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Numero do processo: 15374.917132/2008-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVO INEXISTENTE. PROVA. INSUBSISTÊNCIA.
Mostrando-se improcedente a motivação da não homologação da compensação realizada pelo contribuinte, mediante prova inequívoca neste sentido, deve ser acolhida a pretensão de tornar insubsistente o despacho decisório assim lavrado.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-002.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVO INEXISTENTE. PROVA. INSUBSISTÊNCIA. Mostrando-se improcedente a motivação da não homologação da compensação realizada pelo contribuinte, mediante prova inequívoca neste sentido, deve ser acolhida a pretensão de tornar insubsistente o despacho decisório assim lavrado. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1651; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.917132/200867 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.370 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de agosto de 2013 Matéria Declaração de Compensação Recorrente POWERPACK REPRESENTAÇÕES E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVO INEXISTENTE. PROVA. INSUBSISTÊNCIA. Mostrandose improcedente a motivação da não homologação da compensação realizada pelo contribuinte, mediante prova inequívoca neste sentido, deve ser acolhida a pretensão de tornar insubsistente o despacho decisório assim lavrado. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 71 32 /2 00 8- 67Fl. 129DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Versa o presente processo sobre despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 00524.47879.281004.1.3.048048, em virtude de direito de crédito integralmente alocado a outro débito. Em manifestação de inconformidade o contribuinte asseverou que recolheu indevidamente PIS/Pasep e Cofins sobre receitas isentas e que a legislação vigente permitia a retratação de confissão de dívida, citando doutrina e jurisprudência. A DRJ Rio de Janeiro II/RJ indeferiu o pleito por entender não comprovado o crédito alegado. O recurso voluntário reprisou a manifestação de inconformidade. Na oportunidade foram juntadas cópias de documentos contábeis e fiscais que, em tese, demonstrariam a procedência do crédito vindicado. Na sessão de 28/10/2010 o julgamento foi convertido em diligência, por intermédio da Resolução nº 340100.206, para certificação e aferição do direito postulado. Realizada a diligência determinada, conforme relatório fiscal de fls. 107/113, retornaram os autos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O exame e julgamento dos requisitos intrínsecos e extrínsecos do recurso, bem assim, as questões meritórias, já foi realizado por ocasião da decisão que converteu o julgamento em diligência, motivo pelo qual peço vênia para reproduzir o voto condutor proferido naquela assentada: “A tempestividade se faz presente pois, cientificada da decisão da DRJ em 14/01/2010, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 02/02/2010. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Como visto acima a própria decisão recorrida admitiu que as receitas de serviços prestadas pela interessada a empresas situadas no exterior foram contempladas com regras expressas no sentido de serem isentas das contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins, daí, em tese e, em princípio, parecer ter havido mesmo um recolhimento a maior. Porém, invocando as regras do artigo 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, a DRJ manteve os termos do despacho decisório eletrônico. Assim, a questão aqui posta é se os documentos trazidos pela Recorrente apenas em sede de apresentação do Recurso Voluntário, os quais, digase de passagem, aparentam ser suficientes para a definição do valor devido e do valor Fl. 130DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15374.917132/200867 Acórdão n.º 3401002.370 S3C4T1 Fl. 11 3 eventualmente recolhido a maior, podem ser aproveitados neste julgamento, ou se devemos obedecer rigorosamente ao que estabelecem os referidos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, nos quais se apegou a DRJ para decidir. Pois bem! Primeiramente, de se lembrar que, não obstante as inúmeras vantagens e benefícios proporcionados à Administração Tributária e aos contribuintes pela utilização dos sistemas informatizados para a operacionalização dos procedimentos de compensação, o fato é que, em situações tais quais a com que nos deparamos, em que o crédito no qual se funda a compensação não pôde ser explicitado ou detalhado no aplicativo PER/Dcomp em face da limitação dos campos disponibilizados, e em que a sua análise é feita eletronicamente, isto é, sem a intervenção manual e sem o crivo visual de um servidor, dáse que os sistemas de batimento de informações da Receita Federal não conseguem visualizar o crédito e, portanto, reconhecêlo. Assim, de pronto, perdem os contribuintes a oportunidade de, já na primeira ocasião em que se dirigem ao Fisco, esmiuçarlhes a origem do crédito alegado, o que somente ocorre quando da interposição de manifestação de inconformidade em face do indeferimento do pleito. É certo que, neste caso, bem que poderia a ora interessada ter feito isso, ou seja, quando da apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, ter carreado para o processo naquela ocasião os documentos que somente agora, em sede de Recurso Voluntário, traz. Todavia, não me parece, até em observância aos princípios da moralidade, da eficiência, da finalidade, da verdade material e do informalismo moderado, que o aparente direito da interessada possa ser sumariamente negado por conta de um apego excessivo às formalidades dos referidos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Não estou, ao dizer isso, desprezando tais regras. Apenas considero que o julgador deve, sempre que possível, empreender esforços no sentido de buscar a verdade material, até em decorrência do princípio da legalidade. Neste ponto, estou de acordo com os Marcus Vinicius Neder de Lima e Maria Tereza López Martinez, que, em sua obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, dizem: "O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente do alegado e provado.Odete Medauar preceitua que 'o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos.' Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir Fl. 131DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. A verdade material é o princípio específico do processo administrativo e se contrapõe ao princípio do dispositivo, próprio do processo civil. O processo desenvolvido no Judiciário busca a verdade forma, que é obtida apenas do exame dos fatos e provas trazidas aos autos pelas partes (art. 128 do CPC). Como regra geral, o juiz se mantém neutro na pesquisa da verdade, devendo cingirse ao alegado pelas partes no devido tempo já que elas têm o ônus da prova. Contudo, mesmo no processo administrativo fiscal, não se pretende obter a verdade absoluta, quase sempre inatingível. Obtémse apenas um juízo de verossimilhança ou probabilidade da ocorrência dos fatos, valendose da discussão de forma dialética no processo. As partes trazem suas provas e o julgados as examina, podendo requerer outras se julgar necessário. As regras processuais vem no sentido de auxiliar o julgador na condução do processo e na obtenção do grau de certeza que lhe permita solucionar o litígio. São regras de fixação formal da prova. No processo administrativo, há uma maior liberdade na busca das provas necessárias à formação da convicção do julgador sobre os fatos alegados no processo. Essa busca, no entanto, não pode transformálo num inquisidor sob pena de prejudicar a imparcialidade. O poder instrutório do julgador é definido pelos limites da lide formada nos autos. Essa maior liberdade no processo administrativo decorre do próprio fim visado com o controle administrativo da legalidade, eis que não havendo interesse subjetivo da Administração na solução do litígio, é possível o cancelamento do lançamento baseado em evidências trazidas aos atos após a inicial. Nesse sentido, é, por exemplo, a decisão no Acórdão nº 10319.789 do Primeiro Conselho de Contribuintes, DOU de 29/1/99, a saber: 'Processo Administrativo Fiscal – Princípio da Verdade Material – Nulidade. A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que esta em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Preliminar acolhida. Recurso Provido.' (...) “. Além disso, está lá no artigo 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: ‘Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias’.” Ultrapassadas as matérias eminentemente de direito, resta tão somente se manifestar acerca do resultado da diligência realizada. Neste diapasão, a conclusão estampada pela autoridade administrativa é no sentido de reconhecer a procedência do direito creditório invocado e pelo cabimento da homologação da compensação aviada através do PERDCOMP 00524.47879.281004.1.3.04 8048. Portanto, mostramse improcedentes as razões apresentadas no despacho decisório eletrônico para justificar a não homologação da compensação. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15374.917132/200867 Acórdão n.º 3401002.370 S3C4T1 Fl. 12 5 Robson José Bayerl Fl. 133DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009900/2006-83
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - EXISTÊNCIA DE CONTRARIEDADE - ACOLHIMENTO.
Verificada a decisão embargada continha contrariedade entre suas razões de decidir e as provas dos autos, é de se conhecer os embargos de declaração opostos.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. TERMO DE RESPONSABILIDADE AVERBADO.
Cabe excluir da tributação do ITR as parcelas de áreas de utilização limitada reconhecidas em Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta em Manejo firmados entre o proprietário do imóvel e a autoridade florestal competente, devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador.
Embargos acolhidos, com efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2801-003.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o Acórdão nº 2801-00.521, de 12/05/2010, esclarecendo a contradição apontada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de utilização limitada no montante de 991,2 ha, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - EXISTÊNCIA DE CONTRARIEDADE - ACOLHIMENTO. Verificada a decisão embargada continha contrariedade entre suas razões de decidir e as provas dos autos, é de se conhecer os embargos de declaração opostos. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. TERMO DE RESPONSABILIDADE AVERBADO. Cabe excluir da tributação do ITR as parcelas de áreas de utilização limitada reconhecidas em Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta em Manejo firmados entre o proprietário do imóvel e a autoridade florestal competente, devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador. Embargos acolhidos, com efeitos infringentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o Acórdão nº 2801-00.521, de 12/05/2010, esclarecendo a contradição apontada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de utilização limitada no montante de 991,2 ha, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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Verificada a decisão embargada continha contrariedade entre suas razões de decidir e as provas dos autos, é de se conhecer os embargos de declaração opostos. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. TERMO DE RESPONSABILIDADE AVERBADO. Cabe excluir da tributação do ITR as parcelas de áreas de utilização limitada reconhecidas em Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta em Manejo firmados entre o proprietário do imóvel e a autoridade florestal competente, devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador. Embargos acolhidos, com efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o Acórdão nº 280100.521, de 12/05/2010, esclarecendo a contradição apontada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de utilização limitada no montante de 991,2 ha, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 99 00 /2 00 6- 83 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.009900/200683 Acórdão n.º 2801003.131 S2TE01 Fl. 172 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratam os presentes autos de Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte contra o Acórdão nº 280100.521, no qual, por voto de qualidade, negouse provimento ao recurso. Insurgese o embargante, argumentando que o acórdão embargado dá sinais de contradição entre a conclusão do voto vencedor e as provas carreadas aos autos, pois segundo o entendimento que prevaleceu na decisão tomada, a averbação anterior ao fato gerador é suficiente para garantir que a área de reserva legal (utilização limitada) não seja alcançada pela tributação do ITR. Alega, ainda, que o acórdão restou omisso quanto à justificativa da ora Embargante para apresentação do ADA em 2003, constante das fls. 5/7 do recurso voluntário interposto, qual seja, a existência de liminar concedida em mandado de segurança coletivo suspendendo a obrigação de apresentar o ADA. Conforme despacho de fls. 169/170, os embargos foram acolhidos relativamente à contradição entre a conclusão do voto vencedor e existência das averbações registradas nas matrículas de n° 10.171 e 2.682. Relativamente à existência de liminar concedida em mandado de segurança coletivo suspendendo a obrigação de apresentar o ADA, não há que se falar em omissão, uma vez que o contribuinte apenas suscitou tal questão, sem, contudo, apresentar cópias dos correspondentes autos judiciais. Portanto, não apresentou os elementos de provas para serem apreciados. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Os embargos são tempestivos e atendem às demais condições de admissibilidade, portanto merecem ser conhecidos. No caso, o lançamento é decorrente das glosas das áreas de reserva legal e preservação permanente, tendo em vista a falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA. O Ilustre Relator da decisão recorrida votou por dar provimento ao recurso por entender que a exigência do ADA não procede e pelo fato de a recorrente ter juntado documentação competente e suficiente para identificar a efetiva situação das áreas de reserva legal e preservação permanente: mapa fls. 28, ART fls 29 e ADA's fls. 30/31. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.009900/200683 Acórdão n.º 2801003.131 S2TE01 Fl. 173 3 A fundamentação utilizada para negar provimento ao recurso, consoante consta do voto vencedor do acórdão embargado, foi a não aceitação da comprovação das áreas de preservação permanente e utilização limitada declaradas na DITR pelos documentos considerados hábeis pelo Relator, quais sejam: mapa fls. 28, ART fls 29 e ADA's fls. 30/31. Porém, o entendimento manifestado no voto vencedor foi no sentido de que o contribuinte pode fruir dos isentivos tributários quando restar comprovada a comunicação ao órgão de fiscalização ambiental, a averbação da reserva legal e a identificação das áreas glosadas por órgão ambiental competente anterior à ocorrência do fato gerador. Dessa forma, importa examinar as averbações registradas nas matrículas de n° 10.171 e 2.682, já que, quando do julgamento anterior, a existência dessas documentação não foi levada à discussão, apesar de constar dos autos. Verificase que a interessada firmou com a autoridade florestal “Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta em Manejo” que foi devidamente averbado às margens da matrícula do imóvel (AV. 1 10.171 de 02/05/1988 (fl.162), referente a 745,5 ha de área gravada como de utilização limitada, e, também, “Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta em Manejo” que foi devidamente averbado às margens da matrícula do imóvel (AV. 32.682 de 02/02/1988 (fls.165/166), referente a 245,7 ha de área gravada como de utilização limitada. Da análise dos requisitos para isenção do ITR, especificamente a comunicação tempestiva a órgão de fiscalização ambiental e averbação na matrícula do imóvel da referida área, tais áreas devem ser aceitas para fins de exclusão da área tributável pelo ITR. Diante do exposto, voto por acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o Acórdão nº 280100.521, de 12/05/2010, esclarecendo a contradição apontada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer área de utilização limitada no montante de 991,2 ha. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 173DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 16624.000511/2008-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sat Apr 24 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); Maria da Conceição Jacó Arnaldo; Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz; Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 24 .0 00 51 1/ 20 08 -9 0 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16624.000511/200890 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3302000.301 S3C3T2 Fl. 11 2 Tratase de pedido de restituição de valores entendidos como indevidos pela recorrente em razão da suposta ilegalidade da inclusão, na base de cálculo de PIS e Cofins, dos valores relativos ao ICMS. O pedido em comento foi indeferido em virtude de as autoridades administrativa entenderem pela inexistência de legislação permitindo a exclusão pleiteada. Intimada a Recorrente apresentou suas razões de indignação, defendendo a desnecessidade de uma legislação determinando a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições, posto tratarse de simples decorrência de hermenêutica e da Constituição Federal/88. A Oitava Turma da Delegacia de Julgamento de Campinas – DRJ/CPS manifestouse pela manutenção integral do lançamento, em decisão assim ementada (Acórdão 0536.968 fls. 60/67): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente” A Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 73/90), reiterando as alegações apresentadas em sua Impugnação. Vieramme, então, os autos para decidir. É o relatório. CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A controvérsia se refere, no mérito, à questão que se encontra pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, com status de repercussão geral, qual seja, a legalidade da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Tratase do Recurso Extraordinário nº 574.706, de relatoria da Ministra Carmen Lúcia. Neste particular, lembro que o art. 62A do Regimento Interno do Carf (Ricarf) 1 determina que os processos que se tratarem de matéria que estiver sob análise do Supremo Tribunal Federal em caráter de repercussão geral, não poderão ser julgados, a saber: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, 1 Regimento anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, a Portaria Carf n. 1, de 2012 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16624.000511/200890 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3302000.301 S3C3T2 Fl. 12 3 deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. “§ 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. “§ 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Ainda, a Portaria Carf nº. 1, de 2012, ao especificar quais processos deverão estar suspensos esclareceu: “Art. 1º Determinar a observância dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. “Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso.” destaquei No caso em apreço houve declaração expressa determinado o sobrestamento do feito, portanto, em relação a essa matéria, pelos termos da Portaria mencionada e independente do posicionamento pessoal desta relatora, descabe às instâncias administrativas a análise do processo, devendo o feito restar suspenso até que o plenário do STF decida definitivamente sobre a questão. Desta feita, opino pela suspensão do julgamento do caso até decisão final do STF sobre a matéria. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2012. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 115DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720924/2010-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em cerceamento de defesa quando é dada ao contribuinte a oportunidade de impugnar amplamente a decisão administrativa exarada.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VEDAÇÃO.
O art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004 é claro ao garantir o direito creditório nos casos de saída com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. Em nenhum momento o legislador garantiu o direito creditório para regimes de apuração distintos, in casu, o monofásico e o cumulativo.
CONSTITUCIONALIDADE.
Escapa à competência do CARF a apreciação de argüições relativas à constitucionalidade de leis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Raquel Motta Brandão Minatel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em cerceamento de defesa quando é dada ao contribuinte a oportunidade de impugnar amplamente a decisão administrativa exarada. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VEDAÇÃO. O art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004 é claro ao garantir o direito creditório nos casos de saída com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. Em nenhum momento o legislador garantiu o direito creditório para regimes de apuração distintos, in casu, o monofásico e o cumulativo. CONSTITUCIONALIDADE. Escapa à competência do CARF a apreciação de argüições relativas à constitucionalidade de leis. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Raquel Motta Brandão Minatel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em cerceamento de defesa quando é dada ao contribuinte a oportunidade de impugnar amplamente a decisão administrativa exarada. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VEDAÇÃO. O art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004 é claro ao garantir o direito creditório nos casos de saída com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. Em nenhum momento o legislador garantiu o direito creditório para regimes de apuração distintos, in casu, o monofásico e o cumulativo. CONSTITUCIONALIDADE. Escapa à competência do CARF a apreciação de argüições relativas à constitucionalidade de leis. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 09 24 /2 01 0- 61 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.720924/201061 Acórdão n.º 3801002.140 S3TE01 Fl. 12 2 Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Raquel Motta Brandão Minatel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJBelém, abaixo transcrito: O presente processo trata do Pedido de Ressarcimento PER, referente a crédito de COFINS não Cumulativa Mercado Interno do 3º trimestre de 2007, com apresentação de Declarações de Compensação – DCOMP para aproveitamento de créditos. 2. A Delegacia de origem emitiu Despacho Decisório (fl. 26) com seguinte conteúdo: “Com base nas informações e documentos constantes deste processo e no Parecer SEORT/DRF/BEL n° 147/2011 (fl. 18) e no uso da competência estabelecida com a delegação prevista no art. 3º, item IV, da Portaria DRF/BEL nº 47/2009,, publicada no Diário Oficial da União de 07 de abril de 2009, resolvo HOMOLOGAR PARCIALMENTE a declaração de compensação 38399.96749.180708.1.3.112130 até o limite do direito creditório reconhecido de R$ 4.013,31.” 3. Cientificado em 19.12/2011 (AR fl. 28), o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, em 05.01.2012, manifestação de inconformidade (fls. 29/48), alegando, em síntese: a) Vício do ato administrativo por não existir no auto, no Relatório Fiscal ou no Despacho Decisório qualquer fundamentação ou motivo legal para deixar de reconhecer o pleito. Observa que o ato sequer indefere o pedido de ressarcimento, mas tão somente glosa os créditos; b) Cerceamento ao seu direito de defesa por não existir fundamentação fática, jurídica ou forma legal; c) Defende a regularidade e a legalidade dos créditos de PIS e Cofins mercado interno de produtos sujeitos à tributação Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.720924/201061 Acórdão n.º 3801002.140 S3TE01 Fl. 13 3 monofásica, sendo direito conferido pelo art. 17 da lei n° 11.033/04; d) Ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 594, de 26/12/2005; e) Violação ao princípio da igualdade tributária: “Assim, não pode a Autoridade Fiscal interpretar o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 de forma a restringir a aplicação das regras e benefícios do sistema não cumulativo a uma parte dos contribuintes, haja vista que os mesmos estão, por opção única, do legislador, no sistema não cumulativo, sob pena de configurar desigualdade injustificada para os contribuintes que possuem saída tributada à alíquota zero, o que representa violação direta ao princípio da igualdade tributária.”; f) Ao final requer: “1. Seja declarada a nulidade do ato administrativo que ‘glosou’ os créditos tributários do recorrente e, na prática, homologou parcialmente a declaração de compensação em questão em razão de evidente vício de validade que ocasionou cerceamento exercício do regular direito defesa, conforme garantido pelo art. 5º , LV da Constituição Federal. 2. Caso seja ultrapassada a preliminar arguida, que seja declarado ao recorrente comerciante produtos sujeitos a tributação ‘monofásica’ o direito ao desconto dos créditos em razão dos produtos adquiridos para revenda, nas mesmas condições dos contribuintes que comercializam produtos sujeitos a tributação não monofásica. Assim, esteado na legislação pátria, especificamente nos artigos 150, II da Constituição Federal, art. 17 da Lei n° 11.033/94, art. I da Lei n° 10.865/04, 156 e 170 do CTN e no art. 74 da Lei n° 9.430/96, pugna o contribuinte pela reforma total da decisão exarada que ‘glosou’ (indeferiu) o pedido de ressarcimento para que mesmos sejam julgados procedentes e, por consequência, homologadas as compensações efetuadas por meio dos PER/DCOMPs acima referenciados, em respeito à legislação pátria, e, sob pena de violação ao principio da igualdade em razão da distinção estar centrada no tipo de atividade exercida.” g) Enfatiza a inexistência de suporte legal, citando o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Processo Administrativo Fiscal (PAF). Analisando o litígio, a DRJ Belém (PA) considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementas abaixo transcritas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.720924/201061 Acórdão n.º 3801002.140 S3TE01 Fl. 14 4 CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VEDAÇÃO. A possibilidade de manutenção dos créditos prevista no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010 ATOS ADMINISTRATIVOS. MOTIVAÇÃO. A motivação dos atos administrativos que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2011 ILEGALIDADE DE ATO NORMATIVO. O julgador administrativo, nesta instância, deve estrita observância aos atos expedidos pela Receita Federal, consoante estabelece o art. 7º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011. CONSTITUCIONALIDADE. Escapa à competência da autoridade administrativa a apreciação de argüições relativas à constitucionalidade de leis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso voluntário apresentado tempestivamente, a empresa repisa os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, sem trazer aos autos qualquer nova documentação ou argumentação para fins de reforma do julgado recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.720924/201061 Acórdão n.º 3801002.140 S3TE01 Fl. 15 5 Primeiramente, com relação à alegação de nulidade do ato administrativo exarado por ter deixado de motivar a decisão e, por isso, ter violado o direito de defesa do Recorrente, não assiste razão a este. Como se observa dos autos, uma vez formulado o pedido de ressarcimento dos valores, houve o proferimento de decisão administrativa que não reconheceu os créditos pleiteados. O contribuinte foi devidamente intimado desta decisão e, neste momento, lhe foi dado o direito de apresentar defesa administrativa, sem que houvesse qualquer tipo de limitação ao seu direito de defesa. No despacho exarado, a fiscalização não reconheceu o direito creditório, embasada na legislação em vigor. Caberia, naquele momento, ao contribuinte, demonstrar que as ilações da fiscalização estavam equivocadas, podendo, inclusive, para comprovar o seu direito creditório, juntar documentos e requerer perícia técnica. Desta feita, não há que se falar em cerceamento de defesa e, muito menos, nulidade, do ato administrativo exarado, tendo em vista que, repitase, foi dada ao contribuinte a oportunidade de impugnar amplamente a decisão administrativa exarada. Nestes termos, afasto a preliminar de nulidade da decisão administrativa levantada pelo Recorrente. Com relação ao mérito, entendo também que não assiste razão ao contribuinte. Explicase. Como demonstrado no relatório da douta Delegacia de Julgamento acima transcrito, o Recorrente, Atlas Veículos Ltda., formulou pedido de compensação, no qual apontou créditos de PIS, oriundos da compra de bens, cuja sistemática de recolhimento da contribuição é monofásica, ou seja, a cadeia anterior suporta o ônus tributário das demais cadeias de produção, nos termos definidos pela legislação. Ocorre que a Lei 10.637/02, que instituiu a cobrança não cumulativa da contribuição ao PIS, é muito clara ao vedar o creditamento nos casos dos produtos sujeitos ao recolhimento na sistemática monofásica. Vejase, nesse sentido a redação, dos dispositivos da citada lei: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) “Art. 2o Para determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada Fl. 106DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.720924/201061 Acórdão n.º 3801002.140 S3TE01 Fl. 16 6 conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) O Recorrente alega, por sua vez, que o artigo 17, da Lei nº 11.033, de 2004, supostamente, teria autorizado o creditamento pretendido e que, por isso, o disposto na Instrução Normativa SRF n° 594, de 26 de dezembro de 2005, seria inconstitucional e ilegal. Contudo, em análise minuciosa ao dispositivo citado pelo contribuinte, é fácil perceber que, data venia, não é possível ter a mesma conclusão do Recorrente. Importante, neste ponto, transcrever o disposto na lei: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O referido artigo, como se observa, é claro ao garantir o direito creditório nos casos de saída com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. O que houve, com a edição da referida lei, foi a garantia ao creditamento naqueles casos sujeitos ao mesmo regime de apuração. Em nenhum momento o legislador garantiu o direito creditório para regimes distintos, in casu, o monofásico e o cumulativo. Devese ressaltar, ainda, que não cabe a este Tribunal Administrativo averiguar a inconstitucionalidade da tributação. De toda forma, o caso em questão já foi levado para a apreciação do Poder Judiciário e, nos termos dos julgados abaixo colecionados, a tese dos contribuintes não foi acolhida por nenhum dos Tribunais Regionais Federais pesquisados. Vejase: Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.720924/201061 Acórdão n.º 3801002.140 S3TE01 Fl. 17 7 TRIBUTÁRIO. COMÉRCIO VAREJISTA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES, PEÇAS E ASSESSÓRIOS. PIS E COFINS. LEI 10.485/2002. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SISTEMA MONOFÁSICO. IN 594/2005. ARTIGO 17 DA LEI 11.033/2004. 1. Tratandose de empresa cujo objeto diz respeito ao comércio varejista de veículos automotores, peças e assessórios, para fins de tributação pela contribuição para o PIS e COFINS, devem ser aplicados os artigos 1º e 3º da Lei 10.485/2002, que, no caso, se constitui em lei especial a ser aplicada em prejuízo de lei geral. 2. Nos termos do § 2º do artigo 3º da Lei 10.485/2003, relativamente à venda de produtos por esta disciplinados, por comerciante atacadista ou varejista, tratase de operação cuja tributação pela contribuição ao PIS e COFINS está sujeita à alíquota zero. 3. As Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 prevêem, ambos no seu parágrafo 1º do artigo 2º, a impossibilidade de creditamento de PIS e COFINS recolhidos na etapa anterior, relativamente às operações cuja tributação obedece ao regime da Lei 10.485. 4. Tratase, no caso, de sistema de tributação monofásico, com o qual não se coaduna o sistema de creditamento, como forma de aplicação da nãocumulatividade. 5. O parágrafo 5º do artigo 26 da IN nº 594/2005 ao proibir o creditamento do que foi recolhido anteriormente a título de PIS e COFINS, relativamente às vendas cuja operação está tributada à alíquota zero, apenas sistematizou o que já constava em Lei Ordinária, não procedendo, neste sentido, em ilegalidade. 6. O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que dispõe acerca da manutenção de crédito, em hipótese de vendas efetuadas cuja tributação esteja sujeita à alíquota zero, configurase em lei especial que não deve ser aplicada genericamente. (AC 200771050033577, JOEL ILAN PACIORNIK, TRF4 PRIMEIRA TURMA, D.E. 01/06/2010.) TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. AQUISIÇÃO, PARA REVENDA, DE AUTOPEÇAS, ACESSÓRIOS E VEÍCULOS NOVOS. REGIME MONOFÁSICO. NÃOCUMULATIVIDADE. LEIS NºS 10.637/2002, 10.833/2003 E 11.033/2004. INS/SRF Nº 594/2005. LEGALIDADE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DESTA CORTE REGIONAL. 1. Apelação contra sentença que julgou improcedente pedido para assegurar o direito ao aproveitamento, mediante escrituração, dos créditos do PIS/COFINS decorrentes da aquisição, para revenda, de autopeças, acessórios e veículos novos, por meio das alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre o valor da nota fiscal destes bens adquiridos diretamente do fabricante, em face da ilegalidade da IN/SRF nº 594/05. 2. A jurisprudência de todas as Turmas desta Corte Regional é pacífica na esteira de que no regime tributário monofásico de nãocumulatividade, não é permitido à revendedora o aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS incidentes sobre as aquisições de veículos automotores e autopeças para revenda, tendo em vista que a Lei nº Fl. 108DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.720924/201061 Acórdão n.º 3801002.140 S3TE01 Fl. 18 8 11.033/2004 não revogou as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. 3. Legalidade do art. 26, parágrafo 5º, IV, da IN/SRF nº 594/05 referente à vedação ao creditamento das exações em tela, quando da aquisição no mercado interno, para revenda, dos produtos comercializados. 4. Apelação não provida. (AC 200781000007082, Desembargador Federal Bruno Leonardo Câmara Carrá, TRF5 Terceira Turma, DJE Data::17/11/2011 Página::734.) PROCESSUAL CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. DECISÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO DO PIS E COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS, PEÇAS, PNEUS E ACESSÓRIOS. SISTEMA MONOFÁSICO. ART. 17 DA LEI 11.033/04 (PIS) E ART. 16 DA LEI 10.833/03 (COFINS). IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. 1. Tratase de agravo interno de fls. 392/415, oposto por BRETAGNE COMERCIAL LTDA, objetivando reformar a decisão de fls. 379/385, que negou seguimento à apelação interposta pela ora agravante, mantendo a sentença de fls. 322/327, que denegou a segurança, julgando improcedente o pedido que objetivava a manutenção do lançamento de créditos de PIS (1,65%) e COFINS (7,60%) decorrentes de aquisição de veículos, peças, pneus e acessórios abrangidos pelo sistema monofásico, com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/04 e no art. 16 da Lei nº 11.116/05, dispositivos posteriores às Leis nº 10.637/02 (PIS) e nº 10.833/03 (COFINS) e que teriam superado a pretensa vedação estabelecida no art. 3º, §2º, inciso II. 2. Verificase que inexiste qualquer fundamento nas alegações da agravante, havendo o voto condutor se manifestado de forma clara e objetiva. 3. Precedentes Jurisprudenciais. 4. Não havendo ilegitimidade da exigência fiscal sustentada pela impetrante, não há o pretendido direito ao ressarcimento de supostos créditos por recolhimentos indevidos, não merecendo qualquer reparo a decisão ora atacada, uma vez que a agravante não trouxe argumento que alterasse o quadro descrito acima. 5. A agravante não trouxe argumentos que alterassem o quadro descrito acima. 6. Agravo interno conhecido e desprovido. (AC 200851010086660, Desembargador Federal ALUISIO GONCALVES DE CASTRO MENDES, TRF2 TERCEIRA TURMA ESPECIALIZADA, EDJF2R Data::26/03/2012 Página::163.) TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. LEI Nº 10.485/2002. CADEIA AUTOMOTIVA. COMÉRCIO DE VEÍCULOS, PEÇAS E ACESSÓRIOS. ALÍQUOTA ZERO. ESCRITURAÇÃO DE CRÉDITOS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DO COMERCIANTE VAREJISTA. 1. A Impetrante pretende ver reconhecido o direito à escrituração dos créditos vincendos decorrentes do PIS e da Fl. 109DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.720924/201061 Acórdão n.º 3801002.140 S3TE01 Fl. 19 9 COFINS, em razão da aquisição de bens para revenda, ressaltando que a atividade por ela exercida é a de distribuição de veículos novos, adquiridos diretamente das fabricantes, venda de autopeças e acessórios. Reconhece, ainda, que o regime a que está submetida é o monofásico das contribuições sociais PIS e COFINS. 2. A Lei nº 10.485/2002 estabelece, em seu artigo 1º que: "As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo , relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004).". 3. Diversamente do que se aplica aos demais tributos, que possuem também como base de sua incidência o faturamento, a nãocumulatividade quanto ao PIS e à COFINS não alcança todos as atividades econômicas, e, como bem alertou o magistrado de primeiro grau, foi outorgado ao legislador ordinário o estabelecimento da sistemática a ser seguida. 4. Acerca da questão o egrégio Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de incompatibilidade da incidência monofásica com a técnica do creditamento, como no caso dos presentes autos. "(...) 1. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que a incidência monofásica, em princípio, não se compatibiliza com a técnica do creditamento; assim como o benefício instituído pelo artigo 17 da Lei n. 11.033/2004 somente se aplica aos contribuintes integrantes do regime específico de tributação denominado Reporto. 2. Precedentes: REsp 1228608/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 16.3.2011; REsp 1140723/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22.9.2010; e AgRg no REsp 1224392/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 10.3.2011. 3. Recurso especial não provido." (REsp 1218561/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/04/2011, DJe 15/04/2011). 5. Apelação não provida. (AC 201037010002755, JUIZ FEDERAL RONALDO CASTRO DESTÊRRO E SILVA (CONV.), TRF1 SÉTIMA TURMA, e DJF1 DATA:29/06/2012 PAGINA:387.) Por fim, sem maiores delongas, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos exatos termos da Súmula nº 02, “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Neste caso, verificandose que a Instrução Normativa SRF n° 594, de 26 de dezembro de 2005, nada mais fez do que regulamentar o disposto na Fl. 110DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.720924/201061 Acórdão n.º 3801002.140 S3TE01 Fl. 20 10 legislação em vigor, não há que se falar em afastameto do disposto nesta regulamentação, como mencionado pelo Recorrente em suas razões recursais. Nestes termos voto pelo conhecimento e não provimento do Recurso Voluntário do Recorrente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 111DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15578.000812/2009-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
CISÃO PARCIAL. SUBSIDIÁRIA INTEGRAL. ALTERAÇÃO SUJEITO PASSIVO. IMPROCEDÊNCIA.
A ocorrência de cisão parcial da autuada, subsidiária integral da sua controladora, mas não sua sucessora, não justifica a retificação do sujeito passivo autuado.
IRPJ. DIFERENÇA DO IPC/BTNF. MOMENTO DA EXCLUSÃO.
A diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF das parcelas registradas na parte B do LALUR desde o balanço de 31 de dezembro de 1989, adicionadas ao lucro real, observadas as condições previstas na legislação de regência, podem ser excluídas a partir de 1º de janeiro de 1993, não havendo prazo para sua utilização.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. PROGRAMA BEFIEX. COMPENSAÇÃO INTEGRAL. LIMITAÇÃO TEMPORAL.
O prejuízo fiscal apurado em determinado ano, durante a vigência do programa BEFIEX, aprovado até 3 de junho de 1993, pode ser compensado integralmente na apuração do lucro real nos seis anos-calendário subseqüentes, sem as limitações impostas pelo art. 510 do RIR/99 (trava de 30%). Expirado o prazo de seis anos, o beneficiário volta à regra geral da limitação percentual.
EXCLUSÃO EXTEMPORÂNEA INDEVIDA. TRATAMENTO DE POSTERGAÇÃO DO IMPOSTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A redução do lucro real de um período-base, pela exclusão de parcelas feitas extemporaneamente, sem que haja a efetiva demonstração do pagamento espontâneo do imposto ou da contribuição social em período posterior ao que seria devido, não é considerada postergação de pagamento, cabendo a exigência do imposto correspondente com os devidos encargos legais.
Numero da decisão: 1202-001.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria arrolamento de bens e em rejeitar a preliminar de retificação do nome do sujeito passivo. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da autuação os valores tributáveis de R$ 1.850.983,22 e de R$ 26.487.488,78, vencida a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta, que excluía da tributação o valor total da infração ao art. 457 do RIR/99. Por maioria de votos, em afastar a apreciação ex offício da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio, vencidos os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima e Alexei Macorim Vivan, que entenderam arguída essa matéria pela Recorrente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Alexei Macorim Vivan.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 CISÃO PARCIAL. SUBSIDIÁRIA INTEGRAL. ALTERAÇÃO SUJEITO PASSIVO. IMPROCEDÊNCIA. A ocorrência de cisão parcial da autuada, subsidiária integral da sua controladora, mas não sua sucessora, não justifica a retificação do sujeito passivo autuado. IRPJ. DIFERENÇA DO IPC/BTNF. MOMENTO DA EXCLUSÃO. A diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF das parcelas registradas na parte B do LALUR desde o balanço de 31 de dezembro de 1989, adicionadas ao lucro real, observadas as condições previstas na legislação de regência, podem ser excluídas a partir de 1º de janeiro de 1993, não havendo prazo para sua utilização. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. PROGRAMA BEFIEX. COMPENSAÇÃO INTEGRAL. LIMITAÇÃO TEMPORAL. O prejuízo fiscal apurado em determinado ano, durante a vigência do programa BEFIEX, aprovado até 3 de junho de 1993, pode ser compensado integralmente na apuração do lucro real nos seis anos-calendário subseqüentes, sem as limitações impostas pelo art. 510 do RIR/99 (trava de 30%). Expirado o prazo de seis anos, o beneficiário volta à regra geral da limitação percentual. EXCLUSÃO EXTEMPORÂNEA INDEVIDA. TRATAMENTO DE POSTERGAÇÃO DO IMPOSTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A redução do lucro real de um período-base, pela exclusão de parcelas feitas extemporaneamente, sem que haja a efetiva demonstração do pagamento espontâneo do imposto ou da contribuição social em período posterior ao que seria devido, não é considerada postergação de pagamento, cabendo a exigência do imposto correspondente com os devidos encargos legais.
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SUBSIDIÁRIA INTEGRAL. ALTERAÇÃO SUJEITO PASSIVO. IMPROCEDÊNCIA. A ocorrência de cisão parcial da autuada, subsidiária integral da sua controladora, mas não sua sucessora, não justifica a retificação do sujeito passivo autuado. IRPJ. DIFERENÇA DO IPC/BTNF. MOMENTO DA EXCLUSÃO. A diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF das parcelas registradas na parte “B” do LALUR desde o balanço de 31 de dezembro de 1989, adicionadas ao lucro real, observadas as condições previstas na legislação de regência, podem ser excluídas a partir de 1º de janeiro de 1993, não havendo prazo para sua utilização. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. PROGRAMA BEFIEX. COMPENSAÇÃO INTEGRAL. LIMITAÇÃO TEMPORAL. O prejuízo fiscal apurado em determinado ano, durante a vigência do programa BEFIEX, aprovado até 3 de junho de 1993, pode ser compensado integralmente na apuração do lucro real nos seis anoscalendário subseqüentes, sem as limitações impostas pelo art. 510 do RIR/99 (trava de 30%). Expirado o prazo de seis anos, o beneficiário volta à regra geral da limitação percentual. EXCLUSÃO EXTEMPORÂNEA INDEVIDA. TRATAMENTO DE POSTERGAÇÃO DO IMPOSTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A redução do lucro real de um períodobase, pela exclusão de parcelas feitas extemporaneamente, sem que haja a efetiva demonstração do pagamento espontâneo do imposto ou da contribuição social em período posterior ao que seria devido, não é considerada postergação de pagamento, cabendo a exigência do imposto correspondente com os devidos encargos legais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 08 12 /2 00 9- 34 Fl. 820DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 821 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria arrolamento de bens e em rejeitar a preliminar de retificação do nome do sujeito passivo. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da autuação os valores tributáveis de R$ 1.850.983,22 e de R$ 26.487.488,78, vencida a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta, que excluía da tributação o valor total da infração ao art. 457 do RIR/99. Por maioria de votos, em afastar a apreciação ex offício da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio, vencidos os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima e Alexei Macorim Vivan, que entenderam arguída essa matéria pela Recorrente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Alexei Macorim Vivan. Relatório Tratase de examinar Auto de Infração para exigência do IRPJ, relativo ao 3º trimestre de 2004, acrescido da multa de ofício, no percentual de 75%, e dos juros de mora, pela taxa Selic. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 113 e seguintes, a fiscalização apurou inconsistências entre o saldo de prejuízo fiscal disponível no SAPLI e a compensação de prejuízos efetuada na apuração do lucro real constante da DIPJ 3º trimestre de 2004, conforme abaixo demonstrado: Saldo disponível Saldo disponível Saldo utilizado na Saldo utilizado na no SAPLI na Contabilidade DIPJ Contabilidade 123.092.771,73 118.694.515,68 248.445.000,00 118.694.515,68 Ainda durante o procedimento fiscal (fls. 114), o contribuinte esclareceu que a divergência contemplava valores relativos a créditos da parte B do LALUR, no montante de R$129.750.484,32 (248.445.000,00118.694.515,68), que deveriam estar informados na linha outras exclusões (da DIPJ), e que o prejuízo fiscal efetivo compensado foi, na realidade, de R$118.694.515,68, que é o saldo disponível registrado na sua contabilidade e no LALUR. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 822 3 Do resultado da análise dos documentos e informações prestadas pela autuada, a fiscalização apurou as seguintes infrações: a) Em relação ao artigo 457 do RIR/99 (fls. 290): Conta Valor Excesso de Deprec. de Hardware adicionado em 1988 Dif. IPC/BTNF 1.850.983,22 Amortização do Diferido Dif. IPC/BTNF 27.325.715,72 Despesas com Depreciação Dif. IPC/BTNF 11.730.839,24 Valor de Realização da Parte da amortização Dif. IPC/BTNF 26.487.488,78 Baixa de Bens Dif. IPC/BTNF 510.786,25 Total 67.905.813,21 Nesta infração, entendeu a fiscalização que a parcela dos encargos de depreciação, amortização, exaustão e a respectiva correção monetária, ou do custo de bem baixado a qualquer título, que corresponder à diferença de correção monetária IPC/BTNF somente poderia ser deduzida a partir de 1993, e até 31 de dezembro de 1998, conforme redação do art. 457 e §§s do RIR/99. b) Em relação ao artigo 273 do RIR/99 (fls. 291/292): Conta Valor Baixa no diferido, lançado em Lucros acumulados em 1990 25.327.979,50 Receita a maior tributada em 1990 e estornada em LPA em 1991 4.045.105,08 Total 29.373.084,58 Quanto a esta infração, entendeu a fiscalização que as exclusões poderiam ter sido utilizadas para ajuste do lucro real entre 1991 e 1994, e que a partir do anocalendário de 1995 seria vedada a utilização de prejuízos fiscais constituídos em 1990, principalmente em virtude da trava de 30% para aproveitamento de prejuízos fiscais, que começou a vigorar a partir de 1996. Em síntese, o valor glosado pela fiscalização foi de R$ 97.278.897,80 (67.905.813,21+29.373.084,58) e, por conseqüência, foi admitida a exclusão do valor de R$ 32.471.586,52 (129.750.484,3297.278.897,80). Em relação à composição da base de cálculo da CSLL em 2004, a fiscalização constatou que a empresa não utilizou as exclusões acima mencionadas. As alegações trazidas na impugnação ao Auto de Infração apresentadas pela autuada estão assim resumidas no Relatório do Acórdão nº 0220.992 da DRJ/Belo Horizonte, de fls. 656 e seguintes, o qual passo a transcrever e adotar, na parte que mais interessa: Fl. 822DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 823 4 “Nas cópias da impugnação consta que a Interessada argüi, em síntese que: ocorreu ilegitimidade do sujeito passivo, acarretando incompetência da DRF/Vitória para a realização da autuação; nas assembléias gerais extraordinárias, (AGE) de 01092008, os acionistas da, então, Companhia Siderúrgica de Tubarão, (CST), e da ArcelorMittal Brasil SA, (AMB), aprovaram a cisão parcial da CST e a incorporação da parcela cindida, (95% do patrimônio líquido da CST, pela ArcelorMittal Brasil SA; além disto, na mesma ocasião, a denominação social da CST foi alterada para ArcelorMittal Tubarão Comercial SA, e sua sede foi transferida para a capital do Estado de São Paulo, conforme certidões de AGE, protocolo e instrumento de justificação, laudo de avaliação da CST e estatuto social da ArcelorMittal Tubarão Comercial SA, (doc.04 e fls.106, dentre outras); posteriormente, em nova assembléia geral ocorrida em 29042009, foi aprovada a transferência da sede da ArcelorMittal Tubarão Comercial SA, (ex CST), da cidade de São Paulo para a cidade de Vitória, por esta razão a autuação foi feita pela DRF/Vitória; contudo, a ArcelorMittal Brasil SA, incorporadora por cisão parcial da Companhia Siderúrgica de Tubarão, (CST), com sede na cidade de Belo Horizonte e com estabelecimento em Serra é que deve arcar e assumir as eventuais exigências desta autuação uma vez que consta no processo de justificação que ela é que deve assumir eventuais obrigações e passivos, (item 6.1 da fls.106, dentre outras); tal afirmação encontra fundamento no artigo 132, do CTN e artigo 227 da Lei n°.6.404, de 1976; portanto, o pólo passivo deve ser retificado para Arcelor Mittal Brasil SA, e a competência deve ser transferida para DRJ de Belo Horizonte, para onde os autos deverão ser remetidos para julgamento; o arrolamento de bens perpetrado pela Fiscalização foi ilegal, uma vez que não foi cumprido corretamente o que determina o artigo 64, da Lei n°.9.532, de 1997 e o artigo 7º, da INSRF n°.264, de 2002; [...] as contas objeto da autuação não se referem à diferença de correção do IPC/BTNF sobre as contas patrimoniais das demonstrações financeiras; tratase de reconhecimento da diferença da correção IPC/BTNF sobre as adições temporárias registradas na parte B do LALUR para exclusão posterior; portanto, não se aplica ao caso o artigo 457, do RIR/99, que trata da correção dos encargos de realização dos bens do ativo permanente, mas sim o artigo 458, do RIR/99, que corresponde ao artigo 39, do Decreto n°.332/91, que trata da correção de saldos do LALUR; o artigo 458, do RIR/99 não fixou prazo para o aproveitamento do ajuste fiscal, podendo os respectivos valores registrados no LALUR que, nos termos deste dispositivo, se sujeitaram à correção monetária complementar, serem compensados na determinação do lucro real em qualquer período de apuração iniciado a partir de 1993; Fl. 823DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 824 5 ainda que se entenda que se aplica ao caso o artigo 457, do RIR/99, o lançamento também deverá ser cancelado, pois, apesar de o parágrafo 2°, do artigo 457, do RIR/99, estabelecer o limite temporal até 1998 para dedução dos encargos de realização correspondentes à diferença IPC/BTNF, nem a Lei n° 8.200 de 1991 nem o Decreto n°.332/91, fixaram tal prazo; desta forma, interpretando de forma integrada a legislação, concluise que o limite temporal previsto no parágrafo 2°., do artigo 457, do RIR/99, só pode se referir à única hipótese que tem previsão legal para limitação temporal, qual seja, o artigo 38, do Decreto n°.332/91, cumulado com o artigo 3° da Lei n°.8.200/91, que tratam de correção das demonstrações financeiras e não dos encargos; [...] a Solução de Consulta n°. 307/98, da 6a. Região Fiscal, (transcrita às f1s.229), corrobora esta assertiva; quanto à correção dos encargos de depreciação, o artigo 5º., da IN SRF n°.96/93, (transcrito às fls.229), é expresso ao não fixar qualquer limite temporal para o reconhecimento dos efeitos da diferença IPC/BTNF; [...] a própria Fiscalização no Termo de Verificação às fls.118, reconhece que a limitação temporal prevista no parágrafo 2°., do artigo 457, do RIR/99, aplicase na verdade à correção das contas patrimoniais, mas não à correção dos encargos de realização dos bens do ativo permanente; quanto à suposta infração ao artigo 273 do RIR de 1999, as parcelas referentes à baixa no diferido, lançado em lucros acumulados em 1990 e à receita a maior tributada em 1990 e estornada em LPA em 1991, no total de R$ 29.373.084,58, representam valores que deveriam ter integrado o resultado em 1990, mas cujo efeito contábil só foi reconhecido em períodos posteriores, efetuandose o ajuste diretamente nas contas de patrimônio líquido que controlavam os lucros anteriores; isto ocorreu porque em 1991, houve a alteração do seu lucro acumulado, e estas despesas nunca transitaram pelo resultado contábil, fazendo com que o lucro apurado em 1990 ficasse inflado uma vez que estas despesas, de competência daquele exercício, não foram registradas a tempo; assim, optou por ajustar diretamente o patrimônio líquido, e promover o ajuste fiscal através da exclusão destas despesas extemporâneas; desta forma, houve, inicialmente, a postergação do reconhecimento de uma despesa, que beneficiou o Fisco pela antecipação de tributação de um resultado artificialmente maior, sendo que, a própria Fiscalização no Tenho de Verificação às fls.119, concordou expressamente com esta afirmação; era beneficiária do programa BEFIEX, portanto, aplicase o artigo 95, da Lei n°.8.981/95, (artigo 470, do RIR/99), não estando submetida ao limite estabelecido no artigo 510, do RIR/99; os contribuintes beneficiários do BEFIEX podem compensar integralmente seus prejuízos fiscais nos seis anos subseqüentes à constituição do crédito, expirado este prazo, o beneficiário volta à regra geral da limitação percentual, salvo se Fl. 824DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 825 6 constituir novo prejuízo fiscal, hipótese em que, se ainda for beneficiário, volta a computar o prazo de seis anos para o aproveitamento integral; por se tratar de uma norma de transição de regime, que institui um prazo para o aproveitamento dos prejuízos fiscais pelos beneficiários do BEFIEX, somente a partir da instituição da nova regra que surgiu com o advento da Lei n°.9.065/95, o prazo de seis anos para a utilização integral do prejuízo pode ser contado; entender de modo diverso, que o prazo de utilização do prejuízo fiscal dos beneficiários do BEFIEX iniciouse no momento em que deveria ter sido constituído, como pretende a Fiscalização, significa reconhecer a retroatividade da norma tributária que posteriormente criou o prazo limitador; transcreve às fls.234, jurisprudência do Conselho de Contribuintes que acolhe o seu entendimento; assim, a partir de 1996, teve seis anos para aproveitar integralmente seus prejuízos fiscais, e por isso pouco importou ter feito exclusões ao lucro real ou utilizado estas exclusões embutidas no valor do prejuízo fiscal; deste modo, as exclusões que, no entender da Fiscalização foram feitas a destempo, na pior das hipóteses gerariam apenas um saldo maior de prejuízos fiscais de anos anteriores dentro da regra do BEFIEX de modo que assim o prazo de seis anos se renovaria, resultando na possibilidade de compensação integral destes prejuízos até o anocalendário de 2004, inclusive, quando foram promovidas as exclusões glosadas; [...] em outras palavras, entendeu a Fiscalização que teria havido postergação das exclusões que, por sua vez, gerou resultado fiscal distinto daquele que seria atingido caso as exclusões tivessem sido efetuadas no momento em que a Fiscalização julgou oportuno; tratandose de postergação de tributo, a Fiscalização violou o parágrafo 1°., do artigo 273, do RIR/99, e o Parecer Normativo COSIT n°.2/96, transcritos às fls.236; portanto, deve ser improcedente o lançamento, pois, foi dado tratamento de glosa de despesa, por falta de pagamento, quando se tratava a rigor de postergação de imposto devido. É o relatório.” Na seqüência foi emitido o Acórdão nº 1229.260 da DRJ/Belo Horizonte, de fls. 653 e seguintes, considerando a impugnação improcedente e mantendo integralmente o lançamento fiscal, com o seguinte ementário: ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO CALCULADOS SOBRE A PARCELA DO ATIVO CORRESPONDENTE A DIFERENÇA IPC/BTNF. Nos termos do art 457 e 458, § 4º do RIR/99, os encargos de depreciação e amortização calculados sobre a parcela do ativo correspondente à diferença IPC/BTNF, inclusive respectivas indexações, são deduções legítimas desde que realizadas entre os anos de 1993 e 1998 e conforme demais legislação de regência. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 826 7 PREJUÍZO FISCAL. EXCLUSÃO. O contribuinte que deixar de fazer uma exclusão em período no qual já havia apurado prejuízo fiscal não poderá considerar esta exclusão posteriormente para fins de reduzir lucro tributável sob pena de violar as regras que regem a compensação de prejuízos fiscais. Artigo 247 c/c artigo 273, do RIR/99. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os principais fundamentos utilizados no acórdão recorrido estão assim sintetizados: a DRF/Vitória ES, com base no artigo 906, do RIR de 1999, determinou o reexame do período fiscalizado relativo ao IRPJ, conforme comprova o documento de fls.02. Já no Termo de Verificação consta que esta operação foi incluída no mandado de procedimento fiscal que já existia anteriormente, MPFF n°.07.2.01.002008 000441, para que fosse verificada a regularidade da compensação de prejuízos fiscais referentes aos períodos de apuração anteriores ao 3º trimestre de 2004. Assim, o que ocorreu no presente caso foi a prevenção da jurisdição e a prorrogação da competência, conforme regulado nos parágrafos do artigo 9°, do Decreto n°.70.235, de 1972, uma vez que a DRF/Vitória foi a autoridade que primeiro conheceu dos fatos. a ArcelorMittal Brasil SA, controladora da Companhia Siderúrgica de Tubarão (autuada), incorporou parte do patrimônio cindido da autuada. Não consta nos autos nenhum documento que comprove que a ArcelorMittal Brasil SA incorporou a Companhia Siderúrgica de Tubarão. Com base no que consta nos autos, a ArcelorMittal Brasil SA é controladora da Companhia Siderúrgica de Tubarão, mas não sua sucessora nos termos do artigo 132, do CTN. Já em 24/07/2009, data da ciência do Termo de Verificação Fiscal de fls.113/121, dirigido à ArcelorMittal Tubarão Comercial SA, sucessora da Companhia Siderúrgica de Tubarão, esta já havia modificado o domicílio fiscal da cidade de São Paulo para a cidade de Vitória/ES. Assim, as regras de competência para lançar e para julgar foram corretamente utilizadas. (voto vencedor) os §§ 1º, 2º e 3º do art 458 do RIR/1999, dispõem que o tratamento da indexação dos prejuízos fiscais e do lucro inflacionário acumulado e a indexação de todas as demais quantias registradas na parte B do LALUR, dentre elas as despesas de depreciação e amortização calculadas sobre a parcela do ativo referente a diferença IPC/BTNF, foram tratadas no § 4º do mesmo art. 458. Este último parágrafo, ao determinar que, quanto a correção das referidas parcelas, sejam "...observadas as condições previstas na legislação de regência ", remete, no caso dos encargos correspondentes à diferença IPC/BTNF, às condições de dedutibilidade de que trata o art 457 do RIR/99. Assim, concluise que o art 458 do RIR/1999 não beneficia a interessada. Primeiro, porque se refere especificamente à indexação das parcelas de que trata e não ao principal. Segundo, porque, mesmo no caso da indexação das despesas de depreciação e amortização decorrentes da diferença IPC/BTNF, o § 4° do referido artigo remete à legislação de regência, o que implica na aplicação do art 457 do RIR/1999, que foi exatamente aquele que embasou a autuação. Encontrase equivocado o critério temporal seguido pelo relator original, segundo o qual a dedutibilidade, em 2004, dos encargos de depreciação e amortização referentes a diferença IPC/BTNF estariam condicionados a anterioridade a que se refere o caput do art 458 do RIR 1999. O registro anterior a dezembro de Fl. 826DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 827 8 1989, previsto no referido caput, é mera condição para a indexação da parcela registrada na parte B do LALUR. A dedutibilidade da parcela em questão, no que diz respeito à sua possibilidade cronológica, é regida pelo art 457 do Regulamento, que impõe como limite o ano de 1998. Ilegítima, portanto, a exclusão ao lucro real realizada pela interessada, no ano de 2004. da combinação dos artigos 247 e 273, do RIR/99, o contribuinte que deixar de fazer uma exclusão em período no qual já havia apurado prejuízo e, posteriormente, vier a considerar esta exclusão, estará burlando as regras que regem a compensação de prejuízos fiscais vigentes naquele momento. Em outras palavras, estará caracterizada a redução indevida do lucro real. A autuada reduziu no cálculo do lucro real referente ao 3º trimestre de 2004, valor referente a parcelas de baixa no diferido, lançado em lucros acumulados em 1990, e de receita a maior tributada em 1990 e estornada em lucros/prejuízos acumulados, (LPA), em 1991, que, por certo, poderiam ter sido reconhecidas, respectivamente, já em 1990 e 1991. Da mesma forma, declarou prejuízos fiscais nos anos de 1990 e 1991. É flagrante que interessou à autuada, após verificar que apuraria prejuízos nos anos de 1990 e 1991, não utilizar os valores autuados para aumentar o prejuízo, mas sim, guardar estes valores que poderiam vir a ser utilizados a qualquer tempo, sem a limitação temporal prevista na legislação em vigor na época. Ao utilizar tais valores após quatro anos contados de 1991, ou mesmo com o tempo, benefícios e condições previstos nas empresas do regime BEFIEX, que poderiam compensar o prejuízo fiscal nos seis anos subseqüentes, concluise que a interessada reduziu indevidamente o valor do lucro fiscal. Irresignada com a decisão proferida, a autuada apresentou recurso voluntário, de fls. 676 a 700, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. Em relação ao mérito do lançamento fiscal, reforça os seguintes pontos: A Lei n° 8.200/91, que reconheceu aos contribuintes o direito de corrigir fiscalmente suas demonstrações financeiras com base no IPC, foi regulamentada pelo Decreto n° 332/91. Os arts. 38 a 40 do Decreto nº 332/91 correspondem aos arts. 456 a 458 do RIR/99, respectivamente, vigente quando a empresa efetuou as exclusões glosadas pela fiscalização: (i) O art. 38 referese à correção monetária das contas patrimoniais de ativo permanente e patrimônio líquido das demonstrações financeiras do período base de 1990; (ii) O art. 39 referese à diferença de correção que não foi considerada no resultado dos exercícios por meio de encargos de depreciação, exaustão e amortização, de modo que estas despesas (que não estariam abrangidas pela correção do art. 38) foram reconhecidas por valores inferiores ao devido; e (iii) O art. 40 referese à correção dos valores que foram adicionados ao lucro líquido para apuração do lucro real a partir de 1989, e que vinham sendo controlados na Parte B do Lalur, para exclusão em períodos posteriores. Dos três dispositivos citados acima, somente o art. 38 (correspondente ao art . 456, do RIR/99), que trata da correção por diferença do IPC/BTNF sobre as demonstrações financeiras, estabelece limite temporal para ajuste, no caso de apuração de saldo devedor. Os demais casos, da correção dos encargos e das contas de Lalur, não se sujeitam a qualquer prazo. Assim, não poderia prevalecer o entendimento do acórdão recorrido de que o art. 458 do RIR/99 cuida da possibilidade de correção dos valores, mas o art. 457 é que trataria da Fl. 827DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 828 9 dedutibilidade do resultado destas mesmas correções. Na verdade, cada dispositivo cuida de uma modalidade de correção distinta e cada uma se sujeita a suas próprias regras. No presente caso, está sendo analisado o caso do reconhecimento da diferença de correção IPC/BTNF sobre as adições temporárias registradas na Parte B do Lalur para exclusão posterior. Como decorrência deste fato, não se cogita da aplicação do art. 457 do RIR/99 ao caso (que trata da correção dos encargos de realização dos bens do ativo permanente), mas sim do art. 458 do RIR/99 (que trata da correção dos saldos de Lalur). A segunda suposta infração apontada pela fiscalização está fundamentada no art. 273 do RIR/99. As glosas dos valores “Baixa no diferido, lançado em Lucros acumulados em 1990” e “Receita a maior tributada em 1990 e estornada em LPA em 1991” representam o registro de valores que deveriam ter integrado o resultado da empresa em 1990, mas cujo efeito contábil só foi reconhecido em períodos posteriores, efetuandose o ajuste diretamente nas contas de patrimônio líquido que controlavam os lucros anteriores. Significa dizer que, em 1991, a empresa alterou seu lucro acumulado, e estas despesas nunca transitaram pelo resultado contábil, de modo que o lucro apurado em 1990 estava inflado porque estas despesas, de competência daquele exercício, não foram registradas a tempo. Assim, a empresa optou por ajustar diretamente o patrimônio líquido e promover o ajuste fiscal através da exclusão destas despesas extemporâneas. Entre 1991 e 1995, tanto os contribuintes beneficiários do BEFIEX como os demais poderiam efetuar a compensação total dos prejuízos fiscais, sem qualquer limite de redução do lucro real, e o elemento que os distinguia era justamente que os beneficiários do programa poderiam fazêlo sem qualquer limitação temporal, não se sujeitando ao limite de quatro anos previsto no art. 64 do Decretolei nº 1.598/77. Em relação aos beneficiários do programa BEFIEX, a norma aplicável passou a ser o art. 95 da Lei n° 8.981/95 (art. 470 do RIR/99), inferindose que, a partir de 1996, os contribuintes em geral só podem utilizar o prejuízo fiscal para reduzir até trinta por cento do lucro real, sem qualquer limitação temporal. Aqueles contribuintes beneficiários do programa BEFIEX poderiam compensar integralmente seus prejuízos fiscais nos seis anos subseqüentes à sua constituição. Expirado este prazo, o beneficiário voltaria à regra geral da limitação percentual, salvo se constituir novo prejuízo fiscal, hipótese em que, se ainda for beneficiário do programa, voltaria a computar o prazo de seis anos para aproveitamento integral. Tratase de uma norma de transição de regime, que instituiu um prazo para aproveitamento dos prejuízos fiscais gerados pelos beneficiários do BEFIEX. O procedimento adotado pela empresa à época seguiu os ditames legais e os ensinamentos dos Tribunais Administrativos, e não gerou nenhuma postergação na tributação. Portanto, é indiferente que as “exclusões” tenham sido feitas após o período respectivo em que foi gerado o prejuízo fiscal, posto que no caso concreto não havia a trava de 30% para compensação e nem prazo limite para aproveitamento deste prejuízo que prejudicasse o direito da recorrente. toda a celeuma gerada no presente auto de infração decorre do entendimento equivocado da fiscalização de que as exclusões eram devidas, mas deveriam ter sido feitas em momento próprio, evitandose constituir prejuízos fiscais a serem aproveitados posteriormente. Aplicandose as regras referentes à postergação de tributação, deveriam ter sido observados todos os preceitos do art. 273 do RIR/99. Este dispositivo exige que a fiscalização, ao entender que o contribuinte está se utilizando de um ajuste fiscal em momento Fl. 828DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 829 10 distinto daquele que entender devido, não poderá simplesmente efetuar a glosa nos períodos de apuração analisados, mas deverá recompor todas as bases de apuração anteriores de modo que os ajustes sejam feitos nos devidos períodos de competência. Esta regra deve necessariamente ser observada pela fiscalização, por força do Parecer Normativo COSIT n° 2/96. Restaria evidenciada a improcedência do crédito exigido, por ofensa ao Parecer Normativo COSIT n° 02/96 e ao art. 273, § 1º, do Decreto n° 3.000/99, já que foi dado à empresa tratamento de glosa de despesa, por falta de pagamento, quando se tratava, a rigor, de postergação de imposto devido. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo Relator O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Portanto dele tomo conhecimento. Inicialmente, cumpre registrar que a matéria relativa à ilegalidade do arrolamento de bens e direitos, trazida pela recorrente, é estranha ao presente processo. Isso se deve porque a questão não foi abordada/mencionada no Termo de Verificação Fiscal, fls. 113 e seguintes, de modo que o “Termo de Arrolamento de Bens e Direitos” sequer fez parte dos documentos quando da protocolização do presente processo. Prova disso é que o respectivo “Termo de Arrolamento de Bens e Direitos” somente veio aos autos por ocasião da apresentação da impugnação, onde foram juntados diversos documentos pelo impugnante, dentre eles, o Termo de Arrolamento, de fls. 559 e seguintes. Ademais, o próprio acórdão recorrido, menciona tratarse de matéria a ser enfrentada em processo distinto do presente, conforme transcrição de parte do voto condutor, fls. 713: “As alegações referentes a esta matéria devem ser respondidas no âmbito do respectivo processo de arrolamento de bens e direitos, o qual está apontado às fls. 647”, fato não contestado pela recorrente. Em que pese não ter localizado às fls. 647 o nº do processo mencionado, como dito pelo acórdão recorrido, isso não prejudica a conclusão de que o arrolamento deve ser acompanhado em processo distinto deste pois, como já dito, o “Termo de Arrolamento” não fez parte do presente processo quando da sua formalização. Dessa forma, a discussão a respeito dessa matéria deve se dar no processo respectivo, e não no presente, de maneira que não devem ser conhecidas as razões trazidas no recurso voluntário sobre essa questão. Preliminar Quanto à alegação de ilegitimidade do sujeito passivo, argumenta a recorrente que a ArcelorMittal Brasil SA incorporou, por cisão parcial, a Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), uma vez que consta no Protocolo e Instrumento de Justificação da Cisão Parcial que ela é que deve assumir eventuais obrigações e passivos. Portanto, o pólo passivo deve ser retificado para ArcelorMittal Brasil SA, e a competência deve ser transferida para DRJ de Belo Horizonte, para onde os autos deverão ser remetidos para julgamento; Sem razão a defesa. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 830 11 A Ata de Assembléia Geral e o Protocolo e Instrumento de Justificação, fls.89 à 106verso, indicam que em 2008 ocorreu a cisão parcial da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) CNPJ 27.251.974/000102 (autuada), e que na mesma data ocorreu a mudança da sua denominação social para ArcelorMittal Tubarão Comercial SA, de modo que a outra parte do patrimônio cindido foi vertido para a ArcelorMittal Brasil SA, controladora da CST. A Companhia Siderúrgica de Tubarão (cuja nova denominação passou a ser ArcelorMittal Tubarão Comercial SA) é subsidiária integral da ArcelorMittal Brasil SA, tendo esta incorporado parte do patrimônio cindido da primeira. Assim, equivocase a recorrente ao afirmar que a ArcelorMittal Brasil SA incorporou a Companhia Siderúrgica de Tubarão. A esse respeito, vejase as seguintes transcrições: i) Na ATA da 87ª Assembléia Geral Extraordinária da Companhia Siderúrgica de Tubarão CNPJ 27.251.974/000102 – Companhia Fechada – realizada em 1º de setembro de 2008, fls. 90verso: “5.6 Aprovar a cisão parcial da Companhia, com a versão de parcela cindida de seu patrimônio líquido, no valor de R$ 8.065.884.489,99 (oito bilhões, sessenta e cinco milhões, oitocentos e oitenta e quatro mil, quatrocentos e oitenta e nove reais e noventa e nove centavos), para a ArcelorMittal Brasil, de acordo com os termos e condições constantes do Protocolo ora aprovado. [...] 5.11 Ratificar a conversão da Companhia em subsidiária integral da Arcelor Mittal Brasil nos termos do Artigo 252 da Lei das S.A.” (destaquei) ii) No Protocolo e Instrumento de Justificação da Cisão Parcial da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CNPJ n° 27.251.974/000102 autuada), fls. 106: “A ArcelorMittal Brasil continuará a ser a única acionista da CST, detentora de 100% (cem por cento) das ações em que se divide seu capital social.” (destaquei) Portanto, do que se depreende dos autos, a ArcelorMittal Brasil SA é controladora da Companhia Siderúrgica de Tubarão, mas não sua sucessora nos termos do artigo 132 do CTN, de modo que encontrase correto o lançamento fiscal efetuado no CNPJ 27.251.974/000102, fls. 124. Em que pese constar no Auto de Infração a razão social de “Companhia Siderúrgica de Tubarão” ao invés da nova denominação social existente à época da lavratura (24/07/2009), de ArcelorMittal Tubarão Comercial SA, tal fato não prejudica o lançamento, posto que se trata da mesma empresa, com o mesmo CNPJ e com o mesmo endereço, de maneira que este erro não causou prejuízo ao sujeito passivo, que pode se defender em todas as fases processuais, e também não se enquadra nas hipóteses de nulidade do lançamento fiscal previstos no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972 c/c art. 142 do Código Tributário Nacional. Em vista do exposto, é de se rejeitar a preliminar levantada pelo sujeito passivo, de retificação da autuada para ArcelorMittal Brasil SA. Mérito Fl. 830DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 831 12 A infração imputada ao sujeito passivo na autuação diz respeito à “glosa de prejuízos compensados indevidamente saldos insuficientes” na apuração do lucro real no 3°. trimestre de 2004. Inicialmente, a ação fiscal identificou o aproveitamento de prejuízo fiscal em excesso na DIPJ, relativo ao 3°. trimestre de 2004, uma vez que o saldo de prejuízo fiscal disponível no SAPLI era de R$123.092.771,73, e a compensação de prejuízo efetuada pela interessada na apuração do lucro real na DIPJ, de R$ 248.445.000,00. Intimada a se pronunciar quanto a esta inconsistência, a autuada respondeu que teria havido erro no preenchimento da DIPJ, sendo que o valor da compensação de prejuízo fiscal que constou na DIPJ, (R$ 248.445.000,00), contempla valores relativos a créditos da parte B do LALUR no montante de R$ 129.750.484,32, que deveriam ter sido informados na linha "outras exclusões", e que o prejuízo fiscal efetivo compensado seria de R$118.694.515,68, que é o saldo disponível registrado na sua contabilidade e no LALUR. É de se enfatizar que a autuada laborou em erro ao informar prejuízos fiscais em sua DIPJ que se mostraram inexistentes quando, na verdade, se tratavam de “outras exclusões”, matérias de natureza completamente diferentes e com efeitos fiscais distintos. Não obstante esse fato, o agente fiscal ainda aceitou as explicações do contribuinte de que se tratava de erro de preenchimento e acabou por aceitar a retificação das informações constantes da DIPJ. Assim, entendeu a Fiscalização que houve infração aos seguintes dispositivos regulamentares: i) artigo 457 e parágrafos, do RIR/99 exclusões da base de cálculo do IRPJ no valor total de R$ 67.905.813,21 referentes às parcelas de: excesso deprec. de hardware adicion. em 1988difer. IPC/BTNF, no valor de R$1.850.983,22; amortização do diferido diferença IPC/BTNF, no valor de R$ 27.325.715,72; despesas com depreciação diferença IPC/BTNF, no valor de R$ 11.730.839,24; realização da parte da amortização diferença IPC/BTNF, no valor de R$ 26.487.488,78; e baixa de bens diferença IPC/BTNF, no valor de R$ 510.786,25. ii) artigo 273 do RIR/1999 exclusões da base de cálculo do IRPJ no valor total de R$ 29.373.084,58, referente às parcelas de: baixa no diferido, lançado em lucros acumulados em 1990, no valor de R$ 25.327.979,50; receita a maior tributada em 1990 e estornada em lucros/prejuízos acumulados, (LPA), em 1991, no valor de R$ 4.045.105,08. Conforme descrição de fatos no Termo de Verificação Fiscal, o principal motivo para a glosa das renomeadas “outras exclusões” teria sido a extemporaneidade das mesmas. Vale dizer. Não poderia o contribuinte, no ano de 2004, proceder a “outras exclusões” do lucro real de parcelas de correção monetária originadas da diferença IPC/BTNF, Fl. 831DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 832 13 adicionadas nos anos de 1986 à 1994, face à permissão de dedutibilidade limitada a 31 de dezembro de 1998. A seguir serão examinadas as duas infrações à legislação tributária imputadas ao sujeito passivo. Infração ao artigo 457 e §§ do RIR/99 A defesa alega que inexistiria prazo para o aproveitamento das exclusões referentes ao lançamento, uma vez que as contas objeto da autuação não se referem à diferença de correção das contas patrimoniais das demonstrações financeiras ou mesmo dos encargos de realização dos bens do ativo permanente, tratados no art. 457 do RIR/99, mas sim da correção de saldos controlados na parte “B” do LALUR, devendo ser aplicado o art. 458 do RIR/99. O “voto vencido” do acórdão recorrido fundamentou sua decisão no sentido de que “os valores que constituiram adição, exclusão ou compensação, desde o períodobase de 1991, registrados na parte “B” do LALUR, desde o balanço de 31 de dezembro de 1989, devem seguir a regra prevista no artigo 458, do RIR/99, o qual não prevê expressamente o limite temporal para as exclusões”. Assim, fez uma análise pormenorizada de cada parcela excluída e considerou passível de exclusão aquelas registradas na parte “B” do LALUR, desde o balanço de 31 de dezembro de 1989, obedecendo a regra prevista no artigo 458, do RIR/99, o qual não estipula expressamente o limite temporal para as exclusões. Já o “voto vencedor”do acórdão recorrido entendeu diferentemente, concluindo por aplicar o art. 457 do RIR/99, com limitação temporal, de acordo com a seguinte transcrição: “o art 458 do RIR/1999 não beneficia a interessada. Primeiro, porque se refere especificamente à indexação das parcelas de que trata e não ao principal. Segundo, porque, mesmo no caso da indexação das despesas de depreciação e amortização decorrentes da diferença IPC/BTNF, o § 4° do referido artigo remete à legislação de regência, o que implica na aplicação do art 457 do RIR/1999, que foi exatamente aquele que embasou a autuação.” Em outras palavras, o “voto vencedor” fundamentou sua decisão no fato de que as parcelas de despesas de depreciação e amortização decorrentes da diferença IPC/BTNF foram tratadas no § 4° do art. 458 do RIR/99. Esse parágrafo menciona que, em relação à correção das referidas parcelas, sejam "...observadas as condições previstas na legislação de regência ". No caso dos encargos correspondentes à diferença IPC/BTNF, as condições previstas na legislação seriam aquelas de que trata o art 457 do RIR/99. Para uma melhor análise da matéria, transcrevese os arts. 456, 457 e 458 do RIR/99, que correspondem, respectivamente, aos arts. 38, 39 e 40 do Decreto nº 332, de 4 de novembro de 1991 (que regulamentou a Lei nº 8.200/91), dispondo sobre o tratamento a ser dado às diferenças de correção monetária complementar IPC/BTNF: Seção III Disposições Transitórias Subseção I Correção Monetária Complementar IPC/BTNF Fl. 832DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 833 14 Art. 456. A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao períodobase de 1990, que corresponder à diferença verificada entre a variação do Índice de Preços ao Consumidor IPC e a variação do BTN Fiscal, nos termos do Decreto nº 332, de 4 de novembro de 1991, terá o seguinte tratamento fiscal (Lei nº 8.200, de 28 de junho de 1991, art. 3º, e Lei nº 8.682, de 14 de julho de 1993, art. 11): I poderá ser excluída do lucro líquido, na determinação do lucro real, em seis anoscalendário, a partir de 1993, à razão de vinte e cinco por cento em 1993 e de quinze por cento, ao ano, de 1994 até 31 de dezembro de 1998, quando se tratar de saldo devedor; II será computada na determinação do lucro real, a partir do anocalendário de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, quando se tratar de saldo credor. § 1º A exclusão de que trata o inciso I poderá ser efetuada em qualquer período de apuração do anocalendário ou distribuída pelos respectivos trimestres, a critério da pessoa jurídica. § 2º O saldo credor referido no inciso II será somado ao lucro inflacionário acumulado transferido do anocalendário de 1992. Art. 457. Para fins de determinação do lucro real, a parcela dos encargos de depreciação, amortização, exaustão, e respectiva atualização monetária, até 31 de dezembro de 1995, quando for o caso, ou do custo de bem baixado a qualquer título, que corresponder à diferença de correção monetária pelo IPC e pelo BTN Fiscal somente poderá ser deduzida a partir do ano calendário de 1993 (Lei nº 8.200, de 1991, art. 3º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º). § 1º Os valores a que se refere este artigo, computados em conta de resultados anteriormente ao anocalendário de 1993, deverão ser adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real. § 2º As quantias adicionadas serão controladas na parte "B" do LALUR, para exclusão a partir do anocalendário de 1993 até 31 de dezembro de 1998. Subseção II Correção dos Valores Registrados no Livro de Apuração do Lucro Real Art. 458. Os valores que constituírem adição, exclusão ou compensação, a partir do períodobase de 1991, registrados na parte "B" do LALUR, desde o balanço de 31 de dezembro de 1989, serão corrigidos na forma do Decreto nº 332, de 1991 e a diferença de correção será registrada em folha própria do livro, para adição, exclusão ou compensação na determinação do lucro real, a partir do anocalendário de 1993. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 834 15 § 1º Tratandose de prejuízos fiscais, a diferença de correção será compensada na forma prevista no inciso I do art. 456. § 2º Somente poderá ser deduzida a diferença de correção monetária relativa ao períodobase de 1990, de prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1989, se a pessoa jurídica tiver lucro real nos períodosbase encerrados de 1990 até o ano calendário de 1993 suficiente, em cada ano, para a compensação dos valores, corrigidos monetariamente, observado o disposto no art. 456. § 3º O valor da adição relativa à diferença de correção do lucro inflacionário a tributar será computado na determinação do lucro real de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, a partir do ano calendário de 1993. § 4º Na hipótese das demais adições, deverão ser observadas as condições previstas na legislação de regência, devendo os efeitos correspondentes aos anoscalendário de 1991 e 1992 ser reconhecidos a partir de 1993. (destaques meus) Da leitura dos dispositivos acima transcritos, podese fazer uma breve síntese da matéria regulamentada: o art. 456 trata da correção monetária complementar da diferença IPC/BTNF das demonstrações financeiras, relativa ao períodobase de 1990; o art. 457 trata da correção monetária complementar da diferença IPC/BTNF da parcela dos encargos de depreciação, amortização, exaustão, e respectiva atualização monetária, até 31 de dezembro de 1995, quando for o caso, ou do custo de bem baixado a qualquer título; o art. 458 trata da correção monetária complementar da diferença IPC/BTNF dos valores que constituírem adição, exclusão ou compensação, a partir do período base de 1991, registrados na parte "B" do LALUR, desde o balanço de 31 de dezembro de 1989, que serão corrigidos na forma do Decreto nº 332, de 1991 e a diferença de correção será registrada em folha própria do livro, para adição, exclusão ou compensação na determinação do lucro real, a partir do anocalendário de 1993. Vejase que existem três situações distintas que foram disciplinadas pelos mencionados dispositivos: i) o art. 456, trata da diferença IPC/BTNF das demonstrações financeiras, relativa ao períodobase de 1990; ii) o art. 457, trata da diferença IPC/BTNF dos encargos de depreciação, amortização, exaustão, e respectiva atualização monetária, até 31 de dezembro de 1995, quando for o caso, ou do custo de bem baixado; iii) por fim, o art. 458 trata da diferença IPC/BTNF dos saldos, em 31 de dezembro de 1989, que constituírem adição, exclusão ou compensação, a partir do períodobase de 1991, que se encontravam controlados na parte “B” do LALUR. Os dois primeiros artigos contêm limitação temporal para considerar os efeitos da diferença IPC/BTNF, devendo seus efeitos serem apropriados de 1993 até 1998. Já o art. 458 somente determina limitação temporal nas hipóteses de “prejuízos fiscais” e do “lucro inflacionário”, estabelecendo que nas demais adições “deverão ser observadas as condições Fl. 834DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 835 16 previstas na legislação de regência, devendo os efeitos correspondentes aos anoscalendário de 1991 e 1992 ser reconhecidos a partir de 1993”. Vale dizer, poderão ser excluídas a partir de 1993, de acordo com a legislação de regência, sem estabelecer limite de tempo. Assim, tem razão em parte a defesa ao reinvidicar que no caso das demais adições inexiste limite temporal determinado pelo § 4° do art. 458 do RIR/99, ressalvadas as condições estabelecidas na legislação de regência de cada matéria. Diferentemente do que entendeu o “voto vencedor” do acórdão recorrido, a legislação de regência não é a que trata da correção monetária complementar da diferença IPC/BTNF, implicando na aplicação do art 457 do RIR/99, com limitação temporal, mas sim à legislação de regência que trata das adições, exclusões e compensações. Prova disso é que, quando existe limitação temporal, o próprio art. 458 assim o faz. Vejase o § 2° do art. 458, que estabeleceu uma limitação temporal para “compensação de prejuízos fiscais” apurados até 31 de dezembro de 1989, somente se a pessoa jurídica tiver lucro real nos períodosbase encerrados de 1990 até o anocalendário de 1993 suficiente, em cada ano, para a compensação dos valores, corrigidos monetariamente. Essa limitação decorreu do fato de que os prejuízos fiscais à época somente poderiam ser compensados nos 4 anos subseqüentes. De outra banda, o § 3° do art. 458 do RIR/99, ao disciplinar o valor da adição relativa à “diferença de correção do lucro inflacionário a tributar” , estabeleceu que a tributação se daria “de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, a partir do anocalendário de 1993”, sem limitação temporal. Dessa forma, a melhor interpretação que se dá no caso das “demais adições’ (§ 4° do art. 458 do RIR/99) é que inexiste limitação temporal para as exclusões reivindicadas. Ressalvese, no entanto, que o caput do art. 458 e seu § 4°, do RIR/99, impuseram três condições para a sua aplicabilidade: i) que os valores deveriam estar registrados na parte “B” do LALUR, em 31/12/1989; ii) que os valores constituam adição, exclusão ou compensação a partir de 1991; iii) que na hipótese, deverão ser observadas as condições previstas na legislação de regência, devendo os efeitos correspondentes aos anos calendário de 1991 e 1992 ser reconhecidos a partir de 1993. Nesse sentido, cabe destacar o voto condutor do Acórdão n° 10807.389 do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, de 13/05/2003, do ilustre Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior, que muito bem abordou essa matéria: “Seria distorcer os resultados tributáveis, contrariamente aos desígnios do instituto, não determinar, mediante própria regulamentação e adicionalmente aos ajustes contábeis, a correção de valores diferidos constantes do LALUR, principalmente do próprio lucro inflacionário acumulado, que nada mais é do que resultado de saldos credores de correção monetária de exercícios anteriores. Assim, a regulamentação prevista no artigo 40 do Decreto 332/91 é pura e simplesmente inerente ao próprio instituto da correção monetária de balanço, não se podendo condenar tal imposição em face de alegado desacordo com a Lei 8.200/91. A regulamentação da forma como estampada no citado artigo 40 era uma exigência da sistemática instituída pela Lei 8.200/91. [...] Fl. 835DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 836 17 No caso dos autos, a recorrente exerceu a faculdade e corrigiu suas contas pela correção complementar e deveria, portanto, ter corrigido seus saldos de LALUR de acordo com o artigo 40 já mencionado. Entretanto, bem deve ser interpretado o alcance da regulamentação, tendose inclusive em mente o aspecto da retroatividade implícita da Lei 8.200/91, o que, no meu entender, levou o legislador regulamentar a limitar tal alcance. A norma regulamentar exigiu a correção tãosomente dos valores que seriam passíveis de adição sob duas condições, isto é, valores que estivessem nos saldos de 31/12/89 e que, concomitantemente, viessem a constituir adições, exclusões e compensações a partir do períodobase de 1991. De se notar que, muito embora a exigência de correção dos saldos do LALUR fosse fruto de uma inerente coerência sistêmica com o instituto da correção monetária de balanço, houve por bem o legislador executivo excluir da correção complementar valores que já teriam sido definitivamente adicionados ao lucro líquido para formação do lucro real, pois definiu que só seriam corrigidas as parcelas que, quando da regulamentação em 1991, ainda poderiam constituir adições futuras. Ao reverso, parcelas que já tivessem sido adicionadas ao lucro líquido, para formação do lucro real, não seriam mais corrigidas, evitandose a retroatividade da norma.” Esse mesmo entendimento também foi manifestado em decisão do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme Acórdão nº 10195.667, sessão de 28 de julho de 2006, com o seguinte ementário (parte): IRPJ — DEPRECIAÇÃO — DIFERENÇA DO IPC/BTNF — MOMENTO DA EXCLUSÃO — SUCESSAO — a diferença de correção monetária IPC/BTNF das parcelas de depreciação ou do custo de bem baixado, somente poderia ser deduzido a partir de 01 de janeiro de 1993, não havendo prazo para sua utilização, desde que não haja efeito diverso daquele que seria alcançado se a exclusão tivesse se dado no anocalendário de 1993. (destaques meus) No presente caso, conforme já mencionado no relatório e neste voto, o contribuinte excluiu em 2004 as parcelas mencionadas pela fiscalização e que foram adicionadas ao lucro real, nos anos de 1986 à 1994. Assim, constatado que na hipótese prevista no § 4º do art. 458 do RIR/99, inexiste limitação temporal, resta verificar se cada parcela “excluída” em 2004 atende as três condições previstas no art. 458 e seu § 4° do RIR/99, mencionadas em item precedente. O “voto vencido” do acórdão recorrido examinou essas três condições em relação a cada parcela glosada pela fiscalização, de maneira que passo a transcrevêlas e também adotar como minhas razões de decidir (fls. 664/665): “Em relação à parte “B” do LALUR, a Fiscalização acostou aos autos os documentos de fls.81/83, sendo que, em relação a cada uma das parcelas autuadas acostou os documentos discriminados no demonstrativo de fls.117. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 837 18 Às fls.29 e 30/33, constam demonstrativo dos créditos da parte “B” utilizados na apuração do IRPJ do 3°. Trimestre de 2004, e anexos com detalhamento das informações. Assim, quanto ao excesso de depreciação de hardware adicionado em 1988, dif. IPC/BTNF, cujo crédito glosado em 2004 foi de R$ 1.850.983,22, verificase às fls.29, que o referido excesso foi registrado na parte “B" do LALUR, desde o balanço de 31 de dezembro de 1988. Portanto, tal parcela deve seguir a regra prevista no artigo 458, do RIR/99, que não prevê expressamente o limite temporal para as exclusões, devendo ser julgada improcedente a respectiva autuação. Quanto à parcela referente à amortização do diferido — dif. IPC/BTNF, cujo crédito glosado em 2004 foi de R$ 27.325.715,72, verificase às fls.29, no item 4, e às fls.31, 33 e 64, que o referido crédito foi registrado na parte “B” do LALUR, entre 1990 e 1994. Assim, tal parcela deve seguir a regra prevista no artigo 457 do RIR/99, pois, tais valores foram registrados na parte “B” do LALUR, após o balanço de 31 de dezembro de 1989. Tal regra prevê expressamente o limite temporal para as exclusões, devendo ser mantida a respectiva autuação. Quanto à parcela referente às despesas com depreciação — dif. IPC/BTNF, cujo crédito glosado em 2004 foi de R$11.730.839,24, verificase às fls.29, item 6, e fls.31, 33 e 64, que o referido crédito foi registrado na parte “B" do LALUR, entre 1990 e 1994. Assim, tal parcela deve seguir a regra prevista no artigo 457 do RIR/99, pois, tais valores foram registrados na parte “B" do LALUR, após o balanço de 31 de dezembro de 1989. Tal regra prevê expressamente o limite temporal para as exclusões, devendo ser mantida a respectiva autuação. Quanto à parcela referente à realização da parte da amortização — dif. IPC/BTNF, cujo crédito glosado em 2004 foi de R$ 26.487.488,78, verificase às fls.29, item 8, e fls.30, que o referido crédito foi registrado na parte “B" do LALUR, desde o balanço de 31 de dezembro de 1986. Portanto, tal parcela deve seguir a regra prevista no artigo 458, do RIR/99, que não prevê expressamente o limite temporal para as exclusões, devendo ser julgada improcedente a respectiva autuação. Quanto à parcela referente à baixa de bens — dif. IPC/BTNF, cujo crédito glosado em 2004 foi de R$ 510.786,25, verificase às fls.29, item 13, e fls.31 e 33, que o referido crédito foi registrado na parte “B" do LALUR, entre 1991 e 1993. Assim, tal parcela deve seguir a regra prevista no artigo 457 do RIR/99, pois, tais valores foram registrados na parte “B" do LALUR, após o balanço de 31 de dezembro de 1989. Tal regra prevê expressamente o limite temporal para as exclusões, devendo ser mantida a respectiva autuação. Do exposto, em relação à infração ao artigo 457 e parágrafos, do RIR/1999, a autuação no montante inicial de R$ 67.905.813,21, passa a ter o valor de R$ 39.567.341,21. De acordo com os fundamentos acima, ficou demonstrado que as parcelas de R$ 27.325.715,72, R$ 11.730.839,24 e R$ 510.786,25 não estavam registradas na parte “B” do LALUR em 31/12/1989, condição exigida para aplicação do art. 458 do RIR/99 e que não foi atendida pelo contribuinte. Assim, sobre essas parcelas aplicase o disposto no art. 457 do RIR/99, com limitação temporal para exclusão do lucro até 31/12/1998, e não no ano de 2004, como pretende a recorrente. Por fim, ressaltese que a falta de respaldo legal do limite temporal previsto no art. 457 do RIR/99, aventado pela defesa, não se sustenta. Isso porque a Lei nº 8.200, de 28 Fl. 837DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 838 19 de junho de 1991, que dispôs a respeito da correção monetária complementar/especial IPC/BTNF/1990, somente o fez em número reduzido de artigos, do 2º ao 4º, optando por remeter à regulamentação da matéria ao Poder Executivo por intermédio do seu art. 6º (Art. 6º O Poder Executivo regulamentará, no prazo de sessenta dias, o disposto nesta lei.), o que foi feito no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV da CRFB/88, com a edição do Decreto nº 332, de 2001 e, posteriormente, com a publicação do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999, atual Regulamento do Imposto de Renda, aplicado ao caso, nada podendo ser reclamado nesse sentido. Em razão do exposto, sobre essa infração, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir, da autuação de R$ 67.905.813,21, os valores de R$ 1.850.983,22 e de R$ 26.487.488,78. Infração ao artigo 273 do RIR/99 Segundo a autoridade fiscal, as exclusões relativas a “baixa no diferido lançado em lucros acumulados em 1990” e “receita a maior tributada em 1990 e estornada em lucros/prejuízos acumulados (LPA) em 1991”, poderiam ter sido incluídas no cálculo do lucro real dos anoscalendário de 1991 a 1994, de tal forma que integrariam o saldo de prejuízos fiscais acumulados. A partir do anocalendário de 1995, regra geral, seria vedada a compensação de prejuízos fiscais referente ao anocalendário de 1990, conforme caput do artigo 64 do DecretoLei 1.598/77, ou seja, se aplicaria a limitação para compensação dos prejuízos nos quatro períodosbase subsequentes. Nos termos do art. 273 do RIR/99, se as exclusões efetuadas (a partir de 1995) produzem efeito de reduzir indevidamente o valor do lucro real ou a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração, constituiriam fundamento para lançamento do imposto (fls.119). O acórdão recorrido entendeu que era de interesse da autuada, após verificar que apuraria prejuízos fiscais nos anos de 1990 e 1991, não utilizar os valores autuados para aumentar ainda mais os seus prejuízos, mas sim “guardar” estes valores que poderiam vir a ser utilizados a qualquer tempo, sem sofrer a limitação temporal de compensação de prejuízos (quatro anos) prevista na legislação à época. O recorrente alega que as parcelas excluídas representam valores que deveriam ter integrado o resultado em 1990, mas cujo efeito contábil só foi reconhecido em períodos posteriores, efetuandose o ajuste contábil diretamente nas contas de patrimônio líquido que controlavam os lucros anteriores. Acrescentou que tais despesas nunca transitaram pelo resultado contábil, fazendo com que o lucro apurado em 1990 ficasse inflado uma vez que as despesas, de competência daquele exercício, não foram registradas a tempo. Assim, optou por ajustar diretamente o patrimônio líquido, e promover o ajuste fiscal através da exclusão destas despesas em período posterior, extemporâneas. Sustenta, ainda, que eventuais prejuízos fiscais gerado pelo beneficiários do programa BEFIEX em 1991 poderiam ser compensados integralmente nos seis anoscalendário subseqüentes e o saldo não compensado nesse período estaria submetido à trava de 30% para compensação, sem limitação temporal. Sem razão à defesa. Inicialmente, cumpre esclarecer a natureza das duas parcela glosadas pelo fisco. Resposta do contribuinte ao Termo de Intimação nº 4, explicam melhor a que se referem essas parcelas, fls.53/54: Fl. 838DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 839 20 a) a exclusão no valor de R$ 25,327 milhões se refere às despesas diferidas correspondentes a gastos com projetos de expansão da companhia que não se concretizaram. Por esse motivo foi efetuado um Ajuste de Exercícios Anteriores contra LPA no anobase de 1991 para lançar a baixa dos referidos gastos do ativo diferido. Tendo em vista que o registro de despesas operacionais contra LPA não pode provocar efeito fiscal diverso do lançamento contra o resultado, a Intimada controlou o valor do ajuste na Parte B do LALUR e o excluiu em 2004; b) a exclusão de R$ 4,045 milhões se refere à atualização de contas a receber de clientes CAEEB por critério que não prevaleceu, o que gerou o registro contábil de receita a maior no anobase de 1990. Ao reavaliar tais créditos no anobase de. 1991, a Intimada procedeu ao ajuste do excesso de atualização monetária contra a conta de Ajuste de Exercícios Anteriores em LPA. Tendo em vista que a referida receita registrada a maior no anobase de 1990 foi oferecida à tributação do IRPJ, a sua baixa contra LPA gerou direito à exclusão que foi controlada na parte B do LALUR e excluída em 2004.” Como se percebe, o fato das parcelas “baixa no ativo diferido em 1991” e “receita a maior tributada em 1990” não terem transitado por conta de resultado nesses anos, mas por conta patrimonial de Lucros e Prejuízos AcumuladosLPA, acarretou distorção no lucro líquido, aumentandoo, pois a primeira parcela trata da não contabilização de uma despesa e a segunda trata da contabilização de uma receita não auferida. Por conseqüência, o prejuízo fiscal apurado no ano de 1991 acabou por ficar com valor menor do que seria na realidade. Já o art. 273 do RIR/99, base legal da autuação, assim dispõe: Seção VIII Inobservância do Regime de Competência Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 5º): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. § 1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 2º do art. 247 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 6º). § 2º O disposto no parágrafo anterior e no § 2º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido Fl. 839DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 840 21 postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 7º, e DecretoLei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16). (destaquei) Já o art. 247 do RIR/99 assim dispõe: Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1º). § 2º Os valores que, por competirem a outro período de apuração, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período de apuração competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente, observado o disposto no parágrafo seguinte (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 4º). § 3º Os valores controlados na parte "B" do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, existentes em 31 de dezembro de 1995, somente serão atualizados monetariamente até essa data, observada a legislação então vigente, ainda que venham a ser adicionados, excluídos ou compensados em períodos de apuração posteriores (Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º).(destaquei) A leitura do art. 273 acima transcrito permite concluir que o regime de competência na apuração das receitas e despesas deve ser adotado pela pessoa jurídica e o seu descumprimento constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, ou multa, se dela resultar: i) a “postergação do pagamento” do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido ou ii) a “redução indevida do lucro real” em qualquer período de apuração. No presente caso, restou claro que a não apropriação correta das parcelas “baixa no diferido lançado em lucros acumulados em 1990” e “receita a maior tributada em 1990 e estornada em lucros/prejuízos acumulados (LPA) em 1991” contribuíram para reduzir o lucro real em qualquer período de apuração, como de fato ocorreu em 2004, incidindo na hipótese o inciso II do art. 273 do RIR/99. Não bastasse isso, o Parecer Normativo nº 96/78 esclarece que o livro LALUR (ou os ajustes feitos na própria DIPJ, que é reflexo deste) não pode ser utilizado para nele serem consignadas “exclusões” que resultem da falta de registro, na escrituração comercial, de custos ou despesas operacionais, ou, ainda, as que tenham por objeto complementar valor da mesma natureza insuficientemente registrado (ex.: depreciações). Esclareçase que os valores que não podem ser excluídos do lucro líquido do exercício, na determinação do lucro real, são aqueles que, em virtude de natureza estritamente fiscal, não reúne requisitos para poderem ser registrados na escrituração comercial, tais como os Fl. 840DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 841 22 decorrente de depreciação acelerada incentivada e de exaustão mineral com base na receita bruta. Em outras palavras, o LALUR e a declaração DIPJ não se prestam para corrigir erros na escrituração comercial do contribuinte. Com efeito, o art. 6º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, ainda em vigor, assim dispõe: Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. § 1º O lucro líquido do exercício é a soma algébrica de lucro operacional (art. 11), dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária (art. 51) e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. § 2º Na determinação do lucro real serão adicionados ao lucro líquido do exercício: a) os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, devam ser computados na determinação do lucro real. § 3º Na determinação do lucro real poderão ser excluídos do lucro líquido do exercício: a) os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação tributária e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do exercício; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam computados no lucro real; c) os prejuízos de exercícios anteriores, observado o disposto no artigo 64. § 4º Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. Da leitura do dispositivo acima, depreendese que os valores que podem ser excluídos do lucro líquido do exercício, na determinação do lucro real, referidos, na letra "a" do § 3º do artigo 6º do Decretolei nº 1.598, de 1977, são aqueles que, em virtude de serem Fl. 841DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 842 23 dotados de natureza exclusivamente fiscal, não reúnem requisitos para poderem ser registrados na escrituração comercial, como por exemplo a depreciação acelerada incentivada já citada. No presente caso, a “baixa no diferido” em 1990 e “a receita tributada a maior” também no ano de 1990, deveriam ter sofrido as respectivas correções contábeis mediante estorno de receitas e de despesas dos registros contábeis incorretos, anulandose o efeito destes, e não simplesmente pretender ajustar o lucro contábil e, por conseqüência, o lucro real, via “exclusão”, em outro períodobase, de parcelas que sequer transitaram por contas de resultado da pessoa jurídica, como no caso ocorrido em 2004. Dessa forma, entendese correta a glosa das parcelas a título de “outras exclusões” efetuadas pelo contribuinte em 2004, feitas sem embasamento legal. Em relação à tese de que a não apropriação das receitas/despesas à época, visaram contornar a legislação de compensação de prejuízos fiscais, argumenta a defesa que, por ser beneficiária do programa BEFIEX, teria direito a compensação dos prejuízos fiscais em 2004. Inicialmente, cumpre esclarecer que os prejuízos fiscais apurados nos anos de 1990 e 1991 sofriam uma limitação temporal de quatro períodosbase para a sua compensação (art. 64 do Decretolei nº 1598/77). Com a publicação da Lei nº 9.065, de 1995, art. 15, deixou de existir essa limitação temporal, mas foi incluída uma limitação quantitativa para a compensação dos prejuízos, de trinta por cento do lucro líquido ajustado. Dito dispositivo legal encontrase regulamentado pelo art. 510 do RIR/99, abaixo transcrito: Prejuízos Fiscais Acumulados até 31 de dezembro de 1994 e Posteriores Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15). § 1º O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para compensação (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15, parágrafo único). § 2º Os saldos de prejuízos fiscais existentes em 31 de dezembro de 1994 são passíveis de compensação na forma deste artigo, independente do prazo previsto na legislação vigente à época de sua apuração. § 3º O limite previsto no caput não se aplica à hipótese de que trata o inciso I do art. 470. Vejase que a limitação quantitativa dos prejuízos prevista no caput do art. 510 foi excepcionada pelo seu § 3º, o que atingiu as empresas titulares do programa BEFIEX, Fl. 842DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 843 24 cuja compensação de prejuízos encontrase regulamentada pelo art. 470, inciso I do RIR/99, abaixo transcrito: Art. 470. Às empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação Comissão BEFIEX, poderão ser concedidos os seguintes benefícios, nas condições fixadas em regulamento (DecretoLei nº 2.433, de 1988, art. 8º, incisos III e V, e Lei nº 8.661, de 1993, art. 8º): I compensação de prejuízo fiscal verificado em um período de apuração com o lucro real determinado nos seis anos calendário subseqüentes independentemente da distribuição dos lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas, não estando submetida ao limite estabelecido no art. 510 (Lei nº 8.981, de 1995, art. 95, e Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º) (destaquei) Assim, conforme dispositivo acima transcrito, as empresas titulares do programa BEFIEX, aprovados até 3 de junho de 1993, poderiam efetuar a compensação de prejuízos fiscais nos seis anoscalendário subseqüentes, não estando submetidas ao limite estabelecido no art. 510 (trava de 30%). Expirado o prazo de seis anos, o beneficiário volta à regra geral da limitação percentual. Argumenta a recorrente que era irrelevante para a empresa ter utilizado os ajustes fiscais como exclusões ou prejuízos fiscais, pois como beneficiária do programa BEFIEX, não estava sujeita a nenhuma limitação quantitativa para aproveitamento desses prejuízos. A partir de 1996, a empresa teria seis anos para aproveitar integralmente seus prejuízos fiscais, e por isso pouco importaria ter feito exclusões ao lucro real. Deste modo, as exclusões que, no entender da fiscalização foram feitas a destempo, na pior das hipóteses gerariam apenas um saldo maior de prejuízos fiscais de anos anteriores dentro da regra do BEFIEX, de modo que o prazo de seis anos se renovaria, resultando na possibilidade de compensação integral destes prejuízos até o anocalendário de 2004, inclusive, quando foram promovidas as exclusões pretensamente glosadas. A tese levantada pela defesa de compensação integral de prejuízos, até o ano calendário de 2004, não se sustenta. Primeiramente, porque a defesa não comprovou nos autos a evolução dos valores de prejuízos fiscais apurados ao longo dos anos de 1990 a 2004, de modo a demonstrar que os valores de receitas e despesas, contabilizados erroneamente em 1990 e 1991, deixaram de causar postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido, nos termos do art. 273, I do RIR/99. Em segundo lugar, porque a fiscalização identificou que, em 2004, ao pretender excluir parcelas do lucro, que não transitaram por contas de resultado, o contribuinte o fez sem autorização legal/regulamentar, de modo que provocou a redução indevida do lucro real em nesse ano, nos termos do art. 273, II do RIR/99. Por último, porque a fiscalização identificou que as parcelas que reduziram o lucro real, a título de “outras exclusões”, não tinham fundamento legal para serem aceitas. A interessada, mesmo tendo informado na DIPJ que essas parcelas eram relativas à prejuízo Fl. 843DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 844 25 fiscal, esclareceu ao agente fiscal que se tratavam na verdade de “outras exclusões”, fls. 678. Portanto, se prejuízo fiscal não é, toda a discussão a respeito da possibilidade de fugir da limitação temporal de compensação de prejuízos fiscais, pelo fato de ser beneficiária do programa BEFIEX, é inócua e subsidiária em relação aos fundamentos da autuação. O cerne do litígio deve se ater em identificar se os valores de “outras exclusões” efetuadas em 2004, tinham suporte legal para serem feitas que, como se viu, não tinham. Por fim, o art. 247 trata do tratamento a ser dado no caso de ajustes do imposto em razão da adição ou exclusão ao lucro líquido de períodos de apuração inexatos. Alega o recorrente que estaria evidenciada a improcedência do crédito tributário exigido, por ofensa ao Parecer Normativo COSIT n° 02/96 e ao art. 273, § 1º, do RIR/99, já que foi dado à empresa tratamento de glosa de despesa, por falta de pagamento, quando se tratava, a rigor, de postergação de imposto devido, fls. 699. Assim se manifestou a recorrente, fls 698/699: “Este dispositivo [art. 273, § 1º, do RIR/99] exige que a fiscalização, ao entender que o contribuinte está se utilizando de um ajuste fiscal em momento distinto daquele que entender devido, não poderá simplesmente efetuar a glosa nos períodos de apuração analisados, mas deverá recompor todas as bases de apuração anteriores, de modo que os ajustes sejam feitos nos devidos períodos de competência. Esta regra deve necessariamente ser observada pela fiscalização, por força do Parecer Normativo COSIT n° 2/96: 8. Nos casos em que, no períodobase de competência no qual deveria ter sido reconhecida a receita, o rendimento ou o lucro ou para o qual houverem sido antecipados o custo e a despesa, as importâncias adicionadas não excedam o valor do prejuízo fiscal ou da base de cálculo negativa da contribuição social, apurado pela pessoa jurídica, os procedimentos mencionados devem prosseguir até o períodobase de término do prazo de postergação, tendo em vista que a redução dos prejuízos e da base de cálculo negativa pode configurar pagamento a menor de imposto ou contribuição social em períodobase subseqüente, cabendo a exigência da diferença de imposto ou contribuição não paga, com os correspondentes acréscimos legais.” Inicialmente, cumpre dizer que, diferentemente do alegado pela defesa, não foi dado tratamento de glosa de despesa na autuação. O próprio contribuinte reconheceu que informou na sua DIPJ prejuízos fiscais inexistentes, quando na verdade tratavase de “outras exclusões” ao lucro real originadas de adições de períodos anteriores a 2004, fls. 678. Entretanto, como se demonstrou neste voto, os valores de “outras exclusões”, reivindicadas pelo contribuinte para a apuração do lucro real em 2004, não tinham autorização legal para serem feitas. O Parecer Normativo COSIT n° 02/96 efetivamente esclarece o alcance dos arts. 247 e 273 do RIR/99. No entanto, referido parecer trata da postergação do pagamento de tributos e é inaplicável ao caso em análise. Isso se deve por que o normativo trata de reconhecimento, segundo o regime de competência, das receitas e despesas levadas ao resultado da pessoa jurídica e não de “outras exclusões” efetuadas na DIPJ/ LALUR, como é o caso que aqui se analisa. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15578.000812/200934 Acórdão n.º 1202001.036 S1C2T2 Fl. 845 26 Ademais, somente considerase postergada a parcela de imposto relativa a determinado período de apuração, quando efetiva e espontaneamente paga em período posterior àquele em que seria devido (PN COSIT nº 02/96, item 6.1). No caso, o contribuinte não logrou provar o efetivo pagamento do imposto, nos anos subseqüentes a 1990 e 1991, como prescreve o Parecer Normativo COSIT nº 02/1996, não podendo, dessa forma, ser aceita a alegação de que houve simples postergação de pagamento. A ocorrência de postergação no pagamento do imposto deve ser efetivamente demonstrada, não bastando a simples alegação de que a mesma teria ocorrido. Em vista do exposto, voto no sentido de que não se conheça da matéria relativa ao arrolamento de bens, de que seja rejeitada a preliminar de retificação do sujeito passivo para ArcelorMittal Brasil SA e, no mérito, que seja dado provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da autuação da infração ao art. 457 do RIR/99, os valores tributáveis de R$ 1.850.983,22 e de R$ 26.487.488,78. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 845DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 11065.914555/2009-49
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que reconheceu em parte o direito creditório e homologou a compensação até esse limite, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento.
Numero da decisão: 3803-004.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que reconheceu em parte o direito creditório e homologou a compensação até esse limite, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que reconheceu em parte o direito creditório e homologou a compensação até esse limite, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 45 55 /2 00 9- 49 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914555/200949 Acórdão n.º 3803004.385 S3TE03 Fl. 151 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Porto Alegre/RS que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado, relativo à contribuição para o PIS não cumulativa, no valor de R$ 11.387,60, e não homologara a respectiva declaração de compensação (PER/DCOMP), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação, alegando que teria ocorrido erro de fato no preenchimento das declarações (DCTF, DIPJ e Dacon), erros esses não saneados à época por meio de retificação. Alegou o então Manifestante que tal equívoco poderia ser comprovado em sua contabilidade, pois que a contribuição devida se encontraria devidamente escriturada, e que, em decorrência do princípio da verdade material, que autoriza a autoridade administrativa a considerar todas as provas produzidas no processo administrativo, ainda que não declaradas no momento próprio, os novos dados apontados deveriam ser considerados na apuração dos fatos efetivamente ocorridos. Junto à Manifestação de Inconformidade o contribuinte trouxe aos autos, dentre outras, cópias do comprovante de pagamento e de folha do seu livro Razão. Tendo sido detectados pela DRJ Porto Alegre/RS elementos indicadores da plausibilidade do erro de fato alegado, o presente processo foi remetido em diligência à repartição de origem, para que se analisasse e demonstrasse a composição da base de cálculo dos créditos referentes ao período de apuração sob comento. Em resposta à diligência requerida, a repartição de origem, a par dos esclarecimentos e documentos apresentados pelo interessado, concluiu que deveria ser glosado parte do montante do crédito declarado, relativo a fretes sobre importação, combustíveis, lubrificantes, manutenção, reposição e materiais de consumo, em razão de sua apropriação no ano anterior. Apurouse, também, que, de acordo com o Dacon, não existiriam créditos disponíveis provenientes dos meses anteriores, em razão do que o total de crédito pleiteado deveria ser reduzido. Cientificado do resultado da diligência, o contribuinte manifestouse no sentido de acolher a glosa parcial dos créditos referentes a fretes sobre importação, combustíveis, lubrificantes, manutenção, reposição e materiais de consumo, opondose apenas em relação à inexistência de saldo credor proveniente de meses anteriores, por entender que a autoridade preparadora não teria atendido plenamente ao pedido da Delegacia de Julgamento, tendo em vista que a diligência teria sido requerida justamente para comprovar sua alegação de erro de fato no preenchimento do Dacon. Junto a sua peça recursal, o contribuinte trouxe aos autos planilhas/fichas, com vistas a demonstrar a existência do crédito alegado. A DRJ Porto Alegre/RS acolheu em parte a manifestação de inconformidade, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914555/200949 Acórdão n.º 3803004.385 S3TE03 Fl. 152 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO CREDOR DISPONÍVEL DE PERÍODOS ANTERIORES. As retificações efetuadas ao longo do procedimento fiscal podem determinar a inexistência de créditos disponíveis provenientes dos meses anteriores, com a redução do total de créditos utilizáveis. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Apontou o relator a quo que o contribuinte concordara expressamente com parte do ajuste procedido pela Fiscalização, referente à glosa parcial de créditos apurados sobre fretes na importação, combustíveis, lubrificantes, manutenção, reposição e materiais de consumo, em razão do que a discussão sobre tal matéria teria se tornado definitiva na esfera administrativa. No que tange às alegações de erro de fato no preenchimento do Dacon e de existência de créditos disponíveis de períodos anteriores, destacou o relator que, ao contrário do que afirmara o interessado, a diligência realizada cumprira o que havia sido solicitado pela Delegacia de Julgamento, tendo sido realizado um extenso trabalho de auditoria, com análise de toda a documentação juntada pelo interessado. Afirmou, ainda, que a inexistência de créditos disponíveis provenientes dos meses anteriores, com a redução do total de créditos utilizáveis, seria consequência de todas as retificações efetuadas ao longo do procedimento fiscal, com glosa parcial ou total dos créditos solicitados em pedidos anteriores, do que decorreria a recomposição do saldo credor disponível nos meses seguintes. Cientificado da decisão da DRJ Porto Alegre/RS, o contribuinte reiterou seu pedido de reconhecimento total do direito creditório e respectiva homologação da compensação, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo ressaltado que, em outros processos, o direito creditório referente a meses anteriores havia sido reconhecido, tendo a diligência realizada neste processo se baseado apenas no Dacon, documento esse preenchido incorretamente, conforme já havia sido dito anteriormente. Argumentou, ainda, o Recorrente, que o documento apresentado junto à Manifestação de Inconformidade seria hábil para a demonstração da real extensão dos créditos devidos, documento esse desconsiderado pela autoridade preparadora. Junto ao recurso, o contribuinte trouxe aos autos cópias de decisões da DRJ Porto Alegre/RS que, segundo ele, demonstrariam o fato alegado de que o seu direito creditório já havia sido reconhecido em outros processos. É o relatório. Voto Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914555/200949 Acórdão n.º 3803004.385 S3TE03 Fl. 153 4 Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, restou controvertida nesta instância apenas a glosa de alegados créditos de meses anteriores que, segundo o Recorrente, teriam sido desconsiderados na realização da auditoria fiscal determinada pela DRJ Porto Alegre/RS por meio da conversão do julgamento em diligência. Alega o Recorrente, amparandose na afirmação do agente fiscal responsável pela auditoria de que o saldo de crédito de meses anteriores teria sido obtido no Dacon, que, agindo dessa forma, a Fiscalização não levara em conta o fato de que, conforme já havia sido dito, ocorreram erros no preenchimento das declarações anteriormente apresentadas. O relator do acórdão recorrido argumentou que a inexistência de saldo de crédito disponível proveniente dos meses anteriores seria consequência de todas as retificações efetuadas ao longo do procedimento fiscal, com glosa parcial ou total dos créditos solicitados em pedidos anteriores, do que decorreria a recomposição do saldo credor disponível nos meses seguintes. Para se contrapor a essa conclusão da DRJ Porto Alegre/RS, o Recorrente trouxe aos autos cópias de outras decisões da mesma Delegacia de Julgamento que, segundo ele, demonstrariam que, em outros processos, seu pleito teria sido plenamente atendido. Contudo, consultando as referidas decisões, é possível constatar que, naqueles processos, o mérito enfrentado fora outro, ora se referindo ao alargamento da base de cálculo da contribuição procedido pela Lei nº 9.718, de 1988, já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ora se reportando a crédito confirmado em sua totalidade pela repartição de origem. No presente caso, é possível constatar que, na realização da diligência, a Fiscalização não adotou simplesmente o que havia sido declarado em Dacon, pois, conforme se verifica das planilhas então elaboradas, os valores declarados pelo contribuinte em meses anteriores não coincidiram com os verificados pela Fiscalização, fato esse que, por si só, já afasta a alegação do Recorrente. Além disso, o Recorrente se defende de forma genérica, não apontando especificamente que dados não foram considerados pela Fiscalização, reportandose tão somente às planilhas e fichas apresentadas juntamente com a Manifestação de Inconformidade, sem identificar a origem dos erros alegados. Nas referidas planilhas/fichas relativas aos meses anteriores, se identificam valores da contribuição a pagar em montante superior aos créditos apurados, o que em nada corrobora com a tese defendida pelo Recorrente, por falta de demonstração e de prova do erro alegado. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, desenvolvendose a atividade probatória nos limites do pedido formulado pelo contribuinte. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914555/200949 Acórdão n.º 3803004.385 S3TE03 Fl. 154 5 O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que reconheceu apenas em parte o direito creditório e homologou a compensação até esse limite, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência requerida pela DRJ Porto Alegre/RS. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/19721, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914555/200949 Acórdão n.º 3803004.385 S3TE03 Fl. 155 6 tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada em ampla auditoria fiscal. O contribuinte, no momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, trouxe aos autos apenas as planilhas e as fichas acima abordadas, mas desacompanhadas de qualquer elemento de sua escrituração contábilfiscal que pudesse infirmar as conclusões da Fiscalização. No Recurso Voluntário, quando já poderia ter robustecido sua defesa com a demonstração do erro alegado e a apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos, o contribuinte nada traz aos autos, salvo cópias de decisões da DRJ Porto Alegre/RS, versando sobre matérias que não coincidem com o objeto controvertido neste processo. Nesse contexto, por ausência de prova da existência do crédito reclamado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11020.002123/2007-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ADMISSIBILIDADE.
Segundo o Regimento Interno do CARF, não se admitem embargos declaratórios fundados em erro de direito contido na decisão recorrida.
Numero da decisão: 1201-000.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos declaratórios.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram da presente Sessão de Julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (Suplente convocado), Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ADMISSIBILIDADE. Segundo o Regimento Interno do CARF, não se admitem embargos declaratórios fundados em erro de direito contido na decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos declaratórios. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da presente Sessão de Julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (Suplente convocado), Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional com fulcro no art. 65 do Regimento Interno deste Colegiado, contra o acórdão nº 120100.712, da lavra desta Turma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 21 23 /2 00 7- 48 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11020.002123/200748 Acórdão n.º 1201000.880 S1C2T1 Fl. 3 2 Alega a Fazenda Nacional que o acórdão embargado incorreu em contradição entre a decisão e seus fundamentos, pois, em que pese haver adotado o entendimento do STF no âmbito do recurso extraordinário nº 566.621/RS, segundo o qual o prazo para repetição de indébito é de dez anos contados do fato gerador para processos ajuizados antes de 09/06/2005, e de cinco anos contados do pagamento indevido para processos ajuizados a partir daquela data, aplicou o prazo decenal contado a partir dos pagamentos indevidos realizados pela recorrente antes de 09/06/2005. Diz ainda que referida contradição pode ser entendida, alternativamente, como erro de fato. Realizado o exame de sua admissibilidade, os embargos declaratórios estão sendo submetidos à deliberação da Turma. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Regra de Transição do Prazo Prescricional para Repetição do Indébito Antes do advento da Lei Complementar nº 118/2005, o STJ, interpretando os arts. 150 e 168 do CTN, firmou entendimento de que relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para pleitearse a restituição de indébitos tributários prescrevia em dez anos contados a partir da data de ocorrência do fato gerador. Com o advento da referida Lei Complementar, o STJ, considerando inconstitucional o seu art. 4º, parte final, e por analogia ao disposto no art. 2.028 do Novo Código Civil, entendeu que a regra anterior continuaria valendo para os pagamentos indevidos realizados antes de 09/06/2005 (data em que entrou em vigor a nova lei), desde que, naquela data, já houvesse transcorrido mais de metade do prazo prescricional previsto na lei anterior. Confirase abaixo a ementa ao Agravo Regimental ao REsp nº 1.002.932/SP: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ARTIGO 3º, DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. JULGAMENTO, PELA PRIMEIRA SEÇÃO, DO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (RESP 1.002.932/SP). HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. ARTIGO 20, § 4º, DO CPC. APRECIAÇÃO EQÜITATIVA. 1. O prazo prescricional das ações de compensação/repetição de indébito de tributo sujeito a lançamento por homologação, do ponto de vista prático, deve ser contado da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da Lei Complementar 118/2005 (09.06.05), o prazo para se pleitear a restituição é de cinco anos a contar da data do recolhimento indevido; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, Fl. 128DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11020.002123/200748 Acórdão n.º 1201000.880 S1C2T1 Fl. 4 3 limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da novel lei complementar (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: RESP 1.002.932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25.11.2009). 2. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644.736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 3. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida. 4. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 5. Por outro lado, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. (...) O STF, entretanto, adotou posicionamento diverso acerca da regra de transição, qual seja, que a lei antiga somente poderia ser aplicada às ações de repetição de indébito ajuizadas antes de 09/06/2005, haja vista o vacatio legis de 120 dias concedido pelo legislador complementar. É a seguinte a ementa ao RE 566.621/RS: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora Fl. 129DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11020.002123/200748 Acórdão n.º 1201000.880 S1C2T1 Fl. 5 4 tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Revendo o meu posicionamento quando do exame da admissibilidade dos presentes embargos, entendo agora que esse vício não pode ser caracterizado nem como uma contradição entre o acórdão e seus fundamentos e nem como um erro de fato. Ocorreram aqui dois erros de direito. O primeiro consistiu em o acórdão embargado haver adotado, com base do art. 62A do Regimento do CARF, o posicionamento do STJ sobre o assunto, quando o correto seria empregar o entendimento do STF. O segundo consistiu em, mesmo havendo adotado o entendimento do STJ, não ter observado corretamente a regra de transição estabelecida na decisão daquela Corte, conforme se observa no trecho do voto do acórdão embargado abaixo transcrito: Conforme se observa nos autos do processo, em 27/07/2007 o sujeito passivo pediu a restituição de pagamentos realizados entre 12/03/2001 e 12/06/2002 a título de Simples Federal, sob a alegação de têlos feito indevidamente. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11020.002123/200748 Acórdão n.º 1201000.880 S1C2T1 Fl. 6 5 De acordo com o aludido entendimento do STJ, ao qual este Conselho encontrase vinculado, e tendo em conta que os pagamentos acima apontados foram realizados antes de 09/06/2005, data em que entrou em vigor a Lei Complementar nº 118/2005, o termo final para que a contribuinte pleiteasse a restituição daqueles tributos será de dez anos contados da data do pagamento indevido ou a maior, não podendo tal termo final ser posterior a 09/06/2010. Como o pagamento mais antigo foi realizado em 12/03/2001, e o pedido de restituição em 27/07/2007, não há que se falar em prescrição do pleito. Realmente, no caso do presente processo, entre 28/02/2001, data do fato gerador mais antigo (fl. 1 e ss.), e 09/06/2005, data em que a lei nova entrou em vigor, transcorreram menos do que cinco anos, ou seja, menos de metade do prazo prescricional de dez anos previsto na lei antiga. E para o fato gerador mais recente, ocorrido em 31/05/2002, transcorreu tempo ainda menor. Em assim sendo, segundo o art. 2.028 do Novo Código Civil, adotado pelo STJ, o acórdão embargado deveria ter empregado o prazo prescricional previsto na lei nova para todos os pagamentos indevidos objeto do pedido de restituição. E pela lei nova, relativamente ao fato gerador mais antigo, o termo final para o pedido de restituição se deu em 28/02/2006. Quanto ao fato gerador mais recente, o termo final para o pedido de restituição se deu em 31/05/2007. Como a interessada somente protocolou o pedido em 23/07/2007, é de se concluir que nesta data já havia se verificado a prescrição para todos os indébitos contidos no pedido de restituição. Os erros de direito, todavia, não podem ser sanados na estreita via dos embargos declaratórios. 2) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por rejeitar os embargos declaratórios. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 131DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 15215.720006/2012-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2008 a 30/01/2009
DESISTÊNCIA.
Em qualquer fase processual, ainda que já proferido acórdão pelas turmas do CARF, é facultado ao recorrente desistir do recurso interposto.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2402-003.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para tornar sem efeito o acórdão embargado e homologar a desistência.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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score : 1.0
Numero do processo: 10510.004193/2008-37
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2000 a 31/05/2010
INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP.
Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999.
AUTO DE INFRAÇÃO. RECLASSIFICAÇÃO DE SAT NÃO FUNDAMENTADA NOS AUTO DE INFRAÇÃO. ATIVIDADE PREPONDERANTE PELO NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS. FISCALIZAÇÃO IN LOCO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL.
O re-enquadramento de alíquota do SAT realizada pela fiscalização deve ser motivada com demonstração fática da atividade preponderante dos estabelecimentos na correspondência do número dos seus funcionários em cada atividade. A ausência de análise in loco é causa de nulidade por vício material.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, deve-se aplicar a norma mais benigna ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reformar a decisão a quo e o lançamento em questão para: a) decretar a sua nulidade parcial e dos créditos lançados a título de diferença de enquadramento (re-enquadramento) das alíquotas de SAT, por vicio material; b) que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32-A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§1º e 3º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, vedada a interpretação conjunta com os artigos 35-A da Lei n. 11.941/2009. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, quanto à alíquota SAT.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2000 a 31/05/2010 INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999. AUTO DE INFRAÇÃO. RECLASSIFICAÇÃO DE SAT NÃO FUNDAMENTADA NOS AUTO DE INFRAÇÃO. ATIVIDADE PREPONDERANTE PELO NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS. FISCALIZAÇÃO IN LOCO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. O re-enquadramento de alíquota do SAT realizada pela fiscalização deve ser motivada com demonstração fática da atividade preponderante dos estabelecimentos na correspondência do número dos seus funcionários em cada atividade. A ausência de análise in loco é causa de nulidade por vício material. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, deve-se aplicar a norma mais benigna ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reformar a decisão a quo e o lançamento em questão para: a) decretar a sua nulidade parcial e dos créditos lançados a título de diferença de enquadramento (re-enquadramento) das alíquotas de SAT, por vicio material; b) que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32-A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§1º e 3º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, vedada a interpretação conjunta com os artigos 35-A da Lei n. 11.941/2009. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, quanto à alíquota SAT. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
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Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999. AUTO DE INFRAÇÃO. RECLASSIFICAÇÃO DE SAT NÃO FUNDAMENTADA NOS AUTO DE INFRAÇÃO. ATIVIDADE PREPONDERANTE PELO NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS. FISCALIZAÇÃO IN LOCO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. O reenquadramento de alíquota do SAT realizada pela fiscalização deve ser motivada com demonstração fática da atividade preponderante dos estabelecimentos na correspondência do número dos seus funcionários em cada atividade. A ausência de análise in loco é causa de nulidade por vício material. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, devese aplicar a norma mais benigna ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reformar a decisão a quo e o lançamento em questão para: a) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 41 93 /2 00 8- 37 Fl. 697DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.004193/200837 Acórdão n.º 2803002.449 S2TE03 Fl. 688 2 decretar a sua nulidade parcial e dos créditos lançados a título de diferença de enquadramento (reenquadramento) das alíquotas de SAT, por vicio material; b) que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§1º e 3º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, vedada a interpretação conjunta com os artigos 35A da Lei n. 11.941/2009. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, quanto à alíquota SAT. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.004193/200837 Acórdão n.º 2803002.449 S2TE03 Fl. 689 3 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.247290) foi interposto contra decisão da DRJ(fls. 236242 do processo digital), que manteve parcialmente o crédito tributário oriundo da aplicação de multa por descumprimento do disposto no art. 32, IV, §§ 1o e 3o, da Lei n. 8.2121991, por ter deixado de informar em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social – GFIP, nas competências 01.2004 a 12.2004, a totalidade das remunerações pagas a segurados empregados, a contribuintes individuais, e por serviços prestados por cooperados mediante cooperativa de trabalho e contribuições descontadas de segurados que lhe prestaram serviço. A ciência do auto de infração inaugural foi em 02.09.2008 (fls. 01). Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: indevido reenquadramento das alíquotas do SAT/RAT e que o pagamento de jeton somente sofreria a incidência de contribuições previdenciárias caso os beneficiários não fossem vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social, o que não seria o caso dos autos. Esse é o relatório. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.004193/200837 Acórdão n.º 2803002.449 S2TE03 Fl. 690 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato 1 Preliminarmente, o Recurso Voluntário é tempestivo, logo atendendo o requisito de admissibilidade, merecendo ser conhecido. 2 – Quanto à alegações contrárias à reclassificação das alíquotas da contribuinte para fins de SAT (de 1% a 3%), mesmo que fosse apenas analisando exclusivamente em razão do CNAE, conforme Anexo V Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco (Conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas) do RPS, alterado pelo Decreto nº 6.042, de 12 de fevereiro de 2007, estaria incorreta. Nos autos, ficou comprovado, inclusive com reconhecimento da decisão recorrida (fls. 676) e trazidos com a impugnação (fls. 128138), que no período autuado a contribuinte tinha em seu quadro de funcionários 264 funcionários na atividade meio (administrativa) e 256 na atividade fim (apóio agropecuário). Ainda, o relatório fiscal, sequer indica quais seriam os CNAE que tomou por base o reenquadramento. Como prevê a própria legislação, o enquadramento e reenquadramento da atividade econômica da empresa para fins SAT tem como base a atividade laboral exercida pela preponderância dos seus empregados da empresa como um todo. Quanto à aplicação das alíquotas do Seguro de Acidente do Trabalho – SAT, conforme o art. 22, II, da Lei n. 8.212/1991, o voto do Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, desta mesma Turma Especial, no julgamento do Recurso Voluntário n. 257.987, do processo n. 11020.000119/200826, é o norte da presente decisão: Segundo o magistério da professora Cláudia Salles Vilela Vianna (in Previdência Social – Custeio e Benefícios. – São Paulo : LTr. 2005. páginas 218 / 220), a partir da competência julho/2007, a atividade preponderante da empresa, para fins de enquadramento na alíquota de grau de risco destinada a arrecadar recursos para custear o financiamento dos benefícios concedidos em razão de maior incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho, é aquela que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Para a realização do autoenquadramento, deverá o empregador, portanto, obedecer às seguintes disposições, notadamente em relação a empresa com mais de um estabelecimento e diversas atividades econômicas, como é o caso da Recorrente: Inicialmente, deverá se enquadrar por estabelecimento, em cada uma das atividades econômicas existentes, prevalecendo como preponderante aquela que tiver o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.004193/200837 Acórdão n.º 2803002.449 S2TE03 Fl. 691 5 Em seguida, comparará os enquadramentos dos estabelecimentos para definir o enquadramento da empresa, cuja atividade preponderante será, então, aquela que tiver o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, apurada dentre todos os seus estabelecimentos. A título de exemplo, imaginemos uma empresa com mais de um estabelecimento, como matriz e filiais, que têm o mesmo CNPJ raiz. Chamaremos de Estabelecimentos 01, 02, e 03. O Estabelecimento 01 tem a atividade “A” com 10 (dez) empregados, a atividade “B” com 15 (quinze) empregados e a atividade “C” com 20 (vinte) empregados. A atividade preponderante do Estabelecimento 01 é a “C”, com 20 (vinte) empregados. Continuando o mesmo exemplo imaginemos que o Estabelecimento 02 tem a atividade “D” com 25 (vinte e cinco) empregados, a atividade “E” com 05 (cinco) empregados e a atividade “F” com 15 (quinze) empregados. Assim, a atividade preponderante no Estabelecimento 02 é a “D”, com 25 (vinte e cinco) empregados. Finalmente, o Estabelecimento 03 tem a atividade “G” com 10 (dez) empregados, a atividade “H” com 20 (vinte) empregados e a atividade “I” com 15 (quinze) empregados. A atividade preponderante no Estabelecimento 03 é a “H”, com 20 (vinte) empregados. A conclusão a que se chega do exemplo acima é que a ATIVIDADE PREPONDERANTE NA EMPRESA É A “D”, COM 25 EMPREGADOS. Assim sendo, percebese que a fórmula acima é que deve ser utilizada para se determinar a atividade preponderante relativamente ao correto enquadramento no grau de risco, metodologia que foi totalmente ignorada pela fiscalização, conforme comprova o subitem 3.3.2 do Relatório Fiscal (fls. 689). Ao realizar o enquadramento de ofício somente porque, em tese, preponderariam as atividades referentes às CNAE`s sob os códigos 85111, 85120, 85138 e 85146, efetivamente, não nos parece ser a maneira mais correta de aferição para sustentar o lançamento. O fisco para realizar o enquadramento de ofício deveria ter verificado, in loco, no caso a empresa como um todo, incluindo aí o hospital, as diversas atividades existentes nos estabelecimentos da recorrente, e não arbitrar utilizando a CNAE como elemento suficiente para se cumprir seu mister. No que diz respeito à Classificação Nacional de Atividades Econômica CNAE, segundo a apresentação constante do site da RFB (www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/CNAEFiscal/txtcna e.htm), a CNAEFiscal é o instrumento de padronização Fl. 701DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.004193/200837 Acórdão n.º 2803002.449 S2TE03 Fl. 692 6 nacional dos códigos de atividade econômica e dos critérios de enquadramento utilizados pelos diversos órgãos da Administração Tributária do país. Tratase de um detalhamento da CNAE Classificação Nacional de Atividades Econômicas, aplicada a todos os agentes econômicos que estão engajados na produção de bens e serviços, podendo compreender estabelecimentos de empresas privadas ou públicas, estabelecimentos agrícolas, organismos públicos e privados, instituições sem fins lucrativos e agentes autônomos (pessoa física). A CNAE Fiscal resulta de um trabalho conjunto das três esferas de governo, elaborada sob a coordenação da Receita Federal do Brasil e orientação técnica do IBGE, com representantes da União, dos Estados e dos Municípios, na Subcomissão Técnica da CNAE Fiscal, que atua em caráter permanente no âmbito da Comissão Nacional de Classificação CONCLA. A tabela de códigos e denominações da CNAE Fiscal foi oficializada mediante publicação no DOU Resolução IBGE/CONCLA 01 de 25/06/98 e atualizações posteriores. Sua estrutura hierárquica mantém a mesma estrutura da CNAE (5 dígitos), adicionando um nível hierárquico a partir de detalhamento de classes da CNAE, com 07 dígitos, específico para atender necessidades da organização dos Cadastros de Pessoas Jurídicas no âmbito da Administração Tributária. Na Receita Federal do Brasil, a CNAE Fiscal é o código a ser informado na Ficha Cadastral de Pessoa Jurídica (FCPJ) que alimentará o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica/CNPJ. A responsabilidade em relação à gestão e manutenção da CNAE está a cargo do IBGE, a partir das deliberações da Comissão Nacional de Classificação CONCLA. Das definições e responsabilidades acima mencionadas, restou evidenciado que as possibilidades aventadas pela fiscalização e também pela i. Relatora são totalmente incompatíveis com a realidade fática das empresas de um modo geral. No que concerne à responsabilidade mensal pelo enquadramento no grau de risco, observada a atividade econômica preponderante, a legislação previdenciária determinou que tal função está a cargo do próprio sujeito passivo, cabendo ao fisco rever o autoenquadramento em qualquer tempo. Ora, querer atribuir ao sujeito passivo o ônus tributário pretendido somente porque ele tem a responsabilidade de realizar o enquadramento mensal no grau de risco e utilizar a CNAE Fiscal como balizador de tal obrigação é, sem dúvida, querer ignorar completamente o princípio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.004193/200837 Acórdão n.º 2803002.449 S2TE03 Fl. 693 7 O enquadramento na CNAE é realizado uma única vez quando a empresa faz seu cadastramento no CNPJ do Ministério da Fazenda. Depois disto, haverá modificações somente na hipótese de alteração da sua natureza jurídica. Destarte, não resta nenhuma dúvida em relação à impossibilidade de a empresa, mensalmente, alterar suas informações cadastrais na CNAE, como é de sua responsabilidade, ao contrário, a realização de seu enquadramento no grau de risco, observandose, como já mencionado, a sua atividade econômica preponderante. Para deixar bem clara a impossibilidade de respaldar a pretensão do fisco, tomamos como exemplo uma empresa da indústria da construção civil, cujo grau de risco é o máximo (3%). Nesse caso, é correto afirmar que tal empresa poderá em algum momento de sua existência estar sem qualquer obra em curso. No entanto, os empregados da área administrativa e diretiva são mantidos e estão aguardando a contratação de novos empreendimentos. De acordo com o entendimento do fisco, no exemplo acima, tendo em vista a CNAE da empresa de construção civil, o enquadramento teria que ser aquele de grau máximo, ou seja, de 3% (três por cento). Todavia, seguindo as determinações da legislação previdenciária, caso a empresa tenha realizado o enquadramento mensal em grau de risco distinto do máximo, não há que se falar em revisão do autoenquadramento embasado apenas na CNAE. Destarte, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso apresentado pelo contribuinte, excluindo do lançamento o acréscimo de alíquota em razão do reenquadramento efetuado pela Autoridade Fiscal relativamente ao SAT/RAT. Em adição de tais argumentos, da mesma forma que está ratificado pelo PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120/2011 (ATO DECLARATÓRIO Nº 11 /2011), observando a necessidade de uma fiscalização em loco exigida ao caso, fato que sequer há comentários sobre sua ocorrência, da mesma forma que não indica quais seriam as bases para seu re enquadramento (não indica o CNAE utilizado), verificase uma afronta ao que dispõe os artigos 142 e 147 do CTN, bem como dos artigos 33, §§ 3º e 6º, da Lei n. 8.212/1991, que exigem a demonstração pela fiscalização dos fatos precisos que motivaram o desenquadramento da situação anterior do SAT, bem como afeta diretamente a constituição da norma de incidência tributária na formação de sua alíquota (elemento quantitativo), sob pena de haver, no mínimo, uma nulidade por vício material do crédito lançado. Dessa forma, o lançamento de crédito por descumprimento a obrigação acessória disposta no art. 32, IV, da Lei n. 8.212/1991, referente suposta diferença de alíquota de SAT, é indevido, pois não fora comprovado o descumprimento. Assim, deve ser cancelada, por nulidade material, a parcela do crédito lançado com base na diferença de alíquota de SAT. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.004193/200837 Acórdão n.º 2803002.449 S2TE03 Fl. 694 8 3. Quanto às alegações de que não incidiria a contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de jeton à diretores que eram funcionários do Estado que recolhiam ao Regime Próprio de Previdência Social, excluindose do disposto do art. 12, I, g, da Lei n. 8.212/1991, não há como reconhecer o provimento. A razão da negativa está na ausência de provas nos autos de que os diretores enumerados no auto de infração seriam segurados de Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Sergipe, o que lhe era facultado pelo art. 16, do Dec. 70235. 4. Todavia, por dever de ofício, ao se verificar a multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, §5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, devese atentar às alterações legais implementadas por esta e sua lei de conversão (Lei n. 11.941/2009), que revogou os parágrafos e incluiu o art 32A, I,. Recentemente, as normas sancionatórias relativas à GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, e provavelmente beneficiam a Recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 704DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.004193/200837 Acórdão n.º 2803002.449 S2TE03 Fl. 695 9 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Devido ao disposto no art. 112, IV, do CTN, a legislação tributária que define as infrações e comina suas penalidades deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte em casos de dúvidas quanto à natureza das infrações e suas penalidades. Interpretação que deve ser conjugada com a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, a e c, do CTN, de forma a reduzir ou extinguir penalidades sempre quando lei posterior estabeleça pena menos grave ou não entenda mais como infração tal conduta. Portanto, também deve ser colocado como premissa, que além de retroagir a aplicação de dispositivo legal mais favorável essa retroação também deve sempre buscar uma aplicação mais favorável ao contribuinte. Assim, em razão do princípio da retroatividade benigna (art. 106, do CTN), como o entendimento que a aplicação da sanção deve ser regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º da Lei n. 8.212/1991, com Fl. 705DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.004193/200837 Acórdão n.º 2803002.449 S2TE03 Fl. 696 10 redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, vedada a interpretação conjunta com os artigos 35A da Lei n. 11.941/2009. 4. Conclusão Isso posto, meu voto é para CONHECER O RECURSO VOLUNTÁRIO, CONCEDENDO PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de reformar a decisão a quo e o lançamento em questão para: a) decretar a sua nulidade parcial e dos créditos lançados a título de diferença de enquadramento (reenquadramento) das alíquotas de SAT, por vicio material; b) que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32 A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§1º e 3º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, , vedada a interpretação conjunta com os artigos 35 A da Lei n. 11.941/2009. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 706DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 19515.001161/2010-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 05/05/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO III, LEI Nº 8.212/91.
Constitui fato gerador de multa deixar o contribuinte de prestar ao Fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários ao regular desenvolvimento da fiscalização.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO III, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa deixar o contribuinte de prestar ao Fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários ao regular desenvolvimento da fiscalização. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 11 61 /2 01 0- 29 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.001161/201029 Acórdão n.º 2401003.124 S2C4T1 Fl. 402 3 Relatório COOPERATIVA DE TRABALHO EM GESTÃO INTEGRADA DE NEGÓCIOS E SERVIÇOS, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 14a Turma da DRJ em São Paulo/SP I, Acórdão nº 1630.378/2011, às fls. 218/236 que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a contribuinte, com fulcro no artigo 32, inciso III e parágrafo 11o, da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela MP n° 449/2008), c/c artigo 225, inciso III, do RPS, por ter deixado de apresentar os documentos e informações solicitadas pelo fisco durante a ação fiscal, muito embora devidamente intimada para tanto mediante TIAD’s constantes dos autos, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 06/07, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração (Descumprimento de Obrigação Acessória), lavrado em 07/05/2010, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 14.107,77 (Quatorze mil, cento e sete reais e setenta e sete centavos), com base nos artigos 283, inciso II, alínea “b”, c/c 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. De conformidade com o Relatório Fiscal, apesar de intimada e reintimada, a contribuinte deixou de apresentar os documentos/recibos, lançados em seus Livros Diários referente pagamentos a contribuintes individuais (cooperados), bem como a relação individualizada dos segurados (Nome, CPF, PIS, Valor pago, Valor retido INSS). Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 239/352, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pugna pela decretação da nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o princípio da verdade material, bem como o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da notificada, baseando a notificação em meras presunções. Explicita que em 08 de setembro de 2008, às 11:40 horas teve todas suas instalações alagadas em decorrência de um grande vazamento no andar superior do prédio onde se encontrava sediada, o que acarretou o perdimento de todos os seus computadores, softwares e hardwares, bem como grande parte de documentos contábeis, fiscais, comerciais e societários, conforme se constata da Certidão de Sinistro n° 208/2008, do Corpo de Bombeiros Metropolitano – PM do Estado de São Paulo, de 23/09/2008, e Boletim de Ocorrência n° 7284/2008, lavrado pela 96a Delegacia Policial – Monções, associados às fotos demonstrando a destruição das instalações, razão pela qual restou impossibilitada de apresentar à fiscalização a documentação solicitada, não podendo se cogitar, portanto, no arbitramento procedido pelo Fisco. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Contrapõese ao arbitramento levado a efeito pelo fiscal autuante, alegando que referido procedimento só pode ser adotado em casos excepcionais de escrita imprestável ou ausência de apresentação de documentos, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, onde a contribuinte somente não colocou a disposição a contabilidade em razão do sinistro ocorrido em sua sede, constituindose como fato involuntário (caso fortuito). Em defesa de sua pretensão traz à colação doutrina e jurisprudência a propósito da matéria, corroborando seu entendimento. Após breve relato das fases e fatos ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, transcrevendo, inclusive, a íntegra das decisões de primeira instância, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, notadamente em relação ao arbitramento utilizado na constituição do crédito previdenciário, alegando ser totalmente arbitrário, injustificado e imotivado, sobretudo quando desconsiderou o Livro Diário, as GFIP’s e DIPJ’s apresentadas pela contribuinte. Assevera que a contribuinte nunca se recusou a prestar os esclarecimentos e documentos solicitados pela fiscalização no decorrer da ação fiscal, não se justificando a constituição do crédito previdenciário a partir de presunções (arbitramento) em detrimento da documentação ofertada pela notificada, sendo dever do fisco comprovar a efetiva ocorrência do fato gerador do tributo ora lançado. Sustenta que as contribuições previdenciárias ora lançadas admitiram como base valores concernentes às “sobras”, que se caracterizam como direitos dos cooperados proporcionalmente às operações que realizam com a Cooperativa. A fazer prevalecer sua pretensão, traz à colação legislação, doutrina e jurisprudência no sentido de que referidas “sobras” não são tributadas. Aduz que apurandose saldo positivo, resultante da liquidação dos valores obtidos pelos serviços prestados por atos cooperados, a sobra correspondente poderá ser distribuída aos cooperados, na proporcionalidade de sua produção. A sociedade poderá ainda, por decisão de seus associados capitalizar o valor das sobras, de acordo com o que deliberado em Assembléia Geral. A distribuição de sobras equivale à devolução aos cooperados dos recursos não utilizados pela sociedade cooperativa. Arremata, argumentando que os serviços caracterizadores do ato cooperativo trazem proveio aos associados e sobre os mesmos não há incidência tributária, por serem serviços prestados diretamente pelos próprios cooperados, em decorrência de típico ato cooperativo. Explicita a sua natureza jurídica, as atividades desenvolvidas, atos constitutivos, objeto social, bem como o seu histórico, esclarecendo, ainda, que as cooperativas regemse pela Lei n° 5.764/71, para concluir a recorrente é uma cooperativa de profissionais liberais e autônomos e seus cooperados são consultores nas áreas de Tecnologia, Informática, Telemarketing, Telecomunicações e Gestão Integrada. Opõese ao vínculo empregatício atribuído pela fiscalização entre a recorrente e seus cooperados, os quais não podem ser considerados como empregados da cooperativa, uma vez que não percebem salário e, por conseguinte, não recebem décimo terceiro salário. Alega que os cooperados, na condição de autônomos, recebem adiantamento mensal variável das sobras resultantes do seu trabalho, enquanto que o empregado recebe um salário e é um subordinado à empresa e a um empregador. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.001161/201029 Acórdão n.º 2401003.124 S2C4T1 Fl. 403 5 Defende ser lícito à cooperativa oferecer aos cooperados benefícios, tais como alimentação, saúde, cultura, educação, desenvolvimento profissional, lazer, auxílio creche, etc, sem que se incluam em suas remunerações, mormente quando serão deduzidos dos créditos ou sobras a serem pagas ao cooperado que deles se beneficiou. Relativamente aos Autos de Infração n°s 37.259.9478, 37.259.9486, 37.259.9494 e 37.259.9508, pretende sejam afastadas a penalidades aplicadas, fundadas falta de apresentação, dentro do prazo legal, dos documentos solicitados e informações cadastrais, tendo em vista ter comprovado a impossibilidade absoluta de cumprimento da intimação fiscal por conta do sinistro ocorrido na sede da empresa. Quanto ao Auto de Infração n° 37.259.9516 (AI 68), contemplando a ausência de informação em GFIP dos fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas, alegar ser totalmente improcedente uma vez que o Auditor Fiscal quer equiparar os valores recebidos por cooperados a salários pagos a colaboradores com vínculo empregatício (empregados). Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar os Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE NULIDADE Preliminarmente, pugna a contribuinte pela decretação da nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram as autuações, contrariando a legislação de regência, notadamente o artigo 142 do CTN e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento não apresenta qualquer vício de motivação capaz de ensejar a sua nulidade, seja de natureza material ou formal, ao contrário do que sustenta a recorrente. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que ocorrera com o presente lançamento. A simples leitura dos anexos da autuação, especialmente o “Relatório da Infração”, às fls. 06, e “Relatório Fiscal da Aplicação da Multa”, às fls. 07, não deixa margem de dúvida, recomendando o não acolhimento da nulidade suscitada, uma vez informarem que a contribuinte deixou de apresentar a documentação solicitada pela fiscalização, mais precisamente os documentos/recibos, lançados em seus Livros Diários referente pagamentos a contribuintes individuais (cooperados), bem como a relação individualizada dos segurados (Nome, CPF, PIS, Valor pago, Valor retido INSS, infringindo o disposto no artigo 32, inciso III, parágrafo 11o, da Lei nº 8.212/91, constituindose crédito previdenciário decorrente de multa aplicada nos termos do artigo 283, inciso II, alínea “b”, do RPS, que assim prescrevem: “ Lei nº 8.212/91 “Art. 32. A empresa também é obrigada a: [...] III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009); [...] Fl. 407DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.001161/201029 Acórdão n.º 2401003.124 S2C4T1 Fl. 404 7 § 11 Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) “Regulamento da Previdência Social – Aprovado pelo Decreto 3.048/99. “Art. 225. A empresa é também obrigada a: [...] III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização;” “Art. 283. Por infração a qualquer dispositivos das Leis 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 08 de mais de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável [...], conforme gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: [...] II – a partir de R$ 6.361,73 nas seguintes infrações: [...] b) deixar a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os esclarecimentos necessários à fiscalização;” Verificase, que a recorrente não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização na forma e prazo que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supratranscritos, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social, como procedeu, corretamente, o fiscal autuante, não se cogitando na improcedência do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhe suportaram, ou melhor, o fato gerador da penalidade imposta, não havendo se falar em nulidade do procedimento. Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos do lançamento e a conclusão fiscal foram extraídos das informações constantes dos sistemas previdenciários e fazendários, bem como dos documentos contábeis e demais esclarecimentos fornecidos pela própria recorrente, rechaçando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 No que concerne ao argumento da contribuinte que a multa não se justificaria em razão da simples não apresentação dos documentos solicitados, igualmente, não merece acolhimento, eis que é exatamente essa a obrigação legal que não fora observada pela empresa, consoante se extrai dos dispositivos legais encimados. MÉRITO No mérito, pugna a recorrente pela reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, suscitando, sinteticamente, questões relativas à autuação fiscal por descumprimento de obrigações principais (AI n° 37.259.9460), sobretudo insurgindose contra o arbitramento levado a efeito naqueles autos de maneira injustificada, em razão de a contribuinte somente não ter apresentado os documentos solicitados em virtude de vazamento/inundação de sua sede, além de oporse à incidência de contribuições previdenciárias sobre as sobras admitidas como base de cálculo dos tributos lançados. Destarte, ao revés da argumentação da contribuinte, a presente autuação não contempla a exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados contribuintes individuaiscooperados, apuradas por arbitramento. Constatase, assim, que muito embora se tratar de autuação face à inobservância de obrigações acessórias, os argumentos da recorrente dizem respeito basicamente a obrigações principais, bem como a propósito de matérias totalmente impertinentes em relação ao presente lançamento, o que por si só seria capaz de ensejar o não conhecimento do recurso voluntário, por trazer em seu bojo questões estranhas ao auto de infração sob análise. Com efeito, a contribuinte faz uma verdadeira confusão ao tratar da questão, trazendo à colação argumentos relativos à constituição de créditos previdenciários decorrentes do descumprimento de obrigações principais. Consoante se positiva do artigo 113 do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, principal e acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação de regência de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento a infração apurada no Auto de Infração em comento, devidamente explicitado no Relatório Fiscal da Infração. Nesse sentido, inobstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte ao longo do seu arrazoado, sua pretensão não merece ser acolhida. A uma porque se vinculam com descumprimento de obrigações tributárias principais, estranhas ao presente caso. A duas, porque, em sua maioria, dizem respeito a matérias impertinentes, não contempladas na presente autuação. Entrementes, como o auto de infração fora lavrado em razão de a contribuinte ter deixado de apresentar documentos solicitados pela fiscalização, analisaremos nesta oportunidade a argumentação da recorrente procurando justificar a não apresentação de referida documentação ao Fisco por conta de inundação/vazamento ocorrido em sua sede. Em defesa de sua pretensão, explicita que em 08 de setembro de 2008, às 11:40 horas teve todas suas instalações alagadas em decorrência de um grande vazamento no andar superior do prédio onde se encontrava sediada, o que acarretou o perdimento de todos Fl. 409DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.001161/201029 Acórdão n.º 2401003.124 S2C4T1 Fl. 405 9 os seus computadores, softwares e hardwares, bem como grande parte de documentos contábeis, fiscais, comerciais e societários, conforme se constata da Certidão de Sinistro n° 208/2008, do Corpo de Bombeiros Metropolitano – PM do Estado de São Paulo, de 23/09/2008, e Boletim de Ocorrência n° 7284/2008, lavrado pela 96a Delegacia Policial – Monções, associados às fotos demonstrando a destruição das instalações, razão pela qual restou impossibilitada de apresentar à fiscalização a documentação solicitada, não podendo se cogitar, portanto, na penalidade imposta. Inobstante o esforço da contribuinte, suas alegações não são capazes de macular a exigência fiscal consagrada pelo lançamento, impondo seja mantida incólume a exigência fiscal consagrada pelo lançamento, conforme passaremos a demonstrar. Com efeito, restou devidamente demonstrado pela fiscalização que a contribuinte, muito embora devidamente intimada, não apresentou a totalidade dos documentos solicitados pelo fiscal autuante, que objetivava verificar a regularidade fiscal da empresa. In casu, o que torna digno de realce e acaba por ser a questão nuclear da presente demanda, é que o contribuinte alega ter deixado de apresentar a documentação solicitada pela fiscalização, em razão de sinistro (inundação) ocorrido em sua sede, o que acarretou o perdimento de todos os seus computadores, softwares e hardwares, bem como grande parte de documentos contábeis, fiscais, comerciais e societários, conforme se constata da Certidão de Sinistro n° 208/2008, do Corpo de Bombeiros Metropolitano – PM do Estado de São Paulo, de 23/09/2008, e Boletim de Ocorrência n° 7284/2008, lavrado pela 96a Delegacia Policial – Monções, às fls. 177/181. Diante desses fatos, incumbe a este Colegiado analisar se as razões da contribuinte no sentido de que se via impossibilitada de apresentar os documentos solicitados é capaz de rechaçar a pretensão fiscal, o que em nosso entendimento não merece prevalecer. Aliás, vários são os motivos que nos levam a tal conclusão, senão vejamos. Não há dúvidas que, de fato, ocorrera vazamento/inundação na sede da empresa. Entrementes, existem algumas alegações da contribuinte que conflitam com os documentos oficiais constantes dos autos. A uma, a Certidão de Sinistro n° 208/2008 simplesmente confirma que houve inundação nos 5o e 6o andares do Condomínio Edifício Máximo, “possivelmente ocorrido por torneira aberta”, com danos materiais na cobertura de gesso dos respectivos andares e nos pisos de carpete encharcado. Registra, ainda, que muito embora os proprietários tenham informado ter havido dano a móveis e equipamentos eletrônicos, não se pode confirmar tal fato, eis que os mesmos foram retirados do local antes da vistoria do Corpo de Bombeiros. De outro lado, a contribuinte aduz que a inundação/vazamento ocorreu, possivelmente, em razão de rompimento de tubulação de água, tendo danificado todos os móveis, documentos e equipamentos que se encontravam ali situados, tendo, inclusive, registrado sua versão no Boletim de Ocorrência. A partir desses fatos, percebese que os documentos trazidos à colação pela contribuinte são pouco conclusivos, uma vez que comprovam exclusivamente ter havido inundação/vazamento nos 5o e 6o andares do edifício sede, provocando danos no teto de gesso e piso de carpete. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Não há qualquer comprovação de ter ocorrido, realmente, perdimento de todos os seus computadores, softwares e hardwares, bem como grande parte de documentos contábeis, fiscais, comerciais e societários, tendo em vista que a Certidão do Corpo de Bombeiros a bastante clara ao afirmar que não se encontrava no local nenhum desses equipamentos quando da vistoria técnica procedida. Neste sentido, parte da argumentação da contribuinte já cai por terra, porquanto, repitase, inexiste qualquer prova de que todos os seus documentos fiscais, contábeis, folhas de pagamento, computadores, etc sofreram danos irreversíveis por ocasião do vazamento ocorrido em sua sede. Não bastasse isso, cumpre observar que referido vazamento ocorrera em 08 de setembro de 2008, tendo a ação fiscal sendo iniciada somente em 05/02/2009, com termos de intimação fiscal para apresentação de documentos emitidos até 13/04/2010. Ou seja, admitindose que toda documentação e equipamentos da contribuinte foram danificados com o sinistro em comento, a empresa teve tempo bastante razoável para restabelecêlos, antes e no decorrer da própria ação fiscal. Aliás, como restou muito bem delineado pelo julgador de primeira instância, a legislação de regência contempla os prazos para guarda da documentação contábil, bem como procedimento específico a ser adotado nos casos de extravio, deterioração ou destruição dos documentos das pessoas jurídicas, a começar pelo artigo 1.194 do Código Civil, que assim preceitua: “Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados.” Por sua vez, o DecretoLei n° 486/1969, prescreve em seu artigo 10, o procedimento a ser seguido nestes casos, como segue: “Art 10. Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros fichas documentos ou papéis de interesse da escrituração o comerciante fará publicar em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas ao órgão competente do Registro do Comércio. Parágrafo único. A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto neste artigo.” Na mesma linha de determinação, corroborando a disposição nos dispositivos legais encimados, o artigo 210 do Regulamento de Imposto de Renda – RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, assim estabelece: “Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a Fl. 411DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.001161/201029 Acórdão n.º 2401003.124 S2C4T1 Fl. 406 11 pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). § 2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). § 3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37).” Extraise das normas legais supratranscritas o procedimento que deveria a contribuinte ter adotado por ocasião do sinistro ocorrido em sua sede, de maneira a reforçar a sua tese de que toda sua escrituração contábil, equipamentos, etc, fora acometidos pelo vazamento em questão. Mas não é isso que se vislumbra na hipótese vertente, onde a contribuinte apresenta provas de comprovam simplesmente a ocorrência de vazamento em dois andares de sua sede, sem qualquer demonstração dos documentos e/ou equipamentos que teriam sido danificados permanentemente, o que reforça a pretensão fiscal. Observese, que a contribuinte em seu Recurso Voluntário, a exemplo das fases anteriores do processo administrativo, não apresentou nenhuma documentação capaz de comprovar que os valores lançados não condizem com a verdade. Mais a mais, tratandose de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea. Não o tendo feito, é de se manter o lançamento. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente às questões de inconstitucionalidades arguidas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como a multa ora exigida encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Fl. 413DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.001161/201029 Acórdão n.º 2401003.124 S2C4T1 Fl. 407 13 Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expresso sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância, o que se presta, igualmente, para afastar os insurgimentos relativos aos demais autos de infração por descumprimento de obrigação acessória, os quais analisaremos nos autos pertinentes. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 414DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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