito pretoriano desta Corte, temos como precedente o julgado da 1ª Turma no Recurso Especial 201.936/MG, relatado pelo Ministro José Delgado, dentro da mesma compreensão, como demonstra a ementa que segue: TRIBUTÁRIO E TRABALHISTA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE O CHAMADO "ABONO" DE FÉRIAS PREVISTO EM Fl. 614DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 62 ACORDO COLETIVO (ART. 144 DA CLT). INADMISSIBILIDADE. 1 A redação do art. 144, da CLT, possui dicção cristalina ao dispor que "O abono de férias de que trata o artigo anterior, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente a vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da legislação do trabalho e da previdência social" (redação anterior à Lei nº 9.528/97, que suprimiu a expressão "e da previdência social" da parte final do dispositivo). 2 O acordo coletivo celebrado pela empresa ora recorrida e o sindicato representante da categoria de seus empregados, que previu a possibilidade, em sua cláusula nº 23, de concessão de um "prêmio", por ocasião do primeiro pagamento após o retorno das férias, de um valor máximo correspondente a 80 (oitenta) horas sobre o salário nominal, possuiu vigência apenas no período de 01/09/86 a 31/08/87, durante a eficácia, portanto, da antiga redação do art. 144, da CLT, que admitia a não incidência da contribuição previdenciária desde que o abono não excedesse vinte dias do salário. 3 Há de ser respeitado, na hipótese, o ato jurídico perfeito, o qual se consumou segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou (art. 6º, da LICC, e 5º, XXXVI, da CF/88), sendo perfeitamente aplicável o Princípio da Irretroatividade da Lei. 4 Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, improvido. (REsp 201.936/MG, Relator Ministro José Delgado, Primeira Turma, unânime, julgado em 27/04/1999, DJ 01/07/1999, página 00138) Com estas considerações, dou provimento ao recurso especial. É o voto. (grifouse) Tal entendimento encontrase plasmado no Parecer PGFN/CRJ nº 2.114/2011, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, de 10 de novembro de 2011, cuja Ementa encontrase vazada nos seguintes termos: PARECER PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011 Tributário. Contribuição previdenciária. Abono único. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Nessa esteira, mediante o ATO DECLARATÓRIO Nº 16/2011, a PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que Fl. 615DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 33 63 lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011 desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011, declarou que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: REsp nº 434.471/MG (DJ 14/2/2005), REsp nº 1.125.381/SP (DJe 29/4/2010), REsp nº 840.328/MG (DJ 25/9/2009) e REsp nº 819.552/BA (DJe 18/5/2009). No caso dos autos, o Acordo Coletivo de Trabalho – ACT 2006 a 2008, em contrapartida à alteração da database e em razão do adiantamento dos efeitos da negociação da Cláusula Primeira do acordo coletivo 2005/2006, estatuiu a obrigação da empresa de pagar, para cada empregado com contrato de trabalho vigente em 31 de agosto de 2006, uma indenização no valor de R$ 1.200,00 (um mil e duzentos reais),o qual seria realizada através de pagamento único, em até 05 (cinco) dias úteis após a celebração deste acordo, devendo o acerto ser feito no primeiro pagamento mensal subsequente. Nessa vertente, estando o pagamento da rubrica em questão aprumado à hipótese prevista no Ato Declaratório nº 16/2011 c.c. Parecer PGFN/CRJ nº 2114/2011, pugnamos pela exclusão da rubrica em pauta do lançamento ora em exame. 2. DA ALIMENTAÇÃO No caso em arguição, a alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatui, de forma expressa, que não integra o Salário de contribuição a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. Extraise dos preceitos legais acima aludidos que as importâncias despendidas pela empresa em louvor à alimentação de seus trabalhadores, para se subsumir à hipótese de não incidência legal em apreço, necessitam atender, cumulativamente, a duas condições essenciais: a) Que a alimentação seja fornecida “in natura” pela empresa aos seus empregados, ou seja, pronta para consumo imediato. b) Que a alimentação fornecida esteja de acordo com os programas de alimentação do trabalhador – PAT, aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/76; No caso ora em foco, a disciplina da matéria em relevo, no plano infraconstitucional, restou a cargo da Lei nº 6.321/76, a qual dispõe sobre os Programas de Alimentação do Trabalhador. Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976: Art. 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. " (grifos nossos) Fl. 616DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 64 Ressaltese que os preceptivos aqui enunciados não conflitam com as linhas traçadas pelo art. 5º do Decreto nº 5/1991, que aponta para o mesmo norte. Decreto nº 5, de 14 de janeiro de 1991 Regulamenta a Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, que Trata do Programa de Alimentação do Trabalhador. Art. 3º Os Programas de Alimentação do Trabalhador deverão propiciar condições de avaliação do teor nutritivo da alimentação. Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (redação dada pelo Dec. 2.101/96) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Art. 5º A pessoa jurídica que custear em comum as despesas definidas no Art. 4, poderá beneficiarse da dedução prevista na Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, pelo critério de rateio do custo total da alimentação. Art. 6º Nos Programas de Alimentação do Trabalhador PAT, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a parcela paga "in natura" pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. (grifos nossos) Visando a brindar executoriedade ao Programa de Alimentação do Trabalhador, a Secretaria de Inspeção do Trabalho e o Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego baixaram a Portaria nº 03, de 1º de março de 2002, cujo art. 2º estatuiu como exigência formal para a fruição dos benefícios fiscais a devida inscrição no programa em foco, mediante o preenchimento de formulário adrede, cuja cópia e o respectivo comprovante oficial de postagem ao DSST/SIT ou o comprovante da adesão via Internet deve ser mantida nas dependências da empresa, matriz e filiais, à disposição da fiscalização federal. PORTARIA Nº 03, DE 1º DE MARÇO DE 2002 II – DAS PESSOAS JURÍDICAS BENEFICIÁRIAS Art. 2º Para inscreverse no Programa e usufruir dos benefícios fiscais, a pessoa jurídica deverá requerer sua inscrição à Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), através do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho (DSST), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em impresso próprio para esse fim a ser adquirido nos Correios ou por meio eletrônico utilizando o formulário constante da página do Ministério do Trabalho e Emprego na Internet (www.mte.gov.br). (grifos nossos) Fl. 617DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 34 65 §1º A cópia do formulário e o respectivo comprovante oficial de postagem ao DSST/SIT ou o comprovante da adesão via Internet deverá ser mantida nas dependências da empresa, matriz e filiais, à disposição da fiscalização federal do trabalho. §2º A documentação relacionada aos gastos com o Programa e aos incentivos dele decorrentes será mantida à disposição da fiscalização federal do trabalho, de modo a possibilitar seu exame e confronto com os registros contábeis e fiscais exigidos pela legislação. §3º A pessoa jurídica beneficiária ou a prestadora de serviços de alimentação coletiva registradas no Programa de Alimentação do Trabalhador devem atualizar os dados constantes de seu registro sempre que houver alteração de informações cadastrais, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar informações a este Ministério por meio da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) Com efeito, a inscrição no PAT não se constitui mera formalidade ou capricho da Administração. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, através de seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: o fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. De fato, a Portaria nº 03/2002 estabeleceu as instruções para a perfeita execução do Programa de Alimentação do Trabalhador, estabelecendo de forma taxativa que a execução inadequada do Programa de Alimentação do Trabalhador acarretará o cancelamento da inscrição ou registro no Ministério do Trabalho e Emprego, com a consequente perda do incentivo fiscal, sem prejuízo da aplicação das penalidades cabíveis. Revelase de extrema importância chamar a atenção para o fato de que a hipótese de não incidência legal de contribuições previdenciárias prevista alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, referese, exclusivamente, à parcela recebida "in natura" pelo empregado, ou seja, quando o próprio empregador fornece diretamente a alimentação pronta aos seus empregados, e desde que tal fornecimento esteja de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/76. Deflui do exame dos dispositivos legais suso selecionados, apreciados segundo a exegese restritiva exigida pelo art. 111 do CTN, que para os valores despendidos pela empresa a título de alimentação aos empregados serem excluídos da base de incidência das contribuições sociais em foco é necessária a satisfação de dois requisitos fundamentais: a) Que a alimentação seja fornecida in natura, isto é, seja entregue pela empresa ao empregado pronta para consumo imediato; b) Que o fornecimento de alimentação seja efetuado de acordo com o programa de alimentação ao trabalhador, aprovado pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/76, o qual exige como formalidade indispensável, a inscrição formal do empregador, em atenção ao art. 2º, caput, da Portaria nº Fl. 618DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 66 03/2002 da Secretaria de Inspeção do Trabalho e do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, que estabelece as instruções para a execução do Programa de Alimentação Nada obstante, ambos os requisitos fixados como essenciais pela lei de custeio da seguridade social não se encontram presentes no caso em debate. Isto porque a empresa autuada não possuía inscrição no PAT, tampouco a alimentação em apreço houvese por fornecida in natura, mas, sim, mediante cartões alimentação, no valor mensal de R$ 96,00 durante a vigência do Acordo Coletivo, os quais possuem liquidez e circulabilidade equiparadas a dinheiro. ACORDO COLETIVO DE TRABALHO – 2005 a 2006 2. CARTÃO ALIMENTAÇÃO CONVÊNIO O TVV fornecerá 12 (doze) créditos mensais no valor de R$ 96,00 (noventa e seis reais) em cartão eletrônico, a título de cesta alimentação, durante a vigência deste acordo. 2.1. A cesta alimentação será fornecida para 100% dos empregados TVV. 2.2. O beneficio da cesta alimentação não possui natureza salarial, não integrando o salário para nenhum efeito legal, regendose pelas instruções do PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador) instituído pela Lei 6321/76. 2.3. A participação do empregado fica limitada a 5% (cinco por cento) do custo do benefício. 2.4. Para os empregados que vierem a ser admitido na empresa e para os que se desligarem durante a vigência deste Acordo, será pago o valor proporcional ao número de meses trabalhados. Merece ser destacado que a parcela referente à participação dos empregados houvese por subtraída da base de cálculo em questão, conforme se observa no Relatório de Lançamentos, a fls. 16/25. Conforme já enaltecido alhures, tratandose de hipótese de renúncia fiscal, urge emprestarse exegese restritiva à fórmula isentiva acima abordada. Inferese, portanto, dos preceptivos ora revisitados, que a natureza “in natura” da alimentação fornecida e a adesão ao PAT constituemse condições sine qua non para a fruição dos benefícios fiscais tributários e previdenciário, conforme expressamente previsto na alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, verbatim: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) (...) c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Fl. 619DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 35 67 Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; (grifos nossos) Cumpre alertar que as disposições insculpidas no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 não projetam efeitos sobre o caso em apreciação, uma vez que tal documento possui âmbito de influência restrito ao fornecimento de alimentação in natura, não alcançando as hipóteses de fornecimento ser realizado em espécie, ou na forma de reembolso de refeição, ticket alimentação ou cartão eletrônico. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. É de se salientar que a formulação do citado Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional decorreu da sedimentação da jurisprudência em torno da matéria no Superior Tribunal de Justiça, que pacificou o entendimento de que a alimentação in natura oferecida pela empresa ao trabalhador, ou seja, quando o próprio empregador fornece diretamente a alimentação pronta aos seus empregados, não se subsume à hipótese de incidência de contribuições previdenciárias, mesma que a empresa não esteja inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador, como assim se depreende dos seguintes julgados a seguir ementados: REsp nº 1.119.787SP Relator: Ministro Luiz Fux DJe 13/05/2010 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FGTS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. O pagamento do auxílioalimentação in natura, ou seja, quando a alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, razão pela qual não integra as contribuições para o FGTS. Precedentes: REsp 827.832/RS, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/11/2007, DJ 10/12/2007 p. 298; AgRg no REsp 685.409/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/06/2006, DJ 24/08/2006 p. 102; REsp 719.714/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/04/2006, DJ 24/04/2006 p. 367; REsp 659.859/MG, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/03/2006, DJ 27/03/2006 p. 171. 2. Recurso especial a que se nega seguimento. Por outro lado, quando o auxílio alimentação for pago em espécie ou na forma de vales ou cartões, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 68 Nesse sentido, ressaltamse excertos do julgado proferido pelo Min. Luiz Fux, nos autos do Recurso Especial nº 433.230/RS, publicado no DJe em 13/05/2010, cujos termos bem elucidam a questão: REsp nº 433.230/RS Relator: Ministro Luiz Fux DJe 17/02/2003 EMENTA: TRIBUTÁRIO. FGTS. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAT. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. NÃO INSCRIÇÃO. TICKETS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO RELATIVA AO FGTS. 1. O auxílio alimentação, quando pago em espécie e com habitualidade, passa a integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, assumindo, pois, feição salarial, afastandose, somente, de referida incidência quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, estando ou não inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. Aplicação ao Enunciado n° 241, do TST. Há incidência da contribuição social, do FGTS, sobre o valor representado pelo fornecimento ao empregado, por força do contrato de trabalho, de vale refeição. 3. Recurso Especial desprovido. Tal entendimento é esposado pelo Colendo Tribunal Superior do Trabalho, cujo verbete do Enunciado nº 241 exorta que “o vale para refeição, fornecido por força do contrato de trabalho, tem caráter salarial, integrando a remuneração do empregado, para todos os efeitos legais”. TST Enunciado nº 241 Vale Refeição Remuneração do Empregado Salário Utilidade – Alimentação. O vale para refeição, fornecido por força do contrato de trabalho, tem caráter salarial, integrando a remuneração do empregado, para todos os efeitos legais. No caso em debate, além de a parcela referente à alimentação ter sido fornecida aos empregados na forma de “cartão eletrônico”, no valor mensal de R$ 96,00, a Fiscalização apurou que, no período de lançamento do débito, a empresa não estava inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador, como assim relata a Autoridade Lançadora, in verbis: “A empresa forneceu habitualmente alimentação aos seus empregados sem estar inscrita no referido programa, contrariando assim o artigo 28, §9°, “c”, da Lei 8.212, de 24/07/1991.”. A lei é de precisão cirúrgica ao excluir da hipótese de incidência tributária somente, e tão somente, a parcela “in natura” recebida de acordo com o PAT. Assim, na visão Fl. 621DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 36 69 oclusiva exigida pelo art. 111 do CTN, a parcela fornecida em espécie, em ticket alimentação ou cartões eletrônicos integra o conceito de Salário de Contribuição para os fins colimados pela Lei nº 8.212/91. Se nos antolha auspicioso assinalar que as questões atinentes à isenção tributária constituemse matéria de interesse público, figurando a lei stricto sensu como o único instrumento normativo com aptidão para determinar as hipóteses de renúncia fiscal, não previstas constitucionalmente, não irradiando efeitos na seara pública qualquer disposição pactuada entre empregador e empregado em seus contratos de trabalho ou em acordos coletivos, sendo impensável e inconcebível que interesses particulares venham a se sobrepor aos públicos. O contrário, sim. Não se deve olvidar que, sendo a isenção tributária uma norma legal de exceção, de interpretação restritiva e em benefício do Contribuinte, o adimplemento cumulativo de todas as condições e requisitos previstos na lei para a sua concessão não se presume, se comprova mediante documentos idôneos. As disposições inseridas Convenções ou Acordos Coletivos de Trabalho faz “lei”, exclusivamente, entre as partes pactuantes, não tendo o condão derrogar tampouco subjugar as disposições inseridas no ordenamento jurídico mediante lei “stricto sensu”. 3. DO AUXÍLIO MATERIAL ESCOLAR Deflui dos preceitos normativos insculpidos na Carta de 1988 que a base de incidência das contribuições previdenciárias abarca não somente o salário, aqui incluídos os ganhos habituais do empregado, auferidos a qualquer título, por força do §11º do art. 201 da CF/88, como também os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que preste serviço à empresa, mesmo sem vínculo empregatício, a teor do art. 195, I, ‘a’, da Constituição Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) (grifos nossos) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) (...) Fl. 622DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 70 §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) (grifos nossos) Nessa prumada, compreendemse no conceito legal de Salário de Contribuição os três componentes do gênero “Remuneração”, adiante especificados, sejam ela paga diretamente, ou mesmo indiretamente, na forma de incentivos salariais ou de benefícios, ressalvadas as hipóteses legais de exclusão. 1. Remuneração Básica Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2. Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3. Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades, ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Com efeito, nos sistemas retributivos complexos, a composição da remuneração dos empregados pode ser constituída por múltiplas parcelas, das mais variadas espécies e formas, que resultam ao fim em um ganho patrimonial do trabalhador, quer pelo que ele efetivamente auferiu, em espécie, em utilidades, em benefícios, quer pelo que ele deixou de desfalcar seu patrimônio inercial para a aquisição/fruição da vantagem econômica (bem, serviço ou direito) recebida. No episódio ora em pauta, em razão da obrigação assumida por termo do item 13.1. do Acordo Coletivo de Trabalho ACT 2005/2006, a Autuada efetuou o pagamento de R$ 160,00 por beneficiário para custeio de material escolar. Acordo Coletivo de Trabalho ACT 2005/2006 “13.1 O TVV no inicio do ano letivo de 2006, fornecerá um crédito para custeio de material escolar, no valor de R$ 160, 00 (cento e sessenta reais) por beneficiário. 13.2. O crédito, a critério da empresa, será disponibilizado através de convênios com estabelecimentos comerciais ou de crédito em cartão eletrônico a ser utilizado em rede credenciada para tal fim. 13.3. O valor do benefício por empregado será definido multiplicando o valor definido no item 13.1 pelo número de pessoas na condição abaixo: Fl. 623DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 37 71 a) empregados matriculados no ensino fundamental, médio e superior em curso de graduação; b) dependentes matriculados na educação infantil em pré escolas e nos ensinos fundamental, médio e superior. 13.4. Consideramse dependentes, para efeitos dessa cláusula, o filho, o enteado, o menor sob guarda e o cônjuge (ou o companheiro(a)), desde que cadastrados no Sistema MAS”. Os valores dos créditos relativos ao auxílio material escolar concedidos aos empregados foram demonstrados pela empresa, e encontramse discriminados no Anexo IV consolidados por competência e lançados como saláriodecontribuição no Relatório de Lançamentos RL. De fato, as verbas pagas pela empresa em favor de seus empregados a título de “Auxílio Material Escolar” consubstanciamse remuneração indireta, pois representam exatamente a importância que o Beneficiário deixou de desfalcar o seu patrimônio próprio para cobrir as despesas de aquisição de material escolar para si ou para seus dependentes, representando ao fim um ganho patrimonial auferido pelo trabalho e não para o trabalho. Verificase que as importâncias pagas pela empresa aos seus empregados sob o rótulo de “Auxílio Material Escolar” não se ajustam a qualquer hipótese de não incidência tributária consagrada no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, circunstância que implica a prevalescência da regra geral de incidência. 4. DO REEMBOLSO EDUCACIONAL SUPERIOR Com efeito, a alínea ‘t’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatuiu, de forma expressa, que não integram o Salário de contribuição, o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394/96, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham a ele tenham acesso. Deflui da redação da alínea ‘t’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 que a fruição do benefício fiscal ali encartado não decorre de forma automática, mas, sim, mediante o cumprimento rigoroso e concomitante das condições de gozo nela expressamente previstas. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n2 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos Fl. 624DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 72 os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei n° 9.711/98). Nesse panorama, para que os valores relativos ao auxílioeducação pagos pela Recorrente a seus empregados deixem de integrar o conceito legal de saláriode contribuição, exige a lei que a benesse concedida pela Recorrente refirase a educação básica ou a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, e alcance, dentre outras condições, a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. No caso em exame, os cursos a que se referem as verbas ora em debate são de educação superior, os quais não se confundem com planos educacionais que visem à educação básica, tampouco com cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. O Órgão Julgador de 1ª Instância, de forma fundamentada e devidamente consignada em seu acórdão, apreciando as alegações de defesa e os elementos de prova contidos nos autos, já havia rechaçado a pretensão do Impugnante ao fundamento de que esta não havia apresentado “qualquer comprovante no sentido de que os cursos de ensino superior por ela custeados estariam vinculados às atividades da empresa, tendo a fiscalização procedido de acordo com as normas legais vigentes”. Dessai do item 20.7 do Acordo Coletivo de Trabalho – 2005/2006 que para ter direito ao reembolso de curso de graduação do ensino superior, o empregado teria que submeter sua intenção ao curso pretendido à análise e aprovação prévia do TVV, de onde se depreende que a empresa teria plenas condições de demonstrar, se fosse o caso, que os citados cursos superiores estariam vinculados às atividades da empresa. Todavia, nem lá, nem cá, nenhum documento houvese por apresentado que comprovasse tal condição. Nada obstante, retorna à carga o Recorrente, agora em grau de Recurso Voluntário, formulando exatamente os mesmos argumentos de defesa, como que não acreditando nos fundamentos aduzidos pela DRJ, sem acostar aos autos qualquer elemento de convicção, tão menos indícios de prova material, com aptidão a demonstrar que os mencionados cursos superiores estariam vinculados às atividades da empresa. A prática de se “ganhar no grito” conheceu sua primazia nas partidas de futebol realizadas fora dos estádios, conhecidas coloquialmente como “peladas de várzea”, nas quais o time da casa, ou aquele cujos jogadores eram dotados de um volume mais avantajado de bíceps e tríceps, impunham na partida o regramento e/ou a interpretação das ocorrências de jogo que mais lhe convinham, mesmo que contrários às regras oficiais do futebol estatuídas pela International Football Association Board da FIFA. Mas no Processo Administrativo Fiscal a Charanga toca num tom diferente. A defesa por negativa geral não se apruma com a dinâmica do PAF cujo mecanismo de contradita às autuações do Fisco exige que o sujeito passivo instrua o instrumento de bloqueio à imputação fiscal com todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentar a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de rechear a peça de defesa com todas as provas documentais garantidoras de seu direito, sob pena de preclusão do Fl. 625DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 2401004.029 S2C4T1 Fl. 38 73 direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em lei. Se nos antolha auspicioso assinalar que as questões atinentes à isenção tributária constituemse matéria de interesse público e de reserva legal, figurando a lei stricto sensu como o único instrumento normativo com aptidão para determinar as hipóteses de renúncia fiscal, não previstas constitucionalmente, não irradiando efeitos na seara pública qualquer disposição pactuada entre empregador e empregado em seus contratos de trabalho e/ou Acordos Coletivos de Trabalho, sendo inconcebível que interesses particulares venham a se sobrepor aos públicos. O contrário, sim. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (...) Não se deve olvidar que, sendo a isenção tributária uma norma legal de exceção, de interpretação restritiva e em benefício do Contribuinte, o adimplemento cumulativo de todas as condições e requisitos previstos na lei para a sua concessão não se presume, se comprova mediante documentos idôneos. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Dessarte, ao beneficiário da isenção recai o ônus de demonstrar e comprovar o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para a fruição da isenção pretendida, sob pena de manutenção da regra geral, isto é, a tributação. Nas oportunidades em que teve para se manifestar nos autos do processo, em sede de Impugnação e agora, em grau de Recurso Voluntário, o Sujeito Passivo não honrou produzir as provas necessárias à contradita das razões erigidas pelo Órgão Julgador a quo para o não acatamento de suas pretensões de defesa, gravitando à distância do núcleo sensível do Fl. 626DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 74 qual se irradiaram os fundamentos de fato e de Direito que forneceram esteio ao levantamento ora em debate, não logrando se desincumbir, dessarte, do ônus que lhe pesava e lhe era avesso, nem, tampouco elidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária. Tal vazio, não permite a lei que seja preenchido com alegações filosóficas ou principiológicas, tampouco com argumentações de fatos e de ações desprovidas de esteio em indício de prova material idônea. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Ostentando, todavia, a presunção de veracidade dos Atos Administrativos eficácia relativa, esta admite prova em sentido contrário a ônus da parte interessada, encargo este não adimplido pelo Recorrente, o qual não logrou afastar a fidedignidade do conteúdo da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em debate. Assim, havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Por todo o exposto, concluise que os valores despendidos pela Recorrente para o custeio de “despesas educacionais” não se ajustam à hipótese de não incidência tributária assentada na alínea “t” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, uma vez que não atendem aos requisitos exigidos pela norma de exclusão acima citada. Nessa perspectiva, não estando albergada pela hipótese legal de renúncia fiscal em realce, há que se reconhecer que os valores pagos a título de Despesas Educacionais sujeitamse às obrigações tributárias estabelecidas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Pelos motivos ora expendidos, entendo que devem ser mantidas na base de incidência das contribuições previdenciárias as verbas pagas pelo recorrente a segurados obrigatórios do RGPS título de abono salarial, alimentação em cartões eletrônicos, auxílio material escolar e reembolso educacional superior. É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10825.720828/2011-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
IRPF - GANHO DE CAPITAL. MULTA QUALIFICADA.
"Sumula 25 - A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64."
Numero da decisão: 9202-003.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI - Relatora.
EDITADO EM: 23/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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MULTA QUALIFICADA. "Sumula 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Relatora. EDITADO EM: 23/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 08 28 /2 01 1- 07 Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Relatório Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 22/06/2011, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 03/24), com ciência através de AR, em 30/06/2011 (fls. 228/229), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.681.677,79 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício qualificada de 150% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo aos exercícios de 2006 a 2009, correspondente aos anoscalendário e 2005 a 2008, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente aos exercícios de 2006 a 2009, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver omissão de rendimentos pela cessão gratuita de imóvel a terceiros, não parente de primeiro grau, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal e seus anexos, partes integrantes do presente Auto de Infração. Infração capitulada no art. 23, inciso VI, da Lei nº 4.506, de 196; no art. 6º, inciso III, da Lei nº 7.713, de 1988 e art. 49, § 1º do RIR/99. A omissão foi caracteriza a partir da desconsideração, pelo fisco, das operações realizadas por pessoa jurídica criada pela recorrida e seu sócio para administrar os recursos recebidos por aquela à título de aluguéis de imóvel. tais valores foram considerados pelo fisco como recebido pelos próprios sócios pessoas físicas. Ao apreciar a impugnação apresentada pelo contribuinte, a Delegacia de Julgamento manteve o lançamento lavrando o acórdão de nº 1753.873, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa , abrangendo não só outras questões preliminares como razões de mérito, descabe a proposição e cerceamento do direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A existência de antecipação de pagamento do imposto devido é requisito essencial para a caracterização do lançamento por homologação. Na sua ausência, o termo inicial do prazo decadencial deslocase para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, por se Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.720828/201107 Acórdão n.º 9202003.758 CSRFT2 Fl. 3 3 tratar de lançamento de ofício decorrente de discordância do fisco quanto à natureza e consequências jurídicas de operações praticadas pelo contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTRATO DE COMODATO SEGUIDO DE LOCAÇÃO. PRINCÍPIO DA ENTIDADE. Não há como confundir o proprietário/pessoa física com a pessoa jurídica da qual o proprietário é sócio, dado o princípio da entidade, que estabelece a não confusão entre a pessoa jurídica e a pessoa física de seus sócios. Contrato de comodato em que o comodante é a pessoa física proprietária do imóvel e o comodatário é a pessoa jurídica da qual o proprietário do móvel é sócio, não afasta o fato de que os rendimentos de aluguel são de titularidade da pessoa física. TRANSFERÊNCIA DE IMÓVEL POR PESSOA FISICA A TITULO DE INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL DE PESSOA JURÍDICA. EFEITOS. Os efeitos tributários da transferência de imóvel por pessoa física para integralização de capital de pessoa jurídica da qual é sócio são produzidos a partir do registro da operação no Registro de Imóveis competente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. CONFISCO. Cabível a aplicação da multa qualificada prevista na legislação tributária, quando o conjunto probatório demonstra que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase em hipótese tipificada na Lei nº 4.502/64. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra decisão acima foi interposto Recurso Voluntário no qual o Contribuinte argüi as mesmas razões apresentadas na fase impugnatória. A Segunda Turma da Segunda Câmara, enfrentando pontualmente todas argumentações postas pela contribuinte, por unanimidade de votos, acolheu a arguição de decadência suscitada pela Recorrente para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 2005 e rejeitar as demais preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Recursos especiais interpostos pela Fazenda Nacional e também pelo contribuinte. Após exame de admissibilidade, foi negando seguimento ao recurso do contribuinte que pretendia discutir a "tributação de rendimentos de aluguel pelo proprietário de imóvel quando o aluguel é recebido por terceiro na qualidade de cessionário a título gratuito" haja vista ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma. Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Em seu recurso a Fazenda Nacional, valendose dos paradigmas 10323.495 e 10515.995, requer a reforma do acórdão para manter a multa qualificada e afastar a caracterização da decadência de parte do lançamento. Argumenta que pela infração constatada se referir a períodos de apuração seguidos, temse uma prática reiterada e como tal um típico caso de dolo reiterado, caracterizado pela prática do mesmo ilícito por seguidas vezes, e sempre com o intuito de burlar o legítimo pagamento do tributo. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional face ao acórdão de nº 220201.882, proferido pela 2ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária que, por unanimidade de votos, desqualificou a multa de ofício e acolheu a argüição de decadência suscitada pelo Contribuinte, declarando extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 2005. No que tange a parte recorrida, a ementa do acórdão assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GANHOS DE CAPITAL. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. A tributação das pessoas físicas fica sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do ano calendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação, o mesmo se aplica aos ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados do fato gerador, que no caso do imposto de renda pessoa física ocorre em 31 de dezembro de cada ano calendário questionado e que, nos casos de ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte, ocorre no mês da alienação do bem e/ou direito ou pagamento do rendimento. Entretanto, na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.720828/201107 Acórdão n.º 9202003.758 CSRFT2 Fl. 4 5 exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. ... SANÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A prestação de informações ao fisco em resposta à intimação divergente de dados levantados pela fiscalização e/ou rendimentos recebidos de pessoa jurídica e não declarados, mesmo que de forma continuada, independentemente do montante recebido, por si só, não caracterizam evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. Importante mencionar, como muito bem apurado pelo juízo de admissibilidade, que as argumentações trazidas pelo Recorrente, apesar de suas naturezas diversas, são dependentes. Ou seja, afastandose a caracterização de qualquer conduta fraudulenta por parte do contribuinte capaz de justificar a incidência da multa qualificada prevista no artigo 44, da Lei nº. 9.430/96, teremos forçosamente a aplicação da regra geral do art. 150, §4º do CTN a qual determina que nos lançamentos sujeitos à homologação o prazo decadencial tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador no caso do Imposto de Renda Pessoa Física o dia 31 de dezembro de cada ano. Segundo sustenta o ilustre procurador da Fazenda Nacional, citando acórdãos paradigmas que corroboram com seu entendimento, a prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, sendo cabível a multa qualificada de que trata o art.44, §1º da Lei nº 9.430/96. Esclarece que a sonegação, do artigo 71, refere‑ se à conduta (comissiva ou omissiva) para impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais da contribuinte. A Fraude, do artigo 72, que não se trata de fraude à lei, mas ao Fisco, atua na formação do fato gerador da obrigação tributária principal, impedindo ou retardando sua ocorrência, como, também, depois de formado, modificando‑ o para reduzir imposto ou diferir seu pagamento. Em que pese o argumento apresentado, entendo que a aplicação da multa qualificada somente é cabível quando o sujeito passivo tenha agido com o evidente intuito de fraude, conduta que deve ser incontestavelmente justificada e comprovada devese comprovar que a ação ou omissão do contribuinte foi dolosa, requisito indispensável para qualificação. Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Sabese que o contribuinte ao estruturar um planejamento tributário, prática que se baseada em atos lícitos é na verdade um direito do sujeito passivo sempre o fará no intuito de reduzir o valor do imposto (essa é sua função) e isso por si só não pode ser considerado como ato fraudulento. Muitas vezes, certo de que não há qualquer ilícito, o planejamento permanece sendo aplicado ao longo dos anos. É o que ocorre no presente caso, o contribuinte não vislumbrou qualquer óbice na criação de pessoa jurídica para administração do seu patrimônio, tendo essa pessoa jurídica cumprido todas as obrigações acessórias e feito o recolhimento do imposto de renda devido pelos fatos geradores realizados. Aqui é importante citar que não há nos autos qualquer notícia acerca da ocorrência da desconsideração da pessoa jurídica. De toda sorte é pertinente destacar a redação da Súmula nº 25 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a qual dispõe: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Ora, se este Conselho já concluiu que a simples omissão de receita não justifica a qualificação da multa, devemos entender que o simples fato de tal omissão ter ocorrido de forma reiterada não pode levar a raciocínio diverso. Como conseqüência lógica da não aplicação da multa qualificada, pela ausência de configuração de conduta fraudulenta dolosa, e considerando haver nos autos prova da ocorrência de pagamento antecipado do imposto, teremos a aplicação do art. 150, §4º, o qual determina ser de 5 anos o prazo para constituição de créditos tributários submetidos ao lançamento por homologação como é o caso do Imposto de Renda, contados a partir da ocorrência do fato gerador. Correto, portanto, o entendimento do acórdão recorrido que reconheceu a decadência de parte do lançamento, especificamente em relação ao ano de 2005. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e mantenho o acórdão recorrido. Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16327.904948/2012-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
IOF. PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
PAF. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. NÃO CABIMENTO.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. A diligência não pode ser utilizada para suprir deficiência probatória, ofertando novo momento para a apresentação de provas.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3402-002.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Choi Jong Min, OAB/SP nº 287.957.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PAF. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. NÃO CABIMENTO. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. A diligência não pode ser utilizada para suprir deficiência probatória, ofertando novo momento para a apresentação de provas. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto. Declarouse impedido de votar o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 49 48 /2 01 2- 35 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Choi Jong Min, OAB/SP nº 287.957. Relatório Trata o presente processo de DCOMP eletrônica n° 26562.97484.151210.1.3.046767 (fls. 76/80), onde o Recorrente declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito de pagamento indevido ou a maior de IOF: data de arrecadação: 03/10/2008, com crédito original utilizado nesta DCOMP de R$ 136.598,58. A Recorrente informa que o crédito decorre de DARF recolhido em 03/10/2008, no valor de R$ 1.245.486,70, código 3467. A DRJ no Rio de Janeiro I, não deu provimento à manifestação de inconformidade, mantendo o que foi decidido no Despacho Decisório nº 031094590, emitido em 04/09/2012, pelos mesmos fundamentos (fl. 81). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: (...) A DCOMP foi analisada em procedimentos informatizados, resultando em NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. De acordo com o Despacho Decisório de fls.15, nº de rastreamento 031094590, emitido em 04/09/2012, o julgamento teve a seguinte fundamentação: “A análise do direito creditório está limitado ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP, correspondente a R$ 138.598,58 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte,não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Segundo o despacho, o crédito teria sido utilizado integralmente na quitação do débito de IOF, código 3467, PA 30/09/2008, no valor de R$ 1.245.488,70. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 14/09/2012, fls. 71. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16327.904948/201235 Acórdão n.º 3402002.947 S3C4T2 Fl. 282 3 Irresignada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 16/10/2012, fls. 02/08, alegando: que efetuou recolhimento indevido de IOF no valor de R$ 136.598,58; que houve erro na DCTF original, que foi entregue sem a discriminação do valor do crédito; que tal erro não pode ser fundamento para a não homologação da compensação, vez que houve um recolhimento indevido de IOF, naquele valor, constante do DARF de R$ 1.245.486,70, gerando um crédito em favor da manifestante, devidamente contabilizado; o crédito em questão decorre de valores recolhidos indevidamente pela manifestante a título de IOF sobre operações de seguros do cód 3467 no 3º decêndio de setembro de 2008, vez que a responsabilidade tributária pelo recolhimento era do Itaú Unibanco, CNPJ 60.701.190/000104; nos termos da legislação vigente, Dec. 6.306/2007 e IN 907/2009, a responsabilidade pelo recolhimento do IOF é da instituição financeira estipulante encarregada da cobrança do prêmio, in casu, do Itaú Unibanco, que recolheu o imposto devido, cf. tabela de fls. 5, comprovados pelos demonstrativos da conta transitória 4997.080.073.000* (doc. 7), razão (doc. 8) e DARFs (doc. 9);que a manifestante recolheu indevidamente o IOF, no montante de R$ 136.598,58 (Doc.5); o extrato de conta corrente comprova que o Itau Unibanco repassou os valores das apólices líquidas (sem o IOF) à manifestante; a manifestante assumiu o encargo financeiro, condição para fazer jus à restituição do valor recolhido indevidamente, cf. art. 166 CTN; o erro de preenchimento da DCTF não pode ser utilizado como fundamento para não reconhecimento do crédito e deve prevalecer a verdade material; requer sejam alteradas de oficio as informações na DCTF, a fim de contemplar integralmente o crédito não homologado. Requer, in fine, a reforma da decisão proferida e o cancelamento da cobrança efetivada neste processo administrativo. É o relatório. Em 21/01/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (ciência eletrônica – fl. 94). Inconformado com a decisão da DRJ, em 05/02/2014, apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 96/101), no qual argumenta em suas razões, que: a) a não homologação do PER/DCOMP em referência, ocorreu por conta de um erro da Recorrente, qual seja, a entrega da DCTF original sem a contemplação do valor do crédito. No entanto, efetuou recolhimento indevido de IOF (código 3467) sobre os repasses dos prêmios de operações de seguros, ocorridos no dia 25/09/2008, no valor de R$ 136.598,58, e que tal erro não pode ser fundamento para a não homologação da compensação, vez que houve um recolhimento indevido de IOF, naquele valor, constante do DARF de R$ 1.245.486,70, gerando um crédito em favor da manifestante, devidamente contabilizado; b) a responsabilidade pelo recolhimento do IOF, nos termos do art. 20 do Decreto nº 6.306/2007 e art. 9º da IN RFB nº 907/2009, é da instituição financeira estipulante, Fl. 284DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 no caso o Itaú Unibanco, CNPJ nº 60.701.190/000104, encarregado da cobrança do prêmio dos segurados; c) não obstante o responsável tributário (Itaú Unibanco) ter efetivamente retido e recolhido o IOF, a Recorrente por equívoco também o fez sobre o repasse dos prêmios, ocorridos em 25/09/2008 (no 3º decêndio de setembro de 2008), no montante de R$ 136.598,58. Apresenta documentação contábil da Recorrente extrato de contas do Livro Razão, conta recolhimento 4801.035.000.000 Provisão e Baixa do DARF de R$ 1.245.486,70 e conta 1914.351.000.000 IOF a compensar; d) em observância a legislação, o Itaú Unibanco, na qualidade de estipulante do contrato de seguro firmado com a seguradora, ora Recorrente, recolheu o IOF incidentes sobre as operações de seguros do período de 21/08/2008 a 20/09/2008, na medida em que os prêmios eram pagos (conforme demonstrado no corpo do recurso) e que os demonstrativos dos montantes contabilizados na conta transitória 4997.080.073.000, com a movimentação diária divididas por decêndio e os DARFs pertinentes aos eventos comprovam que os valores foram recolhidos pelo Itaú Unibanco; e) a fim de comprovar o ora alegado e permitir o cotejo entre os recolhimentos, a Recorrente junta aos autos: telas sistema interno da Recorrente, nas quais constam os dados das apólices que motivaram o recolhimento indevido do IOF; cópia da 2ª via, emitida, por amostragem, em 23/01/2014, das apólices de seguros firmadas entre a Recorrente e o Itaú Unibanco e bases de dados analítica dos clientes segurados e conciliação com os aditamentos de apólices emitidos pela Itaú Seguradora com base nos repasses dos Prêmios que geraram a duplicidade de recolhimento de IOF pela Recorrente. f) com efeito, a Recorrente assumiu o encargo financeiro, condição para fazer jus à restituição do valor recolhido indevidamente, conforme artigo 166 do CTN; g) quanto a alegada divergência de períodos de apuração do IOF apontada no acórdão recorrido, não merece prosperar, tendo em vista que o recolhimento do IOF ocorre em dois momentos sobre o mesmo fato gerador, quais sejam, sobre os prêmios pagos das operações de seguros do período de 21/08/2008 a 20/09/2008, pelo Itaú Unibanco, e sobre o repasse, em 25/09/2008 (no 3º decêndio de setembro de 2008), pela Recorrente. Por fim, ante todo o exposto, a considerando o Princípio da Verdade Material, visto que o direito da Recorrente à compensação resta devidamente comprovado nos autos, o acórdão recorrido deve ser reformado, homologandose, por conseguinte, a compensação pretendida. O recurso voluntário apresentado foi apreciado pelo colegiado do CARF (extinta 2ª TE), decidindo no seguinte sentido (conforme Resolução nº 3802000.252, de 20/08/2014 – fls. 240/245): "Neste caso, considerandose a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal e visando uma melhor aplicação do Direito, bem como às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), decidiuse pela conversão do julgamento em diligência, para que os autos retornassem à DRF do domicílio tributário do recorrente, para com base nos documentos anexados aos autos (fls.108/237), elabore parecer sobre: a) quanto a divergência no período de apuração referenciado, uma vez que o Recorrente pontua que decorre do fato do Itaú Unibanco ter recolhido o IOF à medida que os Fl. 285DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16327.904948/201235 Acórdão n.º 3402002.947 S3C4T2 Fl. 283 5 prêmios eram pagos (por ser o responsável tributário) e ter se equivocado e recolhido o IOF quando do repasse dos prêmios pelo Itaú Unibanco. E ainda, em que pese tal ocorrido, verificar e informar, se procede tal alegação e se ambos os recolhimentos de IOF referemse, de fato, ao mesmo fato gerador; b) quanto aos dados e informações registrados nos documentos contábeis e de controles interno anexo aos autos (contratos, DARF), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo agente fazendário, verificar: b.1) se, conforme alegado em seu recurso, o responsável tributário (Itaú Unibanco) ter efetivamente retido e recolhido o IOF, e por equívoco o Recorrente também o fez sobre o repasse dos prêmios, ocorridos em 25/09/2008 (no 3º decêndio de setembro de 2008), no montante de R$ 136.598,58. Isto porque fazendo prova, apresenta documentação contábil – extrato de contas do Livro Razão, conta recolhimento 4801.035.000.000 – Provisão e Baixa do DARF de R$ 1.245.486,70 e conta 1914.351.000.000IOF a compensar; b.2) análise dos recolhimentos demonstrados nas telas do sistema interno da Recorrente, nas quais constam os dados das apólices que motivaram o recolhimento indevido do IOF; cópia da 2ª via, emitida em 23/01/2014, por amostragem, das apólices de seguros firmadas entre a Recorrente e o Itaú Unibanco e bases de dados analítica dos clientes segurados e conciliação com os aditamentos de apólices emitidos pela Itaú Seguradora com base nos repasses dos Prêmios que geraram a duplicidade de recolhimento de IOF pela Recorrente; c) após todo cotejo, emitir informação sobre a comprovação do direito creditório (valores) e se, comprovadamente, a Recorrente assumiu o encargo financeiro em atendimento ao artigo 166 do CTN. Em seguida, seja cientificada a Recorrente, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestese sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. Em atendimento à Resolução nº 3802000.252, de 20/08/2014, a Diort/DEINF de São Paulo (SP) Unidade de jurisdição da Recorrente, emitiu a Informação Fiscal de fls. 247/248, que no texto, a autoridade fiscal reconhece que não foi possível uma verificação conclusiva a respeito do crédito pleiteado, conforme pode ser observado no trecho abaixo reproduzido: (...) O presente processo foi encaminhado a esta DEINF/SPO/DIORT pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para que fosse realizada diligência, conforme Resolução nº 3802 000.252 de fls. 240 a 245, limitandose a análise aos documentos constantes dos autos em fls. 108 a 237. A recorrente apresentou a documentação de fls. 192 a 237 para justificar a origem do direito creditório no valor original de R$ 136.598,58. As operações e seus valores estão detalhados na tabela de fls. 192. Todas as operações com data de crédito 23/09/2008 e data Fl. 286DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 de vencimento 25/09/2008, totalizando um valor original de R$ 131.507,73. Não foi possível estabelecer a correspondência entre estas operações e os lançamentos contábeis do Banco Itaú Unibanco. Também não foi possível estabelecer a correspondência entre estas operações e os lançamentos contábeis da Seguradora Itaú Seguros. Respondendo aos quesitos levantados pelo CARF, informamos que não foi possível uma verificação conclusiva a respeito do crédito pleiteado, com base nos documentos de fls. 108 a 237. (...) De acordo. Intimese o interessado a tomar ciência da presente informação, facultado o direito de se manifestar no prazo de 20 dias. Após encaminhese o processo a 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (grifamos). Em 03/11/2014, a recorrente foi regularmente intimada da Informação Fiscal acima (fl. 250), sendo que em 13/11/2014, protocolou sua Manifestação sobre o conteúdo da Relatório de Diligência mencionado (fls. 252/258), onde se insurge contra o não reconhecimento do direito de crédito requerido e para tanto alega os argumentos abaixo sintetizados: a) aduz que o direito creditório decorre de pagamento a maior de IOF, referente ao 3º decêndio de setembro/2008, incidente sobre os repasses dos prêmios de operações de seguros, cuja responsabilidade pelo recolhimento do imposto, nesta situação, é da instituição financeira estipulante encarregada da cobrança pelo prêmio que, neste caso, é o Itaú Unibanco S/A, conforme disposto no item 4.2 do Manual do Segurado (reproduzido); b) No que tange a responsabilidade pelo recolhimento do IOF, importante frisar que a disposição contida no Manual mencionado encontra respaldo nos dispositivos legais que regem a matéria e que com base neste dispositivo legal (art. 20, do Decreto nº 6.306/2007), o Itaú Unibanco providenciou o recolhimento do IOF à medida que os prêmios eram pagos, sobre as operações ocorridas no período de 21.08.2008 a 20.09.2008 (elabora um demonstrativo); c) que os referidos valores recolhidos por meio de DARF apresentados nos autos, foram devidamente contabilizados pelo Itaú Unibanco na conta transitória nº 4997.080.073.000, com movimentação diária do IOF sobre operações de seguros, divididos por decêndio (demonstra). Para corroborar a devida contabilização, apresentamos nesta oportunidade, o razão contábil daquela empresa, com a provisão do IOF sobre as operações de seguros e baixa dos valores recolhidos, devidamente escriturados na conta 4801.351.000 – “TR/IOF S/SEGUROS”; d) posteriormente, conforme documentos nos autos, o Itaú Unibanco repassou os valores a Recorrente, sem a inclusão do IOF pago, posto que efetuou a retenção do tributo quando do pagamento dos prêmios; e) que apesar de todo exposto, a Recorrente, por equívoco, também efetuou o recolhimento do imposto quando do repasse dos valores pelo Itaú Unibanco, conforme DARF anexados e devidamente contabilizados, conforme razão contábil apenso aos autos; f) que tais informações, são de fácil verificação, visto que nos autos foram acostados (i) os relatórios analíticos e (ii) telas dos sistemas internos da requerente. Informa ainda que, como informado, a Recorrente procedeu o recolhimento do IOF em 03.10.2008, no Fl. 287DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16327.904948/201235 Acórdão n.º 3402002.947 S3C4T2 Fl. 284 7 valor de R$ 136.598,58, quando do repasse, pelo responsável tributário (Itaú Unibanco), ocorrido aos 25.09.2008. Demonstra em seu recurso a Agenda Tributária, conforme ADE Codac nº 13/2008. Por fim, solicita que, caso não seja provido seu pedido, que seja o processo novamente convertido em diligência para que a unidade de origem providencie novamente a análise detalhada dos documentos juntados. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra A respectiva manifestação da Recorrente há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Como já frisado, no caso sob análise, temos que a retenção na fonte de IOF incidente sobre operações de seguro, foi efetuado pelo Itaú Unibanco, CNPJ 60.701.190/000104. Afirma a Recorrente que o montante devido no 3º decêndio de setembro de 2008 foi devidamente recolhido por aquela pessoa jurídica, tendo a própria Recorrente recolhido igual valor, indevidamente, vez que a responsável legal pela retenção e recolhimento era o Itaú Unibanco na qualidade de estipulante do contrato de seguro. A controvérsia trata de questão de prova, pois quando da conclusão do Despacho Decisório, foi constatado ausência de prova reputada indispensável pela Fazenda, para fim de análise dos requisitos da certeza e liquidez do crédito informado na DCOMP colacionada aos autos, uma vez que, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Tal decisão, que foi integralmente mantida pelo Acórdão recorrido, fica reforçada quando foi constatado, após o retorno da diligência solicitada, que: "(...) A recorrente apresentou a documentação de fls. 192 a 237 para justificar a origem do direito creditório no valor original de R$ 136.598,58. As operações e seus valores estão detalhados na tabela de fls. 192. Todas as operações com data de crédito 23/09/2008 e data de vencimento 25/09/2008, totalizando um valor original de R$ 131.507,73. Não foi possível estabelecer a correspondência entre estas operações e os lançamentos contábeis do Banco Itaú Unibanco. Também não foi possível estabelecer a correspondência entre estas operações e os lançamentos contábeis da Seguradora Itaú Seguros. Respondendo aos quesitos levantados pelo CARF, informamos que não foi possível uma verificação conclusiva a respeito do crédito pleiteado, com base nos documentos de fls. 108 a 237”. Quanto a divergência dos períodos de apuração constante da decisão da DRJ acima citada, a recorrente pontua que decorre do fato do Itaú Unibanco ter recolhido o IOF à medida que os prêmio eram pagos e a Recorrente ter se equivocado e recolhido o IOF quando do repasse do prêmio pelo Itaú Unibanco. Em que pese tal ocorrido, ambos os recolhimentos de IOF referemse ao mesmo fato gerador. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Como visto, a autoridade administrativa não homologou a compensação efetuada pelo contribuinte pois “não é um crédito líquido e certo nos termos do art. 170 do CTN, por estar em discussão administrativa e, portanto, não é passível de reconhecimento para utilização na compensação de débitos.” A Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), ao tratar do instituto da compensação tributária, trouxe as seguintes disposições: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.” (grifouse) Vale frisar, sem embargo, que no que tange ao instituto da compensação é ônus do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170 do CTN. Nesse sentido, imprescindível analisar se o contribuinte recompôs nos autos o crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado para compensação. Nesse diapasão, ressaltando os argumentos da Recorrente em seu recurso e na busca da verdade material, o processo foi, por decisão desta Turma, convertido em Diligência para análise e informações da Delegacia da RFB de origem, que após os exames dos documentos que se encontra acostados nos autos, a DEINF se pronunciou da seguinte forma: (...) Não foi possível estabelecer a correspondência entre estas operações e os lançamentos contábeis do Banco Itaú Unibanco. Também não foi possível estabelecer a correspondência entre estas operações e os lançamentos contábeis da Seguradora Itaú Seguros. Respondendo aos quesitos levantados pelo CARF, informamos que não foi possível uma verificação conclusiva a respeito do crédito pleiteado, com base nos documentos de fls. 108 a 237. Como já dito, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, afim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art.15.A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art.16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (RedaçãodadapelaLeinº8.748,de1993)” Fl. 289DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16327.904948/201235 Acórdão n.º 3402002.947 S3C4T2 Fl. 285 9 No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art.283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Já o artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b)refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Da análise das normas supracitadas, quedase clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da Recorrente, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade. Neste escopo e como já abordado, decidiuse pela conversão do julgamento em diligência, para que os autos retornassem à DRF do domicílio tributário do recorrente, para com base nos documentos anexados aos autos (fls.108/237), elaborasse parecer sobre o alegado crédito. No entanto, quando do retorno dos autos para novamente ser apreciado pela Turma, restou, que não foi possível comprovar a liquidez e a certeza do indébito solicitado, pois o Fisco informa em seu relatório de diligência que “não foi possível uma verificação conclusiva a respeito do crédito pleiteado” (fl. 247). Como já dito, a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 E a não comprovação da certeza e da liquidez dos referidos créditos, materializada na apresentação da documentação insuficiente à verificação do direito creditório alegado, não pode redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Portanto, a realidade em exame não se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente. Do pedido para novamente converter o processo em diligência O Decreto nº 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal, em seção dedicada ao respectivo procedimento fiscal, assim dispôs sobre o pedido e processamento de diligências: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) ... § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1o da Lei no 8.748/93).Negritei. No presente caso, a Recorrente requer o deferimento de nova conversão em diligência para fins de constatação da veracidade dos fatos alegados. Inicialmente, cumpre destacar que já foi realizada a diligência, conforme Resolução nº 3802000.252, de 20/08/2014 (da extinta 2ª TE, fls. 240/245), para o atendimento das verificações desejadas por este Colegiado. Como é cediço, a realização de diligências ou perícias, sendo faculdade que assiste ao julgador administrativo quando entendêlas necessárias à formação de sua convicção, se presta para dirimir suas dúvidas em relação ao conjunto probatório carreado aos autos, e não, como deseja a recorrente, para suprir o ônus que lhe cabe de juntada dos elementos de prova do direito creditório alegado. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. Decorre também do mencionado preceito do CTN que não faz sentido baixar novamente o processo em diligência para exame da documentação comprobatória do suposto crédito alegado, visto que tal procedimento já foi efetuado e o seu resultando proferido pela autoridade fiscal, conforme o contido no documento de fls. 247/248. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16327.904948/201235 Acórdão n.º 3402002.947 S3C4T2 Fl. 286 11 Portanto, vêse que o Recorrente teve a oportunidade de juntar os documentos que julgasse relevantes e esclarecedores e não o fez de forma satisfatória no momento oportuno. Dessa forma, indefiro o presente pedido de diligência. Conclusão Pelos motivos acima expostos, e tendo o Recorrente disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório, e não o fazendo no momento apropriado, deve ser negado provimento ao recurso voluntário ora analisado. Posto isto, conheço do recurso voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 13884.000214/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
A falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, dos valores deduzidos a título de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica na manutenção das despesas glosadas.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2201-002.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer as despesas médicas no valor R$ 7.320,00.
assinado digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente Substituto
assinado digitalmente
IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relatora.
EDITADO EM: 12/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ . Ausente, justificadamente, o Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JÚNIOR (Presidente).
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. A falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, dos valores deduzidos a título de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica na manutenção das despesas glosadas. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer as despesas médicas no valor R$ 7.320,00. assinado digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Presidente Substituto assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Relatora. EDITADO EM: 12/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 02 14 /2 01 1- 91 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 13884.000214/201191 Acórdão n.º 2201002.877 S2C2T1 Fl. 191 2 LUSTOSA DA CRUZ . Ausente, justificadamente, o Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JÚNIOR (Presidente). Relatório MARIA CONCEIÇÃO CALIL, recorre da decisão proferida no acórdão 16 42.007 – 21ª Turma da DRJ/SP1, de 22 de novembro de 2012, fls. 167/175, que julgou improcedente sua impugnação. Transcrevo o relatório do voto condutor do acórdão recorrido, por bem definir o litígio: O processo referese à Notificação de Lançamento de fls. 05 e seguintes (folhas do processo digitalizado), com o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, relativo ao anocalendário de 2007, no valor originário de R$ 67.183,37, mais a correspondente multa de ofício de 75% e juros de mora, bem como Imposto de Renda resultante de compensação indevida de Imposto de Renda retido na Fonte, no valor originário de R$ 807,69 mais a correspondente multa de mora de 20% e juros de mora. Conforme relatado pela fiscalização na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (às fls. 06, 07 e 08), o imposto suplementar lançado por meio da Notificação de Lançamento em tela tem por base alterações nos valores informados na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário em questão, decorrentes de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, glosa de dedução indevida a título de despesas médicas e compensação indevida de Imposto de Renda retido na fonte. DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte apresentou impugnação em 09/02/2011, anexa às fls 02 e seguintes, cujo protocolo foi considerado tempestivo, conforme consta em despacho emitido pela unidade de origem, às fls. 164. Alega que: 1. Os valores de Imposto de Renda retidos na fonte compensados correspondem aos registrados nos informes de rendimentos financeiros fornecidos pelas fontes pagadoras; 2. Os valores deduzidos a título de despesas médicas referemse a despesas do próprio contribuinte; 3. Não houve omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, pois o valor declarado corresponde ao efetivamente pago pela fonte pagadora. Busca fundamentar a impugnação, carreando aos autos os documentos de fls. 11 a 56 e 140 a 160. DA REVISÃO DE OFÍCIO E DESPACHO DECISÓRIO Fl. 191DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 13884.000214/201191 Acórdão n.º 2201002.877 S2C2T1 Fl. 192 3 Conforme consta em Despacho de Encaminhamento, emitido em 17/02/2011 por SECAT / DRF São José dos Campos, após a apresentação de impugnação, os autos foram encaminhados para revisão de lançamento, conforme disposto no artigo 2º, §§ 1º e 2º da Norma de Execução Conjunta Cofis / Codac nº 03 de 23/12/2010 (às fls. 73). Em 29/07/2011, a SEFIS / DRF São José dos Campos intimou as prestadoras de serviços Sul América Companhia de Seguro Saúde e Unimed de São José dos Campos a apresentar a relação dos beneficiários do plano de saúde que tem por titular o contribuinte notificado, nos anoscalendário de 2007 e 2008, discriminando valores pagos correspondentes a cada um, bem como, informar se houve reembolso, e sendo o caso apresentar a relação dos valores por beneficiário do plano de saúde (às fls. 74 a 77). As empresas intimadas apresentaram os esclarecimentos solicitados, anexos às fls. 78 a 95, que foram analisados no procedimento de revisão de lançamento. A unidade de origem emitiu Termo de Intimação, com recebimento por via postal e ciência em 29/09/2011 (às fls. 99), por meio do qual intimouse o contribuinte a apresentar elementos / esclarecimentos sobre despesas médicas deduzidas, rendimentos auferidos, bem como sobre o recolhimento de Imposto de Renda compensado, conforme discriminado às fls. 96 a 98. Em 20/10/2011, a parte interessada solicitou a prorrogação de prazo para a apresentação dos documentos solicitados (às fls. 100 a 117). Foi emitido novo Termo de Intimação, com recebimento por via postal e ciência em 01/03/2012 (às fls. 118 a 121). O trabalho de revisão de ofício do lançamento, a partir da análise dos documentos apresentados pelo contribuinte, foi realizado em conformidade com o artigo 6º A, da IN RFB nº 958/2009, com a redação dada pela IN RFB nº 1.061/2010, resultando na emissão de Termo Circunstanciado, em 02/05/2012 (às fls. 122 a 125) Na seqüência, foi emitido Despacho Decisório SEFIS / DRF / São José dos Campos nº 150 de 03/05/2012 (às fls. 126), por meio do qual deferiuse parcialmente o pedido de revisão de lançamento, concluindose pela procedência parcial do lançamento em questão, com a exclusão da rubrica referente à omissão de rendimentos e de parte da glosa de compensação indevida de Imposto de Renda retido na fonte, no valor de R$ 49.128,30, bem como pelo restabelecimento de parte das deduções a título de despesas médicas. Portanto, permanece nos autos a glosa parcial de dedução indevida a título de despesas médicas por falta de comprovação de seu efetivo pagamento, bem como glosa de compensação indevida de Imposto de Renda, por falta de comprovação da Fl. 192DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 13884.000214/201191 Acórdão n.º 2201002.877 S2C2T1 Fl. 193 4 correspondente retenção na fonte, resultando no lançamento relativo ao anocalendário 2007, transcrito abaixo: (...) Conforme consta nos autos às fls. 127 e 128, o contribuinte foi cientificado em 24/08/2012, do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório, sobre a revisão do lançamento com a manutenção parcial da exigência. O contribuinte manifestouse em 21/09/2012, agregando aos autos os documentos de fls. 139 a 160, que correspondem a cópias de canhotos de cheques emitidos e de extratos bancários, alegando que com os mesmos comprova a prestação de serviços e o seu efetivo pagamento. Ao final, solicita o cancelamento da intimação e a retificação do Despacho Decisório. Diante da manifestação por parte do interessado, os autos foram encaminhados a esta delegacia de julgamento para apreciação da parte remanescente do lançamento efetuado pela fiscalização. Cientificada às fls.180, em 07 de dezembro de 2012, interpõe o recurso voluntário de fls.182/183, em 08 de janeiro de 2013. Recorre, apenas, da não aceitação dos recibos de despesas médicas. Oferece a relação de pagamento com os cheques e as datas dos lançamentos bancários. Reclama da falta de aceitação da autoridade de primeiro grau desta prova. Elenca os cheques e os beneficiários, na ordem seguinte. Beneficiário cheque data valor Unipot Ltda CX3298 02.02.2007 400,,00 46.910.931/000128 3324 09.02.2007 400,,00 3341 16.02.2007 400,,00 3349 23.02.2007 400,,00 3362 02.03.2007 400,,00 3376 09/03/2007 400,,00 Wavmed Ltda 3480 08.05.2007 180,00 04.817.902/000176 3536 22.05.2007 180,00 3630 31.07.2007 180,00 3722 30.08.2007 180,00 3791 08.10.2007 180,00 3849 09.11.2007 180,00 3877 03.12.2007 180,00 Reoclin Ltda 3827 31.10.2007 180,00 53.313.458/000167 3901 13.12.2007 1.524,00 BB3268 22.01.2007 235,00 CX3306 08.02.2007 200,00 3423 02.04.2007 81,00 Clin.Mol.Vasculares. BB3253 15.01.2007 510,00 02.076.415/000174 BB3280 24.01.2007 510,00 CX3369 06.03.2007 640,00 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 13884.000214/201191 Acórdão n.º 2201002.877 S2C2T1 Fl. 194 5 É o Relatório. Voto Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade e dele conheço. Remanesce em litígio a falta de comprovação de despesas médicas declaradas. Consignou a autoridade julgadora o seguinte: (item 8, fls.124/125): 8.Relativamente às despesas médicas declaradas em nome de UNIPOT Unidade P. de Ortopedia e Traumatologia CNPJ 46.910.931/000128, no valor de R$2.000,00(fls.15/17), em nome de Wander Cyrio Nogueira CPF233.606.588.58868, no valor de 1.520,00(fls.14), em nome de Wavmed Serv.Médicos S/CLtda CNPJ 04.817.902/000176, no valor de R$ 1.440,00(fls.18/21) em nome de Reoclin Ltda CNPJ 53.313.458/000167, no valor de R$ 2.880,00(fls.25/27) e em nome de Clínica de Moléstias Vasculares. CNPJ 02.076.415/000174, no valor de R$ 2.170,00 (fls.30/31), foi a contribuinte em 29/09/2011(95/98)e em 01/03/2012fls.117/120), intimada a apresentar à fiscalização os documentos que comprovem: 8.1.1 O efetivo pagamento dos recibos apresentados na impugnação, mediante cópias de cheques, comprovantes de transferência bancária ou extratos bancários comprovando o saque das importâncias correspondentes, com datas e valores compatíveis, caso os pagamentos tenham sido feitos em moeda corrente; 8.1.2 A efetividade dos serviços prestados relativos as despesas declaradas, mediante receituário, exames de qualquer tipo, fichas de acompanhamento, ou qualquer documento que a contribuinte disponha e que dele conste o nome do profissional e do beneficiário do tratamento indicado no recibo. 8.1.3 Esclareço que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou a justificação, a juízo da autoridade lançadora nos termos do Decretolei 5844, de 1943, art 11§§ 1º e 3º, e segundo o § 4º desse mesmo artigo, se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. 8.1.4 Assim considerando que o ônus da prova recai sobre aquele que o benefício se aproveita, cabe ao contribuinte produzir as provas dos fatos consignados em sua declaração de rendimentos, sob pena de não têlos aceitos pelo Fisco. (..) Fl. 194DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 13884.000214/201191 Acórdão n.º 2201002.877 S2C2T1 Fl. 195 6 8.1.6 No presente caso, tendo transcorrido o prazo estipulado nas intimaçãoes, sem que a contribuinte tivesse manifestado qualquer interesse em apresentar os documentos solicitados, concluise pela manutenção da glosa dessas despesas médicas. Em sede de manifestação de inconformidade contra os despacho do qual transcrevi acima alguns trechos, a Recorrente juntou, às fls. 141/143 os canhotos dos cheques onde apontou pagamentos. E às fls. 145/160 ofereceu extratos da Nossa Caixa e Banco do Brasil, onde é possível ver a compensação de vários cheque mas a autoridade julgadora não aceitou a comprovação. No recurso voluntário a Contribuinte junta mais cópias de extratos bancários e pede que se examine os recibos e extratos correspondentes às despesas conforme tabela constante do relatório. Todavia, examinei, apenas, os documentos juntados em sede de impugnação, por não haver qualquer evento superveniente que justificasse à recorrente não apresentar as provas no momento processual oportuno. O resultado se reflete na tabela que segue: Beneficiário cheque data valor fls. Unipot Ltda CX3298 02.02.2007 400,,00 147 46.910.931/000128 3324 09.02.2007 400,,00 147 3341 16.02.2007 400,,00 148 3349 23.02.2007 400,,00 148 3362 02.03.2007 400,,00 149 3376 09/03/2007 180,00 149 Wavmed Ltda 3480 08.05.2007 180,00 151 04.817.902/000176 3536 22.05.2007 180,00 152 3630 31.07.2007 180,00 153 3722 30.08.2007 180,00 154 3791 08.10.2007 180,00 156 3849 09.11.2007 180,00 158 3877 03.12.2007 180,00 159 Reoclin Ltda 3827 31.10.2007 180,00 157 53.313.458/000167 3901 13.12.2007 1.524,00 160 BB3268 22.01.2007 235,00 146 CX3306 08.02.2007 200,00 147 3423 02.04.2007 81,00 150 Clin.Mol.Vasculares. BB3253 15.01.2007 510,00 145 02.076.415/000174 BB3280 24.01.2007 510,00 146 CX3369 06.03.2007 640,00 149 TOTAL 7.320,00 No que tange às despesas médicas dispõe o Decreto 3000/99: art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e Fl. 195DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 13884.000214/201191 Acórdão n.º 2201002.877 S2C2T1 Fl. 196 7 próteses ortopédicas e dentárias (Lei 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea a). § 1º O disposto neste artigo (Lei 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I — aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II — restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III — limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas — CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica — CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Assim, cotejando os recibos com os cheques compensados e ante as especialidades que acoberta (ortopedia, dentista, doenças vasculares) e em se tratando de contribuinte idoso, é crível que os serviços tenham sido prestados. Outrossim, os recibos não foram emitidos por profissionais sumulados e todos são de pessoa jurídicas. Nessa conformidade encaminho meu voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para restabelecer as deduções acima apontadas, no valor total de R$ 7.320,00, no ano calendário de 2007. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Fl. 196DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH
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Numero do processo: 13864.000027/2005-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
Multa Qualificada. Fraude. Conceituação Legal. Vinculação da Atividade do Lançamento.
A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação da fraude, lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, § 1º, Lei nº 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identifica-se com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade. A intenção do agente em evadir-se da tributação, demonstra-se desvelada, no presente caso, não se podendo atribuir mero erro, ou impossibilidade de verificação, ou desconhecimento, da reiterada omissão de receitas verificada em quatro trimestres.
Decadência. Dolo. Tributos Sujeitos ao Lançamento por Homologação.
Aplicam-se as disposições legais inseridas no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, para a contagem do lapso temporal e caracteriza-se a decadência, aos contribuintes que agiram com intenção em fraudar a Administração Tributária, ainda que se trate de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos termos do § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional.
Qualificação da Multa. Espólio. Herdeiros de Sócio.
No caso de exigir-se o crédito tributário do espólio, na qualidade de substituto do sujeito passivo solidário, sócio- administrador falecido, descabe a qualificação da multa, por ser da natureza personalíssima, ou seja, inerente à vontade do agente em fraudar a Administração Tributária, nos termos do artigo 137 do Código Tributário Nacional.
Nulidade. Lançamento Tributário.
Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material.
Nulidade dos Lançamentos Tributários. Inobservância da Norma Tributária. Peridiocidade da Ocorrência dos Fatos Geradores. PIS e Cofins. Fato Gerador Mensal. Reconhecimento de ofício.
A exigência fiscal das contribuições, PIS e Cofins, em bases trimestrais não encontra amparo legal, razão pela qual fere o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ensejando a nulidade material do lançamento tributário. Matéria que deva ser reconhecida de ofício, por ser de ordem pública.
Numero da decisão: 1302-001.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em: 1. Relativamente ao recurso voluntário interposto por Percy Agropecuária Ltda: 1.1) Por maioria de votos, foi REJEITADA a arguição de nulidade do lançamento das exigências reflexas por ausência de MPF, votando pelas conclusões o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior e divergindo a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio; 1.2) por maioria de votos, foi declarada a NULIDADE das exigências de Contribuição ao PIS e da COFINS suscitada pela Relatora Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, divergindo os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior e Edeli Pereira Bessa, que mantinham parcialmente as exigências; 1.3) por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade e à decadência, votando pelas conclusões a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio; e 2) relativamente ao recurso voluntário interposto por José Perci Ribeiro da Costa (Espólio): 2.1) por unanimidade de votos, foi REJEITADA a arguição de nulidade da imputação de responsabilidade solidária por ausência de MPF emitido contra o responsável; 2.2) por maioria de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à imputação de responsabilidade, divergindo a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio; 2.3) por maioria de votos, foi DADO PROVIMENTO PARCIAL relativamente à multa imputada ao responsável, divergindo a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Rogério Aparecido Gil, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Edeli Pereira Bessa.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 Multa Qualificada. Fraude. Conceituação Legal. Vinculação da Atividade do Lançamento. A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação da fraude, lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, § 1º, Lei nº 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identifica-se com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade. A intenção do agente em evadir-se da tributação, demonstra-se desvelada, no presente caso, não se podendo atribuir mero erro, ou impossibilidade de verificação, ou desconhecimento, da reiterada omissão de receitas verificada em quatro trimestres. Decadência. Dolo. Tributos Sujeitos ao Lançamento por Homologação. Aplicam-se as disposições legais inseridas no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, para a contagem do lapso temporal e caracteriza-se a decadência, aos contribuintes que agiram com intenção em fraudar a Administração Tributária, ainda que se trate de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos termos do § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Qualificação da Multa. Espólio. Herdeiros de Sócio. No caso de exigir-se o crédito tributário do espólio, na qualidade de substituto do sujeito passivo solidário, sócio- administrador falecido, descabe a qualificação da multa, por ser da natureza personalíssima, ou seja, inerente à vontade do agente em fraudar a Administração Tributária, nos termos do artigo 137 do Código Tributário Nacional. Nulidade. Lançamento Tributário. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. Nulidade dos Lançamentos Tributários. Inobservância da Norma Tributária. Peridiocidade da Ocorrência dos Fatos Geradores. PIS e Cofins. Fato Gerador Mensal. Reconhecimento de ofício. A exigência fiscal das contribuições, PIS e Cofins, em bases trimestrais não encontra amparo legal, razão pela qual fere o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ensejando a nulidade material do lançamento tributário. Matéria que deva ser reconhecida de ofício, por ser de ordem pública.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: 1. Relativamente ao recurso voluntário interposto por Percy Agropecuária Ltda: 1.1) Por maioria de votos, foi REJEITADA a arguição de nulidade do lançamento das exigências reflexas por ausência de MPF, votando pelas conclusões o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior e divergindo a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio; 1.2) por maioria de votos, foi declarada a NULIDADE das exigências de Contribuição ao PIS e da COFINS suscitada pela Relatora Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, divergindo os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior e Edeli Pereira Bessa, que mantinham parcialmente as exigências; 1.3) por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade e à decadência, votando pelas conclusões a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio; e 2) relativamente ao recurso voluntário interposto por José Perci Ribeiro da Costa (Espólio): 2.1) por unanimidade de votos, foi REJEITADA a arguição de nulidade da imputação de responsabilidade solidária por ausência de MPF emitido contra o responsável; 2.2) por maioria de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à imputação de responsabilidade, divergindo a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio; 2.3) por maioria de votos, foi DADO PROVIMENTO PARCIAL relativamente à multa imputada ao responsável, divergindo a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Rogério Aparecido Gil, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Edeli Pereira Bessa.
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MPF COMPLEMENTAR. AUSÊNCIA ENTREGA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar ao se tratar das exigências dos tributos reflexivos cobrados em razão da exigência de IRPJ, constatada omissão de receitas, não é exigida, nos termos do artigo 9º da Portaria SRF nº 6.087/2005. NULIDADE. AUSÊNCIA DE MPF. ESPÕLIO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. Não há previsão em norma tributária de emissão de Mandado de Procedimento Fiscal para a responsabilização de terceiro, na qualidade de sujeito passivo solidário. NULIDADE. MPF OBRIGATORIEDADE DE EMISSÃO. O MPF é mero instrumento de controle da atividade de fiscalização no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de modo que eventual irregularidade na sua expedição, ou nas renovações que se seguem, não acarreta a nulidade do lançamento. ESPONTANEIDADE. REAQUISIÇÃO. Nos termos do artigo 7º, inciso I e § 1º, do Decreto nº 70.235/72, o procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 00 27 /2 00 5- 05 Fl. 812DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA 2 Anocalendário: 2000 MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CONCEITUAÇÃO LEGAL. VINCULAÇÃO DA ATIVIDADE DO LANÇAMENTO. A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação da fraude, lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, § 1º, Lei nº 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identificase com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade. A intenção do agente em evadirse da tributação, demonstrase desvelada, no presente caso, não se podendo atribuir mero erro, ou impossibilidade de verificação, ou desconhecimento, da reiterada omissão de receitas verificada em quatro trimestres. DECADÊNCIA. DOLO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Aplicamse as disposições legais inseridas no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, para a contagem do lapso temporal e caracterizase a decadência, aos contribuintes que agiram com intenção em fraudar a Administração Tributária, ainda que se trate de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos termos do § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ESPÓLIO. HERDEIROS DE SÓCIO. No caso de exigirse o crédito tributário do espólio, na qualidade de substituto do sujeito passivo solidário, sócio administrador falecido, descabe a qualificação da multa, por ser da natureza personalíssima, ou seja, inerente à vontade do agente em fraudar a Administração Tributária, nos termos do artigo 137 do Código Tributário Nacional. NULIDADE. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. NULIDADE DOS LANÇAMENTOS TRIBUTÁRIOS. INOBSERVÂNCIA DA NORMA TRIBUTÁRIA. PERIDIOCIDADE DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. PIS E COFINS. FATO GERADOR MENSAL. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. A exigência fiscal das contribuições, PIS e Cofins, em bases trimestrais não encontra amparo legal, razão pela qual fere o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ensejando a nulidade material do lançamento tributário. Matéria que deva ser reconhecida de ofício, por ser de ordem pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: 1. Relativamente ao recurso voluntário interposto por Percy Agropecuária Ltda: 1.1) Por maioria de votos, foi REJEITADA a arguição de nulidade do lançamento das exigências reflexas por ausência de MPF, votando pelas conclusões o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior e divergindo a Conselheira Daniele Fl. 813DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 13864.000027/200505 Acórdão n.º 1302001.732 S1C3T2 Fl. 3 3 Souto Rodrigues Amadio; 1.2) por maioria de votos, foi declarada a NULIDADE das exigências de Contribuição ao PIS e da COFINS suscitada pela Relatora Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, divergindo os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior e Edeli Pereira Bessa, que mantinham parcialmente as exigências; 1.3) por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade e à decadência, votando pelas conclusões a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio; e 2) relativamente ao recurso voluntário interposto por José Perci Ribeiro da Costa (Espólio): 2.1) por unanimidade de votos, foi REJEITADA a arguição de nulidade da imputação de responsabilidade solidária por ausência de MPF emitido contra o responsável; 2.2) por maioria de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à imputação de responsabilidade, divergindo a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio; 2.3) por maioria de votos, foi DADO PROVIMENTO PARCIAL relativamente à multa imputada ao responsável, divergindo a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Rogério Aparecido Gil, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Edeli Pereira Bessa. Relatório Tratamse de Recursos Voluntários (efls. 577 a 615 e 662 a 685) oferecidos contra o Acórdão nº 1447.050/13, proferido pela 13ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, efls. 512 a 555, por Percy Agro Pecuária Ltda. e pela pessoa física José Perci Ribeiro da Costa, guindado a responsável solidário, atualmente falecido, pelo que será referenciado por seu espólio (na qualidade de sucessor). Os lançamentos tributários realizados para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, relativos aos anoscalendários de 2000, bem como a responsabilização solidária foram mantidos pela turma julgadora de primeira instância. O aresto restou assim ementado: Data do fato gerador: 31/03/2000, 30/06/2000, 30/09/2000, 31/12/2000 COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL. O AuditorFiscal da Receita Federal é competente para formalizar a exigência de tributo por meio do lançamento de ofício e para nele indicar o sujeito passivo, contribuinte e responsável. OMISSÃO DE RECEITAS. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA 4 Verificada omissão de receita, a autoridade lançadora determinará a base tributável e o imposto devido de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Constatada pela Fiscalização a omissão reiterada de expressiva e vultosa quantia de rendimentos não oferecidos à tributação, resta justificada a imputação de intenção dolosa do agente e o enquadramento da infração tributária como sonegação fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. Em se tratando de exigências reflexas que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. DECADÊNCIA. Na hipótese de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, iniciase a contagem do prazo de decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar a exigência tributária no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, não surtindo qualquer efeito sobre o lançamento a DIPJ retificadora entregue durante ação fiscal. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. JUROS. TAXA SELIC. Nos termos da Lei nº 9.430, de 1996, os juros serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados, assim como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Os referidos Autos de Infração e Termo de Verificações Fiscais foram acostados às efls. 180 a 202 e 176 a 179, respectivamente. Os recorrentes foram cientificados em 13/12/2005. Do termo fiscal verificase a motivação dos lançamentos tributários: Em 24.02.2005, foi enviado ao contribuinte o MPF — Mandado de Ppócedimento Fiscal nº 08.1.20.00.2005.00025 9 (fls. 1) e o Termo de Inicio de Fiscalização (fls. 4) solicitando os extratos bancários de todas as contas mentidas pela empresa junto as instituições bancárias, durante o ano de 2000, bem como, o livro Caixa ou Razão, se existente, com os registros contábeis do mesmo período; Fl. 815DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 13864.000027/200505 Acórdão n.º 1302001.732 S1C3T2 Fl. 4 5 2. A correspondência retornou, em 03.03.2005, com aviso do correio "AUSENTE" e "NAO PROCURADO", apôs três tentativas de entrega, no endereço cadastrado na Receita Federal (fls. 5/6). 3. Assim, em 11.03.2005, o MPF e o Termo de Início de Fiscalização foram enviados no endereço Rua Rubião Junior, 84, sala 93, Centro, SJ Campos, onde funciona a sede de outras empresas do Sr. José Percy Ribeiro da Costa, cuja ciência foi em 14.03.20 (fls. 7); [...] 7. Em 21.062005, o contribuinte, por intermédio de sua procuradora, apresentou extratos bancários do Banco Safra e do Bradesco com as movimentações ocorridas em 2000 e os livros Diário e Razão com as escriturações contábeis do ano calendário de 2000 (fls. 18/70 ); 8. As verificações fiscais nos livros contábeis revelaram um acentuado acréscimo na receita de R$ 937.242,98, de acordo com a DIPJ2001 (fls. 87/91 , entregue em 24/08/2004, para R$ 3.098.749,28, de acordo com a DIPJ —2001 Retificadora (fls. 84/84, entregue em 14.06.2005, o que revela que a escrituração fora refeita no curso da ação fiscal, para adequar as atuais receitas auferidas às respectivas movimentações financeiras independente de pertencerem as atividades fins da empresa; 9. Na DIPJ2001 Retificadora, na qual foram incluídos como rendimentos tributáveis os depósito constantes nos extratos do Banco Safra e do Bradesco, referentes ao anocalendário de 2000, entretanto, como a empresa já se encontrava sob ação fiscal na ocasião, não gozava de espontaneidade; [...] 16. Que apesar das reiteradas alegações de dificuldades no atendimento das intimações, em decorrência dos documentos apreendidos pela Policia Federal em operações de busca e apreensão, a empresa realizou a reescrituração dos livros contábeis e fiscais, portanto, como demonstração de que possui muitos outros documentos apartados e/ou de que são passíveis de obtenção de outra forma; 17.Conforme o item 9 deste Termo, a empresa não gozava de espontaneidade em relação ao tributo fiscalizado, assim, a DIPJ2001 Retificadora, entregue em 14.06.2005, não sendo reconhecida os seus valores declarados para fins tributários em observância aos preceitos legais,e processuais, nem como confissão de dividas. Desta forma, a receita no valor de R$ 2.161.506,30 (fls.162 ) foi lançada para constituição do crédito tributário devido à Fazenda Nacional; 18. Notase que as receitas auferidas no período, era de R$ 937.242,98 1 (fls. 88) para R$ 3.098.749,28 (fls. 85), teve um acréscimo de 230% em relação ao original. Resta claro então que se a empresa não houvesse sido fiscalizada, os valores por ela declarados seriam considerados verdadeiros e com isso obrigada ao recolhimento dos tributos em valores muito inferiores aos efetivamente devidos. Tal fato só não veio ocorrer porque a falsidade das informações prestadas veio a ser apurada no decorrer desta ação fiscal; 19. Desta forma ficou demonstrada a ocorrência de fatos que, em tese, configuram evidente intuito de fraude, conforme definido no art. 71 da Lei n° 4.502/64 e de crime contra ordem tributária tipificado no art. 1º, inciso I da Lei nº Fl. 816DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA 6 8.137/90. Portanto, houve agravamento de multa (150%) no lançamento de ofício, independente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis . 20. Em atendimento ao art. 135, inciso III do CTN, no qual determina que são responsáveis os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado — pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, lavrei o Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome do sóciogerente José Percy Ribeiro da Costa (fls. 193/194). A empresa autuada e o responsável solidário ingressaram tempestivamente1 com os Recursos Voluntários, reiterando os termos das defesas iniciais, a saber: I) Empresa Recorrente: a) ausência de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) para a autuação dos tributos reflexos ao lançamento do IRPJ, no caso, CSLL, PIS e Cofins, o que acarreta a incompetência da autoridade lançadora; entende ser absolutamente imprescindível a emissão de MPF Complementar (MPFC) para haver os lançamentos tributários de PIS, CSLL e Cofins; argumenta ofensa, insanável, ao artigo 10 da Portaria SRF nº 6.087/2005; b) decadência dos lançamentos tributários, consoante regra estipulada no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), uma vez não ter havido qualquer fraude ou simulação praticada pela recorrente, que autorizaria o deslocamento para a regra do artigo 173 daquele diploma legal; a fiscalização considerou a retificação da DIPJ fato para caracterizar a fraude, o que não pode subsistir; argumenta que procedeu aos pagamentos dos tributos exigidos, ainda que de forma parcial, à época da ocorrência dos fatos geradores e cita o Recurso Especial STJ nº 973.733, cujo efeito vincula as decisões do Carf, invocando jurisprudência administrativa neste sentido; junta ao recurso os comprovantes dos pagamentos dos referidos tributos (DARF); desta forma, os fatos geradores que ocorreram em 31/03/2000, 30/06/2000, 30/09/2000 estão fulminados pela decadência, haja vista a ciência das exações fiscais terse dado em 13/12/2005; c) inexistência da fraude a simples retificação da DIPJ não pode servir de comprovação da intenção dolosa do contribuinte de fraudar o fisco; são dois os argumentos da fiscalização: i) a diferença entre o valor da receita declarada na DIPJ original e na DIPJ retificadora é de 230% e, ii) caso não houvesse fiscalização, os valores anteriormente declarados seriam tido como verdadeiros e a recorrente não pagaria os tributos; estes fatos imputados pela fiscalização não se subsumem ao conceito de sonegação prescrito no art. 71 da Lei nº 4.502/64; a empresa não dispunha à época dos documentos para apresentar corretamente a DIPJ, em face da apreensão efetuada pela Polícia Federal; a recorrente apresentou a DIPJ retificadora com os valores corretos da receita bruta auferida, aliás valor este que serviu de base de cálculo para as autuações; invoca a Súmula Carf nº 14; requer o afastamento da acusação de fraude, por ter sido presunção simples da autoridade fiscal, e o cancelamento da cominação da multa na forma qualificada; d) argumenta espontaneidade na declaração dos valores de CSLL, PIS e Cofins, tributos não abordados no MPF emitido para a fiscalização da empresa, sendo que, no presente caso, não houve a emissão do necessário MPFC; destarte, readquiriu a espontaneidade ao declarar os valores destes tributos na DIPJ retificadora, pelo que nulos os lançamentos tributários correspondentes; 1 empresa: ciência eletrônica em 26/12/13 (efls. 574) Recurso em 10/01/14 responsável sol: AR em 17/12/13 (efls. 575) Recurso em 10/01/14 Fl. 817DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 13864.000027/200505 Acórdão n.º 1302001.732 S1C3T2 Fl. 5 7 e) incabível a aplicação da multa de ofício incidente sobre os valores exigidos a título de CSLL, PIS e Cofins, pela razão anteriormente esposada; f) requer insubsistência das multas. II) Responsável Solidário Salientese que em face do falecimento de José Perci Ribeiro da Costa, em 20 de março de 2014 (Atestado de Óbito às efls. 810), o recurso voluntário oferecido será aproveitado pelo espólio do de cujus. a) reitera a argumentação da empresa recorrente no que concerne à necessidade de emissão de MPF para que as autuações recaíssem sobre a pessoa física do recorrente; b) nulidade dos lançamentos tributários contra o recorrente, por não terem sido lavrados os Autos de Infração em seu nome e sim no no nome da empresa, não podendo estes serem substituídos por Termo de Sujeição Passiva Solidária, por ferir a forma necessária ao ato administrativo do lançamento tributário; ofensa ao artigo 9º do Decreto Nº 70.235/72; desconsideração do lançamento tributário com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/96; c) a inclusão do recorrente no pólo passivo da obrigação tributária carece de pressupostos exigidos pelo artigo 135 do CTN; não houve infração à lei, estatuto ou contrato social, nem dissolução irregular da sociedade, pelo que incabível a responsabilização solidária; cita o REsp STJ nº 1.101.728/SP, processado sob o rito do artigo 543C do CPC, que declara "(...) a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstãncia que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (...);cita outros julgados judiciais; d) não houve qualquer conduta dolosa por parte do recorrente com a intenção de fraudar o fisco, sendo mera presunção de dolo o arguído pela fiscalização; reitera os termos do recurso oferecido pela empresa neste concernente; e) solicita, por todas as razões expostas, o cancelamento de todos os efeitos do referido Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado contra si e a sua exclusão do pólo passivo da obrigação tributária. Em sessão, fez sustentação oral pelos recorrentes, Dr. Murilo Marco, OAB/SP nº 238.689. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Fl. 818DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA 8 Conheço dos Recursos Voluntários, por tempestivos. I) Das arguições da empresa recorrente I.a) Ausência dos MPFC para a tributação de CSLL, PIS e Cofins e Espontaneidade na declaração de débitos relativos a estes tributos e os reflexos na cominação da multa de ofício A recorrente equivocase no entendimento versado sobre a Portaria SRF nº 6.087/2005 ao invocar o artigo 10 como não observado e, por esta razão, requerer a nulidade do procedimento fiscal e autuações realizadas para as exigências de CSLL, PIS e Cofins, relacionada com a tributação reflexa do IRPJ, imposto matriz, ou principal. As tributações realizadas de ofício para as exigências de CSLL, PIS e Cofins são decorrentes do lançamento tributário de IRPJ. A omissão de receitas detectada na pessoa jurídica auditada, aliás matéria não contestada pela recorrente, altera a receita bruta da empresa e, por conseguinte, as bases de cálculo das contribuições CSLL, PIS e da Cofins, pelo que denominase tributação reflexiva à tributação de IRPJ. Assim dispõe o artigo 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Nestas hipóteses, diferentemente do entendimento esposado pela recorrente, o MPFC (Complementar) não é exigido. Verifiquese a redação do artigo 9º da Portaria SRF nº 6.087/2005: Art. 9º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. (grifos não pertencem ao original) Ainda que não existisse a referida disposição procedimental, comungo da tese que o espírito da portaria que instituiu o Mandado de Procedimento Fiscal é coibir abusos em procedimentos de fiscalização e conceder segurança aos contribuintes de que o procedimento realizado em sua pessoa (física/jurídica) é de natureza institucional. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 13864.000027/200505 Acórdão n.º 1302001.732 S1C3T2 Fl. 6 9 No presente caso, observase que a fiscalização pautouse pela observância das normas tributárias, materiais e procedimentais, ao se deparar com a situação fática revelada na fiscalização. Acolho a jurisprudência dominante deste CARF ao entender que o Mandado de Procedimento Fiscal é norma de natureza interna corporis e não possui o condão de levar à nulidade o lançamento fiscal pautado na norma tributária vigente, sendo suprido pelos outros termos lavrados pela autoridade fiscal revestida da competência natural de sua função. Reproduzo ementa que espelha como tem se manifestado reiteradamente a jurisprudência administrativa, que acompanho: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislacão vigente. O MPF é mero instrumento de controle da atividade de fiscalizacão no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de modo que eventual irregularidade na sua expedição, ou nas renovações que se seguem, não acarreta a nulidade do lançamento. (CSRF 2" Turma, Recurso n° 203126775, Sessão de 22/01/07, Relatora Maria Tereza Martinez Lopes, Acórdão n° CSRF/0202. 543) Incabível, portanto, no presente caso a arguição da recorrente no sentido de ser exigível a emissão do MPFC para as autuações reflexivas de CSLL, PIS e Cofins. Rejeitada a tese da recorrente, neste tópico, também rejeitamse, por decorrência, as arguições de inaplicabilidade das multas de ofício incidentes sobre as referidas contribuições e de reaquisição de espontaneidade. Somente para esclarecer à recorrente, quanto à espontaneidade no pagamento de tributos: i) a espontaneidade é excluída após o início do procedimento fiscal; ii) as informações prestadas em DIPJ (original ou retificadora) não tem o condão de reaquisição de espontaneidade, pois é documento cuja natureza é meramente informativa; iii) para ser eficaz o efeito da reaquisição da espontaneidade, os contribuintes devem ou declarar os débitos em DCTF, ou realizar os recolhimentos por Darf, antes de iniciado o procedimento de ofício. I.b) Da Multa aplicada na forma qualificada e Da Decadência As duas matérias estão intrinsicamente conectadas, pois a decadência foi afastada, de pronto, tanto pela fiscalização quanto pela turma de julgamento da primeira instância, por terem sido aplicadas as disposições do artigo 173 do CTN para a contagem do período hábil para a fiscalização proceder aos lançamentos tributários, em razão de entenderse que a contribuinte agiu dolosamente, com intenção de fraudar o fisco, e que as suas condutas se enquadram na hipótese descrita no artigo 71 da Lei nº 4.502/64. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA 10 Da mesma forma, qualificouse a multa, pela fraude detectada pela fiscalização. Devese salientar que a autuação recaiu sobre o anocalendário de 2000, sendo que a fiscalização considerou os fatos geradores ocorridos trimestralmente 03/00, 06/00, 09/00 e 12/00 tanto para a exação de IRPJ e CSLL, quanto para a exação das contribuições de PIS e Cofins, e os recorrentes foram cientificados dos lançamentos tributários em 13/12/2005. (Avisos de Recebimento AR às efls. 209 e 210). A recorrente requer a aplicação do parágrafo 4ºdo artigo 150 do CTN para a contagem do prazo decadencial, bem como o cancelamento da multa aplicada na forma qualificada, por não ter agido dolosamente, acrescentando às suas razões o fato de haver recolhido os tributos à época dos fatos geradores (Darf às efls.), ainda que parcialmente, invocando a seu favor o REsp STJ nº 973.733 e a Súmula Carf nº 14. Antes de adentrarse às questões suscitadas neste tópico pela recorrente, abre se um parênteses aqui e devese apreciar matéria não questionada pela recorrente, porém que deva ser conhecida de ofício2, por tratarse de matéria de ordem pública, haja vista cuidar dos pressupostos legais exigidos para a constituição dos lançamentos de tributos, no caso, das contribuições PIS e Cofins. Os referidos lançamentos tributários não podem subsistir, pois os fatos geradores foram equivocadamente tidos, pela fiscalização, como ocorridos trimestralmente, sendo que para estas contribuições a norma tributária prevê a ocorrência mensal dos fatos geradores, nos termos das Leis nºs 9.718/98 (arts. 2º e 3º) c/c 10.637/02 (PIS) e 10.833/02 (Cofins). As exigências de ofício para as contribuições de PIS e Cofins realizadas ao arrepio da norma tributária quanto à peridiocidade da ocorrência dos fatos geradores das contribuições não pode prevalecer e afronta o artigo 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifos não pertencem ao original) O vício constatado nos Autos de Infração acostados às efls. 186 a 190 (Cofins) e às efls. 197 a 201 (PIS) é de natureza material e não pode ser saneado, pelo que insubsistentes os lançamentos tributários para a exigência de PIS e Cofins. Voltando à questão da existência ou não do dolo da contribuinte em fraudar o fisco, constatada a omissão de receitas, importante frisar que a fiscalização tomou como imperativo na caracterização do dolo o fato de a contribuinte haver retificado a DIPJ original 2 Código de Processo Civil (CPC) Art. 267. Extinguese o processo, sem resolução de mérito: (Redação dada pela Lei nº 11.232, de 2005) (...) IV quando se verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; (...) § 3o O juiz conhecerá de ofício, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não proferida a sentença de mérito, da matéria constante dos ns. IV, V e VI;(...) Fl. 821DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 13864.000027/200505 Acórdão n.º 1302001.732 S1C3T2 Fl. 7 11 após o início da fiscalização majorando o valor da receita em 230%, condizente com os valores creditados em suas contas bancárias, as quais exibiu à fiscalização. Para dirimir o conflito, mister é averiguarse o alcance da Súmula CARF nº 14, decidindose, no caso em concreto, se a apuração da omissão de receitas detectada pela fiscalização pode ser caracterizada como simples ou não: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Os acórdãos paradigmas que ensejaram a edição da referida súmula são os de nºs 10194.258/03, 10194.351/03, 10419.384/03, 10419806/04, 10419384/04 e 104 19855/04. Transcrevo parte da ementa do Acórdão nº 10194.258 que bem retrata os demais casos análogos: MULTA QUALIFICADA – OMISSÃO DE RECEITAS – SUBFATURAMENTO DAS VENDAS – Se as provas carreadas aos autos pelo fisco, evidenciam o desvio de receitas de vendas à tributação, com a intenção dolosa de evitar a ocorrência do fato gerador, cabe a aplicação da multa qualificada. MULTA QUALIFICADA – JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – O lançamento da multa qualificada de 150% deve ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Inadmissível a qualificação da multa de ofício sobre a diferença do imposto de renda exigido, calculado sobre a receita declarada, originariamente tributada pelo contribuinte com base no lucro presumido, e posteriormente arbitrada em vista da desclassificação da escrituração contábil, por imprestável. A falta de comprovação da origem dos recursos depositados em contacorrente bancária caracteriza falta simples de presunção de omissão de receitas, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude a ensejar a exasperação da multa de ofício prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Trecho retirado do votocondutor : MULTA QUALIFICADA INCIDENTE SOBRE AS RECEITAS OMITIDAS No caso em análise não se vislumbra a ocorrência de simples erro no preenchimento das declarações, mas sim de típica ocorrência de desvio da tributação de parte das vendas realizadas, conforme comprova o trabalho realizado pelas autoridades autuantes. Demonstrouse nos autos, a intenção deliberada de sonegar os tributos devidos pela recorrente com a prática reiterada de expediente doloso, ou seja, o desvio à tributação de valores decorrentes de vendas com a utilização de controles paralelos mantidos em arquivos eletrônicos. (grifos não pertencem ao original) No caso em concreto, a fiscalização carreou aos autos a retificadora de DIPJ/01 entregue durante o procedimento fiscal, na qual evidenciouse a omissão em relevante Fl. 822DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA 12 valor, ao que a recorrente insiste que os documentos seus estavam em poder da Polícia Federal. Vejamos o que a autoridade fiscal explica no Termo de Verificações Fiscal (efls. 176 a 178): 10. Em 19.08.2005, o contribuinte foi intimado a comprovar as receitas relativa a rubrica Vendas de Imóveis151, do anocalendário de 2000, no montante de R$2.820.031,28, através de documentos hábeis e idôneos, cuja ciência foi em 23.08.2005 (fls. 94/97); 11. Em 29.08.2005, o contribuinte através de sua procuradora apresentou a resposta, na qual presta os seguintes esclarecimentos: a) em relação a rubrica RECEITAS, dentro da conta Vendas de Imóveis151, no montante de R$ 2.161.506,30, o contador (responsável pela restauração dos livros contábeis) reconheceu estas receitas tomando por base documental os próprios extratos bancários da empresa, haja visto que todos documentos pertinentes, hábeis e idôneos, foram apreendidos pela Policia Federal em ocasião anterior (fls. 100/101) b) em relação a rubrica VENDAS, dentro da conta Vendas de Imóveis151, no montante de R$ 658.524,98, segundo o contador referemse vendas de imóveis de propriedade da empresa, conforme as escrituras de vendas (fls. 102/149); (grifos não pertencem ao original) Reintimada a fiscalizada a apresentar todos os documentos relativos às referidas vendas, alega que não os possuía por estarem apreendidos pela Polícia Federal (sofreu dois mandados de busca e apreensão), ao que a fiscalização contradiz veemente e conclui: 16. Que apesar das reiteradas alegações de dificuldades no atendimento das intimações, em decorrência dos documentos apreendidos pela Policia Federal em operações de busca e apreensão, a empresa realizou a reescrituração dos livros contábeis e fiscais, portanto, como demonstração de que possui muitos outros documentos apartados e/ou de que são passíveis de obtenção de outra forma; Entendo que a intenção dolosa do agente não se subsume somente ao valor da omissão em si (ofereceu à tributação menos de 1/3 das receitas auferidas), mas sim à prática reiterada e habitual dos contribuintes em subtrair valores ao oferecimento da tributação, o que no presente caso se caracterizou nos quatro trimestres. A informação falsa veiculada em DIPJ (original), com efeito, foi realizada pela contribuinte que, se não dispunha à época de todos os documentos de vendas, deveria ter se valido dos extratos bancários ou obtido as segundas vias, como bem destacado pela fiscalização. Ao contrário do que argumenta a recorrente, a conduta dolosa não está caracterizada pela entrega de uma DIPJ retificadora, mas sim pela relevante subtração reiterada (nos quatro trimestres) dos valores de receitas auferidas à época da ocorrência dos fatos geradores. A retificação de DIPJ inserindo os valores subtraídos ao fisco na DIPJ original após o início do procedimento fiscal e inócua de todos os efeitos, inclusive para afastar o dolo praticado à época da ocorrência dos fatos geradores. O presente caso se assemelha mais ao caso retratado no Acórdão nº 101 94.258 (paradigma à Súmula CARF nº 14) no que respeita à manutenção da aplicação da multa qualificada, por subfaturamento de vendas (fato confessado pelo contador e pela recorrente no caso presente), e se distancia dos casos paradigmas que ensejaram a Súmula, pois os paradigmas tratam de qualificações de multa quando o lançamento tributário foi realizado com fulcro em presunção de omissão de receitas evidenciada em depósitos bancários unicamente. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 13864.000027/200505 Acórdão n.º 1302001.732 S1C3T2 Fl. 8 13 Pelo exposto, não há que se aplicar a Súmula CARF nº 14 ao caso ora analisado e voto por manter a multa qualificada, pela conduta da contribuinte à época dos fatos geradores haver entregue uma falsa declaração de receitas ao fisco federal, ciente, por certo, dos valores que transitavam em suas contas bancárias, provenientes das receitas de vendas. Uma vez decidido pela ocorrência do dolo, intenção desvelada da contribuinte em subtrair valores da tributação, afastase a arguíção da recorrente de que para a contagem do prazo decadencial devem ser aplicadas as disposições legais do artigo 150, § 4º do CTN. Correta a aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN , regra geral para a contagem do prazo decadencial e, por conseguinte, os lançamentos tributários de IRPJ e CSLL cujos fatos geradores são trimestrais não foram fulminados pela decadência. Destarte, devem ser rechaçadas as contestações da empresa recorrente veiculadas na peça recursal, mantidos os lançamentos tributários para a exigência de IRPJ e CSLL, acrescidos da multa aplicada no percentual de 150% e juros de mora, mas as tributações realizadas de ofício para as exigências de PIS e Cofins não podem subsistir por realizadas em desconformidade com a norma tributária de regência no que respeita ao período de ocorrência dos fatos geradores. II) Das arguições do recorrente, sujeito passivo solidário II.a) Da necessidade de MPF emitido em seu próprio nome; e Da nulidade dos Autos de Infração por não terem sido lavrados em seu nome Nos casos de estabelecimento da sujeição passiva solidária, não há qualquer previsão procedimental para que seja emitido MPF em nome da pessoa responsabilizada pelo crédito tributário conjuntamente ao sujeito passivo, contribuinte, da obrigação tributária, nem tampouco há necessidade de lavrarse o Auto de Infração inominando o sujeito passivo solidário, sendo o Termo de Sujeição Passiva o documento processual hábil para guindar o responsável solidário a esta condição. Os tribunais judiciais, aliás, não fazem qualquer reparo ou crítica à inclusão de terceiros no pólo passivo da obrigação tributária por intermédio da lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária, exceto quando não comprovado que este terceiro possuía poderes de gestão/administração da pessoa jurídica fiscalizada e autuada, e agiu com dolo em fraudar o fisco, enquadrandose sua conduta nas hipóteses do artigo 135 do CTN excesso de poderes/infração à lei. A fiscalização demonstrou que o mesmo sócio, no caso o recorrente, foi indicado nas DIPJ, original e retificadora, como administrador da empresa autuada, pelo que estava plenamente ciente da omissão de receitas constatada em procedimento fiscal. As autuações ora debatidas de IRPJ e CSLL não ofenderam de forma alguma as disposições inseridas no Decreto nº 70.235/72 em seu artigo 10, nem tampouco no que concerne aos elementos materiais exigidos pelo artigo 142 do CTN: Decreto nº 70.235/72 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: Fl. 824DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA 14 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Código Tributário Nacional Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Estas exigências, formais e materiais, são necessárias à perfeita constituição do crédito tributário a fim de possibilitar a sua exigência e posterior execução e foram devidamente cumpridas, lavrandose os Autos contra a empresa contribuinte, e concomitantemente, lavrandose o Termo de Sujeição Passiva Solidária contra o sócio administrador da empresa, por caracterizarse, no procedimento, condutas que denotam ter agido com excesso de poderes e/ou infração à lei, ao subtrair do conhecimento do fisco federal a realidade quanto às receitas auferidas nos trimestres de 2000 e evadirse do pagamento devido dos tributos federais. Por conseguinte, não há que se falar em nulidade dos lançamentos tributários para as exigências de IRPJ e CSLL, porque nos Autos de Infração não constaram expressamente o nome do responsável solidário conjuntamente com a empresacontribuinte, dos tributos, uma vez ter sido lavrado o competente Termo de Sujeição Passiva Solidária, cuja ciência foi devidamente tomada pelo recorrente, que pode se defender amplamente das exigências fiscais. O recorrente obteve pleno acesso ao Termo de Verificações Fiscal e Autos de Infração lavrados para as exigências de tributos tanto que pode defenderse amplamente em nada sendo cerceado o seu direito de defesa. No que respeita à alegação de que a mera falta de pagamento de tributo não autoriza a responsabilização solidária do sóciogerente, prevista no artigo 135 do CTN, consoante REsp STJ nº 1.101.728/SP, importante salientar que no presente caso não se trata de simples falta de pagamento de tributo (devidamente declarado e confessado ao fisco), mas de flagrante omissão de receitas em valores significativos e com circunstâncias que caracterizaram a intenção de fraudar a Fazenda Pública Federal (dolo), pelo que afastase, de plano, esta argumentação do recorrente. Da equivocada menção ao artigo 42 da Lei nº 9.430/92 no Termo de Sujeição Passivo Solidário como dispositivo legal infringido que caracterizou a infração tributária cometida pela empresa autuada, este Conselho tem afastado a alegação de nulidade devido a esta natureza de erro, pois o recorrente teve total acesso aos Autos de Infração e Termo de Fl. 825DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 13864.000027/200505 Acórdão n.º 1302001.732 S1C3T2 Fl. 9 15 Verificações Fiscal, no qual as infrações tributárias e remissivos legais foram extensamente explicitados, não tendo o referido erro causado qualquer prejuízo à defesa da empresa, ou do sócioadministrador que entendeu perfeitamente os fatos imputados e que ensejaram as autuações. Repriso as ementas de acórdãos proferidos por este Conselho no sentido do ora decidido, já transcritos na decisão de primeira instância: Ac. CSRF/0103.264, de 19/03/2001 A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Ac. nº 1202000.931, 06/12/2012 RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. Nos casos em que a sociedade declara valores muitas vezes menor do que o imposto efetivamente apurado através de suas declarações, deve ser imputada a responsabilidade pelo crédito tributário aos sócios, mandatários, diretores, gerentes, entre outros, conforme disposto no art. 135 do CTN. Tendo em vista que a declaração reiterada de valores a menor é considerada prática dolosa, constatase que o sócio também agiu com excesso de poderes. E acrescento, Ac. 3102002.356, de 04/02/2015 AUTO DE INFRAÇÃO. ADEQUADA CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. PLENO EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, o auto de infração que atende todos os requisitos materiais e formais, incluindo correta capitulação legal da infração e adequada descrição dos fatos. 2. Além disso, se o contribuinte revela conhecer plenamente as infrações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as de mérito, certamente, não tem cabimento a proposição nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa e ofensa aos princípios do contraditório e do amplo direito de defesa. Ainda, em vista da empresa não haver alterado o domicílio fiscal junto à unidade de jurisdição, razão pela qual a fiscalização teve que envidar esforços para localizar o seu paradeiro denotase a desídia do recorrente na qualidade de administrador da empresa, o que também demonstra o agir com flagrante excesso de poderes. Por fim, o responsável solidário veio a falecer em 20 de março de 2014 (efls. 810), requerendo o espólio que a multa cominada seja desconstituída. Invoca a redação do artigo 131 do Código Tributário nacional que expressa a transmissão causa mortis apenas do pagamento do tributo e não do 'crédito tributário', Fl. 826DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA 16 defendendo ser correto não se comunicar a sanção por ato praticado pelo de cujus ao espólio ou herdeiros: Art. 131. São pessoalmente responsáveis: (...) II o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; III o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. No presente caso, os tributos não são originalmente devidos pelo de cujus, mas sim pela empresa da qual foi sóciogerente, pelo que não se aplicam as disposições inseridas no artigo 131. O artigo 135 que trata das "Responsabilidades de Terceiros" diz em seu caput: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (grifos não pertencem ao origina) Bem como o artigo 137 ao tratar do capítulo "Responsabilidade por Infrações" dispõe: Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: I quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; II quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico: a) das pessoas referidas no artigo 134, contra aquelas por quem respondem; b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou empregadores; c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, contra estas. (grifos não pertencem ao original) Fl. 827DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 13864.000027/200505 Acórdão n.º 1302001.732 S1C3T2 Fl. 10 17 No presente caso, o recorrente foi guindado à condição de sujeito passivo solidário responsável não pelo fato de a empresa ter sido liquidada, mas sim pelo fato de haver agido com dolo em fraudar o fisco, tendo conhecimento de que a receita bruta auferida pela empresa era significativamente (230%) maior do que aquela que declarara ao fisco, em DIPJ. Destarte, a penalidade oriunda da conduta praticada com o dolo específico não pode se comunicar ao espólio, ou aos herdeiros, por ser de natureza personalíssima. Assim resta, no caso de direcionarse a cobrança contra o espólio, ou herdeiros, do recorrente, José Percy Ribeiro da Costa, em execução fiscal, as exigências dos tributos acrescidos dos encargos legais: juros moratórios e multa de ofício regular (75%), por tratarse de procedimento realizado de ofício contra a empresa. Todavia, deve restar claro que os tributos acrescidos de juros moratórios, bem como da multa de ofício qualificada (150%), podem ser exigidos diretamente da empresa autuada, não alcançando as considerações aqui despendidas a decisão concernente à autuação contra a empresa. III) Conclusão No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas pelos recorrentes, e, no mérito, em manter a responsabilização solidária estabelecida, com efeitos jurídicos tributários sobre o espólio (ou herdeiros) e em dar provimento em parte aos recursos voluntários para: a) cancelar as exigências das contribuições PIS e Cofins; b) exonerar o sucessor de José Perci Ribeiro da Costa (espólio ou herdeiros) da cominação da multa aplicada na forma qualificada, mantendoa no patamar regular exigido para os lançamentos de ofício (75%). (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 828DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA
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