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Numero do processo: 10073.001490/2007-46
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ERRO DE PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO.
Caracterizado nos autos o erro de preenchimento de declaração de rendimentos, torna-se necessária a exclusão da parcela do rendimento já declarada pelo contribuinte.
GLOSA DO IRRF COMPENSADO.
Cancela-se a glosa do IRRF quando ficar constatada a correção dos valores informados a esse título na declaração de rendimentos revisada de ofício.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a glosa do IRRF e considerar como omissão de rendimentos o valor de R$ 442,06 (quatrocentos e quarenta e dois reais e seis centavos), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ERRO DE PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Caracterizado nos autos o erro de preenchimento de declaração de rendimentos, torna-se necessária a exclusão da parcela do rendimento já declarada pelo contribuinte. GLOSA DO IRRF COMPENSADO. Cancela-se a glosa do IRRF quando ficar constatada a correção dos valores informados a esse título na declaração de rendimentos revisada de ofício. Recurso provido em parte.
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ERRO DE PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Caracterizado nos autos o erro de preenchimento de declaração de rendimentos, tornase necessária a exclusão da parcela do rendimento já declarada pelo contribuinte. GLOSA DO IRRF COMPENSADO. Cancelase a glosa do IRRF quando ficar constatada a correção dos valores informados a esse título na declaração de rendimentos revisada de ofício. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a glosa do IRRF e considerar como omissão de rendimentos o valor de R$ 442,06 (quatrocentos e quarenta e dois reais e seis centavos), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 14 90 /2 00 7- 46 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física suplementar, apurado em procedimento de revisão interna da Declaração de Ajuste Anual, relativa ao exercício de 2005, anocalendário de 2004, em virtude da constatação das seguintes infrações: a) omissão de rendimentos auferidos da Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 14.735,00; e b) dedução indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, no valor de R$ 442,05, referente à fonte pagadora INSS. O lançamento foi impugnado; em petição de fl. 01, na qual o contribuinte alegou, em síntese, que a “A respeito da cobrança do IRPF exercício 2005 anobase 2004, na qual o mesmo já foi pago no dia 23/02/2007, e também, venho inclusive pedir a anulação do lançamento efetuado”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) considerou a impugnação improcedente ao argumento de que: “Estando o AI de acordo com a legislação de regência, não se vislumbra, portanto, qualquer hipótese que implique a nulidade do lançamento. Sobre o pagamento que o contribuinte efetuou, referente ao imposto a pagar apurado em sua declaração de ajuste anual, apresentada em 26/11/2006, conforme Darf de fl. 06, esclareço ao interessado que o pagamento foi considerado nos cálculos do lançamento, conforme "Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido" de fl. 05. Cientificado em 11/02/2010, o interessado interpôs recurso voluntário em 10/03/2010, alegando, em síntese, que o valor considerado como omitido pelo lançamento referese ao pagamento do “plano Collor” que a Caixa Econômica Federal efetuou em 2004 e que não lhe teria enviado o respectivo comprovante de rendimentos. Por isso, informou em sua declaração de rendimentos o rendimento pago pela Caixa, mas com o CNPJ do INSS. Requer o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10073.001490/200746 Acórdão n.º 2802002.460 S2TE02 Fl. 76 3 O contribuinte alegou em sua impugnação que a cobrança de IRPF exigida já teria sido paga em 27/02/2007, conforme DARF que anexou às fls. 06. De seu exame, percebese que o alegado pagamento referese ao valor do imposto de renda a pagar, apurado na declaração de rendimentos retificadora nº 0737833673, transmitida em 26/11/2006, fls. 07 a 14, objeto de revisão fiscal. Desta, por sua vez, constatase que o contribuinte informou dois rendimentos que teriam sido recebidos de uma mesma fonte pagadora, Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS, nos valores de R$ 22.614,19 e R$14.292,96, totalizando R$ 36.907,15, com retenção de imposto de renda na fonte nos valores de R$ 1.440,30 e R$ 442,05, respectivamente, totalizando R$1.882,35. A Notificação de Lançamento, fls. 03 a 05, considerou como omissão de rendimentos o valor de R$ 14.735,00, tendo sido compensado na apuração do respectivo imposto apurado o IRRF no valor de R$ 442,05. O exame preliminar desses dados de lançamento revela, de plano, que este último valor corresponde exatamente àquele que foi objeto de glosa pelo lançamento, motivada pela constatação de compensação a maior do IRRF informado na DIRF apresentada pela fonte pagadora INSS. Por sua vez, o confronto desses dados de lançamento com a declaração de rendimentos que serviu de objeto para o exame fiscal, tal coincidência também se faz presente. À vista dessa coincidência de valores, a alegação do então impugnante de que a matéria lançada já teria sido objeto de pagamento passa a ser tornar uma hipótese coerente e possível, haja vista que, em procedimentos de auditoria fiscal, a experiência revela que coincidências de valores geralmente conduzem a uma provável duplicidade de processamento desses valores. A busca do fato que deu origem ao processamento de algum valor em duplicidade pode advir de eventual erro de preenchimento de declaração de rendimentos cometido pelo contribuinte. Confirmada tal situação de erro material, o lançamento de ofício do crédito tributário se torna passível de cancelamento. No caso tratado nos presentes autos, constatase que o valor de R$ 14.292,96 – consignado pelo contribuinte em sua declaração de rendimentos como proveniente da fonte pagadora INSS – corresponde exatamente ao resultado da diferença entre valor que foi considerado como omitido pelo lançamento (R$ 14.735,00) e o valor de R$442,06 (equivalente ao imposto de renda retido na fonte pela fonte pagadora Caixa Econômica Federal). Com resultado dessa constatação, podese concluir que o contribuinte, ao informar o rendimento auferido pelo seu valor líquido de IRRF, cometera erro material de preenchimento de declaração ao indicar o nome e o CNPJ da mesma fonte pagadora que havia informado na primeira linha do campo denominado RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS PELO TITULAR. Diante dessa circunstância e, com amparo no princípio da verdade material e no princípio da formalidade moderada dos processos administrativos, constatase dos autos que o contribuinte, de fato, cometera erro de preenchimento de sua declaração de rendimentos, uma vez que informara fonte pagadora diferente daquela que obtivera o rendimento considerado omitido pela Notificação de Lançamento. Por outro lado, uma vez constatado que o contribuinte não declarara o valor bruto do respectivo rendimento, tornase necessário que do valor da base de cálculo lançada (R$14.735,00) seja deduzida a importância de R$14.292,96 já declarada pelo contribuinte, Fl. 77DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 porem como se correspondesse à fonte pagadora INSS. Dessa operação, chegase à conclusão que resta como matéria tributável a título de omissão de rendimentos somente a parcela R$442,06. Finalmente, importa ressaltar que, verificada a correção dos valores informados pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual a título de IRRF, não há como prosperar a glosa efetivada pela Notificação Fiscal. Diante do exposto, voto por DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a glosa do IRRF e considerar como omissão de rendimentos o valor de R$ 442,06 (quatrocentos e quarenta e dois reais e seis centavos). (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 78DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.927097/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. RECEITAS DAS ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO.
São isentas da Cofins somente as receitas decorrentes das atividades próprias das instituições de educação sem fins lucrativos, não abarcando as receitas obtidas na prestação de serviços com caráter contraprestacional.
Numero da decisão: 3803-004.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues (relator) e Juliano Eduardo Lirani. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo De Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues (Relator) e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. RECEITAS DAS ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. São isentas da Cofins somente as receitas decorrentes das atividades próprias das instituições de educação sem fins lucrativos, não abarcando as receitas obtidas na prestação de serviços com caráter contraprestacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues (relator) e Juliano Eduardo Lirani. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo De Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues (Relator) e João Alfredo Eduão Ferreira.
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RECEITAS DAS ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. São isentas da Cofins somente as receitas decorrentes das atividades próprias das instituições de educação sem fins lucrativos, não abarcando as receitas obtidas na prestação de serviços com caráter contraprestacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues (relator) e Juliano Eduardo Lirani. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo De Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues (Relator) e João Alfredo Eduão Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 70 97 /2 00 9- 11 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 103 2 Relatório A autoridade administrativa por meio do Despacho Decisório nº 843134616, emitido em 07/07/2009, após analisar o PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte em 08/12/2006, verificou que o valor do crédito originalmente informado de R$ 17.747,01 (DARF, cód. 2172, arrecadação em 15/03/2002), fora integralmente utilizado na quitação de outros débitos próprios, não restando saldo credor para a realização da compensação declarada, sendo certo que este foi o motivo da não homologação. Em face disso, o contribuinte manifestou a sua irresignação para reafirmar a sua qualificação de instituição de ensino, sem fins lucrativos, como isenta ao recolhimento da Cofins, com fulcro nos arts. 13, III e 14, X, da MP nº 2.15835/01, vigente por força do art. 2o da EC nº 32/01, e que desenvolve as suas atividades em observância ao disposto no art. 12 da Lei nº 9.532/97, bem assim de acordo com os dispositivos contidos no seu estatuto social. Portanto, por essa razão, em homenagem aos princípios da legalidade e da estrita legalidade (CF/88, arts. 5o, II e 150, I), não poderia o Fisco exigir exação da pessoa jurídica isenta, que recolheu valores a título de Cofins indevidamente, e que realizou compensação respaldada nos artigos 170 do CTN e 74 da Lei nº 9.430/96. Ao final requereu a homologação da compensação realizada. Conclusos foram os autos a julgamento pela 3a Turma da DRJ Curitiba/PR, em sessão realizada em 14/09/2011, que proferiu decisão por meio do Acórdão nº 0633.531, cujo entendimento encontrase sintetizado nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/03/2002 COFINS. ISENÇÃO. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não será homologada a compensação quando constatada a inexistência do crédito pleiteado oriundo de pagamento a maior ou indevido. ISENÇÃO. MP Nº 2.15835/2001. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. A receita da atividade própria de uma entidade, cuja finalidade social é a difusão do ensino, é composta pelas doações, contribuições, mensalidades e anuidades recebidas de associados, mantenedores e colaboradores, sem caráter Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 104 3 contraprestacional direto, destinadas ao custeio e manutenção das suas atividades sem fins lucrativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente sob os seguintes argumentos: para a obtenção do referido benefício, deve a entidade atender as condições estabelecidas nas alíneas “a” a “e” do § 2º e no § 3º do art. 12 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, (a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; a interessada não trouxe provas capazes de demonstrar que atendeu as condições estabelecidas para o gozo da isenção, ou seja, não se encontra nos autos a comprovação de que as receitas são relativas às suas atividades próprias e de que cumpriu as condições estabelecidas no art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. Trouxe apenas o seu Estatuto Social, mas este não tem o condão de provar o alegado. a manifestante deve carrear aos autos todas as provas capazes de dar suporte às alegações feitas em sua peça de defesa, conforme previsão do art. 16, III e § 4º do Decreto n.º 70.235, de 1972; são receitas de atividades próprias das instituições a que se referem os arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, isentas da Cofins nos termos do art. 14, inciso X, da MP nº 2.15835, de 2001, apenas as receitas típicas dessas entidades, como as decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem assim mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional. Sujeitam se à incidência da contribuição, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades dos cursos ministrados pelas entidades educacionais. Por conseguinte, não se consideram próprias as receitas provenientes da prestação de serviços e/ou venda de bens, cujo caráter é eminentemente contraprestacional, nas quais atuam como qualquer agente econômico, bem como suas receitas financeiras, as quais constituem seu faturamento, tributável por força dos arts. 2º e 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. ... quando do processamento da Dcomp é feito um confronto entre as informações ali contidas com aquelas prestadas em DCTF, sendo que, no caso, não havia indicativo de pagamento Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 105 4 indevido ou a maior, pelo que é correta a conclusão contida no Despacho Decisório. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário e reiterou minudentemente os termos aduzidos na exordial, ressaltando em favor de sua tese de defesa a jurisprudência dos Tribunais administrativo e judicial, para requerer o provimento do apelo e a homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos à sua admissibilidade, dele conheço. Como visto as matérias devolvidas para apreciação por esta Corte estão relacionadas a questões de direito e de prova, conforme constatação por meio dos destaques efetuados nos recortes acima transcritos, que passo a examinar. Compulsando os autos constatouse que a recorrente havia disponibilizado elementos de prova, dentre eles verificouse que o seu estatuto social encontrase em observância com os dispositivos constitucionais e infraconstitucionais ensejadores do benefício da isenção pretendida, conforme se depreende do contido nos artigos 1o, 3o, 12 e 19, neste encontrase assinalado, resumidamente, que: 1. É uma associação constituída por tempo indeterminado, sem fins econômicos, de caráter educacional; 2. A Associação não remunera nem distribui lucros, bonificações ou vantagens a qualquer título, para dirigentes, associados, membros do conselho fiscal e mantenedores, sob nenhuma forma ou pretexto...., e sua renda será integralmente aplicada em território nacional, na consecução e no desenvolvimento de seus objetivos sociais. 3. Os membros da diretoria executiva e conselho fiscal não perceberão nenhum tipo de remuneração, de qualquer espécie ou natureza, pelas atividades exercidas na SPEI (CNPJ 77.667.822/000155), dentre outras. (Grifei). A corroborar com contido no estatuto social, pelo menos em relação aos rendimentos percebidos, os diretores presidente e financeiro que o subscrevem, apresentaram suas declarações de ajuste anual relativa ao exercício de 2003 (IRPF), donde se constata que a fonte remuneradora dos mesmos tem o CNPJ diverso daquele correspondente à instituição de educação sem fins lucrativos SPEI. Verifiquese: Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 106 5 Ademais disso há outros elementos materiais carreados aos autos pela interessada, os quais não foram examinados pelo juízo a quo,dentre os quais cumpre mencionar a DIPJ/2003, que informa em seus campos específicos dados atinentes à composição da base de cálculo das contribuições do PIS/PASEP e da Cofins (Fichas 19A e 20A), da Ficha 30A que discrimina os elementos insertos no balanço patrimonial dessa instituição encerrado em 31/12/2002; e da Ficha 41, que informa a origem e aplicação de recursos e, finalmente, os rendimentos de dirigentes (imunes/isentos), além dos recibos correspondentes à entrega das declarações de ajustes de pessoa física anual simplificada ano de exercício 2003, que informam acerca do patrimônio, da renda e dos serviços prestados, além das fontes desses rendimentos. É a recorrente aduzindo suas razões acerca da existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito à pretensão do Fisco (CPC, art. 333, II). Não obstante as informações até então extraídas dos autos abrese aqui um parêntese para o registro de uma constatação a ser compartilhada com os pares, no que atine à disposição das peças processuais no sistema Eprocesso, todas elas inseridas de maneira apartada das demais, sem numeração e sem data da respectiva juntada aos autos, inclusive o estatuto social, já assinalado pelo juízo a quo.. Não há como prever que os elementos de prova tenham sido colacionados juntamente com a manifestação de inconformidade, ou se posteriormente com a interposição do recurso voluntário, ou mesmo quais delas o foram no primeiro, ou no segundo momento, o que sobremaneira põe em risco todo o esforço desenvolvido na apreciação da lide. A descrição deste cenário impossibilita a formação do convencimento do julgador, pois não há como se fazer uma análise adequada dos fatos, nem a fixação de um juízo de valor isento acerca dos fatos relevantes ou até os inexistentes. No mais passo à apreciação da questão de direito que é tão relevante quanto a análise de provas, inclusive exercendo precedência sobre esta, eis que o pronunciamento sobre o tema isenção certamente tenderá a influir na questão probatória. É que prevalecendo a tese de usufruto do beneplácito para a interessada o pagamento poderá se converter em indébito, em caso de a recorrente não ser contribuinte de outros tributos federais. OS INSTITUTOS JURÍDICOS DA IMUNIDADE E DA ISENÇÃO Fl. 106DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 107 6 A Constituição Cidadã, gênese da introdução das normas e regras de incidência tributária no nosso ordenamento jurídico, ao tratar do sistema tributário nacional, remeteu à lei complementar às questões atinentes à regulação das limitações ao poder de tributar e ao estabelecimento de normas gerais em matéria tributária, notadamente fazendoo por meio do seu artigo 146, II e III, ‘a’, respectivamente, tudo isto ante a relevância do papel da educação e das instituições de ensino, conforme dispõe o artigo 205 e seguintes da CF/88,cujo objetivo é a transferência de conhecimento. A isenção relacionada à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no plano constitucional, encontra amparo no artigo 195, § 7o, que dispôs que são isentas dessa contribuição as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Complementarmente, veio a Lei nº 5.712/66 (CTN), com status de complementar, a prescrever normas basilares sobre a isenção, cuja observância possibilita o usufruto desse beneplácito, através dos seus artigos 9o, IV, ‘c’, e 14, ao mesmo tempo limitando o poder de tributar mediante vedação aos entes políticos da cobrança de imposto sobre o patrimônio, a renda ou serviço das instituições de educação, sem fins lucrativos. No plano infraconstitucional, com o advento da Lei nº 9532/97, surgiram regras específicas direcionadas à imunidade da Cofins, expressamente vinculadas ao disposto no art. 150, VI, ‘c’, CF/88, a serem observadas pelas instituições de educação sem fins lucrativos, principalmente ao que se relaciona ao contido no § 2o e alíneas seguintes. É o que se depreende do disposto no seu art. 12, in verbis: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos.(Grifei). § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (Vide Lei nº 10.637, de 2002) b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 108 7 e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Inferese do texto legal que a imunidade expressamente mencionada no artigo 12 da Lei nº 9.532/97 (de que trata o art. 150, VI, “c”, cf/88), tem como condição sine qua non à prestação de serviços colocados à população em geral, sem fins lucrativos, que constituam o objeto da instituição educacional, isto em complementação às atividades prestadas pelo Estado. Nessa situação não há exigência de contraprestação pelo beneficiário. As vedações expressas no inciso VI, “c”, do artigo 150 da CF/88, compreendem somente o patrimônio, a renda, e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. Logo, smj, no que pertine ao sentido e alcance da aplicação da norma legal ao caso concreto sob exame, o enfoque a ser utilizado para o deslinde da querela devese pautar sobre a égide da imunidade, em razão da hipótese normativa descrita na Lei maior e das regras de não incidência tributária ordenadas no conseqüente, no âmbito constitucional. Fixada a premissa estabelecida no caput do artigo 12 desse mandamus, o beneplácito da exclusão do campo de incidência tributária estabelecido para a instituição de educação, sem fins lucrativos, faz surgir o dever imprescindível para a autoridade administrativa de verificação, de observância da regularidade do cumprimento dos requisitos obrigatórios estabelecidos para essa instituição, que estão relacionados no § 2o e alíneas desse artigo. A finalidade dessa verificação é constatação da existência de transgressão ou não pela usufrutuária às regras garantidoras da imunidade que lhe foi conferida. Isto porque a imunidade em questão abrange todos os impostos que possam reduzir o patrimônio, prejudicar as atividades ou os serviços típicos desenvolvidos por essa instituição, ou comprometer sua renda. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 109 8 De igual modo se dá o tratamento em relação a isenção. No sentido de preservar este benefício que lhe foi destinado a recorrente invocou os dispositivos contidos no artigo 14, III, da MP nº 2.15835/01, litteris: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...); X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...); III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Sobre os temas em apreço a decisão a quo se mostrou silente. AS RAZÕES DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, é utilizada subsidiariamente nos julgamentos de processo administrativo fiscal, por força do disposto no seu art. 69, e o art. 50 deste mandamus estabeleceu que os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; ou imponham ou agravem deveres, encargos, ou sanções; ou quando decidam processos administrativos, dentre outras. De acordo com regras suso mencionadas deveria a autoridade coatora antes de trazer para o mundo jurídico o despacho decisório a ser refutado pelo sujeito passivo, terse utilizado para as suas pretensões, necessariamente, de um vasto conjunto de provas e somente após a “certeza” da subsunção do conceito do fato com o conceito da norma é que deveria ser possível a edição do tal documento administrativo. E não foi o que aconteceu efetivamente, pois a fiscalização não logrou evidenciar, de forma inconteste, a razão da perda da isenção em relação à Cofins. Portanto deve ser questionada a eficácia desse despacho decisório, por não haver cumprido com os pressupostos legais contidos no art. 50 da Lei nº 9.784/99. Portanto, repitase, caberia à autoridade administrativa decidir, inicialmente, se a interessada é imune ou se isenta, e depois disso, se ela está fazendo jus ao beneplácito, o que se dá pela via de utilização dos sistemas de dados da instituição administrativa, mediante as informações já fornecidas pela própria contribuinte, inclusive se a mesma remunera os seus dirigentes de forma adequada ou não, e se apresenta, regularmente, as suas declarações de ajuste anualmente da forma preconizada em lei. Para tanto não depende da audiência com o sujeito passivo. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 110 9 Optou o juízo hostilizado, nesta parte, simplesmente a justificar que a interessada não trouxe provas capazes de demonstrar que atendeu as condições estabelecidas para o gozo da isenção, pois não trouxe aos autos a comprovação de que as receitas são relativas às suas atividades próprias e de que cumpriu as condições estabelecidas no art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997, ora essa atribuição é da fiscalização, que dela procura se eximir transferindoa à recorrente. Noutra parte a decisão de primeira instância entendeu ser atividades típicas de entidades de ensino sem fins lucrativos aquelas decorrentes de contribuições , doações e subvenções por elas recebidas, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional, assertiva esta não condizente com os termos das leis mencionadas pela própria autoridade administrativa, como condicionantes ao usufruto da isenção. Nesse passo também entendeu que se sujeitam à incidência da contribuição, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades dos cursos ministrados pelas entidades educacionais.; Ora, como pode a autoridade administrativa aplicar tais conceitos ao caso concreto para descaracterizar o direito da recorrente à isenção, se no seu entendimento a recorrente por ocasião de sua manifestação de inconformidade sequer colacionou aos autos documentos probantes de sua condição de isenta, ressalvado o seu Estatuto social aventado na decisão de primeira instância, já que os demais elementos probantes foram dispostos no sistema Eprocesso como peças apartadas, e não foram apreciadas pelo juízo de primeira instância?. Ou será que apresentou todas as provas e apenas foi verificado o estatuto? Como aplicar os institutos do art. 16 do Dec. nº 70.235/72 a este caso? Como poderia a autoridade administrativa supor que não havia indicativo de pagamento indevido ou a maior, se sequer havia se pronunciado acerca da isenção do sujeito passivo em relação à Cofins? A imunidade não está restrita apenas à renda decorrente do objeto social da entidade, porém de toda aquela auferida de forma regular, visando resguardar o seu patrimônio dos efeitos corrosivos da inflação. A título exemplificativo, a corroborar com esta tese, transcrevese jurisprudência onde o Poder Judiciário ao apreciar recentemente mais uma questão atinente à imunidade tributária prevista no artigo 150, VI, “c”, da Constituição Federal, assim se pronunciou: Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DECIDIDOS MONOCRATICAMENTE. AUSÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO DO AGRAVO PREVISTO NO ART. 557, § 1º, DO CPC. INSTÂNCIA RECURSAL NÃO ESGOTADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 281/STF. DECISÃO QUE SE MANTÉM POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. 1. O agravo é inadmissível quando interposto contra decisão suscetível de impugnação na via recursal ordinária. O esgotamento da instância é condição de acesso à via do apelo extremo. Precedentes: AI 670.775AgR, Rel. Min. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 111 10 CÁRMEN LÚCIA, 1ª Turma, DJe 17.4.2009 e AI 713.039AgR ED, Rel. Min. ELLEN GRACIE, 2ª Turma, DJe 25.9.2009. 2. Deveras, não foi interposto o agravo previsto no art. 557, § 1º, do CPC, contra decisão monocrática proferida nos embargos de declaração. 3. Incidência da Súmula n. 281/STF: É inadmissível o recurso extraordinário, quando couber na justiça de origem, recurso ordinário da decisão impugnada . 4. In casu, o acórdão recorrido assentou: TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL IMUNIDADE TRIBUTÁRIA INSTITUIÇÃO DEDICADA À ASSISTÊNCIA SOCIAL ARTIGO 150, VI, C DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DO ARTIGO 14 DO CTN LEI Nº 9532/1997 EXCLUSÃO DA IMUNIDADE DOS RENDIMENTOS E GANHOS DE CAPITAL AUFERIDOS EM APLICAÇÕES FINANCEIRAS VIGÊNCIA SUSPENSA. 1. A Constituição Federal assegura imunidade tributária às instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, no que se refere à instituição de impostos incidentes sobre o patrimônio, a renda ou serviços relacionados às suas finalidades essenciais, desde que sejam cumpridos os requisitos contidos no art. 14 do CTN. 2. O parágrafo 4º do artigo 150 da Constituição, ao determinar que a imunidade concerne apenas ao patrimônio, à renda e aos serviços relacionados com suas finalidades essenciais, não exclui os rendimentos decorrentes das aplicações financeiras que são vertidos aos objetivos da própria entidade, como ocorre com a renda auferida a partir das suas atividades assistenciais, ou mesmo da comercialização de seus bens. 3. A imunidade não é restrita apenas à renda decorrente do objeto social da entidade, mas sim toda aquela auferida de forma regular visando resguardar o seu patrimônio dos efeitos corrosivos da inflação, como ocorre com as aplicações financeiras. 4. O art. 12, § 1º da Lei nº L. 9.532/97, lei ordinária, excluiu da imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. 5. Ofensa ao art. 146, II, da Constituição Federal, que determina competir à lei complementar regular as limitações constitucionais ao poder de tributar. 6. A imposição tributária também estaria tributando o patrimônio da entidade, o que é vedado pela Constituição Federal, porquanto as aplicações financeiras não têm a finalidade de auferir lucros, mas sim de resguardar o patrimônio dos efeitos corrosivos da inflação. 7. O dispositivo teve sua vigência suspensa por força de decisão proferida em Medida Cautelar na ADIN nº 1802. 5. Agravo Regimental a que se nega provimento. (/ag.REG no AI 740.563/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 02/04/2013 http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 3678683.). Precedentes: AI 670775 AgR(1ªT) e AI 713039 AgRED(2ªT), dentre outros. (Grifei). Vêse por todo o exposto que o juízo de primeira instância não resolveu adequadamente a questão de direito posta à sua apreciação, eis que o deslinde da querela necessariamente passaria pela declaração ou não de imunidade/isenção, com repercussão no recolhimento da Cofins indevida, por conseguinte com influência no resultado a ser adotado no despacho decisório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 112 11 A CONCLUSÃO. DO DIREITO E DA PROVA. O ordenamento jurídico prescreve regras que indicam os caminhos que devem ser percorridos pela administração e pelo administrado, norteados pela aplicação de princípios dentre eles o da legalidade (art. 153, § 2º, da CF), o da imparcialidade que decorrente do art. 153, § 1º da CF, o da oficialidade, o do informalismo em favor do Administrado, o da Publicidade e o do devido processo legal. A lei descreve uma hipótese normativa e prescreve um comportamento (regra) a ser realizado pelo cidadão no mundo fenomênico (fato). A subsunção do fato à norma traz uma implicação intranormativa, fazendo surgir uma obrigação tributária, um sujeito ativo possuidor do direito subjetivo de exigir uma prestação e um sujeito passivo obrigado ao pagamento dessa prestação. O descumprimento da obrigação faz surgir uma norma individual e concreta direcionada ao sujeito passivo, desta feita sancionatória para exigência da exação ante o não cumprimento da obrigação. É exatamente sobre esta questão que deveria se debruçar a decisão de piso e não o fez, pelo menos satisfatoriamente. Vejamos. O juízo a quo sustentou que a entidade deveria atender às condições estabelecidas nas alíneas “a” e “e” do § 2º do artigo 12 da Lei nº 9.532/97, quais sejam: (a) não remunerar por qualquer forma seus dirigentes pelos serviços prestados; e (b) apresentar, anualmente, a declaração de rendimentos em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal. Aparentemente nos parece haver a recorrente atendido a estes dois pressupostos, pelo menos, é o que se depreende do conteúdo do estatuto social e das declarações de ajuste anual – DIRPF e da DIPJ. Igualmente se encontram as assertivas formuladas pela recorrente, que alega fazer jus à isenção, ao buscar os fundamentos de suas razões de defesa nos mesmos pressupostos legais utilizados pelas autoridades administrativas para condenála (artigos 13, III e 14, X, da MP nº 2.15835/01; artigo 12 da Lei nº 9.532/97). Há também o despacho decisório que informa acerca da existência de pagamento de Cofins realizado por meio de DARF. Nessa seara a autoridade administrativa não logrou demonstrar qual a irregularidade cometida pelo sujeito passivo, que resultou na perda da isenção, por conseguinte na não homologação da compensação declarada, pois adimplidas foram as duas condições elencadas na decisão de primeira instância. Logo, uma vez pautandose a recorrente pelo caminho que conduz à isenção nos termos de lei específica, e não preponderando à tese apresentada pela parte oponente, não há se falar em pagamento de Cofins, surgindo o direito à repetição do indébito e ao reconhecimento mediante à homologação da compensação declarada, de acordo com os textos legais retromencionados. No que atine à produção das provas temse que elas podem ser direta, indireta e presunção relativa ou absoluta. A sua construção passa por um processo lógico a partir do Fl. 112DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 113 12 fato conhecido, cuja existência é certa, para se inferir acerca do fato desconhecido, cuja existência é provável. Os conceitos, indícios e presunções são de uma complexidade que certamente mereceria a realização de um trabalho investigativo, pois a verdade material é a base de sustentabilidade do processo administrativo tributário, e provém da observação dos fatos, da investigação e da experiência obtida da análise aprofundada das evidências, não se resume a mera presunção constituída à base de indícios, que por si só, não têm o condão de fixar juízo de valor consistente, inconteste. Ante as circunstâncias constatadas durante a análise dos fatos e da legislação aplicável ao caso, quanto ao que se relaciona às provas disponibilizadas, é certo que nem todas foram objeto de apreciação pelo juízo a quo, bem assim restou demonstrada a impossibilidade de sua apreciação com isenção. Para suplantar a questão do ordenamento das provas nos autos e para que seja dada a oportunidade de o juízo de piso delas conhecer e se pronunciar a seu respeito, necessariamente deverá passar pela questão de direito, sendo uma ocasião para aquele órgão judicante se pronunciar a respeito da isenção já que não o fez. Isto posto pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem para que seja informado acerca dos documentos carreados aos autos e também acerca da imunidade/isenção tributária com vistas ao recolhimento da Cofins pela recorrente, oportunizandose a realização de um processo investigativo amplo, para também informar acerca das receitas percebidas e se há outros tributos federais a incidir em face da recorrente. Não sendo este o entendimento dos pares, excepcionalmente, sugiro pelo acolhimento das provas carreadas aos autos em homenagem ao princípio da verdade material, do informalismo e da razoabilidade. Neste sentido segue a jurisprudência majoritária do CARF, de cuja ementa transcrevese a parte que interessa à formação do juízo: IRPF – PROVA DOCUMENTAL – ADMISSIBILIDADE Em respeito aos Princípios da Ampla Defesa, da Verdade Material e da Informalidade do Processo Administrativo deve ser aceita e recebida a prova documental em qualquer fase do processo. Recurso provido (Acórdão 10247418, PAF 10410.006313/200354, Rel. Romeu Bueno de Camargo) Com estas observações e vencidas as demais possibilidades de ocorrências pugno pelo provimento do recurso interposto por tudo o que consta dos autos. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 114 13 De início, ressaltese que, no presente caso, não há que se arguir a aplicação da imunidade tributária, pois, nos termos do art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal de 19881, a imunidade ali prevista, que alcança também as instituições de educação sem fins lucrativos, se restringe aos impostos, não alcançando, por conseguinte, as contribuições sociais, nas quais se inclui a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. Notese que a imunidade tributária prevista no § 7º do art. 195 da Constituição Federal2, relativa à contribuição para a seguridade social, destinase apenas às entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei, dentre as quais não se incluem as instituições de educação sem fins lucrativos. Resta perquirir, portanto, quanto a uma possível isenção, nos termos pleiteados pelo Recorrente, valendose da previsão contida no art. 14, inciso X, da Medida Provisória (MP) nº 2.15831/01, verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 133. Verificase do dispositivo legal que a isenção ali prevista se restringe às atividades próprias das entidades identificadas no art. 13 da mesma lei, dentre as quais se incluem as instituições de educação que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos, nos termos previstos no art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. Vêse que a lei faz o uso de um termo jurídico indeterminado, ou seja, de uma norma em branco, qual seja: atividades próprias das entidades de educação sem fins lucrativos, previsão essa que se constitui em uma norma aberta, a depender de aclaramento por parte do intérprete ou regulamentação para sua fiel execução. Uma norma aberta é aquela que contém um conceito aberto, conceito esse “que possui contornos semânticos flexíveis e impede a generalização das situações fáticas. 4” 1 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; 2 Art. 195 (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. 3 Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Fl. 114DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 115 14 De acordo com o Superior Tribunal de Justiça (STJ) 5, “[deve] o magistrado se valer dos meios de interpretação colocados à sua disposição para adequar condutas, preencher conceitos abertos e, por fim, buscar a melhor aplicação da norma de acordo com a finalidade do diploma em que ela está inserida”. (grifei) A lei não define o termo “atividades próprias”, tarefa essa que veio a ser realizada, no âmbito federal, por meio da Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, que assim delimitou o termo: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: (...) II são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (...) § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Salientese que, em conformidade com o art. 100, inciso I. do Código Tributário Nacional (CTN) 6, as instruções normativas, por se constituírem atos normativos expedidos por autoridade administrativa, são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, compondo a chamada legislação tributária7. Acredito que a lei, ao restringir o alcance da isenção às receitas das atividades próprias, buscou afastar qualquer interpretação de cunho universalizante, pois, se assim não fosse, teria dito melhor se tivesse se referido à receita bruta, conceito esse já assente nas normas contábeis, comerciais, fiscais, civis etc., como englobando a totalidade dos ingressos de recursos na contabilidade das pessoas jurídicas. A lei tributária, ao restringir a isenção às receitas próprias, deixou evidente a não abrangência de todas as receitas auferidas pela instituição, pois, se assim não fosse, ela estaria nomeando o fato gerador de uma contribuição valendose de um termo não utilizado na Constituição para definir a competência da União, o que vai de encontro ao disposto no art. 100 do CTN8. 4 Tribunal de Justiça do Paraná. Processo HC 4525842 PR 04525842, Relator(a): Carlos A. Hoffmann, j. 13/12/2007, Órgão Julgador: 4ª Câmara Criminal, Publicação: DJ: 7530. 5 HC 168610 / BA 2010/00637544, Relator(a) Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, j. 19/04/2012. 6 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; 7 CTN Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. 8 Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Fl. 115DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 116 15 Não se pode perder de vista que, nos termos do art. 111, inciso II, do CTN9, a legislação tributária que outorga isenção deve ser interpretada literalmente, previsão essa válida e vigente, de observância obrigatória por parte da Administração Pública. Nesse sentido, conforme já havia apontado o relator a quo, são receitas de atividades próprias das instituições de educação sem fins lucrativos apenas as receitas típicas dessas entidades, como as decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem assim mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional, sujeitandose à incidência da contribuição as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços. Notese que o ato normativo restringe a isenção às receitas decorrentes de atividades destituídas de caráter contraprestacional, o que exclui as receitas oriundas da prestação de serviços. No Demonstrativo dos Resultados do Exercício trazido aos autos junto à peça recursal, consta que quase 100% das receitas percebidas pela instituição decorrem da prestação de serviços, situação essa que impede a sua inclusão no rol das receitas de atividades próprias. O Tribunal Regional Federal da 3ª Região já decidiu em conformidade com a tese ora esposada nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO ASSINATURA DO RECURSO COFINS ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS MP Nº 2.158/2001 ISENÇÃO IMPOSSIBILIDADE ATIVIDADES PRÓPRIAS DESPROVIDAS DE CARÁTER CONTRAPRESTACIONAL DIRETO REQUISITO IN Nº 247/02 LEGALIDADE. 1. (...) 2. A COFINS incide sobre o faturamento, assim entendido como a receita bruta obtida em função da comercialização de produtos e da prestação de serviços, sendo certo que a definição, o conteúdo e alcance do termo hão de ser hauridos do direito privado, segundo precisa dicção do art. 110 do CTN. 3. O E. STF assentou entendimento de haver identidade entre os conceitos de faturamento e receita bruta. 4. O faturamento corresponde às receitas advindas com as atividades que constituam objeto da pessoa jurídica, ou seja, a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, ou exclusivamente de serviços, de acordo a atividade própria da pessoa jurídica, se mercantil, comercial, mista ou prestadora de serviços, conforme se infere da exegese fixada pela Corte Constitucional. 5. A instituição de educação ou de assistência social prevista pelo art. 12 da Lei nº 9.532/97, mencionada pela MP nº 2.158/2001, é aquela "que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. 9 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 117 16 atividades do Estado, sem fins lucrativos". 6. A IN SRF nº 247/02 prevê no art. 47 como requisito para a isenção da COFINS que as receitas derivadas de "atividades próprias" sejam desprovidas de "caráter contraprestacional direto". 7. Precedente do Superior Tribunal de Justiça. (AMS 00067817120084036100, AMS APELAÇÃO CÍVEL – 312678, Relator: Desembargador Federal Mairan Maia, TRF3, Sexta Turma, j. 8/11/2012, Dt.publicação 22/11/2012) Grifei Diante do exposto, concluise pela inaplicabilidade da isenção às receitas auferidas pela instituição de educação, receitas essas decorrentes da prestação de serviços, cujo caráter contraprestacional é evidente, em razão do que voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10680.932846/2009-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1401-000.207
Decisão: Por unanimidade de votos, CONVERTERAM o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Mauricio Pereira Faro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 32 84 6/ 20 09 -0 7 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10680.932846/200907 Resolução nº 1401000.207 S1C4T1 Fl. 3 2 Tratase de pedido de compensação que foi julgado improcedente, por bem resumir a questao adoto o relatório do órgão julgador a quo: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização de pretenso "Pagamento Indevido/a Maior" no valor de R$ 5.152.746,62. A análise do documento protocolizado pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório nº 848543895 anexado à fl. 31, exarado aos 07/10/2009, que assim se manifestou: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o Saldo Negativo de IRPJ ou CSLL do período ". Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170 da Lei no 5.172, de1966 (CTN), art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005 e art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. Tendo em vista as razões acima expendidas, a DRF NÃO HOMOLOGA a compensação declarada pelo contribuinte na DCOMP identificada no item 2. Manifestação de Inconformidade O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 20/10/2009, conforme documento à fl. 79. Irresignado, o contribuinte apresenta em 18/11/2009 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 01 a 10, onde, em síntese, argumenta: ▪ A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. ▪ Informa que apurou o IRPJEstimativa Mensal no mês de setembro/2006 no montante de R$ 26.813.883 , informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente. ▪ Acrescenta que, posteriormente, constatou erro na apuração do valor do IRPJ(estimativa mensal) para o período, "apurando uma nova estimativa de IRPJ no valor de R$21.661.137,10, que "acabou por gerar o recolhimento indevido de parte do montante anteriormente recolhido no valor de R$ 5.152.746,63 ".(grifo e negrito do original) ▪ A DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as informações prestadas em DIPJ. O indébito apurado foi utilizado em compensações de débito declaradas em DCOMP. ▪ A autoridade fiscal não Homologou a compensação declarada, exigindo do contribuinte o principal, multa e juros referentes ao débito compensado. "Todavia, a Requerente demonstrará ser totalmente ilegal a cobrança do saldo devedor acima referido, pleiteando pela Fl. 176DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10680.932846/200907 Resolução nº 1401000.207 S1C4T1 Fl. 4 3 homologação das compensações declaradas e a anulação do despacho decisório (...)". Tendo em vista a motivação apresentada pela DRF argumenta que “o entendimento da autoridade fiscal destoa do entendimento do Conselho de Contribuintes sobre o assunto, não atendendo aos ditames da Lei n°9.430, de 1990”. Invoca os arts. T, e 74 da Lei n° 9.430, de 1996 para alegar que "não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada". Afirma que a única restrição existente está prevista no art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005. Ilustra com acórdãos e voto do Conselho de Contribuintes. Argumenta que "a Requerente efetuou recolhimento antecipado de IRPJ e, em função de ter constatado erro na apuração da base de cálculo mensal, apurou antecipação superior à que seria efetivamente devida dentro do próprio mês." Informa a retificação da DCTF, "tornando perfeitamente identificável o mês de geração do indébito tributário". Ressalta que a Instrução Normativa n° 900, de 2008, que revogou a IN SRF n° 600, de 2005 revogou "a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio. ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria RFB, em relação ao tema objeto da presente impugnação". Em outra linha argumentativa, o manifestante "requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e a presente impugnação, tempestivamente apresentada, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 05 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN". Destaca ainda que "na hipótese de o despacho decisório em epígrafe não for reformado, considerase resguardado o seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do Código Tributário Nacional". Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade para reformar o Despacho Decisório prolatado pela DRF e a homologação da compensação, além da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Diante da manifestação de inconformidade apresentada o contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide (fl.80). Em face de tais argumentos, entendeu a 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade, considerar improcedente a manifestação de inconformidade para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito não homologar a compensação em litígio neste processo, nos seguintes termos: Fl. 177DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10680.932846/200907 Resolução nº 1401000.207 S1C4T1 Fl. 5 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA. As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Inconformada, vem a recorrente, em face do referido acórdão, apresentar Recurso Voluntário perante o Conselho de Contribuintes. Analisando o que foi anteriormente exposto, verificase que a decisão recorrida abstevese de verificar a existência do suposto pagamento a maior efetuado pela contribuinte a título de recolhimento de estimativa sob o argumento que as estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. Dessa forma, e considerando a observância ao princípio da verdade material, determina o retorno do processo para que seja verificado expressamente a ocorrência e ovalor efetivamente recolhido a maior pelo contribuinte. Após a referida verificação intimese o contribuinte para se manifestar sobre o resultado da diligência. assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator De acordo: assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente Fl. 178DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 10435.720196/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Aug 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. CABIMENTO.
Nos termos do art. 60, da Lei nº 9.430/96, as empresas submetidas ao regime de liquidação extrajudicial submetem-se às mesmas regras de incidência de impostos e contribuições aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A questão sobre a exigibilidade da multa de oficio e dos juros de mora das instituições financeiras em regime de liquidação extrajudicial deve ser tratada somente na fase de execução e no foro competente, até mesmo porque a situação de liquidação extrajudicial pode ser cessada antes da realização da execução.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 25/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. CABIMENTO. Nos termos do art. 60, da Lei nº 9.430/96, as empresas submetidas ao regime de liquidação extrajudicial submetemse às mesmas regras de incidência de impostos e contribuições aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A questão sobre a exigibilidade da multa de oficio e dos juros de mora das instituições financeiras em regime de liquidação extrajudicial deve ser tratada somente na fase de execução e no foro competente, até mesmo porque a situação de liquidação extrajudicial pode ser cessada antes da realização da execução. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 01 96 /2 00 7- 81 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10435.720196/200781 Acórdão n.º 2102002.585 S2C1T2 Fl. 122 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 25/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra BANCO BANORTE S/A EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 01/04, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativa ao imóvel denominado Fazenda Caraíbas (NIRF 5.179.8042), exercício 2005, no valor de R$ 6.214,26, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 30/11/2007. A infração imputada ao contribuinte foi falta de recolhimento do ITR devido, em razão do arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), com valores extraídos de Laudo de avaliação emitido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls.72/78, que foi considerada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/REC nº 1131.980, de 18/11/2010, fls. 84/94. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 10/03/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 97, o contribuinte apresentou, em 11/04/2010, recurso voluntário, fls. 99/109, onde suscita que a Notificação padece do vício da nulidade absoluta, dada a imputação da obrigação de pagamento de pena pecuniária por infração de leis e de juros de mora, parcela a cujo pagamento está a recorrente legalmente impedida. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10435.720196/200781 Acórdão n.º 2102002.585 S2C1T2 Fl. 123 3 que a teor do disposto no art. 18, “d” e “f”, da Lei nº 6.024, de 13 de março de 1974, a instituição financeira que se encontra sob o regime de liquidação extrajudicial está dispensada do pagamento da multa de ofício e dos juros de mora. É o Relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10435.720196/200781 Acórdão n.º 2102002.585 S2C1T2 Fl. 124 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, cumpre dizer que o presente lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e dado ao contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação da impugnação e do recurso voluntário, que ora se analisa. Temse, ainda, que na lavratura da Notificação de Lançamento foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) e o lançamento está em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 11 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. Logo, não há que se falar em nulidade do lançamento. Em relação à multa de oficio e aos juros de mora, o recorrente alega que pelo fato de se encontrar em regime de liquidação extrajudicial, os mesmos não poderiam ser exigidos, fundamentandose no art. 18, letras “d” e “f”, da Lei n° 6.024, de 13 de março de 1974. Segundo o art. 60 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a partir de 1° de janeiro de 1997, as entidades submetidas ao regime de liquidação extrajudicial sujeitamse às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo, sendo certo que, relativamente à multa de oficio e aos juros de mora, aplicáveis às pessoas jurídicas, a legislação tributária não prevê nenhuma exceção para as empresas que se encontram em regime de liquidação extrajudicial. A Lei n° 6.024, de 1974, que dispõe sobre a intervenção e a liquidação extrajudicial de instituições financeiras, estabelece no artigo 18, letra “b”, citado pelo recorrente, sobre a não fluência de juros, enquanto não integralmente pago o passivo. A mesma Lei n° 6.024, de 1974, prevê no art. 19 que a liquidação extrajudicial cessará, se os interessados, apresentando as necessárias condições de garantia, julgadas a critério do Banco Central do Brasil, tomarem a si o prosseguimento das atividades econômicas da empresa (letra “a”) e, também, se decretada a falência da entidade (letra “d”). O DecretoLei n°7.661, de 21 de junho de 1945, dispõe no art. 23, parágrafo único, inciso III, que não podem ser reclamadas na falência as penas pecuniárias por infração das leis penais e administrativas. E, também, a Súmula do Supremo Tribunal Federal n° 192, estabelece que não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10435.720196/200781 Acórdão n.º 2102002.585 S2C1T2 Fl. 125 5 Ocorre que a Lei n° 6.024, de 1974, em seu art. 18, alínea “b”, dispõe sobre a não fluência de juros enquanto não integralmente pago o passivo e o DecretoLei n° 7.661, de 1945, art. 23, III, estabelece que não podem ser reclamadas na falência as penas pecuniárias por infração de leis penais e administrativas. Como se vê, a questão sobre a exigibilidade ou não das multas ou juros deve ser tratada na fase de execução. A Súmula 192 do STF dispõe sobre a nãoinclusão de multa fiscal, com efeito de pena administrativa, no rol de créditos habilitados, em processo de falência, a evidenciar que a matéria somente deve ser enfrentada na fase de execução. Com base nos mencionados arts. 18 e 19 da Lei n° 6.024, de 1974, art. 23, parágrafo único, inciso III, do DecretoLei n° 7.661, de 1945 e na Súmula do STF n° 192, evidenciase que a questão sobre a exigibilidade ou não da multa de oficio e dos juros de mora das empresas em regime de liquidação extrajudicial deve ser tratada somente na fase de execução e no foro competente, até mesmo porque a situação de liquidação extrajudicial ou falência pode ser cessada antes da realização da execução. Destarte, não cabe ao julgador declarar indevida a aludida exigência de multa e juros, quando configurados os pressupostos legais para sua imposição. Vale dizer que o entendimento acima exarado é corroborado pela seguinte decisão da Primeira Turma da Câmara Superior deste CARF (Acórdão nº 0101000.774, de 14/12/2010: MULTA DE OFÍCIO. EMPRESA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. CABIMENTO. Nos termos do art. 60, da Lei nº 9.430/96, as empresas submetidas ao regime de liquidação extrajudicial submetemse às mesmas regras de incidência de impostos e contribuições aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Sob essa ótica, na ausência de previsão legal em sentido contrário, cabe a incidência de multa de ofício sobre tais empresas quando a irregularidade constatada assim o exigir. Assim, correta a aplicação da multa de oficio de 75% e a fluência de juros de mora sobre o crédito tributário constituído. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 125DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10435.720196/200781 Acórdão n.º 2102002.585 S2C1T2 Fl. 126 6 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.904648/2009-84
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a DRF do domicílio tributário da recorrente certifique o valor da receita financeira constante da sua escrita contábil e fiscal anexa aos autos nos termos, do voto do relator. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Relatório
Cuida-se o processo de pedido de restituição originado em crédito de COFINS recolhido indevidamente ou a maior, apurado no período de 31.05.2005, com o objetivo de extinguir débito de IRPJ no valor de R$ 31.277,40.
À fl. 02 está anexo o despacho decisório em face de Bombardier Recreational Products Brasil Ltda, CNPJ n° 02.666.299/0001-43 por meio do qual foi verificado que a partir do DARF e mencionado no PER/DCOMP, foram apurados pagamentos utilizados para quitação de débitos do Recorrente, portanto, não restando crédito suficiente para a compensação dos débitos em questão.
Ocorre que a empresa Bombardier Recreational Products Motores da Amazônia Ltda, CNPJ n° 22.782.833/0001-94, apresentou a Manifestação de Inconformidade à fl. 01, que por sua vez não teve o mérito apreciado pela DRJ de Campinas, tendo em vista que esta decidiu às fls. 66 e seguintes, por meio de resolução, por encaminhar os autos para a DRF de Manaus, uma vez que aquela não era mais competente para decidir em razão da mudança do domicílio tributário do sujeito passivo.
À fl. 70 a DRF de Manaus indeferiu o pedido de restituição e não homologou o pedido de compensação, sob o argumento de que o DARF indicado no PER/DCOMP foi utilizado na quitação de outros débitos da Recorrente.
Deste modo, à fl. 77 a Recorrente foi devidamente cientificada do despacho decisório acima mencionado e a RFB aceita como tempestiva a Manifestação de Inconformidade já apresentada à DRJ/Campinas à fl. 01, por intermédio da qual a contribuinte requer a homologação do seu direito creditório, sob o argumento de que retificou a DCTF para a exclusão da base de cálculo da COFINS de valores sujeitos à alíquota zero.
Assim, às fls. 79/82 foi exarado o Acórdão n.º 0124.406 da 3 ª Turma da DRJ/BEL, que teve lavrada a seguinte ementa:
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2005 a 30/05/2005
DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA.
O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratando-se de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado.
Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido
Analisando o acórdão acima prolatado, observa-se que este fundamentou o indeferimento do pedido de compensação nos efeitos jurídicos do art. 5º do Decreto-Lei n.º 2.124/1984. Sustentou que a DCTF tem o condão de constituir confissão de dívida, bem como que somente mediante a apresentação de prova contábil e fiscal incontestes é possível excluir o débito nela confessado.
O Recurso Voluntário foi apresentado às fls. 84/86 e suscita preliminar que na realidade se confunde com o próprio mérito, quando argumenta de que foram retificados o DACON e DCTF em razão de que possui direito a alíquota zero do PIS/COFINS com fundamento no Decreto n.º 5.442/2005, mas especificamente em relação às receitas financeiras.
Importante mencionar que o contribuinte confessa não ter apresentado na Manifestação de Inconformidade os documentos fiscais e contábeis para fundamentar o seu direito, por compreender que a redação do Decreto n.º 5.442/2005 era suficiente para assegurar o deferimento do seu pedido.
Advoga em sua defesa que na DACON o valor da receita financeira foi alocado na linha 07, da ficha 07, quando o correto era na linha 13, sendo que à fl. 28 há a prova de que a DACON foi retificada para que fosse transferindo o valor de R$ 384.333,96 para a linha correta, ou seja, receitas isentas, com suspensão, ou sujeitas a alíquota zero.
Cumpre informar que somente no Recurso Voluntário, o contribuinte apresentou às fls. 111/259, Livro de Saída e páginas do Livro Razão, por intermédio dos quais, segundo o seu entendimento, é possível apurar as receitas financeiras que foram oferecidas a tributação por equívoco e por fim requer o reconhecimento do seu direito creditório.
É o relatório.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a DRF do domicílio tributário da recorrente certifique o valor da receita financeira constante da sua escrita contábil e fiscal anexa aos autos nos termos, do voto do relator. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Cuidase o processo de pedido de restituição originado em crédito de COFINS recolhido indevidamente ou a maior, apurado no período de 31.05.2005, com o objetivo de extinguir débito de IRPJ no valor de R$ 31.277,40. À fl. 02 está anexo o despacho decisório em face de Bombardier Recreational Products Brasil Ltda, CNPJ n° 02.666.299/000143 por meio do qual foi verificado que a partir do DARF e mencionado no PER/DCOMP, foram apurados pagamentos utilizados para RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 04 64 8/ 20 09 -8 4 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.904648/200984 Resolução nº 3803000.285 S3TE03 Fl. 105 2 quitação de débitos do Recorrente, portanto, não restando crédito suficiente para a compensação dos débitos em questão. Ocorre que a empresa Bombardier Recreational Products Motores da Amazônia Ltda, CNPJ n° 22.782.833/000194, apresentou a Manifestação de Inconformidade à fl. 01, que por sua vez não teve o mérito apreciado pela DRJ de Campinas, tendo em vista que esta decidiu às fls. 66 e seguintes, por meio de resolução, por encaminhar os autos para a DRF de Manaus, uma vez que aquela não era mais competente para decidir em razão da mudança do domicílio tributário do sujeito passivo. À fl. 70 a DRF de Manaus indeferiu o pedido de restituição e não homologou o pedido de compensação, sob o argumento de que o DARF indicado no PER/DCOMP foi utilizado na quitação de outros débitos da Recorrente. Deste modo, à fl. 77 a Recorrente foi devidamente cientificada do despacho decisório acima mencionado e a RFB aceita como tempestiva a Manifestação de Inconformidade já apresentada à DRJ/Campinas à fl. 01, por intermédio da qual a contribuinte requer a homologação do seu direito creditório, sob o argumento de que retificou a DCTF para a exclusão da base de cálculo da COFINS de valores sujeitos à alíquota zero. Assim, às fls. 79/82 foi exarado o Acórdão n.º 0124.406 da 3 ª Turma da DRJ/BEL, que teve lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2005 a 30/05/2005 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Analisando o acórdão acima prolatado, observase que este fundamentou o indeferimento do pedido de compensação nos efeitos jurídicos do art. 5º do DecretoLei n.º 2.124/1984. Sustentou que a DCTF tem o condão de constituir confissão de dívida, bem como que somente mediante a apresentação de prova contábil e fiscal incontestes é possível excluir o débito nela confessado. O Recurso Voluntário foi apresentado às fls. 84/86 e suscita preliminar que na realidade se confunde com o próprio mérito, quando argumenta de que foram retificados o DACON e DCTF em razão de que possui direito a alíquota zero do PIS/COFINS com fundamento no Decreto n.º 5.442/2005, mas especificamente em relação às receitas financeiras. Importante mencionar que o contribuinte confessa não ter apresentado na Manifestação de Inconformidade os documentos fiscais e contábeis para fundamentar o seu direito, por compreender que a redação do Decreto n.º 5.442/2005 era suficiente para assegurar o deferimento do seu pedido. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.904648/200984 Resolução nº 3803000.285 S3TE03 Fl. 106 3 Advoga em sua defesa que na DACON o valor da receita financeira foi alocado na linha 07, da ficha 07, quando o correto era na linha 13, sendo que à fl. 28 há a prova de que a DACON foi retificada para que fosse transferindo o valor de R$ 384.333,96 para a linha correta, ou seja, receitas isentas, com suspensão, ou sujeitas a alíquota zero. Cumpre informar que somente no Recurso Voluntário, o contribuinte apresentou às fls. 111/259, Livro de Saída e páginas do Livro Razão, por intermédio dos quais, segundo o seu entendimento, é possível apurar as receitas financeiras que foram oferecidas a tributação por equívoco e por fim requer o reconhecimento do seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A questão controversa no presente processo administrativo fica adstrita a aferir se o contribuinte conseguiu ou não fazer prova de que cometeu erro no preenchimento da DCTF, mais especificamente em relação ao oferecimento a tributação da COFINS da receita de R$ 384.333,96, referente a receitas financeiras. O Decreto n.º 5.442/2005, determina que ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Em relação ao conceito de despesa financeira, o art. 373 do RIR/99, dispõe que devem ser consideradas despesas financeiras os juros recebidos, os descontos obtidos, o lucro na operação de reporte e o prêmio de resgate de títulos ou debêntures e os rendimentos nominais relativos a aplicações financeiras de renda fixa, auferidos pelo contribuinte no período de apuração, compõem as receitas financeiras e como tal deverão ser incluídas no lucro operacional. Com efeito, analisando os documentos acostados aos autos apenas no Recurso Voluntário, verificase que seus argumentos possuem fundamento jurídico, uma vez que realmente observando o DACON anexo à fl. 28, observase que de fato este foi retificado para que o valor de R$ 384.333,96 fosse transferido para a linha 13, destinada as receitas não tributadas pela COFINS, enquanto que na DACON original constava este valor na linha 7, ou seja, no espaço reservado para valores integrantes da base de cálculo do tributo. Outro aspecto importante na defesa, diz respeito ao Balancete Acumulado de Abril a Junho de 2005, anexo à fl. 143, por intermédio do qual se verifica que o R$ 384.333,96 está devidamente contabilizado como receita financeira. Assim, considerando que o Decreto n.º 5.442/2005 autoriza a Fazenda Nacional e o contribuinte a reduzir a zero as alíquotas das contribuições incidentes sobre as receitas financeiras e este demonstrou ter se equivocado no oferecimento destas receitas para a Fl. 264DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.904648/200984 Resolução nº 3803000.285 S3TE03 Fl. 107 4 tributação e ainda que em sua contabilidade há realmente o registro de valores correspondentes a estas receitas, então deve ser reconhecido o direito creditório, pois restou demonstrado o erro no preenchimento da DACON e DCTF. É verdade que o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, em princípio, limita a aplicação, no processo administrativo, do princípio da verdade material. Ainda assim, em que pese esta limitação normativa, atual jurisprudência do CARF tem se manifestado no sentido de atenuar esta regra, através de suas construções jurisprudenciais, o rigor da regra, visando assegurar que se alcance a principal finalidade que é garantir a legalidade da apuração do crédito tributário. Cumpre citar decisão do Segundo Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara. Turma Ordinária no Acórdão nº 20181496 do Processo 10920002509200310: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREENCHIMENTO DE DCTF. ERRO MATERIAL. Devidamente comprovada a ocorrência de erro material no preenchimento da DCTF, há que se cancelar o lançamento, em nome do princípio da verdade material. Recurso voluntário provido. Em sua obra, Processo Administrativo Tributário, Lídia Maria Ribas trata do tema, registrando o seguinte: “Contrariamente ao que acontece no processo judicial, em que prevalece o princípio da verdade formal, no processo administrativo tributário, além de levar novas provas após a inicial, é dever da autoridade administrativa levar em conta todas as provas e fatos de que tenha conhecimento e até mesmo determinar a produção de provas, trazendoas aos autos, quando elas forem capazes de influenciar na decisão. (...) A importância do princípio da verdade material é enfatizada por Luís Eduardo Schoueri, que afirma ser força e base de todo o Estado de Direito, concluindo que “ o princípio da verdade material, conquanto decorrente do princípio da legalidade, é também exigência do princípio da igualdade”. (RIBAS, Lídia Maria e Lopes Rodrigues Ribas. Processo Administrativo Tributário. 2ª edição). Neste passo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste em uma providência que resulta na melhor aplicação do Direito e da Justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Neste passo, voto para reverter o julgamento em diligência para que a DRF “certifique” se o valor de R$ 384.333,96, registrados nos documentos fiscais anexo à fl. 143, referese efetivamente a despesas financeiras a partir da análise dos documentos originais, visto que os documentos trazidos extemporaneamente pelo contribuinte não foram analisados pelo agente fazendário. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.904648/200984 Resolução nº 3803000.285 S3TE03 Fl. 108 5 Ante o exposto, reverto o julgamento em diligência. Sala das sessões, 22 de maio de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 266DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11070.901371/2010-83
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira , Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Relatorio
Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ-Porto Alegre/RS, abaixo transcrito:
O estabelecimento industrial acima identificado solicitou o ressarcimento do saldo credor do IPI, do quarto trimestre de 2003 ao quarto trimestre de 2009, tendo sido alvo de ação fiscal, para verificação da regularidade dos valores pleiteados, o que culminou na lavratura de dois Autos de Infração, um no Processo no 11070.001396/2010-85, referente ao período que vai de julho de 2005 a maio de 2008, e outro no Processo no 11070.002089/2010-11, referente ao período que vai de junho de 2008 a dezembro de 2009, ambos por falta de lançamento do IPI, decorrente de erro de classificação fiscal e de alíquota, nas saídas de plataformas para colheita de milho, autuações em que foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, com absorção integral ou parcial dos créditos cujo ressarcimento foi solicitado, no período que vai do terceiro trimestre de 2005 ao quarto trimestre de 2009.
No caso deste processo, foi solicitado ressarcimento no valor de R$ 72.532,24, referente ao terceiro trimestre de 2006, conforme Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) no 04973.07211.131006.1.3.01-4100, tendo sido emitida a Informação Fiscal das fls. 167 a 179 e, na sequência, o Despacho Decisório (Eletrônico) 893933525, das fls. 165.
O Despacho Decisório referido no item precedente reconheceu o direito creditório no valor de R$ 31.954,36 e não homologou as compensações vinculadas, na parcela que extrapolou a referida importância.
A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 11 de novembro de 2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) da fl. 183.
O interessado encaminhou, pelo correio, manifestação de inconformidade, no devido prazo, postada em 13 de dezembro de 2010 (fl. 354), conforme arrazoado das fls. 184 a 208, firmado por advogado, credenciado pelos documentos das fls. 209 a 231, e instruído com os documentos de fls. 232 a 353, alegando, em síntese: (a) suficiência dos créditos para compensação integral dos débitos informados; (b) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício com crédito já objeto de requerimento de compensação anterior, efetuado pelo contribuinte; (c) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício de créditos do contribuinte com débitos tributários objeto de depósito judicial e ainda não constituídos definitivamente; (d) existência de depósito judicial integral do valor relativo aos débitos de IPI apurados de ofício e compensados; (e) no tocante à suposta insuficiência ou falta de recolhimento do IPI, por erro de classificação fiscal, não é possível a classificação das plataformas de milho como parte das colheitadeiras, estando correta a classificação adotada pelo estabelecimento; e (f) impossibilidade de aplicação de multa sobre os débitos cuja compensação não foi homologada. Requer, ainda, que seja deferida a juntada de novos documentos, com fulcro no art. 16, §§ 4o e 5o do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Por fim, pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário consolidado, com fulcro no art. 151, III, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN).
Analisando o litígio, a DRJ Porto Alegre/RS considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementa abaixo transcrita:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO.
É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial e com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido.
CRÉDITOS DO IMPOSTO. UTILIZAÇÃO PRIORITÁRIA.
Os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, são utilizados prioritariamente para dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos.
PROVA DOCUMENTAL.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada ao menos uma das exceções legais, o que não é o caso.
Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente alega, em síntese, que não poderia ter ocorrido a compensação de ofício pela fiscalização, com a utilização de créditos apresentados em anterior pedido de compensação; (ii) que o fisco não poderia compensar débitos que se encontram com a exigibilidade suspensa, tendo em vista o suposto depósito dos valores em conta judicial; (iii) da inaplicabilidade, in casu, da multa de mora.
É o relatório.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira , Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Relatorio Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ-Porto Alegre/RS, abaixo transcrito: O estabelecimento industrial acima identificado solicitou o ressarcimento do saldo credor do IPI, do quarto trimestre de 2003 ao quarto trimestre de 2009, tendo sido alvo de ação fiscal, para verificação da regularidade dos valores pleiteados, o que culminou na lavratura de dois Autos de Infração, um no Processo no 11070.001396/2010-85, referente ao período que vai de julho de 2005 a maio de 2008, e outro no Processo no 11070.002089/2010-11, referente ao período que vai de junho de 2008 a dezembro de 2009, ambos por falta de lançamento do IPI, decorrente de erro de classificação fiscal e de alíquota, nas saídas de plataformas para colheita de milho, autuações em que foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, com absorção integral ou parcial dos créditos cujo ressarcimento foi solicitado, no período que vai do terceiro trimestre de 2005 ao quarto trimestre de 2009. No caso deste processo, foi solicitado ressarcimento no valor de R$ 72.532,24, referente ao terceiro trimestre de 2006, conforme Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) no 04973.07211.131006.1.3.01-4100, tendo sido emitida a Informação Fiscal das fls. 167 a 179 e, na sequência, o Despacho Decisório (Eletrônico) 893933525, das fls. 165. O Despacho Decisório referido no item precedente reconheceu o direito creditório no valor de R$ 31.954,36 e não homologou as compensações vinculadas, na parcela que extrapolou a referida importância. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 11 de novembro de 2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) da fl. 183. O interessado encaminhou, pelo correio, manifestação de inconformidade, no devido prazo, postada em 13 de dezembro de 2010 (fl. 354), conforme arrazoado das fls. 184 a 208, firmado por advogado, credenciado pelos documentos das fls. 209 a 231, e instruído com os documentos de fls. 232 a 353, alegando, em síntese: (a) suficiência dos créditos para compensação integral dos débitos informados; (b) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício com crédito já objeto de requerimento de compensação anterior, efetuado pelo contribuinte; (c) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício de créditos do contribuinte com débitos tributários objeto de depósito judicial e ainda não constituídos definitivamente; (d) existência de depósito judicial integral do valor relativo aos débitos de IPI apurados de ofício e compensados; (e) no tocante à suposta insuficiência ou falta de recolhimento do IPI, por erro de classificação fiscal, não é possível a classificação das plataformas de milho como parte das colheitadeiras, estando correta a classificação adotada pelo estabelecimento; e (f) impossibilidade de aplicação de multa sobre os débitos cuja compensação não foi homologada. Requer, ainda, que seja deferida a juntada de novos documentos, com fulcro no art. 16, §§ 4o e 5o do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Por fim, pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário consolidado, com fulcro no art. 151, III, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). Analisando o litígio, a DRJ Porto Alegre/RS considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial e com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. CRÉDITOS DO IMPOSTO. UTILIZAÇÃO PRIORITÁRIA. Os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, são utilizados prioritariamente para dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada ao menos uma das exceções legais, o que não é o caso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente alega, em síntese, que não poderia ter ocorrido a compensação de ofício pela fiscalização, com a utilização de créditos apresentados em anterior pedido de compensação; (ii) que o fisco não poderia compensar débitos que se encontram com a exigibilidade suspensa, tendo em vista o suposto depósito dos valores em conta judicial; (iii) da inaplicabilidade, in casu, da multa de mora. É o relatório.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira , Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Relatorio Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJPorto Alegre/RS, abaixo transcrito: O estabelecimento industrial acima identificado solicitou o ressarcimento do saldo credor do IPI, do quarto trimestre de 2003 ao quarto trimestre de 2009, tendo sido alvo de ação fiscal, para verificação da regularidade dos valores pleiteados, o que culminou na lavratura de dois Autos de Infração, um no Processo no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 70 .9 01 37 1/ 20 10 -8 3 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.901371/201083 Resolução nº 3801000.536 S3TE01 Fl. 12 2 11070.001396/201085, referente ao período que vai de julho de 2005 a maio de 2008, e outro no Processo no 11070.002089/201011, referente ao período que vai de junho de 2008 a dezembro de 2009, ambos por falta de lançamento do IPI, decorrente de erro de classificação fiscal e de alíquota, nas saídas de plataformas para colheita de milho, autuações em que foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, com absorção integral ou parcial dos créditos cujo ressarcimento foi solicitado, no período que vai do terceiro trimestre de 2005 ao quarto trimestre de 2009. No caso deste processo, foi solicitado ressarcimento no valor de R$ 72.532,24, referente ao terceiro trimestre de 2006, conforme Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) no 04973.07211.131006.1.3.014100, tendo sido emitida a Informação Fiscal das fls. 167 a 179 e, na sequência, o Despacho Decisório (Eletrônico) 893933525, das fls. 165. O Despacho Decisório referido no item precedente reconheceu o direito creditório no valor de R$ 31.954,36 e não homologou as compensações vinculadas, na parcela que extrapolou a referida importância. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 11 de novembro de 2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) da fl. 183. O interessado encaminhou, pelo correio, manifestação de inconformidade, no devido prazo, postada em 13 de dezembro de 2010 (fl. 354), conforme arrazoado das fls. 184 a 208, firmado por advogado, credenciado pelos documentos das fls. 209 a 231, e instruído com os documentos de fls. 232 a 353, alegando, em síntese: (a) suficiência dos créditos para compensação integral dos débitos informados; (b) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício com crédito já objeto de requerimento de compensação anterior, efetuado pelo contribuinte; (c) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício de créditos do contribuinte com débitos tributários objeto de depósito judicial e ainda não constituídos definitivamente; (d) existência de depósito judicial integral do valor relativo aos débitos de IPI apurados de ofício e compensados; (e) no tocante à suposta insuficiência ou falta de recolhimento do IPI, por erro de classificação fiscal, não é possível a classificação das plataformas de milho como parte das colheitadeiras, estando correta a classificação adotada pelo estabelecimento; e (f) impossibilidade de aplicação de multa sobre os débitos cuja compensação não foi homologada. Requer, ainda, que seja deferida a juntada de novos documentos, com fulcro no art. 16, §§ 4o e 5o do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Por fim, pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário consolidado, com fulcro no art. 151, III, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). Analisando o litígio, a DRJ Porto Alegre/RS considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.901371/201083 Resolução nº 3801000.536 S3TE01 Fl. 13 3 É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial e com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. CRÉDITOS DO IMPOSTO. UTILIZAÇÃO PRIORITÁRIA. Os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, são utilizados prioritariamente para dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada ao menos uma das exceções legais, o que não é o caso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente alega, em síntese, que não poderia ter ocorrido a compensação de ofício pela fiscalização, com a utilização de créditos apresentados em anterior pedido de compensação; (ii) que o fisco não poderia compensar débitos que se encontram com a exigibilidade suspensa, tendo em vista o suposto depósito dos valores em conta judicial; (iii) da inaplicabilidade, in casu, da multa de mora. É o relatório. VOTO O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Como relatado acima, o Recorrente apresentou pedido de compensação, no qual pretendia quitar débitos administrados pela Receita Federal com créditos de IPI, oriundos da não cumulatividade do referido tributo. Ocorre que, ao analisar a autenticidade dos referidos créditos, a fiscalização acabou por identificar irregularidades na classificação de alguns bens de produção da Recorrente e, por isso, entendeu por bem lavrar dois autos de infração (Processos nº’s 11070.001396/201085 e 11070.002089/201011). E mais: a fiscalização reconstituiu a escrita fiscal do estabelecimento e, assim, absorveu parcialmente créditos de IPI indicados no pedido de compensação ora analisado, realizando a compensação de ofício com os créditos tributários constituídos. Com relação aos Autos de Infração, a Recorrente propôs ação anulatória de débito fiscal, que tramita perante a SubSeção Judiciária de Cruz Alta (RS), cujos autos, em Fl. 474DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.901371/201083 Resolução nº 3801000.536 S3TE01 Fl. 14 4 consulta realizada no site do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, encontramse conclusos para sentença. A Recorrente noticia que realizou o depósito judicial dos valores discutidos naquela medida judicial. Neste passo, entendo que não assiste razão à Recorrente. É que, como se verifica da análise dos autos, o pedido de compensação foi realizado no ano de 2006 e, até a lavratura dos autos de infração e, em especial, a reconstituição da escritura fiscal da Recorrente, os créditos indicados por ela no pedido de compensação eram suficientes para quitar os débitos ali apontados. Sabese que, no caso do IPI, a prioridade de quitação é, de fato, é referente aos débitos relativos à saída dos produtos, nos termos do disposto no art. 195 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, em vigor na época [art. 256 do Decreto no 7.212, de 15 de junho de 2010, Regulamento do IPI (RIPI), de 2010]. Ou seja, em regra, créditos de IPI devem quitar débitos de IPI. No presente caso, contudo, após acumular crédito de IPI e apurar débitos de outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, a Recorrente transmitiu pedido de compensação, nos termos autorizados pela legislação em vigor. Os débitos de IPI só foram apurados posteriormente e em decorrência de autuação fiscal. Ou seja, à época da transmissão do pedido de compensação, o procedimento adotado pela Recorrente estava plenamente correto. Porém, o § 6º do art. 8o da Instrução Normativa SRF no 21, de 10 de março de 1997, dispõe o seguinte: § 6º Não será admitido pedido de ressarcimento em espécie, de pessoa jurídica com processo judicial ou com procedimento administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito de IPI, em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário ou pelo Segundo Conselho de Contribuintes possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. Tal disposição foi mantida, pelo art. 19 da Instrução Normativa SRF no 210, de 30 de setembro de 2002, pelo art. 20 da Instrução Normativa SRF no 460, de 18 de outubro de 2004, pelo art. 20 da Instrução Normativa SRF no 600, de 28 de dezembro de 2005, pelo art. 25 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, e pelo art. 25 da Instrução Normativa RFB no 1.224, de 23 de dezembro de 2011. In verbis: Art. 25. É vedado o ressarcimento do crédito do trimestrecalendário cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.224, de 23 de dezembro de 2011 ) Parágrafo único. Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob as penas da lei, de que o crédito pleiteado não se encontra na situação mencionada no caput. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.224, de 23 de dezembro de 2011 ). E, como se depreende dos autos, a Recorrente, por ter sido autuada nos Processos nos 11070.001396/201085 e 11070.002089/201011, se encontrava na situação Fl. 475DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.901371/201083 Resolução nº 3801000.536 S3TE01 Fl. 15 5 descrita no dispositivo supra citado, nos quais foi reconstituída a escrita fiscal do estabelecimento, com absorção integral ou parcial dos créditos do IPI objeto dos pedidos de ressarcimento/compensação. O requerente também impetrou a Ação Ordinária (Procedimento Comum Ordinário) no 2008.71.16.0004989, para discutir a classificação fiscal e a correspondente alíquota do IPI das plataformas para colheita de milho objeto das autuações sofridas nos citados Processos nos 11070.001396/201085 e 11070.002089/201011. De se destacar que tratase aqui de compensação de créditos de IPI, que possui regramento próprio, não se confundindo com o processo de compensação usualmente utilizado para outra espécie tributária. Vejase, inclusive, que os julgados trazidos pela Recorrente com precedentes que lhe seriam supostamente favoráveis, tratam da compensação de créditos de IRPJ e de CSLL, que possuem regramentos distintos daquele aplicável à compensação de créditos de IPI. Assim, seria inadequado promover o julgamento sem que antes houvesse decisão nos autos dos Autos de Infração mencionados, gerados pela desconstituição da escrita fiscal e erro de classificação. Uma vez analisado aqueles casos, e decidido pela manutenção apenas parcial do lançamento, ou pela improcedência dos autos de infração, deve ser refeita novamente a escrita fiscal da Recorrente, de modo a determinar se haveria crédito suficiente para ser Ressarcido e Compensado, nos termos do Pedido de Compensação objeto deste processo. Deste modo, converto o presente processo em diligência, e determino o retorno do presente processo à DRF de origem, para que aguarde o julgamento definitivo dos Processos nº’s 11070.001396/201085 e 11070.002089/201011, de modo que caso as decisões proferidas sejam pela manutenção apenas parcial do lançamento, ou pela improcedência total dos autos de infração, esta refaça novamente a escrita fiscal da Recorrente, de modo a determinar se haverá crédito suficiente para ser Ressarcido e Compensado, nos termos do Pedido de Compensação objeto deste processo. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 476DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10840.001622/2005-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
Ementa:
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE.
A Lei nº. 12.058/2009 permitiu o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004.
Numero da decisão: 3402-002.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a inclusão dos custos com combustíveis, com transporte de pessoal e de cana-de-açúcar no valor a ser descontado da contribuição devida na forma da sistemática da não cumulatividade e para admitir o ressarcimento e a compensação desses créditos com outros tributos administrados pela RFB. Votou pelas conclusões o conselheiro João Carlos Cassuli Junior.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Winderley Morais Pereira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a inclusão dos custos com combustíveis, com transporte de pessoal e de cana-de-açúcar no valor a ser descontado da contribuição devida na forma da sistemática da não cumulatividade e para admitir o ressarcimento e a compensação desses créditos com outros tributos administrados pela RFB. Votou pelas conclusões o conselheiro João Carlos Cassuli Junior. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Winderley Morais Pereira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente).
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INSUMOS. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. A Lei nº. 12.058/2009 permitiu o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a inclusão dos custos com combustíveis, com transporte de pessoal e de canadeaçúcar no valor a ser descontado da contribuição devida na forma da sistemática da não cumulatividade e para admitir o ressarcimento e a compensação desses créditos com outros tributos administrados pela RFB. Votou pelas conclusões o conselheiro João Carlos Cassuli Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 16 22 /2 00 5- 30 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 296 2 (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Winderley Morais Pereira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente). Relatório Para elucidar os fatos ocorridos nos autos transcrevo o relatório do Acórdão combatido, in verbis: No presente processo foi proferido Acórdão nº 1432.174, de 17 de janeiro de 2011, tornado nulo pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF através de decisão proferida no Acórdão 3402001539, de 06 de outubro de 2011, acolhendo preliminar de cerceamento de defesa solicitada pelo interessado em seu recurso voluntário, dispondo em sua parte final: “Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância produza uma nova decisão, analisando todos os fundamentos jurídicos relevantes apresentados na manifestação de inconformidade, em especial, a possibilidade de aproveitamento dos créditos referentes ao valor do serviço de transporte dos materiais utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e da cana colhida.” Tal voto foi decorrência do entendimento de que a alegação do interessado quanto ao creditamento das despesas de serviços de transporte de pessoas/mercadorias não foi devidamente tratada pela DRJ, no acórdão anulado, pois só tratou das despesas de combustível utilizado no referido transporte de pessoas/mercadorias. Passemos à análise do processo. Trata o presente processo de Declaração de Compensação com o aproveitamento de crédito da contribuição para a Cofins não cumulativa, referente ao período de apuração maio/2005, no valor de R$ 383.679,82, fls.1/2. Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado, foi lavrado o termo de Informação Fiscal, fls. 27/31, onde se relata as divergências encontradas na apuração efetuada, quais sejam: a) Cálculo do crédito presumido da agroindústria para desconto das contribuições para o Cofins não cumulativo. Os valores dos créditos de Cofins não cumulativo apurados sobre aquisições de Fl. 222DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 297 3 canadeaçúcar de pessoa física e jurídica não são passíveis de compensação. Ressalta que, a partir do período de apuração agosto de 2004. os créditos relativos à agroindústria só podem ser utilizados para abater os débitos do Cofins não cumulativo, devendo ser somados aos créditos relativos ao mercado interno, pois não podem ser compensados ou ressarcidos, com base no disposto no art. 8º, § 3º, II, da Instrução Normativa SRF nº 660, de 17 de julho de 2006. b) Bens e produtos não incluídos no conceito de insumos utilizados no processo produtivo da empresa, conforme o disposto no inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e no artigo 8º, inciso I, alínea “b” e “b1” e nos parágrafos 4º, item I, alínea “a”, e 9º, inciso I do mesmo artigo 8º da Instrução Normativa nº 404, de 12 de março de 2004. Aquisição de produtos não considerados como insumos pela legislação vigente, para a fabricação/produção de bens destinados à venda. Destaca que a empresa descontou crédito indevido sobre o valor do combustível utilizado no transporte de canadeaçúcar, bem este não incluído no conceito de insumo utilizado no processo produtivo da empresa, nos termos do disposto nos dispositivos acima citados. A partir das divergências encontradas, foram refeitos os cálculos do crédito da empresa, conforme planilha de fls. 26, onde foi apurado credito do interessado no valor de R$ 165.270,21 Através do Despacho Decisório de fls. 32/33, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto, reconheceu parcialmente o direito creditório, no valor apurado na Informação Fiscal, que aprovou e homologou a compensação até o limite do crédito reconhecido. Cientificado, o interessado, através da manifestação de inconformidade, fls. 45/76, inicialmente descreve os fatos e os motivos da glosa e, sobre as divergências encontradas, que geraram a glosa do valor pretendido, alega, em breve síntese, o seguinte: PRIMADO CONSTITUCIONAL DA NÃO CUMULATIVIDADE Faz longa exposição a respeito do conceito constitucional da não cumulatividade pretendendo que os créditos sejam apurados sobre todas as despesas necessárias e/ou insumos incorridos para a formação das receitas tributáveis, “... sob o pressuposto lógico de que tais despesas/insumos, em relação às quais está se concedendo o crédito, foram outrora receita para a pessoa jurídica “da etapa anterior” e, por conseqüência, já foram tributadas pelo PIS e pela COFINS”. RATEIO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 298 4 Quanto ao rateio de custos, despesas e encargos, alega que interpretou corretamente o disposto nos §§ 7º e 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, utilizandose do método de rateio proporcional; Destaca que a legislação determina a apuração da relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita total, “... sem especificar que qualquer um dos indicadores a ser utilizado no cálculo esteja, necessariamente, atrelado aos custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito da COFINS não cumulativa”. Entende que o conceito de receita bruta compreende receitas além daquelas advindas da venda de bens e serviços e que a lei não pretendeu que o cálculo do rateio de custos, despesas e encargos compreendesse apenas as receitas relacionadas à determinada atividade da empresa ou a receitas relacionadas aos custos, despesas e encargos que geram créditos da COFINS, e que interpretar o dispositivo legal de maneira diversa significa desnaturar a própria sistemática da não cumulatividade da COFINS. COMBUSTÍVEL UTILIZADO NO TRANSPORTE Quanto ao combustível utilizado no transporte, alega que na sua atividade de fabricação de álcool, açúcar e outros derivados de canadeaçúcar é imprescindível a observância de todas as etapas, que abrangem o plantio, corte, carregamento, transporte, pesagem e amostragem, produção e distribuição e vendas dos produtos, e que o transporte de materiais utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e da cana colhida, caracterizase como uma despesa incorrida numa etapa da produção da empresa, cujo resultado será tributado pela COFINS e pelo PIS não cumulativa. Continua, alegando que a IN SRF nº 404, de 2004, restringiu o direito de aproveitamento de crédito sobre as despesas que formam a receita e limitou o conceito de insumo passível a gerar direito ao crédito previsto no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.833, de 2003, que transcreve. Assim, alega tal ato normativo extrapolou a previsão contida na lei. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO NA COMPENSAÇÃO Quanto à possibilidade de utilização do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, para compensação com outros débitos, alega que está embasada nesse próprio dispositivo legal e no disposto no art. 5º, § 1º, II, da Lei nº 10.637, de 2002. Que o crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004 não pode ser afastado haja vista sua referência ao art. 3º das leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, sendo impossível “desvincular referido crédito dos dispositivos legais de ressarcimento com outros tributos federais”. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 299 5 Que a compensação efetuada é anterior à edição da IN SRF nº 660, de 2006, sendo vedado a aplicação de norma retroativa a fim de vedar forma de compensação e que não há qualquer vedação na Lei nº 10.925, de 2004 em relação à possibilidade de utilização do crédito presumido para compensação com débitos de outros tributos. Requer o reconhecimento integral do direito creditório pleiteado e a homologação das compensações declaradas. A 5ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do acórdão nº 1439.540, de 14 de dezembro de 2012, cuja ementa foi assim vazada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PROPORCIONALIDADE. Na apuração da proporcionalidade entre a receita sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, considerando se esta como o total das receitas, cumulativa e nãocumulativa, que tenham custos, despesas e encargos comuns. CRÉDITO PRESUMIDO.COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8° e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação. DEDUÇÃO. INSUMOS. COMBUSTÍVEL E DEMAIS DESPESAS DE TRANSPORTE DE PESSOAS OU MERCADORIAS, NÃO UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Entendese como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O combustível e as demais despesas com o transporte de pessoas ou mercadorias utilizadas em fases que não a fabricação do produto não podem ser consideradas como insumo, para efeito de dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal. O sujeito passivo teve ciência desta nova decisão e apresentou novo recurso voluntário, onde alega, em breve síntese que: Fl. 225DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 300 6 1) A recorrente faz jus ao aproveitamento de créditos referentes aos custos com combustíveis e com transporte de pessoas e de canadeaçúcar; e 2) É possível a utilização do crédito presumido da agroindústria para compensação com débitos relativos a tributos federais que não seja a Cofins apurada na sistemática da nãocumulatividade; Termina sua petição recursal requerendo integral provimento de seu recurso para possibilitar a compensação/ressarcimento de todos os créditos discutidos nestes autos. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. CONCEITO DE INSUMO A pedra angular do litígio posta nos autos cingese na interpretação das Leis que instituíram o PIS e a Cofins nãocumulativos. A celeuma que embasa a maior parte dos processos envolvendo o tema diz respeito ao alcance do termo “insumo” para fins de obtenção do valor do crédito das exações a serem compensadas/ressarcidas O Conselheiro Mauricio Taveira e Silva, no processo nº 16707002127/2005 69 de sua relatoria, enfrentou o tema com maestria, profundidade e didática, de sorte que reproduzo seu voto para embasar minha razão de decidir, in verbis: O tema em questão enseja as maiores polêmicas acerca do PIS e Cofins não cumulativos em decorrência do termo “insumo” utilizado pelo legislador, sem a devida definição de sua amplitude, ou seja, se o insumo a ser considerado deva ser somente o “direto” ou se o termo deve abarcar, também, os insumos “indiretos”. Nesse contexto, tornase necessária uma maior reflexão sobre o tema. Os arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas, IN SRF nº 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS e IN SRF nº 404/04, art. 8º, § 4º para a Cofins. Nelas, o fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material Fl. 226DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 301 7 de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a não cumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. Nesse sentido, na doutrina preconizada por Fábio Pallaretti Calcini, a não cumulatividade vinculada ao produto (IPI) ou mercadoria (ICMS) não se presta a fundamentar a não cumulatividade do PIS e da Cofins, cujo pressuposto é a receita, ensejando, assim, uma maior amplitude para a obtenção dos créditos. A falta de pertinência se evidencia em se tratando de prestador de serviços. As restrições legalmente impostas cingemse ao art. 3º, § 2º, incisos I e II, das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, que tratam de vedação de crédito decorrente de mão de obra paga a pessoa física e aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Releva observar, em conformidade com o art. 3º, § 3º, incisos I e II, dos mesmos diplomas legais, a necessidade de que, tanto os bens e serviços adquiridos, como também os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados, tenham como destino pessoa jurídica domiciliada no País. Desse modo, proclama o referido autor; vez que as restrições, com caráter de excepcionalidade, estão expressamente consignadas em lei, os demais dispositivos normativos não poderiam ser elaborados de forma restritiva. Conforme assevera Natanael Martins, levando em consideração o fato de que no caso das contribuições para o PIS e para a Cofins pelo regime não cumulativo a materialidade é a receita e não somente a atividade fabril, mercantil ou de serviços, constata que há a eleição de ‘outras hipóteses creditórias desvinculadas da atividade desenvolvida pelo contribuinte como é o caso das despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil’48, razão pela qual constata que, diante deste contexto, a noção de insumo ‘erigido pela nova sistemática do PIS e da Cofins não guarda simetria com aquele delineado pelas legislações do IPI e do ICMS, visto não estar limitado Fl. 227DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 302 8 apenas a operações realizadas com mercadorias ou produtos industrializados, sendo, inclusive, aplicado aos prestadores de serviços. Nessa linha registra Pallaretti Calcini que as limitações à utilização do crédito são exaustivamente descritas nas duas leis, não comportando acréscimos. Assim, sustenta que a expressão insumo deve estar vinculada aos dispêndios relizados pelo contribuinte que, de forma direta ou indireta, contribuam para o pleno exercício de sua atividade econômica (indústria, comércio ou serviços) visando à obtenção de receita. Logo, os parâmetros trazidos pela Receita Federal seriam claramente restritivos, não se coaduando com o disposto nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03. No âmbito do CARF as decisões têm caminhado no sentido de se flexibilizar o entendimento acerca do que deva ser considerado como insumo. Nesse contexto, relevantes as considerações do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no voto condutor, na CSRF, do acórdão nº 930301.035 de 23/08/2010, processo nº 11065.101271/200647, conforme se observa de sua transcrição: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessa contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: “Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia Fl. 228DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 303 9 razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como “insumo” combustível e lubrificante, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: (...) As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no País, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional”. Mais recentemente fora prolatado o acórdão nº 320200.226, em 08/12/2010, processo nº 11020.001952/200622, de relatoria do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior que, após fazer diversas referências e citações doutrinárias, além de colacionar decisões administrativas, todas no sentido de que o conceito de “insumo” deve ser entendido em sentido menos restritivo do que Fl. 229DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 304 10 o preconizado pelas normas editadas pelo Fisco Federal, arremata: É de se concluir, portanto, que o termo "insumo" utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 (embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação de IPI). No caso dos autos foram glosados pretendidos créditos relativos a valores de despesas que a Recorrente houve por bem classificar como insumos (materiais utilizados para manutenção de máquinas e equipamentos), em virtude da essencialidade dos mesmos para a fabricação dos produtos destinados à venda. Ora, constatase que sem a utilização dos mencionados materiais não haveria a possibilidade de a Recorrente destinar seus produtos à venda, haja vista a inviabilidade de utilização das máquinas. Frisese que o material utilizado para manutenção sofre, inclusive, desgaste com o tempo. Em virtude doa argumentos expostos, em que pese o respeito pela I. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), ao não admitir a apuração de créditos sobre os bens adquiridos pela Recorrente, entendo que tal glosa não deve prosperar, uma vez que os equipamentos adquiridos caracterizamse como despesas necessárias ao desenvolvimento de suas atividades, sendo certo o direito ao crédito sobre tais valores para desconto das contribuições para o PIS e COFINS. Em relação ao tema, o referido acórdão restou assim ementado: [...] REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Feitas estas colocações, passo a expressar meu posicionamento acerca da matéria. Conforme dito anteriormente, o cerne da questão reside no significado e abrangência do termo “insumo” consignado nos arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, cuja semelhante redação assim dispõem: Fl. 230DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 305 11 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (destaquei) Em que pese a judiciosa motivação apresentada pelo conselheiro relator em seu brilhante voto condutor do aresto precitado, ouso discordar de sua conclusão assinalada na ementa, como segue: “O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ...” Travase aqui, a mesma discussão do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, ou seja, se o insumo deve ser compreendido em seu sentido lato, abrangendo, portanto, toda e qualquer matériaprima e produto intermediário, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final, ou não. O art. 290 do RIR/99 mencionado no acórdão referencia o método de custeio por absorção o qual apropria todos os custos de produção dos bens, sejam diretos ou indiretos, variáveis ou fixos. Assim, o custo de produção dos bens ou serviços deverá compreender o custo de aquisição das matériasprimas e secundárias, o custo de mão de obra direta e indireta e os gastos gerais de fabricação, inclusive os custos fixos tais como os encargos de depreciação dos bens utilizados na produção. Já o art. 299, também do RIR/99, trata das despesas operacionais dedutíveis na determinação do lucro real como sendo as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora de receitas. Suas matrizes legais são: DecretoLei nº 1.598/77, art. 13, §§ 1º e 2º (art. 290 do RIR/99), que assim dispõe: Art. 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: Fl. 231DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 306 12 a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; b) o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; c) os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; d) os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; e) os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. § 2º A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda de 5% do custo total dos produtos vendidos no exercício social anterior, poderá ser registrada diretamente como custo. Por outro lado, o art. 299 do RIR/99 tem como matriz legal o art. 47, §§ 1º e 2º, da Lei nº 4.506/64, com o seguinte teor: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Tendo em vista a extensa redação levada a efeito no caso do Imposto de Renda, não posso compreender que o simples termo “insumo” utilizado na norma tenha a mesma amplitude do citado imposto. Acaso o legislador pretendesse tal alcance do referido termo teria aberto mão deste vocábulo, “insumo”, assentando que os créditos seriam calculados em relação a “todo e qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa ou à obtenção de receita”. Dispondo desse modo o legislador, sequer, precisaria fazer constar “inclusive combustíveis e lubrificantes”. Creio que o termo “insumo” foi precisamente colocado para expressar um significado mais abrangente do que MP, PI e ME, utilizados pelo IPI, porém, não com o mesmo alcance do IRPJ que possibilita a dedutibilidade dos custos e das despesas necessárias à atividade da empresa. Precisar onde se situar nesta escala é o cerne da questão. De se registrar que o próprio fisco vem flexibilizando seu conceito de insumo. Como exemplo temse que, em relação ao citado acórdão, o qual tratou de créditos de aquisições de Fl. 232DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 307 13 materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, a própria administração tributária já havia se manifestado favoravelmente à utilização de tais créditos, por meio da Solução de Divergência nº 35/08. Nela a Cosit registra a desnecessidade de contato direto com os bens que estão sendo fabricados, conforme segue: 17. Isso posto, chegase ao entendimento, de que todas as partes e peças de reposições utilizadas em máquinas e equipamentos diretamente responsáveis pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, aqui descritos ou exemplificados, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida em todo o processo de produção ou de fabricação, independentemente, de entrarem ou não contato direto com os bens que estão sendo fabricados destinados à venda, ou seja, basta que referidas partes e peças sejam incorporadas às máquinas e equipamentos que estejam atuando no processo de fabricação ou produção dos referidos bens, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que não estejam escriturados no ativo imobilizado. (grifei) Em conclusão a Solução registra: 18.Diante do exposto, solucionase a presente divergência dandose provimento ao recurso interposto, orientando à recorrente que as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de dezembro de 2002, e a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Destarte, entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Com base nas brilhantes linhas traçadas pelo Conselheiro Mauricio Taveira, entendo que em todo processo administrativo que envolver créditos referentes a não cumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado como “insumos” Fl. 233DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 308 14 e o seu envolvimento no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Regressando aos autos, constato que as glosas efetuadas pelo Fisco foram relativas aos dispêndios havidos no transporte e plantio de canadeaçúcar. A Autoridade Fiscal entendeu que o combustível, o serviço de transporte de trabalhadores e o serviço de transporte da canadeaçúcar não se subsumiam ao conceito de insumo instituído pela Lei nº 10.822/2003. Tenho uma interpretação diferente para o caso, senão vejamos: A recorrente exerce atividade agroindustrial, cujo objeto consiste na fabricação de açúcar e álcool. Para a produção do açúcar e do álcool necessário se faz o corte, o carregamento e transporte da canadeaçúcar até o estabelecimento industrial para que nele, parque fabril, haja a transformação da matériaprima em produto final que será oportunamente comercializado. Portanto, na operação de fabricação de álcool e açúcar, o combustível para os veículos de transporte de pessoal e de canadeaçúcar, e os próprios serviços de transporte estão diretamente envolvidos no processo produtivo da empresa. Fato que possibilita o creditamento dos referidos custos. AGROINDÚSTRIA – RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO A lide passa necessariamente pelas irradiações das modificações impostas pela Lei nº 10.925/2005 ao regime da nãocumulatividade do PIS e da Cofins. Diante desse quadro convém identificar as respectivas mudanças e seus reflexos no caso em questão. A Lei nº 10.637/2002, assim dispõe sobre o assunto: Art. 2o Para determinação do valor do PIS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65. (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) (...) § 10.Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o Fl. 234DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 309 15 PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) Iseu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. Assim, a agroindústria poderia aproveitar os créditos presumidos para dedução do valor a recolher resultante de operações no mercado interno, compensar com débitos próprios de tributos administrados pela SRF e, caso não conseguisse utilizálos até o final de cada trimestre, pleitear seu ressarcimento. Ocorre que os §§ 10 e 11 do art. 3º supra foram revogados pela Medida Provisória nº 183, de 30 de abril de 2004 (publicada nessa mesma data em Edição extra do Diário Oficial da União), verbis: Art.3° Os efeitos do disposto nos arts. 1º e 5o darseão a partir do quarto mês subseqüente ao de publicação desta Medida Provisória. Art. 4° Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação. Art.5° Ficam revogados os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e os §§ 5º, 6º, 11 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A partir de agosto de 2004 produziria efeitos, portanto, a revogação desses créditos presumidos da agroindústria. Sobreveio a conversão dessa Medida Provisória na Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 (Diário Oficial de 26/07/2004), reinstituindo os créditos presumidos da agroindústria com alterações, conforme arts. 8º e 15: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos Fl. 235DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 310 16 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). (...) Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) Art. 17. Produz efeitos: (...) II na data da publicação desta Lei, o disposto: a) nos arts. 1o, 3o, 7o, 10, 11, 12 e 15 desta Lei; (...) III a partir de 1o de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8o e 9o desta Lei Observe que a Lei nº 10.925/2004 instituiu novas hipóteses de créditos presumidos com vigência a partir de 01/08/2004, tanto nas especificidades de seu cálculo quanto na forma de seu aproveitamento. Importa notar que, quanto ao aproveitamento, essa Lei dispôs apenas sobre a possibilidade da pessoa jurídica, indicada no caput dos arts. 8º e 15, “deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.” De outro lado, a mesma Lei nº 10.925 manteve as revogações promovidas pela MP nº 183, verbis: Art. 16. Ficam revogados: I a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subseqüente ao da publicação da Medida Provisória no 183, de 30 de abril de 2004: a) os §§ 10 e 11 do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; e b) os §§ 5o, 6o, 11 e 12 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; Fl. 236DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 311 17 Assim, como os créditos previstos no art. 3º, §§ 10 e 11 da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, §§ 11 e 12 da Lei nº 10.833/2003 foram expressamente revogados pelo art. 16 da Lei nº 10.925/2004, não sendo mais apurados na forma do art. 3º daquelas leis, não há mais possibilidade de efetuar compensação ou pedido de ressarcimento em dinheiro em relação a aqueles créditos, por falta de previsão legal. Pelo mesmo motivo, não é possível a compensação e o ressarcimento em relação aos créditos estabelecidos pelos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004. Em função da revogação promovida pela Medida Provisória nº 183 não ter produzido efeitos antes da reinstituição dos créditos presumidos da agroindústria pela Lei nº 10.925, podese concluir que o aproveitamento de tais créditos não sofreu solução de continuidade. Deste modo, em que pese a reinstituição de créditos presumidos para a agroindústria pela Lei 10.925, não houve mudanças nas formas de aproveitamento para dedução, compensação e ressarcimento previstas nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que contemplam apenas os créditos apurados “na forma do art. 3º e não esses “novos” créditos. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, respeitam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º das mesmas Leis: Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I – dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II – compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o credito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...]; (grifos acrescidos) Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: Fl. 237DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 312 18 I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...]; (grifos acrescidos) Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe seu art. 21, caput: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: Como se pode notar o legislador não fez tal alteração, nem previu na própria Lei n° 10.925/2004 outra forma de aproveitamento desse crédito presumido que não a dedução da própria contribuição devida em cada período. Portanto, desejou que apenas essa forma de aproveitamento fosse possível. Por derradeiro, ao analisarmos o caput do art. 16, da Lei nº 11.116/2005, notamos que este dispositivo trata especificamente do saldo credor apurado na forma do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, senão vejamos: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:(grifo nosso) I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” Noutro giro, não se pode perder de vista que a vedação do art. 8º, § 4º, da Lei nº 10.925, de 2004, constitui norma especial, porquanto se refere unicamente à situação específica ali descrita. Destarte, apenas excepciona, sem, contudo, conflitar com a norma geral do art. 17 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 313 19 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, que permite ao vendedor manter os créditos vinculados às operações de venda efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição ao PIS, previsão esta genérica e atinente às operações em geral. Observese, ainda, que a previsão contida no caput dos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004, admite que as pessoas jurídicas aludidas “poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP, devidas em cada período de apuração” o crédito presumido ali tratado. Neste passo, entendo que prevalecem as vedações contidas no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, em relação às situações específicas previstas naquele artigo. Posteriormente, a Lei nº. 12058, de 13 de outubro de 2009 aduziu importantes modificações no tema, a saber: a) Permitiu a compensação dos saldos dos créditos presumidos em discussão com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB; b) Autorizou o ressarcimento em dinheiro destes mesmos créditos, sob a ressalva de que o pedido só poderia ser efetuado para créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do mês subseqüente ao da publicação da lei. E o pedido referente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre 01/2009 e o mês de publicação da lei, a partir de 01/01/2010. Por fim, a Lei nº. 12.350, de 20 de dezembro de 2010, ratificou os direito concedidos pela Lei nº. 12058/2009, no sentido de manter a permissão ao ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do §3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004. Não se pode esquecer que o art. 106 do CTN autoriza a aplicação de lei nova a ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. Pelas assertivas feitas, afluem razões jurídicas para as seguintes conclusões: 1 A Lei nº 10.925/2004 instituiu novas hipóteses de créditos presumidos com vigência a partir de 01/08/2004, tanto nas especificidades de seu cálculo quanto na forma de seu aproveitamento; 2 A partir de agosto de 2004, a legislação deixa de possibilitar a compensação ou o ressarcimento de créditos presumidos de agroindústria de PIS/COFINS de operações de exportação, podendo apenas servir para abater o PIS/Cofins devido na sistemática da não cumulatividade. Ou seja, o valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, art. 8º, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Cofins apurado no regime de incidência nãocumulativa; 3 A partir de 13/10/2009, a legislação retornou com a possibilidade de ressarcir ou compensar os créditos referentes à agroindústria. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 314 20 Após esse singelo passeio pela legislação da não cumulatividade aplicada às agroindústrias, retornando ao caso em questão, conforme consta nos autos, a sociedade buscou compensar créditos presumidos de agroindústria da Cofins em operações de exportação com débitos de outros tributos. Partindo das premissas acima cravadas, não é necessário empreender qualquer esforço de interpretação para concluir que os créditos adquiridos de agroindústria são considerados créditos presumidos, podendo ser objeto de pedido de ressarcimento. Portanto o ressarcimento pretendido pelo contribuinte deve prosperar sendo imperiosa a reforma da decisão proferida em primeira instância. Ex positis, dou provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a inclusão dos custos com combustível, transporte de pessoal e de canadeaçúcar no valor a ser descontado da contribuição devida na sistemática da não cumulatividade, bem como a utilização dos créditos para ressarcimento ou compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil É como voto. Sala das Sessões, em 22/08/2013 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 240DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 19515.000842/2006-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 31/10/2001
IOF. CRÉDITO TRIBUTÁRIO OBJETO DE COMPENSAÇÃO DEFERIDA.
Deve ser cancelado o lançamento quando demonstrado nos autos que o crédito tributário lançado no auto de infração já havia sido objeto de compensação deferida em outro processo administrativo.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3301-001.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Gustavo Vita Pedrosa, OAB/SP 240038. Ausência momentânea da conselheira Fábia Regina Freitas.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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CRÉDITO TRIBUTÁRIO OBJETO DE COMPENSAÇÃO DEFERIDA. Deve ser cancelado o lançamento quando demonstrado nos autos que o crédito tributário lançado no auto de infração já havia sido objeto de compensação deferida em outro processo administrativo. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Gustavo Vita Pedrosa, OAB/SP 240038. Ausência momentânea da conselheira Fábia Regina Freitas. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 42 /2 00 6- 93 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.000842/200693 Acórdão n.º 3301001.987 S3C3T1 Fl. 406 2 Relatório Por economia processual e por bem relatar os fatos até aquele momento, adoto o relatório da DRJ/CampinasSP, abaixo transcrito: Tratase de Auto de Infração do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros, fls. 17/19, que constituiu contra a Companhia de Bebidas das Américas — AMBEV, CNPJ 02.808.708/000107, na condição de sucessora de Indústria de Bebidas Antártica do Norte Nordeste S/A (sucedida), CNPJ 15.182.652/000161, o crédito tributário no valor de R$ 234.276,30, somados o principal, multa de oficio e juros de mora. No Termo de Verificação Fiscal — I0F, fl. 14, parte integrante do Auto de Infração, a fiscalização aponta como razões da autuação: (i) A existência da informação de débito de I0F, no valor de R$ 93.000,00 e fato gerador ocorrido em 31/10/2001, em Pedido de Compensação formulado pela sucedida, tratado no processo administrativo n° 13502000412/0069; (ii) O indeferimento do citado pleito de compensação; (iii) A inexistência, até o momento da lavratura, de recolhimento e/ou confissão da divida pela sucedida. Cientificada em 09/05/2006, a contribuinte apresentou impugnação, fls.22/30, em 08/06/2006, na qual, em suma, alega que: 1. Sua condição de sucessora encontrase atestada no balanço patrimonial de incorporação datado de 31/10/2001; 2. A incorporada apresentou DIPJ de incorporação e promoveu a baixa do CNPJ nos cadastros da Receita Federal; 3. A Incorporada apresentou Pedido de Compensação no valor de R$ 93.000,00 (noventa e três mil reais), que gerou o processo administrativo de n° 10880.720092/200475, o qual se encontraria em fase de análise pelas equipes de restituição da Secretaria da Receita Federal; 4. 0 débito que originou o auto de infração contestado foi declarado, erroneamente, no CNPJ da empresa incorporadora, em DCTF retificadora do 4º trimestre de 2001, enviada em 31/05/2005; 5. A quantia cobrada no Auto de Infração é de responsabilidade da empresa incorporada, uma vez que o fato gerador ocorreu em 31 de outubro de 2001, e esse valor foi considerado no Balanço Patrimonial elaborado pela incorporada em 31 de outubro de 2001; 6. Esse valor de R$ 93.000,00 foi inserido na DCTF retificadora da incorporada em 07/06/2006, para regularizar essa pendência perante a Secretaria da Receita Federal. Em seguida, a impugnante pede a declaração de nulidade do Auto de Infração e emenda: Fl. 406DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.000842/200693 Acórdão n.º 3301001.987 S3C3T1 Fl. 407 3 Esse valor de R$ 93.000,00, relativo a 10F, foi calculado com base em Mútuo referente ao mês de Outubro de 2001. Para melhor orientar esse Ilustre Julgador, a impugnante anexou a essa peça impugnatória cópia de seu livro razão e planilha de base de cálculo do respectivo imposto (Anexo 7). De acordo com o disposto no artigo 4° do Decreto 2.219 de Maio de 1997, são considerados contribuintes do IOF as pessoas fisicas e jurídicas tomadoras de crédito(..) Ao julgar referida impugnação a DRJ/CampinasSP proferiu acórdão pela manutenção do lançamento, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CAMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 31/10/2001 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe A autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o do direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegálos, comproválos efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. DCTF RETIFICADORA ENTREGUE APÓS A CIÊNCIA DA AUTUAÇÃO. EFEITOS. A retificação de DCTF após a ciência de auto de infração sobre a matéria não é hábil para afastar os fundamentos da autuação, posto que já excluída a espontaneidade da contribuinte. Lançamento Procedente Não concordando com a citada decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 262/276, repetindo basicamente os mesmos argumentos da impugnação e acrescentando as seguintes informações, em resumo: que o Conselho de Contribuintes proferiu o Acórdão nº 10615343 que reconheceu o direito a restituição do crédito do ILL, o qual ensejou a compensação de R$ 93.000,00 a título de IOF e que está sendo cobrado no presente processo de lançamento; que em atendimento ao citado acórdão, a Equipe de Análise de Processos de Imposto de Renda EQPIR da Receita Federal do Brasil em São Paulo, homologou as compensações relacionadas ao pedido de restituição de ILL, dentre elas, a compensação destes R$ 93.000,00; que trouxe a este processo o extrato do processo principal com a homologação expressa do débito do IOF, do período de apuração 11/2001 (leiase 31/10/2001), no valor de R$ 93.000,00; Fl. 407DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.000842/200693 Acórdão n.º 3301001.987 S3C3T1 Fl. 408 4 que ao contribuinte é incabível apresentar, neste recurso voluntário, suas razões de defesa, porquanto todos os fatos que dão sustentação ao equivoco apresentado pela recorrente, foram irrefutavelmente comprovados com os documentos acostados no presente processo e corroborados pela homologação do débito de R$ 93.000,00 realizada pela Equipe de Análise de Imposto de Renda EQUPIR da DRF de São Paulo. É o relatório. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.000842/200693 Acórdão n.º 3301001.987 S3C3T1 Fl. 409 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal – Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais, por isto dele tomo conhecimento. Da análise dos elementos fáticos do presente processo, constato que indubitavelmente assiste razão ao contribuinte. Conforme Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do auto de infração e que contém a descrição dos fatos, fl. 28, a ação fiscal iniciou com representação fiscal decorrente da análise do processo 10880.720092/200475, propondo o lançamento do IOF em face de que este não teria sido regularmente declarado em DCTF. Dispõe ainda que o valor do IOF a ser lançado, R$ 93.000,00, é decorrente de pedido de compensação indeferido no processo nº 13502.000412/0069. Entre os elementos que a autoridade lançadora instruiu o presente auto de infração estão justamente o pedido de compensação, fl. 10, pelo qual é solicitado a compensação do valor de R$ 93.000,00 de débito de IOF do período de apuração de 31/10/2001, com créditos constantes do processo nº 13502.000412/0069. Portanto comprovado está que foi deste documento que o auditor retirou o valor do seu lançamento, pois referido saldo devedor não foi localizado na DCTF da empresa sucedida relativa ao 4º trimestre/2001. O auto de infração e o Termo de Verificação Fiscal foram lavrados em 27/04/2006, sendo que o processo administrativo relativo ao pedido de compensação, processo nº 13502.000412/0069, foi julgado em 22/02/2006, antes portanto da lavratura do auto de infração, conforme ementa apresentada pelo contribuinte por ocasião da impugnação, fl. 178, e também no recurso voluntário, no qual juntou o inteiro teor do Acórdão nº 10615.343, fls. 318/336, que deu provimento parcial ao pleito do contribuinte. Este fato retira a validade da principal fundamentação do auto de infração, que é justamente a de que o seu pedido de compensação teria sido indeferido. Transcrevese abaixo este trecho do Termo de Verificação Fiscal: Considerando que o crédito a compensar da incorporada, de que trata o Processo n°: 13502.000412/0069 (fls. 02 a 04) , teve o seu pleito indeferido; Na execução da compensação autorizada pelo acórdão nº 10615.343, do Conselho de Contribuintes, no processo nº 13502.000412/0069, a Equipe de Análise de Processos de Imposto de Renda EQPIR da Receita Federal do Brasil em São Paulo, homologou as compensações relacionadas ao pedido de restituição de ILL, dentre elas, a compensação dos R$ 93.000,00, que é exatamente o IOF do período de apuração de 31/10/2001, objeto de lançamento no presente processo. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.000842/200693 Acórdão n.º 3301001.987 S3C3T1 Fl. 410 6 Todos os elementos analisados no presente processo vão ao encontro desta conclusão e demonstra que efetivamente houve erro material praticado pelo contribuinte no preenchimento das DCTF original e retificadoras. Erros materiais no preenchimento da DCTF não autorizam a manutenção de lançamento efetuado com base em premissas e elementos decorrentes destes mesmos erros. A verdade formal não deve prevalecer em detrimento da verdade material amplamente demonstrada e comprovada. Assim, diante das razões fáticas acima expostas, voto em dar provimento ao recurso voluntário, declarando o lançamento improcedente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 410DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 10860.900288/2008-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. 1 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .9 00 28 8/ 20 08 -1 1 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, proferida pela DRJ Campinas (SP), fl. 27, que transcrevo a seguir: “Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 6), tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório em 05/05/2008 (fl. 8), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 03/06/2008 (fl. 9/14), na qual alegou que o despacho decisório decorre do fato de não terem sido retificadas as DCTFs que identificam os pagamentos realizados durante o ano de 2003 e em janeiro de 2004 em relação aos débitos de CORNS, e informa que estava apresentando as correspondentes declarações retificadoras, conforme cópia que anexava aos autos. A interessada alegou, ainda, que, em conformidade ao disposto no § 10 do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 786, de 2007, a declaração retificadora substitui integralmente a original, sendo que os valores corretos devidos a titulo de CORNS são aqueles declarados na DIPJ 2004. Assim, conclui que os créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior de COFINS foram devidamente demonstrados por meio das DCTF retificadoras, restando comprovado que o crédito que possui é suficiente para compensar os débitos da DCOMP. Ao final, entendendo que o procedimento adotado estava em consonância com a legislação vigente à época, a contribuinte requer a nulidade do despacho decisório.” A Delegacia de Julgamento em Campinas (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. 2 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 3442, onde reprisa as razões apresentadas na manifestação de inconformidade de fls. 1015. Aduz ainda que a autoridade competente não observou o procedimento previsto no art. 65 da Instrução Normativa nº 900, de 2008, devendo ser aplicado ao caso o princípio da verdade material, uma vez que ocorreu erro material na apuração do crédito, por parte da recorrente, o que foi levado a conhecimento da DRF posteriormente através da apresentação regular da PER/DCOMP, requerendo seja conhecido e provido o recurso para seja reconhecido o direito creditório relativo aos pagamentos efetuados a maior ou indevidos de IPI, acrescidos de juros equivalentes a taxa SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada, podendo ainda estes valores serem compensados com quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. 3 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Em apertada síntese, requer a contribuinte que seja homologada a Declaração de Compensação (DCOMP)de fls. 02/06, alegando que houve equívoco no preenchimento da DCTF remetida à Receita Federal, o que foi posteriormente corrigido através da entrega da DCTF retificadora, corroborada pelas informações constantes na DIPJ apresentada. Ocorre que a Delegacia da Receita Federal entendeu por não homologar a compensação, referindo que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte. Ciente do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, contudo, sem apresentar parte da documentação informada, necessária para a análise do pedido, motivo pelo qual foi julgada improcedente a manifestação, restando não homologada a compensação pela DRJ de origem. Não obstante a ausência de parte da documentação comprobatória necessária na origem, motivo do indeferimento do pedido de homologação, a contribuinte recorre a este Conselho de Contribuintes anexando às suas razões a integralidade da documentação comprobatória necessária, o que justifica uma nova análise do seu pedido de homologação da compensação. Desta forma, verificada a documentação apresentada juntamente com o presente recurso, fazse necessária a análise do seu conteúdo probatório. Primeiramente, é necessário observar que a recorrente anexou a mencionada DCTF retificadora, estando esta em consonância com as suas razões recursais, tendo em vista que nela se pode verificar com clareza a informação referente ao crédito existente no período no qual, através da informação da DCTF apresentada anteriormente, haveria débito. Quanto à apresentação da DCTF e da DCTF retificadora, dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, que: Art. 8º Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, 4 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1 º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Art. 9ºA As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º A pessoa jurídica ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentos sobre as possíveis inconsistências ou indícios de 5 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 irregularidade detectados na análise de que trata o art. 7º. § 2º A intimação para o sujeito passivo prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012). Da análise da Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil acima transcrita, concluise que a DCTF retificadora substitui integralmente à original. Este é o entendimento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: APELAÇÃO CÍVEL Nº 2006.72.06.0006180/SC RELATOR: Des. Federal JOEL ILAN PACIORNIK EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CDA. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ. DCTF RETIFICADORA. PEDIDO DE REVISÃO DE DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. ENCARGO LEGAL. 1. Consoante disposição do art.204doCTNe do art.3ºda Lei nº6.830/80, a dívida regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez, a qual só pode ser ilidida por prova inequívoca em sentido contrário. 2. A DCTF retificadora substitui a DCTF anteriormente apresentada. 3. O Pedido de Revisão de Débitos Inscritos em Dívida Ativa da União não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, uma vez que não integra o rol das hipóteses legalmente previstas e aptas para tanto (art.151,III, doCTN). 4. Considerando que se encontra presente o encargo legal do Decreto Lei n1.025/69, não há falar em condenação da embargante ao pagamento dos honorários advocatícios. 5. Apelação improvida. (grifei) Havendo divergência encontrada na DCTF retificadora, esta deve ser objeto de auditoria interna da Receita Federal. Todavia, no caso em tela, a contribuinte apresentou também a DIPJ onde consta o crédito apontado, o que comprova a veracidade das suas informações, uma vez que é realizada a análise dos valores informados a título de créditos e débitos quando da apresentação desta, através do cruzamento das informações da Receita Federal com aquelas apresentadas na DIPJ pelo contribuinte. Desta forma, verificando a DIPJ apresentada, constatase que não existe débito no período informado. 6 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Acerca da análise, neste momento, da documentação comprobatória trazida aos autos somente quando da interposição do presente recurso, cumpre ressaltar que o processo administrativo fiscal tem por finalidade a apuração de fatos que podem ou não ensejar o direito de crédito para a Administração ou para o contribuinte. O processo administrativo tributário nada mais é do que uma revisão dos atos administrativos que culminam com o lançamento final do crédito tributário, de modo que o sujeito passivo possa discutir dentro do Executivo a existência de algum equívoco quanto ao lançamento do crédito tributário. É um instrumento de controle da qualidade que a administração dispõe para aperfeiçoar seus atos administrativos. Esta finalidade do processo administrativo enseja a aplicação, em seu âmbito, do princípio da verdade material. No caso dos autos, ainda que juntada posteriormente ao despacho decisório, bem como à decisão da DRJ de origem, a prova trazida aos autos deve ser apreciada para a melhor solução da controvérsia, uma vez que, de fato, comprova o alegado. Se o contribuinte alega ter o direto ao crédito,o qual requer a compensação, e traz aos autos, ainda que somente nesta fase processual, a prova deste direito, não há razão para negarlhe a homologação da compensação. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) aprecie e informe a existência de créditos e débitos, especialemnte pela análise da DIPJ onde consta o crédito apontado e a alegada a veracidade das suas informações; b) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias.julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. 7 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10875.902973/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, a advogada Liliane Patrícia Lima, OAB/DF nº. 31.749.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, a advogada Liliane Patrícia Lima, OAB/DF nº. 31.749. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1601; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 250 1 249 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.902973/200813 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3202000.137 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 21 de agosto de 2013 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente SEW EURODRIVE BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, a advogada Liliane Patrícia Lima, OAB/DF nº. 31.749. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto pela Recorrente contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas que, por unanimidade de votos, não homologou o crédito tributário. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 02 97 3/ 20 08 -1 3 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10875.902973/200813 Resolução nº 3202000.137 S3C2T2 Fl. 251 2 Para melhor elucidação dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela DRJ/Campinas: Tratase de Manifestação de Inconformidade, proposta em razão da expedição de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação Eletrônica ("PER/DCOMP"), cujos dados são os seguintes: ... O Despacho Decisório assim fundamentou a não homologação da compensação pretendida pelo Contribuinte: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, ..., mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado o Despacho Decisório, o Contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade, afirmando que seria detentor do crédito declarado, já que teria realizado recolhimento a maior e que teria, inclusive, retificado a respectiva DCTF, da qual apresenta cópia. Requer o acolhimento da Manifestação de Inconformidade, porque estaria "... demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito". Este é o Relatório. A ementa do acórdão da DRJ/Campinas é a seguinte: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO COMPENSADO Declaração de compensação, sem que o respectivo crédito esteja prévia e devidamente formalizado pelo Contribuinte, segundo os mecanismos institucionais e informatizados de controle da competente Autoridade Administrativa. No âmbito do processo administrativo fiscal, é pressuposto indispensável a efetivação da compensação a comprovação da existência e da demonstração do respectivo crédito. A mera alegação da sua existência, desacompanhada de provas, não basta para sua comprovação, por desatender As disposições do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. É o Relatório. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10875.902973/200813 Resolução nº 3202000.137 S3C2T2 Fl. 252 3 Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A questão central é fato de a Recorrente ter retificado DCTF após a prolação de despacho decisório, sendo que, com isso, teria realizado recolhimento a maior de tributo. O artigo 9º da IN RFB 1.110/2010 permite a retificação de DCTF a qualquer momento antes da remessa do débito para a PGFN, senão vejamos: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10875.902973/200813 Resolução nº 3202000.137 S3C2T2 Fl. 253 4 II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal Ora, a forma não pode prevalecer sobre a essência. Pelo que consta dos autos, pareceme que o ponto central do litígio decorre da existência ou não do crédito alegado pela Recorrente. Desse modo, converto o julgamento em diligência para que a DRF competente verifique e confirme, à luz da DCTF retificadora apresentada, a existência ou não do crédito alegado pela Recorrente nestes autos. Após a realização da(s) diligência(s), é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifestem acerca do tema. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 253DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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