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Numero do processo: 11128.007251/2008-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/01/2005
PRELIMINAR. AUTO DE INFRAÇÃO. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA.
Tendo sido o Auto de Infração lavrado segundo os requisitos estipulados no art. 10 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e não incorrendo em nenhuma das causas de nulidade dispostas no art. 59 do mesmo diploma legal, encontra-se válido e eficaz.
PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA.
Tendo a contribuinte deixado de apresentar respostas às intimações lavradas pela fiscalização aduaneira, torna-se parte legítima para figurar no polo passivo da exigência da conseqüente penalidade tipificada no art. 107, IV, "c", do Decreto-Lei nº 37/1966.
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INDEFERIMENTO PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Descabe a argüição de nulidade da decisão de primeira instância quando demonstrado nos autos que o Acórdão recorrido abordou todas as razões de defesa, ainda que de forma objetiva.
A diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. . Não visa, portanto, suprir a inércia probatória das partes.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 11.
Aplicação da Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE RESPOSTA À INTIMAÇÃO NO PRAZO ESTIPULADO. OCORRÊNCIA.
Observa-se do disposto na alínea c, do inciso IV, do art. 107, do Decreto-Lei nº 37/1966 que a conduta tipificada como sujeita à cominação da penalidade é a prática de uma ação ou omissão que resulte em embaraçar, dificultar ou impedir a ação da fiscalização aduaneira. Contudo, o legislador inseriu uma conduta no citado dispositivo que implica, desde logo, no embaraço, qual seja "no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal". Logo, em decorrência da própria Lei, a não apresentação de resposta tempestiva à intimação da fiscalização deve ser considerada embaraço.
MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2.
Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do argumento de inconstitucionalidade, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/01/2005 PRELIMINAR. AUTO DE INFRAÇÃO. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo sido o Auto de Infração lavrado segundo os requisitos estipulados no art. 10 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e não incorrendo em nenhuma das causas de nulidade dispostas no art. 59 do mesmo diploma legal, encontra-se válido e eficaz. PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. Tendo a contribuinte deixado de apresentar respostas às intimações lavradas pela fiscalização aduaneira, torna-se parte legítima para figurar no polo passivo da exigência da conseqüente penalidade tipificada no art. 107, IV, "c", do Decreto-Lei nº 37/1966. PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INDEFERIMENTO PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabe a argüição de nulidade da decisão de primeira instância quando demonstrado nos autos que o Acórdão recorrido abordou todas as razões de defesa, ainda que de forma objetiva. A diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. . Não visa, portanto, suprir a inércia probatória das partes. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 11. Aplicação da Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE RESPOSTA À INTIMAÇÃO NO PRAZO ESTIPULADO. OCORRÊNCIA. Observa-se do disposto na alínea c, do inciso IV, do art. 107, do Decreto-Lei nº 37/1966 que a conduta tipificada como sujeita à cominação da penalidade é a prática de uma ação ou omissão que resulte em embaraçar, dificultar ou impedir a ação da fiscalização aduaneira. Contudo, o legislador inseriu uma conduta no citado dispositivo que implica, desde logo, no embaraço, qual seja "no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal". Logo, em decorrência da própria Lei, a não apresentação de resposta tempestiva à intimação da fiscalização deve ser considerada embaraço. MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado.
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AUTO DE INFRAÇÃO. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo sido o Auto de Infração lavrado segundo os requisitos estipulados no art. 10 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e não incorrendo em nenhuma das causas de nulidade dispostas no art. 59 do mesmo diploma legal, encontrase válido e eficaz. PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. Tendo a contribuinte deixado de apresentar respostas às intimações lavradas pela fiscalização aduaneira, tornase parte legítima para figurar no polo passivo da exigência da conseqüente penalidade tipificada no art. 107, IV, "c", do DecretoLei nº 37/1966. PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INDEFERIMENTO PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabe a argüição de nulidade da decisão de primeira instância quando demonstrado nos autos que o Acórdão recorrido abordou todas as razões de defesa, ainda que de forma objetiva. A diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. . Não visa, portanto, suprir a inércia probatória das partes. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 11. Aplicação da Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 72 51 /2 00 8- 61 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 132 2 MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE RESPOSTA À INTIMAÇÃO NO PRAZO ESTIPULADO. OCORRÊNCIA. Observase do disposto na alínea c, do inciso IV, do art. 107, do DecretoLei nº 37/1966 que a conduta tipificada como sujeita à cominação da penalidade é a prática de uma ação ou omissão que resulte em embaraçar, dificultar ou impedir a ação da fiscalização aduaneira. Contudo, o legislador inseriu uma conduta no citado dispositivo que implica, desde logo, no embaraço, qual seja "no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal". Logo, em decorrência da própria Lei, a não apresentação de resposta tempestiva à intimação da fiscalização deve ser considerada embaraço. MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do argumento de inconstitucionalidade, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 133 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 08034.937 da DRJ/FOR, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte a multa por não atendimento de intimações, o que caracteriza embaraço à fiscalização, ficando sujeito à penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto Lei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. A partir deste ponto, adoto o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Trata o presente processo de exigência da multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “c”, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, no valor de R$ 5.000,00, conforme Auto de Infração fls. 0209. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa Rodrimar S/A Terminais Portuários e Armazéns Gerais embaraçou a fiscalização uma vez que não atendeu ao Termo de Intimação nº 393/07, de 06/08/2007, pelo qual foi instada a prestar esclarecimentos a respeito dos fatos relatados pelo Inspetor da Guarda Portuária, constantes no Termo de Ocorrência da SEOPE/GVIB/ALF/SANTOS, de 14/01/2005. No referido termo consta que Celso Feitosa dos Santos, portador do RG nº 24.402.4960, funcionário da mencionada empresa, estava organizando e executando o controle do trânsito dos tripulantes do Navio “Libra New York”, que se encontrava atracado no armazém “Saboó” ponto 03, tarefa que não era de sua competência (fls. 0911). Reintimada a esclarecer o mesmo fato, através do Termo de Intimação n° 91/08, em 20/05/2008, a empresa não se manifestou (fl. 12). Cientificada do Auto de Infração em 20/10/2008, conforme fls. 1819, a interessada apresentou a impugnação de fls. 2337, em 19/11/2008, por meio da qual expõe as seguintes razões de defesa: 1) a questão discutida nos autos já foi objeto de Acórdãos proferidos pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, nos quais foi firmado o entendimento de que não há embasamento legal para exigência da penalidade em causa, por total ausência de tipicidade; 2) o ponto nuclear da discussão diz respeito a saída irregular de tripulantes do navio Libra New York, que se encontrava atracado no Armazém do Saboó no Porto de Santos, o que teria ocorrido em 14/11/2005, conforme Termo de Ocorrência lavrado pela SEOPALFÂNDEGA DO PORTO DE SANTOSGVIB; Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 134 4 3) a aplicação da penalidade, a pretexto de a Impugnante ter causado embaraço à fiscalização, está relacionada com o fato de a mesma não ter atendido a pedidos de esclarecimentos formalizados por meio de intimações emitidas em 06/08/2007 e 06/05/2008, ou seja, há mais de 2 (dois) anos da lavratura do citado Termo de Ocorrência, o que se deu em 14/01/2005; 4) preliminarmente, deve ser declarada a nulidade do Auto de Infração, por ser encontrar eivado de vícios formais insanáveis; 5) é inadmissível e injustificável que os agentes fazendários venham a expedir as Intimações à Requerente, formalizando pedidos de esclarecimentos, quando já transcorridos aproximadamente 3 (três) anos da lavratura do referido Termo de Ocorrência; 6) o Termo de Ocorrência deve ser declarado nulo, na medida em que embasado apenas em meras alegações do Inspetor da Guarda Portuária, cabendo destacar que o próprio agente fiscal que lavrou o referido Termo confessa que, em face do acúmulo de serviço, não esteve presente no local, de modo que jamais poderia, o referido Termo de Ocorrência, ser utilizado como embasamento legal para lavratura do Auto de Infração ora impugnado; 7) ainda em sede de preliminares, entende a Impugnante que é parte ilegítima para figurar no pólo passivo do Auto de Infração de que se cuida, visto que compete exclusivamente ao representante do Armador, obter previamente junto a "EQVIB/ALF/SANTOS", a respectiva autorização para embarque/desembarque de tripulantes de quaisquer embarcações estrangeiras atracadas no Porto de Santos; 8) o Comandante do citado navio que atracou em Santos, em 14/01/2005, é quem estava investido de poderes para promover a entrada de embarcação estrangeira em qualquer Porto brasileiro, bem como, autorizar o desembarque/embarque de tripulantes, conforme artigos 260 e seguintes do Regulamento para o Tráfego Marítimo, aprovado pelo Decreto nº 87.648/1982, com as posteriores alterações do Decreto nº 511/1992; 9) além disso, conforme consta do próprio Termo de Ocorrência, quem estava promovendo a saída irregular dos tripulantes eram os representantes da empresa de Segurança "SEGAME S"; 10) a Requerente não pode ser responsabilizada pelos fatos ocorridos, razão pela qual, a exigência da multa carece de respaldo legal; 11) quanto ao mérito, a penalidade afronta o principio da legalidade, tendo em vista que na redação do artigo 107, inciso IV, alínea "f", do Decretolei n° 37/1966, que foi dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, o legislador não definiu quais seriam as infrações que, em tese, causariam "embaraços fiscalização", resultando na aplicação da multa em questão; Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 135 5 12) a Impugnante jamais impediu ação fiscalizadora, até porque jamais poderia fazêlo, em face da previsão legal contida em nosso ordenamento jurídico, de modo que não há qualquer relação entre os fatos ocorridos e o descrito no preceito legal acima citado; 13) no direito penal tributário, a sanção deve obedecer aos princípios da estrita legalidade, da tipicidade fechada e com reserva absoluta da lei formal, ou seja, somente poderá haver punição se a infração apontada corresponder ao descrito no preceito legal, não existindo crime sem lei anterior que o preveja, conforme insculpido no art. 5º, inciso XXXIX, da Constituição Federal, sendo inadmissíveis eventuais interpretações maleáveis em prejuízo do contribuinte ou responsável, conforme pacífica jurisprudência; 14) para a capitulação legal da penalidade, tornase necessária que a norma descritiva da infração contenha todos os elementos indispensáveis a sua exata caracterização e extensão, afastando se a possibilidade de interpretações que venham a ampliar seus limites; 15) a multa exigida afronta aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; 16) requer a conversão do julgamento em diligência à repartição fiscal de origem, a fim de que sejam respondidos os quesitos formulados às fls. 3637, sob pena de nulidade processual, por cerceamento do direito de defesa e ofensa ao devido processo legal; 17) por fim, requer sejam acolhidas as preliminares suscitadas, declarandose a nulidade do Auto de Infração, vez que se encontra eivado de vícios formais insanáveis, destacandose, em especial, a ilegitimidade passiva, haja vista que a Impugnante não exerce o controle quanto a entrada/saída de tripulantes de quaisquer embarcações estrangeiras que atracam no Porto de Santos e, caso superadas as preliminares, requer seja o Auto de Infração julgado improcedente, cancelandose a penalidade aplicada. Conforme fls. 51 e 67, a impugnante foi intimada a apresentar cópia autenticada do Estatuto Social e Ata da Assembléia Geral realizada no dia 18/04/2008, com vista ao saneamento do processo, tendo anexado os documentos de fls. 5366 e 69 78. Conclusos, os autos retornaram a este órgão julgador." Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 136 6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/01/2005 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. Tendo em vista que o procedimento fiscal se desenvolveu mediante o cumprimento das formalidades legais, estando consubstanciado em auto de infração contendo descrição dos fatos e fundamentos legais, assegurandose o exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa, resta infundada a argüição de nulidade. LEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES. Havendo sido regularmente cientificada das intimações expedidas pelas autoridade administrativa, no curso do procedimento fiscal, a interessada é parte legítima para compor o polo passivo da exação concernente a imputação de embaraço, por não haver oferecido resposta no prazo estipulado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência ou perícia, quando esta providência revelarse prescindível para instrução e julgamento do processo. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/01/2005 EMBARAÇO À AÇÃO FISCAL. PENALIDADE. Aplicase a multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/01/2005 ARGÜIÇÃO DE CONFISCO E DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. MULTA. REDUÇÃO SEM PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei, sob fundamento de inconstitucionalidade. A autoridade administrativa não pode usurpar a competência do legislador para substituir o juízo de proporcionalidade por ele exercido, com o fim de alterar o valor Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 137 7 da multa definido na lei, o que somente pode ser revisto pelo próprio Poder Legislativo ou, em caso de inconstitucionalidade, pelo Judiciário. O emprego dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade não autoriza o julgador administrativo a dispensar multas ou reduzilas, quando estabelecidas na lei em valor ou percentual único, sem que haja expressa previsão legal para graduação da penalidade dentro de uma faixa variável de valor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 102/126), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, alegando, preliminarmente, a nulidade do Auto de Infração, Ilegitimidade Passiva, nulidade do Acórdão recorrido e ocorrência da prescrição intercorrente e, no mérito, falta de definição legal do que causaria embaraço à fiscalização, não impedimento da fiscalização, multa afronta aos Princípios Constitucionais da Proporcionalidade e da Razoabilidade e, por fim, pede a realização de diligência. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Inicialmente, repisese que a contribuinte argüiu expressamente quatro preliminares em seu Recurso Voluntário: nulidade do Auto de Infração, ilegitimidade passiva, nulidade do Acórdão recorrido e prescrição intercorrente. Contudo, embora se caracterize como uma questão prévia, a prescrição intercorrente, pela melhor doutrina, não se constitui em preliminar, mas em uma prejudicial de mérito, portanto, deixo de tratála na seção atual e retornarei a ela no início da análise sobre o mérito. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 138 8 Nulidade do Auto de Infração A ora recorrente alegou que o Auto de Infração seria nulo de pleno direito por estar eivado de vícios insanáveis, a saber: as intimações somente terem sido expedidas, aproximadamente, 3 anos após a lavratura do Termo de Ocorrência, o único embasamento do Auto de Infração é o Termo de Ocorrência, no qual constam meras alegações do Inspetor da Guarda Portuária e o Agente do Fisco jamais compareceu ao local da ocorrência. De pronto, afirmese que não merecem prosperar tais alegações da recorrente. Diferentemente do que a contribuinte tenta demonstrar, o Auto de Infração referido não tem como embasamento legal o Termo de Ocorrência lavrado a partir das denúncias realizadas pelo Inspetor da Guarda Portuária, mas fundamentase, em realidade, na falta de atendimento às intimações pelo sujeito passivo. Fato que não foi contestado pela recorrente em momento algum de nenhuma das peças recursais apresentadas. Além disso, por outro lado, também não corresponde aos fatos dos autos que as intimações tenham sido somente lavradas 3 anos após o Termo de Ocorrência. Diversamente, compulsandose o presente processo, verificase que a contribuinte tomou ciência da primeira intimação enviada pela fiscalização aduaneira em 21/08/2007, ou seja, cerca de 18 meses após a lavratura do referido Termo. Ademais, esclareçase que a Fazenda Pública possui 5 anos para a constituição de créditos tributários, sejam decorrentes do descumprimento da Obrigação Tributária Principal, sejam decorrentes do descumprimento de Obrigações acessórias, conforme teor do art. 173 do Código Tributário Nacional CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (grifo nosso) Dessa forma, considerandose que o fato, em tese, acontecido ocorreu em 2005, o termo inicial da contagem do prazo decadencial se iniciou em 01/01/2006 e somente se encerraria em 31/12/2010. Logo, por decorrência, as intimações realizadas, as quais ensejaram, pelo seu não atendimento, a lavratura do Auto de Infração sob análise, foram feitas regularmente dentro do prazo previsto. Assim, o Auto de Infração foi lavrado segundo os requisitos estipulados no art. 10 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, assim como não incorreu em nenhuma das Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 139 9 causas de nulidade dispostas no art. 59 do mesmo diploma legal, logo, encontrase válido e eficaz. Ademais, a imposição da penalidade decorreu da inobservância da legislação de regência pelo sujeito passivo, fato este, como já discorrido, inconteste. Ilegitimidade Passiva A contribuinte alegou que não é parte legítima para figurar no pólo passivo do Auto de Infração, pois compete exclusivamente ao representante do Armador obter, previamente, junto à Alfândega do Porto de Santos, a respectiva autorização para embarque ou desembarque de tripulantes em quaisquer embarcações estrangeiras atracadas no porto. Mais uma vez a recorrente tenta obnubilar a verdadeira causa da lavratura do Auto de Infração que lhe é imposto. Digase, novamente, que a exigência pecuniária devida decorreu da falta de atendimento às intimações pela recorrente, não tendo nenhum embasamento para o lançamento dos presentes autos, a possível saída e entrada irregulares de tripulantes no navio estrangeiro. Assim sendo, tendo a recorrente deixado de apresentar respostas às intimações lavradas pela fiscalização aduaneira, tornase parte legítima para figurar no polo passivo da exigência da conseqüente penalidade tipificada no art. 107, IV, c, do DecretoLei nº 37/1966: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . Iomissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; ......................................................................................................... (grifo nosso) Dessa forma, também não procede a preliminar em questão. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 140 10 Nulidade do Acórdão recorrido O sujeito passivo alegou que o Acórdão recorrido incorreu em nulidade absoluta por não ter deferido o pedido de diligência apresentado, o qual atendeu fielmente as disposições contidas nos arts. 16 a 19 do Decreto nº 70.235/1972, dessa forma, segundo ele, restando plenamente caracterizado o cerceamento ao Direito de Defesa da ora recorrente. Não há justeza nas afirmações da recorrente.. Diferentemente do alegado, da leitura da decisão vergastada, constatase que o Colegiado a quo se pronunciou de forma adequada e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas pela recorrente na Manifestação de Inconformidade, inclusive, sobre o pedido de diligência formulado. Portanto, tratase de decisão adequadamente motivada e fundamentada. Com efeito, cumpre ressaltar que o art. 373 do Novo Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 141 11 Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Por conseqüência, a diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. . Não visa, portanto, suprir a inércia probatória das partes. Assim, da leitura da peça recursal inicial, assim como do voto condutor do Acórdão recorrido, constatase que o pedido de diligência foi indeferido, pois não versava sobre questões que, ao menos em tese, pudessem afastar a responsabilidade da contribuinte pelo não atendimento às intimações. Reproduzse excerto do voto condutor do Acórdão recorrido: "Na apreciação desse pedido, devese ter como pressuposto que, no processo, diligência somente é justificável quanto a matéria de fato, quando existirem dúvidas relevantes para julgamento da lide. É ainda requisito elementar e intrínseco à diligência que exista pertinência temática entre o que se busca esclarecer por meio dessa medida processual e a matéria objeto da lide, o que não se verifica no pedido da litigante. Assim, a determinação de diligências ou perícias está condicionada à necessidade dessa medida para a instrução do processo e, conseqüentemente, para a solução do litígio, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993. No caso, com a providência requerida, pretende a litigante demonstrar que não detinha competência legal para realizar as mencionadas tarefas e que de fato não as teria realizado, o que, segundo seu entendimento, seria a condição necessária e suficiente para descaracterizar a infração. Contudo, essas questões são estranhas ao objeto do presente processo que, insistase, diz respeito à acusação de falta de atendimento, pela autuada, a duas intimações expedidas pela fiscalização aduaneira". Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 142 12 (grifo nosso) Logo, não se vislumbra nenhum cerceamento ao Direito de Defesa da ora recorrente na decisão de primeira instância, logo, não padece de nulidade o Acórdão recorrido. Assim sendo, com base nas considerações desenvolvidas, rejeito todas as preliminares argüidas. Mérito Primeiramente, tratemos da prejudicial de mérito apresentada pela recorrente em sua peça recursal. Em suma, a contribuinte alegou que pelo tempo transcorrido operouse no presente processo a prescrição intercorrente, o que, em seu entender, deve culminar com o arquivamento dos autos e a conseqüente extinção da exigência tributária em questão. Sumariamente, deve ser rechaçada essa alegação recursal, pois não se aplica o instituto da prescrição intercorrente a processos administrativos fiscais, conforme teor da Súmula CARF nº 11, cujo efeito vinculante foi atribuído pela Portaria MF nº 277, de 07 de junho de 2018: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Outra argumentação trazida pela recorrente em seu Recurso Voluntário referese a uma suposta falta de tipicidade em sua conduta, tanto porque o legislador não definiu quais seriam as infrações que caracterizariam o embaraço, como também pelo fato da recorrente, segundo ela, nunca ter realizado nenhuma ação que tivesse como objetivo obstaculizar a fiscalização aduaneira. Prontamente, se afirme que tais alegação melhor não socorrem à contribuinte. A responsabilidade por infrações estabelecida pelo Código Tributário Nacional, em verdade, é objetiva e, segundo o disposto, expressamente, em seu art. 136, reproduzido abaixo, é totalmente irrelevante a intenção do agente e a extensão dos efeitos na determinação dessa responsabilidade: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 143 13 independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifo nosso) Ainda a esse respeito, vale lembrar o disposto no § 2º do art. 94, do Decreto Lei 37/1966: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifo nosso) Por outro lado, observase do disposto na alínea c, do inciso IV, do art. 107, do DecretoLei nº 37/1966 que a conduta tipificada como sujeita à cominação da penalidade em questão é a prática de uma ação ou omissão que resulte em embaraçar, dificultar ou impedir a ação da fiscalização aduaneira. Contudo, o legislador inseriu uma conduta no citado dispositivo que implica, desde logo, no embaraço, qual seja "no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal". Logo, em decorrência da própria Lei, a não apresentação de resposta tempestiva à intimação da fiscalização deve ser considerada embaraço. Assim sendo, enquanto em outras condutas, a fiscalização deve demonstrar os motivos pelos quais aquelas ensejaram "embaraçar, dificultar ou impedir" ação da fiscalização, na não apresentação de resposta à intimação, no prazo estipulado, a própria Lei tratou de definila dessa maneira, portanto, não havendo margem para discussão. Logo, no caso ora analisado, restando demonstrado nos autos que a contribuinte deixou de apresentar resposta a intimações, a sua conduta é típica e, portanto, encontrase perfeitamente cabível a exigência da penalidade por embaraço, formalizada através do Auto de Infração em apreço. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 144 14 Seguindo em seu Voluntário, a contribuinte alegou que a imposição da penalidade pecuniária prevista no art. 107, IV, "c", do DecretoLei nº 37/1966 afrontou os Princípios Constitucionais da Proporcionalidade e da Razoabilidade, assim, por conseqüência, não podendo prosperar tal exigência. Quanto a essas alegações de inconstitucionalidade do Auto e da multa, por ofensa aos Princípios Constitucionais da Proporcionalidade e da Razoabilidade, impõese relembrar que o julgamento administrativo trata da aplicação da legislação tributária como apresentada no sistema jurídico. Dessa maneira, a norma promulgada e publicada, dotada de presunção de correção formal e material, não pode ser desconsiderada pelo julgador. Nesse sentido, dispõe o art.62, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A instância administrativa não é o foro adequado para discussões a respeito de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis legitimamente inseridas no ordenamento jurídico pátrio, por absoluta falta de competência das autoridades administrativas a essa função, que é reservada pela Constituição Federal em caráter exclusivo ao Poder Judiciário. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações no âmbito administrativo, pois o julgador não pode delas tomar conhecimento. No caso, verificar a eventual existência de confisco, de desproporcionalidade, de irrazobilidade ou da não individualização da pena seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma que prevê a incidência da multa, o que é vedado a este Conselho Administrativo. Em consonância com esse ditame, vejamos o teor da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, não tomo conhecimento das alegações de inconstitucionalidade do Auto de Infração e da multa por ofensa aos Princípios Constitucionais da Proporcionalidade e da Razoabilidade. Por fim, a recorrente reitera o pedido de conversão do julgamento em diligência, inclusive, formulando quesitos iniciais para os quais julga necessário esclarecimentos. Nesse ponto, adoto como razões de decidir as argumentações lógicojurídicas já manifestadas por mim no presente voto, quando tratouse da análise da preliminar de Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 145 15 nulidade do Acórdão recorrido por cerceamento do Direito de Defesa. E, portanto, como decorrência, indefiro o pedido de diligência formulado. Desse modo, por todo o exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo na íntegra o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 145DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.720385/2017-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a restituição e compensação autorizadas por lei, cabendo ao contribuinte o ônus de prova do indébito. Nesses termos, e uma vez afastado o fundamento que não homologou o PER da contribuinte, devem os autos retornar à DRF de origem para análise e suficiência do crédito requerido, evitando, assim, a caracterização de cerceamento de defesa e supressão de instância.
Numero da decisão: 1201-002.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar o fundamento do indeferimento do PER, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para análise do mérito do direito creditório, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Rafael Gasparello Lima, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, por atestado médico.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a restituição e compensação autorizadas por lei, cabendo ao contribuinte o ônus de prova do indébito. Nesses termos, e uma vez afastado o fundamento que não homologou o PER da contribuinte, devem os autos retornar à DRF de origem para análise e suficiência do crédito requerido, evitando, assim, a caracterização de cerceamento de defesa e supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar o fundamento do indeferimento do PER, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para análise do mérito do direito creditório, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Rafael Gasparello Lima, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, por atestado médico. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 03 85 /2 01 7- 96 Fl. 209DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de despacho decisório (fl. 45) que indeferiu o PER (Pedido de Restituição) apresentado pela empresa, sob o fundamento de que determinado crédito, relativo ao mesmo tributo e período, já teria sido analisado e deferido em outro pleito anterior transmitido pelo próprio contribuinte. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 5/10), alegando, em síntese, que: (i) houve um segundo PER apresentado, uma vez que constatou, somente em momento posterior à apreciação do PER originário, a existência de crédito de maior valor, o que a levou a retificar a sua DIPJ. (ii) ao tentar corrigir o primeiro PER, notou que o fisco já havia homologado o valor do crédito originariamente informado, motivo pelo qual não seria mais possível retificar aquele instrumento para adequálo às informações ajustadas na DIPJ Retificadora. Diante, então, da impossibilidade operacional de retificar o PER original, transmitiu novo PER, informando como crédito a diferença entre o "novo Saldo Negativo" informado na DIPJ Retificadora e aquele a menor que já havia sido informado. Ocorre que, ao apreciar o segundo pedido de restituição, ao contrário de verificar todo o conjunto fático e a sucessão de atos praticados, conforme narrado acima, a fiscalização simplesmente afirmou que, como o referido período já havia sido apreciado, não seria mais possível reapreciálo neste momento, levando ao indeferimento do "segundo PER". Devese, assim, cancelar o trabalho fiscal ora analisado, tendo em vista sua nulidade por falta de investigação dos fatos que suportam o direito creditório da requerente ou mesmo pela inobservância dos atos por ela praticados. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente com base nas seguintes alegações (fls. 140/149): (i) de que houve duas inconsistências insanáveis no preenchimento dos pedidos, quais sejam (i.i) a não indicação correta do crédito na PER originária; e (i.ii) não houve apresentação de demonstrativo do crédito pleiteado no segundo PER; e (ii) que a contribuinte não comprovou o erro da DIPJ originária com documentação hábil e idônea, o que violaria o artigo 16, III, do Decreto n. 70.235/19721 e o cumprimento do ônus de provar a liquidez e certeza para restituição de indébito. Cientificada da decisão de piso, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 156/179). Sustenta, em resumo, que o PER originário, assim como o "PER complementar", foram preenchidos sem vícios e, mais ainda, em conformidade com as DIPJ 1 Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13896.720385/201796 Acórdão n.º 1201002.691 S1C2T1 Fl. 3 3 Retificadas e Retificadora, respectivamente, não havendo nenhum erro capaz de justificar o indeferimento. Aduz também que é nítida a tentativa de violação ao artigo 142 do CTN e ao princípio da verdade material, bem como que eventuais erros formais não poderiam impedir a repetição do indébito. No mérito, sustenta que, por ocasião da Manifestação de Inconformidade, buscou atacar exclusivamente o fundamento trazido no despacho decisório, afinal a DIPJ Retificadora, que foi entregue dentro do prazo legal de 5 (cinco) anos, lhe faz prova favorável do Saldo Negativo que foi corrigido e que ensejou a apresentação do segundo PER. Não obstante, por ocasião do recurso voluntário, e como forma de contrapor o argumento invocado apenas pela DRJ quanto à comprovação do erro na DIPJ retificada, a contribuinte explica e busca comprovar que o aumento do Saldo Negativo é fruto da exclusão fiscal de valores lançados como "provisão de receita", denominados de breakage. Em suas palavras: Assim, além das receitas financeiras, a principal fonte de receita de recorrente advém do gerenciamento do passivo que a recorrente assume junto às empresas parceiras, receita essa reconhecida à medida que os beneficiários do programa utilizam seus pontos, representativos do direito de obter contrapartida em prêmios. O prazo para exercício do direito, pelo beneficiário, é de 24 meses a contar do momento em que lhe são atribuídos os pontos conversíveis em utilidades. Esse prazo é denominado prazo para expiração do ponto ou, na linguagem técnica, breakage. Ocorre que nem todos os beneficiários desses programas resgatam seus pontos, ou a totalidade deles, razão pela qual a recorrente reconhece, por força das práticas contábeis aplicáveis à atividade, desde o momento que assume o compromisso de premiar tais pessoas, uma "provisão para receita" Essa "provisão" é apurada a partir da experiência acumulada com prêmios não resgatados, em períodos anteriores, e consiste em uma redução do passivo referente a prêmios a serem entregues, em contrapartida da conta de receita. Assim, o passivo de provisão para breakage é calculado com base na média de 12 meses do percentual de pontos emitidos e não utilizados até o vencimento, aplicada sobre o "faturamento de pontos". 0 reconhecimento gradual da receita de provisão para breakage é realizado de acordo com a média de 12 meses do percentual de realização dos resgates, ou seja, pelo percentual de pontos acumulados e resgatados no período, aplicado sobre o passivo e limitado ao saldo registrado. Nesse contexto, relativamente ao ano de 2011, por um lapso, a| recorrente considerou essa provisão para breakage como Fl. 211DF CARF MF 4 receita tributável pelo IRPJ e pela CSL. no momento de seu reconhecimento § contábil, conquanto para fins tributários ela somente deva ser considerada como realizada quando o prazo para exercício do direito de resgate, pelo beneficiário, se findar. Assim, devido ao fato de se ter tributado essa "provisão de receita" por ocasião de seu reconhecimento, para fins contábeis, quando ela deveria ser tributada somente por ocasião do esgotamento do prazo de resgate dos pontos, ou seja, após os 24 meses de validade do ponto, a recorrente antecipou o recolhimento desses tributos ao fisco com base em uma estimativa contábil e não sobre o valor real de receita ganha com os pontos expirados, o que somente é conhecido ao final dos 24 meses. Tendo em vista esses fatos, ao reverter da conta de passivo o montante correspondente à provisão para breakage, a qual tem alta probabilidade de não se converter em pontos resgatados, a recorrente não está, de fato, registrando uma receita, uma vez que tal expectativa pode ou não realizarse. [...] E para que não pairem dúvidas a respeito do assunto, a recorrente comprova documentalmente suas considerações acima a partir do confronto de suas DIPJs já anexadas aos autos e as contas contábeis em que há o controle das referidas provisões. De fato, conforme se verifica no resumo constante no v. acórdão a respeito da demonstração do lucro real, assim como no quadro resumo exposto no início desse tópico, a retificação realizada em DIPJ pretendeu ajustar o montante declarado na linha 78 da Ficha 9A, retificando o valor inicialmente declarado de R$ 22.091.728,92 para R$ 340.834.108,72. A diferença de R$ 318.742.380,08 corresponde exatamente aos saldos das contas contábeis em que são controladas as provisões de breakage. Confirase o quadro abaixo e a integralidade das referidas contas contábeis referentes ao ano de 2011 (arquivo não paginável): Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13896.720385/201796 Acórdão n.º 1201002.691 S1C2T1 Fl. 4 5 E apenas para que não remanesça qualquer dúvida a respeito da indevida inclusão das referidas provisões de breakage na base de cálculo do tributo, basta verificar que na linha 05 ["Receita de Prestação de Serviços Mercado Interno") da Ficha 7 A (Demonstração do Resultado), tanto da DIPJ inicial como da DIPJ retificadora, o valor informado pela recorrente foi de R$ 1.354.940.115,27 (fls. 57 e 105). A abertura do referido montante pode ser obtida a partir dos quadros abaixo: Assim, resta comprovada a razão das exclusões realizadas na DIPJ retificadora, [...] Fl. 213DF CARF MF 6 Finalmente, a Recorrente afirma que esse mesmo procedimento, ou seja, a apresentação de novo PER em face da alteração da DIPJ em momento posterior teria sido implementado para o anocalendário anterior, sendo que para este período a RFB expressamente deferiu o crédito complementar. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. Restou demonstrado que o fundamento constante do despacho decisório para o indeferimento do segundo PER foi o de que já teria havido deferimento de Saldo Negativo de IRPJ do mesmo período, o que impossibilitaria um novo pedido. Ocorre, porém, que o contribuinte comprovou que a retificação da DIPJ e a entrega do novo PER ocorreram em momento posterior ao da homologação do pleito originário, fato este que justifica o procedimento que adotou. A DRJ, entretanto, insiste na existência de erros formais e acrescenta um argumento de mérito , até então inédito nesse PAF, qual seja, o de que o contribuinte descumpriu seu ônus de comprovar a natureza e origem da exclusão fiscal que acarretou no aumento do Saldo Negativo, o que também enseja o indeferimento do segundo PER. Já o contribuinte reitera e demonstra que não houve erros e, mais ainda, que eventual inconsistência formal não teria o condão de indeferir o PER. No mérito, argumenta que a comprovação do equívoco da DIPJ original equívoco este corrigido por meo de DIPJ Retificadora que deu origem ao "novo Saldo Negativo" foi feita apenas no recurso voluntário porque o despacho decisório foi emitido sem esse fundamento. Nesse estado de coisas, entendo que a inviabilidade prática de retificação do primeiro PER afinal ele já havia sido homologado quando da retificação da DIPJ , bem como diante da correspondência do valor do Saldo Negativo constante da DIPJ Retificadora e do segundo PER, afastam eventuais erros ou equívocos quanto ao processamento e necessidade de análise de mérito do novo pedido. Não custa repetir, aqui, que o segundo pedido de restituição comporta apenas a diferença entre o valor que já havia sido requerido (e homologado) e aquele resultante da retificação da DIPJ, que ocorreu a posteriori. No que diz respeito à preclusão ou falta de comprovação do erro na DIPJ originária pelo contribuinte e, conseqüentemente, da pretensa ausência de liquidez e certeza do indébito, argumento este levantado exclusivamente pela DRJ, entendo que razão não lhe assiste. Isso porque o contribuinte, por ocasião da Manifestação de Inconformidade, apenas rebateu o fundamento do despacho decisório, o qual partiu tão somente de premissa Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13896.720385/201796 Acórdão n.º 1201002.691 S1C2T1 Fl. 5 7 equivocada consistente na impossibilidade de transmissão de novo PER para período já objeto de análise. Vale dizer, a questão do ônus de provar o motivo da retificação da DIPJ e a origem da diferença credora não haviam sido até então argüidas como razões ou critperio jurídico para o indeferimento do PER, o que foi feito apenas pela decisão de piso DRJ. Deveria a autoridade julgadora, na verdade, antes de indeferir o pleito com argumento inovador, ter conferido oportunidade para o contribuinte fazer essa prova, sob pena de cercear o seu direito de defesa, o que de fato acabou ocorrendo. Dessa forma, uma vez afastado o fundamento que indeferiu o pleito da contribuinte, e até mesmo para não caracterizar supressão de instância, devem os autos retornar à DRF de origem para análise e suficiência do montante do crédito que foi requerido no segundo PER, devendo a empresa ser intimada para apresentar a documentação que suporta a retificação de DIPJ, bem como ser retomado o rito processual do PAF após a conclusão da autoridade de origem. Conclusão Pelo exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO para afastar o fundamento do indeferimento do PER, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para análise do mérito do direito creditório. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 215DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.009070/2003-45
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
RETIFICADORA
O Pedido Eletrônico de Restituição, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento e a Declaração de Compensação poderão ser retificados pelo sujeito passivo mediante o preenchimento e envio à SRF de documento retificador desde que o pedido ou a declaração se encontre pendente de decisão administrativa.
Numero da decisão: 1103-000.523
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado negar provimento por unanimidade.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Mário Sérgio Fernandes Barroso
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado negar provimento por unanimidade. Aloysio José Percínio da Silva Presidente Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa, Marcelo Baeta Ippólito e Aloysio José Percínio da Silva. . Fl. 414DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Relatório Trata se de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada a respeito da decisão da DRJ de Brasília que negou a manifestação de inconformidade da contribuinte. Trata o processo de declaração de compensação (fl. 1), na qual a contribuinte acima identificada, compensa pretenso crédito de IRRF incidente sobre Remuneração Serviços Prestados por Pessoa Jurídica (Cód. 1708), no valor de R$ 654,16, como débito de Pis apurado em abril/2003, no mesmo valor. Para subsidiar o seu pedido à empresa juntou a este processo cópia do Razão Analítico das retenções efetuadas no anocalendário 2003 (fl. 2). A autoridade administrativa no despacho decisório (fls. 17/19), após examinar a questão, resolveu não homologar a declaração de compensação por considerar indevida a compensação direta do IRRF com tributos ou contribuições de espécies diferentes. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 10/04/2007 (fl. 22 v). Inconformada apresentou em 07/05/2007, a manifestação de inconformidade (fls. 23 a 24), na qual, em resumo, apresenta os seguintes argumentos de defesa: a decisão proferida no despacho decisório está equivocada, porque o pedido não trata de compensação de imposto de renda retido na fonte, mas sim de saldo negativo de imposto de renda retido por pessoas jurídicas nos anoscalendários 1999 a 2002, compensado neste processo e demonstrado no Per/Dcomp pelo que não há se falar em antecipação; o saldo negativo compensado está informado na pág. 20, 4º trimestre, linhas 12 e 18 da DIPJ/2002, e o total de impostos e contribuições a recuperar na página 50 linha 10, na qual consta às contribuições retidas por pessoas jurídicas, que compõe o saldo negativo, e houve falha no preenchimento da declaração de compensação ao não marcar o item de saldo negativo de IRPJ e CSLL e também no preenchimento da DIPJ/2002, mas tais falhas já foram corrigidas, conforme cópias anexadas da DIPJ retificada; do Balanço de 2002 e do Razão Analítico de 1999 a 2003 da conta IRRF a recuperar e anexo geral para todos os processos de cópias das Notas Fiscais onde ocorreram as retenções do IRRF, que visam provar o saldo na conta do ativo "Impostos e Contribuições a Recuperar", no valor de R$ 15.888,87 e sua evolução em 2003, e caso essa Secretaria entenda que os documentos apresentados não se mostram suficientes para provar o alegado, está ao inteiro dispor para apresentar o que for solicitado. Se ainda assim persistir dúvidas, requer diligência para verificar "in loco" os documentos fiscais que comprovam de forma inequívoca a verdade do que ora requer. Por derradeiro, requer a reconsideração do despacho decisório, para homologar a referida compensação, eis que a mesma foi regularmente efetuada, conforme se pode constatar na análise dos documentos, ora anexados. A DRJ decidiu: “A restituição de indébito fiscal, bem como a sua compensação somente poderá ser autorizada pela autoridade administrativa com crédito liquido e certo do sujeito passivo, contra a Fazenda Pública.” Fl. 415DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.009070/200345 Acórdão n.º 110300.523 S1C1T3 Fl. 2 3 A contribuinte recorre: DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO SALDO NEGATIVO DE IRPJ O Livro Diário e o Razão demonstram claramente que os valores relativos ao Imposto de Renda Retido Na FonteIRRF, incidentes sobre as Notas Fiscais emitidas pela empresa, e identificadas uma a uma, tiveram seus saldos superiores ao imposto de renda devido, passando de um para outro exercício, o que caracteriza a existência de Saldo Negativo do IRPJ, senão vejamos: Da composição do saldo da conta contábil 128536 — IRRF A RECUPERAR: Saldo de IRRF A RECUPERAR em 31/12/1999 R$ 15.589,77; Saldo de IRRF A RECUPERAR em 31/12/2000 R$ 16.914,47; Saldo de IRRF A RECUPERAR em 31/12/2001 R$ 17.908,26; Saldo de IRRF A RECUPERAR em 31/12/2002 R$ 15.888,87 Na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIPJ do Exercício de 2003 —página 20, Ficha 12A, 40 trimestre, linha 13 e linha 18, encontrase a informação do saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 15.888,87; Ainda nessa mesma DIPJ — balanço patrimonial — página 50, Ficha 38A, linha 10, encontrase o valor dos impostos e contribuições a recuperar no total de R$ 18.244,21, onde está contido o valor de R$ 15.888,87 relativo ao saldo do IRPJ a recuperar. O prazo para o contribuinte efetuar a retificação das declarações é o mesmo prazo previsto no §4° do art. 150 do CTN, qual seja, 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. Assim, dentro deste prazo legal, constatado o erro material no preenchimento, perfeitamente válida é a retificação. O mero erro material não altera o direito do contribuinte, pois, como demonstramos anteriormente, não se pode admitir que um erro material na informação dada em uma obrigação acessória seja o suficiente para configurar a existência de um crédito tributário. É certo que somente após constatar os equívocos cometidos é que o recorrente teve a oportunidade de proceder a correção dos erros de preenchimento da DIPJ e do PERD/COMP. Anexa jurisprudência. Voto Fl. 416DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. A questão fulcral para o deslinde da pendência é o reconhecimento ou não do pretenso crédito de IRRF, bem como a sua compensação com débito de Pis, apurado no mês de abril de 2003. A legislação tributária estabelece que a pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor pago ou retido na fonte na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período (IN SRF nº 600, de 2005, art. 10). A recorrente afirma que com a retificadora, os créditos seriam de saldo negativo. Do Acórdão da DRJ transcrevo: “A recorrente argumenta que o crédito pleiteado não se refere ao IRRF, mas sim saldo negativo de imposto. Para provar tal alegação junta ao processo cópia de DIPJ retificadora; Per/Dcomp retificadora, e cópias do Balança Patrimonial, Demonstração do resultado do Exercício e de folha do Razão Analítico; contudo, nesses documentos a manifestante não prova a existência do saldo negativo reclamado. Registrese, por oportuno, que esses documentos não servem de provas para comprovar o saldo negativo alegado: primeiro, porque as declarações retificadoras (DIPJ e Per/Dcomp) foram apresentadas, após a ciência do despacho decisório, e segundo, porque nos demonstrativos e balanço patrimonial consta apenas à existência de suposto crédito a recuperar, não fazendo qualquer referência a saldo negativo de imposto.” De fato, a legislação de regência Instrução Normativa n°. 376/2003, art. 6°determina: "Art. 6 O Pedido Eletrônico de Restituição, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento e a Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP 1.2 (ou versão anterior) e transmitidos à SRF poderão ser retificados pelo sujeito passivo mediante o preenchimento e envio à SRF de documento retificador gerado a partir do Programa PER/DCOMP 1.2, desde que o pedido ou a declaração se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 7 2 e 82" Fl. 417DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.009070/200345 Acórdão n.º 110300.523 S1C1T3 Fl. 3 5 Assim, como vemos, a retificadora aqui apresentada foi a destempo, pois, foi 04/05/2007 enquanto o despacho decisório foi em 10/04/2007, portanto, as informações nela contidas não podem ser consideradas. Quanto à documentação acostada pela recorrente, só há provas da retenção, não há provas do saldo negativo. Ademais, a recorrente fazia sim compensação de fonte, não se tratando de erro de fato. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 03 de outubro de 2011 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 418DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Numero do processo: 16366.000382/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2006
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL.
As aquisições de mercadorias com suspensão, conforme consignam as respectivas notas fiscais, somente podem ser efetuadas com crédito presumido, e não com crédito integral, nos termos dos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2003.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS VINCULADOS A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Os dispêndios vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram direito ao crédito da contribuição, por vedação do artigo 6º, §4º, da Lei 10.833/2003.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2006
REVISÃO DE OFÍCIO DE ATO ADMINISTRATIVO PARA HOMOLOGAÇÃO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O artigo 27 da Lei 10.522/2002 não veda a revisão de ofício de ato da autoridade competente para a homologação do pedido de compensação, pois trata de instituto distinto, o Recurso de Ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-004.488
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrente SEARAIND. E COMÉRCIO DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2006 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL. As aquisições de mercadorias com suspensão, conforme consignam as respectivas notas fiscais, somente podem ser efetuadas com crédito presumido, e não com crédito integral, nos termos dos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS VINCULADOS A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Os dispêndios vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram direito ao crédito da contribuição, por vedação do artigo 6º, §4º, da Lei 10.833/2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2006 REVISÃO DE OFÍCIO DE ATO ADMINISTRATIVO PARA HOMOLOGAÇÃO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O artigo 27 da Lei 10.522/2002 não veda a revisão de ofício de ato da autoridade competente para a homologação do pedido de compensação, pois trata de instituto distinto, o Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 03 82 /2 00 9- 17 Fl. 739DF CARF MF Processo nº 16366.000382/200917 Acórdão n.º 3201004.488 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento Eletrônico apresentado pela contribuinte relativo a crédito de PIS NãoCumulativo Exportação. Reproduzo partes do relatório da primeira instância administrativa: Conforme Despacho Decisório Revisor, o direito creditório foi parcialmente reconhecido (...), nos termos da Informação Fiscal, abaixo resumida, nada remanescendo, após as compensações declaradas. A fiscalização relata que a presente Informação Fiscal anula a anterior, com base no art. 53 da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, e mediante autorização para segundo reexame do período, nos termos do art. 906 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99), em razão de novos fatos apurados relacionados às receitas de exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação e os créditos vinculados a essas receitas. E que o crédito pleiteado é decorrente de operações com o mercado externo, remanescente às deduções das contribuições a recolher e das compensações com outros tributos administrados pela RFB. Após discorrer sobre a legislação da não cumulatividade, bem como da instrução processual feita com a Dacon, memoriais de apuração dos créditos, rateios e bases de cálculo, demonstrativos, escrituração SPED e notas fiscais de saídas/entradas, diz que a interessada exerce a atividade econômica de Comércio Atacadista de Cereais e Leguminosas Beneficiados, além da Fabricação de Adubos e Fertilizantes (CNAE 20134/00), Comércio Atacadista de Açúcar (CNAE 46371/02), Fabricação de Farinha de Milho e derivados, exceto óleos de milho (CNAE 10643/00), e comércio varejista de combustíveis para veículos automotores (CNAE 47318/00), entre outros, apurando o imposto de renda pelo lucro real. Fl. 740DF CARF MF Processo nº 16366.000382/200917 Acórdão n.º 3201004.488 S3C2T1 Fl. 4 3 Acrescenta que a empresa fabrica derivados de milho NCM constantes no capítulo 11 da TIPI e adubos NCM constantes no capítulo 31 da TIPI; e que adquire para revenda: soja NCM 12010090, milho NCM 10059010, açúcar NCM 17011100, defensivos NCM constantes no capítulo 38 da TIPI e sementes NCM 10051000 e NCM 12010010. Esclarece que a empresa aufere receitas sem incidência das contribuições para o Pis e a Cofins (alíquota zero – fertilizantes, defensivos agropecuários, sementes destinadas à semeadura e plantio, e farinha de milho, nos termos da Lei nº 10.925, de 2004). Discorre sobre a legislação atinente às vendas com suspensão de insumos destinados à produção das mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM, consoante arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004; IN SRF nº 660, de 2006; e Solução de Consulta SRRF/10ª RF nº 29, de 31/01/2007; bem como sobre a base de cálculo das contribuições e sobre o conceito de insumos (art. 3º, II, Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003; IN SRF nº 247, de 21/11/2002). Caracteriza a interessada como empresa comercial exportadora, com base nas operações de exportações realizadas (Dacon, CFOP, Demonstrativo Exportações e arquivos eletrônicos de notas fiscais (SPED/EFD – Saídas Exportação)), dizendo que adquire mercadoria com o fim específico de exportação, cuja aquisição não se sujeita à incidência das contribuições, nos termos das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Informa que o crédito foi apurado mediante rateio proporcional dos custos e despesas entre receitas sujeitas ao regime cumulativo e não cumulativo, cujo critério é igualmente aplicável para a determinação dos custos e despesas vinculados à exportação. Ressalta que só é passível de ressarcimento ou compensação com outros tributos e contribuições o crédito apurado em operações de vendas para o exterior e vendas no mercado interno efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das Contribuições, tornandose indispensável apurar a participação percentual dessas receitas em relação à receita bruta total. (...) Dos créditos pleiteados Informa que os créditos pleiteados pela contribuinte em seus Pedidos de Ressarcimento estão explicitados na DACON, MEMORIAL DACON e Demonstrativos de Créditos. Dentre as irregularidades apontadas pela Fiscalização, destacamos as que interessam ao presente julgamento: Fl. 741DF CARF MF Processo nº 16366.000382/200917 Acórdão n.º 3201004.488 S3C2T1 Fl. 5 4 a) a contribuinte adquiriu Mercadorias Recebidas com o Fim Específico de Exportação, feita com código CFOP 5117 (Venda de Mercadoria Adquirida ou Recebida de Terceiros, Originada de Encomenda para Entrega Futura cujas “notas mães” indicam que a mercadoria se destina à exportação), com aproveitamento indevido de crédito integral, pois a legislação da regência (art. 6º, § 4º, e art. 15 da Lei nº 10.833/2003), não permite à comercial exportadora a apuração de créditos quando da aquisição de mercadoria com o fim específico de exportação; 2) a contribuinte adquiriu bens com Suspensão com aproveitamento indevido de crédito integral (soja e milho), pois a legislação de regência não permite o aproveitamento de créditos nas aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Os valores excluídos estão individualizados nos demonstrativos, com os comprovantes (notas fiscais) juntados, por amostragem, ao processo. Cientificada dos despachos decisórios, revisado e revisor, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Em preliminar, contrapõese à revisão dos Despachos Decisórios, dizendo que encontra vedação legal no art. 27 da Lei nº 10.522/2002, motivo pelo qual é ilegal. A DRJ/Ribeirão Preto, por meio do Acórdão 14063.044, de 28/09/2016, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. No Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Acrescenta que não industrializa soja, e que o acórdão recorrido teria alterado o fundamento do Despacho Decisório, ao incluir nas atividades da recorrente a industrialização de soja, o que a fiscalização não teria feito. Reitera que somente revende soja. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.483, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 16366.000367/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.483): "O recurso é tempestivo e, nos termos em que relatado, atende aos requisitos de admissibilidade. Preliminar – Vedação de revisão dos despachos decisórios Fl. 742DF CARF MF Processo nº 16366.000382/200917 Acórdão n.º 3201004.488 S3C2T1 Fl. 6 5 A recorrente pede a nulidade do Despacho Decisório que reviu, de ofício, o Despacho Decisório anterior, para alterar os valores calculados. A revisão de ofício dos atos administrativos tributários, quando constatado erro, encontra previsão nos artigos 145, III e 149 do CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. (...) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. A Lei 9.784/99 contém dispositivos que tratam da revogação e revisão dos atos administrativos, nos capítulos XIV eXV. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 16366.000382/200917 Acórdão n.º 3201004.488 S3C2T1 Fl. 7 6 A revisão de ofício distinguese das decisões no âmbito do PAF – Decreto 70.235/72, pelo menos, quanto à autoridade competente e a finalidade. A primeira tem como autoridade competente a mesma que prolatou o ato revisto, ou sua superior hierárquica, e tem a finalidade de corrigir erro ou omissão no ato revisto. A segunda tem como autoridades competentes os órgãos de julgamento administrativo, com a finalidade de garantir o contraditório, a ampla defesa e a legalidade, no contexto do litígio administrativo fiscal. Tal distinção é expressa no artigo 145 supratranscrito, ao tratar do PAF nos inciso I e II, e da revisão de ofício no inciso III. O artigo 27 da Lei 10.522/20021, conforme expressamente consta em seu caput, trata de Recurso de Ofício, e não de revisão de ofício. Portanto, não revoga o artigo 149 do CTN, isto é, a revisão de ofício tributária, mas apenas limita o Recurso de Ofício, no contexto do PAF, cf. seu artigo 342. . Portanto, não é aplicável ao presente caso. Preliminar – Alteração de critério jurídico O pedido, nesse tópico, é confuso, conforme a seguir se transcreve: “Tendo em vista ao disposto no artigo 146 do CTN o atual entendimento da fiscalização em relação ao tema somente pode ser aplicado para fatos geradores ocorridos posteriormente a abril de 2011 quando a RFB informa ao contribuinte a mudança de critério jurídico que já fora aplicado nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, inclusive neste processo alvo de revisão o que por si só justifica a procedência da manifestação de inconformidade neste tópico.” Talvez se refira ao tópico que precede o pedido, no Recurso Voluntário, o qual menciona a Solução de Consulta 354/2009. O auditor utiliza tal consulta para concluir: “60. É princípio de direito que a lei não contém palavras inúteis ou supérfluas. Assim, concluise que o §4º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 tem por objetivo impedir o cálculo de qualquer crédito pelas empresas comerciais exportadoras no que diz respeito às receitas 1 Art. 27. Não cabe recurso de ofício das decisões prolatadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em processos relativos a tributos administrados por esse órgão: (Redação dada pela Lei nº 12.788, de 2013) I quando se tratar de pedido de restituição de tributos; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) II quando se tratar de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) III quando se tratar de reembolso do saláriofamília e do saláriomaternidade; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV quando se tratar de homologação de compensação; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) V nos casos de redução de penalidade por retroatividade benigna; e (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) VI nas hipóteses em que a decisão estiver fundamentada em decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade, em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal e no disposto no § 6o do art. 19. (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) 2 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 16366.000382/200917 Acórdão n.º 3201004.488 S3C2T1 Fl. 8 7 decorrentes de exportação de mercadorias recebidas com fins específicos de exportação e não apenas àquelas já abrangidos pela vedação presente no art. 3º, §2º, II, da mencionada lei” Todavia, a mera referência do auditor à Solução de Consulta, do ano de 2009, não performa alteração de critério jurídico da Receita Federal. A mudança de critério jurídico se caracterizaria se houvesse ato da Receita Federal que alterasse entendimento oficial, presente em ato anterior. Não há demonstração dessa alteração, no caso. Caso a recorrente se refira à alterações na legislação, a preliminar se confunde com o mérito, que analisará as matérias conforme a legislação vigente nas datas dos fatos geradores. Assim, afasto a preliminar. Mérito Créditos sobre dispêndios vinculados a mercadorias adquiridas com fim específico de exportação Conforme relatado, foram glosadas despesas relativas a fretes, armazenagem, energia elétrica, aluguéis e outros dispêndios vinculados a operações com mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. A aquisição da mercadoria com fim específico de exportação não gera direito a crédito, cf. §4º do artigo 6º da Lei 10.833/2003, o que é incontroverso no presente processo. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. O mesmo aplicase ao Pis, cf. art. 15, III: Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 745DF CARF MF Processo nº 16366.000382/200917 Acórdão n.º 3201004.488 S3C2T1 Fl. 9 8 (...) III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Todavia, a recorrente sustenta que tais dispositivos vedam apenas o crédito sobre a aquisição da mercadoria em si, e não sobre os demais dispêndios vinculados às operações com tais mercadorias, como fretes, armazenamento, energia elétrica, aluguéis, etc, vinculados a essas exportações de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. Há lógica no entendimento da recorrente, posto que a empresa vendedora somente apurou créditos sobre seus dispêndios logísticos até a venda com fim específico de exportação, e a empresa comercial exportadora tem dispêndios para efetivar a exportação dessas mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, dispêndios esses sobre os quais os fornecedores pagam Pis e Cofins – o dono do imóvel de aluguel, a transportadora, etc que não foram aproveitados como geradores de créditos na cadeia anterior. Assim, sob o enfoque da finalidade da Lei, que é desonerar as exportações dos tributos incidentes na cadeia, a pretensão da recorrente encontraria abrigo. Todavia, a Lei é clara ao vedar a pretensão. A expressão legal é que, para as empresas comerciais exportadoras, é vedado o aproveitamento de créditos vinculados à receita de exportação”, o que, evidentemente, abrange os dispêndios tratados, e não somente as mercadorias em si. Com efeito, tais dispêndios são vinculados às receitas de exportação, do mesmo modo que os mesmos dispêndios, no caso da empresa vendedora, são vinculados à receita de exportação e desonerados, conforme §§8º e 9º do artigo 3º, combinados com §3º do artigo 6º: § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (...) § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. Isto é, quando a Lei se refere aos dispêndios (custos, despesas e encargos) vinculados à receita de exportação, referese justamente a fretes, armazenamento, aluguéis, energia elétrica, etc, vinculados à receita de exportação, que deveriam ser apurados em apropriação direta ou proporcional. Portanto, a expressão do §3º do artigo 6º da Lei 10.833/2003 é pela vedação dos créditos pretendidos pela recorrente. Fl. 746DF CARF MF Processo nº 16366.000382/200917 Acórdão n.º 3201004.488 S3C2T1 Fl. 10 9 Quanto ao art. 17 da Lei 11.033/2004, não prevalece sobre a vedação específica do §4º do art. 6º da Lei 10.833/2003, segundo o consagrado princípio hermenêutico da especificidade. Créditos sobre aquisições de mercadorias vendidas com suspensão A legislação é clara ao vedar o crédito integral sobre aquisições de cerealistas, cf. §4º do artigo 8º da Lei 10.925/2004, na redação então vigente: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; Fl. 747DF CARF MF Processo nº 16366.000382/200917 Acórdão n.º 3201004.488 S3C2T1 Fl. 11 10 II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. § 1o O disposto neste artigo: I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. As notas fiscais autuadas continham a expressão “Venda com Suspensão”, conforme orienta a IN 660/2006, art. 2º, §2º: Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action ?idArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011) b) 12.01 e 18.01; II de leite in natura; III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. A empresa alega que tais aquisições foram feitas para revendas, e não para industrialização, o que descaracterizaria a suspensão da inciDência de Pis e Cofins da operação. Todavia, tal alegação contraria os documentos fiscais. Aduz ainda que não industrializa soja. Decerto que a atividade de mera revenda não caracterizaria a suspensão. Todavia, considerando que a vendedora considerou a venda como passível de suspensão, não tributou a operação com o Pis e a Cofins, o que impede o aproveitamento integral das contribuições. O negócio efetuado foi, conforme o documento fiscal, e portanto, para a vendedora, para que a Fl. 748DF CARF MF Processo nº 16366.000382/200917 Acórdão n.º 3201004.488 S3C2T1 Fl. 12 11 mercadoria fosse industrializada. Não pode a recorrente, depois desse negócio assim acertado, mudar a finalidade da aquisição, para direcionála à revenda, e pretender com isso o crédito integral nas operações. Caso o documento fiscal seja equivocado, cumpre à recorrente produzir prova robusta dessa inconsistência, na ocasião, isto é, que o negócio tenha sido feito com finalidade de revenda. Com efeito, não poderia a operação ter sido acordada como sendo com suspensão, o que significaria o não pagamento de Pis e Cofins na vendedora, para depois a recorrente apropriarse do crédito integral e alegar que não industrializou as mercadorias adquiridas. Em outras palavras, não basta que a recorrente não tenha industrializado a mercadoria, cumpre ainda que a vendedora tivesse ciência disso e tributado a operação. Verifico, pois, que tal prova não foi produzida pela recorrente, que alega ter feito cartas de correção das notas fiscais, porém não as juntou. E, ainda, se tivesse juntado, tais cartas de correção deveriam ser auditadas para aferição de sua tempestividade e efetividade. Sem tais elementos, não há como albergar a pretensão da recorrente. A recorrente alega ainda que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 teria derrogado a vedação da apropriação de crédito integral em foco. Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Tal artigo trata do crédito na vendedora, e não na compradora. No caso das operações em foco, a recorrente foi a compradora. Portanto, inaplicável o dispositivo em seu benefício. Portanto, não há direito ao crédito de Pis e Cofins em tais aquisições. Conclusão Pelo exposto, voto por afastar as preliminares, e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 749DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.722949/2013-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. LIMITE. CRÉDITO DISPONÍVEL INVOCADO.
O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, respeitado o limite do crédito disponível invocado.
Numero da decisão: 3401-005.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. LIMITE. CRÉDITO DISPONÍVEL INVOCADO. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, respeitado o limite do crédito disponível invocado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 29 49 /2 01 3- 39 Fl. 170DF CARF MF 2 Relatório Versam os autos sobre PER/DCOMP de COFINS, anocalendário 2010, com Despacho Decisório Eletrônico DDE que, diante da inexistência de crédito, não homologou a compensação declarada, pois de acordo com o DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A empresa presentou Manifestação de Inconformidade na qual defendeu que as diferenças apontadas nos DDE referemse a não retificação das DCTF dos períodos analisados, razão pela qual retificou as Declarações, apresentando diferenças e créditos para cada período. Disse também que apresentou DACON retificadores muito antes das DCTF retificadoras, os quais poderiam ter sido confrontados oportunamente. Sobreveio decisão da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos de votos julgou procedente a manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos da ementa abaixo transcrita: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. A Contribuinte tomou ciência da referida decisão por meio AR, em 11/06/2013, vindo a interpor recurso voluntário em 11/07/2013, basicamente defendendo que possui suficiência de créditos não só para satisfazer os eventuais débitos existentes como também para compensálos com os débitos indicados no PER/DCOMP. Posteriormente, houve despacho para que houvesse explicação do porquê da mudança de numeração do processo, sobrevindo Despacho de Encaminhamento com o seguinte teor: Em atendimento ao Despacho de Devolução emitido pela Terceira Câmara da 3ª Seção do CARF, informamos que foi criado novo número de processo para prosseguimento do pleito do contribuinte em razão de o Acórdão da DRJ/BHE ter julgado a Manifestação de Inconformidade Procedente, o que ocasionou o encerramento do processo no SIEFPROCESSO. Porém , o crédito reconhecido pela DRJ não foi suficiente para quitar os débitos informados na DCOMP e o contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando que "os pagamentos existentes eram suficientes para liquidar o débito apurado". Por não ser possível informar o questionamento no SIEF, foi criado o presente processo, vinculado no SIEF ao processo de crédito original. Retornese ao CARF para prosseguimento. Por fim, com o mesmo objeto e partes, pulverizados entre PIS e COFINS, alterandose apenas o anocalendário e número do PER/DCOMP, noticiese que há 18 (dezoito) processos, todos apreciados nesta sessão de julgamento, incluído o presente: (1) 10680.722899/201390, (2) 10680.722898/201345, (3) 10680.722900/201386, (4) Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10680.722949/201339 Acórdão n.º 3401005.449 S3C4T1 Fl. 171 3 10680.722901/201321, (5) 10680.722902/201375, (6) 10680.722908/201342, (7) 10680.722907/201306, (8) 10680.722896/201356, (9) 10680.722905/201317, (10) 10680.722904/201364, (11) 10680.722897/201309, (12) 10680.722892/201378, (13) 10680.722893/201312, (14) 10680.722894/201367, (15) 10680.722903/201310, (16) 10680.722895/201310, (17) 10680.722906/201353 e (18) 10680.722949/201339. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. Na versão inicial, o relator propunha a conversão em diligência, mas, após os debates no colegiado, adotou posicionamento pela negativa de provimento, como aclarado adiante. O recurso voluntário interposto é tempestivo, logo, dele tomo conhecimento. Viuse que a DRJ/BHE, à unanimidade de votos, julgou procedente a manifestação de inconformidade para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação até o limite do crédito reconhecido e que a Contribuinte recorreu quanto à parte do crédito que diz existir, mas que a Administração entende inexistente, como sintetizado na parte final do acórdão da DRJ/BHE: As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: Fl. 172DF CARF MF 4 Em face do exposto, voto por julgar PROCEDENTE a manifestação de inconformidade apresentada para: • reconhecer como pagamento indevido ou a maior a importância de R$ 68.422,37; • homologar a compensação em litígio até o limite do crédito reconhecido, observadas as normas legais estabelecidas. A DRF de origem, para fins de operacionalização nos sistemas da RFB, deverá atentar para a existência de DComp relacionadas à utilização do crédito acima apurado. Pelo que se percebe da tabela, antes da ciência do despacho decisório, DCTF e DACON indicavam débitos distintos. Após o despacho decisório, a DCTF foi retificada e ambas as declarações passaram a espelhar um mesmo débito, de R$ 14.678,97, com pagamento, em DARF de R$ 114.428,88, dos quais se invoca R$ 68.422,37, o que é insuficiente para homologar integralmente as compensações. A empresa alega, em recurso voluntário, que os pagamentos efetuados para a competência foram de R$ 609.353,33. Ocorre que a compensação demandada pela empresa invoca o pagamento de R$ 114.428,88 (e parcialmente, no valor de R$ 68.422,37), não cabendo a análise, neste processo administrativo, de crédito distinto do solicitado pela postulante da compensação. Tal análise, ainda que em procedimento próprio, distinto, obedecidos os prazos para a demanda, acarretaria nova apuração, e comprovação da certeza e da liquidez necessárias à compensação, a cargo do postulante. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10680.722949/201339 Acórdão n.º 3401005.449 S3C4T1 Fl. 172 5 O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, desde que respeitado o limite do crédito disponível invocado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13827.000248/2010-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o presente processo administrativo até que se verifique o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 0004232-59.2011.4.03.6108. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13827.000253/2010-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone- Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio César Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1250; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13827.000248/201089 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.773 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 22 de novembro de 2018 Assunto Compensação Recorrente COSAN S/A INDUSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o presente processo administrativo até que se verifique o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 000423259.2011.4.03.6108. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13827.000253/201091, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio César Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 27 .0 00 24 8/ 20 10 -8 9 Fl. 262DF CARF MF Processo nº 13827.000248/201089 Resolução nº 1402000.773 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face da r. decisão proferida pela 5' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Adoto o relatório empreendido pela DRJ em sua integralidade complementando o ao final no que necessário: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior a título de Parcelamento da Lei nº 10.684/2003, Código Receita 7122, no período de apuração 28/12/2006, no valor de R$ 683.992,37, apresentado em formulário impresso, protocolizado em 30/03/2010. No formulário, o interessado alegou que o pedido teria por objeto “a restituição da parcela do PAES Parcelamento Especial de que trata a Lei 10.648/2003 10.684/2003, não utilizadas pela RFB na amortização da dívida consolidada no âmbito do PAES, por terem sido recolhidas após a data dos efeitos da exclusão do referido programa, conforme dispõe o § 1º do art. 12 da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 3/2004”. O despacho decisório proferido pela Auditora Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru/SP não reconheceu o direito creditório, pois verificou que o referido pagamento teria sido utilizado para quitar débito do contribuinte inscrito em dívida ativa. No despacho, a autoridade ponderou que a exclusão do PAES teria ocorrido com efeitos a partir de 12/03/2005, mas a Fazenda Nacional teria ajuizado processo de execução fiscal nº 2005.61.09.0031397, no qual teria sido determinado que fossem feitos Redarfs dos recolhimentos referentes ao PAES para que fossem aproveitados na quitação de débitos inscritos em Dívida da União. Assim, em cumprimento à decisão judicial, foram feitos os Redarfs, alterando o Código Receita dos pagamentos para 4493 – Dívida Ativa Cofins. Como o pedido de restituição tratava de tributos e contribuições administrados pela Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados a ela, para que se manifestasse sobre a procedência do pedido do contribuinte. Em resposta, a PFN se manifestou pelo não reconhecimento do direito creditório, já que o pagamento teria sido imputado ao débito inscrito nas CDAs nº 80.6.05.04289850 e 80.7.06.04619248. Cientificado do despacho, o recorrente apresentou manifestação de inconformidade para alegar que teria sido excluído do Paes indevidamente, pois teria compensado algumas parcelas com crédito prêmio do IPI, mas que teria autorização judicial Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13827.000248/201089 Resolução nº 1402000.773 S1C4T2 Fl. 4 3 para tal procedimento e que também teria ação judicial para ser reincluído no parcelamento (processo nº 2008.61.00.0218613). Defendeu que antes mesmo de ser proferida decisão definitiva judicial, teriam entrado em vigor as Medidas Provisórias nº 449/2008 e 470/2009, as quais teriam permitido o parcelamento de débitos compensados com créditoprêmio de IPI. O interessado afirmou que teria optado por reparcelar os débitos, através da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, mas que teria sido obrigado a desistir e renunciar às ações judiciais para ser incluído em tal parcelamento. Alegou que o montante pago durante sua adesão ao Paes e os débitos consolidados deveriam ter sido aproveitados no novo parcelamento, conforme inc. II, art. 3º da Lei nº 11.941/2009, mas que isso não teria ocorrido. O contribuinte discordou do procedimento da Procuradoria da Fazenda Nacional, por ter imputado os pagamentos sem antes consultálo, alegando ofensa ao contraditório, por não ter sido aberto prazo para impugnação. Defendeu a nulidade da decisão, pois a execução fiscal nº 2005.61.09.0031397 não abrangeria a CDA nº 80.7.06.04619248, de modo que não haveria decisão judicial que embasasse o Redarf. Atribuiu que teria ocorrido compensação de ofício, conforme o § 2º do art.49 da IN RFB nº 900/2008, nas imputações de pagamentos levadas a efeito pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mas que não teria sido concedido o prazo de quinze (15) dias para o contribuinte se manifestar. Afirmou que teria impetrado mandado de segurança, processo nº 0004232 59.2011.4.03.6108, para pleitear a nulidade da imputação dos pagamentos ocorridas nas execuções fiscais processo nº 2005.61.09.0031397, 2007.61.09.0060357, 2007.61.09.002017 7 e 2005.61.09.0039128. Alegou que os débitos executados estariam sendo discutidos judicialmente, garantidos por penhora e que não se poderia compensar de ofício débitos do sujeito passivo com a exigibilidade suspensa. Citou o art. 369 do Código Civil, dizendo ser indispensável para a compensação de ofício que o crédito estivesse vencido e fosse exigível. Defendeu que a imputação de débitos não seria permitida nos casos em que houvesse penhora e discussão em embargos à execução, pois haveria o risco da União receber o crédito duas vezes, pela via administrativa (compensação de ofício) e pela via judicial (execução fiscal). Por outro lado, afirmou que na manifestação de inconformidade visava o reconhecimento do crédito, que não deveria ser analisado pela óptica da execução fiscal, mas como crédito originário das parcelas do Paes. O interessado aduziu que o inc. II, do art. 3º, da Lei nº 11.941/2009, deveria prevalecer sobre a IN RFB nº 900/2008, pela princípio da hierarquia das leis, de modo que o Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13827.000248/201089 Resolução nº 1402000.773 S1C4T2 Fl. 5 4 reparcelamento do débito pela Lei nº 11.941/2009 faria com que o as parcelas pagas durante sua opção pelo Paes fossem computadas para amortizar os débitos do novo parcelamento. Concluiu, para requerer a reforma da decisão e o reconhecimento integral do direito creditório. A r. DRJ de Ribeirão Preto proferiu decisão que restou assim ementada: "ASSUNTO : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/12/2006 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. A existência de ação judicial com o mesmo objeto da lide importa em renúncia à apreciação da matéria na esfera administrativa. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido " A Recorrente apresentou este Recurso Voluntário em que sustenta que embora haja uma relação de prejudicialidade entre este processo administrativo e o Mandado de Segurança em que discute a legalidade da imputação dos créditos a diversas CDAs, não é possível vislumbrar uma relação de concomitância (e muito menos renúncia à esfera administrativa). Defende que embora o provimento do Mandado de Segurança culmine na liberação do crédito ora pleiteado, uma vez que cancelará a compensação de ofício realizada, a medida judicial não propiciará a restituição do montante à Recorrente. Além disso, caso remanesça o indeferimento neste processo administrativo, restará definitivamente obstado o direito da Recorrente reaver os valores do pagamento indevido, uma vez que já terá transcorrido o prazo prescricional para pleitear a devolução, restando a Recorrente impossibilitada de apresentar um novo pedido de restituição. Aponta jurisprudência do CARF em que se suspendeu o processo administrativo até o advento final do processo judicial. Requer, por fim, que os Conselheiros se posicionem quanto ao meio adequado à restituição do montante caso o MS culmine no cancelamento das compensações de ofício, uma vez que já terá transcorrido o prazo quinquenal para pleitear a restituição do crédito. É o relatório. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 13827.000248/201089 Resolução nº 1402000.773 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.771, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13827.000253 /2010 91, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.771): 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. MÉRITO: Havendo contencioso judicial para discutir a validade ou não da compensação de ofício ordenada por juízo de Execução Fiscal, não cabe a esta e. Câmara se manifestar quanto a contenda. Embora evidente a relação de prejudicialidade entre os dois processos, resta evidenciar se há concomitância para fins de aplicação da Súmula 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O presente processo administrativo tem por objeto a verificação da existência de crédito decorrentes de pagamentos indevidos de parcelas do Parcelamento da Lei 10.684/03 (PAES), realizados após a exclusão indevida da Recorrente por meio de DARFs com o código 7122, cujo valor originário é de R$ 668.663,70. Enquanto o processo judicial in casu busca afastar imputação do referido crédito para pagamento dos débitos constantes das CDAs 80.6.05.04289770 e 80.2.07.00846342, cobradas na Execução Fiscal nº 2005.61.09.0031397, conforme decisão exarada naquele processo. Resta evidente que não há coincidência de objetos, mas uma clara relação de prejudicialidade entre os processos. Pois, caso liberado o crédito na decisão judicia, o presente processo administrativo deverá ser julgado procedente,. Temos julgado pelo sobrestamento em casos de prejudicialidade, como a ilustra a ementa da decisão proferida no Processo Administrativo nº 13603.902729/201217, acórdão nº 1402 Fl. 266DF CARF MF Processo nº 13827.000248/201089 Resolução nº 1402000.773 S1C4T2 Fl. 7 6 003.351, relatoria do Conselheiro LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 SOBRESTAMENTO Existindo discussão em outros processos administrativos sobre a compensação de estimativas que compõe o saldo negativo de IRPJ que se pretende compensar nos autos deste processo em epígrafe, resta caracterizada a prejudicialidade do pedido de compensação, devendo sobrestar o julgamento do recurso até que seja proferida decisão administrativo definitiva nos processos que tratam das compensações das estimativas. Isto posto, encaminho voto no sentido de sobrestarmos o presente processo administrativo até que se verifique o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 000423259.2011.4.03.6108. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de sobrestar o julgamento do presente processo até que se verifique o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 000423259.2011.4.03.6108. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 267DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.720291/2011-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTO DECORRENTE DE AUTO IRPJ/CSLL. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO.
Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento decorrente de fatos cuja apuração tenha servido para configuração da prática de infração à legislação do IRPJ (art. 2o, IV do RICARF).
Numero da decisão: 3403-003.463
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, declinando-se da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida (em substituição a Alexandre Kern), Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: Rosaldo Trevisan
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1509; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 1.005 1 1.004 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.720291/201145 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.463 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2014 Matéria AI IPIOMISSÃO DE RECEITAS Recorrente INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE TINTAS FERRAZ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTO DECORRENTE DE AUTO IRPJ/CSLL. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO. Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento decorrente de fatos cuja apuração tenha servido para configuração da prática de infração à legislação do IRPJ (art. 2o, IV do RICARF). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, declinandose da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida (em substituição a Alexandre Kern), Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 02 91 /2 01 1- 45 Fl. 1005DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre auto de infração lavrado em 22/11/2011 (fls. 908 a 926, com ciência à empresa em 30/11/2011 fl. 9171), para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no período de janeiro a dezembro de 2008, acrescido de juros de mora e de multa de ofício de 75%, perfazendo total de R$ 1.782.164,75. Narra a fiscalização que a autuação decorre de falta de lançamento do IPI na saída do estabelecimento de produtos sem emissão de nota fiscal, apurada por meio de receitas correspondentes a depósitos bancários cujas origens o contribuinte não obteve êxito em comprovar, conforme se narra em Termo de Verificação Fiscal. Afirma ainda o autuante (fl. 918) que se trata “de infração reflexa do lançamento relativo ao IRPJ”, o qual foi levado a efeito por meio de autuação diversa. No Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades (TVCI) anexo à autuação (fls. 853 a 907), apura o fisco que: (a) a empresa, optante pela forma de tributação do lucro presumido, foi intimada a apresentar livros fiscais e extratos bancários, apresentandoos em parte (informando que vários livros se encontravam em poder do fisco estadual), só complementando a apresentação dos extratos bancários após três reintimações; (b) após apuração da receita bruta (base de cálculo do IRPJ no “lucro presumido”) de acordo com o art. 224 do RIR/1999, o fisco disponibilizou os resultados da apuração para que a empresa se manifestasse; (c) com a resposta da empresa, foi possível verificar que além das diferenças já detectadas, a empresa excluía (sem respaldo legal), de suas vendas os valores correspondentes a “PIS e COFINS” devidos, além do ICMS próprio; (d) analisando os extratos de conta corrente apresentados, percebeuse que estavam ao desamparo de origem R$ 31.587.563,86, sendo novamente a empresa intimada a justificar a irregularidade; (e) após a concessão de prorrogações de prazo, persistiu sem resposta a intimação; (f) comparandose mensalmente os valores de receita bruta declarados em DACON, foi constatada insuficiência de declaração das receitas tributáveis contabilizadas em janeiro (R$ 575.251,53) e fevereiro (R$ 200.111,83), que, diante da ausência de justificativa, mesmo após nova intimação, foram lançados em auto de infração distinto, referente a “IRPJ, CSLL, PIS e COFINS”; (g) com relação ao IPI (tratado no presente processo), foi verificado que a empresa contabilizou em janeiro no Razão valor distinto do Livro de Saídas para as rubricas “30006” (vendas para o Estado) e “30007” (vendas para outro Estado”, novamente se intimando a empresa a justificar o ocorrido, sem resposta, em uma das intimações, e com alegação de que as diferenças se deviam a lançamento em duplicidade, em outra; (h) após as exclusões de devoluções, a quantia que remanesceu sem comprovação era de R$ 29.970.846,56, significativamente diferente da contabilização no Razão (que foi de R$ 13.348.977,75), o que perfaz uma receita presumidamente omitida (art. 42 da Lei no 9.430/1996) de R$ 16.621.868,61; (i) com relação ao IPI, as receitas auferidas cujas origens não sejam comprovadas consideramse provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto com base nas alíquotas mais elevadas, quando não for possível a identificação detalhada na escrita do estabelecimento (art. 448 do RIPI/2002); (j) foi assim efetuada a exigência de IPI à maior alíquota de produto comercializada pela empresa, o látex (NCM 3209.10.10 5%), com reconstituição da escrita fiscal, inclusive aproveitando saldos credores de períodos anteriores (infração reflexa ao lançamento relativo ao IRPJ); e (k) foi ainda lançada a diferença em relação às vendas contabilizadas no Livro Razão e não contabilizadas no Livro de Saídas. Em sua impugnação (fls. 931 a 941), apresentada em 29/12/2011, alega a empresa que: (a) “o fisco, que a seu termo poderia requerer os documentos junto às instituições 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 16095.720291/201145 Acórdão n.º 3403003.463 S3C4T3 Fl. 1.006 3 financeiras, não o fez e, mais não considerou as antecipações de créditos lançados nos extratos, embora devidamente informado pelo impugnante” (sic); (b) desde o início da fiscalização a empresa vem tentando junto ao banco ITAÚ S.A. cópias dos contratos de antecipação de recebíveis futuros, não obtendo êxito; (c) embora os créditos bancários, em tese, possam identificar indícios de receitas omitidas, tais operações não caracterizam por si só receita ou faturamento, devendo o fisco identificar outros elementos seguros que possam comprovar omissão de receita; (d) a empresa logrou receber no exercício fiscalizado mais de R$ 640.000,00 de créditos em relação a vendas efetuadas em anos anteriores; (e) existe livro fiscal próprio para apuração do IPI, “devendo ser lançado as compras e apurado as saídas, por suas diversas alíquotas de IPI” (sic); (f) não se pode confundir mera movimentação financeira com acréscimo patrimonial ou receita bruta; (g) o art. 42 da Lei no 9.430/1996 não pode ser interpretado isoladamente, mas em harmoniza com o art. 43 do CTN, “sob pena de ofensa ao princípio constitucional da hierarquia das leis”; (h) a multa aplicada fere o “princípio da segurança das relações jurídicas, na medida em que o Estado, enquanto poder, agiu com manifesta atitude passiva”, e caracteriza confisco, não tendo a empresa agido de máfé; e (i) os juros aplicados são abusivos. Em 26/12/2013 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 956 a 960), no qual se acorda unanimemente pela improcedência da impugnação apresentada, sob os fundamentos de que: (a) “diante da peça impugnatória, que apesar de requerer a improcedência de todo o Auto de Infração contesta expressamente apenas a infração 1, relativa ao IPI exigido em decorrência de depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas, cabe manter inteiro o lançamento”; (b) “as argüições de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal, como a de suposto caráter confiscatório da multa de ofício, constituem matéria que não pode ser apreciada no âmbito deste Processo Administrativo”; (c) “o Auto de Infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto no 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém o enquadramento legal correlato, demonstrando com clareza a exigência em questão: IPI lançado por venda sem emissão de nota fiscal, presumida em decorrência de depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas, sendo o Imposto calculado à alíquota de 5% (o percentual não é contestado pela Impugnante) e os saldos devedores levantados depois de reconstituída a escrita fiscal, com inclusão dos débitos decorrentes da omissão de receita e aproveitamento dos saldos credores escriturados anteriormente pela contribuinte”, inexistindo nulidade; (d) na falta de comprovação quanto à origem dos depósitos bancários a receita omitida é considerada proveniente de vendas não registradas e sobre elas é exigido o IPI; e (e) a presunção de que as receitas omitidas são oriundas de vendas não registradas é relativa, mas a recorrente não conseguiu elidila”, e “daí a manutenção do lançamento do IPI, apurado com aplicação da alíquota de 5%, que não é contestada”. Cientificada da decisão de piso em 08/01/2014 (AR à fl. 963), a empresa apresenta recurso voluntário em 06/02/2014 (fls. 965 a 971), no qual reitera que: (a) “os valores dos depósitos bancários não podem ser considerados como receita omitida para efeitos dos tributos ora exigidos”; (b) o prazo solicitado ao banco ITAÚ S.A. para apresentação de cópias dos contratos de antecipação de recebíveis futuros não foi suficiente, penalizandose a recorrente, pois a RFB poderia intimar o banco a fornecer tais contratos; e (c) tinha valores a receber de exercícios anteriores. Acrescenta ainda que questionou a alíquota de 5% em sua impugnação, informando que por força do Decreto no 5.697/2006 a alíquota de mais de 90% de seus produtos foi reduzida a “zero”. É o relatório. Fl. 1007DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Antes de ingressar na apreciação do recurso voluntário, revelase imprescindível o exame da competência desta turma para se manifestar sobre a matéria expressa nos autos. O recurso voluntário apresentado versa sobre autuação referente a IPI, mas efetuada diante de procedimento fiscal no qual foram ainda lançados IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Para a única matéria que não era decorrente do lançamento de IRPJ (diferença em relação às vendas contabilizadas no Livro Razão e não contabilizadas no Livro de Saídas) operouse a preclusão, diante da negativa de impugnação. Assim, resta a analisar no presente processo tão somente a matéria reconhecidamente reflexa da autuação de IRPJ, como atesta expressamente o próprio Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades (TVCI), à fl. 859: Verificada a identidade de base fática, com a correspondente conexão dos processos, impõese a competência estabelecida no art. 2o, IV do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256/2009, atribuída à Primeira Seção deste CARF: “Art. 2o À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ;” (grifo nosso) Assim, ainda que a autuação verse sobre tributo diverso (IPI), resta deslocada a competência para a Primeira Seção se a exigência for lastreada em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente ao IRPJ. Sendo inequívoco que a matéria em discussão nestes autos, em relação a IPI, está lastreada em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, como se percebe cristalinamente do teor do excerto transcrito do TVCI, concluise pela incompetência desta turma de julgamento (em verdade, desta Seção de Julgamento) para análise do recurso voluntário. Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 16095.720291/201145 Acórdão n.º 3403003.463 S3C4T3 Fl. 1.007 5 Incumbese, então, declinar da competência para julgamento em favor da Primeira Seção deste CARF, na forma do art. 2o, IV do Anexo II do RICARF, na linha do que já decidiu unanimemente esta turma, também em processo referente a IPI: “AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTO DECORRENTE DE AUTO IRPJ. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO. Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento decorrente de fatos cuja apuração tenha servido para configuração da prática de infração à legislação do IRPJ (art. 2o, IV do Anexo II do RICARF) (Acórdão n. 3403 002.580, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 24.out.2013) Diante do exposto, voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso, declinandose da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF. Rosaldo Trevisan Fl. 1009DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.900807/2009-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS.
O valor recolhido a título de estimativas de IRPJ ou CSLL integra o saldo negativo do período de apuração e, como tal, é passível de restituição e compensação com outros tributos. (Súmula CARF n. 84)
Numero da decisão: 9101-004.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. O valor recolhido a título de estimativas de IRPJ ou CSLL integra o saldo negativo do período de apuração e, como tal, é passível de restituição e compensação com outros tributos. (Súmula CARF n. 84) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 08 07 /2 00 9- 81 Fl. 292DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Pedido de Compensação declarado por meio do PER/DCOMP nº 11198.07601.121206.1.3.040472, transmitido em 12/12/2006, referente a crédito advindo do saldo de restituição decorrente do pagamento a maior da estimativa mensal do IRPJ (saldo negativo), do período de apuração 12/2004, recolhida em 31/01/2005, e débitos de PIS/PASEP/COFINS (efolha 76). O Despacho Decisório, emitido em 25/03/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado pela declarante, não homologando a compensação declarada nos seguintes termos: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica(IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” (efolha 66) À efolha 20, foi apresentada Manifestação de Inconformidade, contendo preliminar de nulidade do despacho decisório, enquanto que no mérito, explica a postulante que teria recolhido indevidamente o valor de R$ 435.024,84, pois teria apurado saldo negativo de R$ 132.332,12. Informa, também, que do pagamento mencionado, ainda dispõe para utilização de saldo remanescente o valor de R$ 296.667,92, com o qual deseja quitar seus débitos. Por fim, aponta que o erro material no preenchimento do PER/DCOMP quanto à origem do crédito, se “Pagamento Indevido ou a Maior” ou “Estimativa Mensal” não é suficiente para anular seu direito creditório, sob pena de se sobrepor a forma em detrimento do conteúdo. Sob o Acórdão nº 1520.294, (efls. 135 a 141), a 1ª Turma da DRJ/SDR, em 13 de agosto de 2009, julgou improcedente a manifestação da contribuinte. Vejase a ementa: Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Tendo o despacho decisório preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar a matéria indeferida, descabe a alegação de nulidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2004 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. O recolhimento das estimativas não configura pagamento extintivo de crédito tributário, mas mera antecipação do tributo devido a ser apurado definitivamente ao término do período definido na legislação. Em consequência, passível de restituição e compensação é o saldo negativo de IRPJ apurado na Declaração de Ajuste Anual. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. LIQUIDEZ E CERTEZA. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 13502.900807/200981 Acórdão n.º 9101004.021 CSRFT1 Fl. 293 3 Incabível a restituição de crédito tributário por pagamento a maior se ausentes a liquidez e a certeza do valor pleiteado. Inconformada, a empresa interpôs Recurso Voluntário (efls. 149 a 173) repisando seus argumentos. No CARF, sob o acórdão nº 180300.852 (efls. 197 a 206), em 24 de fevereiro de 2011, foi dado parcial provimento ao pleito da contribuinte para que o direito creditório dela seja analisado pela unidade de origem à título de saldo negativo e não como recolhimento de estimativa. Acompanhese a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Só se pode cogitar de declaração de nulidade de despacho decisório quando for, esse despacho, proferido por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Exercício: 2005 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. O valor recolhido a título de estimativas de IRPJ ou CSLL integra o saldo negativo do período de apuração e, como tal, é passível de restituição e compensação com outros tributos. A Procuradoria, por sua vez, interpôs, Recurso Especial (efls. 213 a 235) argumentando que as estimativas pagas ao longo dos meses são absorvidas no momento da apuração definitiva do tributo, não podendo se falar em estimativa a pagar ou restituir quando do encerramento do períodobase, pois com ele subsiste apenas saldo negativo ou positivo do IRPJ. Traz o seguinte acórdão paradigma (efls. 237 a 249): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO CALENDÁRIO.COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre balancetes ou receita bruta, as denominadas estimativas, caracterizam meras antecipações do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do ano calendário. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação do lucro real anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do anocalendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão Fl. 294DF CARF MF 4 acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 10 de janeiro subsequente. Eventuais diferenças, a maior, de estimativas recolhidas podem ser compensadas come estimativas mensais devidas ao longo do anocalendário em curso, dada a mesma natureza de antecipação, não, porém, com qualquer outro tipo de dúvida. O Despacho de Admissibilidade (efls. 256 a 259) admitiu o recurso especial da Procuradoria, entendendo restar caracterizada a divergência na interpretação da lei tributária, posto que, conforme aduz o Despacho,no acórdão paradigma “foi vedada a possibilidade de recolhimento mensal de estimativa servir para compensar débito de estimativa de anocalendário subsequente, restando a exceção quando o débito referirse a antecipações posteriores do mesmo anocalendário”, diferentemente do que o ocorreu no acórdão recorrido. Por fim, a recorrida apresentou Contrarrazões (efls. 262 a 270) atacando, primeiramente, o conhecimento do recurso especial, alegando a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. No mérito, manteve os mesmos argumentos que apresentara em sua manifestação de inconformidade e recurso voluntário. É o relatório. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13502.900807/200981 Acórdão n.º 9101004.021 CSRFT1 Fl. 294 5 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Conhecimento O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo. Foi indicado um acórdão paradigma, considerado no despacho de admissibilidade para fins de comprovação da divergência: 110200.291, da 1ª Câmara da 2ª Turma Ordinária do CARF. O contribuinte apresentou contrarrazões, nas quais suscita preliminar pelo não conhecimento do recurso especial interposto, sob a alegação de que o acórdão paradigma trata de situação diversa da existente no presente processo. Em suma, alega o contribuinte que “o presente caso trata da possibilidade de restituição e compensação com débitos próprios do saldo negativo de IRPJ, apurado em 31/12/2004, decorrente de pagamento a maior de estimativa mensal que integrou o saldo negativo do período de apuração, enquanto que o acórdão paradigma trata de compensação de excesso de estimativa, do mês de janeiro de 2005, com débito dessa mesma natureza de novembro de 2006”. Sem razão o contribuinte em suas afirmações. Na DCOMP de p. 96/107 (37685.43380.260905.1.3.047250), especificamente na p. 100, está informado que a origem do crédito trazido à compensação é um DARF pago de IRPJ, em 31.01.2005, com valor total R$ 435.024,84 (p. 102), mas com crédito limitado à parcela considerada “pagamento maior ou indevido” no importe de R$ 296.667,92. Os débitos a serem compensados são de CSLL, no importe de R$ 18.658,76 e de IRPJ, no importe de R$ 85.075,55. O saldo dos créditos dessa compensação foi utilizado em um segundo DCOMP de p. 86/95 (25399.93772.270306.1.3.042737) e, finalmente, o saldo dessa segunda compensação foi utilizado em um terceiro DCOMP de p. 76/85 (11198.07601.121206.1.3.04 0472), que é objeto deste processo administrativo. Portanto, há similitude fática a sustentar a decisão divergente entre o v. acórdão recorrido e o respectivo paradigma trazido à colação pela Procuradoria. Contudo, superado esse primeiro ponto pelo não conhecimento do Recurso Especial da Procuradoria, surge um segundo que deve ser considerado em razão do disposto no § 3º, do art. 67, do Regimento Interno do CARF: Art. 67. (...) § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, Fl. 296DF CARF MF 6 da CSRF 76 ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. O Recurso Especial da Procuradoria (p. 213/235) tem por objeto a “impossibilidade de compensar débitos tributários com valores recolhidos a título de estimativa, após o encerramento do respectivo anocalendário”. Para a Procuradoria, “apenas por ocasião do ajuste anual é possível verificar se o montante recolhido por estimativa é efetivamente indevido, após a comparação ao IRPJ apurado em definitivo” (p. 231). Vejase o disposto na Súmula CARF nº 84, após revisão, conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018: “É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.” Ou seja, o objeto do Recurso Especial da Procuradoria está contrário a Súmula deste E. Conselho. Desta forma, tratandose de matéria já sumulada pelo CARF, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto pela Procuradoria, uma vez que a divergência suscitada – impossibilidade de pagamento por estimativa suscitar indébito passível de restituição/compensação foi definitivamente afastada por entendimento sumulado. É o voto (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 297DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.001000/2003-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1996
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 11.
Conforme assentado na Súmula nº 11 do CARF, o instituto da prescrição intercorrente não se aplica ao processo administrativo fiscal.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade quando a autoridade fiscalizadora indicou expressamente os fatos que embasaram a autuação e observou todos os demais requisitos constantes do art. 10 do Decreto 70.235/72, reputadas ausentes as causas previstas no art. 59 do mesmo diploma.
DECADÊNCIA. ANULAÇÃO DE LANÇAMENTO ANTERIOR. VÍCIO MATERIAL. ART. 173, II, CTN.
Nos casos de anulação de lançamento anterior por motivos de vício material, a contagem do prazo de decadência segue a regra do art. 173, I, CTN, segundo a qual o prazo quinquenal é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
No caso em apreço, a anulação do lançamento anterior não se deu unicamente por descumprimento dos requisitos formais constantes do art. 11 do Decreto 70.235/72, mas também por inobservância ao art. 142 do CTN, que prevê os elementos essenciais do crédito tributário. Desta feita, imperioso reconhecer que o lançamento anulado encontrava-se eivado, inclusive, de vício material. Corrobora este entendimento o fato de que houve inovação substancial no novo lançamento e não mera retificação de aspectos formais.
Recurso voluntário provido para reconhecer a decadência do crédito tributário, com fulcro no art. 173, I, CTN.
Numero da decisão: 2202-004.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado).
Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1996 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 11. Conforme assentado na Súmula nº 11 do CARF, o instituto da prescrição intercorrente não se aplica ao processo administrativo fiscal. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade fiscalizadora indicou expressamente os fatos que embasaram a autuação e observou todos os demais requisitos constantes do art. 10 do Decreto 70.235/72, reputadas ausentes as causas previstas no art. 59 do mesmo diploma. DECADÊNCIA. ANULAÇÃO DE LANÇAMENTO ANTERIOR. VÍCIO MATERIAL. ART. 173, II, CTN. Nos casos de anulação de lançamento anterior por motivos de vício material, a contagem do prazo de decadência segue a regra do art. 173, I, CTN, segundo a qual o prazo quinquenal é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso em apreço, a anulação do lançamento anterior não se deu unicamente por descumprimento dos requisitos formais constantes do art. 11 do Decreto 70.235/72, mas também por inobservância ao art. 142 do CTN, que prevê os elementos essenciais do crédito tributário. Desta feita, imperioso reconhecer que o lançamento anulado encontrava-se eivado, inclusive, de vício material. Corrobora este entendimento o fato de que houve inovação substancial no novo lançamento e não mera retificação de aspectos formais. Recurso voluntário provido para reconhecer a decadência do crédito tributário, com fulcro no art. 173, I, CTN.
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INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 11. Conforme assentado na Súmula nº 11 do CARF, o instituto da prescrição intercorrente não se aplica ao processo administrativo fiscal. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade fiscalizadora indicou expressamente os fatos que embasaram a autuação e observou todos os demais requisitos constantes do art. 10 do Decreto 70.235/72, reputadas ausentes as causas previstas no art. 59 do mesmo diploma. DECADÊNCIA. ANULAÇÃO DE LANÇAMENTO ANTERIOR. VÍCIO MATERIAL. ART. 173, II, CTN. Nos casos de anulação de lançamento anterior por motivos de vício material, a contagem do prazo de decadência segue a regra do art. 173, I, CTN, segundo a qual o prazo quinquenal é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso em apreço, a anulação do lançamento anterior não se deu unicamente por descumprimento dos requisitos formais constantes do art. 11 do Decreto 70.235/72, mas também por inobservância ao art. 142 do CTN, que prevê os elementos essenciais do crédito tributário. Desta feita, imperioso reconhecer que o lançamento anulado encontravase eivado, inclusive, de vício material. Corrobora este entendimento o fato de que houve inovação substancial no novo lançamento e não mera retificação de aspectos formais. Recurso voluntário provido para reconhecer a decadência do crédito tributário, com fulcro no art. 173, I, CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 10 00 /2 00 3- 97 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10730.001000/200397 Acórdão n.º 2202004.920 S2C2T2 Fl. 197 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado). Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por MARIA DA CONCEIÇÃO OLIVEIRA ELVAS contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro II (RJ) DRJ/RJOII, que rejeitou a impugnação apresentada para manter a cobrança tributária por compensação indevida de Imposto Retido na Fonte (IRRF), no valor de R$ 48.756,83 (quarenta e oito mil, setecentos e cinquenta e seis reais e oitenta e três centavos). O sucinto acórdão (fls. 77/83), ao apreciar o mérito da controvérsia, limitou se a asseverar o seguinte: [N]o anocalendário 1996, a contribuinte efetuou o levantamento da quantia depositada, referente aos 35%, e que estava destinada ao recolhimento do IRRF, como ela mesma admite. Com o levantamento pela contribuinte da quantia depositada, foi retirada da fonte pagadora a responsabilidade pelo recolhimento do IRRF. Ao receber o valor que sabidamente destinavase ao recolhimento do IRRF, a contribuinte deveria ter apresentado uma Declaração de Ajuste retificadora para o ano calendário 1995, o que, no entanto, não fez. Ou seja, a contribuinte recebeu o valor bruto apurado na ação trabalhista, e quer, na Declaração de Ajuste, compensar valor de IRRF que sequer foi retido, posto que foi recebido por ela no anocalendário seguinte ao da autuação. Resta comprovado nos autos que a interessada recebeu o valor do IRRF pela via judicial, sendo, portanto, incabível a devolução pela administração tributária, via declaração de ajuste anual. Do contrário, a contribuinte estaria recebendo em duplicidade aquilo que lhe foi assegurado judicialmente. Assim, correto o trabalho efetuado pela autoridade autuante. Por todo o exposto, voto no sentido de considerar procedente o lançamento. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10730.001000/200397 Acórdão n.º 2202004.920 S2C2T2 Fl. 198 3 Anoto que, apesar de, em sua impugnação, a ora recorrente ter suscitado a ocorrência da decadência, a DRJ de origem não enfrentou a matéria – “vide” fls. 55/56. Intimada do acórdão, a recorrente apresentou, em 26/10/2007, recurso voluntário (fls. 87/94), alegando, em apertada síntese, o seguinte: preliminarmente, i) pugnou ter sido o crédito fulminado pela prescrição intercorrente; ii) pleiteou o reconhecimento da nulidade da cobrança; e iii) reiterou a ocorrência da decadência. Quanto ao mérito, reforça que o responsável pelo pagamento do IR é a fonte pagadora (União de Bancos Brasileiros S/A). É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. PRELIMINARES I – Da prescrição intercorrente O verbete sumular de nº 11 deste Conselho é claro ao dispor que “não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal". Rejeito a preliminar. II – Da nulidade da cobrança Não vislumbro qualquer nulidade, uma vez que, após retificada a autuação, restou claramente consignado o motivo que ampara a cobrança – isto é, a compensação indevida de imposto que sabidamente não foi retido na fonte – “vide” auto de infração às fls. 5/6; relatório fiscal às fls. 7/9 e demonstrativos às fls. 10/13. A recorrente, apenas de forma genérica, aventa a nulidade do lançamento, sem se desincumbir do ônus de demonstrar quais dos requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 teriam sido inobservados, bem como quais das nulidades insculpidas nos incisos do art. 59 daquele mesmo diploma teriam se materializado. Rejeito, portanto, a preliminar. III – Da decadência Do escrutínio de toda a documentação acostada, em especial daquela dos autos apensos de nº 10730.001074/9714, verificase que a primeira notificação de lançamento foi emitida em 11/04/97 – “vide” f. 4 do processo em apenso – e, em 12/05/1997, apresentou a ora recorrente impugnação à autuação – “vide” f. 2 do processo em apenso. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador (BA), ao apreciar as razões declinadas pela outrora impugnante anulou o lançamento pelos seguintes motivos: Verificase que a Notificação em exame (fls. 02) não preenche os requisitos estabelecidos no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN) e foi emitida em desacordo com o art. 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, combinado com o disposto no Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10730.001000/200397 Acórdão n.º 2202004.920 S2C2T2 Fl. 199 4 artigo 5° da IN/SRF n° 94, de 1997. Deste modo, estando configurada a nulidade do lançamento, deixase de apreciar os demais aspectos expendidos na impugnação. Assim, voto no sentido de que se considere nulo o lançamento em epígrafe. No entanto, cabe à autoridade lançadora proceder um novo lançamento, nos termos do artigo 149 do CTN, observado o prazo decadencial previsto no artigo 173 do mesmo diploma legal. (f. 48 do processo em apenso; sublinhas deste voto.) O inc. II do art. 173, prevê que o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados da “data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”. Aplicando tais premissas ao caso concreto, certo é que o novo lançamento não poderia ser desconstituído pela decadência. Isto porque, a decisão da DRJ que anulou o antigo lançamento data de 06 de novembro de 2002 (f. 47 do processo em apenso) e já nos primeiros meses de 2003 o crédito fora novamente constituído e a ora recorrente regularmente notificada – “vide” f. 4/5 e 27. Entretanto, caso a anulação do primeiro lançamento tenha se dado por vício de natureza material, aplicase o disposto no inc. I do art. 173 do CTN – isto é, o prazo decadencial quinquenal tem como termo “a quo” o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Calha a transcrição da minuciosa distinção entre vícios formais e vícios materiais, apresentada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deste eg. Conselho: (...) Vício formal é, via de regra, aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que normalmente não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, o fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. Se o problema que ensejou o cancelamento do lançamento está situado na própria essência da relação jurídicotributária, na não comprovação da ocorrência do fato gerador pela glosa de despesas, e no errado dimensionamento da base de cálculo, não há como reconhecer a ocorrência de vício de natureza meramente formal. (...) No contexto do ato administrativo de lançamento, vício formal é, via de regra aquele verificado de plano, no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade jurídica representada (declarada) por meio deste ato. O vício formal normalmente não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, à verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido e à identificação do sujeito passivo, porque aí está a própria essência da relação jurídicotributária. O vício formal a que se refere o artigo 173, II, do CTN abrange, por exemplo, a ausência de indicação de local, data e hora da lavratura do Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10730.001000/200397 Acórdão n.º 2202004.920 S2C2T2 Fl. 200 5 lançamento, a falta de assinatura do autuante, ou a falta da indicação de seu cargo ou função, ou ainda de seu número de matrícula, todos eles configurando elementos formais para a lavratura de auto de infração, conforme art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, mas que não se confundem com a essência/ conteúdo da relação jurídicotributária, apresentada como resultado das atividades inerentes ao lançamento (verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, etc. CTN, art. 142). Aliás, um erro nos elementos que identificam a essência/conteúdo da relação jurídicotributária até pode ser considerado como um vício formal desde que, por exemplo, ele se apresente como resultado de uma evidente discrepância entre o que se pensou e o que se exteriorizou pela escrita (as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo), quando todo o contexto do que está sendo dito aponta num determinado sentido, e um ponto específico, desconexo do conjunto das ideias, aponta em outro, ou dá uma informação simplesmente fora de contexto, etc. Mas mesmo diante desse tipo de situação, vale novamente lembrar que não há nulidade sem prejuízo da parte. Penso que a verificação da possibilidade de refazimento (repetição) do ato de lançamento, com o mesmo conteúdo, para fins de apenas sanear o vício detectado, é um referencial bastante útil para se examinar a espécie do vício. Se houver possibilidade de o lançamento ser repetido, com o mesmo conteúdo concreto (mesmos elementos constitutivos da obrigação tributária), sem incorrer na mesma invalidade, o vício é formal. Isso é um sinal de que o problema está nos aspectos extrínsecos e não no núcleo da relação jurídicotributária. Há uma decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o Acórdão nº 910100.955, que explicita bem esse aspecto: (...) O que a referida decisão esclarece é que se houver inovação na parte substancial do lançamento (seja através de um lançamento complementar, seja através do resultado de uma diligência), não há como sustentar que a nulidade então existente decorria de vício formal. (...) Não há dúvida de que o problema apontado pela decisão ora recorrida em relação ao lançamento está situado na própria essência da relação jurídicotributária, na não comprovação da ocorrência do fato gerador pela glosa de despesas, e no errado dimensionamento da base de cálculo. Por tudo o que se disse, não há como vislumbrar no problema que ensejou o cancelamento do lançamento um vício de natureza formal (Acórdão nº 9101002.976 – 1ª Turma, Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 06 de julho de 2017; sublinhas deste voto). Conforme já narrado, a decisão da DRJ soteropolitana justificou a nulidade do lançamento com base no art. 11 do Decreto 70.235/72, que apresenta os requisitos formais que devem ser observados pela notificação de lançamento (qualificação do notificado, valor do Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10730.001000/200397 Acórdão n.º 2202004.920 S2C2T2 Fl. 201 6 crédito e prazo para recolhimento ou impugnação, etc.). Mas, a decisão aponta ainda o descumprimento ao art. 142 do CTN, que elenca os requisitos essenciais do lançamento. Apesar de silente quanto ao motivo específico da nulidade material, é possível concluir que, em razão das diligências realizadas junto ao Unibanco e à Caixa, mostrouse necessária uma alteração na base de cálculo do imposto. Do cotejo analítico entre os autos de infração lavrados, percebese que o valor do tributo devido foi alterado de R$36.404,95 (trinta e seis mil, quatrocentos e quatro reais e noventa e cinco centavos) – “vide” f. 4 do processo em apenso – para R$24.765,63 (vinte e quatro mil, setecentos e sessenta e cinco reais e sessenta e três centavos) – “vide” f. 3. Em razão da exigência de multa de ofício e juros de mora – inexistentes na cobrança anterior –, o crédito total exigido passou de R$36.404,95 (trinta e seis mil, quatrocentos e quatro reais e noventa e cinco centavos) – “vide” f. 4 do processo em apenso – para R$77.994,39 (setenta e sete mil, novecentos e noventa e quatro reais e trinta e nove centavos) – “vide” f. 3. Assim, por se tratar de novo lançamento em razão de vício de cariz material, aplicase o prazo decadencial previsto no inc. I do art. 173 do CTN. Considerando ter o fato gerador ocorrido em 31 de dezembro de 1995, constituição definitiva do crédito ocorreu apenas findo o prazo decadencial quinquenal. Tendo a constituição ocorrido apenas em 2003, certo ter sido fulminado pela decadência. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 201DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13901.000048/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 08/04/2004
AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA.
A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional.
INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/66.
O registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria objeto de exportação fora do prazo previsto na legislação de regência tipifica a infração prevista na alínea e do inciso IV do art.107 do Decreto-Lei nº 37/66, sujeitando-se à penalidade correspondente.
Numero da decisão: 3301-005.557
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 08/04/2004 AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/66. O registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria objeto de exportação fora do prazo previsto na legislação de regência tipifica a infração prevista na alínea e do inciso IV do art.107 do Decreto-Lei nº 37/66, sujeitando-se à penalidade correspondente.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
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PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETOLEI Nº 37/66. O registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria objeto de exportação fora do prazo previsto na legislação de regência tipifica a infração prevista na alínea ‘e’ do inciso IV do art.107 do DecretoLei nº 37/66, sujeitandose à penalidade correspondente. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 1. 00 00 48 /2 00 8- 71 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13901.000048/200871 Acórdão n.º 3301005.557 S3C3T1 Fl. 234 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão da DRJ/FNS, (fls. 41/45): Versa o presente processo sobre aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, no valor de R$ 5.000,00 cinco mil reais) em face de o interessado em epígrafe ter deixado de prestar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, os dados do embarque ocorrido no navio EDWINE OLDENDORFF, em 21/03/2004, de mercadoria constante da Declaração para Despacho de Exportação (DDE) n.° 2040324537/0 Segundo descreve a autoridade autuante, à fl. 03 do processo, a informação sobre a carga em relevo só foi registrada pelo sujeito passivo da obrigação em 08/04/2004. Em conseqüência, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01 a 04, com fulcro no disposto pela alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n.° 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n.° 10.833, de 2003. Regularmente cientificado da exação em 11/02/2009 (fl. 01), o sujeito passivo irresignado apresentou, em 27/02/2009, os documentos colacionados às fls. 23 a 29 e a impugnação de fls. 19 a 22, onde, em síntese: Alega que, por ter entregue a DDE apenas com atraso, não pode ser penalizado porquanto sua conduta não se encontra tipificada na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DL 37, de 1966, com redação dada pela Lei n.° 10.833, de 2003, já que não deixou de prestar as informações sobre veículo ou carga nele transportada; Aduz que esta matéria se encontra disciplinada a teor do art. 41 da IN SRF n.° 28, de 1994, segundo o qual uma cópia do manifesto de carga e uma via não negociável de cada um dos respectivos conhecimentos de carga deverão ser entregues, pelo transportador, à unidade da SRF que jurisdiciona o local do despacho de exportação, no prazo máximo de 72 horas da saída do País do veículo transportador, prazo esse que foi posteriormente ampliado para sete dias contados da saída da embarcação, mediante o SISCOMEXNOTÍCIAS, de 01/04/2003; Argumenta que, por razões alheias a sua vontade a DDE não pôde ser entregue no prazo estabelecido, mas esse pequeno atraso Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13901.000048/200871 Acórdão n.º 3301005.557 S3C3T1 Fl. 235 3 não pode ser interpretado como embaraço ou impedimento à ação fiscalizadora; Evoca a aplicação, em seu favor, do instituto da denúncia espontânea, previsto na forma do art. 138 do CTN, já que a entrega da DDE ocorreu antes de iniciado o procedimento fiscal; Em outro plano, alega a sua ilegitimidade passiva para figurar como autuado, já que não reveste a condição de empresa de transporte internacional, não sendo tampouco prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta ou agente de carga, mas apenas uma agência de navegação que tem por fim prover todas as necessidades do navio no porto de destino; Finalmente, em face do exposto, requer o cancelamento do auto de infração hostilizado. Por meio do Acórdão no 0719.588 2 Turma da DRJ/FNSda DRJ/FNS, julgouse improcedente a impugnação (fls. 41/45). A Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 64/69), que teve provimento por meio do Acórdão no 3801003.459– 1ª Turma Ordinária (fls. 86/91), com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/03//2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Cientificado do acórdão mencionado, o Representante da Fazenda Nacional Recurso Especial (fls. 103/116 ), suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei no 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de Despacho nº 3100387 – 1ª Câmara (fls. 119/120), e o Recorrente apresentou contrarrazões (fls. 125/133). O Recurso Especial foi provido em parte, por meio do Acórdão no 9303003.643– 3ª Turma (fls. 174/182) com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/03/2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13901.000048/200871 Acórdão n.º 3301005.557 S3C3T1 Fl. 236 4 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Determinouse ainda na referida decisão o seguinte (fl. 182) Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Dessarte, conforme determinado pelo acórdão referido, os autos do processo em referência foram reencaminhados a esta Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e a mim distribuídos, para apreciação das questões trazidas no Recurso Voluntário do Recorrente que não foram objeto de deliberação. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário foi tempestivo e atendeu aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. No Recurso Voluntário (fls. 64/69) o Recorrente alegou em síntese os seguintes itens: I DA TEMPESTIVIDADE II. DO LANÇAMENTO III. DA DECISÃO RECORRIDA IV. DA ANÁLISE DOS FATOS Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13901.000048/200871 Acórdão n.º 3301005.557 S3C3T1 Fl. 237 5 Sobre o item I, já houve manifestação admitindo e conhecimento o Recurso. No item II, o Recorrente faz referência à infração e à respectiva penalidade constantes do Auto de Infração. O item III descreve a decisão recorrida. No item IV, o Recorrente questiona a multa aplicada, defendendo inexistência de infração, e,por outro lado, havendo a infração, alega que estaria configurada sua ilegitimidade, além da denúncia espontânea. Tendo em conta que nesta decisão não cabe se manifestar sobre a denúncia espontânea, colacionamos os demais aspectos deste item do Recurso Voluntário: 5. Absurda a imposição da multa pretendida pela fiscalização com base no Art. 107, inc. IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/66, com redação dada pelo Art. 77 da Lei nº 10.833/2003, que dispõe, in verbis: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga;" 6. A Recorrente foi intimada a recolher multa pelo atraso no registro das Declarações de Despacho de Exportação (DDE) adunadas aos autos; 7. O fato, por si só, comprova que o registro no sistema Siscomex das DDE apenas foi feito com atraso. A matéria se encontra disciplinada pela IN/SRF 28/1994 em seu art. 41 que dispõe: "Art. 41. Uma cópia do Manifesto de Carga e uma via não negociável de cada um dos respectivos Conhecimentos de Carga deverão ser entregues, pelo transportador, à unidade da SRF que jurisdiciona o local do despacho de exportação, no prazo máximo de 72 horas da saída do País do veículo transportador." 8. Posteriormente, por meio do SISCOMEXNOTÍCIAS, em 01.04.2003, a COANA ampliou esse prazo para 07 dias após a saída da embarcação marítima do local de embarque. 9. O atraso, no entanto, não significa que a Recorrente tenha causado embaraços, dificultado ou impedido a ação da fiscalização aduaneira, mormente a Recorrente, deixou de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, apenas o fez com atraso. Consequentemente, a conduta da Recorrente (atraso) não se encontra tipificada na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, o que afasta qualquer possibilidade de aplicação de multa pela fiscalização, inclusive por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13901.000048/200871 Acórdão n.º 3301005.557 S3C3T1 Fl. 238 6 10. Caso pudesse considerar como infração a conduta da Recorrente, hipótese que se cogita apenas para argumentar, ainda assim, não seria cabível a aplicação de qualquer penalidade, isto porque a DDE em tela foi efetivamente registrada em 02/03/2004, ou seja, dentro dos 07 dias contados do embarque ocorrido no navio JIN SHUN em 23/02/2004 e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação expedida pela fiscalização aduaneira. (...) 15. Por outro lado, à Recorrente também não pode ser cominada a penalidade prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03, já que a Recorrente não é empresa de transporte internacional, também não é empresa prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta e, nem tampouco agente de carga, mas apenas uma agência de navegação que tem por fim prover todas as necessidades operacionais do navio no porto de destino. 16. Logo, a penalidade imposta pela alínea "e", do inciso IV, do art.107, do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pela Lei n° 10.833/03, não se aplica à Recorrente, uma vez que esta não reveste nenhuma das condições exigidas pelo referido comando legal, tais como: empresa de transporte internacional, empresa prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta aporta e, nem tampouco agente de carga. Conforme bem registrouse no Acordáo no 0719588– 1ª Turma Ordinária da DRJ/FNS (fl. 43), no caso em pauta, a obrigação acessória de que trata a espécie, ao revés do que alega o impugnante, não diz respeito à entrega do manifesto de carga, regulada nos termos do art. 41 da IN SRF n.° 28, de 1994, mas sim ao registro dos dados de embarque da mercadoria no SISCOMEX, disciplinada nos termos do art. 37, caput e inciso II, da citada instrução normativa que, na redação dada pela IN SRF n.° 510, de 2005, determinava expressamente o seguinte: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. § I° Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2° Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13901.000048/200871 Acórdão n.º 3301005.557 S3C3T1 Fl. 239 7 Do Termo de Diligência Fiscal, verificamse a data em que foram registrados, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, especialmente a adoção de despacho a posteriri (fl. ): O prazo, nos termos da legislação vigente, considerado no auto de infração foi de sete dias após o embarque. Contudo, verificase, nos casos de despacho pósembarque, o prazo de dez dias é para registro da Declaração de Exportação e início do Despacho Aduaneiro de Exportação. Dessa forma, no caso sujeito a despacho pósembarque que as informações foram prestadas dentro do prazo de dez dias, a razão pertenceria à Recorrente. No entanto, conforme se observou, foi descumprido também este prazo. Por sua vez, o DecretoLei nº 37/66 que prevê, em seu art. 37, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, o dever de prestar informações ao Fisco, nos seguintes termos: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (...) (grifouse) O art. 107 do DecretoLei nº 37/66, também com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, prevê a multa pelo descumprimento desse dever, nos seguintes termos: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13901.000048/200871 Acórdão n.º 3301005.557 S3C3T1 Fl. 240 8 e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e No caso em tela, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que o Recorrente concorreu para a prática da infração em questão, necessariamente, ele responde pela correspondente penalidade aplicada, de acordo com as disposições sobre responsabilidade por infrações constantes do inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...). O art. 135, II, do CTN determina que a responsabilidade é exclusiva do infrator em relação aos atos praticados pelo mandatário ou representante com infração à lei. Em consonância com esse comando legal, determina o caput do art. 94 do Decretolei n° 37/66 que constitui infração aduaneira toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos”. Dessa forma, na condição de representante do transportador estrangeiro, o Recorrente estava obrigado a prestar as informações no Siscomex e no prazo máximo de sete dias. Ao descumprir esse dever, trazendo as informações somente dezoito dias depois do embarque, cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decreto Lei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, e, com supedâneo também no do inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, deve responder pessoalmente pela infração em apreço. Transcrevese Ementa de decisão do CARF no mesmo sentido, Acórdão n° 3401003.884: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 04/01/2004 a 18/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE EMBARQUE. SISCOMEX. TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE DA AGÊNCIA MARÍTIMA. REPRESENTAÇÃO. A agência marítima, por ser representante, no país, de transportador estrangeiro, é solidariamente responsável pelas respectivas infrações à legislação tributária e, em especial, a aduaneira, por ele praticadas, nos termos do art. 95 do Decretolei nº 37/66. LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. CLAREZA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Descritas com clareza as razões de fato e de direito em que se fundamenta o lançamento, atende o auto de infração o disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, permitindo ao contribuinte que exerça o seu direito de defesa em plenitude, não havendo motivo para declaração de nulidade do ato administrativo assim lavrado. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETOLEI Nº 37/66. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13901.000048/200871 Acórdão n.º 3301005.557 S3C3T1 Fl. 241 9 O contribuinte que presta informações fora do prazo sobre o embarque de mercadorias para exportação incide na infração tipificada no art. 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decretolei nº 37/66, sujeitandose à penalidade correspondente. Recurso voluntário negado. (grifei) Consignase, por fim, que esse entendimento é amplamente adotado na jurisprudência recente deste Conselho, conforme se depreende das seguintes Acórdãos: no 3401003.883; no 3401003.882 ; no 3401003.881; no 3401002.443; no 3401002.442; no 3401002.441, no 3401002.440; no 3102001.988; no 3401002.357; e no 3401002.379. Dessa forma, demonstrada a infração e a legitimidade passiva da recorrente para responder pela multa capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 241DF CARF MF
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